P. 1
trabalho Teoria da Norma Jurídica

trabalho Teoria da Norma Jurídica

|Views: 369|Likes:
Publicado porigefem

More info:

Published by: igefem on Nov 09, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

10/08/2014

pdf

text

original

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS FACULDADE DE DIREITO

TEORIA DA NORMA JURÍDICA
“Trabalho de recuperação elaborado como exigência do processo de avaliação formativa da disciplina introdução ao Estudo do Direito B, ministrada aos alunos de primeiro ano, segundo semestre, do curso de Direito do período noturno, sob responsabilidade do Professor Nivaldo Dóro Júnior.”

Campinas

......................................................................................... 3 3................................ 13 3................ 12 3......... 4 3........ 3................... 14 3.... 18 5............................ Estrutura da Norma Jurídica............................................. Introdução ...6.... 3.......6..................................................................1....................................... Classificação das Normas Jurídicas .......1..................... 19 .. 3 2............2...................................................... Teoria da Norma Jurídica..............................2 Setembro de 2010 Sumário página 1......... A Norma Jurídica Atípica ............................... Conceito Geral .................. A Norma Jurídica Típica ...........4......................................... 5 3... 4 3....... 14 3.......................................................................6............... Bibliografia ........... Conceitos de Norma Jurídica segundo os estudiosos................2.................... Kelsen precursor do direito moderno.................. A Teoria Geral do Direito.................................. Conclusões ..... 15 4..........2.....................5......................................................................................................3.. Introdução ao Estudo do Direito “B”........................... Conceito de norma jurídica....................................2.................................................. 5 6 7 3..................1. Critérios de classificação da Normas jurídicas: .....................................................................2....................

História do Direito. “a questão o que é Direito?” Todas questões circulares referentes ao direito. soltas. as correntes filosóficas. discutimos basicamente como ponto central. marcada pela curiosidade. mas o nosso questionamento permeará o campo de uma discussão mais abrangente. flexíveis. Institutos mais normatizados. numa perspectiva mais técnica. Introdução ao Estudo do Direito “B” Em IED “A”. A Teoria Geral do Direito Planificação Jurídica Segundo REALE (2002). mais técnica. 2. Verdadeiros estudiosos do Direito aprimorando técnicas de estudo. Etnologia Jurídica e Psicologia Jurídica Política do Direito Dogmática Jurídica Como conhecer o Direito através da análise no Plano Filosófico e no Plano Científico. apresentado no quadro abaixo: Plano Filosófico Objeto Filosofia do Direito SER (Direito) Culturologia Jurídica Deontologia Jurídica Epistemologia Fato Valor Norma Plano Científico Teoria Geral do Direito Sociologia jurídica. . tal planificação refere-se aos Planos do Conhecimento Jurídico (Filosófico e Científico).3 1. em IED “B” também o enfoque é saber o que é direito. menos técnica. reflexões de caráter filosófico. o conceito de conhecimento. o estudo do fato jurídico (não um fato qualquer) numa dimensão filosófica é feito pela Culturologia Jurídica. Agora. Por exemplo.

3.4 “A Teoria Geral do Direito é o estudo científico das características jurídicas fundamentais [fato. Kelsen precursor do direito moderno No estudo da norma jurídica é essencial estudar Hans Kelsen (1881-1973) .1. A Dogmática Jurídica é o estudo da Norma Jurídica no plano técnico-científico. esvaziando todos os debates que não são técnico-científicos. da característica sua importância. Medieval. O encadeamento lógico e sistemático das normas jurídicas é função da Dogmática Jurídica. Aqui a expressão dogmática é usada.. com o lançamento de seu livro revolucionário sobre o estudo do direito “Teoria Pura do Direito”. pela perspectiva técnica (Plano Científico). Teoria da Norma Jurídica 3. Internacional. 2010).). Conhecer tal mecanismo é também conhecer o Direito. definirá o que é o Direito através de sua essência. mente de maior importância no estudo jurídico que já existiu. valor e norma] ou das estruturas lógicas da experiência jurídica em geral” (FERREIRA. Europeu. Dogmaticamente estudar o direito é conhecer a norma jurídica. a Política e a Dogmática Jurídicas. No qual funda uma nova maneira de conhecer o direito. Civil. Foi de sua autoria a Constituição da Áustria. Sua maior contribuição se deu em 1934. mas uma parcela da realidade jurídica obrigatória para o estudo do direito. Brasileiro. daí . não como dogma religioso.. que ganha uma identidade própria. afastando divagações sobre certo ou errado. A Teoria Geral do Direito estuda o Direito segundo três áreas do conhecimento científico: a Sociologia. Seu objetivo é alcançar a exatidão do direito. verdade absoluta. que não são normas. eliminando seus ismos. A Teoria Geral do Direito. comum a todas as suas categorias (Direito: Penal. a norma. Pois direito é norma. que influenciou Constituições de outros países. justo ou injusto.

Kelsen vislumbrou no conceito de norma um instrumento operacional importantíssimo para identificar analiticamente o direito. que carrega em si uma norma. conforme expressa no Prefácio à segunda edição: [.2. 121. o Direito passou a ser estudado cientificamente. então ruma novos caminhos. Quando digo que o direito é norma estou indo além da lei. p. Ao mudar para o EUA em 1940. Conceito Geral O que é a norma? Como é feita? Quais são suas características? O nosso propósito é saber o que é norma juridica.. enquanto regulados por normas (FERRAZ.5 A Teoria Pura do Direito foi o divisor de águas no estudo das ciências humanas. antes existia a discussão de Estado de Direito (Política) mais ligada à Filosofia e após. CP. .1. ainda melhor do que antes havia feito. a posição da ciência jurídica no sistema das ciências (KELSEN. p. 3. Pode-se dar na forma da lei. considerando que não dá para estudar o Direito sem discutir a justiça. a Lei é apenas o veículo de transmissão da norma. é uma idéia do que é permitido ou proibido fazer em sociedade. Pena: reclusão de 6 a 20 anos”. entra em contato com outro modelo jurídico (o Consuetudinário). 1998.]agora procuro resolver os problemas mais importantes de uma teoria geral do Direito de acordo com os princípios da pureza metodológica do conhecimento científico-jurídico e. Este pensamento só foi possível pelo veículo da lei. A norma é um pensamento. 2001. por exemplo: Art. e em 1960 lança a segunda edição de sua obra na qual deixou para trás o mal estar causada pela primeira. A leitura dessa Lei leva ao pensamento (idéia) de proibição: é proibido matar (norma).2. “Matar alguém. Conceito de norma jurídica 3. Afirmou que o cientista do direito só pode conhecer os comportamentos humanos ou a conduta de um indivíduo perante outro. ao mesmo tempo.. precisar. Quando me refiro à teoria da norma não estou me referindo à teoria da lei. [999]). Norma jurídica não é lei porque a Lei é uma forma escrita. 97).

Segundo Goffredo Telles Jr. 2004.]uma estrutura proposicional enunciativa de uma forma de organização ou de conduta. diferenciando-a das leis físiconaturais. 523).. que deve ser seguida de maneira objetiva e obrigatória (REALE. ou seja é um mecanismo formal de composição estrutural que dá permissão ou proibição jurídica ao destinatário. > Para REALE. distinguindo-a das demais normas (Apud DINIZ. A norma jurídica é uma estrutura lógica. 3. p. p. a estrutura lógica da norma jurídica pode ser enunciada do modo seguinte: Em determinadas circunstâncias. Conceitos de Norma Jurídica segundo os estudiosos: > Segundo o autor da Teoria Pura do Direito. . um pensamento ou uma idéia. uma norma jurídica é definida como: [. > TELLES não conceitua a norma jurídica. > Já o estudioso LORENZETTI define a norma jurídica acrescentando “garantida pela sociedade” à definição dada por REALE (2002. incluindo-a no grupo das normas éticas que regem a conduta humana. um determinado sujeito deve observar tal ou qual conduta. por ser um objeto abstrato. simplesmente aponta seus predicativos: imperativo-autorizante. outro sujeito. portanto aqui o Direito aproxima-se da Matemática que trabalha com objetos lógicos formais (ciência lógica).2. a característica de bilateralidade atributiva do Direito. 95). ela é apenas um esqueleto vasado. 2002. Você não vê a norma jurídica. p. é um objeto lógico. e o autorizamento indica sua diferença específica. 2002. 101). Para Kelsen e Reale a norma jurídica é uma “estrutura”.6 A norma jurídica.2. p. não a toca.. arquetipo que pode ou não ser preenchido. órgão do Estado. A imperatividade revela seu gênero próximo. se não a observa. deve aplicar ao infrator uma sanção (KELSEN apud NADER. assim no aspecto conceitual. 95). ela é um objeto abstrato pertencente ao mundo fático ou jurídico. a norma jurídica é imperativo-autorizante.

Estrutura da Norma Jurídica A estrutura lógica da Norma Jurídica é representada pelo Modelo EsquemaEstrutural. abaixo: A incidência dos valores sobre o prisma fático resultam as proposições normativas que passam pelo crivo do Poder (Estado). Assim ao afirmar que a “norma jurídica é uma estrutura proposicional”. 3. É sempre um contato dialógo-social.3. Percebo que a norma jurídica transforma a realidade É. como deve ser no movimento pendular de transformação da realidade É para o DEVER SER a partir da vontade do Poder. Pois ao verbalizar um juízo (pensamento) servindo-se de uma forma comunicativa-social (escrita e/ou oral) temos como resultado uma proposição dialógica. e podem ou não alcançar o status de norma jurídica. É uma idéia a ser transmitida de alguém para outra pessoa em diálogo subjetivo e não simplesmente uma permissão ou proibição jurídica ao receptor. mas justamente por que ela É que a norma jurídica traduz uma realidade do DEVER SER. ou seja o Poder (representado por uma pessoa legitimada e competente) seleciona uma proposição para integrar a norma jurídica. Aquilo que DEVE SER a partir da realidade É. A norma jurídica pressupõe uma comunicação. Reale diz o mesmo que Kelsen dizia mas vai além. Ou seja a passagem do SER ao DEVER SER se dá através do resultado de um diálogo-social .7 Uma proposição encerra um juízo (lógico): “S é P”. justamente porque ela é submetida ao crivo da vontade da própria norma. em forma escrita ou oral.

“[. apontando sua essência. Ou seja. a hipótese normativa descreve a situação de fato.. B deve ser.: Art. B= Consequência Jurídica. [Consequência Jurídica] deve ser ou simplificando: Se A é. 121. condição necessária e suficiente para a aplicação da norma jurídica. A Hipótese Normativa (essência/fato-tipo) consiste sempre em um Se. Quando leio a norma jurídica significa ler como as coisas devem ser. tem-se a projeção do que está na norma mas não é a realidade.] a norma jurídica é sempre redutível a um juízo ou proposição hipotética. de ocorrência possível no mundo real (pressuposta).. 2002.]” (REALE. e descreve uma situação fática não mais no concreto mas no abstrato. .8 modificado pela vontade reprogramada do Poder. Norma jurídica só expressa a realidade do DEVER SER (normativo) porque a realidade é como é e não como deve. “Matar Alguém.. abstrata (não trata do real) e hipotética (principal característica). fruto da vontade do poder. A norma jurídica é uma proposição com as seguintes características: valorativa (prescritiva de uma realidade do dever ser). Ex. segundo o esquema abaixo: Se [Hipótese Normativa] é. Toda norma jurídica é uma proposição hipotética por possuir em sua estrutura uma hipótese normativa que se verificada ocasionará uma consequência jurídica ou seja a norma jurídica é hipotética porque parte de uma realidade que é como é. selecionada pelo Poder normativo. partindo da realidade. CP. Portanto a norma jurídica existe a partir de uma situação fática desvalorada. 93). p. escolhida pelo Poder normativo. no plano abstrato.. na qual se prevê um fato [Hipótese Normativa] ao qual se liga uma consequência [. para integrar o comando normativo. Pena: Reclusão de 6 a 20 anos”. que se faz necessária e suficiente à aplicação da norma. mas não como deve. Lendo o esquema estrutural. Onde A= Hipótese Normativa.

situação fática. Eu não vou preso mas devo ser preso. Tipologia é a essência. “Matar Alguém.: Art. é mais textual. esse é fato-tipo dentro da realidade. v. A norma jurídica contém de maneira lógica uma conduta “deve ser”. penso: “Se [eu matar alguém]. e honorários de advogado”. “Não cumprida a obrigação. [devo ser preso]”. Na lei penal o legislador escreve de modo peculiar. Ex.9 Ao ler esta norma. é o conceito. A Hipótese Normativa. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. necessária e suficiente à aplicação da norma jurídica. Sua hipótese normativa estabelece uma negativa do que devo fazer. Mas a lei civil não é tão clara assim. A Hipótese Normativa é uma fato-tipo dentro de uma realidade. Se [eu matar alguém]. em uma realidade fática. Tipo. Se eu o fizer sou . para não gerar dúvida no destinatário. abstrata. A hipótese normativa “Se eu matar alguém” é clara e objetiva. CP. isso significa que posso ou não ser preso (Não é uma norma natural mas sim cultural normativa). O criador da norma seleciona. também é conhecida como fato-tipo ou fato-espécie que no Direito Penal denomina-se fato típico. então [devo responder por perdas e danos. e honorários de advogado]. No exemplo já citado. não importa. Se [eu não cumprir a obrigação]. o fato-tipo é representado sempre por um verbo. se vai ocorrer o evento ou não. 121. com objetividade. ou seja um dever comportamental. responde o devedor por perdas e danos. Hipótese normativa = “ Se eu não cumprir a obrigação”.g: Art. Pena: Reclusão de 6 a 20 anos”. a hipótese normativa “Se eu matar alguém” é algo que a norma não quer que eu faça. 389 CC. é a essência extraída do concreto. apenas uma hipótese para integrar o comando normativo. A norma jurídica faz uma hipótese. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. então [devo ser preso]. da realidade multifacetada.

Por outro lado. também é natural. algo muito ruim.. a seguir em capítulos específicos. só existem normas sancionadoras pois é a sanção que garante a coercibilidade e a atributividade do comando normativo.Sanção é punição. A antiga citação . castigo. o auto-flagelo e a oração. para a corrente dos sancionistas. dor. hipotéticas ou comportamentais (de conduta). Devolver o mal a quem nos fez mal. representado por Rudolf von Jhering.. Pela razão o homem é capaz de controlar a emoção. 2ª) impulso de vingança. representado por Kelsen. hipóteca ou comportamental. A consequência Jurídica ou sanção é característica das normas típicas. Mas por que associamos sanção a algo ruim. Neste caso. É próprio da humanidade ter dentro de si uma fera bestial (animalidade) que só não se manifesta por que é dominada pela racionalidade espiritual. Segundo a ideia das religiões antigas e modernas. Essa corrente estabelece que a norma será jurídica quando seu comando normativo criar. Com base nesta definição classificam-se as normas jurídicas em típicas e atípicas. o jejum. 3ª) ideia retributiva. O ser humano tem vontade de vingar após receber uma ofensa (ideia retributiva). Mas o que vem a ser a consequência jurídica dentro de uma norma típica? Ou o que é sanção? Naturalmente a primeira ideia é de pena. A presença ou não de sanção na estrutura da norma jurídica não é importante para a corrente dos não-sancionistas. alterar ou extinguir uma realidade jurídica comportamental ou estrutural. como a dor e a pena? Enumeramos possíveis motivos: 1. que serão tratadas. pelas penitências. estamos diante de uma norma típica. os impulsos e as vontades e aprisoná-los na racionalidade espiritual que lhe dá a tranquilidade. Associada à ideia de vingança que virou posteriormente vingança divina.10 submetido à sanção pois infringi a norma. a culpa e o pecado só podem ser reparados perante Deus pelo sofrimento.ª) relacionado à violência natural enraizada no ser humano.

Por exemplo. mas tal modelo não funciona. o filósofo inglês Jeremias Bentham discutirá a “utilidade da pena”. a humanidade tenta consertar o mundo aplicando o mesmo modelo punitivo retributivo sem resultado. Bentham dividiu a sanção em  ( +)  PREMIO  Modelo PREMIAL O Modelo Penal. traz sanção negativa: Se A é. B deve ser. nasce a Teoria Utilitarista. invalidar os efeitos da conduta. B = conduta e C = sanção . serve para preservar.)  CASTIGO  Modelo PENAL J.. A ideia da dor como único caminho para a redenção levava os povos medievais a aplicar o máximo castigo.. a pena de morte. mas punir não. positiva. Se um crime é um mal e a esse mal eu agrego um mal (pena) como pode resultar um bem? Simplesmente estou ampliando o mal. pois o criminoso é levado à penitenciária. Assim. a tortura. anular o ato. um dos elementos estruturais da norma jurídica. Onde A = realidade. se a sançao não é necessariamente algo ruim.. O marquês de Beccaria com “Delitos e das Penas” critica veemente as penas cruéis.11 religiosa “Faça o bem e ganharás o paraíso” dá a ideia de justiça retributiva que vigora até hoje. pois a cada dia que passa vivemos uma escalada de violência. Punir e castigar não trará nenhuma vantagem à sociedade. uma sanção violenta ao criminoso para levá-lo à máxima dor. recompor (reconstituir) o “dever ser” normativo. para lá sofrer a pena. restituir algo. Posteriormente. ( . eventualmente violado.Anular o ato é essencial. no século XVIII. um castigo desmedido. fruto da crítica de alguns pensadores ao modelo punitivo retributivo. Se punir não é fundamental. por que não pensar numa sanção boa. A finalidade da sanção passou a ser discutida a partir do pensamento de Bentham. A sanção. senão C. dizia Bentham. Há três mil anos..

indica que é ruim. B deve ser. Onde A = realidade.: Doação de sangue. Ex. As pessoas devem doar sangue para receber o direito à fila especial (premio = fila especial). Pena: Reclusão de 6 a 20 anos”. “Matar Alguém. para C. Se A é. p. Se [eu viver em sociedade]. [consequência jurídica] deve ser Ou. O Modelo Penal está ultrapassado. É uma norma jurídica comportamental. devo [respeitar a vida alheia]. primária ou principal contém o fato-tipo em si.4. 121. 3. um premio. Ex.12 O senão indica coisa que não quero receber. Segundo REALE (2002. abaixo: Se [realidade] é. encontramo-nos em outro estágio. A Norma Jurídica Típica Para os não-sancionistas. Conceito representado pelo Modelo Biproposicional. temos: Se A é. não o da passionalidade. B = conduta e C = sanção O para indica algo que quero receber.: Art. senão [sofro pena detenção de 6 a 20 anos]. a norma jurídica típica. Para o Modelo Premial. CP. ) “toda norma jurídica de conduta se desdobra em duas normas que se conjugam e se complementam”. [conduta] deve ser Se [hipótese normativa] é. Formulação lógica: B deve ser . fixa um padrão de conduta e prevê uma sanção para o destinatário que violá-lo.

conduta desvalorada) devo pleitear de boa-fé. em sociedade.5. (H. que na condição de conduta contrária deve seguir-se um ato coativo como conseqüência. 439. Se eu viver em sociedade. Art. uma conduta desvalorada. (consequência Jurídica ou sanção) 3. réu ou interveniente. (conduta valorada) devo responder por perdas e danos (conseq.N.1: Art. quando este o não executar”.] interveniente.N. (realidade pressuposta) Se eu matar alguém. (consequência Jurídica ou sanção) Em que circunstâncias fáticas faz sentido respeitar a vida alheia? Se eu viver com outra pessoa. C deve ser. .: 3. conduta desvalorada) . “Responde por perdas e danos aquele que pleitear de má-fé como autor. réu ou interveniente”. é algo que a norma jurídica não quer que eu faça. Ex. (realidade pressuposta) Se eu pleitear de má-fé como autor[.: 2. Art. numa realidade pressuposta.13 Se não B. Norma Jurídica Atípica . CP.. A Hipótese Normativa é a negativa do que devo fazer. (Hip. Se eu for autor.. este (o terceiro)deve executar (conduta valorada) eu devo responder por perdas e danos. 16. CPC. Pena: Reclusão de 6 a 20 anos. CC.jurídica) Ex. A proposição jurídica enuncia de maneira completa. conduta desvalorada) devo respeitar a vida alheia (conduta valorada) devo ser punido com reclusão de 6 a 20 anos. 121. Ex.N. Matar alguém. “Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas e danos. Se eu prometer fato de terceiro (realidade pressuposta) Se eu tiver prometido o fato de terceiro e este o não o executar (Hip.

fruto do Direito. I. foi criada pela cultura. quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal”. (modelo categórico) Brasília não é naturalmente a capital federal. “Crime consumado.: Art. realidade normativa valorada. No Art. são aquelas que criam uma realidade jurídica estrutural que não existe. pois se fosse não precisaria de uma norma para tal. § 1º CF. Obviamente que Brasília não é a capital federal naturalmente. O modelo Categórico é de estruturação simples. b) interpretativas – servem-se para explicar determinado conceito jurídico.14 As Normas Jurídicas Atípicas. Podem ser: a) de organização ou estruturais propriamente ditas. Ex. 3. mas cria situação jurídica normativa ou seja cria uma realidade. pois a norma jurídica atípica não possui hipótese. onde A é uma realidade valorada pelo dever ser. 18. Enquanto a norma típica é hipotética (hipótese mais consequência) a norma atípica é de modelo categórico. 14. Ex. Secundárias ou Acessórias são estruturais. Modelo Categórico da Norma Atípica: A deve ser.: Art. consequentemente não possuem sanção. 18. não se referem ao comportamento humano. temos que: Brasília deve ser a capital federal. I .consumado. Classificação das Normas Jurídicas . não pressupõe realidade ou situação fática. § 1º CF.”Brasília é capital federal”.6. CP. Brasília é capital federal. em suas estruturas não existe Hipótese Normativa.

São normas comportamentais.6. II – Quanto ao Território ou critério Político-Espacial: Uma norma jurídica resulta de um processo no qual as proposições normativas. Conhecer cientificamente algo implica em classificá-lo. o Poder Executivo tem Soberania sobre um Território que tem um Povo. se refere . 3. Procura a essência do objeto. A Soberania é a independência de um povo. resultante de um fato valorado. Executivo e Judiciário. e não outra coisa.Quanto ao Modelo Lógico as normas jurídicas dividem-se em : a) Típicas ou Primárias ou Principais são de Modelo Hipotético (Hipótese/Consequência). O Estado é o Povo.1. São normas estruturais de organização e interpretativas. um recurso para se chegar ao conhecimento. Critérios de classificação da Normas jurídicas: I . não é ciência. Posso conhecer as normas jurídicas sobre diferentes critérios de classificação por que posso conhecer um objeto sob inúmeras perspectivas. é apenas um instrumento. O cientista procura algo que torna o objeto o que é. b) Atípicas ou Secundárias ou Acessórias são de Modelo Categórico. A importância da classificação da norma jurídica sob o critério de Território. ou vários cientistas conhecem o mesmo objeto sob ângulos diferentes. Território e Soberania.2.6. encontrando a constância do ser. Onde Território mais Soberania dá o Poder representado pelo Legislativo. sancionadoras. buscar o gênero próximo e a diferença específica. A ciência faz-se no gênero e não no objeto individual. Exemplificando. uma das três Estruturas do Conhecimento Científico que permite alcançar a essência do objeto. são submetidas ao crivo do Poder (Estado). que seleciona uma única proposição segundo sua vontade. Introdução A Teoria da Norma Jurídica classifica as Normas Jurídicas através da Tipologia.15 3. A classificação. sob diversos pontos de vista. simples (não há hipótese).

Normas de Direito Interno estão vinculadas às relações que ocorrem dentro do território. Ou seja não adianta um Estado que não tem poder sobre um Povo criar norma para este Povo. III – Quanto às Fontes. são normas administrativas (atípicas). de prática uniforme e continuada observadas por grupos sociais. e as Excepcionais.g. criadas pelo Poder Executivo com função de gerenciar os bens públicos e normas legislativas (leis ou normas jurídicas típicas) editadas pelo Poder Legislativo. a nova Lei do Divórcio surgiu para sanar lacunas da Lei anterior. Podem ser: a) Federais: abrangência nacional.: Lei de Estado de Sítio. Normas de Direito Externo: regulamentam as relações internacionais externas aos países.16 a validade da norma ter sido criada por um Poder que tem Soberania sobre este Território que possui um Povo. v. que tem força de Lei. em especial a Súmula . Podem ser: a) Direito Internacional Público: relações entre Estados e entre países (basta que uma das partes seja o Estado).: Lei Boca de Urna.g. b) Estaduais c) Municipais 2. c) JURISPRUDÊNCIA – A Jurisprudência (decisões dos Tribunais). v.g. Vinculante do Supremo Tribunal Federal. Temos: 1. v. . tornam-se normas jurídicas quando se transformam em Súmulas. b) CONSUETUDINÁRIAS – Costumes são convicções gerais (normas de conduta). d) NEGOCIAIS – Contrato “faz lei entre as partes” IV – Quanto à Validade Temporal: a) de vigência indeterminada b) de vigência determinada: Temporais (com tempo certo para existir). b) Direito Internacional Privado: relações entre particulares de países diferentes. quanto ao seu surgimento ou origem: a) LEGAIS – As Leis são fontes de norma jurídica.

tais normas não deixam opção. 327. v.Quanto à Imperatividade as Normas Jurídicas podem ser: a) de imperatividade absoluta ou impositivas. Afirmam como deve fazer. VIII – Quanto à violação. v. a CLT. b1. escolha entre opções dadas. a norma jurídica dá liberdade de fazer contratos diferentes dos estipulados pelo Código Civil.não anula o ato praticado e pune o infrator – referem-se à aplicabilidade. b) de imperatividade relativa ou dispositiva. As Permissivas dão liberdade de escolha fora da norma.anula o ato praticado e pune o infrator c) Normas menos que Perfeitas . Manda e pronto.g. v. b2. o art. São normas cogentes. o “Código Civil de 2002”. c) Consolidadas . v.g. É discricionária.g. VI – Quanto à Sistematização as Normas Jurídicas podem ser: a) Extravagantes .destinadas a corrigir pequenas alterações que o Código não trata. esgotado. porém estabelece uma condição default (padrão). b) Codificadas – várias normas jurídicas dispostas sistematicamente formando um Código Normativo. CC: ” Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor. 425. Ou seja. indicado pelo OU. o art. Não são Codificadas e nem Consolidadas.reunião de várias normas extravagantes em uma única Norma. que podem ser permissivas ou supletivas. Subdividem-se em Afirmativas e Negativas. VII . O assunto já foi tratado totalmente. salvo se as partes convencionarem diversamente. ou se o contrário resultar da lei.anula o ato praticado b) Normas mais que Perfeitas . observadas as normas gerais fixadas neste Código".17 V – Quanto à Natureza de suas Disposições (Em nosso ordenamento jurídico existem duas): a) Substantivas ou de Direito Material – referem-se à constituição de meu direito b) Adjetivas ou de Direito Processual Processual. da natureza da obrigação ou das circunstâncias”.g. As Supletivas. ao Roteiro . consequência jurídica diante da violação da norma jurídica: a) Normas Perfeitas . CC: "É licito às partes estipular contratos atípicos.

Esta passagem do SER ao DEVER SER se dá através do resultado de um diálogo-social modificado pela vontade reprogramada do Poder. uma das três estruturas do conhecimento científico. Mas ideia de sanção como puro castigo é ultrapassada. normativa jurídica. esta é apenas um veículo de transmissão para aquela. As Normas Jurídicas acompanham as mudanças sociais. se eventualmente violado. Conclusões A norma não é Lei. através da Tipologia. e não submeter a um sofrimento físicoespiritual àquele que infringiu a norma jurídica. 4. em busca da essência .18 d) Normas Imperfeitas . selecionando uma nova realidade entre múltiplas apresentadas para configurar como essência do comando normativo e atender os anseios da sociedade. uma ciência da lógica. uma sanção ou uma pena para aquele que descumpri-la. um objeto abstrato e lógico e por isso aproxima-se da Matemática. A norma comportamental fixa um padrão de conduta e prevê uma consequência jurídica. sua finalidade é recompor o “dever ser” normativo.não anula o ato praticado e não pune o infrator. as alterações dos comportamentos humanos ou seja as transformações no campo jurídico correspondem ao movimento pendular da realidade do SER para o DEVER SER normativo. A norma jurídica é uma idéia reprogramada (dever ser) pelo Poder (aquele com legitimidade e competencia para criá-la). A norma jurídica é lógica por ser um pensamento. uma idéia. A importância da classificação das normas jurídicas . é possibilitar o desenvolvimento do estudo científico do Direito ou dessas próprias normas.

KELSEN. REALE. PUCCAMP. 10ª ed. NADER. 25ª ed. L. São Paulo: Saraiva. 2010. Anotações em sala das aulas de I. 2001. Lições Preliminares do Direito. FERREIRA. . Nivaldo Júnior. Introdução ao Estudo do Direito. Introdução ao Estudo do Direito.19 5. “B”. ministradas pelo professor DÓRO. Tércio Sampaio Jr. Hans.Tradução João Baptista Machado. 2002.D. Teoria pura do direito. Campinas.L. 3ª ed.Bibliografia DINIZ. 6ª ed. FERRAZ. Maria Helena. São Paulo: Saraiva. Miguel. Compêndio de Introdução à Ciência do Direito. São Paulo: Atlas. Paulo. São Paulo : Martins Fontes. 25ª ed. 1998.E.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->