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~- BENTO DE JESUS CARAÇA 3.A EDIÇÃO CÁLCULO VECTORIAL I LISBOA 1 9 6 o

~-

BENTO DE JESUS CARAÇA

3.A EDIÇÃO

CÁLCULO VECTORIAL I

~- BENTO DE JESUS CARAÇA 3.A EDIÇÃO CÁLCULO VECTORIAL I LISBOA 1 9 6 o -
~- BENTO DE JESUS CARAÇA 3.A EDIÇÃO CÁLCULO VECTORIAL I LISBOA 1 9 6 o -

LISBOA

1

9

6

o

-.

··~

Composto

Impresso

na

TIPOGRARIA MATEMÁTICA, LDA.

R. Dl6rlo de Noticies, 134, 1."-Esq .

BENTO DE JESUS CARAÇA

CÁLCULO VECTORIAL

J.A

EDIÇÃO

LISBOA

1

9

6

o

OBRAS

DE

MATEMÁTICA

DO

MESMO

AUTOR

Lições de Algebra e Análise, Vol. 1-

Lições de Algebra e Análise, Vol. 11 -

Interpolação e Integração Numérica - 1933 {esgotado).

Cálculo Vectorial -

Conceilos

1935, 1945 e 1956. 1940, 1954 e 1957.

1937, 1957 e 1960.

Fundamentais

da Mate mática, I Parte -

Junho

Agosto 1941, 1942, 1944 e 1946.

1941,

Conceitos Fundamentais da Matemática, 11 Parte- 1942 e 1944.

Conceifos Fundamentais da Malemática, I, 11 e III Partes - 1952 e 1958.

1951,

A prim eira ediçtlo desta obra apa1·eceu em 1937 e constitui a

primeira das publicações do Núcleo de .Matemática, Fisica e Quim?·ca,

congregação de antigos bolseiros no estrangeiro do Instituto de Alta

Cultu1·a.

2.a ediçao deve a revis 11o d as suas provas aos Ex. mot S1·s.

Drs. Alfredo da Gosta Mú·anda e Augusto de Macedo Sá da Gosta.

A

A revisao das p1·ovas desta 3 . 4 ed1'çao foi feita pelos E x.'" 0 ' Srs.

Drs.

e Joaquim José Paes Motaes.

Alfredo da

Costa Mtranda,

Jaime da G1·uz Campos Fert·eira

Para todos a expressao sincera do maior agradecimento.

Lisboa, Junho de 1960.

CITAÇÕES

J.

M.

G.

As referências a números de fórmulas, parágrafos e capítulos são dadas em tipos e corpos diferentes, de acordo com os segui ntes exemp :os:

Pág. 118, linha 10:

f2. 9) -+ parágrafo 9 do capitulo II.

45) do parágrafo 7 do capítulo I.

Den tro de cada parágrafo, a referência a uma fórmula do mesmo parágrafo faz -se pela simples indicação do seu número. Exemplo: Pág. 118 1 linha 20: (50)] - fórmula 50) do mesmo parágrafo.

Pág.

82, linha 17:

[1 . 7, 45)]-+ fór mula

TÁBUA

DE MATÉRIAS

Pdg.

Capitulo 1. 0 -

.Álgeln-a Vectorio!

 

1

I.

Fundamento!!

.

1

II.

III.

Produtos e operadores.

 

59

!\fomentos

72

Bibliografia.

77

Exercícios •

77

Capítulo

2. 0

-

.Álgebra

Teti80I'Üll

79

I. Transformações lineares

II.

Exercícios

79

Álgebra tensorial Bibliografia.

114

123

123

Capítulo 3. 0 -

Análise Vectorial

125

I. Infinitésimos.

125

II.

Derivação ordinária

135

III.

Aplicações geométricas

167

IV.

Derivação tensorial e derivação dirigida

186

Bibliografia.

189

Exercícios

.

190

Capítulo

4. 0 -

Teon·a do. Cantpos

 

193

I. Operadores diferenciais

II. Fluxo e circulação . Resumo •

193

21:>

240

Bibliografia.

.

242

Exercícios . Indice de nomes

242

245

Indice alfabético de matérias

241

Cap. I.

,

Algebra Vectorial.

I.

FUNDAMENTOS.

1. 1.

Histórica.

O cálculo vectorial é de constituição relativamente recente e anda ligado, na sua origem, à procura duma possível represen- tação g~ométrica dos números imaginários. Por isso, os vectores aparecem, considerados como linhas dirigidas, na obra de C. Wes -

sel,

A rgand,

pu bli-

imaginaires dans les constructions g éométriques ( 1 ~06). Com a

Essai

sur

E.1sai

la

rep?'éllentation

de

ume

maniere

la direction

de

t·eprésenter

(1797)

les

e

de

J.

sur

quantités

caçào das obras de G. 13 ~ llavitis sobre as eqoipolências (a partir

de 1832) da Atudehnung.~leltt·e de H. Grassmann (a partir de 1844)

e dos trabalhos de W. Hamilton sobre os Quaterniões (a partir de

184.}), pode considerar-se fechado o primeiro ciclo, o ciclo pre-

paratório, da história do Cúlculo Vecto1·ial. Deve·se principalmente a J. W. Gibbs e O. Heaviside (ambos na segunda metade do século xu) a estruturação deste ramo das ciências matemáticas com a forma que hoje apresenta. Define-se ainda hoje, frequentemente, vector como um segmento de recta orientado, tomando-o, portanto, como uma entidade de carácter geométrico, como o era para os iniciadores do cálculo

vectorial. Mas os modernos pontos de vista sobre este corpo de doutrina não se compadecem com tal critério fundamental- há que,

de segmento orientado, deduzir

a partir

outro, de carácter analítico, que fará., propriamente, o objecto de estudo do ramo de Análise que designamo!! por Cálculo Vectorial. É essa orientação, seguida, por exemplo, por M. Lagally- Vektor-Rechnttng, a adoptada nos parágrafos seguintes.

do

conceito geométri

:o

2

CAP. I. ÁLGEBRA VECTORIAL

1. 2.

Segmento orientado. Translacção.

Definições. Consideremos uma recta R) e a partir dum ponto

arbitrário O, fixemos sobre ela um sentido positivo e um sentido negativo (fig. 1).

coa venção da existência de sentidos opostos numa mesma recta é fundamental em tudo que vai seguir-se. Ela permite-nos, a

partir de cada segmento ou porção da recta, definido por dois pontos

o seg-

mento de A para B, origem A e extremidade B, que representa-

remos

midade A, que representaremos por

Um segmento dirigido ou 01·ientado é, por consequência definido

por dois pontos quaisquer do espaço, A e B, e pela adjunção do conceito de ordem a que se sujeitam esses dois pontos. Dois segmentos dirigidos que diferem um do outro apenas pela ordem dos pontos que os definem, dizem-se opostos: o segmento dirigido B A é o oposto do segmento dirigido A B. Chama-se módulo dum segmento orientado A B à distância, em valor absoluto, dos dois pontos A e B; representá-lo-amos por modA B.

por A B, e o segmento de B para A, origem lJ e extre·

 

A

 

A

B

 

Flg.

1

A

e

B,

distinguir dois segmentos dirigidos ou orientados -

B A.

+ ou o sinal - , conforme o

sentido de A para B coincidir ou não com o sentido positivo da recta sobre a qual existe A B; ao número assim obtido dá-se o nome de medida algébrica de A B e representá-lo-em os por med A B; tem-se portanto med A B = +modA B conforme o sentido de A B for positivo ou negativo, em relação ao eixo sobre o qual se encontra:

Atribuamos a modA B o sinal

1)

med A B =

{

+ mod A B +- A B tem

sentido positivo

-

mo•.b

.J A B

-

A B

tem senttuO negatwo.

·.1

Qualquer que seja o sinal do sentido de AB, é sempre verdade que

2)

Dá.se o nome de translacçlto a todo o movimento dum corpo no espaço tal que as posições inicial e final de cada um dos seus pontos definem segmentos orientados paralelos e com as mesmas medidas algébricas (igualdade de módulos e de sentidos).

med A B =

-

med B A •

PARÁGRAFO 2

Uma translacção fica conhecida portanto desde que se conheça o segmento orientado definido pelas posições inicial e final dum dos pontos do corpo cons iderado; as posições finais dos outros pontos são determinadas por segmen- tos orientados paralelos e de medidas algébricas iguais ao primeiro. Este facto vem chamar a atenção para o papel importante que desem· penha a existência de segmentos orien-

tados nas condições indicadas, a que chamaremos segmentos equipolentes. Dois segmentos equipolentes A B e A'B' (fig. 2) são portanto tais que os quatro pontos A, B, A', B', definem um paralelo-

gramo, a não ser que A B e A' B' existam sobre a mesma recta; neste caso a equipolência é definida simplesmente pela concordância de sentidos e igualdade de módulos. Sempre que nos quisermos referir, indistintamente, ao segmento orientado A B e aos seus equipolentes, diremos que A B é definido ou dado a menos duma equipolência. Estas definições permitem-nos agora dizer que toda a translacçtlo no espaço é, independentemente do local em que se realiza, determi- nada univocamente por um segmento orientado, dado a menos duma equipolência; representaremos a translacção, determinada pelo segmento A B, por tAs.

4. 1 B', A B se pode

fazer coincidir com A' B' por meio da translacção t (v . fig. 2).

Consideraremos ainda como iguais todas as translac«:ões que só diferem pelo local do espaço em que se efectuam, isto é, que são determinadas pelo mesmo segmento orientado, definido a menos duma equipolência:

Flg. 2

Da qui resulta que se A B é equipol~nte a

u

3) tA n = tA' B' +- A B equipolente a A' B' .

Chama-se

translact;tlo nula aquela

em

que a origem coincide

com a extremidade e escreve-se

4)

Ao segmento orientado mento nulo, e escreve-se

correspondente chama-se, ainda, seg-

4

CAP. I.

.

ALGEBRA VECTORIAL

que está dito deduz-se que as propriedades

da igualdade de translacções são a resultante imediata, o decalque

das da equipolência e reclprocamE>nte. Ocupemo-nos destas.

Propriedades.

Do

1. • (reflexiva).

Todo

o

segmento

orientado

é equipolente a

si

mumo,· é uma consequência imediata da definição.

 

2. a (simétrica).

Se

A B

é equipolente a

A' B',

também

A' B'

é

equipolente

a

A B ;

com efeito, o

paralelogramo

definido

por

A,

B,

A',

B'

é o mesmo que o definido por

A',

B',

A,

8.

3.a (transitiva.). lente a A" B",

ção resulta que

este a A B) que os sentidos coincidem e que é

Se

A B

éequi'polente a

A" B";

.A'B'

com efeito, da defini-

e

A'B'

eqwpo-

e

é

A B

equipolente a

é paralelo a.

A ' ' B''

A B

(por ser parale l o a

A' B '

modA'' B" =m odA' B' =modA B.

1. 3.

Composição de translacções.

Sejam

dadas duas translacções pm·alelas; como os segmentos orientados que as definem são definidos a menos duma. equipolência [1. 2], pode sempre supor-se que eles estão sobre a mesma recta e que, além disso, a origem dom coincide com a extremidade do outro. Sejam

então A B e B C esses segmentos e tAn e tJJu as translacçõos correspondentes. Consideremos a translacçlio t.Ao cuja origem é a vrigem da primeim e cuja extremidade é a extremidarle da segunda. Aopera- ção pela qual às translacções tAs e t 8 o se faz corresponder t.Ao chama-se composiçllo ou adição de trnnslacções ; à trao lacção

translacções t 8 e t 8 o e

escreve-se

A).

Translacções com a mesma direcção.

Definição.

t.Ao

chama-se resultante

ou soma das

~

6)

ao segmento orientado AG chama-se, ainda, soma doa segmento~ orientados A B e B G e escreve-se

PARÁGRAFOS 2 e 3

As igualdades 6) a 7) não são, afinal, mais rlo que tradoções diferentes da mesma operação fuodame.ntal- a da composição de duas translacçõea ou dos segmentos orientados correspondente8. Como se vê, a operação é de efectivaçiio simples : faz-se coinci- du· a origem duma (a segunda) com a

extremidade da outra (a primeira) e toma-se n transla.cção deterrninad11 pela origem da primeira e extremidade da seguorla. Na figura jontn estão figu-

rados casos que podem apresentar-se

qunnto aos sentidos dos segmentos orientados.

As setas inferiores representam os sentidos dos segmentos a compor; as superiores o do segmento soma. Em particular, tem-se imediatamente a partir da definição

e

A-.a

c

A:

~C:

-_

,.,.B

A

B

Fig.

3

de

[1.

2, 4)]

on

8)

9)

tAB +toA= (u = 0

,.,.B A B Fig. 3 de [1. 2, 4)] on 8) 9) tAB +toA= (u =

que nos indica que a soma de dois segmentos orientados opostos é nula.

A coo trução da soma mostra ainda que entre as medidas algé- bricas se verificam, quaisquer que sejam os sentidos dos segmentos considerados, as relações

10)

med A O =

med A B + med B C ,

e, em particular,

11)

med A

B + med

B

A

=

O

que coincide, aritmàticnmente, com [1. 2, 2)].

A composição de mais de duas transl11cções define-se como babitualmontose defi.oe a adição de mais de duas parcPias: compõem-se as duas primeiras, a translação obtida com põe-se com a terceira e assim 13ucessivamente. Resulta daqui que tAn + tBo + tan = t.tn e, em geral,

12)

i.tr A,+ t.dtA, + ··• + tA,_ 1 .A. =

t.A, 4 0

,

igualdade à qual corresponde, para os segmentos orientadoS' corres- pondentes,

6

CAP. I.

ÁLGEBRA VECTORIAL

13)

relação válida, pelo que está dito, qualquer que seja a pow;ao relativa, sobre a recta, dos pontos A 1 ,. • • An. Em particular tem-se, como consequência imediata de 13) e 9),

14)

A, Aa + As As + ·. · + An-1 + AnA, = O.

Para as medidas algébricas verificam-se as relações gerais

15)

med A, Az + ··· + med An-1 An = med A, An

16)

med A, As + -. · + med A,

1 An

+ med

An A 1 =O.

A justificação do nome adiçtlo dado, também, à operação que

estudo, a que vamos

estamos estudando, está nos resultados

do

proceder, das suas propriedades.

Propriedades.

tAs=(~· B' e

ta a =

nição, tA a+ tso =

orientados.

1. a -

ta' O' resnlta imediatamente, em virtude da defi-

t~!B' + tn'O' e relação análoga para os segmentos

A

operaçiio

é

umforme.

Com

efeito

de

2. 1 -

É

tAs+ O= t~~.B. Com efeito:

tAs+ O= tAn + tnn = tAn.

3. 3 -A

operaçllo é comutatit·a. A igualdade: t,~~n+taD-=

= toD + tAB, que exprime a comutatividade, é, como fàcilmeote se reconhece, uma consequf\ncia imediata da construção por meio da qual foi definida a operação.

operaçllo é associativa. Anàlogamente, da construção

resulta que

4. a -

A

tAs+ (tn o + tcD) =(tAs+ tno) + toD.

5. a- De tA B +te o= tA' 0' +te D ?·esulta tAs = tA' O' . Somemos,

com efeito, a ambos os membros da igualdade, a translacção

a igualdade mantém-se, pela propriedade 1.•, e vem t.tts + foD + tDe=

tDo;

= B'

tA'

+

laD + tDo donde, pela associativ idade, t.t~n + (tcD + fDo)=

tA'

= D'

+ (toD + iDa)

donde [8)]

tAs + O

=

tA' a• +O,

donde, final-

mente, pela proprieda de 2.a, t.<J.B .=

tA' B'·

Em conclusO.o, a

operaç;ão goza das mesmas

propriedades qae

PARÁGRAFO 3

7

a adição ordinária, à parte aq!lelas que se prendem coro os conceitos

de maior que e menor que, que aqui não foram intToduzidos ruas que

não são essenciais no algoritmo soma (vide, por exemplo, as pro- priedades da soma de números complexos, L1"ções (1), Vol. I, 8, 3). É fácil definir, agora, subtracção de duas trunslacções. Chama-se

diferença das ,duas translacções

à soma

tAs + toe :

tAu

e

tco

e escreve-se tAB -

tco ,

17)

t.tto -

taD =

tAB + tro

Verifica-se imediatamente que a diferença é aquela translacção

que somada com o subtractivo icD reprodoz o aditivo t efecti-

vamente,

Com esta propriedade fica estabelecida a analogia com a sabtracção ordinária; as doas operações podom fundir-11e numa só,

soma algébrica, regida por um conjunto de leis análogas às da algébric.a ordinária, cuja verificação omitimos por ser longa

e fastidiosa.

Dadas

duas transtucções não paralela

-se duma maneira inteiramente análoga à anterior,

a operação d!a. composiçêlo : faz-se coincidir a

origem da segunda com a extremidade da pri- meira e considera-se como resultante ou soma das

duas translacções dadas aquela translacção cuja

origem é a da primeira e c•1ja extremidade ó a da segunda (v. fig. 4, as setas indicam os sentidos dos segmentos orientados). Escreve·se ainda

a

soma

ttn;

(t.Ao + tDa)

+ toD =

t.4.o + (tDa + taD)

=

t,w + O= t

Ao.

B).

Tronslocções com direcções diferentes.

quaisq oer, define-

Definição.

LJC

A

B

Fig. 4

6)

t

tll

+ taa =

t.J.o

a

7)

AB +BC= AG,

contiuuando, também, a chamar-se a A C soma dos dois segmentos orientados A B e B O.

A adição, ou comvosic;ã.o, de mais de duas translacções define- -se como habitualmente; na fig. 5 está construída a eoma de três

translncções

t1 =

l.dB, t11 =

tBo , ta =

toD.

(1)

A desig11ação Liçõett refere-se a

[2.• Oll 3.• edição].

Lições de Álgebra e Análise do at~tor

8

CAP. I.

ÁLGEBRA VECTORIAL

Propriedades.

1. • - A operaçllo é unifo1'1ne. Resulta imediata-

mente da construção.

tAs + O =

2!

-

Ê

tAs.

Foi estabelecida atl·ás.

3.

visto

8

-

A

operaçlio é comutativa.

É

que

AB

é equipolente a

D

C

o que resulta da figura 6,

B C equ ipolen te a AD.

e

4. • - A operaçflo é a.~sor.ialiva. Com efe it o , da figura f> resulta

AD= t 1 + t 2 + ta e que, por outro lado, se te m AD = t 1 +

que é

+ (t2 + ts)

e

õ.•- De

AD =

t 1 + t 3 =

(t1 + t2) + ts. t 2 + t 5 resulta

Dem ons tração intei-

ramente análoga il. da pro pr iedade 5. 8 anteriormente estabelecida.

t 1 =

t 2

Em conclusi1o, a o-peração goza

D

das propriedades da adição or di-

nária, com o que se justifica o

C

emprego da designação soma .

Quando as translacções tiverem todas a mesma direcção, a opera- ção reduz-se à anteriormente estu- Flg. IS dada, com todas as conclusões

que lá foram deduzidas.

Verificam.se a q ui as igualdad es 12), 13) e 14), mas des 10), 15) e 16), sobre as relações entre as medidas

são privativas do caso em que as translações têm todas a mesma direcção. Aquelas são, portanto, mais gerais que estas . Pode ainda de finir-se sublracçllo de translacções com dire cções

diferentes e,

mos a mesma definição:

as ig ualda- algé bricas,

para o fazer, adoptare-

C

A figura 7 mostra como se cons-

trui a diferença. A diferença das translacções t 1 =AB

é a traoslacção

B C

(aditivo) e

t 2 =

A

Fig.

8

t 1 -

ta =

t.Ao'

V ê-se na figura

t

,.

0 =

tA 8

=

t 1

 

que a

soma de

t 1 -

o

que

moRtra

que

a

ts

=

tAo• =

tA'B com t !il= tBc

é

ainda aquela

translacção que somada com a translacção subtracti vo reproduz o

é-

diferença

PARÁGRAFOS 3 e 4

9

aditivo. Com isto fica estabelecida a identidade da operação agora definida com a subtracção ordinária.

1. 4.

Produto por um número real.

da multiplicação duma translacção, ou

um segmento orientado, por um número real, seguiremos as étapes

seguintes:

tivo; b) o número é fraccionário positivo da

c) o número é racional posi-

a) o número é inteiro e posi-

Na definição

e estudo

C'

1

forma -;

n

:--.y
:--.y

tivo qualquer;

tivo qualquer;

tivo.

A).

d) o número é real posi- e) o número é real nega- A-r--

inteiro

e

positivo

n.

e) o número é real nega- A-r-- inteiro e positivo n. Fig, 7 Número Definição. D~finiremos

Fig, 7

Número

Definição. D~finiremos a opera<;ào, cujo resultado se representa por n . tAs, pela igualdade.

18)

(n )

"""'

n ·tAs= l

ts

+tAs+

· +tAs

à qual corresponde, operando sobre os segmentos orientados, a defi- nição de n · A B pela igualdade

19)

Se

20)

n =O

(n)

n. A B =

A B + A B +

+ AB.

ou

t

t

8 =O , O· t.&s =

põe-se, por definição,

O,

n · t.d.d =O.

Propriedades.

1.a -

com a

mesma direcçllo

e

O

p1·oduto

n · tA B

sentido

que

tAs

é uma nova translacçtfo

e com módulo igual a

n • mod tAB. Resulta imediatamente da definição e das proprie dades da soma; a relação

21)

mod (n t

4

8 )

=

n

· mod t

ts

é consequência directa de [1 3, l ô)] •

A

operação

de q ue

estamos

tratan do

consiste,

portanto,

na

dilataçélo duma translacçiio na sua direcção e sentido.

10

CAP. I.

ÁLGEBRA VECTORIAL

2 .a- A operaçtlo é uniforme. É consequência imediata da uni- formidade da soma. Notemos, em particular, que esta propriedade

significaque: de

resulta

n = n'

· t.&'B'.

resulta

n-tAs=n'·t

u;

de

tAB=tA'B'

n ·tAs=

n

3. a- Do anulamento do produto resulta o anulamento de, pelo menos, um dos jacto1·es. Efectivamente, se nenhu m dos factores

é nulo, a soma 18) é neceasàriamente diferente de zero.

A

Fig. 8

4.a-se n=f=O, de n · tAn=

=

n · te o

resulta

tAs =

te o ;

se tAs=/=0, de n · tAs=o' • tAn

resulta n=n'. É consequência imediata da uniformidade.

5. a -

A

hutiva

em

operaçao é dist1·i.

relaçtlo à

soma de

nú-meros. Com efeito, das propriedades da soma tem-se

 

(m + n)

(m)

(n)

---""---

,

-

,

---

·

(m

+ n) · t.& 8 =

l.&s+ ·

· · +t

u

= (t

u

+

+

tAB) + (t.ts+ ·

+ t.AB)

donde

22)

(m + n) · t 8 = m . tAs+ n · t.~.s.

6. a -

A operação é distributiva em 1·elaçao à soma de t'·anslacções.

A figura

8, em

que se fez

n =

3,

mostra que a igualdade

 

23)

é

uma

consequência

da

definição,

da

construção da soma e das

propriedlides da semelhança de triângulos.

7. a -

A

operação

é comutativa,

e

associativa

no

sentido

da

se,quinte i,gualdade

 

24)

m · (n ·i.& o)= n · (m · t.& 8) =

(m · n) · t.&s.

 

É de verificação imediata.

PARÁGRAFO 4

11

B) .

Dd

a

a

a

Número

fraccionário

positivo

l

trnns acçao

~

t 48

'

e o numero

da lorma

f

racc10nar10

.

,.

n

-

1

n

Definição.

,

h

c ama-se

produto

do

número pela translacção, e representa-se por

àque la translacçii.o (se

existir) cujo produto por

25)

 

1

-

n

· Ctn =

t :ry

-

n · t., 11 =

t.fn

n

é

t.11n:

n

t.iln,

A demoustração da existência de t., 11 , satisfazendo à igualdade

de condição, é fácil: basta tomar para 4, 11 aquela translação com a mesma direcção e sentido que t.ll. 8 e tal que n. mod fxy = mod t.11n• É claro que esta translação é única, em virtude da uniforn.idade da operação da multiplicação por um número inteiro e positivo.

Verifica-se fàcilmeu te, a partir da definição, que

se mantêm as propr iedades atrás estabelecidas.

a translação

Propriedades.

C).

Número

racional

positivo

qualquer.

Seja

tA.n e o número racional positi,•o

.!'!:.

n

Define·se produto de ~

n

por

(tn,

26)

m

que se represe nta por -

n

· tAn,

por meio da igualdade

~ · tAB- m · (! · (~ B)

em virtude da qual a operação fica r eduzida às estudadas nos dois casos anteriores. É óbvio que se mantêm as propriedades.

Definição. Seja a trans-

lacção t.u e o numero real positivo ), • definido pelo corte (L, M) no conjunto dos números racionais. Fixado um ponto arbitrário O

como origem sobre uma recta, formemos os produtos r. tA. o e .a· t.J.n onde r é um número qualquer de L e s um número qual-

Como é r< s, tem·se r· mod t.J.n < s. mod t.JJ.n; se

D).

Número real posilivo quelquer.

qaOl' de

M.

chamarmos

vamente dos produtos

claro que os pontos de R estão à esquerda dos pontos de S.

R

e

S as classes dos pontos extremidades respecti-

r. A B

e

s. A B,

com origem em O, é

12

CAP. I.

ÁlGEBRA VECTORIAl

Completemos as classes

R

recta

a

que tem:

tais

classe

R

e

S

do modo seguinte: constru i-se

b) todos os pon-

lbe estão à direita;

a classe

da

construi-se

tos

a) todos os pontos de

S

R;

que todos os pontos de

S

com os pontos que nrw formam

R.

As cla~ses R

e S formam um corte na recta; seja

P

o ponto

por ele

definido ; por definitjlo,

toma-se o seg111ento orientado

O P

como produto p1·oduto ). · tAn

A B e, correspvndentemente, a t1·anBlacção top como

:

27)

). · t.~~a=

lop

Da definição resulta, claro, que a translacção to p existe sempre e é única.

Propriedades. Da definição e das propriedades gerais dos números reais [Lições, Vol. I, 5] resulta que a propriedades roen· cionadas nos casos anteriores se mantêm; omitimos, por ser longa,

a verificação respectiva.

E).

mento

Número real neg., livo qualquer.

Definição.

orientado

A B

e

o

número

real e negativo

)

Seja o seg- Façamos

=

-)., p. >O.

a

Por dPjinição, ch ama-IJe produto de

). por

A B,

,

que

continua

rep1·esentm·-se por

A B,

ao segmento o1·ientado

oposto [1. 2] do segmento o1·ientado

p. • A B •

É

claro

que

o

oposto

de

p.·AB

é

p.-BA,

visto

p.

. A B + p

B A = p. ·(A 8 + B A)= p

O= O,

logo, tem -se

que

28)

Anàlogaroente se tem

28a)

p O= O, logo, tem -se que 28) Anàlogaroente se tem 28a) ue se man· têm
p O= O, logo, tem -se que 28) Anàlogaroente se tem 28a) ue se man· têm
p O= O, logo, tem -se que 28) Anàlogaroente se tem 28a) ue se man· têm
p O= O, logo, tem -se que 28) Anàlogaroente se tem 28a) ue se man· têm

ue se man·

têm todas as anteriores, excepto a primeira, que aqui toma o aspecto

seguinte: o produ to

Propriedades.

Da definição resulta imediatamente

tAn, ~<O,

é uma nova translacçl'lo com a

mesma direcção que hs, sen~ido opo st o, e de módulo tal que

29)

mod (). · tAs)= I!.I · mod tJJ.s,

igllaldade esta que vale, afinal, em qualquer caso.

PARÁGRAFOS 4 e 5

13

l, 5.

Sistemas lineares.

As considerações feitas nos dois parágrafos anteriores podem ser resumidas do modo seguinte: Partiu-se da entidade transliJcçllo t 1 = tAs (ou do segmento orientado correspondente A B) e defini-

ram-se duas operações- a composição ou adiçilo t 1 + ta

duto ~. t 1 da translacção por um número real. Provou-se que essas operações gozam das propriedades seguintes :

e

o l'ro·

1) A soma de duns trauslacções é uma translacção :

t1 + t3 =is.

2) Existe uma translacção especial, denominada transl~tcção

nula,

A

É

t.d.A =O,

tal que

t 1

+ t.dA =

t 1

3)

4)

5)

adição é comutativa :

associati,·a :

t 1 +

t 3 + t 1 (t , + t2) + ts

t2

=

t 1 =

t 3 ;

p• t 1 =

t, + (t2 + t 8 ) =

De

t, + ts =ta+ ls

resulta

de

t, = t2

resulta

lt + ts =

p• t 1

ta + is .

é uma translacção :

6) O produto

t:~.

7)

De

p =a

r es ulta

p · t 1 =

a . t 1

;

de

t1 =

ta resulta

p • t 1 =

p · t:~.

8) Do

anulamento do produto resulta o anulamento de, pelo

menos, um dos factores :

~ . t, = o -- p = o

ou

t, = o.

9)

S e

p=/=0,

de

p . t1 = p · t2

r esulta

t, =

t,;

se t 1 =f=O,

de

p·t 1 =a·t 1 resulta

p=a.

10) A operação é distributiva em relação à soma de números

reais:

(p + a) · t1 =

p · t1 + a · t, .

11) É distributiva em relação à soma de trauslacções:

12) É comutativa e associativa no sentido da igualdade

Pois

bem;

quaisquer u,:

sempre

que,

dada

uma

classe

U

de

ontidades

14

CAP. I.

'

ALGEBRA VECTORIAL

a) se define uma operação de composiçao ou adiçdo, por meio

da qual de

que se dá

u;

e

Uk

se determina

o nome de soma de

ui

Ut

com

(tam bém pertencente a

uk:

U)

a

de soma de ui Ut com (tam bém pertencente a uk: U) a b) se define

b) se define uma operação f · u;,

de multiplicação de eleme,ntos

dessa classe vor núro(>ros dum corpo

R;

c) além disso, essas duas operações go za m

das doze proprie-

dades ·Cujo resumo acabamos de dar; diz-se IJ.Ue a classe U constitui mn sistema linear, no co1po R, em relaçll.o à ope1·ação da adiçtlo ou composiçdo. Em virtude destas definições, podemos então di?.er que a classe das translacçlJes no espaço constitui um sistema linear, no co1·po dos números reais, em relaçdo à operaçllo de composição .

Depen dência

SE>jnm

u 1 , 1t 2 ,

• • •

e independência elementos

u 11

,

n

linear.

Dimensões do

do

sistema linear

U

sistema.

e

o

R

corpo de números no qual ele é definido.

Diz-se combinaçl'lo linear desses

n

de coeficientes

definido por

1. 1

,

). 2 ,

· ••

À 0

{1Hí71le1' 0S

elementos de U,

no corpo

de

R),

ao elemento

u

de

30)

"

U = ~À;·U; .

R,

U

A combinação diz-se linea1· e homogénea quando tt =O ,

quando

31)

diz-se linea1· e homogénea quando tt =O , quando 31) isto é, Quando esta igualdade se

isto é,

Quando

esta

igualdade se verifica, sem que sejam todos nulos

os coeficientes da combinação, diz-se ainda que os

são linearmente depend~ntes no corpo

R .

n

elementos

u 1

Quando, qualquer que seja o conjunto de n números de R,

não todos llulos, não tem nunca lugar a relação 31) ou, por outras

À; forem todos nulos,

elementos u; dizem-se linearmente independentes no corpo R.

palavras ,

os

quando

31) só

é

poss[vel se

os

n

PARÁGRAFO 5

15

Sempre que oito se fa?; menção do corpo de números ao qual

pertencem os

quer; é o q ue suporemos daqui em diante.

)., ,

entender-se·á que eles s/J,o números reais quais-

Um sistema linear diz-se a n dimensões quando:

a) existem nele n elementos linearmente independentes;

b)

quai sq uer que sejam os

n + 1

elementos

u 1 , ••• u,., u,~+,,

eles são sempre linearmente dependentes.

n dimensões, há sempre n ele-

mentos linea1·mente independentes u 1 , i = 1, 2, . ·· n , tais que, dado um elemento qualquer u de U , exiRte um conjunto ú11ico de núme-

ros

Em todo o sistema linear

U

a

reais p 1 , • • • Pn não iodo., 1mlos, satíifazendo à relaçao

32)

tt

=

n

~P• · u, ·

,_,

Com efeito, sejam u,, u2,

existem

pendentes,

hipótese,

n

os

quais

dimensões.

u,., n elementos linearmente inde-

sempre

porque

o

sistema

tem,

por

a) De serem u, u 1 , • •. Un linearmente1ldependentes, resulta que

À1 · u1 + ··· + ).n u,. + Àn1-1 u =O co m À,. + t =I= O, porque se fosse

u, seriam linearmente dependentes con-

tra a hipótese; resol vendo esta ig ualdade em ordem a u, tem-se

).,.+,=O os

n elementos

32), onde é

P• =

-

b)

outro

Ü

conjunto

conjunto

de

À·

-'- .

Àn+J

dos

n

ri 1 i =

1

números

1 2

1

reais,

n,

é

sejam

único;

se hOU\'Osse

a,, i= 1, 2, ··. n,

"

tal

que

u

=

~ ~~.u. 1 ,

ter-se-ia

~

a,. u, =

~

p 1

u 1

donde

~ (p, - a,) . u, = O; ora estes n co~ficientes têm que ser todos

nulos, porque se o não fossem os u, não seriam linearmente inde-

pendentes, logo p 1 = a 1 ,

Aos 11 olementos u1, linearmente independentes (e que, quanto ao resto, são escolhidos arbitràriamente) nos quais se exprimem, segundo 32), todos os outros elementos de U, dá-se o nome de base do sistema linear U; aos p; • u,, i= 1, 2, .•. n , dá-se o nome de componentes de tt e aos P• o de coeficientes de u na base

i=

1 , 2,

n .

Ut 1 Uz 1

• •

Un.

16

CAP. I.

ÁLGEBRA VECTORIAL

As definições dadas levantam a seguinte questão: a quantas dimensões é o sistema linem· das translacções 110 espaço? A resposta será dada num dos parágrafos seguintes [1. 7].

1.

6.

Definição de vector.

O conceito de translacção é de carácter flsico; o de segmento

orientado, ao qual reduzimos o seu estudo, é de carácter geomé- trico. Convém ainda, se possível, introduzir uma nova entidade, não

de carácter físico ou geométrico, mas aritm ético,

ser sujeita aos

tantos domínios tem sido posta à prova. Isso é possível, e faz-se pela intr od ução dum novo conceito - o vector lim·e - definido como segue:

métodos gerais da A oálise, cuja fecundidade em

entidade que possa

Dados dois

pontos

A

e B e o se11 segmento orientado A B,

a uma

A-B,

e representa-se por

função dos dois pontos A e B, e portanto de A B

chama-se vector livr e de .A B,

-

A B =f(AB)

satisfazendo às condições seguintes:

1. a - Essa função toma o me mo valor para todos os segu .entos ol'ientados equipolentes a A B e só para esses.

A igualdade de \ectores livres, tradução aritmética do conceito

geométrico de equipolência de segmentos orientados, é, portanto, reflexiva, simétrica e transitiva.

2. a- Põe-se f(AA) = 0 e por esta igualdade se define vecto1· nulo.

3. a -

Sobre

essa

função

é

definida

a

operação de adiçtlo do

seguinte modo: dados os dois segmentos orientados

os vectores livres correspondeutes AB=f(AB),-

define-se soma

A B

e

CD e

CD-= j(CD),

A-B + CD- de

A-B

CD,-

com

pela igualdade

AB+ CD=f(AB+ CD).

Desta definição resulta que a soma de vectores livres é um vec· tor livre e que a operaçi\.o goza de todas as propriedades estabele- cidas em [1. 3] para a soma de translacções ou segmentos orientados.

33)

PARÁGRAFO 6

17

4.a- Sobre a mesma função define-se a operação de multipli- cação por nm número real, do modo seguinte: dado o número real

~

p e o vector livre A B = j(A B), chama-se p1·oduto de p por A B,

e

representa -se por p.

~

A B, ao vector livre definido pela igualdade

34-)

~

p • A B = f(p · A B).

produto dum vector livre por um número

real é um vectvr livre e que a operação gosa de todas as proprie- dades estabelecidas em [1.4] para o produto de translacções por um número real.

Daqui resulta q ue o

As vantagens da introdução desta nova entidade serão aprecia- das nos desenvolvimentos que \'ãO st>guir-se. Por agora, insisti- remos apenas em que o vector livre é de carácter wwlítico e não geométrico (I); o vector não é o segmento orientado, é uma função do segmento (e dos seus equipolentes) que o determina univ oc amente, como ele determina o segmento, a menos duma equipolência. Rigorosamente, deve dizer-se sempre-seja dado o vector livre

A B, função do segmento orientado A B; simplesmente, a esta maneira de dizer substitui-se habitualmente esta outra, mais abre·

~

~

viada -seja dado o vector livre A B- como se entre ele e o segmento houvesse ident1ficação e não, apenas, correspond~ncia. Na prática corrente trataremos o vector livre como se ele fosse o segmento- não há. mal em o fazer, desde que a consideração permanente daquilo que os une não faça e~quecer o que, no fundo, os separa - os domini os diferentes a que pt>rtencem. Dá-se, aqui, uma coisa parecida (não idêntica) ao que se passa com as funções : na linguagem, confunde-se correntemente a função com a sua expressão aoalitica, dizendo, por exemplo- seja dada a função y = x · sen x, qu'\ndo deveria dizer-se- 11eja dada a função cuja expressão analitíca é y=x. senx . Aqui passa-se coisa análoga, tomando uma imagem geométrica pela entidade abstracta; é assim

(1) Contràriamente às definições dadas na maior parte dos trabalhos. Vid.,

oo entanto, M. Lagally -

orientação é adoptada por R. Bricard- Le Catcul Vectoriel, Paris, 1929, pág. 10.

Vektor Rechnung (Leipzig, 1928) pág. 3 e 4; a mesma

O.Ú.COLO

VEOTOUIAL

18

CAP. I.

ÁLGEBRA VECTORIAL

que, por exemplo, a figura 4 [1. 3] se considera como significando, de facto·, a adição de vectores, quando é apenas a imagem concreta.

da operação abstracta adição de vectores livres.

Do mesmo modo, a direcção, o sentido, a origem, a extremidade, o módulo, a medida algébrica. do segmento orientado A B, dizem- -se dú·ecçtlo, sentido, origem, extremidade, módulo, medida algébrica

"""*

----+-

do vector livre AB=f(AB); o módulo do vector livre .AB repre-

~

senta-se por modA B. Fala-se, ainda, em equipolência de vecto1·es como significando a equipolência dos segmentos orientados respec· ti vos. No Cálculo Vectorial fala-se frequentem en te, não só em vec· tores, mas em grandezas vectoriais em oposição a grandezas esca· lareR. Estas, as eBcalares, são grandezas cujos estados podem ser ordenados biunivoca e contlnuamente, pelo menos do ponto de vista teórico, ao conjunto dos números reais; os seus estados são, por conse4uência, determináveis por números dum certo conjunto

ou escala numérica; tais são, por exemplo, a temperatura, o tempo,

o módulo dnm vector, etc. Pelo contrário, para o estudo das grandezas vectoriais não basta um conjunto numérico; intervém a direcçllo e o sentido dos segmentos orientados do espaço a cuja

totalidade pode ser ordenado por correspondência biunivoca (a menos

de equipolências) e continua, o conjunto dos vectores definidos como

atrás fizemos. É grandeza vectorial, por exemplo, oma velocidade, uma aceleração, etc.

Notações. Além da notação introduzida, A-B, usaremos tamb ém para representar um vector, uma letra minúscula em nor· mando a, r , s , u; . •. e, ainda, a notação de Hamilton B- A

onde

Da igualdade B- A= a tira-se a consequência aritmética

A

é o ponto origem e

B

o ponto extremidade.

 

35)

a

qual

se

interpreta

do

modo

seguinte:

a soma do vector livre

a =

f(A B)

com

o

ponto

A,

soa

origem,

é

o

ponto

B,

soa

extremidade.

 

Deftnições. igual à unidade.

Diz-se

vector

unitário

todo

o

vector

de

módulo

PARÁGRAFO 6

19

Diz-se

vector

unitário dum

eixo

direcção e sentido desse eixo.

o

vector

unitário

que tem

a

Dois vectores livres dizem-se opostos lJUando os seus Fegmentos

módulos iguais, direcções paralelas, sentidos

orientados

o

são -

opostos.

Dois

vectores livres

dizem-s~ colineares quando as suas direc-

ções são paralelas; três vectores livres dizem-se coplanares quando

as suas direcções são paralelas a um plano. Chama-se tlngulo de dois vectores livres ao ângulo, compreen- ,dido entre O e n 1 formado pelas direcções dos dois vectores, tendo em atenção os seus sentidos.

conve-

niente introduzir, ao

vecto1· ligado a uma ba.~e. Esse conceito de vector difere do de vector livre apenas no âmbito da equipolência do segroendo orien- tado A 8 de que o vector é funçiio. Se essa equipolência joga em todo o espaço, tem-se o vector livre; se apenas joga sobre uma certa recta de posição fixa R), tem-se o que se chama o vector ligado à base R). Deste, pode ser dada uma definição

análoga à. do vector livre (pág. 16) com a mod ificação seguinte:

dados dois pontos A e B sobre a recta R ) e o correspondente segmento orientado A B, chama-se vector ligado à base R),

da

recta R), satisfazendo às condições segniotes: 1. 8 , essa. função

toma o mesmo valor para todos os segmentos orientados equipo-

o resto

da definição segue nos mesmos moldes. Como se vê, o segmento orientndc A B pode apenas deslizar sobre a recta R)- a sua linha de acção on suporte; por isso a estes vectores se pode chamar vectores deslizantes. U1.0 último grau de perda de liberdade dum vector é consti- tuido pelos chamados vectores fixos ou localizados - aqneles para os qoais é fixa a origem e a extremidade.

lentes a A B existentes sobre a recta R) e só para esses;

definido por A B, a uma

a lado do conceito de vector livre, ainda o de

Vectores

ligados

É

uma

base

e

vectores

fixos.

fun<;ão

dos

dois

pontos

A

e

B

e

Co mo

se

vê,

tJstas

limitações

essência da entidade vector.

não atingem, propriamente~ a

Q1Jando

se

disser

simplesmente -

pre que se trata dum vector {it;re.

vector- entender-se-á sem·

20

CAP . I.

ÁLGEBRA VECTORIAL

1. 7.

Multiplicidade linear vectorial.

Dimensões. Oa definição de vector e das considerações feitas no parágrafo 1, 5, resulta imediatamente que o conjunto dos vectores do espaço forma um ;~útema linear ou, como também se diz habi- tualmente, uma mttltiplicidade lineat· vectorial. A pergunta feita no final desse parágrafo transforma-se agora nesta - a quantas dimensões é es~a multiplicidade'? É a essa pergunta que vamos agora responder. Antes, porém, de o fazer, lembraremos que, em \·irtude do que foi dito nesse parágrafo sobre os sistemas lineares, se verificam as seguintes propriedades.

Se a multiplicidade vectorial linear é a n dimensões, e

i 1 . i 2 , ···i., é a sua base, entdo i 1 , ~, • • • Ín 8(10 Uneat·mente indepen- dentes e qualquer vector u da multiplicidade se expt·ime neles segundo

1.a -

36)

u =

)i. Íj

 

j

J

que põe em evidência as componentes > 1 ii e os coeficientes l 1 . Esta relação contém a chamada decomposiçdo de u segundo os vectores da base.

2. a -

Dados dois vectores

 

n

a

 

u

=

1 1 . i 1

e

v =

p. 1 i 1

tem-se

u =

v

sempre que e só

quando

 
 

Àj =

iJ.j ' J =

1 , 2 '

11

Além disso:

3.a-

37)

4.a -Dado u =

38)

u ±v=

"

~)

i-1

.i.

i

1

p • u =

n

~

f-1

(11· +I'i). Íj.

e o número real

~

n

i•l

(p.

j:i)

Íj.

p,

tem-s~

PARÁGRAFO 7

21

Deixamos ao leitor o cuidado de verificar a filiação destas duas últimas propriedades nas propriedades formais do parágrafo 1. 5 (e suas correspondentes para os vectores livre~). Lembraremos apenas, para o caso da diferença em 37), que ela se reduz à soma

com

do subtractivo e que este é, afinal, igual a

o

vector

oposto

(-1)·V.

Posto isto,

vamos responder à pergunta feita no começo deste

parágrafo, considerando,

coplanaridade, caso geral (no espaço ordinário).

sucessivamente, três casos: colinear idade,

I- Colinearidade . 'I'EORE.IIA 1. 0

u

e

i,

-

Dados dois vectores colinea·

tal qtte

res [1. 6]

71110 nulo, ea:iste um e ttm número real l

39)

o= À -i

e esse número é

40)

À= 6 . modu rnod i

onde

tidos contrârios.

6 =

+ 1

se

u

e

têm o mesmo sentido e

e:

=

-

1

se têm sen-

Efectuemos, com efeito, o produto

),

 

.

mod u

.

.

1

=

s

. -

-

.• 1

·

[1 . 6,

34),

modi com referência a 1. 4, D) e E)]. É ele um novo vectur com a direcção

de

forme

u)

ou o contrário con-

i -e

portanto de

u -

ou

6 =

com o sentido de

-1

i

6 = + 1

(portanto, sempre com o sentido de

e de módulo igual a [1. 4, 29)] mod (). · i)= Il i · mod i= mod ~. mod i =

=modo. Isto é, Ài=u.

O número

).

é único

i =f= O,').=p.

[ 1. 5, prop.

porque de

9)].

À·