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Sim, sou

gordinha,
E daí?
Que triste é sentir na pele, preconceito
Uma dor que fere e machuca o peito
Seja negro, pobre, deficiente, gordo
Nada no mundo justifica o preconceito
Sim, sou gordinha e daí?
Minhas curvas são delineadas, estrada
Meu sorriso é doce e terno, liberdade
Carrego no olhar a ternura, suavidade
Adoro chocolate,
um orgasmo verdadeiro
Melhor que estar em
braços traiçoeiro
Não creio em valor frio,
sórdido e rançoso
Creio no amor superando
tudo, esperançoso
Sim, sou gordinha e daí?
Tenho um pouco de anjo, voar livremente
Das bruxas herdei o feitiço, encantamento
Da mulher, a delicadeza, a feminilidade
Da canção, um coração ditando a poesia
Da música todas as notas, multiformidade
Sim, sou gordinha e daí?
Eu sou todos os sons que a vida interpreta
Eu sou a harmonia da sinfonia que encanta
Eu sou a força do viver edificando tudo
Eu creio em mim e meus valores, contudo
Não creio na sensibilidade do preconceito
Sim, eu sou gordinha e daí?
Meu espelho não mente, não me engana
Vejo refletir meu corpo e sinto minh'alma
São tantos rumores, falsos pudores
Corações de cera fria, perseguidores
Vou juntando os cacos, pondo no lixo
Não entro em conflitos, sou a paz
Sou eu amando, chorando e sorrindo
Pela vida afora, segura vou andando
Sim, sou gordinha e daí?
Sou menina, mulher, mãe, avó
Sou amiga, vizinha, tia...
Sou feirante, florista ou vadia
...sou o que eu quiser
...por ora, simplemente
...eu sou mulher
• Foto: Christi Nielsen
• Texto: Marillena S. Ribeiro
• Música: Dreams, Enya
• Formatação: Sandra Regina