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Tutorial para se fazer pulseiras de Tear Egípcio.

1. Inicialmente precisa-se confeccionar pelo menos 12 cartelas. Eu pessoalmente


trabalho com 24. Por quê? Porque minha professora me ensinou assim. Seu nome é
Cecília Pintos. Ela é uruguaia e a conheci através da Fátima Petrere aqui de
Curitiba. Pois bem, as cartelas podem ser triangularaes, quadradaos ou hexagonais.

Podem ser de plástico, que são mais resistentes ou papel cartaz. Os furos tenho feito
com furador de papel. O Problema é que os furos ficam muito na beirada da cartela o
que às vezes acarreta “descarrilhamentos” isto é, os fios pulas por sobre as outras
cartelas dificultando a tecelagem.

2. Após termos as 12 cartelas, perfeitamente lisas, lixadas se for o caso, para eliminar
possíveis rebarbas, amarramo-las juntas para que assim permaneçam.
3. Temos dois tipos de urdidura : a rápida e a devagar. Vou explicar aqui a rápida.
Tenho trabalhado com ela em sala de aula, onde, portanto, não posso perder muito
tempo urdindo uns 10 teares ou mais. Assim, pesquisando, vi num livro alemão (o
qual não me lembro o nome) este tipo de urdidura. A outra urdidura, a lenta, é feita
colocando-se fio a fio, por entre os orifícios das cartelas. Por isso mesmo é bem
mais demorada. Deve-se seguir uma receita (padrão) que vem em códigos como se
fossem matrizes (da matemática). Nesta urdidura rápida não precisamos seguir
estas receitas e sim nossa intuição e bom senso, embora se possa planejar o desenho
que se quer e mesmo desenhar a recita para poder repetir um desenho que se tenha
gostado .
4. Pegue 4 cones de fios verinha (de costura) ou outro, as cores devem ser diferentes
para este primeiro exercício. Devem ser contrastantes. Pode-se construir um
dispositivo que permita ao fio fluir livremente em direção à urdideira (a qual
explicarei em seguida). Uso às vezes panelas onde coloco os novelos e faço os fios
passarem por cadeiras de tal forma que eles venham sem criar caso. Tenho usado
também caixa de sapato com furos.

5. Agora faça quatro furos na caixa e embaixo de cada um coloque um cone . Passe
cada ponta do fio de cada cone pelo orifício.
6. Agora desamarre as cartelas e segurando-as juntas e sobrepostas repasse cada ponta
de fio, de cada cor, por dentro de cada conjunto de orifícios das cartelas.

7. Quando passar as quatro pontas, junte-as e de um nó cego.


8. A Urdideira é o local onde se faz o urdume. Urdume é a base do tecido. Este tecido do
tear egípcio é do tipo “feito de urdume” isto é, a trama não é aparente. A urdideira aqui será
um canto de uma mesa quadrada. Com fita adesiva (crepe) se fixa o nó com as quatro
pontas (doravante chamada de “princípio”) no canto direito da mesa (se a pessoa for destra)
e começa-se a fazer a urdidura de modo que a cada vez se deposite uma cartela na mesa e
na continuação se dê a volta na mesa com os fios respectivos. ( A figura explica melhor que
mil palavras).
9. A cada volta dos fios se deposita uma cartela como num jogo de baralho. Cuide que as
cores fiquem sempre juntas e as cartelas em ordem.

10. Quando chegar à sexta cartela ( metade do urdume) já depositada, deve-se amarrar a
ponta dos fios no princípio ( nó inicial) e recomeça-se o urdume girando agora os fios e
cartelas no sentido contrário. Isso dá ao tecido uma característica muito utilizada pela
natureza para fazer coisas belas – a simetria. Um lado do tecido vai ficar exatamente igual
ao outro. Em compensação o tecido passa a ter direito e avesso. De um lado os pigmentos
de cor combinam-se e formam desenhos com linhas com continuidade. Do outro não.

11. No fim do urdume, corta-se e amarra-se tudo no princípio.


12. Amarre também as cartelas para poder tirar o tear já urdido da mesa. Repare que
conforme a mesa será o tamanho do urdume. Se quiser um tamanho maior pode-se pegar
uma tábua e colocar pregos onde se pode fazer o mesmo processo. Amarre também a outra
ponta dos fios. A que fica perto das cartelas deixe livre.

13. Neste nó amarre um fio forte que vai sustentar o tear num ponto fixo (um local imóvel,
tal como uma porta, janela, coluna, etc.)

14. Amarre no ponto fixo. Cuide que as cartelas estejam bem amarradas para que não se
perca o trabalho de urdume.
15. Estique o tear, procure desembaraçar os fios se tiverem emaranhados. Quanto menos se
mexe com eles menos eles se emaranham. Estique bem, quando sentir que estão lisos,
amarre a ponta solta com um nó desatável (que você pode desmanchar) , com uma laçada.
Por entre essa laçada, passe um cordão forte que ficará ao redor de sua cintura. Cuide que
seja um fio forte e que seu ponto fixo realmente o seja para não “estourar” sua urdidura
quando você estiver feliz tecendo. Somente quando estiver bem amarrado, solte as amarras
das cartelas.
16. Para começar a tecer, pegue um fio de uma das cores que você já está usando e que
apareça menos, pegue um pedaço de um metro aproximadamente e com ele comece tecer.
Você pode também fazer um macinho, colocar numa naveta pequena ou da forma que
preferir. Eu tenho por costume pegar esse metro de fio e sem maço nem nada tecer. Acho
que fica mais fácil e eu não preciso ficar segurando a navete ou o maço. Assim, posso
começar a tecer. Ah! Faltou o “macarrão”. É o seguinte. Como os fios, 12x4= 48, estão
juntos por um nó no começo da urdidura, quando começo tecer o tecido vai sair
estrangurado, espremido. Assim devo tecer com um fio de barbante grosso no começo,
algumas linhas para o tecido pegar largura. Deve-se tomar o cuidado de não apertar o tecido
macarrão para depois poder desmanchá-lo.

17. Por entre a abertura inicial do urdume ( Cala) remete-se o fio de trama. Dê uma girada,
um tombo no tear. Aperte a trama com o dedo, acerte a borda do tecido para que não fique
fio de trama sobrando ou embolado e repasse novamente o fio de trama. Dê novo tombo e
recomece o ciclo. A ordem é essa: Passar fio de trama. Girar tear. Apertar a cala. Passar fio
de trama. Girar o tear. Apertar a cala e assim sucessivamente até ... até que se queira . Aí
começa a definição do padrão.

Começando da esquerda foi dado neste exemplo 8 tombos no tear. Cada um deles
corresponde a uma linha vertical na faixa aí em cima. De repente tem uma linha grossa. Aí
foi o ponto de reversão do processo. Neste ponto começou-se a tecer girando o tear no
sentido contrário. Se a gente não inverter o sentido, o tear vai ficando com os fios
emaranhados, torcidos e chega numa hora que é impossível tecer mais. Para evitar isso
devemos girar num sentido e contar o número de vezes. Depois se retorna contando para
desenrolar o urdume. Isso acontece porque as cartelas estão construindo cordões. Cada
cartela faz um. O tecido final é a soma de 12 cordões torcidos e amarrados pela trama.
Mais adiante há uma mudança de padronagem. Ali, foi girada 4 cartelas de cada lado, um
tombo a mais. Há uma mudança de padrão através deste descompasso entre as cores. As
cartelas giram independentes umas das outras. Assim nada nos impede de girarmos
quaisquer uma delas quando bem entendermos. Assim, neste caso escolhemos as 4 de cada
canto e damos um tombo a mais. O padrão aí já é resultado desta modificação. Na
seqüência há mais uma modificação. Ali retornamos ao padrão inicial quando cada cor está
junto com suas semelhantes (cada orifício). Começamos dividindo as cartelas em dois
gruopos iguais. Das cartelas centrais , escolhemos uma cor que permanece parada. Na
cartela seguinte se dá um tombo. Na outra dois, na terceira três, e assim sucessivamente. É
como se as cores evoluíssem em espiral. ( Não sei se estou sendo claro) de dentro para fora,
à direita e à esqueda do centro. Mantendo sempre a simetria. Este tipo de tecido tem duas
faces. às vezes a gente começa a tecer e descobre que o direito está para baixo.

Fim do primeiro capítulo


Prof. René Scholz
Curitiba, 9 de abril de 2007

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