Uma reconstituição histórica

Órgão do Senado do Império

Rio de Janeiro, segunda-feira, 14 de maio de 1888

ASSINADA A LEI ÁUREA

O

Brasil está livre do trabalho es­ cravo. Na tarde de ontem, a Princesa Isabel sancionou a lei que pôs fim a mais de 300 anos de escravidão. Conforme o senador Sousa Dantas, havia no país 600 mil

escravos. Levantamento do Império mostra que, no ano passado, eram mais de 700 mil. A Lei João Alfredo, mais chamada de Lei Áurea, foi aprovada em tempo recorde na Câmara dos Deputados e no Senado, apesar dos protestos dos

poucos parlamentares con trá rios à abolição. Calcula ­se que cerca de 5 mil pessoas se concentraram diante do Paço da Ci dade, para acompanhar a solenidade de assinatura. O povo irrompeu em aplausos

quando o deputado Joa­ quim Na bu co, de uma sacada, comu nicou que não havia mais escravos no Brasil. Em uma das janelas, Dona Isabel foi aclamada pelos manifestantes. O Imperador Dom Pedro 2º, que se encontra

gravemente enfermo em Milão, na Itália, onde se submete a tratamento de sáude, ainda não sabe da sanção da lei. Por meio do telégrafo, a notícia já chegou à várias províncias do País e nações americanas e européias. Pág. 3

Leis que antecederam a abolição nem sempre provocaram resultados práticos
Em 1845, surgiu a lei que previa sanções contra o tráfico de escravos. Em 1871, foi adotada a Lei do Ventre Livre, que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir da sua edição, mas os manteve na tutela dos seus senhores até os 21 anos. E em 1885, garantiu­se liberdade aos que com pletassem 60 anos, com a obrigação de prestar serviços, a título de indenização ao senhor, por três anos. Essas medidas, porém, não trouxeram os resultados esperados, pois a contrapartida geralmente exigida inviabilizava seu cumprimento ou a lei era simplesmente desrespeitada. Pág. 2

Primeiros registros da resistência negra são de 1575
No Paço da Cidade, senadores e outras autoridades assistem a D. Isabel assinar a Lei Áurea

Câmara dos No Senado, apenas Deputados votou o dois senadores se projeto em dois dias manifestaram contra
O Projeto de Lei nº 1 foi aprovado em apenas dois dias pela Câmara dos Deputados. A decisão em tempo recorde só foi possível graças ao esforço da bancada antiescravagista – liderada pelo pernambucano Joaquim Nabuco – e à ajuda do presidente da Casa, deputado Barão de Lucena. “Precisamos apressar a passagem do projeto, de modo que a libertação seja imediata”, defendeu Nabuco aos colegas. Pág. 4 Ontem, domingo, o Senado do Império aprovou a proposta que extinguiu o trabalho escravo no Brasil. Dois senadores se manifestaram contra a iniciativa: o Barão de Cotegipe – advertindo que no futuro haverá grave perturbação da ordem no Brasil – e Paulino de Sousa. Defendendo a proposta, Sousa Dantas disse que a abolição constitui o maior acontecimento da história do Brasil e tornará a Nação mais próspera. Pág. 5

Campanha envolveu monarquistas e republicanos
O abolicionista Joaquim Nabuco relata que o movimento pelo fim do trabalho servil no país con centrou-se inicialmente em clubes, lojas maçônicas, associações, cafés e jornais, e só aos poucos estendeu-se à população. Nesse período, que durou de 1879 a 1884, diz ele, “os abolicionistas combateram sós, entregues aos seus próprios recursos”. Só mais tarde, discursos nas tribunas, artigos e poemas nos jornais ajudaram a pressionar o Império para que fosse extinta a escravidão. Os republicanos, praticamente todos eles, eram abolicionistas, mas nem todo defensor do fim do trabalho escravo preferia a República. Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa e Castro Alves são grandes nomes do abolicionismo, que contou também com negros ilustres, como André Rebouças, José do Patrocínio, Luís Gama e Tobias Barreto. Luís Gama chegou a ser vendido, aos dez anos, como escravo, e se transformou em símbolo do movimento em São Paulo. Pág. 6

Escravidão foi abolida no Ceará quatro anos atrás
No Ceará a escravidão acabou há quatro anos. A iniciativa reforçou o sentimento abolicionista em pro­ víncias como Amazonas, Pernambuco, Bahia, Goiás, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Foi Mossoró, em 1883, a primeira cidade a pôr fim ao trabalho servil. Pág. 8

A resistência dos negros ao trabalho servil foi um dos fatores que levaram à abolição da escravatura

Os primeiras relatos de re sistência à escravidão são de 1575, quando o Império recebeu, da Bahia, notícias de negros fugitivos. Inicialmente, eles se refugiavam em mocambos, espécie de acampamento. As comunidades de fu gitivos

passaram, depois, a ser chamadas de quilombos; o mais conhecido deles foi o dos Palmares, que pode ter abrigado mais de 20 mil pessoas em 1670. A resistência foi um dos fatores que levaram à abolição da escravatura. Pág. 7

Edição comemorativa dos 120 anos da Lei Áurea – Jornal do Senado – 12 a 18 de maio de 2008 – Ano XIV – Nº 2.801/172

Joaquim Nabuco Pág.gov. Dom Pedro 2º defendeu a Lei do Ventre Livre Nasceu da vontade de Dom Pedro 2º o projeto da Lei do Ventre Livre. Reproduções/Arquivo Fotográfico JS Pág. o senhor optava entre receber do Estado in­ denização de 600 mil réis ou de utilizar­se dos serviços do menor até 21 anos. egunda dita do proje­ to do Senado letra S de 1887 determinando que a disposição do parágrafo 1º do artigo 1º do Decreto nº 3. a iniciativa é do ano anterior. pro­ gressivamente os imigran­ tes europeus começaram a substituir a mão­de­obra servil. Os 14 anos entre a in­ tenção e a realidade foram a sobrevida daquilo que José Bonifácio de Andrada e Silva chamou de “cancro mortal que ameaçava os fundamentos da nação”. O governo brasileiro não resistiu à pressão e o mi­ nistro da Justiça de Dom Pedro 2º. assegu­ rava a extinção gradual da escravidão. – A verdade é que a lei. Muito mais abran­ gente. A crítica dos abolicionis­ tas à lei era aos limitados efeitos práticos. o projeto foi violentamente torpedeado pelos escravo­ cratas no Parlamento. de 4/9/1850. que deram apoio à medida. Naquele período. com a obrigação de prestar serviços. O texto. Créditos das fotos: Pág. A turbulência política em várias províncias impediu que o governo central fi­ zesse cumprir a lei durante as duas décadas seguintes. a ponto de causar a queda do gabinete e a dissolução da Assembléia Geral. 2: Rugendas/Fund. Reproduções/Arquivo Fotográfico JS Pág. não prevendo qualquer tipo de indeni­ zação aos proprietários. às 11h erceira dita da proposta da Câmara dos Deputados n. pelo prazo de três anos. segunda-feira. segundafeira. até essa data. Henrique Eduardo Lima de Araújo. não é aplicável ao minis­ tro do Supremo Tribunal de Justiça que exercesse já semelhante cargo e tivesse mais de 72 anos de idade. Jornal do Senado Federal Praça dos Três Poderes – Ed. E m 7 de novembro de 1831. então chefe de ga­ binete. Joaquim Nabuco Pág. Só com a pressão política e militar inglesa o cenário se modificou. Joaquim Nabuco.br/jornal jornal@senado. da Silva e Sérgio Luiz Gomes da Silva Revisão: Eny Junia Carvalho e Lindolfo do Amaral Almeida Tratamento de imagem: Edmilson Figueiredo e Humberto Sousa Lima Arquivo fotográfico: Ana Volpe.br Tel. Os defen­ sores dessa lei afirma­ vam que ela. elaborado pelo gabinete conservador do Viscon­ de do Rio Branco em 27 de maio de 1871. Sancio­ nada pelo Imperador Dom Pedro 2º com o nº 3. Os textos foram elaborados com base nos Anais do Senado e da Câmara dos Deputados. 1: Museu Histórico Nacional. que pre­ via sanções para as autori­ dades que encobrissem o contrabando de escravos. Quatro meses depois. Christiano Jr. além do pessoal em terra que participasse do comércio ilegal. o capitão e seus subordina­ dos.senado. 14 de maio de 1888. tirando es­ cravos de áreas em que a agricultura decaía. de 1887.270. 42. fazen­ deiros incentivaram o trá­ fico interno. 8: Rugendas/Fund. considerava criminosos o dono do navio. para que votou­se dispensa de interstício. transformou­se na Lei nº 2. Em sua Fala do Trono. como os engenhos de açúcar do Nordeste. enviou projeto ao Par­ lamento que determinava a apreensão de navios que traficassem escravos. A lei deu liberdade aos filhos de escravos nas­ cidos a partir daquela data. Segundo essa norma.300. conti­ nuavam escravos – ana­ lisou Joaquim Nabuco. mas os manteve sob a tutela dos seus se­ nhores até os 21 anos. 6: Fund. 1844. a do Ventre Livre e a dos Sexagenários antecederam a Lei Áurea Ordem do dia de hoje. Ao chegarem ao Brasil. Laiane Borges e Elida Costa FESTEJOS POPULARES comemorativoS da abolição DERBy . os quais deveriam criá­los até os 8 anos. o Senado não possuía ne­ nhuma publicação jornalística. de­ putados dos partidos Conservador e Liberal discutiram a proposta.CLUB sexta-feira – 18 do corrente . a título de indenização ao senhor. Paula Pimenta. 14 de maio de 1888 Uma primeira tentativa de proibir o tráfico de negros Com poucos efeitos práticos.040. 3: Museu Imperial. José do Carmo Andrade Pesquisa histórica: José do Carmo Andrade e Eliana Lucena Diagramação: Bruno Bazílio. pro­ posta pelo senador Sousa Dantas. Expediente Esta edição especial reproduz os principais episódios relacionados à abolição da escravatura no Brasil. 20º andar – 70165­920 Brasília (DF) www. Na prá­ tica. dia seguinte ao da assinatura da Lei Áurea. Reprodução/Geraldo Magela Pág. ABL. As controvérsias fo­ ram desproporcionais aos seus efeitos práticos. ao libertar os bebês. os negros ficavam em depósitos à espera dos leilões e onde eram inspecionados por compradores Lei dos Sexagenários foi fruto de acordo político Muita negociação políti­ ca entre liberais e conser­ vadores foi necessária para que a Câmara dos Deputa­ dos aprovasse outro proje­ to antiescravagista enviado pelo governo imperial à Assembléia Geral. Rugendas/Fund. Com o fim do tráfico. a Lei Eusébio de Queiroz. Para burlar a lei. Em 1845. a Lei Nabuco de Araújo (mi­ nistro da Justiça). 5: Flickr. os filhos menores fica­ riam “em poder e sob a autoridade dos senhores de suas mães”. Eusébio de Quei­ roz. em 28 de setembro. Anexo I do Senado Federal. de 9 de outubro. em 1854. no litoral de Pernambuco. na abertura do ano legislativo. Nessa idade. mes­ mo em águas territoriais brasileiras.2 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. O formato adotado simula o que poderia ser uma edição do Jornal do Senado publicada em 14 de maio de 1888. Joaquim Nabuco Pág. Por vários meses. dias antes. jornais e revistas da época e livros de estudiosos do mo­ vimento abolicionista. o Im­ perador antecipara que “considerações da maior importância aconselham que a reformada legisla­ ção sobre o estado servil não continue a ser uma aspiração nacional inde­ finida e incerta”.: 0800 61­2211 Fax (61) 3311­3137 Diretor do Jornal do Senado: Davi Emerich Edição: Eduardo Leão Coordenação de texto: José do Carmo Andrade Redação: Janaína Araújo. em 28 de setembro de 1885. o último desembarque de escravos africanos no país só ocorreria em 1855. A Lei nº 581. assinada por Dona Isabel. para as lavouras de café no Centro­Sul. pois os poucos que chegavam a essa idade já não tinham condições de garantir seu sustento. resultado de acordo do Brasil com a Inglaterra. a Lei dos Sexagená­ rios também ficou conheci­ da como Saraiva­Cotegipe. Porém. 7: Rugendas/Fund. Joaquim Nabuco. O ato de 1831 foi um pri­ meiro passo. Já os do­ nos de escravos acusa­ vam o governo de que­ rer provocar uma crise econômica. Na verdade.gov. co­ nhecida como Lei Eusébio de Queiroz. estabelecia que todos os escravos que entrassem no território ou portos do Brasil vindos de fora ficariam livres. Arquivo Senado Federal. Mas foi aprovado. juntamen­ te com a proibição do tráfico negreiro. Sylvio Guedes. A lei sancionada no ano seguinte continha diversas normas para regular a ex­ tinção gradual do elemento servil. ao fixar os 60 anos como idade limite para o escravo. o liberal con­ selheiro Saraiva e o conser­ vador (e mulato) Barão de Cotegipe. a Câmara dos Deputados promul­ gou uma lei que proibia o tráfico de escravos afri­ canos. Iracema F. e julgar seus comandantes. mas ineficaz. em referência aos dois che­ fes do gabinete ministerial do Império. o Parlamento em Londres aprovou lei (o Bill Aber­ deen) que dava à Marinha inglesa o direito de aprisio­ nar navios negreiros. estabeleceu ao mesmo tempo que até os 21 anos eles permaneceriam em poder do senhor. Eram libertados os escravos que completassem 60 anos. aprovando a pensão de 1$4000 diá­ rios aos menores irmãos do 2º sargento do Corpo Militar da Polícia da Corte Antonio Nery de Oliveira Araújo. 4: Cedi/Câmara dos Deputados Pág. O maior de 65 anos ficava li­ berado de tais trabalhos.

Atribui-se esse resultado à aplicação de gelo na cabeça e às injeções hipodérmicas de cafeína. o parecer foi acolhido pela Câmara no mesmo dia 8. Em Buenos Aires. Semmola. felicitando-a. e tem no lado oposto o número e a data da Lei Áurea. Depois de sancionada a lei.melhores médicos eurocando o projeto. como sempre. a designação imediata da comissão especial que daria o parecer transformando a mensagem em projeto. 14 de maio de 1888 Princesa Isabel assina a Lei Áurea Texto possui apenas dois artigos e já está em vigor tanto na Corte como nas províncias D esde a tarde de ontem. onde se submete a tratamento de saúde. Charcot. lançando mão de recurso regimental. O Senado argentino e a corporação acadêmica telegrafaram a Dona Isabel. útil à nossa Pátria. À noite. A multidão irrompeu em ruidosas aclamações quando o deputado Joaquim Nabuco. o povo agradecido”. que se encontra em Milão. Foram só seis dias de tramitação da mensagem. Em frente ao edifício. Os fenômenos cerebrais cessaram após delírio intenso. receitadas pelo Dr. Pessoas que se encontravam nas galerias jogaram flores no Plenário. Vitória. invadiu o palácio. 13 – O estado de S. Sob os protestos do deputado conservador Andrade Figueira. como já lhe coube a de confirmar o decreto que não permitiu nascerem mais cativos no Império (a Lei do Ventre Livre)”. Recife. 12 – O estado de S. a respeito. Transcrevemos. senador João Alfredo. três delas situadas perto do palácio: as de São José. Sua cidade italiana de Milão. comunicou ao povo que não havia mais escravos no Brasil. mediante votação simbólica. ocorreu a aprovação final. Deus permitirá que ele nos volte para tornar-se. de Nossa Senhora do Carmo e da Capela Imperial. Participaram da cerimônia. Costa Pereira. Charcot. saúde de seu augusto pai. Campinas.o meio-dia para o Rio de nar. que se encontrava Regente. conseguiram chegar às portas do Paço. Na ocasião. Dantas felicitou Dona Isabel “por caber-lhe a glória de assinar a lei que apaga dos nossos códigos a nefanda mácula da escravidão. Falando em seguida.em Petrópolis. Assim que a Câmara recebeu o texto – na terça-feira dia 8 – das mãos do ministro Rodrigo Silva. A pena de ouro com que a Princesa Regente assinou o decreto da abolição da escravatura ficará exposta a partir do dia 21 de maio no salão do jornal O Paiz. e da Agrique está em tratamento na cultura. Os Drs. Da mesma forma agiu o Senado. na Itália. não obstante a tentativa dos parlamentares antiabolicionistas de imporem obstáculos à adoção de urgência para a matéria. Nos debates na Câmara e Sua Alteza Dona Isabel sancionou em nome de seu augusto pai a lei que acaba com a escravidão. Confiante em que o Senado aprovaria a proposSorriso e lágrimas ta nesse domingo. segunda-feira. 2º Revogam-se as disposições em contrário”. recebendo demorados aplausos do público. nomeando em 11 de maio a comissão especial. entregar à Princesa Regente o autógrafo do projeto. sempre expres. Bandas animam festejo nas ruas Concebida para abolir de forma imediata e incondicional o elemento servil no País. dia 13. A campanha de subscrição iniciada por aquele diário logo recebeu a adesão da Revista Ilustrada. magistrados. sem conter as lágrimas. Ontem. edifícios públicos e particulares da capital paulista foram iluminados. Estimase que mais de 600 mil negros foram beneficiados pela lei. “Art. Apenas dois senadores se manifestaram contrários à matéria: o Barão de Cotegipe e Paulino de Sousa. e que recebeu o número 3. Dona Isabel declarou: – Seria o dia de hoje um dos mais belos de minha vida se não fosse saber estar meu pai enfermo. deputados. Habitantes de São Paulo. Dom Pedro 2º ainda não foi informado O Imperador Dom Pedro 2º. de uma sacada do Paço. seguindo-se. traz a seguinte inscrição: “A D. 1º É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. intensificaram-se os festejos e passeatas pelas ruas do Rio de Janeiro. cujo parecer foi votado no mesmo dia. com a ajuda dos cabos submarinos. Fortaleza e outras cidades saíram às ruas em procissões cívicas. conforme o boletim dos médicos assistentes. Milão. a mais importante e mais humana norma legal já adotada pelo Brasil.353. prática das mais cruéis que foi permitida no Brasil por mais de 300 anos no Senado se enfrentaram. solicitou ao presidente daquela Casa. além de gente do povo que. Agora está em plena integridade de suas faculdades mentais. Isabel. o veterano abolicionista Sousa Dantas foi carregado nos braços do povo. o Conde d’Eu. Salvador. embaixadores e outras personalidades. Santos. para grande festejo cívico em honra do Brasil livre.M. chegava ao Plenário a notícia de que alguns fazendeiros fluminenses já estavam libertando seus escravos. que tem no dorso 43 brilhantes. a discussão e aprovação. Acompanhada de preocupação. contém apenas dois dispositivos: “Art. ainda não pôde ser informado da lei que baniu de nosso país o regime de escravidão. sendo mais uma vez aclamada pelos manifestantes. Em razão da grande concentração de pessoas na praça. Quando o Senado concluía a deliberação sobre a proposta. só com muita dificuldade as carruagens que levavam a comissão de senadores e o presidente do Ministério. o deputado Joaquim Nabuco. às vezes dava ares de Janeiro. Poucas vezes nos seus 62 anos de funcionamento a Assembléia Geral produziu uma lei com extraordinária rapidez como a que acaba de emancipar os escravos. não faltando bandas de música e fogos. maiores tribunos do país. sob aplausos dos manifestantes. está extinto em todo o Brasil o trabalho escravo. na Sala do Trono. cujo texto foi transformado numa verdadeira peça de arte pelo conhecido calígrafo Leopoldo Heck. prática das mais cruéis e condenáveis que foi permitida legalmente no país por mais de 300 anos. nos dias 9 e 10. em meio a bandas de música e espocar de foguetes. Coube a uma comissão de senadores. Chamada pelos cidadãos que se concentravam diante do palácio. Ouro Preto. dirigiu-se sando contentamento pelo de trem de ferro logo após ato que acabava de assi. Ao entrar na Rua do Ouvidor. deputado Henrique Pereira de Lucena. A pena. alguns dos peus. com uma pena de ouro ofertada pelo povo.3 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. sob os cuidados de três famosos médicos . de que é exemplo o telégrafo. Belém. em virtude seu esposo. É opinião generalizada que a Pátria se tornou realmente livre com o ato que retirou o Brasil da condição de única nação do Ocidente que ainda explorava o elemento servil. dia 13. Semmola. cerca de 5 mil pessoas se aglomeravam. o Imperador apresenta progressivas melhoras. Dona Isabel surgiu numa janela. o Imperador apresenta uma pequena melhora. Menos de três horas depois da aprovação do projeto pelo Senado do Império. É esperado o Dr. ministros.M. Das capitais das províncias e do exterior chegam a toda hora ao Rio telegramas de congratulações. quer ata. fez com que a notícia da abolição chegasse rapidamente à maioria das províncias brasileiras e a grande parte das nações americanas e européias. Na oportunidade. Soar de sinos Abolição repercute nas províncias e no estrangeiro O milagre da ciência e da técnica neste final do século 19. Pedro 2º encontra-se doente em Milão. Dona A fisionomia da Princesa Isabel. senadores. a Princesa Regente Dona Isabel. Rodrigo Silva. sancionava em solenidade no Paço da Cidade a já chamada Lei Áurea. Pena será exposta D. em verdadeiro delírio. a redentora. foi decretado feriado a próxima quintafeira. os seguintes telegramas: Milão. sob os cuidados de três dos quer defendendo. da gravidade do estado de e dos ministros do Império. e Giovani declaram em boletim que a febre tem declinado quase totalmente e que o estado nervoso do augusto enfermo é calmo. após deixar o Paço. na Praça Dom Pedro 2º. Alteza chegou ao Paço por volta das 14 horas. tendo à frente Sousa Dantas. soaram os sinos das igrejas do Rio.

da Província do Rio de Janeiro. acu­ jeto já estava aprovado sando os abolicio­ em segundo turno. contra Câmara. 1873: 1. Alfredo Chaves dirigiu seus ataques ao ministro Rodrigo Silva. sem suces­ Na quinta­feira. na tudo a legalidade terça­feira 8 de maio dos atos do Parla­ de 1888. aprovado pernambucano Joa­ pelo Plenário da quim Nabuco – e com Na Câmara. encontrados nas regiões mais ao nor­ te do litoral africano. aceitan­ do o poder. que não estivesse empenhado nesta cruzada. Joaquim de uma comissão especial e pla maioria. te dos fazendeiros Dois dias depois. Precisamos apres­ ção. por idade. ao acusar o governo imperial de ceder às pressões da imprensa e dos “apopléticos” da abo­ lição ao enviar o projeto de lei. rodrigo Silva: toda a sociedade quer a abolição O portador do projeto de lei que acabou com a es­ cravidão no Brasil. Rodrigo Silva citou a de­ fesa da abolição pela Igre­ ja. projeto a comissão especial que foi o portador da men­ consciência nacional e é Andrade Figueira. Entre poucos aplausos e seguidos gritos de “não apoiado”. apenas nove. o de modo que a libertação acelerar a tramitação. perial Regente acho que é preciso Isabel enviara colocar acima de à Assembléia Geral. Dispensados ra de Lucena. leu o sucinto texto pior do que o estrangeiro tado pelo Rio de Janeiro e sunto já apresentava pare­ de apenas dois artigos. além de estabe­ lecer as condições em que o fim completo do regime servil se daria no país. protestou. Pátria. promessas engana­ doras. mas somente com o desenvolvimento do cultivo da cana no Nor­ deste cresceu significati­ vamente a demanda por negros escravos. o Barão de Nabuco era um dos mais a dispensa de todos os pra­ diversos prazos e exigên­ Lucena (PE). contra a tentativa de com 83 votos favoráveis e apenas 9 contrários. porque a lei não pode vigorar na Corte senão oito dias e nas províncias senão três meses depois de pu­ blicada. dia 10. – Qualquer que sejam as jeto recebeu aprovação fi­ Plenário irrompeu em rui­ seja imediata – propôs Na­ dosas manifestações. em referência à expectativa de emancipação de escra­ vos criada pelas leis an­ teriores. depu­ criada para analisar o as­ sagem. em tempo recorde. O Barão de Lu­ graças ao esforço da cena submeteu à bancada antiescrava­ votação o requeri­ gista – liderada pelo mento. 14 de maio de 1888 Câmara discute e vota fim da escravidão em dois dias Aprovação do projeto em tempo recorde só foi possível graças ao esforço da bancada antiescravagista.726 escravos de 30 a 40 anos: 336. so.600 escravos de 55 a 60 anos: 28. zos e interstícios para que a cias regimentais. oprime a Câmara no dia seguinte. depu­ tado e ministro da Agricul­ tura Rodrigo Silva. a proposta mento – esbrave­ determinando o fim jou o representan­ da escravidão no País. 83 deputados votaram a favor da abolição. segui­ buco. Urgência sar a passagem do projeto.946 escravos 1887: 723. Cartas no escriptorio desta re dacção todas as 93 RESIDENCIA EM NITHEROY rUa noVa 93 . – Não havia um só órgão respeitável. o pro­ Terminada a leitura. Onde se lia “é declara­ da extinta a escravidão no Brasil”. poderíamos. libertando os seus escravos incondicionalmente”. que para ele apresentou o projeto “sem nenhuma razão de estado”. sequer. PAULO 1ª DA 133ª EXTRACÇÃO AMANHÃ IMPRETERIVELMENTE AMANHÃ A No século 16 já havia escravos no brasil Há quem diga que os primeiros negros foram trazidos ao Brasil en­ tre os anos de 1516 e 1526.211. reagiu da tribuna às críticas de Andrade Figueira à deci­ são do governo imperial de apresentar a proposta. sugerindo a criação impaciências para conver­ nal dos deputados. A maioria dos estudiosos estima a vin­ da de aproximadamente 3. em to­ das as democracias o poder público tem o dever de in­ terferir na solução de pro­ blemas sociais como o do elemento servil. porque não se tomaram precauções para garantir a sociedade contra essa classe de cidadãos novos que a ela são atirados. Para o deputado. menos de da Agricultura. Andrade Fi­ gueira reverberou o sen­ timento da bancada de proprietários rurais de seu estado. diz Alfredo Chaves Um dos nove deputados que votaram contra a extin­ ção da escravatura. – Que necessidade tão urgente é esta quando o problema tem sua solução natural nas leis de 1871 [Ventre Livre] e 1885 [Sexagenários]? Com a sua intervenção. o pro­ fluminenses. É difícil avaliar com precisão o volume do tráfico exter­ no para o Brasil duran­ te os três séculos e meio de duração do trabalho escravo. a estratégia governamental de emancipação gradual enganou os proprietários. em re­ ferência ao número de 600 mil escravos que ainda exis­ tiam no país. apontou a “intervenção dos pode­ res públicos na solução de um assunto eminente­ mente social”. menores de 30 anos: 195. Para Figueira. desses que for­ mam o sentimento de um povo e a opinião de uma nação. com apoio do presidente da Casa ter em lei a pro­ Princesa Im­ posta do governo. tribunais e famílias.5 milhões. sem os meios. por am­ a ajuda do presidente da Casa. Uma pequena. cruzar os bra­ ços e deixar que a revolu­ ção decretasse a libertação dos escravos? – questionou o deputado. deputado – A escravidão ocupa o lei pudesse ser votada pela três horas após a leitura do Rodrigo Augusto da Silva.348 escravos 1883: 1. nosso território. e levan­ tamento realizado em 1887 forneceram dados estatísticos sobre a po­ pulação escrava no Bra­ sil nos últimos anos: Figueira acusa governo de ceder a “apopléticos” O deputado Andrade Figueira. nas áreas ao sul do Equador. pesares dolorosos – acusou o deputado.097 escravos de 50 a 55 anos: 40. cedendo a pres­ sões e ignorando os direitos dos proprietários rurais.174 escravos de 40 a 50 anos: 122.419 es­ cravos matriculados no levantamento de 1887 é a seguinte: Projeto é ameaça à ordem pública. É necessário que o prazo que se exige para a Corte seja o mesmo para todo o Império. que fixava critérios de reparação aos senhores de escravos. o projeto de lei que acaba com a es­ cravidão pôde entrar em vigor imediatamente após ser sancionado pela Prin­ cesa Isabel. – O projeto é uma amea­ ça iminente à ordem públi­ ca. dos 723. O ministro emocionados. academias. produzindo uma agitação estéril.4 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. Henrique Perei­ do pelas galerias. Se observamos esta agi­ tação pacifista por toda a parte.419 escravos A classificação. que esteve no poder de 6 de junho 1884 a 5 de maio de 1885. Até mesmo. “os próprios interessados na manutenção da proprie­ dade escrava davam dia­ riamente exemplos os mais admiráveis de abnegação. o go­ verno imperial caiu em contradição ao apresentar o projeto apenas três anos depois da Lei do Ventre Li­ vre. Segundo o ministro. O deputado contestou as acusações de que a alte­ ração seria “inútil”. Regimento da Câ­ A aprovação se deu mara. mas crucial. Araújo Góes conseguiu apoio do Plená­ rio para inserir pequena e crucial emenda de redação ao Artigo 1º do texto origi­ nal. e nistas de rasgar o seguia para o Senado. os pode­ res públicos não fizeram mais do que comprometer a marcha do problema. e os bantos. emenda de redação Graças ao zelo legislativo e à experiência de minis­ tro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) do de­ putado baiano Barão de Araújo Góes. O Gabinete Dantas. pisando no território da líder da bancada antiaboli­ cer favorável em Plenário. disse. – É uma necessidade in­ declinável em face da legis­ lação. o deputado acres­ centou “desde a data desta lei”. segunda-feira. 16:000$000 LOTERIAS DE S. de proverem a sua subsistência – disse o de­ putado escravagista.541.822 escravos BACHAREL DUPONCHEL LECCIONA materias do curso preparatorio. Os escravos trazidos ao Brasil pertenciam a dois grupos de língua e cultura distintas: o dos sudaneses.

os órfãos e crianças abandonadas da raça que quer proteger”. A comissão apresentou imediatamente o parecer. No sábado dia 12. o líder do libera­ lismo abolicionista. – É grande fortuna para o Im­ pério que a lei possa ser pro­ mulgada. “ninguém acreditará no futuro que se Barão de Cotegipe realizasse com tanta precipitação e tão poucos escrúpulos a transformação que vai aparecer”. que exercia a Presidência da Casa. Mas o senador conservador disse acreditar na “cicatriz de uma feri­ da” que nunca mais será aberta. o Visconde de Ouro Preto (MG). populares aguardam aprovação do projeto pelos senadores especial de cinco membros destinada a dar o parecer sobre o projeto. re­ vestida de for­ ça moral e do prestígio que lhe dá o acor­ do refletido e quase unâni­ me de ambas as parcialida­ des políticas – Manuel Francisco Correia finalizou. e até onde a minha voz. sem dificuldades s atenções da Cor­ te se voltaram. 13 de maio. estaria se decretando que no país “não há propriedade. e Paulino de Sousa (RJ). Com a abolição. solicitou que fosse nomeada a comissão A e mais veemente aspiração nacional”. o Segundo Visconde do Uru­ guai (RJ). as leis de fazenda. o ele­ mento servil era o “único trabalho organizado em quase todo o País. que convém que sejam. Cotegipe fez longo pro­ nunciamento contrário à proposta. tornará o Brasil mais próspero. até onde a minha experiência dos negócios. destacando que a proposta continha “providência ur­ gente. o Barão de Cotegipe (BA). 14 de maio de 1888 O domingo da vitória no Senado Proposta foi aprovada ontem. a lei civil. o senador Cruz Machado designou a comissão que levaria o projeto ao Paço e que foi composta pelos membros da comissão que ofereceu o parecer e ainda por outros nove senadores. Logo após a leitura da proposta na sessão do últi­ mo dia 11. o que não verei talvez. os velhos. o senador Paulino de Sousa (RJ) afirmou que a proposta era “in­ constitucional. Sousa Dantas declarou ainda que a votação pro­ posta representava o maior acontecimento da história do País. a minha responsabilidade. o quanto antes. possibilitando então a “prosperi­ dade da Pátria”. a confiança que eu possa ins­ pirar aos meus concidadãos. aprovação Em frente ao Palácio dos Arcos. acordo quase unânime garante “força moral e prestígio” à decisão Em resposta aos argumentos de que a abolição deverá acarre­ tar transtornos. ao concluir. – Não há. o senador Sou­ sa Dantas (BA) afirmou da tribuna que a aboli­ ção não mar­ cará no Brasil Sousa Dantas “uma época de miséria. ou que fo­ rem mais moços. o senador Manuel Francisco Correia (PR) afirmou que “não se extirpa do organismo social um cancro secular sem que perturbações se operem”. as contingências previstas para a ordem econômica e social. no sábado e no do­ mingo. vamos consti­ tuir uma nova Pátria. os conservadores. Apenas dois se­ nadores. que não podia ser tão rápida e subitamente suprimido”. Na direção dos traba­ lhos da Casa. foi observado Sousa Dantas um prazo de dois meses. em sessão extraordinária. Apontando o projeto da abolição como algo “arriscadíssimo para a ordem social e econômica da Na­ ção”. as­ sim como a terra”. com a desorganiza­ ção do trabalho e com a entrada de 700 mil indivíduos não preparados pela educação e pelos hábitos da li­ berdade anterior para a vida civil. ele enfatizou que “a Cons­ tituição. como também dos que vão ser libertados. Para o sena­ dor. José Antônio Correia da Câmara (RS) e Alfredo Escragnolle Taunay (SC). Na sua avaliação. contados da promulga­ ção do ato. o meu estudo de todos os dias me puderem dar alguma autoridade. e garantido fundo para indenização aos proprietários. tudo reconhece como propriedade e matéria tributável o escravo. então. no Paço da Cidade. – Entendo que grandes males vão surgir dessa medida. portanto. por inspirar­se nos mais justos e imperiosos in­ tuitos” e satisfazia “a mais “A lei reconhece como “Medida arriscadíssima propriedade e matéria para a ordem social e econômica da Nação” tributável o escravo” “A verdade é que vai haver uma perturbação enorme no País du­ rante muitos anos. João Maurício Wanderley. Jerô­ nimo José Teixeira Júnior (RJ). pelo contrário. eu direi desta cadeira a todo o Brasil que nós. Esta lei vale por uma nova Constituição” Contestan­ to os senado­ res Paulino e Cotegipe. Antônio Cândido da Cruz Machado. em vez de produ­ zir “a nossa ruína”. em sessão extraordinária. é agora que recressem. os enfermos. mas aqueles a quem Deus conceder mais vida. pelo 1º vice­pre­ sidente do Senado. segunda-feira. segundo Co­ tegipe. que esta lei vale por uma nova Consti­ tuição – sustentou. a partir de 1848. a comissão de senadores que levaria o de­ creto da Assembléia Geral declarando extinta a escra­ vidão no Brasil. graças ao trabalho livre. os impostos etc. que baniu de forma imediata e incondicional a escravidão no território brasileiro. e. A proposta foi aprovada sem dificuldades pela Casa. dia 13. porque deixaria “ex­ postos à miséria e à morte os in­ válidos. onde se processava a discussão final do Projeto de Lei nº 1 da Câmara dos Deputa­ dos. hoje. PROGRAMMA DAS GRANDES REGATAS Enseada de Botafogo EM HOMENAGEM Á ABOLIÇÃO Sabbado 19 de maio de 1888 ÁS 1 1/2 DA TARDE EM PONTO NA . ao Plenário da Casa que Sua Alteza a Prince­ sa Regente receberia às 3 horas da tarde. A principal crítica de Cotegipe se referia ao fato de que a proposta não previa indenização aos pro­ prietários de escravos. Dantas manifestou a con­ vicção de que “o desapareci­ mento de 600 mil criaturas escravas”. as leis eleitorais. que foi aprovada domingo. Affonso Celso (pai). Afirmando que a propriedade sobre o escravo era uma criação do direito. para a emancipação dos escravos das colônias francesas. Repetindo argumentos do Barão de Cotegipe e do deputado An­ drade Figueira contra a abolição. antieconômica e desumana”. o senador criticou também o “trânsito pressuroso” da matéria na Casa.” A previsão som­ bria foi feita pelo senador Barão de Co­ tegipe. que tudo pode ser destruído por meio de uma lei sem atenção nem a di­ reitos adquiridos nem a inconve­ nientes futuros”. – Devo dizer que iludem­se ou querem iludir­se os que acreditam remover uma grande dificuldade com esta lei da abolição do elemen­ to servil. du­ rante a segunda discussão. sena­ dor Manuel Pinto de Sousa Dantas (BA). A solicitação foi acolhida sem debate e Cruz Macha­ do nomeou para compor o colegiado os senadores Sousa Dantas. “Não há perigo algum. Paulino dis­ se que. recitou estes três pequenos versos do século 13: “O’ libertad! Luz del dia! Tu me guia”. O senador e presidente do Conselho de Ministros João Alfredo (PE) comunicou. de sofrimentos e de penúria”.5 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. toma­ das providências em benefício não só da lavoura. se posicionaram contra a iniciativa. para o Senado do Império. ao des­ ferir críticas ao projeto da abolição. presenciarão.. perigo algum.

luís Gama por estar envolvida com insurreições de escravos. Grandes defensores da abolição Joaquim Nabuco iplomata. o que provocou choque com os mais radicais. de forma ilegal. 14 de maio de 1888 Uma luta social. No geral. seis anos antes da assinatura da Lei Áurea. em Londres. Sua campanha antiescravocrata na Câmara dos Deputados começou em 1878. mas nem todos os que lutaram pela li­ bertação dos escravos preferem a República. Da assinatura da Lei Eusébio de Queirós. Foi aprovada então a Lei Saraiva­ Cotegipe. Um clássico. muito ligado ao Imperador Dom Pe­ dro 2º. historiador. ele se declara o “mestiço de Ser­ gipe”. Fundou a Sociedade Antiescra­ vidão Brasileira. já se passaram 38 anos de intensa campanha abolicionista que se finda agora com a Lei Áurea.6 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. pelo seu pai. O Congresso exprimiu por um bom tempo o pensar dos paulistas que não adotavam a so­ lução geral e totalmente liberta­ dora. criou em 1883 a Confederação Abolicionista. a primeira fase do movimento pelo fim da escravidão. fez de alguns de seus poemas armas para o combate à escravidão. Sergipano. o que causou grande revolta dos senho­ res. Para jornalista. o maçom Joaquim Nabuco es­ creveu O Abolicionismo. De 1871 a 1881. aceitando o princípio da indenização. em um gesto de coragem. em 1847. assim como Castro Alves. Morreu em 1882. culminaram com a aceitação dos parlamentares pela abolição total dos ainda escra­ vos. jorna­ lista e político. Um pouco antes da proibição do tráfico negreiro. reconhecendo o que alguns chamam de “o direito do homem sobre o homem”. Em 1868. cafés e jornais e. livre todos os escravos com idade igual ou superior a 65 anos. precursor da Lei Escolhido paratornandoodos Sexagená­ rios em 1885. Tobias Barreto é filósofo. Agora. tornou­se muito cedo um articulista famoso. estendeu­se à população. muito antes da assinatura da Lei Áurea. Ao lado de André Rebouças. discursos nas tribu­ nas. conforme o interesse de cada pro­ víncia. segundo o abolicionis­ A ta Joaquim Nabuco. e Gonzaga Pinto era filho um fidalgo e da africana Oadvogadodejornalista Luísportuguêsvezes da Gama Luísa Maheu. Seu texto não foi aprovado pela Câ­ mara porque propunha a liberdade dos escravos a partir dos 60 anos. em que defende a abolição legalista. Essa foi. fez a apresentação pública. entre eles Ruy Barbosa. José do Patrocínio os abolicionistas negros. segunda-feira. boa par­ te da mão­de­obra escrava já foi substituída. Luís Gama teria sido vendido como escravo. Antônio Frederico de Castro Alves morreu aos 24 anos. jurista. entre 1879 a 1884. que proibiu o tráfico negreiro. Iniciou sua carreira política como deputado na Bahia em 1878. desde sua captura até a sua utilização desumana nos latifúndios. morais. quando “os abolicionistas com­ bateram sós. entregues aos seus próprios recursos”. Três anos mais tarde. . que com o tempo passou a apresentar custo maior que a mão­de­obra livre competitiva. políticas e eco­ nômicas. artigos e poemas em jornais brasileiros e estrangeiros e a forte pressão sobre o Império fizeram ruir de vez a escravidão. Mais tarde. em especial pela forte demanda da lavoura cafeeira. muito menos abrangente. Natural do Rio de Janeiro. A proposta era que o proble­ ma fosse resolvido gradualmente. viveu em Escada. Já falecidos. Nascido em 1830. A obra é uma crítica ferrenha do republicano Castro Alves aos maus­tratos a que eram submetidos os negros. aos 10 anos. José do Patrocínio e Tobias Barreto. todos os republicanos mostravam­se abolicionistas. Foi um símbolo do movimento pela abolição em São Paulo. lojas maçônicas. fundou o jornal A Gazeta da Tarde e pas­ sou a ser chamado de O Tigre da Abolição. o engenheiro baiano Filhoum um advogado mulato autodidata e daAndré Rebouças engajou­se no movimento abolicionista ao lado de defensores da causa como Joaquim Nabuco. filho mãe escrava e de um vigário. Mesmo os republicanos tiveram maneiras diferentes de pensar a abolição. José do Patrocínio foi a Entreincansável até os segundoso que antecederamde assinatura da Lei Áurea. tendo sido responsável pela libertação de mais de mil escravos cativos. Nasci­ luta pela de O navio negreiro. publicou o poema A Escravidão. Ruy Barbosa também destaca­ se entre os defensores do abolicionismo. política e econômica Campanha pelo fim da escravidão no país envolveu monarquistas e republicanos abolição da escravatura foi um processo secular resultante de mobilizações sociais – inclusive dos próprios negros –. da imprensa e da tribuna. em Pernambuco. o preço do es­ cravo já subia no mercado com a previsão de que não seriam mais trazidos negros para o Brasil. a partir de 1872 dedicou­se integralmente à abolição da escravatura. imediata e não mais com indenizações. Ele apresentou projeto de lei em 1880 propondo o fim da escravidão a partir de 1890. que sempre exigiam a abolição imediata e sem que houvesse qualquer paga aos senhores de escravos. Mas a forte pressão social e mo­ ral e a redução do interesse eco­ nômico pelo negro. Com exemplos europeus de abo­ lição da mão­de­obra escrava. associa­ ções. sem que houvesse indenização aos proprietários. que depois passou a ser chamado tobias barreto dos literária da poesia brasileira marcada pela temá­ Umsocialprincipaisdenomes do condoreirismo. Mui­ tos outros são defensores ferre­ nhos da mesma causa. Depois de conhecer a Prince­ sa Isabel. Monarquista. aos poucos. Desde os tempos de estudante participou ativamente nas campanhas de combate à escravidão e o faz por meio das associações abolicionistas. em uma come­ moração cívica onde estavam diversos se­ nhores de escravos. o processo da crítica abolicionista no Brasil concentrou­se em espaços como clubes. ajudando a criar a Socieda­ de Brasileira contra a Escravidão e a Confederação Abolicionista. Em 1868. por um bom tempo. de Nagô. Além de poeta. do poema Tragédia no mar. Tobias Bar­ reto. ruy barbosa redigir Projeto Dan­ tas. crítico e jurista. que diversas foi presa castro alves dos Escravos e da Liberdade” fez de seus versos palavras fortes na O“Poetaabolição da escravatura. Monarquistas como André Rebouças e Joaquim Na­ buco têm sido incansáveis nessa luta pelo fim da escravidão. do em Muritiba (BA). com indenização dos proprie­ tários. Luís Gama e Castro Alves também não podem ser esquecidos nessa batalha. o poema foi escrito quando ele tinha apenas 21 anos. Essa alta manteve­se até 1880. “a propriedade escra­ va é um roubo duplo”. propondo sempre a conci­ liação entre as classes. Joaquim Nabuco foi o maior porta­voz do abolicionismo parla­ mentar. D Abolicionistas negros andré rebouças de filha de comerciante. ci­ dade que teve de deixar após ter alforriado todos os escravos que pertenciam a seu sogro. escola tica e defesa idéias igualitárias. Publicou diversos artigos em jornais contra o trabalho servil. quan­ do se assina a Lei Áurea. o que mostra sua lu­ ta veemente pelo fim do trabalho servil.

asseio e ventila­ ção. houve gran­ de enfrentamento de tropas do governo e perseguições determinadas pelos senho­ res dos escravos. os primeiros registros são de 1625. Arranca­ dos da terra natal. sem direito a defesa Em 1588 foi publicado regimento que estabelecia “punição exemplar” para os fugitivos. aju­ daram a fuga dos negros e a formação dos núcleos de povoamento do quilombo. “seduzidos pela fatal ambição de adquirir fretes. que acabou as­ sassinado. Todos os navios negrei­ ros precisavam ter um “cirurgião­perito” e uma enfermaria aparelhada. O quadro é também des­ crito. estava a limitação do número de negros trans­ portados. Entre as providências. que podem haver mais em conta. as tropas atacaram grupos que se reuniam en­ tre os rios Gurupi e Turiaçu no início dos anos 1700. O O escravo que se insurgisse contra o trabalho servil e a repressão era violentamente punido. interferiram na rotina dos engenhos e. e de fazer maiores ganhos. o quilombo resistiu por mais de um século a fortes combates de tropas do governo colonial. Na Paraíba. por isso. faltando­lhes com alimen­ tos necessarios para a sub­ sistencia delles. na Bahia s africanos escravi­ zados no Brasil não demoraram muito para dar início aos movi­ mentos de fuga e formação de acampamentos arma­ dos que. Campos dos Goitacazes e Saquarema. Na segunda metade do século 18. fome e frio na travessia do Atlântico. em 1813. eram princi­ palmente centros de resis­ tência e contribuíram para o fim do trabalho escravo no país. Os líderes negros de maior representatividade foram Ganga Zumba e seu sobri­ nho Zumbi. pelo número excessivo de escravos a bordo. sobrecarregão os navios. combatido em 1731. em 1691. Ainda no século 16. de Dom João VI. mulheres e cri­ anças nos navios que os transportavam da África para o Brasil. teriam de apre­ sentar condições de salu­ bridade. “dando­se aos cativos espaço para se moverem e respirar”. já havia acolhido e hospedado mais de mil fu­ gitivos. al­ vará de 24 de novembro de 1813. CASA DO ALMEIDA Nos porões dos navios. A própria Princesa Isabel. sendo Macaco. de 500 a 700 ne­ gros. che­ gando a tal extremo a bar­ baridade e sordida avareza de muitos dos mestres das embarcações que os con­ duzem (. No Mara­ nhão. Mas a expulsão dos holan­ deses do Nordeste brasileiro fez aumentar a necessida­ de de mão­de­obra para os engenhos e. deveria ha­ ver fiscalização sanitária da tripulação e dos escra­ vos. às vésperas de assinar a Lei Áurea. soffrem os negros. As invasões holandesas no Brasil. por lhes forne­ cerem generos avariados e corruptos. as denúncias contra os quilombos sur­ gem no Rio Grande do Sul. os negros eram amontoados. comprimidos uns contra os outros .. de 25 a 27 de janeiro de 1835. em média. Muitos desses grupos fo­ ram desenvolvendo ao lon­ go dos anos relações com as comunidades locais. Inicialmente eles se reu­ niram no que se chamou de mocambo. Castro Alves relata os horrores que sofriam homens. em média. MODAS E ARMARINHO RUA GONSALVES DIAS Grande sortimento de voile de pura lã. os mocambos surgiram em Cabo Frio. O governo conseguiu im­ pedir os ataques aos quar­ téis de Salvador. 14 de maio de 1888 Resistência começou no século XVI Primeiros registros de escravos fugitivos são de 1575. se formou o Quilom­ bo do Cumbe. Nas capitanias do Rio Negro e do Grão­Pará.. por Dom João VI. Navios negreiros. no transito dos portos africanos para os do Bra­ zil. com isso. Os regis­ tros indicam sua fundação em 1597. Nos con­ frontos ocorridos. entre 1624 e 1654. Localizado na serra da Barriga. quando centenas de escravos africanos adep­ tos do Islã lutaram nas ruas de Salvador contra tropas de cavalaria e milícias. admitindo nel­ les muito maior numero de negros do que podem convenientemente conter. além de servirem de moradias. maus­tratos. Zumbi e Tabocas os prin­ cipais. que con­ tavam com o trabalho dos capitães­do­mato. Zona da Mata ala­ goana.7 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. por volta de 1710. que lhes era imposto. esses mestres. por falta de curativo e conve­ niente tratamento. No século seguin­ te. A mortalidade dos escravos não poderia passar de 3%. os proprietários de terras e CASA DO ALMEIDA o governo colonial deram início a numerosas caçadas e ataques a Palmares para recapturar os fugitivos. assim como nas ca­ pitanias do Espírito Santo e de Minas Gerais. o que. por volta de 1575. para evitar a trans­ missão de moléstias.)” Segundo o alvará. Há regis­ tros de fugitivos em outras regiões da Floresta Ama­ zônica. em Mato Grosso e Goiás. determina a adoção de “humanitárias provi­ dências” contra “o trata­ mento duro e inhumano que. Subupira. não ocorria. mas até na qualidade. no alvará de 24 de novembro daquele ano. No Rio de Janeiro. conforme o alvará. mas o percentual chegava a 10%. quando a denominação mocambo foi substituída por quilombo. determinava uma série de condutas. espécie de acampamento militar e moradia dos negros de lín­ gua bantu da África Cen­ tral e Centro­Ocidental. não tardão a fazerem­se epide­ micas e mortais”. navios de horrores No poema O navio negreiro. As capitanias de Sergipe e da Bahia foram tomadas por mocambos no início do século 17. Também deveria ter um livro de carga para fis­ calizar a lotação e a pro­ priedade dos escravos. eram submetidos a toda sorte de doenças. Vá­ rios núcleos de povoamento de negros fugitivos forma­ ram o Quilombo dos Pal­ mares. que. assassinar os bran­ cos e confiscar seus bens e o direito de praticar o isla­ mismo. Outros 281 foram presos. segunda-feira. metro 600 réis 29 Alvará determinou “espaço aos cativos para se moverem e respirar” Para minimizar a situa­ ção cruel a que eram sub­ metidos os negros a bordo dos navios negreiros. morreram sete integrantes das tropas oficiais e 70 negros. as­ sim como dos alimentos. O século 18 foi de ex­ pansão dos grupos negros. o Império já recebia notícias da movi­ mentação de escravos fugi­ tivos na Bahia. re­ sultando de hum tão abo­ minavel trafico. que pode ter abriga­ do mais de 20 mil pessoas por volta de 1670. Os navios. Foram mais de 18 as expedições realizadas até que se conseguisse aca­ bar definitivamente com o Quilombo de Palmares. as comunidades negras tam­ bém recebiam militares de­ sertores e índios. Além disso. Outra forte ação negra aconteceu na Revolta dos Malês. Os malês queriam o fim do catolicismo. não só na quantidade. que precisavam oferecer variedade e qualidade. Nos quase quatro séculos de escravi­ dão no Brasil. 29 CASA DO ALMEIDA FAZENDAS. População de Palmares pode ter ultrapassado 20 mil pessoas As maiores comunidades de fugitivos de toda a Amé­ rica concentraram­se na região açucareira de Per­ nambuco e de Alagoas. As caravelas que saíam para o Brasil carregavam. que se não pode encarar sem horror e indiganação manifestarem se enfermidades. que.

Em 27 de janeiro de 1881. logo a seguir. como a criação de colônias agrí­ colas para os libertos. A iniciati­ va pioneira repercutiu in­ tensamente na Corte e nas províncias. no dia 30 de setembro de 1883. em 1870. neste final do século 19. Um grande desfile barbárie recua e a civiliza­ atravessou a cidade antiga. segunda-feira. na pequena Em meio às manifesta­ vila de Aracape. No Piauí. Na Província da Bahia. a de­ sapropriação de terras não exploradas e o desenvol­ vimento da agricultura. Assim como ocorria no eta uma palavra de anima­ ção. o fim do cati­ veiro foi proclamado em dezembro. Em Pernambuco. 14 de maio de 1888 Ceará acabou com a escravidão há 4 anos Medida repercutiu intensamente na Corte e estimulou o abolicionismo em outras províncias as duas últimas dé­ cadas. por representar. Natal não possuía mais escravos no início deste ano. como o jogo da capoeira Mossoró se destaca como cidade pioneira A força do movimento abolicionista logo atingiu Mossoró. como Manoel Roque. a res­ ponsabilidade histórica de proclamar a extinção do trabalho escravo em todo o seu território. e antes da lei. o líder da So­ ciedade Libertadora Mos­ soroense. em 3º de março de 1887. que em sua primeira edi­ ção. deverá incluir propostas visan­ do contemplar. a idéia de libertação dos es­ cravos foi aos poucos se ir­ radiando para o interior do Brasil. Ca­ nhões da Fortaleza de Nos­ sa Senhora de Assunção reboaram e os sinos repi­ Reparação aos ex-escravos precisa ser discutida que envolve as conseqüên­ cias de um processo que era inevitável diante de sé­ culos de domínio sobre as populações negras. Gomes de Matos e outros que criaram o Clube do Cupim. que decidiu não mais publicar anúncios de fuga. como Castro Alves. N caram. o fim da escravidão. como oportunidade de emprego na cidade e acesso à educação. na Praça Castro Carreira. enviou carta ao sua posição: “No porto do escritor Victor Hugo comu­ Ceará não se embarcam nicando que uma província mais escravos!”. a luta pela abolição visse de encorajamento ao agregou não apenas figuras Imperador Dom Pedro 2°. declarou em tom so­ rense Libertadora liderou a lene: “Para a glória imor­ primeira grande campanha tal do povo cearense e em pela abolição. a jorna­ listas. poetas. motivando vários segmentos da sociedade. em relação às demais pro­ víncias. Militares recusavam­se a perseguir campanha pela abolição. Pessoas simples. deram grande força ao movimen­ to que começou a se articu­ lar em 1870. alguns abolicionistas colocam em foco a preocupação diante do quadro ainda nebuloso Movimento abolicionista se espalhou pelas províncias A Sociedade Emancipa­ dora Amazonense. – Mossoró está livre: aqui não há mais escra­ vos!. A grande festa da abo­ lição no Ceará reuniu a população da capital. eles conseguiram ser considerada liberta do de fato abolir o tráfico de cativeiro. José do Pa­ trocínio. Com esta brasileira estava prestes a atitude. houve embates violen­ tos. a Assem­ bléia Provincial autorizou o governo a despender 300 contos com alforrias. conhecido trava em Paris dias antes do como “Dragão do Mar”. negro e operário. Joaquim Bezerra da Costa Mendes. e. Em Goiás. e que não foram contempladas com nenhum tipo de com­ pensação. Açu li­ bertou seus escravos em 24 de junho de 1885. Bahia e Paraí­ ba. João Ramos. Ele pedia ao po­ escravos na província. No final de 1887. que se encon­ do Nascimento. cumpriu pa­ pel decisivo na campanha libertadora na Província do Amazonas. O Ceará assumiu. conferindo dig­ nidade ao indivíduo. os ex­escravos e seus descendentes. em 25 de maio de 1887. considerou “grande dos panfletos a favor da novidade” o gesto dos ce­ abolição. A mobiliza­ ção cresceu em meados de 1870. Com um número menor de escravos. Nesse ano. o fim da escravidão foi pro­ clamado há quatro anos. um conselho. É mister que se estudem ain­ da outras formas de repara­ ção. “profetizou” a pro­ clamação da república brasileira no centenário da Revolução Francesa. escritores e políticos que abraçaram a causa com entusiasmo. para que se possa construir uma sociedade justa e igualitária. desde a Rua 1º de Março Embora a luta final te­ até o passeio público. desde simples jangadeiros e donos de barcaças no Nordeste. Os negros mantiveram tradições do continente africano. em especial em áreas onde a lavoura cafeeira se expandiu. A cidade comemorou em grande evento. fez uma declaração histórica. Em São Carlos. no dia 25 de março de 1884. No Rio Grande do Sul. A criação de trabalho para os libertos é uma preocupação Não faltaram discursos de abolicionistas como Joa­ quim Nabuco. o jornalista David Moreira Caldas iniciou ardorosa campanha abolicionista pela imprensa. No Rio de Janei­ ro. de expressão nas provín­ no sentido de engajar­se na cias e na Corte. ten­ mais escravos”. que logo ções. que abraçou a causa com entusiasmo – especialmente a Loja Maçônica 24 de Junho. Neste momento em que o Brasil comemora a assina­ tura da Lei Áurea. como Amazonas. nha se dado na cidade de Fortaleza. de­ pois Carnaúba. mascates cês. isto sim. funda­ da em 1870. de 1º de fevereiro de 1873. Em razão disso. ou seja. a luta contou com os nomes de José Mariano. um legítimo direito. que a Sociedade Cea­ Dias. Ao longo da luta pela abo­ lição foram discutidas pro­ postas nesse sentido. o movimento ganhou a ade­ são da imprensa de Salva­ dor. e personalidades. compra e venda de escra­ vos. O abolicionista José do do à frente Francisco José Patrocínio. banimento da escravidão os jangadeiros firmaram no Ceará. um grupo de parlamentares lançou campanha pela abolição da escravatura. que se recusa­ vam a participar do trans­ porte de cativos. mas deve­se ter em vista que a reparação que precisa ser atribuída aos ex­escravos e sua gente não se confunde com qualquer tipo de dá­ vida. no próximo ano. é lícito prever que a pauta de de­ bates do Parlamento. Luís Gama e Ruy Barbosa defendendo a ne­ cessidade de oferecer opor­ tunidades para integrar os ex­escravos à sociedade. o movimento co­ memorou a libertação da capital em 1884. Triunfo. mas nos meses que antece­ deram a assinatura da Lei Áurea a escravidão estava quase extinta em toda a província. É possí­ vel até que essa discussão não tenha fim na próxima década e termine se esten­ dendo pelo século 20.8 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. já ocorriam alfor­ rias espontâneas em toda a província. fundando o jornal Oitenta e Nove. O grande pensador fran­ escravos fugidos. As barcaças pernambucanas também apoiaram a fuga de escra­ vos. ção avança”. na resposta a Patro­ ajudavam na distribuição cínio. ferroviários es­ arenses e reforçou que com condiam negros nos trens a iniciativa libertadora “a ajudando­os nas fugas. em 1889. Naque­ la ocasião. A grande dívida para com os escravos libertos deve ser saldada. reforçando os movimentos que já come­ çavam a tomar corpo em outras partes do país. A 24 de abril de 1884. Sátiro de Oliveira ção. O movimento con­ seguiu minar a força dos escravocratas. foi no interior victor Hugo da província. o Paraná também se engajou na luta. Os jangadeiros também nome e pela vontade desse mesmo povo. A 24 de maio foi reconhecido oficialmente que Manaus não tinha mais escravos. diversas cidades libertaram seus es­ cravos no ano passado. o presidente da Pro­ depois se chamaria Reden­ víncia. cidades como Porto de Cima já estavam livres da escravidão. . de alguma forma. proclamo ao tiveram papel decisivo no país e ao mundo que a pro­ processo cearense de abo­ víncia do Ceará não possui lição da escravatura. Na Província cearense. o movimento chegou a causar conflitos. O exemplo dessa cida­ de passou a ser seguido por comunidades do in­ terior da Província do Rio Grande do Norte. Em São Paulo. que ser­ Ceará.

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