Uma reconstituição histórica

Órgão do Senado do Império

Rio de Janeiro, segunda-feira, 14 de maio de 1888

ASSINADA A LEI ÁUREA

O

Brasil está livre do trabalho es­ cravo. Na tarde de ontem, a Princesa Isabel sancionou a lei que pôs fim a mais de 300 anos de escravidão. Conforme o senador Sousa Dantas, havia no país 600 mil

escravos. Levantamento do Império mostra que, no ano passado, eram mais de 700 mil. A Lei João Alfredo, mais chamada de Lei Áurea, foi aprovada em tempo recorde na Câmara dos Deputados e no Senado, apesar dos protestos dos

poucos parlamentares con trá rios à abolição. Calcula ­se que cerca de 5 mil pessoas se concentraram diante do Paço da Ci dade, para acompanhar a solenidade de assinatura. O povo irrompeu em aplausos

quando o deputado Joa­ quim Na bu co, de uma sacada, comu nicou que não havia mais escravos no Brasil. Em uma das janelas, Dona Isabel foi aclamada pelos manifestantes. O Imperador Dom Pedro 2º, que se encontra

gravemente enfermo em Milão, na Itália, onde se submete a tratamento de sáude, ainda não sabe da sanção da lei. Por meio do telégrafo, a notícia já chegou à várias províncias do País e nações americanas e européias. Pág. 3

Leis que antecederam a abolição nem sempre provocaram resultados práticos
Em 1845, surgiu a lei que previa sanções contra o tráfico de escravos. Em 1871, foi adotada a Lei do Ventre Livre, que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir da sua edição, mas os manteve na tutela dos seus senhores até os 21 anos. E em 1885, garantiu­se liberdade aos que com pletassem 60 anos, com a obrigação de prestar serviços, a título de indenização ao senhor, por três anos. Essas medidas, porém, não trouxeram os resultados esperados, pois a contrapartida geralmente exigida inviabilizava seu cumprimento ou a lei era simplesmente desrespeitada. Pág. 2

Primeiros registros da resistência negra são de 1575
No Paço da Cidade, senadores e outras autoridades assistem a D. Isabel assinar a Lei Áurea

Câmara dos No Senado, apenas Deputados votou o dois senadores se projeto em dois dias manifestaram contra
O Projeto de Lei nº 1 foi aprovado em apenas dois dias pela Câmara dos Deputados. A decisão em tempo recorde só foi possível graças ao esforço da bancada antiescravagista – liderada pelo pernambucano Joaquim Nabuco – e à ajuda do presidente da Casa, deputado Barão de Lucena. “Precisamos apressar a passagem do projeto, de modo que a libertação seja imediata”, defendeu Nabuco aos colegas. Pág. 4 Ontem, domingo, o Senado do Império aprovou a proposta que extinguiu o trabalho escravo no Brasil. Dois senadores se manifestaram contra a iniciativa: o Barão de Cotegipe – advertindo que no futuro haverá grave perturbação da ordem no Brasil – e Paulino de Sousa. Defendendo a proposta, Sousa Dantas disse que a abolição constitui o maior acontecimento da história do Brasil e tornará a Nação mais próspera. Pág. 5

Campanha envolveu monarquistas e republicanos
O abolicionista Joaquim Nabuco relata que o movimento pelo fim do trabalho servil no país con centrou-se inicialmente em clubes, lojas maçônicas, associações, cafés e jornais, e só aos poucos estendeu-se à população. Nesse período, que durou de 1879 a 1884, diz ele, “os abolicionistas combateram sós, entregues aos seus próprios recursos”. Só mais tarde, discursos nas tribunas, artigos e poemas nos jornais ajudaram a pressionar o Império para que fosse extinta a escravidão. Os republicanos, praticamente todos eles, eram abolicionistas, mas nem todo defensor do fim do trabalho escravo preferia a República. Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa e Castro Alves são grandes nomes do abolicionismo, que contou também com negros ilustres, como André Rebouças, José do Patrocínio, Luís Gama e Tobias Barreto. Luís Gama chegou a ser vendido, aos dez anos, como escravo, e se transformou em símbolo do movimento em São Paulo. Pág. 6

Escravidão foi abolida no Ceará quatro anos atrás
No Ceará a escravidão acabou há quatro anos. A iniciativa reforçou o sentimento abolicionista em pro­ víncias como Amazonas, Pernambuco, Bahia, Goiás, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Foi Mossoró, em 1883, a primeira cidade a pôr fim ao trabalho servil. Pág. 8

A resistência dos negros ao trabalho servil foi um dos fatores que levaram à abolição da escravatura

Os primeiras relatos de re sistência à escravidão são de 1575, quando o Império recebeu, da Bahia, notícias de negros fugitivos. Inicialmente, eles se refugiavam em mocambos, espécie de acampamento. As comunidades de fu gitivos

passaram, depois, a ser chamadas de quilombos; o mais conhecido deles foi o dos Palmares, que pode ter abrigado mais de 20 mil pessoas em 1670. A resistência foi um dos fatores que levaram à abolição da escravatura. Pág. 7

Edição comemorativa dos 120 anos da Lei Áurea – Jornal do Senado – 12 a 18 de maio de 2008 – Ano XIV – Nº 2.801/172

20º andar – 70165­920 Brasília (DF) www. Eusébio de Quei­ roz.br Tel. O ato de 1831 foi um pri­ meiro passo. de 1887. estabeleceu ao mesmo tempo que até os 21 anos eles permaneceriam em poder do senhor. a título de indenização ao senhor. O texto. como os engenhos de açúcar do Nordeste.040. o liberal con­ selheiro Saraiva e o conser­ vador (e mulato) Barão de Cotegipe. Joaquim Nabuco Pág. de 9 de outubro. os negros ficavam em depósitos à espera dos leilões e onde eram inspecionados por compradores Lei dos Sexagenários foi fruto de acordo político Muita negociação políti­ ca entre liberais e conser­ vadores foi necessária para que a Câmara dos Deputa­ dos aprovasse outro proje­ to antiescravagista enviado pelo governo imperial à Assembléia Geral. 14 de maio de 1888 Uma primeira tentativa de proibir o tráfico de negros Com poucos efeitos práticos. o Senado não possuía ne­ nhuma publicação jornalística. Nessa idade. em 1854. Em 1845. 1: Museu Histórico Nacional. Mas foi aprovado. Segundo essa norma. mas os manteve sob a tutela dos seus se­ nhores até os 21 anos. As controvérsias fo­ ram desproporcionais aos seus efeitos práticos. pro­ gressivamente os imigran­ tes europeus começaram a substituir a mão­de­obra servil. que deram apoio à medida. transformou­se na Lei nº 2. a Lei dos Sexagená­ rios também ficou conheci­ da como Saraiva­Cotegipe.: 0800 61­2211 Fax (61) 3311­3137 Diretor do Jornal do Senado: Davi Emerich Edição: Eduardo Leão Coordenação de texto: José do Carmo Andrade Redação: Janaína Araújo.gov. ao fixar os 60 anos como idade limite para o escravo. juntamen­ te com a proibição do tráfico negreiro. Os textos foram elaborados com base nos Anais do Senado e da Câmara dos Deputados. o último desembarque de escravos africanos no país só ocorreria em 1855. a ponto de causar a queda do gabinete e a dissolução da Assembléia Geral. 3: Museu Imperial. a Lei Eusébio de Queiroz. o projeto foi violentamente torpedeado pelos escravo­ cratas no Parlamento. Joaquim Nabuco. 2: Rugendas/Fund. A turbulência política em várias províncias impediu que o governo central fi­ zesse cumprir a lei durante as duas décadas seguintes. aprovando a pensão de 1$4000 diá­ rios aos menores irmãos do 2º sargento do Corpo Militar da Polícia da Corte Antonio Nery de Oliveira Araújo. elaborado pelo gabinete conservador do Viscon­ de do Rio Branco em 27 de maio de 1871. que pre­ via sanções para as autori­ dades que encobrissem o contrabando de escravos. fazen­ deiros incentivaram o trá­ fico interno. Naquele período. Anexo I do Senado Federal. de 4/9/1850. segunda-feira. 42. o capitão e seus subordina­ dos. Porém. em 28 de setembro de 1885. Eram libertados os escravos que completassem 60 anos. Expediente Esta edição especial reproduz os principais episódios relacionados à abolição da escravatura no Brasil. Joaquim Nabuco Pág. conti­ nuavam escravos – ana­ lisou Joaquim Nabuco. Muito mais abran­ gente. o Parlamento em Londres aprovou lei (o Bill Aber­ deen) que dava à Marinha inglesa o direito de aprisio­ nar navios negreiros. e julgar seus comandantes. Paula Pimenta. com a obrigação de prestar serviços. pelo prazo de três anos. Sylvio Guedes. assegu­ rava a extinção gradual da escravidão. A Lei nº 581. Arquivo Senado Federal.senado. assinada por Dona Isabel. a Lei Nabuco de Araújo (mi­ nistro da Justiça). considerava criminosos o dono do navio. Para burlar a lei. tirando es­ cravos de áreas em que a agricultura decaía. Os 14 anos entre a in­ tenção e a realidade foram a sobrevida daquilo que José Bonifácio de Andrada e Silva chamou de “cancro mortal que ameaçava os fundamentos da nação”. resultado de acordo do Brasil com a Inglaterra. Reprodução/Geraldo Magela Pág. segundafeira. Henrique Eduardo Lima de Araújo.300. os quais deveriam criá­los até os 8 anos. co­ nhecida como Lei Eusébio de Queiroz. José do Carmo Andrade Pesquisa histórica: José do Carmo Andrade e Eliana Lucena Diagramação: Bruno Bazílio. em 28 de setembro. Quatro meses depois. Na prá­ tica. a do Ventre Livre e a dos Sexagenários antecederam a Lei Áurea Ordem do dia de hoje. não prevendo qualquer tipo de indeni­ zação aos proprietários. Christiano Jr. mes­ mo em águas territoriais brasileiras. A lei sancionada no ano seguinte continha diversas normas para regular a ex­ tinção gradual do elemento servil. 4: Cedi/Câmara dos Deputados Pág. Só com a pressão política e militar inglesa o cenário se modificou. além do pessoal em terra que participasse do comércio ilegal. 6: Fund. dia seguinte ao da assinatura da Lei Áurea. E m 7 de novembro de 1831. então chefe de ga­ binete.CLUB sexta-feira – 18 do corrente . 7: Rugendas/Fund. Reproduções/Arquivo Fotográfico JS Pág. no litoral de Pernambuco. dias antes. O governo brasileiro não resistiu à pressão e o mi­ nistro da Justiça de Dom Pedro 2º. na abertura do ano legislativo. da Silva e Sérgio Luiz Gomes da Silva Revisão: Eny Junia Carvalho e Lindolfo do Amaral Almeida Tratamento de imagem: Edmilson Figueiredo e Humberto Sousa Lima Arquivo fotográfico: Ana Volpe. Reproduções/Arquivo Fotográfico JS Pág. pro­ posta pelo senador Sousa Dantas. os filhos menores fica­ riam “em poder e sob a autoridade dos senhores de suas mães”. Joaquim Nabuco Pág. o senhor optava entre receber do Estado in­ denização de 600 mil réis ou de utilizar­se dos serviços do menor até 21 anos. de­ putados dos partidos Conservador e Liberal discutiram a proposta. estabelecia que todos os escravos que entrassem no território ou portos do Brasil vindos de fora ficariam livres. às 11h erceira dita da proposta da Câmara dos Deputados n. Iracema F. Já os do­ nos de escravos acusa­ vam o governo de que­ rer provocar uma crise econômica. 5: Flickr.2 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. até essa data. Sancio­ nada pelo Imperador Dom Pedro 2º com o nº 3. – A verdade é que a lei. Laiane Borges e Elida Costa FESTEJOS POPULARES comemorativoS da abolição DERBy . Créditos das fotos: Pág. Por vários meses. A lei deu liberdade aos filhos de escravos nas­ cidos a partir daquela data. O formato adotado simula o que poderia ser uma edição do Jornal do Senado publicada em 14 de maio de 1888. 14 de maio de 1888. jornais e revistas da época e livros de estudiosos do mo­ vimento abolicionista. ao libertar os bebês. o Im­ perador antecipara que “considerações da maior importância aconselham que a reformada legisla­ ção sobre o estado servil não continue a ser uma aspiração nacional inde­ finida e incerta”. Em sua Fala do Trono. enviou projeto ao Par­ lamento que determinava a apreensão de navios que traficassem escravos. Jornal do Senado Federal Praça dos Três Poderes – Ed. pois os poucos que chegavam a essa idade já não tinham condições de garantir seu sustento. Rugendas/Fund. a iniciativa é do ano anterior. Joaquim Nabuco. ABL. Na verdade. Dom Pedro 2º defendeu a Lei do Ventre Livre Nasceu da vontade de Dom Pedro 2º o projeto da Lei do Ventre Livre. A crítica dos abolicionis­ tas à lei era aos limitados efeitos práticos.gov. Ao chegarem ao Brasil. Os defen­ sores dessa lei afirma­ vam que ela. egunda dita do proje­ to do Senado letra S de 1887 determinando que a disposição do parágrafo 1º do artigo 1º do Decreto nº 3. 8: Rugendas/Fund.br/jornal jornal@senado. O maior de 65 anos ficava li­ berado de tais trabalhos. para que votou­se dispensa de interstício. 1844. em referência aos dois che­ fes do gabinete ministerial do Império. para as lavouras de café no Centro­Sul.270. não é aplicável ao minis­ tro do Supremo Tribunal de Justiça que exercesse já semelhante cargo e tivesse mais de 72 anos de idade. a Câmara dos Deputados promul­ gou uma lei que proibia o tráfico de escravos afri­ canos. Com o fim do tráfico. mas ineficaz.

Em frente ao edifício. às vezes dava ares de Janeiro. o Conde d’Eu. nomeando em 11 de maio a comissão especial. Sua cidade italiana de Milão. Dona Isabel declarou: – Seria o dia de hoje um dos mais belos de minha vida se não fosse saber estar meu pai enfermo. cujo parecer foi votado no mesmo dia. edifícios públicos e particulares da capital paulista foram iluminados. mediante votação simbólica. a Princesa Regente Dona Isabel. e da Agrique está em tratamento na cultura. entregar à Princesa Regente o autógrafo do projeto. não faltando bandas de música e fogos. útil à nossa Pátria. Dantas felicitou Dona Isabel “por caber-lhe a glória de assinar a lei que apaga dos nossos códigos a nefanda mácula da escravidão. cerca de 5 mil pessoas se aglomeravam. Vitória.melhores médicos eurocando o projeto. em virtude seu esposo.M. nos dias 9 e 10. tendo à frente Sousa Dantas. que se encontrava Regente. de uma sacada do Paço. traz a seguinte inscrição: “A D. a designação imediata da comissão especial que daria o parecer transformando a mensagem em projeto. Da mesma forma agiu o Senado. está extinto em todo o Brasil o trabalho escravo. maiores tribunos do país. Estimase que mais de 600 mil negros foram beneficiados pela lei. chegava ao Plenário a notícia de que alguns fazendeiros fluminenses já estavam libertando seus escravos. os seguintes telegramas: Milão. Na oportunidade. a respeito. com a ajuda dos cabos submarinos. ocorreu a aprovação final. a discussão e aprovação. 12 – O estado de S. Soar de sinos Abolição repercute nas províncias e no estrangeiro O milagre da ciência e da técnica neste final do século 19. invadiu o palácio. para grande festejo cívico em honra do Brasil livre. o deputado Joaquim Nabuco. Semmola. e tem no lado oposto o número e a data da Lei Áurea. Costa Pereira. em meio a bandas de música e espocar de foguetes. dia 13. três delas situadas perto do palácio: as de São José. o veterano abolicionista Sousa Dantas foi carregado nos braços do povo. a mais importante e mais humana norma legal já adotada pelo Brasil. que se encontra em Milão. Rodrigo Silva. solicitou ao presidente daquela Casa. lançando mão de recurso regimental.M. em verdadeiro delírio. deputados. além de gente do povo que. Apenas dois senadores se manifestaram contrários à matéria: o Barão de Cotegipe e Paulino de Sousa. recebendo demorados aplausos do público. Depois de sancionada a lei. Ouro Preto. magistrados. “Art. senador João Alfredo. A pena de ouro com que a Princesa Regente assinou o decreto da abolição da escravatura ficará exposta a partir do dia 21 de maio no salão do jornal O Paiz. contém apenas dois dispositivos: “Art. Charcot. soaram os sinos das igrejas do Rio. Charcot. Milão. Foram só seis dias de tramitação da mensagem. o Imperador apresenta progressivas melhoras. sancionava em solenidade no Paço da Cidade a já chamada Lei Áurea. sempre expres. após deixar o Paço. Pena será exposta D. segunda-feira. intensificaram-se os festejos e passeatas pelas ruas do Rio de Janeiro. Chamada pelos cidadãos que se concentravam diante do palácio. Santos. A pena. senadores. só com muita dificuldade as carruagens que levavam a comissão de senadores e o presidente do Ministério. deputado Henrique Pereira de Lucena. foi decretado feriado a próxima quintafeira. A campanha de subscrição iniciada por aquele diário logo recebeu a adesão da Revista Ilustrada. Belém. Habitantes de São Paulo. Coube a uma comissão de senadores. Salvador. É esperado o Dr. de que é exemplo o telégrafo. Assim que a Câmara recebeu o texto – na terça-feira dia 8 – das mãos do ministro Rodrigo Silva. Poucas vezes nos seus 62 anos de funcionamento a Assembléia Geral produziu uma lei com extraordinária rapidez como a que acaba de emancipar os escravos. conforme o boletim dos médicos assistentes. Confiante em que o Senado aprovaria a proposSorriso e lágrimas ta nesse domingo. sendo mais uma vez aclamada pelos manifestantes. o parecer foi acolhido pela Câmara no mesmo dia 8. À noite. Alteza chegou ao Paço por volta das 14 horas. Bandas animam festejo nas ruas Concebida para abolir de forma imediata e incondicional o elemento servil no País. O Senado argentino e a corporação acadêmica telegrafaram a Dona Isabel. Falando em seguida. A multidão irrompeu em ruidosas aclamações quando o deputado Joaquim Nabuco. 2º Revogam-se as disposições em contrário”. da gravidade do estado de e dos ministros do Império.3 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. Na ocasião. Semmola. dia 13. e Giovani declaram em boletim que a febre tem declinado quase totalmente e que o estado nervoso do augusto enfermo é calmo. Dom Pedro 2º ainda não foi informado O Imperador Dom Pedro 2º. cujo texto foi transformado numa verdadeira peça de arte pelo conhecido calígrafo Leopoldo Heck. Atribui-se esse resultado à aplicação de gelo na cabeça e às injeções hipodérmicas de cafeína. como sempre. Pedro 2º encontra-se doente em Milão. sob aplausos dos manifestantes. dirigiu-se sando contentamento pelo de trem de ferro logo após ato que acabava de assi. Fortaleza e outras cidades saíram às ruas em procissões cívicas. Isabel. prática das mais cruéis e condenáveis que foi permitida legalmente no país por mais de 300 anos. Acompanhada de preocupação.em Petrópolis. Deus permitirá que ele nos volte para tornar-se. Nos debates na Câmara e Sua Alteza Dona Isabel sancionou em nome de seu augusto pai a lei que acaba com a escravidão. Sob os protestos do deputado conservador Andrade Figueira. seguindo-se. a redentora. embaixadores e outras personalidades. prática das mais cruéis que foi permitida no Brasil por mais de 300 anos no Senado se enfrentaram. de Nossa Senhora do Carmo e da Capela Imperial. 1º É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.353. quer ata. Agora está em plena integridade de suas faculdades mentais. conseguiram chegar às portas do Paço. o Imperador apresenta uma pequena melhora. Em razão da grande concentração de pessoas na praça. Quando o Senado concluía a deliberação sobre a proposta. sem conter as lágrimas. Ontem. Dona Isabel surgiu numa janela. Os fenômenos cerebrais cessaram após delírio intenso. onde se submete a tratamento de saúde. com uma pena de ouro ofertada pelo povo.o meio-dia para o Rio de nar. não obstante a tentativa dos parlamentares antiabolicionistas de imporem obstáculos à adoção de urgência para a matéria. na Praça Dom Pedro 2º. receitadas pelo Dr. Participaram da cerimônia. Ao entrar na Rua do Ouvidor. saúde de seu augusto pai. alguns dos peus. sob os cuidados de três famosos médicos . Pessoas que se encontravam nas galerias jogaram flores no Plenário. Campinas. Transcrevemos. na Sala do Trono. Os Drs. É opinião generalizada que a Pátria se tornou realmente livre com o ato que retirou o Brasil da condição de única nação do Ocidente que ainda explorava o elemento servil. comunicou ao povo que não havia mais escravos no Brasil. felicitando-a. como já lhe coube a de confirmar o decreto que não permitiu nascerem mais cativos no Império (a Lei do Ventre Livre)”. fez com que a notícia da abolição chegasse rapidamente à maioria das províncias brasileiras e a grande parte das nações americanas e européias. Menos de três horas depois da aprovação do projeto pelo Senado do Império. ministros. na Itália. Em Buenos Aires. e que recebeu o número 3. Dona A fisionomia da Princesa Isabel. 14 de maio de 1888 Princesa Isabel assina a Lei Áurea Texto possui apenas dois artigos e já está em vigor tanto na Corte como nas províncias D esde a tarde de ontem. Recife. ainda não pôde ser informado da lei que baniu de nosso país o regime de escravidão. Das capitais das províncias e do exterior chegam a toda hora ao Rio telegramas de congratulações. o povo agradecido”. sob os cuidados de três dos quer defendendo. que tem no dorso 43 brilhantes. 13 – O estado de S.

o deputado acres­ centou “desde a data desta lei”. desses que for­ mam o sentimento de um povo e a opinião de uma nação. leu o sucinto texto pior do que o estrangeiro tado pelo Rio de Janeiro e sunto já apresentava pare­ de apenas dois artigos. rodrigo Silva: toda a sociedade quer a abolição O portador do projeto de lei que acabou com a es­ cravidão no Brasil. por am­ a ajuda do presidente da Casa. segunda-feira. por idade. Regimento da Câ­ A aprovação se deu mara. depu­ tado e ministro da Agricul­ tura Rodrigo Silva. protestou. A maioria dos estudiosos estima a vin­ da de aproximadamente 3. produzindo uma agitação estéril. O Gabinete Dantas. Uma pequena. sequer. Andrade Fi­ gueira reverberou o sen­ timento da bancada de proprietários rurais de seu estado. ao acusar o governo imperial de ceder às pressões da imprensa e dos “apopléticos” da abo­ lição ao enviar o projeto de lei. de proverem a sua subsistência – disse o de­ putado escravagista. pesares dolorosos – acusou o deputado. porque a lei não pode vigorar na Corte senão oito dias e nas províncias senão três meses depois de pu­ blicada. menos de da Agricultura. É difícil avaliar com precisão o volume do tráfico exter­ no para o Brasil duran­ te os três séculos e meio de duração do trabalho escravo. cedendo a pres­ sões e ignorando os direitos dos proprietários rurais. Até mesmo. 16:000$000 LOTERIAS DE S. menores de 30 anos: 195. os pode­ res públicos não fizeram mais do que comprometer a marcha do problema. Urgência sar a passagem do projeto. Segundo o ministro. pisando no território da líder da bancada antiaboli­ cer favorável em Plenário. tribunais e famílias.419 es­ cravos matriculados no levantamento de 1887 é a seguinte: Projeto é ameaça à ordem pública. sem os meios. diz Alfredo Chaves Um dos nove deputados que votaram contra a extin­ ção da escravatura. Joaquim de uma comissão especial e pla maioria. O deputado contestou as acusações de que a alte­ ração seria “inútil”. acu­ jeto já estava aprovado sando os abolicio­ em segundo turno. o Barão de Nabuco era um dos mais a dispensa de todos os pra­ diversos prazos e exigên­ Lucena (PE).541. apenas nove. o pro­ fluminenses. Cartas no escriptorio desta re dacção todas as 93 RESIDENCIA EM NITHEROY rUa noVa 93 . Precisamos apres­ ção. deputado – A escravidão ocupa o lei pudesse ser votada pela três horas após a leitura do Rodrigo Augusto da Silva. perial Regente acho que é preciso Isabel enviara colocar acima de à Assembléia Geral. na tudo a legalidade terça­feira 8 de maio dos atos do Parla­ de 1888. o projeto de lei que acaba com a es­ cravidão pôde entrar em vigor imediatamente após ser sancionado pela Prin­ cesa Isabel. PAULO 1ª DA 133ª EXTRACÇÃO AMANHÃ IMPRETERIVELMENTE AMANHÃ A No século 16 já havia escravos no brasil Há quem diga que os primeiros negros foram trazidos ao Brasil en­ tre os anos de 1516 e 1526. 1873: 1. o pro­ Terminada a leitura. contra Câmara. encontrados nas regiões mais ao nor­ te do litoral africano. e levan­ tamento realizado em 1887 forneceram dados estatísticos sobre a po­ pulação escrava no Bra­ sil nos últimos anos: Figueira acusa governo de ceder a “apopléticos” O deputado Andrade Figueira. com apoio do presidente da Casa ter em lei a pro­ Princesa Im­ posta do governo. dia 10.4 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. academias. nas áreas ao sul do Equador. sem suces­ Na quinta­feira. em referência à expectativa de emancipação de escra­ vos criada pelas leis an­ teriores. te dos fazendeiros Dois dias depois. contra a tentativa de com 83 votos favoráveis e apenas 9 contrários. – Qualquer que sejam as jeto recebeu aprovação fi­ Plenário irrompeu em rui­ seja imediata – propôs Na­ dosas manifestações. Entre poucos aplausos e seguidos gritos de “não apoiado”.097 escravos de 50 a 55 anos: 40. Alfredo Chaves dirigiu seus ataques ao ministro Rodrigo Silva. mas crucial. sugerindo a criação impaciências para conver­ nal dos deputados. “os próprios interessados na manutenção da proprie­ dade escrava davam dia­ riamente exemplos os mais admiráveis de abnegação. 83 deputados votaram a favor da abolição. projeto a comissão especial que foi o portador da men­ consciência nacional e é Andrade Figueira. 14 de maio de 1888 Câmara discute e vota fim da escravidão em dois dias Aprovação do projeto em tempo recorde só foi possível graças ao esforço da bancada antiescravagista. emenda de redação Graças ao zelo legislativo e à experiência de minis­ tro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) do de­ putado baiano Barão de Araújo Góes. da Província do Rio de Janeiro. Araújo Góes conseguiu apoio do Plená­ rio para inserir pequena e crucial emenda de redação ao Artigo 1º do texto origi­ nal. – É uma necessidade in­ declinável em face da legis­ lação. em tempo recorde. o de modo que a libertação acelerar a tramitação. – Que necessidade tão urgente é esta quando o problema tem sua solução natural nas leis de 1871 [Ventre Livre] e 1885 [Sexagenários]? Com a sua intervenção. libertando os seus escravos incondicionalmente”. Para o deputado.726 escravos de 30 a 40 anos: 336. depu­ criada para analisar o as­ sagem. a estratégia governamental de emancipação gradual enganou os proprietários. Rodrigo Silva citou a de­ fesa da abolição pela Igre­ ja. segui­ buco. – O projeto é uma amea­ ça iminente à ordem públi­ ca.822 escravos BACHAREL DUPONCHEL LECCIONA materias do curso preparatorio. O Barão de Lu­ graças ao esforço da cena submeteu à bancada antiescrava­ votação o requeri­ gista – liderada pelo mento.419 escravos A classificação. zos e interstícios para que a cias regimentais. aprovado pernambucano Joa­ pelo Plenário da quim Nabuco – e com Na Câmara.174 escravos de 40 a 50 anos: 122. so. a proposta mento – esbrave­ determinando o fim jou o representan­ da escravidão no País. nosso território. Os escravos trazidos ao Brasil pertenciam a dois grupos de língua e cultura distintas: o dos sudaneses.211. disse. porque não se tomaram precauções para garantir a sociedade contra essa classe de cidadãos novos que a ela são atirados.600 escravos de 55 a 60 anos: 28. em re­ ferência ao número de 600 mil escravos que ainda exis­ tiam no país. e nistas de rasgar o seguia para o Senado. e os bantos. que não estivesse empenhado nesta cruzada. Henrique Perei­ do pelas galerias. reagiu da tribuna às críticas de Andrade Figueira à deci­ são do governo imperial de apresentar a proposta. É necessário que o prazo que se exige para a Corte seja o mesmo para todo o Império. dos 723. cruzar os bra­ ços e deixar que a revolu­ ção decretasse a libertação dos escravos? – questionou o deputado. mas somente com o desenvolvimento do cultivo da cana no Nor­ deste cresceu significati­ vamente a demanda por negros escravos. o go­ verno imperial caiu em contradição ao apresentar o projeto apenas três anos depois da Lei do Ventre Li­ vre. que esteve no poder de 6 de junho 1884 a 5 de maio de 1885. Para Figueira. Pátria.5 milhões.348 escravos 1883: 1. que fixava critérios de reparação aos senhores de escravos. – Não havia um só órgão respeitável. que para ele apresentou o projeto “sem nenhuma razão de estado”. promessas engana­ doras. poderíamos. oprime a Câmara no dia seguinte. aceitan­ do o poder. além de estabe­ lecer as condições em que o fim completo do regime servil se daria no país. O ministro emocionados. em to­ das as democracias o poder público tem o dever de in­ terferir na solução de pro­ blemas sociais como o do elemento servil. Se observamos esta agi­ tação pacifista por toda a parte. Onde se lia “é declara­ da extinta a escravidão no Brasil”.946 escravos 1887: 723. apontou a “intervenção dos pode­ res públicos na solução de um assunto eminente­ mente social”. Dispensados ra de Lucena.

então. Com a abolição. que baniu de forma imediata e incondicional a escravidão no território brasileiro. Jerô­ nimo José Teixeira Júnior (RJ). que exercia a Presidência da Casa. Para o sena­ dor. em sessão extraordinária. acordo quase unânime garante “força moral e prestígio” à decisão Em resposta aos argumentos de que a abolição deverá acarre­ tar transtornos. as leis de fazenda. o meu estudo de todos os dias me puderem dar alguma autoridade. a confiança que eu possa ins­ pirar aos meus concidadãos. hoje. ele enfatizou que “a Cons­ tituição. Afirmando que a propriedade sobre o escravo era uma criação do direito. no sábado e no do­ mingo. e até onde a minha voz. segunda-feira. Affonso Celso (pai). populares aguardam aprovação do projeto pelos senadores especial de cinco membros destinada a dar o parecer sobre o projeto. é agora que recressem. contados da promulga­ ção do ato. possibilitando então a “prosperi­ dade da Pátria”. para o Senado do Império. – É grande fortuna para o Im­ pério que a lei possa ser pro­ mulgada. graças ao trabalho livre. até onde a minha experiência dos negócios. sena­ dor Manuel Pinto de Sousa Dantas (BA). estaria se decretando que no país “não há propriedade. José Antônio Correia da Câmara (RS) e Alfredo Escragnolle Taunay (SC). vamos consti­ tuir uma nova Pátria. Na sua avaliação. A comissão apresentou imediatamente o parecer. os órfãos e crianças abandonadas da raça que quer proteger”. e garantido fundo para indenização aos proprietários. ao des­ ferir críticas ao projeto da abolição. as leis eleitorais. a comissão de senadores que levaria o de­ creto da Assembléia Geral declarando extinta a escra­ vidão no Brasil. destacando que a proposta continha “providência ur­ gente. A solicitação foi acolhida sem debate e Cruz Macha­ do nomeou para compor o colegiado os senadores Sousa Dantas. pelo 1º vice­pre­ sidente do Senado.. e. o Visconde de Ouro Preto (MG). os conservadores. como também dos que vão ser libertados. a lei civil. segundo Co­ tegipe. PROGRAMMA DAS GRANDES REGATAS Enseada de Botafogo EM HOMENAGEM Á ABOLIÇÃO Sabbado 19 de maio de 1888 ÁS 1 1/2 DA TARDE EM PONTO NA . o que não verei talvez. o líder do libera­ lismo abolicionista. recitou estes três pequenos versos do século 13: “O’ libertad! Luz del dia! Tu me guia”. que convém que sejam. portanto. toma­ das providências em benefício não só da lavoura. No sábado dia 12. perigo algum. Sousa Dantas declarou ainda que a votação pro­ posta representava o maior acontecimento da história do País. e Paulino de Sousa (RJ). antieconômica e desumana”. Logo após a leitura da proposta na sessão do últi­ mo dia 11. o senador criticou também o “trânsito pressuroso” da matéria na Casa. ao Plenário da Casa que Sua Alteza a Prince­ sa Regente receberia às 3 horas da tarde. porque deixaria “ex­ postos à miséria e à morte os in­ válidos. du­ rante a segunda discussão. tornará o Brasil mais próspero. Paulino dis­ se que. ou que fo­ rem mais moços. re­ vestida de for­ ça moral e do prestígio que lhe dá o acor­ do refletido e quase unâni­ me de ambas as parcialida­ des políticas – Manuel Francisco Correia finalizou. se posicionaram contra a iniciativa. mas aqueles a quem Deus conceder mais vida. que foi aprovada domingo. os velhos.” A previsão som­ bria foi feita pelo senador Barão de Co­ tegipe. tudo reconhece como propriedade e matéria tributável o escravo. que não podia ser tão rápida e subitamente suprimido”. por inspirar­se nos mais justos e imperiosos in­ tuitos” e satisfazia “a mais “A lei reconhece como “Medida arriscadíssima propriedade e matéria para a ordem social e econômica da Nação” tributável o escravo” “A verdade é que vai haver uma perturbação enorme no País du­ rante muitos anos. solicitou que fosse nomeada a comissão A e mais veemente aspiração nacional”. Na direção dos traba­ lhos da Casa. eu direi desta cadeira a todo o Brasil que nós. Dantas manifestou a con­ vicção de que “o desapareci­ mento de 600 mil criaturas escravas”. – Entendo que grandes males vão surgir dessa medida. A proposta foi aprovada sem dificuldades pela Casa. Repetindo argumentos do Barão de Cotegipe e do deputado An­ drade Figueira contra a abolição. onde se processava a discussão final do Projeto de Lei nº 1 da Câmara dos Deputa­ dos. Antônio Cândido da Cruz Machado. o ele­ mento servil era o “único trabalho organizado em quase todo o País. os enfermos. em sessão extraordinária. Apenas dois se­ nadores. no Paço da Cidade. A principal crítica de Cotegipe se referia ao fato de que a proposta não previa indenização aos pro­ prietários de escravos. Mas o senador conservador disse acreditar na “cicatriz de uma feri­ da” que nunca mais será aberta. o senador Manuel Francisco Correia (PR) afirmou que “não se extirpa do organismo social um cancro secular sem que perturbações se operem”. que tudo pode ser destruído por meio de uma lei sem atenção nem a di­ reitos adquiridos nem a inconve­ nientes futuros”. “Não há perigo algum. a partir de 1848. 14 de maio de 1888 O domingo da vitória no Senado Proposta foi aprovada ontem.5 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. o Segundo Visconde do Uru­ guai (RJ). “ninguém acreditará no futuro que se Barão de Cotegipe realizasse com tanta precipitação e tão poucos escrúpulos a transformação que vai aparecer”. – Devo dizer que iludem­se ou querem iludir­se os que acreditam remover uma grande dificuldade com esta lei da abolição do elemen­ to servil. presenciarão. Cotegipe fez longo pro­ nunciamento contrário à proposta. a minha responsabilidade. o senador Sou­ sa Dantas (BA) afirmou da tribuna que a aboli­ ção não mar­ cará no Brasil Sousa Dantas “uma época de miséria. O senador e presidente do Conselho de Ministros João Alfredo (PE) comunicou. ao concluir. em vez de produ­ zir “a nossa ruína”. foi observado Sousa Dantas um prazo de dois meses. 13 de maio. os impostos etc. Esta lei vale por uma nova Constituição” Contestan­ to os senado­ res Paulino e Cotegipe. o Barão de Cotegipe (BA). para a emancipação dos escravos das colônias francesas. o quanto antes. João Maurício Wanderley. pelo contrário. de sofrimentos e de penúria”. sem dificuldades s atenções da Cor­ te se voltaram. que esta lei vale por uma nova Consti­ tuição – sustentou. o senador Cruz Machado designou a comissão que levaria o projeto ao Paço e que foi composta pelos membros da comissão que ofereceu o parecer e ainda por outros nove senadores. Apontando o projeto da abolição como algo “arriscadíssimo para a ordem social e econômica da Na­ ção”. aprovação Em frente ao Palácio dos Arcos. dia 13. – Não há. as contingências previstas para a ordem econômica e social. as­ sim como a terra”. o senador Paulino de Sousa (RJ) afirmou que a proposta era “in­ constitucional. com a desorganiza­ ção do trabalho e com a entrada de 700 mil indivíduos não preparados pela educação e pelos hábitos da li­ berdade anterior para a vida civil.

Nascido em 1830. Um clássico. assim como Castro Alves. Desde os tempos de estudante participou ativamente nas campanhas de combate à escravidão e o faz por meio das associações abolicionistas. sem que houvesse indenização aos proprietários. o maçom Joaquim Nabuco es­ creveu O Abolicionismo. imediata e não mais com indenizações. já se passaram 38 anos de intensa campanha abolicionista que se finda agora com a Lei Áurea. Iniciou sua carreira política como deputado na Bahia em 1878. Um pouco antes da proibição do tráfico negreiro. entre 1879 a 1884. por um bom tempo. jurista. de forma ilegal. O Congresso exprimiu por um bom tempo o pensar dos paulistas que não adotavam a so­ lução geral e totalmente liberta­ dora. José do Patrocínio e Tobias Barreto. Da assinatura da Lei Eusébio de Queirós. fez a apresentação pública. lojas maçônicas. filho mãe escrava e de um vigário. artigos e poemas em jornais brasileiros e estrangeiros e a forte pressão sobre o Império fizeram ruir de vez a escravidão. A proposta era que o proble­ ma fosse resolvido gradualmente. o que mostra sua lu­ ta veemente pelo fim do trabalho servil. em que defende a abolição legalista. o que provocou choque com os mais radicais. . aos 10 anos. Tobias Bar­ reto. Mais tarde. historiador. que com o tempo passou a apresentar custo maior que a mão­de­obra livre competitiva. “a propriedade escra­ va é um roubo duplo”. que sempre exigiam a abolição imediata e sem que houvesse qualquer paga aos senhores de escravos. criou em 1883 a Confederação Abolicionista. associa­ ções. muito ligado ao Imperador Dom Pe­ dro 2º. Foi aprovada então a Lei Saraiva­ Cotegipe. segunda-feira. mas nem todos os que lutaram pela li­ bertação dos escravos preferem a República. Publicou diversos artigos em jornais contra o trabalho servil. Essa alta manteve­se até 1880. políticas e eco­ nômicas. Luís Gama teria sido vendido como escravo. de Nagô. boa par­ te da mão­de­obra escrava já foi substituída. livre todos os escravos com idade igual ou superior a 65 anos. tornou­se muito cedo um articulista famoso. entre eles Ruy Barbosa. quan­ do se assina a Lei Áurea. pelo seu pai. Tobias Barreto é filósofo. Ele apresentou projeto de lei em 1880 propondo o fim da escravidão a partir de 1890. ruy barbosa redigir Projeto Dan­ tas. do poema Tragédia no mar. cafés e jornais e. José do Patrocínio foi a Entreincansável até os segundoso que antecederamde assinatura da Lei Áurea. tendo sido responsável pela libertação de mais de mil escravos cativos. Joaquim Nabuco foi o maior porta­voz do abolicionismo parla­ mentar. aos poucos. fez de alguns de seus poemas armas para o combate à escravidão. política e econômica Campanha pelo fim da escravidão no país envolveu monarquistas e republicanos abolição da escravatura foi um processo secular resultante de mobilizações sociais – inclusive dos próprios negros –. Três anos mais tarde. estendeu­se à população. culminaram com a aceitação dos parlamentares pela abolição total dos ainda escra­ vos. Natural do Rio de Janeiro. em um gesto de coragem.6 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. Fundou a Sociedade Antiescra­ vidão Brasileira. Já falecidos. Grandes defensores da abolição Joaquim Nabuco iplomata. Em 1868. reconhecendo o que alguns chamam de “o direito do homem sobre o homem”. viveu em Escada. Sergipano. Mesmo os republicanos tiveram maneiras diferentes de pensar a abolição. No geral. Antônio Frederico de Castro Alves morreu aos 24 anos. segundo o abolicionis­ A ta Joaquim Nabuco. em especial pela forte demanda da lavoura cafeeira. seis anos antes da assinatura da Lei Áurea. da imprensa e da tribuna. Em 1868. muito menos abrangente. o que causou grande revolta dos senho­ res. Além de poeta. do em Muritiba (BA). Ruy Barbosa também destaca­ se entre os defensores do abolicionismo. crítico e jurista. A obra é uma crítica ferrenha do republicano Castro Alves aos maus­tratos a que eram submetidos os negros. escola tica e defesa idéias igualitárias. quando “os abolicionistas com­ bateram sós. José do Patrocínio os abolicionistas negros. que depois passou a ser chamado tobias barreto dos literária da poesia brasileira marcada pela temá­ Umsocialprincipaisdenomes do condoreirismo. que proibiu o tráfico negreiro. com indenização dos proprie­ tários. Luís Gama e Castro Alves também não podem ser esquecidos nessa batalha. Morreu em 1882. luís Gama por estar envolvida com insurreições de escravos. precursor da Lei Escolhido paratornandoodos Sexagená­ rios em 1885. em uma come­ moração cívica onde estavam diversos se­ nhores de escravos. em Londres. ci­ dade que teve de deixar após ter alforriado todos os escravos que pertenciam a seu sogro. publicou o poema A Escravidão. todos os republicanos mostravam­se abolicionistas. o preço do es­ cravo já subia no mercado com a previsão de que não seriam mais trazidos negros para o Brasil. aceitando o princípio da indenização. a primeira fase do movimento pelo fim da escravidão. a partir de 1872 dedicou­se integralmente à abolição da escravatura. o poema foi escrito quando ele tinha apenas 21 anos. Monarquista. o processo da crítica abolicionista no Brasil concentrou­se em espaços como clubes. Nasci­ luta pela de O navio negreiro. Para jornalista. Agora. Monarquistas como André Rebouças e Joaquim Na­ buco têm sido incansáveis nessa luta pelo fim da escravidão. Mui­ tos outros são defensores ferre­ nhos da mesma causa. o engenheiro baiano Filhoum um advogado mulato autodidata e daAndré Rebouças engajou­se no movimento abolicionista ao lado de defensores da causa como Joaquim Nabuco. propondo sempre a conci­ liação entre as classes. De 1871 a 1881. Ao lado de André Rebouças. ele se declara o “mestiço de Ser­ gipe”. Essa foi. e Gonzaga Pinto era filho um fidalgo e da africana Oadvogadodejornalista Luísportuguêsvezes da Gama Luísa Maheu. fundou o jornal A Gazeta da Tarde e pas­ sou a ser chamado de O Tigre da Abolição. Sua campanha antiescravocrata na Câmara dos Deputados começou em 1878. D Abolicionistas negros andré rebouças de filha de comerciante. discursos nas tribu­ nas. muito antes da assinatura da Lei Áurea. em 1847. jorna­ lista e político. morais. ajudando a criar a Socieda­ de Brasileira contra a Escravidão e a Confederação Abolicionista. Seu texto não foi aprovado pela Câ­ mara porque propunha a liberdade dos escravos a partir dos 60 anos. que diversas foi presa castro alves dos Escravos e da Liberdade” fez de seus versos palavras fortes na O“Poetaabolição da escravatura. entregues aos seus próprios recursos”. Mas a forte pressão social e mo­ ral e a redução do interesse eco­ nômico pelo negro. em Pernambuco. 14 de maio de 1888 Uma luta social. conforme o interesse de cada pro­ víncia. Depois de conhecer a Prince­ sa Isabel. Com exemplos europeus de abo­ lição da mão­de­obra escrava. desde sua captura até a sua utilização desumana nos latifúndios. Foi um símbolo do movimento pela abolição em São Paulo.

com isso. em 1691. Ainda no século 16. na Bahia s africanos escravi­ zados no Brasil não demoraram muito para dar início aos movi­ mentos de fuga e formação de acampamentos arma­ dos que. “seduzidos pela fatal ambição de adquirir fretes. entre 1624 e 1654. maus­tratos. no alvará de 24 de novembro daquele ano. Mas a expulsão dos holan­ deses do Nordeste brasileiro fez aumentar a necessida­ de de mão­de­obra para os engenhos e. Há regis­ tros de fugitivos em outras regiões da Floresta Ama­ zônica. Campos dos Goitacazes e Saquarema. em Mato Grosso e Goiás. o quilombo resistiu por mais de um século a fortes combates de tropas do governo colonial. se formou o Quilom­ bo do Cumbe. eram princi­ palmente centros de resis­ tência e contribuíram para o fim do trabalho escravo no país. assassinar os bran­ cos e confiscar seus bens e o direito de praticar o isla­ mismo. A própria Princesa Isabel. que. metro 600 réis 29 Alvará determinou “espaço aos cativos para se moverem e respirar” Para minimizar a situa­ ção cruel a que eram sub­ metidos os negros a bordo dos navios negreiros. Outros 281 foram presos. que acabou as­ sassinado. admitindo nel­ les muito maior numero de negros do que podem convenientemente conter. Subupira. que se não pode encarar sem horror e indiganação manifestarem se enfermidades. em média. O O escravo que se insurgisse contra o trabalho servil e a repressão era violentamente punido. al­ vará de 24 de novembro de 1813. houve gran­ de enfrentamento de tropas do governo e perseguições determinadas pelos senho­ res dos escravos. não só na quantidade. por falta de curativo e conve­ niente tratamento. sobrecarregão os navios. por Dom João VI. comprimidos uns contra os outros . e de fazer maiores ganhos. às vésperas de assinar a Lei Áurea. re­ sultando de hum tão abo­ minavel trafico. 29 CASA DO ALMEIDA FAZENDAS. Todos os navios negrei­ ros precisavam ter um “cirurgião­perito” e uma enfermaria aparelhada. sendo Macaco. Nas capitanias do Rio Negro e do Grão­Pará. navios de horrores No poema O navio negreiro. Os líderes negros de maior representatividade foram Ganga Zumba e seu sobri­ nho Zumbi. faltando­lhes com alimen­ tos necessarios para a sub­ sistencia delles. o que. já havia acolhido e hospedado mais de mil fu­ gitivos. “dando­se aos cativos espaço para se moverem e respirar”. pelo número excessivo de escravos a bordo. 14 de maio de 1888 Resistência começou no século XVI Primeiros registros de escravos fugitivos são de 1575. Vá­ rios núcleos de povoamento de negros fugitivos forma­ ram o Quilombo dos Pal­ mares.. os primeiros registros são de 1625.)” Segundo o alvará. morreram sete integrantes das tropas oficiais e 70 negros. mas até na qualidade. mas o percentual chegava a 10%. determinava uma série de condutas. As invasões holandesas no Brasil. Os regis­ tros indicam sua fundação em 1597. conforme o alvará. combatido em 1731. deveria ha­ ver fiscalização sanitária da tripulação e dos escra­ vos. no transito dos portos africanos para os do Bra­ zil. eram submetidos a toda sorte de doenças. Entre as providências. interferiram na rotina dos engenhos e. as denúncias contra os quilombos sur­ gem no Rio Grande do Sul. quando a denominação mocambo foi substituída por quilombo. os negros eram amontoados. assim como nas ca­ pitanias do Espírito Santo e de Minas Gerais. Foram mais de 18 as expedições realizadas até que se conseguisse aca­ bar definitivamente com o Quilombo de Palmares. Nos con­ frontos ocorridos. não tardão a fazerem­se epide­ micas e mortais”. esses mestres. Inicialmente eles se reu­ niram no que se chamou de mocambo. O quadro é também des­ crito. Os navios. asseio e ventila­ ção. aju­ daram a fuga dos negros e a formação dos núcleos de povoamento do quilombo. em 1813. che­ gando a tal extremo a bar­ baridade e sordida avareza de muitos dos mestres das embarcações que os con­ duzem (. por volta de 1575. soffrem os negros. Outra forte ação negra aconteceu na Revolta dos Malês. Muitos desses grupos fo­ ram desenvolvendo ao lon­ go dos anos relações com as comunidades locais. os mocambos surgiram em Cabo Frio. O século 18 foi de ex­ pansão dos grupos negros. que podem haver mais em conta.. as comunidades negras tam­ bém recebiam militares de­ sertores e índios. No Rio de Janeiro. que lhes era imposto. Arranca­ dos da terra natal. que precisavam oferecer variedade e qualidade. Navios negreiros. fome e frio na travessia do Atlântico. MODAS E ARMARINHO RUA GONSALVES DIAS Grande sortimento de voile de pura lã. As caravelas que saíam para o Brasil carregavam.7 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. Zumbi e Tabocas os prin­ cipais. para evitar a trans­ missão de moléstias. No Mara­ nhão. segunda-feira. por lhes forne­ cerem generos avariados e corruptos. de 500 a 700 ne­ gros. que. de 25 a 27 de janeiro de 1835. Na segunda metade do século 18. Zona da Mata ala­ goana. espécie de acampamento militar e moradia dos negros de lín­ gua bantu da África Cen­ tral e Centro­Ocidental. População de Palmares pode ter ultrapassado 20 mil pessoas As maiores comunidades de fugitivos de toda a Amé­ rica concentraram­se na região açucareira de Per­ nambuco e de Alagoas. Também deveria ter um livro de carga para fis­ calizar a lotação e a pro­ priedade dos escravos. Localizado na serra da Barriga. determina a adoção de “humanitárias provi­ dências” contra “o trata­ mento duro e inhumano que. No século seguin­ te. A mortalidade dos escravos não poderia passar de 3%. Castro Alves relata os horrores que sofriam homens. as tropas atacaram grupos que se reuniam en­ tre os rios Gurupi e Turiaçu no início dos anos 1700. quando centenas de escravos africanos adep­ tos do Islã lutaram nas ruas de Salvador contra tropas de cavalaria e milícias. as­ sim como dos alimentos. estava a limitação do número de negros trans­ portados. por volta de 1710. não ocorria. em média. o Império já recebia notícias da movi­ mentação de escravos fugi­ tivos na Bahia. mulheres e cri­ anças nos navios que os transportavam da África para o Brasil. Nos quase quatro séculos de escravi­ dão no Brasil. teriam de apre­ sentar condições de salu­ bridade. que con­ tavam com o trabalho dos capitães­do­mato. O governo conseguiu im­ pedir os ataques aos quar­ téis de Salvador. Além disso. As capitanias de Sergipe e da Bahia foram tomadas por mocambos no início do século 17. Na Paraíba. por isso. CASA DO ALMEIDA Nos porões dos navios. os proprietários de terras e CASA DO ALMEIDA o governo colonial deram início a numerosas caçadas e ataques a Palmares para recapturar os fugitivos. de Dom João VI. Os malês queriam o fim do catolicismo. sem direito a defesa Em 1588 foi publicado regimento que estabelecia “punição exemplar” para os fugitivos. além de servirem de moradias. que pode ter abriga­ do mais de 20 mil pessoas por volta de 1670.

em 1889. mas nos meses que antece­ deram a assinatura da Lei Áurea a escravidão estava quase extinta em toda a província. a idéia de libertação dos es­ cravos foi aos poucos se ir­ radiando para o interior do Brasil. Naque­ la ocasião. fundando o jornal Oitenta e Nove. como Castro Alves. um conselho. houve embates violen­ tos. na Praça Castro Carreira. de alguma forma. A 24 de abril de 1884. Triunfo. alguns abolicionistas colocam em foco a preocupação diante do quadro ainda nebuloso Movimento abolicionista se espalhou pelas províncias A Sociedade Emancipa­ dora Amazonense. Nesse ano. O exemplo dessa cida­ de passou a ser seguido por comunidades do in­ terior da Província do Rio Grande do Norte. em 25 de maio de 1887. neste final do século 19. O Ceará assumiu. declarou em tom so­ rense Libertadora liderou a lene: “Para a glória imor­ primeira grande campanha tal do povo cearense e em pela abolição. ferroviários es­ arenses e reforçou que com condiam negros nos trens a iniciativa libertadora “a ajudando­os nas fugas. Pessoas simples. um grupo de parlamentares lançou campanha pela abolição da escravatura. no dia 25 de março de 1884. como Amazonas. como oportunidade de emprego na cidade e acesso à educação. e que não foram contempladas com nenhum tipo de com­ pensação. que em sua primeira edi­ ção. como a criação de colônias agrí­ colas para os libertos. cumpriu pa­ pel decisivo na campanha libertadora na Província do Amazonas. Com esta brasileira estava prestes a atitude. A 24 de maio foi reconhecido oficialmente que Manaus não tinha mais escravos. cidades como Porto de Cima já estavam livres da escravidão. O abolicionista José do do à frente Francisco José Patrocínio. a res­ ponsabilidade histórica de proclamar a extinção do trabalho escravo em todo o seu território. Militares recusavam­se a perseguir campanha pela abolição. Neste momento em que o Brasil comemora a assina­ tura da Lei Áurea. de­ pois Carnaúba. No Rio de Janei­ ro. em especial em áreas onde a lavoura cafeeira se expandiu. como o jogo da capoeira Mossoró se destaca como cidade pioneira A força do movimento abolicionista logo atingiu Mossoró. que se recusa­ vam a participar do trans­ porte de cativos. Gomes de Matos e outros que criaram o Clube do Cupim. Sátiro de Oliveira ção. Em São Paulo. Os jangadeiros também nome e pela vontade desse mesmo povo. Em Goiás. N caram. Em 27 de janeiro de 1881. em relação às demais pro­ víncias. Em razão disso. Joaquim Bezerra da Costa Mendes. No final de 1887. a luta contou com os nomes de José Mariano. No Rio Grande do Sul. para que se possa construir uma sociedade justa e igualitária. no dia 30 de setembro de 1883. A iniciati­ va pioneira repercutiu in­ tensamente na Corte e nas províncias. considerou “grande dos panfletos a favor da novidade” o gesto dos ce­ abolição. Luís Gama e Ruy Barbosa defendendo a ne­ cessidade de oferecer opor­ tunidades para integrar os ex­escravos à sociedade. As barcaças pernambucanas também apoiaram a fuga de escra­ vos. na pequena Em meio às manifesta­ vila de Aracape. o líder da So­ ciedade Libertadora Mos­ soroense. banimento da escravidão os jangadeiros firmaram no Ceará. deverá incluir propostas visan­ do contemplar. José do Pa­ trocínio. poetas. Os negros mantiveram tradições do continente africano. Um grande desfile barbárie recua e a civiliza­ atravessou a cidade antiga. compra e venda de escra­ vos. No Piauí. A criação de trabalho para os libertos é uma preocupação Não faltaram discursos de abolicionistas como Joa­ quim Nabuco. isto sim. e antes da lei. conferindo dig­ nidade ao indivíduo. a de­ sapropriação de terras não exploradas e o desenvol­ vimento da agricultura. A grande dívida para com os escravos libertos deve ser saldada. deram grande força ao movimen­ to que começou a se articu­ lar em 1870. mascates cês. o presidente da Pro­ depois se chamaria Reden­ víncia. em 1870. que abraçou a causa com entusiasmo – especialmente a Loja Maçônica 24 de Junho. logo a seguir. Em São Carlos. segunda-feira. Na Província cearense. Açu li­ bertou seus escravos em 24 de junho de 1885. – Mossoró está livre: aqui não há mais escra­ vos!. o fim do cati­ veiro foi proclamado em dezembro. o movimento co­ memorou a libertação da capital em 1884. no próximo ano. é lícito prever que a pauta de de­ bates do Parlamento. A mobiliza­ ção cresceu em meados de 1870. que a Sociedade Cea­ Dias. Bahia e Paraí­ ba. na resposta a Patro­ ajudavam na distribuição cínio. o movimento ganhou a ade­ são da imprensa de Salva­ dor. Com um número menor de escravos. João Ramos.8 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. que decidiu não mais publicar anúncios de fuga. eles conseguiram ser considerada liberta do de fato abolir o tráfico de cativeiro. É possí­ vel até que essa discussão não tenha fim na próxima década e termine se esten­ dendo pelo século 20. funda­ da em 1870. diversas cidades libertaram seus es­ cravos no ano passado. Ca­ nhões da Fortaleza de Nos­ sa Senhora de Assunção reboaram e os sinos repi­ Reparação aos ex-escravos precisa ser discutida que envolve as conseqüên­ cias de um processo que era inevitável diante de sé­ culos de domínio sobre as populações negras. e personalidades. que se encon­ do Nascimento. O movimento con­ seguiu minar a força dos escravocratas. Assim como ocorria no eta uma palavra de anima­ ção. desde simples jangadeiros e donos de barcaças no Nordeste. fez uma declaração histórica. “profetizou” a pro­ clamação da república brasileira no centenário da Revolução Francesa. o jornalista David Moreira Caldas iniciou ardorosa campanha abolicionista pela imprensa. de 1º de fevereiro de 1873. escritores e políticos que abraçaram a causa com entusiasmo. os ex­escravos e seus descendentes. a jorna­ listas. a Assem­ bléia Provincial autorizou o governo a despender 300 contos com alforrias. É mister que se estudem ain­ da outras formas de repara­ ção. ten­ mais escravos”. conhecido trava em Paris dias antes do como “Dragão do Mar”. desde a Rua 1º de Março Embora a luta final te­ até o passeio público. Em Pernambuco. ou seja. mas deve­se ter em vista que a reparação que precisa ser atribuída aos ex­escravos e sua gente não se confunde com qualquer tipo de dá­ vida. a luta pela abolição visse de encorajamento ao agregou não apenas figuras Imperador Dom Pedro 2°. A cidade comemorou em grande evento. o Paraná também se engajou na luta. Ao longo da luta pela abo­ lição foram discutidas pro­ postas nesse sentido. que logo ções. ção avança”. Na Província da Bahia. enviou carta ao sua posição: “No porto do escritor Victor Hugo comu­ Ceará não se embarcam nicando que uma província mais escravos!”. e. 14 de maio de 1888 Ceará acabou com a escravidão há 4 anos Medida repercutiu intensamente na Corte e estimulou o abolicionismo em outras províncias as duas últimas dé­ cadas. que ser­ Ceará. Ele pedia ao po­ escravos na província. o fim da escravidão foi pro­ clamado há quatro anos. negro e operário. reforçando os movimentos que já come­ çavam a tomar corpo em outras partes do país. foi no interior victor Hugo da província. como Manoel Roque. O grande pensador fran­ escravos fugidos. já ocorriam alfor­ rias espontâneas em toda a província. o movimento chegou a causar conflitos. por representar. nha se dado na cidade de Fortaleza. um legítimo direito. Natal não possuía mais escravos no início deste ano. proclamo ao tiveram papel decisivo no país e ao mundo que a pro­ processo cearense de abo­ víncia do Ceará não possui lição da escravatura. de expressão nas provín­ no sentido de engajar­se na cias e na Corte. o fim da escravidão. A grande festa da abo­ lição no Ceará reuniu a população da capital. motivando vários segmentos da sociedade. . em 3º de março de 1887.

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