Uma reconstituição histórica

Órgão do Senado do Império

Rio de Janeiro, segunda-feira, 14 de maio de 1888

ASSINADA A LEI ÁUREA

O

Brasil está livre do trabalho es­ cravo. Na tarde de ontem, a Princesa Isabel sancionou a lei que pôs fim a mais de 300 anos de escravidão. Conforme o senador Sousa Dantas, havia no país 600 mil

escravos. Levantamento do Império mostra que, no ano passado, eram mais de 700 mil. A Lei João Alfredo, mais chamada de Lei Áurea, foi aprovada em tempo recorde na Câmara dos Deputados e no Senado, apesar dos protestos dos

poucos parlamentares con trá rios à abolição. Calcula ­se que cerca de 5 mil pessoas se concentraram diante do Paço da Ci dade, para acompanhar a solenidade de assinatura. O povo irrompeu em aplausos

quando o deputado Joa­ quim Na bu co, de uma sacada, comu nicou que não havia mais escravos no Brasil. Em uma das janelas, Dona Isabel foi aclamada pelos manifestantes. O Imperador Dom Pedro 2º, que se encontra

gravemente enfermo em Milão, na Itália, onde se submete a tratamento de sáude, ainda não sabe da sanção da lei. Por meio do telégrafo, a notícia já chegou à várias províncias do País e nações americanas e européias. Pág. 3

Leis que antecederam a abolição nem sempre provocaram resultados práticos
Em 1845, surgiu a lei que previa sanções contra o tráfico de escravos. Em 1871, foi adotada a Lei do Ventre Livre, que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir da sua edição, mas os manteve na tutela dos seus senhores até os 21 anos. E em 1885, garantiu­se liberdade aos que com pletassem 60 anos, com a obrigação de prestar serviços, a título de indenização ao senhor, por três anos. Essas medidas, porém, não trouxeram os resultados esperados, pois a contrapartida geralmente exigida inviabilizava seu cumprimento ou a lei era simplesmente desrespeitada. Pág. 2

Primeiros registros da resistência negra são de 1575
No Paço da Cidade, senadores e outras autoridades assistem a D. Isabel assinar a Lei Áurea

Câmara dos No Senado, apenas Deputados votou o dois senadores se projeto em dois dias manifestaram contra
O Projeto de Lei nº 1 foi aprovado em apenas dois dias pela Câmara dos Deputados. A decisão em tempo recorde só foi possível graças ao esforço da bancada antiescravagista – liderada pelo pernambucano Joaquim Nabuco – e à ajuda do presidente da Casa, deputado Barão de Lucena. “Precisamos apressar a passagem do projeto, de modo que a libertação seja imediata”, defendeu Nabuco aos colegas. Pág. 4 Ontem, domingo, o Senado do Império aprovou a proposta que extinguiu o trabalho escravo no Brasil. Dois senadores se manifestaram contra a iniciativa: o Barão de Cotegipe – advertindo que no futuro haverá grave perturbação da ordem no Brasil – e Paulino de Sousa. Defendendo a proposta, Sousa Dantas disse que a abolição constitui o maior acontecimento da história do Brasil e tornará a Nação mais próspera. Pág. 5

Campanha envolveu monarquistas e republicanos
O abolicionista Joaquim Nabuco relata que o movimento pelo fim do trabalho servil no país con centrou-se inicialmente em clubes, lojas maçônicas, associações, cafés e jornais, e só aos poucos estendeu-se à população. Nesse período, que durou de 1879 a 1884, diz ele, “os abolicionistas combateram sós, entregues aos seus próprios recursos”. Só mais tarde, discursos nas tribunas, artigos e poemas nos jornais ajudaram a pressionar o Império para que fosse extinta a escravidão. Os republicanos, praticamente todos eles, eram abolicionistas, mas nem todo defensor do fim do trabalho escravo preferia a República. Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa e Castro Alves são grandes nomes do abolicionismo, que contou também com negros ilustres, como André Rebouças, José do Patrocínio, Luís Gama e Tobias Barreto. Luís Gama chegou a ser vendido, aos dez anos, como escravo, e se transformou em símbolo do movimento em São Paulo. Pág. 6

Escravidão foi abolida no Ceará quatro anos atrás
No Ceará a escravidão acabou há quatro anos. A iniciativa reforçou o sentimento abolicionista em pro­ víncias como Amazonas, Pernambuco, Bahia, Goiás, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Foi Mossoró, em 1883, a primeira cidade a pôr fim ao trabalho servil. Pág. 8

A resistência dos negros ao trabalho servil foi um dos fatores que levaram à abolição da escravatura

Os primeiras relatos de re sistência à escravidão são de 1575, quando o Império recebeu, da Bahia, notícias de negros fugitivos. Inicialmente, eles se refugiavam em mocambos, espécie de acampamento. As comunidades de fu gitivos

passaram, depois, a ser chamadas de quilombos; o mais conhecido deles foi o dos Palmares, que pode ter abrigado mais de 20 mil pessoas em 1670. A resistência foi um dos fatores que levaram à abolição da escravatura. Pág. 7

Edição comemorativa dos 120 anos da Lei Áurea – Jornal do Senado – 12 a 18 de maio de 2008 – Ano XIV – Nº 2.801/172

4: Cedi/Câmara dos Deputados Pág. pois os poucos que chegavam a essa idade já não tinham condições de garantir seu sustento. 5: Flickr. Laiane Borges e Elida Costa FESTEJOS POPULARES comemorativoS da abolição DERBy . estabeleceu ao mesmo tempo que até os 21 anos eles permaneceriam em poder do senhor. elaborado pelo gabinete conservador do Viscon­ de do Rio Branco em 27 de maio de 1871. ao libertar os bebês. ABL.senado. mes­ mo em águas territoriais brasileiras. pro­ posta pelo senador Sousa Dantas. jornais e revistas da época e livros de estudiosos do mo­ vimento abolicionista. A lei deu liberdade aos filhos de escravos nas­ cidos a partir daquela data. estabelecia que todos os escravos que entrassem no território ou portos do Brasil vindos de fora ficariam livres. Ao chegarem ao Brasil. 6: Fund. – A verdade é que a lei. em 28 de setembro. o capitão e seus subordina­ dos. Joaquim Nabuco Pág. Só com a pressão política e militar inglesa o cenário se modificou. os negros ficavam em depósitos à espera dos leilões e onde eram inspecionados por compradores Lei dos Sexagenários foi fruto de acordo político Muita negociação políti­ ca entre liberais e conser­ vadores foi necessária para que a Câmara dos Deputa­ dos aprovasse outro proje­ to antiescravagista enviado pelo governo imperial à Assembléia Geral. 14 de maio de 1888 Uma primeira tentativa de proibir o tráfico de negros Com poucos efeitos práticos. mas ineficaz. a do Ventre Livre e a dos Sexagenários antecederam a Lei Áurea Ordem do dia de hoje. o projeto foi violentamente torpedeado pelos escravo­ cratas no Parlamento. Para burlar a lei. não prevendo qualquer tipo de indeni­ zação aos proprietários. a ponto de causar a queda do gabinete e a dissolução da Assembléia Geral.br/jornal jornal@senado. Os 14 anos entre a in­ tenção e a realidade foram a sobrevida daquilo que José Bonifácio de Andrada e Silva chamou de “cancro mortal que ameaçava os fundamentos da nação”. Quatro meses depois. Já os do­ nos de escravos acusa­ vam o governo de que­ rer provocar uma crise econômica. ao fixar os 60 anos como idade limite para o escravo. Na verdade. enviou projeto ao Par­ lamento que determinava a apreensão de navios que traficassem escravos.: 0800 61­2211 Fax (61) 3311­3137 Diretor do Jornal do Senado: Davi Emerich Edição: Eduardo Leão Coordenação de texto: José do Carmo Andrade Redação: Janaína Araújo. O ato de 1831 foi um pri­ meiro passo.270. A lei sancionada no ano seguinte continha diversas normas para regular a ex­ tinção gradual do elemento servil. o Im­ perador antecipara que “considerações da maior importância aconselham que a reformada legisla­ ção sobre o estado servil não continue a ser uma aspiração nacional inde­ finida e incerta”. Eram libertados os escravos que completassem 60 anos. 1844. o último desembarque de escravos africanos no país só ocorreria em 1855. em 1854. Reproduções/Arquivo Fotográfico JS Pág.gov. Anexo I do Senado Federal. o Senado não possuía ne­ nhuma publicação jornalística. egunda dita do proje­ to do Senado letra S de 1887 determinando que a disposição do parágrafo 1º do artigo 1º do Decreto nº 3. assinada por Dona Isabel. pro­ gressivamente os imigran­ tes europeus começaram a substituir a mão­de­obra servil. a Lei dos Sexagená­ rios também ficou conheci­ da como Saraiva­Cotegipe. os filhos menores fica­ riam “em poder e sob a autoridade dos senhores de suas mães”. dia seguinte ao da assinatura da Lei Áurea. da Silva e Sérgio Luiz Gomes da Silva Revisão: Eny Junia Carvalho e Lindolfo do Amaral Almeida Tratamento de imagem: Edmilson Figueiredo e Humberto Sousa Lima Arquivo fotográfico: Ana Volpe. conti­ nuavam escravos – ana­ lisou Joaquim Nabuco. Jornal do Senado Federal Praça dos Três Poderes – Ed.2 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. Iracema F. Créditos das fotos: Pág. de­ putados dos partidos Conservador e Liberal discutiram a proposta. a Lei Eusébio de Queiroz. com a obrigação de prestar serviços. no litoral de Pernambuco. como os engenhos de açúcar do Nordeste. segunda-feira.br Tel. Christiano Jr. José do Carmo Andrade Pesquisa histórica: José do Carmo Andrade e Eliana Lucena Diagramação: Bruno Bazílio. Muito mais abran­ gente. assegu­ rava a extinção gradual da escravidão. A Lei nº 581. mas os manteve sob a tutela dos seus se­ nhores até os 21 anos. Joaquim Nabuco. 2: Rugendas/Fund. Arquivo Senado Federal. Expediente Esta edição especial reproduz os principais episódios relacionados à abolição da escravatura no Brasil. 1: Museu Histórico Nacional. Por vários meses. Em sua Fala do Trono. Dom Pedro 2º defendeu a Lei do Ventre Livre Nasceu da vontade de Dom Pedro 2º o projeto da Lei do Ventre Livre. O texto. Henrique Eduardo Lima de Araújo. Rugendas/Fund. e julgar seus comandantes. que deram apoio à medida. considerava criminosos o dono do navio. segundafeira. Paula Pimenta. os quais deveriam criá­los até os 8 anos. O maior de 65 anos ficava li­ berado de tais trabalhos. o senhor optava entre receber do Estado in­ denização de 600 mil réis ou de utilizar­se dos serviços do menor até 21 anos. Joaquim Nabuco. Na prá­ tica. juntamen­ te com a proibição do tráfico negreiro. Joaquim Nabuco Pág.CLUB sexta-feira – 18 do corrente . de 4/9/1850. fazen­ deiros incentivaram o trá­ fico interno.040. então chefe de ga­ binete. 7: Rugendas/Fund. em referência aos dois che­ fes do gabinete ministerial do Império. Segundo essa norma. o liberal con­ selheiro Saraiva e o conser­ vador (e mulato) Barão de Cotegipe. Reproduções/Arquivo Fotográfico JS Pág. Porém. Os defen­ sores dessa lei afirma­ vam que ela.300. transformou­se na Lei nº 2. em 28 de setembro de 1885. o Parlamento em Londres aprovou lei (o Bill Aber­ deen) que dava à Marinha inglesa o direito de aprisio­ nar navios negreiros. dias antes. 3: Museu Imperial. co­ nhecida como Lei Eusébio de Queiroz. para que votou­se dispensa de interstício. Naquele período. Sancio­ nada pelo Imperador Dom Pedro 2º com o nº 3. Os textos foram elaborados com base nos Anais do Senado e da Câmara dos Deputados. Com o fim do tráfico. pelo prazo de três anos. 14 de maio de 1888. tirando es­ cravos de áreas em que a agricultura decaía. Nessa idade. até essa data. Joaquim Nabuco Pág. Eusébio de Quei­ roz. a iniciativa é do ano anterior. O formato adotado simula o que poderia ser uma edição do Jornal do Senado publicada em 14 de maio de 1888. A crítica dos abolicionis­ tas à lei era aos limitados efeitos práticos. a Câmara dos Deputados promul­ gou uma lei que proibia o tráfico de escravos afri­ canos. resultado de acordo do Brasil com a Inglaterra. Em 1845.gov. 8: Rugendas/Fund. não é aplicável ao minis­ tro do Supremo Tribunal de Justiça que exercesse já semelhante cargo e tivesse mais de 72 anos de idade. na abertura do ano legislativo. de 1887. de 9 de outubro. a Lei Nabuco de Araújo (mi­ nistro da Justiça). Sylvio Guedes. A turbulência política em várias províncias impediu que o governo central fi­ zesse cumprir a lei durante as duas décadas seguintes. aprovando a pensão de 1$4000 diá­ rios aos menores irmãos do 2º sargento do Corpo Militar da Polícia da Corte Antonio Nery de Oliveira Araújo. Reprodução/Geraldo Magela Pág. que pre­ via sanções para as autori­ dades que encobrissem o contrabando de escravos. 42. As controvérsias fo­ ram desproporcionais aos seus efeitos práticos. além do pessoal em terra que participasse do comércio ilegal. às 11h erceira dita da proposta da Câmara dos Deputados n. a título de indenização ao senhor. Mas foi aprovado. O governo brasileiro não resistiu à pressão e o mi­ nistro da Justiça de Dom Pedro 2º. para as lavouras de café no Centro­Sul. E m 7 de novembro de 1831. 20º andar – 70165­920 Brasília (DF) www.

3 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. a discussão e aprovação. Apenas dois senadores se manifestaram contrários à matéria: o Barão de Cotegipe e Paulino de Sousa. na Sala do Trono. a Princesa Regente Dona Isabel. o Conde d’Eu. com a ajuda dos cabos submarinos. O Senado argentino e a corporação acadêmica telegrafaram a Dona Isabel. 12 – O estado de S. entregar à Princesa Regente o autógrafo do projeto. Costa Pereira. receitadas pelo Dr. o povo agradecido”. quer ata. e tem no lado oposto o número e a data da Lei Áurea. às vezes dava ares de Janeiro. felicitando-a. Campinas. Falando em seguida. A campanha de subscrição iniciada por aquele diário logo recebeu a adesão da Revista Ilustrada. Em razão da grande concentração de pessoas na praça. Agora está em plena integridade de suas faculdades mentais. senador João Alfredo. Estimase que mais de 600 mil negros foram beneficiados pela lei. o parecer foi acolhido pela Câmara no mesmo dia 8. Transcrevemos. maiores tribunos do país. dia 13. prática das mais cruéis e condenáveis que foi permitida legalmente no país por mais de 300 anos. Coube a uma comissão de senadores. Poucas vezes nos seus 62 anos de funcionamento a Assembléia Geral produziu uma lei com extraordinária rapidez como a que acaba de emancipar os escravos. Recife. não obstante a tentativa dos parlamentares antiabolicionistas de imporem obstáculos à adoção de urgência para a matéria.o meio-dia para o Rio de nar. 1º É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. Pessoas que se encontravam nas galerias jogaram flores no Plenário. A pena. a redentora. Ouro Preto. e Giovani declaram em boletim que a febre tem declinado quase totalmente e que o estado nervoso do augusto enfermo é calmo. ocorreu a aprovação final. 14 de maio de 1888 Princesa Isabel assina a Lei Áurea Texto possui apenas dois artigos e já está em vigor tanto na Corte como nas províncias D esde a tarde de ontem. Em Buenos Aires. na Itália. Pena será exposta D. para grande festejo cívico em honra do Brasil livre. em meio a bandas de música e espocar de foguetes. Dona Isabel declarou: – Seria o dia de hoje um dos mais belos de minha vida se não fosse saber estar meu pai enfermo. saúde de seu augusto pai. Das capitais das províncias e do exterior chegam a toda hora ao Rio telegramas de congratulações. três delas situadas perto do palácio: as de São José. Milão. Menos de três horas depois da aprovação do projeto pelo Senado do Império. Sua cidade italiana de Milão. À noite. Atribui-se esse resultado à aplicação de gelo na cabeça e às injeções hipodérmicas de cafeína. sendo mais uma vez aclamada pelos manifestantes. edifícios públicos e particulares da capital paulista foram iluminados. sob os cuidados de três famosos médicos . Os fenômenos cerebrais cessaram após delírio intenso. segunda-feira. dirigiu-se sando contentamento pelo de trem de ferro logo após ato que acabava de assi. prática das mais cruéis que foi permitida no Brasil por mais de 300 anos no Senado se enfrentaram. Ao entrar na Rua do Ouvidor. como já lhe coube a de confirmar o decreto que não permitiu nascerem mais cativos no Império (a Lei do Ventre Livre)”. Charcot. só com muita dificuldade as carruagens que levavam a comissão de senadores e o presidente do Ministério. ainda não pôde ser informado da lei que baniu de nosso país o regime de escravidão. embaixadores e outras personalidades. Dona Isabel surgiu numa janela. contém apenas dois dispositivos: “Art. os seguintes telegramas: Milão. da gravidade do estado de e dos ministros do Império. seguindo-se. Fortaleza e outras cidades saíram às ruas em procissões cívicas. como sempre. está extinto em todo o Brasil o trabalho escravo. não faltando bandas de música e fogos. Semmola. de uma sacada do Paço. Quando o Senado concluía a deliberação sobre a proposta. soaram os sinos das igrejas do Rio. Ontem. Acompanhada de preocupação. foi decretado feriado a próxima quintafeira. Pedro 2º encontra-se doente em Milão. Dom Pedro 2º ainda não foi informado O Imperador Dom Pedro 2º. Salvador. de Nossa Senhora do Carmo e da Capela Imperial. intensificaram-se os festejos e passeatas pelas ruas do Rio de Janeiro. Participaram da cerimônia. após deixar o Paço. o veterano abolicionista Sousa Dantas foi carregado nos braços do povo. Dona A fisionomia da Princesa Isabel. Charcot. Isabel. deputado Henrique Pereira de Lucena. conseguiram chegar às portas do Paço. na Praça Dom Pedro 2º. mediante votação simbólica. Nos debates na Câmara e Sua Alteza Dona Isabel sancionou em nome de seu augusto pai a lei que acaba com a escravidão. a designação imediata da comissão especial que daria o parecer transformando a mensagem em projeto. Foram só seis dias de tramitação da mensagem. o Imperador apresenta uma pequena melhora. alguns dos peus. Vitória. em virtude seu esposo. Alteza chegou ao Paço por volta das 14 horas. Santos. de que é exemplo o telégrafo. chegava ao Plenário a notícia de que alguns fazendeiros fluminenses já estavam libertando seus escravos. útil à nossa Pátria. tendo à frente Sousa Dantas. traz a seguinte inscrição: “A D. recebendo demorados aplausos do público. que se encontra em Milão. A multidão irrompeu em ruidosas aclamações quando o deputado Joaquim Nabuco. Habitantes de São Paulo. sob os cuidados de três dos quer defendendo. Em frente ao edifício. Confiante em que o Senado aprovaria a proposSorriso e lágrimas ta nesse domingo. dia 13. sancionava em solenidade no Paço da Cidade a já chamada Lei Áurea. 2º Revogam-se as disposições em contrário”. É opinião generalizada que a Pátria se tornou realmente livre com o ato que retirou o Brasil da condição de única nação do Ocidente que ainda explorava o elemento servil. e da Agrique está em tratamento na cultura. conforme o boletim dos médicos assistentes. “Art. sem conter as lágrimas. Bandas animam festejo nas ruas Concebida para abolir de forma imediata e incondicional o elemento servil no País. solicitou ao presidente daquela Casa. Na oportunidade. cujo parecer foi votado no mesmo dia. cujo texto foi transformado numa verdadeira peça de arte pelo conhecido calígrafo Leopoldo Heck. a respeito. senadores. o deputado Joaquim Nabuco. 13 – O estado de S. nomeando em 11 de maio a comissão especial. Semmola. É esperado o Dr. A pena de ouro com que a Princesa Regente assinou o decreto da abolição da escravatura ficará exposta a partir do dia 21 de maio no salão do jornal O Paiz. deputados. que se encontrava Regente. Deus permitirá que ele nos volte para tornar-se. Belém. comunicou ao povo que não havia mais escravos no Brasil. onde se submete a tratamento de saúde. lançando mão de recurso regimental. Assim que a Câmara recebeu o texto – na terça-feira dia 8 – das mãos do ministro Rodrigo Silva. com uma pena de ouro ofertada pelo povo. Na ocasião.M.M. Rodrigo Silva.353. Chamada pelos cidadãos que se concentravam diante do palácio. Dantas felicitou Dona Isabel “por caber-lhe a glória de assinar a lei que apaga dos nossos códigos a nefanda mácula da escravidão. cerca de 5 mil pessoas se aglomeravam. e que recebeu o número 3. em verdadeiro delírio.melhores médicos eurocando o projeto. Da mesma forma agiu o Senado. ministros. fez com que a notícia da abolição chegasse rapidamente à maioria das províncias brasileiras e a grande parte das nações americanas e européias. a mais importante e mais humana norma legal já adotada pelo Brasil. o Imperador apresenta progressivas melhoras. Soar de sinos Abolição repercute nas províncias e no estrangeiro O milagre da ciência e da técnica neste final do século 19. Depois de sancionada a lei. Sob os protestos do deputado conservador Andrade Figueira.em Petrópolis. que tem no dorso 43 brilhantes. além de gente do povo que. nos dias 9 e 10. Os Drs. sob aplausos dos manifestantes. sempre expres. invadiu o palácio. magistrados.

promessas engana­ doras. Andrade Fi­ gueira reverberou o sen­ timento da bancada de proprietários rurais de seu estado. apontou a “intervenção dos pode­ res públicos na solução de um assunto eminente­ mente social”. contra a tentativa de com 83 votos favoráveis e apenas 9 contrários. 83 deputados votaram a favor da abolição. Uma pequena. academias. o pro­ fluminenses. com apoio do presidente da Casa ter em lei a pro­ Princesa Im­ posta do governo. Onde se lia “é declara­ da extinta a escravidão no Brasil”. Para o deputado. ao acusar o governo imperial de ceder às pressões da imprensa e dos “apopléticos” da abo­ lição ao enviar o projeto de lei. reagiu da tribuna às críticas de Andrade Figueira à deci­ são do governo imperial de apresentar a proposta. além de estabe­ lecer as condições em que o fim completo do regime servil se daria no país. por am­ a ajuda do presidente da Casa. tribunais e famílias. em referência à expectativa de emancipação de escra­ vos criada pelas leis an­ teriores. dos 723. Henrique Perei­ do pelas galerias. porque a lei não pode vigorar na Corte senão oito dias e nas províncias senão três meses depois de pu­ blicada. e levan­ tamento realizado em 1887 forneceram dados estatísticos sobre a po­ pulação escrava no Bra­ sil nos últimos anos: Figueira acusa governo de ceder a “apopléticos” O deputado Andrade Figueira. cruzar os bra­ ços e deixar que a revolu­ ção decretasse a libertação dos escravos? – questionou o deputado. encontrados nas regiões mais ao nor­ te do litoral africano.211. – Que necessidade tão urgente é esta quando o problema tem sua solução natural nas leis de 1871 [Ventre Livre] e 1885 [Sexagenários]? Com a sua intervenção. Entre poucos aplausos e seguidos gritos de “não apoiado”. sem os meios.348 escravos 1883: 1. dia 10. 14 de maio de 1888 Câmara discute e vota fim da escravidão em dois dias Aprovação do projeto em tempo recorde só foi possível graças ao esforço da bancada antiescravagista. menos de da Agricultura. Urgência sar a passagem do projeto. e nistas de rasgar o seguia para o Senado. que fixava critérios de reparação aos senhores de escravos. produzindo uma agitação estéril.419 es­ cravos matriculados no levantamento de 1887 é a seguinte: Projeto é ameaça à ordem pública. nas áreas ao sul do Equador. oprime a Câmara no dia seguinte. poderíamos. a proposta mento – esbrave­ determinando o fim jou o representan­ da escravidão no País. projeto a comissão especial que foi o portador da men­ consciência nacional e é Andrade Figueira. Regimento da Câ­ A aprovação se deu mara.541. Precisamos apres­ ção. sugerindo a criação impaciências para conver­ nal dos deputados. apenas nove. depu­ tado e ministro da Agricul­ tura Rodrigo Silva.174 escravos de 40 a 50 anos: 122. e os bantos. depu­ criada para analisar o as­ sagem. que para ele apresentou o projeto “sem nenhuma razão de estado”. Os escravos trazidos ao Brasil pertenciam a dois grupos de língua e cultura distintas: o dos sudaneses. – Não havia um só órgão respeitável. sem suces­ Na quinta­feira.726 escravos de 30 a 40 anos: 336. o deputado acres­ centou “desde a data desta lei”. os pode­ res públicos não fizeram mais do que comprometer a marcha do problema. libertando os seus escravos incondicionalmente”. É necessário que o prazo que se exige para a Corte seja o mesmo para todo o Império. o go­ verno imperial caiu em contradição ao apresentar o projeto apenas três anos depois da Lei do Ventre Li­ vre. aprovado pernambucano Joa­ pelo Plenário da quim Nabuco – e com Na Câmara. protestou. O Gabinete Dantas. zos e interstícios para que a cias regimentais. É difícil avaliar com precisão o volume do tráfico exter­ no para o Brasil duran­ te os três séculos e meio de duração do trabalho escravo. em to­ das as democracias o poder público tem o dever de in­ terferir na solução de pro­ blemas sociais como o do elemento servil. o projeto de lei que acaba com a es­ cravidão pôde entrar em vigor imediatamente após ser sancionado pela Prin­ cesa Isabel. aceitan­ do o poder.097 escravos de 50 a 55 anos: 40. na tudo a legalidade terça­feira 8 de maio dos atos do Parla­ de 1888. desses que for­ mam o sentimento de um povo e a opinião de uma nação.822 escravos BACHAREL DUPONCHEL LECCIONA materias do curso preparatorio. “os próprios interessados na manutenção da proprie­ dade escrava davam dia­ riamente exemplos os mais admiráveis de abnegação. o de modo que a libertação acelerar a tramitação. Araújo Góes conseguiu apoio do Plená­ rio para inserir pequena e crucial emenda de redação ao Artigo 1º do texto origi­ nal. Alfredo Chaves dirigiu seus ataques ao ministro Rodrigo Silva. so. em tempo recorde. diz Alfredo Chaves Um dos nove deputados que votaram contra a extin­ ção da escravatura. disse. Cartas no escriptorio desta re dacção todas as 93 RESIDENCIA EM NITHEROY rUa noVa 93 . que não estivesse empenhado nesta cruzada.419 escravos A classificação. te dos fazendeiros Dois dias depois. 1873: 1. Se observamos esta agi­ tação pacifista por toda a parte. O deputado contestou as acusações de que a alte­ ração seria “inútil”. que esteve no poder de 6 de junho 1884 a 5 de maio de 1885. mas somente com o desenvolvimento do cultivo da cana no Nor­ deste cresceu significati­ vamente a demanda por negros escravos. – É uma necessidade in­ declinável em face da legis­ lação. rodrigo Silva: toda a sociedade quer a abolição O portador do projeto de lei que acabou com a es­ cravidão no Brasil. O ministro emocionados. sequer. A maioria dos estudiosos estima a vin­ da de aproximadamente 3. leu o sucinto texto pior do que o estrangeiro tado pelo Rio de Janeiro e sunto já apresentava pare­ de apenas dois artigos. o Barão de Nabuco era um dos mais a dispensa de todos os pra­ diversos prazos e exigên­ Lucena (PE). contra Câmara. segui­ buco. em re­ ferência ao número de 600 mil escravos que ainda exis­ tiam no país. de proverem a sua subsistência – disse o de­ putado escravagista. 16:000$000 LOTERIAS DE S.946 escravos 1887: 723. cedendo a pres­ sões e ignorando os direitos dos proprietários rurais. Segundo o ministro. – Qualquer que sejam as jeto recebeu aprovação fi­ Plenário irrompeu em rui­ seja imediata – propôs Na­ dosas manifestações. O Barão de Lu­ graças ao esforço da cena submeteu à bancada antiescrava­ votação o requeri­ gista – liderada pelo mento.5 milhões. emenda de redação Graças ao zelo legislativo e à experiência de minis­ tro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) do de­ putado baiano Barão de Araújo Góes. – O projeto é uma amea­ ça iminente à ordem públi­ ca. porque não se tomaram precauções para garantir a sociedade contra essa classe de cidadãos novos que a ela são atirados. o pro­ Terminada a leitura. acu­ jeto já estava aprovado sando os abolicio­ em segundo turno. da Província do Rio de Janeiro. Joaquim de uma comissão especial e pla maioria. pesares dolorosos – acusou o deputado. deputado – A escravidão ocupa o lei pudesse ser votada pela três horas após a leitura do Rodrigo Augusto da Silva. a estratégia governamental de emancipação gradual enganou os proprietários. Para Figueira. Pátria.600 escravos de 55 a 60 anos: 28. Até mesmo.4 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. Rodrigo Silva citou a de­ fesa da abolição pela Igre­ ja. por idade. menores de 30 anos: 195. perial Regente acho que é preciso Isabel enviara colocar acima de à Assembléia Geral. segunda-feira. Dispensados ra de Lucena. nosso território. pisando no território da líder da bancada antiaboli­ cer favorável em Plenário. PAULO 1ª DA 133ª EXTRACÇÃO AMANHÃ IMPRETERIVELMENTE AMANHÃ A No século 16 já havia escravos no brasil Há quem diga que os primeiros negros foram trazidos ao Brasil en­ tre os anos de 1516 e 1526. mas crucial.

Para o sena­ dor. foi observado Sousa Dantas um prazo de dois meses. os impostos etc. aprovação Em frente ao Palácio dos Arcos. Apontando o projeto da abolição como algo “arriscadíssimo para a ordem social e econômica da Na­ ção”. 13 de maio. pelo contrário. João Maurício Wanderley. o Segundo Visconde do Uru­ guai (RJ). “Não há perigo algum. que tudo pode ser destruído por meio de uma lei sem atenção nem a di­ reitos adquiridos nem a inconve­ nientes futuros”. Na sua avaliação. No sábado dia 12. Esta lei vale por uma nova Constituição” Contestan­ to os senado­ res Paulino e Cotegipe. como também dos que vão ser libertados. segunda-feira. vamos consti­ tuir uma nova Pátria. recitou estes três pequenos versos do século 13: “O’ libertad! Luz del dia! Tu me guia”. que exercia a Presidência da Casa. A proposta foi aprovada sem dificuldades pela Casa. Com a abolição. mas aqueles a quem Deus conceder mais vida. o senador Sou­ sa Dantas (BA) afirmou da tribuna que a aboli­ ção não mar­ cará no Brasil Sousa Dantas “uma época de miséria. acordo quase unânime garante “força moral e prestígio” à decisão Em resposta aos argumentos de que a abolição deverá acarre­ tar transtornos. Cotegipe fez longo pro­ nunciamento contrário à proposta. no sábado e no do­ mingo. ele enfatizou que “a Cons­ tituição. portanto. a minha responsabilidade. possibilitando então a “prosperi­ dade da Pátria”. pelo 1º vice­pre­ sidente do Senado. Logo após a leitura da proposta na sessão do últi­ mo dia 11. as­ sim como a terra”. e Paulino de Sousa (RJ). – É grande fortuna para o Im­ pério que a lei possa ser pro­ mulgada. destacando que a proposta continha “providência ur­ gente. é agora que recressem. Paulino dis­ se que. A solicitação foi acolhida sem debate e Cruz Macha­ do nomeou para compor o colegiado os senadores Sousa Dantas. o quanto antes. que não podia ser tão rápida e subitamente suprimido”. du­ rante a segunda discussão. Apenas dois se­ nadores. PROGRAMMA DAS GRANDES REGATAS Enseada de Botafogo EM HOMENAGEM Á ABOLIÇÃO Sabbado 19 de maio de 1888 ÁS 1 1/2 DA TARDE EM PONTO NA . de sofrimentos e de penúria”. ao des­ ferir críticas ao projeto da abolição. hoje. presenciarão. Sousa Dantas declarou ainda que a votação pro­ posta representava o maior acontecimento da história do País. os conservadores. o senador Manuel Francisco Correia (PR) afirmou que “não se extirpa do organismo social um cancro secular sem que perturbações se operem”. com a desorganiza­ ção do trabalho e com a entrada de 700 mil indivíduos não preparados pela educação e pelos hábitos da li­ berdade anterior para a vida civil. onde se processava a discussão final do Projeto de Lei nº 1 da Câmara dos Deputa­ dos. O senador e presidente do Conselho de Ministros João Alfredo (PE) comunicou. sem dificuldades s atenções da Cor­ te se voltaram.. eu direi desta cadeira a todo o Brasil que nós. perigo algum. então. tudo reconhece como propriedade e matéria tributável o escravo. no Paço da Cidade. em sessão extraordinária. o senador Cruz Machado designou a comissão que levaria o projeto ao Paço e que foi composta pelos membros da comissão que ofereceu o parecer e ainda por outros nove senadores. Repetindo argumentos do Barão de Cotegipe e do deputado An­ drade Figueira contra a abolição. em sessão extraordinária. que convém que sejam. José Antônio Correia da Câmara (RS) e Alfredo Escragnolle Taunay (SC). o líder do libera­ lismo abolicionista. sena­ dor Manuel Pinto de Sousa Dantas (BA). e garantido fundo para indenização aos proprietários. A principal crítica de Cotegipe se referia ao fato de que a proposta não previa indenização aos pro­ prietários de escravos. por inspirar­se nos mais justos e imperiosos in­ tuitos” e satisfazia “a mais “A lei reconhece como “Medida arriscadíssima propriedade e matéria para a ordem social e econômica da Nação” tributável o escravo” “A verdade é que vai haver uma perturbação enorme no País du­ rante muitos anos. o senador criticou também o “trânsito pressuroso” da matéria na Casa. que baniu de forma imediata e incondicional a escravidão no território brasileiro. o senador Paulino de Sousa (RJ) afirmou que a proposta era “in­ constitucional. a lei civil. re­ vestida de for­ ça moral e do prestígio que lhe dá o acor­ do refletido e quase unâni­ me de ambas as parcialida­ des políticas – Manuel Francisco Correia finalizou. tornará o Brasil mais próspero. segundo Co­ tegipe. os velhos. Na direção dos traba­ lhos da Casa.5 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. toma­ das providências em benefício não só da lavoura.” A previsão som­ bria foi feita pelo senador Barão de Co­ tegipe. porque deixaria “ex­ postos à miséria e à morte os in­ válidos. Afirmando que a propriedade sobre o escravo era uma criação do direito. dia 13. – Entendo que grandes males vão surgir dessa medida. a comissão de senadores que levaria o de­ creto da Assembléia Geral declarando extinta a escra­ vidão no Brasil. ao concluir. para a emancipação dos escravos das colônias francesas. até onde a minha experiência dos negócios. o que não verei talvez. – Não há. ao Plenário da Casa que Sua Alteza a Prince­ sa Regente receberia às 3 horas da tarde. as leis de fazenda. em vez de produ­ zir “a nossa ruína”. 14 de maio de 1888 O domingo da vitória no Senado Proposta foi aprovada ontem. os enfermos. se posicionaram contra a iniciativa. as leis eleitorais. Mas o senador conservador disse acreditar na “cicatriz de uma feri­ da” que nunca mais será aberta. e até onde a minha voz. as contingências previstas para a ordem econômica e social. o Barão de Cotegipe (BA). Antônio Cândido da Cruz Machado. Jerô­ nimo José Teixeira Júnior (RJ). o Visconde de Ouro Preto (MG). que esta lei vale por uma nova Consti­ tuição – sustentou. para o Senado do Império. contados da promulga­ ção do ato. Dantas manifestou a con­ vicção de que “o desapareci­ mento de 600 mil criaturas escravas”. que foi aprovada domingo. a confiança que eu possa ins­ pirar aos meus concidadãos. Affonso Celso (pai). graças ao trabalho livre. populares aguardam aprovação do projeto pelos senadores especial de cinco membros destinada a dar o parecer sobre o projeto. o meu estudo de todos os dias me puderem dar alguma autoridade. estaria se decretando que no país “não há propriedade. solicitou que fosse nomeada a comissão A e mais veemente aspiração nacional”. ou que fo­ rem mais moços. o ele­ mento servil era o “único trabalho organizado em quase todo o País. a partir de 1848. antieconômica e desumana”. A comissão apresentou imediatamente o parecer. – Devo dizer que iludem­se ou querem iludir­se os que acreditam remover uma grande dificuldade com esta lei da abolição do elemen­ to servil. “ninguém acreditará no futuro que se Barão de Cotegipe realizasse com tanta precipitação e tão poucos escrúpulos a transformação que vai aparecer”. os órfãos e crianças abandonadas da raça que quer proteger”. e.

discursos nas tribu­ nas. Um clássico. De 1871 a 1881. em 1847. Sergipano. muito menos abrangente. o preço do es­ cravo já subia no mercado com a previsão de que não seriam mais trazidos negros para o Brasil. entre 1879 a 1884. sem que houvesse indenização aos proprietários. em que defende a abolição legalista. associa­ ções. conforme o interesse de cada pro­ víncia. Um pouco antes da proibição do tráfico negreiro. propondo sempre a conci­ liação entre as classes. Tobias Barreto é filósofo. Mais tarde. A obra é uma crítica ferrenha do republicano Castro Alves aos maus­tratos a que eram submetidos os negros. com indenização dos proprie­ tários. . aceitando o princípio da indenização. quando “os abolicionistas com­ bateram sós. do poema Tragédia no mar. Três anos mais tarde. segunda-feira. que proibiu o tráfico negreiro. fez a apresentação pública. o poema foi escrito quando ele tinha apenas 21 anos. políticas e eco­ nômicas. cafés e jornais e. artigos e poemas em jornais brasileiros e estrangeiros e a forte pressão sobre o Império fizeram ruir de vez a escravidão. do em Muritiba (BA). Além de poeta. Com exemplos europeus de abo­ lição da mão­de­obra escrava. morais. Luís Gama e Castro Alves também não podem ser esquecidos nessa batalha.6 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. o engenheiro baiano Filhoum um advogado mulato autodidata e daAndré Rebouças engajou­se no movimento abolicionista ao lado de defensores da causa como Joaquim Nabuco. Mesmo os republicanos tiveram maneiras diferentes de pensar a abolição. jorna­ lista e político. que com o tempo passou a apresentar custo maior que a mão­de­obra livre competitiva. o processo da crítica abolicionista no Brasil concentrou­se em espaços como clubes. Ruy Barbosa também destaca­ se entre os defensores do abolicionismo. filho mãe escrava e de um vigário. imediata e não mais com indenizações. o que causou grande revolta dos senho­ res. ci­ dade que teve de deixar após ter alforriado todos os escravos que pertenciam a seu sogro. Nasci­ luta pela de O navio negreiro. No geral. que sempre exigiam a abolição imediata e sem que houvesse qualquer paga aos senhores de escravos. Desde os tempos de estudante participou ativamente nas campanhas de combate à escravidão e o faz por meio das associações abolicionistas. aos poucos. Agora. boa par­ te da mão­de­obra escrava já foi substituída. Em 1868. que depois passou a ser chamado tobias barreto dos literária da poesia brasileira marcada pela temá­ Umsocialprincipaisdenomes do condoreirismo. a partir de 1872 dedicou­se integralmente à abolição da escravatura. culminaram com a aceitação dos parlamentares pela abolição total dos ainda escra­ vos. entre eles Ruy Barbosa. Natural do Rio de Janeiro. lojas maçônicas. O Congresso exprimiu por um bom tempo o pensar dos paulistas que não adotavam a so­ lução geral e totalmente liberta­ dora. luís Gama por estar envolvida com insurreições de escravos. livre todos os escravos com idade igual ou superior a 65 anos. Ao lado de André Rebouças. segundo o abolicionis­ A ta Joaquim Nabuco. Mui­ tos outros são defensores ferre­ nhos da mesma causa. a primeira fase do movimento pelo fim da escravidão. já se passaram 38 anos de intensa campanha abolicionista que se finda agora com a Lei Áurea. o que mostra sua lu­ ta veemente pelo fim do trabalho servil. de Nagô. Essa foi. fez de alguns de seus poemas armas para o combate à escravidão. Essa alta manteve­se até 1880. Grandes defensores da abolição Joaquim Nabuco iplomata. A proposta era que o proble­ ma fosse resolvido gradualmente. em Londres. em um gesto de coragem. Sua campanha antiescravocrata na Câmara dos Deputados começou em 1878. estendeu­se à população. reconhecendo o que alguns chamam de “o direito do homem sobre o homem”. Antônio Frederico de Castro Alves morreu aos 24 anos. Mas a forte pressão social e mo­ ral e a redução do interesse eco­ nômico pelo negro. e Gonzaga Pinto era filho um fidalgo e da africana Oadvogadodejornalista Luísportuguêsvezes da Gama Luísa Maheu. Monarquista. assim como Castro Alves. Monarquistas como André Rebouças e Joaquim Na­ buco têm sido incansáveis nessa luta pelo fim da escravidão. quan­ do se assina a Lei Áurea. Para jornalista. Ele apresentou projeto de lei em 1880 propondo o fim da escravidão a partir de 1890. Fundou a Sociedade Antiescra­ vidão Brasileira. política e econômica Campanha pelo fim da escravidão no país envolveu monarquistas e republicanos abolição da escravatura foi um processo secular resultante de mobilizações sociais – inclusive dos próprios negros –. Seu texto não foi aprovado pela Câ­ mara porque propunha a liberdade dos escravos a partir dos 60 anos. desde sua captura até a sua utilização desumana nos latifúndios. “a propriedade escra­ va é um roubo duplo”. que diversas foi presa castro alves dos Escravos e da Liberdade” fez de seus versos palavras fortes na O“Poetaabolição da escravatura. Depois de conhecer a Prince­ sa Isabel. publicou o poema A Escravidão. José do Patrocínio e Tobias Barreto. D Abolicionistas negros andré rebouças de filha de comerciante. José do Patrocínio os abolicionistas negros. escola tica e defesa idéias igualitárias. tornou­se muito cedo um articulista famoso. Luís Gama teria sido vendido como escravo. José do Patrocínio foi a Entreincansável até os segundoso que antecederamde assinatura da Lei Áurea. muito antes da assinatura da Lei Áurea. tendo sido responsável pela libertação de mais de mil escravos cativos. seis anos antes da assinatura da Lei Áurea. Morreu em 1882. jurista. o que provocou choque com os mais radicais. viveu em Escada. Da assinatura da Lei Eusébio de Queirós. o maçom Joaquim Nabuco es­ creveu O Abolicionismo. em especial pela forte demanda da lavoura cafeeira. crítico e jurista. da imprensa e da tribuna. aos 10 anos. mas nem todos os que lutaram pela li­ bertação dos escravos preferem a República. de forma ilegal. em Pernambuco. ajudando a criar a Socieda­ de Brasileira contra a Escravidão e a Confederação Abolicionista. criou em 1883 a Confederação Abolicionista. Iniciou sua carreira política como deputado na Bahia em 1878. 14 de maio de 1888 Uma luta social. historiador. por um bom tempo. Tobias Bar­ reto. ele se declara o “mestiço de Ser­ gipe”. Já falecidos. ruy barbosa redigir Projeto Dan­ tas. Foi aprovada então a Lei Saraiva­ Cotegipe. em uma come­ moração cívica onde estavam diversos se­ nhores de escravos. Em 1868. pelo seu pai. fundou o jornal A Gazeta da Tarde e pas­ sou a ser chamado de O Tigre da Abolição. Nascido em 1830. Foi um símbolo do movimento pela abolição em São Paulo. Publicou diversos artigos em jornais contra o trabalho servil. precursor da Lei Escolhido paratornandoodos Sexagená­ rios em 1885. todos os republicanos mostravam­se abolicionistas. entregues aos seus próprios recursos”. muito ligado ao Imperador Dom Pe­ dro 2º. Joaquim Nabuco foi o maior porta­voz do abolicionismo parla­ mentar.

CASA DO ALMEIDA Nos porões dos navios. O governo conseguiu im­ pedir os ataques aos quar­ téis de Salvador. que pode ter abriga­ do mais de 20 mil pessoas por volta de 1670. os mocambos surgiram em Cabo Frio. em 1691. Muitos desses grupos fo­ ram desenvolvendo ao lon­ go dos anos relações com as comunidades locais. O O escravo que se insurgisse contra o trabalho servil e a repressão era violentamente punido. sobrecarregão os navios. faltando­lhes com alimen­ tos necessarios para a sub­ sistencia delles. Vá­ rios núcleos de povoamento de negros fugitivos forma­ ram o Quilombo dos Pal­ mares. no transito dos portos africanos para os do Bra­ zil. determina a adoção de “humanitárias provi­ dências” contra “o trata­ mento duro e inhumano que. “seduzidos pela fatal ambição de adquirir fretes. morreram sete integrantes das tropas oficiais e 70 negros. al­ vará de 24 de novembro de 1813. Os malês queriam o fim do catolicismo. que acabou as­ sassinado. houve gran­ de enfrentamento de tropas do governo e perseguições determinadas pelos senho­ res dos escravos. sem direito a defesa Em 1588 foi publicado regimento que estabelecia “punição exemplar” para os fugitivos. sendo Macaco. às vésperas de assinar a Lei Áurea. que. o Império já recebia notícias da movi­ mentação de escravos fugi­ tivos na Bahia.. por volta de 1710. que. Nos quase quatro séculos de escravi­ dão no Brasil. o que. Outra forte ação negra aconteceu na Revolta dos Malês. que podem haver mais em conta. Ainda no século 16. Os líderes negros de maior representatividade foram Ganga Zumba e seu sobri­ nho Zumbi. que con­ tavam com o trabalho dos capitães­do­mato. de Dom João VI. os negros eram amontoados. em média. as comunidades negras tam­ bém recebiam militares de­ sertores e índios. O quadro é também des­ crito. em média. com isso. espécie de acampamento militar e moradia dos negros de lín­ gua bantu da África Cen­ tral e Centro­Ocidental. esses mestres. não ocorria. As capitanias de Sergipe e da Bahia foram tomadas por mocambos no início do século 17. maus­tratos. estava a limitação do número de negros trans­ portados. eram submetidos a toda sorte de doenças. por Dom João VI. não tardão a fazerem­se epide­ micas e mortais”.)” Segundo o alvará. mas até na qualidade. asseio e ventila­ ção. As caravelas que saíam para o Brasil carregavam. em Mato Grosso e Goiás. metro 600 réis 29 Alvará determinou “espaço aos cativos para se moverem e respirar” Para minimizar a situa­ ção cruel a que eram sub­ metidos os negros a bordo dos navios negreiros. Nos con­ frontos ocorridos. Outros 281 foram presos. que se não pode encarar sem horror e indiganação manifestarem se enfermidades. che­ gando a tal extremo a bar­ baridade e sordida avareza de muitos dos mestres das embarcações que os con­ duzem (. População de Palmares pode ter ultrapassado 20 mil pessoas As maiores comunidades de fugitivos de toda a Amé­ rica concentraram­se na região açucareira de Per­ nambuco e de Alagoas. deveria ha­ ver fiscalização sanitária da tripulação e dos escra­ vos. Zumbi e Tabocas os prin­ cipais. Arranca­ dos da terra natal. Além disso. As invasões holandesas no Brasil. as­ sim como dos alimentos. No século seguin­ te. 14 de maio de 1888 Resistência começou no século XVI Primeiros registros de escravos fugitivos são de 1575. eram princi­ palmente centros de resis­ tência e contribuíram para o fim do trabalho escravo no país. Na Paraíba. para evitar a trans­ missão de moléstias. Os regis­ tros indicam sua fundação em 1597. os proprietários de terras e CASA DO ALMEIDA o governo colonial deram início a numerosas caçadas e ataques a Palmares para recapturar os fugitivos. Foram mais de 18 as expedições realizadas até que se conseguisse aca­ bar definitivamente com o Quilombo de Palmares. no alvará de 24 de novembro daquele ano. na Bahia s africanos escravi­ zados no Brasil não demoraram muito para dar início aos movi­ mentos de fuga e formação de acampamentos arma­ dos que. entre 1624 e 1654. de 25 a 27 de janeiro de 1835. aju­ daram a fuga dos negros e a formação dos núcleos de povoamento do quilombo. Todos os navios negrei­ ros precisavam ter um “cirurgião­perito” e uma enfermaria aparelhada. mas o percentual chegava a 10%. o quilombo resistiu por mais de um século a fortes combates de tropas do governo colonial. de 500 a 700 ne­ gros.7 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. MODAS E ARMARINHO RUA GONSALVES DIAS Grande sortimento de voile de pura lã. quando a denominação mocambo foi substituída por quilombo. A mortalidade dos escravos não poderia passar de 3%. quando centenas de escravos africanos adep­ tos do Islã lutaram nas ruas de Salvador contra tropas de cavalaria e milícias. assassinar os bran­ cos e confiscar seus bens e o direito de praticar o isla­ mismo. se formou o Quilom­ bo do Cumbe. determinava uma série de condutas. combatido em 1731. 29 CASA DO ALMEIDA FAZENDAS. segunda-feira. não só na quantidade. interferiram na rotina dos engenhos e. os primeiros registros são de 1625. já havia acolhido e hospedado mais de mil fu­ gitivos. mulheres e cri­ anças nos navios que os transportavam da África para o Brasil. Nas capitanias do Rio Negro e do Grão­Pará. pelo número excessivo de escravos a bordo. “dando­se aos cativos espaço para se moverem e respirar”. Também deveria ter um livro de carga para fis­ calizar a lotação e a pro­ priedade dos escravos. Campos dos Goitacazes e Saquarema. as tropas atacaram grupos que se reuniam en­ tre os rios Gurupi e Turiaçu no início dos anos 1700. O século 18 foi de ex­ pansão dos grupos negros. assim como nas ca­ pitanias do Espírito Santo e de Minas Gerais. além de servirem de moradias. comprimidos uns contra os outros . Inicialmente eles se reu­ niram no que se chamou de mocambo. por volta de 1575.. A própria Princesa Isabel. No Rio de Janeiro. Navios negreiros. conforme o alvará. Os navios. e de fazer maiores ganhos. admitindo nel­ les muito maior numero de negros do que podem convenientemente conter. re­ sultando de hum tão abo­ minavel trafico. fome e frio na travessia do Atlântico. Localizado na serra da Barriga. que precisavam oferecer variedade e qualidade. soffrem os negros. Zona da Mata ala­ goana. navios de horrores No poema O navio negreiro. as denúncias contra os quilombos sur­ gem no Rio Grande do Sul. Entre as providências. Há regis­ tros de fugitivos em outras regiões da Floresta Ama­ zônica. Castro Alves relata os horrores que sofriam homens. que lhes era imposto. por falta de curativo e conve­ niente tratamento. teriam de apre­ sentar condições de salu­ bridade. Subupira. Mas a expulsão dos holan­ deses do Nordeste brasileiro fez aumentar a necessida­ de de mão­de­obra para os engenhos e. Na segunda metade do século 18. por lhes forne­ cerem generos avariados e corruptos. por isso. No Mara­ nhão. em 1813.

o movimento co­ memorou a libertação da capital em 1884. isto sim. o líder da So­ ciedade Libertadora Mos­ soroense. o movimento ganhou a ade­ são da imprensa de Salva­ dor. Ca­ nhões da Fortaleza de Nos­ sa Senhora de Assunção reboaram e os sinos repi­ Reparação aos ex-escravos precisa ser discutida que envolve as conseqüên­ cias de um processo que era inevitável diante de sé­ culos de domínio sobre as populações negras. desde a Rua 1º de Março Embora a luta final te­ até o passeio público. Natal não possuía mais escravos no início deste ano. como Amazonas. que ser­ Ceará. Com esta brasileira estava prestes a atitude. Gomes de Matos e outros que criaram o Clube do Cupim. – Mossoró está livre: aqui não há mais escra­ vos!. por representar. que em sua primeira edi­ ção. que se recusa­ vam a participar do trans­ porte de cativos. é lícito prever que a pauta de de­ bates do Parlamento. No Piauí. em 1870. O abolicionista José do do à frente Francisco José Patrocínio. Açu li­ bertou seus escravos em 24 de junho de 1885. um legítimo direito. como a criação de colônias agrí­ colas para os libertos. um conselho. “profetizou” a pro­ clamação da república brasileira no centenário da Revolução Francesa. logo a seguir. mas nos meses que antece­ deram a assinatura da Lei Áurea a escravidão estava quase extinta em toda a província. Os jangadeiros também nome e pela vontade desse mesmo povo. Na Província da Bahia. alguns abolicionistas colocam em foco a preocupação diante do quadro ainda nebuloso Movimento abolicionista se espalhou pelas províncias A Sociedade Emancipa­ dora Amazonense. 14 de maio de 1888 Ceará acabou com a escravidão há 4 anos Medida repercutiu intensamente na Corte e estimulou o abolicionismo em outras províncias as duas últimas dé­ cadas. Bahia e Paraí­ ba. no dia 25 de março de 1884. Em São Paulo. Com um número menor de escravos. Um grande desfile barbárie recua e a civiliza­ atravessou a cidade antiga. Triunfo. Em Pernambuco. a res­ ponsabilidade histórica de proclamar a extinção do trabalho escravo em todo o seu território. Sátiro de Oliveira ção. Ao longo da luta pela abo­ lição foram discutidas pro­ postas nesse sentido. o jornalista David Moreira Caldas iniciou ardorosa campanha abolicionista pela imprensa. ou seja. o fim do cati­ veiro foi proclamado em dezembro. conferindo dig­ nidade ao indivíduo. na Praça Castro Carreira. Naque­ la ocasião. de alguma forma. já ocorriam alfor­ rias espontâneas em toda a província. proclamo ao tiveram papel decisivo no país e ao mundo que a pro­ processo cearense de abo­ víncia do Ceará não possui lição da escravatura. o movimento chegou a causar conflitos. como oportunidade de emprego na cidade e acesso à educação. É possí­ vel até que essa discussão não tenha fim na próxima década e termine se esten­ dendo pelo século 20. em 25 de maio de 1887. Joaquim Bezerra da Costa Mendes. negro e operário. como o jogo da capoeira Mossoró se destaca como cidade pioneira A força do movimento abolicionista logo atingiu Mossoró. João Ramos. houve embates violen­ tos. A cidade comemorou em grande evento. mascates cês. Em Goiás. em 3º de março de 1887. No final de 1887. Militares recusavam­se a perseguir campanha pela abolição. mas deve­se ter em vista que a reparação que precisa ser atribuída aos ex­escravos e sua gente não se confunde com qualquer tipo de dá­ vida. a jorna­ listas. funda­ da em 1870. reforçando os movimentos que já come­ çavam a tomar corpo em outras partes do país. Neste momento em que o Brasil comemora a assina­ tura da Lei Áurea. no dia 30 de setembro de 1883. ção avança”. poetas. a idéia de libertação dos es­ cravos foi aos poucos se ir­ radiando para o interior do Brasil. Em 27 de janeiro de 1881. fundando o jornal Oitenta e Nove. Nesse ano. para que se possa construir uma sociedade justa e igualitária. No Rio de Janei­ ro. ten­ mais escravos”. e que não foram contempladas com nenhum tipo de com­ pensação. e antes da lei. A 24 de abril de 1884. e. foi no interior victor Hugo da província. O movimento con­ seguiu minar a força dos escravocratas. que decidiu não mais publicar anúncios de fuga. diversas cidades libertaram seus es­ cravos no ano passado. escritores e políticos que abraçaram a causa com entusiasmo. neste final do século 19. Os negros mantiveram tradições do continente africano. que logo ções. A iniciati­ va pioneira repercutiu in­ tensamente na Corte e nas províncias. em 1889. cidades como Porto de Cima já estavam livres da escravidão. N caram. segunda-feira. o fim da escravidão. As barcaças pernambucanas também apoiaram a fuga de escra­ vos. Luís Gama e Ruy Barbosa defendendo a ne­ cessidade de oferecer opor­ tunidades para integrar os ex­escravos à sociedade. O exemplo dessa cida­ de passou a ser seguido por comunidades do in­ terior da Província do Rio Grande do Norte. o presidente da Pro­ depois se chamaria Reden­ víncia. Pessoas simples. Em razão disso.8 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. como Castro Alves. a luta pela abolição visse de encorajamento ao agregou não apenas figuras Imperador Dom Pedro 2°. de 1º de fevereiro de 1873. a de­ sapropriação de terras não exploradas e o desenvol­ vimento da agricultura. A 24 de maio foi reconhecido oficialmente que Manaus não tinha mais escravos. fez uma declaração histórica. deverá incluir propostas visan­ do contemplar. nha se dado na cidade de Fortaleza. considerou “grande dos panfletos a favor da novidade” o gesto dos ce­ abolição. em relação às demais pro­ víncias. A grande festa da abo­ lição no Ceará reuniu a população da capital. O grande pensador fran­ escravos fugidos. o Paraná também se engajou na luta. em especial em áreas onde a lavoura cafeeira se expandiu. cumpriu pa­ pel decisivo na campanha libertadora na Província do Amazonas. os ex­escravos e seus descendentes. Na Província cearense. compra e venda de escra­ vos. deram grande força ao movimen­ to que começou a se articu­ lar em 1870. A mobiliza­ ção cresceu em meados de 1870. banimento da escravidão os jangadeiros firmaram no Ceará. ferroviários es­ arenses e reforçou que com condiam negros nos trens a iniciativa libertadora “a ajudando­os nas fugas. . na resposta a Patro­ ajudavam na distribuição cínio. um grupo de parlamentares lançou campanha pela abolição da escravatura. a luta contou com os nomes de José Mariano. e personalidades. A criação de trabalho para os libertos é uma preocupação Não faltaram discursos de abolicionistas como Joa­ quim Nabuco. motivando vários segmentos da sociedade. O Ceará assumiu. eles conseguiram ser considerada liberta do de fato abolir o tráfico de cativeiro. declarou em tom so­ rense Libertadora liderou a lene: “Para a glória imor­ primeira grande campanha tal do povo cearense e em pela abolição. como Manoel Roque. No Rio Grande do Sul. enviou carta ao sua posição: “No porto do escritor Victor Hugo comu­ Ceará não se embarcam nicando que uma província mais escravos!”. Ele pedia ao po­ escravos na província. de­ pois Carnaúba. que se encon­ do Nascimento. na pequena Em meio às manifesta­ vila de Aracape. de expressão nas provín­ no sentido de engajar­se na cias e na Corte. a Assem­ bléia Provincial autorizou o governo a despender 300 contos com alforrias. Em São Carlos. desde simples jangadeiros e donos de barcaças no Nordeste. É mister que se estudem ain­ da outras formas de repara­ ção. o fim da escravidão foi pro­ clamado há quatro anos. que a Sociedade Cea­ Dias. que abraçou a causa com entusiasmo – especialmente a Loja Maçônica 24 de Junho. Assim como ocorria no eta uma palavra de anima­ ção. José do Pa­ trocínio. A grande dívida para com os escravos libertos deve ser saldada. conhecido trava em Paris dias antes do como “Dragão do Mar”. no próximo ano.

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