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Uma reconstituição histórica

Órgão do Senado do Império

Rio de Janeiro, segunda-feira, 14 de maio de 1888

ASSINADA A LEI ÁUREA

O

Brasil está livre do trabalho es­ cravo. Na tarde de ontem, a Princesa Isabel sancionou a lei que pôs fim a mais de 300 anos de escravidão. Conforme o senador Sousa Dantas, havia no país 600 mil

escravos. Levantamento do Império mostra que, no ano passado, eram mais de 700 mil. A Lei João Alfredo, mais chamada de Lei Áurea, foi aprovada em tempo recorde na Câmara dos Deputados e no Senado, apesar dos protestos dos

poucos parlamentares con trá rios à abolição. Calcula ­se que cerca de 5 mil pessoas se concentraram diante do Paço da Ci dade, para acompanhar a solenidade de assinatura. O povo irrompeu em aplausos

quando o deputado Joa­ quim Na bu co, de uma sacada, comu nicou que não havia mais escravos no Brasil. Em uma das janelas, Dona Isabel foi aclamada pelos manifestantes. O Imperador Dom Pedro 2º, que se encontra

gravemente enfermo em Milão, na Itália, onde se submete a tratamento de sáude, ainda não sabe da sanção da lei. Por meio do telégrafo, a notícia já chegou à várias províncias do País e nações americanas e européias. Pág. 3

Leis que antecederam a abolição nem sempre provocaram resultados práticos
Em 1845, surgiu a lei que previa sanções contra o tráfico de escravos. Em 1871, foi adotada a Lei do Ventre Livre, que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir da sua edição, mas os manteve na tutela dos seus senhores até os 21 anos. E em 1885, garantiu­se liberdade aos que com pletassem 60 anos, com a obrigação de prestar serviços, a título de indenização ao senhor, por três anos. Essas medidas, porém, não trouxeram os resultados esperados, pois a contrapartida geralmente exigida inviabilizava seu cumprimento ou a lei era simplesmente desrespeitada. Pág. 2

Primeiros registros da resistência negra são de 1575
No Paço da Cidade, senadores e outras autoridades assistem a D. Isabel assinar a Lei Áurea

Câmara dos No Senado, apenas Deputados votou o dois senadores se projeto em dois dias manifestaram contra
O Projeto de Lei nº 1 foi aprovado em apenas dois dias pela Câmara dos Deputados. A decisão em tempo recorde só foi possível graças ao esforço da bancada antiescravagista – liderada pelo pernambucano Joaquim Nabuco – e à ajuda do presidente da Casa, deputado Barão de Lucena. “Precisamos apressar a passagem do projeto, de modo que a libertação seja imediata”, defendeu Nabuco aos colegas. Pág. 4 Ontem, domingo, o Senado do Império aprovou a proposta que extinguiu o trabalho escravo no Brasil. Dois senadores se manifestaram contra a iniciativa: o Barão de Cotegipe – advertindo que no futuro haverá grave perturbação da ordem no Brasil – e Paulino de Sousa. Defendendo a proposta, Sousa Dantas disse que a abolição constitui o maior acontecimento da história do Brasil e tornará a Nação mais próspera. Pág. 5

Campanha envolveu monarquistas e republicanos
O abolicionista Joaquim Nabuco relata que o movimento pelo fim do trabalho servil no país con centrou-se inicialmente em clubes, lojas maçônicas, associações, cafés e jornais, e só aos poucos estendeu-se à população. Nesse período, que durou de 1879 a 1884, diz ele, “os abolicionistas combateram sós, entregues aos seus próprios recursos”. Só mais tarde, discursos nas tribunas, artigos e poemas nos jornais ajudaram a pressionar o Império para que fosse extinta a escravidão. Os republicanos, praticamente todos eles, eram abolicionistas, mas nem todo defensor do fim do trabalho escravo preferia a República. Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa e Castro Alves são grandes nomes do abolicionismo, que contou também com negros ilustres, como André Rebouças, José do Patrocínio, Luís Gama e Tobias Barreto. Luís Gama chegou a ser vendido, aos dez anos, como escravo, e se transformou em símbolo do movimento em São Paulo. Pág. 6

Escravidão foi abolida no Ceará quatro anos atrás
No Ceará a escravidão acabou há quatro anos. A iniciativa reforçou o sentimento abolicionista em pro­ víncias como Amazonas, Pernambuco, Bahia, Goiás, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Foi Mossoró, em 1883, a primeira cidade a pôr fim ao trabalho servil. Pág. 8

A resistência dos negros ao trabalho servil foi um dos fatores que levaram à abolição da escravatura

Os primeiras relatos de re sistência à escravidão são de 1575, quando o Império recebeu, da Bahia, notícias de negros fugitivos. Inicialmente, eles se refugiavam em mocambos, espécie de acampamento. As comunidades de fu gitivos

passaram, depois, a ser chamadas de quilombos; o mais conhecido deles foi o dos Palmares, que pode ter abrigado mais de 20 mil pessoas em 1670. A resistência foi um dos fatores que levaram à abolição da escravatura. Pág. 7

Edição comemorativa dos 120 anos da Lei Áurea – Jornal do Senado – 12 a 18 de maio de 2008 – Ano XIV – Nº 2.801/172

José do Carmo Andrade Pesquisa histórica: José do Carmo Andrade e Eliana Lucena Diagramação: Bruno Bazílio. elaborado pelo gabinete conservador do Viscon­ de do Rio Branco em 27 de maio de 1871. até essa data. Dom Pedro 2º defendeu a Lei do Ventre Livre Nasceu da vontade de Dom Pedro 2º o projeto da Lei do Ventre Livre. a título de indenização ao senhor. pro­ posta pelo senador Sousa Dantas. considerava criminosos o dono do navio. não é aplicável ao minis­ tro do Supremo Tribunal de Justiça que exercesse já semelhante cargo e tivesse mais de 72 anos de idade. pro­ gressivamente os imigran­ tes europeus começaram a substituir a mão­de­obra servil. 8: Rugendas/Fund. os filhos menores fica­ riam “em poder e sob a autoridade dos senhores de suas mães”. mas ineficaz. 6: Fund. a do Ventre Livre e a dos Sexagenários antecederam a Lei Áurea Ordem do dia de hoje. Naquele período. Os 14 anos entre a in­ tenção e a realidade foram a sobrevida daquilo que José Bonifácio de Andrada e Silva chamou de “cancro mortal que ameaçava os fundamentos da nação”. o capitão e seus subordina­ dos. co­ nhecida como Lei Eusébio de Queiroz. Ao chegarem ao Brasil. mas os manteve sob a tutela dos seus se­ nhores até os 21 anos. às 11h erceira dita da proposta da Câmara dos Deputados n. Reproduções/Arquivo Fotográfico JS Pág. Para burlar a lei. Segundo essa norma. segunda-feira. ABL. enviou projeto ao Par­ lamento que determinava a apreensão de navios que traficassem escravos. 14 de maio de 1888. que deram apoio à medida. a Lei Eusébio de Queiroz. aprovando a pensão de 1$4000 diá­ rios aos menores irmãos do 2º sargento do Corpo Militar da Polícia da Corte Antonio Nery de Oliveira Araújo. 2: Rugendas/Fund. transformou­se na Lei nº 2. dia seguinte ao da assinatura da Lei Áurea. Eusébio de Quei­ roz. na abertura do ano legislativo. juntamen­ te com a proibição do tráfico negreiro. Muito mais abran­ gente. O governo brasileiro não resistiu à pressão e o mi­ nistro da Justiça de Dom Pedro 2º. Na prá­ tica. Com o fim do tráfico.br Tel.270. 1: Museu Histórico Nacional. O texto. Por vários meses. conti­ nuavam escravos – ana­ lisou Joaquim Nabuco. pelo prazo de três anos. a ponto de causar a queda do gabinete e a dissolução da Assembléia Geral. Os textos foram elaborados com base nos Anais do Senado e da Câmara dos Deputados. Sancio­ nada pelo Imperador Dom Pedro 2º com o nº 3. Nessa idade. o Senado não possuía ne­ nhuma publicação jornalística. Reproduções/Arquivo Fotográfico JS Pág. a Lei Nabuco de Araújo (mi­ nistro da Justiça). de 9 de outubro. a Câmara dos Deputados promul­ gou uma lei que proibia o tráfico de escravos afri­ canos. Arquivo Senado Federal. Reprodução/Geraldo Magela Pág.2 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. com a obrigação de prestar serviços. em referência aos dois che­ fes do gabinete ministerial do Império. A lei deu liberdade aos filhos de escravos nas­ cidos a partir daquela data. em 1854. de 1887. em 28 de setembro de 1885.senado. Porém. o projeto foi violentamente torpedeado pelos escravo­ cratas no Parlamento. a iniciativa é do ano anterior. não prevendo qualquer tipo de indeni­ zação aos proprietários. jornais e revistas da época e livros de estudiosos do mo­ vimento abolicionista. os quais deveriam criá­los até os 8 anos. tirando es­ cravos de áreas em que a agricultura decaía. Iracema F. ao libertar os bebês. Henrique Eduardo Lima de Araújo. fazen­ deiros incentivaram o trá­ fico interno. Laiane Borges e Elida Costa FESTEJOS POPULARES comemorativoS da abolição DERBy . egunda dita do proje­ to do Senado letra S de 1887 determinando que a disposição do parágrafo 1º do artigo 1º do Decreto nº 3. A turbulência política em várias províncias impediu que o governo central fi­ zesse cumprir a lei durante as duas décadas seguintes. 3: Museu Imperial. então chefe de ga­ binete. para as lavouras de café no Centro­Sul. Paula Pimenta. As controvérsias fo­ ram desproporcionais aos seus efeitos práticos. 7: Rugendas/Fund. assegu­ rava a extinção gradual da escravidão. Créditos das fotos: Pág. a Lei dos Sexagená­ rios também ficou conheci­ da como Saraiva­Cotegipe. A Lei nº 581. E m 7 de novembro de 1831. no litoral de Pernambuco. 20º andar – 70165­920 Brasília (DF) www. A crítica dos abolicionis­ tas à lei era aos limitados efeitos práticos. Os defen­ sores dessa lei afirma­ vam que ela. como os engenhos de açúcar do Nordeste. 14 de maio de 1888 Uma primeira tentativa de proibir o tráfico de negros Com poucos efeitos práticos. Na verdade. Sylvio Guedes. e julgar seus comandantes. o Im­ perador antecipara que “considerações da maior importância aconselham que a reformada legisla­ ção sobre o estado servil não continue a ser uma aspiração nacional inde­ finida e incerta”. Rugendas/Fund. pois os poucos que chegavam a essa idade já não tinham condições de garantir seu sustento. Joaquim Nabuco Pág. o último desembarque de escravos africanos no país só ocorreria em 1855. Joaquim Nabuco. segundafeira.br/jornal jornal@senado. que pre­ via sanções para as autori­ dades que encobrissem o contrabando de escravos. Jornal do Senado Federal Praça dos Três Poderes – Ed. Joaquim Nabuco Pág. 5: Flickr. A lei sancionada no ano seguinte continha diversas normas para regular a ex­ tinção gradual do elemento servil. Joaquim Nabuco. Só com a pressão política e militar inglesa o cenário se modificou. Já os do­ nos de escravos acusa­ vam o governo de que­ rer provocar uma crise econômica. Eram libertados os escravos que completassem 60 anos. dias antes. Quatro meses depois. da Silva e Sérgio Luiz Gomes da Silva Revisão: Eny Junia Carvalho e Lindolfo do Amaral Almeida Tratamento de imagem: Edmilson Figueiredo e Humberto Sousa Lima Arquivo fotográfico: Ana Volpe. O formato adotado simula o que poderia ser uma edição do Jornal do Senado publicada em 14 de maio de 1888.: 0800 61­2211 Fax (61) 3311­3137 Diretor do Jornal do Senado: Davi Emerich Edição: Eduardo Leão Coordenação de texto: José do Carmo Andrade Redação: Janaína Araújo. o Parlamento em Londres aprovou lei (o Bill Aber­ deen) que dava à Marinha inglesa o direito de aprisio­ nar navios negreiros.CLUB sexta-feira – 18 do corrente . Joaquim Nabuco Pág. 4: Cedi/Câmara dos Deputados Pág. de­ putados dos partidos Conservador e Liberal discutiram a proposta. para que votou­se dispensa de interstício. estabelecia que todos os escravos que entrassem no território ou portos do Brasil vindos de fora ficariam livres. o liberal con­ selheiro Saraiva e o conser­ vador (e mulato) Barão de Cotegipe. resultado de acordo do Brasil com a Inglaterra. os negros ficavam em depósitos à espera dos leilões e onde eram inspecionados por compradores Lei dos Sexagenários foi fruto de acordo político Muita negociação políti­ ca entre liberais e conser­ vadores foi necessária para que a Câmara dos Deputa­ dos aprovasse outro proje­ to antiescravagista enviado pelo governo imperial à Assembléia Geral.040. 42. – A verdade é que a lei. Expediente Esta edição especial reproduz os principais episódios relacionados à abolição da escravatura no Brasil. Em 1845. O ato de 1831 foi um pri­ meiro passo. Anexo I do Senado Federal. mes­ mo em águas territoriais brasileiras. em 28 de setembro. assinada por Dona Isabel. além do pessoal em terra que participasse do comércio ilegal. o senhor optava entre receber do Estado in­ denização de 600 mil réis ou de utilizar­se dos serviços do menor até 21 anos.300. ao fixar os 60 anos como idade limite para o escravo. 1844. Christiano Jr. Mas foi aprovado.gov. Em sua Fala do Trono. de 4/9/1850. O maior de 65 anos ficava li­ berado de tais trabalhos. estabeleceu ao mesmo tempo que até os 21 anos eles permaneceriam em poder do senhor.gov.

mediante votação simbólica. recebendo demorados aplausos do público. o Imperador apresenta progressivas melhoras. dia 13. o Imperador apresenta uma pequena melhora. só com muita dificuldade as carruagens que levavam a comissão de senadores e o presidente do Ministério. Na oportunidade.M. na Itália. ainda não pôde ser informado da lei que baniu de nosso país o regime de escravidão. Dantas felicitou Dona Isabel “por caber-lhe a glória de assinar a lei que apaga dos nossos códigos a nefanda mácula da escravidão. Transcrevemos.3 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. Dona Isabel surgiu numa janela.353. 2º Revogam-se as disposições em contrário”. está extinto em todo o Brasil o trabalho escravo. lançando mão de recurso regimental. Semmola. Vitória. não faltando bandas de música e fogos. Milão. Ouro Preto. de uma sacada do Paço. a Princesa Regente Dona Isabel. embaixadores e outras personalidades. Foram só seis dias de tramitação da mensagem. ministros. “Art. com a ajuda dos cabos submarinos. os seguintes telegramas: Milão. nomeando em 11 de maio a comissão especial. Ao entrar na Rua do Ouvidor. felicitando-a. em virtude seu esposo. com uma pena de ouro ofertada pelo povo. Fortaleza e outras cidades saíram às ruas em procissões cívicas. senadores. sob os cuidados de três dos quer defendendo. quer ata. Em Buenos Aires. 12 – O estado de S. invadiu o palácio. fez com que a notícia da abolição chegasse rapidamente à maioria das províncias brasileiras e a grande parte das nações americanas e européias. Pessoas que se encontravam nas galerias jogaram flores no Plenário. na Praça Dom Pedro 2º. o parecer foi acolhido pela Câmara no mesmo dia 8.M. e Giovani declaram em boletim que a febre tem declinado quase totalmente e que o estado nervoso do augusto enfermo é calmo. Pedro 2º encontra-se doente em Milão. a discussão e aprovação. Em frente ao edifício. edifícios públicos e particulares da capital paulista foram iluminados. além de gente do povo que. conforme o boletim dos médicos assistentes. que se encontra em Milão. À noite. e da Agrique está em tratamento na cultura. como sempre. o Conde d’Eu. Os fenômenos cerebrais cessaram após delírio intenso. a mais importante e mais humana norma legal já adotada pelo Brasil. de Nossa Senhora do Carmo e da Capela Imperial. Das capitais das províncias e do exterior chegam a toda hora ao Rio telegramas de congratulações. que se encontrava Regente. não obstante a tentativa dos parlamentares antiabolicionistas de imporem obstáculos à adoção de urgência para a matéria. chegava ao Plenário a notícia de que alguns fazendeiros fluminenses já estavam libertando seus escravos. dirigiu-se sando contentamento pelo de trem de ferro logo após ato que acabava de assi. Charcot. o deputado Joaquim Nabuco. Agora está em plena integridade de suas faculdades mentais. Falando em seguida. Costa Pereira. Semmola. que tem no dorso 43 brilhantes. e tem no lado oposto o número e a data da Lei Áurea. Santos. o povo agradecido”. O Senado argentino e a corporação acadêmica telegrafaram a Dona Isabel. Coube a uma comissão de senadores.o meio-dia para o Rio de nar. Quando o Senado concluía a deliberação sobre a proposta. nos dias 9 e 10. Nos debates na Câmara e Sua Alteza Dona Isabel sancionou em nome de seu augusto pai a lei que acaba com a escravidão. dia 13. Deus permitirá que ele nos volte para tornar-se. Charcot. Dona Isabel declarou: – Seria o dia de hoje um dos mais belos de minha vida se não fosse saber estar meu pai enfermo. A pena. sancionava em solenidade no Paço da Cidade a já chamada Lei Áurea. em verdadeiro delírio. seguindo-se. cujo parecer foi votado no mesmo dia. foi decretado feriado a próxima quintafeira. cerca de 5 mil pessoas se aglomeravam. Menos de três horas depois da aprovação do projeto pelo Senado do Império. três delas situadas perto do palácio: as de São José. Salvador. cujo texto foi transformado numa verdadeira peça de arte pelo conhecido calígrafo Leopoldo Heck. de que é exemplo o telégrafo. senador João Alfredo. Os Drs. Em razão da grande concentração de pessoas na praça. Pena será exposta D. magistrados. Dona A fisionomia da Princesa Isabel. Apenas dois senadores se manifestaram contrários à matéria: o Barão de Cotegipe e Paulino de Sousa. 1º É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. após deixar o Paço. Rodrigo Silva. tendo à frente Sousa Dantas.em Petrópolis. comunicou ao povo que não havia mais escravos no Brasil. Habitantes de São Paulo. Participaram da cerimônia. Da mesma forma agiu o Senado. Dom Pedro 2º ainda não foi informado O Imperador Dom Pedro 2º. É esperado o Dr. traz a seguinte inscrição: “A D. Alteza chegou ao Paço por volta das 14 horas. útil à nossa Pátria. A pena de ouro com que a Princesa Regente assinou o decreto da abolição da escravatura ficará exposta a partir do dia 21 de maio no salão do jornal O Paiz. receitadas pelo Dr. ocorreu a aprovação final. e que recebeu o número 3. prática das mais cruéis que foi permitida no Brasil por mais de 300 anos no Senado se enfrentaram. Assim que a Câmara recebeu o texto – na terça-feira dia 8 – das mãos do ministro Rodrigo Silva. como já lhe coube a de confirmar o decreto que não permitiu nascerem mais cativos no Império (a Lei do Ventre Livre)”. da gravidade do estado de e dos ministros do Império. entregar à Princesa Regente o autógrafo do projeto. A campanha de subscrição iniciada por aquele diário logo recebeu a adesão da Revista Ilustrada. saúde de seu augusto pai. Belém. Bandas animam festejo nas ruas Concebida para abolir de forma imediata e incondicional o elemento servil no País. Sob os protestos do deputado conservador Andrade Figueira. a redentora. maiores tribunos do país. Atribui-se esse resultado à aplicação de gelo na cabeça e às injeções hipodérmicas de cafeína. sob os cuidados de três famosos médicos . 14 de maio de 1888 Princesa Isabel assina a Lei Áurea Texto possui apenas dois artigos e já está em vigor tanto na Corte como nas províncias D esde a tarde de ontem. prática das mais cruéis e condenáveis que foi permitida legalmente no país por mais de 300 anos. 13 – O estado de S. na Sala do Trono. às vezes dava ares de Janeiro. o veterano abolicionista Sousa Dantas foi carregado nos braços do povo. Recife. Sua cidade italiana de Milão. alguns dos peus. deputado Henrique Pereira de Lucena. É opinião generalizada que a Pátria se tornou realmente livre com o ato que retirou o Brasil da condição de única nação do Ocidente que ainda explorava o elemento servil. Isabel. Soar de sinos Abolição repercute nas províncias e no estrangeiro O milagre da ciência e da técnica neste final do século 19.melhores médicos eurocando o projeto. a respeito. Depois de sancionada a lei. sob aplausos dos manifestantes. Na ocasião. contém apenas dois dispositivos: “Art. para grande festejo cívico em honra do Brasil livre. A multidão irrompeu em ruidosas aclamações quando o deputado Joaquim Nabuco. Estimase que mais de 600 mil negros foram beneficiados pela lei. sempre expres. Ontem. intensificaram-se os festejos e passeatas pelas ruas do Rio de Janeiro. segunda-feira. Campinas. solicitou ao presidente daquela Casa. Chamada pelos cidadãos que se concentravam diante do palácio. soaram os sinos das igrejas do Rio. onde se submete a tratamento de saúde. Acompanhada de preocupação. em meio a bandas de música e espocar de foguetes. Confiante em que o Senado aprovaria a proposSorriso e lágrimas ta nesse domingo. conseguiram chegar às portas do Paço. sem conter as lágrimas. deputados. a designação imediata da comissão especial que daria o parecer transformando a mensagem em projeto. sendo mais uma vez aclamada pelos manifestantes. Poucas vezes nos seus 62 anos de funcionamento a Assembléia Geral produziu uma lei com extraordinária rapidez como a que acaba de emancipar os escravos.

419 es­ cravos matriculados no levantamento de 1887 é a seguinte: Projeto é ameaça à ordem pública.174 escravos de 40 a 50 anos: 122. Alfredo Chaves dirigiu seus ataques ao ministro Rodrigo Silva. O Barão de Lu­ graças ao esforço da cena submeteu à bancada antiescrava­ votação o requeri­ gista – liderada pelo mento. diz Alfredo Chaves Um dos nove deputados que votaram contra a extin­ ção da escravatura. em tempo recorde. O Gabinete Dantas. Uma pequena. cedendo a pres­ sões e ignorando os direitos dos proprietários rurais. Para Figueira. nosso território. ao acusar o governo imperial de ceder às pressões da imprensa e dos “apopléticos” da abo­ lição ao enviar o projeto de lei. Entre poucos aplausos e seguidos gritos de “não apoiado”. zos e interstícios para que a cias regimentais. Joaquim de uma comissão especial e pla maioria. da Província do Rio de Janeiro. Precisamos apres­ ção. reagiu da tribuna às críticas de Andrade Figueira à deci­ são do governo imperial de apresentar a proposta. Pátria. acu­ jeto já estava aprovado sando os abolicio­ em segundo turno. 14 de maio de 1888 Câmara discute e vota fim da escravidão em dois dias Aprovação do projeto em tempo recorde só foi possível graças ao esforço da bancada antiescravagista. que para ele apresentou o projeto “sem nenhuma razão de estado”. Urgência sar a passagem do projeto. porque a lei não pode vigorar na Corte senão oito dias e nas províncias senão três meses depois de pu­ blicada. Rodrigo Silva citou a de­ fesa da abolição pela Igre­ ja. Regimento da Câ­ A aprovação se deu mara. sugerindo a criação impaciências para conver­ nal dos deputados. o go­ verno imperial caiu em contradição ao apresentar o projeto apenas três anos depois da Lei do Ventre Li­ vre. academias. os pode­ res públicos não fizeram mais do que comprometer a marcha do problema. tribunais e famílias. produzindo uma agitação estéril.097 escravos de 50 a 55 anos: 40. te dos fazendeiros Dois dias depois.5 milhões. promessas engana­ doras. deputado – A escravidão ocupa o lei pudesse ser votada pela três horas após a leitura do Rodrigo Augusto da Silva. o projeto de lei que acaba com a es­ cravidão pôde entrar em vigor imediatamente após ser sancionado pela Prin­ cesa Isabel. encontrados nas regiões mais ao nor­ te do litoral africano. disse. mas crucial. “os próprios interessados na manutenção da proprie­ dade escrava davam dia­ riamente exemplos os mais admiráveis de abnegação. porque não se tomaram precauções para garantir a sociedade contra essa classe de cidadãos novos que a ela são atirados.822 escravos BACHAREL DUPONCHEL LECCIONA materias do curso preparatorio.541. apontou a “intervenção dos pode­ res públicos na solução de um assunto eminente­ mente social”. pesares dolorosos – acusou o deputado. Andrade Fi­ gueira reverberou o sen­ timento da bancada de proprietários rurais de seu estado. cruzar os bra­ ços e deixar que a revolu­ ção decretasse a libertação dos escravos? – questionou o deputado. o Barão de Nabuco era um dos mais a dispensa de todos os pra­ diversos prazos e exigên­ Lucena (PE). Os escravos trazidos ao Brasil pertenciam a dois grupos de língua e cultura distintas: o dos sudaneses. O deputado contestou as acusações de que a alte­ ração seria “inútil”. o pro­ fluminenses. e os bantos. poderíamos. – Que necessidade tão urgente é esta quando o problema tem sua solução natural nas leis de 1871 [Ventre Livre] e 1885 [Sexagenários]? Com a sua intervenção. Dispensados ra de Lucena. rodrigo Silva: toda a sociedade quer a abolição O portador do projeto de lei que acabou com a es­ cravidão no Brasil. em re­ ferência ao número de 600 mil escravos que ainda exis­ tiam no país. nas áreas ao sul do Equador. que fixava critérios de reparação aos senhores de escravos. além de estabe­ lecer as condições em que o fim completo do regime servil se daria no país. menores de 30 anos: 195. em referência à expectativa de emancipação de escra­ vos criada pelas leis an­ teriores. o pro­ Terminada a leitura. 83 deputados votaram a favor da abolição. Segundo o ministro.211. protestou. Até mesmo.946 escravos 1887: 723. A maioria dos estudiosos estima a vin­ da de aproximadamente 3. por idade. que não estivesse empenhado nesta cruzada. – Qualquer que sejam as jeto recebeu aprovação fi­ Plenário irrompeu em rui­ seja imediata – propôs Na­ dosas manifestações. É necessário que o prazo que se exige para a Corte seja o mesmo para todo o Império. depu­ criada para analisar o as­ sagem. so.419 escravos A classificação. 1873: 1. Se observamos esta agi­ tação pacifista por toda a parte. menos de da Agricultura. apenas nove.600 escravos de 55 a 60 anos: 28. a proposta mento – esbrave­ determinando o fim jou o representan­ da escravidão no País. segunda-feira. O ministro emocionados. contra Câmara. que esteve no poder de 6 de junho 1884 a 5 de maio de 1885. Cartas no escriptorio desta re dacção todas as 93 RESIDENCIA EM NITHEROY rUa noVa 93 . o de modo que a libertação acelerar a tramitação. sequer.726 escravos de 30 a 40 anos: 336. a estratégia governamental de emancipação gradual enganou os proprietários. projeto a comissão especial que foi o portador da men­ consciência nacional e é Andrade Figueira. o deputado acres­ centou “desde a data desta lei”. por am­ a ajuda do presidente da Casa. Henrique Perei­ do pelas galerias.4 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. Onde se lia “é declara­ da extinta a escravidão no Brasil”. – É uma necessidade in­ declinável em face da legis­ lação. e levan­ tamento realizado em 1887 forneceram dados estatísticos sobre a po­ pulação escrava no Bra­ sil nos últimos anos: Figueira acusa governo de ceder a “apopléticos” O deputado Andrade Figueira. pisando no território da líder da bancada antiaboli­ cer favorável em Plenário. libertando os seus escravos incondicionalmente”. depu­ tado e ministro da Agricul­ tura Rodrigo Silva. emenda de redação Graças ao zelo legislativo e à experiência de minis­ tro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) do de­ putado baiano Barão de Araújo Góes. de proverem a sua subsistência – disse o de­ putado escravagista. – O projeto é uma amea­ ça iminente à ordem públi­ ca. em to­ das as democracias o poder público tem o dever de in­ terferir na solução de pro­ blemas sociais como o do elemento servil. dia 10. aprovado pernambucano Joa­ pelo Plenário da quim Nabuco – e com Na Câmara. – Não havia um só órgão respeitável. dos 723. 16:000$000 LOTERIAS DE S.348 escravos 1883: 1. na tudo a legalidade terça­feira 8 de maio dos atos do Parla­ de 1888. É difícil avaliar com precisão o volume do tráfico exter­ no para o Brasil duran­ te os três séculos e meio de duração do trabalho escravo. sem suces­ Na quinta­feira. leu o sucinto texto pior do que o estrangeiro tado pelo Rio de Janeiro e sunto já apresentava pare­ de apenas dois artigos. desses que for­ mam o sentimento de um povo e a opinião de uma nação. Para o deputado. Araújo Góes conseguiu apoio do Plená­ rio para inserir pequena e crucial emenda de redação ao Artigo 1º do texto origi­ nal. mas somente com o desenvolvimento do cultivo da cana no Nor­ deste cresceu significati­ vamente a demanda por negros escravos. segui­ buco. com apoio do presidente da Casa ter em lei a pro­ Princesa Im­ posta do governo. contra a tentativa de com 83 votos favoráveis e apenas 9 contrários. perial Regente acho que é preciso Isabel enviara colocar acima de à Assembléia Geral. sem os meios. PAULO 1ª DA 133ª EXTRACÇÃO AMANHÃ IMPRETERIVELMENTE AMANHÃ A No século 16 já havia escravos no brasil Há quem diga que os primeiros negros foram trazidos ao Brasil en­ tre os anos de 1516 e 1526. aceitan­ do o poder. oprime a Câmara no dia seguinte. e nistas de rasgar o seguia para o Senado.

os conservadores. com a desorganiza­ ção do trabalho e com a entrada de 700 mil indivíduos não preparados pela educação e pelos hábitos da li­ berdade anterior para a vida civil. o Barão de Cotegipe (BA). o senador Cruz Machado designou a comissão que levaria o projeto ao Paço e que foi composta pelos membros da comissão que ofereceu o parecer e ainda por outros nove senadores. Apontando o projeto da abolição como algo “arriscadíssimo para a ordem social e econômica da Na­ ção”. A comissão apresentou imediatamente o parecer. 13 de maio. “ninguém acreditará no futuro que se Barão de Cotegipe realizasse com tanta precipitação e tão poucos escrúpulos a transformação que vai aparecer”. destacando que a proposta continha “providência ur­ gente. Dantas manifestou a con­ vicção de que “o desapareci­ mento de 600 mil criaturas escravas”. A solicitação foi acolhida sem debate e Cruz Macha­ do nomeou para compor o colegiado os senadores Sousa Dantas. que exercia a Presidência da Casa. e Paulino de Sousa (RJ). em sessão extraordinária. que baniu de forma imediata e incondicional a escravidão no território brasileiro. no Paço da Cidade. então. vamos consti­ tuir uma nova Pátria. que não podia ser tão rápida e subitamente suprimido”. a minha responsabilidade. o Visconde de Ouro Preto (MG). toma­ das providências em benefício não só da lavoura. as leis eleitorais. – Devo dizer que iludem­se ou querem iludir­se os que acreditam remover uma grande dificuldade com esta lei da abolição do elemen­ to servil. em vez de produ­ zir “a nossa ruína”. solicitou que fosse nomeada a comissão A e mais veemente aspiração nacional”. tudo reconhece como propriedade e matéria tributável o escravo. mas aqueles a quem Deus conceder mais vida. re­ vestida de for­ ça moral e do prestígio que lhe dá o acor­ do refletido e quase unâni­ me de ambas as parcialida­ des políticas – Manuel Francisco Correia finalizou. e garantido fundo para indenização aos proprietários. para o Senado do Império. que convém que sejam. a comissão de senadores que levaria o de­ creto da Assembléia Geral declarando extinta a escra­ vidão no Brasil. por inspirar­se nos mais justos e imperiosos in­ tuitos” e satisfazia “a mais “A lei reconhece como “Medida arriscadíssima propriedade e matéria para a ordem social e econômica da Nação” tributável o escravo” “A verdade é que vai haver uma perturbação enorme no País du­ rante muitos anos. a partir de 1848. os impostos etc. Com a abolição. o ele­ mento servil era o “único trabalho organizado em quase todo o País. para a emancipação dos escravos das colônias francesas. Para o sena­ dor. portanto. pelo 1º vice­pre­ sidente do Senado. sena­ dor Manuel Pinto de Sousa Dantas (BA). presenciarão. o líder do libera­ lismo abolicionista. a lei civil.. O senador e presidente do Conselho de Ministros João Alfredo (PE) comunicou. ao Plenário da Casa que Sua Alteza a Prince­ sa Regente receberia às 3 horas da tarde. foi observado Sousa Dantas um prazo de dois meses. hoje. o Segundo Visconde do Uru­ guai (RJ). se posicionaram contra a iniciativa. – Entendo que grandes males vão surgir dessa medida. ou que fo­ rem mais moços. o senador Manuel Francisco Correia (PR) afirmou que “não se extirpa do organismo social um cancro secular sem que perturbações se operem”. tornará o Brasil mais próspero. antieconômica e desumana”. segunda-feira. acordo quase unânime garante “força moral e prestígio” à decisão Em resposta aos argumentos de que a abolição deverá acarre­ tar transtornos. o quanto antes. as­ sim como a terra”. Paulino dis­ se que. Afirmando que a propriedade sobre o escravo era uma criação do direito. os enfermos. A proposta foi aprovada sem dificuldades pela Casa. de sofrimentos e de penúria”. 14 de maio de 1888 O domingo da vitória no Senado Proposta foi aprovada ontem. dia 13. Cotegipe fez longo pro­ nunciamento contrário à proposta. que tudo pode ser destruído por meio de uma lei sem atenção nem a di­ reitos adquiridos nem a inconve­ nientes futuros”. no sábado e no do­ mingo. eu direi desta cadeira a todo o Brasil que nós. José Antônio Correia da Câmara (RS) e Alfredo Escragnolle Taunay (SC). João Maurício Wanderley. as leis de fazenda. e até onde a minha voz. Jerô­ nimo José Teixeira Júnior (RJ). sem dificuldades s atenções da Cor­ te se voltaram. que esta lei vale por uma nova Consti­ tuição – sustentou. o senador Paulino de Sousa (RJ) afirmou que a proposta era “in­ constitucional. ao concluir. os órfãos e crianças abandonadas da raça que quer proteger”. até onde a minha experiência dos negócios. segundo Co­ tegipe. Na sua avaliação. pelo contrário. A principal crítica de Cotegipe se referia ao fato de que a proposta não previa indenização aos pro­ prietários de escravos. – É grande fortuna para o Im­ pério que a lei possa ser pro­ mulgada.5 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. aprovação Em frente ao Palácio dos Arcos. perigo algum. Sousa Dantas declarou ainda que a votação pro­ posta representava o maior acontecimento da história do País. a confiança que eu possa ins­ pirar aos meus concidadãos. o senador criticou também o “trânsito pressuroso” da matéria na Casa. estaria se decretando que no país “não há propriedade. e. Repetindo argumentos do Barão de Cotegipe e do deputado An­ drade Figueira contra a abolição. graças ao trabalho livre. “Não há perigo algum. que foi aprovada domingo. Affonso Celso (pai). PROGRAMMA DAS GRANDES REGATAS Enseada de Botafogo EM HOMENAGEM Á ABOLIÇÃO Sabbado 19 de maio de 1888 ÁS 1 1/2 DA TARDE EM PONTO NA . porque deixaria “ex­ postos à miséria e à morte os in­ válidos. Esta lei vale por uma nova Constituição” Contestan­ to os senado­ res Paulino e Cotegipe. populares aguardam aprovação do projeto pelos senadores especial de cinco membros destinada a dar o parecer sobre o projeto. – Não há. ele enfatizou que “a Cons­ tituição. ao des­ ferir críticas ao projeto da abolição. contados da promulga­ ção do ato. onde se processava a discussão final do Projeto de Lei nº 1 da Câmara dos Deputa­ dos.” A previsão som­ bria foi feita pelo senador Barão de Co­ tegipe. Logo após a leitura da proposta na sessão do últi­ mo dia 11. é agora que recressem. o meu estudo de todos os dias me puderem dar alguma autoridade. o senador Sou­ sa Dantas (BA) afirmou da tribuna que a aboli­ ção não mar­ cará no Brasil Sousa Dantas “uma época de miséria. No sábado dia 12. Mas o senador conservador disse acreditar na “cicatriz de uma feri­ da” que nunca mais será aberta. o que não verei talvez. recitou estes três pequenos versos do século 13: “O’ libertad! Luz del dia! Tu me guia”. possibilitando então a “prosperi­ dade da Pátria”. em sessão extraordinária. du­ rante a segunda discussão. as contingências previstas para a ordem econômica e social. os velhos. Antônio Cândido da Cruz Machado. Apenas dois se­ nadores. como também dos que vão ser libertados. Na direção dos traba­ lhos da Casa.

jorna­ lista e político. Mesmo os republicanos tiveram maneiras diferentes de pensar a abolição. Agora. em Pernambuco. Essa alta manteve­se até 1880. Em 1868. precursor da Lei Escolhido paratornandoodos Sexagená­ rios em 1885. Sergipano. o que causou grande revolta dos senho­ res. De 1871 a 1881. Já falecidos. em que defende a abolição legalista. do poema Tragédia no mar. de Nagô. que proibiu o tráfico negreiro. José do Patrocínio os abolicionistas negros. filho mãe escrava e de um vigário. o preço do es­ cravo já subia no mercado com a previsão de que não seriam mais trazidos negros para o Brasil. criou em 1883 a Confederação Abolicionista. fundou o jornal A Gazeta da Tarde e pas­ sou a ser chamado de O Tigre da Abolição. Fundou a Sociedade Antiescra­ vidão Brasileira. discursos nas tribu­ nas. Além de poeta. muito ligado ao Imperador Dom Pe­ dro 2º. A obra é uma crítica ferrenha do republicano Castro Alves aos maus­tratos a que eram submetidos os negros. No geral. Ele apresentou projeto de lei em 1880 propondo o fim da escravidão a partir de 1890. luís Gama por estar envolvida com insurreições de escravos. em uma come­ moração cívica onde estavam diversos se­ nhores de escravos. quan­ do se assina a Lei Áurea. escola tica e defesa idéias igualitárias. que sempre exigiam a abolição imediata e sem que houvesse qualquer paga aos senhores de escravos. muito antes da assinatura da Lei Áurea. lojas maçônicas. Tobias Bar­ reto. estendeu­se à população. aceitando o princípio da indenização. por um bom tempo. em 1847. tendo sido responsável pela libertação de mais de mil escravos cativos. todos os republicanos mostravam­se abolicionistas. entre 1879 a 1884. ci­ dade que teve de deixar após ter alforriado todos os escravos que pertenciam a seu sogro. 14 de maio de 1888 Uma luta social. Nascido em 1830.6 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. D Abolicionistas negros andré rebouças de filha de comerciante. artigos e poemas em jornais brasileiros e estrangeiros e a forte pressão sobre o Império fizeram ruir de vez a escravidão. em um gesto de coragem. que com o tempo passou a apresentar custo maior que a mão­de­obra livre competitiva. segundo o abolicionis­ A ta Joaquim Nabuco. propondo sempre a conci­ liação entre as classes. Para jornalista. Mas a forte pressão social e mo­ ral e a redução do interesse eco­ nômico pelo negro. Com exemplos europeus de abo­ lição da mão­de­obra escrava. Sua campanha antiescravocrata na Câmara dos Deputados começou em 1878. o processo da crítica abolicionista no Brasil concentrou­se em espaços como clubes. “a propriedade escra­ va é um roubo duplo”. Ao lado de André Rebouças. A proposta era que o proble­ ma fosse resolvido gradualmente. Seu texto não foi aprovado pela Câ­ mara porque propunha a liberdade dos escravos a partir dos 60 anos. Natural do Rio de Janeiro. a partir de 1872 dedicou­se integralmente à abolição da escravatura. Essa foi. o maçom Joaquim Nabuco es­ creveu O Abolicionismo. Três anos mais tarde. muito menos abrangente. com indenização dos proprie­ tários. ajudando a criar a Socieda­ de Brasileira contra a Escravidão e a Confederação Abolicionista. o engenheiro baiano Filhoum um advogado mulato autodidata e daAndré Rebouças engajou­se no movimento abolicionista ao lado de defensores da causa como Joaquim Nabuco. que depois passou a ser chamado tobias barreto dos literária da poesia brasileira marcada pela temá­ Umsocialprincipaisdenomes do condoreirismo. Tobias Barreto é filósofo. Monarquistas como André Rebouças e Joaquim Na­ buco têm sido incansáveis nessa luta pelo fim da escravidão. O Congresso exprimiu por um bom tempo o pensar dos paulistas que não adotavam a so­ lução geral e totalmente liberta­ dora. Mui­ tos outros são defensores ferre­ nhos da mesma causa. entre eles Ruy Barbosa. Um pouco antes da proibição do tráfico negreiro. José do Patrocínio e Tobias Barreto. viveu em Escada. Joaquim Nabuco foi o maior porta­voz do abolicionismo parla­ mentar. Luís Gama teria sido vendido como escravo. do em Muritiba (BA). imediata e não mais com indenizações. José do Patrocínio foi a Entreincansável até os segundoso que antecederamde assinatura da Lei Áurea. o poema foi escrito quando ele tinha apenas 21 anos. Nasci­ luta pela de O navio negreiro. aos 10 anos. Depois de conhecer a Prince­ sa Isabel. Morreu em 1882. Da assinatura da Lei Eusébio de Queirós. o que provocou choque com os mais radicais. crítico e jurista. culminaram com a aceitação dos parlamentares pela abolição total dos ainda escra­ vos. Antônio Frederico de Castro Alves morreu aos 24 anos. ruy barbosa redigir Projeto Dan­ tas. de forma ilegal. Luís Gama e Castro Alves também não podem ser esquecidos nessa batalha. Monarquista. ele se declara o “mestiço de Ser­ gipe”. . fez de alguns de seus poemas armas para o combate à escravidão. cafés e jornais e. fez a apresentação pública. entregues aos seus próprios recursos”. publicou o poema A Escravidão. desde sua captura até a sua utilização desumana nos latifúndios. Iniciou sua carreira política como deputado na Bahia em 1878. sem que houvesse indenização aos proprietários. segunda-feira. morais. Foi aprovada então a Lei Saraiva­ Cotegipe. Ruy Barbosa também destaca­ se entre os defensores do abolicionismo. Um clássico. seis anos antes da assinatura da Lei Áurea. já se passaram 38 anos de intensa campanha abolicionista que se finda agora com a Lei Áurea. Grandes defensores da abolição Joaquim Nabuco iplomata. Desde os tempos de estudante participou ativamente nas campanhas de combate à escravidão e o faz por meio das associações abolicionistas. pelo seu pai. aos poucos. Em 1868. em Londres. da imprensa e da tribuna. boa par­ te da mão­de­obra escrava já foi substituída. a primeira fase do movimento pelo fim da escravidão. assim como Castro Alves. que diversas foi presa castro alves dos Escravos e da Liberdade” fez de seus versos palavras fortes na O“Poetaabolição da escravatura. reconhecendo o que alguns chamam de “o direito do homem sobre o homem”. o que mostra sua lu­ ta veemente pelo fim do trabalho servil. tornou­se muito cedo um articulista famoso. jurista. Mais tarde. políticas e eco­ nômicas. quando “os abolicionistas com­ bateram sós. livre todos os escravos com idade igual ou superior a 65 anos. política e econômica Campanha pelo fim da escravidão no país envolveu monarquistas e republicanos abolição da escravatura foi um processo secular resultante de mobilizações sociais – inclusive dos próprios negros –. em especial pela forte demanda da lavoura cafeeira. e Gonzaga Pinto era filho um fidalgo e da africana Oadvogadodejornalista Luísportuguêsvezes da Gama Luísa Maheu. mas nem todos os que lutaram pela li­ bertação dos escravos preferem a República. Publicou diversos artigos em jornais contra o trabalho servil. associa­ ções. historiador. conforme o interesse de cada pro­ víncia. Foi um símbolo do movimento pela abolição em São Paulo.

No Mara­ nhão. Na Paraíba. Os líderes negros de maior representatividade foram Ganga Zumba e seu sobri­ nho Zumbi. conforme o alvará. maus­tratos. por lhes forne­ cerem generos avariados e corruptos. determinava uma série de condutas. para evitar a trans­ missão de moléstias. em média. por isso. pelo número excessivo de escravos a bordo. Ainda no século 16. o que. Também deveria ter um livro de carga para fis­ calizar a lotação e a pro­ priedade dos escravos. Nos con­ frontos ocorridos.)” Segundo o alvará. entre 1624 e 1654. mulheres e cri­ anças nos navios que os transportavam da África para o Brasil. 29 CASA DO ALMEIDA FAZENDAS. navios de horrores No poema O navio negreiro. que se não pode encarar sem horror e indiganação manifestarem se enfermidades. Os regis­ tros indicam sua fundação em 1597. O século 18 foi de ex­ pansão dos grupos negros. que. Campos dos Goitacazes e Saquarema. esses mestres. Entre as providências. População de Palmares pode ter ultrapassado 20 mil pessoas As maiores comunidades de fugitivos de toda a Amé­ rica concentraram­se na região açucareira de Per­ nambuco e de Alagoas. Localizado na serra da Barriga. Foram mais de 18 as expedições realizadas até que se conseguisse aca­ bar definitivamente com o Quilombo de Palmares. e de fazer maiores ganhos.. no alvará de 24 de novembro daquele ano. Nos quase quatro séculos de escravi­ dão no Brasil. já havia acolhido e hospedado mais de mil fu­ gitivos. por volta de 1575. no transito dos portos africanos para os do Bra­ zil. Outros 281 foram presos. sobrecarregão os navios. por falta de curativo e conve­ niente tratamento. Subupira. Mas a expulsão dos holan­ deses do Nordeste brasileiro fez aumentar a necessida­ de de mão­de­obra para os engenhos e. “seduzidos pela fatal ambição de adquirir fretes. que lhes era imposto. Castro Alves relata os horrores que sofriam homens. quando a denominação mocambo foi substituída por quilombo. os primeiros registros são de 1625. com isso. as­ sim como dos alimentos. se formou o Quilom­ bo do Cumbe. as tropas atacaram grupos que se reuniam en­ tre os rios Gurupi e Turiaçu no início dos anos 1700. interferiram na rotina dos engenhos e. Os malês queriam o fim do catolicismo. No Rio de Janeiro. de 500 a 700 ne­ gros. mas até na qualidade. al­ vará de 24 de novembro de 1813. metro 600 réis 29 Alvará determinou “espaço aos cativos para se moverem e respirar” Para minimizar a situa­ ção cruel a que eram sub­ metidos os negros a bordo dos navios negreiros. asseio e ventila­ ção. que precisavam oferecer variedade e qualidade. comprimidos uns contra os outros . sem direito a defesa Em 1588 foi publicado regimento que estabelecia “punição exemplar” para os fugitivos. além de servirem de moradias. quando centenas de escravos africanos adep­ tos do Islã lutaram nas ruas de Salvador contra tropas de cavalaria e milícias. em média. A mortalidade dos escravos não poderia passar de 3%. assassinar os bran­ cos e confiscar seus bens e o direito de praticar o isla­ mismo. Vá­ rios núcleos de povoamento de negros fugitivos forma­ ram o Quilombo dos Pal­ mares. não só na quantidade. assim como nas ca­ pitanias do Espírito Santo e de Minas Gerais. espécie de acampamento militar e moradia dos negros de lín­ gua bantu da África Cen­ tral e Centro­Ocidental. determina a adoção de “humanitárias provi­ dências” contra “o trata­ mento duro e inhumano que. teriam de apre­ sentar condições de salu­ bridade. As capitanias de Sergipe e da Bahia foram tomadas por mocambos no início do século 17. Todos os navios negrei­ ros precisavam ter um “cirurgião­perito” e uma enfermaria aparelhada. morreram sete integrantes das tropas oficiais e 70 negros. as comunidades negras tam­ bém recebiam militares de­ sertores e índios. Na segunda metade do século 18. em 1813. Inicialmente eles se reu­ niram no que se chamou de mocambo. houve gran­ de enfrentamento de tropas do governo e perseguições determinadas pelos senho­ res dos escravos. de 25 a 27 de janeiro de 1835. as denúncias contra os quilombos sur­ gem no Rio Grande do Sul. Os navios. que con­ tavam com o trabalho dos capitães­do­mato. Outra forte ação negra aconteceu na Revolta dos Malês. eram submetidos a toda sorte de doenças. os mocambos surgiram em Cabo Frio. aju­ daram a fuga dos negros e a formação dos núcleos de povoamento do quilombo. A própria Princesa Isabel. Zona da Mata ala­ goana. As caravelas que saíam para o Brasil carregavam. MODAS E ARMARINHO RUA GONSALVES DIAS Grande sortimento de voile de pura lã.. Arranca­ dos da terra natal. segunda-feira. CASA DO ALMEIDA Nos porões dos navios. às vésperas de assinar a Lei Áurea. O O escravo que se insurgisse contra o trabalho servil e a repressão era violentamente punido. O quadro é também des­ crito. que podem haver mais em conta. deveria ha­ ver fiscalização sanitária da tripulação e dos escra­ vos. soffrem os negros. Muitos desses grupos fo­ ram desenvolvendo ao lon­ go dos anos relações com as comunidades locais. que pode ter abriga­ do mais de 20 mil pessoas por volta de 1670. che­ gando a tal extremo a bar­ baridade e sordida avareza de muitos dos mestres das embarcações que os con­ duzem (. combatido em 1731. que acabou as­ sassinado. não ocorria. os negros eram amontoados. de Dom João VI. 14 de maio de 1888 Resistência começou no século XVI Primeiros registros de escravos fugitivos são de 1575. os proprietários de terras e CASA DO ALMEIDA o governo colonial deram início a numerosas caçadas e ataques a Palmares para recapturar os fugitivos. re­ sultando de hum tão abo­ minavel trafico. Zumbi e Tabocas os prin­ cipais. O governo conseguiu im­ pedir os ataques aos quar­ téis de Salvador. Há regis­ tros de fugitivos em outras regiões da Floresta Ama­ zônica. o Império já recebia notícias da movi­ mentação de escravos fugi­ tivos na Bahia. estava a limitação do número de negros trans­ portados. o quilombo resistiu por mais de um século a fortes combates de tropas do governo colonial. Nas capitanias do Rio Negro e do Grão­Pará. As invasões holandesas no Brasil. sendo Macaco. eram princi­ palmente centros de resis­ tência e contribuíram para o fim do trabalho escravo no país. fome e frio na travessia do Atlântico. que. na Bahia s africanos escravi­ zados no Brasil não demoraram muito para dar início aos movi­ mentos de fuga e formação de acampamentos arma­ dos que. “dando­se aos cativos espaço para se moverem e respirar”. em 1691. em Mato Grosso e Goiás. por Dom João VI. mas o percentual chegava a 10%. faltando­lhes com alimen­ tos necessarios para a sub­ sistencia delles. por volta de 1710. No século seguin­ te. Navios negreiros.7 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. Além disso. não tardão a fazerem­se epide­ micas e mortais”. admitindo nel­ les muito maior numero de negros do que podem convenientemente conter.

João Ramos. José do Pa­ trocínio. O movimento con­ seguiu minar a força dos escravocratas. A grande festa da abo­ lição no Ceará reuniu a população da capital. que logo ções. A cidade comemorou em grande evento. na Praça Castro Carreira. para que se possa construir uma sociedade justa e igualitária. a Assem­ bléia Provincial autorizou o governo a despender 300 contos com alforrias. – Mossoró está livre: aqui não há mais escra­ vos!. que a Sociedade Cea­ Dias. No Rio de Janei­ ro. Bahia e Paraí­ ba. É mister que se estudem ain­ da outras formas de repara­ ção. um legítimo direito. que em sua primeira edi­ ção. a res­ ponsabilidade histórica de proclamar a extinção do trabalho escravo em todo o seu território. diversas cidades libertaram seus es­ cravos no ano passado. Açu li­ bertou seus escravos em 24 de junho de 1885. A mobiliza­ ção cresceu em meados de 1870. Pessoas simples. conferindo dig­ nidade ao indivíduo. como Amazonas. Natal não possuía mais escravos no início deste ano. é lícito prever que a pauta de de­ bates do Parlamento. Triunfo. mascates cês. em 1870. Neste momento em que o Brasil comemora a assina­ tura da Lei Áurea. O exemplo dessa cida­ de passou a ser seguido por comunidades do in­ terior da Província do Rio Grande do Norte. mas deve­se ter em vista que a reparação que precisa ser atribuída aos ex­escravos e sua gente não se confunde com qualquer tipo de dá­ vida. como o jogo da capoeira Mossoró se destaca como cidade pioneira A força do movimento abolicionista logo atingiu Mossoró. em 25 de maio de 1887. o Paraná também se engajou na luta. É possí­ vel até que essa discussão não tenha fim na próxima década e termine se esten­ dendo pelo século 20. funda­ da em 1870. Um grande desfile barbárie recua e a civiliza­ atravessou a cidade antiga. neste final do século 19. A criação de trabalho para os libertos é uma preocupação Não faltaram discursos de abolicionistas como Joa­ quim Nabuco. Ao longo da luta pela abo­ lição foram discutidas pro­ postas nesse sentido. na pequena Em meio às manifesta­ vila de Aracape. desde simples jangadeiros e donos de barcaças no Nordeste. Com esta brasileira estava prestes a atitude. como Manoel Roque. cidades como Porto de Cima já estavam livres da escravidão. os ex­escravos e seus descendentes. reforçando os movimentos que já come­ çavam a tomar corpo em outras partes do país. foi no interior victor Hugo da província. escritores e políticos que abraçaram a causa com entusiasmo. a luta contou com os nomes de José Mariano. já ocorriam alfor­ rias espontâneas em toda a província. Assim como ocorria no eta uma palavra de anima­ ção. deram grande força ao movimen­ to que começou a se articu­ lar em 1870. nha se dado na cidade de Fortaleza. segunda-feira. de alguma forma. enviou carta ao sua posição: “No porto do escritor Victor Hugo comu­ Ceará não se embarcam nicando que uma província mais escravos!”. Em São Paulo. banimento da escravidão os jangadeiros firmaram no Ceará. que se encon­ do Nascimento. A 24 de abril de 1884. No Rio Grande do Sul. e personalidades. eles conseguiram ser considerada liberta do de fato abolir o tráfico de cativeiro. Na Província da Bahia. logo a seguir. o movimento co­ memorou a libertação da capital em 1884. Sátiro de Oliveira ção. Naque­ la ocasião. por representar. A iniciati­ va pioneira repercutiu in­ tensamente na Corte e nas províncias. No final de 1887. que abraçou a causa com entusiasmo – especialmente a Loja Maçônica 24 de Junho. Joaquim Bezerra da Costa Mendes. cumpriu pa­ pel decisivo na campanha libertadora na Província do Amazonas. As barcaças pernambucanas também apoiaram a fuga de escra­ vos. Nesse ano. em 1889. em 3º de março de 1887. o fim do cati­ veiro foi proclamado em dezembro. Na Província cearense. um conselho. que decidiu não mais publicar anúncios de fuga.8 Jornal do Senado Uma reconstituição histórica Rio de Janeiro. o fim da escravidão foi pro­ clamado há quatro anos. na resposta a Patro­ ajudavam na distribuição cínio. Os negros mantiveram tradições do continente africano. compra e venda de escra­ vos. No Piauí. Em Pernambuco. como oportunidade de emprego na cidade e acesso à educação. desde a Rua 1º de Março Embora a luta final te­ até o passeio público. A 24 de maio foi reconhecido oficialmente que Manaus não tinha mais escravos. Os jangadeiros também nome e pela vontade desse mesmo povo. a idéia de libertação dos es­ cravos foi aos poucos se ir­ radiando para o interior do Brasil. que se recusa­ vam a participar do trans­ porte de cativos. A grande dívida para com os escravos libertos deve ser saldada. 14 de maio de 1888 Ceará acabou com a escravidão há 4 anos Medida repercutiu intensamente na Corte e estimulou o abolicionismo em outras províncias as duas últimas dé­ cadas. o jornalista David Moreira Caldas iniciou ardorosa campanha abolicionista pela imprensa. e que não foram contempladas com nenhum tipo de com­ pensação. N caram. em especial em áreas onde a lavoura cafeeira se expandiu. O abolicionista José do do à frente Francisco José Patrocínio. Luís Gama e Ruy Barbosa defendendo a ne­ cessidade de oferecer opor­ tunidades para integrar os ex­escravos à sociedade. o movimento chegou a causar conflitos. Gomes de Matos e outros que criaram o Clube do Cupim. no dia 25 de março de 1884. mas nos meses que antece­ deram a assinatura da Lei Áurea a escravidão estava quase extinta em toda a província. ten­ mais escravos”. houve embates violen­ tos. negro e operário. ou seja. fundando o jornal Oitenta e Nove. o movimento ganhou a ade­ são da imprensa de Salva­ dor. considerou “grande dos panfletos a favor da novidade” o gesto dos ce­ abolição. Ele pedia ao po­ escravos na província. motivando vários segmentos da sociedade. Em 27 de janeiro de 1881. e. Ca­ nhões da Fortaleza de Nos­ sa Senhora de Assunção reboaram e os sinos repi­ Reparação aos ex-escravos precisa ser discutida que envolve as conseqüên­ cias de um processo que era inevitável diante de sé­ culos de domínio sobre as populações negras. em relação às demais pro­ víncias. a luta pela abolição visse de encorajamento ao agregou não apenas figuras Imperador Dom Pedro 2°. Militares recusavam­se a perseguir campanha pela abolição. O grande pensador fran­ escravos fugidos. ção avança”. no dia 30 de setembro de 1883. o presidente da Pro­ depois se chamaria Reden­ víncia. de 1º de fevereiro de 1873. a de­ sapropriação de terras não exploradas e o desenvol­ vimento da agricultura. o fim da escravidão. o líder da So­ ciedade Libertadora Mos­ soroense. fez uma declaração histórica. poetas. Em Goiás. Com um número menor de escravos. a jorna­ listas. como a criação de colônias agrí­ colas para os libertos. declarou em tom so­ rense Libertadora liderou a lene: “Para a glória imor­ primeira grande campanha tal do povo cearense e em pela abolição. que ser­ Ceará. Em razão disso. ferroviários es­ arenses e reforçou que com condiam negros nos trens a iniciativa libertadora “a ajudando­os nas fugas. proclamo ao tiveram papel decisivo no país e ao mundo que a pro­ processo cearense de abo­ víncia do Ceará não possui lição da escravatura. O Ceará assumiu. alguns abolicionistas colocam em foco a preocupação diante do quadro ainda nebuloso Movimento abolicionista se espalhou pelas províncias A Sociedade Emancipa­ dora Amazonense. e antes da lei. de expressão nas provín­ no sentido de engajar­se na cias e na Corte. como Castro Alves. . isto sim. um grupo de parlamentares lançou campanha pela abolição da escravatura. conhecido trava em Paris dias antes do como “Dragão do Mar”. “profetizou” a pro­ clamação da república brasileira no centenário da Revolução Francesa. no próximo ano. Em São Carlos. deverá incluir propostas visan­ do contemplar. de­ pois Carnaúba.

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