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Análise Doze homens e uma sentença-1

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Published by: Marcelo Romeu Dalpino on Nov 12, 2011
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O NÃO-DITO NA LIDERANÇA: UMA OLHAR CRÍTICO ACERCA DA INTELIGÊNCIA PRÁTICA E COMPETÊNCIA EMOCIONAL

Debora Regina Tineo Marcelo Romeu Dalpino

O filósofo grego Aristóteles defendia a existência de um único mundo: este em que vivemos e afirmava: “A dúvida é o princípio da sabedoria” e “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”.1 Tais afirmações nos levam à reflexão acerca da Inteligência Prática e Competência Emocional, à luz das leituras dos textos de Sternberg (1998) “Inteligência Prática e o seu Desenvolvimento”, Cerniss (2002) “Competência Social e Emocional no Local de Trabalho” e por meio da análise fílmica de (1957) “Doze homens e uma sentença” 1. INTELIGÊNCIA PRÁTICA Sternberg (1998) afirmou que a inteligência prática, aquilo que a maioria entende por senso comum, pode ser perspectivada como uma aptidão que se desenvolve no tempo à medida que os indivíduos constroem os seus “depósitos” de conhecimentos e capacidades exigidas para dominar áreas específicas. De acordo com o autor, os estudos de inteligência e do seu desenvolvimento durante a idade adulta, nos últimos anos, têm apresentado uma tendência a enfocar os seus aspectos práticos. Trata-se da inteligência aplicada na vida cotidiana, na adaptação, transformação e seleção de ambientes. Desta forma, dentro do domínio da inteligência prática, estão a capacidade de resolução de problemas práticos, a inteligência pragmática e a inteligência cotidiana. Trazendo esta teoria para o filme Doze Homens e uma Sentença, notase claramente a inteligência prática sendo aplicada pelo personagem de Henry Fonda (jurado 8), quando não convicto da culpa do réu, vota pela sua

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PERELMAN, Chaïm e OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação. Tradução de Maria Ermantina

Galvão G. PEREIRA. São Paulo: Martins Fontes, 1996 .

reconhece quando elas tornam perniciosas e têm a capacidade de manejá-la de maneira a minimizar o dano. interpretado por Henry Fonda cumpre sua obrigação moral de ajudar aos demais a tomarem uma decisão responsável e racional. esse jurado começa a explicar quais são os pontos duvidosos. converge no exercício da liderança. analisando todas as possibilidades. Demonstra um enorme poder de persuasão e senso prático frente às argumentações. Durante a discussão. a velhice. pois está lidando com a vida de um jovem de dezoito anos. Uma cena especialmente tocante é quando o jurado 10 começa a „argumentar‟. os preconceitos dos jurados vêm à tona: contra a pobreza. colocando seus pontos baseados em argumentos do cotidiano. estimulando os demais a refletirem sobre a decisão tomada. Com isto o debate se instaura entre os doze jurados de forma calorosa. Isto faz com que tenha dúvidas em sua escolha. que poderá morrer se ele fizer a escolha errada. os imigrantes. que começa a abalar a certeza dos demais jurados. COMPETÊNCIA EMOCIONAL – LIDERANÇA Cherniss (2002). o líder emocionalmente inteligente é ciente dessas influências. mas também não tem certeza da inocência. A inteligência emocional do líder de um grupo terá um impacto poderoso sobre o clima e a eficácia do grupo e que os grupos também têm um impacto poderoso em seus líderes. ou apenas o ignoram. aborda que a inteligência emocional nos níveis individuais e de grupo ou organizacional. enquanto os outros jurados levantam e lhe dão as costas. destilando preconceitos de todo tipo. e eles se dão conta dos próprios preconceitos e percebem as contradições de seus argumentos e começam a rever suas opiniões. porém. 2. .absolvição. quebrando então a unanimidade necessária para condená-lo. que o impedem de tomar a decisão fatal. Esse homem (representado por Henry Fonda) não está convencido da culpa. Os líderes emocionalmente inteligentes entendem a dinâmica do grupo. O protagonista. baseada em fatos concretos. intergrupo e organizacional. Questionado pelos demais jurados sobre a escolha de inocentar o réu. A argumentação é de tal maneira lógica e convincente.

conduzindo o grupo à reflexão com o argumento de que mesmo não tendo certeza da verdade. 1998). dividindo suas preocupações com o grupo. utilizando suas competências sociais e emocionais e multiculturais. Nas cenas finais. Mantendo-se firme em sua posição. bem como seu poder de persuasão. em seu discurso. apenas um dos jurados mantinha a posição de culpado e trata-se de um senhor que na via o filho há muito tempo. ele mencionava que existia uma dúvida e que nenhum júri poderia declarar um homem culpado a menos que tivessem certeza. quase 90% das competências necessárias para o sucesso são de natureza social e emocional (Goleman.particularmente no sentido de que ela afeta o funcionamento emocional. Este foi convencido pelo personagem de Henry Fonda que através da condenação do rapaz mexicano. Na liderança do grupo. além de serem habilidosos para trabalhar com essa dinâmica em benefício dos indivíduos e de sua organização. o que mostra que a competência emocional demonstrada pelo personagem de Henry Fonda foi fundamental na condução e liderança deste grupo. revejam algumas provas. O filme termina com os doze jurados dando o veredicto de inocente para o réu. faz com que aos poucos os membros do grupo discutam sobre as provas e testemunhas. expondo seus argumentos para que chegassem à conclusão juntos. o jurado estava procurando condenar o filho e ele aos prantos muda a sua decisão para não culpado. CONSIDERAÇÕES FINAIS . era importante discutirem pois tinham a vida do réu em suas mãos e uma decisão precipitada poderia condená-lo injustamente ou libertar um culpado. reflitam sobre suas visões preconceituosas e principalmente que tomem consciência da responsabilidade das suas decisões. A autora também menciona que em posições de liderança. o personagem de Henry Fonda. Muitas vezes.

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