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ASSENTAMENTOS E PERMACULTURA

ASSENTAMENTOS E PERMACULTURA

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  • 1.1. Contextualização do Tema
  • 1.2.1. Objetivo Geral
  • 1.2.2. Objetivos Específicos
  • 1.3. Justificativa e Relevância
  • 1.4. Contribuição Científica da Pesquisa
  • 1.5. Delimitação da Pesquisa
  • 1.6. Estrutura do Trabalho
  • 2. REVISÃO DA LITERATURA
  • 2.1. Desenvolvimento e Natureza
  • 2.1.1. Homem X Natureza
  • 2.1.2. O Crescimento Populacional
  • 2.1.3. Desenvolvimento e Uso de Recursos Naturais
  • 2.2. Evolução Histórica da Urbanização
  • 2.2.1. Da Aldeia para a Cidade
  • Quadro 1. Resumo das Etapas Evolutivas da Sociedade Urbanizada
  • 2.2.3. História Recente da Urbanização no Brasil
  • 2.2.4. Agenda 21 Brasileira
  • 2.2.5. Plano Diretor e o Estatuto da Cidade
  • 2.2.6. Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente
  • 2.2.7. O Impacto da Construção da Habitação
  • 2.3. Assentamentos Humanos Sustentáveis
  • 2.3.1. Um Breve Estudo Sobre as Comunidades Intencionais
  • 2.3.2 Sustentabilidade e as Comunidades
  • 2.4. Permacultura
  • 2.4.1. Origem Histórica e Conceito
  • 2.4.2. Princípios Éticos
  • Figura 1. Reciclagem de Energia em uma Árvore de Maçã
  • 2.4.4. A Residência e a Zona Um
  • 2.5. Construção Sustentável
  • 2.5.1. O Caminho da Sustentabilidade na Construção Civil e a
  • 2.5.2. Princípios para Projeto e Planejamento Ambiental
  • Construção Sustentável
  • 2.5.4. A Construção Sustentável para o Brasil
  • 2.5.5. Arquitetura Bioclimática
  • 3.1. Caracterização da Pesquisa
  • 3.2. Fluxograma e Diagrama das Etapas da Pesquisa
  • Quadro 5. Diagrama das Etapas da Pesquisa
  • 3.3. Coleta de Dados
  • 3.4. Caracterização do Objeto de Estudo
  • 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
  • 4.1.1. Características Regionais (Macro-região)
  • 4.1.2. Características Regionais (Micro-região):
  • 4.1.3. Características do Local
  • Figura 3. Levantamento das Características do Local de Estudo
  • para a Construção e Uso Sustentável de Residências
  • 4.2.1. Implantação
  • 4.2.2. Gestão da Energia
  • 4.2.3. Gestão das Águas
  • 4.2.4. Gestão do Esgoto
  • 4.2.5. Gestão dos Materiais de Construção
  • 4.2.6. Gestão de Resíduos no Uso da Habitação
  • 4.2.7. Produção Local de Alimento
  • 4.2.8. Participação dos Futuros Usuários
  • 4.2.9. Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais
  • Quadro 6: Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais
  • 4.4.2. Memorial Descritivo
  • Figura 4. Fundação de Superadobe
  • Figuras 6 e 7 Sistema Autoportante de Tijolos de Terra Crua (adobe)
  • Figura 8. Estrutura de Madeira
  • Figura 11. Esquadrias em Chapas de Madeira de Lei Reutilizadas
  • Figura 14. Trabalhando com Ferrocimento
  • Figura 15. Esquema de uma Bacia de Evapotranspiração
  • Figura 16. Novo Círculo de Bananeiras
  • 5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
  • 5.1. Conclusões da Pesquisa
  • 5.2. Considerações Finais
  • 5.3. Recomendações para Trabalhos Futuros

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

RENATO FÁVERO KRZYZANOWSKI

NOVAS TECNOLOGIAS EM ASSENTAMENTOS HUMANOS: A PERMACULTURA COMO PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO DE UNIDADES UNIFAMILIARES EM FLORIANÓPOLIS

ORIENTADOR: PROF. DR. ALEXANDRE DE ÁVILA LERÍPIO

Florianópolis 2005

ii

RENATO FÁVERO KRZYZANOWSKI

NOVAS TECNOLOGIAS EM ASSENTAMENTOS HUMANOS: A PERMACULTURA COMO PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO DE UNIDADES UNIFAMILIARES EM FLORIANÓPOLIS

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Engenharia de Produção Orientador: Prof. Dr. Alexandre de Ávila Lerípio

Florianópolis 2005

iii

RENATO FÁVERO KRZYZANOWSKI

NOVAS TECNOLOGIAS EM ASSENTAMENTOS HUMANOS: A PERMACULTURA COMO PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO DE UNIDADES UNIFAMILIARES EM FLORIANÓPOLIS

Esta dissertação foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina

Florianópolis, 13 de outubro de 2005

____________________________ Prof. Edson Pacheco Paladini, Dr. Coordenador do Programa

BANCA EXAMINADORA

________________________________ Prof. Alexandre Lerípio, Dr. Universidade Federal de Santa Catarina Orientador

________________________________ Profª Dra. Alina Gonçalves Santiago Universidade Federal de Santa Catarina

________________________________ Profª. Dra. Alessandra Schmitt Universidade Regional de Blumenau

. de cooperação. E à minha filha.iv Dedico a todas as pessoas que. mais justo e fraterno. com Amor Universal. contribuem para um mundo melhor. na esperança de ter deixado uma pequena luz para seu caminho de evolução. Verdade e Determinação.

por me apoiarem em todos os momentos dessa caminhada. Ao professor e amigo Alexandre Lerípio. profissionalismo disponibilidade e paciência ao desempenhar o papel de orientador neste trabalho. por seus conhecimentos. fé e perseverança em aceitar o desafio de participar do curso e concluí-lo com saúde. mãe e querida avó. À Ines e Isabela. A todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para a elaboração deste trabalho. Universidade Federal de Santa Catarina pela acolhida e oportunidade.v AGRADECIMENTOS A Deus em primeiro lugar pelos dons da coragem. carinho e compreensão pela minha ausência em muitos momentos durante as atividades. na certeza de que o amor de vocês esta presente em todas as realizações de minha vida e pelo incentivo. . amor. Ao meu pai.

vi Quando nossas almas souberem tanger com perfeição esse instrumento desconhecido. a arquitetura de nossas vilas obedecerá aos padrões poetamatemáticos da vida. . reflexos das dimensões maiores de nossas almas. Eni Gonçalves Ge. de duas cordas: a Mente e o Coração. Vivas serão nossas construções.

........... 1.........................................................................................................................................1..........................................04 Contribuição Científica da Pesquisa.....14 2...17 Da Aldeia para a Cidade.........................2.....11 2..........3......47 2............................. 2........................................................................................27 Agenda 21 Brasileira................................................................................45 Assentamentos Humanos Sustentáveis..............1................51 ...........................2.....3..........................07 REVISÃO DA LITERATURA........................... 2................. 2.... Um Breve Estudo Sobre as Comunidades Intencionais........1.....2...... INTRODUÇÃO......48 2............3..............xii Abstract.............. Homem X Natureza...........1.......31 Plano Diretor e o Estatuto da Cidade.........01 Contextualização do Tema...... 2.....................................................................vii SUMÁRIO Lista de Figuras.....09 2.............................................2.......... p.......1...........................................................03 Objetivos Específicos.................5...................................6...... 2.xi Resumo... 2...03 Objetivo Geral.............................................. 2.............................................3...............................2...........5... 1...................... Desenvolvimento e Uso de Recursos Naturais............................................6................................................... 1....06 Estrutura do Trabalho ................................................ O Crescimento Populacional..................................................................................................................................................................................................1..........................................................2..........................24 História Recente da Urbanização no Brasil................. p..... 1............................1.... Sustentabilidade e as Comunidades ..........03 Justificativa e Relevância.................................................................2........2..........7.2........3.........................2......................................................... 2..2.. 1....................06 Delimitação da pesquisa.3..x Lista de Tabelas................. 1......... Evolução Histórica da Urbanização.... p...............................1............1.............. 1.......................2......2.......... 1.....17 Equilíbrio. 2..............xiii 1.......................4...09 Desenvolvimento e Natureza....2.................. p.2............36 Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente............09 2..................................01 Objetivos....41 O Impacto da Construção da Habitação ........... 2.....................................4............................................................

...................... 4....89 Características do Local...................................53 ...........................................................1. 2...............101 Gestão dos Materiais de Construção..........4.2................. 4...........53 Princípios Éticos....... 4.......... Permacultura...............2.........85 RESULTADOS E DISCUSSÃO........62 O Caminho da Sustentabilidade na Construção Civil e a Bioconstrução........................... 3..............86 Características Regionais (Micro-região).2..3................102 Gestão de Resíduos no Uso da Habitação...................69 A Construção Sustentável para o Brasil................................................5.2........................................4...........................100 Gestão do Esgoto. Definição e Princípios…............................................ 3.........................4...............63 Princípios para Projeto e Planejamento Ambiental.....................60 Construção Sustentável................................... 2.... Origem Histórica e Conceito...........3......................1.6.........1 4.....5......2.....................5.............................................55 O Design de Permacultura.......4.....................3......... 4......................................70 Arquitetura Bioclimática.....................2......1..........2.............................................1................... 4.... 2.................. 2. 2.... 3....................4 2.. 4................................86 Características Regionais (Macro-região)....................... 4...............3..7..................... 3.................................................5.... 2...................5...2.56 A Residência e a Zona Um.....................80 Caracterização da Pesquisa........103 2...............4..................................1.............................................................................. 3..... 4.....................................6...viii 2....................................................................5..2.................................................98 Gestão da Energia..... 2................... 4....4.... 2........................... 2........2........................................1.....................................97 Implantação.....................................80 Fluxograma e Diagrama das Etapas da Pesquisa..............................1.....4.......................2.......................4...................................99 Gestão das Águas .......................3..............................5......... 4...82 Coleta de Dados....2.......................94 Diretrizes e Ações Adicionais ao Plano Diretor Vigente para a Construção e Uso Sustentável de Residências Unifamiliares..103 Produção Local de Alimento..... 4..5.....74 Síntese...2.................................84 Caracterização Do Objeto de Estudo............................................5....................65 Aspectos a serem Considerados Globalmente no Design para a Construção Sustentável........75 METODOLOGIA...............86 Dados Coletados...............................1..................... 4................................................................

............8.......................................104 Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais...............2. 6...... 7........4....ix 4.....................3................3....2....................131 Considerações Finais........ com a aplicação dos parâmetros permaculturais de planejamento da ocupação e projeto de residência unifamiliar............1............................................. 5............... 4...........................................9...133 REFERÊNCIAS....115 Análise das reduções dos impactos à nível local e global..............2....................... 4............................................ Participação dos Futuros Usuários....................................124 5......133 Recomendações para Trabalhos Futuros........ Estudo da Interação Bioclimática e Memorial Descritivo..............112 Projeto Residencial....................................................112 Memorial Descritivo....................106 Projeto e Análise............................. 5......................... 4.........................4.. 4................................................................................. 4....4.......131 Conclusões da Pesquisa........................... 5...3...............104 Lista de Verificação para Projetos Residenciais sob a Perspectiva da Permacultura para a Região Litoral Sul do Brasil.................1..2...4...141 ............... 4....... CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES......136 APÊNDICES..................................................................

.............................. Figura 3 Figura 4 Figura 5 Reciclagem de Energia em uma Árvore de Maçã......................................................57 Detalhe da Zona Um da Permacultura.............114 Figuras 6 e 7..........................122 Cisterna de Ferrocimento para Armazenamento de Água de Chuva.......................................................................115 Fundação de Pedra..............119 Trabalhando com Ferrocimento...........................123 ............................................................................x LISTA DE FIGURAS Figura 1........................... Figura 9 Figura 10 Figura 11 Figura 12.......................................................................... Figura 14.........................122 Figuras 18 Figuras 19 Serpentina para Aquecimento de Água ......................62 Levantamento das Características do Local de Estudo...118 Telha ondulada reciclada de embalagens ............................121 Novo Círculo de Bananeiras...........119 OSB como Forro Base.............................. Figura 13...................................120 Esquema de uma Bacia de Evapotranspiração................................................ Figura 15 Figura 16 Figura 17: Estrutura de Madeira......117 Reboco Externo 1ª demão......................................................... Figura 2..118 Reboco Externo Finalizado.........................118 Esquadrias em Chapas de Madeira de Lei Reutilizadas.........117 Figura 8......................123 Tanque Acumulador........................................... Sistema Autoportante de Tijolos de Terra Crua (adobe)..............96 Fundação de Superadobe................................................................

................. O Impacto Ambiental Das Edificações Segundo a Escala de sua Incidência...... Comparativo entre Comunidades Alternativas dos Anos 60-70 e as Comunidades Intencionais Contemporâneas................. Relação entre Desenvolvimento do Trabalho e Atendimento dos Objetivos Específicos................................................................................................................47 Quadro 4............ Alguns Exemplos de Alterações Ambientais Decorrentes de Empreendimento Habitacional...................... Análise dos Parâmetros Permaculturais de Planejamento.........24 Quadro 2..xi LISTA DE QUADROS Quadro 1................................132 ....................................46 Quadro 3....... Diagrama das Etapas da Pesquisa...................... Resumo das Etapas Evolutivas da Sociedade Urbanizada....................... Segundo o Segmento Considerado..........83 Quadro 6: Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais...124 Quadro 8....105 Quadro 7..............49-50 Quadro 5.........

materiais de construção e resíduos gerados diariamente. Renato Fávero. NOVAS TECNOLOGIAS EM ASSENTAMENTOS HUMANOS: A PERMACULTURA COMO PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO DE UNIDADES UNIFAMILIARES EM FLORIANÓPOLIS. desenvolveu-se uma aplicação teórica: uma proposta de ocupação e uso do solo. são de extrema importância. com o uso a que propõe esta ferramenta . A partir dos levantamentos bibliográficos sobre permacultura . Ao se estudar a história das cidades. foram geradas diretrizes de sustentabilidade.xii Resumo KRZYZANOWSKI. bioconstrução. com significativo grau de autosuficiência e baixo impacto no ambiente. permacultura. quase inexistentes nos modelos da atual sociedade. Perante essa situação. Fundamentando-se nestes princípios. energia. assim como. as cidades e seu entorno se tornaram dependentes de fontes. Definida esta proposta. da ocupação. os estudos e o desenvolvimento de comunidades sustentáveis atuais. para tornar as urbes insustentáveis em questões básicas como água. para seu design ecológico. destinado à ocupação de lotes residenciais na região. 133f. Para isto. para o seu abastecimento. em região de forte pressão expansionista e importante foco de desenvolvimento na cidade de Florianópolis. verificando-se. partiu-se para a análise da redução nos impactos. pois. comunidades sustentáveis. ecológicos. local e global. por todo o planeta. cada vez mais distantes. nota-se que a atual crise de sustentabilidade nos assentamentos humanos.mais especificamente. de dominação sobre a natureza e. Florianópolis. Palavras-chave: desenvolvimento sustentável. satisfazendo a necessidade humana de viver numa sociedade com conteúdos sociais. este trabalho parte da premissa de que. as possibilidades de se minimizar seus impactos negativos e/ou maximizarem alterações positivas. como exemplos a serem seguidos e replicados nas cidades. UFSC. contribuindo ainda. em lote residencial padrão de 450 metros quadrados. até mesmo. que utilizam a permacultura como ferramenta. assim. ou. buscando um planejamento integrado. se faz necessária uma revisão do planejamento fragmentado das urbes.a permacultura proporcionando condições para a utilização de um instrumento auxiliar no planejamento ambiental. para apoio a projetos arquitetônicos. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção. sobre a construção sustentável e bioconstrução . 2005. alimento. levando seus habitantes a um sentimento de desconexão. além de gerar um elevado grau de auto-suficiência. Estes são fatos que transformaram as cidades e seu entorno. econômicos e espirituais. pode ter sido gerada por uma sucessão de escolhas políticas feitas ao longo do tempo. em conjunto com o desenvolvimento tecnológico e suas conseqüências no período. .e levando-se em consideração os dados referentes à região e ao local do estudo realizado. elaborado um check-list.

building materials and waste generated daily. Concerning history of cities.xiii Abstract KRZYZANOWSKI. some studies carried out as well as current sustainable community development using permaculture as a tool for ecological design are extremely important examples to be followed up and repeated in cities. including the possibilities of minimizing negative impacts and/or maximizing positive alterations. Keywords: sustainable permaculture. a checklist aimed to support architecture projects accordingly was prepared. because they would contribute as auxiliary instruments for environmental planning aimed at lots occupation for home building in the region. development. taking into account that villages and their environment have become dependent on supply sources each time more distant. sustainable communities. it has been observed that the present crisis on human settlements sustainability throughout the planet may have been generated by a succession of political choices carried out along time. Based on these principles. They have also contributed to make urbs unsustainable in basic questions such as water. Dissertation (Master in Production Engineering) – Post-graduation program in Production Engineering. Considering this situation. ecological. the possibilities of local or global occupational impacts reduction were analyzed. 2005. NEW TECNOLOGIES IN HUMAN SETTLEMENTS: THE PERMACULTURE AS A PROPOSAL FOR UNIFAMILIAR UNITY PLANNINGS IN FLORIANÓPOLIS. Also. These are facts that have transformed villages and their environment as well as have lead their inhabitants to a feeling of disconnection or even though of domination over nature. . the generation of a high level of self-sufficiency with the use of permaculture tools was considered. economic and spiritual contents almost inexistent in present-day society models. also. biobuilding. In compliance with this proposal. food. Information obtained from literature search about permaculture – more specifically about sustainable building and biobuilding as well as data concerning the region and place in which this study was carried out have enabled to generate sustainability guidelines. Florianópolis. Renato Fávero. As a consequence human living would be much more satisfactory in a society with social. a theoretical application was worked out in this study toward a proposal about soil occupation and use of 450m² pattern lots for home building in a region of Florianopolis village recognized as an important focus of development with a strong pressure for expansion. together with technological development and their consequences in a period of time. 133 pages. energy. this dissertation premise is that villages fragmented planning should be revised and a search for an integrated planning with significant level of self-sufficiency and low-impact in the environment should be carried out. UFSC. For this purpose.

sem negar a tecnologia existente. Estes grupos estão tratando de criar pequenas comunidades sustentáveis que satisfaçam os requerimentos da nova sociedade. Contextualização do Tema Observa-se na Agenda Habitat. sem retirar da Terra mais do que se pode devolver. essa situação. satisfazendo a necessidade . criada por ocasião da Segunda Conferência Global para os Assentamentos Humanos – Habitat II. mas que considere esta como ferramenta e não como “religião”. Alcançando elevada qualidade de vida. que os assentamentos humanos em todo o mundo estão em crise e que as atuais condições destes assentamentos são vistas. Em geral. Possivelmente.1 1 – INTRODUÇÃO 1. faz parte de um contexto maior. Habitat I e II de ’76 e ’96 de que se deve aprender a viver de maneira sustentável. apontando para crise do modelo de desenvolvimento social contemporâneo. e nas Conferências Sobre Assentamentos Humanos. a resposta a esta crise vem do aumento crescente de grupos ao redor do planeta. que estão focados em como viver suas próprias vidas nesta nova sociedade sustentável. os limites do crescimento. realizada em junho de 1996. neste momento. para que a humanidade possa sobreviver como espécie. na cidade de Istambul. RIO’92. com grande preocupação.1. Existe um consenso crescente refletido no Relatório Brundtland. que faz com que a relação do homem com o planeta experimente. pelos governos e seus associados no Programa Habitat. AGENDA 21.

pode ser construído o problema da pesquisa que. desde que possam ser reproduzidos.2 humana de viver numa sociedade com conteúdo social. (como nos mostram os dados da Global Ecovillages Network. A crise dos assentamentos humanos pode ser traduzida como um desafio enorme para todo o planeta e exigirá ações em muitos níveis. proporcionalmente poucos exemplos. um modelo social de comunidades sustentáveis. ecológico e espiritual. quase inexistente no principal modelo de nossa sociedade atual. em sua maioria sem nenhum apoio oficial e. Com base nestes dados. no planeta. oportuniza o desafio de identificar e reunir adequadas formas e técnicas de planejamento de assentamentos humanos dentro de critérios sustentáveis. culturas e climas. considerando a permacultura como ferramenta para este objetivo? . em quase todos os casos. Esta busca está ocorrendo em vários países. por gente de pouco recurso pessoal. razão principal da lentidão do avanço da comunidade humana em direção à sustentabilidade. O desenvolvimento de exemplos eficientes. é necessário para que se alcance. porém com alto grau ideológico e muita dedicação ao objetivo estabelecido. que serão comentados ao longo da pesquisa. no atual estágio de conhecimento e tecnologia disponíveis. No entanto. De acordo com o objetivo. em diferentes versões. que atua em todos os continentes). existem hoje. estabeleceu-se a seguinte pergunta de pesquisa: Quais os fatores que orientam o planejamento de assentamentos humanos sustentáveis. pela escassez de informações disponíveis.

sob a ótica da sustentabilidade em assentamentos humanos. Objetivos Específicos Foram estabelecidos os seguintes objetivos específicos para o trabalho: • Desenvolver e propor diretrizes e ações que auxiliem no planejamento de Assentamentos Humanos que buscam a sustentabilidade. Objetivo Geral O objetivo geral do presente trabalho consiste em pesquisar e propor alternativas viáveis de tecnologias sustentáveis para serem implementadas no planejamento de assentamentos humanos sustentáveis.2. através dos quais se pretende atingir o objetivo geral.2. com ênfase na residência e nos equipamentos do seu entorno. 1.1. em um lote residencial padrão de Florianópolis.2. • Apresentar uma proposta de ocupação territorial e anteprojeto arquitetônico de uma residência e de seu entorno.3 1. . 1.2. Objetivos Neste tópico é apresentado o objetivo geral a que se propõe este trabalho e os objetivos específicos envolvidos.

.4 • Realizar uma avaliação da proposta na aplicação das diretrizes permaculturais com correspondentes ações e lista de checagem. 1. execução e ocupação da zona um da Permacultura. os atuais assentamentos humanos: “são importantes geradores de contaminação. mas se reflete na vida de seus habitantes [. . lixo. mas o inadequado manejo e aplicação dos conceitos de planejamento e projeto”.3. Pouco se tem feito para minimizar o impacto que geram como erosão.. 2001).]”. “a sustentabilidade urbana é considerada um dos maiores desafios ambientais atuais. inundações. assim como a falta de organização e consciência das comunidades. através da análise das conseqüências esperadas em nível local e global e em processos de planejamento. sendo amplamente reconhecido que o acúmulo de problemas ambientais não afeta somente a produtividade das cidades. para assumir atitudes compatíveis em relação às necessidades com as quais se defrontam. Para Maglio (apud BRITO et al. Com a falência das sociedades urbanas complexas em todas as partes do mundo. A questão não tem sido somente de falta de recursos materiais ou financeiros. as comunidades locais têm de procurar cada vez mais restaurar a noção de identidade e participação. Justificativa e Relevância Segundo Zepeda (1994). contaminação das águas e destruição da fauna e flora.

em ambos os sentidos. e que prima por discriminar. ou. o conceito proposto não admite o isolamento em relação ao contexto socio-cultural dominante. A partir destas questões. sobre assentamentos humanos sustentáveis. artísticos. sistemas de compreensão e entendimento. encontrando assim os fundamentos socioculturais. este trabalho propõe expor contribuições que ajudem no desenvolvimento de “laboratórios sociais”. “fechada em si mesma. numa perceptiva holística. a quê chegaríamos?” (DE PAULA. marcada pela idéia do Ter e não do Ser. produtivos e estéticos de uma nova civilização para a humanidade . as trocas a serem vivenciadas sempre em benefício de ambas as partes. com vistas a explorar . De Paula (2004a) faz o seguinte questionamento: “Se reunirmos as questões essenciais que queremos ver resolvidas em nossas vidas e em nossas comunidades. científicos. fenômenos e realidades diferentes daqueles que se encontram na base de seu próprio modelo e suas explicações de mundo e realidade”. concretizável em torno de uma década. Na visão de De Paula (2004a). com a hipótese de que a presente crise da civilização é de “percepção”.5 Buscando soluções viáveis para a sustentabilidade dos assentamentos humanos. tecnológicos. tão abrangente quanto possível. pelo contrário. 2004a) Segundo o autor. numa experiência de síntese. e que seja capaz de sensibilizar eventualmente muitas pessoas conscientes. espirituais. integra em suas práticas de gestão princípios que permitam filtrar. estigmatizar e segregar sistemas de conhecimento. pela fragmentação e dispersão da humanidade através de uma cultura unidimensional. podem facilitar o desenvolvimento da percepção sobre as questões fundamentais da atual situação planetária. arquitetônicos. pequenos assentamentos sustentáveis interligados.

tanto na forma de levantamento de dados da situação focada. estabelecem-se as fronteiras dos pontos a serem abordados. saúde. ou seja.4. suprindo as necessidades básicas da vida como: alimento. cuida-se de parte dessa realidade apenas. comunicação. Delimitação da Pesquisa. as necessidades oferecidas por uma alternativa a mais. quanto na geração de procedimentos. 1.5. . assim. que visam atingir soluções ainda não suficientemente desenvolvidas e divulgadas para o planejamento visando a sustentabilidade de assentamentos humanos. Segundo Vergara (1998). para a formação de novos assentamentos humanos. transporte. auto-organizados e auto-suficientes. 1.6 soluções viáveis. portanto. pretende contribuir com informações. para que a humanidade possa enfrentar o quadro no qual hora se vê envolvida. Contribuição Científica da Pesquisa Esta pesquisa. moradia. água e energia. educação. através de sistemas cooperativos. entre muitas disponíveis e válidas. devido a sua abordagem. a complexidade e a historicidade são características da realidade que impedem o seu estudo no todo. Cobrindo. gerando mínima entropia e buscando a máxima utilização de todos os recursos humanos e naturais.

n° 02. trezentos e cinquenta metros quadrados quando dentro de condomínios e cento e vinte e oito metros quadrados. (medida mínima para a maior parte dos casos das áreas edificáveis reconhecidas pelo Instituto do Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF)). situado na Servidão Recanto do Lagarto. mais especificamente ao bairro do Campeche. Estrutura do Trabalho A base do trabalho está fundamentada na adoção do desenvolvimento sustentável. Campeche. com a proposta de ocupação pontual de um lote de 450 metros quadrados. associada a uma visão arquitetônica integral. estão permitidos no projeto de zoneamento vigente do IPUF. Também é apresentada a teoria do design permacultural com a sua filosofia e técnicas. visando a construção sustentável . no sul da Ilha. obedecendo aos princípios de sustentabilidade previstos na revisão bibliográfica. da zona zero e um da permacultura. cep 88063-547. Aspectos genéricos e particularidades são enfocados. evolução histórica e estrutura dos atuais modelos de vida adotados pela sociedade contemporânea e sua tradução para os assentamentos humanos no mundo. Vale salientar que em alguns casos.6. Para tanto. no Capítulo II discutem-se os aspectos ligados à formação.7 Desta forma. sendo a pesquisa particularizada no modelo de pequenos assentamentos humanos que visam a sustentabilidade. para casos de soluções de problemas sociais. 1. esta pesquisa restringiu-se à região de Florianópolis.

Estas definições. com a apresentação dos resultados da coleta de dados. regional e globalmente. seguidas das sugestões para a condução de novos trabalhos. realizando uma explanação sobre a metodologia de pesquisa utilizada. O capítulo IV se destina à aplicação prática da pesquisa. classificando a pesquisa. Já as considerações conclusivas quanto aos objetivos definidos. . que serviram de base para o desenvolvimento das diretrizes de sustentabilidade em conjunto com o checklist de apoio ao planejamento. detalhando o instrumento de coleta de dados. são tratadas no capítulo V.8 como proposta base para um modelo genérico de assentamentos humanos em busca da sustentabilidade. O Capítulo III apresenta os aspectos metodológicos. possibilitaram o desenvolvimento da proposta de projeto (unidade unifamiliar para a região do litoral centro-sul de Santa Catarina). além de descrever o objeto de estudo e sua apresentação. seguido das análises das consequencias esperadas.

Desenvolvimento e Natureza Neste tópico. REVISÃO DA LITERATURA 2. especialmente no tocante à poluição do solo. Alguns povos mantêm com a Natureza uma relação amistosa. Homem X Natureza A presença do homem em um determinado local da terra resulta sempre em alguma interação com a Natureza.9 2. das águas e do ar. de gratidão pelos benefícios auferidos.1. o consumo de energia. foram pesquisadas informações que ajudassem a compreensão de como o processo de urbanização contribui para a degradação do ambiente. abrigo. calor. irresponsável e desrespeitosa quanto à preservação do ambiente em que vive.1.1. de relevância diante da sua complexidade e exuberância e de temor e respeito pelas manifestações do poder destruidor. mostrando a postura do Homem frente à Natureza com uma atitude predadora. Povos tidos como primitivos desenvolveram conhecimentos sobre os fenômenos naturais que permitiram sua sobrevivência por milhares de anos em ambientes generosos ou inóspitos. 2. e matéria prima para seus produtos. da qual o ser humano obtém alimento. . transformador ou criador dos fenômenos naturais. gerando sobras e resíduos e deixando marcas da sua passagem que modificam temporariamente ou definitivamente o ambiente. luz.

a Mãe que oferece. segundo Drew (1998).. no capítulo da Bíblia no qual é descrito o modo como Deus criou a terra. enquanto outros povos menos “civilizados” viam nela. divinizar as forças da Natureza (MAGNANI..”. “. . e dominai sobre os peixes do mar. o Homem ocidental foi estimulado a ver na natureza um inimigo a ser subjugado e pilhado na luta pela sobrevivência e pelo desenvolvimento. AT. 1:28). já no sexto dia. e que este distanciamento perdura no pensamento ocidental até nossos dias.” (BÍBLIA.. Gênesis. e Deus lhe disse: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra e sujeitai-a. o Homem. quando este afirma que “as plantas foram criadas por causa dos animais e os animais por causa do Homem..10 Nas sociedades formadas dentro da tradição judaico-cristã. A deidade da Natureza impõe e desenvolve uma relação de respeito e reverência do Homem comum diante das suas manifestações. A idéia de que a Natureza existe para o benefício do homem. Por esta ou por outra razão. 1986). O mesmo autor comenta que o cristianismo enfatiza a separação entre o ser humano e o restante da criação. também encontra respaldo no pensamento de Aristóteles. retribui e até castiga.Deus o abençoou.. a relação entre o Homem e a Natureza inspirou-se nas palavras do Livro do Gênesis. e sobre as aves dos céus e sobre todo animal que se mover sobre a terra. Alguns destes povos desenvolveram suas religiões a partir da sua tendência de personalizar e em seguida. talvez com o objetivo de desqualificar as práticas pagãs de culto à terra e forças da Natureza. Além de ceder ao Homem sua imagem e semelhança. as árvores e os animais e. os mares..

a humanidade vem crescendo e se urbanizando em velocidade também crescente. para considerá-la um recurso ou fator de produção e para medir o progresso e desenvolvimento humano pela intensidade do domínio que o Homem consegue exercer sobre ela. Estes saltos em intervalos de tempo cada vez menores refletem a evolução das condições de sobrevivência do ser humano e também da sua interferência no ambiente natural. mas é inegável que esta postura levou a profundas transformações no meio ambiente físico ao longo do tempo. 2. Não é difícil.1. era de 250 milhões de habitantes e somente em 1630 atingiu a soma de 500 milhões. associar a aceleração acentuada do crescimento populacional a partir de 1850.2. O Crescimento Populacional A partir das primeiras aldeias ou aglomerados humanos. por exemplo.11 O pensamento econômico e científico se vale da mesma visão utilitarista da Natureza. a população mundial estimada no ano 0. ao progresso material e científico que também se . 220 nos para chegar a um bilhão. Segundo Wilheim (1979). O autor chama a atenção para o fato de que segundo estes números. é discutível se o posicionamento ético tipicamente ocidental determinou ou ajudou a desenvolver a tecnologia agrícola e industrial. a população precisou de 1630 anos para dobrar e atingir o meio bilhão. 80 anos para dobrar novamente e finalmente apenas 45 anos para saltar de dois para quatro bilhões de habitantes. Como bem considera Drew (1998). especialmente nos locais alcançados pela civilização ocidental.

fenômeno que somente passou a preocupar quando foi associado ao efeito estufa. o volume de gás carbônico emitido. No ano de 1800. BODEN e ANDRESS. segundo estimativas divulgadas na imprensa nacional. em escala acelerada. seria igual a 8 milhões de toneladas. O gás carbônico (CO2) é um dos gases liberados na queima de combustíveis fósseis que alimentam sistemas de aquecimento. porém. 2000). atingindo a marca de 6. um bom indicador da mudança é o volume de gás carbônico anualmente emitido no planeta a partir de 1800. É sabido que o uso de combustíveis fósseis aumentou significativamente a partir da segunda metade do século XIX. 1999 apud ANGELO. ocorre de forma mais intensa nos . Nesta nova etapa do relacionamento do Homem com a Natureza.6 bilhões de toneladas no ano de 1997 ( MARLAND. Assim a impressionante escala de progresso e melhoria de condições de vida da sociedade ocidental trouxe consigo um não menos impressionante incremento no volume de emissão de CO2. tanto na produção de recursos para a sobrevivência quanto na busca de energia e matéria-prima para produzir conforto e riqueza.12 acentuaram a partir do século XIX. em decorrência do crescente processo de industrialização e de urbanização. veículos. e máquinas que utilizam motores à explosão. é importante considerar que nesta mesma época. se observa igualmente uma inédita intensificação da ação do homem sobre a Natureza. A emissão de gás carbônico na atmosfera é apenas um dos subprodutos do progresso humano e. passando em 1840 para 33 milhões de toneladas e. naturalmente.

bem como algumas reações catastróficas da própria Natureza agredida. é certo que. No entanto. se era abundante para atender as necessidades da população mundial em 1850. O combustível fóssil que viabiliza o transporte de mercadorias.6 bilhões de toneladas lançadas na atmosfera no ano de 1997. levou milhares de anos para ser formado pela Natureza em uma quantidade finita e. as 8 milhões de toneladas de gás carbônico produzidas anualmente no mundo inteiro no início do século XIV exerciam um impacto sobre o ambiente muito menor que as 6. com o crescimento acelerado da demanda. algum dia as fontes não renováveis destes combustíveis se esgotarão. capazes de atender às expectativas de produção de riquezas e qualidade de vida e ao mesmo tempo preservar os recursos naturais. verifica-se que o volume de gás carbônico emitido cresceu em ritmo mais acelerado. segurança e hábitos modernos aos quais nem todos têm acesso. suscitaram reflexões sobre formas diferentes de relacionamento entre o Homem e a Natureza. Evidentemente. a mobilidade das pessoas. esta imensa quantidade de resíduos é apenas parte do preço que toda humanidade paga pelo conforto.13 países mais industrializados e mais ricos. Quando a evolução da quantidade anual de CO2 lançada na atmosfera é comparada com a população mundial nos anos correspondentes. O esgotamento de alguns dos recursos naturais utilizados na produção do bem estar e da riqueza humana. segundo a mesma fonte. os Estados Unidos são responsáveis por 25% do volume considerado. . entre outras muitas coisas. de modo tal que.

O esgotamento ou dificuldade crescente de obter algumas das matérias primas consideradas essenciais ao desenvolvimento somadas à verificação da ocorrência de alterações importantes na fauna. desde a Revolução Industrial. segundo o que chamou de ciclos positivo e negativo de realimentação. Porém. a população mundial vem aumentando de forma exponencial e crescente.3. a população mundial tende a crescer mais rapidamente. na retirada de matéria-prima e devolução de resíduos à Natureza.1. Desenvolvimento e Uso de Recursos Naturais A evolução da população existente no planeta fez-se acompanhar pelo crescimento ainda mais acelerado das demandas por produtos e energia necessários à manutenção da movimentação econômica e dos padrões de qualidade de vida típicos de cada momento histórico. implicando sempre.14 2. pois mais pessoas nascem a cada ano e mais pessoas permanecem vivas por mais tempo. flora e clima de determinadas regiões. calcado na exploração sem medida dos recursos naturais. A humanidade busca reduzir a taxa de natalidade. ao mesmo . representados pela fertilidade média e a mortalidade média anuais da população. despertam preocupações quanto ao futuro deste modelo de desenvolvimento. com políticas sérias de planejamento familiar ou com formas menos nobres de controle. Segundo Meadows (1972). das práticas de saúde pública. os avanços seqüentes da medicina. em última análise. de produção e distribuição de alimentos têm reduzido bastante as taxas de mortalidade enquanto as taxas de natalidade decrescem apenas ligeiramente. Assim.

algumas correntes de pensamento passaram a considerar a hipótese de que o mundo já estaria superpovoado e a caminho do desastre total.15 tempo em que também procura maneiras de prolongar a vida e preservar a saúde das pessoas. Em contraposição à visão pessimista destes que Sachs (1993) apelidou de “maltusianos”. outra linha confia na “. O crescimento da produção e o crescimento populacional esperados certamente terão repercussão sobre o ambiente natural e ocorrerão. tanto pela exaustão dos recursos naturais esgotáveis quanto pelo comprometimento dos ecossistemas pela carga excessiva de poluentes. Meadows e equipe previram os limites de expansão da produção de alimentos e o esgotamento de algumas reservas de minerais estratégicos já para a primeira metade do século XXI. Mesmo com a dificuldade de mensurar e projetar a evolução futura dos fatores sociais que determinarão o crescimento mundial.acompanha e até supera o ritmo do crescimento populacional global. segundo Meadows (op. porque as necessidades físicas e sociais que lhes dão suporte precisarão ser satisfeitas.capacidade de superar a escassez física e as conseqüências deletérias do lançamento de dejetos na biosfera por meio .). o que torna quase inevitável a continuidade do processo de crescimento exponencial da população. O mesmo autor observa que o crescimento da produção industrial. cit.. um indicador da evolução da atividade econômica mundial. como resultado de um sistema de relações econômicas e sociais complexas.. Mais recentemente.

sim. da qual Sachs destaca a mensagem de fé e esperança no futuro da humanidade no planeta expressa nos seus parágrafos finais: “O caminho à nossa frente não se assenta no desespero da simples constatação da ruína nem no otimismo leviano de ajustes tecnológicos sucessivos. no México. aquecimento da terra. Baseia-se. Os textos básicos sobre meio ambiente. O Relatório Brundtland de 1987 expressa esta preocupação ao afirmar que “. poderia ser a saída para o impasse instalado. Um importante encontro promovido pelas Nações Unidas em 1974.. p. de garantir que ele atenda as necessidades do presente sem comprometer a 1 1 Unep. eclode o debate sobre as responsabilidades que a geração que decide o futuro teria para com aquelas gerações que viverão este futuro. 1981)¹ Ver o processo de desenvolvimento e a preservação do meio ambiente como partes de um mesmo todo e não como antagonistas disputando o mesmo espaço.. Estocolmo. Nairobi. sem dar a devida importância aos limites da própria tecnologia. 1981.16 do ajuste tecnológico”. na busca conjunta de modos de satisfazer os “limites externos” (necessidades humanas básicas) dos direitos humanos fundamentais.a humanidade é capaz de tomar o desenvolvimento sustentável. ameaçam a sobrevivência do planeta. na construção de estruturas sociais que os expressem e no paciente trabalho de invenção de técnicas e estilos de desenvolvimento que enriqueçam e preservem nossa herança planetária” (UNEP1. Cocoyoc. In Defense of Earth.119 . segundo esta declaração. Quando fenômenos como a chuva ácida. produziu a chamada Declaração de Cocoyoc. na delimitação cuidadosa e desapaixonada dos “limites internos” (os recursos físicos do planeta). Founex. buraco na camada de ozônio e outras conseqüências mais dramáticas da ação do Homem sobre a Natureza.

é necessário considerá-la ao longo do tempo. observando a relação entre o que ocorreu no passado. e os problemas encontrados nestes assentamentos 2. Para caracterizar uma prática social como sustentável. Desta forma. frase esta que tornou-se a definição mais genérica de um novo ideal de desenvolvimento. compreender como se deu a inserção dos assentamentos urbanos na Natureza e a evolução dessa convivência até nossos dias. as grandes cidades. 2.2. idealizada no presente com base nas experiências pretéritas.17 capacidade das gerações futuras atenderem também as suas” (BRUNDTLAND.2. será viabilizada por atitudes e posturas comprometidas com este futuro. a condição desejável no futuro. Da Aldeia para a Cidade . o que ocorre no presente e aquilo que poderá ocorrer no futuro. transformando-os nos grandes aglomerados insustentáveis atuais.1987). Evolução Histórica da Urbanização Neste tópico pretende-se compreender e interpretar o histórico da formação e desenvolvimento dos assentamentos humanos e quais os fatores que os desligaram do mundo natural.1. para embasar a reflexão sobre o futuro das cidades. Torna-se necessário.

como a administração. foi possível com o desenvolvimento agrário e pela melhoria das técnicas de conservação dos alimentos introduzidas pela cultura neolítica no cultivo de cereais. devido ao enriquecimento do solo. permitindo assim certa segurança nos anos de escassez com a possibilidade de alimentar vários habitantes. chegando a melhorar a produtividade natural. encontra-se. abrigos para bens e alimentos e cemitérios. Apesar da pequena escala de complexidade e tamanho. para se compreender o desenvolvimento das cidades. nesta forma de habitação conjunta. De fato. que permitiam uma grande produção. esta relação pode até ser benéfica para a formação do solo. as características essenciais das cidades: um perímetro definido. residências fixas. há de se considerar sua relação com as formas mais primitivas de habitação coletiva. Para Mumford (1956). . artesanato. pelo acúmulo do nitrogênio proveniente de dejetos humanos e animais ao longo do tempo. resultado do início da economia agrária. o impacto no ambiente no qual as aldeias se estabeleciam era insignificante. surgiu a primeira forma ancestral da cidade: a aldeia. a evolução da aldeia para a cidade. apesar do número considerável de famílias por hectare. como as da Mesopotâmia e o Egito mantinham uma relação simbiótica com a agricultura própria das aldeias. Segundo o autor.18 Segundo Mumford (1956). As primeiras cidades. deixando para trás uma economia de subsistência. Eram armazenados de um ano para outro. do ponto de vista morfológico e funcional. guerra e religião. Na era neolítica. muito dos quais podiam se dedicar a outras tarefas.

Estas condições incluíam o uso de fontes orgânicas de energia. do crescimento da cidade com a produção do alimento. 80% da população mundial vivia em condições muito parecidas com a da idade neolítica. vegetais e animais. . como Nova York e Paris. Isto significa que um dos principais determinantes das urbanizações de grande escala foi a proximidade a solos muito férteis. nas grandes cidades. a maior parte das frutas e verduras consumidas provinham de hortas e pomares situadas ao seu redor. a utilização de recursos hídricos locais. A associação básica. construindo-se muitas vezes sobre os melhores solos para agricultura. em essência. os quais no princípio possibilitaram a própria existência desses assentamentos. diz que. que se abasteciam de fontes longínquas. Porém. em solos enriquecidos muitas vezes manufaturados a partir dos próprios resíduos urbanos. os quais possuíam sua principal fonte de alimento localizada nos campos ao redor. Até o início do século XX. continuavam sendo assentamentos agrícolas. o autor esclarece que o crescimento da maioria das cidades se deu às custas desses terrenos cultivados.19 Estas primeiras cidades herdaram muitas características das aldeias originais. até metade do século XX. foram poucas exceções até o século XIX. Sorre (1952). pois. Cidades como Roma. a baixa concentração de resíduos inorgânicos (vidro e metais) e a ausência de contaminação atmosférica. o cultivo de todo solo disponível. governou a relação da cidade com o seu entorno durante muito tempo. em uma distância que possa se recorrer a pé desde a cidade. o uso de esterco animal e humano como fertilizante.

O crescimento da população urbana implicava também no crescimento da demanda por água potável. As indústrias que se estabeleceram nas cidades européias no início . atingiria intensidades e velocidade que superavam a capacidade e o tempo de recuperação e renovação dos recursos naturais.20 Ao longo da evolução dos tempos e das cidades. ainda na segunda metade do século XIX. objetivando soluções de cunho higiênico e funcional. aqueles estudiosos que Choay (1992) denomina de pré-urbanistas. a proliferação de doenças e outros males que muitas vezes se estenderiam para muito além do sítio urbano. era motivo de preocupação principalmente em relação às condições de moradia que estas pessoas encontravam nas cidades. efluentes líquidos e gasosos. Para Choay (1992). Também na cidade. aquedutos e o que mais atendesse à suas necessidades. comida e ao mesmo tempo. energia. traçaram diretrizes para a ocupação racional do solo em harmonia com o ambiente natural. processo que. ruas. a partir de uma determinada escala. na produção crescente de resíduos sólidos. a quantidade de pessoas que se estabeleciam nos centros urbanos requeria mais espaço e introduzia novos elementos na paisagem com suas construções. do ar. os reflexos da utilização desmedida dos recursos da natureza para gerar lucro e conforto geraram subprodutos indesejáveis tais como a poluição dos corpos d’água. quando não levavam ao esgotamento de recursos não renováveis ou à extinção de espécies da flora e da fauna. que já naquela época parecia irreversível. a tendência de a população concentrar-se nas cidades em busca de melhor qualidade de vida ou de formas de sobrevivência. Diante desse quadro.

Na visão de Burke e Ornstein (1999). descobriu-se que as epidemias que regularmente ocorriam nas cidades estavam associadas a promiscuidade e falta de higiene nas habitações. um contingente populacional superior à sua capacidade de oferecer moradia. subitamente. voltaram-se inicialmente para o combate e prevenção do estado de degradação que. impulsionadas por inovações tecnológicas revolucionárias. o novo modo de produção trouxe para as cidades. mais uma vez. do ponto de vista sanitário. Assim. . se encontravam os grandes centros urbanos da Europa em meados do século XIX. situação que. serviços e infra-estrutura e as pessoas acabavam se acomodando em condições sanitárias deploráveis em bairros periféricos. patrocinando os primeiros estudos para quantificar e propor soluções para o problema. a classe dominante de então se empenhou na solução destes problemas. refletia a lógica do modo de produção que se firmava. a habitabilidade dos alojamentos tornou-se motivo de preocupação da classe dominante quando. As precárias condições de moradia e sobrevivência do proletariado urbano contrastavam com os avanços tecnológicos e com o sucesso econômico das indústrias de então. introduziram uma nova e permanente demanda por mão-de-obra que esvaziou os campos ao redor das cidades de Londres. na medicina. Cardiff e outras regiões da Inglaterra.21 do século XIX. Menos por razões altruísticas e humanitárias do que pelo temor do efeito da redução da força de trabalho disponível sobre a produção. Segundo esta mesma lógica. os estudos sobre a cidade moderna.

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Apontava-se para a conveniência de limitar o tamanho das cidades até no máximo 100.000 habitantes, a densidade demográfica em 60 habitantes por hectare, de garantir boas condições de insolação e ventilação a todos os cômodos das moradias e manter atividades insalubres afastadas das áreas habitacionais. As primeiras propostas de um modelo ideal de cidade, além dos aspectos físicos, propunham também mudanças no comportamento social, enfatizando o uso de equipamentos coletivos e o cultivo do corpo, tal como sugeria Richardison na sua obra denominada Hygéia, publicada em 1876, citada por Choay (1992). No século XIX, muitas cidades da Europa sofreram um explosivo crescimento demográfico em decorrência do desenvolvimento da indústria, movida a carvão e lenha, sendo que estes dois processos provocaram uma rápida degradação do ambiente urbano. A preocupação com as condições sanitárias da cidade e a necessidade de evitar a proliferação de doenças, como o cólera ou o tifo, matavam milhares de pessoas, levou à formulação de propostas de organização do espaço urbano que melhor se relacionasse com a Natureza, principalmente a partir dos novos conhecimentos científicos sobre os efeitos da insolação, da ventilação e da arborização na qualidade dos ambientes internos e externos. A partir desse ponto, existe uma relação direta entre o crescimento das cidades e o crescimento do sistema de transporte. A partir do século XVIII, o transporte terrestre toma um novo rumo. Com a chegada da nova linha férrea, segundo Mumford (1956), a área da via de transporte teve de ser ampliada. Com a introdução do automóvel, novamente esta área se ampliou, além da

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exigência de uma pavimentação mais pesada e da multiplicação das estradas com cinquenta metros de largura ou mais, aumentando a sua complexidade com retornos e cruzamentos em diferentes níveis para permitir o fluxo contínuo do tráfego. Com isso novas situações puderam ser observadas tais como: a abertura de grandes feridas na paisagem, a remoção de grandes quantidades de solo e terra para planificação e, em conseqüência, a erosão e impermeabilização do solo e a destruição do “habitat” natural. Para Mumford (op. cit.), este importante desenvolvimento dos meios massivos de transporte proporcionou um novo tipo de tecido urbano, dispersando a população pelos subúrbios das cidades . Essa expansão do subúrbio aumentou consideravelmente a partir de 1920, com a produção em massa de veículos populares individuais. Produto de uma iniciativa privada em busca de um benefício privado, o resultado dessa dispersão incontrolada dos bairros residências suburbanos, foi a negação dos objetivos iniciais que justificaram o nascimento dessa descentralização. A introdução do transporte motorizado nas grandes cidades permitiu que estas se expandissem horizontalmente, avançando livremente sobre áreas rurais ou cobertas de vegetação, enquanto a invenção do elevador viabilizou o crescimento vertical que ensejou a elevação da densidade demográfica. Na virada do século, a força destas novidades aliada à outros avanços tecnológicos, culturais e comportamentais exigiam uma abordagem nova do fenômeno urbano.

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Quadro 1. Resumo das Etapas Evolutivas da Sociedade Urbanizada
Primeiro período de urbanização -O número e tamanho das cidades, bem como o aumento se sua população variava em função da disponibilidade de solo agrícola e de sua produtividade Segundo período de urbanização -Tem início com o desenvolvimento do transporte por rios e estradas -Principais fontes energéticas: vento e correntes de água Terceiro período de urbanização -Crescimento populacional constante -Desenvolvimento tecnológico/ máquinas -Aumento da velocidade do transporte com a locomotiva

-Especialização na religião e na -Produção de excedentes para exportação política -Equilíbrio e cooperação

-Aumento da superfície de solo -Crescimento demográfico além cultivado com maior produção da capacidade agrícola de alimentos energéticos e novos produtos da América. Indústria e agricultura -Sociedade eminentemente agrícola competindo por solos férteis -Migração rural/urbana -Extração de recursos naturais com propósitos industriais. Impactos e destruição do entorno -Dominação parcial do urbano -Especialização na agricultura, comércio e indústria -Transformação da civilização agrícola em urbana ou suburbana Introdução do sabão como necessidade cotidiana -Redução da taxa de mortalidade com novos hábitos de higiene -Crescimento de velhas cidades e fundação de muitas outras -Carvão como fonte energética/ expansão da indústria a vapor

Fonte: Adaptação do autor, referente ao texto “The Natural History of Urbanization”, de Mumford (1956).

2.2.2. Equilíbrio

Entre o século XIX e metade do século XX, segundo Mumford (1956), a economia do mundo ocidental substituiu sua estrutura agrícola por uma estrutura metropolitana, onde o crescimento descontrolado da urbanização prejudicou os fluxos naturais de diversos elementos necessários para a vida, que no passado serviram para compensar as deficiências do meio urbano.

e regiões naturais. indústrias. muito antes da escassez de alimentos. Sua maior contribuição na concepção dessa nova “Cidade Jardim” foi a reserva de solo para uma área agrícola como parte integral da cidade. esta situação requer um novo enfoque para o problema global dos assentamentos humanos. O autor foi capaz de reconhecer as necessidades sociais que estavam causando a migração para grandes metrópoles e propôs uma comunhão entre o urbano e o rural: a nova cidade que chamou de “Cidade Jardim”. Este . já necessárias naquela época. em um terreno rodeado por uma extensão de campos abertos. o crescimento demográfico exige demandas que. para alcançar um equilíbrio entre as cidades. diferentes daquelas que haviam se estabelecido na economia rural do passado. foram apresentadas algumas propostas. não tanto por seus espaços verdes interiores. Esta proposta remetia a uma base social e ideológica sem as pressões psicológicas que crescem a cada dia no meio urbano. além dos custos excessivos (a distância dos recursos naturais é cada vez maior). Desde a última década do século XIX. A escassez da água potável pode limitar o desenvolvimento urbano. propunha criar uma comunidade relativamente autocontida e equilibrada. sustentada por uma produção local. na economia das cidades-estado ou na economia da nova metrópole. Howard (1945) em seu livro “Cidades do Amanhã”. definem um limite concreto para a expansão urbana. com uma população permanente de número e densidade limitada. ócio e usos rurais.25 Ainda que as tecnologias modernas superem as limitações locais. Para o autor. como por seu estabelecimento num meio rural. dedicados à agricultura.

por meio da integração de um grupo de comunidades em uma estrutura que conta com os serviços de uma metrópole. estas cidades mantêm um equilíbrio ambiental pela pequena escala. . reconheceu as vantagens dos princípios da “Cidade Jardim” e após a Segunda Guerra. Na cidade regional. Ao planejar os novos assentamentos urbanos. mas sem o congestionamento e o crescimento informal associado a ela. tal como concebeu Stein (1951). Em lugar de tratar da cidade como um elemento intrusivo na paisagem. Stein (1951) colocou a possibilidade de estabelecer um novo tipo de cidade. se afirmava a importância da reserva de zonas naturais para a captação de chuva.26 “cinturão verde” imune à edificação urbana. mantendo o equilíbrio entre campo e cidade. se iniciou um plano para construir cidades deste tipo em grande escala. para usos recreativos e como fonte de recursos florestais ou de energia elétrica. Sobre a base dos princípios da “Cidade Jardim”. com estas características foram fundadas na Inglaterra no inicio do século XX. como a comunidade de Letchworth e Welwyn. com o fim de absorver a população dos centros urbanos destruídos. Com a possibilidade de utilizarem seus enormes jardins para a produção de alimentos. Algumas iniciativas empresarias privadas. experimentais de comunidades. era um dispositivo público para limitar o crescimento da superfície urbana. Mumford (1956) esclarece que a organização substituiria a simples aglomeração e desta maneira se criaria uma relação recíproca entre a cidade e o campo. O “Informe Barlow” de 1940 sobre a descentralização da indústria. este novo enfoque sugeria a necessidade de criar um novo equilíbrio estável entre a urbe e o campo.

segundo aumenta a densidade e prossegue a expansão da cidade.27 “As forças cegas da urbanização. 1956). o elenco de cidades com população superior a 500 mil habitantes saltou de 2 para 24 centros urbanos. econômico e ambiental) necessários para a vida em comum “ (MUMFORD. contamos com uma perspectiva suficiente para por em prática alternativas que já existem no mundo e que se encontram parcialmente estabelecidas de forma distinta.2. espalhados em 17 estados da Federação. sobre a inevitabilidade do crescimento urbano e sobre a pressão que este crescimento exerce sobre a natureza. Já as cidades com mais de 1 milhão de habitantes eram apenas . o Brasil experimentou um processo de urbanização crescente e acelerado que. mantendo um alto nível de desenvolvimento sustentável em seus três campos (social. O processo de urbanização deve buscar o equilíbrio entre a população das cidades e os recursos disponíveis. em 1940. 2. História Recente da Urbanização no Brasil A partir dos anos 50. Pelo contrário. como a construção de novas autopistas ou a utilização de recursos hídricos de fontes mais distantes. tanto a paisagem urbana como rural se desfiguram e se degradam. sustentável e renovável. em pouco menos de meio século. recomenda à humanidade a busca de novas formas de planejamento e organização do meio urbano que considere estes novos condicionantes. A reflexão sobre a disponibilidade futura de recursos da natureza para dar suporte a vida humana. ser seguida no campo do urbanismo: o restabelecimento dentro de uma unidade mais completa e com a utilização plena de todos os recursos da ciência e técnicas modernas. Graças a estes exemplos. No mesmo período. para 175. em 1996. aumentam as cargas econômicas e só servem para promover mais ruína e desordem do que solução. de equilíbrio ecológico que originalmente prevaleceu entre a cidade e o campo nos estados primitivos da urbanização. dispomos pelo menos de uma indicação da direção que deve”. fluindo ao longo das linhas de menor resistência. não mostram nenhuma capacidade em criar um modelo urbano e industrial que seja estável. Mas independentemente da dificuldade de reverter os procedimentos equivocados que oferecem uma resposta temporal e um beneficio financeiro imediato.3. elevou o número de cidades com mais de 100 mil habitantes de 12. ao mesmo tempo em que as inúteis inversões para solucionar a congestão.

dos quais 31. A habitação é a primeira das necessidades e expectativas que o novo habitante não encontra a sua espera na cidade e.2%) são imóveis próprios e 11. como seria o caso de Brasília. mais recentemente. o que para Santos e Silveira (2001) indica uma tendência a um novo tipo de aglomeração em paralelo com o fenômeno da metropolização. verificam-se problemas que refletem a qualidade do ambiente urbano. Goiânia. verifica-se que estas ainda concentravam cerca de 45.85 milhões de domicílios. Este processo resultou na concentração da população urbana nas regiões metropolitanas e.79 milhões (74. 10 em 1980 e 15 no ano 2000 (SANTOS e SILVEIRA. situação em que uma cidade estende sua dinâmica socioeconômica a municípios vizinhos. 2001). cit.8%) são alugados. Alguns desses problemas mais evidentes estão retratados na pesquisa de características dos domicílios particulares permanentes no Brasil levantadas pelo IBGE em 1999. cedidos ou ocupados de diversas formas.06 milhões (25. No .568. Campinas e Campo Grande. Segundo Santos e Silveira (op. em 1996. Manaus. Segundo esta pesquisa. em centros urbanos localizados fora das áreas metropolitanas instituídas por lei. existem no Brasil cerca de 42.28 2 em 1960. algo em torno de 29% da população total brasileira. 5 em 1970. tanto na ausência quanto na produção de moradias e também na utilização das mesmas pela população. mesmo com o aumento do número de cidades populosas fora das regiões metropolitanas.).405 habitantes.

favelas e alagados ou construídos em terreno alheio sugerem a necessidade de construção de novas unidades ou da melhoria das existentes.55 milhões (47.07 milhões (23.1 milhão não trata seu esgoto. 77.29 total pesquisado.8. 5.2.67 milhões não são atendidos por rede de abastecimento de água. é lícito supor que mais de 20 milhões de pessoas estejam vivendo em condições de habitabilidade muito baixas.87 milhões (81. .2. bem como por refletir a disposição dos governantes em alocar recursos na superação deste quadro. .4%) dos domicílios estão localizados em áreas urbanas.3%) situados na região sul. Da análise dos dados sobre as características dos domicílios urbanos verifica-se que: . Chama atenção na pesquisa do IBGE.5 mil. especialmente daqueles ainda não conectados à rede de esgoto (4. 2001).18 milhões não são servidos por coleta de lixo. pelas conseqüências danosas que tal fato acarreta à saúde da população mais pobre da região presumidamente mais rica do país. o número elevado de domicílios urbanos carentes de saneamento básico. .95%) e à rede de abastecimento de água (281. cedidos. O elevado percentual de domicílios classificados como alugado. confirmando a existência de déficit habitacional próximo a 5 milhões de unidades (SINDUSCON.1%) tratam seu esgoto através de fossa séptica.5%) não são atendidos por rede de esgoto. .38 milhões. expostas aos problemas sanitários e sociais que os acompanham e causando .11. Partindo desses números. 34.

É também provável que o quadro de deficiências mostrado na pesquisa nacional por amostra de domicílio realizada pelo IBGE e o déficit habitacional levantado por organismos diversos.30 danos ao meio ambiente. ou seja. O suprimento do déficit habitacional.257/2001. até pouco tempo. fato que torna justificável. O artigo 2°. caso persistam suas causas estruturais e as dificuldades encontradas pela sociedade para eliminá-las. 10. denominada Estatuto da Cidade. venham a se agravar nos próximos anos. introduzindo a preocupação com a preservação e conservação da natureza na formulação de seus planos e projetos. O planejamento urbano pode contribuir para a redução dos impactos ambientais decorrentes do crescimento urbano assimilando e praticando princípios e conceitos do desenvolvimento sustentável. devidamente embasados nos avanços tecnológicos e científicos aplicáveis. Aquilo que era. à moradia. ao saneamento ambiental. o que requer cuidadoso planejamento que também objetive a minimização dos impactos ambientais. convém lembrar. aspiração de alguns estudiosos e profissionais do urbanismo tornou-se imperativo legal com a publicação da Lei n°. estabelece claramente como uma das diretrizes gerais da política urbana a “garantia do direito a cidades sustentáveis entendido como o direito à terra urbana. oportuna e até um pouco atrasada a reflexão sobre alternativas de introduzir a busca da sustentabilidade urbana nos objetivos e resultados que se pretende quando da formulação dos mecanismos de controle do uso e ocupação do solo urbano. implica na expansão horizontal ou no maior adensamento das áreas urbanizadas. . inciso I da citada Lei.

Através deste instrumento.31 ao transporte e aos serviços públicos.2. no uso e ocupação do solo nas cidades. define índices mínimos de ocupação do solo. distribui e organiza estas atividades no espaço urbano. A consciência da necessidade de utilizar estes instrumentos tradicionais também para conciliar o desenvolvimento urbano com a preservação da qualidade de vida da população e do meio ambiente urbano. uso e ocupação do solo urbano inserido em um plano diretor de abrangência municipal.4. ao trabalho e ao lazer. todos os instrumentos de execução das políticas urbanas devem convergir para a concretização desta prescrição legal. para as presentes e futuras gerações”. Portanto. 2. Um destes instrumentos é o disciplinamento do parcelamento. impões a necessidade de se incluir técnicas e tecnologias que visam a redução dos impactos ao meio e à população. hoje somada à prescrição do Estatuto da Cidade relativamente à garantia do direito às cidades sustentáveis. ampliando sua área de influência sobre a condução do futuro das cidades brasileiras. o Município estabelece padrões mínimos de parcelamento do solo. bem como fixa os padrões mínimos de habitabilidade das edificações. define quais as atividades passíveis de serem instaladas em sua área urbana. Agenda 21 Brasileira . de acordo com aquilo que considerar conveniente ao bom funcionamento da cidade e de sua gestão.

consta a afirmação de que. bem como em rever os conceitos e justificativas morais e ideológicos que lhes dão respaldo. constatou que o processo de urbanização nos países subdesenvolvidos apresenta um quadro de tendências negativas.para ser palco de uma vida urbana sustentável.32 A conferência sobre Assentamentos Humanos – Habitat II. O documento denominado “Cidades Sustentáveis – Subsídios à Elaboração da Agenda 21 Brasileira” reúne conclusões de um grupo de estudos formado para investigar e propor caminhos para o desenvolvimento sustentável no Brasil. Nele. O estudo aponta como entrave à sustentabilidade a dimensão espacial do desenvolvimento econômico. Em outras palavras. a cidade ”. Turquia.” (BEZERRA e FERNANDES.. 2000). tanto pela destruição dos recursos naturais e do seu patrimônio cultural quanto pela gestão e operação pouco cautelosa e não planejada de seus serviços. apontando para o risco de não sustentabilidade de muitas cidades. no século XXI. incluindo um tópico sobre a sustentabilidade das cidades brasileiras. a vida urbana ou a cidade. depende fundamentalmente da disposição da sociedade em trocar as posturas e atitudes que produziram a situação atual. quando promove mudanças no processo de urbanização e no desenho da rede de cidades e reforça o desequilíbrio econômico e social no desenvolvimento de regiões e cidades. para ser sustentável.. gerar alternativas concretas às injustiças.. . realizada em Istambul. precisa superar sua degradação física. em 1996.. inverter a lógica em vigor. de lugar de consumo em consumo (usufruto) de lugar.

a perspectiva de privatização do setor e a alegada falta de recursos para investimentos. a partir da realidade atual: • Aperfeiçoar a regulação do uso e da ocupação do solo e promover o ordenamento do território.” elenca as estratégias prioritárias para a promoção da sustentabilidade nas cidades brasileiras. O documento “Cidades Sustentáveis. contribuindo para a melhoria das condições de vida da população. ao déficit habitacional. ao emprego e à gestão urbana..33 As principais questões intra-urbanas que comprometem a sustentabilidade das cidades brasileiras. ao saneamento ambiental. como destaca o documento mencionado. reduzindo custos e desperdícios e fomentando o desenvolvimento de tecnologias urbanas sustentáveis. A ineficiência do atual modelo de gestão. • Promover mudanças nos padrões de produção e consumo da cidade.. são alguns dos fatores que prenunciam o agravamento da situação no futuro próximo. • Promover o desenvolvimento institucional e o fortalecimento da capacidade de planejamento e gestão democrática da cidade. são ligadas ao acesso à terra. eficiência e qualidade ambiental. incorporando no processo a dimensão ambiental e assegurando a participação da sociedade. ao transporte. tanto do ponto de vista social quanto ambiental. . considerando a promoção da equidade.

se possível. as cidades deverão implementar políticas de acesso à terra. sem grande preocupação com o meio ambiente.34 • Desenvolver e estimular a aplicação de instrumentos econômicos no gerenciamento de recursos naturais visando a sustentabilidade urbana. No entanto. que trata da regulação do uso e ocupação do solo. por iniciativa própria ou para enquadrarem-se nas exigências de organismos financiadores ou para cumprir a determinação da Constituição de 1988. eficiência e qualidade ambiental. os instrumentos legais sobre o uso e ocupação do solo costumam refletir o interesse mais imediato das administrações privilegiando a localização de atividades produtivas. Paralelamente. leis e atividades destinadas ao controle do uso e ocupação do solo. adoção de normas e . novos objetivos tais como a melhoria das condições de vida da população. Em busca da melhoria da qualidade ambiental deverão ser implementadas ações normativas e preventivas de controle de impactos ambientais dos investimentos públicos e privados. A primeira estratégia. chama a atenção para a necessidade de incluir nos planos. recuperação de áreas centrais para moradias. combate à produção clandestina de lotes. aumento de arrecadação. em parceria com o setor privado. promoção da equidade. planos integrados de transporte e trânsito. regularização fundiária e redução do déficit habitacional. aproveitamento de vazios urbanos. financiamento para locação social. o combate às deseconomias de urbanização. O planejamento e controle do uso e ocupação do solo urbano têm sido praticados por grande parte dos município. sistema viário e o mercado imobiliário.

No exercício de suas atribuições e deveres. a administração municipal deverá aprimorar os mecanismos de controle. do setor público e do privado. de modo a associar os parâmetros de uso e ocupação à característica e capacidade de cada bacia. do desperdício e da má distribuição de benefícios da iluminação publica. conforto ambiental. Tratando da promoção do desenvolvimento institucional. acessibilidade urbana. áreas verdes e conservação do patrimônio ambiental urbano. . fiscalização e monitoramento das atividades urbanas. Com a terceira estratégia. incluindo a questão ambiental. a segunda estratégia aponta para a necessidade da cidade desenvolver e fortalecer sua capacidade de gerir democraticamente o seu desenvolvimento. pretende-se promover uma mudança de comportamento na produção e consumo da cidade. natural ou construído. incorporando a dimensão ambiental e a participação comunitária nesse processo. e com isso conseguir identificar e corrigir a tempo eventuais desvios que possam comprometer a preservação da qualidade ambiental desejada no futuro. políticas de redução da queima de resíduos sólidos são algumas das transformações necessárias para atingir a sustentabilidade que podem e devem ser viabilizadas pela ação do poder público local. buscando a racionalidade e parcimônia nos hábitos e práticas da população urbana. A redução das perdas crônicas do sistema de abastecimento de água.35 parâmetros voltados à eficiência energética. Recomenda também que se utilize a bacia hidrográfica como unidade de planejamento.

. Denominada de Estatuto da Cidade.estabelece normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem . delega ao Município a responsabilidade de executar a política de desenvolvimento que objetive “.” O parágrafo 1° do mesmo artigo estabelece que o plano diretor é o instrumento básico da política urbana.. 2.5.. tornando este instrumento obrigatório para o municípios com mais de vinte mil habitantes. promulgada em 5 de outubro de 1988. especialmente aqueles relacionados à manutenção da qualidade do ambiente urbano. incumbe à união a responsabilidade de “instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano. em seu artigo 182.36 A viabilização destes processos requer a disponibilidade de suporte legal que garanta à administração pública e a população a defesa dos interesses coletivos. o artigo 182 esclarece que “a propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências de ordenação da cidade expressas no plano diretor”. Em seu parágrafo 2°. saneamento básico e transportes urbanos” (Artigo 21.257/ 2001 “. nos termos do parágrafo único do seu Artigo 1°. Plano Diretor e o Estatuto da Cidade A Constituição Federal. ao direito da terra e à moradia. inciso XX) e. quando conflitantes com interesses particulares. a lei n° 10.2.ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem estar de seus habitantes. inclusive habitação..

. a edificação ou os usos excessivos ou inadequados em relação à infra-estrutura urbana. de forma a evitar: a) a utilização inadequada dos imóveis urbanos. gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação execução e acompanhamento de planos. da segurança e do bem estar dos cidadãos. b) a proximidade de usos incompatíveis ou inconvenientes. bem como do equilíbrio ambiental. para as presentes e futuras gerações. sendo que algumas delas denunciam uma acentuada preocupação com a sustentabilidade do desenvolvimento das cidades brasileiras: I. c) o parcelamento do solo. II. programas e projetos de desenvolvimento urbano. à moradia.37 coletivo.” O Artigo 2° fixa como objetivo da política urbana e relaciona as diretrizes gerais que nortearão este processo. à infra-estrutura urbana. ao trabalho e ao lazer. (Omissis) VI. ao transporte e aos serviços públicos. ao saneamento ambiental. garantia do direito a cidades sustentáveis. entendido como direito à terra urbana. Ordenação e controle do uso do solo.

foram contemplados na medida provisória editada em setembro de 2001. Os artigos do Estatuto da Cidade que tratavam da regularização fundiária de áreas urbanas ocupadas por população de baixa renda. Nela. f) a deterioração de áreas urbanizadas.38 d) a instalação de empreendimentos ou atividades que possam funcionar como pólos geradores de tráfego. adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expansão urbana compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental. devem ser obrigatoriamente seguidas pelo Poder Público Municipal. g) a poluição e a degradação ambiental. ao qual a Constituição Federal delegou a responsabilidade pela implantação das políticas urbanas. foram fixadas as regras para a concessão de direito de uso real para fins de moradia em áreas urbana. e) a retenção especulativa de imóvel urbano. que resulte na sua subutilização ou não utilização. vetados pelo Presidente da República. Estas e as demais diretrizes gerais fixadas no Artigo 2° do Estatuto da Cidade. permitindo inclusive que. em situações que assim o exijam. sem a previsão da infra-estrutura correspondente. . o direito de uso real seja concedido coletivamente ou para ser exercido em outro local. (Omissis) VII. social e econômica do município e de sua área de influência.

sobretudo. seja na forma de doenças e epidemias.. da água e do solo que tornam a vida no espaço urbano incompatível com o grau de salubridade necessário ao desenvolvimento do ser humano. já que boa parte dos entraves jurídicoinstitucionais foi afastada com o advento do Estatuto da Cidade. deverá contar “. seja na forma de deterioração da qualidade do ar.. tinham como referência distante um modelo idealizado de cidade que. na implementação e gestão das decisões do Plano” (ROLNIK. Não são raras as ocasiões em que as cidades sofrem os efeitos das modificações e mesmo das agressões contra o ambiente por seus habitantes. do grau de consciência e comprometimento da iniciativa privada e da capacidade de mobilização e cobrança da comunidade. A rigor. de organizar o crescimento das cidades e racionalizar a ocupação do solo urbano. as tentativas de inferir nos rumos do desenvolvimento urbano. A evolução das cidades ao longo da História demonstra a sua total dependência dos recursos naturais e da sua capacidade de prejudicar a reprodução e preservação destes mesmos recursos. O Plano Diretor deixou de ser apenas um amontoado de promessas e intenções irrealizáveis para tornar-se efetivamente o documento norteador do desenvolvimento da cidade. integrava-se harmonicamente com o ambiente .necessariamente com a participação da população e de associações representativas dos vários segmentos econômicos e sociais. 2001). Por exigência legal. além de funcionar como um relógio. a gestão da cidade rumo a uma condição de sustentabilidade dependerá cada vez mais da disposição política dos seus dirigentes.39 Assim. não apenas durante o processo de elaboração e votação mas.

incorporar nos planos e ações voltadas a ele. controlar o crescimento e a densidade urbana. No entanto. Para acrescentar a estes instrumentos legais a preocupação com a sustentabilidade do processo de desenvolvimento urbano é importante. o Estatuto da Cidade fornece os instrumentos legais necessários para respaldar a implantação das diretrizes de desenvolvimento urbano e garantir a participação da população no processo de modelagem do seu futuro. As diversas formas de pensar a sustentabilidade urbana convergem para a necessidade de se buscar o uso mais eficiente dos recursos naturais. com conseqüências danosas para o ambiente que penalizam toda a população. o conceito de meio ambiente urbano e a visão da cidade como um ecossistema sujeito às . ampliar o acesso aos benefícios da vida urbana às parcelas excluídas. As estratégias propostas pelo documento que subsidia a elaboração da Agenda 21 Brasileira. No mesmo sentido. de início. destacando a importância do aprimoramento dos mecanismos de planejamento e controle da organização territorial. reafirmam o papel importante da ação local na construção da sustentabilidade urbana.40 natural e com maior ou menor ênfase. de modo a conciliar o desenvolvimento urbano com a preservação do ambiente que lhe dá suporte. medidas que promoveriam a preservação do meio ambiente urbano freqüentemente costumavam ser negligenciadas em favor daquelas que promovem o desenvolvimento econômico ou o atendem aos interesses da especulação imobiliária. incluem esta preocupação em seus objetivos.

bem como uma saída volumosa e venenosa de resíduos. alimentos.2. diminuição da visibilidade e da atividade fotossintética das plantas (SOBRAL. Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente Estudos sobre as alterações que o processo de urbanização provoca nos ecossistemas naturais foram publicados ainda na década de 50. dependente de grandes áreas externas a ele para obter energia.41 influências dos processos naturais e. A cidade deve ser vista como um ecossistema aberto. aumento da ocorrência de chuvas sob forma de tempestades. exige um fluxo acentuado de energia fornecida na maior parte por combustíveis fósseis. possui um metabolismo intenso. é um ecossistema incompleto. que perpetua a cultura urbana por meio da troca e da conversão de grandes quantidades de materiais e energia.. capaz de influir sobre estes mesmos processos. um sistema de transportes elaborado e uma área de influência que forneça os recursos requeridos pela cidade e absorva seus produtos” A cidade tal como observa Odum (1998). tratando de forma sistematizada as mudanças climáticas que aquele processo gera em termos de aumento de temperatura. ao mesmo tempo.6. de forma que os ambientes de entrada e saída são relativamente mais importantes para o sistema urbano que para os sistemas naturais. Citando uma publicação americana de 1972. a mesma autora alerta que “. 2. 1996). Essas funções requerem uma concentração de trabalhadores. . aumento da nebulosidade. água e matérias primas..

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Sobral (1996) afirma que o ecossistema urbano está sujeito ao princípio da unidade ambiental, segundo o qual todos os elementos e processos estão inter-relacionados e são interdependentes e uma mudança em um deles produzirá mudanças nos outros. Só que, no meio urbano, o Homem é o principal deflagrador das alterações ambientais, geralmente utilizando

tecnologias que produzem efeitos em tempo mais acelerado que os processos naturais. É o caso das enchentes dos cursos d’água decorrentes da impermeabilização do solo em área urbana, da canalização das águas pluviais e do assoreamento proveniente do carregamento de detritos e da erosão do solo. Sendo a cidade um sistema aberto, que interage com áreas externas ao seu território, importando o que não produz e exportando o que não consome, consumindo recursos naturais de fora e comprometendo com seus efluentes e dejetos os territórios vizinhos, só será possível tratar de sustentabilidade urbana se considerarmos todo o espaço influenciado pela existência de uma determinada cidade. Assim, as ações que pretendem garantir uma convivência harmônica e permanente entre a vida urbana e o meio ambiente, deverão considerar o sítio urbano, a bacia hidrográfica que o contém, os mananciais de abastecimento de água e a área necessária para recuperar os efluentes líquidos, sólidos e gasosos daquela aglomeração humana. Dentro dessa perspectiva, é possível que a área de abrangência dessas ações extrapole os limites do município, exigindo a ação conjunta de vários municípios, do Estado ou até da União.

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No entanto, uma parcela importante, evidente e significativa das alterações impostas pelo crescimento urbano opera-se nos limites da área urbanizada, sob jurisdição do município e ao alcance das ações da administração municipal, normalmente adstritas aos serviços de controle do uso, obras, limpeza pública, saneamento, parques e praças etc. Estas interferências e alterações são inevitáveis na instalação de um ecossistema urbano e costumam ocorrer de forma descontrolada, sem a menor preocupação com os seus efeitos sobre o próprio ambiente a médio e longo prazo e, muitas vezes, sem que seus autores tenham consciência das mudanças que estão provocando. Sobre o espaço físico diretamente ocupado pela cidade, as alterações começam pela remoção da cobertura vegetal original, geralmente realizadas de forma indiscriminada. O relevo é modificado quando da abertura de vias, nivelamento de terrenos para construções, escavações e outras formas de adaptação da superfície do solo às necessidades do homem. As alterações no relevo e na cobertura vegetal acabam por alterar o regime de drenagem natural do local ao modificar a velocidade de escoamento superficial das águas pluviais, a percentagem de água absorvida pelo solo, contribuindo também para aumentar a quantidade de material sólido carregado para os cursos d’água. Com o tempo, estes sedimentos podem provocar a redução da calha dos cursos d’água, causando transbordamentos e conseqüentes inundações. Nas áreas urbanas, o material carregado pelo escoamento superficial incorpora o lixo e toda espécie de rejeito da atividade humana, o que expõe os

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corpos d’água à poluição, é capaz de causar danos à fauna e flora aquáticas e por em risco a saúde da população. Segundo Mota (1981), a urbanização de uma determinada área afeta o chamado Ciclo Hidrológico, processo pelo qual a água circula através do ar, da superfície do solo e subsolo, mediante processos de Precipitação, Infiltração. Escoamento Superficial, Subterrâneo, Evaporação e Evapotranspiração. A redução ou mesmo a eliminação da cobertura vegetal que acompanha o processo de urbanização priva o meio dos seus efeitos. As árvores, arbustos, e forrações contribuem com a retenção e estabilidade dos solos, amortecendo o impacto da chuva sobre o solo, retardando o escoamento superficial das águas e interferindo na velocidade dos ventos e na incidência do sol. Além de operar a renovação do ar através da fotossíntese, a vegetação é também o habitat natural de diversas espécies de animais e insetos (MOTA, 1981). A dinâmica da vida urbana traz como subproduto a poluição ambiental, entendida como sendo “... qualquer alteração das características de um ambiente (água, ar e solo) de modo a torná-lo impróprio às formas de vida que ele normalmente abriga” (MOTA, 1981). Assim, o lançamento de resíduos dos processos biológicos humanos ou do exercício das funções urbanas dá causa a poluição ambiental, sempre que exceder a capacidade de assimilação do meio receptor, prejudicando a sobrevivência das espécies ali existentes, incluindo o próprio ser humano.

são necessários. O Impacto da Construção da Habitação “O binômio habitação/meio ambiente está relacionado a um universo complexo de questões e situações” (FREITAS et al . Para Alavedra et al (1998). Alavedra et al (op. cit. seguida de alterações no lote. chuva ácida. cujo processo . deflorestação ou a perda da biodiversidade. são causadas pelas atividades econômicas atuais. Segundo Freitas (2001): “para que uma habitação seja edificada. louças. modificando as características físicas e ambientais locais e do entorno. que as edificações consomem entre 20 e 50% dos recursos físicos de seu entorno. o alumínio e demais produtos metálicos. é em grande parte culpado destes problemas. tendo especial responsabilidade na atual deteorização do meio ambiente. diz. Diversos materiais e componentes construtivos.).2. a ampliação do setor da construção civil. 2001). ainda. aliado à grande velocidade do crescimento demográfico. componentes cerâmicos. 1998). supõe uma diminuição do potencial destes recursos para as gerações futuras (XERCAVINS e VALLS apud ALAVEDRA et al. E a origem principal destes problemas não é exclusivamente da indústria e dos sistemas de transporte. o vidro. onde passamos 90% de nossas vidas. fenômenos como mudanças climáticas. e metais sanitários e supõe que é ambientalmente insustentável o modelo de construção que demanda materiais e componentes. cujo processo de produção envolve elevado consumo de energia. O autor diz que o entorno construído. O autor alerta que: “entre os materiais de maior consumo energético em sua produção estão o cimento. 2001) A atual utilização dos recursos naturais. o aço. gera poluição na fase de construção e passa a gerar novos e constantes resíduos na fase de ocupação. principalmente na forma de esgoto e lixo além da constante demanda de energia e água” (FREITAS et al .45 2. a acentuação da deteorização da camada de ozônio.7. uma área deve ser desmatada.

“a consciência atual de que os recursos naturais são ilimitados..csostenible. O transporte destes produtos até o local da obra também implica diversas questões ambientais. além da utilização de fontes não renováveis de energia. Agrega-se a isto tais materiais provêm de matérias-primas obtidas com alterações importantes na região das jazidas. Ainda de acordo com Freitas ( op.asp?pag=conceptos.htm> .. “a intervenção efetivamente integrada no binômio habitação / meio ambiente [.): “na construção de casas e no próprio ato de morar são identificados diversos aspectos que apontam uma diversidade de situações geradoras de impactos no meio ambiente” e. cit. co2 emitido. relativos ao habitat humano”. 2001). Segue afirmando que “o uso de tais materiais gera efeitos ambientais significativos em algum outro lugar. Conclui afirmando que.] necessita da revisão de diversos conceitos sociais arraigados. como consumo de combustível. resíduos espalhados" (FREITAS et al .net/castellano/acs. 2001). Quadro 2. aponta a necessidade de um crescente investimento em pesquisas que permitam a construção do hábitat com menor impacto global” (FREITAS et al . O Impacto Ambiental Das Edificações Segundo a Escala de sua Incidência. como derrubada de florestas para obtenção de biomassa ou pela inundação de imensas áreas florestadas para construção de hidrelétricas. bem como os sérios problemas ambientais que o mundo está passando. complementa dizendo que.46 envolve um elevado consumo energético”. Impactos Escala regional Na obra Impacto visual Impacto na paisagem Impacto acústico Geração de resíduos de obra Impacto na produção de materiais Energia necessária Durante a vida útil Consumo de água Produção de resíduos Impacto visual Conduta dos inquilinos Gasto energético Emissões de CO2 Emissões de NOx Consumo de CFC Após a vida útil Resíduos da demolição Escala global Resíduos perigosos Fonte: Agenda para a Construção sustentável para a Espanha Disponível em : <http://www.

na construção da cidade. Assentamentos Humanos Sustentáveis Neste tópico. Alguns Exemplos de Alterações Ambientais Decorrentes de Empreendimento Habitacional. desenvolveu-se um breve estudo sobre as comunidades intencionais e a busca pela sustentabilidade nestas comunidades.47 Quadro 3. . a habitação deve ser considerada não como um elemento isolado.3. intrinsecamente inseparável de seu entorno e inter-relacionada com a política de ocupação do solo. mas. 2. Segundo o Segmento Considerado. Fonte : Freitas et al (2001) Portanto.

Os hippies questionaram a ordem estabelecida e propuseram muitas mudanças.3. Queriam acabar com a pobreza e o racismo. no cristianismo. exigindo soluções para os problemas que os rodeavam. se libertar da inveja e da cobiça. A busca de liberdade e de novas emoções fez com que muitos jovens se recusassem a continuar o estilo de vida de seus pais e colocassem a mochila nas costas e o pé na estrada.. etc. astrologia. Na opinião de Bissolotti et al (2003) este movimento foi “um retorno à natureza. os jovens passaram a ser mais críticos e contestadores. “Os Hare Krishna começaram a ganhar força no mundo ocidental e. próspero.48 2.1. criando o “paraíso dos sonhos”. Embora isso pudesse ter sido um sonho suficientemente grande. mas com o desenvolvimento e crescimento das cidades. pode-se observar que o ser humano perde suas raízes nas comunidades em que nascem. .) “. e suas conexões com a natureza e seus ciclos. “como resultado de uma educação liberal.. Um Breve Estudo Sobre as Comunidades Intencionais Segundo Jackson (1998) “por milênios o homem viveu em comunidades integradas à natureza”. andavam de braços dados com velhas crenças das ditas ciências tradicionais (tarô. segue Barbosa (2001). Essa foi a semente do movimento hippie. Barbosa (2001). sem violência” (BARBOSA. magia. baseado apenas no amor e na arte. “Ideais de vida comunitária e amor livre”. pacífico e ecológico. denunciar a poluição atmosférica. O sonho era de um mundo igualitário. 2001). Buscando informações sobre a origem do movimento consciente de retorno à natureza. que estimulava a capacidade de expressão. não eram só a paz e a liberdade que os hippies pregavam” (BARBOSA. ainda que fora dos padrões convencionais da Igreja Católica. diz que nos anos 60. 2001). com inspirações nas culturas orientais” como o budismo e o hinduísmo “onde a natureza é considerada essencial para o bem estar humano e cósmico”. figuras como São Francisco de Assis e Jesus Cristo foram revalorizadas. Eles acreditavam conseguir modificar a sociedade moderna.

pois. pode-se observar grandes diferenças entre uma “comunidade intencional” atual e as comunidades do movimento hippie.as comunidades hippies eram por demais subjetivas.fuga da realidade Falta de planejamento hippies Comunidades intencionais atuais Vêem o homem em um contexto holístico.49 Ainda segundo Bissolotti et al (2003. A despeito de hoje em dia. segue Bissolotti et al (2003). no inconsciente das pessoas. desenvolvimento e disseminação de tecnologia sustentável como aliada dos processos naturais. Quadro 4. Comunidades alternativas anos 60-70 Consciência individualista Sem consciência de coletividade Muito subjetiva . “perduram até hoje. inserido dentro de um todo Consciência coletiva fortemente valorizada empowerment Equilíbrio entre subjetividade e objetividade Planejamento contínuo. Apesar de muitas não progredirem por falta de preparo e dificuldades na tomada de decisão e resoluções de conflitos entre seus membros. laboratórios de desenvolvimento e ensino de tecnologias sustentáveis. perdurar a identificação. segundo Reis (2003) ao contrário das comunidades excessivamente objetivas embasadas nas teorias de Marx . Comparativo Entre Comunidades Alternativas dos Anos 60-70 e as Comunidades Intencionais Contemporâneas. perdendo assim a objetividade e a noção de realidade. Pouco ou nenhum uso da tecnologia de ponta disponível . “algumas das comunidades originadas nesta época”. A Permacultura como ferramenta para o design de sistemas naturais produtivos integrados e de longa duração. nesse período surgiram as comunidades alternativas.). Uso. amadurecidas com nova visão e dimensão”. em geral.

terapêuticas. religioso.. se apresentando assim com diversas formas. a busca de soluções. participando de atividades sociais. fraternidade e ajuda mútua. Encontro do equilíbrio entre A espiritualidade era ligeiramente tocada. além da pressão familiar. segundo Eknath (2002) pode-se dizer que: “são organizações grupais. artísticas. educacionais. rurais ou urbanas. é o que denomina-se de “alternativo”. Fonte: Adaptação do autor São vários os conceitos que definem as comunidades intencionais. a experiência com o sistema vigente conhecendo suas deficiências. visando encontrar Alternativas de Vida. das religiões e da sociedade.50 Busca do equilíbrio entre mente e corpo..) acredita que um dos maiores motivos de formação comunitária se deve ao “inconformismo com o sistema vigente em seus múltiplos aspectos: social. corpo e espiritualidade Total negação ao sistema dominante Travessia entre o sistema vigente e proposta de mudanças sustentáveis e de auto-suficiência para uma nova era. econômico. quando se percebe que um sistema já não satisfaz mais. sempre com a proposta de união. culturais. Segundo ele. que visam integrar as pessoas em divisão de tarefas e bens em busca de sua auto-suficiência. A idéia de vida comunitária existe desde a antiguidade. . espirituais. mas que se resume em uma organização grupal humana. Assim. a educação “intencionalista” para o sistema consumista. De uma maneira geral. Com tendências variadas ou de caráter eclético e integral. como uma saída viável de vida equilibrada em todos os sentidos e planos. mente. 2002) Eknath (op. cria-se um sistema paralelo para substituí-lo. a injustiça social e econômica. cultural e espiritual”. as escolas. o Bem Comum e a Realização do Ser” (EKNATH.cit. em contato e harmonia com a natureza e possibilitando o desenvolvimento de todos seus membros. minimizando as dificuldades do mundo externo. educacional. pode-se inferir que se trata de um termo amplo. A revolta interna em relação ao que acontece externamente. pois elas são formadas por distintos grupos com diferentes “colas”.

Nesta busca pela sustentabilidade nas comunidades. a pressão comercial e industrial. A sustentabilidade é um processo dinâmico de evolução conjunta. apesar de não haver uma 'receita' pronta. Ela sempre envolve toda a comunidade. a poluição em todos os sentidos. O modo de sustentar a vida é construir e manter comunidades. de espiritualidade.3. fazem (e farão) com que surjam sistemas de vida alternativos. São dois lados da mesma moeda” (CAPRA. a falta de tempo útil para as artes.51 a necessidade econômica. a cultura e o desenvolvimento interno. enfim. mas uma propriedade de uma rede inteira de relações. Não desperdiça recursos e produz pouco lixo. Esta é a lição profunda que precisa ser aprendida com a natureza. o envolvimento da comunidade para alcançar a participação e o 'empoderamento'. a falta de humanismo. desenvolveu “Os Treze Princípios de uma Comunidade Sustentável”. 2002). e a execução de projetos-piloto que possam ser postos em prática rapidamente e tornaremse exemplos. o Instituto 21 (2005).2 Sustentabilidade e as Comunidades Para Capra (2002): “A sustentabilidade não é uma propriedade individual. o autor aponta uma série de razões que fizeram. Para se compreender melhor como se daria um processo em busca da sustentabilidade em comunidades. como por exemplo. As comunidades interagem entre si. com base nos conceitos relacionados com o Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 21. Isto significa que a sustentabilidade ecológica e a justiça econômica são interdependentes. existem alguns ingredientes que são comuns em todas as experiências bem sucedidas. Ela inclui o respeito à integridade cultural e ao direito básico de autodeterminação e autoorganização das comunidades. São eles: 1. . 2.

52 2. Dá a todos. Protege a saúde de seus habitantes. Todos os organismos vivos dependem de um fluxo contínuo de energia e matéria. sempre que possível. 5. a economia. acesso igual às oportunidades. mas através da cooperação. 9. Provê meios de transporte acessíveis para todos. Quando estudamos os princípios básicos da ecologia. Em uma comunidade que visa a sustentabilidade. Dá segurança para que todos vivam sem medo de crimes ou perseguições. e todos produzem lixo. 7. Dá oportunidades para que todos tenham um trabalho do qual gostem. O primeiro passo deste desafio é entender o princípio da organização dos ecossistemas para sustentar a rede da vida. Limita a poluição de forma que possa ser absorvida pelos sistemas naturais. Provê casa. Dá a todos. 11. descobrimos que eles são os princípios de organização de todos os sistemas vivos. 8. 12. Atende as necessidades locais localmente. lazer e recreação. a vida surgiu no planeta não através da competição. 6. Valoriza o trabalho doméstico. Permite que todos tenham acesso ao processo de decisão. a qualidade de vida da população é priorizada em relação ao crescimento econômico ou o consumo . enfatizando a higiene e a prevenção. 3. mas o lixo de uma espécie é o alimento de outra. A energia que move os ciclos ecológicos flui do sol. 10. oportunidades de cultura. de parcerias e da formação de redes” Capra (2002). Desde o princípio. 4. os negócios. infra-estrutura e tecnologia sem interferir com a herança da natureza de sustentar a vida. A rede é o padrão básico de organização da vida. 13. há mais de três bilhões de anos. comida e água limpa para todos . Na opinião de Capra (2002): “Uma comunidade sustentável é organizada de maneira a promover a vida. Valoriza e protege a natureza.

2. Origem Histórica e Conceito Historicamente. Ainda nos anos 50.53 imediato. não existe uma comunidade sustentável.4. Entretanto. trabalhou como biólogo realizando estudos científicos em lugares remotos da Austrália. começou a notar que boa parte do meio em que vivia. .. considera-se que o australiano Bill Mollison2. Permacultura Neste tópico. pretende-se compreender e interpretar o histórico e o desenvolvimento além de contextualizar os conceitos e condicionantes que caracterizam a ferramenta de ecologia mais utilizada para o planejamento de assentamentos humanos que buscam a sustentabilidade. Tasmânia (1928). 2. estava desaparecendo. estavam morrendo para dar lugar ao cultivo agrícola.1. já que vive em harmonia com seu meio ambiente. mas existem os caminhos a seguir para aproximarem-se dela. a Permacultura. as algas na costa e as florestas. Nascido em Stanley. Os cardumes de peixes. Assim. passou boa parte de sua adolescência trabalhando em indústrias de pesca e silvicultura.4. essa comunidade garante a disponibilidade dos recursos naturais. Desde 1954. seja a figura central no surgimento da Permacultura.

A Permacultura ou cultura permanente. em conjunto com seu aluno David Holmgren. como uma estratégia focalizada no design sustentável para propriedades urbanas e rurais. à informação e aos recursos econômicos”. segundo o autor. Tais sistemas provêm para necessidade própria. 1990) No início. E complementa afirmando que “nos últimos anos. na opinião de Mollison (1990): “é o design consciente de ecossistemas de produção agrícola e de conservação energética. a Permacultura está voltada também à estratégia para o acesso à terra. em meios legais e financeiros como Cooperativas de Autofinanciamento Regional.54 Ele era um apaixonado pela natureza e por seu país. tendo se convertido em um crítico radical dos sistemas industriais e políticos. estabilidade. dinâmica e diversidade de sistemas naturais. a Permacultura apontou para a auto-suficiência familiar e comunitária. deve ser observado cuidadosa e profundamente como a natureza trabalha. afirma Mollison (2003). trabalhou no sentido de criar algo que permitisse que todos vivessem sem o colapso total dos sistemas biológicos. “a autosuficiência não têm razão se as pessoas não têm acesso à terra.” (MOLLISON. não poluem ou exploram e desta forma são sustentáveis. como florestas ou pastagens. Em 1974. estabelecidos com resistência. Para isto. antes de se intervir. O autor considera que Massanu Fukuoka sintetiza muito bem a filosofia básica da Permacultura: “trabalhar com a natureza e não contra ela” (FUKUOKA apud MOLLISON. porém. além de sistemas econômicos alternativos”. intercambio de serviços e produtos. 2 Graduou-se em bio-geografia e psicologia social e foi professor por dez anos de Pósgraduação na área de Ciências Ambientais na Universidade da Tasmânia . Neste sentido. desenvolveu o conceito da Permacultura. 1990).

55 alguns dos principais sistemas produtivos e estilos de vida indígenas de todo o mundo têm sido incorporados pela Permacultura. atmosfera..2. florestas. objetiva assegurar que todos tenham acesso ao que se necessita para viver dignamente. aproximadamente 250.4. . significa cuidar de todas as coisas vivas ou não como solos. seres vivos. foi desenvolvida ao redor de um sistema de éticas e princípios. como se sabe.Limitar o consumo.]. Poucos são os países que não tem um grupo de permacultores. água [. todas as ações empreendidas devem ser de tal forma que os ecossistemas se mantenham substancialmente intactos e capazes de funcionar saudavelmente. com saúde e segurança.Cuidar das pessoas.000 permacultores graduados pelo mundo.. à população local e compartilhar os recursos e capacidades. Na opinião de Mollison e Holmgren (1978) “são três os princípios éticos da Permacultura : . .Cuidar da Terra. Princípios Éticos A Permacultura. Atualmente existem mais de 140 centros disseminadores e. 2. associação ou professores ensinando Permacultura”. Ao assegurarmos que todos os produtos e excedentes estejam . As informações sobre Permacultura foram livre e rapidamente disseminadas.

podemos iniciar a criação de uma cultura verdadeiramente sustentável e permanente”. materiais e estratégicos em um padrão. o design de permacultura é “uma redescoberta de diversas soluções. em constante evolução. Busca providenciar um ambiente sustentável e seguro para as espécies deste planeta. “os princípios de design variam de autor para autor por uma questão de ênfase e organização. Na permacultura. cujas funções devem beneficiar a vida e outras formas.3. O Design3 de Permacultura. ou seja. este é denominado design e não projeto ou planejamento. Definição e Princípios Afirma Mollison (1990). como o processo de um ecossistema buscando o equilíbrio.4. que design de Permacultura é “um sistema que une componentes conceituais. 3 . habilidades e estilos de vida que estão sendo recriadas para nos possibilitar prover nossas necessidades. que sempre se renova. em alguns casos pode para a compreensão de um planejamento “vivo”. enquanto aumenta o capital natural para futuras gerações.56 dirigidos aos objetivos anteriores.” Mollison (1990) observa que “os princípios de design derivam de uma detalhada observação de como funcionam os sistemas naturais. na opinião de Holmgren (2004). são a base para uma linguagem internacional de design de sistemas sustentáveis. desta forma.” Na opinião de Holmgren (2004). 2.” Já.

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indicar uma diferença substancial, o que não surpreende devido à nova e ainda emergente natureza da Permacultura.” Estes são alguns dos critérios de design de Permacultura, desenvolvidos por Mollison (1990): - Múltiplas funções. Cada elemento (planta, animal, estrutura) deve ser colocado ou utilizado de tal maneira que cumpra pelo menos duas ou mais funções diferentes. - Múltiplos elementos. Cada função (produção de alimento, captação de água, proteção contra fogo) é suportada por diferentes elementos. - (Re)ciclar energia. Na natureza, a energia não é desperdiçada, não há poluição, tudo se recicla. Em termos de design significa que devemos criar ciclos de energia concentrados e eficientes sem desperdício”. Figura 1. Reciclagem de Energia em uma Árvore de Maçã.

Fonte: Tierramor (2004) autor Earthcare Education (Austrália).

- Recursos biológicos. Dar preferência ao uso de plantas e animais sempre que possível para se fazer os trabalhos necessários (fertilizante,

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cultivo, controle de pragas, fogo, erosão) no lugar de sistemas mecanizados ou químicos. - Sistemas intensivos de pequena escala. Buscar o melhor rendimento possível no menor espaço possível, satisfazendo nossas necessidades otimizando o espaço, trabalhando de maneira intensiva. - Localização relativa. Para que um componente do design funcione corretamente devemos posicioná-lo no local adequado. - Maximizar as bordas. Na natureza, podemos observar que as bordas entre diferentes ecossistemas são mais produtivas que cada sistema individualmente. Nestas bordas se mantêm espécies dos dois ecossistemas e outras que não se desenvolvem neles. - Sucessão natural. Os sistemas naturais evoluem geralmente na seqüência: ervas, arbustos, árvores pioneiras, árvores grande porte. É possível acelerar esta sucessão, plantando espécies úteis para cada nível de sucessão juntas, e ao mesmo tempo, possibilitando uma redução no tempo para que se estabeleça um sistema natural. - Diversidade. Os ecossistemas possuem uma estabilidade dinâmica, baseada na diversidade de espécies e inter-relações que possuem, enquanto a monocultura favorece o aparecimento de pragas e ervas daninhas. O design de Permacultura deve incorporar e construir a maior variedade e diversidade possível de fauna para criar uma rede de inter-relações benéfica entre todos os elementos do design.

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- Princípios de atitude. Todo recurso tem uma vantagem e uma desvantagem, depende do uso que fazemos dele e da visão do designer . O conceito da desvantagem pode ser invertido e ser visto como uma solução. - Padrões. Quando se faz planos para uma propriedade, estamos impondo padrões sobre a paisagem. Com um pouco de observação, as formas da natureza nos mostram sua praticidade, funcionalidade e eficiência em termos de espaço, materiais, energia e tempo. Os padrões naturais nos ensinam a produzir mais com menos. - Planejamento eficiente de energia: a- Planejar considerando a topografia. Um bom conhecimento topográfico de um lugar, suas depressões, elevações, curvas de nível, podem nos ajudar na hora de planejar sistemas de água, drenagem, saneamento, produção agrícola, produção de mel. Como exemplo, os sistemas de armazenamento de água, podem ser locados acima da comunidade e os sistemas de tratamento e reuso de água, abaixo dela. b- Planejar considerando os setores. Este conceito trata da observação das energias (vento, chuva, fogo, sol, vista) que atravessam um sistema. São fluxos que surgem de direções específicas. São estas direções que definem os setores. c- Planejar considerando as zonas. A localização dos elementos em diferentes lugares depende da importância, prioridade e número de vezes que é visitado. O conceito de zonas pode ser visualizado como uma série de círculos concêntricos, nos quais o menor e mais próximo ao centro se refere à

criando pontos de utilização que estejam ligados aos pontos onde esses recursos estão sendo produzidos” (SOARES.60 área visitada com mais freqüência e que necessita ser manejada intensivamente. 1998). projetos de design permacultural que não diferenciam a zona zero da um e. sendo a zona de maior empenho energético. A Residência e a Zona Um Os autores Soares (1998) e Holmgren (2004) demonstram considerar a casa como a zona zero. alcança-se a maior eficiência energética possível. integram como zona um. toda integrada. principalmente. Planejamos todo o projeto de forma a realizar uma economia máxima de trabalho e recursos. Mollison (1990) acompanha-os no raciocínio. contendo a residência. Segundo Soares (1998): “as zonas dizem respeito às energias internas do sistema. estarão sempre próximos e os produtos de um elemento serão utilizados como insumo por outros. reduzindo ao máximo o trabalho e evitando a poluição. Nota-se na prática. . em relação ao trabalho humano e à movimentação de água e nutrientes. 2.4.4. seus equipamentos e o entorno imediato. com a boa locação dos elementos e suas conexões. de forma que os elementos que mais necessitamos. Com o sistema de zonas. e inclui a possibilidade de toda uma vila (conjunto de residências) pertencer a esta zona.

O autor segue dizendo que: “A zona um compreende as áreas mais próximas da casa. as ervas culinárias. pondo a casa em ordem. espaço para a produção de composto e uma área onde lavar os produtos da horta e as ferramentas.”. Também é onde concentraremos a armazenagem de ferramentas e de alimentos. para utilização em longo prazo. árvores ou treliças para sombreamento e estufa para viveiro de mudas e aquecimento passivo. os tratamentos de águas servidas como círculo de bananeiras. composteira. Ela poderá ser manejada com o auxílio de animais que façam o trabalho de fertilização e controle. os ítens integrantes da zona um e residência citados por Soares (1998) e Mollison (1990) segundo os critérios permaculturais são: habitação sustentável e saudável.. existem muitos espaços que podem se tornar produtivos. laterais de parede. A horta é um elemento essencial da Zona 1. minhocário. bacia de evapotranspiração ou biodigestor.. Peitorais de janelas. depósito ou . círculo de bananeiras e bacia de evapotranspiração. É na Zona 1 que incluímos os elementos necessários à nossa sobrevivência elementar: água potável. 1998). Na própria casa. além da captação de água de chuva por telhado de grama e armazenamento em cisterna. pois funciona como base de sustentação da alimentação da família. alguns animais de pequeno porte e árvores frutíferas de uso freqüente. como base para a diversificação da produção” (SOARES. “a partir do qual iniciamos os nossos trabalhos. captação de água de chuva. Um viveiro de mudas também deve ser incluído. e à sua volta.61 Para Soares (1998) a casa é o centro do sistema. Inclui também a produção de energia limpa como a eólica e solar. horta. que visitaremos diariamente e onde colocamos os elementos que necessitam cuidados diários: a horta. pequeno pomar intensivo (paisagismo produtivo) . espiral de ervas culinárias e medicinais. área para reciclagem. Em resumo. Mollison (1990) acrescenta a possibilidade de termos nesta zona um.

solar. Croqui exemplo de uma Zona Um da Permacultura em uma área. . incluindo aspectos de projeto e concepção do produto.5. galinhas) e geração de energia limpa (eólica.62 despensa para alimentos e ferramentas. Construção Sustentável Aqui foi desenvolvido um estudo sobre a busca da sustentabilidade na construção civil no Brasil e no mundo. Figura 2. pequenos animais (coelhos. Fonte: Soares (1998) 2. biodigestor).

ECLIPSE (apud SILVA. pela primeira vez. Foi quando o mundo desenvolvido se deparou com a carência de recursos energéticos em todos os segmentos da economia e começou a pensar.5. em como obter maior eficiência em processos industriais. produtos e também nas edificações.63 2. • Sustentabilidade ambiental: evitar efeitos perigosos e potencialmente irreversíveis no ambiente através de uso cuidadoso de recursos naturais.1. materiais. O tema iria ganhar forma definitivamente depois da 2a. Nascia a idéia de Construção Sustentável. começaram a surgir investigações que levassem a um sistema construtivo que não apenas conservasse energia. CAR. BRE. A partir daí. após a 1ª Crise do Petróleo (1973). água e energia. 2003) definem a construção sustentável como o compromisso com: • Sustentabilidade econômica: aumentar a lucratividade e crescimento através do uso mais eficiente de recursos. . Conferência Mundial para o Desenvolvimento e Meio Ambiente – Rio’92. as quais até então demandavam grandes quantidades de energia para seu funcionamento e calefação. incluindo mão de obra. O Caminho da Sustentabilidade na Construção Civil e a Bioconstrução Os primeiros debates sobre a necessidade de construções com menor impacto sobre o meio ambiente ocorreram nos anos 70. mas que incorporasse o próprio conceito de ecologia e desenvolvimento em seus processos.

vivendo bem. Para Soares (2002b). à custa de efeitos adversos no ambiente e comunidade local” Silva (2003). Para Silva (2003) : “buscar uma indústria da construção mais sustentável é fornecer mais valor.64 minimização de resíduos. e trabalhando estreitamente com clientes. A questão ambiental. responder mais efetivamente às partes interessadas. • Sustentabilidade social: responder às necessidades de pessoas e grupos sociais envolvidos em qualquer estágio do processo de construção (do planejamento a demolição). quando possível. sem destruir o meio ambiente. com seus ecosistemas e ciclos de renovação preservados. poluir menos. e melhorar a qualidade de vida presente sem comprometer o futuro. fornecedores. provendo alta satisfação do cliente e do usuário. atrelada à gestão empresarial. A habitação com qualidade é uma necessidade que deve ser satisfeita sem comprometer os eco-sistemas existentes.4 milhões de novas habitações. é possível habitar este planeta de maneira mais saudável. Também é possível substituir nas construções grande parte do cimento. funcionários e comunidades locais. A consciência quanto à finitude dos recursos naturais e à degradação ambiental fomentada pela construção civil vêm despertando preocupação. melhoria do ambiente. sem consumir à exaustão. e proteção e. nem desempenho financeiro excepcional. é vista hoje como necessidade de sobrevivência dentro de um mercado competitivo e como forma de sobrevivência do planeta. principalmente devido ao déficit habitacional de 5. dos plásticos e dos materiais tóxicos por elementos inócuos . ajudar no uso sustentado de recursos. Construção sustentável não é desempenho ambiental excepcional à custa de uma empresa que saia do mercado. sem poluir.

para definir as técnicas naturais de construção no Brasil. 2005).5. tendo como característica a preferência por materiais do local.2. locais. além do uso de materiais em seu estado natural. reduzindo o impacto ao meio ambiente através de técnicas da arquitetura vernácula mundial. Segundo informações do Instituto de Permacultura Ecovilas do Cerrado. como a terra. Soares (2005a) acrescenta outro termo e complementa dizendo que: “a bioarquitetura visa a utilização de materiais ecológicos. que não comprometam o meio ambiente nem a saúde do ser humano que trabalhará na obra ou usará a edificação. o evento da construção natural que se repete todos os anos no ecocentro de Pirinópolis (IPEC. reduzindo gastos com fabricação e transporte e construindo habitações com custo reduzido e que oferecem excelente conforto térmico” Soares (2005a). algumas delas com centenas de anos de história e experiência.65 existentes na natureza. a primeira vez que a palavra foi usada no evento Bioconstruindo 2001. e de tecnologias brandas”. torna-se perfeitamente possível substituir sistemas construtivos e materiais de acabamento não recicláveis ou causadores de grande impacto ambiental por outros. Com a tecnologia disponível adicionada aos conhecimentos de nossos antepassados. Para Soares (2005b). A palavra bioconstrução foi adaptada por Soares (2002b). técnicas de bioconstrução “são métodos de construção onde se predomina a utilização de materiais naturais. Princípios para Projeto e Planejamento Ambiental Na tentativa de educar os arquitetos sobre os princípios do projeto ambiental. 2. disponíveis na região. Kim (1998) desenvolveu uma estrutura conceitual com três níveis: .

correspondentes aos três objetivos para uma educação arquitetônica ambiental: criar consciência ambiental. explicar a construção do ecossistema. reuso. estratégias e métodos. a construção deveria se transformar em matéria prima ou componentes para outra construção. naturais ou industriais. As três estratégias para economia de recursos são a conservação de energia.66 princípios. 2. o arquiteto reduz o uso de recursos não renováveis na construção e operação das edificações. gerado pelo consumo arquitetônico. conservação da água e a conservação . Após sua vida útil. entrando e saindo de uma construção. estes princípios podem ampliar a consciência do impacto ambiental. e reciclagem dos recursos naturais que são utilizados na construção civil. Há um fluxo contínuo de recursos. Projeto Humanitário: focado nas interações entre humanos e seu mundo natural. Projeto do Ciclo de Vida (LCD): propõe uma metodologia para analisar o processo do edifício e seu impacto no ambiente. Economia de Recursos: está relacionada à redução. 3. Kim (1998) propõe três princípios em arquitetura ambientalmente sustentável: 1. -Princípio 1 Economia de Recursos: Através da economia de recursos. local e global. Segundo o autor. ensinar como projetar edificações ambientalmente sustentáveis. Este fluxo começa com a produção dos materiais de construção e continua ao longo da vida útil da edificação para criar um ambiente que sustente o bem estar humano e suas atividades.

-Princípio 3 Projeto Humanitário: O Projeto Humanitário é o terceiro e talvez o mais importante princípio de projeto ambientalmente sustentável. o projeto humanitário está relacionado com a habitabilidade de todos os componentes do ecossistema. sua construção. o segundo princípio da arquitetura ambientalmente sustentável é o Projeto do Ciclo de Vida (LCD). afeta o ecossistema maior. Esta proposta do “berço-ao-túmulo" reconhece as conseqüências ambientais de todo o ciclo de vida dos recursos arquitetônicos. têm-se uma compreensão melhor de como o projeto de uma edificação. sem fim para sua utilização. operação e demolição. construção e pós-construção. desde a extração até seu retorno à natureza. Um exame mais profundo revela que este princípio é . Este princípio surge da meta humanitária altruística do respeito à vida e dignidade entre organismos vivos que se inter-relacionam em diversos níveis. inclusive plantas e animais selvagens. O LCD está baseado na noção de que um material transmigra de uma forma à outra em sua vida útil. Com a análise da construção em cada uma destas três fases. É necessário focar em particular em cada recurso na construção e operação da edificação. Podem ser desenvolvidas estratégias de LCD para as três fases buscando minimizar o impacto ambiental de uma construção. Enquanto a economia de recursos e o Projeto do Ciclo de Vida possibilitam a eficiência e a conservação.67 de material. O ciclo de vida de uma edificação pode ser categorizado em três fases: pré-construção. -Princípio 2 Projeto do Ciclo de Vida (LCD): Para Kin (1998).

operação. habilidades e métodos para a implementação de metas específicas de projeto ambiental.68 profundamente arraigado à necessidade de se preservar os elementos da cadeia dos ecossistemas. talvez fosse mais apropriado o termo anti-humanismo. No caso do princípio Projeto Humanitário. apresentar suas éticas aos estudantes e desenvolver suas habilidades e o conhecimento base dentro do paradigma do projeto sustentável. já que leva em consideração todas as formas de vida e não somente o homem como foco de estudo. uma edificação deve ser holisticamente equilibrada entre os três princípios propostos: Economia de Recursos. Kim (1998) acrescenta que para se alcançar a sustentabilidade ambiental no setor da construção civil. construção. dizendo que para se alcançar a sustentabilidade ambiental. . que permitem a sobrevivência humana. os arquitetos devem ser educados sobre assuntos ligados ao meio ambiente durante seus estudos profissionalizantes. Projeto do Ciclo de Vida e Projeto Humanitário. nas fases de projeto. e finaliza concluindo que as soluções de projeto específicas compatíveis para se alcançar a sustentabilidade ambiental na construção. A faculdade tem de nutrir a consciência ambiental. emanarão destes princípios. manutenção e demolição e reuso ou reciclagem de seus recursos. O autor fala sobre a urgência de se desenvolver o conhecimento base científico possibilitando o desenvolvimento de técnicas. O autor resume seu estudo.

.5. Por sua vez.Trabalhar para a promoção de mudanças políticas.Desenvolver e melhorar as práticas.69 2.Colocar a sustentabilidade ambiental e social no topo das práticas e responsabilidades profissionais. segundo documento do United States National Park Service (1994) no Bill of Rights for the Planet. procedimentos. Para McDonough (2000): .. assumida também pelo American Institute of Architect’s que em resumo diz: . a União Internacional dos Arquitetos (UIA) preparou uma “Declaração de Interdependência para um Futuro Sustentável”.3. produtos. e o público geral sobre a importância do design sustentável. e padrões continuamente para o design sustentável. desenvolvido por William McDonough Architects para a EXPO 2000 de Hannover. Alemanha. .. . . O desenvolvimento destes princípios foi baseado. Aspectos a Serem Considerados Globalmente no Design para a Construção Sustentável Para Muller (2002) “a busca de uma alternativa ecológica no setor da construção forma parte de um conjunto de reflexões realizadas em escala internacional [. serviços.Adaptar as construções existentes aos padrões de design sustentável.}”. clientes. regulamentos. e padrões no governo e no mercado de forma que o design sustentável se tornará a prática padrão com total apoio destes atores.Educar a indústria da construção.

adaptada às necessidades e realidades da construção civil brasileira.4.70 “Designers include all those who change the environment with the inspiration of human creativity. publicada pelo International Council for Research and Innovation in Building and Construction (CIB). A Construção Sustentável para o Brasil Como “uma contribuição à discussão de uma agenda ambiental adaptada ao caso brasileiro. Sustainable design is the conception and realization of environmentally sensitive and responsible expression as a part of the evolving matrix of nature” McDonough (2000). a aplicação dos critérios de sustentabilidade e uma utilização racional dos recursos naturais disponíveis na construção irão requerer a realização de algumas importantes mudanças nos valores pertencentes a ela como cultura própria. sociais e ambientais”. mais corretamente. 2000). uma gestão do ciclo de vida. O autor considera ainda que: “Designing for sustainability requires awareness of the full short and long-term consequences of any transformation of the environment. em que são consideradas as particularidades e demandas nacionais em termos econômicos. com base na Agenda 21 on Sustainable Construction. princípios de sustentabilidade levarão a uma conservação dos recursos naturais. 2. uma maximização na reutilização dos recursos. Segundo Alavedra et al (1998).5. assim como reduções da energia utilizada. Design implies the conception and realization of human needs and desires” (McDONOUGH. propõe uma Agenda 21. . Esses critérios ou. John et al (2001).

Uso racional da água. 2001). evitando a estanqueidade das edificações. 2001). processos e produtos de construção. que inclui aspectos de: • Qualidade do ar interno. de relevância para esta pesquisa: 1. 2. • Avaliação ambiental de edifícios e produtos para construção com base em seu ciclo de vida. Reciclagem e uso de materiais reciclados. “A análise do ciclo de vida é uma ferramenta fundamental para medir o impacto ambiental de medidas que visem reduzir a quantidade de recursos naturais incorporadas à produção de bens e materiais e na introdução de esquemas de certificação e rotulagem” (JOHN et al.Qualidade ambiental de edifícios. • Seleção de materiais ambientalmente saudáveis.71 Abaixo estão relacionados dois blocos com os principais itens propostos por John et al (2001). em favor da conservação de energia. no caso do ar condicionado e a utilização de materiais e substâncias que causem prejuízo à saúde dos habitantes.Redução do consumo de recursos naturais: • • • Redução do desperdício e gestão de resíduos. “Fabricantes de materiais utilizam em seus processos materiais perigosos que poderiam ser substituídos como o chumbo e amianto” (JOHN et al. .

Melhoria da qualidade da construção: Para John et al (2001). • “Intensificação do caráter multidisciplinar do projeto... será necessária uma radical transformação organizacional/gerencial do setor. • “Re-engenharia do processo construtivo [. • Aumento da durabilidade e planejamento da manutenção.Gerenciamento e organização de processos: John et al (2001) cita que para a viabilização dos itens ambientais da Agenda 21 para a Construção Civil. . demanda por tecnologia de conservação de energia. processo e produto”. Ênfase na formação do profissional e adoção de princípios de projeto ambientalmente responsável”. Para ele. é necessário integrar a melhoria da qualidade à Agenda 21 da construção. E dá exemplos: • “Definições de padrões e melhoria da qualidade ambiental das construções – projeto. [. incorporando a dimensão humana..]”.72 • Uso racional de energia e aumento da eficiência energética. 3. É também necessário incentivar e aperfeiçoar o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H). 4..] integrado para ganho de eficiência global do processo. ampliando seu conceito para além dos aspectos técnicos. construção de má qualidade é desperdício de recursos.

Segue dizendo que: “o cumprimento de metas sociais depende em grande medida de vontade política. não raro em áreas de proteção ambiental” (JOHN et al.parcela crescente da população urbana vive em favelas. • ‘Educação/informação e conscientização pública”..Agenda social: Déficit habitacional.. • “Desenvolvimento de normatização orientada à qualidade ambiental de edifícios e produtos para a construção”. Particularmente nas grandes cidades. A transposição desse conceito para o campo da construção sustentável inclui a melhoria da qualidade de vida para toda a população”. Para o autor: “o Brasil tem ainda um grande caminho a percorrer para superar seus problemas de habitação.. “além do plano ambiental.73 • “Capacitação de recursos humanos e melhoria da segurança no ambiente de trabalho”. (JOHN et al. deficiência em coleta e tratamento de esgoto resultam na contaminação de cursos d’água. . os efeitos de qualquer medida ambiental de um determinado agente são multiplicados quando a sua ação é coordenada com ações de outros agentes.. segundo John et al (2001). o princípio do desenvolvimento sustentável apoia-se na igualdade econômica e social. Portanto o estabelecimento de redes . 2001). 5. de infra-estrutura e serviços sanitários: Ainda. 2001). . mas também de uma maior aproximação do setor de construção aos agentes sociais interessados.Necessidade da interação institucional: Para John et al (2001): “é importante observar que como o impacto ambiental de uma construção é função do impacto ambiental de cada um de seus componentes. 6. Essa busca de soluções inovadoras introduz problemas técnicos relacionados ao desenvolvimento de alternativas tecnológicas que aliem baixo custo a baixo impacto ambiental” . infra-estrutura e serviços sanitários.

fortalecer o seu apelo mercadológico e facilitar o acesso e a compreensão do consumidor final [. para aquecimento da habitação e ventilação forçada. “Desenvolvimento de soluções abrangentes para edifícios e outros produtos de construção. Em termos permaculturais. além da produção de mudas e alimento.74 de trabalho sinérgicas. para Mollison (1990). para”: (JOHN et al.]”. 2.. jardim produtivo. toda habitação pode ser planejada ou modificada para que seja mais eficiente na utilização de recursos e na produção de alimentos. algumas outras estruturas vivas podem ser integradas como telhado de grama. além de utilizar os microclimas criados pela existência da própria estrutura” como é descrito à seguir. funcionando simultaneamente como ferramentas de informação e marketing”..]”. 2001) • • “A transferência de conhecimento [. O autor afirma que “este trabalho contribui para o controle da temperatura no interior da habitação. Além destas. torna-se uma estratégia das mais eficientes.. Arquitetura Bioclimática Na opinião de Soares (1998).. e estruturas para sombreamento. anexada a esta...]. uma estufa.5. a zona “0” “pertence a um bom design da residência”.5. a partir de interesses ambientais e econômicos comuns. • “Auxiliar no desenvolvimento de metodologias de avaliação ambiental de edifícios e de instrumentos que possam ser utilizados desde as etapas iniciais de projeto [. videiras e .

refletindo-se no partido arquitetônico (orientação dos ambientes.75 treliças. estruturas. Pereira et al (op.]” Pereira et al (1997). layout. No caso de Florianópolis. que são absorvidas e transformadas pelos edifícios. Todos estes equipamentos e muitos outros pertencem à estratégias de arquitetura bioclimática. paredes e coberturas. Síntese Finalmente.. As estratégias indicadas foram ventilação cruzada e sombreamento para combater o calor e massa térmica com aquecimento solar passivo para se alcançar níveis de conforto térmico no inverno. Para Adam (2001): “a arquitetura bioclimática. A garantia de um bom projeto não depende somente dos critérios climáticos [. proporcionando conforto térmico com a otimização de energia” Pereira et al (1997). cit). No entanto. Segundo Pereira et al (1997): “o projeto bioclimático é resultado da interação do projeto arquitetônico com as condicionantes climáticas de cada região. investiga as relações entre os seres humanos (animais homeotérmicos) e as características climáticas de um local. concluíram que: “ a região apresenta um clima úmido predominantemente desconfortável tanto no verão pelo calor como no inverno pelo frio. disposição das vedações. materiais e paisagismo) com o objetivo de minimizar a quantidade de energia operante consumida no edifício” Adam (2001). elaborou alguns temas para se atingir a sustentabilidade ambiental da construção. proporção e composição das aberturas.. Cortez et al (2001).5. citados a seguir: . como uma síntese da discussão de projeto e construção ambientalmente eficientes. 2. deve se ter em mente que o clima é apenas uma das muitas variáveis componentes de um projeto.6. È através da correta implementação das estratégias bioclimáticas que se poderá chegar a um projeto apropriado.

Escolha dos materiais de construção: Cortez et al (2001) levanta duas questões de fundamental importância na escolha de um material de construção: “a capacidade de suporte na exploração deste recurso natural e o impacto global no uso do mesmo sobre o meio”. disponíveis localmente e com possibilidade de reciclagem. e propõe privilegiar o uso de recursos renováveis. isolamento acústico. orientação solar para definição de: • • Localização e caracterização construtiva e espacial das edificações. pedologia. sombreamento. através de dados levantados referentes à topografia. Estudos da interação climática entre implantação do edifício e o meio ambiente. áreas produtivas integradas à construção. direção dos ventos. • • • Localização dos equipamentos de saneamento e abastecimento. Áreas verdes: como barreiras de vento indesejáveis.76 1. 2. Circulação de pedestres e veículos. devendo ainda apresentar bom desempenho térmico e acústico e baixo consumo energético na produção e transporte. paisagismo produtivo e áreas de preservação. 3.Implantação e organização dos espaços construídos e naturais.Gestão da energia: . materiais tradicionais.

limpeza e transporte de dejetos. eficiência no uso.Gestão da água e do esgoto “Um dos símbolos do conforto nos países desenvolvidos é o consumo excessivo de água” (CORTEZ et al. na escolha dos materiais. nota-se que a água potável além de ser utilizada para consumo direto. 4. • Análise do tipo e da qualidade da energia fornecida: redução no uso de energia não renovável ou nobre. Segundo o autor. 2001) diz que é necessária a análise de três elementos importantes para a redução ou racionalização no uso da energia: • A concepção geral do espaço no urbanismo (implantação. análise do desperdício e quantidade consumida. desde que ela seja devolvida à natureza tão pura ou mais do que . racionalização/necessidade real. • A concepção e funcionamento dos equipamentos: exigência correta de uso.77 Sachs et al (apud CORTEZ et al. isolamento apropriado ou desenho mal elaborado que aumentam o consumo e a localização inadequada na instalação dos aparelhos. 2001). Mollison (1990) acredita que não há problema em se utilizar a água para diversos fins. água que na maioria das vezes é simplesmente misturada à água que poderia ser reciclada e novamente utilizada na habitação. transporte). é também utilizada para cozer alimentos. no isolamento térmico e outros. na arquitetura. adequação ao clima e relevo / hidrografia local e outras.

baixa aceitação por nossa comunidade. Van Lenghen. reservadas em tanques ou açudes. Sachs e Caso (apud CORTEZ et al. 5. para uso nas edificações em diversos fins. Mollison (1990) e Cortez et al(2001) indicam o uso de sistemas de captação de água de chuva. 2001). todos eles proporcionam a purificação do esgoto juntamente com a criação de áreas de cultivo de subsistência. propõem como uma das alternativas para a racionalização da água.Participação dos futuros usuários: Cortez et al (2001) lembra que é de fundamental importância para o sucesso do uso de inovações e tecnologias sustentáveis na construção. a princípio. Possivelmente. possibilita uma significativa retenção das águas que formam enchentes. sendo um equipamento já muito utilizado em países da Europa tanto para banheiro quanto para cozinha. O uso deste recurso. que não utilizam água para conduzir os dejetos para uma rede coletora. principalmente em cidades cujo solo já se encontra impermeabilizado devido à falta de atenção nas estratégias de infiltração ou nas cidades que se localizam próximas de rios. através de sistemas biológicos de tratamento de águas servidas que imitam a natureza. substituindo-se o uso de águas das concessionárias e subterrâneas. juntamente com o telhado verde (cobertura de grama). esta alternativa tem. através de cálculos simples de médias pluviométricas do local e área de captação (coberturas ou encostas). como a bacia de evapotranspiração. a introdução de sanitários compostáveis. o círculo de bananeiras e os wetlands (áreas alagadas construídas).78 foi coletada. por questões culturais. a .

principalmente a população de baixa renda “obtidas gradativamente através de mudanças nos processos de educação da população”. . os futuros usuários. simples e de baixo impacto energético e ambiental. além do baixo custo na produção da habitação popular. Com a crise ambiental atual. compreensão e a consciência da importância para os próprios beneficiados.79 correta assimilação técnica. diversas técnicas estão sendo redescobertas e estudadas sob um novo aspecto. além da necessidade do desenvolvimento e aplicação de técnicas dentro da cultura e realidade local. o princípio construtivo ser o mesmo. apesar de em essência. com incorporação tecnológica e suas qualidades estão sendo reconsideradas.

com a finalidade de levantar informações para estudos futuros. pois objetiva gerar conhecimentos para a aplicação prática. visa proporcionar maior familiaridade com o problema. Quanto à sua natureza. Do ponto de vista dos procedimentos técnicos pode ser classificada como Pesquisa Bibliográfica. por meio de dados qualitativos (ROESCH. envolvendo para isso levantamento bibliográfico e a análise de exemplos que estimulem a compreensão. Este tipo de pesquisa pode ainda ser entendido como a primeira etapa de uma investigação mais ampla. 1998). artigos e material disponibilizado na Internet. pois. colocando o pesquisador em contato com o maior número de situações do que . dirigidos à solução de problemas específicos. pois procura levantar o que foi publicado sobre o assunto em livros. pode ser classificado como Pesquisa Aplicada. Caracterização da Pesquisa O trabalho desenvolvido leva em consideração as diversas classificações de pesquisa sob diferentes pontos de vista. Do ponto de vista de seus objetivos pode ser classificada como Pesquisa Exploratória. 1998).80 3. com pouco conhecimento acumulado e sistematizado (VERGARA. periódicos. ou seja. segundo Gil (1991). É próprio de uma pesquisa exploratória.1. ser realizada em área cujo conhecimento seja ainda embrionário. METODOLOGIA 3.

. é elaborada a partir de materiais que não receberam tratamento analítico. segundo Gil (1991).81 poderia pesquisar diretamente. neste caso se justifica pela escassez de documentos publicados sobre o assunto em geral. Tem a contribuição de diversos autores sobre determinados assuntos. Também como procedimentos técnicos pode ser classificada como Pesquisa Documental a qual.

2. de sustentabilidade na forma de diretrizes e ações adicionais ao Plano Diretor vigente Desenvolvimento de check-list de apoio para elaboração de estudos e projetos Proposta de ocupação (implantação) e anteprojeto para uma residência unifamiliar Apresentação de resultados esperados através de estudos da interação bioclimática da proposta Apresentação de resultados esperados através do estudo das diretrizes aplicadas ao projeto Considerações Finais Apresentação do Relatório . Fluxograma e Diagrama das Etapas da Pesquisa Percepção do Problema Pesquisa bibliográfica sobre o tema Escolha da Região e do Lote Coleta de dados referentes à Região Coleta de dados referentes ao Lote Definições de Estrat.82 3.

Capítulo 4 seção 4. Conclusão Capítulo 5 Elaboração e aplicação do questionário Conclusões. quadro 6. subitem 4.3.4.1 e 4. Diagrama das Etapas da Pesquisa Etapas Atividade Estratégia de pesquisa Descrição Percepção do problema Estudo sobre o desenvolvimento das cidades e fundamentos teóricos sobre alternativas sustentáveis para habitação e vida.1.2.83 Quadro 5.4. e check-list de apoio à elaboração dos estudos e anteprojeto.4.3 e subitens.4 subitem 4. Capítulo 4 seção 4.4. Escolha da região e do lote à ser aplicada a pesquisa Resultados Problema identificado e proposta idealizada Fundamentação teórica empírica I Base teórica Pesquisa Bibliográfica Escolha do local de estudo Foco nos estudos sobre local e biorregião II O lugar III A fundição IV A prática V O fechamento Fonte – o Autor Construção dos Questionário utilizado instrumentos de coleta para levantamento de dados dos dados referenciais (questionário) sobre o local e biorregião. Capítulo 4 seção 4. redação e apresentação da dissertação Elaboração da dissertação Defesa da dissertação Capítulos de 1 à 5 Apresentação do relatório . Aplicação prática Concepção e Proposta de ocupação elaboração do e anteprojeto para anteprojeto uma residência uni arquitetônico familiar. Capítulo 4 seção 4.2. Análise dos dados Elaboração de Estratégias de diretrizes e ações sustentabilidade sustentáveis adicionais ao plano (permaculturais) diretor vigente para o local. 4. Análise das propostas Compatibilização do Apresentação de sob perspectiva projeto às diretrizes resultados esperados permacultural permaculturais e através do estudo da check-list interação bioclimática e das diretrizes aplicadas ao projeto.

para a definição das estratégias do projeto de implantação e arquitetura proposto: • quanto à pesquisa bibliográfica: foi realizada em livros. através de órgãos federais e municipais como a prefeitura municipal (PMF). geográficos. • pesquisa documental: primeiramente foi elaborado um questionário para o levantamento dos dados. para a qual foi elaborado um memorial de observação.3. . teses e sites da Internet. o Instituto do Patrimônio Histórico de Florianópolis (IPUF) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). conforme apresentada na lista de referências bibliográficas ao final do trabalho. econômicos. contribuíram para a verificação de dados sociais. de relevância para a pesquisa. culturais. artigos. Esta forma de coleta de dados permitiu observar diferentes visões sobre o tema do trabalho. os dados foram coletados como descritos a seguir. Coleta de Dados Pela própria caracterização da pesquisa e devido aos objetivos a que se propunha o estudo.84 3. • Foram feitas também observações in loco. climáticos. hidrológicos e de saneamento (anexo 2). revistas especializadas. da macro e micro-região na qual se insere o lote. Os dados coletados por este meio. cuja finalidade foi levantar aspectos específicos do lote e aumentar a percepção sobre os aspectos arquitetônicos e ambientais envolvidos na etapa delimitada para estudo (anexo 3). objeto de estudo.

estão permitidos no projeto de zoneamento vigente do IPUF. campeche. local escolhido com base na acessibilidade e por ser uma região de grande importância relativa à expansão da ocupação territorial da Ilha de Santa Catarina. . Vale salientar que em alguns casos. Caracterização do Objeto de Estudo Esta pesquisa restringiu-se à região de Florianópolis.85 3. A proposta se consiste na de ocupação pontual de um lote de 450 metros quadrados. (medida mínima para a maior parte dos casos das áreas edificáveis reconhecidas pelo Instituto do Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF)). no sul da Ilha. construções de residências e equipamentos.4. cep 88063-547. n° 02. trezentos e cinqüenta metros quadrados quando dentro de condomínios e cento e vinte e oito metros quadrados. da zona zero e um da permacultura. obedecendo aos princípios de sustentabilidade previstos na revisão bibliográfica. situado na Servidão Recanto do Lagarto. gerando permanente impacto no meio ambiente e na qualidade de vida de seus habitantes. para casos de soluções de problemas sociais. mais especificamente ao bairro do Campeche. mas com visível crescimento desordenado dos loteamentos.

1. . 4. Características Regionais (Macro-região) Apresentação dos dados colhidos. 116) seguido de breve discussão sobre as aplicações desta pesquisa. micro-região e local de estudo. ocupando uma área de 436. RESULTADOS E DISCUSSÃO Este é o tópico da aplicação prática da pesquisa.Altitude: 0 à 540 metros . Localização O município de Florianópolis localiza-se à leste do Estado de Santa Catarina. que é finalizado com as análises de aplicação dos parâmetros permaculturais (quadro 6.1. 4. pág. onde são apresentados os resultados da coleta de dados referentes à macro.1. Dados Coletados Neste tópico serão apresentados os resultados da coleta de dados referentes à macro e micro-região. o qual também faz parte deste capítulo. bem como as definições das diretrizes de sustentabilidade e o checklist desenvolvidos para apoio ao planejamento de ocupação e projeto arquitetônico proposto. A. assim como ao local de estudo.5 km2. referentes ao município de Florianópolis e seu entorno. na região Central litorânea.86 4.

A insolação apresenta o valor médio anual de 2025. D. com chuvas distribuídas uniformemente durante o ano.4º.54/18 Km (ao leste é banhada pelo oceano Atlântico.direção sul em 16% das ocorrências . possui uma área de 424. C.Longitude: 48 25’ W B. . a que se refere à Ilha de Santa Catarina. Ventos predominantes . ao norte pela baía norte e ao sul pela baía sul).Verão: 25º .Latitude: 27 50’ S . Clima Mesotérmico úmido.6 horas. representando 46% do total possível.Velocidade média: 10 nós. A umidade relativa do ar é alta e sua média anual 82%. no sentido norte-sul . Temperatura média .direção nordeste em aproximadamente 40 % das ocorrências .4 Km2 de forma alongada. E. Limites territoriais Os limites geográficos do município estão divididos por duas porções de terras.87 .4º . o que permite dizer que mais da metade do ano o sol permanece encoberto.Inverno: 16.Anual: 20.

Pluviosidade média anual: 1. destacando-se a cadeia central de direção norte/sul e os pontos rochosos que se sobressaem na periferia. F. seu relevo apresenta uma morfologia descontínua. H. Geomorfologia e Relevo Na Ilha de Santa Catarina. pontas.88 . ilhas e lagoas.Possui 24 principais rios . promontórios.Possui 5 importantes lagoas. Todo o litoral é recortado. . A altimetria baixa em direção Leste. G. Hidrografia . Geologia Os terrenos cristalinos formam as partes mais elevadas da Ilha.521 mm. formado por cristas montanhosas.Velocidade máxima: 23 nós.6 principais bacias hidrográficas . com altitudes que variam de 400 a 540 metros e por morros isolados com altitudes inferiores. Os terrenos sedimentares constituem as partes baixas onde há formação de dunas. intercalados por pequenas planícies. Características Gerais . onde ocorrem esparsamente planícies costeiras e fluviais ao longo do litoral e nos baixos vales dos rios. restingas e manguezais. I. com inúmeras praias.

4. Fazem parte do Campeche as seguintes localidades: Morro das Pedras. . além de diversos migrantes de várias partes do país. Características Regionais (Micro-região): Apresentação dos dados colhidos. referentes a biorregião em que a área escolhida esta inserida (distrito do Campeche e entorno). Outros Dados Fábricas de Materiais da Região (<150km): A região possui diversas olarias para a produção de tijolos de vários tipos e telhas. Diversas fábricas de esquadrias de madeira.Distrito Administrativo Municipal CAMPECHE. Região produtora de pinus e eucalipto. Segundo dados da prefeitura do município. Existe uma grande diversidade de bambus na região. Praia do Campeche. alemã. Possui também diversas fábricas de pisos cerâmicos.2. A.89 • • • População: 369.1. porém quase toda a produção utiliza madeiras do norte do país de extração ilegal ou sem manejo apropriado. Campeche. como opção às madeiras do norte. Área de Abrangência e Localização .32 Km2.102 habitantes (censo 2000) Código DDD: 048 Colonização: açoriana. Lagoa Pequena e Rio Tavares. F. sua área é de 35.

Limita-se ao norte com a Lagoa da Conceição . os desmatamentos. ao sul com o Parque da Lagoa do Peri. A faixa de marinha está sendo ocupada por residências.90 A área de estudos está localizada entre as coordenadas 48º28’16” a 48º30’39” de longitude Oeste e 27º38’48” a 27º42’47” de latitude Sul. Nas áreas de dunas são comuns a ocupação clandestina. que funcionam como uma espécie de dique natural que ajuda a proteger as áreas interiores contra as ressacas com marés muito altas. Aspectos Ambientais A região do Campeche apresenta como problema básico a descaracterização de diversos condicionantes naturais. na porção Sul da Ilha de Santa Catarina. O caráter irracional dessas agressões ao meio ambiente torna-se óbvio quando se constata que a região possui vários quilômetros adequados à urbanização não predatória. colocando em risco as dunas da praia. havendo destruição e colocação de cercas na própria área tombada para proteção da Lagoa. com um forte impacto sobre a paisagem e o ambiente. Devese salientar que a área tombada é bastante inferior à verdadeira bacia de . as terraplanagens. Em torno da Lagoa da Chica proliferam os loteamentos clandestinos. ao leste com o Oceano Atlântico e ao oeste com o aeroporto Hercílio Luz. B. as cercas e aberturas de ruas. visto que já se encontra em avançado processo de urbanização.

por uma rede de caminhos embutidos em vegetação baixa. constantemente inundadas pela posição superficial do lençol freático em toda a região. Boa parte da região apresenta dificuldades de drenagem.91 acumulação da Lagoa. a qual é agravado pelos parcelamentos clandestinos que interrompem a drenagem natural. Assim como as jazidas de pedras. reduzida pelo rebaixamento do lençol freático. causado pelo uso excessivo de ponteiras para captação de água do subsolo. as de saibro ocorrem em diversos locais e estão sendo executadas sem plano de recuperação ambiental e paisagístico. que cedem lugar ao comércio vicinal e de passagem. As encostas estão sendo degradadas com a retirada da vegetação e extração de blocos de rocha de maneira generalizada. Os dois pequenos córregos que correm paralelos às dunas estão sendo aterrados e servem de depósito de lixo. por onde escoa. esta área compreende um grande aqüífero natural. devido a ausência de tratamento de esgoto. Em se tratando de uma planície quaternária. de forma clandestina. absorve todos os dejetos humanos através das fossas. com qualidade das águas para consumo humano de maior grandeza. que está sendo colocado em risco devido a grande quantidade de residências sobre a área que. As áreas de mangues estão sendo aterradas e ocupadas com residências. . criando áreas inundáveis. a extração das pedras. nas vias de acesso ao Rio Tavares e Aeroporto.

D. 1995). Os ventos predominantes são os de quadrante nordeste. além dos anticiclones polares migratórios. o verão e inverno são definidos e que o outono e a primavera são bastante similares entre si. e julho o mês mais frio (16.1. influência oceânica. em acelerado processo de urbanização de áreas rurais para fins residenciais. chegando a 1500 mm/ano para um período de 75 dias. Ainda. sendo que o mês de fevereiro é mais quente (24.4º). estações climáticas definidas e precipitação pluviométrica anual abundante. que possuem ruas largas e pavimentadas. sem pavimentação e sem escoamento. Aspectos Físicos Dados referentes ao clima. vegetação e recursos hídricos. Em termos sociais. observa-se crescente mistura das comunidades nativas com imigrantes e trabalhadores urbanos. A temperatura média anual é de 20. A maioria das ruas é estreita. excetuando-se os condomínios fechados. A precipitação é bastante significativa e bem distribuída. Aspectos Urbanos O caráter geral da região é o de uma zona de expansão urbana.4º).92 C. . mas os ventos do sul atuam com maior intensidade (IPUF . é atingida por grandes massas de ar formadas pelos anticiclones tropicais. As estações demonstram que. A predominância das edificações é de alvenaria com dois pavimentos.4º (1926-1984). D. CLIMA A região em estudo apresenta as condições climáticas inerentes ao litoral sul-brasileiro. conseqüência da circulação atmosférica do Atlântico Sul.

situada no limite sul da região em estudo e com potencial para abastecer. além de pequenos córregos indefinidos e uma série de canais construídos com o objetivo de drenar as áreas alagadas. vegetação de praia.93 D. .39. Aspectos Sociais Segundo os dados do IBGE pelo censo de 2000: • População residente = 18. Os trabalhos feitos para a exploração dos recursos hídricos subterrâneos indicam um aqüífero de boa qualidade e quantidade. D.356 mulheres. VEGETAÇÃO A vegetação da região em estudo diversifica-se em mangues. Na área próxima as dunas existem dois corpos lagunais: a Lagoinha Pequena.158. sendo 9. localizada na área sul do Campeche. Deve-se incluir entre os recursos hídricos a Lagoa do Peri.2. restingas e floresta de planície podendo ser dividida em dois grupos principais: vegetação litorânea e floresta pluvial Atlântica.000 pessoas.3. próxima ao Rio Tavares. dunas.214 homens e 9. pelo menos 200. RECURSOS HíDRICOS A rede hidrográfica é representada pelo Rio Tavares e seus afluentes que banham a parte norte da planície. e a Lagoinha da Chica. E. • Rendimento médio mensal do responsável pelo domicilio particular permanente = R$1. com água potável. principalmente na planície da Ressacada e do Alto do Ribeirão.570.

SC.699. Florianópolis. O restante faz uso de fossa rudimentar. além de hotéis e instituições como igrejas e escolas.25. Forma do Terreno (Croqui sem escala) Medidas Indicação do Norte Gráfico de Ventos Predominantes Insolação Relevo . o distrito abriga uma agência bancária.357 domicílios utilizam fossa séptica como esgotamento. Endereço do lote: Servidão Recanto do Lagarto.3. • Média de moradores por domicílio = 3. vala ou lançamento em rio. Campeche. Não foi encontrado em literatura o número destes estabelecimentos. n°2. Características do Local Apresentação dos dados colhidos.94 • N° domicílios particulares permanentes próprios = 5. Embora o uso residencial seja predominante.562 domicílios. mar ou lagoa. Não possui rede coletora nem tratamento adequado de esgoto e 5. 4. o restante se abastece de água de poço e outras fontes.1. referentes ao lote de aplicação da proposta. estabelecimentos comerciais e serviços. • A região possui abastecimento de água através da distribuidora local Casan em 4.

8 . Nascentes. Taxa de Ocupação: 40% de acordo com Índice de Aproveitamento: 0. N° Máximo de Pavimentos: 2 . Rios. Córregos. . lateral 1. Relevo para Sistema Aabastecimento e Tratamento. Recuos: frontal e fundos 4m. Testada Mínima: 15m .95 - Vegetação Vistas Privilegiadas Poluição Sonora Águas: Fontes. Quedas para Geração Energia. Identificar Áreas Produtivas Identificar Áreas para Recuperação Acessos e Caminhos Materiais de construção do Local: TERRA ( ). IPUF devem ser observadas as seguintes informações para as edificações: Lote Mínimo: 450m2.5m. Possibilidades Açudes. Caminhos Naturais. AREIA ( X ) (com sais solúveis). PEDRA ( ) Espécies de Madeira Disponível: não há Outros Materiais: não há Zoneamento: De acordo com a LC 116/2003 a área em estudo se caracteriza como ARE-5 (área residencial exclusiva) e de acordo com o zoneamento no Plano Diretor dos Balneários.

índice de aproveitamento. Levantamento das Características do Local de Estudo Fonte : o Autor A implementação das estratégias de redução de impacto propostas neste estudo se viabiliza por completo. Em caso da não possibilidade da aplicação de todas as estratégias propostas que veremos a seguir. apenas em áreas onde os recuos. . que serão utilizadas nas estratégias de aquecimento e resfriamento passivos respectivamente. opta-se pela implementação do número máximo de estratégias em busca da redução dos impactos gerados pelo uso da edificação. como serão vistos nos próximos capítulos. tamanho do lote mínimo. a testada mínima e o número de pavimentos não impossibilite a captação de insolação e de ventilação predominantes.96 Figura 3.

A partir da definição destas diretrizes. onde se levam. Gestão de resíduos. que devem ser aplicadas sempre que possível em seu maior número. com foco na unidade básica de um assentamento humano. Gestão de energia.97 4.2. Gestão do esgoto. Gestão dos materiais de construção. Diretrizes e Ações Adicionais ao Plano Diretor Vigente. para a Construção e Uso Sustentável de Residências Unifamiliares Neste item. a residência e equipamentos de seu entorno. para se alcançar um alto grau de sustentabilidade na etapa delimitada para estudo. Os critérios utilizados nesta seção seguem a proposta do planejamento de Permacultura para ocupação da zona um (residência e entorno) para se alcançar um alto grau de sustentabilidade. os seguintes aspectos que serão detalhados a seguir: • • • • • • Implantação. Gestão das águas. observando-se sempre que são medidas adicionais ao Plano Diretor local o qual deve sempre ser observado e com estas diretrizes complementado. foi desenvolvido o check-list de apoio para a orientação do planejamento e projeto da unidade unifamiliar. foram identificadas as medidas. em consideração. na forma de diretrizes e ações. .

de modo a reduzir ao máximo a movimentação de terra.1. pedologia. sombreamento. Implantação A partir dos dados levantados referentes à região e ao lote. . isolamento acústico. direção dos ventos e orientação solar para definição das ações a seguir. Participação dos futuros usuários. Diretriz 01: Baseado em Cortez et al (2001) propõe-se a implantação e organização dos espaços construídos e naturais. para a proposta de ocupação e uso do solo foram definidas as seguintes diretrizes sustentáveis. 4. paisagismo produtivo e áreas de recuperação ou preservação. áreas produtivas integradas à construção.98 • • Produção local de alimento. Áreas verdes: como barreiras de vento indesejáveis. utilizando-se da topografia local e conseqüente gravidade para drenagem natural. Ações: Estudos da interação lumino-climática entre implantação da edificação e o meio ambiente (Arquitetura Bioclimática). Localização correta dos equipamentos de saneamento e abastecimento.2. através de dados levantados referentes à topografia. Escolha do local. vegetação.

2. escolha dos materiais. no isolamento térmico e outros. Análise do tipo e da qualidade da energia fornecida: redução no uso de energia não renovável ou nobre.99 4. foram propostas as diretrizes que seguem: Diretriz 01: Baseada em Cortez et al (2001). adequação ao clima e relevo / hidrografia local e outras. Gestão da Energia Em busca de uma gestão sustentável de energia. implantação. e a localização inadequada na instalação dos aparelhos. através das estratégias da arquitetura bioclimática para a região. Concepção e funcionamento dos equipamentos: exigência correta de uso. captação de luz. calor e ventilação) ao clima e iluminação natural. isolamento apropriado ou desenho mal elaborado que aumentam o consumo. Diretriz 02 : Potencialização do abastecimento local autônomo. Ações: Observação da concepção geral do espaço. Adiciona-se à estas a adequação da edificação (materiais. é necessária a análise de três elementos importantes para a redução ou racionalização no uso da energia. . análise do desperdício e quantidade consumida. isolamentos.2. Ações: Uso de equipamentos que utilizam fontes renováveis de energia para o abastecimento do lote e residência tais como: Painéis de aquecimento solar para água.

Gestão das Águas Para se otimizar o uso do recurso.100 - Uso de biodigestores individuais ou coletivos. Ações: Implantação de sistema de captação e armazenamento de água de chuva – captação por calhas nos beirais dos telhados encaminhando para préfiltragem e armazenamento em tanques (cisternas) de ferrocimento para posterior utilização em descarga sanitária. ou. Prever e dar preferência ao uso de painéis fotovoltaicos (energia solar) e. gerador eólico. limpeza.3. 4. na medida em que estes equipamentos se tornarem viáveis economicamente e de acordo com as possibilidades do local. as seguintes diretrizes devem ser observadas: Diretriz 01 : Potencialização do abastecimento local autônomo. . Ações: Uso de equipamentos que permitam a racionalização e redução da quantidade necessária da água para diversos fins: Sugere-se a utilização do sistema de caixa acoplada nos vasos sanitários de no máximo 6 lpf (seis litros por fluxo). para geração de energia elétrica local. dando-se preferência à sistemas que permitem a escolha da descarga para líquidos (3 lpf) ou sólidos (6 lpf) já à disposição no mercado. Privilegiar os equipamentos que trazem o selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL) e que indicam o baixo consumo. irrigação e outros usos.2. Diretriz 02 : Racionalização do uso da água.

que não utilizam água para conduzir os dejetos para uma rede coletora. desde que ela seja devolvida à natureza tão pura ou mais do que foi coletada de fontes próximas ( MOLLISON . (CORTEZ et al.2. filtragem e purificação apropriados para o fim e com uso permitido pela legislação vigente – e serem reutilizadas para vários fins como limpeza.procedentes de chuveiros. descarga em sanitários e irrigação.4. máquina de lavar roupa e lavatórios – encaminhadas para pequenos sistemas biológicos de tratamento. a introdução de sanitários compostáveis (banheiro seco). 1990) Ações: As águas servidas podem ser separadas entre: • Águas cinzas . se possível. temporizadores automáticos.Utilizar arejadores em todas as torneiras e. . 2001) Diretriz 01: Não há problema em se utilizar a água para diversos fins. água que na maioria das vezes é simplesmente misturada à água que poderia ser reciclada e novamente utilizada na habitação (CORTEZ et al. sendo um equipamento já muito utilizado em países da Europa. limpeza e transporte de dejetos. Gestão do Esgoto A água potável além de ser utilizada para consumo direto. 4. é também utilizada para cozer alimentos. Adotar como alternativa para a racionalização da água. tanto para banheiro quanto para cozinha. 2001).101 .

. como a fossa séptica convencional. atingindo o lençol freático. apropriado para o fim e com uso permitido pela legislação vigente. permitindo. proporcionando a purificação do esgoto (juntamente com a criação de áreas de cultivo de subsistência). 4.2. • Águas negras – procedentes dos vasos sanitários – encaminhadas para pequenos sistemas individuais biológicos de tratamento apropriados para o fim e com uso permitido pela legislação vigente. anexada a uma bacia de evapotranspiração. permitindo assim a total purificação deste recurso rico em nutrientes e evitando que se infiltre “contaminada”. Gestão dos Materiais de Construção Diretriz 01: Aqui devem ser observadas duas questões de fundamental importância na escolha de um material de construção: “a capacidade de suporte na exploração deste recurso natural e o impacto global no uso do mesmo sobre o meio” (CORTEZ et al. assim. 2001). ligado em uma área de cultivo de frutíferas como a bananeira e mamoeiros ou pequeno lago para aquicultura. porém esta deve ser anexada à um tanque de filtragem. atingindo o lençol freático. como a fossa séptica convencional. Caso não seja separada. a água servida deve ser encaminhada para um pequeno sistema biológico de tratamento que imita a natureza. a total purificação deste recurso rico em nutrientes e evitando que se infiltre “contaminada”.5.102 • Águas cinzas – procedentes da pia da cozinha – encaminhadas para irrigação por ser rica em resíduos orgânicos excelentes para criação de áreas de cultivos de subsistência.

disponíveis localmente e com possibilidade de reciclagem ou de matéria prima reciclada.7. devendo ainda apresentar bom desempenho térmico e acústico e baixo consumo energético na produção e transporte (CORTEZ et al .2. Lixo seco e lixo orgânico. Promover o paisagismo produtivo. tradicionais da região (considerar os saberes e as técnicas regionais de construção). 2001). . Ações: Programar um sistema de separação de lixo preliminar. Reduzir o consumo de produtos que contribuam para a geração de lixo.Privilegiar o uso de recursos renováveis.2.103 Ações: . Fazer uso de mulch nos pomares. 4. 4. Produção Local de Alimento Diretriz 01: Implementar a produção local de alimento. materiais naturais. Depositar os resíduos inorgânicos nas áreas destinadas à coleta seletiva e reciclagem. Gestão de Resíduos no Uso da Habitação Diretriz 01: Possibilitar o Reaproveitamento dos Resíduos.6. Incentivar o tratamento local dos resíduos orgânicos com a compostagem para posterior adubação de hortas e pomares.

“Estatuto da Cidade” ... Participação dos Futuros Usuários É de fundamental importância para o sucesso do uso das inovações e tecnologias sustentáveis na construção e moradia. Para o bom funcionamento das técnicas propostas.8.”. temperos. os futuros usuários. Destinar área interna dos lotes para produção de hortas individuais ou comunitárias para alimento. chás e medicinais. Documento 2.2. considerados como linhas gerais nos instrumentos legais (Documento 1“Cidades Sustentáveis. Abaixo seguem alguns dos princípios de sustentabilidade incomuns. Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais. 4.9.2. chás e medicinais. obtidas gradativamente através de mudanças nos processos de educação dos usuários. Documento 3- . 2001). compreensão e a consciência da importância para os próprios beneficiados.104 Ações: Destinar área interna dos lotes para produção de frutíferas em pequeno pomar. Fazer uso de pequenas espirais de ervas para produção de temperos. é imprescindível o acompanhamento de um profissional capacitado na implementação e manejo destes sistemas (CORTEZ et al. 4. a correta assimilação técnica. que fazem parte destas diretrizes.

uso e tratamentos) (Documento 1).. 2 3 4 5 6 ٧٧٧٧ Fomentar o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis ٧٧٧٧ nas cidades (Documento 1). Fonte: o autor ٧٧٧٧ Permacultura Plano Diretor .A Permacultura: Quadro 6: Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais Cidades Sustentáveis. Adoção de normas e parâmetros voltados à eficiência ٧٧٧٧ energética (Documento 1) . Redução da perda nos sistemas de abastecimento de água. Cuidados com o ciclos da água (captação. Adoção de normas e parâmetros voltados ao conforto ٧٧٧٧ ambiental (Documento 1). 8 ٧٧٧٧ Adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expansão urbana compatíveis com os limites ٧ ٧ ٧ ٧ da sustentabilidade ambiental. ٧ ٧ ٧ ٧ abastecimento. social e econômica do município e de sua área de influência (Documento 2). 9 Fixar padrões mínimos de habitabilidade das edificações (Documento 3).105 Plano Diretor (regras gerais para a elaboração)) e Documento 4. 7 Ordenação e controle do uso do solo de forma à evitar a poluição e a degradação ambiental (Documento 2). Incorporar a dimensão ambiental no processo de ٧٧٧٧ planejamento e gestão das cidades (Documento 1). Alguns Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais Estatuto da Cidade 1 Promover mudanças nos padrões de produção e consumo da cidade (Documento 1)..

por outro lado. com relação aos elementos naturais em todas as escalas do projeto. e a participação da população (local) torna-se outro fator positivo. os hábitos e costumes locais. . no planejamento arquitetônico e na construção civil. em qualquer região. já que ela marca o início do todo. Para isso. de forma alguma. 4. Importante salientar que a proposta deste trabalho. pode oferecer aos profissionais da área.3. passa pela mudança de paradigmas da própria sociedade. especialmente na utilização dos conhecimentos locais. para a sustentabilidade da região e da comunidade.106 Estas e demais diretrizes gerais devem ser seguidas no planejamento das edificações bem como na implantação de políticas publicas pelo Poder Publico Municipal. como sua menor unidade. As possibilidades de utilização da permacultura no desenvolvimento das políticas públicas. sob a Perspectiva da Permacultura para a Região Sul do Brasil. Lista de Verificação para o Desenvolvimento de Projetos Residenciais. o planejamento local reveste-se de grande importância. no sentido de valorizar seus próprios recursos naturais e. nos padrões de produção e consumo. pois é quem melhor conhece a região. a oportunidade de compreenderem e trabalharem com os processos naturais. deve ser vista como objeto isolado da cidade.

107 Desenvolvida como uma guia auxiliar adicional ao plano diretor local. construção e uso das residências unifamiliares e equipamentos do entorno. durante a fase de execução da obra. foram unificadas em gestão das águas. . facilitando desta forma a aplicação do check-list em projeto e execução da residência. com algumas modificações: • • A gestão das águas e esgoto. A ordem de apresentação dos itens foi mantida como descrita no início do Capítulo 4. para o desenvolvimento do projeto arquitetônico. Acrescentou-se novo item para resíduos e energia. As diretrizes desenvolvidas na seção anterior foram desmembradas em itens e subitens pela complexidade evidente do tema.

4.1.6. paredes duplas. Outros. B.3.2. permitindo que esta cruze B. Projeto de paisagismo com plantas nativas e frutíferas perenes A . em todos os cômodos da residência.1.3. garantido o resfriamento quando necessário e higiene (retirada da umidade) eventual no inverno B. B.1.1.2.1.1.1. B. Especificar: .3. Energia Renovável Redução gradativa do uso da energia de fontes externas B. construção e uso das residências unifamiliares e equipamentos do entorno. que forneçam madeira (bambu).2.4. que tirem o máximo proveito da gravidade para circulação B.1. futuro uso A . etc.5. isolantes a base de fibras vegetais. A .2.Lista de Checagem da Zonas Zero e Um Para a Região do Litoral Centro-Sul de Santa Catarina Desenvolvido como uma guia auxiliar adicional ao plano diretor local. A sul /sudeste (barreira de ventos) para proteção de ventos fortes.1. Orientação das residências com grandes frentes e janelas para norte com proteção de beirais para bloqueio da luz do sol acima de 70° Uso de massa térmica (paredes e pisos com grande expessura e alta densidade) para aquecimento passivo Aproveitamento da ventilação natural de Norte/Nordeste com saída menores para sul.3.2. Vegetação Situar a edificação de maneira a se beneficiar da vegetação existente para otimizar o conforto térmico e acústico na edificação. sensivelmente o uso da energia elétrica B. para o desenvolvimento do projeto arquitetônico.1. B.. frutíferas.) Otimizar o aproveitamento da iluminação natural para conforto visual no maior tempo possível reduzindo B. IMPLANTAÇÃO A . B. ou construir estruturas tipo “treliças” e pergolados para produção de trepadeiras frutíferas nos locais estratégicos para o clima da região.1. plantar árvores nativas.4.2.1.1.1.2.108 4. frios e úmidos A ..2.1. Células fotovoltaicas ou gerador eólico para geração de energia elétrica substituindo em parte o uso da energia da concessionária local Previsão em projeto e instalações para futura expansão da geração de energia renovável local (solar. O aquecimento solar passivo e resfriamento natural podem ser incorporados com baixo custo e alto benefício na maioria das edificações. A norte apenas de folhas caducas no inverno para permitir aquecimento pelo sol nesta época e um significativo refresco no verão A . Check Inter. A oeste para proteção da insolação indesejada A . Projeto arquitetônico adequado para o uso de aquecimento solar de água. Aproveitamento da ventilação de oeste cruzada para resfriamento para noites mais quentes Atenção ao adequado isolamento térmico do envelope (vidros duplos. PROJETO E GESTÃO DE ENERGIA Arquitetura Bioclimática Projete uma residência energeticamente eficiente que faz uso de conforto gratuito . Permacultura .Altos níveis de insolação para inverno com proteção de verão para um aquecimento/resfriamento inteligente e natural quando necessários sem o uso de condicionadores de ar. Caso necessite. eólica.1. Locação Observar topografia para correta locação da residencia e equipamentos de saneamento e abastecimento para A. B. biodigestor) B.2.2.

1. Uso de arejadores de torneiras e torneiras com temporizadores. C.1. bacio sanitário.4. Redução no Abastecimento por Uso de Água de Chuva Sistema de captação de água de chuva por calhas instaladas nos beirais da cobertura e armazenamento em cisternas para diversos usos como: OBS: água não potável. PROJETO E GESTÃO DA ÁGUA C.4 Outros. C.1. Limpeza C.4. Especificar: C.4. Descarga dos bacios C.1 Bacia de evapotranspiração C. Bacio sanitário com caixa acoplada para descarga de no máximo 6 litros por fluxo.109 C. Sistema natural de Filtragem e Purificação de Águas Servidas através do aproveitamento de resíduos orgânicos gerados na residência para a produção de alimentos e outros cultivos para as águas provenientes da pia de cozinha.3. Especificar: .2. lavatórios.2.3. Outros. lava roupas.2.2.4.3.5.1.4.4.4.2. Uso de materiais de pavimentação que facilitem a absorção da água de chuva.3.2. C. C. Outros. Sanitário Compostável (banheiro seco) C. Irrigação C.5.3.3. Descarga de bacios C. Irrigação C. Especificar: C. chuveiros. Lavadora de roupas C.2 Círculo de Bananeiras C. Limpeza geral C. Redução no Abastecimento por Reuso de Água Servida Cinza Reuso de águas servidas cinzas (sem matéria fecal) após tratadas em sistema natural de filtragem e purificação (biológico aeróbico ou anaeróbico) para reuso em: OBS: água não potável.3.4.4.1. C.1.2. Uso de Equipamentos Eficientes tais como: C. C.2.3.3 Swales (áreas alagadas em estágios de tratametos) C. Outros.1.2.1. Especificar: C.

10. Estruturas D.5.2.2. refrigeração.2.6. madeira certificada ou de correto manejo de pequenas produções próximas. resinas.2. Impermeabilizantes a base de petróleo D. agrega enormes quantidades de produtos químicos e energia e gera grande percentual de poluição. Tijolo Cozido D. materiais naturais como preservantes. compostos orgânicos voláteis e formaldeidos (Tintas comuns do mercado). Alumínio / Aço D.4.5. sendo substituídos por produtos naturais biodegradáveis orgânicos para estes fins . Acabamentos D.3. tintas. adesivos e resinas sintéticos D. Redução do Uso de Materiais de Grande Impacto e Gasto Energético Na extração da matéria prima.6. Vernizes.2.2. GESTÃO DE MATERIAIS O processamento para a transformação da matéria prima no material a ser consumido e o transporte de materiais para a construção civil por longas distâncias. D. Materiais e Equipamentos que fazem uso de CFC’s (condicionadores de ar. terra crua de fontes próximas com manejo apropriado.2. Pisos D.1. espumas sintéticas e outros) Redução de produtos químicos para a limpeza que serão despejados nos sistemas de tratamentos biológicos. Cobertura D.1. D.9.8.8. Fundações D. Dê preferência sempre à materiais naturais renováveis. ou D.1.1.1.1. processamento e transporte e redução no uso de materiais que contribuam como fontes de contaminação do ambiente interno e externo.2.2.1. tais como: (Assinalar somente os itens não utilizados ou de uso drasticamente reduzido) D. que venham a ter contato com o solo. materiais de fábricação local.4.1.1.1. materiais em reuso ou reciclados para: D. Especificar: D.3. Mobiliário interno D.2. Solventes químicos ou a base de petróleo D. PVC D.9.7.110 D.2. Uso de Materiais da Região (< 150km) e ou Naturais Como pedras da região.2.1.1. Cimento D. Tintas e outros produtos que contenham chumbo.7. reusados ou reciclados e da região. Esquadrias D. Outros. Alvenaria (paredes) D.2.

Fazer uso de pequenas espirais de ervas para produção de temperos.2 H PRODUÇÃO LOCAL DE ALIMENTO H.1.2. etc) na construção G GESTÃO DE RESÍDUOS NA OCUPAÇÃO Uso de composteira para transformação do lixo orgânico a ser aproveitado na produção local de alimento (horta. chás e medicinais . G. Planejamento da execução para redução de resíduos não recicláveis na construção F GESTÃO DE ENERGIA NA CONSTRUÇÃO F.111 E GESTÃO DE RESÍDUOS NA CONSTRUÇÃO E. pomar. Destinar área interna dos lotes para produção de frutíferas em pequeno pomar H. chás e medicinais H. Destinar área interna dos lotes para produção de hortas individuais ou comunitárias para alimento.3.1 Facilidades de projeto que possibilitem aos ocupantes a separação do lixo reciclável e orgânico G.1.1. Planejamento da execução para redução do uso de energia (elétrica. combustíveis. temperos. etc).

uma proposta de projeto. além de uma perspectiva. 4.4. Estudo da Interação Bioclimática e Memorial Descritivo Na folha de número um. Projeto Residencial. . seguido de um estudo bioclimático e na seqüência.112 4. o texto sobre o programa e a proposta de residência permacultural.4. as análises dos efeitos da aplicação dos parâmetros permaculturais de planejamento da ocupação e projeto da residência à nível local e global. nas diversas situações a que a residência está sob influência do clima local. apresenta-se. a seguir. estão representados os estudos da interação bioclimática. Na folha de número dois. é apresentada a localização do lote. PROJETO e ANÁLISE Para exemplificar uma das possibilidades de utilização das recomendações do trabalho no planejamento de ocupação e projeto de residências unifamiliares. Em seguida é apresentado o memorial descritivo da proposta de projeto.1. a implantação da proposta no lote.

.

.

4. Figura 4. Sob pilares externos: sapata isolada em concreto armado à 80cm da superfície.2. Memorial Descritivo Neste item são apresentados os materiais propostos para o projeto da residência Itens: A. Fundação: Descrição: Opção 1 – Sob paredes: Sistema mixto em Superadobe (areia do local ensacada e empilhada) sob cinta armada de concreto. Bagé 2004 .115 4. Fundação de Superadobe Fonte: Arquivo Pessoal do Autor.

116 Opção 2 . Estrutura e Alvenaria: Opção 1 – Sistema autoportante de tijolos de terra crua (adobe) com assentamento conforme projeto. Sob pilares externos: sapata isolada em concreto armado à 80cm da superfície. Fundação de Pedra Fonte: Arquivo Pessoal do Autor B. . Figura 5.Sob paredes: Pedra do local ou cabeça de pedra assentada em massa de areia e cimento sob cinta de concreto armada. Vergas sobre esquadrias em chapas sobrepostas de madeira de lei de reuso com aproximadamente 20cm de largura por até alcançarem 10cm à 20cm variável conforme local e comprimento indicado em projeto.

com medidas indicadas e execução conforme projeto.117 Figuras 6 e 7 Sistema Autoportante de Tijolos de Terra Crua (adobe) Fonte: Arquivo Pessoal do Autor foto de San Pedro do Atacama. 1995 Opção 2 – Sistema de estrutura para cobertura ( pilares. vigas e caibros) em eucalipto com tratamento por difusão à base de sais de boro e acabamento com óleo vegetal ou verniz atóxico base d’água. e fechamentos em alvenaria mista de pau-a-pique nas paredes internas e tijolo comum nas externas sendo que nas paredes de sul / sudeste o tijolo deve estar deitado para maior proteção. Estrutura de Madeira Fonte: Arquivo Pessoal do Autor . Figura 8.

Possibilidade de uso de chapas de madeira de lei de demolição para confecção das esquadrias. Figura 11.118 Reboco Interno e Externo: Massa (argila. Bagé 2004 Fonte: Arquivo Pessoal do Autor. Reboco Externo Fonte: Arquivo Pessoal do Autor. cinza de casca de arroz e esterco). Figura 9. Reboco Externo 1ª demão Finalizado Figura 10. Campinas . areia. para aplicação em 3 demãos. Esquadrias em Chapas de Madeira de Lei Reutilizadas Fonte: Arquivo Pessoal do Autor. Fechamentos nas esquadrias à sul com vidro de 4mm duplo para melhor proteção. Bagé 2004 Esquadrias: Conforme quadro de esquadrias indicado e detalhamentos em futuro projeto executivo. com traço a ser definido no local por meio de testes.

entre a telha e o OSB. Piso Interno: Cimento queimado cor clara. sobre forro em OSB (aglomerado de pinus) e ripas 5x10cm. Ou cerâmica da região . com juntas dilatação de filetes de madeira e acabamento em resina natural de mamona. Telha Ondulada Reciclada de Embalagens e OSB como Forro Fonte: Arquivo Pessoal do Autor Isolamento Térmico: Devido ao bom isolamento já alcançado pelo conjunto telha + OSB.119 Cobertura: Em telha ondulada produzida a partir de resíduos de embalagens diversas. de manta de bidim de 5mm em duas camadas ou painés feitos de embalagens longa vida de leite ou suco encontradas em cooperativa de catadores. Figuras 12 e 13. sugere-se a colocação.

Revestimentos das Paredes Molhadas: Acabamento cerâmico (azulejo) cor clara com medida a definir na compra. . Trabalhando com Ferrocimento Fonte: Arquivo Pessoal do Autor.120 Decks: Estrutura em cabeça de pedra assentada e piso de bambu tratado com tanino e protegido com verniz atóxico base d’água. Tampos. Cubas e Lavatório: Em ferrocimento (tela metálica recoberta por dupla camada de massa de areia e cimento no traço 2X1) moldados na obra. Bagé 2004 Louças Sanitárias: Bacio – sistema com caixa acoplada 6lpf branca. Tubulação Hidráulica: PVA ou cobre para água quente e PP ou PVA para água fria. Figura 14.

Esquema de uma Bacia de Evapotranspiração Fonte: Barroso (2003) Sistema de Tratamento de Águas Cinzas da Cozinha: Círculo de bananeiras conforme detalhamento em projeto executivo. Sistema de Tratamento de Águas Negras e Cinzas do Banheiro: Bacia de evapotranspiração conforme detalhamento em projeto executivo. .121 Tubulação para Esgoto: PP ou PET. Figura 15.

. Lavatório e Chuveiro: Coletores solares de baixo custo de mangueira em polipropileno (PP) e tanque de acumulação com apoio de chuveiro eletrônico. limpeza. irrigação. Bagé RS 2004 Sistema de Aquecimento de Água para Pia da Cozinha.122 Figura 16. Novo Círculo de Bananeiras Fonte: Arquivo Pessoal do Autor Fonte: Infoteca IPAB (2005) Sistema de Captação de Água de Chuvas: Calhas instaladas no beiral do telhado conduzindo a água pluvial para um tanque de 6000 litros em ferrocimento com pré filtragem para diversos usos como descargas. Figura 17. Cisterna de Ferrocimento para Armazenamento de Água de Chuva Fonte: Arquivo Pessoal do Autor.

Figuras 18 e 19.123 Serpentina de cobre em fogão à lenha e acumulador de tonel de chapa metálica de reuso. Fogão à Lenha: Deve ser executado em alvenaria de tijolo maciço e refratário conforme projeto executivo. com acabamento em cimento queimado com corante ou azuleijado. . Serpentina para Aquecimento de Água e Tanque Acumulador Fonte: Infoteca IPAB (2005) Pintura: Paredes externas e internas – Caiadas (à base de cal cola e corante) com cor à definir. Chaminé em tijolo comum rebocada e pintada.

Diante das projeções elaboradas. O Quadro 6. resta verificar se os objetivos ambientais que. Análise de Aplicação dos Parâmetros Permaculturais de Planejamento da Ocupação e Projeto de Residência. e da lista de checagem. serão atingidos com a aplicação dos parâmetros permaculturais de planejamento da ocupação e projeto de residência unifamiliar. em Florianópolis. Análise das reduções dos impactos à nível local e global. resumidamente apresenta a análise da influência destes parâmetros à nível local e global. com a aplicação dos parâmetros permaculturais de planejamento da ocupação e projeto de residência unifamiliar. segundo a proposta deste trabalho. em Florianópolis. com as correspondentes ações. concorrem para a sustentabilidade da cidade de Florianópolis. QUADRO 7. no Distrito do Campeche.124 4. .4. através da aplicação das diretrizes. no distrito do Campeche.3.

contribuição para o com produtos quím o icos tóxicos. Privilegiar o uso de recursos renováveis. para se alcançar im pacto da produção. Conservação de 's apresentar bom desem penho térm e ico florestas (flora e fauna) e qualidade das águas acústico e baixo consum energético na o produção e transporte C. naturalm ente. ento ico im pacto da produção. de saneam e abastecim ento ento. interno. im plantação.125 Diretrizes Sustentáveis e A ções Consequências Esperadas à nível Consequências Esperadas à nível Local G lobal A . possibilitar o m o aproveitam áxim ento da gravidade para Correta localização dos equipam entos A. Im plantaçãoeorganizaçãodosespaçosconstruídosenaturais.1 entre im plantação da edificação e o m aquecim eio ento e resfriam ento natural quando concentrada de energia elétrica. além de reduzir as distâncias. isolam ento acústico. escolha dos concentrada de energia elétrica. G estão da Energia: É necessária a análise de três elem entos im portantes para a redução ou racionalização nouso da energia: Redução e racionalização no uso da Redução da necessidade de produção O bservação da concepção geral do energia. m ateriais naturais. otim izando o aproveitam ento da inação natural e estratégias para Redução da necessidade de produção Estudos da interaçãolum ino-clim ática ilum A. direção dos ventos e orientaçãosolar para definiçãode: Significativa redução do uso da energia elétrica.2 circulação. através de fontes naturais.1 espaço. pedologia. disponíveis localm ente e qualidade do ar interno. acústico. Redução na exploração de m atérias tradicionais da região (considerar os prim não renováveis.3 indesejáveis. redução no am biente local (Arquitetura Bioclim ática).1 m ateriais de construção nos com ponentes com possibilidade de reciclagem ou de naturalm ente. do conforto térm ico B.4 m o a m entação de terra. atravésdedadoslevantadosreferentesà topografia. excelente grau de conforto térm e de ico ilum inação. m anutenção da drenagem e A. redução dos gastos com energia C. im natural e o im pactoglobal no uso do m o sobre o m esm eio. Redução dos custos com serviços Escolha do local de m a reduzir ao prelim odo inares. no isolam térm e outros. Escolha dos M ateriais de Construção: A devem ser observadas duas questões de fundam qui ental portâncianaescolhadeumm aterial deconstrução: acapacidade desuporte naexploraçãodesterecurso B. redução dos im as pactos elhoriada saberes e as técnicas regionais de Reduçãonos custosdiretos. bas Áreasverdescom obarreirasdevento O ização do conforto térm e tim ico A. CVO e outros. devendo ainda desenvolvim da econom local. reduçãodapoluição e gasto energético Contribuição na produção de áreas verdes Evita o gasto energético e poluição. m izando gastos de energia elétrica com inim bom e tubulações. Através da topografia. m etais m atéria prim reciclada. vegetação. áxim ovim característicasnaturais. som bream ento. redução no elétrica e m elhoria do conforto térm ico m ateriais. . m causados na produção e transporte dos construção). se fizerem necessárias. a ento ia pesados.

viáveis economicamente. Desenvolvimento de Amortização gradual dos custos. redução no energia renovável (metano) redução impacto da produção. tecnologias alternativas.2 sanitários de no máximo 6 lpf ( seis litros recurso do recurso por fluxo ). hidráulica). redução no D. telhados encaminhando para pré. evolução nos sistemas de certificação. solar. solar. enchentes. impacto da produção. sistema solar embutido). redução no Conservação de Energia Elétrica energia.3 fotosensores para a iluminação externa energia renovável (eólica. Desenvolvimento de (luminárias de baixo consumo com Amortização gradual dos custos. Desenvolvimento de água. Uso de equipamentos que permitam a racionalização e redução da quantidade necessária da água para diversos fins. Sistema de captação e Redução da dependencia ou até armazenamento de água de chuva – captação por calhas nos beirais dos independencia do abastecimento pela Manutenção de águas subterrâneas. aliado à biodigestores produção de fertlizante e geração local de concentrada de energia elétrica. Prever e dar preferência ao uso de Redução e racionalização no uso da Redução da necessidade de produção painéis fotovoltaicos (energia solar) para energia: possibilidade de produção local de concentrada de energia elétrica. tecnologias alternativas. dando-se preferência à sistemas que permitem a escolha da descarga para líquidos (3 lpf) ou sólidos (6 lpf) já à disposição no mercado. redução no Painéis de aquecimento solar para D. Uso de equipamentos que utilizam fontes renováveis de energia para o abastecimento do lote e residência tais como: Redução da necessidade de produção Redução e racionalização no uso da concentrada de energia elétrica. redução no D. Gestão de Energia: Potencialização do abastecimento local autônomo. Redução da necessidade de produção Tratamento local de resíduos. Privilegiar os equipamentos que Redução da necessidade de produção Redução e racionalização no uso da trazem o selo do Programa Nacional de concentrada de energia elétrica. tecnologias alternativas. Privilegiar o uso de iluminação Redução e racionalização no uso da Redução da necessidade de produção abastecida por energia solar com energia: possibilidade de produção local de concentrada de energia elétrica.126 Diretrizes Sustentáveis e Ações Consequências Esperadas à nível Consequências Esperadas à nível Local Global D. Gestão das águas: Racionalização do uso da água. consumo. Retenção temporária lagoas e de rios. Abundância F. . na medida energia renovável (eólica. redução dos custos ao E.1 energia.Manutenção de (cisternas) de ferrocimento para posterior evitando utilização emdescarga sanitária. Desenvolvimento de em que estes equipamentos se tornarem Amortização gradual dos custos. tecnologias alternativas.1 filtragem e armazenamento em tanques longo do tempo. E. Fazer uso de D. redução dos gastos com energia impacto da produção.4 individuais ou coletivos. hidráulica). irrigação e outros usos. Gestão das águas: Potencialização do abastecimento local autônomo. F.distribuidora local. aquiferos e lençóis d'água. redução dos gastos com energia impacto da produção. limpeza. impacto da produção. Credibilidade e (PROCEL) e que indicam o baixo elétrica. É desaconselhável o uso de válvula de descarga (tipo válvula hidra de parede) sendo sugerido a utilização do sistema de caixa acoplada nos vasos Economia no uso e no gasto com o Economia no uso do recurso.2 geração de energia elétrica. elétrica.

Promover o paisagismo produtivo. Redução do volume de lixo. para I.1 separação de lixo.1 sanitários) para filtragem e irrigação de consumo. Evita gastos cominfraG.4 projeção das copas das árvores com folhagens do próprio local) nos pomares. Lixo seco e lixo emprego e renda.2 orgânico. Consciência ambiental. Produção de solo fértil. retirada do campo. Incentivar o tratamento local dos Produção local de fertilizante e alimento Redução de emissões com o transporte e resíduos orgânicos com a compostagem H.127 Diretrizes Sustentáveis e Ações Consequências Esperadas à nível Consequências Esperadas à nível Local Global G. Conservação de florestas. As águas servidas procedentes das residências podem ser separadas entre: Águas cinzas ( sem matéria fecal) – encaminhadas para tratamento e purificação e reuso emfins como limpeza. . descarga em sanitários e irrigação. pomar. Produção local de alimento: Implementar a produção local de alimento e medicinais. Abundância negras (procedentes dos vasos a produção local de alimento. pomares. I. Depositar os resíduos inorgânicos Organização dos espaços para facilitar a H. aterros sanitários. H. ervas para medicina natural e preventiva. de matéria orgânica. temperos. bem pequenas espirais de ervas para reduzindo custos com a compra de como de fertilizantes e "defensivos agrícolas". produção de temperos. em aterros sanitários.1 chás e medicinais. retirada do campo. reduz gastos.3 nas áreas destinadas à coleta seletiva e coleta e a consciência e apoio dos usuários. Gestão do Lixo doméstico e outros resíduos: Incentivar a Separação e o Reaproveitamento do Lixo e Resíduos Orgânicos Gerado no Uso da Residência Redução na exploração de recursos naturais e dos gastos enérgéticos com Implementar um sistema de Possibilidade de geração local de produção e transporte no processo produtivo H. em aterros sanitários. chás e alimentos e remédios. permitindo assima total purificação deste recurso rico emnutrientes e evitando que se infiltre “contaminada”. Redução na exploração de recursos naturais e dos gastos enérgéticos com produção e transporte no processo produtivo principalmente de embalagens. Evita a perda de matéria orgânica. H. Águas Reuso de águas ricas emnutrientes para Economia no uso do recurso. Melhora na estrutura e saúde. redução da necessidade de áreas. reciclagem. hortas para alimento. redução do do recurso despoluído. área isolada com cultivo de frutíferas qualidade das águas subterrâneas perenes como a bananeira e papaia ou pequeno lago para aquicultura. Destinar área interna dos lotes para produção de frutíferas em pequeno Produção local de alimento orgânico e Redução no transporte de alimentos. Evita a perda orgânico. Redução do volume de lixo para da contaminação do solo e águas em aterros para posterior adubação de hortas e sanitários.5 Redução do consumo de produtos que contribuam para a geração de lixo. Fazer uso de mulch (proteção do solo e depósito de matéria orgânica na H. desde que ela seja devolvida à natureza tão pura ou mais do que foi coletada de fontes próximas. Fazer uso de incentivando o resgate desta cultura e produção de alimentos emoutras regiões. Gestão do esgoto: Não há problema emse utilizar a água para diversos fins. principalmente de embalagens. medicinais.

As aplicações práticas deste estudo sugerem algumas discussões: Para o desenvolvimento sustentável na construção civil.96 por metro quadrado. o adobe. por exemplo. . No caso do uso de tecnologias alternativas como. os custos com materiais podem baixar significativamente pela produção do material no local e da não necessidade da compra dos materiais para a estrutura e vedação da alvenaria aparente. sem destruí-los. SINDUSCON SC) para janeiro de 2006: R$ 478. entende-se como fundamental a realização da pesquisa dos ecossistemas naturais em cada região.96 x 60 = R$ 22. a busca de metodologias que permitam aproveitar seus recursos e garantir sua permanência.000.00 (2. paralelamente. com suas características e. temos: • Valor do CUB materiais (custo unitário básico. SINDUSCON SC) para janeiro de 2006: R$ 368.137. Valor total dos materiais para a construção da proposta: CUB materiais X área edificada: R$ 368.36 por metro quadrado. • Tempo estimado para a execução do projeto: 75 dias. Os valores apresentados acima se referem ao uso de materiais de construção do mercado tradicional (encontrados nas lojas do ramo).36 CUB) para o sistema de captação de água de chuva. • Valor do CUB mão de obra (custo unitário básico.60 valor estimado para janeiro 2006. • • Área edificada: 60m2. • Acréscimo de R$ 2.128 Em relação aos custos da proposta apresentada.

129 As diretrizes bioclimáticas propostas são direcionadas à região do litoral sul do Brasil. Observou-se que a incorporação destes “novos” elementos nos projetos. torna-se necessário e imprescindível um enfoque adequado a estas questões. nas escolas de arquitetura de todo o país. No tocante ao trabalho criativo dos arquitetos. O mesmo procedimento é sugerido na utilização sustentável dos diversos materiais de construção. Para que se possa obter edificações mais eficientes do ponto de vista energético. na reutilização dos resíduos . como uma necessidade. sugere-se a aplicação destas diretrizes. e sua racional utilização. no sentido da utilização correta e sem desperdício do componente energia. a própria sociedade. a produção local de alimento ou paisagismo produtivo. da água e nos tratamentos de resíduos. além da necessidade de conscientização por parte dos usuários das edificações. de forma mais enfática. Dentro deste contexto. adaptadas ao seu clima. pode ser considerada. Os profissionais da área têm papel fundamental neste contexto. atualmente. assim como. e até uma obrigação. desta forma. no sentido de que seja considerada. em seus projetos. execução e ocupação das edificações. além da importância para a redução dos impactos causados pela agricultura moderna e pela possibilidade dos fechamentos de ciclos. a necessidade de edificações energeticamente eficientes. principalmente. nas fases de planejamento. para que. a arquitetura traduza as exigências ambientais da época presente. devendo oferecer efetivas contribuições de participação na incorporação destes elementos. pode se revestir como um assunto de significativa riqueza cultural pelo resgate que proporciona para esta região.

imitando-a e trabalhando com ciclos fechados. facilmente identificados no Quadro 6 (pág. Interessante notar que dependendo das características locais como tamanho do lote em relação à edificação. insolação. constituída de três a quatro pessoas. O homem deve procurar o equilíbrio no seu ecossistema. suficiente para suprir boa parte da demanda de uma família . . tornando-se parte deste. As propostas apresentadas neste estudo procuram reaproximar o homem da natureza. sempre reutilizando os recursos disponíveis.130 gerados na ocupação. em pequena área é possível produzir quantidade adequada de alimento vegetal. com o menor impacto possível. tipo de solo. trabalhando com a natureza e não contra ela. 112) das análises de impactos locais e globais.

. em lote residencial padrão para Florianópolis.131 5. previamente estabelecidos foram atendidos. Conclusões da Pesquisa Neste trabalho. posteriormente. saber se os objetivos específicos. ao mesmo tempo. quanto aos aspectos destes impactos e. optou-se por criar uma proposta de ocupação e uso do solo. principalmente. através de diretrizes sustentáveis e check-list e. 5. com ênfase na residência e nos equipamentos do seu entorno. um instrumento auxiliar no planejamento ambiental. o objetivo geral consistiu em pesquisar e propor alternativas viáveis de tecnologias para serem implementadas no planejamento de assentamentos humanos sustentáveis. são demonstradas no Quadro 8. A relação entre os objetivos específicos e as etapas e atividades do presente trabalho. com foco na sensibilização dos usuários. Para que fosse possível atingir este objetivo. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES A seguir são apresentadas as conclusões resultantes das atividades de pesquisas desenvolvidas ao longo do estudo. Na conclusão buscou-se. criando condições que possam proporcionar aos mesmos.1. proceder-se à análise da redução nos impactos em nível local e global.

e 4.132 Quadro 8.3. Com a aplicação das diretrizes e lista de checagem. obtendo-se uma proposta de projeto de implantação. para a efetiva implantação em processos de planejamento e execução de Assentamentos Humanos Sustentáveis. Etapas e Atividades Objetivos Específicos Revisão bibliográfica com estudo Desenvolver e propor diretrizes e ações que auxiliem no planejamento para a identificação de aspectos de Assentamentos Humanos relevantes ao desenvolvimento do capítulo 4. Capítulo 4. observa-se que todos os objetivos específicos foram alcançados. Apresentar uma proposta de ocupação territorial e anteprojeto arquitetônico de uma residência e seu entorno.3 check-list. tornou-se possível a análise da redução dos impactos ambientais em nível local e global. seção 4. .4 subitem 4. sob a ótica da sustentabilidade em assentamentos humanos. o qual pode servir de base para um futuro estudo de avaliação de impactos ambientais da edificação. em um lote residencial padrão de Florianópolis. como apresentados no capítulo 4.4. Realizar uma avaliação da proposta na aplicação das diretrizes. pode-se concluir que é possível o uso da permacultura enquanto ferramenta ecológica para o planejamento de assentamentos humanos visando a sua sustentabilidade por proporcionar significativa redução nos impactos causados além de possibilitar a regeneração de ambientes já degradados. seção 4. com correspondentes ações e lista de checagem.4.4 subitem 4. Relação entre Desenvolvimento do Trabalho e Atendimento dos Objetivos Específicos.1. Fonte: o Autor Visualizando-se o Quadro 7. seção 4. quadro 6. Desta forma. para a certificação ambiental na construção civil no Brasil. através da análise dos parâmetros permaculturais. proposta de projeto com base nas diretrizes sustentáveis desenvolvidas sob a ótica da permacultura.2 diretrizes e ações Sustentáveis. o que permitiu o atendimento do objetivo geral deste estudo.

comentários e críticas realizadas ao longo deste trabalho.3. certamente deverão merecer análise mais profunda dos aspectos técnicos da metodologia adotada. sua aplicabilidade e o comportamento das variáveis intervenientes. comentários e sugestões que possam contribuir para a evolução de estudos que tenham propósitos e finalidades com as mesmas características. mas. por ser uma ciência relativamente nova. pois não se pretende esgotar as possibilidades de análise.133 Conclui-se também que a permacultura ainda não é amplamente utilizada para o planejamento destes assentamentos. A contribuição deste trabalho sempre objetivou o melhor entendimento dos assuntos referentes à questão da permacultura. Considerações Finais Ao concluir este estudo. considera-se que outras formas de abordagem do problema. igualmente. trazendo para o rigor da ciência. 5. entende-se que outros questionamentos serão feitos.2. ao contrário. Toda a argumentação. Recomendações para Trabalhos Futuros . que exige um trabalho interdisciplinar. 5. complexa. e pouco divulgada pela falta de exemplos eficientes que possam ser reproduzidos. poderão contribuir para melhor avaliar a interferência da permacultura no desenvolvimento de pesquisas e implementações necessárias para aproximar a realidade das construções sustentáveis em nosso país.

134 Este trabalho de pesquisa. de acordo com a região em que se encontra. • Pesquisas para o desenvolvimento de materiais de baixo impacto (não degradantes). por exemplo. o que permite perceber algumas outras oportunidades de aplicação das ferramentas da permacultura na construção civil e no planejamento das cidades. não esgota o assunto. com as adaptações necessárias. o bambu. substitutos de produtos poluentes comumente utilizados na construção civil no Brasil. para o monitoramento e avaliação da sustentabilidade da proposta. A partir de todas as considerações tecidas neste trabalho. • Desenvolvimento de ferramentas e metodologias. como tantos outros. • Ampliação da área de abrangência das propostas desta pesquisa para o projeto urbano. • Propostas para o desenvolvimento e mapeamento da cadeia produtiva de materiais de baixo impacto como. . • Execução das propostas e monitoramento para estudos referenciais sobre cada equipamento sustentável proposto no projeto da residência. visando uma melhor avaliação quanto à funcionalidade desses equipamentos. condomínios e loteamentos. cabe deixar algumas sugestões para futuras pesquisas: • Estudo para a implementação de certificação de sustentabilidade para residências no país. com base na Permacultura.

135 • Proposta para o desenvolvimento de um centro de divulgação. pesquisas e capacitação em técnicas permaculturais para esta região. nas mais diversas áreas. • Proposta de estudo que objetive a inclusão da Permacultura como parte do currículo nas universidades. .

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Apêndice 1 Instrumento de coleta de dados referente às características regionais (Macro-região)

A. Localização B. Limites territoriais C. Clima D. Temperatura média E. Ventos predominantes F. Geologia G. Geomorfologia e Relevo H. Hidrografia I. Características Gerais F. Outros Dados

Aspectos Sociais . VEGETAÇÃO D.3. RECURSOS HíDRICOS E.142 Apêndice 2 Instrumento de coleta de dados referente às características regionais (Micro-região) A. Aspectos Ambientais C. Aspectos Físicos D. CLIMA D. Área de Abrangência e Localização B.2. Aspectos Urbanos D.1.

AREIA ( ). Relevo para Sistema Aabastecimento e Tratamento. PEDRA ( ) Espécies de Madeira Disponível: Outros Materiais: Zoneamento: Lote Mínimo: Taxa de Ocupação: . Quedas para Geração Energia. Identificar Áreas Produtivas Identificar Áreas para Recuperação Acessos e Caminhos Materiais de construção do Local: TERRA ( ). Rios. Nascentes. Possibilidades Açudes.143 Apêndice 3 Instrumento de coleta de dados referente às características do local de estudo (lote). Córregos. Caminhos Naturais. • - Endereço do lote: Forma do Terreno (Croqui sem escala) Medidas Indicação do Norte Gráfico de Ventos Predominantes Insolação Relevo Vegetação Vistas Privilegiadas Poluição Sonora Águas: Fontes.

144 - Índice de Aproveitamento: N° Máximo de Pavimentos: Testada Mínima: Recuos: .

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