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Manual 3º Setor - Portal da Contabilidade

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15/11/2011 TERCEIRO SETOR - VENDA DE BENS OU SERVIÇOS As entidades que obtém recursos através de venda de bens ou serviços devem

registrar tais rendas pelo regime de competência, destacadamente da receita auferida de outras fontes, como doação, subvenções, etc. Observe que também devem ser contabilizadas as respectivas despesas e custos relativos à obtenção da receita, pois o reconhecimento da receita deve ser consentâneo ao custo correspondente. Assim, a venda de produtos em estoques, devem ocorrer 2 registros simultâneos: 1) a receita, a débito de disponibilidades ou de créditos a receber e 2) a baixa dos estoques dos respectivos produtos vendidos, bem como as despesas de frete e tributos incidentes sobre a operação. Exemplo: Venda, em bazar de artigos artesanais, de R$ 1.000,00. O estoque dos referidos artigos vendidos era de R$ 400,00 e a tributação é a seguinte: ICMS: isento, por lei estadual (artigos artesanais) COFINS: 3% sobre a receita Cálculo: COFINS = R$ 1.000,00 x 3% = R$ 30,00 Lançamentos contábeis: 1) Registro das vendas: D - Caixa (Ativo Circulante) C - Vendas de Bens e Serviços (Resultado) R$ 1.000,00 2) Baixa dos estoques vendidos: D - (-) Custo das Vendas de Bens e Serviços (Resultado) C - Mercadorias e Produtos á Venda (Estoques – Ativo Circulante) R$ 400,00 3) Tributos na operação de venda:

D - (-) Despesas Tributárias das Vendas (Resultado) C - COFINS (Passivo Circulante) R$ 30,00 NOTAS SOBRE A TRIBUTAÇÃO DE VENDAS DAS ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR A possível isenção fiscal que gozam determinadas entidades é relativa á suas atividades-fins. A realização de operações mercantis como forma de levantamento de recursos obriga tais entidades ao regime tributário decorrente de tais operações. A isenção é para o objeto social, e não para as operações mercantis. O contabilista deve alertar aos responsáveis e administradores da diferença de tratamento tributário entre a obtenção de recursos mediante doações, subvenções e contribuições daquelas decorrentes de operações mercantis típicas (compra e venda de produtos e serviços). Para maiores detalhamentos sobre questões tributárias das entidades do terceiro setor, acesse o tópico correspondente. VENDAS EM CONSIGNAÇÃO Há situações em que a entidade tem a posse de um determinado bem de terceiro e, realizando a venda, passa a deter parte do resultado obtido. Nesta hipótese, os registros contábeis devem ser feitos como os de transação em conta alheia. Exemplo: Venda de artesanatos de terceiros, recebidos em consignação. O valor consignado é de R$ 1.000,00, e o valor da venda foi de R$ 1.500,00. Os lançamentos serão: 1) Pela recepção dos produtos consignados: D - Mercadorias e Produtos em Consignação (Estoques – Ativo Circulante) C - Consignações de Mercadorias e Produtos (Passivo Circulante) R$ 1.000,00 2) Pela venda dos aludidos artesanatos: D - Caixa C - Vendas de Bens e Serviços (Resultado) R$ 1.500,00

3) Pela baixa dos estoques a custo das vendas: D - (-) Custo das Vendas de Bens e Serviços (Resultado) C - Mercadorias e Produtos em Consignação (Estoques – Ativo Circulante) R$ 1.000,00 4) Pela contabilização da COFINS: D - (-) Despesas Tributárias das Vendas (Resultado) C - COFINS (Passivo Circulante) R$ 45,00 5) Pelo pagamento dos artesanatos ao consignante: D - Consignações de Mercadorias e Produtos (Passivo Circulante) C - Caixa R$ 1.000,00
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TERCEIRO SETOR - O QUE É?
Denomina-se “terceiro setor” o conjunto das organizações não governamentais (sigla ONG). Caracterizam-se como ONG as entidades que não têm finalidade de lucro e não derivam do poder público, congregando objetivos sociais, filantrópicos, culturais, recreativos, religiosos, ecológicos ou artísticos. O primeiro setor é o governo, que é responsável pelas questões sociais. O segundo setor é o privado, responsável pelas questões individuais, tendo objetivo primordial o lucro. O terceiro setor é constituído por organizações sem fins lucrativos e não governamentais, que tem como objetivo gerar serviços de caráter público. TIPOS DE ENTIDADES Destacam-se os seguintes tipos de entidades do terceiro setor no Brasil:

a) Associações b) Fundações c) Cooperativas Sociais

d) Organizações Sociais e) Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP

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TERCEIRO SETOR - SUPERÁVIT OU DÉFICIT DO EXERCÍCIO No encerramento do exercício social, normalmente em 31 de dezembro de cada ano, as entidades do terceiro setor devem proceder à apuração do superávit ou déficit do respectivo exercício. O valor apurado deve ser registrado na conta Superávit ou Déficit do Exercício enquanto não aprovado pela assembléia dos associados. Após a sua aprovação, deve ser transferido para a conta Patrimônio Social. Exemplo: Determinada entidade apresentou superávit de R$ 105.000,00 no exercício. Inicialmente, este valor deve ser transferido da seguinte forma: D – Superávit do Exercício (conta do Encerramento de Resultado) C – Superávit Acumulado (conta do Patrimônio Social) R$ 105.000,00 Posteriormente, se tal valor for destinado, pela Assembléia que aprovar a respectiva demonstração, para incorporação na conta Patrimônio Social, procede-se ao seguinte lançamento: D - Superávit Acumulado (conta do Patrimônio Social) C - Fundo Institucional (conta do Patrimônio Social) R$ 105.000,00. Nota: a Assembléia pode constituir outros fundos, inclusive especiais. Neste caso, o valor aprovado será transferido a conta especificada, conforme decisão da respectiva Assembléia.
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TERCEIRO SETOR - SUBVENÇÕES

Subvenção é a contribuição pecuniária, prevista em lei orçamentária, concedida por órgãos do setor público a entidades públicas ou privadas, com o objetivo de cobrir despesas com a manutenção e o custeio destas, com ou sem contraprestação de bens ou serviços da beneficiária dos recursos. As subvenções devem ser reconhecidas no recebimento efetivo. As transferências a título de subvenção que correspondam ou não a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, são contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. Exemplo: Recebimento de Subvenção municipal no valor de R$ 3.000,00, relativamente á manutenção de pessoal: 1) Registro do recebimento da verba, na conta bancária: D – Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C – Subvenções Municipais (Receitas) R$ 3.000,00 2) Registro nas contas de compensação: D – Subvenção Municipal – Destinação de Recursos Humanos (Conta de Compensação Ativa) C – Subvenção Municipal a Destinar – Recursos Humanos (Conta de Compensação Passiva) R$ 3.000,00 Por ocasião do efetivo pagamento das despesas de pessoal (folha de pagamento, férias e 13o salário), baixa-se as contas de compensação, pelo lançamento: D - Subvenção Municipal a Destinar – Recursos Humanos (Conta de Compensação Passiva) C - Subvenção Municipal – Destinação de Recursos Humanos (Conta de Compensação Ativa) R$ 3.000,00
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TERCEIRO SETOR - OBTENÇÃO DE RENÚNCIA FISCAL

Muitas entidades sociais, por preencherem requisitos legais, obtêm isenção de tributos, seja na esfera federal, estadual ou municipal. O incentivo fiscal é a renúncia total ou parcial de receita fiscal do governo em favor de entidades públicas ou privadas com objetivo de geração de benefícios sociais e econômicos, sendo: I - Isenção tributária - desobrigação legal de pagamento de tributo; II - Redução tributária - desobrigação legal de pagamento parcial de tributo. Não é porque a entidade deixa de pagar tais tributos que os mesmos não devam ser contabilizados, já que trata-se, obviamente, de um compromisso social – a renúncia fiscal deve ter contrapartida a ações gratuitas, oferecidas pela entidade. É aí que se utilizam contas para registrar as isenções e sua respectiva contrapartida social. No modelo de plano de contas existente neste Guia, tratase do grupo 5 “Variações Patrimoniais”, com seus correspondentes subgrupos “5.1 – Benefícios Obtidos – Gratuidade” e “5.2 – Benefícios Concedidos – Gratuidade”. TRIBUTOS ISENTOS Os tributos (impostos, contribuições e taxas) devem ser registrados pelo regime de competência, independentemente de concessão ou não de caráter isentivo. Exemplo: Contabilização da quota do INSS, em entidade que tenha isenção de tal quota: D - INSS (Resultado) C - Impostos e Contribuições – Renúncia Fiscal (Passivo Circulante) Por ocasião do cumprimento das condições para a renúncia fiscal, a contabilização será: D - Impostos e Contribuições – Renúncia Fiscal (Passivo Circulante) C - Impostos, Taxas e Contribuições Federais (Variações Patrimoniais) IRPJ E CSLL DO SUPERÁVIT No exercício em que a entidade obtiver superávit, registra o respectivo IRPJ e CSLL, como se devido fossem, do respectivo valor.

A alíquota do IRPJ é de 15%, e da CSLL é de 9%. Se o superávit for superior a R$ 240.000,00 no exercício de um ano (ou R$ 20.000,00 por mês), há um adicional de IRPJ de 10% sobre o que exceder tal valor. A contrapartida é uma conta de benefício recebido (conta de resultado). Exemplo: Superávit do exercício (12 meses) de R$ 10.000,00 IRPJ = 15% de R$ 10.000,00 = R$ 1.500,00 CSLL = 9% de R$ 10.000,00 = R$ 900,00 Registros: D - IRPJ (Resultado) C - Impostos, Taxas e Contribuições Federais (Benefícios Obtidos – Gratuidade Resultado) R$ 1.500,00 D - CSLL (Resultado) C - Impostos, Taxas e Contribuições Federais (Benefícios Obtidos – Gratuidade Resultado) R$ 900,00 Nota: o registro do IRPJ e CSLL é efetuado diretamente em conta de gratuidades obtidas (resultado) em decorrência da isenção não precisar ser reconhecida administrativamente pela SRF. No caso do INSS, a isenção depende de prestação de contas periódica, sujeita, portanto, a evento administrativo futuro e condicional. Para maiores detalhes, acesse o tópico "Prestação de Contas ao MPAS".

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TERCEIRO SETOR - REGIME DE RECONHECIMENTO DE RECEITAS E DESPESAS As receitas e despesas devem ser reconhecidas, mensalmente, respeitando os Princípios Fundamentais de Contabilidade, em especial os Princípios da Oportunidade e da Competência. DOCUMENTAÇÃO

As receitas de doações, subvenções e contribuições para custeio ou investimento devem ser registradas mediante documento hábil. Por documento hábil entende-se: contrato, recibo, nota fiscal, fatura ou demonstrativo (planilha, rateio ou forma semelhante) que dê suporte ao respectivo lançamento contábil. RECEITAS ESPECÍFICAS As receitas de doações, subvenções e contribuições recebidas para aplicação específica, mediante constituição ou não de fundos, devem ser registradas em contas próprias segregadas das demais contas da entidade. Exemplo: Recebimento de uma doação, mediante depósito em conta específica, para aplicação num projeto de atendimento a menores carentes, no valor de R$ 1.000,00. D – Banco Cta. Movimento – Projeto Menor Carente (Ativo Circulante) C - Atendimento a Criança (Receitas de Assistência Social) R$ 1.000,00 RECEITAS DE CUSTEIO As doações, subvenções e contribuições para custeio são contabilizadas em contas de receita. Exemplo: Recebimento de doação em dinheiro, no valor de R$ 100,00, para fins de custeio, sem condicionalidades do doador. D – Caixa (Ativo Circulante) C – Doações Incondicionais (Receitas) R$ 100,00

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TERCEIRO SETOR - PROVISÕES PROVISÕES DE RECEBÍVEIS

As entidades sem finalidade de lucros devem constituir provisão em montante suficiente para cobrir as perdas esperadas, com base em estimativas de seus prováveis valores de realização, e baixar os valores prescritos, incobráveis e anistiados. Desta forma, quando determinada receita, já contabilizada, tiver sua realização prejudicada, por inadimplência do devedor, deve ser feito a provisão correspondente, para que o balanço não registre valores irreais. A provisão para perdas, chamada de “Provisão para Devedores Duvidosos”, será uma conta redutora (credora) do Ativo Circulante. O lançamento é como segue: D - Provisão para Créditos Duvidosos (Resultado) C - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) Quando o valor se tornar definitivamente irrecuperável, por ter sua prescrição (ou seja, a possibilidade de cobrança – administrativa ou judicial – ter se expirado), deve-se baixar o correspondente valor, mediante débito á conta da respectiva provisão e crédito da conta do ativo. Exemplo: R$ 2.000,00, registrados na contabilidade, relativo a mensalidades de associados, tiveram sua prescrição ocorrida, não havendo qualquer possibilidade de cobrança. A baixa se procederá da seguinte forma: D - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) R$ 2.000,00 PROVISÃO DE FÉRIAS E 13º SALÁRIO Atendendo ao regime de competência, a entidade que mantém empregados deve constituir, mensalmente, a provisão para o pagamento de férias e 13º salário. Esta provisão é calculada á base de 1/12 mensal, sobre a remuneração dos empregados. No caso de férias, acrescer 1/3 constitucional. O montante da provisão para pagamento de remuneração de férias, 13º e dos encargos sociais incidentes sobre referida remuneração será debitado em conta de despesas, de acordo com a natureza da utilização dos serviços dos empregados. Se os empregados forem da área administrativa, debita-se a conta respectiva no subgrupo Despesas Administrativas.

Se o empregado estiver alocado em determinado atendimento, o débito é de despesa do respectiva atividade. No modelo de plano de contas contido neste Guia, sugere-se que, para fins de análise gerencial, a folha de pagamento (incluindo as provisões de férias e 13º salário) seja contabilizada globalmente, e após, seja transferido para as atividades o correspondente valor do pessoal alocado, através das contas "(-) Transferência para Atividades". No caso de empregados que estiverem vinculados á execução de obra de construção civil, o débito será à conta de Construções em Andamento, no Imobilizado. A contra partida das provisões será à conta do Passivo. A conta de provisão, classificada no passivo circulante, será debitada, até o limite provisionado, pelos valores pagos a qualquer beneficiário cujas férias ou 13º salário ali tenham sido incluídas. Caso não haja saldo suficiente na conta de provisão, o excedente será debitado diretamente a despesas. Exceção no caso de empregados na construção, cujo débito será a Construções em Andamento. ENCARGOS SOCIAIS Contabilizar os encargos sociais (20% do INSS, quando a entidade não tiver isenção da quota patronal, FGTS, percentuais devidos ao SAT e a terceiros) sobre o valor da provisão determinada, cujo ônus cabe à entidade e que incidirão por ocasião do pagamento das férias e 13º salário. Exemplo: Constituição da provisão para pagamento de férias em entidade que não tenha isenção da quota patronal do INSS no período encerrado em 30.06.2004: Férias vencidas e proporcionais - R$ 9.000,00 1/3 Adicional sobre Férias - R$ 3.000,00 INSS sobre férias - R$ 3.384,00 FGTS sobre férias - R$ 1.020,00 Total da Provisão - R$ 16.404,00 Nota: todos os empregados estão alocados á área de assistência social. O lançamento contábil referente à constituição da provisão para pagamento de remuneração de férias e respectivos encargos sociais poderá ser efetuado do seguinte modo:

1) Pelo valor da provisão para pagamento das férias (férias vencidas, proporcionais e 1/3), incluindo os respectivos encargos sociais: D - Férias (Despesas de Recursos Humanos) R$ 12.000,00 D - INSS (Despesas de Recursos Humanos) R$ 3.384,00 D - FGTS (Despesas de Recursos Humanos) R$ 1.020,00 C - Provisão de Férias (Passivo Circulante) R$ 16.404,00 2) Pelo pagamento de férias a funcionários: D - Provisão de Férias (Passivo Circulante) C - Caixa (Ativo Circulante) 3) Pelo pagamento de encargos sociais (INSS e FGTS) sobre parcela de férias: D - Provisão de Férias (Passivo Circulante) C - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) Nota: nos exemplos não consideramos os dados relativos ao Imposto de Renda na Fonte e o INSS retido do empregado. PAGAMENTO DO 13º SALÁRIO Adiantamento Os empregadores adiantam metade do 13º salário por ocasião da concessão das férias a partir do mês de fevereiro, quando solicitada pelo funcionário, ou até 30 de novembro. O valor do adiantamento será registrado em conta de adiantamento no Ativo Circulante, até a data da quitação da gratificação, ou seja, até o pagamento do saldo do 13º salário. Exemplo: Pagamento de R$ 8.000,00 relativo ao adiantamento da 1a parcela do 13. salário: D - Adiantamento de 13º Salário (Ativo Circulante) C - Caixa/Bancos (Ativo Circulante) R$ 8.000,00 Quitação

O empregador deve efetuar o pagamento do saldo do 13º salário até o dia 20 de dezembro ou por ocasião da dispensa sem justa causa ou pedido de dispensa do funcionário. O valor do saldo do 13º salário pago poderá ser registrado contabilmente a débito da respectiva conta de provisão no Passivo Circulante, até o limite do valor provisionado. Nesta ocasião, o valor do adiantamento registrado no Ativo Circulante será transferido para a conta que registra a provisão para pagamento da gratificação no Passivo Circulante. Exemplo: Pagamento da 2a parcela do 13º salário, no total de R$ 9.000,00, relativo á quitação dos valores em 20 de dezembro. O valor da primeira parcela paga foi de R$ 8.000,00. Lançamento da transferência dos valores adiantados do 13º salário para a conta provisão de 13º salário: D - Provisão para 13º Salário (Passivo Circulante) C - Adiantamento de 13º Salário (Ativo Circulante) R$ 8.000,00 Lançamento do pagamento relativo á quitação: D - Provisão de 13º Salário (Passivo Circulante) C - Caixa/Bancos (Ativo Circulante) R$ 9.000,00 Supondo-se que houve um saldo credor de R$ 900,00 na conta “Provisão de 13º Salário”, após os lançamentos anteriores, deve-se ajustar este saldo, da seguinte forma: D - Provisão de 13º Salário (Passivo Circulante) C - 13º salário (Despesa) R$ 900,00 Nota: o saldo da provisão de 13º salário deverá ser zerado na ocasião de sua quitação. PROVISÃO DE VERBAS RESCISÓRIAS

Especificamente em projetos, há necessidade de se provisionar, mensalmente, as verbas rescisórias que advirão na dispensa dos empregados celetistas contratados. Isto porque, se não forem provisionados tais custos e despesas, ao final do projeto as respectivas verbas rescisórias (como o FGTS – multa e indenização) terão que ser pagas por ocasião da dispensa do empregado. Estando o projeto já encerrado (e talvez a respectiva prestação de contas já aprovada), as respectivas verbas irão consumir recursos próprios da entidade, o que é incorreto. São principais verbas rescisórias, além do 13º salário e férias proporcionais: - Aviso prévio indenizado - FGTS - Multa por Rescisão sem Justa Causa: 40% - FGTS - Adicional instituído pela Lei Complementar 110/2001 (10%) - Multa pela Dispensa nos 30 dias anteriores à data-base da categoria (Lei nº 6.708/79 e a Lei nº 7.238/84). Aviso Prévio Indenizado O aviso prévio sendo indenizado, a base de cálculo é o último salário percebido pelo empregado. FGTS - Multa por Rescisão sem Justa Causa Na hipótese de despedida pelo empregador sem justa causa, depositará este, na conta vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros (§ 1º do artigo 18 da Lei 8.036/1990 - Redação dada pela Lei nº 9.491, de 1997). FGTS - Adicional na Despedida Sem Justa Causa A contribuição social devida pelos empregadores em caso de despedida de empregado sem justa causa, deverá ser, à alíquota de dez por cento sobre o montante de todos os depósitos devidos, referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, durante a vigência do contrato de trabalho, acrescido das remunerações aplicáveis às contas vinculadas. Adicional de Despedida antes da Data-Base A Lei nº 6.708/79 e a Lei nº 7.238/84, em ambas no artigo 9º, determinam uma indenização adicional, equivalente a um salário mensal, no caso de

dispensa sem justa causa, no período de 30 (trinta) dias que antecede a data de sua correção salarial. Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984: "Art. 9º - O empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 (trinta) dias que antecede a data de sua correção salarial, terá direito à indenização adicional equivalente a 1 (um) salário mensal, seja ele optante ou não pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS." Exemplo: Entidade Social mantém um projeto com prazo determinado de 24 meses, recebendo recursos de entidade pública nacional. A folha de salários do respectivo projeto é de R$ 10.000,00 mensais. Então teremos as seguintes provisões de verbas rescisórias, mensalmente: 1. Aviso prévio indenizado, correspondente a 1/24 dos salários: R$ 10.000,00 dividido por 24 = R$ 416,67 mensais 2. FGTS – Multa por Rescisão sem Justa Causa: R$ 10.000,00 x 8% (valor do depósito mensal na conta do funcionário) x 40% (valor da multa) = R$ 320,00 mensais 3. FGTS – Adicional Instituído pela LC 110/2001: R$ 10.000,00 x 8% (valor do depósito mensal na conta do funcionário) x 10% (valor do adicional) = R$ 80,00 mensais 4. Adicional de Despedida antes da Data-Base: Considera-se que o projeto será encerrado em abril, sendo que a data base dos trabalhadores do respectivo projeto é 01 de maio de cada ano. Então, deve-se provisionar o adicional respectivo, da seguinte forma: R$ 10.000,00 dividido por 24 meses = R$ 416,67 mensais Conclui-se que, para fins de provisionamento de verbas rescisórias (itens 1 a 4), teremos um valor total mensal de R$ 1.233,34 Vamos aos lançamentos contábeis mensais:

D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos – Passivo Circulante) C - Provisão de Verbas Rescisórias (Passivo Circulante) R$ 1.233,34 Nota: é recomendável, para fins de controle, que a conta “Provisão de Verbas Rescisórias”, seja dividida em subcontas distintas, uma para cada projeto e subdividido por verba rescisória. AJUSTE PERIÓDICO Deve-se também ajustar, periodicamente, o saldo da conta Provisão de Verbas Rescisórias, em decorrência do aumento da base de cálculo das verbas sujeitas a incidência rescisória, como, por exemplo, o crédito de juros e correção monetária das contas vinculadas do FGTS dos trabalhadores. O ideal é que este ajuste se faça mensalmente. Porém, pelo menos por ocasião da data-base da categoria dos trabalhadores e por ocasião da prestação de contas (total ou parcial) devem ser feitos tais ajustes. Exemplo: Ajuste decorrente do crédito de juros e correção monetária nas contas vinculadas do FGTS dos trabalhadores: Saldo atualizado das contas vinculadas: R$ 5.000,00 1. FGTS – Multa por Rescisão sem Justa Causa: R$ 5.000,00 x 40% = R$ 2.000,00 2. FGTS – Adicional Instituído pela LC 110/2001: R$ 5.000,00 x 10% = R$ 500,00 3.Total das verbas rescisórias ajustadas (1+2) R$ 2.500,00 4. Valor contabilizado anteriormente: R$ 2.300,00 5. Diferença a ajustar (3 – 4): R$ 200,00 Teremos então, considerando-se que os recursos do projeto advém de entidade pública nacional: D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos – Passivo Circulante) C - Provisão de Verbas Rescisórias (Passivo Circulante) R$ 200,00

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TERCEIRO SETOR - OBTENÇÃO DE SERVIÇOS VOLUNTÁRIOS A maioria das entidades obtém parte da execução de suas atividades mediante utilização de serviços de pessoas sem remuneração, que se denomina “trabalho voluntário”. A seguir, uma breve explanação sobre tal sistemática. TRABALHO VOLUNTÁRIO O trabalho não-remunerado exercido pelos voluntários foi caracterizado pela Lei 9.608/1998 como a atividade não-remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade. Assim, para ser enquadrado no conceito desta lei, o serviço deve ter as seguintes características: 1. ser voluntário, ou seja, não pode ser imposto ou exigido como contrapartida de algum benefício concedido pela entidade ao indivíduo ou à sua família; 2. ser gratuito; 3. ser prestado pelo indivíduo, isoladamente, e não como “subcontratado” de uma organização da qual o indivíduo faça parte e, portanto, seja pela mesma compelido a prestá-lo; e 4. ser prestado para entidade governamental ou privada, sendo que estas devem ter fim não lucrativo e voltado para objetivos públicos. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim, desde que esteja previsto em contrato escrito (termo de adesão) onde devem constar a correta identificação do prestador e do tomador dos serviços, natureza do serviço e condições para seu exercício, tais como carga horária, local, material de apoio e afins. A lei autorizou, também, o ressarcimento de despesas incorridas pelo voluntário, desde que estas sejam expressamente autorizadas pela entidade tomadora e sejam realizadas no desempenho das atividades voluntárias, mediante notas fiscais e recibos. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim, desde que esteja previsto em contrato escrito. MENSURAÇÃO DE VALOR

Recomenda-se que a fixação do valor da gratuidade do serviço voluntário obtido seja feita com base no “valor-hora” ou tabela de honorários da correspondente atividade ou profissão. Assim, a recepção de serviços médicos será valorada pela tabela da respectiva classe profissional. Uma prestação de serviços voluntários de consertos elétricos, por um profissional da área, será mesurado pelas horas tomadas no tal serviço, multiplicado pelo valor hora de mercado do correspondente profissional. Exemplo: Determinada manutenção elétrica tomou 2 horas de serviço voluntário de eletricista. Sabe-se que o valor-hora do respectivo profissional, na área de atendimento, é de R$ 20,00. Então, o serviço voluntário prestado corresponderá a 2 x R$ 20,00 = R$ 40,00. REGISTRO CONTÁBIL A maioria dos serviços voluntários é prestada para atendimento direto no custeio das atividades, portanto, se constituirá numa despesa. No modelo de plano de contas sugerido (Entidade Social), o grupo 5 Variações Patrimoniais, se aplica para registros de receitas (ou despesas) não pagas (ou recebidas) financeiramente, como exemplo: obtenção de serviços voluntários gratuitos. Porém, na hipótese dos serviços serem executados na confecção de bens em estoques, tal contra-partida será a débito do ativo. Vamos exemplificar: 1) Serviços voluntários prestados por professores em programa de reforço escolar, sem qualquer contrapartida dos beneficiários: D - 5.2.1.02 Educação (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) C - 5.1.2.02 Educação (conta de Obtenção de Serviços Voluntários) 2) Serviços voluntários obtidos de equipe de costureiras, na confecção de roupas a serem doadas: D - 1.1.3.04 Mercadorias para Distribuição (Estoques – Ativo Circulante) C - 5.1.2.03 Assistência Social (conta de Obtenção de Serviços Voluntários) Na subseqüente distribuição das roupas, de forma gratuita:

D - 5.2.1.03 Assistência Social (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) C - 1.1.3.04 Mercadorias para Distribuição (Estoques – Ativo Circulante)
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TERCEIRO SETOR - AQUISIÇÃO DE ATIVOS DE RENDA Os “ativos de renda” têm objetivos de gerar recursos futuros para implementação de atividades sociais. Por exemplo, a aquisição de ações para recebimento de dividendos, a compra de um imóvel para locação, etc. Tais ativos podem ser adquiridos ou recebidos em doação. Estes ativos devem ser registrados no subgrupo investimentos, para evidenciar sua caracterização de ativos destinados á obtenção de recursos futuros. Exemplo: Aquisição de 1.000 ações da Petrobrás S/A, no valor de R$ 10.000,00: D - Ações – Petrobrás S/A (Investimentos) C - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) R$ 10.000,00 Histórico: aquisição de 1.000 ações da Petrobrás S/A, visando dividendos futuros. Por ocasião do anúncio da distribuição de dividendos da respectiva empresa, a entidade contabilizará: D - Dividendos a Receber (Ativo Circulante) C - Dividendos Recebidos (Resultado) E, na ocasião do crédito dos dividendos em conta bancária: D - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) C - Dividendos a Receber (Ativo Circulante)

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ASSOCIAÇÕES

Associações são pessoas jurídicas formadas pela união de pessoas que se organizam para a realização de atividades não-econômicas, ou seja, sem finalidades lucrativas. Nessas entidades, o fator preponderante são as pessoas que as compõem. As associações, de acordo com a sua finalidade, podem ser classificadas em 3 grupos principais: 1) Aquelas que têm por fim o interesse pessoal dos próprios associados, sem objetivo de lucro, como as sociedades recreativas ou literárias. 2) As que têm objeto principal a realização de uma obra estranha ao interesse pessoal dos associados, e que fique sob a dependência da associação ou se torne dela autônoma, por exemplo, as associações beneficentes. Embora seus associados possam visar interesse pessoal, sua finalidade primordial é a de prover uma obra de caridade em benefício de terceiros. 3) As associações que têm por finalidade principal ficarem subordinadas a uma obra dirigida autonomamente por terceiras pessoas. Adiante, a legislação respectiva, constante no atual Código Civil Brasileiro, relativamente às associações: CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO – LEI 10.406/2002 Capítulo II - Das Associações Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I - a denominação, os fins e a sede da associação; II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III - os direitos e deveres dos associados; IV - as fontes de recursos para sua manutenção; V - o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos e administrativos; VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais.

Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, obedecido o disposto no estatuto; sendo este omisso, poderá também ocorrer se for reconhecida a existência de motivos graves, em deliberação fundamentada, pela maioria absoluta dos presentes à assembléia geral especialmente convocada para esse fim. Parágrafo único. Da decisão do órgão que, de conformidade com o estatuto, decretar a exclusão, caberá sempre recurso à assembléia geral. Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto. Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral: I - eleger os administradores; II - destituir os administradores; III - aprovar as contas; IV - alterar o estatuto. Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos II e IV é exigido o voto concorde de dois terços dos presentes à assembléia especialmente convocada para esse fim, não podendo ela deliberar, em primeira convocação, sem a maioria absoluta dos associados, ou com menos de um terço nas convocações seguintes. Art. 60. A convocação da assembléia geral far-se-á na forma do estatuto, garantido a um quinto dos associados o direito de promovê-la. Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, a instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1.º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste

artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2.º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.

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TERCEIRO SETOR - AUXÍLIOS Os auxílios, previstos em lei orçamentária, são destinados a despesas de capital de entes públicos ou de entidades privadas sem fins lucrativos. Por exemplo, uma entidade social recebe um auxílio monetário para destinação a formação de nova unidade de atendimento. A contabilização dos auxílios seguem a rotina das doações vinculadas. Exemplo: Auxílio recebido para a construção da sede social, no valor de R$ 100.000,00. 1) Pelo recebimento do auxílio: D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C - Auxílios Vinculados a Despesas de Capital (Passivo Circulante) R$ 100.000,00 2) Pela aplicação dos recursos na sede social: D - (-) Doações e Auxílios Aplicados (Passivo Circulante – Conta Redutora) C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) R$ 100.000,00 3) Pela prestação de contas do auxílio e respectiva aprovação do mesmo, pelo ente governamental: D - Auxílios Vinculados a Despesas de Capital (Passivo Circulante) C - (-) Doações e Auxílios Aplicados (Passivo Circulante – Conta Redutora) R$ 100.000,00

4) Pelo registro da aplicação de capital: D - Edificações (Imobilizado) C - Subvenções, Contribuições e Auxílios (Receitas) R$ 100.000,00
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TERCEIRO SETOR - CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DA CONTABILIDADE A estrutura patrimonial definida pela Lei das Sociedades por Ações (Lei 6404/1976) é a base da contabilidade do terceiro setor. Entretanto, algumas adaptações devem ser feitas e dizem respeito, principalmente, à nomenclatura de algumas contas a serem utilizadas. PATRIMÔNIO LÍQUIDO X PATRIMÔNIO SOCIAL O conceito básico de Patrimônio Líquido é o mesmo tanto nas empresas quanto no terceiro setor. A equação patrimonial clássica não se altera, mas os títulos sim. Ao invés de Patrimônio Líquido, chamar-se-á “Patrimônio Social”: PATRIMÔNIO SOCIAL = ATIVO - PASSIVO O Patrimônio Social não é composto de Capital Social, Reservas de Lucros, Reservas de Reavaliação e Lucros ou Prejuízos Acumulados, e sim, de contas com terminologias especiais. Subgrupo Fundo Patrimonial Fundo Institucional = composto dos valores de formação aportados pelos associados ou subscritores. Fundos Especiais = aqueles definidos pelo estatuto, para aplicação específica. Doações e Subvenções = aportes espontâneos de bens ou direitos de pessoas físicas ou jurídicas, especificamente com o objetivo de destiná-los ás atividades objeto da entidade. Subgrupo Superávit ou Déficit Acumulado

Superávit do Exercício = registra a confrontação periódica de receitas x despesas, sendo o respectivo saldo credor transferido para esta conta, para aplicação nas atividades objeto da entidade. Déficit do Exercício = registra a confrontação periódica de receitas x despesas, sendo eventual saldo devedor tal é transferido para esta conta, até futura amortização pelos associados ou por superávits subseqüentes. FUNDOS ESPECIFICADOS A contabilidade registra os recursos recebidos para atender atividades ou projetos específicos de forma separada (em fundos), valendo-se das restrições impostas pelos doadores externos à entidade ou mesmo observando restrições impostas pelos órgãos diretivos da entidade. Na prática existirão, em uma entidade, vários tipos de "fundos" como, por exemplo, "Fundo para Construção de Sede Social", "Fundo para Bolsas de Estudos", "Fundo de Pesquisas", etc. OUTRAS CARACTERÍSTICAS Outras características distintivas da contabilidade do terceiro setor: 1) Aplicam-se a essas entidades os Princípios Fundamentais de Contabilidade, bem com as Normas Brasileiras de Contabilidade e suas Interpretações Técnicas e Comunicados Técnicos, editados pelo Conselho Federal de Contabilidade. 2) As entidades sem finalidade de lucro são aquelas em que o resultado positivo não é destinado aos detentores do patrimônio líquido e o lucro ou prejuízo são denominados, respectivamente, de superávit ou déficit. 3) O valor do superávit ou déficit do exercício deve ser registrado na conta Superávit ou Déficit do Exercício enquanto não aprovado pela assembléia dos associados e após a sua aprovação, deve ser transferido para a conta Patrimônio Social.

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TERCEIRO SETOR - CONTAS DE COMPENSAÇÃO

As transferências a título de subvenções, contribuições, auxílios e doações devem ser contabilizadas em contas de compensação, pelo valor total dos recursos recebidos, enquanto perdurar a responsabilidade da entidade beneficiária dos recursos. Isto ocorre com freqüência, pois os doadores, subscritores e contribuintes desejam que tais recursos sejam especificamente aplicados em determinados projetos ou condições. Como exemplo, a doação de material escolar, com a condição de os mesmos serem distribuídos gratuitamente à famílias carentes. Ou o recebimento de uma subvenção municipal, condicionada á execução de reformas no edifício da entidade. Tal aparente complexidade contábil justifica-se, na medida em que uma entidade é representativa da vontade de seus associados, doadores, subscritores e contribuintes, necessitando prestar contas de sua gestão. Obviamente, um bom plano de contas contábil, incluindo as contas de compensação, poderá fornecer detalhamentos importantes para aferir se a entidade está ou não cumprindo com seus projetos, se sua capacidade de gerenciamento é adequada, se possui os recursos necessários, etc. Desta forma, a contabilidade torna-se uma ferramenta útil e prática para análise das atuais e futuras obrigações vinculadas á vontade dos doadores, subscritores e contribuintes. Exemplo 1: Recebimento de Subscrição Federal Vinculada Entidade recebe R$ 15.000,00 para aplicação exclusiva em obra civil vinculada ao atendimento assistencial: 1) Registro nas contas patrimoniais: D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C - Recursos de Entidade Pública Nacional (Passivo Circulante) R$ 15.000,00 2) Registro em contas de compensação: D - Obras e Edificações a Executar (Compensação Ativa) C - Subvenção Federal a Destinar (Compensação Passiva) R$ 15.000,00

3) Pelo execução da obra civil, após a averbação da respectiva construção, reverte-se o lançamento das contas de compensação: D - Subvenção Federal a Destinar (Compensação Passiva) C - Obras e Edificações a Executar (Compensação Ativa) Exemplo 2: Recebimento de Doação Condicional Doação de R$ 20.000,00 efetuada mediante veículo, condicionada a que o mesmo permaneça pelo menos 3 anos no patrimônio da entidade e destinado ao transporte de pessoas assistidas. 1) Registro nas contas patrimoniais: D - Veículos (Imobilizado) C - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) R$ 20.000,00 2) Registro nas contas de compensação: D - Bens sob Condicionalidades (Compensação Ativa) C - Condições de Uso – Bens (Compensação Passiva) R$ 20.000,00 3) Após o cumprimento do prazo mínimo previsto (3 anos), registra-se a baixa da referida condição, nas contas de compensação: D - Condições de Uso – Bens (Compensação Passiva) C - Bens sob Condicionalidades (Compensação Ativa) R$ 20.000,00

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TERCEIRO SETOR - CONTAS DE CUSTOS A relevância da contabilidade para uma entidade do terceiro setor é proporcional ao nível de informações que gerar para seu público. Neste sentido, é recomendável que haja separação específica de despesas atividades-fim das atividades-meio.

As atividades-meio estão relacionadas à administração geral da entidade ou à obtenção de fundos. As atividades-fim são aquelas para as quais a entidade existe, como assistência social, promoção cultural, esportiva, etc. A comparação entre o esforço feito pela entidade e as contribuições recebidas pela mesma é um importante indicador analítico. O termo “custos”, neste conjuntos de tópicos sobre Terceiro Setor, compreende todas as despesas, custos e encargos suportados pela entidade, independentemente de sua origem (doações, subvenções, serviço voluntário, etc.). ALOCAÇÃO DE CUSTOS INDIRETOS Determinados projetos têm, caracteristicamente, custos associados de forma direta e objetiva. Como exemplo: compra de roupas para atendimento de vítimas de enchentes. Entretanto, neste exemplo, haverá custos indiretos, que não se podem medir diretamente, e precisam ser “rateados” (distribuídos), pois não estão diretamente associados á atividade específica, e sim, á estrutura geral de apoio que a entidade mantém. Ainda no exemplo da distribuição de roupas, haverá custos associados à parte do tempo do pessoal de apoio (como motoristas) e outros custos indiretos (como a depreciação do veículo utilizado no transporte das roupas). Desta forma, a contabilidade precisa organizar uma forma regular de atribuição de tais custos, visando conhecer e dar a informação precisa ao público, de quanto foi dispendido em cada projeto (a “prestação de contas” para a sociedade). Em resumo: Cada atividade-fim desenvolvida pela entidade tem 2 tipos de custos: 1) custos diretos – facilmente identificáveis e diretamente alocados aos projetos respectivos e 2) custos indiretos – compreendendo uma gama de recursos de apoio ás atividades-fim, que devem ser rateadas nos projetos ou atividades de acordo com padrões lógicos e pré-estabelecidos. CUSTOS DIRETOS

A contabilização dos custos diretos da entidade é um tema simples, bastando que a contabilidade receba a informação adequada para proceder ao registro. Exemplo: A Fundação Cultural de Curitiba promoveu uma palestra gratuita sobre História da Cultura Nacional. Foram pagas despesas de reembolso de transporte e alimentação aos palestrantes de R$ 150,00. A contabilização ficaria: D - Cultura (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) C - Caixa R$ 150,00 CUSTOS INDIRETOS A primeira tarefa da contabilidade é determinar quais são as contas de custos indiretos, que devem ser rateadas entre as atividades ou projetos respectivos. Normalmente, são objeto de rateio: 1) Folha de pagamento de pessoal de apoio (motoristas, manutenção, etc.) 2) Despesas gerais (depreciação de veículos e equipamentos, telefonemas, etc.). Observe-se que nem todas as contas contábeis devem ser objeto de rateio, já que algumas despesas se caracterizam como atividades-meio e não atividadesfim. Somente as contas que registram despesas de atividades-fim é que são rateadas. Desta forma, não se rateiam despesas de publicidade, por exemplo. Mas isto não significa que determinado custo de publicidade não possa ser alocado diretamente a determinado projeto. Exemplo: desembolso de publicidade relativo á confecção de folhetos para uma promoção específica da entidade. Uma vez definido as contas que serão rateadas, deve-se procurar o padrão para rateio de cada grupo ou conta individualmente. Exemplo: Para as contas de despesas com veículos (combustível, depreciação de veículos, manutenção, etc.) pode-se fazer o rateio por Km rodado:
Demonstrativo de Rateio - Despesas com Veículos Mês de: mai/04 Conta Valor R$

3.8.3.01 Seguros 200,00 3.8.3.02 Combustíveis e Lubrificantes 1.950,00 3.8.3.03 Folha de Pagamento - Motoristas 3.500,00 3.8.3.04 Manutenção de Veículos 750,00 3.8.3.05 Depreciações - Veículos 500,00 Total Custos 6.900,00 Km total percorrida 12.000 Custo KM 0,575

Admitindo-se, ainda, que existem 3 atividades na respectiva entidade, que utilizaram-se de quilometragem dos veículos, então teremos a seguinte distribuição de custos indiretos, com base no Custo/Km:
Atividade Assistência Social - Idosos Administração Projeto Reciclagem KM 2.000 1.500 8.500 Custo - R$ 1.150,00 862,50 4.887,50

A contabilização de tais rateios será como segue: 1) Pela transferência dos custos indiretos de veículos, alocados á atividade de assistência social: D - Alocação de Recursos Indiretos - Atendimento a Idoso - Assistência Social (Resultado) C - (-) Transferências para Atividades (conta de transferência de custos) R$ 1.150,00 2) Pela transferência dos custos indiretos de veículos, alocados á administração: D - Despesas de Veículos (Resultado) C - (-) Transferências para Atividades (conta de transferência de custos) R$ 862,50 3) Pela transferência dos custos indiretos de veículos, alocados ao Projeto de Reciclagem: D - Alocação de Recursos Indiretos - Projeto de Reciclagem (Resultado) C - (-) Transferências para Atividades (conta de transferência de custos) R$ 4.887,50 CRITÉRIOS DE RATEIO

A seguir, uma sugestão de critérios de rateio de custos indiretos, para possível alocação ás atividades:
Tipo de Custo Despesas de Veículos Depreciações e Manutenção de Imóveis Luz Água e Despesas de Pessoal Telefone Tarifas Bancárias Auditoria Externa - Alocação por - Km utilizada - Metragem utilizada - Potencial de consumo de aparelhos elétricos - Número de funcionários ou pessoas atendidas - Número de chamadas solicitadas - Volume de recursos movimentados - Número de lançamentos contábeis de cada projeto ou atividade

Outros critérios poderão ser observados, desde que sejam relacionados ás atividades-fim e calculados de forma regular e consistente. Não se pode alterar o critério aleatoriamente, segundo ditames da administração ou conveniências específicas. Pode ocorrer também que determinado patrocinador de algum projeto ou atividade exija a alocação dos custos indiretos de forma pré-determinada, conforme convencionado contratualmente. Neste caso, admite-se a utilização do critério contratual, fazendo-se constar o procedimento em notas explicativas às demonstrações financeiras

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TERCEIRO SETOR - CONTRATOS, CONVÊNIOS E TERMOS DE PARCERIA Contratos, convênios e termos de parceria são instrumentos jurídicos e operacionais utilizados pelas Entidades na consecução de seus objetivos. Convênio, em direito administrativo, é o acordo de cooperação e atuação conjunta/complementar entre órgãos públicos. Ocorre quando dois entes públicos se juntam na consecução de um mesmo objetivo. Eventualmente, firma-se contrato de convênio entre as entidades públicas e uma organização de interesse público. O Termo de Parceria, descrito no artigo 9° da Lei 9.790/1999, é o instrumento destinado à formação de vínculo de cooperação entre as partes, para o fomento e a execução das atividades de interesse público. São firmados entre órgãos públicos e entidades que possuem a qualificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público.

É relevante que o contabilista examine, nesses instrumentos, as cláusulas de prestação de contas e as de remuneração. Como tais contratos podem ser firmados tanto com entidades públicas como privadas, se houver remuneração, tal receita deve ser apropriada pelo regime de competência, ou seja, à medida da execução do respectivo contrato. Observe-se que os recursos totais recebidos a título de convênios, contratos e termos de parceria não se caracterizam como uma receita, pois sua aplicação é definida pelo próprio contrato, sendo uma obrigação (passivo) da entidade. RECURSOS DE TERCEIROS E COM RESTRIÇÕES Os recursos financeiros de terceiros em poder da entidade em virtude de parcerias devem ser depositados em contas bancárias específicas, para que não se misture com os recursos próprios da entidade. Á medida de sua liquidação, ou seja, da realização de pagamentos vinculados ao projeto, baixa-se na correspondente conta. Eventuais valores de terceiros que venham ser aplicados no mercado financeiro devem também ser destacados contabilmente. Os rendimentos auferidos por tais aplicações são recursos do projeto, salvo se, contratualmente, ficar fixado que a remuneração será destinada à entidade administradora. No plano de contas, modelo sugerido para entidades sociais, as contas do ativo que registram recursos disponíveis de terceiros são: - Bancos Conta Movimento - Recursos de Terceiros - Bancos Conta Movimento - Recursos com Restrições - Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata - Recursos de Terceiros - Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata - Recursos com Restrições RECEBIMENTO DE RECURSOS DE CONVÊNIOS Contabiliza-se a recepção de recursos para aplicação em convênios a débito da conta ativa e a crédito de uma conta passiva indicativa do projeto conveniado. Exemplo: 1) Recebimento de R$ 50.000,00 de convênio com o governo Brasileiro: D - Bancos Conta Movimento - Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - Passivo

Circulante) R$ 50.000,00 2) Por ocasião da aplicação de R$ 29.000,00 dos recursos do convênio: D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos – Passivo Circulante) C - Bancos Conta Movimento - Recursos com Restrições (Ativo Circulante) R$ 29.000,00 Pela apropriação da remuneração do convênio, fixada em 2% sobre o valor aplicado (R$ 29.000,00 x 2% = R$ 580,00): a) registro da remuneração como receita na entidade: D - Remuneração de Convênios a Receber (Ativo Circulante) C - Taxas de Administração (Resultado) R$ 580,00 b) pela transferência do numerário relativo à remuneração: D - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres (Ativo Circulante) C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) R$ 580,00 c) registro da taxa de administração como aplicação de recurso do convênio: D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora – Recursos de Projetos – Passivo Circulante) C - Remuneração de Convênios a Receber (Ativo Circulante) R$ 580,00 3) Pela prestação de contas do convênio – registro dos recursos aplicados (supondo-se que foram aplicados somente R$ 29.000,00 no convênio e mais R$ 580,00 da taxa de administração): D - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - Passivo Circulante) C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos – Passivo Circulante) R$ 29.580,00 4) Pela devolução do numerário não aplicado do convênio: D - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - Passivo Circulante)

C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) R$ 20.420,00 Nota: Quando a prestação de contas não é imediata e o convênio contratualmente já houver expirado, transfere-se o compromisso de devolução do saldo dos recursos não aplicados da seguinte forma: D - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - Passivo Circulante) C - Recursos de Entidade Pública Nacional (Convênios Encerrados - Passivo Circulante) Observe que os recursos que deverão ser aplicados, oriundos de um convênio, não se constituem em RECEITA da entidade. O que poderá (eventualmente) constituir receita é a respectiva taxa de administração. A entidade é simples depositária dos recursos, e não pode apropriar como receita recursos que não são seus. Se, no contrato de convênio, houver alguma remuneração pela gestão dos recursos, tal remuneração é que constituirá a receita da entidade. Se o convênio não fixar remuneração, nenhuma parcela do convênio será registrada como receita. Tão somente se trabalhará com contas ativas e passivas, encerrando-se o passivo, como o exemplo citado, por transferência entre contas passivas (conta original do recurso recebido do convênio e conta retificadora que registre sua aplicação). No exemplo citado, o saldo bancário de R$ 580,00, após realizados todos os lançamentos, constituirá recurso de livre aplicação, que poderá ser utilizado para pagamento de despesas próprias da entidade, ou aplicado em ativos (como aplicação financeira ou imobilizado). CONVÊNIOS DE CUSTEIO Se o convênio destina-se a suprir custeio comum das atividades (folha de pagamento, gastos administrativos, etc.), pode-se utilizar contas redutoras de despesas para transferir parcelas de custeio conveniadas. Exemplo: Determinado convênio permite a absorção da folha de pagamento da entidade em até R$ 5.000,00 mensais. Primeiramente, contabiliza-se a folha normalmente (a débito de resultado e a crédito de salários e outras verbas a pagar).

Posteriormente, faz-se a alocação de parte da folha, como aplicação de custeio - conforme convênio, utilizando uma conta redutora de resultado: D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos – Passivo Circulante) C - (-) Transferências de Custeio - Convênios (Conta de Resultado) R$ 5.000,00 O QUE FAZER QUANDO A PRESTAÇÃO DE CONTAS É PELO REGIME DE CAIXA Muitos convênios, por força contratual, exigem que a entidade preste contas pelo regime de caixa, ou seja, somente quando a despesa é paga é que ela irá compor a prestação. Existem convênios, por exemplo, cujo contrato exige que todos os lançamentos estejam comprovados com o correspondente extrato bancário, sem o que não são considerados como aplicados. Mas uma coisa é a prestação de contas, e outra é a contabilização. A prestação de contas, tendo base contábil (pois obviamente todas as despesas pagas já foram escrituradas anteriormente ou no momento da sua execução), será uma obrigação contratual. Mas a contabilidade, pelos princípios e normas de contabilidade brasileira, não poderá deixar de registrar os custos e despesas, mesmos aqueles que não foram pagos (como provisão de férias), alocando as despesas corretamente a cada projeto. Conclusão: nem sempre o montante da prestação de contas irá "bater" com a contabilidade. O erro não está na contabilidade, mas em função da sistemática contratual, pode ocorrer uma distorção, pela utilização do regime de caixa para prestação de contas. Então se não houver como conciliar as duas exigências, o excesso de despesas será um encargo da entidade, que deverá ser transferido a contas específicas. Exemplo: Em determinado projeto, a entidade apurou os seguintes valores contábeis, no primeiro mês de apuração de projeto específico: Recursos de Entidade Pública Nacional – saldo credor de R$ 100.000,00 (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional – saldo devedor de R$ 110.000,00

Portanto, o saldo do projeto acusou um “déficit”, ou seja, houve mais aplicação de recursos do que origens, no montante de R$ 10.000,00. Admitindo-se ainda que estes R$ 10.000,00 correspondam a despesas contabilizadas pelo regime de competência (como depreciações e provisões), então temos 2 situações distintas: 1. Estes recursos serão repostos pela entidade patrocinadora, pois há garantia contratual dos mesmos; 2. Estes recursos não serão repostos pela entidade patrocinadora, pois a sistemática contratual do fechamento de contas é mensal e obriga que o excesso de despesas seja arcado pela entidade executora. Teremos a seguinte contabilização: 1. Hipótese 1 (os recursos serão repostos pela entidade patrocinadora): a) Transferência do excesso de recursos aplicados, para conta do ativo: D - Antecipação de Recursos em Projetos e Parcerias C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional R$ 10.000,00 b) Quando por ocasião do recebimento (reembolso) das respectivas despesas: D - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres C - Antecipação de Recursos em Projetos e Parcerias R$ 10.000,00 2. Hipótese 2 (os recursos extras contabilizados não serão reembolsados pela entidade patrocinadora) – admitindo-se que o projeto refira-se a educação ambiental, temos que transferir este excesso de despesas para uma conta de resultado específica: D - Projeto Educação Ambiental C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional R$ 10.000,00 Por fim, quando da prestação de contas, registra-se a correspondente transferência relativa aos recursos aplicados, em ambas as hipóteses: D - Recursos de Entidade Pública Nacional C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional R$ 100.000,00 CONTRAPARTIDA DE CONVÊNIOS E CONTRATOS

Denomina-se contrapartida o compromisso de a entidade conveniada ou contratada aportar recursos adicionais aos destinados pela conveniente ou contratante para atingir os objetivos do projeto. Tais recursos devem fazer parte do plano de trabalho e podem constituir-se em materiais, serviços, apoio ou dinheiro. Constando esses recursos do termo celebrado entre as partes devem ser registrados em rubrica específica e destacados na prestação de contas. Exemplo: O Convênio entre a entidade Exemplo e a Conveniente Patrocinadora determina que o Projeto de Resgate Cultural receberá recursos de R$ 100.000,00 da Patrocinadora, sendo que a entidade participará com apoio de pessoal e materiais equivalentes a 20% do patrocínio. A contrapartida da entidade será registrada como segue: 1) Pelo registro da despesa de pessoal, devidas pela entidade no Projeto: D - Pessoal, Encargos e Benefícios (Convênios – Resultado) R$ 16.000,00 C - Salários a Pagar R$ 10.000,00 C - Previdência Social Patronal R$ 3.000,00 C - FGTS R$ 850,00 C - Provisão para 13º Salário R$ 900,00 C - Provisão de Férias R$ 1.250,00 2) Pelo registro de despesas relativas ao projeto, de responsabilidade da entidade: D - Material de Uso e Consumo (Convênios – Resultado) C - Almoxarifado (Estoques – Ativo Circulante) R$ 4.000,00 CONTRAPARTIDA FINANCEIRA OBRIGATÓRIA No caso de contrapartida financeira obrigatória, em que os recursos devem ser previamente depositados pela entidade receptora, pode-se efetuar a seguinte contabilização: D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições C - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres R$ 10.000,00

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TERCEIRO SETOR - CONTRIBUIÇÕES Contribuições são as transferências derivadas da lei orçamentária e concedidas por entes governamentais a autarquias e fundações e a entidades sem fins lucrativos, destinadas à aplicação em custeio e manutenção destas, sem contrapartida direta do beneficiário dos recursos em bens e serviços, ou determinadas por lei especial anterior, para o atendimento de investimentos ou inversões financeiras. As transferências a título de contribuição, mesmo que não correspondam a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. Exemplo: Recepção de contribuição governamental de R$ 10.000,00 para aplicação em entidade social – destinadas a custeio: D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C - 4.1.1.03 Subvenções e Contribuições (Resultado) R$ 10.000,00 Nota: o código á frente do título da conta se refere ao plano de contas modelo de entidade social, constante neste guia. Por ocasião do pagamento de despesas de custeio a que se destina a contribuição respectiva: D – conta do passivo ou da respectiva despesa C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) R$ (o valor pago)

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COOPERATIVAS SOCIAIS A Lei 9.867 de 10/11/1999 dispõe sobre a criação e o funcionamento de Cooperativas Sociais, constituídas com a finalidade de inserir as pessoas em desvantagem no mercado econômico, por meio do trabalho, fundamentadas no

interesse geral da comunidade em promover a pessoa humana e a integração social dos cidadãos. Incluem-se entre as atividades das Cooperativas Sociais: 1. A organização e gestão de serviços sociossanitários e educativos; 2. O desenvolvimento de atividades agrícolas, industriais, comerciais e de serviços. Na denominação e razão social das entidades é obrigatório o uso da expressão “Cooperativa Social”, aplicando-se-lhes todas as normas relativas ao setor em que operarem. Consideram-se pessoas em desvantagem, para os efeitos da Lei 9.867/99: I – os deficientes físicos e sensoriais; II – os deficientes psíquicos e mentais, as pessoas dependentes de acompanhamento psiquiátrico permanente, e os egressos de hospitais psiquiátricos; III – os dependentes químicos; IV – os egressos de prisões; V – os condenados á penas alternativas á detenção; VI – Os adolescentes em idade adequada ao trabalho e situação familiar difícil do ponto de vista econômico, social ou afetivo. As cooperativas sociais organizarão seu trabalho especialmente no que diz respeito á instalações, horários e jornadas, de maneira a levar em conta e minimizar as dificuldades gerais e individuais das pessoas em desvantagem que nelas trabalharem, e desenvolverão e executarão programas especiais de treinamento com o objetivo de aumentar-lhes a produtividade e a independência econômica e social. A condição de pessoa em desvantagem deve ser atestada por documentação proveniente de órgãos da administração pública, ressalvando-se o direito á privacidade. O estatuto da Cooperativa Social poderá prever uma ou mais categorias de sócios voluntários, que lhe prestem serviços gratuitamente, e não estejam incluídos na definição de pessoas em desvantagem.

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TERCEIRO SETOR - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

As Demonstrações Contábeis devem ser firmadas por contabilista habilitado pelo representante legal da entidade. As demonstrações contábeis que devem ser elaboradas pelas entidades sem finalidade de lucros são as determinadas pela NBC T 3 - Conceito, Conteúdo, Estrutura e Nomenclatura das Demonstrações Contábeis, e a sua divulgação pela NBC T 6 - Da Divulgação das Demonstrações Contábeis. Na aplicação das normas contábeis, em especial a NBC T 3, a conta Capital deve ser substituída por Patrimônio Social, integrante do grupo Patrimônio Líquido, e a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados por Superávit ou Déficit do Exercício. FUNDAÇÕES Nas Fundações, a conta Capital será substituída pela conta Patrimônio Social e a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados pela Conta Superávits ou Déficits Acumulados. A denominação da Demonstração do Resultado (item 3.3 da NBC T 3) é alterada para Demonstração do Superávit ou Déficit, a qual deve evidenciar a composição do resultado de um determinado período. Além dessa alteração, a NBC T 3 é aplicada substituindo a palavra resultado dos itens 3.3.2.3 d, 3.3.2.3, g e 3.3.2.3, m, pela expressão superávit ou déficit. A denominação Da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (item 3.5 da NBC T 3) é alterada para Demonstração das Mutações do Patrimônio Social, que deve evidenciar, num determinado período, a movimentação das contas que integram o seu patrimônio. Além dessa alteração, a NBC T 3 é aplicada com a substituição da palavras lucros dos itens 3.5.2.1 c, 3.5.2.1.f e 3.5.2.1.h, pela palavra superávit e a palavra prejuízo do item 3.5.2.1 i, pela palavra déficit. As Fundações estão dispensadas da elaboração da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (item 3.4), por estar incluída na Demonstração das Mutações do Patrimônio Social. ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO O Decreto 3.100/1999, também exige, ao tratar da prestação de contas das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), as seguintes Demonstrações Contábeis (Art. 11, § 2º): § 2o A prestação de contas será instruída com os seguintes documentos: I - relatório anual de execução de atividades; II - demonstração de resultados do exercício;

III - balanço patrimonial; IV - demonstração das origens e aplicações de recursos; Nota: com a extinção da DOAR, a partir de 01.01.2008, entendemos que o respectivo demonstrativo deve ser substituído pela demonstração do fluxo de caixa. V - demonstração das mutações do patrimônio social; VI - notas explicativas das demonstrações contábeis, caso necessário; e VII - parecer e relatório de auditoria nos termos do art. 19 deste Decreto, se for o caso. NOTAS EXPLICATIVAS As notas explicativas devem ser utilizadas para aumentar o poder informativo das Demonstrações Contábeis. Essas notas devem ser consideradas como parte integrante das Demonstrações Contábeis, como requerido pelas Normas Brasileiras de Contabilidade. As demonstrações contábeis devem ser complementadas por notas explicativas que contenham, pelo menos, as seguintes informações: a) o resumo das principais práticas contábeis; b) os critérios de apuração das receitas e das despesas, especialmente com gratuidades, doações, subvenções, contribuições e aplicações de recursos; c) as contribuições previdenciárias relacionadas com a atividade assistencial devem ser demonstradas como se a entidade não gozasse de isenção, conforme normas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); d) as subvenções recebidas pela entidade, a aplicação dos recursos e as responsabilidades decorrentes dessas subvenções; e) os fundos de aplicação restrita e responsabilidades decorrentes desses fundos; f) evidenciação dos recursos sujeitos a restrições ou vinculações por parte do doador; g) eventos subseqüentes à data do encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da entidade; h) as taxas de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; i) informações sobre os tipos de seguro contratados. Incentivos Fiscais, Subvenções, Contribuições, Auxílios e Doações Governamentais As notas explicativas relativas a existência de benefícios governamentais devem conter, no mínimo, as seguintes informações:

a) os valores recebidos por tipo de benefício: incentivos fiscais, subvenções, contribuições, auxílios, perdão de empréstimos subsidiados e doações; b) critérios contábeis adotados, quando do registro dos benefícios recebidos; c) principais compromissos assumidos pela entidade por conta dos benefícios recebidos; d) potenciais ganhos ou perdas em decorrência do cumprimento ou descumprimento de compromissos de que trata esta norma; e) contingências relativas aos benefícios. ENTIDADES EDUCACIONAIS As entidades educacionais, além das notas explicativas, devem evidenciar a adequação das receitas com as despesas de pessoal, segundo parâmetros estabelecidos pela Lei das Diretrizes e Bases da Educação e sua regulamentação. ISENÇÃO DE TRIBUTOS As entidades beneficiadas com isenção de tributos e contribuições devem evidenciar suas receitas com e sem gratuidade de forma segregada, e os benefícios fiscais gozados. EXEMPLO DE BALANÇO PATRIMONIAL
Balanço Patrimonial - Associação Lar Social - CNPJ 80.087.000/0001-59 ATIVO 31/12/2008 31/12/2007 CIRCULANTE 48.000,00 35.450,00 Disponibilidades 14.550,00 10.250,00 Caixa 1.000,00 500,00 Bancos Conta Movimento – Recursos Livres 1.800,00 1.500,00 Bancos Conta Movimento – Recursos de Terceiros 750,00 400,00 Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições 600,00 650,00 Aplicações Financeiras Liq. Imediata – Recursos Livres 5.000,00 4.000,00 Aplicações Financeiras Liq. Imediata – Recursos de Terceiros 2.500,00 1.500,00 Aplicações Financeiras Liq. Imediata – Recursos com Restrições 2.900,00 1.700,00 Créditos a Receber 24.450,00 18.000,00 Aplicações Financeiras a Prazo 18.200,00 15.000,00 Cheques a Depositar 2.000,00 1.000,00 Mensalidades a Receber 3.500,00 1.500,00 Atendimentos a Receber 1.000,00 1.200,00 (-) Provisão para Devedores Duvidosos Créditos Tributários (1.750,00) (1.600,00) 1.500,00 900,00

Estoques Almoxarifado Materiais Doados a Distribuir Mercadorias e Produtos á Venda Adiantamentos e Gratuidades Condicionais Adiantamentos Salariais Antecipação de Recursos em Projetos Gratuidades Condicionais NÃO CIRCULANTE Investimentos Imobilizado (-)Depreciação Acumulada Intangível (-)Amortização Acumulada TOTAL DO ATIVO PASSIVO CIRCULANTE Obrigações com Instituições de Crédito Financiamentos do Imobilizado Empréstimos para Capital de Trabalho Fornecimento de Material e Serviços Fornecedores Fretes a Pagar Consignações Previdência Social Imposto de Renda na Fonte Sindical Pensão Alimentícia Convênios Outras Consignações Obrigações Tributárias Previdência Social Patronal PIS/PASEP Impostos e Contribuições – Renúncia Fiscal Obrigações com Empregados Salários a Pagar Provisão para Férias Recursos de Projetos Recursos de Entidades (-) Recursos Aplicados

5.000,00 1.800,00 1.700,00 1.500,00 4.000,00 1.500,00 1.300,00 1.200,00 52.000,00 18.000,00 30.000,00

3.700,00 2.200,00 500,00 1.000,00 3.500,00 1.200,00 1.500,00 800,00 53.800,00 18.000,00 28.000,00

(6.000,00) (5.000,00) 14.000,00 14.000,00 (4.000,00) (1.200,00) 100.000,00 89.250,00 31/12/2008 31/12/2007 37.250,00 31.050,00 3.000,00 2.650,00 2.500,00 1.750,00 500,00 900,00 3.600,00 3.150,00 3.000,00 2.700,00 600,00 450,00 3.050,00 3.050,00 1.400,00 1.200,00 200,00 150,00 150,00 100,00 300,00 250,00 700,00 900,00 300,00 450,00 2.600,00 2.300,00 1.400,00 1.250,00 600,00 550,00 600,00 500,00 14.500,00 13.100,00 12.000,00 11.000,00 2.500,00 2.100,00 6.000,00 3.500,00 8.000,00 7.000,00

(3.000,00) (4.500,00) Recursos Pendentes de Convênios Encerrados Antecipações de Receita Recebimentos Antecipados NÃO CIRCULANTE Financiamentos do Imobilizado PATRIMÔNIO SOCIAL Fundo Patrimonial Fundo Institucional Fundos Especiais Doações e Subvenções Superávit ou Déficit Acumulados Superávit Acumulado TOTAL PASSIVO + PATRIMÔNIO SOCIAL 1.000,00 1.900,00 1.900,00 3.000,00 3.000,00 59.750,00 56.000,00 47.000,00 7.000,00 2.000,00 3.750,00 3.750,00 100.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 4.700,00 4.700,00 53.500,00 46.500,00 40.000,00 5.000,00 1.500,00 7.000,00 7.000,00 89.250,00

DEMONSTRAÇÃO DO SUPERÁVIT DO EXERCÍCIO
2008 2007 RECEITAS ORDINÁRIAS NÃO VINCULADAS Doações Lucros e Dividendos Recebidos Subvenções e Contribuições Taxas de Administração Mensalidades Vendas de Bens e Serviços CUSTOS E DESPESAS GERAIS NÃO VINCULADOS Despesas Administrativas Custo das Vendas de Bens e Serviços Despesas Tributárias das Vendas SUPERÁVIT OU DÉFICIT ORDINÁRIO NÃO VINCULADO ATIVIDADES ORDINÁRIAS VINCULADAS Superávit ou Déficit de Atividade Social (2.000,00) 1.500,00 42.384,21 1.800,00 2.500,00 4.500,00 2.500,00 16.084,21 35.600,00 2.100,00 1.900,00 2.500,00 1.700,00 14.900,00

15.000,00 12.500,00 (31.400,00 ) (26.925,00) (22.450,00 ) (19.450,00) (8.500,00) (450,00) 10.984,21 (7.100,00) (375,00) 8.675,00

Receitas de Atividades de Assistência Social Despesas de Atividades de Assistência Social Superávit ou Déficit de Atividade Educacional Receitas de Atividades Educacionais Despesas de Atividades Educacionais SUPERÁVIT ATIVIDADES ORDINÁRIAS VINCULADAS Receita Financeira Despesas Financeiras RESULTADO FINANCEIRO Benefícios Obtidos - Gratuidade Benefícios Concedidos - Gratuidade VARIAÇÕES PATRIMONIAIS LÍQUIDAS Receitas na Venda do Imobilizado Custo das Vendas do Imobilizado RECEITAS - DESPESAS EXTRAORDINÁRIAS DÉFICIT OU SUPERÁVIT ANTES DOS TRIBUTOS IRPJ e CSLL sobre o Superávit do Exercício SUPERÁVIT LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

37.000,00 29.000,00 (39.000,00 ) (27.500,00) 5.000,00 4.500,00

18.000,00 16.000,00 (13.000,00 ) (11.500,00) 3.000,00 2.100,00 1.250,00 850,00 6.000,00 2.300,00 1.490,00 810,00

15.000,00 16.000,00 (25.000,00 ) (22.274,47) (10.000,00 ) (6.274,47) 1.700,00 (1.600,00) 100,00 4.934,21 (1.184,21) 3.750,00 9.210,53 (2.210,53) 7.000,00

DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO SOCIAL
Fundo Fundo Fundo s Patrimo Instituci Especi nial onal ais 46.500,0 40.000,0 5.000, 0 0 00 7.000,00 7.000,00 200,00 Doações e Subvenç ões Superá vit ou Déficit 7.000,0 1.500,00 0 (7.000, 00) 200,00 Patrimô nio Social 53.500,0 0 200,00

Histórico e Valores R$ Saldo Inicial em 31.12.2007 Transferências - AGO de 15.04.2008 Doações

Subvenções 300,00 Fundo para Construção de Sede 2.000,00 Superávit do Exercício Saldo Final em 31.12.2008 56.000,0 47.000,0 0 0

300,00 2.000, 00

300,00 2.000,00

3.750,0 0 3.750,00 7.000, 3.750,0 59.750,0 00 2.000,00 0 0

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TERCEIRO SETOR - DEPRECIAÇÕES Depreciação corresponde ao encargo periódico que determinados bens sofrem, por uso, obsolescência ou desgaste natural. A taxa anual de depreciação de um bem, será fixada em função do prazo, durante o qual se possa esperar utilização econômica. A quota de depreciação a ser registrada na escrituração contábil da entidade, como custo ou despesa, será determinada mediante aplicação da taxa de depreciação sobre o valor do bem em reais. Observe-se que o limite de depreciação é o valor do próprio bem. Desta forma, deve-se manter um controle individualizado, por bem, do tipo “ficha do imobilizado” ou “planilha de item do imobilizado” para que o valor contabilizado da depreciação, somado ás quotas já registradas anteriormente, não ultrapasse o valor contábil do respectivo bem. O cálculo das quotas de depreciação de bens do ativo imobilizado será efetuado da seguinte forma: Bens já Existentes no Patrimônio no Exercício Anterior Para os bens já existentes no Exercício anterior, que não foram baixados no exercício, basta aplicar a taxa anual de depreciação sobre o respectivo valor do bem. Exemplo: Valor de Edificações da sede: R$ 105.000,00 Taxa anual de depreciação: 4%

Valor da Depreciação no ano: R$ 105.000,00 x 4% = R$ 4.200,00 Valor da Depreciação mensal: R$ 4.200,00 : 12 meses = R$ 350,00 Bens Acrescidos no Ativo Imobilizado no Período A quota de depreciação em reais, das aquisições ou dos valores acrescidos aos bens existentes, será calculada da seguinte forma: a) aplicar a taxa anual de depreciação sobre o valor do custo de aquisição ou acréscimo, obtendo a quota anual em reais; b) dividir a quota anual em reais por 12, para obter o valor do duodécimo mensal de depreciação, a ser registrado na escrituração a partir do mês de aquisição ou incorporação do acréscimo; c) no caso de bem incorporado e baixado do Ativo Imobilizado, dentro do ano-calendário, serão apropriados os duodécimos de depreciação proporcionais ao número de meses que o bem permanecer incorporado ao ativo. Exemplo: Bem acrescido em 10.02.2003, no valor de R$ 21.600,00 Taxa anual de depreciação: 10% Valor da depreciação anual: R$ 21.600,00 x 10% = R$ 2.160,00 Valor da depreciação mensal: R$ 2.160,00 : 12 = R$ 180,00 Valor da depreciação no ano de aquisição: 11 quotas x R$ 180,00 = R$ 1.980,00 Bens Baixados no Período a) aplicar a taxa anual de depreciação sobre o valor do custo de aquisição ou acréscimo, obtendo a quota anual em reais; b) dividir a quota anual em reais por 12, para obter o valor do duodécimo mensal de depreciação, a ser registrado na escrituração a partir do mês de aquisição ou incorporação do acréscimo; c) no caso de bem baixado do Ativo Imobilizado, dentro do ano-calendário, serão apropriados os duodécimos de depreciação proporcionais ao número de meses que o bem permanecer incorporado ao ativo. Exemplo: Bem baixado em 10.07.2003, no valor original de R$ 18.000,00 Taxa anual de depreciação: 20% Valor da depreciação anual: R$ 18.000,00 x 20% = R$ 3.600,00 Valor da depreciação mensal: R$ 3.600,00 : 12 = R$ 300,00

Valor da depreciação no ano até a data da baixa: 7 quotas x R$ 300,00 = R$ 2.100,00 CONTABILIZAÇÃO O registro contábil do encargo de depreciação será feito a débito de uma conta de custo ou despesa operacional e a crédito da conta redutora do ativo imobilizado intitulada depreciação acumulada. Exemplo: Depreciação de R$ 10.000,00 de máquinas e equipamentos: D - Depreciação de Máquinas e Equipamentos (Resultado) C - (-) Depreciações e Amortizações Acumuladas (Imobilizado) R$ 10.000,00

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TERCEIRO SETOR - DESPESAS DE PUBLICIDADE A captação de recursos é uma tarefa contínua de qualquer entidade. Neste esforço, buscam as mesmas aplicar em propaganda e publicidade, visando divulgar as ações a que se propõem e sensibilizar o público para os respectivos objetivos. Existem 2 tipos de publicidade básica nas entidades: 1) Institucional – aquela que busca divulgar a entidade em si, seus objetivos e a forma de trabalho. 2) Específica – objetiva propagar determinado projeto ou ação específica, buscando voluntários e recursos. A publicidade institucional é uma despesa administrativa, devendo ser contabilizada como tal, sem qualquer rateio para projetos ou atividades. Já a publicidade específica é alocável ao projeto ou atividade. Quando dois ou mais projetos ou atividades forem compreendidos numa mesma campanha, os custos da mesma devem ser rateados entre as mesmas. Exemplos:

1) Divulgação institucional da entidade, no valor de R$ 5.000,00, paga mediante cheque bancário: D - Publicidade Institucional (Despesa Administrativa) C - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) R$ 5.000,00 2) Divulgação específica de 2 projetos da entidade – Reciclagem e Primeiro Emprego, no valor de R$ 10.000,00, visando obtenção de voluntários e recursos para o desenvolvimento dos mesmos (fatura a pagar ao fornecedor): D - Divulgação Específica (Projeto Reciclagem) R$ 5.000,00 D - Divulgação Específica (Projeto Primeiro Emprego) R$ 5.000,00 C - Fornecedores (Passivo Circulante) R$ 10.000,00

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TERCEIRO SETOR - DOAÇÕES As doações constituem-se em transferência de dinheiro ou outros ativos para uma entidade, ou um cancelamento de um passivo, sem a necessidade de uma contrapartida. Essas doações podem ser em dinheiro, gêneros alimentícios, roupas, materiais de uso e consumo, equipamentos ou outro ativo qualquer ou também por meio de prestação de serviços. As doações devem ser reconhecidas no recebimento efetivo. TIPOS DE DOAÇÕES 1) CONDICIONAL – quando sujeita ao cumprimento de certas obrigações por parte da entidade donatária. 2) INCONDICIONAL: quando o doador não impõe nenhuma condição a ser cumprida pela entidade. A utilização dessa classificação é importante para o usuário externo, devendo constar do Plano de Contas da entidade. Exemplos:

Recebimento de material escolar, como doação, que será utilizado em programa de atendimento de público escolar, sendo que o doador não fixou termo condicional de doação: D - Materiais Doados a Distribuir (Estoques - Ativo Circulante) C - Doações Incondicionais (Receitas) Se o doador fixasse termo condicional de doação, para vincular que a distribuição se fizesse exclusivamente a pessoas de baixa renda, haveria necessidade de registros específicos da doação: 1) Por ocasião da recepção da doação condicional: D - Materiais Doados a Distribuir (Estoques - Ativo Circulante) C - Doações Vinculadas a Distribuição de Materiais (Passivo Circulante) 2) Por ocasião da efetiva distribuição dos materiais: a) Pela baixa dos estoques distribuídos: D - Atendimento a Criança (Despesa de Atividade Educacional) C - Materiais Doados a Distribuir (Estoques - Ativo Circulante) b) Pelo registro do cumprimento da doação condicional: D - Doações Vinculadas a Distribuição de Materiais (Passivo Circulante) C - Doações Condicionais (Resultado) Observar também a necessidade de registro da doação condicional em conta de compensação. Para maiores detalhes, acesse o tópico respectivo. DOAÇÃO DE ATIVOS PATRIMONIAIS Quando a doação ocorrer sob a forma de outros ativos patrimoniais nãodestinados ao custeio, a partida do registro deverá ser efetuada, observando a conta de aplicação dos recursos e a contrapartida diretamente no patrimônio social da entidade. Exemplo: Veículo recebido como doação, no valor de R$ 15.000,00, para utilização nas atividades da entidade. O registro ocorrerá da seguinte forma: D - Veículos (Imobilizado) C - Doações e Subvenções (conta do Patrimônio Social)

DOAÇÃO DE MATERIAIS Quando a doação não for em dinheiro, deve ser efetuada avaliação do bem doado pelo seu valor justo de mercado, menos as despesas necessárias para colocá-lo em operação ou à venda, e o valor obtido é o valor a ser registrado. A maioria das doações deste tipo que as entidades recebem são doações de gêneros alimentícios, roupas, livros e material escolar, para distribuição á pessoas carentes ou vendas em bazares. Exemplo: Entidade recebe 150 livros para distribuição á alunos carentes. Pesquisando-se nas livrarias da região, obteve-se o valor de mercado de R$ 15,00 por livro. Entretanto, haverá R$ 200,00 de despesas relativas ao frete da recepção da doação. Então teremos: Valor de mercado dos livros: 150 x R$ 15,00 = R$ 2.250,00 Valor do frete para recepção: R$ 200,00 Valor efetivo da doação: R$ 2.250,00 menos R$ 200,00 = R$ 2.050,00. Contabilização: D - Materiais Doados a Distribuir (Estoques – Ativo Circulante) C - Doações Condicionais (conta de Resultado) R$ 2.050,00 O registro do frete, na recepção da doação, será: D - Materiais Doados a Distribuir (Estoques – Ativo Circulante) C - Fretes a Pagar (Passivo Circulante) R$ 200,00 O frete, como um custo acessório ao principal, constitui-se elemento integrante do custo dos livros, a serem distribuídos. Por ocasião da efetivação da doação, o lançamento poderá ser como segue: D - 5.2.1.02 Educação (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) C - Materiais Doados a Distribuir (Estoques – Ativo Circulante) R$ 2.250,00 Nota: O número á frente do título da conta corresponde a do modelo de plano de contas, inserido neste guia.

PERDÃO DE DÍVIDA Quando ocorre um perdão de dívida para uma entidade social, isto se caracteriza, de forma indireta, como uma doação. Tal evento natureza exigirá uma pesquisa no registro da contrapartida da dívida, com a finalidade de obter informação sobre a aplicação do bem doado, se foi utilizado para custeio ou se para investimento. Uma vez determinado a aplicação é que deverá ser efetuado o registro da doação, se em conta de resultado ou se em conta do patrimônio social. Aplicação dos Recursos em Custeio Se os recursos da dívida perdoada foram destinados ao custeio, o registro contábil será a débito da conta que registra a dívida e a crédito da conta de doações. Exemplo: Entidade recebe perdão de R$ 5.000,00 de dívida de empréstimo efetuado junto a associados, sendo que aplicou os referidos recursos em pagamentos de salários. Então o registro contábil será: D - Empréstimos e Créditos de Associados (Passivo Circulante) C - Doações Incondicionais (Resultado) R$ 5.000,00 Nota: Se houver qualquer condição para o perdão da dívida, o registro a crédito será em conta de Doações Condicionais. Aplicação dos Recursos em Investimentos Se os recursos da dívida perdoada foram destinados a formação do patrimônio social, o registro contábil será a débito da conta que registra a dívida e a crédito da conta de Doações e Subvenções (Patrimônio Social). Exemplo: Determinado credor cancela a dívida de entidade no valor de R$ 10.000,00, decorrente de saldo aplicado em aquisição de veículo pela respectiva entidade. Tal veículo é utilizado nas atividades sociais da entidade. O registro será:

D - Empréstimos e Créditos de Terceiros (Passivo Circulante) C - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) R$ 10.000,00 DOAÇÃO CONDICIONAL Pelo princípio do conservadorismo, o registro de uma doação sujeita á condições fixadas pelo doador, só deve ser registrado pela entidade quando se completarem as respectivas condições. Num evento condicional, o registro deve ser efetuado, primeiramente, em contas de compensação. Após a implementação das condições fixadas, faz-se a reversão de tal lançamento e registra-se efetivamente a receita respectiva. Doação Condicional em Numerário Na hipótese do doador efetuar doação condicional, em dinheiro, mas sujeito á cumprimento de obrigações por parte da entidade, entende-se que tal registro deva ser, primeiramente, ser efetuado em conta passiva, até que os termos da doação sejam cumpridos. Exemplo: Determinado doador efetuou uma doação a uma entidade social, em dinheiro, no valor de R$ 15.000,00, para aplicação em projeto de construção de moradias para idosos. Primeiramente, a entidade, por conservadorismo, deverá registrar o recebimento do numerário (supondo-se que tal valor fosse recebido mediante cheque) D - Cheques a Depositar (Ativo Circulante) C - Doações Vinculadas ao Projeto de Moradias (Passivo Circulante) R$ 15.000,00 Por ocasião do depósito do respectivo cheque em conta bancária: D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C - Cheques a Depositar (Ativo Circulante) R$ 15.000,00 Pela aplicação efetiva dos recursos no propósito do doador, ou seja, moradias a idosos, cada parcela aplicada será assim contabilizada D - Construções em Andamento (Imobilizado) C - Bancos Cta. Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante)

E, simultaneamente, o mesmo valor será registrado como doação condicional, transferindo-se a parcela do passivo para o patrimônio social D - Doações Vinculadas ao Projeto de Moradias (Passivo Circulante) C - 2.3.1.03 - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) Nota: Como a doação está vinculada á formação do patrimônio para atendimento ás pessoas idosas, registra-se a doação no patrimônio social, e não como receita. Uma doação que seja efetuada para custeio, será registrada em conta de resultado (Doações Condicionais). Doação Condicional em Bens Na hipótese do doador efetuar doação condicional, em bens, mas sujeito à cumprimento de obrigações por parte da entidade, tal registro deve ser, primeiramente, ser efetuado em conta de compensação, até que os termos da doação sejam cumpridos. Para maiores detalhes, acesse o tópico “Contas de Compensação”. Finalizando o compromisso da entidade que recebeu a doação, reverte-se o lançamento das contas de compensação, e registra-se o bem doado, em contrapartida à conta de Doações e Subvenções (Patrimônio Social). Exemplo: Um doador efetua a transferência um terreno e uma entidade social, no valor de R$ 100.000,00. As condições da doação são a de que tal terreno seja utilizado pela entidade para construção de uma creche. Somente após a realização de tal construção, será considerado cumprido os termos da doação. Após a execução da obra civil, e averbação correspondente da edificação no registro de imóveis, a entidade registrará o cumprimento da obrigação e contabilizará a doação da seguinte forma: D - Terrenos (Imobilizado) C - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) R$ 100.000,00 Nota: Simultaneamente, deve-se efetuar o lançamento nas contas de compensação, visando baixar a obrigação. DOAÇÃO INCONDICIONAL DE RECEBÍVEIS

Na hipótese da existência de promessa de doação incondicional de recebíveis, com regularidade, o registro deverá ser efetuado em contas a receber, obedecendo à periodicidade da intenção. O registro deve estar embasado em documento que comprove a existência da promessa por parte do doador de informa incondicional. Simples promessa ou compromisso verbal não pode ser registrada. Exemplo: Determinado testamento de doador falecido especificou que R$ 20.000,00 seriam doados em 10 parcelas mensais, iguais e sucessivas, de R$ 2.000,00 cada, para a entidade, de forma incondicional. 1) Pelo registro da doação dos recebíveis D - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) C - Doações Incondicionais (Resultado) R$ 20.000,00 2) Por ocasião da recepção de cada parcela (supondo-se que a mesma seja mediante depósito bancário na conta da entidade) D - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres (Ativo Circulante) C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) Nota: Não são registráveis as promessas de doações feitas em testamento enquanto o doador estiver vivo, pois não existe uma previsibilidade da doação. PROVISÃO PARA OS RECEBÍVEIS Nas situações de promessa de doação incondicional de recebíveis, é recomendável a constituição de provisão para o não-recebimento, baseada no histórico dos créditos não-realizados como requerido na NBC T 10.19, item 2.2. Para maiores detalhes, acesse o tópico “Provisões”.

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TERCEIRO SETOR - FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO SOCIAL As doações, subvenções e contribuições patrimoniais, inclusive as arrecadadas na constituição da entidade, são contabilizadas no patrimônio social.

Exemplo: Doação de um imóvel, no valor de R$ 100.000,00, sendo R$ 20.000,00 do valor de terreno e R$ 80.000,00 do valor de edificações, na constituição da entidade e para uso desta em seus objetivos estatutários: D – Terrenos (Imobilizado) R$ 20.000,00 D – Edificações (Imobilizado) R$ 80.000,00 C - Fundo Institucional (Patrimônio Social) R$ 100.000,00 SEGREGAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS Os registros contábeis devem evidenciar as contas de receitas e despesas, superávit ou déficit, de forma segregada, quando identificáveis por tipo de atividade, tais como educação, saúde, assistência social, técnico-científica e outras, bem como, comercial, industrial ou de prestação de serviços.

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FUNDAÇÕES Fundações são entes jurídicos que têm como fator preponderante o patrimônio. Este ganha personalidade jurídica e deverá ser administrado de modo a atingir o cumprimento das finalidades estipuladas pelo seu instituidor. A partir da vigência do Código Civil de 2002, somente podem ser constituídas fundações para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência (parágrafo único do art. 62 – Lei 10.406/2002). O fator primordial da fundação é o patrimônio, sendo que este deve ser formado por bens livres, ou seja, legalmente disponíveis ou desonerados. Deverá ainda ser suficiente para a manutenção da entidade e desenvolvimento de suas finalidades estatutárias. Quando o patrimônio for insuficiente para a constituição da fundação, este será incorporado a outra fundação com finalidades estatutárias iguais ou semelhantes, a não ser que o instituidor tenha disposto de outra forma no ato de instituição (escritura pública ou testamento). Adiante, a legislação respectiva, constante no atual Código Civil Brasileiro, relativamente ás fundações:

CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO – LEI 10.406/2002 Capítulo III - Das Fundações Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência. Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante. Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial. Art. 65. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência do encargo, formularão logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o estatuto da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação da autoridade competente, com recurso ao juiz. Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo, em 180 (cento e oitenta) dias, a incumbência caberá ao Ministério Público. Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. § 1.º Se funcionarem no Distrito Federal, ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público Federal. § 2.º Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao respectivo Ministério Público. Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I - seja deliberada por 2/3 (dois terços) dos competentes para gerir e representar a fundação; II - não contrarie ou desvirtue o fim desta; III - seja aprovada pelo órgão do Ministério Público, e, caso este a denegue, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado.

Art. 68. Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime, os administradores da fundação, ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público, requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la, se quiser, em 10 (dez) dias. Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante.

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TERCEIRO SETOR - GRATUIDADES Uma das finalidades de boa parte dos esforços das entidades do terceiro setor, especialmente as que dão assistência social, é oferecer serviços de forma gratuita. Chama-se “gratuidades” a tais esforços, devendo os valores desembolsados serem registrados contabilmente, por exigência das Normas Brasileiras de Contabilidade e dos órgãos de controle (MPAS e SRF). Como exemplo, as entidades educacionais que cedem bolsas de estudos a alunos carentes, devem demonstrar, para fins de isenção parcial do INSS, a proporção entre o total das gratuidades e o total da receita bruta (art. 207 do Regulamento da Previdência Social). Para maiores detalhamentos, acesse o tópico "INSS e Contribuições Sociais". Vamos aos exemplos de contabilização de gratuidades. 1) Doação de bolsas de estudos próprias: Uma entidade educacional doa 10 bolsas de estudos para crianças carentes. O custo de cada bolsa é de R$ 500,00 cada. Desta forma, teremos a seguinte contabilização mensal: D - Educação (Benefícios Concedidos – Gratuidade – conta de Resultado) C - Atendimento à Criança (Receita de Atividade Educacional – conta de Resultado) R$ 5.000,00 2) Doação de mercadorias:

Entidade de assistência a idosos distribui agasalhos e alimentos, no valor de R$ 10.000,00: D - Assistência Social (Benefícios Concedidos – Gratuidade – conta de Resultado) C - Mercadorias e Produtos para Distribuição (Estoques – Ativo Circulante) R$ 10.000,00 3) Serviços de terceiros com reembolso parcial dos beneficiários: Entidade assistencial de saúde efetua prestação de consultas médicas e análises clínicas à população de baixa renda, no valor de R$ 1.000,00, sendo reembolsáveis 10% deste valor pelos usuários: a) Pelo registro do atendimento realizado: D - Assistência à Saúde (Benefícios Proporcional – Gratuidade - conta de Resultado) R$ 900,00 D - Atendimentos a Receber (Ativo Circulante) R$ 100,00 C - Contas a Pagar (Passivo Circulante) R$ 1.000,00 b) Pelo recebimento da parcela não subsidiada aos beneficiários: D - Caixa (Ativo Circulante) C - Atendimentos a Receber (Ativo Circulante) R$ 100,00 c) Pelo pagamento dos serviços prestados: D - Contas a Pagar (Passivo Circulante) C - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres (Ativo Circulante) R$ 1.000,00 GRATUIDADES CONDICIONAIS Pode ocorrer que a gratuidade concedida exija algum requisito do beneficiário (como aproveitamento mínimo escolar, para bolsa de estudos). Neste caso, o registro da gratuidade será em conta de ativo, e a despesa registrada só deverá ocorrer quando a exigência for satisfeita. Exemplo: Concessão de bolsa de estudo a um adolescente, no valor de R$ 500,00 mensais, condicionada à que o aluno obtenha freqüência e aproveitamento mínimo determinados ao final de cada bimestre.

a) Registro no primeiro mês, da gratuidade condicional: D - Gratuidades Condicionais (Ativo Circulante) C - Atendimento ao Adolescente (Resultado) R$ 500,00 b) Cumprimento da condição de gratuidade, verificada no segundo mês: D - Educação (Benefícios Concedidos – Gratuidade – Resultado) C - Gratuidades Condicionais (Ativo Circulante) R$ 500,00 c) Lançamento da gratuidade do segundo mês, cuja condição já esteja cumprida: D - Educação (Benefícios Concedidos – Gratuidade – Resultado) C - Atendimento ao Adolescente (Resultado) R$ 500,00 Na hipótese de o aluno não cumprir a exigência contratual fixada para a bolsa de estudo, deverá reembolsar a entidade. No recebimento, se contabilizará: D - Caixa ou Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) C - Gratuidades Condicionais (Ativo Circulante) R$ 500,00 Caso houver inadimplência por parte do beneficiário, é prudente constituir provisão para créditos duvidosos. Consulte o tópico “Provisões de Recebíveis”. DESCONTOS FINANCEIROS Não se deve confundir a concessão de uma gratuidade com desconto de valor (por pagamento pontual, por exemplo). Quando a entidade conceder algum desconto de mensalidades, trata-se de despesa financeira, e não de concessão de gratuidade. Observe que na gratuidade não está presente a possibilidade de realização financeira do direito enquanto que na redução do débito ao devedor, pela concessão do desconto financeiro, essa possibilidade existia. Exemplo:

Determinada entidade de saúde aprovou a concessão de um desconto de 40% para o débitos de R$ 1.000,00 em mensalidades, recebendo o restante em dinheiro: D - Juros e Descontos Concedidos (Resultado) R$ 400,00 D - Caixa (Ativo Circulante) R$ 600,00 C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) R$ 1.000,00

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TERCEIRO SETOR - MENSALIDADES As entidades, como as associações, que prevêem cobrança de mensalidades de seus associados, registram tais valores, pelo regime de competência: D - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) C - Receitas de Mensalidades (Resultado) Entretanto, como é notório, há enorme inadimplência das mensalidades em qualquer associação. Por isso, recomenda-se que seja efetuado provisão para devedores duvidosos, quando a mensalidade do associado esteja atrasada por 3 meses ou mais. O lançamento da provisão será o seguinte: D - Provisão para Devedores Duvidosos - Mensalidades (Resultado) C - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) Na eventualidade de alguma de tais mensalidades virem a ser quitadas, o lançamento seria: D - Caixa ou Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) Neste caso, haveria necessidade de reversão da provisão anteriormente constituída, desta forma: D - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) C - Reversão da Provisão para Devedores Duvidosos (Resultado)

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TERCEIRO SETOR - ORGANIZAÇÕES SOCIAIS

São qualificáveis como organizações sociais pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde, atendidos aos requisitos previstos na Lei 9.637/1998. As entidades qualificadas como organizações sociais são declaradas como entidades de interesse social e utilidade pública, para todos os efeitos legais. Às organizações sociais poderão ser destinados recursos orçamentários e bens públicos necessários ao cumprimento do contrato de gestão. ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO OSCIP A Lei 9.790/1999, regulamentada pelo Decreto 3.100/1999, qualifica as OSCIP, no universo do Terceiro Setor, em organizações que efetivamente têm finalidade pública, impondo condições para tal reconhecimento. A qualificação de OSCIP acolhe e reconhece legalmente as organizações da sociedade civil cuja atuação se dá no espaço público não estatal. Para efetuar a transferência de recursos públicos para as organizações da sociedade civil, a legislação anterior à Lei 9.790/99 adota os convênios como principal forma de operacionalização, sendo obrigatório o registro no Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS. Outra alternativa são os contratos, que devem obedecer às determinações da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993 (Lei das Licitações). A Lei 9.790/1999 criou o Termo de Parceria - novo instrumento jurídico de fomento e gestão das relações de parceria entre as OSCIP e o Estado, com o objetivo de imprimir maior agilidade gerencial aos projetos e realizar o controle pelos resultados, com garantias de que os recursos estatais sejam utilizados de acordo com os fins públicos. O Termo de Parceria possibilita a escolha do parceiro mais adequado do ponto de vista técnico e mais desejável dos pontos de vista social e econômico, além de favorecer a publicidade e a transparência. A Lei 9.790/1999 traz uma novidade importante: pela primeira vez, o Estado reconhece a existência de uma esfera pública em emersão, que é pública não pela sua origem, mas pela sua finalidade, ou seja, é pública mesmo não sendo estatal. A seguir, um quadro-resumo das qualificações das OSCIP e as demais entidades sociais, regidas pela legislação anterior:

Lei 9.790/1999 Cria a qualificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público/ OSCIP, concedida pelo Ministério da Justiça.

Legislação anterior e vigente No nível federal, são fornecidas duas qualificações: Declaração de Utilidade Pública Federal, pelo Ministério da Justiça; e Certificado de Fins Filantrópicos, pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Declarações de Utilidade Pública similares são oferecidas no nível dos estados e municípios. Tais qualificações dependem de vários documentos, cuja obtenção pode ser morosa e de custos elevados. Se o pedido para essas qualificações for negado, a entidade não pode proceder à reapresentação imediata, devendo esperar um período definido legalmente.

A lei determina rapidez no ato de deferimento da solicitação porque a qualificação é ato vinculado ao cumprimento das exigências da lei, isto é, se a entidade entregou os documentos e cumpriu com as exigências, ela é qualificada automaticamente. Se o pedido de qualificação como OSCIP for negado, a entidade, após fazer as alterações indicadas na justificativa de indeferimento, feita pelo Ministério da Justiça, pode reapresentar o pedido imediatamente.

Nota: A qualificação como OSCIP não substitui outras qualificações anteriores: a Declaração de Utilidade Pública Federal e o Certificado de Fins Filantrópicos. A legislação que rege essas qualificações continua vigorando concomitantemente à Lei 9.790/1999.
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PRESTAÇÃO DE CONTAS AO CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CNAS A prestação de contas ao CNAS ocorre no momento em que é solicitada a concessão ou renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nos termos do Decreto 2.536/1998, alterado pelo Decreto 3.504/2000. CONCEITO Considera-se entidade beneficente de assistência social, para os fins de obtenção do Certificado correspondente, a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que atue no sentido de:

I - proteger a família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice; II - amparar crianças e adolescentes carentes; III - promover ações de prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de deficiências; IV - promover, gratuitamente, assistência educacional ou de saúde; V - promover a integração ao mercado de trabalho. DOCUMENTAÇÃO A entidade deverá apresentar ao CNAS, além do relatório de execução de plano de trabalho aprovado, as seguintes demonstrações contábeis, relativas aos três últimos exercícios:
    

balanço patrimonial; demonstração do déficit ou superávit; demonstração de mutações do patrimônio social; demonstração das origens e aplicações de recursos; notas explicativas, evidenciando o resumo das principais práticas contábeis e os critérios de apuração do total das receitas, despesas, gratuidades, doações, subvenções e aplicações de recursos, bem como a mensuração dos gastos e despesas relacionados com a atividade assistencial, especialmente daqueles necessários à comprovação do percentual mínimo de gratuidades; evidenciação das contribuições previdenciárias devidas, como se a entidade não gozasse de imunidade ou isenção.

AUDITORIA INDEPENDENTE As entidades cujas receitas brutas de cada um dos três exercícios em análise excedam R$ 1.200.000,00 devem submeter suas contas à auditoria independente. Quando a receita de qualquer um dos três exercícios ultrapassar R$ 2.400.000,00, a auditoria deverá ser realizada por auditores registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Nota: Limites decorrentes do Decreto 3.504/2000.

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PRESTAÇÃO DE CONTAS AO MPAS Até 21.07.2010, quando referida obrigação foi revogado pelo Decreto 7.237/2010, as entidades isentas da contribuição previdenciária patronal

prestavam contas diretamente ao Ministério da Previdência e Assistência Social - MPAS. De acordo com o art. 209 do Decreto 3.048/1999 (conhecido como “Regulamento da Previdência Social), a entidade que fosse beneficiada com a isenção da contribuição patronal era obrigada a apresentar, anualmente, até o dia 30 de abril, ao órgão do Instituto Nacional do Seguro Social jurisdicionante de sua sede, relatório circunstanciado de suas atividades no exercício anterior, na forma por ele definida, contendo as seguintes informações e documentos: I - localização de sua sede; II - nome e qualificação completa de seus dirigentes; III - relação dos seus estabelecimentos e obras de construção civil identificados pelos respectivos números do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou no Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social; IV - descrição pormenorizada dos serviços assistenciais, de educação ou de saúde prestados a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência, mencionando a quantidade de atendimentos e os respectivos custos, para o caso da pessoa jurídica de direito privado a que se refere o art. 206 do Decreto 3.048/1999; V - demonstrativo mensal por atividade, no qual conste a quantidade de atendimentos gratuitos oferecidos a pessoas carentes, o valor efetivo total das vagas cedidas, a receita proveniente dos atendimentos prestados ao Sistema Único de Saúde, o valor da receita bruta, da contribuição social devida, o percentual e o valor da isenção usufruída, para o caso da pessoa jurídica de direito privado a que se refere o art. 207; e VI - resumo de informações de assistência social. GUARDA DE DOCUMENTOS A entidade era, ainda, obrigada a manter à disposição do Instituto Nacional do Seguro Social, durante dez anos, os seguintes documentos: I - balanço patrimonial e da demonstração de resultado do exercício, com discriminação das receitas e despesas, relativos ao exercício anterior, para o caso da pessoa jurídica de direito privado de que trata o art. 206 do Decreto 3.048/1999 (entidades beneficentes de assistência social); II - demonstrações contábeis e financeiras relativas ao exercício anterior, para o caso da pessoa jurídica de direito privado de que trata o art. 207 do

Decreto 3.048/1999 (atividade educacional ou atendimento pelo SUS parcialmente de forma gratuita), abrangendo: a) balanço patrimonial; b) demonstração de resultado do exercício, com discriminação das receitas e despesas; c) demonstração de mutação de patrimônio; e d) notas explicativas.

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DECRETO Nº 7.237, DE 20 DE JULHO DE 2010 DOU 21.07.2010 Regulamenta a Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, para dispor sobre o processo de certificação das entidades beneficentes de assistência social para obtenção da isenção das contribuições para a seguridade social, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, DECRETA: Art. 1º A certificação das entidades beneficentes de assistência social será concedida às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação e que atendam ao disposto na Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, e neste Decreto. Art. 2º Para obter a certificação as entidades deverão obedecer ao princípio da universalidade do atendimento, sendo vedado dirigir suas atividades exclusivamente a seus associados ou a categoria profissional, e às demais exigências da Lei nº 12.101, de 2009, e deste Decreto. TÍTULO I DA CERTIFICAÇÃO CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Seção I Da Certificação e da Renovação Art. 3º A certificação ou sua renovação será concedida à entidade beneficente que demonstre, no exercício fiscal anterior ao do requerimento, o cumprimento do disposto neste Capítulo e nos Capítulos II, III e IV deste Título, isolada ou cumulativamente, conforme sua área de atuação, e que apresente os seguintes documentos: I - comprovante de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ; II - cópia da ata de eleição dos dirigentes e do instrumento comprobatório de representação legal, quando for o caso; III - cópia do ato constitutivo registrado, que demonstre o cumprimento dos requisitos previstos no art. 3º da Lei nº 12.101, de 2009; e IV - relatório de atividades desempenhadas no exercício fiscal anterior ao requerimento, destacando informações sobre o público atendido e os recursos envolvidos. § 1º Será certificada, na forma deste Decreto, a entidade legalmente constituída e em funcionamento regular há, pelo menos, doze meses, imediatamente anteriores à apresentação do requerimento. § 2º Em caso de necessidade local atestada pelo gestor do respectivo sistema, o período mínimo de cumprimento dos requisitos de que trata este artigo poderá ser reduzido se a entidade for prestadora de serviços por meio de convênio ou instrumento congênere com o Sistema Único de Saúde - SUS ou com o Sistema Único de Assistência Social SUAS. § 3º As ações previstas nos Capítulos II, III e IV deste Título poderão ser executadas por meio de parcerias entre entidades privadas, sem fins lucrativos, que atuem nas áreas previstas no art. 1º, firmadas mediante ajustes ou instrumentos de colaboração, que prevejam a corresponsabilidade das partes na prestação dos serviços em conformidade com a Lei nº 12.101, de 2009, e disponham sobre: I - a transferência de recursos, se for o caso; II - as ações a serem executadas; III - as responsabilidades e obrigações das partes; IV - seus beneficiários; e V - forma e assiduidade da prestação de contas. § 4º Os recursos utilizados nos ajustes ou instrumentos de colaboração previstos no § 3º deverão ser individualizados e segregados nas demonstrações contábeis das entidades envolvidas, de acordo com as normas do Conselho Federal de Contabilidade para entidades sem fins lucrativos.

§ 5º Para fins de certificação, somente serão consideradas as parcerias de que trata o § 3º firmadas com entidades privadas sem fins lucrativos certificadas ou cadastradas junto ao Ministério de sua área de atuação, nos termos do art. 40 da Lei nº 12.101, de 2009, e de acordo com o procedimento estabelecido pelo referido Ministério. § 6º As parcerias previstas no § 3º não afastam as obrigações tributárias decorrentes das atividades desenvolvidas pelas entidades sem fins lucrativos não certificadas, nos termos da legislação vigente. § 7º A entidade certificada deverá atender às exigências previstas nos Capítulos I, II, III e IV deste Título, conforme sua área de atuação, durante todo o período de validade da certificação, sob pena de seu cancelamento a qualquer tempo. Art. 4º Os requerimentos de concessão da certificação e de renovação deverão ser protocolados junto aos Ministérios da Saúde, da Educação ou do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, conforme a área de atuação da entidade, acompanhados dos documentos necessários à sua instrução, nos termos deste Decreto. § 1º Os requerimentos deverão ser analisados, de acordo com a ordem cronológica de seu protocolo, no prazo de até seis meses, salvo em caso de necessidade de diligência devidamente justificada. § 2º Os requerimentos com documentação incompleta serão indeferidos e arquivados, sendo vedada a abertura de diligência para apresentação de documentos faltantes. § 3º A decisão sobre o requerimento de concessão da certificação ou de renovação deverá ser publicada no Diário Oficial da União e na página do Ministério responsável na rede mundial de computadores. § 4º Os requerimentos de concessão da certificação ou de renovação deverão ser apresentados em formulário próprio a ser definido em ato específico de cada um dos Ministérios previstos no caput. § 5º Os requerimentos de que trata este artigo serão considerados recebidos a partir da data de seu protocolo, ressalvados aqueles encaminhados pela via postal, cujo protocolo deverá considerar a data de postagem, conforme procedimento a ser adotado em cada Ministério. § 6º Os Ministérios previstos no caput deverão adotar modelo padronizado de protocolo, contendo, no mínimo, o nome da entidade, seu número de inscrição no CNPJ e a especificação dos seus efeitos, conforme disposto no art. 8o. Art. 5º A certificação terá validade de três anos, contados a partir da publicação da decisão que deferir sua concessão, permitida sua renovação por iguais períodos. Art. 6º Para os requerimentos de renovação protocolados no prazo previsto no § 1º do art. 24 da Lei nº 12.101, de 2009, o efeito da decisão contará: I - do término da validade da certificação anterior, se a decisão for favorável ou se a decisão for desfavorável e proferida até o prazo de seis meses; e

II - da data da publicação da decisão, se esta for desfavorável e proferida após o prazo de seis meses. Art. 7º Para os requerimentos de renovação protocolados após o prazo previsto no § 1º do art. 24 da Lei nº 12.101, de 2009, o efeito da decisão contará: I - do término da validade da certificação anterior, se o julgamento ocorrer antes do seu vencimento; e II - da data da publicação da decisão, se esta for proferida após o vencimento da certificação. Parágrafo único. Na hipótese do inciso II, a entidade não usufruirá os efeitos da certificação no período compreendido entre o término da sua validade e a data de publicação da decisão, independentemente do seu resultado. Art. 8º O protocolo dos requerimentos de renovação servirá como prova da certificação até o julgamento do processo pelo Ministério competente. § 1º O disposto no caput aplica-se aos requerimentos de renovação redistribuídos nos termos do art. 35 da Lei nº 12.101, de 2009, ficando assegurado às entidades interessadas o fornecimento de cópias dos respectivos protocolos, sem prejuízo da validade de certidão eventualmente expedida pelo Conselho Nacional de Assistência Social. § 2º O disposto no caput não se aplica aos requerimentos de renovação protocolados fora do prazo legal ou com certificação anterior tornada sem efeito, por qualquer motivo. § 3º A validade do protocolo e sua tempestividade serão confirmadas pelo interessado mediante consulta da tramitação processual na página do Ministério responsável pela certificação na rede mundial de computadores. Art. 9º A tramitação dos processos administrativos que envolvam a certificação, sua renovação ou cancelamento deverá ser disponibilizada na página do Ministério responsável pela certificação na rede mundial de computadores. Seção II Da Entidade com Atuação em mais de uma Área Art. 10. A entidade que atue em mais de uma das áreas a que se refere o art. 1º deverá requerer a certificação e sua renovação no Ministério responsável pela sua área de atuação preponderante, sem prejuízo da comprovação dos requisitos exigidos para as demais áreas. § 1º Considera-se área de atuação preponderante aquela definida como atividade econômica principal da entidade no CNPJ.

§ 2º A atividade econômica principal, constante do CNPJ, deverá corresponder ao principal objeto de atuação da entidade, verificado nas demonstrações contábeis e, caso necessário, nos seus atos constitutivos e relatório de atividades. § 3º Cabe ao Ministério competente verificar, antes da concessão ou renovação da certificação, com base nos documentos indicados no § 2º, o enquadramento feito pela entidade segundo o critério de preponderância. § 4º Constatada divergência entre a atividade econômica principal constante do CNPJ e o principal objeto de atuação da entidade, o requerimento será encaminhado ao Ministério responsável pela respectiva área para análise e julgamento, considerando-se válida a data do protocolo para fins de comprovação de sua tempestividade. § 5º Verificada a situação prevista no § 4o, o Ministério responsável pela certificação deverá recomendar à entidade, quando for o caso, que efetue as alterações necessárias no CNPJ e em seus atos constitutivos. § 6º Caso a atividade econômica principal da entidade constante do CNPJ não seja compatível com nenhuma das áreas a que se refere o art. 1º, a entidade deverá requerer a certificação ou sua renovação no Ministério responsável pela área de atuação preponderante demonstrada na sua escrituração contábil. § 7º As entidades de que trata o § 2º do art. 18 da Lei nº 12.101, de 2009, serão certificadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, desde que observados os demais requisitos exigidos na referida Lei, salvo quando atuarem exclusivamente nas áreas de saúde ou de educação. Art. 11. A entidade de que trata esta Seção deverá manter escrituração contábil segregada por área de atuação, de modo a evidenciar o seu patrimônio, as suas receitas, os custos e as despesas de cada área de atuação. § 1º A escrituração deve obedecer às normas do Conselho Federal de Contabilidade para entidades sem fins lucrativos. § 2º Os registros de atos e fatos devem ser segregados por área de atuação da entidade e obedecer aos critérios específicos de cada área, a fim de possibilitar a comprovação dos requisitos para sua certificação como entidade beneficente de assistência social. § 3º A entidade cuja receita bruta anual for superior ao limite máximo estabelecido no inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro 2006, deverá submeter sua escrituração a auditoria independente, realizada por instituição credenciada no Conselho Regional de Contabilidade. § 4º Na apuração da receita bruta anual, para fins do § 3º, também serão computadas as doações e as subvenções recebidas ao longo do exercício, em todas as atividades realizadas. Art. 12. A concessão de certificação ou de sua renovação para entidade com atuação em mais de uma das áreas referidas no art. 1º dependerá da manifestação dos demais Ministérios responsáveis pelas respectivas áreas de atuação.

§ 1º Além dos documentos previstos no § 2º do art. 10, o requerimento de concessão da certificação ou de renovação deverá ser instruído com os documentos previstos neste Decreto para certificação em cada uma das áreas de atuação da entidade. § 2º Recebido o requerimento de concessão da certificação ou de renovação, o Ministério responsável pela concessão ou renovação consultará os demais Ministérios responsáveis, que se manifestarão no prazo de trinta dias, prorrogável por igual período, sobre o cumprimento dos requisitos nas suas respectivas áreas. § 3º O requerimento deverá ser analisado concomitantemente pelos Ministérios interessados e somente será deferido se constatado o cumprimento dos requisitos previstos na Lei nº 12.101, de 2009, e neste Decreto, para cada uma de suas áreas de atuação. Seção III Do Recurso contra a Decisão de Indeferimento da Certificação Art. 13. Da decisão que indeferir o requerimento de concessão ou de renovação da certificação, ou que determinar seu cancelamento, caberá recurso no prazo de trinta dias, contados da data de sua publicação. § 1º O recurso será dirigido à autoridade certificadora que, se não reconsiderar a decisão no prazo de dez dias, o encaminhará ao Ministro de Estado. § 2º Os recursos poderão abranger questões de legalidade e mérito, não sendo admitida a juntada de novos documentos. § 3º Após o recebimento das razões de recurso pelo Ministro de Estado, abrir-se-á prazo de quinze dias para manifestação, por meio eletrônico, da sociedade civil e, se for o caso, do Ministério responsável pela área de atuação não preponderante da entidade. § 4º O recurso protocolado fora do prazo previsto no caput não será admitido. Seção IV Da Supervisão e do Cancelamento da Certificação Art. 14. Os Ministérios da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome deverão supervisionar as entidades beneficentes certificadas e zelar pelo cumprimento das condições que ensejaram a certificação, nos termos do art. 24 da Lei nº 12.101, de 2009, e deste Decreto, podendo, a qualquer tempo, determinar a apresentação de documentos, a realização de auditorias ou o cumprimento de diligências. Parágrafo único. Sem prejuízo das representações a que se refere o art. 16, o Ministério responsável poderá, de ofício, determinar a apuração de indícios de irregularidades no cumprimento da Lei nº 12.101, de 2009, ou deste Decreto.

Art. 15. A autoridade competente para a certificação determinará o seu cancelamento, a qualquer tempo, caso constate o descumprimento dos requisitos necessários à sua obtenção. § 1º A certificação será cancelada a partir da ocorrência do fato que ensejou o descumprimento dos requisitos necessários à sua concessão ou manutenção, após processo iniciado de ofício pelas autoridades referidas no caput ou por meio de representação, aplicado, em ambas as hipóteses, o procedimento previsto no art. 16. § 2º O Ministério responsável pela área de atuação não preponderante deverá supervisionar as entidades em sua respectiva área, devendo notificar a autoridade certificadora sobre o descumprimento dos requisitos necessários à manutenção da certificação, para que promova seu cancelamento, nos termos deste artigo. Seção V Da Representação Art. 16. Verificada prática de irregularidade pela entidade certificada, são competentes para representar, motivadamente, ao Ministério responsável pela certificação, sem prejuízo das atribuições do Ministério Público: I - o gestor municipal ou estadual do SUS ou do SUAS, de acordo com a sua condição de gestão, bem como o gestor da educação municipal, distrital ou estadual; II - a Secretaria da Receita Federal do Brasil; III - os conselhos de acompanhamento e controle social previstos na Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007, e os Conselhos de Assistência Social e de Saúde; e IV - o Tribunal de Contas da União. § 1º A representação será realizada por meio eletrônico ou físico e deverá conter a qualificação do representante, a descrição dos fatos a serem apurados e, sempre que possível, a documentação pertinente e demais informações relevantes para o esclarecimento do pedido. § 2º Após o recebimento da representação, caberá ao Ministério que concedeu a certificação: I - notificar a entidade, para apresentação da defesa no prazo de trinta dias; II - decidir sobre a representação, no prazo de trinta dias a contar da apresentação da defesa; e III - comunicar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no prazo de trinta dias, salvo se esta figurar como parte na representação.

§ 3º Da decisão que julgar procedente a representação, cabe recurso por parte da entidade ao respectivo Ministro de Estado, no prazo de trinta dias, contados de sua notificação, na forma prevista no art. 13. § 4º Indeferido o recurso ou decorrido o prazo previsto no § 3º sem manifestação da entidade, o Ministério responsável cancelará a certificação e dará ciência do fato à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em até quarenta e oito horas após a publicação da sua decisão. § 5º Julgada improcedente a representação, será dada ciência à Secretaria da Receita Federal do Brasil, e o processo correspondente será arquivado. § 6º A decisão final sobre o recurso de que trata o § 3º deverá ser prolatada em até noventa dias, contados da data do seu recebimento pelo Ministro de Estado. § 7º O representante será informado sobre o resultado do julgamento da representação, mediante ofício da autoridade julgadora, acompanhado de cópia da decisão. CAPÍTULO II DA CERTIFICAÇÃO DAS ENTIDADES DE SAÚDE Art. 17. Compete ao Ministério da Saúde conceder ou renovar a certificação das entidades beneficentes de assistência social da área de saúde que preencherem os requisitos previstos na Lei nº 12.101, de 2009, e neste Decreto. Parágrafo único. Consideram-se entidades beneficentes de assistência social na área de saúde aquelas que atuem diretamente na promoção, prevenção e atenção à saúde. Art. 18. O requerimento de concessão ou renovação de certificado de entidade beneficente de assistência social que atue na área da saúde deverá ser protocolado junto ao Ministério da Saúde, em formulário próprio, acompanhado dos seguintes documentos: I - aqueles previstos no art. 3º; II - cópia da proposta de oferta da prestação de serviços ao SUS no percentual mínimo de sessenta por cento, encaminhada pelo responsável legal da entidade ao gestor local do SUS, protocolada junto à Secretaria de Saúde respectiva; III - cópia do convênio ou instrumento congênere firmado com o gestor local do SUS; e IV - declaração fornecida pelo gestor local do SUS, atestando o cumprimento das metas quantitativas e qualitativas de internação ou de atendimentos ambulatoriais estabelecidas em convênio ou instrumento congênere. § 1º As entidades de saúde que não cumprirem o percentual mínimo a que se refere o inciso II do art. 4º da Lei nº 12.101, de 2009, em razão da falta de demanda, deverão instruir seu requerimento com os documentos previstos no inciso I do caput e apresentar cópia de declaração fornecida pelo gestor local do SUS que ateste esse fato e

demonstrativo contábil que comprove o atendimento dos percentuais exigidos no art. 8º da referida Lei. § 2º As entidades cujos serviços de saúde não forem objeto de contratação deverão instruir seu requerimento com os documentos previstos no inciso I do caput e com demonstrativo contábil da aplicação do percentual de vinte por cento de sua receita bruta em gratuidade, nos termos do disposto no inciso I do art. 8º da Lei nº 12.101, de 2009. § 3º Para fins de certificação, os serviços de atendimento ambulatorial ou de internação prestados ao SUS, resultantes das parcerias previstas no § 3º do art. 3º, serão computados para a entidade à qual estiver vinculado o estabelecimento que efetivar o atendimento. § 4º As entidades de saúde de reconhecida excelência que optarem por realizar projetos de apoio ao desenvolvimento institucional do SUS deverão apresentar os documentos previstos no caput e no seu inciso I, além dos seguintes: I - portaria de habilitação para apresentação de projetos de apoio ao desenvolvimento institucional do SUS; II - cópia do ajuste ou convênio celebrado com o Ministério da Saúde e dos respectivos termos aditivos, se houver; III - demonstrações contábeis e financeiras submetidas a parecer conclusivo de auditor independente, legalmente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade; e IV - resumo da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS e Informações à Previdência Social. § 5º O Ministério da Saúde poderá exigir a apresentação de outros documentos. Art. 19. A prestação anual de serviços ao SUS no percentual mínimo de sessenta por cento será comprovada por meio do somatório dos registros das internações e atendimentos ambulatoriais verificados no Sistema de Informação Ambulatorial, no Sistema de Informação Hospitalar e no de Comunicação de Internação Hospitalar. § 1º O somatório dos serviços prestados pela entidade de saúde será calculado pelo Ministério da Saúde a partir da valoração ponderada dos atendimentos ambulatoriais e de internações, considerando os seguintes critérios: I - a produção de internações será medida por paciente-dia; II - o paciente-dia de unidade de tratamento intensivo terá maior peso na valoração do que aquele atribuído ao paciente-dia de internação geral; III - a valoração dos atendimentos ambulatoriais corresponderá a uma fração do valor médio do paciente-dia obtido anualmente; e

IV - o valor médio do paciente-dia será estabelecido pelo Ministério da Saúde a partir da classificação dos hospitais habilitados para serviços de alta complexidade específicos, de alta complexidade gerais e não habilitados. § 2º Para fins de ponderação, serão considerados somente os procedimentos ambulatoriais registrados pelas entidades de saúde no Sistema de Informação Ambulatorial no exercício anterior, os quais serão classificados de acordo com o nível de complexidade. § 3º O Ministério da Saúde poderá estabelecer lista de atendimentos ambulatoriais que terão peso diferenciado na valoração ponderada referida no § 1º, com base em informações sobre a demanda, a oferta e o acesso aos serviços de saúde obtidas junto ao SUS. § 4º Para a verificação da produção da entidade de saúde que presta serviços exclusivamente na área ambulatorial, aplicam-se os critérios estabelecidos nos §§ 1º a 3º, no que couber, considerando-se o nível de complexidade. Art. 20. O atendimento do percentual mínimo de sessenta por cento de prestação de serviços ao SUS pode ser individualizado por estabelecimento ou pelo conjunto de estabelecimentos de saúde da pessoa jurídica, desde que não abranja outra entidade com personalidade jurídica própria que seja por ela mantida. Parágrafo único. Para fins de cumprimento do percentual previsto no caput, a entidade de saúde requerente poderá incorporar, no limite de dez por cento dos seus serviços, aqueles prestados ao SUS em estabelecimento a ela vinculado na forma do disposto no § 2º do art. 4º da Lei nº 12.101, de 2009. Art. 21. Para o cumprimento do disposto no art. 8º da Lei nº 12.101, de 2009, as entidades que prestam serviços de internação e de atendimento ambulatorial deverão comprovar a efetivação dos atendimentos gratuitos mediante inclusão de informações no Sistema de Informação Hospitalar e no Sistema de Informação Ambulatorial, com observação de não geração de créditos. Parágrafo único. As entidades que não prestam serviços de saúde de atendimento ambulatorial ou de internação hospitalar comprovarão a aplicação do percentual de sua receita bruta em atendimento gratuito por meio de procedimento a ser estabelecido pelo Ministério da Saúde. Art. 22. As entidades de saúde realizadoras de projetos de apoio ao desenvolvimento institucional do SUS que complementarem as atividades relativas aos projetos com a prestação de serviços gratuitos ambulatoriais e hospitalares deverão comprová-los mediante preenchimento do Sistema de Informação Ambulatorial e do Sistema de Informação Hospitalar, com observação de não geração de créditos. Art. 23. O valor dos recursos despendidos e o conteúdo das atividades desenvolvidas no âmbito dos projetos de apoio ao desenvolvimento institucional do SUS ou da prestação de serviços previstos no art. 22 deverão ser objeto de relatórios anuais, encaminhados ao Ministério da Saúde para acompanhamento e fiscalização, sem prejuízo das atribuições dos órgãos de fiscalização tributária.

§ 1º Os relatórios previstos no caput deverão ser acompanhados de demonstrações contábeis e financeiras, submetidas a parecer conclusivo de auditoria independente, realizada por instituição credenciada perante o Conselho Regional de Contabilidade. § 2º O cálculo do valor das isenções previstas no § 2º do art. 11 da Lei n o 12.101, de 2009, será realizado com base no exercício fiscal anterior. § 3º Caso os recursos despendidos nos projetos de apoio institucional não alcancem o valor da isenção usufruída, a entidade deverá compensar a diferença até o término do prazo de validade de sua certificação. § 4º O disposto no § 3º alcança somente as entidades que tenham aplicado, no mínimo, setenta por cento do valor usufruído anualmente com a isenção nos projetos de apoio ao desenvolvimento institucional do SUS. CAPÍTULO III DA CERTIFICAÇÃO DAS ENTIDADES DE EDUCAÇÃO Art. 24. Compete ao Ministério da Educação conceder ou renovar a certificação das entidades beneficentes de assistência social da área de educação que preencherem os requisitos previstos na Lei nº 12.101, de 2009, e neste Decreto. Art. 25. Para os fins da concessão ou renovação da certificação, a entidade de educação deverá observar o disposto no art. 13 da Lei nº 12.101, de 2009. § 1º A adequação às diretrizes e metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação PNE será demonstrada por meio de plano de atendimento que demonstre a concessão de bolsas, ações assistenciais e programas de apoio aos alunos bolsistas, submetido à aprovação do Ministério da Educação. § 2º O plano de atendimento referido no § 1º constitui-se na descrição das ações e medidas assistenciais desenvolvidas pela entidade para cumprimento do previsto no art. 13 da Lei nº 12.101, de 2009, bem como no planejamento destas ações e medidas para todo o período de vigência da certificação a ser concedido ou renovado. § 3º O Ministério da Educação analisará o plano de atendimento visando ao cumprimento das metas do PNE, de acordo com as diretrizes estabelecidas na Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e segundo critérios de qualidade e prioridade por ele definidos, reservando-se o direito de determinar adequações, propondo medidas a serem implementadas pela entidade em prazo a ser fixado, sob pena de indeferimento do requerimento ou cancelamento da certificação. § 4º Todas as bolsas de estudos a serem computadas como aplicação em gratuidade pela entidade deverão ser ofertadas e preenchidas em sistema eletrônico disponibilizado pelo Ministério da Educação, nas proporções definidas no inciso III do § 1º do art. 13 da Lei nº 12.101, de 2009. § 5º As proporções relativas à oferta de bolsas de estudo previstas no inciso III do § 1º do art. 13 da Lei nº 12.101, de 2009, poderão ser cumpridas considerando-se diferentes

etapas e modalidades da educação básica presencial, inclusive em diferentes estabelecimentos de ensino de uma mesma mantenedora, desde que registrados sob mesmo CNPJ. § 6º O montante destinado a ações assistenciais e programas de apoio a alunos bolsistas deverá estar previsto no plano de atendimento, de forma discriminada e com identificação dos beneficiários. § 7º Para fins de cumprimento do disposto no art. 13 da Lei nº 12.101, de 2009, serão computadas as matrículas da educação profissional oferecidas em consonância com a Lei nº 9.394, de 1996, e com o Decreto nº 5.154, de 23 de julho de 2004. Art. 26. As entidades de educação que prestem serviços integralmente gratuitos, sem a cobrança de anuidades ou semestralidades, deverão adotar e observar os critérios de seleção e as proporções previstas na Seção II do Capítulo II da Lei nº 12.101, de 2009, considerando-se o número total de alunos matriculados. Art. 27. As entidades de educação deverão selecionar os alunos a serem beneficiados pelas bolsas previstas no art. 13 da Lei nº 12.101, de 2009, a partir do perfil socioeconômico e dos seguintes critérios: I - proximidade da residência; II - sorteio; e III - outros critérios contidos no plano de atendimento da entidade, previsto no § 1º do art. 25. § 1º Na hipótese de adoção dos critérios previstos no inciso III do caput, as entidades de educação deverão oferecer igualdade de condições para acesso e permanência aos alunos beneficiados pelas bolsas e demais ações assistenciais e programas de apoio a alunos bolsistas, condizentes com os adotados pela rede pública. § 2º O Ministério da Educação poderá determinar a reformulação dos critérios de seleção de alunos beneficiados constantes do plano de atendimento da entidade previsto no § 1º do art. 25, quando julgados incompatíveis com as finalidades da Lei nº 12.101, de 2009, sob pena de indeferimento do requerimento de certificação ou renovação. Art. 28. No ato de renovação da certificação, as entidades de educação que não tenham aplicado em gratuidade o percentual mínimo previsto na Lei nº 12.101, de 2009, poderão compensar o percentual devido nos exercícios imediatamente subsequentes, com acréscimo de vinte por cento sobre o percentual a ser compensado. § 1º O disposto neste artigo alcança tão somente as entidades que tenham aplicado pelo menos dezessete por cento em gratuidade em cada exercício financeiro a ser considerado. § 2º A certificação será cancelada se o percentual de aplicação em gratuidade pela entidade certificada for inferior a dezessete por cento, resguardadas as demais hipóteses de cancelamento previstas na legislação e observado o disposto no art. 13.

Art. 29. Os requerimentos de concessão ou de renovação de certificação de entidades de educação ou com atuação preponderante na área de educação deverão ser instruídos com os seguintes documentos: I - da mantenedora: a) aqueles previstos no art. 3º; e b) demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente, na forma da legislação tributária aplicável; II - da instituição de educação: a) o ato de credenciamento regularmente expedido pelo órgão normativo do sistema de ensino; b) relação de bolsas de estudo e demais ações assistenciais e programas de apoio a alunos bolsistas, com identificação precisa dos beneficiários; c) plano de atendimento, com indicação das bolsas de estudo e ações assistenciais e programas de apoio a alunos bolsistas, durante o período pretendido de vigência da certificação; d) regimento ou estatuto; e e) identificação dos integrantes do corpo dirigente, destacando a experiência acadêmica e administrativa de cada um. § 1º O requerimento será analisado sob o aspecto contábil e financeiro e, em relação ao conteúdo do plano de atendimento, será verificado o cumprimento das metas do PNE, de acordo com as diretrizes e critérios de prioridade definidos pelo Ministério da Educação. § 2º O requerimento de renovação de certificação deverá ser acompanhado de relatório de atendimento às metas definidas no plano de atendimento precedente. § 3º A identificação dos beneficiários, referida na alínea "b" do inciso II somente será exigida a partir do relatório de atividades desenvolvidas no exercício de 2010. Art. 30. Sem prejuízo do prazo de validade da certificação, a entidade deverá apresentar ao Ministério da Educação relatórios semestrais ou anuais, de acordo com a periodicidade de seu calendário escolar e acadêmico, informando sobre o preenchimento das bolsas de estudo. Art. 31. Para cálculo da aplicação em gratuidade relativa às turmas iniciadas antes de 30 de novembro de 2009, poderão ser contabilizados os descontos de caráter assistencial concedidos aos alunos para o atendimento do percentual mínimo de gratuidade previsto no Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998.

Parágrafo único. Os descontos concedidos na forma do caput poderão ser mantidos até a conclusão da etapa da educação básica presencial em que os beneficiários estejam matriculados na data da publicação deste Decreto. CAPÍTULO IV DA CERTIFICAÇÃO DAS ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Art. 32. Compete ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome conceder ou renovar o certificado das entidades beneficentes de assistência social da área de assistência social que preencherem os requisitos previstos na Lei nº 12.101, de 2009, e neste Decreto. Art. 33. Para obter a certificação ou sua renovação, as entidades beneficentes de assistência social deverão demonstrar que realizam ações assistenciais, de forma gratuita, continuada e planejada, sem qualquer discriminação, nos termos da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. § 1º As entidades de que trata o caput devem ser, isolada ou cumulativamente: I - de atendimento: aquelas que, de forma continuada, permanente e planejada, prestam serviços, executam programas ou projetos e concedem benefícios de proteção social básica ou especial, dirigidos às famílias e indivíduos em situações de vulnerabilidade ou risco social e pessoal; II - de assessoramento: aquelas que, de forma continuada, permanente e planejada, prestam serviços e executam programas ou projetos voltados prioritariamente para o fortalecimento dos movimentos sociais e das organizações de usuários, formação e capacitação de lideranças, dirigidos ao público da política de assistência social; e III - de defesa e garantia de direitos: aquelas que, de forma continuada, permanente e planejada, prestam serviços e executam programas ou projetos voltados prioritariamente para a defesa e efetivação dos direitos socioassistenciais, construção de novos direitos, promoção da cidadania, enfrentamento das desigualdades sociais, articulação com órgãos públicos de defesa de direitos, dirigidos ao público da política de assistência social. § 2º Para efeitos deste Decreto, constituem ações assistenciais a oferta de serviços, benefícios e a execução de programas ou projetos socioassistenciais previstos nos incisos do § 1º. § 3º Além dos requisitos previstos neste artigo, as entidades que prestam serviços de habilitação ou reabilitação a pessoas com deficiência e a promoção da sua integração à vida comunitária, e aquelas abrangidas pelo disposto no art. 35 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, para serem certificadas, deverão comprovar a oferta de, no mínimo, sessenta por cento de sua capacidade de atendimento ao SUAS. § 4º A capacidade de atendimento de que trata o § 3º será definida anualmente pela entidade, mediante aprovação do órgão gestor de assistência social municipal ou do Distrito Federal e comunicação aos respectivos Conselhos de Assistência Social.

§ 5º A capacidade de atendimento da entidade será aferida a partir do número de profissionais e instalações físicas disponíveis, de atendimentos e serviços prestados, entre outros critérios, na forma a ser definida pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Art. 34. Para obter a certificação, a entidade de assistência social deverá, no exercício fiscal anterior ao requerimento: I - prever, em seu ato constitutivo, sua natureza, seus objetivos e público-alvo compatíveis com a Lei nº 8.742, de 1993, e o Decreto nº 6.308, de 14 de dezembro de 2007; II - estar inscrita no Conselho de Assistência Social Municipal ou do Distrito Federal, de acordo com a localização de sua sede ou Município em que concentre suas atividades, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 1993; e III - integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 1993. § 1º A entidade de assistência social com atuação em mais de um ente federado deverá inscrever seus serviços, programas, projetos e benefícios no Conselho de Assistência Social Municipal ou do Distrito Federal, de acordo com o local de sua atuação. § 2º Inexistindo Conselho de Assistência Social no Município de atuação da entidade, a inscrição prevista no inciso II do caput deverá ser efetivada no respectivo Conselho Estadual. § 3º Para fins de comprovação dos requisitos no âmbito da assistência social, as entidades previstas no art. 10 com atuação preponderante nas áreas de educação ou saúde deverão demonstrar: I - a inscrição das ações assistenciais junto aos Conselhos Municipal ou do Distrito Federal onde desenvolvam suas ações; e II - que suas ações assistenciais são realizadas de forma gratuita, continuada e planejada, na forma do § 1º do art. 33. Art. 35. O requerimento de concessão ou renovação de certificado de entidade beneficente que atue na área da assistência social deverá ser protocolado, em meio físico ou eletrônico, instruído com os seguintes documentos: I - aqueles previstos no art. 3º; II - comprovante da inscrição a que se refere o inciso II do art. 34; III - comprovante da inscrição prevista no § 1º do art. 34, quando for o caso; e IV - declaração do gestor local de que a entidade realiza ações de assistência social de forma gratuita.

§ 1º Além dos documentos previstos no caput, as entidades de que trata o § 2º do art. 18 da Lei nº 12.101, de 2009, deverão instruir o requerimento de certificação com declaração fornecida pelo órgão gestor de assistência social municipal ou do Distrito Federal que ateste a oferta de atendimento ao SUAS de acordo com o percentual exigido naquele dispositivo. § 2º Os requisitos previstos no inciso III e § 1º do art. 34 e os documentos previstos nos incisos III e IV do caput somente serão exigidos para os requerimentos de concessão ou renovação de certificação protocolados a partir de 1º de janeiro de 2011. § 3º Os requerimentos de concessão ou de renovação de certificação protocolados até a data prevista no § 2º deverão ser instruídos com plano de atendimento, demonstrativo de resultado do exercício e notas explicativas referentes ao exercício de 2009, nos quais fique demonstrado que as ações assistenciais foram realizadas de forma gratuita, sem prejuízo do disposto no art. 3º. § 4º As entidades beneficentes de assistência social previstas no § 2º do art. 18 da Lei nº 12.101, de 2009, poderão firmar ajustes com o poder público para o desenvolvimento de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e assistência social, entre outras. Art. 36. A comprovação do vínculo da entidade de assistência social à rede socioassistencial privada no âmbito do SUAS é condição suficiente para a obtenção da certificação, mediante requerimento da entidade. § 1º Além do disposto no art. 3º da Lei nº 12.101, de 2009, e no art. 34, para se vincular ao SUAS, a entidade de assistência social deverá, sem prejuízo de outros requisitos a serem fixados pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome: I - prestar serviços, projetos, programas ou benefícios gratuitos, continuados e planejados, sem qualquer discriminação; II - quantificar e qualificar suas atividades de atendimento, assessoramento e defesa e garantia de direitos de acordo com a Política Nacional de Assistência Social; III - demonstrar potencial para integrar-se à rede socioassistencial, ofertando o mínimo de sessenta por cento da sua capacidade ao SUAS; e IV - disponibilizar serviços nos territórios de abrangência dos Centros de Referência da Assistência Social - CRAS e Centros de Referência Especializada da Assistência Social - CREAS, salvo no caso de inexistência dos referidos Centros. § 2º A oferta prevista no inciso III do § 1º será destinada ao atendimento da demanda encaminhada pelos CRAS e CREAS ou, na ausência destes, pelos órgãos gestores de assistência social municipais, estaduais ou do Distrito Federal, na forma a ser definida pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. § 3º As entidades previstas no § 2º do art. 18 da Lei nº 12.101, de 2009, serão vinculadas ao SUAS, desde que observado o disposto nos incisos II e IV do § 1º e no § 2º.

§ 4º Para ter direito à certificação, a entidade de assistência social deverá estar vinculada ao SUAS há, pelo menos, sessenta dias. CAPÍTULO V DA TRANSPARÊNCIA Art. 37. Os Ministérios da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome deverão recadastrar as entidades sem fins lucrativos, beneficentes ou não, atuantes em suas respectivas áreas e tornar suas informações disponíveis para consulta pública em sua página na rede mundial de computadores. § 1º O cadastro das entidades beneficentes de assistência social deverá ser atualizado periodicamente e servirá como referencial básico para os processos de certificação ou de sua renovação. § 2º As entidades beneficentes de assistência social com atuação em mais de uma área deverão ser cadastradas e figurar nos cadastros dos Ministérios responsáveis pelas respectivas áreas de atuação. § 3º Os Ministérios previstos no caput deverão divulgar: I - lista atualizada contendo os dados relativos às certificações concedidas, seu período de vigência e sobre as entidades certificadas; II - informações sobre a oferta de atendimento, bolsas concedidas ou serviços prestados de cada entidade certificada; e III - recursos financeiros destinados às entidades previstas no caput. Art. 38. Os Ministérios da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome deverão disponibilizar as informações sobre a tramitação dos requerimentos de certificação ou renovação na rede mundial de computadores. Art. 39. Os Ministérios da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome deverão informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e prazo por ela definidos, e aos respectivos conselhos setoriais, sobre os requerimentos de concessão de certificação ou de renovação deferidos ou definitivamente indeferidos. TÍTULO II DA ISENÇÃO CAPÍTULO I DOS REQUISITOS Art. 40. A entidade beneficente certificada na forma do Título I fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos:

I - não recebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II - aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III - apresente certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do FGTS; IV - mantenha escrituração contábil regular, que registre receitas, despesas e aplicação de recursos em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V - não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI - mantenha em boa ordem, e à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pelo prazo de dez anos, contados da data de emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações que impliquem modificação da situação patrimonial; VII - cumpra as obrigações acessórias estabelecidas pela legislação tributária; e VIII - mantenha em boa ordem, e à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade, quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite máximo estabelecido pelo inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006. Parágrafo único. A isenção de que trata o caput não se estende à entidade com personalidade jurídica própria constituída e mantida por entidade a quem o direito à isenção tenha sido reconhecido. CAPÍTULO II DA FISCALIZAÇÃO Art. 41. O direito à isenção das contribuições sociais somente poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação no Diário Oficial da União, se atendidos cumulativamente os requisitos previstos na Lei nº 12.101, de 2009, e neste Decreto. Art. 42. Constatado o descumprimento de requisito estabelecido pelo art. 40, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, devendo relatar os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção.

§ 1º Durante o período a que se refere o caput, a entidade não terá direito à isenção, e o lançamento correspondente terá como termo inicial a data de ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2º A entidade poderá impugnar o auto de infração no prazo de trinta dias, contados de sua intimação. § 3º O julgamento do auto de infração e a cobrança do crédito tributário seguirão o rito estabelecido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. CAPÍTULO III DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS Art. 43. As entidades certificadas até 29 de novembro de 2009 poderão requerer a renovação do certificado até o termo final de sua validade. Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificar-se-á o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei nº 12.101, de 2009. Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Art. 46. Os requerimentos de concessão e de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolados e ainda não julgados até a data de publicação da Lei nº 12.101, de 2009, serão remetidos aos Ministérios responsáveis, de acordo com a área de atuação da entidade, e julgados de acordo com a legislação em vigor à época da protocolização do requerimento. Parágrafo único. Das decisões de indeferimento dos requerimentos de renovação previstos no caput, caberá recurso com efeito suspensivo, no prazo de trinta dias, dirigido ao Ministro de Estado responsável pela área de atuação da entidade. Art. 47. As entidades que protocolaram requerimento de concessão ou renovação da certificação após a entrada em vigor da Lei nº 12.101, de 2009, terão prazo de sessenta dias para complementar a documentação apresentada, a partir da publicação deste Decreto. Art. 48. O procedimento previsto nos §§ 3º e 4º do art. 10 aplica-se aos processos de concessão e renovação de certificação remetidos aos Ministérios por força dos arts. 34 e 35 da Lei nº 12.101, de 2009.

CAPÍTULO IV DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 49. Os Ministérios da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome disciplinarão os demais procedimentos necessários à operacionalização do processo de certificação no âmbito de sua competência, especialmente no que se refere ao processamento dos requerimentos de concessão ou renovação da certificação em sistema eletrônico e ao procedimento previsto no § 1º do art. 12. Parágrafo único. Os Ministérios terão prazo de até seis meses para disponibilizar o sistema de consulta da tramitação dos requerimentos de certificação ou renovação na rede mundial de computadores. Art. 50. Ficam revogados: I - os Decretos nos: a) 2.536, de 6 de abril de 1998; b) 3.504, de 13 de junho de 2000; c) 4.381, de 17 de setembro de 2002; d) 4.499, de 4 de dezembro de 2002; e e) 5.895, de 18 de setembro de 2006; II - os arts.: a) 206 a 210 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999; e b) 2º do Decreto nº 4.327, de 8 de agosto de 2002; e III - o Decreto nº 4.032, de 26 de novembro de 2001, na parte em que altera os arts. 206 e 208 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. Art. 51. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 20 de julho de 2010; 189º da Independência e 122º da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Nelson Henrique Barbosa Filho Fernando Haddad José Gomes Temporão Márcia Helena Carvalho Lopes

http://www.normaslegais.com.br/legislacao/decreto7237_2010.htm

PRESTAÇÃO DE CONTAS – OSCIP Para as entidades qualificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, a Lei 9.790/1999 determina que as normas para prestações de contas a serem observadas pela entidade devem constar do estatuto e deverão conter, no mínimo: a) a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade; b) que se dê publicidade por qualquer meio eficaz, no encerramento do exercício fiscal, ao relatório de atividades e das demonstrações contábeis da entidade, incluindo-se as certidões negativas de débitos com INSS e FGTS, colocando-os à disposição para exame de qualquer cidadão; c) a realização de auditoria, inclusive por auditores externos; se for o caso, a aplicação dos eventuais recursos objeto do termo de parceria; d) a prestação de contas de todos os recursos e bens de origem pública recebidos pela OSCIP será feita conforme determina o parágrafo único do art. 70 da Constituição Federal, segundo o qual “prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiro, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária”. O Decreto 3.100/1999, que regulamenta a Lei das OSCIP, estabelece que as prestações de contas anuais das OSCIP serão realizadas sobre a totalidade das operações patrimoniais e resultados da entidade, e deverão ser instruídas com os seguintes documentos: 1) relatório anual de execução de atividades; 2) demonstração do déficit ou superávit do exercício; 3) balanço patrimonial; 4) demonstração das origens e aplicações de recursos; 5) demonstração das mutações do patrimônio social; 6) notas explicativas das demonstrações contábeis, caso necessário; 7) parecer e relatório de auditoria, que é obrigatória quando a soma dos recursos originários dos termos de parceria for maior ou igual a R$ 600.000,00. AUDITORIA INDEPENDENTE

A auditoria independente deverá ser realizada por pessoa física ou jurídica habilitada pelos Conselhos Regionais de Contabilidade. Os dispêndios decorrentes dos serviços de auditoria independente deverão ser incluídos no orçamento do projeto como item de despesa. COMPROVAÇÃO ESPECÍFICA Além da aludida documentação, deve ser feita a prestação de contas específica do termo de parceria, comprovando-se, perante o órgão estatal parceiro, a correta aplicação dos recursos públicos recebidos e do adimplemento do objeto do termo de parceria, mediante a apresentação dos seguintes documentos: a) relatório sobre a execução do objeto do termo de parceria, contendo comparativo entre as metas propostas e os resultados alcançados; b) demonstrativo integral da receita e despesa realizadas na execução; c) parecer e relatório de auditoria, segundo os critérios já mencionados; d) entrega do extrato da execução física e financeira. O modelo desse extrato consta do Anexo II do Decreto 3.100/1999, e deve, ainda, ser publicado na imprensa oficial da área de abrangência do projeto, no prazo máximo de sessenta dias após o término de cada exercício financeiro.

http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/clientes/terceiro_setor/prestacaocontasoscip. html

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