ESCOLA SUPERIOR DE CIÊNCIAS DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE VITÓRIA-EMESCAM

AMÉLIA ROSSI CRIVELLARI CLEONICE VIANA DOS SANTOS ANGELI LEILA SILVA CICILIOTI

VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR CONTRA OS IDOSOS DEPENDENTES: a experiência do SOS Idoso de Serra

VITÓRIA 2007 1

AMÉLIA ROSSI CRIVELLARI CLEONICE VIANA DOS SANTOS ANGELI LEILA SILVA CICILIOTI

VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR CONTRA OS IDOSOS DEPENDENTES: a experiência do SOS Idoso de Serra

Trabalho

de à

Conclusão Escola

de

Curso de

apresentado

Superior

Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória – EMESCAM, como requisito para obtenção do grau de bacharel em Serviço Social. Orientadora: Professora Maria Bigossi do Prado. Mestre Tânia

VITÓRIA 2007 2

AMÉLIA ROSSI CRIVELLARI CLEONICE VIANA DOS SANTOS ANGELI LEILA SILVA CICILIOTI

VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR CONTRA OS IDOSOS DEPENDENTES: a experiência do SOS Idoso de Serra

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória – EMESCAM, como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Serviço Social.

Aprovada em _______ de ___________de 2007.

COMISSÃO EXAMINADORA

______________________________________ Professora mestre Tânia Maria Bigossi do Prado Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória-EMESCAM Orientadora

________________________________________ Myrthes Brocolli Lima Universidade Gama Filho-RJ Especialista em Administração e Planejamento de Projetos Sociais-Assistente Social

_________________________________________ Claudia Gomes Rossoni Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória-EMESCAM Assistente Social Mestre em Atenção à Saúde Coletiva 3

DEDICATÓRIA:

A todas as famílias que têm idosos. Que elas possam compreender as transformações e limitações que perpassam a velhice e nas dificuldades encontrar e dar o amor, carinho e atenção aos seus idosos.

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AGRADECIMENTOS

A Deus, que em todo momento esteve presente em nossas vidas, toda a nossa gratidão por nos ajudar e nos conduzir nesta caminhada, onde passamos por muitos desafios, mas que nos proporcionou a vitória.

Aos nossos queridos familiares, pelo carinho e compreensão que nos dedicaram nesta trajetória, onde suportaram a nossa ausência em momentos especiais, mas que puderam entender e continuaram a nos apoiar, atingindo conosco o ápice da conquista.

A nossa querida orientadora professora Tânia Maria Bigossi do Prado, nossa eterna mestre, por nos fazer acreditar que seríamos capazes de desempenhar a nossa pesquisa de cunho tão delicado. Tantas vezes confiou e acreditou que conquistaríamos nossos objetivos e nos tornaríamos vencedoras. Nunca nos deixou desanimar e valorizou o máximo as nossas expectativas e competências, nos fazendo sentir de fato assistente social.

Aos nossos eternos professores e mestres, que nos ensinaram além da teoria a prática da vida acadêmica e da vida cotidiana para sermos cidadãs conscientes e questionadoras!

Nosso carinho e amizade em especial para Erlete, Livia e Débora, que juntas formamos um grupo imbatível!!!

Em todo momento de nossos estudos, nossas famílias estiveram envolvidas de forma direta, portanto não podemos neste momento separá-las e aqui queremos registrar o nosso carinho especial a: Jose Luiz, Larissa, Talles e Renato. Cleo e Amélia Nossa gratidão, carinho, amizade a Angeli, Viktor, Vikcenzo e a dª Alice. Amélia e Leila. Quantas alegrias nos proporcionaram: Wanderson, Chayna, Kaiser e Bethoven. Leila e Cleo 5

AGRADECIMENTOS

Ao meu Deus que me deu condições de persistir neste caminho para alcance da vitória, por ser meu eterno amigo e companheiro me amparando em todos os momentos, toda honra glória e louvor, pois até aqui me ajudou o Senhor. Aos meus amados filhos Wanderson e Chayna que depositaram a confiança que podia alcançar a realização deste sonho tão esperado, o meu agradecimento filhos queridos pela compreensão, carinho e dedicação, ao genro Kaiser pelo apoio e dedicação, a Drª. Magali que me direcionou a este caminho, aos amigos queridos por compartilhar todos os momentos vividos nesta jornada. A Cleonice e Leila pela amizade que tem me dedicado e por terem estado sempre presentes nos momentos bons e também nos enfrentamentos das tempestades. Quero dizer a vocês que as amo do fundo do meu coração e agradeço por ter encontrado alguém que me é muito especial. Aos meus irmãos em Cristo que me sustentaram na oração, o meu muito obrigado por ter compreendido a minha ausência. Amo todos vocês!!!

Amélia Rossi Crivellari Agradeço a Deus por mais essa conquista. A todos que tanto amo, meu eterno amor e gratidão! Essa vitória também é de vocês!!! Ao meu marido, José Luiz; meus filhos, Larissa e Talles, pela compreensão e por torcerem pela minha vitória e pelo apoio e carinho; a minha querida mãe Nair e ao meu querido pai José Vicente que me deram à vida e me ensinaram a viver. Aos meus sogros o Sr. Solino e a Sra. Alzira que me apoiaram; aos meus irmãos; cunhados; e a Renato pela força. Aos meus amigos que me acolheram em suas orações e pediram ao Papai do céu uma benção especial. A minha querida amiga Cleo com quem divido essa vitória, porque foi ela quem me incentivou a retornar os estudos. As queridas amigas Amélia e Cleo com quem mantive uma parceria para a conclusão deste sonho: o nascimento desse TCC. Obrigada por ter vocês por perto, com carinho lembrarei de tudo o que passamos juntas, de todos os problemas que enfrentamos, de todas as experiências que vivemos, é tão grande a felicidade que chega ser infinita. Amo vocês!!! Leila Silva Cicilioti Toda a glória e louvor, a ti Deus e Senhor de minha vida. Como é grande o seu amor e misericórdia pelos seus filhos! Neste momento dedico esta realização aos maiores 6

tesouros da minha vida: o meu bem Angeli que sempre foi muito compreensivo, tolerante e meu grande parceiro na realização deste objetivo; aos filhos Viktor e Vikcenzo meus amores sinceros que por quatro anos conviveram com minha ausência. Agradeço a todos os familiares especialmente meus irmãos e cunhados; meu carinho aos amigos; mestres e aos usuários que participaram dessa caminhada e conquista, ela é nossa! Não posso esquecer de você Priscila, muito obrigado! Leila o que sería de mim sem você? Você também é responsável pela minha realização, quanto apoio e estímulo me proporcionou! A minha alegria agradeço e dedico a uma grande mulher que sempre esteve comigo me apoiando em tudo, tudo: a minha mãe exemplo de força, persistência e beleza e que quase na reta final Papai do céu levou para alegrar e cantar com os anjos do céu! Mãe querida que saudade, quanta falta me faz neste momento. Eu te amo. Cleonice Viana dos Santos Angeli

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ASSIM EU VEJO A VIDA

A vida tem duas faces: Positiva e negativa O passado foi duro mas deixou o seu legado Saber viver é a grande sabedoria Que eu possa dignificar Minha condição de mulher, Aceitar suas limitações E me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando. Nasci em tempos rudes Aceitei contradições lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo Aprendi a viver. Cora Coralina*

_____________________________________________
* Ana Lins de Guimarães Peixoto Bretas, nasceu em Goiás Velho no ano 1889 e era conhecida como “Aninha da Ponte da Lapa”. Teve apenas a instrução primária e sendo doceira de profissão, publicou seu primeiro livro aos 75 anos de idade. Faleceu em 10 de abril de 1985 em Goiânia, ela representa a imagem do idoso que enfrentou as dificuldades para realizar um sonho.

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RESUMO

Objetiva analisar a ocorrência de violência contra o idoso dependente, pela perda da capacidade funcional nas relações familiares tendo como foco as denúncias no SOS 3ª Idade - SOS Idoso do Município de Serra-ES, por meio dos objetivos específicos: a) caracterizar a violência, tipologia e perfil do agressor e do idoso; b) conhecer o vínculo familiar entre o agressor e o idoso e, c) identificar os fatores de riscos de violência. Os procedimentos técnicos utilizados foram a pesquisa bibliográfica, documental e de campo. Para a pesquisa de campo, foram realizadas entrevistas com os idosos/vítimas e com os agressores. Foi possível evidenciar que as violências encontradas configuram-se como: verbal; negligência; abandono; psicológica; financeira; discriminação, e física. A negligência, o abandono, e a violência verbal aparecem em todos os três casos entrevistados. A psicológica aparece em dois casos de forma explícita, no entanto nota-se que todos os idosos vítimas de maus tratos são agredidos psicologicamente. A financeira pôde ser verificada em dois idosos entrevistados, a discriminação aparece em dois idosos entrevistados relacionados à cor da pele e pelo fato de um dos idosos ter os membros inferiores amputados, e a física foi identificada em um caso. Quanto ao perfil, identificamos que os idosos vítimas de maus tratos com dependência funcional tinham características comuns, como: baixa escolaridade e muitos filhos (cinco, seis e sete). Em relação às outras características, observou-se que a idade era de 66, 67 e 73 anos, que dois são do sexo masculino e um do sexo feminino. Quanto à renda dos idosos, dois recebem salário mínimo e um recebe mais de quatro salários mínimos; dois idosos que recebem salário mínimo; um é de aposentadoria, e um é de benefício assistencial (BPC), o terceiro é pensionista. O estado civil observado foi que dois são viúvos e um vive em união estável. Dois idosos residem em casa alugada e um idoso tem casa própria. O perfil do agressor, segundo resultado da pesquisa, ratifica as pesquisas em âmbito nacional: geralmente são homens, dependentes de substâncias psicoativas e residem no mesmo domicílio da vítima, com uma dependência financeira. Os vínculos familiares entre o agressor e o idoso também ratificam os estudiosos da questão, há uma fragilidade ou inexistência de vínculos. A dependência química pelo uso de drogas, álcool e remédio controlado deu ênfase ao resultado da pesquisa como o principal 9

fator de risco e imbricado ao isolamento social confirma os estudos e indicadores de fatores de riscos aos idosos. Observou-se que tanto os idosos quanto os cuidadores/ agressores, ou vice-versa, ficam numa situação difícil, sem perspectivas e sem aparatos para romperem o círculo vicioso. A pesquisa trouxe à tona, também, que os idosos não têm percepção da violência a que são cometidos.

Palavras-chaves: idoso, violência, dependência, família.

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Pirâmide etária.........................................................................................29

Casos denunciados e em acompanhamento em 2006 do SOS Idoso:

Gráfico 2 – Procedências das denúncias.................................................................. 72

Gráfico 3 – Tipos de maus tratos...............................................................................73

Gráfico 4 – Estado Civil............................................................................................. 73

Gráfico 5 – Religião....................................................................................................74

Gráfico 6 – Emprego da renda...................................................................................74

Gráfico 7 – Com quem o idoso reside........................................................................75

Gráfico 8 – Principais doenças ..................................................................................75

Gráfico 9 – Alguém cuida do idoso ............................................................................76

Perfil dos idosos: visitadas realizadas em 2006 pelo SOS Idoso:

Gráfico 10 – Sexo.......................................................................................................78

Gráfico 11 – Quantidade de filhos dos idosos............................................................78

Gráfico 12 – Renda do idoso......................................................................................79

Gráfico 13 – Origem da renda....................................................................................79

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Gráfico14 – Autonomia...............................................................................................80

Gráfico 15 – Tipo de moradia ....................................................................................80

Gráfico 16 – Tipos de abusos ....................................................................................81

Achados da pesquisa:

Gráfico17 – Tipos de violências.................................................................................89

Gráfico 18 – Perfil do idoso: idade ............................................................................92

Gráfico 19 – Perfil do idoso: sexo...............................................................................92

Gráfico 20 – Perfil do idoso: estado civil ...................................................................93

Gráfico 21 – Perfil do idoso: escolaridade..................................................................93

Gráfico 22 – Perfil do idoso: religião...........................................................................94

Gráfico 23 – Perfil do idoso: renda ............................................................................94

Gráfico 24 – Perfil do idoso: origem da renda ...........................................................95

Gráfico 25 – Perfil do idoso: Nº de filhos....................................................................95

Gráfico 26 – Perfil do idoso: dependência funcional..................................................96

Gráfico 27 – Perfil do idoso: dependência química....................................................96

Gráfico 28 – Perfil do idoso: tipo de moradia.............................................................97

12

Perfil do Agressor/cuidador:

Gráfico 29 – Perfil agressor/cuidador: idade..............................................................98

Gráfico 30 – Perfil agressor/cuidador: sexo...............................................................99

Gráfico 31 – Perfil agressor/cuidador: estado civil.....................................................99

Gráfico 32 – Perfil agressor/cuidador: Nº de filhos...................................................100

Gráfico 33 – Perfil agressor/cuidador: tipo de moradia............................................100

Gráfico 34 – Perfil agressor/cuidador: renda............................................................101

Gráfico 35 – Perfil agressor/cuidador: origem da renda...........................................101

Gráfico 36 – Perfil agressor/cuidador: escolaridade.................................................102

Gráfico 37 – Perfil agressor/cuidador: dependência química...................................102

Gráfico 38 – Fatores de riscos.................................................................................112

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Bairros com incidências de denúncias .. .................................................71

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LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – População residente de Serra.................................................................57

Quadro 2 – Níveis de autonomia dos idosos atendidos SOS Idoso/Estatística.........77

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LISTA DE SIGLAS
AVC - Acidente Vascular Cerebral

BPC - Benefício de Prestação Continuada

CETURB-GV - Companhia de Transporte Urbano da Grande Vitória

CIVIT I e CIVIT II - Centro Industrial Metropolitano de Vitória

COMIDS - Conselho Municipal do Idoso da Serra

CC - Código Civil

CF - Constituição Federal

CP - Código Penal

CPC - Código do Processo Civil

DAE - Departamento de Administração Estratégica (SEPLAE)

DAPES - Departamento de Ações Programáticas Estratégicas

DAS - Departamento de Assistência Social

DATASUS - Sistema de Informatização de Saúde do SUS

DIG - Divisão de Informações Gerenciais (SEPLAE)

ECO 92 - Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

EI - Estatuto do Idoso

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ESF - Estratégia Saúde da Família

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

IJSN - Instituto Jones dos Santos Neves

LEP - Lei de Execução Penal

MS - Ministério da Saúde

NOAS - Norma Operacional de Assistência à Saúde

ONU - Organização das Nações Unidas

OMS - Organização Mundial de Saúde

PAAI - Programa de Atenção ao Idoso

PEI - Política Estadual do Idoso

PMS - Prefeitura Municipal de Serra

PNI - Política Nacional do Idoso

PNRMAV - Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências do Ministério da Saúde

PNSI - Política Nacional de Saúde do Idoso

PNSPI - Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa

PSF - Programa de Saúde da Família 17

SAS - Secretaria de Ação à Saúde

SDH - Subsecretaria dos Direitos Humanos

SEPLAE - Secretaria de Planejamento Estratégico

SEPROM - Secretaria de Promoção Social

SOS - Socorro

SUS - Sistema único de Saúde

TCC - Trabalho de Conclusão de Curso

TIMS -Terminal Industrial Multimodal da Serra

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SUMÁRIO

1.CONSIDERAÇÕES INICIAIS.........................................................................

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CAPÍTULO I........................................................................................................... 27
2. O ENVELHECIMENTO POPULACIONAL........................................................... 27 2.1. A FAMÍLIA E O IDOSO DEPENDENTE…………………..………………………. 31

2.2. O LIMITE ENTRE CUIDAR E MALTRATAR...................................................... 36 2.3. FATORES DE RISCOS...................................................................................... 40

CAPÍTULO II.......................................................................................................... 41
3. PROTEÇÃO À PESSOA IDOSA NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA - MARCO LEGAL...................................................................................................................... 41

3.1. LEI DE EXECUÇÃO PENAL (LEP) - LEI N º 7.210/84...................................... 41 3.2. CÓDIGO PENAL (CP) - LEI Nº 7.209/84........................................................... 41 3.3. CONSTITUIÇÃO FEDERAL (CF) DE 1988........................................................ 42 3.4. POLÍTICA NACIONAL DO IDOSO (PNI) - LEI Nº 8.842/94............................... 46 3.5. POLÍTICA ESTADUAL DO IDOSO (PEI) - LEI Nº 4.496/98.............................. 47 3.6. CÓDIGO DO PROCESSO CIVIL (CPC) - LEI N º 10.173/01............................. 48 3.7. CÓDIGO CIVIL (CC) - LEI Nº 10.406/02............................................................ 48 3.8. ESTATUTO DO IDOSO (EI) - LEI Nº. 10.741/03.............................................. 3.9. REDE NACIONAL DE PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA E PROMOÇÃO DA SAÚDE.PORTARIA Nº 936/GM/2004 51 49

......................................................................

3.9.1. Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) - Portaria nº 52 2.528/06.....................................................................................................................

19

CAPÍTULO III........................................................................................................

56

4. CONTEXTUALIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SERRA……………………………... 56 4.1. CARACTERIZAÇÃO INSTITUCIONAL……………………………………………. 4.2. PROGRAMA DE ATENÇÃO AO IDOSO DO MUNICÍPIO DE SERRA………... 4.3. PROJETO SOS 3ª IDADE - SOS IDOSO.......................................................... CAPÍTULO IV........................................................................................................ 59

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63 82

5. METODOLOGIA E ANÁLISE DOS ACHADOS DA PESQUISA........................ 82 5.1. CARACTERIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA................................................................ 87 5.2. PERFIL DO IDOSO, DO CUIDADOR/AGRESSOR E AGRESSOR/CUIDADOR.... 90 5.2.1. Perfil do idoso................................................................................................ 90 5.2.2. Perfil do agressor.......................................................................................... 97 5.3. VÍNCULO FAMILIAR ENTRE O AGRESSOR E O IDOSO................................ 103 5.4. FATORES DE RISCOS DE VIOLÊNCIA............................................................ 109 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS…………………………………………………….. 7. REFERÊNCIAS…………………………………………………………... APÊNDICES.......................................................................................................... APÊNDICE A - Termo de autorização para pesquisa institucional…………………. APÊNDICE B - Roteiro de entrevista para o idoso com dependência funcional….. APÊNDICE C - Roteiro de entrevista para o agressor/ e cuidador........................... 127 128 126 114 119 125

ANEXOS................................................................................................................. 129
ANEXO A – Termo de Consentimento livre e esclarecido........................................ 130

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1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O mundo envelhece e o Brasil acompanha este movimento de forma rápida e sem condições essenciais que favoreçam este processo de envelhecimento. A família na atualidade passa por transformações na sua estrutura, sejam elas econômicas ou sociais que refletem-se no “cuidar do idoso”, principalmente os que apresentam dependências oriundas de perdas funcionais ou emocionais. No limiar do cuidar e a falta de condições para tal, pode-se favorecer o maltratar. A velhice pode significar vivências diferenciadas, que vão da plenitude à decadência, da satisfação e prazer à miséria, à dependência e ao abandono. Sabemos que o idoso, dentro do contexto familiar, representa uma categoria que pode vir a ser dependente, provocando a fragilidade dos relacionamentos e na maioria das vezes trazendo conflitos intergeracionais. E, conseqüentemente, os fatores de riscos de violência aparecem imbricados a essas variáveis. A pesquisa realizada propôs investigar alguns aspectos peculiares do processo de dependência do idoso e os conflitos familiares relacionados a essa dependência. Existe evidência de que muitas são as políticas que focam o idoso e sua família, porém as dificuldades na implementação abrangem desde a precária captação de recursos, ao frágil sistema de informação para a análise de condições de vida e saúde, passando, evidentemente, pela inadequada capacitação de recursos humanos. Ao escolher este tema como TCC – Violência intrafamiliar contra os idosos dependentes – temos a intenção de contribuir para a construção de medidas de prevenção em que idoso possa ser contemplado como um ser autônomo, embora com alguma dependência inerente à pessoa idosa. Podemos perceber que conflitos intergeracionais despontam à medida que os idosos precisam cada vez mais de atenção especial, pois muitos deles criaram os seus filhos e depois os netos, porém a grande maioria das famílias brasileiras não tem estrutura para cuidar de seus idosos. Em pesquisas empreendidas acerca da violência contra a pessoa idosa constam que, no Brasil, mais de 95% das pessoas acima de 60 anos estão morando com 21

seus parentes ou vivem em suas próprias casas. Em cerca de 26% de todas as famílias existem pelo menos uma pessoa com mais de 60 anos. Estudos parciais feitos no país mostram que a maioria das queixas dos velhos é contra filhos, netos ou cônjuges e outros 7% se referem aos outros parentes. As denúncias enfatizam em primeiro lugar abusos econômicos (tentativas de apropriação dos bens do idoso ou abandono material cometido contra ele), em segundo lugar, agressões físicas e em terceiro, recusa dos familiares em dar-lhes proteção. A maioria das violências físicas cometidas pelos filhos (homens) está associada ao alcoolismo: deles próprios ou dos pais idosos (MINAYO, 1999, apud PEREIRA et al 2006). A estudiosa acima mencionada caracteriza o agressor familiar, geralmente assim: • • • • • • vive na mesma casa que a vítima; depende do idoso ou o idoso depende dele; é abusador de álcool e drogas, ou o idoso dependente dele é abusador; tem vínculos afetivos frouxos e pouco comunicativos com o idoso; vive socialmente isolado e assim mantém o idoso; sofreu ou sofre agressões por parte dos idosos; depressão ou transtorno mental (MINAYO, 1999). Em dois documentos específicos que tratam dos direitos da pessoa idosa, o Plano de Ação de Enfrentamento da Violência contra a Pessoa Idosa da Subsecretaria dos Direitos Humanos (SDH, 2005) e a Política Nacional de Redução da

Morbimortalidade por Acidentes e Violências, do Ministério da Saúde (MS, 2001), encontra-se estabelecido a necessidade de ações estratégicas de denúncias das violências acometidas no âmbito familiar, espaço cultural coletivo, público e institucional. O Plano de Ação de Enfrentamento da Violência contra a Pessoa Idosa aprofunda e focaliza as diretrizes para atuação do poder público nos casos de abusos, maus tratos e negligências, responsáveis por provocar no idoso mortes, lesões, traumas e muito sofrimento físico e emocional. Entre algumas ações estratégicas no espaço institucional verifica-se a indicação de implantação do Disque - Idoso. O documento Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e 22

Violências do Ministério da Saúde (2001) prevê ações concretas para a proteção e prevenção dos abusos contra os idosos no país, estabelecendo dispositivos legais e normativos para o enfrentamento da violência, prevê ainda implantações de estratégias de proteção, como os Conselhos Nacionais e Locais de Direitos dos Idosos, os SOS-Idoso; os Ligue-Idoso e outras medidas que promovam a segurança dos idosos. O nosso interesse em estudar sobre o idoso iniciou-se no 2° período na disciplina de Questão Social II, quando fizemos uma pesquisa que tinha por objetivo conhecer o processo de envelhecimento e como se relacionavam os idosos da 3ª idade, considerando os aspectos sociais e familiares. Para realização da pesquisa acadêmica elaboramos um roteiro de entrevistas que foi aplicado no grupo de convivência “Unidos Venceremos”, situado em El Dourado, na Serra, e respondido por três idosos, uma assistente social e um professor de educação física. O despertar da temática favoreceu a nossa inclusão nos campos de estágios. Nossas experiências com os idosos advêm do estágio no SOS Idoso, de Grupos de Convivência do Programa de Atenção ao Idoso da Prefeitura Municipal de Serra, onde as alunas desta pesquisa realizaram o primeiro contato com o tema conforme relato acima, e da experiência de estágio na Clínica de Fisioterapia da EMESCAM, que atende pacientes idosos com incapacidades funcionais provenientes de acidentes vasculares cerebrais (AVC), acidentes em geral, reumatismos, artroses, entre outros. A pesquisa apresentada teve como objetivo geral analisar a ocorrência de violência contra o idoso dependente, pela perda da capacidade funcional, nas relações familiares tendo como foco as denúncias no SOS 3ª Idade - SOS Idoso do Município de Serra-ES, e como objetivos específicos: caracterizar a violência, tipologia e perfil do agressor e do idoso; conhecer o vínculo familiar entre o agressor e o idoso e identificar os fatores de riscos de violência. Quanto ao seu objetivo, essa pesquisa caracteriza-se como exploratória, que segundo Gil (2002)
Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-los mais explícito ou a construir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições (GIL, 2002, p.41).

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No desenvolvimento do processo da pesquisa, utilizamos como procedimentos técnicos a pesquisa bibliográfica, a pesquisa documental e de campo. Para a pesquisa bibliográfica, utilizamos livros, teses e produções diversas de autores consagrados no tema sobre envelhecimento, violência, dependência funcional e cuidadores familiares. A pesquisa documental foi realizada a partir dos documentos elaborados pela prefeitura municipal de Serra, legislações específicas e estatísticas oficiais (IBGE, IPEA) e de dados registrados nos prontuários de denúncias do Projeto SOS 3ª Idade - SOS Idoso do município de Serra em 2006 e na internet, em busca de sites oficiais do governo.

Gil (2002) conceitua e faz menção à diferença existente entre as duas técnicas de pesquisa bibliográfica e documental por isso entendemos ser importante o registro.
A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, construído principalmente de livros e artigos científicos [...]. A pesquisa documental assemelha-se muito à pesquisa bibliográfica. A diferença essencial entre ambas está na natureza das fontes. Enquanto a pesquisa bibliográfica se utiliza fundamentalmente das contribuições dos diversos autores sobre determinado assunto, a pesquisa documental vale-se de materiais que não recebem ainda um tratamento analítico (GIL, 2002, p.44-45).

A coleta dos dados ocorreu por meio de entrevistas, tendo perguntas semiestruturadas e realizadas com três idosos com dependência funcional, como um idoso acamado e dois idosos cadeirantes, e com as respectivas famílias atendidas no SOS 3ª Idade - SOS Idoso/Serra. May (2004) cita que ao utilizarmos este método de entrevistas semi-estruturadas, as perguntas são especificadas, porém o entrevistador pode adentrar mais nas questões não padronizadas, desde que não interfira nos resultados das respostas.
[...] esses tipos de entrevistas permitem que as pessoas respondam mais nos seus próprios termos do que as entrevistas padronizadas, mas ainda forneçam uma estrutura maior de comparabilidade do que as entrevistas focalizadas (MAY, 2004, p.148).

A pesquisa teve como seleção a amostra intencional, visto que certos aspectos foram relevantes para a obtenção do resultado proposto nos objetivos já 24

apresentados. Aspectos como a dependência funcional de idosos sendo cuidados por algum familiar
Uma amostra intencional, em que os indivíduos são selecionados com base em certas características tidas como relevantes pelos pesquisadores e participante, mostra-se mais adequada para a obtenção de dados de natureza qualitativa [...]. A intencionalidade torna uma pesquisa mais rica em termos qualitativos (GIL, 2002, p.145).

Todos os relatos foram gravados em fitas magnéticas de registro de áudio (cassetes) e em seguida transcritos, considerando as determinações que regulam a ética em pesquisa com seres humanos e o termo de consentimento livre e esclarecido, cujo modelo segue como apêndice. Os dados coletados foram analisados numa abordagem qualitativa, que para Minayo (2000)
trabalha com o universo de significados, motivações, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variável. (idem, 2000, p.22).

Apresentamos a sistematização deste estudo em capítulos: No primeiro capítulo, tratamos do envelhecimento populacional como fenômeno mundial e no Brasil, as relações conflituosas familiares e a violência contra a pessoa idosa. No segundo capítulo, fizemos um relato acerca do marco legal de proteção à pessoa idosa no Brasil: Lei de Execução Penal (LEP, 1984); Código Penal (CP, 1984); Constituição Federal (CF, 1988); Política Nacional do Idoso (PNI, 1994); Política Estadual do Idoso (PEI, 1998); Código Processo Civil (CPC, 2001); Código Civil (CC, 2002); Estatuto do Idoso (EI, 2003); Rede Nacional de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde (Portaria 936/GM/04) e a Política Nacional de Saúde do Idoso (PNSI, 2006). No terceiro capítulo, apresentamos o Programa de Atenção à Pessoa Idosa no Município de Serra, com ênfase no Projeto SOS 3ª Idade/SOS Idoso. No quarto capítulo, apresentamos os dados que foram coletados nas entrevistas com os idosos e seus familiares e o tratamento deles analisados e correlacionandoos e fundamentando a literatura existente.

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Nas considerações finais, pontuamos o que foi relevante na análise dos dados e apontamos os novos horizontes que se abrirão a partir desta pesquisa, além de possibilitar e fomentar na sociedade a discussão de como a violência intrafamiliar com o idoso com dependência funcional ou mesmo aquele idoso sem problemas físicos ou psíquicos está configurada nos lares. Especificamente no município de Serra, medidas sociais e preventivas já foram iniciadas em 2004, com a criação do SOS 3ª Idade. Em 2006, os resultados obtidos nos atendimentos do SOS Idoso são apresentados na pesquisa de maneira a desvelar a violência intrafamiliar cometida contra os idosos e se tornam profícuos na construção de estratégias de enfrentamento. Nota-se a importância e a necessidade de discutir a temática que permeia a sociedade, pois a longevidade dos idosos é um fato concreto, e a partir dessas discussões ou pesquisas possam gerar subsídios onde as leis em vigência e já citadas efetivamente garantam a segurança, dignidade, saúde, promoção e a integridade do idoso junto aos familiares. Medidas que desenvolvam e fortaleçam os vínculos familiares. O resultado da pesquisa apresentou, que a falta desses vínculos ou de como eles foram constituídos, ocasionam maus tratos e desrespeitos aos idosos dependentes oriundos de incapacidades funcionais pelos seus cuidadores, tornando-os cuidadores/agressores.

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CAPÍTULO I

2. O ENVELHECIMENTO POPULACIONAL A população mundial está envelhecendo num ritmo muito acentuado. Estima-se que a população mundial de idosos seja de 629 milhões de pessoas, com um crescimento anual na taxa de (2%), sendo um ritmo mais alto em relação ao resto da população. De acordo com as Nações Unidas (ONU), 360 milhões desta população idosa residem em países em desenvolvimento, sendo que (53%) residentes na Ásia; (24%) na Europa; (8%) na América do Norte; (7%) na América Latina e Caribe e (7%) na África (BERZINS, 2003, p.22). A população idosa no Brasil tem aumentado consideravelmente em relação às outras faixas etárias, e de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000) representa um contingente de quase 15 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade (8,6%) da população brasileira. Nos próximos 20 anos, a população idosa do Brasil poderá ultrapassar os 30 milhões de pessoas e deverá representar quase 13% da população ao final deste período. Em 2000, segundo o Censo, a população de 60 anos ou mais de idade era de 14.536.029 de pessoas, contra 10.722.705 em 1991. A população idosa do Espírito Santo é de 273 mil, conforme os indicadores do Departamento de Informática do SUS - ES (DATASUS-ES1, 2005). De acordo com o relatório da Secretaria de Administração Estratégica do município de Serra (PMS, 2006), com referência no Censo IBGE (2000), a população idosa no município é de 16.466 idosos e até a conclusão desta pesquisa não registramos dados mais atuais quanto à população de idosos no município para comparar em números percentuais com a população do município de Serra, que em 01.07.2006 (IBGE) é estimada em 394.370 pessoas.

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DATASUS, órgão da secretaria executiva do Ministério da Saúde, que tem como atribuição a responsabilidade de coletar, processar e disseminar informações sobre a saúde.

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O peso relativo da população idosa no início da década representava (7,3%), enquanto, em 2000, essa proporção atingia (8,6%). Em 1980, havia cerca de 16 idosos para cada 100 crianças; em 2000, essa relação praticamente dobrou, passando para quase 30 idosos por 100 crianças, portanto a longevidade vem contribuindo progressivamente para o aumento de idosos na população (IBGE, 2000). Um exemplo é o grupo das pessoas de 75 anos ou mais de idade que teve o maior crescimento relativo (49,3%) nos últimos dez anos, em relação ao total da população idosa. Moragas (1997, p.21) cita também que a proporção de pessoas idosas em relação ao total da população é a que mais aumenta, superando os níveis em qualquer época da história, e justifica o fato ocorrido considerando as melhorias no nível de vida e a redução da taxa de natalidade. O fenômeno da longevidade em virtude do envelhecimento tem ocorrido de forma contínua. Em países centrais, a transição ocorreu de maneira diferente de países periféricos, como no Brasil. Naqueles países se deu de forma lenta e gradativa, de acordo com o desenvolvimento econômico e social, pois encontrou um cenário socioeconômico favorável, que propiciou a expansão do sistema de proteção. Em países em desenvolvimento como o Brasil, não teve o mesmo aparato em face da conjuntura recessiva e da crise fiscal que impedia a expansão do sistema de proteção social para todos os grupos etários (CAMARANO, 2004). No Brasil, o processo de transição demográfica se desenvolve de forma vertiginosa e heterogênea, associado às desiguais condições sociais no país. Este fato pode ser observado por Veras (2003, p.8), quando ele cita que: “a população idosa se constitui como um grupo bastante diferenciado, entre si e em relação aos demais grupos etários, tanto do ponto de vista das condições sociais, quanto dos aspectos demográficos e epidemiológicos”. No entanto, a partir da década de 90, o fenômeno se tornou visível devido às necessidades especiais que esta população requer, como medidas preventivas, assistenciais, de saúde, ficando a velhice então suscetível à discussão de alguns setores públicos.

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O envelhecimento populacional no Brasil tem como fatores salientados pelos estudiosos a redução da taxa de fecundidade decorrente da inserção da mulher no mercado de trabalho; o uso de contraceptivos; a passagem da sociedade rural para urbana; também a redução da taxa de mortalidade, verificado pelo acesso das pessoas ao sistema de saúde; condições de saneamento básico; investimento em tecnologia; avanço da medicina e medidas preventivas, como utilização de vacinas e medicamentos como antibióticos; políticas de saúde que contribuíram para o aumento da expectativa de vida (BERZINS, 2003, p.29; CAMARANO, 2004, p.28). Esses fatores contribuíram para que a pirâmide etária de base larga e a forma triangular - características de regimes demográficos de altas taxas de fecundidade e de mortalidade, mudasse para uma forma mais arredondada, de base reduzida, característica de regimes de grande redução na fecundidade (Berquó, 1999, p.13).

Gráfico: 1

Gráfico 1: Pirâmide etária Fonte: Atlas geográfico do Brasil - Editora Melhoramentos Ltda. - Direitos para a internet reservados ao UOL 12.11.2006

A figura acima confirma a expectativa do aumento de vida da população brasileira, uma vez que na década de 70 a faixa etária entre 50 a 70 anos era pouco representativa e na década de 2000 houve um acréscimo considerável, especialmente na faixa etária compreendida entre 55 e 70 anos. 29

No Brasil, a pesquisa do Censo do IBGE em 2000 apontou que (62,4%) dos idosos são responsáveis pelos domicílios e têm, em média, 69 anos de idade e 3,4 anos de estudo. As mulheres constituem a maioria da população idosa no Brasil, com (55%), e predominam nas áreas urbanas. As idosas têm maior probabilidade de ficar viúvas em situação sócioeconômica desvantajosa, participam mais que os homens nas atividades extras domésticas, de organizações de movimento de mulheres, fazem cursos especiais, viagens e trabalhos remunerados temporários, assumem progressivamente o papel de chefe de famílias e provedoras. Os homens mais velhos têm mais dificuldades de se adaptar à saída do mercado de trabalho. Berzins (2003) relata que os fatores que contribuem para maior longevidade da população feminina são vários: a proteção hormonal do estrógeno, e possuem diferenças em relação ao homem, como a sua inserção diferente no mercado de trabalho, o consumo de tabaco e álcool, a postura em relação à saúde/doença e a relação com serviço/saúde. Entre 1940 e 2000 houve um aumento na proporção de pessoas alfabetizadas, bem como no número médio de anos de estudo, porém na população idosa temos uma diferença entre homens e mulheres, onde a mulher sai em desvantagem. Num contexto geral, continuam com baixa escolaridade, sendo os homens com (68,9%) e as mulheres com (63,4%) de alfabetizados. Até os anos 60, os homens tinham mais acesso à escola do que as mulheres (BERZINS, 2003). Nas últimas décadas, constata-se um crescimento de (16,1%) na alfabetização de idosos, promovendo aumento significativo no percentual de idosos alfabetizados do país, que pode ser atribuído à reforma da política educacional no Brasil (IBGE, 2000). Camarano (2002) afirma que as famílias brasileiras nas quais existem idosos estão em melhores condições econômicas do que as demais famílias. Os rendimentos dos idosos brasileiros se situam num patamar mais elevado do que o da população jovem, e possuem casa própria. Isso se deve, em grande medida, aos tipos de arranjos internos e etapas de ciclo familiar que estabelecem diferentes relações de dependência econômica entre os membros das famílias, bem como à 30

universalização dos benefícios da seguridade social (Beneficio de Prestação Continuada - BPC e Renda Mensal Vitalícia). Ainda em relação ao rendimento, as mulheres têm o menor em todas as faixas etárias, e são oriundos de aposentadorias e pensões por viuvez, e em casos específicos voltam a trabalhar para complementar a renda familiar (BERZINS, 2003, p.30). Com Veras (1999, p.45), no entanto, verificamos que não é uma situação mais vantajosa, visto que ao final na sua aposentadoria a situação do idoso é pior, porque os seus ganhos durante o período produtivo ficam reduzidos. Portanto, isso não significa que o idoso esteja em condições ideais, e sim que o resto da população está empobrecida.

2.1 A FAMÍLIA E O IDOSO DEPENDENTE Embora velhice não possa ser considerada sinônimo de doença, à medida que se vai envelhecendo, aparecem as doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes, parkinson, alzheimer, entre outras. Essas doenças podem desencadear limitações funcionais, onde o idoso pode adquirir maior dependência total e parcial, conforme o seu estilo de vida, reduzindo sua capacidade de adaptar-se ao meio social e familiar, propiciando estresse causado por essas doenças ou limitações funcionais. Com este processo de envelhecimento, as funções corporais vão sofrendo alterações, comprometendo sua capacidade funcional e o seu desempenho nas atividades básicas e diárias, onde muitas vezes os idosos não aceitam viver com algumas incapacidades. A capacidade funcional e dependência acompanham o processo de envelhecimento e a literatura médica apresenta a capacidade funcional
como um indicador de saúde de idosos e a dependência como um sinal de falência da habilidade física, psicológica ou social – seja por doença, por uso de medicamentos, por trauma ou pelo processo contínuo do envelhecimento (AGREE, 1999 apud GIACOMIN, 2004, p.133).

A fragilidade é forte determinante de incapacidade e dependência. A dependência é um fenômeno com numerosa interface com aspectos mentais, físicos, econômicos, 31

sociais e emocionais. Margret Baltes (1996) apud Torres et al. (2004), discorre que a dependência na velhice tem caráter multidimensional, entende-se que a dependência assume diferentes momentos do ciclo vital, e na velhice é visto como evento negativo e estressante. O que perpassa a dependência na velhice são causas múltiplas que atuam em conjunto, influenciadas pelo estado

biológico, condições ecológicas, sociais, culturais, econômicas e psicológicas (TORRES et al. 2004, p. 86). A dependência física e cognitiva dos idosos propõe forte carga de exigência para os familiares que respondem pelo cuidado. A avaliação que os cuidadores familiares fazem do cuidado como algo oneroso não depende apenas do grau de incapacidade do idoso, mas também do tipo de doença, de seu grau de cronocidade, do seu prognóstico, da idade do idoso e de seus cuidadores, do grau de parentesco que há entre os cuidadores e o idoso, das relações familiares atuais e dos

comprometimentos financeiros e instrumentais acarretados pela incapacidade do idoso (NÉRI & SOMMERHALDER, 2002 apud TORRES et al. 2004, p. 89). A fragilidade e a incapacidade funcional são enormes desafios para a maioria das pessoas que envelhecem, elas não por acaso, costumam dizer que têm mais medo desses eventos do que da própria morte. Neste sentido, prestar cuidado a um familiar fragilizado e dependente mobiliza tantas emoções. Papaléo Netto (1996) apud Torres et al. (2004) utiliza autores como Orem e Sullivan (1979) que identificam quatro níveis de dependência para o auto cuidado e relacionam-se às necessidades de intervenção. São eles: Nível l - Independentes: possuem boas condições de saúde e de autocuidado, mantendo seu estilo de vida, tendo diante de si um grande número de opções. Nível lI – Parcialmente independente: necessita de ajustamento para manter a continuidade de seu estilo de vida, estando vulneráveis ao declínio da saúde e diminuição de suas habilidades para o auto cuidado. Nível III – Independentes delegadores: apresentam condições de saúde e habilidade para autocuidado precário, tendo seu estilo de vida ameaçado. Nível IV – dependentes: as condições de saúde estão intensamente comprometidas e suas habilidades para autocuidado são deficitários ou ausentes. Freqüentemente enfrentam doenças terminais e o processo de morte. 32

Campedelli, Perracini & Dias (1993) apud Torres et al. (2004) fazem referência à classificação de Gray (1985), que relata três níveis de intervenção dinâmicas e complementares, conforme o grau de fragilidade e de dependência, combinados com os recursos instrumentais, materiais, sociais e psicológicos dos cuidadores: o cuidado formal, a institucionalização e o cuidado informal. O primeiro nível é exercido por profissionais, no lar ou em instituições; o segundo, por profissionais e por voluntários em instituições de curta, média e longa permanência, e o terceiro, por leigos (rede familiar, amigos e voluntários). No cuidado com o idoso dependente, a família é a fonte primária de suporte social informal, onde se almeja uma atmosfera afetiva comum, de aquisição de competência e de interação entre os membros (PELZER & FERNANDES, 1997 apud TORRES et al. 2004). Os valores e costumes, a educação e a situação socioeconômica da família interagem com a idade e o gênero das pessoas que cuidam e das que são cuidadas. A relação entre o idoso e sua família é influenciada pelos moldes de família existentes nas sociedades, principalmente daquela em que o idoso se insere. O processo de cuidar da pessoa idosa depende da integração das relações familiares, da disponibilidade de recursos pessoais, e da história anterior de relacionamento com o idoso (PERRACINI, 1994 apud TORRES et al. 2004). A família tem um papel de suma importância, não só em proporcionar ajuda nas atividades de vida diária como, também, em proporcionar suporte

emocional ao idoso.

E nesse ponto que incidem as maiores dificuldades dos

familiares ao cuidar da pessoa idosa. A tarefa de cuidar do idoso fragilizado e de alta dependência no domicílio altera toda a dinâmica familiar. As rotinas

domésticas terão que ser definidas com base nas necessidades do idoso, pois ele passa a ser o foco de atenção da família. A relação de dependência entre o idoso e o cuidador familiar introduz uma nova concepção de si e do outro, assim como também constrangimentos e restrições sociais, físicos e financeiros (MENDES et al. 2002 apud TORRES et al. 2004).
As transformações ocorridas no âmbito familiar, especialmente na estrutura familiar em virtude da diminuição do tamanho da família e da inserção da mulher no mercado de trabalho dificultaram o suporte familiar ao idoso que vem a necessitar dessa tarefa exercida até pouco tempo pelas mulheres no

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seio das famílias nucleares, especialmente aquele idoso que é acometido de doença grave ou incapacidade (ASSIS, 2004, p.15).

Os problemas geralmente têm origem ou se acentuam com a perda do cônjuge e podem representar efeitos da perda da autoridade, ainda a relação no âmbito familiar é um dos principais fatores de equilíbrio e bem-estar dos que envelhecem, ou do inverso, frutos de laços construídos ao longo do tempo que repercutem ao envelhecer em rancor ou raiva (ASSIS, 2004). Algumas atividades do dia- a- dia são indispensáveis para a manutenção de funções vitais ao ser humano. De acordo com Giacomin (2004), essas funções vitais podem ser de autocuidado, de mobilidade e mentais e podem ser entendidas como aquelas que fazem as pessoas funcionarem. Quando o idoso não é mais capaz de realizar essas tarefas diárias de prover o auto-cuidado, como vestir-se, banhar-se, transferirse de uma cadeira, alimentar-se, precisa de cuidados de alguém que faça por ele, ocorre neste momento a dependência, seja temporária ou definitiva. Quando há ocorrência da falta da independência funcional faz-se necessário a atenção de um cuidador, já que o idoso dependente fica limitado ao atendimento de suas necessidades. Giacomin (2004, p.134) discute que a “independência funcional, é a capacidade de realizar sozinho todas essas funções essenciais”. Funções essas entendidas como necessidades básicas no dia - a- dia que precisam ser supridas. Os idosos em condição de dependência precisam de ajuda familiar, principalmente de um cuidado mais específico para auxiliá-lo nas suas necessidades básicas. Sabemos que a dependência de um idoso gera impacto na economia familiar e conflitos intergeracionais. Essa dependência aumenta de acordo com sua fragilidade e vulnerabilidade do estado de vida e saúde do mesmo. Sabemos também que não é só a incapacidade que cria a dependência, mas a soma da incapacidade com a necessidade (SOUZA, 2004 et al.). Essas limitações causadas pela dependência e a necessidade de ajuda total de outras pessoas fazem com que muitos idosos se isolem, não saindo mais de suas casas, vivendo em situação de dependência e isolamento social. De acordo com estudos muitas famílias não estão preparadas para cuidar de seus idosos dependentes, que exigem, tempo e dedicação, porque o tempo que era dedicado ao lazer e aos amigos agora é dedicado ao cuidado do idoso. Sendo 34

assim, essa redução de atividade e isolamento social, promovida pelos cuidados com o idoso dependente colabora para o estresse mental, físico e financeiro em seus cuidadores, podendo levá-los à depressão, raiva e torná-los violentos, contribuindo com a negligência no cuidar e maus tratos nas relações intrafamiliares. Sendo a família uma instituição fundamental para a vida das diferentes sociedades, temos que o fenômeno do envelhecimento e da velhice humana perpassa por momentos históricos e conflitos de geração da mesma. E é dentro da família que o indivíduo desenvolve as relações e passa a ser conhecido pelos apelidos familiares e por qualidades e defeitos, sem precisar de máscaras, logo, não há necessidade de esconder sua verdadeira personalidade. Nos dias atuais, a família deixa de ser monoparental e incorpora um novo modelo no qual familiares se ajuntam, morando todos na mesma casa, principalmente com os idosos. No entanto, com a adesão deste novo membro, faz-se necessário uma estruturação familiar que dê conta de todas as necessidades básicas do idoso. Portanto, tal instituição tem função importante no que diz respeito à vida de um indivíduo, principalmente na vida de um idoso que faz parte do grupo familiar, tendo tantas especificações e limitações oriundas da nova fase: a velhice. Diante desse cenário, quando a família não dá conta de cuidar dos idosos, temos que os papéis de cuidadores passam a ser direcionado, a instituições públicas e/ou privadas os quais muitas vezes, também não dão conta de suas demandas enquanto sujeito de direitos. Quase todos os serviços educativos, sanitários, de segurança social e assistencial que hoje o Estado assume, com maior ou menor êxito, foram em alguma época executados pela família e atualmente nas sociedades avançadas modernas, um grande número de instituições, tanto privadas como governamentais, substitui a família nessas funções “históricas” (PAPALÉO, 2005 p. 93). As relações entre os idosos e as famílias sofreram diversas mudanças sociais, econômicas e culturais associadas à modernização. Isso se dá principalmente pela inserção da mulher no mercado de trabalho, pela redução do tamanho da família e também pelo surgimento dos novos papéis de gênero e da maior longevidade. Logo, estão diante de uma situação onde os membros não possuem as devidas condições

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de arcar e dar atenção aos idosos e suas necessidades particulares, não por vontade própria, mas sim de acordo com as novas configurações, que os impedem de realizar ações integradoras e que são de direito dos mesmos.

2.2 O LIMITE ENTRE CUIDAR E MALTRATAR Na obra de Yves Michaud (1989) encontramos a definição de violência como o fato de agir sobre alguém ou fazê-lo agir contra a sua vontade empregando a força ou intimidação. Ele conceitua segundo os dicionários franceses contemporâneos, sendo a violência o assassinato, a tortura, as agressões e vias de fatos, as guerras, a opressão, a criminalidade, o terrorismo. Etimologicamente, “violência” advém do latim violentia, que significa violência. Na tradução do latim para o grego, o verbo violare significa tratar com violência, profanar, e a palavra vis significa a força em ação, confirmando a conceituação de Michaud. A história e a sociologia darão uma idéia das incertezas que cercam a apreensão da violência, uma vez que a violência contemporânea muda de fisionomia e de escala porque é o produto de sociedades nas quais também mudaram a administração de todos os aspectos da vida social, a tecnologia e os meios de comunicação de massa, a mídia (MICHAUD, 1989). Em Wieviorka (1997) encontramos que a violência não é a mesma de um período a outro, surge um novo paradigma da violência que caracterizaria o mundo contemporâneo, correspondente à história e transformações recentes, a partir dos anos 60 e 70, proporcionando novos significados. Ele confirma que “a violência contemporânea situa-se no cruzamento do social, do político e do cultural, do qual ela exprime correntemente as transformações e a eventual desestruturação” (p.36). Minayo (1999) cita que a violência contra os idosos não ocorre só no Brasil: faz parte da violência social em geral e constitui um fenômeno universal. Em muitas sociedades, diversas expressões dessa violência, freqüentemente, são tratadas como uma forma de agir “normal” e “naturalizada”, ficando ocultas nos usos, nos costumes e nas relações entre as pessoas. Tanto no Brasil como no mundo, a violência contra os mais velhos se expressa nas formas de relações entre os ricos e

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os pobres, entre os gêneros, as raças e os grupos de idade nas várias esferas de poder político, institucional e familiar. A estudiosa apresenta que as violências contra idosos se manifestam de forma: estrutural compreendida como aquela que ocorre pela desigualdade social e é naturalizada nas manifestações de pobreza, de miséria e de discriminação; interpessoal que se refere às interações e relações cotidianas e institucionais que diz respeito à aplicação ou à omissão na gestão das políticas sociais e pelas instituições de assistência. A literatura internacional estabeleceu algumas categorias e tipologias para designar as várias formas de violências praticadas contra a população idosa: • Abuso físico, maus tratos físicos ou violência física são expressões que se referem ao uso da força física para compelir os idosos a fazerem o que não desejam, para feri-los, provocar-lhes dor, incapacidade ou morte. • Abuso psicológico, violência psicológica ou maus tratos psicológicos correspondem a agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar os idosos, humilhá-los, restringir sua liberdade ou isolá-los do convívio social. • Abuso sexual, violência sexual são termos que se referem ao ato ou jogo sexual de caráter homo ou hetero-relacional, utilizando pessoas idosas. Esses abusos visam a obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas por meio de aliciamento, violência física ou ameaças. • Abandono é uma forma de violência que se manifesta pela ausência ou deserção dos responsáveis governamentais, institucionais ou familiares de prestarem socorro a uma pessoa idosa que necessite de proteção. • Negligência refere-se à recusa ou à omissão de cuidados devidos e necessários aos idosos, por parte dos responsáveis familiares ou institucionais. A negligência é uma das formas de violência contra os

idosos mais presente no país. Ela se manifesta, freqüentemente, associada a outros abusos que geram lesões e traumas físicos, emocionais e sociais, em particular, para as que se encontram em situação de múltipla dependência ou incapacidade. 37

Abuso financeiro e econômico consiste na exploração imprópria ou ilegal dos idosos ou ao uso não consentido por eles de seus recursos financeiros e patrimoniais. Esse tipo de violência ocorre, sobretudo, no âmbito familiar.

Auto-negligência diz respeito à conduta da pessoa idosa que ameaça sua própria saúde ou segurança, pela recusa de prover cuidados necessários a si mesma.

O Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência Contra a Pessoa Idosa (2005, p.11) utiliza-se do conceito estabelecido pela Rede Internacional para a Prevenção dos Maus Tratos contra o Idoso, onde define a violência contra esse grupo etário: “O maltrato ao idoso é um ato (único ou repetido) ou omissão que lhe cause dano ou aflição e que se produz em qualquer relação na qual exista expectativa de confiança”. A classificação e a conceituação internacional estão em conformidade com o documento da Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências - Ministério da Saúde (MS, 2001). De acordo com o crescimento da população idosa e a ausência de implementação de políticas que dêem sustentação a esta demanda, está ocorrendo um aumento do número de pessoas idosas vítimas de negligências, abuso, violência e maus-tratos. Percebe-se que esses tipos de violências no interior das famílias são vistos como um acontecimento natural. O fato de a família ser considerada sagrada e intocável pode estar contribuindo para que as situações de abuso, negligência, violência e maus tratos, permaneçam ocultos pelos envolvidos. Em conseqüência da fragilidade física e emocional os idosos, quando são vítimas de maus tratos praticados pelos seus familiares, relutam em denunciar os seus agressores, por medo de sofrer represálias e por alimentarem sentimento de afeto aos mesmos. Os idosos geralmente se referem aos filhos e netos de maneira positiva, elogiando e valorizando a vida doméstica deixando menos evidentes as dificuldades que possuem por questões de segurança. 38

Geralmente, a violência intrafamiliar que envolve o idoso fragilizado e dependente é conseqüência das perdas funcionais físicas, da aposentadoria, do acometimento de múltiplas doenças crônico-degenerativas, onde determinam a perda de papéis sociais do idoso (SOUZA, 2004). Em algumas situações, os maus tratos ocorrem pelo fato dos idosos possuírem casas próprias, favorecendo que os filhos e netos morem com eles, expondo-os a conflitos de gerações. Existem casos de familiares que voltam ao convívio dos idosos por falta de recursos financeiros e econômicos para a sua sobrevivência, e acabam apropriando-se de seus bens e ameaçando-os de expulsão de suas próprias casas, utilizando de violência física ou ameaças. Sanches (1997) apud Grossi e Souza defende que brigas conjugais,

desentendimento com filhos, a falta de recursos econômicos e de espaços são fatores que podem contribuir para o abuso e maltrato familiar contra o idoso, mesmo sendo este o proprietário do local onde reside a família. No que diz respeito à saúde, principalmente daqueles que dependem do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), percebemos que os idosos são bastante sacrificados, visto não possuírem um atendimento específico para a idade. Enfrentam filas intermináveis para conseguir uma consulta médica, e os medicamentos de que necessitam. Esses medicamentos não são encontrados com facilidade na rede pública, além do que os hospitais não oferecem leitos reservados para os mesmos. Há casos em que idosos ficam em macas pelos corredores de hospitais. Outro ponto é a negligência pela falta do não acompanhamento de seus familiares. Zimerman (2000) apud Grossi e Souza chama atenção para o fato de que os idosos brasileiros necessitam de maior atenção e respeito às suas características particulares, como por exemplo, a internação de maior duração e a reserva de leitos para os idosos doentes. Percebemos que, com o crescimento da população idosa a violência na área da saúde está bem acentuada com os maus tratos a que os idosos são submetidos.

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2.3 FATORES DE RISCOS Segundo estudiosos da violência contra a pessoa idosa, há alguns fatores de riscos que comparecem nas relações intrafamiliares: a história de violência familiar, dependência (idoso fragilizado e agressor dependente da vítima), incapacidade funcional com alto grau de dependência para os cuidados, estresse do cuidador, isolamento social, problemas na área da saúde mental, presença de alcoolistas entre os membros da família, entre outros (MACHADO; QUEIROZ, 2002). Caldas (2004, p.159) cita que a idade avançada propicia fragilidade, que é expressa por solidão, presença de múltiplas doenças, vulnerabilidades a efeitos de tratamentos, vulnerabilidade a doenças, problemas funcionais, quedas dentre outros. 1. Fatores de riscos do idoso: - idosos mais longevos; - idosas mulheres; - idosos dependentes de cuidados diretos; 2. Fatores de riscos do cuidador: - idade avançada (60 anos e mais); - cuidadoras mulheres; - dependência financeira da renda do idoso; - cuidador único em cuidado integral; - cuidador doente / estressado; 3. Fatores de riscos do ambiente situacional: - convivência intergeracional; - isolamento social;

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- dependências mútuas cuidador / idoso.

CAPÍTULO II

3. PROTEÇÃO À PESSOA IDOSA NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA - MARCO LEGAL

3.1.LEI DE EXECUÇÃO PENAL (LEP, 1984) - LEI N º 7.210/84. Estabelece que no caso do condenado com mais de 60 anos, o trabalho que lhe for atribuído na prisão deve ser compatível com a idade (Lei n º 7.210/84- art. 32 § 2º). Na execução da pena, o sentenciado maior de 70 anos pode ser beneficiado com a prisão domiciliar (Lei n º 7.210/84 - art. 117 - inciso I).

3.2.CÓDIGO PENAL (CP, 1984) - LEI Nº 7.209/84. Na esfera de ação penal são circunstâncias que atenuam a pena: “I – ser o agente menor de 21 anos, na data do fato, ou maior de 70 anos, na data da sentença art.65 inciso I do Código Penal”. Ainda, nessa mesma área está contemplado como requisito da suspensão da pena “... não superior a 4 (quatro) anos, poderá ser suspensa, por 4 (quatro) a 6 (seis) anos, desde que o condenado seja maior de 70 (setenta) anos de idade art.77 inciso III - § 2º do Código Penal. Com relação à redução dos prazos de prescrição, o Código Penal preceitua: “são reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70 (setenta) anos. Artigo 115 do Código Penal, redação dada pela Lei (nº 7.209/84).

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3.3.CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 A primeira iniciativa de proteção e promoção social e amparo à velhice neste governo democrático encontra-se na Carta Magna, a Constituição Federal de 1988. Pretendemos expor aos leitores deste estudo os principais Títulos, Capítulos e Artigos que mencionam os direitos dos idosos na Constituição Federal de 1988. No Título II, trata dos Direitos e Garantias Fundamentais do cidadão e no Artigo 5º cita que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança, e á propriedade”. No Artigo (Art.) 6o estabelece que “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. O Artigo 7º cita que “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social”, faz menção nos incisos XXIV à aposentadoria; e no inciso XXX a proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; no Art. 8º estabelece no inciso VII cita que “o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais”; entendemos que pela aposentados representam a categoria de idoso. O Capítulo IV trata dos Direitos Políticos e podemos encontrar no Artigo 14º: “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: 1º - O alistamento eleitoral e o voto são: [...] II - facultativos para: a) os analfabetos b) e para os maiores de setenta anos”; constituição os

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O Título III trata Da Organização do Estado e o Capítulo VII trata Da Administração Pública, onde no Artigo 40 cita a pessoa idosa quando diz que: “Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo”. Lê-se no: § 1º “Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos parágrafos (§§) 3º e 17. I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei; II - compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição; [...] a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher; b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição”. O Título VIII organiza os direitos concernentes Da Ordem Social, no Capítulo I trata Da Disposição Geral No Artigo 193 estabelece que “A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça sociais”. O Capítulo II Da Seguridade Social organiza no Artigo 194 que “A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”.

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Na Seção II, que trata da Saúde, no Artigo 196, encontramos que “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Na Seção III Da Previdência Social no Artigo 201 configura “A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: I - cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; II - proteção à maternidade, especialmente à gestante; III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; [...]. De acordo com o § 1º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos beneficiários do regime geral de previdência social, ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física e quando se tratar de segurados portadores de deficiência, nos termos definidos em lei complementar. § 6º A gratificação natalina dos aposentados e pensionistas terá por base o valor dos proventos do mês de dezembro de cada ano. § 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condições: I - trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de contribuição, se mulher; II - sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, reduzido em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal”. [...].

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Na Seção IV Da Assistência Social o Artigo 203 cita que “A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; [...]”. O Capítulo VII reúne os direitos e deveres Da Família, Da Criança, Do Adolescente e Do Idoso. Artigo 226 menciona que “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. A responsabilidade do Estado para com o idoso e com a família encontra-se no oitavo parágrafo: § 8º - O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações”. No Artigo 227 estabelece que “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. § 1º - O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança e do adolescente, admitida à participação de entidades não governamentais e obedecendo aos seguintes preceitos: II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas; IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, igualdade na relação processual e defesa técnica por profissional habilitado, segundo dispuser a legislação tutelar específica; O Artigo 230 registra que “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida”.

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§ 1º - Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares. § 2º - Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos urbanos. A Constituição Federal reúne vários direitos e garantias aos idosos, no entanto eles necessitam de regulamentação para a sua implementação como ocorrido com o § 2º do Artigo 230, que menciona o transporte urbano gratuito aos maiores de 65 anos, que foi incluído no Artigo 40 do Estatuto do Idoso de 2003 como direito ao transporte interestadual gratuito. Todavia, depois de várias liminares das empresas de transportes que negavam esse direito, o presidente da República assinou o Decreto nº 5.934 (em anexo) de 18/10/2006, regulamentando o artigo. O decreto considera idoso, pessoa com igual ou maiores de 60 anos.

3.4. POLÍTICA NACIONAL DO IDOSO (PNI, 1994) - LEI Nº 8.842/94. A Lei nº 8.842, de 04 de janeiro de 1994 e decretada em 03 de julho de 1996 tem como finalidade e objetivo no artigo 1º assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade. Para efeito desta Lei consideram-se como idosas pessoas com 60 anos ou mais, mesma idade reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Ela traz responsabilidades partilhadas pelo Estado, família, sociedade civil, ministério público, todos os órgãos públicos e instituições sociais. As sua principais regras estabelecem que compete a: “I – a família, a sociedade e o Estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à vida; III - o Idoso não deve sofrer discriminação de qualquer natureza, e IV - o Idoso deve ser o principal agente e o destinatário das transformações a serem efetivadas através desta política”. Por considerarmos relevante o que a política estabelece na área da justiça, registramos as ações como:

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“promover e defender os direitos da pessoa Idosa” (alínea a). “zelar pela aplicação das normas sobre o Idoso, determinando ações para evitar abusos e lesões a seus direitos‘’ art. 10 inciso VI - alínea b. Destaca na lei atenção quanto à conceituação de assistência asilar, onde “entendese por modalidade asilar o atendimento, em regime de internato, ao idoso sem vínculo familiar ou sem condições de prover a própria subsistência de modo a satisfazer as suas necessidades de moradia, alimentação, saúde e convivência social (Artigo 3º); modalidade de assistência não-asilar – Centro de Convivência; Centro de Cuidados Diurno: Hospital - Dia e Centro - Dia; Casa- Lar; Oficina Abrigada de Trabalho e Atendimento Domiciliar (art. 4º - inciso I a IV); “fica proibida a permanência, em instituições asilares de caráter social, de idosos portadores de doenças que exijam assistência médica permanente ou de assistência de enfermagem intensiva, cuja falta possa agravar ou pôr em risco sua vida ou a vida de terceiros” (Artigo 18), e “o Idoso terá atendimento preferencial nos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população” (Artigo 17).

3.5. POLÍTICA ESTADUAL DO IDOSO (PEI/98) - LEI Nº 4.496/98. O Governo Estadual, através do Decreto nº 4.496 de 27 de julho de 1999 regulamenta a Lei criada em dezembro de 1998, que dispõe sobre a Política Estadual do Idoso, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e do Fundo Estadual para a Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa. Esta política vem a responder uma necessidade de participação do Estado quanto à criação da Política Nacional do Idoso e para tanto ele cria mecanismos na sua organização. Está estruturado em Capítulos: Capítulo I, seus objetivos, princípios, diretrizes e competências dos Órgãos e Entidades; Capítulo II do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; Capítulo III do Fundo Estadual para a Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa. Ao todo a Lei é constituída por 36 Artigos, e todos eles vem reforçar o que já está estabelecido no âmbito Federal.

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3.6.CÓDIGO DO PROCESSO CIVIL (CPC/ 01) - LEI N º 10.173/01 O Código do Processo Civil brasileiro sofreu alteração e trata de questões concernentes ao idoso, quando estabelece que é prioritária a tramitação de

procedimentos judiciais, em que figure como parte pessoa com idade igual ou superior a 65 anos. Esse comportamento, com a morte do beneficiado, estender-seá ao seu cônjuge sobrevivente, companheiro ou companheira, com união estável, maior de 65 anos (Lei n º 10.173/01 - Artigos 1.211-A e 1.211-C).

3.7.CÓDIGO CIVIL (CC/02) – LEI Nº 10.406/02 O Novo Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, é composto de 2.044 artigos e sua aplicação se fez necessária, visto que se tratava de lei que alterava a vida das pessoas, devido às transformações sociais sofridas especialmente no seio das famílias brasileiras. No Capítulo II DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE personalidade: Artigo 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Artigo 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. Parágrafo Único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau. No Capítulo V do Título III encontramos sobre DOS ATOS ILÍCITOS que passa a dispor sobre os chamados direitos da

Artigo 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

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O Capítulo VI trata DOS ALIMENTOS e nele encontramos que qualquer dos cônjuges, ou seja, inclusive o marido, poderá pedir alimentos ao outro. Artigo 1.694, estabelece que “Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação”. Artigo 1695, “São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento”. Artigo 1.708, “Com o casamento, a união estável ou o concubinato do credor, cessa o dever de prestar alimentos”. Parágrafo Único. “Com relação ao credor cessa, também, o direito a alimentos, se tiver procedimento indigno em relação ao devedor”. Consideramos importante ressaltar o que preconiza o Novo Código Civil Brasileiro devido a situações de atendimento no SOS Idoso. Recentemente atendemos um caso em que a idosa de 60 anos encontrava-se desamparada de habitação e de proventos. Após tentativas de aproximação entre filho e mãe sem êxito, procedeu-se o encaminhamento para a Defensoria Pública, uma vez que a idosa manifestou o desejo de pleitear a pensão alimentícia na justiça. 3.8. ESTATUTO DO IDOSO (EI /2003) - LEI Nº. 10.741/03 Lei de 1º de outubro de 2003, foi elaborada para fortalecer e implementar uma lei já existente, que é a Política Nacional do Idoso (PNI, 1994). Nela ficam instituídos os direitos assegurados à pessoa idosa com igual ou superior a 60 (sessenta) anos. Na justificativa do Projeto do SOS 3ª Idade - SOS Idoso verifica-se que ele atende a uma necessidade especificada no Estatuto do Idoso onde no Artigo 4º estabelece que:
Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei.

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No Artigo 46 verifica-se que: “A política de atendimento ao idoso far-se-á por meio do conjunto articulado de ações governamentais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”, e determina linhas de ação da política como serviços especiais de prevenção e atendimento às vítimas de negligência, maus tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão. Alguns Artigos consideramos relevantes para análise, como:
É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar o idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária (Artigo 3º).

No 3º Artigo é determinante quando cita que toda a sociedade civil, como o Estado e família, têm responsabilidades quanto à qualidade de vida e conseqüentemente com a saúde dos idosos, mas para tal faz-se necessário que cada cidadão contribua para que durante o processo de envelhecimento o idoso encontre esta qualidade de vida e este conjunto de direitos, conforme o artigo citado. Outros artigos para reflexão são os 4º e o 6º. O Artigo 4º já citado na justificativa no Projeto do SOS 3ª Idade - SOS Idoso. Artigo 6º “Todo cidadão tem o dever de comunicar à autoridade competente qualquer forma de violação a esta Lei que tenha testemunhado ou de que tenha conhecimento”. Este artigo é aplicado quando ocorrem denúncias no SOS 3ª Idade SOS Idoso, mas são poucas as pessoas que aceitam denunciar por medo de represálias. Registramos outros artigos onde responsabilidades e direitos dos idosos são expressos, como no Artigo 9º “É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa à vida e à saúde, mediante políticas públicas que permitam um envelhecimento saudável, com condições dignas”; Artigo 15º “É assegurada à atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos”; § 1 º A prevenção e a manutenção da saúde do idoso serão efetivadas por meio de: 50

I – cadastramento da população idosa em base territorial; II – atendimento geriátrico e gerontológico em ambulatórios.

3.9. REDE NACIONAL DE PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA E PROMOÇÃO DA SAÚDE - PORTARIA Nº 936/GM/2004 A Portaria do Ministério da Saúde (Nº. 936/2004) de 19 de maio de 2004 estabelece a necessidade da criação dos Núcleos de Proteção à Pessoa Idosa como política em resposta às demandas dos usuários idosos. A mesma Portaria dispõe sobre a estruturação da Rede Nacional de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde e a Implantação e Implementação de Núcleos de Prevenção à Violência em Estados e Municípios. É uma Portaria em consonância a Lei nº 8.080 (Lei Orgânica da Saúde), de 19 setembro de 1990 que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação de saúde e ainda quanto à organização e funcionamentos dos serviços correspondentes ao SUS; e com a Portaria nº 737/GM, de 16 de maio de 2001, que dispõe sobre a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências, cujo objetivo é estabelecer diretrizes e responsabilidades institucionais onde se contemplem e valorizem medidas inerentes à promoção da saúde e a prevenção de agravos externos. No Artigo 1º da Portaria Nº. 936/2004 resolve: aprovar a estruturação da Rede Nacional de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde, com o objetivo de articular a gestão e as ações do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas – Área Técnica de Prevenção da Violência e Causas Externas, da Secretaria de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde Estaduais e Municipais e do Distrito Federal, Atenção à Saúde – do Ministério da Saúde – DAPES/SAS/MS, com os Núcleos de com instituições acadêmicas e organizações não governamentais conveniadas com o Ministério da Saúde e outras iniciativas dos municípios e estados que contribuam para o desenvolvimento do Plano Nacional de Prevenção da Violência. A Rede Nacional de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde (Portaria nº 936) demonstra as responsabilidades competentes nas três esferas de governo, como, 51

citado acima, mas achamos conveniente pautar as competências referentes à esfera municipal, visto que o foco da nossa pesquisa são as denúncias atendidas no SOS Idoso do município de Serra. Na elaboração do enfrentamento da violência, compete ao Núcleo Municipal: a) Elaborar o Plano Municipal de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde; b) Promover e participar de políticas e ações intersetoriais e de redes sociais que tenham como objetivo a prevenção da violência e a promoção da saúde; c) Qualificar e articular a rede de atenção integral às pessoas vivendo situações de violência e desenvolver ações de prevenção e promoção da saúde para segmentos populacionais mais vulneráveis; d) Garantir a implantação e implementação da notificação de maus-tratos e outras violências, possibilitando melhoria da qualidade da informação e participação nas redes locais de atenção integral para populações estratégicas; e) Estimular o desenvolvimento de estudos e pesquisas estratégicas; e f) Capacitar os profissionais, movimentos e conselhos sociais para o trabalho de prevenção da violência em parceria com os pólos de educação permanente loco regionais (MS, 2004).

3.9.1. Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) - Portaria Nº 2.528/06. A Portaria Nº 2.528 de 19 de outubro de 2006 aprova Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Ela revisa e atualiza a Portaria n° 1 .395/GM, de 10 de dezembro de 1999 que anunciava a Política Nacional de Saúde do Idoso. A Política Nacional do Idoso, promulgada em 1994 e regulamentada em 1996, assegura direitos sociais à pessoa idosa, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade e reafirmando o direito à saúde nos diversos níveis de atendimento do SUS (Lei nº 8.842/94 e Decreto nº 1.948/96). Nesse sentido, a Política de 1999 assume que o principal problema que pode afetar o idoso é a perda de sua capacidade funcional, isto é, a perda das habilidades físicas e mentais necessárias para realização de atividades básicas e instrumentais da vida diária (MS, 2006).

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No entanto, com o objetivo de “reorganizar a prática assistencial, em 1994 é elaborado pelo Ministério da Saúde o Programa de Saúde da Família (PSF), imprimindo nova dinâmica nos serviços de saúde e estabelecendo uma relação de vínculo com a comunidade, humanizando esta prática direcionada à vigilância na saúde, na perspectiva da intersetorialidade (Brasil, 1994), denominando-se não mais programa e sim Estratégia Saúde da Família (ESF)” (MS, 2006).

Em 2002, é proposta a organização e a implantação de Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso (Portaria nº 702/SAS/MS, de 2002), tendo como base as condições de gestão e a divisão de responsabilidades definida pela Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS). Como parte de operacionalização das redes, são criadas as normas para cadastramento de Centros de Referência em Atenção à Saúde do Idoso (Portaria nº 249/SAS/MS, de 2002) (MS, 2006).

O Artigo 2º desta política (PNSI, 2006) determina que os órgãos e entidades do Ministério da Saúde, em que as suas ações se relacionem com o objeto desta, que obviamente trata do idoso, “promovam a elaboração ou a readequação de seus programas, projetos e atividades em conformidade com as diretrizes e

responsabilidades nela estabelecidas”. A política faz um retrato histórico de conquistas na sua introdução, quanto ao direito universal e integral à saúde conquistado pela sociedade brasileira na Constituição de 1988 e reafirmado com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Lei 8.080/90. Retrata a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, Lei Orgânica da Saúde que dispôs sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde e estabelece princípios e direciona a implantação de um modelo de atenção à saúde que priorize a descentralização, a universalidade, a integralidade da atenção, a eqüidade e o controle social, ao mesmo tempo em que incorpora, em sua organização, o princípio da territorialidade para facilitar o acesso das demandas populacionais aos serviços de saúde. Modelo ainda distante de toda população brasileira, especialmente dos idosos que fazem parte da população mais vulnerável por motivos diversos. A legislação brasileira em relação aos cuidados da população idosa é considerada avançada pelo Ministério da Saúde, mas no próprio documento encontramos que embora avançada, “a prática ainda é insatisfatória”.

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Encontramos também que a “vigência do Estatuto do Idoso e seu uso como instrumento para a conquista de direitos dos idosos, a ampliação da Estratégia Saúde da Família que revela a presença de idosos e famílias frágeis e em situação de grande vulnerabilidade social e a inserção ainda incipiente das Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso tornaram imperiosa a readequação da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI)” (MS, 2006).

Outras necessidades que propiciaram a Política Nacional de Saúde do Idoso/99 passar por nova estruturação surgiu em fevereiro de 2006, com a Portaria nº 399/GM, onde o documento das Diretrizes do Pacto pela Saúde contempla o Pacto pela Vida2. Neste documento, a saúde do idoso aparece como uma das seis prioridades pactuadas entre as três esferas de governo, sendo apresentada uma série de ações que visam, em última instância, à implementação de algumas das diretrizes da Política Nacional de Atenção à Saúde do Idoso (MS, 2006).

“A finalidade primordial da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (2006) é recuperar, manter e promover a autonomia e a independência dos indivíduos idosos, direcionando medidas coletivas e individuais de saúde para esse fim, em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde. É alvo dessa política todo cidadão e cidadã brasileiros com 60 anos ou mais de idade.

Considerando: a) o contínuo e intenso processo de envelhecimento populacional brasileiro; b) os inegáveis avanços políticos e técnicos no campo da gestão da saúde; c) o conhecimento atual da Ciência; d) o conceito de saúde para o indivíduo idoso se traduz mais pela sua condição de autonomia e independência que pela presença ou ausência de doença orgânica; e) a necessidade de buscar a qualidade da atenção aos indivíduos idosos por meio de ações fundamentadas no paradigma da promoção da saúde;

Significa uma ação prioritária no campo da saúde que deverá ser executada com foco em resultados e com a explicitação inequívoca dos compromissos orçamentários e financeiros para o alcance desses resultados.

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f) o compromisso brasileiro com a Assembléia Mundial para o Envelhecimento de 2002, cujo Plano de Madri fundamenta-se em: (a) participação ativa dos idosos na sociedade, no desenvolvimento e na luta contra a pobreza; (b) fomento à saúde e bem-estar na velhice: promoção do envelhecimento saudável; e (c) criação de um entorno propício e favorável ao envelhecimento; e g) escassez de recursos socioeducativos e de saúde direcionados ao atendimento ao idoso;

A necessidade de enfrentamento de desafios como: a) a escassez de estruturas de cuidado intermediário ao idoso no SUS, ou seja, estruturas de suporte qualificado para idosos e seus familiares destinadas a promover intermediação segura entre a alta hospitalar e a ida para o domicílio; b) número insuficiente de serviços de cuidado domiciliar ao idoso frágil previsto no Estatuto do Idoso. Sendo a família, via de regra, a executora do cuidado ao idoso, evidencia-se a necessidade de se estabelecer um suporte qualificado e constante aos responsáveis por esses cuidados, tendo a atenção básica por meio da Estratégia Saúde da Família um papel fundamental; c) a escassez de equipes multiprofissionais e interdisciplinares com conhecimento em envelhecimento e saúde da pessoa idosa; e d) a implementação insuficiente ou mesmo a falta de implementação das Redes de Assistência à Saúde do Idoso” (MS, 2006).

Em síntese, a Política Nacional de Saúde do Idoso (PNSI, 2006) tem como meta uma atenção à saúde adequada e digna para os idosos e idosas brasileiras, principalmente para aquela parcela da população idosa que teve, por uma série de razões, um processo de envelhecimento marcado por doenças e agravos que impõem sérias limitações ao seu bem-estar. A partir deste princípio, suscita em nós assistentes sociais uma participação ampla na discussão e na implementação de medidas que façam valer os direitos dos idosos.

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CAPÍTULO III

4. CONTEXTUALIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SERRA

O Instituto Jones dos Santos Neves contextualiza a história da cidade de Serra. Ele apresenta que a aldeia de Conceição, como era conhecida, o município, foi fundada em 1556 pelo padre jesuíta Bráz Lourenço, e pertencia a freguesia de Conceição de Nossa Senhora da Vitória, sendo desmembrada em 1769 por uma Lei provincial nº 6, de 6 de novembro de 1875, concedendo-lhe foros de cidade. No entanto, pelo Decreto nº 53, de 11 de novembro de 1890, regula a criação do município de SerraInstituto Jones dos Santos Neves (IJSN 2006). O Município de Serra está localizado na micro-região metropolitana de Vitória, a 70 metros de altitude, e tem sua posição geográfica determinada pelo paralelo 20° 07' 43" de latitude sul e 40° 18'28" longitude oeste. Es tá a 27 km da capital do Estado. A altitude máxima; 833 metros (Mestre Álvaro), a altitude mínima: 0,0m (nível do mar). A extensão territorial da Serra é de 554.278 km², sendo o maior município da Grande Vitória, ocupando 38% da área micro-regional, e limita-se ao norte com o município de Fundão, através dos rios Timbuí e Reis Magos; ao sul com os municípios de Vitória e Cariacica; a leste, com o Oceano Atlântico e a Oeste, com o município de Santa Leopoldina. O município está dividido em cinco distritos: a SerraSede, Calogi, Carapina, Nova Almeida e Queimado (SERRA, 2006). O município de Serra, de acordo com o IBGE (2000), apresenta uma população de 321.181 (ver tabela ilustrativa abaixo), no entanto somando a população dos bairros de Hélio Ferraz, Conjunto Carapina I e Bairro de Fátima, atingem 330.874 moradores, tendo em vista que no Censo de 2000 esses bairros foram inclusos no município de Vitória. Faz-se importante o registro desses dados, pois estes bairros apresentam dados de atendimentos na estatística anual de 2006 do SOS Idoso. Porém a população estimada em 2006 para o município por este mesmo instituto aproxima-se de 394.370 pessoas (IBGE, estimativas 01.07.2006). A população idosa, de acordo com o Censo 2000, é de 16.439 idosos (IBGE), e até o 56

desenvolvimento deste estudo não obtivemos dados mais recentes quanto a esta população. População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os Distritos (1) e (2) de Serra. Quadro: 1
População Residente de Serra Situação domicílio
Distritos Total Homens Mulheres Urbana Homens Mulheres Rural Total Homens Mulheres

Total Espírito Santo Serra (2) Distritos (1) Calogi Carapina Nova Almeida Queimado Serra 1.245 192.924 658 94.917 587 98.007 366 192.899 189 94.904 177 97.995

3.097.232

1.534.806

1.562.426

2.463.049

1.199.740

1.263.309

634.183

335.066

299.117

330.874

163.051

167.823

329.314

162.217

167.097

1.560

834

726

879 25

469 13

410 12

33.671

16.787

16.884

33.504

16.695

16.809

167

92

75

206 93.135

109 45.987

97 47.148

44 92.808

24 45.812

20 46.996

162 327

85 175

77 152

Quadro 1: População Residente de Serra
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000. Elaboração: PMS/SEPLAE/DAE/DIG. (1) Refere-se à classificação dos distritos segundo o IBGE. Obs.: Os dados são de 01 de agosto de 2000 – data de referência do Censo Demográfico 2000 do IBGE. (2) Inclui-se os bairros Hélio Ferraz, Conjunto Carapina I e Bairro de Fátima, os quais o IBGE, conforme lei estadual, considera como sendo pertencentes ao município de Vitória. Assim, os totais divulgados pelo IBGE se referindo ao município de Serra tem uma diferença de 9.693 pessoas, sendo 4.593 homens e 5.100 mulheres a menos, ou seja, os totais de Serra segundo o IBGE são 321.181 habitantes, sendo 158.458 homens e 162.723 mulheres. Ressalta-se que os dados destes bairros são preliminares mas eles não alteram a população rural. Prefeitura Municipal de Serra - Secretaria de Planejamento Estratégico.

A Serra se desponta nacionalmente pela sua importância turística, especialmente pelas suas belas praias freqüentadas por turistas de todo o Brasil, atraindo a atenção de visitantes de São Paulo, Rio de Janeiro e principalmente de Minas Gerais. Dentre as praias, destacam-se Jacaraípe, Manguinhos, Carapebus e Nova Almeida.

57

A população serrana cresceu de forma significativa nas últimas três décadas, e de acordo com o Censo 2000 as principais tendências para o município até 2020 é um crescimento mais acelerado que os demais municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória. No documento O Planejamento Estratégico das Cidades da Agenda 213 encontramos um estudo da Futura (1999) em que cita a Serra como o município da Grande Vitória a tornar-se o mais populoso município do Estado, com projeção da população prevista para 2020 de 515.400 habitantes, e ainda que haverá uma queda nas taxas de crescimento populacional para os municípios da Grande Vitória, com exceção de Viana e da Serra, onde haverá a maior taxa de aumento populacional (FUTURA, 1999, apud SERRA, 2006). Atualmente a Serra apresenta relações econômicas com outras regiões do país e com outros países do mundo devido a suas riquezas naturais e pela instalação em seu território de grandes empresas exportadoras e importadoras. O município constituiu-se nos últimos anos na principal frente de expansão econômica e populacional da Região Metropolitana da Grande Vitória4. Concentra atualmente o maior parque industrial metropolitano e estadual. Nas regiões de Carapina e Laranjeiras estão localizados os seus distritos industriais, com destaque para as áreas da Companhia Siderúrgica de Tubarão, Centro Industrial Metropolitano de Vitória - CIVIT I e CIVIT II - e Terminal Industrial Multimodal da Serra –TIMS- (FUTURA, 1999 apud AGENDA 21, 2006). A população serrana apresenta um perfil majoritário de classe média e baixa, sendo menos expressivo o seu contingente de população de alta renda, se comparada com a capital Vitória, e menos relevante o percentual de sua população que vive em condições de miséria
A ECO 92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, recomendou aos países membros a elaboração de suas Agendas 21 nacional, estadual e local. As Agendas 21 passaram a adotar o planejamento estratégico com visão e gestão estratégica favorecendo as cidades e devido às suas complexas estruturas e à necessidade de tornar o desenvolvimento como técnica de previsão do seu futuro e de mobilização da sociedade para conquistar um desenvolvimento mais harmonioso e melhores condições de vida (SERRA, 2006). A Região Metropolitana da Grande Vitória engloba sete municípios: Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória. Quase 50% dos três milhões de habitantes do estado estão na Grande Vitória, numa área que representa apenas 5% do território capixaba (IJSN, 2006).
4
3

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absoluta, se comparada com outros municípios da região metropolitana, como Cariacica. Os bairros com maior concentração de população pobre do município são Divinópolis/Belvedere e Planalto Serrano, onde, respectivamente, (83,17%) e (76,64%) das famílias ganham menos que R$ 496,00 e nenhuma ganha mais que R$ 2.944,00 não havendo nesses bairros população de classe alta. Os bairros mais ricos são os conjuntos Valparaíso e Parque Residencial

Laranjeiras, onde, respectivamente, (6,34%) e (4,88%) da população têm renda inferior a R$ 496,00 e (77,77%) e (80,39%) têm renda entre R$ 497,00 e R$ 2.943,00. Nesses bairros, há expressivo percentual de famílias de classe alta, com renda acima de R$ 2.944,00, sendo (12,7%) no primeiro e (10,98%) no segundo (SERRA 2006).

4.1. CARACTERIZAÇÃO INSTITUCIONAL A Secretaria de Promoção Social (SEPROM) está situada na Rua Alpheu Correia Pimentel, nº 150, no bairro de Caçaroca, Serra-ES. O Projeto SOS 3ª Idade, atualmente conhecido como SOS Idoso, funciona em uma sala do Departamento de Assistência Social desta secretaria. A composição técnica da SEPROM, no tocante ao Projeto SOS 3ª Idade - SOS Idoso, é composta pela secretária de Promoção Social, Maria Nazareth Motta Liberato; diretora do Departamento de Ação Social, Nazaret Pimentel; coordenadora do Programa de Atenção ao Idoso, Regilene Mazzariol Tononi; assistente social do Projeto SOS Idoso, Myrthes Brocolli Lima; estagiária de serviço social, Cleonice Viana dos Santos Angeli, e pela assistente administrativa Valéria Mateus. A Secretaria de Promoção Social é uma instituição pública de caráter político e social, que desenvolve planos, programas e projetos coletivos que visam a atender as demandas da sociedade serrana. O sistema organizacional é de caráter político e também se torna econômico, na medida em que precisa de recursos, mas não visa a lucros e nem a produção comercial, as suas ações são essencialmente dirigidas ao público morador de Serra.

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A responsabilidade social é praticada pelo gestor, o atual Prefeito Audifax Charles Barcellos, e de sua equipe de trabalho, representada pelos secretários, diretores, equipe técnica e não técnica, pela própria comunidade, e também com parcerias firmadas do setor privado. Através de documentos da Lei nº 2356/2000, a estrutura organizacional do Poder Executivo do Município de Serra foi constituída e tem como objetivo: contribuir, coordenar e cumprir a formulação do plano de ação do Governo Municipal e os programas gerais e setoriais inerentes à secretaria, que se dispõe: Assessoria Técnica; Coordenadoria Municipal do Fundo da Infância e da Adolescência; Departamento de Incentivo ao Trabalhador; Divisão de Emprego; Divisão de Capacitação Profissional; Departamento de Assistência à Criança e ao Adolescente; Divisão de Desenvolvimento Familiar; Divisão de Assistência; Departamento de Assistência Social; Divisão de Atendimento Social; Divisão de Desenvolvimento Comunitário.

4.2. PROGRAMA DE ATENÇÃO AO IDOSO DO MUNICÍPIO DE SERRA O programa funciona atualmente com cinco projetos e um conselho, a saber: conviver, yoga, de reeducação alimentar, Centro de Convivência para o idoso, SOS 3ª idade – SOS idoso e o Conselho Municipal do Idoso da Serra (COMIDS). Esses projetos são descritos abaixo, conforme o Relatório Anual do Programa de Atenção ao Idoso (PAAI, 2006). Projeto Conviver Modalidade não asilar de atendimento – Grupos de Convivência Público alvo - Pessoas com 60 anos ou mais. Número de atendimento - 1.250 pessoas. Implantado em 1989, através de convênio com a antiga Legião Brasileira de Assistência (LBA), o projeto Conviver encontra-se em funcionamento através do sistema descentralizado e participativo da Assistência Social, que culminou com a gestão municipal. O município possui hoje 20 grupos de convivência que trabalha a participação grupal através de uma equipe multidisciplinar (assistentes social, professores de educação física, monitores e professores de educação artística e 60

estagiária de serviço social), aprimorando as potencialidades físicas, intelectuais, criativas e sociais, promovendo a autonomia, integração e a participação efetiva do idoso na sociedade. As reuniões acontecem semanalmente em espaços cedidos pela comunidade (SERRA, 2006). Projeto Yoga Público alvo – Pessoas com 60 anos ou mais. Número de atendimento - 250 pessoas. Projeto implantado em 1999, tendo como experiência piloto os grupos de praia (Jacaraípe e Manguinhos). Tem como objetivo melhorar o funcionamento do corpo e proporcionar o equilíbrio emocional, tranqüilidade e alegria de viver no cidadão que está vivendo a velhice. Em decorrência do sucesso alcançado, foi ampliado nos anos seguintes, funcionando em espaços cedidos pela comunidade (SERRA, 2006). Projeto de Reeducação Alimentar Público alvo – Pessoas com 60 anos ou mais. Número de atendimento – 150 pessoas. Implantado em 2005, com objetivo de orientar o idoso quanto à alimentação alternativa nutricional e proporcionar conhecimentos de fitoterapia como meios de equilíbrio e prevenção de doenças relativas ao envelhecimento, buscando dessa forma uma melhoria na qualidade de vida dessas pessoas. O projeto funciona em espaços cedidos pela comunidade (SERRA, 2006). Centro de Convivência para o Idoso Modalidade não asilar de atendimento Público alvo: Pessoas com 60 anos ou mais. Número de atendimento: 500 idosos. Atividades oferecidas: yoga, liaon gong, vagonite, pintura em molde vazado, hidroginástica, alfabetização e biodanza. Local: Rua Maestro Manoel Xavier, s/nº - Caçaroca – Serra – ES. Horário de funcionamento: 07h às 18h horas.

61

Tel fax: 3251-6986. Implantado em abril de 2006, é um espaço destinado à freqüência dos idosos e de seus familiares, onde são desenvolvidas, planejadas e sistematizadas ações de atenção ao idoso, de forma a elevar a qualidade de vida, promover a participação, a convivência social, a cidadania e a integração intergeracional. O atendimento no Centro de Convivência consiste no fortalecimento de atividades associativas, produtivas e promocionais, contribuindo para autonomia,

envelhecimento ativo e saudável, prevenção do isolamento social, socialização e aumento da renda própria (SERRA, 2006). Conselho Municipal do Idoso da Serra (COMIDS) Órgão permanente, de composição paritária, com caráter deliberativo e consultivo, vinculado à Secretaria Municipal de Promoção Social. Criado através da lei 2700 de 17 de junho de 2004. O Decreto nº. 0870, de 21 de fevereiro de 2005, dá a nomeação dos conselheiros para gestão 2005/2007 (SERRA, 2006). Projeto SOS-3ª Idade/SOS Idoso Para o enfrentamento de inúmeras denúncias de maus tratos recebidas desde a implantação do Estatuto do Idoso (outubro de 2003), e pelo comprometimento e responsabilidade da municipalidade frente à população idosa, foi criado em janeiro de 2004 o Serviço SOS Idoso, pioneiro no Estado. Tendo como objetivo receber, orientar e apurar denúncias de maus tratos contra a pessoa idosa. A partir das denúncias, são adotados alguns procedimentos, visando à garantia de proteção social do idoso, tais como: visitas domiciliares, reuniões familiares, orientações diversas, articulação e encaminhamentos a órgãos como: ministério público, secretaria de saúde, casa do cidadão, atendimento jurídico, conselho municipal do idoso, entre outros (SERRA, 2006). Público alvo: cidadão serrano de 60 anos ou mais. Número de atendimentos: desde sua implantação, de 2004 a 2006, o SOS Idoso já recebeu 1.579 ligações, 424 atendimentos no setor e 390 visitas domiciliares realizadas. Dentre esses dados, 458 corresponderam a denúncias de maus tratos e 62

1.545 orientações sobre assuntos referentes ao Estatuto do Idoso, instituições de longa permanência, benefício de prestação continuada (BPC), localização dos grupos de convivência e yoga, locais de atendimento jurídico, dentre outros. Local: Secretaria de Promoção Social (Departamento de Assistência Social). Horário de funcionamento: 08h às 18 horas, no telefone: 3291-7470.

4.3. PROJETO SOS 3ª IDADE - SOS IDOSO Dentre as demandas apresentadas no SOS 3ª Idade - SOS Idoso estão às necessidades de verificação de denúncias de violências e de maus tratos relacionados a negligências, abandonos, abusos, explorações financeiras, físicas, psicológicas, dentre outros. Denúncias essas anônimas ou não, feitas pelo telefone 3291-7470 ou diretamente no setor, encaminhadas por instituições como hospitais, ou por ofícios advindos do Ministério Público, Secretaria de Saúde, Casa do Cidadão e demais secretarias do município, de outros municípios, de setores públicos e da sociedade civil. Atende-se ainda a demanda de idosos sem renda5, que solicitam declaração para requerer transporte interestadual gratuito. As atividades técnicas são realizadas por meio de visitas domiciliares; reuniões com familiares dos idosos; com técnicos de outras secretarias ou órgãos como o Ministério Público; relatório mensal para o conselho municipal dos idosos; estatística mensal; relatório social; parecer técnico. A participação da comunidade ocorre através das denúncias anônimas ou no setor. Os principais problemas enfrentados para a realização das atividades são recursos humanos e transporte para realização de visitas, e ainda exercer a

interdisciplinaridade. De acordo com Regilene Mazzariol, coordenadora do Programa de Atenção ao Idoso (PAAI), até a presente data não foi realizado avaliação técnica do projeto, tem sido realizado a avaliação das práticas de atendimentos e encaminhamentos, que
O Estatuto do Idoso no artigo 40 dispõe sobre a gratuidade aos idosos maiores de 65 anos, que é regulamentada conforme critério da legislação local. Em 18/10/2006 o Decreto nº 5.934 regulamenta a lei da gratuidade no transporte interestadual, e no Art. 2º deste Decreto considera idoso pessoa com idade igual ou superior a 60 anos.
5

63

podem ser considerados positivos. Quanto ao monitoramento, é contínuo, através das discussões com os profissionais envolvidos nos atendimentos dos idosos do Projeto. Quanto ao financiamento, o município não possui Fundo Municipal específico para a pessoa idosa, e os recursos referentes a essa modalidade são disponibilizados pelo Fundo Municipal de Assistência Social, que consta como recursos do orçamento da Secretaria de Assistência Social. Os objetivos propostos no Projeto SOS 3ª Idade, que documentalmente não foi revisado, serão expostos a seguir. A prática de atendimento do usuário resultou na denominação atual do Projeto SOS Idoso, onde abarca pessoa idosa com idade igual ou superior a 60 anos. A demanda apresenta uma realidade que contempla idosos longevos e não corresponde apenas a literatura que conceitua a 3ª idade em que classifica idosos numa determinada faixa etária, compreendida entre 60 a 74 anos. De acordo com Peixoto:
Sinônimo de envelhecimento ativo e independente, a terceira idade converte-se em uma nova etapa da vida, em que a ociosidade simboliza a prática de novas atividades sob o signo do dinamismo. [...] Entretanto, a invenção da terceira idade – nova fase do ciclo de vida entre a aposentadoria e a velhice – é simplesmente produto da universalização dos sistemas de aposentadoria [...] e que prescrevem a esse grupo etário maior vigilância alimentar e exercícios físicos, mas também necessidades culturais, sociais e psicológicas. [...] a unificação de todas as idades na rubrica aposentado, sob a etiqueta terceira idade, apresenta um outro recorte nas faixas de idade: parece agora importante distinguir os jovens idosos dos idosos velhos. Em conseqüência, surge uma nova expressão na nomenclatura [...] para classificar as pessoas de mais de 75 anos: é a quarta idade. [...] associando a essa imagem a idade biológica (da aposentadoria aos 74 anos) aproxima [...] os representantes da quarta idade – os muito velhos –, à imagem tradicional da velhice, ou seja, à decadência ou incapacidade física (PEIXOTO, 1998, p. 75-77).

Para melhor compreensão sobre dinâmica dos atendimentos do SOS 3ª Idade - SOS Idoso descrevemos os objetivos propostos no documento do projeto a seguir. Objetivos Gerais: centralizar orientações e encaminhamentos necessários, através de atendimento telefônico, no que refere aos assuntos de interesse público, denúncias e reclamações de qualquer forma de discriminação, desrespeito, maus tratos e outros males sofridos pelos idosos do município de Serra. Objetivos Específicos: 64

receber denúncias de discriminação, negligência e maus tratos contra o idoso, e realizar os devidos encaminhamentos; orientar sobre direitos e deveres do idoso, de acordo com a lei 8.842/94 (PNI) e o Estatuto do Idoso / lei nº 10.741 de 1º de outubro de 2003; encaminhar representação a autoridade competente em caso de flagrante de maus tratos contra o idoso; orientar sobre benefícios assistenciais; orientar quanto aos serviços prestados pela comunidade: Grupos de convivência; Serviço de saúde da rede municipal; Atendimento jurídico; Agenda cultural; realizar contatos com meios de comunicação para localização de familiares ou parentes; elaborar estatísticas mensais dos atendimentos prestados visando à avaliação e a criação de novas alternativas de intervenção.

População Atendida A população atendida caracteriza-se por pessoas com idade igual ou superior a 60 anos de ambos os sexos. Os idosos vitimizados na maioria são viúvas pensionistas e aposentadas. A família também se configura como usuário na medida em que busca auxílio para mediação de problemas, orientações diversas. Predomina a figura de mulheres que realizam as denúncias e buscam esse auxílio. A situação socioeconômica do público alvo é diversificada, não é homogênea, porém predomina a baixa renda. Os idosos geralmente residem sozinhos ou com um dos filhos em domicílios próprios, possuem baixa escolaridade, alguns são até iletrados, e no caso dos familiares envolvidos nas denúncias de maus tratos quase sempre são dependentes economicamente dos idosos. Os idosos apresentam algum tipo de 65

problema de saúde, ficando debilitados e dependentes de acompanhantes. A debilidade é proveniente de doenças oriundas do processo biológico da velhice, como problemas de hipertensão, coração, diabetes, AVC, transtorno mental, entre outros. O usuário participa na instituição quando ele próprio busca atendimento do serviço ou o faz por intermédio de algum membro de sua família e de vizinhos e moradores da comunidade. Analisamos 76 casos onde as denúncias registradas e visitas realizadas no SOS Idoso do Município de Serra permanecem em acompanhamento no ano de 2006. O acompanhamento se faz necessário para monitoramento e suporte social aos idosos e familiares.

Os motivos das denúncias atendidas no SOS Idoso em 2006 não são homogêneos e num atendimento podem conter várias formas de maus tratos e violências, para melhor visualização, os motivos são relatados abaixo em forma de texto *.

Podemos verificar que são vários os tipos de maus tratos relatados pelos denunciantes num mesmo caso, dificultando uma categorização, pois os tipos são imbricados uns com os outros. Expomos os seguintes achados na análise dos registros: o em seis denúncias que os idosos são negligenciados pelos filhos, diretamente e também relacionam maus tratos pela família; o em quatro casos, o filho recebe a pensão e não repassa o dinheiro para os idosos; o seis registros de abandono de idosos pelos filhos/ou familiares; o em quatro casos, o filho separou-se e foi morar com a mãe, um dos filhos ainda levou três filhos com ele, e ainda agridem verbalmente e exploram as idosas, mas não informam de que forma elas são exploradas; o três registros de uso indevido do cartão do idoso, mas não identifica quem faz o uso indevido; o três casos nos quais os filhos são alcoolistas e agridem fisicamente a idosa, num desses casos o filho que separou da esposa e foi morar com a mãe e com o irmão e agride fisicamente a ambos, em outro caso o denunciante 66

relaciona que o filho é usuário de drogas (ilícitas) e alcoolista e que a agressão por parte do filho é porque sua mãe nega a dar o seu dinheiro a ele; o dois registros em que os irmãos denunciam que o filho com o qual reside a idosa não a deixa receber visitas dos seus filhos e nem deixa os irmãos fazerem melhorias na casa dela; o dois registros de que a idosa sofre maus tratos e agressões pela filha e neta, mas os maus tratos não são tipificados; o em dois casos onde os filhos agridem fisicamente as idosas e retêm o cartão das mesmas; o dois idosos são agredidos pelas esposas; o dois casos em que os filhos drogados agridem as mães idosas e agridem os padrastos; o dois registros de netas que agridem psicologicamente as idosas; o uma denúncia onde o filho adotivo do idoso o agride fisicamente, rouba os objetos da casa para trocar por drogas, a casa está ficando destruída porque ele quebra tudo; o uma denúncia onde o esposo da idosa cunhada na frente da esposa acamada; o um caso em que a irmã denuncia 11 irmãos que negligenciam a sua mãe idosa; o um caso onde a filha faz o namorado bater no pai idoso; o um caso onde a filha alega que não tem saúde para cuidar da mãe, porque a idosa é impulsiva, não obedece ninguém e só quer ficar na rua; o um filho pede auxílio, pois o irmão é alcoolista, sustentado pela mãe, e teme que ele possa vir a fazer algum mal à mãe; o o serviço social do hospital Dório Silva denúncia que a idosa é negligenciada pela família, outra denuncia do mesmo hospital citando que um idoso encontra-se abandonado no mesmo; o um registro onde o irmão alega que a irmã está retendo documentos da mãe; o um caso em que a idosa alega que a filha vai abandoná-la para morar com a companheira e com isso ficará sozinha; o um registro onde cita que um casal tem um filho único e que é seu cuidador, e os idosos estão sem atendimento médico e têm dificuldades de locomoção; 67 mantém relação sexual com a

o um registro relatando de que o idoso cuida sozinho da esposa idosa que está acamada depois que sofreu AVC; o uma denúncia de filho que mandou a mãe embora da própria casa e ainda maltratava a idosa; o um registro de denúncia feito pela própria idosa, relatando que seu filho a agride fisicamente, a ameaça de morte e xinga de todas formas; o um caso em que o idoso sente-se ameaçado de ser colocado num asilo pelos seus familiares; o um registro de agressão física sem especificação no prontuário; o um registro onde a esposa pede ajuda para o esposo idoso e para o filho, que são alcoolistas e vivem na rua; o uma denúncia de idosa e filho doente mental que sofrem maus tratos psicológicos; o um caso em que a própria idosa alega que é agredida psicologicamente pelo seu filho; o outro caso de filho que solicita visita à casa de seus pais (idosos) para

verificar se ocorrem maus tratos e abandono, mas não é informado por parte de quem; o um caso em que o filho alega que a mãe é explorada pelos irmãos financeiramente; o um caso de denúncia onde o neto é acusado de ter violentado sexualmente avó; o denúncia de maus tratos, mas sem a tipificação;

o um caso em que o idoso alega que filho é alcoolista e o ameaçou por várias vezes de morte; o um caso em que os netos fizeram a casa da idosa de ponto de drogas, tirando-a da moradia; o a tia denuncia o filho da idosa por não deixar a mãe tomar remédios controlados devido à religião e com isso ela tem tido crises nervosas constantes; o dois casos em que as filhas cuidam sozinhas das mães idosas. Uma das idosas é acamada e a filha alega não poder trabalhar, porque os irmãos não querem ajudar a cuidar da mãe e não dão nenhuma assistência, e a outra tem

68

mal de alzheimer e a filha também sente que os irmãos abandonaram a mãe e não manifestam nenhuma responsabilidade; o um caso em que a idosa relata que filho é alcoolista, ela não consegue dormir e não agüenta mais o filho em casa sem tomar banho há mais de um mês; o vizinha denuncia que a idosa sofre maus tratos por parte da sobrinha que mora em Viana e fica com o cartão da idosa; o o idoso negligencia a saúde, ele gasta todo o seu salário e filhos não sabem com que gasta; o um caso onde a idosa sofre maus tratos por parte da sua filha, que faz uso de drogas e ameaça com canivete; o uma denúncia de um idoso relatando que a idosa sofreu AVC há 7 anos, vive na cadeira de rodas, a esposa e ele ficam com fome, chegam há ficar 15 dias sem tomar banho, a família é negligente com eles; o filhos de vizinhos, mandados pelos pais, jogam bombinhas no quintal para incomodar casal de idosos e filho doente; o sobrinho faz pressão psicológica para idosa vender uma casa para se beneficiar; o a idosa quer internar o filho que possui transtorno mental, pois não tem condições de cuidar dele sozinha; o dois casos denunciando que idosa sofre maus tratos praticados pelos seus netos; o o idoso sofreu 5 derrames e está sozinho em casa; o suspeita-se que a idosa sofra maus tratos pelo genro; o idosa alega que vizinho está desrespeitando a sua privacidade, quebrando a lei do silêncio, todas as noites ele faz barulhos para provocá-la; o idosos estão abandonados e convivem com um doente mental, sua residência está infestada de ratos; o inquilino da idosa está dando muitos problemas, ele a agride

psicologicamente e não paga aluguel há meses; o filha pede ajuda dos irmãos para pagar o plano de saúde dos pais, pois devido a dificuldades financeiras parou de pagar; o filha alega que seu pai sofreu um derrame, mora com ela mas não ajuda. Ele pega o seu dinheiro e doa tudo na igreja; o filha pede ajuda, pois idosa está descontrolada e agressiva e bebe demais; 69

o filho colocou o idoso no abrigo para ficar com o restante de seu dinheiro, a sobrinha queixa-se que ele encontra-se muito fraco e precisa ser hospitalizado; o o idoso é alcoolista e agride psicologicamente a idosa; o suspeitas de que o idoso esteja sendo agredido fisicamente pelos filhos e netos.

Observa-se que os idosos também reproduzem os maus tratos, nos registros consta que uma filha alega não ter condições de continuar cuidando da mãe, porque sofre maus tratos por parte da idosa. Os casos apresentados estão de acordo com a forma escrita e registrada nos prontuários de denúncias, alguns casos precisaram ser reescritos para melhor compreensão dos dados.

Conforme citado acima, em 2006 o SOS Idoso manteve em acompanhamento 76 casos e consideramos relevantes apresentar os perfis de alguns dados desses atendimentos.

Apresentamos abaixo os bairros com incidências de denúncias de maus tratos contra os idosos no município, conforme estatística do SOS Idoso em 2006:

70

Bairros com incidências de denúncias: Tabela: 1 Bairros Jacaraípe Nova Carapina José de Anchieta Feu Rosa NV Almeida São Marcos Planalto Serrano Vila Nova Colares Não informado Cascata El Dourado Bairro de Fátima Serra Dourada III Jardim Carapina Serra Dourada II Nova Zelândia Laranjeiras Velha Eurico Salles Porto Canoa Novo Horizonte São Judas Tadeu Divinópolis Bicanga P.Res.Laranjeiras Jardim Limoeiro Jardim Tropical São Domingos Colina da Serra Carapina Total Quantidades 07 06 05 05 03 03 03 03 03 02 02 02 02 02 02 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 76 % 17 15 15 15 04 04 04 04 04 02 02 02 02 02 02 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 100 71

Conforme a tabela acima, os três bairros de maior expressão de índices de denúncias de maus tratos e de atendimentos do SOS Idoso são: Jacaraipe, com sete casos, Nova Carapina, com seis e Jose de Anchieta, com cinco casos denunciados consecutivamente.

Buscamos analisar quem são os denunciantes ou de onde procedem as denúncias de maus tratos contra os idosos no SOS idoso em 2006 e o resultado é descrito no gráfico abaixo:

Gráfico: 2
Procedência das denúncias
O próprio

1

1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2

Sobrinha A. Social (DAS- Plant ão) Conselho Tutelar Nora M inist ério Público PA da Serra Pró-Vida S.social H.Dório Silva Irmã

4 5

Esposa

10 10 20 30

Vizinha

36 40

Filho Filha

0

Anônimas

Observou-se que a maioria das denúncias é anônima com trinta e seis casos, seguidas de dez casos denunciados pelas filhas, cinco casos são os filhos que denunciam, quatro casos as denúncias foram realizadas por vizinhos. Outras denúncias variam em dois casos cada: irmã, hospital, esposa, pró-vida, ministério público, pronto socorro da Serra. Existem ainda casos de denúncias advindas do conselho tutelar, pelo próprio, sobrinha, nora e do plantão social do DAS-SEPROM.

72

Tipos de Maus Tratos denunciados no SOS Idoso em 2006

Gráfico: 3
Tipos de maus tratos

13; 14% 13; 14% 36; 40%

Psicológico Negligência Abandono

14; 16%

Financeiro
14; 16%

Físico

Os maus tratos mais evidentes são os psicológicos, com trinta e seis casos (40%), seguidos de negligência e abandono, com catorze casos (16%), financeiro e físico, com treze casos (14%) cada.

Gráfico: 4
Estado civil 35 30 25 25 20 15 10 5 0 1 6 32
Viúvo (a) Casado Não info rmado Separado Divo rciado So lteiro

5

3

União estável

2

2

1

Desquitado

O gráfico 4 apresenta os dados do estado civil, que são: trinta e dois idosos viúvos, vinte e cinco casados, seis não informaram, cinco são separados, três são divorciados , dois são solteiros e dois têm união estável e um é desquitado. 73

Gráfico: 5
Religião

Evangélico

10; 13%

1; 1%

2; 3%

Católico Não inf ormado

38; 50% 25; 33%

Luterana Adventista 7° dia

O gráfico 5 demonstra que (50%) dos idosos que sofrem maus tratos são evangélicos que corresponde a trinta e oito idosos, (33%) são católicos, que significa vinte e cinco idosos, (13%) não informaram a religião, que significa dez idosos, outros (4%) são de denominações evangélicas como a Luterana e Adventistas do 7º dia, que assim se definiram.

Gráfico: 6
Emprego da renda

7; 9% 17; 22% 26; 35%

Sustento da f amília Sustento próprio Auxílio à f amília

26; 34%

Não inf ormado

Nota-se que (35%) dos idosos, que corresponde a vinte e seis idosos têm a renda empregada no sustento da família, (34%) representa vinte e seis idosos a renda é para o seu próprio sustento, (22%), que corresponde a dezessete idosos, a renda auxilia a família e (9%), que corresponde a sete idosos, não informaram como usam a renda. 74

Gráfico: 7
Com quem o idoso reside

9% 11%

3%
Com f amiliares Só Não informado

14%

63%

Com companheiro Com terceiros

Analisamos com quem residem os idosos atendidos no SOS Idoso do município de Serra e verificamos que 63% deles residem com a família, 14 % residem sozinhos, 11% não informaram com quem residem e 9% residem com companheiros e 3% com terceiros.

Gráficos: 8
Principais doenças
30 25 20 15 10 5 0 AVC Fratura fêmur Pressão alta Depressão e Reumatismo Problema
Depressão e ansiedade, osteoporose,AVC 5 Brônquite, reumatismo, artrose 4 Neurológicos, f ratura de f êmur, coração 3 problema renal e insuf iciência crônica 2 Outros 1 doença cada

São várias as doenças apresentadas pelos idosos, identificamos as principais por ordem de maior incidência como: hipertensão arterial em vinte e quatro idosos; diabetes em dez; depressão; ansiedade; seqüela de AVC; osteoporose em cinco idosos respectivamente; quatro casos de bronquite; reumatismo e artrose, respectivamente; três problemas neurológicos; fratura de fêmur; de coração; e ainda dois casos de idosos com problema renal e insuficiência renal crônica, dentre outras. 75

Gráfico: 9

Alguém cuida do idoso

Sim

13; 17% 34; 45%
Não

29; 38%

Não inf ormado

O gráfico 9 mostra que 45% dos trinta e quatro idosos recebem cuidados de alguém, não tipificamos que é o cuidador; 38 %, que são vinte e nove idosos, não recebem cuidados e 17% que são treze idosos não informaram se têm algum cuidador.

O quadro abaixo apresenta os níveis de autonomia verificados nos idosos atendidos vítimas de maus tratos em acompanhamento no SOS Idoso em 2006.

76

Quadro: 2*

Níveis de Autonomia dos Idosos atendidos no SOS Idoso : Casos em acompanhamento 2006 Autonomia Sim Não Dificuldades Auxílio terceiros Com Enxerga 44 02 25 Sem 01 0 0 72 Acamados Nº de idosos

Ouve

60

0

06

06

0

0

66

Fala

60

02

03

0

0

0

65

Alimenta só

65

0

04

0

04

0

73

Banha só

53

10

03

0

10

0

70

Veste só

52

15

04

0

01

0

72

Caminha só

49

08

09

0

0

02

68

Quadro 2 - Níveis de Autonomia dos Idosos atendidos no SOS Idoso 2006/Estatística SOS Idoso DAS - SEPROM. PMS, 2006.

*Nota explicativa: na tabela de autonomia os dados não fecham em 100% dos 76 casos atendidos e que permaneceram em acompanhamento no ano de 2006, e objetos de nossa análise, porque durante visitas domiciliares alguns idosos se encontravam sozinhos e apresentavam dificuldades em responder as perguntas dirigidas a eles.

Nos gráficos a seguir apresentaremos o perfil dos idosos e dos agressores atendidos e visitados pelo Projeto SOS Idoso em 2006, que totalizaram 126 visitas. Por motivos de mudanças, falecimentos entre outros, 13 dessas visitas não constam do perfil.

77

Gráfico: 10
Sexo

36; 32%

Masculino 77; 68% Feminino

Observa-se que setenta e sete idosos são mulheres, que representam 68% dos atendidos e trinta e seis são homens, que correspondem a 32% dos usuários.

Gráfico: 11

Quantidade de filhos dos idosos

27%

6% 27%

7 Idosos Nenhum filho 31 Idosos tem 1 a 2 filhos 44 Idosos tem 3 a 4 filhos

40%

31 Idosos tem 5 ou mais filhos

Os dados que apresentam nos atendimentos em 2006 são de que 40% dos idosos têm de três a quatro filhos, em segundo lugar os dados são semelhantes, visto que 27 % que correspondem a trinta e um idosos, respectivamente têm de um a dois filhos e de cinco ou mais filhos, ainda sete idosos não possuem nenhum filho.

78

Gráfico: 12

Renda do idoso
8 Não tem renda 87idosos= 1 salário mínimo

4% 7% 4%

7%

8 idosos= 1 a 2 salários 5 idosos= 2 a 3 salários 5 idosos + de 3 salários

78%

Os idosos atendidos em 78% que correspondem a oitenta e sete idosos recebem 1 salário mínimo, oito idosos que corresponde a 7% recebem de 1 a 2 salários

mínimos e apenas cinco idosos que corresponde a 4% recebem mais de 3 salários mínimos. Outros dados importantes são de que oito idosos que corresponde a 7% não possuem nenhuma renda e que os que têm renda não recebem o inferior de 1 salário mínimo.

Gráfico: 13

Origem da renda
52 Aposentadoria

17% 46%

9 Outros 33 Pensionistas 19 BPC

29% 8%

Dos casos acompanhados no que tange à origem da renda dos idosos, cinqüenta e dois são aposentados correspondentes a 46%, trinta e três são pensionistas que

79

correspondem a 29%, dezenove idosos recebem BPC que correspondem a 17% e nove idosos têm outros tipos de rendimentos que correspondem a 8%.

Gráfico: 14

Autonomia

27%

30 Idosos Dependentes 83 Idosos Independentes

73%

Das cento e treze visitas realizadas, observa-se que oitenta e três idosos que correspondem a 73% são independentes e trinta idosos são dependentes. A estatística não estabelece o grau de dependência ou tipos de dependências.

Gráfico: 15
Tipo de moradia

23%
77 Casa própria 10 Casa alugada

9% 68%

26 Casa cedida

No levantamento dos dados estatísticos verificou-se que 68% que correspondem a setenta e sete idosos residem em casas próprias, 23% que correspondem a vinte e 80

seis idosos residem em casas cedidas e 9% que correspondem a dez idosos moram em casas alugadas.

Gráfico: 16

Tipos de Abusos

50 psicológicos

11% 14%

2% 41%

20 físicos 20 negligências 17 abandonos 14 financeiros

16% 16%

02 outros

Dos cento e treze casos em acompanhamentos, nota-se que cinqüenta idosos que correspondem a 41% são vítimas explícitas de abusos psicológicos, vinte idosos sofrem abusos físicos e vinte sofrem negligências, que consecutivamente corresponde a 16% cada, dezessete idosos sofrem abandono que correspondem a 14%, catorze idosos sofrem abusos financeiros que corresponde a 11% e ainda outros dois idosos, que não são especificados os tipos de abusos, correspondem a 2% .

Todos os dados apresentados foram extraídos da Estatística 2006 do SOS Idoso DAS-SEPROM/PMS – 2006.

81

CAPÍTULO IV

5. METODOLOGIA E ANÁLISE DOS ACHADOS DA PESQUISA A análise dos achados da pesquisa constou de leituras das entrevistas gravadas e transcritas, buscando apreender as respostas das perguntas propostas nos objetivos do nosso estudo, e para tal foram analisadas conforme referencial teórico construído no processo da pesquisa. Apresentamos a seguir, identificadas por nomes fictícios de personagens gregos onde características das atitudes ou fatos da vida se assemelham à dos idosos entrevistados e os respectivos agressores/cuidadores e cuidadores/agressores que fizeram parte deste estudo: Sujeito1: Sr. Apolo – Deus da música, da poesia e do amor: Idoso, 66 anos, viúvo, do sexo masculino, cadeirante com membros inferiores amputados há dois anos, vítima de má circulação sangüínea de causa desconhecida. Sujeito 2: Sr. Dionísio – Deus do vinho e do delírio místico, divindade benéfica: Idoso, 73 anos, sexo masculino, acamado vítima de acidente vascular cerebral (AVC) há 4 anos e de hérnia ignal escrotal. Sujeito 3: Sra. Hestia – Deusa do fogo e da lareira, do lar: Idosa, 67 anos, sexo feminino, cadeirante com fratura fêmur há 5 meses vítima de acidente doméstico. Sujeito 4: Sra. Eres – Deus da guerra, inimigo da serena luz solar e da calmaria atmosférica:Idosa cuidadora/agressora, 74 anos, companheira de união estável do Sr. Dionísio. Sujeito 5: Hefesto – Deus do fogo, nasceu coxo o qual foi lançado pela mãe do alto do monte Olimpo: Agressor, 42 anos, sexo masculino, solteiro, reside com a mãe (Hestia). Sujeito 6: Selene – Linda deusa com asas: Cuidadora/agressora, 23 anos, sexo feminino, filha do Sr. Apolo.

82

Sujeito 7: Hermes – fiel mensageiro de seu pai. Deus dos sonhos, jovem ágil e vigoroso: Agressor/cuidador, 37 anos, sexo masculino, filho de Eres e o padrasto Sr. Dionísio. A etapa inicial do trabalho de campo deu-se através de nossa aproximação com a Secretária de Secretaria de Promoção Social, onde solicitou-se da mesma autorização para realização da pesquisa no Projeto SOS Idoso. No segundo momento, iniciou-se a elaboração de um instrumento para a coleta e produção dos dados, que se constituiu em roteiro de entrevistas semi-estruturadas, cujas questões nortearam a produção de dados com vistas a alcançar os objetivos propostos pela pesquisa. Num terceiro momento fizemos o agendamento das entrevistas com os idosos selecionados a partir do critério de dependência funcional e seus respectivos familiares, que configuraram-se em cuidadores/agressores e agressores/

cuidadores, variando conforme o registro da denúncia, uma vez que observamos que os agressores em alguns casos são os próprios cuidadores e os cuidadores são os agressores e vice versa. Após a exposição dos objetivos da pesquisa, que em todo momento foi deixado bem claro que se tratava de uma pesquisa acadêmica sem vínculo com a prefeitura municipal de Serra, e confirmada a participação dos mesmos, que aconteceu através da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido com timbre da EMESCAM, demos início propriamente às entrevistas semi-estruturadas gravadas em fitas magnéticas, nos dias e horários pré-determinados e para tal fizemos visitas domiciliares em condução própria. O primeiro contato com os idosos e os familiares se deu de forma tranqüila e sem grandes dificuldades, como no caso do Sr. Apolo, visto que ele tem

acompanhamento contínuo no SOS Idoso, especialmente quando precisa de serviços médicos, que sempre solicita o auxílio. Mesmo tentando romper esta dependência após cadastrá-lo no Programa Mão na Roda da CETURB-GV, o idoso encontra dificuldades de agendamento principalmente por não ter telefone fixo e

83

morar sozinho em uma casa alugada e localizada numa ladeira de difícil locomoção, para ele, mas de fácil acesso de transporte rodoviário. Durante as duas horas de entrevistas, observamos que o idoso demonstrava a todo instante interesse em nos agradar e sentia-se constrangido por não oferecer certos confortos durante nossa permanência em sua casa. Observamos grandes carências, como afetiva, material e cuidados básicos de higiene e apoio familiar. Ele mostrou vários álbuns de fotografias, onde guarda as fotos de seus familiares, pessoas importantes na sociedade com as quais se relacionava antes da doença e obras realizadas de lindas pinturas e painéis artísticos espalhados pelo Brasil. Sr. Apolo, como designa o nome fictício, é um poeta e compositor, possui um caderno em que registra várias poesias, músicas e relatos de sua vida que pretende escrever um livro. A filha Selene, nome fictício havia acabado de chegar do trabalho. Ela trabalha das 23 h às 7 da manhã em um grande hipermercado de Vitória como repositora de mercadorias e deu uma “passadinha” para deixar algumas coisas, como carne e pão para o pai, e também conceder-nos a entrevista. Ela estava meio indisposta para diálogo, mas respondeu às perguntas de forma clara e objetiva. Não é filha biológica do idoso que foi morar com a sua mãe quando a mesma estava grávida de 2 meses. Se sente filha biológica e não demonstrou interesse em conhecer o pai, fala que é filha de “Tiquinho” de forma alegre e brincalhona. A segunda entrevista durou três horas e 30 minutos, realizada com Hefesto, o filho agressor, às 8 da manhã, único horário que poderíamos encontrá-lo sóbrio, fato dito pela mãe, a Sra. Hestia, por ocasião do agendamento, uma vez que ele costuma sair bem cedo pra beber ou então já dorme com a garrafinha de cachaça. O nome fictício foi atribuído à personalidade agressiva e tempestuosa dele. O nome dela está relacionado ao fogo e ao lar, percebe-se uma relação contraditória onde o amor e o ódio estão juntos lado a lado. A menção da garrafinha de cachaça confirmou-se, quando chegamos à residência, estava ao lado do sofá. Fomos recebidas com desconfiança por ele, que pediu as nossas identificações “funcionais”. Explicamos que não estávamos ali a trabalho e 84

mostramos as identidades estudantis. Em segundo momento expomos o motivo pelo qual estávamos ali e a nossa pretensão para que ele nos auxiliasse com alguns dados. Apresentamos o termo de consentimento livre e esclarecido para a adesão na pesquisa. Ele pegou a folha, leu e releu, hesitou, no entanto assinou. A partir do momento da aceitação, ele mesmo admitiu que bebe muito e usa drogas. Não havíamos começado a entrevista. Ainda, estávamos revisando a fita quando ele foi até a estante da sala e pegou uma caixinha de madeira e apresentou-nos “maconha”, perguntando-nos se conhecíamos e se não queríamos usar. A Mãe que estava deitada numa cama na sala ficou escandalizada e começaram a discutir. Uma das pesquisadoras respondeu-lhe que já conhecia a maconha de pesquisas realizadas quando adolescente na escola e que não fazia uso, mas sem emitir juízo de valor, deixando-o bem à vontade. Pensamos que este fato foi crucial para obtermos a confiança do agressor. Não fumou a droga na nossa frente, mas observamos que toda vez que dava uma descidinha dava uma “fumadinha” e uma “bicadinha” na garrafa de cachaça. Evitamos ainda perguntas diretas que falassem de violência, tentamos valorizar a subjetividade dele até ganhar a sua confiança e responder as perguntas. As respostas foram diretas e nos impressionou a franqueza, a clareza, a riqueza de detalhes das informações que mantemos gravadas que muito contribuíram para compreensão dos resultados de nossa pesquisa. Quando falamos sobre denúncias, ele ficava muito agitado e por várias vezes pediu para desligar o gravador. Durante a entrevista da Sra. Hestia quando ela demonstrou interesse em pedir ajuda ao conselho tutelar para orientar a filha a respeito da falta de cuidados com os netos e devido estarem sem estudar, Hefesto exigiu que lhe entregasse a fita, pois não concordou com a mãe e demonstrou preocupação com a sobrinha adolescente, que é diabética. Contornamos a situação e prosseguimos. A entrevista com a Sra. Hestia foi carregada de agressões verbais, a todo instante imaginávamos que eles se agrediriam fisicamente. Hefesto em vários momentos exigiu que a mãe jogasse claro e falasse a verdade. Quando perguntamos o que ele queria dizer ela desconversou e disse que não sabia. Pensamos que ele desejava que ela admitisse que também é alcoolista, fato que a idosa não admitiu em nenhum 85

momento. Nas perguntas mais delicadas esperamos que o filho saísse da sala para fazê-las devido às interferências e cuidados pessoais para não indispor-nos com ele.

Para demonstrar as dificuldades em realizar a entrevista transcrevemos a seguir fragmentos da fala do entrevistador e da respostas de Hefesto:
Entrevistador: você já teve algum problema com a polícia? Hefesto: oi? Polícia, sim. Preso? ...É, já, mamãe mandou me prender...porque eu dei...eu fiz assim na cabeça dela. Entrevistador: você deu uns tapas na sua mãe, Hefesto? Hefesto: eu fiz assim, oh. (demonstra com gestos que deu tapas na cabeça da mãe). Um tapinha só. Tô mentindo? Sra. Hestia: eu não mandei te prender não, foi o vizinho. Hefesto: Quem mandou foi você mesmo (ele afirmou).

As duas entrevistas foram tensas, angustiantes e apreensivas, pois não sabíamos qual seria a próxima ação/ reação do agressor. As últimas entrevistas aconteceram em dias alternados. Primeiro entrevistamos a idosa cuidadora/agressora, Sra. Eres. A denúncia de maus tratos partiu dela própria denunciando o filho Hermes de ofendê-la com palavras. Ao refletir sobre as relações familiares, podemos perceber que a idosa provoca atritos entre todos os familiares, tanto da parte dela quanto da parte do Sr. Dionísio. O histórico familiar é de

sofrimentos e complicações onde identificamos que ela apresenta problemas psíquicos. Em seguida fizemos entrevista como enteado agressor Hermes. Observamos de fato que entre a mãe e o filho não há diálogo, tolerância ou compreensão. Muita agressão verbal da parte da mãe para com ele e muita perseguição dos irmãos pelo fato dele usar álcool e maconha. Esses mesmos irmãos o iniciaram no vício e hoje não fazem mais uso da droga e organizaram a vida deles economicamente. O Hermes permanece no vício e de acordo com ele “é a única maneira de agüentar a vida que leva” e não encontra maneiras de romper com o isolamento social porque tem “dó” do Sr. Dionísio, que não conta com o apoio de mais ninguém para levá-lo ao médico, dar banho e trocar a sonda quando tem infecção urinária. A idosa reconhece que sem a ajuda do filho o tratamento de saúde e os cuidados que tem com o Sr. Dionísio ela não tem como realizar, pois não tem forças físicas ou emocionais. Ela chora constantemente. A entrevista com o Sr. Dionísio, idoso acamado, foi realizada em outro dia por motivos técnicos com o gravador. Ela transcorreu naturalmente e acompanhada da 86

esposa Sra. Eres. Ele se comunica bem, mas percebemos que na primeira visita quando realizamos a entrevista com a Sra. Eres e com Hermes, houve alteração no seu comportamento. Sentimos que ele estava um pouco desorientado e angustiado, o que posteriormente entendemos. A filha do Sr. Dionísio num sábado foi visitá-lo e a Sra. Eres não aceitou a presença dela, porque chegou de “mãos vazias” e houve discussão entre elas. No domingo seguinte, a irmã do idoso e uma amiga foram visitá-lo e também não levaram nada para ele e ainda criticaram a Sra. Eres, então ela correu atrás da cunhada pela avenida do bairro com um pedaço de pau. Essas situações constrangem o idoso, que não tem como reagir e segundo ele, que é muito pacato e sempre tudo está bom. Não concorda com os atos da esposa, mas agradece a Deus por tê-la a seu lado. A Sra. Eres não admite que os familiares dele quase não o visita e que ainda não dão nenhuma assistência financeira.

5.1. CARACTERIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA A pesquisa proposta teve como objetivos caracterizar a violência intrafamiliar existente nos atendimentos das denúncias de maus tratos praticados contra os idosos dependentes no município de Serra, a partir das experiências do SOS Idoso e selecionado a partir de critérios já expostos na metodologia. No caderno de atenção básica nº 8 do Ministério da Saúde (MS, 2001) encontramos que: “A violência intrafamiliar é um problema social de grande dimensão que afeta toda a sociedade, atingindo de forma continuada, especialmente mulheres, crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência”.

Diferentes formas de violência contra os idosos são apontadas por Minayo (2003) apud Pereira et. al. (2006), como a estrutural (ocorre pela desigualdade social e é naturalizada nas manifestações de pobreza, de miséria e de discriminação); a interpessoal (se refere às interações e relações cotidianas) e a institucional (diz respeito à aplicação ou à omissão na gestão das políticas sociais e pelas instituições de assistência).

87

Algumas categorias e tipologias foram estabelecidas no Ministério da Saúde e no Ministério da Justiça, e internacionalmente para designar as diferentes formas de violências mais praticadas contra os idosos e confirmadas no Plano de Ação para o Enfretamento da Violência Contra a Pessoa (SDH, 2005), já descritas no referencial teórico e algumas foram ratificadas no nosso estudo como o abuso físico ou violência física; abuso psicológico; abandono; negligência; abuso financeiro e econômico. Nos dados coletados podemos observar que as violências encontradas configuram-se como: verbal; negligência; abandono; psicológica; financeira; física e discriminação. A violência verbal, a negligência e abandono aparecem em todos os três casos entrevistados. A psicológica aparece em dois casos de forma explícita, no entanto nota-se que todos os idosos vítimas de maus tratos são acometidos de violência psicológica. A financeira pôde ser verificada em dois idosos entrevistados. A

discriminação aparece em dois idosos entrevistados, relacionados à cor de pele e pelo fato de um dos idosos ter os membros inferiores amputados, e a violência física foi identificada em um caso. Relatamos a seguir fragmentos das falas de alguns idosos dependentes vítimas de violência, em casos onde todas as violências citadas acima estão imbricadas, como a violência psicológica, verbal, negligência e abandono:
Eu não agüento mais essa situação...uma hora eu vou ali pra beirada da praia, eu vou enfiar naquele mar,...ele não tem paciência comigo, ele me chama de tudo quanto é nome...sabe me ameaça de me jogar das escadas, me chama de vagabunda, de prostituta, de tudo quanto é nome (Sra. Hestia).

Relatamos ainda fragmentos de falas de idosos dependentes vítimas de discriminação e violência financeira:
[...]discriminação que eu digo rotina, não verbalmente,...pelo um olhar, pelo modo da pessoa lidar com você... que a discriminação não é só quando a pessoa te repele, você é negro,... num simples olhar você nota a discriminação, a pessoa abaixa a cabeça, vira a cara, corta pro lado, isso acontece aqui toda hora quase... tem uma pessoa ai que eu não vou dizer quem é, que vez enquanto... ele passava ai com a cara...fechada, rancor, olhava pra mim, virava a cara pra lá e cuspia...(Sr. Apolo). [...]Agora isso que meu filho fez comigo de vender essa casa foi a maior sacanagem (ela chora). Ele foi vender a casa de porteira...casa com piscina, com sauna, sabe, vendeu a casa de porteira fechada e me deixa desse jeito aqui oh ( Sra. Hestia).

88

[...]eu passo sem dinheiro, já tem uns oito mês que eu to sem dinheiro, oito ou mais...porque eu recebo pouco e dei pra ela só receber...o dinheiro passa pra mão dela e não sei quanto ela recebe... quando eu trabalhava eu recebia e sabia...a única coisa que eles fazem de errado é de me não ajudar ( idoso falando dos filhos biológicos) ( Sr. Dionísio). [...]eu recebo um salário mínimo, ele também recebe, mais tem os descontos que coitado do Hermes...pegou empréstimo...que é três anos,eu não tenho certeza ele nunca falou nada (Sra. Eres).

Para melhor visualização dos tipos de violências encontradas na pesquisa, os dados seguem expostos no gráfico abaixo:

Gráfico 17

Tipos de violência Tipos de violências

Psicológica 3

12% 12%

6%

17%

Verbal 3 Negligência 3 Abandono 3 Financeira 2

17% 18% 18%

Discriminação 2 Física 1

O gráfico 17 representa a violência psicológica e a verbal com três casos (17%), consecutivamente; a negligência e o abandono, com três (18%); financeira e discriminação, com dois (12%) cada e a física com um caso (6%).

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5.2. PERFIL DO IDOSO, DO AGRESSOR/CUIDADOR E CUIDADOR/AGRESSOR

5.2.1. O perfil do idoso Segundo Minayo (2003), o perfil do idoso e do agressor no Brasil favorece os maus tratos e produz os fatores de riscos aos quais ficam expostos os idosos. As principais características são: o agressor e vítima vivem na mesma casa; o fato de os filhos serem dependentes financeiramente de seus pais de idade avançada; ou de os idosos dependerem da família de seus filhos para sua manutenção e sobrevivência; o abuso de álcool e drogas pelos filhos, outros adultos da casa ou pelo próprio idoso; haver, na família, ambiente e vínculos frouxos, pouco comunicativos e pouco afetivos; isolamento social dos familiares e da pessoa de idade avançada; o idoso ter sido ou ser uma pessoa agressiva nas relações com seus familiares; haver história de violência na família; os cuidadores terem sido vítimas de violência doméstica; padecerem de depressão ou qualquer tipo de sofrimento mental ou psiquiátrico. Esse perfil do idoso e do agressor e os fatores de riscos expostos puderam ser observados no resultado da pesquisa proposta, confirmando a literatura conhecida do assunto no Brasil. O idoso Sr. Apolo tem 66 anos, é viúvo, do sexo masculino, mora só em casa alugada, tem a 4ª série escolar, é católico e utiliza-se de cadeira de rodas para locomoção, uma vez que os membros inferiores foram amputados há dois anos, vítima de má circulação sangüínea de causa desconhecida. Ele é pai de 7 filhos oriundos de três relacionamentos, sendo que 5 destes até a realização da pesquisa eram omitidos pelo idoso, uma vez que ele declarou ao SOS Idoso apenas duas filhas do último relacionamento, e que a filha cuidadora/agressora não é biológica. A sua renda é de R$ 380, 00, proveniente de BPC, é tabagista de alto consumo diário, ex-alcoolista e agressivo. Portanto, observamos que o alcoolismo e a falta de vínculos familiares e relações conflituosas do passado, e atualmente conflitos com o esposo da filha e a deficiência física favorecem para o isolamento social.

90

O Sr. Dionísio é idoso, de 73 anos, do sexo masculino, tem união estável, é evangélico, ele reside em casa própria, com a companheira e o enteado há 34 anos, é acamado, vítima de acidente vascular cerebral (AVC) há 4 anos que deixou seqüela física que dificulta os movimentos e de hérnia ignal escrotal, ele tem 6 filhos de dois casamentos anteriores, os quais residem com as mães. A escolaridade é 1ª série, e trabalhou como tratorista por 36 anos até a aposentadoria, tendo um salário de R$ 380,00 oriundos da previdência social. Ex-alcoolista, ex-tabagista. Os fatores de riscos observados são: laços familiares frouxos; alcoolismo tanto da parte do idoso quanto do cuidador; droga ilícita do agressor/cuidador; a agressividade; transtornos psíquicos e a idade avançada da esposa cuidadora; idoso acamado devido à seqüela do AVC e da doença crônica, da hérnia ignal, que proporciona o isolamento social do idoso e dos familiares cuidadores/agressores ou

agressores/cuidadores. Dona Hestia é idosa, tem 67 anos, do sexo feminino, é viúva, é católica, mora com filho solteiro em casa alugada. Encontra-se cadeirante com fratura de fêmur há 5 meses, vítima de acidente doméstico, tem 5 filhos, sendo que 4 destes não mantêm contato. Estudou até a 7ª série, possui uma renda de R$1.555,00 de pensão do falecido marido. Alcoolista não assumida. Identificamos, ao analisar o perfil da Sra. Hestia, os seguintes fatores de riscos: os laços familiares conturbados que pontuamos como frouxos; a idosa e o filho agressor fazem uso de bebidas alcoólicas, o filho utiliza-se de drogas ilícitas como maconha, cocaína e crack, a dependência física e de necessidades de cuidados de Sra. Hestia, dependência financeira do agressor e a agressividade de ambas as partes.

91

O gráfico abaixo visualiza os resultados obtidos: Gráfico:18

Perfil do idoso: idade

73

66 66 anos 67 anos 73 anos 67

As idades dos idosos pesquisados variaram entre sessenta e seis e setenta e três anos. Gráfico: 19

Perfil idoso: sexo

1; 33%

Masculino Feminino

2; 67%

Os nossos entrevistados foram constituídos de dois idosos do sexo masculino, que representou (67%) e uma idosa do sexo feminino (33%).

92

Gráfico: 20

Perfil idoso: estado civil

33%

União estável 1 Viúvo 2

67%

O resultado da pesquisa apreendida mostrou que (67%), representam dois idosos são viúvos e (33%) que representa um idoso têm união estável. Gráfico: 21

Perfi idoso: escolaridade

1

1

1ª série ens. Fund. 4ª série ens. Fund 7ª série ens. Fund

1

O gráfico 21 apresenta a escolaridade dos idosos entrevistados e observou-se que os três possuem o ensino fundamental incompleto, sendo a 7ª, 4ª e 1ª série.

93

Gráfico: 22

Perfil idoso: religião

33% Católica Evangélica 67%

No caso da nossa pesquisa, os números obtidos foram que três idosos são católicos, que representa (67%) e um idoso é evangélico que representa (37%), no entanto esses dados não confirmam a estatística do SOS Idoso em 2006, quando os idosos evangélicos representavam (50%), e os católicos (33%) e outras denominações (17%), (ver gráfico 5). Gráfico: 23

Perfil idoso: renda

1 salário mínimo

33%
acima de 4 salários mín.

67%

94

Quanto à renda dos idosos participantes da pesquisa, observou-se que (67%), e que representa dois idosos, têm renda de um (1) salário mínimo e apenas uma idosa possui renda superior a quatro (4) salários mínimos, (33%). Gráfico: 24

Perfil idoso: origem renda

1

1

BPC Aposentadoria Pensão

1

A origem da renda citada no gráfico acima (24) provém de uma aposentadoria; um benefício de prestação continuada e de uma pensão. Gráfico: 25

Perfil idodo: Nº de filhos
5 Filhos

6 Filhos

7 Filhos

Observou-se que os idosos apresentam muitos filhos. Possuem de cinco a sete filhos cada.

95

Gráfico: 26

Perfil idoso: dependência funcional

33%

Cadeirantes 2 Acamado 67%

Os três idosos entrevistados possuíam uma limitação e dependência funcional, que se justifica no objetivo da pesquisa. Dois idosos são cadeirantes, que representam (67%) e um idoso é acamado, significando (33%) dos entrevistados. Gráfico: 27

Perfil idoso: dependência química

1; 17% 2; 33%

Tabagista Ex-tabagista Alcoolista Ex-alcoolista 2; 33%

1; 17%

Os idosos entrevistados têm ou tiveram algum tipo de dependência química. Observou-se que: (33%), que representam dois idosos, são ex-alcoolistas e extabagistas, respectivamente. Dois idosos, representando (17%) cada, são alcoolistas e tabagistas, também respectivamente. 96

Gráfico: 28

Perfil: tipo de moradia

1; 33%

Própria Alugada

2; 67%

Dos três idosos pesquisados, apenas um tem casa própria (33%) os outros dois moram de aluguel (67%).

5.2.2.O perfil do agressor Queiroz e Machado (2002, p. 795), no estudo “Negligência e Maus-Tratos”, discorre sobre o perfil do agressor que configura-se em: filho dependente da vítima; problemas mentais; alcoolismo e dependência de drogas. Essas representações das autoras são ratificadas quando observados os perfis dos agressores pesquisados, e descritos a seguir: A cuidadora/agressora Sra. Eres é idosa de 74 anos e mantém união estável com o Sr. Dionísio há 34 anos, reside em casa própria com o companheiro e com o filho caçula, que é solteiro. Ela é mãe de 7 filhos do primeiro marido já falecido, estudou até 2ª série, é evangélica e tem renda de R$ 380,00 proveniente de pensão. Tem forte temperamento explosivo e descontrolado, chega a ser agressiva com o idoso e com outros familiares, faz uso de medicamentos controlados, menciona alguns remédios que não sabe o nome. Apresentamos fragmentos de seu relato que confirmam os fatores de riscos expostos: 97

...eu tenho depressão, eu tenho pressão alta, tomo muito remédio...eu tenho dores nas pernas, franquezas nas pernas, nos braços, eu tomo remédio controlado...que eu não posso comprar que é proibido, meu filho mais velho que compra é remédio forte ,e quando não vende remédio eu grito, brigo, falo...eu não tenho mais perna pra andar, eu dependo... eu sou dependente do calmante. O meu remédio é muito forte... Tunitrazepan 1mg... Enalapril pra pressão (Eres).

Hefesto é filho agressor de 42 anos, do sexo masculino, é solteiro, sem religião e reside com a mãe, a Sra. Hestia, em casa alugada. Ele tem um filho com o qual não convive, sua escolaridade é a 4ª série do ensino fundamental, desempregado, no entanto ele declara que possui renda própria que aproxima-se de R$ 250,00 mensal proveniente de coleta de sucatas. Extremamente agressivo e usuário de drogas ilícitas, como maconha, que usa atualmente devido ao preço de baixo custo, mas que se possível utiliza cocaína, heroína e crack. Também faz uso de drogas lícitas como o fumo e álcool. Selene é filha cuidadora/agressora, tem 23 anos, do sexo feminino, é casada, não informou a religião, reside de aluguel com um filho e o marido, tem escolaridade de ensino fundamental completo e trabalha como comerciaria, recebendo um salário de R$ 440,00 mensal. Não é filha biológica do Sr. Apolo. Hermes é filho agressor/cuidador, tem 37 anos, do sexo masculino, é evangélico, é solteiro e não tem filhos. Ele reside com a mãe, Sra. Eres e o padrasto, Sr. Dionísio. Concluiu o ensino médio completo, é usuário de álcool e maconha, exerce a profissão de carregador de cargas em transportadora, com uma renda de R$ 380,00 mensal, mas depende financeiramente da mãe porque não tem casa própria. Gráfico: 29

Perfil agressor/cuidador: idade

23 37 74 74 anos 42 anos 37 anos 23 anos 42

98

Ao analisar o perfil do agressor /cuidador, verificamos que as idades variam de 23 anos a 74 anos, não sendo possível tirar média etária. Gráfico: 30

Perfil agressor/cuidador: sexo

Masculino 2 2; 50% 2; 50% Feminino 2

Quanto ao sexo dos agressores/ cuidadores, ficaram em (50%) para cada. Gráfico: 31

Perfil agressor/cuidador: estado civil

1; 25%

1; 25% Casado Solteiro União estável 2; 50%

O estado civil dos agressores/cuidadores ratificam os estudos, uma vez que (50%) dos pesquisados são filhos homens e solteiros, os outros dois são mulheres, no entanto uma é casada (25%) e outra em união estável (25%).

99

Gráfico: 32

Perfil agressor/cuidador: Nº filhos

1; 25%

1; 25% Sete filhos Um filho Nenhum filho 2; 50%

Um agressor/cuidador possui sete filhos (25%); dois têm um filho (50%) e o terceiro não tem nenhum filho (25%). Gráfico: 33

Perfil agressor/cuidador: tipo de moradia

25% Própria Mora c/ a mãe 50% 25% Alugada

Observou-se que (50%) dos agressores/cuidadores moram em casa alugada; (25%), que representa um pesquisado, mora em casa própria e o último mora com a mãe.

100

Gráfico: 34

Perfil agressor/cuidador: renda

25% 1 Salário mínimo 1 Salário e meio 50% 25% Menos de 1 salário

A renda mais representativa dos agressores/cuidadores é que dois recebem salário mínimo (50%); um recebe um (1) salário e meio (25%) e outro recebe menos de um (1) salário mínimo (25%). Gráfico: 35

Perfil agressor/cuidador: origem renda

25%

25% Pensão Assalariado Outros 50%

101

De acordo com o gráfico 35, dois agressores são assalariados (50%), um recebe pensão (25%) e outro tem seus rendimentos provenientes do trabalho com sucatas (25%). Gráfico: 36

Perfil agressor/cuidador: escolaridade

25% Ens. Fund. Completo Ens. Médio Completo 50% 25% Ens. Fund. Incompleto

Dois agressores/cuidadores possuem ensino fundamental incompleto (50%); um tem ensino médio completo (25%) e quatro entrevistados possuem ensino fundamental completo (25%). Gráfico: 37

Perfil do agressor/cuidador: dependência química

17% 33%

Álcool 2 Maconha 2 Remédio controlado 1

17%

Nenhuma 1

33%

102

A nossa pesquisa confirmou que quando o agressor/cuidador apresenta algum tipo de dependência química, favorece o maltrato. O gráfico 37 acima responde nossas inquietações quando observa-se que: (33%) dos agressores/cuidadores, que correspondem a dois, são usuários de drogas, explicitamente a maconha, (33%) que também representa dois pesquisados fazem uso contínuo de bebidas alcoólicas, um agressor (7%) utiliza-se de remédios controlados e (17%), representa um pesquisado, não tem nenhuma dependência.

5.3. VÍNCULO FAMILIAR ENTRE O AGRESSOR E O IDOSO

De acordo com Assis (2004, p.16), a relação afetiva no âmbito familiar é um dos principais fatores de equilíbrio e bem-estar dos que envelhecem.
Aceitação e respeito, raiva ou rancor são frutos de laços constituídos ao longo do tempo que repercutem no apoio ao idoso. Há que se considerar os efeitos da perda da autoridade na subjetividade da pessoa idosa, que, por doença, pobreza, e/ou fragilidade emocional tende a ser progressivamente perder espaços para os mais jovens, filhos e netos, na decisão de aspectos centrais de sua vida. Tal fato pode ocasionar comportamentos agressivos, de auto-afirmação e intolerância, por outro lado, de excessiva dependência (MOTA, 1990 apud ASSIS, 2004, p.16).

Durante o processo de coleta de dados pudemos verificar que a tenuidade dos vínculos familiares envolvendo os idosos dependentes vítimas de maus tratos é perceptível nos relatos e nos gestos dos atores envolvidos. Eles são identificados no desenvolver das entrevistas quando relatam as experiências próprias. Geralmente as relações familiares são permeadas de conflitos não resolvidos oriundos de interesses diferentes, que por anos se arrastam e quando a velhice chega desponta necessidades específicas. A família contemporânea se vê num momento em que as necessidades se mostram abruptas e com certo nível de rigor, deixando o idoso passível de atitudes e mesmo de ações frustradas de cuidadores, que se tornam também agressores. Para Pacheco (2004), os conflitos familiares sempre existiram e são inerentes à existência humana.

103

Toda família vivencia conflitos internos que variam em intensidade, mas, que resolvidos ajudam o crescimento individual e coletivo. Os conflitos, quando trabalhados pelos membros familiares, podem ser uma alavanca para o estabelecimento de melhores condições de vida conjunta (PACHECO, 2004, p.350).

Nas relações familiares do Sr. Apolo não observamos vínculos familiares constituídos. O seu histórico familiar é marcado por tragédias, onde ainda bebê a sua mãe cometeu suicídio colocando álcool no seu próprio corpo e levando junto com ela a outra filha também criança. Este fato marcou muito a vida do idoso, pois expressa que atualmente sofre muito em virtude do suicídio da mãe. Acredita que também não morreu na ocasião do suicídio porque ficou com a missão de pagar pelo ato cometido pela genitora. Ele foi criado pelo pai e pela madrasta até 14 anos, de idade quando saiu de casa, pois sofria maus tratos físicos e também era forçado a exercer funções domésticas. Quando tinha entre 13 e 14 anos teve várias passagens em internato de menores, pois fugia de casa constantemente. Quando internado, participou de oficinas onde se profissionalizou como pintor e artesão, atividades que exerceu até adoecer. Foi “andarilho”, viveu em várias cidades do país, e constituiu três famílias, mas não conservou vínculo com nenhuma delas. Decidiu conduzir a sua vida de maneira “errante”, sempre em busca de liberdade e aproximou-se das filhas quando estas já estavam adolescentes. Quando adoeceu precisou que a filha Selene cuidasse dele uma vez que a outra filha optou por viver a sua própria vida e constituir família em outra cidade. Os fragmentos dos relatos abaixo confirmam os dados apresentados:
Era garoto... tinha 13,14 anos...É eu ia e voltava, eu sai definitivo, me deixa ver, com 30 anos, sai... comecei a rodar tudo isso...trabalhava um pouquinho no posto, morava dois três meses naquela cidade ta, ai viajava pra outra, morava mais um tempinho em outra...morei em Porto Novo com uma mulher lá por pouco tempo, ah eu vou te contar uma coisa, eu...era muito biscateiro, saia fora, não ficava muito tempo não, meu negócio era andar (Sr. Apolo).

a minha mãe morreu era pequenininho, ela se matou, por isso que eu ando sofrendo por esse mundo a fora...ela se matou, ciúme de meu pai... Então ela...entrou pro banheiro botou álcool, tacou álcool no corpo, despejou e tacou fogo e correu pra me pegar me levar, meu pai não deixou...assim meus parentes contaram ...ele agarrou com um cobertor assim encharcado de água e abraçou ela e me afastou pra não me levar, sendo que minha irmã foi, minha irmã não teve jeito, morreu (Sr. Apolo).

104

A agressora/cuidadora Selene foi educada pela avó materna desde os 7 anos de idade até os 15, após o falecimento da mãe, vítima de atropelamento, que na época encontrava-se embriagada. Ilustramos abaixo os fragmentos da fala da filha:
Olha eu fui criada com minha vó...desde os sete anos...ai dos sete aos quinze anos fui criada com ela...ai eu tive alguns problemas lá com ela, ai fui morar com meu pai...(Selene).

Oh, na verdade a família de meu pai mesmo é só eu e minha irmã né, porque as minhas tias irmãs da minha mãe...na verdade ninguém gosta, assim muito de papai, por causa de problema dele de antes...acho que quando mãe...era viva...meu pai era um pouco nervoso com ela... (Selene).

Ao analisar os dados do idoso Sr. Dionísio, percebemos também um rompimento nos vínculos familiares, uma vez que ele não foi criado pelos pais biológicos e reproduziu o mesmo quando não criou e educou os seus filhos. Ele foi criado pela avó paterna e após as separações da primeira e da segunda esposa não manteve contato com os filhos. O contato com os filhos do segundo casamento foi refeito após o adoecimento do idoso, quando necessitou de assistência e ela não ocorreu. Os filhos deste idoso justificam não ter condições econômicas e não demonstram interesse em estreitar o relacionamento com o pai, onde são notáveis os ressentimentos por terem sido abandonos quando crianças. O idoso mantém um vínculo mais estreito e menos conflituoso, no entanto piedoso, com o enteado com quem mantém contato há 34 anos, e aproximadamente 10 anos residem na mesma moradia.
Eu cuido dele desde que ficou sem andar e agravou os problemas de saúde. Isso mais ou menos dois anos (Hermes).

...eu, eu não fui criado por parte deles, fui criado pela minha avó... deram eu pra minha avó...a minha avó me tratava do jeito que ela podia...tinha os outros, mais cinco...era bom, eu ia pro um lado eles ia pra outro (Sr.Dionísio).

Nos fragmentos da fala do idoso observamos como ocorreu a participação dele na educação dos filhos e o rompimento dos vínculos quando deixou a família:
...o mais velho tava com dezesseis anos pra dezessete... eu só ensinei eles a não fazer coisa errada...sempre eu dei, dava uma coça neles...dava uma

105

coça neles pra eles aprender a tratar os outros...pra poder aprender a trabalhar...precisava porque só queria ficar brincando...inclusive quando eles brincavam, não dava pra eles estudar...tinha que corrigir, a obrigação era minha (Sr. Dionísio).

A cuidadora/agressora Sra. Eres teve dificuldades em constituir vínculos familiares e mantê-los. Apresenta relacionamento conflituoso com os 7 enteados, filhos do falecido marido, e com os 7 filhos biológicos que mantém afastados e distantes de si. Toda aproximação é penosa e permeada de brigas e rancores oriundos da sua ausência de mãe, pois os filhos ainda crianças foram educados e criados pelos outros irmãos mais velhos, enteados da Sra. Eres. O único filho que mantém um relacionamento mais próximo a ela é o filho Hermes, que a todo instante declara que ainda residem juntos por causa dos cuidados especiais que o Sr. Dionísio requer. Abaixo transcrevemos fragmentos do relato da idosa cuidadora/agressora, que expressa os resultados obtidos:
Muito difícil. Papai bebia muito e batia muito nos filhos. Sofri muito com ele e depois com o meu falecido marido...Levantar muito cedo pra trabalhar na roça e não pude estudar, mulher não podia estudar (Sra. Eres). eu sou mãe de criação... mãe, eu que criei ela.Tô de mal com ela por que...ela me deu uma casa [...], to com uma causa na justiça muito grande...Ela quer se aparecer com... minha família...então ela é a chefe a poderosa, ela quer ser a poderosa ( Sra. Eres). Não fui uma boa mãe...Poderia ter sido melhor ( a idosa fica calada como se fosse chorar) (Sra. Eres).

Não tenho bom relacionamento. Só o [...] que liga pra mim. Tem filho que não vejo há muitos anos, são afastados de mim...Ninguém liga, cada um vive na sua vida (Sra. Eres).

O agressor/cuidador Hermes foi criado pela irmã mais velha desde os 2 anos de idade até a adolescência, quando voltou a morar com Sra. Eres e Sr. Dionísio. Seu relacionamento com os irmãos é difícil, quase inexistente, devido ao uso de maconha e de álcool e de atritos violentos com Sra. Eres devido à personalidade explosiva e agressiva dela.
Eu não vivi com eles. Depois que meu pai morreu, minha mãe largou os filhos e saiu pelo mundo. Quando ela foi viver com o Sr. Dionísio eu tinha uns dois anos e já morava com a minha irmã [...]. Morei muito tempo com ela (Hermes). ...tive boas escolas, estudei no Nacional, Darwin, não estudei mais porque não quis, não aproveitei, mais. Os meus irmãos não aceitam dizem que dou trabalho pra mamãe e querem que eu saia de casa (Hermes).

106

... eles não vem aqui, mamãe ela é que vai sempre na casa deles. Mas sempre brigam (Hermes).

O filho Hermes, da idosa cuidadora/agressora, relata seu relacionamento com o idoso e faz consideração sobre os motivos pelos quais os filhos do Sr. Dionísio não se aproximarem do pai, deixando-o abandonado. Informa também que a mãe a Sra. Eres cobra assistência financeira de forma agressiva. A citação abaixo relata as informações anteriores:
Com ele é bom. Agente se entende. Faço o que posso pra ajudar...Eles quase nem vem aqui, é por causa da mamãe. Ela toca eles daqui e também fala desaforos. O problema dela é dinheiro. Só pensa em dinheiro, quer que eles dêem dinheiro pra ela. Mas eles são pobres e também não tem condições (Hermes).

A terceira entrevistada, a idosa Sra. Hestia, apresenta vínculos familiares frouxos. Manteve vínculos afetivos com a família até o período em que residiu no interior com os 5 filhos e o esposo. Observamos que na transição da zona rural para a urbana a família foi permeada por sobressaltos que transformara negativamente esses vínculos. Após o falecimento do pai6, as brigas e atritos se agravaram intensamente, posteriormente questões inerentes a interesses financeiros se multiplicaram e contribuíram para destruir a relação familiar até então fragilizada. A relação conflituosa do passado se acumulou e os resquícios afetam os familiares na atualidade. Através das falas da Sra. Hestia observou-se o quanto foram frágeis os vínculos familiares dessa família:
... quando eles eram pequenos eu não morava aqui não, eu morava em fazenda...no interior de Minas... então eles trabalhavam plantando batata doce, iam pra escola sabe, eu tinha aquela vida assim...Mais pacata. Depois que vieram pra cidade que viraram isso. Esse então ficou terrível (Sra. Hestia).

Hoje, se eu fosse nova... não queria ter mais nenhum filho. Sinceramente não... Todos me deram problema. Todos me deram problema (Sra. Hestia).

Poder da autoridade paterna: “quando o homem é o chefe da família, é também, de fato, seu amo e senhor, mandando e desmandando na mulher e nos filhos” (SAFFIOTI, P.44).

6

107

...todo mundo afastado...ninguém liga...ah, eu vou te falar uma coisa, eu como mãe, vou falar com toda sinceridade, eu morro de dó deles, porque eles são muito pobres de espírito. Eles todos tem filhos eles não sabem o dia de amanhã (Sra. Hestia).

Nota-se um vínculo afetivo aparente entre o filho agressor/cuidador Hefesto. Afetivo aparente uma vez que há brigas violentas, insultos, agressões físicas, dentre outras, onde as substâncias psicoativas influem no comportamento do filho e da mãe, porém o laço consangüíneo mantém uma força desconhecida, ligando-os mesmo em momentos de discórdias.
não estou rogando... você está me entendendo?...não estou rogando praga, não estou...não quero que aconteça nada de ruim com eles, sabe? Não quero que aconteça nada de ruim. Mas o que eles estão fazendo comigo...é um pecado, é uma injustiça (Sra. Hestia). ...o Filho 2 me trata muito bem. A Filha2 me trata muito bem. Quem me trata com cascudo é o [...], que uma vez a...dona da casa ligou pra ele, pra que eu tava atrasada com o aluguel, “pega os lixos dela e joga no meio da rua, eu não tenho nada com ela, ela não é a minha mãe”. Assim que ele respondeu pra ela, sabe. E o Agressor é isso aí que você está vendo (Sra. Hestia).

A idosa tenta justificar o comportamento do filho incapacitando-o mentalmente, relacionando a violência praticada com a possível psicopatia herdada do pai e situa o filho como vítima, negando as violências praticadas por ele. Todos os filhos de Sra. Hestia mantêm-se distantes entre si e com a mãe, e as relações são fragilizadas pelo comportamento individualista de cada um. Em relação ao filho agressor, nota-se a identificação com a mãe quando ao ser perguntado sobre sua percepção de família e responde “que só a mãe é sua família”. No entanto, ocorre a negação de família quando não deseja ter um relacionamento mais próximo com o filho, oriundo de namoro de 6 meses que teve com uma pessoa em São Paulo quando jovem. Os fatos são expressos nos fragmentos de sua fala:
...tenho um menino de que vai fazer 20 anos, certo, mora em São Paulo, que deixa pra lá que eu não quero saber dele mais (Hefesto). Não é... eu passei nove anos em São Paulo, né, tive aí alguns problemas, e essa parte aí eu não quero contar, certo, é eu... desliga um pouquinho aí (Hefesto).

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é espera aí, tem que...ta tomando conta, né, o homem de casa...em partes sou eu certo... É quando criança...foi bom e já teve algumas pilantragem, né ...(Hefesto).

5.4. FATORES DE RISCOS DE VIOLÊNCIA Quando propusemos observar os fatores de risco nas relações familiares que envolvem os idosos dependentes e os cuidadores/agressores objetivamos identificar a linha tênue que a literatura aponta entre o limiar do cuidar e o maltratar e para tal passamos a expor os resultados obtidos a seguir: A teoria dos autores é confirmada quando analisamos os casos das famílias dos idosos Sr. Apolo, do Sr. Dionísio e da Sra. Hestia. No caso da família do Sr. Apolo, observamos que o alcoolismo e a falta de vínculos familiares geraram agressões físicas da parte dele para a última esposa, que por sua vez também era alcoolista. Essas relações conflituosas hoje são reconhecidas pelo idoso, mas não aceitas por ele como normal. No seu entendimento não deseja que a filha Selene passe pelo constrangimento que sua esposa foi acometida enquanto sua companheira devido ao seu alcoolismo. A filha agressora/cuidadora tem relação conjugal conturbada em virtude das “cervejinhas de fim de semana” do marido.
...uma coisa que eu gostei foi ficar distante dessa discussão que ele bebia muito...desenfreadamente ta, era de segunda...de domingo a domingo, todo dia, então tinha aquela briga todo dia em casa ...eu pensava que nunca ia parar de beber na vida...e hoje em dia eu tenho nojo de bebida (Sr. Apolo).

Selene confirma que a bebida influenciou negativamente o relacionamento do pai com os familiares e que também está contribuindo para “arranhar” o seu casamento, fato que pode ser confirmado em sua fala quando diz:
É... relacionado a isso mesmo...porque o meu pai...quando bebia era um pouco violento...eles brigavam demais, meu pai já chegou várias vezes agredir minha mãe...Minha mãe bebia...era alcoólatra mesmo...tava embriagada e ela foi atropelada (Selene).

Queiroz e Machado (2002, p.794), apontam o fator de risco como a dependência em que “a incapacidade funcional e o alto grau de dependência para os cuidados aumenta o risco e a vulnerabilidade para os maus tratos e a negligência”. Este conceito é confirmado e identificado na dependência funcional do idoso, ocasionada 109

pela amputação dos membros inferiores e dos outros idosos dependentes sujeitos da nossa pesquisa.
...não tem como não, mais difícil ...não posso mais subir numa escada, não posso subir num andaime...uma paisagem tamanho dessa...eu não posso fazer mais (Sr. Apolo).

Ao analisar os fatores de riscos na família do Sr. Dionísio, encontramos o alcoolismo tanto da parte do idoso quanto do cuidador como base dos atritos, além da droga ilícita do agressor/cuidador, a agressividade, transtorno psíquico e a idade avançada da esposa cuidadora, a seqüela deixada pelo AVC e a doença crônica da hérnia ignal que o incapacita para a realização das atividades diárias e a falta de busca de assistência médica enquanto jovem. Esses fatores de riscos são observados conforme os fragmentos dos relatos a seguir:
...era muito vira lata...eu bebia todas...foi o que mais acabou comigo (Sr. Dionísio). ...o que prejudicou eu ta aqui,...botar aqui na cama e deixar eu paralítico,... foi o derrame, foi o derrame...deixei de andar deixei de tudo (Sr. Dionísio).

Outro fator de risco citado pelas estudiosas e verificado na pesquisa é o isolamento social do cuidador /agressor, explicitado em sua fala quando diz que:
Eu não tenho vida própria. Vocês tão vendo, eu venho em casa todo dia nessa hora (11 horas) pra fazer a minha comida e dar banho nele. Minha mãe não agüenta...ele é muito pesado e a hérnia é muito grande. Precisa de cuidados especiais, não é qualquer pessoa que sabe manusear as coisas dele (Hermes). Eu morava em [...] e eles mandavam eu pegar encima da cômoda. E nisso eu também fumava. Pra agüentar essa vida que eu levo só fumando maconha...Só maconha e álcool (Hermes). Não acho que ...prejudico ninguém, não, só bebo pra desestressar, é muito complicado aqui em casa (Hermes).

No último caso observamos que os laços familiares construídos entre a idosa Sra. Hestia e os filhos foram conturbados. A idosa e o filho agressor fazem uso de bebidas alcoólicas, o filho utiliza-se de drogas ilícitas como maconha, cocaína e crack. A dependência física e de necessidades de cuidados de Sra. Hestia, dependência financeira do agressor e a agressividades de ambas as partes

110

constituem assim fatores de riscos que podem ser observados nas falas dos atores entrevistados:
Ele não é normal, Fulana. Você notou, né?...o pai dele foi aposentado no107...é ele era psicopata...eu não sei, eu não fiz os exames, mas eu tenho a impressão que ele tem um problema qualquer (Sra. Hestia). E muita cachaça também. Mas a roda de amigos dele é essa, os amigos dele são todos alcoolistas, porque ele bebe...(Sra. Hestia). Esse daí toda vida foi rebelde desse jeito, que o pai dele bebia muito também, ele aprendeu a beber com o pai...o pai dele morreu de tanto que ele bebia (Sra. Hestia). De vez em quando eu tomava uma cerveja...até uns seis meses atrás...uma cerveja, uma vez por semana, duas (Sra. Hestia). ...essa falha de dente aqui sabe? Sabe por que ele tem falha? os dentes dele foram arrancados de alicate por causa de droga. Porque ele comprou fiado e não pagou e amarraram ele e arrancaram com alicate (Sra. Hestia). ...eu vou te falar uma coisa que...bem uns 32 anos...A professora me chamou e falou, que ele estava usando maconha dentro da escola (Sra. Hestia).

Nos três casos de famílias analisados pudemos encontrar o alcoolismo como fator preponderante para o maltratar; a agressividade como parte da formação histórica da família e reproduzida em diferentes gerações; duas famílias com vínculos

familiares frouxos e uma família onde o vínculo familiar é inexistente; a dependência funcional relacionada à incapacidade física e cuidados específicos em três casos. Em dois casos encontramos a similaridade do uso de drogas ilícitas, como a maconha. Em dois casos a dependência financeira dos filhos agressores, dois agressores com problemas psíquicos, e uma idosa cuidando do companheiro idoso acamado. Nas famílias entrevistadas observou-se que tanto os idosos quantos os cuidadores/agressores se encontram isolados socialmente e com alto nível de estresse. Os fatores de riscos encontrados são visualizados no gráfico a seguir.

111

Gráfico: 38

Fatores de riscos
Problemas psíquicos cuid/agressor Depend. Financeira cuid/agressor Estresse Idade do cuidador

QUANT

Agressividade Falta de vínculos Vinculos frouxos Dependência funcional Isolamento social idoso

0

1

2

3

4

5

Em todos os casos entrevistados buscamos identificar a concepção de violência tanto do idoso maltratado quanto dos cuidadores/agressores. Dois idosos vítimas de maus tratos não conseguem conceber a violência cometida contra eles, apenas em um caso em que a idosa, além de conceber verbaliza em vários momentos da entrevista e demonstra os seus sentimentos de indignação por se encontrar numa situação de dependência e sujeita a outros, sendo esse outro um filho que deveria proporcionar a sua segurança e bem-estar, porém faz o contrário, a subjuga aos maus tratos físicos, psicológicos e vários outros. Relato de idosa que concebe a violência praticada contra si:
Até uma palavra mal falada é violência, do jeito que ele fala comigo. Ele quando peço... de noite eu grito...me da um copo d´ água...” ah você enche o saco, porque você não morre de uma vez”...Pôxa vida. Tem noite que dorme a água aqui oh, bebo água quente, água velha (Sra.Hestia).

Relato de idoso que não concebe a violência praticada contra si:
pra mim violência é quando você trata os outros mau, bate, mata, é isso que eu acho que é violência... não nossa, nossa senhora nunca (Sr. Dionísio).

Três cuidadores/agressores têm uma concepção de violência externa da relação familiar destes. Quando questionados sobre violência, em nenhum momento admitiram a violência no interior da família praticado contra os idosos. A concebem 112

de uma forma externa e perceptível à sociedade, muito distante do seu convívio e do cotidiano. Visualizam uma violência estrutural, apenas um cuidador/agressor, além da concepção estrutural da violência, identifica e sinaliza a violência cometida contra o idoso dependente. A concepção de violência dos cuidadores/agressores pode ser observada nos fragmentos de suas falas a seguir:
Sociedade, né, fazer intriga das pessoas né, um ta querendo puxar o outro...O nosso governo seria mais honesto, no caso você viu ai a reportagem...um menino de dois anos, tomou dois tiros na cabeça...que mundo é esse nosso (Hefesto). Eu acho uma safadeza, falar logo assim, porque pôxa tem, meu pai é um cara que ...pode se defender com a palavra, falar gritar alguma coisa, tem idoso aí né coitado que não pode falar, que não pode levantar da cama, é um absurdo, nossa senhora, os velhinhos ficam lá na porta, esperando atendimento nesses hospitais, aí, é um absurdo, nessas macas, ah, que absurdo (Selene). É tanta coisa. Esse mundo é violento. O que estão fazendo com o velho é violência. Me denunciaram que estava maltratando mamãe...mas quem mais prejudica o Sr. Dionísio é a minha mãe... ela fica azucrinando,...na verdade ela briga eu só me defendo. Ela joga o que tiver na mão, até com faca ela já me atacou (Hermes).

Os casos de denúncias no SOS Idoso envolvendo os idosos e familiares pesquisados tiveram o registro de denúncias anônimas no ano de 2004. No entanto, em 2006 suscitaram maior intervenção, pois os maus tratos se agravaram, principalmente no tocante às relações de agressões envolvendo a Sra. Hestia e o filho Hefesto.

113

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

No desenvolvimento deste estudo observou-se o quão vulneráveis são os idosos no nosso país, especificamente no município de Serra não poderia ser diferente. No entanto, os idosos dependentes provenientes da perda da capacidade funcional ficam mais expostos e sujeitos a maus tratos que perpassam as relações familiares ou mesmo os maus tratos institucionais.

Quanto aos objetivos propostos, que foram: analisar a ocorrência de violência contra o idoso dependente, pela perda da capacidade funcional, nas relações familiares tendo como foco as denúncias no SOS 3ª Idade - SOS Idoso do Município de SerraES, confirmou-se a expectativa de desvelamento dessa violência intrafamiliar cometida contra os idosos. Na dinâmica de atendimentos do SOS Idoso notam-se as dificuldades encontradas pelos cuidadores em dar o suporte social e cuidados básicos ao idoso dependente de perdas funcionais, ocasionadas por diversos motivos, como doenças crônicas degenerativas, seqüelas de AVC, acidentes domésticos, entre outros. Observamos ainda, que o familiar ao manter o idoso próximo de si, utiliza-se dos proventos para agregar a renda familiar. Em outras famílias notam-se que a única fonte de renda da família, provém das aposentadorias e benefícios dos idosos, sendo o idoso provedor do lar. Mas, o papel de chefe de família não é reconhecido uma vez que o idoso tornou-se um peso para a família. A idade avançada, a longevidade, é considerada por algumas gerações como desprestígio social e familiar. As dificuldades encontradas para caracterizar a violência e a tipologia, que compõem o nosso segundo objetivo, foram muitas, uma vez que os idosos, mesmo sendo vítimas e com o acompanhamento do SOS idoso, não percebem como os maus tratos transformam a vida pessoal e social deles. A violência, mesmo denunciada, continua velada, acontece na “casa do meu vizinho, na minha não”. Esta frase não foi verbalizada em nenhum momento pelos idosos participantes da pesquisa, ela se fez notar nas expressões e sentimentos de cada um. 114

Observou-se que as violências encontradas configuram-se como: negligência e abandono, (18%), respectivamente, a violência verbal, (17%), sendo que esses abusos aparecem em todos os três casos entrevistados. A psicológica aparece em dois casos de forma explícita, no entanto nota-se que todos os idosos vítimas de maus tratos são agredidos psicologicamente e, portanto, consideramos no resultado final os 3 casos que correspondem a (17%). A financeira pôde ser verificada em dois idosos entrevistados, (12%), a discriminação aparece em dois idosos entrevistados relacionados à cor de pele e pelo fato de um dos idosos ter os membros inferiores amputados, significando (12%) e a física foi identificada em um caso representando (6%).

Outro objetivo proposto foi identificar o perfil do idoso e o perfil do agressor. Quanto ao perfil do idoso, identificamos que os idosos vítimas de maus tratos com dependência funcional tinham características comuns como: baixa escolaridade onde os três idosos possuem ensino fundamental incompleto (1ª série, 4ª série e 7ª série) e todos os três idosos têm mais de cinco filhos cada ( cinco, seis e sete). Em relação a outras características, observou-se a idade eram de 66, 67 e 73 anos, que dois são do sexo masculino que representa (67%) dos entrevistados e um do sexo feminino (33%). Outro dado verificado foi a religião, onde dois são católicos (67%) e um evangélico (33%), quanto à renda dos idosos, dois recebem um salário mínimo, (67%), e um recebe mais de quatro salários mínimos; dois idosos que recebem salário mínimo, um é de aposentadoria, um é de benefício assistencial (BPC) e o terceiro é pensionista. O estado civil observado foi que dois são viúvos, com (67%), e um vive em união estável, (33%), dois idosos residem em casa alugada, (67%) e um idoso tem casa própria, (33%). Analisamos a dependência funcional e se os idosos apresentavam algum tipo de dependência química. Encontramos que todos os três tem dependência funcional o que justifica o nosso objetivo sendo essas dependências observadas em dois idosos cadeirantes, representando (67%) desse tipo de dependência e um idoso acamado o que corresponde a (33%). A dependência química confirmou-se no resultado da pesquisa, onde verificou-se que dois idosos são ex-alcoolistas e ex-tabagistas representando

respectivamente (33%) cada um, um tabagista e um alcoolista respectivamente (7%) cada.

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Quanto ao perfil do agressor, confirma-se a literatura onde o agressor geralmente é do sexo masculino, dependente de álcool ou de outras drogas. O resultado da pesquisa obteve que (50%) dos agressores são homens, filho e enteado e (50%) são mulheres, a filha e a esposa. No tocante ao estado civil, dois filhos são solteiros que corresponde a (50%) consecutivamente, união estável e casada que representa (25%) cada; quanto à moradia, (50%) correspondem a dois agressores que moram de casa alugada, (25%) em casa própria e (25%) mora na casa da mãe; quanto ao número de filhos, dois agressores têm um filho cada, que corresponde a (50%) dos pesquisados, (25%) têm sete filhos e (25%) não têm filhos; analisando a renda dos agressores podemos observar que dois deles são assalariados (50%), um recebe pensão por falecimento do marido (25%) e um têm outro tipo de renda, sendo que dois têm renda de um salário mínimo (50%), um tem renda de um salário mínimo e meio (25%), e um tem menos de um salário de renda (25%). Analisando a

escolaridade dos agressores, nota-se que dois têm ensino fundamental incompleto e que corresponde a (50%), um tem ensino médio completo, (25%), e um tem ensino fundamental completo (25%). Quanto à dependência química, observa-se que dois agressores são dependentes de álcool e maconha, o que significa (33%), um é dependente de remédio controlado, o que representa, (17%) e outro não tem nenhuma dependência representando (17%).

Quanto ao objetivo da pesquisa que trata de conhecer o vínculo familiar entre o agressor e o idoso e identificar os fatores de riscos de violência, ratifica os estudiosos da questão. A dependência química pelo uso de drogas, álcool e remédio controlado deu ênfase no resultado da pesquisa, no entanto nota-se que o isolamento social confirma os estudos e indicadores de fatores de riscos aos idosos. Observou-se que tanto os idosos quanto os cuidadores/ agressores ou vice-versa ficam numa situação acuada, sem perspectivas e sem aparatos para romperem o círculo vicioso. Hoje eu maltrato, amanhã me arrependo e prometo mudar e depois de amanhã repito as mesmas violências.

Minayo (2003) discorre que
Em qualquer política de prevenção e atenção à violência contra os idosos, atualmente, precisa-se considerar as diferentes formas de configuração do problema. Devem ser objeto de atenção: políticas públicas que redefinam, de forma positiva, o lugar do idoso na sociedade e privilegiem o cuidado, a

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proteção e sua subjetividade, tanto em suas famílias como nas instituições, tanto nos espaços públicos como nos âmbitos privados.

Verifica-se que os vínculos familiares envolvendo os idosos dependentes vítimas de maus tratos, geralmente são relações permeadas por conflitos e brigas que se arrastam por toda uma vida e quando chega a velhice acontecem os revides. Podemos afirmar que nessas famílias os vínculos familiares são frouxos, quase inexistentes. Nota-se que os idosos apesar da prole numerosa, em um dado momento de suas vidas, residem com aquele filho mais problemático, com dependência de álcool, maconha e outras sustâncias químicas. A pesquisa mostrou que eles permanecem nessa situação por vários motivos, dentre alguns a dependência funcional do idoso, à falta de autonomia financeira dos filhos agressores/cuidadores, e por serem a única referência de família, uma vez que os outros filhos e parentes se afastaram. Nos três casos de famílias analisados podemos encontrar o alcoolismo como fator preponderante para o maltratar, representando 8%, os ex-alcoolistas representam dois casos, que significam 6%. A agressividade apareceu em quatro, pessoas representando 10%. A formação histórica familiar de alcoolismo aparece em três casos, sendo 9% e contribui como fator de risco, uma vez reproduzida em diferentes gerações. A falta de vínculos familiares apareceu em um caso, representando 3%, as famílias de vínculos frouxos somaram dois casos, representando 6%, a dependência funcional aparece em três idosos, que corresponde a 9%. Em dois casos encontramos a similaridade do uso de drogas ilícitas, como a maconha, significando 6%, dos casos entrevistados. O isolamento social dos agressores e dos idosos aparece em todos os casos, representando 8% cada. Dois casos de dependência financeira do filho agressor, que significa 6% dos entrevistados. Aparecem nos resultados dois casos de transtornos psíquicos dos

agressores/cuidadores, que significam 6%, a idade do cuidador atualmente constitui um fator preponderante para os maus tratos e foi observado um caso onde a idosa de 74 anos cuida do companheiro idoso de 73 anos acamado, representativo nos resultados como 3%. O tabagismo aparece em dois casos, 6%, o ex-tabagismo aparece em um caso, com 3%, outro fator delicado são os usos de remédios

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controlados utilizados pelos agressores/cuidadores que no caso deste estudo aparece em um, representando 3%. Observamos que o consumo das drogas lícitas ou ilícitas tem grande influência nas relações familiares e o uso varia de acordo com o poder aquisitivo do usuário e do familiar, se o agressor tem dinheiro ou tem como obter a droga, consome o crack, a cocaína e outras químicas e quando não tem se satisfaz fazendo o uso da maconha e do álcool, conforme relatos dos entrevistados. O fato de os idosos não perceberem a violência de que são vítimas pode ser explicada, uma vez que eles próprios sentem-se um fardo para a família e para a sociedade. Essa não percepção reforça a dificuldade de desvelar as diversas formas de violências praticadas contra a pessoa idosa, em especial a dependente pela perda da capacidade funcional no interior da família.

No nosso país existe um conjunto de leis, citadas neste estudo, que garantem a qualidade e a promoção de vida dos sujeitos fragilizados e que constituem atores das novas gerações, os idosos. No entanto, faz-se necessário lutas individuais ou coletivas que possam romper com as situações críticas de maus tratos, ou violências das quais são vítimas os idosos do Brasil, em especial aos munícipes de Serra. Violência ou maus tratos? Qual a diferença? Essa resposta depende de quem está sendo vítima e de quem está praticando, para nós pesquisadores sociais tem o mesmo significado e propomos que o Estado, Sociedade e Família se mobilizem para romper essas práticas que não são atuais e que estão ocultas no interior das famílias. As famílias precisam que os seus direitos sociais sejam garantidos, dandolhes condições econômicas, sociais e sustentabilidade para o enfrentamento das questões sociais e buscar mecanismos de transporem os obstáculos dos rancores e da tênue linha que levam aos maus tratos.

“Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição” (artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948). 118

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124

APÊNDICES

125

APÊNDICE A Termo de autorização para pesquisa institucional

ESCOLA DE ENSINO SUPERIOR DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE VITÓRIA – EMESCAM

Vitória, 14 de fevereiro de 2007.

À secretária de promoção social do município de Serra Senhora Maria Nazeth Motta Liberato

Solicitamos autorização desta conceituada instituição para a realização da Pesquisa Relações conflituosas ocasionadas pela dependência funcional do idoso no âmbito familiar que será desenvolvida pelos acadêmicos de serviço social do 8º período Amélia Rossi Crivellari, Cleonice Viana dos Santos Angeli e Leila Silva Cicilioti, sob a orientação da Profª. Mestre Tania Maria Bigossi do Prado. A pesquisa tem como objetivo identificar e analisar a ocorrência de violência contra o idoso dependente, pela perda da capacidade funcional e conhecer os vínculos entre o agressor e o idoso nas relações familiares tendo como foco as denúncias no SOS 3ª Idade Idoso do Município de Serra - ES. Para sua operacionalização será realizado entrevista com três idosos e suas respectivas famílias. O desenvolvimento do trabalho respeitará os princípios éticos de autonomia e confiabilidade dos dados. Os resultados serão devolvidos para a instituição no término do trabalho e defesa do TCC.

Atenciosamente,

___________________________________ Profª. Mestre Tania Maria Bigossi do Prado Orientador da Pesquisa de TCC

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APÊNDICE B Roteiro de entrevista para o idoso com dependência funcional

Nome:______________________________________________________________ Idade:______________________________________________________________ Sexo:_______________________________________________________________ 1- Quantos filhos têm?_________________________________________________ 2- Com quem mora e desde quando?______________________________________ 3- Qual a renda familiar? E a origem?_____________________________________ 4- Quais as despesas do idoso?__________________________________________ 5- Quais problemas de saúde que você tem, e há quanto tempo?________________ 6- Quais as limitações que este problema te trouxe?__________________________ 7- Como você foi educado pelos seus pais?_________________________________ 8- O que acha da forma como foi educado?_________________________________ 9- Como você educou os seus filhos?_____________________________________ 10-Você hoje os educaria da mesma forma?________________________________ 11-Como é o seu relacionamento com a sua família?_________________________ 12-Como você é tratado pela sua família?__________________________________ 13-O que é violência pra você?___________________________________________ 14-Você já foi vítima de violência? Como aconteceu?_________________________ 15-Você conhece algum direito do idoso do Estatuto do Idoso?_________________ 16-Você denunciaria alguém por estar violando os seus direitos?________________ 17-Onde?___________________________________________________________

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APÊNDICE C Roteiro de entrevista para o agressor/ e cuidador Nome:______________________________________________________________ Idade:______________________________________________________________ Sexo:_______________________________________________________________ 1- Você é casado?____________________________________________________ 2- Quantos filhos têm?_________________________________________________ 3- Qual a sua renda e fonte dela?_________________________________________ 4- Desde quando é responsável pelos cuidados com o idoso?__________________ 5- Quais as limitações que lhe são acarretadas por cuidar do idoso?_____________ 6- Como você foi educado pelos seus pais?_________________________________ 7- O que acha da forma como foi educado?_________________________________ 8- Como você educa os seus filhos?______________________________________ 9- Como é o seu relacionamento com o idoso?______________________________ 10-Como é o seu relacionamento com a sua família?_________________________ 11-Como é a relação dos seus filhos com o idoso?___________________________ 12-O que é violência pra você?___________________________________________ 13-Você já foi vítima de violência? Como aconteceu?_________________________ 14-Você conhece algum direito do Estatuto do Idoso?_________________________ 15-Você denunciaria alguém por estar violando os seus direitos?________________ 16-Onde?___________________________________________________________ 17- O que você acha da violência praticada contra o idoso?____________________

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ANEXOS

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ANEXO A – Termo de consentimento livre e esclarecido
CURSO DE SERVIÇO SOCIAL

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Este documento visa solicitar sua participação na pesquisa “Relações conflituosas ocasionas pela dependência funcional do idoso no âmbito familiar”, que consistirá em resultado do trabalho de Conclusão de Curso ao Departamento de Serviço Social da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória – Emescam. Este estudo tem como objetivo: analisar a ocorrência de violência contra o idoso dependente, pela perda da capacidade funcional, nas relações familiares tendo como foco as denúncias no SOS Idoso do Município de Serra-ES e conhecer os vínculos familiares entre o agressor e o idoso; e identificar a tipologia da violência.. Serão aplicadas entrevistas semi-estruturadas, ou seja, o entrevistador utilizará um roteiro de perguntas, mas haverá liberdade para o entrevistado expor outras questões referentes ao assunto estudado. Além disso, as entrevistas serão gravadas, transcritas e posteriormente, analisadas, sendo ao final do processo as fitas serão destruídas. O presente termo assegura os seguintes direitos: a) Pedir, a qualquer tempo, maiores informações sobre a pesquisa; b) Liberdade de desistir, a qualquer tempo, de participar da pesquisa; c) Garantia de sigilo absoluto sobre nomes, apelidos, bem como quaisquer informações sobre a identificação pessoal; d) Opção de solicitar que determinadas falas e/ou declarações não sejam incluídas em nenhum documento oficial, o que será prontamente atendido. Você receberá uma cópia desse termo em que constará telefone e o endereço eletrônico dos pesquisadores, podendo tirar suas dúvidas a qualquer momento sobre o projeto e sua participação. “Eu, ____________________________________ portador do RG ________________residente ______________________________________________. Declaro que, após esclarecimento prestado pelos pesquisadores e ter entendido o objetivo da pesquisa, consinto voluntariamente em colaborar na realização desta. Fico ciente também que uma cópia deste termo permanecerá arquivada com os pesquisadores do Departamento de Serviço Social da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória-EMESCAM, responsáveis por esta pesquisa”.

Vitória, ______ de ____________________ de 2007.

__________________________________ Assinatura do Declarante

ASSINATURA DOS PESQUISADORES: Nome: ___________________ Nome:______________________ Nome:__________________ Tel: _____________________ Tel: ________________________ Tel_____________________ e-mail: ____________________e-mail:______________________ e-mail__________________

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