P. 1
historia da educação

historia da educação

|Views: 840|Likes:
Publicado porLevi Oliveira

More info:

Published by: Levi Oliveira on Nov 16, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

07/10/2013

pdf

text

original

FICHA CATALOGRÁFICA 370.9 M149h Machado, Aldonei História da Educação/Elaboração: Aldonei Machado...[et.al.].-3.ed.

Florianópolis (SC): UDESC:FAED: CEAD, 2002. 97 p. il. - (Caderno Pedagógico;2). 1. Educação - História.I - I. Título. II. Autor. III - Série.

DOCUMENTO DE PROPRIEDADE DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC

Nos termos da legislação sobre direitos autorais, é proibida a reprodução total ou parcial deste documento, por qualquer forma ou meio – eletrônico ou mecânico, inclusive por processos xerográficos de fotocópia e de gravação sem a permissão expressa e por escrito da UDESC.

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
Versão III

Elaboração:

Aldonei Machado Cláudia Mortari Diana Mara Gerber Felipe Augusto Teixeira Luciana Rossato Sérgio Luiz Ferreira Viviani Poyer

Florianópolis, 2002

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC Esperidião Amin Helou Filho Governador do Estado Raimundo Zumblick Reitor Jorge de Oliveira Musse Vice-Reitor Neli Goes Ribeiro Pró-Reitora Comunitária Gilson Lima Pró-Reitor de Administração Antonio Waldimir Leopoldino da Silva Pró-Reitor de Ensino Márcia Silveira Kroeff Pró-Reitora de Pesquisa e Desenvolvimento

Centro de Ciências da Educação – FAED José Carlos Cechinel Diretor Geral Fernando Fernades de Aquino Diretor Assistente de Ensino Elisabete Nunes Anderle Diretora Assistente de Pesquisa e Extensão Coordenadoria de Educação a Distância - CEAD José Carlos Cechinel Coordenador Geral Sueli Wolf Weber Coordenadora Pedagógica Liberato Manoel Pinheiro Neto Coordenador Administrativo Marcos Lourenço Herter Coordenador de Planejamento e Relações Inter-Institucionais Graziella Naspolini Dalpizzo Coordenadora UDESC Virtual Sueli Gadotti Rodrigues Coordenadora de Elaboração de Material Escrito Sônia Maria Martins de Melo Coordenadora de Pesquisa Coordenação de Produção José Carlos Cechinel Projeto Gráfico, Diagramação e Capa Rosana Brasco Impressão Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina - IOESC

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA.UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO .FAED COORDENADORIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. 2002 .CEAD HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO CADERNO PEDAGÓGICO 2 Versão III Florianópolis.

.

O MUNDO E A EDUCAÇÃO TRANSFORMAM-SE COMENTÁRIO 47 49 49 52 54 54 .A EDUCAÇÃO NO MUNDO MODERNO Seção 1 .A EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO Seção 1 .O ENFRENTAMENTO DAS CULTURAS OBJETIVOS ESPECÍFICOS COSMOVISÃO DOS POVOS PRÉ-COLOMBIANOS EXPANSÃO MARÍTIMA E COMERCIAL EUROPÉIA O ESTADO MODERNO O MERCANTILISMO RESUMO ATIVIDADE .O ILUMINISMO E A EDUCAÇÃO COMO DEVER DO ESTADO COMENTÁRIO 09 11 13 15 15 16 21 22 23 24 27 27 29 29 33 35 35 37 37 40 43 46 46 CAPÍTULO II .EDUCAÇÕES PÚBLICAS NACIONAIS E PRINCIPAIS PEDAGOGOS OBJETIVOS ESPECÍFICOS RESUMO ATIVIDADE .O IDEAL ILUMINISTA NA EDUCAÇÃO OBJETIVOS ESPECÍFICOS A REFORMA POMBALINA RESUMO ATIVIDADE .DIFERENTES MANEIRAS DE VER E VIVER NO MUNDO COMENTÁRIO Seção 2 .OS JESUÍTAS E A DIFUSÃO DA CULTURA EUROPÉIA COMENTÁRIO Seção 3 .RATIO STUDIORUM: A IMPLANTAÇÃO DA EDUCAÇÃO CATEQUÉTICA NO BRASIL OBJETIVOS ESPECÍFICOS RESUMO ATIVIDADE .SUMÁRIO APRESENTAÇÃO PROGRAMA DA DISCIPLINA CAPÍTULO I .

DIFERENTES PROPOSTAS EDUCACIONAIS EM SANTA CATARINA COMENTÁRIO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 55 55 58 60 60 62 62 62 65 68 71 73 76 79 79 80 80 91 95 95 96 .A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA REPÚBLICA OBJETIVOS ESPECÍFICOS A PRIMEIRA REPÚBLICA A EDUCAÇÃO NA ERA VARGAS(1930-1945) O RETORNO A DEMOCRACIA(1945-1964) A DITADURA MILITAR(1964-1985) A NOVA REPÚBLICA RESUMO ATIVIDADE .NOVOS TEMPOS.BRASIL INDEPENDENTE: NOVOS RUMOS PARA A EDUCAÇÃO COMENTÁRIO Seção 3 .A EDUCAÇÃO BRASILEIRA EM SANTA CATARINA OBJETIVOS ESPECÍFICOS RESUMO ATIVIDADE .A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO IMPÉRIO OBJETIVOS ESPECÍFICOS RESUMO ATIVIDADE .Seção 2 . NOVAS PRÁTICAS EDUCACIONAIS COMENTÁRIO Seção 4 .

você irá analisar a atuação dos jesuítas e suas influências na educação praticada no Brasil. você estudará alguns pensadores que propuseram importantes concepções de educação que foram desenvolvidas a partir do século XIX. e que. sociais. como também a educação no Brasil e em Santa Catarina. sofremos a influência e podemos também influenciar a história. o qual deixou-se influenciar pelos ideais Iluministas. . Com a chegada do europeu ao continente americano. Ela. Seguindo esta linha de pensamento. portanto. É importante para seu aprendizado a leitura atenta do caderno e a discussão com seu tutor e colegas de turma sobre os conteúdos. de filmes e sites que sugerimos ao final de cada seção. complementar seus estudos com as sugestões bibliográficas. procure outras fontes de pesquisa. resolvendo também os exercícios propostos no caderno. Desta forma. você irá estudar a diversidade cultural dos povos pré-colombianos e o enfrentamento das culturas a partir das grandes navegações.9 APRESENTAÇÃO Caro aluno! Você está recebendo o segundo caderno da História da Educação. estudaremos as propostas educacionais ocorridas no Brasil imperial. iremos estudar a história da educação ocidental nos períodos Moderno e Contemporâneo. Na seqüência. Além disso. Se desejar. No capítulo sobre a educação no mundo contemporâneo. procure sempre que possível. culminando com a implantação das reformas educacionais do Marquês de Pombal. para ser entendida. relacionado-os sempre com a sua prática pedagógica. republicano e no Estado de Santa Catarina. O estudo da história da educação nos possibilita entender que todos nós somos seres históricos. no capítulo sobre a educação no mundo moderno. sempre fazendo relações com as transformações históricas ocorridas na sociedade brasileira. deve estar relacionada com as realidades econômicas. Conhecer a história da educação nos fornece subsídios para mudarmos nossa prática pedagógica e construir uma sociedade melhor e mais justa para todos os seres humanos. políticas e culturais de cada momento histórico. Você percebeu que no Caderno Pedagógico I a educação sempre foi discutida e problematizada ao longo dos séculos e que a mesma não pode ser estudada separadamente dos contextos históricos.

EDUCAÇÕES PÚBLICAS NACIONAIS E PRINCIPAIS PEDAGOGOS SEÇÃO 2 .A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO IMPÉRIO SEÇÃO 3 .1930) A EDUCAÇÃO NA ERA DE VARGAS (1930 .O ENFRENTAMENTO DAS CULTURAS COSMOVISÃO DOS POVOS PRÉ-COLOMBIANOS A EXPANSÃO MARÍTIMA E COMERCIAL EUROPÉIA O ESTADO MODERNO O MERCANTILISMO SEÇÃO 2 .RATIO STUDIORUM: A IMPLANTAÇÃO DA EDUCAÇÃO CATEQUÉTICA NO BRASIL A REFORMA POMBALINA CAPÍTULO I I A EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO SEÇÃO 1 .1985) A NOVA REPÚBLICA (a partir de 1985) SEÇÃO 4 .1945) O RETORNO A DEMOCRACIA (1945 -1964) A DITADURA MILITAR (1964 .PROGRAMA DA DISCIPLINA DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO CAPÍTULO I A EDUCAÇÃO NO MUNDO MODERNO SEÇÃO 1 .A EDUCAÇÃO EM SANTA CATARINA .A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA REPÚBLICA A PRIMEIRA REPÚBLICA (1889 .

e disporei de vós como a Majestade mandar. Na realidade. . Entretanto. os capitães de conquista deviam ler para os índios. alguns teólogos protestaram e a escravização dos índios foi formalmente proibida ao nascer do século XVI. Mais de quinhentos. mas abençoada: antes de cada entrada militar. e vos sujeitarei ao jugo e obediência da Igreja e de Sua Majestade e tomarei vossas mulheres e filhos e vos farei escravos. duzentos infantes e alguns cães especialmente adestrados para o ataque dizimaram os índios.. enviados à Espanha. mas diante de um escrivão público.CAPÍTULO I A EDUCAÇÃO NO MUNDO MODERNO “Três anos depois do descobrimento. e como tais vos venderei.. ou nisto puserdes maliciosamente dilação. foram vendidos como escravos em Sevilha e morreram miseravelmente. Um punhado de cavaleiros. um extenso e retórico Requerimento que os exortava a se converterem à santa fé católica: Se não o fizerdes. certifico-vos que com a ajuda de Deus eu entrarei poderosamente contra vós e vos farei guerra por todas as partes e maneira que puder. a partir do contato entre as culturas européia e americana e os seus reflexos na educação praticada no Brasil. sem intérprete. As Veias Abertas da América Latina) Objetivo Geral Compreender como as sociedades pré-colombianas organizavam-se e as características de sua educação e perceber as mudanças ocorridas no mundo. não foi proibida. Cristóvão Colombo dirigiu pessoalmente a campanha militar contra os indígenas da Ilha Dominicana.” (Eduardo Galeano. e tomarei vossos bens e vos farei todos os males e danos que puder.

Listar as principais diferenças entre o olhar dos europeus e dos povos précolombianos sobre o mundo. em superiores ou inferiores. Maia e Asteca.15 C A P Í T U L O I O ENFRENTAMENTO DAS CULTURAS Seção 1 Objetivos específicos: Identificar os modos de vida das populações dos Impérios Inca. Você sabe o que é diversidade cultural? “Diversidade cultural é a compreensão da humanidade em sua pluralidade. foi a de identificar a diversidade.” (ROCHA. ( ) Outras regiões do Estado. ou seja. Identificar as transformações econômicas.1984) . e das populações indígenas do território brasileiro e as características de sua educação. ( ) Cidades vizinhas. Origens culturais: ( ) Alemão. ( ) Italiano. a existência de diferenças entre os sujeitos. sociais e culturais pelas quais passava a Europa no período das grandes navegações marítimas e a conseqüente dominação européia sobre o continente americano. caro aluno! Vamos iniciar nosso diálogo no Caderno de História da Educação II com uma pequena reflexão. ( ) Africano. Religião: ( ) Católica. ou seja. ( ) Açoriano/Português. ( ) Afro-brasileira. ( ) Outros. ( ) Outros. são de diversas origens e possuem diferentes costumes? Pois bem! Se você nunca parou para perceber. ( ) Espírita. sugerimos que nas listagens abaixo você assinale as diferenças encontradas em sua sala de aula com relação às opções religiosas. em bem ou mal. A atividade que você realizou acima. ( ) Judaica. Procedências regionais: ( ) Natural do município. o entendimento de que existem vários comportamentos e modelos sociais existentes e que esses resultam das maneiras pelas quais os homens e as mulheres organizam as relações entre si. ( ) Indígena. ( ) Pentecostal. Essa diversidade não pode ser vista de forma hierarquizada. Você no seu cotidiano e em sua sala de aula já parou para perceber que seus alunos pertencem a diferentes classes sociais e religiões. ( ) Protestante. políticas. mas na sua dimensão de riqueza por ser diferente. - Olá. ( ) Estados vizinhos. origens culturais e procedências regionais de seus alunos.

principalmente do milho.Incas. Esses são alguns dos pontos que você estudará a seguir. Segundo. designavam sua terra. terras dos índios da América do Sul. Neste vasto continente que se espalha do Alasca até a Terra do Fogo. Ao longo da costa oeste há montanhas muito altas. chipchas e iroqueses. Nesta região denominada de altiplanos (Andes Centrais: Peru. caracterizado pela diversidade.16 História da Educação Esse conceito é importante por várias razões. que você estudou no Caderno I. você estudará alguns aspectos das sociedades que tinham produção de excedente . Inicialmente. nas regiões chamadas de mesoamérica (América Central). No restante do continente. Os Maias floresceram ao mesmo tempo que o Império Romano. a estação predominante é o verão. O que queremos pontuar é que cada sociedade possui uma maneira diferente de ver e viver a vida e isso não significa considerar um modo de vida melhor do que o outro. Tanto os europeus quanto os povos que aqui viviam possuíam uma visão de mundo bem diferente. entre estas. cultivada pelos camponeses em terras coletivas. tupi. cobertas de neve. Este era o nome pelo qual os nativos do continente. para que você entenda e perceba os diferentes modos de vida dos europeus e dos povos pré-colombianos no período Moderno. para que você respeite a diversidade cultural existente na sua escola ou na comunidade em que vive. * sociedades com produção de excedentes. que passou a chamar-se América a partir da conquista pelos europeus era. Primeiro. habitava o povo inca. território dos astecas e maias e planícies costeiras. destacaremos duas. Maias e Incas. Maias e Astecas – e que se constituíram enquanto grandes estados organizados em torno da figura de um Imperador. patagões. * sociedades sedentárias que praticavam a agricultura de subsistência. Foram poderosos entre os anos de 300 e 900 aproximadamente e viviam na Península de Iucatã (atual Guatemala). Podemos perceber: * sociedades nômades caçadoras e coletoras. e. muitos povos viveram em estágios de desenvolvimento tecnológico diferentes. araucanos. e ainda é. que pagavam impostos ao governante. Chile e Bolívia). botocudos. localiza-se no hemisfério ocidental e é banhada pelo Oceano Atlântico a Leste e pelo Oceano Pacífico a Oeste. comanches e esquimós. hoje. na Europa. Seus principais grupos são os guarani. O nosso continente. denominado América. 1 A América L a t i n a (América Central e América do Sul). como os Astecas. Grande parte da América Latina1 é tropical e não tem as quatro estações do ano bem definidas. A sociedade . A riqueza dessa civilização baseava-se na agricultura.Terra em Plena Madurez. caraíba. COSMOVISÃO DOS POVOS PRÉ-COLOMBIANOS ABIA AYALA . Entre elas os gês.

exclusivamente sagrada. A pintura estava presente em vários espaços: muros. o clã. emanada dos deuses ou de Deus. Cada cidade era um Estado autônomo. os militares e aristocracia. Com base nestas informações é possível perceber que a educação neste povo era diferenciada e de acesso a alguns grupos sociais. abóbora e feijão (produtos desconhecidos na Europa na época). no qual os meses tinham 20 dias. hereditária e privilegiada. e a massa camponesa. Os maias desenvolveram a astronomia. é exercida por seus representantes na terra. tomate. semelhantes às cidades-estados gregas que você já estudou no Caderno I. a escultura e a pintura estavam direcionadas para a religião. ou seja. baseado na dualidade de funções: os “reis” e senhores eram guerreiros e ao mesmo tempo tinham atribuições religiosas e rituais. na qual todos trabalhavam e sustentavam. com seu próprio governo e leis. O sistema religioso dos astecas era complexo. através de impostos. usado para calcular medidas complexas e equações. sendo fechada. baseada em símbolos. composta pelos militares e sacerdotes. o que totalizava 365 dias. A agricultura baseava-se no cultivo do milho. isto é. mais cinco dias de festa ao final do ano. 2 Forma de governo em que a autoridade. na caça e pesca e que servia à classe dominante. os sacerdotes. usada e entendida somente por sacerdotes. com trabalhos feitos de madeira ou em pedras lapidadas. Em suas construções destacavam-se a arte. e a escrita hieroglífica. algodão.17 C A P Í T U L O I estava dividida em classes: a dominante. O regime político era teocrático2 . sendo que um ano durava 18 meses. Possuíam um calendário que incorporaram dos maias. Os astecas escreviam num papel feito de casca de árvore e usavam a escrita pictória. Possuíam um sofisticado sistema de irrigação e açudes. o chefe. desenhavam objetos ou figuras. pois possuia uma infinidade de deuses. em terras comunais. Alguns documentos com hieróglifos comprovam que os Maias possuíam um sistema de escrita. Teo = d e u s . eclipses solares. incluindo-se jades e turquesas. cerâmicas e livros. prevendo. . baseados na representação de idéias e objetos. cracia = governo. que trabalhava no cultivo do milho. inclusive. pois possuíam um sistema matemático preciso. urbana e agrícola. A civilização Asteca se destacou-se por ter sido uma sociedade guerreira. A arquitetura. Os imensos templos em forma piramidal e os palácios luxuosos eram decorados em honra aos deuses que regiam o destino dos homens.

Você lembra do conceito de diversidade discutido no início desta seção? Pois bem! Em todo o território brasileiro existiam mais de 100 línguas indígenas e cerca de 170 etnias diferentes. Exercitavam-se com espadas e escudos de madeira e levavam comida aos guerreiros nos campos de batalha. cada um tendo uma série de nós. Cada família era responsável por explorar um lote de terra e ficava com uma parte do que era produzido. para as necessidades do dia-a-dia. Aos 20 anos. representado pelo Imperador. calmecac. ajudavam a educar as crianças. Na sociedade Inca a terra pertencia ao Estado. os alunos saíam para casar. Vários cordões eram pendurados num cordão principal de lã. os sistemas de correio e transportes em vias pavimentadas. conforme o meio natural em que viviam e os recursos disponíveis para suprir suas necessidades. E as populações que viviam no território brasileiro? 3 Educ a ç ã o Pragmát i c a : voltada para aplicações práticas. sendo que cada uma dessas possuíam uma maneira própria de viver. sendo o restante repassado ao Imperador como forma de tributo. os que mais se destacavam aprendiam religião e tornavam-se sacerdotes. Não existia. trabalhar como escribas do rei e dirigir cerimônias religiosas. Eram iniciados nas leis das cidades. Até as construções eram feitas com trabalho comunitário. os papéis que deveriam desempenhar quando adultas. Essas populações são caracterizadas também pela diversidade cultural. sendo suas vidas regidas e condicionadas pela presença constante de forças e seres sobrenaturais. o qual também servia como correio. . a agricultura (com irrigação e terraços em curva de nível). mas usava um sistema de cordões e nós. para a ação. a prever eclipses e secas e a fazer remédios com ervas. Identificavam a informação pela cor do cordão. portanto. uma cultura específica. chamado quipu. Aprendiam a obedecer. A divindade que serviu para unir todo o Império foi El Sol. A educação das crianças era pragmática3 e desde cedo aprendiam. A terra era o maior bem destas populações. Embora desconhecessem a roda. e a dos filhos do povo. desenvolveram a metalurgia. propriedade privada. Os mais velhos. a dos filhos dos nobres. Sua sobrevivência dependia do domínio direto sobre o espaço que ocupavam. Todos tinham que trabalhar. detentor de um poder absoluto. Nessas sociedades a característica fundamental era a solidariedade e a cooperação. Os jovens dormiam no chão. Aprendiam a ler. pela quantidade e pela posição dos nós. Os Incas eram bastante religiosos. As crianças pobres eram treinadas para serem guerreiras. nas canções e nas danças religiosas. a matemática. por sua vez. e o trabalho era coletivo. cavando canais e varrendo os templos. Esta civilização não tinha um sistema de escrita.18 História da Educação Havia nessa sociedade dois tipos de escola. com traços diferenciados. escrever. jejuavam e levantavam-se várias vezes à noite para rezar. No calmecac. As crianças ajudavam a proteger a colheita espantando os pássaros. telpochcalli. conforme o sexo. construíam uma cultura própria. Por isso.

Esse grupo foi o primeiro a estabelecer contato com o colonizador. Em Santa Catarina. também o início do genocídio indígena na América. viviam da caça. viviam da caça e coleta de frutas. e com o processo de dominação e conquista por eles empreendidos. Eram nômades. Para você refletir: Você estudou alguns aspectos das sociedades indígenas catarinenses. Os Xokleng (Bugres ou Botocudos). ou seja. machados de pedra usados para derrubar árvores e fabricar canoas. Também fabricavam cachimbos de barro. um grupo nacional. no século XV. junto com alguns presentes. grupo de língua Jê. ela simboliza a “civilização”. entre o litoral e o planalto. Os Kaingáng (Coroados e Guaianás) localizavam-se nos campos acima da serra. a que toma o seu modo de vida como o mais correto e civilizado. O grupo tupi-guarani ocupava extensas faixas do litoral. feitos escravos e mercadoria. mel e pinhão. cozida de formas variadas. que consiste em destruir. utilizadas para armazenar água e alimentos. negados seus valores. grupo da tradição lingüística Tupi-Guarani. Em urnas de cerâmica enterravam seus mortos. macro-jê. Genocídio: c r i m e contra a humanidade. em 1 5 5 0 . por um longo tempo passou a imagem de que nocontinente americano recém “descoberto” só viviam povos “bárbaros”. Moravam em aldeias perto dos rios e utilizavam recipientes cerâmicos para armazenar água. que não conheciam A caravela trouxe mais do que europeus. total ou parcialmente. étnico. ocupavam a faixa litorânea do Estado. racial ou religioso. Em 1500 viviam na América aproximadamente 80 milhões de índios. Em sua região existem na atualidade grupos indígenas? Como eles vivem? Sua cultura é respeitada? 4 A partir da chegada dos europeus. “primitivos”. Eram horticultores. ocorreu o genocídio4 das populações indígenas: foram destruídos as bases da sua vida social. A visão eurocêntrica dos europeus. três grupos indígenas ocupavam as terras antes da chegada dos europeus: Os Cario (Carijós). de falar bem. caçadores e guerreiros. . as doenças trazidas pelos europeus os dizimaram. Tupiniquins em São Paulo e Tupinambás no litoral Norte. compondo-se de vários grupos distintos: Guarani no Oeste e Sul. ocupavam a região da Mata Atlântica. sendo que um membro é escolhido como cacique pela sua capacidade de argumentar. viviam quatro troncos lingüísticos principais: tupi-guarani. alimentos e enterrar os mortos. Os Guarani praticavam a agricultura e desenvolveram a cerâmica feita de argila. existiam somente 10 milhões de índios. e não pela força e poder econômico. 50 a n o s depois. aruak e caribe. Esse povo pertencia ao grupo lingüístico Jê. Nessas sociedades o conhecimento era transmitido de forma oral.19 C A P Í T U L O I No Brasil. eram seminômades. coleta do pinhão e horticultura.

que vivem em áreas demarcadas pelo governo.20 História da Educação Façamos uma pequena reflexão. encarregado pelo governo ou por particulares para eliminar os que viviam nas matas. Como se não bastasse o extermínio por doenças ou pela escravidão. Peru e Equador. destruíram cidades e culturas e implantaram o terror. desenvolvimento tecnológico e grande produção agrícola? E dos inúmeros e diferentes grupos indígenas no Brasil. Destes grupos que habitavam o território catarinense sobraram apenas alguns. que vinham aprisioná-los para escravizá-los. como Colômbia. Será que é isso mesmo? E o que dizer então das três principais civilizações americanas. Bolívia. que sobraram. nos quais antes da chegada dos europeus havia grandes Impérios. também foram escravizados ou incorporados às fazendas de criação de gado. pregando que o flagelo se dava por causa da sua perversão e de seus pecados. Chile. Em outros países da América Latina. com seus vastos Impérios geográficos. é o subdesenvolvimento e a pobreza. Os Cario (Carijós) foram os primeiros a sofrerem a ação dos bandeirantes. com organização estatal. como peões ou na defesa contra outros Kaingáng hostis aos brancos. que tinham sua própria cultura e visão de mundo baseada na solidariedade e na comunidade? Quem será que foram os “bárbaros” ou “primitivos”: as populações que viviam nesse continente ou os europeus. das quais mais de cinco milhões no Brasil. a população nativa foi também massacrada. o medo e a destruição? Para você ter uma idéia. (Bugres ou Botocudos). no continente americano foram exterminadas mais de 70 milhões de pessoas. Leia com atenção e tente identificar essa diferença. Em Santa Catarina. Para você refletir: A diferença de visão de mundo e do modo de viver dos europeus que chegaram no Brasil e das populações indígenas pode ser percebida através do texto abaixo. sofreram o ataque do bugreiro. Hoje. a marca destas populações. Mas. que com objetivos de conquista invadiram o novo território. . e dos padres jesuítas que tentaram catequizá-los e mantê-los em reduções. Os Kaingáng (Coroados e Guaianás). o que motivou os europeus a lançaram-se ao mar em busca de novos territórios? Podemos dizer que os homens eram movidos basicamente por dois sentimentos: o de submeter à fé cristã os “hereges selvagens” e enriquecer com o saque de suas riquezas. ainda vieram os missionários. caçador semi-profissional de índios. Os Xokleng. em plena miséria.

EXPANSÃO MARÍTIMA E COMERCIAL EUROPÉIA Através do seu estudo.Retrucou o velho imediatamente: e por ventura precisais de muito? .Respondi que tínhamos muita.1960:151-61). como vereis.Sim. respondi-lhe. acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: Mas esse homem tão rico de que me falas não morre? .Sim. de que os acontecimentos na história não ocorrem de uma hora para outra. e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais. não era nenhum tolo. e que não a queimávamos. facas. continuou o velho. mas não daquela qualidade. mas estamos certos de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá. . tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e suas plumas. respondi. disse eu. A conquista do território inaugurou um novo período da história européia. como dizeis quando aqui chegais. morre como os outros. mães e filhos a quem amamos.Por que vindes vós. como ele o supunha. Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim. . . que. maírs e perôs (franceses e portugueses) buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra. denominado de Moderno e foi conseqüência de uma série de transformações que estavam ocorrendo na Europa. na falta deste para os irmãos ou parentes mais próximos. ou seja. mas são resultados de processos. tesouras. tu me contas maravilhas. por isso descansamos sem maiores cuidados (LÉRY. agora vejo que vós outros mairs sois grandes loucos. de transformações ao longo do tempo e que possuem relações entre si. pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos.21 C A P Í T U L O I Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar os seus arabutan (pau-brasil). Uma vez um velho perguntou-me: . – Na verdade. mas dela extraíamos tinta para tingir. Isto é importante que você tenha presente. por isso perguntou-me de novo: e quando morrem para quem fica o que deixam? – Para seus filhos se os têm.Ah! Retrucou o selvagem. espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau. você percebeu como as sociedades pré-colombianas eram caracterizadas pela diversidade cultural. . pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos.brasil com que muitos navios voltam carregados.

Portugal e Espanha foram os países pioneiros no processo de conquista. O Estado Moderno configurava-se como nacional. e a exploração comercial e colonial. cultura. costumes e. denominadas pelos europeus de “pagãos”.22 História da Educação Entre as transformações que você já estudou no Caderno I. pois era preciso expandir a fé católica por outros territórios. cujo poder absoluto (absolutismo) justificava-se pela concepção da “origem divina”. segundo. Em razão destes acontecimentos a Europa extrapolou os limites de seu continente através da expansão marítima. o enriquecimento da burguesia européia através do aceleramento da atividade comercial no final da Idade Média e a Reforma e a Contra-Reforma. enriquecer a burguesia mercantil e os monarcas das nações européias que estavam se formando no período. língua comuns. Acrescenta-se a isto mais duas questões fundamentais: primeiro a falta de metal precioso para abastecer o mercado. como uma população determinada. especialmente os metais preciosos. cuja comercialização enriqueceu Estados e elites do velho continente. ao catolicismo. fortaleceu o Estado colonizador. Assim. pois a abertura de novos mercados significava a criação e a exploração de novas rotas pelo oceano desconhecido. sobret u d o . sendo o Rei considerado representante de Deus na terra. com os avanços da ciência e tecnologia. podemos citar o Renascimento Cultural. clero e povo. seguido por ingleses. habitando um território específico. franceses e holandeses. Para você refletir: Quais as consequências da chegada dos europeus à América? 5 Nação aqui entendida. ou seja. Essa sociedade era dividida em três estados: nobreza. um Estado centralizado tornou-se um pré-requisito à expansão. somente um Estado centralizado poderia mobilizar os recursos necessários e sofrer riscos nos seus investimentos. o que vai resultar numa ação missionária de padres jesuítas pelo mundo. O ESTADO MODERNO Para realizar a expansão marítima. A atividade comercial recebeu um grande impulso com o afluxo dos novos produtos americanos. já que a Igreja havia sido abalada pela Reforma Protestante. que reconhece sua identidade através da origem. A América integrou-se à história européia sob uma função complementar e subsidiária. conseqüentemente. fornecendo produtos e consumindo outros. as quais passaram a integrar-se ao modo de vida e economia européias. tendo como objetivo converter as populações não européias. identificava-se com a nação5 e se caracterizava por apresentar um poder centralizado na figura do Rei. a motivação religiosa. tradição. . A expansão propiciou aos europeus o estabelecimento de contatos com todas as regiões do mundo.

a vinda dos padres jesuítas e as posteriores reformas da educação. Na Espanha. irão corresponder aos objetivos e vontades da metrópole. que visava o desenvolvimento da economia de mercado. o Colbertismo e na Inglaterra. Nenhuma outra nação poderia explorá-la e sua economia deveria ser complementar e jamais concorrer com a metrópole. pois o processo de conquista e de colonização do Brasil. recebiam do Rei o direito de cobrar tributos do terceiro estado.23 C A P Í T U L O I No primeiro e no segundo estados encontravam-se os detentores de privilégios. o metalismo. . o comércio e as manufaturas. Estes dois fatores só dariam certo se o Estado estabelecesse leis alfandegárias. pois havia uma identificação entre a riqueza de um país e a quantidade de moedas em circulação em seu território (metalismo). O terceiro estado constituía a maioria da população. fiscais e até mesmo militares. A prática econômica no período denominava-se Mercantilismo6. e apresentava como princípios: a balança comercial favorável. A riqueza extraída da América serviu para fortalecer o Estado Absolutista. Para saber se um país estava alcançando esse objetivo era necessária a acumulação de moedas. Sobre eles recaíam os impostos que sustentavam tanto a nobreza como o Estado e a Igreja. pois vivia às custas do Estado. O clero era formado pelos membros da Igreja Católica e exercia influência política. Essa questão é importante você ter bem presente. de Portugal. durante todo o período colonial brasileiro. Mas. era parasitária. o protecionismo e o monopólio. 6 As med i d a s tomadas p e l o s Estados mercantilistas variaram em cada p a í s devido às s u a s especificidades. os proprietários de terra e os portadores de títulos de nobreza. a colônia era um centro exclusivo de exploração metropolitana. através da exploração colonial. ou seja. que além de não pagarem impostos ao Estado. o que isto significa? Ora. A nobreza. desde os grandes comerciantes e banqueiros até os servos. enriquecer a burguesia e lançar as bases para o posterior desenvolvimento da industrialização na Europa. para uma nação enriquecer era preciso que o comércio fosse vantajoso: exportar mais e importar menos. ou seja. O MERCANTILISMO A Europa foi a principal beneficiada com a expansão marítima. o metalismo. ou seja. E o monopólio? A exploração da colônia era feita através de monopólios. que você estudou no Caderno I de Sociologia. com o propósito de proteger o mercado interno (protecionismo). ter uma balança comercial favorável. na França. sendo composto por grupos heterogêneos. religiosa e cultural na sociedade. que constituía a minoria da população.

A economia desse período era a mercantilista. não só a encontraram povoada. portanto o Brasil. A expansão marítima e a conquista do século XV alteraram o rumo da história.24 História da Educação De acordo com tudo que você estudou até agora. mas também a cultura européia espalhou-se pelos quatro cantos do mundo. osso e pedra. as doenças e a escravidão. Dessa forma. não só a encontraram povoada. não apenas o comércio. As conseqüências do contato com os europeus foram a morte. conhecido como “O Século das Revoluções”. coletores e agricultores. Essas populações viviam espalhadas pelo continente. No Brasil viviam diferentes grupos indígenas. . principalmente através da exploração colonial. que fabricavam instrumentos em cerâmica. Para você refletir: Você viu que a grande beneficiada com a exploração colonial no período moderno foi a Europa. é possível perceber que a exploração e a colonização da América Latina. com o surgimento de movimentos contrários ao rei. as doenças e a escravidão. este representante do Estado Nacional. como trataram de destruir toda a manifestação cultural e econômica que lembrassem essas civilizações. que compreende desde o século XVI até o Século XVIII. é resultado dessa exploração? Quando os europeus chegaram na América. a nobreza e ao clero. RESUMO: Quando os europeus chegaram na América. A expansão fez com que os europeus mantivessem contatos com povos de todo o mundo. Isto você verá mais adiante. As bases desse sistema vão sofrer um grande abalo no século XVIII. possuíam diferentes culturas (diversidade cultural) e estágios de desenvolvimento tecnológico. osso e pedra. pelo metalismo e pelo fortalecimento dos mercados nacionais. caçadores. As conseqüências do contato com os europeus foram a morte. hoje. Essas populações viviam espalhadas pelo continente. que se caracterizou pela intervenção do Estado na economia. você concorda que uma das causas do subdesenvolvimento da América Latina. o que fortaleceu a burguesia e o poder do rei. que fabricavam instrumentos em cerâmica. No Brasil viviam diferentes grupos indígenas. ocorreu em função dos interesses dos Estados Absolutistas da Europa no período moderno. madeira. possuíam diferentes culturas (diversidade cultural) e estágios de desenvolvimento tecnológico. coletores e agricultores. madeira. incluindo. dando início ao chamado período moderno. caçadores. através da balança comercial favorável. como trataram de destruir toda a manifestação cultural e econômica que lembrassem essas civilizações. Desenvolveu-se a expansão capitalista. O poder do rei foi bastante fortalecido. Após refletir sobre essa questão.

em circulação. composta . desde a Idade Média. que se caracterizou pela intervenção do Estado na economia. mais abastecedora que consumidora. a cruzada de extermínio.. de autoria de Eduardo Galeano. o intercâmbio desigual ia abarcando cada vez mais segmentos sociais e regiões do planeta (. A Europa necessitava de ouro e prata. Dessa forma. dando início ao chamado período moderno. mas também a cultura européia espalhou-se pelos quatro cantos do mundo. no primeiro tomo de O Capital: “O descobrimento das jazidas de ouro e prata da América. se multiplicavam sem cessar e era preciso alimentar os movimentos do capitalismo na hora do parto: os burgueses se apoderavam das cidades e fundavam bancos. o que fortaleceu a burguesia e o poder do rei. interno e externo. não apenas o comércio. quatro vezes maior que o valor das importações. através da balança comercial favorável.. conquistavam novos mercados. a conversão do continente africano em local de caça de escravos negros são todos feitos que assinalam os alvores da era de produção capitalista. À medida que se estendia a economia monetária. produziam e trocavam mercadorias. Os meios de pagamentos. escravização e sepultamento nas minas da população aborígene. O poder do rei foi bastante fortalecido. principalmente através da exploração colonial. açúcar: a economia colonial. O texto abaixo. O valor das exportações latino-americanas de metais preciosos foi. foi o meio mais importante para a acumulação primitiva de capitais que. (.. arrancados da África pelos traficantes. nos socavãos e jazidas. A economia desse período era a mercantilista. este representante do Estado Nacional. A Europa estendia seus braços para alcançar o mundo. do trabalho forçado dos indígenas e escravos negros.) A rapinagem dos tesouros acumulados sucedeu a exploração sistemática. O saqueio. Esses processos idílicos representam outros tantos fatores fundamentais no movimento da acumulação original”. durante prolongados períodos do século XVI. Para saber mais: 1. o começo da conquista e o saqueio das Índias Orientais. estruturou-se em função das necessidades do mercado europeu. Ouro. possibilitou o surgimento de uma nova etapa histórica na evolução econômica mundial. argumenta que a economia da América Latina desenvolveu-se em função do mercado internacional desde o processo de colonização. Desenvolveu-se a expansão capitalista. conquistadas e colonizadas dentro do processo de expansão do capital comercial. A expansão fez com que os europeus mantivessem contatos com povos de todo o mundo.) As colônias americanas foram descobertas. prata. pelo metalismo e pelo fortalecimento dos mercados nacionais.25 C A P Í T U L O I A expansão marítima e a conquista do século XV alteraram o rumo da história. Leia o texto com atenção e depois reflita: será que o argumento do autor ainda se aplica hoje à realidade brasileira? “Escreveu Karl Marx.. e a seu serviço.

39/41) 2. América Pré-Colombiana.1994. Eduardo. O que é etnocentrismo. aplicasse o Evangelho quase tão freqüentemente como o chicote. As Veias Abertas da América Latina. em conseqüência. ROCHA. e produzia o que dela se esperava na Europa: cada produto.ª ed. Ciro Flamarion S.(Werner Herzog: Alemanha.gov. História do Brasil Colonial. converteu-se numa vocação e num destino. 7. 11. pp.ª ed. Ao longo do processo. 1972) 3. 1992. que concentrava renda e poder. A divisão internacional do trabalho. Se você fazer uma pesquisa na Internet.” (GALEANO. São Paulo:Brasiliense. sugerimos os seguintes sites: http://www..com.djweb.ª ed. A Cólera dos Deuses .met. além disso. 8. Esta era a missão fundamental que trouxe os pioneiros.26 História da Educação por escravos. parecia-se mais com a distribuição de funções entre o cavaleiro e o cavalo. São Paulo: Brasiliense.html http://www. 1992) Aguirre.ª ed. carregado nos porões dos navios que sulcavam o oceano. Luiz Roberto. sugerimos que assista os seguintes filmes: 1492: A Conquista do Paraíso – (Ridley Scott: EUA/França/Espanha. 25.ª ed. A estrutura econômica das colônias ibéricas nasceu subordinada ao mercado externo e. Os mercados do mundo colonial cresceram como meros apêndices do mercado interno do capitalismo que emergia.historiadobrasil. Everardo. embora. CARDOSO. como diz Paul Baran. Porto Alegre:Mercado Aberto.com. LOPEZ.br/index.br/historia/capaesq. 1987. cada região identificou-se com o que produzia.html . centralizada em torno do setor exportador. Para leituras complementares sugerimos: GALEANO. Os recursos fluíam para que os acumulassem às nações européias emergentes do outro lado do mar. 1993.. Rio de Janeiro: Paz e Terra. As Veias Abertas da América Latina. Eduardo.. 4. desde a etapa dos metais à provisão de alimentos. aos índios agonizantes.br/500anos/ http://www. 1987. tal como foi surgindo junto com o capitalismo.. Para aumentar seu conhecimento sobre o que você estudou até este momento. sal e artigos de luxo.. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 25.

IV e II (C). II. objetos e figuras. . IV – Um traço fundamental nesta sociedade era a solidariedade e a cooperação. III e IV (B). mas usavam um sistema de cordões e nós. 2. Relacione as colunas: I – Desenvolveram a Astronomia e a Matemática. Possuíam um sistema de escrita. II – Possuíam escolas diferenciadas entre nobres e pobres. I. O que é possível perceber através desta atividade é a diversidade cultural. pela quantidade e posição dos nós. A educação das crianças era pragmática e desde cedo aprendiam os papéis que iriam desempenhar quando adultas. III e IV Comentário: Se você assinalou a opção (C) parabéns. III. I. A ordem correta é: ( ( ( ( ) Incas ) Maias ) Guarani ) Astecas (A). I. ao realizar suas atividades você estará reforçando sua aprendizagem. IV e II D). II. e hieroglífica. Você estudou que os povos pré-colombianos são caracterizados pela diversidade cultural e que possuíam diferente desenvolvimento tecnológico. foram elaboradas a partir dos objetivos expostos no início do capítulo. a seguir.27 C A P Í T U L O I ATIVIDADES: DIFERENTES MANEIRAS DE VER E VIVER NO MUNDO 20 minutos As atividades. A informação era identificada pela cor do cordão. chamado quipu.Não possuíam escrita. e baseada na representação de objetos ou idéias. 1. Essas diferenças resultaram também em diferentes concepções de educação. Explique porque é importante perceber a diversidade cultural e de que forma ela está presente em seu cotidiano? ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Comentário: Em sua resposta tem que estar presente o que significa a diversidade cultural e que a importância de se perceber a diversidade implica em conhecer e respeitar a diferença existente em sua comunidade ou na escola. símbolos. Assim. exclusivamente sagrada. que você já discutiu anteriormente. apontando a existência da diversidade cultural entre os povos que viviam no continente que veio a denominar-se América e as diferentes visões de mundo destes povos em relação aos conquistadores europeus. I. e um sistema de escrita pictória. III. sua resposta está correta. usada e entendida por sacerdotes. III .

a necessidade de metais preciosos para o mercado europeu. o mercantilismo e a formação dos estados nacionais. ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Comentário: Em sua resposta tem que estar presente as seguintes idéias: os motivos religiosos. 4. ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Comentário:Sua resposta tem que compreender as seguintes idéias: a visão eurocêntrica dos europeus e o conseqüente genocídio e destruição de povos e culturas americanas e o enriquecimento das nações européias através da exploração colonial. Aponte quais as conseqüências da expansão européia para as sociedades précolombianas. . Explique as transformações ocorridas na Europa que implicaram no processo de expansão e na conseqüente conquista da América.28 História da Educação 3.

deixando de lado as explicações teológicas. Os jesuítas tinham como principal objetivo converter os povos indígenas e. a Igreja Católica desencadeou uma forte reação com a Contra Reforma. como você já estudou no caderno pedagógico I. antes de tudo é preciso nos localizarmos no tempo e no espaço e tomar conhecimento do cenário daquela época. Você sabe algo mais aprofundado sobre os jesuítas no Brasil? A vinda do padre Manuel da Nóbrega para o Brasil. que aos poucos foi se afastando do mundo medieval. pelo padre espanhol Inácio de Loyola. a revalorização da cultura grega. o Concílio de Trento (1545-1563). Diferenciar o plano de estudos do Padre Manoel da Nóbrega da Ratio Studiorum. 1994. . formação das monarquias nacionais. pondo em risco a hegemonia do catolicismo entre ‘os povos eleitos por Deus’ para propagar seu nome e seus mandamentos”. aliás.29 C A P Í T U L O I RATIO STUDIORUM: A IMPLANTAÇÃO DA EDUCAÇÃO CATEQUÉTICA NO BRASIL Seção 2 Objetivos específicos: Perceber o papel dos Jesuítas na educação brasileira no período colonial. revolução comercial. representa o início do trabalho de “catequização”. em 1534. Com a preocupação de não perder fiéis. instituindo. a Igreja Católica criou também várias ordens religiosas. grandes descobertas (caminho para as Índias e para a América).40). que foram substituídas por idéias com base no uso da razão. Reforma Protestante e a Contra Reforma Católica. Percebe-se assim a importância de diversos acontecimentos que marcaram o Renascimento: grandes invenções (bússola e pólvora). p. que tinha pela frente a arriscada batalha de fazer recuar a invasão protestante que se verificava no ‘mundo civilizado’. justamente nos seus pólos mais avançados. Você concorda? Os séculos XV e XVI foram transformados pelo Renascimento. Buscava-se. “Companhia. Humanismo (procura da nova imagem do homem e da cultura). fundada. sobretudo. (XAVIER. Partindo desta preocupação. expandir a fé católica e contra-atacar a Reforma Protestante. em 1549. entre elas a Companhia de Jesus. ao mesmo tempo. Para compreendermos o papel dos jesuítas na educação. era o termo adequado para nomear um pelotão de soldados de Cristo e da Igreja.

larga de dez. numa barraquinha de caniço e barro. facilitando a dominação do povo que se encontrava na colônia. 1986. Os trabalhos dos jesuítas eram voltados para a conquista dos jovens. Os jesuítas ficaram conhecidos como soldados de Cristo. com a missão cristã e civilizatória de acabar com as crendices indígenas. tomando conhecimento das funções que iria exercer quando adulto. as instalações eram precárias. uma vez que os adultos eram mais difíceis de serem convertidos. longa de catorze pés. O Pe. Padre Jesuíta em atividade de catequização indígena. impondo assim uma nova forma de ver e conceber o mundo. mais de vinte dos nossos. Espírito Santo e São Vicente. José de Anchieta. Quando a fumaça da cozinha incomoda os professores e alunos. a despensa. A partir da segunda metade do século XVI (1564). já se encontravam aproximadamente dez jesuítas no território brasileiro e esse número aumentou cada vez mais. p. A metrópole desejava que a educação dos índios servisse para formar súditos do rei em terras tropicais. sendo este um dos motivos para serem expulsos pelo Marquês de Pombal. nesse período. a cozinha. Dessa forma. os jesuítas acabaram se tornando ricos e poderosos frente à coroa portuguesa. A princípio. A criança participava diretamente nas atividades tribais.44). compreendendo 10% de todas arrecadações dos impostos. foi criado um imposto destinado à manutenção dos colégios jesuítas. Em meados do século XVI. estava estreitamente vinculada à política colonizadora portuguesa. que você verá mais adiante. . a enfermaria.30 História da Educação A educação das populações indígenas do território brasileiro antes da chegada dos jesuítas era diferente da dos europeus. daí utilizarem como principal instrumento a educação através de escolas. o dormitório. A criança era usada para infiltrar na comunidade os valores da fé cristã. escrevia: “As vezes. Em 1552 existia um grande número de alunos nas três escolas de instrução elementar no Brasil: em Salvador. a educação brasileira. ou seja. Com o passar do tempo. em carta a Santo Inácio de Loyola. através da uniformização da fé buscava-se uma unidade política. É isso a escola. chamado de “Padrão de Redízima”. a educação prossegue ao ar livre: porque é preferível sofrer o incômodo do frio de fora do que o fumo de dentro” ( TOBIAS. coberta de palha.

ou seja. 7 Os col o n o s eram os portugueses que recebiam terras da Coroa Portuguesa para ocupar o n o v o território. ao invés dos índios. Esse processo culminará com a instituição da Ratio Studiorum. (latifúndio. que incluía o ensino da doutrina cristã e a escola de ler e escrever. os jesuítas começaram a se preocupar em atingir como público alvo os filhos dos colonos. seguido de viagem à Europa. além dos filhos dos colonos. . excluindo-se das etapas iniciais de estudo o aprendizado de canto. já que os jesuítas eram os únicos educadores oficiais da colônia. o plano do Pe.31 C A P Í T U L O I Inicialmente o plano educacional. o ensino de canto orfeônico (coral) e de música instrumental. havia uma bifurcação: podia-se seguir pelo aprendizado profissional e agrícola. ou pelas aulas de gramática seguidas de viagem à Europa. Esse plano de estudos foi elaborado para atender a objetivos muito diversos. profissional e agrícola. desenvolvido pelo Pe. 8 Neste caso. música instrumental. dos órfãos e dos filhos dos caciques. tinha a intenção de catequizar e instruir os indígenas. A partir daí. Iniciava pelo aprendizado do português. Manoel da Nóbrega e implantado no Brasil. Esse plano de estudos concentrou seu programa nos elementos da cultura européia. sendo que através deles se processaria a educação dos mestiços. Foram instituídos os “Recolhimentos”. escravidão e monocultura). Manuel da Nóbrega deixou de vigorar. que trouxe grandes mudanças à prática pedagógica dos jesuítas. bem como os filhos dos colonos7. Depois continuava. Pintura retratando um engenho de cana-de-açúcar do nordeste brasileiro Inicialmente. mas diante da falta de “adequação” do índio e de acordo com as características da colônia. aos índios foi reservada a aprendizagem agrícola e aos filhos dos colonos. em 1599. em caráter opcional. A partir da publicação das “Constituições da Companhia de Jesus” em 1556. em regime de externato. não havia a intenção de oferecer um ensino diferenciado aos indígenas e aos filhos dos colonos. o ensino da gramática. tratava-se de uma elite local. ao invés de leigos8. e formar futuros padres. Com o passar do tempo. leigo significa o aluno dos colégios jesuítas que não seguiriam a carreira religiosa.

Havia um controle rigoroso para manter a tradição: “Se alguns forem amigos de novidades ou de espírito demasiado livre devem ser afastados sem hesitação do serviço docente”. e. como ficou? Os índios. o segundo. sem participar do mundo externo. Cosmologia.o primeiro seria o herdeiro.Estudos baseados na Escolástica de São Tomás de Aquino e nas Sagradas Escrituras. Metafísica. Filosofia . por isso foram ao Pe.32 História da Educação Segundo a Ratio Studiorum. * Teologia .Retórica e gramática latina e grega. E a educação feminina. o ensino abrangia três cursos com diferentes conteúdos: Humanidades . 28). já que foram os educadores durante 210 anos. baseado na monocultura. Porém. Ética e Ciências. Até agora falamos da educação para os filhos dos nativos. 1967. 9 * * A sociedade patriarcal caracteriza-se pelo p o d e r centralizador do senhor de engenho. O modelo de educação implantado era adequado à política colonial portuguesa. que deveria seguir a vida religiosa . através do trabalho escravo e. deixando de lado o trabalho manual. mas também pelo teatro. que nunca foram permitidas pela Coroa Portuguesa. A catequese interessava à Companhia de Jesus porque aumentava o número de adeptos do catolicismo. A formação intelectual oferecida pelos jesuítas foi marcada por uma intensa “rigidez” na maneira de pensar e. diferentemente dos europeus. preocupavam-se com a educação das mulheres. os jesuítas tornaram-se instrumentos na formação da elite colonial. Como você pode perceber. Conseguiam essa façanha não só através dos colégios. Convém lembrar. a economia colonial desenvolveu-se em torno do engenho de açúcar no Nordeste. ou pelo terceiro filho. A partir da Ratio Studiorum os instruídos serão os filhos dos colonos e os índios apenas serão catequizados. p.Lógica. (Trecho da Ratio conforme PAIM. a qual era decorada. portanto. exceto o da igreja. o professor começava a lecionar. sobretudo centrada no poder do senhor de engenho. Neste contexto é possível perceber a influência que os jesuítas exerceram sobre as decisões destes senhores. Desta . o letrado. nem a escrever. que no século XVI. Manoel da Nóbrega pedir-lhes escolas para as cunhataís (meninas). daí o caráter patriarcal9 da sociedade do período. Somente após os trinta anos. mestiços e filhos dos colonos. de enxergar e interpretar a realidade. conseqüentemente. mais fácil de ser aproveitado como de mão-de-obra escrava. no latifúndio e no trabalho escravo. interpretadas à luz dos dogmas da Igreja. pois se privilegiava o trabalho intelectual. As cunhataís recebiam lições diárias da doutrina cristã. vivendo em função dos afazeres domésticos. O plano inicial de catequizar e instruir os índios foi alterado. Ao colonizador interessava pelo fato de tornar o índio mais dócil. não aprendiam nem a ler. A preparação dos professores recebia uma atenção toda especial através de treinamento e leitura. abalado pela Reforma Protestante. Matemática.

os alunos ficavam distantes da realidade em que viviam. a expectativa da “descoberta”de incontáveis riquezas (que já estavam lá. inteiramente . Para a Igreja isso significava a conquista de mais fiéis. sendo a metrópole o modelo ideal. iniciou-se com a chegada do Pe. os jesuítas passaram a se preocupar especificamente com a instrução dos filhos dos colonos. filhos de colonos. negros e mulheres eram excluídos do processo educacional. Pobres. Os “soldados de Cristo” deveriam extinguir as crendices nativas. com o objetivo de converter os indígenas e evitar a propagação da Reforma Protestante. Nóbrega criou os “Recolhimentos”. tão estimulada pela mitologia medieval. Ainda hoje observamos que a elite brasileira continua de costas para o Brasil e de joelhos dobrados para tudo o que é europeu ou norte-americano. o que era fundamental para os colonos. formando portanto a elite colonial. Após a instituição deste plano de estudos. num primeiro momento fez com que pouquíssima atenção fosse dedicada às culturas autóctenes da América e essa nova humanidade. impondo-lhes uma nova realidade. pois tornava-os mais dóceis e fáceis de serem aprisionados. negros e mulheres . Para a manutenção de seus colégios criou-se o “Padrão de Redízima”. índios. A maioria da população era iletrada . Na Ratio Studiorum (1599) o ensino abrangeria três cursos: Humanidades.pobres. no Brasil. Além da esplendorosa natureza. atendendo uma clientela específica. o que se repete até hoje! Para saber mais: 1. Filosofia e Teologia. em 1549. RESUMO: O trabalho de catequese e educação. sendo a educação marcada pela disciplina e rigidez. bastando que fossem descobertas). de caciques e órfãos. Manuel da Nóbrega. mestiço.o que fazia a elite colonial acreditar que o mundo civilizado estava lá fora. se caracterizando como uma educação elitista. imposto de 10% sobre as transações econômicas da colônia. Os índios serão apenas catequizados. No texto abaixo você encontrará uma visão da descoberta e destruição das culturas nativas: “O incomparável choque ecológico e cultural que representou a conquista da América começou para os europeus com a “visão do paraíso”.33 C A P Í T U L O I forma.

tal qual existira até o século XV.34 História da Educação desconhecida. rapidamente se transmutava na de um outro inferior. aos negros não foi reconhecido o direito de serem filhos legítimos de Deus e. Marcos. cuja ponta de lança foi a Ibéria. no Império Inca. “A sujeição das culturas e a reinvenção do subalterno. com um outro igual. que as riquezas fáceis não vinham sendo encontradas e que se manifestava a resistência mimética ou aberta dos indo-europeus. O choque cultural provocado pela invasão européia gerou a destruição das culturas ameríndias. (muitos dos quais andavam nus) faltavam a cristianização e o reconhecimento da Coroa de Portugal e da Espanha para que se tornassem homens completos. que recolocava a questão da alteridade. embora dotados de “alma”. p. já ia adiantada. Cadernos do IFAN. ou para a agricultura predatória (no caso do Caribe e do Nordeste brasileiro). no Império Asteca. EDUSF. como no caso dos Ameríndios. em grande parte passiva dos índios e da inacreditável mortandade da qual foram vítimas. 2. subalternos pela origem e na pela queda. ou para a mineração (no caso dos povos de alta cultura da meso-América e dos Andes). 17-18. n 4. 1993. a sujeição ao trabalho servil e as doenças epidêmicas trazidas pelos europeus provocaram o maior genocídio da história da humanidade: no primeiro século da conquista. In: Seminário: 500 anos de América. incapazes de reconhecer a verdadeira religião. no início do século XVII restavam não mais que 8 milhões”. de início. subalterno. a invasão e destruição da América. 1986) . Para ilustrar a ação dos jesuítas na América assista o filme: A Missão (Roland Joffe: Inglaterra. interrompendo um desenvolvimento histórico autônomo que havia produzido organizações estatais relativamente avançadas e aglomerados urbanos significativos como Tenochtitlan. e Cuzco. os índios passaram a ser considerados filhos decaídos de Deus. Para justificar essa situação. mas infantil. Diante da resistência. a população originária da América foi reduzida em cerca de 90 % . a necessidade da colonização e principalmente do comércio atlântico fez com que o tráfico de escravos negros se estendesse por toda a orla leste da América. porém. a concepção de outro igual. Coerente com a “visão de paraíso” os ameríndios foram vistos. Ainda que guardadas todas as enormes diferenças de padrão etnocultural no continente invadido pela Europa. DEL RIO. A força militar. todos os povos americanos foram submetidos à servidão. portanto. Na medida. Bragança Paulista. Quando os povos negros subjugados e arrancados de seu continente de origem vieram servir de bestas de carga nas plantações do “Novo Mundo”.dos cerca de 80 milhões de habitantes do momento da chegada de Colombo. degenerados. só que incompleto como a infância: a esses homens.

br/jesuitas/index.. 4. José Carlos. Rio de Janeiro: Relume Dumará. 1982. José de Anchieta: o Apóstolo do Brasil. Magno. 1997. com o desenvolvimento das idéias renascentistas. 1997.rdc. Você lembra que no início desta seção nós fizemos um breve retorno a alguns aspectos que marcaram o mundo moderno? Relacione as transformações que estavam ocorrendo neste período com a vinda dos jesuítas para o Brasil.. Para leituras complementares sugerimos: MAIA. Os Jesuítas. A escravidão negra na Bahia do século XVII. Se você quiser fazer uma pesquisa na Internet sugerimos os seguintes sites: http://www. ocorrendo um afastamento do obscurantismo religioso através do uso da razão. VILELA.htm#forma . _____________________________________________________________ __________________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ ______________________________________________________________ Comentário: No início do período. Pedro Américo. grandes descobertas. São Paulo: Brasiliense. Neste período tivemos acontecimentos que marcaram o mundo: grandes invenções.br/ http://venus. com o objetivo de expandir a fé católica. Uma questão de igualdade.35 C A P Í T U L O I ATIVIDADES: OS JESUÍTAS E A DIFUSÃO DA CULTURA EUROPÉIA 20 minutos 1. Reforma e a Contra Reforma. Antônio Vieira. Humanismo. São Paulo: FTD.com.puc-rio.jesuitas. revolução comercial. Inseridos neste contexto ocorrerá a vinda dos jesuítas para o Brasil. 3. SEBE BOM MEIHY. combater a Reforma Protestante e educar os habitantes da colônia. ocorreu a revalorização da cultura grega. formação das monarquias nacionais.

Destaque as principais características da educação jesuítica e faça um contraponto com a sua prática pedagógica. educação elitista.36 História da Educação 2. . procurando fazer um contraponto com a sua prática pedagógica atual. como os principais educadores no Brasil. disciplina e rigidez. Os jesuítas permaneceram durante 210 anos. Você estudou nesta seção como foi implantada a educação jesuítica no Brasil colonial. _____________________________________________________________ __________________________________________________________________ ______________________________________________________________ _____________________________________________________________ _________________________________________________________________ _____________________________________________________________ __________________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ _____________________________________________________________ __________________________________________________________________ ______________________________________________________________ _____________________________________________________________ _________________________________________________________________ _____________________________________________________________ __________________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ Comentário: Gostaríamos que você percebesse aspectos como ensino diferenciado.

Considerada a única autoridade quanto à maneira de pensar ou de agir. Todos esses acontecimentos resultaram na modificação do pensamento europeu. Um dos pensadores (precursores). que contribuiu para o surgimento de novas idéias foi o filósofo inglês John Locke (1632-1704). através do qual o homem procurou desenvolver o uso da razão. a ação dos jesuítas no Brasil durante 210 anos do período colonial. a começar pela alta burguesia. Você já deve ter percebido. que a história é processo e que. Com essas mudanças. quando o homem buscou valorizar seus poderes em oposição ao teocentrismo medieval10 . até conquistar sua hegemonia na sociedade. ocorrem transformações constantes nas sociedades. ao longo do estudo do caderno. ou seja. . 10 Teocentrismo medieval: crença ou doutrina característica da Idade Média que considera Deus o centro do universo. foi-se formando um novo entusiasmo pela razão. A partir do século XV. que você já estudou no Caderno I de Sociologia. Todos esses acontecimentos influenciaram na educação praticada. o Mercantilismo. o que afirmaria sua soberania social. Essas idéias. Locke defendia a idéia de que era preciso submeter toda afirmação à prova da experiência e da interferência empiricamente comprovada. Tal tendência foi acentuada no século XVII pelo racionalismo11. portanto. num processo que ficou conhecido como revolução industrial. Na sua obra Alguns pensamentos sobre educação (1693). a Reforma Protestante e a Contra-Reforma Católica. também conhecido como “Século das Luzes”. que na segunda metade do século XVIII foi assumindo um papel cada vez mais relevante. Estamos falando do movimento denominado Iluminismo. por exemplo.37 C A P Í T U L O I O IDEAL ILUMINISTA NA EDUCAÇÃO Seção 3 Objetivos específicos: Identificar as mudanças no pensamento europeu e na educação européia com o desenvolvimento do pensamento iluminista. ocorreu a emergência de novos grupos sociais. entre elas você já viu: as Grandes Navegações. 11 Racionalismo: método de observar as c o i s a s baseado exclusivamente na r a z ã o . Isto é importante você ter presente para poder compreender que desde o Renascimento. tanto da mente como da moral de todo indivíduo burguês. como. chegando ao século XVIII confiante o suficiente para não mais contemplar a natureza. esse autor destacou a educação como sendo um instrumento de formação. Explicar a influência das idéias iluministas na reforma pombalina e na educação no Brasil colonial. mas sim. ocorreram profundas mudanças na sociedade européia. conhecê-la para dominála. que podem ser entendidas no contexto histórico da sociedade inglesa no decorrer do século XVII. inclusive no que diz respeito à educação. através de um desenvolvimento caracterizado por uma radical mudança político-econômica que transformou a Inglaterra de estado feudal e agrícola em monarquia parlamentar e a direcionou para a industrialização.

Surgiu. as quais promoveram programas de estudos renovadores e funcionais. nem figuras como a do padre. como na França. que contrapõem uma concepção de mundo dominada pela Igreja. com programas escolares atentos às ciências. O Iluminismo acarretou em modificações políticas. econômicas. No que se refere à educação. Nesse contexto. não mais emissário do poder religioso e político. Foram elaborados planos de estudos práticos e científicos no lugar de eruditos e literários. Alguns pensadores do período iluminista: Diderot. incisivo e dinâmico. Mas. assim.38 História da Educação São justamente estas transformações que levaram Locke a colocar no centro de sua reflexão educativa o modelo do gentleman (homem bem educado. “a pedagogia será a arte e a técnica de modelar indivíduos conformes. sendo esta centrada e organizada pelo Estado. autônomo. sem vínculo religioso. nem aos interesses da aristocracia. Seus pensadores defendiam o uso da razão para explicar os fenômenos ocorridos na natureza e na sociedade. mas sim. estabeleceu-se a idéia de uma cultura pedagógica inovadora. Este pressuposto tornou possível iluminar o pensamento do homem. O que podemos considerar é que os ideais iluministas vão romper com os padrões estabelecidos pelo Antigo Regime. para o qual ele traçou também um renovado currículo de estudos: o latim ficou reduzido o suficiente para enfatizar as boas maneiras e o trabalho passou a ser visto pelos pensadores do período como um hobby. com a finalidade de formar o homem moderno (livre. É possível perceber um processo de laicização educacional13. bem como as próprias instituições de ensino. o quanto possível. Locke ressaltou a liberdade do homem e a potencialidade infinita de seu intelecto. D’Alambert e Voltaire 12 Os filósofos iluministas12 projetaram uma educação que visava formar um cidadão com bom senso. Nem livros como a Bíblia. à história e às línguas modernas. (Gusdorf. ou seja. p. fazendo com que cada homem desenvolvesse sua identidade nacional. o Iluminismo conseguiu produzir teorias pedagógicas inovadoras e orgânicas. O gentleman era visto como o modelo ideal para a burguesia. já não era possível ligar a educação à religião. remodelou-se a metodologia. através da qual os povos submetiamse ao domínio da razão. Em alguns países europeus. ativo e mais responsável socialmente). à sua cultura e ao seu 13 Laiciz a ç ã o educacional: formação de uma educ a ç ã o laica. 1999. opondo-se ao trabalho desenvolvido pelos jesuítas. cavalheiro). sociais e culturais na sociedade européia. favorecendo a criatividade e a renovação. nem saberes como a teologia serão considerados como centrais no universo do saber. In: CAMBI. 327). um novo intelectual. opondo-se aos jesuítas e à metodologia de ensino por eles idealizada. . Tentaram deixar de lado o latim. à aspiração a uma razão iluminada”. como nas escolas confessionais. o que viria a ser essa “razão iluminada?” A idéia de “razão iluminada” estava ligada ao movimento Iluminista. Assim.

39 C A P Í T U L O I ideal formativo. apaziguar conflitos sociais. uma espécie de dicionário organizado por Diderot. Sob a influência das idéias iluministas ocorreram diversos movimentos revolucionários em vários países da Europa em oposição ao Absolutismo. até então controlada pela Igreja. ou seja. a Química (Lavoisier é considerado o “pai” da Química moderna) e a Medicina (várias vacinas foram descobertas). Neste ainda permaneceram traços da cultura “da imitação. foram os elementos chaves para que ocorresse a luta contra o Antigo Regime. Os ramos científicos especializaram-se. Para você refletir: Neste momento você poderia refletir sobre o que mudou na educação com o Iluminismo em relação à educação praticada anteriormente pelos Jesuítas. 1994. um novo intelectual. com a contribuição de 130 autores de diversos campos do conhecimento. uma vez que a função educativa deve promover o progresso. No entanto. não significou melhores condições de vida para a maioria da população. (XAVIER. que desenvolveu um papel decisivo e central na sociedade. assumiu a função Pedagógica. . Ao contrário desses dois países. baseada no estudo da retórica. na Enciclopédia. a substituição do governo de minoria aristocrática do Antigo Regime pelo de minoria burguesa. que se dividiu em Botânica e Zoologia. As desigualdades sociais. Foi nas idéias dos filósofos racionalistas que a burguesia encontrou argumentos em sua luta contra o despotismo e a favor da igualdade de direitos. no período contemporâneo. bem como criou escolas com a preocupação de formar professores (Escolas Normais). As artes e as ciências também sofreram a influência do pensamento iluminista. 51). o Estado controlava toda a instrução. como a Biologia. bem como minimizar os contrastes ideológicos. Academias e associações de cientistas foram fundadas por toda a Europa. filosofia e teologia? Com o Iluminismo formou-se. sociedade secreta que buscava propagar as novas idéias contra o obscurantismo da Igreja e o absolutismo real. ou seja. locais de encontros burgueses em que eram discutidas questões referentes à política. a Física. com o objetivo de abordar de forma resumida todo o conhecimento do século. e na Maçonaria. o Iluminismo Português apresentava características diferentes. memorização e erudição literária”. Na Áustria. Lembrase das características dessa educação. a nobreza e o clero. As idéias iluministas foram difundidas de diversas formas: nos cafés. p. as injustiças e as graves condições de pobreza da grande maioria da população européia. mesmo com a mudança na ordem política. sendo que os professores eram vinculados a ele. aliada ao desejo da burguesia por maior participação nas decisões do governo.

e dependia da importação de produtos manufaturados da Inglaterra. ainda no século X V I I . Vale recordar que todas as deliberações ocorridas no Reino português acabavam repercutindo no Brasil colônia. fazendo surgir novas realidades. A nação que tanto havia lucrado com a exploração colonial. enquanto à Revolução Industrial significou mudanças profundas no nível econômico-social. mais conhecido como Marquês de Pombal (1699-1782). o que deu um caráter elitista à educação. que administrou Portugal de 1750 a 1777. e pela superexploração colonial. A principal tarefa do Marquês de Pombal foi a de reestruturar e proteger a economia e a política portuguesa. Assim. era necessário tomar medidas urgentes para a recuperação portuguesa. Nesse período. ou seja. Dessa forma. E no Brasil? De que maneira as novas idéias influenciaram a educação aqui praticada durante o período colonial? Você viu. entre elas a Inconfidência Mineira. constituindo. temos um personagem que será o responsável pelas transformações na educação brasileira: Sebastião José de Carvalho e Melo. ou seja. De que forma isto se deu? É sobre essa questão que iremos estudar a seguir. surge um novo homem. a reforma desenvolvida por Pombal. século XVIII. Mas sob a influência das idéias iluministas ocorreram algumas transformações. moderno e capitalista. assim. Portanto. que os jesuítas eram os responsáveis pela catequização dos índios e pela instrução dos filhos dos colonos. portanto. o término do Antigo Regime ocorreu em 1789. observadas sob diferentes olhares. desencadeando inúmeras revoltas. Na França. com a R e v o l u ç ã o Francesa. No Brasil. A REFORMA POMBALINA Você estudou até agora algumas transformações ocorridas na Europa. com a Revolução Gloriosa de 1688. o da razão. entre elas a emergência das idéias iluministas que defendiam a formação de um novo homem e. destacando-se como pioneira do mercantilismo. buscou controlar as riquezas que chegavam das colônias portuguesas. tais medidas resultaram no aumento do número de impostos e o esvaziamento do aparelho administrativo local. de uma nova educação. Neste sentido.40 História da Educação 14 O primeiro país da Europa a derrubar o Absolutismo foi a Inglaterra. através de uma nova estratégia cultural e educacional. em todo o império lusitano. . considerado a época das grandes revoluções e da proliferação de ideologias. a imagem do Estado e da economia. nos campos econômico e social. o quadro básico para o estabelecimento de uma sociedade capitalista e liberal. As Revoluções Burguesas14representaram transformações substanciais no plano jurídico-político. anteriormente. não se adaptara ao novo contexto econômico. este século foi o divisor de águas entre o moderno e o contemporâneo.

os jesuítas nos legaram um ensino de caráter literário. que incorporasse o estudo das ciências experimentais. tornando os cidadãos discriminatórios. Tratou-se de uma tentativa de preparar a comunidade para estudos futuros na Europa.41 C A P Í T U L O I A reforma pombalina também trouxe modificações na educação praticada tanto na metrópole quanto na colônia. dos que tudo sabem e podem e dos que a tudo se submetem. ciências naturais. em 1759. repetitivo. 1998. Buscouse a implantação de um sistema utilitário e prático. criado para cuidar do planejamento da educação na metrópole e na colônia. praticado pelos jesuítas. distantes da realidade vivida na colônia. e se opôs à educação praticada pelos jesuítas no Brasil. Como você viu. no período. os educadores daqui. A expulsão dos jesuítas desestruturou o sistema educacional existente no Brasil. inibiu-os de uma leitura do mundo real. Inculcaram a ideologia do pecado e as interdições do corpo. elites capazes de reproduzir ‘cristãmente’ a sociedade preservando contrastes e discrepâncias. Enclausurando alunos em preceitos católicos. Essas aulas eram mantidas através de um novo imposto colonial. que demoraram cerca de quarenta anos para serem implantadas. Pombal organizou um novo sistema educacional através de “Alvarás” (decretos). Ao invés de uma reforma efetiva na educação. verbalista. nas quais foram incorporadas matérias como matemática. realizadas pelo Marquês de Pombal. Para Pombal era necessário expulsá-los. . culturalmente retrógrados. grego e retórica. A nova proposta educacional contava com a colaboração de vários cientistas ligados às discussões das idéias iluministas em toda Europa. foi modificado e substituído de forma irregular para o sistema de “aulas régias” de disciplinas isoladas. Esses Alvarás quase não saíram do papel ou demoraram mais de dez anos para se concretizar. além de aulas de gramática latina. estimulando a emulação através de prêmios e castigos que se qualificava como humanista clássico. livresco.(Freire citado por FERREIRA. memorístico. Assim. “o subsídio literário”. Conforme nos aponta Freire: “Quando expulsos. As reformas na educação. politicamente ambiciosos e poderosos no que se refere à economia. instituiu cargos como o de “Diretor de Estudos”. o modelo educacional dos jesuítas estava restrito aos fundamentos católicos. ‘Inauguraram’ o analfabetismo no Brasil”. pois possuíam muitos bens. essas não significaram mudanças de caráter qualitativo para a educação. no intuito de formar uma elite colonial apta a gerenciar as atividades internas de acordo com os interesses da metrópole. pois esses eram. O curso de Humanidades. visavam romper com esse modelo e restringir a participação da igreja no âmbito educacional. p. pois os mesmos eram considerados. Entretanto. física. Apesar do caráter modernizante de suas propostas. 55). em sua grande maioria. retórico. aspectos burocráticos retardaram a implementação dessas aulas.

mal remunerados. Deu-se. além de alguns professores leigos. Parece que a situação do magistério não mudou muito. com os jesuítas. geradas a partir desse processo reformador. os professores-padres foram substituídos por cidadãos que iriam ser pagos. desenvolviam outras funções para garantirem seu sustento. (XAVIER.52). Porém.42 História da Educação Com a reforma pombalina. não havia mais dinheiro nem professores para os índios. 1994. Aos habitantes do Brasil-colônia restava o ensino oferecido pela ordem dos franciscanos. limitando-se à formação de bacharéis. por isso o ensino brasileiro até 1759 era gratuito. sem pessoal docente em quantidade e de qualidade suficiente. tornando possível percebermos que a reforma pombalina era elitista. 37). mas também na estrutura dos prédios escolares. você não acha? Os investimentos eram reduzidos não apenas no pagamento de salários dos professores. Com a expulsão dos padres. Os padres da Companhia de Jesus eram remunerados pelo Rei. 1996. que foram os responsáveis pela educação por mais de dois séculos. Esse último “tinha uma estrutura escolar propriamente dita. em que as matérias apresentavam uma seqüência lógica. As instituições de maior destaque. Desse modo. Dessa forma. significou o desmantelamento da estrutura educacional na colônia.) sem sistematização. tanto Portugal quanto o explorado Brasil. os cursos tinham uma duração determinada e os estudantes eram reunidos em classe e trabalhavam de acordo com um plano de ensino previamente estabelecido”. Quando as aulas fossem oficiais teriam que ser pagas pelo governo. uma “aristocratização” do ensino. os índios e os negros tinham acesso à educação e à instrução. uma vez que o governo português não possuía interesse filosófico ou religioso em educá-los. dos beneditinos e das irmãs carmelitas. Muitos desses “novos professores” eram frutos do trabalho jesuítico. davam continuidade àquele trabalho. principalmente à classe latifundiária. p. destinada a poucos. Esta situação modifica-se após a Reforma Pombalina. criados em 1776 no Rio de Janeiro e o Seminário de Olinda. não dispunham de recursos para pagar dignamente os professores que. a educação tornara-se ainda mais precária do que a desenvolvida pelos jesuítas. é possível concluir que a instrução do país foi drasticamente limitada”. . já que eram extremamente parcos os proventos provenientes do novo imposto cultural. Segundo Xavier “(. Anteriormente. portanto.. fundado em 1800 pelo Bispo Azeredo Coutinho.. uma vez que a Companhia de Jesus tinha o interesse de ampliar o número de fiéis da Igreja Católica. a expulsão dos jesuítas. oriundos de outras profissões. p. foram os cursos de estudos literários e teológicos. (PILETTI. Com a reforma pombalina. portanto. os índios deixaram de ter acesso à catequização.

Pombal resolveu expulsá-los de todas os seus domínios. o homem cavalheiro. defendeu-se a liberdade pessoal e religiosa. em 1808. através do qual o iluminismo passou a transformar a forma dos homens verem o mundo. manutenção e de administração da Coroa na colônia. o novo contexto político-econômico exigia uma nova postura com relação ao ensino. . devido a reforma pombalina. defendia uma educação burguesa ao apontar que esta deveria formar o gentleman. O Marquês de Pombal. ficava sob a responsabilidade dos jesuítas. além de poderosos ideologicamente. no qual esta deveria ser desvinculada dos preceitos religiosos e voltada para a formação do cidadão. Após sua expulsão. Com a transferência da corte portuguesa. tanto na metrópole. era necessário conter os gastos do governo. percebemos o caráter aristocrático das mesmas. passou a ser criticado de forma mais efetiva. Você acha que nos dias atuais a educação permanece aristocratizada ou você acredita que o acesso ao sistema educacional por parte das camadas populares se modificou? RESUMO: O século XVIII ficou conhecido como o Século das Luzes. Parte dos impostos arrecadados. tornaram-se ricos. O absolutismo. que aos poucos. no Brasil. A educação. A educação tornou-se ainda mais elitizada. bem educado. um dos pensadores iluministas. Negou-se a origem divina do poder real através da contestação dos novos filósofos (iluministas). empreendeu reformas que visavam reestruturar a nação portuguesa. Dessa forma. no Brasil. Os poucos professores habilitados eram formados nos colégios jesuíticos. quanto na colônia. movimentos que provocaram transformações no campo político. Para tanto. Ocorre nesse período a laicização da educação. preparando profissionais aptos a assumir cargos de defesa. que deveria servir ao Estado. Para você refletir: Ao analisarmos as reformas efetuadas pelo marquês de Pombal. a educação no país ficou entregue a uma minoria de pessoas nem sempre gabaritada para tal tarefa. John Locke.43 C A P Í T U L O I Essa realidade só passou a se alterar a partir do início do século XIX com a vinda da família real portuguesa para o Brasil. até então incontestável. que governou Portugal entre 1750 e 1777. ficavam nas mãos dos jesuítas.

atentai longamente para a natureza. prometer. corrigir. não exerçais nenhuma coerção a fim de melhor vê-lo por inteiro. Alguma lição se faz necessária? Evitai dar-lhe desde logo. Outra consideração que confirma a utilidade deste método está no temperamento particular da criança. atualmente. teremos jovens doutores e crianças velhas. vive e morre na escravidão.. de pensar. que é preciso conhecer bem para saber que regime moral lhe convém. ao morrer.. observai cuidadosamente vosso aluno antes de lhe dizerdes a primeira palavra. lisonjear. repreender. seus órgãos. pois meter sempre a razão nas coisas desagradáveis é tornar-lhe aborrecida. principalmente para fazerdes com que aprove o que lhe desagrada. Se quisermos perturbar essa ordem. pais e mestres nunca acham cedo demais para ralhar. A partir dele reflita sobre quais os aspectos que. descreve como as crianças deveriam ser educadas na Europa do século XVIII. instruir. pois assim é que aprendereis a não perder um só momento de tão preciosa fase. e seria o mesmo exigir que uma criança tivesse cinco pés de altura do que juízo aos dez anos. enquanto conserva sua figura humana está acorrentado a nossas instituições. de sentir que lhe são próprias. mas deixai sua alma ociosa enquanto for possível(. J. e a criança não tem necessidade desse freio. que lhe adiantaria ter razão nessa idade? Ela é o freio da força. deixai a infância amadurecer nas crianças. Pensais que esse período de liberdade seja perdido para ele? Ao contrário será o mais bem empregado.)Encarai todas as dilações como vantagens: é ganhar muito. Fazei melhor: sede sensato e não raciocineis com vosso aluno. de J.. nada menos sensato do que querer substituí-las pelas nossas. Exercitai seu corpo. envolvem-no em um cueiro. A infância tem maneiras de ver. que não terão maturação nem sabor e não tardarão em corromper-se. O homem civil nasce. embaraço e constrangimento. se puderdes adia-la sem perigo.44 História da Educação Para saber mais: 1. suas forças.) A natureza quer que as crianças sejam crianças antes de ser homens. O texto abaixo. Com efeito. Sofrer é a primeira coisa que deve aprender e a que terá mais necessidade de saber. Homem prudente. na educação das crianças. na sua opinião. é desacredita-la desde cedo num espírito que ainda não está em estado de compreende-la. produziremos frutos precoces. (.. Ao . deixai antes de tudo que o germe de seu caráter se revele em plena liberdade. apelar para a razão.. todos os nossos usos não são senão sujeição. “Toda nossa sabedoria consiste em preconceitos servis.. seus sentidos.(. caminhar para o fim sem nada perder. Cada espírito tem sua forma própria segundo a qual precisa ser governado e o êxito depende de ser governado por essa forma e não por outra. encerram-no em um caixão.) Como não se quer fazer de uma criança uma criança e sim um doutor. devem ser considerados. ao nascer. ameaçar. Rousseau.

Mas onde poremos essa criança para educa-la assim como ser insensível. São Paulo: Moderna. estareis mais afastado da meta do que se tivésseis tido menos pressa em atingi-la. Mas vos terei dito porventura que uma educação natural fosse uma empresa fácil? Ó homens.com. enquanto o médico demasiado apressado o mata. afinal não será um anjo? Essa objeção é séria e sólida. O Iluminismo e os reis filósofos. agireis ao acaso. In: ARANHA. seu mestre mesmo que. Maria Lúcia de Arruda. seus vizinhos. sua governanta.. http://mail. 1995 (Coleção Horizontes) FLORENZANO.com. Será culpa minha se tornartes difícil tudo que é certo? Sinto tais dificuldades. da Gama & LOPES. História da Educação. seu criado.iis. Emilio.br/iluminis. (. J.hystoria. Mostro a meta que é preciso atingir. São Paulo: Brasiliense.htm#texto . 1995 (Coleção Tudo é História) CERQUEIRA. sereis obrigado a voltar atrás. Marcos Antonio.45 C A P Í T U L O I passo que se começardes a agir antes de saber como. 1989. começa a tratá-lo tarde mas o cura. mas digo que quem dela mais se aproximar terá tido o maior êxito. procurando aplicadamente preveni-las.. As revoluções Burguesas. até certo ponto as prevenimos. Belo Horizonte: Lê. não digo que se possa consegui-lo. como um autômato? Na lua. 169-170) 2. Modesto. estuda primeiramente o temperamento do doente antes de prescrever. numa ilha deserta? Afastada de todos os humanos? Não terá ela continuamente no mundo o espetáculo e o exemplo das paixões alheias? Não verá nunca outras crianças de sua idade? Não verá seus pais.Luiz R.1991 (Coleção Tudo é História) 3. confesso: talvez sejam insuperáveis. Se você quiser fazer uma pesquisa na Internet sugerimos os seguintes sites: http://www.br/~jbello/hepombal. expondo-vos a engano. São Paulo: Brasiliense. sua ama.hpg.) O médico sábio não receita às tontas à primeira vista.” (ROSSEAU. Adriano L.html#ini. mas o fato é que. Para leituras complementares sugerimos: FORTES. pp. Salinas. A Europa na Idade Moderna.ig. J.

principalmente. econômicas. O Iluminismo propiciou modificações políticas. Salientado que a reforma pombalina foi influenciada pelo Iluminismo. a partir do século XVIII. elenque tais influências e comente as mudanças educacionais provocadas por esta reforma no Brasil. sociais e culturais na Europa. a reforma pombalina tornou ainda mais problemática a questão da educação no Brasil. passou a receber menos investimento por parte da metrópole o que ajudou a aumentar sua precariedade. após a leitura dessa seção. comente sobre os investimentos dos atuais governos no sistema educacional? Faça uma pesquisa sobre os investimentos que têm sido aplicados na educação em seu município.46 História da Educação ATIVIDADES: O ILUMINISMO E A EDUCAÇÃO COMO DEVER DO ESTADO 30 minutos 1. . ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ _________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ _________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Comentário: Você deve comentar que a partir da reforma pombalina a educação no Brasil adquiriu um caráter aristocrático. Trazendo essa leitura para os nossos dias. 2. Como você pôde perceber.

CAPÍTULO II A EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO Objetivo Geral Listar os principais pedagogos dos séculos XIX e XX. . Descrever as transformações no processo educacional brasileiro e caracterizar a construção e as transformações da sociedade e da educação no estado de Santa Catarina. sistematizando seus pensamentos sobre a educação.

na qual vivemos. com o advento da Revolução Industrial (século XVIII). que passa a produzir para o mercado. as relações de trabalho e de produção são modificadas. refere-se a possibilidade de ascensão social. . o capitalismo. que vendem sua força de trabalho em troca do pagamento de um salário. Identificar as principais idéias pedagógicas desenvolvidas no período. A exclusão social da maioria da população faz com que surjam as primeiras organizações de trabalhadores e as primeiras críticas à exploração. no qual somente o rei e a nobreza possuíam poder político. O nascimento e não a capacidade intelectual era o que definia o futuro de uma pessoa no período feudal e moderno. a sobrevivência torna-se precária e apesar dos avanços tecnológicos da industrialização. e que se iniciou a partir desse momento. os operários não têm acesso aos benefícios da nova ordem econômica. força os servos a deixarem suas terras e irem em direção as cidades em busca de melhores condições de vida. ocorrida em 1789. fundamentando as teorias socialistas. O início do mundo contemporâneo é marcado pela Revolução Francesa. relacionando-as com a nossa prática educacional. As cidades crescem. Isso é questionado pela burguesia uma vez que tinha interesse em assumir cargos na burocracia estatal. Neste momento a burguesia chega ao poder e inicia sua luta pelo fim do regime aristocrático e feudal. Fábrica têxtil paulista do início do século XX Além disso. A industrialização e a introdução de novas técnicas de trabalho no campo.49 C A P Í T U L O II EDUCAÇÕES PÚBLICAS NACIONAIS E PRINCIPAIS PEDAGOGOS Seção 1 Objetivos específico:s Relacionar as transformações econômicas e políticas e a sua influência nas reflexões pedagógicas do período. Surge uma nova classe social. Uma das características da sociedade burguesa. os operários.

prejudicou sua organização escolar e a partir de então sua política foi a de implantar uma escola unificada acessível para todos. dando especial atenção à educação elementar. políticas. no início do século XIX. Esse movimento em prol da escola elementar estatal consolida-se no decorrer do século XIX. Logo. A derrota para a França. Para ele o ensino tem uma função social e o povo não deveria ser apenas instruído. Na Alemanha a preocupação com a educação elementar vem desde Lutero. Nesse contexto de transformações econômicas. outros entendiam-na como uma forma do povo emanciparse através do acesso ao conhecimento e a instrução. 1998. Para Hegel a educação é um meio de espiritualização do homem. 143) A tarefa do mestre Para que você possa aprofundar seus conhecimentos sobre esses pedagogos. pela qual cada um é levado à plenitude do seu ser. No Brasil. o petróleo e posteriormente a eletricidade. pp.1 Johann Heinrich Pestalozzi (Zurique: 1746-1824) É considerado um dos defensores da escola popular extensiva a todos. ou seja. até então relegada à segundo plano. 1998. História da Educação: da antiguidade aos nossos dias. Esse movimento de estatização das escolas elementares ocorreu de forma diferenciada em cada país. a instalação das escolas públicas começou no início do século XIX. e expande-se para os países subdesenvolvidos no século XX. como o carvão. os estados europeus passam a tomarem para si o encargo da escolarização. Já os socialistas lutavam pela democratização do ensino (universal) e pela escola única (não dualista). da moral e da técnica” (ARANHA. por meio do qual se dá o aprimoramento da inteligência. São Paulo: Cortez. atingindo também o ensino universitário. com a fundação da primeira universidade estatal em 1819. pp. mas ter uma formação completa. Em relação à vinculação da educação com o estado. influenciando até os dias atuais o fazer pedagógico. Para exemplificarmos tomaremos o caso da Alemanha e dos EUA. a difusão da imprensa e posteriormente do rádio.141-142). desde o século XVI. isto é sem distinção entre o pensar e o fazer (ARANHA. invenção do telégrafo. 1997. sugerimos a leitura da seguinte o b r a : MANACORDA. selecionamos alguns deles.50 História da Educação Com a industrialização ocorre também uma revolução nos meios de transportes com o desenvolvimento do navio a vapor e a construção de ferrovias. A industrialização e o fortalecimento dos Estados-Nações levou os governos nacionais a preocuparem-se com a formação de seus cidadãos e trabalhadores. na Virgínia. enquanto alguns pedagogos viam-na como uma forma de perpetuar o domínio da burguesia através da formação do povo. e com a utilização de novas fontes de energia. na Europa. vários pensadores desenvolveram reflexões sobre a educação. Mário Alighiero. a organização escolar no século XIX será tratada na próxima seção. sociais e educacionais. O homem deve ser visto como “um todo cujas partes devem ser cultivadas: a unidade espírito-coração-mão corresponde ao importante desenvolvimento da tríplice atividade conhecer-querer-agir. com os meios de comunicação. Na impossibilidade de falar sobre todos. 1 . Nos EUA.

51 C A P Í T U L O II

é estimular o desenvolvimento espontâneo do aluno, procurando compreender o espírito infantil. A criança tem potencialidades inatas que serão desenvolvidas até a maturidade. Dessa forma o método para educar fundamenta-se em um princípio que deve seguir a natureza. Friedrich Froebel (Turíngia: 1782-1852) É historicamente conhecido como o criador dos Jardins de Infância. Para ele na infância está contida a voz de Deus. Portanto, a educação deve apenas deixar a criança se desenvolver, reforçando a sua capacidade criativa com cores, ritmos e figuras. Froebel “privilegia a atividade lúdica por perceber o significado funcional do jogo e do brinquedo para o desenvolvimento sensório-motor e inventa métodos para aperfeiçoar as habilidades. Estava convencido de que a alegria do jogo levaria a criança a aceitar o trabalho de forma mais tranqüila” (ARANHA, 1998. pp. 143144). Johann F. Herbart (Alemanha: 1776-1841): Foi o precursor de uma psicologia experimental aplicada à pedagogia. Desenvolveu uma pedagogia social e ética que pretendia formar o caráter moral através da instrução. Para ele a educação moral não pode ser separada da instrução: unidade querer-pensar. Para Herbart, a conduta pedagógica segue três procedimentos básicos: 1. O governo: forma de controle a ser exercido sobre as crianças para submetê-las às regras do mundo adulto, combinando autoridade, amor e a manutenção da criança ocupada. 2. A instrução: procedimento educacional que supõe o desenvolvimento dos interesses. O interesse, para Herbart, é um poder ativo que determina quais idéias e experiências receberão atenção. 3. A disciplina: este é o procedimento que dá firmeza à vontade educada no propósito da virtude. Enquanto o governo é exterior, a disciplina supõe a autodeterminação, característica do amadurecimento moral que leva à formação do caráter proposto. John Dewey (USA: 1859-1952) Dewey fez severas críticas à educação tradicional, sobretudo à predominância do intelectualismo e da memorização. O conhecimento deve ser uma atividade voltada para a experiência e a função do professor é estimular a atividade dos alunos para que eles aprendam fazendo. Além disso, deve ser estimulado o espírito de iniciativa e a independência, devendo levar a autonomia e ao autogoverno, virtudes de uma sociedade democrática. Deu grande contribuição para a divulgação dos princípios da escola nova, a qual se difundiu no Brasil no início do século XX. Maria Montessori (Itália: 1870-1952) Montessori era médica e desenvolveu inicialmente trabalhos educacionais com crianças excepcionais. Em 1907 abriu a casa dei bambini para atender a filhos de operários. Empenhou-se na individualização do ensino, através do qual cada criança escolhe o material e desenvolve suas atividades de forma individualizada,

52

História da Educação

seguindo a orientação do professor. A individualização e a atenção ao ritmo próprio de cada criança não se opõem à socialização. Além disso, a pedagogia montessoriana privilegia o ambiente, tornando-o adequado ao tamanho das crianças, como mesas, cadeiras, estantes e banheiros. Destaca também o material didático, voltando-o para a estimulação sensório-motora: cores, sons, qualidades táteis, movimentos, ginástica, tudo com a clara intenção de alcançar o domínio do corpo e das coisas. Antonio Gramsci (Itália: 1891-1937) Pensador marxista que morreu na prisão durante o governo de Mussolini, desenvolveu reflexões sobre o papel do intelectual na cultura e na educação. “A educação proposta por ele está centrada no valor do trabalho e na tarefa de superar as dicotomias existentes entre o fazer e o pensar, entre cultura erudita e cultura popular” (ARANHA, 1998. p. 175). Defende a substituição da escola classista burguesa por uma escola unitária que deve oferecer a mesma educação para todas as crianças. Uma educação que possibilite o contato com a técnica de seu tempo sem deixar de lado a cultura geral, humanista e formativa. O pensamento de Gramsci irá influenciar as reflexões de muitos educadores, os quais serão chamados de marxistas revisionistas. Para você refletir: A história da educação não se restringe a estudar somente as teorias pedagógicas por que entende que elas foram desenvolvidas dentro de um determinado contexto histórico. O que levou Froebel a criar os jardins de infância e Pestalozzi a defender a educação popular extensiva a todos? RESUMO: Nessa seção, foi estudado que os países europeus estavam passando por grandes mudanças. Economicamente estava ocorrendo a Revolução Industrial que trouxe transformações nas relações de trabalho, fazendo com que surgisse uma nova classe social, os operários. Politicamente estavam se formando os Estados nacionais, ao mesmo tempo que a burguesia se fortalece e passa a deter o poder político. Nesse novo contexto desenvolve-se o processo de laicização da educação, bem como a implantação de uma rede de ensino mantido pelo estado. Em diversos países desenvolve-se um sistema escolar que tem como objetivo formar o cidadão e o trabalhador. Vários pensadores desenvolvem reflexões sobre a educação. Entre eles estão: Pestalozzi que defende uma escola popular para todos; Froebel que cria os jardins de infância; Herbart, mais conhecido como o precursor da psicologia educacional; Dewey, o defensor da escola nova; Montessori, que defendeu a individualização do ensino e Gramsci que pensava na superação entre o pensar e o fazer e defendia uma escola unitária.

53 C A P Í T U L O II

Para saber mais: 1. O texto abaixo aponta as principais características da pedagogia de John Dewey. Após a leitura, tente perceber se na sua prática pedagógica está presente algumas das idéias do autor. “A reflexão pedagógica acompanhou, de fato, toda a rica e complexa produção deweyana, no campo filosófico, epistemológico, político etc., e dirigiu-se com o mesmo empenho, seja para a construção de uma rigorosa filosofia da educação, seja para a elaboração de um eficaz projeto operativo, radicalmente inovador no campo escolar e no didático. Nas muitas obras que Dewey dedicou ao problema educativo, e especialmente naquelas mais engajadas e que muito logo o tornaram célebre no plano internacional, vai sendo elaborada uma pedagogia extremamente atenta aos problemas da sociedade industrial moderna, bem como às instâncias de promoção humana típicas de muita pedagogia contemporânea. Em geral, a pedagogia de Dewey caracteriza-se: 1. como inspirada no pragmatismo e portanto num permanente contato entre o momento teórico e o prático, de modo tal que o “fazer” do educando se torne o momento central da aprendizagem; 2. como entrelaçada intimamente com as pesquisas das ciências experimentais, às quais a educação deve recorrer para definir corretamente seus próprios problemas, e em particular à Psicologia e à Sociologia; 3. como empenhada em construir uma filosofia da educação que assume um papel muito importante também no campo social e político, enquanto a ela é delegado o desenvolvimento democrático da sociedade e a formação de um cidadão dotado de uma mentalidade moderna, científica e aberta à colaboração. Tais características gerais tornaram a pedagogia deweyana uma espécie de modelo-guia dentro do movimento da “escola ativa” que, desde o fim do século XIX e até os anos 30 do novo século, tanto na Europa como na América, teve (como já vimos) um rico florescimento de posições teóricas e de iniciativas práticas, todas elas destinadas a valorizar a criança como protagonista do processo educativo e também a colocá-la no centro de toda iniciativa didática, opondo-se às características mais autoritárias e intelectualistas da escola tradicional.” (CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo: Editora UNESP 1999. , p. 549) 2. Para aprofundar o assunto estudado você pode assistir aos seguintes filmes: Tempos Modernos (Charles Chapin: EUA, 1936). Danton, o processo da revolução (Andrzei Wajda: França/Polônia,1982). Daens, um grito de justiça (Stjin Cominx: Bélgica, 1992). 3. Para leituras complementares sugerimos: CANÊDO, Letícia Bicalho. A Revolução Industrial. 3º ed., São Paulo: Atual/ Campinas: Ed. da Unicamp. 1987. DECCA, Edgar de. O Nascimento das Fábricas. 8º ed., São Paulo: Brasiliense,1991. HOBSBAWN, Eric J. A Era das Revoluções (1789-1848). 7º ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

//www. no contexto do surgimento da economia industrial e do fortalecimento do movimento operário.com/lfcamara/montesso. Relacione as transformações ocorridas. no período de desenvolvimento das idéias pedagógicas. 2.com.br/pestalo. Dentro do que você estudou.54 História da Educação 4. Herbart preocupa-se com a formação ética através de regras. todas as crianças devem receber a mesma educação. destaque quais as idéias desenvolvidas neste momento que vão ao encontro da sua prática pedagógica e da sua concepção de educação.tripod. instruções e disciplina. Gramsci defendeu a substituição da escola burguesa pela escola única que ofereça a mesma educação para todas as crianças. através de jogos e brincadeiras. Antes a educação era uma preocupação essencialmente da Igreja. que deve despertar na criança a vontade de aprender. Além disso.ig. Froebel volta seu olhar para a primeira infância. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Comentário: Você deve ter se deparado com várias de suas práticas.html http://members. Por exemplo. defende a escola popular e vê o ensino com o objetivo de formar um indivíduo consciente da sua importância. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Comentário:Em sua resposta você deve salientar as idéias pedagógicas desenvolvidas relacionando-as com as mudanças sociais e econômicas do período. você também estudou sobre as principais idéias pedagógicas desenvolvidas neste período.jcwilke.tripod. Para Dewey a criança deve aprender fazendo. ou seja. Se você quiser fazer uma pesquisa na Internet.com/lfcamara/dewey. . Tal consciência cresce juntamente com a criança. agora o Estado passa a se ocupar da formação do seu cidadão e do seu trabalhador. não é mesmo? Pestalozzi. na Europa. Montessori diz que cada criança aprende de uma forma e que ele deve receber uma educação individualizada e para Gramsci a educação deve ser unitária. Sugerimos que você estabeleça esta reflexão em relação aos outros pedagogos.html http.hpg. 1. sugerimos os seguintes sites: http://members. sem diferenciação social. ATIVIDADE: O MUNDO E A EDUCAÇÃO TRANSFORMAM-SE 20 minutos Ao final dessa seção esperamos que você tenha percebido como o pensamento sobre a educação mudou em relação ao período moderno. por exemplo.

portanto. tornava-se fundamental diminuir as deficiências do ensino brasileiro. Por fim. A partir desse momento. Pontuar as propostas educacionais do período imperial a fim de suprir as deficiências da educação no Brasil. foram criados os cursos de Cirurgia. foram criados o Jardim Botânico (1810). Para formar médicos e cirurgiões para atender às necessidades da Corte.55 C A P Í T U L O II A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO IMPÉRIO Seção 1 Objetivos específicos: Apontar as mudanças políticas e econômicas ocorridas com a independência do Brasil e suas implicações na educação. Fugindo da invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte. uma vez que não havia profissionais qualificados. gerando uma nova estrutura escolar que preparasse um conjunto de funcionários qualificados para a nova realidade política. fixandose na cidade do Rio de Janeiro. nem recursos suficientes. da Marinha e do Exército. Nesse momento. Esse sistema não conseguiu suprir as necessidades educacionais da colônia. o Brasil é elevado a categoria de Reino Unido de Portugal e Algarves e ocorre a abertura dos portos as nações unidas. Com a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal. foi criado um sistema de Aulas Régias que era mantido pelo imposto chamado de “subsídio literário”. O principal parceiro comercial na época era a Inglaterra. o governo português tentou implantar um sistema educacional para ocupar seu lugar. Essa situação somente começa a mudar no momento em que a Família Real Portuguesa mudou-se para o Brasil. Para incrementar a vida cultural e social do Rio de Janeiro. posteriormente Museu Nacional (1818). Anatomia e Medicina (1808-1809). foram criados cursos voltados para a formação de técnicos para os campos da economia. O primeiro passo foi multiplicar o número de cadeiras de ensino e criar cursos superiores e instituições culturais. indústria e agricultura. destinadas a preparar oficiais e engenheiros para a defesa militar da Colônia. a corte transfere-se para sua colônia mais importante. agora são comercializadas diretamente com os países interessados. Foram incentivadas a vinda de missões . a Biblioteca Nacional (1810) e o Museu Real. Isso significou que todas as mercadorias importadas e exportadas pelo Brasil que antes eram comercializadas somente com Portugal. Como você viu na parte que trata das reformas pombalinas. o Brasil seria a sede da administração do Reino e. Foram criadas a Academia Real da Marinha (1808) e a Academia Real Militar (1910).

A imprensa era proibida devido o medo da metrópole de que. nesse sentido. em 1822. citar a ação das Irmandades Religiosas de afro-descendentes existentes em diversas Igrejas durante todo o período do Brasil colonial e Imperial. aritmética e conhecimentos religiosos. Neste último caso. O país. Para as camadas privilegiadas da população brasileira a instrução elementar de suas crianças era função da própria família. do sexo masculino e possuidores de uma determinada renda anual. os brancos pobres. Salienta-se que neste período são cidadãos somente os indivíduos livres. na escola. em algumas vezes. Alguns anos depois. 135). rudimentos da gramática. Pedro I. por causa da escravidão. se difundissem idéias que levassem a independência. A primeira constituição brasileira (1824) garantia instrução primária para todos os cidadãos do Império. geralmente um fazendeiro. p. o que não significa que não havia outras possibilidades deles terem contato com as letras. normalmente estrangeiros. que a fazia através da contratação de preceptores. D. Para a elite. músicos. sai o rei de Portugal. através dos jornais e dos livros. o que justifica o abandono do ensino primário e o total desinteresse pelo ensino profissional. escrever e contar aos filhos de escravos. na qual os escravos produzem para a exportação. continua baseado na grande propriedade da terra. As escolas domésticas ou privadas funcionavam em e s p a ç o s cedidos ou organizados pelos pais das crianças e jovens. Apesar da aprovação do Projeto Januário da Cunha Barbosa (1826). ocorre a Independência do Brasil. Em 1808. Além de ler. Mesmo os negros livres eram proibidos de freqüentar as escolas até meados do século XIX. outros conteúdos foram sendo incluídos com o passar do tempo. ou seja. Podemos. No aspecto social mantém-se a principal característica: a maioria da população é escrava. Neste momento a “presença do Estado não apenas era muito pequena e pulverizada. Pela constituição de 1824. normalmente religiosos. na prática pouco foi realizado pelo ensino popular. do chefe da família que o contratava. a iniciativa privada tinha direito de implantar escolas. João VI e em seu lugar fica seu filho. a tarefa fundamental do Estado era instruir as “classes inferiores”. podem ser encontrados seus vizinhos e parentes. D. O pagamento desse professor era de responsabilidade dos pais em conjunto. como. entre outros estudiosos. economicamente. No aspecto político. ou. também foi liberada a imprensa e a criação de indústrias no país. que poderiam ser laicas ou religiosas. ao lado dos filhos do fazendeiro. ou enviando-as para colégios internos. livres e libertos. permanecendo uma grande massa de analfabetos. Além disso. Nesse período a rede de escolas domésticas2 atendia um número de pessoas bem superior ao da rede pública estatal. os quais os professores deveriam ensinar. 2000. foi considerada perniciosa no ramo da instrução” (FARIA Fº. Imperador do Brasil. que possuíam professores que ensinavam a ler. Também por causa disso.56 História da Educação estrangeiras compostas por pintores. a entrada de livros na colônia era controlada. Esse fator marca toda a sociedade da época e influencia a educação praticada mesmo após a Abolição da Escravatura (1888) e o fim o Império (1889). cientistas. 2 . Isto significa que não era vista como função do Estado educar os escravos. havia um desprezo pelas atividades manuais. em muitas vezes. como. A antiga colônia de Portugal torna-se um país independente sem muitas mudanças e sem ter que se envolver numa luta. escrever e contar. que propunha a criação de escolas primárias no país. por exemplo.

Aos poucos foram criados os Liceus Provinciais que reuniam no mesmo prédio as aulas que antes eram ministradas separadas. podemos citar o método simultâneo e o método intuitivo. voltadas para a educação elementar e para a educação secundária.3 que tinha como objetivo ampliar o papel do Estado na educação elementar e suprir a escassez de professores. dos fenômenos e na educação dos sentidos. com aulas isoladas. O método simultâneo possibilitava a organização de classes mais homogêneas e dos conteúdos em diversos níveis. materiais didático-pedagógicos para os alunos e formação dos professores. foi implantado no Brasil o método Lancaster ou de “ensino mútuo”. tornando-se o padrão a ser seguido nas demais províncias.57 C A P Í T U L O II 3 Em 1820. nos quais o professor trabalhava com vários alunos simultaneamente. sem continuidade entre si. devido aos interesses específicos de cada província. que permaneceu por muito tempo como o único estabelecimento de ensino oficial do país. No entanto. As moças da elite tinham acesso à educação em níveis variados. Quanto ao ensino secundário. não se investiu em criar as condições necessárias para que tais escolas funcionassem como espaços adequados. Pedro II. uma vez que atribuía aos alunos mais adiantados a tarefa de repassar aos colegas a instrução recebida de um professor. à observação das coisas. considerava como fundamental prestar atenção nos processos de aprendizagem do aluno. aproveitando melhor o tempo escolar. Além de tentar resolver a falta de professores. Através do Ato Institucional de 1834 foi dada às províncias a responsabilidade pela formação das Escolas de Primeiras Letras. e por isso. O mesmo não se pode dizer das meninas das camadas populares. o único autorizado a realizar exames parcelados para conceder grau de bacharel. foi criado no Rio de Janeiro o colégio D. Entre essas. Esse método dava importância à intuição. Em 1837. apesar da legislação prever a criação de escolas para as meninas. inspirado nas experiências de Pestalozzi. O método intuitivo. enquanto o governo central deveria concentrar seus esforços no ensino superior. o ensino secundário desenvolveu-se de forma desarticulada. da natureza. Criado na Inglaterra. Isso somente foi possível com a produção de materiais didáticos como livros e cadernos e a disseminação das lousas individuais e do quadro negro. . Os resultados obtidos não foram satisfatórios e após 15 anos ele foi substituído por outras metodologias. Em geral. pouco foi feito. sendo mantido sobretudo pela iniciativa privada. inicialmente foi ministrado em aulas isoladas (as antigas aulas régias) por professores particulares. Quanto a educação da população feminina. normalmente ministrado por preceptoras. buscava economizar recursos com salários. com o objetivo de esten-der rapidamente o ensino elementar devido às necessidades geradas pela industrialização. o que só irá ocorrer no final do império e no início da república quando são concebidos os grupos escolares. A implantação desses novos métodos requeria a construção de espaços próprios para a escola.

que seguiam carreira como funcionários públicos ou tornavam-se profissionais liberais exercendo sua especialidade. engenharia e medicina. dois anos de curso de nível secundário. o que significa ter acesso a formação superior? RESUMO: Você estudou que a Reforma pombalina desestruturou a organização educacional que os jesuítas haviam implantado no país durante o período colonial. não recebendo investimentos suficientes para sua manutenção. principalmente na região sudeste. A primeira escola normal foi fundada em Niterói (1835) e. até a década de 1860. importantes para os empreendimentos relacionados aos transportes. Além disso. existiam seis escolas no país. Finalmente. Até então. Essa realidade . Para você refletir: Após a leitura de como foi estruturado o ensino no país durante o Império. preparava bons administradores que ocupariam os cargos na burocracia estatal. outras instituições foram criadas também com papéis definidos na estrutura social vigente. Essas escolas voltavam-se preferencialmente para o público masculino e apenas ao final do século XIX é que as mulheres tornaram-se predominantes. você deve ter percebido o que significava a obtenção de um diploma de ensino superior: um emprego público ou fazer carreira como profissional liberal. e muito pouco era discutido sobre as questões técnicas. Tais instituições funcionavam de forma irregular e em condições precárias. vinham os engenheiros. Aranha. prevalecendo o cultivo dos dotes domésticos e a aprendizagem das boas maneiras. As carreiras de maior prestígio eram direito. como foi comentado anteriormente. a procura pelo ensino superior era devido ao prestígio e a possibilidade de ascensão social que a posse do título de bacharel trazia. Durante algumas décadas a educação não foi considerada prioridade do governo. localizadas nos centros mais populosos. Em seguida. além das instituições voltadas para atender as demandas da corte portuguesa no Brasil. inicialmente. ou seja. por fim. os formados em Medicina. elas viviam restritas ao lar e apenas as de famílias ricas recebiam alguns conhecimentos elementares. 1996). mas principalmente o status de “doutor” num país de analfabetos. Valorizava-se primeiro os bacharéis em Direito. no que diz respeito ao ensino superior. teóricas e metodológicas referentes ao trabalho docente (Cf.58 História da Educação Visando a formação de professores. curso que formava juristas. mineração e urbanização das cidades que se desenvolviam. Atualmente. formar profissionais qualificados para atuar nas atividades liberais. E. foram criadas as escolas normais que ofereciam.

Praticamente metade do número de alunos não eram alfabetizados nas escolas mantidas pelo estado. apesar da gratuidade do ensino. De modo geral. os alunos que não eram de São Paulo ou do Recife tinham que se deslocar para essas cidades e manter-se lá por cinco anos. Apesar da abertura da primeira escola normal em 1835. mas sim em escolas domésticas. pelo Pedro II. irmandades ou então com professores particulares. embora alguns deles conseguissem passar pelo peneiramento. uma vez que se tornou necessário oferecer educação para os filhos da elite. intitulado Como Passar na Peneira. faziam cursos preparatórios ou pagavam repetidores particulares. Após a leitura reflita sobre quais são as possibilidades que tem atualmente um jovem. de completar sua formação. tanto de classe média e alta como os filhos dos trabalhadores. “Os filhos de famílias de recursos. sucessora da Real Academia de 1808. os alunos das escolas de Direito provinham de famílias de recursos. Eram obstáculos sérios para alunos pobres. Menciona-se. O texto abaixo. preferencialmente. o aumento do número de escolas elementares e médias. A educação primária tornou-se obrigação das províncias. Através da Constituição de 1824. a presença . enquanto que o ensino médio e o superior ficaram a cargo do governo imperial. seminário ou. Para saber mais: 1. As duas escolas cobravam taxas de matrícula (que no primeiro ano de funcionamento foi de 51$200 réis).59 C A P Í T U L O II somente começou a mudar a partir da chegada da família real portuguesa no Brasil. acessível a um numero reduzido de pessoas e com um corpo de professores leigo e despreparado. Foram implantados novos métodos como o Lancaster e o Intuitivo. por exemplo. Outra alternativa para os ricos era a Escola Naval. o Brasil continuava com um sistema educacional precário. Muitos. As quatro cobravam anuidades e seus cursos duravam cinco anos (Direito) e seis anos (Medicina). passavam depois por um liceu. era mantido um recrutamento seletivo baseado em mecanismos discriminatórios. Dom Pedro I procurou ampliar o número de escolas por todas as cidades. Um estudante típico entraria numa dessas escolas na idade de 16 anos e se formaria entre 21 e 22 anos. Além disso. que podiam aspirar a uma educação superior. o mais importante dos quais era a exigência de custosos enxovais. bem como formar um corpo de funcionários para trabalhar nos órgãos governamentais. a qual. para garantir a admissão. bem como de faculdades não permitiu que a maioria da população tivesse acesso a educação. Ao final do Império. vilas e lugarejos. e afinal iam para a Europa ou escolhiam entre as quatro escolas de Direito e Medicina. nos mostra quais eram as possibilidades que um aluno brasileiro do século XIX tinha para obter uma formação de nível superior. iniciavam a formação com tutores particulares.

Rio de Janeiro: Campos. 1995 4. A partir daí a escolha podia ser os seminários maiores. No título original. tanto pelo tipo de estudante que selecionava como pelo conteúdo da educação que transmitia. quase nunca de famílias ricas. SALLES OLIVEIRA. Cecília H. que era a população branca. 1994) 3. média e superior no Brasil Imperial foi desenvolvida a fim de atender uma parcela da população brasileira. 60/61). Seus alunos vinham em geral de famílias militares ou famílias remediadas. salientandose o caso do Visconde de Rio Branco. A Construção da Ordem: A elite política Imperial. a Politécnica ou a Escola de Minas.htm ATIVIDADES: BRASIL INDEPENDENTE: NOVOS RUMOS PARA A EDUCAÇÃO? 30 minutos Ao final dessa unidade esperamos que você tenha compreendido que a educação elementar. ex-aluno da Academia Militar. São Paulo: Ática. 1990. e com o . 4 2. Nenhuma dessas escolas cobrava anuidade. Para leituras complementares sugerimos: POMPÉIA. O Ateneu. José Murilo. sucessora da Academia de 1810. A Escola de Minas dava bolsas para alunos pobres e a Escola Militar pagava pequeno soldo aos alunos.globo. a Escola Militar. para uma carreira eclesiástica. sugerimos o seguinte site: http://redeglobo. A Normalista. 1990. Raul. para uma carreira técnica. 1976) Carlota Joaquina: princeza do Brasir4 (Carla Camurati: Brasil. Para aumentar seus conhecimentos sobre o que você estudou até agora sugerimos que assista os seguintes filmes: Independência ou Morte (Carlos Coimbra: Brasil. um dos professores se recusava a cumprimentar alegando que negro não podia ser doutor. a grafia da palavra “princesa” é com “z”. Alguns dos mais capazes políticos do Império seguiram esse caminho. Se você quiser fazer uma pesquisa na Internet. A Independência e a construção do Império.60 História da Educação de estudantes de cor já nos primeiros anos da escola de São Paulo. em oposição à formação jurídica e eclética da elite civil. As pessoas de menores recursos podiam completar a educação secundária nos seminários ou em escolas públicas. 1980. Adolfo. por sinal. Ao final do Império. para uma carreira no exército. São Paulo: Ática. sua educação era técnica positivista. aos quais.com/brasil500/index. São Paulo: Atual. p. a Escola Militar se transformara num serviço de oposição intelectual e política ao regime. CAMINHA.” (CARVALHO.

Explique as propostas educacionais implantadas pelo governo imperial. 2. Pedro I. Estabeleceu-se que as escolas de primeiras letras e as escolas secundárias seriam mantidas pelos governos provinciais. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Comentário: Você respondeu corretamente se falou da dependência econômica do Brasil em relação à Inglaterra. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Comentário: Deve-se salientar que apesar das tentativas de governo de garantir o que estabelecia a primeira constituição brasileira. que viviam do trabalho dos escravos. bem como as dificuldades enfrentadas no decorrer do processo de criação de um sistema estatal de educação. Uma das tentativas de resolver o problema foi adotando o método Lancaster e. acesso para todos os cidadãos ao ensino oferecido pelo estado. o Brasil não tornou-se uma república mas sim um Império. da nação brasileira. a falta de profissionais qualificados. a abertura das primeiras escolas para a formação de professores. As terras continuaram nas mãos de poucos. além dos baixos investimentos. ou seja. primeiro da corte portuguesa e após a independência. no qual quem governava era D.61 C A P Í T U L O II objetivo principal de formar uma elite encarregada de suprir as necessidades administrativas do Estado. Uma das dificuldades enfrentadas foi. nos detentores do poder político. responda as questões abaixo de forma sucinta e com as suas palavras. principal importadora dos produtos agrícolas produzidos no país. 1. Para reforçar seu entendimento. Descreva as características econômicas e sociais do Brasil após a independência de Portugal. posteriormente. enquanto ao governo imperial caberia manter o ensino superior. na verdade. filho do rei de Portugal. as escolas normais. . Além disso. as escolas mantidas pelo governo eram em menor número do que as escolas domésticas e religiosas.

perdeu suas bases. Além disso. dos coronéis e dos cafeicultores. Relacionar a educação brasileira com os processo históricos ocorridos no contexto do Brasil republicano. 35-36). políticas e econômicas para o Brasil. O país saiu do escravismo e ingressou. “a imigração européia foi a alternativa escolhida para trocar o negro pelo branco. A Primeira República (1889 . ou seja. sustando a onda negra para transformar e branquear a raça brasileira”. Filhas de Benjamin Constant bordando a Bandeira do Brasil. de Pedro Bruno. O regime federativo ofereceu a utonomia política e administrativa aos Estados. Sem sustentação o Império caiu. 1989. pp. A Pátria. mas trouxe também sérias desigualdades entre as regiões brasileiras em função do crescimento econômico de São Paulo. A Constituição Republicana de 1891 implantou no Brasil o governo representativo. lentamente. Minas Gerais e Rio de Janeiro. nasceu a República.62 História da Educação A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA REPÚBLICA Seção 3 Objetivos específicos: Enunciar as principais características e as transformações ocorridas na educação brasileira durante o período republicano. a escravidão e o apoio da Igreja e dos militares. (CARVALHO. e.1930) O Império Brasileiro. em 1889. marcada ainda pelo poder das oligarquias. no processo de construção de uma sociedade urbana-industrial. O final do Século XIX e as primeiras décadas do Século XX trouxeram profundas mudanças sociais. . federal e presidencial. nas últimas décadas do século XIX.

63 C A P Í T U L O II No entanto. a astronomia. o Colégio D. Porém. a física. com o sacrifício dos estudos de línguas e literaturas antiga e moderna”. organizadas pelo então Ministro da Instrução. pretendendo estabelecer o primado dos estudos científicos. o reformador rompeu com a tradição do ensino literário e clássico e. mas continuou relegando ao abandono milhões de analfabetos rurais e urbanos. no que se refere aos assuntos sobre a educação. sendo incluídas na sua grade curricular as Ciências Físicas e Naturais. no Brasil. as autoridades brasileiras pensaram e tentaram solucionar com mais seriedade os problemas referentes à educação. a sociologia e a moral. o Direito e a Economia Política. Com essas reformas. por exemplo. Foi esta premissa que orientou a Escola Militar do Rio de Janeiro a incluir no seu currículo disciplinas voltadas para as Ciências Exatas e para a Engenharia. novas propostas educacionais foram aplicadas no Brasil. ao instituir no ensino normal e secundário disciplinas como “a matemática. elementar e superior. 616). que as recomendava apenas para as pessoas maiores de 14 anos. pois os padrões escolares do Império praticamente permaneceram os mesmos. o negro recém liberto dos grilhões da escravidão. Como se não bastasse. sofreu duras críticas. Ao introduzir as disciplinas científicas nas escolas primárias e secundárias. Cabe lembrar que o Positivismo. p. Pedro II passou a se chamar Ginásio Nacional. é com a República que. (AZEVEDO. a Moral. O Brasil mudou o regime de governo. além de implantar uma moral rígida e uma severa disciplina. criado pelo francês August Comte. Rui Barbosa. Entre 1890 e 1892 realizaram-se reformas no ensino primário e secundário. Benjamim Constant. as quais eram vistas como a forma ideal do conhecimento produzido pelo ser humano. Correios e Telégrafos. 1963. a química. acusou os positivistas brasileiros de não conhecerem com profundidade as idéias de Comte. . tal reforma contrariava as concepções positivistas. Influenciadas pelos ideais positivistas do século XIX. podemos identificar mudanças pouco significativas. Constant. valorizava as ciências. não fez mais do que instalar um ensino enciclopédico nos cursos secundários. O positivismo. a biologia. pela primeira vez. bem como a Sociologia. Ainda sobre as reformas de cunho positivista. características estas típicas do positivismo comtiano. bem como seus descendentes continuaram estigmatizados e excluídos do processo educacional.

congressos. continuou sendo um privilégio das classes mais abastadas. In: RIBAS. econômicos e políticos”. As conseqüências imediatas das discussões desenvolvidas por esse grupo de intelectuais foram o surgimento de educadores profissionais e o aumento significativo de obras. (Roquette Pinto. deveria ser utilizada como um instrumento civilizador. a escola nova defendia o ensino público como a única forma de se alcançar uma sociedade mais justa e democrática. possuindo como objetivo principal atingir a mente. leiga. (NAGLE. 1990. além da organização. Lourenço Filho. a industrialização e o crescimento das cidades fazem com que a burguesia e o operariado passem a exigir maior acesso à educação. o alto número de analfabetos. Desenvolveu-se no país o “entusiasmo pela educação” e o “otimismo pedagógico”. por exemplo. “preconizar hábitos de higiene e polidez. organizada pelo Estado. p. portanto. após a 1ª Guerra Mundial. entre eles Anísio Teixeira. nem beira. sendo seus maiores representantes os chamados “escolanovistas brasileiros”. A proposta central deste grupo opunha-se totalmente ao modelo dual de ensino. a escola deveria ir além e se aliar aos projetos médicos de higienizar e normatizar os corpos. sendo indispensável que as crianças tomassem banho diariamente. p. ao contrário do superior e do secundário. No entanto. para tais educadores. acadêmico e propedêutico5 . cerca de 80% da população. A escola. 185). o corpo e a saúde da nação. A difusão da instrução é a chave para a solução de todos os problemas sociais. Fernando Azevedo. assim como o médico Miguel Couto e o antropólogo Roquette Pinto. 263). A escola. em 1920. Ordem esta que levaria o país à modernidade. o primeiro problema nacional. a Universidade do Rio de Janeiro. nacional e. .64 História da Educação 5 Ensino propedêutico é aquele que possuí como objetivo a preparação para o ingresso do aluno nos cursos s u p e riores. discutiu-se com mais freqüência a necessidade de expansão do sistema escolar no Brasil. os quais passaram a ser organizados e a receber uma quantidade maior de verbas do Governo da União. Tais reformas pouco resolveram o problema estrutural do ensino brasileiro. principalmente. manifestos e conferências sobre a educação brasileira. eliminando os entraves que o impediam de alcançar o progresso. a qual se apresentava “sem eira. mesmo que no morro faltasse água”. Sendo assim. na sociedade brasileira “a ignorância reinante é a causa de todas as crises. 90). sem educação e sem higiene”. No entanto. 1994. O ensino elementar e o ensino profissional ficaram a cargo dos Estados. por exemplo. defendendo uma escola única e para todos. portanto. A educação do povo é base da organização social. p. 1990. da primeira universidade oficial do Brasil. gratuita. A partir da década de 20. como. (NUNES. teria como função instaurar no Brasil uma nova ordem. No entender de Miguel Couto. como. O ensino secundário.

Paralelamente. Os socialistas. . para os quais a verdadeira educação seria aquela vinculada aos preceitos cristãos. outros grupos sociais irão tentar construir modelos educacionais diferentes dos colocados pela Igreja Católica e/ou pela escola nova. este último com o objetivo de preparar o aluno para ingressar no ensino superior. com duração de cinco anos e o complementar. criou o Ministério da Educação e Saúde. com apenas dois anos. acreditando na ilusão do Estado imparcial. O ensino secundário foi dividido entre o ciclo fundamental. todas as classes sociais. centros de estudo e escolas com o objetivo de além de educar. Com a Reforma Francisco Campos. governo e educadores dedicaram mais atenção aos problemas sofridos pela educação brasileira. neutro. ao contrário. Dessa maneira. servindo. exigiam um maior empenho do governo em estender para todas as pessoas o acesso à escola. a escola nova no Brasil foi de encontro aos ideais dos católicos. o qual se tornou um órgão de suma importância no planejamento e na implantação de reformas educacionais com abrangência nacional. pretendeu-se evitar que o ensino secundário continuasse simplesmente propedêutico. criticavam e rejeitavam a educação estatal por considerá-la ideológica demais e comprometida unicamente com os desejos da burguesia. através das Faculdades de Educação. Assim. sem distinção. Ciências e Letras. (1931/1932). Para além dessas críticas. nesse ano.1945) A partir de 1930. Já os anarquistas. As universidades. podemos dizer que a escola nova representou apenas o liberalismo burguês da época. combater a obediência às instituições. bibliotecas. aos superiores hierárquicos e a necessidade das instituições políticas. criou jornais. entre outros pontos propostos pela educação burguesa e estatal. formado basicamente por imigrantes italianos e espanhóis. Getúlio Vargas. o movimento anarquista brasileiro. Os católicos consideravam os escolanovistas ateus e comunistas por que queriam tirar a educação das crianças e dos jovens das mãos da família e da Igreja e entregá-la para o Estado. dedicaram-se à formação de docentes para atuarem no nível secundário. descuidando-se da formação geral do educando. A Educação na Era Vargas (1930 .65 C A P Í T U L O II Ao defender um ensino laico e gratuito. Foram criados os Conselhos Nacional e Estaduais de Educação. por exemplo. vários decretos reorganizaram o ensino secundário e as universidades.

além da instalação da campanha pela nacionalização do ensino. p. 1996. Ainda em 1937. Ficou determinado também que o ensino secundário teria por obrigação “formar a personalidade integral dos adolescentes. cujos quadros docentes eram constituídos até então de egressos de outras profissões. Através do Ministro Gustavo Capanema. (ARANHA. além daqueles recém-formados em filosofia. 202). alimentar uma ideologia política nacionalista e patriótica de caráter fascista (muito em voga no período). nesse contexto histórico. Fernando Azevedo nos diz que inaugurou-se no Brasil “uma nova era no ensino secundário. 202). p. Vargas implantou o Estado Novo. censura e repressão aos direitos individuais: partidos políticos foram fechados. 1996. O Brasil viveu. Sobre este fato. a educadora Otaíza Romanelli. prisões. 1996. principalmente a partir da integração de novos docentes oriundos dos bancos das faculdades de letras. Porém. proporcionar condições para o ingresso no curso superior e formar líderes. que perdurou até 1945. Com essas leis ocorreu uma reestruturação no ensino secundário. os quais recebiam complementação pedagógica noInstituto de Educação para atuarem no magistério. nos mostra que o secundário. p. (ARANHA. autodidatas ou práticos experimentados no magistério”. com outras palavras. interventores foram nomeados para governar os Estados.66 História da Educação Estudantes da Era Vargas Cabe destacar também o interesse renovado pelos cursos de magistério. ( ARANHA. nada mais fez que oferecer ao aluno “cultura geral e humanística. propedêutico e aristocrático”. 201). sendo o mesmo dividido em quatro anos de ginásio e três anos de curso colegial. em aguçada crítica. novas reformas foram realizadas. conhecidas como Leis Orgânicas do Ensino. Em 1937. um período de ditadura. exílios e torturas realizadas. . Na verdade. tais reformas apenas acentuaram a tradição do ensino secundário acadêmico. dar preparação intelectual geral que possa servir de base para estudos mais elevados e formar individualidades condutoras”. acentuar e elevar a consciência patriótica e humanística. diplomaram-se no Brasil os primeiros professores devidamente licenciados para o ensino secundário.

O número de alunos. o supletivo visava. os cursos profissionalizantes mantidos pelo governo não conseguiam acompanhar a expansão da indústria e o crescimento das cidades. quase 15 mil em 1933. foi importante para o decréscimo do número de analfabetos. No entanto. foram criadas em 1942 e 1946. tendo se concentrado nas regiões urbanas dos Estados mais desenvolvidos. a implantação do ensino supletivo. ainda que essa expansão não seja homogênea. (ARANHA. Nesse período. Escolas que ofereciam cursos destinados à aprendizagem e ao aperfeiçoamento de trabalhadores para atuarem nas atividades industriais e comerciais. é perceptível a expansão significativa do número de escolas. pois “de 1930 a 1940 o desenvolvimento do ensino primário e secundário alcança níveis jamais registrados até então no país. que por sua vez desejavam ascender socialmente através da educação e da escola. e se em 1933 havia 133 escolas de ensino técnico e industrial. Numa análise geral. principalmente para as camadas urbanas. mesmo por que os alunos eram pagos para freqüentar tais escolas. ultrapassou 65 mil em 1945”. o qual necessitava de trabalhadores com o mínimo possível de instrução. respectivamente. principalmente. Você acredita que essa proposta ainda é viável nos dias atuais? É possível ter uma escola igual numa sociedade desigual? . Também as escolas técnicas se multiplicaram. 203) Senai: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. ao alfabetizar adultos e adolescentes.67 C A P Í T U L O II 6 Com a construção de um modelo econômico baseado na indústria e no comércio. podemos verificar a existência de um sistema de ensino com forte teor de discriminação social.368. Para você refletir: Para os integrantes da Escola Nova. preferiam os cursos de formação. Mas. atender ao mercado de trabalho. a Era Vargas pode ser caracterizada por manter o sistema dual de ensino. as escolas do Senai e do Senac6. Estado e operários) passou a exigir uma maior escolarização. Para diminuir este problema. visto que à burguesia coube às escolas que visavam preparar. em 1945 esse número subiu para 1. formar e classificar socialmente. com duração de dois anos. Porém. Contudo. enquanto que para as camadas populares restavam as escolas que ofereciam uma educação voltada para o trabalho. desprestigiando os cursos profissionalizantes. As classes médias. 1996. a existência de um ensino público seria a única forma de se garantir uma sociedade igualitária. a sociedade (burguesia. p. De 1936 a 1951 o número de escolas primárias dobrou e o de secundárias quase quadruplicou. As classes sociais menos abastadas encararam estas alternativas escolares como a possibilidade de se prepararem com maior rapidez e eficiência para o mercado de trabalho. Senac: Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial.

a internacionalização da economia.024 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). defendendo a escola pública e exigindo que o Estado demonstrasse maior empenho em favor do ensino público. Em 1959. no Governo Gaspar Dutra. o ingresso de multinacionais no país. a ampliação do parque industrial brasileiro. pp. as escolas particulares e religiosas. Passou a existir no país a esperança de progresso e de desenvolvimento através do Presidente Juscelino Kubitschek e seu projeto de fazer o Brasil “crescer 50 anos em 05”. 1996. apenas instruía. Combatendo esta visão conservadora e elitista. cujas discussões iniciaram em 1948. portanto. O que podemos perceber é que tanto Lacerda quanto os católicos. No campo da educação. (ARANHA. A educação estatal e popular poderiam ampliar a participação política do povo. Apesar das pressões sociais para que o Estado viabilizasse verbas apenas para o ensino público. alegando também que as famílias deveriam ter a liberdade de escolher a melhor educação para os seus filhos. o deputado Carlos Lacerda apresentou uma emenda constitucional defendendo a liberdade de ensino e a iniciativa privada da educação. em 1961. 204 e 205). Municípios e particulares para a compra. mas somente entrou em vigor 13 anos depois. provocaram o inchaço das cidades e elevaram os problemas causados pelas grandes distorções na concentração de renda. assinaram em 1959 o Manifesto dos Educadores. posicionam-se na verdade contra a democratização e a laicidade deste mesmo ensino. no caso. em seu artigo 95. estudantes e sindicalistas. ao defenderem a liberdade de ensino.68 História da Educação O Retorno a Democracia (1945 . por exemplo. . posicionaram-se intelectuais. com governos escolhidos diretamente pela população.1964) No período de 1945 a 1964 a sociedade brasileira voltou à democracia. a LDB. as estruturas e as bases do poder político e econômico. Sudeste. podendo alterar. além de criticar o “monopólio” do governo sobre a educação. No entanto. destacou-se o debate suscitado pela organização da Lei 4. As discussões da LDB foram intensas entre os defensores das escolas públicas e os das escolas privadas. A Igreja Católica entrou no debate defendendo a posição de que a escola leiga e estatal não educava. o crescimento econômico de algumas regiões. afirmava que “a União dispensará a sua cooperação financeira ao ensino sob a forma de financiamentos para estabelecimentos mantidos pelos Estados. construção ou reforma de prédios escolares e suas respectivas instalações e equipamentos”. Liderados por Fernando Azevedo.

chamada por ele de educação bancária. A educação para Paulo Freire deveria “demandar consciência. ou seja.69 C A P Í T U L O II Além das verbas. 1998. problematização. Em 1955. o qual. Com o golpe militar de 1964 o ISEB foi fechado. p. discussão. o desenvolvimento econômico advindo do capitalismo mostravase incompetente para impedir o aumento da pobreza e as desigualdades sociais da nação. Suas principais críticas são destinadas à educação tradicional e autoritária. reconhecido e adotado em países africanos e em atividades alfabetizadoras no Brasil”. memoriza-os e repete-os. Para o aluno cabe apenas receber os depósitos. 96) Nessa perspectiva. . Consideravam que o Estado deveria proteger a população excluída deste processo desenvolvimentista. as escolas particulares passaram a ter representação nos Conselhos Federal e Estaduais de Educação. do qual fez parte o educador pernambucano Paulo Freire. Hélio Jaguaribe. na avaliação. entre outros. é possível afirmar que a educação para Paulo Freire é uma ação política. Sua proposta previa os seguintes passos: pesquisa para o levantamento de dados. constituído por Nelson Werneck Sodré. O que podemos perceber é que esta ajuda financeira com dinheiro público para os estabelecimentos particulares de ensino acentuou e muito a injustiça social num país em que boa parte da população em idade escolar encontrava-se excluída do processo educacional. o professor apenas faz um depósito de conhecimentos no educando. visava uma educação conscientizadora para a transformação do indivíduo em sujeito. Celso Furtado. (FERREIRA. Esse órgão. a preocupação com a modernização industrial do país impulsionou a criação do ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros). com o objetivo de levar o aluno a não ler só palavras. para que o professor os saque no melhor momento. o que aumentou a influência destas na obtenção de recursos para si próprias. mas a sua influência no movimento pedagógico foi marcante. Segundo o ISEB. análise e conscientização. foi o responsável em pensar teorias que viabilizassem o progresso interno do Brasil através de uma ideologia baseada no nacional-desenvolvimentismo. Da mesma forma. passar do senso comum para a análise e a tomada de decisões frente aos fatos. Centro Popular de Cultura da Une e o Movimento de Cultura Popular. estimulando a criação dos chamados Movimentos de Educação Popular. A proposta de Paulo Freire. mas também a ler o mundo. entre eles podemos citar: De pé no chão também se aprende a ler. passivamente. arquivá-los em suas cabeças. Dessas etapas brotou o método para alfabetizar adultos. Nesse tipo de educação. se destacou pelo seu caráter essencialmente democrático e libertador. ao invés de objeto. também chamada de “Pedagogia do Oprimido”. um processo de ampliação da visão crítica da sociedade para transformar a própria realidade do aluno.

por exemplo. também educa. considerados animadores do processo. (COTRIM. face ao impacto do Golpe Militar de 1964. deverão realizar uma pesquisa e/ou um levantamento do universo de vocabulários7 dos educandos. Como você compreende esse movimento de diálogo mútuo entre educador e educando? . principalmente. 7 No sertão nordestino. mas faz parte da sua atividade o processo de aprendizagem a partir da vivência com o educando. debatê-las com o grupo. voto. as palavras utilizadas poderiam ser seca. inúmeros movimentos de educação popular que ultrapassaram os limites da escola. crescem juntos e se educam em comunhão”. p. Assim. se tornam sujeitos do processo. fome. cursos. No entanto. desemprego. de maneira que o educador já não é o que apenas educa. assim. fome ou terra. comida. Para você refletir: Na concepção de Paulo Freire. Posteriormente.. também no início da década de 60. tais ações educativas e políticas são duramente silenciadas por longos 21 anos. atividades nos sindicatos e nas universidades. problematizá-las e. que seria a visualização das palavras escolhidas. Numa área agrícola poderiam ser terra. 295). o educando deverá compreender a sua relação com estas palavras. um companheiro já alfabetizado ou um educador. mas também a sua conscientização para uma maior atuação na vida política do país. exibição de filmes. Feito o levantamento. entre outras. semente. açude. conscientizar-se e agir para transformar a sua realidade social.. cesta básica.70 História da Educação Contrapondo este tipo de educação e de relação hierarquizada entre professor e aluno.. 1993. passa-se a uma outra etapa. por exemplo. farinha. que ao ser educado. violência. enquanto educa é educado em diálogo com o educando. fome. trator. Para Paulo Freire. Ambos. encenação de teatro nas ruas.. Paulo Freire propõe uma educação baseada na problematização do conhecimento e no “diálogo profundo entre o educador e o educando. polícia. mais do que ensinar a escrita e a leitura das palavras seca. Além desta concepção de educação. chuva. a alfabetização não se resume em uma simples técnica. exposições. colheita. a tarefa do educador não se limita apenas à transmissão do conhecimento. d r o g a . o Brasil experimentou. tentativas de alfabetização da população do campo e da cidade e a animação cultural nas periferias possuíam como objetivo primordial melhorar não só nível de instrução do indivíduo. mas o que. Numa grande cidade poderiam ser favela. Inicialmente.

8 Prisão: ato comum no Brasil da Ditadura Militar. O AI 5 extinguiu todos os direitos individuais públicos e privados. explicitamente determinada. Além dos efeitos desastrosos na economia. 1996. provocando o arroxo salarial da grande maioria da população trabalhadora. legislativo e executivo são exercidos separadamente. o autoritarismo do governo militar influenciou negativamente nas relações culturais. toda e qualquer manifestação de caráter político por parte dos professores. alunos e funcionários das instituições de ensino brasileiras. A concentração de renda nas mãos de poucos e a dívida externa do país aumentaram assustadoramente. A primeira ação da ditadura na educação foi a reorganização da representação estudantil. O governo militar optou pelo capital estrangeiro. Os conteúdos destas disciplinas deveriam desenvolver nos estudantes o sentimento de civismo e de patriotismo. (ARANHA.71 C A P Í T U L O II A Ditadura Militar (1964 . um Estado no qual os poderes judiciário. foram consideradas ilegais e focos de agentes subversivos. p. Em fevereiro de 69. .1985) Os anos que vão de 1964 a 1985 são historicamente conhecidos como os “anos de chumbo”. dando ao Presidente da República amplos poderes para exercer as funções do executivo e do legislativo. bem como na educação. como a UNE (União Nacional dos Estudantes). No Estado de Direito. orientados por um professor de confiança da direção escolar. os militares demonstravam claramente que “estudante é para estudar e trabalhador para trabalhar”. sem oferecer margem para uma análise reflexiva sobre a ordem social. tornou-se obrigatório o ensino da disciplina de Educação Moral e Cívica nas escolas primárias. Com o intuito de exercer um maior controle sobre a consciência política dos estudantes. através do Decreto-lei nº 477. acabando de vez com o modelo nacional-desenvolvimentista. Os grêmios estudantis do ensino médio foram transformados em Centros Cívicos. além de OSPB (Organização Social e Política Brasileira) no secundário e EPB (Estudos dos Problemas Brasileiros) nas universidades. ou seja. Apesar dos protestos de setores da sociedade civil contra os atos arbitrários. em dezembro de 1968 foi criado o Ato Institucional nº 5. econômica e política vigente no país. As organizações de estudantes. foi também proibida. podemos perceber que ao coibir qualquer forma de ação e questionamento político que os sujeitos do processo educacional poderiam exercer. período este caracterizado pela ausência do estado de direito8. Sendo assim. 211). a sociedade é regulada por uma constituição que prevê uma pluralidade de órgãos dotados de competência distinta.

1996. pois o capital estrangeiro exigia um Brasil com diferentes graus de escolaridade. pressionam o governo pela abertura de mais vagas. ser voltada para a agropecuária. No entanto. pp. as universidades não conseguiam absorver o aumento da procura por vagas o que levou a um elevado número de alunos excedentes. O Decreto nº 68.sendo aceito apenas o número de candidatos condizentes com as vagas disponíveis. p. Os currículos escolares também sofreram alterações. sendo ainda extintos os exames admissionais. diminuir ou até mesmo eliminar o pensamento e a crítica que as disciplinas de Filosofia. Estes alunos. com a união do primário ao ginásio. Outras surgiram. através dos quais o país recebeu auxílio técnico e financeiro para introduzir reformas em seus sistemas educacionais.72 História da Educação Cabe lembrar que nesse período. materiais e oficinas para as áreas da agricultura e da indústria.no exame . Ainda sobre essa reforma. foi criada a escola profissionalizante. por exemplo. 215). As escolas não possuíam infra-estrutura condizente aos cursos.213). Através da lei 5. como. o ensino é ampliado de quatro para oito anos. Para agravar ainda mais a situação da educação. os cursos para o comércio. 1996. Sobressaem-se. para a indústria ou para o comércio e a prestação de serviços. sendo banida do secundário a filosofia. no qual “o critério deixou de ser a nota de aprovação . mediante classificação”. . sendo o curso concluído com a formação na habilitação escolhida. sem a adequada preparação para o trabalho. (ARANHA. Esta habilitação deveria. de instalação e manutenção bem mais barata. o que fez manter nossa dependência para com os países desenvolvidos”. como os Estudos Sociais no primeiro grau. firmou-se no Brasil um “exército de mão de obra barata e desqualificada. o Brasil realizou os famosos acordos MEC-USAID (United States Agency for International Development). aumentou também a demanda por instrução. os governos militares desenvolveram uma política de recuperação econômica e de desenvolvimento baseada na internacionalização da economia. valorizando e incentivando o grande capital nacional e a entrada do capital estrangeiro no país. conforme a necessidade da região. não conseguindo acesso às universidades depois de aprovados em exame. unindo o secundário ao técnico. Em seu currículo deveria constar disciplinas para a educação geral do aluno. o governo ditatorial criou a Comissão Meira Matos com o objetivo de realizar reformas na educação de primeiro e segundo graus.908/71 tentou resolver esse problema criando o vestibular classificatório. Assim. História e Geografia poderiam propiciar aos estudantes. Afora esses problemas. O que podemos perceber é que reformas como estas possuíam a clara intenção de despolitizar. A profissionalização não se efetivou de fato.692 de 11 de agosto de 1971. (ARANHA. então. que nada mas foi do que a aglutinação da História e da Geografia. 212 . laboratórios. Com a implantação de empresas multinacionais.

Fordismo: o processo de produção se dá através da divisão por linhas de montagem. não chegando a tomar posse. Desde o início da década de 80 diversas manifestações foram realizadas pelas classes médias. Em resumo. Para minimizar esta situação foi criado. sem censura. Apesar das reformas. Tancredo Neves foi eleito. Para você refletir: Que papel você vem desempenhando para construir uma escola democrática. conscientizador e político. principalmente através da campanha pelas “Diretas-já!” Porém. sem desenvoltura para ler e mal sabendo desenhar o próprio nome”. p. além de sindicatos e estudantes a favor do retorno da democracia. Embora com um grande número de inscritos. tal proposta tentou produzir um capital humano para atender. 1996. valorizando o pensamento crítico e a consciência política? Nova República (a partir de 1985) Em 1984 o Brasil viveu um momento ímpar em sua história. foi a implantação da linha educacional tecnicista. as demandas do mercado e da expansão econômica. pois muitos dos seus alunos “permaneceram analfabetos funcionais. de organização. idéias estas típicas das atividades empresariais/ industriais. os educadores tecnocratas tentaram adequar os trabalhos pedagógicos às idéias de objetividade. em 1967. Imbuídos dos preceitos tayloristas e fordistas da administração geral de empresas9. o MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização). O Mobral apropriou-se do método de alfabetização criado por Paulo Freire. o seu caráter libertador. de burocratização e de produtividade. no qual cada trabalhador executa uma tarefa específica.73 C A P Í T U L O II 9 Uma outra importante questão educacional. José Sarney. com maior eficiência e produtividade. de racionalidade. industrial e tecnológica. Essa concepção buscou adaptar o sistema educacional brasileiro às necessidades da sociedade urbana. com o objetivo de disciplinarizar o trabalho dos operários nas fábricas e aumentar a produção. o analfabetismo ainda assolava o país. deixando de participar do processo de produção total. de eficiência. tentando levar para longe o regime militar.O trabalhador é abastecido por peças e componentes que são levadas até ele através de esteiras. por intelectuais e políticos. Tais conceitos surgiram no início do século XX. por via indireta. 215). No final dos anos 70. pois a proposta de eleição direta para presidente foi rejeitada pelo Congresso Nacional. O autoritarismo começou a dar os primeiros sinais de enfraquecimento e a sociedade brasileira entrou num lento processo de abertura política. o MOBRAL foi um ato paliativo. do aumento da procura às universidades e da criação de cursos profissionalizantes. . Taylorismo: conceito de administração e de produção. não considerando. é obvio. o resultado não foi dos melhores. do período militar. (ARANHA. novos ventos sopraram a favor da democracia. Assim. assumindo a Presidência o seu vice.

analisada em 1991 pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública. 1996. evasão e repetência. c)Prover dos meios necessários para que os alunos não apenas assimilem o saber. conhecida por Pedagogia Histórico-Crítica. . como. a ABI (Associação Brasileira de Imprensa). representada por Dermeval Saviani e José Carlos Libâneo. 221) Com o desenvolvimento dos trabalhos sobre a nova constituição. mas aprendam também o processo de sua produção. p. É claro que tal proposta esbarrou em uma série de críticas. significa que o saber existente é suscetível de mudança”. reconhecendo as condições de sua produção. O principal aspecto defendido por essa pedagogia foi tentar reorganizar as estruturas de uma escola excludente. é fundamental que a mesma socialize o saber para que a população possa se apropriar de todos os conhecimentos que são produzidos historicamente pela sociedade e que sempre estiveram restrito às elites. além de sindicatos e de novos partidos políticos. e portanto a criança o recebe da geração anterior. a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).74 História da Educação Com o fim da ditadura militar. por exemplo. a Pedagogia Histórico-Crítica propõe: a)Identificar as formas mais desenvolvidas em que se expressa o saber objetivo produzido historicamente. Em linhas gerais. a escola e a educação tornaram-se objetos de estudos de filósofos e pedagogos. que leva a altos índices de analfabetismo. ao responder essa crítica sobre saber acabado versus saber em processo. (Ver ARANHA. essa proposta seria tradicional. severamente prejudicada pelos anos de repressão. Em 1989 foram criadas as subcomissões para a nova LDB. ( ARANHA. p. os partidos extintos e as entidades estudantis voltaram à legalidade. b)Converter o saber objetivo em saber escolar. Desta maneira. a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). 219). os debates sobre a educação pública tomam vulto na sociedade. diversos setores da sociedade passaram a reivindicar não só a valorização do magistério. O próprio Saviani. Novos grupos assumiram uma postura mais dinâmica e comprometida com a sociedade civil. a proposta desta pedagogia é elaborar um processo de ensino-aprendizagem que possa atender as reais necessidades do aluno. 1996. de modo a torná-lo assimilável pelos alunos no espaço e no tempo escolares. como também a necessidade de recuperar a escola pública. Para alguns. pronto para ser assimilado. No que tange à educação. pois traria para o aluno apenas um saber acabado. Em outras palavras. Com a constituição de 1988 volta à cena o debate sobre a necessidade de se compor uma nova LDB. formado por sindicatos. Este fórum. Desenvolveu-se uma nova concepção educacional. afirma que “se a produção do saber social é histórica. Para que a escola consiga superar as diferenças sociais.

discorrer sobre todas as propostas e projetos que foram ou estão sendo discutidas e desenvolvidas para a educação. a saúde. visam. conseguiu incorporar emendas ao texto. Os PCNs. Portanto. Em 1995. Para você refletir: Na sua opinião. como educadores que somos. . no final do Século XX. dentro dos limites deste caderno. nem devem ser atribuições de professores específicos.75 C A P Í T U L O II entidades científicas e estudantis. torna-se importante refletir sobre as novas metodologias e tecnologias de ensino para que a educação não crie e/ou fortaleça um modelo social elitista e excludente. a sexualidade. a educação voltou a ser valorizada. elaborou procedimentos à serem seguidos pelos países através de planos decenais. criado pelo educador Darcy Ribeiro e implantado durante a gestão do governador Leonel Brizola no Rio de Janeiro. mas sim uma tarefa de todos as pessoas que compõem a comunidade escolar. principalmente. garantindo a qualidade do mesmo. Além disso. Assim. É o caso dos CIEPs . nos quais são definidas diversas propostas que possuem o intuito de formar o indivíduo. foram criados os Parâmetros Curriculares Nacionais. o Brasil também elaborou o seu plano decenal à ser cumprido no período 1993-2003. Um fato importante a ser destacado é que. laica. democrática. Cabe lembrar que tais temas transversais não são disciplinas propriamente ditas. ou ao menos impossível. para as novas exigências que o atual contexto histórico nos oferece.Centro Integrado de Educação Pública. mesmo apresentando deficiências e usos políticos. entre outros. Podemos perceber isso através do número de projetos considerados inovadores e que foram implantados. contendo a defesa da educação gratuita. em 1990 a Conferência de Educação para Todos. o meio ambiente. a pluralidade cultural. através dos chamados temas transversais. bem como recursos financeiros para o ensino público. o desenvolvimento do exercício da cidadania ao discutir com o aluno a ética. Mas é fundamental estarmos atentos. até que ponto os PCNs e a proposta dos temas transversais podem contribuir para melhorar a qualidade da educação brasileira? A aplicação dessas propostas é viável? Você já tentou colocá-la em prática? Discuta com o seu grupo. Parece ser inviável. realizada na Tailândia.

76

História da Educação

RESUMO: No final do Século XIX e nas primeiras décadas do Século XX o Brasil saiu do escravismo, proclamou a república e construiu, lentamente, uma sociedade urbana-industrial. Poucas mudanças aconteceram no plano educacional. O país ainda continuou com milhões de analfabetos e excluindo os afro-descendentes. Porém, é com a República que o país pensou medidas para resolver os problemas da educação, influenciados pelo positivismo. A partir da década de 20 a educação foi influenciada pela Escola Nova que defendia o ensino público como sendo a única maneira de se alcançar uma sociedade democrática A educação, para os pensadores da escolanova, teria como função eliminar os entraves que impediam o Brasil de alcançar o progresso. Almejava uma escola única e para todos, gratuita, leiga, nacional e organizada pelo Estado contrapondo-se aos católicos que defendiam a educação vinculada à visão cristã. Em 1930, Vargas criou o Ministério da Educação e Saúde e, em 1937, implantou o Estado Novo, que perdurou até 1945. Com a construção de uma sociedade urbana baseada na indústria e no comércio, exigia-se maior escolarização para as camadas urbanas. Foram criadas, então, as escolas do Senai e do Senac. Manteve-se um sistema de ensino discriminador, visto que para a burguesia coube as escolas que preparavam e classificavam socialmente, enquanto que para as camadas populares restaram as escolas que formavam para o trabalho. De 1945 a 1964 destaca-se o debate suscitado pela organização da LDB, mais intensos entre os defensores das escolas públicas e os das escolas privadas. A partir da década de 60 foi criado o Movimento de Educação Popular, do qual fez parte Paulo Freire. Para ele a educação é uma ação política, um processo de ampliação da visão crítica da sociedade para transformar a própria realidade do aluno. Suas críticas eram contrárias à educação bancária. Freire propõe uma educação baseada no diálogo entre o educador e o educando. Durante a Ditadura Militar foram proibidas toda e qualquer manifestação de caráter político por parte dos professores, alunos e funcionários das instituições de ensino brasileiras. Os conteúdos de Moral e Cívica e OSPB deveriam desenvolver nos estudantes o civismo e patriotismo, sem oferecer margem para uma análise reflexiva sobre a sociedade. Os currículos também sofrem alterações, sendo banida do secundário a filosofia, bem como surgiram os Estudos Sociais no primeiro grau.

Os militares, ao implantarem a linha educacional tecnicista, buscavam adaptar a educação às necessidades da sociedade industrial e tecnológica.

77 C A P Í T U L O II

Imbuídos dos preceitos tayloristas, os tecnocratas tentaram adequar os trabalhos pedagógicos às idéias de objetividade, de organização, de eficiência, de racionalidade, de burocratização e de produtividade. Para minimizar o analfabetismo no país foi criado o MOBRAL, o qual se apropriou do método de alfabetização Paulo Freire, sem levar em consideração seu caráter libertador, conscientizador e político. Em 1984 o Brasil viveu a campanha pelas “Diretas-já!” Com a democratização do país surgiu a Pedagogia Histórico-Crítica. Para esta pedagogia é fundamental que a escola socialize o saber para que a população possa se apropriar de todos os conhecimentos que são produzidos historicamente pela sociedade e que sempre esteve restrito às elites. Em 1995 foram criados os PCN’s, definindo propostas para a formação do indivíduo. Os temas transversais visam o desenvolvimento do exercício da cidadania ao discutir com o aluno a ética, a saúde, o meio ambiente, a pluralidade cultural, a sexualidade, entre outros. Para saber mais: 1. Além de instruir, a escola tinha, nas primeiras décadas do século XX, a função de ensinar normas de higiene e conduta para as crianças. O texto abaixo trata das dificuldades enfrentadas pelos educadores, uma vez que esses conteúdos opunham-se a realidade dos alunos. Atualmente é possível perceber este distanciamento entre conteúdo ministrado e realidade/interesse do aluno? “As crianças faveladas e, por extensão todas as crianças pobres eram facilmente reconhecidas pelos educadores nas escolas públicas: doentes, anti-sociais e indiferentes à instrução. Elas constituíam um desafio e um problema. Desafio, na medida em que para os indigentes, pobres e até remediados o contato com a cultura escrita estava ausente ou era desprovido de sentido. Problema porque a história e as condições de vida dessas crianças interpunham-se entre elas e a escola, criando mecanismos de resistência a uma nova visão de si mesmas e da sociedade que mudava. As seqüelas da pobreza sobre o acesso, a permanência e o rendimento do estudante eram traduzidas em eloqüentes dados de evasão e repetência. A escola, na década de 1930, não conseguia levar as crianças a interiorizar e transferir para a vida cotidiana os hábitos e atitudes que procuravam ensinar. Como foi descrito por Ofélia Boisson Cardoso, em 1949, na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, “A escola deveria preconizar normas de higiene: é indispensável tomar banho diariamente. Mas... no morro não há água. É preciso palmilhar, descendo e subindo tão extenso caminho, por vezes difícil também, sob a chuva ou sob o sol ardente, para conseguir uma lata, com que se vai fazer o café, o feijão e reservar um pouco para beber. Como desperdiçar no banho?

78

História da Educação

A escola exige honestidade: não fiques nem com um tostão se não te pertence. Mas... com vinte centavos se compra pão. Não será tolice entregar o dinheiro, quando será tão fácil guardá-lo e matar a fome? A escola aconselha as boas maneiras, procura difundir bons hábitos sociais de polidez. Mas... no morro, na casa de cômodos, isso nada exprime e até se torna ridículo empregar com licença, desculpe, muito obrigado. São impressões impróprias para um ambiente, completamente deslocadas. Se a professora ensaia transplantar para o barracão as formas de polidez, a tentativa redunda em fracasso e a expressão, embora grosseira, mas corrente no meio, põe remate ao assunto: - Deixa de ser besta menino!” A resistência das crianças à aprendizagem escolar não era lida pela maioria dos educadores sob o ângulo das dificuldades econômicas ou da diferença de práticas culturais. Era focalizada sob a ótica da ampla gama de distinções existentes nos indivíduos. Essa leitura foi reforçada pelo legado das representações políticas instituídas na Primeira República e cuja capacidade de sobrevivência se estendia muito além dela.” (NUNES, Clarice. A Escola Reinventa a Cidade. IN: HERSCHMANN, Michael (org). A Invenção do Brasil Moderno. Medicina, Educação e Engenharia nos Anos 20 e 30. Rio de Janeiro: Rocco, 1994, p.184/186). 2. Para ilustrar o que foi estudado você pode assistir aos seguintes filmes: Os Libertários. (Lauro Escoarel: Brasil, 1976). Memórias do Cárcere. (Nelson Pereira dos Santos: Brasil, 1984) São Paulo: Sociedade Anônima. (Luiz Sérgio Person: Brasil, 1965) Patriamada (Tisuka Yamasaki: Brasil, 1989) 3. Você pode aprofundar seus conhecimentos lendo os seguintes livros: BOMENY, Helena. Os intelectuais da educação. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. COUTO, José Geraldo. Brasil: anos 60. São Paulo: Ática, 1998. D’ARAÚJO, Maria Celina.O Estado Novo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000. RODRIGUES, Marly. A Década de 50: populismo e metas desenvolvimentistas no Brasil. São Paulo: Ática, 1996. 4. Caso você queira fazer uma pesquisa na internet, sugerimos o seguinte site: http://www.historiadobrasil.com.br/index.htm

nossa intenção é que você venha a ter uma compreensão ampla sobre as características. Seu método de alfabetização deve levar o aluno a não somente ler palavras. repetir e guardar os conhecimentos para que os mesmos sejam sacados pelo educador no momento da avaliação. Para isto. NOVAS PRÁTICAS EDUCACIONAIS 30 minutos Conforme consta no objetivo dessa seção. acusando os escolanovistas de ateus e comunistas e a visão ilusória da escola nova em acreditar num Estado neutro. 3) No período de 1964 a 1985 a Moral e Cívica visava desenvolver um sentimento cívico e patriótico nos seus alunos. a educação deve ser libertadora. realizada através do diálogo ente educador e educando. igualitária e democrática através de uma escola única. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Comentário: Neste exercício é importante que você destaque a defesa deste grupo por uma sociedade mais justa. para todos. mas também a ler o mundo através da sua realidade social. Estes exercícios são importantes para avaliar a sua aprendizagem sobre alguns dos inúmeros conhecimentos que você se deparou. nacional e organizada pelo Estado. Para Freire. gratuita. propomos que: 1) Apresente as propostas educacionais e as críticas recebidas pelo movimento da escola nova no Brasil. 2) Discorra sobre o método e as críticas de Paulo Freire à educação bancária. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Comentário: Ë importante salientar a crítica dos conhecimentos depositados pelo educador no educando. . a serviço de todos. leiga. as discussões e as transformações da educação brasileira no período republicano. sendo que este último deve apenas memorizar.79 C A P Í T U L O II ATIVIDADES: NOVOS TEMPOS. Sugerimos realizar uma pesquisa em livros didáticos dessa disciplina e discutir com seus colegas a relevância da mesma para os interesses do regime militar. É fundamental salientar as críticas dos católicos.

como. reuniões da comunidade e outros eventos. os xokleng. localizase uma reserva indígena com aproximadamente 5.80 História da Educação A EDUCAÇÃO EM SANTA CATARINA Seção 4 Objetivos específicos: Descrever as transformações históricas ocorridas na sociedade catarinense e suas influências na política educacional. voltada para o aprendizado prático das funções que iriam desempenhar quando adultas na comunidade. Descrever as várias formas de educação praticada em Santa Catarina. A educação entre as crianças era transmitida de forma oral. Como você estudou antes da chegada dos europeus. Você acompanhou ao longo do estudo do Caderno as características da sociedade brasileira e suas influências na educação. . em José Boiteux e Ibirama e os kaingáng. pontuando suas transformações. estes grupos foram praticamente dizimados. nos períodos colonial. São Miguel (Biguaçu) e Morro dos Cavalos (Palhoça). A estrutura física desta escola indígena é totalmente diferente das que conhecemos. no Oeste (região de Xanxerê). os guarani. no município de Iguaçu (Oeste de Santa Catarina). E em Santa Catarina? Bem. atendendo a mais de 600 alunos. Atualmente. pois possui um ginásio de esportes em formato de tatu e um centro cultural construído em forma de tartaruga. a educação desses indígenas era de responsabilidade dos familiares. A partir da chegada dos europeus e com o avanço da ocupação do interior do território. em Araquari. xokleng e kaingáng.000 índios. sendo a maioria kaingáng e um pequeno grupo constituído por índios guarani. a região que veio a constituir-se como território catarinense era habitado por três grupos indígenas: guarani. por exemplo. Os que ainda sobrevivem estão concentradas em algumas reservas. Até 1912. no qual são feitas apresentações artísticas. A partir de então. imperial e republicano. passou a ser ministrada por professores que ensinavam de casa em casa. Foi somente na década de 60 que se constituiu oficialmente uma escola. hoje chamada Escola Indígena de Educação Básica Cacique Vanhkre. é importante você ter presente que essa não está desvinculada dos acontecimentos que ocorreram no Brasil. em relação à educação praticada em nosso estado.

afro-descendentes. Santa Catarina contou com um significativo contingente de escravos que. as ervas medicinais.10 Além do litoral. em 1829. os mitos. através da elaboração de projetos de pesquisa e entrevistas. e incentivado a vinda de açorianos. Essas duas medidas garantiram a ocupação da região pelo governo português. Apenas em 1738. ministrando palestras para as crianças e. Tal arquipélago fica no Oceano Atlântico. pertence a Portugal e está situado a um terço de distância entre a Europa e Os Estados Unidos. as queimadas. O povoamento do interior de Santa Catarina de uma maneira mais efetiva se deu a partir da segunda metade do século XIX. segundo. a costa do litoral catarinense foi visitada por diversos navegadores. a póvoa de Nossa Senhora do Desterro. foi determinado a construção de fortalezas para a defesa do território. nas últimas décadas. em 1672. A partir daí. a colônia alemã de São Pedro de Alcântara. como a Vila de Lages. sendo fundada. açorianos. sobretudo alemães e italianos. criada a partir dos pontos de parada das tropas de gado que eram transportadas do Rio Grande do Sul para São Paulo. hoje Florianópolis e a póvoa de Santo Antônio dos Anjos da Laguna. atual São Francisco do Sul. em 1645. com a participação da comunidade. No entanto. Assim como em outras regiões do Brasil. . É possível perceber. na Ilha de Santa Catarina e no Continente fronteiriço. foram transportados para o Brasil e instalados em sua grande maioria no Litoral de S a n t a Catarina cerca de 6. salientando a importância desta. a água potável. o lixo. iniciou-se a imigração de europeus. atual Laguna. entre 1748 e 1756. rio-grandenses e paulistas. imigrantes europeus e de outras regiões do mundo e. nas quais as propostas pedagógicas partam da realidade cultural dos seus alunos. No século XIX. Neste processo vieram bandeirantes vicentistas. sua ocupação só ocorreu por volta do século XVII. os animais em extinção e os problemas do alcoolismo. O Extremo Oeste foi a última região catarinense a ser colonizada. 10 Foi do Brigadeiro José da Silva Paes a idéia de povoar o Litoral Catarinense com pessoas vindo do Arquipélago dos Açores. para Santa Catarina. por último. o fortalecimento da cultura. portanto. Assim. Primeiro. em 1676. Para você refletir: Você concorda com as iniciativas pedagógicas citadas anteriormente? Pense numa maneira de associar tais iniciativas. surgiram também povoados na região serrana. São discutidos temas relativos ao dia a dia da comunidade. No contexto do reconhecimento do território brasileiro no século XVI. com a presença de pessoas que atuam como voluntárias. que a ocupação do território catarinense se deu do litoral em direção ao interior. com a fundação de três pequenos núcleos: a póvoa de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco. principalmente em cidades e vilas mais povoadas e ao longo do litoral. as brincadeiras kaingáng. como.000 açorianos. exerciam as atividades ligadas à infra-estrutura urbana e ao trabalho doméstico. por exemplo. Santa Catarina constituiu-se como a primeira Capitania do Sul do Brasil.81 C A P Í T U L O II A grande diferença desta escola se dá em relação à parte pedagógica. para o povoamento do litoral.

como se deu a construção da educação em Santa Catarina? Como foi o seu desenvolvimento e quais foram as suas transformações? Inicialmente. as mulheres. e através da qual se estabeleciam cuidados e solidariedades entre os Irmãos. situada na Capital. de crioulos ou africanos. A partir de 1843. na qual também foi fundada uma escola feminina. Haviam as Irmandades de mulheres e homens. Em locais nos quais a população e. o presidente da província de Santa Catarina liberou verbas para a compra de livros e materiais necessários para o funcionamento da Escola de Instrução Primária. como. 11 As Irmandades eram uma espécie de associação religiosa. Além do número reduzido de professores. exceto na capital. Lagoa da Conceição e Santo Antônio de Lisboa. Em Santa Catarina. outro problema era a formação precária desses profissionais. Nesse sentido. ao longo dos séculos XVIII e XIX.82 História da Educação Porém. situadas em Porto Belo. as províncias passaram a ter autonomia para organizar suas leis. uma vez que normalmente eram pessoas sem formação específica ou. . somente brasileiros poderiam ser professores nas escolas públicas. que organizavamse em torno da devoção a um santo. a situação começou a mudar um pouco. foram criadas escolas de primeiras letras nas cidades de Desterro. a educação era restrita apenas a um grupo de privilegiados. conseqüentemente. livres ou libertos. Os conteúdos ensinados eram a leitura e a escrita. advogados ou engenheiros. Com a Independência do Brasil e a elaboração de sua primeira Constituição. os pobres e os escravos não tinham acesso à escolarização formal. Laguna e. paralelo ao processo de ocupação e de colonização. foram abertas mais nove escolas. Laguna. o número de alunos era pequeno. Cabe reforçar que todas essas escolas eram exclusivamente freqüentadas por meninos. havia as Irmandades religiosas de afrodescendentes11 que tinham como um dos compromissos ensinar as crianças a ler. Apenas os filhos de alguns homens ligados ao comércio ou de proprietários rurais. por exemplo. Todos os professores vinculados ao serviço público deveriam trabalhar nessa escola. aprendiam as primeiras letras. Em 1830. inclusive as que se referiam à instrução primária e secundária. as quatro operações de aritmética e a doutrina cristã. Lages e São Francisco. então. uma vez que essa era restrita às poucas pessoas que tinham condições de pagar. em Desterro. em 1824. Nas cidades e vilas mais populosas era empregado o método Lancaster. a educação era individualizada. com a intenção de suprir a falta de professores. No ano seguinte. São José. brancos. nas localidades do Ribeirão da Ilha. escrever e contar. contratados após a realização de concurso público. normalmente com os padres. vindos de outras áreas. sendo estes escravos. Como no restante do país. Todas estas escolas recebiam alunos do sexo masculino. São Miguel. Mas. em 1831. Apesar da política centralizadora do Governo Imperial. os escravos elaboraram alternativas para educar seus filhos.

O principal argumento para se criar uma escola destinada a formação de professores estava centrando sobre o trabalho docente. por exemplo. passou a definir programas diferenciados para meninos e meninas. que não professava a religião católica. Em 1886. Estariam obrigados a estudar os meninos dos sete aos quinze anos e as meninas dos sete aos treze anos que residissem a uma distância de até três quilômetros das escolas. residentes nas cidades e vilas.83 C A P Í T U L O II Com relação à educação feminina. elas foram responsáveis pela formação de professores no Brasil. In: FIORI. freguesias e arraiais. Foi dentro dessa filosofia que se reivindicou a educação pública para meninos e. havia diferenças entre a educação ministrada em escolas do interior e da capital. 58). pois das 13. Além da diferenciação relacionada ao sexo. as quatro operações de aritmética. se quiserem. para meninas”. mas “os alunos deveriam fazer a leitura da doutrina cristã e ouvir o ensino religioso que se dá na escola. 1991. o qual recebia sérias . vilas. como. a partir de 1843. O ensino em Santa Catarina somente se tornou obrigatório a partir de 1874.1881. nas quais possuíssem escolas públicas. excluindo-se outros. podemos dizer que a mesma passou a ser discutida em alguns jornais do Rio de Janeiro a partir da metade do século XIX. A primeira no país foi a de Niterói. não podendo o professor obrigá-los a este estudo. além da escola era necessária à formação no lar. sendo esses conteúdos exclusivos do programa dos meninos. o currículo. Também em Santa Catarina os jornais viriam a defender a instrução para as mulheres. conforme a vontade de seus pais. e essa formação deveria ser ministrada por uma mãe instruída. Você deve lembrar do significado de escola secular.000 tinha acesso à escola. podemos pensar que a educação catarinense diferenciava-se pelo sexo. (PEDRO.O acesso à educação era precário. principalmente. uma nova lei tentou instituir a obrigatoriedade do ensino nas cidades.02. ou seja.000 crianças do sexo masculino. bem como entre a educação direcionada à elite e as classes menos favorecidas. Assim.” (Artigo 75 do Regulamento de 21. pois “na constituição dos ‘homens melhores’ que formariam a nação brasileira. uma vez que possuía o objetivo de formar a esposa e a mãe. Em outras escolas o cristianismo continuou sendo ministrado. Deveriam freqüentar as escolas primárias meninos dos sete aos quatorze anos e meninas dos sete aos dez anos. 1994: p. Conteúdos como “prendas domésticas” eram ensinados somente às meninas. pela classe social e pela região. Nessa época temos também o surgimento de uma escola chamada normal Você já ouviu falar sobre as Escolas Normais? Por muitas décadas. Em Santa Catarina. 45). p. Essa educação vai ter finalidades diferentes da educação masculina. não é? Em nosso Estado foi somente com a reforma do ensino de 1881 que se estabeleceu a escola secular. os números decimais e proporções. criada em 1835. apenas 3. as noções de geometria teórica e prática e os elementos da geografia.

Até 1930 só existiam duas escolas normais no Estado: uma particular. como regra imutável. Em 1890. Em Santa Catarina. as elites demonstravam constante descontentamento com a qualidade de ensino oferecida pelo Ginásio Catarinense. além de outras dificuldades. Neste sentido. com pouca exceção. mestres ignorantes. maridos.” (SCHAFFRATH. Sr. a população catarinense era de 283. a qualificação dos professores já é. a abertura de uma escola normal em Santa Catarina seria a solução para livrar-nos da baixa qualidade da instrução pública. que preparava estudantes para os cursos superiores. de longa data.769 habitantes. sendo criadas a Escola Normal e o Ginásio Catarinense. Era uma escola mista. o Colégio Coração de Jesus. Persistiam problemas como o despreparo dos professores e inspetores escolares. e uma pública. p. 1999.84 História da Educação condenações com relação a sua formação.4% de analfabetos. p. 113) A tentativa de se criar uma Escola Normal no Estado se dá em 1883 com a transformação do Ateneu Provincial em Instituto Literário e Normal. ambas situadas na capital. Atualmente. tivemos nossa primeira Reforma Educacional. preferiam enviar seus filhos para outros . que praticamente não possuíam instrução adequada ao cargo. O Ginásio Catarinense foi uma instituição pública e gratuita. de acordo com o relatório do presidente da província de Santa Catarina na época. pois. Para Você Refletir: Como vimos anteriormente. p. que quem não tivesse título de habilitação não podia ser professor. porém “as senhoras que a freqüentavam tinham um lugar separado para si e era permitido aos seus pais. irmão ou protetor acompanhá-las durante as aulas” (FIORI. reciclar e habilitar professores? Somente a qualificação do magistério resolve os problemas da educação brasileira e catarinense? Será que com a Proclamação da República Brasileira em 1889 mudou alguma coisa na educação catarinense? Infelizmente. no ano de 1892. os primeiros anos da República não trouxeram grandes mudanças. Por esta razão. O curso durava dois anos. Assim. Francisco de Souza Soares. 63). como você vê esta questão? Na sua região existe alguma iniciativa para capacitar. “como podemos nós termos discípulos instruídos se só podemos empregar. 113). um importante ponto de discussão. 1991. a Escola Normal do Estado. com 80. Durante o governo de Lauro Müller.” (SCHAFFRATH. 1999. as autoridades do período passam a pensar e exigir que “era necessário encarar a dificuldade e prescrever.

caracterizando a preocupação das elites políticas catarinenses em privatizar o ensino secundário no estado. Este colégio seria dirigido pelos jesuítas e contaria com o apoio do governo. como em outros Estados. Esse professor foi o responsável pela implementação de mudanças na educação seguindo os moldes do Estado de São Paulo. em 1906. capitaneado pelo governador Antônio Pereira Oliveira.85 C A P Í T U L O II Estados. O professor deveria alternar um dia de aula em cada ponto. com distâncias máximas de 06 km e mínimas de 03 Km. Nesta época. existiam outros modelos de escola. era destinada aos cursos superiores. Você lembra do ensino praticado pelos jesuítas. no Rio de Janeiro ou no Ginásio Nossa Senhora da Conceição. A Escola Normal foi a primeira a ser reformada. tanto estadual como municipal. Esta exclusividade concedida aos jesuítas sofreu muitas críticas por parte dos professores e alunos. complementando seus estudos no Imperial Colégio Pedro II. foi recebido pelos padres jesuítas nas instalações do atual Colégio Catarinense. Foi introduzido o estudo do Alemão. geralmente. da Psicologia e intensificou-se o estudo da Pedagogia. antes dos mesmos serem expulsos pela Reforma Pombalina? Assim. principalmente pelo fato do governo estadual não ter mantido um instituto de ensino secundário público. além destas já citadas: * Escolas ambulantes: instaladas nas zonas rurais. A maior reforma do ensino catarinense ocorreu no governo Vidal Ramos (1910-1914). o uso de livros didáticos em algumas disciplinas e um terço das aulas deveriam ser de caráter prático. Tal clientela. no Rio Grande do Sul. Eram localizadas em dois pontos extremos. Foram criados também o museu escolar e os gabinetes de física e de química. Seu objetivo era solucionar o problema do analfabetismo e assimilar os grupos étnicos estrangeiros. Ambas as partes possuíam o intuito de fortalecer a idéia de implantar um colégio de ensino secundário em Florianópolis. ingressando em carreiras nas empresas públicas e privadas. Através dessas ações podemos perceber que a educação secundária em Santa Catarina voltou-se cada vez mais aos filhos homens das elites e parte da classe média. Tornou-se obrigatória a observação do programa de cada matéria. Estes colégios foram criados e eram dirigidos por jesuítas. onde a população estivesse espalhada em longas distâncias. constituindo-se na nova elite dirigente do estado. de São Leopoldo. A instalação deste colégio foi concretizada a partir do fechamento do único ginásio estadual público. . um grupo de políticos catarinenses. A idade mínima para admissão foi reduzida: 16 anos para os homens e 14 anos para as mulheres. conhecida como Reforma Orestes Guimarães.

O fechamento do Congresso Nacional. em Joinville. A ressalva que se faz é devido ao fato das orientações serem muito rígidas. No contexto da Segunda Guerra. Foram criados os seguintes Grupos Escolares: Conselheiro Mafra. composto pela Alemanha. A primeira metade do século XX foi marcada por vários conflitos internacionais. foi pressionado a tomar uma posição. grupo de países liderados pelos Estados Unidos. seu primeiro governo estendeu-se até 1945. em Itajaí. Lauro Müller e Silveira de Souza. do lado dos Aliados ou do lado do Eixo. No chamado Estado Novo (1937-1945) a educação foi marcada por um excesso de centralização que possuía como objetivo acentuar a unidade educacional. como um país americano. em Lages e Victor Meirelles. Esses grupos escolares também deveriam possuir um museu escolar e gabinetes de física e química.13 O formalismo era tão grande que o Departamento orientava até a pauta das reuniões pedagógicas.14 Para a tomada de decisão. Aliados.86 História da Educação rimeira uerra Mun-d ial: entre 914 e 1918. ra preciso onstruir o entimento e brasili-d ade. e que podiam contrariar aquelas estabelecidas pela ditadura do Estado Novo. Jerônimo Coelho. evitando a possibilidade de haver formas diferentes de pensar. ou seja. em Laguna. pois o Brasil necessitava de uma usina siderúrgica. o Brasil foi governado por Getúlio Vargas. a censura. entre estes. em Blumenau. preparavam candidatos ao magistério. que como você estudou anteriormente. O governo tinha em mente um ambicioso projeto de desenvolvimento industrial. sendo que o período de 1937 à 1945 foi historicamente conhecido como Estado Novo. * Escolas Complementares: possuíam o objetivo de dar seqüência ao ensino ministrado pelos grupos escolares. Foram criados em 1911 e funcionavam em prédios que reuniam diversas classes de alunos. * Grupos Escolares: deveriam ser unidades de ensino consideradas modelo. foram fatores que demonstraram que o Brasil estava bem distante dos princípios democráticos. o qual se caracterizou por ser um regime ditatorial. Vidal Ramos. a reocupação m estabe-l ecer uma nica língua. que acabaram resultando nas duas Grandes Guerras Mundiais12. eu d gna ar ru e undial: ntre 1939 e 945. Cada classe tinha um professor e. o Brasil.ı 2P O Estado ovo tinha omo obje-t ivo cons-t ruir o Brasil nquanto ma nação . Suas reformas foram marcadas por uma grande preocupação com a metodologia. bem como ao intelectualismo que caracterizou esse período. um fator influenciou Vargas. em Florianópolis. Itália e Japão. França e Inglaterra. com um professor para cada um deles e a supervisão de um diretor. os quais lutavam contra os países do Eixo.a d n i omogênia. tendo que demonstrar de que lado estava. Várias críticas foram feitas a atuação de Orestes Guimarães na educação catarinense. Luiz Delfino. escolhia-se o diretor. 14 . sobretudo para as escolas isoladas. por sta razão. 3 * Escolas Isoladas: eram regidas por um só professor que ensinava no mesmo horário e na mesma sala de aula para alunos de diferentes séries. A partir de 1930. m modelo ducacional nico para oda a nação. a imposição de uma nova constituição e a centralização do poder. * Escolas Reunidas: surgiram em 1915 e eram formadas por duas ou mais escolas isoladas. Em cursos com duração de três anos. com as noções e a seqüência dos conteúdos e com o desenvolvimento do raciocínio.

esta influência estrangeira na educação tornou-se preocupante para o governo. Em face ao fortalecimento das ditaduras de Hitler e Mussolini na Europa. Porém. instalou-se em Santa Catarina o que historicamente ficou conhecida como política de nacionalização do ensino. Os imigrantes recém chegados no Brasil organizaram com os próprios membros de sua comunidade a escola de seus filhos. as escolas comunitárias nas colônias estrangeiras. foram substituídos por diretores e professores brasileiros. construído também pelos braços do imigrante e seus descendentes. além de que as escolas particulares nas colônias de imigrantes não poderiam funcionar sem a devida autorização do governo do Estado. bem como os professores e diretores que eram considerados estrangeiros. tornaram-se proibidos os nomes estrangeiros das escolas. o que logo viria a acontecer.87 C A P Í T U L O II Porém. Perante este problema. Não é difícil imaginar que a receptividade dos “novos professores” nessas comunidades não foi das melhores. A partir da década de 30. com a Segunda Guerra Mundial. Foram proibidas legendas. valendo ressaltar a frase de Lauro Müller: “Quem nasce no Brasil. O aceno dos Estados Unidos com a possibilidade de um empréstimo para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional era a oportunidade tão esperada pelo governo brasileiro. o que acabou representando uma ruptura no processo educacional. Os estabelecimentos de ensino não poderiam mais receber subvenção de instituições estrangeiras. em 1938. principalmente em alemão e em italiano. em parte. não podemos esquecer que o Brasil foi. (PIAZZA & HUBENER. . pois este demonstrava desconfiança sobre a brasilidade destes “estrangeiros”. 1990. Em várias situações chegaram a ser hostilizados. Será que a educação praticada nas colônias européias situadas principalmente no Sul do Brasil seria a mesma com a participação efetiva dos brasileiros no contexto da Segunda Guerra? Como você verá a educação nestas colônias sofreu transformações. portanto. Desta maneira. nações consideradas “inimigas da América”. A maioria destes eram italianos e alemães. símbolos e inscrições em outros idiomas. faltava-nos capital. Você certamente está se perguntando: o que isso tem haver com o processo educacional brasileiro? Para responder essa questão. 135). Este empréstimo. estaria vinculado ao posicionamento do Brasil ao lado das forças aliadas. sancionou decretos-leis nacionalizando o ensino no território catarinense. a necessidade de se valorizar o nacionalismo tornou-se ainda mais presente. ou é brasileiro. Ficou instituído também que o processo de ensino-aprendizagem deveria ser realizado na língua portuguesa. p. ou é traidor”. no entanto. São criadas então. o Interventor Nereu Ramos.

88 História da Educação 15 Tal colônia se originou através da iniciativa particular do alemão Hermann Bruno Otto Blumenau. isto. lavar e bordar. 2001. Porém. (Memória de Max Brueckheimer. Seus primeiros habitantes chegaram em 1850. (Ver WOLF. Às vezes. Os vários imigrantes que se fixaram em Santa Catarina costumavam se reunir em pequenas colônias. Às vezes. fosse ele artesão ou lavrador. e pedia desculpas”. ou então.170-171). ensinar a língua de origem e incutir nestes filhos hábitos de conduta e valores morais religiosos. saber fazer pão e cerveja. plantar e ainda “auxiliar” seu esposo no seu trabalho. com integrantes de uma mesma nacionalidade. as quais eram estritamente masculinas ou femininas. porém. 2001. Como exemplo da educação praticada nestas escolas. sendo que sua grande maioria exercia atividade no artesanato ou na agricultura. No entanto. até faltava-se a semana inteira e mamãe mandava um bilhete em que dizia que o aluno não tinha podido ir porque havia muito trabalho urgente a fazer. vindos da Alemanha. a mulher da colônia recebia da sua mãe e/ ou de outros integrantes do núcleo familiar uma educação voltada para o lar e para a formação de uma boa dona de casa. sociais e políticos. Era rara a semana em que se ia os seis dias seguidos à escola. Alguns desses professores eram muito cultos. Estes trabalhadores vieram de uma Alemanha que atravessava sérios problemas econômicos. ao contrário das escolas públicas. nem todas as crianças podiam freqüentar as aulas com assiduidade. Sobre sua organização. até faltava-se a semana inteira e mamãe mandava um bilhete em que dizia que o aluno não tinha podido ir porque havia muito trabalho urgente a fazer. raramente uma professora. mantidas pelos pais dos alunos. Cabe ressaltar que este aprendizado sobre as prendas domésticas e outros serviços era construído durante toda a vida da menina até o período da adolescência. . As escolas eram domésticas e mantidas pelos colonos. faça uma reflexão: na sua região ainda existem crianças que deixam de estudar para se dedicar ao trabalho? Como você vê hoje a questão do trabalho infantil? tas interrupções. eram colonos que. não devemos esquecer que para a mulher da colônia cabia também uma outra função: cuidar da educação dos filhos do casal. citado por SCHIEBE. A lida diária nos serviços domésticos. sabendo ler e escrever um pouco melhor. passavam a ensinar as crianças. p. com muitas interrupções. citado por WOLF. podemos citar como se dava a educação feminina em uma das mais importantes colônias de imigrantes alemães de Santa Catarina: a Colônia Blumenau. e pedia desculpas”. cuidar dos animais. pp. Era rara a semana em que se ia os seis dias seguidos à escola. que contratavam um professor. A maioria das escolas da colônia era mista. devendo a mesma aprender e saber cozinhar. Eu freqüentei a escola do professor Schiemann durante dois anos e meio. agrícolas ou industriais fazia com que muitas meninas e meninos se ausentassem da escola: “Oi“Os colonos mandavam os filhos para a escola com nove anos.15 No caso da educação feminina. 170) Para você refletir: Diante da citação acima. podemos dizer que tais escolas eram formadas por pequenas associações. (Memória de Max Brueckheimer.

As palavras de Cabral representam. Podemos verificar o caráter engajado que Antonieta de Barros encarava a sua atuação como professora e parlamentar. lecionando Português no Colégio Coração de Jesus e no Instituto de Educação Dias Velho. uma clara manifestação de preconceito contra um integrante de um outro grupo étnico. 256).” (NUNES. três inspetores escolares vão liderar a educação catarinense: Luiz Trindade. tentava romper com o pensamento da época de que tais espaços eram destinados exclusivamente a homens letrados e brancos. João dos Santos Areão e Elpídio Barbosa. segundo palavras dela. interventor federal de Santa Catarina. Para você refletir: Como você percebe o problema do preconceito sobre as mulheres afro-descentes? Ele existe na sua região? Entre 1935 e 1950. uma mulher . Sr. vamos ter em Santa Catarina a chamada “Santíssima Trindade da Educação”. Essa Afro-descendente nascida em Florianópolis em 1901. como Deputada Estadual. para viver no sentido humano da palavra. Todos nós temos o dever e o direito do trabalho. mas de pão e cultura. em 1938. severas palavras. publicadas no jornal República de 29 de Outubro de 1933. 265). Nereu Ramos. 2001. trouxe um paulista para reformar a educação catarinense. p. quando não poupou críticas aos projetos educacionais implantados pelo Governador Irineu Bornhausen. em 1934 Antonieta foi eleita e integrou. tão somente. mas temos também a necessidade da cultura. que pouco se preocupou . muito atuais por sinal. não era muito simpático ao poder de mando da “Santíssima Trindade”.formou-se no Magistério em 1921. Esse cargo coube a Sebastião de Oliveira Rocha. 2001. assim. é necessário mencionar o trabalho da educadora Antonieta de Barros. Esta mulher afro-descendente. por parte do então deputado estadual. p. por isso. Este deputado afirmou que aquilo que Antonieta de Barros escrevia nos jornais simplesmente se tratava de “intriga barata de senzala”. professora e política.sua mãe era lavadeira .no caso. ao ocupar o espaço dos jornais e das tribunas políticas.89 C A P Í T U L O II Com relação à participação da população afro-descendente na educação catarinense. Oswaldo Rodrigues Cabral. Além de escrever nos principais jornais da capital catarinense. oriunda de uma classe social menos abastada . O poder de mando sempre estava com um dos três. pois. no sentido humano da palavra o que pensa. Nesse período. Os outros só se movem.e que. E só vive. “nós não precisamos de pão e circo. considerava a educação como um instrumento de suma importância para a vida das pessoas. aliado ao fato deste integrante ser de outro sexo . a bancada do Partido Liberal. (NUNES. As críticas de Antonieta valeram-lhe.

predominante nas escolas particulares. a Escola Nova passa a entrar em choque com a pedagogia cristã. forçando o aumento do número de escolas. A educação catarinense foi crescendo em números a cada ano. daí ficou conhecido no anedotário ilhéu como “passa. Após o término da Segunda Guerra. cujos dois eixos eram a ampliação da escolaridade obrigatória de quatro para oito anos e a substituição do sistema de avaliação por aprovação/reprovação. gavião. Você lembra da escola nova? Foi nesta época que surgiu a necessidade de uma mudança no ensino no Estado. Isso aconteceu em função da política desenvolvimentista do governo JK. o Conselho Estadual de Educação e vários outros órgãos são provas dessa política de ampliação.. em Santa Catarina. A própria UDESC. 123). alguns dos responsáveis pela educação em Santa Catarina ainda continuavam com fortes resquícios da ditadura. os antigos cursos complementares da Reforma Trindade. Em 1969. são criadas inúmeras escolas e salas de aula. A partir daí. Com a Lei Orgânica Estadual do Ensino Normal do ano de 1946. passa. Era preciso melhorar a infra-estrutura e qualificar os professores. A tarefa não era fácil. Na década de 1950. O ponto culminante foi a elaboração do Primeiro Plano Estadual de Educação. não? . Em vários estados brasileiros não se deu atenção para estes dispositivos legais. A partir de 1961. contudo. aconteceram várias mudanças na educação pública catarinense. 1991. aprovado o Sistema Estadual de Ensino e instalado o Conselho Estadual de Educação. o ensino ficou a cargo dos seguintes estabelecimentos: do Instituto de Educação. p.90 História da Educação com a qualidade da educação. no governo Celso Ramos. procurou-se cumpri-la. o governo federal começou a preocupar-se em reformular algumas normativas do ensino primário e normal. Os inspetores escolares foram transformados em coordenadores locais de educação. Interessava a ele altos índices de aprovação.” (Fiori. entrou em vigor o primeiro Plano Estadual de Educação e surgiram as doze Coordenadorias Regionais de Educação. Porém. Você sabe que a educação é uma das áreas mais visadas quando se quer reformar o modo de ser e agir da sociedade.. pelo sistema de avanço progressivo. A partir de 1946. o precário sistema educacional foi reformulado. o país passou a tomar o rumo do retorno à redemocratização política. o qual permitiu a entrada maciça do capital internacional em nossa economia. Foi criada a Secretaria de Estado da Educação. sendo ess a idealizada por Anísio Teixeira. da Escola Normal e do Curso Normal Regional. O Estado passou a dar grande atenção ao chamado segundo grau. Assim. Você deve lembrar desse tempo do avanço progressivo.

pois seu curso pertence a mais antiga faculdade de educação do Brasil. a qual esta Coordenadoria de Educação a Distância pertence. Esta educação vai ter finalidades diferentes da educação masculina. Mas. e uma pública. Até 1930 só existiam duas escolas normais no Estado: uma particular. uma das características da educação no Brasil e em Santa Catarina foi a criação de leis e a implantação de reformas. Um das reflexões que podemos fazer é em que medida essas leis e reformas produziram transformações que vieram contribuir para uma melhoria da qualidade da educação. Como podemos perceber. Por muitas décadas. a sede da Rua Saldanha Marinho será transformada no Museu da Escola Catarinense. as mulheres. As primeiras escolas públicas de ensino primário em Santa Catarina eram exclusivamente freqüentadas por meninos. ambas situadas na capital. uma vez que possuía o objetivo de formar a esposa e a mãe através das “prendas domésticas”. da Universidade do Estado de Santa Catarina. o Plano Estadual de Educação. . os escravos elaboraram alternativas para educar seus filhos através das Irmandades religiosas de afro-descendentes. Os conteúdos ensinados eram a leitura e a escrita. a Escola Normal do Estado. O principal argumento para se criar uma escola destinada a formação de professores em Santa Catarina estava centrando sobre o trabalho docente. Com a construção do novo prédio da FAED. A educação formal catarinense era restrita apenas aos filhos de alguns homens ligados ao comércio ou proprietários rurais. foi a primeira faculdade de educação do Brasil. Até que ponto leis e reformas bastam para resolver a situação da educação em nosso país? Para finalizar esse programa de História da Educação. É também a partir deste governo que se passa a discutir a Proposta Curricular. o Colégio Coração de Jesus. Através da nossa prática pedagógica sabemos das dificuldades e dos problemas ainda existentes e que temos que enfrentar diariamente nas escolas. o que só viria a acontecer no governo de Pedro Ivo Campos. os pobres e os escravos não tinham acesso a escolarização formal. ao longo dos séculos XVIII e XIX. Criada em 1963. que ainda hoje está em vigor. Em Santa Catarina os jornais viriam a defender a instrução para as mulheres.FAED. RESUMO: A educação entre as crianças indígenas era transmitida de forma oral. Como no restante do país. o governo Amin discute amplamente. ainda funciona no prédio que foi construído para ser a Escola Normal Catarinense.91 C A P Í T U L O II Na primeira metade dos anos 80. Você pode se orgulhar. em todo o estado. regionalizando as discussões que não chegaram a ser normatizadas. as quatro operações de aritmética e a doutrina cristã. o qual recebia sérias condenações com relação a sua formação. é bom recordar que a Faculdade de Educação . as escolas normais foram as responsáveis pela formação de professores no Brasil.

a população catarinense era de 283. um grupo de políticos catarinenses foi recebido pelos padres jesuítas nas instalações do atual Colégio Catarinense. Na década de 1950. Com relação à educação feminina. mas também a cultura. tanto estadual como municipal. Esta mulher afro-descendente.92 História da Educação Os primeiros anos da República não trouxeram grandes mudanças. Durante o governo de Lauro Muller foi criado o Ginásio Catarinense. Em 1890. Ambas as partes possuíam o intuito de implantar um colégio de ensino secundário em Florianópolis. é necessário mencionar o trabalho da educadora Antonieta de Barros. agrícolas ou industriais fazia com que muitas meninas e meninos se ausentassem da escola. público e gratuito. Com relação à participação da população afro-descendente na educação catarinense. a Escola Nova passa a entrar em choque com a pedagogia cristã. A partir de 1930. . foi instalada no Brasil a política de nacionalização do ensino. as elites demonstravam descontentamento com a qualidade de ensino oferecida pelo Ginásio Catarinense. com 80. A partir de 1961. aprovado o Sistema Estadual de Ensino e instalado o Conselho Estadual de Educação.769 habitantes.4% de analfabetos. Com a criação deste colégio ocorreu o fechamento do único ginásio estadual público catarinense. considerava a educação como um instrumento de suma importância para a vida das pessoas. Em 1969 entrou em vigor o primeiro Plano Estadual de Educação e surgiram as doze Coordenadorias Regionais de Educação. foi criada a Secretaria de Estado da Educação. todos os seres humanos devem ter o direito ao trabalho. Em Santa Catarina. pois. Nem todas as crianças podiam freqüentar as aulas com assiduidade. Tornaram-se proibidos os nomes estrangeiros das escolas. No contexto da Segunda Guerra. Cabia também à mulher da colônia a educação dos filhos do casal e o ensino da língua alemã. predominante nas escolas particulares. Ficou instituído também que o processo de ensinoaprendizagem deveria ser realizado na língua portuguesa. a mulher da colônia Blumenau recebia da sua mãe e/ou de outros integrantes da família uma educação voltada para o lar e para a formação de uma boa dona de casa. enviando seus filhos para estudar em outros Estados. Este colégio seria dirigido pelos jesuítas e contaria com o apoio do governo. segundo palavras dela. no governo Celso Ramos. o Brasil foi governado por Getúlio Vargas. A lida diária nos serviços domésticos. professora e política. implantando a ditadura do Estado Novo. Em 1906.

Não poderá haver perfeita educação se nela não houver amor mútuo entre educador e educando. representava uma extensão da maternidade. nem deve ser o magistério considerado uma profissão. da Universidade do Estado de Santa Catarina. o carinho e a compreensão”. pode-se acompanhar como as próprias mulheres que estavam prestes a se formar professoras entendiam este trabalho. modéstia. Dely: “Amélia era natural discreta. um dos romances mais lidos de M. publicado em 1960. Segundo essas concepções.uma função natural da mulher. é claro. de alma simples e modesta. a profissão de professora de meninas requeria simplicidade. a imagem da professora aparece vinculada à figura da mãe e da dona de casa . Sob o título Mosaico. era a professora das meninas Isabel e Ofélia.. uma forma de maternagem simbólica: afetiva. Criada em 1963.) que afirmavam uma inclinação natural da mulher para o trato com crianças. atributos femininos por natureza. Não é. Assim. a um só tempo. encontram-se publicados trechos extraídos da prova de Pedagogia das Magistrandas de 1955. . O texto abaixo trata sobre algumas das visões construídas sobre as mulheres. sem deixar de ser disciplinadora. foi a primeira faculdade de educação do Brasil. como exemplifica o pequeno trecho de Magali. discrição. o governo Amin discute em todo o estado o Plano Estadual de Educação. Assim se expressavam as alunas: “Ser mestra é ser mãe de almas. ou pelo menos o representavam. ainda funciona no prédio que foi construído para ser a Escola Normal Catarinense.. Como elas eram vistas? Como as mesmas se viam enquanto profissionais da educação? “É importante ressaltar como está representada uma imagem de professora. terna. sacerdócio do coração. que versou sobre o tema mestres e alunas têm uma mestra comum: a afeição. A Faculdade de Educação . Seu papel seria a extensão de uma atividade que já ocorria dentro da casa. além. demonstrava discrição e bom senso”. cristã. É também a partir deste governo que se passa a discutir a Proposta Curricular que ainda hoje está em vigor. considerada a única ocupação possível para a mulher fora dos limites da casa. Em uma publicação das alunas-normalistas de um colégio religioso de Florianópolis.. de dons naturais (. a paciência.93 C A P Í T U L O II Na primeira metade dos anos 80. de família religiosa. o desprendimento. atributos da professora por extensão.. principalmente sobre as professoras. Para saber mais: 1. o que. a qual esta Coordenadoria de Educação a Distância pertence. de certa forma. Era uma amiga. mas sim um sacerdócio que concretiza o amor e reúne.FAED.

pelo que se infere desses discursos. Ana. 2001. Florianópolis: Argos e Letras Contemporâneas. MORGA.). representações que reforçavam a tradicionalidade do papel da mulher – esposa. História das Mulheres de Santa Catarina.). 1976) BRANCHER. CUNHA. Maria Teresa Santos. In: MORGA. História de Santa Catarina: estudos contemporâneos. Antônio (org. um projeto educativo das Escolas Normais do período. História das Mulheres de Santa Catarina. Enfim. 1999. 212-213. professora – cuja supervalorização levava a desacreditar outras possibilidades de realização e de exercício de outras atividades”. 2001.). . Brasil. pp. Para aprofundar seus conhecimentos sugerimos o filme e os livros abaixo relacionados: Aleluia Gretchen ( Sílvio Back. Antônio (org.94 História da Educação A base afetiva nas relações escolares e a construção dos papéis femininos de mãe/professora constituíram. mãe.(org. Florianópolis: Argos e Letras Contemporâneas. Florianóplis: Letras Contemporâneas. Práticas de Leitura Entre Professores Primários: Florianópolis-SC (1955/60).

Você pode também fazer uma relação com a elitização da educação que ainda hoje persiste. também pelas mãos do imigrante europeu. principalmente. italianos e alemães. com as duas Grandes Guerras. Comente a relação existente entre a lei de Nacionalização do Ensino. instituída no Governo Vargas e a situação vivida pelos descendentes desses imigrantes em território catarinense durante o episódio da Segunda Guerra Mundial. principalmente nas áreas de origem européia. com o objetivo de complementar os seus estudos. A partir do inicio do século XX.95 C A P Í T U L O II ATIVIDADES: DIFERENTES PROPOSTAS EDUCACIONAIS EM SANTA CATARINA 20 minutos 1. Segundo o seu caderno de Historia da Educação. 2. É necessário ressaltar as proibições feitas pelo governo Vargas e substituição dos professores “euro-brasileiros” pelos professores que lecionarão somente na língua portuguesa. ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Comentário: A referida questão propõe que o aluno faça uma reflexão sobre as diferenças surgidas no Brasil. . as elites catarinense preferiam enviar seus filhos para estudar em colégios de outros Estados. que foi instituído na mesma época em que o ensino secundário gratuito fora extinto em Santa Catarina. entre outros. ocorreram algumas transformações que mudaram essa atitude das elites catarinenses. em muitas vezes. sendo. Você sabe que a história de Santa Catarina foi construída. tratados com desprezo ou até mesmo com hostilidade. Qual o fato que motivou esta mudança? ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Comentário: Faça uma referência a fundação do Colégio Catarinense.

1963. CARVALHO. Rio de Janeiro: Rocco. da UFSC. Caderno de Complementação Pedagógica. São Paulo: Edart. Franco. Rosana. NAGLE. Florianópolis: Ed. A cultura brasileira: introdução ao estudo da cultura no Brasil. COTRIM. Unidade II.medicina.). FERREIRA. História da Pedagogia. Pedro Américo. Claudia. Ijuí: Ed. (org. HERSCHMANN. São Paulo: Brasiliense. Gladys Mary Teive. 1989. 1997. MANACORDA. A Fabricação Escolar das Elites: o Ginásio Catarinense na Primeira República.) A Invenção do Brasil Moderno . Lauro de Oliveira. K. Modernização econômica e formação do professor em Santa Catarina. 2002. 1994. São Paulo: Brasiliense. LIMA.. Carlos Alberto M. educação e engenharia nos anos 20-30. Educação Brasileira. Educação e sociedade na Primeira República. História da Educação: da antiguidade aos nossos dias. São Paulo: Saraiva. MAXWELL. Mário Alighiero. Florianópolis: Argos/Letras Contemporâneas.. 1991. Florianópolis: Argos e Letras Contemporâneas. Norberto. 2001. MORGA. Práticas de Leitura entre Professores Primários: Florianópolis-SC (1955/60). DALLABRIDA. Aspectos da evolução do ensino público: ensino público e política de assimilação cultural no Estado de Santa Catarina nos períodos Imperial e Republicano. 1997. & PEREIRA. Marta Chagas. 1999. Fernando de. Florianópolis: Imprensa Oficial/Udesc. Antônio (org. José de Anchieta: o Apóstolo do Brasil. 1993. Educação & História: algumas considerações. CUNHA. São Paulo: Cortez. 1996. Mário. Florianópolis: Cidade Futura/Udesc. Neide de Almeida. 2001. Marquês de Pombal: Paradoxo do Iluminismo. 1997. da UnB. In: MORGA. 37-71. São Paulo: Ed. História das Mulheres de Santa Catarina. da UFSC. São Paulo: Ática. Maria Teresa Santos. Antônio (org. Unijuí. CAMBI. AZEVEDO. 1990. 1996. Micael M. Maria Lúcia de Arruda. Florianópolis: Ed. AURAS. A civilização inca. MORTARI. BOND. 1974. História da Educação. São Paulo: FTD. MAIA. Unesp. pp. Brasília: Ed.96 História da Educação REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARANHA. Moldar a Alma Plástica da Juventude: a “Ratio Studiorum” e a manufatura de sujeitos letrados e católicos. . Gilberto e PARISI. Liliana Soares.). São Paulo: Moderna. 1993. FIORI. 2001. Jorge. Rio De Janeiro: Paz e Terra. Fundamentos da educação. São Paulo: Edusp. 1998. Introdução à pedagogia. A Escola e a República. ____________________. Texto mimeografado. ___________. 1979. História das Mulheres de Santa Catarina. et alli.

________________________________. 4a edição. das Letras. Antônio. O Brasil é dos Brasilianos: medicina. UFSC. RIBAS. Os 500 anos: a conquista interminável. 4o volume.). Marlete dos Anjos Silva. (org. A Gênese da Escola Normal em Santa Catarina. 2001. História da Educação: a escola no Brasil. Waldir José & Ouriques. História da educação Brasileira. antropologia e educação na figura de Roquette Pinto. Florianópolis: Ed. Florianópolis: UFSC. Darcy. PAIM. RIBEIRO. Tomo II. 2001. 3a ed. 1978. 1995. .). Cristina Scheibe. Petrópolis: Vozes. SP: FTD.1994. 1990. WOLF. WEREBE. Belo Horizionte: HG Edições. (Dissertação de Mestrado). J.97 C A P Í T U L O II NEVES..). Luis Felipe Baeta. Karla Leonora Dahse. São Paulo: Autores Associados. A. pág. 1986. Clarice. TOBIAS. 1999. RIBEIRO. M. da UFSC. SP: IBRASA. S. NUNES. Micael M. Maria Luiza Santos. PIAZZA. Cadernos do CED. 2000. 1999.) A Invenção do Brasil Moderno medicina. In: HERSCHMANN. Rio de Janeiro: Forense Universitária. PIACENTINI. J. América em tempo de conquista. XAVIER. História das Mulheres de Santa Catarina. Florianópolis: Argos/ Letras Contemporâneas. RAMPINELLI.A. Carlos Alberto M. Nildo Domingos (org. História Geral da Civilização Brasileira. 1992. & PEREIRA. Tânia Maria. 1990.). São Paulo: Ed. A Educação. Walter Fernando & HUBENER. Ronaldo(org. educação e engenharia nos anos 20-30. SCHAFFRATH. A Escola Reinventa a Cidade. São Paulo: Difel. Rio de Janeiro: Rocco. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. NUNES. Florianópolis: Argos e Letras Contemporâneas. Antônio (org. 1985. João Baptista Cintra. O povo brasileiro: evolução e sentido do Brasil. A Escola Normal Catharinense de 1892: profissão e ornamento. 09-46. Santa Catarina: história da gente. São Paulo: Cia. 1967. Como se forma uma “boa dona de casa” :a educação das mulheres teuto-brasileiras na Colônia Blumenau (1850-1900). 1994. PEDRO. Campinas: UNICAMP. Grijalbo.). Florianópolis: Lunardelli. Antônio (org. In: MORGA.). O Combate dos Soldados de Cristo na Terra dos Papagaios. Joana Maria. 1994. (org. (org. Antonieta de Barros: uma história. Mulheres honestas e mulheres faladas: uma questão de classe. História das Mulheres de Santa Catarina. VAINFAS. Laura Machado. História da Educação Brasileira: a organização escolar. In HOLANDA. 1999 (Dissertação de Mestrado em Educação). História das idéias filosóficas no Brasil. O ensino em Santa Catarina na república velha (1889-1930). In: MORGA. Ano I Nº 2 Abril/junho de 1984.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->