P. 1
Morcegos em áreas urbanas e rurais - manual de manejo e controle

Morcegos em áreas urbanas e rurais - manual de manejo e controle

5.0

|Views: 2.800|Likes:
Publicado porMarcos Vinícius

More info:

Published by: Marcos Vinícius on Nov 16, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

04/07/2013

pdf

text

original

BRASÍLIA -1998

@1996. Ministério da Saúde. Fundação Nacionalde Saúde.
13edição 1996 23 edição 1998

É permitida a reprodução parcial ou total destaobra,desdeque citadaa fonte. Coordenação Comunicação, de Educação Documentação e COMEDIASPLAN/FNS GerênciaTécnicade Editoração. Setorde AutarquiasSul, Quadra4 -Bloco N -sala 514 70058-902-Brasília/DF Distribuição e Informação: Coordenação Controlede Zoonoses Animais Peçonhentos de e -CCZAP. CentroNacionalde Epidemiologia-CENEPI. Fundação Nacionalde Saúde. SAS -Setor de AutarquiasSul- Quadra4 -Bloco N -60 andar-sala 629. 70058 -902 -Brasília/DF Tiragem: 5.000exemplares. Impressono Brasil / Printed in Brazil.
ISBN: 85 -7346 -003 -2

Sumário
I -Introdução 11-Noções Gerais sobre Morcegos
11.1.Diversidade de Espécies 11.2.Ecolocalização 11.3.Reprodução 11.4.Hábitos Alimentares 11.5.Abrigos

07 09
09 10 ,... 10 12 15

,

III -Os Morcegos e o Homem 111.1. Mitos e Lendas 111.2. Morcegose SaúdePública 111.2.1. Histoplasmose 111.2.2. Raiva 111.2.2.1. Distribuição 111.2.2.2. Animais Hospedeiros 111.2.2.3. Patogenia 111.2.2.4. Sintomatologia 111.2.2.5. Transmissão MorcegosHematófagos por 111.2.2.6. Transmissão Morcegosnão Hematófagos por 111.2.2.7. Sintomatologia Raiva emMorcegos da 111.2.2.7.1. MorcegosHematófagos Em 111.2.2.7.2. Morcegosnão Hematófagos Em 111.2.3. Mordeduras Provocadas MorcegosHematófagos nãoHematófagos por e 111.2.3.1. Mordeduras Defensivas 111.2.3.2. Mordeduras Alimentares 111.3. LeiturasAdicionais Recomendadas IV -Principais Grupos Brasileiros (Famílias) IV.1. Introdução IV.2. FamíliaPhyllostomidae IV.3. Família Molossidae IV.4. FamíliaVespertilionidae IV.5. FamíliaEmballonuridae IV.6. FamíliaNoctilionidae IV.7. Família Mormoopidae IV.8. Família Natalidae IV.9. FamíliaFuripteridae IV.10. FamíliaThyropteridae
IV.11. Leituras Adicionais Recomendadas ,

23 23 24 29 30 30 30 30 30 31 31 33 33 34 35 35 35 36 37 37 37 37 38 38 38 39 39 40 40
40 41

v -MorcegosemÁreasUrbanas
V.l. Introdução V.2. FichaTécnicadasPrincipaisEspécies OcorrênciaemÁreasUrbanasno Brasil de V.2.1. Morcego-comedor-de-frutas Artibeusjamaicensis V.2.2. Morcego-das-listras-brancas-na-cabeça Artibeus lituratus V.2.3. Morcego-das-listras-brancas-na-cabeça-e-nas Platyrrhinus lineatus costas V.2.4. Morcego-de-cauda-curta-e-comedor-de-frutas Carollia perspicillata

41 42 42 43 44 45

V.2.5. Morcego-beija-florGlossophaga soricina V.2.6. Morcego-de-nariz-em-forma-de-lança Phyllostomus hastatus V.2.7. Morcego-de-nariz-em-forma-de-lança Phyllostomus discolor V.2.8. Morcego-da-cauda-livre Molossusspp V.2.9. Morcego-de-cauda-livre Nyctinomopssppe Tadaridabrasiliensis"".., V .2.10.Morcego-de-cauda-livre Eumopsspp V.2.11. Morcegos-de-cauda-peluda Lasiurus spp V.2.12. Morcego-pequeno-marrom Eptesicus brasiliensis V.2.13. Morcego-cara-de-bulldog Noctilio albiventris V.2.14. Morcego-narigudo Peropteryx macrotis V.2.15. Leiturasadicionaisrecomendadas V.3. MorcegosemEdificações V.3.1. Casas V.3.1.1. Cobertura V.3.1.1.1. Cumeeira V.3.1.1.2.Beirais V.3.1.2. Porão V .3.1.3.Chaminés V.3.2. Edifícios V.3.2.1. Juntasde Dilatação V.3.2.2. Dutos de Ventilação V.3.2.3. Esquadrias V.3.3. Elementos Decorativos V.3.4. Caixasde Persiana V.3.5. Procedimentos para DesalojarMorcegosdasEdificações V.3.6. LeiturasAdicionais Recomendadas V.4. MorcegosemPlantas V.4.1. Plantascomo Fontede Alimento V.4.2. PlantascomoAbrigo V.4.3. LeiturasAdicionais Recomendadas VI -Morcegos Hematófagos VI.1. Introdução VI.2. FichaTécnicados MorcegosHematófagos VI.2.1. Desmodusrotundus VI.2.2. Diaemusyoungi VI.2.3. Diphylla ecaudata VI.3. Biologia, Ecologiae Etologia dosMorcegosHematófagos VI.3.1. Atividade Alimentar VI.3.1.1. Períodode Atividade Alimentar VI.3.1.2. Procurae LocalizaçãodasPresas VI.3.1.3. Acessibilidadee EscolhadasPresas VI.3.1.4. AproximaçãodasPresas VI.3.1.5. Escolhade Locaispara Morder as Presas VI.3.1.6. Ato de TomarSangue VI.3.1.7. Abrigos NoturnosTemporários VI.3.2. Interações Sociais VI.4. ImportânciaSociale Econômica VI.4.1. ImportânciaSocial VI.4.2. ImportânciaEconômica VI.5. Controlede MorcegosHematófagos VI.5.1. Métodosde Controle VI.5.1.1. MétodosRestritivos VI.5.1.2. MétodosSeletivos
4

,

,

46 47 48 49 "., 50 51 52 53 54 55 56 57 57 57 58 58 58 58 61 61 63 63 63 63 65 65 66 66 70 70
71

,

71 72 72 73 74 75 75 75 75 76 76 77 79 83 84 86 86 88 89 89 89 90

VI.5.1.2.1.Indiretos VI.5.1.2.1.1.-AnticoagulanteIntrarruminal VI.5.1.2.1.2.-Anticoagulante Intramuscular VI.5.1.2.1.3.-AnticoagulanteTópico emMordeduras VI.5.1.2.1.4.-AnticoagulanteTópico "Pour-on" VI.5.1.2.2.Direto VI.5.1.2.2.1.Anticoagulante Tópico emMorcegos VI.6. LeiturasAdicionais Recomendadas

90 91 91 91 92 92 92 94

VII.l. Introdução VII.2. Materiaise Equipamentos VII.2.1. Equipamentos ProteçãoIndividual .(EPIS) de VII.2.2. Equipamentos Uso Técnico de VII.2.3. Equipamentos Apoio de VII.3. Métodosde Captura VII.3.1. CapturaManual VII.3.2. CapturacomPuçáou Coador VII.3.3. CapturaComRedes-de-Espera VII.3.3.1. Utilização de RedesemÁreasUrbanas VII.3.3.2. Utilizaçãode RedesemÁreasRurais VII.3.4. Alguns Cuidadosno ManuseiodosMorcegos...,..""""""""".""".""".."", VII.3.5. LeiturasAdicionais Recomendadas VII.4. Preservação MorcegosparaColeções de Didáticase Zoológicas VII.4.1. Objetivos VII.4.2. Métodosde Preparação Coleções de VII.4.2.1. PorVia Seca VII.4.2.2. PorVia Úmida VII.4.3. LeiturasAdicionais Recomendadas ,.""""""""""""".."""."""""", VIII -Educação em Saúde
IX -Anexos

95 95 95 95 96 96 97 97 97 98 98 99 99 100 100 100 100 101 103 105
107

IX.l. InformaçõesAdiconais IX.2. Modelo de Ficha de Atendimentoà População IX.3. Modelo de Ofício paraNotificaçãode Raiva

107 109 110

x -Bibliografia Consultada

111

5

Introdução
Desdeque os morcegosse tomaramo segundomaior transmissor raiva aossereshumanos da no Brasil, a Coordenação Controle de Zoonosese Animais Peçonhentos de (CCZAP), Fundação Nacional de Saúde,Ministério da Saúde,sentiu a necessidade um texto abrangente, língua de em portuguesa, que pudessefornecersubsídiosà atuaçãodos técnicos ligados à saúdepública. A idéia básica para a produção do texto visava dar conhecimentoteórico e prático 'a esses técnicos, capacitando-os orientar pessoas a leigas sobrea importânciados morcegospara a saúdepública, a economiae, também,paraa natureza. Com esseobjetivo, a CCZAP reuniu, no início de 1994, um grupo de técnicos dispostosa discutir a elaboração dessetexto, que culminou na ediçãodo presente trabalho,chamadode Manual. Desdeo início, o Departamento DefesaAnimal, Ministério da Agricultura, do Abastecimentoe da de Reforma Agrária, apoiou e colaborouna elaboração Manual. Por essemotivo, seu conteúdofoi do ampliado para atendertambémàs atividadesdos técnicosda Agricultura em relação ao controle da raiva dos herbívoros. o Manualestábaseado informações literaturae na experiência profissionaisque se em de dos propuseram participar da sua redação.Procurou-seutilizar linguagemo menos técnica possível, a tornando-oacessívelaostécnicosde campo.Cabeesclarecer não se deve distribuir esteManual à que populaçãoleiga, pois as atividadesmencionadas devemserorientadase/ouexecutadas pelos técnicos da Saúdee Agricultura. Apesarde referir-sea manejoe controlede morcegosem áreasurbanase rurais, vale ressaltar que este Manual não pretende incentivar o extermínio e nem a exaltação pura e simples dos morcegos.Deve-seconsiderar que há formas de convivênciapacífica com essesanimais, semdeixar de atentarparaa suaparticipação cadeiaepidemiológica diversaszoonoses. na de Assim, o termo manejo está sendo aqui utilizado para designaro convívio pacífico das populações diferentesespéciesde morcegoscom o homem, que deve ser marcado,sempreque de necessário,por ações que objetivem afastar os morcegosdas habitaçõeshumanase dos animais domésticos. Por controle, entendem-se as ações executadas em ocasiões determinadas e não aleatoriamente, amparadas lei (parágrafo2°, artigo 3° da lei 5.197de 03 dejaneiro de 1967). por o presenteManual sobremorcegosem áreasurbanase rurais procura preencher uma lacuna, em âmbito nacional, nas publicaçõesdidáticas sobre morcegos,principalmente com referência às áreasurbanas.Por ser material inédito e inovador, imprecisõese ausênciade informaçõespoderão aparecernestaedição. Assim, críticas e sugestões serãobem-vindas,para o aperfeiçoamento deste trabalho.

Diversidade de Espécies
Os morcegossão os únicos mamíferos com capacidade vôo, devido à transformaçãode de seusbraçosem asas.Pertencem OrdemChiroptera,palavraque significa MÃO (chiro) transformada à em ASA (ptera). Na foto (Fig.II.l.) é possívelidentificar, na asaaberta,o braço,o antebraçoe a mão.Na mão, podem-se observartodos os dedos: o polegar (único dedo com unha nos morcegos dasAméricas), os metacarpos as falangesdos dedos. e

Fig.lI.l. Morfologia geralexternade um morcego(Molossusmolossus), mostrando:An: antebraço; polegarda Po: asa; Or: orelha; Pe: pé; CI: calcâneo;UR: uropatágio ou membranainterfemural; PL: plagiopatágio;PP: propatágio ou membrana antebraquial;DLA: dactilopatágiolargo; DLO: dactilopatágiolongo; DM: dactilopatágiomenor; l"Fa: Ia falange do 30dedo;2"Fa:2" falangedo 30dedo; 3"Fa: 3" falangedo 30dedo.(Foto: W. Uieda)

A ordemChiropteracontématualmente quase1.000espécies representa e cercade um quarto de toda a fauna de mamíferos do mundo. Os morcegosestão distribuídos em duas subordensMegachiroptera Microchiroptera -, 18 famílias e 168 gêneros.A subordemMegachiropteracontém e apenasa família Pteropodidae, que está restrita ao Velho Mundo (África, Ásia e Oceania). Nesta subordem encontram-seos morcegos de maior porte, conhecidos popularmente como raposas voadoras,que podem alcançaraté 1,10m de envergadura dois quilogramasde peso.Alimentam-se e de partesflorais e de frutos (fitofagia) e dependem seusgrandes de olhos paraos vôos crepusculares e noturnos. A subordemMicrochiroptera é de ampla dlstnbulção geogratlca e inclUI I" famílIas, das quais três são cosmopolitas,isto é, possuemrepresentantes diversas partes do mundo. Nove em famílias destasubordemocorremno Novo Mundo (as Américas),todas com representantes Brasil. no Aproximadamente140espécies morcegostêm suaocorrênciaregistradano território brasileiro. Os de microquirópterossãogeralmente animaispequenos, podendovariar de algunspoucosgramasde peso até 150 a 200 gramas e de 10 a 80cm de envergadura.Seusvôos podem ser crepuscularese/ou

9

noturnose dependem um sistemade orientaçãonoturnamuito mais eficiente do que a visão dos de megaquirópteros.

Ecolocalização
De modo geral, os morcegossaemde seusabrigosao entardecer no início da noite. Apesar ou de voaremno escuro,seusolhos sãofuncionais,havendomuitasespécies localizam seualimento que com o auxílio da visão, além do olfato. Como os golfinhos e as baleias, os microquirópterosse comunicame voam orientadospor meio de sons de alta-freqüência.O sistemaé conhecidocomo "ecolocalização"(popularmente chamadode "sonardos morcegos")ou localizaçãopelos ecos.Esses mamíferos voadores emitem ultra-sonsque, ao encontraremum obstáculo,retomam em forma de ecoscaptadospelos seusouvidos muito sensíveis, possibilitandoa sua orientação.Algumas espécies conseguem, vôo, detectarobstáculos espessura um fio de cabelo. Com essemecanismo,os em da de morcegosconseguem voar em locais completamente escuros,desviando-se obstáculose caçando de insetosduranteo vôo. o sistemade ecolocalização característico é dos morcegosda subordemMicrochiroptera, e um dos principais responsáveis pela maior diversidade espécies de desse grupo.Essesistemapermitiu que os microquirópterosexplorassem diversostipos de abrigo e de alimento.Os megaquirópteros, por se orientarem,basicamente, visão, utilizam poucostipos de abrigo(abrigosexternos,como copas pela e troncosde árvores)e de alimento (origemvegetal).Isto explicariasuamenordiversidade formas. de

Reprodução
Como todo mamífero, os filhotes dos morcegos "s~ogeradosdentro do útero de suasmães. Proporcionalmente seutamanho,os morcegos os mamíferosque se reproduzem modo mais ao são de lento. Apresentamuma gestaçãode dois a sete meses,dependendo espécie,e, geralmente,um da filhote por gestação (um pequeno grupode morcegos insetívoros, gêneroLasiurus,pode gerarde dois a três filhotes/gestação). morcegosinsetívorostêm um períodode gestação dois a três meses, Os de enquantoque os fitófagos, emtorno de três a cinco meses. mais longo períodode gestação O pertence aos morcegoshematófagos, com pelo menosduasdastrês espécies tendo gestação setemeses.O de parto ocorre no abrigo,tanto no períododiurno como no noturno,e os filhotes nascemsempêlos, em algumasespécies, já com uma pelagem ou tênue,em outras. Logo após nascer,algumas mães costumamcarregarseus filhotes em vôos de atividade noturna; porém, à medida que cresceme aumentamde peso, toma-se indesejávelseu transporte. Carregandofilhotes, as mãesperdemparte de sua mobilidadee agilidade para as caçadas noturnas. Por essemotivo, os filhotes podem serdeixadosnos abrigosdiurnos ou transportados um abrigo até noturno mais próximo da áreade caçade suasmães.Nos primeirosmeses, filhotes sãoalimentados os com leite materno e, gradativamente, começama ingerir o mesmo alimento dos adultos. O leite, branco, é produzido por um par de mamas,habitualme,,-te situado nas regiões axilares e peitorais (apenas duas espécies apresentammamas abdominais funcionais). Mamas peitorais são uma característicaque somenteo homem, macacos,sirênios,elefantese morcegospossuem(nos outros grupos as mamassão abdominais,como nos bovinos e eqüinos).Geralmente, mães ensinamaos as seusfilhotes o que comer,como conseguir onde encontrar alimento. e o

10

2. 3.

Fig.II.2. Uma fêmeado morcegohematófago, Diaemusyoungi, pouco antesde dar à luz a um único filhote, após setemeses gestação. o mais longo periodode gestação de É conhecidonos morcegos. (Foto: W. Uieda)

Fig.II.3. Uma fêmea do morcego hematófago, Diaemus youngi, logo após dar à luz a um filhote, que imediatamente agarrouao ventre da mãe,com os polegares os pés,para se alimentardo leite por ela produzido. (Foto: se e W. Uieda)

Os morcegos insetívoros, habitualmente,possuemum pico de reproduçãoque ocorre no períodomais quentedo ano (primaverae verão), quandoos insetossão mais abundantes. Assim, há mais alimento disponível e, conseqüentemente, podem produzir mais leite para alimentar seus filhotes. A reproduçãodos morcegosfitófagos estádiretamente ligada à floração e/oufrutificação das plantasque fornecemseualimento; por isso,pode ocorrer em épocasdiferentese, também, mais de
11

uma vez por ano. Os morcegoshematófagos não têm uma épocadefinida para se reproduzir, pois a quantidade seualimento na natureza constante, é, não sofrevariaçãosazonal.Eventualmente, de é isto podemter mais de uma cria ao longo do ano. A estrutura social dos agrupamentos morcegosé complexae varia de uma espéciepara de outra, podendo, também, variar de uma região para outra. Um número relativamente grande de espéciespossuiuma estrutura social baseada formaçãode haréns(um machodominantecom um na grupo de fêmeas).O tamanhodo harémpode serde algumasfêmeasa até dezenasdelas para cada machodominante.Algumas poucasespécies parecem monogâmicas. ser Ao contrário dos roedores,que possuemuma longevidadebaixa, os morcegos têm uma expectativade vida alta. Algumas espéciesde insetívoros podem chegar a 30 anos; os morcegos hematófagos podemchegara quase20 anosna natureza.

Hábitos Alimentares
Entre os mamíferos, os morcegos representam grupo mais versátil na exploração de o alimentos,podendoexploraruma grandevariedadede tipos, como frutos, néctar,pólen, partesflorais, folhas, insetos(mariposas,besouros, pernilongose percevejos), outros artrópodos(como escorpiões), pequenospeixes, anfíbios (rãs e pererecas),lagartos, pássaros,pequenosmamíferos (roedores e morcegos)e sangue.Algumas espécies, como as dos vampiros, têm um regime alimentar bastante restrito (consomem somentesangue), masuma boa partedasespécies pode incluir em suadieta vários tipos de alimentos. Os morcegosinsetívorosocorremem quasetodo o mundo e compreendem maior parte das a espécies (cerca de 70%) desses mamíferosvoadores. natureza,apresentam Na uma função ecológica importante, uma vez que auxiliam no controle de populaçõesde diversos tipos de insetos como besouros, mariposas, percevejos pernilongos. e

Fig.II.4. Estômagosdo morcego insetivoro Nocti/io a/biventris, em estadosdiferentesde repleção:totalmente vazio, ao sairdo abrigo parase alimentar,e ao retomar,apóscercade 30 minutosde refeição(os outros 5 estômagos). (Foto: W. Uieda)

Os morcegos fitófagos (nectarívorose frugívoros) são encontradossomente nas regiões tropicais e subtropicaisdo mundo,onde existemplantasproduzindonéctare/oufrutos, praticamente, o ano todo. Nos ecossistemas naturais,esses morcegossãoimportantes, pois promovema polinização das flores e a dispersão sementes diversasplantas,podendoserconsideradas de de espécies úteis. Na
12

região amazônica,os morcegosfrugívoros são os principais agentesde recuperação das florestas, espalhando sementes áreasdesmatadas, em naturale artificialmente.Pode-sedizer que a regeneração da mata amazônica depende,diretamente, das atividades dos morcegos fitófagos neotropicais, recuperando áreasdegradadas pelo homem. Poucasespécies carnívoras.Estesmorcegossaempara caçarpequenos são vertebrados como peixes, rãs, camundongos, aves e outros morcegos.Podem, ainda, completar a dieta consumindo insetose, eventualmente, frutos. Os morcegoshematófagos compreendem apenas três espécies, que estãorestritas à América Latina (região neotropical): Desmodusrotundus,Diaemusyoungi e Diphylla ecaudata.Exploram, basicamente, sanguede vertebradosendotérmicos(aves e mamíferos).Na natureza, devem atacar jacús,jacutingas, garças, jaburus, outras avesde porte semelhante um pouco menores,capivaras, ou leõesmarinhos,antas,macacos, veadose outrosmamíferos.Nos ambientes rurais, tendema explorar qualquertipo de animais de criação.No ParqueZoológico do Rio de Janeiro, os D. rotundus têm atacado animaissilvestresexóticoscomo avestruz,rinocerontee elefante.Diversaspessoas salientam, apenas,os aspectosnegativos dessesmorcegos e questionama sua importância ecológica. Nos ecossistemas naturais,os morcegoshematófagos auxiliam no controle daspopulações vertebrados de herbívoros,evitandoque superpopulações dessas presas destruama vegetação conseqüentemente, e, o ecossistema. Essecontrole populacionalé feito não somentepor sangriasdos animais, mas também portransmissão doenças, de como a raiva.

fig.1I.5. o pequeno morcego beija-flor, G/ossophagasoricina, visitando uma flor de dedaleiro (Lafoensiapaccari)1l procurade néctar.Estaespécie morcegoé um dos agentes de responsáveis suapolinizaçãona natureza.O uso pela de plantasnativas,como esta,no processo arborização cidadesatraemseuspolinizadoresparaas áreasurbanas.(Foto: de de I. Sazima)

13

Fig.II.6. o grande morcego de nariz em fonna de lança (Phy//ostomusdisco/ar) é também freqUentemente observadovisitando flores à procurade néctare pólen,como nesteembiruçu(Pseudobombax grandiflorum). Ele é um dos responsáveis pela sua polinizaçãona natureza tambémem áreaurbana,ondeestaplanta tem sido utilizada na arborização. e (Foto: I. Sazima)

Fig.". 7. As papilasna ponta da lingua, a longa extensão língua do morcego beija-flor e seu focinho, também da alongado, permitem que o animal possa retirar o néctar do fundo do tubo floral. Estas estruturassão especializações morfológicas que permitemque este morcegopossa sereficiente em sua função ecológicade polinizar as plantas. Porém, nemtodos os morcegosque visitam as flores possuem essas características, como estábemexemplificadona figura anterior. (Foto: W. Uieda)

14

Fig.II.8. Após pegar um fruto na amendoeira(Terminalia catappa),o morcegoArtibeus lituratus carrega-opara um pouso noturno (aqui representado pela copa de uma sibipiruna, Caesalpinia peltophoroides),onde irá consumi-lo vagarosamente. (Foto: W. Uieda)

Abrigos
Os abrigos diurnos representam locais onde os morcegos repousamdurante o dia. Por os passar cercade metadedo seutempodiário nesses locais,os abrigosdevemoferecercondiçõesfísicas mínimas que permitam a sobrevivênciados morcegos.Geralmente,fatores como estabilidade da temperatura ambiente,a umidaderelativa do ar e a luminosidadedeterminama ocupação,ou não, de um dadoabrigo por esses mamíferosvoadores noturnos. Os abrigos devem oferecercondiçõesque permitamo acasalamento, parto e a criação de o filhotes, as interaçõessociaise a digestãodo alimento consumidodurantea noite, e, ainda, proteção contraintempériesambientais(chuvas,vento e insolação) contrapossíveispredadores. e A evolução do sistema de ecolocalização foi, sem dúvida, o fator determinante na diversificação dos tipos de abrigos utilizados pelos morcegos. Por causa disso, os morcegos da subordemMicrochiroptera obtiveram sucessoem ocuparo interior de cavernase fendasde rocha, ondea ausência luz é total. de De modo geral, podemosclassificar os abrigosde internos(cavernas, fendasde rocha, ocosde-árvore,edificações) externos(folhagem,superfíciede tronco dasárvores). e Os morcegos podem fazer uso de abrigos também durante o período noturno, que são denominados abrigos noturnos, abrigos noturnos temporários,pouso noturno ou digestório. Os de abrigosnoturnos são locais para onde os morcegoslevamo alimento (frutos, artrópodose pequenos vertebrados) para seremconsumidos. chão desses No abrigos,podem-seencontrarrestosalimentares e fezes.

15

Fig.II.9. A caverna representaum bom abrigo diurno para morcegos,pois fornece condições estâveis detemperatura, umidade do ar e luminosidade,além da proteçãocontra intempériesambientaise predadores eventuais. Por causadisso,vârias espécies morcegosutilizam estetipo de abrigo, inclusive a do morcegovampiro comum, Desmodus de rotundus.Na cavernada foto, a colônia devia ter, aproximadamente, morcegos. 200 (Foto: W. Uieda)

Fig.II.l0. Acúmulo de fezesdo morcegohematófago, Desmodus rotundus,no interior de uma caverna.Um modo prático de identificar seusabrigosé procurar por esses acúmulos.As fezes possuem aspectode alcatrão(pastosoe negro) e forte odor de amônia.O tamanhodessas poçasdepenpe tempode uso do local e do tamanhoda colônia. (Foto: W. Uieda) do

16

Fig.".I'. Casa abandonada. cujo porão era usadocomo abrigo diurno pelo morcego hematófago,Desmodusrotundus. Essa situaçãoé comum no meio rural e deveria ser evitada, pois diminuiria a disponibilidade de abrigos ao morcego, um dos fatores que contribuíramparao aumentode suaspopulações. (Foto: W. Uieda)

c.

i;'-'

Fig.II.12. Diversasespéciesde morcegosutilizam bueiros de águafluvial ou pluvial como abrigo diurno. Com o aumentoda malharodoviária,o númerode bueirosaumentoumuito e isto favoreceuasespécies os utilizam, como a espécie que hematófaga Desmodus rotundus. Em várias regiõesbrasileiras,quasea metadedos abrigosusadospor estaespécieé artificial, isto é, foi produzida pelo homem. Dessemodo,o homemtem oferecido"casa"e "comida", contribuindoparao aumentodaspopulações desses morcegos.(Foto: W. Uieda)

17

;

Fig.II.13. Nas áreasurbanas,algumas casaspossuem porões subutilizadosque podem representar bons abrigos para morcegos, como os pequenosmorcegos beija-flor, Glossophagasoricina. A ocupação não demora muito para acontecer, pois os morcegosestãosempreexaminando recursos os potenciais(abrigo e alimento)de sua áreade vida. (Foto: M. Yoshizawa)

Fig.II.14. Oco-de-árvore um tipo de abrigo diurno interno nemsempredisponívelno ambiente.Por causadisso, é as espéciestendem a explorar mais de um tipo de abrigo. Além disso, o tamanho do oco-de-árvoreacaba, também, delimitando o tamanhoda colônia que irá viver nesseambiente.O morcegohematófagoDiaemusyoungi vive, quaseque exclusivamente, ocos-de-árvore, em como o destapaineira,e suascolôniassão,geralmente, pequenas. (Foto: W. Uieda)

18

Fig.II.15.Uma palmeira apresenta um tipo de folhagem que pode muito bem ser explorada por diversas espécies de morcegos. I:nquanto verdes, as folhas abertas podem abrigar, em sua face inferior, pequenos grupos de morcegos frugivoros (por ex. Platyrrhinus lineatus, Artibeus lituratus); entre as bainhas e o tronco, pode-se encontrar colônia de morcegos insetivoros (Eumops, Promops, ,'vIolossops),e na folhagem seca pendurada junto ao tronco, podem-se encontrar pequenos morcegos insetivoros de hábitos quase solitários, como espécies do gênero Lasiurus. (Foto: W. Uieda)

Fig.II.16. Palha seca de palmeira sendo utilizada como abrigo diurno pelo morcego insetivoro, Lasiurus ega. Esta árvore encontrava-se jardim de umacasada árearural; masesta situaçãoocorretambémem áreaurbana.No centro da foto é possívelobservar no um único morcego abrigando-se nestafolhagem.(Foto: W. Uieda)

19

Fig.II.17. o morcegoinsetívoroLasiurus egaé um habitantecomumde folhas secas palmeiras.A coloraçãode de seuspêlose o hábito de permanecerem imóveis por longo tempo permitemque as pessoas, andemperto da palmeira,não que os encontrem. (Foto:W. Uieda)

Fig.II.18. Apesar da coloraçãoevidente de seus pêlos,este grupo de morcegosinsetívoros (Lasiurus borealis) permaneceu nessaplantade folhagemverde por vários dias,numaárearesidencialurbana.(Foto: W. Uieda)

20

Fig.II.19. Um grupo (harém)de Artibeus lituratus usandoa copa de um jambolão (Syzigiumjambolanum) como abrigo diurno em área urbana.A copa é, relativamente, bem fechada,protegendoos morcegosdos raios solares.(Foto: W. Uieda)

Fig.II.20. Pousonoturno do morcegofrugívoro Artibeus /ituratus em áreaurbana.Notem-seos restosalimentares existentesno chão sob essepouso: sementes jambo, de oiti, de amendoeirae bagaços.Os frutos são raspadoscom os de dentes, mastigados sugados. bagaços eliminadose caemao chão(Foto: A. Bredt) e Os são

21

11.6.Leituras Adicionais Recomendadas
ffiLL, J.E.; SMITH, J.D. Bals: a naturalhistory. London: British MuseumofNatural History, 1984.

243p.
YALDEN, B.W.; MORRIS, P.A. The lives o/hals. NewtonAbbot: David & Charles,1975. 247p. FENTON, M.B. Bals. New York: Factson File, 1992. 207p.

22

111-Os Morcegos e o Homem
111.1. Mitos e Lendas
Os morcegos são, geralmente,lembrados como criaturas sinistras, demoníacase, quase sempre,indesejáveis.Nenhumoutro grupo de mamíferospareceestar tão envolvido em mistérios, mitos, folclore e desinformação: freqüentemente associados diabo (Lúcifer),. bruxas, vampiros e ao "lado-escuro"da experiênciahumana,são tambémresponsabilizados pela origem da noite. Outras vezes, são retratadoscomo animais inteligentes,cômicos, de boa sorte e de naturezadupla, sendo meio pássaroe meio besta.Na crençapopular, todos os morcegossão "chupadores sangue"que de atacamsuasvítimas durantea noite. Esta crençatoma-semais interessante medida em que é um na elementocomumdo folclore de muitasculturashumanas (Japão,Filipinas, Austrália,Mrica, Europae Américas). Com exceçãoda América Latina, não há basebiológica para explicar a associação entre morcegose o espírito vampiresco,a eles associado, não ser pelos seushábitos noturnos.O nome a vampiro tem origemhúngarae significa uma pessoa retomada morte parase alimentardo sangue que de um servivo. Na Europa, há poucos dados registradossobre a associação entre morcegos,vampiros e bruxas,antesda publicaçãodo livro "Orácula",de Bram Stoker, em 1897. Stokerbaseouseulivro no personagemreal Vlad, "The Impaler", que viveu entre 1431 e 1467, e pertencia à aristrocracia romena.Ele era consideradoum tirano que, embora conhecidopor suas muitas maldades,não foi lembradocomo vampiro. Acredita-seque Stokerpossater sido influenciadopelos relatosfantasiosos dos viajanteseuropeusao Novo Mundo, segundoos quais havia um tipo de morcegoque atacavae sugavao sanguedos animais e das pessoas, que morressem.O cinema acaboupopularizando até mundialmentea figura do "Orácula", como chupadorde sanguede sereshumanos,e criando outros seresnoturnosfictícios com algumascaracterísticas morcegos(geralmente formato das asase o dos o vôo). Atualmente,é comum que uma pessoaleiga, ao ver um morcegovoando nas proximidades, rapidamente proteja seupescoço(localpreferidopelo Oráculaparasangrarsuasvítimas). Na América Latina, os povosMaias associavam morcegos tanto aosaspectos negativosquanto aos positivos, sendo, freqüentemente,representadosnos monumentos,nos manuscritos e nos vasilhames."Zotz" é a palavra maia para designarmorcego e "Zotziha", a sua casa,habitadapelo "Deus Morcego Vampiro", chamadode Camazotz,que decapitavasuasvítimas. Podia ser, também, associadocom o "Deus da Boa Sorte", trazendofelicidade às pessoas. Nos manuscritosdos povos Aztecas,morcegossão considerados como deusese estão associados com a cultura do milho e os rituais de fertilidade. Ainda hoje, em algumasregiõesdo México, essesanimaiscontinuama ser cultuadospelas populações locais.Como exemplo,pode-secitar o culto ao Deusde uma grandecavernano Estadode Vera Cruz, ondemulheresgrávidasoferecem presentes morcegosvampirose rezampelo sucesso aos do parto de seusbebês.Pessoas podem, também, pedir auxílio aos morcegospara protegê-Iasdos inimigos e da má sorte, ou para obter ótima colheita agrícola.Oferendassão feitas sob a forma de alimento, de flores e, até mesmo, de dinheiro. Nos manuscritose monumentosMaias, a imagem dessasdivindades assemelha-se um morcego com uma folha nasallanceolada,estruturaque no a Novo Mundo é característica membros família Phyl1ostomidae. dos da Em Trinidad, os nativos conhecem morcegoshematófagos os que atacame sugamo sangue dos animais,porém,os ataquesàspessoas feitos por "Soucouyant", são uma bruxa que voa pelo céu noturno à procura de sanguehumanopara se alimentar. Por outro lado, sua figura quasesempreé cultuada nos carnavais, quando pessoas desfilam com fantasias bem elaboradasde morcegos filostomídeos.

23

111.2. Morcegos e SaúdePública
De modo geral, a maioria dos morcegosé considerada,pela população,como vampiros sedentos sangue,animais sujos e que carregamescondidas de doençasprejudiciais à saúdehumana. De fato, alguns morcegosestãoenvolvidos na epidemiologia(incidência e distribuição) de doenças importantes,tais como a raiva e a histoplasmose. Estas doençaspodem ser transmitidas aos seres humanos,direta ou indiretamente,assim como a outros animais de sanguequente. No entanto, a crença popular de que todos os morcegos são portadoresde muitas doenças(transmissíveis ao homem)é simplesmente errônea.Apesarde sabermos já foram encontrados que morcegosalbergando uma variedadede organismos nocivos, ou potencialmente nocivos,a transmissão doençasaos seres de humanos é rara. Porém, relatos sensacionalistas, sem cuidados ou inverídicos sobre os morcegos podemestimular a antipatiapública, a tal ponto que muitos sãodestruídos desnecessariamente. Geralmente, a biologia dos agentes patogênicos não é diferente da biologia de seus hospedeiros.Controlando e regulando as populaçõesde hospedeiros,mantendo-asnum equilíbrio dinâmico e natural, automaticamente, está-sefazendo o mesmo com as populaçõesdos agentes microbianos. O surgimentode uma doençanuma dada populaçãoé conseqüência auto-limitante da quebra desseequilíbrio dinâmico. Tais quebrasocorrem quando as populaçõesde hospedeiros,do vetor ou do agente patogênico aumentam, ultrapassando seus limites naturais. Isto causa, conseqüentemente, incrementona taxa de infecção ou de re-infecção,devido a uma elevaçãoda um probabilidadede exposiçãoà doença.Além dos efeitos óbvios da superpopulação do "stress", uma e grandepopulaçãopode tambémexplorar, excessivamente, recursosalimentaresda região e causar os uma falha que, por suavez, pode dispararuma manifestação epidêmicada doença.As populações de animais silvestres, incluindo morcegos,existem dentro desseslimites dinâmicos. O fato de várias espécies morcegosviverem em colôniasde cetltenas, de milharesou, em algunscasos,de milhões de indivíduos, sem seremdestruídospor doençasinfecciosas,é uma prova do equilíbrio existenteentre os hospedeiros suacomunidade e microbiana. Seres humanos e seus animais domésticos estão em equilíbrio com certos agentes microbianos, mas freqüentem ente tornam-se susceptíveis outros agentes,para os quais não são a hospedeirosnaturais. Isto pode acontecer,também, com morcegos,pois são elementosda fauna nativa, freqüentem ente encontrados junto ao homem e/ou aos animais domésticos.Os morcegos e algunstipos de roedoressãode particular interesse porqueestãoemtodo lugar, sãoaltamentemóveis e podem abrigar-se em ambientesdomiciliares, aumentandoassima probabilidadede contato. Um outro fator de interesse está no fato de que morcegos, por serem mamíferos, possuemcertas semelhanças com o homeme, portanto, podem sersusceptíveis algumasdoençashumanas. a Assim, os morcegospodemtornar-seum transmissor não-intencional algumasdoenças de humanas. Os agentespatogênicos(vários tipos de bactérias,fungos e vírus) já foram encontradosem morcegos ou em depósitos de suas fezes (guano) nos abrigos diurnos. Além dessesagentes,os morcegospodem abrigar tambémuma diversidadede organismosendo e ectoparasitas que, por sua vez, podem causardoençasou carregar um ou mais agentespatogênicos.Estes, incluem parasitas protozoários,helmintos (platelmintose nematóides) artrópodosparasitas. tabelasabaixo contêm e As alguns dessesagentes encontradosou suspeitosde ocorrer em morcegos.Diversos casos foram já estudados,apenasexperimentalmente, laboratório, sem a contrapartidade sua ocorrência em em condições naturais. Alguns casos foram mencionados apenas como especulaçõesfeitas por especialistas publicadascomotal. e

24

QUADRO1 -Doenças por Vírus Associadasa Morcegos

-Tipos de vírusjá registrados morcegos em -Anticorpos de outras32 virosesdescobertas soro sangüíneo morcegos em de -Principais Doenças Virais: Encefalite VenezuelanaEqüina (VEE) Causada Alfavirus, membrode arbovirusdo grupo A. Doençaepidêmicacaracterizada por por febre ou encefalite em eqüinos e homens. Um a 3% dos casoshumanos com problemasno SistemaNervoso Central(SNC), com seqüelas marcantes mortes;38 a 83% dos eqüinosmorrem. ou Morcegoshematófagos encontrados infectadosnaturalmente podemtransmitiro vírus da VEE a outro hospedeiro, ingestãode sangue, um curto espaço tempo(1 a 5 dias). via por de Febre Amarela (YFV) Causadapor um Flavivirus, membro de arbovirus do grupo B. Doença comum a vários grupos de mamíferos,incluindo morcegos.Transmissão mosquito transmissor;mas, morcegos via hematófagos infectadospoderiamtransmitirpela saliva, duranterefeição.Ainda não encontrado YFV em glândulassalivaresde morcegos.Pela mobilidade,morcegospodem ter papel no deslocamento geográficodo vírus.

Raiva
Causada vírus do gêneroLyssavirus(Rhabdoviridae). por Doençacaracterística mamíferos de do mundo todo, com exceçãode áreasinsulares(Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Japão e Havaí). Geralmentetransmitido por mordedur!iS; vírus rábico afeta SNC, causandoalteraçõesde comportamento,paralisia e quase sempre morte. Cerca de 50.000 pessoase milhões de animais morrem anualmente. isolado de várias espéciesde morcegos,incluindo as de hematófagos(ver Já texto destecapítulo). -Doenças Virais Potenciais: váriashepatites virais, citomegalovírus, vírus de Epstein-Barr, dengue,adenoviroses.

25

QUADRO 2 -Doenças BacterianasAssociadasa Morcegos

Bactérias Bactérias Patogênicas Humanas (perigosasa moderadamente perigosas)
Salmonella Shigella Yersinia (=Pasteurella)

dados

Leptospira

Brucella

Borrelia recurrentis

-Febre tifóide e outrasdoenças semelhantes. -Disenterias. -Peste bubônica: infecção experimental em laboratório. -Leptospirose: várias espécies já isoladas de morcegosdo Velho Mundo. Não se conhece o papel dos morcegos, possivelmente sãohospedeiros acidentais. -Brucelose: doença cosmopolita, afetando principalmente gado bovino. Pode ser adquirida pelo homem,por contato com dejetose alimentos contaminados.Morcegos hematófagospodemse contaminar ao sangrar animais doentes e transmitira outrosanimaisou ao homem. -Febre recorrente: morcegos podem ser reservatóriosnaturais.Várias espécies isoladas já de morcegos,com relaçõesdesconhecidas com a doençaI:tu_mana. -

Parasitas Intracelulares (Rickettsias) Bartonella bacilliformis -Febre Oroya: comum na região Andina. Ainda I não encontrada morcegos,mas é possível que em estejamenvolvidos na manutenção doençana da região. -Conhecida do morcego frugívoro, Carollia i

Bartonella rochalimai Grahamella

perspicillata
-Semelhante Bartonellae comumem mamíferos a não humanos inclusivemorcegos. -Febre Q: doençaperigosa,mas raramentefatal' ao homem,isoladade morcegos, que podem atuar como reservatórios.Transmissãogeralmente por contato com dejetos (fezes, urina e outros) de animaiscontaminados. -"Rocky Mountain Spotted Fever": matou morcegos frugívoros e insetívoros testados experimentalmente, mas falhou emmorcegos hematófagos. Transmissão ao homem por carrapatos.
I

Coxiellaburneti

Rickettsia rickettsi

26

QUADRO 3 -Doenças por ProtozoáriosAssociadasa Morcegos

Protozoários

Doenças que provocam e outros dados

I

Trypanosoma cruz;

Trypanosoma evansi

-Doença de Chagas: várias espécies de morcegosjá foram registradascom tripanosomas semelhantes forma cruz;. Patogenicidadenão à está bem entendida.Essestripanosomasparecem não provocar infecção humana. 19 espéciesde tripanosomas encontradasem 52 espéciesde já morcegos. -(=T. hippicum, T. equinum e T.venezuelense), causaMurrina e Mal das cadeiras: encontrada em morcegohematófago, podendosertransmitida mecanicamente um hospedeiro de (principalmente eqüinos) a outro por morcegos,durante repasto

sangüíneo. Leishmania donovani
Plasmodiumspp -Leishmaniose visceral ou Calazar, encontradona raposavoadora do Velho Mundo (Pteropus) -Malária: de uma a 4 espéciesjá isoladas de morcegos. Nenhum destes parasitas parece envolvido com a maláriahumana.

27

QUADRO 4 -Doenças por FungosAssociadasa Morcegos

Fu

ênicosHumanos

Doen

rovocam e outros dados

Histoplasmacapsu/atum

Paracoccidioidesbrasiliensis

Scopu/ariopsis

Cryptococcus neoformans
Sporot-i::hum schenckii Candida albicans

-Histoplasmose: doença cosmopolita mais importante, causada por fungos. Aparece na forma de levedura florescida em tecidos infectados e como hifas e esporos no solo (Saprófitas). Contágio por inalação de esporos contidos na matéria orgânicado solo de abrigos quentes e úmidos dos morcegos e aves. Esta infecção respiratória pode ser fatal ao homem, mas é rara. (Mais informações no texto deste capítulo). -Blastomicose sul-americana: doença granulomatosa das membranas das mucosas (gastrointestinal, nódulos linfáticos, pele e pulmões),altamente perigosae comumnas zonas tropicais e subtropicais da América Latina. Esporosviáveis emfezesde morcegos. -Esporotricose: semelhante a blastomicose, encontrado fezesde morcegos Colômbia. I em da -Meningite crônica: geralmente fatal, em esporosI encontrados fezesde morcegos. em i -Esporotricose humana: isolada de fezes de morcegos colombianos. -Candidíase ou Monilíase: doençade homense animais.Isoladade fezesde morcegosfrugívoros (Pteropus)do Velho Mundo, que foram criados em cativeiro. Morcegosdoentesnão encontrados na natureza. -Isolada de morcegos da Colômbia. Experimentos indicam que há certa patogenicidade homem. ao -Fungo não patogênico,encontradoem fígado de morcegoLeptonycterissanborni americano. -Fungo comum da pele e de membranasdas mucos do homem,encontrado morcego as em -Fungoencontrado fezesde morcegos. em
-Fungo que produz micose do pé e infecções I pulmonares ou sistêmicos no homem e nos I

Candida chiropterorum

Candidaparapsilosis Torulopsisglabrata Microsporum gypseum
Allescheria boydii

28

QUADRO 5 .Problemas com outros ParasitasAssociadosa Morcegos

-Diversos vermesparasitas(trematóides, cestóidese nematóides)já registradosem várias espécies morcegos. de Muitos sãoespecíficos desses hospedeiros. Alguns helmintosde humanose de animaisdomésticos foram encontrados morcegos. já em Essas ocorrênciaspodemseracidentais. -Ocasionalmente ácaros de morcegos podem ser encontradosem seres humanos. Pode ocorrer quandomorcegosse abrigamem casasou quandopessoas entramem abrigos de morcegos. Podem provocardermatites leves,raramente sérias. -Três espécies percevejos(família Cimicidae)compartilhadas morcegose homens:a de por espécie cosmopolita Cimex lectularius; a tropicosmopolitaC. hemipteruse a espécie do OesteMricaI:c Leptocimexboueti. Especula-se C. lectularius tomou-se adaptadaao homem, quando que este passoua usar cavernase abrigos similares como habitaçõeshumanas.Sem evidência de sua importânciacomo vetor de doenças entremorcegos homens. e -Duas famílias de moscas (Nycteribiidaee Streblidae)estão especialmente adaptadas aosmorcegos. Ambas são hematófagase podem, potencialmente, ser vetores de vários agentespatogênicos. Porém, sem evidênciasda participaçãodessasmoscasna transmissãode doençasaohomem.

-Mordeduras de morcegoshematófagosfreqüentemente invadidos por larvas da mosca Callitroga e da bicheira Cochliomyiahominivorax. Mamíferos domésticose aves infestados com larvas podem morrer. Em algumasáreas da América Latina, mortalidadedevido às larvas dessas moscas pode sertão sériaquantoaquelaprovocada pela raiva.

111.2.1. Histoplasmose
A Histoplasmose é uma enfermidade causada pela inalação de esporos do fungo Histoplasma capsulatum, comumente encontrado em solos enriquecidos por matéria orgânica, especialmente em locais !,Totegidos, como abrigos de aves e de morcegos. Produz uma infecção respiratória que, eventualmente, pode ser fatal para o homem, embora os casos graves sejam raros, já tendo sido encontrado em diversos países do Novo Mundo (inclusive no Brasil), da Europa e da África. De modo geral, o fungo não sobrevive em sótãos quentes e secos, e a infecção humana, oriunda de morcegos, ocorre mais freqüentemente em cavernas quentes, úmidas, sem ventilação e com acúmulo de fezes desses animais. Apesar de as pessoas associarem a histoplasmose aos ambientes freqüentados pelos morcegos, as mais importantes fontes desta infecção parecem ser os abrigos de aves, como galinheiros e pombais. A histoplasmose tem um diagnóstico impreciso e é facilmente confundida com outras doenças respiratórias, como a pneumonia e a tuberculose. Sua gravidade é diretamente proporcional à quantidade de esporos inalados. Assim, os ambientes que abrigam morcegos devem ser explorados ou perturbados com muito cuidado e precaução. O uso de uma máscara (com filtro de carvão ativado) ou outro respirador eficiente que possa remover partículas muito pequenas (cerca de 2 microns de diâmetro), em tais locais, reduzem o risco de infecção. Por isso as visitas às cavernas e grutas habitadas por morcegos devem ser evitadas ou feitas somente em casos de extrema necessidade.

Por ser pouco conhecida (até mesmo para a medicina), não existe estatística sobre afreqüência de ocorrênciadestaenfermidade.

29

Raiva
111.2.2.1. Distribuição A enfermidade mais comumente associada morcegosé a raiva, uma doençaviral, agudae aos

letal.
o vírus rábico tem uma distribuiçãocosmopolita,excetuados Austrália, o Uruguai, algumas a ilhas do Caribe,o Japãoe algunsPaíses Europeus. Animais Hospedeiros A doença (transmitida pela saliva de um animal infectado, geralmente,através de uma mordedura) freqüentemente é observada carnívorossilvestrese domésticos em (cãese gatos),embora qualqueranimalde sangue quentesejasusceptível raiva, em menorou maiorgrau. à
Patogenia

o vírus da raiva penetrano organismodo hospedeiro, geralmente,atravésda mordedurade um animal infectado. No momento da mordedura, o vírus presente na saliva é inoculado, permanecendo durante algum tempo no local da lesão. Uma vez alcançadaa inervaçãoperiférica, caminha em direção ao sistemanervosocentral, chegandoao cérebro.Daí, dirige-se novamenteaos nervosperiféricos,atravésdos quaisatinge,entreoutrosórgãos,asglândulas salivares. Sintomatologia Classicamente, raiva apresenta a três fasesdistintas:a fase prodrômica,a fase excitativa e a faseparalítica. A fase prodrômica é a fase de mais curta duração(2 a 3 dias), caracterizada pelos sinais iniciais da doença, quando o animal apresenta pequenas alterações comportamentaiscomo: hiperexcitabilidade estímulosexternos,como luz, ruídos,deslocamentos ar, etc. aos de Na fase excitativa os sintomas observadossão os mais facilmente associadosà doença, principalmente quando a espécieenvolvida é o cão ou o gato. Durante esta fase, encontram-se exacerbados sinais de hiperexcitabilidadeobservados os durante a fase prodrômica. Além disso, o animal pode tomar-se muito agressivo, investindo contra outros cães, gatos, animais de outras espécies, contra o homem,e até contraobjetosinanimados. Paraos animaisque apresentam evidente agressividade diz-se estarem acometidos pela raiva na suaforma furiosa. A fase excitativapode durar de 3 a 7 dias,duranteos quaisa transmissão vírus rábico se faz maisfreqüente. do A fase paralítica ocorre, geralmente,após a fase excitativa, caracterizando-se paralisia por progressivaque parte dos membrosposterioresem direção à cabeça.A morte, por asfixia, ocorre quandoa paralisiachegaà musculatura respiratória. Em herbívorosé comumnão se observara faseexcitativa:o animalpassada faseprodrômica à faseparalítica("raiva paralítica"). Como a proposta deste Manual é tratar, especificamente, sobre os morcegos,será aqui abordada somente transmissão raiva por esses a da animais,hematófagos não hematófagos. e

30

1.2.2.2.

Transmissão MorcegosHematófagos por o vírus rábico pareceter, nos morcegoshematófagos, melhore o mais eficiente veículo de o propagação, uma vez que estesagridemdiariamenteoutros animais(suaspresas,para se alimentar, e/ou seus próprios companheiros,nas interaçõessociais agressivas).Essas agressõesenvolvem, principalmente,aplicação de mordedurase outros tipos de comportamentointerativo. Assim, um morcego hematófagoinfectado tem chancesdiárias e freqüentesde transmissão,sendo, por isso, responsável pela infecçãodireta de animaisdomésticos eventualmente, sereshumanos.Quando e, de transmitida,atravésde mordeduras, doença, a geralmente, segueum cursoparalítico. o vírus da raiva já foi encontradoem diversaspartesdo corpo dos morcegoshematófagos,porém, é mais freqüentemente isolado em tecidos do cérebro, das glândulassalivares,da gordura castanha dospulmões. e Emborahouvesse inicialmentea crençade que os morcegos,especialmente hematófagos, os fossem imunes e, portanto, portadoresmais perigosos da raiva, evidências atuais sugerem que morcegosmouem da doença,assimcomo ocoue a outros animais de sanguequente,não atuando como reservatórios imunesdo vírus. Nenhumoutro grupo de morcegos, não sero dos hematófagos, a pareceestarseriamente implicadona transmissão raiva a outrosanimaissilvestrese decriação. da No século XVI, colonizadoreseuropeus atribuíram as mortes de seres humanos e de mamíferos domésticos no Novo Mundo às "mordidas venenosas"dos morcegos hematófagos. Entretanto,somenteno início do Século XX o papel desses morcegosna epidemiologiada raiva foi plenamenteconhecido.Desde então, a incidência da raiva desmodinafoi demonstradaem várias regiões dos neotrópicos,desdea Argentina até o México. O morcego vampiro comum (Desmodus rotundus)é uma sériaameaça mamíferosdomésticos, aos especialmente gadobovino, mantido em ao grandesrebanhos acessível morcegos. e aos Antes da colonização européia,os morcegoshematófagos eram espécies populações de relativamente pequenas, exploravammamíferose avessilvestres. que Essesmorcegosforam especialmente favorecidospela introduçãodos animaisdomésticos América na Latina, o que permitiu um crescimento excessivo suaspopulações váriasregiões. de em Transmissão Morcegosnão Hematófagos por A transmissão vírus da raiva nos morcegosnão hematófagos, do está geralmente restrita aos mesmos, pois o contato com outrosmamíferosé ocasional. Assim, muito raram~nte, raiva pode ser a contraída diretamente (por mordeduras)ou indiretamente(via aerossol) de outras espéciesde morcegos. Nos EstadosUnidos, o vírus rábico já foi detectadoem 26 das 40 espéciesde morcegos insetívorosdaquelepaís. Além disso, morcegoscom raiva já foram registradosem todos os EstadosAmericanos, com exceção Havaí e do Alaska. Seria,portanto,verdadeirodizer que a incidênciade do raiva naspopulações morcegos América não é mais alta do que a incidênciaentreo restantedas de da suaspopulações mamíferos.Por exemplo,uma estimativasugereque um em cadamil morcegosda de Califómia temraiva. Em outrasregiões,essataxapode sermaiselevada(0,5%). o vírus da raivajá foi encontrado muitasespécies hematófagas América Latina. No em não na Brasil, 27 das cerca de 140 espécies morcegos foram diagnosticadas de já com raiva. Estasespécies pertencemàs três famílias de maior diversidade e abundância(Phyllostomidae,Molossidae e

.6. .5.
31

V espertilionidae) também,mais freqüentemente e, associadas atividadeshumanas, às tanto em áreas urbanas como rurais. Em relação aos hábitos alimentares,quase a metade(48,1%) das espéciesde morcegos infectadas no Brasil é insetívora e, em menor proporção, aparecemas frugívoras (18,5%), as nectarívoras sanguívoras e (11,1%cada),as carnívoras(7,4% cada)e a onívora (3,7%). Essesdados mostramque os morcegospodemser portadoresde vírus rábico, independentemente seushábitos de alimentares. Contudo,seupapelcomo transmissor raiva humanapareceseracidental,com exceção da da espéciehematófagaD. rotundus. Na maior parte dos casos de raiva humana transmitida por morcegosnão hematófagos, contatofoi ocasionale a agressão o ocorreupor manipulação indevida de morcegosmoribundos. Segundodados da FundaçãoNacional de Saúde (Ministério da Saúde), o morcego é, atualmente,o segundo transmissorda raiva humana no Brasil. Apesar dessesdados oficiais não especificarem tipos de morcegosenvolvidos na transmissão, os acredita-se que a maior parte seria representada pelos hematófagos (mais precisamente rotundus). O restantedos casos D. deve envolver morcegosinsetívorose frugívoros, por sua presençafreqüenteem áreasurbanasde pequenas grandes e cidades brasileiras.

QUADRO6
Espéciesde Morcegosjá Diagnosticadoscom Raiva no Brasil.
Hábito alimentar MORCEGOSINSETÍVOROS Espécie Tonatia brasiliense Micronycteris megalotis Lonchorhina aurita Histiotus velatus Lasiurus borealis Lasiurus ega Myotis nigricans Eumops auripendulus Molossusater Molossusmolossus Nyctinomopsmacrotis Nyctinomopslaticaudatus Tadarida brasiliensis Artibeus lituratus Artibeusjamaicensis Artibeus planirostris Platyrrhinus lineatus Carollia perspicillata Glossophaga soricina Anoura geoffroyi Anoura caudifer

MORCEGOSFRUGÍVOROS

MORCEGOSNECf ARÍVOROS

MORCEGOONÍVORO MORCEGOSCARNívoROS

Phyllostomus hastatus Chrotopterus auritus Trachops cirrhosus
Desmodusrotundus Diaemusyoungi Diphylla ecaudata

MORCEGOSHEMATÓFAGOS

32

Em outras regiõesdo planeta,vírus rábicos ou semelhantes foram registradosem várias já espéciesde morcegos insetívoros (Alemanha, Polônia, Rússia, Iugoslávia, Turquia, Dinamarca e Holanda). Porém, a infecção rábica parece não ser amplamentedistribuída nas populaçõesde morcegos Velho Mundo, ondenão sãoconsiderados do transmissores importantes doença. da Nos últimos trinta anos, dez mortes de seres humanos foram atribuídas, diretamente,a morcegos insetívorosna América do Norte (Estados Unidos e Canadá). Vários destes c~os resultaram de mordeduras ocorridasdurantea manipulaçãode um morcegomoribundo. Um segundomodo de transmissão raiva, resultandoem duasmortesde sereshumanosno Texas (EstadosUnidos), foi a da exposição aos vírus suspensos ar de uma caverna habitada por morcegos,pouco ventilada e no densamente povoada.A baixa incidênciaregistrada transmissão de humanapor aerossóis sugereque o risco envolvido neste modo de transmissãoé tambémbaixo. Certamente,este último não parece representar sério risco à saúdepública, excetoquandouma enormepopulaçãode morcegosestá um concentradanuma área relativamentepequena.Situaçõesde grandes concentrações (milhões) de morcegosparecemnão ocorrerno Brasil e, por isso, não se acreditaque a transmissão raiva por da aerossóispossa acontecerno território nacional. Desse modo, a transmissãode raiva aos seres humanos,por morcegosnão hematófagos, depende principalmentedo contatodireto, via mordedura, comos animaisinfectados. Sintomatologia Raiva em Morcegos da Em MorcegosHematófagos A sintomatologiada raiva em morcegoshematófagos, especificamente D. rotundus, é em relativamente bem conhecida. O comportamentoe os sintomas mais freqüentes são: atividade alimentardiurna, hiperexcitabilidade, agressividade, tremores,falta de coordenação movimentos, dos contrações musculares paralisia. e No começoda enfermidade, indivíduos doentesafastam-se colônia, deixamde realizar os da asseiocorporal(seuspêlostomam-sedesalinhados sujos). Tremorgeneralizado e pode serobservado em vários deles. Feridasfrescassão freqüentese provocadaspor agressões seus companheiros de sadios a cada tentativa de reintegraçãoao agrupamento, onde são expulsos violentamente.O de morcegoenfermoperdea capacidade voar e pode cair ao chão.A incapacidade vôo é o primeiro de de sintoma motriz observado morcegos nos raivosos(isto não os impedede caminharpelo chão ou pelas paredes). De modo geral, a hiperexcitabilidade luz e aossonsagudosé comumnestafase da doença. à Podemmordercomforça qualquerobjeto ao seuredor. As brigasentreos indivíduossãofreqüentes e envolvem agressões mútuas com mordeduras.Esse comportamentoagressivoé diferente daquele observado Desmodus nos sadios,ondepredominam atitudesintimidatóriase combates ritualizados. Num estágio mais avançado da doença, os morcegos enfermos começam a ter mais dificuldades de caminhar e de sustentarseu corpo sobre os pés e polegaresdas asas.Sinais de desidrataçãosão percebidos. Há um aumento gradativo dos sintomas paralíticos, com maior intensidadenas asas do que nas extremidadesposteriores.A paralisia mandibular não tem sido observada, possibilitandoaosmorcegos manutenção suacapacidade morder. a da de A morte dos indivíduos raivosos pode ocorrer cerca de 48 horas após o aparecimento dos primeirossintomas. Período de incubação: Em morcegosinfectados experimentalmente, período médio de o incubaçãoobservadotem sido de 17,5 dias. Naquelesinfectadosnaturalmente, esseperíodo é mais longo: em média,30 dias.

33

111.2.2.7.

Em Morcegosnão Hematófagos A sintomatologiada raiva em morcegosnão hematófagos estudada foi quaseque somentena América do Norte. Assim, aindapouco se conhecea respeito.Os morcegosnão hematófagos são não portadoresassintomáticos, como se acreditavainicialmente. Nestesmorcegos,a raiva manifesta-se, principalmente,sob a forma paralítica, sem a visualizaçãoda fase excitável. Há alguns relatos de casosde morcegosinsetívorosamericanos voando e perseguindooutros morcegos.Essescasossão atribuídos a indivíduos raivosos em fase agressiva.Em outras regiões,não há relatos semelhantes. Relatosde paralisiadas asase retençãourinária foram descritospara a espécieTadarida brasiliensis, no Estadodo Texas(Estados Unidos). A paralisiaprogressivadasasasdificulta seusvôos e, numafasemais adiantada doençaos da morcegosdeixamde voar. Nessassituações morcegospodemdeixar de sair para se alimentarou, os quando fora do abrigo, enfrentamdificuldadespara retomar. Morcegos encontradosem locais não habituais (por ex.: no chão, sobre a cama,pendurados cortinas,paredes, em janelas e muros) devem serconsiderados altamente suspeitos estarem de acometidos pela raiva, assimcomo aquelesque estão voando durante o dia. Estes,quando encontrados pela população,são freqüentemente molestados pelas pessoas,principalmentepelas crianças. Por essemotivo, parte dos acidenteshumanos com morcegosadvémda manipulação indevidade animaisdoentes. relatosde choquesacidentaisentre Há pessoas (paradasou andando) morcegos(emvôo), comocorrênciade mordedura e defensivapor parte do animal. Outrosrelatosenvolvempessoas se deitaramsobreo morcegocaído emsuacama. que

Fig.III.l. Um morcegoencontrado duranteo dia em situaçãonão habitual,como o morcegoinsetívoro (Molossus molossus) aqui penduradona janela de uma casa,deve ser considerado altamentesuspeitode estar doente,possivelmente com raiva. Numa situaçãocomo esta,o animal deve ser coletadocom o máximo cuidado e, de preferência, ainda vivo e encaminnado parao diagnósticolaboratorial.Em hipótesealgumasolicita-sea uma pessoa leiga para manipularesseanimal. (Foto: W. Uieda)

34

~

Mordeduras Provocadas MorcegosHematófagos não Hematófagos por e Podem-seclassificar, grosseiramente, mordeduras as provocadaspelos morcegosnos seres humanos, dependendoda finalidade com que são praticadas, em: Mordeduras Defensivas e Mordeduras Alimentares.
111.2.3.1.Mordeduras Defensivas

A mordedura defensiva pode ser praticada por qualquer espécie de morcego, independentemente seuhábito alimentar,e visa à sua própria defesa.Um morcegQ;aprisionado de na palmada mão pode quererse libertar e, paratanto, mordero dedoda pessoa. Nas situ~es em que os morcegosse sintamameaçados, chances ocorrermordeduras as de defensivas sãopequenas. não A mordedura defensiva é feita, principalmente, com os dentes caninos (superiores e/ou inferiores)e deixam,geralmente, duasa quatroperfurações pele. Em algunscasos,marcasdos de na incisivos superiorese inferiores são tambémvisíveis na pele lesada.Nos casosconhecidossobre mordeduras defensivas, provocadas morcegoshematófagos, perfuraçõesenvolvemsomenteos por as incisivos superiores os caninos. e As mordeduras defensivascostumamserprofundase muito dolorosas.A reaçãoimediatadas pessoas mordidas,em todos os casosrelatados,é a soltura do morcego(que, assim,atinge o objetivo de libertar-se).

Fig.III.2. Uma pessoa leiga e despreparada pode sofreruma agressão, como uma mordedura defensivaprovocada pelo morcegofrugívoro Artibeus lituratus no dedo da mão de uma senhora. ocasiãoem que foi mordida, esta senhora Na seguravao animal com a mão desprotegida.Percebem-se nitidamente as perfuraçõesprofundas feitas com os caninos superiore inferior de um dos ladosda mandíbulado morcego, que mordeupara selibertar. (Foto: W. Uieda)

Mordeduras Alimentares A mordedura alimentar é praticada somente pelos morcegos hematófagos e caracteriza-se por um único ferimento superficial, de formato elíptico, provocado pelos dois incisivos superiores, bem desenvolvidos. Em alguns casos, aparentemente raros, mordeduras múltiplas foram observadas e o ferimento resultante adquire um formato irregular.

35

3. ~

o aspectodas mordedurasnas pessoas pode auxiliar na identificação do tipo de agressão (alimentarou defensiva) de seumais provávelagressor e (morcegohematófagoou não).

Fig.III.3. Numa mordida alimentarnão há perfuraçõesprofundas de pele. O morcego hematófago (Desmodus rotundus)provoca um ferimento superficial(paranão despertar vítima) com auxílio dos dois dentesincisivos superiores. sua Na aplicaçãodesta mordida, o morcegosemprearrancaum pedaçoda pele, como pode ser percebidona foto, em que a mulher foi mordida na testae só despertou quandoo sangueescorreuem direçãoao olho. Este ferimento foi feito há duas noitese já sofria um processo cicatrização, de quandofoi fotografado.(Foto: W. Uieda)

Leituras Adicionais Recomendadas
ACHA, P.N.; SZYFRES, B. Zoonosisy enfermedades transmisiblescomunesai hombre y aios animales.2.ed.Washington: OPAS,1986. 989p. ALLEN, G.M. Bats. New York: Dover, 1939.368p. CONSTANTINE, D.G. Transmission of pathogenic microorganisms by vampire bats. In: GREENHALL, A.M.; SCHMIDT, U. (Ed.) Natural history ofvampire bats.Florida: CRC Press,

1988.246p.p.167-189.
HILL, J.F.; SMITH, J.D. Bats: a naturalhistory. London: British Museumof NaturalHistory, 1984. TAMSITT, J.R.; PARADISO, D. Los murciélagose Ia saludpública. Boletin de Ia Oficina Sanitaria Panamericana,Washington, v.69, n.2, p.122-140,1970. ADENDA: Recentemente publicado o primeiro livro inteiramentededicadoà problemática da foi raiva em morcegos,emnível mundial.O autorabordatemassobremorcegos hematófagos a raiva na e América Latina, sobre raiva em morcegosinsetívoros na América do Norte e sobre a raiva nos megaquirópteros Velho Mundo. Sãomais de 300 páginasde texto escritonuma linguagem do simples, com desenhos, esquemas, tabelase fotos ilustrativas,que tomamo livro bastante acessível mesmo até para pessoas leigas. O livro é de consultaobrigatória a todos aquelesque pretendemtrabalharnas áreasde pesquisa de atendimento saúdepública. Lamentavelmente estavadisponíveldurante e em não a redaçãodo presente manual:teria facilitado enormemente trabalho. este BRASS, D.A. Rabies in bats: natural history and public health implications. Connecticut : Livia Press,1994. 335p.

243p.

36

111.3.

Introdução
Os morcegossão mamíferosvoadoresnoturnosda OrdemChiropterae estãoagrupados em 18famílias e 986 espécies. Essadiversidade formasé superada de apenas pela OrdemRodentia,com cerca de 1.800 espécies.No Brasil, ocorrem nove famílias e aproximadamente140 espéciesde morcegos. Apresentam-se, abaixo,algumasinformações morfológicase bioecológicasdasnove famílias de morcegos que ocorrem no território brasileiro. São as mesmasfamílias de todo o continente americano.

IV.2. Família Phyllostomidae
É uma das maiores famílias de morcegosneotropicais, com 148 espécies,sendo 75 de ocorrênciano Brasil. Apresentagrandeversatilidadeem termos de hábitos alimentarese de abrigos. Explora insetos, partes florais, folhas, frutos, artrópodos,pequenosvertebrados(peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos)e sanguede vertebradosendotérmicos. Algumas espéciessão solitárias, poréma maioria vive emcolôniaspequenas, médiase, atémesmo,grandes (100 a 1.000indivíduos). A característicamais evidente destafamília é a presençade uma folha nasal situada no focinho dos morcegos.O formato e o tamanhodessafolha variam de acordo com a espécie(veja algunstipos no Capítulo V). De modo geral, podemosdizer que a folha nasaltem a forma triangular ou lanceolada.O formato em "ferradura" é característicodos filostomídeos hematófagos,o que facilita suaidentificação. A coloração da pelagem é bastante variada, indo do castanho claro, alaranjado até inteiramente negro ou castanhoescuro. Apenas a espécieEctophy//a a/ba, da região amazônica, apresenta pelagem inteiramente branca. Nesta família encontramosespécies de vários portes. Algumas espéciesde nectarívorossão pequenas a 15g de peso); porém, a maior espécieé um (8 carnívoro (Vampyrumspectrum) 90 a I10g, que ocorredo norte da América do Sul até a América de Central.No Brasil, estaespécieé conhecida apenas regiãoamazônica. na Os filostomídeos fitófagos estão entre os principais responsáveispela regeneraçãodas florestasneotropicais,destruídas pela açãoda própria naturezaou pelasatividadeshumanas. Diversas espéciespodemocorrer em áreasrurais e urbanas, onde exploramfruteiras nos pomarese as árvores de arborizaçãode ruas e praçaspúblicas. Podemviver em sótãos,edificaçõesabandonadas nas e plantas. Nesta família está incluído o principal transmissorda raiva aos animais de criação daAmérica Latina e cujascaracterísticas serãocomentadas CapítuloVI. no

IV.3. Família Molossidae
É uma família cosmopolita,de hábito insetívoroe constituídade 86 espécies,sendo 19 de ocorrênciano território brasileiro. De modo geral, os molossídeospossuemhábitos gregários,formando colônias pequenas, médias ou grandes (com até milhares ou milhões de indivíduos). Na América do Norte, algumas colônias da espécie Tadarida brasiliensis chegam a conter vários milhões de indivíduos. Não conhecemoscolônias com dimensõessemelhantes ocorrendo no Brasil. Os molossídeos podem abrigar-seem cavernas, fendasde rocha, sobpedrasno chão,túneis, edificaçõese ocos-de-árvore. A coloraçãoda pelagem varia, basicamente, castanho de acinzentado negro. a
37

Esta família caracteriza-se apresentar por asasestreitas,vôos rápidos e caudaestendendo-se além da membranainterfemural(caudalivre). É possívelque a crençade que "rato quandofica velho vira morcego" pode estarrelacionadacom espécies destafamília. A caudalivre, a cor quasenegra,o fato de poder ser encontradonos mesmosambientesdos ratos (supostamente camundongos)e o hábito de caminhar em superfícieshorizontais,apoiadosobreos pés e polegaresdas asas(dobradas junto ao corpo), podemter contribuídoparao aparecimento desta crença. A urbanização trouxe muitos benefíciosparaos molossídeos, fornecendoabrigos e alimentosna forma de insetos atraídos pela iluminação noturna. Por esse motivo, são os morcegos mais numerosos freqüentes áreasurbanas. Brasil, a maioria dasreclamações e nas No feitas pela população provémda presença membrosdestafamília emedifícações. de

IV.4. Família Vespertilionidae
É uma família de ampla distribuição geográficae que apresenta maior número de espécies o (355) na Ordem Chiroptera. Somente 18 espécies foram registradasem território brasileiro. Os já vespertilionídeos são, essencialmente, insetívoros, podendo algumas espéciescomplementar seu cardápiocom pequenos peixes,crustáceos escorpiões. e Podem ser solitários, formar pequenasou grandescolônias, que se abrigam em cavernas, fendas de rochas, túneis, ocos e cascassoltas de árvores, folhas secasde palmeiras, folhagem de árvorese edificações. Uma característicamarcante desse grupo é a cauda inteiramente contida na membrana interfemural,a qual é pilosa na maioria dasespécies. No Brasil, a freqüênciade vespertilionídeosem áreasurbanasé relativamentebaixa e seus agrupamentossão pequenos.São encontrados,principalmente,em folhagem verdes ou secas das árvores das casas,ruas e praças.Na árearural, algumascasastêm seuforro habitado por morcegos destafamília.

IV.5. Família Emballonuridae
É uma família constituídade 48 espéciesinsetívoras,das quais 14 estão representadas noBrasil. De modo geral, os embalonurídeos abrigam-seem cavernas,fendas de rocha, sob pontes e edificações. Porém, algumas espéciespodem repousardurante o dia sobre o tronco das árvores existentes junto aos corpos d'água,onde permanecem camufladosdevido à coloraçãodos seuspêlos dorsais, semelhanteà da cascadas árvores. Podemformar pequenas médias colônias, onde seus a membros se distribuem no abrigo sem manter contato corporal. A coloração varia de castanho acinzentado quasenegro.Várias espécies a apresentam listras de pêlosbrancosnas costas' somente e uma espécie(Diclidurus albus),da regiãoamazônica, possuipelageminteiramentebranca. Todasas espécies destegrupo apresentam caudacurtae inseridana membranainterfemurál, a cuja ponta perfura-a dorsalmente.Algumas espéciessão providas de uma bolsa glandular no propatágio,que é mais desenvolvidanos machos,cuja função está relacionadacom demarcação de

território.
Ocorre, principalmente, em áreas naturais e rurais. No Brasil, apenasuma espécie (Peropteryx macrotis) já foi registrada em áreas urbanas, onde se abrigam em telhados e porões de casase prédios.

Família Noctilionidae
É uma família constituídapor apenas duasespécies insetívoras, que complementam dieta sua com pequenospeixes e crustáceos.Os noctilionídeos podem abrigar-se em cavernas,fendas de

38

rochas, ocos-de-árvoree edificações,onde formam de pequenasa grandes colônias (500 a 800 indivíduos). Sãoencontrados, geralmente, próximosa cursosd'água,lagose represas. coloraçãode A seuspêlosvaria de castanho amarelado alaranjado. a Possuem como características marcantes bochechas as grandesque lhes conferemo aspecto de um cão "bulldog" e o odor nauseante almíscar.Esseodor forte pode facilitar a localizaçãodos de abrigosdesses morcegos. A espécieNoctilio leporinus (60 a 80g de peso)apresenta pernase artelhos muito longos, munidos de unhasfortes e curvas utilizadas na apreensão pequenos de peixes, crustáceos insetos e caídos na superfície d'água.Em algumasregiõesdo Estadode São Paulo, há registros da presença desses morcegoscapturando alevinos emtanques piscicultura.Dependendo graude ataques, de do os prejuízos podem não ser pequenos.Tanquestelados podem ser uma alternativa para este tipo de predação com certeza,evitaria tambémoutrosdanospor avese mamíferossilvestres. e, A presença cidad~se outrostipos de edificaçãopróximosaoscorposd'águatem favorecido de as espéciesdestafamília, principalmente albiventris (20 a 40g de peso),permitindo o aumentode N. suas populações. Esta espécie tem provocado problemas em algumas edificações de usinas hidrelétricase cidadesribeirinhas,principalmente regiõescentro-oeste, nas norte e nordestedo Brasil. Precisaser melhor conhecidaa interaçãodestafamília de morcegoscom os sereshumanos,para que se possamtomar medidaseficientesde manejodos problemasprovocadospelas espéciesdo gênero Noctilio.

7. Família Mormoopidae
É uma família constituída por oito espéciesinsetívoras,das quais cinco ocorrem no Brasil. Possuem porte medianoe peso variando entre 10 e 20g. A coloraçãodos pêlos varia de castanho escuroao castanhoavermelhado. Numa mesmacolônia podemosencontrarindivíduos de coloração diferente e parecenão haverrelaçãode coresda pelagemcom o sexo.Os mormopídeos abrigam-se, geralmente,em cavernas,túneis, minas, ocos-de-árvore edificações,onde formam de médias a e grandes colônias.Em boa partedo ano,os morcegos machoscostumamviver em locais separados das fêmeas, agrupando-sena época do acasalamento. relativamentefreqüente capturarmos apenas É morcegosde um dos sexos.Porém,coletassistemáticas longo do ano num dado local permitem ao obter indivíduosde ambosos sexos. A característicamais marcantedos mormopídeossão os lábios inferiores providos de uma placa com numerosas verrugas. No Brasil, os mormopídeos têm sido encontrados apenas áreasnaturaise, aparentemente, nas não representam problemaparaa saúde um pública.

IV.8. Família Natalidae
É uma família constituída de cinco espéciesinsetívoras,das quais apenasuma ocorre no Brasil. Abriga-se ~m cavernas,minas e ocos-de-árvores, podendo formar colônias relativamente grandes (mais de 100 indivíduos). Apesardisso,é um grupopoucofreqüentena natureza.A coloração dos pêlosvaria de castanho amarelado avermelhado. a Possuemcomo característicasmarcantes,olhos diminutos, orelhas em forma de funil, membranainterfemurallonga e envolvendoa caudaem toda a suaextensão, aparênciafrágil e porte pequeno(4 a IOg de peso). No Brasil, sãoconhecidos registrosdesta família apenas ambientes em naturais.
39

IV.9. Família Furipteridae
É uma família constituídade apenas duasespécies insetívoras, porte pequeno(3g de peso), de que se abrigam, principalmente,em cavernas eventualmente, ocos-de-árvore. furipterídeos e, em Os podem formar de pequenas(3 indivíduos) a grandescolônias (250 indivíduos). No Brasil ocorre apenasuma espécie,que pode ser encontrada região litorâneado Cearáa São Paulo e na região na

centro-oeste.
Característicasmarcantesdesta família são os polegarescurtos, as unhas vestigiais dos polegarese um par de mamasfuncionais na região abdominal.Pareceque apenasos furipterídeos possuem mamasabdominaisfuncionais. Por causadisso, os filhotes, quandoagarradosao corpo da mãe, ficam de cabeçapara cima enquantoa mãe, de cabeçapara baixo. Os pêlos são longos e de coloraçãocastanho acinzentado, comtons levemente azulados. Os furipterídeos são conhecidosapenaspor viverem em ambientesnaturais, provavelmente emregiõesmontanhosas cobertaspor matas.

IV.I0. Família Thyropteridae
É uma família constituídapor apenas duasespécies insetívoras, ambasde porte pequeno(4 a Sgde peso)e de ocorrênciaem território brasileiro. Essesmorcegosusam,caracteristicamente, dois tipos de abrigos: a) folhas novas, ainda enroladas,de plantas do grupo das bananeiras(Família Musacea)-nos tubos formadospelasfolhas novasenroladas, tiropterídeosrepousam os com a cabeça voltada para cima; b) folhas cortadasde bananeira(o corte é feito transversalmente, modo que a de parte distal possasombreara parte proximal da bainha). Os agrupamentoscontêm, em média, seis indivíduos, variando de um a nove. Saem ao entardecerà procura de insetos,dos quais se alimentam. Vivem em regiões de matas que contêm musáceas possivelmente, áreasde plantações bananas. e, em de A característica mais marcantedestegrupo é a presença um disco adesivonos polegarese de nos pés, que funciona como ventosapara fixar-se às folhas lisas da bananeira.Possuemum ventre castanho esbranquiçado dorsocastanho e avermelhado escuro. ou Não se conhecem registrosde suapresença áreasurbanas. em Pelo fato de utilizar um tipo de abrigo muito específico,suadistribuiçãogeográficafica limitada às regiõesde ocorrênciado abrigo.

IV.ll. Leituras Adicionais Recomendadas
BARQUEZ, R.M.; GIANNINI, N.P.; MARES, M.A. Guide to the Bats of Argentina. Norman: OklahomaMuseumofNatural History, 1993. 119p. EISENBERG, J.F. Mammals 0/ lhe neotropics: the northern neotropics. ChicagoPress,1989. 449p. University

ffiLL, J.E.; SMITH, J.D. Bats: a naturalhistory. London: British MuseumofNatural History, 1984.

243p.
NOWAK, R.M., 1991. Walker'sMammals o/lhe world. 5ed.Baltimore: JohnsHopkins University Press,1991. 2v.

40

Chicago:

V.1. Introdução
o homem tem provocadodiversasmodificaçõesno ambiente natural adaptando-oàs suas necessidades básicasde moradiae de bem-estar social.Essas modificaçõespodemtornar-sepropícias paraurnasériede animais(exóticose nativos)cornobaratas, formigas,cupins,pardais,pombos,ratos e morcegos. Com relação aos morcegos,dois grupos foram especialmente beneficiadospelo homem ao construircidades:morcegosinsetívoros fitófagos (frugívorose nectarívoros). e As edificações urbanas representamverdadeiras cavernas artificiais para abrigar essesanimais, apresentando sótãos, porões, juntas de dilataçãoe outrosespaços construtivos. Além disso, a iluminação noturnadas vias públicas e das residênciasé atrativa aos insetos, favorecendoos morcegos insetívoros.O plantio de árvores que produzemfrutos e flores podem constituir fontesde alimento,favorecendo morcegos os fitófagos. Os tipos de morcegos mais encontradosnas cidades são os insetívoros, seguidos pelos frugívoros, nectarívoros e onívoros. Morcegos sanguívoros podem ser encontrados com certa freqüêncianas áreasperiurbanas, havendopoucascitaçõesnas urbanas.Numa cidade grande como São Paulo,conhecemos apenas caso de um exemplarde morcegohematófago, o Desmodus rotundus (macho adulto), encontradono centro da cidadede SãoPaulo,alimentando-se cavalosda Polícia em Militar. As investigações realizadas não trouxeramesclarecimentos seuaparecimento de nesselocal. Na cidade do Rio de Janeiro,a Fundação ParqueZoológico registroucasosde D. rotundusatacando cãese tambémo homem na áreaurbana,além de algunsanimais do próprio Zoológico. A presença dessesmorcegosnas cidadesé ainda um fenômenomal compreendido necessitade estudosmais e detalhados.Pelo conhecimentoatual e para o presenteManual, não serão considerados como um problemasério e freqüenteemáreasurbanas brasileiras.

41

V.2. Ficha Técnica das Principais Espécies Ocorrência em Áreas Urbanas no Brasil de
V.2.1. Nome Popular: Morcego-comedor-de-frutas

Fig. V .1. Artibeusjamaicensis. (Foto: W. Uieda)

Nome Científico: Artibeusjamaicensis Família: Pbyllostomidae
Morfologia: Envergadura: 30,Ocm Comprimento da cabeça-corpo: 8,Ocm Peso: 40 a 43g Cor da pelagem: Castanho claro, acinzentado ou escuro Biologia: Alimentação: Frutos, pólen, néctar, partes de flores e insetos Abrigos: Cavernas, ocos-de-árvore Agrupamentos: Colônias pequenas de 4 a 11 indivíduos Época de parturição: Junho a julho e fevereiro a março Período de gestação: 3 a 4 meses e 1 filhote por parto Filhotes: 2 por ano Longevidade: 10 anos, em condições de cativeiro

Enfermidades: Raiva,Histoplasmose Particularidades: Presençade quatro listras brancasfaciais, pouco evidentes. Comum em áreas urbanasdas regiões norte e nordestedo Brasil, onde podem ser observados voando em pequenos bandosao redor das árvoresfruteiras como sapotizeiros, oitizeiros, mangueirase amendoeiras. Nas áreas urbanas das regiões sudestee sul do Brasil, esta espécieé aparentemente substituída por

Artibeus lituratus.

42

Nome Popular: Morcego-das-listras-brancas-na-cabeça

V.2. Artibeus lituratus. (Foto: W. Uieda)

Científico: Artibeus lituratus Família: PhylIostomidae

Envergadura: 32,0 a 33,Ocm Comprimento da cabeça-corpo: 8,7 a 10,Ocrn Peso: 44 a 87g Cor da pelagem: Castanho escuro, castanho acinzentado Alimentação: Frutos, pólen, néctar, partes de flores, folhas e insetos Abrigos: Folhagem de árvores. Agrupamentos: Solitários ou pequenascolônias de geralmente 5 a 16 indivíduos Época de parturição: Fevereiro a Março e Outubro a Novembro. Período de gestação: 3 a 4 meses e 1 filhote por parto Filhotes: 2 por ano Longevidade: DesconhecidaEnfermidades: Raiva, Salmonelose, Febre Tifóide, Blastomicose, "Rocky Mountain Spotted fever' Particularidades: Presença de quatro listras faciais brancas, bem evidentes. Recentemente, duas outras espécies de grandes Artibeus foram redescritas para a região sudeste do Brasil (A. fimbriatus liA. obscurus) e sua distribuição e freqüência precisam ser melhor estudadas. Recomendamos a consulta de especialistas para a identificação correta destas espécies. Por causa de seu porte avantajado e do seu comportamento de voar em pequenos grupos ao redor das fruteiras, esta espécie tem causado um medo injustificado às pessoas que se encontram nas proximidades dessas plantas. Não atacam as pessoase nem se emaranhamnos cabelos das pessoas.

43

.e ologia: Biologia:

V.2.3. Nome Popular: Morcego-das-listras-brancas-na-cabeça-e-nas costas

Fig.V.3. Platyrrhinus lineatus.(Foto:W. Uieda)

Nome Científico: Platyrrhinus lineatus Família: Phyllostomidae

Morfologia:
Envergadura: 30cm Comprimento da cabeça-corpo: 6,4 a 6,7cm Peso: 20,0 a 26,5g Cor da pelagem: Castanho acinzentado a castanho escuro

Biologia:
Alimentação: Abrigos: Frutos, néctar, folhas e insetos Folhagem de palmeiras, bananeiras, telhados de casas Pequenas colônias (6 a 20 indivíduos)

sem forro e cavernas Agrupamentos: Época de parturição: Pode se reproduzir em qualquer época do ano, com dois picos de parturição em algumas regiões Período de gestação: Desconhecido e 1 filhote por parto Filhotes: 2 por ano Longevidade: 10 anos em cativeiro

Enfermidades: Raiva Particularidades: Quatro listras brancasna cabeçae uma ao longo do dorso. Os indivíduos de uma colônia mantêm-se contatocorporal,formandouma penca.No início da noite, é comum observar em pequenos bandosdestaespécievoando ao redor das fruteiras, em grupos mistos com uma das duas espécies Artibeus. É encontrado áreas de nas urbanas praticamente de todasascidadesbrasileiras.

44

V.2.4. Nome Popular: Morcego-de-cauda-curta-e-comedor-de-frutas

Fig.V.4. Carollia perspicillata. (Foto:W. Uieda)

Nome Científico: Carollia perspicillata Phyllostomidae

Envergadura: a 32cm 28 Comprimentodacabeça-corpo: a 6,5cm 4,8 Peso:16 a 17g Cor da pelagem:Castanho acinzentado escuro a Biologia: Alimentação:Frutos,néctar,pólene insetosAbrigos: Cavernas, minas,coberturas casassemforro e bueirosAgrupamentos: de Colôniaspequenas atéde centenas indivíduos ou de Épocade parturição:Julho a outubroe outubroa janeiro. Períodode gestação: a 3 meses 1 filhote por parto 2,5 e Filhotes:2 por ano Longevidade:Desconhecida Raiva,Histoplasmose, "Rocky MountainSpottedFever"
Particularidades: Presençade uma verruga centro marginal no lábio inferior rodeada por numerosas

papilas. Esta espécie é mais comum nas áreas rurais brasileiras e na periferia das cidades. É uma das espécies mais estudadase um dos principais agentesda regeneraçãode nossasmatas.

45

V.2.5. Nome Popular: Morcego-beija-flor

Fig.V.5. Glossophaga soricina. (Foto:W. Uieda)

Científico: Glossophaga soricina Família: Phyl1ostomidae

Morfologia:
Envergadura:18cm Comprimentoda cabeça-corpo: a 6,5cm 4,8 Peso:10g Cor dapelagem:Castanho acinzentado escuro a Biologia: Alimentação:Néctar,pólen, insetos,frutos e partesflorais Abrigos: Cavernas, bueiros,sótãose porõesde edificações Agrupamentos: Colôniasde seisa centenas indivíduos de Épocadeparturição:Podese reproduzirem qualquerépocado ano Períodode gestação: a 3 meses 1 filhote por parto 2 e Filhotes: 2 por ano Longevidade:10 anos,emcondições cativeiro de Enfermidades: Raiva,Histoplasmose, Salmonelose Particularidades: Morcego com focinho alongado,língua comprida e muitas papilas filiformes na ponta da língua, usadaspara retirar o néctardas flores. Quando em repouso,permanece cabeça de para baixo, agarradoao substratopor um ou pelos dois pés. Mantémsempreuma certa distânciados outros indivíduos, nunca tendo contato corporal. Esta espécie é comum em áreas urbanas e, freqüentemente, pode serobservada pequenos em bandosvisitandoflores de árvorescomo: mirindiba, pacari, pequizeiro,maracujásilvestre,etc. Ocorre em todo território brasileiro, sendomuito comum emáreasurbanas rurais. e

46

ome

V.2.6. Nome Popular: Morcego-de-nariz-em-forma-de-lança

Fig.V.6. Phyllostomus hastatus. (Foto: W. Uieda)

Nome Científico: Phyllostomus hastatus Família: Phyllostomidae Morfologia: Envergadura: 45cm Comprimento cabeça-corpo: a 13cm 10 Peso:50 a 100g Cor de pelagem:Castanho acinzentado, alaranjado quasenegro a Biologia: Pequenos vertebrados, frutos, partesflorais e insetos Tipos de abrigo: Cavernas, ocos-de-árvores, folhagemde palmeiras, sótãose edificaçães Agrupamentos: Colôniascom 100 indivíduosou mais (harénsde 20 a 100 fêmeas) 2poca departurição: abril a maio Períododegestação: desconhecido Filhotes: lfilhote por gestação Longevidade: desconhecida Enfermidades: Raiva,Histoplasmose
Particularidades: Os machos possuem uma glândula situada no lado ventral do pescoço que é, provavelmente, utilizada na atração sexual. Num dado abrigo, é possível encontrar mais de um agrupamento desta espécie, podendo representar um harém e vários grupos de machos solteiros. Em uma mesma colônia podemos encontrar indivíduos com diferentes cores de pelagem: aqueles quase negros e outros castanho-alaranjados.

47

V.2.7. Nome Popular: Morcego-de-nariz-em-forma-de-lança

Nome Científico: Phyllostomus discolor Família: Phyllostomidae

Morfologia:
Envergadura:45cm Comprimentoda cabeça-corpo: 7,5cm Peso:20 a 40g Cor da pelagem:Castanho acinzentado avermelhado a

Biologia:
Alimentação: Partes florais, frutos, insetos e pequenos vertebrados Abrigos: Cavernas, ocos-de-árvore, folhagem de árvores e edificações Agrupamentos: Pequenas colônias (10 a 20 indivíduos). Época de parturição: Qualquer mês do ano. Período de gestação: 2 a 3 meses e 1 filhote por parto Filhotes: 2 por ano Longevidade: desconhecida

Enfermidades: Raiva,Histoplasmose Particularidades: Assim comoP. hastatus,os machosdestaespécietambémpossuem uma glândula no pescoço.Por ser um animal de porte relativamente grande,esses morcegosnecessitam pousarnas flores para retirar seu alimento. As visitas às flores podem ser solitárias ou em pequenos bandos e existe a possibilidade de realizaremmigraçõesregionais à procura de novas fontes de alimento. Normalmente,visitam flores de árvoresaltas.No Brasil, três outrasespécies destegêneropodem ser encontradas: hastatus, elongatus P.latifolius. P. P. e

48

NomePopular: Morcego-da-cauda-livre

Fig.V.8. Molossusmolossus. (Foto: W. Uieda)

Nome Científico: M%ssus spp. Molossidae
Morfologia: Envergadura: 22cm Comprimento da cabeça-corpo: 5,7 a 8,Ocm Peso: 10 a 30g Cor da pelagem: coloração predominantemente castanho-escuro,quase preto

Alimentação: Insetos Abrigos: Forro de casas,caixas de persiana, vãos em edificações, ocos-de-árvore e bainha de folhagens Agrupamentos: Colônias de dezenasa centenasde morcegos Época de parturição: Outubro a Dezembro Período de gestação: 2 a 3 mesese 1 filhote por parto rilhotes: 1 por ano wngevidade: Desconhecida

Raiva,Histoplasmose, Salmonelose
Particularidades: Duas espécies podem ser encontradas e~ nossasáreas urbanas: Molossus molossus e M. ater, sendo a primeira de porte menor e a mais comum. Sua atividade noturna inicia-se ao entardecer quando freqüentemente observa-se revoadas dessasespécies saindo do telhado das casas e dos prédios. Seu vôo pode ser alto ou chegar próximo ao chão, dependendo do tipo de inseto perseguido. Ocorrem em todo o território nacional e, dificilmente, são encontradas nas áreas naturais brasileiras. A cauda livre, cor negra, hábito de caminhar apoiado nos polegares das asas e nos pés e a ocorrência em forros das casas, acredita-se que sejam responsáveis pela crença popular de que "reta quando fica velho vira morcego".

49

Enfermidades: Biologia: Família: V.2.8.

V.2.9. Nome Popular: Morcego-de-cauda-livre

V.9. Nyctinomops laticaudatus. (Foto: W. Uieda)

Nome Científico: Nyctinomops spp.e Tadaridabrasiliensis Família: Molossidae

Morfologia:
Envergadura: a 21cm 20 Comprimentodacabeça-corpo: a 12,6cm 5,4 Peso:25 a 30g Cor dapelagem:Castanho avermelhado ou

Alimentação:Insetos Abrigos: Grandes cavernas, fendasemrochas,vãos emedificações forros de casas e Agrupamentos: Colôniaspodemcontercentenas àsvezes,milharesde indivíduos e, Épocadeparturição:Outubroa Dezembro Períododegestação: a 3 meses,com1 filhote por parto 2 Filhotes: 1 por ano Longevidade:até35 anos(T. brasiliensis) Enfermidades: Raiva,Histoplasmose, Criptococose, Tuberculose, Lepra,Blastomicose. Particularidades: A diferençabásicaentreesses dois gênerosestáno númerode incisivos inferiores: três pares em Tadarida e dois em Nyctinomops.Ambos possuemdobras profundase evidentesno lábio superior. As três espécies desteúltimo têm sido encontradas áreasurbanas:N. laticaudatus,N. em macrotise N. aurispinosus, sendoa primeira de porte menor,mais freqüentee de colôniasmaiores. Habitualmente,saememrevoadas entardecer um poucomais tarde.Colôniasencontradas ao ou acima do sexto andar dos prédios geralmente pertencemà espécieN. laticaudatus ou T. brasiliensis. Tadarida brasiliensis é de ampla distribuição geográfica,ocorrendodesdeos EstadosUnidos até a Argentina. As grandescavernas Texas,Estados do Unidos, abrigamcolôniasde milhõesde indivíduos destaespécie.

50 Biologia: Fig.

V.2.10. Nome Popular: Morcego-de-cauda-livre

Fig.V.I0. Eumopsauripendulus. (Foto:W. Uieda)

l::ientítico: Eumops spp. Molossidae

Envergadura: a 40cm 36 Comprimentodacabeça-corpo: a 13,Ocm 4,0 Peso:40 a 65g Cor dapelagem:castanho escuro,castanho acinzentado preto ou

Alimentação:Insetos' Abrigos: Fendasemrochas, juntas de dilataçãoem edificações, coberturas residências de (principalmente cumeeiras), torresde igrejas,bainhasdasfolhas de palmeiras Agrupamentos: Colôniasgeralmente pequenas(lO 20 indivíduos) a Épocade parturição:Outubroa Dezembro Períododegestação: a 3 meses 1 filhote por parto. 2 e Filhotes:1 por ano Longevidade:Desconhecida EnferI!1~dades: Raiva emEumopsauripendulus E. perotis e Como na maioria dos molossídeos, uma glândulaencontra-se presente pescoço, no sendo mais desenvolvidanos machosdo que nas fêmeas.Produzuma substância usadana atração sexual. Em áreasurbanas, três espécies habitualmente são encontradas: Eumopsglaucinus,E. perotis e E. auripendulus.Uma característica marcantedas espécies destegênerosão suasorelhasgrandese projetadaspara frente, como mostradas foto. Ocorremem todo o território brasileiro, porém não na sãomuito comuns.

amília: articularidades: ome ologia: orfologia: 51

V.2.11. Nome Popular: Morcego-de-cauda-peluda

Fig.V.11. Lasiurusega.(Foto: W. Uieda)

Nome Científico: Lasiurus spp. Família: Vespertilionidae

Morfologia:
Envergadura:18cm Comprimentodacabeça-corpo: a 6,Ocm 5,0 Peso:6 a 20g Cor dapelagem:Avermelhado,alaranjadoou amarelado

Biologia:
HábitosAlimentares:Insetos Tipos deAbrigos: Folhassecas palmeiras,folhagensverdese ocasionalmente ocos-dede em árvoree edificações Agrupamentos:Solitáriosou empequenos grupos Épocade parturição:Outubroa Janeiro Períododegestação: a 90 diase 2 a 3 filhotes por parto 80 Filhotes:2 a 3 por ano Longevidade: Desconhecida Raiva Particularidades: Lasiurus é o único gênerode morcegosque, comumentedá à luz a mais de dois filhotes por gestação (até 4 filhotes). Isto ocoue porque as fêmeaspossuem dois paresde tetas.Por, geralmente,seremsolitários,esses morcegosdificilmente sãoobservados pela populaçãohumananas áreas urbanas. Quando são encontrados,os morcegos devem ser consideradoscomo altamente suspeitosde estaremcom algum problemade saúde,possivelmente raiva. No Brasil ocouem quatroespécies: L. ega,L. borealis,L. cinereuse L. egregius.

52

Enfermidades:

V.2.12. Nome Popular: Morcego-pequeno-marrom

Fig.V.12. Eptesicus brasiliensis.(Foto: W. Uieda)

Nome Científico: Eptesicusbrasiliensis Vespertilionidae
.

Envergadura: 20cm Comprimentoda cabeça-corpo: a 5,4cm 5,3 Peso:7 a lOg Cor dapelagem:Castanho escuro Biologia:

InsetosAbrigos:
Ocos-de-árvore forro de casasAgrupamentos: e Pequenas colôniasde 5 a 10 indivíduos Épocade Parturição:Outubroa Janeiro Períododegestação: meses 1filhote por parto 3 e Filhotes:2 por ano Longevidade: Alta, maisde 10 anos Raiva,Histoplasmose. Particularidades: Apesar de sua ampla distribuição geográfica (sul do México a nordeste daArgentina), é uma espéciepraticamente pouco abundante. Facilmenteconfundidacom as duasoutras espécie"que aqui ocorrem (E. diminutuse E. furinalis), das quais se diferencia por seu tamanho maior. Em áreasurbanas,pode ser observada voando ao redor dos postesde iluminação das ruas e praças, à caça dos pequenosinsetos atraídos pela iluminação. Em Brasília, E. brasiliensis foi encontrado coabitandocom Molossusmolossus forro de uma casahabitada. em

53

Alimentação: Morfologia: amília: nfermidades:

Nome Popular: Morcego-cara-de-bulldog

Fig.V.13. Noctilio albiventris.(Foto: W. Uieda)

Nome Científico: Noctilio albiventris Família: Noctilionidae

Envergadura: 25cm Comprimentodacabeça-corpo: a 8,5cm 5,7 Peso:18 a 44g Cor dapelagem:Castanho acinzentado, amarelado alaranjado a Biologia: Alimentação:Insetoscapturados superfícied'águae pequenos na peixes Abrigos: Ocos-de-árvore, fenda emrochas,sobpontesde concreto, juntasde dilataçãoem edificações, telhadosde casas próximosa corposd'água e Agrupamentos: Pequenas grandes a colônias,commais de 500 indivíduos Épocadeparturição:Outubroa Janeiro. Períodode gestação:3 meses 1 filhote por parto e Filhotes: 1porano Longevidade:11 anos(N. leporinus) Enfermidades: Raiva (N. leporinus),Histoplasmose albiventris) (N. Particularidades: O gêneroNoctilio contémduasespécies: albiventris e N. leporinus,estaúltima N. conhecidacomo "morcegopescador".Ambas utilizam abrigos semelhantes, facilmente identificados devido ao forte odor de almíscar,principalmenteno período em que antecede saídados morcegos a para ~ atividadesnoturnas.Cidadessituadaspróximas a rios, lagoase represastêm tido problemas com a presença N. albiventris em suasedificaçõesem alvenaria.Essetipo de problema tem sido de freqüentena regiãodo pantanal mato-grossense da Amazônia. e

54

Morfologia: V.2.13.

Nome Popular: Morcego-narigudo

Fig. V.14. Peropteryxmacrotis.(Foto:W. Uieda)

Científico: Peropteryxmacrotis Emballonuridae

Envergadura: 16 a 18cm r:omprimento da cabeça-corpo: 4,5 a 5,5cm Peso: 4 a 7g Cor da pelagem: Castanho escuro

InsetosAbrigos: Cavernas, fendas em rochas, sótãos e porões de casas e prédios Agrupamentos: Colônias de mais de 10 indivíduos (formam haréns) Época de parturição: Maio a outubro Período de gestação: 50 a 60 dias e 1 filhote por parto Filhotes: 1 por ano

Desconhecida Desconhecid( Particularidades: Espécies gênero Peropteryxpossuem do sacosalares(glandulares) localizadosna membranaantibraquial,junto ao antebraço.Essessacos glandularessão mais desenvolvidosnos machose secretam uma substância odor forte, provavelmente, de para atraçãosexual.Nos abrigos,os indivíduos repousamem locais iluminados,geralmente teto ou na paredevertical, onde mantêm no uma certa distânciaentreeles.No Brasil, ocorremas duasoutrasespécies destegênero:P. kappleri eP. leucopterus.

55 Biologia:

V.2.IS. LeiturasAdicionais Recomendadas BARQUEZ, R.M.; GIANNINI, N.P.; MARES, M.A. Guide to lhe bats of Argentina. Norrnan: OklahomaMuseumof NaturalHistory, 1993. 119p. EISENBERG, J.F. Mammals of lhe neotropics: the northem neotropics. Chicago: University ChicagoPress,1989. 449p. NOWAK, R.M. Walker's mammalsofthe world. 5ed. Baltimore : JohnsHopkins University Press,

1991.2v.
REDFORD, K.H.; EISENBERG, J.F. Mammals of lhe neotropics: the southem cone. Chicago: University ChicagoPress,1992. 43Op.

56

Morcegos em Edificações
As edificaçõesrepresentam principais abrigosdiurnos dos morcegosinsetívoros,alojando os desde pequenascolônias até centenase milhares de indivíduos. Ao entardecer,a saída desses morcegos,de modo simultâneoe seqüencial,proporcionaimagensde revoadassemelhantes de às algunstipos de aves,como andorinhas. Revoadas milhõesde morcegos, de comumente mostradas em filmes e documentáriosexibidos na televisão, não representam nossa realidade, uma vez que a ocorremnasregiõesdasgrandes cavernas norte-americanas. Em menorescala,outrostipos de morcegospodemtambémse alojar nasedificações, como os frugívoros,nectarívoros onívoros. e Os morcegos insetívorosalojam-se, maisfreqüentemente, cumeeiras, espaços nas nos estreitos entreo telhadoe o madeiramento, entreo telhadoe asparedes, juntas de dilataçãodos prédios,nas nas caixas de persianas,em chaminés,nos dutos de ventilaçãoe outros tipos de espaçoexistentesnas edificações.Nesses abrigos,os morcegospodemrepousarapoiadossobreos polegaresdas asase os pés em superfícieshorizontais ou verticais, e caminhamcom freqüência. Em casas com forro, é possívelouvir os ruídosprovocados pelo deslocamento desses morcegos.O movimentode entradae saídadesses abrigos,habitualmente, ocorre por frestasestreitas, que sãofacilmenteidentificáveispela presença manchas de mais escuras seuredor. Essasmanchas ocasionadas ao são pela oleosidade dos pêlos durante o pouso de entrada.Quando as entradasestão localizadaspróximas às janelas das edifica~ões, comumo adentramento morcegos. é dos Os morcegosnectarívoros abrigam-seem espaços mais amploscomo sótãos,porõese outros compartimentos pouco freqüentados, que acessam voando.Dessaforma, a sua entradapode ocorrer por entre espaçosnos beirais, em locais destelhados,em portas e alçapõesabertos e vidraças quebradas. Nesses abrigos,os morcegos repousam pendurados cabeça de parabaixo, agarrando-se ao teto com auxílio das unhas de um ou dos dois pés, mantendouma certa distância entre eles. Por entrarem em vôo nos abrigos, os morcegosnectarívorosnão deixam manchassemelhantes dos às insetívoros,o que dificulta a visualizaçãodos locais de entradae saídadessesmorcegos.Algumas espéciesde morcegosinsetívoros,menos freqüentes,também necessitam entrar em vôo em seus abrigos,como os nectarívoros. Os morcegosfrugívoros e onívoros abrigam-se, eventualmente, telhadosde residências, nos necessitando, como os nectarívoros,de espaçosamplos para entrar e pousar, formando pequenos agrupamentos. A presençade morcegos em edificações,principalmente de insetívoros, pode ocasionar acúmulo de fezes, causandoodoresdesagradáveis característicos. grandesquantidades, e Em esses excrementos podem provocar rachadurase apodrecimentodas madeiras do forro, ocasionando derramamento fezesno chão, manchasem tetos e paredes. de Essesacúmulospodemtambématrair insetoscoprófagos.A conseqüência desses estragos leva, geralmente, desvalorização imóvel. à do A seguir, serão apresentadas algumas situaçõesde alojamentosde morcegos comumente encontrados edificações suaspossíveis em e soluções

V.3.1. Casas
Cobertura
Nas construções tipicamente brasileiras,as coberturas compostas estruturas madeira são de de e telhas,sendoque estaspodemsercerâmicas de fibrocimentoe, em algunscasosraros,de outros ou tipos de material.

Genericamente, será apresentada coberturacom telhascerâmicasonde há a predominância a de problemasde presença morcegos. de Na cobertura,sãodois os locais mais freqüentes ocorrênciade acesso de para se abrigarem:a cumeeirae o beiral.

V.3.1.1.1. Cumeeira
A cumeeiraé o ponto mais alto da coberturae servede divisor de águas,sendonecessária a colocação de uma peça do mesmo material da telha, com inclinação para ambos os lados. É justamentena aberturaentre a peçae as telhas ou a estruturade madeira (por falha na execuçãodos serviços)que os morcegosusamcomo acesso. Solução Para impedir o acesso morcegospela cumeeiradas casas, necessário se executeuma de é que vedaçãodesselocal com argamassa cimento e areia em suas extremidades. de Antes da vedação, deve-seobedecer procedimentos comodesalojarmorcegos. aos de

".3.1.1.2.l3eirais
Os beirais são extremidades coberturaque ultrapassam limite das paredesmais externas da o de uma edificação,como objetivo de protegê-Ias chuvas. das o ponto de contato entre a estruturade madeirada coberturae as paredessão passíveisde falhas ou má execuçãode vedação,deixandoespaços que possamservir de acesso para morcegosao forro dascasas.

Solução
Para impedir o acesso dos morcegospelos beirais, deve-seprocederà vedaçãodas aberturas com argamassade cimento e areia ou telas. Antes da vedação, deverão ser obedecidos os procedimentos como desalojar de morcegos.
V.3.1.2. Porão

É comum, em casas construídasem terrenos com desnível, a existência de porões, que, geralmente,servemcomo depósitosde objetose entulhos.Assim, normalmente, essesambientessão pouco usadose têm poucaventilação,proporcionandoum bom local para abrigar morcegos.Nesses casos,normalmente,os acessosse fazem por meio de janelas e portas abertas ou quebradas,ou aberturas paraventilação.

Solução
Os acessos deverão ser vedadostrocando-seos vidros quebrados,consertando-se portas e telandoas outrasaberturas. Chaminés Num país tropical como o nosso,o inverno é poucorigorosoe nascasas que têm lareiraso seu uso não é freqüente,ficando grandepartedo ano emdesuso. Devido à suasconcepções arquitetônicas favoráveis(grandes alturas,difícil acesso paraoutros animais,etc.),tomam-selocaisprópriosparaabrigode morcegos. Solução Vedar as aberturasexternas existentesnas chaminés por meio de telas metálicas, após desalojaros morcegos. 58

.3.1.3.

59

Fig. V .16. Sótãode uma casaresidencial,com laje e forro presoao madeiramento telhado,da região de Belém, do Pará, mostrando a situação problemática provocada pela presençade morcegos. Os morcegos insetivoros (,\10/ossus m%ssus e M. ater) e o onívoro (Phyllostomushastatus)abrigavam-se espaçoentre o forro e o madeiramentoe, no no horário mais quentedo dia, desciamemdireçãoà laje. Note-seque partedo forro já cedeu, devido à corrosãoprovocadapela urina e umidade e pelo pesodasfezes,que agoratambém acumulasobrea laje. (Foto: W. Uieda) se

Fig.V.17. Casaresidencial,em alvenariae telhado em fibro-cimento,mostrandouma falha de construçãoutilizada pelos morcegosinsetivoros (Molossusmolossus) como local de entradaao seuabrigo diurno. Note-sea manchagordurosa (oleosidade seus pêlos)deixadapelosmorcegos pousarno local,antesde adentrar. de ao (Foto: W. Uieda)

60

Edifícios
V.3.2.1.Juntasde Dilata<:ão As juntas de dilataçãosão recursosconstrutivosutilizados em edificaçõescuja estruturade concretoarmadonão sejaenterrada tenhadimensão e horizontalmaiorque 30 metrose seusmúltiplos. As juntas estão previstas nas normas para combatero surgimento de esforços provenientesdo alongamento encurtamento peçasconstrutivas, ou das provocados pelavariaçãode temperatura. Após o término da construção, estasaberturas devemestarisentasde materiaisque impeçamo movimentoda estrutura,bemcomo devidamente vedadas com materialelástico. A inexistênciaou falha no sistemade vedação,a aberturaexcessivado vão ou os danosnas arestas juntas, sãomotivos suficientesparaque os morcegosutilizem asjuntas de dilataçãocomo das abrigo. Solução 1. Repararas superfíciese as arestas danificadas,deixando-as regularesao longo de toda a junta; 2. Executara vedaçãoda junta com material elástico para não suprimir os movimentosda estrutura; .3. Obedecer procedimentos como desalojar aos de morcegos.

Fig.V.18. Juntade dilataçãode um prédio residencial três pavimentossema devidavedação.O espaçoda junta de é suficientepara acomodar diversostipos de animais, como baratas, pardaise morcegos. Note-seno centroda foto, a mancha gordurosana paredeao lado da junta, uma indicaçãosegurada presença morcegosinsetívoros, de muito provavelmente da Família Molossidae.(Foto:W. Uieda)

61

Fig. V.19. Uma junta de dilatação,devidamentevedada com material elâstico apropriado,não possibilitando acomodar animaisindesejáveis. (Foto: A. Bredt)

Fig. V.20. Um prédio residencialondeajunta de dilataçãofoi vedadacom um perfil de aluminio apropriado.(Foto: W. Uieda)

62

V.3.2.2. Dutos de Ventilação São soluçõesconstrutivasque têm por objetivo possibilitar a ventilação de um ambiente interno à edificação,que não tenhaqualquercontatocomo meio externo. Esta ligação do meio externo com o interno pode ser feita atravésde um duto propriamente dito (tubos,condutosmetálicos,etc.) ou de um forro falso, deixandoum espaçolivre que possibilite a ventilaçãodesse ambiente. o acesso morcegosnestesdutos se dá pela falta de materialadequado vedaçãona sua de de extremidade exterior.

Solução

O acessode morcegos,nesses locais, poderáser evitado,vedando-se aberturaexterna,por a meio de tela resistente corrosãoe às intempéries. à Esquadrias As esquadriasmetálicas (ferro ou alumínio), comumente,são elementosobrigatórios emfachadas de qualqueredificação,atendendo necessidades às mínimasde ventilaçãoe iluminação.São, ainda,componentes decorativos dessa fachada. Nas montagensdessasesquadriaspodem ocorrer falhas nos encaixesou na soldagemdos elementos componentes, surgindoaberturas suficientespara possibilitaro acesso morcegos. de Aliada a essa situação, existe a possibilidade de ocorrerem falhas de assentamento das esquadriasna alvenariae no acabamento.

Solução

Preenchimento falhas de acabamento assentamento esquadrias das ou das com argamassa de cimentoe areia ou a utilizaçãode materialvedantee aderente falhasde soldagem peças. nas das ElementosDecorativos Em algumasedificações utilizadaspeçaspré-fabricadas concretoou outro material,que são de servemde ornamentação, dandoformase coresdesejáveis composição fachadas. à das Em algumasdessas soluções arquitetônicas, normalmente, peçascomponentes fachadas as das sãoaplicadas sobreas paredesou sobreoutro anteparo qualquer,de modo que poderãosurgir espaços vazios entre os dois materiais.Se essesespaços não forem bem vedadospoderão ser usadoscomo abrigo pelosmorcegos.

Solução

Executara vedaçãono perímetrodas bordasdas peças com o anteparo,aplicandomaterial elástico

Caixasde Persiana
Em algumasregiões do país é comum a utilização de persianasmetálicasbasculantes nasjanelas dos prédios,juntamente com as esquadrias,com o objetivo de possibilitar a ventilação do ambiente, impedir a passagemda iluminação e oferecer mais segurança.O recolhimento das persianas, quandonão estãosendoutilizadas,é feito por meio de enrolamento para o interior de uma caixa instalada internamenteno ambiente. Essas caixas podem servir de abrigo para pequenos agrupamentos morcegose o espaçosituadoentre a persianae a paredesuperiordo vão da janela de permiteo seuacesso.
63

. 3.

,

Solução Para impedir o acessode morcegos por este espaço,será necessária instalação de um a anteparoflexível, como tiras de feltro, de borracha, etc., ao longo de todo o vão dajanela, que permita o livre movimento da persiana.

Fig. V .21. Desenhode um prédio, em alvenaria,mostrandoos principais locais onde os morcegoscostumamse abrigar com mais freqüência.Em todos os casos, necessária vedaçãoadequada é a para impedir o trânsito desses animais. (Esquema: Yoshizawa) M.

64

~

Procedimentospara Desalojar Morcegos em Edificações 1. Observaronde estãolocalizadosos morcegos.A presença suasfezes,chiadose ruídos de podemauxiliar na sualocalização; Verificar os espaçosabertos por onde os morcegos saeme entram nos edifícios e os horáriosnos quaisisto ocorre; Vedar de modo permanenteas demais aberturasexistentes,deixando somenteaquelas utilizadaspelosmorcegos;

5. Após a saída dos remanescentes vedar, provisoriamente,e, no dia seguinte, fechar definitivamenteas aberturas entradae saídados morcegos. de Existem alguns produtos que podem funcionar como repelentespara morcegos. Esses produtos,de odor forte, são a naftalina,o formol (líquido ou em pastilhas),a pedrasanitáriae outros, que podem ser utilizados em locais com espaços reduzidose pouca ventilação.Estes produtos, no entanto, são pouco duráveis e podem fazer mal à saúdehumana.Além disso, não há garantia de

sucesso.
Leituras Adicionais Recomendadas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Projeto e execuçãode obras de concreto armado, NBR 61. Rio de Janeiro,1980. BRAGUIM, J.R. Juntasestruturais. Revistade Tecnologia da Construção,São Paulo, n.8, p.3-4, 1994. CONSTANTINE, D.G. Healthprecautions~orbats researchers.In: KUNZ, T.H. (Ed.) Ecological and behavioral methodsfor lhe study of bats. Washington: Smithsonian Institute Press,1988. 533p. p.491-521. FLAIN, E. P.; CAVANJ, G.R. Revestimentos verticais com placasde rochas. Revistade Tecnologia da Construção,SãoPaulo,v.lD, p.59-63,1994. GREENHALL, AM. House bat management.Washington: US Departament the Interior, Fish of and Wildlife Service,1982. 33p. HILL, J.F.; SMITH, J.D. Bats: a naturalhistory. London: British Museumof Natural History, 1984.

24~n.
MITIDIERI FILHO, C.V.; HACHICHI, V.F. Telhados. Revistade Tecnologia da Construção,São Paulo,v.9, p.49-53,1994.

65

V.4. Morcegos Plantas em
o ambienteurbano pode ser caracterizado pela concentração populacionalde pessoas por e uma grande quantidadede edificaçõese pavimentações, que restringemcada vez mais os espaços livres. Na tentativade tomar esseambienteurbanomais agradável saudável,é necessário plantio e o de árvoresque ofereçamsombreamento, arejamentoe beleza,possibilitando,assim, uma paisagem mais humanitáriae harmônica.Uma diversidadede árvoresseria conveniente porque poder-se-iater plantasflorindo (com flores de cores diversas)e frutificando ao longo do ano. A inclusãode espécies nativas regionaisdeve ser incentivadapara que a áreaurbananão destoemuito do ambientenatural circunvizinho. A diversidade árvoresdeve reduzir tambémas chances surgimentode pragas. de de De modo geral, as áreasverdesnascidadesatraemanimaisque sãoapreciados pela população como, por exemplo,pássaros canorose outros tipos de aves.Contudo,tambémpodem atrair animais nemtanto estimados, como os morcegos fitófagos (nectarívoros frugívoros). e Esses morcegosutilizam-se das plantas de dois modos: como fonte de alimento e como

abrigo. V.4.1.PlantascomoFontedeAlimento
V.4.1.1. o Problema Diversasespécies plantas,nativas e/ou exóticas,podemforneceralimentosaos morcegos, de ao longo do ano. As partesdasplantasque podemsercomidaspor esses mamíferosvoadoresnoturnos sãoflores (néctar,pólen e/oupétalas),frutos (polpa e/ousementes) folhas (sucofoliar). e Em ecossistemasnaturais, os morcegos são importantes por polinizarem flores e/ou dispersarem sementes. entanto,em ecossistemas No urbanos,esses benefíciossão minimizadospela estética paisagísticado homem. Em outras palavras, é o homem que determina a distribuição, densidade diversidade plantasem seumeio ambiente. e de Plantascujas flores são visitadas por morcegos,desenvolveram mecanismos para atrair com maior eficiênciaesses agentes polinizadores como, por exemplo,a aberturafloral ocorrendoà noite. Em geral, os morcegosfrugívoros alimentam-se frutos maduros,que são transportados de um de cada vez, da árvore frutífera para outra árvore, localizada nas proximidades, onde serão consumidos.Frutos grandescomo, por exemplo, a mangae o sapotí,não são transportados, sendo consumidos poucos,ao longo de váriasvisitas. aos

66

Fig.V.22. Desenho esquemático mostrando padrãode comportamento o noturno de um morcegofrugivoro, do tipo Artibeus lituratus. No inicio da noite,os morcegos abandonam abrigo diurno e voam à procurade árvoresfrutiferas. Ao seu chegar junto à fonte de alimento realizam,em pequenos bandos, vôos ao redorda planta,escolhendo fruto a sercolhido. o Pousam galho, arrancam fruto e voam emdireçãoaosabrigosnoturnos,situadosnasproximidades(cercade 100 a 200 no o m). Em alguns casos, observados apenas áreasurbanas, em esses abrigossituavam-se mesmaplantade onde foi retirado o na alimento.(Esquema: Bredt) A.

Fig. V.23. Paredede uma residêneia manchada fezesde morcegos por frugivoros que voavam ao redor da árvore frutífera plantada na calçada da rua. No pico da frutificação, o bando de morcegosvoando ao redor da planta deve, provavelmente,provocar medo nas pessoase muita sujeira nas paredes,muros, chão e objetos (incluindo carro) nas proximidades. Note-sea presença sementes fezesdo morcego.(Foto: M.C..M.lnsua) de nas

67

Plantas que florescem ou frutificam em massa são comumentevisitadas por bandos de morcegosque,voandoao redorda planta,devem,provavelmente, provocarmedonaspessoas. Abrigos noturnos,utilizados por morcegos fitófagos são,geralmente, com poucaluminosidade e facilmente identificáveis pelo acúmulode sementes, fezes,bagaçosde folhas e frutos descartados, encontrados chão sobos mesmos. no A passagem alimentono trato digestivodasespécies do frugívorasé bastante rápida (em tomo de 20 minutos)e, conseqüentemente, defecamcom maior freqüênciaduranteo vôo, sujandoparedes, muros,carros,etc. Morcegosfitófagos não são exclusivamente "nectarívoros"ou "frugívoros", pois todas essas espéciesnecessitam, longo do ano, de substâncias ao presentes nos frutos, nas flores, nas folhas e tambémde insetos,para obteremuma dietabalanceada. No presenteManual serãocitadas(na tabelaa seguir)as espécies vegetaisque podem servir de fontes de alimentoaosmorcegose que são mais comumente utilizadasno processo arborização de dascidadesbrasileiras.

TABELA!
E:s~écies Plantas e Tipos de Alimento Fornecidos aosMorcegos emÁreas Urbanas. de
I Espécies I Fruto I Flor I Folha I

Abacateiro(Persiaamericana)Abieiro (Pouteria caimito) Alecrim de carnp~HolocalYljlaziovil)Amendoeira! (Tenninalia catapy~Amoreira (Morus nigra)
Areca-bambú (~rvsalidocarp~l:I;t~scens)

Ateira (Annona squamosa)Bananeira(Musa spp.) .~.iribazeiro(Annona reticulata) Bombax (Bombax aquaticum)-

x x x x x x x x x x x x x.K x x x x x x x x x x x

x

x x

~ÇQ(fea

ambica)-

: ~aJueiro(Anacardium occidentale) Calabura:L. (~ia calabura)Ca : ~ararnboleira(Averrhoa carambola) Cinamomo:'(M.~@ azedarach)

E Es
~r,sponjeira (Acacia,farnesiana) ~rlCuS benjamina (r ICUS retusa)

x

Ficusitaliano(Ficuselas~~).
J!jgQjFicus carica),iava) Gomeira Gravioleira (Annona muricata)

x

~imelina (Gmelina arbo~In azeiro-mirim In a1!!~azeiro (lnga spp.)

x
x x x
68

;aboticaba)
Jambeiroamarelo(~,-,geniajam~Jarnbeiro vermelho (~llenia malaccensis)-

x x

~i~~~(Mvrciaria

x
X
IX

X X
X

X

I

x

I~

--

x
u un u t nna s .
X

x

Nes' ...X Oitizeiro (Mochilea tomentosa) Pacarí (Lafoensia pacan)

X X
Palmeira livistona (Livistona chinensis) Pa" A~ hnl~n8 I/'}_"_~_~ ;"'~In\ Pe Pe Pi Sa Sa Sa Se
U

I~

I

X

IX

x
X X X X X X
X I

Vi

X

I

lchapéu-de-sol,chapéu-de-praia, sete-copas, chapéu-chinês. 2pau-de-seda 3árvore-santa, jasmim-azul,jasmim-de-soldado, lilás-da-india, lírio-da-india 4tulipeira 5jambolâo,azeitona 6flor de coral 7ameixeira 8pau-de-jangada, morcegueira, árvoredo morcego

V.4.1.2. Possíveis Soluções Para minimizar o problema dos morcegosque utilizam as flores e os frutos das espécies vegetaiscomo alimento,sugere-se: .A utilização dessasespéciesem áreasafastadas das edificaçõesresidenciaiscomo, por exemplo,em bosques, estradas, parques, praçaspúblicas,etc. A poda, às vezes, pode ser convenientequando os galhos estiverembaixos ou muito próximosdasedificações, evitando,assim,os vôos rasantes morcegos. dos A cataçãomanualde flores e frutos nas vias públicasdos centrosurbanosé impraticável, porém,poderia seruma medidarecomendada para áreasresidenciais, onde a presença dos morcegos fitófagos é um agravante. A retirada de uma planta, substituindo-apor outra que não seja fornecedorade alimento aosmorcegos.

69

V.4.2.PlantascomoAbrigo
V.4.2.1. Problema Folhagens ocos-de-árvore geralmente, e são, utilizadospelosmorcegosfitófagos e insetívoros para se protegerem variaçõesclimáticase dos predadores. entanto,as folhagensconstituem-se das No abrigos temporáriosenquanto permanecerem plantas, ao passo que os ocos são abrigos mais nas duradouros. Em áreasurbanas,os morcegosse abrigam,principalmente, folhagemda copa das árvores, na pois a ocorrência de cavidades em troncos é reduzida. Árvores como mangueiras,jambeiros e palmeiras constituem excelentesabrigos diurnos para morcegos por causa de suas copas quase fechadas.Entretanto,temos encontradoagrupamentos morcegosfrugívoros em plantas de copas de mais abertas, que permitema passagem luz solar e chuva,mesmoempresença muitasplantasde de de copasdensas. Soluções(?) o uso de plantas como abrigos diurnos de morcegosem áreasurbanasé um problema de difícil solução,pois a eliminaçãode árvoresde copasmais fechadasnão é uma garantia de que os morcegosnão passema utilizar plantas mais abertas.Assim, acreditamosque as soluçõespara o problemados morcegosfitófagos em áreasurbanasdeve depender, basicamente, manejo de suas do fontesde alimento.

V.4.3.LeiturasAdicionaisRecomendadas
DALQUEST, W.W.; WALTON, D.W. Diurna! retreatsin bats. In: SLAUGHTER, B.H.; WALTON, D. W (Ed.) About bats: a chiropteran biology symposium. Dallas: Southern Methodist University,1970. 339p. p.162-187. DOBAT, K. Blüten UM Fledermiiuse: Bestãubung durch Fledermãuse und Flugbunde (Chiropterophilie). Frankfurt: WaldemarKramer,1985. 37üp. GARDNER, A.L. Feedinghabits. In: BAKER, R.J.;JONES,Jr., J.K.; CARTER, D.C. (Ed.) J Biology 01 bats01 lhe new worldlanJÜYPhyUostomatidae, 2. [s.l.]: Mus. TexasTec. Univ..,1977. part

364p.p.293-350.
KUNZ, T.H. RoostingEcology of Bats. In : KUNZ, T.H. (Ed.) Ecology ofbats. New York : Plenum Press,1982. 425p. p.1-54. LORENZI, H. Árvores Brasileiras. SãoPaulo: 1992. 352p. RODRIGUES, M.G.R.; BREDT, A; UIEDA, W. Arborização de Brasília, Distrito Federal, e possíveis fontes de alimento para morcegosfitófagos. In: CONGRESSOBRASILEIRO DE ARBORIZAÇÃO URBANA (2. : 1994: SãoLuís). Anais. SãoLuís, 1994. p.311-326.

70

V.4.2.2.

VI.I. Introdução
Na Ordem Chiroptera, o hábito de se alimentar de sanguede vertebradosendotérmicosé conhecido apenas em três espéciesde morcegos da região neotropical (América Latina), que compõem a subfamília Oesmodontinae, família Phyl1ostomidae. da Isto significa que morcegos sugadores sangue de não existemem outrasregiõesdo mundo. Não se conhece,ainda, uma explicaçãodefinitiva para o fato da sanguivoriaestar restrita à região neotropical.Contudo,supõe-se estehábito evoluiu dentro da família Phyllostomidae,que que conta com ampla distribuiçãono Novo Mundo e que possuirepresentantes mais variadoshábitos dos alimentares.Assim, a sanguivoriaé um hábito relativamenterecente(6 a 8 milhões de anos),tendo evoluído após a separação continentese o aparecimento OceanoAtlântico. Por seremmaus dos do termorreguladores,não suportando temperaturasmuito baixas por muito tempo, os morcegos he,matófagos puderamocuparo sul da Argentina e do Chile e nem a América do Norte. Por esse não motivo, suadistribuiçãogeográficavai do norte da Argentinaao norte do México. Das três espéciesconhecidas,Desmodusrotundus é a mais estudadapor causa de sua importânciasociale econômica, serádiscutidanum item específicodo presente que capítulo. Sobreas duas outras espécies(Diaemusyoungi e Diphylla ecaudata) ainda conhecemos muito pouco de sua biologia, ecologiae real importânciasociale econômica.

71

VI.2. Ficha Técnica dos MorcegosHematófagos
VI.2.1. Nome Popular: Morcego-vampiro-comum

Fig.VI.I. Desmodus rotundus.(Foto:W. Uieda)

Científico: Desmodus rotundus Família: Phyllostomidae

Morfologia:
Envergadura: 35cm Comprimentoda cabeça-corpo: a 9cm 7 Peso:25 a 40g Cor dapelagem:Castanho escuroacinzentado avermelhado dorsoe castanho ou no mais claro no ventre Biologia: Alimentação:Especializado sangue mamíferos, em de podendoaceitaro de aves Abrigos: Locaismais escuros cavernas, das ocos-de-árvore, minas,casas, bueiros,sobpontes de estradas, etc Agrupamentos: Colôniasde 10 a 50 indivíduossãoos maiscomuns,porémnão sãoraros as de mais de 100 Reprodução:Qualquerépocado ano Gestação: meses, 7 produzindoapenas 1filhote por parto e por ano Longevidade:19 anosemcativeiro e maisde 10 anosna natureza Enfermidades: Raiva,Histoplasmose, dascadeiras, Mal Encefaliteeqüina,Brucelose Particularidades: Só ocorre na América Latina, onde é o principal transmissor da raiva aos herbívoros.Os longosantebraços, tI'biase polegares dão um porte esbeltoao morcego,permitindo-lhe caminhar,saltare trepar em superfíciesverticais e horizontais,com extremaagilidade. Por causade seu hábito hematofágico,possui uma arcadadentária pequena,com apenas20 dentes (os poucos molares são reduzidos).Apesar do medo que provoca, essemorcegonão se aproxima das pessoas voando em suadireçãopara morder seupescoço. ataqueé semprefeito na surdina,quandocessao O barulho,a iluminaçãoe os movimentosdaspessoas.

72

Nome

VI.2.2. Nome Popular: Morcego-vampiro-de-pontas-brancas-das-asas

Fig.VI.2. Diaemusyoungi.(Foto: W. Uieda)

Nome Científico: Diaemusyoungi Família: Phyllostomidae
Morfologia: Envergadura: 40cm Comprimento da cabeça-corpo: 8,5cm Peso: 30 a 50g. Cor da pelagem: castanho claro, brilhante Biologia: Alimentação: Preferencialmente sangue de aves Abrigos: Ocos-de-árvores, próximos às matas Agrupamentos: Colônias pequenasde 6 a 30 Reprodução: Um pico de reprodução por ano, com partos nos meses de verão Gestação: 7 meses e apenas1 filhote por parto e por ano. Longevidade: Desconhecida, mas em cativeiro duas fêmeas foram mantidas vivas por seis anos

Enfermidades: Raiva
Particularidades: Sua distribuição geográfica é semelhante ao vampiro comum (D. rotundus), com o qual é, ocasionalmente, confundido. Duas características morfológicas são marcantes em D. youngi: ponta branca das asas e um par de glândulas bucais, localizadas internamente nas bochechas e que liberam uma substância volátil e nauseante. Essa substância é liberada concomitantemente com um grito de aflição, principalmente quando o morcego é manipulado. O odor e o grito são considerados ';Orno mecanismos anti-predatórios. Por causa do hábito de tomar sangue, possui poucos dentes (22). E uma espécie relativamente rara e que não provoca danos econômicos aos criadores de aves, pois atacam galinhas que repousam em árvores. Por causa disso, não devem sofrer ações de controle pelos órgãos oficiais. Para evitar seus ataques,as aves devem pernoitar em galinheiros.

73

VI.2.3. Nome Popular: Morcego-vampiro-das-pemas-peludas

Fig.VI.3. Diphylla ecaudata. (Foto: W. Uieda)

Nome Científico: Diphylla ecaudata Família: Phyllostomidae

Morfologia:
Envergadura: 30cm Comprimentodacabeça-corpo: 6,5cm Peso:25 a 30g Cor dapelagem:Castanho escuroou claro Biologia: Alimentação:Preferencialmente sangue avese, eventualmente, mamíferos(bovinos e de de suínos) Abrigos: Cavernas, minase túneisabandonados Agrupamentos:Colôniasmuito pequenas a 12)e ocasionalmente 50 a 70 indivíduos (3 até Reprodução: Desconhecida, fêmeasgrávidassãoencontradas próximo ao meio do ano Gestação: tempode gestação desconhecido. O é Produzapenas filhote por parto e, 1 talvez, 2 filhotes por ano Longevidade:Desconhecida Enfermidades: Raiva. Particularidades: A distribuiçãogeográficaé semelhante dos outroshematófagos. ao Portepequeno, pêlos longos e sedosos, orelhasarredondadas olhos grandes.A membrana e interfemuralé reduzidae com longos pêlos,que o caracteriza como morcego-das-pernas-peludas.arcadadentáriacontém26 A dentes.Os incisivos inferiores contêmmuitos lóbulos (6 ou 7), que é uma característica única entre os morcegos.Assim como D. youngi, é tambémuma espécierelativamenterara e não provoca danos econômicosaos avicultores.Seusataquesàs avesde fundo-de-quintalpodem provocara morte das mesmas.Para evitar isso, as aves devem pernoitar em galinheiros que impeçamque os morcegos adentrem voando,isto é, devempossuiruma porta a serfechadatodasas noites.De modo geral, não devemsofreraçõesde controlepelosórgãosoficiais.

74

VI.3. Biologia, Ecologia e Etologia dos MorcegosHematófagos VI.3.1.AtividadeAlimentar
As informações aqui apresentadas, sobre a atividade alimentardos morcegoshematófagos, referem-se seusataques animaisdomésticos criaçãocomo bovinos, eqüinos,suínos,caprinose a a de galinhas.Sãopoucasasinformações sobreseusataques animaissilvestres. aos VI.3.1.1. Períodode Atividade Alimentar Em condiçõesambientaisfavoráveis,a atividade alimentardos morcegoshematófagos pode ocorrerao longo da noite, iniciando-secercade uma a duashorasapóso pôr-do-sole terminandopor volta de uma hora antesdo alvorecer.Esseperíodo pode ser alterado por algunsfatores ambientais como luar, chuvastorrenciaise ventosfortes, que tendema reduzir o período de atividade. Em noite com luar, as três espécieshematófagas são, habitualmente,ativas no período mais escuro dessas noites.Assim, a maior ou menordisponibilidade temponumadadanoite paraa procurade alimento de varia ~e acordo com o ciclo lunar. Este fenômeno é conhecido também em diversas espécies insetívoras e frugívoras. Parece que a explicação mais plausível para este fenômeno é evitar predadores visualmenteorientados.Contra esta explicaçãohá o fato dos morcegosnão possuírem predadoreseficientes para exercer tal pressãode seleção.Em noites de lua cheia, os morcegos hematófagospodem deixar de se alimentar por uma noite (não resistemmais de duas noites sem comer, principalmente na estaçãoseca). Nessasnoites, os morcegosprocuram suas presas mais próximas, se alimentame devem retomar o mais rapidamentepossível para seus abrigos. Podem, também,usarabrigosnoturnostemporários,enquantoesperam o luar diminua e possamretomar que ao seu abrigo diurno. Numa outra alternativa,o morcegohematófago pode voar por sob a copa das árvoresaté chegarà sua fonte de alimento.Se estafonte (por exemplo,bovinos) estiver num campo abertoe iluminado pelo luar, o morcegopode exploraroutra alternativaalimentar,como aves,suínos e, eventualmente,seres humanos. A escolha dependeráde sua versatilidade em explorar tipos diferentesde presas.O uso de uma ou mais estratégias parafugir do luar podevariar de um indivíduo paraoutro, de uma população paraoutrae também uma regiãoparaoutra. de A restriçãoda atividadealimentardos morcegos, provocadapelaschuvastorrenciais,parece estar relacionadacom a fisiologia de termorregulação, pois os pêlos do corpo molhadospela chuva podemprejudicarsua regulaçãotérmica. Além disso,as três espécies morcegoshematófagos, de em condiçõesnormais, não são boas termorreguladoras. gotas de chuva podem ainda prejudicar a As ecolocalização, dificultando a per~pção dosmorcegosemrelaçãoao seuambiente. o conhecimentodo período de atividade alimentare dos fatores que podem influir nesse período foi importantena elaboração estratégias atuaçãodas equipesque trabalharam,e ainda de de trabalham,nascapturasde morcegos hematófagos. Essas sessões capturaspodemserprogramadas de de acordocomos ciclos lunaresmensais, que astoma maiseficientes. o Durante a noite, os morcegosnão passamo tempo todo se alimentando.Nas noites mais escuras(semluar), os morcegospodemaproveitaro tempo disponívelpara explorarsua áreade vida, conhecendo melhoraspotencialidades fontesalternativas alimentoe de abrigo. Podemusaresse de de tempo tambémparaasinterações sociaise reprodutivas. Procurae Localização Presas das Após sair de seusabrigosdiurnos,os morcegos hematófagos voam à procurade alimento.Os vôos de Desmodusrotundusgeralmente feitos a uma altura entre 0,5 e 1,5m, uma vez que suas são presas são mamíferos que repousamno chão, como o gado bovino e eqüino. Entre suas presas silvestres,os macacos freqüentemente são citadoscomo uma de suasfontes de alimentona natureza; contudo, o hábito arborícola dessesprimatas deve obrigar D. rotundus a voar numa altura mais 75

elevada,como fazem Diaemus youngi e Diphylla ecaudata.Estas duas espéciesexploram presas arborícolas, como galinhasquepernoitamemárvores,àsvezesa mais de 10 m de altura. o tamanhoda área de vida dos morcegoshematófagos(D. rotundus)pode variar de uma região para outra e depende diversosfatores,como relevo, clima, disponibilidadede abrigos e de de fontes de alimento. Apesar de alguns autoresjá mencionarem áreasde 20km, acredita-seque seu tamanhodeveficar, emmédia,entre um e cinco quilômetros.Não há informações semelhantes para as duasoutrasespécies hematófagas. o sentidoolfativo pareceter importânciana localizaçãoe escolhada presapor D. rotundus. É possívelque estesentido tambémseja importanteparaD. youngi e D. ecaudata.O vampiro comum, D. rotundus,poderia localizar as áreasde repousodo gado (estábulos, pastos) pelo cheiro do estrume e, posteriormente, encontrariaa presase orientandovisualmente. Estaespécieseriacapazde detectar, visualmente,uma vaca a pelo menos 130 metros de distância.As duas outras espéciespoderiamse orientar olfativamentepelo odor emitido pelas fezes de suaspresas(aves empoleiradas) localizar e seuspousosnasárvores. VI.3.1.3. Acessibilidadee EscolhadasPresas
Um fator importante na seleção de presas pelas três espécies de morcegos hematófagos é a sua acessibilidade. Desmodus escolhe e ataca as presas mais acessíveis num rebanho, que são, geralmente, aqueles animais de temperamento dócil e que dormem na periferia do rebanho. Isto poderia explicar porque, num dado rebanho, alguns animais são mais atacados pelos morcegos que outros. Em relação a Diaemus e Diphylla, estes morcegos atacam, preferencialmente, aves empoleiradas em ramos de árvores livres de folhagem, pois isto facilita seus vôos de aproximação às presas, tomando-as mais acessíveis.

Assim, a escolhade uma dadapresapelos morcegoshematófagos depende,diretamente,de suaacessibilidade predador:o animalpreferidoé o que estivermaisacessível. ao VI.3.1.4. AproximaçãodasPresas A aproximação Desmodus suaspresaspode serfeita de dois modos:pousono corpo do de às animal ou no chão,próximo do mesmo.Diphylla tambémutiliza dois modosde aproximação aves: às pouso no poleiro e pouso direto no corpo da ave empoleirada.Diaemuspousa somenteno poleiro, talvez por sermais robustoe pesado.
Na aproximação aos seres humanos, suspeitamos que os morcegos pousem apenas no substrato (cama ou rede de dormir), e não no corpo das pessoas, que poderiam ser despertadas pelo contato físico com os morcegos. A reação dos animais à aproximação dos morcegos, geralmente, ocorre quando estes pousam em seu corpo. Em Desmodus, o gado bovino e eqüino, habitualmente, reage com movimentos da cabeça, cauda e da musculatura da pele. As reações das galinhas podem ser um curto cacarejo, ficar de pé no poleiro e dar voltas em tomo de si, no poleiro. Ocasionalmente, desferem bicadas nos morcegos. Nessas ocasiões, essesmorcegos permanecem quietos e imóveis até que as aves voltem a se acomodar nos poleiros. Durante a aproximação aos mamíferos domésticos, Desmodus se mostra bastante cauteloso e está "de alerta" a qualquer reação da vítima. A qualquer sinal de perigo, o morcego afastase do local até que o perigo cesse ou abandona este animal e sai à procura de uma outra presa mais acessível. Por causa dessa cautela, não se acredita ser possível que os morcegos se aproximem das pessoas adormecidas caminhando ou se arrastando por baixo do lençol ou cobertor, como já se ouviu mencionar.

76

VI.3.1.5. Escolhade Locais para Morderas Presas Após a aproximação,os morcegosescolhemum local apropriadopara morder sua vítima.Desmodus rotunduspodegastarcercade 40 minutospara escolherum local no corpo de um bovino e aplicar-lhea mordida.O morcegopode reabrirferimentosfeitos emnoitesanteriores, pois a reabertura é feita empoucosminutos,o que diminui seutempode exposição danoseventuais. a Os locais mais freqüentemente sangrados pelos morcegosvariam de um tipo de presapara outro e de uma espéciepara outra. Na TabelaVI.l., apresentamos, modo resumido,os principais de locais no corpo dasvítimasutilizadospelastrês espécies pararetirar seualimento.

Fig.VI.4. Em algumasregiõesrurais do Brasil, as cabrassão freqüentem atacadas morcegoshematófagos ente por (De.\"modus rotundus).Na foto, a cabrade cor escura,sentada, havia acabado sersangradapor um morcegoe é possível de observa. ;;al1gue escorrendo pelo flanco do animal.(Foto:W. Uieda)

Os morcegos hematófagosapresentam uma redução no número e tamanho dos dentes molariformes e um grande desenvolvimentodos incisivos superioresinternos, que têm a forma triangular, ápice pontiagudo e margenscortantes.Com movimentos de abrir e fechar a boca, o morcegoaplica a mordida e retira um pedaçoda pele de sua vítima. O corte na pele, geralmente,é superficial e feito com os incisivos superioresinternos (nunca com os caninos superiores). A mordedura,feita pelas três espécieshematófagas, geralmente,tem o formato elíptico com cerca de O,5cmno seumaior comprimento.Além de superficial,a mordida alimentaré aparentemente indolor, pois poucasreaçõessão demonstradas pelas presas.Pessoas sangradas por morcegoshematófagos alegamnão sentir nadadurantea noite em que foram agredidas. Muitas vezes,a sangriaé percebida somentena manhãseguinte,quandomanchasde sanguesão encontradas sobre a cama, rede ou no próprio corpo. Algumas pessoasacreditam que a saliva dos morcegos contenha uma substância anestésica; porém,os estudos realizados não confirmaramestasuposição.

77

Fig.VI.5. Quandoos animaisdomésticossão mantidospróximos à residênciado proprietário,os sereshumanos podem, eventualmente, atacados morcegoshematófagos ser por (Desmodus rotundus),como vem acontecendo algumas em regiõesdo Norte e Nordestedo Brasil. As criançassão as principaisvítimas desses ataques porque permanecem acessíveis por mais tempoaos morcegos(dormemmais cedo, têm sono mais profundo e são a maioria dentro da casa).O menino da foto tinha 5 anose havia sido mordido no lobo da orelhaenquanto dormia na rede.(Foto: W. Uieda)

Fig.VI.6. Em várias áreasde garimpo da região amazônicaos garimpeirosestão sendovítimas de ataquesdos morcegoshematófagos (Desmodus rotundus).As agressões ocorrem,principalmente, extremidades, nas como o dorso do pé deste garimpeiro. Quando não recebemos cuidadosmédicos devidos,as mordeduraspodem ser um ponto de entradade agentes patogênicos. (Foto: W. Uieda)

TABELA VI.I
Lista dos Principais Locais no Corpo das PresasUtilizados pelos Morcegos Hematófagos para Retirar seuAlimento. 1. Desmodus rotundus
Bovídeos: Tábua do pescoço, orelhas, focinho, dorso, cauda, pregasanais e vulvares, tetas, axilas, base do casco e entreos dedos. Tábua do pescoço, orelhas,base dos olhos, base da caudae basedo casco. Orelhas, dorso, mamilos, focinho, dedos dos pés e cauda. Tábuado pescoço, dorso,orelhase basedoscascos. Dedos dos pés, tarsos,dobra das asas,dorso, base do pescoço, cristase barbeIas. Dedos e dorso dos pés, calcanhar,mãos, cotovelos, couro cabeludo,orelhas,testa,pontado nariz e lábios. Dedos dos pés, tarsos, cristas, barbeIas e base do pescoço. Bordasda cloaca,dedosdos pése tarsos.

Eqüinos: Suínos: Caprinos: Aves: Humanos: " n;~n_..~ ,.~.._~;1

2. Diaemus youngi
Aves: ~ n;"J...II~ nn~..J~#~l 3. Diphylla ecaudata Aves:

1Em condiçõesde cativeiro, esta espéciesangroumamíferos(bovinos por Diphylla e caprinos e suínos por Diaemus). Por não haveremsido registradostambémem condiçõesde campo, não foram aqui considerados. Esses dadosforam obtidospor Piccinini e colaboradores (1991)e por Uieda (1994).

VI.3.1.6. Ato de TomarSangue Feita a mordedura,o morcego inicia sua refeição. Na saliva de Desmoduse Diaemus foi encontrada uma substânciaque possui propriedadesanticoagulantes,retardando o processo de coagulação sangue permitindoque flua do ferimento por um tempomaior. do e o ato de tomar sangueé conhecidoapenasem Desmodusrotundus.Esta espécieutiliza-se de um mecanismode ingestãonão conhecido em outros mamíferos.Desmodusapresentadois sulcos longitudinaisna face inferior da língua.Ao tomarsangue, bordoslateraisda língua dobram-se os para baixo, de tal maneiraque a superfíciefique convexa,formando um tubo. Com ligeiros movimentosde entradae saídada língua da boca,forma-seum vácuo parcial na cavidadebucal e o sangueflui pelos sulcos longitudinaisda face inferior da língua, passando para a face superiorda mesmano fundo da boca,quandoentãoo sangue deglutido. é o estudo comparativo da morfologia bucal das três espécieshematófagasmostra muita semelhançanas estruturasbucais de Desmoduse de Diaemus e várias diferenças em relação a Diphylla. É possívelque os dois primeiros tomemsanguede modo semelhante Diphylla, de modo e diferente,aindadesconhecido. Em condiçõesnaturais,Desmoduspode consumir, numa noite, uma quantidadede sangue igual ou maior que seupesocorporal,que varia entre 30 e 40g. No cativeiro, o consumodiário pode chegar:l 50ml de sangue, emborao consumomédiosejade 15 a 2OmI. o tempo necessário para a alimentaçãodos morcegoshematófagos dependedas reaçõesda vítima durantea refeição.Diaemusnecessita 15 a 30 minutosou, eventualmente, de uma hora para se alimentar, ao passoque Diphylla precisa de 10 a 40 minutos. O tempo gasto por Desmodusao se alimentaremgado, emcondições naturais,é emtorno de 30 minutos,podendo,eventualmente, chegar a uma hora.
79

Fig.VI. 7. Desmodus rotunduspousadono corpo de um suíno e sealimentandonum ferimento reaberto.Note-seo contatoda língua do morcegocom o ferimento.(Foto: W. Uieda)

Fig.VI.S. Diaemusyoungi tomando sanguenum ferimento aberto na barbeIada ave. No ato de se alimentar,o sangue penetrana boca por baixo da língua,como pode servisto na foto. (Foto:W. Uieda)

80

Fig.VI.9. o local no corpo da ave mais freqüentemente sangrado pelos morcegoshematófagos os dedosdos são pés. Para se alimentar nesselocal, o morcego (aqui um Diaemus youngi) pousa no poleiro, evitando reaçõesda vítima. Nestascircunstâncias, sangrianas avesé percebidapelo proprietárioatravésda observação manchasfrescasde sangue a de nos poleiros emque suasavesdormem.(Foto: W. Uieda)

Fig.VI.l O. Diphylla ecaudata uma espécie preferesangraras bordasda cloacadasaves.Para isto, o morcego é que precisaseagarraràs penasda caudada vitima, como auxílio dos polegares asase dos pés,como mostradona foto. (Foto: das W. Uieda)

81

Fig.VI.ll. Apesarde atacarmamíferoscom mais freqüência,Desmodus rotundus pode, também,se alimentar emaves. Essesataquesacontecemem locais onde as aves dormem, em galinheiros ou outras construções, geralmente semproteção contramorcegos. (Foto: W. Uieda)

Fig.VI.12. Uma fêmea de Desmodusrotundus após uma boa refeição. Note-se o volume do seu abdômen. Inicialmente,acreditou-se que o tamanhodo abdômen fossedevido à gravidezavançada;posteriormente, verificou-se não serverdade.(Foto: W. Uieda)

82

Abrigos NoturnosTemporários Após a refeição, Desmodusafasta-se, vôo, de sua vítima, podendo,então, retomar ao em abrigo diurno ou então utilizar abrigos noturnostemporários.Nestes,o morcego pode descansar e eliminar um eventualexcesso pesona forma de urina e fezes.Por causada presença excretas, de dos os abrigosnoturnossão, também,conhecidoscomo digestórios.O uso destetipo de abrigo varia deuma região para outra e pode depender existênciade locais apropriadospróximos às fontes de da alimento. Diaemus e Diphylla, habitualmente,permanecem junto à sua vítima, após a refeição. Em Diaemus,essetempo de permanência pode ser de até uma hora e trinta minutos, ao passoque, em Diphylla, até de cerca de uma hora. Esta permanência junto às aves após as refeições pode ser comparada, funcionalmente, permanência Desmodus abrigosnoturnostemporários.Por isso, à de nos é possívelquetanto DiaemuscomoDiphylla não utilizem abrigosnoturnostemporários.

Fig.VI. 13. Uma ave sangradapor morcegoshematófagos (Diphylla ecaudata) pode ficar debilitada e morrer em conseqüência disso. Pode também adquirir doençasatravésdos ferimentos em seucorpo. Em algumasregiõesdo Brasil, bicheiraspodemserencontradas invadindo esses ferimentos, como na galinhadestafoto. Note-seque a ave estácom aspecto debilitado.(Foto: W. Uieda)

83

1.7.

Fig.VI.14. A mesmaave da foto anterior,aqui mostrando aspecto bicheira em suaregião cloacal(oveira). São o da freqüentes relatosde avesque morrem por causade bicheiranessa os região.(Foto: W. Uieda)

Interações Sociais
Desmodusrotunduspossui uma estruturasocial complexa,baseada formação de harém, na onde um machodominantetoma contade um grupo de fêmeas(cercade 12) e seusfilhotes pequenos. Os filhotes machos,à medidaque se tomem adultos,são enxotados grupo pelo machodominante. do Os machossolteiros formam pequenos agrupamentos que podem permanecer próximos do harémà espera de uma oportunidadede ocupar o posto de macho dominante.Podem, também, sair e ir procuraroutroslocais para constituir seupróprio harém.As interações entremachossãoquasesempre ritualizadase intimidatórias,dificilmente envolvemconfrontodireto. As fêmeassão fiéis ao grupo e, não, ao machodominante.Se o abrigo toma-seinapropriado ou há falta de alimentona área,as fêmeasmudam-se paraoutro lugar, semse importarcom o varão do harém. A colaboraçãoentre elas envolve também a divisão do alimento. Quando saem para se alimentar, nem sempre todas as fêmeas adultas conseguemsucesso.Assim, aquelas que se alimentaramregurgitamparte do sangueingerido na boca da fêmeaesfomeada, modo semelhante de ao que ocorre entre elas e seus filhotes. Fêmeasque não cooperamna divisão de alimento são enxotadasdo grupo. Para conseguiralimento regurgitado,a fêmea com fome necessitalamber o abdomee os lábios daquelaque se alimentou.O comportamento lamberos pêlosda companheira de é um sinal para que estaregurgitesangueem sua boca. Essecomportamento lamberpêlos de outro de morcegofoi, inicialmente,interpretadoapenas como higiene corporal mútua entre membrosde uma mesmacolônia. Atualmente,reconhece-se importânciasocial para mantera integridadedo grupo sua de fêmeas.Os machosadultosraramente participamdesse ritual. A estruturasocial das grandescolônias de Desmodusrotundus ainda é desconhecida, mas suspeita-se possamser constituídas vários haréns,situadoslado a lado, com seusrespectivos que de machosdominantes.

84

VI.3.2.

Quantoàs duasoutrasespécies, há informações não sobresuaestruturasocial disponíveisna literatura.

Fig.VI.15. Uma colônia (harém)de Desmodus rotundusabrigando-se numa concavidade teto de uma caverna do da regiãoCentro-Oeste Brasil. (Foto: W. Uieda) do

85

VI.4. ImportânciaSociale Econômica.
VI.4.1.ImportânciaSocial
Os relatossobreas agressões humanas morcegos por hematófagos (Desmodusrotundus) estão concentrados regiões mais pobres do Novo Mundo. Há relatos de agressões nas em, praticamente, todos os paísesda América Latina, inclusive no Brasil. Nessasregiões mais pobres, encontramos povoadosdistantese isolados e áreasde exploração mineral (garimpagem)onde, freqüentemente, ocorremas agressões. Logicamente,as pessoas mais diretamente atingidaspelos ataquessão aquelas de baixa renda, vivendo em condiçõesmuito precárias.A maior freqüênciade ataquesocorre nos animaisdomésticos (cabras,porcos,cães,galinhase, às vezes,algumasvacase cavalos)existentesao redor das casas,que são,geralmente,abertase permitemfácil acesso morcegoshematófagos.A aos convivênciacomesses animaisé quasediária e parecehaverum certo equilíbrio entre as pessoas, seus animaisdomésticos os morcegos. e Nessainteração, homempareceserapenas o uma fonte secundária de alimento e o equilíbrio mantém-sepor muitos anos.Quandoos relatos de agressões humanaspor morcegoshematófagos chegamaos órgãosoficiais de saúde,é porquehouve um desequilíbrionesse "tripé" interativo, provocado por uma mudançado processoprodutivo ou por ocorrência de raiva transmitida por morcegoshematófagos. aumentodas agressões O humanaspor essesmorcegos em três povoadosde Belize (paísda América Central)ocorreupor causada eliminaçãorepentinade todos os suínos(fonte primária de alimentodesses morcegos), devido à pestesuína.A introdução posterior de bovinos nos povoadosprovocouuma diminuição dessasagressões. uma área de garimpo de Em Apiacás (norte de Mato Grosso), sete pessoasmorreram, aparentemente, raiva transmitida por de morcegoshematófagos.Durante a investigaçãoepidemiológicae a soro-vacinaçãopós-exposição, centenas garimpeirose seusparentesmencionaram já haviamsido sangrados de que pelos morcegos. Possivelmente, agressões as deveriamestaracontecendo todasas áreasde garimpo da região. em o custo social das agressões morcegosé elevadoe deve estarocorrendode forma mais por freqüentenas regiõesnorte e nordestedo Brasil. Acredita-seque a região amazônicarepresentaum "grande palco" dessa interação, envolvendo, também, nossos grupos indígenas (há relatos de agressões índios Caiapósno Paráe Yanomamisem Roraima).Além da espoliaçãohematofágica, aos há diversoscasosde raiva humanatransmitidapor esses animais.De 1992 a meadosde 1993, foram registradosno Brasil 18 casosde raiva humanatransmitidapor morcegos, perfazendo20,7%do total de casosdesse período.A maioria envolveagressões pelosmorcegos hematófagos; mas devemexistir, também,agressões morcegosinsetívorose frugívoros. Os morcegosrepresentam, por atualmente,o segundomaior transmissor raiva aossereshumanosno Brasil, sendosuperados da apenas pelos cães. Estagravesituaçãoestáocorrendo,também,em outrospaíses América Latina, e tem preocupadoa da OrganizaçãoPan-americana Saúde,que reuniu representantes diversos paísespara analisar a de de situação. A Fundação Nacional de Saúdeestátrabalhando intensivamente para encontrarsoluçõespara a grave situaçãoda raiva transmitida por morcegos,e a elaboraçãodo presenteManual é um dos frutos desse trabalho.

86

Fig.VI.16. Um tipo de casacomum em vários povoadosdo interior do Brasil, principalmentena ârea rural do I~stado Maranhão.Casascomo esta não são à prova de morcegoshematófagos do (Desmodusrotundus)e seusocupantes podem serpresas faceis.(Foto: W. Uieda)

Fig.VI.17. Cabanatípica de garimpeiroda região de Mato Grosso(armaçãode paus coberta com lona plástica preta).Essas cabanas são. normalmente, construidas junto à mata,para aproveitar seusombreamento. fundo das cabanas, o O onde fica o dormitório. normalmente estâvoltado paraa mata,o que facilita o acesso morcegoshematófagos de (Desmodus rotundus).(Foto: W. Uieda)

87

VI.4.2.ImportânciaEconômica
No período pré-colombiano, as fontes de alimento dos morcegos hematófagoseram os animaissilvestresde sanguequentee o homemaborígene, como mencionado Capítulo 11.Naquele no período, a populaçãode morcegoshematófagos provavelmentemenor que a atual; contudo, a era colonizaçãodo continenteamericanopelos europeus, junto com seusanimaisdomésticos, parece ter provocadoum aumentopopulacionaldesses morcegos, favorecendotambémsua expa,nsão territorial. Os animais domésticos, sem adaptação contra esses predadores, tomaram-se presas fáceis, representando uma fonte alimentar abundantee acessível.Em certas regiões, o vampiro comum pareceestarse alimentando, exclusivamente, sangue animaisdomésticos. de de VI.4.2.1. ImportânciaEconômicade Desmodus rotundus Desmodusrotundus, uma espéciede comportamentoversátil, foi a mais favorecida pela introduçãodos animaisdomésticos Américase, atualmente, considerada nas é uma pragada pecuária neotropical,por sero principal transmissor raiva aosherbívoros. da o impacto econômico da raiva transmitida pelos morcegos hematófagosna pecuária da América Tropical é significativo. Em 1962, o Dr. Aurélio Málaga-Alba estimoua morte de 500 mil cabeças gado anualmente, de representando naquelaépocauma perdade pelo menosUS$ 50 milhões de dólaresanuaisna América Latina (atualmente essaperdarepresentaria cercade US$ 175 milhões). Em 1985,os Drs. PedroAcha e Primo Aranbulo 111 fizeramuma estimativamais acurada, baseada em informações mais precisas,fomecidas pelos paíseslatino-americanos. Seus dados indicaram uma média f}~ mais de 100 mil cabeças gado mortas,anualmente, de pela raiva, o equivalentea US$ 30 milhõesde dólares. o Brasil é um dos paísesque mais tem sofrido com a raiva dos herbívoros, com perdas econômicas relevantes. montantede prejuízosque a raiva determinano rebanhopecuáriobrasileiro O não está bem dimensionado.A subnotificaçãode casosé grande em algumas regiões brasileiras, causada pela falta de conscientização muitos produtoresque não notificam os casos(considera-se de que, para cada animalnotificado, outros dez não o são)e pela ausência uma vigilância adequada, de decorrente falta de recursos da financeirosparaos serviçosoficiais de saúdeanimal. Parao cálculo de uma estimativade perdaseconômicas Brasil, foram levados em consideração casosclínicos e no os laboratoriaisde raiva em animaisherbívorosdomésticos, notificadosao Ministério da Agricultura, do Abastecimento da ReformaAgrária, ocorridosentre 1983 e 1993, e a nossataxa de subnotificação. e Desta forma, estima-seque, no Brasil, morram anualmente40 mil bovinos, o que representaum prejuízo econômicode aproximadamente US$ 15 milhõesde dólaresanuais. Além dos prejuízos diretos por causa da raiva, outros danos podem ser citados, como: diminuiçãoda qualidadedo couro, enfraquecimento perdade pesodos animais,infeçõesbacterianas e e viróticas e, miíasesnos ferimentos. Importânciaeconômica Diaemusyoungi e Diphylla ecaudata de Apesarde não apresentarem mesmaversatilidadeque a espécieanterior,Diaemusyoungi e a Diphylla ecaudatatambémforam favorecidospelacolonização européianasAméricas.As criaçõesde avesdomésticas fundos-de-quintal em substituíram,comvantagens, avessilvestreseliminadaspela as caçapredatóriae pelo desmatamento. Segundo Dr. Valdir A. Taddei, essas o criaçõesde aves podem ter tambémpermitido um aumentopopulacionaldestasduas espéciese ampliado sua distribuição geográfica. A importância econômicade Diaemus e Diphylla ainda não foi estabelecida, porque seus hábitosaindasãopoucoconhecidos.

88

Em 1970,o Dr. Arthur M. Greenhallsupôsque Diaemuspoderia,futuramente, tomar-seuma pragapara a pecuáriade Trinidad. Aparentemente, aindanão aconteceu isto naquelepaíse os estudos realizadosmais recentemente, Brasil, indicam uma situaçãoinversapara estaespécie.Em 1982,o no Dr. Wilson Uieda sugeriumedidasde proteçãoparaDiaemusyoungi e voltou a reforçarestasugestão, em 1994, com os novos estudos que realizou. Seus dados revelam que apesar da espoliação hematúlágica, perdassangüíneas pequenas as avesconseguem as são e repô-Ias.Em muitos locais, os proprietáriosdasavesnão sabem elasestãosendoatacadas morcegos que por (Diaemus). Em 1939,o Dr. João Moojen estudouos ataques Diphylla ecaudataàs galinhasno sul do de Estadode Minas Geraise verificou que mortesde aves,provocadas pelos morcegos,ocorriam com certa freqüência na região. O Dr. Moojen concluiu que, em certas regiões, o vampiro das pernas peludaspode serconsiderado perigo às criaçõesde avesdomésticas. região do vale de Ribeira um Na do Iguape, sul do Estadode São Paulo, os veterináriosda Divisão Regional Agrícola da cidade de Registro (Secretariade Estadoda Agricultura e do Abastecimento)comentamque é relativamente comumencontrar galinhasmortasem conseqüência sangriaspor Diphylla. No interior do Estadode de Goiás, os sitiantes disseramque, de vez em quando, encontravam galinhas com miíase na região cloacal, como mostrado nas Figuras VI.13NI.14. Nessescasos, essasaves acabavammorrendo, quando não tratadasadequadamente. Como ferimentos nessaregião do corpo são provocadospor ataques de Diphylla ecaudata, essas perdas podem ser atribuídas a esta espécie de morcego hematófago.Apesardas informaçõesacima mencionadas, ainda não há estudosque avaliem a sua importânciaeconômica. Pelo exposto,sugere-se que o controle de populações morcegoshematófagos de seja restrito ao vampiro comum Desmodusrotundus.Em relaçãoa Diaemusyoungi e Diphylla ecaudatanão se pode, nas condiçõesatuais, sugerir medidasde controle, porque estas espéciesjá são raras e de popula~ões pequenas. necessário,um manejo das fontes de alimento poderia evitar os ataques Se destes morcegoscomo, por exemplo,avespernoitandoemgalinheirosfechados.

VI.5. Controle de Morcegos Hematófagos.
o conhecimento epidemiologiada raiva transmitidapelo morcegohematófago, da Desmodus rotundus,aos animaisherbívorose ao homem, demonstrou necessidade que se estabelecessem a de estratégias para a prevenção da raiva em animais, sendo que uma das estratégias foi o desenvolvimento métodosde controledaspopulações de destaespécie. Inicialmente, os métodosde controle foram desenvolvidosde forma empírica, utilizando o pouco conhecimento disponível.De modo geral, essesmétodoseramdrásticose buscavameliminar todos os morcegosdo abrigo, atravésdo uso de agentes físicos ou químicos,tais como gasestóxicos, fogo ou fumaça, dinamite, armas de fogo e pincelamentode venenosnas paredesdos abrigos. O conhecimento ecologia,biologia e etologiade Desmodusrotunduspermitiu o desenvolvimento da de métodosmais aperfeiçoados seletivosparao controlede suaspopulações. e

VI.5.1.Métodosde Controle
Paraefeito de esclarecimento, esses novosmétodospodemserclassificados em: VI.5.1.1. MétodosRestritivos Sãométodosque buscam evitar as agressões morcegos por hematófagos animaise humanos, a atravésde meios físicos que funcionemcomo barreirasde proteçãoentre os animaise os morcegos hematófagos.Esses métodos não matam o morcego, apenas restringem seu acessoa fontes de alimento e/ou abrigos.Contudo,sua aplicaçãonem sempreé eficiente. Duas formas foram, e ainda são,utilizadas:

89

VI.5.1.1.1. Uso de luz como meio de proteçãocontrao morcegohematófago:Este métodose fundamentano conhecimentode que o Desmodusrotundus seria uma espéciefortemente lucífoga (aversãoa luz), evitando,dessa forma, áreasiluminadas.

Vantagens:
-ecologicamente correto -não representa risco à saúde humana -não necessita de treinamento específico

-fácil

realização, podendoserutilizada qualquerfonte de luz

-restrito a pequenos rebanhos -alguns morcegospodemhabituar-se presença luz e modificar suaestratégia ataque a de de -custo considerável VI.5.1.1.2. -Uso de barreira mecânica (telas de aramecom malhasfinas ou outros): Este método funciona impossibilitandoque o morcego hematófago,Desmodusrotundus,chegueaté aos animaisou ao homem.

Vantagens:
-ecologicamente correto -não apresenta risco à saúdehumana -não necessita treinamento de específico -eficiente

Desvantagens:
-restrito a pequenos rebanhos custopoderáseralto, dependendo materialutilizado do VI.5.1.1.3. -Existem algunsmétodosrestritivos, usadosempiricamente pela população,que alegaeficiência emsuaaplicação,porémcarecem comprovação de científica: do alho nasjanelase portasdas casas, junto aos animaisdomésticosou em volta deferidas provocadas morcegos por hematófagos. Uso de asa de gavião ou cauda de raposa penduradas currais. em Uso de garrafas vazias emborcadas, penduradas currais,próximasaosanimais. em Uso de óleo queimado no madeiramento habitações, de nos poleiros ou nas mordeduras provocadas morcegos por hematófagos animais. nos VI.5.1.2. MétodosSeletivos Indiretos o controle é realizado atravésdo uso de substâncias químicas anticoagulantes, usadasnos animaissugados. Sãométodosque buscamo controledo morcegohematófago Desmodusrotundus,sem manter contatofísico, e estãobaseados conhecimento comportamento ataque no do de destaespécie: a) hábito de utilizar da mesmapresa por mais de uma noite seguida (anticoagulantevia intrarruminal ou via intramuscular); b) hábito de utilizar o mesmo ferimento por mais de uma noite seguida (anticoagulantes tópicos);

VI.S.I.2.1. Uso Desvantagens:

c) hábito de, freqüentemente, aproximar-se pousando dorso do animal (anticoagulante no via "pour-on", segundo Delpietro e colaboradores, 1991). São métodos altamente específicose seletivos, pois eliminam apenas os morcegos que -estariamse alimentandonos animaisdomésticos, preservando assimaquelesque se mantêmsobre os animaissilvestres. VI.5.1.2.1.1.-Anticoagulantelntrarruminal ~ste método consistia na aplicação intrarruminal, em bovídeos, da difenadiona {2(difenilacetil)-1,3-indadiona}. Uma vez aplicado,o produtomantinhaum nível sérico,pelo períodode 72 horas,suficienteparaeliminar os morcegos hematófagos por venturaviessema sugaro animal que tratado.Essemétodonão se encontraatualmente disponívelno Brasil.

Vantagens:
-ecologicamente correto -não apresentarisco à saúde humana -alta eficiência

Desvantagens:
-dificuldade de aplicação -pouca aplicabilidadeem rebanhosextensivospela dificuldade de observação dos animais sugados -restrito aosbovídeos,não podendoserutilizado emeqüídeos suínos e -não pode serrepetidoo tratamento antesde decorridos30 dias da última aplicação -não aplicávelnos 30 dias que antecedem abate o -necessidade de treinamentoaltamente específico -custo elevado
-Anticoagulante Intramuscular

Estemétodoconsistiana aplicaçãointramuscular,em bovídeosrecém-sugados morcegos por hematófagos, da Warfarina sódica {3-(alfa-fenilo-beta-acetilo-etilo)-4-hidroxicumarina} e, atualmente, se encontradisponívelno Brasil. não

Vantagens:
-ecologicamente correto -baixo risco à saúde humana -alta eficiência -custo menor que o método anterior

-pouca aplicabilidadeem rebanhosextensivospela dificuldade de observação dos animais sugados -uso restrito aosbovídeos,nãodevendoserutilizado emeqüídeos suínos e -não deve serutilizado emanimaiscom menosde três meses idade de -repetição emperíodonão inferior a 90 diasda última aplicaçãodo produto -não aplicávelnos 30 diasque antecedem abate o VI.5.1.2.1.3.-AnticoagulanteTópico emMordeduras Estemétodoconsistena aplicaçãoda Warfarina a 2%, veiculadaem vaselinasólida, sobreas feridas recentes causadas pelos morcegoshematófagos animaisde criação. Apesarde ser o único em métodoseletivo disponívelatUalmente Brasil, empoucasregiõestemsido aplicado. no 91

antagens:

VI.5.1.2.

Vantagens:
-ecologicamente correto -baixo risco à saúdehumana -boa eficiência -facilidade na aplicaçãodo produto -não requertreinamento específico -baixo custo emrelaçãoaosmétodosanteriores

Desvantagens:
-pouca aplicabilidade em rebanhos extensivos pela dificuldade de observação dos animais

sugados
VI.5.1.2.1.4.-AnticoagulanteTópico "Pour-on" Este método consiste em passara Warfarina, veiculada numa mistura oleosa, no pescoço, dorso e lombo dos animaisque, provavelmente,seriamos mais atacados rebanho.O método foi do propostopara bovídeos,eqüídeos, caprinose suínospor Delpietro e seuscolaboradores (1991), que indicaramuma diminuição na taxa de ataquede 90% em bovídeos,94% em eqüídeose 100% em caprinos e suínos. Considerando eficiência relatadapelos autores,o presentemétodo deveria ser a testadoemnossas condições. Observação: Lamenta-se a indisponibilidade dos métodos injetáveis (intrarruminal e intramuscular)que, em determinadas situaçõese regiõesbrasileiras,poderiamser as mais indicadas aosórgãosoficiais no controledaspopulações morcegos de hematófagos.

VI.5.1.2.2. Direto
o método buscao controle das populações Desmodusrotundus,atravésda captura e do de tratamentotópico, com produtos à base de anticoagulantes, indivíduos capturados.O morcego, dos uma vez tratado,serásolto para retomar ao abrigo e impregnarseuscompanheiros, que irão morrer apósa ingestãodo produto. VI.5.1.2.2.1.AnticoagulanteTópico emMorcegos Este método consiste na captura de Desmodus rotundus e seu pincelamento com anticoagulante basede Warfarina, veiculadaemvaselinasólida. A técnicade pincelamentoda pasta à vampiricida deve serrealizadacom critério, para evitartranstornos como: a) Excessode pasta,que podeprejudicaro vôo, matandomais rapidamente morcegotratado o e reduzindoo contato com outros membrosda sua colônia, e o conseqüente despejarde maior quantidade pastano meio ambiente. de b) Desperdíciode pastacom o tratamentode númeroexcessivode morcegosde uma mesma colônia,novamente despejando maiorquantidade pastano meio ambiente(por exemplo, de numacolônia de 100 indivíduosnão há necessidade se tratarmais do que 10 morcegos). de

Vantagens:
-eficiente -resposta rápidado método

Desvantagens:
-ecologicamente incorreto -alto risco à saúdehumana -necesssidade de treinamento específico -alto custo

92

Observação: Atualmente, é o método mais utilizado no Brasil, apesar de não haver disponibilidade de pasta na concentração adequada %). A maioria dos técnicos tem feito uso da (1 pastavampiricida comercial,que é indicada,especificamente, uso em mordeduras. para

Fig. V1.18. Um Desmodusrotundusrecebendo uma pequenaporção da pastavampiricida no dorso (Método de Controle SeletivoDireto). Após, o morcegotratadoserásolto pararetomarao abrigo e impregnarseuscompanheiros. Vários delesirão morrer com a ingestãoda pastavampiricida.(Foto: W. Uieda)

Fig. VI.l9. Um Desmodusrotundu,ç morto em seuabrigo diurno. Este morcego havia sido tratado com a pasta vampiricida e deve ter contaminadovários de seuscompanheiros. morcego morreu devido à hemorragia interna e é O possivelver manchas sangue paredeemque seencontra de na pendurado. (Foto: W. Uieda)

93

VI.6. Leituras Adicionais Recomendadas
DELPIETRO, H.A; RUSSO, G.; ALLI, C.; PATIRE, J. Una nneva forma de combatir vampiros. VeterinariaArgentina, [s.l.], v.S, n.77, p.455-463,1991.
GREENHALL, A.M.; SCHMIDT, U. Natural history of vampire bats. Florida

CRCPress,1988.

246p.
PICCININI, R. S. Controle de morcegoshematófagos: análisee discussão dos métodosexistentes. Boletim de DefesaSanitária Animal, Brasília,v.16, n.1-4,p.116-157,1982. SCHMIDT, U. Vampirfledermiíuse:familie Oesmodontidae (Chiroptera). A. ZimsenVerlag, 1978. 99p. Wittenberg Lutherstadt

TURNER, O.C. The vampirebat: a field study in behaviorand ecology. Baltimore: JohnHopkins UniversityPress,1975. 145p. UIEDA, W. Aspectos do comportamentoa/imentllr das três espéciesde morcegos hematófagos (Chiroptera, Phy//ostomidae).Campinas,1982.Dissertação(Mestrado)-Instituto de Biologia, UniversidadeEstadual Campinas. de UIEDA, W. Comportamento alimentar de morcegos hematófagos ao atacar aves, caprinos e suínos, em condiçõesde cativeiro. Campinas,1994. Tese (Doutorado)-Instituto de Biologia, UniversidadeEstadual Campinas. de
WILKINSON, G.S.

sharingin vampirebats. Scientific American, New York, v.262, n.2, p.64-

70, 1990.

94

VII -Métodos de Captura de Morcegos
VII.I. Introdução
No desenvolvimento atividadesrelativasa morcegos,deve-seconsiderara diversidadede de espéciesexistentese seus aspectos bioecológicos.Além disso, todas as espéciesde morcegos,não somente as hematófagas,podem transmitir o vírus rábico aos mamíferos em geral, inclusive ao homem. Devemos, ainda, lembrar que os morcegos são animais silvestres da fauna brasileira e, portanto,são protegidospela Lei no. 5.197 de 3 de janeiro de 1967, IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).Dessa maneira é importante estabelecer objetivosclarosparaa realização capturas:qualespécie por que capturar. das e Devemosenfatizarque ascapturasdevemserrealizadas: 1. por órgãosoficiais competentes; 2. por profissionais especializados, submetidos devidamente ao tratamento anti-rábico (préexposição) comresposta e imunogênica satisfatória. 3. com a autorização IBAMA, atravésda Portarian° 332 de 13 de março de 1990, que fornece a do LicençaparaColetade Material Zoológico.

VII.2. Materiais e Equipamentos
Cada equipe que realiza esse tipo de trabalho deve dispor dos seguintes materiais (em quantidades necessárias cadaintegrante): para

VII.2.i. Equipamentos Proteção de Individual (EPI)
-2 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 macacões em brim par de botas de borracha, cano longo lanterna a bateria, de longo alcance, a prova d'água par de luvas de raspa de couro, cano longo máscara semi-facial com filtro de carvão ativado par de óculos de proteção capa de chuva capacete com fixador regulável caixa de primeiros socorros (ácido pícrico, solução fisiológica, iodo ou mercúrio, repelente para insetos, esparadrapo, gaze, faixas de algodão)

VII.2.2. Equipamentos de U~oTécnico a) 5 redes-de-espera, "mist nets", com malhaspequenas,em tomo de 2cm, em fios de tipo náilon. As redes são encontradasem vários tamanhos,porém as mais freqüentementeutilizadas variam entre 6 e 12m de comprimentopor 2 m de altura, e dispõem,no seusentido longitudinal, de cordõesou fios de reforço, que nasextremidades formamuma espéciede laço para a fixação da rede nasestacas. b) 2 puçás,ou coador, com rede de náilon ou algodão,com malha inferior a 2cm, medindo 0,45 m de diâmetroe 0,85mde profundidade comcaboquepermitao encaixede estacas. e c) 20 estacas alumínio, madeira,tubos de PVC ou outros materiaisrígidos, com encaixes de em uma das extremidades, possibilitandoestendera(s) rede(s)na altura desejada.Cada estacatem, aproximadamente, 1,5mde comprimento diâmetroinferior a 3cm para facilitar o seutransporte. e
95

d) recipientes para acomodar transportar ou morcegos: .10 sacosde pano de algodão, com aproximadamente 0,3Omde largura por 0,35m de comprimento, provido de cordãopara amarrara boca .2 samburás gaiolas,commalhade alumínionão superiora 1cm ou .1 lata ou baldede 18 litros, mesmosemtampa,usadopara acomodar molossídeos e) 2 frascosde pastaanticoagulante paramorcegos hematófagos Desmodus rotundus t) 50 espátulas descartáveis madeira de

Fig.VlI.l. Partedo equipamento necessário para se capturarmorcegos.A gaiola em tela de arameé normalmente utilizada para acomodare/ou transportarmorcegoshematófagos. sacosde algodão são usadospara qualquertipo de Os morcego.Um cuidado especial deve serdadoao Phyllostomus hastatus, consegue que mastigare furar esses sacos.A lata de 18 litros é usadaapenas paramorcegos insetívorosda Família Molossidae. (Foto: R. Barroso)

VII.2.3. Equipamentos de Apoio a) 1 pinça reta,de pontaromba,com30cmde comprimento h) 1 lampiãoa gás c) 1 facão combainhade couro d) 1 rolo de barbante e) 1 corda em náilontipo persianacom20m f) 1 rolo de fita adesiva g) 1 mochila emlona impermeável VII.3. Métodos de Captura Paraque possamosaumentar eficiência de uma captura é necessário a que a equipe chegue com antecedência local, para melhor planejara estratégia ação como, por exemplo, prever os ao de equipamentos seremutilizados,suaquantidade o métodomaisadequado a e paraa situação.
96

VII.3.!. Captura Manual
Esse método é utilizado, principalmente,em locais onde os morcegos ficam alojados em pequenasfrestas (cumeeiras, beirais, rofos, pedras, etc). Em algumas situações, utiliza-se de instrollit;lltos flexíveis (tipo arame),que possibilite desalojar morcegosde seuabrigo. A capturase os faz com o auxílio de pinça e/oucoma mãoprotegidapor luva.

VII.3.2. Captura comPuçáou Coador
Essemétodoé empregado para capturarmorcegosem seusabrigosdiurnos (cavernas, minas, bueiros,sótãos,em folhagens,etc.) ou quandoabandonam abrigo para a atividade alimentar(ocoso de-árvore, juntas de dilatação,frestasde edificações, etc). Em algumassituações, faz-se necessário encaixarestacas cabo do puçá para alcançaros no morcegos. Agilidade e precisão são fatores extremamente importantesna utilização do puçá. A sua manobradeveráserrápida.commovimentoslevese ligeiros.

VII.3.3. Captura comRedes-de-Espera
Essemétodoé utilizado para capturarmorcegosem abrigos (cavernas,edificações,bueiros, etc.), fontes de alimentação (currais, casas,chiqueiros,galinheiros,árvores,cursos d'água, etc.) e rotas de vôo (clareiras,trilhas, estradas, cursosd'água,etc.). As redes devem ser afixadas em estacas pelos cordõeslongitudinais ou "guias", geralmente em númerode quatrode cadalado. Esses cordõesdevemficar esticados as malhassoltas,formando e bolsas,ondeos morcegos,apósse chocarem contraa rede, ficam emaranhados. as malhasficarem Se muito esticadas a rede funcionará apenascomo anteparo, não permitindo o enredamentodos morcegos.

Fig.VlI.2. Redes-de-espera estendidas com auxilio de estacas alumínio. Note-seque as redes armadasestão de formando bolsas,que sãoimportantes parao emaranhamento morcegos. dos (Foto:A. Bredt)

<)7

As redes devemestararmadasao entardecer (para a capturade morcegosinsetívoros)ou no início da noite (para as demais espécies).E a partir daí são realizadasvistorias a cada 15 minutos. Quantomais rapidamente morcegofor detectado, o mais fácil toma-sesuaremoçãoe menoressão os danoscausados animal e à rede. Os morcegos,com exceçãodas espécies ao hematófagas, costumam danificar a redeporquepossuem hábitode mastigaros alimentosa seremingeridos.Por essemotivo, o devemserretiradosde imediato. Verificar o lado por ondeo morcegoentrouna redesemprefacilita a suaretirada. Ao término da captura,antesde desarmar rede, removerinsetos,folhas, gravetos,etc. Redes a úmidas ou danificadas devem ser esticadasà sombra no dia seguinte,para que sequemou sejam consertadas (com fio da mesmaespessura). Utilização de RedesemÁreasUrbanas Os morcegos são comumente encontradosem edificações ou em árvores. Observações prévias, feitas em noites anteriores,são muito valiosas para o êxito da captura, pois auxiliam na escolhado horário, do local, da alturae quantidade redesa seremarmadas. de Nos ambientes urbanos toma-se, muitas vezes, difícil a fixação das estacas nos pisos pavimentados. Dessemodo podemosutilizar latas de 18 litros (tipo lata de tinta), preenchidascom argalQassa cimento e com um orifício no centro,permitindo o encaixeda estaca.Em fachadasdeprédios de que alojam morcegosnos elementos decorativos,as redes podem ser armadasem cordas de náilon (tipo persiana),que correm por roldanasfixadas nas extremidades dois caibros, que são de apoiados telhadodo prédio. no

Fig.VlI.3. Rede-de-espera estendida quintal de uma residênciade área urbana,para capturarmorcegosque se no abrigavam forro. Um cuidadoespecialdeve serdadoquandohá animaisde estimação proximidades. no nas Note-seque um gato encontra-se cima do muro à espera poderabocanhar em de morcegos que seencontram enredados. (Foto:W. Uieda)

VII.3.3.2. Utilização de RedesemAreasRurais Apesarda grandediversidade morcegos de existentes ambientes nos naturais,apenas espécie a hematófagaDesmodusrotundus será mencionadapela sua importância econômicae interesse em saúdepública.Essaespécie pode sercapturada seusabrigosoujunto à suafonte de alimento. em
98

Abrigos utilizados por morcegoshematófagos facilmente identificadospela presençade são fezespastosas, escuras com odorcaracterístico pela observação mesmos. e ou dos Uma vez definido o abrigo, é importanteconhecer possíveisentradas as e/ousaídaspor ondetransitamos morcegose, em seguida,definir o local ondeserãoarmadas redes. as A realização de capturasde Desmodusrotundusjunto à sua fonte de alimento (currais, galinheiros,chiqueiros,casas,etc.) deve ser precedidade uma criteriosa avaliaçãoda localizaçãoda propriedade, da espécie animal sugada, do número de animais ou pessoas que vêm sendo freqüentemente sugados,da periodicidadedas agressões, fase da lua vigente e do lado de onde, da presumivelmente, morcegosdevemchegar os parase alimentarem. Para que essascondiçõessejamobservadas, imprescindívelque se chegueao local com o é tempo de antecedênciasuficiente para a realização do trabalho, como já foi mencionado anteriormente. As redes deverão ser armadasnos lados pelos quais os morcegosprovavelmentechegarão para sugaros animais,geralmentevoltadaspara locais com formaçõesrochosas,rios, vales, matas, etc. Isto não exclui a possibilidade os morcegoschegarem outroslocais. de por Os locais onde serão instaladasas redes devem ser previamentelimpos de raízes, galhos, folhas,pedras,etc, para evitar que danifiquemas redes.Essalimpezadeve ocorrernumafaixa de dois metrosde largura e em todo o sentido longitudinalda rede, sendoa rede armadaao centro, ficando, aproximadamente, metro de árealimpa de cadalado. As redes devemser armadas um pelo menosa dois metrosde distânciadascercas,estando parte inferior da redepróxima ao solo, porém, semtocáa 10. Dependendoda situação encontrada,como tipo de cerca, vegetaçãoarbustiva próxima, solo enlameado, pedrase outros obstáculos, redespoderiamser armadas as mais elevadas, porque nessas condiçõesos morcegoshematófagos voam mais alto. Se necessário, podemser armadasduas redes, uma sobrea outra,duplicandoa superfícieda captura. Antes do anoitecer, é preciso ter cuidado com redes armadas em currais, chiqueiros, galinheiros,etc., a fim de que avesdomésticas, cãese gatosnão a danifiquem.Um cuidadoque pode sertomadonessas condiçõesé deixara redeerguida,abaixando-a somente apóso anoitecer. VII.3.4. Alguns Cuidados no Manuseio dos Morcegos 1) O técnicodeveráestarsemprecomuma dasmãoscalçadacomluva, possibilitandocontero animal,e a outra munidade pinça,para desemaranhar animalda rede ou puçá. o 2) Uma vez removidos, os morcegosdeverão ser colocadosnos recipientes apropriados, identificados,e, ao final da captura,soltos ou entãotransportados para o laboratório.Nunca colocar na mesma gaiola morcegos hematófagos e não hematófagos, pois existe o risco de Desmodus rotundusatacarasdemaisespécies. Realizar capturas de morcegosdependemuito mais do bom sensodo técnico do que de técnicas preestabelecidas que não se adaptemà situação encontrada.

VII.3.5. LeiturasAdicionaisRecomendadas
KUNZ, T.H.; KURTA, A. Capturemethodsand holding devices.In: KUNZ, T.H. (Ed.) Ecological and behavioral methods for lhe study of bats.Washington: SmithsonianInstitute Press,1988. 533p. PICCININI, R.S. Métodos de coleta, preparaçãoe conservação morcegos.Boletim de Defesa de Sanitária Animal, Brasília,v.13, n.1-4,p.106-125,1979.
99

VII.4. Preservaçãode Morcegos para Coleções Didáticas e Zoológicas VII.4.1. Objetivos
As Instituições responsáveispelo controle da raiva animal deveriam possuir alguns exemplares morcegos, de como umapequena COLEÇÃO DIDÁTICA. Estacoleção,bempreparada, é um excelentematerial para orientaçãoda populaçãoleiga em geral e de pecuaristas, identificação na de morcegos. A identificação correta evitaria a eliminação desnecessária muitas espéciesde de morcegos,a maioria delasúteis à naturezae ao próprio homem.Por outro lado, o bom sensodiz que não devemosexagerarno tamanho e no número dessascoleções.Recomendamos utilização de a somenteespécies comuns(abundantes) nessas coleções, pois são as mais freqüentemente encontradas pela pessoas. Como orientação,sugerimosconsultar a ficha técnica das espéciesdos morcegosno capítuloV. Apresentamos,aqui, informaçõesbásicas sobre como montar coleções de morcegos, não somente com finalidades didáticas como também zoológicas. Ressaltamosque não estamos incentivandoas pessoas possuírem a coleções particulares, uma vez que isto é proibido por lei.

VlI.4.2. Métodos Preparação Coleções de de
Os dois métodosde preservação morcegos,aqui apresentados, de podem ser utilizados tanto para finalidadesdidáticascomo para as zoológicas.A escolhade um ou de outro método dependerá, basicamente, das necessidades possibilidadesde cada pessoaou instituição. A preservação"via e seca"é um métodomais trabalhosoe depende experiênciade cada um em práticasde taxidermia, da uma vez que as dimensões corpo podemsermodificadasnum animal mal taxidermizado.Por outro do lado, o seu transporte de um local para outro é facilitado, não requerendomaiores cuidados. A preservação "via úmida" é um métodomais fácil e mais rápido.Estemétodopreservaas dimensões do animal e não deformasua aparência; contudo, seutransporteé mais difícil, uma vez que necessita de recipie~!~sapropriadose herméticospara evitar transtornosdurantea viagem como, por exemplo, vazamento líquido. de Os animais devem ser anestesiados mortos em recipientescontendochumaçosde algodão e embebidosem éter comercial ou clorofórmio. Um modo prático de sacrificar morcegos é torcer lateralmenteseupescoço,com auxílio de alicatede pontafina, quebrando vértebrascervicais.Neste as último processo, morte é quaseinstantânea, a quandobemexecutada. Os dois métodosde preservação morcegos a seguirexplicados: de são VII.4.2.1. Por Via Seca Através de uma incisão abdominal,da genitália à basedo tórax, retira-sea pele do morcego, utilizando-seda práticatradicional emtaxidermia. A pele deve ser revestida,internamente, uma camadade ácido bórico (esta substânciaé por altamentetóxica, devendo-seevitar o contato prolongado com a nossa pele). Em seguida, a pele "tratada"deve serpreenchidacom algodão,tomando-se cuidadode manteras dimensões corporais.A incisão abdominaldeve sercosturada com agulhae linha. Com um chumaçoembebidoemformalina a 10% procura-seumedecer ao mesmotempo, fixar as partesmembranosas, e, permitindo sua melhor preservação. morcegotaxidermizadodeve ser colocado em decúbito ventral, sobre uma placa de O isopor, mantendodistendidasas orelhase as membranas alares,com auxílio de alfinetes de costura, até atingirema rigideznecessária. Tal preparação, todavia, não é aconselhável para a preservação todos os morcegos,uma de vez que as partesmembranosas sofremintensoressecamento, permitindo a realizaçãode medidas não posteriores. Estemétodoé ideal quandose pretende estudara coloraçãodaspelagens corpo. do 100

Na preparação crânio,a musculatura do deve serretiradacomauxílio de pequenos bisturis, e a massaencefálica,como uso de estiletese pinçasde ponta bemfina (pinçasde relojoeiros),atravésde forame magno. Após esta preparaçãopreliminar, os crânios devem ser mergulhados em água oxigenada20 volumes, por um período de 16 a 20 horase, em seguida,colocadosa secar. A água oxigenadadetermina um maior clareamentodos ossos, além de facilitar a remoção de restos de músculose manchas sangue. de Um método de preparaçãode interesseapenasdidático é a MUMIFICAÇÃO, que é uma misturados dois métodosaquidescritos.Na mumificaçãoutiliza-se um morcegoanteriormente fixado por via \Ímida (descritono item posterior).Comuma tesourade pontafina faz-seuma incisãona pele, da genitália à basedo tórax, rebate-se pele e retiram-seapenas vísceras.Em seguida,preenche-se a as a cavidadeabdominalcom algodãoe costura-se com agulhae linha comum. A retiradadasvíscerasé necessária porque,quandomal fixadas,apodrecem facilmente,podendo-se perdertodo o trabalho.

Fig.VlI.4. Morcego insetívoropreparado via secapara serusadoemcoleções por didáticas.(Foto: W. Uieda)

VII.4.2.2. Por Via Úmida Depois de seremsacrificados,os morcegosdevem ser mergulhadosem álcool a 70%, por cerca de 5 minutos, para retirar a oleosidadedos pêlos e da pele. Com auXIlio de pinça, mexer levemente pêlos,de modo a retirarbolhasde ar. nos Pequenos pedaços cortiça, palitos ou gravetosdevemsercolocados boca dos morcegos, de na de modo a manteros maxilaresafastados. Esteprocedimento facilitará o exameposteriorda dentição, durante a identificação do animal, através das chaves dicotômicasde identificação das espécies. Fixados dessaforma, os morcegospodem adquirir um aspecto"assustador", principalmentequando colocadosem exposições públicas para pessoas leigas. Para evitar isso, pode-sefixar os morcegos com a hoca fechadae quandofor necessário examinarseusdentes,é possívelextrair o crânio inteiro pela aberturaoral, rebatendo pelefacial. a

101

A fixação deve ser feita em formalina a 10%, injetadaproporcionalmente pesodo animal. ao Deve-seinjetar principalmentenas vísceras,pois estesórgãossão os primeiros a apodrecere, com isto, os pêlosdo dorsoe do abdômen começam cair, danificandoo materialque se querpreservar. a Para facilitar as medidase homogeneizar coleção,os morcegosdevem ser montadosem a posição adequada, utilizando-se,para isto, recipientesplásticos ou bandejasde alumínio, com fundo recobertopor uma camada parafinae cera (2cmde espessura), de paraa fixação de alfinetes. Os morcegosdevemser colocadosem decúbitodorsal sobre a placa e os antebraços fixados com auxílio de alfinetes entomológicosou, na falta destes,de alfinetes de costura, colocados no ângulo interno, formado pelo antebraço metacarpos. e Através daspatasposteriores,imprime-seleve tração DO sentidoântero-posterior, modo a determinarum pequenolevantamento região anterior, de da fixando-seos membrosposteriorescom alfinetescolocadosentre os ossosmetatarsianos, tomando-se o cuidado de manter o uropotágio estendido.Pode-se,também, colocar um pequeno chumaço de algodão("travesseiro")entre a cabeçae a camadade parafinae cera,de modo a evitar que as orelhas fiquem com seu formato alterado pelo contato com o substrato.Os dedos das asas devem estar dispostos lateralmenteao corpo e presos com a ajuda de alfinetes colocados no dactilopatágio, próximo à 3&falangedo 30dedo.Dobraros polegares junto ao antebraço, prendendo-os com alfinetes. Uma vez montados,os morcegosdevemsercobertospor formalina a 10% e o recipiente, em seguida,fechado.O tempo de imersãovaria de acordo com o enrijecimentopretendido.Um período de imersão de, aproximadamente, horas ofereceresultadosatisfatóriopara exemplarescom peso 60 entre 50 e 70g. Paramorcegosmenores,com pesoentre 10 e 20g, utiliza-se um tempo de imersãoao redor de 30 horas. Os temposde imersãoacima citadosforam recomendados Vizotto & Taddei por (1973) e tomamos morcegosfixados muito rígidos.Nessas condições, podemosquebraralgunsossos, principalmenteos dasasas,durantea manuseio.Por essemotivo, períodosde tempomaiores,variando entre uma semana(morcegospequenos,com menosde 20g de peso)e duas semanas (aquelescom mais de 20g), poderiam ser utilizados. Após a fixação, os morcegos devem ser lavados em água corrente por cerca de uma hora e, posteriormente, mergulhadosem álcool a 70%, em recipientesde vidro, com tampa de plástico rígido. Os morcegoscolocadosnos vidros não devem receber, em hipótesealguma,luz solar direta, pois seuspêlos perdema cor rapidamente. Paraboa qualidadedessa coleção~ugerimos os vidros contendomorcegossejammantidosemestantes que com cortina. Para se estudar as características cranianasde um animal preservadoem álcool, deve-se procederà retirada do crânio, atravésda aberturaoral, por rebatimentoda pele. Para a limpeza do crânio utiliza-se a técnica já preconizada.Este procedimentoé vantajoso, dada a preservaçãodo animal em álcool, permitindo a flexibilidade das articulaçõese das porções membranosas, sem a inconveniência dessecação. de Sãode grandeimportânciaos dadosrelativosà catalogação morcegospreservados, de pelese crânios, quanto ao número de identificação, procedência,coletor, data de captura, identificação e demaisinformações,principalmenteas referentes ecologia.Recomendamos cada exemplarseja à que acompanhado uma ficha comos dadosmencionados. de

102

Fig.VII.5. Uma coleçãode diversostipos de morcegos, preparados via úmida. (Foto: W. Uieda). por

VII.4.3. LeiturasAdicionaisRecomendadas
HANDLEY JR., C. O. Specimenpreparation.In: KUNZ, T.H. (Ed.) Ecological and behavioral methodsforthe study ofbals. Washington: Smithsonian Institute Press, 1988. 533p. p.437-458 PICCININI, R. S. Métodos de coleta, preparação conservação morcegos. Boletim de Defesa e de Sanitária Animal, Brasília,v.13, n.1-4, p.106-125,1979. VIZOTfO, L.D.; TADDEI, V.A. Chave para determinaçãode quirópteros brasileiros. Revista Faculdade Filosofia Ciências e Letras de SãoJoséRio Preto, Boletim de Ciências,v.l, p.l- 72,

1973.

103

As práticasde Educaçãoe Comunicação pressupõem homemcomo sujeito de um processo o de intervençãopara construiruma realidadeque contempleo usufruto de melhorescondiçõesde vida. Esta concepçãoconsideraas relaçõesentre o homem e o meio em que vive, nos aspectos epidemiológicos, sócio-econômicos, político, cultural e ecológico. A Organização Pan-Americana Saúdedefine a educação saúdecomo "o processopelo de em qual pessoas gruposde pessoas ou aprendem promover,manterou restaurara saúde".Nestesentido, a é necessário nos métodose técnicasempregados que sejamconsideradas formas atravésdas quais as as pessoasmoldam sua conduta, os fatores que as induzem a conservar ou modificar os hábitos adquiridose a maneiracomo adquireme utilizam seusconhecimentos. Assim, a educaçãoem saúde deve,inicialmente,considerar pessoas como sãoe o interesse as tais que possamter em melhorarsuas condiçõesde vida. Seuobjetivo é o desenvolvimento, indivíduo, de um sentidode responsabilidade no para com a saúde. A proximidade entre o homem e o morcego, nos espaçosurbanos e rurais, deve ser compreendida comoparteintegrantede um contextomais amplo de organização meio ambienteem do transformação, considerando-se dinâmicados fatores e processos a produtivos que sobreeste atuam. As doençasaparecem, então,como resultadodas novas regrasde interaçãoentre as espéciesvivas, estabelecidas partir do rompimentodo equilíbrio ecológico. a Há centenas milharesde anos,os morcegos ocupavam de já muitos dos espaços hoje, como de parte integrante de um complexo sistema de interrelaçõesque determinavaa multiplicação ou o recrudescimento uma espécie. de o desenvolvimento econômicodo continenteestabeleceu alterações ambientaisdeterminadas, em grandemedida,pela substituiçãoda coberturanativa, que cedeulugar aos espaços exploração de agropecuária, com a introduçãode espécies animaise vegetaisexóticas. Notadamente,os avançostecnológicosa serviço da produção permitiram uma exploração, cada vez mais intensa, dos animais domésticos e da agricultura, concentrando, em espaços relativamentereduzidos,uma enormeoferta de alimentoe de novos tipos de abrigo, proporcionando às populações morcegosuma oportunidade crescimentosemprecedentes. de de Iniciou-se, então, um processo estreitaconvivênciaentreo homeme o morcego. de Os prejuízos econômicos ocasionadospelos morcegos em alguns tipos de exploração, determinaram implantaçãode medidasde controleindiscriminadas, se mostraramextremamante a que danosasao meio ambiente,à própria produçãoe à saúdepública. Em Curaçao,no Caribe, onde os morcegosforam caçadose quaseextintos, a produçãode frutas reduziu-seem até 90%, por falta de polinização,e em decorrência proliferaçãode insetostidos como pragas.O incrementodo número da de insetosproporcionou,também,um aumentodo risco de disseminação doenças das transmitidaspor vetores. A utilização apropriadado conhecimento hoje disponívelacercada biologia, da etologia e da ecologiados morcegos pode permitir uma reduçãodos aspectos negativose a exploraçãodos aspectos positivo,o; que sua proximidade pode oferecer. A adaptaçãoe transmissãodeste conhecimentoà sociedade,como resultado de um processo interativo, permitirá o alcance de uma convivência harmônica entre homense morcegos,evitando os prejuízos ocasionados pelos erros cometidos no passado. Para a efetividade das açõesde Educaçãoe Comunicaçãoem Saúde voltadas às doenças transmitidaspelos morcegose, em particular, à raiva, é necessário estabelecimento uma estreita o de 105

relaçãoentre a populaçãoe os serviçosde saúde,na produçãoe difusão do conhecimento, visando à adoçãode medidasde prevenção controle. e A relaçãode troca de informações(saberpopulare sabertécnico) entre a comunidadee os serviçosde saúderepresenta uma parceriaimportanteenquantoprocessoeducativoe de intervenção na realidadea ser trabalhada.Caberáà equipe de saúdeou ao coordenador processoeducativo, do potencializar essarelação no sentido de buscaruma ação coletiva organizadapara o controle e a prevençãode doenças, especialmente raiva. O processo da inicia-secom uma avaliaçãoda ocorrência da doencano espaçode atuação.O levantamento situaçãopressupõe conhecimento realidade da o da epidemiológicada doença,seguidoda identificaçãode fatores de risco para o homeme os animais, incluindo a identificaçãodos locais nos quais têm sido encontrados morcegose o mapeamento dos seusabrigos. Em seguida,a situaçãoencontrada discutida com a comunidade, é gerandosubsídiospara o planejamentodas atividades de intervenção a serem implantadas.Durante a discussão,deve-se observar: a) a identificaçãoe a análisecrítica dos aspectos relacionados crendices,lendas,mitos e às folclore associados morcegos; aos b) a compreensãodos aspectosrelacionadosà biologia dos morcegos, considerandoas espécies identificadas(como vivem, como se relacionamcom o homeme com os animais,suafunção ecológica,etc.); c) a identificação dos fatores ambientais,econômicos,sociais e culturais que favorecema multiplicaçãodos morcegos; d) o relacionamento espécies morcegoscom a ocorrênciade casosde raiva e de outras das de doenças, compreendendo como se dá a suatransmissão. o planejamentodas açõesde educaçãoem saúde devem consideraros objetivos a serem alcançadosem uma escalade prioridades,tendo em vista as particularidades locais e definindo os materié1i~ didáticose instrucionaisa seremproduzidos,bem como a suadivulgação,uma vez definida a mídia a ser envolvida no âmbito local. O detalhamentodas atividades,terefas e processosde trabalho permitirá identificar as responsabilidades determinar as atribuições que cabem a cada e instância. Além disso, definem-se durante o planejamento os recursos necessários(humanos, financeirose materiais)segundosuasfontese finalidades,as necessidades capacitação recursos de de humanos, serviçose da comunidade. dos Nestesentido,é importantea buscade gruposcom potencial, conhecimentos habilidadesque facilitem a açãoeducativa. e A execuçãodas açõesrequerem habilidades coordenador: se podemperderde vista os do não objetivos a atingir. A comunidade,enquantosujeito do processo,deve participar ativamente.Todo trabalho de acompanhamento controle efetivo das ações realizadas requer o cumprimento das e responsabilidades cadainstãncia,sendonecessário estabelecimento um fluxo de informações de o de sobre o processode trabalho, grau de dificuldade do seudesenvolvimento, avançose etapasa serem executadas, permitindo uma constanteavaliação.A avaliaçãocontínua do processode educação, compartilhadaentre a populaçãoe os serviços de saúde,possibilitará a identificação do nível de envolvimento das instituições, segmentos sociais e da populaçãode um modo geral, garantindo a implantaçãodos ajustesnecessários suaefetividade. à

106

IX. Anexos
IX.I. Infonnações Adicionais
Os Profissionais abaixo dispuseram-se fornecer, na medida do possível, informações a adicionaisàs existentes presente no manual. ANGELIKA BREDT -Brasília, DF Gerênciade Controlede Zoonoses, ~Ã1stituto Saúdedo Distrito Federal de SAIN Estradado Contornodo Bosque,lote 4 70620-000Brasília, DF Fone: (061) 223 8628/2269336 Fax: (061) 2264813 FRANCISCO ANILTON ALVES ARAÚJO -Brasília, DF Coordenação Nacionalde Controlede Zoonoses Animais Peçonhentos e Fundação Nacionalde Saúde SAS -Q. 04 -Bloco N 60 andar -sala 629 70.058-000-Brasília, DF Fone: (061)225. 4472 FAX: (061)321. 0544 MARISA CARDOSO -Botucatu, SP Pós-Graduação Zoologia,Depto.Zoologia, Inst. Biociências em UniversidadeEstadual Paulista-UNESP 18618-000BOTUCATU, SP Fone: (014)821 2121, ramal2268 Fax: (014)821 3744 MIRIAM MARTOS SODRÉ SILVA -São Paulo,SP Centrode Controlede Zoonoses-CCZ Prefeiturado Município de SãoPaulo Rua SantaEulália, n° 86, Carandiru 02031-020SãoPaulo,SP Fone: (011) 2909755, ramal 25 Fax: (011) 299 9823 MIRIAM MITSUE DA Y ASm -Botucatu, SP Pós-Graduação Zoologia,Depto.Zoologia,Inst. Biociências em UniversidadeEstadualPaulista-UNESP 18618-000BOTUCATU, SP. Fone: (014)821 2121,ramal 2268 Fax: (014) 8213744 NECIRA MARIA DOS SANTOS HARMANI -São Paulo,SP Centrode Controlede Zoonoses -CCZ Prefeiturado Município de SãoPaulo Rua SantaEulália, n° 86, Carandiru 02031-010SãoPaulo, SP Fone: (011) 290 9755, ramal 25 Fax: (011) 299 9823
107

PÉRICLES NORIMITSU TEIXEIRA MASSUNAGA .Brasília, DF Gerênciade Controlede Zoonoses Instituto de Saúdedo Distrito Federal SAIN Estradado Contornodo Bosque,lote 4 70.620-000Brasília, DF Fone: (061) 223 8628/2269336 FAX: (061) 226 4813 SILMAR PIRES BÜRER -Curitiba, PR Secretaria Estadoda Agricultura e do Abastecimento de -SEAB Ruados Funcionários 1559 n° ROO35-050 Curitiba, PR Fone: (041) 3521010 Fax: (041) 352.1019 VERA ANTONIETA RAMOS PORTO -Brasília, DF Departamento DefesaAnimal de Secretaria DefesaAgropecuária de Ministério da Agricultura, Abastecimento ReformaAgrária -MAARA e Esplanada Ministérios,Anexo A, sala 324 dos 70.043-900-Brasília, DF Fone: (061) 218 2738/2182232/2182699/2182236 Fax: (061) 226 3446 WILSON UIEDA -Botucatu, SP Departamento Zoologia, Instituto de Biociências de UniversidadeEstadualPaulista-UNESP 18618-000BOTUCATU, SP. Fone: (014)821 2121, ramal2268 Fax: (014) 8213744

108

IX.2 -Modelo de Ficha de Atendimento à População (Reclamações)
Ministério da Saúde FundaçãoNacionalde Saúde

Secretaria

SOLICITANTE ENDEREÇO:

FONE:
ATENDIDO POR:

DATA: -1-1.

JÁ TENTOU RESOLVERO PROBLEMA: SIM ( ) COMO?

NÃO()

ATENDIMENTO

SITUAÇÃO ENCONTRADA: ABRIGOS: ( ) sótão( ) bueiro:: ) caverna ( ) forro ( ) folhagemde árvore ( ) junta de dilatação ( ) vão ( ) oco-de-árvore

outrosaorigos: ALIMENTOS: ( ) plantasemfloração ( ) iluminaçãopública ( ) plantasemfrutificação ( ) criaçãode animais

outros alimentos: ORIENTAÇÃO FORNECillA:

CAPTURA

DATA: -'-'O
MORCEGOSCAPTURADOS(espécie,quantidade, sexo,estágioreprodutivo):

109

ASSUNTO:

IX.3 -Modelo de Oficio para Notificação de Raiva
Ministério da Saúde FundaçãoNacionalde Saúde Secretaria

OFÍCIO N°

DE

DE 1995,

ASSUNTO: NOTIFICAÇÃO DE PESSOAS QUE TIVERAM CONTACTO COM ANIMAIS SUSPEITOS DE RAIVA

Através do presente levamos ao conhecimentode Vossa Senhoria, que atendemosa um caso suspeitode RAIVA em animal(is) da espécie. na
propriedade ~ na

localidade de .Município qual houve contato das pessoas abaixo nominadas com o (s) referido(s) aniamal(is):

no

Cordialmente,

Médico Veterinário -CRMV

limo. Sr.

Médico do Centro de Saúde

Ia Via -Médico Centrode Saúde

2aVia -Arquivo da UnidadeVeterinária

110

X. Bibliografia Consultada
ACHA, P.N.; MALAGA-ALBA, A. Economiclossesdue to Desmodus rotundus. In: GREENHALL, AM.; SCHMIDT, U. (Ed.) Natural history ofvampire bats. Florida: CRC Press,1988. 246p.

p.207-214.
ACHA, P.N.; SZYFRES,B. Zoonosis y enfermedadestransmisibles comunes ai bombre y aios animales. 2 ed. Washington: OrAS, 1986. 989p. ALLEN, G.M. Bats. NewYork: Dover, 1939. 368p. ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE SAÚDE PÚBLICA. Controle das doenças transmissíveis no homem. 13.ed. Washington: OPAS, 1983. 42Op. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Projeto de execução de obras de CO!lcreto armado, NBR 61. Rio de Janeiro,1980. BAER, G.M. (Ed.) The natural history of rabies. NewYork: AcademicPress,1975.
BAER, G.M. Bovine paralytic rabies and rabies in vampire bato In: BAER, G.M. (Ed.) history of rabies. New York : Academic Press, 1975. 387p. p.155-175.

The natural

R.M.; GIANNINI, N.P.; MARES, M.A. Guide to the bats of Argentina. Narman: Ok1ahama Museumaf NaturalHistary, 1993. 119p. BRAGUIM, J.R. Juntasestruturais. Revista de Tecnologia da Construção, São Paulo, n.8, p.3-4,

1994.
BRASIL. Ministério da Agricultura. Secretaria Nacional de Defesa Agropecuária. Educação sanitária e comunicaçãosocial. Brasília,1988. 68p. BRASIL. Ministério da Saúde.Divisão Nacional de Educaçãoem Saúde. Educação em saúde na profilaxia da raiva. Brasília, 1981. 48p. CARVALHO, C.T. Sobre os hábitos alimentaresde Phillostomídeos (Mammalia, Chiroptera). Revista de Biologia Tropical, SanJosé,v.9, n. 1, p.53-60,1961.
CONSTANTINE, D.G. Bats in relation to the health, welfare, and economy of maij. In: WINSATT, W.A. (Ed.) Biology ofbats. New York: Academic Press, 1970. 477p. p. 319-449. CONSTANTINE, D.G. Health precautions for bats researchers. In: KUNZ, T.H. (Ed.) Ecological and bebavioral metbods for tbe study of bats. Washington: Smithsonian Institute Press, 1988. 533p. p. 491-521.

CONSTANTINE, D.G. Transmission of pathogenic microorganisms by vampire bats. In: GREENHALL, A.M.; SCHMIDT, U. (Ed.) Natural history of vampire bats. Florida: CRC Press,1988. 246p. p.167-189. CORREA.A.P. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Rio de Janeiro: ImprensaNacional,1978. 6v.
CRESPO, R.F.; BURNS, R.J.; LINHART, S.B. Comportamiento deI vampiro (Desmodus rotundus) durante su alimentación en ganado bovino en cautiverio. Técnica Pecuaria en México, [s.l.],

n.18,p.40-44, 1971.
111

CRESPO, R.F.; FERNÁNDEZ, S.S.; BURNS, R.J.; MITCHELL, G.C. Observaciones sobre el comportamiento deI vampiro comun (Desmodus rotundus) aI alimentarse en condiciones naturales.Técnica Pecuaria en México.[s.I.], n.27,p. 39-45,1974. CRESPO,R.F.; LINHART, S.B.; BURNS, R.J.; MITCHELL, G.C. ComportamientodeI vampiro (Desmodusrotundus)en cautiverio. The Southwestem Naturalist, [s.I.] v.17, n.2, p.139-143, 1972. DALQUEST, W.W.; WALTON, D.W. Diurnal retreatsin bats. In: SLAUGHfER, B.H.; WALTON, p.W. (Ed.) About bats: a ChiropteranBiology Symposium. Dallas: Southern Methodist University,1970. 339p. p.162-187. DELPIETRO, H.A.; DIAZ, A.M.O.; LARGHI, O.L. Comportamientoen cautividad de vampiros rabiososinfectadosnaturalmente.Veterinaria Argentina, [s.l.] v.2, n.18,p.478-756,1985. DELPIETRO, H. A.; RUSSO,G.; ALLI, C.; PATIRE, J. Una nueva forma de combatir vampiros. Veterinaria Argentina, [s.l.], v.8, n.77, p.455-463,1991. DITMARS, R.L.; GREENHALL, A.M. The vampire bats : apresentatian undescribedhabits and af review af its histary. Zoologica, New Yark, v.19, n.2, p.53-76,1935. DOBAT, K. Blüten und Fledermause: Bestãubung durch Fledermãuse und Flughunde (Chiropterophilie). Frankfurt: WaldemarKramer,1985. 37Üp. J.F. Mammals of the Neotropics : the northem Neotropics. Chicago: University ChicagoPress,1989. 449p. M.B. Bats. NewYork: Facts00 File, 1992. 207p. FENTON, M.B. Wounds and lhe origin of blood-feedingin bats. Bio). J. Lion. Soco[s.1.],v. 47,

p.161-171,1992.
FLAIN, E.P.; CAVANI, G.R. Revestimentos verticaiscom placasde rochas. Revista de Tecnologia da Construção, SãoPaulo,v.10, p.59-63,1994. FLEMING, T.H. Foragingstrategiesof plant-visiting bats. In: KUNZ, T.H. (Ed.) Ecology of bats. New York: PlenumPress,1982. 425p.p.287-325. GARDl~i.R, A.L. Feedinghabits. In: BAKER, R. J.; JONESJr., J.K.; CARTER, D.C. (Ed.) Biology of bats the New World family PhylIostomatidae, part 2. [s.I.]: Mus. TexasTec. Univ., 1977. 364p.p.293-350.
GLASS, B.P. Feeding mechanisms ofbats. In: SLAUGHTER, B.H.; WALTON, D.W. (Ed.) About bats: a Chiropteran Biology Symposium. Oallas: Southem Methodist University, 1970, 339p.

p.84-92.
GOODWIN, G.G.; GREENHALL, A.M. A review of the bats of Trinidad and Tobago. Bulletin of the American Museum ofNatural History, New York, v. 122,p.187-301,1961. GREENHALL, A.M. The biting and feeding habitsof the vampirebat, Desmodus rotundus. Journal ofZoology, London,v.168, p. 451-461,1972.

112

FENTON, EISENBERG,

GREENHALL, A.M. Food preferences Trinidad fruit bats. Jounal of Mammalogy, Provo, v.38, of n.3, p.409-410,1956. GREENHALL, AM. House bat management. Washington:US Departament the Interior, Fish of andWildlife Servire, 1982. 33p. GREENHALL, A.M. Sapucaianut dispersalby greaterspear-nosed bats in Trinidad. Caribbean Journal of Science,[s.I.], v.5, n.3-4, p.167-171,1965. GREENHALL, A.M.; JOERMANN, G.; SCHMIDT, U. Desmodusrotundus. Mammaliao Species, [s.l.], 0.202,p.1-6, 1983. GREENHALL, A.M.; SCHMIDT, U.; JOERMANN, G. Diphylla ecaudata.Mammalian Species, [s.I.], n.227,p.1-3,1984. GREENHALL, A.M.; SCHMIDT, U.; LOPEZ-FORMENT,W. Attacking behavior of the vampire bat, Desmodusrotundus, under field conditions in Mexico. Biotropica, Lawrence, v.3, n.2, p.136-141,1971. HANDLEY JUNIOR, C.O. Specimen preparation. KUNZ, T.H. (Ed.) Ecological and behavioral In: methods for the study of bats. Washington: Smithsonian Institute Press,1988. 533p. p.437458. HAWLEY, C.M. Salivary antibemostatic factors. In: GREENHALL, A.M.; SCHMIDT, U. (ED.) Natural history ofvampire bats. Florida: CRC Press, 1988. 246p.p.133-141. HILL, J.F.; SMITH, J.D. Bats: a naturalhistory. London: British Museumof NaturalHistory, 1984.

243p.
HUSSON,A.M. The batsof Suriname. ZoologischeVerhandelingen, Leiden,v.58, p.1-282, 1962. KUNZ, T.H. Roostingecologyofbats. In: KUNZ, T.H. (Ed.) Ecologyofbats. New York: Plenum Press,1982. 425p. p.1-55. KUNZ, T.H.; KURTA, A. Capturemethodsand holding devices. ln: KUNZ, T.H. (Ed.) Ecological and behavioral methods for the study of bats. Washington: Smithsonian lnstitute Press,1988. 533p. KURTA, A.; TERAMINO, J.A. Bat commuoity structure io ao urbao park. C{\peohageo, v.15, p.257-261,1992.

Ecography,

LINHARES, O.J. Murcielagos de Venezuela. Caracas: Cuademos Langoven,1986. 12Op.
LINHART, S.B.; FLORES, R.F.; MITCHELL, G.C. ControI de murcieIagos vampiros por medio de un anticoaguIante. Boletin de Ia Oficina Sanita ria Panamericana, Washington, v.73, n.2, p.100-109,1972.

LORD, R.D. Control of vampire bats. In: GREENHALL, A.M.; SCHMIDT, U. (Ed.) Natural history of vampire bats. Florida: CRC Press, 1988. 246.p.215-226. LORENZI, H. Árvores brasileiras. SãoPaulo: Plantarum, 1992. 352p.
MACHADO, J.W.B.; ALENCAR, F.O.C.C.; RODRIGUES, M.G.R. Árvores de Brasília. Brasília: GDF, Secretaria de Obras e Serviços Públicos, Departamento de Parques e Jardins, 1992. 10üp.

113

MAN~, G. Succiónde sangrepor Desmodus. InvestigacionesZoologicas Chile [s.I.], v.l, p.7-8,

1950.
McNAB, B.K. Energeticsand the distribution of vampires. Joumal of Mammalogy, Provo, v.54, n.1, p.131-144,1973. MITCHELL, G.C.; BURNS, R.J.; FLORES, R.F.; FERNÁNDEZ, S.F. EI controI deI murcieIago vampiro, 1934-1971. In: MITCHELL, G.C.; BURNS, R.J. (Ed.) Combate quimico de Ios murcieIagosvampiros. Mexico: CentroRegionalde Ayuda Tecnica,1973. 4üp. MITIDlERI FILHO, C.V.; HACHICHI, V.F. Telhados. Revista de Tecnologia da Construção, São Paulo,v.9, p.49-53, 1994. MORENO, J.A.; BAER, G.M. Experimentalrabies in the vampire bats. American Journal of Tropical Medicine and Hygiene, Lawrence,v.29, n.2, p.254-259,1980. NOWAK, R.M. Walker's mammals of the world. 5. ed. Baltimore: Jobn Hopkins University Press,1991. 2v. PARANÁ. Secretariade Estado da Agricultura e do Abastecimento. Campanha de educação S1!lJitária para o combate à raiva animal. Curitiba, 1987. 24p. PICCININI, R.S. Controle de morcegoshematófagos análisee discussão : dos métodosexistentes. Boletim de DefesaSanitária Animal, Brasília,v.16, n.1-4,p.116-157,1982. PICCININI, R.S. Métodos de coleta, preparação conservação morcegos. Boletim de Defesa e de Sanitária Animal, Brasília,v.13, n. 1-4, p.106-125,1979. R.S.; PERACCHI, A.A.; RAIMUNDO; S.D.L.; TANNURE, AM.; SOUZA, J.C.P.; ALBUQUERQUE, S.T.; FURTADO, L.L. Observações sobre o hábito alimentar de Diphylla ecaudata Spix, 1823 (Chiroptera). Revista Brasileira de Medicina Veterinária, Rio de Janeiro,v.13, n.2, p.8-10, 1991. REDFORD, K.H.; EISENBERG,J.F. Mammals of the Neotropics : the southemcone. Chicago: University ChicagoPress, 1992. 43üp. RODRIGUES, M.G.R.; BREDT, A.; UIEDA, W. Arborização de Brasília, Distrito Federal, e possíveisfontes de alimento para morcegosfitófagos. In: CONGRESSOBRASILEIRO DE ARBORIZAÇÃO URBANA (2. : 1994:SãoLuís). Anais. SãoLuís, 1994. p.311-326. SAZIMA, I. Aspectosdo comportamento alimentardo morcegohematófago, Desmodusrotundus. Boletim de Zoologia da Universidade de SãoPaulo, n.3, p.97-119,1978. SAZIMA, I.; FISCHER,W.A.; SAZIMA, M.; FISCHER, E.A. Tbe fruit bat Artibeus lituratus as a forest and city dweller. Ciência e Cultura, SãoPaulo,v.46, n.3, p.164-168,1994. SAZlMA, I.; SAZlMA, M. Solitary and group foraging : two flower-visiting pattems of the lesser spear-nosed batPhyllostomusdisc%r. Biotropica, Lawrence,v.9, n3, p.213-215,1977. SAZIMA, I.; UIEDA, W. Feediogbehavioroí lhe white-wiogedvampire bat, Diaemusyoungii, 00 poultry. Journal ofMammalogy, Provo,v.61, 0.1, p.l02-104, 1980.

114

PICCININI,

SAZIMA, M.; SAZIMA, I. Quiropterofilia em Lafoensiapacari St. Hil. (Lythraceae),na Serra do Cipó, Minas Gerais. Ciência e Cultura, SãoPaulo,v.Z7, n.4, p.405-416,1975. SCHMIDT, U. Vampirfledermiuse: famile Desmodontidae (Chiroptera). WittenbergLutherstadt: A ZimsenVerlag, 1978. 99p. TAMSITf, J.R.; PARADISO, D. Los murciélagose Ia salud pública. Boletin de Ia Oficina Sanitaria Panamericana,Washington,v.69, n.2, p.122-140,1970. TURNER, D.C. The vampire bat : a field studyin bebaviorand ecology. Baltimore: lobn Hopkins University Press,1975. 145p. UIEDA, W. Aspectosda morfologia lingual dastrês espécies morcegoshematófagos(Chiroptera, de Phyllostomidae). Revista Brasileira de Biologia, Rio de Janeiro,v.46, n.3, p.581-587,1986. UIEDA, W. Aspectos do comportamento alimentar das três espécies morcegos hematófagos de (Chiroptera,Phyllostomidae). Campinas,1982. Dissertação (Mestrado)-Instituto de Biologia, UniversidadeEstadual Campinas. de UIEDA, W. Comportamento alimentar de morcegos hematófagos ao atacar aves, caprinos e suínos, em condiçõesde cativeiro. Campinas,1994. Tese (Doutorado)-Instituto de Biologia, UniversidadeEstadual Campinas. de UIEDA, W. Comportamento alimentar do morcego hematófago, Diaemus youngi, em aves domésticas.RevistaBrasileira de Biologia, Rio de Janeiro,v.53, n.4, p.529-538,1993. UIEDA, W. Morcegoshematófagos a raiva dos herbívorosno Brasil. In: SEMINÁRIO CIÊNCIAS e FIUBE (1. : 1987: Uberaba).Anais. Uberaba, 1987. p.13-29. UIEDA, W. Período de atividade alimentar e tipos de presa dos morcegos hematófagos (Phyllostomidae), sudestedo Brasil. Revista Brasileira de Biologia, Rio de Janeiro, v.52, no

n.4,p.563-573, 1992.
UIEDA, W. Sanguivoriaemmorcegos.In: ENCONTROANUAL DE ETOLOGIA (7. : 1989: [s.l.]. Anais. [s.l.: s.n.], 1989. p.150-161. UIEDA, W. o vírus da raiva nos morcegose suatransmissão homemno Brasil. Virológica, [s.l.], ao v.93, p.243-246,1993. UIEDA, W.; HARMANI, N.M.S.; SILVA, M.M.S. Raiva em três espécies morcegosinsetívoros de (Molossidae) Estadode SãoPauloe suaimportânciapara a saúdepública. Revista de Saúde no Pública, SãoPaulo, 1995. Enviadoparapublicação. UIEDA, W.; SILVA, M.M.S.; HARMANI, N.M.S. Quirópterose raiva: espéciescom diagnóstico positivo no Brasil. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootécnica, [s.l.], 1995. Enviadoparapublicação. V AN der PUL, L. The dispersa!of plants by bats (Chiropterochory). Acta Botanica Neerlandica, Leiden,v.6, p.291-315,1957. VILLA-R., B. EI acto de tomar Ia sangreen los murcielagoshematofagos (falD11ia Desmodontidae). An. Inst. Biol. Univ. Méx., [s.I.], v.28, p.339-343,1957. VILLA-R., B. Los Murciélagos de México. México: UniversidadNacionalAutônomade México,

1966.491p.
115

VIZO1TO, L.D.; TADDEI, V.A. Chavepara determinação quirópterosbrasileiros. Revista da de Faculdade de Filosofia, Ciências e letras de SãoJosé do Rio Preto, Boletim de Ciências, v.l, p.I-72, 1973. WILKINSON, G.S. Food sharingin vampirebats. Scientific American, New York, v.262, n.2, p.6470, 1990. WILKINSON, G.S. Socialorganization behavior. In: GREENHALL, AM.; SCHMIDT, U. (Ed.) and Natural history of vampire bats. Florida: CRC Press, 1988. 246p.p.85-97. Y ALDEN, B.W.; MORRIS, P.A. Tbe lives of bats. NewtonAbbot : David & Charles,1975. 247p. ZORTEA, Mo Folivory in Platyrrhinus (Vampyrops) lineatus. Bat ResearchNews, [sol.], v.34, n.2-3, p.59-60, 1993. ZORTEA, M.; MENDES, S.L. Folivory in the big fruit-eatingbat, Artibeus lituratus, (Chiroptera: Phyllostomidae)in eastemBrazil. Journal of Tropical Ecology, Cambridge,v.9, p.117-120,

1993.

Elaboração
Angelika Bredt, bióloga -Instituto de Saúde/DF Francisco Anilton Alves Araújo, médicoveterinário-CCZAP/FNS/MS Jorge CaetanoJúnior, médicoveterinário-Instituto de Saúde/DF Maria das Graças Ribeiro Rodrigues, engenheira agrônoma -DepartamentoParques Jardins/DF e Mario Yoshizawa, engenheiro civil Miriam Martos Sodré Silva, bióloga -Centro ControleZoonoses/SP Necira Maria SantosHarmani, médicaveterinária-Centro ControleZoonoses/SP Péricles Norimitsu Teixeira Massunaga,médicoveterinário-Instituto de Saúde/DF Silmar Pires Bürer, médicoveterinário-SecoAgricultura Paraná Vera Antonieta RamosPorto, médicaveterinária-MAARA Wilson Uieda, biólogo -UNESP/Botucatu

Colaboradores:
Delma Moreira da Silva, bibliotecária-Instituto de Saúde/DF Núbia Brelaz Nunes,pedagoga -GerênciaTecnicade Educação Saúde,FNS/MS em Regina Lúcia CoelhoC. Lima, jornalista -COMED/ASPlAN/FNS/MS Rosali Barreiros Caetano,jornalista -revisão do texto

Fotos:
Mário Yoshizawa Wilson Uieda Ivan Sazima Angelika Bredt Roberto da Costa Barroso Câmera/Del Carmen

Agradecimentos:
A cooperação técnicada OPAS/OMS,em especialao Dr. Miguel Angel Genoveseconsultor emSaúdePúblicaVeterinária. As Instituiçõesacimarepresentadas pelosseustécnicos.

117

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE

ESCRITÓRIO REGIONAL DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE
~~

REPRESENTAÇÃO BRASIL DO BRASÍLIA, 1996

Impresso com recurso do Projeto -AM/BRA/FNS/010/WS/999/APB BRA -00014 -OPAS/OMS.

96

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->