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Aquino Resumo a Desordem

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Published by: Marcelo Maltezi Pedro on Nov 17, 2011
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AQUINO, Julio Groppa. A desordem na relação professor-aluno: indisciplina, moralidade e conhecimento. In: _____________________ (org).

Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996, pg.39-55. Neste artigo o Prof. Júlio Aquino aborda a questão da indisciplina escolar a partir de aspectos sóciohistóricos e psicológicos, destacando a centralidade da relação professor-aluno para a invenção de uma nova ordem pedagógica, em que a negociação seja uma constante na (re)construção do conhecimento. Segundo o autor, para além das diferentes funções imputadas à escola, atualmente a indisciplina atravessa os distintos tipos e regimes escolares tornando-se uma questão incontornável, em função de sua concretude, contundência e repercussão. Prescrições disciplinares já foram características extensivas à prática docente; hoje, contudo, isto não é um consenso nem mesmo entre as teorias pedagógicas. Por outro lado, se o mundo mudou e mudaram também os alunos, o que se pode dizer da escola e de nós, professores? Lançando mão destas imagens, Aquino desafia o leitor a compreender a indisciplina como um sintoma da relação educativa, relação esta que não se bastaria na escola, mas atravessaria todas as institucionalidades estabelecidas na sociedade. A partir de um ponto de vista sócio-histórico, o artigo aborda a indisciplina como o resultado da emergência do novo sujeito histórico caudatário da luta pela democratização da sociedade brasileira. Ocorre que a democratização da escola no Brasil veio acompanhada da deterioração das condições de ensino, de modo que as estratégias de exclusão se sofisticaram, não eliminando as características elitistas e militarizadas da escola de outrora. Ainda que a indisciplina seja compreendida como sintoma de práticas socialmente estabelecidas, o novo sujeito que freqüenta a escola encontra-se com velhas formas institucionais cristalizadas. Assim, para o autor, a indisciplina torna-se uma “força legítima de resistência e produção de novos significados e funções, ainda insuspeitos, à instituição escolar.” Por sua vez, observa-se nas escolas a predisposição por um discurso particularista e culpabilizante em que o aluno torna-se uma espécie de agente social irremediavelmente degenerado. Não constitui exagero lembrar que a infra-estrutura psicológica que se espera do aluno, de inescapável cunho moral, é anterior a escola. O reconhecimento da autoridade externa, que passa inevitavelmente pela assunção da alteridade pela co-existência com o outro, faz-se em condição prévia ao trabalho escolar. Atualmente, se espera que valores como solidariedade, reciprocidade, cooperação, partilha de responsabilidades e permeabilidade a regras comuns sejam ensinadas na escola, quando a escola é espaço de exercício dessas condutas ensejadas no seio familiar. Júlio Aquino reconhece, enfim, que vivemos o esfacelamento do papel clássico da instituição familiar e a indisciplina não é mais do que um efeito dessa situação. Qual seria a função da escola? Para Aquino, permanece sendo a mesma: repetição e legitimação da cultura produzida pela humanidade. O foco de ação da escola, este sim precisa ser alterado; não são as questões morais ou psíquicas que devem mobilizar as energias, mas a desconstrução e reconstrução dos processos e fatos cotidianos - fornecendo ao aluno repertório para o exercício de seus dilemas e possibilidade de apreensão do mundo - que devem orientar as práticas escolares. Da relação professor-aluno emergem as questões que devem ser abordadas como matéria de conhecimento e investigação. Conhecer provoca desordem, desobediência e inquietação. Transformar isto em ciência exige fidelidade ao contrato pedagógico a partir de um investimento contínuo nos vínculos concretos estabelecidos entre professor e aluno, de modo que se encontre permeabilidade para a mudança e para a invenção de uma nova ordem pedagógica. Eder dos Santos Camargo Pesquisador em Gestão de Políticas Públicas

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