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A IMPORTÂNCIA DA PSICOPEDAGOGIA

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A IMPORTÂNCIA DA PSICOPEDAGOGIA

© Celeste Duque – Psicóloga Clínica (celeste.duque@gmail.com ) .Este texto pretende ser uma reflexão sobre a importância da Psicopedagogia para o sujeito individual e social, baseado na experiência do dia-a-dia. Não serão aqui citados autores, nem perspectivas teóricas (serão objecto de estudo em artigos posteriores). Psicopedagogia é definida no Dicionário de Língua Portuguesa como a aplicação dos princípios da Psicologia à pedagogia (2001, p. 1232), o que não serve de grande esclarecimento. Mas, sabendo que pedagogia vem do latimpaedagogia e do gregopaidagogía, e que se refere à teoria que estuda a educação, por muitos considerada como “a arte de educar e ensinar”, que visa o estudo dos ideais de educação de acordo com concepções de vida específicas, adaptando-se-lhes os processos da forma considerada mais eficaz para se alcançarem os ideais, então, a definição ganha sentido (ibidem, p. 1148). De facto a psicologia dedica-se ao estudo do comportamento humano e de tudo o que lhe subjaz, i.e., todos os processos envolvidos na acção/reacção, mas também na percepção, avaliação, raciocínio, pensamento, representação, personalidade, em que o sujeito é indissociável das suas múltiplas vertentes (biológica, psicológica, social, cultural, económica, ecológica, espiritual, etc.). A Psicopedagogia é, deste modo, uma área de saber que se ocupa em estudar as melhores estratégias para levar os sujeitos a adquirir/integrar conhecimento... Isto é a melhor ensinar mas, também, aprender... Ao contrário do que se possa pensar a Psicopedagogia não é de uso exclusivo dos Psicólogos, é um importante instrumento de trabalho para todos os que se dedicam ao Ensino! Todos os profissionais que se inserem no âmbito do Ensino seja ele básico, secundário, superior ou universitário devem dominar e aplicar na prática conhecimentos desta área específica já que esta os auxilia a melhor lidar com o indivíduo e com o grupo turma, mas também a melhor ensinar conhecimentos que à partida podem parecer sem aplicabilidade na prática logo considerados como desinteressantes, sem utilidade supérfluos, e tantos outros adjectivos tão negativos que levam os alunos a não investir na sua aprendizagem. Estuda os processos que subjacentes à percepção, aprendizagem, motivação, relacionando-os entre si e com o desenvolvimento global do sujeito (personalidade, meio em que se insere social e culturalmente, situando na época histórica em que vive). Estuda, igualmente, as representações que cada um individualmente e em grupo faz do ensino e da vida em geral (por exemplo, como os estereótipos e preconceitos influenciam as primeiras impressões que se fazem acerca das outras pessoas ou das novas situações/acontecimentos de vida que se presenciam ou se vivem) e como

todas estas variáveis vão inevitavelmente ser fonte de profunda influencia ao nível formação da própria personalidade. O indivíduo humano é um ser que deve ser, invariavelmente, encarado na sua complexidade e de forma holística, tendo em atenção que todas as suas dimensões influenciam e são influenciadas umas pelas outras e que é deste incessante jogo de influências que depende o equilíbrio, bem- estar e qualidade de vida do sujeito. Este equilíbrio é, também ele, resultado de permanentes equilíbrios e desequilíbrios, por exemplo, basta que a situação ultrapasse as expectativas iniciais do sujeito para que este sinta algum grau de frustração ou de desânimo, o que provoca algum desequilíbrio, para logo depois se transformar num novo equilíbrio, quando o indivíduo reflecte acerca do sucedido e decide não valorizar esse pequeno insucesso, traçando novos objectivos para si. Podemos então afirmar de forma resumida que a Psicopedagogia é uma área de charneira entre a Psicologia e a Pedagogia e que visa desenvolver métodos e estratégias de ensino/educação mais adaptados ao sujeito individual, já que todos os elementos de um grupo ou sociedade são diferentes, e aprendem através de modelos e estratégias também eles muito diversificados, não raras vezes mesmo díspares. A Psicopedagogia fornece os instrumentos e explicações que permitem facilitar a aprendizagem, e mais importante ainda, que levem à criação de novas estratégias e metodologias de ensino que facilitem o trabalho do docente e se adaptem não apenas a ele mas igualmente aos grupo de alunos turma para o qual o professor deve dirigir o seu ensino. A par desta sua vertente, constitui- se como uma fonte privilegiada ao nível da intervenção em sujeitos que apresentam dificuldades específicas de aprendizagem e na gestão de conflitos em sala de aula. Aliando-se à área da Psicologia da Saúde desempenha um papel fundamental e coloca em destaque pelos estilos de vida e comportamentos de risco adoptados pelos sujeitos em geral, das sociedades modernas, que vivem ritmos alucinantes e são confrontados com níveis excessivos de stress pelo que há necessidade de educar os sujeitos por forma a aprenderem a respeitar o seu corpo, e ensinar-lhes a lidar e gerir com situações potencialmente geradores de stress, o qual é altamente prevalente em grupos profissionais que já são identificados como grupos de risco, por exemplo: professores; profissionais que trabalham por turno; profissionais da área da saúde; profissionais com cargos de topo; gestores de Bolsa, etc.). Como se pode inferir a Psicopedagogia tem um papel muito importante ao nível do trabalho e da realização de tarefas, bem como da formação, não é pois de admirar que se possa afirmar que a Psicopedagogia está directa ou indirectamente presente na vida de todos os sujeitos desde a mais tenra idade.

Sabe-se que num primeiro momento aprende-se por imitação e à medida que o ser humano vai amadurecendo e crescendo, vai-se desenvolvendo a sua capacidade de percepcionar os estímulos e de os seleccionar, a sua capacidade de: pensamento e de comunicação, de aprendizagem, de relacionamento e inter-relacionamento com os outros, de dar e receber afecto, permitindo um gradual alargamento dos seus horizontes, isto é, de adaptação aos diferentes meios a que pertence, que vão desde a família, escola, grupo de pares e amigos, diversos grupos sociais, relacionamento com etnias, nacionalidades e línguas diferentes, lidar com a diversidade cultural, isto é à medida que o bebé cresce, se torna criança, adolescente, jovem adulto, etc. a sua aprendizagem vai sendo progressivamente mais complexa e remete-se para a leitura de algumas teorias explicativas do ser humanos, por exemplo, de Sigmund Freud, de Jean Piaget e Erik Erikson, de Abraham Maslow, entre muitos outros. Não raras vezes deparamo-nos com pessoas que encaram a vida de uma forma demasiado negativa em que tudo se passa como se, para eles o futuro não existisse, até porque este mais não é que uma repetição de um passado tão frustrante e doloroso. Outros, pelo contrário, por mais adversas que possam ser as suas condições de vida, esperam sempre que “dias melhores” possam acontecer. Nestes dois casos extremos aquilo que se pode concluir é que a aprendizagem e interiorização que fizeram da vida os influenciaram e transformaram radicalmente. No primeiro caso, em alguém profundamente ancorado numa realidade/humor negativo (talvez mesmo deprimido) incapaz de se descentrar da sua realidade para observar o mundo tal como ele é. No segundo caso, alguém otimista que apesar do sofrimento presente, consegue perceber que “nada está perdido”, e que se hoje se vive a renúncia, amanhã pode-se estar a viver um grande sucesso... Destes dois exemplos consegue-se facilmente perceber a importância da aprendizagem, e muito particularmente das aprendizagens precoces, já que, em situações de

conflito/adversidade o sujeito tem tendência, num primeiro momento, de grande emotividade, em regredir a fases do desenvolvimento mais precoces e reagir de acordo com..., posteriormente, e após alguma reflexão e análise da situação, vai reagir e emitir um comportamento mais adequado à sua condição social, idade e ao mas também, e não menos importante, ao que se espera dele. Ainda de acordo com o exemplo apresentado será de esperar que o primeiro sujeito seja alguém pessimista, inseguro/imaturo, que se acomoda facilmente à opinião da maioria, algo desequilibrado por receio de falhar ou magoar os outros; enquanto que o segundo sujeito é alguém que facilmente aceita os desafios que se lhe deparam e que em situações críticas, consegue mobilizar as suas capacidades/competências e resolver os problemas, alguém mais equilibrado, mais seguro, com uma melhor auto-estima.

sendo que estes fatores determinarão sua inclusão ou exclusão no mundo do trabalho. atualmente. 1 Introdução O presente estudo está centrado na importância do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem.BIBLIOGRAFIA (2001). ao perceber o quanto a educação de qualidade é importante na formação do cidadão. espaço nas instituições de ensino. pudemos perceber que a educação escolar era saída mais viável para escapar da situação de ignorância em que se encontrava a maioria das crianças. coordenadores e alunos. Palavras chave: Aluno. tem exigido que a sociedade reflita sobre o papel do trabalho e do trabalhador frente as mudanças que estão ocorrendo em níveis mundiais. os alunos. o trabalho psicopedagógico na instituição escola tem como caráter preventivo no sentido de procurar criar competências e habilidades para solução dos problemas com esta finalidade e em decorrência do grande número de crianças com dificuldade de aprendizagem e de outros desafios que englobam a família e a escola. inclusive de forma interdisciplinar. que são a maioria em nossa cidade. a intervenção psicopedagógica ganha. e seus familiares. Essa convicção se consolidou logo ao iniciar as atividades de estágio em uma escola pública de Imperatriz. os professores. Aprendizagem. O mundo do trabalho hoje. Lisboa: Porto Editora. Sabemos que as transformações que estão ocorrendo no mundo todo. dependendo da educação recebida. Colecção “Universal” – edição digital. uma cultura ampla e diversificada. Assim. A importância aprendizagem Silvia novembro/2006 RESUMO do Suely psicopedagogo Sillos frente às de dificuldades de Oliveira* Considerando a escola responsável por grande parte da formação do ser humano. Mas não a educação que era oferecida. Ali. Psicopedagogia. requer profissionais com maiores conhecimentos. por um curto espaço de tempo. A aprendizagem era entendida como acumulação de conhecimentos onde cada professor cuidava de sua disciplina. convivendo com professores. Começamos a interessar pela presente temática logo que ingressamos no curso de psicopedagogia. em função do processo de reestruturação do capitalismo. tem justamente o objetivo de fazer uma abordagem sobre a educação e a importância do psicopedagogo diante da instituição escolar. as instituições de ensino e o trabalho docente . Dicionário de Língua Portuguesa. Nesse processo de busca e reflexão um questionamento sempre vinha à tona: como educar sem que o processo educativo se transforme num instrumento de manutenção da situação? O nosso maior cuidado era refletir sobre essas questões sem colocar a culpa nos principais atores do processo educativo. sem conexão com as demais e sem levar em conta a experiência e os significados que os alunos haviam construídos ao longo de suas experiências pessoais. ali o ensino pautava-se pelo verbalismo e informações. Este artigo surgiu da preocupação existente diante as dificuldades dos alunos em que faz-se construir seus próprios conhecimentos por meio de estímulos. preparo técnico. especialmente as de baixa renda.

. que é de natureza mais ampla. Quando um desses atores deixa de cumprir o seu papel. suas relações de produção para compreender as especificidades do trabalho psicopedagógico que. jogos e livros de histórias. Como sabemos também que. fora do contexto mais amplo que é a sociedade.não ficaram imunes à realidade da globalização. Por cima das mesas um livro e um lápis para aprender. em vez de acendermos ao mundo imaginário. não se dá desconceitualizado. a Maria a gritar com a Joana. 1992. que é a ciência nova que estuda o processo de aprendizagem e dificuldades. Isso nos leva. A escola pública é construída com a participação da família. Devemos reconhecer as mudanças que tem ocorrido nas diversas fases de desenvolvimento da criança. no atual momento é preocupante. Por outro lado. que esteja atento a uma nova prática onde ensinar e aprender sejam atos que caminhem para a mesma direção. o que vemos? Vinte e muitos meninos e meninas. é com ele que o aluno conta (ou deveria contar) nas suas angústias e dúvidas quando a família não tem condições de auxiliá-lo. árvores e paisagens. inevitavelmente. Precisamos compreender a sociedade com a qual vivemos. No ar sente-se um cheiro de se ser criança. estudar a importância do psicopedagogo dentro de uma instituição não pode se dar de forma isolada. psicólogos. lógico dos educadores. deparamo-nos com a situação específica da aprendizagem no interior de nossas escolas. A expressão facial mostra-nos bem: os olhos arregalados de curiosidade empenho e dedicação. Sabemos que a situação de aprendizagem. pois tem como objetivo central de estudo o processo humano do conhecimento: seus padrões evolutivos normais e patologias bem como a influência (família. isso nos levou a concluir que os mesmos precisam estar atualizados em conhecimentos gerais e específicos para que possam corresponder às exigências do mundo globalizado e também às expectativas do educando. por sua vez. a uma reavaliação do papel da escola e dos professores diante do ato de ensinar. dos professores e do estado. enfrentam sérias dificuldades em relação à aprendizagem dos alunos. a infância e a adolescência já requerem novos olhares por parte dos psicopedagogos. em que pensamos? Vinte (e tantos) meninos e meninas sentadinhos enquanto ouvem a explicação do professor. Ao canto. muito tem contribuído para explicar a causa das dificuldades de aprendizagem. suas relações de classe. é bastante oportuno um trabalho que reflita sobre o papel e a importância de um psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem. dos pediatras e. 1991). Assim sendo. Por um lado. É importante ressaltar a psicopedagogia como complemento.. A convivência na escola pública nos deu condições de perceber que os profissionais na atualidade. sociedade) no seu desenvolvimento (Scoz. Não podemos ser ingênuos achando que basta o professor estar bem preparado no campo científico e pedagógico para desempenhar satisfatoriamente o seu papel. dizendo que esta comprou uma caneta . Além dessa conjuntura. através de sua cultura. compromete o trabalho dos demais. é o educador a figura mais próxima do aluno. Kiquel. porque lhe tirou a borracha. Estamos perante um ambiente de aprendizagem que tem meninos bem comportados e confiantes e um professor invariavelmente eficaz. É importante que haja uma reflexão a respeito do processo da qualidade da educação e a contribuição de outros profissionais nesse processo. o João a bater no Paulo. Portanto. Observamos nas salas de aula durante os nossos estágios um espaço calmo e harmonioso com vinte (e tantas) mesas e cadeiras. Se acendermos ao nosso imaginário. pensarmos no mundo real. E se. sabemos que os problemas de aprendizagem não podem ser resolvidos apenas com a instrumentalização dos educadores. depois da família. Nas paredes desenhos de casas. escola. bonecos.

o afeto.. e tem que haver uma intervenção sobre isto. as crianças com menos de sete anos responderam: O mais fino tem mais água porque é mais longo. 2 .PERSPECTIVAS PSICOPEDAGÓGICA A psicopedagogia. Sabendo que os . com os familiares e com os professores. Desta forma. como. mas o poder para mobilizar a modalidade de aprendizagem. um fino e outro largo. Assim o professor espera-se que ensine e do aluno que seja bem comportado e que este aprenda. isto demonstra-se haver variado leque de aspectos que estão na origem do comportamento. lida com as pessoas envolvidas. o Luís fazendo desenho no caderno. no encontro inicial com o aprendente e seus familiares. como fator importante no desenvolvimento das habilidades cognitivas. as crianças dessa idade não tem ainda desenvolvida a operação de pensamento chamado reversabilidade. p. do silêncio. 14). Antropologia. o sintoma cristaliza a modalidade de aprendizagem em um determinado momento. e é a partir daí que vai transformando o processo ensino aprendizagem. assume o papel de desmitificadora do fracasso escolar.] intervenção psicopedagógica não si dirige ao sintoma. na realidade da escola. É verdade. o seu contexto familiar ou até dificuldades de aprendizagem ainda não diagnosticadas. “é comum. por contar com a contribuição de várias áreas do conhecimento. Apresenta assim. e o grande número de dificuldades escolares. entendendo o erro apresentado pelo indivíduo no processo de construção do seu conhecimento (Piaget). Não procura culpados e não age com indulgência. Há uma grande discrepância entre o que desejamos e o que temos. Esta falta de interesse vem consequentemente de uma causa. mas há um processo a ser visto. enfim. econômicos e psicológicos. Nesse caso. resolveu fazer esse experimento com um grupo de adultos. Portanto a psicopedagogia não lida diretamente com o problema. às vezes. dos que possam explicar a causa de não aprender. Sociologia. os professores serem acusados de si isentarem de sua culpa e responsabilizar o aluno ou sua família pelos problemas de aprendizagem”. que o auxiliará a captar através do jogo. pôs um mesmo volume de água em dois frascos com formatos distintos. normalmente associado a este quadro comportamental acrescenta-se o insucesso escolar. Psicologia. colocando a mesma quantidade de água em outros frascos com formatos diferentes. No entanto. uma perspectiva diferenciada daquelas que há muito permeia a mente de muitos professores. a estabilidade ou a instabilidade emocional dos alunos. A título de curiosidade. Quando perguntou qual frasco continha mais água. a atenção. a [..igual a dela. não é sobre a etiologia destes comportamentos que nos vamos debruçar. esses inúmeros fatores. culturais. o que torna mais urgente uma intervenção psicopedagógica. isto tudo influi muito na questão. mas sobre as conseqüências e possíveis estratégias de intervenção. Segundo Piaget. e outros. na literatura. levando em conta aspectos sociais. o amor. que é um recurso importantíssimo. a as interações (Vygotsky). Por isso temos que estar atentos a tais situações. o psicopedagogo procura avaliar a situação da forma mais eficiente e proveitosa. Em sua avaliação. Lida com as crianças. a Madalena impaciente à espera do intervalo para tomar a sua primeira refeição do dia. 117). utiliza a “escuta psicopedagógica”. O psicopedagogo assume papel relevante na abordagem e solução dos problemas de aprendizagem. os métodos de ensino tem que ser mudados. Piaget fez o seguinte experimento: na presença das crianças. De acordo com Bossa (2000. Segundo Alícia Fernandes (1990 p.

adultos já tem a operação de reversibilidade desenvolvida, e convidados a dizer qual frasco continha mais água, suas respostas divergiram, similarmente ao que sucede com as crianças. Pode-se concluir, que desse simples experimento, que os seres humanos têm dificuldades para discriminar uma constante no meio de muitas variáveis. O leitor poderia perguntar? Que relação tem entre esse experimento e o tema a importância do psicopedagogo nas dificuldades de aprendizagem. Bem, pelo menos esse experimento nos sugere que convém duvidarmos de nossas opiniões sobre o problema da aprendizagem. Será que a coisas nesse campo acontecem da maneira como costumeiramente as vemos? Elas não estariam sujeitas a equívocos semelhantes ou mais graves do que aqueles com os frascos de água? Convém ressaltar que na aprendizagem, por ser um processo humano, um equívoco quanto à concepção tem implicações muito mais graves, comparado com a situação dos frascos. Nesta, o equívoco de percepção é facilmente corrigível por meio de uma medida padrão de volume. Já com a aprendizagem, a situação é bem outra, pois esta é incomparável e bem mais complexa, e facilmente se pode entrar num beco sem saída ao se tentar explicar o problema da aprendizagem orientado apenas por nossa percepção ordinária. Por isso, penso ser recomendável uma boa dose de prudência ao se pisar nesse terreno. No entanto, este equilíbrio nem sempre é conseguido e o professor, na sua formação base, não tem técnicas para intervir nestes casos. Como tal, como psicopedagogos, pensamos que, se o professor utilizasse algumas estratégias, estas situações poderiam ser minimizadas. 3 - O PSICOPEDAGOGO E OS ASPECTOS DA RELAÇÃO PROFESSOR ALUNO Percebe-se nas salas de aulas que a maioria dos professores não estão preparados tanto no campo científico, metodológico ou político, na verdade eles se preocupam mais em passar o conteúdo, e que o aluno aprenda o que foi dito por ele. Ao considerarmos a aprendizagem com base nos pilares cognitivos e das emoções, fazemos uso dos sentimentos envolvidos na relação professor-aluno e como o processo de ensino é efetivado em função dessa interação. Se o professor não si preocupa com a aprendizagem do aluno, no final do ano ele não terá uma posição satisfatória. Falar da relação professor aluno é falar de relações humanas, é falar de alegria e da angustia do outro e até da falta de interesse por parte do aluno e suas respectivas dificuldades. Cada um tem uma história diferente, uma linguagem diferente, uma maneira diferente, um incentivo diferente, esses elementos foram construídos pela múltiplas relações da realidade. O aluno segundo Luckesi (1994, p. 117), “[... ] é um sujeito ativo que, pela ação, ao mesmo tempo se constrói e se aliena. Ele é um membro da sociedade como qualquer outro sujeito, tendo caracteres de atividade, sociabilidade, historicidade, praticidade. ” Na relação educativa, dentro das práxis pedagógica, ele é o sujeito que busca uma nova determinação em termos de patamar crítico da cultura elaborada. Ou seja, é um ser humano que busca adquirir um novo patamar de conhecimentos, habilidades e modo de agir. Mas, o próprio aluno não tem essa visão e muitas vezes se angustia dentro da escola porque ao chegar ali traz de casa o auto-conceito e auto-estima a partir das relações que desenvolve com os pais ou pessoas de seu convívio diário. O professor, em sala de aula, não pode destruir essa relação. O educando não pode ser considerado, pura e simplesmente, como massa a ser informada, mas sim como sujeito, capaz de construir a si mesmo, desenvolvendo seus sentidos, entendimentos e inteligências, a educação escolar não pode exigir uma ruptura com a condição existente sem suprir seus elementos. Há uma continuidade dos elementos anteriores e, ao mesmo tempo uma ruptura, formando o novo.

O que o aluno traz de seu meio familiar e social não deve ser suprimido bruscamente, mas sim incorporado às novas descobertas da escola. Quando uma criança aprende um novo modo de executar uma brincadeira, um modo de ser, não suprime o modo anterior, ao contrário, incorpora o modo anterior ao novo modo de execução. É o novo que nasce do velho, incorporando-o por superação (Luckesi, 1994, p. 118). Assim as relações entre os professores e alunos, as formas de comunicação, os aspectos afetivos e emocionais, a dinâmica das manifestações na sala de aula, segundo Libâneo (1994), fazem parte das condições organizativas do trabalho docente, juntamente com os aspectos cognitivos e sócio-emocionais da relação professor-aluno. Isso significa que o trabalho docente se caracteriza não apenas pelo preparo pedagógico e científico do professor e de toda a equipe da escola, mas também, pelo constante vaivém entre as tarefas cognoscitivas colocadas pelo professor e o nível de preparo dos alunos para resolverem as tarefas. A importância do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem começa a configurar-se quando se toma consciência das dificuldades dos alunos e cuida-se em apresentar os objetivos, os temas de estudos e as tarefas numa forma de comunicação clara e compreensível, juntamente com o professor e na escola, em um todo. As formas adequadas de comunicação concorrem positivamente para a interação professor-aluno e outros que fazem parte do contexto escolar. Alves (2003, p. 36), faz uma metáfora que ilustra bem essa questão. Sabe quando você tem duas taças de cristal? Elas estão em silêncio. Ai a gente bate uma na outra e elas reverberam sonoramente. Uma taça influencia a outra. Uma taça faz a outra emitir um som que vivia silencioso no seu cristal. Assim é a educação, um toque para provocar o outro a fazer soar a música. Cada aluno tem uma história diferente, uma necessidade diferente, uma expectativa diferente quando se relaciona com o outro, inclusive com o professor. Por sua vez, o professor em sala de aula não vê o aluno com o mesmo olhar de outro professor. O professor não apenas transmite os conhecimentos ou faz perguntas, mas também ouve o aluno, deve dar-lhe atenção e cuidar para que ele aprenda a expressar-se, a expor suas opiniões. Para obter uma boa interação no aspecto cognoscitivo, é preciso levar em conta o manejo no recurso da linguagem; variar o tom da voz, falar pausadamente quando necessário e falar com simplicidade sobre os temas complexos. Nesse sentido, o que mais conta é a condição social do aluno e não a sua idade cronológica, conhecer também o nível de conhecimento dos alunos, ter um bom plano de aula, entendemos como sendo um bom plano de aula aquele que tem objetivos claros e estratégias de ensino capazes de ser colocadas em prática de acordo com a capacidade dos alunos e os recursos de sala de aula disponíveis na escola, explicar aos alunos o que espera deles em relação à assimilação da matéria. Outros aspectos indispensáveis são os sócio-emocionais. Estes aspectos referem-se aos vínculos afetivos entre o professor e os alunos, como também às normas e exigências objetivas que regem a conduta dos alunos na aula. 4 - O PSICOPEDAGOGO E A INSTITUIÇÃO ESCOLAR

Diante do baixo desempenho acadêmico, as escolas estão cada vez mais preocupadas com os alunos que têm dificuldades de aprendizagem, não sabem mais o que fazer com as crianças que não aprendem de acordo com o processo considerado normal e não possuem política de intervenção capaz de contribuir para a superação dos problemas de aprendizagem. Neste contexto, o psicopedagogo institucional, como um profissional qualificado, está apto a trabalhar na área de educação, dando assistência aos professores e a outros profissionais da instituição escolar para a melhoria das condições do processo ensinoaprendizagem, bem como para prevenção dos problemas de aprendizagem. Por meio de técnicas e métodos próprios, o psicopedagogo possibilita uma intervenção psicopedagógica visando à solução de problemas de aprendizagem em espaços institucionais. Juntamente com toda a equipe escolar, está mobilizado na construção de um espaço adequado às condições de aprendizagem de forma a evitar comprometimentos. Elege a metodologia e/ou a forma de intervenção como o objetivo de facilitar e/ou desobstruir tal processo. O desafio que surgem para o psicopedagogo dentro da instituição escolar relaciona-se de modo significativo. A sua formação pessoal e profissional implicam a configuração de uma identidade própria e singular que seja capaz de reunir qualidades, habilidades e competências de atuação na instituição escolar. A psicopedagogia é uma área que estuda e lida com o processo de aprendizagem e com os problemas dele decorrentes. Acreditamos que, se existissem nas escolas psicopedagogos trabalhando com essas dificuldades, o número de crianças com problemas seria bem menor. Para Bossa (2000), o psicopedagogo tem muito o que fazer na escola: Sua intervenção tem um caráter preventivo,sua atuação inclui:
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orientar os pais; auxiliar os professores e demais profissionais nas questões pedagógicas; colaborar com a direção para que haja um bom entrosamento em todos os integrantes da instituição e; principalmente socorrer o aluno que esteja sofrendo, qualquer que seja a causa.

São inúmeras as intervenções que o psicopedagogo pode ajudar os alunos quando precisam, e muitas coisas podem atrapalhar uma criança na escola, sem que o professor perceba, e é o que ocorre com as maiorias das crianças com dificuldades de aprendizagens, e às vezes por motivos tão simples de serem resolvidos. Problemas familiares, com os professores, com os colegas de turma, no conteúdo escolar, e muitos outros que acabam por tornar a escola um lugar aversivo, e o que deveria ser um lugar prazeroso. Dentro da escola, a experiência de intervenção junto ao professor, num processo de parceria, possibilita uma aprendizagem muito importante e enriquecedora, principalmente se os professores forem especialistas em suas disciplinas. Não só a sua intervenção junto ao professor é positiva, também com a participação em reuniões de pais, esclarecendo o desenvolvimento dos seus filhos, em conselhos de classe com a avaliação no processo metodológico, na escola como um todo, acompanhando e sugerindo atividades, buscando estratégias e apoio necessário para cada criança com dificuldade. Segundo Bossa (l994, p. 23), [...] cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem,

cognitiva. em decorrência disso. O psicopedagogo atinge seus objetivos quando. prossegue durante todo o trabalho. muitas vezes não quer enxergar essa criança com dificuldades que muitas vezes está pedindo socorro. É cobrado da criança que esta seja bem sucedida. diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou. para chamar a atenção para o seu pedido. promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo. a família tem grande participação nesse fracasso. é construído pela criança em contato com o social. o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais. e desinteresse. e de sua aprendizagem. sobre o diagnóstico: O diagnóstico é um processo contínuo sempre revisável. da própria ensinagem. realizando processos de orientação. fazendo com que os professores. Cabe ai o psicopedagogo intervir junto à família das crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem. de fato. por meio de uma entrevista e de uma anammese com essa família. segundo vimos afirmando. Estar atentos no que a família pensa. não sabendo lidar com situações novas: pais que trabalham o dia todo fora de casa. tem a compreensão das necessidades de aprendizagem de determinado aluno. A família desempenha um papel importante na condução e evolução do problema acima mencionado. Na realidade atual. É preciso observar que esta atitude investigadora. Esse vínculo afetivo é muito importante para o desenvolvimento da criança. com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução do sujeito. A família é o primeiro vínculo com a criança e é responsável por grande parte de sua educação. Vale lembrar o que diz Bossa (1994. pedindo um abraço. até a intervenção. sendo que. e esta entra num processo de dificuldade. pais que brigam o tempo todo. e acabam depositando toda a responsabilidade para a escola. junto com sua família e no mundo que o cerca. 74). pais analfabetos. Já que no caráter essistencial. Desta forma o psicopedagogo institucional passa a tornar uma ferramenta poderosa no auxílio da aprendizagem. Esses aspectos precisam ser trabalhados para se obter melhor rendimento intelectual. falta de atenção. quando o fracasso escolar não está associado às desordens neurológicas.O PSICOPEDAGOGO E A FAMÍLIA DO EDUCANDO O aprendizado não é adquirido somente na escola. Sabemos que uma criança só aprende se tem o desejo de aprender. social e emocional. na própria intervenção. abre espaço para que a escola viabilize recursos para atender às necessidades de aprendizagem. p. Às vezes. o que temos observado é que as famílias estão meio perdidas. presenciamos gerações cada vez mais dependentes. desempregados. numa atitude investigadora. um carinho. usando drogas. seus objetivos e expectativas com relação ao desenvolvimento do filho é de grande importância para o psicopedagogo chegar a um diagnóstico. e para isso é importante que os pais contribuem nesse processo. 5 .participar da dinâmica da comunidade educativa. Essas famílias acabam transferindo para a criança. favorecendo a integração. seus anseios. simbólico e começa a construir seus saberes. para tomar conhecimento de informações sobre sua vida orgânica. a sua carência. Porém quando este desejo não si . Percebe-se nos problemas. separados e mães solteiras. e por meio desta aprendizagem ela é inserida no mundo cultural. lentidão de raciocínio. e a escola tendo que desviar de suas devidas funções para poder suprir outras necessidades. onde a intervenção do psicopedagogo inicia.

Cada situação exige reflexão específica e resposta específica. e isto é de suma importância. pois exerce seu trabalho de forma multidisciplinar numa visão sistêmica. seus frutos. opinando e participando. através de reuniões. surge a frustração e a raiva que acabam colocando a criança num estado de menos valia. De posse desses referenciais concluímos que a importância da educação é confirmada quando esta contribui com o desenvolvimento social. Por que desafio? Primeiro.realiza. há que ter em conta que o conceito de dificuldade de aprendizagem não implica apenas no reconhecimento do direito que assiste ao educando de freqüentar uma escola regular. se não conhecermos o ser que si educa e a grande responsabilidade que é de participarmos da sua formação com grandes êxitos. que os problemas de dificuldades de aprendizagem ora estão no professor. por parte da escola. Nesta perspectiva. a Psicopedagogia contribui significativamente com todos os envolvidos no processo de aprendizagem. Questionamo-nos. ora estão no aluno. A intervenção psicopedagógica si propõe a incluir os pais no processo. principalmente. ao longo desse estágio e ainda dúvidas e incertezas permanecem. dificuldades. o desafio do educador do século XXI. porque da mesma forma que não existe lugar para as certezas absolutas. pois. Chegamos a este final não isentos de dúvidas e perguntas. em equipe. tais práticas resultam falaciosas e irresponsáveis. O que nos causou admiração é que tanto a escola quanto a família estão distante como se não fizessem parte da mesma relação. sem dúvidas. ora estão na família ou no ambiente no qual se insere o aluno. sabemos que as dúvidas nos ajudam a caminhar quando procuramos esclarecê-las. seus princípios. Sendo assim os pais ocupam um novo espaço no contexto do trabalho. onde todos deverão ter “olhar” e sua “escuta” para o sujeito da aprendizagem. Referências . Segundo. possibilitando o acompanhamento do trabalho junto aos professores. Não há como refletirmos sobre este trabalho e buscarmos continuamente agregar valores a nossa formação. Percebemos. De um lado presenciamos. problemas que precisam ser resolvidos. Por isso a proposta exposta neste artigo reforça o pensamento que devemos exercer uma prática docente em parceria. para além dos profissionais e pais. resignifica conteúdos e adotamos novas posturas avaliativas. e proporcionando as dificuldades de aprendizagem. não existem respostas prontas. Fazer essa mediação é. diante o estágio na escola. com melhorias relacionados à pobreza e exclusão social.Conclusão Expusemos a visão que tivemos de um percurso. a vontade e disposição de promover uma discussão mais aprofundada em relação ao papel do psicopedagogo na instituição. Tornamos manifestas nossas angústias e. tivemos a ousadia de manifestar nossa opinião sobre a psicopedagogia frente às dificuldades dos alunos. Porém. sem nenhum tipo de serviços especiais. Pesquisar as dificuldades de aprendizagem em um escola pública e identificar a importância do educador nesse processo exigiu-nos. 6 . caso as práticas educacionais se resumem apenas à sua colocação na escola. em primeiro lugar a apropriação dos principais conceitos de dificuldades de aprendizagem e também o entendimento do papel do psicopedagogo na educação no atual momento histórico. Para que o aluno com dificuldades de aprendizagem receba uma educação apropriada as suas necessidades. da adequada formação dos professores e dos agentes educativos. porque entre o educador e o educando existem barreiras.

Jean. adeus professora: novas exigências educacionais e docente. A Escola. estado e sociedade. Rio de Janeiro: Sextante. PIAGET. 1996. Nádia. Campinas: Vozes. 1994 (Coleção Magistério 2º grau). visto que a burguesia nascente identificava na educação em valor a ser conquistado. VYGOTSKY: Aprendizado e desenvolvimento num processo histórico. A. A inteligência Aprisionada. SCOZ. 2000. 2003. São Paulo: Papirus. MARTA. B. BOSSA. fruto da Revolução Francesa. FERNANDES. Suas origens denotam a íntima relação entre ambos e a sociedade que a produziu. Professores Fascinantes. . 2003. J. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. Inteligência e afetividade da criança na teoria de Piaget. Filosofia da Educação. CURY.ALVES. Rubem. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. enquanto instituição surge com o estado democrático burguês. José Carlo. 1997. LIBANÊO. São Paulo: Spcione. No decorrer de todo o século XIX. Alícia. 1973. São Paulo: Cortez. 1994. 2 ed. São Paulo: Pioneira. ________________. Psicopedagogia e Realidade Escolar. Adeus Professor. de forma a refletir sobre a importância de processos educativos como formadores da humanidade e sobre a função do psicopedagogo neste cenário. exercido sobre o proletariado a partir dos progressos da Revolução Industrial. LUCKESI. 2002. 2004. São Paulo: Cortez. Para onde vai a educação? Rio de Janeiro: Olympio / UNESCO. Wadsworth. Fomos maus alunos. Dificuldades de Aprendizagem: o que são e como tratá-las. em seu processo de ascensão social. Pais Brilhantes. Kohl de Oliveira. Cipriano Carlos. BARRY. a escola se consolida no compromisso de dotar a burguesia dos meios que justificariam seu poder. 1990. Porto Alegre: ARTMED. * Trabalho apresentado e avaliado no curso de Psicopedagogia daFaculdade Estadual do Maranhão (UEMA) imprimir esta página O PSICOPEDAGOGO NA SOCIEDADE ATUAL Júlia Eugênia Gonçalves SUMÁRIO: O propósito deste artigo é pensar as relações entre escola. Porto Alegre: Artmed. 5 ed.

as capitalistas desenvolveram programas de “universalização do ensino” e “educação para todos”. este processo sofre algumas mudanças com o advento do estado socialista instaurado após a revolução russa de 1917. reiterando o aspecto funcional da escola a serviço da classe dominante. Após a 2ª metade deste século. podemos identificar a base ideológica contida nas relações entre escola. na qual um “saber”. são as “experiências de aprendizagem” que o indivíduo possui. prevalência dos processos de aprendizagem sobre os processos de ensino. que vai alterar profundamente o cenário político europeu e a sociedade da época. No caso do Brasil esta perspectiva também pode ser considerada. somente se consolida entre nós com a vinda da corte. exige da escola novas posições. •Qualidade educacional. não correspondem mais aos anseios e às necessidades de uma sociedade em mudança acelerada e de comunicação constante. projeto inicial do grande educador brasileiro Darcy Ribeiro. como nos diz Hugo Assmann. o estado capitalista pós-moderno. ou seja. fruto da economia globalizada. Estes três aspectos são reflexos das tendências que estão em jogo na sociedade contemporânea. pautadas em processos de transmissão e de assimilação de disciplinas isoladas e estanques apresentadas em aulas expositivas. a dicotomia capitalismo/socialismo se acentua com a chamada “guerra fria” e enquanto os segmentos ligados às ideologias marxistas defenderam programas de “educação de base”. apesar de algumas iniciativas jesuíticas do período colonial. acesso a novas tecnologias etc. Durante o século XX.A partir deste vetor de análise. construído nos bancos escolares não é mais aceito. a ponto de grandes críticos marxistas a identificarem como um dos “aparelhos ideológicos de estado”. A análise da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. visto que a educação escolar. . com gestão democrática. fruto da filosofia contida no relatório da Unesco sobre a Educação neste século e de toda a veiculação dos pressupostos construtivistas que se tornaram paradigmas educacionais dominantes. que compõem a didática mais utilizada nas escolas. já enunciados nos documentos que pautaram o “Plano Decenal de Educação”. Hoje. As respostas tradicionais da pedagogia. igualdade de acesso e permanência na escola. o que se relaciona com programas de valorização do trabalho docente. estado e sociedade. traz em seu bojo as seguintes tendências. em inícios do século XIX. neste momento. 1990-2000. pautados no princípio filosófico que associa a educação à possibilidade de ascensão social. •“Aprender a Aprender”. complementando as oportunidades de acesso. investimentos na formação continuada. pois o que é valorizado. que marcam o início do século XXI: •Universalização do ensino.

•Não há uma relação biunívoca entre ensino/aprendizagem e uma boa pedagogia não se resume num bom ensino. pois hoje toda filosofia da ciência caminha na direção de compreender o conhecimento como uma aquisição individual. engajar-se num acordo. necessita sempre de uma “meta ciência” que possa lidar com o que ela não consegue explicitar”. estado e sociedade são pautadas por necessidades produtivas. pois a velocidade das mudanças paradigmáticas que as ciências apresentam se coloca como . que tanto podem ser encaradas como perversas ou como utópicas. vídeo-conferência) causam um profundo impacto sobre a sociedade. aguça o individualismo e a competição. precisa estar inserida no sistema. a escola hoje. na atualidade. o que se vê é um caminhar no sentido da substituição de saberes pré-fixados. A contemporaneidade tem suscitado questões relevantes para todo ser humano. necessariamente. Diante dos desafios da pós-modernidade. evitando a exclusão social que ela pode. de identificar no meio do acúmulo incomensurável de informação disponível. infinita. comprometerse com a diminuição dos índices de repetência e evasão escolar. como prenunciava Ilich. A cultura não pode ser mais compreendida como um acúmulo de saber. No caso da pedagogia. é aquele que sabe onde encontrar a informação que necessita e. ao mesmo tempo. intranet. construída sobre uma base biológica e relacional. não dá conta de responder a todas as perguntas e. •Quaisquer ciências sejam as “duras” ou as “moles ou humanas. O homem culto. é aquele que tem condições de escolher. por isso. como diz Michel Sérres. aquela que lhe interessa. num verdadeiro pacto social em torno dos processos de aprendizagem que temos que desenvolver para formar cidadãos autônomos e aptos para as exigências que a tecnologia nos traz. para se relacionar com o estado e a sociedade. utilizando processadores de informação para garantir a ação educativa. dentre outras características. pelas que se seguem: •Todas as instituições necessitam estar contextualizadas e estabelecer compromissos sociais e. representar. principalmente. por uma prática da pergunta. apesar de indicar possibilidades de criação de uma cultura universal. No nosso ponto de vista.Vivemos um momento em que as relações entre escola. ou seja. A sociedade globalizada. tem uma limitação. As relações educativas não ficam distantes destas situações. a escola muda ou desaparece. e as biociências situam os processos cognitivos como processos vitais. As novas tecnologias da informação e os novos suportes (Internet. Tais tendências podem ser expressas. É preciso adaptar-se às novas mídias. Sua proposta de uma “sociedade sem escolas” antecipava a “sociedade aprendente” de hoje.

empregando novas tecnologias e. onde há trabalho. abrindo espaços de autoria. para poder ter respostas novas para problemas antigos. o profissional deve possuir capacidade de liderança e empreendedorismo. organizar as relações comunicativas. Experiência e conhecimento acumulado. Deve também ser criativo e inovador. A psicopedagogia tem um papel a desempenhar nesta nova escola e deverá ser a nosso ver. leva o processo pedagógico a uma situação obsoleta. Necessitam de empenho e dedicação contínuos. Deve ter humildade para compartilhar informações e conhecimentos. O trabalhador de século XI é um “aprendente”. nos quais cada elemento da comunidade escolar possa ser e fazer-se. necessita de constante atualização. precisa estar com o outro. para atuar no mercado de trabalho. se distanciados de atualização constante. para saber o que é. qualificando seus docentes como mediadores do conhecimento. para fazer frente às novas necessidades com as quais se depara. precisa adaptar-se e situar-se numa perspectiva de produção de novos saberes. O homem é. Deve ter consciência de seus compromissos sociais e uma ética pautada na solidariedade. lembrando que criar é descobrir o novo no conhecido. precisam ser adaptados e reformulados para atender às necessidades individuais. sobretudo os de avaliação. Experiências como as dos “Institutos Politécnicos” com cursos de curta duração têm sido realizadas com êxito em vários países. A fim de poder lidar com as profundas transformações que ocorrem na sociedade. mas falta emprego. sobretudo. considerado até então como uma espécie de “reserva” do conhecimento científico. A Universidade de hoje forma um profissional que. São também estratégias relacionais. pautados numa lógica da diferença e da alteridade. o setor que cumpre o papel de velar.um fator que. no sentido de que. cuidar. não significam nada. basicamente. Tais características não são fáceis de serem alcançadas. para saber de si. Os processos de ensino/aprendizagem e. As estratégias que se colocam à disposição da escola para o encaminhamento de tais questões são pautadas em processos de educação continuada e de educação à distância utilizando todos os suportes de informação disponíveis. quando não considerado. abandonando corporativismos. na medida em que pode apontar os . O saber universitário. O psicopedagogo tem um papel decisivo na formação deste profissional para o século XXI. um ser da comunicação. para trabalhar em “time”. o que significa uma mudança radical na prática pedagógica. Os cursos de graduação estão tentando adaptar-se a esta nova realidade.

pelo menos. A trajetória institucional de seus atores-autores. de ser um mediador de informações. sem imposições de qualquer natureza.2001. A função do psicopedagogo. PINTO. estado e sociedade. Vozes. tem fé no humano e não desanima diante de qualquer dificuldade. 1977.Expoente. Urge que a sociedade se organize em torno desta proposta.Hermes: uma filosofia da ciência. sem qualquer tipo de reação normativa. considerando a contribuição que os novos profissionais surgidos no mercado de trabalho. desadaptando-se a cada mudança que ocorre no ambiente. São paulo. projetadas.diversas faces. Por isso. Nas relações entre escola. precisa ser regulamentada o quanto antes. Psicopedagogia. ILICH. pois sabe que todos os seres são dotados da possibilidade de transformar vida em existência. Maria Alice leite. Seu trabalho é pautado na crença da capacidade humana de aprender e renovar-se continuamente. 1998. Por isso.Curitiba. Laura monte Serrat. H. de forma a que possa desempenhar o papel que lhe cabe neste momento histórico.A psicopedagogia no âmbito da Instituição Escolar. 2003. é a de ser “suporte”. em nossa perspectiva.caminhos para que tais metas sejam se não totalmente alcançadas. Publicado em 28/06/2005 15:27:00 . Editora Vozes. pois é um multiespecialista em aprendizagem humana e detém conhecimentos fundamentais para o momento em que vivemos. Psicopedagogo na rede de ensino. o psicopedagogo pode vir a ser o profissional que articula instâncias reguladoras entre os diversos âmbitos da realidade educacional. 1990. sua atuação profissional legitimada socialmente. Graal. BIBLIOGRAFIA: ASSMANN. O Projeto de Lei que regulamenta a profissão de psicopedagogo tramita no Congresso Federal desde 1997. Petrópolis. de ser aquele que indica caminhos possíveis para serem trilhados pelo sujeito. BARBOSA. Sociedade sem Escola. SERRES M. Neide. São Paulo. informação em conhecimento. Olho DÁgua. NOFFS. Elevação. Petrópolis. têm a oferecer.2003. ou seja. e todos têm um saber a ser explorado em benefício da sociedade. de forma a que o estado brasileiro cumpra com sua função de velar pela educação em nosso país. acredita sempre no homem. múltiplos olhares.Reencantar a Educação: rumo à sociedade aprendente. Rio de Janeiro.

quando descreve a aprendizagem. a partir da observação cuidadosa de seus próprios filhos e de muitas outras crianças. Estudou a evolução do pensamento desde o nascimento até a adolescência. Piaget. concluiu que em muitas questões cruciais as crianças não pensam como os adultos. a maneira de pensar é diferente. do mesmo modo que eram fisicamente maiores. procurando entender os mecanismos mentais que o indivíduo utiliza para captar o mundo. tem um enfoque diferente do que normalmente se atribui à esta palavra. como em classe. obtida de forma sistemática ou não. não somente em grau. Suiça em 1896 e faleceu em 1980. . sendo que nos últimos anos de sua vida centrou seus estudos no pensamento lógico e matemático. aprendida em função da experiência. investigou o processo de construção do conhecimento. Até o início do século XX assumia-se que as crianças pensavam e raciocinavam da mesma maneira que os adultos. mas os processos cognitivos básicos eram os mesmos ao longo da vida. Para Piaget. Piaget separa o processo cognitivo inteligente em duas palavras: aprendizagem e desenvolvimento. sendo este o responsável pela formação dos conhecimentos.Jean Piaget nasceu em Neuchâtel. Enquanto que o desenvolvimento seria uma aprendizagem de fato. Por ainda lhes faltarem certas habilidades. a aprendizagem refere-se à aquisição de uma resposta particular. Piaget. A crença da maior parte das sociedades era a de que qualquer diferença entre os processos cognitivos entre crianças e adultos era sobretudo de grau: os adultos eram superiores mentalmente. Como epistemológico.

quando postula sua teoria sobre o desenvolvimento da criança. que se constitui na busca sucessiva de reequilíbrio após cada desequilíbrio sofrido). ocorre através da assimilação e acomodação. englobando fases desde o nascimento até o seu mais completo grau de maturidade e estabilidade. que ele próprio chama de fases de transição essas 4 fases são o Sensório-motor (0 – 2 anos). Considera ainda que o processo de desenvolvimento é influenciado por factores como: maturação (crescimento biológico dos órgãos). aprendizagem social (aquisição de valores. conforme mostra a linha evolutiva da Psicologia. configurando os estádios de desenvolvimento. A adaptação. o Operações concretas (7 – 12 anos) e o estádio das operações concretas. descreve-a. em 4 estados.Piaget. quando definida por Piaget. Os esquemas de assimilação vão se modificando. como o próprio desenvolvimento da inteligência. exercitação (funcionamento dos esquemas e órgãos que implica na formação de hábitos). o Préoperatória (2 – 7 anos).br Apresentação O estudo do desenvolvimento do ser humano constitui uma área do conhecimento da Psicologia cujas proposições nucleares concentram-se no esforço de compreender o homem em todos os seus aspectos. basicamente. tem culminado na elaboração de várias teorias que procuram reconstituir. costumes e padrões culturais e sociais) e equilibrarão (processo de auto regulação interna do organismo. as condições de . Tal esforço. linguagem. a partir de diferentes metodologias e pontos de vistas.com. AS FASES DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO – PIAGET O DESENVOLVIMENTO HUMANO NA TEORIA DE PIAGET Márcia Regina Terra* mterra@estadao.

No entanto. na medida em que ela busca.muito embora. O propósito do nosso estudo. a intenção de Piaget não tenha propriamente incluído a idéia de formular uma teoria específica de aprendizagem (La Taille. conforme procuraremos discutir na seqüência deste trabalho. é o de que o modelo piagetiano prima pelo rigor científico de sua produção. é tecer algumas considerações referidas ao eixo principal em torno do qual giram as concepções do método psicogenético de Piaget. o qual. 1992.). como as demais. que é a referência deste nosso trabalho. Furtado et. Rappaport. segundo estudiosos. às visões de duas correntes antagônicas e inconciliáveis que permeiam a Psicologia em geral: o objetivismo e o subjetivismo. ao campo da Educação . 1981. ampla e consistente ao longo de 70 anos.ambas marcadas pelo antagonismo inconciliável de seus postulados que separam de forma estanque o físico e o psíquico. al. Dentre essas teorias. portanto. compreender o desenvolvimento do ser humano. Um outro ponto importante a ser considerado.1999. não foge à regra. conforme mencionamos mais acima. Coll. 1992. 1) A visão interacionista de Piaget: a relação de interdependência entre o homem e o objeto do conhecimento Introduzindo uma terceira visão teórica representada pela linha interacionista. curiosamente aliás. principalmente.o materialismo mecanicista e o idealismo . as idéias de Piaget contrapõem-se. etc. Ambas as correntes são derivadas de duas grandes vertentes da Filosofia (o idealismo e o materialismo mecanicista) que. que trouxe contribuições práticas importantes. são herdadas do dualismo radical de Descartes que propôs a separação estanque entre corpo . elaborador de conhecimentos válidos". a de Jean Piaget (1896-1980). tem como objetivo "compreender como o sujeito se constitui enquanto sujeito cognitivo. ela se destaca de outras pelo seu caráter inovador quando introduz uma 'terceira visão' representada pela linha interacionista que constitui uma tentativa de integrar as posições dicotômicas de duas tendências teóricas que permeiam a Psicologia em geral .. segundo Coll e Gillièron (1987:30).produção da representação do mundo e de suas vinculações com as visões de mundo e de homem dominantes em cada momento histórico da sociedade. por sua vez.

reconhecendo. o processo evolutivo da filogenia humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação e interação do organismo com o meio ambiente .) a lógica representa para Piaget a forma final do equilíbrio das ações. na concepção de Piaget. Assim sendo.. equivale à compreensão dos mecanismos envolvidos na formação do pensamento lógico. 1976 apud Freitas 2000:64). Como lembra La Taille (1992:17). 2000. mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas" (Piaget. id est. são reorganizadas pela psique socializada. Nesse sentido. argumentando que "o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata pré-formada no sujeito. em contraste.que o rodeia (Coll. 2000:63). se efetua através de um mecanismo auto-regulatório que consiste no processo de equilíbração progressiva do organismo com o meio em que o indivíduo está inserido.e alma. a primazia do sujeito sobre o objeto (Freitas. Considerando insuficientes essas duas posições para explicar o processo evolutivo da filogenia humana. Quer dizer. 2) O processo de equilibração: a marcha do organismo em busca do pensamento lógico Pode-se dizer que o "sujeito epistêmico" protagoniza o papel central do modelo piagetiano. 1992. "(.físico e social .. por sua vez. matemático. Freitas. calcada no substrato psíquico. como procuraremos expor em seguida. entre físico e psíquico. desde o início da sua vida até a idade adulta. pois a grande preocupação da teoria é desvendar os mecanismos processuais do pensamento do homem. entende que todo conhecimento é anterior à experiência. 2003. afirmando que todo conhecimento provém da experiência. Ela é 'um sistema de . portanto. La Taille. Esse processo. biologicamente constituídas. a Psicologia objetivista. etc. a compreensão dos mecanismos de constituição do conhecimento. significando entender com isso que as formas primitivas da mente. e a Psicologia subjetivista. privilegia o dado externo.). 1992. ou seja. existe uma relação de interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. Piaget formula o conceito de epigênese.

no método psicogenético. o pensamento lógico não é inato ou tampouco externo ao organismo mas é fundamentalmente construído na interação homem-objeto. naturalmente. ou seja. no modelo piagetiano. da mesma forma também não é uma condição suficiente ao desenvolvimento cognitivo humano. o desenvolvimento da filogenia humana se dá através de um mecanismo auto-regulatório que tem como base um 'kit' de condições biológicas (inatas portanto). Simplificando ao máximo. embora essencial. Por assim dizer. Por sua vez. concentrase na busca de respostas pertinentes para uma questão fulcral: "Como os homens constróem o conhecimento?" (La Taille: vídeo). no entanto.). haja vista que este só acontecerá a partir da interação do sujeito com o objeto a conhecer. op. Esses fatores que são . Quer dizer. isto é. Procurando soluções para esse problema central. quer sejam: como é que a lógica passa do nível elementar para o nível superior? Como se dá o processo de elaboração das idéias? Como a elaboração do conhecimento influencia a adaptação à realidade? Etc. de ações que se tornaram reversíveis e passíveis de serem compostas entre si'". Tais aspectos deixam à mostra que.cit. ao tentar descrever a origem da constituição do pensamento lógico. é explicado segundo o pressuposto de que existe uma conjuntura de relações interdependentes entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. o exercício do raciocínio. O maior problema. Imbricam-se nessa questão. outras indagações afins. tanto a experiência sensorial quanto o raciocínio são fundantes do processo de constituição da inteligência. a elaboração do pensamento lógico demanda um processo interno de reflexão. portanto. Precipuamente. uma vez que para tanto é preciso. Piaget focaliza o processo interno dessa construção. a relação com o objeto. o 'status' da lógica matemática perfaz o enigma básico a ser desvendado. esse fato per se não assegura o desencadeamento de fatores que propiciarão o seu desenvolvimento. que é ativado pela ação e interação do organismo com o meio ambiente físico e social (Rappaport. ou do pensamento lógico do homem. Está implícito nessa ótica de Piaget que o homem é possuidor de uma estrutura biológica que o possibilita desenvolver o mental.operações. nesse sentido. Id est. Piaget sustenta que a gênese do conhecimento está no próprio sujeito. ainda. o desenvolvimento humano.

a experiência com objetos. a teoria psicogenética deixa à mostra que a inteligência não é herdada. Em vista disso. a vivência social e. .cit. Nessa linha de raciocínio. São essas estruturas biológicas que irão predispor o surgimento de certas estruturas mentais. O conceito de equilibração torna-se especialmente marcante na teoria de Piaget pois ele representa o fundamento que explica todo o processo do desenvolvimento humano. ao nascer. significando entender. na linha piagetiana. pode-se dizer que. mas sim que ela é construída no processo interativo entre o homem e o meio ambiente (físico e social) em que ele estiver inserido. a equilibração do organismo ao meio. (b) Os fatores variantes: são representados pelo conceito de esquema que constitui a unidade básica de pensamento e ação estrutural do modelo piagetiano. portanto. em última instância. para Piaget. haja vista que no processo de interação podem ocorrer desajustes do meio ambiente que rompem com o estado de equilíbrio do organismo.complementares envolvem mecanismos bastante complexos e intrincados que englobam o entrelaçamento de fatores que são complementares. eliciando esforços para que a adaptação se restabeleça.). já que é de igual ocorrência para todos os indivíduos da espécie humana mas que pode sofrer variações em função de conteúdos culturais do meio em que o indivíduo está inserido. tais como: o processo de maturação do organismo. sobretudo. op.que permanecem constantes ao longo da sua vida. visando à adaptação do indivíduo ao real que o circunda. um caráter universal. que. sendo um elemento que se tranforma no processo de interação com o meio. o 'motor' do comportamento do homem é inerente ao ser.sensoriais e neurológicas . Com isso. Trata-se de um fenômeno que tem. considerase que o indivíduo carrega consigo duas marcas inatas que são a tendência natural à organização e à adaptação. Essa busca do organismo por novas formas de adaptação envolvem dois mecanismos que apesar de distintos são indissociáveis e que se complementam: a assimilação e a acomodação. Em síntese. o equilíbrio é o norte que o organismo almeja mas que paradoxalmente nunca alcança (La Taille. em sua essência. o trabalho de Piaget leva em conta a atuação de 2 elementos básicos ao desenvolvimento humano: os fatores invariantes e os fatores variantes. (a) Os fatores invariantes: Piaget postula que. o indivíduo recebe como herança uma série de estruturas biológicas .

Tal processo pode ser representado pelo seguinte quadro: equilibração majorante ambiente è desequilíbrio è assimilação adaptação í î è acomodação .(a) A assimilação consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência. pois dificilmente um objeto é igual a outro já conhecido. portanto. visando sempre a restabelecer a equilibração do organismo. os processos de assimilação e acomodação são complementares e acham-se presentes durante toda a vida do indivíduo e permitem um estado de adaptação intelectual (. toda experiência é assimilada a uma estrutura de idéias já existentes (esquemas) podendo provocar uma transformação nesses esquemas. Representa um processo contínuo na medida em que o indivíduo está em constante atividade de interpretação da realidade que o rodeia e. tendo que se adaptar a ela. Como o processo de assimilação representa sempre uma tentativa de integração de aspectos experienciais aos esquemas previamente estruturados.:65) emergindo. ou uma situação é exatamente igual a outra. Vê-se nessa idéia de "equilibração" de Piaget a marca da sua formação como Biólogo que o levou a traçar um paralelo entre a evolução biológica da espécie e as construções cognitivas. imaginar uma situação em que possa ocorrer assimilação sem acomodação. se não impossível. ou seja. consequentemente.cit.. como o elemento complementar das interações sujeitoobjeto.. vídeo). a acomodação representa "o momento da ação do objeto sobre o sujeito" (Freitas. Quer dizer. consiste na capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento. (b) A acomodação. Como observa Rappaport (1981:56). por sua vez. ao entrar em contato com o objeto do conhecimento o indivíduo busca retirar dele as informações que lhe interessam deixando outras que não lhe são tão importantes (La Taille. gerando um processo de acomodação.) É muito difícil. op. Em síntese.

na medida em que toda experiência leva em graus diferentes a um processo de assimilação e acomodação. esse processo de transformação vai depender sempre de como o indivíduo vai elaborar e assimilar as suas interações com o meio. ainda. id est. op. Para avançar no desenvolvimento é preciso que o ambiente promova condições para transformações cognitivas. É bom considerar. é um mundo inferencial. e assim sucessivamente. isso porque a visada conquista da equilibração do organismo reflete as elaborações possibilitadas pelos níveis de desenvolvimento cognitivo que o organismo detém nos diversos estágios da sua vida. Haja vista que o "objeto nunca se deixa compreender totalmente" (La Taille. na medida em que a constituição do conhecimento coloca o indivíduo frente a conflitos cognitivos constantes que movimentam o organismo no sentido de resolvê-los. que. da cognição.cit.). o conceito de equilibração sugere algo móvel e dinâmico. As fases do desenvolvimento infantil segundo Piaget Cada uma dessas fases é caracterizada por formas diferentes de organização mental que possibilitam as diferentes maneiras do indivíduo relacionar-se com a realidade que o . deixa ver que é no contato com o mundo que a matéria bruta do conhecimento é 'arrecadada'. como destacaremos na próxima seção deste trabalho. é necessário que se estabeleça um conflito cognitivo que demande um esforço do indivíduo para superá-lo a fim de que o equilíbrio do organismo seja restabelecido. para Piaget. os modos de relacionamento com a realidade são divididos em 4 períodos. Em última instância. o processo de equilibração pode ser definido como um mecanismo de organização de estruturas cognitivas em um sistema coerente que visa a levar o indivíduo a construção de uma forma de adaptação à realidade. A esse respeito. trata-se de entender que o mundo das idéias. No entanto. pois que é no processo de construções sucessivas resultantes da relação sujeito-objeto que o indivíduo vai formar o pensamento lógico.Dessa perspectiva. na linha piagetiana. a concepção do desenvolvimento humano.

1 .Aquisição da linguagem até a construção de frases simples . portanto.cit. as principais características de cada um desses períodos. agente e paciente dos eventos que nele ocorrem" (id ibid). conforme lembra Furtado (op.Início da compreensão de regras .Preferências afetivas . o movimento dos olhos. (a) Período Sensório-motor (0 a 2 anos): segundo La Taille (2003). 1987).Noção de permanência do objeto . e causalidade reduzida ao poder das ações.rodeia (Coll e Gillièron. em uma forma de onipotência" (id ibid).Período Sensório-Motor (0 a 2 anos) . por exemplo). "a criança nasce em um universo para ela caótico. Progressivamente. as funções mentais limitam-se ao exercício dos aparelhos reflexos inatos. o universo que circunda a criança é conquistado mediante a percepção e os movimentos (como a sucção. habitado por objetos evanescentes (que desapareceriam uma vez fora do campo da percepção). Piaget usa a expressão "a passagem do caos ao cosmo" para traduzir o que o estudo sobre a construção do real descreve e explica. causalidade objetivados e solidários.). porém o início e o término de cada uma delas pode sofrer variações em função das características da estrutura biológica de cada indivíduo e da riqueza (ou não) dos estímulos proporcionados pelo meio ambiente em que ele estiver inserido. com tempo e espaço subjetivamente sentidos. Por isso mesmo é que "a divisão nessas faixas etárias é uma referência. sem entrar em uma descrição detalhada. espaço. a criança vai aperfeiçoando tais movimentos reflexos e adquirindo habilidades e chega ao final do período sensório-motor já se concebendo dentro de um cosmo "com objetos. De uma forma geral.Desenvolvimento da percepção . a seguir.Aprendizagem da coordenação motora elementar . Abordaremos. tempo. De acordo com a tese piagetiana. Assim sendo. e não uma norma rígida". No recém nascido. todos os indivíduos vivenciam essas 4 fases na mesma seqüência. entre os quais situa a si mesma como um objeto específico.

cit. a linguagem é considerada como uma condição necessária mas não suficiente ao desenvolvimento. nessa faixa etária. pelo egocentrismo. conforme alerta La Taille (1992).). conforme demonstram as pesquisas psicogenéticas (La Taille. às possibilidades de contatos interindividuais fornecidos pela linguagem. op. sugerindo.Período Pré-Operatório (2 a 7 anos) . Todavia.(b) Período pré-operatório (2 a 7 anos): para Piaget. a inteligência é anterior à emergência da linguagem e por isso mesmo "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica.cit. ou seja. ele caracteriza-se. embora a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em função da aquisição de esquemas sensoriaismotores na fase anterior) ela apresentará.. embora o alcance do pensamento apresente transformações importantes. desse modo.cit. o meu filho dizer coisas do tipo "o meu carro do meu pai". Assim. etc..Domínio da linguagem .). neste estágio.cit. a emergência da linguagem acarreta modificações importantes em aspectos cognitivos. Em uma palavra. Contudo. é atribuída. ainda. devido à ausência de esquemas conceituais e da lógica. pois existe um trabalho de reorganização da ação cognitiva que não é dado pela linguagem. o egocentrismo característico desta fase do desenvolvimento. a capacidade de trabalhar com representações para atribuir significados à realidade. Nessa concepção. que a aceleração do alcance do pensamento neste estágio do desenvolvimento. Tanto é assim. uma vez que a criança não concebe uma realidade da qual não faça parte. 2 . paradoxalmente. isso implica entender que o desenvolvimento da linguagem depende do desenvolvimento da inteligência. um entendimento da realidade desequilibrado (em função da ausência de esquemas conceituais). op. Furtado. o que marca a passagem do período sensório-motor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica. é a emergência da linguagem. portanto. que constitui o núcleo do pensamento racional" (Coll e Gillièron. Na linha piagetiana. uma vez que ela possibilita as interações interindividuais e fornece. lembro-me muito bem que me chamava à atenção o fato de. Para citar um exemplo pessoal relacionado à questão. conforme salienta Rappaport (op. principalmente.). op. afetivos e sociais da criança. em grande parte.

a objetos ou situações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta. ela começa a realizar operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da inteligência sensório-motor (se lhe perguntarem. os objetos são percebidos como tendo intenções de afetar a vida da criança e dos outros seres humanos. Contudo. de diâmetro menor)". ou seja. "a capacidade de pensar simultaneamente o estado inicial e o estado final de alguma transformação efetuada sobre os objetos (por exemplo.Animismo. ela será capaz de responder acertadamente comparando-as mediante a ação mental.Coordenação motora fina. a ausência de conservação da quantidade quando se transvaza o conteúdo de um copo A para outro B. entre várias. tanto os esquemas conceituais como as ações executadas mentalmente se referem.cit. isto é. sem precisar medi-las usando a ação física). conservação de massa e noção de volume . finalismo e antropocentrismo/egocentrismo. conforme pontua La Taille (1992:17) se no período pré-operatório a criança ainda não havia adquirido a capacidade de reversibilidade.Número. Além disso. .Possibilidade da moral da obediência. nesta fase. por exemplo. embora a criança consiga raciocinar de forma coerente. 12 anos): neste período o egocentrismo intelectual e social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de outros) que caracteriza a fase anterior dá lugar à emergência da capacidade da criança de estabelecer relações e coordenar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem ) e de integrá-los de modo lógico e coerente (Rappaport.)..Período das Operações Concretas (7 a 11 ou 12 anos) . (c) Período das operações concretas (7 a 11. Um outro aspecto importante neste estágio refere-se ao aparecimento da capacidade da criança de interiorizar as ações. qual é a vareta maior. op. limitação em se colocar no lugar dos outros ..Início da capacidade de utilizar a lógica .Brincadeiras individualizadas. tal reversibilidade será construída ao longo dos estágios operatório concreto e formal. 3 . isto é. ou seja. que o certo e o errado é aquilo que dizem os adultos. . i.e.

ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior. gramática.Operações matemáticas. Cabe-nos problematizar as considerações anteriores de Rappaport.cit. o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio.Julgamento moral próprio que considera as intenções e não só o resultado (p. possibilidade de compreensão dos próprios erros . Com isso. a partir do ápice adquirido na adolescência. De acordo com a tese piagetiana. do contexto concreto e da experiência pessoal" (Oliveira. Seu desenvolvimento posterior consistirá numa ampliação de conhecimentos tanto em extensão como em profundidade.. (d) Período das operações formais (12 anos em diante): nesta fase a criança.:74) a criança adquire "capacidade de criticar os sistemas sociais e propor novos códigos de conduta: discute valores morais de seus pais e contrói os seus próprios (adquirindo. como enfatiza Rappaport (op.:63). ao atingir esta fase. no fim do período mais concentrada no mesmo sexo).Planejamento das ações . ou seja. jogos em equipe. Isso não quer dizer que ocorra uma estagnação das funções cognitivas. tais .ex. De acordo com os pressupostos da teoria de Piaget. capacidade de compreender e se lembrar de fatos históricos e geográficos . a partir da seguinte reflexão: resultados de pesquisas* têm indicado que adultos "poucoletrados/escolarizados" apresentam modo de funcionamento cognitivo "balizado pelas informações provenientes de dados perceptuais. perdoar se foi “sem querer”). já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da lógica formal.cit. 2001a:148). autonomia)".Compreensão do ponto-de-vista e necessidades dos outros . Menos peso à opinião dos adultos.Auto-análise. mas não na aquisição de novos modos de funcionamento mental". "esta será a forma predominante de raciocínio utilizada pelo adulto. portanto. . ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta.Coordenação de atividades. conforme aponta Rappaport (op. formação de turmas de amigos (no início de ambos os sexos.

vale ressaltar. porém não suficiente ao desenvolvimento da moral.aliás. Como é que tais adultos (operatório-concreto) poderiam. Para Piaget (1977 apud La Taille 1992:21). podem ser modificadas consensualmente entre os jogadores. a capacidade de desenvolver "novos modos de funcionamento mental"? . 10 anos de idade). o estágio final do desenvolvimento que caracteriza o funcionamento do adulto (lógico-formal). porém o indivíduo ainda não está mobilizado pelas relações bem x mal e sim pelo sentido de hábito. para Piaget. de acordo com a respectiva teoria. a própria moral pressupõe inteligência. em que a moral não se coloca. existe um desenvolvimento da moral que ocorre por etapas. Piaget argumenta que o desenvolvimento da moral abrange 3 fases: (a) anomia (crianças até 5 anos). portanto. ainda. sendo que o dever de 'respeitá-las' implica a moral por envolver questões de justiça e honestidade. corresponde ao último estágio do desenvolvimento da moral. em que a moral é = a autoridade. mas sim como algo imposto pela tradição e. ou seja. de dever. ou seja. apesar de herdadas culturalmente. em 3 . Isso porque Piaget entende que nos jogos coletivos as relações interindividuais são regidas por normas que.adultos estariam. Quer dizer. Nesse sentido. não teriam alcançado. sendo que cada um deles consegue conceber a si próprio como possível 'legislador' em regime de cooperação entre todos os membros do grupo. ainda. ou seja. retomando a nossa discussão. "toda moral consiste num sistema de regras e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por estas regras". (c) autonomia. ainda. Para Piaget. as regras não correpondem a um acordo mútuo firmado entre os jogadores. no estágio operatório-concreto. de acordo com os estágios do desenvolvimento humano. a moralidade implica pensar o racional. portanto. quer seja o respeito a regras é entendido como decorrente de acordos mútuos entre os jogadores. de acordo com a teoria. Assim sendo. que. não dependeria do desenvolvimento da estrutura cognitiva a capacidade de desenvolver o pensamento descontextualizado? Bem. a inteligência é uma condição necessária. (b) heteronomia (crianças até 9. haja vista que as relações entre moral x inteligência têm a mesma lógica atribuída às relações inteligência x linguagem. imutável. adquirir condições de ampliar e aprofundar conhecimentos (lógico-formal) se não lhes é reservada. em que há a legitimação das regras e a criança pensa a moral pela reciprocidade. as regras são seguidas.

b) princípios: que representam o espírito das regras (amaivos uns aos outros. por sua vez. permitindo entender de onde são derivados os princípios das regras a serem seguidas. Possibilidade de dedicação para transformar o mundo.Abstração matemática (x. Vemos.que corresponde à noção de dever. as relações interindividuais que são regidas por regras envolvem.dimensões: a) regras: que são formulações verbais concretas. Isso implica entender que "o desenvolvimento cognitivo é condição necessária ao pleno exercício da cooperação. por exemplo). não precisaria de polícia.que pressupõe a noção de articulação de operações de dois ou mais sujeitos.Criatividade para trabalhar com hipóteses impossíveis ou irreais (se não existe gravidade. 4 . portanto. envolvendo não apenas a noção de 'dever' mas a de 'querer' fazer.Formação de conceitos abstratos (liberdade. 21).Desenvolvimento da sexualidade 4) As conseqüências do modelo piagetiano para a ação pedagógica . raiz quadrada. justiça) . 1992). por exemplo). como funcionaria o elevador? Se as pessoas não fossem tão egoístas. Assim sendo. pois uma postura ética deverá completar o quadro" (idem p. que uma das peculiaridades do modelo piagetiano consiste em que o papel das relações interindividuais no processo evolutivo do homem é focalizado sob a perspectiva da ética (La Taille. mas não condição suficiente. infinito) .Reflexão existencial (Quem sou eu? O que eu quero da minha vida?) .Experiência de coisas novas. estimuladas pelo grupo de amigos .Período das Operações Formais (11-12 anos em adiante) . e de cooperação . explícitas (como os 10 Mandamentos.Moral própria baseada na moral do grupo de amigos . c) valores: que dão respostas aos deveres e aos sentidos da vida. .).Crítica dos valores morais e sociais . relações de coação .

Coll (1992:172) faz a seguinte observação: "ao que se sabe. A esse respeito. entre outros: a) as dificuldades de ordem técnica. no entanto os resultados práticos obtidos com tais aplicações não podem ser considerados tão frutíferos. Uma das razões da difícil penetração da teoria genética no âmbito da escola deve-se. d) a idéia básica do construtivismo postulando que a atividade de organização e planificação da aquisição de conhecimentos estão à cargo do aluno acaba por não dar conta de explicar o caráter da intervenção por parte do professor.) ressalta. o objeto a conhecer não deve estar nem além nem aquém da capacidade do aprendiz conhecedor. de forma contraditória aos interesses previstos. "ao difícil entendimento do seu conteúdo conceitual como pelos método de análise formalizante que utiliza e pelo estilo às vezes 'hermético' que caracteriza as publicações de Piaget" (idem p. ou seja. portanto. na Europa e no Brasil. por ser esta de caráter preeminentemente político-metodológico e não técnico como tradicionalmente se procurou incutir nas idéias da sociedade. a fim de se evitar os riscos de sérios erros. c) a parte social da escola fica prejudicada uma vez que o raciocínio por trás da argumentação de que a criança vai atingir o estágio operatório secundariza a noção do desenvolvimento do pensamento crítico. inclusive. também. veio a se tornar uma das mais importantes diretrizes no campo da aprendizagem escolar. segundo o autor. dessa forma.Como já foi mencionado na apresentação deste trabalho. Não obstante esse fato. ele [Piaget] nunca participou diretamente nem coordenou uma pesquisa com objetivos pedagógicos". principalmente. De acordo com Coll (op. nos USA.) as tentativas de aplicação da teoria genética no campo da aprendizagem são numerosas e variadas. o modelo piagetiano. por exemplo. Coll (op. b) a predominância no "como" ensinar coloca o objetivo do "o quê" ensinar em segundo plano. . curiosamente. exigindo um alto grau de especialização e de prudência profissional. e) a idéia de que o indivíduo apropria os conteúdos em conformidade com o desenvolvimento das suas estruturas cognitivas estabelece o desafio da descoberta do "grau ótimo de desequilíbrio". 174).cit.cit. que a aplicação educacional da teoria genética tem como fatores complicadores. ao caráter fundamental de transmissão do saber acumulado culturalmente que é uma função da instituição escolar. metodológicas e teóricas no uso de provas operatórias como instrumento de diagnóstico psicopedagógico. a teoria psicogenética de Piaget não tinha como objetivo principal propor uma teoria de aprendizagem. contrapondo-se.

na medida em que é evidenciada uma tentativa de integração entre o sujeito e o mundo que o circunda. 1998).no que pese a . que é explicado segundo o pressuposto de que existe uma conjuntura de relações interdependentes entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. conforme aponta Coll (1992). Considerações finais A referência deste nosso estudo foi a teoria de Piaget cujas proposições nucleares dão conta de que a compreensão do desenvolvimento humano equivale à compreensão de como se dá o processo de constituição do pensamento lógico-formal. b) em oposição às visões de teorias behavioristas que consideravam o erro como interferências negativas no processo de aprendizagem. Tal processo. Paradoxalmente. a equilibração do organismo ao meio. por exemplo: a) a possibilidade de estabelecer objetivos educacionais uma vez que a teoria fornece parâmetros importantes sobre o 'processo de pensamento da criança' relacionados aos estádios do desenvolvimento. 5. apesar dos complicadores decorrentes da "dicotomia entre os aspectos estruturais e os aspectos funcionais da explicação genética" (idem. as relações entre teoria psicogenética x educação. p. como contribuições contundentes da teoria psicogenética podem ser citados. entre outros. motivo de caloroso debate entre acadêmicos *). pode-se considerar que a teoria psicogenética trouxe contribuições importantes ao campo da aprendizagem escolar. em grande parte. dentro da concepção cognitivista da teoria psicogenética. 1998). matemático.Por outro lado. um reducionismo psicologizante em detrimento ao social (aliás. Em resumo. envolve mecanismos complexos e intrincados que englobam aspectos que se entrelaçam e se complementam. c) uma outra contribuição importante do enfoque psicogenético foi lançar luz à questão dos diferentes estilos individuais de aprendizagem. tais como: o processo de maturação do organismo. os erros passam a ser entendidos como estratégias usadas pelo aluno na sua tentativa de aprendizagem de novos conhecimentos (PCN. sobretudo. a vivência social e. (PCN. a experiência com objetos. Em face às discussões apresentadas no decorrer do trabalho. contudo . cremos ser lícito concluir que as idéias de Piaget representam um salto qualitativo na compreensão do desenvolvimento humano. 192) e da tendência dos projetos privilegiarem.

desde o nascimento. As principais delas. de acordo com o estágio de desenvolvimento em que esta se encontra. por aceitar que os fatores internos preponderam sobre os externos. Vygotsky discorda de que a construção do conhecimento proceda do individual para o social. Piaget. Há. são as seguintes: A) QUANTO AO PAPEL DOS FATORES INTERNOS E EXTERNOS NO DESENVOLVIMENTO Piaget privilegia a maturação biológica. Com isso. postula que desenvolvimento e aprendizagem são processos que se influenciam reciprocamente. Neste sentido.o papel do meio no funcionamento do indivíduo é relegado a um plano secundário. Vygotsky. aproximando-se da concepção dos adultos: torna-se socializada. ele minimiza o papel da interação social. vai formando uma visão desse mundo através da interação com adultos ou crianças mais experientes. Em seu entender a criança já nasce num mundo social e. procede-se do social para o individual. mais desenvolvimento. reconhece que. ao salientar o ambiente social em que a criança nasceu. A visão particular e peculiar (egocêntrica) que as crianças mantêm sobre o mundo vai. Vygotsky. mediada pelo interpessoal antes de ser internalizada pela criança. no entanto. A construção do real é. então. universal. grandes diferenças na maneira de conceber o processo de desenvolvimento. não se pode aceitar uma visão única. PIAGET E VYGOTSKY . é possível afirmar que tanto Piaget como Vygotsky concebem a criança como um ser ativo.Diferenças e semelhanças Do que foi visto. ao longo do desenvolvimento. ao contrário. quanto mais aprendizagem. ainda.rejeição de Piaget pelo antagonismo das tendências objetivista e subjetivista . B) QUANTO À CONSTRUÇÃO REAL Piaget acredita que os conhecimentos são elaborados espontaneamente pela criança. de desenvolvimento humano. o desenvolvimento também variará. postula que o desenvolvimento segue uma seqüência fixa e universal de estágios. o ambiente social. em se variando esse ambiente. que constantemente cria hipóteses sobre o seu ambiente. uma vez que permanece. a predominância do indivíduo em detrimento das influências que o meio exerce na construção do seu conhecimento. em resumo. C) QUANTO AO PAPEL DA APRENDIZAGEM Piaget acredita que a aprendizagem subordina-se ao desenvolvimento e tem pouco impacto sobre ele. progressivamente. Desta forma. de modo que. D) QUANTO AO PAPEL DA LINGUAGEM NO DESENVOLVIMENTO E Á RELAÇÃO ENTRE LINGUAGEM E PENSAMENTO . Vygotsky. atento. objetiva.

Já para Vygotsky. sistematiza a experiência direta das crianças e por isso adquire uma função central no desenvolvimento cognitivo. Síntese das idéias da Vygotsky Para Vygotsky. desde o início da vida. se o pai é alto.aproximadamente. mas mais bem elaborado. Em todas as culturas.Toda abordagem é feita de maneira de maneira holística (ampla) e o cotidiano é sempre em movimento. reconhecido pelos estudiosos sobre a formação de conceitos. Trabalha com a idéia de zonas de desenvolvimento. Por exemplo. que em geral são transmitidos pela escola e que aos poucos vão sendo incorporados ao senso comum. que pode ser Unigráfica: semelhante ao desenho anterior. Os conceitos científicos são formais. Se uma pessoa chega ao 100. a criança entra numa nova fase.Segundo Piaget. A formação do pensamento depende. possibilita o aparecimento da imaginação. sistematizados. Os conceitos espontâneos ou do cotidiano. pois. porque estamos sempre adquirindo conceitos novos. praticando a Escrita Indecifrável. aos processos de pensamento. Para os outros 70. o início de tudo e tem vários significados. composta por conceitos que já dominamos. o uso da memória e o planejamento da ação. através de símbolos criados pela cultura. três anos de idade escreve o nome da mãe ou do pai. Neste sentido. ainda psicológicos evolui em fases e a escrita acompanha. a linguagem. basicamente. ela faz um risco grande. que apenas é uma das suas formas de expressão. a seriar. diferentemente daquilo que Piaget postula.Piaget. sendo o nosso potencial. Estabelece três estágios na aquisição desses conceitos. A linguagem possibilita à criança evocar um objeto ou acontecimento ausente na comunicação de conceitos. Uma criança de. A aquisição da linguagem pela criança modifica suas funções mentais superiores: ela dá uma forma definida ao pensamento.A palavra é o microcosmo. estamos no 30. apenas usando palavras. Os conceitos são construídos no processo histórico e o cérebro humano é resultado da evolução. o pensamento aparece antes da linguagem. é polissêmica. testados pelos meios científicos. Vygotsky desenvolveu um grande trabalho. todavia. È a Dialética. a cultura molda o psicológico. também chamados de senso comum. Todos temos uma zona de desenvolvimento real. a sua Zona de Desenvolvimento Proximal será ampliada. não se pode ensinar. subordinando-se. são aqueles que não passaram pelo crivo da ciência. esta é a zona de desenvolvimento real nossa. Vamos imaginar que numa escala de zero a 100. a classificar. As funções psicológicas de uma pessoa são desenvolvidas ao longo do tempo e mediadas pelo social.Aproximadamente aos 4 anos de idade. estabeleceu uma clara separação entre as informações que podem ser passadas por meio da linguagem e os processos que não parecem sofrer qualquer influência dela. que é sujeito do seu conhecimento. reorganizando os processos que nele estão em andamento. ou seja. os símbolos culturais fazem a mediação. ou seja. Vygotsky chama de ZONA de DESENVOLVIMENTO PROXIMAL. pensamento e linguagem são processos interdependentes.O 1º é o dos Conceitos Sincréticos. a mente vai sendo substituída historicamente pala pessoa. Este é o caso das operações cognitivas que não podem ser trabalhadas por meio de treinamento específico feito com o auxílio da linguagem. organizados. Os conceitos são construídos e internalizados de maneira não linear e diferente para cada pessoa. A linguagem representa a cultura e depende do intercâmbio social. isto é. em transformação.Esta só pode ocorrer depois que a criança já alcançou um determinado nível de habilidades mentais. ela risca algo pequeno. Determina a maneira de pensar. da coordenação dos esquemas sensorimotores e não da linguagem. Letras Inventadas: não é . se a mãe é baixa. Pessoas de diferentes culturas têm diferentes perfis psicológicos. a pensar com responsabilidade. a Escrita Pré-silábica.

há naquele momento um desequilíbrio e surge a necessidade. diálogo. EX: não se deve ensinar conhecimentos abstratos. Teoria Piagetiana A Psicologia de Piaget está fundamentada na idéia de equilibração e desequilibração. Com aproximadamente 5 anos. aceitando a problematização. aos 4 ou 5 anos. Letras Convencionais: jogadas aleatoriamente sem obedecer a nenhuma seqüência lógica de escrita. a criança entra em outra fase. O processo começa com a assimilação do elemento novo. Sobre educação de adultos. considera que as fases iniciais já foram eliminadas. ela não tem estrutura e depois vai adquirindo aos poucos. • Se a pessoa possui estruturas em formação. a Escrita Silábica Alfabética. porque não pertence a nenhum sistema de signo. No desenvolvimento. dentro da visão Dialética holística. faltam letras. Com mais ou menos 6 anos de idade. clima. Considera a Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky. No início. dúvida etc. porque é impossível criar estruturas necessárias. Trabalha com hipóteses. Piaget trabalhou o desenvolvimento humano em etapas. de voltar ao equilíbrio. O movimento é dialético (de movimento constante) e o domínio afetivo acompanha sempre o cognitivo (habilidades intelectuais). • . porque a criança está adquirindo as estruturas necessárias. porque mesmo sendo analfabeta. períodos. Começa a adaptação externa do sujeito e a internalização já aconteceu. Quando uma pessoa entra em contato com um novo conhecimento. com a incorporação às estruturas já esquematizadas. deve fazer a mediação. estágios etc.Ferreiro aconselha não corrigir a escrita da criança durante as primeiras fases. Nesse instante o erro deve ser trabalhado. com visão de processo. mas ainda erra. não separa vogais e consoantes.possível ser entendido. ajudando o aluno a superar as dificuldades. Neste momento a escrita é caótica. quando as letras convencionais representam sílabas. através da interação. a criança entra na fase da Escrita Alfabética: já conhece o valor sonoro das letras. Há mudanças no sujeito e tem início o processo de acomodação. no contexto. que aos poucos chega à organização interna. mas apresenta evolução em relação à fase anterior. curiosidade.Somente com o hábito de ler e escrever que esses erros vão sendo corrigidos. a pessoa conhece números e letras. a criança entra na fase da Escrita Silábica. Erro na teoria Piagetiana Se uma pessoa erra e continua errando. Um novo desequilíbrio volta a acontecer e pode ser provocada por carência. faz uma mistura e às vezes só maiúsculas ou só minúsculas. que se encontra no período das operações concretas. a lei de equilíbrio e desequilíbrio de Piaget e a internalização do conhecimento. teorias complicadas para uma criança que ainda não atingiu a faixa etária esperada. uma das três situações está ocorrendo: Se a pessoa não tem estrutura suficiente para compreender determinado conhecimento. o professor deve trabalhar com a idéia de que o erro é construtivo. no processo endógeno. deve-se criar um ambiente melhor de trabalho.

isso é só um apanhado geral. mas cada um enfatiza uma abordagem diferente para o estudo dos padrões de aprendizagem e pensamento de uma criança. Mas lembre-se. um pediatra americano que conduziu suas pesquisas no Yale Child Study Center (Centro para Estudo Infantil da Universidade de Yale). Sua teoria é a de que a hereditariedade promove o desenvolvimento em uma seqüência pré-ordenada. A opinião dos especialistas no desenvolvimento cognitivo Um único artigo como este não pode cobrir todo o trabalho que já foi feito sobre a cognição. enquanto os cronogramas de Gesell sobre o desenvolvimento do comportamento ainda são usados como ferramentas clínicas e de diagnóstico por pediatras especializados no desenvolvimento. mais capazes eles serão para escolher. . ou seja. O texto a seguir tenta lhe dar um apanhado geral sobre as premissas básicas dos quatro principais teóricos: Piaget. os procedimentos estão errados. vamos fornecer um esboço geral das teorias de desenvolvimento cognitivo ensinadas pelos quatro especialistas. Quanto mais informados os pais estiverem. . Já Arnold Gesell. Erikson e Spock. ambos possuem fatos registrados úteis para os pais e profissionais na hora de fazer observações importantes sobre o comportamento da criança. sua teoria declara que o desenvolvimento intelectual é resultado de um intercâmbio dinâmico e ativo entre uma criança e seu ambiente. o que torna impossível e não inteligente tentar seguir somente um método de educação infantil. Embora estejam em pólos opostos. Gesell.D.Se a pessoa possui estruturas e não aprende. Piaget e Gesell . As contribuições de Piaget para a teoria da aprendizagem ajudaram a formar muitos programas educacionais em nossas escolas. as que acreditam que funcionarão para eles e serão compatíveis com seus temperamentos e estilos de vida. Ambos contribuíram muito para os conhecimentos sobre o desenvolvimento de bebês e crianças. pode ser chamado de maturacionista. Nesta página. Ed. Inúmeras variações e experiências humanas que não fazem parte de qualquer teoria em particular integram as ações dos pais. Todos acreditam que há estágios ou períodos de desenvolvimento.Jean Piaget foi um psicólogo suíço que pode ser chamado de interacionista. O professor fará intervenção para que o aluno tome consciência do erro. Isso não significa que os pais não devem se interessar pelas descobertas dos pesquisadores dessa área. como uma espécie de cronograma. entre as muitas atitudes e pontos de vista dos especialistas. com algumas diferenças individuais.traduzido por HowStuffWorks Brasil Teorias do desenvolvimento cognitivo Não há um único conjunto de instruções aos pais que assegure resultados perfeitos quando seguido à risca. Em muitos casos quem deve mudar os seus procedimentos é o professor • Por Renata Gonçalves Desenvolvimento cognitivo e social de um recém-nascido por Michael Meyerhoff.

A criança não possui um conjunto prédefinido de habilidades mentais e nem é um recipiente passivo de estímulos do ambiente. Embora eles também pensem no desenvolvimento em termos de estágios ou períodos. imagens que representam algum objeto ou pessoa. são sensações visuais. ou estágios. Piaget acredita que cada estágio do desenvolvimento ocorre como resultado da interação entre a maturação e o ambiente. A teoria da maturação de Gesell . o desenvolvimento do conhecimento é um processo ativo e depende da interação entre a criança e o ambiente. 4. Operacional formal . de acordo com os padrões de um adulto. eles diferem de Piaget e Gesell ao realçar a importância das diferenças individuais entre as crianças. ao contrário do psicólogo suíço. como para alcançar um brinquedo. operacional concreto e operacional formal. podem ser discutidos juntos. Gesell tira a ênfase das diferenças individuais entre crianças e realça a importância da maturação. Esses períodos já criaram uma grande quantidade de pesquisas. o movimento cada vez mais dá lugar ao pensamento e o aprendizado continua a ser um processo interativo. podem discutir tanto problemas teóricos como reais. Ele descreve quatro campos . Pré-operacional . Erikson e Spock estão mais interessados no desenvolvimento emocional da criança. Os símbolos. Gesell vê a maturação seguindo um cronograma herdado em que as habilidades e capacidades emergem em uma seqüência pré-definida. 3. Os 4 estágios teóricos do desenvolvimento de Piaget . Os quatro estágios são muito diferentes uns dos outros. Operacional concreto . quando começa a pensar em termos abstratos e concretos. por exemplo. 1. No entanto. a criança começa a ganhar a capacidade de pensar de maneira lógica e entender os conceitos que usa ao lidar com o ambiente ao seu redor.no estágio operacional concreto (de 7 a 11 anos). cada um revela uma maneira diferente na qual um indivíduo reage ao seu ambiente. um psicanalista infantil do Institute of Child Welfare (Instituto do Bem-estar da Criança) na Califórnia. lugares e pessoas. produtos finais previsíveis de um processo de desenvolvimento total que funciona em uma seqüência específica. devido ao fato de que o bebê e a criança estarem sujeitos a forças do crescimento previsíveis.Erik Erikson. Gesell acredita que. Ela começa a usar símbolos para representar objetos. Nas brincadeiras. A partir da infância. em seu ponto de vista. teóricos do desenvolvimento de uma criança: sensório-motor. Ele também acredita que a inteligência ou o comportamento inteligente é a habilidade de se adaptar. pré-operacional. por exemplo. ele progride de um estágio de reflexo para o estágio do aprendizado via tentativa e erro e solução de problemas simples. o mestre dos pediatras americanos. sonoros ou de toque invocadas internamente. usando um sistema de símbolos para representar o que ela vê em seu ambiente. No ponto de vista de Piaget. os padrões de comportamento resultantes não são subprodutos estranhos ou acidentais.Piaget descreve quatro períodos.neste estágio (dos 2 aos 7 anos). é ilógico e totalmente concentrado em si próprio. Enquanto Piaget e Gesell enfatizam o desenvolvimento motor e intelectual. Através de cada encontro com o ambiente. Mesmo o comportamento não-verbal. ou para sair de perto de um estranho assustador. 2.ela chegou no estágio operacional formal (acima dos 12 anos). Um bebê gradativamente vai se tornando mais organizado e suas atividades ficam menos aleatórias. a criança se transforma de uma criatura que responde na maior parte das vezes com reflexos.assim como Piaget.Erikson e Spock . o pensamento de uma criança. Adolescentes. Como um interacionista. e Benjamin Spock. Esses padrões são. Sensório-motor . uma criança age de acordo com sua visão do mundo. a maioria das quais apoiou as conclusões de Piaget sobre o desenvolvimento cognitivo de crianças. é inteligente. para alguém capaz de organizar as atividades sensório-motoras em resposta ao ambiente.neste estágio (do nascimento aos 2 anos de idade). até o ponto em que é adaptativo.

Os pais dessa criança devem aprender a aceitar um pouco de perda de controle para manter os limites necessários. pula num pé só. O bebê também começa a falar. a criança faz várias perguntas e começa a formar conceitos e generalizar. Já Spock fala que a criança nesse estágio possui uma "percepção de sua própria individualidade e força de vontade" e vacila entre a dependência e a independência. Spock. Alguns bebês. no entanto. fala algumas palavras e frases com clareza. Embora também pensem no desenvolvimento em termos de estágios ou períodos. eles diferem de Piaget e Gesell ao realçar a importância das diferenças individuais entre as crianças. Esse período de confiança dá uma base sólida para o desenvolvimento futuro. O período de autonomia é aquele em que o bebê luta por independência. O período da confiança cobre os primeiros meses da vida do bebê e é chamado assim porque os bebês precisam criar confiança em seus pais e em seu ambiente. • No terceiro ano. Já depende quase que totalmente dela mesma nas rotinas domésticas. sucção.do comportamento: motor. Seus pais não conseguem distinguir o choro de fome. De acordo com esse ponto de vista. passá-los de uma mão à outra e demonstrar afeto por eles. o bebê anda e corre. Fala sem fazer sons infantis e pode contar uma história longa e algumas piadas simples. adquire o controle sobre a bexiga e o intestino. deglutição e olfato). o bebê começa a desenvolver o comando dos músculos do pescoço. 2. • Aos 5 anos. Em um resumo do desenvolvimento comportamental. paladar. são mais difíceis de se compreender e seus pedidos de ajuda não são claros. a organização do comportamento começa bem antes do nascimento e segue seu caminho da cabeça aos pés. O bebê tenta pegar objetos. Os medos são um problema comum e a criança tem uma . Esse período representa o desenvolvimento do autocontrole e autoconfiança. por sua vez. audição. adaptativo. 1. • No segundo ano. • No último trimestre (de 40 a 52 semanas). Erikson e Spock estão mais interessados no desenvolvimento emocional da criança. Problemas ocorrem freqüentemente devido à inexperiência dos pais ou porque há diferenças marcantes no temperamento entre o pai e o bebê. linguagem e pessoal-social. Spock chama os bebês desse estágio de "fisicamente indefesos e emocionalmente adaptados". em que a criança ganha liberdade considerável. E também sente orgulho de suas realizações. e começa a desenvolver um sentido de identidade pessoal e de posse. • No terceiro trimestre (de 28 a 40 semanas). • No segundo trimestre (de 16 a 28 semanas). o bebê ganha controle do tronco e das mãos. o recémnascido ganha o controle sobre os músculos e nervos da face (envolvidos na visão. Já deixou de ser um bebê e agora tenta manipular o ambiente. mas as descobertas de Spock também são mostradas. Tem explosões de raiva. chama o que a criança faz nesse período de "imitação através da admiração". ele descreve os seguintes pontos de referência: • No primeiro trimestre do primeiro ano de vida (16 primeiras semanas). a criança já está bastante madura no controle motor de grandes músculos: ela brinca e salta normalmente. fadiga ou o desconforto de fraldas molhadas do choro por atenção. Erikson e Spock . começa a pegar objetos. a criança usa frases claras. assim como aos dedos indicadores e polegares. • No quarto ano. 3. da cabeça e move seus braços intencionalmente. além de ser bastante segura no mundinho doméstico. para permitir pegar pequenos objetos.enquanto Piaget e Gesell enfatizam o desenvolvimento motor e intelectual. O período da iniciativa cobre os anos anteriores à escola. o controle se estende às pernas e pés do bebê. As classificações a seguir são de Erikson. tornando as palavras suas ferramentas para expressar seus pensamentos.

Quando completa oito semanas. Na próxima página. O ponto de vista de Spock é que os adolescentes são extremamente focados nos colegas. imbuir valores pertinentes e servirem de modelos positivos. Gesell. Há muitas discussões sobre várias descobertas. mas esperamos que tenha lhe dado uma boa base de conhecimento sobre o que esperar do seu filho no que se refere ao desenvolvimento cognitivo. Os pais devem apoiar de maneira que deixem claro o respeito pelos sentimentos e orgulho da criança.Desenvolvimento cognitivo do recém-nascido O desenvolvimento cognitivo está associado à aquisição de conhecimento em seu sentido mais amplo. pronta para ser preenchida. O período da criação (ou finalização do trabalho) é quando a criança em idade escolar aprende a receber elogios ao realizar e produzir resultados. Embora Piaget. 1 . preferir rostos a objetos inanimados e enxergar cores. um livro médico afirmava não apenas que o recém-nascido comum era incapaz de fixar seu olhar ou responder a sons. mas também que a "consciência. Por exemplo. Os testes que os adolescentes fazem com seus relacionamentos e o desenvolvimento de uma visão da realidade com a experimentação constante podem ser bem difíceis para os pais. provavelmente não existe no bebê". ele é capaz de diferenciar formas. o número de estudos sobre a cognição infantil aumentou de maneira enorme. embora se considere que o recém-nascido tenha uma visão extremamente pobre em comparação com um adulto. 4. apesar de suas tentativas superficiais de auto-afirmação. ele é capaz de distinguir entre o claro e o escuro e focar objetos a uma distância de 20 a 30 centímetros. incluindo o debate natureza x criação e uma explicação do chamado desenvolvimento normal. mas posteriormente você conseguirá tirar mais proveito da abordagem emocional. O que aprendemos acima são somente as teorias básicas de cada um desses especialistas. Pode ser que você ache útil pensar no desenvolvimento do seu filho em termos de sua interação com o ambiente quando ele é um recém-nascido. Eles percebem muitas coisas e têm preferências também. As crianças em idade escolar ainda precisam de bastante apoio dos pais. mas os pesquisadores definitivamente concordam que o recém-nascido não vem ao mundo como um receptáculo passivo. constantemente se sentindo magoados ou decepcionados. Seus intelectos estão funcionando. Desde o começo. e sim como um participante pronto e ansioso para interagir com o ambiente. Ele diz que a principal tarefa dos adolescentes é estabelecer a identidade. percepção e julgamento. o seu bebê tem uma posição de dormir favorita. muito antes de poderem falar. normalmente causadas ou reforçadas pelos problemas que os próprios pais têm em se separar deles. ajuda saber um pouco sobre cada uma delas. como nós a conhecemos. As crianças nessa fase costumam ter dificuldades para se separar de seus pais. ouvidos. . Continue lendo para ver uma explicação sobre o desenvolvimento cognitivo de um bebê. Isto inclui o desenvolvimento da memória. e muito bem diga-se de passagem. Erikson e Spock tenham abordagens diferentes para o tema do desenvolvimento da criança.vida cheia de fantasias. A adolescência é o quinto e último estágio de desenvolvimento de Erikson. Nos últimos 15 anos. Os pais reagem a essa declaração de independência de várias maneiras diferentes. Ele realça a necessidade dos pais continuarem a definir limites apropriados. nariz. reagindo de maneira particularmente forte às cores primárias brilhantes vermelho e azul. ou papel em branco. pele e entranhas de uma só vez" que acaba enxergando seu ambiente como "uma grande e barulhenta confusão". descobrir quem são e o que querem fazer da vida. Duzentos anos depois. 5. William James disse que a criança é tão abruptamente "atacada pelos olhos. Mesmo em 1964. além do acúmulo de fatos. vai descobrir mais sobre o progresso das habilidades de linguagem do seu filho. Mas agora sabemos mais do que isso. Spock descreve este período como o período no qual a criança tenta se ajustar em um grupo estranho de amigos e se afastar de seus pais. O desenvolvimento cognitivo do seu bebê No século XVII. o filósofo Inglês John Locke descreveu a mente infantil como uma tábula rasa.

afirmou sobre a maneira prazerosa de um recém-nascido enxergar a vida. os sentidos participam no processo de desenvolvimento desde o momento em que ele nasce. Eles preferem sons berrantes e. dizendo que o ambiente pode causar uma diferença de até 20 pontos. o ambiente deve suprir calor e nutrição. Você já vai ter descoberto a necessidade de arrumar sua casa de maneira que ele não se machuque quando aprender a engatinhar. seu filhinho concentra-se bastante na própria boca porque as sensações de sugar e enfiar coisas na boca são as que dão mais prazer. a habilidade de usar as mãos se desenvolve. Existe um grande debate sobre até que ponto a inteligência é herdada. Hoje. o melhor que podemos fazer é falar sobre o potencial de desenvolvimento ao tentar medir a inteligência de uma criança muito nova. ele já começa a andar sozinho. As diferenças entre os ambientes de casa. Cada bebê provavelmente estará "adiantado" em algumas coisas e "atrasado" em outras. Porém. tanto emocional como física. que estuda os bebês há mais de 40 anos. as crianças ficam cada vez mais independentes e curiosas. Na mesma época. alguns psicólogos cognitivos acreditam que embora os limites externos da inteligência possam ser fixados no nascimento. Nos segundo e terceiro anos. pescoço e mãos antes de aprender a usar suas pernas para andar. além de controlar a cor da pele. olhos e cabelos. Este valor é espantoso se considerarmos que é a mesma distância entre o limite de retardamento mental (80 pontos de QI) e o valor médio de um formando da faculdade (120 pontos). o ambiente em que uma criança vive pode fazer uma diferença de até 40 pontos no seu QI (quociente de inteligência. após algumas semanas. Quando chega aos dez meses. Dadas as enormes diferenças entre os seres humanos. Na verdade. "ele está comendo o mundo"! Genética x ambiente Assim como os adultos. Outros psicólogos que conduziram estudos clássicos de gêmeos idênticos separados no nascimento foram mais conservadores. uma combinação que faz com que fiquem um pouco perigosas para si mesmas e para tudo ao seu redor. Com cerca de cinco meses. Com cerca de um ano. os bebês são muito diferentes em suas capacidades e uma parte dessa variação está ligada a diferenças herdadas. o aumento rápido de sua habilidade de se comunicar através da linguagem representa uma grande conquista. Parece claro que não nascemos com um nível pré-definido de inteligência e que muitos fatores ambientais podem afetar o nível da inteligência de uma criança durante o seu desenvolvimento.Ele pode distinguir o gosto doce da água açucarada e prefere o cheiro de banana ao de camarão. "Não" se torna a palavra favorita e . No início. Como um professor de psicologia da Universidade de Yale. da cabeça aos pés: ele adquire o controle sobre os olhos. ele se torna um especialista na arte de engatinhar (e de entrar em todos os lugares). o número que indica o nível da inteligência de uma pessoa e é avaliado em testes especiais). Durante o segundo ano. um verdadeiro marco no desenvolvimento dele. nação. Resumindo. mas os perigos aumentam conforme ele fica mais ágil e curioso. "Desenvolvimento normal" Lembre-se: tudo o que você lê ou ouve sobre o desenvolvimento normal de uma criança de uma certa idade se refere ao que é esperado da criança comum. para que ele possa atingir todo o seu potencial de desenvolvimento. os genes também podem controlar o comportamento sob certas condições ambientais. Mas tenha em mente que o "bebê comum" não existe na realidade. As teorias que ressaltam a inferioridade ou superioridade genética de determinados grupos raciais ou étnicos não podem ser provadas. independentemente da herança genética de um bebê. já reconhecem e reagem à voz de sua mãe. tribo e cultura tornam as comparações genéticas de raças ou grupos étnicos inteiros cientificamente impossível de se comprovar. ele reconhece e sorri para pessoas familiares e pode ficar ansioso na presença de estranhos. você pode ter certeza que o seu bebê se desenvolverá em um ritmo incrível durante o primeiro ano de vida. Não importa quais sejam as diferenças individuais em relação à norma. ele já pega brinquedos e seu aprendizado se relaciona com a habilidade de manipular objetos. Logo. há pouco tempo os geneticistas presumiram que.

Os maiores feitos (e os mais superestimados) de bebês provavelmente vêm de pais cujos filhos já passaram há muito dos estágios sobre os quais eles se gabam. fornecendo a ele um ambiente seguro e acalentador. mais cedo do que eles. não significa que ele é menos inteligente do que o filho do seu amigo ou do seu vizinho ou mesmo do bebê comum em quem os gráficos se baseiam. Algumas crianças se desenvolvem de acordo ou acima da média em uma área. e se o seu demorou para rolar ou construir uma torre de blocos. Não é culpa sua se ele não for um gênio e o crédito não é todo seu se ele for. Cada bebê se desenvolve em um ritmo diferente. Como aprendemos na página anterior. além de outro que já sabia ir ao banheiro sozinho quando tinha um ano de idade. Geralmente. com sua própria beleza e charme. Promovendo o máximo de desenvolvimento . a genética controla certos aspectos do potencial de uma criança. além de ir ao banheiro sozinhas.explosões de raiva podem aparecer com freqüência enquanto ele se frustra com os limites que você deve impor. você provavelmente notará que o desenvolvimento não ocorre de maneira constante e moderada. Tome a dianteira e promova o desenvolvimento cognitivo de seu filho. mas em momentos específicos e de repente. as meninas amadurecem mais rapidamente do que os meninos. Pratique constantemente a arte da aceitação do seu bebê como ele é. sem classificações ou comparações com os outros. acredita-se que o aspecto da criação de um bebê pode fazer muito para melhorar suas habilidades. vai condenar seu filho a uma vida de baixa auto-estima e uma luta sem fim para ir de encontro às suas expectativas. E mais. Elas costumam andar. como nas habilidades motoras. O nível de maturidade de um bebê pode determinar sua taxa de desenvolvimento melhor do que o QI dele. Como dissemos acima. e abaixo da média em outra. isso só vai perturbar e fazer com que fique impossível curtir o seu bebê. mas devemos usá-los apenas como guias para ter uma idéia geral do que esperar do seu filho. Mesmo o mais preciso e realista cronograma de desenvolvimento preparado pelos pediatras e psicólogos após suas observações de milhares de crianças não pode lhe dizer exatamente o que seu bebê deveria estar fazendo em um momento específico. Prometa a si mesmo desde o início que vai respeitar e amar o seu bebê como o indivíduo único e diferente que ele é. E também deve-se levar em consideração o sexo do bebê. Conforme ele cresce e se transforma. como a linguagem. Se você se preocupa que seu filho não está à altura dos padrões definidos pelos outros. seus feitos costumam ser iguais ou melhores do que os dos outros. aprenda o que pode fazer para promover o desenvolvimento do seu bebê de modo que ele atinja todo o seu potencial. você terá um papel importante na determinação do tipo de pessoa que seu filho eventualmente se tornará. ter mais interesse nas habilidades intelectuais como desenhar e rabiscar. Na próxima página. Leia esta seção para ter sugestões sobre passos adicionais que podem ser tomados para promover o desenvolvimento do seu bebê. outro andou com nove meses e falou frases completas aos 18 meses. Algumas crianças amadurecem mais devagar do que outras. falar.Promovendo o desenvolvimento do bebê Como pai ou mãe. o que faz com que nem tudo que ouvimos seja verdade. o QI de uma criança pode variar bastante dependendo de sua criação. mas no final. Saiba que embora o ambiente que você fornece seja importante. Expectativas dos pais Comparar o desenvolvimento do seu filho com o dos filhos de amigos e vizinhos é fútil e improdutivo. Você vai ouvir que o bebê de um amigo dormiu a noite toda com duas semanas de vida. Esses cronogramas são úteis se não forem levados a ferro e fogo. Um erro comum dos pais é exagerar um pouco enquanto tentam dizer que seu filho é o número um. 2 .

esses pais e filhos simplesmente não conseguem conviver em paz. um programa de gerenciamento específico instituído por um terapeuta pode ajudar a melhorar a relação. mas sim fornecer um ambiente estimulante e uma atmosfera repleta de apoio emocional. Berry Brazelton. Para que a brincadeira seja recompensadora e criativa. exceto na hora de dormir. desta forma. experiências e instrução apropriados. atenção e orientações. quando acordado. não deve estar constantemente no meio de uma tarefa ativa demais. Os primeiros três anos de vida da criança são extremamente importantes para o desenvolvimento e os maiores presentes que você pode dar a ela durante esse período são o seu tempo e entusiasmo pelas habilidades que ela está desenvolvendo. Outra coisa essencial no desenvolvimento de seu filho é sua orientação: a definição de limites e estabelecimento de fronteiras. em situações que podem durar a vida inteira. A consistência geral é importante porque constrói sentimentos de segurança na criança. integridade e confiabilidade. assim como um mundo de brinquedos. Ao construir sentimentos de confiança. Os pais que promovem um sentimento de confiança básico permitem que seus filhos desenvolvam relacionamentos mais profundos no futuro e. o vínculo pode ser conquistado mais tarde através de amor e toques físicos. Mantenha os estímulos visuais e auditivos em um tom baixo para gerar uma atmosfera calma na qual o bebê possa desenvolver suas percepções sobre o mundo exterior. O ideal é que seu papel na promoção do desenvolvimento do seu filho comece no momento do nascimento. Uma criança precisa de pais que definam limites apropriados a sua idade de acordo com cada passo do desenvolvimento. os pais podem ir longe na tentativa de promover o desenvolvimento máximo. Se tiver de confiar os cuidados diários da sua criança a outra pessoa. O autocontrole e a disciplina se desenvolvem somente após os limites terem sido definidos com firmeza. Quando essa proximidade física inicial com a mãe não é possível por alguma razão. Ela precisa aprender durante cada momento acordada. Reconhecendo que seu filho é único As influências ambientais por si só não podem explicar a variabilidade no desenvolvimento de uma criança. ser dependentes de outros para se divertir e não conhecer suas próprias habilidades. Ele precisa de um lugar calmo e silencioso para dormir e. pois é o contato corporal que dá início ao processo de criação de vínculo.Crianças que são amadas como são e não pelo que virão a ser desenvolvem um sentimento de segurança e inclusão. Mesmo os bebês precisam de privacidade e tempo para si mesmos. Por mais profundo que seja o amor e respeito que eles têm um pelo outro. Confie em seus instintos. Crianças que são estimuladas em excesso passam seus dias em lugares lotados e nunca ficam sozinhas. ela precisa não só dos brinquedos apropriados. tendem a se excitar facilmente. o que é que move seus filhos e qual a melhor maneira de ajudá-los e guiá-los. Infelizmente. para descansar e organizar suas vidas interiores. O termo temperamento significa o comportamento único de cada indivíduo. eles também precisam de momentos de paz e silêncio longe de pessoas e atividades. o igual e o diferente. Muitos psicólogos e . algumas vezes acontecem combinações mal sucedidas entre os temperamentos dos pais e dos filhos. As crianças devem estar com pessoas que as amam e valorizam para que aprendam a amar e valorizar a si mesmas e aos outros. A idéia básica é tentar atingir um equilíbrio entre a rotina e a variedade. e o melhor que você pode fazer não é ensinar. proteção e liberdade. em vez de forçá-la e tentar apressá-la. As crianças são extremamente adaptáveis e não podemos falhar em promover o desenvolvimento máximo se o objetivo for fornecer um relacionamento profundo e caloroso com a criança. Além disso. aconselha o proeminente pediatra T. É importante que os pais venham a entender as diferenças entre eles e seus filhos. contribuem de maneira positiva para a formação das personalidades de seus filhos. O ambiente em que seu bebê aprende e se desenvolve deveria ser um ambiente protetor e seguro. escolha com cautela. honestidade. O temperamento do seu filho tem um papel significativo e ativo na interação com o seu próprio estilo como pai/mãe. Siga as pistas que sua criança dá. Precisam de tempo para recarregar as baterias. Em casos especialmente difíceis. mas também de calor humano.

foge de situações novas. ele já pode ter um vocabulário de até 300 palavras. Esteja ciente de que é raro um bebê seguir quaisquer cronogramas para o desenvolvimento das habilidades da fala. uma categoria de temperamento a que se refere com freqüência é a "criança fácil". "mama" e "papa"). sorrisos e linguagem corpórea. você e ele se comunicam através de conversas com olhares. e quem começou a falar mais cedo pode até adicionar uma preposição (debaixo da mesa) ou um adjetivo (cachorro grande). combinando os dois tipos de temperamento. um bebê que começa a falar mais cedo pode conhecer e usar até doze palavras ao completar um ano de idade. Entre 1 e 2 anos de idade. montes de sons sem sentido. Além disso. Por exemplo. A principal ferramenta de comunicação dele é o choro. Estas palavras provavelmente são todas substantivos e representam as versões do bebê para objetos familiares como biscoito. Logo ele começa a juntar os sons e repetir combinações de consoantes e vogais como "ba-baba". Talvez você note que a freqüência de explosões de raiva e períodos de frustração diminuem à medida que ele descobre palavras para expressar sua raiva e seus desejos. suco. a "criança difícil" possui irregularidades biológicas. A partir do dia em que seu filho nasce. A criança fácil tem como característica a regularidade biológica (dos intestinos. O temperamento e experiência dos pais também são importantes.outros profissionais descreveram o que acreditam ser as características mais facilmente identificáveis dos vários tipos de temperamentos e personalidades. Na verdade. 3 . cuidado para não associar "fácil" com "bom" ou "difícil" com "mau". O desenvolvimento da fala Os primeiros sons não relacionados ao choro que seu bebê faz são sons guturais que surgem com uma produção aumentada de saliva: o gargarejar. Esta seção detalhará os marcos do desenvolvimento da linguagem do bebê e dará dicas para você encorajar o seu filho a falar. Erik Erikson e Arnold Gesell. cuspir. é difícil dar duro em duas habilidades de uma só vez. Quando está com 2 meses de idade. Pode ser em qualquer momento entre os 6 meses e 1 ano de idade que ele chame uma ou duas pessoas muito importantes pelo nome (muito provavelmente. cachorro e copo. Tenha em mente que termos como "fácil" e "difícil" são subjetivos. Jean Piaget. Quando completar 3 anos de idade. E também há a "criança morna" que está em algum ponto no meio da escala. fadiga e desconforto. E finalmente. o que esperar do seu filho? Vá para a próxima página para ter uma visão geral das teorias cognitivas dos quatro maiores especialistas da área: Benjamin Spock. especialmente durante os primeiros meses de vida. ele provavelmente já desenvolveu choros diferentes para indicar fome. bexiga e alimentação) e a adaptabilidade. Você sabe que seu filho está realmente ansioso para falar como os adultos quando começar a ouvir jargões contínuos. Então. dor. Ele reage à sua voz e ao som do seu coração. Esse tipo de conversa pode continuar por muito tempo após o seu filho ser capaz de se fazer entender com palavras de verdade (normalmente quando ele está brincando sozinho). No outro extremo do espectro. . cheios de inflexões que os fazem parecer uma conversa em alguma língua estrangeira. arrulhar e gritos que começam mais ou menos aos 3 meses de idade. tem variações de humor e se adapta lentamente. As crianças costumam começar a colocar substantivos e verbos juntos para formar frases de duas ou mais palavras entre dois e dois anos e meio. O que é fácil ou difícil para uma pessoa pode não ser para outra. Não se surpreenda se o seu filho parecer atingir um platô no progresso da fala quando aprender a falar. ele já deve ter uma vocabulário de cerca de 50 palavras (e não tenha dúvida de que uma delas é "não") e gosta de cantar músicas familiares e repetitivas com você. repare que o temperamento não é necessariamente estável. As crianças variam nessa área como em qualquer outra área do desenvolvimento.Desenvolvimento da linguagem em um recém-nascido A linguagem é muito mais do que simplesmente falar.

Veja algumas maneiras de ajudar no desenvolvimento da linguagem: • fale bastante com o seu bebê. Use as mesmas palavras para objetos semelhantes quando o seu filho tiver menos de 2 anos de idade. • tenha paciência também ao responder todas as perguntas. tipos de alimentos. brinquedos favoritos. se você começou o processo de vínculo com o contato da pele logo após o nascimento do seu bebê. As interações sociais dele vão a um novo nível de complexidade e a frustração diminui à medida em que a habilidade de se expressar aumenta. • fale devagar e claramente. Vá para a próxima página para ver uma explicação completa sobre a evolução do relacionamento do recémnascido com seus pais e outros membros da família.Encorajando seu filho a falar Estimule o seu filho a falar o tempo todo em que estiverem juntos. mesmo que com 2 anos de idade. especialmente vozes femininas. por exemplo. as crianças sempre podem entender muito mais do que conseguem dizer. o bebê ou a casa nas figuras. adicione o fato de que o animal está na árvore para procurar coisas para comer.". • explique tudo de maneira simples. peças de roupas. Por isso. Em vez disso. ele vai poder interagir melhor com você. • não estimule quando ele faz sons de bebê ou usa gramática incorreta. em vez de chinelos e tênis. Durante toda a primeira infância. Quando tiver cerca de 15 meses. Pratique ampliar um pouco uma pergunta dando informações adicionais.. deve ter percebido que ele certamente estava ciente da sua presença. usando todas as palavras necessárias: partes do corpo. ele será capaz de fazer o que você pede se der comandos como "Traga uma fralda".O recém-nascido e os relacionamentos familiares O comportamento social começa bem cedo nas vidas dos seres humanos. Por exemplo. dando total atenção a ele. Na verdade. • preste atenção ao seu filho quando ele falar com você. enquanto realizam suas atividades diárias. mas não o corrija. se seu filho não está falando tanto. ensine brincadeiras com os dedos e use canções que são acompanhadas por ações. Conforme os hábitos relacionados ao ato de falar vão amadurecendo. apontando para um esquilo. Logo os olhos do seu bebê começam a seguir os seus movimentos em uma sala e depois ele até vira a .. Chame todos os calçados de sapatos. Tenha em mente que o desenvolvimento da linguagem inclui a linguagem "receptiva" (a compreensão das palavras) assim como a linguagem "expressiva" (falar as palavras). sempre apontando objetos familiares e pedindo que ache o cachorro. e especialmente durante os anos como bebê. • use livros de figuras para ajudá-lo a desenvolver as associações palavra-objeto. 4 . Os bebês reagem às pessoas praticamente a partir do nascimento. pois isso o deixa com medo do ato de falar em si. Tenha paciência e espere que ele fale as palavras certas para terminar um pensamento em vez de terminar esses pensamentos você mesmo ou dar o que ele quer antes que as palavras tenham saído da boca dele. se o seu filho pergunta. "O que é isso?". provavelmente não há com o que se preocupar se estiver notando que o vocabulário "receptivo" está aumentando continuamente. descrevendo o que está fazendo com ele e para ele. Você vai causar confusão se usar uma frase longa que comece com "Vá até o quarto e. não importando se parece que elas nunca acabam. tentando lhe alcançar. Os recém-nascidos são atraídos por rostos e gostam do som de vozes. repita as palavras ou frases da maneira correta. Brinque com jogos de palavras. Abaixe-se até a altura do seu filho e olhe nos olhos dele.

abraçando. Ao contrário do que muitas pessoas pensam. Um dia vai perceber que o bebê fica quieto se você fala ou canta ao se aproximar do berço. E isso é completamente natural. O primeiro grupo social: a família A família que mora na mesma casa: mãe. o medo vai dominá-lo. o grupo social do bebê também vai incluir os coleguinhas de brincadeiras e outras pessoas de fora da família. . Ele adora fazer parte de qualquer reunião familiar e obviamente adora todo mundo. Ansiedade da separação e outros medos O amor assume muitas formas e o seu bebê muitas vezes pode mostrar amor ao resistir a qualquer tipo de separação de você. Você nunca mais voltará a ser tão importante para ele como foi no primeiro ano. acariciando e confortando. Nesta página. O seu nenê é tão diferente de todos os outros bebês do mundo quanto cada floco de neve é diferente dos outros. dê um tempo. você não quebra a necessidade que o bebê tem de você ao forçar separações freqüentes ou longas. Quando o seu bebê tem entre 8 meses e 1 ano. o bebê reage feliz a pessoas sorrindo e sorri ao ver qualquer pessoa se aproximando. mas quando isso acontecer. Ela mal nota a sua presença no dia-a-dia. como ganhar a atenção ao fingir tossir ou fazer algo que fez você rir em outra ocasião. o bebê já é extremamente sociável. Mas isso vai mudar. O bebê aprendeu a obter uma reação de outra pessoa. O impulso rumo à independência sobre a qual você leu e ouviu acaba se tornando realidade e em algum momento quando estiver com cerca de 18 meses. Aos 3 ou 4 meses. são o primeiro grupo social dele. mostra a língua ou faz caretas. Ele até tenta lhe imitar quando você o encara. não há exigências absolutas. A verdade é que. explorar e satisfazer sua curiosidade de tudo absorvem toda a atenção dele. Com cerca de um ano de idade. vamos examinar as primeiras interações do recém-nascido com a família durante os primeiros anos de vida. O seu bebê está ciente da total dependência que tem de você para sobreviver. irmãos e alguém que cuide dele. De vez em quando. subir as escadas. As faixas etárias indicadas são orientações. Ninguém exceto a mamãe ou a babá pode lidar com um corte ou machucado ou fazer um brinquedo teimoso funcionar da maneira que deveria. Aprender a deixar as coisas acontecerem é uma das lições mais importantes para os pais. Assim. Ele sabe a diferença entre pessoas familiares e estranhos e já pode ter medo de estranhos. caretas ou movimentos repentinos. Ele fica feliz em sair com você quando tem que fazer compras ou resolver problemas. mas no geral. o bebê parece perder a necessidade que tinha de você. quanto mais seguro ele se sentir com sua presença. a criança dessa idade se concentra tanto nela mesma e no ambiente que os adultos parecem não existir por outro motivo que não seja satisfazer as suas necessidades. a interação social tem início. correr. caso o bebê tenha algum tipo de pessoa que faça isso. um grupo sortudo e seleto. Logo ele vai adorar ter uma platéia e se deleitar ao fazer o sinal de "tchau" e outras coisas que chamam a atenção. na verdade. Lembre-se de que bebês variam muito no seu desenvolvimento social. ele coopera nos jogos com canções e movimentos de dedos que você vem fazendo para agradálo. pai. A sociabilidade acaba voltando no momento certo. Todos vocês vão se superar para entreter e agradar o bebê. A exceção disso ocorre quando os problemas acontecem. Não vai demorar muito até ele fazer um som para responder à sua voz. Pegue a dica de seu filho: se ele se assusta fácil ou parece com medo dos seus sons altos. Andar. ele aprende a ser "uma gracinha". Mas lembre-se de que a palavrachave de todo o comportamento humano é "único". Vale tudo. Se você se ausentar. e é assim que tem que ser. contanto que um membro da família esteja por perto. ele volta às suas antigas maneiras de mostrar carinho e brincar como um bebê.cabeça para lhe observar. e nada os deixará tão estimulados como quando ele responder e reagir a vocês. Palhaçadas que fazem o seu filho mais velho ou o bebê do vizinho rolarem de rir podem muito bem fazer esse novo bebê chorar e se assustar. faz e recebe visitas sociais com você e aprecia bastante o simples fato de estar com você na casa. mais confiante e sem medo ele vai ficar. Dos 5 aos 8 meses. exceto quando você diz "Não".

e defina o horário como "após a sua soneca". Com sorte. Não se preocupe com a possibilidade de mimar um bebê carente ou protegê-lo excessivamente ao evitar situações que sabe que irão deixá-lo com medo. a criança mais nova pode ficar com ciúmes da mais velha por causa daquelas mesmas habilidades e feitos. A maneira de manter relacionamentos tão maravilhosos é deixar o contato aberto e freqüente. Deixe a porta do quarto dele entreaberta na hora de dormir e deixe-o seguro de que você está por perto ao fazê-lo ouvir sua voz de qualquer lugar da casa em que estiver. Pode ser bom que uma babá que o bebê ainda não conheça venha visitá-lo uma ou duas vezes quando você também estiver em casa. sirenes de emergência. sua preocupação é ajudar o mais velho a lidar com o ciúmes de ser substituído. Mais tarde. Caso o bebê pareça não conseguir ficar sem você nem mesmo por um único momento. Esses medos vão passar e ser esquecidos se ajudar o seu filho a superá-los. eles verão cada casa da família como parcialmente sua. ou com fantasias. não o faz ter o mesmo sentimento no conforto dos seus braços. verá que o bebê também reage. Nunca saia escondidinho. Use um "tchau" normal. tias e tios O momento de começar um relacionamento de amor entre os avós e outros parentes mais velhos é o mais breve possível após o nascimento do seu filho. eles vão permanecer bons amigos pelo resto da vida. como porteiros e freiras. Tente não mostrar irritação com o que você sabe ser medo infundado porque isto deixa o bebê ainda mais inseguro. trovões e pessoas com roupas diferentes. como palhaços e o Papai Noel. O bebê exibe admiração pelas habilidades e feitos de crianças mais velhas e tem um prazer puro em ter a permissão de estar na companhia delas. Não faça um bebê relutante ir para o colo de outra pessoa. Se deixar o bebê na casa da babá. Volte quando disse que voltaria. com beijo e aceno. Avós e avôs. Quando os bebês estiverem um pouco mais velhos. Se não tiver outra escolha a não ser deixar um estranho no comando. O ideal é que a vovó ou vovô morem na mesma rua ou na vizinhança. Mas o relacionamento nem sempre vai ser harmonioso e uma certa quantidade de rivalidade é normal e esperada. em vez de "às 3 da manhã". os fantasmas e monstros que aparecem à noite. mas sentem que não há nada como ter um irmão ou irmã mais velho para observar e amar. entenda que essa é uma das fases pelas quais ele vai passar e faça o melhor que puder para conviver com ela. peça que essa babá chegue com antecedência para poder conhecer o bebê enquanto você ainda está lá. mesmo se for um parente cujos sentimentos podem ser magoados pela rejeição. envolva-o no trabalho de cuidar do bebê. e o mesmo vale para os outros parentes. Para isto. para uma criança que ainda não sabe medir as horas. concordam a maioria dos pais. a sua melhor escolha para uma babá é alguém que a criança conheça: a vovó ou algum outro parente costuma ser o ideal. . talvez o aspirador ou a lavadora de louças. Quando a mãe sai do seu campo de visão. Enquanto você ensina o mais velho a brincar com o bebê e a deixá-lo feliz. ela se foi. Não force um período prolongado no chiqueirinho ou um período de exercício no meio do chão da sala se o bebê parecer com muito medo de ficar no centro de todo esse espaço vazio.Você vai perceber que algo que antes ele achava assustador. Outros medos infundados vêm e vão repentinamente. e crianças menores de um ano de idade ainda não conseguem racionalizar ou perceber que ela vai voltar. de modo que os dois possam se tornar amigos antes dela começar a ficar sozinha com ele. Alguns dos mais comuns são o medo de cachorros e gatos. outros insistem que têm de sair e que tanto eles como os filhos vão aproveitar uma separação ocasional. Ele tem um impulso humano natural para ser maduro e independente. Alguns pais acreditam que simplesmente não devem deixar a criança nesse ponto. mesmo se ela for uma vovó carinhosa e querida. Se você está no segundo grupo. Você compartilha feriados e as famílias costumam estar nas casas uns dos outros para visitas rápidas e refeições. Muitos bebês relutam em ficar com suas babás. certifique-se de levar o animalzinho de pelúcia ou cobertor favorito do bebê. Primeiro. Tendo os irmãos como primeiros amigos Os irmãos do seu bebê são os primeiros amigos dele.

nos momentos em que eles ou vocês viajam para visitas. a maioria das famílias não vivem dentro de uma distância que permita visitas. Muitas vezes isto é perfeitamente normal. Existe uma proposta de investigação para saber o motivo desta criança não estar conseguindo acompanhar as outras da sua idade. Entre 1 e 3 anos de idade. ver todas as pessoas e fazer tudo o que quer e acima de tudo. use os nomes deles freqüentemente e conte histórias sobre a sua infância para inclui-los. Não pense nem por um minuto que em algum ponto durante a visita o seu filho não vai demonstrar hábitos feios e fazer coisas desagradáveis (porém normais) para a idade dele. Um pouco de carinho. Vá para a próxima página para saber sobre as interações sociais do seu filho com as outras crianças. assim como reflexão e boa vontade. e com o intuito de ajudar aos pais e professores a reconhecerem quando uma criança pode estar necessitando de uma ajuda mais específica. Algumas das pessoas que gostaria que estivessem por perto do seu filho podem vê-lo somente de vez em quando. A importância da Psicopedagogia muito comum nos dias de hoje. atenção extra e afrouxamento das regras podem deixar a visita mais especial e memorável.Mas infelizmente. Ela aprende muito a partir da observação. alguns comportamentos que podemos observar nas crianças com dificuldades ou distúrbios de aprendizagem. Diminuir um pouco as suas expectativas ajuda. Embora aprender a brincar de verdade com outras crianças leve algum tempo. utilizando procedimentos próprios. ela quer ficar perto delas. pode não haver espaço o bastante na casa e nem horas no dia para ter a privacidade e o tempo sozinhos que todos precisam. filhos e parentes. bem como. Nessas visitas. não se preocupe com a possibilidade de seus parentes mimarem seu filho. levando em consideração que a maturação cognitiva de cada uma se difere. Não espere que os avós e outros parentes achem seu filho e os seus métodos de educação perfeitos. . → alteração no desenvolvimento cerebral. Mantenha os parentes informados sobre o crescimento do seu filho: cartas. Por isso. Lidar com visitas familiares da maneira correta exige tempo. mesmo que seja só como um observador. além de insatisfatórias devido às expectativas altas demais e à proximidade excessiva durante um período de tempo curto demais. esta criança pode estar necessitando de um acompanhamento diferenciado. a tarefa de ajudar a criança a se lembrar dos parentes e fazer com que os parentes e a criança se sintam próximos é sua. telefonemas. a criança já está pronta para dar o próximo passo social. Um fato triste é que as visitas para lugares distantes podem ser extenuantes para os pais. os pais e/ou professores notarem nas crianças dificuldades de aprendizado. a saber: → lesão cerebral. A psicopedagogo é um profissional que visa trabalhar as dificuldades dos alunos e os seus processos de aprendizagem. Mostre fotos dos parentes a ele. trazemos algumas causas que podem comprometer a aprendizagem. Não pense que pode ir a todos os lugares. fotos e gravações de vídeo e áudio ajudam. e talvez nem mesmo morem no mesmo estado ou região do país. As rotinas são irritantes e o cronograma de atividades pode ser longo. Outras vezes porém.

. procure um Psicopedagogo para melhor avaliação e orientação sobre o que pode ser feito. para que não tire a atenção da criança. → imaturidade social → dificuldade na conversação – crianças que tem dificuldade para se comunicar por causa do vocabulário. → distração. por exemplo. → dificuldade para seguir instruções. ter um ambiente diferenciado para estudar. * Agora listamos tambem alguns comportamentos que podem comprometer o aprendizado: → déficit de atenção. → inflexibilidade – criança que teima em fazer as coisas á suas própria maneira. → fraco planejamento e habilidades organizacional – não planeja o tempo para realizar as tarefas. Mas este ambiente deve ter o mínimo de estímulo possível.→ falhas nos neurotransmissores. não sabe por onde começar a fazer as tarefas ou estudar quando tem um vasto material. como o seu quarto ou escritório. Se o seu filho possui alguma destas caracteristicas e estã com dificuldades na escola. → falta de destreza – criança desajeitada e sem coordenação motora – deixa cair as coisas ou as derrama – péssima caligrafia – sem jeito para esportes e jogos.escolar e em casa: o fracasso escolar pode ser forte comprometedor da aprendizagem do aluno. → influências ambientais . → falta de controle dos impulsos – toca em tudo que vê que lhe interessa – verbaliza suas observações sem pensar – interrompe ou muda rapidamente de assunto em conversas ou tem dificuldades para esperar a sua vez. Em casa. a criança deve ser estimulada. → hereditariedade – alguns transtornos de aprendizagem podem ser hereditários.

A intervenção psicopedagógica. Nesse contexto. Este artigo aborda a importância do professor psicopedagogo na instituição escolar na superaçãodos problemas de aprendizagem. A IMPORTÂNCIA DA PRÁTICA PSICOPEDAGÓGICA NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR. Ao mesmo tempo em que realiza o trabalho preventivo poderá diagnosticar perturbações na aprendizagem do aluno numa ação educativa que envolva a escola. . a formação psicopedagógica constitui-se para os professores como uma oportunidade para entender o sujeito em suas múltiplas dimensões e refazer suas concepções e atitudes frente ao processo de ensino-aprendizagem. sendo a escola o espaço institucional propício para ser desenvolvida uma prática psicopedagógica.CONTRIBUIÇÕES DA PSICOPEDAGOGIA NO CONTEXTO ESCOLAR SANZIA GEINY PAULO DE ALMEIDA RESUMO: A psicopedagogia se constitui como novo campo do conhecimento voltado a pensar e a agir sobre as dificuldades de aprendizagem. À ineficiência da escola e dos professores diante dos problemas de aprendizagem sugere especialmente aos educadores a busca por uma formação que lhes permita uma compreensão global do sujeito em processo de aprendizagem. O referencial teórico adotado para argumentação e confrontação dos dados obtidos é respaldado nas idéias de Bossa (2007) onde se enfatiza as contribuições da psicopedagogia e as limitações ainda existentes na práxis psicopedagógica. a escola de hoje se depara com sérios entraves que a impede de ser lócus principal no processo de desenvolvimento do sujeito. INTRODUÇÃO A escola é considerada por excelência o veículo de difusão do conhecimento e espaço onde ocorre o desenvolvimento sócio-cognitivo dos indivíduos. sobretudo das crianças com dificuldades de aprendizagem. exercida por um profissional habilitado na área da Psicopedagogia institucional fará um trabalho de prevenção a fim de perceber possíveis falhas no sistema educativo que dificulta a aprendizagem dos alunos participando do processo de reorientação metodológica da escola. Entretanto. foco principal do estudo da psicopedagogia. Como instituição social tem a incumbência de garantir aos que nela ingressam a construção saudável de saberes e competências necessárias para o enfrentamento dos desafios que a atual sociedade lhes apresenta. a psicopedagogia surge como nova área do conhecimento na busca de compreender e solucionar os problemas de aprendizagem. dando-lhes instrumentalização necessária para atender as demandas da escola especialmente no que concerne aos alunos com dificuldades de aprendizagem. tendo em sua configuração institucional a função de pensar e refazer o trabalho no cotidiano da escola. Nesse sentido. a família e outros profissionais na busca de soluções para o problema de aprendizagem que o aluno apresenta.

trabalho este de extrema relevância para os sujeitos envolvidos na dinâmica ensinoaprendizagem. p. Em busca de redirecionar à sua prática o professor encontra na Psicopedagogia não o remédio para a cura dos males da educação. Nesse processo interfere o seu equipamento biológico. à medida que se propõe a fazer uma reorientação do processo de ensino-aprendizagem refletindo os métodos educativos e numa atitude investigativa descobrir as causas dos problemas de aprendizagem que se apresenta na instituição e que se depara em sala de aula. mas um aparato teórico metodológico que redimensione o seu fazer pedagógico na instituição educativa. Conforme Bossa (2007. O Psicopedagogo na instituição assumirá o compromisso com a transformação da realidade escolar.74). sedentos de respostas ao como fazer e lidar com problemas de aprendizagem. desnutrido. p. como ser cognoscente envolvido na teia das relações sociais. sendo influenciado por condições orgânicas e culturais. e que ao completá-la com estudos em nível de especialização em Psicopedagogia. levando em . Neste quadro de incertezas e esperanças surge a figura do psicopedagogo geralmente professores vindos das diversas modalidades de ensino. Mesmo com a evolução da oferta de vagas e os programas instaurados pelo governo que visam à melhoria do ensino nas instituições. em geral. Conforme diz Bossa (2007.Apesar de todo o debate em torno da importância da educação e da relevância das propostas que objetiva a melhoria das condições educativas. Nessa perspectiva faz-se necessário o psicopedagogo se debruçar sobre os aspectos constituintes do aprendiz. para a qual foi habilitado na graduação. sobretudo as dificuldades de aprendizagem dos alunos. atua em uma função. de modo que o permita além de identificar as concepções de aluno e de ensino-aprendizagem que a instituição adota reconstruir esse projeto junto à equipe escolar conduzindo a reflexão e a construção de um ambiente propício à aprendizagem significativa. 63) "Alguém que. inapto a desenvolver-se e em conseqüência excluído e culpabilizado pelo seu não aprender. a educação convive com graves problemas históricos que se arrastam até os dias de hoje entre os quais destacamos a desvalorização do profissional e a falta de uma formação adequada que ofereça ao professor lidar com problemas que vivencia na escola. Além de repensar o fazer pedagógico da escola o psicopedagogo deve ter um olhar atento para entender o sujeito em suas características multidisciplinares. O trabalho do Psicopedagogo aqui é tratado no âmbito da instituição escolar. O conceito de aprendizagem com o qual trabalha a psicopedagogia remete a uma visão de homem como sujeito ativo em um processo de interação com o meio físico e social. A psicopedagogia entendeainda que essas condiçõesafetivo-emocionais e intelectuais são geradas no meio familiar e sociocultural no qual nasce e vive o sujeito. É papel do professor agora psicopedagogo na instituição conhecer a intencionalidade da escola em que atua através do seu projeto político pedagógico. Nesse sentido. as suas condições afetivas emocionais e as suas condições intelectuais. o sistema educacional brasileiro encontra-se ainda escamoteado. Alunos que por falta de competência do professor é taxado como retardado. determinado pelas dimensões sócio-históricas em que vive. modifica a sua práxis". o psicopedagogo lança seu olhar numa perspectiva multidimensional do sujeito aprendente constituído de natureza biológica e social.

rever suas metodologias. Deixamos claro que não é função do psicopedagogo ser um "detetive" em busca de encontrar alunos-problemas. porém é possível olhar o aprendente numa visão totalizante. mas é possível encontrá-las. quanto naquilo que silencia. temos que ver aquilo que não está visível. pois acreditamos que grande parte das dificuldades de aprendizagem acontece devido à inadequada pedagogia da escola. Como fala a autora. seus interesses.conta a instituição onde o aluno constrói o conhecimento. do grupo social da qual é integrante. sendo ainda o lugar onde estas podem ser ocasionadas. elencar maneiras de atender ao aluno com dificuldades. que carrega em sua bagagem.aprender. Apostar numa postura psicopedagógica é contemplar o sujeito em sua plenitude. esse é um ato irresponsável do professor que ao terminar um curso de pós-graduação se porta de maneira errônea e incompetente. O olhar psicopedagógico tem que buscar as respostas para as perguntas: "Por que este indivíduo não aprende?" "ou" Por que este indivíduo não estar conseguindo utilizar em plenitude as suas potencialidades?"" O que estar impedindo de se desenvolver?" ". o conceito social onde está inserido e os fatores orgânicos que podem estar ocasionando o não . tanto no jeito de dizer. bem como a realidade onde o aluno constrói o conhecimento. como sujeito da aprendizagem. Dentro da escola. o professor deve adotar o olhar e a escuta psicopedagógica como forma de identificar. intervir e prevenir os problemas de aprendizagem de modo a entender seu aluno. onde numa relação dialógica tentarão compreender suas dificuldades.p. Com a finalidade de verificar como este aprende e o que dificulta no desenvolvimento de suas habilidades. pois é na escola que se manifesta e tornam-se visíveis as chamadas dificuldades de aprendizagem. Torna-se essencial ao professor pensar e agir psicopedagogicamente. temos que ver o que está no não dito. Não são respostas simples de serem encontradas.02). e revelar-se como aprendente numa relação de troca e diálogo com os alunos. Segundo Benzoni (2007. como um processo que é vivenciado por cada aprendiz de maneira diferente. bem como através do diagnóstico encaminhá-lo se preciso a outros profissionais além de realizar um trabalho preventivo para que sejam evitadas perturbações no processo de aprendizagem. mostrando-se inabilitado para exercer uma prática . De fato o trabalho psicopedagógico na instituição é essencialmente preventivo. suas expectativas diante do aprender. é fundamental ao professor fazer uma leitura da sua prática. considerar sua forma de ser e estar no mundo. compreendendo as etapas evolutivas da aprendizagem. e acima de tudo ver suas potencialidades que por vezes é ignorada pelo meio escolar e familiar. Segundo (Bossa 2007). Nesse sentido. que classifica e pré-julga o indivíduo. Cabe ao professor vê o seu aluno. de modo que seja resgatado o prazer de aprender pelo sujeito. a família. É necessário ao psicopedagogo que atua em sala de aula considerar o nível de aprendizagem do aprendiz. esta não é uma tarefa da mais fácies. conhecimentos trazidos da vida cotidiana. pois é isto que lhe compete e para qual foi habilitado conforme os estudos da Psicopedagogia institucional. Pensar o sujeito que aprende conforme os princípios da Psicopedagogia é reconhecê-lo como ser ativo e contextualizado onde a aprendizagem é um processo inevitavelmente produzido e inter-relacionado pelas relações que estabelece com a escola. ou seja.

<!--[if !supportLists]-->3.webartigos. Selma. Portanto.<!--[endif]-->CONSIDERAÇÕES FINAIS: Portanto a Psicopedagogia contribui significativamente para o processo de ensino – aprendizagem. Nádia A.br / acesso em 26 de julho de 2008. Para tanto. BOSSA. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática / Nádia A. pois ao professor a partir dos conhecimentos psicopedagógicos adotarem o olhar e a escuta direcionado ao sujeito multidimensional. se comprometendo a modificá-la tornando-a um ambiente que proporcione e favoreça a aprendizagem ao mesmo tempo buscando soluções para os problemas já existentes.com/articles/26599/1/CONTRIBUICOES-DAPSICOPEDAGOGIA-NO-CONTEXTO-ESCOLAR/pagina1. 23 cm Leia mais em: http://www. 2007. Reflexões sobre diagnóstico psicopedagógico. buscando respostas para inquietações que surgem no seu fazer pedagógico. Disponível em: < http: // www.html#ixzz1VuA9LCEz Psicopedagogia: seu campo de atuação e sua importância frente às dificuldades de aprendizagem Publicado em: 27/06/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 307 | 1Share Anúncios Google .abpp.com. Jl. Assim consideramos de extrema relevância a ação do professor numa perspectiva psicopedagógica. Bossa – 3.A. Ao contrário dessa postura o profissional que atua com seriedade busca constantemente além de refletir sobre as dificuldades de aprendizagem busca fazer uma revisão de sua práxis.psicopedagógica. a ação psicopedagógica na instituição escolar configura-se como uma prática instigante e desafiadora que exige do profissional a adoção de uma postura que veja o sujeito na sua integralidade. É lançar um olhar reflexivo no cotidiano da escola. Caberá. ed – Porto Alegre: Artmed. rompendo com velhas práticas que não condizem com o nível de formação do qual é portador. sujeito da aprendizagem. 2007. defende-se o processo de formação constante e permanente para a construção de uma prática e de uma postura essencialmente psicopedagógica. 160 p. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENZONI: G. pois essa possibilita uma intervenção e reorganização do processo de aprender para que este seja significativo para todos os sujeitos que deles fazem parte.

percebemos que a instituição de ensino tornou-se definitivamente o lugar de socialização e formação de sujeitos. conta com a colaboração de outras áreas do conhecimento. diante desse terreno imerso em contestações.Inscrevase www. ainda não lhe assegura a qualidade de saber científico. É interessante ressaltar. que tem como protagonistas alunos.Buzzero. subsídios para seu trabalho. 2007.00 mensais. p. na busca de soluções para o problema de aprendizagem. professores. cultural e tecnológica. bem como dos profissionais docentes ou ainda de outros profissionais que trabalham com a educação. que a psicopedagogia não atua diretamente com a dificuldade. Segundo Scoz (1994. Conheça nosso site. pais. Acesse já! www.posgraduacao-cursos. No âmago dessas questões são percebidas também modificações nas relações sociais que. Nesse cenário.br Pós em Psicopedagogia Pós Graduação em Psicopedagogia.com 1.edu. Para atuar frente a esses problemas.br/Psicopedagogia Pós a distância Uninter Confira o curso de Psicopedagogia Clínica e Institucional. 02).com. ela atua junto às crianças. integrando-os e sintetizando-os". Dentre as mudanças que temos percebido na família está a incipiente participação desta. mas ainda hoje. cujos desdobramentos são manifestos pela instância educativa compreendida pela escola e pela família. a psicopedagogia emerge da necessidade de buscar soluções para os problemas de aprendizagem. 1992). INTRODUÇÃO O contexto educacional tem sofrido intenso impacto decorrente das mudanças de ordem econômica.com. as transformações têm se revelado na perspectiva dos alunos. familiares e professores. e psicológicos. . devendo-se fazer muito no sentido de ela sair da esfera da empiria e poder vir a estruturar como tal (BOSSA. por sua vez. a validade dessa área como um corpo teórico organizado. Estude na ESAB. política. Longe de competir com outros profissionais. mães. Em relação à instituição. PATTO. 2004). detectando ou extinguindo os problemas de aprendizagem que erigem dentro do contexto escolar e fora dele. atingem os processos de ensino-aprendizagem e o exercício da docência (LIBÂNEO. no sentido de contribuir com a educação. culturais. Ao nos atentar para essas transformações e para as exigências a elas relacionadas. social. ao contrário. mas corrobora para saná-la. na vida dos filhos. e aqui incluímos o psicopedagogo. Levando em consideração os aspectos socioeconômicos. a Psicopedagogia também tem sido provocada.br Transtorno Aprendizagem Curso pela Internet com Certificado Experimente Antes de Pagar www. e numa ação profissional deve englobar vários campos do conhecimento.PosEadUninter. Matrículas abertas! www. Atrelada aos vários campos científicos.ESAB. "a psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades. o psicopedagogo busca neles. ao oportunizar a estes algumas condições para o exercício da liberdade política e intelectual.Curso de Psicopedagogia Cursos a partir de R$91. a psicopedagogia não trabalha isoladamente.

o objetivo da pesquisa. até a sistematização com os apontamentos do olhar da psicopedagogia sobre a família e a escola. O ideal é que a pesquisa bibliográfica não seja a mera repetição de escritos. identificar seus desdobramentos. reconhecendo ser este um campo vasto e muito desafiador. a finalidade desta abordagem é colocar o pesquisador em contato com tudo que já foi produzido sobre o assunto. cujos momentos se afetaram de forma recíproca. apontando na seqüência as (in) definições que se fixam acerca desta área. Nesse sentido. mas a interpretação e produção de novos conhecimentos. não basta como aplicação da psicologia à pedagogia. . Ainda no segundo momento apresentamos uma discussão sobre o campo de atuação da psicopedagogia. menos claro ele nos parece. a fim de dominar os aspectos teóricos e metodológicos da posição assumida. partimos para o percurso metodológico. bem como o percurso metodológico adotado. numa perspectiva teórica ou aplicada. determinar seu objeto de estudo. Ao desenvolver nossas primeiras idéias. para Marconi e Lakatos (2009). o de ser instrumento. A preparação remete aos momentos de análises indispensáveis ao estudo. No segundo momento fazemos uma breve incursão acerca da conceituação e do processo histórico da psicopedagogia. Nesse sentido. Posto isto. bem como seu campo de atuação. perpassando pela atuação institucional e clínica. torna-se mais fácil. Após esta breve incursão. a psicopedagogia enquanto produção de conhecimento científico. trazemos as considerações finais emanadas durante o estudo não como fechamento definitivo deste trabalho. Inicialmente empreendemos uma pesquisa bibliográfica com leituras e fichamentos a fim de aprofundarmos o entendimento acerca do objeto de estudo.Percebemos aí que o termo psicopedagogia está imerso em um campo conceitual passível de contestação. 1992). o termo já foi criado e assinala uma das mais importantes razões de produção de um conhecimento científico: o de ser meio. Discutimos no momento seguinte as interfaces entre psicopedagogia e educação. fazemos aqui uma espécie de duplo questionamento que acaba por convergir para um ponto comum: Qual o campo de atuação e a importância do Psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem escolar? Essa pergunta é formada no sentido de se considerar a necessidade de apontamentos sobre as questões concernentes à psicopedagogia. A partir de uma maior clareza acerca do objeto de estudo. através das lentes teóricas. em que quanto mais se procura elucidá-lo. um breve apanhado sobre os elementos que constituem o objeto. Por fim. e buscando respostas às interrogações levantadas. Como aponta Lino Macedo (apud BOSSA. a qual tem buscado sistematizar um corpo teórico próprio. As discussões que balizam o campo da psicopedagogia a concebem como área de aplicação que antecede o status de área de estudos. mas como novas possibilidades que se abrem para o campo da psicopedagogia. para um outro. A pesquisa bibliográfica foi essencial para nos apropriarmos de conceitos relacionados ao tema. Inicialmente apresentamos o tema em estudo e suas noções gerais. Frente a esse quadro. o objetivo deste artigo é conhecer o campo de atuação e a importância do psicopedagogo na realidade escolar. nos orientamos por um sistema de pensamento.

A partir da década de 60. os psicopedagogos. produtor de um conhecimento específico. conduzindo as crianças a profissionais da área médica. Essasidéias acabaram atingindo as escolas. permitia a aceitação da criança por parte da família e da escola. O fato de existir um diagnostico de (DCM). à luz das contribuições de diversas áreas do conhecimento. 1992) historicamente a psicopedagogia surgiu na fronteira entre a pedagogia e a psicologia. Acoplavam-se nesses Centros. a fim de melhor situar a psicopedagogia nos dias atuais. consideradas inaptas dentro do sistema educacional convencional. desencadeando classificações equivocadas dos problemas de aprendizagem. cursos de formação de especialistas em psicopedagogia na clínica médico-pedagógica. essencialmente as colaboraçãoes de Johnson e Myklebust (1987) que enfatizavam os conceitos de Disfunção Cerebral Mínima (DCM).2. que fazemos uma breve retrospectiva histórica. psicanálise e pedagogia na tentativa de readaptar crianças com comportamentos socialmente inadequados e/ou com dificuldades de aprendizagem. com direção médica e pedagógica. . considerados fatores diretamente responsáveis pela dificuldadeem aprender. vêm reformulando sua linha de análise. Os primeiros Centros Psicoterápicos foram instituídos por Boutonier e Mauco em 1946 na Europa. os psicopedagogos nutriam a concepção de que os indivíduos com dificuldade de aprendizagem escolar eram portadores de disfunções psiconeurologicas. É com base nos escritos de Scoz (1994) e de outros autores renomados que discutem esta área. PSICOPEDAGOGIA: SUA HISTÓRIA E SEU CONCEITO Antes de aprofundarmos nossa discussão sobre a atuação e importância da psicopedagogia. mentais e/ou psicológicas. conhecimentos da psicologia. Segundo Kiguel (apud Bossa. mas contribuía também para desmotivar os professores a investirem na aprendizagem. apresentamos alguns aspectos gerais para a compreensão acerca dessa área enquanto campo de saber. A Psicopedagogia foi inserida no Brasil baseada em modelos médicos e foi assim que se iniciaram nos anos 70. bem como os de Distúrbios de Aprendizagem (DA). Atualmente. A literatura estrangeira tinha grande aceitação em nosso meio. a partir das necessidades de atendimento de crianças com distúrbio de aprendizagem. Nesse período. destituindo essa criança da culpa pelo seu insucesso. os profissionais da psicopedagogia começaram a se organizar no intuito de entender os motivos do fracasso escolar.

tardam em se tornar ação concreta em nosso país.1 O Psicopedagogo e suas (in)definições Comecemos esse tópico. nos apontam algumas incongruências. A ele cabe saber como se constitui o sujeito. uma ação auxiliar da medicina e da psicologia. ainda assim. Qualquer que tenha sido a sua formação. sem sufocar-lhe a individualidade. com uma colocação pontual certamente aplicável as áreas correlatas: a de que. a exemplo da Lei n. diante disso. bem como. o Código de Ética. .No momento inicial. os traços históricos da psicopedagogia.891.º 10. ele deverá subsidiar a criança no enfrentamento do modelo de escola que dispomos. devendo primar pela interdisciplinaridade e podendo ser exercida tanto clínica quanto institucionalmente. vejamos quem é o psicopedagogo. o psicopedagogo deve procurar se revestir de um arcabouço teórico das outras ciências para se constituir enquanto profissional com uma visão ampla que acolhe a interdisciplinaridade. que condensa os principais pontos a serem seguidos pelo psicopedagogo. dentre as diretrizes previstas pelo código está a deliberação da Psicopedagogia como um campo de atuação em saúde e educação que envolve com o processo de aprendizagem. como uma tentativa de elucidação dos constitutivos desta área. e sua configuração nas etapas da vida. mas nos referimos às atitudes do psicopedagogo ao longo da sua atuação. bem como do Projeto de Lei nº 128/2000. Ainda segundo esta autora. a Psicopedagogia foi. aprova-se em 1996 pela Associação Brasileira de Psicopedagogia. esse profissional deve respeitar a escola como tal. o que significa ensinar e aprender. Essas são algumas questões que permeiam o trabalho do psicopedagogo. Como se vê. segundo Visca (1987). ele sempre assumirá a dupla polaridade de seu papel. instituindo-se como saber independente e complementar. Mediante o entendimento que começa a emergir acerca do seu objeto de estudo. que define o psicopedagogo como um professor de um tipo particular que realiza a sua tarefa de pedagogo sem perder de vista os propósitos terapêuticos da sua ação. quais os fatores envoltos nas dificuldades de aprendizagem. Em sua atuação. tendo seu objeto de estudo definido – o processo aprendizagem – e recursos diagnósticos próprios. quem é esse profissional? Trazemos aqui uma colocação de Janine Mery (1985). Desse modo. o que não quer dizer que o local de trabalho desse profissional seja sempre a clínica. já que é através desta instituição que o aluno se situará participando assim da construção coletiva da sociedade. de que modo métodos pedagógicos interferem no desenvolvimento da criança. quanto na saúde pode-se considerar que o psicopedagogo tem uma postura crítica frente ao objeto de estudo. o que consequentemente converge para uma certa (in) definição conceitual do termo. Alguns avanços consistentes já podem ser percebidos nesse campo. que continua lutando para que essa profissão se regulamente. tanto na sua atividade na área educativa. mas afinal. 2. não podemos desconsiderar que essas medidas.

Segundo Lino Macedo citado por Bossa (1992). Posto isto. levando em conta a singularidade de cada processo. ao esclarecer que o trabalho clínico não deixa de ser preventivo. O trabalho preventivo é sempre clínico. Tanto na prática preventiva como na clínica. pode evitar o aparecimento de outros. assim como. uma articulando-se às outras. preventiva e teórica. O psicopedagogo deve levar o sujeito a reintegrar-se a vida normal. por ser no desempenho da função preventiva dentro do espaço escolar. pode ainda. essa mesma autora faz uma análise interessante. por ser mediante ao convívio cotidiano com os sujeitos da instituição que o psicopedagogo participa das relações da comunidade educativa favorecendo assim o processo de integração e troca. ao tratar alguns transtornos de aprendizagem. desenvolvimento do raciocínio. 2. segundo. Esses dois modos de atuação. estar o trabalho psicopedagógico atrelado com o trabalho escolar. uma vez que. É partindo desse entendimento que encerramos o debate acerca das (in)definições do psicopedagogo para abrirmos um debate muito mais aprofundado que versa sobre o campo de atuação da psicopedagogia. o autor apregoa. podendo promover orientações relacionadas às peculiaridades dos sujeitos. Anúncios Google . apropriação de conteúdos escolares. no Brasil. assumir características específicas a depender da modalidade: clínica. a área de abrangência que esse profissional ocupa parece ser dotada de especificidades que requerem um considerável cuidado. o profissional se embasa sempre em um referencial teórico. Desse modo. Segundo Bossa (1992). Subsidiado por esse referencial. o psicopedagogo pode atuar preventivamente contribuindo com o educador na sua prática docente. na preparação dos profissionais. respeitando os seus interesses e possibilidades. A importância desse profissional na instituição se justifica e se legitima por várias vias: primeiro. não deixam de resultar um trabalho teórico. o psicopedagogo ocupa-se das orientações de estudos. que o psicopedagogo detecta prováveis perturbações relativas à aprendizagem. mesmo que com ele não esteja diretamente comprometido. atendimento de crianças. ele perpassa pelo lugar desse campo de atividade e pelo modo de abordar o seu objetivo de estudo.2 O Campo de atuação da psicopedagogia O campo de atuação do pisicopedagogo transcende ao mero espaço físico em que o trabalho é desenvolvido. dentro da própria instituição de ensino. Nessa proposição de articulação.

visto que. entre as múltiplas atribuições que o psicopedagogo assume no espaço escolar está a orientação à família. favorecendo a integração. De acordo Bossa (2000). podendo não ser nem mesmo detectado pelo professor. o auxilio aos professores e demais profissionais nas questões pedagógicas. p. o professor é desafiado a lidar com a singularidade dos sujeitos bem como com os métodos de ensino a ser adotados. com o conteúdo. com os colegas da classe. Bossa (l992. o universo das interações humanas é complexo e permeado por conflitos. consegue meios para ajudá-lo. fazendo com que os professores. o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais. argúi que. O psicopedagogo alcança seus objetivos quando. promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo. aversão à escola. É sabido por todos que no contexto da sala de aula. Cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem. envolvendo a escola na . tendo a compreensão das dificuldades de aprendizagem de determinado aluno. da própria ensinagem. 23). e muitos outros que acabam por desencadear na criança. essencialmente se considerarmos a quantidade de questões que estão atreladas à dificuldade de aprendizagem. participar da dinâmica da comunidade educativa. muitos são os fatores que corroboram ou interferem no desenvolvimento da criança. Já que no caráter essistencial. Problemas com a família.O trabalho do psicopedagogo na escola é bastante denso. diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou. com os educadores. Nessa dinâmica. Nesse contexto. realizando processos de orientação. a colaboração com a direção e a mais importante delas: a assistência ao aluno que esteja com algum tipo de necessidade. Muitas vezes os problemas que afetam as crianças são desencadeados por motivos extremamente simples. já que a heterogeneidade presente na sala de aula trás consigo a necessidade de novos métodos que assegurem a pluralidade.

expedidos por instituições ou escolas devidamente autorizadas ou credenciadas nos termos da legislação vigente. Estas são interfaces que discutiremos na seqüência. Eis que esses elementos são condicionados por fatores distintos. Os encaminhamentos ao consultório psicopedagógico. Deste modo. tendo por enfoque o indivíduo ou a instituição de ensino público ou privado. ele torna-se uma ferramenta poderosa no auxílio da aprendizagem. toma-se emprestado da medicina o termo "olho clínico". Atuar preventivamente nos problemas de aprendizagem. nos conferem apontamentos acerca do campo de atuação do psicopedagogo.busca de condições para amenizar e/ou sanar tal dificuldade. ressaltando que ambas estão atreladas ao processo de aprendizagem. temos projetos como a Lei nº 3. que o olhar que esta área possibilita não se resume às ações apenas no campo escolar. Oferecer assessoria psicopedagógica aos trabalhos realizados em espaços institucionais. Quando os problemas concernentes ao fracasso escolar advêm de motivos ligados à estrutura familiar e/ou individual. Scoz (1994) nos confere uma importante contribuição. De acordo Paín (1985). Isso nos aponta que a prática psicopedagógica também possui uma configuração clínica. ao remeter a atuação do Psicopedagogo tanto a identidade clínica quanto a institucional. seja na promoção da aprendizagem. Os principais itens podem ser assim colocados: Intervenção psicopedagógica visando à solução dos problemas de aprendizagem. na prática profissional. é sumamente relevante que a psicopedagogia contribua com a escola. ao referimos à postura terapêutica do profissional. seja no tratamento dos distúrbios e dificuldades nesse processo. Nessa linha de apontamentos. sendo possível considerar que certa representação da profissão está se constituindo por meio das relações concretas entre os sujeitos. em sua grande maioria. os problemas de aprendizagem podem ser gerados por razões internas ou externas à família e ao indivíduo. fazendo com que cada situação seja única. em nível de pósgraduação. Assim. Destarte. mas transcende esse espaço e atinge o contexto da sociedade. É importante destacar. Possibilitar intervenção visando solucionar problemas de aprendizagem tendo como enfoque o aprendiz ou a instituição de ensino público ou privado. Desenvolver pesquisas científicas relativas ao processo de aprendizagem e seus problemas. Orientar. no âmbito da atuação psicopedagógica.124/97 que ao regulamentar a profissão. são feitos. O psicopedagogo pesquisa as condições para que se produza aprendizagem escolar. alguns dos seus desdobramentos no campo empresarial. Por ser um profissional ainda em construção da sua própria identidade. identificando os empecilhos e os elementos facilitadores numa ordem preventiva. o psicopedagogo pode contribuir com as relações inter e intrapessoais dos indivíduos que atuam na organização. Abordamos aqui. faz-se necessária uma intervenção psicopedagógica. pela instituição. . Apoio psicopedagógico aos trabalhos realizados nos espaços institucionais. coordenar e supervisionar cursos de especialização de Psicopedagogia. Isso nos faz entender que o Psicopedagogo é um profissional ligado historicamente à educação. Neste campo. mesmo que sobrepostas.

O Psicopedagogo na instituição escolar . Pensar sobre as ações educativas desenvolvidas e os desdobramentos que delas decorrem para o sujeito infantil significa. Comumente.3. deparamo-nos com a situação específica da aprendizagem no interior das escolas. o educador estabelece uma relação de muita proximidade com o aluno. É nesse contexto que as dificuldades de aprendizagem acabam erigindo como um desafio para a educação desencadeando assim. para compreender as especificidades do trabalho psicopedagógico que. visto que. É necessário que haja uma compreensão do contexto social. alunos e os conteúdos de aprendizagem. pensar sobre as relações que se estabelecem entre educadores. É importante e necessária a compreensão de que a escola não é. a necessidade da psicopedagogia no contexto escolar e fora dele.1. é bastante preocupante. Essencialmente hoje. já que este último tem na família e no professor seus referenciais. culmina no comprometimento do trabalho das outras esferas. com o advento da modernidade. portanto. a discussão do campo de atuação e da importância do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem não pode se processar de modo isolado. Desse modo. torna-se clara a importância de um trabalho que reflita sobre o papel e a importância de um psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem. de modo que a abnegação de qualquer um desses segmentos no cumprimento do seu papel. como Estado. fora do contexto mais amplo que é a sociedade. A escola é construída com a participação dos diversos segmentos sociais. Diante disso. trazendo em voga elementos importantes para o entendimento das interfaces da educação. das relações de classe. família e educadores. Além dessa conjuntura. PSICOPEDAGOGIA E EDUCAÇÃO: DELINEANDO INTERFACES As análises que se incidem no campo da educação apontam para a questão do envolvimento do aluno no ato de aprender e do professor no de ensinar. a urgência de novos olhares sobre as questões que afloram no contexto escolar e que consequentemente influem no desenvolvimento do educando. 3. e nem pode ser a única responsável por sanar as questões relativas à aprendizagem. Ademais. Isso trás em foco. não basta o educador estar preparado pedagogicamente para desempenhar seu papel de modo satisfatório. a situação da aprendizagem. se a Psicopedagogia surgiu da necessidade de compreensão e atendimento aos indivíduos com dificuldades e distúrbios de aprendizagem. por sua vez. não se dá descontextualizado. a depender dos seus "mundos de vida". através da cultura. que é de natureza mais ampla. tais conteúdos atingem cada indivíduo de modo diferente. a importância da compreensão do contexto que circunscreve este ato ganha corpo.

No trabalho junto à instituição escolar. É na instituição de ensino que os educandos adquirem as aprendizagens instrumentais que irão permitir o acesso a níveis mais elaborados de pensamentos. incluindo alunos. mediadoras da sociedade. àquela que se opera na interação com as instituições educativas. Sabemos que a ação preventiva pode evitar muitos problemas dessa ordem. Visca (1987) apregoa que no intuito de prevenir os problemas de aprendizagem. promover o desenvolvimento cognitivo e a construção de regras de conduta. A partir dela. 1992). O psicopedagogo na clínica O trabalho clínico pode ocorrer em hospitais ou em consultórios. o desenvolvimento da escuta. Esse trabalho ocorre geralmente de forma individual. ainda que para isso necessite encaminha-lo a outros profissionais. dentro de um projeto social mais amplo (BOSSA. 3. a qual cumpre uma função social: a de socializar os conhecimentos disponíveis. a investigação cuidadosa e a realização de propostas para uma formação docente eficaz e verdadeiramente comprometida. e por meio dele. órgãos especializados para transmitir os conhecimentos. Dentre as muitas proposições da Psicopedagogia. buscando oferecer sua contribuição no sentido de prevenir os problemas de aprendizagem. professores. Nos casos em que a criança já apresenta o distúrbio ou dificuldade de aprendizagem. Segundo Jorge Visca (1987). a instituição escolar é responsável pela aprendizagem sistêmica. Seu papel é de focalizar a problemática dentro do contexto causa/sintoma e atuar sobre ele. É por meio da aprendizagem que os indivíduos se inserem no mundo. embora não seja a única ação possível para o psicopedagogo. nesse caso é necessário a intromissão do trabalho clínico. pais e comunidade do entorno escolar. são avaliados os procedimentos didáticometodológicos que interferem no processo de aprendizagem. Em se tratando das ações preventivas delineadas no espaço físico e psíquico que configura a instituição escolar.2. está a ressignificação do desejo do educando. a busca pelo sucesso escolar e acrescentamos à essas. o psicopedagogo. o psicopedagogo procura compreender o porquê do sujeito não aprender. o trabalho preventivo por si só não conseguirá abarcar a demanda da criança. o psicopedagogo deve refletir acerca das questões aqui elencadas. . como uma possibilidade de sanar tal problema e/ou de buscar possibilidades para a criança. uma formação que seja capaz de transcender os muros da escola e abarcar a sociedade em geral. deve priorizar o conhecimento do sujeito. Entendemos que pensar a instituição escolar a partir da psicopedagogia implica atuarmos frontalmente sobre a formação do professor. o que e como ele conseguirá aprender. atitudes e destrezas que a sociedade estima necessárias para a sobrevivência. a promoção do pensar. o alargamento do olhar.A atuação psicopedagógica pode e deve ser pensada a partir da escola.

Diante disso. Tais procedimentos são denominados por Bossa (1992) de metodologia ou modus operandi do trabalho clínico. assinala queno diagnóstico psicopedagógico. Em relação aos instrumentos. provas projetivas e outras. este profissional deve ter conhecimentos multidisciplinares. 1992). É importante. observação. é necessário estabelecer e interpretar dados em outras áreas. de um suspiro. Durante o tratamento clínico. em um processo diagnóstico. apud BOSSA. favorecendo uma intervenção psicopedagógica. como muito bem nos lembra Bossa (1992). a percepção e observação a fim de decifrar a mensagem que se externa por meio de um silêncio. provas psicomotoras. que se estabelece a comunicação. Mas o que não se pode esquecer é que mais importante do que o instrumento adotado é a atitude do profissional diante do cliente. provas de linguagem. visando a superação das dificuldades que este sujeito venha a apresentar. sem perder o foco do seu compromisso com a aprendizagem e lembrando que toda . não basta ter os conhecimentos relativos à psicopedagogia. o que favorecerá a escolha da metodologia mais adequada. a relação que se estabelece entre o psicopedagogo e o educando é mediada por ações que apresentam como principal objetivo: solucionar rapidamente os efeitos mais nocivos do sintoma para depois dedicar-se a afiançar os recursos cognitivos (PAIN. na medida em que é por meio dela que se constroem os códigos simbólicos e se processam os paradigmas do conhecimento conceitual. Além da postura ética e atitudes corretas frente ao trabalho. são posturas que o psicopedagogo não pode negligenciar no trabalho clínico. É importante lembrar que independente do referencial adotado. Nesse sentido. Eis que este aspecto relaciona-se não somente a operacionalização do trabalho psicopedagógico como também com o êxito do mesmo. a escuta. O olhar. É através da relação lúdica. Destarte. sempre em um contínuo revisável. a depender do referencial adotado pelo psicopedagogo. o exercício de todas as funções semióticas que supõe a atividade lúdica possibilita uma aprendizagem adequada. 1992) argúi que. esta mesma autora. provas de nível mental. No processo diagnóstico e no tratamento. O trabalho psicopedagogico apresenta vicissitudes que concentram na existência de um objetivo bem definido a se alcançar que é a eliminação do sintoma. de um gesto. utilizam-se entrevistas e anamnese. visto que. Pain (1986. do brinquedo. que o psicopedagogo busque mecanismos que lhe permitam jogar o jogo da criança. a observação se constitui num elemento essencial para melhor precisar o quadro e processar o tratamento curativo. ele poderá compreender o quadro diagnóstico do sujeito a que se destina a atender. o profissional lança mão de diversos jogos que possam lhe auxiliar no trabalho. a formação continuada desse profissional tende a ser bastante acelerada. 1986 apud BOSSA. a produção do conhecimento acaba sendo bastante acelerada. do jogo.O diagnóstico psicopedagógico é como um procedimento de pesquisa em que há investigação. levantamento de hipóteses. provas pedagógicas. provas de percepção. ensaiando na brincadeira as suas expectativas da realidade. visto que o jogo é uma atividade criativa e curativa que permite a criança (re) viver situações. alguns procedimentos específicos são adotados. Tendo em vista que o psicopedagogo detenha esses conhecimentos. pois ao passo que ele busca se nutrir de um arcabouço teórico consistente.

relação do sujeito com o mundo. cresce o número de separações e de mães solteiras. demanda aprendizagem. já que o mundo do trabalho lhes roubam o tempo de ficar com seus filhos. Família e Escola: Um olhar a partir da psicopedagogia Quando se quiser obter alguma coisa da população. os pais ocupam um novo espaço no contexto do trabalho. Este profissional intervém junto à família das crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem. as brigas entre casais na presença dos filhos. Sabemos. o que consequentemente. seus objetivos e expectativas com relação ao desenvolvimento do filho é de grande importância para o psicopedagogo chegar a um diagnóstico. e esta. e a construção da identidade. são altos os índices de desempregados. A família é a célula máter da sociedade. há ainda questões mais contundentes como o uso de drogas nas famílias. igualmente alarmente é o número de analfabetos. a família vai tornar-se instrumento. no contexto da escola e depois passa para a incumbência do psicopedagogo. o que influi na dinâmica familiar. tornam-se uma constante. É o primeiro lugar de aprendizado. cognitiva. e instrumento privilegiado para o governo da população (FOUCAULT apud DORNELLES. uma identidade particular. em alguns . constituindo desta forma. talvez por não terem se adequado às novas mudanças que vêm erigindo no cenário da modernidade. por sua vez começa a apresentar certas dificuldades. que a relação da família com a escola é ainda. De modelo. as famílias encontram-se em sua grande maioria. Sendo assim. é pela família que se deverá passar. então essas duas instâncias devem atuarem parceria. reverbera. As famílias que apresentam esses problemas acabam transferindo para a criança. 2005). em primeira instância. A intervenção psicopedagógica deve buscar a inclusão dos familiares. crenças. por meio de suas metodologias a fim de tomar conhecimento de informações sobre sua vida orgânica. através de encontros que possibilitem o acompanhamento do trabalho junto aos professores. depois que deixa de ser conseqüência de um reflexo. assim a sociedade é composta pela soma de famílias. onde cada membro exerce uma função distinta e complementar. em que ocorrem às primeiras trocas afetivas emocionais. e isto é de suma importância. Estar atentos ao que a família pensa.3. A família é composta de indivíduos que estabelecem relações entre si e compartilham o mesmo contexto social de pertencimento. no entanto. opinando e participando. e cada uma delas é possuidora de culturas. um tanto desestruturadas. social e emocional. No contexto atual. Se a família e a instituição de ensino devem primar pelo desenvolvimento da criança. seus anseios. 3.

posto que o conhecimento é dinâmico. Ainda segundo esta mesma autora. na mais tenra idade. o psicopedagogo costuma primar pela busca dos elementos positivos entre essas esferas e a partir daí institui-se a cooperação da família para a escola e desta para aquela. Diante disso. relações pautadas pela confiança e respeito. estaremos admitindo que o campo afetivo e o campo cognitivo estão sempre juntos. é uma tarefa que o psicopedagogo não pode desconsiderar em sua atuação. desencadeando assim. a aproveitar as idéias e/ou proposições advindas das famílias. e procurar propor metodologias que viabilizem e/ou facilitem os processos de aprendizagem. Se pensarmos que as rupturas no vínculo da família provocam bloqueios em relação ao conhecimento da criança. O psicopedagogo deve procurar o significado do aprender para a criança e sua família. sobretudo na instituição consagrada para tal que é a escola. 4. não como um fechamento definitivo e inalterável. como o psicopedagogo poderia ajudar no estabelecimento dessa via de mão dupla? O psicopedagogo pode colaborar nessa tarefa. a modalidade de aprendizagem é como um esquema de operar que vamos utilizando nas diferentes situações de aprendizagem. que inexoravelmente. Cada indivíduo possui uma maneira pessoal de apropriar-se do conhecimento. conflituosa. as formas de aprendizagem constroem-se desde o nascimento. nos deparamos com angústias inerentes ao (dês) conhecer. e os desdobramentos desses processos. Assim. a busca de uma relação confiável e colaborativa entre escola e família com fins ao desenvolvimento integral do educando é uma questão importante e necessária que o psicopedagogo não pode fazer vistas grossas e nem ouvidos moucos. incentivando a escola a se interessar pela opinião dos familiares. A participação da família na escola contribui efetivamente para uma observação mais eficaz das significações sintomáticas relacionadas ao aprender. a fim de descobrir os motivos do não aprender. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES As colocações aqui expostas aludem à existência de questões que na situação pedagógica interpõe-se entre o ensino. Nessas relações.aspectos. e através destas formas. Por isso. dada sua complexidade. Tal como argúi Fernandez (1991). compreender como se processa o conhecimento na família e. Essas proposições nos conduzem a reflexões que se concentram essencialmente no âmbito familiar. Isso nos leva a entender que o rompimento no vínculo afetivo consequentemente desencadeia bloqueios no aspecto cognitivo. Tomando como ponto de partida as discussões e idéias apresentadas e sem ter a pretensão de esgotar esse debate. apresentamos nossas considerações. se relacionam com o contexto de vida da criança. mas como contribuições que desencadeiam um chamamento a novas reflexões . a forma como a criança recebe e/ou absorve o conhecimento.

viabilizando a integração entre os indivíduos. a facilidade e a dificuldade. o psicopedagogo deve evitar os prognósticos que o educador costuma levantar acerca da criança. a agilidade e a lentidão e outros elementos que tanto se contrastam. como uma das áreas responsáveis pela aprendizagem. bem como participar do processo educativo. o (dês) acesso ao conhecimento. Firma-se assim. levar em consideração o seu mundo de vida. a importância e o universo de atuação do Psicopedagogo como o de instituir caminhos que conectem o (não) saber. Nesse contexto. ele precisa incidir suas atenções na dificuldade de aprendizagem. não se concentram unicamente na criança ou adolescente ou no educador. é a percepção desta particularidade que irá delinear o processo e não um padrão universal de desenvolvimento. Esta dificuldade em enxergar a criança como sujeito na sua integralidade. que diante do campo de atuação e da importância do Psicopedagogo. Enfim. prevenindo-a e/ou sanando-a. nesse contexto. é possível inferir que os motivos do (não) aprender. é um problema comum aos nossos dias que precisa urgentemente ser superado. existe um conjunto bem mais amplo com outros elementos que precisam ser percebidos e analisados pelo psicopedagogo no entrelaçamento de sujeitos e situações. o campo que se delineia é vasto. um olhar acurado e uma postura crítica frente à realidade com vistas a melhoria da aprendizagem. perceber prováveis perturbações no processo aprendizagem. quanto se complementam nos processos de aprendizagem. é condição sine qua nom para o seu trabalho.acerca do campo de atuação e da importância do Psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem escolar. compete a ele. visto que. sem antes. gerando orientações metodológicas seguras e fazendo com que os sujeitos da educação repensem o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança. Estes dados apontam a importância de se olhar para a criança na sua singularidade. a Psicopedagogia. de considerar a constituição dramática daquelas que não aprendem. tem muito a aprender e muito a contribuir. destarte. consideramos. A partir do entendimento resultante da referenciação teórica adotada. em consonância com Bossa (1992). A função do Psicopedagogo é intervir em caráter preventivo e curativo. Acreditamos que. Para isso. BIBLIOGRAFIA . de considerar a criança como pessoa inteira. Como muito bem nos lembra Barbosa (2002).

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