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PEDAGOGIA TECNICISTA

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Pedagogia tecnicista

A partir do discurso desenvolvimentista que se efetivou nos anos 60, em que a baixa produtividade do sistema escolar representou papel fundamental e o Estado Revolucionário agita a bandeira de que há necessidade de se focar no desenvolvimento econômico e que para isso é preciso trabalhar a partir de alguns entraves (baixa produtividade, baixo índices de satisfação da demanda escolar em relação ao total da população, altos índices de repetência e evasão) que estavam impossibilitando que o desenvolvimento se efetivasse. O sistema escolar passou a ser apontado como o responsável pela baixa qualificação da mão-de-obra e, portanto pelos demais problemas que assolavam a economia naquele momento como a desigualdade da distribuição de renda e o despreparo das massas para o processo político. Na tentativa de solucionar estas questões, o Estado e intelectuais que representavam os interesses oficiais, privilegiam em nosso país a tecnologia educacional que se alastra de forma rápida por todo território. Assim, a introdução e o desenvolvimento da tecnologia educacional no Brasil são tidos como uma alternativa para a educação popular, a partir do modelo capitalista norte-americano. A tecnologia educacional é considerada a imagem da eficiência do sistema de ensino em todas as suas formas e níveis, adequando seu produto às necessidades do modelo de desenvolvimento vigente. Neste momento se dá a assimilação da ideologia empresarial, pela educação. Esta ideologia que se fundamenta na Teoria Geral da Administração tem como preocupação central o controle do processo produtivo e organização do trabalho, necessidades geradas pelo próprio capitalismo. São desenvolvidos, então, processos, modelos, instrumentos, sempre com a preocupação de elaborar diagnósticos, tomadas de decisão sobre os objetivos e meios para atingí-los, assim como o controle da execução, a configuração do grau de obtenção dos propósitos do planejamento, e a identificação de desvios e sugestão de medidas realimentadoras. No Brasil não é diferente, tendo em vista a ocupação do governo pelos militares a partir de 64, a proposta encontra terreno fértil, pois o Estado

A valorização da tecnologia programada de ensino trouxe conseqüências. No campo educacional devido ao discurso da ineficiência do sistema de ensino em todos os níveis há uma reorganização deles e surgem reformas do ensino. cujo controle passa a ser cada vez mais difícil. utiliza-se de atividades mecânicas introduzidas numa proposta educacional rígida e passível de ser programada em detalhes. dependendo exclusivamente dos especialistas e técnicos. É a tecnologia educacional firmada na Teoria Geral dos Sistemas. junto à escassez de recursos de toda natureza. Cria-se a expectativa da educação como a salvadora e de que atenderá às necessidades econômicas. firmado nos novos mecanismos de poder utilizados pelo Estado e no aumento do controle financeiro e tecnológico que o capitalismo internacional exercia. uma preocupação com a adequação dos objetivos do ensino com as demandas do sistema social. A escola se cobre de uma grande auto-insuficiência. . Verifica-se então. portanto porque não transpô-la para o Brasil. Nesse sentido a educação passa a ser um investimento individual e social. que é entendida como racionalização em primeiro lugar do processo produtivo e a seguir dos demais setores da vida social. transformando a idéia de que aprender não é algo natural do ser humano. muitas ações foram efetivadas. tendo em vista o significativo aumento da demanda social. quem vai solucionar os problemas colocados.mobiliza seus esforços a favor da reorganização. com o objetivo de atingir os requisitos dos modelos político e econômico vigentes. Com isso ocorre o aumento e a complexidade dos sistemas de ensino. Como conseqüência a dita ineficiência passa a ser combatida com propostas de planejamento educacional. na educação básica e no ensino superior. políticas e sociais do país. Esta abordagem sistêmica. reconhecida por ela e por toda a comunidade. A partir deste novo modelo de desenvolvimento. que definiu uma prática pedagógica altamente controlada e dirigida pelo professor. buscando a maximização dos rendimentos e a minimização dos custos. Nelas é presente a racionalização dos aspectos administrativos e pedagógicos. pois já havia sido comprovada sua eficiência na América do Norte.

selecionar os meios. O mais importante é a possibilidade de quantificação e de realização de um modelo o que não preencher estes requisitos. a partir da abordagem sistêmica. teve como objetivo solucionar o problema da educação das massas. No entanto fica claro que esta ainda tem resquícios nos dias atuais. e.Esta política de educação. de um aluno moldável em que se depositarão os comportamentos desejados. as técnicas determinam os fins. Desta forma os meios se tornam tão fundamentais que passam a determinar os objetivos. de contradição. Também a avaliação é tratada inversamente. desencadear o processo. cabe a nós educadores o estudo e a pesquisa com o objetivo de mudar esta realidade. racionais. visto que o aluno pode ser recuperado. que tem a necessidade de mostrar como o sistema funciona. levantar o problema. cristalizados em algumas práticas. Do ponto de vista epistemológico a abordagem sistêmica se apóia no conceito positivista de ciência neutra e objetiva. caracterizada pela heterogestão. ou seja. científicos em que fazer o diagnóstico. para vislumbrar uma escola em que a reflexão e a ação estejam presentes. têm sido apresentadas pelos estudiosos no sentido de resgatar o real valor da educação na sociedade e de romper com estas idéias. Nesta. não serve como objetivo. Neste sentido as diferenças de classes não são o problema. objetivos e procedimentos são elaborados por especialistas sempre assegurando que os objetivos de um sistema maior sejam atendidos. Só é necessário utilizar-se de procedimentos corretos. Justificando então uma concepção autoritária de educação. o fracasso desta se deu devido à falta de condições concretas que possibilitassem de fato seu desenvolvimento. que divergem da pedagogia tecnicista. Esta serve para confirmar a excelência do modelo e reforçar a imagem de eficácia do modelizador. Não há possibilidade de participação. É aí que se mostra a importância do pedagogo como articulador e responsável . Só é programado o que é desejável e os comportamentos ensinados em função da avaliação. Outras concepções. avaliá-lo e realimentá-lo é o bastante. deve-se garantir a harmonia do todo. O que não se questiona é que este fracasso deveria estar relacionado à epistemologia implícita na abordagem e na conseqüente concepção de educação. No entanto.

. .pela formação continuada dos professores e de como se dão suas representações sociais.

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