Resumo Filosofia do Direito

Culturalismo- Axiológico de Miguel Reale

Para Miguel Reale, a filosofia do Direito corresponde a “ pensamento filosófico da realidade jurídica”.Podendo ser empregado em uma acepção lata,abrangente de todas as formas de indagações sobre o valor e a função das normas que governam a vida social no sentido do justo , ou em uma acepção estrita, para indicar o estudo metodológico dos pressupostos ou condições sistemática. da experiência jurídica considerada em sua unidade

Reale inspirou-se no criticismo Kantiano, com o qual se esboça a passagem do Direito Natural para o estudo da Filosofia do Direito. Para ele Kant, acrescentou , de maneira fundamental, as concepções jusnaturalistas,deve-se a ele a colocação temáticafilosófica-jurídica em termos de compreensão das “ condições transcendentais” da experiência jurídica, a começar de sua afirmativa essencial de que “o direito é o conjunto das condições mediante as quais o arbítrio de cada um deve se acordar com o arbítrio dos outros segundo uma lei universal de liberdade”.Tal conceito , marca o ápice da concepção liberal do Direito, e o que nele parece valer como verdade adquirida é a correlação entre o conceito de Direito e os de condicionalidade e realizabilidade da ação no plano prático.

Esboça uma concepção culturalista do Direito que fundamenta o estudo jurídico através de todos os elementos do Direito em detrimento de uma postura unilateral baseado nos fatos jurídicos. Sendo que o Direito é a ordenação bilateral atributiva das relações sociais, na medida de um bem comum a partir de uma tese tridimensional ( fáticaaxiológica-normativa) .Sendo esse bem valorado em bem individual e bem social. O bem do indivíduo constitui o objeto da Moral, já o bem visto como valor social, é o que Reale chama propriamente de justo e constitui o valor fusante do Direito. Sustenta

tendo como base ou fulcro o valor condicionante da liberdade espiritual. como se vê. Esta última posição é a teoria tridimensional do direito sustentada vigorosamente por Miguel Reale. três segmentos: a Filosofia do Direito. a justiça. Para o surgimento de tal teoria.duas propocisões fundamentais:1-toda Axiologia tem como fonte o valor da pessoa humana. porém a esse termo bem comum . Miguel Reale recorre ao estudo de Emil Lask sob tríplice perspectiva:como realidade impregnada de significações normativas objetivas (objeto da Jurisprudência ou Ciência do Direito segundo o método jurídico-dogmático) como um fato social( objeto da sociologia jurídica . didaticamente. dando . Utiliza-se do conceito da dialética de Hegel. representa por sua vez . como um processo incessante de composição de valorações e de interesses . na qual o direito se considera em seus três elementos indispensáveis: fato. segundo o método sócio-teorético). o pressuposto de toda ordem jurídica. que. concretamente. em cujo bojo ainda escoava ideias de Kelsen e sua teoria pura. mas um objeto cultural que supera o dualismo do ser e do dever ser.por conseguinte direito não é um objeto natural. a Sociologia Jurídica e a Teoria Geral do Direito para se vislumbrar a tríplice estrutura do fenômeno jurídico. significa a coexistência harmônica e livre das pessoas segundo a proporção e igualdade. a pessoa como fonte constitutiva da experiência ético-jurídica. essa compreensão histórico-social da Justiça leva identificá-la com o bem comum. inspirou-se da teoria doutrinária italiana que costumava dividir o direito. . 2-toda Axiologia jurídica tem como fonte o valor do justo. pressupõe o valor transcendental da pessoa humana e . Para Reale. Diante das acepções culturalistas . valor e norma. recorrendo ao mundo da cultura através da antítese entre o valor e a realidade. o mundo das normas faz parte da cultura. Miguel Reale . então predominantemente. ideal ou simplesmente valorativo. em última análise . Sendo assim. não é senão a expressão unitária e integrante dos valores todos de convivência .

até culminar na seguinte teoria. que representa a relação ou medida que integra um daqueles elementos ao outro . por assim dizer. esses elementos ou fatores não só se exigem reciprocamente . etc). por conseguinte. uma atitude positiva ou negativa. não deve ser) e a razão legitimadora do ato. de modo que a vida do Direito resulta da interação dinâmica e dialética dos três elementos que a interagem. Nas últimas décadas . O valor constitui na experiência jurídica porque os bens materiais ou espirituais. De maneira correlacionada o fato e o valor não se compõe sem a interferência do Poder. mas um conjunto de circunstâncias. que confere determinada significação a esse fato. sempre e necessariamente . que segundo Miguel Reale foi dada uma nova feição: Onde quer que haja um fenômeno jurídico. a tridimensionalidade do Direito tem sido objeto de estudos sistemáticos . se algo não vale.um valor. se simpatia ou de repulsa. ou “consubstanciações de interesses”. mais ainda. construídos pelo homem através da História. finalmente . mas atuam como elos de um processo. segundo o método crítico ou axiológico). estando o homem rodeado por uma série de fatores que solicitam sua atenção. O fato . uma regra ou norma . inclinando ou determinando a ação dos homens no sentindo de atingir ou preservar certa finalidade ou objetivo. . isto é . Tais fatores( fato . demográfico. já que como já foi visto o Direito é uma realidade histórico-cultural. deve ser. provocam a análise e despertam atitudes de reação ou de aplauso. são . o fato ao valor. concomitantemente . por estar “ a serviço de um valor”. da qual resulta.Todo valor implica uma tomada de posição do espírito. valor e norma). “ cristalizações de valor”. geográfico.ou ainda com valores ou significações . um fato subjacente( fato econômico. sendo essencial o nexo normativo e o Poder para uma compreensão realista do Direito. há . abstração feita da realidade a que aderem e que eles orientam(objeto da filosofia do direito. coexistem numa unidade concreta. a noção de dever( se algo vale. que condiciona o aparecimento de uma norma jurídica particular nunca é acontecimento isolado.e .

2007.2008.27. Filosofia do Direito.4. MIGUEL.2002. São Paulo: Saraiva. não se verifica fora do processo normativo. mas inserindo-se nele. . São Paulo:Saraiva.ed Dourado de.devendo notar-se que a decisão. Referências Bibliográficas: REALE.20. para dar-lhe atualidade ou concreção: o Poder. Introdução à Filosofia. Filosofia do Direito.9.ed GUSMÃO. que é a alma do Poder. Rio de Janeiro:Ed.ed. São Paulo: Saraiva.Lições Preliminares de Direito.ed. MIGUEL.2002. REALE. no fundo. MIGUEL.Paulo Forense. é um ato decisório munido de garantia especifica. REALE.

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