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AULA.DISTOCIAS_FETAIS

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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO
INSTITUTO DE VETERINÁRIA DEPARTAMENTO DE MEDICINA E CIRURGIA VETERINÁRIA IV-332 OBSTETRÍCIA VETERINÁRIA

DISTOCIAS FETAIS 1. DOENÇAS DA GESTAÇÃO

Perda fetal (reabsorção ou aborto): Pode ocorrer por cinergismo ou não. Após a morte do embrião os tecidos geralmente são reabsorvidos ou explusos, e o retorno do animal ao estro, depende de 2 fatores: se a morte ocorre sem que tenha havido reconhecimento materno da gestação (morte precoce) o ciclo estral normalmente não se altera. Se ocorrer após o reconhecimento (morte tardia) o ciclo estral será prolongado e ainda estará mais afetado caso haja envolvimento de processos infecciosos. Em cães, em alguns casos não infecciosos, ninhadas inteiras são reabsorvidas. Pensou-se que isto era devido a uma insuficiência de progesterona, mas não há nenhuma evidência real. A causa infecciosa mais frequente de perda fetal é Brucella canis, o herpesvírus também pode causar a morte fetal e mumificação. Nessa condição, a infecção do feto pode ser transplacentária em cadelas gestantes, mas mais comumente o recémnascido é infectado durante a passagem pelo canal do parto. Muito pouca informação está disponível sobre as causas de perda embrionária nãoinfecciosas na gata, mas sabe-se que são sensíveis à perda de embriões devido ao estresse. As causas infecciosas das perdas embrionárias incluem rinotraqueíte viral felina e panleucopenia felina que provocam abortamento, mumificação fetal e gatinhos natimortos e o vírus da leucemia felina (FeLV), que causa reabsorção fetal e aborto e é também responsável pela produção da síndrome do recém nato enfraquecido. Em bovinos causas nutricionais e infecciosas ocupam posição de destaque e em éguas o estresse e gestação gemelar. Em suínos as causas de perdas fetais não infecciosas estão associadas ao clima, nutrição, estresse, taxa de ovulação, falha nos fatores de reconhecimento feto-maternal normal, condições do útero, hormônios, e teratógenos. As causas infecciosas relacionadas a perda fetal (e também infertilidade) estão divididas em 3 grupos: Grupo 1: estão associados com agentes que estão presentes na maioria das populações de suínos. Em circunstâncias normais, esses organismos são geralmente inofensivos, mas podem agir como patógenos oportunistas quando outros fatores predisponentes permitem que eles obtenham acesso a um trato reprodutivo sensível. Os agentes mais comumente envolvidos são: Escherichia coli, Erysipelothrix rhusiopathiae, Listeria spp., Mycoplasma spp., Pasteurella spp., Salmonella spp., Klebsiella spp., Corynebacterium spp., Staphylococcus spp., Streptococcus spp. e Campylobacter spp. Os sinais clínicos podem incluir a falha de concepção, aborto, natimorto ou morte perinatal e endometrite. O diagnóstico e controle do Grupo 1 pode ser difícil devido à natureza ubíqua desses organismos em condições normais de populações saudáveis. As medidas de controle devem incluir a remoção de todos os fatores predisponentes e melhoria nas medidas de higiene para redução do número de agentes infecciosos aos indivíduos expostos. Higiene nas baias é particularmente importante. Grupo 2: resultado de infecções determinadas por microorganismos contagiosos que podem estar presentes em unidades de criação de suínos, por exemplo, enterovírus suíno e parvovírus suíno. Tais vírus raramente causam doença clínica em fêmeas adultas, mas eles são altamente contagiosos e podem espalhar-se rapidamente através de uma população suscetível. A parvovirose é endêmica na maioria dos rebanhos e pode causar falha reprodutiva associada a mortes embrionárias, mumificação, natimortos e subseqüente redução no tamanho da leitegada. O vírus foi isolado de leitões abortados e natimortos, de
_______________________________________________ Prof. MSc. Ana Paula Lopes Marques (marquesapl@ufrrj.br) IV/DCMV/UFRRJ 2011

a remoção manual e o uso de estrógeno são sugeridos. O útero se contrai sobre o feto. mas muitas vezes em espécies multíparas só é visto ao parto. O controle exige a exposição de todas as fêmeas para o vírus antes do início da vida reprodutiva. O prognóstico reprodutivo é de bom a reservado. embora este tipo de estratégia não tem sempre sucesso). aparece um corrimento muito fétido. Mumificação é muito comum em suínos e é uma característica particular de infecção viral. por exemplo leptospirose e doença de Aujeszky. O manejo envolve a prevenção do contato entre as populações de suínos e de outros animais. pois a cérvix encontra-se fechada. em uma próxima gestação pode-se não ter o problema. Infecções acidentais em suínos também podem resultar de canicola. que geralmente levam ao aborto. ocorre uma inércia uterina.2 leitões que morreram logo após o nascimento. MSc. não há contaminação e a gestação pode se prolongar por um longo período. Após sua primeira exposição. A alternativa mais controlada para essa exposição é a vacinação. em alguns casos. Grupo 3: infecções ocorrerem relativamente pouco. Nos casos de mumificação a cérvix permanece fechada. cavalos. Os dois últimos possuem causas genéticas e os monstros são decorrentes de fusão de dois zigotos. torção do cordão umbilical ou outras causas que alterem a nutrição do feto causam a morte e um dos quadros abaixo: Mumificação: Se a morte do feto ocorre após a ossificação. onde os líquidos fetais são reabsorvidos e as membranas fetais tornam-se murchas e secas. não fechamento do abdome e hidrocefalia. mas tendem a resultar em perda reprodutiva grave. Certamente a reprodução fica comprometida. alterações morfológicas. O feto pode ser retirado cirurgicamente. Os sorogrupos de leptospira de maior importância para as populações de suínos são australis (incluindo os sorovares bratislava) e pomona. Em espécies multíparas. monstros. que fica contorcido. _______________________________________________ Prof. O feto mumificado é simplesmente expulso ao parto. porcos-espinhos e outros animais selvagens. Como são relacionadas ao feto. mumificação fetal é uma característica da infecção pelo herpes vírus. e se assemelham ao pergaminho (daí o nome). icterohaemorrhagiae e hardjo. e outros cães. O controle da leptospirose depende da combinação do uso de antibióticos e de manejo correto (estreptomicina Sistêmica 25 mg / kg de peso ou tetraciclinas orais na dose de 800 g por tonelada de ração têm sido usado para eliminar os portadores. . e da mucosa vaginal. Como a cérvix encontra-se parcialmente aberta. também é visto em ninhadas grandes como conseqüência da superlotação do útero e de insuficiência da placenta.br) IV/DCMV/UFRRJ 2011 . A. A forma mais comum de mumificação é a PAPIRÁCEA. natimortos e nascimento de leitões fracos. ORIGEM FETAL São quadros de má formação fetal. A mumificação pode ser classificada em: . isso não interfere com a continuação da gestação de fetos vivos. São exemplos a anencefalia.Papirácia: ocorre um ressecamento dos tecidos. a reabsorção completa do feto não pode ocorrer. mumificação fetal é comum em ninhadas grandes. em decorrência. Na cadela. ou seja. Ocorre uma contaminação da luz uterina e. A contaminação promove a liquefação dos tecidos. que sugere o quadro. Feto Macerado: Pode ocorrer como conseqüência do fracasso de um aborto ou durante o momento do parto quando o feto ao ser expulso. A epidemiologia da doença é complicada pelo fato de que algumas cepas são especificamente adaptadas para o porco. de cor achocolatada (mais comum em bovinos). Ana Paula Lopes Marques (marquesapl@ufrrj. Em vez de reabsorção ocorre mumificação fetal. A vacinação é uma outra opção. a mumificação pode ocorrer em apenas alguns embriões. No gato. uma imunidade irá se desenvolver. A morte fetal por intoxicação. A infecção pode ocorrer durante a primeira metade da gravidez. e é novamente é devido à superlotação do útero. o prognóstico reprodutivo é ruim.Hemática: o feto nasce envolvido em sangue metabolizado. Os sinais iniciais de leptospirose crônica são abortos.

Há situações em que duas patologias podem ser confundidas com a histerocele gravídica e as três confundidas entre si. As condições que levam a ocorrência de prolapso são a hereditariedade (maior incidência em certas raças) e a flacidez das estruturas que mantém a fixação da vagina. Os suínos devem ser enviados para abate. se a mucosa for mantida saudável e sem lacerações (o que é difícil) pode-se esperar reduzir o estímulo estrogênico. A cadela normalmente apresenta uma condição de hiperplasia do assoalho vaginal. MSc. Em suínos é raro mas recomenda-se o abate. pluríparas. assim como as raças braquiocefálicas. Feto mumificado 2º terço da gestação (feto muito imaturo) Reprodutivo: reservado Mãe: bom Feto macerado 2º terço da gestação ou no parto Reprodutivo: ruim Mãe: reservado Feto enfisematoso Final da gestação Reprodutivo: ruim Mãe: reservado Época de ocorrência Prognóstico B. pode se tornar enfisematoso. Nestes casos o feto se encontra morto e o prognóstico para a mãe é desfavorável. que deve ser distinguido do prolapso verdadeiro. Sob essas circunstâncias segue-se uma doença crônica e endometrite. Rupturas uterinas: podem ocorrer espontaneamente durante a gestação. ORIGEM MATERNA Prolapso vaginal/cervicovaginal: durante a gestação acomete principalmente vacas. mas são pouco comuns. Caso não haja contaminação tenta-se um tratamento conservativo com histeriorrafia. recomendando-se ovariohisterectomia e lavagem abdominal. e por uma combinação de putrefação e autólise os tecidos moles são digeridos deixando uma massa de ossos do feto dentro do útero. geralmente associado a tentativas de separar o coito e após o parto. A intervenção deve ser cuidadosa. voltar a mucosa e usar uma sutura em bolsa de fumo na vulva. Todo feto que não consegue nascer. que quando grávidas o útero passa pela hérnia. independente do motivo. Dentre os fatores predisponentes enquadram-se as fêmeas mais velhas. Ocorre uma contaminação do feto por microrganismos produtores de gás. Os diferentes graus de prolapso são a eversão. pois há risco para o profissional. As bactérias entram no útero através do colo dilatado. laterais e teto. Clinicamente observa-se crepitação à palpação e maul cheiro. O diferencial entre estas duas é a presença do anel. Ana Paula Lopes Marques (marquesapl@ufrrj. mas é mais freqüentemente descrita em bovinos. prolapso parcial e total.3 Maceração fetal pode ocorrer em qualquer espécie. Às vezes há alguma confusão no diagnóstico porque algumas hiperplasias possuem o aspecto de prolapso. principalmente no final da gestação em que há uma aumento da pressão intra-abdominal. até que passe todo o estímulo estrogênico. Feto Enfisematoso: pode ocorrer no final da gestação. Em sua maioria. fêmeas mantidas em sistema de confinamento em piso muito inclinado. Pode-se diferenciar hiperplasia do prolapso porque na primeira ocorre um edema na parte ventrall principalmente relacionado ao cio (alta de estrógenos). estes são incorporados na parede uterina e são difíceis de remover devendo-se fazer uma histerotomia. _______________________________________________ Prof. ou se o aumento de volume for discreto. o tratamento da hiperplasia é cirúrgico. É muito comum em cadelas.br) IV/DCMV/UFRRJ 2011 . Mas. Em cadelas e gatas os casos que chegam à clínica geralmente já apresentam infecção e peritonite. mas sempre associa-se hiperplasia à cio. No prolapso há exteriorização e inversão do assoalho. nos suínos está mais relacionado ao cio e também a nutrição. que é raro nesta espécie e nos felinos. Hérnias abdominais ventrais (histerocele gravídica): ocorre em fêmeas que já possuem uma hérnia ventral. Em cadelas e gatas por vezes. Hiperplasia do assoalho vaginal em cadelas: as raças mais predispostas a esta afecção são fila e boxer e seus mestiços. São elas o tumor de mama e a hérnia inguinal.

ocorrendo ocasionalmente nas gatas. A liberação da fêmea para a reprodução satisfaz o desejo de procriação e evita a pseudociese. O tratamento cirúrgico por meio da histerectomia e/ou ooforectomia pode ser recomendado na fase de anestro ou na ocorrência de piometra. quando ocorre o cio e não há disponibilidade de machos para a cópula. Estes tratamentos não são seguros e confiáveis e resultam em efeitos colaterais indesejáveis.br) IV/DCMV/UFRRJ 2011 . Tratamento: a literatura especializada cita o tratamento a base de hormônios como os estrógenos ou a testosterona. Diagnostico Diferencial: o principal diagnóstico diferencial se faz com a própria gestação onde estão presentes os sinais maternos ou prováveis da gestação e os sinais fetais ou certos da gravidez. . MSc. O desenvolvimento do aparelho mamário pode acarretar em processos inflamatórios. Os partos se dão com intervalos apreciáveis e fetos de idades diferentes. retenção láctea. As hidropisias não apresentam uma causa definida.Hidropisia dos Anexos Embrionários ou Fetais: é o aumento do volume do liquido alantoidiano e/ou amniótico além dos limites fisiológicos durante o terço final do período gestacional. suínos e felinos. sendo os fetos pouco desenvolvidos para a idade _______________________________________________ Prof. edema mamário. É um distúrbio endócrino no qual a fêmea comporta-se como se estivesse prenha. É uma patologia freqüente nos bovinos. corrimento vaginal viscoso. Estas fêmeas comumente apresentam um forte instinto materno ou o desejo de procriação. Pode ocorrer em eqüinos. A terapêutica homeopática tem se mostrado a terapêutica de eleição no tratamento e controle da pseudociese e de suas complicações. como nas gestações gemelares. enquanto outros apresentam alterações estruturais e funcionais nas membranas cório-alantóide. Há uma alta produção de progesterona que mantém níveis hormonais semelhantes aos da fase gestacional determinando alterações clinicas no aparelho mamário e no trato reprodutor. No útero desenvolve-se uma hiperplasia endometrial cística que predispõe ao aparecimento de piometrite. Os principais achados anatomopatológico nos fetos são: más-formações fetais (anencefalia. mamite e abscesso. . Sintomas: após a ocorrência de um cio a fêmea desenvolve todos os sinais clínicos de gestação sem a existência de feto no útero materno. Se torna um problema quando se deseja a reprodução controlada entre uma fêmea e um determinado macho. Este fenômeno é de ocorrência comum nas cadelas.Superfecundação: Fêmeas multíparas (cadelas. Ocasionalmente estas fêmeas tornam-se mães adotivas devido ao seu instinto materno. coelhas. Algumas fêmeas apresentam represamento de leite com conseqüente processo inflamatório e formação de abscesso mamário. e torções ou compressões do cordão umbilical. Há aumento do peso corpóreo e do volume abdominal concomitante ao desenvolvimento do aparelho mamário. hidronefrose. Outras desenvolvem piometra após reincidências de pseudociese.Superfetação: uma outra fecundação em uma fêmea já gestante. hidronefrose e rins císticos. sendo o principal medicamento a Pulsatila nigricans 6CH.4 Pseudociese: é também denominada de falsa gravidez ou gravidez psicológica. Depois de transcorrido um período de tempo coincidente com a duração fisiológica da gestação na espécie a fêmea apresenta edema vulvar. Alguns animais que desenvolvem as hidropisias apresentam-se com desnutrição ou com sobrecargas orgânicas. Nesta ocasião há manifestação de comportamento típico da fase prodrômica do parto de “fazer ninho” e comumente a adoção de objetos inanimados. Outros problemas relacionados à gestação: . O útero encontra-se muito aumentado e atônico. esquistossomo reflexo). em trabalho de parto ou em pós-parto. gatas e porcas) com estro prolongado que são cobertas no mesmo cio dois ou mais machos. Etiopatogenia: é um distúrbio hormonal ovariano em que ocorre persistência do(s) corpo(s) lúteo(s) metaéstrico que mantém a fêmea em uma fase luteínica. éguas e nas mulheres. A hidropisia pode evoluir de forma branda com poucos sintomas ou de forma rápida com acentuada manifestações sintomáticas. e secreção láctea. sem que tenha havido fertilização com ou sem cópula. principalmente nas gestações gemelares e tem sido descrita em cães sendo rara nas demais espécies. Fêmeas multíparas tem cérvix pouco desenvolvida e seu fechamento pode não ser perfeito. Ana Paula Lopes Marques (marquesapl@ufrrj. e recomenda ainda a inibição do cio com o uso de progestágenos.

O animal se apresenta com transtornos gerais. Morte Fetal: O feto a termo participa ativamente do processo dinâmico do parto. polidipsia e uma desidratação intensa. DOENÇAS DO PARTO (parte 2) DISTOCIAS DE ORIGEM FETAL Os problemas relativos ao parto podem ser causados pelo feto. . Na descrição da estática fetal utilizam-se referências inerentes à mãe e/ou ao feto. Disposição fetal anômala: O modo como o feto se dispõe no interior do útero materno é denominado de estática fetal e o seu estudo é de grande importância nas fêmeas uníparas. c. O feto se torna causa de distocias quando ocorre hipertrofia fetal. sem apetite e manifestando muito desconforto e evitando mudar de posição. morte fetal ou disposição fetal anômala. traumatismos. d. Manobras obstétricas: são manobras praticadas sobre o feto nas manipulações obstétricas e em cadelas. quando o feto apresenta tamanho compatível com a sua raça e a parturiente possui uma pélvis diminuta diz-se que se trata de uma hipertrofia fetal relativa.Descargas vaginais durante a gestação: associadas a aborto bacteriano ou endometrite. Quando ocorre a morte fetal durante a gestação não ocorre o desencadeamento do parto e pode se desenvolver uma gestação prolongada. Rotação: é a alteração da posição do feto pelo movimento rotacional ao redor do seu eixo longitudinal. Há timpanismo. intoxicações ou iatrogenias farmacológicas. Neste caso. 2. Geralmente ocorre um parto prematuro e o feto morre logo após o nascimento. A freqüência cardíaca encontra-se aumentada. Na resenha da estática fetal descreve-se a apresentação. _______________________________________________ Prof. Versão: significa a alteração da apresentação transversa ou vertical para a apresentação longitudinal por movimento binário do feto. b. o pulso é fraco e filiforme com reduzida plenitude vascular. tais como processos infecciosos.Gestação prolongada: em suínos e cães normalmente está associada com morte fetal tendo como causa uma toxemia que leva a inércia uterina primária. Tanto quanto possível a força de repulsão deve ser exercida nos intervalos entre os esforços expulsivos. Porém. constipação e ressecamento intestinal. . Hipertrofia fetal: O feto pode se apresentar em dimensões avantajadas para a sua espécie ou raça na presença de uma pélvis materna de dimensões normais. além de gemidos expiratórios. Diversas causas podem estar implicadas. o que se denomina de hipertrofia fetal absoluta. o que é denominado de distocia fetal. Esta manobra é empregada na retificação da posição ventral para a posição dorsal. fetotomia ou tomotocia. Em todos estes casos há uma desproporção materno-fetal. Em gatas o mais comum é a presença de um único gatinho. No diagnostico diferencial: deve-se descartar a ocorrência ascite ou mucometra. Esta manobra é extremamente arriscada e de difícil execução. Observa-se uma dispnéia com movimentos respiratórios superficiais e curtos. MSc. Retropulsão: significa pressionar o feto do canal do nascimento para dentro do útero.br) IV/DCMV/UFRRJ 2011 . É empregada para retificação de qualquer disposição fetal anômala. Tração: significa a aplicação de força às partes presentes do feto com o objetivo de suplementar ou em alguns casos de substituir as forças maternas. A resolução desta situação poderá ocorrer por indução do parto. gatas e porcas podem ser: a. A gestante pode apresentar alterações do estado geral e das funções vitais devido à compressão e deslocamento de órgãos abdominais. podendo ser manual ou com forquilha.5 gestacional e comumente apresentam-se edemaciados e com ascite. a posição e a postura fetal. diz-se que o diâmetro ou peso do feto está além da capacidade da pélvis materna. Esta manobra visa extrair o feto do canal do nascimento e pode ser aplicada manualmente. o que é facilmente realizado pelo histórico e exame clínico. Ana Paula Lopes Marques (marquesapl@ufrrj. A extensão não é comumente realizada em carnívoros e suínos.

Tipos de apresentação defeituosa: i. Posição lateral ou lombo-ilíaca direita ou esquerda iv. Nas fêmeas multíparas cerca de 30% a 40% dos fetos nascem em apresentação longitudinal posterior. e partes bem caracterizadas da mãe. às contrações abdominais e aos movimentos das vísceras abdominais adjacentes. nas idades gestacionais iniciais permite uma apresentação posterior. postura de flexão do ombro ou retenção completa do(s) membro(s) anterior(es). o púbis e o sacro. A correção por meio de manobras obstétricas em todos os casos é realizar a versão do feto de modo que uma apresentação vertical ou transversa seja convertida em uma apresentação longitudinal. c. Após estas manobras se efetiva a extração fetal por tração manual. Posição Fetal: É conceituada como sendo a relação existente entre partes bem definidas do feto. Apresentação longitudinal posterior ii. Apresentação ventro-vertical obliqua iv. reto e períneo. desvio lateral da cabeça. Apresentação dorso-vertical obliqua iii. Com o feto vivo geralmente é indicada a cesariana. é presumível que ocorram movimentos fetais reflexos devido às contrações uterinas. É denominada de apresentação longitudinal quando as colunas vertebrais do feto e da mãe estão paralelas. Todas as distocias que surgem dos defeitos de apresentação são sérias e na maioria dos casos somente é resolvida por meio de intervenção cirúrgica. Ana Paula Lopes Marques (marquesapl@ufrrj. como o dorso. O centro de gravidade do feto mais próximo à cabeça. Posição lateral ou lombo-pubiana • Correção: nestas posições há graves riscos de lesões na vagina. MSc. o que acarreta em distocias fetais graves. Apresentação dorso-transversa v. A tendência natural do feto e de se dispor com o seu dorso contra a curvatura maior do útero. e longitudinal posterior quando insinuar primeiro os membros posteriores. Posição ventral ou dorso-pubiana • Correção: nestas posições provoca-se uma resposta convulsiva reflexa do feto seguido por rotação do feto na direção apropriada.br) IV/DCMV/UFRRJ 2011 . Quando a coluna vertebral do feto se dispõe transversalmente à coluna vertebral da mãe tem-se a apresentação transversa. Contudo. Posição lateral ou dorso-iliaca direita ou esquerda ii. As manobras que podem ser empregadas são retropulsão seguida de tentativas de rotação do feto. o ísquio. como o ílio. Nos fetos indiferentes pode-se empregar a rotação mecânica com a forquilha de Cämmerer ou de Kuhn. A sua nomenclatura é dada de acordo com cada estrutura móvel. iii. A tração será exercida após correção da posição. o lombo e a cabeça. posição dorso-sacral ou dorso-pubiana com flexão de todas as articulações dos apêndices moveis. As forças naturais que produzem as alterações na polaridade do feto não estão totalmente compreendidas. A disposição anátomofisiológica do feto no final da gestação corresponde à apresentação longitudinal anterior. Recebe a denominação de longitudinal anterior quando o feto insinuar primeiro os membros anteriores. Anomalias mais observadas em carnívoros e suínos são: Postura de flexão de carpo. Apresentação Fetal: É a relação existente entre a coluna vertebral do feto e a coluna vertebral da mãe. Apresentação ventro-transversa b.6 Resenha da Estática fetal e sua correção: a. deslocamento inferior da cabeça (postura em vértice) Considerações finais _______________________________________________ Prof. Esta disposição postural de flexão universal proporciona o máximo de economia de espaço. acarretando problemas somente aqueles que apresentam membros flexionados. Tipos de defeitos de posição fetal e sua correção: i. Postura Fetal: É a relação existente entre partes moveis do feto e seu próprio corpo.

B. Philadelphia: W. N. Philadelphia: W. a suplementação de líquidos fetais. LANDIM-ALVARENGA. . D. P. F. 2001. 2004. São Paulo: Guanabara Koogan. W. JEAN. p. Philadelphia: W..B. D.7 A distocia fetal será mais simples quando ela ficar a nível de postura e complexa quando for a nível de apresentação. Saunders. 1 ed. T.. STEINER. a retropulsão e a execução de tração adequada após lubrificação do canal vaginal. G. ST. ENGLAND G. PARKINSON. C.. Obstetricia Veterinária. Os defeitos em apresentação posterior e transversa são os de correção mais dificultosa e na grande maioria dos casos só ocorre correção através de cirurgia ou fetotomia.. 607p. A.. 2 ed.. Arthur's Veterinary Reproduction and Obstretics. 2004. E as mais complexas quando forem combinadas. Bovine surgery and lameness. Saunders.. J. MSc. 2 ed. Ana Paula Lopes Marques (marquesapl@ufrrj.br) IV/DCMV/UFRRJ 2011 . E. PRESTES. 2005. NOAKES. G. 2006. 260p. 158-167. A. DUCHARME.. O cuidado e a delicadeza são de grande valor. Literatura consultada: FUBINI. Farm animal surgery. WEAVER. S. Handbook of Veterinary Obstetrics. 1 ed. Iowa: Blackwell Scientific Publications. Saunders. N. 8 ed. 320p. _______________________________________________ Prof. pois há um constante perigo de perfuração acidental do útero. C. Nas manobras obstétricas é de grande importância a anestesia epidural.B. 868p. G. JACKSON..

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