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resumo de vários livros

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concurso de professor - resumo de livros

Resumo de livros voltados ao Concurso de Professor do Estado de São Paulo (Os textos a seguir foram copiados e colados de diversos locais da internet, não são da nossa autoria e nem
foram escritos ou corrigidos por nós)
ERNER, DELIA. LER E ESCREVER NA ESCOLA: O REAL, O POSSÍVEL E O NECESSÁRIO. PORTO ALEGRE: ARTMED, 2002 Este livro traz a dimensão de trabalhar na escola as práticas de leitura e escrita como objetos de ensino isto é a transformação da prática docente na alfabetização básica.

Capítulo 1:
LER E ESCREVER NA ESCOLA: O REAL, O POSSÍVEL E O NECESSÁRIO O que se põe como necessário para nós é o enfrentamento do real no intuito de formar alunos praticantes da cultura escrita. Para tanto é necessário redimensionar o ensino das práticas de leitura e escrita como práticas sociais. Precisamos formar uma comunidade de leitores e escritores. Para esse redimensionamento é preciso olhar e analisar cinco questões presentes na escola: 1-A escolarização das práticas de leitura e escrita e de escrita proporciona problemas intensos; Para trabalhar na escola as práticas sociais reais é necessário uma mudança no processo de democratização do conhecimento e da função implícita de reproduzir a ordem social estabelecida. 2-Os fins que se notam na escola ao ler e escrever são diferentes dos que dirigem a leitura e a escrita fora dela – não há função social real; Para uma aprendizagem significativa é necessário aliar os propósitos didáticos e os propósitos comunicativos de ler e escrever. 3-A inevitável distribuição dos conteúdos no tempo pode levar a parcelar o objeto de ensino; As práticas de leitura e escrita são totalmente indissociáveis que sobrevivem a divisão e à sequenciação dos conteúdos. 4-A necessidade institucional de controlar a aprendizagem leva a pôr em primeiro lugar os aspectos mais compreensíveis da avaliação; 5-A maneira como se distribuem os direitos e obrigações entre o professor e os alunos, determina quais são os conhecimentos e estratégias que as crianças têm ou não a oportunidade de exercer e, portanto quais poderão ou não aprender. Como o dever do professor é avaliar, o aluno tem poucas oportunidades de auto controlar o que compreendem ao ler e de auto corrigir seus escritos. O POSSÍVEL a fazer é aliar os propósitos da instituição escolar aos propósitos educativos de formar leitores e escritores, criando condições didáticas favoráveis a uma versão escolar mais próxima da versão social dessas práticas. Para esse fim é necessário: a)A elaboração de um projeto curricular; b)Articulação dos objetivos didáticos com objetivos comunicativos, essa articulação pode efetivar-se através de uma modalidade organizativa sabida que são os projetos de produçãointerpretação;

c)Os projetos orientam as ações para a realização de um objetivo compartilhado. É imprescindível compartilhar a função avaliadora.

Capítulo 2 :
PARA TRANSFORMAR O ENSINO DA LEITURA E DA ESCRITA Para que a escola produza transformações substanciais com o objetivo de tornar as práticas de leitura e escrita significativas: Formar praticantes da leitura e da escrita e não apenas decifradores do sistema de escrita. Formar seres humanos críticos aptos de ler entrelinhas e de adotar uma posição própria. Formar pessoas desejosas de embrenhar-se em outros mundos possíveis que a leitura oferece, disposta a identificar com o semelhante ou solidarizar-se com o desigual e hábil de admirar a qualidade literária. Orientar ações para constituição de escritores, de pessoas que saibam informar-se por escrito com os demais e com elas mesmas. Atingir produções de língua escrita conscientes da pertinência e da importância de dar certo tipo de mensagem em determinado tipo de posição social. O desafio é que as crianças manejem com eficácia os diversos escritos que circulam na sociedade. Obter que a escrita aceite de ser na escola apenas um objeto de avaliação para se constituir num objeto de ensino. Gerar a descoberta do emprego da escrita como instrumento de raciocínio sobre o próprio pensamento, como recurso para organizar e reorganizar o próprio conhecimento. Resistir a discriminação que a escola age atualmente, não só quando cria fracasso explícito daqueles que não conseguem alfabetizar, como também quando impede aos outros que aparentemente não fracassam, chegar a ser leitores e produtores de textos competentes e independentes. O desafio é combater a discriminação unir esforços para alfabetizar todos os alunos assegurando a apropriação da leitura e escrita como ferramentas essenciais ao progresso cognoscitivo e der crescimento pessoal. É POSSÍVEL MUDANÇA NA ESCOLA? A instituição sofre uma verdadeira tensão entre dois pólos contraditórios: A rotina repetitiva e a moda são obstáculos para a verdadeira mudança. As mudanças acima apontadas só serão possíveis através da capacitação qualitativa dos professores e da instituição escolar.Será preciso estudar os mecanismos ou fenômenos que ocorrem na escola e impedem que todas as crianças se apropriem dessas práticas sociais de leitura e escrita. ACERCA DO “CONTRATO DIDÁTICO” O contrato didático serve para deixar claro aos professores e alunos suas parcelas de responsabilidades na escola e na relação ensino/aprendizagem. Estabelecer objetivo por ciclo para diminuir a fragmentação do conhecimento; Atribuir maior visibilidade aos objetivos gerais do que aos específicos; Evitar o estabelecimento de uma correspondência termo a termo entre os objetivos e atividades; Ultrapassar o tradicional isolamento entre a “apropriação do sistema de escrita” e “”desenvolvimento da leitura e escrita”

Vale lembrar que as mudanças são possíveis se o coletivo escolar assim o fizer. A escola deve se tornar um ambiente de formação da comunidade leitora e escritora. No caso da alfabetização, duas questões são fundamentais: assegurar a formação de leitores e produtores de textos e considerar como eixo de formação o conhecimento didático

CAPÍTULO 3:
APONTAMENTOS A PARTIR DA PERSPECTIVA CURRICULAR Os documentos curriculares devem aliar o objeto de ensino com as possibilidades do sujeito de atribuir um sentido pessoal a esse saber. Não devem se caracterizar documentos prescritivos. Os documentos curriculares devem ter como foco a adoção de decisões acerca de conteúdos que devem ser ensinados: importante decidir o que vai se ensinar com vistas no objeto social e com qual hierarquização, isto é, o que é prioritário. O que deve permear essas escolhas são os verdadeiros objetivos da educação: incorporar as crianças à comunidade de leitores e escritores, e formar cidadãos da cultura escrita. Lerner aponta que a leitura não deve ser sem um propósito específico. A leitura e a escrita nascem sempre interpoladas nas relações com as pessoas, supõem intercâmbios entre leitores acerca dos textos: interpretar, indicar, contestar, intercambiar e outros. Esse é o verdadeiro sentido social dessa prática. Os comportamentos do leitor e do escritor são conteúdos e não tarefas, porque são aspectos do que se espera que os alunos aprendam. Comportamento leitor: explanar, recomendar, repartir, confrontar, discutir, antecipar, reler, saltar, identificar, adaptar e outros. Comportamento do escritor: planejar, textualizar, revisar. A escola precisa permitir o acesso aos textos através da leitura em suas diferentes funções.

CAPÍTULO 4:
É POSSIVEL LER NA ESCOLA? Na escola é necessário trabalhar a leitura com duplo propósito: o propósito didático e o propósito comunicativo. O primeiro propósito corresponde a ensinar certos conteúdos constitutivos da prática social da leitura, com a finalidade de que o aluno possa utilizá-la no futuro, em situações não-didáticas. O segundo propósito é da perspectiva do aluno. Como trabalhar os dois propósitos: Através de projetos que aliam a aprendizagem a uma função real para os alunos. Ler para definir um problema problema prático; Ler para se informar de um tema interessante; Ler para escrever ou produzir um texto; Ler para buscar informações específicas; Ler para escolher, entre os contos, poemas ou romances. GESTÃO DO TEMPO, APRESENTAÇÃO DE CONTEÚDOS E ORGANIZAÇÃO DAS ATIVIDADES É fundamental para o trabalho com essa diferente visão produzir uma transformação qualitativa na utilização do tempo didático. Manejar com flexibilidade a duração das situações didáticas e tornar possível a retomada dos próprios conteúdos em diferentes ocasiões e a partir de perspectivas diversas. As práticas sociais de leitura e escrita tornam-se mais significativas e têm seus objetivos cumpridos ao organizar a rotina dentro das modalidades didáticas: Projetos – apresentam assuntos nos quais a leitura ganha sentido cujos múltipos aspectos se articulam para a elaboração de um produto tangível. Atividades Habituais – repetem-se de forma metódica previsível uma vez por semana ou por quinzena, durante vários meses ou ao longo de todo ano escolar. Sequências de atividades – são dirigidas para se ler com crianças diversos exemplares de um mesmo gênero de gêneros diferentes obras de um mesmo autor ou diferentes textos sobre um mesmo tema; incluem situações de leitura cujo único propósito explícito e compartilhado com as crianças, é ler. Situações independentes: estas dividem-se em situações ocasionais e situações de sistematização ACERCA DO CONTROLE: AVALIAR A LEITURA E ENSINAR A LER A avaliação é fundamental no processo escolar, pois possibilita verificar se os alunos aprenderam o que o professor se propôs ensinar. Para evitar que a pressão da avaliação se torne um obstáculo para a formação de leitores, é

Fazem parte da força criadora do aprender a comparação. que historicamente o Homem descobriu que era possível ensinar usando maneiras. da regulagem da chama.obrigatório. da harmonização dos temperos. a repetição. . a constatação. É necessário que leia e informe aos alunos tudo que é pertinente à leitura. Capítulo 5: O PAPEL DO CONHECIMENTO DIDÁTICO NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR A conceitualização da especificidade do conhecimento didático e a reflexão sobre a prática são apontadas pela autora como dois fatores importantes no trabalho de capacitação de professores. caminhos e métodos. Ele é modelo de leitor das crianças Nesta capítulo a autora conclui: É possível sim ler na escola se: se consegue produzir uma mudança qualitativa na gestão do tempo didático. a capacidade de arriscar-se. ratificando alguns daqueles saberes e retificando outros. Não há validade no ensino. O professor como um ator no papel de leitor O professor como leitor proficiente é um modelo fundamental para os alunos. então. O autor alinha e discute saberes fundamentais à prática educativo-critica ou progressista que considera obrigatórios na organização dos programas de formação docente: » Ensinar inexiste sem aprender e vice.versa. de aventurar-se. o professor está ensinando a ler . às crianças . Mas é a prática de cozinhar. »Ensinar exige trabalhar com os educando. poderá ficar imune ao ensino "bancário". Como exemplo cita o ato de cozinhar .: estratégias eficazes quando a leitura é compartilhada. é elaborado através da investigação rigorosa do funcionamento das situações didáticas. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. por um lado por em primeiro plano os propósitos referentes à aprendizagem de tal modo que não se subordinem ao controle e por outro lado criar modalidades de trabalho em o controle seja responsabilidade do aluno. a dúvida rebelde. se este não resulta em aprendizado. » Ensinar é um processo que deve deflagrar no aprendiz uma curiosidade crescente que poderá torná-lo mais e mais criador. a rigorosidade metódica com . a rebeldia.. Caso o educando mantenha viva em si a curiosidade. individual ou coletiva. se se desenvolvem na sala de aula e na instituição projetos que dêem sentido à leitura. pai e professores. se se concilia a necessidade de avaliar com as prioridades do ensino e da aprendizagem.. que exige o conhecimento do fogão. ao longo dos séculos. O registro realizado pelo professor é fundamental para dar vida ao conhecimento didático: quando se torna objeto de reflexão faz da prática do professor uma prática consciente e possível de mudança. os alunos e o objeto de ensino. Foi aprendendo socialmente.. Paulo Freire: PEDAGOGIA DA AUTONOMIA PEDAGOGIA DA AUTONOMIA SABERES NECESSÁRIOS À PRÁTICA EDUCATIVA CAPiTULO 1 NAo HÁ DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA o autor ressalta a ímportância da reflexão crítica na formação docente na prática educativa. que promovam o funcionamento da escola como uma microssociedade de leitores e escritores em que participem crianças.. não pode ser deduzido simplesmente deles é também o resultado do estudo sistemático das interações que se produzem entre professor e aluno. é produto da análise das relações entre ensino e aprendizagem de cada conteúdo específico. O saber didático ainda que se apóie em saberes produzidos por outras ciências. como delegar a leitura. que transforma o) novato em cozinheiro. se se redistribuem as responsabilidades de professor e alunos em relação à leitura para tornar possível a formação de leitores autônomos. que superam o falso ensinar. sim é possível ler na escola.

» Ensinar exige pesquisa. O professor que rea1mente ensina. Daí ser imperiosa a prática formadora carregada de . às emoções do aluno. Lembrando que o velho que é válido e que marca sua presença no tempo. os riscos à saúde que ocasionam.aproveitar a experiência que têm os alunos de viver em áreas das cidades descuidadas pelo poder público para discutir a poluição dos riachos. É preciso ue em sua formação permanente. não pode dar-se alheio à formação moral do educando. o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. Ex. Os gestos de aprovação. Através da reflexão sobre a prática. Com ela podemos nos defender do excesso de "racionalidade" do nosso tempo altamente tecnológico. a busca.que devem se aproximar do conhecimento. continua novo. a pesquisa._Na educação. insatisfeita. » Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural. Após assumir que a minha prática não condiz.. Exige que os educadores sejam criadores. Uma das tarefas da prática educativo progressista é desenvolver a curiosidade crítica.: o simples fato de o fumante assumir que o cigarro ameaça a sua vida não significa parar de fumar. a curiosidade ingênua.. O ensino dos conteúdos não é puro treinamento técnico.-Uma das funções da educação crítica é dar condições aos alunos que se assumam como ser social e histórico: pensante. Isso se dá na relação uns com os outros e com o professor. » Ensinar exige consciência do inacabamento do ser humano. esta não está acabada. Esta experiência histórica. O emocional ( a legítima raiva do fumo ) é um elemento fundamental na mudança. Quanto ao preconceito de raça de gênero e classe. o professor assuma como pesquisador » Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos . transformador. » Ensinar exige estética e ética. a exploração e a violência tem um papel altamente formador.: Faz parte da natureza da prática docente a indagação. Na educação. Na formação permanente dos professores.:. o cuidado com o espaço escolar ajudarão o educando a assumir-se a si mesmo e à sua classe social. criador. indócil. » Ensinar exige risco. nem de iluminados intelectuais e nem se encontra pronto nos manuais. de respeito aos sentimentos. vai se tornando crítica. Mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. » Ensinar exige que as palavras sejam acompanhadas pelo exemplo. I » Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática. Ele tem que ser construído pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador. Ex. A prática docente espontânea e "desarmada" produz um saber ingênuo feito só de experiência. realizador de sonhos. Exige também discutir com os alunos a razão de ser desses saberes. mas faze-lo de forma critica. a reflexão critica sobre a prática impede que a teoria se torne blablablá e a prática se torne ativismo. os lixões. Não se trata apenas de transmitir o conteúdo. em relação com o ensino dos conteúdos. » Ensinar exige criticidade. devo ser capaz de mudar. instigadores. política e social não se dá ao largo das forças que a favorecem ou daquelas que lhe são obstáculo. Exige profundidade e não superficialidade na compreensão te interpretação dos fatos. Pensar certo é fazer certo. percebendo-se . a justa raiva contra as injustiças.construídos na prática comunitária. Envolve o movimento dinâmico entre o fazer e o pensar sobre o fazer.como tal. humildes e persistentes. ele deve fazer a ruptura do fumo e assumir novos compromissos. descarta o "faça o que eu mando e não o que eu faço".. CAPÍTULO 2: ENSINAR NÃO Ê TRANSFERIR CONHECIMENTO . contra a deslealdade. o desamor. aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação.ofende a substantividade do ser humano e nega a democracia. Onde há vida.A passagem da curiosidade ingênua à criticidade não se dá automaticamente.:. Na sua formação docente inicial é preciso que o futuro professor saiba que o pensar certo não é um presente dos deuses. inquietos.

O educador progressista vê a História como possibilidade e não como determinação. mas reinventar a forma histórica de lutar.:. » Ensinar exige humildade.terra. E o bom senso que me faz analisar a todo instante a minha prática e a tomar as decisões. no fundo uns baderneiros" . Não se trata de impor à população oprimida que se rebele para mudar o mundo. Entretanto. escondendo-se até de si mesmo. o ser humano é submetido a condições. É negativo. que se ofende com as discriminações. É como profissionais idôneos que se organizam politicamente que está a força dos educadores. Ele deve se inserir num movimento de busca constante e ter a consciência de que esses obstáculos não são eternos nem intransponíveis. Ex. » Ensinar exige apreensão da realidade. que se sente mal com as injustiças. Também rompe com a ética aquele professor que não cumpre o seu dever de colocar limites à liberdade do aluno ou que se furta do seu dever de ensinar » Ensinar exige om senso. Sem a esperança não haveria a História. O futuro para ele é problemático. Ex. o educador consciente não pode fugir.desafiar os grupos populares a perceberem em termos críticos a violência concreta. Deve haver o respeito à pessoa que queira mudar ou que se recuse a mudar.=. Deve estar atento ao fato de que seu trabalho pode ser um estimulo à superação. distante. Uma das questões centrais é evoluir de posturas rebeldes para posturas revolucionárias que nos engajam no processo de transformação do mundo. Os órgãos de classe deveriam priorizar o empenho de formação permanente dos quadros do magistério como tarefa política e repensar a eficácia das greves. A luta em favor da educação e dos educadores passa pela luta por salários dignos. O descaso do poder público nesse sentido é tanto que podemos correr o risco de cruzar os braços achando que "não há o que fazer". Ex.: o sincretismo religioso afro. uma das formas de luta é a nossa recusa de transformar a nossa prática docente em um "bico" ou de exercê-Ia como prática afetiva de "tia ou tio". pois é possível intervir e melhorar o "destino". simultaneamente ao trabalho que se realiza . que recusa o fatalismo. baderneira é a resistência de quem se opõe a ferro e fogo à reforma agrária". quando afirma que nada se pode fazer contra o desemprego. "Pode haver baderneiros entre os sem. O professor que desrespeita o gosto estético do aluno. não para adaptar-se. A pessoa progressista que não teme a novidade. O respeito à autonomia de cada um não é um favor. mas puro determinismo. Disso. » Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.ética e de esperança. sua prática não pode ser neutra. apesar das justificativas que apresentou serem convincentes é insensibilidade. tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores. Embora a conversa tenha terminado aí. Se o professor tem uma prática progressista.alfabetizar. » Ensinar exige o reconhecimento de ser condicionado. mas para mudar. um jovem disse a Paulo Freire: " Não entendo como o senhor defende os sem.brasileiro expressa a resistência ou manha com que a cultura africana se defendia do colonizador branco. deve ser criticamente esperançosa. Trata-se de. Não como destino ou . mas não inexorável. "mas sua luta é legítima e ética. sua linguagem.terra". Há algo a ser compreendido no comportamento do aluno assustado. foi importante que o professor tenha dito o que pensava. mas um imperativo ético.Como ser inacabado e consciente da sua inconclusão. orientando atividades. que ironiza o aluno e o manda "se colocar no seu lugar" pratica uma transgressão.: temos que nos opor ao fatalismo do discurso neoliberal . É o bom senso que adverte o professor de que:Exercer a autoridade tomando decisões. respondeu o professor. » Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando. evangelizar .: numa conversa pública. o professor não deve esconder-lhe a sua postura. Constata o mundo. Contudo. cobrando a produção individual e coletiva da classe não é sinal de autoritarismo. Não aceitar o trabalho do aluno fora do prazo. o desrespeito pleno pelos princípios reguladores da entrega dos trabalhos . Não é parar de lutar. obstáculos para evoluir. » Ensinar exige alegria e esperança. Percebe as resistências das classes populares como manhas necessárias à sobrevivência. sua inquietude. da mesma forma. A desesperança nos imobiliza. medroso.

humildes. O educador não pode transformar o país. Este processo fundamenta a autonomia._Para o professor é dificil. Quando a classe dominante é progressista. em que a autoridade docente e as liberdades dos alunos se assumem eticamente. mas um sujeito de opções. sem me submeter à apreciação dos alunos._O que cabe ao educador consciente de que a educação não é neutra é forjar em si um saber especial. O educador entregue a procedimentos autoritários dificulta o exercício da curiosidade do educando e tolhe sua própria curiosidade. estudar. nem tampouco deixa relegado a um segundo plano o ensino. que jamais deve abandonar: se a educação não pode tudo. Para exercitar a liberdade é preciso aprender a tomar decisões. generosas. quanto o seu desmascaramento. mas retrógrado diante dos interesses do mercado. O professor deve levar a sério sua tarefa. A liberdade amadurece no confronto com outras liberdades. o é "pela metade". Reconhece que não há fatalidade no desemprego e na miséria. O educador consciente e critico não atribui a "forças cegas" os danos que a obediência irrestrita à lei do mercado causa aos seres humanos. entretanto. É importante se estabelecer os limites. Normas de autoritarismo e licenciosidade. de classe. que precisamos superar principalmente através do diálogo. de gênero. sérias. não posso ser uma omissão. nem livres de condicionamentos genéticos. É correndo o risco e assumindo as conseqüências das decisões que se tomou. descarta a -tática do "quanto pior melhor". É o aspecto contraditório da educação. Do ponto de vista dos interesses dominantes. Nem somos seres determinados. professores. muitas vezes. » Ensinar exige curiosidade. mas pode demonstrar que é possível mudar. se esforçar para estar à altura dela. Minha presença de professor é uma presença política. além do conhecimento dos conteúdos bem ou mal ensinados e/ou aprendidos implica tanto o esforço de reprodução da ideologia dominante. como à indulgência macia no trato com “os seus”. de pensar politicamente. O educador progressista. Uma pedagogia da autonomia deve estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade. dada a importância de sua tarefa político. que nos marcam. sem os quais a liberdade se transforma em licenciosidade. a educação deve ser prática imobilizadora e ocultadora. caminhar com naturalidade entre a autoridade e a liberdade.: o empresariado urbano pode mostrar-se progressista face à reforma agrária. alguma coisa fundamental a educação pode. Outra qualidade indispensável à autoridade é a generosidade. O poder dominante tenta inculcar no dominado a culpa pela sua situação. » Ensinar exige comprometimento. É decidindo que se aprende a decidir. ou não terá força moral para coordenar as atividades de sua classe. Esta descarta tanto a arrogância no trato com “os outros”. transformando a classe num "comício-libertador".pedagógica. » Ensinar exige liberdade e autoridade. que constroem a liberdade. ou será. Nenhuma autoridade docente se exerce se não existe a competência profissional. competência profissional e generosidade. Se a educação não é a chave das transformações sociais. uma tomada de posição. mas como algo que pode ser mudado. Ex. Não posso passar despercebido pelos alunos e isso aumenta em mim os cuidados com o meu desempenho. O clima de respeito nasce de relações justas.vontade de Deus._Não posso ser professor sem me colocar diante dos alunos. na defesa de seus direitos face à autoridade dos pais. O bom clima pedagógico é aquele em que o educando vai aprendendo na prática que o limite da sua curiosidade e da sua liberdade é a privacidade do outro. do Estado. Exige do professor uma definição. sem revelar minha maneira de ser. A intervenção. Isso deve ser desvelado também. culturais. » Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo. a educação nunca foi. » Ensinar exige tomada consciente de decisões. é. CAPÍTULO 3 ENSINAR Ê UMA ESPECIFICIDADE HUMANA » Ensinar exige segurança. não é também simplesmente reprodutora da ideologia dominante. Neutra. .

como referência que permite identificar. altamente ideológico. » Ensinar exige querer bem aos educandos: É preciso descartar como falsa a separação entre seriedade docente e afetividade. segundo ele. sim. Sua fala se dá num espaço silenciado. datas. O fator social não disponibiliza apenas as matérias. se refere à do mercado.. mas como elemento que desempenha um certo papel na constituição da estrutura. CANDIDO. ética. fruto de um tecido formado por características sociais distintas. Literatura e Sociedade. a favor dos legítimos interesses humanos. não exteriormente. responda. o educador democrático aprende a falar escutando. de que não há nada o que fazer a não ser seguir a ordem natural dos fatos. perde a sua significação. emoção e sentimento . Ao contrário.. Defende uma complementaridade entre as divergentes áreas. Por causa de tudo isso. nem como significado. Pois é uma questão ética e política e não só tecnológica. em escutar a indagação. deve-se estar atento ao discurso que proclama a morte das ideologias.. Sem prescindir da formação científica séria. Antonio. O educador autoritário comporta-se como proprietário da verdade e discorre sobre ela. Quando o discurso da globalização fala de ética. não deixando de lado a análise estética do relato literário. Não àquela da solidariedade. A todo avanço tecnológico que ameace mulheres e homens de perder o seu trabalho. é “(. Deve-se perceber a literatura como um todo indissolúvel. A prática docente deve ser vivida com alegria. da luta por seus direitos e pela dignidade de sua tarefa. é no respeito às diferenças. a criação de quem escutou. A força da ideologia fatalista é querer convencer os prejudicados das economias submetidas de que a realidade é assim mesmo. na matéria do livro. Apontar as dimensões sociais de um livro (referências a lugares. porém complementares. O progresso científico e tecnológico que não responde aos interesses humanos . podemos dizer que levamos em conta o elemento social. » Ensinar exige disponibilidade para o diá1ogoo~Nas relações com outros que não fizeram a mesma opção política. afetividade. confundir . depois de concluída e divulgada). mas também atua na constituição do que há de essencial na obra enquanto obra de arte. “O externo (no caso. levando-se em conta a estrutura formada no livro. Deveria fazer parte da aventura docente a abertura respeitosa ao outro e a reflexão critica conjunta. mas de colocá-Ia a serviço dos seres humanos. A razão ética desta abertura possibilita o diálogo. Não se trata de inibir a pesquisa. sem desfigurá-la de um lado nem de outro” (CANDIDO. Diz o autor: “Quando fazemos uma análise desse tipo. como professor. página 14). o social) importa.» Ensinar exige saber escutar. estética ou pedagógica. que ameaça anestesiar as mentes. etc) é tarefa de rotina. manifestações de determinados grupos sociais presentes na estória. » Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica. não bastando assim para definir um caráter sociológico de estudo.) que se efetue a operação difícil de chegar a um ponto de vista objetivo. da clareza política. analisando o vínculo entre a obra e o ambiente. deveria haver uma resposta imediata. tornando-se assim. na coerência entre o que se diz e o que se faz que se constrói a disponibilidade para o diálogo. distorcer a percepção dos fatos. a expressão de uma certa época ou de . numa atitude intolerável. O que se deve buscar. O que importa é uma abordagem que encare a obra literária como um conjunto de fatores sociais que atuem sobre a formação da mesma (além da influência que a mesma exerce no meio social a que pertence. para aí sim compreendê-las e estudá-las em um nível sociológico mais profundo. não esquecendo de atribuir importância à crítica literária pura e simples. Este. Deve-se partir de uma análise das relações sociais. interno” (CANDIDO._Quem tem o que dizer deve assumir o dever de desafiar quem escuta para que este fale. Crítica e Sociologia 1 O autor Antônio Cândido preza por uma análise sistemática acerca da contribuição das ciências sociais para com o estudo literário. Está mais interessado em comunicar do que em fazer comunicados. não como causa. a dúvida. A liberdade do comércio não pode estar acima da liberdade do ser humano. página 13).

. estudado no nível explicativo e não ilustrativo” (CANDIDO. o ângulo sociológico adquire uma real validade científica (inserida em um contexto social real). página 17). oscilando entre a sociologia . Segundo Antônio Cândido. e que não podemos “dispensar nem menosprezar disciplinas interdependentes como a sociologia da literatura e a história literária sociologicamente orientada. desde que o utilize como componente da estruturação da obra” (CANDIDO. Antônio Cândido atenta também para um perigo comum. consistindo em estabelecer correlações entre os aspectos reais e os que aparecem nos livros. “Uma crítica que se queira integral deixará de ser unilateralmente sociológica. mediante a aceitação. consistindo no estudo da relação entre a obra e o público (isto é. O autor converge em opinião com o argumento de Adriana Facina ao dizer: “O primeiro passo 3 (que apesar de óbvio dever ser assinalado) é ter consciência da relação arbitrária e deformante que o trabalho artístico estabelece com a realidade. que permite situá-lo historicamente.). página 21). a sua aceitação. um arranjo.) Como resultado decepcionante. procurando relações entre sua posição e a natureza de sua produção literária. atenderia a intuitos ideológicos previamente determinados). uma composição paralela. O autor enumera seis modalidades de estudos do tipo sociológico no campo literário.. página 18). 2) Verificar a medida em que as obras espelham ou representam a sociedade. Tudo faz parte de um “fermento orgânico” (CANDIDO. resultando assim em uma maior interiorização da obra (a obra por ela mesmo e nada mais). Seria a modalidade mais comum. Segundo esta ótica. a história e a crítica de conteúdo: 1) Relacionamento do conjunto de uma literatura (um período. 4) Estudo da posição e função social do escritor. sociológicas e críticas. um gênero) com as condições sociais. Tende-se assim a uma pesquisa mais concreta. pode-se sair de uma análise sociológica periférica e sem fundamentos. Nada mais é que a análise da situação e do papel destes intelectuais na formação da sociedade. bem como toda a gama de estudos aplicados à investigação de aspectos sociais das obras” (CANDIDO. Assim. Não é a literatura por ela mesma. fatores históricos entrassem e detrimento na pesquisa. Exploraria a função da literatura junto aos leitores. por exemplo.. a ação recíproca de ambos). mas como fator da própria construção artística. Cada tipo de abordagem decai sobre um ângulo específico. Não se nega o entrelaçamento de diversos fatores sociais nas obras literárias. acerca das escolhas metodológicas sociais a se trabalhar a literatura. para as circunstâncias do meio que influíram na sua elaboração. 3) Análise de cunho estritamente sociológico. ou de determinados gêneros). página 19). “(. da mesma. que seria o fato de muitos estudiosos atribuírem integridade e autonomia às obras que estudam além dos limites cabíveis. páginas 16 e 17). Como defeito. incapaz de vincular as duas ordens de realidade” (CANDIDO. Teria. e em seguida fala das obras segundo as suas intuições ou os seus preconceitos herdados. mas. não se limitando a uma referência à história sociologicamente orientada. ou para a sua função na sociedade” (CANDIDO. como virtude. mesmo quando pretende observá-la e . mas pelo social. página 18).2 uma sociedade determinada. 5) Investigação da função política das obras e dos autores (em geral. mapear uma ordem geral. traria dificuldades em mostrar a ligação entre as condições sociais e as obras. onde a diversidade se torna coesa e possibilita um estudo mais aprofundado e estruturado em bases históricas. Em suma. o seu destino. para utilizar livremente os elementos capazes de conduzirem a uma interpretação coerente. fazendo com que.. determinar se estes interferem diretamente nas características essenciais de determinada obra pode levar alguns estudiosos a um abismo difícil de se transpor. buscando uma essência particular (seja da literatura em geral. Esta abordagem metodológica tradicional seria oriunda do século XVIII. página 17). nem como enquadramento.) convém evitar novos dogmatismos” (CANDIDO. o autor carioca diz que “(. “em todas nota-se o deslocamento da obra para os elementos sociais que formam a sua matéria. descrevendo seus vários aspectos. ou não. em que o estudioso enumera os fatores (.. psicológica ou lingüística. Mas nada impede que cada crítico ressalte o elemento da sua preferência. e ambas com a organização da sociedade.. 6) Investigação hipotética das origens.

Não espanta. Tal paradoxo está no cerne do trabalho literário e garante a sua eficácia como representação do mundo. já que descreve modos de vida e interesses de determinadas classes. pois: a) o artista. como um universo fechado (a obra é orgânica sim. No geral.. isto não se simplifica à mera dicotomia entre fatores internos e externos. este gênero de estudos tem permanecido insatisfatório. o autor relativiza a contribuição das ciências socias ao estudo literário. que é fenômeno coletivo na medida em que foi elaborada por uma classe social. a “a criação. que se exprimem na obra em graus diversos de sublimação. A arte pode então. página 27). Como diz o autor: “(. já que um desenrolar negativo desta perspectiva de pesquisa sugere a uma condenação destas obras que não corresponderiam aos valores de suas respectivas ideologias. pois. assim como a influência que a própria obra exerce sobre o meio. segundo o seu ângulo ideológico próprio” (CANDIDO. a fatura da mesma e sua transmissão. O social passa por um processo de interiorização em que o autor o reconstrói. a literatura passa a ser também um produto social. A literatura e a vida social Nesta parte de seu ensaio. ou seja. Achar. psicólogos e outros manifestam às vezes intuitos imperialistas. para entender a singularidade e a autonomia da obra” (CANDIDO. O autor defende e justifica esse caráter distorcido da literatura ao afirmar que “esta liberdade.. Com efeito. como instrumentos de interpretação do fato literário” (CANDIDO. que a aplicação das ciências sociais ao estudo da arte tenha tido conseqüências freqüentemente duvidosas. longe de ser um mero espelho refletor. Porém. um conjunto de formulações e conceitos que permitam limitar objetivamente o campo de análise e escapar. ou reforçando neles o sentimento dos valores sociais” (CANDIDO. como por exemplo: a posição social do artista. não obstante singular e autônoma. página 23).) Os elementos de ordem social serão filtrados através de uma concepção estética e trazidos ao nível da fatura. b)escolhe certos temas. tendo havido momentos em que julgaram poder explicar apenas com os recursos das suas disciplinas a totalidade do fenômeno artístico. a forma e conteúdo da obra. mesmo dentro da orientação documentária. que basta aferir a obra com a realidade exterior para entendê-la é correr o risco de uma perigosa simplificação causal” (CANDIDO. Assim. . devolvendo assim ao mundo uma interpretação própria e subjetiva. a configuração dos grupos receptores. Determinadas visões específicas são o que delineiam a construção estética de um livro. a hipótese primordial do autor é que há a invocação do fator social como um meio de explicação e estruturação da obra e de seu teor de idéias. combinado a realidade que absorvem com a própria percepção. deve-se pensar a influência exercida pelo meio social sobre a obra de arte. 4 O poeta e escritor transformam tudo que passa por eles. modificando a sua conduta e concepção do mundo. entre outros. Assim. ao arbítrio dos pontos de vista. ser uma expressão da sociedade.transpô-la rigorosamente” (CANDIDO. decorre de uma certa visão do mundo. sob o impulso de uma necessidade interior. Ainda. c) usa certas formas e d) a síntese resultante age sobre o meio” (CANDIDO. página 22). Um método de pesquisa mais apropriado investir-se-ia na análise das influências reais exercidas pelos fatores socioculturais. ou ao menos incompleto. Desta forma. sociólogos. Antônio Candido aponta para “quatro momentos da produção. fornecendo-lhe elementos para determinar a sua validade e o seu efeito sobre as massas leitoras que os absorvem. “(. é o quinhão da fantasia. elaborando-o de uma maneira estética diferenciada (não deixando de ser subjetiva e arbitrária). Vários aspectos podem ser considerados neste processo. a arte é social nos dois sentidos: tanto receptiva quanto expressiva (isto não ocorrendo de maneira tão ativa. mas não totalmente isolada do mundo). graças a um simplismo que não raro levou ao descrédito as orientações sociológicas e psicológicas. muito menos ainda passiva). o quanto ela está interessada nos problemas sociais. e produz sobre os indivíduos um efeito prático.) depende da ação de fatores do meio. isto é. página 24). A partir do século XVIII. Chegou-se até a pensar até que medida a arte expressa a realidade. já que expressa condições de cada civilização em que se forma. orienta-se segundo os padrões da sua época. não deixando de se considerar o teor de seu aspecto social. pois. A análise do conteúdo social de uma obra segue mais como uma afirmação de princípios do que uma hipótese de investigação. tanto quanto possível. página 30). não satisfazendo assim uma interpretação plena da sociedade. que às vezes precisa modificar a ordem para torná-la mais expressiva de tal maneira que o sentimento da verdade se constitui no leitor graças a esta traição metódica. página 22). página 31).. devido à falta de um sistema coerente de referência.. propiciando relações difíceis no terreno do método. “Do século passado aos nossos dias. problemas que desafiavam gerações de filósofos e críticos pareceram de repente facilmente solúveis. A obra pura e simples não significa um todo que se explica a si mesma.

trata-se sim de um viés de mão dupla. página 34-35). Há tempos que o caráter da criação rumava para uma imagem coletiva. neste sentido. que se destacam. em segundo lugar. deve-se destacar a influência decisiva do jornal sobre a literatura. ele é ou não reconhecido como criador ou intérprete pela sociedade. que parece dissolver-se nele” (CANDIDO. “A primeira se inspira principalmente na experiência coletiva e visa os meios comunicativos acessíveis. dirige-se a um número ao menos inicialmente reduzido de receptores. onde os protagonistas são substituídos pelo esforço anônimo das massas. Um exemplo vem da fase bolchevista que. e o destino da obra está ligada a esta circunstância. incorporar-se a um sistema simbólico . e sabemos que a obra exige necessariamente a presença do artista criador. “A atividade do artista estimula a diferenciação de grupos. a criação de obras modifica os recursos de comunicação expressiva. O link entre sociedade e arte não ocorre de maneira tão simples. Tomando o autor. como a obra depende de recursos técnicos para expor os valores propostos e. “Hoje. percebe-se o movimento dialético que engloba a arte e a sociedade num vasto sistema solidário de influências recíprocas” (CANDIDO. quando em ascendência. A obra nasce da confluência da iniciativa individual com as condições sociais. as obras delimitam e organizam o público. utilizando o que já está estabelecido como forma de expressão de determinada sociedade. 3) O público Considerado pelo autor Antônio Candido como o alvo receptor da arte. página 40). assim marcada pela sociedade. Forças sociais condicionam a produção do artista. isto é fato. está superada esta noção de cunho acentuadamente romântico. de que maneira se configuram os públicos. “Os valores e ideologias contribuem principalmente para o conteúdo. Procura. O que chamamos arte coletiva é a arte criada pelo indivíduo a tal ponto identificado às aspirações e valores do seu tempo. “A poesia pura do nosso tempo esqueceu o auditor e visa principalmente a um leitor atento e reflexivo. o verdadeiro criador da arte. página 33). criou um tipo de romance coletivista. página 43). apesar dele se equipar com um arsenal oriundo da própria civilização para tematizar e formar sua obra. as técnicas de comunicação de que a sociedade dispõe influem na obra. há necessidade de um agente individual que tome a si a tarefa de criar ou apresentar a obra. ele utiliza a obra. A partir do momento em que a escrita triunfa como meio de comunicação. página 35). Em sociedades primitivas era menos nítida a separação entre o artista e seu público. moldando-a sempre a um público alvo. criando gêneros novos (crônicas) ou modificando outros já existentes (como o romance. Vendo os problemas sob esta dupla perspectiva. Algo se transforma em elemento usufruído pela arte quando representa para um determinado grupo social algo singularmente prezado. em sua forma. ideologias e sistemas de comunicação transmudamse na obra através do impulso de seu criador. repensando assim sua função em meio a sociedade. capaz de viver no silêncio e na meditação o sentido do seu canto mudo” (CANDIDO. por exemplo). O autor faz uma distinção categórica entre arte de agregação e arte de segregação. mas a formação de grupos de artistas. 1) A posição do artista Averigua-se de que modo a posição social atribui um papel específico ao criador de arte. Antônio Cândido analisa como a sociedade define a posição e o papel do artista. concebendo ao povo. enquanto as modalidades de comunicação influem mais na forma” (CANDIDO. como veículo de suas aspirações individuais mais profundas” (CANDIDO. “O pequeno número de componentes da comunidade e o entrosamento íntimo das manifestações artísticas com os demais aspectos da .A arte pressupõe algo mais amplo que as vivências do artista. em terceiro lugar. para isto. a obra e o público como os três principais elementos que fundamentam e possibilitam a comunicação artística. da sociedade” (CANDIDO. criar novos recursos expressivos e. e nas suas possibilidades de atuação no meio. As relações entre o artista e o grupo resumem-se a um esquema simples: “em primeiro lugar. Além disso. enquanto tais. o que levanta a questão de quais são os limites da autonomia criadora do artista. Além dos valores. o que garantiria assim certo impacto emocional. página 34). no conjunto. o panorama artístico se modifica drasticamente. 2) A configuração da obra Uma obra só é realizada quando é configurada pelo artista e pelas condições sociais que determinam a sua posição.vigente. A segunda se preocupa em renovar o sistema simbólico. Valores sociais. Isto envolve não apenas o artista individualmente. e “os elementos individuais adquirem significado social na medida em que as pessoas correspondem a necessidades coletivas.

caso contrário. as reflexões do autor tem repercussões mundiais. Como alternativa. As escolas de hoje servem e moldam um mundo no qual pode haver grandes oportunidades de melhorias econômicas se as pessoas puderem aprender a trabalhar de forma mais flexível. indo além do âmbito da sala de aula. para tornarem-se. página 45). A necessidade. ir reencontrando seu lugar enquanto a economia se transforma ao seu redor e valoriza o trabalho criativo e cooperativo. ou virtual” (CANDIDO. Em termos gerais. somos público. Em vez de promover a criatividade econômica e a integração social. Embora baseado em experiências norte-americanas e canadenses. O artista direciona sua produção a um público. Neste novo sistema. As economias do conhecimento são estimuladas e movidas pela criatividade e pela inventividade. no qual professores extremamente qualificados sejam capazes de gerar criatividade e inventividade entre seus alunos. Andy Hargreaves ENSINO NA SOCIEDADE DE CONHECIMENTO: EDUCAÇÃO NA ERA DA INSEGURANÇA Andy Hargreaves Nesta obra. das metas de desempenho e das linhas de classificação das escolas segundo os resultados de seus alunos. página 44). reciclar suas habilidades. que mal chega a se distinguir” (CANDIDO. tamanhos são seus desejos por fama e bens materiais (influência da indústria literária). os sistemas educacionais se tornam cada vez mais obsecados com a imposição e a microgestão da uniformidade curricular. formando assim categorias diferentes. seus povos e suas nações ficarão para trás. possuindo características próprias. no sentido moderno). artistas se distanciam de seu público. a uma “massa abstrata. pertencemos a uma massa cujas reações obedecem a condicionantes do momento e do meio” (CANDIDO. ao qual ele não conhece. Abre-se uma era onde predominam os públicos indiretos. Mesmo assim. podemos promover um sistema educacional de alto investimento e alta capacidade. de contatos secundários. de aderir ao que nos parece distintivo de um grupo. a sociedade do conhecimento depende das escolas como um todo para tornar-se uma sociedade aprendente criativa e solidária. “Mesmo quando pensamos ser nós mesmos.Hargreaves analisa o significado da expressão "socíedade do conhecimento'" e suas implicações na vída dos proíessoees da atualidade. experimentando. eles próprios. seja ele majoritário ou minoritário. Com o desenvolvimento das sociedades. Nesse segundo cenário. mas não menos conectadas quanto antes (só então pode-se falar em um público diferenciado. seja à intervenção dum número maior de artistas. o ensino e os professores irão muito além das tarefas técnicas de produzir resultados aceitáveis nas provas.vida social dão lugar seja a uma participação de todos na execução de um canto ou dança. mas que com um poder de “alta alavancagem” e bem articuladas com redes de apoio serão responsáveis pela melhora na qualificação da prática docente. insuspeitada por muitos. A técnica da escrita. os professores devem assumir novamente seu lugar entre os intelectuais mais respeitados da sociedade. fez com que um novo tipo de público se formasse. e as escolas da sociedade do conhecimento precisam gerar essas qualidades. seja a uma tal conformidade do artista aos padrões e expectativas. essa criatividade e a flexibilidade na forma como são tratados e qualificados como profissionais da sociedade do conhecimento. Introdução Vivemos em uma economia do conhecimento em uma sociedade do conhecimento. Um exemplo são os autores que se ajustam às normas do romance comercial. página 46). em lugar de estimular a criatividade e a inventividade. O mundo a que as escolas servem também se caracteriza por uma crescente instabilidade social. mas que imagina. uma missão social que molda a vida e transforma o mundo. Ao longo de todo o livro o autor deixa claro que o futuro da transformação educacional deve basear-se em um pequeno número de políticas estratégicas. e preparar seus alunos para . muitas escolas estão se enredando na regulamentação de rotinas da padronização insensível. mais uma vez. As escolas e os professores têm sido espremidos na visão estreita dos resultados de provas. só acaba por reforçar esta nossa reação que se fixa no reconhecimento de um coletivo. nossas escolas não estão preparando os jovens para bem trabalhar na economia do conhecimento nem para viver em uma sociedade civil fortalecida. isto porque. chegando a buscar o ensino como. também. investir em sua segurança financeira futura. Tal grupo exerce uma influência enorme sobre a produção que se vai originar por via do artista.

Enquanto isso. dos quais os interesses empresariais da economia do conhecimento não são capazes de tomar conta: uma sociedade civil fortalecida e vigorosa. a perda da comunidade e distanciamento crescente entre ricos e pobres. Na sociedade do conhecimento. Aí reside o paradoxo profissional. de alguma forma devem tentar atingir simultaneamente esses objetivos aparentemente contraditórios. em um compromisso com o progresso. cada vez menos querendo se juntar a ela. Isso. a utilização da pesquisa. desenvolvendo o caráter que promove o envolvimento da comunidade e o cultivo das disposições de simpatia e cuidado para com as pessoas de outras nações e culturas. Essas três forças. ensinar na sociedade do conhecimento envolve o cultivo dessas capacidades nos jovens. bem como a educação e o bem-estar públicos. a flexibilidade e o compromisso com a transformação essenciais à prosperidade econômica. no desenvolvimento científico e tecnológico. a expressão mais adequada para o título deste livro seria "sociedade de aprendizagem" entretanto. a educação nas principais economias do mundo foi vista amplamente como um investimento em capital humano. tais como consumismo excessivo. suas interações e seus efeitos estão moldando a natureza do ensino. tem sido desvalorizada por tantos grupos. os professores também devem e mitigar combater muitos dos imensos problemas criado pelas sociedades do conhecimento. e a própria viabilidade da atividade. também este em transformação. o título original se mantém em função de sua utilização ampla e aceitabilidade. cidadãos do mundo. aquilo que significa ser um professor. a busca de aprendizagem profissional contínua como professores e a promoção da solução de problemas. o desenvolvimento da aprendizagem cognitiva profunda. Desta forma. A profissão. classificada como importante para a sociedade do conhecimento. como profissão. criem a sociedade do conhecimento e desenvolvam capacidades para a inovação. sintonizar-se com os desejos e demandas do mercado consumidor e mudar de emprego ou desenvolver novas habilidades à medida que as flutuações e os momentos de declínio econômico assim o exigirem. Nos 30 anos posteriores à Segunda Guerra Mundial. espera-se que a educação pública salve a sociedade. mais do que um paradoxo. da disposição de correr riscos. o trabalho em redes e equipes. na sociedade do conhecimento. ser contraponto a ela e às suas ameaças à inclusão. representa uma crise de proporções perturbadoras. fornecidas a custos mínimos. foram as primeiras baixas do Estado enxuto que as economias do conhecimento têm exigido. Sendo assim.serem. Também deverão ajudá-los a se comprometer com os bens públicos vitais. que trata do mundo em transformação. os professores de hoje se encontram presos em um triângulo de interesses e imperativos conflitantes: ser catalizadores da sociedade do conhecimento e de toda a oportunidade e prosperidade que ela promete trazer. mais do que de qualquer outra pessoa. ser baixas dessa sociedade do conhecimento em um mundo onde as crescentes expectativas com relação à educação estão sendo respondidas com soluções padronizadas. I-O ensino para a sociedade do conhecimento: educar para a inventividade A profissão paradoxal Ensinar é uma profissão paradoxal. com mais e mais pessoas querendo deixá-la. Desta forma. as quais são o coração da identidade cosmopolita. Antes da sociedade do conhecimento Desde o surgimento da educação escolar compulsória e de sua difusão pelo mundo. apenas do ensino se espera que gere as habilidades e as capacidades humanas que possibilitarão a indivíduos e organizações sobreviver e ter êxito na sociedade do conhecimento dos dias de hoje. Dos professores. mas nunca se expressaram da mesma forma. Eles devem fazer o melhor que podem para garantir que os estudantes promovam bens privados da economia do conhecimento e que prosperem a partir deles. espera-se que construam comunidades de aprendizagem. Ao mesmo tempo. a riqueza e a prosperidade dependem da capacidade das pessoas de superar seus concorrentes em criação e astúcia. ou aspiram a ser profissões. Entre todos os trabalhos que são. bem como do trabalho do ensino. pouco foi feito para transformar a . os gastos. e muito poucas desejando assumir sua liderança. da criatividade e da inventividade entre os estudantes. Os salários e as condições de trabalho dos professores têm estado entre os itens mais caros no topo da lista de baixas do serviço público. Mas em termos práticos. Esses são os desafios enfrentados por professores na sociedade do conhecimento atual e que representam o foco deste livro. As expectativas em relação à educação pública sempre foram altas. à segurança e à vida pública. da confiança nos processos cooperativos. da capacidade de lidar com a mudança e do compromisso com a melhoria contínua das organizações.

As nações ocidentais se voltaram para dentro. voltadas a tornar malvistos o ensino e as escolas públicas. das universidades e de outras fontes. à ciência e à tecnologia. O controle curricular foi muitas vezes enrijecido em alguns lugares. e não a solução. Os resultados internacionais de exames de matemática e ciências provocaram ansiedade pública e deram munição para que muitos governos ocidentais reformulassem os sistemas educacionais. equipes e culturas que maximizem a oportunidade para a aprendizagem mútua e espontânea. Um dos pretextos mais fortes para a reforma escolar nas nações ocidentais foi a introdução das comparações internacionais de exames. tais eventos foram medidas deliberadas. criatividade e inventividade são intrínsecos a tudo o que elas fazem. da comunicação. ao trabalho. das vendas. os recursos para a educação. segundo o desempenho escolar humilhavam os docentespor fracassarem com seus alunos. Para além de toda autonomia. da organização de eventos e assim por diante. permaneceram uma “gramática” básica de ensino e aprendizagem em que a maioria dos professores lecionava de forma como se havia feito por gerações. fluido. da assessoria. Foram poucas as inovações que duraram por muito tempo. por governos e pela mídia e as recém-estabelecidas classificações de escola. a sociedade do conhecimento tem três dimensões. e a retórica da mudança em sala de aula geralmente sobrepujava a realidade. (geralmente os das comunidades mais pobres). do marketing. o conhecimento é um recurso flexível. Assim sendo. implica transformações básicas da forma como as organizações empresariais funcionam de modo a poder promover a inovação contínua em produtos e serviços. os perfis demográficos se inverteram. Os professores passaram a ser responsabilizados pela maior parte dos problemas. estimular muitos pais a financiar de forma privada a educação de seus filhos e forçar à aposentadoria precoce de professores mais velhos e mais caros. na frente da sala. mas sim a forma fundamental do próprio trabalho e da própria produção. criando sistemas. ligado à tarefa explícita de restabelecer o orgulho da nação. as populações dos alunos encolheram e os professores perderam sua atratividade no mercado e seu poder de barganha e grande parte da força de trabalho remanescente no ensino começou a envelhecer. Na economia do conhecimento. O milagre econômico dos "tigres" e do Japão levou os formuladores de políticas no Ocidente a supersimplificar e singularizar as contribuições dos sistemas educacionais dessas sociedades para seu sucesso econômico. pagamento de acordo com desempenho e reformas curriculares prescritas minuciosamente. O segundo e o terceiro aspectos dependem de se ter uma infraestrutura sofisticada de tecnologia de informação e comunicação que torne toda essa aprendizagem naus rápida e mais facial. As estruturas foram reorganizadas. em terceiro lugar. que estavam impedindo a nova agenda da reforma. visto que foram eclipsadas pelas economias dos "tigres" asiáticos. os estados de bem-estar social começaram a entrar em colapso e. mas conhecimento. envolve formas complexas de processamento e circulação de conhecimento e informações em uma economia baseada nos serviços. com aulas separadas para crianças da mesma idade. A crise do petróleo de 1973 e o colapso da economia keynesiana puseram fim aos pressupostos educacionais otimistas em muitas economias desenvolvidas do Ocidente. o que levou a maior padronização e microgestão do ensino e da aprendizagem por meio de sistemas mais rígidos de inspeção. Nesse meio tempo.natureza fundamental da educação oferecida ou a forma como os professores lecionavam. em segundo. Segundo alguns críticos. . trabalhos para serem realizados por alunos sentados e métodos de perguntas e resposta. Lucrando a partir da sociedade do conhecimento Nessa sociedade em constante transformação e autocriação. mas também o quão bem elas conseguem processar essa mesma informação. Em primeiro lugar. A chave para uma economia do conhecimento forte. No final da década de 80 os governos começaram a vincular mais intimamente a educação aos negócios. técnica e educacional ampliada. com eles. que reduziram em muito a latitude das decisões pedagógicas dos professores. O conhecimento não é apenas um apoio para o trabalho e a produção. da consultoria. em processo de expansão e mudança incessante. e muitas delas perderam a confiança. do turismo. os recursos restringidos novamente e as políticas de opção de mercado e competição entre escolas começaram a proliferar. entretanto. as pessoas não apenas evocam e utilizam o conhecimento “especializado” externo. Nas economias altamente endividadas. não é apenas as pessoas poderem acessar a informação. por meio de aulas expositivas. A educação passou subitamente a ser o problema. engloba uma esfera científica. avaliadas por métodos escritos padronizados. visto que mais e mais pessoas instruídas trabalham nos campos das idéias. tentativas de inovação e expansão educacional.

Além de tais aspectos. Salas de aula mais eficientes. da comunicação. inteligência coletiva. os professores devem ser capazes de construir um tipo especial de profissionalismo. febre ferroviária do século a explosão imobiliária do final da década de XIX e a explosão imobiliária do final da década de 1980) e os compara à revolução do . Todas as crianças devem ser preparadas para a sociedade do conhecimento e para a sua economia. mas apenas aquele desempenho já existente.Desenvolvendo a sociedade do conhecimento A sociedade do conhecimento é uma sociedade de aprendizagem. no aprimoramento. inteligências múltiplas e diferentes “hábitos da mente”. um ano escolar com mais dias: todas essas coisas ajudam a melhorar o desenvolvimento dos alunos. cabe ao professor dessa nova sociedade um alto grau do que Daniel Goleman chamou de inteligência emocional. O ensino para a sociedade do conhecimento atual ´tecnicamente mais complexo e mais abrangente do que jamais foi e tem como referência uma base de pesquisa e experiências sobre o ensino eficaz. a aprendizagem baseada no cérebro. conseguir monitorar e regular as próprias emoções de forma que elas não saiam de controle. disposição para o risco e ape risco e aperfeiçoamento permanente. estratégias cooperativas de aprendizagem. A inteligência emocional acrescenta valor à inteligência cognitiva. ter capacidade de motivar a si e aos outros. ensinar para a sociedade do conhecimento estimula e floresce a partir de: criatividade. o envolvimento e a inclusão dos jovens no mundo altamente especializado do conhecimento. Entre elas estão um ensino que enfatize habilidades de raciocínio de ordem mais elevada. um dia de aula com mais horas. em vez de disciplina. Novas abordagens à aprendizagem demandam novas abordagens ao ensino. As escolas e os professores não podem e nem devem renunciar a suas responsabilidades de promover as oportunidades. que se concentrem no ensino e na aprendizagem. portanto. aprender a ensinar por meio de maneiras pelas quais não foram ensinados. da informação e da inovação. trabalhar e aprender em equipes de colegas. mais cursos de férias e aulas aos sábados para alunos que estão com dificuldades de aprendizagem. O ensino para a sociedade do conhecimento Como catalisadores das sociedades do conhecimento bem-sucedidos. construir uma capacidade para a mudança e o risco e estimular a confiança nos processos. Elas não transformam esse desempenho ao sujeitá-los a mais quantidade das estratégias que já existem. II -O ensino para além da sociedade do conhecimento: do valor do dinheiro aos valores do bem A bolha dos mares do sul o autor cita alguns exemplos de empreendimentos financeiros com excesso especulativo (South Sea Company . mais tempo gasto em alfabetização e outros aspectos básicos. Entretanto. Em síntese. na análise de sua própria aprendizagem profissional e análise de seu relacionamento com os pais. aprender e inovar. confiança profissional. empregando uma ampla gama de técnicas de avaliação e utilizando a informática e outras tecnologias de informação que capacitem os alunos para acessá-la de forma independente. que está mudando e se ampliando. ter as habilidades sociais para colocar em ação as quatro primeiras competências. As cinco competências básicas que compõem a inteligência emocional são: conhecer e ser capaz de expressar as próprias emoções. flexibilidade. comprometer-se com aprendizagem profissional contínua. diferenciando líderes brilhantes daqueles que são simplesmente adequados. abordagens construtivistas de aprendizagem e da compreensão. ser capaz de criar empatia para as emoções de outros. do poder de pensar. desenvolver e elaborar a partir da inteligência coletiva. do qual os principais componentes são: promover a aprendizagem cognitiva profunda. Os professores de hoje. a metacognitação (a reflexão sobre o pensamento).1711. a mudança não está em mais educação na forma atual. O sucesso econômico e uma cultura de inovação contínua dependem da capacidade dos trabalhadores de se manter aprendendo acerca de si próprios e uns com os outros. tratar os pais como parceiros na aprendizagem. no auto-acompanhamento. mas a partir da força do cérebro. inventividade. solução de problemas. Uma economia do conhecimento não funciona a partir da força das máquinas. precisam estar comprometidos e permanentemente engajados na busca.

O paradoxo da globalização é o fato de que ela e a homogeneização levam muitos daqueles que não podem compartilhar seus benefícios a se voltar para dentro. Todos os indicativos apontavam para uma expansão massiva na tecnologia da informação e do entretenimento.conhecimento informação do século XXI. são postas de lado. para a cultura. por vezes. Contudo. ou seu poderio militar poderiam tornar seu país inexpugnável em face da globalização do terror. Em sua manifestação política. Cada vez mais esses pais têm terceirizado seus filhos para outros cuidadores. Ela surge no Islã. A expressão extrema dessa resposta é a jihad. como também é vital para a . afirmando que todos são "bolhas especulativas". com o passar dos anos. a bolha da economia do conhecimento começou a explodir. proporciona foco e direção àqueles que lutam contra o que consideram influências culturalmente corruptoras dos valores de mercado ocidentais. Diferentemente da incerteza e da complexidade. Esses riscos também se estendem a nossas vidas pessoais. Diante disso. cataclísmicas. mas não é essencial a ele. como partes do bem público. Pais com sobrecarga de trabalho estão ocupados tentando se livrar da pobreza ou acompanhar o padrão dos vizinhos e concorrentes que têm pouco ou nenhum tempo para seus filhos. sem sangue nas veias na qual apenas os interesses das pessoas como consumidores privados são tratados abertamente. reduzindo seu próprio comprometimento de tempo e suas responsabilidades emocionais no processo.a insegurança geral não é uma condição inevitável. da modernização e da degradação moral. com conseqüências dramáticas e. Fundamentos ou fundamentalismo o que está por detrás da violência de 11 de setembro é a "economia do lucro. É o que Benjamin Barber chamou de McMundo. seremos condenados a repetir a mesma tragédia histórica. A bolha do conhecimento e da informação Todas as bolhas de investimentos acabam por 0explodir. começaram a se instalar dúvidas de que o consumo galopante de novas tecnologias estivesse realmente melhorando as vidas ou os relacionamentos das pessoas. tomada pela ansiedade. Nos sistemas escolares de nível médio que se baseiam nos resultados do desempenho à custa de relacionamentos. Ainda assim. A sociedade do conhecimento ameaça cada vez mais nos levar para um mundo que não oferece solidão nem comunidade. nossas famílias e comunidades.ao passo que suas preocupações como cidadãos. em alguns minutos. da era otimista da informação para uma era de insegurança. muitos adolescentes se encontram cada vez mais desligados da aprendizagem e alienados da sociedade conhecimento.mas uma opção política na sociedade do conhecimento. se não tivermos em mente e aprendermos a partir do que aconteceu a bolhas anteriores. um sistema forte de educação pública não só é parte integrante de uma economia do conhecimento próspera. A economia do conhecimento e o investimento que ela requer estão destruindo formas existentes de vida e de trabalho. as possibilidades da nova sociedade do conhecimento se apresentaram ilimitadas. Comunidade e caráter A sociedade de alto risco de hoje em dia se caracteriza pelo perigo crescente da destruição terrorista e da devastação ambiental em grande escala. A sociedade da informação e a economia do conhecimento pareciam representar uma nova era de otimismo e oportunidade. Da informação à insegurança O dia 11 de setembro: de 2001 foi uma data em que os norte-americanos compreenderam que nem todas as frenteiras de suas costas tampouco as ferramentas de vigilância tecnológica. contra os infiéis. significa a guerra sagrada em nome da identidade partidária metafisicamente definida e defendida de forma fanática. A "América" deixara se ser apenas o gerador de mercados qlobalizadores de conhecimento e informações. a religião e a etnicidade como fontes alternativas de sentido e identidade. era agora o alvo de um outro tipo de globalização que levou o mundo. Nos meses do novo século. A utilização excessiva de computadores e outras tecnologias também está sendo vinculada a taxas crescentes de obesidade infantil e outros transtornos. termo islâmico que se refere à luta religiosa em nome da fé. Quando falamos sobre o futuro da sociedade do conhecimento. O ano de 2000 foi o primeiro na história em que a venda de computadores caíram no mundo todo. No final da década de 1990.

no qual o interesse público seria melhor servido pelos efeitos acumulados da liberação das pessoas para que buscassem seus próprios interesses privados. A educação descarrilada Os professores estão presos em um triângulo de pressões e expectativas contraditórias. O relatório Delors dessa instituição. construindo e preservando a democracia pública e comunitária que acompanha essa sociedade e também é ameaçada por ela. como também seus contrapontos essenciais. encontra uma forma de lhe dar vazão e propósito. chamado Educação. ao desenvolvimento comunitário para os pais e à agência da formulação de políticas em grande escala. nas subculturas dos banheiros e outros cantos escuros de suas turmas. se quisermos tornar as escolas melhores. mas também seu capital social. Dois deles são as bases da economia do conhecimento: aprender a conhecer e aprender a fazer. que Ihes permite cooperar entre si e que estabelece uma base de confiança. Os professores e outros devem se dedicar a unir essas duas missões em uma só.proteção e o fortalecimento da democracia que constrói comunidade e desenvolve caráter. onde a amizade consolida o fracasso e a oportunidade econômica é negada por meio de exclusão social e educacional compartilhada. levando a osculações intermináveis do pêndulo das políticas. identificou quatro pilares essenciais da aprendizagem. Eles lutam para atingir um máximo de realização profissional. as escolas e as comunidades não o cultivarem. a justiça social e a solidariedade devem ser centrais ao desenvolvimento profissional para professores. ou seja. organizações como a Unesco mantêm vivo o discurso democrático na educação. Reconciliar os objetivos econômicos e sociais da educação e preparar as pessoas para ganhar a vida e viver têm se revelado tarefas historicamente difíceis. a capacidade de estabelecer redes. Os resultados na educação pública se fizeram sentir nos cortes de custos e no enxugamento da abertura de escolas. com vistas a estimular os valores de comunidade. os alunos gerarão o seu próprio. Educando para a democracia Na arena internacional. de formas invertidas e pervertidas. O capital social dá suporte à aprendizagem. e seu desenvolvimento é essencial do ponto de vista educacional. os professores devem ser não apenas catalisadores da economia do conhecimento. no aumento dos incentivos ficais ou das campanhas para desacreditar o sistema público. O fundamentalismo de mercado No final do século XX. democracia. O aprender a ser e o aprender a viver juntos não são menos importantes. que estimularam os pais a redirecionar seus investimentos para a educação privada. Ensinar para além da sociedade do conhecimento significa servir-lhe de contraponto corajoso. humanitarismo e identidade cosmopolita. O capital social está na base da prosperidade e da democracia. Ensinando para além as sociedade do conhecimento Os valores. Hoje em dia. um tesouro a descobrir. alimenta-a. as políticas econômicas e públicas de muitas nações foram dominadas pela ideologia do fundamentalismo de mercado. Se os professores. mais do que nunca. mas são continuamente arrastados .forjar relacionamentos e contribuir fazendo uso dos recursos humanos da comunidade e da sociedade como um todo. Francis Fukuyama define o capital social como um conjunto de valores e normas informais compartilhados por membros de um grupo. Gerou-se a concorrência do setor privado com o setor público. III – O ensino apesar da sociedade do conhecimento I: O fim da inventividade O custo da sociedade do conhecimento ensinar para a sociedade do conhecimento e ensinar para além dela não precisam ser incompatíveis. Cultivando o capital social Os professores que ensinam para além da sociedade do conhecimento desenvolvem o capital intelectual de seus alunos.

A escola da sociedade do conhecimento: uma entidade em extinção Este capítulo apresenta a bem sucedida experiência de uma escola de nível médio canadense Blue Mountain. os alunos tinham liberdade para utilizar qualquer tecnologia disponível. a Blue Mountain é. a profissão do ensino terá cada vez mais dificuldades de atrair candidatos de boa qualidade. Entretanto'. a desmoralização. As escolas eficazes devem operar como sólidas comunidades de aprendizagem profissional a partir de três componentes: o trabalho cooperativo. a ausência de integridade. o caráter da mudança e as alterações nas condições de trabalho que acompanharam essas transformações. . a perda da eficácia do trabalho docente. sem dúvida alguma. o foco no ensino e na aprendizagem e avaliações permanentes para investigar avanços e problemas. uma espécie em extinção. considerada a síntese de uma escola da sociedade do conhecimento. Entre os principais aspectos apresentados pelos professores entrevistados estão: o pouco tempo destinado ao estudo. as pressões econômicas também afetaram a rotina da escola que passou a conviver com os problemas apresentados anteriormente. Mesmo assim. quando outras ocupações com menos regulamentação e mais incentivo estão concorrendo por seu talento. No lugar de promover a aprendizagem profunda e o envolvimento emocional dos alunos com sua aprendizagem e uns com os outros. muito mais do que em quase todas as outras escolas. a política de humilhação e a exaustão. O entusiasmo e a empolgação de trabalhar se refletiam na postura inovadora e inventiva do currículo e no ensino de sala de aula. um exemplo de escola da sociedade do conhecimento. v . A análise observa a substância da reforma nas áreas de mudança de currículo e avaliação. que consideram os padrões para além do seu alcance. A padronização aumenta a exclusão das escolas e dos alunos dos níveis inferiores. como comunidade de aprendizagem. nela ainda acontece muita interação profissional 'entre seus grupos. Nessas condições. Lecionar tornou-se mais difícil e estressante.pelas reações dos fundamentalistas de mercado aos custos da economia do conhecimento. As escolas em sociedades complexas dever. a pouca criatividade e inventividade. VI . recorrem à demissão e à aposentadoria precoce.Para além da padronização: comunidades de aprendizagem profissional ou seitas de treinamento para o desempenho? Rumo a uma profissão de aprendizagem . a ineficiência e inadequação do desenvolvimento profissional. desenvolvendo estruturas e processos que lhes capacitem para aprender no interior de seus ambientes imprevisíveis e mutantes e responder a eles com rapidez. mas.O ensino apesar da sociedade do conhecimento: a perda da integridade Este capítulo apresenta os resultados de pesquisas realizadas pelo autor em escolas americanas e canadenses de nível médio. Diante da padronização os professores. As avaliações eram diferenciadas (portfólios e apresentações). segundo os quais todas as decisões da escola devem ser tomadas de acordo com os interesses da comunidade organizacional. examina o processo de implementação. e muito menos agradável. com capacidade intelectual e. especialmente. criando imensos problemas de recrutamento e retenção nessa profissão baseada no conhecimento. mas também os mais jovens. IV .Na escola analisada evitava-se a departamentalização a partir da idéia da aprendizagem organizacional e do pensamento sistêmico. esgotam professores que exercem cargos de coordenação e reduzem seu investimento na própria aprendizagem profissional. Uma conclusão perturbadora é a de que não são apenas os professores mais velhos que estão se desiludindo com a profissão. Tais aspectos foram ocasionados pelo ritmo insustentável da reforma e atingiram a saúde dos professores.' a informática não se limitava a laboratórios fechados. a perda de propósito profissional.iam se tornar organizações de aprendizagem eficazes. o isolamento profissional. os professores se encontram cada vez mais preocupados em treinar crianças para exa Políticas padronizadas O enxugamento e a padronização desgastam a colaboração. exaustos e desmoralizados.

o rompimento com o regime de contratos que mercantilizam a educação e a eliminação da cultura do individualismo competitivo entre as escolas. Já é tempo de repensarmos como deveria ser o ensino e a aprendizagem para os alunos. redes profissionais. Entre elas destacam-se: a importância da combinação entre a confiança pessoal dos reIacionarnentos com a confiança e a responsabilização profissional dos contratos de desempenhos (garantia de qualidade por meio da obrigação mútua). eliminar o empobrecimento O futuro do ensino está em combinar os esforços das comunidades de aprendizagem e das seitas de treinamento (grupos que buscam a melhoria do desempenho . Inglaterra) os governos estão começando a elogiar os professores e o ensino. Os primeiros. tendem a ser adotados por escolas de comunidades mais afluentes e os segundos. o ensino está em crise. Culturas. o autor aprese ta características indispensáveis à sociedade conhecimento. na promoção da cooperação e no trabalho em rede. nos últimos anos. contratos e mudança A partir de vários subtítulos relacionados a culturas. o apartaheid de desenvolvimento e aprimoramento escolar. auto-regulamentação profissional. que irá levar a uma burocracia mais arraigada nos sistemas escolares. regionalização dos serviços de desenvolvimento de comunidade profissional . exigindo os padrões mais elevados de prática profissional para um desempenho adequado. tendem a ser adotados por escolas de localidades mais pobres. ou "reescolarização". Mesmo assim. Conclusão .alfabetização e matemática em testes padronizados). VII . pautados em princípios amplos. Dois deles partem de um desdobramento de arranjos já existentes.O futuro do ensino na sociedade do conhecimento: repensar o aprimoramento. desenvolvendo o capital social dos estudantes e lhes possibilitando viver bem e trabalhar produtivamente na sociedade do conhecimento. diferentes es escolas se beneficiam de abordagens . na aprendizagem eletrônica e não-formal. caracterizados por programas rigidamene definidos. durante anos de desgaste e desilusão com as reformas amplas. em função da difusão da insatisfação das pessoas com a educação pública. A reforma educacional não pode mais ser construída nas costas dos professores.Ensinar é um trabalho cada vez mais complexo. à medida que a falta de professores e uma proliferação desesperada de inovações gerarem pânico e desagregação nas políticas educacionais. O outro visualiza as escolas como pontos focais para redes de relacionamentos comunitários mais amplos. dinheiro para início de projetos de auto-aprendizagem. O autor também apresenta algumas maneiras pelas quais as políticas podem promover as comunidades de aprendizagem no interior e além das escolas: desenvolvimento de liderança. a substituição do individualismo profissional permissivo pelo trabalho cooperativo. Futuros para o ensino na sociedade do conhecimento A OCDE projetou seis prováveis cenários para o futuro da educação pública na sociedade do conhecimento. por sua vez. Felizmente. É a profissão central. Em quase toda parte (Austrália. ou ao aumento da ênfase no mercado e nas soluções baseadas nas opções. A atração do ensino como carreira entre novos candidatos. muitos começam a se dar conta de que o desenvolvimento profissional de alta qualidade para professores é indispensável à geração de mudanças profundas e duradouras na aquisição dos alunos. e o ensino e o apoio profissional para os professores. reais e potenciais. está esgotando a profissão. Estados Unidos. está desaparecendo rapidamente. O segundo par de opções supõe um encolhimento da educação pública. isto é. seja por atrofia. Um deles vê a escola sendo reinventada na forma de uma organização de aprendizagem dirigida. os quais a organização chama de re-schooling. conferindo a honra e o respeito onde haviam prevalecido a acusação e o descaso no passado recente. eliminando assim. que enfatize a aprendizagem para a sociedade do conhecimento. o agente fundamental da mudança na sociedade do conhecimento de nossos dias. contratos e mudança. isto porque. inspeção e credenciamento escolar.difrenciadas do aperfeiçoamento. estritamente monitorados e com treinamentos intensivos. seja pelo incentivo em alternativas fora da escola. a transformação das características fundamentais da escola típica. A rotatividade demográfica entre os professores. recertificação e gestão de desempenho. Apenas dois dos cenários. presumem que a formação escolar pública possa ser salva e melhorada.

formas de organização. . porque segundo Perrenoud. relações) sem a mudança na intencionalidade não tem levado a alterações mais substanciais . tradição pedagógica disseminada em costumes. discursos.disposição afetiva.A mudança na intencionalidade da avaliação. .baixa qualidade da educação.Vale mais a mudança de intenção do que a dos métodos. orientações. .o currículo oculto. . .os enormes estragos da prática classificatória e excludente: . . o querer.Qualquer inovação.espera sugestões. mas a forma como a diferença está sendo definida tranca a pobreza e o fracasso juntos. Como o aluno conhece (para saber como ensinar). outros menos. Celso Vasconcelos O problema da avaliação percebido a partir da década de 60 apontou: . mais todos estão sempre aprendendo.Este livro demonstrou que a reforma padronizada na educação prejudica a capacidade dos professores de lecionar para a sociedade do conhecimento e para além dela. a capacidade de aproveitar e desenvolver a inteligência coletiva. tanto na apropriação do conhecimento como na formação de uma cidadania ativa e crítica. levará à Intervenção na realidade a fim de transformá-la. O que está ensinando é relevante? Em que medida está se ensinando de forma adequada. configura-se na imaginação do sujeito. propostas. que determinam mais a prática do que os infindáveis discursos teóricos já feitos. . Logo.muitos gostariam até de algumas receitas . num primeiro momento.o ideário tem muita força na prática avaliativa da escola . Vasconcelos Planejamento – Avaliação da aprendizagem: Práxis da mudança (2003). uns mais.Compromisso com uma causa.elevados índices de reprovação e evasão. O professor. nosso futuro significa os professores reconquistarem status e sua dignidade entre os principais intelectuais da sociedade. antes de existir na realidade. . dentro de uma linguagem neutra de "subdesenvolvimento" que é politicamente evasiva e enganadora.A mudança da avaliação (conteúdo. A mudança na intencionalidade. de lidar com a mudança e o compromisso com a aprendizagem por toda a vida. todos os alunos aprendem alguma coisa. Estratégias diferenciadas de aprimoramento oferecem uma maneira de ir além das falhas da abordagem "tamanho único" da padronização insensível.O acompanhamento das mudanças da avaliação em escolas e redes de ensino deve ter como princípios: . Nossa prosperidade depende dos atributos centrais da economia do conhecimento: a criatividade e inventividade. seja na política escolar. forma.Contribuir para uma práxis transformadora – Interiorizar a mudança. Para haver mudança é preciso: . tem possibilitado avanços significativos do trabalho.” Para mudar sua proposta de trabalho. (Interiorizar a mudança). . que pede: reflexão. A padronização expande a exclusão educacional.elaboração teórica . “O professor não pode desistir do aluno. de solucionar problemas de desenvolver redes. a flexibilidade. rituais. seja na política mundial. o professor precisa saber: O que o aluno precisa aprender (para definir o que ensinar).È preciso mudanças na prática do professor. em geral: . a cooperação. .

Classificação. o que colocar no lugar da pressão da nota? Duas perspectivas fundamentais: .Confronto de idéias. . os alunos. inquietação Cumprimento de normas busca de sentido e significado 3. solicitar um aumento de aulas semanais sugere mais oportunismo corporativo do que zelo pedagógico. Mas. – É importante a participação do professor no processo de mudança na sua condição de sujeito (não de objeto). não realizar uma aprendizagem significativa . O individualismo está muito enraizado.” Hoje não existe: . se pouco convivo com eles? O que se espera é uma adequação da carga horária à proposta de ensino – para quem não sabe o que quer.Edgard Morin – “Aprender a enfrentar as incertezas – tempos mudanças – ambivalências.. Muitas vezes ouve-se a pergunta: Como posso conhecer melhor. .Atrelada ao burocrático – acesso à outra série. .Respeito à individualidade . na medida em que colabora para a formação de sujeitos passivos.ganhar o aluno pela proposta pedagógica e não pela muleta das ameaças.Formação da cidadania 2. da percepção do aumento da capacidade de intervir no mundo.o sentido para o estudo. Avaliar para Promover Esse caminho precisa ser construído por cada um no:.Metodologias Rumos da avaliação neste século .o resgate da significação do estudo e dos conteúdos.“promoção como acesso a um patamar superior de conhecimento e vida”.Mobilização. .Acompanhamento permanente 4-Explicação e apresentação de resultados 4 .Critérios objetivos .através de novas atividades.Responder à pergunta – O que vale a pena ensinar? Hoje.indica a reprodução do sistema de alienação da organização social. -Resgatar . para o trabalho pedagógico e a forma adequada de trabalho em sala de aula.Medidas padronizadas Essencial no ato avaliativo – Diálogo . alienação.É preciso – esforço coletivo para mudar avaliação Para onde vamos? De Para 1. professores e alunos redescobrirem o gosto pelo conhecimento que vem da compreensão. trabalhar no coletivo. do entendimento. somativa. acríticos.poder de o professor estar centrado na proposta pedagógica e não mais na nota. 5 .. para que não se precise da nota para controlar os alunos. – Repensando Discutindo em conjunto – Valores – Princípios .Atitude de reprodução. Intervenção para melhor 5. .a busca de uma metodologia participativa em sala.Do privilégio .Mediação.Intenção prognostica. .Homogeneidade. seleção. 2 . seriação 1. È preciso. (aula / avaliação de perguntas e respostas prontas). 3 . afinal. Uma queixa recorrente entre os educadores diz respeito a carga horária das disciplinas.Verdade absoluta . Jussara Avaliar para promover: As setas do caminho Jussara Hoffmann Buscando Caminhos – Promoção . caminhando de uma prática imitativa (cultura da reprovação) ou reativa (mera aprovação) à práxis transformadora (ensino de qualidade democrática para todos).

È individual – Permanente .Avaliação contínua.Jeito de aprender Isso exige : . Avaliação para promover a inclusão. . Perrenoud – Trabalho de equipe – Cooperação entre colegas.competição de todos. É preciso olhar: Cada aluno: .Diálogo com a família .D. é filosófica.Conselhos de classe x Conselhos de classe Professores – Engajados na resolução dos problemas. não para excluir. • Ciclos . Cada passo é uma grande conquista Os alunos são diferentes.B. Outra concepção de tempo em avaliação O Tempo – Falta para diálogo professor x aluno.Registro -Predomínio dos aspectos qualitativos sobre quantitativos L. sensível.Integração dos alunos . tem a ver com profundidade..Professores mal pagos • Recursos – humanos e materiais.Classificação.Pedagogia diferenciada . Avaliação enquanto mediação significa: • Encontro – Abertura – Diálogo .Tensão entre –o que é e o que deveria ser a realidade social. -Pedro Demo – Qualidade diferente quantidade. Perrenoud – explicações individualmente .Avaliar individualmente e não comparativamente. Qualidade não pode ser medida. Equívoco das escolas – recuperação com repetição . . Precisamos . mediadora. Uma atividade ética-Complexidade Objetivo da Educação – Formação do sujeito capaz de: • Saber o que fazer da vida -Construir sua própria história com ética . um bom treinador fica à beira do campo” Todo aprendiz está sempre a caminho Avaliar para promover: .compartilhar compromisso com professor e com a família.Quebra de padronização .Necessidades especiais -Prática classe excludente • Aceleração .Professores itinerantes .Ser solidário.Experiência singular Dar mais tempo para os alunos expressarem suas idéias. As reformas educacionais .Anotação significativa – Observação do aluno. Exige compreensão da história do aluno e não parte dela. .Que o professor atenda individualmente.Números alunos .Seu próprio tempo. 6.6. perfeição e criação.Responsabilidade da Escola .Interação Não se pode delimitar: . .Correções imediatas “Em princípio.À confiança na capacidade Regimes seriados x Regimes não seriados Alfabetização e pedagogia diferenciada .Acompanhamento do professor.

É preciso – Favorecer oportunidades e tempo para: • Descoberta.Tirar fotos de cada aluno – diferentes momentos. Pedro Demo – qualitativo – intensidade e profundidade.Controle é necessário para tomar decisões sobre a vida do Indivíduo. -Tirar o aluno do anonimato -A auto-avaliação com processo contínuo -Não é auto-atribuição de conceitos Relevante – Levar o aluno refletir sobre o seu aprender – continuamente (processo) O professor deverá:. Nova avaliação – Nova forma de ensinar.Prestar -lhes atenção Garantir condições de auto-reflexão – Descobertas .Esse é desafio.Não à função burocrática Controle para: .Humildade para perceber o aluno.Conversar passo a passo. As múltiplas dimensões do olhar avaliativo .Contar histórias . . . 2º.Rumos Levar em conta a realidade – Influências . História – o Professor não reflete sobre os erros – corrige e dá as respostas corretas.Registrar maneiras de aprender e conviver. . Perguntar mais do que responder Avaliar – Essência questionar Na classificatória – Verificar Na mediadora . .Pontos de passagem .Testá-las .As soluções dos alunos. .Leitura investigativa .É importante refletir a cada passo Se classes numerosas impedem atendimento individual.Cada professor assume alguns alunos (conversas – compromisso – acompanhamento) . O cenário da avaliação Charlot – Educação – produção de si por si mesmo. . Professor precisa – Conhecer: Psicologia do desenvolvimento.provocação Prof e Alunos – Questionam-se -Buscam informações . é com sua ajuda. 1º.História – Reprovação – garantia “uma escola de qualidade” Cabe ao educador: .Resulta respeito – companheirismo “rigorosidade amorosa” – Paulo Freire . .Constroem conceitos .. Metas e objetivos Pontos de chegada .Refletir sobre os melhores caminhos.Registros confiáveis – não provas . • Com o aluno estrutura o pensamento.Este é o caminho para promover o seu aprender a aprender.Conversar. Para que? . – Temas transversais – interdisciplinaridade. Condições de aprendizagem definem condições de avaliação. pela mediação do outro. Lugar – Conhecer indivíduos e grupos. . . Lugar – Para planejar os próximos passos.Respeito à individualidade Avaliar para promover – Compromisso do professor.Interdisciplinaridade.Registrar obstáculos .Confrontá-las com os colegas. . • Professor precisa – Teorias da aprendizagem (Como aprende?).Resolvem .Fazer perguntas .Ajudar prosseguir no ritmo e interesse. .Ajustar o roteiro. .Apoiar – conversar – sugerir rumos. • Interesses dos alunos.Tutoria .Avaliação é sinônimo de controle. pode-se optar: cont.Reformular hipóteses .

problemas Avaliação e Mediação Compromisso do Educador – Mobilizar Piaget e Vygotsky – mediação – interação - Construção - Reconstrução Linguagem – é a mediação do pensamento. - Dinâmica da Avaliação – Complexa - Ação do Sujeito sobre os Objeto - Interação Social Avaliação mediadora Acompanhar a progressão do aluno Percursos de Aprendizagem – DL Respeitar: Princípios de:- Provisoriedade -Complementaridade Hoje ainda no ciclo –avaliação classifica ( é preciso superar). Mediando a mobilização Charlot – prefere o termo mobilização ao de motivação. Mobilização implica - por em movimento-Mobilização – de dentro. Motivação – de fora (Por algo ou alguém). Qual o papel do educador/ avaliador? Para Mediar a Mobilização manter-se: - Flexível – Atento - Crítico

- Propor sem delimitar – Questionar – Provocar - Não Antecipar respostas possíveis - Articular novas perguntas - Observar os estudantes Mediar a Mobilização significa: - Abrir espaço para encontros prof. / aluno, aluno /aluno em sala de aula - Planejar o tempo da descoberta - Espaços para conversas - Trocas de experiências -Expectativas do prof. (Classe) – Disciplina - Investigação (do Prof) permanente Um desafio – pode levar a sentimentos Mediar – Acompanhar o aluno em: Ação- Reflexão – Ação 1- Aprender 2 - Aprender a Aprender 3 -Aprender a conviver 4-Aprender a ser Professor deve: Otimizar espaços significativos Ampliar oportunidade interação com objetivo do conhecimento Diversificar Atividades Diferentes portadores de texto (Livros, Jornais, Televisão, Radio, museus).

cont. - Longitudinal, Gradativa, e Complementar. - Estudantes – Constroem saberes e valores através de experiências vividas. - Fazer Propostas: Diferentes - Oferecer ajuda - Articular as necessidades -Não discriminar - Valorizar o diferente sem considerá-lo melhor ou pior - Não estimular competição e egoísmo - Opor-se á avaliação classificatória Mediando a expressão do Conhecimento Ciclo – Aprendizagem que evolui continuamente. - Parte de Propostas mobilizadoras. - Traduzem expressões de sentido - Constrói –se pelo educando - É preciso – expressar o conhecimento construído Registros em avaliação mediadora É importante o registro para acompanhar a progressão da aprendizagem Para que os registros sejam bons e precisos é necessário -Ter clara sua finalidade - Que ajudem o prof. resgatar uma memória significativa. - Permitir analise do desenvolvimento do aluno.

Na Visão Classificatória - Número de páginas - Organização no papel - Itens de resposta - Normais de redação técnica, etc. Na Visão Mediadora: - Não existe preocupação com critérios definidos, precisos. - Instrumentos – pontos de partida. - Um questionário - Respostas inéditas, diferentes, imprevistas. - Perguntar, questionar o aluno para saber: O que ele sabe - Até onde - O jeito que ele está aprendendo Uma tarefa avaliativa bem elaborada: - Favorece a expressão própria das idéias.- Diferentes estratégias de soluções - Possibilita investigar hipóteses - Entender o raciocínio -Planejar com clareza e finalidade Cuidado na elaboração das tarefas -

cont. Não reproduzir frases de livros - Não Confundir a resposta do aluno Evitar Interdependências de itens. Revisão dos testes e tarefas Importante – Analise conjunta dos testes e tarefas feitas pelos profs. De cada série, disciplinas, curso, antes de entregar aos alunos. Dossiês – Portfólio – Relatórios O Significado do registro para os professores Toda experiência de registrar leva o prof: - Observar-Interpretar - Julgar seus pensamentos e ações e por isso é um avanço - Construir o processo lentamente refletindo a cada passo - Princípios atrelados a valores éticos, atrelados a nossa sensibilidade, ajudando o aluno a aprender a aprender.

EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDI0 (ENEM) EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDI0 (ENEM): FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICOMETODOLÓGICA Brasília: Ministério da Educação/ Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (MEC/lnep), 2005 (p. 11 a 53) Competências e habilidades: elementos para uma reflexão pedagógica Lino de Macedo O direito de todas as crianças percorrerem os ciclos que compõem a escola fundamental é uma conquista recente e importante. Está expresso, por exemplo, na Declaração dos Direitos Humanos 1948), no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), em nossa atual Constituição Brasileira (1988) e, mais recentemente, na Lei de Diretrizes e Bases Educação Nacional (1996). Com isso, pretende-se que a escola seja para os e que nela as crianças possam formar valores, normas e atitudes favoráveis à sua cidadania e dominarem competências e habilidades para o mundo trabalho e da vida social, nos termos em que hoje se expressam. Nem sempre a escola foi aberta para todos. Tínhamos antes, como ainda temos agora, uma escola da excelência que seleciona, orienta, ensina e certifica apenas as pessoas que conseguem realizar tarefas e que apresentam uma conduta condizente com o alto nível exigido por elas. Na escola para todos, por definição, as qualidades selecionadas e valorizadas na escola da excelência são referências ou qualidades desejadas, mas não definem o ponto de partida, nem a condição para a realização do percurso. Na escola para todos, podem entrar crianças com toda a sorte de limitações ou dificuldades. Seus pais, sua condição de vida, podem ter todas as

combinações ou formas de expressão, não importando se isso será favorável ou não ao trabalho escolar. Na escola para todos, as dificuldades em realizar o percurso é motivo de investigação das estratégias, que complementam o ensino no horário regular das aulas, de revisão das condições que dificultam o aproveitamento escolar das crianças. Vale insistir na distinção entre exercício e problema porque nas escolas e nos livros didáticos, problemas e exercícios são tratados como se fossem equivalentes. Exercício é o repetir, como meio para uma outra finalidade. Problema é o que surpreende nesse exercício, é o novo, o que supõe invenção, criatividade, astúcia. É certo, também, que, dependendo da forma como é proposto, o exercício pode configurar um problema. Um dos problemas mais difíceis hoje para os professores é o que se tem chamado de "gestão da sala de aula". Ou seja, a organização temporal e espacial das atividades, a seleção e manipulação dos materiais didáticos e a coordenação das atividades que dizem respeito aos alunos e professores, visando ao ensino e à aprendizagem. Os professores queixam-se de que os alunos não aprendem, fazem bagunça, são mal-educados, irreverentes. Queixam-se, também, da insuficiência de recursos para resolver esses problemas. Sentem-se impotentes e desamparados. Proponho que competência seja entendida de três modos, muito interessantes e comuns. Competência como condição prévia do sujeito, herdada ou adquirida. É comum definir competência como capacidade de um organismo. Saber respirar, mamar, por exemplo, são capacidades herdadas. Competência como condição do objeto, independente do sujeito que o utiliza. Refere-se 'à competência da máquina ou do objeto. Por exemplo, a competência ou habilidade de um motorista não tem relação direta com a potência de seu automóvel. Na escola, essa forma de competência está presente, por exemplo, quando julgamos um professor pela 'competência' do livro que adota, da escola em que leciona, do bairro onde mora. Competência relacional. Essa terceira forma de competência é interdependente, ou seja, não basta ser muito entendido em uma matéria, não basta possuir objetos potentes e adequados, pois o importante aqui é "como esses fatores interagem". A competência relacional expressa esse jogo de interações. É comum na escola um professor saber relatar bem um problema que está acontecendo em sala de aula, mas na própria aula não saber resolver situações relacionadas com a indisciplina, espaço ou tempo. necessariamente, pois se referem a dimensões diferentes e complementares de uma mesma realidade. A diferença entre competência e habilidade, em uma primeira aproximação, depende do recorte. Resolver problemas, por exemplo, é uma competência que supõe o domínio de várias habilidades. Calcular, ler, interpretar, tomar decisões, responder por escrito, etc., são exemplos de habilidades requeridas para a solução de problemas de aritmética. Mas, se saímos do contexto de problema e se consideremos a complexidade envolvida no desenvolvimento de cada uma dessas habilidades, podemos valorizá-Ias como competências que, por sua vez, requerem outras tantas habilidades. Para dizer de um outro modo, a competência é uma habilidade de ordem geral, enquanto a habilidade é uma competência de ordem particular, específica. Competência é o modo como fazemos convergir nossas necessidades e articulamos nossas habilidades em favor de um objetivo ou solução de um problema, que se expressa num desafio, não redutível às habilidades, nem às contingências em que certa competência é requerida. O construtivismo de Piaget não é um método, mas refere-se a três princípios metodológicos. Muitos métodos diferentes adotam princípios construtivistas. Autonomia como método pedagógico refere-se a permitir, despertar, favorecer, promover, valorizar, exercitar o poder de pensar da criança. O pensamento como uma possibilidade ou necessidade diferente da realização ou do aperfeiçoamento propriamente dito daquilo a respeito do qual se pensa. Ser autônomo não é ser independente. Ser autônomo é ser responsável pelo que se faz ou pensa. Autonomia não é sinônimo de independência, porque nenhum de nós é independente. Ser autônomo é ser responsável pelos próprios atos e pensamentos como método. Autonomia não é independência porque se expressa em um contexto relacional. A Autonomia é mais do que uma questão ética ou moral, é um princípio didático que supõe o desenvolvimento de uma competência para ensinar com essa qualidade construtiva. A aprendizagem significativa instaura novamente na escola uma condição fundamental de nossa busca de conhecimento. Essa condição é a do desejo, ou seja, do conhecimento como necessidade, algo que "falta ser", que ainda não é nos termos pretendidos ou aceitos pelo sujeito. No contexto da competência relacional, isso é interessante porque o desejo instaura-se como busca e como complementaridade. A busca supõe a devoção daquele que deseja. O construtivismo não se reduz a um método pedagógico em particular, ao menos na perspectiva de Piaget. Caracteriza-se por princípios ou propriedades que diferentes métodos podem ter. A disponibilidade para a aprendizagem, ou seja, a condição ativa, significativa, é uma dessas

Em Piaget. aquele que fala ou realiza algo muito discrepante ou sem sentido pode O problema. Há professores competentes. no nosso caso. é como sua participação. então. então. desencadeado por alguém ou alguma coisa que provoca uma cadeia de respostas ou realização de ações com duração e seqüências programadas. Há métodos competentes. Sem cooperação é muito difícil construir alguma coisa. Situação-problema como avaliação e como aprendizagem Lino de Macedo Uma das características importantes da noção de competência. Segundo Piaget. Os resultados são a culminação daquilo que foi decidido fazer ou produzir. no momento. dificulta. As situaçõesproblema propõem uma tarefa para a qual o sujeito deve mobilizar seus recursos ou esquemas decisões. e muitas vezes lamentamos. Em uma palavra. são competentes. aos obstáculos que um objeto exerce. Obstáculo refere-se à tomada de decisão do construtor ou do autor do item em propor conteúdos ou situações a serem decididos pelo aluno. Os meios e recursos em uma máquina expressam sua constituição física ou "sintática" parada para reagir. têm auto-estima. um conceito. melhor expressa nosso entendimento da questão. comparável ao de obstáculo seria o de "resistência" do objeto em face do movimento assimilativo do sujeito. Meirieu. pois. que formulam projetos e que dão sentido ao que se faz na escola. químicas. gostam de crianças. a consideremos em termos de obstáculos. são muito difíceis. etc. de algum modo. etc. a dificuldade é do aluno para responder à questão. Uma perturbação expressa o fato de que uma alteração foi assimilada como um problema. uma perturbação. formula julgamentos. propõe que. Dessa forma. reconhecendo o impasse. Os objetivos em uma máquina correspondem ao comando. Quanto maior a resistência. em seu instigante livro em que defende a situação-problema como forma de aprendizagem. sabem mobilizá-las. a interação caracteriza-se por trocas que podem gerar. uma tensão. o método pedagógico que promove a cooperação é mais construtivo do que um método que não a promove. O ser humano toma decisões. são instigantes. então é uma alteração que propõe um mínimo de perturbação. Na visão construtivista. Sabemos. sabem dar sentido às atividades propostas.). ou seja. caso contrário. por suas características (físicas. todos podem. ou. ao invés de analisarmos uma situação-problema pelo seu grau de dificuldade. sobre o sujeito. como mencionado. constrói. nem tanto. compromete-se com uma resposta. ou seja. Traduz a insuficiência dos nossos recursos para a resposta. para certos alunos. Há obstáculos que. cooperação. raciocínio. mas o que as coordena. ou seja. maior o desafio acomodativo proposto ao sujeito. que tenham níveis diferentes de obstáculo. pois implica valores. Não o que. enfrentar um dilema e decidir-se pelo que acha melhor. Convida-nos a prestar .propriedades. de natureza relacional. Para essa visão. Há outras formas de interação em que o interessante é o que afasta. ou. seria suficiente dar a resposta. na sua teoria da regulação. Tomar decisões é mais do que resolver um problema. correr riscos. obstáculo pode ser grande. como em termos de competência relacional. supõe a coordenação de valores que exigem tempo para sua construção. mais justo. se alguém me faz uma pergunta e eu sei a resposta e quero fornecê-la a quem me perguntou. essa qualidade de pensar de forma relacional supõe autonomia. Cria ou expressa uma insuficiência dos meios ou das informações. Assimilar uma alteração como um problema é se permitir envolver com a busca ou construção de uma resposta que. Em uma sala de a a. creio. A perturbação produz um desequilíbrio. pelo modo como a situação-problema foi proposta. A competência relaciona: é muito importante em uma visão construtivista do processo de aprendizagem escolar. médio ou pequeno. segundo Perrenoud. Resistência refere-se. pegar. pois não implica o trabalho de buscar soluções. resolver o problema colocado por ele) encontra resistência do objeto. estão comprometidos com seu trabalho. Alguns possuem características pessoais muito positivas. são envolventes. não interessa o que marca as diferenças. Mas. é desafiar o sujeito a mobilizar os recursos no contexto situação-problema para tomar decisões favoráveis ao seu objetivo ou metas. um sujeito ao se interessar por assimilar um objeto (olhar. O obstáculo é a decisão do construtor do item. mais condizente para e para a sociedade a que pertence. Há métodos de ensino que são envolventes. rompe com a harmonia do que o sujeito sabia ou pensava sobre um determinado assunto. o quanto em uma determinada situação não nos permitimos recorrer a tudo sabemos em favor de sua solução. etc. contribuir. por sua própria realização. O mesmo aplica-se a certos professores.

o autor propõe situações-problema para a reflexão dos professores a partir dos dados apresentados nos dois itens anteriores. Apesar de ter sido ultrapassada rapidamente pelo próprio desenvolvimento das ciências constituídas. como formuladas. Em tal sistema (positivista). Regulação expressa as formas de compensarmos uma perturbação. ele apenas disfarça a linearidade que pretendia ultrapassar. de uma reconstrução da unidade perdida. a Física. . Não obstante o fato de o círculo piagetiano ter características mais plausíveis do que as da hierarquia comteana. A possibilidade de um trabalho interdisciplinar fecundo depende do reconhecimento do que se refere à própria concepção de conhecimento. cujo pensamento permanece vigoroso e influente. com um mínimo de interação intencional e institucionalizada. por seu próprio nome. minimizar certas dificuldades renitentes na abordagem da interdisciplinaridade e que podem explicar. por exemplo. parte a natureza das relações estabelecidas entre esta disciplina e as demais. Parece-nos que uma questão central. Propostas para pensar sobre situações-problema a partir do Enem Lino de Macedo Neste item. os principais ramos da ciência constituindo uma série não-linear. "interdisciplinaridade" tem sido uma palavra-chave na discussão da forma de organização do trabalho escolar ou acadêmico. em seu Círculo das Ciências (Piaget. o esquema comteano é a fonte básica de inspiração. Na apresentação de sua Epistemologia Genética. 1978). corresponde também a um modo de agir em um contexto de regras. tem permanecido insuficientemente explorada quando se analisa a interdisciplinaridade: trata-se do fato de que toda organização disciplinar é resultante de uma reflexão mais abrangente. a Biologia e a Sociologia. da interação e da complementaridade nas ações. Regulação é o que fazemos para recuperar o equilíbrio rompido pela pergunta ou problema proposto. Finalmente. em parte. comparar. para suas implicações na vida "lá fora". pelo trabalho da reflexão e de tomada de decisão. que se estruturam de modo relativamente independente. mesmo originados em grupos que se debruçaram seriamente sobre o tema. "a primeira necessariamente o ponto de partida exclusivo e a última o fim único e essencial". para sua realização. Já há algum tempo. Consideremos. "das mais elementares atividades psicofisiológicas do sujeito aos mais altos pensamentos científicos". por exemplo. parafraseando Comte. Este aparente consenso não deve. a fazer ordenações. Considera. avaliação e. na estruturação curricular. seja para a produção da prova. então. poderíamos listar muitas regras a serem aplicadas e consideradas. especialmente relevante. envolvendo diferentes disciplinas. delimitando as possibilidades de um trabalho interdisciplinar. Naturalmente. ocorrido ou prenunciado no final do século 19. no interior de um sistema filosófico que prefigura. a melhor alternativa para uma questão significa realizar uma compensação perfeita. Interdisciplinaridade e contextuação Nílson José Machado Em sua forma paradigmática. observar. bem como de uma visão geral do modo pelo qual as disciplinas articulam-se. Piaget pretende fundar uma teoria do conhecimento científico que conduza. 1844). a efetuar cálculos. a organização do trabalho escolar nos diversos níveis de ensino baseia-se na constituição de disciplinas. cíclica. a Astronomia. Escolher. pois recupera o ciclo rompido pela perturbação provocada pela questão. internamente e entre si. A idéia de interdisciplinaridade tende a transformasse em bandeira aglutinadora na busca de uma visão sintética. no entanto. Regulação refere-se ao trabalho do sujeito em face de uma perturbação no contexto das interações provocadas pela situação-problema. a regulação. a Química. Nas palavras de Comte. fechada sobre si mesma. as seis ciências fundamentais seriam a Matemática. a concepção comteana da ordenação das Ciências (Comte. ao que tudo indica. de natureza epistemológica. resultados tão pouco expressivos nas ações docentes. ao privilegiar o papel da Matemática do modo como faz. reunir conhecimentos ou identificar coisas. a classificação comteana permanece sendo um referencial importante pelo menos por dois motivos: além de ser um exemplo bastante nítido do modo como a ordenação e a valorização das disciplinas são tributárias de um sistema filosófico. Tais disciplinas passam a constituir verdadeiros canais de comunicação entre a escola e a realidade. sobretudo. No caso da prova do Enem. da classificação proposta por Piaget.atenção nas informações dadas no enunciado.

portanto. uma característica das redes diretamente associada à idéia de interdisciplinaridade. que não seja de interesse apenas de "especialistas" em sentido estrito. isoladamente ou em conjunto. articulando-se as partes e esquemas do tipo "se A. pode ser estudado sem a compreensão do caráter essencial dessa heterogeneidade. quando se pensa na natureza disciplinar das mesmas. por mais desconcertante pareça a um olhar cartesiano. cristalizem certos percursos. No eixo multi/interdisciplinar. por meio do enriquecimento das relações entre elas. ou o permanente estado de atualização. Já no eixo intra/transdisciplinar. A "metamorfose". Almeja-se. então C" e assim por diante. a avaliação. os nós/significações que compõem a rede são constituídos por relações heterogêneas. em termos cognitivos.. a composição de um objeto comum. Talvez em conseqüência de uma associação entre a linearidade e o formalismo. determina o papel das disciplinas e organiza as ações docentes. que viria a influenciar profundamente todo o pensamento ocidental. do simples para a o complexo. De modo geral. tanto nas relações interdisciplinares quanto no interior das diversas disciplinas. com suas circunstâncias. Um significado nunca está definitivamente construído. A rede. mas centros de interesse.. a rede de significados não tem centro. contribuir decisivamente para a viabilização do necessário trabalho interdisciplinar. deve-se decompô-la. sendo a horizontalidade a característica básica das relações estabelecidas. onde as informações pudessem circular entre os diversos "nós" sem a necessidade de uma irradiação central. as unidades disciplinares são. implícita ou explicitamente. de uma teia de significações. muitas vezes. as próprias redes informáticas. Não são centos endógenos. subdividi-Ia em partes cada vez mais "simples". De fato. por meio dos objetos particulares de cada uma das disciplinas componentes. poderia. mantidas. Descartes propõe que. em múltiplos sentidos. O que se busca com isso é.A concepção de conhecimento costuma estar associada. é outra característica fundamental das redes.. a "idéias claras e distintas". a nosso ver. Na construção do conhecimento. procedimentos algorítmicos. Quase nada de relevante. para reconstituir o objeto de estudo. Depois a fragmentação. para compor uma imagem adequada dos processos cognitivos. sempre serão necessários disciplina. de 30 anos. visavam à construção de um sistema acentrado. pela imagem metafórica de uma rede. parece certo que existe uma ordem necessária para a apresentação dos diversos assuntos. sendo a ruptura da cadeia fatal para a aprendizagem. entendido a organização dos conteúdos curriculares sob a forma explícita ou disfarçada de teorias formais. é possível "entrar na rede" de significações que representa (e é representada) pelo conhecimento por múltiplas portas. quando foram criadas. o centro pode estar em qualquer parte. embora seja especialmente aguda no caso da Matemática. tanto no que se refere aos métodos quanto aos objetos. é muito difícil escapar-se de determinações resultantes da pressuposição da existência de uma ordem linear necessária para a apresentação dos conteúdos. que elege ou reconhece o centro de interesses e o transforma em instrumento para enredar maior de significações relevantes. a organização linear perpassa o conjunto das disciplinas escolares. Dependendo dos olhares e dos contextos. Quando se planeja o trabalho anual nas disciplinas. ou tem múltiplos centros. Como imagem para a representação do conhecimento. como o planejamento. Cada feixe envolve naturalmente relações que se situam no âmbito de diferentes disciplinas. o estabelecimento de uma intercomunicação efetiva entre as disciplinas. Conforme afirmamos inicialmente. de interesse. Nesse trabalho. no livro Discurso do Método. a escola será sempre um espaço propício ao trabalho disciplinar. a característica básica das relações estabeleci das é a vertical i- . É o professor juntamente com seus alunos. de modo geral. De modo geral. a uma imagem metafórica que. expressando passos necessários no caminho que se julga mais simples até o mais complexo. A característica mais marcante de tal organização é a fixação de uma cadeia linear de marcos temáticos que devem ser percorridos seqüencialmente. Uma concepção de conhecimento em que tais cadeias lineares sejam substituídas. tanto no interior de cada disciplina quanto no estabelecimento de relações diferentes disciplinas. até chegarse . com diferentes características. De modo algum a concepção do conhecimento como uma rede de significações implica a eliminação ou mesmo a diminuição da importância das disciplinas. não subestima o papel das disciplinas e. então B". "se B. em grande parte. Na verdade. ainda que tais elementos não bastem.. As redes de significações não têm um centro. ordenação. Destaquemos agora a "heterogeneidade". portanto. certos focos de atenção. o caminho é o encadeamento lógico. no limite. a interdisciplinaridade é hoje uma palavra-chave para a organização escolar. a imagem dominante para a construção do conhecimento está associada às idéias cartesianas apresentadas em 1637. Ainda livros didáticos. diante de uma grande dificuldade.

ou seja. tendo em vista o disposto no Art. Como as avaliações levam em consideração essencialmente a dimensão explícita. homologado pelo Senhor Ministro da Educação e do Desporto em 27 de março de 1998. Art. e esse conhecimento tácito é absolutamente fundamental para a sustentação daquele que se consegue explicitar. da solidariedade e do respeito ao bem comum. Na intradisciplinaridade. poderia situar-se de modo mais pertinente sob o signo da transdisciplinaridade.131. portanto. efetivamente. dos projetos das pessoas. expressos por meios lingüísticos ou lógico-matemáticos. todos os elementos subsidiários que necessariamente sustentam tais conteúdos. que o interprete e lhe atribua um significado. que orientarão as escolas brasileiras dos sistemas de ensino na organização. Ao pretender-se que todo conhecimento deve estar a serviço das pessoas. . RESOLUÇÃO CEB N° 2. Tal enraizamento na construção dos significados constitui-se por meio do aproveitamento e da incorporação de relações vivenciadas e valorizadas no contexto em que se originam. com seus anseios. permanecendo ao largo todas as motivações inconscientes. em cada pessoa. muito do que se busca por meio de rótulos como interdisciplinaridade. alínea "c" da Lei 9. como não poderia deixar de ser. as progressivas particularizações do objeto de uma disciplina dão origem a uma ou mais subdisciplinas. DE 7 DE ABRIL DE 1998 Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. RESOLVE: Art. em um movimento de complementação e compensação da progressiva fragmentação a que o desenvolvimento da Ciência tem sistematicamente conduzido. que não chegam verdadeiramente a deter uma autonomia nem no que se refere ao método nem quanto ao objeto. E assim como um dado nunca se transforma em informação se não houver uma pessoa que se interesse por ele. Assim. é necessário desenvolver-se estratégias de enraizamento de tais formas de manifestação nas componentes da dimensão tácita do conhecimento. com a diversidade de seus projetos. O deslocamento das atenções dos conteúdos disciplinares para as competências pessoais constitui um passo decisivo nesse sentido. Resolução CNE/CEB nO 02/98 Resolução CNE/CEB nO 02/98 . São as seguintes as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental: I . É preciso ir além das disciplinas. Na escola básica. 2° Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições doutrinárias sobre princípios. na trama de relações em que a realidade é tecida. desenvolvimento e avaliação de suas propostas pedagógicas. são examinados os conteúdos disciplinares. A função precípua da escola básica é a formação da cidadania e não a formação de especialistas em qualquer das disciplinas. todo o conhecimento do mundo não vale um tostão furado. de generalização. nenhum conhecimento deveria justificar-se como um fim em si mesmo: as pessoas é que contam. O que se busca. 10 A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. de seus interesses como cidadãos. continuamente alimentadas por elementos culturais de natureza diversa. muito do que se pretende instaurar na escola sob o rótulo da interdisciplinaridade. Os processos de avaliação centram as atenções. Sempre conhecemos. trata-se de uma contextuação. é fundamental. Normalmente. da responsabilidade. apenas na dimensão tácita do conhecimento. de 25 de novembro de 1995 e o Parecer CEB 4/98. articulação. portanto.Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. situando o conhecimento a serviço dos projetos das pessoas. ou mesmo transversalidade atende pelo nome de contextuação. a serem observadas na organização curricular das unidades escolares integrantes dos diversos sistemas de ensino. No caso da transdisciplinaridade. lingüística ou conscientemente. a constituição de um novo objeto dá-se em um movimento ascendente. expressas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. do conhecimento tácito que subjaz. 3°. uma reconfiguração dos instrumentos de avaliação.As escolas deverão estabelecer como norteadores de suas ações pedagógicas: Os princípios éticos da autonomia. em outras palavras. muito mais do que conseguimos expressar. fundamentos e procedimento da educação básica. Assim. buscando-se canais adequados para a emergência. transdisciplinaridade. 9° § 1°.dade. O Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. Art. sobre qualquer tema. se não estiver a serviço da inteligência. de seus projetos. é uma ampliação nos objetos e nos objetivos dos estudos.

de 20 de dezembro de 1996. 12 a 14 da Lei 9. escolar .as linguagens. III . Ciências 5. para que haja condições favoráveis à adoção. VI . Educação Artística 9. devem contribuir para a constituição de identidade afirmativas. Língua Portuguesa 2. às suas famílias e às comunidades.Ao definir suas propostas pedagógicas. VII .o meio ambiente 8. propiciando. V. para populações indígenas e migrantes 3. de maneira a legitimar a unidade e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional. de maneira específica. estarão também constituindo sua identidade como cidadãos. professores e demais participantes do contexto escolar. Educação Física 10.a ciência e a tecnologia 3.o trabalho 9. na forma dos arts.As escolas devem trabalhar em clima de cooperação entre a direção e as equipes docentes. As escolas deverão explicitar em suas propostas curriculares processos de ensino voltado para as relações com sua comunidade local. as diversas experiências de vida de alunos. Língua Materna. da criatividade e da diversidade de manifestações artísticas e culturais. em conseqüência das relações entre as distintas identidades dos vários participantes do contexto escolarizado. solidárias e autônomas em relação a si próprios.Em todas as escolas deverá ser garantida a igualdade de acesso para alunos a uma base nacional comum. Art.As escolas utilizarão a parte diversificada de suas propostas curriculares para enriquecer e complementar a base nacional comum. Educação Religiosa..a vida familiar e social 7. as escolas deverão explicitar o reconhecimento da identidade pessoal de alunos. os alunos. ULYSES DE OLIVEIRA PANISSET Presidente da Câmara de Educação Básica Edgar Morin: Os sete saberes necessários à educação Os sete saberes necessários à educação do futuro Edgar Morin Publicado no Boletim da SEMTEC-MEC Informativo Eletrônico da Secretaria de Educação Média e Tecnológica – Ano 1 – Número 4 – junho/julho de 2000 Introdução Os sete saberes necessários à educação do futuro não têm nenhum programa educativo. II . em consequência do uso adequado do espaço físico. IV . persistentes e capazes de protagonizar ações autônomas e solidárias em relação a conhecimentos e valores indispensáveis à vida cidadã. execução. c) os princípios estéticos da sensibilidade. visando à interação entre a educação fundamental e a vida cidadã.a saúde 5. A base comum nacional e sua parte diversificada deverão integrar-se em torno do paradigma curricular. História 7.394. avaliação e aperfeiçoamento das estratégias educacionais.a sexualidade 6. na forma do art. Língua Estrangeira 8. 33 da Lei 9. b) as áreas de conhecimento: 1. Geografia 6.Os princípios dos-Direitos e Deveres da Cidadania. de 20 de dezembro de 1996. do horário e calendário escolares. que vise a estabelecer a relação entre a eàucação fundamental e: a) a vida cidadã através da articulação entre vários dos seus aspectos como: 4.a cultura 4. capazes de serem protagonistas de ações responsáveis.As escolas deverão reconhecer que as aprendizagens são constituídas pela interação dos processos de conhecimento com os de linguagem e os afetivos. Matemática 4.394. professores e outros profissionais e a identidade de cada unidade escolar e de seus respectivos sistemas de ensino. expressas atraves de múltiplas formas de diálogo. a introdução de projetos e atividades do interesse de suas comunidades. 4° Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. regional e planetária.do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática. ao aprenderem os conhecimentos e valores da base nacional comum e da parte diversificada.

Ao examinarmos as crenças do passado. o problema do conhecimento não deve ser um problema restrito aos filósofos. Foi preciso muito tempo para que essas idéias pudessem ser aceitas. E toda tradução comporta o risco de erro. as idéias adquirem consistência como os deuses nas religiões.ou universitário. na minha opinião. Este problema se apresenta de uma maneira perceptível e muito evidente. Mesmo quando pensamos em vinte anos atrás. a partir do momento em que se desencadeou a guerra. concluímos que a maioria contém erros e ilusões. devem ser colocados no centro das preocupações sobre a formação dos jovens. enfim. reconstruções. o conhecimento. Nós sabemos que não seguimos a linha do que está escrito. porque não . futuros cidadãos. E sabemos que os maiores problemas neste caso são o erro e a ilusão. Na realidade. de fato. subestimados ou fragmentados nos programas educativos. Tomemos um exemplo um pouco distante de nós: os debates sobre a Primeira Guerra Mundial. Como dizem os italianos "tradotore/traditore". Aliás. eram contrários à guerra que se anunciava. nem no ensino universitário. seguida de uma reconstrução. completamente ignorados. No plano histórico há erros. pois. mas. A partir deste exemplo. traduções da realidade.Uma época em que a França e a Alemanha tinham partidos socialistas fortes. nem no secundário. porque as traduções e as reconstruções são também um risco de erro e muitas vezes o maior erro é pensar que a idéia é a realidade. podemos constatar com os eventos trágicos do Oriente Médio a mesma maneira de tratar a informação. Por exemplo: se tenho uma alucinação e vejo Napoleão ou Júlio César. o DNA (ácido desoxirribonucléico). pois à distância. não estão concentrados no primário. por exemplo. temos percepções. o cérebro não realiza o registro e termina por atribuir uma dimensão idêntica para todas as pessoas. se me permitem o jogo de palavras. nossos olhos saltam de uma palavra para outra e reconstroem o conjunto de uma maneira quase alucinatória. são julgadas como um desvio patológico e são taxadas como ridículas. transformar aquela informação primeira em percepção. o ensino fornece conhecimento. e que. Portanto. Cada um prefere camuflar a parte que lhe é desvantajosa para colocar em relevo a parte criminosa do outro. Aquelas que não estão dentro desta norma. O Conhecimento O primeiro buraco negro diz respeito ao conhecimento. surpreenderam e escandalizaram a maioria dos biólogos. na realidade. As versões e as visões do acidente são completamente diferentes. Programas esses que. evidentemente. é o nosso espírito que colabora com o que nós lemos. Até nos processos de leitura isto acontece. massivamente a uma campanha de propaganda. Quando Watson e Crick decodificaram a estrutura do código genético. decodificados. histéricos. O mesmo acontece. mas sabemos que estão aí e nos impõem uma visão segundo as suas incidências. nunca se ensina o que é. transportados a um outro código. ou seja. São os outros que vão me dizer se o que vejo é verdade ou não. que não são consideradas normais. mas abordam problemas específicos para cada um desses níveis. sociais e de origem. Lenin dizia: "os fatos são teimosos. Outras causas de erro são as diferenças culturais. Hoje. Quero dizer com isso que estamos sempre ameaçados pela alucinação. Mesmo no fenômeno da percepção. E não reconhecemos os erros porque deslizamos neles. podemos concluir que a percepção é uma reconstrução. Cada um pensa que suas idéias são as mais evidentes e esse pensamento leva a idéias normativas. Assim como os raios ultravioletas e infravermelhos que nós não vemos. Tomemos um outro exemplo de percepção constante: a imagem do ponto de vista da retina. Isso não ocorre somente no domínio das grandes religiões ou das ideologias políticas. que transita pelo nervo ótico. podemos constatar como erramos e nos iludimos sobre o mundo e a realidade. É um problema de todos e cada um deve levá-lo em conta desde muito cedo e explorar as possibilidades de erro para ter condições de ver a realidade. não há nada que me diga que estou enganado. atravessa várias partes do cérebro para. E tomar a idéia como algo real é confundir o mapa com o terreno. potentes e muito pacifistas. As pessoas que estão próximas parecem muito maiores do que aquelas que estão mais distantes. através do qual os olhos recebem estímulos luminosos que são transformados. Isto durou até o fim da guerra. Portanto. O conhecimento é sempre uma tradução. Mas. Neste momento. quando há um acidente de carro. os dois partidos se lançaram. Porém. Eles dizem respeito aos setes buracos negros da educação. E por que isso é tão importante? Porque o conhecimento nunca é um reflexo ou espelho da realidade. principalmente pela emoção e pelo fato das pessoas estarem em ângulos diferentes. Naturalmente. mas também das ciências. apesar de sua fundamental importância. às vezes. fornece saberes. exceto o fato de saber que eles estão mortos. que jamais imaginavam que isto poderia ser transcrito em moléculas químicas. cada um imputando ao outro os atos mais ignóbeis. Também sabemos que não há nenhuma diferença intrínseca entre uma percepção e uma alucinação. as idéias são ainda mais teimosas do que os fatos e resistem aos fatos durante muito tempo". É algo que nos envolve e nos domina a ponto de nos levar a matar ou morrer.

em primeiro lugar. como o Kosovo. faz com que o fator econômico tenha a ver com o humano. também. Um certo número de agrupamentos disciplinares vai favorecer esta convergência. ao mesmo tempo em que o ser humano é múltiplo. Eu acredito ser possível a convergência entre todas as ciências e a identidade humana. pelo encontro de três núcleos de hélio que se constituíram em moléculas e neuromoléculas na terra. E é essa capacidade que deve ser estimulada e desenvolvida pelo ensino. seres desenvolvidos sem os quais a sociedade não existe. ele é parte de uma unidade. acabamos com a espécie. as ciências da terra nos inscrevem neste planeta formado por fragmentos cósmicos. é preciso ensinar a unidade dos três destinos. à qual pertencemos. um dos termos gera o outro e um se encontra no outro. Resta saber como estes fragmentos reunidos e aglomerados puderam criar uma tal organização. mas como indivíduos somos. Sua estrutura mental faz parte da complexidade humana. mas ao mesmo tempo a espécie é em nós e depende de nós. temos a sociedade como parte de nós. Portanto. O Conhecimento Pertinente O segundo buraco negro é que não ensinamos as condições de um conhecimento pertinente. houve uma revolução científica.existe receita milagrosa. Quando há um problema na bolsa. mas a realidade humana é indecifrável. Nós somos de uma espécie. mostrar que. reagrupando as disciplinas em ciências pluridisciplinares. Somos indivíduos de uma sociedade e fazemos parte de uma espécie. como o sentimento. É necessário mostrar que ele gerou a vida. à sociedade. alguns aspectos psicológicos em Psicologia. porque somos indivíduos. o desejo. Quando sonhamos com nossa identidade. tem um poder muito fraco e erra muitas vezes nas suas previsões. A sociedade só vive com essas interações. A realidade humana é trinitária. acaba esquecendo os aspectos humanos. cada um. atualmente. Nós seguimos. nos prova como trazemos dentro de nós. com a teoria da evolução. isto é. Os acidentes locais têm repercussão sobre o conjunto e as ações do conjunto sobre os acidentes locais. É necessário dizer que não é a quantidade de informações. Portanto. freqüentemente. devemos pensar que temos partículas que nasceram no despertar do universo. Se nos recusamos a nos relacionar sexualmente com um parceiro de outro sexo. na segunda metade do século XX. Mas isto não significa que seja necessário conhecer somente uma parte da realidade. Por isso. a paixão. E o importante é que somos uma parte da sociedade. o medo. e que. O que existe entre as disciplinas é invisível e as conexões entre elas também são invisíveis. Por outro lado. É evidente que as disciplinas de toda ordem ajudaram o avanço do conhecimento e são insubstituíveis. É importante. o ensino por disciplina. à mitologia. É necessário reconhecer que. Isso foi comprovado depois da guerra do Iraque. resultados de uma explosão de sóis anteriores. as ciências da terra. a ecologia e a pré-história. ou . Portanto. a de ligar as partes ao todo e o todo às partes. O contexto tem necessidade. impede a capacidade natural que o espírito tem de contextualizar. a contextualização dos conhecimentos históricos e geográficos. Essa realidade social é multidimensional e o econômico é apenas uma dimensão dessa sociedade. nem a sofisticação em Matemática que podem dar sozinhas um conhecimento pertinente. atualmente. o processo de desenvolvimento da primeira célula vivente. É preciso ter uma visão capaz de situar o conjunto. ao mesmo tempo em que fazemos parte de uma sociedade. o temor. E o conhecimento. de um conhecimento que não mutila o seu objeto. efetivamente. o relacionamento entre indivíduo-sociedadeespécie é como a trindade divina. uma auto-organização. o Timor ou a Serra Leoa. ligando-se. não entenderemos nada. a mais sofisticada. Portanto. uma parte da espécie. há a cosmologia. deve se referir ao global. Podemos perceber alguns aspectos do homem biológico em Biologia. da guerra da Iugoslávia e. assim. porque está ensinando de modo a privilegiar o cálculo. um mundo formado pelo ensino disciplinar. ele mesmo. Com isso. nem conhecer o todo sem conhecer as partes". é necessário contextualizar todos os dados. mas sim a capacidade de colocar o conhecimento no contexto. cada vez que aparecer um acontecimento novo que nos fizer descobrir uma região desconhecida. pode ser verificado com o conflito do Oriente Médio. de seu próprio contexto. que é das ciências humanas. A economia. quando as ações despencam. É curioso que nossa identidade seja completamente ignorada pelos programas de instrução. por exemplo. já no século XVII: "não se pode conhecer as partes sem conhecer o todo. Somos todos filhos do cosmos. à psicologia. aparece um fator totalmente irracional que é o pânico. e a nós somos. a mais avançada. um fragmento da sociedade e da espécie Homo sapiens. Temos átomos de carbono que se formaram em sóis anteriores ao nosso. pois desde o nosso nascimento a cultura nos imprime. fragmentado e dividido. A Identidade Humana O terceiro aspecto é a identidade humana. Assim. filhos da vida. Pascal dizia. mas nos transformamos em estranhos através de nosso conhecimento e de nossa cultura. Mas. para nos dar este planeta. Se não houver. A biologia. que se multiplicou e se diversificou.

por exemplo. o ciúme. choram". o histórico e o concreto das relações humanas com uma força extraordinária. E a literatura tem a vantagem de refletir sobre a complexidade do ser humano e sobre a quantidade incrível de seus sonhos. mas saber o significado da dor. Por isso. mas também prosaicamente e se a prosa não existisse. Elas não devem ser consideradas como secundárias e não essenciais. O que significa compreender? A palavra compreender vem do latim. então. mas também pelo jogo. ela comporta uma parte de empatia e identificação. vivemos em função de mitos e crenças. a doença. ou vemos a diversidade das culturas e não vemos a unidade do ser humano. ressaltando a noção de homo sapiens. Não só as crianças. ensinando-nos a vê-los por um outro prisma. como na filosofia de Heráclito: "Despertados. o amor. paixões e desejos. Há. mal percebemos o que se passa ao . É isto que permite a verdadeira comunicação humana. gangsteres. assassinos e ditadores. A vida não deve ser uma prosa que se faça por obrigação. pois diante da realidade tão complexa. nesse mundo de paixões em que o amor é o cúmulo da loucura e da sabedoria.vemos a unidade do gênero e esquecemos a diversidade das culturas e dos indivíduos. Por isso vemos partidas de futebol. Outro aspecto da incompreensão é a indiferença. Os dois tinham razão. Na verdade. isto está se agravando. no entusiasmo. A grande inimiga da compreensão é a falta de preocupação em ensiná-la. Mas isso nos permite entender a nossa realidade. Não vivemos só em função do interesse econômico. que desenvolve o egocentrismo. A redução do outro. isto é. a visão unilateral e a falta de percepção sobre a complexidade humana são os grandes empecilhos da compreensão. mas modulados de acordo com a educação. que é. não ter somente um elemento de explicação. nossos pais. Estamos adormecidos. Enfim o homem é prosaico e poético. Nós somos Homo ludens. Estamos vivendo numa sociedade individualista. compreendere. então. Charlie Chaplin. por este lado. ou seja. quando Voltaire disse: "os chineses são iguais a nós. Temos que entender que todos esses elementos são necessários para entender que a vida não é aprendida somente nas ciências formais. a ambição. Heigerfeld fez uma observação sobre uma jovem surda-muda de nascença que ria. é preciso compreender a compaixão. nossa diversidade e singularidade. A literatura é para os adolescentes uma escola de vida e um meio para se adquirir conhecimentos. que favorece o sentido de responsabilidade individual. A poesia nos ensina a qualidade poética da vida. nossos parentes. estudos demonstram que o feto começa a sorrir no ventre da mãe. Podemos. sensibilizou platéias inteiras com o personagem do vagabundo.. E. Como dizia Hölderling: "O homem habita poeticamente na terra. Talvez porque não saiba o que o espera depois. o pensador alemão. Chegamos. porque. o homo mitologicus. os espetáculos da natureza: o céu de Brasília que é tão bonito. compreender a complexidade humana através da literatura. O que faz com que se compreenda alguém que chora. o dinheiro. têm paixões. sorrir. A vida é viver poeticamente na paixão. o homem racional e fazedor de ferramentas. louco e está entre o delírio e o equilíbrio. Nunca se ensina sobre como compreender uns aos outros. ao mesmo tempo. são inatos. já que o individualismo ganha um espaço cada vez maior. é claro. também. além de Homo economicus. os elementos culturais da nossa diversidade. afirmou: "entre uma cultura e outra não há comunicação. na realidade. Atualmente. não são atos aprendidos ao longo da educação. como também os adultos gostam de jogar. consequentemente. No teatro. O homem não se define somente pelo trabalho. Esse problema vem causando polêmicas desde o século XVIII. aborda o meio social. Podemos dizer que as telenovelas também nos falam sobre problemas fundamentais do homem. Como. por exemplo. apesar de despertos. Na realidade. pois transforma em heróis os invisíveis sociais. E Herbart. que significa sofrer junto.. No cinema. como compreender nossos vizinhos. eles dormem". mas diversos. A literatura. que popularizou os chefes da Máfia com "O Chefão". mas na realidade essas duas verdades têm que ser articuladas. As ciências sociais vêem categorias e não indivíduos sujeitos a emoções. não é analisar as lágrimas no microscópio. chorar. Mas a compreensão humana vai além disso. ao ensino da literatura e da poesia. o familiar. como nos grandes romances de Tolstoi. Para que isso aconteça. temos a complexidade dos personagens de Shakspeare: reis. Outro exemplo é Coppola. ao contrário. chorava e sorria. é interessante abordar o cinema. devemos fazer convergir todas as disciplinas conhecidas para a identidade e para a condição humana. que os intelectuais tanto acusam de alienante. Nós temos os elementos genéticos da nossa diversidade e. que quer dizer: colocar junto todos os elementos de explicação. o cinema é uma arte que nos ensina a superar a indiferença. da emoção. a morte. É preciso lembrar que rir. o egoísmo e que. essa qualidade que nós sentimos diante de fatos da realidade. os seres são diferentes". não poderíamos desfrutar da poesia". por exemplo. alimenta a auto-justificação e a rejeição ao próximo. A Compreensão Humana O quarto aspecto é sobre a compreensão humana.

a exemplo do mundo vegetal e o mundo animal. não existe determinismo do progresso. O homem vem de uma dessas ramificações e conseguiu chegar à consciência e à inteligência. na verdade no século XVI com a colonização da América e a interligação de toda a humanidade. pois o mundo está cada vez mais devastado pela incompreensão. A Condição Planetária O sexto aspecto é a condição planetária. . A aventura humana não é previsível. As duas guerras mundiais destruíram muito na primeira metade do século XX. Eurípides dizia no fim de três de suas tragédias que: "os deuses nos causam grandes surpresas. É necessário ensinar que não é suficiente reduzir a um só a complexidade dos problemas importantes do planeta. é importante este quarto ponto: compreender não só os outros como a si mesmo. atualmente a ciência tem abandonado determinados elementos mecânicos para assimilar o jogo entre certeza e incerteza. Por isso. A história humana está repleta de exemplos dessa natureza. O inesperado aconteceu e acontecerá. o austro-húngaro e o soviético. sobretudo na história. As previsões não foram concretizadas. ou a ecologia. baseadas nos exemplos dos turbilhões de Born. Analisando retroativamente a história da vida. a degradação da vida planetária. Somente agora se admite que não se conhece o destino da aventura humana. Assim tem acontecido em todas as etapas da história. Esse fenômeno que estamos vivendo hoje. Ainda que haja uma tomada de consciência de todos esses problemas. portanto. na verdade. a quantidade de informação que não conseguimos processar e organizar. a aceleração histórica. desencadeando influências múltiplas que podem desviá-la até para o sentido oposto ao intencionado. É necessário tomar consciência de que as futuras decisões devem ser tomadas contando com o risco do erro e estabelecer estratégias que possam ser corrigidas no processo da ação. A Incerteza O quinto aspecto é a incerteza. é esta a dificuldade. É necessário mostrar em todos os domínios. por exemplo. dada a aceleração e a complexidade do mundo. mas acabou provocando o começo de sua própria desagregação e implosão. sobretudo na era da globalização no século XX – que começou. de analisar a auto-justificação. que é o câncer do relacionamento entre os seres humanos. constata-se que ela não foi linear. faz-se necessário ressaltar. porque não temos futuro e não temos certeza nenhuma do futuro. Os processos físicos.500 anos. neste momento. como a demografia. um destino comum para todos os seres humanos. fazemos parte desse processo. desapareceram. que nós esquecemos sempre. Por isso. mas o imprevisto não é totalmente desconhecido. mas não somos a meta da evolução. pressupõem variações que nos levam à desordem caótica ou à criação de uma nova organização. a partir dos imprevistos e das informações que se tem. Mas. Essa incerteza é uma incitação à coragem. Os espíritos. não é o esperado que chega e sim o inesperado que nos acontece".nosso redor. como nas teorias sobre a incerteza de Prigogine. É a velha idéia de 2. como a gravitação de Newton e o eletromagnetismo. Este ponto é importante porque existe. Isto nos demonstra a necessidade de ensinar o que chamamos de ecologia da ação: a atitude que se toma quando uma ação é desencadeada e escapa ao desejo e às intenções daquele que a provocou. ensinar-se somente as certezas. é quase impossível. é um outro aspecto que o ensino ainda não tocou. Três grandes impérios da época. É necessária uma certa distância em relação ao imediato para podermos compreendê-lo. que pretendeu reformar o sistema político da União Soviética. faz-se urgente a construção de uma consciência planetária. o romano-otomano. O crescimento da ameaça letal se expande em vez de diminuir: a ameaça nuclear. o surgimento do inesperado. ou a bomba atômica. ou a escassez de alimentos. E. Os problemas estão todos amarrados uns aos outros. O mais evidente no final do século XX foi o projeto político de Gorbatchev. marcada por catástrofes. Apesar de. que não teve uma evolução de baixo para cima. têm que ser fortes e armados para enfrentarem essa incerteza e não se desencorajarem. A história da vida foi. nas escolas. da microfísica às ciências humanas. a necessidade de se auto-examinar. assim como outros também. As ciências mantêm diálogos entre dados hipotéticos e outros dados que parecem mais prováveis. atualmente. a ameaça ecológica. ela é tímida e não conduziu ainda a nenhuma decisão efetiva. em que tudo está conectado. A evolução segundo Darwin foi uma evolução composta de ramificações. assim como o planeta e seus problemas.

Na minha opinião. A democracia permite aos cidadãos exercerem suas responsabilidades através do voto. consolidando a preparação para o exercício da cidadania e preparação básica para o trabalho.DCNEM . ao mesmo tempo. a ética e a autonomia pessoal (as nossas responsabilidades pessoais). talvez.Os fundamentos ao interesse social.organização curricular . fundamentos e procedimentos a serem observados na organização pedagógica e curricular de cada unidade escolar integrante dos diversos sistemas de ensino. Mas sabemos que vivemos em uma época de regressão democrática. Na verdade. de respeito ao bem comum e a ordem democrática. . como os Médicos Sem Fronteiras. começa a se desenvolver uma ética do gênero humano. Devemos conscientizar a todos sobre essas causas tão importantes. pois o poder tecnológico agrava cada vez mais os problemas econômicos.Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. unido e fragmentado. como a ameaça ecológica. os laços de solidariedade humana. Somente assim é possível fazer com que o poder circule. sobretudo. a meteorologia). Não existe. Cabe ao ser humano desenvolver. democracia absoluta. pois compartilhamos um destino comum. para que se transforme a concepção fragmentada e dividida do mundo. como o desencadeamento dos nacionalismos acentuados pelas religiões. terá a chance de controlar. a nossa participação no gênero humano. além de desenvolver a participação social (as responsabilidades sociais). para que possamos superar esse estado de caos e começar. É preciso mostrar que a humanidade vive agora uma comunidade de destino comum. Ela é sempre incompleta. vinculando a educação com o mundo do trabalho e a pratica social. tolerância recíproca. Algo como uma trindade em que as terminações são ligadas: a antropo-ética. a organização do currículo e das situações de ensino e aprendizagem e os procedimentos de . a ética do ser humano está se desenvolvendo através das associações nãogovernamentais. porque os problemas da moral e da ética diferem a depender da cultura e da natureza humana.conjunto de definições doutrinárias. ou seja. políticas ou de Estados nacionais. a civilizar a terra. a Aliança pelo Mundo Solidário e tantas outras que trabalham acima de entidades religiosas. Essa visão fragmentada faz com que os problemas permaneçam invisíveis para muitos. os perigos de vida e morte para a humanidade. para que o indivíduo possa exercer sua responsabilidade. um exercício de controle. 2 . por exemplo. não temos que destruir disciplinas.Daqui para frente. de forma que aquele que foi uma vez controlado.valores da LDB 9394/96. as ciências da terra (a sismologia. por princípio. o Greenpeace. Seremos capazes de civilizar a terra e fazer com que ela se torne uma verdadeira pátria? Estes são os sete saberes necessários ao ensino.E. Por outro lado. RESOLUÇÃO CEB N° 3/98 (pARECER 15/98 CNE . porque a democracia permite uma relação indivíduo-sociedade e nela o cidadão deve se sentir solidário e responsável. A antropo-ética tem um lado social que não tem sentido se não for na democracia. Existe um aspecto individual. diria de espécie. Porque a democracia é. é importante orientar e guiar essa tomada de consciência social que leva à cidadania. ao mesmo tempo. que impede a visão total da realidade. sobre princípios. como a ameaça da arma nuclear. evidentemente. E hoje que o planeta já está. assistindo aos países ou às nações que estão sendo ameaçadas ou em graves conflitos. mas sim integrá-las. Penso que tudo deva estar integrado para permitir uma mudança de pensamento. a vulcanologia. A Antropo-ética O último aspecto é o que vou chamar de antropo-ético. E não digo isso para modificar programas. outro social e outro genético. todas elas articuladas em uma concepção sistêmica da terra. MÉDIO) Definição . pois estamos falando do destino da humanidade. aos direitos e deveres do cidadão.os que fortalecem aos vínculos de família. Resolução CNE/CEB nO 03/98 Resolução CNE/CEB nO 03/98 . principalmente para muitos governantes. 1 . existem. reuni-las em uma ciência como.

ESTRUTURADORES DO CURRICULO DO ENSINO MÉDIO 1. curiosidade.finalidades do Ensino Médio: 1. trabalhar a afetividade do aluno. diversificações de programas a partir da base comum 3.didaticamente solidárias .Ética da identidade . 2. protagonismo.avaliação deverão ser coerentes com: 1 . o público e o privado.compreensão do significado das ciências. metodologias de ensino diversificado. 3 .organização institucional que: a. instituição de Sistemas de Avaliação ou Sistemas operados pelo MEC 4. c) interações entre as disciplinas (recortes de conhecimento) para compreensão mais ampla da realidade. Identidades que busquem e pratiquem a igualdade de acesso aos bens sociais e culturais. estimulando a criatividade o espírito inventivo. várias possibilidades pedagógicas de organização. 2 . 2 .desenvolvimento da capacidade de aprender e continuar aprendendo autonomia intelectual e pensamento critico. afetividade. Sem burocracia e rituais das instancias centrais. . social e afetiva mais grado) e) responsabilidade da escola constituição de identidade. das artes. conteúdos escolares: não são fins em si mesmos.proposta pedagógica Conteúdos e formas de tratamento dos conteúdos. linguagens são indispensáveis para a constituição de conhecimentos e competências. a capacidade de analisar. parcerias entre instituições públicas e privadas 2. solidariedade. transformação da sociedade e da cultura especialmente a do Brasil. das letras. b) desenvolver no aluno. combate a todas as formas discriminatórias. . mas meios básicos para competências cognitiva ou sociais. jovens e adultos.CONTEXTUALIZAÇÃO a) Transposição didática . PP . exercício de liberdade responsável. Mecanismos de participação da comunidade. 3 . a delicadeza. . criação de mecanismos necessários ao fomento e fortalecimento da capacidade de formular e executar propostas pedagógicas.direitos humanos.iniciativa das escolas . conviver com a diversidade valorizar a sutileza. explicar e prever e intervir áreas de conhecimento gradas para o estudo de problemas comuns ou concretos projetos de investigação e ação. c. 4. constituição de identidades para conviver com o incerto e o imprevisível. 4 . Identidade.escola de adolescentes. 5. INTERDISCIPLINARIDADE: a) todo conhecimento mantém um diálogo permanente com outros conhecimentos.A estética da sensibilidade .domínio dos princípios e fundamentos científico tecnológico ORGANIZAÇÃO DOS CURRICULOS 1. d) disciplinas . 3 . cultura da responsabilidade pelos resultados 2. b. 3. diversidade e autonomia. identidade própria .relacionando com prática e a experiência dos alunos para ter .desenvolvimento dos alunos ( intelectual. identidades sensíveis e igualitárias.protagonisrno de todos.substitui a repetição e padronização. 6. Direitos e deveres na cidadania. humanismo contemporâneo.A política da igualdade .Constituição de significados socialmente construídos e reconhecidos sobre o mundo físico e natural e a realidade social e política.superar dicotomias entre o mundo da moral e da matéria.

Ciências Humanas e suas tecnologias. os saberes curriculares. Assim. se constituindo. Entretanto. p. Lessard e Lahaye (1991) esses saberes formam um conjunto de representações a partir dos quais os professores orientam sua profissão. os saberes da formação profissional e os saberes da experiência. sendo por ela validado. os saberes adquiridos através da experiência profissional constituem os fundamentos de sua competência. cidadania). Desse modo. por assim dizer. O saber da experiência também é um ’saber plural’. BASE NACIONAL COMUM . a deficiência de um determinado saber necessário para a solução de uma determinada situação. . os professores comumente utilizam: os saberes das disciplinas. Tardif. com os quais o corpo docente mantém diferentes relações”. p. Códigos e suas tecnologias. adquiridos e exigidos no âmbito da prática profissional. Não descartam. aproveitados no profissionalizante. mas o próprio centro de gravidade da competência profissional dos docentes. 218) nos mostram que “a relação dos docentes com os saberes não se reduz a uma função de transmissão dos conhecimentos já constituídos. também. . Lessard e Lahaye (1991) constitui. Esta pluridimensionalidade do ‘saber profissional’ dos professores é referendada por Tardif e Gauthier (1996.M e educação profissional. essa mescla de saberes. os saberes da experiência que possibilitam suprir em alguns casos. possivelmente.base nacional comum na parte diversificada (preparação para trabalho) . TARDIF – SABERES DOCENTES E FORMAÇÃO PROFISSIONAL Enquanto para Gauthier et al (1998) os saberes da experiência são feitos de pressupostos e de argumentos não verificados por meio de método científico.As propostas pedagógicas das escolas deverão assegurar tratamento interdisciplinar e contextualizado para: Educação Física e Arte como componentes curriculares obrigatórios. Desta forma. é importante que possamos conhecer os saberes da prática ou da experiência dos professores.M. afirmam os autores. a cultura docente em ação. pois eles nos fornecerão pistas necessárias para entender como os professores produzem o contexto de seu trabalho pedagógico. consideram que os saberes construídos na prática dos professores são ‘saberes emergentes’. 11). Os autores aqui indicados mostram a importância dos diversos ‘saberes dos professores’. (pois) é através deles que os professores julgam sua formação anterior ou sua formação ao longo da carreira” . c) Aplicação dos conhecimentos adquiridos na escola. eles se referem aos saberes produzidos pelos professores no trabalho cotidiano. complementam os autores citados. Conhecimentos de Filosofia e Sociologia necessários ao exercício da cidadania. os quais precisam ser publicizados para que possam adquirir validade acadêmica. como também aos saberes que os alunos já trazem quando chegam a um curso de formação inicial Segundo Tardif e Gauthier (1996). para Tardif. Lessard e Lahaye (1991.ÁREAS DE CONHECIMENTO . as situações de vida cotidiana e experiência espontânea. (pois) sua prática integra diferentes saberes. para dar conta dos objetivos traçados.poderá haver articulação entre E. Para Pimenta (1999). O que caracteriza o saber da experiência ou ‘saber prático’ é o fato de se originar da prática cotidiana da profissão. os saberes da experiência não constituem um grupo de saberes entre outros.Ciências da Natureza.situações mais próximas e familiares dos alunos (trabalho. p. Lessard e Lahaye (1991. . para quem “o saber docente é um saber composto de vários saberes oriundos de fontes diferentes e produzidos em contextos institucionais e profissionais variados”. . 227) afirmam que “para os professores. os saberes da experiência são definidos como um conjunto de saberes atualizados. b) Relação entre teoria e prática . Sob este aspecto. 25% dos estudos do E. pois são formados de todos os outros saberes e retraduzidos e submetidos às certezas originadas da prática e da vivência no contexto real profissional. matemática e suas tecnologias.não haverá: dissociação entre formação geral e preparação básica para o trabalho ( não formação profissional) . Porém.Linguagens. Tardif. para Tardif. OS SABERES NECESSÁRIOS À PRÁTICA DO PROFESSOR .significado. o que é necessário saber para ensinar.

onde o mesmo associa que. é um livro que mesmo apresentando uma linguagem não tão simples. habilidades. competitividade e cidadania na sociedade moderna Juan Carlos Tedesco. da dosagem e da maneira aplicada. TEDESCO TEDESCO O novo pacto educativo: educação.Enfim. (Madri. mobilizando diferentes teorias. dando a oportunidade. quanto ao seu papel em relação à educação e em relação à sociedade e anuncia. o autor se posiciona em relação ao ensino privado e ao ensino público. 2ª ed. formou-se inicialmente em ciências da educação. com intensidade. Por isso. com toda estas mudanças. Contreras é membro dos Conselhos de Redação das revistas Investigación em la Escuela (Universidade de Sevilha). 1999). Contreras discute a autonomia dos professores. nascido na Argentina em 1944.Este trata-se de um livro. 1990. então. da revista eletrônica Heuresis (Universidade de Cádiz) e da seção em língua espanhola da revista eletrônica Education Policy Analysis Archives (Arizona State University). Curriculum y Profesorado. revelando. o ‘saber-fazer’ e o saber da experiência. A AUTONOMIA DE PROFESSORES . a importância e pertinência do tema para a reflexão dos educadores brasileiros. uma realidade vivida. dependendo. o mercado de trabalho passou a ficar mais exigente. de Tedesco mostrar as vantagens de um em relação ao outro. Na apresentação à edição brasileira da obra A autonomia de professores. mas por vários ‘saberes’ de diferentes matizes. neste meio. por exemplo. Escreveu as seguintes obras: Enseñanza. no Departamento de Didática e Organização Educacional. jovens e adultos. 1997. unicamente. José José Contreras Domingo formou-se em Ciências da Educação na Universidade Complutense de Madri e tornou-se Doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Málaga. III . de diferentes origens. atua na Universidade de Barcelona. cujos mesmos apresentam seus lados positivos e negativos. proveniente de pesquisas bibliográficas e opiniões do autor quanto a própria visão sobre a "revolução" de que sofremos hoje. Introducción Crítica a la Didáctica. II PARTE Na obra em questão. escritor e diretor do escritório regional de Buenos Aires do Instituto Internacional de Planejamento da Educação (órgão da UNESCO que discute rumos educacionais). ter-se-á um empregado melhor preparado. é capaz de orientar certos pensamentos e reflexões. portanto. (Barcelona.. Em 1976 ingressou na UNESCO como especialista em política educacional. Dentre as várias atividades desempenhadas neste ramo. Aprofunda o significado de autonomia. o ‘saber profissional’ dos professores é constituído não por um ‘saber específico’. 2ª ed. aí incluídos. Desde 1992. que acredita na parceria professores/sociedade unindo esforços em busca da conquista de sua autonomia conjunta. também. as concepções educativas aí defendidas e o papel desempenhado pelos professores em cada circunstância. metodologias. assim. como certos tópicos conseguem atrapalhar e ajudar.O livro retrata os dias de hoje na educação. uma vez que após grandes evoluções adquirimos grandes desafios.Entendemos que o professor é um profissional que detém saberes de variadas matizes sobre a educação e tem como função principal educar crianças. conforme os múltiplos sentidos que o termo assume em diversos contextos. já na introdução. 1994). responsáveis por conduzir o processo ensino-aprendizagem na nova sociedade da informação e do conhecimento. de forma objetiva. precisam agir de forma diferenciada. 1996) e La Autonomia Del Profesorado (Madri. Percebe-se. Temps d’Educació (Universidade de Barcelona). o ‘saber profissional’ que orienta a atividade do professor insere-se na multiplicidade própria do trabalho dos profissionais que atuam em diferentes situações e que. proporcionando uma obra cujo destinatário maior seja profissionais da educação com a preocupação em conhecer as mudanças mais significativas neste meio. muitas vezes. Ressalta. hoje é um dos maiores especialistas em educação. Universitat Oberta de Catalunya. socialização e democracia. Utiliza-se de uma linguagem bem científica porém retratando.Em um importante e considerável debate. Selma Garrido Pimenta traça um rápido panorama do contexto social neoliberal no país e faz uma breve análise da trajetória profissional dos docentes. em decorrência das novas tecnologias à educação. Indica que. onde foi professor de 1983 a 1992. que dizem respeito a educação num todo. Models d’investigació a l’aula ( em co-autoria com Angel Pérez Gómez y Félix Ângulo Rasco). a crise gerada através da popularização de aparelhos de TV. Dessa forma.CONTRERAS. inclusive em relação ao que os empregadores desejam desta nova geração. e frisando valores do tipo família.

Na última parte. entre outros. tem-se a impressão de que o professor é a parte mais fraca nas relações de poder e que. sendo tão rica em conteúdo. de acentuação. Esse é um recurso interessante para manter vivo o raciocínio sobre o encadeamento do tema. Fernández Enguita. Em um primeiro momento. entre os quais citamse: Smyth. é que o professor instigue a discussão. Abriu caminhos para novas pesquisas. faz um breve resumo deste e do conteúdo abordado no capítulo I. Um grande desafio proposto na obra “A autonomia de professores” refere-se aos modelos de participação pública na definição do currículo da escola. uma vez que a obra. ao encerrar o capítulo II. Depois. apontando o resumo do percurso já trilhado. o autor explicita o significado de autonomia em sentido amplo. por parte dos professores. Contreras não está só nesta empreitada teórica. o docente começará a refletir sobre o sentido de suas práticas e sobre a necessidade de se construir criticamente um novo trabalho intelectual a serviço da transformação social. Por outro lado.A obra está dividida em três partes. em um primeiro momento. merece esta lapidação. proposto pelo autor. Percebe-se que é necessário proceder a uma outra revisão do texto. PARTE VI Falar sobre a autonomia docente demanda conhecimento do tema e ousadia. Stenhouse. Contreras apresenta os três modelos tradicionais dessa profissionalidade – o professor como técnico. na sala de aula. Especialmente. contribuindo para a conscientização da família sobre esta responsabilidade compartilhada e nunca solitária. e. na obra. sobre a autonomia de professores (p. da pedagogia e dos cursos de pós-graduação. por isso. ao explicitar as competências profissionais e debate social. dialoga com o leitor. debatendo e. Hargreaves. PARTE IV Como era de se esperar. o ensino como uma profissão de caráter reflexivo e o papel do professor como intelectual crítico – com o objetivo de analisar as várias faces da autonomia em cada uma delas. torna-se leitura obrigatória para estudantes das licenciaturas. didaticamente retoma capítulos anteriores. Contreras ressalta ser fundamental considerarem-se não só as condições pessoais do professor. Outro exercício imprescindível. para analisar a temática da autonomia. Contreras transita com segurança entre a sua idéia e as várias convergências e divergências com os aludidos autores. Gimeno. e como esses fatores influenciam a construção da autonomia profissional docente. Bernstein. pois. Seja a abordagem de Stenhouse sobre o professor pesquisador ou Schön defendendo a perspectiva do professor reflexivo. nas escolas públicas. por outro lado. como também as condições estruturais e políticas em que a escola e a sociedade interagem. nas reuniões pedagógicas e nos conselhos de escola. assim. Nesse sentido. não vai ser modificada a situação. alertando sobre a importância de se equilibrarem necessidades e condições de trabalho docente. Este é o ponto de partida para a emancipação pessoal e coletiva da sociedade. Contreras conseguiu discorrer sobre a autonomia de professores com muita sabedoria e visão crítica. o autor aborda o profissionalismo no ensino e analisa o debate sobre a proletarização do professor. Elucidou dúvidas. serve como estímulo para que os professores se organizem. há um fator que pode dificultar a leitura do livro: os muitos erros de concordância. 212). Busca a contribuição de vários teóricos da educação. Por exemplo. Schön. De qualquer forma . Assim. ao contrário. denunciou armadilhas e anunciou possibilidades de desfazê-las. Popkewitz. as diferentes maneiras de compreender o que significa ser profissional e as ambigüidades e contradições escondidas na construção da profissionalidade. este contraste não apequenou a discussão. Gadamer. Proposta Curricular da SEE/SP “Educar é nossa maior Rebeldia” 2008 Proposta Curricular da Secretaria Estadual de Educação – São Paulo Visa atender às necessidades de APRENDIZAGEM dos alunos e AJUDAR . de regência. Na segunda parte. PARTE V Nesse percurso. sobre o novo sentido político que orientará as suas ações. À medida que o autor vai desenvolvendo suas idéias. Esse modelo requer um exercício constante. sobretudo. Apple. os pais têm delegado à equipe escolar a competência de se definir o melhor currículo para seus filhos.

aptidão específica. 8º do Ensino Fundamental e 3º série do ensino médio). habilidade. Uma Educação à Altura dos desafios Contemporâneos Sociedade do Século XXI é cada vez mais caracterizada pelo uso intenso do CONHECIMENTO (sociedade produto da Revolução Tecnológica). Redução de 50% nas taxas de reprovação (8º série).professores e escolas. Apresentação: Proposta Curricular pretende apoiar o trabalho nas escolas e contribuir para melhorar a qualidade da aprendizagem do aluno. do estímulo a vida cultural da escola e do fortalecimento de suas relações com a comunidade. Deve ser definida com AUTONOMIA pela escola. HABILIDADES – capacidade intelectual geral. Implantação de programas de recuperação de aprendizagem nas séries finais (2º. Define a escola como espaço de cultura e de articulação de competências e conteúdos disciplinares. Redução de 50% nas taxas de reprovação (ensino médio). Aumento de 10% nos índices de desempenho do Ensino Fundamental e Médio nas avaliações externas. 4º. pensamento criativo ou produtivo. É uma ação relacionada a um plano político para a educação oferecida pelo sistema estadual. Priorizar a COMPETÊNCIA de leitura e escrita. CONTEÚDO – aquilo que se contém nalguma coisa/compreensão. APRENDIZAGEM – é o resultado da coordenação de ações entre as disciplinas. . COMPETÊNCIA – qualidade de quem é capaz de apreciar e resolver certo assunto. desde que dentro das regras/limites dos Sistemas de Ensino (Plano Curricular) Lema da Escola: “Os alunos tem o direito de aprender” Objetivos do Governo Das 10 metas estabelecidas pela SEE/SP. 4 tem relação direta com a melhoria do aprendizado do aluno. fazer determinada coisa: capacidade. Duas iniciativas complementares levantamento do acervo documental e Pedagógico processo de consulta as escolas (trocar boas experiências educacionais) Base é a “Sociedade do Conhecimento” Tornar a escola apta para preparar o aluno para os novos tempos.

Temos que desenvolver: autonomia para gerenciar a própria aprendizagem (aprender a aprender). Currículo Como Espaço De Cultura. conhecimento é coletivo e maior que a soma dos conhecimentos individuais e qualitativamente diferentes. Nossa civilização reduz distâncias (acesso à informação) e acentua diferenças culturais. ou ao conhecimento Princípios Centrais da Proposta Curricular Escola Que Aprende. Diferencial é a “Qualidade da Educação” para: 1) desenvolver o pensamento autônomo. CURRÍCULO – matérias constante em um curso II . com valorização de características COGNITIVAS e AFETIVAS. COGNITIVO – relativo a cognição. reflexão e prática compartilhada fazem parte de uma escola à altura dos tempos atuais. De escola que ENSINA. Só a Educação de Qualidade para todos pode evitar que essas diferenças constituem mais um fator de exclusão. diploma não é mais um diferencial. I – Escola Que Também Aprende Tecnologia imprime um ritmo sem precedentes no acúmulo de conhecimento. . Competências Como Eixo De Aprendizagem. Conhecimento é associado a um inalcançável saber. nos transformamos em escola que APRENDE a ENSINAR. Contextualização Do Mundo Do Trabalho. capacidade de TRABALHO EM GRUPO. 2) “Ofício do Aluno” é aprender. Prioridade Da Competência De Leitura E Da Escrita. Capacidade de aprender deve ser trabalhada não apenas no aluno.Nova Exclusão (acesso à tecnologia de comunicação hoje mediam acesso ao conhecimento e aos bens culturais. Formar uma “Comunidade Aprendente” Construção Coletiva da Proposta Pedagógica.Currículo Como Espaço De Cultura Cultura é associada à folclore. COOPERAÇÃO. Com mais gente estudando. divertimento e lazer. Articulação Das Competências Para Aprender. (aprender a fazer e a conviver). mas também na própria escola e nos docentes. Princípio – ninguém conhece tudo. sociais e econômicas.

Para acompanhar tal contexto a competência de leitura e escrita nessa proposta vai além da linguagem verbal. Tem que indicar o que o aluno vai aprender / Significa democratizar a escola. COMBINATÓRIO. Atividade extraclasse não são EXTRACURRICULAR. e refere-se a sistema simbólico. afetivos e sociais de que os alunos dispõem. raciocinar e interagir. Na nossa sociedade. Linguagens são SISTEMAS SIMBÓLICOS. o conhecimento se torna um prazer. entre gerações. 2) significa aceitar a promoção de cada disciplina articulada as competências e habilidades do aluno. os recursos cognitivos. III – As Competências como Referência Currículo que promove competências 1) tem o compromisso de articular as disciplinas e as atividades escolares. do ativo cultural da humanidade. conteúdos das disciplinas e as metodologias para o ensino e aprendizagem. Competências são modos de ser. Em cada uma dessas áreas a linguagem é essencial. Escrita amplia o poder de comunicação – inclui pessoas longes no tempo e no espaço. artística e humanística. professor – características pessoais e profissionais e a qualidade de sua mediação. (recortamos e representamos o nosso exterior). É preciso tratar diferente os desiguais para garantir a base comum. Escola com vida cultural ativa. seja artístico e literário. São alunos entre 11 e 18 anos – desenvolver competência é ponderar aspectos curriculares e docentes. seja científico e tecnológico. IV – Prioridade para a Competência da Leitura e Escrita Ser . desenhos e etc).humano é um ser de linguagem daí decorre o resto. Romper a dicotomia CULTURA e CONHECIMENTO é a forma de conectar o currículo à vida. É na adolescência que: “a linguagem adquire qualidade para compreender e agir sobre o mundo real” Na escola que ocorre a transmissão. fotografias. as linguagens e os códigos se multiplicam (gráficos. histórico e social. transposta para uma situação de aprendizagem e ensino. PROBABILÍSTICO que permita estabelecer HIPÓTESES. diagramas. Tríade sobre competência e Habilidade adolescente – característica de sua ação e pensamento. . A transição da cultura do Ensino para a cultura do Aprendizado é coletivo. Direito Básico (na Lei) de adquirir conjunto básico de competência.É PRECISO ACABAR COM ESSA DICOTOMIA Currículo é a expressão de tudo que existe na cultura científica. Essa competência visa desenvolver pensamento ANTECIPATÓRIO. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação – nº 9394/96) deslocou o foco do ensino para a aprendizagem.

da produção tecnológica e das manifestações artísticas. permite formular projeto de vida e tecer sonhos de transformação do mundo.Objetivo é a centralidade da linguagem no desenvolvimento da criança e do adolescente. Escrever Expressar sua construção ou reconstrução com sentido. Mas a Competência é VITAL – permite continuar aprendendo COMPETÊNCIAS PARA APRENDER (referência no ENEM) “Dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemáticas.” Ler Modo de compreender. mas sim Qualidade de Aprendizagem. ADOLESCENTE – falar. artísticas e científicas. por isso é o objetivo de todos e de responsabilidade de todos os professores. relacionar. CRIANÇA –falar. interpretar dados e informações representadas de diferentes formas. é possível calcular hipóteses. Escola prepara o aluno para viver na sociedade da informação. sem ter que fazê-la. Por sua centralidade essa Proposta Curricular prioriza a COMPETÊNCIA de Leitura e Escrita. organizar. Vários conteúdos legitimam ação do Sistema de Ensino. chave para acesso as informações. LINGUAGEM : – é uma forma de compreensão e ação sobre o mundo. pensar e sentir como compreensão (compreender). assimilar experiências ou conteúdos. de processos histórico-geográficos. Domínio da Língua conquista AUTONOMIA. Conteúdos também são importantes. pensar e agir como forma de linguagem. Escola NÃO é única detentora da informação e do conhecimento. para tomar decisões e enfrentar situações-problemas” . Novas tecnologias da informação produzem mudanças na produção. aluno por aluno. Não se exige mais Quantidade de Ensino. 3)“Selecionar.” l Ler Interpretar (atribuir sentido ou significado) Escrever Assumir autoria individual ou coletiva (tornar-se responsável) 2) “Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais. É essencial para o aprendizado de todas as áreas disciplinares.

alunos precisam construir as competências para reconhecer. 4)“Relacionar informações representadas em diferentes formas. informar-se. mas com regras e responsabilidade. tomar decisão. . Ex: Química – considerada prática / nada mais teórico do que a tabela periódica / Também serve para ajudar entender e decidir sobre uso dos alimentos (agrotóxicos. identificar e ter visão crítica do conhecimento. arte ou áreas do conhecimento? 3) Quais as grandes polêmicas nas várias disciplinas ou áreas de conhecimento? A relação entre teoria e prática em cada disciplina do Currículo Relação teoria e prática envolvem algo observável. ensino básico – “significado das ciências. comparar e etc Escrever Dominar os códigos. RESPEITAR E PROPOR PROJETOS VALIOSOS PARA TODA A SOCIEDADE. NA REALIZAÇÃO DE PROJETOS ESCOLARES ALUNOS APRENDEM A CRITICAR. para construir argumentação consistente” Ler Capacidade de escutar. supor. Ex: História – considerada teórica / nada é mais prático que entender a origem da cidade e as razões da configuração urbana. 5)“Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaborar propostas de intervenção solidária na realidade. apreender e partilhar a cultura. conservantes e etc) A relação entre educação e tecnologia LDB – educação tecnológica é uma diretriz. Compreender o sentido é reconhecer. prático. dentro de alguns valores. Teoria e Prática em cada disciplina (em Lei). reconstruir argumentos. LDB – não objetiva formar especialistas. e conhecimentos disponíveis em situações concretas. respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sóciocultural” Ler Antecipar uma intervenção. VI – Articulação Com O Mundo Do Trabalho Tópicos do Conjunto Legal Normativo: Contextualização – LDB 9394/96 / Diretrizes Curriculares Nacionais / recomendação dos PCN´s do Ensino Médio. Escrever Dominar os muitos formatos que a solução do problema comporta.Ler Antecipar ação para intervir no fenômeno e resolver os problemas. tem fundamento ou inspiração nessa ciência. nem profissionais. levantar hipóteses. relacionar-se. das mais simples as mais complexas. com liberdade. Escrever Plano para intervenção. das artes e das letras” 1) Que limitações e potências têm os enfoques próprios das áreas? 2) Que práticas humanas.

Pressupõe que disciplinas do currículo do Ensino Médio não sejam apenas propedêuticas nem tampouco voltadas estreitamente para o vestibular. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação e aperfeiçoamento posteriores. pode ser realizada em disciplinas de formação básica do Ensino Médio com mais carga horária de disciplina que melhor prepare para o curso profissional de nível técnico escolhido. A Área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias A presença das Ciências da Natureza na Sociedade contemporânea Estão presentes sob muitas formas: Na cultura e na vida em sociedade. Abre possibilidades do Sistema de Ensino ou escolas tenham ênfases curriculares diferentes. para continuar aprendendo. O contexto do trabalho no Ensino Médio Ensino desvinculado da prática (separou formação geral e profissional no Brasil). LDB – acompanha as mudanças na organização do trabalho Finalidade do Ensino Médio: “preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando. Aprender a conviver em um mundo com forte presença da tecnologia. Lei 5692/71 – descaracterizou a formação geral sem ganhos profissionais. Ex: tarja magnética. permitindo o aproveitamento do estudo já realizado. do cosmos. Tecnologia é a chave para relacionar currículo ao mundo da produção de bens e serviços. Na agropecuária. com autonomia para eleger as disciplinas específicas e suas cargas horárias dentro das 3 grandes áreas instituídas pela DCN. Na investigação dos materiais. Preparação básica para o trabalho em determinada área profissional.“Compreensão dos fundamentos científicos dos processos produtivos” No final do Ensino Básico o aluno deve adquirir as COMPETÊNCIAS como o ‘domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. são incorporados a vida independente de sua condição sócio-econômica.” A lei não recupera a formação profissional e também não chancela o caráter apenas propedêutico. celular. código de barra. . na medicina. desde que garanta a presença das 3 áreas. onde o primeiro encarrega-se das COMPETÊNCIAS básicas. das substâncias.’ Tecnologia com duas acepções: a) Educação Tecnológica Básica Alfabetização tecnológica. Ligar a produção de bens e serviços necessários para viver. b) Como compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos da produção Compreensão de fundamentos científicos e tecnológicos da produção. Flexibilização da duração dos cursos técnicos. Trata-se de entender o que vem a ser a preparação básica para o trabalho (DCN). Associam-se a técnicas nos: Setores de produção e de serviços. da vida. Preparação básica para o trabalho – aprendizagem de conteúdos disciplinares que sejam também pré-requisitos da formação profissional. Entender tecnologias da história humana. Articulação dos currículos de formação geral e profissional.

É necessária uma alfabetização científico-tecnológico Ex: ph 4. no setor financeiro. Ensino Médio Maior aprofundamento conceitual com 3 disciplinas (Biologia. por exemplo.5 – ácido / quilowatt hora / caloria / joule / converter unidades Jovens que concluem o Ensino Básico devem saber se expressar e se comunicar com as linguagens da ciência e fazer uso de seus conhecimentos 2) A Aprendizagem na Área das Ciências da Natureza na Educação Básica Disciplinas são campos de investigação e de sistematização dos conhecimentos (transitam pelo mesmo objeto). Ciências da Natureza Tem também dimensão filosófica. o princípio da conservação de energia se aplica ao vôo de um colibri ou a emissão de luz por um átomo. comunicação e etc. para propiciar tomada de decisões. Seriação: Ensino Fundamental II – está integrado em uma única disciplina (Ciências) 5º e 6º séries – ênfase na realidade do aluno. na comunicação e informação. mas também tem Simplicidade. Competências gerais • Representar. Nos armamentos e aparelhos domésticos. LDB – Campos de Competência Competência de Linguagem. Desenvolvimento científico-tecnológico transforma a prática social como com a expansão da telefonia celular e a rede mundial de computadores. Física e Química tem métodos próprios e conceitos. Nos transportes. 7º e 8º séries – mais abrangente (comportamento / biosfera / percepção cósmica) É possível identificar muitas tecnologias presentes na produção industrial. Ciências da Natureza é uma área que organiza a aprendizagem. Ciências da Natureza tem interface com as Ciências Humanas (períodos históricos / disputas internacionais) Ciências da Natureza tem interface com Linguagem e Códigos (conceito e domínio das linguagens – ex: “grãos transgênicos”) Ensino Médio deve promover conhecimento científico-tecnológico. Biologia. pois permite conjecturar sobre a origem e o sentido do cosmos São as bases conceituais para intervenção prática que pode ser destrutiva (tecnologia bélica) ou de valores humanos (critérios para interpretar a humanidade). Tem grande Beleza. pois amplia a visão de mundo (Genética / Moléculas / elementos químicosComplexo). Também é um recurso pedagógico – aprendizagem disciplinar não tem um sentido autônomo. . métodos e procedimentos comuns.Na indústria. Física e Química). Nem sempre se estabelecem fronteiras nítidas entre as disciplinas. Reunião de disciplinas na mesma área se deve a essas fronteiras. na agropecuária. Organização curricular mais detalhada. Princípio científico-tecnológico que preside a produção moderna.

ESCREVER e CONTAR PCN propõe 3 grandes áreas: Linguagens –Língua Portuguesa. Competências gerais • Estabelecer conexões e dar contexto.• Comunicar-se. Habilidades Gerais e específicas • Formular questões. Nessa Proposta Curricular será tratado dessa maneira. Química. • Fazer e verificar hipóteses.Função Tríplice da Escola LER. gráficos. • Analisar o papel da ciência e da tecnologia no presente e ao longo da História Qualificação Pessoal e não ilustração cultural A Matemática e as áreas de conhecimento Em todas as épocas e culturas a matemática e a linguagem materna fazer parte dos componentes básicos curriculares. • Converter uma linguagem em outra. • Identificar dimensões sociais. • Sistematizar dados. • Diagnosticar e enfrentar problemas. Competências Gerais • Investigar e intervir em situações reais. Tempos Antigos . • Estabelecer relações. Matemática incluída nas Ciências Naturais (PCN). • Planejar e fazer entrevistas. Habilidades gerais e específica • Relacionar informações e processos com seus contextos e com diversas áreas de conhecimento. • Elaborar relatórios. Biologia e Matemática / EM. • Descrever situações. Educação Física e Artes. • Interpretar. • Selecionar variáveis. Por que uma área específica de Matemática? . • Registrar medidas e observações. Ciências Naturais e Matemáticas – Física. Em São Paulo. éticas e estéticas em questões técnicas e científicas. • Trabalhar em grupo. tabelas e fórmulas. propor e fazer experimentos. Habilidades gerais e específicas • Ler e se expressar com textos. Ciências Humanas – História e Geografia / Filosofia (no Ensino Médio). Individualmente ou em equipe. Língua Estrangeira. • Realizar observações. cifras. Debates acalorados sobre: Matemática incluída nas linguagens. • Argumentar. desde 1986 a Matemática é uma área específica. • Conviver. ícones. • Participar de reuniões.

Apesar disso não podemos reduzir uma a outra. O Ser . sem significação prática é substituído por conteúdos e atividades que possibilitem interação do aluno com sua sociedade e ao meio-ambiente. Língua Estrangeira Moderna (LEM).. . na busca da transformação da informação em conhecimento. interprete. Trabalha-se primeiro a construção do conhecimento lingüística / musical / corporal / gestual / imagens / espaço / forma. da Filosofia e da Religião só foram possíveis graças a linguagem. confronte opiniões e pontos de vista. Apropriação do Conhecimento ocorre com a CONTEXTUALIZAÇÃO Contextualização Sincrônica – analisa o objeto em seu tempo. Esse processo exige que o aluno analise. Arte e Educação Física no Ensino Básico PCN 2006 – linguagem é a capacidade humana de articular significados coletivos em sistemas arbitrários de representação.. de caráter complementar. Contextualização Diacrônica – analisa o objeto através do tempo (em outro tempo). Língua Estrangeira – servir para comunicar. respeitando as diversas manifestações de linguagens utilizadas por diversos grupos sociais. em sua esfera de socialização. movimento e intencionalidade. Visa uma exploração mais adequada de suas possibilidades de servir outras áreas A Área de Linguagens. Contextualização Interativa – relaciona o objeto com o universo específico do leitor. relacione textos. Existe uma diferença entre a precisão da língua e da matemática Segunda Razão Incorporar a área de Ciências pode distorcer o fato de a matemática constituir conhecimento específico da educação básica Terceira Razão Facilita a incorporação crítica dos inúmeros recurso tecnológicos de que dispomos. da Ciência. Contextualização remete a reflexão sobre INTERTEXTUALIDADE e INTERDISCIPLINARIDADE Como cada objeto se relaciona / Como o mesmo objeto é tratado em diferentes linguagens A Construção do Conhecimento Humano e o desenvolvimento das Artes. Ensino da Arte – tem que trazer reflexão e informação Não pode se abandonar – o eixo de produção (eixo poético) o eixo da recepção (eixo estético) o eixo da crítica Educação Física – estão indissociáveis corpo. Significa entender os princípios das tecnologias da comunicação e da informação. Experiência escolar se transforma em VIVÊNCIA que permite ao aluno compreender as diferentes linguagens. Conhecimento da natureza é enciclopédico.Primeira Razão Compõe com a língua materna um par fundamental. Linguagem e símbolos são meios para o conhecimento.humano é um ser da linguagem. Códigos e suas tecnologias Compreende Língua Portuguesa. Razão do ato da linguagem é a produção de sentido. É a manipulação adequada e criativa desse patrimônio cultural que possibilita as inovações e as invenções humanas e o contínuo caminhar da sociedade.

alunos. aplicação e avaliação. . a atividade ou tarefa. • Num modelo em que a aula se configura como um microssistema definido por determinados espaços. O Estudo da humanidade até século XIX formou “dos cristãos dos colégios jesuítas. forma de distribuir o tempo e um determinado uso de recursos didáticos. Estuda sereshumanos e suas múltiplas relações fundamentadas por meio da articulação entre estes diversos saberes. ou seja. ela tem um antes e um depois: o planejamento e a avaliação dos processos educacionais. • Dentro de um modelo de percepção da realidade da aula. A prática educativa–Como ensinar O argumento deste livro consiste em uma atuação profissional baseada no pensamento prático. pesquisa. • Tradições metodológicas. certos recursos didáticos.) têm como elementos indicador as atividades. um debate. planejamento. que permitem a avaliação sob uma perspectiva processual. que configuram os campos de conhecimento das Ciências Humanas. e alunos.. teremos que delimitar a unidade de análise que representa este processo. incluindo as fases de planejamento. • Ao momento em que se produzem os processos educacionais. do cidadão das Luzes e do Republicano dos Liceus Modernos. cujas diversas variáveis apresentam estabilidade e diferenciação: relações interativas professor-aluno. onde estão estreitamente vinculados o planejamento. . Ciências Humanas devem desenvolver compreensão do significado de identidade. um critério avaliador. ZABALA. uma leitura. qualificação) até o método de projetos (escolha do tema. distribuição de tempo e de espaço. Atualidade compreende: História / Geografia / Filosofia / Sociologia / Psicologia além de Política / Antropologia / Economia. mas com capacidade reflexiva e que necessitamos de meios teóricos para que a análise da prática seja verdadeiramente reflexiva. Por exemplo: uma exposição. é preciso ampliar esta unidade elementar e identificar como nova unidade de análise. Na Idade Média pela Tradição Cristã (Literatura era Sacra ou Profana (caráter laico da humanidade).Desde o modelo aula magistral ( com a seqüência: apontamentos ou manual. da sociedade e da cultura. uma organização social. uma organização grupal. prova. numa interação entre todos os elementos. que só adquirem personalidade diferencial conforme sua . Analisar a relação do homem com a natureza. Conjunto desta ciência permite ao jovem estudante: Compreender as relações entre sociedades diferentes. determinados conteúdos de aprendizagem. uma pesquisa bibliográfica. Refletir sobre ações e contradições da sociedade em relação a si próprio e ao ambiente. certas relações interativas.. • Meios e condições físicas existentes. Analisar problemas da sociedade. as seqüências de atividades ou seqüências didáticas. • Parâmetros institucionais e organizados. Antoni . possibilidades reais dos professores.Atividades ou tarefas → unidade básica do processo de ensino/aprendizagem. porém algumas “humanidades” remontam à artes liberais antigas. .” Primeira metade do século XX Ciências Humanas se consolidam como conhecimento científico através da: Fenomenologia / Estruturalismo / Marxismo. a aplicação e a avaliação. No Renascimento se perpétua da condição anterior .Atividades ou tarefas são insuficientes para proporcionar uma análise dos diferentes estilos pedagógicos.A Área de Ciências Humanas e suas tecnologias Toda ciência é humana.

• Aprendizagem dos conteúdos atuais:. conceitos. . . dados e fenômenos concretos e singulares. como na concepção global do processo de ensino/aprendizagem. sempre está associado a conteúdos de outra natureza. situações. • Zonas de desenvolvimento proximal. • Esquemas de conhecimentos depende: . de relação interpessoal e de inserção e atuação social. b) procedimentos: dizem respeito a técnicas e métodos (“O que se deve saber fazer”). as atividades de ensino têm que integrar ao máximo os conteúdos e por mais específico que seja. . motoras. desequilíbrio e requilibrio. habilidades técnicas. princípios (“O que se deve saber”). . 4 – Utilização dos espaços e do tempo – concretizam as diferentes formas de ensinar. 7 – Sentido e papel da avaliação – entendida no seu sentido restrito de controle de resultados. • Ensino baseado em exercícios de repetição mediante organizações significativas ou associações. atitudes. conceitos. .nível de desenvolvimento e – conhecimentos prévios. grupos fixos e variáveis contribuem para o trabalho coletivo e pessoal. o que pretendemos que nossos alunos consigam. etc. conhecimentos. • Papel ativo do aluno e do professor → atividade mental → sucessivos equilíbrio. . c) Atitudinais: abrangem valores. a fim de que se sintam estimulados em seu trabalho. atitudes. 5 – Organização dos conteúdos – provém da própria estrutura formal das disciplinas e formas organizativas globais e integradoras. identificando o desafio de que necessitam. 2 – O papel dos professores e alunos ou alunos/alunos → clima de convivência de acordo com as necessidades de aprendizagem. • Aprendizagem de princípios e conceitos – Termos abstratos ○ Ex de princípios:.Não é possível ensinar nada sem partir de uma idéia de como as aprendizagem se produzem (conhecer as teorias). . • Na perspectiva construtivistas. 6 – Uso dos materiais curriculares – importância que adquirem nas diferentes formas de intervenção (nas exposições. • Coll propõe a classificação dos conteúdos em: a) conceituais – englobam: fatos.As variações Metodológicas da Intervenção na aula 1 – Seqüências de atividades – maneiras de encadear e articular as diferentes atividades ao longo de uma unidade didática. impressionismo .organização em seqüências ordenadas.Os conteúdos – explicam as intenções educativas ( o que ensinar) • Tudo que se tem que aprender para alcançar determinados objetivos: • Devemos falar de conteúdos de natureza variada: dados. autonomia pessoal (afetiva). regras ○ Ex de conceitos – densidade.leis.A Função Social – finalidade (por que ensinar) • São colocadas as intenções educacionais.Indicam a função que tem cada uma das atividades. • C.O Construtivismo • Estruturas cognitivas – esquemas de conhecimento. experimentação). Coll estabelece um agrupamento de capacidade: cognitivas. normas (“Como se deve ser”). conhecimento estes indispensáveis para compreender informações e problemas.As formas de intervenção devem levar em conta a diversidade dos alunos. 3 – Organização social da aula – grandes grupos.fatos.

○ Incentivar a auto-avaliação. ○ Contar com as contribuições e conhecimentos dos alunos. ○ Característica dos conteúdos conceituais – não estar acabado ○ Processo de elaboração pessoal requerem compreensão do significado. ○ Estabelecer ambientes que promovam a auto-estima e o auto-conceito.o papel dos professores e alunos • A influência da concepção construtivista na estruturação das interações educativas na aula para facilitar a aprendizagem:○ Planejar a atuação docente de forma flexível para permitir a adaptação às necessidades dos alunos. Ex:. ○ Ajudá-los a encontrar sentido no que estão fazendo. • Aprendizagem de conteúdos atitudinais:. ○ Ex:. • Para reconhecer a validade das seqüências didáticas tendo em vista a concepção construtivista e a atenção à diversidade é interessante verificar se as atividades propostas: ○ Permitem verificar os conhecimentos prévios. traduzir. participar. normas ○ Valores – Idéias éticas (solidariedade. ○ Avaliar os alunos conforme suas necessidades e seus esforços.conteúdo conceitual “componentes da paisagem” – será realizada uma série de atividades de ensino com objetivo de que no final da unidade a aprendizagem desse conteúdo.ler. respeito) ○ Atitudes – Tendências ou predisposições (cooperar. ○ Representam desafios que permitam criar zonas de desenvolvimento proximal. ○ Oferecer ajudas adequadas. refletindo sobre a atividade (atuação). assembléias. ○ Potencializar a autonomia. ○ Estimulam a auto-estima. trabalhos de campos. É preciso aplicá-los em contextos diferenciados. AS RELAÇÕES INTERATIVAS EM SALA DE AULA:. atitudes. equipes fixas e móveis. ○ Estabelecer metas ao alcance dos alunos. • É imprescindível prever situações que favoreçam diferentes formas de se relacionar e interagir (grupos. calcular.) PAPEL DOS AGRUPAMENTOS • Cada tipo de agrupamento comporta vantagens e inconvenientes. liberdade. • É necessário saber se a seqüência didática programada para desenvolver determinado conteúdo serve para alcançar os objetivos previstos. que são o ponto de partida. ajudar) ○ Normas – padrões ou regras de comportamento (conforme grupo social). Só se aprende fazer. ○ Ajudam a adquirir habilidades para aprender a aprender AS SEQUENCIAS DE CONTEÚDO – OUTRA UNIDADE DE ANÁLISE • Definida como um conjunto ordenado de atividades estruturadas e articuladas para a consecução de um objetivo em relação a um conteúdo concreto.valores.destreza ou habilidades É ○ ○ ○ ○ ○ um conjunto de leis ordenadas e com um fim. ○ Promover a atividade mental auto-estruturante. ○ Provoquem conflito cognitivo. fazendo e pela exposição do professor È exercitação múltipla. etc. seja dominada por todos os alunos. certas possibilidades e . desenhar. • Aprendizagem dos conteúdos procedimentais:. envolvimento afetivo e avaliação. ○ Promovam uma atitude favorável à aprendizagem.○ Implica em compreensão que vai além dos enunciados. ○ Promover canais de comunicação. ○ Os conteúdos são significativos e funcionais. ○ Estão adequados ao nível de desenvolvimento. São ações ou conjuntos de ações. análise dos fatores positivos e negativos.

• Aceitação da diversidade. ou um bom clima afetivo onde não podem se sentir seguros. sala ambiente. • São adequados aos conteúdos procedimentais (matemática. poucas oportunidades de conhecer o processo de elaboração mental que cada aluno segue. recordar. Organização da Classe em grande grupo • Apropriado – ensino de conteúdos factuais • Limitado – ensino de conteúdos conceituais. no anonimato. detalhar. artes) Trabalho individual • É oportuno porque a aprendizagem em última instância é sempre uma apropriação pessoal. com exceção da assembléia de alunos. • Oferecem oportunidades de debates. bibliotecas. . mais difícil poder propor atividades de aplicação e exercitação necessárias para cada aluno. • Distribuição da escola em grupos/ classificações ○ Classes homogêneas e heterogêneas. • Útil aos conteúdos procedimentos para dar a conhecer a utilidade do procedimento. realize atividades e exercícios que permitirão ampliar. e reforça ou que foi aprendido. e dar ajuda (solidariedade e cooperação). para aprofundamentos de conceitos e para maioria dos conteúdos procedimentos em que se deve adaptar o ritmo e a proposição de atividades às características dos alunos. A assembléia é adequada. O aluno faz um acordo com o professor. ○ Conveniência dos grupos heterogêneos:. • Oportunidade de atenção personalidade do professor ao grupo. papéis.certas potencialidades educativas diferentes. • Ele será efetivo. A distribuição do tempo não é o menos importante. responsabilidades. Distribuição do tempo e do espaço • Distribuição tradicional • Os cantos e as pequenas oficinas. Situações que dificilmente podem se realizar em grande grupo. (Número de atividades que deveram fazer). • Conteúdos atitudinais podem ser feitos em grandes grupos porque o componente cognitivo destes conteúdos exigem trabalho de compreensão. de receber. uma vez entendido o conceito. etc. • É útil para memorização de fatos. • Eles poderão ser algumas vezes homogêneos e outras heterogêneos. surgimentos de conflitos cognitivos. • Os Contratos de Trabalho (Freinet) – consiste em facilitar a tarefa do professor. • Distribuição da escola em grupos/Classes móveis ou flexíveis:○ Atender ao diferentes interesses (escolas que trabalham com créditos ou matérias opcionais). ○ Atender as diferentes competências. • Período de tempo dos agrupamentos é limitado. Organização da Classe em equipes móveis e flexíveis • Atender as características diferencias dos alunos.modelos diferentes de pensar e atuar. a possibilidade de receber ajuda de colegas. mas é insuficiente. técnica ou estratégia. • Prédios grandes. participações. são radicalmente contrários as propostas educativas pois é impossível promover determinadas atitudes. A Escola como grande grupo • As características da organização grupal estão determinadas pela organização e pela estrutura de gestão: relações interpessoais. mas os componentes afetivos e comportamentais dos conteúdos atitudinais exigem atividades que coloquem os alunos em situações problemáticas ou de conflitos. porque não permitem inter-relações. Organização da classe em equipes fixas • Oferecem oportunidades para trabalhar conteúdos atitudinais. É imprescindível contar com materiais preparados e que as atividades sejam seqüenciadas e progressivas. – Dificuldade de prestar a ajuda que o aluno precisa.

mas é preciso não pecar pelo excesso de uso. • Projeção estática (retroprojetor. a não ser o vídeo e os textos. Não favorecem a comparação entre realidade e ensino escolar. papel. 3-) os conteúdos e as maneiras de organizá-los (integradoras. para estabelecer com a classe • Suporte de Informática:• Possibilidade de estabelecer um diálogo mais ou menos aberto entre o programa e o aluno: • Permite fazer simulações de técnicas e procedimentos. dentro de um sistema totalizador OS MATERIAIS CURRICULARES E OUTROS RECURSOS DIDÁTICOS • São aqueles que proporcionam ao educador referências e critérios para tomar decisões.1-) o âmbito de intervenção (planejamento da aula. grupo. elas têm a função de proporcionar os meios ou instrumentos para realização dos objetivos educacionais. fichas. • Contribui para formação de conceitos. • É importante ir gerando e cortando. classe. 3-) a transdicciplinaridade – integração global. 2-) a intencionalidade da função (orientar. não existem suportes a serem usados com profusão. globalizadoras. integrando os conceitos idéias. exemplificar. • • • • • • • • • Criticas ao livro didático e materiais curriculares:Estereótipos culturais.centros de interesse.Proceder a busca de referências e critérios para análise e confecção dos materiais curriculares.Quanto aos conteúdos atitudinais. metodologia. Não podem oferecer toda informação necessária para garantir a comparação. Fomentam atitudes passivas do aluno. Impedem o desenvolvimento de propostas mais próximas da realidade. ajudam a centrar a atenção. Proposições vinculadas a determinadas correntes ideológicas. A ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS • Diz respeito a relação e a forma de veicular os diferentes conteúdos conteúdos de aprendizagem que formam as unidades didáticas • Podemos encontrar propostas que rompem com a organização centrada por disciplinas (propostas metodológicas globalizadoras). gravações de vídeo). individual).• Devem variar de acordo com as atividades previstas e necessidades educacionais. .. • Atuam como suporte nas exposições e como fonte de informação. 4-) suporte (quadro negro. • Imagem de movimento – (filmes. livro didático) Observação:. conteúdos procedimentos. • As disciplinas com organizadoras dos conteúdos. Não respeitam a forma nem o ritmo de aprendizagem do aluno (uniformização do ensino) Fomentam as estratégias de memorização Observação:. • A fragmentação do saber e a diversificação do saber em múltiplas disciplinas. • Podem ser tipificados conforme. slides) suporte e elementos esclarecedores de muitas idéias e facilitam o diálogo. conceituais). • Nos métodos globalizados a organização se realiza a partir da perspectivas de como os alunos aprendem. cadernos. projetos. • Podemos estabelecer três graus de relações disciplinares:1-) a multidiciplinaridade – conteúdos apresentados por matérias independentes uma das outra. • Nos métodos globalizados as disciplinas nunca são a finalidade do ensino. no planejamento e na intervenção no ensino e na avaliação. ○ Ex. 2-) a interdisciplinaridade – interação entre dias ou mais disciplinas. ilustrar). investigações do meio. ○ Nascem quando o aluno se transforma em protagonista do ensino. projetos de trabalho (todos partem de uma situação real).

com a visão da memória como um processo dinâmico. ASSMANN. A flexibilidade é um aspecto cada vez mais imprescindível de um conhecimento personalizado e de uma ética social democrática. Conclusão:. CDI ou CD-ROM (interessante ver a disposição) banco de dados de fácil acesso. a melhoria pedagógica e o compromisso social têm que caminhar juntos. Embora importante essa instrução não é o aspecto fundamental da educação. o processo de ensino é a própria forma de avaliação. Por isso. já que este reside nas vivências personalizadas de aprendizagem que obedecem à coincidência básica entre processos vitais e processos cognitivos. esta não deveria preocupar-se tanto com a memorização dos saberes instrumentais. e reconhecimento de saberes já acumulados pela humanidade. decodificá-los e manejá-los.mas como contexto e clima organizacional propício à iniciação em vivências personalizadas do aprender a aprender. Isso pode ser ilustrado. e que um bom ensino da parte dos docentes não é sinônimo automático de boa aprendizagem por parte dos alunos. ou seja. Ele afirma que o processo educacional. mas criar situações de aprendizagem nas quais todos os aprendentes possam despertar. privilegiando a capacidade de acessá-los. por exemplo. • A avaliamos para o aperfeiçoamento da prática educativa. • A informação dos resultados de aprendizagem. • Compartilhar objetivos – condições para avaliação formativa. que há uma pressuposição equivocada de que uma boa pedagogia se resume num bom ensino. mediante sua própria experiência do conhecimento. O aspecto instrucional deveria estar em função da emergência do aprender. analisando os vários aspectos importantes relacionados com a qualidade cognitiva e social da educação. • A avaliação reguladora (como cada aluno aprende) modificação e melhora contínua do aluno. O conhecimento virou tema obrigatório. ou seja. da morfogênese personalizada do conhecimento. inclusive o professor ou a equipe docente. Toda educação implica em doses fortes de instrução. No mundo atual. Hugo METÁFORAS NOVAS PARA REENCANTAR A EDUCAÇÃO EPISTEMOLOGIA E DIDÁTICA Hugo Hassmann RESENHA O autor inicia sua obra. • A avaliação inicial (diagnóstica). • A avaliação integradora (todo percurso do aluno) informe global do processo. Fala-se muito em sociedade do conhecimento e agora também em sociedade aprendente.A existência de materiais curriculares diversificados facilitará a elaboração de propostas singulares. mas também o grupo / classe. Este explica que a escola não deve ser concebida como simples agência repassadora de conhecimentos prontos. A AVALIAÇÃO • Não deve se limitar somente a avaliação do aluno. Ele define que educar não é apenas ensinar. o aspecto instrucional da educação já não consegue dar conta da profusão de conhecimentos disponíveis e emergentes mesmo em áreas específicas. É importante saber decodificar criticamente e encarar positivamente o desafio pedagógico expressado numa série de novas linguagens. A pertinência dos materiais estará determinada pelo uso que se faça deles. entendimento e manejo de regras. É preciso substituir a pedagogia das certezas e dos saberes pré-fixados por uma . nos diferentes contextos educativos. De acordo com o autor é imprescindível melhorar qualitativamente o ensino nas suas formas didáticas e na renovação e atualização constante dos conteúdos.• Suporte Multimídia:• Uso do disc laser.

como um eco interpelativo. no aumento quantitativo da oferta escolar. especialmente em dois aspectos: aquisição de um colchão básico de competências flexíveis e multi-adaptáveis e concentração no eixo científico técnico. Muitos ainda não se deram conta do fato de que o discurso sobre a qualidade se encontra. ou o têm como insignificante. a preocupação por atender. em suma. . Permanece. abertos para a surpresa e o imprevisto. da crise das ciências humanas e sociais. ele discute as novas metáforas sobre o conhecimento e fala sobre o final de um ciclo nas estratégias educacionais. e até se chega a falar pomposamente em pedagogia da qualidade. O reencantamento da educação requer a união entre sensibilidade social e eficiência pedagógica. No fundo. sem dúvida a denúncia das fissuras da racionalidade moderna. E. já que hoje a escola incompetente se revela como estruturalmente reacionária por mais que veicule discursos progressistas. inscrito no que se passou a chamar nova estratégia educacional. Na quarta parte ele discorre sobre a qualidade vista desde o pedagógico. ainda incipientes e ambíguos. Enquanto já acontecem. é a isso que se refere à questão da qualidade. O marco referencial do debate pós-modernista. a educação se confronta como desafio de unir capacitação competente com formação humana solidária. há muitos aspectos irrecusáveis. tendência à universalização do acesso à escola enquanto espaço disponível. Daí a ênfase conjunta em cidadania e capacidade competitiva. Nisso houve bastante êxito. Mas agora a ênfase se desloca do quantitativo para o qualitativo. em termos quantitativos. o compromisso ético-político do/a educador/a deve manifestar-se primordialmente na excelência pedagógica e na colaboração para uma espectativa no próprio contexto escolar. qualidade e produtividade. hoje. A ênfase prioritária dessa fase (aumento quantitativo) sobrevive. Daí o exuberante discurso sobre a qualidade. como território ocupado. E é também para isso que convergem os interesses. Passa-se. sem uma educação fundamental que lhe entregue os instrumentos para a satisfação de suas necessidades básicas de aprendizagem no que se refere a competências mínimas e flexíveis. Na segunda parte do livro ele fala da pós-modernidade e a globalização do mercado. Em pedagogia da complexidade. O pós-modernismo é. confuso e embolado. no mote: educação para todos. que se diz estar comandando a dinâmica dos ajustes requeridos para o crescimento econômico. em meio à competitividade crescente do mercado.pedagogia da pergunta. O ciclo que termina concentrou-se. é insuficiente para discutir e encarar os novos desafios da educação na situação pós-moderna. Em meio ao acirramento competitivo. planetariamente globalizado. O debate pós-modernista geralmente não consegue sair do meio-de-campo. por isso. aprisionado dentro de um campo de significação bem determinado. cidadania competitiva e criatividade produtiva. a cobrar a ponte entre a escola e uma capacitação básica e flexível diante de um mercado de trabalho cada vez mais exigente no que se refere à versatilidade adaptativa do trabalhador e ao acompanhamento atualizado dos avanços científico-técnicos. Já não estão livres e disponíveis para dizer com elas o que talvez desejaríamos. nessa proposta. a demanda reprimida ou nem se quer ativada. a não se levar tão a sério. pelo menos por algum tempo. Não há como ignorar que.muitos persistem em ignorar o fato. assim como os há carregado de ambigüidade. que faltou. onde o que mais se escuta são lamúrias nostálgicas em relação a redenções falidas. O pós-moderno é também um convite a relaxar. Na terceira parte. no ciclo anterior. do melhoramento das perguntas e do acessamento de informações. porem. inegavelmente. Portanto. Diz-se. As linguagens sobre qualidade funcionam. porque a maioria das expectativas do meio circundante (mercado competitivo) se volta quase exclusivamente para a demanda da eficiência (capacidade competitiva). O objetivo desta reflexão é buscar a ponte entre pós-modernidade/pós-modernismo e didática. que saiba trabalhar com conceitos transversáteis. agora. mas é também a tentativa de reintroduzir a lógica nebulosa nas práticas culturais. Escolas por todo lado. afirmando que no futuro ninguém sobreviverá. que setores do empresariado começam a demonstrar numa verdadeira universalização da educação básica. o vinculo dessa expansão escolar comas exigências de modernização do processo produtivo. embora importante. ou ainda o consideram um banal modismo passageiro. por um lado. Por algo a teoria de jogos é parte substancial da engenharia de sistemas cognitivos complexos. O pós-moderno é uma certa valorização da razão lúdica. por década. Juntar as duas tarefas – habilitação competente e formação solidária – ficou sumamente difícil. algumas manobras poderosas para instaurar uma verdadeira cruzada em favor da educação pela/para a qualidade.

Metáforas novas para reencantar a Educação Epistemologia e Didática. pois.Marta Kohl de Oliveira . O autor demonstra que está havendo uma série de descobertas fascinantes acerca de como se dá a experiência do conhecimento na vida das pessoas. Nesta perspectiva acredita-se em reformas curriculares no ensino universitário brasileiro. o fato maior desse nosso tempo é. Na quinta e última parte. mas num sentido mais profundo que nos leva a compreender que a própria vida se constitui intrinsecamente mediante processos de aprendizagem. Neste sentido. não apenas no sentido do ditado “vivendo e aprendendo”. Grandes contingentes da população mundial passam ao rol de “massa restante” e faltam as decisões políticas necessárias para uma efetiva dignificação de suas vidas. na vida dos aprendentes. de um conjunto de direitos e deveres básicos. continua inegavelmente importante. Não basta melhorar a qualidade do ensino. os docentes devem estar atentos às formas complexas que assumem. Marta Kohl de Oliveira Vygotsky – Aprendizado e desenvolvimento: Um processo sócio-histórico . para refletir sobre a qualidade de um processo educativo. REFERÊNCIA ASSMANN. Este fundamenta a convicção de que hoje estamos em condições de entender melhor a relação indissolúvel entre processos vitais e processos de conhecimento. para o problema seguinte: como criar melhores situações de aprendizagem. nas experiências de aprendizagem que são vividas como algo que faz sentido para as pessoas envolvidas e é humanamente gostoso. correspondentes àquela noção de dignidade humana que seja estendível a todos num contexto histórico determinado. Salta à vista que a questão do emprego. 2ª edição – Editora UNIMEP. CONCLUSÃO O livro é um conjunto de reflexões integradas e direcionadas aos vários aspectos que possam interferir na qualidade do processo educacional. em juridicamente exigível. cidadania sem a exigibilidade daquelas mediações históricas que lhe confira conteúdo no plano da satisfação das necessidades e dos desejos. ASSMANN mostra-se que a complexidade deve transformar-se num principio pedagógico pela simples razão de que. Para o trabalhador e seus dependentes. embora o processo de expropriação dessa linguagem pelos setores mais conservadores tenha avançado assustadoramente. relaciona a questão da cidadania com a exclusão social. Não há.não será fácil arrancá-lo de lá e libertá-lo para outros sentidos. Cidadania não pode significar mera atribuição abstrata. Ao longo do livro. ou apenas formalmente jurídica. sem dúvida. embora possa implicar também árduos esforços. neste sentido. nossa atenção deveria voltar-se. a cidadania se alicerça no direito ao trabalho. melhores contextos cognitivos. Por mais que se trivialize e banalize. antes de tudo. E o cerne do processo pedagógico deve ser localizado nas experiências do prazer de estar conhecendo. melhor ecologia cognitiva e melhores interações geradoras da vibração bio-psico-energética do sentir-se como alguém que está aprendendo. Daí a correlação estreita entre cidadania e trabalho (no sentido de emprego justamente remunerado) na visão até hoje comum dessa temática. O fascínio e a manipulabilidade da linguagem sobre a cidadania faz com que ninguém dê mostras de querer desistir dela. comuns a todos os integrantes de uma nação. de todos os modos. a questão de fundo é melhorar a qualidade das experiências de aprendizagem. ao exercício efetivo desses direitos e ao cumprimento desses deveres. que efetivamente possam contribuir com a formação de profissionais. H. permanece como um dos elos básicos entre cidadania e lógica da exclusão. 1998. A referência central para conferir se um tipo de educação está atingindo níveis aceitáveis de qualidade é obviamente o processo pedagógico em si mesmo. o autor. Ele diz que o maior desafio ético da atualidade e. essa relação intrínseca entre os processos vitais e processos do conhecimento. mas deve significar o acesso real. A mediação histórica fundamental da cidadania básica é o acesso seguro aos meios para uma existência humana digna. a presença de uma estarrecedora lógica da exclusão do mundo de hoje.

porque são produtos da atividade cerebral. pois. na escola de formação de professores de Gomel. . em Moscou. filosofia e literatura. Fundou um laboratório de psicologia. Viveu. em Moscou. as quais podem ser consideradas como “pilares” do pensamento vygotskyano: . aos 37 anos.as funções psicológicas possuem uma base biológica. Iniciou seus estudos por meio de tutores particulares e. capital de Bielarus. Mediação Simbólica A principal dedicação de Vygotsky foi o estudo das funções psicológicas superiores ou processos mentais superiores(pensar em objetos ausentes. mas. Sua morte prematura. na escola de formação de professores de Gomel. sendo que estas se desenvolvem-se num processo histórico. Depois. instrumentos com objetivos específicos. país da extinta União Soviética. um objeto social e mediador da relação entre o indivíduo e o mundo. Paralelamente a este curso universitário. mais a grande produção intelectual. preservam sua função como conquista a ser transmitida a outros membros do grupo social. Este conceito. como meio de compreender o funcionamento psicológico do homem. cheios de idéias. deliberadamente. então. a função para a qual foi criado e o modo de utilização desenvolvido durante a história do trabalho coletivo. Diante disso. Vygotsky trabalhou na área conhecida como “pedologia” (ciência da criança. psicologia. Tais diferenças consistem no fato de que apenas os seres humanos produzem. que integra os aspectos biológicos. em seguida na Universidade de Moscou. por causa de sua enfermidade. parte em Moscou e parte em Kharkov. na mesma região de Bielarus. estudou seus últimos dois anos do curso secundário. Escreveu aproximadamente 200 trabalhos científicos. fundamentalmente. proposições gerais e dados de pesquisa que exemplificam tais proposições. . o instrumento é feito ou buscado especialmente para um certo objetivo. o autor mencionado destaca: é um elemento interposto entre o trabalhador e o objeto de seu trabalho. Vygotsky assume. ingressando. em termos genéricos. os quais abordavam desde temas relacionados a neuropsicologia até a crítica literária. Formou-se em Direito no ano de 1917. que integra os aspectos biológicos. com sua família. Além disso. em decorrência de seus interesses em neurologia. entrou em um colégio privado. psicológicos e antropológicos). ampliando as possibilidades de transformação da natureza. Os animais também utilizam instrumentos. é. consiste no processo de intervenção de um elemento intermediário em uma relação. primeiro. A (nova) abordagem da psicologia. e foi um dos fundadores do Instituto de Deficência. a qual deixa de ser direta e passa a ser mediada por tal elemento. portanto. passando por deficiência. revela-se em três idéias centrais. o posicionamento segundo o qual a relação do homem com o mundo é uma relação. compreender o conceito de mediação. Vygotsky trabalhou na área conhecida como “pedologia” (ciência da criança. .). no entanto. Neste. em 17 de novembro de 1896. numa mistura de reflexões filosóficas.o funcionamento psicológico fundamentam-se nas relações sociais entre o indivíduo e o mundo exterior. grande parte de sua vida em Gomel.HISTÓRIA PESSOAL E HISTÓRIA INTELECTUAL De acordo com Marta Kohl de Oliveira. ele carrega.os sistemas simbólicos são os mediadores a relação homem-mundo. são capazes de transformar o ambiente num momento específico. planejar ações a serem realizadas em momentos posteriores tec. desenvolvida por Vygotsky. O uso de instrumentos. instrumentos (no plano externo ao homem) e os signos (no plano interno ao homem). educação e questões teóricas e metodológicas das ciências humanas. guardam os instrumentos para uso futuro. Dentre as características do instrumento. Vygotsky diferenciou dois tipos de mediadores. mediada. Foi nesta universidade onde ele aprofundou seus estudos – mesmo não recebendo nenhum título acadêmico – em psicologia. ou anotados taquigraficamente durante suas aulas ou conferencias. e foi um dos fundadores do Instituto de Deficência. somente aos quinze anos. dentre outras. psicológicos e antropológicos). dentre outras. marcou o estilo de seus textos escritos: densos. imagens literárias. estudou também medicina. imaginar eventos nunca vividos. existem diferenças entre as utilizações humanas e as animais. Fundou um laboratório de psicologia. muitos dos textos foram criados oralmente e ditados a outra pessoa que os copiava. próxima a Mensk. linguagem. Vygotsky freqüentou cursos de história e filosofia na Universidade Popular de Shanyavskii. não desenvolvem sua relação com o meio num processo histórico-cultural. Lev Semenovich Vygotsky nasceu na cidade de Orsha. Para que seja possível compreender as concepções vygotskyanas é necessário.

O uso de instrumentos sofre duas mudanças qualitativas fundamentais: por um lado. da segunda função da linguagem: o pensamento generalizante. então. Os sistemas simbólicos e o processo de internalização.) pode ser comparada à utilização de instrumentos. É no significado que se encontra a unidade das duas funções básicas da linguagem: o intercâmbio social e o pensamento generalizante. Quando trabalhamos com os processos que caracterizam o funcionamento psicológico tipicamente humano. pois o significado de uma palavra já é. Uma das grandes diferenças entre eles. Este consiste nos signos. está impregnada de significações e a influência do mundo social se dá por meio de processos que ocorrem em diversos níveis. só que no plano psicológico. é necessário refletir sobre as relações sociais entre o indivíduo e os outros homens. Isto é. seus caminhos se unem surgindo. entretanto. as representações mentais da realidade exterior são. é a de intercâmbio social: é para se comunicar com seus semelhantes que o homem cria e utiliza os sistemas de linguagem. com base nas relações dos homens com o mundo físico e social em que vivem. seja do próprio indivíduo. para que seja possível uma comunicação mais sofisticada. O signo age como um instrumento da atividade da atividade psicológica de maneira análoga ao papel de um instrumento no trabalho. eles estão em constante transformação. Antes de o pensamento e a linguagem se associarem. comparar coisas. o intercâmbio social fornece a matéria-prima para o desenvolvimento psicológico do indivíduo. histórico. Os sistemas de representação da realidade – e. A idéia da transformação dos significados das palavras está relacionada a um outro aspecto da questão do . na verdade. portanto. a linguagem é o sistema simbólico básico de todos os grupos humanos – são socialmente dados. O significado é um componente essencial da palavra e é. em determinado momento do desenvolvimento. Tal intercambio necessita. A vida humana. Como os significados são construídos ao longo da história dos grupos humanos. um ato de pensamento. O desenvolvimento do pensamento e da linguagem. de acordo com Vygotsky. de utilizar instrumentos e meios indiretos para conseguir determinados objetivos. Por isso. constituindo-se no “filtro” através do qual o indivíduo é capaz de compreender o mundo e agir sobre ele. enquanto os signos são orientados para o próprio sujeito e tem por função o controle de ações psicológicas. escolher etc. o que permite que ela seja transmitida a outros. no entanto. na criança pequena. seja de outras pessoas. O pensamento e a linguagem têm origens diferentes e desenvolvem-se segundo trajetórias diferentes e independentes. por isso. isto é. os quais simplificam e generalizam a experiência vivida.O uso de signos. por outro lado. A utilização de signos como auxiliares no tocante a solução de problemas psicológicos (lembrar. as quais vão constituir os instrumentos psicológicos que fazem a mediação entre o indivíduo e o mundo. Ao longo do processo de desenvolvimento. É o grupo cultural onde o indivíduo se desenvolve que lhe fornece formas de perceber e organizar o real. o pensamento verbal e a linguagem racional. representações mentais que substituem os objetos do mundo real. São os significados que vão propiciar a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo real. Para se entender a origem das funções psicológicas superiores. existe. A interação de indivíduos possibilita a interiorização das formas culturalmente estabelecidas de funcionamento psicológico. ao mesmo tempo. mediado pelo sistema simbólico da linguagem. são desenvolvidos sistemas simbólicos. relatar. decorre do fato de que os instrumentos são elementos externos ao indivíduo e a sua função é modificar e controlar os processos da natureza. também. antes que ocorra a estreita ligação entre esses dois fenômenos. considerando que o fundamento do funcionamento psicológico tipicamente humano é social e. esse mecanismo é chamado. a utilização de marcas externas vai se transformar em processos internos de mediação. Antes de dominar a linguagem. que organizam os signos em estruturas complexas e articuladas. de processos de internalização. Pensamento e linguagem seguem suas trajetórias até que. uma generalização. no significado da palavra é que o pensamento e a fala se unem em pensamento verbal. O significado das palavras. o ser humano passa a ter a possibilidade de um modo de funcionamento psicológico mais sofisticado. uma fase pré-verbal no desenvolvimento do pensamento e uma fase pré-intelectual no desenvolvimento da linguagem. a criança demonstra capacidade de resolver problemas práticos. em si. por Vygotsky. o indivíduo deixa de necessitar de marcas externas e passa a utilizar signos internos. os principais mediadores a serem considerados na relação do homem com o mundo. Pensamento e Linguagem A principal função da linguagem.

O sentido. O percurso é da atividade social. É um discurso sem vocalização. erramos quando propomos atividades fora dos limites da ZDP. a intervenção pedagógica promovida pela escola nas sociedades letradas possui extrema importância na promoção do desenvolvimento dos indivíduos. Discurso interior e a fala egocêntrica. marcas topográficas. propriamente dito. Com o desenvolvimento é que ela passa a ser capaz de utilizar a linguagem como instrumento de pensamento. Luria. Vygostky. No estudo da transição entre o discurso socializado e o discurso interior. Além disso. temos a zona de desenvolvimento proximal (ZDP). Ele também desenvolve gradualmente.significado. que possibilitará o despertar de processos internos de desenvolvimento. dirigida ao próprio sujeito e não a um interlocutor externo. pelo próprio espaço privilegiado que representa e pelas possibilidades que podem ser trabalhadas. por sua vez. compartilhado por todas as pessoas que a utilizam. que é uma forma interna de linguagem.e o “sentido”. não é apenas por falar com as outras pessoas que o indivíduo dá um salto qualitativo para o pensamento verbal. possibilitado pelo contato do indivíduo com certo ambiente cultural. refere-se ao significado da palavra para cada indivíduo. que corresponde a aquilo que a criança é capaz de fazer mediante a ajuda de outra pessoa. A criança primeiramente utiliza a fala socializada. três aspectos fundamentais: o funcionamento cerebral como suporte biológico do funcionamento psicológico. ou seja. Vygotsky distingue dois componentes do significado da palavra: o significado. consideradas como funções já amadurecidas. com grande ajuda de seus colaboradores. para a atividade individualizada. por exemplo. nível de desenvolvimento potencial. o lúdico. que define aquelas funções que estão em processo de maturação. O uso da linguagem como instrumento de pensamento supõe um processo de internalização da linguagem. será o aprendizado. a criança pode não estar preparada para certas tarefas. o que ela já aprendeu e domina. Entre estes colaboradores. descreve um percurso para a pré-história da escrita: rabiscos mecânicos. com a função de auxiliar o indivíduo nas suas operações psicológicas. função e estrutura dos processos psicológicos superiores. os níveis de desenvolvimento podem ser divididos em: nível de desenvolvimento real. Vygotsky também tratou em seus trabalhos. com a função de comunicar. Na distância entre o desenvolvimento real da criança e seu desenvolvimento potencial. o chamado “discurso interior”. a internalização do discurso é um processo gradual. atenção e memória. a professora Marta Kohl de Oliveira aborda neste capítulo. já que mesmo com intermediação de adultos. verificando que “a principal condição necessária para que uma criança seja capaz de compreender adequadamente o funcionamento da língua escrita é que ela descubra que a língua escrita é um sistema de signos que não têm significado em si”(p. composto por relações que dizem respeito ao contexto de uso da palavra e às vivências afetivas do indivíduo. da evolução da escrita. com conceitos e exigências abstratas demais. que se completará em fase mais avançadas da aquisição da linguagem. tratou também de temas clássicos da psicologia. Desenvolvimento e aprendizado Segundo a professora Marta Kohl de Oliveira. em aprender a separar o objeto e o significado. representações pictográficas. não chegou a formular uma concepção estruturada do desenvolvimento humano que abrangesse o processo de constituição psicológica do nascimento até a idade adulta. intra-psíquica. Para Vygotsky.68). funções que amadurecerão e que estão em estado embrionário. Isto é. Vygotsky procurou compreender a origem e o desenvolvimento dos processos psicológicos ao longo da história da espécie humana e da história individual. por seu interesse pela gênese. que se refere às conquistas que já estão consolidadas na criança. indicando os processos mentais da criança que já se estabeleceram. No percurso do desenvolvimento. de manter um contato social. com a função de adaptação pessoal. Neste contexto. a atividade do homem no . Porém. fato a ser considerado na educação das crianças. Isto é. Vygotsky recorre à “fala egocêntrica” como um fenômeno relevante para a compreensão dessa transição. O significado propriamente dito refere-se ao sistema de relações objetivas que se formou no processo de desenvolvimento da palavra. voltado para o pensamento. Com a proposta de explorar os desdobramentos das propostas de Vygotsky na obra de seus colaboradores. a influência da cultura no desenvolvimento cognitivo dos indivíduos. como: percepção. consistindo num núcleo relativamente estável de compreensão da palavra. inter-psíquica. O Biológico e o cultural: os desdobramentos do pensamento de Vigotsky.

dos Direitos Humanos. 1998. planeja suas ações agindo de forma intencional. os movimentos dos olhos pelas várias partes do objeto a ser percebido. Leontiev distingue a estrutura da atividade humana em três níveis de funcionamento: a atividade propriamente dita. Outro importante colaborador de Vygotsky foi Alexei Leontiev. Rio de Janeiro: José Olympio. Piaget lecionou nas Universidades de Genebra e de Paris. a prática do ensino deveria utilizar o método ativo.chaves: educação. Este livro exprime o que o autor pensa a respeito do Ensino das Ciências.102). este meio será capaz de transformar suas estruturas e mecanismos de funcionamento. (1896-1980). o cérebro é um sistema aberto em constante interação com o meio. Desta forma. análise e armazenamento de informações. a partir do entendimento da forma lógica de aprender dos alunos. ele propõe uma prospectiva na questão de como ensinar ciências. dirigidas por motivos. demonstrando como ponto crucial as diferenças individuais de aptidão do aluno para determinados saberes. a unidade para programação. que “o homem biológico transforma-se em social por meio de um processo de internalização de atividades. Jean Piaget inicia a primeira parte com uma retrospectiva da educação. demonstrando que o fracasso escolar está muito mais ligado à rápida passagem que os professores fazem do aspecto qualitativo (lógico) para o quantitativo (numérico). a fim de mostrar a necessidade imperativa da transformação no modo de ensinar. por fins a serem alcançados. seus estudos têm como modelo as áreas da Matemática e da Física. a segunda em cinco tópicos. Outro aspecto importante no trabalho de Luria trata da organização cerebral. considerando que ambos os autores nos trazem uma enorme contribuição. direito à educação. está dividida em duas partes. Segundo o autor. Para a autora. a história social objetiva tem um papel essencial no desenvolvimento psicológico que não pode ser buscado em propriedades naturais do sistema nervoso. ou seja. Palavras . Para onde vai a educação? Tradução de Ivette Braga. não nos fornecendo uma teoria bem estruturada a respeito do inúmeros temas tratados por ele em tão pouco tempo. ou seja. a idéia de que a estrutura dos processos mentais e relações entre os vários sistemas funcionais transformam-se ao longo do desenvolvimento individual. a melhor forma de atuação será a de compreender o melhor possível cada abordagem. Luria aprofunda em sua obra a questão da estrutura básica do cérebro em três unidades: a unidade para regulação da atividade cerebral e do estado de vigília. que trata de compreender a forma como a criança adquire o conhecimento lógico-matemático. a análise da síntese da informação recebida pelo sistema visual. inserida num sistema de relações sociais. baseada numa idéia de escolha da melhor teoria. como o principal foco de interesse dos estudos em psicologia. Jean. sendo a primeira subdividida em dois tópicos. O livro aqui resenhado é obra de Jean Piaget. conhecimento escolar. por meio do qual a criança vai . podendo se adaptar a diferentes necessidades e servindo a diversas funções estabelecidas na história do homem. 14ª ed. para que haja um real aprimoramento da reflexão sobre o objeto a ser estudado. A obra. Em seguida. principalmente nos confrontos entre as teorias de Vygotsky e Piaget. a unidade para recebimento. Jean Piaget PIAGET. um grande problema na área da educação no Brasil é a tentativa de se estabelecer uma proposta pedagógica única. dependendo da adaptação ao tipo de ensino que lhe é oferecido. para quem as atividades humanas são formas de relação do homem com o mundo. Um dos pilares do pensamento de Vygotsky é a idéia de que as funções mentais superiores são construídos ao longo da história social do homem. as ações e as operações. ao longo de suas 80 páginas. regulação e controle da atividade. o homem orienta-se por objetivos. Como pesquisador. comportamentos e signos culturalmente desenvolvidos”(p. atividade psicológica é para Luria um sistema complexo que envolve a operação simultânea de três unidades funcionais: percepção visual. Nos indicando também que a obra de Vygotsky é apenas um esboço de um projeto. inclusive o da gratuidade do ensino e de uma educação voltada para o pleno desenvolvimento da personalidade humana levando em consideração a diversidade dos povos. Além disso. Conclusão A professora Marta Kohl de Oliveira conclui seu trabalho neste livro ressaltando importantes pontos na teoria de Vygotsky.mundo. ensino-aprendizagem.

e o quanto é difícil dela se desfazer.. em que lhe é assegurado o pleno direito à educação e na qual os pais podem escolher o tipo de educação que desejam para seus filhos. Para ele. não basta ampliar o ensino de primeiro grau e implantar o segundo com caráter gratuito.". e os fatores de transmissão ou de interação sociais. Piaget vem mostrar que o direito por si só não é o bastante. Todo o processo de ensino deve estar alicerçado na experimentação por parte do aluno. assim formado. Na segunda parte. expresso nesse livro. como um processo de desenvolvimento natural.reconstruir e reinventar. O problema geral da Educação está centrado na preparação dos professores. deve-se levar em consideração que é mais fácil a estes compreenderem os métodos antigos do que uma nova proposta. de acordo com o autor. ". Ao lidar com os pais. não somente transmitir informações ao aluno. O intercâmbio intercultural entre as sociedades faz-se principalmente pelo respeito aos diferentes grupos étnicos que a formam. poderá ensinar seus alunos se ele mesmo não sabe como acontece a passagem do processo quantitativo para o qualitativo? Esta obra é indicada para todos os profissionais da educação que buscam entender um pouco mais sobre como se desenvolve o pensamento humano e refletir sobre como se poderia estar agindo dentro de um processo educacional voltado ao desenvolvimento pleno da pessoa e da sociedade. pois. A respeito da educação moral. de forma a conduzir a humanidade a uma paz mundial.. Com relação aos pais. Todo o processo de ensino deve estar alicerçado na experimentação por parte do aluno. em que haja tarefas que levem o aluno a compreender e participar ativamente da vida social. Para isso é preciso levar em conta qual método deve ser aplicado para fazer de um indivíduo um bom cidadão. um autogoverno levado tão longe quanto possível e paralelo ao trabalho intelectual em comum. já que o número de escolas e de professores permanece insuficiente relativamente à população em idade escolar. Mostra ainda que a questão da educação internacional é muito delicada. para ele. com um olhar de justiça social. A educação não deve se prestar a moldar o aluno de acordo com um modelo condizente com as gerações anteriores. que possibilita gerar os costumes e as regras. Com isso. poderá conduzir a esse duplo desenvolvimento de personalidades. O autor ressalta a diferença entre as sociedades humanas e as sociedades animais. que é o aspecto de real mudança em qualquer reforma pedagógica. isto é. tanto pelo cérebro quanto pelo coração. Como este docente. a educação passa a ser vista como fundamental para a formação do desenvolvimento natural do indivíduo. principalmente quando da aplicação dos métodos ativos. na página 36. é preciso não se deixar iludir: tal situação de direito não poderia ainda corresponder a uma aplicação universal da lei. não fosse separada da vida. mas em formar-lhe a personalidade. levando em consideração a paz entre as várias nações. Piaget advoga que esse direito não se restringe ao "pleno direito à educação" mas que esta seja uma educação de qualidade e voltada para o pleno desenvolvimento da personalidade humana. Discutindo o direito à educação. na qual. As ciências mostram o quão profundamente está enraizada a atitude egocêntrica no ser humano. muitas vezes. . até seus sete anos e conforme sua nacionalidade. mas que a escola. Mais grave ainda é a formação dos professores. leva-nos a refletir sobre a forma como a escola e a sociedade vêm lidando com a educação dos indivíduos. Para o desenvolvimento do ser humano é preciso atentar para os dois fatores que o condicionam: os fatores da hereditariedade e adaptação biológicas. o professor não deve se limitar ao conteúdo específico de sua disciplina. há famílias constituídas por bons pais e outros nem tanto. unicamente a vida social entre os próprios alunos. cujos resultados apontaram que essa lógica se constrói na interação do sujeito com o meio. e que a gratuidade somente do ensino de primeiro grau. que também é responsável em educar. mas é preciso também implementar uma relação aluno/escola/aprendizagem. Assim. O pensamento de Piaget. donas de si mesmas e de respeito mútuo. A concepção de que a lógica do conhecimento seria inata no indivíduo foi quebrada com as pesquisas piagetianas. deve levar em consideração as variadas culturas. mas deve conhecer como ocorre o desenvolvimento psicológico da inteligência humana. o autor reflete sobre como a família vem perdendo seu poder de escolha e controle para o estado.. cujas principais condições sociais humanas são as técnicas de produção e a linguagem. que não foram desenvolvidos dentro de um processo ativo. O autor reflete sobre como a criança. Entretanto. tem como responsável pela sua educação a família e não na escola. não se leva em consideração a forma como estes desenvolvem sua inteligência. não passa de uma mera afirmação social.. o autor quer nos lembrar que a família não deve ter somente o papel formador e a escola o papel de informar o aluno. ele aborda a questão dos direitos expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem.

2002. é temporal pois se constrói durante a vida e o decurso da carreira. buscando neles reflexões sobre a racionalidade. como Weber e a questão da interação social como aprendizagem. vão desde os filósofos gregos aos contemporâneos. refletindo sobre os conteúdos curriculares e sua dependência com a história de uma sociedade e o educador americano Schön. provêm dos pares. o saber docente é um saber plural. promova um repensar de caminhos engajados na realidade. Para Tardif. Saberes docentes e formação profissional. Refletindo sobre o processo de formação de professores. da cultura pessoal. Cada professor insere sua individualidade na construção do projeto pedagógico. p. é também transformar a si mesmo no e pelo trabalho. que desenvolveu seu arcabouço teórico na formação do professor reflexivo. RJ: Vozes. portanto. a pesquisadores como Bourdieu. cujo suporte é a atividade cognitiva dos indivíduos. como colaboradores. mas também. da escola que o formou.16).assim. Recorre a sociólogos. dos cursos da formação continuada. um repensar da própria formação acadêmica. inclusive o Brasil. Os ensaios. A metodologia usada por Tardif é a pesquisa empírica realizada junto aos professores e às questões teóricas sobre a natureza dos saberes que são mobilizados e utilizados por estes em seu trabalho diário. mas é também um saber social que se manifesta nas relações complexas entre professores e alunos. que não é exclusivamente transformar um objeto ou situação numa outra coisa. É conhecedor da obra de Paulo Freire. a fim de captar a sua natureza social e individual como um todo” (TARDIF. As escolas tornam-se. oriundo da formação profissional (o . 2002. buscando a construção de conhecimentos e valorização de sua prática educativa. Uma postura importante para as pesquisas a serem desenvolvidas pelas Universidades do Brasil. As bases teóricas de Tardif são várias. buscam entender que saberes alicerçam o trabalho e a formação dos professores das escolas do Ensino Fundamental e Médio. Há que “situar o saber do professor na interface entre o individual e o social. Tal postura desconstrói a idéia tradicional de que os professores são apenas transmissores de saberes produzidos por outros grupos. conseqüentemente. de experiência e de desenvolvimento profissional. Sua proposta é que a pesquisa universitária pare de ver os professores de profissão como objetos de pesquisa e que passem a ser considerados como sujeitos do conhecimento. O autor convoca os educadores e os pesquisadores. lugares de formação. enaltecendo-a no que tange à valorização do papel do professor como agente de mudanças. é personalizado. Ele se baseia em pesquisas realizadas por outros autores como Dubar. O autor da obra é professor universitário no Canadá e suas pesquisas abrangem vários países. frutos de pesquisa de doze anos. o corpo docente e a comunidade científica a unir pesquisa e ensino. O livro de Tardif é composto de oito ensaios subdivididos em duas partes: o saber dos professores em seu trabalho e o saber dos professores em sua formação. exclusiva ou principalmente. é plural. mas. idéia que endossa a importância da aprendizagem através das experiências do professor. Maurice.TARDIF. Petrópolis. Uma das inovações do trabalho e das pesquisas de Tardif é compreender o saber do professor como saberes que têm como objeto de trabalho seres humanos e advém de várias instâncias: da família. Baseiase também em Gauthier sobre a importância da incorporação das experiências dos professores nos programas de formação. heterogêneo. Tardif defende que o saber não se reduz. onde já realizou palestras e encontros com professores. como co-pesquisadores. lugares de pesquisa e de reflexão crítica. que possa valorizar os professores de profissão ao mesmo tempo que promova sua formação continuada. Essa concepção da amplitude de saberes que forma o saber do professor é fundamental para entender a atuação de cada um no processo de trabalho coletivo desenvolvido pela escola. como intelectual engajado. da universidade. situado. a processos mentais. entre o ator e o sistema. refletindo sobre o trabalho. muito dos quais publicados anteriormente. seus saberes cotidianos. Tardif argumenta que se deve levar em conta o conhecimento do trabalho dos professores. de inovação. o que traz a diversidade de olhares contribuindo para a ampliação das possibilidades e construção de outros novos saberes.

CONTRERAS. de “saber” ou de “conhecimentos” só existe em um sistema de práticas e de atores que as produzem e as assumem. Além de professor da Universidade de Barcelona. Afirma que hoje. Autonomia de professores Como resultado das mudanças sociais. ao passo que a prática ou é desprovida de saber ou portadora de um falso saber baseado. Introducción crítica a la didáctica.conjunto de saberes transmitidos pelas instituições de formação de professores). o . ideologias. sua relação com a prática só pode ser uma relação de aplicação. O autor é contra a idéia que o saber é produzido fora da prática e. transmite uma idéia de movimento. políticas e econômicas pelas quais estamos passando hoje existe uma preocupação latente em se realizar pesquisas que busquem compreender o exercício da docência e dos processos de construção da identidade. ‘mobilização de saberes’. apresenta quadros comparativos que setorizam a explanação e não permite uma visão de totalidade. autor de diversos artigos científicos publicados sobre teoria do currículo. integrar e mobilizar tais saberes enquanto condição para sua prática. José Contreras Domingo. portanto. profissionalidade e profissionalização do professor. Models d’ínvestigació a l’aula. revela a intenção da visão da totalidade do ser professor. curriculares (programas escolares) e experienciais (do trabalho cotidiano). em que Tardif afirma que uma boa maneira de compreender a natureza do trabalho dos professores é compará-lo com o trabalho industrial e. Contreras é membro dos Conselhos de Redação das revistas Investigación en la Escuela da Universidade de Sevilha e Temps d’educació da Universidade de Barcelona. de valorização de todos os saberes e não somente do cognitivo. Isso representa a afirmação da idéia de que pelo trabalho o homem modifica a si mesmo. este último em co-autoria com Angel Pérez Gómez e Félix Angulo Rasco. as suas relações e busca transformação de sua própria situação e a do coletivo a que pertence. Uma ressalva está no ensaio três. em especial o processo de proletarização pelo qual passa o professor. assim como também de vários livros dentre os quais Ensenanza. em crenças. É isto que faz nesta obra. A obra que ora resenhamos divide-se em três grandes partes compostas de oito capítulos que versam sobre a preocupação do autor com a apropriação indiscriminada. os vários significados do que é ser profissional e as ambigüidades e contradições que estão subjacentes na aspiração à profissionalidade. apresentando uma visão conteudística da formação. Contreras analisa o problema do profissionalismo no ensino. Na primeira parte – A autonomia perdida a proletarização dos professores–. de saberes disciplinares (saberes que correspondem ao diverso campo do conhecimento e emergem da tradição cultural). professores e sobre a pesquisa-ação. de construção. idéias preconcebidas. José. Outro posicionamento importante de Tardif é de ser contra a idéia tradicional da relação teoria e prática: o saber está somente do lado da teoria. sabemos que aquilo que chamamos de “teoria”. ao fazê-lo. sem direção no trabalho docente e com tarefas de acordo com o surgimento de necessidade. A expressão utilizada por Tardif. por exemplo. banalizada e generalizada dos termos profissionalização e autonomia de professores. como atividade instrumental. colocando o trabalho como técnica. professor graduado em Ciências da Educação pela Universidade Complutense de Madri e Doutor também em Ciências da Educação pela Universidade de Málaga. Curriculum y professorado. a saber: o especialista técnico. de constante renovação. A indústria avalia como medida e não se compara com o processo educativo. O que exige do professor capacidade de dominar. Na segunda parte – Modelos de professores: em busca da autonomia profissional do docente : são discutidos três modelos tradicionalmente aceitos com respeito à profissionalidade dos professores.

ao ensino escolar e sua relação com a sociedade. visto que este vem acompanhado de uma descrição presunçosa de status e privilégios sociais e trabalhistas aos quais se aspira. a desqualificação (resultando numa insistente requalificação). podendo ser descrita e justificada. a rotinização do trabalho. mostra o equilíbrio necessário entre as diferentes necessidades e condições de realização da prática docente e. tais termos deveriam ser considerados. no discurso pedagógico. deve ser entendida como um processo de construção permanente no qual devem se conjugar. portanto. mas uma ocupação socialmente encomendada e responsabilizada publicamente e. mostrando também outras possibilidades de compreensão da autonomia do docente. Jiménez Jaen. o profissional reflexivo como responsabilidade moral e individual. por isso. ele afirma que a autonomia no contexto da prática do ensino. Ao sair das mãos dos professores. pois estas concepções norteiam o trabalho dos professores caracterizando-os. está vinculado implicitamente na concepção (modelo) de professor. a perda do sentido da finalidade do trabalho docente e. o compromisso com a comunidade e a competência profissional. no entanto. Por isso. para Contreras. na terceira e última parte – A autonomia e seu contexto – é estabelecida uma visão global do que se deve entender por autonomia de professores. A insistente busca de um trabalho docente pautado na racionalização do ensino.profissional reflexivo e o intelectual crítico. Assim o especialista técnico a considera como status ou como atributo. esta autonomia passa a ser exercida por uma supervisão externa ao seu trabalho. por extensão. Nas últimas décadas o trabalho docente sofreu e vem sofrendo. Contreras toma como bases teóricas as idéias de Apple. uma vez que. Habermas e Stenhouse. Smyth. segundo o autor. enfim. enquanto modelos de exercício daqueles. envolve a comunidade na participação nas decisões sobre o ensino. resulta em graves conseqüências para o trabalho do professor: a separação concepção-execução. No entanto. O conceito de autonomia. a autonomia dos professores. além do apoio e da experiência de pessoas próximas de seu ambiente profissional. digamos da moda. assim como também o profissionalismo docente são termos. o que acarreta uma forma de consenso social sem. Lawn. o impedimento do exercício reflexivo. nem tampouco ao individualismo competitivo. a facilidade do isolamento e estímulo ao individualismo. segundo o autor. Desta forma. Giroux. Ozga. portanto a perda total da autonomia professoral. Outro fator importante é que o trabalho docente não pode ser compreendido às margens das condições sócio-políticas que dão credibilidade à instituição escolar. Nesse sentido. E por fim. Derber. visto que a educação não é um problema da vida privada dos professores. por especialistas. por isso. a perda de controle do próprio trabalho (desorientação ideológica). visto que. se equilibrar e fazer sentido muitos elementos e. a autonomia não é um chamado à auto-complacência. A autonomia nos remete a uma interpretação dos três aspectos presentes na profissionalidade docente: a obrigação moral. o intelectual crítico como autonomia e emancipação. Contreras insiste em afirmar que o termo profissionalidade deve dar lugar ao termo profissionalismo. Nesta obra o autor trabalha com as formas de caracterização que estão sendo difundidas com respeito aos professores e. é o que melhor explicita este processo. o termo proletarização. mas a convicção de que um desenvolvimento mais educativo dos professores e das . Porém. slogans. passando a ser um mero consumidor daqueles pacotes. ultrapassando estes limites. A terceira parte do livro é considerada pelo autor como o núcleo fundamental. Densmore. ter ido acompanhado de uma reflexão. uma subtração progressiva de uma série de fatores que conduzem os professores à perda da autonomia. ao passo que àquele resgata o que de positivo tem a idéia de profissional no contexto das funções inerentes ao trabalho da docência. fazendo com que o professor comece a exercer um papel de consumidor de pacotes de processos educativos produzidos além dos muros da escola. são termos utilizados que não vêm acompanhados de seus diversos conteúdos e significados para diferentes pessoas e diferentes posições ideológicas. o professor é destituído de seu papel ímpar do no processo educativo. Schön. mas não reduzida a uma definição auto-explicativa.

destina-se à todos aqueles que procuram entender a autonomia professoral como forma de melhoria do processo educativo.escolas virá do processo democrático da educação. Fica-nos claro também. não existirá um progresso profissional se o ensino permanecer obsoleto e estático. quando tanto o professor quanto a escola forem realmente os idealizadores das práticas educativas e não apenas aplicadores de receitas mágicas prescritas fora dos muros da escola e sem o aval e a reflexão da comunidade na qual está inserida. que na maioria das vezes vem acompanhada de uma falsa autonomia dos professores. ou seja. Por fim. Esta obra. que vise à melhoria real do ensino e não uma simples troca de responsabilidades. porém. portanto. Podemos. que ultrapassam um mero buscar de direitos trabalhistas ou um reconhecimento social. ou seja. A escola. Da mesma forma a descentralização dos currículos deve acontecer de uma forma realmente democrática e pedagógica. . o professor será autônomo quando a escola for autônoma. cuja prática é própria do processo neoliberal que ora se nos apresenta. isto é. Buscar um professor competitivo para dar lugar a um professor eficiente é transformar o processo educativo em uma empresa. ao trabalhar com seres humanos não pode ser pautada em técnicas pré-determinada como se o resultado do processo educativo fosse mensurável e previsível. concluir que a autonomia assim como a profissionalidade docente é resultado de uma série de fatores. que elas só tornar-se-ão reais se acompanhadas de uma profissionalidade do ensino. da tentativa de se construir a autonomia profissional juntamente com a autonomia social. no qual o professor tem um papel fundamental. portanto.

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