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Exemplo3 - TCC Emerson Lima

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No artigo sobre Os eixos de desenvolvimento e a estruturação

urbano-industrial do estado de São Paulo, Brasil, Adilson Aparecido Bordo, faz um

breve relato da relação sobre o processo de urbanização relacionado à

industrialização no Brasil, fazendo antes uma retrospectiva sobre a industrialização,

conforme citação abaixo:

Desde o final do século VVIII, urbanização e industrialização foram
processos complementares, associados um ao outro. As primeiras
máquinas exigiam grande quantidade de trabalhadores vivendo
próximos das fábricas e, para a comercialização dos produtos
industrializados, eram necessários os estabelecimentos comercias,
que são típicos do meio urbano. Também a infra-estrutura criada
para atender aos interesses de algumas fábricas, como abertura de
estradas, ruas, fornecimentos de energia, água encanada, meios de
comunicação, atraiu novas indústrias para as cidades, aumentando a
concentração de pessoas no espaço urbano. (BORDO, 2005, p.2)

Bordo comenta que, na medida em que crescia a industrialização,

as sociedades iam também se urbanizando. A industrialização oferecia empregos

urbanos à população rural que deixava os campos em busca de novas

oportunidades de vida, em razão de mudanças estruturais, como a mecanização da

agropecuária, que diminuiu a necessidade de mão-de-obra no campo, ao mesmo

tempo em que crescia a necessidade de trabalhadores nas fábricas e nos serviços

urbanos.

Deste modo, Bordo conclui que:

Em muitas partes do mundo, principalmente nos países que estavam
se industrializando, a população urbana passou a crescer mais que a
população rural, caracterizando o processo de urbanização, faz-se
necessário que a população urbana aumente em relação à
população total de um país. (BORDO, 2005, p.2)

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Desta forma, Bordo relata que:

(...) a transição de um Brasil agrário para um país urbano foi uma
conseqüência direta do processo de industrialização que tomou
grande impulso na década de 1930, durante o governo de Getulio
Vargas que, implementou o modelo de industrialização como forma
de substituição das importações. (BORDO, 2005, p.2).

Prosseguindo na sua análise o autor faz uma rápida retomada das

décadas de 1940 até o censo de 2003, relacionando a industrialização à

urbanização, que sintetizamos abaixo:

Assim, a partir dos anos de 1940, a industrialização brasileira foi

beneficiada pela intervenção do Estado na economia, com a instalação de grandes

empresas estatais, particularmente no ramo da indústria pesada: siderurgia, indústria

química, mecânica pesada, metalurgia, mineração, geração de energia (petróleo,

hidrelétricas) e outras. Eram setores que exigiam grandes capitais, cujo retorno só

se daria em longo prazo e que a burguesia nacional não estava interessada em

investir.

A partir da década de 1940, o processo de urbanização toma

impulso no Brasil, concomitantemente ao aumento das atividades industriais nas

cidades, que atrai a mão-de-obra desocupada ou subocupada na zona rural. O

censo o IBGE de 1940, o primeiro a dividir a população do Brasil em rural e urbana,

apontava que 68,90% dos brasileiros viviam no campo naquele momento.

Nos anos de 1950, a industrialização toma novo impulso no governo

de Juscelino Kubitschek de Oliveira, o qual abandonou a política de

intervencionismo estatal e atraiu um grande número de empresas para o Brasil,

principalmente no ramo da indústria automobilística, naval, química e mecânica, por

intermédio de subsídios, como doação de terrenos, isenção de impostos e

empréstimos estrangeiros. (RIBEIRO, 1995, apud BORDO, 2005).

O processo de industrialização dos períodos supramencionados

concentrou-se na Região Sudeste, sobretudo no Estado de São Paulo. Nos anos de

1950, o processo de urbanização intensifica-se na Região Sudeste, a mais

industrializada do país, atingindo as demais regiões na década de 1970, conforme

análise feita pelo autor.

A partir dos anos 1960, a mecanização do campo – associada a

problemas estruturais como o monopólio da terra e a monocultura – expulsou u

grande número de trabalhadores rurais para as ares urbanas. A população urbana

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ultrapassa a rural nos anos 1970, passando de 44,67% do total em 1960 para

55,92% dez anos depois.

Em 1980, todas as regiões brasileiras já apresentavam uma

população urbana superior à rural. Nos anos seguintes, o processo de urbanização

diminui a sua intensidade, ao mesmo tempo em que as áreas rurais registram

crescimento negativo, com a diminuição de sua população em números absolutos. O

ano de 1996 marca o predomínio da população urbana em todos os Estados

brasileiros, sendo o Maranhão o ultimo a fazer a transição, conforme dados

mencionados no trabalho de Bordo.

De acordo com o censo de 2000, 81,23% da população brasileira

vivem em cidades, índice considerado alto superior ao de países como Itália (67%),

França (76%) e Estados Unidos (77%). Como já assinalado, vale lembrar que os

índices de urbanização muitas vezes variam em razão dos critérios adotados pelos

países para diferenciar o rural do urbano.

O trabalho de Adilson Aparecido Bordo trata principalmente da

concentração urbano-industrial em São Paulo que, guardada as proporções tem

alguma vinculação com o Estado do Paraná. No Estado de São Paulo, o processo

de ocupação rural, bem como a economia agrária foram importantes para a atividade

industrial, que atraiu muita mão-de-obra de outras regiões brasileiras.

Em síntese, segundo Bordo, citando Maria Flora Gonçalves,

(...) o processo de urbanização originado em São Paulo pelo
complexo cafeeiro adquiriu características particulares: uma rede
urbana amplamente ramificada, articulada hierarquizada, tendo no
seu topo o comando da capital de São Paulo (estrategicamente
situada no planalto entre o interior cafeeiro e o porto de Santos) e,
nas suas pontas pela extensão do seu sistema viário para além das
fronteiras do Estado, a comunicação com os estados vizinhos e seus
mercados, possibilitando que se estendesse a área de influência
paulista para muito além das fronteiras do Estado de São Paulo.
(GONÇALVES, apud BORDO, 2005, p.39).

Os capitais provenientes do café concentravam-se primeiramente na

capital federal, a cidade do Rio de Janeiro, mas, com o crescimento da cultura

cafeeira no interior de São Paulo e a exportação do produto pelo porto de Santos,

passaram a se concentrar, principalmente, na capital paulista, o núcleo gerenciador

e o suporte da rede urbana recém-formada.

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Deste modo, de apenas 31.385 moradores em 1872, a capital

paulista passa para 239.820 habitantes em 1900, atrás apenas da cidade do Rio de

Janeiro, que contava com 691.565 habitantes, conforme assinala Santos (1993).

De acordo com Mamigonian (1967), o processo industrial do Estado

de São Paulo principia-se por volta das décadas de 1880-1890, tendo por base os

capitais originados do aumento da produção cafeeira e a variedade de mão-de-obra

de imigrantes europeus atraídos pela referida atividade econômica, os quais

dispunham de um sabe-fazer industrial adquirido na Europa.

A partir da década de 1930, o mercado nacional consolida-se na

passagem de um Brasil agrário-exportador para um país urbano-industrial. Segundo

Pintaudi e Carlos (1995), até 1955, a industrialização era restrita, devido à sua

incipiente base técnica e à alta dependência da importação de bens de produção. O

avanço industrial precipitou pressões e condições para a implantação da indústria

pesada, majoritariamente com investimento estatal, que se realizou entre 1956 e

1960, concentrada, principalmente, no estado de São Paulo.

Assim, a formação de um importante mercado interno dentro da rede

urbana já existente e a intensificação dos fluxos variados entre ela e a capital do

Estado são o embrião da concentração industrial no Estado de São Paulo,

particularmente na capital.

Em 1950, a população da cidade de São Paulo girava em torno de

2.198.000 habitantes, enquanto o Rio de Janeiro contava com 2.377.000 habitantes,

de acordo com Ribeiro (1995).

Em 1991, o município de São Paulo contava com cerca de

9.627.000 moradores, atingindo 10.406.166 habitantes no censo de 2000, número

que aumenta para 17.878.703, levando-se em conta a população da Região

Metropolitana de São Paulo, instituída por lei federal em 1973.

São Paulo é a metrópole brasileira que concentrou o maior número

de atividades de gestão, controle e comando do território nacional, apresentando-se

como o ele de integração do Brasil ao sistema econômico global. Também funciona

como um elo de integração do território nacional por centralizar a informação e

possibilitar a circulação e a valorização do capital, sintetiza Bordo.

Acima, fizemos um rápido retrospecto da urbanização brasileira

destacando a Região Sudeste. A seguir procuraremos demonstrar a relação entre

emprego, indústria e, consequentemente, urbanização.

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1.1.1 Emprego na Indústria na Década de 1970/1980

Em um denso estudo sobre “Novo operariado, novas condições de

trabalho e novos modos de vida nas fronteiras do moderno capitalismo industrial

brasileiro” Nadya Araújo Castro, pesquisadora do Centro de Recursos Humanos da

Universidade Federal da Bahia relata que:

A integração recente de novos espaços regionais à moderna
atividade industrial brasileira, alterando os padrões de divisão inter-
regional do trabalho, obrigou a pensar em escala nacional o estatuto
desta novidade, até aqui restrita as fronteiras do eixo Rio-São Paulo.
(CASTRO, 1998.p.438)

A pesquisadora acima mencionada cita como estudos já feitos sobre

o assunto, os trabalhos referentes a outros estados que passaram a seguir as

pegadas deste novo proletariado fabril, surgindo agora em novos espaços regionais

brasileiros, como na Bahia, Amazônia, Minas e etc.

Deve ser ressaltado que os estudos iniciais relativos às varias

formas de existência desta sempre nova classe operária brasileira, destacavam

fortemente o peso das chamadas variáveis de “background” (sexo, idade,

escolaridade, origem migratória, trajetória ocupacional e etc.), problematizando a

inserção dos novos contingentes de migrantes, agora operários, no novo

contingentes de migrantes, agora operários, no meio urbano em constituição,

complementa a autora.

Uma problemática da formação do proletariado fabril brasileiro

parecia então, segundo a pesquisadora, estreitamente imbricada com a problemática

dos efeitos da intensa redistribuição espacial da força de trabalho e conseqüente

redefinição do ritmo e da natureza do crescimento das cidades, vale dizer do padrão

de urbanização decorrente.

Portanto, a partir dos anos de 1970, segundo Castro, os estudos

parecem definitivamente mudar de tom. Busca-se menos no indivíduo e suas

trajetórias e mais nas suas condições de vida e formas de sociabilidade os fios para

o entendimento de como se constituem as teias fabris e vida extra-fabril, entre

contradições produzidas no mundo do trabalho e re-elaboração coletiva das mesmas

em direção À constituição de formas de consciência, atitudes e comportamentos

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coletivos que sustentaram a emergência de um novo ator político nos últimos anos

da década dos anos 1970 e primeiros da década de 1980. (CASTRO, 1998)

Portanto, as cidades (grifo nosso) passam a ser encaradas como

uma variável interveniente fundamental ao entendimento destas novas formas de

consciência e de expressão que fundamentam o surgimento não apenas de meros

agregados ocupacionais, mas de novos atores sociais. A um só tempo, caldo de

cultura onde se nutrem as novas relações sociais e produto – elas mesmas- das

intensas mudanças por que passa o quadro das relações de trabalho, as cidades

passam a ser um foco privilegiado para o entendimento de importantes processos de

transformação social, fundamentais a compreensão dos novos padrões de produção

da força de trabalho no Brasil. (CASTRO, 1988 p.439)

Nesse cenário de consolidação de novas estruturas urbanas,

verifica-se uma transformação nas relações entre cidades médias e grandes, onde

as primeiras têm apresentado maiores índices de urbanização que as segundas.

1.2 – Desenvolvimento da Cidade Média

Andrade e Serra em um projeto que vem sendo desenvolvido pelo

Núcleo de Estudos e Modelos Espaciais Sistêmicos, da UFRJ, sobre o crescimento

econômico nas cidades médias brasileira, escreveu um trabalho sobre o

desempenho produtivo das médias cidades brasileiras, utilizando características

variáveis que representavam diferenças de dimensão demográfica, de grau de

industrialização, de nível de renda e de sua desigualdade, de nível educacional, de

oferta de infra-estrutura, de nível de dispêndio público e de mercado. Além dessas

variáveis, foi feito um controle para atributos de região, de localização espacial

(metropolitana e não metropolitana) e de escala urbana. (ANDRADE E SERRA,

2006)

Seu estudo abrangeu 128 cidades médias, cuja população urbana

possuía entre 100 mil e 500 mil habitantes em 1991.

Na análise dos resultados deste trabalho, com as variáveis

mencionadas, destacam-se alguns aspectos relevantes:

- Para a década de 1970, observa-se que as cidades que

experimentaram maior crescimento econômico forma aquelas onde era maior a

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pobreza em 1970. Tal resultado é satisfatório na medida em que provavelmente

melhorou o nível de emprego nas cidades mais pobres.

- Considerando o período inteiro 1970/1990 e a década de 1970,

as cidades tiveram maior crescimento do seu nível de atividade foram as que

tinham menor desigualdade na distribuição da renda.

- O grau de industrialização inicial das cidades médias afetou

positivamente o seu desempenho produtivo no período 1980/1990. Entretanto, se

for tomado todo o período, 1970/1990, observa-se uma reversão, onde aquelas

cidades com melhor desempenho produtivo neste período foram aquelas menos

industrializadas.

- Cresceram mais as cidades com população superior a 100 mil

habitantes. De qualquer forma as cidades que mais cresceram foram as

menores, nas escalas urbanas inferior a 100 mil habitantes.

Os autores Andrade e Serra, ao relacionarem o grau de

industrialização com o crescimento econômico nas cidades médias, concluíram que:

O grau de industrialização inicial das cidades médias afetou
positivamente o seu desempenho produtivo no período 1980/90, ou
seja, aquelas cidades com melhor desempenho produtivo neste
período foram as mais industrializadas. Entretanto, se for tomado
todo o período 1970/90, o grau de industrialização inicial nestas
cidades não se mostra significativo, indicando que na década de 70,
o maior ou menor desempenho produtivo delas pode ser associado a
outras características estruturais iniciais que não a industrialização.
(ANDRADE E SERRA, 2006, p.12)

Ainda, nessa mesma pesquisa, a relação entre a pobreza e o índice

de desigualdade na distribuição de renda, apontaram que:

a) As cidades que mais cresceram foram aquelas nas

quais havia a maior pobreza em 1970. Este resultado é importante na

medida em que mostra que o crescimento destas cidades pode ter

reduzido o nível de pobreza existente nas mesmas.

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b) O maior crescimento ocorreu naquelas cidades nas

quais era menor a desigualdade na distribuição de renda. Este resultado

também tem a sua importância porque valida a idéia de que uma melhor

distribuição de renda oferece melhores condições de demanda de bens e

serviços, a qual induz maior crescimento.

c) Os sinais indicam um movimento de convergência

entre o nível de emprego nas cidades médias. Isto pode ser argumentado

na medida em que para a década de 80 é possível observar que foi

menor o aumento do emprego nas maiores cidades e nas regiões mais

desenvolvidas do país: Sudeste e Sul. Entretanto, deve ser observado

que este plausível processo de convergência se dá num cenário

econômico majoritariamente recessivo, característico da década de 80, o

que pode desqualificar os resultados deste suposto processo de

convergência. (idem, p.13 e 14)

Os autores ao finalizar esta pesquisa, concluíram que, do ponto de

vista metodológico o resultado obtido pelas análises de regressão efetuadas mostra

que o conjunto de características mostrou-se relevante para discriminar a forma pela

qual as cidades médias se diferençaram na sua performance. De um modo geral as

regressões apresentaram um bom ajustamento estatístico e as variáveis utilizadas

para representar as características econômicas das cidades desempenharam bem,

com pequenas exceções, o papel discriminador para os desempenhos

diferenciados.

Os autores relataram que:

Ao se quebrar o período 1970/90 nos subperíodos 1970/80 e
1980/90, estimaram-se coeficientes diferentes para as regressões
que utilizavam aquele conjunto inicial de características das cidades,
o que evidencia mudanças na estrutura econômica ocorridas nas
suas duas décadas. Este resultado é compatível com modificações
nas condições iniciais que teriam ocorrido nessas cidades de uma
década para outra, modificações contrárias àquelas supostas a
princípio, ou seja, que as mudanças estruturais obedeceriam a um

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processo endógeno de transformação gerado pelas condições
iniciais. (ANDRADE e SERRA, 2006, p.19).

Ainda os autores fizeram uma importante observação quanto à

recessão e econômica e o crescimento urbano. Conforme suas palavras:

Observou-se que para o subperíodo 1970/80 os resultados da
análise levam à conclusão de que as diferenças de desempenho
econômico nas cidades médias funcionaram no sentido de provocar
maior divergência nos níveis econômicos destas cidades. Já para o
subperíodo 1980/90, a direção do desempenho produtivo
diferenciado foi para a convergência desses níveis. Entretanto, como
essa década foi caracterizada por uma situação recessiva ou de
baixo crescimento econômico no país, é bem provável que o maior
crescimento das cidades médias de menor nível econômico não
tenha sido capaz nem mesmo de recuperar a perda relativa ocorrida
na fase divergente da década anterior. (ANDRADE E SERRA, 2006,
p.19)

Tem sido muito importante o papel das cidades médias no apoio ao

processo de descentralização econômica, servindo como suporte para o

estabelecimento de unidades fabris ou de serviços.

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