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UNIVERSIDADE POTIGUAR CST PETRÓLEO E GÁS ALUNO Francisco Almir de Assis Cândido

APLICAÇÕES DE PROTEÇÃO CATÓDICA

MOSSORÓ/RN

JUNHO/2011

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como objetivo principal dar ênfase em um dos assuntos mais importantes da indústria quando se fala em proteção e diminuição dos custos de manutenção, fala se da proteção catódica, a qual é um método de combate à corrosão que consiste na transformação da estrutura para proteger o catodo de uma célula eletroquímica ou eletrolítica. É empregado para resguardar estruturas enterradas ou submersas tais como dutos, tanques, pés-de-torre, navios, plataformas, entre outros equipamentos metálicos. A proteção catódica é de extrema importância, pois realiza feitos que garantem o aumento da vida útil de vários equipamentos da indústria, principalmente petrolífera, a qual necessita e muito desse tipo de proteção para os seus metais.

APLICAÇÕES DE PROTEÇÃO CATÓDICA

A proteção catódica é um método de combate a corrosão que consiste na transformação da estrutura para proteger o catodo de uma célula eletroquímica ou eletrolítica. É empregado para resguardar estruturas enterradas ou submersas tais como dutos, tanques, pés-de-torre, navios e plataformas. Existem a proteção catódica terrestre e a proteção catódica marítima, que usam sistemas galvânicos e por corrente impressa para promover a proteção da estrutura.

As estruturas que podem ser protegidas contra a corrosão, por meio da proteção catódica, são dos tipos mais variados, tanto em terra quanto em mar, desde as mais simples, como bóias de arinque até as grandes plataformas de produção de petróleo em mares profundos. Por outro lado, há uma grande variedade de métodos e técnicas para aplicação da proteção catódica.

Proteção Catódica de Embarcações

A proteção catódica das embarcações pequenas, com casco de aço, é simples. A aplicação é aplicada na parte externa do casco. Calcula-se a área a qual deseja proteger e aplica-se a densidade de corrente conveniente, obtendo-se a corrente total requerida. Neste tipo de embarcação, usa-se apenas o sistema galvânico, sendo vantajoso o emprego de anodos de liga de alumínio. Ao se calcular a massa e o numero de anodos, deve-se levar em consideração uma vida útil, geralmente de dois anos. Quando se trata de navio, deve-se considerar a proteção externa do casco, a proteção interna dos tanques de lastro que transportam água salgada e, ainda os carreteis dos permutadores de calor e outros equipamentos que eventualmente operem com água do mar.

Proteção do Casco: Para o cálculo da proteção catódica externa do casco, pode-se usar tanto anodos galvânicos como sistemas de corrente impressa. Quando se usa anodos galvânicos, é importante observar que a zona de ré requer maior número de anodos, e que não se deve colocar anodos diretamente à montante do hélice.

A tendência mais moderna, em navios, é o emprego de sistema de corrente impressa. As condições de solicitação de corrente no casco de um navio variam em grande amplitude, sendo as condições mais críticas aquelas que ocorrem quando ele está com plena carga, portanto, navegando em mar aberto.

Proteção dos Tanques de Lastro: A proteção interna dos tanques de lastro é feita com anodos galvânicos. Primitivamente, usava-se anodo de magnésio, porém esta prática foi abandonada, por duas razões principais. A primeira delas é devida à baixa eficiência deste tipo de anodo associado ao seu elevado custo. A outra razão é puramente técnica.

Permutadores de Calor: Os permutadores de calor usados em navios, são para condicionamento e para resfriamento, são geralmente construídos de aço carbono, tendo

tubos de cobre ou de suas ligas. É comum ver-se carreteis, tampos e espelhos em aço carbono e tubos em latão de alumínio. Estes materiais, juntos, em contato com a água do mar, formam um par galvânico e dão origem ao processo de corrosão galvânica, em que o aço é atacado. Assim é necessário o emprego da proteção catódica para eliminar esta ação corrosiva. Para isso tanto se pode usar anodos de liga de zinco, como anodos de alumínio.

tubos de cobre ou de suas ligas. É comum ver-se carreteis, tampos e espelhos em aço
tubos de cobre ou de suas ligas. É comum ver-se carreteis, tampos e espelhos em aço

Proteção Catódica de Tanques de Armazenamento

Os tanques de armazenamento podem ser aéreos ou enterrados. Os tanques enterrados são usados preferencialmente em postos de serviço. O projeto de proteção catódica para tanques de armazenamento se compõe de duas partes, proteção interna e proteção externa.

Proteção Interna: A proteção interna de tanques de armazenamento depende, dentre outros fatores, do produto que é armazenado. Um exemplo que pode ser citado é em tanques que estocam água doce requerem estudos das características da água. É importante o conhecimento de sua composição química, do pH, da resistividade elétrica, da temperatura de estocagem e, ainda, se a água recebe inibidores de corrosão e qual o tipo usado. É mais comum para esse tipo de proteção, o emprego de anodos de magnésio e, mais raro, o emprego de anodos de zinco. Já em tanques de armazenamento de petróleo e vários de seus derivados, é comum a presença de água salgada, que decanta no fundo do tanque. Do ponto de vista de cálculo de proteção, esta condição é muito simples, porque permite o emprego do sistema galvânico, usando-se os mesmo parâmetros adotados no cálculo da proteção de estruturas marítimas. Na instalação dos anodos, deve-se ter o cuidado criteriosamente à distribuição de corrente, empregando-se o número adequado dos mesmos.

Proteção externa: Externamente, a proteção aplica-se a todo o tanque, para os enterrados, e à superfície do fundo do tanque que está em contato com solo para os aéreos, quando a fundação é direta, ou com uma laje de concreto, no casco de fundações sobre estacas, dependendo das condições do terreno, pode-se ter fundações mistas, particularmente no caso de tanques grandes. A necessidade de se usar proteção catódica para a superfície externa do fundo de tanques de armazenamento é avalidada mediante a análise do conjunto tanque/solo, ou mais precisamente, a sua resistividade elétrica, mas também o comportamento do tanque em contato com este solo, o que é obtido por meio da medição do potencial.

Proteção externa: Externamente, a proteção aplica-se a todo o tanque, para os enterrados, e à superfície

Instalações Portuárias

As instalações portuárias são áreas submetidas ao regime alternadamente imerso, na maré alta e emerso, na maré baixa, seguida de outra região em que a superfície está permanentemente úmida, devido aos respingos de água do mar. Nesta zona, se tem a maior agressividade do meio, associada à dificuldade de se proporcionar proteção catódica, pela falta de eletrólito permanente para conduzir a corrente de proteção. Para solucionar este problema alguns profissionais têm utilizado um revestimento metálico, com material nobre, particularmente uma liga de níquel-cobre, tradicionalmente conhecida por Monel. Esta liga apresenta excelente resistência tanto a ação da água do mar, como à agressividade da atmosfera marítima. Outra solução consiste no emprego de revestimento orgânico. Trata-se de um material de características muito particulares que permite aplicação em superfície submersa na água salgada. Este material é essencialmente uma massa à base de epóxi- poliamida, para aplicação manual, possibilitando um revestimento de 3 a 5 mm de espessura.

Proteção externa: Externamente, a proteção aplica-se a todo o tanque, para os enterrados, e à superfície

Plataformas Marítimas para Produção de Petróleo

As jaquetas das plataformas marítimas destinadas à produção de petróleo são estruturas extremamente diferentes das instalações portuárias, porém, o cálculo da corrente requerida para proteção segue o mesmo esquema das outras aplicações, embora as variáveis envolvidas assumam valores diferentes daqueles das outras aplicações. É incluído no cálculo da proteção catódica para plataformas marítimas também as estacas que serão cravadas para fixação da plataforma, os tubos condutores dos poços e os próprios poços. Outra consideração de extrema importância é a densidade de corrente de proteção que deve ser adotada, a qual depende fundamentalmente das condições locais, mormente em se tratando de mares profundos. Um fator que influi na densidade de corrente, de modo marcante, é o teor de oxigênio da água, desde a superfície até o fundo do mar.

Este conteúdo de oxigênio, quando muito alto, em combinação com a turbulência pode elevar sensivelmente o valor daquela densidade, como acontece, por exemplo, no Mar do Norte. Em uma estrutura de grande porte e de extrema complexidade, o detalhamento da proteção catódica é também uma tarefa complexa, requerendo muita programação para se chegar ao objetivo desejado. A grande maioria das plataformas marítimas é dotada de proteção catódica galvânica. Não obstante, alguns sistemas de corrente impressa têm sido utilizados.

Um ponto crítico na proteção catódica de uma jaqueta é a distribuição de corrente ao longo de toda a estrutura. A existência de nós, com grande número de elementos estruturais, cria condições de blindagem, dificultando o acesso da corrente nas reentrâncias, que são os pontos mais desfavoráveis, sendo resolvido com a colocação de anodos galvânicos junto aos nós, de modo a prover, ali, a corrente necessária.

Considerando que a água do mar é um eletrólito de resistividade elétrica muito baixa, a resistência do circuito de proteção catódica é também baixa. Consequentemente, o consumo de energia para proteção é pequeno. Em vista disso torna-se antieconômico o emprego de pintura nas partes submersas. Por isso as jaquetas são revestidas penas em sua parte exposta à atmosfera.

Plataformas Marítimas para Produção de Petróleo As jaquetas das plataformas marítimas destinadas à produção de petróleo
Plataformas Marítimas para Produção de Petróleo As jaquetas das plataformas marítimas destinadas à produção de petróleo

Proteção de Dutos, Adutoras e Outras Tubulações

As tubulações representam as mais importantes instalações preservadas pela proteção catódica, principalmente as enterradas, cuja extensão, protegida em todo o mundo, talvez ultrapasse um milhão de quilômetros. A maior parte encontra-se enterrada, porem tem crescido muito, nos anos recentes, o numero e a extensão das tubulações submarinas, particularmente como consequência da produção de petróleo no mar. Estas aplicações se dão na parte externa e interna das tubulações.

Proteção Externa: A proteção externa de tubulações enterradas ou submersas representa uma das mais extensas, senão a mais extensa de todas as aplicações de proteção catódica. Em geral utiliza-se para complementar a proteção dada inicialmente por meio dos revestimentos protetores. Estes revestimentos são normalmente de alta qualidade, restringindo o uso de proteção catódica apenas às minúsculas falhas, que representam menos de 5% da área total enterrada. Esse fato torna possível, muito econômico e muito eficiente a instalação de proteção catódica. O problema só se torna mais complexo quando ocorre interferência, particularmente resultante da fuga de corrente de sistemas de tração eletrificada, acarretando corrosão eletrolítica. As tubulações enterradas nuas também podem ser preservadas por meio de proteção catódica, porém é mais difícil tecnicamente e muito mais onerosa, em virtude da corrente requerida para proteção ser relativamente alta, associada à resistividade do solo, em geral elevada.

Proteção Interna de Tubulações de Água

É comum o emprego de água doce ou salgada para refrigeração, em unidades industriais. Para a proteção interna das tubulações que condizem esta água, usa-se o sistema combinado de revestimento e proteção catódica. O sistema frequentemente usado ainda é o galvânico, por meio de anodos contínuos ou de longo comprimento. Os anodos contínuos são de pequena seção transversal e grande comprimento, geralmente obtidos por um processo de extrusão.

Proteção de Dutos, Adutoras e Outras Tubulações As tubulações representam as mais importantes instalações preservadas pela
Proteção de Dutos, Adutoras e Outras Tubulações As tubulações representam as mais importantes instalações preservadas pela

Proteção Catódica em Unidades Industriais

Em unidades industriais há, em geral, muitas estruturas enterradas, dentre elas tubulações diversas, tanques, estacas metálicas, entre vários outros equipamentos. Estas estruturas estão sempre sujeitas à corrosão pelo solo e têm o processo corrosivo agravado por aterramentos construídos em cobre. Todo o seu dimensionamento segue o mesmo esquema para tubulações, tanques e estacas metálicas, sendo mais utilizados os sistemas por corrente impressa, com apenas uma particularidade relativa aos anodos que são posicionados de forma distribuída, isto é, levados às proximidades das estruturas, para que a corrente chegue de forma mais adequada às mesmas.

Proteção Catódica em Unidades Industriais Em unidades industriais há, em geral, muitas estruturas enterradas, dentre elas

Ferragem de Estruturas de Concreto

A ferragem das estruturas de concreto se encontra apassivada, em virtude do elevado pH da argamassa do cimento. Não havendo porosidade no agregado, de modo a possibilitar a infiltração da umidade, não haverá problemas de corrosão. Entretanto, em meio de elevado teor de cloreto, mesmo com baixa porosidade do concreto, haverá infiltração deste íon (colocado como aditivo nas argamassas de cimento) e quando ele atinge o metal rompe a passividade da película protetora e se instala um processo de corrosão. Isto é mais frequente em estruturas marítimas. Em meio a isto é empregado para solucionar o problema a proteção catódica, a qual segue procedimentos diferentes dos adotados nas demais aplicações, tanto no que se refere às densidades de corrente como ao critério do potencial mínimo de proteção.

Proteção Catódica em Unidades Industriais Em unidades industriais há, em geral, muitas estruturas enterradas, dentre elas

Brasil

As principais aplicações dos sistemas de proteção catódica no Brasil são:

  • Oleodutos - Todos os oleodutos existentes em operação no Brasil são protegidos Catódicamente, a maioria por corrente impressa;

  • Gasodutos - Todos os gasodutos existentes no Brasil possuem sistema de proteção catódica, inclusive as redes de distribuição de gás domiciliar e industrial sendo o sistema por corrente impressa o mais aplicado;

  • Minerodutos - Os minerodutos em operação no Brasil, construídos em aço, estão protegidos com o sistema por corrente impressa;

  • Adutoras - A grande maioria das adutoras de aço das Companhias de Saneamento de todo o Brasil está também protegida catodicamente com sistema por corrente impressa;

  • Emissários Submarinos - Os emissários submarinos de esgotos, construídos em aço, estão protegidos com anodos galvânicos ou com sistema por corrente impressa;

  • Plataformas de Petróleo - Todas as plataformas de prospecção e produção de petróleo no mar, atualmente em operação no Brasil, são protegidas catodicamente, sendo o sistema galvânico com anodos de alumínio o mais aplicado;

  • Tanques de Armazenamento - A maioria dos parques de tanques de armazenamento de petróleo, álcool e derivados de petróleo existentes no Brasil estão protegidas com sistemas de proteção catódica por corrente impressa;

  • Píeres de Atracação de Navios - Todos os píeres, construídos com estacas de aço cravadas no mar, utilizam a corrente impressa com mais frequência;

  • Navios - Os navios e embarcações construídos em aço são protegidos com sistema galvânico ou por corrente impressa, a depender das características de cada um.

CONCLUSÃO

Ao concluir-se o trabalho de pesquisa verificou-se a real importância da aplicação da proteção catódica em muitos meios e equipamentos da indústria em âmbito geral, principalmente na indústria petrolífera, a qual depende de materiais metálicos para realizar seus trabalhos e produzir seus hidrocarbonetos e derivados. A proteção catódica é uma excelente ferramenta contra a corrosão, pois com a aplicação da mesma, torna e equipamento mais duradouro e com uma redução nos custos de manutenção. Existem casos que o projetista precisa ter muita habilidade para aplica-la, pois existem complexidades que determinam fatores fundamentais para que a operação possa dar certo e conseguir suprir as necessidades.

REFERÊNCIAS

DUTRA, Aldo Carneiro. Proteção catódica: técnicas de combate à corrosão. / Aldo Cordeiro Dutra, Laerce de Paula Nunes. 4°ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2006. Pag. 57 a 99.

07/06/11

Acesso

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