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Geologia do estado do Paraná-1

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A FORMAÇÃO DAS PAISAGENS PARANAENSES

Rodrigo de Andrade Kersten Franklin Galvão Omar Ferreira Lopes

O Estado do Paraná localiza-se na região Sul do Brasil, entre as latitudes 22º 28’ 30” sul, no rio Paranapanema, e 26º 42’ 59” S, nascente do rio Jangada, somando mais de 468 km norte-sul. O ponto extremo a leste está a 48º 02’ 24” e a oeste 54º 37’ 38”, ultrapassando 647 km de extensão (Maack 1968). Com superfície total de 201.203 km2, o Paraná representa 35% da área da região Sul e 2,3% da área do Brasil, situando-se quase inteiramente ao sul do trópico de Capricórnio. Está submetido predominantemente ao clima superúmido, mesotérmico, sem período seco, sendo a região norte gradativamente mais influenciada pelo clima continental quente, com período seco. A temperatura média anual no Paraná varia entre 22 ºC no noroeste e 14 ºC nas regiões mais altas da Serra do Mar (acima de 1300 m) e na região de Palmas (1100 m). A pluviosidade média também é bastante variada, ficando entre 1.750 e 2.000 mm/ano no litoral, entre 2.500 e 3.000 na Serra do Mar e no sul do estado; entre 1.250 e 1500 na região de Curitiba e no centro do estado, e abaixo de 1.250 no norte do estado (Leite 1994; Embrapa 1984). Embora o IAPAR (1994) classifique o estado inteiro sob clima CF, variando de Cfa no litoral e regiões norte e nordeste, e de Cfb na região central e sul, o IBGE indica a existência de quatro climas principais (Figura 1), podendo ser identificados até seis tipos distintos. Orograficamente o Paraná pode ser dividido em duas regiões naturais: o litoral e os planaltos do interior. Separando essas regiões está a escarpa da Serra do Mar, constituída pela elevação do complexo cristalino para cima do nível do primeiro planalto. A maior área do estado, no entanto, é formada pelos três planaltos que declinam suavemente em direção a oeste, sudeste e nordeste (Maack 1968). O primeiro dos degraus é formado por sedimentos paleozóicos do Devoniano, sendo, por essa razão, denominada Escarpa Devoniana. O segundo grande degrau separa a região dos sedimentos paleozóicos das formações do Mesozóico, sendo denominado “Escarpa Triássico-Jurássica”. Essa escarpa é a continuação ininterrupta da Serra Geral de Santa Catarina, sendo denominada, no Paraná, de Serra da Boa Esperança (Maack 1968) (Figura 2).

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3) primeiro planalto ou planalto de Curitiba. mapa baseado em fontes diversas). Figura 2 Perfil esquemático do estado do Paraná. 4) segundo planalto ou planalto de Ponta Grossa. essas duas frentes de escarpas. dividem o estado em cinco grandes regiões de paisagem natural: 1) Litoral. associadas à Serra do Mar. 5) terceiro planalto. mostrando as feições geológicas e unidades de relevo (perfil baseado em Maack. 2) Serra do Mar. 2007). 1950. 2 . planalto de Trapp ou de Guarapuava. De acordo com Maack (1968).Figura 1 Divisão climática do Paraná (baseado em IBGE.

As rochas intrusivas resfriam-se muito mais lentamente.m. sedimentares e metamórficas.n.n. decaindo. Seus aspectos geomorfológicos atuais são o resultado de três principais fatores: das diferenças litológicas. posteriormente sujeitos a processos diagenéticos (compactação.n. na região das cidades de Guarapuava e Pinhão para 550 m na serra de São Francisco e daí abruptamente para menos de 200 m na borda do cânion do Paraná (Embrapa 1984). filitos). Embora o Pico Paraná atinja altura próxima a1900 m s.n. nos 75 km de sua extensão. As rochas metamórficas (meta = mudança. inclina-se de 1200 m s.m. Os diabásios (intrusiva) e o basalto (extrusiva) são exemplos de rochas básicas. Piquiri e Iguaçu. até 870 m s. Exemplos de ácidas são os granitos (intrusiva) e riolitos (extrusiva).A Serra do Mar exerce papel importante na geomorfologia paranaense por constituir o divisor assimétrico e marginal que separa a região litorânea dos planaltos. tanto superficialmente (extrusivas) quanto internamente à crosta (intrusivas).m. limitado a leste pela serra da Boa Esperança. 400 m s. Podem apresentar textura mais grossa (arenitos). dos movimentos tectônicos e dos desgastes morfoclimáticos (Salamuni 1969). a elevação varia normalmente entre 500 e 1000 m sobre o nível do planalto de Curitiba.. Geologia do Estado do Paraná As rochas podem ser divididas em três grandes grupos: Ígneas ou magmáticas. nas proximidades de Curitiba. intermediária (siltitos) ou muito fina (argilitos.n. cimentação e recristalização).m) e decai irregularmente atingindo seu ponto mais baixo (ca. morpho = forma) são rochas de quaisquer 3 . As ácidas são mais viscosas e causam erupções explosivas.n. cujas altitudes oscilam de 850 a 950 m s. tornando-se mais resistentes. A bacia do Iguaçu exibe ondulações suaves.n. As rochas ígneas (ignis = fogo) são as originárias do resfriamento do magma. enquanto que as básicas são mais líquidas e causam erupções com derrames e longos escorrimentos superficiais.m. por isso formam cristais maiores. formado pela bacia do Iguaçu.m) na porta do rio Ivaí para o terceiro planalto. no sopé da cuesta devoniana (Maack 1968). Podem ainda diferenciarem-se quanto a composição química em ácidas (altos teores de sílica) e básicas (baixos teores de sílica). O primeiro planalto atinge altitude máxima de 960 m s. (Salamuni 1969).m. pode ser dividido em blocos separados pelos grandes rios que o percorrem: Tibagi. O terceiro planalto. O segundo planalto atinge seus picos de altitude na serra de São Luiz do Purunã (cerca de 1200 m s. Ivai. O bloco sul. As sedimentares (sedere = acumular) são formadas sempre superficialmente a partir do acúmulo de sedimentos em locais abaciados.

A solidificação da crosta (3.) a consolidação final dos primeiros continentes (Salgado Labouriau 1994). com cerca de 4. Durante o Proterozóico a vida se expande até que o primeiro registro seguro de animais com partes mineralizadas (conchas.a. com cerca de 4. que gerou uma cratera com amis de 170 km de diâmetro. que por sua vez pode sofrer subdução e ser jogada novamente para o manto. e o Gnaisse Acasta.tipos que passaram por mudanças físicas ou químicas.a.) a separação entre África e América. Durante o Cenozóico. quartzitos e xistos.a. O segundo grande éon é o Arqueano. criando as primeiras florestas. Eras e Períodos. México. 4 . animais e plantas saem do oceano e migram para terra.2 m. Durante o Mesozóico. migmatitos. Uma rocha ígnea pode ter suas partículas desgastadas e acumular-se para formar uma sedimentar. Surgem também as primeiras plantas com flores. Todos os tipos de rochas estão expostos a um ciclo global e eventualmente podem transformar-se uma nas outras. na Austrália. Figura 1 Coluna do tempo geológico.) causada pelo resfriamento da superfície é o evento delimitador desse éon.8 b.a. Data desse período também (cerca de 100 m. mármore. Desta época são conhecidos. Mesozóico e Cenozóico.a. A grande extinção no limite Mesozóico / Cenozóico aparentemente foi caisada pelo impacto de um grande meteoro. Para melhor compreensão dos processos de formação da Terra costuma-se aplicar uma divisão em Éons.2 bilhões de anos. carapaças) marca o início do Fanerozóico. O Éon mais antigo.5 b. Seu limite com o Mesozóico é definido por uma das maiores extinções em massa já registrada no planeta (248. apenas dois registros. no Canadá.0 bilhões de anos. podendo retornar na forma líquida à superfície. material mais antigo da Terra. na península de Yucatan. no mundo. Durante o Paleozóico. Podem variar de baixíssimo grau (anquimetamórficas) até anetexitos (derretidas e refundidas). definido pela estruturação do núcleo. os cristais de Zircão. que tem como evento limite (2. Esse é subdividido em Paleozóico. rocha mais antiga já registrada na Terra. São exemplos importantes no Paraná granulitos. e essa pode sofrer pressões e tranformar-se em uma metamórfica. Como grande evento geológico pode ser citado o soerguimento da cordilheira dos Andes a apenas 20 m. manto e crosta é conhecido como Hadeano (Figura 3). os mamíferos passam a dominar o planeta e os continentes tomam sua forma atual. os dinossauros surgem e passam a dominar a terra.). onde fundirá ao magma.

de maneira geral. ambas metamórficas de alto grau. sendo as tipologias geológicas a leste gradativamente mais velhas (Figura 4) (Mineropar 2001).Bacia vulcano-sedimentar PROTEROZÓICO (Superior) 3 . A porção oeste do estado é. fundidas e metamorfizadas de diversas formas.Arenitos 6 .). a tectônica global ainda era uma dança de microplacas movidas pelo altíssimo calor interno da Terra. de origem eólica e ainda hoje em formação (Mineropar 2001). diferindo entre si pela presença (migmatito) ou ausência (granulito) de água em sua gênese. formando um planalto bastante regular.a. esta região apresenta relevo suave ondulado. são derivadas de basaltos tendo sido formadas em profundidade. Devido a essa disposição histórica leste-oeste convém descrever os eventos formadores também nessa seqüência.Rochas de baixo grau metamórfico ARQUEANO 1 . No entanto. mais nova.Sedimentos vulcânicos Mesozóico 8 . as formações mais recentes correspondem aos depósitos marinhos também no litoral. a mais de 2. ambos resquícios de um planeta ainda em intensa atividade tectônica. aos depósitos aluviais deixados pelos cursos d’água e ao arenito caiuá. notadamente os granulitos e migmatitos formadores do “escudo” brasileiro e paranaense (Figura 5-1) (Park 1997). seu elevado tempo de exposição fez com que suas feições fossem todas aplainadas.Magmatismo ácido PROTEROZÓICO (Inferior) 2 . como o Holoceno.6 b. em nosso litoral. As rochas ígneas do domínio Luiz Alves (2. Essas rochas.Rochas de alto grau metamórfico Figura 4 Litologia simplificada do estado do Paraná.5 bilhões de anos.Cobertura sedimentar 4 . Assim. 5 . Na transição entre o Hadeano e o Arqueano. até a épocas recentes. No final do Arqueno ocorre a formação da maioria das primeiras rochas paranaenses.Magmatismo básico Paleozóico 5 .Sedimentos inconsolidados 7 . com planícies de inundação que chegam a atingir mais de 2 km de extensão ao lado dos rios (Curcio 2006). FANEROZÓICO Cenozóico 9 . Rochas estavam sendo rapidamente formadas.000 anos de idade. A rochas mais antigas de nosso estado estão.A formação geológica Os eventos geológicos que levaram a atual formação do território paranaense estendem-se desde o Proterozóico inferior. Apesar de serem rochas bem resistentes. com cerca de 5. composto pelos complexos Serra Negra e Máfico de Pien. portanto.

.. sempre que expostas estão muito intemperizadas. . solidificadas em profundidade.Intrusões graníticas posteriores ao Adamastor 4 . cerca de 700 m. nas porções mais rasas. O cruzamento dos depósitos SW6 . muito resistentes. causados pelo ciclo tectônico brasiliano-panafricano dando origem aos mármores e folhelhos atualmente observados. Após esta sedimentação houve também a extrusão de granitos (Figura 5-5) entre os depósitos.Sedimentos vulcânicos do paleozóico 5 . Mais tarde estes depósitos foram submetidos a metamorfismos de baixo grau. ascendidos em blocos cilíndricos em função dos seqüenciados depósitos na bacia do Paraná. até a porção norte do primeiro planalto paranaense (Figura 5-4) por meio de braços digitiformes em sentido SW-NE. nas mais profundas. O Adamastor.. Cada braço oceânico levou a deposição de duas rochas característica: calcários..Depósitos calcáreos e de argilitos 3 . 1 . sendo observadas faixas de calcário intercaladas com faixas de argilito (folhelho) além dos granulitos remanescentes do arqueano. sendo inclusive muito difícil observar afloramento em estado bruto.) houve ainda o grande derrame de basalto que resultou nos diques de diabásio em sentido NW-SE.000 anos) 7 .Granitóides (granitos.Depósitos do quaternário (Guabirotuba) 6 . Tal plataforma foi posteriormente intrudida pelos Granitos (Figura 5-3) formadores da Serra do Mar.Depósitos marinhos recentes (5.a.a. Essas rochas são muito pouco resistentes.Granitos e xisto (Rio das Cobras) originários da separação do Gondwana. invadiu praticamente todo o Paraná. um grande oceano adentrou a massa continental da América do Sul.. como é conhecido. 8 . Na porção sul do planalto não são observados registros desse fenômeno.Granulitos (dominante) e migmatito Bocaiúva do Sul. . 2 .Serra do Mar Figura 5 Geologia simplificada da porção leste do estado do Paraná. Granitos são rochas magmáticas ácidas.. migmatitos e granitos de anatexia) intrudidos no granulito.. os depósitos se intercalam. Ainda no Proterozóico. e argilitos. Como formou diversos braços de mar. Posteriormente (cerca de 150 m.Assim como o xisto Rio-das-Cobras (Domínio Luis Alves) são originadas da alta atividade da crosta terrestre durante o Arqueano / Proterozóico inferior.

a. quando mais próximos ao mar. formados em subsuperfícies a cerca da 1 b. O primeiro foi o Canasvieiras e o último. sendo cratonizada (fundida). a formação Guabirotuba (Figura 5-7). denominado escudo paranaense.120 m. Com o início da separação da América da África (Cretáceo . depósitos de sedimentos. Toda essa grande massa. com idades desde o Mioceno inferior até o Holoceno.) a movimentação tectônica criou uma zona de cisalhamento (quebra) e a conseqüente ascensão de grandes blocos de granito (Figura 5-2) a mais de 4. e por esse motivo são chamados de granitos acamadados. Por seu tipo de extrusão. Essa é. Para os geólogos. formador da plataforma marinha continental. novos blocos graníticos foram elevados. principalmente cinzas e fluxos de detritos. tendo sido inclusive confundidos com migmatitos. Esses granitos. cinza e lava se acumularam. foram expostos apenas a 10% desse tempo. que dominou praticamente toda a superfície terrestre: o Pantalassa. As planícies de sedimentos costeiros apresentam os típicos cordões litorâneos que correspondem a antigas linhas da costa. formado um aglomerado de diferentes estruturais. associada aos depósitos dos grandes vales fluviais. O segundo planalto é originário de depósitos provenientes de outro oceano. esses granitos encontram-se freqüentemente dispostos em camadas paralelas ao eixo de separação Brasil . Posteriores a isso ainda são os depósitos marinhos que dão origem a planície litorânea (figura 5-8). São rochas também muito resistentes formando relevos acidentados.000 metros de altitude. As superfícies oriundas desses sedimentos dão origem a paisagens planas e rochas pouco resistentes.África. o Morro Inglês. elevando o granulito e expondo-o as intempéries ambientais. Outro evento de grande porte ocorrido durante o ciclo tectônico africano-brasiliano foram as explosões de sedimentos vulcânicos. Rochas de diferentes tamanhos (de poucos centímetros pequenas a grandes blocos). Os sedimentos Cenozóicos da região litorânea do estado do Paraná estão agrupados em dois tipos principais: continentais e costeiros. como areia da praia. mais recentemente foram expostos os granitos. incluindo ambientes de sedimentação atuais. formados como conseqüência das oscilações do nível do mar durante o Quaternário (Angulo 2004). Esse oceano recobriu boa parte da América do Sul.a. conhecidos como as unidades estratigáficas Guaratubinha e Castro (Figura 5-6). Muito mais recentemente (Cenozóico) foi formada. Dessa maneira. atualmente denominada primeiro planalto paranaense. recebeu razoável dose de tectonismo. de proporções muito maiores. dando origem a um grande bloco único. por sedimentos vulcânicos.NE ( / ) com os diques NW-SE ( \ ) resulta no atual relevo acidentado observado na região do Açungui e no Vale do Ribeira. entrando possivelmente 7 . as geologias dominantes na região de Curitiba. são também rochas. e diferem de um arenito por estarem menos consolidadas. A medida que África e Brasil se separaram.

em especial a formação Furnas. o Pantalassa passa por nova progressão. formador das feições de Vila-Velha.através do Peru e dando origem a diferentes depósitos de sedimentos costeiros. apresentando relevo mais suave. Após este período o Pantalassa sofreu forte regressão expondo os depósitos e causando a erosão de grades camadas deste material. Possivelmente boa parte dos sedimentos. quase sem várzeas. carbonatos e argilas marinhas 3 . dessa vez sobre regime glacial. arenitos eólicos vermelhos 4 . Estas duas formações foram depositadas durante período de clima ameno. Ponta Grossa foi formada exclusivamente por depósitos marinhos (litorâneos e de plataforma). no estado. Furnas sofreu mais influência da massa continental (sedimentos aluviais) e apresenta relevo acidentado e rios encaixados. formadora das escarpas de São Luiz do Purunã. com curta planície aluvial.Rio do Rasto. Os sedimentos mais antigos observados na bacia são do Grupo Paraná (Figura 6-1). sejam oriundo do processo erosivo sofrido pelo grupo Paraná. Mafra e Rio do Sul. sem mapeamento ainda. Depositada em ambiente aluvial e litorâneo é constituída por conglomerados e arenitos grosseiros na base e arenitos médios a siltitos nas porções superiores. nas formações Campo do Tenente. é formada por folhelhos e siltitos cinzentos com intercalações de arenitos muito finos (Mineropar 2001). portanto. principalmente nas porções basais da unidade.Itararé. Após o período de erosão do grupo Paraná. arenitos de origem costeira e marinha Figura 6 Geologia simplificada do segundo planalto paranaense. argilitos marinhos 2 .Terezina. oriunda de depósitos litorâneos e de plataforma. sedimentos típicos desse tipo de clima. sem constatação de sedimentos oriundos de glaciais.Rio Bonito. Imediatamente após observa-se a deposição da formação Ponta Grossa.Paraná. incluindo drop-stones e morenas glaciais. São observados. De relevo suave e amplas planícies aluviais encontra-se dividido. embora ainda com rios encaixados. depósitos de siltitio e argilito de origem glacial 1 . A formação Rio do Sul foi formada em ambientes litorâneos de plataforma periglacial e deltáica. arenitos eólicos 5 . siltitos e arenitos finos a médios além de 8 . 6 – Botucatu e Pirambóia. O próximo depósito observado foi o grupo Itararé (Figura 6-2). compõe-se de folhelhos.

como o grupo Paraná. Serra Alta e Rio do Rasto compõe a unidade Passa-Dois (Mineropar 2001). junto com a formação Palermo o grupo Guatá.a. O terceiro planalto paranaense tem sua origem ligada a 32 derrames vulcânicos (CFB – continental flood basalt) que determinaram a famosa paisagem de Trapp. O exemplo maior são as próprias Cataratas do Iguaçu. foi depositada em ambiente continental sendo. ao contrário dos demais depósitos do segundo planalto. assim como dos diversos pontos onde hoje são registrados diques de diabásio (basalto de profundidade). em oposição ao magma original. ritmitos e diamictitos (Mineropar 2001). formadora das famosas esculturas de Vila Velha e dos paredões da Lapa. Cessada a deposição dessa formação. arenito eólico. soldando sua porção superior. compreendendo as formações Pirambóia e Botucatu . Ao passar pelos arenitos.a. ou da Boa Esperança. constituindo-se de arenitos grosseiros. São. A baixa viscosidade do magma permitiu que alguns derrames conseguissem atingir mais de 400 km de extensão. que em muitos pontos passam por três níveis seguidos de queda. cada um representando um grande evento de derrame basáltico. Na média variam entre 10 e 30 m de espessura. citada por Maack (1961) (Figura 7-1). Esses diferenciados 9 . O primeiro forma. tornando-se assim ácidos. Esses degraus de basalto podem ser observados com facilidade em inúmeras quedas d’água ao longo do terceiro planalto. embora existam registro deste 140 m. juntamente com os basaltos. Apresentam também várzeas extensas e relevo suave. É caracteristicamente avermelhado e assume importância maior no estado de Santa Catarina.a. A segunda. Já a formação Campo do Tenente. siltitos e ritmitos. portanto. Após esse ciclo. Esses arenitos. O derrame basáltico imediatamente posterior levou ao “recozimento” desse último arenito (Botucatu). onde forma a famosa serra de mesmo nome. Formados por lava pouco viscosa devido ao baixo teor de sílica (básica) os derrames inicialmente partiram de uma geoclase (grande falha) localizada na atual calha do rio Paraná.Jurássico. A unidade Rio do Rasto (Figura 6-5). A formação Mafra é constituída por depósitos de planície litorânea e de plataforma periglacial. Seu pico de atividade foi entre 133-127 m. até 119 m. é originada de depósitos flúvio-glaciais.diamictitos e raras camadas de carvão. juntamente com as formações Irati. divisora do segundo e do terceiro planalto paranaense.seqüências sedimentares continentais formadas no Triássico . em regine interglacial. formam a famosa Serra Geral. siltitos. apesar de comumente ser associada á formação Terezina em um mesmo grupo geológico. de origem eólica. quando freqüentemente três ou mais desníveis (degraus) consecutivos são observados. tem como litologia arenitos finos a grosseiros. sobreveio um ciclo erosivo de proporções continentais no Triássico médio. ou degraus.. denominado Gonduana. alguns dos pontos de derrame aumentaram seu teor de sílica. dessa forma. As unidades Rio Bonito e Terezina (Figuras 6-3 e 6-4) foram depositadas. foi formado o grupo São Bento (Figura 6-6).

erguendo em sua porção leste e criando leve queda em direção à oeste (Figura 7).a. arenitos eólicos 2 . certamente. Esse mesmo fenômeno criou as serras Geral. A última unidade estratigráfica observada no Paraná é o arenito Caiuá (Figura 7-3). Foi. os mais próximos podendo chegar a mais de 400 m de diâmetro. sua deposição iniciou-se logo após os derrames basálticos. enquanto as rochas ácidas são bem mais resistentes á intempéries e aos agentes biológicos. Os diques variam de tamanho gradativamente com o afastamento da origem. De origem recente. formando relevos mais acidentados. enquanto os do litoral raramente atingem 1m. 3 -Formação Caiuá.ácidos são constituídos principalmente de riolitos e riodacitos.Basaltos . Originado de 10 . dando origem a maior bacia vulcânica do mundo. os basaltos são mais reativos e apresentam relevos mais planos. Densamente concentrados no Vale do Ribeira. são observados inclusive no litoral.). muito maior que o atualmente observado. expondo seus granitos (Figura 5-3) que se intrudiram através do granulito. aumenta a viscosidade do magma e a resistência da rocha final. de São Luiz do Purunã e do Mar. A sílica além de “acidificar” a rocha. O recobrimento de lava atingiu uma porção significativa da América do Sul. Assim. Figura 3 Perfil esquemático do relevo do estado do Paraná. Possivelmente nesta mesma época (130 m.formação Serra Geral Figura 2 Geologia simplificada do terceiro planalto paranaense. todo o Paraná foi basculado.Riolitos e riodacitos (diferenciados ácidos) formação Serra Geral 1 . O peso da lava e os seqüentes derrames abriram diversos diques ao longo do estado. devido ao enorme peso sustentado pela bacia.

siltitios e argilitos Siltitos e argilitos Arenitos e siltitos Arenitos grossos e siltitos Siltitos e argilitos Arenitos Fanerozóico Mesozóica 488. a.a.a.) Peraú Complexo préMigmatitos e gnaisses setuva Complexo Serra Granulitos Negra 11 .0 443.6 251. Carbonífero Devoniano Siluriano Castro Ordoviciano 370 m.5 Neogeno Pleistoceno Plioceno Mioceno Oligoceno Eoceno Paleoceno 1.8 5. ultrapassar o rio Piquiri. Apesar de apresentar distribuição bastante ampla. Paleogeno 66 m. sua espessura varia de poucos centímetros a alguns metros nas porções maiores. É também o maior responsável pelo assoreamento do lago de Itaipu.0 359.0 b. 205 240 m. Açungui 1. a única zona de clima com período realmente seco no estado (Figura 1).7 280 m. com fusão hidrotermal Siltitos Siltitos e calcáreos Argilitos Argilitos Siltitos Arenitos.a. tanto da rocha quanto de seus solos afeta todo o clima regional. Adamantina Bauru Santo Anastácio Caiuá Cretáceo 145. É a unidade mais suscetível a presença humana.a.a.5 b.2 416. Além disso.5 199.8 65.01 Período Época Holoceno Tempo Grupo Formação Alexandra Guabirotuba Aluviões e sedimentos recentes Depósitos aluvionares Sedimentos vulcânicos Cenozóica 1.0 Guaratubinha Camarinha 570 m.a. 150 m.3 23 33.a. 400 m. a pequena capacidade de retenção de água.desgaste de unidades geológicas do centro da América do Sul.a.a. já tendo sido consideravelmente afetado pelo desmatamento e pela agropecuária. Passa Dois Guatá Permiano Paleozóica Itararé 299.8 b. Paraná Serra Geral Botucatu Pirambóia Rio do Rastro Terezina Serra Alta Irati Palermo Rio Bonito Rio do Sul Mafra Campo do Tenente Ponta Grossa Furnas Arenitos pouco consolidados Arenitos pouco consolidados Arenitos pouco consolidados Derames basálticos Arenitos bem consolidados. filitos e dolomitos Ardósias e calcáreo Xistos e mármores Mármores Arqueano (3.a) Hadeano (4.5 b. COLUNA ESTRATIGRÁFICA GEOLÓGICA PARANAENSE Éon Era 0.9 55. invadiu boa parte do estado do Mato Grosso do Sul e do Paraguai. em suas porções mais interiores.a.0 Jurássico Triássico 133-127 m.8 m. criando.a. Seqüência Antinha Itaiacoca Capiru Votuverava Turvo Cajati Setuva 2. sem.3 542. no entanto. Água Clara Cambriano Proterozóica Conglomerados Conglomerados Granitóides Calcáreos Mármores Mármores.

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