Você está na página 1de 6

Latossolização (ou Latolização) e Laterização: Latossolização e Latolização que eu considero serem as mesmas coisas e Laterização que eu considero que seja

diferente dos demais. O processo em si é muito simples, no entanto poucos processos fora a causa de tantas discussões conceituais quanto esses. Na verdade essas três palavras deveriam significar a mesma coisa, no entanto os autores que trabalharam com elas fizeram uma confusão tão grande que hoje nunca se sabe exatamente sobre o que a pessoa está falando. Tudo começou com um escocês naturalista chamado Buchanan que em 1808, na Índia, observou alguns solos, planos, em uma área alagada ou semi-alagada, de ambiente chuvoso, vegetação não muito exuberante, e, o que chamou a atenção dele era que o solo era mais ou menos gleizado na superfície e avermelhado, mosqueado, com manchas amarelas e vermelhas em sub-superfície. E, o que era mais interessante, os indianos abriam buracos nesses solos, cortavam o solo no formato de tijolos e usavam isso para a construção civil, como ele nunca tinha visto aquilo, ficou muito espantado. Esse processo já era bem conhecido aqui no Brasil, onde já desde muitos anos era utilizado o mesmo processo em construção, mas, que eu saiba, ninguém aqui no Brasil deu um nome especial para esse material. Coube ao Buchanan a honra de nomear esse material e, ele chamou esse material de Laterita (Later (em latim) = tijolo). Como ele havia visto os indianos fazendo tijolo com esse material o nome ficou bastante apropriado. Posteriormente esse material, a laterita, foi sendo estudado, em 1808 os métodos de química analítica eram muito rudimentares, mas, já no final de mesmo século foi possível determinar os constituintes do material e descobriu-se que a laterita era formada, principalmente por óxidos de ferro, de alumínio e com um pouquinho, mas em menor escala, de silício. Era um material extremamente intemperizado, extremamente lixiviado. Daí que o processo de acumulação de óxidos de ferro e de alumínio adquiriu o nome de laterização. À medida que o conhecimento sobre solos foi aumentando, vários autores viram que, nos trópicos, esses solos formados por acumulação de ferro, de alumínio e com um pouquinho de sílica (na forma de caulinita) cobriam extensas áreas dos solos dos trópicos. Daí os solos tropicais passaram a ser conhecidos como Solos Lateríticos ou Lateritic Soils. A questão é que a acumulação de óxidos de ferro e de alumínio, por si só, não é tão relevante como as condições nas quais esses óxidos se acumulam, pois, para todos os fins práticos, científicos e taxonômicos era extremamente importante saber que esse ferro e alumínio se acumularam porque simplesmente os outros elementos foram embora pois o solo está situado em uma área bem drenada e bem aerada e, ele á apenas um resíduo de um material mais rico que com o tempo foi perdendo sódio, depois potássio, depois magnésio, depois cálcio, depois sílica, por isso acumularam só o ferro e o alumínio. Ou, esse solo, embora rico em ferro e em alumínio, foi formado em um ambiente alagado ou semi-alagado, com flutuações do lençol freático que

tem gente que acha que laterização. não foram removidos. se tem uma coisa que um latossolo típico não é. aliás. aí eu vou secando aquela água. aqueles elementos químicos que estavam na mica. pois latossolo não tem nada haver com solos grandes. O cálcio do feldspato. esse elemento químico vai reprecipitar. mas. eu tenho um feldspato. Notem que eu estou dizendo pra vocês que laterização e plintização são as mesmas coisas. mas ele não vai reprecipitar mais na forma original. para quebrar o feldspato. mas aqui eu me refiro a sais muito solúveis. à medida que aquela solução do solo vai evaporando. alumínio e silício. Mas. só que plintossolo é solo/tijolo em grego e latossolo é solo/tijolo em latim. latossolo significa solo tijolo. mas. Salinização É o acumulo de sais no solo. que eu peguei tudo o que tinha naquele feldspato e liberei na água. mas latossolo é um nome extremamente impróprio. assim. Uns são os nossos latossolos e outros são os plintossolo. é uma pena. porque são. imaginem que eu alterei aquele feldspato. quando . é por isso que é extremamente justificável agente ter diferenças entre latossolização ou latolização e laterização ou plintização. passou a denominar solos que hoje conhecemos como sendo completamente diferentes. pois a forma original só é passível de ser formada (na maioria das vezes) em condições de alta temperatura e pressão. a condições de baixa permeabilidade. sobre condições de lixiviação intensa. Solos lateríticos. O intemperismo químico é suficiente apenas para quebrar os minerais primários sem remover os seus elementos constituintes. Imaginem um feldspato. Laterização é utilizado como acumulo residual de ferro e alumínio e em menores proporções de sílica. feldspato pode ser encarado como um sal. e. as condições em que essa acumulação se dá é completamente diferente. quando atingimos esse ponto. latossolo vem de later. E. no feldspato.ocasionaram os tais mosqueados amarelos e vermelhos que tanto chamaram a atenção do Buchanan. não foram removidos. ninguém mais ou muito poucas pessoas se lembravam do que Buchanan havia realizado. Salinização ocorre em solos nos quais o intemperismo químico é tão pequeno que é apenas o suficiente para alterar a estrutura dos minerais primários e liberar aqueles elementos na solução do solo sem removê-los. teve intemperismo químico para quebrar a mica. uma mica. nessa ocasião. assim como o bicarbonato de sódio. Porque várias outras substâncias também são sais. embora ambos sejam formados por acumulação residual de ferro. originalmente se referia a condições alagadas. Sais é uma maneira resumida de dizer sais muito solúveis. latolização e latossolização são as mesmas coisas. que já é muito solúvel. e essa expressão. é coeso e rígido como um tijolo. Então. e. mais solúveis que o calcário. Latossolo é um nome extremamente adequado para um plintossolo. Mais tarde esse nome lateritic soil vai ser contraído e vai virar latosols que hoje nós aportuguesamos para latossolos. o sódio do feldspato. tipicamente mais solúveis que o carbonato de cálcio. eles continuaram lá. latossolo e plintossolo significam exatamente as mesmas coisas.

ou seja. mas não necessariamente eu vou ter uma região tropical. aí. O calor é importante pois irá auxiliar a evapotranspiração. Para que ocorra o acumulo desses sais (todos muito solúveis) é essencial que a evapotranspiração seja muito superior à precipitação. que são todos muito solúveis. pois como o oceano possui muitos sais. aquela água do mar irá evaporar e irá acumular os sais ali. e mais sais. possui um teor de sais mais elevado. mas é um problema sério mundialmente falando. mas todos são minerais secundários. mas não chove e com isso os sais não são removidos. melhor ainda. quando o tsunami acabar. Então eu vou ter cloreto de sódio. Muitas vezes esse teor de sais é alto o bastante para que a água seja chamada de salina. não recebe influência das marés. a tendência é o solo ficar cada vez mais dessalinizado. pois o vento. eles só se acumulam se a evapotranspiração for maior que a precipitação. cloreto de magnésio. Eu posso ter um solo salino fora da região tropical desde que o local seja muito seco. boratos e nitratos (mais raros). todos eles são formados a partir da alteração. Se utilizamos essa água salina ou salobra para irrigar uma região que já é árida ou semi-árida. pelo menos não em tempo hábil. Se existe um local que. estaremos acrescentando sais ao solo que não serão removidos pela pouca precipitação. aí após alguns milhões de anos eu vou ter um solo salino. Reparem que até aqui falamos de salinização natural. normalmente. as eventuais e raras chuvas irão possibilitar um suprimento de sais ainda maior. assim. Se eu tenho mais chuvas do que evapotranspiração. O segundo maior problema agrícola do mundo chama-se salinização. muitas vezes. uma brisa que vier do oceano já vai jogar sal no meu solo. tipicamente. é natural. mas eles não vão se reprecipitar na forma de feldspato. etc. Se eu estou em uma região próxima ao litoral. sulfato de magnésio. é esperado. do intemperismo de algum mineral primário. isso é lógico. está no subsolo. vão embora com facilidade. não é necessariamente quente. etc. irrigação com água que já contenha esses sais. isso agrava ainda mais a . mas de vez em quando ocorre um tsunami que joga alguns milhares de litro de água ali. a água de subsolo.eu vou secando aquela água. a quantidade de água disponível para irrigação é pequena e. Os cloretos e os sulfatos são os mais importantes. às vezes a temperatura está por volta de 10 a 20 graus. daí a uns 500 anos ocorre um outro tsunami. Se eu tenho a precipitação maior que a evapotranspiração esses sais. aqueles elementos químicos vão se reprecipitar. mas existe uma outra salinização que é causada pelo homem e que é devida à irrigação com água de má qualidade. são locais onde eu tenho mais água subindo do que descendo. sulfatos. eles vão se reprecipitar na forma de cloretos. em um lugar que não chove ou chove esporadicamente. Em uma região árida ou semi-árida. Salinização não é um problema sério no Brasil. ora. e o pouco que for alterado quando chover fica no perfil. sulfato de cálcio. Como a irrigação é realizada de forma que a água seja suficiente apenas para molhar a zona radicular e não para lixiviar o solo. o primeiro é a erosão. se eu estou próximo ao litoral. salobra. pois ali não tem pressão nem calor necessários para isso.

possuem enormes áreas salinizadas. que não possuem água de qualidade para irrigação). No Brasil solos naturalmente salinizados são muito poucos. só que até isso acontecer. muito populosos. Hoje essa região é conhecida por vários motivos. eles não serão removidos. Segundo dizem a salinização foi a principal causa da decadência agrícola da Mesopotâmia. Existem locais que são tão áridos que se jogarmos os sais lá. na faixa de 500 a 600 mm por ano. Se o local é semi-árido ou se ele possui uma precipitação razoável. um dos motivos é a salinização (irrigação com a água desses rios Tigre e Eufrates. Se irrigássemos muito. pois as chuvas são tão poucas que não irão possibilitar essa remoção. O adubo que utilizamos cloreto de potássio. de alguma bacia sedimentar. mas. . e. O solo salinizado é o primeiro passo para a formação de uma rocha sedimentar feita de cloreto. mas vários países do mundo. No Brasil. teremos esse sal dissolvido na água. assim como o trigo. e hoje nos temos uma rocha que é formada de cloreto de potássio. as vezes estão na superfície.pois a tendência natural é o solo dessalinizar. o tempo todo. outro cereais. na maior parte do país a quantidade de chuvas é suficiente para lavar o solo. de sulfato.salinização. dependendo do grau de salinização que foi gerado no solo. que fez com que o trigo deixasse de ser somente um “capinzinho ralo” e se tornasse uma planta extremamente produtiva. as vezes possuem água. logicamente. cloreto de sódio. etc. o teor de sais iria subir. essa lavagem pode levar décadas ou até séculos. se formou devido ao secamento de algum oceano. sulfato. etc. foi a região entre os rios Tigre e Eufrates. e. no caso do Nordeste. Se bombearmos água cujo aqüífero é formado por uma rocha de cloreto de potássio. Essas rochas. alguns. mas não é conhecida como uma região agrícola. mas se irrigamos somente a zona superficial estaremos aumentando cada vez mais o teor de sais no solo. as vezes estão secas. a salinização é um problema momentâneo (no sentido de 100 a 200 anos). a área irá ficar perdida para a agricultura. Como vocês sabem a primeira ou uma das primeiras áreas agrícolas do mundo. felizmente. mas as vezes estão enterradas. mas depois chegaria em algum equilíbrio. a área que melhorou o trigo. principalmente guerras e outros.

a mineralogia do solo vai ficando cada vez mais simples. Ele é um dos poucos minerais primários que existe em grande quantidade. ou cores intermediárias). de alumínio e. a maioria dos nossos solos. necessariamente. solos cromáticos (solos com cor amarela. por fim. pois chama-se de oxisols quando o mineral mais importante . podem existir mosqueados. a caulinita. e geram. a remoção completa ou quase completa das bases mais solúveis e o acumulo residual de ferro. tem que ser um solo poroso. titânio e outros. Isso explica porque a alternativa dos americanos de chamarem esses solos de oxisols (oxissolos) também não é uma boa idéia. ainda não está nesse extremo de intemperismo. alguns “ossos duros” como zircônio. normalmente. em condições bem drenadas. O K. notem que o quartzo não é o mineral mais comum em rocha. cor vermelha. com muita hematita. em condições de alta permeabilidade. mas poucos e. O Si. praticamente. felizmente. o Na. À medida que o tempo passa. tem que ser um solo não hidromórfico a latolização ou a latossolização ocorrem. Como consideramos que todo latossolo tem que ser bem drenado. em menores proporções de silício. Embora o extremo do intemperismo seja um latossolo oxídico. o único mineral primário que resiste a esses extremos de intemperismo é o quartzo. é claro. como forma alguns minerais silicatos ainda permanece no sistema por mais algum tempo e. como mineral mais abundante na fração argila. o Ca e o Mg vão embora primeiro. A maioria dos latossolos apresenta.Latolização e Latossolização Nada mais é do que o extremo do intemperismo. muita goethita e gibbsita. Podem existir nódulos. na base do perfil. mas é de longe o mais comum em solos (o mineral mais comum em rocha são os feldspatos). necessariamente. o sistema acaba ficando com óxidos de ferro e de alumínio e.

para eles é tudo a mesma coisa.. Os americanos estão até hoje tão ocupados com essas definições que eles ainda colocam latossolos e plintossolos na mesma ordem ou seja. na classificação americana não se faz distinção entre solos intemperizados alagados ou bem drenados.dele é um silicato. . todos se encaixam na classe dos oxissolos.