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Apostila: resumo de psicologia área de saúde BH

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APOSTILA ESPECÍFICA PSICOLOGIA


www.educapsico.com.br Índice: 1. Novo Código de Ética Profissional do Psicólogo. Página 3 2. Elaboração de laudo psicológico: análise, desenvolvimento e cuidados no processo de comunicação dos resultados do psicodiagnóstico. Página 10 3. Entrevista psicológica: definição, tipos e finalidades. Página 20 4. Identificação do problema, sinais e sintomas. Página 26 5. Psicodiagnóstico: criança e adulto; tipos, fundamentos e passos do pro
APOSTILA ESPECÍFICA PSICOLOGIA


www.educapsico.com.br Índice: 1. Novo Código de Ética Profissional do Psicólogo. Página 3 2. Elaboração de laudo psicológico: análise, desenvolvimento e cuidados no processo de comunicação dos resultados do psicodiagnóstico. Página 10 3. Entrevista psicológica: definição, tipos e finalidades. Página 20 4. Identificação do problema, sinais e sintomas. Página 26 5. Psicodiagnóstico: criança e adulto; tipos, fundamentos e passos do pro

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APOSTILA ESPECÍFICA PSICOLOGIA FHEMIG

- REPRODUÇÃO PROIBIDA –

www.educapsico.com.br Índice: 1. Novo Código de Ética Profissional do Psicólogo. Página 3 2. Elaboração de laudo psicológico: análise, desenvolvimento e cuidados no processo de comunicação dos resultados do psicodiagnóstico. Página 10 3. Entrevista psicológica: definição, tipos e finalidades. Página 20 4. Identificação do problema, sinais e sintomas. Página 26 5. Psicodiagnóstico: criança e adulto; tipos, fundamentos e passos do processo psicodiagnóstico, aplicação, interpretação e análise. Página 27 6. Psicopatologia: conceituação; alterações da percepção, representação, juízo, raciocínio, memória, atenção, consciência e afetividade; doenças de natureza psíquica (alcoolismo, depressão, esquizofrenia, ansiedade). Página 52 7. Possibilidades de atendimento institucional. Página 70 8. Saúde mental e trabalho: estruturas de personalidade, natureza e causa dos distúrbios, mecanismos de ajustamento; transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho; atendimento em psicoterapia individual e de grupo. Página 71 9. Metodologias de diagnóstico e de intervenção em instituições de saúde. Página 138 10. Fundamentos para o planejamento e a gestão do processo de trabalho em organizações públicas de saúde. Página 141 11. Fundamentos para a avaliação dos serviços de saúde. Página 154 12. Transplante: legislação sobre transplantes no Brasil (SUS); o sistema de lista única; o sistema de distribuição de órgãos; abordagem e entrevista a fam ília do doador; legislação das comissões intra-hospitalares de doação de órgãos e tecidos para transplantes (CIHDOTT’s). Página 157 13. Modelo Brasileiro: SNT, CNCDO’s, CIHDOTT. Página 173 14. Referências Bibliográficas. Página 175

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www.educapsico.com.br 1. Novo Código de Ética Profissional do Psicólogo.
CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO O XIII Plenário do Cons elho Federal de Psicologia entrega aos psicólogos e à sociedade o novo Código de Ética Profissional do Psicólogo. O trabalho de construção democrática deste Código esteve sobre responsabilidade do XII Plenário, sob a presidência do psicólogo Odair Furtado e sob a coordenação do psicólogo Aluízio Lopes de Brito, então Secretário de Orientação e Ética. Ao XII Plenário coube também a formação do Grupo de Profissionais e Professores convidados, responsável por traduzir os debates nacionais do II Fórum Nacional de Ética. Ao Grupo, nossos agradecimentos e elogios pelo trabalho de tradução fiel aos debates e preocupações expressas no Fórum. Em nossa Gestão, os resultados foram submetidos à aprovação da Assembléia de Políticas Administrativas e Financeiras do Sistema Conselhos de Psicologia, APAF, quando foi finalizado o texto que ora se apresenta. Deixamos aqui registrado nosso reconhecimento aos colegas do XII Plenário e a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para os avanços obtidos e expressos neste novo texto. AOS PSICÓLOGOS Brasília, agosto de 2005. RESOLUÇÃO CFP Nº 010/05 Aprova o Código de Ética Profi ssional do Psi cólogo. O CONS ELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no us o de suas atribuições legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei no 5.766, de 20 de dezembro de 1971; CONSIDERANDO o disposto no Art. 6º, letra “e”, da Lei no 5.766 de 20/12/1971, e o Art. 6º, inciso VII, do Decreto nº 79.822 de 17/6/1977; CONSIDERANDO o disposto na Constituição Federal de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, que consolida o Estado Democrático de Direito e legislações dela decorrentes; CONSIDERANDO decisão deste Plenário em reunião realizada no dia 21 de julho de 2005; RESOLV E: Art. 1º - Aprovar o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Art. 2º - A presente Resolução entrará em vigor no dia 27 de agosto de 2005. Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário, em especial a Resoluç ão CFP n º 002/87. Brasília, 21 de julho de 2005. Ana Merc ês Bahia Bock Cons elheira-Presidente

APRES ENTAÇÃO

Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

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Códigos de Ética expressam sempre uma concepção de homem e de sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos. pessoal e coletivamente. também. sócioculturais. tais como os constantes na Declaraç ão Universal dos Direitos Humanos. pois esses eixos atravessam todas as práticas e estas demandam uma contínua reflexão sobre o contexto social e institucional. procura fomentar a autoreflexão exigida de cada indivíduo acerca da sua práxis. de atender à evolução do contexto institucional-legal do país.br Toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca atender demandas sociais. as profissões trans formam-se e isso exige. Um Código de Ética profissional. marcadamente a partir da promulgação da denominada Constituição Cidadã.educapsico.com. a profissão. dentro de valores relevantes para a sociedade e para as práticas desenvolvidas. o pres ente Código foi construído a partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da profissão. que refletem a realidade do país. a de assegurar. A formulação deste Código de Ética. A missão primordial de um código de ética profissional não é de normatizar a natureza técnica do trabalho. Cons oant e com a conjuntura democrática vigente. Para tant o. O processo ocorreu ao longo de três anos. e. Este Código de Ética pautou-se pelo princ ípio geral de aproximar-se mais de um instrumento de reflexão do que de um conjunto de normas a serem seguidas pelo psicólogo. em todo o país. ao estabelecer padrões esperados quanto às práticas referendadas pela respectiva categoria profissional e pela sociedade. sentida pela categoria e suas entidades representativas. por ações e suas conseqüências no exerc ício profissional. uma reflexão contínua sobre o próprio código de ética que nos orienta. um padrão de conduta que fort aleça o reconhecimento social daquela categoria. Traduzem-se em princípios e normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundament ais. suas responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. Este Código de Ética dos Psicólogos é reflexo da necessidade. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 4 . Karina de O. Valorizar os princ ípios fundamentais como grandes eixos que devem orientar a relação do psicólogo com a sociedade. em 1988. um código de ética não pode ser visto como em conjunto fixo de normas e imutável no tempo. na sua construção buscou-s e: a. ao moment o do país e ao estágio de desenvolvimento da Psicologia enquanto campo científico e profissional. as entidades profissionais e a ciência. e de valores que estruturam uma profissão. com a participação direta dos psicólogos e aberto à sociedade. Por constituir a expressão de valores universais. sim. norteado por elevados padrões técnicos e pela existência de normas éticas que garant am a adequada relação de cada profissional com seus pares e com a sociedade como um todo. As sociedades mudam. e das legislações dela decorrentes. o terceiro da profissão de psicólogo no Brasil.www. responde ao contexto organizativo dos psicólogos. de modo a respons abilizá-lo.

por meio do contínuo aprimoramento profissional. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade. Estimular reflexões que considerem a profissão como um todo e não em suas práticas particulares. crueldade e opressão. analisando crítica e historic ament e a realidade política. exploração. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade. V. econômica. questão crucial para as relações que estabelece com a sociedade. O psicólogo atuará com res ponsabilidade. social e cultural. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 5 . Ao aprovar e divulgar o Código de Ética Profissional do Psicólogo. rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada. Karina de O. dos limites e interseções relativos aos direitos individuais e coletivos. contribuindo para o fortalecimento e ampliação do significado social da profissão.br b. Contemplar a diversidade que configura o exerc ício da profissão e a crescente inserção do psicólogo em contextos institucionais e em equipes multiprofissionais. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais. O psicólogo contribuirá para promover a universalizaç ão do acesso da população às informaç ões. discriminação. violência. O psicólogo atuará com responsabilidade social. ao conhecimento da ciência psicológica. a expectativa é de que ele seja um instrumento capaz de delinear para a sociedade as responsabilidades e deveres do psicólogo.www. 7PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS I.educapsico. Abrir espaço para a discussão. d. oferecer diretrizes para a sua formação e baliz ar os julgamentos das suas ações. VII. 1º – São deveres fundamentais dos psicólogos: a) Conhecer. II. da igualdade e da integridade do ser humano. posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princ ípios deste Código. os colegas de profissão e os usuários ou beneficiários dos seus serviços. apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. aos serviços e aos padrões éticos da profissão. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e cont ribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência. cumprir e fazer cumprir este Código. IV. DAS RESP ONS ABILI DADES DO PSICÓLOGO Art. uma vez que os principais dilemas éticos não se restringem a práticas espec íficas e surgem em quaisquer contextos de at uação. pelo psicólogo. divulgar. da dignidade. VI. III.com. c. contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo cient ífico de conhecimento e de prática.

para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais.br b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal. doação. Karina de O. tortura ou qualquer forma de violência. salvo impediment o por motivo relevante. l) Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício ilegal ou irregular da profissão. sempre que solicitado. quando do exercício de suas funções profissionais. colaborar com estes. g) Informar.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 6 . sem visar benefício pessoal. j) Ter. transgressões a princípios e diretrizes deste Código ou da legislação profissional. transmitindo soment e o que for nec essário para a tomada de decisões que afetem o us uário ou beneficiário. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. b) Induzir a convicções políticas. h) Orientar a quem de direit o sobre os encaminhamentos apropriados. f) Fornecer. conheciment os e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica. violência. de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. crueldade ou opressão. ideológicas. e. utilizando princ ípios. a quem de direito. aquisição. 2º – Ao psicólogo é vedado: a) Praticar ou ser conivente com quaisquer at os que caracterizem negligência. teórica e tecnicament e. sempre que. e fornecer. consideração e solidariedade. morais. Art. religiosas. em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços. k) Sugerir serviços de outros psicólogos. i) Zelar para que a comercialização.com. quando solicitado. por motivos justificáveis. na prestação de serviços psicológicos. na ética e na legislação profissional. filosóficas. fornecendo ao seu substituto as informaç ões necessárias à continuidade do trabalho. empréstimo. c) Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas psicológicas como instrumentos de castigo. respeito. a quem de direito. c) Prestar serviços psicológicos de qualidade. não puderem ser continuados pelo profissional que os assumiu inicialmente. guarda e forma de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitas conforme os princípios deste Código. e) Estabelec er acordos de prestação de serviç os que respeitem os direitos do usuário ou beneficiário de serviços de Psicologia. discriminação. d) Prestar serviç os profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência. exploração. a partir da prestação de serviços psicológicos. d) Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou favoreçam o exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer outra atividade profissional.educapsico. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos.

a prestação de serviç os profissionais. b) Estipulará o valor de acordo com as características da atividade e o comunicará ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser realizado. divulgar proc edimentos ou apresentar resultados de serviços psicológicos em meios de comunicação. para ingressar. a filosofia. q) Realizar diagnósticos. doaç ões ou vantagens outras de qualquer es pécie. além dos honorários contratados. 5º – O psicólogo. Parágrafo único: Existindo incompatibilidade. l) Des viar para serviço particular ou de outra instituição. familiar ou terc eiro.www. n) Prolongar. técnicas e meios não estejam regulament ados ou reconhecidos pela profissão. 3º – O psicólogo.br e) Ser conivente com erros. grupos ou organizações. atuais ou anteriores. que tenha vínculo com o atendido. h) Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas psicológicas. j) Estabelecer com a pessoa at endida. o) Pleitear ou receber comissões. assim como intermediar transações financeiras. de forma a expor pessoas. associar-se ou permanecer em uma organiz ação. i) Induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços. empréstimos. k) Ser perito. crimes ou contravenções penais praticados por psicólogos na prestação de serviços profissionais. Art.educapsico.com. relação que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço prestado. Art. desnecessariamente. quando participar de greves ou paralisações. g) Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnicocientífica. decorrentes de informações privilegiadas. avaliador ou parecerista em situações nas quais seus vínculos pessoais ou profissionais. pessoas ou organizações atendidas por instituição com a qual mantenha qualquer tipo de vínculo profissional. 4º – Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 7 . cabe ao psicólogo recusar-se a prestar serviços e. faltas éticas. se pertinente. pagar remuneração ou porcentagem por enc aminhamento de serviços. as normas e as práticas nela vigentes e sua compatibilidade com os princípios e regras deste Código. c) Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do valor acordado. possam afetar a qualidade do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação. Art. f) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de at endimento psicológico cujos procedimentos. adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas. garantirá que: Karina de O. apres entar denúncia ao órgão compet ente. violação de direitos. considerará a missão. as políticas. p) Receber. m) Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo que possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas. o psicólogo: a) Levará em conta a justa retribuiç ão aos serviços prestados e as condições do us uário ou beneficiário. visando benefício próprio.

resguardando o caráter confidencial das comunicações.www. quando dará imediata ciência ao profissional. 8º – Para realizar atendimento não eventual de criança. de preservar o sigilo. por qualquer uma das part es.com. b) Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço prestado. Art. 10 – Nas situações em que se configure conflito entre as exigências decorrent es do disposto no Art. 7º – O psicólogo poderá intervir na prestação de serviços psicológicos que estejam sendo efetuados por outro profissional. b) Haja prévia comunicação da paralisação aos usuários ou beneficiários dos serviços atingidos pela mesma. c) Quando informado ex pressamente. baseando sua decisão na busca do menor prejuíz o. Art. da interrupção volunt ária e definitiva do serviço. no relacionamento com profissionais não psicólogos: a) Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e qualific ados demandas que extrapolem seu campo de atuaç ão. de quem as receber. grupos ou organizações. 9º – É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger. 9º e as afirmações dos princ ípios fundamentais deste Código. d) Quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte da metodologia adotada. por meio da confidencialidade. observadas as determinações da legislação vigente: §1° – No caso de não se apresentar um respons ável legal. o atendimento deverá ser efet uado e comunicado às autoridades competent es. nas seguintes situações: a) A pedido do profissional respons ável pelo serviço. assinalando a responsabilidade. o psicólogo deverá obter aut orização de ao menos um de seus responsáveis. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 8 . 6º – O psicólogo. excetuando-se os casos previstos em lei. o psicólogo poderá decidir pela quebra de sigilo. adolescente ou interdito.br a) As atividades de emergência não sejam interrompidas. a intimidade das pessoas. b) Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do serviço. Parágrafo único – Em caso de quebra do sigilo previsto no caput deste artigo. Art.educapsico. §2° – O psicólogo responsabilizar-se-á pelos encaminhamentos que se fizerem necessários para garantir a proteç ão integral do atendido. Karina de O. Art. a que tenha acesso no exercício profissional. o psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias. Art.

Karina de O. ou lacrá-lo para posterior utilização pelo psicólogo substituto. o psicólogo deverá repassar todo o material ao psicólogo que vier a substituí-lo. Art. 11 – Quando requisitado a depor em juízo. grupos ou organizações. Art. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 9 . 12 – Nos document os que embasam as atividades em equipe multiprofissional. individual ou coletivamente: a) Informará o seu nome completo. 13 – No atendimento à criança. cederá. Art. 14 – A utilização de quaisquer meios de registro e observaç ão da prática psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional vigent e. emprestará ou venderá a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da profissão.br Art. informar. § 1° – Em caso de demissão ou exoneração. grupos. ele deverá zelar pelo destino dos seus arquivos confidenciais.www. salvo nas situações previstas em legislação espec ífica e respeitando os princípios deste Código. zelará para que as informaç ões prestadas disseminem o conhecimento a respeito das atribuições. devendo o usuário ou beneficiário. deve ser comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para se promoverem medidas em seu benefício. na realização de estudos. d) Garantirá o ac esso das pessoas. c) Garantirá o anonimat o das pessoas. 15 – Em caso de interrupção do trabalho do psicólogo. Art. orientar e exigir dos estudantes a observância dos princ ípios e normas contidas neste Código. que providenciará a destinação dos arquivos confidenciais. o psicólogo respons ável informará ao Cons elho Regional de Psicologia. grupos ou organiz ações aos res ultados das pesquisas ou estudos.educapsico. considerando o previsto neste Código. salvo interesse manifesto destes. Art. 17 – Caberá aos psicólogos docentes ou supervisores esclarecer. pesquisas e atividades volt adas para a produç ão de conheciment o e desenvolviment o de tecnologias: a) A valiará os riscos envolvidos. ensinará. 20 – O psicólogo.com. da base cient ífica e do papel social da profissão. ser informado. sempre que assim o desejarem. o CRP e seu número de registro. 19 – O psicólogo. ao promover publicamente seus serviços. ao participar de atividade em veículos de comunicação. Art. por quaisquer meios. Art. Art. mediante consentimento livre e esclarecido. organizações e comunidades envolvidas. com o objetivo de proteger as pessoas. o psicólogo registrará apenas as informações necessárias para o cumprimento dos objetivos do trabalho. como pela divulgação dos resultados. Art. por quaisquer motivos. tanto pelos procedimentos. 18 – O psicólogo não divulgará. § 2° – Em caso de extinção do serviço de Psicologia. 16 – O psicólogo. o psicólogo poderá prestar informações. após seu encerramento. des de o início. b) Garantirá o caráter voluntário da participação dos envolvidos. ao adolescente ou ao interdito.

desenvolvimento e cuidados no processo de comunicação dos resultados do psicodiagnóstico. Art.br b) Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua. e) Cassação do exercício profissional. devendo ser guardados por um período de cinco anos (ARZENO. c) Censura pública. por iniciativa própria ou da categoria. Fonte: www. Informe Psicodiagnóstico O informe. CFP. h) Não fará divulgação sens acionalista das atividades profissionais. 23 – Competirá ao Conselho Federal de Psicologia firmar jurisprudência quanto aos casos omissos e fazê-la incorporar a este Código. por até 30 (trinta) dias. pol. Art. d) Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda. como dito anteriormente. c) Divulgará somente qualificações. atividades e recursos relativos a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profissão.br/legislacao/pdf/cod_etica_novo. 22 – As dúvidas na obs ervância deste Código e os casos omissos serão resolvidos pelos Cons elhos Regionais de Psicologia.pdf 2. refere-se ao resumo das conclusões diagnósticas e prognosticas. Karina de O. 2006).www.educapsico. ouvidos os Conselhos Regionais de Psicologia. 25 – Este Código entra em vigor em 27 de agosto de 2005.org. g) Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais. 1995.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 10 . e deve fazer parte de cada conjunto dos documentos relativos às avaliações realizadas. na forma dos dispositivos legais ou regimentais: a) Advert ência. f) Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais. seja em instituições. DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. seja num trabalho particular (como consultório). b) Multa. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. 24 – O pres ente Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Psicologia. e) Não fará previsão taxativa de resultados. 21 – As transgressões dos preceit os deste Código constituem infraç ão disciplinar com a aplicação das seguintes penalidades. d) Suspensão do exercício profissional. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. Elaboração de laudo psicológico: análise. Art. Art.

educapsico. a outros profissionais. etc. A linguagem técnica é geralmente utilizada ao se enviar o documento a um outro profissional da mesma área. para que as informações passadas não sejam utilizadas como convier à causa. são presentes. este deve. do paciente avaliado. 1995). Pelo fato de poder ser outro o profissional a realizar. preferencialmente. termos comuns à psicopatologia. e por geralmente estes informes serem encaminhados de modo escrito. uma vez que qualquer informação colocada poderá ser utilizada a favor. o que permite uma comparação entre o informe atual e o anterior (ARZENO. e até mesmo qual seria o cargo para o qual estas seriam mais aproveitadas (ARZENO.br No trabalho institucional. ou pelo falto de este poder dar seguimento ao caso num trabalho terapêutico. psicoterapia. Karina de O. Por vezes pode ocorrer também um novo pedido de avaliação após algum tempo.com. ou deixar brechas para a utilização de rótulos desnecessários. sendo importante evidenciar potencialidades. a maneira de redigi-los é bastante relevante. por exemplo (ARZENO. mas também educacional e judicial. adequados. com respostas claras aos objetivos da avaliação. aceitáveis ou ausentes no aspirante ao cargo. ou não. a realização do informe é imprescindível. ou a ter realizado. o informe pode ser conciso. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 11 . lembrando-se de apresentar as potencialidades do sujeito.www. Já no informe para fins trabalhistas. tomando maiores precauções para não transparecer intimidades do caso que não se relacionem com campo pedagógico. Referindo-se a testes. o informe deve ser expresso em termos bastante inequívocos. a avaliação. Para médicos. afirmações que não sejam dúbias. geralmente interessados em receber informações sobre a presença ou ausência de transtornos. uma vez que diversos profissionais poderão ter acesso a este. 1995). No campo judicial. como resposta a um pedido de avaliação. Uma linguagem menos técnica e mais concisa é utilizada ao se emitir o informe a profissionais da área da educação. não só da área da saúde. fazendo uso de alguns pontos do material utilizado e termos comuns ao âmbito forense. informar se os traços de personalidade requeridos para a função. 1995). seja devido à rotatividade encontrada em tais estabelecimentos. definições e conclusões claras e elucidativas. em forma de documento. como no caso de alguma intervenção terapêutica ou cirúrgica. e até mesmo um outro profissional da área de psicologia.

Este será utilizado nos tópicos a seguir a fim de elucidar. Karina de O. harmônica e clara. no aspecto sonoro e na ausência de vícios de linguagem e/ou cacofonias (sons desagradáveis formados pela união de palavras que podem dar a estas. sentido pejorativo. por insegurança. as definições. técnicos e científicos de sua profissão. 2006). formas de apresentação.br Algumas vezes. 1995. é importante dizer o necessário e de uma forma que sempre possa ser interpretado com objetividade e não possa ser usado em prejuízo do sujeito avaliado (ARZENO. ou com a finalidade de fazer muito bem seu trabalho. a harmonia está presente na correlação adequada das frases. não se deve dizer absolutamente tudo. baseado nos preceitos do CFP. deve se restringir pontualmente às informações que se fizerem necessárias.educapsico. porém. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 12 . obsceno ou engraçado). Ou seja. Quanto à linguagem escrita. etc. inexperiência. concisa. pela resolução nº 007/2003. A concisão se verifica no emprego da linguagem adequada. o Conselho Federal de Psicologia. recusando qualquer tipo de consideração que não tenha relação com a finalidade do documento específico. da palavra exata e necessária. e sim o que foi solicitado e servirá para esclarecer as conclusões obtidas.com. possibilitando a expressão do que realmente se quer comunicar. o profissional psicólogo pode vir a colocar no documento de informe tudo o que foi observado durante a avaliação. o psicólogo deverá adotar técnicas de linguagem escrita e os princípios éticos. Documentos Emitidos pelos profissionais Psicólogos Dando continuidade às questões referentes à maneira de se redigir os documentos de informe. Essa “economia verbal” requer do psicólogo a atenção para o equilíbrio que evite uma redação muito sucinta ou o exagero de uma redação prolixa. pela seqüência/ordenamento adequado dos conteúdos. instituiu um Manual de Elaboração de Documentos Decorrentes de Avaliações Psicológicas. Desta forma. CFP. Por fim. dos documentos. o documento deve apresentar uma redação bem estruturada. Princípios para redação dos documentos Para a redação dos documentos.www. A clareza se revela na estrutura frasal.

ao produzir documentos escritos. O profissional psicólogo. em toda e qualquer modalidade de documento.www. observações. estrutura e composição de parágrafos ou frases. escuta. considerando que a última estará assinada. o psicólogo deverá sempre basear suas informações nos princípios e dispositivos do Código de Ética Profissional do Psicólogo. às relações com a justiça e ao alcance das informações – identificando riscos e compromissos em relação à utilização das informações presentes nos documentos em sua dimensão de relações de poder. devem ser rubricadas. evitando a diversidade de significações da linguagem popular. garantindo a precisão da comunicação. não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo. fazendo referência aos princípios éticos. e sim que quando há necessidade de termos mais simples. deve se basear exclusivamente nos instrumentais técnicos (entrevistas. os cuidados em relação aos deveres do psicólogo nas suas relações com a pessoa atendida. Com relação aos princípios técnicos. considerando a quem o documento será destinado.br A ordenação do documento deve possibilitar sua compreensão por quem o lê. o que é permitido pela coerência gramatical. intervenções verbais) que se caracterizam como métodos e técnicas psicológicas para a coleta de dados. ao elaborar um documento. Esses instrumentais técnicos devem obedecer às condições mínimas requeridas de qualidade e de uso. Frases e termos devem ser utilizados de forma compatível com as expressões próprias da linguagem profissional. o documento deve considerar a natureza dinâmica. bem como sobre outros materiais e grupo atendidos e sobre outros materiais e documentos produzidos anteriormente e pertinentes à matéria em questão. Karina de O. O que não significa que a linguagem deva ser sempre técnica. ao sigilo profissional. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 13 . devendo ser adequados à investigação em questão. testes. Outro fato importante de ser lembrado é que todas as laudas. dinâmicas de grupo.com. Por fim. Dentre estes. estudos e interpretações de informações a respeito do sujeito atendido. estes devem corresponder aos seus reais significados. como dito no tópico anterior. desde a primeira até a penúltima.educapsico.

técnicas psicológicas e da experiência profissional da Psicologia na sustentação de modelos institucionais e ideológicos que perpetuem qualquer forma de segregação. Acompanhamento psicológico do atendido. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação . Registro de informações solicitadas em relação ao atendimento (por exemplo: se faz acompanhamento psicológico. quando necessário. • Registro do local e data da expedição da declaração. situações ou estados psicológicos. em quais dias. sob toda e qualquer condição.educapsico. a declaração deve expor: • • • Registro do nome e sobrenome do solicitante.com. Nele não devem ser feitos registros de sintomas.br Seria expressamente proibido realizar. Informações sobre as condições do atendimento (tempo de acompanhamento. qual horário).www. a saber: declaração. relatório/laudo psicológico e parecer psicológico. dias ou horários). para fins de comprovação). 14 Karina de O. Tipos de documentos Neste tópico serão apresentados conceito. atestado psicológico. Finalidade do documento (por exemplo. Quanto à estrutura. Tem a finalidade de declarar: • • • Comparecimentos do atendido e/ou do seu acompanhante. finalidade e estrutura de cada tipo de documento que pode ser emitido pelo profissional psicólogo. I. do uso dos instrumentos. Deve-se realizar uma prestação de serviço responsável pela execução de um trabalho de qualidade cujos princ ípios éticos sustentam o compromisso social da Psicologia. Declaração Documento que visa informar a ocorrência de fatos ou situações objetivas relacionados ao atendimento psicológico.

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www.educapsico.com.br Registro do nome completo do psicólogo, sua inscrição no CRP e/ou carimbo com as mesmas informações. Assinatura do psicólogo acima de sua identificação ou do carimbo.

A declaração deve ser emitida em papel timbrado ou apresentar na subscrição do documento o carimbo, em que constem nome e sobrenome do psicólogo, acrescido de sua inscrição profissional (“Nome do psicólogo / N.º da inscrição”). II. Atestado Psicológico Este documento é utilizado para certificar uma determinada situação ou estado psicológico, e tem como finalidade afirmar sobre as condições psicológicas de quem o solicita, por requerimento, com fins de: • • • Justificar faltas e/ou impedimentos do solicitante; Justificar estar apto ou não para atividades específicas, após realização de um processo de avaliação psicológica, dentro do rigor técnico e ético; Solicitar afastamento e/ou dispensa do solicitante, subsidiado na afirmação atestada do fato, em acordo com o disposto na Resolução CFP nº. 015/96.

Ao se formular o atestado, as informações devem restringir-se às solicitadas, contendo somente o fato constatado. Embora seja um documento simples, deve cumprir algumas formalidades. O atestado deve ser emitido em papel timbrado ou apresentar na subscrição do documento o carimbo, em que conste o nome e sobrenome do psicólogo, acrescido de sua inscrição profissional (“Nome do psicólogo / N.º da inscrição”). Ele deve expor: • • • Registro do nome e sobrenome do cliente; Finalidade do documento; Registro da informação do sintoma, situação ou condições psicológicas que justifiquem o atendimento, afastamento ou falta – podendo ser registrado sob o indicativo do código da Classificação Internacional de Doenças em vigor; Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 15

• • •

www.educapsico.com.br Registro do local e data da expedição do atestado; Registro do nome completo do psicólogo, sua inscrição no CRP e/ou carimbo com as mesmas informações; Assinatura do psicólogo acima de sua identificação ou do carimbo.

Para evitar adulterações no documento, os registros devem estar transcritos de forma corrida, ou seja, separados apenas pela pontuação, sem parágrafos. Caso haja necessidade da utilização de parágrafos, o psicólogo deve preencher esses espaços com traços. É importante ressaltar que o atestado emitido para justificar aptidão ou não para determinada atividade, através do uso do psicodiagnóstico, deve ter seu relatório correspondente guardado nos arquivos profissionais do psicólogo, pelo prazo mínimo de cinco anos, ou o prazo previsto por lei. III. Relatório ou Laudo Psicológico Referem-se a uma apresentação descritiva acerca de situações e/ou condições psicológicas e suas determinações históricas, sociais, políticas e culturais, pesquisadas no processo de avaliação psicológica. Como todo documento, deve ser subsidiado nos dados colhidos e analisados, à luz de um instrumental técnico baseado em referencial técnico-filosófico e científico adotado pelo psicólogo. Finalidade do relatório ou laudo psicológico: apresentar os procedimentos e conclusões geradas pelo processo da avaliação psicológica, relatando sobre o motivo do encaminhamento, as intervenções, o diagnóstico, o prognóstico e evolução do caso, orientação e sugestão de projeto terapêutico, bem como, caso necessário, solicitação de acompanhamento psicológico, limitando-se a fornecer somente as necessárias relacionadas à demanda, solicitação ou petição. O relatório psicológico é uma peça escrita de natureza e valor científicos. Sendo assim, deve conter narrativa detalhada e didática, com clareza, precisão e harmonia, tornando-se acessível e compreensível ao destinatário. Os termos técnicos devem, informações

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www.educapsico.com.br portanto, estar acompanhados das explicações e/ou conceituação retiradas dos fundamentos teórico-filosóficos que os sustentam. Quanto à sua estrutura, o relatório psicológico deve conter no mínimo cinco itens: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão. Identificação Constitui-se da parte superior do primeiro tópico do documento com a finalidade de identificar: • • • AUTOR/relator – quem elabora - nome(s) do(s) psicólogo(s) que realizará(ão) a avaliação, com a(s) respectiva(s) inscrição(ões) no Conselho Regional.; INTERESSADO – quem solicita - nome do autor do pedido (se a solicitação foi da Justiça, se foi de empresas, entidades ou do cliente); ASSUNTO/finalidade – o psicólogo indicará a razão, o motivo do pedido (se para acompanhamento psicológico, prorrogação de prazo para acompanhamento ou outras razões pertinentes a uma avaliação psicológica). Descrição da demanda Esta parte destina-se à descrição das informações referentes à problemática apresentada e dos motivos, razões e expectativas que produziram o pedido do documento. Nesta parte, deve-se apresentar a análise que se faz da demanda, justificando o procedimento adotado. Procedimento Nesta parte serão apresentados os recursos e instrumentos técnicos utilizados para coletar as informações (número de encontros, pessoas ouvidas etc) à luz do referencial teórico-filosófico que os embasa. O procedimento adotado deve ser pertinente para avaliar a complexidade do que está sendo demandado. Análise

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deve considerar a natureza dinâmica. O psicólogo. Somente deve ser relatado o que for necessário para o esclarecimento do encaminhamento. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 18 . ainda nesta parte. nos princípios técnicos. sociais. Após isto. econômicas e políticas. deve-se respeitar a fundamentação teórica que sustenta o instrumental técnico utilizado. não deve fazer afirmações sem sustentação em fatos e/ou teorias. objetiva e fiel dos dados colhidos e das situações vividas relacionados à demanda.www. não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo”. Conclusão Na conclusão do relatório. devendo ter linguagem precisa. Vale ressaltar a importância de sugestões e projetos de trabalho que contemplem as variáveis envolvidas durante todo o processo. com indicação do local. As considerações geradas pelo processo de avaliação psicológica devem transmitir ao solicitante tanto a análise da demanda como do processo de avaliação psicológica como um todo.br Na análise. bem como princípios éticos e as questões relativas ao sigilo das informações. Nessa exposição. conforme explicita o Código de Ética Profissional do Psicólogo. “O processo de avaliação psicológica deve considerar que os objetos deste procedimento (as questões de ordem psicológica) têm determinações históricas. assinatura do psicólogo e o seu número de inscrição no CRP. elementos constitutivos no processo de subjetivação. especialmente quando se referir a dados subjetivos. Como apresentado anteriormente. o documento é encerrado.educapsico. o psicólogo faz uma exposição descritiva de forma metódica. Karina de O. serão expostos o resultado e/ou considerações a respeito de sua investigação. IV. portanto.com. sendo as mesmas. O documento. Parecer Psicológico O parecer é um documento fundamentado e resumido sobre uma questão focal do campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo. data de emissão.

análise e conclusão. através de uma avaliação especializada. destacando os aspectos relevantes e opinar a respeito. não deixando nenhum sem resposta. considerando os quesitos apontados e com fundamento em referencial teórico-científico. Quando não houver dados para a resposta ou quando o psicólogo não puder ser categórico. Quanto à estrutura. o psicólogo deve respondê-los de forma sintética e convincente. na técnica ou no corpo conceitual da ciência psicológica. Análise A discussão do Parecer Psicológico se constitui na análise minuciosa da questão explanada e argumentada com base nos fundamentos necessários existentes. deve-se utilizar a expressão “sem elementos de convicção”. o nome do autor da solicitação e sua titulação. Identificação Identifica o nome do parecerista e sua titulação.com. O psicólogo parecerista deve fazer a análise do problema apresentado. Havendo quesitos. Karina de O. Exposição de Motivos Nesta parte o parecerista transcreve o objetivo da consulta e dos quesitos ou apresenta as dúvidas levantadas pelo solicitante.educapsico.br Ele tem como finalidade apresentar uma resposta esclarecedora no campo do conhecimento psicológico. Deve-se apresentar a questão em tese. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 19 . visando diminuir dúvidas que estão interferindo na decisão. sendo. Se o quesito estiver mal formulado. que exige de quem responde competência no assunto. seja na ética. portanto. como os dados colhidos ou o nome dos envolvidos. Nesta parte.www. de uma “questãoproblema”. não sendo necessária. portanto. tem-se que o parecer é composto de quatro itens: identificação. pode-se afirmar “prejudicado”. a descrição detalhada dos procedimentos. “sem elementos” ou “aguarda evolução”. exposição de motivos. uma resposta a uma consulta. deve respeitar as normas de referências de trabalhos científicos para suas citações e informações.

respondendo à questão levantada. práticos e variáveis segundo os interesses sociopolíticos que estão em pauta no ato de conhecer. as técnicas de entrevista têm origem na medicina e. Sendo assim.Entrevista psicológica: definição. organizacional ou em outros. como os valores. Nesse sentido. orientação e/ou aconselhamento.br Conclusão Parte final do parecer. ao se preocupar com a etiologia das doenças psiquiátricas. Segundo Winicott (1983) a psicanálise. A entrevista é um dos recursos técnicos de que dispõe o psicólogo para obter informações. tipos e finalidades. avaliação. A esse aspecto acrescentam-se os psicológicos. Merece destaque a tão debatida questão da (ilusão da) neutralidade científica. norteadores Karina de O. Historicamente. 115).www.educapsico. o entrevistador não está isento de comprometer os resultados de seu trabalho em função de suas limitações pessoais e profissionais. O referido autor apresenta uma visão sociológica da questão referente ao posicionamento do entrevistador. Em seguida. com o objetivo de pesquisa. isso não significa descuido com os aspectos éticos. passou a exigir do clínico o interesse pelos processos de desenvolvimento ps íquico e não apenas pelos sintomas. clínico. seja em contexto escolar. foram elaboradas no contexto da psicoterapia e da psicometria. O psicólogo deve apresentar seu posicionamento.com. Na visão de Bleger (1991) pode ser considerado uma entrevista uma relação humana na qual um dos integrantes devem procurar entender o que está acontecendo e atuar segundo esse conhecimento. pensamentos e sentimentos. O psicólogo utiliza uma técnica psicológica e concomitantemente lança mão de recursos advindos da psicologia para configurar a própria situação da entrevista. assim “os psicanalistas se tornaram pioneiros em tomar a história do paciente” (p. que não apenas perpassam mas constituem todo e qualquer encontro entre pessoas. A realização dos objetivos possíveis da entrevista da atuação de acordo com esse saber. deve informar o local e data em que foi elaborado o documento e assiná-lo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 20 . Entretanto. 3. já no campo da psicologia. Thiollent (1987) expõe que a idéia de neutralidade não é verdadeira visto que à medida que qualquer procedimento de investigação envolve pressupostos teóricos.

www. a posição na cadeira. Elementos mais minuciosos em relação à entrevista psicológica de maneira geral podem ser encontrados em Bleger (1991) e Pain (1992). requer possibilidades efetivas de escutar. Aspectos Técnicos Em uma entrevista. o tom de voz. Considerando-se tais elementos.educapsico. aspectos não verbais que fornecem dados fundamentais a respeito do entrevistado e seu posicionamento na circunstância de entrevista. enfim. Esses aspectos acrescentam uma dimensão importante do conhecimento da estrutura de sua personalidade e ao caráter de seus conflitos. relacionados à psicologia e ao trabalho do psicólogo. acolher e elaborar hipóteses diagnósticas a respeito do caso. também. Envolve a história pessoal daquele e esses sentimentos precisam ser considerados para um bom manejo e eficácia da entrevista. Na entrevista faz-se necessária uma efetiva interação interpessoal. ou seja. torna-se mais fácil compreender determinados comportamentos e verbalizações por parte de nosso sujeito. Bleger (1991) afirma que com a observação desses fenômenos é possível colocar-se frente aos aspectos da conduta e da personalidade do entrevistado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 21 . A condução do processo precisa ser respaldada tanto pelos pressupostos da teoria adotada pelo profissional quanto pelas condições subjetivas deste. de maneira geral. Estar atento. A contratransferência nesse contexto. abrange as respostas do entrevistador às manifestações do entrevistado. Tipos de Entrevistas Karina de O. pois fenômenos como a transferência e a contratransferência fazem parte de todo relacionamento interpessoal e seguramente vão configurar o processo de entrevista. os gestos. Durante a entrevista é importante o psicólogo observar a postura corporal. ouviu falar e que também imagina.br da atuação do psicólogo. com o profissional apresentando seus questionamentos.com. a aparência. O entrevistado atribui papéis ao entrevistador e se comporta em função destes. espera-se que surjam elementos referentes àquilo que o entrevistado conhece. aos sentimentos despertados em si durante a entrevista é fundamental para o psicólogo. observando e ouvindo a pessoa entrevistada. A respeito disso.

favorecem pessoas de mesmo nível sociocultural de quem elaborou os instrumentos. Assim. composta de questões fechadas. de um direcionamento para o preenchimento de lacunas percebidas pelo profissional.www. a semidirigida. seja da instituição como um todo.br A entrevista pode ser utilizada dentro de um processo avaliativo. E há pesquisas que também comportam processos avaliativos. sendo aqui compreendida como um momento privilegiado de escuta do outro. que nos permite formular hipóteses que vão compondo o mosaico. Existe a entrevista dirigida. É preciso um particular cuidado com perguntas que apenas conduzem à confirmação daquilo que esperamos. Com base em pesquisas na área das ciências sociais.educapsico. que gira em torno de um tema geral. por exemplo. Os tipos de entrevistas estão diretamente relacionados aos objetivos com que são empregadas. A obtenção de determinadas informações é imprescindível para a compreensão do contexto. 1991). O entrevistado deve falar por si. Assim como outras técnicas adotadas no trabalho do psicólogo. Também pode ser empregada com fins investigativos.com. seja uma avaliação de uma criança com dificuldades escolares. acompanhado. no qual o entrevistado busca um espaço de acolhimento (Bleger. de maneira geral. para o aprofundamento de temas não abordados pelo entrevistado. a entrevista merece uma atenção especial na formação profissional. além da função avaliativa. posteriormente e de acordo com a configuração da situação. seja de indivíduos. seja uma pesquisa. a primeira entrevista caracteriza-se por um momento inicial mais livre. Thiollent (1987) mostra que entrevistas e questionários (assim como testes) que. é comum iniciarmos a entrevista de maneira mais livre e depois apresentarmos algumas perguntas abertas. Esse dado leva-nos a pensar que alguns questionamentos apresentados ao indivíduo entrevistado não necessariamente fazem parte de seu universo cotidiano e que por isso sua resposta pode refletir apenas nossa inabilidade em compreender a sua realidade. e a clínica. De acordo com a situação. cabe ao profissional decidir o tipo de entrevista mais pertinente. que focaliza um tema específico. De maneira geral. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 22 . Em algumas circunstâncias. no caso de uma pesquisa. a entrevista também pode Karina de O. a centrada. em que o sujeito orienta-se a partir de perguntas abertas. a não diretiva.

Karina de O. 3. Entrevista Clínica De acordo com TAVARES (2000) “A entrevista clínica é um conjunto de processos de técnicas de investigação. Estar presente. com o objetivo de descrever e avaliar aspectos pessoais. casal. de tempo delimitado.com. está facilitando ou dificultando o processo. que utiliza conhecimentos psicológicos.” A entrevista clínica é dirigida. Portando é necessário que o entrevistador domine as especificações da técnica. no sentido de estar inteiramente disponível para o outro naquele momento sem a interferência de outras pessoas. 2. 2000) Papel do entrevistador É necessário habilidades do entrevistador para que ele esteja preparado para lidar com o direcionamento que o sujeito parecer querer dar a entrevista. relacionais ou sistêmicos (indivíduo. ou seja. de forma a otimizar o encontro entre a demanda do sujeito e os objetivos da tarefa. dirigido por um entrevistador treinado. ele empaticamente reconhece ou pede esclarecimentos. Quando o entrevistador confronta uma defesa. Todos os tipos de entrevista têm alguma forma de estruturação na medida em que a atividade do entrevistador direciona a entrevista no sentido de alcançar seus objetivos. encaminhamentos ou propor algum tipo de intervenção em benefício das pessoas entrevistadas. Segundo TAVARES (2000) para realizar uma entrevista de modo adequado o entrevistador deve ser capaz de: 1. em uma relação profissional.www. em um processo que visa a fazer recomendações. rede social). fam ília. (TAVARES. Auxiliar o paciente para que ele se sinta a vontade e construa a possibilidade de uma aliança terapêutica. Facilitar a expressão dos motivos que levaram a pessoa até a consulta. tem objetivos definidos e é através dela que o entrevistador estrutura sua intervenção. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 23 . para o qual o psicólogo precisa estar atento.educapsico.br apresentar-se como um momento terapêutico.

7. Confrontar esquivas e contradições de maneira gentil. Nos casos em que parece haver dificuldades de levantar a informação. Distorções relacionadas a pessoas ou instituições interessadas na avaliação. Papel do entrevistado O papel principal da pessoa entrevistada é o de prestar informações. além do dom ínio da técnica. com o objetivo de entender qual a situação que o levou à entrevista. 6.com. é bem provável que o entrevistador tenha que centrar sua atenção na relação com a pessoa entrevistada. Buscar esclarecimentos para colocações vagas ou incompletas. Nas entrevistas clínicas deseja-se conhecer em profundidade o sujeito. 5. Também é do entrevistador a responsabilidade de reconhecer a necessidade de treinamento especializado e atualizações constantes ou periódicas. Dominas as técnicas que utiliza no seu trabalho. 10. 8. Identificar e compreender seus processos transferenciais.educapsico. Tolerar a ansiedade relacionada aos temas evocados na entrevista.www.br 4. Outro ponto importante significa reconhecer a desigualdade intrínseca na relação. portanto. 9. Reconhecer defesas e modos de estruturação do paciente. a responsabilidade de zelar pelo interesse e bem-estar do outro. Assumir a iniciativa em momentos de impasse. O resultado de uma entrevista depende largamente da experiência e da habilidade do entrevistador. Criar um clima que facilite a interação nesse contexto e a abertura para o exame de questões íntimas e pessoais talvez seja o desafio maior da entrevista clínica. Essa posição lhe confere poder e. Nessa situação o Karina de O. para compreender os motivos de sua atitude. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 24 . a idéias preconcebidas em relação à psicologia ou à saúde mental e a fantasias inconscientes vinculadas a ansiedades pessoais acerca do processo. que dá uma posição privilegiada ao entrevistador.

pois tem suas metas. como nas clínicas sociais. na saúde pública. na psicologia hospitalar. Livre de estruturação: Não tem o roteiro pré-estabelecido. Elas podem ser classificadas em relação aos seus objetivos: Entrevista de triagem: O objetivo principal é avaliar a demanda do sujeito e fazer encaminhamento. Semi-estruturadas: Tem um roteiro com tópicos pré-estabelecidos.com. quando ou em que seqüência. de reconhecimento da natureza da natureza do problema e da formulação de alternativas de solução e de encaminhamento.educapsico. Nesses casos é preciso que se crie um espaço as manifestações individuais e requer habilidades e conhecimentos específicos que permitam ao entrevistador conduzir adequadamente o processo. Essa especificidade clinica favorece que sejam utilizadas as entrevistas semiestruturas e de estruturação. De acordo com TAVARES (2000). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 25 . de que tipo de informação é necessária para atingi-los.www. É fundamental para avaliar a gravidade da crise. o papel de quem a conduz e os procedimentos pelos quais é possível atingir seus objetivos. em que condições deve ser investigadas e como deve ser considerada. as entrevistas podem ser classificadas em relação ao aspecto formal em: Estruturadas: Tem pouca utilidade na área clinica. pois nesses casos. É utilizada praticamente como um questionário. Karina de O. Segundo TAVARES (2000) todas as entrevistas requerem uma etapa de apresentação da demanda. torna-se necessário ou imprescindível o encaminhamento para um apoio medicamentoso. Ela é mais utilizada em pesquisas onde se destinam basicamente no levantamento de informações. São de grande utilidade em settings onde é necessária ou desejável a padronização de procedimentos e registro de dados.br entrevistado é porta-voz de uma demanda e espera um retorno que o auxilie. São assim denominadas porque o entrevistador tem clareza de seus objetivos. de como essa informação deve ser obtida. no entanto tem certa estruturação.

www.educapsico.com.br Entrevista de Anamnese: O objetivo principal é o levantamento detalhado da história de desenvolvimento da pessoa, principalmente na infância. Entrevista Diagnóstica (que podem ser sindrômicas ou dinâmicas): De certo modo, toda entrevista clínica comporta elementos diagnósticos. Em outro sentido, empregamos o termo diagnóstico de modo mais específico, definindo-o como o exame e a análise explícitos ou cuidadosos de uma condição na tentativa de compreendê-la, explicá-la e possivelmente modificá-la. Implica descrever, avaliar, relaciona e inferir, tendo em vista a modificação daquela condição. A entrevista diagnóstica pode priorizar aspectos sindrômicos ou psicodinâmicos. O primeiro visa á descrição de sinais (como por exemplo: baixa auto-estima, sentimentos de culpa) e sintomas (humor deprimido, ideação suicida) para a classificação de um quadro ou síndrome (Transtorno Depressivo Maior). O diagnóstico psicodinâmico visa á descrição e à compreensão da experiência ou do modo particular de funcionamento do sujeito, tendo em vista uma abordagem teórica. Entrevistas sistêmicas: Geralmente são utilizadas para avaliar casais e fam ílias e podem focalizar a avaliação da estrutura ou da estória familiar. Essas técnicas são muito variadas e fortemente influenciadas pela orientação teórica do entrevistador. Entrevistas de devolutiva: Tem por finalidade comunicar ao sujeito o resultado da avaliação. É importante, pois permite ao sujeito expressar pensamentos e sentimentos em relação às conclusões e recomendações do entrevistador. 4. Identificação do problema, sinais e sintomas. Segundo Dalgalarrondo (2000), a semiologia é a ciência dos signos, podendo ser utilizada para o estudo das interações em diversas áreas do conhecimento (artes, por exemplo). A semiologia médica é algo mais específico e diz respeito ao estudo dos sinais e sintomas das doenças. Também há o estudo dos sinais e sintomas dos transtornos mentais, o qual é denominado semiologia psicopatológica. O signo é muito importante dentro da semiologia, e dele faz parte a língua, os gestos, comportamentos (verbais e não verbais), entre outros. Eles podem ser entendidos como sinais, já que todos os signos possuem significação (Dalgalarrondo, 2000).

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www.educapsico.com.br Os profissionais da psicologia dão especial atenção aos sinais comportamentais que podem ser vistos objetivamente, e também aos sintomas, queixas que são relatadas pelo paciente e constituem-se em vivencias subjetivas de alguma patologia, transtorno. Ainda segundo Dalgalarrondo (2000), os sintomas médicos e psicopatológicos são tanto um símbolo quanto um índice (indicador). No primeiro caso, o sentido vai depender das relações que este mantém com outros símbolos do sistema simbólico total do paciente. Já no que diz respeito a sua dimensão “índice” os sintomas remetem a uma disfunção que está em um outro lugar do organismo e do aparelho ps íquico. Os sinais e sintomas podem ser agrupados e a esses agrupamentos da-se o nome de síndromes, ou seja, nas síndromes são descritos sinais e sintomas recorrentes. Quando é possível identificar nos fenômenos fatores causai, curso homogêneo, estados terminais típicos, fatores genéticos relacionados, mecanismos psicopatológicos e psicológicos, tratamentos previsíveis, pode-se chamar de entidades nosológicas ou transtornos e doenças específicos (Dalgalarrondo, 2000). 5. Psicodiagnóstico: criança e adulto; tipos, fundamentos e passos do processo psicodiagnóstico, aplicação, interpretação e análise. De acordo com o Dicionário Aurélio (1999), Avaliação refere-se à: “sf. 1. Ato ou efeito de avaliar (-se). 2. Apreciação, análise. 3. Valor determinado pelos avaliadores”. O termo avaliação é abrangente e nos remete a diferentes conceitos, desta forma, para o Conselho Federal de Psicologia a Avaliação Psicológica, é um processo técnico e científico realizado com pessoas ou grupos de pessoas que, de acordo com cada área do conhecimento, requer metodologias específicas. Suas estratégias aplicam-se a diversas abordagens e recursos disponíveis para o processo de avaliação (CUNHA, 2000). Ela é dinâmica e constitui-se em fonte de informações de caráter explicativo sobre os fenômenos psicológicos, com a finalidade de subsidiar os trabalhos nos diferentes campos de atuação do psicólogo. Trata-se de um estudo que requer um planejamento prévio e cuidadoso, de acordo com a demanda e os fins aos quais a avaliação destina-se. Avaliação Psicológica para Alchieri e Noronha (2004) é: “um exame de caráter compreensivo efetuado para responder questões específicas quanto ao funcionamento psíquico adaptado ou não de uma pessoa durante um período espec ífico de tempo ou para Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 27

www.educapsico.com.br predizer o funcionamento psicológico da pessoa no futuro. A avaliação deve fornecer informações cientificamente fundamentadas tais que orientem, sugiram, sustentem o processo de tomada de decisão em algum contexto específico no qual a decisão precisa levar em consideração informações sobre o funcionamento psicológico” (p. 44). Segundo Cunha (2000), o conceito de avaliação psicológica é muito amplo, englobando em si o psicodiagnóstico. Este seria uma avaliação psicológica de finalidade clínica, e não abarcaria todos os modelos possíveis de avaliação psicológica. Para a autora, o psicodiagnóstico é definido como “um processo científico, limitado no tempo, que utiliza técnicas e testes psicológicos, em nível individual ou não, seja para entender problemas à luz de pressupostos teóricos, identificar e avaliar aspectos específicos, seja para classificar o caso e prever seu curso possível, comunicando os resultados, na base dos quais são propostas soluções, se for o caso”. Visa, assim, identificar forças e fraquezas no funcionamento psicológico (CUNHA, 2000). A fim de caracterizar este processo, tem-se que o mesmo se dá em uma situação bipessoal, com papéis bastante definidos e com um contrato, havendo uma pessoa que pede ajuda (paciente) e uma que recebe o pedido e se compromete em solucioná-lo, na medida do possível, o psicólogo. Sua duração é limitada e seu objetivo é conseguir, através de técnicas, investigar, descrever e compreender, de forma mais completa possível, a personalidade total do paciente ou grupo familiar, abrangendo aspectos passados, presentes e futuros desta personalidade (OCAMPO & ARZENO, 2001). Mostra-se assim, como um processo científico, uma vez que parte do levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou refutadas por meio de um plano de avaliação, com passos e técnicas predeterminadas e objetivos específicos (CUNHA, 2000). Com os dados obtidos, faz-se uma inter-relação destes com as informações obtidas a partir das hipóteses iniciais, e uma seleção e integração com os objetivos do psicodiagnóstico, assim, os resultados são comunicados, a quem de direito,

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educapsico. Dentre os motivos que levam a este tipo de consulta tem que se distinguir basicamente dois tipos: o motivo latente e o motivo manifesto. O primeiro. É importante ainda salientar a qual público o psicólogo que realiza psicodiagnóstico atende. Este. casos de procura espontânea do paciente ou familiar. geralmente.br determinando-se quais dados devem ser apresentados para que seja possível a oferta de subsídios para recomendações e/ou decisões (CUNHA. 2000). é de sua responsabilidade encontrar meios de manter contato e uma boa comunicação com os diferentes profissionais com quem trabalha. pediatras. para que as necessidades da fonte de solicitação sejam atendidas e seu trabalho tenha o impacto e crédito merecidos. mas com menor freqüência. sem esquecer-se de incluir tanto aspectos patológicos quanto adaptativos. o que se espera dele (CUNHA. integrando-o. ou finalidades. em conjunto. que depende do motivo do encaminhamento. juízes e pela comunidade escolar. O profissional psicólogo deve. posteriormente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 29 .www. para conhecer melhor suas necessidades e. ao se observar a dificuldade que o solicitante do encaminhamento pode apresentar ao requerer uma avaliação psicológica. o mais importante. caracterizado Karina de O. 1995) (CUNHA. (OCAMPO & ARZENO.). é formado por profissionais médicos (psiquiatras. É de suma importância que o psicólogo tenha ciência sobre qual a finalidade. neurologistas. 2001). Isto confere ao profissional maiores condições de fazer escolhas mais acertadas quanto às técnicas e materiais a serem utilizados (ARZENO. de forma a explicar a dinâmica do caso como aparece no material. 2000). por fim. atentar-se para a finalidade da investigação. que encaminham seus clientes.com. 2000). etc. 200). principalmente quando recomendado por amigo ou outro membro da família (CUNHA. num quadro global. advogados. Há também. esclarecer e determinar. Objetivos: O principal objetivo do processo psicodiagnóstico é conseguir uma descrição e compreensão da personalidade do paciente. Para tanto. do psicodiagnóstico a ser realizado.

A classificação nosológica auxilia na comunicação entre profissionais e contribui para o levantamento de dados epidemiológicos de uma comunidade. e. os dados são fornecidos de modo quantitativo. uma vez que interpreta diferenças de escores. a possibilidade da realização de um psicodiagnóstico se faz possível. como p.br por ser o mais oculto. p. escolaridade. além de descrever o desempenho do paciente. níveis de funcionamento. para verificar através da comparação com outros pacientes da mesma categoria diagnóstica o que este tem em comum com ela. Cunha (2000) aponta que existem um ou vários objetivos em um processo psicodiagnóstico. quando o cliente é perguntado sobre o porquê da consulta (ARZENO.educapsico. Uma avaliação com este objetivo pode ser realizada em diferentes situações. alternativas diagnósticas ou natureza da Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 30 . que às vezes nem o cliente tem muita certeza. assim.com. • Descrição: vai além da anterior. identifica potencialidades e fracassos. • Classificação nosológica: as hipóteses iniciais são testadas tendo como referência critérios diagnósticos.www. inconsciente. 1995). em uma avaliação intelectual.ex. e as hipóteses iniciais podem ser testadas cientificamente. Uma refere-se ao paciente não testável. e que os mais comuns seriam os seguintes: • Classificação simples: quando há a comparação da amostra do comportamento do examinado com os resultados obtidos por outros sujeitos de uma população com condições semelhantes à dele (idade. geralmente o motivo que aparece num primeiro momento. A outra situação é quando o paciente é passível de teste. o último. o profissional deverá fazer um julgamento clínico acerca da presença ou não de sintomas significativos. sendo assim. sexo). avaliações de déficit neurológico. e são classificados de maneira resumida e simplificada.ex. • Diagnóstico diferencial: são investigadas irregularidades e inconsistências dos resultados dos testes e/ou do quadro sintomático para diferenciar categorias nosológicas. o mais consciente. através da bateria de testes – nesta situação não caberia somente conferir quais critérios diagnósticos são preenchidos pelo paciente.

no curso de um caso. estimar forças e fraquezas do ego. Geralmente utiliza-se recursos de triagem. Não há uma necessidade explícita do uso de testes. Requer uma condução diferenciada das entrevistas e dos materiais de testagem. para atingir uma maior população em um menor número de tempo. na direção histórica do desenvolvimento. o psicólogo de ter um vasto conhecimento em psicopatologia e sobre técnicas sofisticadas de diagnóstico. uma vez que enfoca a personalidade de modo global. porém estes permitem evidências mais precisas e objetivas. por um reteste futuro. • Prognóstico: pode avaliar condições que possam influenciar. de sua capacidade para enfrentar situações novas. Para tanto. • Perícia forense: contribui na resolução de questões relacionadas com “insanidade”. avaliação de incapacidade ou de comprometimentos psicopatológicos que possam se associar com infrações de leis. utilizando uma dimensão mais aprofundada. geralmente o psicólogo deve responder uma série de quesitos pra instruir em decisões importantíssimas do processo. avaliar riscos. examinam-se funções do ego (insight) e condições do sistema de defesas para que a indicação terapêutica e/ou a previsão das possíveis respostas aos mesmos possam ser facilitadas. que podem contribuir na avaliação dos resultados terapêuticos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 31 . • Avaliação compreensiva: considera o caso num sentido mais global. • Prevenção: propõe identificar problemas precocemente. psicodinamismos e chegando a uma compreensão do caso com base num referencial teórico. mais aprofundada. Tenta-se determinar o nível de funcionamento da personalidade. mas a ultrapassa por pressupor um nível mais elevado de inferência clínica. conflitivas. Ressalta-se que esta área ainda exige maior estudo para aprimorar tanto a adequação da testagem utilizada. isto deve ser feito de forma clara. competência para o exercício de funções de cidadão. etc.br patologia. ansiogênicas ou difíceis. Karina de O. investigando conflitos.educapsico. precisa e objetiva. como sua coleta de dados estatísticos.www. mas também é de grande utilidade numa avaliação individual. de algum modo. • Entendimento dinâmico: similar à avaliação compreensiva. portanto.com.

Nesta etapa faz-se a integração dos dados e informações. Nesta etapa ocorre a definição das hipóteses iniciais e dos objetivos do exame. • 4º momento: estudo do material coletado. • 2º momento: reflexão sobre material coletado na etapa anterior e sobre as hipóteses iniciais a fim de planejar e selecionar os instrumentos a serem utilizados na avaliação. Em alguns casos se mostra de suma importância as entrevistas incluindo os membros mais implicados na patologia do paciente e/ou grupo familiar. Ocorre o levantamento quantitativo e qualitativo dos dados. aqui será utilizado um modelo baseado em Cunha (2000) e Arzeno (1995). uma vez que cada caso é único. É relevante salientar que não deve haver um modelo rígido de psicodiagnóstico. correlacionar os instrumentos entre si e com as histórias obtidas no primeiro momento.com. As etapas são as seguintes: • 1º momento: realização da(s) primeira(s) entrevista(s) para levantamento e esclarecimento dos motivos (manifesto e latente) da consulta. defesas.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 32 .br Etapas do processo: Os passos do psicodiagnóstico não apresentam muitas diferenças de autor para autor. e a construção da história do indivíduo e da família em questão. sendo esta referente ao momento em que o consultante faz a solicitação de avaliação até o encontro com o profissional. • 5º momento: entrevista de devolução. fantasias. as orientações a respeito do caso e o encerramento do Karina de O. sendo estas sanadas com instrumentos próprios para elas.educapsico. Nela ocorre a comunicação dos resultados obtidos. encontrar o significado de pontos obscuros. sendo que a única diferença entre estes está no fato de que Arzeno considera uma etapa anterior às apresentadas a seguir. buscando recorrências e convergências dentro do material. as ansiedades. • 3º momento: realização da estratégia diagnóstica planejada. formulando inferências por estas relações tendo como ponto de partida as hipóteses iniciais e os objetivos da avaliação. demonstrando necessidades únicas.

www.educapsico.com.br processo. Ela pode ocorrer somente uma vez, ou diversas vezes, uma vez que, geralmente, faz-se uma devolutiva de forma separada para o paciente (em primeiro lugar) e outra para os pais e o restante da família. Quando o paciente é um grupo familiar, a devolutiva e as conclusões são transmitidas a todos. O psicólogo deve se lembrar de que o processo psicodiagnóstico não é agradável para o paciente, portanto é importante ter bastante cuidado para não torná-lo persecutório. Isto é possível quando o profissional explica como se dá o processo já num primeiro encontro; evita que a(s) entrevista(s) inicial(is) se torne(m) um inquérito sem fim, causando muita ansiedade; explicita em linguagem acessível e compreensível o que é esperado do paciente em cada etapa do processo (principalmente quando são utilizados testes); procura evitar que a entrevista de devolução seja uma mera transmissão de conclusões, sem que haja a oportunidade do paciente ou familiares expressarem suas reações, e sim, que neste momento, ocorra um espaço para que uma conversa se instaure, para que possíveis dúvidas possam ser sanadas e encaminhamentos realizados com maior esclarecimento. Ao final do processo psicodiagnóstico, dependendo da fonte solicitante, é necessário que o psicólogo forneça um documento contendo as observações e conclusões a que chegou, o chamado laudo psicológico. Trata-se de um parecer técnico que visa subsidiar o profissional a tomar decisões e é um dos principais recursos para comunicar resultados de uma avaliação psicológica. Seu objetivo é apresentar materialmente um resultado conclusivo de acordo com a finalidade proposta de consulta, estudo ou prova e deve restringir as informações fornecidas às estritamente necessárias à solicitação (objetivo da avaliação), com a intenção de preservar a privacidade do paciente (SILVA, 2008). NOTA: cada etapa do processo psicodiagnóstico está descrita de maneira mais detalhada no capítulo 11 de Cunha (2000).

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www.educapsico.com.br Plano de Avaliação e Bateria de Testes Relembrando que o processo psicodiagnóstico parte do levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou refutadas por meio de um plano de avaliação, com passos e técnicas predeterminadas e objetivos específicos, é importante explorarmos um pouco o que seriam este plano de avaliação e as técnicas subjacentes a este. Através do plano de avaliação, o qual se caracteriza por ser um processo, procurase identificar quais recursos auxiliariam o investigador (neste caso o psicólogo) a estabelecer uma relação entre suas hipóteses iniciais e suas possíveis respostas (CUNHA, 2000). Um dos fatores que podem colaborar com a escolha do material mais adequado para a investigação é o encaminhamento feito por outro profissional, uma vez que este sugere um objetivo para o exame psicológico. Porém, esta informação não é suficiente, o psicólogo deve complementá-la e confrontá-la com os dados objetivos e subjetivos do caso. Por isto, na maioria das vezes, este plano só é estabelecido após entrevistas com o sujeito e/ou responsável (CUNHA, 2000). O plano de avaliação consiste então em traduzir as perguntas sugeridas inicialmente em testes e técnicas, programando a administração de alguns instrumentos que sejam adequados e especialmente selecionados para fornecer subsídios para se chegar às respostas das perguntas iniciais. O que irá confirmar ou refutar as hipóteses de modo mais seguro (CUNHA, 2000). É importante ressaltar que a testagem de uma hipótese pode ser feita por diferentes instrumentos, e que a opção por um específico deve levar em consideração os seguintes itens: características demográficas do sujeito (idade, sexo, nível sociocultural, etc.); suas condições específicas (comprometimentos sensoriais, motores, cognitivos – permanentes ou temporários); fatores situacionais (ex: medicação, internação, etc.) (ARZENO, 1995; CUNHA, 2000). Como pode ser observado então, o plano de avaliação envolve a organização de uma “bateria de testes”. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

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www.educapsico.com.br Segundo Cunha (2000), esta é uma expressão usada para designar “um conjunto de testes ou de técnicas, que podem variar entre dois e cinco ou mais instrumentos, que são incluídos no processo psicodiagnóstico para fornecer subsídios que permitam confirmar ou infirmar as hipóteses iniciais, atendendo o objetivo da avaliação”. A bateria de testes é utilizada principalmente por duas razões: 1. por se considerar que nenhum teste sozinho conseguiria fazer uma avaliação abrangente da pessoa como um todo. 2. por se acreditar que o uso de diferentes testes envolve a tentativa de uma validação intertestes dos dados obtidos, diminuindo assim a margem de erro e provendo um fundamento mais embasado para se chegar a inferências clínicas (Exner, 1980 apud CUNHA, 2000). Porém, é importante ressaltar, para o segundo ponto, que embora isto garanta maior segurança nas conclusões, não se deve utilizar um número extensivo de testes, para não aumentar, desnecessariamente, o número de sessões do psicodiagnóstico e, conseqüentemente, seu valor persecutório. Cunha (2000) apresenta dois tipos de principais de baterias de testes: - as padronizadas: para avaliações mais específicas - nestas a organização da bateria provém de vários estudos, que auxiliam a realização de exames bastante específicos, como alguns exames neuropsicológicos, mas o psicólogo pode incluir alguns testes, se necessário; - e as não-padronizadas: mais comuns na prática clínica - a bateria de testes é selecionada de acordo com o objetivo da consulta e características do paciente, e, baseando-se nisto, durante o plano de avaliação, determina-se o número e tipos de testes, de acordo com sua natureza, tipo, propriedades psicométricas, tempo de administração, grau de dificuldade, e qualidade ansiogênica. Devido à grande variedade de questões iniciais e aos objetivos do

psicodiagnóstico, constantemente a bateria de testes é composta por testes psicométricos Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

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Sendo assim. 2008). o foco da investigação. MELLO. CUNHA. coloca-se que o conveniente seria que houvesse uma alternância entre técnicas projetivas e psicométricas. A correção ou apuração é mecânica. A técnica se caracteriza por ser de escolha forçada. usam números para descrever os fenômenos psicológicos. o quanto de ansiedade pode gerar. portanto. 2000). assim como a elaboração dos dados da investigação. e as características individuais do paciente (ARZENO. Os itens do teste são objetivos e podem ser computados de forma independente uns dos outros.br e técnicas projetivas. iniciando e terminando o processo com testes pouco ou não-ansiogênicos para o paciente.: testes de inteligência). 2000). grau de dificuldade. Karina de O. o que quer dizer que o resultado é um número ou medida (ESTÁCIO. são considerados objetivos (SILVA. na psicometria. Primam pela objetividade. SILVA. FORMIGA. e quais as características e particularidades tanto do teste em si como de sua aplicação. mais especificamente. diz-se que um teste psicométrico é aquele cujas normas gerais utilizadas são quantitativas. se baseiam na teoria da medida e. quando se trata da metodologia utilizada para a obtenção de dados. Lembrando-se que o mais importante. maior a mobilização de ansiedade. 1995. Complementando. E sua distribuição e seqüência devem ser consideradas levando-se em conta o tempo de aplicação. que é traduzida em tarefas padronizadas. deve-se revisar quem é o cliente. Testes Psicométricos Os testes psicométricos têm um caráter científico. assim. Tem-se denominado método psicométrico o procedimento estatístico sobre o qual se baseia a construção dos testes. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 36 .educapsico. Quanto a isto. 2008).www. 2008. seguindo uma tabela (ex. 2008. Entretanto. Cunha (2000) propõe que à medida que são apresentadas as técnicas projetivas. ao se organizar a bateria de testes. por oferecer estímulos pouco estruturados e o paciente ter que se responsabilizar pela situação e respostas dadas (uma vez que não há certo e errado). escalas em que o sujeito deve simplesmente marcar suas respostas. sem ambigüidade por parte do avaliador (ESTÁCIO.com. é o sujeito e não o teste.

sua precisão (fidedignidade nos valores quanto à confiabilidade e estabilidade dos resultados) e validade (segurança de que o teste mede o que se deseja medir). São consideradas “padrão ouro” nas avaliações psicométricas. Escalas Wechsler de Inteligência Desenvolvidas por David Wechsler. como por exemplo: avaliação psicoeducacional.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 37 . Teste WISC – III A Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC-III). representa a terceira edição da Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC) e tem por finalidade avaliar a capacidade intelectual de crianças (CUNHA. os instrumentos psicométricos estão basicamente fundamentados em valores estatísticos que indicam sua sensibilidade (ou adaptabilidade do teste ao grupo examinado). o instrumento pode ser útil não apenas para diagnósticos de deficiências ou avaliações de uma criança. o WISC-III pode ser utilizado para diferentes finalidades. A seguir serão expostas as duas versões mais usadas e mais recentes. 2000). estas escalas têm sido incluídas entre os instrumentos mais conhecidos para avaliação da inteligência (QI). Além disso.www. e vêm sendo constantemente revisadas para maior adaptação à população brasileira (CUNHA. mas também para identificar as forças e fraquezas do sujeito Karina de O. sendo utilizadas cada vez menos para determinação de um nível intelectual e cada vez mais para atender necessidades bastante específicas no diagnóstico de psicopatologistas e avaliações neuropsicológicas. neuropsicológica e pesquisa. avaliação clínica. diagnóstico de crianças excepcionais em idade escolar.com. 2000). Como medida da capacidade intelectual geral. desenvolvida por David Wechsler em 1991. tendo variações que permitem a avaliação desde crianças a idosos (CUNHA.br Para Alchieri e Cruz (2003. A seguir será apresentado um importante exemplar destes testes. embora não sirva somente para isto. 2008). p. 2000).59 apud SILVA.

sendo 12 deles mantidos do WISC-R e um novo subteste.com. avaliam e predizem várias dimensões da habilidade cognitiva. quando agrupados. as características fundamentais do WISC e do WISCR mantiveram-se iguais no WISC-III (WECHSLER. Procurar Símbolos e Labirintos. Procurador de Símbolos. o teste também fornece os Índices Fatoriais. organizados em dois grupos: Verbais e Perceptivos-motores (ou de Execução). 2002). como no WISC-R. Semelhanças. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 38 . o WISC-III. sendo que. Subtestes Suplementares: Dígitos. Cubos.www. Armar Objetos.br e fornecer informações relevantes para a elaboração de uma programação educacional específica para cada caso (FIGUEIREDO. Karina de O. Os subtestes são organizados nos seguintes conjuntos: a) b) c) Subtestes Verbais: Informação. que são aplicados nas crianças em ordem alternadas. Procurar Símbolos e Labirintos. Arranjo de Figuras. sendo eles agrupados da seguinte maneira: a) Compreensão Verbal: Informação. 2000). O WISC-III é composto por 13 subtestes. Código. Cubos e Armar objetos.educapsico. o desempenho das crianças nesses subtestes fornecem estimativas da capacidade intelectual das mesmas. Vocabulário. Na elaboração do WISC-III. Compreensão e Dígitos. ou seja. a saber: QIs Verbal. Dígitos e Labirintos não entram neste compito). é formado por diversos subtestes que. Arranjo de Figuras. Figueiredo (2000) aponta que. Vocabulário e Compreensão. de Execução e Total (sendo que os subtestes Procurar Símbolos. um subteste de Execução e depois um subteste verbal e vice-versa (WECHSLER. Semelhanças. Aritmética. 2002). b) Organização Perceptual: Completar Figuras. embora tenham sido realizadas melhoras substanciais e acrescentado importante número de itens novos. que estimam diferentes construtos subjacentes ao teste. individualmente. Subtestes de Execução: Completar Figuras. muitas investigações foram realizadas (teóricas e empíricas) e. Além da escala de QI.

colocando assim em evidência áreas fortes e fracas. e que serão exibidas a seguir. pp. pp. racionalmente e efetivamente com o seu meio ambiente. Kaufman & Lichtenberger. 2000). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 39 . FIGUEIREDO. Karina de O. pode também revelar aspectos importantes para a explicação do funcionamento cognitivo da criança. ou seja.www. Os desempenhos da criança em cada subteste são. QI-total) (CUNHA. os subtestes foram selecionados com o objetivo de investigar muitas capacidades mentais diferentes. QI-execução. Desta forma. ou seja. Por esta razão. 2001. 176-204.educapsico. O reagrupamento de alguns subtestes. capacidade do indivíduo em raciocinar. Lussier & Flessas. É aconselhado que o teste seja aplicado de forma integral. diretamente comparados com os resultados nos restantes subtestes e com os do seu grupo etário. 2001. Simões (2002) retomou trabalhos de vários investigadores (Goia. Isquith & Guy. mas que juntas oferecem uma estimativa da capacidade intelectual geral da criança (FIGUEIREDO.com. Grégoire. WECHSLER. de cada subteste. 2000. no interior de cada subescala. 329-336. 2000. 2000. incluindo os que são considerados facultativos e não entram no cálculo dos três quocientes de base (QI-verbal. 2000.br c) d) Resistência à Distração: Aritmética e Dígitos. a qual. 2002). 81-190. Velocidade de Processamento: Código e Procurar Símbolos. Simões (2002) aponta que a observação do perfil constituído pelas pontuações ponderadas de cada subescala e de cada subteste comporta uma explicação de natureza quantitativa. 51-58) a fim de esboçar algumas análises relativas à interpretação associadas a cada subteste isoladamente. ocorre a apreciação qualitativa. incluindo todos os subtestes do WISC-III. Todos os subtestes devem ser valorizados do ponto de vista da avaliação. O mesmo autor afirma que na análise item a item. muitas vezes se mostra de grande relevância. A Escala de Inteligência Wechsler para Crianças WISC-III foi desenvolvida levando em consideração a concepção da inteligência como uma entidade agregada e global. ao mesmo tempo. pp. lidar e operar com propósito. por permitir uma investigação mais acurada da especificidade medida por eles.

É bastante sensível a um déficit de atenção (e à falta de controle da impulsividade). É um subteste difícil para as crianças com limitações intelectuais.www.com. a facilidade de elaboração do discurso. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 40 . Requer uma boa capacidade da memória de trabalho (e da memória para seqüências de procedimentos) necessária para manter presente todos os elementos do problema a resolver.br • Sub-escala Verbal a) Informação: mede o nível dos conhecimentos adquiridos a partir da educação na família e na escola. Apela ao conhecimento de regras de relacionamento social. dificuldades de aprendizagem (déficits seqüenciais) ou desatenção-impulsividade é particularmente freqüente a existência de um déficit na organização temporal. Nas crianças que apresentam problemas de linguagem (disfasias). Recorre à memória de longo prazo. e a flexibilidade mental (quando é solicitada uma segunda Karina de O. e) Compreensão: Examina a capacidade do sujeito exprimir as suas experiências. Permite observar a facilidade de argumentação (quando o sujeito justifica suas respostas). sobretudo. além da capacidade de síntese e de integração de conhecimentos. Pode ser o melhor resultado da subescala verbal para os sujeitos disfásicos que freqüentemente apresentam um nível elevado de inteligência geral e. os conhecimentos lexicais e. deve-se observar a equidade do vocabulário utilizado e a precisão do pensamento. Permite verificar a organização temporal. c) Aritmética: Avalia a capacidade de cálculo mental. b) Semelhanças: avalia a capacidade de estabelecer relações lógicas e a formação de conceitos verbais ou de categorias. d) Vocabulário: Mede a competência lingüística. uma boa capacidade de síntese. Assim como em “Semelhanças”. Um desempenho baixo pode traduzir falta de familiarização com o contexto educativo ou ausência de experiência escolar. É importante observar se a criança alcança a pontuação máxima nos itens através de uma única resposta correta ou de explicações pormenorizadas. em especial.educapsico. a compreensão de enunciados verbais de uma certa complexidade e a capacidade de raciocínio.

por uma reação de inibição ansiosa.educapsico. A reprodução dos símbolos requer uma boa caligrafia. muitas vezes ausente nas crianças impulsivas (os problemas neuromotores finos são freqüentemente relacionados com esta problemática). Um bom resultado sugere um estilo seqüencial preferencial. Recorre à memória visual e a um bom senso prático. sobretudo numa criança tímida. Um resultado Karina de O. mas não na ordem em que eles lhe foram apresentados. falta de empatia e de julgamento (que caracterizam freqüentemente os sujeitos que apresentam uma disfunção não verbal). trata-se especificamente de capacidade de evocação seqüencial em modalidade auditiva e não de um déficit de natureza mnésica ou atencional. Esta tarefa é geralmente mais difícil que a precedente. esperar-se que o resultado obtido seja negativamente influenciado pelo efeito de novidade. Um resultado (excepcional) igual ou superior na Ordem Inversa parece indicativo do recurso a excelentes estratégias executivas e da utilização preferencial de um modo de evocação visual (que substitui uma atenção auditiva enfraquecida). b) Código: Mede a capacidade de associar números a símbolos e de memorizar corretamente essas associações.www.com. Quando o sujeito repete todos os números. Avalia a capacidade de aprendizagem mecânica/automatizada. A Memória de Dígitos no Sentido Inverso mede a capacidade de memória de trabalho (inteligência geral). Um resultado fraco pode sugerir uma certa dificuldade neurológica do sujeito na mobilização dos seus recursos cognitivos durante a tentativa de evocação de várias soluções para um mesmo problema ou revelar desconhecimento das regras sociais.br resposta ao mesmo item). por isso. • Sub-Escala de Execução a) Completar Figuras: É o primeiro subteste da escala a ser aplicado podendo. f) Dígitos: na Ordem Direta. a fim de executar a tarefa o mais rapidamente possível. Em termos globais esta prova está também associada ao processamento verbal auditivo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 41 . a prova mede a memória auditiva seqüencial e é bastante sensível à capacidade de escuta e às flutuações da atenção. É esperado que o resultado na Ordem Inversa seja um ou dois pontos inferiores ao obtido na Ordem Direta.

sobretudo receptiva.br fraco pode dever-se a uma dificuldade da memória cinestésica “capacidade da criança reter os movimentos motores necessários à realização gráfica” (PSICOPEDAGOGIA BRASIL. É considerada uma medida de resolução de problemas não verbais e usada como uma das contra-provas de déficits nas funções executivas. Mede a capacidade de organizar um todo a partir de elementos separados. ou ser observado em certas crianças dispráxicas (com dificuldades motoras e de linguagem). permite identificar dificuldades de auto-monitorização presentes quando a criança é incapaz de reconhecer erros evidentes. Examina a capacidade de organização e processamento visoespacial/não-verbal. rapidez 42 . após a aplicação formal do subteste. o subteste de Cubos supõe o recurso a um funcionamento viso-perceptivo. Neste contexto. Karina de O. Em comparação com outras medidas de aptidão viso-espacial. o que pode não ocorrer nos sujeitos que apresentam uma disfasia. analítica ou sintética) que permite a execução da tarefa revela-se um excelente índice da inteligência não-verbal.educapsico. c) Arranjo de Figuras: Requer uma boa capacidade de análise perceptiva. e) Armar Objetos. recorre à capacidade de integração perceptiva. psicomotora.www. coordenação. mesmo quando é desafiada a descobrir esses erros ou a comparar o seu trabalho com o estímulo. 2009) . A relação dos desenhos que compõem cada história exige uma forma de discurso interior funcional.da seqüência gestual a executar. Proporciona uma oportunidade para observar diretamente a estratégia de resolução dos problemas (itens). bem como das capacidades de raciocínio viso-espacial. a capacidade para decompor mentalmente os elementos constituintes do modelo a reproduzir. que podem ser detectadas nesta tarefa. A escolha do tipo de estratégia (global. bem como uma integração do conjunto das informações disponíveis. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação capacidades construtivas.com. d) Cubos. Muitas vezes as crianças disfásicas evidenciam dificuldades na percepção do tempo e do espaço.

como se existisse uma desconexão entre a intenção e a realização do gesto a efetuar. sendo aplicados de forma alternada (subteste de execução em seguida o verbal) iniciando pelo subteste de execução Completar Figuras.educapsico. predição de desempenho acadêmico futuro. O WAIS – III apresenta-se como uma versão mais recente do WAIS. ou com déficit de atenção. As crianças mais jovens. no Código e no Procurar Símbolos. publicada em 1997. É bastante sensível à impulsividade do método ou abordagem adaptada. Ele compreende 14 subtestes.f) www. requer uma estratégia viso-espacial em memória de trabalho. Depende de uma boa capacidade de atenção visual e de memória de trabalho. e sua idade de aplicação atual vai de 16 a 89 anos (CUNHA. 2000). Pode ser indicado para medir a inteligência geral. Mostrando-se como importantes recursos diagnósticos para identificar tanto diferentes habilidades cognitivas. diagnóstico de transtornos psiquiátricos e neurológicos (NASCIMENTO. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 43 . apresentam dificuldades na realização desta tarefa: o insucesso provém de uma incapacidade de planificação da sua execução gestual. O objetivo de sua utilização incide sobre a avaliação de problemas de aprendizagem.br Procurar Símbolos: recorre à capacidade de discriminação perceptiva. NASCIMENTO. psiquiátricos e neurológicos no funcionamento cognitivo (NASCIMENTO.com. sendo que houve um aumento de 32% de novos itens. 2000). É composto pela mesma estrutura do WAIS – R. g) g) Labirintos: Examina a capacidade de antecipação e de planificação. da subescala de execução. Karina de O. 2000). identificar potencialidades e fraquezas do funcionamento cognitivo e avaliar o impacto de problemas psicopatológicos no funcionamento cognitivo (CUNHA. que sofrem de dispraxia motora. As crianças impulsivas. quanto à investigação do impacto de problemas emocionais. foram desenvolvidas a fim de auxiliar na avaliação do funcionamento intelectual de adolescentes e adultos. WAIS – III As Escalas Wechsler de Inteligência para adultos (WAIS). obtêm com freqüência os resultados mais baixos. 2000).

refere-se à resistência à distrabilidade. Completar Figuras e Raciocínio Matricial. d) Velocidade de Processamento: subtestes componentes – Códigos e Procurar Símbolos.com. emitir uma resposta. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 44 . raciocínio fluido.www. A seguir serão apresentados os subtestes que compõe os conjuntos de aplicação (verbal e de execução – lembrando que os testes suplementares e opcional não entram no compito do QI total): a) Subtestes Informação. Para o cálculo do QI total. 2000). que seria a capacidade de compreensão (raciocínio verbal). O que cada Índice Fatorial reflete e os subtestes referentes a cada um deles são: a) Compreensão Verbal: subtestes . está relacionado à capacidade de atentarse para a informação. de execução e total) além dos Índices Fatoriais (NASCIMENTO. b) Verbais: Vocabulário.br mas. por exemplo. b) Organização Perceptual: formado pelos subtestes Cubos. mede o raciocínio não-verbal. mede os Karina de O.educapsico. c) Memória de Trabalho: obtido pelos subtestes Aritmética. Informação e Semelhanças. para em seguida. Subtestes de Execução: Completar Figuras. Raciocínio Mental. sendo assim. mantê-la brevemente e processá-la na memória. Arranjo de Figuras. e Semelhanças.Vocabulário. O WAIS – III segue os mesmos passos para interpretação das outras Escalas Wechsler de Inteligência. a aplicação de todos não é necessária. dependendo do objetivo da avaliação. Dígitos e Seqüência de Números e Letras. Cubos. Letras Compreensão Seqüência (suplementar). atenção para detalhes e integração visomotora. evidencia o conhecimento verbal adquirido e o processo mental necessário para responder às questões. de Aritmética. oferece a possibilidade de oferecer medidas referentes às escalas de QI (verbal. são necessários 11 subtestes (CUNHA. Códigos. 2000). Números e Dígitos. Procurar Símbolos (suplementar) e Armar Objetos (opcional).

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 45 . em determinado momento (ESTÁCIO. O psicólogo trabalha com tarefas pouco ou nada estruturadas. sujeita aos vieses de interpretação do avaliador. portanto. BANDEIRA. sabe-se que a personalidade de um indivíduo muda constantemente. Goodenough foi pioneira. Harris. Teste do Desenho da Figura Humana (DFH) Ao final do século XIX. Por terem uma avaliação qualitativa. etc. 2008) Os testes de personalidade. 2008). sociabilidade. como integrantes dos projetivos. 2000). a informação visual. seus elementos (itens de teste) não podem ser medidos em separado. interesse. são testes menos objetivos. Os testes cuja metodologia é projetiva são aqueles cujas normas são qualitativas.com. como um todo. ou seja.educapsico. medem as características de personalidade propriamente ditas. o que realmente é medido são as características mais ou menos constantes da personalidade. Posteriormente. revisou a escala e a expandiu. A constância de certas características avaliadas no teste. memória e concentração para processar. Ex. atitude. mas mesmo assim.www. dos seus critérios de entendimento e bom senso (SILVA.: testes de personalidade em geral) (ESTÁCIO. e os resultados são totalmente dependentes da sua percepção. que não se referem aos aspectos cognitivos da conduta. que dará a relativa certeza de um diagnóstico (ex. em 1963. sua apuração é ambígua. em 1926 desenvolveu a primeira escala com critérios de análise do Desenho da Figura Humana (DFH). Testes/Técnicas Projetivos (as) Os testes projetivos requerem respostas livres. A seguir. a apuração das respostas deixa margem para interpretações subjetivas do próprio avaliador. rapidamente. como medida de desenvolvimento intelectual de crianças. Karina de O. 2008).: estabilidade emocional. veja um exemplo destes testes.br processos relacionados à atenção. Porém. O resultado se expressa através de uma tipologia. já se acreditava que o desenho de crianças podia ser avaliado como indicador do desenvolvimento psicológico. sendo esta passando a ser considerada como medida de maturidade (HUTZ.

como a criança compreende o corpo humano. O instrumento. A análise também pode ser realizada na avaliação pela presença de itens esperados. A avaliação é feita com um único desenho. a pessoa manifesta alguma quantidade de determinada habilidade. incomuns e excepcionais conforme a idade da criança. a forma de correção proposta por Sisto. Os itens se apresentam então de forma hierárquica de acordo com sua dificuldade e da habilidade do Karina de O. passou a ser um sistema de avaliação objetivo utilizado internacionalmente. pede-se à criança que faça o desenho de uma pessoa inteira em uma folha branca.com. criado em 1960. BANDEIRA. Esta forma de aplicação do DFH mede o desenvolvimento cognitivo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 46 .www. Harris (1963) já questionava o uso do DFH como teste de inteligência. Manchover. ou seja. pontuados como ausentes ou presentes. 2000). é considerado pelo CFP. 2000). o qual supõe que ao responder um item do teste.br Após duas décadas. Este tipo de análise se popularizou. Assim. DFH: Avaliação do desenvolvimento infantil Ao revisar e ampliar a escala de Goodenough. que somados. após a colaboração de Koppitz. tamanho ofício. colocando a sua disposição um lápis preto número dois e uma borracha. Atualmente. hoje é um dos mais utilizados como método de avaliação da personalidade (HUTZ. em cada nível de habilidade. Para a aplicação dessa técnica. (HUTZ. ainda tendo como referencia os estudos de Goodenough. introduzindo o enfoque do desenvolvimento infantil no desenho. gerando um escore global. o projetivo. existe a probabilidade das pessoas desse nível fornecerem resposta correta para aquele item. publicou tais resultados em 1949. após análise de diversas observações clínicas sobre a representação gráfica de figuras humanas desenhadas por crianças e adultos que apresentavam problemas psicológicos. baseado no modelo de Rasch. inclui 30 itens evolutivos. e assim surgiu um novo caráter dado ao DFH. 2000). para avaliação do desenvolvimento cognitivo. BANDEIRA. BANDEIRA.educapsico. comuns. entendendo-o como medida de maturidade conceitual. amplamente estudado por Koppitz (HUTZ.

itens predominantemente masculinos e femininos (o sistema de correção é o mesmo. 2009): 1) Estudo dos itens quanto ao funcionamento diferencial e a análise de sua influência. esta forma de correção possibilita uma escala unidimensional (RUEDA. O DFH – Escala Sisto é uma medida de inteligência e está relacionada ao fator g. A escala solicita o desenho de uma pessoa e reduziu os itens a 30 diferentemente de Kopitz. de tal modo que as pessoas mais habilidosas desenharão os itens mais difíceis e as menos. propôs outra forma de avaliação descrita para a interpretação do DFH. 2005). Algumas vantagens apresentadas por este sistema de correção: menor número de itens (30). 2) A manutenção do caráter evolutivo da proposta original. 3) Além de fornecer evidências de validade em termos de desenvolvimento cronológico e inteligência como fez Goodenough fornece evidências de validade em termos de desenvolvimento cognitivo na perspectiva de Piaget. baseada nos estudos de Machover e Hammer. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 47 . procurando selecionar os itens em relação às idades cronológicas. a operatoriedade (conceito de Piaget referente ao desenvolvimento cognitivo em crianças) e aprendizagem escolar (VETOR-EDITORA. solicitação de apenas um desenho. não (RUEDA. não levando em consideração se a figura desenhada é feminina ou masculina. 2005). Além destas. DFH: Avaliação da Personalidade e Ajustamento Emocional Koppitz em 1968. São técnicas de análises não disponíveis à época para Goodenough. mudam-se as normas).www. quando passou a avaliar os aspectos emocionais em crianças pelo DFH.educapsico.br sujeito. 2009). que foram selecionados com vistas a se constituírem em uma escala e não em um simples inventário de itens (VETOR – EDITORA. Estabelecendo uma escala de 30 indicadores Karina de O. existência de uma classificação hierárquica de itens de acordo com o sexo e a idade da criança. o sistema proposto por Sisto fornece as seguintes contribuições (VETOR – EDITORA. 2009).com. ficando claro sua relação com a operatoriedade.

o desenho pode ser uma expressão consciente ou pode incluir símbolos profundamente disfarçados. pode ser uma projeção de autoconceito. Ao se desenhar uma pessoa. corrobora estes fatos citando Levy. uma projeção de atitudes do sujeito para com o examinador e a situação. BANDEIRA. uma projeção da imagem ideal do eu. Esta forma de avaliação teve origem com as pesquisas de Machover. um modo pelo qual o corpo se apresenta para nós (Schilder. uma expressão de suas atitudes para com a vida e a sociedade em geral”. refere-se necessariamente às imagens internalizadas que tem de si próprio e dos outros. quando um sujeito realiza o Desenho da Figura Humana. o que permitiria investigar as reações do examinando a situações de tensão. pedindo que se desenhe a pessoa na chuva. preferências. em 1949. O DFH pode também ter uma avaliação que aborde a personalidade e seus aspectos estruturais e dinâmicos. 2000). um resultado de circunstâncias externas. pessoas vinculadas a ele. 1959. BANDEIRA. Para Van Kolker (1984. 2000). 1981. expressivos de fenômenos inconscientes. o desenho pode também ser a representação de outros aspectos do indivíduo. Na aplicação. ao dizer que o desenho “além de veículo de projeção da imagem corporal. 2000).com. Trinca. é como a figuração de nosso corpo formada em nossa mente. citado em HUTZ. Machover (1967) afirma que. imagem ideal. uma projeção de atitudes para com alguém do ambiente. padrões de hábitos. o indivíduo projeta a sua imagem corporal no papel. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 48 . citado em HUTZ.www. Recomendase ainda. uma expressão de tonalidade emocional. é solicitado também que se faça o desenho DFH do sexo oposto à primeira figura desenhada (em folhas separadas). BANDEIRA. Além do mais. e mostra-se como um dos mais ricos instrumentos para a investigação da personalidade e de características psicológicas. uma expressão de padrões de hábitos. ou seja. sendo uma combinação de tudo isso. como aspirações. Há outra possibilidade. e dessa forma ocorre à projeção de sua imagem corporal. 2000). Karina de O. BANDEIRA. a realização de um inquérito ou a construção de uma história sobre a figura (HUTZ.educapsico. 1987.br emocionais que seriam suficientes para diferenciar crianças com e sem problemas emocionais (HUTZ. atitudes para com o examinador e a situação de testagem.

Machover (1949) afirmou que crianças que desenham figuras do sexo oposto provavelmente apresentam um problema no desenvolvimento de sua identidade sexual. o DFH não pode ser utilizado como indicador de patologia (HUTZ. propôs uma escala para avaliação da ansiedade de adolescente e adultos. Handler. Porém recomenda-se cautela na utilização deste material com tal finalidade (HUTZ. tais com a ansiedade. BANDEIRA. que abrangem tanto a ansiedade causada por situações externas estressantes como causas intrapsíquicas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 49 . 2000).br DFH e a Ansiedade O DFH pode ser utilizado também para a avaliação de aspectos específicos. nesta última. não há confirmação da hipótese lançada por Machover. (FRANCO e MAZORRA) Karina de O. o comportamento da criança é observado em uma sala destinada à ludoterapia. 2000). Foram descritos vinte índices. estabelecendo critérios de escore para análise de maneira formal. O Sexo da Figura Sendo o DFH considerado uma expressão da auto-imagem de crianças que projetam suas identificações e conflitos nos desenhos. BANDEIRA. a presença é um indicador de ansiedade. com brinquedos e material gráfico. atribuindo-se escores de acordo com as características do desenho de cada um deles. em escalas de quatro ou dois pontos. em 1967. desejos e experiências. com 20 itens de ansiedade. Desta forma. onde.com. Entrevista Lúdica Segundo FRANCO e MAZORRA a entrevista lúdica é uma técnica de investigação clínica da personalidade da criança introduzida inicialmente por Aberastury (1992). Vários estudos mostraram que há uma tendência geral das pessoas desenharem figuras do mesmo sexo. Nesse procedimento. seria esperado que os mesmos fossem correspondentes ao sexo da criança que o desenhou. Tendo em vista que a atividade lúdica é a forma como a criança expressa suas fantasias. o emprego desses recursos tem como objetivo a instrumentalização de suas possibilidades comunicacionais. contudo.www.educapsico.

além de problemas ou doenças físicas. pois a criança faz uso livre dos materiais. O profissional nesta situação deve ajudar aos pais a optarem pelo bem-estar da criança definindo então metas para a atuação terapêutica. é diferente. buscando uma definição dos objetivos pretendidos. visto serem os pais ou outros responsáveis.com. a história dos problemas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 50 . as forças da criança.br No atendimento com criança a queixa inicial é trazida pelos pais e esta geralmente se apresenta de forma confusa. O profissional deve auxiliar os pais a pensarem sobre algumas maneiras de preparar a criança para este momento. que buscam atendimento para ela. mas a criança deve estar à vontade para responder quando estiver ocupada com atividades mais agradáveis. no processo terapêutico. Geralmente as crianças podem apresentar-se ansiosas em relação ao contato com o terapeuta. neste momento o terapeuta tem que intervir como facilitador da comunicação dos problemas.educapsico. Essas entrevistas geralmente tem como início o modo totalmente não-estruturado. formas anteriores de lidar com os problemas. Freqüentemente com crianças com menos de 10 anos utiliza-se entrevistas lúdicas (com jogos ou brinquedos). influenciam o estabelecimento de metas. As crianças variam na quantidade e tipo de verbalização durante as sessões de brinquedo ou jogo. Karina de O. O material de jogo em brinquedo não precisa ser elaborado. acontecimentos significativos na vida da criança. A posição da criança. Seu discurso pode estar focado no brinquedo ou em outros tópicos. bonecos flexíveis e pequenos. e determinam até mesmo quando a terapia deve ser encerrada.www. o terapeuta de forma gradativa realiza perguntas sobre a problemática ou questões referentes. tais como mudança ou morte. Em conseqüência. As entrevistas com jogos ou brinquedos podem ser parcialmente estruturadas ou não-estruturadas. concordam ou não com o plano de atendimento. Estas perguntas podem ser relacionadas ou não com o brinquedo embora estas ocorram quando a criança está em relação com ele. mas deve incluir os seguintes materiais ou pelo menos alguns deles: blocos de madeira. De acordo com FRANCO e MAZORRA com freqüência os terapeutas entrevistam os pais antes de ver a criança individualmente de modo a obter informações sobre os problemas apresentados.

processos de pensamento. impulsividade. É então solicitado que a criança complete a fantasia. O brincar com a criança pode oferecer informações acerca de atitudes em relação a regras. papel e lápis. pai.educapsico. fonte de raiva. disposição para ser ensinada. as crianças geralmente usam o brinquedo para controlar suas preocupações. revelar medos. pequenas armas de brinquedo. criatividade. carros e caminhões pequenos. talvez com uma genitália anatomicamente perfeita. através de inferências baseadas no seu relato verbal.com. indiretamente. comportamentos dependentes e independentes. desenho em quadrinhos. soldados. modo de iniciar uma interação e atitudes em relação à competição. estórias de gravura. preocupações sexuais. Em algumas situações. argila e construção de cena com brinquedos. A Karina de O. a cada contato com a criança são propostos cinco tipos de atividades para que escolha uma delas: desenho livre. habilidades perceptomotoras. Cada atividade é finalizada com uma fantasia. sendo registrado o relato verbal da criança. Em seguida. "onde a criança descreve os sentimentos dos personagens e as possíveis regras que governam seus comportamentos. organização. Os desenhos são considerados uma fonte rica de informações. massa de modelar. incluindo mãe.br usados às vezes em casas de boneca. culpa e conflito com os pais através do brinquedo. A idéia fundamental no uso de entrevistas lúdicas é a de que as crianças irão projetar suas questões-chaves no conteúdo do brinquedo e na maneira com que utilizam o material. modo de lidar com a vitória e a derrota. estilos de aprendizagem. se deve ao fato de que este instrumento – a fantasia – favorece a identificação de possíveis sentimentos da própria criança. espontaneidade. defesas.www. enquanto descreve estórias irreais que devem ser imaginadas. cowboys e índios. Outra técnica muito utilizada é o uso da fantasia que pode ser empregada no relato verbal de estórias fictícias. Elas podem. percepção de si próprio e dos outros e a natureza dos processos de interação. pois há muitas crianças que desenham espontaneamente durante a entrevista enquanto que outras só quando solicitadas. menino. pede-se a criança que permaneça de olhos fechados. Através da observação do brinquedo é possível avaliar a inteligência. desenhe o que imaginou. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 51 . comportamento de expor-se a riscos. menina e bebê. uma boneca-bebê. marionetes.

educapsico. raciocínio. carrinhos ou caminhões (pelo menos dois). Esta formulação deve incluir comentários sobre recursos e déficits específicos da personalidade e o modo como eles relacionam-se aos problemas. alterações da percepção. revistinhas. representação. são feitas perguntas para tornar mais compreensíveis os pontos obscuros e omissões. pinos de encaixe. durante a entrevista Karina de O. consciência e afetividade. depressão. Psicopatologia pode ser definida como a ciência que trata da natureza da doença mental. palitinhos de madeira. fogão. barbante. apontador. lápis preto. dominó. xícaras e seus respectivos pires. 2000). ansiedade). juízo. família de animais selvagens e domésticos. variáveis fisiológicas. Exame do Estado Mental Segundo CORDIOLI (2009) O exame do estado mental é a pesquisa sistemática de sinais e sintomas de alterações do funcionamento mental. memória. Esta ciência estuda inúmeros fenômenos humanos e historicamente esses fenômenos estudados pela psicopatologia foram denominados “doença mental (Dalgalarrondo. blocos de madeira ou de plástico. lápis de cor.br seguir. durex. psicológicas. enquanto outros tipos de perguntas pretendem levar à identificação de incoerências no relato. panelinha.www. 6. massa de modelar (de diversas cores). família de pano. As informações obtidas através da avaliação devem ser interpretadas e integradas para proporcionar um entendimento mais profundo dos problemas apresentados. familiares e sócio-culturais que contribuem para o desenvolvimento e manutenção dos problemas. revólver de brinquedo. doenças de natureza psíquica (alcoolismo. material de sucata. Para a realização da entrevista lúdica pode ser usada uma caixa onde seja incluído os seguintes materiais: papel sulfite. canetinhas hidrocor. a gravidade do problema. lápis de cera. tesoura sem ponta. atenção.com. Psicopatologia: conceituação. fantoches e jogos comerciais estruturados. borracha. livros. esquizofrenia. conseqüências dos problemas para a criança e a família e os meios atuais de lidar com os problemas. cola. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 52 . tinta a dedo.

consultório particular). evita responder às perguntas. consultoria). da anamnese. como pode também oferecer indícios importantes de transtornos neurológicos. Segundo CORDIOLI (2009) o exame inicia-se com uma descrição sumária sobre o local onde se realiza a entrevista (hospital. É Karina de O. amigos. 3. roupas incongruentes. reticentes. mas deve fazer parte do exame clínico do paciente. muito coloridas).com. agitação psicomotora. Em seguida. para agradar. As informações são obtidas através da observação direta da aparência do paciente. Atividade psicomotora e Comportamento: Como a pessoa se move. seguindo-se de impressões sobre o paciente registradas pelo entrevistador sobre os seguintes aspectos: 1. bajuladores. A atitude dominante durante a entrevista também é alvo de consideração (se desconfiado. Outros são mais abertos. intoxicações ou de efeitos de drogas. diagnóstico. Aparência: O aspecto da pessoa é avaliado. posto de saúde. altura. sujo. desde a idade. Cada função mental é considerada separadamente de uma forma paralela a um exame físico. metabólicos. numa tentativa de envergonhar ou humilhar o examinador. peso. Também podem ser hostis. por vergonha. vestuário (se está limpo. O exame do estado mental não deve ser realizado apenas pelos psiquiatras. tiques ou tremores também são descritos aqui. aspecto bizarro. posições do corpo (flexibilidade cérea. comum na esquizofrenia hebefrênica ou hebefrenia).educapsico. etc) 2. Atitude frente ao examinador: Como o paciente se comporta durante o exame. colegas ou até mesmo autoridades policiais. bem como do relato de familiares e outros informantes como atendentes. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 53 . Alguns limitam-se a responder somente o que o entrevistador pergunta.br psiquiátrica. descreve-se o motivo pelo qual está sendo realizada (avaliação para internação hospitalar ou tratamento ambulatorial. falta de vontade ou medo de contar suas experiências pessoais. independente da sua morbidade. É essencial não só para o diagnóstico de possíveis transtornos psiquiátricos. fechados e até desconfiados. O resultado do exame e da entrevista clínica são combinados para se formular o diagnóstico psiquiátrico. Movimentos anormais como coréia. receptivo.www.

Distração: incapacidade de manter o foco da atenção em determinado estímulo.br importante que o entrevistador além de anotar a postura indique alguns exemplos que o fizeram pensar daquela forma. Karina de O.www. Concentração: é a capacidade de manter a atenção voluntária em processos internos do pensamento ou em alguma atividade mental As alterações na atenção podem ser descritas como: Desatenção: incapacidade de voltar o foco para um determinado estímulo. No geral. em discurso descreve-se o volume que a pessoa usa ao falar. 4.com. Sentimentos despertados: O entrevistador deve relatar a impressão emocional geral transmitida pelo paciente. Comunicação com o examinador: Costuma-se separar discurso de pensamento. fluxo. A atenção pode ser avaliada nos estados de: Vigilância: designa a capacidade de voltar o foco da atenção para os estímulos externos Tenacidade: capacidade de manutenção da atenção ou de uma tarefa específica. hesitações (ou bloqueios). os sentimentos despertados em sua pessoa pelo paciente 6. 6. Hiperalerta. sotaques.educapsico.1 Consciência: é o reconhecimento da realidade externa ou de si mesmo em determinado momento. 5. Estupor. 54 . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Coma. e a capacidade de responder aos seus estímulos. velocidade.2 Atenção: A atenção é uma dimensão da consciência que designa a capacidade para manter o foco em uma atividade. Confusão. tiques vocais são descritos aqui. ou seja. Funções mentais 6. O nível de consciência é avaliado em: Obnubilação/sonolência. Maneirismos.

etc. Estas são chamadas alucianções elementares Alucinações extra-campinas são aquelas nas quais o paciente vê ou ouve coisas fora de seu campo sensorial (ouvir uma voz a 3 km de distância. olfativos.educapsico. angustiantes ou prazerosas. 6. ou seja. como sinos. Deve-se questionar como a pessoa lida com as alucinações. Alucinações auditivas. cenestésicas. Na percepção é avaliada a sensopercepção do paciente.4 Orientação: capacidade do indivíduo de situar-se no tempo. latidos. são comuns na esquizofrenia enquanto alucinações visuais são frequentes em doenças orgânicas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 55 . Às vezes as alucinações podem ser outros sons além de vozes.com. por exemplo. zumbidos. etc). gedankenlautverden. Descreve-se aqui fenônemos como alucinação e ilusão. Deve-se questionar sobre alterações de todos os sentidos pois as alucinações podem ser olfativas.3 Sensopercepção: designa a capacidade de perceber e interpretar os estímulos que se apresentam aos órgãos dos sentidos. roubo do pensamento e iserção de pensamentos. visuais.br 6. Os estímulos podem ser: auditivos. como ele recebe (sentidos) e percebe (interpretação) o mundo. sons de motores. como o eco do pensamento. Também podem ser outros fenômenos visuais como halos ou cores difíceis de descrever. Despersonalização (o indivíduo sente-se irreal) e desrealização (sente o mundo como irreal) também devem ser descritos aqui. Alguns dos sintomas de Kurt Schneider de primeira ordem são alucinatórios. táteis e gustativos. ver através de paredes.www. etc. Karina de O. A natureza de cada experiência deve ser descrita em detalhes. se são assustadoras. espaço ou situação e reconhecer sua própria pessoa. Também é importante verificar se as alucinações ocorrem na segunda pessoa (conversa com o paciente) ou na terceira pessoa (conversam entre si) e se comandam o doente (atos homicidas ou suicidas).

evocar e reconhecer objetos. distúrbio dissociativo (histeria). responsável pelo registro de informações ouvidas nos últimos 15 a 20 segundos. Amnésia imediata: geralmente existe um comprometimento cerebral agudo. Amnésia remota: esquecimento de fatos ocorridos no passado.br São feitas questões para saber se o paciente sabe onde está (orientação espacial) e o dia/mês/ano (orientação temporal). Amnésia lacunar: esquecimento dos fatos ocorridos entre duas datas. que recebe a informação dos órgãos dos sentidos e a retém por breve período de tempo (0. números ou palavras. Capacidade de resolver situações novas com rapidez e com êxito mediante a realização de tarefas que envolvam a apreensão de relações abstratas entre fatos. antecedentes e consequências. etc. e remota. de raciocinar logicamente e de forma abstrata manipulando conceitos. 6. Amnésia anterógrada: o paciente esquece tudo o que ocorreu após um fato ou acidente importante. eventos. 6.www. Amnésia retrógrada: esquecimento de situações ocorridas anteriormente a um trauma. doença ou fato importante. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 56 . Ex: traumatismo craniano. que é a responsável pela retenção permanente de informação selecionada.5 Memória: é a capacidade de registrar. recente. que divide-se em de curto prazo (5-10min) e de longo prazo (mais de 30 min). fixar ou reter.educapsico. compreender as relações entre eles e integrá-los aos conhecimentos já adquiridos anteriormente.com. Para fins de avaliação divide-se a memória em: sensorial. pessoas e experiências passadas ou estímulos sensoriais. Karina de O. imediata.6 Inteligência: capacidade de uma pessoa de assimilar conhecimentos factuais. Questionar também se sabe quem é e qual sua situação (orientação autopsíquica).5segundos). As alterações e Transtornos mais comuns são: Amnésia: incapacidade parcial ou total de evocar experiências passadas.

tal deve ser descrito em humor. elação ou eufórico. Aspectos culturais devem ser considerados. abstrair. relatado pelo mesmo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 57 . Se a sensação que se tem ao final do exame é de um estado depressivo. São elas: -O prazer de tomar banho. -Pensamento de suícidio ou mesmo homicídio. Nada mais do que ela pensa.7 Afetividade e Humor.8 Pensamento: é o conjunto de funções integrativas capazes de associar conhecimentos novos e antigos. -Sonolência excessiva ou insônia. (torna-se insuportável). Também é importante notar se o afeto está incongruente (por exemplo um indivíduo ri ao invés de chorar quando lhe contam uma notícia triste).br As alterações e transtornos mais comuns são avaliadas através de testes específicos. sintetizar e criar. Podem-se encontrar casos de deficiência mental. Na maioria das vezes o indivíduo com depressão profunda.Forma ou processo: Nesta categoria. -Trabalhar. O afeto de uma pessoa pode variar desde depressivo (depressão nervosa). avalia-se a velocidade do pensamento. bloqueio do pensamento. ela não pensaem outra coisa a não ser o suícidio. 6. mais faz sentido. O mini mental state examination é exemplo de questionário que pode ser aplicado para esta avaliação. passam a ser muito difíceis. concluir. -Fazer a barba. tagarelices. desconexão do pensamento ou pensamento desagregado (quando há perda de associação entre as idéias. -Conversar com outras pessoas. fluxo e como está conectado A perturbação do pensamento formal ocorre quando há "pressão" para se pensar (excessivamente rápido). podendo chegar ao ponto de "salada de palavras". demência e incapacidade de abstração. analisar.julgar. Os vários estados afetivos demonstram se uma pessoa demonstra uma expansão do seu afeto ou se o mesmo se encontra restrito (muitas vezes descrito como aplainado ou embotado).educapsico. Pensamento . quando Karina de O. -Concentração quase 0 "Pensamento a mil". -Pensamentos repetitivos. fuga de idéias. integrar estímulos externos e internos. Como antes fazer as tarefas de costumes eram normais . -Convivência com outras pessoas.www. irritado e normal. Esta categoria é dividida em forma (como a pessoa pensa) e conteúdo (o quê se pensa).com. 6. Afeto é a expressão de uma emoção e humor é o estado emocional do indivíduo.

gastar mais do que pode. tiques. O paciente pode apresentadas alterações como: falar coisas inapropriadas. mantendo as demais áreas adequadas. lentificação dos movimentos e da fala) psicomotores. fobias. de sentimentos e impulsos de outras pessoas. impulsos.atitudes. gestos. à possibilidade de auto avaliar-se adequadamente e ter uma visão realista de si mesmo. Pensamento . ser inconveniente. agitação (hiperatividade. não se dar conta da gravidade da doença. como dinheiro ou sexualidade. etc Podem ser apresentadas as seguintes alterações: Inquietação. não reconhecer limitações. Uma pessoa deprimida pode ter idéias de ruínas ("tudo está acabado") e desesperança. Os distúrbios do julgamento podem ser circunscritos a uma ou mais áreas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 58 . Idéias supervalorizadas. Estes podem ser idéias intrusivas angustiantes (pensamento obsessivo). sadismo.Conteúdo: inclui as crenças da pessoa e o que é discutido durante a entrevista.br o paciente apenas responde palavras desconectadas. Refere-se. Idéias suicidas e homicidas devem ser investigadas. bulimia). suas dificuldades e suas qualidades. aumento de energia) ou retardo (hipoatividade.9 Juízo Crítico: É a capacidade para perceber e avaliar adequadamente a realidade externa esepará-la dos aspectos do mundo interno ou subjetivo. não medir conseqüências. 6. Tangencialidade (não responde às perguntas) e pensamento circunstancial (com diversos detalhes perdendo-se ou retardando-se a conclusão da idéia).www. ciúmes patológico também devem ser explorados. comportamento catatônico (ficar parado. irradiação do pensamento. 6. preocupações com o corpo (anorexia. diminuição do interesse por atividades.10 Conduta: São os comportamentos observáveis do indivíduo: comportamento motor. grandiosidade. verbalizações. ruminações (pensamentos recorrentes).com. agressividade. masoquismo. atos. A capacidade de julgamento é necessária para todas as decisões diárias. Implica separarsentimentos. impulsos e fantasias próprios. ainda. sem qualquer movimento Karina de O. para estabelecer prioridades e prever conseqüências. delírio.educapsico.

dimuição das habilidades sociais (não se dar conta que está se comportando mal em público). www. compras/gastos. postura ou trejeitos muito discrepantes). impulsividade.br podendo alternar-se com hiperatividade). tentativa de suic ídio. olhar. ornamentos. expressão facial ou por escrito. bradilalia (falar muito devagar).compulsões (urgência irresistível de realizar um ato motor aparentemente sem motivo. Exemplos: disartria (dificuldade na articulação da palavra). rituais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 59 . taquilalia (falar muito rápido). como revirar lixo)ou autista (concentrado em si mesmo e independente do mundo ao seu redor). piora dos cuidados pessoais (higiene). gagueira. fissura (ou "craving". exagero. aumento ou diminuição da atividade sexual. comer compulsivos ou excessivos. coprolalia (uso de palavras obcenas).educapsico. ecolalia (repetir as últimas palavras do interlocutor). evitações). 7. aparência excêntrica (diferente do seu grupo sociocultural. risos imotivados. tiques). mesmo em posição desagradável. parafilias. disgrafia (escrever palavras incorretamente). alterações da m ímica facial (ausência.com. reconhecido como sem significado. somatizações.exposição ao perigo. espontânea ou em resposta. 6. escrita e mímica. bizarro (fazer coisas absurdas ou estranhas. mutismo (ficar completamente quieto). negativismo (fazer o contrário do que é solicitado). perda do controle em busca do uso de SPA). logorréia (não parar de falar). jogo.11 Linguagem É a maneira como a pessoa se comunica. repetitivo. estados dissociativos (sintomas físicos persistentes sem explicação plausível). Funções psicofisiológicas Karina de O. suic ídio. familiares). homicídio. com roupas.limpeza e ordem exagerados.comportamento histriônico (sentimentos expressos de forma exagerada e dramática). tiques e cacoetes. vulgaridade (usar vocabulário de baixo calão). envolvendo gestos. Podem ser encontradas na comunicação oral. roubo. verbal ou não verbalmente. estados de transe. uso/abuso de álcool e drogas. vandalismo. isolamento social(evitar encontros com amigos. Neologismos (invenção de palavras com significados particulares para o paciente). anorexia. estereotipado. afasia (não conseguir falar).durante horas.mesquinhez. tricotilomania. salada de palavras e associação por rimas refletem um processo de pensamento desgregado.

7. ou no meio da noite. com delírios.sonambulismo. Transtorno amnéstico induzido por álcool. 60 Karina de O. terminal. Transtorno psicótico induzido por álcool. incapacidade de atingir o orgasmo. ALCOOLISMO: O alcoolismo diz respeito aos abusos e dependência de álcool. porém esse termo não é utilizado pela maioria dos sistemas diagnósticos. Intoxicação com álcool.educapsico.com. 2003): • • • • • • • • • Dependência de álcool. 7. SADOCK. vaginismo. Abstinência de álcool. com alucinações.3 Sexualidade: diminuição ou aumento do desejo ou da excitação (depressão e mania). GREBB. como é o caso do DSM IV (KAPLAN. com ou sem alteração no peso (considerar variações maiores que 5% do peso usual). terror noturno. Os transtornos relacionados ao álcool apontados pelo DSM IV são os seguintes (KAPLAN. apnéia do sono. Abuso de álcool. Transtorno do humor induzido por álcool. retardada. Demência). alterações do ciclo sono-vigília (SCO.br 7.2 Apetite: Aumento ou diminuição.1 Sono: Insônia inicial. Transtorno psicótico induzido por álcool. SADOCK. Doenças. hipersonia. GREBB. 2003). ejaculação precoce. parafilias.www. Transtorno de ansiedade induzido por álcool. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação . diminuição da necessidade de sono (Mania).

O curso geralmente é crônico. Os aspectos essenciais da condição são os mesmos em crianças. Karina de O. A perturbação não é melhor explicada por um Transtorno Esquizoafetivo ou Transtorno do Humor com Características Psicóticas nem se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral. com alguns sinais do transtorno persistindo por pelo menos 6 meses.. educação ou higiene).br • • Disfunção sexual induzida por álcool. os delírios e alucinações podem ser menos elaborados do que aqueles observados em adultos. e as alucinações visuais podem ser mais comuns. sendo menos propensa a incluir sintomas desorganizados e negativos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 61 . exceto por uma proporção maior de mulheres. A Esquizofrenia envolve disfunção em uma ou mais áreas importantes do funcionamento (por ex. relações interpessoais. A Esquizofrenia também pode começar mais tarde (por ex.www. Os casos de aparecimento tardio tendem a ser similares à Esquizofrenia de início mais precoce. A apresentação clínica tende mais a incluir delírios e alucinações paranóides. após os 45 anos). trabalho.. Esses sinais e sintomas estão associados com acentuada disfunção social ou ocupacional. SINAIS E SINTOMAS Os aspectos essenciais da Esquizofrenia são um misto de sinais e sintomas característicos (tanto positivos quanto negativos) que estiveram presentes por um período de tempo significativo durante 1 mês (ou por um tempo menor. Em crianças.com. uma melhor história ocupacional e maior freqüência de casamentos. sendo raro o início antes da adolescência (embora haja relatos de casos com início aos 5 ou 6 anos). embora os indivíduos freqüentemente respondam bastante bem aos medicamentos antipsicóticos em doses menores. Transtorno do sono induzido por álcool. mas pode ser particularmente difícil fazer o diagnóstico neste grupo etário. se tratados com sucesso).educapsico. ESQUIZOFRENIA: O início da Esquizofrenia tipicamente ocorre entre o final da adolescência e por volta dos 35 anos.

br Em indivíduos com um diagnóstico prévio de Transtorno Autista (ou outro Transtorno Invasivo do Desenvolvimento). o pensamento inferencial. • Os sintomas positivos incluem distorções ou exageros do pensamento inferencial (delírios).www. OBS: Os medicamentos neurolépticos freqüentemente produzem efeitos colaterais extrapiramidais que se assemelham muito ao embotamento afetivo ou à avolição. o monitoramento comportamental. a linguagem e a comunicação. o afeto. a capacidade hedônica. na fluência e produtividade do pensamento (alogia) e na iniciação de comportamentos dirigidos a um objetivo (avolição). • Os sintomas negativos incluem restrições na amplitude e intensidade da expressão emocional (embotamento do afeto). o impulso e a atenção. Os sintomas característicos podem ser conceitualizados como enquadrando-se em duas amplas categorias — positivos e negativos. da percepção (alucinações). o diagnóstico adicional de Esquizofrenia aplicase apenas se delírios ou alucinações proeminentes estão presentes por pelo menos 1 mês. Esses sintomas positivos podem compreender duas dimensões distintas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 62 . da linguagem e comunicação (discurso desorganizado) e do monitoramento comportamental (comportamento amplamente desorganizado ou catatônico). a fluência e produtividade do pensamento e do discurso. Os sintomas característicos de Esquizofrenia envolvem uma faixa de disfunções cognitivas e emocionais que acometem a percepção. enquanto a "dimensão da desorganização" inclui o discurso e comportamento desorganizados. Os sintomas positivos parecem refletir um excesso ou distorção de funções normais. a volição.educapsico. O diagnóstico envolve o reconhecimento de uma constelação de sinais e sintomas associados com prejuízo no funcionamento ocupacional ou social.com. por sua vez. que. enquanto os sintomas negativos parecem refletir uma diminuição ou perda de funções normais. A distinção entre os verdadeiros sintomas negativos e os efeitos colaterais de medicamentos depende de um discernimento clínico envolvendo a gravidade dos Karina de O. podem estar relacionadas a diferentes mecanismos neurais e correlações clínicas subjacentes: a "dimensão psicótica" inclui delírios e alucinações.

olfativas. Alucinações: As alucinações podem ocorrer em qualquer modalidade sensorial (por ex. aquelas que ocorrem enquanto o indivíduo adormece (hipnagógicas) ou desperta (hipnopômpicas) são consideradas parte da faixa de experiências normais. ou grandiosos). espionada ou ridicularizada. os efeitos de um ajuste da dosagem e os efeitos de medicamentos anticolinérgicos.. sendo geralmente experimentadas como vozes conhecidas ou estranhas. Os delírios são considerados bizarros se são claramente implausíveis e incompreensíveis e não derivam de experiências comuns da vida.educapsico. gustativas e táteis). Delírios: Os delírios são crenças errôneas. mas as alucinações auditivas são. a natureza e tipo de medicamento neuroléptico. enganada. religiosos... Embora os delírios bizarros sejam considerados especialmente característicos da Esquizofrenia. zumbidos na própria cabeça) também não são consideradas alucinações características da Esquizofrenia. Os delírios persecutórios são os mais comuns. referenciais. seguida. que são percebidas como distintas dos pensamentos da própria pessoa. neles a pessoa acredita estar sendo atormentada. Seu conteúdo pode incluir uma variedade de temas (por ex. pode ser difícil avaliar o grau de "bizarria". habitualmente envolvendo a interpretação falsa de percepções ou experiências. Experiências isoladas de ouvir o próprio nome sendo chamado ou experiências que não possuem a qualidade de uma percepção externa (por ex.com. persecutórios. as mais comuns e características da Esquizofrenia. especialmente entre diferentes culturas. Karina de O. auditivas. As alucinações devem ocorrer no contexto de um sensório claro. somáticos. embora as vozes pejorativas ou ameaçadoras sejam especialmente comuns. de longe.br sintomas negativos.www. Um exemplo de delírio bizarro é a crença de uma pessoa de que um estranho retirou seus órgãos internos e os substituiu pelos de outra. sem deixar quaisquer cicatrizes ou ferimentos. visuais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 63 . O conteúdo pode ser bastante variável. Um exemplo de delírio não-bizarro é a falsa crença de estar sob vigilância policial.

O comportamento muito desorganizado deve ser diferenciado de um pensamento formal". Podem ser notados problemas em qualquer forma de comportamento dirigido a um objetivo. Similarmente.. tais como organizar as refeições ou manter a higiene. A pessoa pode parecer mostrar-se acentuadamente desleixada.educapsico.br OBS: As alucinações podem ser também um componente normal de uma experiência religiosa. as respostas podem estar obliquamente relacionadas ou não ter relação alguma com as perguntas ("tangencialidade"). Desorganização do pensamento: A desorganização do pensamento ("transtorno do importante da Esquizofrenia.. gritar ou praguejar). vestir-se de modo incomum (por ex. irado ou agitado não devem ser considerados evidência de Esquizofrenia. "afrouxamento de associações") é defendida por alguns autores como o aspecto mais comportamento meramente desprovido de objetivos e do comportamento organizado motivado por crenças delirantes. Um comportamento amplamente desorganizado pode manifestar-se de variadas maneiras. usar casacos sobrepostos. raramente. salada de palavras”). alguns casos de comportamento inquieto. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 64 . masturbar-se em público) ou uma agitação imprevisível e sem um desencadeante (por ex. acarretando dificuldades no desempenho de atividades da vida diária. cachecóis e luvas em um dia quente). O discurso dos indivíduos com Esquizofrenia pode ser desorganizado de variadas maneiras. indo desde o comportamento tolo e pueril até a agitação imprevis ível. em certos contextos culturais. o discurso pode estar desorganizado de forma tão severa. especialmente se a motivação for compreensível. A pessoa pode "sair dos trilhos". saltando de um assunto para outro ("descarrilamento" ou "associações frouxas").com. pode exibir um comportamento sexual nitidamente inadequado (por ex. Karina de O.www. que é praticamente incompreensível e se assemelha à afasia receptiva em sua desorganização linguística (“incoerência”.

Tipo Catatônico: há imobilidade motora evidenciada por cataplexia (incluindo flexibilidade cérea ou estupor). ou manutenção de Karina de O. manutenção de uma postura rígida e resistência aos esforços de mobilização (rigidez catatônica). Embora a catatonia tenha sido historicamente associada à Esquizofrenia. Tipo Desorganizado: todos os seguintes sintomas são proeminentes: discurso desorganizado. adoção de posturas inadequadas ou bizarras (postura catatônica). podendo. comportamento desorganizado e afeto embotado ou inadequado. em condições médicas gerais (ver Transtorno Catatônico Devido a uma Condição Médica Geral) e Transtornos do Movimento Induzidos por Medicamentos (ver Parkinsonismo Induzido por Neurolépticos). Nenhum dos seguintes sintomas é proeminente: discurso desorganizado. resistência ativa a instruções ou tentativas de mobilização (negativismo catatônico). o clínico não deve esquecer que os sintomas catatônicos são inespecíficos e podem ocorrer em outros transtornos mentais (ver Transtornos do Humor com Características Catatônicas).com.br Comportamentos motores catatônicos: Os comportamentos motores catatônicos incluem uma diminuição acentuada na reatividade ao ambiente. extremo negativismo (uma resistência aparentemente sem motivo a toda e qualquer instrução. ou excessiva atividade motora sem propósito e não estimulada (excitação catatônica). atividade motora excessiva (aparentemente desprovida de propósito e não influenciada por estímulos externos). ou afeto embotado ou inadequado. às vezes alcançando um grau extremo de completa falta de consciência (estupor catatônico). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 65 . mudar com o tempo. comportamento desorganizado ou catatônico. Subtipos O diagnóstico de um determinado subtipo está baseado no quadro clínico que ocasionou a avaliação ou admissão mais recente para cuidados clínicos.educapsico.www. portanto. Critérios específicos são oferecidos para cada um dos seguintes subtipos: Tipo Paranóide: há a preocupação com um ou mais delírios ou alucinações auditivas freqüentes.

com. Nota: Esta exclusão não se aplica se todos os episódios tipo maníaco. O Transtorno Depressivo Maior se caracteriza por um ou mais Episódios Depressivos Maiores (isto é. Transtorno Esquizofreniforme. Presença de dois ou mais Episódios Depressivos Maiores Nota: Para serem considerados episódios distintos. Presença de um único Episódio Depressivo Maior .br uma postura rígida contra tentativas de mobilização) ou mutismo. ecolalia ou ecopraxia. movimentos estereotipados. Recorrente A.educapsico. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 66 . C. Transtorno Delirante ou Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação. O Episódio Depressivo Maior não é melhor explicado por um Transtorno Esquizoafetivo nem está sobreposto a Esquizofrenia. maneirismos proeminentes ou trejeitos faciais proeminentes). Transtorno Esquizofreniforme. Jamais houve um Episódio Maníaco. acompanhados por pelo menos quatro sintomas adicionais de depressão). B. B. peculiaridades do movimento voluntário evidenciadas por posturas (adoção voluntária de posturas inadequadas ou bizarras. tipo misto ou tipo hipomaníaco são induzidos por substância ou tratamento ou se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral. um Episódio Misto ou um Episódio Hipomaníaco.www. um Episódio Misto ou um Episódio Hipomaníaco. Transtorno Delirante ou Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação. Os Episódios Depressivos Maiores não são melhor explicados por Transtorno Esquizoafetivo nem estão sobrepostos a Esquizofrenia. C. pelo menos 2 semanas de humor deprimido ou perda de interesse. Critérios Diagnósticos para Transtorno Depressivo Maior. TRANSTORNOS DEPRESSIVOS . deve haver um intervalo de pelo menos 2 meses consecutivos durante os quais não são satisfeitos os critérios para Episódio Depressivo Maior. Jamais houve um Episódio Maníaco . Critérios Diagnósticos para Transtorno Depressivo Maior. Episódio Único A.

br TRANSTORNOS DE ANSIEDADE A Ansiedade no DSM IV é subdividida em: Agorafobia Ataque de Pânico Transtorno de Pânico Sem Agorafobia Transtorno de Pânico Com Agorafobia Agorafobia Sem História de Transtorno de Pânico Fobia Específica Fobia Social Transtorno Obsessivo-Compulsivo Transtorno de Estresse Pós-Traumático Transtorno de Estresse Agudo Transtorno de Ansiedade Generalizada Transtorno de Ansiedade Devido a uma Condição Médica Geral Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância Transtorno de Ansiedade Sem Outra Especificação. A Agorafobia é a ansiedade ou esquiva a locais ou situações das quais poderia ser difícil (ou embaraçoso) escapar ou nas quais o auxílio poderia não estar disponível. freqüentemente associados com sentimentos de catástrofe iminente. O Transtorno de Pânico Sem Agorafobia é caracterizado por Ataques de Pânico inesperados e recorrentes acerca dos quais o indivíduo se sente persistentemente preocupado. Karina de O. temor ou terror. no caso de ter um Ataque de Pânico ou sintomas tipo pânico. sensação de sufocamento e medo de "ficar louco" ou de perder o controle. dor ou desconforto torácico. Durante esses ataques. Ataques de Pânico e Agorafobia ocorrem no contexto de diversos outros transtornos. palpitações. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 67 .com. estão presentes sintomas tais como falta de ar.www.educapsico. Um Ataque de Pânico é representado por um período distinto no qual há o início súbito de intensa apreensão.

medicamento) ou de uma condição médica geral. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo: As Transtorno Obsessivo-Compulsivo são obsessões características ou essenciais do compulsões recorrentes suficientemente severas para consumirem tempo (isto é. A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex.com.educapsico. freqüentemente levando ao comportamento de esquiva. droga de abuso. As obsessões são idéias. freqüentemente levando ao comportamento de esquiva. impulsos ou imagens persistentes. não está dentro de seu próprio controle nem é a espécie de pensamento que ele esperaria ter. Entretanto.* O termo refere-se ao sentimento do indivíduo de que o conteúdo da obsessão é estranho. pensamentos. Em algum ponto durante o curso do transtorno. consomem mais de uma hora por dia) ou causar sofrimento acentuado ou prejuízo significativo. que são vivenciados como intrusivos e inadequados e causam acentuada ansiedade ou sofrimento. A Agorafobia Sem História de Transtorno de Pânico caracteriza-se pela presença de Agorafobia e sintomas característicos de ataques de pânico sem uma história de Ataques de Pânico inesperados. A qualidade intrusiva e inadequada das obsessões é chamada de "egodistônica". Em presença de outro transtorno do Eixo I. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 68 . A Fobia Específica caracteriza-se por ansiedade clinicamente significativa provocada pela exposição a um objeto ou situação específicos e temidos.. ele é capaz de reconhecer que as obsessões são produto de sua própria mente e não impostas a partir do exterior (como na inserção de pensamento).www. A Fobia Social caracteriza-se por ansiedade clinicamente significativa provocada pela exposição a certos tipos de situações sociais ou de desempenho. o conteúdo das obsessões ou compulsões não se restringe a ele. o indivíduo reconheceu que as obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais. Karina de O.br O Transtorno de Pânico Com Agorafobia caracteriza-se por Ataques de Pânico recorrentes e inesperados e Agorafobia.

As compulsões são comportamentos repetitivos (por ex. uma necessidade de organizar as coisas em determinada ordem (por ex. verificar) ou atos mentais (por ex. Um determinado sujeito não Karina de O. preocupação com dificuldades atuais... por exemplo. dúvidas repetidas (por ex.com. intenso sofrimento quando os objetos estão desordenados ou assimétricos).www. lavar as mãos.ex. As crianças em geral não solicitam ajuda. impulsos agressivos ou horrorizantes (por ex. imaginar se foram executados certos atos..* * Pensamentos ego-distônicos são aqueles percebidos como intrusivos. e os sintomas podem não ser ego-distônicos. acompanhada por sintomas de excitação aumentada e esquiva de estímulos associados com o trauma.. como algo que não é próprio. Um indivíduo assaltado por dúvidas acerca de ter desligado o gás do fogão. Os pensamentos. As apresentações do Transtorno Obsessivo-Compulsivo em crianças geralmente são similares àquelas da idade adulta. impulsos ou imagens não são meras preocupações excessivas acerca de problemas da vida real (por ex.br As obsessões mais comuns são pensamentos repetidos acerca de contaminação (por ex. como problemas financeiros.educapsico. O Transtorno de Estresse Pós-Traumático caracteriza-se pela revivência de um evento extremamente traumático. de machucar o próprio filho ou gritar uma obscenidade na igreja) e imagens sexuais (por ex. uma imagem pornográfica recorrente). ao invés de oferecer prazer ou gratificação. ser contaminado em apertos de mãos). procura neutralizá-las verificando repetidamente para assegurar-se de que o fogão está desligado.. uma compulsão). contar... P. O indivíduo com obsessões em geral tenta ignorar ou suprimir esses pensamentos ou impulsos ou neutralizá-los com algum outro pensamento ou ação (isto é. orar. profissionais ou escolares) e não tendem a estar relacionados a um problema da vida real. tais como ter machucado alguém em um acidente de trânsito ou ter deixado uma porta destrancada). ordenar. Lavagens. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 69 .. repetir palavras em silêncio) cujo objetivo é prevenir ou reduzir a ansiedade ou sofrimento. verificação e rituais de organização são particularmente comuns em crianças.

PEREIRA. uma vez que no passado presenciou um afogamento fatal de um familiar. Para este autor a partir da análise da prática psicológica nas instituições pode-se investigar os fenômenos que envolvem cada um dos problemas e situações que são trabalhadas nessa prática. Para este autor o diagnóstico. como se relaciona com Karina de O. o mais importante é que é um campo de investigação. 2005). planejamento. ocorrendo logo após um evento extremamente traumático. O Transtorno de Estresse Agudo caracteriza-se por sintomas similares àqueles do Transtorno de Estresse Pós-Traumático. desde aspectos físicos a aspectos humanos que constituem tal instituição. a saber: situação e objetivos da instituição. A Psicologia institucional para Bleger não é um mero campo de atuação. o psicólogo institucional deve ter claro que é preciso ultrapassar os objetivos das pessoas que lhe contratam (equipe administrativa) e chegar aos seus objetivos de trabalho também através dos sintomas que são identificados durante o diagnóstico institucional. onde ela está localizada e como se relaciona com a comunidade em volta. “O ser humano antes de ser pessoa é sempre um grupo. 7. Possibilidades de atendimento institucional. Alguns pontos devem ser pesquisados. bem como uma proposta de intervenção dentro de uma instituição devem considerá-la como um todo. mar. O Transtorno de Ansiedade Generalizada caracteriza-se por pelo menos 6 meses de ansiedade e preocupação excessivas e persistentes. ANACLETO. p. mas para isso deve ter informações sobre a instituição que está inserido.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 70 . 1980. ou seja. Assim. como e onde foi fundada. Além disso.br conseguir chegar perto de piscinas e lagos. O psicólogo institucional deve ter como base a atividade humana dentro da instituição. como está organizada e quais são suas normas. 97 apud ANACLETO. mas não no sentido de que pertence a um grupo.com. a ciência teria como base a prática. e sim no de que sua personalidade é o grupo” (BLEGER.www.

Ele deve ter claro que isso acontece e tentar modificar os mecanismos utilizados pela instituição. 8. são ligados uns aos outros. Bleger afirma que o psicólogo deve ter ações relativas à psico-higiene. informações sobre as pessoas que trabalham na instituição (quem são. estes. Segundo o autor anteriormente referido deve-se lançar mão da “indagação operativa”. as quais ele chamou de inconsciente e pré-consciente. Na visão Karina de O. seus detalhes e seqüência temporal. São apresentadas a seguir algumas teorias que tratam das estruturas da personalidade: Toda a teoria de Freud está baseada no pressuposto de que o corpo é a fonte básica de toda a experiência mental. isto é. Para Freud. mecanismos de ajustamento. ao longo da vida do sujeito. são influenciados por fatos que os precederam no passado. seus resultados e como ela própria obtém dados do seu desempenho. Primeira Tópica: Primeiro Modelo do Aparelho Psíquico Inconsciente: parte do funcionamento mental que deposita os desejos instintivos e necessidades e ações fisiológicas. E afirmou que não há descontinuidade nos eventos mentais. natureza e causa dos distúrbios. isto é. compreensão dos acontecimentos e de como eles se relacionam. Freud interessou-se também em suas áreas menos expostas.br outras instituições. a qual compreende a observação dos fatos.). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 71 . Ele vai intervir nos relacionamentos interpessoais. vai explicitar o que muitas vezes está implícito. interpretações e reflexões. o inconsciente torna-se um depósito para idéias sociais inaceitáveis. atendimento em psicoterapia individual e de grupo. Em sua primeira explanação (Primeira Tópica) sobre o estado da consciência. A esse pressuposto foi denominado o termo Determinismo Psíquico. Saúde mental e trabalho: estruturas de personalidade. Para Bleger o psicólogo é um catalisador. visando a população sadia e a promoção de saúde.educapsico. memórias traumáticas e emoções dolorosas colocadas fora da mente pelo mecanismo da repressão psicológica. quantos. um “depositário de conflitos” e isso pode fazer com que a instituição haja no sentido de anular suas ações. uso dessa compreensão para fazer apontamentos.www.com. conscientes ou não. transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho. etc.

fator de motricidade) que faz tender o organismo para um alvo. sensações e lembranças perceptíveis todo o tempo.com. Freud não considerava este aspecto da vida mental o mais importante uma vez que há uma pequena parte de nossos pensamentos. (P. Por estes instintos. sua capacidade de se substituírem. que se desenrola segundo uma seqüência temporal pouco suscetível de alterações. Segundo Freud: “Os instintos sexuais fazem-se notar por sua plasticidade. Pré-consciente: é a parte situada entre o consciente e o inconsciente. entre outros). Ed. Inclui sensações e experiências das quais há a percepção a cada momento... sua capacidade de alterar suas finalidades. Pensamentos inconscientes não são diretamente acessíveis por uma ordinária introspecção. Os instintos básicos foram divididos por Freud em duas forças antagônicas. livro 28.) Karina de O. e que parece corresponder a uma finalidade” (LaPlanche e Pontalis.br psicanalítica. examinados e conduzidos durante o processo analítico. mas podem ser interpretados por métodos especiais e técnicas como a livre-associação. representadas pelos instintos de vida (responsáveis pela sobrevivência do indivíduo e da espécie) e pelos instintos de morte (agressivos e destrutivos). Parte do inconsciente que pode se tornar consciente com facilidade. o inconsciente se expressa no sintoma. 1975). Pulsões (trieb) ou instintos (instinkt) Pulsão (em alemão: trieb): “processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética. fazendo com que uma satisfação instintual possa ser substituída por outra e se submeter a adiamentos. e por sua possibilidade de se submeterem a adiamentos. análise de sonhos e atos falhos presentes na fala. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 72 . que permite uma satisfação instintual ser substituída por outra. uma energia pode fluir. datas importantes.www.” ( 1933. que pouco varia de um indivíduo para outro. O mecanismo instintual é complexo. Bras. Consciente: é através dele que se dá o contato com o mundo exterior.” Instinto (em alemão: instinkt): “esquema de comportamento herdado. na medida em que a consciência precisa de lembranças para desempenhar suas funções. próprio de uma espécie animal. ex: nome de pessoas. endereços.educapsico.

www.br Impulso: Energia que possui uma origem interna. Há satisfações alucinatórias neste período. isto é. A satisfação passa a considerar adiamentos e atrasos. Princípio do Prazer / Processo primário: Explicado pelo mecanismo psíquico em que os impulsos agem no sentido de busca de prazer e evita o desprazer (prazer causado pela redução da tensão. em uma região deste corpo onde nasce uma excitação e o psíquico. objetos. como uma retirada de libido dos relacionamentos habituais e cotidianos e uma extrema catexia da pessoa perdida. situada entre o corpo (somático). desprazer causado pelo acúmulo de tensão produzida no interior do aparelho psíquico). porém desta maneira se mostra mais segura e provoca menor risco para a integridade do indivíduo. Este princípio rege as primeiras experiências da vida de um bebê recém-nascido.educapsico. já os segundos são os responsáveis pela manutenção da vida do indivíduo (comer. dormir. Os primeiros são os responsáveis pela manutenção da vida da espécie e estão relacionados à reprodução. ódio. pessoas. no qual pode haver um desinteresse por parte do indivíduo pelas ocupações normais e a preocupação com o recente finado pode ser interpretado neste sentido. Freud nominou este funcionamento de processos mentais primários. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 73 . em que o bebê na ausência do objeto de satisfação tem uma revivescência perceptiva de algo que proporcionou prazer no passado. tendo como característica central a ausência de contradição. não leva em conta a realidade. A mobilidade original da libido é perdida quando há a catexia voltada para um determinado objeto. Catexia do objeto: processo de investimento da energia libidinal. A catexia está relacionada aos sentimentos de amor. Princípio de Realidade / Processo secundário: As experiências pelas quais o bebê vai passando. um processo Karina de O. em idéias. que podem ser relacionados aos objetos.com. isto é. etc). Libido: impulsos sexuais e impulsos de autoconservação. beber. fazem com que esse sujeito passe a considerar a realidade para que suas satisfações sejam obtidas sem que a alucinação seja o meio de alcançá-las. Este mecanismo foi denominado processo secundário e co-existe ao lado dos processos primários. raiva. O luto.

como lembranças de guerra. entre outras.ex. sonhos.br não substitui o outro. a primeira concepção (aparelho dividido em cs. Freud irá então reformular sua teoria das pulsões. Os impulsos de autoconservação e os impulsos sexuais. o ID é o reservatório dos instintos (tanto de vida quanto de morte) e da energia libidinal e é ele que Karina de O. masoquismo. Está presente nas brincadeiras infantis. Fantasia: Modo de pensar inconsciente que não leva em conta a realidade.com. Id: (“es” em alemão. poderiam ser constantemente repetidos. em sonhos ou mesmo em atos. Nesta. O impulso de morte estaria presente no interior da vida ps íquica dos indivíduos (sob a forma de autodestruição. Corresponde ao conceito inicial de inconsciente. Segunda Tópica: Segundo Modelo do Aparelho Psíquico Freud a fim de apreender a complexidade do dinamismo do aparelho psíquico reelaborou a sua concepção sobre a estrutura da personalidade. trabalho. podendo ser projetado para o mundo externo sob a forma de agressividade. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 74 . pudessem ser fruto do que ele chamou de pulsão de morte e estas estariam em contradição com o princípio do prazer que rege as pulsões de vida. Aglutina todos eles em Pulsão de Vida (Eros) e Pulsão de Morte (Thânatos). porém esta não se resume à atividades vitais mas também à atividades que levam o sujeito a construir (p. sintomas neuróticos. estudo. É regida pelo processo primário.educapsico. sadismo. São elas o ID. é a forma latina do pronome neutro “isto”). Explica que repetições. Tal concepção foi denominada 2ª tópica. ics e pré-cs) não foi abandonada. ela foi integrada à nova concepção.: união com outros indivíduos. percebeu que eventos desagradáveis. os dois formam um complexo mecanismo de funcionamento psíquico. Além disso. o EGO e o SUPEREGO. Pulsão de Vida: Freud reformulou sua teoria sobre os impulsos. etc. antes dividida em impulsos de autoconservação e impulsos sexuais. destruição.www.). Entretanto. Refere-se à parte inacessível da personalidade. a personalidade é dividida em três partes que mantém relações mútuas entre si. Pulsão de Morte – compulsão à repetição: Freud ao analisar sonhos. apesar de também o ego e o superego possuírem aspectos inconscientes. responsáveis pela preservação da vida e da espécie. etc). passam a fazer parte da pulsão de vida.

educapsico.br fornece e satisfaz as exigências do Ego e do Superego.com. adiamentos e o outro. É regido segundo o processo secundário. escolhendo lugares. Tem por objetivo ajudar o Id a satisfazer suas pulsões. • Atemporal: Fatos que ocorreram no passado convivem paralelamente e sem desvantagem de intensidade. instrumentos do Ego para lidar com a tensão emanada pelo Id. porém de forma racional. contato e defesa. Parte do ID que passa a ser influenciada pelo mundo externo. Superego (Ideal do Ego e Ego-Ideal): Forma-se a partir do Ego. Impulsos contraditórios coexistem lado a lado.www. seu objetivo é reduzir a tensão sem levar em consideração os atrasos. O ego portanto exerce função de síntese. Restrições inconscientes são indiretas podendo aparecer sob Karina de O. fornecendo toda a energia para eles. o Id tem o poder de agir na vida mental de um indivíduo. As leis lógicas do pensamento não se aplicam a ele. objetos e momentos socialmente aceitos. e que passa a funcionar como uma defesa protetora contra o que ameaça a vida psíquica. Ego: Segundo Freud. Embora muitas características do Ego coincidam com o consciente muitos conteúdos inconscientes também o compõe. com relação a fatos que ocorreram recentemente. sem que um anule ou diminua o outro. Características do Id • Caótico e Desorganizado. Os investimentos libidinais. isto é. Age conscientemente e também inconscientemente. É o caso dos mecanismos de defesa. a partir da interiorização das imagens idealizadas dos pais. planejada. Assim é regido pelo processo primário. embora oriundos do Id passam necessariamente pelo Ego. Não leva em conta a realidade. o Ego é desenvolvido com o passar da vida do indivíduo. Forma-se a partir do declínio do Complexo de Édipo. onde predominam a realidade e a razão. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 75 . • É orientado pelo princípio do prazer. em que as satisfações são obtidas por meio de atos reflexos e fantasias. É receptivo tanto às excitações internas quanto externas ao indivíduo. Exerce função crítica e normativa e também de formação de ideais. Apesar de seus conteúdos serem quase todos inconscientes.

ex. Repressão: Mecanismo consciente. perda da auto-estima (desaprovação do superego que resultam em culpa ou ódio em relação a si mesmo). Por outro lado não possibilitam um conhecimento real sobre os desejos. a consciência de algo que traz constrangimento ou sofrimento. Vejamos agora alguns mecanismos de defesa: Sublimação: Defesa bem sucedida contra a ansiedade. acidente. Quando isto acontece. um ato psíquico ou uma idéia é excluído da consciência e jogado para o inconsciente. por exemplo. na percepção do presente (p. obstáculo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 76 . Fatos que só são acessados através da análise ou sonhos.educapsico. Ansiedade: Provocada por um aumento de tensão ou desprazer desencadeado por um evento real ou imaginário. a criação artística. O ego protege o indivíduo inconscientemente. O aumento de tensão ou desprazer é desviado para outros canais de expressão socialmente aceitáveis como. Traz uma ameaça para o Ego. medos e necessidades. Em relação ao Ego pode-se dizer que o superego age como modelo e obstáculo. pois ele diminui a tensão. Modelo com relação ao ideal. alguns mecanismos de defesa aparecem. Mecanismos de defesa patogênicos: Defesas que não eliminam a tensão apenas a encobrem. Na ocasião de seu falecimento os sentimentos tanto de hostilidade quanto de perda podem não ser percebidos e este sujeito pode Karina de O. A moral do sujeito está ligada a este mecanismo. Envolve a não-percepção. consciência moral e sentimentos de culpa. entre outros). perda de identidade (prestígio). Pode atuar nas lembranças. não percebendo algo da realidade: no caso da morte de alguém pelo qual um sujeito tinha sentimentos de amor e ódio. perda de amor (rejeição). esquecimento de fatos traumáticos acontecidos na infância (ato violência. É o responsável pela auto-estima. que atua como censura. São eles: Recalcamento: Por força de um contra-investimento. através de distorções da realidade.www.com. com relação ao proibido. Por exemplo.br a forma de compulsões e proibições. Mecanismos de defesa do Ego: O ego muitas vezes não consegue lidar com as demandas do Id e com a cobranças do superego. Exemplo de estressores que podem levar à ansiedade: perda de um objeto desejado. provocando ansiedade.

Por exemplo. Por exemplo: negação de um diagnóstico grave.com. negação da iminência de morte de um ente querido. que este não tem aprovação dos outros. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 77 . Culpar um objeto por falhas pessoais ao invés de culpar-se a si mesmo. Projeção: Colocar algo do mundo interno no mundo externo. como se eles tivessem relacionados a outro sujeito. O impulso é cada vez mais ocultado. Negação: Está relacionado à repressão. na qual houve sofrimento. que foram mais agradáveis.) e até mesmo no funcionamento do corpo ( p. ex. com menos frustração e ansiedade. atribuir repugnância e nojo ao sexo. Isolamento: Uma idéia ou ato sofre o rompimento de suas conexões com outras idéias e pensamentos. Impulsos agressivos podem dar lugar a comportamentos solícitos e amigáveis. O fato isolado passa a receber pouca ou nenhuma reação emocional. Processo de colocar motivos aceitáveis para atos ou idéias inaceitáveis. ex. dirigir rápida e imprudentemente. intenções e sentimentos que são ignorados em si mesmo são atribuídos a outras pessoas. Por exemplo: dar explicações racionais para a perda de um emprego ou relacionamento convencendo-se de que estes objetos perdidos possuíam defeitos. Retorno do sujeito a etapas de desenvolvimento anterior. Karina de O. vestir-se como criança. objetos ou animais. negação de algo que aconteceu no passado. P. ex. roer unhas. Exemplo: falar como criança.educapsico.: Uma mulher pode reprimir tanto um desejo sexual que pode chagar a tornar-se frígida). fantasia de que alguns fatos não ocorreram ou não “foi bem assim”.: Um pai pode dizer ao seu filho que este não cumpre suas tarefas.br mostrar-se indiferente. demonstrando compreensão e indiferença ao assunto.: um sujeito fala sobre traição conjugal.www. P. quando na verdade este sentimento é para com ele mesmo. Formação Reativa: Inversão da realidade. Regressão: Escapar da realidade. destruir propriedades. quando os impulsos sexuais não podem ser satisfeitos. entre outros. Um sentimento contrário é colocado no lugar de outro para disfarçá-lo. que este não será bem-sucedido. por o dedo no nariz. enquanto no passado este sujeito já passou por uma situação de traição conjugal. Fatos podem ser relatados sem sentimento quando um sujeito fala de conteúdos que foram isolados de sua personalidade. O sujeito nega a existência de alguma ameaça ou evento traumático ocorrido. Racionalização: Redefinição da realidade. Desejos.

Seria esta a responsável pela compreensão de toda a vida psíquica posterior na fase adulta. Freud associou a satisfação através desta estimulação à fases de desenvolvimento infantil. período de latência e fase genital. transtorno obsessivocompulsivo (TOC). Ao nascer o bebê vai descobrindo tais áreas através da estimulação. a criança é também confortada. Freud revelou a presença de uma sexualidade infantil.com. Além disso. ao ser amamentada. fase genital. devido à uma frustração na fase atual ou satisfação excessiva na fase anterior. A pessoa então desloca este impulso para outro objeto. São elas: fase oral. porém quando estão fortemente associados e trazem dificuldades sociais caracterizam-se enquanto neuroses. Por exemplo: fobias. O termo fixação foi designado para descrever um estado em que parte da libido permanece investida em uma das fases psicossexuais. A obtenção deste controle fisiológico provoca sensações de prazer.www. O corpo é cercado de regiões (zonas) erógenas que sob estimulação provocam sensações prazerosas. fase anal. estimulada através da amamentação e do seio materno. quando a tensão foi provocada por um outro estressor. Fase Anal: Por volta dos dois anos de idade a criança aprende a controlar os esfíncteres anais e a bexiga. língua e mais tarde dentes. fase fálica. as crianças vão percebendo que este controle pode ser alvo de elogios e Karina de O. Além disso. A fase oral desenvolvida tardiamente pode incluir a gratificação de instintos agressivos com o uso dos dentes para morder o seio.educapsico. Fase Oral: A primeira zona erógena é a boca. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 78 . entre outros.br Deslocamento: Acontece quando o objeto que satisfazia um impulso do Id não está presente. A boca neste momento é a única parte do corpo que a criança pode controlar. ou bater numa criança quando uma agressividade não pode ser expressada em direção ao fator desencadeante. histeria. acalentada e acariciada. Neurose: Os mecanismos de defesa contra a ansiedade podem ser encontrados em indivíduos saudáveis. Por exemplo: gritar com um cachorro. Através de suas observações ele categorizou o desenvolvimento infantil em fases psicossexuais do desenvolvimento.

sem saber de quem era filho realmente. O foco do prazer deixa de ser o ânus e passa a ser o genital. Podem manifestar ciúmes da atenção dada um pelo outro no casal. Esse complexo acaba sendo reprimido. Fase Fálica: Acontece quando as crianças se dão conta da diferença sexual. inspirado no mito grego do Édipo Rei. enquanto os meninos se dão conta da presença de um. Junto com o desejo de tomar o lugar do pai está o medo de ser machucado. mais tarde quando descobre a verdade. Para o menino. Este é o chamado temor de castração. Este conflito foi denominado por Freud de Complexo de Édipo. Freud explicou o Complexo de Édipo masculino mais detalhamente. ele próprio arranca seus dois olhos.com. por que as meninas não tem pênis. Karina de O. que é nesta época o órgão de sua satisfação de prazer. a Castração: O Complexo de Édipo acontece diferentemente para as meninas e meninos. se elas conseguem urinar. Ao mesmo tempo ele também deseja o amor e afeição de seu pai e desta forma ele vive um conflito de desejar o amor dos pais e ao mesmo tempo temê-los. o pai aparece como um rival. que a criança pode perceber que ir ao banheiro é algo “sujo” e traz repugnância. As meninas se dão conta da falta de um pênis. etc. Acontece. a realidade e a moral colocada pelos pais entram em conflito com os impulsos do Id. frente aos desejos incestuosos e à masturbação. porém. Dúvidas e fantasias aparecem. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 79 . como por exemplo. Complexo de Édipo – A Lei. permanece inconsciente.educapsico. de Sófocles no séc. mata o pai e se casa com a mãe. Nesta fase aparece o conflito de substituir os pais e a rivalidade contra aquele que “está tomando o seu lugar”. É tarefa do superego (que está em desenvolvimento) impedi-lo de aparecer ou até mesmo que haja uma reflexão sobre ele. é comum que brinquem ou perguntar se podem se casar com os pais.www. As crianças demonstram interesse em explorar e manipular esses genitais. Ele interpreta este anseio como um temor de que seu pênis seja cortado. O pai e a mãe passam a ser objetos de curiosidade e interesse também. de forma parecida com o que acontece no mito do Édipo rei.br atenção por parte dos pais. uma vez que hábitos de higiene são treinados cercando esta zona erógena de tabus e proibições. O jovem Édipo. que deseja estar próximo de sua mãe. Neste momento. V antes de Cristo.

parece haver uma menor repressão e o que foi observado é que elas permanecem nesta situação edipiana por mais tempo e até mesmo a resolução pode ser incompleta.com. entre outros. Os impulsos sexuais pré-genitais que acabem não tendo êxito na sexualidade genital podem então ser recalcados ou sublimados. No conflito das meninas. aquele que pode lhe dar um pênis ou um substituto deste.br Para as meninas o complexo foi chamado de Complexo de Electra. afeto e segurança. conscientes de suas identidades sexuais distintas começam a buscar formas de satisfazer suas necessidades eróticas e interpessoais. Fase Genital: Nesta fase final do desenvolvimento psicossexual meninos e meninas. isto é. Para as meninas é justamente a castração que faz iniciar Complexo de Édipo. para as meninas o primeiro objeto de amor é a mãe. Surge aí uma hostilidade frente à mãe e seu interesse será destinado ao pai. Para os meninos é a castração que os faz superar o complexo de Édipo. É instaurada a lei da proibição. A sexualidade não avança mais e os anseios sexuais até diminuem. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 80 . como nas amizades. Narcisismo: Narcisismo primário: Karina de O. uma vez que ela é a fonte de alimento. A resolução do Complexo: a ansiedade de castração nos meninos fará com que eles abandonem seus desejos incestuosos pela mãe e superem o complexo identificandose ao pai. transformados em atividades socialmente produtivas.educapsico. As meninas também passam a identificar-se com a mãe e assumem uma identidade feminina. a interdição paterna. Assim como para os meninos. Mas ela perceberá que a mãe não pode lhe dar aquilo que lhe falta: um pênis. Passa a buscar nos homens similaridades do pai. esportes. Período de latência: Independentemente de como se dará a resolução deste conflito com os pais.www. A repressão feita pelo superego neste momento é bem sucedida e os desejos não resolvidos da fase fálica não perturbam mais. a maioria das crianças por volta dos 5 anos de idade passam a demonstrar interesse em outros relacionamentos.

ele ama alguém que apresenta características bem semelhantes às que ele próprio possui ou possuiu. Esta distorção permite que o desejo seja aceitável ao ego. isto é. Durante as primeiras experiências do bebê o ego ainda não está formado. o indivíduo busca no amor objetal por exemplo a sua própria imagem. Depois. Existe a escolha anaclítica e a escolha narcisista. na impossibilidade de manter-se como seu próprio objeto de amor. Karina de O. os conteúdos aparecem disfarçados. embora apareçam de maneira não clara. Freud diferenciou a libido do ego da libido do objeto. Neste amor objetal o sujeito deve fazer escolhas e para que isto ocorra o indivíduo deve ter percorrido os estágios psicossexuais do desenvolvimento e até mesmo elaborado o complexo de Édipo. Sonhos e elaboração onírica: Forma de satisfação de desejos que não foram ou não puderam ser realizados. são manifestados. Pode-se falar também em auto-erotismo e amor objetal.br Em 1914. aparentemente sem nexo e sentido.) vem como uma forma de satisfação libidinal. desenvolvendo o que Freud chamou de amor objetal. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 81 .educapsico. Na escolha anaclítica. nas chistes e atos-falhos.www. não temendo punições.. Nos sonhos. Narcisismo secundário: A escolha objetal pode dar-se de duas maneiras. através da consciência e sim de forma encoberta. Manifestações do Inconsciente: Freud percebeu. há portanto uma renúncia ao próprio narcisismo que ele já viveu. distorcidos pelos mecanismos de deslocamento e da condensação. diferentemente de conteúdos latentes.com. uma vez que no estado de vigília muitas ações são inaceitáveis devido à repressão e moral. O inconsciente aparece então nos sonhos.. ou gostaria de possuir. e o auto-erotismo (satisfação pelo e no próprio corpo: chupar o dedo. Os conteúdos do sonho são conteúdos manifestos. que não conseguem aparecer. este indivíduo volta-se finalmente para um objeto externo. a mulher ou o homem que uma vez o protegeu. o indivíduo busca no objeto de amor por exemplo. O narcisismo primário termina quando o desenvolvimento psicossexual se completa. morder o pé. Já na escolha narcisista. através do método da associação-livre e a partir dos relatos de sonhos de seus pacientes que o inconsciente não se revela diretamente.

pois energias acumuladas são descarregadas. Foi primeiramente descrita por Freud. Esta aparição do inconsciente é dada através dos mecanismos de condensação e deslocamento. “A interpretação dos Sonhos” é considerado dentro de sua obra.www. proporcionar um momento de satisfação para que o indivíduo não desperte.educapsico. foram interpretados por Freud como uma necessidade de elaboração da situação traumática. A partir daí. ato falhos: assim como nos sonhos o inconsciente se manifesta nos chistes (brincadeiras. dependendo de como fossem manejados. também há redução de tensão e produção de prazer. Transferência: Transferência é um fenômeno na psicologia. entre outros). A relação pacienteKarina de O. Tais sentimentos estariam contribuindo para o sucesso do tratamento ou fracasso. quem reconheceu sua importância para a psicanálise para uma melhor compreensão dos sentimentos dos pacientes. erro de endereço. durante o sonho há uma satisfação adicional ou uma redução da tensão. No decorrer de seus atendimentos e a partir de alguns casos de abandono de tratamento. Regras gerais podem não ser válidas. Assim. um dos livros mais importantes. É trabalho do analista ajudar o paciente a interpretar o sonho. tanto negativos quanto positivos. temores e ódio. Essas repetições podem ajudar o indivíduo de alguma forma a elaborar suas angústias. nos pesadelos. Freud percebeu a importância de analisar e perceber a expectativa projetada e sentimentos. mesmo que não tenha havido uma realização na realidade físico-sensorial dos desejos. Chistes.br Fisiologicamente a função do sonho é manter o sono. do paciente para com seu analista e do analista para com seu paciente. caracterizado pelo direcionamento inconsciente de sentimentos de uma pessoa para outra. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 82 . Muitos sonhos traumáticos de guerra que aconteciam repetidamente durante o sono de alguns indivíduos que viveram situações de guerra. Nos sonhos traumáticos. O livro de Freud publicado em 1900.com. piadas) e atos falhos (troca de nome aparentemente acidental. A interpretação de um sonho para Freud só terá sentido no próprio discurso do indivíduo. ele criou o conceito de transferência e contra-transferência.

br terapeuta sob o contexto da livre-associação. Seu ensino deu-se primordialmente através de seminários e conferências.www. da linguagem é possível que haja o acesso ao inconsciente. Propõe então um “Retorno a Freud” . Interesse-se pelo estudo das psicoses e em toda sua obra haverá um aprofundamento sobre tratamento de psicóticos. Contra-transferência: O analista deve tomar cuidado com a contra-transferência. Estuda lingüística e antropologia estrutural (Levi-Strauss) e incorpora esses conhecimentos em sua teoria.educapsico.com. com o processo contrário em que afetos do analista são transferidos para o paciente. onde uma imagem é projetada ou não Karina de O. o que pode dificultar a relação terapêutica. Jacques Lacan Marie Émile Lacan (1901-1981). Formou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria. Para Lacan há três registros psíquicos: o registro no Campo Imaginário. isto é. Pode prescindir de um espelho. através da fala. REGISTROS: Imaginário: Forma-se a partir do Estádio do Espelho: • Descrito como o momento em que a criança descobre. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 83 . então. Fica assim sendo representante importante do Estruturalismo. permite a construção de um relacionamento inédito para o paciente. Num primeiro momento faz parte da IPA (International Psicoanalises Association) mas depois acaba saindo e afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado da proposta Freudiana. o registro no Campo Simbólico e o Registro no Campo do Real. que foi definido pelo autor como “estruturado como uma linguagem”. foi um psicanalista francês. É a partir do campo simbólico. A transferência que surge nesta relação torna-se. o instrumento terapêutico principal. Trabalha como interno da Enfermaria Especial para alienados da Chefatura de Polícia. constrói uma imagem de si. Estuda literatura e filosofia e aproxima-se dos surrealistas. sem risco de juízos alheios. na medida em que permite a atualização dos conteúdos inconscientes que permeiam as relações interpessoais do paciente.

alienação. com o pênis. deseja ser um todo. 3ª etapa: A criança reconhece este outro como sendo sua própria imagem. No estádio do espelho este corpo dá lugar a uma imagem totalizada do corpo. 2ª etapa: A criança não mais tenta pegar este objeto real. No caso de uma pessoa cega. E é por isto que a definição de desejo na teoria lacaniana é: “o desejo é o desejo do outro”. Traços imaginários.www. aquele que detém o poder de possuir o que falta ao outro. A brecha. Antes há a noção de um corpo despedaçado. indistinção. pois o outro também faz a função de espelho. ao desejo de sua mãe. este outro que estaria detrás do espelho. portanto. aos seus semelhantes.educapsico. cujas características são: relação imediata. por exemplo. uma vez que a criança identifica-se com algo que não é ela própria mas que lhe permite reconhecer-se.com. Passa a haver uma divisão entre um mundo interno e externo. 1ª etapa: a criança reconhece na imagem do espelho uma realidade ou pelo menos a imagem de um outro. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 84 . Não há um eu antes do estádio do espelho. a hiância que havia antes entre o corpo e sua imagem é então preenchida. mas também que seja o que falta a essa mãe. um complemento. ou relação especular. Falo não deve se confundido. Em termos lacanianos esta criança deseja ser o Falo desta mãe. subjugação da criança à sua imagem. • • Uma unidade e uma subjetivação e também alienação. • Ponto decisivo na origem do ser. com o órgão sexual. • O indivíduo tem por desejo ser o desejo de sua mãe. Há uma indistinção da criança com a mãe. • Esta relação com o espelho. Simbólico: Karina de O. tem traços em comum com a relação da criança com sua mãe.br necessariamente. A criança deseja não só receber os cuidados e afeto de sua mãe. identificação narcísica. Lacan descreve uma identificação primária da criança com a sua própria imagem e a qualifica de imaginária. momento de constituição do ser.

A criança sai da relação dual com a mãe para entrar então em na tríade familiar. uma falta de ser.. 2º tempo do Édipo: interdição do pai. O inconsciente é estruturado como linguagem: ao aceder à linguagem o sujeito é dominado e constituído pela ordem simbólica. onde havia uma indistinção dela com esta própria mãe. a função paterna a criança então se identificará ao pai. aquele quem tem o falo e haverá a entrada na ordem simbólica. Karina de O. Este priva a mãe de um Falo. 3º tempo do Édipo: acesso ao Nome-do-Pai e à ordem simbólica. de Saussure sobre significantes e significados. A língua.br Acesso à ordem simbólica: a partir do Complexo de Édipo. Supremacia do significante: “Os significados são apenas variações individuais e só ganham coerência dentro da coerência da rede significante”. O simbólico traz consigo a cultura.) –( Semiologia) O discurso pronunciado refere-se aos significados. castração (ser castrado significando não ter o Falo). inerentes a esta trama da linguagem. é privada disto pelo pai. Significantes são desde oposições fonemáticas até locuções compostas (frases. 1º tempo do Édipo: Coincide com a 3ª etapa do Estádio do espelho. uma vez que a criança percebe que este pai é desejo da mãe. O pai portanto.com. é quem tem o falo. traz a contribuição de F. Acontece aí o encontro com a Lei do Pai. Se a mãe aceita a lei do paterna. refere-se aos significantes. Esta castração mostra ao sujeito que há uma FALTA . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 85 . Lacan enquanto pesquisador no campo da lingüística. A criança que queria ser o falo da mãe. – (Semântica). O sujeito entra na trama da linguagem. o código. a linguagem e a civilização.www.. Passagem do ser ao ter.educapsico.

com. resistência . O significante Touro engloba outros: força.. Metáfora : correspondente do termo Freudiano de condensação. Frente à angústia de castração há a mobilização de recursos defensivos para contorná-la.. dizer a um homem: “ Você é um touro”. “ainda não possuo um título”. Perversão. Real Toca naquilo que no sujeito é o "improdutivo". Todo pela parte. Mecanismos constitutivos da homossexualidade e do fetichismo. Perversão descrita e percebida nos homens. tem por traz destes significantes muitos outros relativos à cultura da segregação dos sexos. muitos inconscientes. Perversão feminina traz uma discussão problemática. um estágio pelo qual devo passar para alcançar algo”.br Rede ou cadeia significante: significantes expressos possuem outros significantes associados. Há leis que regem a linguagem e o inconsciente: a metáfora e a metonímia.” Metonímia: correspondente do termo Freudiano de deslocamento. Psicose. Sincronia. Parte pelo todo. Defesas: fixação e a regressão.educapsico. Este significante esconde outros tantos como. resto inassimilável.. Não consegue assumir a sua parte perdedora. Perversão: No Édipo só aceitará a castração se houver a possibilidade de transgredi-la. Por exemplo: as inscrições : Homem / Mulher nas portas de banheiros públicos. Karina de O. Diacronia. Estruturas clínicas: Neurose. “minha responsabilidade ainda não é a de um profissional”. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 86 . Há uma substituição. Dependem principalmente do que se passou durante as fases inicias: Estádio do Espelho e vivência do Édipo. Dificuldade de perceber a ausência do pênis na mãe. Traços: desafio e transgressão.www. braveza . aquilo que se passa no corpo mas não consegue ser totalmente simbolizado. e denegação da realidade. Por exemplo. “Estou numa fase de transição. Exemplo: “Sou Estagiário”. Há uma combinação.

br Desejo: orientado pela questão da castração. Anulação Retroativa. Sedução: mais colocada a serviço do falo do que de seu desejo. Mas acredita que o pai só o tem porque tirou da mãe. Caráter imperioso da necessidade e do dever. se submetendo a ela de bom ou mal grado. Os psicóticos estariam presos ao corpo despedaçado. Ambivalência. O estádio do espelho é responsável pela estruturação do sujeito humano. Não há a renúncia ao objeto primordial. Criança se coloca numa posição de suplência à satisfação do desejo materno. que é quem o possuía anteriormente. Há. Organização obcecante do prazer. A mãe poderia encontrar nesta criança o que supostamente espera do pai. Traços: reivindicação do ter. Indecisão permanente.www. que se dá no declínio do Complexo de Édipo. Neurose Histérica: Questão do passo a dar na assunção da conquista do falo. Psicose: A psicose está relacionada com uma passagem mal sucedida pelo estádio do espelho. Implicitamente há uma sensação no histérico de que ele não pode ter o falo. Traços: economia obsessiva do desejo. Neurose: Aceita a obrigatoriedade da castração. que existe antes da identificação do corpo à imagem especular. Como se esta satisfação lhe tivesse sido uma falha. Há assim uma reivindicação permanente pelo fato de a mãe também poder tê-lo e o próprio sujeito também poder tê-lo. com o semelhante. Evita o encontro com a falta. portanto. Há um acidente na organização de seu psiquismo. A única lei do desejo é a sua e não do outro. que é formado a partir da linguagem. Ocupa o lugar de gozo do outro. No desejo histérico há uma constante: permanecer insatisfeita. nos psicóticos uma falha na dinâmica imaginária. Não há o desejo do desejo do outro.educapsico. mas desenvolve uma nostalgia sintomática diante da perda sofrida. Obstinação. marcada pelas identificações com o outro. Karina de O. O pai tem direito ao falo e é por isso que a mãe o deseja. Quer assegurar o controle onipotente do objeto.com. Neurose Obsessiva: Nostálgicos do ser. Sentem-se amados demais pela mãe. Isolamento. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 87 . Competição e rivalidade.

educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 88 . Depois teve interesse pelas idéias de Schopenhauer e Nietzsche. Ingressou nas Universidades de Basiléia e Zurique para estudar medicina. Carl Jung Carl Gustav Jung nasceu em 1875 na Suíça.br Os fenômenos elementares da psicose são: alucinações auditivas ou visuais. Com suas experiência. Karina de O. que dizia palavras isoladas.com. aproxima-se da Psicanálise. Era medido o tempo de resposta entre dizer a palavra indutora e responder a palavra induzida. Dessa maneira. cursou Medicina e especializou-se em Psiquiatria. idéias que influenciaram a construção de sua Psicologia Analítica. e alterações diversas de linguagem. afrouxamento dos elos associativos. tanto biológica como espiritualmente. a cada palavra indutora.www. voltam-se à esquizofrenia. a chamada palavra induzida. Jung observou as diferentes reações nos sujeitos. a Psicologia entra na sua vida. que utilizava a teoria do associacionismo. já tinha noções de Kant e Goethe. interpretações delirantes. Notando uma proximidade entre seus estudos e aqueles feitos por Freud. que tem como base experiências de associação verbal. Jung conclui a faculdade de medicina e saiu da Basiléia para ser o segundo assistente no Hospital Psiquiátrico Burgholzli em Zurique. chamadas palavras indutoras. Este pedia que o sujeito do experimento respondesse com a primeira palavra que viesse a sua mente. Jung se interessava pelos estudos feitos por Freud. Bleuler também trazia à Psiquiatria uma base psicológica. ou ainda áreas de bloqueio afetivo de que os sujeito não tinham consciência. Neste modelo havia uma pessoa. Então. e com isso veio a hipótese de que essas palavras deveriam atingir conteúdos emocionais das pessoas. Os estudos de Bleuler e seus colaboradores. Em 1900. com tal interesse pelo homem. o experimentador. O hospital era dirigido por Eugen Bleuler. como Jung.

idéias ou representações afetivamente carregadas e autônomas da psique consciente. Índia e Quênia Jung adoeceu e faleceu em 06 de junho de 1961. tais como: enfrentar a morte de um ente e cuja manifestação simbólica encontra-se nos mitos. incentivado por colegas. em Kusnacht. então. Este passa a estabelecer associações com outros elementos. A origem do complexo é uma situação psíquica considerada incompatível tanto com a atitude como com a atmosfera consciente de costume. Inconsciente Coletivo. cultura e individuais. enquanto fenômenos psíquicos. nas grandes religiões. sendo assim. Deixa contribuições científicas importantes para o estudo e compreensão da alma humana. essas experiências tornaram-se uma forma de explorar o inconsciente. O inconsciente coletivo são sensações. O inconsciente coletivo se compõe do que ele chamou de arquétipos. nos contos de fadas e outros. Em sua obra constam as questões espirituais. Buscava com palavras indutoras descobrir os conteúdos inconscientes que estavam sendo alcançados e denominou-os “complexo psíquico”. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 89 . nas fantasias. Karina de O. amigos e pacientes cria sua Escola. Criou a Psicologia Analítica e é visto como um dos grandes expoentes do século XX. Para o desenvolvimento de suas teorias Jung utilizou conhecimento de mitologia (trabalhos em colaboração com Kerensky) e História e culturas de países como México. em 1912 (revista em 1916). na Alquimia. são experiências comuns a toda humanidade. em imagens formadas a partir da interação com ambiente.br Desde então. Nisso. pensamentos e memórias compartilhadas por todos os seres humanos.www. O arquétipo traduz-se. há um núcleo que possui alta carga afetiva. ou seja. independente das diferenças de raça. em que Jung apresenta noções parecidas entre as fantasias psicóticas e os mitos antigos.educapsico. preenchidas por materiais da realidade. A afinidade entre as idéias de Freud e Jung deteriorou-se com a publicação da Psicologia do Inconsciente.com. pois. ou imagens primordiais. ou seja. formando assim a chamada “psique parcelada”.

br “A noção de arquétipo. nas artes. o indivíduo passa a se defrontar com um outro lado. uma fonte de neuroses. . O Ego identifica-se com a Persona em maior ou menor grau. nos contos de fadas. ou seja. tentando preenchê-los e corresponder às expectativas. É o nosso caráter. À medida que o Ego rejeita a imagem ideal que tem de si. Para Jung os arquétipos são elementos necessários para a auto-regulação da psique. através dela nos relacionamos com as outras pessoas. a Sombra é aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade. Karina de O.Persona: é a forma que nos apresentamos ao mundo. Abaixo descrevemos cada um desses arquétipos.com. Através do processo de individuação o homem realiza sua potencialidade ou auto desenvolvimento. O termo Persona é derivado da palavra latina equivalente à máscara. tornar-se um ser único.educapsico.Sombra: é o centro do inconsciente pessoal. então. nas produções do inconsciente de modo geralseja nos sonhos de pessoas normais. postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os humanos. pois.www. a Sombra. para se adaptar ao ambiente em que vive. o núcleo do material que foi reprimido da consciência. o Animus e o Self. A Persona inclui nossos papéis familiares. . dos seus defeitos e impulsos contrários aos padrões e ideais sociais. nos mitos nos dogmas e ritos das religiões. Processo de Individuação e os Arquétipos. 1971). Este outro lado foi chamado de Sombra. isto se torna. Os principais arquétipos descritos no processo de individuação são: a Persona. aquilo que descuidamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. ninguém vive inteiramente dentro dos moldes que são determinados pela consciência coletiva. a Anima. na filosofia. ou seja. permite compreender por que em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos. profissionais e nossa expressão pessoal. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 90 . sejam em delírios dos loucos” (SILVEIRA. Então. o indivíduo assume os papéis que lhe cabem nas diferentes situações em que se encontra.

A energia daqueles que são introvertidos se direciona para seu mundo interno. é organizador e determina o desenvolvimento psíquico. o Ego não será mais o centro. ou seja. fada. Já o Animus é representado como príncipe. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 91 . O processo de individuação tem como meta o Self. Mas. ou seja. à medida que a consciência do homem é masculina. os objetivos do processo de individuação. enquanto a energia do extrovertido se direciona mais para seu mundo externo. ou na forma de outro símbolo de divindade. sereia etc. como pensamentos rígidos.www. feiticeiro etc. Para Jung cada indivíduo se caracteriza de acordo com como é voltado para seu interior ou para o exterior. em outras situações a extroversão é mais adequada. Todos estes são símbolos da totalidade. ou equilíbrio dinâmico. Uma exclui a outra. haverá uma outra parte feminina em seu inconsciente e vice-versa para a mulher. ou seja. tais como: sentimentos.br .com.educapsico.Anima e Animus: são os arquétipos feminino e masculino. unificação. o arquétipo da ordem. O Self é simbolizado em sonhos ou imagens de forma impessoal. a Anima é a personificação das tendências psicológicas femininas na psique do homem.Self: é chamado por Jung de arquétipo central. Como o processo de individuação é uma aproximação entre consciente e inconsciente. eles se complementam. estados de humor. Estes são arquétipos que determinam o encontro do eu com o outro. ou de forma pessoal como um velho ou uma velha sábia. herói. A Anima geralmente é representada por princesa. Para Jung. como um círculo ou quadrado. Este centro se constituirá num ponto de equilíbrio que garante uma base sólida para a personalidade. uma criança divina. muda de acordo com a ocasião em que algumas vezes a introversão é mais apropriada e. nenhum indivíduo é apenas introvertido ou extrovertido. sensibilidade e outros Já na mulher o Animus personifica as características masculinas. Introversão e Extroversão. Karina de O. . da totalidade da personalidade. portanto não se pode manter ambas ao mesmo tempo e uma não é melhor do que a outra. São componentes contrasexuais inconscientes.

As pessoas em que predomina o pensamento são consideradas reflexivas e. e acabam não desenvolvendo suas próprias idéias e opiniões. Mas. São pessoas que têm como base as idéias de outros. têm como característica fazer grandes planos. tocar. . de fatos concretos. através da reconciliação dos diversos estados da personalidade. . a) Introvertidos Os introvertidos estão ligados em seus próprios pensamentos e sentimentos. que é dividido também nas subvariáveis. Eles relacionam prontamente as experiências passadas complacentes e as experiências relevantes atuais. Sensação e Sentimento Para Jung.Pensamento: é uma maneira diferente de preparar julgamentos e tomar decisões.educapsico. o que se pode ver. ou que seria possível. o ideal é que cada indivíduo seja flexível e possa adotar uma das duas de acordo com o que for necessário. A Sensação está ligada à experiência direta. e que haja um equilíbrio. sensação e percepção. com tendência à introspecção. Mas. em seu mundo interior. Intuição. são formas de adquirir informações e não formas de tomar decisões. . objetivos futuros e processos inconscientes. um paciente pode alcançar um estado de individuação. São pessoas sociáveis e conscientes do que acontece à sua volta. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 92 . na percepção de detalhes.com. O pensamento está relacionado com a verdade e com julgamentos. ou seja.br Os dois tipos de pessoas são necessários no mundo. que às vivências.Intuição: é uma forma de acionar informações das experiências passadas. tais como.www. representado no arquétipo da sombra coletiva. confrontando-se o inconsciente pessoal e integrando-o com o inconsciente coletivo. Têm que se proteger para que não sejam englobados pelo mundo externo. Pensamento. intuição. tornando raro seu contato com o ambiente externo. ou a integridade. pensamento. b) Extrovertidos Já os extrovertidos estão ligados ao mundo externo das pessoas e dos objetos.Sensação: é classificada junto com a intuição. tem que se tomar cuidado para que estas pessoas não mergulhem de forma excessiva em seu mundo interior. Os Karina de O. Os intuitivos dão mais importância ao que poderia vir a acontecer. pois.

2001). Símbolos Para Jung.com. Dão valor à consistência e princípios abstratos. Mais sobre mecanismos de defesa encontra-se em outros tópicos dessa apostila. Trabalham como pontes entre consciente e inconsciente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 93 . à priori o inconsciente se expressa através de símbolos. . têm facilidade de lidar com crises e emergências cotidianas. a função dos sonhos é tentar equilibrar o nosso psicológico através da produção de um material do sonho que refaz o equilíbrio ps íquico total. que são produções espontâneas da psique individual. algo dinâmico. Para Jung. um nome ou uma imagem familiar na vida diária. e assim. Sonhos Os sonhos possuem mais emoções intensas e imagens simbólicas que nosso pensamento consciente. de personalidade podem ser determinantes para o aparecimento de uma doença mental. Karina de O.www. Ele se interessa por símbolos naturais. Saúde Mental A doença mental pode ter diferentes causas e em muitos casos mais de um fator atua como causa. Como forma de proteger o aparelho ps íquico. 1998. Mecanismos de ajustamento O termo ajustamento tem relação com ajustar-se ao que é aceito. Bock. de preferência emoções fortes. Cerca de 30% dos trabalhadores são acometidos por transtornos mentais leves e 5 a 10% por transtornos mentais graves (OMS apud Ministério da Saúde do Brasil. Os mecanismos de defesa são processos realizados pelo ego e são inconscientes (Schultz & Schultz. Para ele um símbolo é alguma coisa em si mesma. desejável. os mecanismos de defesa deformam ou suprimem a realidade para evitar uma percepção aversiva. Os sentimentais são voltados para o lado emocional da experiência. sociais.br sensitivos respondem ao presente. Fatores genéticos. Os símbolos coletivos também são importantes e geralmente são imagens religiosas. orgânicos. Suas decisões são tomadas de acordo com seus valores. Pode ser um termo.educapsico.Sentimento: uma maneira alternativa de preparar julgamentos e tomar decisões. proteger o aparelho ps íquico. mas possui significados além do convencional e óbvio. que representa uma dada situação psíquica do indivíduo. 1995).

autonomia e controle o trabalhador tem no seu ambiente de trabalho.br Na sociedade capitalista o trabalho é mediador da integração social e tem uma grande importância para a saúde (física e mental) das pessoas. cruzam-se informações do trabalho com escalas clínicas. Segundo Codo (1997. são utilizados nessa metodologia um protocolo de observação e são analisadas entrevistas que tinham por finalidade diagnosticar a psicodinâmica. Codo. em Jacques (2003) o trabalho deve gerar significado para o homem e as doenças psíquicas relacionadas ao trabalho ocorrem quando este atinge sua dimensão geradora de significado. seus colaboradores. 2003). uma clínica (por exemplo. 2003). admite que o trabalho tem um papel estruturante na vida do ser humano. Portanto. p. com seus avanços e recuos. ou seja.www. Sobre a importância de suas investigações e do seu método investigativos pode-se recorrer às palavras do próprio autor: “este método de investigação. Para Codo (2002) apud Jacques (2003). há uma multiplicidade de fatores envolvidos na determinação de doenças mentais e comportamentais relacionadas ao trabalho. mais favoráveis a saúde é o ambiente de trabalho. Karina de O. nova função. tem como objetivo em seus trabalhos identificar quadros psicopatológicos e relacioná-los a categorias profissionais. juntamente com outros autores. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 94 . A perda de controle gera sofrimento e sensações de desprazer no trabalhador. 2002). foi responsável pela descoberta da síndrome do trabalho vazio entre bancários. entre outros. Os fatores do trabalho que influenciam na saúde das pessoas são muitos.educapsico. Condições de emprego.com. queda). 2002. a escala de histeria e de depressão) e uma de alcoolismo. não é possível analisar e pensar no bem estar psíquico do individuo sem pensar nas relações que o mesmo estabelece com o trabalho. podem ser fontes de stress para os trabalhadores (Ministério da Saúde do Brasil. quanto mais liberdade. Além desses instrumentos. informações objetivas e subjetivas são utilizadas (JACQUES. 2001). ou seja. paranóia entre digitadores. histeria em trabalhadores de creches e burnout em educadores" (CODO. Este autor tem uma perspectiva psicossocial da saúde mental.185 apud JACQUES. Codo e seus colaboradores elaboraram uma metodologia baseada em 13 escalas de trabalho. subemprego. Desta forma. mudanças no trabalho (promoção.

8) • Delirium. 4.8) • Transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não-orgânicos (F51. concentração. deteriorização ou descompensação no trabalho (o individuo não consegue se adaptar a situações estressantes).0) • Outros transtornos neuróticos especificados (inclui neurose profissional) (F48. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho.2) Karina de O.0) • Transtorno cognitivo leve (F06. não-sobreposto à demência.-) • Alcoolismo crônico (relacionado ao trabalho) (F10. 2001). busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no mesmo ramo de atividades. exercício de funções sociais (diz respeito a capacidade de comunicação eficiente com outras pessoas). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 95 .br Para a prevenção de doenças mentais relacionados ao trabalho são necessárias ações de vigilância aos ambientes e condições de trabalho (Ministério da Saúde do Brasil. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. 5. 2001). Veja: • Demência em outras doenças específicas classificadas em outros locais (F02. notificação ao SUS de piora do caso.educapsico. Quando há o diagnóstico de uma doença relacionada ao trabalho deve-se proceder da seguinte forma: 1. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. a saber: limitações em atividades cotidianas (vida diária).com. 3. A AMA apud Ministério da Saúde do Brasil (2001) aponta as deficiências ou disfunções casadas pelas doenças mentais relativas ao trabalho.0) • Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado (F09.-) • Estado de estresse pós-traumático (F43. 6.www. A portaria 1399 de 1999 aponta os transtornos mentais e de comportamento relacionados ao trabalho. 2. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados (Ministério da Saúde do Brasil.1) • Neurastenia (inclui síndrome de fadiga) (F48. persistência ou ritmo (capacidade de completar tarefas). como descrita (F05.7) • Transtorno orgânico de personalidade (F07.2) • Episódios depressivos (F32. acompanhar como o caso evolui.

alcoolismo. orientação. hipotireoidismo adquirido. 1997). p. compreensão. • comprometimento ou incapacidade pessoal para as atividades da vida diária. capacidade de aprender. concentração. 164). deve ser atendido em suas necessidades emocionais e também ser tratado com fármacos e por último é necessário Karina de O. memória. Critérios diagnóstico: • comprometimento ou incapacidade manifestada pelo declínio das funções cognitivas (corticais superiores). sulfeto de carbono. na qual se verificam diversas deficiências das funções corticais superiores. deve ter acesso aos benefícios do SAT. geralmente crônica e progressiva. linguagem. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 96 . da conduta social ou da motivação (Bertolote. cálculo. atenção. de caráter adquirido. Os fatores de risco são: .0) DEMÊNCIA EM OUTRAS DOENÇAS ESPECÍFICAS CLASSIFICADAS EM OUTROS LOCAIS CID-10 F02. “Demência é conceituada como síndrome. precedidas por deterioração do controle emocional. pensamento. doença de Parkinson g.com. Pode estar associada a inúmeras doenças que atingem primária ou secundariamente o cérebro. entre elas. chumbo e arsênio). juízo crítico e comportamento social adequado. intoxicações. doença de Huntington g. capacidade de resolver problemas. epilepsia. como: capacidade de aprendizagem. linguagem e julgamento. degeneração hepatolenticular. incluindo: memória. tripanosomíase. devida a uma patologiaencefálica.Exposição a toxinas como monóxido de carbono (CO). mercúrio. nível de inteligência. outras doenças vasculares cerebrais isquêmicas e contusões cerebrais repetidas. síndrome do esgotamento profissional) (Z73. metais pesados (manganês. ocasionalmente. A consciência não é afetada e as deficiências cognitivas são acompanhadas e. lúpus eritematoso sistêmico.br • Sensação de estar acabado (síndrome de burn-out g. doenças pelo HIV.educapsico.www. como as sofridas pelos boxeadores” (Ministério da Saúde do Brasil. Para o tratamento o trabalhador deve ser afastado da exposição as substâncias acima citadas. 2001.8 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). ocorrência de infartos múltiplos. derivados organometálicos (chumbo tetraetila e organoestanhosos). sulfeto de hidrogênio (H²S).

Critérios diagnósticos: • rebaixamento do nível da consciência – traduzido pela redução da clareza da consciência em relação ao ambiente. um curso breve e flutuante e uma melhora rápida assim que o fator causador é identificado e corrigido. da atividade. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. Karina de O. com distúrbio da orientaç ão (no tempo e no espaço) e da atenção (hipovigilância e hipotenacidade). Pode vir acompanhada de sintomas neurológicos como tremor. A exposição às toxinas monóxido de carbono (CO). manter ou deslocar a atenção. Assim. 2001. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. associada ao comprometimento global das funções cognitivas. Geralmente. 166).educapsico. Geralmente. pode evoluir para demência. para recuperação completa ou para a morte.CID-10 F05. nistagmo. É o aspecto fundamental entre os critérios diagnósticos para o delirium. incoordenação motora e inc ontinência urinária. do pens ament o (ideação delirante) e do comportament o (reações de medo e agit ação psicomot ora). focalizar. asterixis. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 97 . O delirium pode ocorrer no curso de uma demência. com informações a gerência e colegas de trabalho sobre o diagnóstico do paciente e também buscando novos casos naquele ambiente. com diminuição da capacidade de direcionar.www. Apresenta distintos níveis de gravidade. de formas leves a muito graves. DELIRIUM. o delirium tem um início súbito (em horas ou dias ). é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição e também realizar análise ergonômica do trabalho. NÃO-SOBREPOSTO À DEMÊNCIA .br realizar um manejo da situação de trabalho. Podem ocorrer alterações do humor (irritabilidade). o paciente apresenta uma inversão característica do ritmo vigília-s ono com sonolência diurna e agitação noturna.” (Ministério da Saúde do Brasil.0 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). dissulfeto de hidrogênio (H2S) (substâncias asfixiantes) e ao sulfeto de carbono são fatores de risco para o Delirium não sobreposto a demência.com. “Delirium é uma síndrome caracterizada por rebaixamento do nível de consciência. p. da percepção (ilusões e/ou alucinações especialmente visuais).

• perturbação que se desenvolve ao longo de um curto período de tempo (horas a dias). Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. da atividade (por exemplo. Feito o diagnóstico deve-se. ritmo e intensidade do trabalho. proceder da seguinte forma: 1. associada a uma situação de trabalho. deve ter suporte físico visando evitar acidentes e ser tratado com fármacos quando estiverem presentes e se insônia acontecerem (uso do haloperidol) podem e ser alucinações utilizados benzodiazepínicos) anticonvulsivantes. uso de equipamentos de segurança. uso de equipamentos de segurança. estabelecida ou em evolução. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 98 .www. desorientação. 3.educapsico. 2. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. organizar o trabalho de forma que o menor número de trabalhadores fiquem expostos as substâncias tóxicas pelo menor tempo possível. Para o tratamento o trabalhador deve ser afastado da exposição as substâncias acima citadas. tais como déficit de memória. verificar o conteúdo das tarefas. acompanhar como o caso evolui. fatores psicossociais e individuais. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho.com. • existência de evidências a partir da história. 5. notificação ao SUS de piora do caso. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição (por exemplo. Assim. como já citado anteriormente. perturbação de linguagem ou desenvolvimento de uma perturbação da percepção que não é explicada por uma demência preexistente. monitoramento da qualidade do ar. com tendência a flutuações no decorrer do dia. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes.br • alterações na cognição. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no convulsões Karina de O. exame físico ou achados laboratoriais de que a perturbação é conseqüência direta ou indireta. entre outros) e também realizar análise ergonômica do trabalho. entre outros). das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. 4.

www. Assim.7 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). sem que haja evidências diretas de comprometimento cerebral” (Ministério da Saúde do Brasil. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 99 . ainda que objetivamente consiga realizá-lo bem. sulfeto de carbono.Exposição a níveis elevados de ruído. 169). a saber: realizar vigilância dos ambientes. Os fatores de risco são: . dificuldades de aprendizado e de concentração são utilizados para o diagnóstico de Transtorno Cognitivo Leve. 6. tanto cerebrais quanto sistêmicos. As medidas de prevenção são as mesmas já citadas quando discutidos outros transtornos. tais como dificuldades de memória. Para o tratamento do Transtorno cognitivo leve relacionado ao trabalho deve –se afastar o paciente do ambiente de trabalho. .educapsico. outros solventes orgânicos neurotóxicos. mercúrio e seus compostos tóxicos. O paciente se queixa de intens a sensação de fadiga mental ao exec utar tarefas mentais e um aprendizado novo é percebido subjetivamente como difícil. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. Problemas no desempenho cognitivo. tricloroetileno.Exposição às toxinas: chumbo e seus compostos tóxicos. tetracloroetileno. manganês e seus compostos tóxicos. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados.br mesmo ramo de atividades. tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos. p. “Transtorno cognitivo leve caracteriza-se por alterações da memória. Dependendo da gravidade pode ser nec essário a reabilitação neuropsicológica e também a reabilitação profissional.com. TRANSTORNO COGNITIVO LEVE CID-10 F06. da orientação. é necessário medidas de controle ambiental com a Karina de O. Fármacos como benzodiazepínicos para a ansiedade e insônia e também antidepressivos podem ser utilizados. da capacidade de aprendizado e reduç ão da capacidade de concentração em tarefas prolongadas. Esses sintomas podem manifestar-se precedendo ou sucedendo quadros variados de infecções (inclusive por HIV ) ou de distúrbios físicos. 2001.

Os fatores de risco relativos à ocupação são: . mercúrio e seus compostos tóxicos. fatores psicossociais e individuais. da atividade (por exemplo. entre outros) e também realizar análise ergonômica do trabalho. tricloroetileno. ritmo e intensidade do trabalho. no caso de ser confirmada essa doença. uso de equipamentos de segurança.0 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). monitoramento da qualidade do ar. uso de equipamentos de segurança. TRANSTORNO ORGÂNICO DE PERSONALIDADE CID-10 F07. 171). sulfeto de carbono. Caracterizase por uma alteração significativa dos padrões habituais de comport amento pré-mórbido. lesão ou disfunção cerebral. chumbo ou seus compostos tóxicos.com. particularmente no que se refere à expressão das emoções. Sobre a conduta. verificar o conteúdo das tarefas. deve-se proceder como já citado no início desse texto. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 100 . p. como na chamada síndrome do lobo frontal. Karina de O. manganês e seus compostos tóxicos. mas também a lesões de outras áreas cerebrais circunscritas” (Ministério da Saúde do Brasil.educapsico. As funções cognitivas podem estar comprometidas de modo particular ou mesmo exclusivo nas áreas de planejamento e antecipação das prováveis conseqüências pessoais e sociais. que pode ocorrer não apenas associada à lesão no lobo frontal. 2001.br finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição (por exemplo. tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos . entre outros). necessidades e impulsos. “Transtorno orgânico de personalidade é conceituado como a alteração da personalidade e do comport amento que aparec e como um transtorno concomitante ou residual de uma doenç a.www. organizar o trabalho de forma que o menor número de trabalhadores fiquem expostos as substâncias tóxicas pelo menor tempo possível.Exposição às seguintes substâncias: brometo de metila. É importante que se tenha a participação de trabalhadores nos níveis gerenciais para promoção de saúde e mudanças no ambiente que visem prevenção de doenças ocupacionais.

comer vorazmente ou mostrar descaso pela higiene pessoal). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 101 . • perturbações cognitivas na forma de desconfiança. outros solventes orgânicos neurotóxicos. certo e errado). Para o diagnóstico desse transtorno devem estar presentes dois ou mais dos seguintes aspectos: • capacidade consistentemente reduzida de perseverar em atividades com fins determinados. a saber: realizar vigilância dos ambientes. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos. As medidas de prevenção são as mesmas já citadas quando discutidos outros transtornos. propostas sexuais inadequadas. O tratamento tem como objetivo a reabilitação social. prolixidade. ideação paranóide e/ou preocupação excessiva com um tema único. tais como circunstancialidade. das condições de trabalho e dos Karina de O. alegria superficial e imotivada (euforia. usualmente abstrato (por exemplo: religião.educapsico. • comportamento sexual alterado.www. • comportamento emocional alterado. explosões rápidas de raiva e agressividade ou apatia. antidepressivos. caracterizado por labilidade emocional. carbamazepina para controle da impulsividade e antipsicóticos para comportamentos disruptivos podem ser utilizados. Em muitos casos a aposentadoria por invalidez pode ser necessária. • alteração marcante da velocidade e fluxo da produção de linguagem com aspectos. • expressão de necessidades e impulsos sem considerar as conseqüências ou convenções sociais (roubo. viscosidade e hipergrafia. Os fármacos benzodiazepínicos para a ansiedade e insônia.com. especialmente aquelas envolvendo períodos de tempo mais prolongados e gratificação postergada.br tetracloroetileno. jocosidade inadequada) e mudança fácil para irritabilidade.

p. da ansiedade). como nas doenças sistêmicas nas quais o cérebro é um dos múltiplos órgãos envolvidos. Karina de O. 2001.educapsico. tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos. TRANSTORNO MENTAL ORGÂNICO OU SINTOMÁTICO NÃO-ESPECIFICADO CID-10 F09. fatores psicossociais e individuais. organizar o trabalho de forma que o menor número de trabalhadores fiquem expostos as substâncias tóxicas pelo menor tempo possível. uso de equipamentos de segurança. “Este termo compreende uma série de transtornos mentais agrupados por terem em comum uma doença cebral de etiologia demonstrável. lesões ou danos que afetam direta e seletivamente o cérebro.br efeitos ou danos à saúde. sulfeto de carbono. delirante. chumbo e seus compostos tóxicos. do humor.. manganês e seus compostos tóxicos. uso de equipamentos de segurança. Fazem parte desse grupo a demência na doença de Alzheimer .www. a síndrome pós-encefalite e pós-traumática. estado catatônico. mercúrio e seus compostos tóxicos. entre outros) e também realizar análise ergonômica do trabalho.Exposição às seguintes substâncias: brometo de metila. também. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 102 . g a demência vascular. tricloroetileno. uma lesão cerebral ou out ro dano que leva a uma disfunção que pode ser primária. verificar o conteúdo das tarefas.173).com. incluindo. como nas doenças. ritmo e intensidade do trabalho. ou secundária. a psicose orgânica e a psicose sintomática” (Ministério da Saúde do Brasil. Para o diagnóstico desse transtorno devem estar presentes dois ou mais dos seguintes aspectos: . é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição (por exemplo. Assim. Sobre a conduta. É importante que se tenha a participação de trabalhadores nos níveis gerenciais para promoção de saúde e mudanças no ambiente que visem prevenção de doenças ocupacionais.apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). deve-se proceder como já citado no início desse texto. medidas de limpeza. a síndrome amnésica orgânica (não-induzida por álcool ou psicotrópicos ) e g vários outros transtornos orgânicos (alucinose. no caso de ser confirmada essa doença. entre outros). da atividade (por exemplo.

a saber: realizar vigilância dos ambientes. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no mesmo ramo de atividades. Feito o diagnóstico deve-se. 5. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. É importante que se tenha a participação de trabalhadores nos níveis gerenciais para promoção de saúde e mudanças no ambiente que visem prevenção de doenças ocupacionais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 103 . ritmo e intensidade do trabalho. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados. lesão ou disfunção cerebral ou de uma doença física sistêmica. uso de equipamentos de segurança. ALCOOLISMO CRÔNICO RELACIONADO AO TRABALHO CID-10 F10. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho.2 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). entre outros). outros solventes orgânicos neurotóxicos. notificação ao SUS de piora do caso. Assim. como já citado anteriormente. uso de equipamentos de segurança. fatores psicossociais e individuais. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição (por exemplo. As medidas de prevenção são as mesmas já citadas quando discutidos outros transtornos relacionados a ocupação.com. Karina de O. verificar o conteúdo das tarefas. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. 2. acompanhar como o caso evolui.www. 6. organizar o trabalho de forma que o menor número de trabalhadores fiquem expostos as substâncias tóxicas pelo menor tempo possível. da atividade (por exemplo.br tetracloroetileno.educapsico. entre outros) e também realizar análise ergonômica do trabalho. proceder da seguinte forma: 1. medidas de limpeza. 4. 3. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. associada a uma das síndromes relacionadas. O diagnóstico é baseado em evidências de doença.

atividades monótonas. 2001. Algumas ocupações tem sido mais relacionadas ao alcoolismo. freqüentemente progressiva e fatal. Segundo a OMS. a saber: aquelas que se caracterizam por ser socialmente desprestigiadas e rejeitadas. isto é. p.www. a síndrome de dependência do álcool é um dos problemas relacionados ao trabalho. apesar das conseqüências adversas desse comportamento para a vida e a saúde do us uário. Karina de O. atividades nas quais a tensão está sempre presente. o bebedor alcoólico tende a não reconhecer que faz uso abusivo do álcool” (Ministério da Saúde do Brasil. considerou o alcoolismo como uma doença crônica primária que tem seu desenvolvimento e manifestações influenciados por fatores genéticos. • comprometimento da capacidade de controlar o comportamento de uso da substância – em termos de início.com. término ou níveis – evidenciado pelo uso da substância em quantidades maiores ou por um período mais longo que o pretendido ou por um desejo persistente ou por esforços infrutíferos para reduzir ou controlar o seu uso. Diagnóstico: As manifestações devem ocorrer juntas. sendo que o trabalho está entre eles. Vários são os fatores psicossociais relacionados ao alcoolismo. • um estado fisiológico de abstinência quando o uso do álcool é reduzido ou interrompido. devendo ser explicitada a relação da ocorrência com a situação de trabalho: • um forte desejo ou compulsão de consumir álcool em situações de forte tensão presente ou gerada pelo trabalho. atividades que envolvem afastamento prolongado do lar. de “grande densidade de atividade mental”. tediosas e que ocasionem um isolamento do convívio humano. em 1990.br “Alcoolismo refere-se a um modo crônico e continuado de usar bebidas alcoólicas. caracterizado pelo descontrole periódico da ingestão ou por um padrão de consumo de álc ool com episódios freqüentes de intoxicação e preocupaç ão com o álcool e o seu uso. psicossociais e ambient ais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 104 . A Sociedade Americana das Dependências. • evidência de tolerância aos efeitos da substância de forma que haja uma necessidade de quantidades crescentes da substância para obter o efeito desejado.educapsico. A pert urbação do controle de ingestão de álcool caracteriza-se por ser contínua ou periódica e por distorções do pensamento. de forma repetida durante um período de 12 meses.175). caracteristicamente a negação.

a saber: delirium (delirium tremens). transtorno do sono induzido pelo álcool.com. idéias ou atos suicidas.apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). da atividade. “Os episódios depressivos caracterizam-se por humor triste. transtorno amnésico induzido pelo álcool. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 105 . intervenção farmacológica (ansiolíticos e antidepressivos). idéias de culpa e inutilidade. O Karina de O. EPISÓDIOS DEPRESSIVOS CID-10 F32. • uso persistente da substância. deve-se proceder como já citado no início desse texto. Sobre a conduta. Veja as estratégias terapêuticas que normalmente são utilizadas: psicoterapia. grupos de mútua ajuda. O paciente pode se queixar de dificuldade de concentração. manifestada pela redução ou abandono de importantes prazeres ou interesses alternativos por causa de seu uso ou pelo gasto de uma grande quantidade de tempo em atividades necessárias para obter. geralmente por insônia terminal. Para o tratamento devem ser utilizadas diversas estratégias terapêuticas.. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição aos fatores de risco e também realizar análise ergonômica do trabalho. freqüentar centros de atenção diária. consumir ou recuperar-se dos efeitos da ingestão da substância. O sono encontra-se freqüentemente perturbado. sendo que em muitos casos pode ser necessário o afastamento do trabalho. pode apresentar baixa auto-estima e autoc onfiança. no caso de ser confirmada essa doença. visões desoladas e pessimistas do futuro. demência induzida pelo álcool. outros transtornos relacionados ao álcool: transtorno do humor induzido pelo álcool.br • preocupação com o uso da substância.educapsico. Pode estar relacionado ao desenvolvimento de outros transtornos.www. Assim. transtorno de ansiedade induzido pelo álcool. a despeito das evidências das suas conseqüências nocivas e da consciência do indivíduo a respeito do problema. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. sendo comum uma sensação de fadiga aumentada. desesperança. perda do interesse e prazer nas atividades cotidianas. transtorno psicótico induzido pelo álcool. disfunção sexual induzida pelo álcool.

• insônia ou hipersonia. Sintomas de ansiedade são muito freqüentes. • sentimentos de desesperança. demissão. grave sem sintomas psicóticos. p. por um período de. Diagnóstico: A presença de pelo menos cinco dos sintomas abaixo.br paciente se queixa de diminuição do apetite. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos. duas semanas. tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos. além de: • marcante perda de interesse ou prazer em atividades que normalmente são agradáveis. A angústia tende a ser tipicamente mais intensa pela manhã. 178). queda no nível da hierarquia que ocupava. moderada. • diminuição da capacidade de pensar e de se concentrar ou indecisão. • fadiga ou perda da energia. Além disso. também são fatores de risco. no último mês). sulfeto de carbono.www.educapsico. no mínimo. Karina de O. 2001. geralmente com perda de peso sensível. As alterações da psicomot ricidade podem variar da lentificação à agitação. • agitação ou retardo psicomotor. • diminuição ou aumento do apetite com perda ou ganho de peso (5% ou mais do peso corporal. grave com sintomas psicóticos (Ministério da Saúde do Brasil. culpa excessiva ou inadequada. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 106 . outros solventes orgânicos neurotóxicos. nível elevado de exigência. sendo que um dos sintomas característicos é humor triste ou diminuição do interesse ou prazer. a exposição às substâncias brometo de metila. excessiva competição. manganês e seus compostos tóxicos. Os episódios depressivos devem ser classificados nas modalidades: leve. Alguns fatores de risco são: decepção e frustração no ambiente de trabalho. Pode haver lentificação do pensamento. perda afetiva. tricloroetileno. mercúrio e seus compostos tóxicos.com. chumbo e seus compostos tóxicos. tetracloroetileno.

4. como já citado anteriormente. testemunhou ou foi confrontado com um evento ou eventos que Karina de O. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição aos fatores de risco e também realizar análise ergonômica do trabalho.educapsico. acompanhar como o caso evolui.br • pensamentos recorrentes de morte (sem ser apenas medo de morrer).com. estupro.www. 2.1 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). terrorismo ou qualquer outro crime. 6. acidentes graves. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados. São exemplos: os desastres naturais ou produzidos pelo homem. causaria extrema angústia em qualquer pessoa. Feito o diagnóstico deve-se. intervenções psicossociais. 5. E. testemunho de morte violenta ou ser vítima de tortura. dependendo da gravidade de cada caso). Assim. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. notificação ao SUS de piora do caso. O pacient e experimentou. reconhecidamente. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. da atividade. uso de fármacos (antidepressivos. proceder da seguinte forma: 1. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 107 . das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. No tratamento devem ser utilizadas as seguintes estratégias: psicoterapia. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho. “O estado de estresse pós-traumático caracteriza-se como uma resposta tardia e/ou protraída a um evento ou situação estressante (de curta ou longa duração) de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica. 3. ESTADO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO CID-10 F43. ideação suicida recorrente sem um plano específico ou uma tentativa de suicídio ou um plano específico de suicídio. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no mesmo ramo de atividades. Deve ser avaliado e indicado quando necessário o afastamento do paciente do ambiente de trabalho.

inclusive aqueles que ocorrem ao despertar ou quando intoxicado) e/ou angústia quando da exposição a indícios internos ou externos que lembram ou simbolizam um aspecto do evento traumático e/ou reação fisiológica exacerbada a indícios internos ou externos que simbolizem ou lembrem um aspecto do evento traumático). alguns aspectos importantes do período de exposição ao estressor. 2001.esforços para evitar atividades.br implicaram morte ou ameaça de morte.www. parcial ou completamente. por exemplo. 181). . alucinações e episódios dissociativos de flashback.incapacidade de relembrar. p.educapsico.com.esforços para evitar pensamentos. sentimentos ou conversas associadas ao trauma. • atitude persistente de evitar circunstâncias semelhantes ou associadas ao evento estressor (ausente antes do trauma) indicada por: . . percepções ou memórias vívidas e/ou pesadelos e/ou agir ou sentir como se o evento traumático estivesse acontecendo de novo (incluindo a sensação de reviver a experiência. Os fatores de risco relacionados ao trabalho são: realização de trabalhos perigosos que tenham. ilusões. • rememorações ou revivescências persistentes e recorrentes do evento estressor em imagens. Diagnóstico: Pacientes que apresentem quadros de início até 6 meses após um evento ou período de estresse traumático* caracterizados por: • evento ou situação estressante (de curta ou longa duração) de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica. aos quais o paciente foi exposto. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 108 . lugares ou pessoas que tragam lembranças do trauma. lesão grave ou ameaça da integridade física a si ou a outros ” (Ministério da Saúde do Brasil. pensamentos. Karina de O. em uma situação de trabalho ou relacionada ao trabalho. responsabilidade com vidas humanas e de acidentes.

proceder da seguinte forma: 1.dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 109 . casamento. da atividade.dificuldade de concentração. . NEURASTENIA (Inclui Síndrome de Fadiga) CID-10 F48. .resposta exagerada a susto.www.hipervigilância. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição aos fatores de risco e também realizar análise ergonômica do trabalho. uma expectativa de vida normal).sentimento de futuro curto (por exemplo.br . . notificação ao SUS de piora do caso. 6. 2. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes.interesse ou participação significativamente diminuída em atividades importantes. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no mesmo ramo de atividades. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho.0 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001).sentimentos de distanciamento ou estranhamento dos outros. Assim. Karina de O.irritabilidade ou explosões de raiva. não espera mais ter uma carreira. . das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. .sintomas persistentes de estado de alerta exacerbado. Feito o diagnóstico deve-se. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados. 3. como já citado anteriormente. 5.educapsico. . filhos.distanciamento afetivo (por exemplo.com. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. 4. incapacidade de ter sentimentos amorosos). . . acompanhar como o caso evolui. .

www. Karina de O. tricloroetileno. relaxamento ou entretenimento. p. Outros sintomas que podem fazer parte da síndrome são: dores de cabeça. irritabilidade ou falta de paciência e desânimo. acumulada ao longo de meses ou anos em situações de trabalho em que não há oportunidade de se obter descanso necessário e suficient e. 184). . São fatores de isco relacionados ao trabalho: . mercúrio e seus compostos tóxicos. dores musculares (geralmente nos músculos mais utilizados no trabalho). • duração do transtorno de pelo menos três meses. Diagnóstico está baseado em: • queixas persistentes e angustiantes de fadiga aumentada após esforço mental ou queixas persistentes e angustiantes de fraqueza e exaustão corporal após esforço físico mínimo. tetracloroetileno.educapsico.exposição a: brometo de metila. cefaléias tensionais. perturbações do sono. dificuldade de aprofundar o sono.ritmos de trabalho acelerados. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 110 . chumbo e seus compostos tóxicos. caracterizando uma fadiga geral.br “A característica mais marcant e da síndrome de fadiga relacionada ao trabalho é a presença de * fadiga constante. manganês e seus compostos tóxicos. Trat a-se. tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos. especificamente ins ônia inicial. outros solventes orgânicos neurotóxicos. • paciente é incapaz de se recuperar por meio do descanso. dispepsia. em geral. sulfeto de carbono. • pelo menos dois dos seguintes: sensação de dores musculares. simultaneamente física e mentalmente. dificuldade para adormecer ou “a cabeça não consegue desligar”. despert ares freqüentes durante a noite. 2001. de um quadro crônico” (Ministério da Saúde do Brasil. tonturas.com. grandes jornadas de trabalho e jornada de trabalho em turnos alternados. como acordar cansado. incapacidade de relaxar. perda do apetite e malestar geral. irritabilidade. Outras manifestações importantes são: má qualidade do sono. A fadiga é referida pelo paciente como sendo constante. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos.

ritmo de trabalho penoso. OUTROS TRANSTORNOS NEURÓTICOS ESPECIFICADOS (Inclui Neurose Profissional) CID-10 F48. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes.8 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). notificação ao SUS de piora do caso. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no mesmo ramo de atividades. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. 186). na qual os sintomas são expressão simbólica de um conflito psíquico. 3. “O grupo outros transtornos neuróticos especificados inclui transtornos mistos de comportamento. 6. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados.br O tratamento deve ter o objetivo de mudanças nas condições de trabalho. 2001. p. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição aos fatores de risco e também realizar análise ergonômica do trabalho. proceder da seguinte forma: 1. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 111 . A .* categoria neurose profissional é definida por Aubert (1993) como “uma afecção psicógena persistente. Uso de fármacos (ansiolíticos e hipnóticos) para insônia e irritabilidade. está incluída neste grupo.com. cujo desenvolvimento encontra-se vinculado a uma determinada situação organizacional ou profissional” (Ministério da Saúde do Brasil. a neurose ocupacional. 2. que inclui a câimbra de escrivão .www. Feito o diagnóstico deve-se. Segundo a CID-10. como já citado anteriormente. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde.educapsico. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. Os fatores de risco relacionados ao trabalho são: problemas relacionados ao emprego e ao desemprego. Assim. ameaça de desemprego. acompanhar como o caso evolui. crenças e emoç ões que têm uma associação estreita com uma determinada cultura. da atividade. 5. Karina de O. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho. mudança de emprego. condições difíceis de trabalho. outras dificuldades físicas e mentais relacionadas ao trabalho. 4.

dependendo da contribuição relativa de fat ores psicológicos. 189). p. por definição. uma vez que. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. no caso de ser confirmada essa doença.www. “O transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não-orgânicos é definido como uma perda de sincronia entre o ciclo vigília-sono do indivíduo e o ciclo vigília-sono socialment e estabelecido como normal. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. Esses transtornos podem ser psicogênicos ou de origem orgânica presumida. psicossociais ou orgânicos. TRANSTORNO DO CICLO VIGÍLIA-SONO DEVIDO A FATORES NÃO-ORGÂNICOS CID-10 F51. sonolência em excesso durante a vigília e percepção de sono de má qualidade. é det erminado pela jornada de trabalho à noite em regime fixo ou pela alternância de horários diurnos. circunstâncias econômicas e sociais. Assim. desinteresse pelo trabalho e outras atividades. Na circunstância relacionadas às Karina de O. 2001.2 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). O transtorno do ciclo vigília-sono relacionado ao trabalho pode ser incluído nessa categoria. condições de trabalho. problemas relacionados com o emprego e com o desemprego.com. deve-se proceder como já citado no início desse texto.br Sintomas como cansaço. em regime de revezamento de turnos” (Ministério da Saúde do Brasil. result ando em queixas de insônia. vespertinos e/ou noturnos. interrupção precoc e do sono ou de sonolência excessiva. O diagnóstico se baseia nos seguintes fatores: adiantamento ou atraso de fases do ciclo vigília-sono. dificuldades para dormir. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição aos fatores de risco e também realizar análise ergonômica do trabalho. da atividade. trabalho em turnos ou trabalho noturno.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 112 . Os fatores de risco podem ser orgânicos (fatores que influenciam a saúde). Sobre a conduta. irritabilidade. interrupções freqüentes no sono. alterações do sono normalmente estão presentes.

• inexistência de fator orgânico causal. qualidade e tempo de sono insatisfatórios como causa de angústia pessoal marcante ou interferência com o funcionamento pessoal na vida diária. No que diz respeito ao tratamento são indicados repousos intrajornadas. acompanhar como o caso evolui. social ou ocupacional. 2. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 113 . transtorno de uso de substância psicoativa ou de um medicamento. Para prevenção deve-se organizar o trabalho buscando que o sistema de turnos seja utilizado o m ínimo possível e que quando este esteja presente haja um maior número de horas de descanso para os trabalhadores. Feito o diagnóstico deve-se.educapsico. proceder da seguinte forma: 1. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no Karina de O.com. prática de cochilo entre as pausas.br presença desses fatores deve-se realizar exames para diagnóstico diferencial para distúrbios de sono não-relacionados com a organização do trabalho. • quantidade. 5. indivíduo com insônia durante o principal período de sono e hipersonia durante o período de vigília quase todos os dias. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS.www. Veja os aspectos clínicos que devem estar presentes para o diagnóstico desse transtorno. como já citado anteriormente. tal como condição neurológica ou outra condição médica. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. 3. 4. notificação ao SUS de piora do caso. • como resultado da perturbação do ciclo vigília-sono. • padrão vigília-sono do indivíduo fora de sincronia com o ciclo vigília-sono desejado. por pelo menos um mês ou recorrentemente por períodos mais curtos de tempo. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho. que é normal em uma dada sociedade particular e compartilhado pela maioria das pessoas no mesmo ambiente cultural. Se necessário mudança no horário de trabalho.

Tem sido descrita como resultant e da vivência profissional em um contexto de relações sociais complexas.educapsico. Para o diagnóstico podem ser identificados: • história de grande envolvimento subjetivo com o trabalho. O trabalhador que antes era muito envolvido afetivamente com os seus clientes. que muitas vezes ganha o caráter de missão.www. • sentimentos de desgaste emocional e esvaziamento afetivo (exaustão emocional). 6. perde a energia ou se “queima” complet ament e. função.com. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados. desiste. tristeza. insensibilidade ou afastamento excessivo do público que deveria receber os serviços ou cuidados do paciente (despersonalização). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 114 . Sintomas inespecíficos: insônia. SENSAÇÃO DE ESTAR ACABADO (SÍNDROME DE BURN-OUT OU SÍNDROME DO ESGOTAMENTO PROFISSIONAL) CID-10 Z73. profissão ou empreendimento assumido. apatia. envolvendo a representação que a pessoa tem de si e dos outros. • queixa de sentimento de diminuição da competência e do sucesso no trabalho. desint eressa-se e qualquer esforço lhe parece inútil” (Ministério da Saúde do Brasil. fadiga. Karina de O. O trabalhador perde o sentido de sua relação com o trabalho.br mesmo ramo de atividades. 191). É importante que se tenha a participação de trabalhadores nos níveis gerenciais para promoção de saúde e mudanças no ambiente que visem prevenção de doenças ocupacionais. • queixa de reação negativa. tremores e inquietação.0 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). p. desinteresse. irritabilidade. 2001. angústia. em um dado momento. “A sensação de estar acabado ou s índrome do es gotamento profissional é um tipo de resposta prolongada a estressores emocionais e interpessoais crônicos no trabalho. desgasta-se e. com os seus pacientes ou com o trabalho em si.

em Boston. e o outro no Hospital Geral de Massachusetts. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. uso de fármacos (antidepressivos e ansiolíticos). Atendimento em Psicoterapia individual e grupal.educapsico.br No tratamento devem ser utilizadas as seguintes estratégias: psicoterapia. com o objetivo de resgatar o método original de Freud. Para esta autora. Cordioli (2008) afirma que “(. Malan De acordo com Yoshida (1990). das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde.www. dirigido por David Malan. Sifneos. no caso de ser confirmada essa doença. Sobre a conduta. A gravidade de cada caso deve ser avaliada para aplicação dessas estratégias. intervenções psicossociais. Sem a intenção de esgotar o tema. desenvolveu uma técnica de psicoterapia que inclui vários tipos de recursos técnicos disponíveis na psicanálise: análise da resistência.) existem mais de 250 modalidades distintas de psicoterapias... apresentaremos agora algumas teorias e técnicas psicoterápicas importantes na atualidade: Psicoterapia Psicodinâmica Breve David H. o movimento de psicoterapia breve ganha força com vários grupos de pesquisadores que buscavam definir critérios de seleção. interpretação Karina de O. o grupo da Tavistock. destacam-se dois grupos que trabalhavam independentemente: um na Clínica Tavistock.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 115 . em Londres. 20). descritas de uma ou outra forma em mais de 10 mil livros e em milhares de artigos científicos relatando pesquisas realizadas com a finalidade de compreender a natureza do processo psicoterápico e os mecanismos de mudança e de comprovar a sua efetividade. dirigido por Peter E. especificando em que condições devem ser usados e para quais pacientes” (p. deve-se proceder como já citado no início desse texto. a partir de 1950. alterações de técnicas e os efeitos que poderia se esperar a partir delas. Neste contexto.

• Negligência seletiva: leva o terapeuta a evitar qualquer material que possa desviálo do foco. O procedimento adotado por eles consistia em fazer uma avaliação psicodiagnóstica. para daí se estabelecer uma hipótese psicodinâmica básica. De forma mais especifica. Yoshida (1990) ressalta que a atitude do terapeuta para Malan é ativa. Com isso em mãos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 116 . Lemgruber (1984) diz que para Malan o objetivo ou o foco deve ser formulado idealmente em termos de uma interpretação essencial. utilizandose de interpretações seletivas. no qual sua problemática atual constitui uma reedição. O Karina de O. na qual se baseia o processo terapêutico. Com base nesta hipótese se estabelece um objetivo específico e limitado. como por exemplo. Sifneos Yoshida (1990) coloca que Sifneos propôs uma técnica de psicoterapia denominada Psicoterapia Breve Provocadora de ansiedade (Short-Term AnxietyProvoking Psychotherapy. Atenção seletiva: através da qual se busca todas as relações possíveis do material que o paciente traz com o conflito focal (é diferente da atenção flutuante da psicanálise clássica). Esta hipótese busca identificar o conflito primário do paciente. Lemgruber (1984) destaca que segundo Malan os três recursos técnicos que o terapeuta pode usar para buscar o foco são: • • Interpretação seletiva: onde se busca interpretar sempre o material do paciente em relação ao conflito focal.www.br transferencial. se defini o procedimento terapêutico mais estratégico a ser adotado. Esta técnica é conhecida com o nome de Psicoterapia Focal.com. composta de entrevistas clínicas e utilização de testes. Ele deve procurar manter a focalização sobre os elementos da hipótese psicodinâmica básica. na fobia e nas formas brandas de neuroses obsessivas. Peter E. interpretação de sonhos e fantasias. atenção seletiva e negligência seletiva. STAPP) indicada para casos em que os sintomas neuróticos são claramente identificáveis e onde a problemática edipiana está em primeiro plano. que consiste no foco ou tema especifico para interpretação.educapsico.

para Fiorini o papel do terapeuta é semelhante ao de um “docente”. que estimulem o paciente a enfrentar e examinar áreas do conflito emocional que numa outra situação evitaria.educapsico. O ego é uma dimensão de especial interesse para todo o enfoque diagnóstico. ou seja.com. As sessões ocorrem na posição de face a face e desde o início é dito para o paciente que o tratamento terá uma duração de doze a dezoito sessões. Desempenhando o papel de “avaliador” e “professor”. ele assume uma postura pedagógica.www. colocando-se no lugar do saber. Para ele o estudo das funções egóicas é importante para a compreensão da dinâmica do comportamento e também para entender os mecanismos de ação das influências sobre este comportamento. além do descaso teórico que se deu a ele até então. Este estudo também se faz importante para a eficácia terapêutica. a sugestão de condutas. Em seguida o terapeuta faz um levantamento detalhado da história de vida do paciente. O Karina de O. Uma das principais razões que fazem Fiorini priorizar o ego. De acordo com Hegenberg (2004). Na Psicoterapia Breve de Fiorini. Hector Fiorini Fiorini (1995) propõe a “Psicoterapia de esclarecimento”. prognóstico e terapêutico. O que permite uma base para a compreensão da ação terapêutica e de uma diversidade de recursos corretivos. o terapeuta formula questões provocadoras de ansiedade. já que o êxito ou o fracasso de uma psicoterapia dependem da evolução adequada ou do descaso pelos recursos egóicos do paciente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 117 . que consiste em um trabalho egóico com base teórica psicanalista. o terapeuta realiza o manejo das sessões. a indicação de livros e filmes. como por exemplo.br procedimento proposto consiste em pedir para o paciente escolher qual dificuldade emocional considera prioritária. falar com alguém sobre algum assunto fundamental para o problema do paciente. com o objetivo de se formular uma hipótese psicodinâmica que dê conta de explicar os conflitos emocionais subjacentes às dificuldades vividas por ele. propor viagens. é que este é potencialmente plástico e tem bastante mobilidade se comparado com a inércia atribuída ao superego e ao id.

comentar ou avaliar o porquê de ter usado determinada intervenção. Ele também aponta a necessidade de diferentes tipos de intervenções. Indicar especificamente a adoção de certos comportamentos com caráter de prescrição. intervenções de cunho diretivo. Assinalar relações entre dados. com atenção voltada para o foco. Interpretar o significado de comportamentos do paciente. mudanças a titulo de experiência. Sugerir atitudes determinadas. O trabalho proposto por Fiorini (1995) é predominantemente cognitivo. Clarificar. Meta-intervenção. intensidade e ritmo da fala). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 118 . Karina de O. resumir o processo de cada sessão e do conjunto do tratamento. Outras intervenções: cumprimentar. postura corporal e olhares) e intervenções para-corporais (tom de voz. com duração de 3 a 6 meses.educapsico. O terapeuta é mais ativo. anunciar interrupções.br terapeuta busca dar condições para a criação de um contexto de discriminação e esclarecimento. tais como: intervenções corporais (gestos. etc. Confirmar ou retificar os conceitos do paciente sobre sua situação. solicitando dados precisos. Propiciar informação. Dar enquadramento à tarefa. com o objetivo de fortalecer áreas livres de conflitos. voltado para o futuro e para a realidade factual (social) do cliente. reformular o relato do paciente para que certos conteúdos adquiram mais relevo. com o objetivo de ampliar e esclarecer o relato.com. ou seja. Fiorini (1995) destacou alguns tipos de intervenções verbais de um terapeuta em psicoterapia breve. Recapitular. ou seja. variações ocasionais de horários. são elas: Interrogar o paciente. em que o insight abre espaço para a experiência emocional corretiva.www. usando interpretações transferenciais apenas para diluir os obstáculos.

responsabilidades do terapeuta e paciente. centra-se na realidade do paciente. Além disso. a saber: a) estabelecimento do vínculo. confrontações e assinalamentos. 2001). usa-se esclarecimentos.www. 2001). segundo Braier não se beneficiam em grande escala da psicoterapia breve de orientação psicanalítica são: pacientes com psicose crônica. c) psicodiagnóstico. dos sintomas relatados pelo paciente. ou seja. pacientes pervertidos e com caracteropatias graves. pacientes com pouca tolerância a frustração e ansiedade. Sobre a técnica. com debilidades egóicas. como será feito o tratamento. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 119 . Nesse tipo de psicoterapia é muito importante a entrevista inicial e alguns objetivos devem ser considerados nesse momento e são citados por Braier. Desta forma o foco terapêutico é em torno do problema. toxicomanias. esclarecimentos de perspectivas individuais.educapsico. clarificação de percepções individuais. a psicoterapia deve levar o paciente ao “insight” dos conflitos existentes. associação livre deve “girar” em torno do foco terapêutico. pacientes que não tem motivação para o tratamento. Braier afirma que a psicoterapia breve surge porque havia uma grande demanda de pacientes vindos das instituições. Alguns pacientes que. Além disso. pacientes com doenças psicossomáticas e psicopatias.br Psicoterapia Breve de Orientação Psicanalítica segundo Braier De acordo com o autor acima citado na Psicoterapia Breve tem-se a finalidade de levar o paciente a superar seus sintomas e problemas atuais. alguns aspectos imprescindíveis são: estabelecer prazo para término (este varia de acordo com o paciente e se for realizado em instituições também de acordo com os prazos que estas determinam). busca-se o desenvolvimento do paciente e também que ele adquira ou readquira a capacidade de tomar decisões. d) contrato terapêutico. também enfatizando o prognóstico. entre outras. b) levantamento da história clínica e das queixas. mesmo que esse não seja completo (BRAIER. Além disso.com. Psicoterapia de Apoio. Nesse sentido. da queixa. o papel ativo do terapeuta é essencial para o sucesso do processo psicoterápico (BRAIER. estabelecer relações entre experiências significativas e condições atuais. Karina de O. entre outros.

o conforto moral. pois isso levaria a um aumento da ansiedade. a sugestão. ao invés de questioná-las e desfazê-las. Aristides Cordioli (1993) afirma que ela é uma modalidade terapêutica bastante utilizada. Porém.educapsico. Ainda segundo este autor. sem dar ênfase a modificação da personalidade nem a resolução de conflitos inconscientes. Existe pouca literatura especifica publicada na área de Psicoterapia de Apoio (PA). é que ela vem sendo considerada menos eficaz. as explicações intelectuais entre outras. Esta meta será buscada mediante o reforço de mecanismos de defesas adaptativos. Este autor menciona ainda que as práticas específicas possíveis para PA são: a sugestão. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 120 . objetivos e intervenções para esta prática clínica. Com isso procura-se promover o crescimento emocional. Dewald propõem ainda o exame das diferentes defesas utilizadas pelo paciente. 1 Efeitos patológicos causados pelo próprio tratamento. particularmente em pacientes caracteriológicos graves ou psicóticos. De maneira mais especifica. as razões para este certo menosprezo. Cordioli (1993) salienta que muitas das intervenções típicas em PA como o aconselhamento. estimulando ativamente a ultrapassagem das etapas evolutivas. reforçando-as ou encorajando-as. em vez de provocarem o crescimento emocional e autonomia. Em PA não se trata de trazer à consciência conflitos inconscientes. o afastamento de pressões ambientais demasiado intensas e a adoção de medidas que visam o alívio dos sintomas. Cordioli (1993) define a PA como uma forma de terapia que tem como principal objetivo manter ou restabelecer o nível de funcionamento prévio do paciente. o que leva a uma ausência de definições de técnicas. o controle ativo.www. além de visar a aquisição de maturidade emocional mediante a promoção da autonomia.com. ante a incapacidade do ego em integrar ou resolver tais conflitos.br Introdução. Cordioli (1993) citando Dewald (1981) diz que o objetivo da PA é o alívio dos sintomas e a mudança do comportamento manifesto. mais superficial e de menor valor em se comparada com as práticas terapêuticas que são voltadas para o insight. quando inadequadamente utilizadas podem provocar efeitos iatrogênicos 1 ao estimularem a dependência e a regressão. Karina de O.

pouca capacidade de sublimação. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 121 . implicando em dificuldade de conter e examinar sentimentos.br a consolidação de uma identidade própria. suas intervenções visam predominantemente o fortalecimento do ego. portadores de transtornos caracteriológicos graves. inabilidade para separar fatos de fantasias. controle de impulsos deficiente. valem-se de técnicas psicológicas como a sugestão. Avaliação do Paciente Ainda segundo Cordioli (1993). Por tanto. Ou seja. os afetos são experimentados de forma exagerada ou inibida em relação à situação de que os provoca. o aconselhamento. psicóticos. implicando no risco de desenvolver um quadro psicótico se fosse submetido a uma psicoterapia voltada ao insight.com. e a melhorar a capacidade de julgamento da realidade. e que não apresentam condições para um tratamento dirigido ao insight. e para reconhecer os limites entre si mesmo e o outro. necessidade freqüente de exteriorizar os afetos de uma maneira destrutiva para si e para os outros. apresentando dificuldade para canalizar energia para atividades criativas. ou com atrasos ou déficits evolutivos acentuados. as Psicoterapias de Apoio são usadas isoladamente ou associadas a outras terapias em pacientes com diferentes graus de comprometimento das funções do ego. de intimidade e de trocas. ou seja.www. a educação. dificuldade de ter emoções adequadas. através o estabelecimento de uma autoimagem estável e integrada do self. tais como. e restabelecer o nível de funcionamento prévio do paciente. mais especificamente. meses ou até anos. os candidatos mais típicos para a PA são os que têm: teste de realidade comprometido. por tanto. pouca capacidade de Karina de O. Psicoterapias de apoio de curta duração: destinadas a controlar crises agudas que ocorrem ou isoladas ou no curso das terapias prolongadas.educapsico. Um tratamento de PA pode durar dias. semanas. Cordioli (1993) a classifica de acordo com seu tempo de duração em: Psicoterapias de apoio de longa duração: destinadas a pacientes com importantes incapacidades do ego. no qual se inclui um nível razoável de confiança. ou melhor. relações interpessoais pobres ou incapacidade de estabelecer e manter um relacionamento estável. o controle ativo. a clarificação e a confrontação.

Cordioli (1993) apresenta a avaliação do paciente nos seguintes termos: Diagnóstico Clínico: obtido através da historia clínica do paciente e de um exame psiquiátrico. dos sucessos e dos fracassos nos diferentes períodos críticos e dos aspectos sadios e das vulnerabilidades do indivíduo. o uso de mecanismos de defesas preferenciais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 122 . dificuldade em comunicar seus sentimentos ao terapeuta. a partir disso descreve algumas. Diagnóstico da Personalidade: com o objetivo de identificar os déficits no funcionamento do ego. Karina de O. E o planejamento geral das intervenções de apoio deve ser orientado por esta explicação. diagnóstico nosográfico2 e aspectos de personalidade como a compreensão profunda da psicodinâmica do paciente. Para que seja realizada uma psicoterapia de apoio com qualidade. 2 Diagnostico que descreve e classifica. O autor propõe também que após a avaliação é importante que o terapeuta elabore uma explicação provisória para a origem dos déficits identificados. a relação paciente-terapeuta. das defesas predominantes. fatores desencadeantes. da capacidade de avaliar a realidade. mecanismos de defesas patológicos predominantes e o nível de organização da estrutura da personalidade. Diagnóstico Dinâmico: identificação de lacunas em processos evolutivos básicos. o conflito psíquico.com. pouco interesse ou curiosidade em compreender-se. dos aspectos sadios do ego e rigidez do superego. nível intelectual baixo. Cordioli (1993) destaca que é importante que seja feita uma cuidadosa avaliação clínica do paciente. Para o planejamento das intervenções a serem utilizadas no processo terapêutico é essencial entender suas motivações inconscientes.www. Tipos e descrição das Intervenções Cordioli (1993) afirma que as intervenções em PA têm o objetivo de fortalecimento das funções egoicas. Mais especificamente. ter uma visão das etapas evolutivas.br introspecção.educapsico. que inclua a identificação dos sintomas.

Neste caso. a utilização deste recurso deve ser provisória. ou para reduzir sintomas provocadores de stress. por período de tempo limitado. não consegue perceber as alternativas. sentimento ou alterar a vontade do paciente. determinado pela incapacidade do paciente para exercer tal função. mostrando acreditar em suas capacidades.educapsico. pois o risco de sua perpetuação pode favorecer a dependência e retardo da autonomia. baseados em fatos concretos e reais. Reasseguramento É a intervenção através da qual o terapeuta demonstrar aprovação ou concordância sobre determinadas atitudes ou idéias do paciente. o terapeuta introduz idéias novas. estes têm que ser sinceros e verdadeiros. estimulando-o a tomar decisões difíceis. Controle ativo É o recurso técnico no qual o terapeuta.com. assinando as conseqüências e deixando ao paciente a responsabilidade pela escolha. e selecionar a mais conveniente.www. por limitações pessoais. decidindo e executando (ele mesmo ou auxiliares por ele designados) funções que o paciente momentaneamente é incapaz de desempenhar. emprestando-a temporariamente ao paciente. Este tipo de procedimento é mais indicado para psicóticos ou situações de grande descontrole emocional. ou ainda para evitar Karina de O. examiná-las criticamente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 123 . valendo-se de sua autoridade.br Sugestão Intervenção que tem por objetivo induzir uma idéia. Porém. Aconselhamento São sugestões e recomendações sobre atitudes e decisões que o terapeuta dá ao paciente de forma ativa. Porém. que a utiliza para tomar as suas decisões. o terapeuta vale-se de sua própria capacidade de examinar a realidade. assume funções de ego-auxiliar. É o recurso utilizado nas situações em que o paciente. em função da realidade. Ou seja. com a finalidade de reforçar os aspectos sadios de sua personalidade. Os elogios têm por objetivo aumentar a auto-estima do paciente. propõe alternativas sobre como conduzir-se em diferentes situações.

sendo aconselhada a descrição detalhada dos fatos diários.com. Portanto. nas quais a capacidade de avaliar a realidade está comprometida.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 124 . nos quais se manifestem as forças e debilidades do ego. a repressão a que conflitos e situações traumáticas estavam submetidos. Porém. onipotência e seus vieses pessoais. e o ensina como controlá-los. ativamente. utilizado em pacientes muito regressivos. desejos e aspirações. Ventilação (desabafo) É a comunicação por parte do paciente de emoções ou sentimentos reprimidos. é que em PA a associação livre é desaconselhada. pois nesta ocorrem proibições e ordens ao paciente e no aconselhamento é oferecido uma explicação racional das vantagens ou desvantagens da atitude aconselhada. pois ele deve mostrar. simpatia e atitude de apoio. É comum em PA. Outro aspecto que deve ser levado em conta. Educação É intervenção na qual o terapeuta dá informações ao paciente sobre a gênese de seus sintomas. os quais são revividos de uma forma emocionalmente carregada. o foco é no aqui e agora. Aspectos Gerais da Técnica Cordioli (1993) destaca alguns aspectos gerais para a utilização das técnicas em psicoterapia de apoio e que se diferenciam das psicoterapias de orientação analítica. Para que isto ocorra é fundamental que o paciente sinta-se seguro e acolhido pelo terapeuta. O terapeuta deve se guiar pelas necessidades do paciente e não por seus próprios valores. ou em situações de crise aguda. envolvimento.www. O primeiro destes aspectos é o fato do terapeuta não manter uma posição neutra na relação terapêutica.br crises. o Karina de O. superando. Mas este também é um recurso de uso breve e excepcional. é importante que o terapeuta tome cuidado e evite grandiosidade. Esta técnica não deve ser confundida com o controle ativo. suprimi-los ou evitá-los. onde o paciente saiba que será ouvido e não vai haver rejeição do que vai falar. que exista um clima de confiança. estimulando-se os relatos dos eventos recentes mais significativos. assim.

com uma atuação de caráter estático. as sessões são normalmente semanais. serviço social de caso e psicoterapia. que limitava-se a fornecer aos clientes informações relativas ao mundo profissional.www. Mas os encontros devem ser previsíveis e regulares. Aconselhamento O Aconselhamento constitui. análise e superação das dificuldades. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 125 . no entanto. em 1909. são utilizadas intervenções com o intuito de diminuir a ansiedade. É uma prática que se desenvolveu nos campos da: orientação educacional. uma área especifica da Psicologia. sem se preocupar com as técnicas de relacionamento entre orientador e orientando. também. Usualmente não são feitas interpretações transferenciais. tais como: 1) O aparecimento da orientação profissional. mas podem ser quinzenais ou mensais. ser utilizadas para evidenciar relações simbióticas de dependência. Praticamente não é utilizada interpretação com objetivo de tornar manifesto o conteúdo latente. Já em 1937. através do aumento de autoconhecimento. quando Parsons fundou seu Serviço de Orientação Profissional em Boston. Em PA. em 1924. apenas quando a transferência constitui uma resistência ao tratamento. Desenvolvimento Histórico Segundo Ruth Scheeffer (1964). ou de mecanismos primitivos como a dissociação e a identificação projetiva. psicometria. a orientação profissional adquire maior Karina de O. pautado na experiência do orientador.br estabelecimento de tarefas semanais ou quinzenais e suas revisões durante as sessões para reforço e apoio dos avanços. abrangendo um importante setor de especialização da ciência psicológica. o desenvolvimento histórico do Aconselhamento surge ligado a alguns movimentos psicológicos renovadores. atualmente. mais para aumenta do que para desfazer as defesas. higiene mental. mais especificamente. Mais tarde.educapsico. orientação profissional. iria se definir a orientação profissional como o fortalecimento de informações e conselhos sobre a escolha da profissão. dependendo da necessidade do caso.com. Podem.

Suas primeiras definições eram concisas e estáticas.br dinamismo. o maior influenciador desta mudança foi Carl Rogers. a profissão mais adequada. suas definições sofreram mudanças no decorrer de sua história. o termo aconselhamento já foi tradicionalmente associado a várias situações. porém. favorece a criação de campo de atuação para o aconselhamento. Scheeffer (1964) atribui a Carl Rogers (1941) este tipo de conceituação quando o definiu como um processo de contatos diretos com o indivíduo. tais como: fornecer informações. Meyer a define como o processo no qual o indivíduo é assistido com o objetivo de este encontrar. Definição Ainda segundo Scheeffer (1964).A. com suas teorias de orientação não-diretiva no aconselhamento psicológico. Karina de O. criticar. 4) Uma outra oportunidade de aplicação do aconselhamento foi desenvolvimento dos serviços de assistência psicológica nas empresas. Scheeffer (1964) cita Garrett (1942) que definia aconselhamento com uma conversa profissional. 3) As instituições de Assistência Social que precisavam dar aos clientes. de acordo com as suas características pessoais. Mais tarde o aconselhamento passou a ser definido em termos mais dinâmicos e operacionais. elogiar. apresentar sugestões e interpretar ao cliente o significado de seu comportamento. predominava a ênfase na aplicação de testes psicológicos. Sem dúvidas. inclusive de Centro de Aconselhamento Pré-Matrimonial e Matrimonial. encorajar.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 126 . Nesta época. além de assistência médica e financeira.educapsico. no qual a principal meta é lhe oferecer assistência na modificação de suas atitudes e comportamentos. nos E. oportunidades de expressão e alívio de suas cargas emocionais constituíram um outro campo de atuação para desenvolvimento do aconselhamento psicológico.www. 2) A criação de Serviços de Higiene Mental para adultos. Mas. de 1940 à 1950. dar conselhos. foi dada maior importância à relação orientador e orientando na situação de aconselhamento do processo de orientação profissional. Após o auge dos testes psicológicos. já se admitia que a orientação fosse um processo que visa ajudar o orientando a fazer algo para si.. neste momento.U.

nota-se que o planejamento do aconselhamento dá ênfase ao ajustamento do indivíduo ao ambiente em que está inserido.www. pela falta de sentido humanitário. proporciona uma situação de aprendizagem. nela o aconselhamento é delimitado enquanto uma relação entre duas pessoas na qual o aconselhador. Scheeffer (1964) faz um apanhado histórico dos principais métodos de aconselhamento. Outro exemplo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 127 . define aconselhamento “como uma relação face a face de duas pessoas. Nesta concepção. praticamente abandonado. é a elaborada por Tolberg (1959). a fim de fazer o uso adequado de suas características. hoje. Métodos de Aconselhamento Os métodos de aconselhamento vêm sofrendo alterações no decorrer de sua história. ele completa destacando a importância de se tomar o indivíduo em sua totalidade no processo de aconselhamento. profissional. por serem pouco duradouras e por conseguirem Karina de O. Este tipo de método está.educapsico.14). vital e utilizar melhor seus recursos pessoais” (p. na qual o indivíduo. suas ações consistiam na repreensão e na ameaça dos orientados. dividindo-os em: Método Autoritário: Os primeiros métodos desenvolvidos para o aconselhamento se caracterizam pelo elevado nível de autoritarismo. e as suas possibilidades e potencialidades. Basicamente. por exemplo. mediante a situação estabelecida e a sua competência especial. é ajudado a conhecer a si próprio. a de Mac Kinney (1958) que diz que o aconselhamento é uma relação interpessoal na qual o conselheiro deve perceber o indivíduo em sua totalidade psíquica. Considerando e sintetizando as definições apresentadas.com. de definição dado pelo autor. modificando suas técnicas.br Scheeffer (1964) aponta outras definições que têm sido dadas ao aconselhamento. Scheeffer (1964). na qual uma delas é ajudada a resolver dificuldades de ordem educacional. os princípios que o norteiam e sua dinâmica. Percebe-se nesta definição que o aconselhamento é visto como uma situação de aprendizagem e aplicável a pessoas normais. uma pessoa normal. Como. com o objetivo de lhe ajudar a se ajustar mais efetivamente a si próprio e ao seu ambiente.

apesar de seus inconvenientes: o fato de ser baseado numa exigência externa e que. o encorajamento: “você está mais calmo”. o indivíduo. este método vem sendo usado em vários contextos orientacionais. Consiste na supressão do problema e através do encorajamento e suporte. etc. “mais corajoso”. Ressurgiu. Método Exortativo O orientador trabalha com o objetivo de conseguir que o orientado faça uma promessa: deixar de beber. com o hipnotismo. procura-se provocar uma modificação no comportamento e nas atitudes do sujeito.educapsico. por exemplo. Método Sugestivo Caracteriza-se fundamentalmente pelo emprego de técnicas sugestivas. Método Diretivo Karina de O. como. Catarse Foi utilizada pela Igreja Católica. É um método bastante utilizado por quem faz aconselhamento. através de sugestões sobre o progresso obtido. de jogar.com. Consiste em expressar problemas para outra pessoa que irá proporcionar orientação. de acordo com o que o orientador acha ser melhor para ele.www. É ainda bastante usado atualmente. Este método foi trazido para a terapêutica por Freud. angústias. por motivos internos. que o utilizou na Psicanálise de maneira sistemática e profunda com o objetivo de liberar o individuo de recalques. atendida. de bater na esposa. etc. Ou seja. Aplicada de maneira continua pode mobilizar o inconsciente. São ações que seguem mais no sentido de reprimir do que de modificar. muitas vezes. etc. além do problema existente. Até recentemente.br modificações muito superficiais. com mais ênfase. se convence que o problema não existe. na qual. um sentimento de culpa pelo não cumprimento da promessa. gera. não pode ser. onde era baseada na confissão. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 128 . o trabalho caracteriza-se pela obtenção de um termo de compromisso ou uma promessa formal do orientando.

educapsico. Karina de O. visto que a responsabilidade das soluções está a cargo do orientador. além da persuasão e conselhos. a dependência do orientando. mais do que o problema apresentado. como na orientação diretiva. manejar e aplicar a técnica mais adequada às exigências do cliente. isto é. o que permite uma melhor compreensão do comportamento e a possível descoberta das causa que o motivam. visa à pessoa. a entrevista é centralizada na pessoa do orientando. Método Não-Diretivo Método iniciado por Carl Rogers apresenta as seguintes características: dá maior responsabilidade da direção da entrevista ao orientando. proporciona a oportunidade de um amadurecimento pessoal. É dada grande ênfase a habilidade do orientador em selecionar. Nele o orientador age como dirigente. não há a preocupação de se elaborar um diagnóstico. consideradas pelo orientador. Pode ser considerada uma tentativa de mudar o comportamento através de uma explicação e interpretação intelectual. também se utiliza as técnicas interpretativas. É baseado no estudo da dinâmica da personalidade. não se dá grande importância ao conteúdo fatual e intelectual. Método Eclético Consiste na aplicação de conceitos e técnicas dos diversos métodos apresentados acima.www.com. Caracteriza-se pela utilização das técnicas. embora não em caráter rígido. pois dá bastante importância para o histórico do caso e procura realizar um diagnóstico e um prognóstico. O papel do orientador consiste em clarificar os conteúdos emocionais do trazidos pelo orientando. mais satisfatórias e eficientes para a situação apresentada pelo cliente.br É o método que conta com o maior numero de seguidores dentro da área do aconselhamento. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 129 . Baseia-se na orientação médica. mas ao emocional. seleciona os tópicos que serão discutidos. Este tipo de orientação pode gerar um efeito iatrogênico. descobre as causa e sugere soluções ou propõe planos de ação. define os problemas. Método Interpretativo Na orientação diretiva. Não deixa de ser um aconselhamento do tipo autoritário.

ou seja. 2002. Aqueles que empregam os enfoques comportamentais de modo responsável. o qual enfatiza a determinação ambiental sobre o sujeito. p. para o alívio do sofrimento das pessoas e o progresso do funcionamento humano. Karina de O.br Terapia Comportamental A terapia comportamental implica principalmente. em aprendizados estereotipados.educapsico. pré-fixados mecanicamente.com. Assim sendo. 11). social e histórico que o cerca. como pode parecer em um primeiro momento. “o comportamento dos sujeitos ocorre (desenvolve-se e modifica-se) em função de certas condições ambientais especificáveis”. normalmente se negocia um acordo contratual no qual se especificam procedimentos e objetivos mutuamente agradáveis. conforme (FRANKS E WILSON. 62). cultural. implica na alteração ambiental e na interação social. (p. pode levantar hipóteses de aquisição e manutenção do comportamento. Para esta corrente teórica. segundo Lettner e Rangé (1988). A análise funcional especifica as condições ambientais das quais o comportamento é função. A análise do Comportamento tem suas raízes teóricas no Behaviorismo Radical. APUD CABALLO. na aplicação dos princípios derivados da investigação na psicologia experimental e social. “Na aplicação da terapia comportamental. 2002). o sujeito é determinado pelo ambiente físico. (CABALLO. Caballo (2002) apresenta a análise funcional como o recurso utilizado para avaliar e propor mudanças comportamentais de modo a atingir os objetivos terapêuticos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 130 . e entre o comportamento e suas conseqüências. assim sendo. mais que na alteração direta dos processos corporais por meio de procedimentos biológicos. relações estas também conhecidas como tríplice contingência do comportamento: estímulo-resposta-conseqüência (S-R-C). a fim de escolher procedimentos e objetivos adequados para a intervenção. É importante ressaltar que a atividade psicológica não consiste. É com base na identificação destas relações que o terapeuta. permite a descrição detalhada das relações funcionais entre as variáveis antecedentes e o comportamento em questão. Os mesmos autores colocam que tal terapia apresenta objetivos educativos e as técnicas facilitam um maior autocontrole. guiam-se por princípios éticos amplamente aceitos”. 1975. Em outras palavras.www.

em 1975. até sua ocorrência mais ou menos estável. uma vez que há uma relação de contingência entre uma resposta e sua conseqüência. O relacionamento é direcionado pelo terapeuta e. assim como em outras abordagens teóricas. que afirma que os comportamentos são mantidos por suas conseqüências. depende de diversos fatores. que o importante nesta teoria é identificar a função do comportamento. Reitera-se apenas. Não cabe neste momento o aprofundamento sobre a teoria da aprendizagem que sustenta a terapia comportamental. vestuário e ambiente onde se desenvolve a relação.www. uma recompensa. Por exemplo. aspectos de contato visual adequado. ou seja. linguagem ao nível de compreensão do cliente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 131 . mas para maiores esclarecimentos pode-se consultar Caballo (2002).com. com elogios verbais. quando a conseqüência depende da ocorrência da resposta.educapsico. e seja capaz de proporcionar uma audiência não punitiva ao paciente. Assim. para tanto é necessário que o terapeuta domine as técnicas de entrevista. ou seja. saiba controlar a própria ansiedade. Logo. O reforçamento positivo é outro recurso disponível ao terapeuta comportamental. o terapeuta pode utilizar o reforço diretamente em sua relação com o cliente. e não a sua topografia. O terapeuta comportamental utiliza-se de muitos recursos durante o processo terapêutico. segundo Lettner e Rangé (1988). o qual tem sua base no grande princípio da teoria da aprendizagem. a Karina de O. é sua primeira preocupação. o reforçamento positivo implica na apresentação de um estímulo positivo. postura que denote atenção e ao mesmo tempo descontração. a ocorrência de comportamentos assertivos em clientes com baixo repertório de assertividade. O efeito do uso deste recurso é o aumento gradual da resposta que o precede. reforçador. Para o bom andamento da psicoterapia. de acordo com tal autor. este relacionamento é fundamental para que o cliente aceite as orientações psicoterápicas e confie no terapeuta.br Trata-se de classes de comportamento de acordo com as definições de estímulo propostas por Skinner. entre eles a história anterior de comportamentos de cada membro. e o relacionamento terapeuta-cliente. saiba reforçar diferencialmente as verbalizações do cliente. o terapeuta pode reforçar diferencialmente. Vale lembrar também a possibilidade de utilização do reforçamento negativo.

77). 1988). citado acima. (LETTNER E RANGÉ. E a generalização acontece após um processo de discriminação. o qual produz freqüência baixa e estável de ocorrência do comportamento e baixo nível de resistência à extinção. Certamente. O reforço condicionado diz respeito a um estímulo que anteriormente não tivesse propriedades reforçadoras e passa a adquiri-las de uma maneira condicionada quando é associado sistematicamente a um estímulo reforçador. no sentido de modelar3 o comportamento de acordo com o planejamento final. o qual “aumenta a probabilidade de ocorrência da resposta reforçada na presença de estímulos que tenham características semelhantes ao estímulo discriminativo”. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 132 . O reforçamento simbólico ocorre quando o estímulo reforçador apresentado após a ocorrência da resposta é um símbolo a ser trocado pelo paciente por reforçadores condicionados. A discriminação e a generalização também podem ser utilizadas pelo terapeuta. dentro de uma hierarquia de comportamentos pertencentes a uma mes ma classe de respostas. 76). reforçar umas e extinguir outras. ou seja. O reforço negativo também aumenta a probabilidade de ocorrência da resposta.educapsico. p. que consiste na escolha progressiva de novos comportamentos a reforçar.br retirada de um estímulo aversivo. tais formas de programar o reforço são chamadas de esquemas de reforçamento.com. A discriminação consiste em “reforçar positivamente um comportamento na presença de um estímulo. até atingir-se um critério preestabelecido de desempenho considerado desejável. p. (LETTNER E RANGÉ. O esquema de reforço contínuo implica em um reforço a cada resposta apresentada pelo cliente. funcionando então como estímulo discriminativo para a ocorrência da resposta que o produz. o qual gera uma freqüência de comportamentos mais alta e a resistência à extinção é maior. O reforço diferencial. A modelagem do comportamento baseia-se nos princípios de reforço diferencial e aproxi mação sucessiva.www. Há diversas maneiras de utilizar esses tipos de reforçamento. 1988. depende dos objetivos do terapeuta a escolha do melhor esquema de reforçamento para cada situação clínica. e extinguir a ocorrência deste comportamento na presença de outros estímulos”. O esquema de reforço intermitente segue critérios de tempo ou de números de comportamentos para liberar o reforço. (LETTNER e RANGÉ. 1988. 3 Karina de O. consiste em reforçar diferentemente as respostas.

que são facilmente encontradas nas referências bibliográficas indicadas: Esvaecimento – desvanecimento (fading out). Há comportamentos que são extintos com mais facilidades que outros. A medida que indica a força do condicionamento é chamada de resistência à extinção.www. para avaliar a duração de um efeito terapêutico. Sensibilização (terapia aversiva). apenas citaremos as mais importantes. 1988. Assim. Contrato de Contingências. 75). Treinamento assertivo. muitos terapeutas utilizam-se do seguimento. Registro de comportamento. A psicoterapia comportamental dispõe ainda de inúmeras técnicas que podem ser utilizadas na intervenção psicoterápica.br A extinção do comportamento é a quebra da relação de contingência que existe entre uma resposta e sua conseqüência. Punição. (LETTNER E RANGÉ. como linha de base para avaliar. Dessensibilização Sistemática. E. Economia de Fichas. Relaxamento Muscular. “Deixar que uma resposta ocorra sem ser seguida por suas conseqüências usuais. possui como critério o número de respostas ou tempo que o organismo demora para atingir as freqüências não condicionadas de ocorrência do comportamento. Desempenho de Papéis – ou Treino de papéis (role-play).educapsico. as mudanças adquiridas com a intervenção. Autocontrole. ou permitir que o cliente tenha acesso aos estímulos reforçadores sem a ocorrência da resposta que antes o produzia. mas não é possível. Time out. a qual. no espaço deste texto. segundo Lettner e Rangé (1988). faz com que o comportamento antes mantido por esta relação de contingência perca sua força e diminua de freqüência”. Sensibilização Encoberta. Resistência à Frustração. Para uma intervenção comportamental mais efetiva. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 133 . Frustração. Inundação (flooding) – ou terapia implosiva. sugere-se que o terapeuta tenha formas de mensurar a freqüência e mesmo a topografia do comportamento antes de iniciar o processo terapêutico em si. Princípio de Karina de O. ao final do processo. Condicionamento Clássico. p.com. Prática negativa. Habituação (ou adaptação). o que produz o efeito de reduzir gradual e definitivamente a freqüência do comportamento que deixou de ser reforçado. técnica que consiste no acompanhamento e avaliação da problemática do paciente após algum tempo de alta. Pais como agentes de mudança – pais como terapeutas. abordá-las com profundidade. Reforçamento Negativo. Supressão de resposta (ansiedade). Modelação. Técnicas de Dessensibilização Autoadministrada.

Treinamento de habilidades sociais. mas. Prevenção de resposta. Lettner e Rangé (1988) julgaram preferível descrever as técnicas sem esta separação formal. Ensaio comportamental. Treinamento do controle da bexiga. (p. Biofeedback. Se o terapeuta tem formação adequada nenhuma escolha de técnicas se fará. Terapia da enurese por despertador. 80). Parada no pensamento (thought-stopping). e outros recursos para a redução na freqüência de respostas não podem ser usados ou são ineficientes”. ou mais apropriadamente utilizáveis para cada distúrbio de comportamento. Inoculação de estresse. Terapia Cognitiva (Beck). como os comportamentos dos clientes e os processos por que passam. Intenção Paradoxal. podem ocorrer ao mesmo tempo. Recondicionamento orgásmico (treinamento de masturbação). Inversão de hábito. há algumas de controle aversivo.www. Dessensibilização masturbatória. Terapia Sexual conjunta. Tarefas Comportamentais. Técnica de compressão (squeeze).br Premack. Dilatadores hegar. Terapia Cognitivo-Comportamental A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem o seu foco voltado para os processos cognitivos. Dentre estas técnicas citadas. “em alguns casos utilizase o controle aversivo especialmente quando está em risco a segurança ou integridade física do cliente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 134 . Feedback auditivo atrasado (DAF). ou quando a severidade do distúrbio é muito grande. Fam ília instrutora.com. Caberá a cada terapeuta a escolha da técnica que julgar mais adequada a cada caso. o que também é uma característica da terapia comportamental. Terapia cognitiva (Meichemnaum) ou treino autoinstrucional. Imaginação emotiva. sejam operantes ou respondentes. sem antes efetuar-se uma análise funcional que identifique e descreva claramente o distúrbio do comportamento e suas relações com variáveis do meio ambiente. Há autores que distinguem técnicas operantes e técnicas respondentes. os autores esclarecem que é praticamente impossível fazer uma prescrição de técnicas exclusivas. e os autores Lettner e Rangé (1988) ressaltam que apesar das inúmeras restrições.educapsico. Por fim. Terapia Racional Emotiva (Ellis). os quais estão envolvidos na origem e desenvolvimento das Karina de O. Foco Sensorial e foco genital. Tratamento de projeção do futuro.

apud NEVES NETO. magnificação e minimização. é a “substituição de cognições disfuncionais por pensamentos mais flexíveis e pautados na interação entre indivíduo e seu ambiente”.educapsico. abstração seletiva. Para tal. 20). personalização. tais como a expressão de emoções e a execução de comportamentos.br psicopatologias. segundo Neves Neto (2003). Assim. p. psicoterapia interpessoal. gestalt. desta forma acredita-se dar mais relevância para o indivíduo e sua construção pessoal deste processamento. etc. utiliza-se a classificação dos pensamentos quanto ao grau de ajustamento psicossocial e cultural para com o seu meio (disfuncionais ou primitivos e funcionais ou maduros). ou seja.. 15). “uma distorção das cognições diante das possíveis interpretações da realidade”. pensamento dicotômico4. (NEVES NETO.com. 18). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 135 . as intervenções do psicoterapeuta cognitivo-comportamental tomam por base os pensamentos dos clientes. Karina de O. mas sim o processamento cognitivo seletivo falho (atribuição de significados) da realidade pessoal do indivíduo”. p. hipergeneralização. É o processamento cognitivo que faz a mediação dos processos psicológicos. (NEVES NETO. 1997. “A terapia cognitiva fornece uma estrutura teórica unificadora dentro da qual as técnicas clínicas de outras abordagens psicoterapêuticas estabelecidas e validadas podem ser apropriadamente incorporadas (. (p. tais como psicoterapia comportamental. (BECK.www. bem como a identificação de como o próprio cliente se ajusta aos seus valores e o quanto este conjunto de dispositivos aproxima ou distancia o indivíduo de seus mais diversos objetivos.. O objetivo da TCC. Os erros sistemáticos ou distorções cognitivas podem ocorrer durante o processamento de informações sobre si mesmo. reúnem-se sistematicamente técnicas cientificamente embasadas das diversas abordagens teóricas existentes em psicologia clínica. logoterapia. “Esses erros reforçam as cognições que podem ser adaptativas ou desadaptativas”. psicodinâmica. A TCC. ou seja. conforme o mesmo autor. 2003. 2003. Os mesmos podem ser: inferência arbitrária. O que produz a queixa do paciente “não são diretamente os estímulos ambientais.) fornece um paradigma 4 Para maiores esclarecimentos destes erros indica-se a consulta à referência bib liográfica indicada. o mundo e o futuro. 2003). atualmente defende uma postura integrativa de psicoterapia.

ou seja.educapsico. E é também educativa. 2003. citaremos apenas algumas questões importantes. ou seja. (BECK E ALFORD. possibilitam que este processo terapêutico seja de prazo limitado. Ao terapeuta cognitivo-comportamental também são possíveis inúmeras técnicas como recurso terapêutico. que se baseia nos achados de pesquisas que demonstram tratamentos eficazes para as queixas do paciente. ou seja. Uma técnica bastante utilizada consiste nas tarefas de casa. na qual discute-se com o paciente sobre o modelo cognitivo-comportamental de psicoterapia. sobre a natureza de seu problema. p. novos objetivos podem ser ou não estipulados. 2000. o que caracteriza a TCC como estruturada. Há também o planejamento terapêutico personalizado. que são atividades complementares à consulta e que visam aumentar a efetividade e a generalização dos Karina de O. Outro componente é o que se denominou chamar de empirismo colaborativo. é um processo orientado para os problemas do presente. Novamente a aliança terapêutica é o passo inicial e fundamental para o bom andamento do processo terapêutico. o processo psicoterapêutico e prepara-se para a prevenção de recaídas. apud NEVES NETO. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 136 . uma vez que estes geralmente são mais fáceis e garantem um aumento de adesão do cliente às intervenções futuras e mais amplas. Uma vez tratados. A TCC é diretiva. mas não de modo rígido a ponto de ignorar mudanças nas queixas ou problemas emergenciais da vida. não oferecer primeiramente as respostas para o paciente. os objetivos são priorizados no acordo entre paciente-terapeuta. compreensão empática e interesse genuíno. A seqüência de sessões é previamente estabelecida pelo terapeuta. Esta estrutura e planejamento da TCC. 17). mas criar condições para que este as encontre e teste suas cognições. A postura ativa consiste no estabelecimento de uma relação terapêutica entre cliente e psicoterapeuta embasada na tríade: calor humano.br coerente e ao mesmo tempo evolutivo para a prática clínica”.www.com.

www.educapsico.com.br efeitos da psicoterapia. Com este recurso a psicoterapia permanece mais tempo na vida do paciente e este se sente também mais envolvido com a resolução de seus problemas. A respeito da utilização das técnicas, Neves Neto (2003) ressalta que uma boa técnica em geral flui naturalmente dentro das sessões, e requer habilidade do terapeuta ao empregar este poderoso recurso, no entanto, as técnicas não substituem o papel da relação terapêutica. Novamente não será possível dentro deste texto a abordagem detalhada das principais técnicas utilizadas na TCC. Para maior aprofundamento da temática indica-se a consulta às referências sugeridas (Manual de técnicas cognitivo-comportamentais, de Keith S. Dobson). Apresenta-se apenas as mais utilizadas de cada abordagem teórica. Comportamentais: relaxamento muscular progressivo, agenda de atividades, análise do comportamento, exposição, treino do manejo da ansiedade, reforçamento, agendamento de atividades (semanal/diária), treino de discriminação, treino de contato, agenda diária, contrato, controle de estímulos, relaxamento autógeno, modificação de resposta, prevenção de resposta, observação do comportamento. Cognitivas: terapia cognitiva geral, auto-reforçamento, resolução de problemas, auto-verbalização, dessensibilização sistemática (imaginação), autocontrole, terapia racional emotiva (Ellis), terapia cognitiva (Beck), automonitoração, eliciação de cognições, parada de pensamento, inoculação de stress, explicação alternativa, ensaio cognitivo, registro de pensamentos disfuncionais, linha do tempo. Teoria da aprendizagem social: treino de assertividade, treino de habilidades sociais, modelação. Outras técnicas: terapia de casais, empatia, aconselhamento, terapia de família, terapia sexual. Psicoterapia de Grupo A psicoterapia de Grupo pode ser feita em diferentes abordagens teóricas, sendo que cada uma delas possui suas características.

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www.educapsico.com.br Muitos pacientes, com diferentes transtornos, podem se beneficiar da terapia grupal, porém Ito, Roso, Tiwari, Kendall, Asbahr (2008) apontam alguns critérios que devem ser considerados para a composição do grupo, a saber: • Balanceamento do grupo por gênero, idade e gravidade do transtorno a ser trabalhado. Alguns pacientes, como por exemplo, aqueles que apresentam depressão, transtornos de personalidade e/ ou são muito agressivos e exigentes não se beneficiam dessa terapêutica. • • • Pacientes com o nível de gravidade do transtorno semelhantes devem compor o grupo. O grupo deve ter cerca de seis participantes para dois terapeutas. O número de sessões deve ser por volta de 12, com duração de duas horas cada uma e sendo estas semanais. 9. Metodologias de diagnóstico e de intervenção em instituições de saúde. Campos, Barros e Castro discutem a promoção de saúde como estratégia para enfrentar os problemas sanitários do país e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população. Afirmam que posições teórico-políticas culminam em práticas, assim é importante pensar nessas posições para refletir sobre essas práticas. Ao se pensar em Promoção de Saúde uma pergunta surge: “Como cuidar da saúde de sujeitos e coletividades?”. Considera-se inicialmente nessa reflexão, o conceito ampliado de saúde, ou seja, saúde é algo multideterminado, sendo determinada, entre outras coisas, pela maneira como a sociedade, nas quais os indivíduos são integrados, organiza seu modo de produção. Com base nesse conceito, as ações em saúde necessitam serem integradas as outras políticas públicas e econômicas (CAMPOS; BARROS; CASTRO). Assim, os profissionais de saúde devem focar não mais as doenças e sim os sujeitos. Também a proposta de política nacional de Promoção de Saúde deve ser Transversal e integradora. Além disso, a promoção de saúde também deve ser intersetorial, abrangendo, por exemplo, questões relativas ao meio ambiente, nutrição, moradia, uso de drogas, entre outras. Para que haja intersetorialidade é necessário o diálogo entre os setores, além da co-gestão e co-responsabilidade. Também população deve estar envolvida, no sentido de rastrear as suas necessidades e buscar alternativas Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

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www.educapsico.com.br para as mesmas, para isso é importante o fortalecimento dos movimentos sociais (CAMPOS; BARROS; CASTRO). Os modos de vida da população também devem ser pensados pela política de promoção de saúde, contudo é necessário compreender/ considerar a estrutura social e econômica em que as necessidades e hábitos da população são produzidos (CAMPOS; BARROS; CASTRO). Na promoção de saúde há um trabalho pela “autonomia dos sujeitos e das coletividades” e esses são preparados para buscar soluções e formas de vida que atendam as suas necessidades e desejos (CAMPOS; BARROS; CASTRO). A política de Promoção de Saúde deve considerar que o sistema capitalista gera necessidades de consumo contínuo, fato que traz conseqüências a saúde dos sujeitos. Assim, deve investir na capacidade de auto-regulação dos sujeitos e também cobrar atitudes do Estado que contribuam para não deixar os sujeitos tão vulneráveis a quaisquer situações de risco, ou seja, uma das palavras de ordem é co-responsabilização (CAMPOS; BARROS; CASTRO). Campos, Barros e Castro propõem uma articulação entre os conceitos de promoção de saúde e redução de danos. Veja os eixos temáticos de trabalho citados no artigo: Modos de viver; Condições e relações de trabalho; Ambientes; Intersetorialidade; Educação/ Formação/ Comunicação; Integralidade. O apoio matricial trata-se de uma metodologia de trabalho que complementa a prevista em sistemas hierarquizados: mecanismos de referência e contra-referência, protocolos e centro de regulação. Seu objetivo é oferecer retaguarda assistencial e suporte técnicopedagógico às equipes de referencia (CAMPOS, 2007). Essa metodologia pretende assegurar maior eficácia e eficiência ao trabalho em saúde e investir na construção de autonomia dos usuários. As equipes de referência objetivam ampliar as possibilidades de construção de vínculo entre profissionais e usuários e, ainda, pressupõem uma lógica análoga para profissionais de policlínicas ou hospitais (terapeutas ocupacionais, psiquiatras e psicólogos que trabalham em centros de apoio psicossocial;

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2007). de ortopedistas.atendimentos e intervenções conjuntas entre o especialista matricial e alguns profissionais da equipe de referência. Dessa forma. O nome matricial sugere que profissionais de referência e especialistas mantenham uma relação horizontal e não vertical como recomenda a tradição dos sistemas de saúde. . 2007). 2007). Estes contatos podem-se desenvolver em três planos fundamentais: . é tirar o poder das profissões e corporações de especialistas. O termo foi retirado do método Paidéia (CAMPOS. enfermeiros e assistentes sociais no programa de DST/AIDS. (CAMPOS. estruturam-se organizações de saúde com elevado grau de departamentalização. Analisando o hospital Karina de O.o apoio restringe-se à troca de conhecimento e de orientações entre equipe e apoiador. A proposta de equipes de referência é extensiva para hospitais.o apoiador pode programar para si mesmo uma série de atendimentos especializados. 2007). Cada equipe de referência tem um registro e um cadastro dos seus casos. políticos. 2007).com. Assim.educapsico. Em campinas foram criados Núcleos de Saúde Coletiva e organizou-se apoio em áreas clínicas (saúde mental. eletrônico ou telefônico) (CAMPOS. Já o termo apoio sugere ordenar a relação entre referência e especialista. éticos. nutrição e reabilitação física) (CAMPOS. centros de referência. enfermarias. Existem duas maneiras para estabelecer o contato entre referências e apoiadores: encontros periódicos e regulares e em caso de emergência o profissional de referência aciona o apoio matricial (contato pessoal. 2007). a equipe de referência é um grupo organizacional cujo objetivo. Há obstáculos estruturais. reforçando o poder de gestão da equipe interdisciplinar. . também. Houve uma divisão do trabalho na Medicina e na saúde.www. mantendo contato com a equipe de referência. culturais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 140 . cirurgiões e enfermeiros em departamentos de trauma etc (CAMPOS. epistemológicos e subjetivos ao desenvolvimento desse tipo de trabalho integrado à saúde (CAMPOS.br de infectologistas. unidades de urgência ou de terapia intensiva.

www. Fundamentos para o planejamento e a gestão do processo de trabalho em organizações públicas de saúde. 2007). de uma ampla reformulação da mentalidade e da legislação do sistema de saúde (CAMPOS. a qual influência tanto os pesquisadores quanto aqueles que tomam as decisões em Saúde Pública (Gestores e avaliadores). Há múltiplas correntes teóricas nessa produção. 2007). Outros tendem a valorizar o social na explicação desse fenômeno também geram soluções restritas a essa linha de intervenção e isso é observado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 141 .com. 2007). Há diversas pesquisas em gestão e avaliação de saúde no Brasil após a criação do SUS em 1988. Assim. O apoio matricial depende da existência de espaços coletivos em que as equipes de saúde compartilhem a elaboração de planos gerenciais e de projetos terapêuticos e depende. ainda. porém nem sempre as pessoas têm consciência dessa influência (LINS. também. na maioria. que se dividem em departamentos ordenados conforme profissões e especialidades médicas (CAMPOS. 2007). entre os adeptos de explicação subjetiva (desejo ou cognição) (CAMPOS. As equipes de referência e o apoio matricial buscam um trabalho coletivo e definem de maneira mais precisa a responsabilidade sanitária. mas o apoio matricial promove encontros entre distintas perspectivas e obriga os profissionais a comporem projetos terapêuticos com outras racionalidades e visões de mundo (CAMPOS. 10. 2007). CECCILIO. Há uma disputa entre essas correntes.educapsico. O SUS introduziu a diretriz do controle social. A maioria das especialidades e profissões de saúde trabalha com um referencial sobre o processo saúde e doença restrito. nota-se que estes são influenciados por diferentes maneiras de interpretar a realidade. Os profissionais acostumaram-se a valorizar o trabalho autônomo.br e o ambulatório verifica-se. Produções nas Ciências humanas em Gestão e Avaliação em Saúde: • Estrutural e funcionalista: Karina de O. sendo que a Sociologia aparece em destaque. as quais têm fundamento nas correntes teóricas acima citadas.

Inglaterra e Brasil. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 142 . o paradigma continua funcionalista. que tem como autoridades Schultz (1979) e Berger e Luckmann (1994). que preza pela objetividade. tendo como foco a atenção médica. Contudo. o qual tem as seguintes características: ausência formal de conflitos de interesse entre os sujeito. 2007). há na sociedade a busca pelo consenso que levaria a homeostase. CECCILIO. Propunha a avaliação em saúde a partir de um tripé metodológico: estrutura. CECCILIO. pois não há espaço para conflitos de interesse. Citam também Aguilar e Ander-Egg (1995). 2007). Posicionam-se contrariamente ao positivismo. Essa teoria também é utilizada para a análise das organizações. juntamente com as teorias clássicas de Taylor e Fayol (LINS.com. Parson via a instituição como uma sociedade em miniatura. processo e resultado. mede-se o resultado da organização. a gestão deve ter como base a disciplina e o controle – racionalidade gerencial hegemônica. CECCILIO. divergências são disfunções que devem ser incorporadas pelo sistema. Definem as instituições como Karina de O. o estudo dos estoques de conhecimento com os quais interpretam e dos significados que atribuem ao fenômeno para sua melhor compreensão” (LINS. como exemplo de autores que fazem isso tem-se Erhard Friedberg.www. 2007). já que os mesmos introjetaram os interesses da sociedade. Sua obra influenciou profissionais das mais diversas áreas em avaliação de saúde (LINS. Estados Unidos. A metodologia dessa teoria se baseia “no estudo dos atores ou pequenos grupos situados biograficamente. A teoria estruturalfuncionalista de Parson influenciou muitas intervenções em gestão e avaliação em países como Alemanha. Os pesquisadores ligados a teoria dos sistemas faziam críticas à idéia mecânica de instituições proposta na produção estrutural-funcionalista. CECCILIO. Donabedian influenciou muito a área de avaliação de saúde e sua teoria seria uma aplicação da teoria de sistemas à saúde.br Lins e Cecílio (2007) utilizam Parson para sintetizar essa forma de pensamento. Assim. • Teoria da Ação: Os trabalhos dessa teoria se filiam à sociologia fenomenológica. CECCILIO. 2007). 2007). sem levar em conta os distintos interesses dos indivíduos que dela fazem parte (LINS. os quais atribuem racionalidades próprias ao desempenho de papéis específicos na sociedade. consideram o aspecto subjetivo para o estudo da dinâmica social (LINS.educapsico.

também conhecida como Socianálise com George Lapassade e René Lourau. Apontam ainda três momentos do conceito de instituição: a) Universalidade (normas. 1983. na década de 60. ou a maneira de agir e pensar que o indivíduo encontra preestabelecida”. 2007). Campo seria o lócus no qual os agentes encontram-se fixados num primeiro momento e aí se vê as relações de poder. Esta última propõe uma diferença entre os conceitos de organização e instituição. 2007). 2) para designar algumas condutas ou processos sociais. CECCILIO.www. p. Lapassade e Loureau (1972) apud Lins e Cecílio (2007) afirmam que instituição é “a forma assumida pela reprodução e produção de relações sociais num dado modo de produção. • Movimento Institucionalista: Surge na França. Nessa linha é defendido o conceito de Dualidade. aquilo que é instituído). 2007). sendo essa diferença importante para que se entenda a dinâmica social(LINS. momento da institucionalização). • Estruturismo ou estruturacionismo: Linha de pensamento que busca acabar com a dicotomia entre subjetivismo e objetivismo. CECCILIO. a partir do qual se pensa as estruturas sociais constituídas através da ação humana e também são o próprio meio dessa constituição (LINS.br “produções dos indivíduos que nelas interagem e como reflexos das estruturas e significados prevalentes na sociedade em cada momento histórico” (LINS. É constituído por diversas tendências.com. A Karina de O.educapsico. CECCILIO. estruturas estruturadas predispostas a funcionarem como estruturas estruturantes” (Bourdieu. quanto no modo de produção e na formação social que se constituí. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 143 . b) Particularidade (instituinte) e c) Singularidade (formas necessárias para atingir certa finalidade. Usa em seus escritos a idéia de hábitos (disposição estável para agir em certa direção) e a partir dela propõe o conceito de habitus que seria “um sistema de disposições duráveis. tendo destaque a Esquizoanálise com Gilles Deleuze e Felix Guattari e Análise Institucional. 61 apud Lins e Cecílio (2007). Pierre Bourdieu é um dos expoentes dessa linha. Os analistas institucionais afirmam que o sentido da organização é externo a ela tanto na história. Já no que diz respeito ao conceito de instituição os referidos autores apontam dois significados: 1) conjuntos práticos que perseguem objetivos.

estrutural funcionalista (Parsons e Talcott) e análise institucional (Lourau e Lapassade) (LINS. fenomenologia sociológica (Schutz. entre memória e criatividade. sendo que essa idéia de campo é inspirada na idéia de homônima de Bourdieu significando diferenciação das esferas sociais. 2. por isso é a criatividade dos mesmos é determinada pela estrutura. Preza-se pela liberdade dos atores. 2007). A ação desses atores é determinada pela estrutura (regras – legislação. CECCILIO. Esses campos buscam ser categorias analíticas baseadas nas teorias da estruturação (Guiddens).www. De acordo com Lins e Ceccilo (2007) há três momentos da instituição (socianálise) para definição de três campos de intervenção ideais: 1. Governabilidade normativa impera. Campo metodológico de intervenções universalistas (CMIU): há a predominância da memória na prática dos atores.educapsico. Luckmann). Foram encontrados trabalhos: • No referencial estrutural-funcionalista. normas oficiais). Admite os diversos segmentos presentes na organização. Campo metodológico de intervenções particularistas (CMIP): os interesses dos pequenos grupos norteiam as ações nas organizações. A criatividade desses atores é partilhada no grupo e a governança deve ser capaz de fazer “aflorar” essa criatividade. subjetividade e objetividade. norma e liberdade. CECCILIO. 3. 2007). Berger. Esses campos foram utilizados por Lins e Ceccilo (2007) para análise de teses e dissertações da área de gestão e avaliação em saúde produzidas no Brasil de 2000 a 2004. Organização entendida como um sistema ou um organismo que tende a homeostase. como especialistas (LINS. Karina de O. desfazendo dicotomias como “explorados e exploradores” exercendo ações que são transformadoras e cristalizadas ao mesmo tempo. Campos metodológicos de intervenção organizacional: Foram escolhidas três abordagens em caráter arbitrário para a construção desses campos metodológicos de intervenção organizacional. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 144 . estruturacionismo (Bourdieu).com. 2007).br Socianálise foi aplicada a prática social dos grupos e das instituições (LINS. Campo metodológico de intervenções singulares (CMIS): nesse há a busca pela “síntese dialética” entre estrutura e ação. CECCILIO.

Apesar desses avanços apoiados pelo Movimento Estudantil ainda não se encontra em quantidade suficiente políticas públicas de desenvolvimento de recursos humanos para o SUS que tenham como alvo os estudantes e os cursos de formação de profissionais da saúde (Brasil . Acredita-se que esse esquema de análise pode contribuir para novas leituras e análises de proposições e intervenções organizacionais na área de saúde. De acordo com o Caderno VER-SUS do Ministério da Saúde (2004). encontra-se previsto na legislação brasileira pontos tratando da formação Recursos Humanos e o Papel dos Gestores Públicos no Brasil.www. estando presos a modelos biomédicos (Brasil .Ministério da Saúde. Apesar dessa pouca importância que se dá ao SUS nos currículos de formação desses profissionais. 2004).Ministério da Saúde. 2004). 2004).com. 2004). Constata-se que os currículos dos cursos que formam profissionais para a saúde dão destaque a uma visão hospitalocêntrica. A formação de recursos humanos para o SUS (Sistema único de Saúde) é algo bastante problemático no Brasil. data de criação da Assessoria de Relações com o Movimento Estudantil e Associações Científico-Profissionais da Saúde (Brasil . criando assim a Assessoria de Relações com o Movimento Estudantil e Associações CientíficoProfissionais da Saúde. além de não terem a visão coletiva de saúde.Ministério da Saúde. 2004).Ministério da Saúde. Os estudantes da área da saúde têm demonstrado preocupação com a situação acima citada (Brasil .br • • Busca por novos paradigmas em autores contemporâneos. muitos deles irão atuar como gestores nesse sistema (Brasil . Projetos como “Escola de Verão do Rio Grande do Sul” foram realizados já em 2002. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 145 . buscando o desenvolvimento de projetos que valorizem o SUS e a visão coletiva de saúde.educapsico. já que os profissionais que se formam no país não estão prontos para lidarem com a complexidade desse sistema. a saber: Karina de O.Ministério da Saúde. Diante dessa situação a Escola de Saúde Pública do Estado do Rio Grande do Sul (ESP/RS) buscou uma articulação os estudantes da área da saúde. deixando para segundo plano os conteúdos sobre o SUS.

Artigo 27 o: A política de recursos humanos na área da saúde será formalizada e executada articuladamente pelas diferentes esferas de governo. em cumprimento dos seguintes objetivos: Karina de O.com. 2 . as seguintes atribuições: IX . Parágrafo único: Cada uma dessas Comissões terá por finalidade propor prioridades. do desenvolvimento científico e tecnológico.Lei Orgânica da Saúde de 1990 Artigo 6o: Estão incluídas no campo de atuação do SUS: III . em seu âmbito administrativo.ordenar a formação de Recursos Humanos na área da saúde.Constituição Nacional de 1988 Artigo 200 o: Ao Sistema Único de Saúde compete.o incremento.incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento científico e tecnológico. Artigo 14o: Deverão ser criadas Comissões Permanentes de integração entre os serviços de saúde e as instituições de ensino profissional e superior.educapsico. Artigo 15 o: A União.www. os Estados. X .realizar pesquisas e estudos na área da saúde. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 146 . V . o Distrito Federal e os Municípios exercerão.br 1 .a ordenação da formação de recursos humanos na área da saúde. métodos e estratégias para a formação e educação continuada dos recursos humanos do Sistema Único de Saúde na esfera correspondente.participação na formulação e na execução da política de formação e desenvolvimento de recursos humanos para a saúde. além de outras atribuições. nos termos da Lei: III . assim como em relação à pesquisa e à cooperação técnica entre essas instituições. em sua área de atuação. XIX .

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 147 . além da elaboração de programas de permanente aperfeiçoamento de pessoal. dos quais também o campo da saúde (Brasil . No século XX há uma transição do modelo fordista de trabalho para o modelo chamado de “flexibilização produtiva”. Percebe-se que apesar da existência de leis. espaço e das ações de trabalho do profissional da saúde. formar os profissionais tendo como referência essas competências e por último avaliar e certificar por essas competências.educapsico. crescimento do trabalho informal (Brasil . das quais a necessidade de novas competências para o trabalho nos diversos setores. pouco se avançou na construção de bases sólidas para a formação de recursos humanos em saúde que estejam em consonância com os princípios do SUS. mediante normas específicas elaboradas conjuntamente com o sistema educacional.br I .Ministério da Saúde (2004) afirma que é necessária uma nova definição do objeto.com. garantida a participação das entidades profissionais correspondentes. inclusive de pós-graduação. Contudo.www. Artigo 30 o: As especializações na forma de treinamento em serviço sob supervisão serão regulamentadas por Comissão Nacional. sendo que novas exigências são feitas ao trabalhador. Ainda para o autor acima referido para um currículo realmente pautado em competências dever-se-ia ter uma preocupação com a Karina de O. segundo Ramos apud Brasil . [instituída junto ao Conselho Nacional de Saúde].Ministério da Saúde. 2004).Ministério da Saúde. 2004). Parágrafo único: Os serviços públicos que integram o SUS constituem campo de prática para o ensino e pesquisa. os currículos por competência nada mais são do que currículos pautados em normas de competência. Haddad apud Brasil . a saber: necessidade de ampla qualificação. Esse novo panorama no mundo do trabalho gerou discussões no campo da educação.Ministério da Saúde (2004) que na sua maioria.organização de um sistema de formação de recursos humanos em todos os níveis de ensino. Seria necessário normalizar as competências em saúde. fato que implica novos significados ao trabalho. vê-se. aumento do trabalho intelectual em detrimento do trabalho manual.

Este programa surgiu a partir de uma análise de saúde. 2004). Veja agora. assim como pensamentos hegemônicos são impossíveis no campo da saúde. o que diz o programa UNI.www. As práticas não são definidas a priori a partir de alguma teoria. juntamente com os alunos da Universidade e Karina de O.br aprendizagem em ritmo individual e gradual e desenvolver a capacidade de autoavaliação. Deve-se ter um esforço no sentido de mobilizar e organizar novas estratégias de ação. no UNI formas de ação e de pensamento são construídas constantemente a partir do contexto em que se está inserido (Brasil . ir além de questões teóricas e conceituais e pensar nesses processos acontecendo em meio a relações de trabalho.Ministério da Saúde. No programa UNI há uma tentativa de revalorização da ação política e dos sujeitos sociais. na investigação. na participação da população. Já a educação continuada de acordo com Ricas (1994) apud Brasil .Ministério da Saúde (2004) afirma que a formação permanente objetiva transformar o profissional em sujeito. da participação popular e da educação de profissionais de saúde na América Latina. As práticas desse programa são baseadas no ensino-aprendizagem. 2004). deixando-o no centro do processo de ensino-aprendizagem. 2004). a partir do trabalho com parcerias. e na busca constante pelo exercício da cidadania. Assim. O programa UNI foi construído na América Latina que saia de governos autoritários (Brasil . as quais devem ser entendidas como relações sociais que tem diferentes intenções e conflitos. Motta (1998) apud Brasil . no que diz respeito a formação de recursos humanos para saúde(Brasil .com. É necessário. Práticas hegemônicas.Ministério da Saúde. mas são decididas coletivamente e a população.educapsico. na prática profissional em saúde.Ministério da Saúde (2004) seria relativo a atividades de formação após o curso de graduação com o objetivo de atualização e aquisição de novos conhecimentos/ informações. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 148 .Ministério da Saúde. nas práticas sanitárias. Os projetos do programa UNI são planejados a partir da abordagem coletiva dos problemas. Esses programas de educação continuada ou permanente devem considerar que todo profissional de saúde tem uma visão sobre saúde e suas práticas têm relação com tais visões. a título de ilustração. Constata-se ainda a necessidade de formação continuada e permanente dos profissionais de saúde.

2004). na maior participação social (Brasil . quanto ao sistema de saúde. na definição de um projeto comum de estratégias e táticas de ação coletiva. Existem duas concepções da ação do CEBES que polarizam os interesses de grande número de associados.Ministério da Saúde. Busca-se então uma hegemonia da relação entre classe/Estado/Sociedade. 1997). qualidade e eficiência. 2004). pensam nessas práticas e decidem até mesmo as prioridades (Brasil Ministério da Saúde. CEBES (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde) O Movimento Sanitário almeja que as demandas da sociedade sejam vistas como um todo.www.educapsico.com.Ministério da Saúde. Tais concepções visam desenvolver o CEBES como um órgão democrático e que preconiza a democratização do setor saúde. As pessoas apresentam uma grande motivação em participar de projetos que também foram idealizados por elas e essa ação coletiva facilita a comunicação entre os segmentos sociais e as instituições de saúde (Brasil .Ministério da Saúde. (FLEURY. Um outro ponto importante que pode ser pensado a partir do programa UNI é a adoção de concepções pedagógicas “críticas. A primeira tem como objetivo desenvolver políticas de saúde mais adequadas à realidade brasileira tendo o CEBES como um conjunto de tendências renovadoras do setor saúde. A partir dos anos 80 a democracia “institucionalista” recorreu ao conceito estratégico de Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 149 . as propostas de formação de recursos humanos devem considerar os aspectos como equidade. 2004). institucionalizou-se o movimento sanitário organizando-se. 1997). 1997). 2004). A segunda concepção quer desenvolver atividades voltadas à comunidade (FLEURY. 1997). Com a criação do CEBES.br professores. A democracia nos anos 70 tinha um forte conteúdo anárquico e contra-cultural. Para finalizar. Devem também pensar na democratização. O CEBES representou um novo saber que ressaltasse as relações entre saúde e estrutura social. tendo como uma das marcas a unificação dos serviços de saúde pública sem fins lucrativos (FLEURY. ampliação da consciência sanitária e a organização do movimento social (FLEURY.” (Brasil . reflexivas e problematizadoras e metodologias de ensino que permitissem a participação ativa dos estudantes em diferentes e novos cenários de ensino.

também. Segundo Fleury (1997). apud Fleury. A constituição do movimento sanitário como uma política abrange uma consciência sanitária e aliava a organização política do movimento social com a busca da formulação de um projeto alternativo para o sistema de saúde (FLEURY. a Reforma Sanitária é “definida como um processo de transformação da norma legal e do aparelho institucional que regulamenta se responsabilizando pela proteção à saúde dos cidadãos e corresponde a um efetivo deslocamento do poder político em direção às camadas populares. Chauí (1990. Schumpeter (1984) apud Fleury (1997) define método democrático como “aquele acordo institucional para se chegar a decisões políticas em que os indivíduos adquirem o poder de decisão através de uma luta competitiva pelos votos da população”. apud Fleury.br desenvolvimento da consciência sanitária como forma de articulação de diferentes níveis (FLEURY. O CEBES consolidou-se no documento apresentado no I Simpósio sobre Política Nacional de Saúde na Câmara Federal. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 150 . a pressuposição de que o homem político seja. 1997) propõe “o gerenciamento econômico por meio da coordenação dos grandes interesses sociais e da orquestração do acordo pela negociação entre os grupos de interesse”.com. reduzindo a participação cidadã à escolha dentre as ofertas políticas tornando os cidadãos alienados quanto a esta questão. já na democracia substancial. destaca-se a idéia de liberdade. que a “representação corporativa dos interesses organizados pode fortalecer a democracia”. Bobbio (1994) apud Fleury (1997) encontra dois sentidos básicos para o conceito de democracia: a formal e a substancial. ainda. destaca-se o conteúdo ético baseado na solidariedade e no desenvolvimento integral da comunidade política. Defende o corporativismo e o pluralismo e conclui. Este modelo traz o esvaziamento do conteúdo moral da democracia e. 1997). 1997) ainda nos mostra a relação entre Estado interventor e economia oligopólica embutida nesta definição e resume os traços do modelo schumpeteriano. em outubro de 1979.www. um consumidor e apropriador. Na democracia formal. Hirst (1992:13. cuja expressão material se concretiza na busca do direito universal à saúde e na criação de um sistema único sob a égide do Estado”. essencialmente. 1997). Karina de O.educapsico.

. 1997).a cidadania compreendida em toda sua complexidade contraditória. alterando o equilíbrio da hegemonia dominante.a cidadania resgata a mediação entre Estado e Sociedade. . Acredita que tal modelo seja compatível com a democracia liberal. sobre o termo democracia temos Robert Dahl que identifica dois eixos histórico-analíticos de desenvolvimento político das sociedades: o eixo da liberação e o eixo da participação (FLEURY.br Já Macpherson apud Fleury (1997) formula um tipo de democracia participativa priorizando os movimentos sociais e almejando a ampliação do espaço político pela sociedade civil.a dimensão social da democracia exige novas formas concomitantes de participação no poder político. deixam de lado a necessidade de um processo institucional que assegure a igualdade básica da cidadania e o fato de que o encontro entre liberalização e participação subestima a participação ao espaço estrito do governo representativo. . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 151 . . .a democracia não pode prescindir da dimensão liberal.a jurisdição das relações políticas é conseqüência inevitável. Poulantzas (1981) apud Fleury (1997) assinala os pontos cruciais: .a participação cidadã nas decisões coletivas que afetam a comunidade política deve ser resguardada por um corpo de regras.com. garantia da saúde como direito individual e a Karina de O.a cidadania requer a positivação dos direitos sociais e atuação estatal como garantia de sua vigência.o sistema de representação com base territorial e definição da participação através dos mecanismos de organização tem sido escolhido como o que melhor garante a igualdade de condições para que opiniões individuais sejam consideradas nas decisões coletivas. . . A democracia da Reforma Sanitária possuía as seguintes bases fundamentais: formulação de uma utopia igualitária. .a burocracia estatal é requerida como fundamento da igualdade política dos cidadãos.a combinação do sistema de representação territorial com uma modalidade de representação corporativa. Com estas questões. . ainda. . Falando.www.a combinação do sistema representativo com a participação direta em organizações públicas auto-geridas pretende transformar a correlação de forças.educapsico.

O CEBES protagonizou o movimento sanitário brasileiro. O Parlamento foi utilizado como espaço para debate público sobre a Saúde e para a organização do movimento sanitário brasileiro. construção de contra-politicas ou de políticas alternativas e ocupação de espaços institucionais” (NETO. 1997). incluindo a Constituição Federal. os estados latino-americanos. a Lei Orgânica.www. 1997). A produção acadêmica “informada” politicamente. Neste contexto. 1997). pela visão política. As Conferências de Saúde nas três esferas do governo são as instâncias máximas de proposição. como um movimento exclusivamente reformista (NETO. dando um novo conceito ao movimento e sendo. 1997). à medida que estimulou e promoveu o debate. Contudo. Quanto ao conceito do direito à saúde tem-se uma concepção ampliada e a saúde que assume a condição de função pública e foi traduzido em uma base legal e normativa.br construção de um poder local o qual ganhou forças com a gestão social democrática. Prefeitos e vereadores comprometidos com o movimento tinham esta questão em suas plataformas eleitorais (NETO. 1997).educapsico. sabe-se que existe a desigualdade e novas tendências na sociedade brasileira e isso faz com que esse modelo igualitário não seja feito de forma imediata. É dever das instituições oferecer informações e conhecimentos necessários para que a população se posicione sobre as questões que dizem respeito à sua saúde (FLEURY. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 152 . A globalização vem alterando tanto as formas produtivas e as relações econômicas quanto o papel dos Estados nacionais. assume a igualdade como principal meta (FLEURY. as Normas Operacionais Básicas e etc (FLEURY. ainda sobre a ditadura militar. 1997). as Constituições Estaduais. Sendo assim. enfrentam-se com diversidade de demandas e expectativas geradas no processo de participação democrática (FLEURY. É a garantia constitucional de que a população através de suas entidades representativas poderá participar do processo de formulação das políticas de saúde e do controle da sua execução.com. em todos os níveis desde o federal até o local. 1997). também foi importante para o movimento sanitário no Brasil. em crise fiscal e administrativa. divulgação do movimento pela série de livros e pela Revista “Saúde em Debate. 1997). Grupos buscaram fugir do Sistema Único de Saúde com suas regras uniformizadoras (FLEURY.

por mais que ocorriam crises. 1993. Nessa década acontecia a sua evolução e desenvolvimento. 198. uma vez que é o ente federado mais próximo da realidade da população. apud Barbosa. Vecina Neto e Malik (1991) apud Barbosa (1997) propuseram uma análise da crise que envolve o setor saúde em três dimensões: a primeira em nível estrutural. Somente em 90 a gestão hospitalar e a importância do hospital no SUS ganharam espaço e pôde ser algo considerável.www. “onde a cada momento de descentralização deve corresponder um outro. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 153 . 1997). Introduzem-se os contratos de gestão que expressam uma nova racionalidade para tal administração e permitem uma abrangente concepção de gestão (BARBOSA.com. O município é o melhor âmbito para tratar a questão saúde.educapsico. descentralizar não significa tornar independentes as unidades de saúde. determina que as ações e os serviços públicos de saúde se integrem em uma rede regionalizada e hierarquizada. A Constituição. No processo de descentralização há uma redistribuição das responsabilidades às ações e serviços de saúde entre vários níveis de governo. mas sim criar uma relação “biunívoca” entre as dimensões centralização e descentralização. a partir da idéia de quanto mais perto do fato a decisão for tomada. Por mais mudanças que ocorriam no setor saúde. usuários diretos do sistema (BARBOSA. 1997). a segunda em um nível organizacional e no terceiro plano estão as causas de caráter individual. constituindo um único sistema de Karina de O. Segundo Mendes. 1997). Assim. Depois vieram as Ações Integradas de saúde.br O Desafio dos Hospitais O convênio MEC-MPAS foi precursor no processo de fortalecimento do setor público. e o nível de atenção hospitalar era imprescindível nesse processo (BARBOSA. No início dos anos 80 os asilos do Ministério da Saúde transformaram-se em hospitais gerais ou especializados. sendo capaz de identificar as peculiaridades e as diversidades locais e por isso estaria mais acessível à participação. não são marcantes para a Reforma Sanitária (BARBOSA. 1997). 1997). no art. 1997. o processo da reforma constitucional no campo da administração pública brasileira induziu à utilização de modelos de maior autonomia das organizações estatais. mais chance haverá desta decisão ser acertada (BARBOSA. avaliação e fiscalização dos cidadãos. de centralização subordinada”.

2007). organizados de forma descentralizada. a defesa da vida. 2007). 2008). 2007). 11. mas ainda há muito o que fazer (Campos. Dessa forma. com os quais se pode comprovar a possibilidade de um atendimento público em saúde. Introduzem-se mudanças no processo de gestão do sistema e nas formas de relação intergovernamental no âmbito da saúde. A reforma sanitária estruturou o Sistema Único de Saúde para responder a realidade social. A substituição do atual processo de habilitação pela adesão solidária aos Termos de Compromisso de Gestão. em quase todos os países.educapsico. O SUS não foi colocado como prioridade no país. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 154 . Atualmente há o desafio da efetivação do Pacto pela Saúde e acordos entre as três esferas de gestão do SUS.www. Fundamentos para a avaliação dos serviços de saúde. a regionalização solidária e cooperativa como eixo estruturante do processo de descentralização. com direção única em cada esfera de governo e com a participação da comunidade (BARBOSA. Para o processo de avaliação do desempenho do sistema único de saúde é necessário que todos os envolvidos com o sistema de saúde compreendam os problemas que afetam Karina de O. Deve haver muita responsabilidade dos gestores quanto à saúde porque o direito desta significa. 2008). Campos (2008) afirma que há uma grande preocupação da população com os serviços de saúde e que apesar dos progressos o SUS ainda não atende a maioria das necessidades de saúde da população brasileira. 1997).br saúde. a avaliação na área da saúde é prioridade (BRASIL – Ministério da Saúde. política e administrativa caracterizada pelas complexas especificidades regionais excluídas do modelo preponderante (BRASIL – Ministério da Saúde. 2008). pois não funciona em rede com base populacional e territorial (CAMPOS. É necessário um sistema integrado em saúde. exceto em alguns municípios. Também há uma falta de governança no que diz respeito ao SUS e este não é um sistema.com. As organizações estatais não são eficientes e isso gera um descrédito com relação as mesmas (CAMPOS. a integração das várias formas de repasse de recursos federais e a unificação dos vários pactos existentes são mecanismos que fortalecem a gestão do sistema e ampliam a possibilidade de construção da equidade (BRASIL – Ministério da Saúde. em ultima instância.

integralidade da atenção igualdade de direitos. não há como avaliar o sistema de saúde somente através do SUS. São enormes os desafios para tornar efetivos os princípios para avaliação do sistema público: universalidade do acesso. sociais e políticos (BRASIL – Ministério da Saúde. são precários os sistemas de referência. A consolidação do SUS exige a ampliação de sua legitimidade social e o fortalecimento de apoio políticos. 155 . Porém. 2007). efetividade. Segundo PNAD 2003. A constituição do sistema de saúde público causou desequilíbrios estruturais. eficiência. Para a diretriz metodológica na avaliação deve-se considerar a proposta elaborada pelo Projeto Desenvolvimento de Metodologia de Avaliação do Desempenho do Sistema de Saúde Brasileiro – PROADESS. A Agência Nacional de Saúde Supletiva – ANS – vem desenvolvendo um projeto de avaliação.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação direito das pessoas.br os resultados de sua ação e construam algo que permita superá-los (BRASIL – Ministério da Saúde. 75% da população têm acesso assegurado exclusivamente pelo sistema público e parte da população. sob as diretrizes e princípios do SUS.www. 2007). A proposta metodológica em relação aos componentes público e privado compreende: acesso. 2007). respeito ao Karina de O. A avaliação de desempenho do sistema de saúde (público ou privado) dependerá se os processos propostos e resultados serão compatíveis aos seus objetivos (BRASIL – Ministério da Saúde.com. iniqüidades no acesso e uma cultura sanitária que a saúde é assistência médica. 2007). as ações ofertadas nem sempre satisfazem às necessidades da população. também utiliza a rede pública para ações de saúde pública e para procedimentos mais complexos e de maior custo (BRASIL – Ministério da Saúde. mesmo tendo sistema suplementar. 2007). sendo também precária interação entre equipes. Aproximadamente 34 milhões de pessoas (cerca de 19% da população) recebem atenção à saúde por meio do segmento provado (BRASIL – Ministério da Saúde. O sistema público de saúde brasileiro. A tarefa de avaliar o desempenho do sistema de saúde se apresenta nas dimensões política e técnica-operativa. desorganização na composição e articulação entre serviços. O sistema de saúde permanece burocratizado e verticalizado. representa um novo marco jurídico-legal com conteúdos éticos. 2007). descentralização e participação social (BRASIL – Ministério da Saúde.

transporte. definir dois grupos: o que reúne dimensões e indicadores que se apresentam como determinantes e aqueles que efetivamente se apresentam como dimensões e indicadores de desempenho propriamente dito. equipamentos e outros insumos. executar ações de vigilância sanitária e epidemiológica. participar da formulação e da execução das ações de saneamento básico. substâncias de interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos. Assim. então.participar do controle e fiscalização da produção. Segundo o artigo 5º da Lei 8. e (3) realizar atenção integral. O SUS tem um espectro de atuação mais amplo. é a estrutura e a organização das redes de atenção à saúde. (2) formular políticas para reduzir agravos e estabelecer condições que assegurem acesso universal e igualitário a ações e serviços de saúde para sua promoção.br aceitabilidade. segundo o artigo 200 da Constituição Federal: controlar e fiscalizar procedimentos. condiciona-se a produção de saúde em ordem social e econômica (BRASIL – Ministério da Saúde. A avaliação em relação ao SUS mede seu próprio desempenho como política pública.www. adequação e segurança. 2007). . ordenar a formação de recursos humanos na área da saúde. A realização as avaliação do sistema em âmbito nacional é responsabilidade do Ministério da Saúde. 2007).com. também. tem participação social em saúde. bebidas e água para consumo humano. Compete a ele. estadual e municipal. Deve-se considerar. 2007). incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento científico e tecnológico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 156 . tóxicos e radioativos.080/90. bem como as de saúde do trabalhador.colaborar na proteção do meio ambiente e do trabalho (BRASIL – Ministério da Saúde. Pode. produtos. . A avaliação deve produzir análises em âmbito federal. guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos. proteção e recuperação. continuidade. 2007). (BRASIL – Ministério da Saúde. resultados das ações sanitárias (BRASIL – Ministério da Saúde. articulando ações assistenciais e de prevenção. cabe ao SUS (1) identificar e divulgar fatores condicionantes e determinantes da saúde. inclui planejamento. as prioridades e os objetivos governamentais expressos no Plano Plurianual (PPA) 2004/2007. 2007). A Constituição Federal entende que a saúde é direito do cidadão. na avaliação do SUS.educapsico. A equidade é considerada como dimensão transversal (BRASIL – Ministério da Saúde. O MS assegurará Karina de O. fiscalizar e inspecionar alimentos. garante acesso universal.

Transplante: legislação sobre transplantes no Brasil (SUS). e por equipes médicocirúrgicas de remoção e transplante previamente autorizados pelo órgão de gestão nacional do Sistema único de Saúde.www. é permitida na forma desta Lei.649. o esperma e o óvulo.educapsico. A disposição gratuita de tecidos. o sistema de lista única. abordagem e entrevista a família do doador. o sistema de distribuição de órgãos. Para os efeitos desta Lei não estão compreendidos ent re os tecidos a que se refere este artigo o sangue. 2007). 12. Parágrafo único. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 157 . segundo dispõem a Lei n" 7. órgãos ou part es do corpo humano só poderá ser aut orizada após a realização. de 25 de janeiro de 1988. A realização de transplant es ou enxert os de tecidos. em vida ou post mortem. produção regular de Relatório de Avaliação de Desempenho do Sistema de Saúde (BRASIL – Ministério da Saúde. e regulamentos do Poder Executivo.com. tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras providências. promovendo a articulação entre as equipes das secretarias e centros de excelência acadêmica (BRASIL – Ministério da Saúde. público ou privado. órgãos e partes do corpo humano. legislação das comissões intra-hospitalares de doação de órgãos e tecidos para transplantes (CIHDOTT’s). O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art.br a cooperação técnica descentralizada e apoiará a constituição de Comitês de Avaliação de Desempenho nas unidades federadas. órgãos ou part es do corpo humano só poderá ser realizada por estabelecimento de saúde. 2007). no doador. Com base no processo de monitoramento da avaliação deverão ser produzidos notas técnicas regulares para orientar o processo decisório. 2 . 1 . para fins de transplante e trat amento. estudos pontuais. de todos os testes de triagem para diagnóstico de infecção e infestação exigidos para a triagem de s angue para doação. o o CAPÍTULO II Karina de O.434 de 4 de Fevereiro de 1997 Dispõe sobre a remoção de órgãos. Art. Parágrafo único. LEI N° 9. A realização de transplant es ou enxertos de tecidos.

§ 1º A expressão "não-doador de órgãos e t ecidos" deverá ser gravada. contendo os resultados ou os laudos dos exames referentes aos diagnósticos de morte encefálica e cópias dos documentos de que tratam os arts. §§ 2º. § 3º Será admitida a pres ença de médico de confiança da família do falecido no ato da comprovaç ão e atestação da morte encefálica. e detalhando os atos cirúrgicos relativos aos transplant es e enxertos. 2º enviarão anualmente um relatório contendo os nomes dos pacientes receptores ao órgão gestor estadual do Sistema Único de Saúde. § 5º No caso de dois ou mais documentos legalment e válidos com opções diferentes. 7º. Parágrafo único. comparecendo ao órgão oficial de identificação civil ou departamento de trânsito e procedendo à gravação da expressão "não-doador de órgãos e tecidos". 9º. do morto. § 2 . órgãos ou partes do corpo humano.br DA DISPOSIÇÃO POST MORTEM DE TECI DOS. nos termos desta Lei presume-se autoriz ada a doação de tecidos. § 4º A manifestação de vontade feit a na Carteira de Identidade Civil ou na Carteira Nacional de Habilitaç ão poderá ser reformulada a qualquer momento. 3 . para finalidade de transplantes ou terapêutica post mortem. ÓRGÃOS E PARTES DO CORPO HUMANO PARA FINS DE TRANSPLANTE Art. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 158 . órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento deverá ser prec edida de diagnóstico de morte encefálica constatada e registrada por dois médicos não participantes das equipes de remoção e transplant e. 4º. mediante a utilização de critérios clínicos e tecnológicos definidos por resolução do Cons elho Federal de Medicina. 2º. o o Karina de O. As instituições referidas no art. § 3º O portador de Carteira de Identidade Civil ou de Carteira Nacional de Habilitação emitidas até a data a que s e refere o parágrafo anterior poderá manifestar sua vontade de não doador de tecidos.educapsico. A retirada post mortem de tecidos. registrando-se. § 1º Os pront uários médic os. quando couber. quanto à condição de doador ou não. serão mantidos nos arquivos das instituições referidas no art. prevalecerá aquele cuja emissão for mais recent e. 4º e seus parágrafos. de forma indelével e inviolável na Carteira de identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação da pessoa que optar por essa condição. 2º por um período mínimo de cinco anos. e 10º.com. 4º Salvo manifestação de vontade em cont rário. órgãos ou part es do corpo após a morte. a nova declaração de vontade.www. 6º e 8º. § 2º A gravação de que trata este artigo será obrigatória em todo o território nacional a todos os órgãos de identificação civil e departamentos de trânsito. 5º. Art. decorridos trinta dias da publicaç ão desta Lei. no documento.

Preferencialmente por escrito e diante de testemunhas. poderá fazer doação nos casos de t rans plante de medula óssea.educapsico. 5º A remoção post mortem de tecidos. o Karina de O. 6º É vedada a remoção post morrem de tecidos. com compatibilidade imunológica comprovada. É permitida à pessoa juridicamente capaz dispor gratuitamente de tecidos.(V ETADO) § 3º Só é permitida a doação referida neste artigo quando se t ratar de órgãos duplos. ÓRGÃOS E PARTES DO CORP O HUMANO VIVO PARA FI NS DE TRANSPLANTE OU TRATAMENTO Art.com. o cadáver será condignament e recomposto e entregue aos parentes do morto ou seus res ponsáveis legais Para sepultamento. 8º Após a retirada de partes do corpo. 7º (VETADO) Parágrafo único. 9 . § 1º . órgãos ou partes do próprio corpo vivo para fins de trans plante ou terapêuticos. órgãos ou part es do corpo de pessoas não identificadas. órgãos ou partes do corpo de pessoa juridicamente incapaz poderá ser feita desde que permitida expressament e por ambos os pais ou por seus responsáveis legais Art. órgãos ou partes de cadáver para fins de transplante ou t erapêutica somente poderá ser realizada após a autorização do patologista do serviço de verificação de óbito responsável pela investigação e citada em relatório de necrópsia. e corresponda a uma nec essidade terapêutica comprovadamente indispensável à pessoa rec eptora. § 6º O indivíduo juridicament e incapaz. especificamente o tecido. de óbito em decorrência de causa mal definida ou de outras situações nas quais houver indicação de verific ação da caus a médica da morte. a remoção de tecidos. CAPÍTULO III DA DlSPOSlÇÃO DE TECIDOS. No cas o de morte sem assistência médica.www. de partes de órgãos. § 5º A doaç ão poderá ser revogada Pelo doador ou pelos res ponsáveis legais a qualquer momento antes de sua concretização.(V ETADO) § 2º . tecidos ou partes do corpo cuja retirada não impeça o organismo do doador de continuar vivendo sem risco para a sua integridade e não repres ente grave comprometimento de suas aptidões vit ais e s aúde mental e não cause mutilação ou deformação inaceit ável.br Art. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 159 . § 4º O doador deverá autorizar. Art. desde que haja cons entimento de ambos os pais ou seus responsáveis legais e autoriz ação judicial e o ato não oferecer risco para a sua saúde. órgão ou parte do corpo objeto da retirada.

através dos meios adequados de comunicação social campanhas de esclarecimento público dos beneficies esperados a partir da vigência desta Lei e de estímulo à doação de órgãos. após aconselhamento sobre a excepcionalidade e os riscos do procedimento. se ele for juridicamente incapaz. CAPÍTULO V DAS SANÇÕES PENAIS E ADMINISTRATIV AS Seção I Dos Crimes Art. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 160 . de dois a seis anos. captaç ão e distribuição de órgãos da unidade federada onde ocorrer. (VETADO) Art.www. 14. 12. É obrigatório. O transplante ou enxert o só se fará com o consentimento expresso do receptor.reclusão. Parágrafo único. órgãos ou partes do corpo de pessoa ou cadáver. para todos os estabelecimentos de saúde. e multa de 100 a 360 dias-multa. o consentimento de que trata este artigo será dado por um de seus pais ou responsáveis legais. órgãos ou partes de seu c orpo vivo. identificada ou não.educapsico. 13. relativa a estas atividades. exceto quando se tratar de doação de tecido para ser utizado em transplante de medula óssea e o ato não oferecer risco à sua saúde ou ao fet o. CAPÍTULO IV DAS DISPOSIÇÕES COMPLEMENTARES Art. às centrais de notificação. em desacordo com as disposições desta Lei: Pena . Remover tecidos.10. Karina de O. Parágrafo único. Nos c asos em que o recept or s eja juridicamente inc apaz ou cujas condições de saúde impeçam ou comprometam a manifestação válida de sua vontade. órgão ou part e do corpo humano para pessoa determinada. Os órgãos de gestão nacional. de um de seus pais ou respons áveis legais. o diagnóstico de morte encefálica feito em pacientes por eles atendidos. através de qualquer meio de comunicação social de anúncio que configure: a) publicidade de estabelecimentos autorizados a realizar transplantes e enxertos. c) apelo público para a arrecadação de fundos para o financiament o de transplante ou enxerto em beneficio de particulares. notificar. ressalvado o disposto no parágrafo único. regional e local do Sistema Único de Saúde realizarão periodicament e. § 8º O auto t rans plante depende apenas do consentimento do próprio indivíduo. b) apelo público no sentido da doação de tecido.com.. 11.br § 7º É vedado à gestante dispor de tecidos. Art. É proibida a veiculação. Art. registrado em seu prontuário médico ou.

www.incapacidade para as ocupaç ões habituais. para sepultamento ou deixar de ent regar ou ret ardar sua entrega aos familiares ou interessados: Pena .detenção. Recolher.reclusão.perda ou inutilização de membro.educapsico. de 100 a 250 dias-multa. IV .reclusão.Enfermidade incurável. Karina de O.multa. Deixar de recompor cadáver.incapacidade permanente para o trabalho.detenção. III . de seis meses a dois anos. Art. e multa de 200 a 360 dias-multa. 18. por mais de trinta dias. e multa de 100 a 200 dias-multa. IIII . 15. órgãos ou panes do corpo humano: Pena. Realizar transplante ou enxerto em desacordo com o disposto no art. de quat ro a doze anos. de 100 a 200 dias-multa. Realizar transplante ou enxerto utilizando tecidos. facilita ou aufere qualquer vantagem com a transação. sentido ou função. guardar ou distribuir partes do corpo humano de que se tem ciência terem sido obtidos em desacordo com os dispositivos desta Lei: Pena . 19. e multa de 200 a 360 dias-multa. de 150 a 300 dias-multa.reclusão. de 100 a 150 dias-multa. de um a seis anos. § 4º Se o crime é praticado em pessoa viva e resulta morte: Pena .reclusão. e multa de 150 a 300 dias-multa.com. Art. intermedeia. sentido ou funç ão. Comprar ou vender tecidos. Art. Incorre na mesma pena quem promove. 20. 10 desta Lei e seu parágrafo único: Pena . e multa. de três a oito anos. de seis meses a dois anos. órgãos ou partes do corpo humano de que se tem ciência terem sido obtidos em desacordo com os dispositivos desta Lei. de três a dez anos. § 3º Se o crime é praticado em pessoa viva. de seis meses a dois anos. e multa. e result a para o ofendido: I . de oito a vinte anos. devolvendo-lhe aspecto condigno. transportar. IV . Art. 17. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 161 .abort o: Pena .br § 1º Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa ou por out ro motivo torpe: Pena . II . 16. II . e muita. Art.reclusão. § 2º Se o crime é praticado em pessoa viva.deformidade permanent e. Pena-reclusão. Parágrafo único.perigo de vida.debilidade permanente de membro. 11: Pena .reclusão. de três a oito anos. Publicar anúncio ou apelo público em desacordo com o disposto no art. V . e result a para o ofendido: I . Art.aceleração de parto: Pena .

§ 1º Incorre na mesma pena o estabelecimento de saúde que deixar de fazer as notificações previstas no art. conforme o disposto no art. de 4 de fevereiro de 1997.www. § 2º Em caso de reincidência. Jobim Carlos Cé sar de Albuquerque LEI N° 10. Fernando Henrique Cardoso Nelson A. 59 da Lei n. ou que não enviarem os relatórios mencionados no art. além de multa. o estabelecimento de saúde e as equipes médico cirúrgicas envolvidas poderão ser desautoriz adas temporária ou permanentemente pelas aut oridades competentes. 11. 23. sem direito a qualquer indenização ou compensação por investimentos realizados.br Seção II Das Sançõe s Administrativa s Art. CAPÍTULO VI DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 162 . 25.educapsico. § 2º Se a instituição é particular. tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e trat amento". poderá t er suas atividades suspensas temporária ou definitivamente. particularmente a Lei n. de 27 de agosto de 1962.489. (VETADO) Art.com. 24. a empresa de comunicação social que veicular anúncio em desacordo com o disposto no art. Brasília. 15. 13.117. 176º da Independência 109º da República. ao órgão de gestão estadual do Sistema Único de Saúde. o órgão de gestão estadual do Sistema Único de Saúde poderá determinar a desaut orização temporária ou permanent e da instituição. de 18 de novembro de 1992. Revogam-se as disposições em contrário. § 1º. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Karina de O. § 2º. 16 e 17. 22. Sujeita-se às penas do art. que "dispõe sobre a remoção de órgãos.º 879.º 8. de 22 de julho de 1993. No caso dos crimes previstos nos arts. 3º. § 1º Se a instituição é particular. As instituições que deixarem de manter em arquivo relatórios dos transplantes realizados. é proibida de estabelecer contratos ou convênios com entidades públicas bem como se beneficiar de créditos oriundos de instituições governamentais ou daquelas em que o Estado é acionista. 3º. a autoridade competente poderá multá-la em 200 a 360 dias-multa e.º 4. e o Decret o n.211 de 23 de março de 2001 Altera dispositivos da Lei nº 9. 434. Art. 21. Art. pelo prazo de cinco anos. 4 de fevereiro de 1997. em caso de reincidência. 14. estão sujeitas a multas de 100 a 200 dias multa.

. de 4 de fevereiro de 1997........ reta ou colateral. 4º A retirada de tecidos.. se o transplante não se realizar em dec orrência de alt eração do estado de órgãos..... aos parentes do morto ou seus res ponsáveis legais para sepultamento.... condignamente recomposto para ser entregue.... 10.... 7º ... o consentimento de que trata este artigo será dado por um de seus pais ou responsáveis legais. 1º Os dispositivos adiante indicados. dispensada esta em relação à medula óssea..educapsico.. (VE TADO)" "Art....... assim inscrito em lista única de espera.. tecidos e partes. órgãos e partes do próprio corpo vivo......." (NR) "Parágrafo único.www. órgãos e partes... da Lei nº 9...... e.. ... se verificada a hipótes e do parágrafo único do art.... o cadáver será imediatament e necropsiado. A realização de transplant es ou enxertos de tecidos. 9º É permitida à pessoa juridic ament e capaz dispor gratuitamente de tecidos........ em qualquer caso............. ou em qualquer outra pessoa..... na forma do § 4º deste artigo." (NR) "Art..... O transplante ou enxerto só s e fará com o consentimento expresso do receptor...... inclusive.... órgãos e partes do corpo humano só poderá ser aut orizada após a realização. dependerá da autorizaç ão do cônjuge ou parent e." (NR) "§ 1º Nos casos em que o receptor seja juridicamente incapaz ou cujas condições de saúde impeçam ou c ompromet am a manifestação válida da sua vontade.. firmada em documento subscrito por duas testemunhas presentes à verificação da morte..... obedecida a linha sucessória.. provocado por acidente ou incidente em seu transporte..br CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS "Art. maior de idade.com.... até o segundo grau inclusive.. órgãos e partes do corpo de pessoas falecidas para transplantes ou outra finalidade terapêutica.... em seguida..... passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.. 8º Após a retirada de tecidos......" (NR) Karina de O......... Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 163 ...434. para fins terapêuticos ou para transplantes em cônjuge ou parentes consangüíneos até o quarto grau... no doador... mediante autorização judicial... após aconselhamento sobre a excepcionalidade e os riscos do procedimento... 2º .. de todos os testes de triagem para diagnóstico de infecção e infestação exigidos em normas regulament ares expedidas pelo Ministério da Saúde....." (NR) "Art.." (NR) "§ 2º A inscrição em lista única de espera não confere ao pretenso rec eptor ou à sua família direito subjetivo a indenização..." (NR) "Art. "Parágrafo único.. que lhe seriam destinados....

de 22 de fevereiro de 2001.083-32. Art. de 04 de fevereiro de 1997. de 12 de agosto de 1998. Karina de O. FERNANDO HENRIQUE CARDOS O José Gregori e José Serra Legislação das comi ssõe s intra-hospitalares de doação de órgãos e tecidos para transplantes (CIHDOTT’ s). especialmente aqueles que disponham de Unidades de Tratamento Intensivo cadastradas como de tipo II e III. Portaria nº 905/GM Em 16 de agosto de 2000. 23 de março de 2001. Art. Considerando a Portaria GM/MS nº 3432. os hospitais integrantes do Sistema Único de Saúde/SUS no esforço coletivo de captação de órgãos. no uso de suas atribuições. de 05 de agosto de 1998. de 4 de fevereiro de 1997. que regulamenta a Lei supracitada.br Art. que sejam integrantes dos Sistemas Estaduais de Referência Hospitalar em Atendimento de Urgências e Emergências e que sejam hospitais que realizem transplantes. órgãos e partes. 4º da Lei nº 9. perdem sua validade a partir de 22 de dezembro de 2000.educapsico. que estabelece os critérios de classificação e cadastramento de Unidades de Terapia Intensiva. de forma mais efetiva e organizada.434. Art. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 164 . tecidos e part es do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras providências. de 15 de abril de 1999. O Ministro de Estado da Saúde. 3º Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória nº 2. 5º Esta Lei ent ra em vigor na data de sua publicação. 180º da Independência e 113º da República.www. Considerando a P ortaria GM/MS nº 479. Considerando a necessidade de ampliar os avanç os já obtidos na c aptação de órgãos e na realização de transplantes. que dispõe sobre a remoção de órgãos. constantes da Carteira de Identidade Civil e da Carteira Nacional de Habilitação. Considerando a necessidade de envolver. Considerando a Lei nº 9. Considerando a P ortaria GM/MS nº 3. de 30 de junho de 1997.434. que aprova o Regulamento Técnico sobre as atividades de transplante e dispõe sobre a Coordenação Nacional de Trans plantes. 4º Ficam revogados os §§ 1º a 5º do art.com.268. Brasília. Considerando o Decret o nº 2. 2º As manifestações de vontade relativas à retirada "post mortem" de tecidos.407. que cria os mecanismos para a implantaç ão dos Sistemas Estaduais de Referência Hospitalar em Atendimento de Urgências e Emergências.

por fim. especialmente as das Unidades de Tratamento Intensivo e dos S erviços de Urgência e Emergência. fixadas pela Portaria GM/MS nº 479. devendo ser composta por. possibilitando o adequado fluxo de informações. resolve: Art. o que. b .com. viabilizam uma ampliaç ão qualitativa e quantitativa na captação de órgãos. a realização do procedimento no próprio hospital tão logo seja procedida a retirada dos órgãos. 1º Estabelecer que a obrigatoriedade da existência e efetivo funcionamento de Comi ssão Intra-hospitalar de Transplantes passa a integrar o rol das exigências para cadastramento de Unidades de Tratamento Intensivo do tipo II e III. g . 03 (três) membros int egrantes de seu corpo funcional.organizar. melhor identificação dos potenciais doadores. de 12 de agosto de 1998. e Considerando que a existência e funcionamento de Comissões Intra-hospitalares de Transplantes permitem uma melhor organização do proc esso de captação de órgãos.432. facilitando. e . f . melhor articulação do hospit al com a respectiva Central de Notificaç ão. dotando-as de instrumentos que permitam sua melhor articulação com os hospitais integrantes do Sistema Único de Saúde/S US. estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 3. quando possível. mais adequada abordagem de seus familiares. d . Captação e Distribuição de Órgãos. visando a assegurar que o processo seja ágil e eficiente. de 15 de abril de 1999.articular-se com as equipes médicas do hospital. agilizar o processo de necrópsia dos doadores. o processo de captação de órgãos. que deverão estar claramente estabelecidas em seu Regimento Interno: a . nos tipos I. dentre os quais 01 (um) designado como Coordenador Intra-hospitalar de Transplantes. Captação e Distribuição de Órgãos/CNCDO. no âmbito do hospital.articular-se c om a respectiva Central de Notific ação. Karina de O. quando for o caso.br Considerando a necessidade de aprimorar o funcionamento das Centrais de Notificação. assegurando que esta ação seja. igualmente.articular-se com os respectivos Institutos Médicos Legais para.articular-se com as equipes encarregadas da verificação de morte encefálica. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 165 . no mínimo.educapsico. II e III. dentro de estritos parâmetros éticos e morais. § 2º A Comissão terá as seguintes atribuições. c . regida pelos mais estritos parâmetros éticos e morais.www. Captação e Distribuição de Órgãos. sob cuja coordenação esteja. mensalment e. no sentido de identificar os potenciais doadores e estimular seu adequado suporte para fins de doação. § 1º A Comissão de que trata este Artigo deverá ser instituída por ato formal da direç ão de cada hospital. Relat ório de Atividades à CNCDO.coordenar o processo de abordagem dos familiares dos pot enciais doadores identificados. e para inclusão de hospitais nos Sistemas de Referência Hospitalar em Atendimento de Urgências e Emergências.apresent ar.

a obrigatoriedade de haver indic ação de uma instituição parceira que atue como hospit al captador. § 2º Para os hospitais que já contam com UTI cadastradas como de tipo II ou III ou que já sejam integrantes dos Sistemas Estaduais de Referência Hospit alar em Atendimento de Urgências e Emergências. 3º Incluir as exigências abaixo discriminadas no rol das estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 3. a contar da publicação desta Portaria. devidamente chancelada pelo responsável pela CNCDO à qual o hospital esteja vinculado.a obrigatoriedade da participação do esforço de captação e retirada de órgão. o prazo para adequação à presente norma é de noventa 90 (dias). que não comprovem. como tipo II ou III.br Art.a obrigat oriedade da existência e funcionamento de Comissão Int ra-hospitalar de Transplantes. não contar com Atendimento de Urgências e Emergências e não estar vinculado a uma Organização de P rocura de Órgãos ou Córneas. o prazo para adequação a esta norma é de um 01 (ano).www.432.com. a documentação comprobatória da instituição de suas respectivas Comissões Intra-hospitalares de Transplantes. e ser condição para cadastramento. em conformidade com o estabelecido nos Artigos 1º e 2º desta Portaria. ter as at ribuições. 2º Estabelecer que. a criação e funcionament o de suas respectivas Comissões Intra-hos pitalares de Transplantes. b . § 2º No caso de hospitais já cadastrados para a realização de transplant es. consequentemente. a contar da publicação desta Portaria. a suspensão da remuneração adicional a que hoje faz jus. no prazo estipulado. de 12 de agosto de 1998. § 1º A Comissão de que trata a alínea "a" deste Artigo deverá ser instituída. devidamente chancelados pelo responsável pela CNCDO à qual o hospital esteja vinculado. enviar à S ecretaria de Assistência à Saúde/Departamento de Redes e Sistemas Assistenciais. a contar da publicaç ão desta Portaria. §1º A comprovação de que trata este Artigo se dará pelo envio dos atos de instituição da Comissão. em articulação com a respectiva CNCDO. pela UTI do hospital faltoso e/ou a exclusão do Hospital do Sistema Estadual de Referência Hospitalar em Atendiment o de Urgências e Emergências e. não serão cadastradas UTI do tipo II ou III ou incluídos hospitais nos Sistemas Estaduais de Referência Hospitalar em Atendimento de Urgências e Emergências. § 3º Os hospitais de t rata o § 2º deste Artigo deverão. Art. em seus processos de cadastramento. II e III: a . para o c adastramento de hospitais à realização de transplantes das classes I. § 4º O não cumprimento do prazo estabelecido acarret ará a perda da classificação. anexos ao processo de cadastramento. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 166 . c .educapsico. Karina de O. no cas o do hospital não realizar captação de órgãos.

no uso de suas atribuições. Art. a criaç ão e funcionamento de suas respectivas Comissões Intra-hospitalares de Trans plantes. Considerando a Portaria nº 1. 1. no praz o estipulado. a documentação comprobatória da instituição de suas respectivas Comissões Intra-hospitalares de Transplantes. revogadas as disposições em contrário. especialmente. com suas respectivas equipes médicas. § 4º A participação do es forço de captação e retirada de órgãos de que trata a alínea "b" deste Artigo se dará por meio do trabalho desenvolvido pela Comissão Intra-hospitalar de Transplantes e. 6º Esta portaria entra em vigor na dat a de sua publicação. para realização de transplantes. O MINIS TRO DE ESTA DO DA SAÚDE. de 4 de fevereiro de 1997.268.DOU 19/06/2006. e do Decreto nº2. PORTARI A MS Nº.262.educapsico. que os distribuirá obedecendo às listas únicas de receptores e a toda legislação em vigor. Art. de 30 de junho de 1997. de 23 de setembro de 2005. § 6º O hospital já cadastrado para a realização de transplantes tem o prazo de novent a 90 (dias). a contar da publicação desta Port aria. 5º Determinar que todos os órgãos captados e retirados conforme estabelecido por esta Portaria. fato que deverá ser atestado pela CNCDO quando do envio da documentaç ão de que trata o § 3º. enviar à S ecretaria de Assistência à Saúde/Departamento de Redes e Sistemas Assistenciais. deverá manifestar concordância por at o formal da sua direç ão.752/GM. para articular-se com a respectiva CNCDO e iniciar sua participaç ão das escalas estabelecidas para a retirada de órgãos. Considerando a necessidade de ampliar os avanços já obtidos na captação de tecidos de doadores em parada cardio-res piratória. II ou III que não comprovem.com. a contar da publicação desta Port aria. pela participação do hospital. que deverá ser anexada à documentação de que trata o § 3º. deverão ser destinados à respectiva Central de Notificação. § 5º A instituição parceira indicada como hospital captador. e Considerando as disposições da Lei nº 9. Captação e Distribuição de Órgãos.434. não serão cadastradas hospitais para realização de transplantes das classes I. INTE RINO. devidamente chancelada pelo responsável pela CNCDO à qual o hospital esteja vinculado. em seus processos de cadastramento. das escalas estabelecidas pela CNCDO para a retirada de órgãos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 167 . §7º O não cumprimento das exigências no prazo estabelecido acarretará o descadastramento do hospital faltoso. DE 16 DE JUNHO DE 2006 . que determina a Karina de O.br § 3º Os hospitais de trata o § 2° deste A rtigo deverão. Art.www. objeto da alínea "c" deste Artigo. 4º Estabelecer que. JOSÉ SERRA.

Karina de O. § 4º Os coordenadores em exerc ício terão o prazo até 31 de dezembro de 2006 para se adequarem à exigência do parágrafo anterior. § 3º O coordenador deverá ter certificação de Curso de Formação de Coordenadores Int raHospitalares de Doaç ão de Órgãos e Tecidos para Transplante. dentre os quais 1 (um) médico ou enfermeiro.752/GM. de 17 de agosto de 2004.www. deveres e indicadores de eficiência e do potencial de doação de órgãos e tecidos relativos às Comissões Intrahospit alares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplant e (CIHDOTT).702/GM.br constituição de Comissão Int ra-Hos pitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Trans plante (CIHDOTT) em todos os hospitais públicos. 1º A Comi ssão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante deve ser composta por no mínimo trê s membros de nível superior. designado como Coordenador Intra-Hospi talar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante.articular-se com a Central de Notificação. Capt ação e Distribuição de Órgãos dos Estados ou Distrito Federal. referente à criação da reestruturação dos hospitais de ensino no âmbito do Sistema Único de Saúde e a necessidade de organizar os indicadores e metas para as diversas instituições. 1º Aprovar o Regulamento Técnico para estabelecer as atribuições. anexo a esta Portaria. 2º Prorrogar. de 27 de setembro de 2005. integrante s do corpo funcional do estabelecimento de saúde.com. ministrado pelo Sistema Nacional de Transplante (S NT) ou pelas Centrais de Notificação. Seção 1. 9º da Portaria nº1. resolve: Art. publicada no Diário Oficial da União nº 196. de 27 de maio de 2004. o prazo estabelecido no art. de 23 de setembro de 2005. 2º Cabe à Comissão Intra-Hospit alar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante: I . e considerando a Portaria nº 1006/MS/MEC. privados e filantrópicos com mais de 80 leitos. § 2º Os membros da Comissão não devem ser integrantes de equipe de transplante e/ou remoção de órgãos ou tecidos ou int egrar equipe de diagnóstico de morte encefálica. JOSÉ AGENOR ÁLVA RES DA SILVA Capítulo I DA COMISSÃO INTRA -HOSPITA LAR DE DOA ÇÃO DE ÓRGÃOS E TECIDOS PA RA TRANSP LANTE Seção I Da Estrutura Art. até 30 de junho de 2006. validado pelo SNT. notificando as situações de possíveis doações de órgãos e tecidos. e a P ortaria nº 1. 54 . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 168 . 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicaç ão.educapsico. Art. Seção II Das Atribuições Art. pág. § 1º A Comissão de que trata este artigo deverá ser instituída por ato formal da direção de cada hospital e estar diret ament e vinculada à diretoria médica do estabelecimento. Art. Capt ação e Distribuição de Órgãos do Estado ou Distrito Federal (CNCDO).

www. Art. os indicadores de qualidade.educapsico. rotinas e prot ocolos que possibilitem o processo de doação de órgãos e tecidos. no âmbito da instituição. diagnosticando a potencialidade da captação de órgãos e tecidos. em conjunto com a Central de Notificação. VI .com.disponibilizar os insumos necessários para a captação efetiva de órgãos e tecidos no hospital.garantir uma adequada entrevista familiar para solicitação da doação. atas de reuniões. document os de notificações e doações etc.br II . rotinas e respons abilidades.avaliar a capacidade da instituição. 3º Cabe à Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante.identificar os recursos diagnósticos disponíveis na instituição. IV . II .organizar. III .definir os parâmetros a serem adotados no acompanhament o das metas da contrat ualização determinadas pela Port aria nº 1. Seção III Das Responsabilidades Art. estabelec endo metas de atuação com prazo determinado.434. juntamente com o diretor médico do estabelecimento de saúde. V . VII . 4º A Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante tem os seguintes deveres: I . exames laboratoriais e outros.702//GM de 2004.arquivar e guardar adequadamente doc ument os do doador. protocolo de verificação de morte encefálica. e encaminhar ao gestor local os indicadores de desempenho estabelecidos para o hos pital.articular-se com os profissionais de saúde encarregados do diagnóstico de morte encefálica e manutenção de potenciais doadores. II .adotar estratégias para otimizar a captação de órgãos e tecidos. considerando as suas características. V . de 4 de fevereiro de 1997. termo de c onsentimento esclarecido. com bas e no número de potenciais doadores na instituição. objetivando a otimização do processo de doação e captação de órgãos e tecidos.manter os registros de suas atividades (relatórios diários.elaborar regiment o interno e manual de atribuições. III . III .promover programa de educação continuada de todos os profissionais do estabelecimento para compreensão do processo de doação de órgãos e tecidos. necessários para a avaliação do possível doador de órgãos e/ou tecidos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 169 .estabelecer critérios de eficiência possibilitando análise de resultados. de acordo com a Lei nº 9. Captaç ão e Distribuição de Órgãos (CNCDO): I . formulários.promover programas de educação/sensibilização continuados dirigidos à comunidade.definir. Karina de O. IV . e VI .

número de leit os de UTI e existência de respiradores mecânicos em outros setores do estabelecimento de saúde.promover. Seção IV Dos Indicadores de Potencial de Doação da Instituição e de Eficiência no Desempenho das Atividades. 5º Os critérios para determinação dos indicadores do potencial de doação de órgãos e tecidos e de eficiência.supervisionar todo o processo iniciado. VI . V .número de leit os. utilizados para avaliar o desempenho das atividades são os seguintes: I .www.br IV . condiç ão de não doador em vida.causas de não remoção especificadas se por cont raindicação médica. XI . identidade desconhecida. e VII . VI . VII . nos estabelecimentos autorizados para realização de transplantes de órgãos e/ou tecidos.taxa de ocupação.notificações a CNCDO de potenciais doadores de tecidos.tempo médio de hospitalização. desde a identificação do doador.taxa de mortalidade em UTI.taxa de consentimento familiar em relação ao número de entrevistas realizadas. o acompanhamento dos indicadores de eficiência da atividade dos serviços de transplante. garantindo a efetivação da doaç ão em um praz o máximo de 6 horas após a Karina de O. Art.com. X . XII . a entrega do corpo do doador à família e responsabilizarse pela guarda e conservação e encaminhamento dos órgãos e tecidos. IX . conforme orientação da respectiva CNCDO. incluindo a retirada de órgãos e/ou tecidos. ausência de familiares presentes.apresentar mensalmente os relatórios a CNCDO. III . o t empo médio entre a conclusão do diagnóstico de morte e entrega do corpo aos familiares e de todas as etapas intermediárias.número de doações efetivas de córneas. V . IV .número de ocorrências de mortes enc efálicas diagnosticadas e notificadas a CNCDO.Entrevistar os familiares de pacientes falecidos no hospital oferecendo a possibilidade de doação de córneas.taxa de mortalidade geral da instituição com diagnósticos da causa base. relacionados com sobrevida e qualidade de vida de pacientes transplantados e encaminhar essas informaç ões a CNCDO. § 1º A possibilidade de c aptação de córneas para transplante está diretamente relacionada ao número de óbitos na instituição.número total de óbitos.promover e organizar o acolhimento às famílias doadoras durante todo o processo de doação no âmbit o da instituição.número de hospitalizações. sendo considerado adequado: I . e XIV .educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 170 . etc. conforme modelo no Anexo III. VIII .no caso de doação de órgãos. XIII . II .

60% de consentimento familiar à doação considerando os casos em que foi aplicada a entrevista familiar. em 100% dos casos. outros tecidos e partes do corpo humano deverá ser organizada pela CNCDO em regiões de abrangência de Bancos de Tecidos específicos. em conjunto com o Coordenador da CNCDO.Conduzir todas as etapas diagnósticas de qualificação do pot encial doador de órgãos em no máximo 18 horas. II . pele.Notificar a CNCDO 100% dos casos de ocorrências de diagnóstico de morte encefálica conforme resolução do Conselho Federal de Medicina em vigor e Art. excetuando-se as contra-indicaç ões médicas. excetuando-se as contra-indicaç ões médicas definidas pela CNCDO e Banco de Olhos vinculado. em 100% desses casos. facilitando os trâmites logísticos necessários à adequada captação.educapsico. válvulas cardíac as. 6º O currículo do Curs o de Formação de Coordenador Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante deve seguir as seguintes diretrizes: Karina de O. os familiares do paciente falecido.Obter um mínimo de 20% de captação efetiva de córneas em relação aos casos entrevistados.Obter no mínimo. em pacient es internados nas Unidades de Tratamento Intensivo ou out ras unidades no hospital que disponham de ventiladores mecânicos. II . III . acondicionamento e transporte do material coletado ao Banco de Tecidos. oferecendo a possibilidade de doaç ão de órgãos. § 2º A possibilidade de capt ação de órgãos para t ransplante está diretament e relacionada à ocorrência de óbitos em pacient es internados nas Unidades de Tratamento Intensivo ou unidades que disponham de equipamento de ventilação mecânica. definidas pela CNCDO.Entrevistar.br constatação do óbito.www. § 4º Compete ao Coordenador da Comissão.Obter um mínimo de 30% de efetivação da doação de órgãos sobre o total de casos notificados a CNCDO. na forma do disposto no caput deste Artigo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 171 . V . Capítulo II DOS CURSOS DE FORMAÇÃ O DE COORDE NADOR INTRA -HOSPITA LAR DE DOA ÇÃO DE ÓRGÃOS E TECIDOS PARA TRA NSPLA NTE Art. § 3º A possibilidade de captação de tecidos musculoesqueléticos. determinar os indicadores para a instituição. sendo considerado adequado: I . podendo variar conforme as características do hospital. 13 da Lei 9434 de 4 de fevereiro de 1997. A ocorrência de situações de morte encefálica nas Unidades de Tratament o Intensivo está estimada entre 10 a 14% do total de óbitos.com. IV .

informações sobre o doador a CNCDO.recomposição do corpo do doador. A carga horária estabelecida para o Curso de Formação de Coordenador Intra-Hospitalar de Transplante deve ser de no mínimo 24 horas.manutenção do doador de órgãos e tecidos. VIII . X .diagnóstico de morte encefálica. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 172 .entrevista familiar para doação e at enção à família do doador. IX . VI . III . Parágrafo único.logística do processo doação-transplante. II .educapsico.possibilidade de capacitação para a organização de um sistema de controle de qualidade de todas as ações realizadas durante o proc esso de doação de órgãos e tecidos.det ecção de potencial doador.possibilidade de capacitação para promoção de educação continuada na instituição. II . Busca-se aí a família do doador em potencial para Karina de O.br I . XI . RODRIGUES.seleção do doador.transporte dos órgãos e tecidos. A equipe de captação é extremamente importante nesse processo e é ela quem procura o doador e propõe à fam ília a doação (RECH. e IV . e XIV .www. 2007). Art. Vários são os obstáculos no que diz respeito a doação de órgãos. VII .ética em doação e transplante.com. XIII . V . XII .critérios de distribuição de órgãos. O processo se inicia quando o diagnóstico de morte encefálica é feito e não há nenhuma contra-indicação à doação. III .possibilidade de capacitação para a organizaç ão da equipe de trabalho e treinamento dos integrantes.meios de preservação e acondicionament o dos órgãos e tecidos.aspectos legais.retirada dos órgãos e tecidos. IV .possibilidade de capacitação para a elaboração de um programa estratégico próativo para detectar a existência de possíveis doadores na instituição. 7º Instruir que outros aspectos a s erem abordados durante a realização do curso sejam relacionados à: I . Abordagem da família do doador.

sobre as conseqüências no corpo e no velório. CIHDOTT. médicos. deve-se respeitar a decisão da família e não impor juízos de valo e moral.com. Primeiro o médico intersivista informa sobre a morte encefálica e esclarece todas as dúvidas da família. o fato da família não ter que arcar com nenhum custo relativo a doação. RODRIGUES. RODRIGUES. livre de interferências e com a participação dos membros da família e possíveis amigos desejados pela família. é importante que eles estejam seguros e demonstrem uma preocupação com a família. seu ente querido está morto (RECH. Também é aconselhável que esta seja feita em ambiente calmo e confortável. RODRIGUES. Rech e Rodrigues (2007) apontam que o melhor momento para se abordar a questão da doação com os familiares parece ser logo após a notícia da morte. RODRIGUES. técnica é denominada de “desacoplamento”. Além disso. 13. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 173 . 2007). SNT Karina de O. Segue-se então com os esclarecimentos sobre a doação. No que diz respeito a entrevista com esses familiares. RODRIGUES. uma outra equipe faria a investidura para a doação de órgãos. Além disso. sobre o que aconteceu com seu familiar/ amigo e também suas dúvidas e deve-se certificar que todos ali presentes tenham claro que o doador em potencial.www. Num segundo momento. Nesse momento também é reiterado a família a possibilidade de voltar atrás sobre o consentimento da doação mesmo após a assinatura do termo (RECH. No início deve-se permitir que a família fale sobre seus sentimentos. fazendo-os sentir-se confortáveis com qualquer que seja a sua decisão (RECH. Modelo Brasileiro: SNT.educapsico. orienta-se que as pessoas que irão realizar essa entrevista sejam especificamente treinadas para isso. Casos de doação de córneas podem ser autorizados até mesmo pelo telefone (RECH. 2007). Duas equipes participam desse processo. Deve ser garantido a família um tempo para refletir sobre a doação longe do entrevistador e da equipe. assistentes sociais e enfermeiros podem realiza-la. 2007). e os profissionais psicólogos. CNCDO’s. 2007).br propor a doação. já que esses fatores estão relacionados com maiores taxas de consentimento (RECH. entre outras preocupações que os familiares possam ter. 2007).

é o candidato a receber o novo órgão. O programa faz o cruzamento entre os dados de doador e receptor e apresenta dez opções mais compatíveis com o órgão.com.gov. o que faz com que Brasil tenha um dos maiores programas públicos de transplantes (saúde. no Brasil. Os dados são organizados em um programa de computador. Nesta etapa. o receptor ainda não é comunicado. a saber: 1.br” CMCDO´s. Captação e Distribuição de Órgãos tem suas atribuições previstas na lei 9434 (já transcrita nessa apostila). Nesse momento. 2. Só suas iniciais e números são mostrados. Karina de O. Nessa etapa. O receptor preenche uma ficha e faz exames para determinar suas características encontra-se listada a forma de funcionamento do sangüíneas. 3.br). 5. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 174 . 4. A ordem cronológica é usada principalmente como critério de desempate. todos os profissionais da central têm acesso ao cadastro. o acesso ao cadastro fica restrito à chefia da central. O funcionamento baseado na legislação vigente já foi abordado no item anterior dessa apostila. CNCDO´s As Centrais de Notificação. Quando aparece um órgão. 7. 8.br).gov. Se não estiver bem de saúde. A nova bateria de exames aponta o receptor mais compatível. No site “saúde. O médico do receptor é contatado para responder sobre o estado de saúde do receptor. mais de 555 estabelecimentos de saúde são autorizados pelo Sistema Nacional de transplante (SNT) a realizar transplantes. além de centrais regionais (saude. o processo recomeça.br Hoje. Se ele estiver em boas condições. da estatura física e antigênicas (o caso dos rins). ele é submetido a exames e os resultados são enviados para o computador.www. 6. Conta hoje com 24 centrais estaduais. Os dez pacientes não são identificados pelo nome para evitar favorecimento. O laboratório refaz vários exames e realiza outros novos com material armazenado desse receptor.gov.educapsico.

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