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UMA HISTÓRIA DE MUITAS HISTÓRIAS

UMA HISTÓRIA DE MUITAS HISTÓRIAS Pedaços da minha vida Pedaços do meu Sertão Sob a luz

Pedaços da minha vida Pedaços do meu Sertão Sob a luz da poesia Carlinda Nunes de Brito Brasília - DF

Justificativa:

A primeira parte deste livro é uma retrospectiva, uma volta ao passado, uma alusão às

primeiras famílias que impulsionaram o progresso da minha terra natal, Itapetim – PE A

segunda parte refiro-me aos impulsos, sonhos e motivações de minha adolescência, procurando descrever,com felicidade, a minha busca, os meus anseios, mostrando que, foi através do AMOR que encontrei respostas e soluções para todos os problemas e dilemas com os quais me envolvi em várias fases da minha vida.

O AMOR me levou ao misticismo e a busca de algo mais profundo, o verdadeiro

sentido da vida.

E assim eu conto em versos meus desafios diante das dificuldades e contingências

familiares, estruturais, humanas e sociais, bem como o redimensionamento das opções

de vida, feitas conscientemente sob a luz da filosofia do AMOR, a tônica dominante dos

meu atos e dos meus versos, que reconhecendo não terem muita poesia, talvez apenas construção de rimas que expressam a minha maneira de ver, sentir e enfrentar o mundo, engajar-me e adaptar-me as paralelas, sem me deixar abater, e encontrando sempre uma resposta na grande via de acesso à vida: o AMOR

AGRADECIMENTOS:

Desembargador Valdeci Confessor que oportunizou minha entrada ao curso ginasial;

Seu

Juvêncio

Bezerra Leite

e

sua

filha,

Anísia Bezerra

de

Farias,

pelo

acolhimento na Cidade de Patos-PB, para estudar no Colégio Roberto Simonse;

de Patos-PB, para estudar no Colégio Roberto Simonse; • A todas as Irmãs do Colégio Cristo

A todas as Irmãs do Colégio Cristo Rei em Patos-PB, pelo internato e seqüencia dos estudos como candidata à Vida Religiosa, tendo me tornado, à época, a Irmã Sulamita .

internato e seqüencia dos estudos como candidata à Vida Religiosa, tendo me tornado, à época, a

Sobre a autora:

Sobre a autora: Carlinda Nunes de Brito nasceu em 04/01/1940, no Sítio Riacho Salgado, pertencente ao

Carlinda Nunes de Brito nasceu em 04/01/1940, no Sítio Riacho Salgado, pertencente ao Municipio de Itapetim - PE, onde viveu sua infância e adolescência, do sítio para a cidade, até seus 18 anos. Alfabetizou-se na escola do engenho dos Sampaios , e em casa estudava, lia, fazia poesias com ajuda dos trabalhadores do engenho de seus pais , avós e bisavós. Em seguida estudou a quinta série no grupo escolar Dom José Lopes com a professora e prima Jacimã Leite, preparando-se para o exame de Admissão ao Ginásio, recebendo grande ajuda e incentivo do professor Valdeci Gomes Confessor, foi aprovada, mas não teve condições para estudar em São José do Egito, uma cidade vizinha que tinha colégio e, naquela época, a Cidade de Itapetim só tinha até o curso primário.

Foi convidada pelo fazendeiro André Bitu e sua esposa Dona Dorita para alfabetizar suas filhas: Socorro e Rilva, além de seus moradores e vizinhos da Fazenda Riacho Verde, de sua propriedade, por não haver uma Escola Rural na região próxima era comum a professora ser paga pelo fazendeiro e residir com a família. Em 1960, por orientação de seu Juvêncio Bezerra, um comerciante próspero da cidade e casado com uma prima sua, foi morar em Patos-PB com Anísia Bezerra de Farias para ajudar nas tarefas de casa e dar continuidade aos seus estudos à noite no Colégio Roberto Simonsen. Em seguida mudou seus objetivos de vida e resolveu entrar no convento da Congregação das Filhas do Amor Divino, através do Colégio Cristo Rei, onde estudou a segunda série ginasial e foi transferida para o postulantado em Natal, no Rio Grande do Norte, onde continuou os estudos.

Depois foi admitida ao noviciado e recebeu o hábito tornando-se a Irmã Sulamita, permanecendo na Congregação por 12 anos. Deixou a Congregação por motivos familiares (arrimo de família). Como professora estadual e municipal, em Natal, assumiu a responsabilidade de manter seus pais uma vez que, naquela época, não existiam a aposentadoria e o Funrural. Finda a temporada em Natal, mudou-se para Brasília em busca de melhores empregos na área de educação e psicologia, onde casou-se com o primo José Paulino Nunes, economista e militar da Marinha Naval, onde reside até hoje.

Dessa união nasceu Carlos Alberto que lhe deu duas netinhas: Fernanda e Raphaela. Nunca deixou Itapetim fora de seus objetivos e um dia talvez possa retornar a concha familiar e espiritual, para de novo juntar-se aos seus familiares, ao seu povo, às suas raízes.

Longe muito longe da gleba onde nasci, nunca consegui esquecer nem perder de vista aquele recanto íngreme que nas épocas de seca ao prenúncio das chuvas, já se

transformava num paraíso acolhedor onde a própria natureza se encarregava da arbórea ornamentação. Todos aqueles elementos naturais e paisagísticos estão profundamente ligados a minha personalidade. Sinto que a minha energia psíquica tem algo daquela química nordestina e me sinto pedaço, continuação daquela realidade que trago latente em meu ser.

Identifico-me com o solo ardil, com as quietudes das tardes, com o sereno da noite, com as fases da lua, com a escuridão das madrugadas frias. Identifico-me com o sertão nordestino em si, com os seus variados climas, com a alegria dos pássaros nas temporadas de inverno.

Identifico-me, igualmente, com a gente humilde com sua linguagem transparente que traduz a verdade na mais alta expressão do sentimento. Sofro quando o Nordeste sofre as agruras da seca, o abandono dos governos e a insensatez dos políticos e vibro, igualmente, com os anos promissores e com aqueles que conscientemente lutam pelo seu desenvolvimento e com o progresso que lentamente está chegando por lá

VtÜÄ|ÇwtVtÜÄ|ÇwtVtÜÄ|ÇwtVtÜÄ|Çwt aâÇxáaâÇxáaâÇxáaâÇxá wxwxwxwx UÜ|àÉUÜ|àÉUÜ|àÉUÜ|àÉ

Prefácio – Professor Benone Lopes:

À minha prima Carlinda :

De Nininha a Sulamita De Sulamita a Carlinda,

Carlinda : De Nininha a Sulamita De Sulamita a Carlinda, Nunca temos o destino nas nossas

Nunca temos o destino nas nossas mãos, Podemos determiná-lo pelo ideal, por tudo aquilo que realmente queremos e pela determinação com que nos firmamos para o que queremos conquistar. Não poderia sequer descrever, ou mesmo analisar a determinação com que se firmou essa criatura sensacional, de coração e alma incomparáveis, na conquista do seu ideal.

Nos seus versos descreveu de maneira simples mas, verdadeiramente harmoniosa, sua história e todos os fatos que comprovam sua determinação como gente, como pessoa e como criatura humana, que soube definir-se seguramente nas suas decisões. Sua vida reflete simplicidade. Sua história espelha humanidade. Seus atos exprimem a grandeza de sua alma. Consciente de seus ideais, quando a vida lhe parecia infortúnio, soube ouvir a voz do Senhor atendendo ao chamado de Cristo, que a esperava no seu lugar

verdadeiro

No seu hábito religioso soube demonstrar ao passar de cada dia, a forma simples de

amar, doar-se, de conquistar seus ideais, de fazer amizade e de ser querida por todos que

a rodeavam.

Como educadora é exemplo de dedicação, empenhando-se para a formação de pessoas humanas, de cidadãos conscientes, capazes de proverem sua própria existência. Despiu-se do seu hábito religioso e, hoje, como filha, mãe e esposa, continua a atender a voz do Senhor, continua ofertando seu mais puro gesto de verdadeira oração de amor.

A essa criatura maravilhosa, por quem tenho uma profunda admiração, como nada tenho

a lhe oferecer, senão a minha amizade, meu carinho e reconhecimento de sua bondade.

Deixo nesta mensagem toda a minha sinceridade e prova de minha admiração pela sua personalidade e firmeza de determinações. Terás sempre em cada amanhecer Uma luz brilhando em teu caminho Em outras vidas farás resplandecer A bondade de Deus com teu carinho E farás do amor toda beleza Dessa vida que Deus te consagrou Com teus gestos simples de grandeza És a mesma Imã na caridade Pela força que tens na amizade Vais pregando a paz e o amor.

Do primo e amigo:

BenoneBenoneBenoneBenone LopesLopesLopesLopes

Itapetim, 25 de janeiro de 1987

Prefácio – Maria das Neves Marinho (in memoriam):

Carlinda, Nem sei mesmo porque me pediste para figurar no prefácio do teu livro, fiquei surpresa, não foi pouca sorte tua? Quem sou eu para falar da poetisa Carlinda, flor dos campos de Itapetim que certamente bebeu na mesma fonte de Rogaciano Leite, nosso poeta maior.

A pessoa de Carlinda eu já conhecia de longas datas, mas a poetisa somente agora

conheci, e fiquei deveras emocionada com a história de seus antepassados, que ela conta

em versos simples cheios de sentimento, saudades, emoções e, acima de tudo, de tanto amor! Posso aproveitar o sentimento do poeta e dizer como disse ele: “Pois algo que se quer quando se escreve/ Pega-se a pena em traços idéias.”

Eis aí o fruto dessas idéias que saíram numa efusão de sentimentos, arrancados do coração para a mente e da mente para o papel, porque não podiam mais calar na alma da poetisa e brotavam para aliviar o peito de alguém que soluçava numa avalanche de recordações.

É só o que sei dizer da poetisa, certa porém, que ela merece muito mais. E da poetisa

humana que ela é? O que posso dizer de alguém que muitas vezes me fez parar para refletir sobre si e nessas reflexões fiquei certa de que nunca seria capaz sequer de imitá- la. Pois é por tudo isso que eu digo: pra frente mulher corajosa! Reparte comigo o que Deus te sobra e eu serei uma pessoa fortalecida com capacidade para contribuir na mudança desse mundo conturbado, num mundo de harmonia, onde todos juntos possam

de mãos dadas entoarem a mesma canção, a canção da paz!

`tÜ|t`tÜ|t`tÜ|t`tÜ|t wtwtáwtwtááá axäxáaxäxáaxäxáaxäxá `tÜ|Ç{É`tÜ|Ç{É`tÜ|Ç{É`tÜ|Ç{É

São José do Egito, março de 1989

Prefácio – Jó Patriota (in memoriam):

Prefácio – Jó Patriota (in memoriam): De Jó Patriota para Carlinda, um verso improvisado que fez

De Jó Patriota para Carlinda, um verso improvisado que fez em alusão ao seu passado e misticamente se afina com as páginas deste livro, onde ele entra em cena como personagem inspirador do mesmo:

“A infância esquecer não há quem possa Guardo dela algum filme em minha mente Na beleza que vem do sol nascente Dóira o terreiro da palhoça O meu pai regressando de uma roça Eu recordo na hora que anoitece Minha mãe ajoelhada numa prece Evitar de eu lembrar não há quem faça Passa tudo na vida, tudo passa Mas nem tudo que passa a gente esquece!

Sobre o livro:

1

Um livro para a família Para os amigos também Escrito aqui em Brasília

Com um desejo porém De deixar com a minha história Um pouquinho de memória De uma distante cidade Dos que por lá passaram

E com certeza deixaram

Marcas de muita saudade

2

São minhas reminiscências

E minhas recordações

São minhas experiências Êxitos e desilusões Desta minha travessia Em forma de poesia É dura, é realística

É um forte sentimento

Mesclando meu pensamento

É minha visão humanística

3

São rimas em construção Que vão formando meus versos Realidade e ação

E nestes deixo impresso

Minha vida detalhada Minha íngreme caminhada Minha origem e parentela Minha maneira de ser

Deixando pra você ler

De forma simples, singela

4

Nasci longe, no Sertão No interior do Nordeste Na indômita região Entre leste e o oeste Do meu bravo Pernambuco Solo de Joaquim Nabuco Terra enfim das vaquejadas

De poetas violeiros Grandes vates seresteiros Das noites enluaradas

CAPÍTULO I MEU RIACHO SALGADO:

CAPÍTULO I MEU RIACHO SALGADO: 5 Sou filha de Itapetim Que quer dizer pedras soltas Tão

5

Sou filha de Itapetim Que quer dizer pedras soltas

Tão linda quanto um jardim Com suas praças em volta Por sua típica aragem Embelezando a paisagem Daquele árido rincão Onde a torre imponente Da Igreja ali presente Se faz ornamentação

6

E foi em teu município

Que apareceu um riacho Que deu o nome ao sítio Que nesses versos encaixo

É dele que eu vou falar

Minhas saudades matar Foi o Riacho mais doce Na região encontrado Mas por Riacho Salgado Um dia assim batizou-se

7

Riacho Salgado era Uma ótima Região Com certeza a primavera Dentro daquele sertão Água pura bem saudável

Qualquer criação viável Gado, suíno e galinhas Tudo lá bem se criava

E a vizinhança gostava

Do Riacho dos “ Ritinhas ”

8

Em janeiro se aguardava

A chuva com ansiedade A terra se preparava Naquela realidade Descer água no sertão

Quando se ouvia o trovão

A tardinha ribumbar

Era mais uma esperança

Aproximava a bonança Tudo ia melhorar

9

Eu cresci vendo as belezas

Do cenário pastoril

E também as sutilezas

Daquele céu cor de anil Hora claro e ostentoso

Outras vezes tenebroso Com relâmpagos e trovões Assustando a meninada Anunciando a coalhada Alegria dos sertões

10

A noite a chuva caia

Fortemente no telhado De manhã o sol nascia

E tudo estava alagado

Um sol sem brilho e moroso Meu pai homem corajoso Ativo e experiente Com a enxada ia cavando E nós, crianças plantando Atrás a escolhida semente

11

Em frente a casa se via

O açude velho sangrando

A natureza sorria A região alegrando Aquelas águas barrentas Passando por mil tormentas Lavando todo baixio

Trazendo húmus da serra

O Nilo da nossa terra

Auxiliando o plantio

12

Cheiro de terra molhada Mata pasto e marmeleiro

O tilintar da enxada

Depois de um grande aguaceiro

A vida toda mudava

A passarada cantava Sua canção maviosa Embelezando o cenário Daquele santo sacrário

De terra boa e rochosa

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Os campos enverdeciam

Trocando sua roupagem Arbustos apareciam Mudando toda paisagem A caatinga floria

Era um show de alegria

O sapo boi coaxava

Anunciando outra cheia

A mata virava aldeia Onde o poeta sonhava

14

Quando os açudes sangravam Íamos aprender nadar Os cabaços se amarravam Para não nos afogar Os troncos das bananeiras Eram nossas nadadeiras Sem biquini, sem maiô Numa pureza total Era tudo natural Do jeito que Deus criou

15

Se a chuva não faltava Era na certa fartura Cada vez mais se plantava Milho, feijão a altura Fazia-se o adjunto Onde todo mundo junto Trabalhava em mutirão

Assim todos se ajudavam E a colheita esperavam Com grande satisfação

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Marreco e galinha d’água Grasnavam lá no açude

E eu tinha grande mágoa

Do caçador sem virtude De traiçoeira espingarda Disparando uma rajada Quebrando a sintonia No seio da natureza Deixando ali a tristeza Num gesto de covardia

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A tardinha os bacuraus

Saltitavam no terreiro Tinham a mesma cor dos paus Das cercas do galinheiro Diziam ser agourentos Traziam maus pensamentos E a calma do sol poente

O horizonte envolvia

Tudo ali entristecia

Quase repentinamente

18

O pequeno candeeiro

Era hora de acender Vagalumes no terreiro Faziam a gente temer Parecia assombração Piscando na escuridão Mais tarde a lua minguante Surgia lá bem fininha Parecendo uma lasquinha De algum bruto diamante

19

As galinhas logo cedo Subiam para o poleiro Indicando um certo medo Do maracajá trigueiro Porém jolí, o cachorro Prestava logo socorro Jolí o fiel amigo

Que na fria madrugada Espantava a bicharada E afastava o perigo

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Nesta hora a tristeza Dominava a amplidão

O sol em sua nobreza

Dava vez a escuridão Os pássaros todos calavam Só os insetos piavam

A toada melancólica

Deixando a noite assombrosa

Até que a manhã garbosa

Surgisse linda e bucólica

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Setembro mês de moagem Como era bom no engenho Um contínuo vai e vem De todos via-se empenho Ah! Tempo bom que se foi

Até do carro de boi Grande saudade ficou Não se ouviu mais o grito Do boiadeiro perito Que por ali trabalhou

22

O carro de boi cheinho

De cana vinha chiando

O canavial verdinho

Os homens iam cortando Para as moendas levando As almanjarras rodando

Feixes de cana espremendo Muita garapa saindo

E lá no parol caindo

Depois nas tachas fervendo

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O mestre e o caldeireiro

A garapa ia limpando

Há de longe um grande cheiro De mel quente borbulhando

E o mestre habilidoso

Num calorão vaporoso

O melado ia mexendo

A rapadura cheirando

No ponto ia chegando E nas formas endurecendo

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O paiol de rapadura

Na casa grande guardado

Era a principal cultura Que ali deixava saldo

E era o que garantia

Com enorme serventia

O dinheiro e o alimento

Em qualquer necessidade

Naquela realidade

Rapadura era o sustento

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Quando passava a moagem

O engenho entristecia

Deserta sua paisagem

Barulho não se ouvia

A fornalha esfriava

Carro de boi não chiava

A

bagaceira secando

bastante amarelada

Pelo sol toda queimada

Novo plantio esperando

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Num quarto grande escuro

Tinha um caixão de farinha

E também coco maduro

Milho, feijão também tinha

Vários depósitos de zinco

Se contava mais de cinco Ali tudo se guardava

Em termos de agricultura Havia muita fartura

E fruta nunca faltava

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A casa dos meus avós

Era grande e conjugada Com a casa dos bisavós Por fora pela calçada E por dentro um corredor Comprido e acolhedor Mantinha a família unida

Com grande satisfação Era a revelação Daquela forma de vida

28

Da casa de Pai João Não poderei esquecer Está no meu coração Faz parte do meu viver Sentir hoje essa saudade É uma necessidade Pois a alma sertaneja Cultiva suas raízes

Descreve a fundo as matizes Quando o coração almeja

29

A casa grande caiada Do meu avô João Ritinha Era uma casa animada E de pintura branquinha Lá nunca faltava gente Recebia-se alegremente A visita que chegava Pro almoço ou pro jantar Teria que se esperar

Pois Mãe Quina convidava

30

Te vejo casinha branca De pilares rodeada Tinha acolhida franca E uma alta calçada

E varanda de madeira

Com jasmins e trepadeira Em cada pilar um vaso De cravinas, que a tardinha Beijá-las o sol já vinha Na ida pro seu ocaso

31

Jasmim e mimo do céu Crisantinas e roseiras Boninas nasciam ao léu

Lá debaixo das biqueiras

E as ervas medicinais

Para sustar os sinais De dores e mal estar

O mastruz a carobeira

Capim santo erva cidreira

Pra qualquer hora tomar

32

No mês de março rezava-se Pra Virgem da Conceição Trinta e um dia cantava-se Com imensa devoção Minha bisavó “ Mainha ” Todos unidos mantinha Ela era a forte raiz Daquele clã fervoroso

“ Painho ” manso e generoso Símbolo do homem feliz

33

Pai João, Mãe Quina também

Seguindo a mesma lição A todos fazer o bem

E a ninguém dizer não E na arte de servir

Sabiam se dividir Mesmo na diversidade Tentavam compreender

E a todos atender

Sem ferir a unidade

34

Pai João tocava viola

Quando da roça chegava

A manga e a graviola

No seu bisaco guardava

Eu pulava da janela

A

pôr água na gamela

E

os

seu pés eu lavava

E

na sagrada escritura Ela fazia a leitura

E

depois me explicava

35

Mãe Quina era habilidosa Fazia renda e bordava Na costura cuidadosa E muito bem cozinhava Nos lábios sempre um conselho Ter Jesus como um espelho Não criticar a ninguém

Saber usar o perdão Ser enfim um bom cristão Sem orgulho e sem desdém

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Os meus pais eram sinceros Mandavam cedo deitar

E por serem mais severos

Bem mais cedo levantar Não reclamar, não mentir

Não fica com “ qui ” “ qui ” “ qui ” Aguar bem o canteiro Os potes d’água encher

A casa toda varrer

Principalmente os terreiros

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Só uma escola rural

Havia lá no Juá Considerada ideal Íamos todos pra lá

Na mochila um lanchinho

E de manhã bem cedinho

Pra nesta escola chegar Viajávamos meia légua

No lombo de uma égua Felizes a cavalgar

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Era assim que se vivia Lá em Riacho Salgado Quando o dia amanhecia

O pai ia pro roçado

A gente para a escola Com os livros na sacola Antes que a gente saísse Ouvia-se um sermão Aprender bem a lição E não trazer “disse, me disse”

39

A meninada crescia

Com muita simplicidade

O luxo desconhecia

Quase não se ia a cidade No sítio tinha de tudo Só era fraco o estudo Somente aprender a ler

Contar com habilidade Para em necessidade Alguma carta escrever

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Da casa de Pai João Não esqueço o jardim Bem na porta o sombrião Pé de arvoredo e jasmim Hoje só resta a lembrança Do meu tempo de criança

Do sítio mais nada existe Nem engenho, nem plantações Das casas só os torrões Naquele recanto triste

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Recorde onde eu nasci Sítio Riacho Salgado Lá eu brinquei e vivi Hoje ele está acabado

Não mais nenhum “ Ritinha ” Marmeleiro, erva daninha Cobriram toda paisagem As nossas casas caíram Os engenhos também ruíram E até nossa linhagem

42

Dos nossos antepassados Ainda restou Mãe Quina Daqueles entes amados Ela cumpriu sua sina Pai João foi, ela ficou E cinco anos esperou Partindo para eternidade Para os filhos e para os netos Bisnetos e tetranetos A dor da grande saudade

43

Hoje tudo é passado Um sonho, uma miragem Quero deixar registrado Neste livro a passagem De uma família pobre Mas de caráter mais nobre Que por ali já passou

E com muita honestidade

Passou deixando saudade

E um exemplo que ficou

CAPÍTULO II MINHA ADOLESCÊNCIA:

CAPÍTULO II MINHA ADOLESCÊNCIA: 44 Como toda adolescente Em tudo eu era igual Às vezes irreverente

44

Como toda adolescente

Em tudo eu era igual Às vezes irreverente Outras cheias de ideal Gostava de passear

E muito mais de dançar

Aos quinze anos queria

Conquistar a independência

E não tinha paciência

De aguardar esse dia

45

Gostava muito de ler

E também de analisar

Os fatos para saber Discutir e contestar Gostava de poesia Versos de feira eu lia Cordel e literatura Lia até dicionário Almanaque e anuário

Na busca de mais cultura

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Um personagem importante

Motivou-me a adolescência Uma pessoa brilhante

E de grande inteligência

O qual foi JÓ PATRIOTA Aqui merece uma nota Envolvendo só a mim Ele não sabia, enfim

Deste amor sua extensão

47

Ele um boêmio afamado Com a viola na mão Era muito procurado Pelas jovens da região Saudava a todas elas Com frases muito singelas Improvisava um poema deste que encanta a alma Mas depois pedia calma Deixando as vitimas em dilema

48

Sonhadora, adolescente Não deixei de cair nessa

De maneira diferente Interpretei a conversa Jó cantava alegremente Era um mito feito gente

Mui simpático e cavalheiro Soube disse e me escreveu Algo que me comoveu Pelo seu tom verdadeiro

49

Não pensava em casamento

Vivia para cantar Tinha outro pensamento

E não podia me dar

Aquela felicidade

E diante esta verdade

Eu procurei aceitar

E resolvi abrir mão

Pôr fim nesta questão Novo sonho recomeçar

50

E sem ser correspondida

Comecei a procurar uma outra forma de vida Algo maior abraçar

Quando alguém me segredou Que já de outro escutou

E me falou com carinho

Sabendo que eu sofreria Mas o Jó se casaria Com a Dasneves Marinho

51

Foi um impulso a mais Na minha resolução

Me veio um súbito de paz Digo até de elevação Senti-me livre de lei Do grande amor que jurei

E pelos dois fui rezar

Neste sentimento misto Resolvi doar-me a Cristo

E para o convento entrar

52

Dasneves era um talento Verdadeira alegria

Um perfeito casamento Se dava na poesia Deus tem lá suas razões Também suas provações

Eu encontrei no convento

A razão do meu viver

Não tinha porque sofrer

Em Cristo encontrei alento

53

Meus pais não se agradaram

Dessa idéia de convento E até se opuseram Mas deram consentimento

Pois eu sempre quis sair Outras coisas descobrir Eu tinha que aprofundar E também compreender Melhor a Deus conhecer

E meu espírito elevar

54

Eu gostava de viver

E de nada tinha medo

Queria tudo entender

E comecei muito cedo

Com desejo de mudar

Minha vida transformar

E nos estudos buscar

De Itapetim ir além Ser útil a mais alguém Talvez um dia voltar

55

Essa ida pro convento Parecia uma aventura Mas o meu pensamento

Repousava na ternura Não via nisto mistério

E levava a vida a sério

Queria mesmo ir a fundo

Meu pai me fazia medo Dizia ser um degredo O outro lado do mundo

56

Eu não podia ficar Na minha querida roça

O jeito era deixar

Minha terra, minha choça Tinha mais que procurar Algo para acreditar Só o Cristo era real Só Ele era infinito Para mim não era mito Nascia meu ideal

57

Para poder decidir Passei um ano pensando Me exercitei no servir

Com a prima Anísia morando Da casa dela cuidando

E à noite estudando

Cinco horas levantava Para a missa da matriz

E lá em Patos eu fiz

A opção que sonhava

58

Depois eu fiquei interna No Colégio Cristo Rei

E de aluna moderna

Não me diferenciei Mostrei um bom desempenho Orgulho que ainda tenho As Irmãs me observando Pra ver se eu tinha talento Para a vida do convento Que eu estava experimentando

59

Era muito bem tratada E a tudo correspondia No final fui aprovada

E já esperava o dia

De passar pela triagem E depois seguir viagem Teria que me encontrar Com a Madre Provincial

Pra receber o sinal Se poderia ingressar

60

Abri meu coração Contei toda minha história

Quando esperava um "não" Daquela alma notória Que atentamente escutou Para mim assim falou:

- Você vai para Natal Continuar estudando Devagar analisando Se é este seu ideal

CAPÍTULO III IRMÃ SULAMITA

CAPÍTULO III IRMÃ SULAMITA 61 E em Natal eu fiquei Com a mestra do Juvenato Logo

61

E em Natal eu fiquei

Com a mestra do Juvenato Logo me adaptei Àquele pensionato Onde as jovens que chegavam As vestes comuns trocavam

E naquele ambiente

De trabalho e oração Sob a orientação De uma alma inteligente

62

Com dias de experiência Eu já era candidata Já demonstrava vivência

Era uma coisa nata

E o dia determinado

Para o noviciado Era dois de fevereiro Para o hábito receber Só para Cristo viver

Como causa e amor primeiro

63

Eu busquei sem mágoa e dor Nesta minha doação Estender o meu amor Ao próximo, ao meu irmão

Procurei esquecer tudo Dediquei-me ao estudo Denotei-me a oração Com fervor e alegria Encontrando a cada dia Da vida toda razão

64

coComecei a aprofundar

E nem sentia saudade

Por longe dos meus estar

E fui me distanciando

Em outra clima entrando Sempre alegre e dedicada Àquela realidade Vivendo a fraternidade Perfeitamente engajada

65

Após um longo retiro E muita reflexão

Era o dia me refiro Da solene vestição A capela engalanada

E de flores perfumada

Com bastante assistentes Sons de órgãos e violino

“Sponsa Cristi” era o hino Emocionando aos presentes

66

De branco todas vestidas

Com grinalda e finos véus Todas em prece unidas Agradecíamos aos céus Muitas graças e louvores

O altar cheio de flores

E de sírios crepitando E a família reunida

Ante aquela nova vida

Que estávamos abraçando

67

Ali deixávamos tudo O nome também mudávamos Após meses de estudo Tudo novo começávamos Com muita felicidade Jurávamos sinceridade Àquela Congregação Pra no evangelho buscar Forças pra vivenciar O amor e a oração

68

Eu deixei de ser Carlinda Pra ser Irmã Sulamita Numa gratidão infinda Por me sentir já inscrita Naquela Congregação A vida era uma lição De amor a conduzir

Em busca da perfeição E da realização Pra Jesus Cristo servir

69

E Com uma mestra polonesa

Todo dia era estudado

O princípio da pobreza

A vida de muitos santos

A ordem nos quatro cantos O silêncio , a oração Lemas de fraternidade Vivência de caridade Muito trabalho e unção

70

Como noviça passei

Dois anos de experiência As normas assimilei Em nome da obediência Busquei na Teologia Também na Filosofia

O sentido, a explicação

De ter tudo na pobreza No meio até da riqueza Pobreza era a profissão

71

A pobreza e a obediência E também a castidade Eram notas de lealdade

E ponto de consciência

Com muita orientação Também fé e oração Podia-se realizar Aquele estado de vida

Por tanta gente esquecida

E fácil de exercitar

72

Pra mim não tinha segredo Tudo era simples demais Eu só tinha muito medo De um dia voltar atrás Muitas jovens desistiam

E para sair pediam

Outras se adaptavam Demonstrando grande zelo Trabalhando com desvelo Pra casa jamais voltavam

73

Eu pensava estar segura Na concha espiritual

Sob aquela estrutura De vida tão fraternal Eu não via sacrifício Naquele santo ofício

Por isso me perguntava:

Fui mesmo por Deus chamada Para a vida consagrada? - As vezes eu desconfiava

74

E os jardins do convento Convidavam a oração Inspiravam um sentimento Que tocava o coração Tinha um “quê” de poesia Singeleza e harmonia Com os planos elevados Da espiritualidade Onde o amor e a caridade

São os dons mais inspirados

75

Quando o sino da capela De madrugada chamava Eu deixava a minha sela E para lá me encaminhava Pro ofício matinal Nas mãos eu tinha um missal, No peito um crucifixo, Recitava o rosário Em frente o Santo Sacrário Diante d’um lume fixo

76

A tardinha se rezava O ofício em latim E o “TE DEUM” se cantava Nas varandas do jardim, Depois a meditação, O silêncio, a emoção Invadiam o ambiente

Tudo falava de amor Muita paz interior Fazia-se ali presente

77

Em Natal no Alecrim Onde ficava o convento No centro tinha um jardim Com pinheiros ao relento Ali estava a raiz Da grande casa matriz

Da província do Brasil Onde as Irmãs estrangeiras Nas paragens brasileiras Instalaram seu redil

78

Era um pedaço da Áustria Engastado no Brasil Das estrangeiras a pátria Neste solo tão ardil Aliança da cultura

Se dava nesta mistura Francisca Lechener expandiu Para o Brasil enviou Seu rebanho aqui ficou E daqui jamais saiu

79

Nos fins de tarde serena Era como se ouvir Uma música de Viena Por ali repercutir Nos acordes de um violino Danúbio azul era o hino Que expressava a saudade Daqueles que aqui vieram E nesse Brasil quiseram Viver em fraternidade

80

O convento e o colégio Eram os dois o mesmo lar Ocupavam o mesmo prédio Com varandas pra limpar Era um trabalho pesado Porém bem orientado Quando as aulas terminavam

A quietude voltava Nas preces se meditava E silêncio e paz reinavam

81

Toda minha juventude

Dediquei com muito amor E em cada atitude Uma marca de fervor Era muito estudiosa

E também atenciosa

Amava a Congregação

Das Filhas do Amor Divino Sem esperar que o destino Reservasse-me outra missão

82

Os três votos de pobreza Castidade e obediência Eu vivia com pureza

Cultivando toda essência Daquela sublime vida Nunca fiquei deprimida Admirava as Irmãs Mais velhas em oração

O fervor e a devoção

Naquelas calmas manhãs

CAPÍTULO IV POR AMOR ENTREI, POR AMOR SAÍ DO CONVENTO

CAPÍTULO IV POR AMOR ENTREI, POR AMOR SAÍ DO CONVENTO 83 Até que um dia chegou

83

Até que um dia chegou Uma carta diferente Que me desestruturou Me deixou quase doente Alguém assim me dizia Como era que eu vivia Apregoando a verdade Sem os meus pais ajudar

Deixando muito faltar E vivendo numa irmandade

84

E algum tempo fazia Que os mesmos não visitava Ir a passeio não podia Só quando a norma mandava Profundamente chocada Me senti ameaçada E fui lá de perto ver

Se tudo era verdadeiro

Tinha que saber primeiro Pra pensar no que fazer

85

Chegando em casa encontrei As coisas bem diferentes Já não tinha o que deixei Sítio, gado, nem sementes Tudo Havia acabado Meu pai velho e cansado Já de tanto labutar Não perdia a esperança De ver chegar a bonança Pois quem espera sempre alcança

86

Com a tal carta concordei Esse alguém tinha razão

Estava fora de lei Filial do coração Como ajudar os de fora Todo dia e toda hora

Se os que me deram a vida Precisavam dessa ajuda

A caridade não muda

A coisa era definida

87

Falei a provincial Da minha congregação Grande Alma sem igual Que me deu uma lição Considerada de luz

Que o heroísmo da cruz Exigia sacrifício

E que lá fora a dureza

Me esperava com certeza

Eram os ossos do ofício

88

Voltei como doação

Para os meus pais ajudar Era a única solução Tinha que recomeçar

E foi tão difícil a lida

Mas não reclamo da vida Por tudo quanto vivi Eu jamais esquecerei Que se por amor entrei Foi por amor que sai

89

Sendo eu já professora

Já passei a contratada

Como alfabetizadora

Pois estava preparada Trabalhava os três horários Pra conseguir honorários

E assim restabelecer

O equilíbrio da família

Era a única como filha Em condições de prover

90

Permaneci em Natal

A família toda veio

Me senti num vendaval Sem poder sair do meio Fazendo uma faculdade

Foi grande a dificuldade Com salário magistério Sem tempo para estudar Tinha mais que trabalhar E o problema foi sério

91

E não foi fácil enfrentar

Tudo de cabeça erguida Comecei a fraquejar Por não encontrar saída Mas encontrei uma gente

Que a tenho bem presente Ana Lélia, Dona Lídia Dr. Valtércio Bandeira Família hospitaleira Que a bondade irradia

92

Não somente Ana Lélia Que em casa me acolheu Lá de Açu Dona Ofélia De mim não se esqueceu Irmã Judite também Dos limites foi além Era presença constante Em todos os dissabores Já que nem tudo foi flores Nesse passado distante

93

Meus pais não se adaptaram E tiveram que voltar As coisa se complicaram Tive que improvisar Uma outra solução Naquela situação Foi Ana Lélia Bandeira

A tábua da salvação

Me estendeu a mão Com dedicação inteira

94

Com Dona Lídia morando Não deixei a Faculdade Continuei trabalhando Com garra e dignidade Para o dinheiro enviar

Para os meus pais nada faltar Foi essa a finalidade Porque deixei o convento E com esse pensamento Vivo a realidade

95

Com dois anos de ausência

Da família e do Convento Já sem muita paciência Às vezes um casamento Sempre me aparecia Só que eu não sentia Com essa disposição Porém a vida é um drama Em cada ato uma trama No palco da encenação

96

Resolvi deixar Natal Tentar a vida em Brasília Pois não Podia afinal Mais um naquela família Que já tinha feito tanto Enxugando o meu pranto Eu teria que lutar Pela minha independência Superar toda carência E me reequilibrar

CAPÍTULO V MINHA VIDA EM BRASÍLIA:

CAPÍTULO V MINHA VIDA EM BRASÍLIA: 97 Para Brasília mudei Emprego fui procurar Mas esse não

97

Para Brasília mudei Emprego fui procurar Mas esse não encontrei E tive que esperar Fiquei num pensionato Porque julgava sensato Continuar estudando

Mas o dinheiro acabou

E um dia a fome chegou Quase me intimidando

98

Sem emprego não podia Ficar mais de um mês Procurava todo dia Com a maior avidez Lia os classificados Verificava os chamados

Era final de novembro

As escolas não chamavam Pois também não precisavam De professor em dezembro

99

Foi um período pesado Difícil de ser descrito Hoje ele é passado Com ele já não me irrito Posso dizer que venci Lutei muito e sofri Aqui não quero contar Os momentos de amargura Quero esquecer as agruras Preferindo não lembrar

100

Finalmente em janeiro

O tal emprego pintou

Já em fins de fevereiro Outro colégio chamou

E o que eu tinha passado

A ninguém tinha contado

E assim chegou a vez

De em mim poder confiar

Pra casa poder mandar

Dinheiro no fim do mês

101

E a vida fui enfrentando

Com pouco de segurança Trabalhando e estudando

Sempre com muita esperança Não tinha grande ilusão Mas surgiu uma emoção Nos reveses do destino Os planos de casamento Chegaram bem no momento Quando chegou o Paulino

102

Éramos da mesma cidade Mesma família também

E em questão de idade

Eu não ficaria além Em Brasília já estava Há alguns anos trabalhava Ele como militar E eu ex-religiosa Numa tarde calorosa Resolvemos nos casar

103

Foi um amor diferente Baseado na razão

E também inteligente

Amizade sem paixão

O

coração me acordou

E

a emoção despertou

Pois estava adormecida Desta vez eu acertei E a ele eu dediquei Minha afeição, minha vida

104

Juntos nós dois buscamos Construir felicidade

Juntos também trabalhamos Com muita sinceridade

E também nos divertimos

E muito bem nos sentimos

Por termos nos encontrado

E cada um foi consciente

Que o amor é uma semente Restava ser cultivado

105

É amigo e companheiro

Digno e muito leal Tem um sorriso matreiro Um coração sem igual

É bom pai, é generoso

É dedicado e bondoso

Está sempre do meu lado Tentando compreender

Me ajudando a entender Feliz e bem humorado

106

Desta feliz união

Veio pra nós Carlos Alberto

É veia do coração

Chegou no momento certo Um garoto bem dotado Muito simples e calado Responsável, inteligente De habilidade artista Tem alma de artista E deve ser certamente

107

Demonstra aptidão Para música e desenho No órgão, no violão Também mostra desempenho Bom aluno em karatê Não sei o que ele vai ser Estuda, mas sem gostar,

Porque há necessidade

E esta dificuldade

Me deixa muito a pensar

108

Só peço a Deus que lhe dê Saúde e compreensão

Para que ele possa ver E sentir a dimensão Da vida em profundidade E nesta realidade Busque os melhores meios Em Deus tenha esperança Em si muita confiança

Pra resolver seus anseios

109

Minha história já contei

Mas ainda tenho a falar Da cidade que deixei

E

as pessoas relembrar

E

os jovens de Itapetim

Talvez perguntem a mim De quem é que estou falando Direi dos antepassados Dos que hoje são ausentes

E neles estou pensando

CAPÍTULO VI SAUDADES DE ITAPETIM NOS TEMPOS DAS UMBURANAS:

CAPÍTULO VI SAUDADES DE ITAPETIM NOS TEMPOS DAS UMBURANAS: 110 Reporto-me a Vila Umburanas Hoje Cidade

110

Reporto-me a Vila Umburanas Hoje Cidade Itapetim Longe das zonas Serranas

E pelos tropeiros enfim

Era muito procurada Como descanso e parada

Talvez foi lá que nasceram As primeiras inspirações As poéticas vibrações Que por lá apareceram

111

Ali nasceram poetas Jocosos e humoristas

Capacidades seletas

Verdadeiros piadistas Cheios de sabedoria Ciência e poesia Que só pela tradição Tomamos conhecimento Por algum depoimento Guardado no coração

112

De Marinho a Lourival Dimas e Otacílio

Sabemos não ter igual

Só comparando a Virgílio

E Dantes no seu inferno

Mas a um coração terno Que está além deste plano O místico Jó Patriota Que comanda bem a nota Do verso pernambucano

113

A poesia em ação Falou alto em sentimento

Na genuína explosão De verso e do pensamento Lembro um Vicente Preto Cuja mente era um soneto

Um Jó, um Rogaciano, Os grandes irmãos Batistas Os três poetas artistas Do sertão pernambucano

114

Passaram-se muitos anos

A igreja em construção

Fiéis os paroquianos Mantinham a tradição Esta lembrança me resta Em cada junho uma festa Pra São Pedro padroeiro O nosso santo querido

Ver seu templo construído Sem nunca faltar dinheiro

115

Cada família queria Com amor contribuir Para ver a cada dia A grande torre subir Era princesa e rainha

Prendas, votos e leilões São Pedro lá no andor

E os beijarás no tambor

Debaixo dos foguetões

116

Na paróquia a devoção De todas as zeladoras Que entravam em ação Como orientadoras Das lidas paroquiais França, Natália e outras mais Ajudavam ao Padre João Josué Leite o devoto Cumpria o sagrado voto Fiel a religião

117

Itapetim teu município Recorda Zé Paraguá

E Nena de Zé Patrício

Que já não estão por lá Louro de seu Simão Rapaz de bom coração De Wilson de Dasdores

E nesta saudade arranco

As serenatas de Franco

Seu violão seus amores

118

Itapetim mudou tanto

Não tem mais "Alto do Grude" Hoje lá é nome de santo Não tem mais menino rude A rua toda asfaltada E também iluminada Quando o progresso chegou Foi grande a transformação Ficando a recordação De tudo que já se passou

119

Lavanderia não tinha Só as pedras da barragem Pra onde de manhãzinha Ica ia pra lavagem Siá quitéria e a meninada Faziam a carregada De água para cidade Latas d'água na cabeça Não há mesmo quem esqueça Aquela realidade

120

E quando a luz do motor

Antonio Preto apagava Nesta hora o amor

O seu encontro marcava

Interpretando Calheiro Vinha Franco, o seresteiro Com seu violão plangente

Aquecer o coração Mexendo com a emoção Num romantismo dolente

121

Itapetim de Dondon De Bá, Thiago e Juva O teu clima é muito bom Mesmo faltando chuva Teu povo traz alegria Também muita simpatia Dos teus sítios e recantos Por guardar recordações Canto hoje aos teus rincões

Oh! Terra dos meus encantos

122

Itapetim tem história Também filhos importantes Que na sua trajetória Foram os iniciantes Deste progresso atual

Gente de grande ideal Famílias que ali plantaram Trabalho e honestidade Deixando a prosperidade Pra terra que tanto amaram

123

Foram os Amâncios os Brejeiros E o seu Joaquim Mariano Os ilustres pioneiros Com seu Juvêncio o arcano Trabalhavam com apego Pedro Silva e Seu Zé Rego Os grandes comerciantes Seu Branco e Raimundão Seu João Marques e João Leão Homens simples e marcantes

124

Cláudio Leite o artesão Era o engenheiro nato O médico da região Juvino Leite, o pacato Padre joão leite, o pastor Rogaciano, o ator Sensível e inteligente

O gênio da poesia O rouxinol da alegria Do meu Pajeú carente

125

Assim fico a relembrar Estes marcos do passado Chego a visualizar Um grande álbum ilustrado Nos anais da ventania Onde só a poesia Pode entrar em sintonia O silêncio do momento

E com o anzol do sentimento Pescar com grande ironia

126

Itapetim os teus ares Estão cheios de energias De seu Augusto Tavares E também das sinfonias Dos cânticos de Zé Gongor Que cantava com amor E nas notas celestiais Hoje nos planos divinos

Deve estar tocando os hinos Que aqui não toca mais

127

Passo olhando o sobradinho Do velho Zé Valdivino Sujo velho acabadinho Como que lembra o destino Que a vida aqui é passar Ninguém veio pra ficar Ai lembro seu Crisante Naquela fatal viagem A triste dura passagem Lá na Bahia distante

128

Recordo de seu João Lino Nas missas dominicais Homem inteligente e fino Com seus suspiros e "ais" Por um novo casamento Morreu sem ter esse alento Pois a morte é intrigante Um jipe quase parado Matou João Lino, coitado! Dentro de um pequeno instante

129

Também lembro Júlia Malta Dona Isabel seu Ernesto

E vou buscando quem falta Neste vácuo tão funesto É quando sinto a ausência Se impor com eficiência

Me mostrando que presente Só fica a dor da saudade Resquícios da amizade Que só o poeta sente

130

Muita gente em Itapetim

Eu recordo com saudade Que queria bem a mim

E já foi pra eternidade

Seu Sebastião Senhor Dona Amélia, quanto amor! Otaviano e Celina Miguel Costa, Dona jovem

São as lembranças de ontem Sentidas em cada esquina

131

As pessoas mais antigas Sá Clara e Sá Quitéria

E Dondon velhas amigas

São personagens e matéria

Neste meu itinerário

Seu Francisco Imarginário Dona Etelvina também

E seu Raimundo Ribeiro

Também Nestor de coqueiro Na minha memória vem

132

E um verso de saudade

Para Laura de seu Delfino Gracinha a simplicidade Colhida pelo destino Teve morte prematura Meiga e doce criatura Símbolo de amabilidade

E educação perfeita

E hoje por Deus eleita

Nas sendas da eternidade

133

Cachoeira dos Vicentes De cana do doce fino

Nas secas ou nas enchentes Teu solo é quase divino Vizinha da Boa Vista Lá de seu Pedro Batista E do Caramucuqui Do Recanto e da Serrinha Onde o cantar da rolinha É diferente daqui

134

Cacimba Nova, os Machados

Não te esquecem como filhos Nos teus baixios e prados Hoje só chegam andarilhos Olhando pra casas velhas Onde as restas vermelhas Das luzes do por do sol Penetram ali como flechas Pelos buracos e brechas Naquele triste arrebol

135

Vejo em Santa Maria Benedito Salvador Na sua homeopatia Foi um grande curador Que socorria as crianças Restituía esperanças Curava gastroenterite Com beladona e infusão Diarréia, convulsão Pneumonia e bronquite

136

Hoje tudo parece um sonho Itapetim na verdade

É um contraste medonho

Que só desperta saudade

E com ela vou descendo

Aqueles sitios revendo Os Prazeres e os Silveiras

A maniçoba, a Goiana Onde a saudade engalana As tardes alvissareiras

137

Lembro Madrinha Maria

A brandura do coração

Nas mãos tinha a magia Para as flores da perfeição Ao lado de seu Juvêncio Cultivava o silêncio Na mais santa paciência Ela uma genuína artista Ele um culto estadista

No brilho e na inteligência

138

Juvino Felipe, eu Não esqueci de você Que em itapetim viveu E também Antonio de Bê Lia, Moura, Dona Aurora São figuras de outrora Amélia e Antônio Machado Taiá, Finoca e Ica

Antônio Grilo e Mãe Chica Seu Lucas e Chica Ricardo

139

Lembro Tiago e Ernestina

E o sapateiro Paizinho

Trabalhando a sola fina Naquele sujo quartinho Lembro também Pedro Rego Escrevendo seu sossego São coisas de itapetim E tudo era registrado Nos arquivos do passado Numa saudade sem fim

140

E cadê Mãe Bulibinha?

A luz de quem dava luz

Pois quando a criança vinha Pra aquele seus braços nus Cheios de sabedoria Que tão bem já conhecia Dos partos o grande medo

Das mulheres a agonia Da chegada a alegria Da vida todo segredo

141

Itapetim teus recantos Me lembra alguém afinal O velho seu Chico Santos Augêncio e Aderbal São pessoas que passaram

Mas os seus gestos ficaram Na vida desta cidade Pois deram muito de si

E deixaram por aqui

Marcas de integridade

142

Itapetim tem saudade De quem saudade cantou Desde a sua mocidade E ela nunca acabou Em tarde de sol poente

Uma viola plangente Antonio Pereira, o poeta Na mais sentida emoção Fez da saudade a canção Sua musa predileta

143

E Antonio Padre, o sanfoneiro De forró era estilista Só precisava um terreiro Muita gente e um baterista Numa latada varrida Na terra firme batida Valia como um salão Se avisava a mulherada Que evitasse a cortada Pra não surgir confusão

144

E naquela redondeza

Antonio Padre mandava Nos dedos tinha a destreza E o samba comandava De mãe d'água à Piedade Tocava sem vaidade Lá de Cacimba Salgada

São vicente a Enjeitado Lá pro Serrote Pintado Do Curralinho pra Malhada

145

Há dias que tenho saudade Da flor do mandacaru

Daquela serenidade

Do Vale do Pajeú Fecho os olhos chego lá Vou até o jatobá Ai vejo Antonio Pereira Rita e Geminiano Lá no Querqueré insano De Jiqui na Cachoeira

146

Visualizo o Joá

Dos Guedes e de Flauzina João Sampaio mais pra cá Madalena e Celestina Joaquina e Amélia Flor E o povo trabalhador Do Rosilho a Querqueré Que apanhavam algodão Sabiam bater feijão Torrar e pisar café

147

As filas da procissão Maria Maga arrumava Na frente a Congregação Os Marianos puxava Aquela época os hinos Com o povo dos Alvinos Nissa, Alzira e Pequena Eram as moças mais bonitas Aquela sacras artistas Davam mais beleza a cena

148

Lembrando o povo de lá De Balbina e Zé coringa De Vicente Carcará O jumentinho e a pinga Seu Zé Cego da gaiola Macaca Oca e Pachola Memórias que fazem parte

Da história da cidade Onde a simplicidade Se constitui uma arte

149

E muitos outros amigos

Que já desapareceram No cemitério os abrigos Daqueles que já morreram Jazom, Jacira e Pretinha

Que tanta amizade eu tinha Julio Jordão, Agenor

E Preta? quanta saudade!

É dura a realidade

Mas recordo com amor

150

João Piancó e Joaquim Dona Isabel Dona Ana Do Recanto a Itapetim Com sua caravana

Famílias bem numerosas

E muito religiosas

Congregados de Maria Fita azul e trajes brancos

Sempre alegre muito francos Espargindo simpatia

151

E vinte e oito de junho

De São Pedro a grande festa Com a bandeira em punho Os pastoris, a seresta Jacinta e Seu Simão Pedro, Alzira e Simeão Zé Alves e Dona Ritinha

E nos leilões se gritavam

E prendas se arrematavam Pra se fazer a rainha

152

Nos vales da serrania Das plagas regionais

Deve estar contando os dias

E escrito nos seus anais

Que as Cacimbas dos Garras

Dos baralhos e das farras Dos Nunes, Marques e Cajus Hoje os morcegos com medo Vivem fugindo da luz

153

Cacimbas do meu avô Do velho Antônio Garra Pra Mãe Naná um alô Da sua Neta cigarra Que nesta vida só canta

Mas nunca pela garganta

E sim pelo coração

Descrevendo as raízes

Da vida as suas matizes Na força da expressão

154

Tão grande nossa família

Miguel, José, Argemiro Raimunda, Hilda e Cecília

A Beatriz me refiro

A Maria, a Severina Tia Auta e Joaquina Só Tio Odon hoje existe Sua Sanfona teclando A mesma música tocando

Mas de aprender não desiste

155

Cacimbas de Antônio Dantas Onde viveu Clotilde Uma santa entre as santas Terno coração humilde Sei que sabes perdoar Quem daqui te quis tirar Com aviltada maldade Gente sem coração Que um dia a Deus prestarão Contas na eternidade

156

Nas Cacimbas só ficou A saudade e nada mais O resto o tempo levou Todos se foram e em paz Eu peço a Deus que os guarde Lar dos meus antecedentes São poucos remanescentes

Sinhá e tio Miguelzinho Ermina e tio Joaquinzinho Nos lapsos de algum momento

157

Se passa de vária formas Quando a hora é chegada

Não sabemos bem as normas Que regem esta caminhada Falei tanto de saudade Dos amigos e da cidade Mas tenho neste momento Uma dor inexplicável Para mim incalculável Em termos de sofrimento

158

É do meu pai que eu falo Foi inesperadamente Um fleche que vou guardá-lo Na memória eternamente Nunca pensei em perdê-lo

Mais parece um pesadelo Eu fiquei como criança Quando se toma um brinquedo A morte é mesmo um segredo Que todo vivente alcança

159

Não tenho inspiração

Para falar do meu pai

É corda do coração

A rima foge e não sai

Guardo este filme na mente Dele saudável a doente Em casa e no hospital Naquela mórbida UTI

E eu esperando ali

O desenlace fatal

160

Infelizmente se deu

E o seu vôo alçou

Mas para mim não morreu Só desse plano mudou Como mudou minha vida E nessa lágrima sentida Uma saudade, uma prece Junto a uma gratidão Brotada do coração De quem jamais o esquece

161

Homem sincero e forte

E muito trabalhador

Às vezes falava na morte Sem medo e sem temor Fiel a cada amizade

E hoje nesta cidade

Vejo os amigos seus Quero encontrá-lo, não posso

Recito um verso, um "Pai Nosso" Por sua alma a meu Deus

162

O primo e amigo Oliveira

Os dois na mesma semana Dez de abril, segunda feira Oitenta e nove cruel Nos trouxe um cálice de fel Cobrindo a tos de luto Mas trouxe a reflexão:

Junto a dor, a oração Ao nosso humilde reduto

163

Uma coisa é escrever

Outra é por ela passar Vivenciar é sofrer

É difícil de esquecer

Vi o meu velho partir E aqui vou incluir O seu nome em memória Zé Nunes a sua vida

É uma lembrança erguida

Nas linhas da minha história

164

Não pensei ser pra você Esta póstuma homenagem Independeu do querer Esta saudosa mensagem

Desta filha que sentiu Os seus últimos momentos viu Mas aguarda a esperança

O reencontro da paz

Aonde a dor se desfaz E a nova vida se alcança

165

Deus de eterna bondade Ensina-me a viver

Na tua santa humildade

E também compreender

O teu mistério infinito

A tua fé solicito Na angústia do cansaço Para não desanimar

E a meu próximo ajudar

Sem o temor do fracasso

166

Muitos jovens já se foram

deixando interrogações

É preciso que ele ouçam

Nossas preces e orações Dodô, Jorginho e Osman

Naquela fria manhã Deixaram em desalento Os seus amigos, os seus pais Aos nossos olhos é demais Tanta dor e sofrimento

167

Vavilson na flor da idade Desabrochando pra vida Cheio de felicidade Tinha naquela saída

O desfecho inesperado

Pois havia terminado A sua etapa terrena Devia se elevar Maior perfeição buscar Numa pátria mais serena

168

O Josivan, a Geórgia

O Fabinho foram tão cedo

Por que será que essa história De morte é triste o enredo?

É porque nunca buscamos E muito longe estamos De uma apreciação Solene a vida no além onde os espíritos também Busca a sua evolução

169

A morte é regresso ao lar Após reajustamento

Onde vamos completar Nosso aprimoramento

É um lar em outra esfera

Onde o dever nos espera Lá estão os mensageiros Conscientes da missão Com a divina permissão

Nos ajudam os companheiros

170

É hora de despertar

Para um estudo profundo Refletir e repensar A nossa ação neste mundo Da mais sentido a vida

Pois cada hora perdida Se fosse aproveitada Em favor de alguém que sofre Era tesouro no cofre Por cada ação reparada

171

Só isso consta na vida Desta passagem terrena Um apoio uma guarida Uma ajudinha pequena

E a grande lei de Jesus Reverte tudo em cruz

É preparo na estrada

Que se há de palmilhar

A boa ação ressaltar

Na hora necessitada

172

A lei maior é o amor

No ensinamento de Cristo Ele foi o grande ator Por todo mundo foi visto No palco da existência Encarnou a paciência Na natureza humana Deus-e sem esperar troca

Hoje por nós se coloca Mediador que irmana

173

Cristo é o mediador Ele é o irmão maior

E o conciliador

O Santo Espírito Mor

O exemplo da caridade

Do amor da humanidade

É o caminho a seguir

Com margem de segurança

Ele é a esperança Da vida que há de vir

O MEU LIVRO AQUI TERMINO É MEU E DE ITAPETIM É COMO SE FOSSE UM HINO PRA MINHA TERRA E PRA MIM

CarlindaCarlindaCarlindaCarlinda NunesNunesNunesNunes dededede BritoBritoBritoBrito

ANEXOS

MEUS BISAVÓS MATERNOS

MEUS BISAVÓS MATERNOS Joaquim Ferreira de Brito e Josefa Maria da Conceição F. de Brito MEUS

Joaquim Ferreira de Brito e Josefa Maria da Conceição F. de Brito

MEUS AVÓS MATERNOS

Josefa Maria da Conceição F. de Brito MEUS AVÓS MATERNOS João Ritinha e Joaquina Farias de

João Ritinha e Joaquina Farias de Brito

MEUS PAIS

F. de Brito MEUS AVÓS MATERNOS João Ritinha e Joaquina Farias de Brito MEUS PAIS José

José Nunes e Alzira Nunes de Brito

MINHA FAMÍLIA

MINHA FAMÍLIA Carlinda, Paulino, Carlos Alberto, Fernanda e Raphaela. MINHA CIDADE NATAL Itapetim-Pernambuco OS NOVENTA

Carlinda, Paulino, Carlos Alberto, Fernanda e Raphaela.

MINHA CIDADE NATAL

Carlos Alberto, Fernanda e Raphaela. MINHA CIDADE NATAL Itapetim-Pernambuco OS NOVENTA ANOS DA MINHA MÃE Eu,

Itapetim-Pernambuco

OS NOVENTA ANOS DA MINHA MÃE

NATAL Itapetim-Pernambuco OS NOVENTA ANOS DA MINHA MÃE Eu, Dona Alzira, meu irmão Inácio - Ano

Eu, Dona Alzira, meu irmão Inácio - Ano 2009 Hoje 2011, ela está com 93 anos.

ACESSE MEU BLOG

UMA HISTÓRIA DE MUITAS HISTÓRIAS

http://historiademuitashistorias.blogspot.com/

Carlinda Nunes de Brito (Psicóloga, Assistente Social, Fonoaudióloga, Pedagoga e Poetisa)

Brasília, novembro de 2011