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Dislexia: Como Identificar? Como Intervir?

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*Artigo publicado na Revista Portuguesa de Clínica Geral, Novembro/Dezembro 2004, Vol 20, Nº5 (Actualizado)

1.

Introdução

O saber ler é uma das aprendizagens mais importantes, porque é a chave que permite o acesso a todos os outros saberes. A leitura e a escrita são formas do processamento linguístico. Aprender a ler, embora seja uma competência complexa, é relativamente fácil para a maioria das pessoas. Contudo um número significativo de pessoas, embora possuindo um nível de inteligência médio ou superior, manifesta dificuldades na sua aprendizagem. Até há poucos anos a origem desta dificuldade era desconhecida, era uma incapacidade invisível, um mistério, que gerou mitos e preconceitos estigmatizando as crianças, os jovens e os adultos que a não conseguiam ultrapassar. Este artigo tem como objectivo apresentar os resultados dos recentes estudos sobre funcionamento do cérebro durante as actividades de leitura e escrita e dar resposta a diversas questões: Como funciona o cérebro durante as actividades de leitura? Quais as competências necessárias a essa aprendizagem? Quais os défices que a dificultam? Quais as componentes dos métodos educativos que conduzem a um maior sucesso? Pretende ser um contributo para a avaliação-diagnóstica e reeducação das crianças em risco ou com dificuldades na aquisição da leitura e da escrita.

2. Evolução do Conceito, Definições e Critérios de Diagnóstico
Em 1896, Pringle Morgan, descreveu o caso clínico de um jovem de 14 anos que, apesar de ser inteligente, tinha uma incapacidade quase
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absoluta em relação à linguagem escrita, que designou de “cegueira verbal”. 1 Desde então esta perturbação tem recebido diversas denominações: “cegueira verbal congénita”, “dislexia congénita”, “estrefossimbolia”, “alexia do desenvolvimento”, “dislexia constitucional”, “parte do contínuo das perturbações de linguagem, caracterizada por um défice no processamento verbal dos sons”... Nos anos 60, sob a influência das correntes psicodinâmicas, foram minimizados os aspectos biológicos da dislexia, atribuindo as dificuldades leitoras a problemas emocionais, afectivos e “imaturidade”.
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Em 1968, a Federação Mundial de Neurologia, utilizou pela primeira vez o termo “Dislexia do Desenvolvimento” definindo-a como: “um transtorno que se manifesta por dificuldades na aprendizagem da leitura, apesar das crianças serem ensinadas com métodos de ensino convencionais, terem inteligência normal e oportunidades socioculturais adequadas. 3 Em 1994, O Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais, DSM IV, inclui a dislexia nas perturbações de aprendizagem, utiliza a denominação de “Perturbação da Leitura e da Escrita” e estabelece os seguintes critérios de diagnóstico: 4 A. O rendimento na leitura/escrita, medido através de provas normalizadas, situa-se substancialmente abaixo do nível esperado para a idade do sujeito, quociente de inteligência e escolaridade própria para a sua idade; B. A perturbação interfere significativamente com o rendimento escolar, ou actividades da vida quotidiana que requerem aptidões de leitura/escrita; C. Se existe um défice sensorial, as dificuldades são excessivas em relação às que lhe estariam habitualmente associadas. Em 2003, a Associação Internacional de Dislexia adoptou a seguinte definição: “Dislexia é uma incapacidade específica de aprendizagem, de origem neurobiológica. É caracterizada por dificuldades na correcção e/ou fluência na leitura de palavras e por baixa competência leitora e ortográfica. Estas dificuldades resultam de um Défice Fonológico, inesperado, em relação às outras capacidades cognitivas e às condições educativas. Secundariamente podem surgir dificuldades de
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isto é. Como Funciona o Cérebro Durante a Leitura? Sally Shaywitz et al.Edifício Fonte Nova .: 21 714 70 49 . durante as tarefas de leitura e identificaram três áreas.pt . o discurso.Tm: 96 249 80 73 . ao nível do processamento fonológico.teles@netcabo. as sílabas por fonemas e o conhecimento de que os caracteres do alfabeto são a representação gráfica desses fonemas. descodificado. O défice fonológico dificulta apenas a descodificação. a consciência de que a linguagem é formada por palavras.3 compreensão leitora.Fax: 21 714 70 51 . 7 Este Défice Fonológico dificulta a discriminação e processamento dos sons da linguagem. que desempenham funções chave Rua Joaquim Paço D' Arcos.E-mail: paula. experiência de leitura reduzida que pode impedir o desenvolvimento do vocabulário e dos conhecimentos gerais” 5 Esta definição de dislexia é a actualmente aceite pela grande maioria da comunidade científica. a dislexia é causada por um défice no sistema de processamento fonológico motivado por a uma “disrupção” no sistema neurológico cerebral. 3. 8 A leitura integra dois processos cognitivos distintos e indissociáveis: a descodificação (a correspondência grafofonémica) e a compreensão da mensagem escrita. a sintaxe. é a hipótese do Défice Fonológico. no hemisfério esquerdo.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. o raciocínio e a formação de conceitos. Teoria do Défice Fonológico Nos estudos sobre as causas das dificuldades leitoras a hipótese aceite pela grande maioria dos investigadores. (1998) utilizaram a (fMRI) para estudar o funcionamento do cérebro. nº 2 F.1. necessárias à compreensão estão intactas: a inteligência geral. 3. Têm sido formuladas diversas teorias em relação aos processos cognitivos responsáveis por estas dificuldades. Todas competências cognitivas superiores. 4º D . Teorias Explicativas Durante muitos anos a causa da dislexia permaneceu um mistério. Para que um texto escrito seja compreendido tem que ser lido primeiro. as palavras por sílabas. o vocabulário. Os estudos recentes têm sido convergentes quer em relação à sua origem genética e neurobiológica. quer em relação aos processos cognitivos que lhe estão subjacentes. 6 De acordo com esta hipótese.

a pronúncia “como soa”. Os leitores eficientes utilizam este percurso rápido e automático para ler as palavras. onde se encontra armazenado o “modelo neurológico da palavra”. − A região occipital-temporal é a área onde se processa o reconhecimento visual das palavras.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. A subvocalização ajuda a leitura fornecendo um modelo oral das palavras. É a zona onde se processa a vocalização e articulação das palavras. Activam intensamente os sistemas neurológicos que envolvem a região parietal-temporal e a occipital-temporal e Rua Joaquim Paço D' Arcos. a correspondência grafo-fonémica. Este modelo contem a informação relevante sobre cada palavra. 9 − A região inferior-frontal é a área da linguagem oral. Realiza o processamento visual da forma das letras. onde se realiza a leitura rápida e automática. Quanto mais automaticamente for feita a activação desta área. a área parietaltemporal e a área occipital-temporal. onde se inicia a análise dos fonemas. integra a ortografia “como parece”. a segmentação e a fusão silábica e fonémica.teles@netcabo. É a zona para onde convergem todas as informações dos diferentes sistemas sensoriais.E-mail: paula.Fax: 21 714 70 51 . é a via utilizada pelos leitores iniciantes e disléxicos. Esta leitura analítica processa-se lentamente. Esta zona está particularmente activa nos leitores iniciantes e disléxicos. o significado “o que quer dizer”.pt . mais eficiente é o processo leitor.: 21 714 70 49 .Edifício Fonte Nova .Tm: 96 249 80 73 . 4º D .4 no processo de leitura: o girus inferior frontal. nº 2 F. − A região parietal-temporal é a área onde é feita a análise das palavras.

região inferior-frontal.: 21 714 70 49 . de textos. com baixas frequências espaciais ou altas-frequências temporais. O modo como são activados depende das necessidades funcionais dos leitores ao longo do seu processo evolutivo. As crianças com dislexia apresentam uma “disrupção” no sistema neurológico que dificulta o processamento fonológico e o consequente acesso ao sistema de análise das palavras e ao sistema de leitura automática.Tm: 96 249 80 73 . nº 2 F. nem faz quaisquer referências. onde vocalizam as palavras. a défices de convergência binocular. Os leitores disléxicos utilizam um percurso lento e analítico para descodificar as palavras. fazem a tradução grafo-fonémica.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. baixa sensibilidade face a estímulos com pouco contraste. 11 3. de frases. leitura repetida de colunas de palavras.Edifício Fonte Nova . Activam intensamente o girus inferior frontal.teles@netcabo. 3. 4º D . de acordo com esta teoria. Esta teoria não identifica.5 conseguem ler as palavras instantaneamente (em menos de 150 milésimos de segundo). da fusão fonémica. 12 As pessoas com dislexia tem.E-mail: paula. a fusão fonémica e as fusões silábicas até aceder ao seu significado. da fusão silábica. e as áreas do hemisfério direito que fornecem pistas visuais. exercícios de leitura de palavras apresentadas durante breves instantes.Fax: 21 714 70 51 . As implicações educacionais desta teoria propõem a realização de várias tarefas para automatizar a descodificação das palavras: treino da correspondência grafo-fonémica. correcta e compreensiva.2. em realizar uma leitura fluente.pt . Para compensar esta dificuldade utilizam mais intensamente a área da linguagem oral. e a zona parietal-temporal onde segmentam as palavras em sílabas e em fonemas.3. Rua Joaquim Paço D' Arcos. Os diferentes sub-sistemas desempenham diferentes funções na leitura. 10 Os disléxicos manifestam evidentes dificuldades em automatizar a descodificação das palavras. Teoria Magnocelular A Teoria Magnocelular atribui a dislexia a um défice específico na transferência das informações sensoriais dos olhos para as áreas primárias do córtex. Teoria do Défice de Automatização A Teoria do Défice de Automatização refere que a dislexia é caracterizada por um défice generalizado na capacidade de automatização.

3p-q. e no processamento sensorial precoce. mostraram diferenças microscópicas e macroscópicas importantes 19 20 Os resultados de estudos. 22 A prevalência é. com influência na dislexia. nº 2 F. 15 16 Vários estudos têm procurado encontrar no genoma humano a localização dos genes responsáveis pela dislexia.E-mail: paula. 4º D . No nosso país não existem estudos sobre a prevalência.: 21 714 70 49 . 17 As mais recentes pesquisas sobre genética e dislexia referem que existem. realizados em cérebros vivos. Persistência A dislexia é provavelmente a perturbação mais frequente entre a população escolar sendo referida uma prevalência entre 5 a 17.pt . contudo.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel.5 %. As cinco localizações foram encontradas nos cromossomas 2p. Distribuição por Sexos. Bases Neurobiológicas da Dislexia Até há poucos anos pensava-se que a dislexia era uma perturbação comportamental que primariamente afectava a leitura.13 Esta teoria tem sido muito contestada porque os resultados não são reproduzíveis. por cima da página.Fax: 21 714 70 51 . Em relação à distribuição por sexos tem-se verificado uma evolução ao longo dos tempos. presentemente. com manifestações clínicas complexas. na automatização10. evidenciam diferenças semelhantes 21 5. nos últimos anos passou a ser referida uma distribuição igual em ambos os sexos. cinco localizações para alelos de risco. 23 Rua Joaquim Paço D' Arcos.Tm: 96 249 80 73 . realizados em cérebros de disléxicos. Inicialmente era referida uma maior prevalência no sexo masculino. Prevalência.6 O processo de descodificação poderia ser facilitado se o contraste entre as letras e a folha de papel fosse reduzido utilizando uma transparência azul. 14 4.Edifício Fonte Nova . variável dependendo do grau de dificuldade dos diferentes idiomas. no processamento fonológico. Diversos estudos têm demonstrado a hereditariedade da dislexia.18 Os resultados de estudos post-mortem. na coordenação sensoriomotora. ou cinzenta. na capacidade de nomeação rápida. 6p. 15q e 18p. incluindo défices na leitura. Actualmente sabe-se que a dislexia é uma perturbação parcialmente herdada.teles@netcabo. na memória de trabalho.

já identificada no locus de risco 6p. perturbação específica da linguagem (PEL). pelo menos. sendo apenas visíveis as suas manifestações. O DSM IV inclui a dislexia nas perturbações de aprendizagem e adopta a denominação de “Perturbação da Leitura e da Escrita”. de origem neurobiológica. O desconhecimento científico contribuiu para o aparecimento de diversos mitos.Tm: 96 249 80 73 . 25 6. sendo maior para a dimensão de inatenção do que para a hiperactividade/impulsividade. nº 2 F. com o objectivo de avaliar as modificações operadas nos sistemas neurológicos cerebrais. A ADHD merece referência especial. As imagens obtidas através da fMRI mostraram que os circuitos neurológicos automáticos do hemisfério esquerdo tinham sido activados e o funcionamento cerebral tinha “normalizado”. discalculia.: 21 714 70 49 . por ser a perturbação que se associa com maior frequência. Co-morbilidades Embora a base cognitiva da dislexia seja um défice fonológico é frequente a comorbilidade com outras perturbações: perturbação da atenção com hiperactividade (ADHD). 7.pt .teles@netcabo.E-mail: paula. Rua Joaquim Paço D' Arcos. é uma incapacidade específica de aprendizagem.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. 4º D . 27 7. estruturados e cumulativos. perturbação da coordenação motora.7 Um estudo realizado em Abril deste ano volta a referir que o número de rapazes com dislexia é. multissenssoriais. Não existe Dislexia? A dislexia existe. Mitos e Conhecimento Científico Até muito recentemente a dislexia era uma incapacidade sem uma base orgânica identificada. 26 Os estudos de gémeos. perturbação do humor.1.Edifício Fonte Nova . perturbação do comportamento. ainda que as suas consequências e expressão variem sensivelmente. após a intervenção utilizando programas. 24 Tem sido considerado que o défice cognitivo que está na origem da dislexia persiste ao longo da vida. Recentemente foram realizados estudos. caracterizada por dificuldades na aprendizagem da leitura e escrita. duas vezes superior ao das raparigas. perturbação de oposição e desvalorização da autoestima. mostram uma influência genética comum.Fax: 21 714 70 51 .

6. Deve evitar-se identificar as crianças como disléxicas? Em alguns meios escolares e médicos existe alguma relutância em avaliar e diagnosticar.Tm: 96 249 80 73 . não é um atraso maturativo transitório. Esta perspectiva reflecte a falta de conhecimentos científicos sobre a dislexia. 4º D . pode criar dificuldades acrescidas a nível afectivo emocional: sentimentos de frustração. Não existem meios de diagnóstico da Dislexia? Actualmente existem conhecimentos que permitem avaliar e diagnosticar as crianças com dislexia.7.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel.5.Fax: 21 714 70 51 . Existem provas específicas para avaliar as diferentes competências que integram o processo leitor. Repetir o ano ajuda a ultrapassar a dificuldade? Repetir anos de escolaridade não ajuda a ultrapassar as dificuldades. desvalorização do autoconceito e da autoestima. 7. em “rotular” as dificuldades de aprendizagem.4.teles@netcabo. pelo contrário. pelo contrário.Edifício Fonte Nova . A Dislexia passa com o tempo? A dislexia mantém-se ao longo da vida. ansiedade.2. A Dislexia só pode ser diagnosticada e tratada depois do insucesso na leitura? O conhecimento do défice fonológico subjacente à aprendizagem da leitura permite a identificação dos sinais de alerta e a consequente intervenção precoce.pt .E-mail: paula.: 21 714 70 49 .8 7. A dislexia é um problema visual? As Associações Americanas de Pediatria e de Oftalmologia reafirmam que a dislexia não é causada por um problema de visão. 30 31 32 Rua Joaquim Paço D' Arcos. Ignorar uma perturbação não ajuda a ultrapassá-la.3. sobre os métodos de ensino a utilizar e sobre os benefícios de uma intervenção precoce e especializada. contribui para o seu agravamento. 7. É uma perturbação neurológica que necessita de uma intervenção precoce e especializada. uma surda e outra sonora) e não de origem visual.29 7. 28 7. ver as letras ao contrário – p/b – são erros de origem fonológica (confundem-se porque são duas consoantes com o mesmo ponto de articulação. O importante é que a criança seja avaliada e receba uma intervenção especializada. A existência de erros de inversão. nº 2 F. 7.

33 7. Interrogamo-nos sobre o modo como teria evoluído o Rua Joaquim Paço D' Arcos. em que a correspondência grafemafonema é mais regular. Perante a inexistência de meios compreende-se que tenha recorrido a explicações puramente psicológicas. como o Italiano e o Finlandês.: 21 714 70 49 . As dificuldades de orientação espacial. referem explicitamente “O rendimento na leitura/escrita situa-se substancialmente abaixo do nível esperado para o seu quociente de inteligência..8. desvinculadas da actividade biológica cerebral.Edifício Fonte Nova . 34 8. identificação direita e esquerda. Terapias Baseadas em Interpretações Psicológicas Em 1895. Os critérios de diagnóstico do D. apresentem essas perturbações. A língua portuguesa é uma língua semitransparente.Fax: 21 714 70 51 .. são cometidos menos erros.. até datas recentes. em comorbilidade. A Dislexia está relacionada com a inteligência? Dislexia é uma dificuldade específica de aprendizagem. nº 2 F. podem ser explicados mediante o estudo rigoroso dos sistemas cerebrais”.teles@netcabo.M-IV. são cometidos mais erros. Nas línguas mais transparentes.” 7. 35 Apesar dos seus estudos sobre neuroanatomia não conseguiu obter respostas que lhe permitissem compreender em profundidade os fenómenos psíquicos.9 7. Nas línguas opacas.9. A Dislexia existe apenas em algumas línguas? Existe uma base neurocognitiva universal para a dislexia. das causas e do tipo de défices subjacente à dislexia contribuiriam para o surgimento de teorias explicativas e consequentes intervenções terapêuticas sem qualquer validação científica. psicomotoras e grafomotoras são independentes da dislexia. normais e anormais. 4º D ..10. 8. Podem existir subgrupos que.1. Terapias Controversas O desconhecimento. As diferenças de competência leitora entre os disléxicos devem-se em parte. às diferentes ortografias. Sigmund Freud afirmava: “Os mecanismos cognitivos dos fenómenos mentais.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel.E-mail: paula. em que existem muitas irregularidades na correspondência grafema-fonema. A Dislexia é causada por problemas de orientação espacial? A dislexia é uma perturbação da linguagem que tem na sua génese um défice fonológico. Sendo o défice primário da dislexia um défice nas representações fonológicas manifesta-se em todas as línguas. como a língua inglesa.pt .Tm: 96 249 80 73 ..S. lateralidade.

Tm: 96 249 80 73 . extremamente gravosos. ou confirmar. Não existe nenhum marcador biológico que. 8. na prática clínica. treino de desenvolvimento motor de Delacato. Estas intervenções.. 36 37 8.Edifício Fonte Nova .pt . 38 39 40 As Sociedades Americanas de Pediatria e de Oftalmologia referem a independência entre a dislexia e problemas de visão e alertam para a ineficácia do uso de lentes prismáticas e do treino de visão. prescrita a utilização de leitoris. trouxe-nos uma imensidade de conhecimentos sobre os fenómenos e transtornos psíquicos de cuja interpretação se tinha apropriado a psicanálise. visuais e auditivas. palmilhas. e estabelecendo uma relação de causalidade entre dislexia e problemas psicomotores e posturais. o diagnóstico de dislexia. perante a esmagadora evidência dos aspectos biológicos da actividade cerebral e dos estudos do genoma humano é impensável dar crédito às interpretações psicodinâmicas sobre as perturbações de leitura e escrita.3. à genética molecular e aos actuais conhecimentos sobre neurotransmissores. Actualmente. 4º D .10 seu pensamento se tivesse tido acesso à neuroimagem. 31 32 A dislexia não tem na sua origem um défice visual. a denominada década do cérebro. Diversos estudos referem que as crianças com dislexia têm os mesmos problemas visuais das outras crianças. sapatos e colchões ortopédicos.2. Psicomotores e Problemas Posturais.teles@netcabo. Treino da percepção visual de Frostig. treino da audição dicotómica de Tomátis. são propostos programas de treino psicomotor. Terapias Baseadas em Défices visuais.. não só porque obrigam ao dispêndio de tempo e dinheiro. se possa utilizar para estabelecer. A última década.Fax: 21 714 70 51 . Terapias Baseadas em Défices Perceptivos Durante as décadas de 50 e 60 os estudos sobre as perturbações de aprendizagem procuraram encontrar explicações a partir das perturbações perceptivas. 41 Em complementaridade com a prescrição de lentes prismáticas. nº 2 F. proporcionam tratamentos placebos. apoios para os pés. mas principalmente porque adiam a recuperação e impedem uma intervenção educativa especializada.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel.E-mail: paula. como tratamento para dislexia. Rua Joaquim Paço D' Arcos. pelo que não existe qualquer indicação para a utilização de lentes prismáticas.: 21 714 70 49 . Com base nestes pressupostos surgiram diversos programas educativos.

A linguagem existe há cerca de 100 mil anos. nº 2 F. nem utilidade. é necessário tornar consciente e explícito. tem sido objecto de uma imensa quantidade de estudos. existem apenas há cerca de 5 mil anos. o conhecimento consciente de que a linguagem é formada por palavras. Rua Joaquim Paço D' Arcos. Quais as competências necessárias à aprendizagem da leitura? Aprender a ler não é um processo natural. em testes de consciência fonológica. por mais estimulante que seja o meio a nível cultural. Os exames de fMRI.Tm: 96 249 80 73 .Edifício Fonte Nova . para a leitura. A procura de uma explicação neurocientífica cognitiva. Para aprender a ler é necessário ter uma boa consciência fonológica.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. potenciais auditivos e visuais evocados. Os processos cognitivos envolvidos na produção e compreensão da linguagem falada diferem significativamente dos processos cognitivos envolvidos na leitura e na escrita. A escrita utiliza um código gráfico que necessita de ser ensinado explicitamente.1. 9. são relativamente recentes na história da humanidade. Aprende-se a falar naturalmente sem necessidade de ensino explícito.pt . A realização de exames médicos. Contrariamente à linguagem oral a leitura não emerge naturalmente da interacção com os pais e os outros adultos. ainda não são utilizados como meio de diagnóstico. sendo produtos da evolução histórica e cultural. de linguagem. em testes psicométricos. o que na linguagem oral era um processo mental implícito.Fax: 21 714 70 51 . isto é. Linguagem e Leitura A leitura é uma competência cultural específica que se baseia no conhecimento da linguagem oral.: 21 714 70 49 . electroencefalogramas. faz parte do nosso património genético. é contudo uma competência com um grau de dificuldade muito superior à da linguagem oral. de leitura e da ortografia. actualmente. para o diagnóstico e consequente intervenção na dislexia. as sílabas por fonemas e que os caracteres do alfabeto representam esses fonemas.11 O diagnóstico da dislexia é feito com base na história familiar e clínica. não tem qualquer justificação. Para decifrar o código escrito. Os sistemas de escrita.E-mail: paula.teles@netcabo. as palavras por sílabas. Os resultados têm sido convergentes apresentando um conjunto bastante consistente de conclusões: 42 9. 4º D .

nº 2 F.teles@netcabo. saber encontrar as correspondências grafo-fonémicas.Fax: 21 714 70 51 . Para ler é necessário conhecer o princípio alfabético. com o possuir um vocabulário oral rico e com a fluência e correcção leitora. sem atenção consciente e sem esforço.pt . pese embora. Os factores motivacionais são muito importantes no desenvolvimento da capacidade leitora dado que a melhoria desta competência está altamente relacionada com o querer.Tm: 96 249 80 73 . saber analisar e segmentar as palavras em sílabas e fonemas. Rua Joaquim Paço D' Arcos.E-mail: paula. saber realizar as fusões fonémicas e silábicas e encontrar a pronúncia correcta para aceder ao significado das palavras. 4º D . sílabas e fonemas. da identificação das letras e dos sons que lhes correspondem. as dificuldades sentidas e a não obtenção de resultados imediatos. porque na linguagem oral não é perceptível a audição separada dos diferentes fonemas. apresentam um défice a nível da consciência dos segmentos fonológicos da linguagem. na préprimária e no início da escolaridade apresentam dificuldades a nível da consciência silábica e fonémica. não têm um conhecimento consciente destas unidades linguísticas. 9. As crianças com dislexia embora falem utilizando palavras. isto é. um défice fonológico. Porque é que tantas crianças têm dificuldades em aprender a ler? Quais os défices que a dificultam esta aprendizagem? As dificuldades na aprendizagem da leitura têm origem na existência de um défice fonológico.12 A consciência fonológica é uma competência difícil de adquirir. Para realizar uma leitura fluente e compreensiva é ainda necessário realizar automaticamente estas operações.2. do objectivo da leitura e que têm uma linguagem oral e um vocabulário pobres. com a vontade de persistir. saber que as letras do alfabeto têm um nome e representam um som da linguagem.: 21 714 70 49 . Quando ouvimos a palavra “pai” ouvimos os três sons conjuntamente e não três sons individualizados.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. Todas as competências têm que ser integradas através do ensino e da prática.Edifício Fonte Nova . As crianças que apresentam maiores riscos de futuras dificuldades na aprendizagem da leitura são as que no jardim-de-infância. A capacidade de compreensão leitora está fortemente relacionada com a compreensão da linguagem oral.

pt . algumas referidas como “linguagem bebé”.Edifício Fonte Nova . A intervenção precoce é provavelmente o factor mais importante na recuperação dos leitores disléxicos.10. Depois das crianças começarem a falar surgem dificuldades de pronúncia. as competências perceptivas e motoras não são preditores significativos. Sally Shaywitz refere alguns sinais de alerta outros recolhidos da nossa experiência.: 21 714 70 49 . Se esses sinais forem observados e se persistirem ao longo de vários meses os pais devem procurar uma avaliação especializada.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. a dislexia também é uma perturbação familiar. que tem na sua origem dificuldades a nível do processamento fonológico podem observar-se algumas manifestações antes do início da aprendizagem da leitura.Fax: 21 714 70 51 .teles@netcabo. os anos perdidos não podem ser recuperados. Os atrasos de linguagem podem acontecer e acontecem em famílias. Este ligeiro atraso é frequentemente referido pelos pais como uma característica familiar. Pelos cinco anos de idade as crianças devem pronunciar correctamente a maioria das palavras. As crianças em situação de risco podem só dizer as primeiras palavras depois dos 15 meses e dizer frases só depois dos dois anos. A linguagem e as competências leitoras emergentes são os sinais preditores mais relevantes de futuras dificuldades para a aprendizagem da leitura. se uma criança mais tarde tiver problemas. 1.E-mail: paula. Sinais de Alerta 13 Sendo a dislexia como uma perturbação da linguagem. Não se pretende ser alarmista mas sim estar consciente de que. 4º D . que continuam para além do tempo normal. O atraso na aquisição da linguagem pode ser um primeiro sinal de alerta para possíveis problemas de linguagem e de leitura. 43 a que acrescentámos Rua Joaquim Paço D' Arcos. nº 2 F.Tm: 96 249 80 73 . Na Primeira Infância: Os primeiros sinais indicadores de possíveis dificuldades na linguagem escrita surgem a nível da linguagem oral. As crianças começam a dizer as primeiras palavras com cerca de um ano de idade e a formar frases entre os 18 meses e os dois anos. Existem alguns sinais que podem indiciar dificuldades futuras.

. .. rato.Erros de leitura por desconhecimento das regras de correspondência grafo-fonémica: vaca/ faca. de lugares. vermelho).Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel.). 4º D . .Dificuldade em aprender e recordar os nomes e os sons das letras. pode ser apenas um problema de articulação. substituições de sílabas e fonemas.E-mail: paula.Dificuldade em memorizar canções e lengalengas. ..Recusa ou insistência em adiar as tarefas de leitura e escrita.. janela/chanela. . pai.Dificuldade em compreender que as palavras se podem segmentar em sílabas e fonemas. No Jardim-de-infância e Pré-primária: . . No Primeiro Ano de Escolaridade: .: 21 714 70 49 . pipocas/popicas. . 3. lentidão e necessidade de apoio dos pais na realização dos trabalhos de casa. em associar a letra “ éfe ” com o som [f]. os. Rua Joaquim Paço D' Arcos.teles@netcabo. . direita/esquerda. depois / antes. de pessoas.14 A dificuldade em pronunciar uma palavra pela primeira vez.Relutância. nº 2 F. de objectos. .pt .. As incorrecções típicas da dislexia são a omissão e a inversão de sons em palavras (fósforos/fosfos.Tm: 96 249 80 73 .Maior dificuldade na leitura de palavras isoladas e de pseudopalavras “modigo”.Dificuldade em aperceber-se de que as frases são formadas por palavras e que as palavras se podem segmentar em sílabas.Frases curtas.Fax: 21 714 70 51 . . com omissões e . palavras mal pronunciadas...Dificuldade em aprender: nomes: de cores (verde.Não saber as letras do seu nome próprio. manhã/a manhã. .. calo/galo.Dificuldade em associar as letras aos seus sons.Linguagem “bebé” persistente.Necessidade de acompanhamento individual do professor para prosseguir e concluir os trabalhos.Dificuldade em ler monossílabos e em soletrar palavras simples: ao. .Dificuldade na aquisição dos conceitos temporais e espaciais básicos: ontem/amanhã..Edifício Fonte Nova . bola.. ou em pronunciar correctamente palavras complexas. 2.. .

Melhor capacidade para ler palavras em contexto do que para ler palavras isoladas. na leitura e interpretação de problemas Desagrado e tensão durante a leitura oral. Os trabalhos de casa parecem não ter fim. ao. omite fonemas e sílabas ficando um “buraco” no meio da palavra: biblioteca / bioteca..15 .pt .Tm: 96 249 80 73 . evitando ler livros ou sequer pequenas frases. Dificuldade em terminar os testes no tempo previsto. ou com os pais recrutados como leitores. em. ”.1.teles@netcabo. . ia. leitura sincopada. necessitando de recorrer à soletração. 4. Erros ortográficos frequentes nas palavras com correspondências grafo-fonémicas irregulares.E-mail: paula.História familiar de dificuldades de leitura e ortografia noutros membros da família. trabalhosa e sem fluência. Insucesso na leitura de palavras multissilábicas. de. Problemas de Leitura: Progresso muito lento na aquisição da leitura e ortografia.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. Quando está quase a concluir a leitura da palavra. Dificuldade em ler pequenas palavras funcionais como “aí. ou.: 21 714 70 49 ... irregulares e com fonemas e sílabas semelhantes. A partir do Segundo Ano de Escolaridade: 4.. nº 2 F.. quando tem que ler palavras desconhecidas.Queixas dos pais e dos professores em relação às dificuldades de leitura e escrita. 4º D . apoiando-se no desenho e no contexto. Substituição de palavras de pronúncia difícil por outras com o mesmo significado: carro/automóvel. Dificuldades matemáticos. Caligrafia imperfeita. Falta de prazer na leitura.Edifício Fonte Nova .Fax: 21 714 70 51 .. Tendência para adivinhar as palavras. Dificuldade. em vez de as descodificar. Rua Joaquim Paço D' Arcos.

4. Necessidade de tempo extra.. de discriminação e segmentação silábica e Omissão. mantém a falta de fluência e a leitura trabalhosa. problemas de memória a curto termo: datas.: 21 714 70 49 . Melhor compreensão do vocabulário apresentado oralmente.3. informática. Melhores resultados nas áreas que têm menor dependência da leitura: matemática. um’s. aquela cena. do que do vocabulário escrito. 4º D .. Evidência de áreas fortes nos processos cognitivos superiores: Boa capacidade de abstracção e imaginação.teles@netcabo. que já leu. aquilo..pt .Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. sequências temporais.Edifício Fonte Nova . dificuldade em dar respostas orais rápidas. que nem sempre é evidentes para aos outros. 4. Rua Joaquim Paço D' Arcos. Uso de palavras imprecisas em substituição do nome exacto: a coisa. muitas vezes. hesitações. Baixa autoestima. artes visuais.. números de telefone. conceptualização. com sofrimento. Boa compreensão dos conteúdos quando lhe são lidos.Tm: 96 249 80 73 . nº 2 F. Capacidade para ler e compreender melhor as palavras das suas áreas de interesse. raciocínio lógico. praticou. Dificuldade humanidade.E-mail: paula. Pronúncia incorrecta de palavras longas..2... humidade / Dificuldade em recordar informações verbais. não familiares e complexas. Maior facilidade de aprendizagem dos conteúdos compreendidos de que memorizados sem integração numa estrutura lógica. nomes. Alterações na sequência fonémica e silábica. em encontrar a palavra exacta. adição e substituição de fonemas e sílabas..Fax: 21 714 70 51 .16 A correcção leitora melhora com o tempo. algoritmos da multiplicação… Dificuldades fonémica. Problemas de Linguagem: Discurso pouco fluente com pausas.

Dificuldade em recordar as palavras. Confusão de palavras com pronúncias semelhantes. saltar por cima de partes de palavras.Fax: 21 714 70 51 . nomes de pessoas. de lugares. Evita utilizar palavras que teme pronunciar mal. 4º D . 5. Vocabulário expressivo inferior ao vocabulário compreensivo. Preferência por livros com poucas palavras por página e com muitos espaços em branco. esforçada e cansativa. Falta de apetência para a leitura recreativa.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. tendência a evitar esta situação. Sacrifício frequente da vida social para estudar as matérias curriculares.. Longas horas na realização dos trabalhos escolares. de ruas. Sinais de Alerta em Jovens e Adultos: 5. na lista do restaurante. Não reconhecer palavras que leu ou ouviu quando as lê ou ouve no dia seguinte.E-mail: paula. ou únicas como nomes de pessoas.1. Pronúncia incorrecta de nomes de pessoas e lugares. Rua Joaquim Paço D' Arcos. mais fáceis de escrever.17 5. de lugares. Dificuldades em ler e pronunciar palavras pouco comuns.Tm: 96 249 80 73 . A ortografia mantém-se desastrosa preferindo utilizar palavras menos complexas.. Dificuldade em recordar datas. “está mesmo na ponta da língua”. números de telefone. mas a leitura continua a ser lenta..pt . Penalização nos testes de escolha múltipla.: 21 714 70 49 .2.teles@netcabo. A correcção leitora melhora ao longo dos anos. dos pratos. Problemas de Linguagem: Persistência das dificuldades na linguagem oral. Sentimentos de embaraço e desconforto quando tem que ler oralmente. estranhas.. nº 2 F.Edifício Fonte Nova . Problemas na leitura: História pessoal de dificuldades na leitura e escrita Dificuldades de leitura persistentes.

É importante avaliar para diagnosticar.Fax: 21 714 70 51 . Boa capacidade de aprendizagem.Edifício Fonte Nova . Não existe um teste único que possa ser usado para avaliar a dislexia. 4º D . Os modelos de avaliação que se revelam mais eficientes são os que conduzem directamente à implementação de estratégias de intervenção que tenham em conta os dados obtidos na avaliação.E-mail: paula. nº 2 F. Evidência de áreas fortes nos processos cognitivos superiores: A manutenção escolaridade. É possível identificar a dislexia em crianças antes de iniciarem a aprendizagem da leitura. Rua Joaquim Paço D' Arcos. bem como em jovens e adultos que atingiram um determinado nível de eficiência. devem ser realizados testes que avaliem as competências fonológicas. há sim que estar atento à existência de um padrão persistente ao longo de um longo período. mas que continuam a ler lentamente.: 21 714 70 49 . com esforço e com persistentes dificuldades ortográficas.pt .teles@netcabo.3.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel.. arquitectura.Tm: 96 249 80 73 . Ideias criativas com muita originalidade. as áreas fortes e para intervir. o funcionamento intelectual. os testes são seleccionados de acordo com a idade. talento especial para níveis elevados de conceptualização. para delinear as dificuldades específicas. 11.18 3. o processamento cognitivo e as aquisições escolares. Boas capacidades de empatia. Avaliação Se existe suspeita da existência de défices fonológicos e ou de dificuldades de leitura e escrita deve ser realizada uma avaliação.. das áreas fortes evidenciadas durante a Melhoria muito significativa quando lhe é facultado tempo suplementar nos exames. Sucesso profissional em áreas altamente especializadas como a medicina. se estes sinais forem observados atentamente. direito. 44 Thomson. A avaliação pode ser feita em qualquer idade. Se apenas alguns destes sinais forem identificados não é motivo para alarme. finanças. a linguagem compreensiva e expressiva (a nível oral e escrito). todas as pessoas se enganam às vezes. resiliência e de adaptação. ciências políticas.

e não devia começar.E-mail: paula. A Importância da Intervenção Precoce A identificação e intervenção precoce são o segredo do sucesso na aprendizagem da leitura. Stackhouse. porque não permite ultrapassar as dificuldades. 46 Church et al. 12. nº 2 F.Tm: 96 249 80 73 . 45 Malatesha.Fax: 21 714 70 51 . associando-o com as dificuldades em adquirir as competências leitoras precoces. 50 os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. desvalorização do autoconceito escolar e pessoal. 42 Stanovich refere no seu conhecido artigo sobre o “Efeito de Mateus”. as dificuldades acumulam-se ao longo dos anos. baixo nível de vocabulário. Estas consequências são múltiplas: atitudes negativas em relação às actividades de leitura. Kaufman 49. Combley48. O processo de aprendizagem da leitura começa bastante cedo.. o tempo e o esforço despendidos na reeducação aumentam exponencialmente.1. diminuição de actividades de leitura. Quanto mais cedo um problema for identificado mais rapidamente se pode obter ajuda.. Rua Joaquim Paço D' Arcos. Os maus leitores no 1º ano continuam invariavelmente sendo maus leitores. 4º D . Na geração passada pensava-se que o processo de aprender a ler e escrever não começava. Estudos recentes comprovam que as crianças que apresentam dificuldades no início da aprendizagem da leitura e escrita dificilmente recuperam se não tiverem uma intervenção precoce e especializada. Snowling. Intervenção Avaliar sem intervir não faz sentido. A identificação.Edifício Fonte Nova . em muitos casos antes da préprimária. 19 12.: 21 714 70 49 . .teles@netcabo. perda de oportunidades de desenvolver estratégias de compreensão. 47 Broomfield.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. A identificação de um problema é a chave que permite a sua resolução.pt . Após os 9 anos de idade.Watkins. sinalização e avaliação das crianças que evidenciam sinais de futuras dificuldades antes do início da escolaridade permite a implementação de programas de intervenção precoce que irão prevenir ou minimizar o insucesso. baixo rendimento escolar. Após a avaliação e com bases nos resultados obtidos são implementadas as medidas de intervenção adequadas a cada caso. antes das crianças iniciarem a escolaridade formal.

Como já referimos os resultados dos estudos de Sally Shaywitz provam que é possível “reorganizar” os circuitos neurológicos se for implementado um programa reeducativo concebido com base nos novos conhecimentos neurocientíficos.Edifício Fonte Nova . É possível melhorar as competências leitoras? Sendo a dislexia uma perturbação de origem neurobiológica e genética. Os novos conhecimentos sobre o modo como os leitores iniciantes aprendem a ler e sobre os défices que impedem o sucesso nesta aprendizagem tiveram implicações importantes nas práticas educativas. dizer. memorizam as lengalengas e os gestos que lhes estão associados activando assim em simultâneo as diferentes vias Rua Joaquim Paço D' Arcos. acreditamos que é possível introduzir melhorias através de uma intervenção especializada.teles@netcabo.E-mail: paula. para alem do défice fonológico apresentam dificuldades na memória auditiva e visual bem como dificuldade de automatização Os métodos de ensino multissensoriais ajudam as crianças a aprender utilizando mais do que um sentido. As crianças têm que olhar para as letras impressas. Actualmente verifica-se um grande consenso quer em relação aos princípios orientadores. os sons. com o dizer e o escrever. As crianças ouvem e reproduzam os fonemas. A Associação Internacional de Dislexia promove activamente a utilização dos métodos multissensoriais. o que ensinar. estratégias educativas. enfatizam os aspectos cinestésicos da aprendizagem integrando o ouvir e o ver. Os Métodos Fonomímicos-Multissensoriais utilizam simultaneamente os diversos sentidos.pt . 47 48 51 52 53 54 55 As crianças disléxicas. estruturados e cumulativos são a intervenção mais eficiente.Fax: 21 714 70 51 .20 12.3. nº 2 F. 12.: 21 714 70 49 . ou subvocalizar.2. 4º D . quer em relação aos conteúdos. fazer os movimentos necessários à escrita e usar os conhecimentos linguísticos para aceder ao sentido das palavras. indica os princípios e os conteúdos educativos a ensinar: Aprendizagem Multissensorial: A leitura e a escrita são actividades multissensoriais. Quais os princípios orientadores componentes dos métodos educativos que conduzem a um maior sucesso? Estudos realizados por diversos investigadores mostraram que os métodos multissensoriais.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel.Tm: 96 249 80 73 . sendo as diferenças cerebrais e os processos cognitivos “herdados” pode inferir-se que as dificuldades das crianças com dislexia são permanentes e imutáveis? Pensamos que não.

Os conceitos ensinados devem ser revistos sistematicamente para manter e reforçar a sua memorização.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. A automatização irá disponibilizar a atenção para aceder à compreensão do texto.pt .21 de acesso ao cérebro. Tem sido apresentado em congressos. Fonomímico. ensino e reeducação de crianças e jovens com dificuldades de leitura e escrita debati-me com a falta de materiais educativos com o rigor científico que considero necessário a uma intervenção com sucesso.E-mail: paula. Os diversos neurónios estabelecem interligações entre si facilitando a aprendizagem e a memorização. resultante do trabalho pedagógico e clínico diários. Automatização das Competências Aprendidas: As competências aprendidas devem ser treinadas até à sua automatização. “Segmentação Silábica” e “Segmentação Fonémica”. Inicia-se com os elementos mais fáceis e básicos e progride gradualmente para os mais difíceis. a falta de tempo. Estruturado e Cumulativo. isto é.Tm: 96 249 80 73 . até à sua realização.Quais os seus pressupostos teóricos? A quem se destina? Durante mais de quatro dezenas de muitos anos de trabalhado diário. Ensino Sintético e Analítico: Devem ser realizados exercícios de ensino explícito da “Fusão Fonémica”. Como resultado desta carência fui desenvolvendo e aperfeiçoando diversos materiais.Fax: 21 714 70 51 . psicólogos. nunca por dedução. A publicação desses materiais foi sendo insistentemente solicitada e incentivada mas. cursos de formação e pós-graduação de professores. médicos e Rua Joaquim Paço D' Arcos. O Método Fonomímico . O Método Fonomímico é um Método de Ensino e Reeducação da Leitura e da Escrita. 12.teles@netcabo.Edifício Fonte Nova . tem dificultado a sua elaboração. pais e professores. “Fusão Silábica”.4. Multissensorial. explícita e conscientemente. que distribuía pelas crianças que apoiava. Estruturado e Cumulativo: A organização dos conteúdos a aprender segue a sequência do desenvolvimento linguístico e fonológico. nº 2 F. Ensino Diagnóstico: Deve ser realizada uma avaliação diagnóstica das competências adquiridas e a adquirir. conferências. Explícito: Os diferentes conceitos devem ser ensinados directa. na avaliação. Ensino Directo. 4º D . sem atenção consciente e com o mínimo de esforço e de tempo.: 21 714 70 49 . Foi elaborado com base nos resultados das recentes investigações cognitivas e neurocientíficas sobre dislexia e a minha experiência profissional como docente e psicóloga educacional.

Edifício Fonte Nova . que estão a iniciar a aprendizagem da leitura e escrita. A Definition of Dyslexia.pt . 1996. Dyslexia: The phonological deficit hypothesis. 2003: 53-58. que os especialistas nas áreas da linguagem e leitura sintam a sua utilidade. professores. Annals of Dyslexia 2003. Overcoming Federation of iii. In: Lundberg I. Shaywitz S & B. 1970 iv. e espero. 1973. Stanovich. Puf. Pringle-Morgan W. Destina-se não só a crianças com perturbações fonológicas da linguagem e que apresentem indicadores de risco de dislexia. muito especialmente. 1: 203-48. The Neural Basis of Developmental Dyslexia. Dyslexia. a crianças e jovens que apresentam dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita. Rack.: 21 714 70 49 . Rack J. que contribua para a obtenção de um maior sucesso na aprendizagem das crianças e jovens que acompanham. DSM IV: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais. 53: 1-14. A case of congenital word blindness. v. Referências Bibliográficas i. Vol. 1999: 34-39. Lyon R. Austad I. World Neurology. psicólogos. Shaywitz. sem quaisquer problemas de aprendizagem.Torre A 1500 – 366 Lisboa Tel. editors. médicos.Tm: 96 249 80 73 . British Medical Journal 1896. American Psychiatric Association. Dyslexia: Advances In Theory and Practice. beneficiem das suas orientações e. Phonological Processing Systems. La Maladie nommée dyslexie existe-t-elle? In: L’enfant de 6 ans et son avenir.. Snowling. Tonnessen F E.teles@netcabo. Critchley. Desejo. Rua Joaquim Paço D' Arcos.E-mail: paula.. Bryant.Fax: 21 714 70 51 . Knopf. A minha intervenção tem sido desenvolvida e aperfeiçoada mediante um trabalho diário com crianças e jovens. Climepsi Editores. Bradley. vii. tendo merecido o reconhecimento dos diversos especialistas. bem como a todas as crianças. Kluwer Academic Publishers. viii. 50: 8 -14. 2: 1378. 1968.Published by Alfred A. Goswami. Chiland C. pais. ii. vi. Annals of Dyslexia2000: Vol. Shaywitz S. nº 2 F. 4º D . vol.22 terapeutas da fala. Adams. 13.

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