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PlanoDeAula_16084

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04/08/2013

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Plano de Aula: 1 - Teoria e Prática da Redação Jurídica

TEORIA E PRÁTICA DA REDAÇÃO JURÍDICA
Título 1 - Teoria e Prática da Redação Jurídica

Tema Tipos de raciocínio; silogismo: dedução e indução.

Objetivo

- Identificar a relação entre fato e norma; - Diferenciar dedução de indução; - Produzir parágrafos argumentativos por meio das duas formas de raciocínio.
Estrutura do Conteúdo 1. tipos de raciocínio 1.1. dedução 1.2. indução 2. silogismo 2.1. premissas maior e menor 2.2. dedução 2.3. indução 3. raciocínio argumentativo 4. ponderação de interesses

Aplicação Pratica Teorica

O Direito caracteriza-se por ser um conjunto de regras que visam à organização da vida social e pacificação dos conflitos de interesse eventualmente  existentes. Portanto, na área jurídica, fato social e norma são elementos indissociáveis. É relevante que um advogado, ao produzir suas peças processuais, considere a necessidade de convencer seu auditório [1] da tese

que pretende sustentar. Para tanto, esse profissional tem à sua disposição dois métodos por meio dos quais poderá desenvolver seu raciocínio  e, assim, persuadir seu interlocutor. São eles o método dedutivo e o indutivo.
A dedução, própria do silogismo, é uma inferência que parte do universal para o particular. Considera-se que um raciocínio é dedutivo quando, a  partir de determinadas afirmações (premissas) aceitas como verdadeiras, o advogado chega a uma conclusão lógica sobre uma dada questão discutida  no processo.

Dito em outras palavras, a dedução parte de uma verdade geral (premissa maior), previamente aceita, para afirmações particulares  (premissas menores). A aceitação da conclusão depende das premissas: se elas forem consideradas verdadeiras, a conclusão será também  aceita. Por isso, toda informação da conclusão deve estar contida, pelo menos implicitamente, nas premissas. Assim, considere o caso de uma mulher cujos dois filhos, gêmeos, recém-nascidos, morreram em uma maternidade, no Pará, por  infecção hospitalar, onde, em apenas uma semana, mais 17 crianças faleceram pelo mesmo motivo. Qual o raciocínio que essa mãe – ou o advogado que a representa - deveria seguir para chegar à conclusão de que faz jus à indenização por danos morais? 
 

Tabela 1:
PREMISSA MAIOR (norma) O Código de Defesa do  Consumidor estabelece, em seu art. 14, que “o fornecedor de serviços responde,  independentemente da existência de culpa, pela  reparação dos danos  causados aos consumidores por defeitos relativos à  prestação dos serviços”.
 

PREMISSA MENOR CONCLUSÃO (fato) (junção das premissas) Os dois filhos da autora e A clínica tem o dever de  mais 17 crianças morreram  indenizar a autora, mesmo em decorrência de infecção  que não tenha agido com  hospitalar. culpa, porque houve defeito na prestação de seus  serviços.

Você deve ter percebido que houve, no gráfico anterior, a subsunção do fato à norma, ou seja, buscaram -se os fatos que se “encaixassem” à norma “adequada” para defender a tese escolhida. Esse procedimento é dedutivo. Mas será que esse método é sempre o  mais apropriado para redigir parágrafos argumentativos? Veremos que não. Suponha que um advogado pretendesse sustentar, em juízo, no ano de 2002, que seu cliente – com 75 anos de idade e com grau de escolaridade elevado - foi ludibriado ao assinar um contrato de concessão de crédito em um banco que faz propagandas na televisão,  oferecendo altas taxas de juros, com facilidade de crédito para os aposentados. O advogado pretende conseguir a anulação do contrato, sem o  pagamento dos juros pactuados no momento de sua assinatura. Por que deve o negócio jurídico ser desfeito? Que tipo de vício foi observado? A proposta argumentativa do advogado é sustentar que,  em decorrência da idade do contratante, ele era mais vulnerável que outra pessoa mais jovem. Lembre que o Estatuto do idoso[2] somente foi sancionado pelo Presidente da República em outubro de 2003 [3].
A argumentação seguiria o seguinte raciocínio:
 

Tabela 2:
O Estado protege de maneira peculiar as mulheres nas relações de trabalho [4]  porque há situações específicas  em que ela está em desvantagem em relação aos  homens. O Estado protege, com maiores garantias, as crianças e  os adolescentes [5]  porque são mais fracos que os  adultos. O Estado protege os consumidores [6]  nas relações de  Estácio de Sá consumo porque há situações específicas em que eles  estão em desvantagem relativamente às empresas.       Então...   É papel do Estado proteger os mais  fracos, tal como é o caso dos idosos.

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[6] Estudo interdisciplinar: o Código de Defesa de Consumidor brasileiro ainda é visto por muitos como a legislação mais completa e bem produzida. bolsas e aparelhos celulares. Disponível em: <http://www. [3] Estudo interdisciplinar: leia sobre a questão da aplicação da lei no tempo. qual seja. teve crise nervosa que lhe levou a ser atendida em hospital próximo ao local do roubo. Em tabela demonstrativa. lei de 1994 que dava garantias à terceira idade.         Então. o agressor levou R$ 1.00. Afirma que a prestadora de serviço de transporte não lhe garantiu um direito básico do consumidor. tal obrigação é do Estado.   CASO CONCRETO Mariana Costa encontrava-se dentro de coletivo da empresa Transporte Amigo S/A que faz o trajeto Centro-Campo Grande.. em média. A ré anexou também diversos julgados do Tribunal de Justiça Fluminense. 323 assaltos  naquela cidade. o artigo 7º da Constituição e seus incisos; a CLT também reúne dispositivos no mesmo sentido. ou  seja.com. em que se realize uma ponderação entre os seguintes interesses: “proteção da  segurança do consumidor na prestação de serviços” versus “interesse público na concessão e na manutenção do serviço de transportes”. leia o caso concreto que se segue e produza um texto argumentativo por dedução. Consultado sobre a questão.htm> Acesso em: 03  fevereiro 2008. Estácio de Sá Página 2 / 2 . O Estado protege. Aliás. com maiores garantias.homens. Assevera que ficou na mira de um revólver por cerca de 15 minutos e correu risco de  morte. as crianças e  os adolescentes [5]  porque são mais fracos que os  adultos. Diz ainda  que os assaltos naquele ponto do itinerário são freqüentes. no mês anterior à propositura da ação. o que impede a empresa de atuar de forma repressiva. de  todos os passageiros. no mundo. Considera que. o  estatuto impõe penas severas para quem desrespeitar ou abandonar cidadãos da terceira idade. Nelson Carlos; VALVERDE.000. único responsável pela segurança pública. QUESTÃO Agora que você já compreendeu o que caracteriza a dedução e a indução. a segurança. uma das principais vias expressas do Rio de Janeiro.300.   É papel do Estado proteger os mais  fracos.00. que passou por grande susto. e pelos danos morais – R$ 20.. há aqueles que reconhecem o direito à indenização nesses casos e aqueles que negam tal direito. A ré. para tutelar os  interesses do consumidor e evitar os abusos dos prestadores de serviços e fornecedores de produtos.00 que seriam usados para pagamento de crediário na Loja Mais Mais; carteira com todos os  documentos. O Estado protege os consumidores [6]  nas relações de  consumo porque há situações específicas em que eles  estão em desvantagem relativamente às empresas. aparelho de telefone celular avaliado em R$ 800. o Estatuto do Idoso foi aprovado em setembro de 2003 e sancionado pelo presidente da República no mês  seguinte. carteiras. em muito. [2] Estudo interdisciplinar: após sete anos tramitando no Congresso. em que se reflete sobre a possível inviabilidade da atividade  econômica e a função social que prestam essas empresas de transporte. a esse respeito.   [1] Sobre esse assunto. que se todos esses passageiros  ajuizarem ação judicial em face das empresas. ampliando os direitos dos cidadãos com idade acima de 60 anos. de cerca de quinze linhas. Rio de Janeiro: Forense. Néli Luiza Cavalieri; TAVARES JR. 2010. Não há como prever onde e quando atuarão os  assaltantes. calculados  em R$2. o gasto com indenizações supera. [4] Estudo interdisciplinar: leia.00. Assim que entrou na Avenida Brasil. consultor especializado garante que cada Tribunal de Justiça vem se posicionando de maneira distinta. 30 passageiros são vitimados por cada evento. Mariana. Na semana seguinte ao evento. indica que a Segurança Pública do Estado registrou.br/guiaidoso/20. relógios. leia o capítulo 3. enfim. Sustenta que haveria desinteresse geral pela concessão do direito de transportar e isso geraria um caos urbano que precisa ser  considerado pela nocividade evidente. Alda da Graça Marques.500. um passageiro daquele ônibus anunciou o assalto e subtraiu. em resposta. os lucros da atividade. Pondera. Lições de argumentação  jurídica: da teoria à prática. Dessa  passageira. Mariana Costa ajuizou ação indenizatória. tal como é o caso dos idosos. [5] Estudo interdisciplinar: a melhor fonte para verificar essa afirmação é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). sustenta tratar-se de caso fortuito a ocorrência de assalto. Pediu ressarcimento pelos danos patrimoniais.2 de FETZNER.serasa. Mais abrangente que a Política Nacional do Idoso.

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