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Anatomia e Fisiologia as

Anatomia e Fisiologia as

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06/25/2013

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  • ANATOMIA HUMANA
  • PRÓLOGO
  • O ESQUELETO
  • CONSTITUIÇÃO: OS OSSOS
  • CONSTITUIÇÃO INTERNA DOS OSSOS
  • CARTILAGENS
  • VARIEDADES DE TECIDO ÓSSEO
  • COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS OSSOS
  • A CABEÇA ÓSSEA CRÂNIO E FACE
  • CONFIGURAÇÃO EXTERNA DO CRÂNIO
  • CONFIGURAÇÃO INTERNA DO CRÂNIO
  • Radiografias anatômicas
  • O OSSO HIÓIDE
  • COLUNA VERTEBRAL
  • O TÓRAX
  • O MEMBRO SUPERIOR OU TORÁCICO
  • MEMBRO INFERIOR OU PÉLVICO
  • A PELVE
  • ARTICULAÇÕES
  • SISTEMA MUSCULAR
  • MUSCULOS DE FIBRA ESTRIADA
  • MÚSCULOS DE FIBRA LISA
  • SISTEMA CIRCULATÓRIO
  • CORAÇÃO E PERICÃRDIO
  • APARELHO CIRCULATÓRIO SANGUÍNEO
  • CIRCULAÇAO INTRACARDÍACA
  • CIRCUITOS CIRCULATÓRIOS
  • AUTOMATISMO CARDÍACO
  • ELETROCARDIOGRAMA
  • ARTÉRIAS, VEIAS E CAPILARES
  • VASOS E GÂNGLIOS LINFÁTICOS
  • O BAÇO
  • O APARELHO DA RESPIRAÇÃO
  • AS PLEURAS
  • A LARINGE COMO ÓRGAO DA FONAÇÃO
  • RELAÇÃO CARDIOPULMONAR
  • CONSTITUIÇÂO ANATÔMICA DOS PULMÕES
  • OS MOVIMENTOS RESPIRATÓRIOS
  • O APARELHO DIGESTIVO TUBO DIGESTIVO, BOCA FARINGE
  • ESÔFAGO, ESTÔMAGO, INTESTINO DELGADO
  • INTESTINO GROSSO (CECO, CÓLON, RETO)
  • ANEXOS AO TUBO DIGESTIVO
  • O APAREÇHO UROGENITAL ÓRGÂOS URINÁRIOS
  • ORGÃOS GENITAIS MASCULINOS
  • OS ÓRGÃOS GENITAIS FEMININOS
  • O PERITÔNIO MEMBRANAS SEROSAS
  • O SISTEMA NERVOSO (CCREBRO-ESPINHAL)
  • OS SENTIDOS
  • SENTIDO DO OLFATO
  • SENTIDO DO PALADAR
  • SENTIDO DO TATO
  • SENTIDO DA VISÂO (O olho e seus anexos)
  • Constituição anatômica da retina
  • Os meios transparentes e refringentes do olho
  • Anexos do olho
  • Aparelho lacrimal
  • Músculos da órbita
  • SENTIDO DA AUDIÇÃO
  • SISTEMA HUMORAL OU ENDÓCRINO
  • BIBLIOGRAFIA
  • Parte I
  • A Célula e Fisiologia Geral
  • Uma sociedade de células
  • Células: as unidades básicas
  • Tecidos
  • Órgãos e sistemas de órgãos
  • O meio interno
  • Os compartimento hídricos do organismo
  • Justificativa e explanação
  • Mecanismo e causalidade
  • PARTE II
  • 3: O sistema nervoso
  • O impulso nervoso
  • Potencial de repouso
  • Potencial de ação
  • Lei do tudo ou nada
  • Mediadores, químicos
  • Gânglios e nervos
  • Fibras sensitivas e motoras
  • Anatomia e fisiologia do sistema nervoso
  • Neurônios associativos
  • O sistema nervoso periférico autônomo
  • PARTE III
  • Função das Sinápses Nervosas e das Junções Mioneurais
  • A Coordenação nervosa
  • 1 - Coordenação nervosa nos invertebrados
  • 2 - O sistema nervoso dos vertebrados
  • A organização do encéfalo
  • A evolução do encéfalo
  • As funções do encéfalo
  • O eletroencefalograma
  • A medula
  • O Sistema nervoso periférico
  • PARTE VI
  • O coração: excitação e contração rítmica Circulação
  • 1. Circulação nos vertebrados
  • 2. O funcionamento do coração
  • PARTE V
  • Circulação: hemodinâmica
  • Circulação
  • O transporte da seiva na planta
  • A subida da seiva bruta
  • O transporte da seiva elaborada
  • A circulação nos invertebrados
  • A circulação nos vertebrados
  • Peixes
  • Anfíbios
  • Répteis
  • Aves e mamíferos
  • A circulação humana
  • O coração
  • Sopros cardíacos
  • A grande e a pequena circulação
  • A arteriosclerose
  • Branco de Susto e roxo de frio
  • A volta do sangue pelas veias
  • As trocas entre o sangue e os tecidos
  • A circulação linfática
  • RESUMO DAS IDÉIAS BÁSICAS
  • ROTEIRO PARA REVISÃO DO CAPITULO
  • Parte VI
  • Líquidos Orgânicos
  • Linfa, nódulos linfáticos e Iinfócitos
  • O aparelho urinário
  • O trabalho do néfron: filtrações e reabsorção
  • Resumo das idéias Básicas
  • PARTE VII
  • A RESPIRAÇÃO
  • Trocas gasosas nos vegetais
  • Os estômatos
  • A respiração nos invertebrados
  • Brânquias, traquéias e pulmões primitivos
  • A respiração nos vertebrados Peixes
  • Anfíbio
  • Aves
  • A respiração nos mamíferos: o homem
  • As vias respiratórias
  • Os pulmões
  • O transporte de gases pelo sangue
  • O transporte do oxigênio
  • O transporte do gás carbônico
  • BIOLOGIA ONTEM E HOJE Problemas do aparelho respiratório Poluição
  • Fumo
  • Gripes e resfriados
  • PARTE VIII
  • O Sistema Nervoso e os Sentidos Especiais Coordenação e Regulação
  • 1. Introdução
  • 2. O sistema nervoso dos vertebrados
  • 3. O encéfalo dos vertebrados
  • 4. O Sistema nervoso Central dos vertebrados
  • 5. O sistema nervoso periférico dos vertebrados
  • 8. Regulação hormonal nos vertebrados
  • 8 -1- Hipófise
  • 8.2. Tireóide
  • 8.3. Paratireóídes
  • 8.4. Supra-renais
  • 8.5. Pâncreas
  • 8.6. Gônadas
  • 9. Regulação hormonal dos processos sexuais
  • PARTE IX O trato Alimentar Função Hepática
  • A digestão humana
  • Modificação do alimento na boca
  • Modificações do alimento no estômago
  • Funções do fígado
  • Modificações do alimento no intestino delgado
  • O fim da digestão e a absorção do alimento
  • Modificações do alimento no intestino grosso
  • Digestão em outros vertebrados
  • A variação nos tipos de dentes
  • O estômago das aves e dos ruminantes
  • O intestino dos outros vertebrados
  • Nutrição e saúde
  • A desnutrição
  • PARTE X Endocrinologia e Reprodução
  • As principais glândulas endócrinas Hipófise
  • Harmônios da adeno-hipófise
  • Hormônios liberados pela neuro-hipófise
  • Diabete insípido
  • Tireóide
  • Bócio endêmico
  • Bócio exoftálmico
  • Mixedema e cretinismo
  • Paratireóides
  • Pâncreas
  • Diabete melito
  • Supra-renais
  • Adrenalina
  • O mecanismo de auto-regulação hormonal
  • O mecanismo de “feedback”
  • Homeostase
  • Reprodução humana
  • Aparelho reprodutor masculino
  • A formação dos espermatozóides
  • A formação dos óvulos
  • Folículos ovarianos
  • Ovulação
  • A fecundação
  • A sobrevivência dos gametas
  • Inicio do desenvolvimento embrionário
  • 4. Hormônios envolvidos na reprodução
  • Hormônios sexuais masculinos
  • Hormônios hipofisários gonadotróficos
  • Hormônios sexuais femininos
  • O ciclo menstrual
  • Menopausa
  • 5. Gravidez e parto
  • O desenvolvimento do embrião
  • A formação da placenta
  • O parto

FACULDADES INTEGRADAS DE JACAREPAGUÁ

DIRETORIA ACADÊMICA NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - NEAD

ANATOMIA E FISIOLOGIA COMPARADAS

ANATOMIA HUMANA PRÓLOGO Desde o aparecimento do Atlas de Anatomia Humana temos recebido constantemente solicitações quanto a uma possível ampliação do mesmo, devido ao enorme interesse que desperta a matéria. Desejosos de sempre satisfazer a nossos leitores, lhes oferecemos agora este novo Atlas Anatômico do Corpo Humano que vem a ser um valioso complemento para todos os que já conheciam o Atlas de Anatomia Humana e para as pessoas desejosas de ampliar seus conhecimentos sobre esta ciência. O leitor encontrará neste volume a descrição sucinta, embora nem por isto menos completa e cientificamente rigorosa, dos grandes capítulos em que podemos dividir a Anatomia Humana. Sem dúvida, uma das mais apaixonantes aventuras intelectuais que o homem pode empreender é adentrar-se no estudo de seu próprio corpo. A medida que avançamos neste campo de conhecimentos vamos fazendo descobertas sempre interessantes e às vezes surpreendentes. Estamos certos de que este novo volume que vem enriquecer nossa “Coleção Atlas” encontrará uma boa acolhida no público em geral, e em particular entre aqueles leitores para quem estas páginas serão seu primeiro cantata com um conhecimento mais profundo da matéria. Os Editores O ESQUELETO CONSTITUIÇÃO: OS OSSOS O exame de um osso solado pode levar à reconstrução da totalidade do esqueleto do vertebrado a que pertencia. Esta estreita relação entre os ossos e a estrutura geral do corpo explica perfeitamente que o conhecimento daqueles constitua a base dos estudos de anatomia e que o primeiro passo obrigatório, ao iniciá-los seja o exame e a descrição das peças ósseas cujo conjunto forma o esqueleto. Uma ligeira olhada a um esqueleto nos indica a variada forma dos ossos que o integram: vemos ossos largos, escavados ou chatos (cabeça quadril); longos (membros); curtos (coluna vertebral mãos, pés). Essencialmente o esqueleto compõe-se de um eixo central, a coluna vertebral, constituída por elementos semelhantes e superpostos, as vértebras. Por sua extremidade superior, este eixo sustenta a cabeça, e de sua parte inferior sobressaem lateralmente duas peças largas, os ossos ilíacos, ou ossos do quadril. Da parte média da coluna vertebral se projetam para a frente uns arcos ósseos, em número de doze as costelas. que por sua extremidade anterior se unem a uma peça alongada e chata o esterno. A cavidade limitada pela coluna vertebral as costelas e o esterno constitui o tórax, Por sua vez, os ossos ilíacos, articulados entre si por diante e por trás com a última peça vertebral, limitam outro espaço ósseo, a pelve. A descrição do esqueleto ficará completa com a menção das chamadas cinturas; são elas a cintura escapular e a pélvica. A cintura escapular, formada pela clavícula e a omoplata (ou escapula) está situada na parte superior e lateral do tórax; da escápula pende o membro superior ou torácico. Na cintura pélvica mais simples, existe o osso ilíaco, já citado, de cujo lado pende o membro inferior ou pélvico. Mencionamos as diferentes partes que compõem o esqueleto ao unir-se ou articular-se entre si os ossos que o formam: a coluna vertebral, o tórax a cabeça e os membros. Mais adiante nos ocuparemos de cada um dos ossos que formam estes conjuntos. CONSTITUIÇÃO INTERNA DOS OSSOS Vejamos agora utilizando o microscópio, a constituição interna dos ossos, mas antes convém advertir que é preciso diferenciar o osso fresco do osso seco. A diferença consiste em que as

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cavidades e galerias características do sino, que neste aparecem vazias, no fresco estão ocupadas por elementos moles que desaparecem com a processo de decomposição e secamento. Canais de Havers. São canalículos de curso retilíneo unidos entre si para formar galerias que atravessam o tecido ósseo. Osteoplastos ou lacunas ósseas. São cavidades esculpidas nas lamínulas ósseas, de cujo contorno nascem em forma radiada os canalículos. Células ósseas ou osteoblastos. São corpúsculos celulares que se amoldam ao espaço das lacunas ósseas e emitem prolongamentos que penetram nos canalículos. Medula óssea. É uma substância mole que ocupa as cavidades do tecido ósseo, o canal medular e os espaços do tecido esponjoso. Existem dois tipos: a medula vermelha (tecido esponjoso) e a medula amarela (canal medular); ambas produzem elementos sanguíneos. Periósteo. Ë uma lâmina fibrosa resistente estendida como um envoltório continuo pela superfície do osso, só interrompido a nível das inserções tendinosas e das articulações. O perióteo gera internamente camadas concêntricas de matéria óssea e fornece vasos e nervos ao osso subjacente. CARTILAGENS O esqueleto se compõe não só de ossos, como também de cartilagens. A cartilagem é parte integrante de muito à ossos, sendo inclusive totalmente cartilaginosos alguns elementos esqueléticos, como as cartilagens costais, que se descrevem com o esqueleto. VARIEDADES DE TECIDO ÓSSEO À simples vista o corte de um osso seco ou fresco nos mostra a substância óssea sob dois aspectos, o tecido compacto e o esponjoso. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS OSSOS São formados em cerca de 30 % por uma substância orgânica osteína, e em 70% por uma substância mineral (compostos de fosfato de cálcio); a seu grande conteúdo mineral se deve sua opacidade aos raios X. A CABEÇA ÓSSEA CRÂNIO E FACE O estudo especializado dos ossos, que não é próprio certamente desta obra elementar, requer a representação de cada um deles desarticulado e isolado; para nós bastará representa-los em posição e articulados com seus vizinhos. Uma seção sagital da cabeça nos servirá para mostrar os ossos que não são visíveis de outro modo. Na cabeça se distinguem duas partes bem diferenciadas: o crânio e a face. O crânio é uma caixa ovóide que ocupa a parte superior e posterior da cabeça é está formada por oito Ossos: frontal, parietal (par) temporal (par), occipital, esfenóide e etmóide. Os quatro primeiros contribuem para estabelecer extensas superfícies do crânio, muito bem delimitáveis externamente; do etmóide e do esfenóide fica oculta grande parte que só se torna visível ao seccionar ou desarticular o crânio. Temos aqui uns quantos detalhes anatômicos importantes dos ossos citados. O frontal forma o esqueleto da testa convexo por sua parte anterior e côncavo pela posterior, apresenta uma borda superior articular e uma face inferior com uma chanfradura central, a qual separa as duas porções que constituem as abóbodas orbitárias. O parietal, articulado com o lado oposto, constitui a abóbada craniana tem forma quadrilátera; sua face interna é côncava e a externa convexa; apresenta duas linhas curvas (linhas temporais). O occipital contribui para edificar a base do crânio; em sua parte anterior se acha o forame occipital, que em estado fresco dá passagem à medula; a cada lado daquele se encontram duas saliências ovaladas (côndilos do crânio) que se articulam com a primeira vértebra cervical. O temporal contém o órgão da audição; em sua parte

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A base do crânio só pode ser examinada se se coloca a abóbada para baixo. por sua borda externa se articula com uma porção ascendente do maxilar superior. esta por sua vez. situado dentro das fossas nasais compõe com o etmóide o septo nasal. sobre as quais repousam o cérebro. em sua parte superior tem uma depressão que aloja em estado fresco uma importantíssima glândula (a hipófise). Como osso anexo á face há que citar o hióide. vômer (ímpar) e palatino. parte média importa citar o arco zigomático. vômer e cometo inferior). a borda superior das fossas nasais. uma cavidade articular para o maxilar inferior e uma eminência mamilonada (apófise mastóide). de sua parte média desce uma lâmina perpendicular que se articula com o vômer para formar o septo ósseo nasal. O maxilar superior compõe por cima parte do assoalho da órbita: por sua parte anterior e média circunscreve as fossas nasais. O etmóide. a protuberância o bulbo e o cerebelo. A inferior consta de um único osso: o maxilar inferior. a articulação com o maxilar inferior. A região temporal está limitada por cima e por trás pela linha temporal e por baixo pelo arco zigomático. O malar constitui o limite lateral da face: por sua borda interna contribui para a reborda orbitária e por fora e por trás. chamadas mandíbula superior e inferior. em sua parte inferior há outra formação óssea em forma de estilete (apófise estilóide). divide-se em três pisos ou fossas. malar. O cometo inferior. situado à frente do esfenóide contribui para formar a parede interna da órbita e constitui o teta e parte das paredes das fossas nasais. se articula com um osso do crânio (temporal).externa apresenta o orifício do conduto auditivo. respectivamente. reinem-se ao redor dos dois maxilares superiores e constituem a primeira porção da face ou mandíbula superior. por baixo deste. a apófise estilóide. maxilar superior. Os ossos da face. descrito no texto de lâmina A/3. A abóbada é limitada inferiormente a cada lado. palatino. contém os cometos superiores e médios direitos e esquerdos com seus meatos respectivos. também contido nas fossas nasais e aplicado à sua parede externa (maxilar superior). forma por baixo. O esfenóide. cujo valor é reconhecido hoje com unanimidade. O úngüe forma parte da órbita e está escavado por um canal destinado ao saco lacrimal. O vômer (impar). que na página precedente mal foram enunciados. A superior é um conglomerado ósseo composto por treze ossos (todos pares exceto um) e que agora só enumeraremos: nasal. divide-se em três zonas: anterior. por baixo e por dentro apresenta uma lâmina horizontal que ao unir-se com a oposto do outro maxilar. O nasal. a apófise mastóide e muito para dentro. úngüe. cometo inferior. Radiografias anatômicas Com o propósito. Todos esses ossos. encravado intracranialmente como uma cunha entre os ossos vizinhos pode-se dizer que se articula com todos os ossos do crânio. contribui para formar o palato ósseo. O corte sagital da cabeça óssea descobre os ossos que na cabeça integra permanecem ocultos ou só se mostram parcialmente através de cavidades (esfenóide etmóide. média e occipital. unido por sua borda interna com seu homônimo. delimita inferiormente o meato inferior. se prestam a um exame mais completo na apresentação frontal da cabeça. por cima do qual se projeta para a frente um prolongamento ósseo (apófise zigomática) que se articula com o malar. pela linha temporal. com seus pares correspondentes do lado oposto. incorporamos a estas páginas alguns dos exemplares mais representativos. A face se divide em duas partes. naturalmente desta obra de iniciar o leitor no conhecimento das imagens radiográficas anatômicas. região temporal e base. CONFIGURAÇÃO EXTERNA DO CRÂNIO Distinguem-se nele três regiões: abóbada. a nível. CONFIGURAÇÃO INTERNA DO CRÂNIO Observam-se duas regiões: abóbada e base. Na parte interior do maxilar superior se encontra uma grande 4 . o orifício do conduto auditiva externo. Da região lateral do crânio.

entre eles os que integram a língua razão pela qual se já que esse osso forma seu esqueleto. o que permite reuni-los num grupo com o nome de vértebras. dá lugar a uma alta coluna que desde a base do crânio até as partes posterior e inferior da pelve vai armando sucessivamente o eixo ósseo do pescoço. na maioria dos mamíferos. o ramo horizontal continua brevemente a lâmina óssea do maxilar superior que constitui a abóbada do palato. que se projetam para trás e para cima. consta de uma parte média ou corro e dois prolongamentos desiguais. oculto atrás da porção traseira da face: é um osso pequeno. nos quais se doíam as raízes dos dentes superiores. que delimitam estreitas galerias. pode-se ver os cometes inferiores. não se articula com nenhum outro e parece suspenso na parte anterior do pescoço. semelhante a uma ferradura seus dois ramos. Dentro das fossas nasais. COLUNA VERTEBRAL Consiste num eixo ósseo que ocupa a parte dorsal e central do corpo um conjunto essencial da armadura que forma o esqueleto. pela outra extremidade o faz na apófise estilóide do temporal: os dois camas grandes se unem por uma membrana à primeira cartilagem laríngea. Outras cavidades que se encontram dentro dos ossos do crânio são os selos frontal. No vértice dos pequemos se insere um ligamento que por sua vez. Os discos ósseos fiem características comuns que os diferenciam dos demais ossos. do dorso e da região tombar e que na pelve é sua parte posterior. tendões. chamados camas. esfenoidal e etmoidal. tem. como aquele. artérias. o maxilar inferior pode subir ou descer. órgão de um dos sentidos mais complexos: a visão. entre o maxilar inferior e a primeira cartilagem da laringe. Aplicado à parte posterior do maxilar superior está o palatino. A coluna vertebral é constituída por ósseas discais. A segunda porção óssea da face é o maxilar inferior. uns e outros pertencentes ao etmóide. ou mandíbula inferior. mas ao crânio). sua borda superior se corresponde exatamente com o arqueado formado pelos dois maxilares superiores. se encurvam para cima.cavidade o seio maxilar. No fundo da órbita se percebem fendas. aproximando ou distanciando seu arco dentário do superior. O OSSO HIÓIDE Pequeno e independente. talvez o mais importante do ponto de vista arquitetural posto que sobre esta coluna óssea descansa a cabeça em sua parte média presta apoio à armação que é o tórax e mais abaixo. Ao ser articulado. por cima se acham os cornetos médios e mais acima os superiores. No osso tifóide se inserem treze músculos. em estado fresco. veias e nervos. de cada lado. como estes também apresenta alvéolos para a implantação das raízes das peças dentárias inferiores. ao número de 33 ou 34. e cada um termina numa eminência arredondada (côndilos) que se articula com o temporal (que não pertence á face. Esta borda apresenta uma série de pequenas fossas ou alvéolos. alcança tal complexidade estrutural e funcional que se lhe chama aparelho hióide. cuja abertura posterior desemboca na parte posterior do maciço facial. Na formação de suas paredes intervêm sete ossos da face e dois do crânio. Na formação de suas paredes intervêm cinco ossos da face e dois do crânio. As duas cavidades que separam a abóbada craniana da face são as órbitas. de cada lado. frente ao osso occipital. o aspecto de ferradura com a concavidade dirigida para trás. cujo contorno é quadrangular. de contorno triangular e que separa os dois maxilares superiores. a superposição destes discos. chanfraduras orifícios e canais por onde passam. formado por duas lâminas soldadas em ângulo roto. entre estas por sua vez se percebem diferenças conforme pertençam à região do pescoço 5 . A borda inferior de cada maxilar superior descreve meio arco: ao unir-se na linha média com o oposto. constituem ambos um arco completo. porém. aos ossos que formara a pelve. Pode-se considerar o tifóide como um resto atrofiado do que. corresponde à abertura anterior das fossas nasais. como corresponde a uma região ocupada pelo olho. que são duas: direita e esquerda respectivamente separadas por um septo médio. formado acima pela lâmina perpendicular do etmóide e abaixo pelo vômer. dirigidos para trás. A cavidade central que apresenta a face.

A coluna vertebral apresenta umas curvaturas ou inflexões destinadas a aumentar sua resistência. Os discos intervertebrais. só nos vamos ocupar agora da descrição das costelas. Trata-se portanto. portanto. a cujas faces se aderem intimamente. Em número de 9 ou 10. Vértebras da região pélvica ou vértebras sacrococcígeas. Constituem as articulações fibrocartilaginosas intervertebrais. é uma vértebra Iombar. ou disco ósseo. os que expomos a seguir. é uma pirâmide do vértice inferior. Examinada por sua face anterior. Se não o tem. Dentro de cada região existem vértebras com características peculiares. É possível classificar uma vértebra (Testut). Em toda vértebra se notam. também chamados meniscos. A face posterior apresenta na linha média a crista espinhal (que justifica o nome de espinhaço com que vulgarmente se designa esta região) composta pela sucessão das apófises espinhosas. Apófises transversas caiu orifícios. Forame vertebral triangular. Vértebras dorsais. 12) à região tombar (lombares. que descreve uma concavidade anterior. dorsal. pelas doze costelas e suas correspondentes cartilagens na parte lateral e pelo esterno na parte anterior. Vértebras lombares. 7) à região dorsal (dorsais. forame ou canal vertebral. com a qual se articula. as quatro apófises articulares. O áxis possui um apêndice ósseo semelhante a um dente que se eleva desde o corpo da vértebra e se introduz na parte posterior do arco ósseo da dianteira do forame vertebral do atlas. pelas quais saem os nervos deste nome. só mencionaremos como mais destacadas as que mereceram nomes próprios: as duas primaras vértebras cervicais. O cóccix é o segmento inferior da coluna vertebral e está aplicado ao vértice do sacro. Corpo vertebral Se há superfícies articulares é vertebral uma vértebra dorsal. situadas entre dois corpos vertebrais. chamadas altas e áxis. chamados por isso forames intervertebrais. Apófise horizontal volumosa. da qual sobressaem as apófises transversas. A coluna vertebral como conjunto. e nelas se vão alternando as trajetórias convexas com as côncavas. Forame raquídeo pequeno e circular. Forame vertebral triangular. 6 . encontramse soldadas entre si formando dois ossos: o sacro e o cóccix. e apófise espinhosa. lâminas e os dois pedículos. das cartilagens costais e do esterno. O TÓRAX É o espaço circunscrito pela coluna vertebral (vértebras torácicas) na parte posterior. da cabeça que repousa sobre esta vértebra. lombar e sacra. destaca a coluna cilíndrica formada pela superposição dos corpos vertebrais.(vértebras cervicais. da trás as seguintes características. Apófise espinhosa curta. comuns todas elas: carpo vertebral. estas recebem o nome da região em que se acham localizadas: curvaturas cervical. Lateralmente se articula com os ossos lacas. 5) ou à região pélvica (sacrococcigeas. Corpo muito desenvolvido. de um eixo ósseo ao redor do qual se verifica a rotação do atlas e por conseguinte. conjunto de cinco vértebras soldadas. Se não as há. na realidade trata-se de quatro ou cinco vértebras atrofiadas. Lateralmente vêem-se as apófises versas. Corpo alongado transversalmente. observando a apófise transversa ou corpo vertebral Apófise transversa Se tem orifício é uma vértebra cervical. que sustenta a cabeça carece de corpo e de apófise espinhosa e apresenta duas superfícies articulares que se articulam com os côndilos do occipital. importantes porque estabelecem aberturas ao longo do canal raquídeo. Deste conjunto de ossos já descrevemos a coluna vertebral. O sacro. que funcionam ainda como amortecedores. No homem constitui um rudimento da cauda dos mamíferos. Vértebras cervicais. Lateralmente são visíveis os orifícios que resultam da superposição dos corpos vertebrais. abreviados. é uma vértebra dorsal ou lombar. 9 ou 10). Os caracteres próprios das vértebras pertencem ás distintas regiões são. Corpo alto com superfícies articulares (para as costelas). O atlas. lados iguais. são lâminas discóides biconvexas.

a externa penetra nas depressões das extremidades anteriores das costelas. que tem sido comparado a uma jaula (jauta torácica). Nas bordas do corpo do esterno distinguem-se sete chanfraduras destinadas a alojar a extremidade interna das sete primeiras cartilagens costais. que na parte superior do tórax se encontram os ossos do ombro. alongado. são ossos longos. O tórax. que se aplica á face posterior e superior do tórax. Com efeito. todas as costelas se inclinam de cima para baixo e de trás para a frente sendo esta inclinação tanto mais notária quanto mais inferiores forem. e o membro torácico. muito ampla é ocupada pelo músculo diafragma que se aplica à face interna das sós últimas costelas. O esterno é um osso piano. este músculo. o médio (corpo) e o inferior (apêndice xifóide). Por sua parte interior. formado por dois ossos que a modo de raiz. as mais curtas permanecem livres entre as massas musculares. ascenso e descenso que sendo exíguos na respiração normal (poucos milímetros para a frente para cima e para fora) são suficientes para aumentar o volume da caixa torácica e sua capacidade em mais de meio litro. A abertura torácica inferior. As sete primeiras (costelas verdadeiras) se articulam diretamente com aquele osso mediante uma curta cartilagem. as três primeiras (falsas costelas propriamente ditas) se unem à cartilagem costal da que está acima e as duas últimas (costelas flutuantes). permite a toda a armação torácica realizar movimentos de expansão. chamados também cintura escapular ou torácica constituída por dois ossos articulados entre si. unem o membro superior ao tórax. planos e arqueados. A cavidade torácica tem duas aberturas. situado na parte anterior e central do tórax. simétrico. uma superfície articular para a apófise transversa da vértebra inferior. a extremidade inferior se articula com a cartilagem costal que lhe corresponde. muito importante separa a cavidade torácica da cavidade abdominal. e cartilaginosa e óssea pela anterior. O aumento do diâmetro ântero-posterior do tórax e o rebaixamento do diafragma próprios da inspiração profunda permitem que os movimentos da caixa torácica sejam então mais extensos. De suas duas extremidades a posterior se articula com dois corpos vertebrais e tem. Aloja os vértices dos pulmões e através dela passam todos os órgãos que descem do pescoço para a cavidade torácica ou viceversa. seu tamanho é muito variável e a partir da primeira que é a mais curta seu comprimento vai aumentando até a sétima logo diminui gradualmente até a décima segunda. Ao examinar lateralmente o tórax comprova-se a obliquidade dos arcos costais e dos espaços que os separam.Digamos antes já que não nos ocuparemos desta parte até que estudemos o membro superior ou torácico. seu número e pois também de 24. A configuração das cartilagens costais é análoga à das costelas. As costelas em número de 24. além disso. composto pelo 7 . que se articula por sua vez com o esterno. uma para cada pulmão. O MEMBRO SUPERIOR OU TORÁCICO Na extremidade superior se distinguem duas partes essenciais: o ombro. No superior existem superfícies articulares laterais para articular-se com as clavículas. As costelas são. é um recinto em parte ósseo e em parte cartilaginoso. e cuja forma tem sido comparada tradicionalmente com a de uma espada romana. a clavícula. Pode ser decomposto em três segmentos: o superior (manúbrio). da escápula pende o membro superior ou torácico. Os espaços intercostais seguem naturalmente a mesma inclinação e sua largura e comprimento variam de uns para outros. As sete primeiras prolongam as costelas até o «temo: as três seguintes se inserem na cartilagem situada acima e as duas últimas (que correspondem às costelas flutuantes) se perdem entre os músculos do abdome. das quais são continuação. 12 de cada lado. tal como foi descrito. que divide a cavidade torácica em outras duas secundários. uma superior e outra inferior a primeira de forma elíptica é pequena e está orientada para baixo e para a frente. assim como as incurvações e disposição das costelas. das cinco últimas (costelas falsas). A constituição mista óssea por suas partes posterior e lateral. o tórax possui uma proeminência formada pela coluna vertebral. e a omoplata ou escápula. pois arcos ósseos que se dirigem desde a coluna vertebral até o esterno. A extremidade interna de cada cartilagem se aloja dentro das chanfraduras do esterno.

Por seu lado interno tem as duas superfícies articulares que se correspondem com as facetas articulares do cúbito. piramidal e pisiforme. achatado. triangular. Este primeiro segmento do membro superior é constituído por dois ossos: a clavícula e a omoplata ou escápula. O rádio. Na primeira posição. terceiro. quarto e quinto metacarpianos. A escápula é um osso largo. são designados simplesmente com os nomes de primeiro. Ossos do antebraço. trapezóide. dá-se que o antebraço se encontra em pronação. a extremidade inferior da falangeta é contornada por uma reborda em forma de ferradura. São o cúbito (interno) e o rádio (externo). que se interpõe transversalmente como um arco que apoia sua extremidade interna no manúbrio do esterno e a externa na omoplata. tem a parte inferior mais grossa que a superior. que lembra una chave inglesa aberta. e a parte inferior. Os dois primeiros se articulam com o rádio e formam a articulação do punho. está ocupado por uma cavidade articular (cavidade glenóide) para o úmero. têm formas irregulares mas em todos se percebem seis faces. tem uma eminência arredondada (côndilo) por fora e uma polé (tróclea) por dentro. outra à palma da mão e as restantes servem para articular-se entre si. Ossos do braço. Os dedos são os apêndices mais móveis da mão. o antebraço e a mão. que só tem dois). formando um xis ambos os ossos produz-se um movimento de rotação que coloca a palma da mão voltada para trás. Ossos do ombro. médio. que se articulam acima com os da rua superior e abaixo com os do metacarpo. larga e plana se articula com a fila superior de dois ossinhos da mão. Porém convém acrescentar que quando a parte superior do rádio gira ao redor do côdilo umeral. A extremidade superior de cada falange se articula com o rnetacarpiano correspondente. O primeiro. O carpo é composto por oito ossinhos agrupados em duas filas. osso grande e ganchoso. Como todos os ossos longos. nesta abertura que é a cavidade articular (cavidade sigmóide). e de sua parte superior sobressai um grande apêndice em forma de bico de corvo (apófise coracóide) no qual se inserem importantes músculos do braço. A extremidade superior (cabeça do úmero) esférica se articula com a cavidade articular (cavidade glenóide) da escápula. Um só osso forma seu esqueleto. Ossos da mão.braça. segundo. encaixa a tróclea do úmero. O ângulo anterior. em cuja extremidade articular apresenta uma escavação arredondada para o condito do úmero. se articula com o trapézio. anular e mínimo. com a palma da mão dirigida para a frente. com os restantes ossos da segunda fila do carpo e também entre si. fim está em contato com a parte posterior e superior do tórax (de cujo esqueleto se acha separada por planos musculares). O esqueleto de cada dedo é formado por três ossos (exceto o polegar. adelgaçada (cabeça do cúbito). Sua extremidade inferior. O cúbito é mais volumoso em sua extremidade superior. Na rua inferior há o trapézio. ao redor da cabeça do cúbito. A mão é formada por três grupos de ossos: carpo. semilunar. na segunda em supinação. A fila superior compreende o escafóide. se relaciona com um pequeno osso da mão. a extremidade inferior. falanginha e falangeta. A posição correta chamada anatômica para a descrição dos ossos da extremidade superior é a de extensão. Por seu lado externo tem em sua parte inferior e na superior. rombo. São designados com os nomes de polegar. que corresponde ao polegar. O metacarpo forma o esqueleto da palma da mão e é constituído por cinco ossos longos que se dispõem como a armação de um leque aberto. Sua face posterior está dividida em duas zonas desiguais por uma crista óssea (espinha da omoplata). o úmero. superfícies articulares para o rádio. metacarpo e dedos. que de cima para baixo se chamam falange. indicador. 8 . em forma de —. urna delas corresponde ao dorso. A clavícula é um osso longo. articulados entre si. e seguem a direção dos rnetacarpianos. ossos longos colocados paralelamente e articulados por cima com o úmero e também entre si. ao contrário do cúbito. os demais o fazem. que se articulam com os dois ossos do antebraço. achatada da frente para trás. sua face anterior. tem um corpo (diáfise) e duas extremidades (epífises). A extremidade inferior.

entre ambas as tuberosidades. a segunda fila. sua face posterior se articula com o calcâneo e a anterior com os últimos metatarsianos. na posterior se insere um robusto tendão. e era sua parte externa outra superfície articular inferior do perônio. cuja extremidade posterior se articula com algum dos ossos do tarso (cuneiformes ou cubóide) a extremidade anterior o faz com a extremidade posterior do primeiro osso que forma o esqueleto de cada dedo. que está colocado seguindo uma direção obliqua ou seja num esqueleto montado os dois mures aproximam suas extremidades inferiores. Os cuneiformes assim chamados por sua forma de cunha são três ossos encravados entre os três primeiros metatarsianos e o escafóide. Osso do quadril. Centrada neste ponte. com a qual se articula a extremidade superior da libra possui duas tuberosidades. de outra tuberosa posterior (isquio). cuja parte superior ou articular é escavada formando duas cavidades (cavidades glenóides) que se articulam com os côndilos do fêmur. Na parte externa deste se encontram duas proeminentes eminências (trocanter maior e trocanter menor). O astrágalo está encaixado por sua parte superior no arco que tem por pilares os dois maléolos e por abóbada a face inferior da tíbia. A rótula completa o esqueleto da perna. que descansa diretamente no chão. Compõem o tarso sete ossos curtos muito irregulares. assimétrico. metatarso e dedos. por cima da qual se estende urna extensa superfície óssea (ílio) e por baixo um orifício triangular (orifício obturador) que separa uma porção angular. a perna e o pé. 9 .MEMBRO INFERIOR OU PÉLVICO Como no membro superior. Corno a mão. Sua face inferior se articula com o calcâneo. nas quais se inserem potentes músculos. plano. Como no antebraço. osso longo. massas ósseas arredondadas (côndilos do fêmur). O cubóide tem urna face superior que forma parte do dorso do pé. de forma triangular. de cada lado. Sua extremidade inferior. dois ossos formam o esqueleto da perna: a tíbia e o perônio. com os vértices arredondados. sua face anterior se articula com o cubóide. O metatarso consta de cinco ossos longos. anterior (púbis). se encontra uma eminência óssea na qual se inserem músculos da região anterior da perna e na sua parte externa urna face articular para o perônio. O perônio é uru osso delgado situado na parte externa da perna paralelo à tíbia e um pouco atrás desta. aos quais há que acrescentar a rótula. ou cintura pélvica formada por um só osso. que se corresponde com a do outro ilíaco (sínfise pubiana). alongada forma o maléolo externo e por sua parte interna se articula com a tíbia e com um osso do pé. É o fêmur. A extremidade inferior da tíbia por na parte interna prolonga para baixo uma apófise volumosa (maléolo interno). estrangulada em sua parte média por duas chanfraduras. o pé é formado por três grupos de ossos: tarso. é um osso curto. que se articula por sua parte posterior com os côndilos do fêmur. O astrágalo e o calcâneo formam a primeira rua. composto pela coxa. Por sua parte interna o ilíaco apresenta na parte posterior uma face articular (face auricular) para o sacro e outra no púbis. Ossos da perna. e a anterior com o escafóide. Osso da coxa. dispostos em duas ruas. e o membro inferior propriamente dito. Na parte anterior. O escafóide ocupa a parte interna do pé. É o ilíaco ou coxal de forma quadrilátera muito irregular. Da extremidade inferior se separam. A superior apresenta urna cabeça esférica (cabeça do fêmur) que se articula com o ilíaco e que se une ao corpo do fêmur por um curto e oblíquo talo ósseo (colo do fêmur). O calcâneo é o osso do calcanhar. O escafóide. observamos no inferior duas partes fundamentais: o quadril. A tíbia é um osso longo situado na parte interna da perna. Corno a extremidade inferior do fêmur. o cubóide e os três cuneiformes. ao lado do cubóide e se articula por trás com a cabeça do astrágalo e pela frente com os três cuneiformes. por sua parte externa se acha uma grande cavidade articular (cavidade cotilóidea) para o fêmur. o tendão de Aquiles. Sua extremidade superior (cabeça do perônio) apresenta em sua parte interna uma face articular para a que possui a tíbia a este nível. sua face interna se articula com o escafóide e o terceiro cuneiforme. Ossos do pé. o ilíaco.

exceto o maior (hálux) que tem apenas a primeira e a última. vasos e nervos. Para o estudo da pelve consideraremos sucessivamente a superfície externa. com o sacro. Conformação da pelve. tanto em sua borda anterior como na posterior: estas chanfraduras (às vezes convertidas em orifícios por meio de ligamentos) dão passagem a tendões. pelas superfícies ósseas que correspondem às regiões ilíacas (fossas lacas internas) e pela frente e pelos lados se encontra aberto (abertura que no estado natural é fechada pela parede abdominal). A PELVE Ao estudar o esqueleto do membro inferior. as cavidades pélvicas formam um canal curvo pelo qual devem deslizar e girar. músculos. A borda anterior forma um ângulo obtuso muito aberto que por cima é fechado por uma faixa fibrosa (arco crural). o qual delimita por cima uma cavidade grande e. que descreveremos contornando a pelve desde sua parte média anterior até. encontra alojamento e sustentação grande parte da massa intestinal. a pelve é formada pelos dois essas ilíacos. inserida nos extremos do mesmo. assim como atravessar os estreitos. ou pélvico. e o estreito inferior. descrevemos o osso ilíaco que também é conhecido por osso do quadril ou cintura pélvica. esta fechada. ramos púbicos (horizontal e descendente) forame obturador. A redução de um ou mais diâmetros ou a deformação pélvica supõem serias dificuldades para o parto. Pela função que a pelve feminina desempenha durante a gravidez e o parto. a pelve é um amplo recinto fechado em suas partes posterior e média pelo sacro. Na superfície externa. ou assoalho da pelve. por trás. quarto e quinto. Há que esclarecer que o estreito superior corresponde à abertura superior da pelve. falanginha e falangeta. assim como vasos arteriais e venosos que se dirigem às extremidades ou que procedem delas. formado por uma tinha irregularmente circular que une de forma imaginária a parte inferior da sínfise pubiana a borda inferior dos ramos isquiopubianos. fossas ilíacas externas acima. diâmetros e eixos dos estreitos: com efeito. amplamente aberta. à abertura inferior. especialmente a porção terminal do tubo digestivo e o último trecho do aparelho urogenital e. de cada lado. Em sua parte média. terceiro. A esta cornija irregular que estreita a parte média da pelve se denomina estreito superior. estão constituídos por falante. à cavidade superior. razão pela qual é de suma transcendência que a pelve esteja normalmente configurada. chanfraduras grandes e pequenas. por baixo. encontraremos estes elementos: sínfise pubiana. primeiro. contribui para formar um cinturão ósseo se conhece por pelve. Por sua parte interna. a totalidade do aparelho reprodutor. na mulher. do qual resulta circunscrito um espaço triangular que se localiza precisamente na união do abdome com a coxa e que exteriormente se corresponde com a prega da virilha esta região é importante porque nela se estabelece comunicação entre o abdome e a parte superior da coxa. cavidade cotilóidea. De modo que este osso isolado forma o primeiro segmento do membro inferior. Na pelve. além de passarem por seu interior importantes nervos. a interna e as aberturas ou estreitos superior e inferior. Em sua pane inferior se encontram o ísquio e os ramos púbicos. pelos planos músculo . quando existem as partes. o isquio abaixo e a parte posterior do sacro e do cóccix. a média posterior.Os dedos. o sacro e o cóccix. pelve maior. e se encontra situada na parte inferior do tronco. moles. que corresponde aproximadamente à parte média do corpo. 10 . com o isquio e o cóccix. porém. articulado pela frente (púbis) com o outro ilíaco e. a cabeça e o corpo do feto durante o parto. tais como planos de inclinação. Existe também um estreito inferior. outra menor. são muito importantes determinados caracteres específicos. segundo. seta impedimentos nem fricções violentas.membranosos que fornam o períneo. O contorno do osso ilíaco apresenta numerosas. Assim. e à inferior pelve menor. a cavidade pélvica apresenta um estreitamento anular horizontal. também conhecido pelo nome de diafragma pélvico.

As superfícies articulares dos ossos vizinhos já se viu que podem ter formas muito variadas. cabe encontrar nelas elementos e características funcionais comuns. ou então de superfícies côncavas e convexas que se correspondem reciprocamente. são membranas tão finas e aderentes que é impossível separá-las dos ligamentos. Os meios de união ou ligamentos. na qual se produzem movimentos de deslizamento. para obter os melhores resultados quanto à amplitude de movimentos e á facilidade de sua realização. As primeiras. cuja finalidade é aumentar a profundidade e extensão da cavidade. Deve ficar claro que articulação não significa necessariamente mobilidade. merece ser citada a do cotovelo. o que facilita seu deslizamento. amplos e variados como assegurar todo o contrário: a imobilidade mais absoluta entre os ossos vizinhos. as articulações foram classificadas em imóveis. flexão. Não obstante. que intervêm na estrutura de toda articulação. os meios de união e os de deslizamento. Se se atende à morfologia das superfícies que se articulam. que determina os de supinação e pronação).ARTICULAÇÕES Nos ossos que examinamos foram assinaladas de maneira especial as relações que mantinham entre si por meio das superfícies articulares que constituem uma parte da articulação. De acordo com sua dinâmica nula. bastante citada nas descrições médicas das lesões que costumam acometer os jogadores de futebol é a dos meniscos. segundo os elementos articulares. assim como à segurança e solidez que uma articulação tão móvel exige. podem estar fora da articulação (ligamentos periféricos)como o ligamento capsular ou cápsula ou então dentro dela (ligamentos interósseos). A variedade de movimentos articulares depende da estrutura das superfícies articulares. rotação. chamadas suturas. às quais se adapta uma espécie de rodete (rodete anular). as autênticas só se encontram na coluna vertebral. semimóveis ou anfiartrose e móveis ou diartrose. A cartilagem que as recobre se caracteriza por sua solidez e grande flexibilidade. ou gêneros. como clara de ovo. que em certas articulações (joelho) cobrem as superfícies articulares contíguas. Diartroses: nestas existem as condições ótimas. ou fibrocartilagens interarticulares. de faces planas por ambos os lados. finalmente. existem superfícies articulares. Para ter uma idéia delas. por sua grande variedade não é possível escolher nenhuma como tipo para uma descrição generalizada. portanto. possui estruturas muito especializadas. Os meios de deslizamento (sinoviais). mas sim moles. Dentro da articulação pode haver outras cartilagens e fibrocartilagens. Tais adaptações articulares permitem a realização de variados e extensos movimentos. cabe destacar as fibrocartilagens próprias das superfícies côncavas de algumas diartroses (ombro). Em anatomia. tanto por parte dos ossos como pela dos elementos moles articulares. Curva fibrocartilagem. em geral denteadas. ou de polia (tróclea) por um lado e crista por outro. A cada articulação correspondem umas determinadas funções e. Delas. ou sinartrose. Por sua parte articular. encontraremos as que adotam a forma de cabeça por uma parte e de cavidade por outra. Sinartroses localizadas nos ossos do crânio e da face: os ossos ficam unidos mediante membranas fibrosas ou cartilaginosas. Agora completaremos o conhecimento desta mediante o estudo dos elementos não ósseos. a cartilagem que as recobre. As segundas articulam ossos endocranianos. segregam uma substância viscosa. Existem muitos tipos de diartroses. média ou ampla. extensão e translação (do rádio. partes moles interpostas entre aquelas e outras colocadas ao seu redor. aparecem como linhas sinuosas. Entre as diartroses mais móveis. cuja face interna revestem. que lubrifica as superfícies em contato. na abóbada craniana. de cilindro ósseo por um e de anel osteofíbroso por outro e. Anfiartroses também denominadas semiarticulações. outorga-se o nome de articulação ao conjunto de partes duras e moles que estabelecem uma conexão entre dois ou mais ossos imediatos. Em toda articulação há que considerar superfícies ósseas articulares. são faixas e cordões fibrosos muito resistentes. As partes constituintes de uma articulação móvel ou diartrose são: as superfícies articulares. mas entre as mesmas se interpõe uma cartilagem que adere fortemente às superfícies ósseas e o movimento articular se reduz a curtos deslocamentos laterais. a sinóvia. 11 . a conexão óssea tanto pode permitir movimentos fáceis.

Classificam-se em músculos da mímica e músculos mastigadores. elevam o maxilar inferior e mantêm encostadas ambas as bordas alveolares. em número par. etc. que se estende do ocipital ao frontal. alguns sensitivos (feixe neuromuscular) e outros motores (placa terminal). A sua ação se devem os seguintes movimentos: elevação das sobrancelhas. No músculo existe uma rica vascularização e nervação. circulatório. O músculo e o tendão se unem por continuidade da cobertura conjuntiva que envolve o corpo muscular com os elementos conjuntivos do mesmo tendão. o miolema ou sarcolema. dilatação transversal da fenda bucal (sorriso) e tantos outros que são causa da cambiante expressão facial humana. dai serem chamados músculos de fibralisa. Uma membrana fina e transparente. se reúnem os que são totalmente independentes da vontade. ou seja. que evitam desvios e roturas durante sua contração e se dispõem como manguitos que desempenham o papel de uma meia elástica. Os mastigadores. indispensável para a sua intensa atividade funcional. Os tendões possuem como os músculos. e formam membranas nos aparelhos digestivo. As fibras musculares possuem microdispositivos especiais. Os primeiros são cutâneos. com inserção na pele e ação sobre ela. costuma-se dividi-los em dois grupos: um formado por um único músculo. por sua vez. os músculos da vida vegetativa ou orgânica. delgados. e outra não contrátil. Do ponto de vista anatômico. de cujos acoplamentos resulta uma grossa capa carnosa que se dispõe ao redor dos ossos: são os órgãos ativos da locomoção. pode diminuir seu comprimento. As fibras musculares se alojam entre as malhas de uma armação de tecido conjuntivo dispostas como septos. ou músculos lisos. as aponeuroses ou fáscias. As fibras musculares contêm uma substância protoplasmática (sarcoplasma) e uns elementos filiformes. formado por vários que se distribuem ao redor da cavidade orbitária. sem estrias. que constituem unidades isoláveis de variadas formas. Vamos expor sucintamente os planos mais superficiais destes grupos musculares cuja complexissima ação nos veremos obrigados a sintetizar: Grupo I. e outro. Existem duas classes deles: os que se contraem por intervenção da vontade. o tendão. Na outra classe. Os da vida vegetativa constam de fibras fusiformes. as fibras conjuntivas convergem nos extremos para formar os tendões. Por isto também são denominados músculos viscerais. que se dividem e subdividem para formar departamentos cada vez menores. mais numeroso. as estrias transversais. branca e muito resistente. 12 . respiratório. Por esta armação passam os vasos e os nervos. As fibras musculares aderem suas extremidades a pequenas depressões existentes no tendão. a uma cartilagem ou a uma membrana fibrosa. São classificados tradicionalmente segundo um método topográfico que prescinde de sua fisiologia para atender somente à sua situação no esqueleto (Testut). Em todo músculo há que distinguir uma parte contrátil. os músculos voluntários ou da vida animal. O número de músculos do corpo humano excede os 400 (50% da massa do corpo). deste modo se chega a descrever até sete grupos. situados na parte lateral do crânio e da face. O tendão é de natureza fibrosa. os músculos voluntários se compõem de fibras musculares em que se destacam claramente umas características estrias: por isto são chamados músculos estriados. é capaz de contrair-se bruscamente para logo recuperar suas dimensões. por um extremo se une ao corpo muscular e pelo outro a um osso. vermelha o músculo propriamente dito. paralelos ao eixo da fibra muscular: a elas se devem as estrias longitudinais: cada fibrila se compõe de discos superpostos cuja justaposição origina. as fibrilas musculares. Músculos da cabeça.SISTEMA MUSCULAR O músculo é um órgão que sob o efeito de um estimulo. cujos filetes se ramificam dentro d pequenos corpos fusiformes (corpúsculos músculo-tendinosos de Golgi). providas de numerosos núcleos. fechamento ou abertura dos olhos e a boca. nervos motores e sensitivos. que se estendem de um extremo a outro. O músculo é constituído fundamentalmente por elementos cilindróides longados: são as fibras musculares. cobre a fibra muscular. do nariz e da boca. Os músculos estão envoltos por membranas. enrugamento da pele frontal.

inclinam ou giram a cabeça para um lado ou outro. a região externa. que se estendem desde a clavícula e a omoplata até o úmero: elevam o braço. Músculos do abdome. flexionam os dedos ou dobram a mão sobre o antebraço. cujas paredes contribuem para formar. e a região posterior. na região póstero-interna figuram os que dobram a perna. Os largos são uns planos musculares que ocupam a parte anterior e lateral do abdome. o que estende os dedos. que contém os que acionam o polegar. na qual se encontram os orifícios que estabelecem comunicação entre a cavidade abdominal e as regiões vizinhas (canal inguinal’. que se distribuem uns numa região ânteroexterna e entre eles figuram os mais robustos do membro inferior. 3º. na qual se consideram a região palmar externa. especialmente as inserções iliopubianas que correspondem à virilha. que endireitam a pelve e comunicam ao fêmur movimentos de rotação. na qual se encontram os que dobram o pé sobre a perna. outros dobram a perna e a coxa. Os primeiros se estendem longitudinalmente a cada lado da linha média do abdome e estão separados por uma porção aponeurótica chamada linha alba. 3º os da perna. 4º. costumam ser curtos. Músculos do membro inferior. situados num plano mais profundo. flexionam. que se distribuem em várias regiões: uma para o dorso do pé e três para a face plantar. Os primeiros intervêm na função respiratória. Grupo IV. os da mão. por outro. os do braço. e a região palmar média. Músculos do pescoço. figuram nele: 1º. excepto os da região dorsal. que se agrupam em três regiões: anterior. Os músculos anteriores e laterais flexionam a cabeça e a dirigem a um e outro lado. na realidade. Pertencem a este grupo aqueles que fixam suas duas inserções no esqueleto do membro superior. que compreende aqueles que colocam o braço em pronação. a externa reúne aqueles que estendem o pé e dirigem sua face plantar para fora. os da coxa. Dispostos simetricamente ao redor a coluna vertebral. dirigir o braço para trás e para baixo e elevar ou baixar as costelas.Grupo lI. 2º. Músculos do membro superior. que se dispõem alguns na região anterior (que dobram o antebraço sobre o braço) e outros na posterior (que estendem o antebraço sobre o braço). os da pelve: no grupo mais superficial e posterior se encontram os três grandes músculos da região das nádegas. 2º. e que se reúnem no grupo dos músculos da 13 . os segundos movem o braço e a região do ombro. Grupo III. que se dispõem ao redor do cúbito e do rádio e formam: a região anterior. dirigem-no para a frente e para trás e fazem girar o úmero. Distinguem-se os intrinsecamente torácicos. o aproximam á linha média e estendem os dedos. Este grupo compreende os que fecham a cavidade abdominal. que se inserem no osso ilíaco. 1º. a região posterior. A região lombar é ocupada por uma extensa lâmina aponeurótica romboidal que se estende até o sacro e que. que estendem a perna. os da parte posterior correspondem à nuca. cujos músculos trabalham como extensores dos dedos. e outros cruzam ambas as extremidades. A primeira é formada por um só músculo. MUSCULOS DE FIBRA ESTRIADA Além dos que vimos nas páginas anteriores. os do pé. onde se encontram os da panturrilha. externa e média (que correspondem. cujas duas inserções são costais daqueles que por um extremo se inserem no tórax e. Grupo VII. os do antebraço. que compreende os que movem as falange dos demais dedos. essenciais para a marcha e o salto e extensores do pé (outros mais profundos dobram a perna e os dedos do pé) 4º. onde atuam como extensores da mão ou colocam o antebraço em supinação. Músculos do tórax. arco crural). Músculos da nuca e da região posterior do tronco. Sua função reside em dobrar o tórax e comprimir as vísceras abdominais. Podem ser longos ou largos. os músculos do ombro. Grupo VI. Sua função é variada e compreende as funções de trepar. São importantes as aponeuroses inferiores. nalgum osso da cintura escapular. Os da nuca. Grupo V. é um grande tendão que contém fibras procedentes de diversos músculos. aproximam a coxa para dentro e comunicam ao fêmur um movimento de rotação. Inclui músculos largos que se dispõem de cada lado da coluna vertebral. à divisão admitida para a mão). A plantar compreende todos aqueles que se distribuem pelas partes interna.

Suas fibras musculares. e do mesmo modo recuperam suas dimensões. Estes músculos fecham a pelve por sua parte inferior e constituem um dispositivo diafragmático. convergem na cavidade bucal. por fora do globo ocular (músculos extrínsecos). variadas funções (mastigação. Na quase totalidade de sua espessura está formado pela túnica muscular (miométrio). É definido como um músculo oco. Artérias e veias. que contribuem para formar um largo conduto músculo membranoso que intervém principalmente na deglutição. também de fibra estriada. Alcança maior espessura nas artérias. Músculos da língua. suas fibras musculares se distribuem em três planos: superficial. MÚSCULOS DE FIBRA LISA Sua característica é que funcionam de maneira totalmente livre da influência da vontade: sua contração se verifica com lentidão. na média. Reto. Vamos expor alguns deles cujas funções são realmente importantes. e profundo. Períneo. de fibras oblíquas. locução). estas se acham dispostas em todas as direções. Possui :rês camadas concêntricas de fibras: as da externa são longitudinais. Situados na órbita. no duodeno (ampola de Vater). São o do martelo e o do estribo. de fibras circulares. pela motilidade que desenvolve este órgão. deglutição. existem outros músculos. Músculos eretores do pêlo. vasos e canais. Músculos do ouvido. mais grossas. Nele. Músculos da laringe. Encontram-se diminutos músculos. Muito importantes. agrupados em feixes cilíndricos. Os feixes musculares se dispõem debaixo das peças cartilaginosas dos canais brônquicos e se organizam predominantemente como fascículos circulares que se estendem a modo de uma camada contínua. O coração. Útero. Diafragma. são os fatores de sua mobilidade. se acham ao redor da uretra (esfíncter vesical interno) e as da interna voltam a ser longitudinais. A seguir. Músculos do olho. Tem uma camada superficial de fibras longitudinais e outra profunda de circulares. localizados ao redor dos folículos pilosos. Bexiga urinária. embora estriadas. 14 . (diafragma pélvico) guardam estreita relação com o aparelho gênito-urinário e com a região anal. pertencem a um tipo especial. que atuam sobre a cadeia de ossículos na fase da transmissão mecânica da onda sonora. sobre as vísceras. separa a cavidade torácica da abdominal e torna parte nos movimentos respiratórios. na média. Esôfago. isto é. à qual mobiliza em sua. citamos alguns órgãos em cuja estrutura intervêm os músculos de fibra lisa. Músculo largo. médio. e sua contração ou dilatação influi no calibre destes vasos. em sua parte terminal. onde constituem a massa carnosa da língua.locomoção. que relacionam entre si as cartilagens que a formam e participam de modo indireto ou direto (cordas vocais) na fonação. respectivamente. as fibras musculares adotam duas direções: as mais internas são circulares. que nas proximidades do anus se torna mais grossa e gera um anel muscular (esfíncter interno). A independência de sua atividade já adverte que se encontram situados precisamente naqueles aparelhos e sistemas sobre cuja função o homem não tem domínio algum. longitudinais Estômago. Canais excretores do fígado (colédoco) e do pâncreas (canal de Wirsung). e as externas. uns fascículos anulares de fibras lisas (esfíncteres) que regulam a excreção da bile e do suco pancreático. mu to grossa. o miocárdio. que por serem parte de órgãos ou sistemas distintos. Grupo numeroso que desde pontos diversos. de fibras longitudinais. Brônquios. Músculos da faringe. são estudados em outros capítulos da anatomia. e as da interna são circulares e longitudinais. Estes canais possuem. disposto em forma de abóbada. As fibras musculares lisas formam aqui uma capa (túnica média) que se dispõe circularmente. que se compõe de três camadas de fibras: na externa são longitudinais.

que consistem em pregas membranosas. Átrio esquerdo. a todas as medes capilares. fecham a abertura. umas do átrio ao ventrículo. flexíveis. o fechamento. e sua ramificação. SISTEMA CIRCULATÓRIO CORAÇÃO E PERICÃRDIO O estudo dos órgãos destinados à circulação do sangue. Num coração que nos mostre por cima o plano que contém os orifícios citados. os ventrículos. entre as quais destacam seu pouco comprimento. Ventrículo esquerdo. Os orifícios das artérias pulmonar e aórtica apresentam três valvas sigmóides cada um. apresenta características diferenciais. e as membranas que o envolvem por sua parte externa. que confere ao conjunto o aspecto de malhas de uma rede. Compõe-se de duas partes: a massa contrátil. que regulam a passagem do sangue. artérias. no qual se acham os orifícios das veias cava superior e cava inferior. que fecha ou abre a comunicação entre ambas as cavidades. suspensas da parede do vaso. Admite-se por tudo isto que existe um coração direito (venoso) e outro esquerdo (arterial) totalmente isolados um do outro. formada por três delas. O exame interno do coração permite distinguir quatro cavidades: as duas superiores. ao abaular-se para o átrio. que junta fortemente as bordas livres de ambas as valvas que. A íris consta de fibras radiais e circulares que permitem a contração e dilatação da pupila. sua imagem histológica mostra que. APARELHO CIRCULATÓRIO SANGUÍNEO O coração é um músculo oco que atua como uma bomba aspirante-impelente: por aspiração introduz em suas cavidades o sangue procedente das veias e por impulsão o envia. Todas as válvulas cardíacas são formadas por membranas delgadas. o orifício da artéria pulmonar. menores. além da válvula tricúspide. só existindo comunicação entre átrio e ventrículo por meio dos orifícios atrioventriculares. Ventrículo direito. através das artérias. semelhantes a ninhos de pombo. pericárdio. Vemos nele. os átrios. da linfa e do quilo abrange duas partes: a que se ocupa do aparelho circulatório sanguíneo (coração. que e mononuclear. que apresenta os quatro orifícios das veias pulmonares e o orifício atrioventricular esquerdo. ocupado pela válvula tricúspide. ainda pertencendo ao tipo estriado. Contém a válvula mitral e o orifício da artéria aorta. o orifício atrioventricular direito.Íris e músculo olhar (intrínsecos do olho). O miocárdio é formado por fibras musculares. ou o revestem por sua parte interna. Cada valva tem uma borda aderida ao contorno do orifício atrioventricular e outra livre. ao aumento de pressão intraventricular. cuja extremidade livre se prolonga com umas delgadas cordas tendinosas que se inserem nas bordas livres das válvulas mitral e triocúspide. O músculo ciliar retifica a curvatura do cristalino. e as inferiores. que também abarca os vasos quiliferos. Tanto a regulação da luz como a acomodação são funções automáticas. podemos ver a disposição das valvas: triocúspide. que fecha ou abre a passagem entre ambas as cavidades. que paira dentro da cavidade ventricular e na qual se inserem as cordas tendinosas que por seu outro extremo se unem aos músculos papilares. veias e capilares) e aquela que trata do sistema linfático (gânglios e vasos). outras do ventrículo aos troncos vasculares. Um septo separa as cavidades da direita das da esquerda. Nas válvulas mitral e tricúspide a abertura se deve ao aumento da pressão intra-atrial e à tração dos pilares. com sua válvula mitral. Eis aqui as características de cada cavidade: Átrio direito. A tensão das 15 . endocárdio. ou miocárdio. a mitral constituída por apenas duas. com suas válvulas sigmóides. onde se localizam as válvulas sigmóides. As paredes ventriculares projetam para o centro da cavidade pequenos mamilos musculares (músculos papilares ou pilares).

que se enche totalmente. suas bordas voltam a juntar-se. ou feixe. outro. os capilares pulmonares e as veias pulmonares. A base do pericárdio fibroso se adere ao diafragma. O endocárdio é uma membrana (endotélio) que reveste as cavidades. o sangue ingressa nas veias pulmonares que o retomam ao coração. a artéria pulmonar. o seroso (que contém um líquido viscoso) facilita os movimentos cardíacos. Situado no ponto de união da veia cava superior e o átrio. em ambos se realiza sua oxigenação e. razão pela qual os movimentos cardíacos são sincrônicos. que se continuam com as fibras musculares do átrio e estão inervadas por outras autônomas. é formado por dois folhetos muito finos: o externo corresponde ao pericárdio fibroso. percorrido por aquele que do coração esquerdo se dirige pelo sistema arterial a todos os parênquimas e logo. este se contrai e o sangue é impelido através das válvulas sigmóides à artéria pulmonar. Além isso. concretamente no átrio esquerdo o qual. o pericárdio seroso. consta de uma camada externa. O pericárdio seroso. logo. O primeiro constitui a pequena circulação (da qual já em 1553 Miguel Servet teve clara intuição) e se realiza entre o ventrículo direito. abraça os grandes vasos. no coração existem fibras musculares especializadas na condução de impulsos isto é. CIRCUITOS CIRCULATÓRIOS São dois: um. O funcionamento das cavidades. O nodo sinoatrial é fusiforme. reingressa no coração direito. o pericárdio fibroso. O segundo circuito constitui a grande circulação. contrai-se o átrio e se abre a válvula tricúspide. por ser o mais importante gerador de impulsos recebe o nome de 16 . o interno se estende sobre e superfície do miocárdio e se dispõe como um manguito sobre os troncos arteriais. convertido em arterial. o peso da coluna de sangue injetada nos vasos gravita sobre suas cavidades. Quando este está cheio. duplo saco sem abertura. ao preenchê-las. AUTOMATISMO CARDÍACO O músculo cardíaco é de fibra muscular estriada de caracteres próprios (miocárdio) que o diferenciam das fibras do músculo somático. Endocárdio e pericárdio. distribuindo-o seu ramo direito ao pulmão direito e seu ramo esquerdo ao pulmão esquerdo. também está rodeado de células ganglionares parassimpáticas. e uma membrana interna. de fibras cardíacas especializadas. que envolve o coração e a parte inicial dos grandes vasos. e o sangue passa através dela ao ventrículo direito até enchê-lo. orifícios e vasos. A intervenção das válvulas sigmóides é simplesmente passiva: a pressão da corrente sanguínea ascendente as dobra e encosta às paredes das artérias. na qual intervêm o ventrículo esquerdo. O pericárdio fibroso é um envoltório protetor. se contrai e o injeta através da válvula mitral no ventrículo esquerdo .cordas tendinosas e a contração dos músculos papilares contêm em seus justos limites o abaulamento. que o conduz aos pulmões. o sistema de condução. que o devolve ao coração. completará com uma visão de conjunto a relação anatômica e funcional que mantêm entre si as distintas partes do coração e que já examinamos em separado. seguido pelo sangue que do coração direito vai aos pulmões e retoma ao coração esquerdo. os capilares de todos os parênquimas e o sistema venoso. contrai-se por sua vez e impele o sangue através das válvulas sigmóides na artéria aorta. O pericárdio é um saco fibroseroso. a artéria aorta e suas ramificações. ao cessar a tensão intraventricular. que têm forma de ninho e. pelo sistema venoso. que envolve o coração sem contê-lo. o qual compreende dois nodos e um fascículo. utilizando um esquema que mostre a chegada de uma massa de sangue isolada que vá percorrendo cada uma das cavidades. válvulas e vasos é simultâneo e as fases de contração e dilatação se produzem ao mesmo tempo no coração direito e no esquerdo. A massa de sangue venoso chega pelas veias cava superior e inferior e flui diretamente ao átrio direito. fechando-se a abertura. seu vértice. uma vez repleto. aberto. válvulas e cordas tendinosas e se continua com a túnica interna dos grandes vasos. que desembocam no átrio esquerdo. CIRCULAÇAO INTRACARDÍACA A explicação da circulação sanguínea.

uterovariana) e o intestino grosso (mesentérica). pericárdio. composto também de uma rede de fibras cardíacas especializadas. dos quais nascem as artérias para os dedos (digitais e colaterais dos dedos) . o registro sobre é o eletrocardiograma. radial. Sua inervação também se deve a fibras nervosas autônomas. do pescoço (jugular e outras). o rim (capsulares. 3º. da medula espinhal e do membro superior: neste. esôfago. cefálica). VEIAS E CAPILARES Os tubos membranosos por onde circula o sangue são chamados vasos sanguíneos e são as artérias. ao oco axilar (subclávia (1). -tibial posterior). poplítea) e a perna (tibial anterior e tibioperoneira). os capilares e as veias. o atrioventricular. músculos e genitais) a externa dá um ramo ascendente (epigástrica) e se continua pela coxa (femoral. Todas elas desembocam direta ou indiretamente no tronco (braquiocefálico) originário da veia variações do potencial elétrico que. O sistema arterial consta de: o sistema da artéria pulmonar. cajado da aorta.). O sistema venoso é formado pelo sistema de veias que corresponde á artéria pulmonar. As veias superficiais da mão e antebraço acabam constituindo três ramos (cubital. da qual partem as artérias que se distribuem pelo tórax (pulmão. antebraço e braço seguem o trajeto das artérias e recebem seus mesmos nomes. mediana) e dois no braço (basílica. O feixe atrioventricular se bifurca em dois ramos. que se divide nas seguintes partes: 1º. ao chegar ao pé. O outro nodo. ELETROCARDIOGRAMA A contração cardíaca se acompanha de em todas as direções. direito e esquerdo). o estômago (gástrica). à qual segue uma segunda bifurcação (ilíaca interna. Os capilares são vasos finíssimos formados simplesmente por células endoteliais soldadas entre si. onde forma um arco (arco dorsal) do qual nascem as artérias para os dedos. por repetidas divisões e anastomoses destes vasos se formam as redes capilares. mediastino. o intestino (mesentérica). intercostais). o baço (esplênica). que se pode uma fita da marcha da excitação do coração exames clínicos. a mais interna. uma delas (tibial anterior) termina irrigando o dorso do pé (pediosa). o sistema da artéria aorta. que nascem nos pulmões e desembocam no coração. de outra média muscular e de outra interna. da qual nascem artérias para o diafragma. axiliar). ARTÉRIAS. pulmões). 2º. do tórax (pericárdio. a interna dá ramos intra. que nasce do ventrículo direito e se divide em dois ramos (pulmonares direita e esquerda). ao braço (umeral). rosto. esôfago. cubital) e que na mão formam uns arcos (arcos palmares). ilíaca externa). chegam à superfície tempos da contração cardíaca. a aorta torácica. que descem cavalgando sobre o septo interventricular e terminam subdividindo-se cada uma para formar respectivas redes (de Purkinje) que se distribuem por ambos os ventrículos.marcador do passo ou marcapasso. ao antebraço (radial. e o sistema de veias que corresponde à artéria aorta: veias cardíacas (coronários e outras) veia cava superior. que devolvem o sangue ao coração. de uso muito frequente nos 17 . irriga a região plantar. está localizado no átrio direito. no qual nascem as artérias que irrigam o coração (coronárias) e as que se dirigem para a cabeça (carótidas)(1). onde formam os capilares dos quais se originam as veias. etc. o coração se encontra submetido à ação aceleradora do sistema simpático e à freadora do parasimpático. e um tronco (tronco celíaco) que dá artérias para o fígado (hepática). Além deste sistema autoregulador que o torna autônomo. endotelial. As artérias se compõem de uma túnica externa conjuntiva. a aorta abdominal. Cada um recebe afluentes da cabeça (intracraniais. formada por dois troncos (braquiocefálicos. pleura. renais). reto. os genitais (espermática. As artérias conduzem o sangue aos órgãos. logo se reúnem numa só veia (adiar. As veias só possuem uma túnica externa de fibras musculares e elásticas e outra interna endotelial. onde reproduzem o ritmo dos diversos detectar com o eletrocardiógrafo. as veias profundas da mão. subclávio).e extrapélvicos (para a bexiga. que se continuam com outras atriais musculares. constituído pelas veias pulmonares. a outra (tibioperoneira) dá dois ramos (peroneira. Os ramos terminais da aorta começam a partir de uma primeira bifurcação (ilíacas primitivas direita e esquerda). ao propagar-se do corpo.

O ducto torácico nasce na cisterna de Pecquet. etc. cria um dos dois ramos (ilíacas primitivas. a mais inferior (poplítea) resulta da união de ramos profundos (tibiais. O trajeto dos vasos linfáticos se encontra interrompido por massas globosas. femoral). as superficiais compõem na região plantar uma rede venosa e na dorsal um arco venoso. Veias do membro inferior. o faz no átrio direito. onde cujas anfractuosidades circula a linfa. unindo-se a outro (ilíaca. flexura do cotovelo. pescoço. espermáticas ou uterovarianas). Anatomicamente. e podem desembocar nos grupos vizinhos. tronco e membros. cuja distribuição é análoga à das artérias. Em cada gânglio desembocam os vasos linfáticos aferentes que desde os territórios onde nascem se vão estendendo até chegar ao grupo do qual são tributários. e de cauda do baço. virilha. planta do pé). assim como nas ésceras. renais. os gânglios linfáticos. Nela confluem todos os vasos linfáticos que não são tributários do ducto torácico e que pertencem a um território circunscrito à direita. onde convergem: o ducto torácico e a grande veia linfática. Os gânglios distribuem-se como um conjunto continuo e existem na axila. exceto por alguns pontos (palma da mão. mediastino. penetra no tórax e na parte superior deste se encurva para a frende para desembocar na veia subclávia esquerda. a superior. ainda que muito mais grossos e de aspecto nodoso. desde as que se estendem pelo mesentério (prega do peritôneo que une o intestino delgado à coluna vertebral) para desembocar num reservatório. A grande veia linfática. apresenta dois envoltórios: o mais externo é uma serosa dependente do peritônio. que desemboca cada um em outra veia mais profunda (poplitea. cujo centro alberga outra (substância medular). Este tronco recebe veias da pelve. saem os vasos eferentes. ao chegar à perna. Os vasos quiliferos são capilares linfáticos que partem das vilosidades intestinais. e podem ser superficiais ou profundos. acompanhados dos sanguíneos. que por sua vez o faz com um ramo (ilíaca externa). partes laterais do pescoço. atravessa o diafragma e desemboca no átrio direito. pelve e abdome (onde se encontram repartidos na maioria das vísceras). os troncos linfáticos.cava superior que. A secção de um gânglio mostra uma cápsula que envolve uma massa periférica (substância cortical). VASOS E GÂNGLIOS LINFÁTICOS Os vasos linfáticos são canais por cujo. cuja união origina a veia cava inferior. por sua vez. em qualquer caso se dirigem sempre para os grandes coletores. O BAÇO É um órgão ovóide. da mesma forma ingressam nele as veias do abdome. da passagem aos vasos e nervos esplênicos (hilo). suas extremidades arredondadas recebem o nome de cabeça do baço. Os vasos linfáticos distribuem-se em planos superficiais e profundos pela cabeça. interior circula a linfa desde seu lugar de procedência até o sistema venoso. escavada. e a estes. onde desembocam. está situada no lado direito do corpo e desemboca entre as veias jugular interna e subclávia direita. com poucas anastomoses. direita e esquerda). De forma e volume muito variáveis. Originam-se rio seio dos tecidos. Gânglios linfáticos. grande tronco venoso que sobe pelo abdome. parte posterior do joelho. tibioperoneiras) e logo se continua com um tronco (femoral). recebem por um pólo os vasos aferentes e emitem pelo oposto (hilo) os vasos eferentes. dão dois ramos ascendentes (safena externa e safena interna). interna). porta. que se cruzam e 18 . Aos capilares seguem os vasos coletores. a modo de septos. Tanto a cisterna de Pecquet como o ducto torácico recebem a linfa proveniente de um território que se circunscreve à parte esquerda do corpo. As veias profundas do pé seguem o trajeto das artérias. de cor vermelho escura. descrevendo um trajeto paralelo entre si. a inferior. cujos extremos (dorsal externa e dorsal interna). o qual. a interna é de natureza fibrosa. por sua vez. e dela partem para o interior numerosas prolongações laninares. por canalículos semelhantes aos capilares sanguíneos. umas parietais e outras viscerais (capsulares. supra-hepáticas. desde cuja extremidade superior se prolonga para cima e para a esquerda. Sua face anterior. de cada gânglio. a cisterna de Pecquet. muito mais curta.

cada pulmão oferece um orifício. por dentro reveste a face mediastinica. situada imediatamente abaixo do osso .anastomosam em todos os sentidos. Seu volume varia durante os movimentos de inspiração ou expiração e sua capacidade é de uns três litros e meio. A porção condutora começa no nariz e acessoriamente na boca e segue com a cavidade nasal. realiza três funções importantes: pelo tecido linfóide. que revestem os pulmões. graças à rede vascular. o segundo reveste as paredes do tórax: por cima cobre o pulmão. Entre ambos os folhetos existe uma cavidade virtual que contém uma pequena quantidade de liquido seroso. Cada pleura compõe-se de dois folhetos: o visceral e o parietal. onde apresenta quatro prolongamentos: os dois superiores se unem ao hióide e as inferiores se articulam com a cricóide. O baço compõe-se em grande parte de tecido linfático: a polpa branca que rodeia a vermelha é formada por folículos linfáticos. situado profundamente na parte superior do abdome. esta cartilagem. parecida com um anel de sinete. dois lobos separados por uma cissura. feixe de todos os canais. A LARINGE COMO ÓRGAO DA FONAÇÃO Mencionou-se a laringe como parte das vias aéreas. com a convexidade dirigida para a frente. O primeiro adere intimamente ao pulmão. As veias. que é composto de polpa branca e polpa vermelha. que dá passagem ao pedículo pulmonar. A parte respiratória é constituída pelos pulmões. situados na cavidade torácica. qualquer que seja seu calibre. da laringe nos ocuparemos quando a examinarmos como aparelho fonador. o hilo. a laringe. situam-se na parte superior e posterior da cricóide e. direito e esquerdo. e por fora. A faringe será descrita com o aparelho digestivo. por baixo.hióide. é capaz de dilatar-se enormemente. Cada brônquio. as aritenóides. elásticos e cônicos. penetram nos pulmões respectivos. sem abertura. Este órgão. que corresponde ao mediastino. localizada atrás da tiróide. Descansam sobre o diafragma e estão separados entre si por um espaço que aloja outros órgãos torácicos (mediastino). independentes de membrana deslizante. é um tubo composto de anéis em forma de C. a pleura. enquanto diminui seu calibre e se ramificam para formar as árvores brônquicas direita e esquerda. exceto seu centro. seguem um trajeto inverso. nascem da bifurcação da traquéia e reproduzem a configuração anular desta. aritenóide e epiglote. Os pulmões consistem em dois sacos esponjosos. no hipocôndrio esquerdo. acompanhados de vasos e nervos. formando compartimentos que se encontram repletos do tecido próprio do baço. é larga. Por sua face interna. a faringe. portanto. portanto. AS PLEURAS São dois sacos serosos. e o esquerdo. o canal traqueal só é cilíndrico por sua parte anterior e plano pela posterior. o diafragma. Os brônquios. proeminente à frente e aberta por trás. A epiglote é uma lâmina ovalada. não são visíveis numa projeção anterior da laringe. O APARELHO DA RESPIRAÇÃO Consta de uma parte condutora do ar e de outra respiratória propriamente dita. como vimos. mas é também um aparelho fonador. a traquéia e os brônquios. descem obliquamente. por cima do orifício superior da laringe. e como tal vamos examiná-lo a seguir. apresenta a placa orientada para trás. cricóide. atuando corno um reservatório de sangue. Depois de um curto trajeto. A polpa vermelha é constituída por seios venosos e uma rede de fibras reticuladas. vai acompanhado de um ramo da artéria pulmonar. com sua membrana envolvente. A cartilagem tiróide. destrói as hemácias envelhecidas e. O pulmão direito apresenta três lobos separados por cissuras. A traquéia se estende desde a laringe até a origem dos brônquios. a face interna das costelas (seio costodiafragmático). vasos e nervos que entram no pulmão ou saem dele. 19 . articuladas e unidos por ligamentos e movidas por músculos: tiróide. gera glóbulos brancos: pela ação das células fagocitárias (macrófagos). Outras duas pequenas cartilagens. revestidas por células fagocitárias (sistema retículo-endotelial). que está coberta por uma membrana. Consta das seguintes peças cartilaginosas.

do qual parece pender como uma fruta de seu talo: é o bronquíolo supralobular. fenda de amplitude muito variável. No espaço acanalado compreendido entre os troncos venosos e os arteriais pulmonares se alojam. O aparelho respiratório e o circulatório apresentam estreitas relações. RELAÇÃO CARDIOPULMONAR Antes de iniciar o estudo das relações existentes onde o coração e os pulmões. Os músculos intrinsecamente laríngeos mobilizam as cartilagens. uma parte alheia ao intercâmbio gasoso. está a cargo do coração. assim como os de tensão. Resultava imprescindível esta prolixa descrição para chegar ao elemento fundamental do pulmão. tensionam as cordas vocais. a estes conjuntos se lhes chama ácinos. cuja parede é uma 20 . como ocorre com todas as veias. A laringe se une pela tiróide ao hióide (membrana tiro-hióidea) e pela cricóide. o importante trânsito ininterrupto do sangue pelos capilares pulmonares. recebe o nome de artéria por seu funcionamento. e cada ramo terminal desemboca num conjunto de três a seis vesículas lobuladas. outras membranas e ligamentos mantêm relacionadas as distintas peças pelas superfícies articulares. depois de um breve trajeto. limitada por quatro pregas. transmitida à coluna de ar expirado. produz a voz. que se ramifica. sua ação proporciona a esta corda a possibilidade de experimentar uma especialíssima tensão que distingue de todas as demais esta bem chamada “lingueta viva”. em cuja espessura se aloja um feixe muscular (do músculo tiroaritenóideo). apesar de conter sangue venoso. onde se subdividem seguindo as ramificações da artéria pulmonar. os que se dispõem na periferia do pulmão apresentam na face externa deste suas bases e dirigem seus vértices para o interior do mesmo. à traquéia. as inferiores são as verdadeiras cordas vocais. Pode-se. Esta relação anatômica tão estreita entre os pulmões e o coração se explica porque. Estes apresentam por fora umas empolas que lembram as células ou alvéolos com seu opérculo de um favo de mel. Os movimentos básicos para a produção do som são os de aproximação ou separação das cordas vocais. de forma piramidal. duas de cada lado. vimos também que de cada ventrículo do coração nascem duas grossas artérias: a pulmonar e a aorta. de um lado e do outro. se bifurca. chamado feixe da corda vocal. formando ali o bronquiolo intralobular. que se continua dentro do lóbulo. já que conduz o sangue para fora do coração. Atravessa o vértice de cada lóbulo um canal brônquico. pois. onde se unem para formar vasos cada vez mais grossos e menos numerosos. as cordas vocais. constringem ou dilatam a glote ou deprimem a epiglote. convém esclarecer que a artéria pulmonar. em cuja parede superior desembocam. A primeira se dirige para cima e. no ato da deglutição. Cada pulmão está unido ao coração pelo pedículo pulmonar. com a função fonética: a glote. o alvéolo pulmonar. até ficarem reduzidos a dois troncos para cada pulmão. das redes capilares dos lóbulos e das últimas ramificações brônquicas nascem vênulas que convergem e se dirigem para o hilo pulmonar. que se devem a delicados deslocamentos pendulares das cartilagens laríngeas. dando um ramo direito e outro esquerdo. O exame da parte posterior do fragmento anterior de uma laringe cortada frontalmente permite ver a porção mais importante do conduto laríngeo em relação. e para evitar a confusão que pode advir da identidade nominal dos grandes troncos arteriais (artéria pulmonar e artéria aorta). embora a ventilação pulmonar se realize naqueles órgãos. os brônquios direito e esquerdo. Delas. Por outro lado. CONSTITUIÇÂO ANATÔMICA DOS PULMÕES Os pulmões estão formados por sáculos membranosos em cujas delgadas paredes se ramificam os vasos através dos quais se verifica o intercâmbio gasoso: são os lóbulos pulmonares. infundibulos. dizer que “a artéria pulmonar une o ventrículo direito aos pulmões” (Soula) e se ramifica profusamente em ambos. que ao chegar ao hilo respectivo penetram no pulmão.sobre a qual desce. que atravessam o hilo correspondente e penetram no pulmão respectivo. dá se dirigem ao átrio esquerdo. e às vesículas. como fazem todas as artérias. e devido a esta semelhança receberam o nome de alvéolo. as veias pulmonares. embora contenham sangue arterial recebem o nome de veias porque convergem para o coração. cuja vibração. a modo de opérculo. Do mesmo modo.

finíssima membrana que “separa o ar do sangue” (Soula) e constitui precisamente o ponto de intima união entre o aparelho respiratório. Os dentes. durante a inspiração se produz o aumento dos diâmetros intratorácicos. O número de dentes varia com a idade: até os sete ou oito anos chegam a 20 (10 para cada mandíbula): são os dentes da primeira dentição. A ventilação pulmonar é realizada mediante movimentos inspiratórios e expiratórios. matéria mole na qual se distribuem artérias. Quanto à sua configuração interna (fig. bordeado pelos lábios. 8). As veias que seguem estes capilares passam pelas paredes interlobulares e se dirigem para a periferia do lóbulo. raiz única (pré-molares. que 21 . e a nível da raiz. ou céu da boca. parte implantada no alvéolo. ou dentes de leite. A nível da coroa. reduz a cavidade torácica e expulsa o ar. deglutição e locução. a dentina esta coberta pelo esmalte. faringe. representado pela rede capilar que o envolve. com duas cúspides. 4) coroa larga. No adulto seu número ascende a 32 (16 para cada mandíbula): são os dentes permanentes. ou véu do paladar. 8). que intervém na mastigação. na qual termina uma ramificação da artéria pulmonar acompanhante do bronquiolo intralobular. o sentido do paladar. para formar as veias pulmonares. elementos duros. que só se converte em uma cavidade real quando desce. além disso. BOCA FARINGE O aparelho digestivo compõe-se do tubo digestivo propriamente dito e de vários órgãos glandulares que vertem nele suas secreções ou sucos digestivos. língua. estas são: coroa cortada a bisei. apresenta na parte média de sua borda livre a úvula ou campainha e se continua lateralmente. Todos eles possuem: coroa ou corpo. dentes. úvula. de natureza fibromuscular. devido à elasticidade do pulmão e ao relaxamento do diafragma que. Intervém em ambos os atos a caixa torácica. a porção inicial. estão implantados nos alvéolos dos maxilares. uma série de órgãos: gengivas. portanto. e colo. coroa com quatro cúspides. intestino delgado. ao recuperar a forma abobadada. raiz única (incisivos. muito dura. representado deste modo pela parede alveolar. Ao crescer o espaço intratorácico. No assoalho da boca esta a língua. mas o exame da intervenção física de alguns dos órgãos descritos até aqui pode ser interessante do ponto de vista da mecânica respiratória. 12). OS MOVIMENTOS RESPIRATÓRIOS As duas fases da função respiratória. e o aparelho circulatório. veias. Os dois pilares anteriores formam um arco que circunscreve o istmo das fauces. Afora estas características comuns. Nela reside. As gengivas são as bordas alveolares. O tórax realiza movimentos alternados. que separa a coroa da raiz. No centro da peça dentária se observa uma cavidade que contém a polpa dentária. recobertas pela mucosa bucal. pertencem à fisiologia. órgão musculoso coberto por uma mucosa. existem outras que os diferenciam entre si e que se devem às variações que a coroa e a raiz mostram. e aos quais se conhecem como glandulares anexas ou simplesmente como anexos do tubo digestivo. o diafragma. raiz. entre os quais se alojam as amígdalas. A boca é. ou da segunda dentição. A expiração é um ato passivo. o corte de um dente permite distinguir uma parte periférica. a dentina ou marfim. umas dobras chamadas pilares. a ventilação pulmonar e a respiração celular. se dilatam e aspiram o ar. de cor branca brilhante. os pulmões descem. O APARELHO DIGESTIVO TUBO DIGESTIVO. estômago. pelo cemento. de cada lado. esôfago. raiz única (caninos. Este se estende desde a boca até o ânus e alcança um comprimento de dez a doze metros. coroa pontiaguda. compõe-se de palato duro e palato mole. O palato. amígdalas e istmo das fauces. com os dois pilares. os músculos intercostais e a pleura. especialmente pela ação do diafragma. o maxilar inferior: descobrem-se então. Imediatamente atrás da boca se encontra a faringe segunda porção do tubo digestivo. intestino grosso e ânus. orifício que comunica com a faringe. móvel e contrátil. raiz múltipla (molares. Compreende as seguintes porções: boca. em seu interior. este. órgãos linfóides em forma de amêndoa. 4). anterior e posterior. parte que sobressai do alvéolo. abóbada palatina. linfáticos e nervos que penetram por uns orifícios que perfuram o vértice da raiz.

O jejuno-iléo . parecido com um funil. órgãos especialmente dedicados a atuar mecânica e quimicamente sobre a massa alimentar. Constituição anatômica. nele desemboca o estômago. Sua imagem radiológica lembra a de um J. cilíndrico. com estreitamentos e segmentos alargados. Tal ação. localizada na parte inferior do pescoço. Divide-se em duas partes: duodeno e jejuno-íleo. Por sua parte anterior se acha coberto por uma grande dobra peritoneal (grande epiploo). que atravessa o músculo diafragma. e a inferior ao de saída. e nela se destacam estas partes: como. O estômago é constituído por quatro túnicas superpostas: túnica 22 . se abre perpendicularmente no ceco. como se indicou. é. chamado cárdia. achatada. órgão saciforme. efetua-se o retrocesso da língua e o descenso da epiglote. Consta de: a porção cervical. não deixa de sê-lo no intestino delgado. que retém os alimentos e sobre eles atua mecânica e quimicamente. desliza pelas fauces. seu extremo inferior desemboca por diante no conduto respiratório e por sua região posterior continua a via digestiva ao prolongar-se com o esôfago. ao ser comprimido pela língua contra o palato. O duodeno (chamado assim por medir aproximadamente umas 12 polegadas) é a porção inicial do intestino delgado. O intestino delgada é também um tubo músculo-membranoso. que se estende desde o estômago ao intestino grosso e pode medir até sete metros. a elevação do véu palatino oclui a parte posterior destas. dos quais uns atuam como constritores e outros como elevadores. formado pela união da parede anterior com a posterior. destinado à passagem do bolo alimentar por um lado e do ar para a respiração pelo outro. corno a faringe e o esôfago. que atua seletivamente sobre os alimentos e os converte em quimo. A ação química consiste na secreção do suco gástrico. acarreta o da laringe. ESÔFAGO. e cujo teto corresponde ao occipital. a faringe deve ser considerada como um conduto misto. e a porção abdominal que ocupa um curto espaço do abdome. não é uma simples via de passagem. portanto. desde o duodeno ao intestino grosso. O extremo termina do jejuno-íleo. Por sua parte anterior e superior se comunica com as fossas nasais e a boca. a cuja parede posterior está aderido por uma dobra do peritônio (mesentério) que lhe permite executar amplos movimentos: ao se abrir o abdome se apreciam as circunvoluções ou alças do jejuno-íleo. cujo extremo superior é continuação da faringe e o inferior desemboca no estômago por meio de um orifício. ou piloro. e para impedir que se desvie para o conduto aéreo. especialmente a subida ou descida durante a deglutição. De comprimento. a superior. que. onde os alimentos experimentam ainda a ação mecânica dos movimentos peristálticos e a ação química dos sucos secretados pelas próprias paredes intestinais ou por glândulas vizinhas. A ação mecânica estriba em produzir ondas contráteis anulares que avançam para o piloro e fazem progredir o conteúdo alimentar (movimentos peristálticos). uma encruzilhada onde se entrecruzam a via digestiva e a respiratória. O estômago e o intestino delgado deixam de ser exclusivamente vias de trânsito para ser. Atendendo a seu funcionamento. que se abre para o duodeno e está provido de uma válvula e um esfíncter. No ato da deglutição o bolo alimentar. para evitar seu desvio para as fossas nasais. O bolo é dirigido para baixo. envolta por uma camada muscular de dez músculos. Segue regularmente todas as inflexões da coluna vertebral e tem forma cilíndrica.consiste num conduto músculo . situado na fossa ilíaca direita. em cuja concavidade se aloja a cabeça do pâncreas. que fecha a laringe. a porção diafragmática. em forma de C. ao orifício de entrada ou cárdia. Este anatômicamente é constituído por uma armação fibrosa. Ocupa a maior parte do abdome inferior. além disso. estes sobretudo na parte inferior. e as extremidades (grande e pequena tuberosidade) que correspondem. que atravessa o tórax de cima a baixo. aberto pela frente. chamadas também pequena e grande curvatura. muito importante no estômago. direita e esquerda. por cuja razão seu deslocamento. comunica com o esôfago. ESTÔMAGO. a cuja grande mobilidade se devem suas variações de forma e orientação. Por isso interessa conhecer a estrutura íntima do estômago e a do intestino delgado.membranoso. é sim um órgão muito mais complexo. INTESTINO DELGADO O esôfago é como um tubo músculo-membranoso de 24 a 28 cm. Alguns deles se inserem no osso hióide e nas cartilagens laríngeas. a porção média ou torácica. O estômago. bordas.

e a partir dai desce até ocupar a fossa ilíaca esquerda. orientadas em sentido perpendicular ao eixo. O intestino delgado. na espessura desta túnica se acham as glândulas gástricas. Os apêndices epiplóicos são prolongamentos adiposos peritoneais com um pedículo aderido à borda da faixa. a qual percorre obliquamente para introduzir-se na pequena pelve. para desaparecer na parte rural do cólon descendente. ou haustrações. No interior do ceco. O cêco é a parte do intestino grosso que. está situado por baixo da desembocadura do jejuno-ileo. Suas variações de direção dão nome a suas partes: cólon ascendente. urna passa a ser anterior. elevação ovalada que consta de uma prega superior e outra inferior. e que externamente está revestida por um epitélio. às quais corresponde a secreção do muco lubrificante e do suco gástrico (pepsina e ácido clorídrico) que atuam sobre os alimentos. a mais longa. e reto. no centro. apêndices epiplóicos e faixas ou fitas longitudinais. que se dirige para baixo e se prolonga com o cólon ileopélvico. S ilíaca do cólon ou alça sigmóide. que termina no orifício anal. não é retilíneo. O trajeto deste. colado ao sacro.serosa. INTESTINO GROSSO (CECO. Os abaulamentos. túnica mucosa. Origina-se na fossa ilíaca direita desde onde sobe verticalmente e se introduz debaixo do fígado. e impede seu retorno. Descansa sobre a fossa ilíaca direita e apresenta muito desenvolvidos os abaulamentos. cólon. apresenta três elementos anatômicos característicos: abaulamentos com os sulcos que os limitam. Externamente. muito desenvolvidos no ceco e cólon. entre as quais se abre uma fenda tipo urna botoeira: esta válvula regula a passagem de matérias sólidas. laterais. observa-se a abertura do conduto apendicular e. que compreende uma camada de fibras longitudinais. seccionado longitudinalmente. e as outras duas. com uma cavidade central muito estreita. líquidas e gasosas do intestino delgado ao grosso. em número de três. As faixas são fitas de 1 cm. para dirigir-se então. cilindróide e flexuoso. entre as cavidades ampolares e as pregas falciformes. como um fundo de saco. continuação do ceco. que correspondem respectivamente aos abaulamentos e aos sulcos externos. O intestino grosso aparece como um tubo de considerável calibre que constitui um marco dentro do qual se acha o volume intestinal. Quanto à sua constituição microscópica . pequenos apêndices que interiormente contêm uma rede capilar disposta ao redor de um vaso linfático ou quilífero. dependência de peritônio. Internamente. termina abrindo-se ao exterior na região perineal O intestino grosso se considera formado por três partes ou porções: ceco. transversalmente. que o aborda em ângulo reto. que termina debaixo do fígado (ângulo hepático) e se prolonga com o cólon transverso. também chamado cólon ilíaco. Na túnica mucosa se encontram glândulas especiais que segregam o suco intestinal (glândula de Lieberkühn). por cima. o intestino grosso oferece umas formações ampotares separadas por pregas falciformes. RETO) O segmento terminal do tubo digestivo alcança até sete centímetros de diâmetro (intestino delgado. recoberta por uma mucosa muito rica em tecido lirifóide. 25-30 mm). de largura. na interposição das faixas musculares nasce o apêndice vermicular. para a esquerda e chegar à zona inferior do baço. das quais existem dois tipos : fúndicas e pilóricas. que é a origem dos linfáticos intestinais. que nascem formando um T invertido na parte posterior do ceco para dirigir-se para cima. a válvula ileocecal. em cujo interior. são eminências arredondadas ou separadas por sulcos transversais. mas 23 . CÓLON. outra de fibras circulares e uma terceira de fibras em S. túnica muscular. Ë um resto de dependências intestinais que se atrofiam durante o período fetal. O cólon. á diferença de seus precedentes. Elemento característico do intestino delgado é a vilosidade intestinal. o reto carece deles. compõe-se das mesmas túnicas que o estômago. túnica submucosa. ou celular. o qual se dirige transversalmente para a parte inferior do baço.70 m. seu comprimento chega até 1. último segmento. mostra macroscopicamente pregas e orifícios das glândulas. a mais curta.40 a 1. em cujo ponto torce em ângulo reto (ângulo esplênico) para continuar-se com o cólon descendente. que reveste a superfície interna do estômago e se dispõe em pregas onduladas paralelas ao eixo maior do órgão. formada por fascículos conjuntivos pelos quais passam vasos e nervos.

Carece de abaulamentos. os lóbulos hepáticos. É um órgão volumoso. formando uma complicada estrutura. dispostos em diferentes pontos de seu trajeto.sim flexuoso. entre o maxilar inferior e o hióide. túnica submucosa e túnica mucosa. e este. Glândulas salivares. se introduz na pequena pelve para continuar-se com o reto. finalmente. o conduto excretor desemboca muito perto do da submaxilar. as válvulas semilunares. segue uma direção descendente e desemboca na terceira porção do duodeno (ampola de Vater). e esquerdo. e estes. por baixo de cuja borda anterior assoma sua extremidade mais volumosa (fundo). muito próxima ao conduto auditivo externo. a nível da ponta da língua. diante do cóccix. intestino delgado). o transversal é o hilo do fígado. com fibras longitudinais e circulares. por sua vez. A glândula submaxilar ocupa a região supra-hióidea. submaxilares e sublinguais. que apesar do nome não podem ser consideradas como tais). situado na face inferior do fígado. células hepáticas. ANEXOS AO TUBO DIGESTIVO Fazem parte do tubo digestivo alguns órgãos glandulares. termina em dois ramos. O reto. á qual ultrapassa em sua parte inferior (ampola retal). pelos quais vertem os líquidos que complementam a ação dos excretados em certos trechos pelo próprio tubo digestivo (estômago. ocupa em sua origem a fossa ilíaca esquerda e. nos quais as células hepáticas. o fígado e o pâncreas. muito tênues. Constituição anatômica. As mais volumosas formam. O reto se abre ao exterior na região perineal posterior. os canais biliares direito e esquerdo. túnica muscular. vertem sua secreção. as quais. que limitam uns nichos curvos de concavidade superior. pelo orifício anal. Estas glândulas anexas são as salivares. limitam espaços ovalados. Em direção à sua parte interior há umas pregas verticais. A parôtida é a maior. depois de formar uma alça de concavidade superior. Aparelho excretor da bile. convexa e lisa. liso. o qual se une ao conduto hepático para formar o colédoco. 24 . do hepático e do cístico. muito menor. continuação. três grupos de dois pares cada um: parótidas. é a glândula de maior volume do corpo. Constituição anatômica. que se abre de cada lado do frênulo da língua. A primeira. os canais coletores convergem para um único ducto (de Warton). No lóbulo hepático se reúnem. parte do epigástrio e chega ao hipocôndrio esquerdo. dispostas em circulo. que por sua parte aderente envia septos conjuntivos ao interior. A vesícula biliar é um receptáculo membranoso. Os capilares biliares formam canalículos aos quais seguem ductos intra-hepáticos. desaguam na veia cava inferior. que emergem do fígado. localiza-se no espaço compreendido entre o arco zigomático e o ângulo do maxilar inferior. A glândula sublingual está no assoalho da boca. direito. e por ele passam as veias. o resto do corpo se continua como colo. No apêndice tem especial importância a estrutura linfóide. Nele se distinguem a face diafragmática e a face visceral. que ocupa a totalidade do hipocôndrio direito. por sua vez. As células recebem sangue arterial (da artéria hepática) e sangue venoso (da veia porta) que se drena através de veias (supra-hepáticas). elaboradoras da bile. grande. nos quais desembocam seus canais excretores. se adapta à face côncava do diafragma e está dividida por um ligamento (suspensório) em dois lobos. vasos sanguíneos e capilares biliares. O fígado. Da união dos canais biliares direito e esquerdo nasce o canal hepático. que representam a unidade estrutural do fígado. As lâminas conjuntivas. A face visceral é côncava e fendida por três sulcos que delineiam um H. mas ostenta uns sulcos transversais que interiormente correspondem a três pregas (válvulas retais. Uns canalículos recolhem a saliva secretada e a vertem num grande canal (de Stenon). Sua denominação se deve a que seu trajeto deixa de ser flexuoso para tornar-se mais retilíneo. dependência peritoneal. artérias e canais biliares. periforme. se prolonga com o canal cístico. O intestino grosso compõe-se de quatro túnicas concêntricas: túnica serosa. procedentes da cápsula de Glisson. que passa sob a mucosa bucal da maçã do rosto e se abre atrás do segundo molar. composta de folículos fechados que alcançam seu máximo desenvolvimento durante a juventude. Mede de 12 a 14 cm e está sobreposto à coluna sacrococcígea. por sua vez. Toda a víscera está envolta por uma cápsula fibrosa (cápsula de Glisson). o colédoco é o último trecho das vias biliares.

Os órgãos pares deste conjunto se acham situados na região lombar. pelve renal. Num corte de rim se distinguem duas substâncias distintas: uma central ou medular. Exteriormente apresenta paredes lisas) em sua parte posterior se encontra a desembocadura dos ureteres. sua extremidade superior ou pólo renal sustenta um órgão totalmente alheio à função renal. suas paredes têm aspecto areolar e em sua parte inferior há os orifícios da desembocadura dos ureteres e. tem um pólo vascular e um urinário. Entre as funções que realiza. reservatório membranoso semelhante a um funil. Externamente é liso. onde aparece entre uma papila e outra (colunas de Bertin). Em número de dois. Sua capacidade é de 250 g. são muito importantes a produção de bile (necessária para a digestão das gorduras) o armazenamento do glicogênio e sua transformação em glicose. entre os quais se distinguem umas granulações.. os corpúsculos de Malpighi. de cor vermelha. à qual aborda por sua parte póstero-inferior. cujo colo se continua com o ureter. o tecido próprio e um tecido de sustentação. as pirâmides de Malpighi. tubo membranoso que se estende até a bexiga.O fígado é um órgão muito vascularizado. a insulina. uma glândula de secreção externa (exócrina) e interna (endócrina). que são os orifícios terminais dos túbulas uriníferos retos. outra parte da substância cortical (labirinto) se interpõe entre cada duas destas pequenas pirâmides e nela se aloja um emaranhado de túbulos uriníferos contornados. a glândula ou cápsula suprarenal. recebe a urina e a retém até o momento da micção. em sua parte média. dando um canal acessório. os quais formam a estrutura interna da pirâmide de Malpighi. A substância cortical se estende até o seio renal. esférica. Começa com uns pequenos coletores. necessária para o metabolismo dos hidratos de carbono. coagulação sangüínea. Está situada na cavidade pélvica e descansa no púbis. Ë. bexiga urinária e uretra). Internamente. mais pálida. Formam o rim uma cobertura fibrosa. O pâncreas. que recebe grandes vasos (artéria hepática. cuja base descansa na pirâmide de Malpighi e contém prolongamentos dos túbulos uriníferos retos. O suco pancreático contém enzimas que atuam sobre as proteínas. reserva de vitaminas e desintoxicação sanguínea. é uma glândula alongada que aloja sua extremidade direita na alça duodenal e estende sua extremidade esquerda. Aparelho excretor dos rins. A medular é constituída por espaços a que o corte confere um aspecto triangular. e entre ambos passam os grandes vasos abdominais. urna fenda que conduz a uma cavidade. Como glândula endócrina compõe-se das chamadas ilhotas de Langerhans. procedentes daquela. A bexiga urinária. Intervém ainda nos seguintes processos: síntese das proteínas. com a próstata. O corpúsculo de Malpighi é formado por uma cobertura (cápsula de Bowman) que aloja um novelo vascular (glomérulo). veia porta) e emite outros (veias supra-hepáticas) que terminam na veia cava inferior. ao mesmo tempo. Os rins. une-se ao colédoco. O APAREÇHO UROGENITAL ÓRGÂOS URINÁRIOS O aparelho urinário consta de duas partes. na qual desemboca. uma vez livre. até o baço. Sua porção exócrina é formada por células glandulares cuja secreção (suco pancreático) se verte em canalículos que desembocam num longo canal (de Wirsung). formadas por cordões celulares e capilares sanguíneos. onde as células descarregam um importante hormônio. têm forma de feijão. cujo vértice truncado se dirige para o seio do rim. Da substância cortical. por trás do estômago. o seio do rim. onde se assoma como uma papila. que pertencem ao aparelho reprodutor. uma parte se dispõe como pequenas pirâmides (de Ferrem). O glomérulo é um novelo de capilares cujo extremo aferente procede de uma arteriola que penetra pelo pólo vascular. a secretora (rins) e a escretora (cálices. o qual se bifurca antes de emergir do pâncreas. A cápsula. sua cúspide (área crivosa) apresenta uns poros. a veia cava inferior à direita e a aorta à esquerda. sua borda côncava é. e outra periférica ou cortical. receptáculo músculo-membranoso. ou hilo. o orifício posterior da 25 . a cada lado da coluna vertebral. os cálices. o estroma conjuntivo. por sua base. o extremo eferente emerge pelo mesmo pólo e acaba por unir-se a uma rede capilar. No homem se relaciona especialmente com as vesículas seminais e. no centro. ureteres. metabolismo intermediário. A bexiga e a uretra se localizam na pelve. e ambos perfuram o duodeno numa pequena cavidade (ampola de Vater). gorduras e hidrocarbonetos. cuja abertura superior abraça o contorno da papila e a inferior se une à pelve renal.

ORGÃOS GENITAIS MASCULINOS Compõe-se destas partes: órgão glandular. ou seja. que logo rica interno. formam a veia renal. Ao redor da glande se dispõe uma dobra tegumentar. impar. Os corpos cavernosos e o esponjoso estão 26 . glândulas anexas e órgão copulador. atravessa a próstata e o diafragma pélvico. Constituição anatômica. em cujo vértice se abre o meato urinário. recebe o nome de cordão espermático. este conduto fibromuscular. engrossando-se progressivamente. conduto urogenital. Pênis. no homem. A esta porção geradora do ducto seguem os secretores. último segmento das vias urinárias. por diante se introduzem sob a glande. corri os quais forma um só feixe que. permite a passagem da urina desde a bexiga até o exterior. Na parte superior de ambas as uretras. Estão constituídos por um envoltório fibroso (albugínea). de comprimento. Há que diferenciar a uretra masculina. justapostos à parede vesical. se poderia dizer que o aparelho reprodutor masculino se inicia no exterior. Pertencem ao primeiro grupo os corpos cavernosos e o corpo esponjoso. alojando-se entre as porções posteriores daqueles (raiz do pênis). Constituição anatômica. se acha o esfíncter liso da uretra. entre o clitóris e o orifício vaginal. o canal deferente descreve uma curva para chegar à face posterior da bexiga. introduz-se na cavidade pélvica e. da qual partem lamínulas que formam septos na massa interna ou núcleo central. Atendendo a seu funcionamento. Testículos. justapostos entre si como os canos de um fuzil. o epidídimo. à produção. por fora deste. termina por sua extremidade anterior numa eminência conóide. da feminina. origina-se no colo vesical. Como órgãos complementares. há que acrescentar as glândulas anexas. por ser o principal aparelho da depuração sanguínea. envolto numa capa fibrosa. O primeiro oclui o orifício que estabelece comunicação entre bexiga e uretra e favorece a acumulação de urina: o segundo fecha a uretra posterior e prolonga a resistência á micção para além da ação do esfíncter liso. o canal deferente. da qual emerge. num coletor comum. que lhe está estreitamente justaposto desde seu pólo superior (cabeça) até o inferior (cauda). polpa semifluida de canalículos muito finos (ductos seminferos). constituindo o canal deferente. existe o esfíncter estriado. se encontra inserido nos ramos pubianos. o qual atravessa o conduto inguinal. considera-se nele um corpo que. O corpo esponjoso. O testículo mede de 40 a 45 mm. dá passagem também ao liquido seminal. Intervêm em sua constituição as formações eréteis e os envoltórios. cuja luz é revestida pelo epitélio produtor dos espermatozóides. está ricamente vascularizado pela artéria renal. a este nível juntam-se a ele dois feixes de vasos. por trás se separam e aderem firmemente aos ramos isquiopubianos (raiz do pênis). nervos e linfáticos. descrever como porção externa os testículos e parte das vias que neles se iniciam. O rim. os canais ejaculadores e a uretra.uretra. deste modo podem-se. introduz-se na cavidade pélvica e se faz outra vez externo. da capilarização reticular consecutiva nascem as veias. vias genitais. o prepúcio. que desembocam no interior do epidídimo. sob o qual se encontra a bolsa escrotal que contém os testículos. ingressa no pênis e termina (meato) na glande. que. A porção livre. se situa entre ambos os cavernosos: por diante forma a glande e por dás se espessa (bulbo). a glande. que formam o pênis. Órgão masculino da cópula. cuja porção terminal se projeta ao exterior envolta por formações eréteis e tegumentares. atravessa o diafragma pélvico e se abre (meato) no vestíbulo. de cujas ramificações terminais procedem as arteríolas aferentes dos glomérulos. próximo ao colo vesical. neste ponto recebe o colo da vesícula seminal. dissociando-se ali de seus acompanhantes. as vesículas seminais. tem um formato ovóide e em sua parte posterior apresenta um corpo alongado. o canal epididimário. recoberta pela pele. Os primeiros são cilíndricos. a próstata e as glândulas de Cowper. Da união do canal deferente e o colo da vesícula seminal nasce o canal ejaculador. São as glândulas distintivas do aparelho genital masculino. que se inicia na cabeça e termina na cauda. nasce no colo da bexiga. que penetra na espessura da próstata e se abre na uretra prostática. sacos membranosos ou reservatórios. A uretra feminina mede 4 cm. por sua extremidade posterior (raiz). armazenamento e expulsão dos produtos sexuais que elabora. Em quase toda a sua extensão está atravessado pela uretra. que é exclusivamente urinário: a uretra masculina mede 20 cm.

piriforme. Ovário. O corte transversal mostra uma membrana externa. que corresponde ao ovário. ao redor do qual se insere ao orifício superior da vagina. que contêm o óvulo. A habilitação do pénis para sua incumbência sexual (ereção) está determinada mecanicamente. por seu estancamento nas. por diante e debaixo do púbis. Glândulas anexas. OS ÓRGÃOS GENITAIS FEMININOS Os genitais internos constam destes órgãos: ovários. Por cima da substância cortical se estende uma camada epitelial. dependência do peritônio. Ligamentos do útero. O útero ou matriz é um órgão muscular. As glândulas de Cowper. Constituição anatômica São formados pela substância medular. a base se justapõe à da bexiga urinária e o vértice se prolonga com a uretra. em cujo centro se situa um orifício (orifício abdominal) que se abre. septos radiados que convergem para um núcleo central. se chama escroto. anteriores e posteriores. pares. ímpar e meio situado sob a bexiga urinária e atravessado pela uretra. trompas uterinas (formações pares). constituída por fibras lisas (miométrio). A próstata. O pênis tem uns envoltórios concêntricos. depois. Internamente apresenta umas pregas longitudinais que se estendem entre ambos os orifícios. as quais. a cobertura mais externa. Os primeiros estão 27 . Medem de 10 a 12 cm. muscular. As trompas uterinas. lnteriormente o útero apresenta uma Cavidade. Constituição anatômica. seu comprimento é de 4 cm. ou de Falópio. exteriormente. em plena cavidade peritoneal. unida ao útero por um ligamento. Ocupa a parte média da cavidade pélvica. se localizam atrás do bulbo da uretra e nela se abre seu conduto excretor. achatado da frente para trás. a interna. que se estreita progressivamente até chegar ao útero. através destas. do tamanho de urna ervilha. formam uma só bolsa. cujos ductos desembocam na uretra prostática. Os ovários são às órgãos essenciais do aparelho sexual feminino. entre a bexiga e o reto. E um órgão glandular. e a vulva. dispostas em três camadas de fibras longitudinais. ou seja a pele. ampla no fundo (onde se encontram os orifícios de desembocadura das trompas). e que delimitam espaços nos quais se acumulam os elementos glandulares. Três túnicas compõem o útero: perimétrio. adota a forma de um funil encurvado e a circunferência de sua abertura se mostra festonada por umas franjas denteadas com aspecto de coroa. O núcleo central está atravessado pelos ductos ejaculadores e pela uretra. pela afluência de sangue arterial e. que reveste toda a superfície interna do órgão. Além disso. A extremidade externa esta coberta pela trompa uterina. Dividem-se em laterais. trompas e útero se encontram na cavidade pélvica. útero e vagina (formações ímpares). perto do ovário. é formado por um corpo e um colo. existem no ovário células especializadas na produção de hormônios sexuais (glândula intersticial). a vagina está situada em parte naquela e em parte no períneo. oco. onde se acha o orifício inferior do colo. cuja parede atravessa para desembocar em seu interior (orifício uterino). De formato comparável ao de uma amêndoa. o que obstaculiza a drenagem. que envolve completamente a medular. os externos designam-se com o nome de vulva. primeiro. separados por um estreitamento (istmo). mas que um septo interno subdivide em duas. a franja mais comprida está aderida como ligamento ao ovário. e sua direção é oblíqua de cima abaixo e de diante para trás. são dois tubos estendidos transversalmente desde a extremidade externa do ovário até a parte superior do útero. aréolas pelo efeito secundário da compressão das veias. Tem formato conóide. Os ovários. Ao pavilhão se segue o corpo da trompa. a mucosa (endométrio). de cuja parte interna se desprendem numerosos septos que se entrecruzam e originam pequenas cavidades chamadas aréolas. Naquela se encontram os elementos essenciais do ovário. O extremo externo. fibras conjuntivas e musculares e a substância cortical. dos quais alguns são continuação das paredes testiculares.revestidos por um envoltório resistente (albuginea). do sangue acumulado nas aréolas. finalmente. O corpo tem uma extremidade superior (fundo do útero) e outra inferior que se prolonga com o colo. os folículos de Graaf em diversos estádios de desenvolvimento. com o pólo mais abaulado dirigido para cima. integrada por vasos. mais estreita na direção do istmo. transversais e entrecruzadas (camada plexiforme) e.

” que se continua com a vagina. uretrais e vulvovaginais. e o reto. gastroesplênico. No homem é realmente um saco totalmente fechado. A parte da serosa que reveste a parede abdominal chama-se peritônio parietal. que se estende desde a parte 28 . sem deixar de ser contínua. por diante. externamente. No vértice do vestíbulo se situa um órgão médio. que envolve as vísceras sem contê-las em sua cavidade” (Bichat). A vagina.). Como todas as serosas. Sob os pequenos lábios existe outra formação erétil (bulbos vaginais). e sob os ligamentos largos. composto por. O PERITÔNIO MEMBRANAS SEROSAS As serosas são sacos fechados compostos de duas paredes entre as quais fica um espaço virtual ocupado por um líquido lubrificante. as pleuras. ao deslizarem uma parede sobre a outra. erétil. é fino e transparente e adere a toda a víscera. Dentro desta cavidade pende uma grande dobra peritoneal (grande epíploo) que desde o estômago chega ao púbis para subir em seguida e aderir-se ao cólon transverso. A parede das serosas. etc. resistente e fortalece as paredes das cavidades que alojam as vísceras. dirigidas da frente atrás. por sua vez. no útero. Vertem secreções lubrificantes nos órgãos respectivos. pregas tegumentares prolongadas. O segundo reveste o órgão móvel ou contido.formados por folhetos peritoneais que cobrem o útero por suas duas faces e ao chegar a cada uma de suas bordas se soldam e formam septos (ligamentos largos direito e esquerdo) que vão inserir-se nas paredes laterais da pelve. desde a parte superior e lateral do útero. não assim na mulher posto que as trompas uterinas se abrem pelo lado do pavilhão na cavidade peritoneal e por seu extremo interno. Um grande espaço intraperitoneal. as chamadas serosas verdadeiras constam de dois tecidos fundamentais. é fibroso. pode ser comparado a um ‘saco sem abertura. A cavidade peritoneal. chamada transcavidade dos epíloos.membranoso muito distensível. dois pequenos corpos cavernosos fixados por sua parte posterior aos ramos isquipubianos. seu conjunto recebe o nome de vulva. etc. a que cobre as vísceras. músculo. ou mesocólon transverso. Os ligamentos anteriores são dois cordões fibrosos (ligamentos redondos direito e esquerdo) que. cobrem um espaço (vestíbulo) no qual desembocam a uretra e a vagina. mesocólon descendente. Sua missão. Estas dobras recebem nomes diferentes segundo se relacionem ou não com o aparelho digestivo. com outra pequena cavidade. Está situada entre a uretra. chamado grande cavidade. peritônio visceral. O peritônio é uma membrana serosa que reveste a face interna de toda a cavidade abdominal e se estende pela superfície externa das vísceras que contêm. A grande cavidade se comunica. E um canal cilíndrico. epiploos (epiploos gastro-hepático. Glândulas anexas. sua superfície interna está sulcada por pregas transversais. é a de suavizar o atrito das superfícies dos órgãos que recobrem. o que une um ou outro cólon à parede posterior do abdome. o clitóris. pregas cutâneas menores que. o peritônio. ao saírem. se estende desde o diafragma até o fragma pélvico. o parietal e o visceral. Separando-se os grandes lábios ficam à mostra os pequenas lábios. consta de dois folhetos. ocupado por uma delgada película de liquido seroso. Neste grupo se reúnem as denominadas serosas esplâncnicas. a aracnóide e a vaginal testicular. Fazem parte dela. falciforme. que se forma entre duas dobras peritoneais (epiploo gastro-hepático e ligamento hepato-renal). os grandes lábios. por trás. Orgãos genitais externos. devido à apertada disposição das vísceras. a qual desemboca na vulva. As dobras peritoneais estendidas entre a cavidade e órgão que não pertencem ao tubo digestivo se chamam ligamentos (duodeno-hepático. as pregas peritoneais que unem uma víscera com outra. reduz-se a um espaço quase capilar. penetram por seu orifício interno no conduto inguinal respectivo e. o epitelial e o conjuntivo. Sua direção é obliqua de cima abaixo e de trás para a frente. exceto nos pontos de entrada ou saída de vasos e nervos. se repartem em filamentos que se perdem sob os tegumentos do púbis. seu orifício superior abraça o colo uterino e o inferior se abre na vulva. Entre as funções do peritônio está a de aderir as vísceras à parede abdominal e pélvica por pregas formadas pelos dois folhetos serosos.). a dobra peritoneal que une o intestino delgado à coluna lombar se chama mesentério. descrevem uma curva. através de um orifício (hiato de Winslow). O primeiro reveste a superfície continente. a conjunção das quais delimita uma fenda alongada. como o pericárdio.

As meninges são membranas concêntricas. a partir deste ponto. unidos por um curto segmento intermediário. o cerebelo. que envolvem o neuroeixo. são corpúsculos providos de numerosas expansões protoplasmáticas ramificadas (dendritos) e um prolongamento alongado (axônio) que se relacionam com elementos procedentes de células vizinhas. o encéfalo. que partem do neuroeixo e se ramificam por todos os sistemas e aparelhos. como se disse. de natureza fibrosa e também a mais grossa e resistente. A aracnóide. Ambas substâncias cinzenta e branca distribuem-se diversamente nos centros nervosos. ao qual ultrapassa (fundo de saco dural). uma comprida haste. Na mulher. as meninges. A disposição do peritônio na cavidade pélvica é diferente em um e outro sexo. a substância cinzenta situada perifericamente. depois de estender-se sobre a bexiga urinária. nervos. constitui o córtex cerebral. as células. ligamentos. e um corpo volumoso em sua extremidade superior. chamadas neurônios. e está localizado no canal ósseo cramiorraquidiano: é designado com o nome de eixo cérebro-espinhal ou neuroeixo. A substância branca (fig. a aracnóide é uma serosa situada na parte média. A dura-máter reveste a caixa craniana óssea e estabelece septos sobre o cerebelo. logo o peritônio se estende por cima do reto e se continua com o mesocólon ileopélvico que se adere à face anterior do sacro. São unidades independentes que atuam como centros receptores de estímulos motores e como centros elaboradores de fenômenos psíquicos: constituem o elemento fundamental do neuroeixo. o peritônio. Os centros nervosos constam de substância cinzenta e substância branca. comparável a uma teia de aranha por sua delgadez. Além destes elementos fundamentais existe a neuróglia. o peritônio se dispõe sobre o reto e o cólon do mesmo modo que no homem.póstero-inferior do fígado até a porção inferior do epiploo maior. A pia-máter contém os vasos destinados ao encéfalo e à medula (membrana nutriz): cobre diretamente a massa 29 . a medula. no homem o peritônio. desce por trás e Constitui o fundo de saco retovaginal a nível das bordas laterais do útero. se reflete na metade superior do útero (fundo de saco vésicouterino). O neuroeixo está tornado por: o cérebro. A massa encefálica divide-se em três partes: cérebro. todo o neuroeixo está protegido por envoltórios membranosos. o bulbo raquidiano e a medula. cerebelo e istmo do encéfalo. os chamados ligamentos uterossacros. entre os dois hemisférios cerebrais e cerebelares. e o visceral com a face externa da pia-máter. Pela parte posterior do útero o peritônio forma outras pregas que unem aquele ao sacro. no canal raqueal semelha um cilindro oco que se estende desde o bulbo até o extremo terminal da medula. epiploos) são importantes outras formações que resultam da fiel e complexa adaptação do peritônio aos relevos e cavidades que formam as vísceras (hiatos. O sistema nervoso periférico é constituído por cordões nervosos. o bulbo raquidiano. formando uma bainha que envolve a aguçada extremidade medular (filo terminal). Estas membranas são a dura-máter. na parte craniana seu aspecto é o de uma esfera oca. ao chegar à bexiga urinária. e também sobre a hipófise na porção raquidiana. é uma serosa com seu folheto parietal relacionado com a dura-máter. são os ligamentos largos já descritos. com efeito. O SISTEMA NERVOSO (CCREBRO-ESPINHAL) O sistema nervoso se mostra claramente dividido em duas partes: sistema nervoso central e sistema nervoso periférico. 3) consiste numa associação de fibras que são continuação do axônio. membrana celulovascular que se adapta intimamente à superfície externa do órgão que recobre. conjunto de células fagocitárias. de tecido não nervoso. que se vai inserir nas paredes laterais pélvicas direita e esquerda. que serve para o isolamento e a formação de cicatrizes e a micróglia. No encéfalo. A primeira procede da reunião de células e fibras nervosas. Além das dobras (mesos. As meninges têm uma porção cranial e outra raquídeo que chega até a parte média do sacro. fossas e recessos). a mais superficial. cobre seu pólo superior. cobre sua parte superior e ao ultrapassá-la para trás forma um fundo de saco (fundo de saco vésico-renal). e a mais profunda é a pia máter. O primeiro tem a forma de uma longa haste com um espaçamento em seu extremo superior. Compõem o sistema nervoso central. Como veremos em seguida. o istmo do encéfalo. os folhetos pentoneais que o revestem por sua parte anterior e posterior se unem para estabelecer de cada lado um só folheto.

lâmina quadrangular de cujos ângulos anteriores partem os nervos ópticos e dos posteriores as cintas ópticas. a de Rolando e a perpendicular externa. na medula forma um revestimento cilíndrico. lnteriormente o encéfalo apresenta umas cavidades irregulares. temporal. são. sobre o cerebelo. occipital. constitui a parte superior e anterior do encéfalo. o corpo caloso. encontram-se a cissura de Silvio. em número par. que determina um importante desnível entre a porção anterior e a posterior. muito convexa. separadas por sulcos profundos. as cissuras. situada entre o cérebro. O considerável volume que alcança no homem é um dos distintivos mais característicos da espécie humana. que se relaciona com os dois ventrículos laterais e se prolonga para trás e para baixo com um delgado canal. nas fossas anterior e média da base do crânio e. Situado na caixa craniana a ocupa quase em sua totalidade. pelo qual se une ao ventrículo bulbocerebeloso ou IV ventrículo. parietal e da ínsula. As extremidades mais proeminentes dos hemisférios são os pólos frontal e occipital. os tubérculos mamilares e o espaço perfurado posterior. respectivamente. cada um. simétricas. cujo pólo mais grosso está colocado para trás. pela metade anterior. uma cavidade curva que ocupa um hemisfério . que divide o cérebro em duas metades laterais. de adaptar-se a um continente (o crânio) que o fez em muito menor proporção. o que só pode efetuar-se às expensas da parte mais maleável que precisa encolher-se e dobrar-se sobre si mesma. terminando pelo cérebro. Este é uma cavidade rombóide. que se estende por toda a altura do centro nervoso. fenda entre os dois tálamos. na primeira se encontra a cinta olfatória. Examinado por sua face inferior apresenta a parte interna da cissura de Silvio aparentemente prolongada para trás por uma fenda (de Bichat). subdividido por trabéculas que limitam um sistema de cavidades (espaços aracnóides). Os ventrículos laterais (I-II). Dentro dos ventrículos se observam estruturas vasculares da dura-máter que já foram mencionadas com o nome de telas e plexos coróides ao se descrever as meninges. que se estendem a diferentes órgãos vizinhos e que se designam com números e também com nomes que se referem a sua situação. continua-se diretamente por cima com o aqueduto de Silvio e por baixo com o canal do epêndimo. importantíssima glândula. se relaciona com a abóbada craniana. Atualmente se aproveita a disposição destas cavidades encefálicas para se fazerem exames 30 . A pia-máter apresenta no cérebro lâminas e cordões vasculares (tela coróidea e plexo coróide) que intervêm na gênese do liquido cefalorraquidiano. o aqueduto de Silvio.encefálica e desce ao fundo de todos os sulcos do cérebro e do cerebelo. iniciaremos a exposição do neuroeixo pelo cérebro e a iremos completando com a dos órgãos que. chamadas ventrículos. Nos textos de ensino superior. O córtex cerebral apresenta numerosas proeminências alongadas. o bulbo e a protuberância. O cérebro. um prolongamento inferior se dirige ao lobo temporal. pela ordem. a parte inferior (base) descansa. a cissura inter-hemisférica. que limitam cinco lobos: frontal. descreve-se o neuroeixo de baixo para cima. os hemisférios cerebrais. Os dois hemisférios estão unidos pelas chamadas formações inter-hemisféricas: corpo caloso e quiasma óptico. de cima para baixo. Comunicam-se com o ventrículo médio ou III ventrículo. do pedúnculo pituitário pende a hipófise. O significado destas pregas poderia ser explicado pela necessidade que tem um conteúdo mole (substância cinzenta).cerebral. por trás. Como este não é o caso da presente obra. ambos se estendem desde o lobo frontal ao occipital. porque este órgão é o ponto de reunião dos feixes que passam pelo eixo nervoso e que em tais textos se estudam simultaneamente com a morfologia externa dos órgãos que os contêm. A parte superior. ântero-posterior. Na face externa do cérebro onde se encontram a maior parte dos centros corticais motores ou sensitivos. com as correspondentes circunvoluções. Na linha média da convexidade se observa um sulco profundo. Entre a aracnóide e a pia-máter existe um espaço. que nasce por duas raízes posteriores e que termina por diante no bulbo olfatório. unidos em sua parte média por uma lâmina horizontal. as circunvoluções. sinuosas. cheios de líquido cefalorraquidiano ou cérebro-espinhal. massa ovóide de eixo. Na face inferior de cada hemisfério se distingue a parte interna da cissura de Silvio e os lobos orbitários e têmporo-occipital. venham a aparecer. que experimentou fiogeneticamente um desenvolvimento progressivo. o espaço perfurado anterior dá passagem a vasos arteriais e venosos: o tuber cinereum. que se adapta de modo direto à substância nervosa. e de cada lado a seção dos pedúnculos cerebrais.

Por cima se observam quatro eminências arredondadas. septo transparente que separa as porções frontais de ambos os ventrículos laterais. o septum lucidum. forma-se nos plexos coróides e circula pela superfície cerebral. importantíssima glândula de secreção interna. nos ventrículos e na raque. separados por diante e por trás por chanfraduras: da anterior sobressaem seis robustos cordões. Vista por diante aparece como um largo e grosso cordão achatado. Também se a encontra formando inclusões centrais. O bulbo raquidiano ou medula oblonga une a medula espinhal com o istmo e o cérebro. o tálamo. O corte do cérebro pela cissura inter-hemisférica mostra: o corpo caloso. que por sua semelhança com um verme é chamada vermis. De cada lado do mesmo se dispõem os hemisférios ou lobos cerebelares. consta de dois núcleos de substância cinzenta. estendida entre os dois hemisférios cerebelares. relacionada com funções viscerais. simétrico. os pedúnculos cerebrais. A cada lado deste sulco aparecem dois cordões 31 . Situado no canal craniorraquidiano. O istmo do encéfalo é uma porção da massa encefálica que une entre si o cérebro. A substância branca se dispõe no centro e desenha ramificações cujo aspecto arborescente lhe valeu o nome de “árvore da vida”. comparável ao plasma. os pedúnculos cerebelares superiores. regulares e concêntricos que lhe conferem uma característica segmentação: por sua parte interior mostra a substância cinzenta distribuída perifericamente. Compõe-se de uma parte média e duas laterais. os pedúnculos cerebelares superfícies. quatro semiesferas de substância cinzenta relacionadas com as vias ópticas e as auditivas. Outros prolongamentos superiores constituem os pedúnculos cerebrais. os tubérculos quadrigêminos. a hipófise. Por sua parte superior. e está contido nos espaços subaracnóideos do crânio. o limite inferior. que põem em comunicação os demais componentes do eixo com o cerebelo. está totalmente coberto pelo lobo occipital. Sua quantidade chega aos 100-150 ml. com o que se obtêm imagens radiográficas úteis para a localização de tumores ou de processos expansivos ou retráteis do encéfalo. médios e inferiores. Prolongados lateralmente seus extremos. Sua face anterior apresenta um sulco médio. o entrecruzamento. A protuberância anular é o limite superior. que num corte sagital aparece como a seção de uma abóbada. Também se costuma injetar anestésicos nos espaços aracnóideos para a anestesia medular. O estudo das características hidrodinâmicas (pressão) e de sua composição química e celular constitui um valioso método para o diagnóstico de muitos distúrbios neurológicos. o aqueduto de Sílvio. é um cilindro achatado de diante para trás. que põem em relação todos os departamentos do neuroeixo com a parte mais nobre do encéfalo. O líquido cefalorraquidiano ou cérebro-espinhal é incolor. em número par. o cerebelo e o bulbo. e seja um dos segmentos mais importantes do neuroeixo. Por sua parte exterior este apresenta uns sulcos curvilíneos. de reduzido tamanho (12 a 15 mm) o que não impede que reuna fibras procedentes dos seguintes órgãos: medula. formam os pedúnculos cerebelares médios. parte anterior do III ventrículo. órgão impar. a glândula pineal ou epífise. cerebelo e nervos bulbares. pneumencefalografia) mediante a injeção de gás. alcalino. aos seios venosos cranianos. os tubérculos quadrigêminos. forma o segmento inferior posterior da massa encefálica. Sua drenagem faz-se através das vilosidades aracnóides. por sua parte anterior se apoia sobre o canal basilar. é a protuberância anular ou ponte de Varoglio. interrompido em seu terço inferior pelo entrecruzamento de uns curtos feixes estendidos obliquamente da direita para a esquerda. limitam um espaço em forma de V invertido. atrás da protuberância e por cima do bulbo. também com função provavelmente endócrina. Existem outros pedúnculos cerebelares inferiores. ou decussação.(ventriculografia. canal estreito e curto que une os ventrículos III e IV. Vista por sua face posterior se mostra bem mais acidentada: dois prolongamentos. das pirâmides. Situado na base do crânio. o hipotáltamo. a primeira se apresenta sob a forma de uma eminência proeminente e segmentada. claro. cérebro. lâmina de substância branca estendida transversalmente de um a outro hemisfério. situados a cada lado do III ventrículo: contém múltiplos núcleos e fibras e realiza as funções de um importante centro sensitivo. e o entrecruzamento das pirâmides. O cerebelo. pobre em proteínas e contém sais e linfócitos. que são descritos com o cerebelo. O istmo do encéfalo dá passagem às vias nervosas que estabelecem conexões com os diversos centros nervosos.

A medula é um cordão nervoso. constituídas por axônios. respectivamente. os gânglios espinhais. Conformação externa da medula: apresenta. inversa. e as alares posteriores. em seu centro. Lateralmente se distinguem um par de sulcos de direção vertical. formam um retículo. do qual só ocupa os dois terços superiores. A substância branca está representada 32 . Por sua face posterior e superior se observa uma fenda em forma de V. recebeu o nome de “cauda equina”. dos quais emergem os pares cranianos VII e VIII. ao saírem deste orifício. Por sua parte superior se continua diretamente com o bulbo. e separado de suas paredes ósseas por uma distância de 3 a 8 mm. junto com o tronco radicular anterior. cujo fundo forma a metade do IV ventrículo. ao unirem. e estão unidas por um segmento transversal. A face posterior apresenta o sulco médio posterior. alongado. e seu limite convencional se situa num plano que passa pela articulação do atlas com os côndilos do occipital. As células são neurônios multipolares que alcançam tamanhos gigantescos e das quais existem três tipos que se agrupam no como anterior. As superfícies alares anteriores se chamam cornos anteriores. lembra o modo de implantação das crinas na cauda de um cavalo: por sua semelhança a esta. que contém plexos venosos. O bulbo raquidiano contém centros nervosos dos quais dependem funções tão importantes como a respiração e a circulação. que se alojam precisamente no forame intervertebral. a cada lado do qual. por sua parte inferior termina em um cone (cone terminal). nascem os filetes que formam O VI e XII par. por sua parte externa. entre o sulco médio posterior e o nascimento das raízes se acha o cordão posterior. achatado de diante para trás.) A substância cinzenta compõe-se de fibras e de células nervosas. Um cone transversal da medula permite observar sua conformação interna. contido dentro do canal raquidiano. (O conjunto dos nervos raquidianos ou espinhais será estudado no texto da lâmina 1/6. A primeira se dispõe centralmente. aracnóide e dura-máter. de dentro para fora. Antes de tudo. O filo terminal ocupa a parte média de um feixe formado pelos últimos nervos raquidianos que desde o espessamento Iombar da medula descem verticalmente para os orifícios sacros dos quais emergem. também em forma de V. Entre a dura-máter e as paredes ósseas existe outro espaço. que também se reúnem num único fascículo. se dispõe por cima. esta porção medular. O espaço que existe entre ela e a parede interna do canal raquidiano é ocupado pelas meninges. Entre as aracnóides e a pia-máter se aloja o líquido cefalorraquidiano. Este tronco contém umas massas ovóides. A substância branca rodeia por completo a cinzenta e forma externamente os cordões anteriores. o cervical. Da medula espinhal nascem dois tipos de fibras radiculares: as anteriores. envolto pelas membranas meninges. corresponde à protuberância e entre ambas limitam um espaço rombóide em cujo fundo se albergam formações nervosas diversas. e as posteriores. direito e esquerdo. do qual nascem os nervos que se dirigem para o membro inferior. nota-se a diferença entre as substâncias cinzenta e branca. no posterior e na comissura. ambos se fundem e formam o nervo raquidiano. O cordão lateral se encontra entre as raízes anteriores e as posteriores. a face superior da medula seccionada. vêem-se as raízes posteriores dos nervos raquidianos. tem a forma de um eixo cilíndrico. posteriores e laterais. Da parte superior de cada cordão.se. A aracnóide (serosa) é formada por dois folhetos separados pelo espaço subdural. do seguinte modo: pia-máter (aderida à superfície externa da medula). limitados lateralmente por outros dois sulcos. e da inferior de cada sulco lateral. e o lombar. por fora dos quais emergem as raízes anteriores dos nervos raquidianos. A medula segue as inflexões da coluna vertebral e apresenta um curvatura cervical de convexidade anterior e outra dorsal. a outra metade. porque jamais se anastomosam. com dois espessamentos. constituem um tronco radicular anterior. o sulco médio anterior que separa os chamados cordões anteriores da medula. com o feixe de nervos raquidianos. A secção transversal permite ver o canal raquidiano e. a comissura cinzenta. cornos posteriores. mas invertida. não um plexo. como as asas estendidas de uma borboleta.. por sua parte anterior. o epidural. dispostas. insere-se na base do cóccix.brancos. o tronco radicular posterior. as fibras. do qual emergem os nervos que se dirigem para o membro superior. cujo vértice se prolonga com um filamento (filo terminal) que. A medula fica fixa no interior do canal raqueal mediante ligamentos que a unem à pia-máter em toda a sua altura e por baixo à base do cóccix (ligamento coccígeo).

depois de atravessar as membranas do encéfalo. Neles se dão com freqüência as anastomoses. o nervo na realidade é um feixe de fibras nervosas com e sem mielina. lateral e posterior e consta de fibras com mielina. o pneumogástrico ou vago. permite classificálos em nervos centrifugas ou sensitivos e nervos centrípetos ou motores: esta divisão. que estudaremos em outro capítulo com o nome de sistema nervoso autônomo. A fibra nervosa pode estar rodeada de uma substância gordurosa. A parte central da fibra nervosa é constituída pelo axônio que emana de uma célula nervosa (prolongamento protoplasmático). A terminação dos nervos no seio dos territórios que põem em relação com os centros nervosos se efetua livremente entre os elementos celulares. o que permite sistematizar em cada cordão diversos feixes constituintes. por exemplo. de espessura variável. é um nervo misto. Do ponto de vista descritivo. a motilidade. posto que não existe diferença no aspecto externo de uns a outros e. que se refere á superfície externa donde se projeta e a origem real. juntas umas às outras e unidas por tecido conjuntivo. nervos espinhais e nervos do sistema autônomo. não o é tanto em anatomia. dispostas paralelamente ao eixo e misturadas com elementos conjuntivos. como os tácteis. quase sempre o nervo contém fibras sensitivas e motoras. que continua mantendo-se ainda hoje.pelos cordões anterior. por fibras nervosas. posteriores e laterais) é um condutor de estimulas sensitivos e motores. porém nos nervos tais uniões devem ser consideradas um simples ajuntamento de dois ramos de origem diferente. Os nervos cranianos nascem por pares simétricos do encéfalo ou do bulbo e. Assim. cordões formados por centenas de milhares de fibras nervosas envoltas por tecido conjuntivo. também existem nervos de procedência neuroaxial que estendem sua ação a alguma víscera. Com respeito a esta classificação. ou então mediante micro aparelhos de grande complexidade. além disso. por outro lado. são de dois tipos. As fibras de Remak não diferem em nada essencial das mielínicas e só se distinguem delas porque estes nervos formam verdadeiros plexos. O tecido conjuntivo. embora muito importante nos estudos de fisiologia e de clínica. como as artérias. como já se disse. Esta dupla função. o que envolve os fascículos formados pela associação de fibras nervosas se denomina perineuro. Encontram-se indistintamente nos nervos cérebro-espinhais e nos simpáticos. Apesar de sua constituição idêntica. Existem 12 pares deles. as fibras são funcionalmente distintas. O sistema nervoso periférico é constituído pelos nervos. emergem atravessando a parede óssea por orifícios osteofibrosos da base do crânio. que corresponde ao 33 . Quanto à sua estrutura. separadas por delgados septos compostos por feixes. convém advertir que não é de um rigor absoluto. pela substância cinzenta. A medula. As que não o estão se chamam fibras amielínicas ou de Remak. o que rodeia cada fibra nervosa se chama endoneuro. posto que a nervação do sistema autônomo não se reduz de um modo estrito às vísceras e. ou seja. colaterais e terminais. os nervos dividem-se em nervos cranianos. pois a missão de umas é conduzir a sensibilidade e a de Outras. Os espaçamentos ou gânglios que se costumam perceber no trajeto dos nervos se distinguem em que possuem fibras e células nervosas. em seu trajeto dividem-se em ramos mais ou menos numerosos que. estão formados. além de proteger as fibras nervosas e dar consistência ao tronco nervoso. pela substância branca (cordões anteriores. a mielina fibras mielínicas). As fibras se agrupam em sistemas autônomos. Os nervos nascem do encéfalo e da medula a distintas alturas e tanto uns como Outros atravessam canais ósseos. Os nervos desempenham uma dupla função: conduzem aos centros nervosos as sensações recebidas na periferia ou transportam a ela as incitações motrizes ou secretoras elaboradas por aqueles. é um complicado centro elaborador de reflexos. lhe proporciona os vasos sanguíneos. Do ponto de vista estritamente anatômico tem mais valor a sistematização em nervos que procedem do neuroeixo e se distribuem pelos órgãos da vida de relação (sistema nervoso da vida animal ou de relação) e em nervos que nascem das cadeias ganglionares situadas a cada lado da coluna vertebral (sistema nervoso da vida vegetativa). nos quais cabe distinguir sua origem aparente. os nervos oferecem o aspecto de cordões de cor branca brilhante e de espessura variável.

dorsais (12). aos quais há que acrescentar os nervos intercostais. unindo-se e entrelaçando-se para formar plexos. um ramo terminal (nervo ciática maior) desce pela parte posterior da coxa até o joelho. aos quais se deve a motilidade do globo ocular. Encontra-se à altura do músculo esternoocleidomastóideo. que. cuja base descansa sobre os corpos vertebrais da região lombar e seu vértice se dirige para a crista do ilíaco. que inervam os músculos de ambas regiões. estômago e fígado e. Está situado bem no interior da pequena pelve. que é o ponto em que emergem da medula. e da porção axilar se desprendem três ramos que chegam à mão (músculos cutâneo. que se pode esquematizar como um triângulo de vértice truncado. os genitais e a região glútea e um ramo que chega ao joelho. atravessam os forames intervertebrais e se distribuem pelos órgãos que inervam. a garganta do pé e a raiz do hálux. que é o de seu nascimento nos cornos medulares. O plexo cervical (A). onde se 34 . o nervo espinhal (acessório do vago). O plexo sacro (D). Está situado profundamente entre os corpos vertebrais e as apófises transversas da região lombar. o nervo óptico. e dois ramos descendentes. Contêm fibras sensitivas e mataras: são. ocupa o oco axilar e sua base corresponde à fila de forames intervertebrais que dão saída aos ramos iniciais. as anteriores são mataras. Os nervos cranianos saem do crânio ou entram nele segundo sejam motores. A saída deste. sacro e sacro-coccigeo. Nascem de duas raízes. O plexo lombar (C). um deles de excepcional importância. o nervo auditivo. A raiz posterior apresenta um pequeno alargamento ovóide. Existem cinco plexos. que se encontra dentro do forame intervetebral. as posteriores. finalmente.núcleo de substância cinzenta intracerebral do qual nasce. o tronco radicular anterior. nervo patético). Como nos nervos cranianos. Os nervos espinhais se dividem em cervicais (8 de cada lado). nervos mistos. É constituído pelo entrecruzamento dos quatro últimos nervos cervicais e o primeiro dorsal. que desce até o diafragma. um deles inerva os músculos da face anterior da coxa (nervo crural) e dá ramificações para ajoelho. onde se ramificam para dar os colaterais da palma e dos dedos. Os nervos raquidianos ou espinhais nascem por pares. cubital. Os ramos anteriores dos nervos dorsais não formam plexos. As fibras da raiz anterior se reúnem num feixe. O plexo braquial (B). sacros (5) e coccígeos (1). dos ramos terminais. lombar. bordeando o pulmão e o coração (nervo frênico). É o conjunto de ramificações anastomosadas procedentes dos ramos anteriores dos quatro primeiros pares lombares de aspecto triangular. motor ocular comum. irregular e variável. o nervo glossofaríngeo (do gosto). são os seguintes: cervical. Ë o entrecruzamento dos ramos anteriores do último par lombar com os quatro primeiros pares sacros. braquial. o gânglio espinhal. Dá ramos superficiais e profundos para a pele e os músculos. radial). há que distinguir sua origem externa. Existem 31 pares deles. mediano. sensitivas. respectivamente. do qual depende a motilidade da língua. que não formam plexos. Nervos intercostais. e sua origem real. o nervo facial ou da mímica. Seus ramos colaterais se distribuem pelos órgãos pélvicos e o períneo. faringe. o nervo hipoglosso. lombares (5). o ramo anterior se subdivide. que mantém sua independência em todo seu trajeto e termina na pele e nos músculos dorsais. tem a forma de um vasto triângulo com a base aplicada à linha que une imaginariamente o último forame intervertebral ao quarto forame sacro e cujo vértice corresponde a uma grande chanfradura da borda inferior do osso ilíaco. que se distribui pelos seguintes órgãos: laringe. Depois de atravessar a dura-máter (conduto dural) penetram no forame intervertebral e na saída se unem para formar um tronco único. sensitivos ou sensoriais e são: quatro pares para os órgãos dos sentidos: o nervo olfatório. os nervos espinhais se dividem e dão dois ramos: o posterior ou dorsal. a cada lado da coluna espinhal. dá ramos colaterais para as paredes abdominais. É formado pelo entrecruzamento dos quatro primeiros nervos cervicais . Seus ramos terminais fazem o mesmo com o músculo do ombro. apenas se distribuem pelos espaços intercostais. as da raiz posterior formam o tronco radicular posterior. o nervo vago ou pneumogástrico. Está localizado a nível da clavícula e se divide em ramos anteriores e posteriores. pulmões. enumerados de cima para baixo. do que resultam formados três arcos nervosos que se superpõem em sentido vertical. coração. os três nervos motores oculares (motor ocular externo. portanto. o nervo trigêmeo (sensibilidade da cabeça e do rosto). É de constituição intrincada.

Portanto. por exemplo. glândulas sudoríparas e músculos horripiladores. pelos ramos comunicantes brancos. ponto de partida de fibras que inervam estômago. piramidal. Os gânglios simpáticos (chamados centrais. ainda que. receberam o nome de ramos comunicantes. O nervo tibial posterior percorre a parte posterior da perna e dá ramos terminais (plantares interno e externo) para esta região do pé. Seu nome indica claramente que seu raio de ação se estende ao território visceral. como já se disse em páginas anteriores. dizer que os órgãos cujo funcionamento não depende de nossa vontade recebem sua nervação centrífuga de um centro alheio ao sistema nervoso central. como as que antes descrevemos. Delas nascem os ramos que se distribuem pelos músculos e a pele da região coccígea. se unem a certos nervos cranianos (pneumogástrico. este sistema nervoso não se reduza exclusivamente a inervar as vísceras. glossofaringeo). As fibras saem pelas raízes anteriores dos nervos espinhais e passam. intestino e bexiga urinária. a íris (iridodilatação) e as glândulas sudoríparas (ação secretora). É formado pelas anastonioses entre os dois últimos nervos sacros e o nervo coccígeo. um sistema independente: há que assinalar a existência de numerosas fibras que estabelecem comunicação com os nervos raquidianos e que. As fibras pré-ganglionares correm pelo tronco simpático e ingressam no gânglio celíaco ou nos mesentéricos. íris. Outras fibras seguem uma orientação ascendente. facial. quatro lombares e quatro sacros. pulmões. Os ramos terminais (músculo cutâneo. músculo ciliar. O simpático não é. de tal modo que ao estimulo do simpático se opõe a inibição do parassimpático. formado pelas fibras pós-ganglionares. glândulas salivares. Estas fibras se repartem do seguinte modo: as que se distribuem formando parte do motor ocular comum (II par) inervam o músculo esfíncter da pupila e o músculo ciliar. O plexo sacrococcigeo (E). O sistema vegetativo ou sistema nervoso autônomo (visceral) é o conjunto de novos cujo funcionamento regula as atividades viscerais de modo automático e involuntário. algumas fibras reingressam pelos ramos comunicantes cinzentos no nervo espinhal. A cápsula supra-renal recebe um ramo direto. Por carecerem de independência anatômica. chegam à garganta do pé e se distribuem em ramos que inervam o dorso do pé e os dedos. coração). tibial anterior). Apresenta duas alças superpostas situadas diante da porção terminal do sacro e do cóccix. as que se incorporam ao 35 . As cadeias estão situadas a cada lado da coluna vertebral e se estendem desde a primeira vértebra cervical até a última sacra. desde os centros encefálicos. nesta via de nervação autônoma há um trecho. aos gânglios que formam a cadeia ganglionar paraverterbral. ou então se individualizam como nervos independentes e se dirigem a inervar diferentes órgãos (glândulas lacrimais. Seu número não coincide com o dos segmentos ósseos da coluna vertebral: na região cervical se reduzem a três gânglios volumosos. as fibras pós-ganglionares ingressam nos nervos espinhais. fígado. O sistema nervoso autônomo se diferencia fundamentalmente do sistema nervoso cérebroespinhal pela existência no trajeto das vias nervosas de uma estação ganglionar situada fora do sistema nervoso central e que atua como centro efetor. para diferenciá-los dos outros situados fora da cadeia ganglionar) são de volume variável. ambos participam na nervação da maioria das vísceras que recebem a influência antagônica de um ou outro. O sistema nervoso simpático está representado anatômicamente pelas cadeias nervosas (cadeia simpático) e pelos gânglios. por esta razão. formado por fibras pre-ganglionares. situados na demarcação de tal nervo. as de origem pélvica utilizam o nervo pélvico. de forma muito irregular (de oliva. triangular. que vão desde o encéfalo ou a medula ao gânglio. pois. pode-se. que dão colaterais para os músculos e a pele da perna. baço. cuja atividade escapa da regulação voluntária. motor ocular comum. as fibras. remontam à cadeia de gânglios cervicais e. bifurcados). de modo algum.bifurca em dois ramos (ciática popliteo externo e ciática popliteo interno). que emergem do gânglio e terminam nos músculos ou glândulas aos quais se destinam. O sistema nervoso parassimpático não tem individualidade anatômica: seus centros se encontram uns no encéfalo e outros na região sacra. O sistema nervoso autônomo se divide em duas unidades bem diferenciadas anatômica e fisiologicamente: o sistema nervoso simpático e o parassimpático. desde o qual se estendem por suas ramificações a inervar vasos. mas o faça também em outros órgãos. e um segundo trecho. a túnica muscular das artérias (ação vasoconstritora e vasodilatadora). neste ponto. dez ou onze são dorsais.

óssea. O centro regulador da atividade funcional do sistema nervoso autônomo reside na região hipotalâmica. assim. as que se unem ao vago ou pneumogástrico (X par) chegam ao coração. respectivamente. separadas pelo septo nasal. acima da cavidade bucal que aloja a língua. Revestidas por suas partes moles. desde tempos imemoriais ficaram bem diferenciadas cinco classes de sensações: táteis. O nervo pélvico conduz fibras parassimpáticas que se distribuem pelo cólon. que percebem os odores: é o sentido do. que limitam três espaços. Cada fossa nasal é um estreito corredor. isto é. onde são elaboradas as sensações. Cada um destes órgãos está especializado na percepção de uma só classe de sensações. onde formam a porção superior da. que recobre a cavidade e meatos. frio e dor: é o sentido do tato. médio e inferior. calor. as cartilagens e um revestimento muscular e cutâneo. que percebe as sensações de tato. Toda a superfície das cavidades nasais está revestida por uma mucosa. sensibilidade espacial dos canais semicirculares. olfativas e auditivas. brônquios. que percebe os sabores: é o sentido do paladar.. a pele. a lâmina vertical do etmóide por cima e o vômer por baixo. 36 . fígado. na parte baixa apresenta dois orifícios. gustativas. pelo sabor ou o cheiro. que consta de dois ossos. intestino delgado. Os órgãos dos sentidos são as fossas nasais. Cada departamento sensorial tem sua zona cerebral correspondente. Mais tarde. situadas na parte média do conglomerado ósseo da face. utilizava a língua ou o nariz quando indagava. Aprendeu que devia aguçar a vista ou o ouvido quando se tratava de perceber com clareza uma imagem ou som. acercava seu corpo ao fogo ou ao sol quando sentia frio. como teremos ocasião de ver. o olho. Nas fossas nasais desemboca o canal nasal. médio e inferior. Pela importância dos fenômenos psíquicos que os acompanham. formado pelos ossos nasais. para a qual possui receptores específicos.). os meatos superior. o mesmo acontece com todos os demais sentidos. muito cedo descobriu com toda a naturalidade a relação existente entre a percepção de fenômenos externos e determinados órgãos ou zonas de seu próprio corpo. as possibilidades de algum achado aparentemente apetitoso.. SENTIDO DO OLFATO Está situado nas paredes das fossas nasais. e também soube evitar com cuidado qualquer contingência que sabia lhe produziria dor. reto. órgão do paladar. a pituitária. entre ambos os sentidos existe estreita relação. estômago. os cometas superior. A parte anterior é completada pela cartilagem nasal. e buscava a sombra ou mergulhava na água quando lhe incomodava o calor. Assim. existem outros fenômenos da sensibilidade que são comuns a todas as partes do corpo e alheios à consciência (sensibilidade muscular. rins e primeiro trecho do cólon. direita e esquerda. a destruição da área sensitiva visual produz indefectivelmente a cegueira. olfato. as narinas. as fossas nasais se completam por diante pelo nariz. ainda que se conservem integras o globo ocular e o nervo óptico. que percebe os sons: é o sentido da audição. e uma lesão neles pode provocar a perda da sensação de que se trate. os fenômenos de consciência que se agregam aos reflexos nascidos de uma excitação dos receptores sensoriais. o funcionamento e a utilidade da maioria de suas vísceras ou fantasiou sobre elas. durante muito tempo. ânus e aparelho geniturinário. articular. pertencem ao âmbito da fisiologia do córtex cerebral. a ciência admitiu como fisiológica esta divisão e decidiu que devia ser conservada e completada (Hedon). faringe. pâncreas. que podia diferenciar e localizar não menos naturalmente. Além dos cinco citados. de cor rósea e consistência muito frágil. de cuja parede externa se desprendem três lâminas ósseas. OS SENTIDOS O homem ignorou. a língua. por outro lado. As fossas nasais se projetam para trás.nervo facial (VII par) inervam as glândulas lacrimais e salivares. que percebe a luz: é o sentido da visão. que in vivo aloja o canal lacrimal. que comunicam diretamente com as fossas nasais: estas são duas. que com o tempo foram chamadas sentidos corporais e cuja percepção se atribuiu à atividade especifica de cinco classes de receptores designados com o nome de órgãos dos sentidos. e o ouvido. visuais.

limitada ao cometo superior e terço superior do septo nasal. aparecem como diminutos apêndices cilíndricos ou cônicos. constituídas por pregas verticais da mucosa. Esta está situada no assoalho da cavidade bucal. formado pelo osso hióide e umas lâminas fibrosas nas quais se inserem os músculos que. cujas quatro raízes alcançam por diferentes trajetos o córtex cerebral. em número de 150 a 200. pois intervém na mastigação e deglutição dos alimentos e. mas também por seu número. recoberta por uma mucosa. de modo que a papila parece contida dentro de um cálice. pequena massa ovóide de substância cinzenta que descansa sobre a lâmina crivosa e que se prolonga para trás com a cinta olfatória. graças à presença de uns peculiares microrreceptores. as outras são as propriamente gustativas. são de cor avermelhada. em número de 9 a 11. espalhadas pela superfície da língua. unida a um curto pedículo. alargada. botões ou corpúsculos gustativos. além de ser o órgão essencial do paladar. e uma região olfatória. São as mais volumosas e também as mais importantes por sua estrutura e funções. próximas à base. situados na camada epitelial da língua. Todas as papilas linguais são órgãos sensitivos. Este órgão tem uma armação osteofibrosa. sobretudo. o epitélio que reveste esta zona contém as células olfativas periféricas. que chega a dezessete. formes). Este considerável grupo muscular adota a forma de um cone com o vértice (ponta da língua) dirigido para a frente. não só porque conferem a este órgão sua peculiar consistência e a mobilidade necessária para realizar suas funções. dai o nome de papila caliciforme. desempenha outras importantes funções. pouco numerosas. a reunião de cujas fibras (axônios) constituem os nervos olfatórios. se altera e adquire tonalidades esbranquiçadas ou amareladas no começo ou no curso de certas doenças. os bulbos. separadas por sulcos mais ou menos profundos. que a reveste totalmente. SENTIDO DO PALADAR Os receptores que são impressionados pelos sabores se encontram espalhados pela superfície externa da língua. convergem em sua parte posterior e delineiam o chamado V lingual. sobressaem por sua extremidade livre. O aspecto dos botões gustativos lembra bastante o de uma garrafa com o corpo 37 . células nervosas que são os autênticos elementos sensoriais da pituitária. Suas formas são variadas e se as têm designado com diferentes nomes. inserem-se por seu outro extremo no maxilar inferior. na articulação dos sons. lhe comunicam o aspecto aveludado característico desde órgão. agrupadas em duas ‘séries lineares que. por sua vez. desde ambas as bordas livres. Tem uma porção anterior ou bucal e outra posterior (base da língua). na apófise estilóide e na armação fibrosa da faringe. acondicionada para aquecer e umedecer o ar inspirado. com um remate formado por um pincel de prolongamentos filiformes que lhe conferem uma aparência de carola (papilas coroli. As papilas foliadas. continuação da mucosa orofaríngea. As papilas caliciformes são formadas por um mamilo central.Nas fossas nasais há que considerar a zona respiratória. assim chamadas por sua grande semelhança com um cogumelo. o esqueleto da língua. Estes músculos constituem os elementos básicos da língua. observam-se umas pequenas elevações que receberam o nome de papilas linguais. onde. rodeado por uma formação anular. distribuem-se preferentemente pelas bordas e a ponta da língua. que atravessam a lâmina crivosa do etmóide e estabelecem conexões com as células olfativas (mitrais) do bulbo olfatório. O mamilo é a papila propriamente dita. e entre ela e o anel que a rodeia existe um sulco ou fossa. sua espessura é variável e sua coloração. visíveis com uma lupa e até mesmo à vista desarmada. só são na face dorsal da língua. Estas papilas ocupam o dorso da língua e se dispõem em filas paralelas que seguem uma direção oblíqua desde a linha média à borda da língua. As papilas filiformes são as mais numerosas. mas convém fazer uma importante distinção entre elas: as papilas filiformes só contêm corpúsculos táteis e térmicos. normalmente rosada. são rudimentares e se encontram na borda da língua. As papilas caliciformes. As papilas fungiformes. órgãos especificas do paladar. Vista com lupa. Na superfície livre da mucosa lingual. As papilas fungiformes.

as glândulas sebáceas. quase sempre cónicas. ao qual assoma um pincelzinho de apêndices filiformes. órgãos de natureza conjuntiva. deformadas e inúteis. o poro gustativo. tendões e ligamentos e as resultantes de modificações dos órgãos internos. Encontram-se no tecido celular subcutâneo e também nas articulações e no mesentério. Nas células da de Malpighi se acumula o pigmento que confere cor à pele. Os bulbos do paladar só se encontram nas papilas caliciformes e nas fungiformes. A pele é. de forma elipsoidal.arredondado. portanto. devem-se à estimulação de receptores específicos para cada uma destas sensações. o suporte destes microrreceptores táteis que em sua espessura se encontram alojados. opalinos. formados por lâminas concêntricas em cujo interior se ramifica uma fibra nervosa. A derme papilar contém as chamadas papilas dérmicas. onde se ramifica entre as células intersticiais 38 . Os corpúsculos táteis podem ser divididos em órgãos da sensibilidade à pressão (cutânea e profunda) e órgãos da sensibilidade tátil propriamente dita. o sentido do gosto reside precisamente nas regiões onde se acham aquelas papilas. que podem ser de dois tipos: vasculares e nervosas. a epiderme. as unhas e os pelos. ovóides. se desprendem da epiderme como elementos mortos (descamação fisiológica). e o gargalo que se prolonga pelas camadas superficiais epiteliais para abrir-se na superfície livre da mucosa por um orifício. encontrando-se repartido por todo o tegumento externo ou pele e também nas mucosas externas. o sistema tegumentar ou pele recobre todo o corpo e o interior das aberturas naturais. Há que acrescentar às citadas a sensibilidade própria de músculos. as pestanas gustativas. onde muda sua configuração para constituir as mucosas. Nela há que considerar uma face externa livre ou superficial e outra aderente ou profunda que se une aos órgãos subjacentes mediante uma camada de tecido conjuntivo que engloba lóbulos de gordura (tecido celular subcutâneo). SENTIDO DO TATO O tato proporciona sensações de diversas naturezas: táteis. exteriormente este corpúsculo mostra um tubo nervoso que descreve um trajeto em espiral para introduzir-se finalmente em seu interior. chamados anexos cutâneos. e está em relação com o tecido celular subcutâneo: a superficial é a derma papilar e se relaciona com a epiderme. enfiado na parte profunda do epitélio (cório). será proveitoso conhecer a constituição da pele antes de examinar a estrutura e a localização daqueles. Constituição anatômica A pele compõe-se de duas camadas superpostas: uma camada profunda. de frio). ou seja. de calor. A derma ou camada profunda oferece duas faces: a profunda é a derme reticular. a derme ou cório. onde ocupam zonas diferentes perfeitamente delimitadas (pontos de pressão. cuja excitação origina precisamente a sensação correspondente e não outra. formada por células epiteliais (células epidérmicas) cuja forma e propriedades biológicas se modificam à medida que se tornam superficiais. os primeiros são chamados corpúsculos de Pacini. estão constituídos também por tecido conjuntivo. e uma camada superficial. eminências pequenas. As modalidades das sensações táteis e térmicas. térmicas e dolorosas. Os corpúsculos de Meissner. as mais superficiais das quais. perpendiculares à superfície da derme. além da natureza do excitante. Na pele se localizam três tipos de órgãos. além do envoltório geral do corpo que protege os órgãos subjacentes e que desempenha funções muito importantes. divide-se em duas camadas. A camada córnea se compõe de células laminares. que são as glândulas sudoríparas. Os nervos da pele terminam nos corpúsculos sensitivos que a seguir expomos. Logo. nas bordas da língua e em outros dois terços anteriores de sua face dorsal e na região do V lingual. portanto. a camada profunda de Malpighi e a camada superficial ou camada córnea. que se encontram distribuídos por toda a superfície cutânea. A camada de Malpighi descansa sobre outra de células (camada basal ou matriz) em continua atividade: dela derivam todas as outras células epidérmicas.

A retina é a túnica interna do olho. e os processos ciliares. Os órgãos da sensibilidade dolorosa receptores específicos para a dor. em virtude de estar constituído pelos segmentos de duas esferas de diâmetro desigual. por trás. O globo ocular tem a forma de uma esfera irregular. . A íris. anterior e posterior. de cor branca. SENTIDO DA VISÂO (O olho e seus anexos) O sentido da visão nos proporciona as sensações de luz e de cor e seu órgão essencial é o globo ocular. simétrico. a seção aparece como um triângulo. ou zona ciliar. se corresponde em toda a sua extensão com a túnica média. de diâmetro variável. grossa e resistente. Os processos cifrares são umas pregas de configuração piramidal. formando uma rede inextricável. e num cone meridiano. ao redor da íris. vascular e muscular. outro vertical e uma série indefinida de meridianos oblíquos. Os corpúsculos de Krause. são formados. e outra anterior. estão constituídos por maços de vasos capilares. dispostas meridianamente. é um segmento de esfera oca com uma face externa aplicada à coróide e uma face interna que se amolda a um dos meios transparentes (humor vítreo). quanto à forma: de todos os demais: são órgãos fusiformes. Como as demais. O músculo ciliar é semelhante a um anel achatado. alojado nas órbitas. outras são radiais e formam o músculo dilatador da pupila. de natureza fibrosa. ou porção ciliar. chamados anexos do olho. os corpúsculos de Ruffini. muito alongadas. ou porção coróide. constam de células e fibras conjuntivas e elásticas. a córnea (que correspondem aos dois segmentos de esfera desiguais a que nos referimos). por trás do músculo ciliar. a pupila. com ramificações arredondadas e aspecto irregular. estendida verticalmente como um diafragma no círculo formado pela união da córnea com a esclerótica. Apresenta um orifício central. seu limite anterior constitui um anel festonado chamado ora serrata. de natureza nervosa.nervosas. ou porção irídea. por diante. média. a média. órgão par. um equador. se encontra formado por três túnicas concêntricas. segmento anterior da túnica vascular. por uma membrana conjuntiva que engloba uma massa de células. e por sua parte posterior é atravessada pelo nervo óptico. A coróide é um segmento de esfera com uma abertura posterior que dá passagem ao nervo óptico. que. é unia membrana circular. é formado por fibras musculares lisas. entre as quais se ramifica profusamente a fibra nervosa. que a divide em dois hemisférios. Os órgãos da sensibilidade térmica se classificam nos receptores sensíveis ao frio. as membranas envolventes. As membranas envolventes são três : túnica externa. A porção coróide (retina 39 . os corpúsculos de Krause. que separa esta porção coróidea posterior da média ou zona ciliar. A túnica externa consta de uma porção posterior. nervosa. côncava. forma o aparelho visual. túnica média. um meridiano horizontal. dos quais o anterior é o menor. é composta por três partes: posterior. Na retina se distinguem três zonas: a posterior. e por uns meios líquidos ou sólidos. um anterior e outro posterior. por sua vez. Entre as camadas que formam a íris existe uma de fibras musculares lisas. diante do cristalino. de forma esférica. como uma coroa (corpo chiar). umas circulares. respectivamente. das quais algumas se dispõem circularmente e constituem o esfíncter pupilar. e túnica interna. Anatomicamente. e os receptores sensíveis ao calor. a esclerótica. que se destaca por sua cor negra do restante da íris. é um segmento de esfera oco que em sua parte anterior apresenta uma larga abertura onde se encaixa a córnea. a coróide propriamente dita. A superfície interna. a íris. e a anterior. em união com outros órgãos diversos. e anterior. Encontram-se no tecido celular subcutâneo. cujo estudo compreende o exame do globo ocular e também o dos citados órgãos. como todos. a esclerótica. Os corpúsculos de Ruffini diferem notavelmente. outras radiadas. não adoram formas diferenciadas de modo particular. os meios transparentes e refringentes. que envolvem as divisões e subdivisões da fibra nervosa. Nesta esfera se descrevem dois pólos. sendo simplesmente terminações nervosas livres que se ramificam nos interstícios do epitélio cutâneo. que consta do músculo ciliar. cuja tonalidade varia com os indivíduos. Encontram-se em toda a derme. Encontram-se no cimo das papilas dérmicas.

Os bastões possuem uma matéria Corante sensível à luz. pigmentar. A segunda. Completam este conjunto de células nervosas as células da neuróglia. integrado por fibras que seguem uma direção meridiana e que se estendem desde a ora serrata e os processos ciliares até o equador do cristalino. elementos de sustentação. A primeira é formada por células poligonais pigmentares. ponto de maior acuidade visual. que corresponde ao ponto de expansão do nervo (ponto cego) e a mácula. como as estacas de uma paliçada. consta de uma membrana (hialóide) e um conteúdo gelatinoso (humor vítreo). Sua natureza elástica faz com que. multipolares. continuação da anterior. a porção irídea. aderidas por sua base à coróide. Constituição anatômica da retina Trata-se. observam-se nela dez camadas. por três zonas: a primeira contém as células visuais. disposto em forma de gomos e atravessado em sua parte central por um canal 40 . células epiteliais diferenciadas. as células deste epitélio vão se prolongando a partir de um ponto para formar as fibras do cristalino. que simplificaremos em nossa descrição. são os elementos impressionáveis da retina especializados na recepção da energia luminosa. por isto se disse que o olhar sempre fixa a imagem sobre a fávea’ (Soula). ou neurônios intermediários. por sua vez. além disso. alongadas. Na segunda zona se encontram. Deles. A terceira camada é de grandes células ganglionares. Esta lente mantém-se em posição mediante um aparelho suspensor membranoso chamado zônula ou zona de Zinn. um pouco mais denso que a clara de ovo. carente de axônio (célula amácrina). chamada rodopsina. a das células ganglionares. Em sua constituição intervêm um envoltório elástico ou cápsula e um epitélio que reveste a face posterior da parede capsular anterior. Essencialmente se compõe de uma camada externa. A porção ciliar é uma delgada película que perdeu seus elementos essenciais e se estende desde a ora serrata até os processos ciliares. embora se deforme facilmente. os outros três ocupam o espaço interior circunscrito pelas três túnicas opacas. na realidade. Ambos os elementos emitem uns prolongamentos que se põem em comunicação com os neurônios bipolares da segunda zona que. ou camada nervosa. e também se encontra um tipo especial de célula nervosa. às quais segue a terceira zona. A estrutura da retina se acha profundamente modificada na mancha amarela. esferóide. o cristalino e o corpo vítreo. finalmente. por sua vez. das quais partem as fibras que formarão o nervo óptico. que constitui o mais importante dos meios transparentes e está situado imediatamente atrás da pupila. Consta de duas faces convexas. que associam várias células da primeira camada. nervosa. Os meios transparentes e refringentes do olho Constituem o aparelho de retração do olho e compreendem a córnea. análogos aos que se encontram no cérebro. O corpo vítreo é uma massa transparente. os cones e os bastonetes. dispostas em fileiras. e nela se combinam os elementos propriamente nervosos com os que formam a armação que os sustenta. e outra camada interna. é constituída. termina revestindo a face posterior da íris transparente. possa recobrar rapidamente sua forma primitiva. de modo que algumas camadas desapareceram e Outras se adelgaçaram de tal modo que os raios luminosos chegam és células visuais de um modo mais direto e nítido: assim resulta que sua sensibilidade é 150 vezes maior que a nível das regiões mais anteriores da retina. ou púrpura retiniana. o humor aquoso. por baixo dela se acha a segunda zona com as células bipolares. atuam como intermediários com os da Camada seguinte. entre o humor aquoso pela frente e o humor vítreo por trás. já se descreveu a córnea. cujos dendritos estão em conexão com o prolongamento dos neurônios da camada intermediária: seus axônios formam as fibras de cujo agrupamento nascerá o nervo óptico. cuja união determina uma circunferência ou equador que está em relação com as fibras de uma membrana elástica que o sustenta. mais reduzida e rudimentar. Tanto os cones como os bastonetes. neurônios horizontais ou transversais. situada entre o cristalino e a retina.propriamente dita) se estende desde o nervo óptico até a ora serrata: em sua parte posterior se observa a papila. ou mancha amarela. de uma expansão do nervo óptico. O cristalino é uma lente biconvexa.

e uma camada posterior. recoberta por uma mucosa face conjuntival). os társios. que emana do corpo ciliar e que. as paredes se encontram estreitamente coladas uma à outra. o saco lacrimal e o conduto nasal.(canal hialóide). A pele está provida de pêlos implantados obliquamente: sua função é desviar para as têmporas o suor ou a água que resvala da testa. A parte mais interna de cada borda livre contém em seu interior canalículos que serão estudados com o aparelho lacrimal. Os condutos lacrimais são prolongamento dos pontos lacrimais e. e uma camada de fibras musculares estriadas (músculo elevador da pálpebra). a conjuntiva forma uma prega (semilunar) sobre a qual se aplica a carúncula lacrimal. transparente. A conjuntiva é uma membrana que reveste o dorso das pálpebras e a zona anterior do olho. ou pestanas. que conduzem o excesso das lágrimas para as fossas nasais. ao contrair-se. este mecanismo é absolutamente involuntário e inconsciente e ocorre com a intervenção indireta do músculo ciliar que. através da pupila. as duas bordas livres se encontram separadas quando o olho está aberto. isto é. convergem e se abrem por um orifício comum no saco lacrimal. circula da câmara posterior para a anterior. consta de um órgão secretor. a glândula lacrimal se compõe de uma porção superior. a câmara posterior. da qual emerge por canalículos que o drenam para as veias. consideradas como o esqueleto das pálpebras. onde se reflete sobre si mesma e cobre a face anterior deste até o centro da córnea. os cílios. dai seu nome. cutânea. o resto segue uma direção descendente e se continua sem limites precisos com o 41 . Os primeiros são dois pequenos orifícios situados na parte mais interna da borda livre de cada pálpebra. aos quais seguem os condutos lacrimais. Anexos do olho Os órgãos dispostos ao redor do globo ocular fazem parte do aparelho visual. Entre a córnea e o cristalino existe um espaço. que têm por missão proteger o olho contra a introdução de corpos estranhos dispersos flutuantes no ar. Na zona cutânea da região orbitária (figura 1). pálpebras. ou sobrancelhas. e as vias lacrimais. a conjuntiva forma um saco (saco conjuntival) cuja abertura corresponde à fenda palpebral. depois de um pequeno acotovelamento. a abertura palpebral. Entre as camadas que formam a pálpebra figuram umas lâminas fibrosas. os canalículos excretores abrem-se no fundo de saco conjuntival superior. a glândula lacrimal. sua extremidade superior se dispõe em . atrai a coróide para a frente. Aparelho lacrimal Lubrifica constantemente a conjuntiva com as lágrimas. As vias lacrimais se iniciam nos pontos lacrimais. encontramos primeiro os supercílios. de forma cilindróide. eminências arqueadas que correspondem à borda superior das órbitas. que se ajusta ao canal lácrimo-nasal. rígidos e sedosos. pequeno reservatório membranoso. em cujo lugar se une ao epitélio corneal. já que. estão relacionados com sua função. de um modo ou de outro. do que resulta que o espaço compreendido entre ambas é na realidade capilar. uma superior e outra inferior por olho. une o globo ocular às pálpebras. a situada entre a córnea e a íris é a câmara anterior e a compreendida entre a íris e o cristalino. portanto. e então se aumenta a convexidade de suas curvaturas. Cada pálpebra apresenta uma face anterior. acomoda o olho para a visão distante (se achata) ou próxima (se alarga) . que mantém estirado e achatado o cristalino. há um conduto lacrimal superior e outro inferior que. situadas diante do globo ocular. limitando um espaço alongado transversalmente. Esta mucosa se estende desde a borda livre de cada pálpebra até o equador do globo ocular. Uma parte da pálpebra se continua com a pele vizinha. móveis em sentido ascendente e descendente. São em número de duas. lavrado no úngüe. Ambas estão cheias de humor aquoso. Localizada numa pequena cavidade situada na parte externa do teto da órbita. com o que se relaxa o ligamento suspensor. liquido incolor. orbitária. No ângulo interno do olho. que a íris divide em duas partes. no resto da borda se implantam uns pêlos curvos.forma de fundo de saco. e outra inferior. O cristalino intervém no ato de enfocar os objetos que se olham isto é. As pálpebras são dobras músculo-fibrosas. Assim disposta.

conduto nasal, que desemboca no meato inferior. Músculos da órbita Também são chamados músculos extrínsecos para diferencia-los dos contidos no globo ocular (músculos ciliar, dilatador e esfíncter da pupila). Os músculos do olho se agrupam por pares: quatro músculos retos e dois oblíquos. Os retos se inserem por dentro no vértice da órbita, de onde se dirigem a inserir-se nos pontos do contorno equatorial da esclerótica que correspondem à sua denominação: são o reto superior, o inferior, o interno e o externo. Os oblíquos, assim chamados porque rodeiam transversalmente a esfera ocular, são dois: o maior se estende desde o vértice da órbita até a parede interna, onde se reflete para inserir-se no hemisfério posterior, O obliquo menor se insere na parede interna da órbita e no hemisfério posterior. Os músculos do olho só lhe comunicam movimentos de rotação ao redor de um eixo sempre fixo; aos retos se devem os movimentos para cima, para baixo e para os lados; aos músculos oblíquos, os deslocamentos que dirigem a córnea para fora e para baixo ou para fora e para dentro. SENTIDO DA AUDIÇÃO Ë O sentido que nos permite perceber os sons. O aparelho destinado a recebê-los e ser impressionado por eles está localizado em ossos pares de cada lado do crânio, os temporais. Divide-se em três segmentos: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno ou labirinto. O ouvido externo é constituído pelo pavilhão da orelha, lâmina cartilaginosa em forma de concha, com pregas curvilíneas na superfície côncava e um orifício central que se continua com o conduto auditivo externo, cuja parte mais externa é cartilaginosa, e a mais interna, óssea. O ouvido médio é uma cavidade óssea, estreita e alta, cuja parede externa apresenta uma membrana fibrosa, delgada e transparente de forma circular, abaulada para dentro, o tímpano, que separa o conduto auditivo externo da caixa do tímpano; a parede interna óssea separa o ouvido médio, ou caixa do tímpano, do ouvido interno e apresenta dois orifícios ou janelas, a janela oval e a redonda, que põem em comunicação a caixa do tímpano com o ouvido interno. A parede anterior oferece um orifício que corresponde à abertura interna de um canal em forma de trompa que comunica o ouvido médio com a faringe: é a trompa de Eustáquio. Na caixa do tímpano se aloja a cadeia de ossículos do ouvido, estendida transversalmente desde o tímpano até a janela oval: estes ossículos, em número de três, se chamam martelo, bigorna e estribo e estão suspensos por ligamentos às paredes da caixa e unidos entre si por articulações que lhes prestam grande mobilidade. A parte do martelo que corresponde ao cabo está englobada na membrana do tímpano; a base do estribo se aplica à membrana da janela oval. Nestes dois ossículos se inserem dois músculos, chamados do martelo e do estribo, aos quais mobilizam, como logo veremos. O ouvido interno contém a parte essencial, constituída por uma série de cavidades que formam um complexo conjunto, designado com o nome de labirinto ósseo, dentro das quais se localizara, in vivo, outros elementos moles e membranosos, o labirinto membranoso. Entre as paredes de ambos os labirintos se encontra um liquido, a perilinfa; da mesma forma, no interior do labirinto membranoso há outro líquido, a endolinfa. O labirinto ósseo consta de uma câmara central: o vestíbulo ósseo, que se relaciona por trás com umas galerias curvilineas, os canais semicirculares ósseos, e por sua parte anterior com outra galeria, de trajeto helicoidal, o caracol ósseo. Os canais semicirculares e o caracol ósseo, com seus componentes membranosos que logo veremos, constituem dois aparelhos: o vestibular e o coclear, que funcionalmente nada têm em comum. O primeiro intervém nos reflexos posturais, da estação normal e do equilíbrio, e o segundo, na audição. O caracol ósseo, também chamado cóclea por sua semelhança com uma concha de caracol, consta de um núcleo ósseo ou coluneta central (columela), ao redor da qual se enrola em espiral um tubo cônico (lâmina dos contornos), cujo vértice, que corresponde ao do caracol, está fechado e cuja base está aberta. lnteriormente, este tubo é percorrido por uma lâmina que descreve um trajeto em espiral (lâmina espiral), junta à columela por uma borda, enquanto a outra fica livre e,

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portanto, não entra em contato com a parede interna do tubo: deste modo a parte interna do caracol se encontra dividida em duas rampas, uma superior (rampa vestibular), que se abre no vestíbulo, e outra inferior (rampa timpânica), que termina na janela redonda. À borda livre da lâmina espiral se aplica, desde a base ao vértice, um canal membranoso, o canal coclear ou caracol membranoso que não é cilíndrico, mas sim prismático triangular e ocupa precisamente o espaço que existe entre a borda livre da lâmina espiral e a parede do tubo ósseo. A descrição da parte interna do caracol membranoso se completará com a do órgão de Corti. Vimos que o órgão do ouvido se compõe efetivamente, de fora para dentro, de uma parte receptora do som, o pavilhão auricular e o conduto auditivo externo; de uma parte transmissora, formada pela cadeia de ossículos, e de uma parte receptora, o ouvido interno, constituída pelo caracol ósseo e o membranoso. A parte receptora recebe e canaliza a onda sonora sobre o tímpano (fase aérea), que transmite a vibração à cadeia de ossículos e à membrana da janela oval (fase mecânica); sobre esta se apoia a base do, estribo e todos os movimentos oscilatórios da cadeia de ossículos se manifestam por variações da pressão da perilinfa primeiro, e da endolinfa depois. SISTEMA HUMORAL OU ENDÓCRINO Ë o conjunto de glândulas especializadas na elaboração de substâncias que são vertidas no sangue ou que atuam diretamente sobre os centros nervosos. Estas secreções compõem-se de corpos químicos definidos, cuja reunião constitui a secreção interna própria de cada glândula e que recebe o nome de hormônio. Existe uma relação muito estreita entre o sistema humoral e o nervoso, de modo que os impulsos nervosos e a função hormonal não representam mecanismos diferentes podendo-se inclusive falar de uma ação única neuro-hormonal (correlação neuro-hormonal). Os hormônios se transformam no sangue, ao qual proporcionam qualidades especiais que fazem reagir de modo diferente o sistema nervoso, que é, definitivamente, o que atua sobre o tecido terminal (Marañón). Em algum caso (hipófise e talvez outros) à hormônio atua diretamente sobre as centros nervosos (neurocrinia). Convém acrescentar que também existem hormônios elaborados par órgãos não especializados, ou difusos (neuróglia, conjuntivo), e também par estruturas não permanentes (placenta, corpo lúteo). Deixando de lado a verossímil porém não demonstrada, atividade endócrina de alguns órgãos que logo citaremos, expomos a seguir as glândulas consideradas hoje como de secreção interna. A hipófise ou glândula pituitária é um órgão ovóide situado numa depressão do esfenóide (sela turca), sob o encéfalo; está unida ao cérebro mediante um pedúnculo (pedúnculo hipofisário). Divide-se em duas porções: um segmento anterior (adenohipófise) e outro posterior (neuro-hipófise). Admite-se também que a parte intermediária entre ambos as segmentos constitua uma terceira porção (lobo intermediário, ou médio). A hipófise segrega um hormônio (somatotropina) que estimula o crescimento do corpo e outros dois (gonadotropinas) que estimulam a atividade das glândulas sexuais. É, além disso, um centro de conexão entre os sistemas nervoso e endócrino. A tiróide é um órgão volumoso, situado sob a laringe, diante da traquéia. É formada por dois lobos unidos em sua parte inferior por um istmo, do qual nasce um terceiro lobo muito delgado. A tiróide estimula a atividade metabólica geral influi na morfogênse e no crescimento e intervém nos intercâmbios minerais (cálcio, fósforo). As paratiróides, em número de quatro, do tamanho de um via de trigo, estão situadas na parte posterior da tiróide, perto de suas bordas. As glândulas paratiróides regulam a concentração do cálcio no sangue (aumento ou diminuição da calcemia). O pâncreas é uma glândula exócrina e endócrina. Como exócrina foi descrita ao se tratar concretamente dos anexos do aparelho digestivo. Conhecemos, pois, sua forma e situação e acrescentaremos agora que entre as células produtoras do suco pancreático existem as chamadas ilhotas de Langerhans, formadas por acúmulos de células ricamente irrigadas por capilares que recebem os hormônios elaborados por aquelas. O pâncreas intervém na regulação da glicose no sangue (glicemia) mediante dois hormônios: a insulina, que diminui seu nível, e o glucagon, que o aumenta.

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As cápsulas supra-renais são dois órgãos de forma piramidal que se encontram sobrepostos sobre cada um dos pólos superiores renais. Ao corte se distinguem duas parte bem diferenciadas, o córtex e a medula. O primeiro é formado por três camadas de células que se dispõem concentricamente e que segregam hormônios de diferentes tipos. A medula, por sua vez, consta de cordões celulares, vasos venosos e fibras nevosas. Os hormônios segregados são a adrenalina e a noradrenalina por parte da medula; o córtex elabora a aldosterona e a cortisona. As primeiras atuam sobre o metabolismo dos glicídios e sobre as vísceras em ação comparável ao estímulo do simpático; as segundas regulam o metabolismo do sódio e do potássio. Hormônios sexuais. O testículo e o ovário contém, entre as componentes celulares que produzem as gametas, outras agrupações, chamadas células intersticiais, especializadas na secreção de hormônios masculinos e femininos, respectivamente, que entram em atividade ao se iniciar a puberdade e operam favorecendo o desenvolvimento sexual e as caracteres típicos de cada sexo. A ação endócrina da epífise é discutida: alguns descartam sua atividade endócrina, outros defendem sua intervenção hormonal baseando-se em dados histológicos, clínicos e experimentais. É um órgão reduzido situado na entrada do ventrículo médio; a partir da puberdade se torna inativa. Quanto ao time existe discordância nos resultados experimentais no que diz respeito à sua função endócrina, embora ultimamente se fale de um fator humoral timico. Está situado entre o pescoço e o tórax e alcança seu maior desenvolvimento na adolescência. FIG. 1. MEMBRO INFERIOR FIG. 2. SINARTROSE FIG. 3. ANFIARTROSE FIG. 4. ORGÃO GENITAL FEMININO ( REPRESENTAÇÃO FRONTAL) FIG. 5. O SISTEMA SIMPÁTICO E O PARASSIMPÁTICO FIG. 6. O OLFATO FIG. 7. O PALADAR FIG. 8. O TATO FIG. 9. A VISÃO (ANEXOS DO OLHO) BIBLIOGRAFIA ATLAS FOTOGRÁFICOS DE ANATOMIA SISTÊMICA E REGIONAL. São Paulo: Manole, 1987 CASTRO, S. U. Anatomia fundamental. São Paulo: Makron Books, 1985 RASH, Phillip J. Cinesiologia e anatomia aplicada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991 SOBOTTA, Johannes. Atlas de anatomia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan SÁ, 2v, 1993 VANDER, Arthur et alii. Anatomia e fisiologia humana. São Paulo: Makron Books, 1990.

UNIDADE II: FISIOLOGIA COMPARADA
Apresentação O trabalho que apresentamos como material de apoio para as aulas nos cursos de graduação, não é original nosso, é uma compilação de textos escolhidos. Esperamos que seja de grande utilidade, mas que não seja o único material a ser consultado. Parte I A Célula e Fisiologia Geral Ë impossível analisar significativamente as complexas atividades do corpo humano sem uma organização a partir da qual se possa construir um conjunto de conceitos que oriente nosso pensamento. Este capitulo tem por objetivo fornecer uma orientação para a fisiologia humana - os

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uma célula hepática humana e uma ameba são acentuadamente semelhantes quanto aos meios que utilizam para permutar nutrientes com seus ambientes. os quais se reúnem para construir os sistemas de órgãos. apesar de distintas umas das outras. realizam funções gerais semelhantes: por exemplo. as quais por sua vez resultam em outras quatro. Uma segunda generalização crucial. ou podem circundar cavidades de tal modo que sua contração expulsa os conteúdos das mesmas.o músculo. o óvulo fertilizado. a secreção de hormônios protéicos por algumas glândulas do organismo é uma forma especializada de síntese de proteínas. Todas estas especializações. A diferenciação celular é o processo pelo qual células idênticas durante os estágios iniciais de desenvolvimento sofrem não somente alteração anatômica mas também adquirem propriedades funcionais especializadas. que ocorreram durante a diferenciação celular. como no caso das 45 . Outros processos no desenvolvimento embrionário incluem a migração celular para novas localizações e a adesão seletiva de vários tipos de células. O organismo humano tem origem de uma célula única. as células musculares esqueléticas. aumentando o número de unidades no embrião em desenvolvimento. fazem parte da evolução e resultaram na adaptação de certas células para desempenhar papéis específicos. ou casos por suas origens. embrionárias. que se divide em outras duas. Na dependência de função geral que desempenham. enquanto diferentes tecidos são combinados para. As células musculares são também encontradas em muitos órgãos tubulares no organismo. Uma das generalizações unificadoras da biologia é que certas atividades fundamentais são comuns a quase todas as células e representam as necessidades mínimas para manter a integridade e a vida das mesmas. quatro categorias de células diferenciadas são reconhecidas. Aproximadamente 200 espécies distintas de células podem ser identificadas no organismo humano. o transporte de moleculas alimentares através dos constituintes da parede intestinal resulta de uma orientação especializada de mecanismos de troca grandemente similares na maioria das células. como no caso do coração ou na eliminação de urina da bexiga. o resultado final seria a formação de uma massa esférica de células idênticas. para obter energia de substâncias orgânicas. todas têm a habilidade especial para gerar forças. Conseqüentemente. Por exemplo. as células do organismo tomam-se arranjadas em várias combinações. para formar uma hierarquia de estruturas organizadas. geneticamente controlada. como a apresentada pelas células nervosas para conduzir sinais elétricos. Isto não quer dizer que não existem diferenças significativas entre uma ameba e uma célula hepática ou entre esta última e uma nervosa. Todavia. Assim. As células musculares geram forças e produzem movimento. Desta maneira. encontrada em todas as células. Se a multiplicação celular fosse o único evento que ocorre. (2) células nervosas. e sua contração modifica os diâmetros dos mesmos. as cardíacas e as lisas. e assim por diante prosseguem as repetidas divisões celulares. formar órgãos.mecanismos pelos quais funciona o organismo. a excitabilidade das células nervosas representa uma especialização de fenômenos elétricos comuns às membranas de virtualmente todas as células. Uma sociedade de células Células: as unidades básicas As células são as unidades básicas tanto da estrutura quanto da função dos seres vivos. (3) células epiteliais e (4) células do tecido conjuntivo. no entanto. outros processos que ocorrem simultaneamente fazem com que as células do embrião se tornem alteradas e dispostas em uma variedade de configurações. todavia. estes três tipos de células compreendem juntamente uma categoria funcional especializada . Elas podem estar unidas aos ossos e produzir movimentos dos membros ou do tronco. para sintetizar proteínas complexas e para duplicarem-se. tendo cada uma delas um número de variações relacionadas a um tema comum: (1) células musculares. Muitas delas. é a que considera estas diferenças na função celular como que representando geralmente especializações de uma ou mais das propriedades fundamentais comuns. As células diferenciadas de um mesmo tipo são organizadas em tecidos.

Órgãos e sistemas de órgãos Os órgãos do organismo são compostos das quatro classes de tecidos arranjados em lâminas. os tendões e ligamentos inetásticos que unem os ossos entre si ou com os músculos.. por exemplo. como sugere sua denominação. sustentar e apoiar as estruturas do organismo. etc. que proporciona a matriz de sustentação na qual se apoiam outros tipos de células. que consiste em vários tipos de fibras embebidas em uma substância fundamental. Muitas das células do tecido conjuntivo secretam no fluido que as circunda moléculas que formam uma matriz. Por exemplo. armazenam gorduras (células adiposas). ou pode dar início à secreção em uma célula glandular ou à contração em uma célula muscular. Estas células constituem os limites entre compartimentos e funcionam como barreiras seletivas que regulam a permuta de moléculas através destas superfícies. que são conhecidas como tecidos. Deve-se notar que o termo tecido’ é empregado freqüentemente sob diversas maneiras. passar informação de uma para outra célula nervosa. mas outros tipos tão diversos. as dos ossos. como também as fibras de elastina. tecido renal. tecido pulmonar. os revestimentos epiteliais dos pulmões. Tecidos A maioria das células diferenciadas no organismo estão organizadas em grupos celulares do mesmo tipo. Circundando a camada de tecido conjuntivo. Esta matriz pode variar em consistência. o intestino é um órgão tubular longo e oco cuja superfície interna é revestida com uma camada de células epiteliais. há uma de células musculares lisas. semelhantes a tiras de borracha. ou nas paredes de diversas estruturas tubulares e ocas no interior do corpo. etc. As células do tecido conjuntivo. As células nervosas têm a habilidade de iniciar sinais elétricos e de propaga-los ao longo de seus processos. camadas. as vermelhas e brancas do sangue também pertencem a esta categoria. as células epiteliais na superfície da pele formam uma barreira que impede que a maioria das substâncias do meio externo penetrem no organismo . feixes. Tais agregados de células similares formam unidades multicelulares. Por exemplo. As fibras extracelulares formadas por estas células incluem. há uma fina camada de material extracelular protéico conhecido como membrana basal. é também empregado comumente para denotar a estrutura celular geral de qualquer órgão. circundando todo o 46 . que se prolongam de uma à outra área do organismo. cada um dos quais é em realidade constituído de todos os quatro tipos especializados de células. Sua definição formal é aquela que acaba de ser mencionada. no entanto. tiras. (3) tecido epitelial e (4) tecido conjuntivo. isto é. desde um gel semifluido até um sólido cristalino da estrutura óssea. Alguns tipos de células do tecido conjuntivo formam uma frouxa malha de células e fibras subjacentes da maioria das camadas epiteliais. muitas vezes sob a forma de uma fina rede de fibras. O sinal elétrico pode iniciar um segundo sinal em outra célula nervosa e. como. como os das células que. existem quatro classes gerais de tecidos: (1) tecido muscular. tem como principal função unir. do trato gastrointestinal e dos rins regulam a troca de moléculas entre o sangue e o ambiente. elementos do tecido conjuntivo são encontrados distribuídos em todos os órgãos do organismo. tubos. As células epiteliais estão localizadas nas superfícies que revestem o organismo ou órgãos individuais. (2) tecido nervoso. cuja atividade contrátil confere ao órgão forças para mover os conteúdos luminais ao longo do tubo digestivo. abaixo desta há uma camada de tecido conjuntivo através da qual passam os vasos sanguíneos e os feixes de fibras nervosas. Assim. Correspondendo às quatro categorias gerais dos tipos de células diferenciadas. As glândulas formadas pela invaginação da camada epitelial superficial estão também localizadas nesta lâmina de tecido conjuntivo e estão ligadas através de dutos com a superfície luminal do trato intestinal. desta maneira.células musculares lisas que circundam os vasos sanguíneos. que conferem as propriedades elásticas encontradas em vários órgãos. as células nervosas fornecem um dos principais meios de controle da atividade de outras células. Finalmente. Um agregado de um único tipo de célula especializada. Subjacente e ligada a estas células.

mas sim o liquido extracelular ao redor de cada uma delas. Inversamente. Se cada célula pode individualmente realizar as atividades fundamentais necessárias para sua própria sobrevivência. Mas. do organismo o ambiente necessário para que todas as células funcionem. quanto do sistema circulatório. o liquido “fora das células”). a bexiga e os tubos que os unem. não se encontra em contato direto com o meio externo? O suprimento de oxigênio ao fígado é função tanto do sistema respiratório (compreendendo pulmões e vias aéreas). os rins. neste. o efeito global das atividades dos sistemas de órgãos é o de criar dentro. A ameba capta o oxigênio necessário diretamente do seu ambiente e. diferentemente desta. as reações químicas envolvidas nestes processos intracelulares são acentuadamente similares nos dois tipos de células e incluem a utilização de oxigênio e a produção de dióxido de carbono. Por exemplo. que o fixa à outras estruturas. sendo a função total dos mesmos o resultado da somatória das contribuições feitas por cada uma delas. Finalmente. em verdade. são conduzidos pelo sistema circulatório desde as células que os produziram até os rins (e fígado). A urina é formada pelo movimento de moléculas através dos capilares e células epiteliais. Em outras palavras. Cada néfron é um tufo de capilares e um tubo contorcido de células epiteliais circundadas por uma camada de tecido conjuntivo que encerra os vasos sanguíneos e nervos. uma coleção de órgãos que juntamente servem a uma função global. De forma idêntica. que banha cada uma das células do corpo. Um organismo multicelular pode sobreviver 47 . o sistema circulatório conduz o dióxido de carbono originado na célula hepática e nas demais do organismo até os pulmões. qual a contribuição feita pelos diferentes sistemas de órgãos? Como nós podemos referir às funções de um sistema como sendo ‘essencial para que um organismo sobreviva como um todo “quando cada célula do organismo encerra em si mesma todas as capacidades para realizar suas atividades fundamentais? A resolução deste paradoxo é encontrada no isolamento da maioria das células de um organismo multicelular do ambiente circundante e imediato ambiente ou meio externo). permanece o fato de que células individualizadas ainda constituem as unidades básicas desta sociedade e que quase todas estas células exibem individualmente as atividades fundamentais comuns a todas as formas e vida. O “meio interno” não e meramente um conceito fisiológico teórico. Pode-se.órgão há tecido conjuntivo. cooperando entre si. possibilitam que nutrientes provenientes do exterior sejam ofertados às células. elimina o gás carbônico. os rins também regulam as a concentrações de água e de muitos minerais essenciais no plasma. mas pode ser identificado muito especialmente em termos anatômicos: o meio interno do organismo é o liquido extracelular (literalmente. os rins consistem em 2 milhões de unidades funcionais simulares conhecidas como néfrons. outros que não o gás carbônico. a ultima ordem na classificação é aquela de um sistema de órgãos. os sistemas digestivo e circulatório. quais o eliminam para o exterior. O meio interno O organismo humano pode. ser considerado como uma complexa sociedade de células de tipos muito diversos e que estão associadas e inter-relacionadas estrutural e funcionalmente em uma enorme variedade de meios. constituem o sistema urinário. Uma ameba e uma célula hepática obtêm ambas a maior parte da energia de que necessitam pela degradação de certos nutrientes orgânicos. os. Muitos órgãos são compostos de grande número de subunidades similares. Os catabolitos. O volume total de urina excretada pelos rins é a soma das quantidades formadas por cada um dos néfrons individuais. mais aqueles que da bexiga se orientam ao exterior. em sua essência. com a finalidade de executar as funções indispensáveis para que o organismo sobreviva como um todo. que capta o oxigênio do meio ambiente. para que sejam excretados para o exterior. Por exemplo. o ambiente no qual cada célula viva não é o “meio externo” que circunda o organismo. remover do organismo muitos dos diferentes tipos de células e mante-Ias em tubos de ensaio com vida independente: Há um paradoxo explícito nesta análise. No entanto. como pode a célula hepática executar os dois processos da mesma forma que a ameba se. Desta maneira. que distribui nutrientes a todas as partes do organismo. ou no interior. É deste liquido que as células recebem nutrientes e no qual excretam seus catabolitos.

as concentrações de soluto no plasma e no líquido intersticial são virtualmente idênticas. a sociedade de células que constitui o organismo humano apresenta surpreendentes similaridades a uma sociedade de pessoas (se bem que a analogia não deva ser levada muito a sério). Aproximadamente 80% do fluido extracelular circunda as células do organismo e. respiração. Devido às trocas que se dão nos capilares. síntese de proteínas. Todos os mecanismos vitais. às quais são virtualmente as mesmas para todas as pessoas. portanto. o liquido extracelular todo pode ser considerado como tendo uma composição homogênea. (2) o liquido intersticial e (3) o liquido intracelular. pela ação do coração. Cada pessoa em uma . o plasma. contribuem para a sobrevida do organismo auxiliando a manter o meio interno estável requerido por todas as células. ou 42 L. exceto para as proteínas. embora nunca permita que o indivíduo cesse ou reduza sua dedicação às atividades fundamentais necessárias à própria sobrevivência. Este conceito de um meio interno e a necessidade de manter sua composição relativamente constante é a idéia unificadora mais importante a ser mantida em mente sempre que tentamos descobrir e entender as funções e as inter-relações dos sistemas de órgãos. Estas últimas atividades especializadas constituem. nutrientes. arranje para dispor seus detritos. em conjunto. O fisiologista francês Claude Bernard foi o primeiro a descrever claramente. uma vez que a complexidade de uma sociedade organizada torna virtualmente impossível que cada indivíduo consiga seu próprio alimento. cada indivíduo participa na realização de uma destas operações e suprimentoliberaçao necessárias para a sobrevida de todos os seus componentes. Como será visto no Capitulo 11. em comum e cooperativamente com outras células de seu tecido ou sistema de órgãos. Com esta principal exceção. Dois terços da água corporal total (28 L) estão localizados no interior das células: o líquido intracelular. detritos e outros produtos do metabolismo com o liquido intersticial à medida que o sangue passa através dos capilares do organismo.sociedade complexa deve realizar para si mesma um conjunto de atividade fundamentais (comer. os processos coordenados do organismo (circulação. o fluido das células do organismo. excretar. etc. a atividade total da célula no organismo pode ser incluída em duas categorias: (1) cada célula realiza para si mesma todos aqueles processos fundamentais básicos (troca de substâncias através de sua membrana. (2) cada célula simultaneamente realiza uma ou mais atividades especializadas que.somente enquanto é capaz de manter a composição de seu meio interno em estado compatível com a sobrevivência de suas células individuais. etc). a importância central do fluido extracelular do organismo: “é a constância do meio interno que proporciona a condição de vida livre e independente. por estar situado entre as células e tecidos. dormir. Os compartimento hídricos do organismo O liquido extracelular está dividido entre dois compartimentos ou localizações gerais. etc. Sem dúvida. e assim por diante. o plasma permuta oxigênio. em 1857. como o humano. extração de energia. Uma atividade especializada.) que representam as exigências mínimas para manter sua integridade e vida individualizada. torna-se uma parte adicional de sua rotina diária. o de preservar constantes as condições de vida no meio interno”. em um indivíduo médio. por todas as partes do organismo e representa a porção dinâmica do liquido extracelular. têm um único objetivo. Em adição. Para generalizar um pouco mais. O terço restante da água corporal total 14 L) constitui os dois líquidos extracelulares: 80% são intersticiais (11 L) e 20% são plasma (3 L). 48 . mais freqüentemente. é conhecido como fluido ou liquido intercelular ou. Para resumir. Os restantes 20% do liquido extracelular constituem a porção fluida do sangue. pode-se considerar que o organismo humano contém três compartimentos hídricos: (1) o plasma sanguíneo. a qual é responsável por aproximadamente 60% do peso corporal normal. intersticial. digestão. O principal componente molecular de todos os três compartimentos é a água.) que são típicos dos organismos multicelulares. O plasma sanguíneo circula continuamente. por mais variados que sejam.

Em um outro extremo do espectro organizacional. Por exemplo. a maior parte da biologia celular é anualmente referida como biologia molecular em reconhecimento do objetivo final. Também enfatizamos a fisiologia celular desde o inicio. para proceder a uma análise da fisiologia celular básica. respiração. de tal maneira que qualquer modificação (ou modificação iminente) no meio interno automaticamente desencadeia uma série de eventos. Independentemente do seu’ nível de complexidade organizacional. ‘instruções’ devem ser enviadas às células dos diversos tecidos e órgãos (particularmente células musculares e glandulares) no sentido de orientá-las para que aumentem ou diminuam suas atividades. a terceira parte do livro descreve como as diversas funções coordenadas do organismo (circulação. como o do homem. O que determina a quantidade de açúcar a ser transportado através da membrana celular? Que proporção deste açúcar. o sistema nervoso detecta a alteração e aumenta suas informações ou instruções para os músculos esqueléticos responsáveis pelos movimentos respiratórios. constituem as bases sob as quais Se desenvolve a especialização dedicamos a primeira parte deste texto sobre o animal humano. alcançar grande sucesso. caso uma modificação esteja por ocorrer. A informação sobre todos os aspectos importantes dos meios externos e interno deve ser continuamente monitorizada. com base em seu conteúdo. os dois conhecimentos são inseparáveis. etc. esta informação deve ser integrada e. De maneira idêntica. Em qualquer organismo multicelular. quando (por qualquer razão) a concentração de oxigênio no organismo diminui significativamente abaixo do normal. o resultado é um aumento compensatório na captação de oxigênio pelo organismo e a restauração ao normal da concentração interna. Portanto. Assim. estes dois sistemas contribuem para a manutenção da vida do organismo através do controle das atividades de seus componentes. mas também dos mecanismos que os controlam. Visto que os aspectos fundamentais da função celular são compartilhados por virtualmente todas as células e além disso. ultimamente. nenhum sistema vivo pode existir sem que possua mecanismos precisos para controlar suas diversas atividades. Cada um dos processos fundamentais realizados pela célula (ameba ou célula hepática) deve ser cuidadosamente regulado.) resultam de atividades precisamente controladas e integradas de células especializadas agrupadas em tecidos e órgãos. O exemplo acima é análogo ao de certos sistemas em engenharia como o que mantém constante a concentração de oxigênio em um submarino. estes reguladores intracelulares básicos permanecem. a temperatura corporal é regulada por um sistema cujos princípios básicos são quase iguais aos de um sistema controlado por termostato. mas a existência de uma multidão de diferentes células organizadas em tecidos e órgãos especializados obviamente impõe a necessidade de mecanismos regulatórios globais. Estes são conhecidos como sistemas de controle. uma vez no interior da célula. Em verdade. Esta transmissão e integração de informação é realizada principalmente (se bem que não exclusivamente) pelos sistemas nervoso e hormonal. que é explicar todos os processos celulares em termos de interações entre moléculas de estrutura conhecida. O tema destas descrições é o de que cada uma destas funções coordenadas (com a óbvia exceção 49 . Justificativa e explanação Com este ponto de referência em mente. que culminam com a remoção da alteração ou conduzem a um estado de preparação antecipada. uma vez que a análise dos fenômenos celulares em termos de princípios físico-químicos mostrou. que mantém uma casa a uma temperatura especifica. a organização global e a abordagem empregada neste livro poderiam ser facilmente entendidas.A importância do controle Implícito na vida está o controle. Sem dúvida nenhuma. um entendimento da fisiologia celular requer que tenhamos não somente conhecimento dos processos básicos. será utilizado como energia ou transformado em gordura ou proteína? Quanta proteína de cada tipo será sintetizada e em que momento? Que tamanho deverá a célula atingir durante seu crescimento e quando deverá dividir-se? A lista é quase interminável.

não está completamente abandonado. Primeiro.a manutenção de um meio interno estável. os sistemas de controle são analisados em termos gerais. A evolução é a chave para entender porque a maioria das atividades do organismo parecem ter indubitavelmente um propósito.o feitor poderá sentir-se livre para seguir as linhas ou trajetórias especificas . No decorrer das apresentações que analisaremos neste livro. explicá-los em seus mínimos detalhes com base em leis físicas e químicas e nega a necessidade de utilizar qualquer “força vital” diferente da matéria e energia para explicar a vida. causaria uma enfermidade ou mesmo a morte? Está correto.células nervosas. portanto. os quais resultam na seleção daquelas respostas que tenham valor para a sobrevivência. de alguma forma mística. Por outro lado. que estimulara as glândulas sudoríparas as quais aumentara a produção de suor. através da interação destes caracteres . Em Segundo lugar. musculares e glandulares).e o tema ou tópico central . Acreditamos que mesmo essa área terá um dia uma análise físico-química. a maior parte desta seção é destinada aos principais componentes dos sistemas de controle (células nervosas. as necessidades da casa. da palavra ‘porque”. Mecanismo e causalidade A opinião mecanicista procura. Em ciência. por ter caído abaixo do ponto de referência do termostato. a ocorrência automática de uma seqüência de eventos iniciados pelo aumento da produção de calor: o aumento da produção de calor aumentou a temperatura do sangue aumentou a atividade de células nervosas especificas no cérebro aumentou a atividade de uma série de células nervosas. nas quais estamos quase totalmente desprovidos de hipóteses para explicar fenômenos como o pensamento e a consciência em base físico-química. O homem é uma máquina . Infelizmente. são salientadas também as bases físico-químicas das atividades celulares especializadas e as intenções entre elas. Mas ela não é. é fácil interpretar erroneamente esta relação. em termos de um sistema de controle similar àqueles mais familiares em engenharia. mas considerarmos também que seria pouco científico com base nos conhecimentos atuais exclui-la. Uma vez familiarizado com a importância dos caracteres principais . com a finalidade de enfatizar que os princípios básicos que governam virtualmente todos eles são os mesmos. Se não fosse eliminado. independentemente da complexidade dos fenômenos. musculares e glandulares . Temos destacado que o denominador comum dos processos. o fato de um fenômeno ser benéfico para a pessoa torna-o de considerável interesse e importância. uma vez que o excesso de calor. uma explicação no sentido científico da palavra. a origem evolucionária e a composição físico-química do meio interno são apresentadas.da reprodução) serve para manter algum aspecto importante do meio interno relativamente constante e pode ser descrito. explicar um fenômeno exige sua redução a uma seqüência de acontecimentos físico-químicos. fisiológicos é sua contribuição para a sobrevivência. mas apesar de tudo apenas uma máquina. Todavia. enfatizaremos como um processo particular contribui para a sobrevivência. É claro que a caldeira está acesa não porque perceba. A segunda parte do livro dá os princípios e a informação necessários para reduzir a distância entre estes dois níveis organizacionais. É a mesma coisa que dizer “a caldeira está ligada porque a casa necessita ser aquecida”. a afirmação de que “durante o exercício uma pessoa transpira porque seu organismo necessita liberar-se do excesso de calor produzido”. não sendo de surpreender que relute em permanecer em áreas como a neurofisiologia. a célula e o corpo. opinião oposto ao mecanicismo. resultou na ligação da corrente elétrica para acionar o aquecedor. por exemplo. Este é o significado científico de causalidade. Esta opinião predominou no Século XX porque quase toda a informação obtida através da observação e experimentação concordava com ela. Finalmente. Cada um destes passos ocorre por meio de alterações físico-químicas nas células envolvidas. mas o leitor não deve nunca confundir este 50 . mas simplesmente porque a temperatura. A causa da sudorese foi.circulação respiração etc. Não seria correto dizer que a sudorese serve realmente a um propósito útil. Este tipo de afirmação constitui um exemplo de teleologia. mas é totalmente diferente da afirmação de que uma necessidade para evitar a injúria causou a sudorese. o vitalismo. Isto é atribuível aos processos evolucionários. na qual a explanação dos eventos é feita em termos de propósitos. na verdade. Considere.uma máquina enormemente complexa.

Ela compreende os músculos que estão ligados ao esqueleto e que são responsáveis pela movimentação do corpo. ocorreu um grande desenvolvimento dos órgãos dos sentidos. PARTE II Potenciais de Membranas. os quais representariam as moléculas filamentosas de actina. Ela pode ser comparada a um disco de madeira cravado de pregos. uma zona mais clara chamada zona H. que se alternam ao longo de seu comprimento. dependendo do grau de contração do músculo. dentre as quais destaca-se a reprodução. ainda. Essas faixas resultam de uma disposição altamente organizada das moléculas de actina e miosina. O sistema muscular Os vertebrados são dotados de três tipos de tecidos musculares: o tecido muscular liso. Os carnívoros. A fibra muscular estriada O músculo estriado esquelético é formado pelas fibras musculares estriadas. responsável pelo controle de muitas das atividades dos vertebrados. Essa zona pode aparecer mais estreita ou mais larga. Ela é denominada sarcômero. denominada linha Z. Neste capítulo estudaremos a estrutura dos Sistemas muscular. excitação e ritmicidade. A banda I apresenta em sua região central uma linha bem evidente.valor de sobrevivência de um processo com a explicação dos mecanismos pelos quais o processo ocorre. nervoso e sensorial. A coordenação e integração entre esses sistemas é que lhes garante a sobrevivência. estruturas resultantes da fusão de inúmeras células. A banda A possui. sincícios celulares. Sentidos aguçados percebem o ambiente. A linha Z é.. Os herbívoros desenvolveram. em sua porção mais central. Sarcômero. Este analisa as informações e envia ordens para os músculos. por sua vez. 51 . passando as informações ao sistema nervoso. as quais são muito alongadas e multinucleadas. isto é. 2. na realidade. O citoplasma de uma fibra muscular é totalmente preenchido por uma enorme quantidade de filamentos. Nesse contexto. Os músculos esqueléticos têm contração voluntária. Introdução A estratégia evolutiva dos animais desenvolveu-se no sentido de aprimorar cada vez mais a capacidade de localizar e capturar alimento. 1. do sistema nervoso e dos músculos desses animais. Estudaremos também o sistema endócrino. As estrias mais claras das fibras musculares são conhecidas como bandas (ou faixas) I e as mais escuras como bandas (ou faixas) A. a unidade de contração A região compreendida entre duas linhas z é a unidade estrutural do músculo estriado. são elas que conferem o aspecto estriado típico dos músculos esqueléticos. que as efetuam. Potenciais de ação. a capacidade de fugir de seus predadores. evoluíram no sentido de localizar e caçar suas presas cada vez com maior eficiência. bem como a sua interação no sentido de coordenar e integrar os movimentos do corpo. constituídos principalmente por moléculas das proteínas actina e miosina. As miofibrilas apresentam faixas transversais claras e escuras. Essas fibras são. na verdade. o tecido muscular estriado cardíaco e o tecido muscular estriado esquelético A estrutura do músculo estriado esquelético A musculatura estriada esquelética constitui a maior parte do volume muscular corpóreo. Esses filamentos são chamados de fibrilas musculares ou miofibrilas. um disco onde se inserem filamentos de actina.

reservatório secundário de energia O ATP gasto durante a contração muscular é rapidamente reposto. será logo refosfatada a. transformando-o em ATP. ATP. Creatina-fosfato. graças a uma substância denominada fosfato de creatina ou fosfocreatina.No centro do sarcômero. São eles que aparecem no microscópio como uma faixa mais escura. evitando que elas se liguem às actinas. a membrana é polarizada. O músculo então enrijece e não mais se movimenta. A energia liberada nessa reação é utilizada para “puxar” os filamentos de actina em direção ao centro do sarcômero. todas as miofibrilas presentes no interior da fibra muscular contraem-se simultaneamente. de reservatório secundário de energia para a contração muscular. decorrente do deslizamento das moléculas de miosina sobre as de actina. portanto. a chamada banda A. É isso que causa a rigidez do corpo logo após a morte (rigormortis). ele resulta de alterações nas cargas elétricas das superfícies interna e externa da membrana plasmática da célula nervosa. ele se une às moléculas de miosina. 3: O sistema nervoso O impulso nervoso Os neurônios são células especializadas na condução do impulso nervoso através do corpo dos animais. As extremidades de cada filamento de miosina ficam entre as pontas dos filamentos de actina. O impulso nervoso é de natureza elétrica. causando a diminuição do tamanho do sarcômero. A creatina. É exatamente isso que ocasiona a contração muscular. Potencial de repouso Em um neurônio em repouso. Nessa condição. A presença de íons de cálcio livres no citoplasma da fibra muscular faz com que as miosinas quebrem moléculas de ATP ligadas a elas. agora sem fosfato. Essa substância transfere seu grupo fosfato energético para o ADP. provocando seu encurtamento e a consequente contração do músculo. Fatores necessários para a contração Duas condições são necessárias para que os filamentos de miosina deslizem sobre os de actina e a contração muscular ocorra: a presença de ATP e de íons de cálcio. Quando o ATP está disponível. ou creatina-fosfato. dependendo da presença ou não do cálcio. isto é. O aumento da concentração de íons de cálcio no interior do sarcômero é.muscular A contração de um músculo estriado ocorre quando o comprimento de suas fibras musculares diminui. Nesse caso. Nessa condição. Isso é causado pelo encurtamento das miofibrilas. partir do ATP produzido na respiração celular A creatina-fosfato desempenha o papel. fonte direta de energia para a contração A falta de ATP faz com que as moléculas de miosina se unam fortemente às de actina. que acontece pelo estreitamento do sarcômero. A fisiologia da contração. as placas Z se aproximam. sua superfície externa é positiva em relação à interna. O estímulo para a contração (impulso nervoso) chega à fibra muscular e estimula as bolsas do retículo endoplasmático (sarcoplasmático) a liberarem íons de cálcio. o disparador da contração muscular. Essa diferença de potencial entre os lados externo e interno da membrana é chamado potencial despouso. O deslizamento dessas moléculas umas sobre as outras faz com que a distância entre os dois discos Z (que delimitam o sarcômero) diminua. os filamentos podem deslizar livremente uns sobre os outros e os músculos podem se contrair ou se distender. 52 . estão os filamentos de miosina. portanto.

Outros nervos contêm apenas fibras motoras. portanto. Essas fibras ligam-se à medula separadamente: as motoras formam a raiz ventral e as sensitivas. da medula ou de um gânglio até os órgãos efetuadores. Os nervos espinais são mistos. Já a substância branca é formada por fibras nervosas. faz com que sejam liberadas substâncias. espalhando-se por todo o. Nervos são conjuntos de fibras nervosas (dendritos. isto é. Existem ainda os nervos que contêm os dois tipos de fibras. gerando nela um novo impulso. o sistema nervoso compreende também os nervos. Qualquer estímulo acima dessa intensidade (limiar de excitação) gera um impulso nervoso. ou ambos) envolvidos por um tecido conjuntivo que contém vasos sanguíneos para sua nutrição. na forma de uma onda de despolarização. e necessário que o estimulo tenha uma intensidade mínima (limiar). por isso. apresentando tanto fibras sensitivas quanto motoras. chamadas mediadores químicos.Potencial de ação Quando um neurônio é estimulado. desde que seja acima do limiar. a raiz dorsal.a medula espinal ou o cérebro.5 milésimo de segundo e provoca a despolarização em uma região imediatamente adjacente. A região acinzentada desses órgãos é constituída por corpos celulares dos neurônios. A diferença de potencial entre os lados externo e interno e nesse caso de potencial de ação. que partem do cérebro. Os nervos que partem do cérebro são denominados nervos cranianos e os que saem da medula são chamados nervos espinais. de ser elétrico e passa a ser químico. que levam o impulso nervoso do cérebro. o impulso deixa. alguns atingindo mais de 1 metro de comprimento. isto é despolariza-se ficando o exterior negativo em relação ao interior. Dessa maneira o impulso propaga-se ao longo da célula nervosa. uma pequena região de sua membrana inverte a polaridade. O impulso nervoso gerado nos dendritos propaga-se pelo neurônio. Os nervos podem ser muito longos. abaixo da qual a célula nervosa não respondera. Gânglios e nervos A maioria dos corpos das células nervosas dos animais vertebrados encontra-se agrupada no cérebro e na medula espiral. ao chegar às terminações de um axônio. ou responde de maneira plena. Nesses casos eles se encontram agrupados nos chamados gânglios nervosos. A despolarização de cada região particular da membrana plasmática dura apenas cerca de 1. Mediadores. Existem. axônios. ramificando-se nas proximidades do local que irão inervar. que estimulam os dendritos da célula seguinte. químicos O impulso nervoso. corpo do indivíduo. Fibras sensitivas e motoras Alguns nervos contem apenas fibras sensitivas isto e dendritos que trazem o impulso nervoso ate o gânglio . da medula e dos gânglios nervosos. que são os axônios e os dendritos. Além disso. Para gerar um impulso nervoso. O potencial de ação e a velocidade de transmissão do impulso gerado no neurônio são sempre os mesmos. As raízes sensitiva e motora juntam-se em um único nervo. que se propaga até a extremidade do axônio. corpos de neurônios fora do cérebro e da medula espinal. em lei do tudo ou nada: ou o neurônio não responde ao estímulo. 53 . até a extremidade do axônio. no entanto. axônios. Lei do tudo ou nada Não importa qual a intensidade do estímulo. Nas sinapses nervosas. Falase.

A função desses neurônios é estabelecer a relação entre as fibras sensitivas (ou aferentes) e as fibras motoras (ou eferentes). os impulsos chegam até um gânglio espinal. inervando a musculatura involuntária. em geral. o qual é dividido em somático (ou voluntário) e visceral (ou autônomo). Vias simpáticas e parassimpáticas A diferença entre uma via nervosa simpática e uma parassimpática está na posição do gânglio nervoso que as vias autônomas sempre possuem. que o transmitem às extremidades sensitivas de nervos espinais. O SNP somático controla a musculatura voluntária. Através desses nervos. o gânglio localiza-se perto do SNC (cérebro e medula). Embora a resposta rápida seja inconsciente. Ela acontece. inconsciente e muito rápida. PARTE III Função das Sinápses Nervosas e das Junções Mioneurais A Coordenação nervosa Cientistas norte-americanas anunciaram a confirmação da teoria de que o cérebro armazena memórias através de conexões entre as células nervosas ligadas aos órgãos dos sentidos. perto (ou mesmo dentro) do órgão nervado. é mais rápido do que a resposta cerebral. Os músculos então se contraem e o indivíduo. num reflexo inconsciente.As raízes dorsais dos nervos espinais apresentam. As fibras nervosas simpáticas e parassimpáticas distribuem-se por todo o corpo. No caso do SNPA simpático. O responsável pela transmissão do estimulo ao cérebro são os neurônios medulares. por ser medular. estando ligado aos músculos estriados esqueléticos. cada uma delas. por exemplo. no interior do qual se situam os corpos celulares dos neurônios sensitivos. Os gânglios e os nervos constituem o sistema nervoso periférico (SNP). O sistema nervoso periférico autônomo O SNP autônomo (SNPA) é dividido em dois ramos chamados simpático e parassimpático. Anatomia e fisiologia do sistema nervoso O cérebro e a medula espinal constituem o sistema nervoso central (SNC) e estão protegidos. Já no SNPA parassimpático. que se comunicam com os neurônios associativos. As fibras motoras que partem da medula conduzem o impulso até os órgãos efetuadores que. Isso ocorre quando o estímulo chega ao cérebro. um pequeno gânglio (gânglio espinal). o indivíduo logo toma consciência do que lhe aconteceu. Richard 54 . O arco reflexo: um exemplo de ação do SNP somático O arco reflexo é uma ação nervosa medular. Neurônios associativos As terminações das fibras sensitivas que penetram na medula fazem sinapse com pequenos neurônios chamados de associativos. quando nos espetamos ou quando tocamos uma superfície quente. o gânglio localiza-se longe do SNC. de onde passam para a medula. são músculos. Ele é de grande importância em casos que exijam reações rápidas em situações potencialmente perigosas. O estímulo é percebido por células sensoriais da pele. respectivamente. pela caixa craniana e pelas vértebras. afasta-se do agente que desencadeou a reação. O arco reflexo simples. principalmente a dos órgãos viscerais.

exclusivo dos animais.Coordenação nervosa nos invertebrados As esponjas não apresentam células nervosas típicas. os neuro-hormônios ou mediadores químicos. formando uma cabeça que recolhe informações do ambiente. encontramos uma simetria bilateral. Nos outros invertebrados. aracnóide e piamáter). não há perfeita continuidade entre as membranas de ambas. da Universidade de Illinois (nordeste dos EUA). que emitem nervos para o resto do corpo. 55 . constitui um meio mais rápido de comunicação do que o sistema hormonal. pois já possuem uma rede de neurônios. contribuindo para o equilíbrio do organismo. mas nos artrópodes e anelídeos. A centralização do sistema nervoso Nos outros invertebrados. há uma pequena distância entre as duas células envolvidas. causadas pela entrada de íons sódio e pela saída de íons potássio. formando uma cadeia ganglionar ventral.como os animais -. 2 . Já os cnidiários apresentam um sistema nervoso difuso. Os cientistas constataram que havia mais conexões entre os neurônios dos coelhos que haviam aprendido a pestanejar em resposta ao som. os gânglios cerebrais. Desse modo. Nos animais superiores.dotados de nutrição heterotrófica e mobilidade. surge uma série de alterações elétricas em sua membrana. 2/11/89 O sistema nervoso. Como esses mediadores estão acumulados somente no final do axônio a transmissão do impulso ocorre ‘sempre do axônio de um neurônio para o dendrito ou para corpo celular do neurônio seguinte. essas mensagens são interpretadas e armazenadas no cérebro. fechando esses poros.Thompsom. que recolhem informações vindas de todas as direções. 1 . que caminham por nervos mais rapidamente que os hormônios pelo sangue. que constituem o impulso nervoso. Quando um neurônio é estimulado. o sistema nervoso segue mais ou menos o mesmo padrão.ventral e maciço . Na planária (platelminto). além de coordenar as diversas funções. Alguns dos animais foram condicionados a pestanejar cada vez que uma campainha era acionada. o sistema nervoso é peça importante para que seres vivos . Assim. mas ainda não há um controle central das mensagens. Essas alterações. há dois cordões nervosos . com uma dilatação o encéfalo. pois vale-se de mensagens elétricas. Desses gânglios saem dois cordões nervosos ventrais. e um prolongamento dorsal. Folha de São Paulo. a medula. isto é. Essas duas partes estão protegidas por ossos (o crânio e a coluna vertebral) e por três membranas conjuntivas.O sistema nervoso dos vertebrados Nos vertebrados o sistema nervosos é centralizado. que facilita o deslocamento Esta simetria é acompanhada pela formação do sistema nervoso centralizado: os órgãos dos sentidos se concentram na região anterior do corpo. a cabeça possui olhos primitivos e gânglios bem desenvolvidos. sempre começam nos dendritos e caminham do corpo celular para o axônio. região de contato entre dois neurônios. utilizaram 15 coelhos em seu trabalho. Esses animais são fixos ou com pouca mobilidade e apresentam simetria radiada. Na sinapse. A passagem do impulso nervoso nessa região é feita por substâncias químicas. as meninges (dura-máter. possam reagir de modo rápido a estímulos do meio ambiente. da Universidade do Sul da Califórnia (oeste dos EUA). Entre as meninges e as cavidades do sistema nervoso circula o liquido cefalorraquidiano. à medida que o animal se desloca. com órgãos sensoriais distribuídos pela periferia do corpo.e o sistema nervoso central não possui cavidades em seu interior. o sistema nervoso da maioria dos invertebrados é duplo. os cordões apresentam pares de gânglios que se repetem ao longo do corpo. com a acetilcolina e a noradrenalina. Há apenas algumas células musculares que guarnecem os poros de seu corpo e que são capazes de se contrair quando estimuladas. e William Greenough.

A organização do encéfalo E Durante o desenvolvimento do embrião o encéfalo produz três dilatações: o cérebro anterior ou prosencéfaio. Os impulsos motores que saem do cérebro passam pelo cerebelo. a produção de suor. que saem da medula. por exemplo. nos vertebrados superiores esta região desenvolve-se cada vez mais. controlados pelo bulbo. muito desenvolvidos nos primeiros vertebrados. o hipotálamo controla a produção dos hormônios da hipófise anterior e produz. Do cérebro anterior saem duas protuberâncias. Há. a conservação da água do corpo. que recebem nervos do nariz. Essas dilatações. estejam à frente dos outros 56 . E justamente esse aumento que faz com que os mamíferos. que promove os ajustes necessários aos movimentos do corpo. ele próprio. e duas dilatações. os hemisférios cerebrais estão especializados principalmente em receber sensações olfativas. fome. os lobos ópticos. A evolução do encéfalo O desenvolvimento de cada uma das partes do encéfalo varia em cada grupo de vertebrados. o córtex. As funções do encéfalo Nos mamíferos. Dele partem os nervos cranianos que saem do encéfalo e os nervos raquianos. produzem dobras e sofrem espessamentos em certos locais. formada por prolongamentos dos neurônios que saem do córtex ou que chegam até ele. a partir dos répteis.que funciona como proteção adicional. No hipotálamo há centros nervosos que controlam a pressão do sangue. O espessamento de algumas áreas produz o tálamo e o hipotálamo. o dos mamíferos é enrugado. amortecendo os movimentos do corpo. dos tendões. regressão dos lobas olfativos. especialmente o homem. e do cérebro posterior surgem o bulbo. Enquanto nos primeiros vertebrados. as sensações de sede. O tálamo funciona como centro de retransmissão de impulsos que vêm dos órgãos dos sentidos para os hemisférios cerebrais. os hemisférios cerebrais. Do cérebro médio formam-se duas projeções. o bulbo funciona como um centro de controle dos movimentos respiratórios e do tubo digestivo. por sua vez. formando-se assim as diversas partes do encéfalo. alguns hormônios que são armazenados na neurohipófise antes de serem lançados no sangue. formado por um grande número de corpos celulares de neurônios. O córtex passa a ser o local de controle dos atos conscientes e voluntários. pode-se observar uma camada externa. das articulações e dos órgãos de equilíbrio. que têm movimentos rápidos e precisos. o que aumenta sua área em relação às das outras camadas. recebendo impulsos dos músculos. que é pouco desenvolvido nesses animais. nas aves e mamíferos. O conjunto desses nervos e os gânglios nervosos formam o sistema nervoso periférico. onde ele é importante no controle dos movimentos do vôo. ponte ou cerebelo. além de controlar os batimentos cardíacos. coordenando os movimentos do corpo e o tônus muscular. Além disso. o cérebro médio ou mesencéfalo e o cérebro posterior ou romboencéfalo. formando sulcos e circunvoluções. raiva e prazer e. nos quais o olfato é o sentido mais importante e pouco desenvolvidos nos vertebrados superiores. Enquanto o córtex dos répteis e aves é liso. como é o caso dos peixes. os lobos olfativos. a ponte ou protuberância e o cerebelo. O encéfalo e a medula formam o que se chama sistemia nervosa central. Além disso. O cerebelo trabalha em conjunto com o cérebro. que lhe conferem cor cinzenta. assumindo o controle de quase todas as atividades do organismo. a temperatura do corpo. uma vez que a maior parte de suas atividades é formada por atos reflexos simples. enquanto a camada inferior é branca. É o caso das aves. O cerebelo é muito desenvolvido em vertebrados superiores. O oposto acontece com o cérebro.

A medula A medula possui uma substância cinzenta situada internamente e uma substância branca em posição externa Pela região ventral da substância branca saem prolongamentos dos neurônios motores. encontram-se neurônios sensitivos encarregados de receber os estímulos externos. Por exemplo. podendo ou não ir depois para a memória a longo prazo. então. Os dois tipos funcionam de forma integrada: um evento tem que ser estocado primeiro na memória a curto prazo. que é uma doença. já na memória a longo prazo. a memória consistiria de circuitos especiais de neurônios: ao se aprender algo. O neurônio motor. leva a resposta do estímulo a um órgão efetor. observando-se então que eleitos isso produzia nos animais. em que a atividade elétrica aumenta. ocorrem diversas sinapses entre neurônios que chegam e saem do sistema nervoso central. Embora se aceite que o sono seja importante para a recuperação física e concentração mental. Não se sabe. Mesmo assim o EEG pode ser útil. que pode ser um músculo ou uma glândula. Nesses períodos ocorrem rápidos movimentos dos olhos e. relacionadas ao pensamento simbólico. há prolongamentos dos neurônios sensitivos. Esse encadeamento de neurônios chama-se arco reflexo. são levados ao cérebro ou à medula. a cada noventa minutos. utiliza-se o EEG para detectar tumores e certas doenças como epilepsia. porém. há curtos episódios. Para alguns. O eletroencefalograma Através de eletrodos presos ao couro cabeludo pode-se registrar a atividade elétrica do cérebro. de modo que cada coisa aprendida seria armazenada em uma sub-rede dentro da imensa rede dos dez bilhões de neurônios do cérebro. como no encéfalo. Através desses dados foi possível “mapear” grandes regiões do córtex. Esse registro. à linguagem e ao raciocínio lógico. que. OP mais ou menos. ela sempre consegue relatar o que estava sonhando.um número de telefone que discaremos daqui a pouco. por exemplo. pois o Córtex pode assumir novas funções. o paciente movia determinadas partes do corpo. o que não costuma ocorrer fora desses períodos. Além disso durante certas cirurgias no cérebro humano. No entanto. que mecanismos estariam envolvidos nestes processos. a informação poderia ser armazenada por tempo definitivo. cujos corpos celulares se acham no interior de gânglios. onde passam para o neurônio motor. seria relativamente permanente. O conhecimento das regiões do córtex que comandam cada parte do corpo tornou-se possível graças a experiências com animais: nessas experiências eram removidas ou danificadas certas regiões. de modo semelhante à vigília. em casos de anormalidade grave. suspeita-se. Quando certos locais eram estimulados. Os mamíferos têm dois tipos de memória: na memória de curto prazo a informação é estocada temporariamente no cérebro e nos permite lembrar algo apenas por algumas horas ou menos . O EEG mostra que a atividade elétrica do cérebro persiste durante o sono. Nos órgãos sensoriais. e o tipo de resposta involuntária e automática que ocorre quando um impulso segue este caminho denomina- 57 . Na medula. Além disso ela é a sede de diversos atos reflexos e via sensitiva e motora dos impulsos que se dirigem ao encéfalo ou que saem dele. chamado eletroencefalograma (EEG). os neurônios envolvidos formariam novas ligações ou sinapses entre si. fornece uma idéia bastante grosseira do que ocorre no cérebro.animais em inteligência. o uso de anestesia local permitiu que se estimulasse com eletrodos certas regiões do cérebro. os sonhos: se uma pessoa for acordada nesse momento. por intermédio dos neurônios de associação. embora com ondas mais lentas que na vigília. discute-se qual a verdadeira função dos sonhos. como olhos e ouvidos. de causa desconhecida. quando há uma grande alteração no funcionamento do cérebro. O indivíduo afetado por epilepsia pode ter convulsões ou perder temporariamente a consciência. Pela região dorsal. isto é. transformados em impulsos nervosos. caracterizada por uma atividade excessiva e incontrolada de uma parte do encéfalo. que duram de cinco a vinte minutos. ou experimentava a sensação de ouvir um ruído ou de perceber luz.

os nervos parassimpáticos saem do bulho e da extremidade final da medula. o sistema nervoso simpático libera noradrenalina. Algumas fibras do sistema nervoso simpático estimulam também a medula da supra-renal. pode-se dizer que o sistema simpático estimula os órgãos que preparam um animal para enfrentar um perigo deixando-o pronto para lutar ou fugir. O coração por exemplo é estimulado pelo simpático e inibido pelo parassimpático. é formado pelos neurônios que recebem mensagens de receptores situados em nossos órgãos internos. De modo geral. o sistema nervoso simpático transforma o glicogênio armazenado no fígado e nos músculos em glicose. O efeito de cada um desses sistemas varia de órgão para órgão. Desse modo. secreção de glândulas etc. ou então no interior dos próprios órgãos. Em outras palavras: o sistema nervoso somático controla nossa vida de relação com o ambiente. por sua vez. com outros neurônios encarregados de levar a mensagem aos órgãos. no qual apenas dois neurônios estão em jogo. A maioria dos órgãos controlados pelo sistema nervoso autônomo recebe dois tipos de nervos: um que estimula e outro que inibe o funcionamento do órgão. Em outras palavras: o sistema nervoso autônomo é responsável. Cada nervo é formado por dezenas e até centenas de prolongamentos de neuróticos. pressão arterial. Outros passam primeiro por gânglios nervosos situados de cada lado da coluna vertebral. isto é. Assim. motores e mistos (estes últimos contêm tanto fibras sensitivas quanto motoras). produzido no córtex das supra-renais) reforçam a ação do 58 . nervos sensitivos. Os nervos simpáticos originam-se na região mediana da medula. com os hormônios. O sistema nervoso autônomo. que produz adrenalina e noradrenalina.se ato reflexo. Esse antagonismo permite um controle mais preciso do funcionamento de cada órgão. há 31 pares de nervos raquianos. ao mesmo tempo que. portanto. geralmente voluntárias. Além disso. diminui a irrigação em órgãos que não necessitam de muito sangue durante o perigo. Há. O número de nervos raquianos varia para cada grupo de vertebrados. Todos esses neurônios estão organizados na forma de arcos reflexos. O Sistema nervoso periférico O sistema nervoso periférico forma-se por gânglios nervosos e por nervos cranianos e raquianos que saem do encéfalo e da medula. por meio de sinapses. um mediador químico que aumenta a pressão sanguínea e desvia sangue para os músculos e para o cérebro. pelo controle da homeostase. nos répteis. levando-os ao sistema nervoso central e depois aos músculos lisos. como vimos. são locais em que os prolongamentos dos neurônios que vem do cérebro e medula entram em contato. por contração das arteríolas. as fibras nervosas (dendritos ou axônios) que levam e trazem impulsos do encéfalo da medula e dos gânglios. de forma involuntária nossa vida vegetativa: digestão. o sistema nervoso autônomo controla. O sistema nervoso periférico pode ser dividido em duas partes: o sistema nervoso somático e o sistema nervoso autônomo ou vegetativo O sistema nervoso somático é formado por receptores que captam as mensagens do ambiente externo e por neurônios que recebem e levam essa mensagem ao sistema nervoso central e depois aos músculos esqueléticos. Um exemplo conhecido é o do arco reflexo simples. glândulas e músculos cardíacos. Alguns nervos saem da medula ou do cérebro e se dirigem diretamente para os órgãos. Portanto. Numa situação de perigo ou considerada perigosa pelo animal. batimentos cardíacos. liberando-a no sangue. respectivamente. Já com a musculatura do tubo digestivo ocorre o contrário. Nos gânglios encontram-se neurônios localizados fora do sistema nervoso central. excreção. esse sistema nervoso controla nossas respostas ao ambiente externo. como a pele ou os rins (as arteríolas da pele. no joelho (reflexo patelar). Esses hormônios (juntamente com o cortisol. há doze pares. nas aves e nos mamíferos. o sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e parassimpático --um funciona como “chicote” e o outro como “freio”. Esses gânglios funcionam como pequenas estações nervosas. por se contraem e o indivíduo fica pálido de medo). No homem. Há dez pares de nervos cranianos nos peixes e anfíbios.

Os anfíbios possuem coração com três câmaras: dois átrios e um ventrículo. e completa. Nas aves e nos mamíferos. mas em menor quantidade do que nos anfíbios.sistema nervoso simpático. nos répteis ainda há mistura de sangue arterial e venoso no coração. e nele não há mistura de sangue. através dos quais ocorrem as trocas de substâncias entre o sangue e as células dos tecidos. As modificações que surgem no corpo devido ao estado de alerta ou de tensão não podem ser mantidas por muito tempo sem grande prejuízo para o organismo. O sistema circulatório dos vertebrados é fechado. vasos de diâmetro microscópico. pois não há mistura de sangue arterial com venoso no coração. Nos peixes. ou circulação pulmonar. o sangue passa 59 . reiniciando o ciclo. É um órgão muscular que impulsiona o sangue para vasos denominados artérias que. Ë característico dos vertebrados terrestres a dupla circulação: a pequena e a grande circulação. Distingue-se. as artérias são vasos que saem do coração. Os ventrículos. No coração dos peixes. formando capilares nas brânquias. tomando-se arterial. o coração como órgão central da circulação. existem os capilares. O sangue proveniente das várias partes do corpo é conduzido ao coração através das veias. Na dupla circulação dos vertebrados. A circulação é simples. como outros animais. Portanto. submete o homem diariamente a tensões e a problemas. indo para os pulmões. tanto mentais quanto físicos. são incompletamente divididos. exceto nos crocodilianos. o coração consiste em duas câmaras: o átrio e o ventrículo. o que está relacionado à endotermia. Como não há mistura de sangue arterial e venoso no coração. A circulação em que há essa mistura de sangue no coração é chamada de incompleta. e os produtos do metabolismo destas são recolhidos. Isso provoca stress constante e excessivo que pode acarretar muitos problemas. enquanto as veias são vasos que chegam ao coração. circulação das aves e dos mamíferos é completa. A circulação nesses animais realiza-se do seguinte modo: do ventrículo o sangue é impulsionado para uma artéria que se ramifica em 4 ou 5 pares de artérias branquiais que. a. No coração dos répteis existem dois átrios e dois ventrículos. alimento e oxigênio são levados para as células. Na pequena circulação. retornando ao coração como sangue venoso. Circulação nos vertebrados O sistema circulatório tem como função primordial o transporte de substâncias no interior do corpo dos animais. úlceras e hipertensão tenham forte influência do stress. rnuitos dos quais não se pode resolver. preparando o animal para enfrentar o perigo. porém. aumentando a duração do estado de alerta e a resistência física. o sangue arterial transforma-se em venoso. o sangue sai venoso do coração pelas artérias pulmonares. entretanto. PARTE VI O coração: excitação e contração rítmica Circulação 1. nesses animais. conduzem o sangue às várias partes do corpo. portanto. ou circulação sistêmica. isto é. Ocorrem as trocas gasosas nas brânquias e. o coração possui quatro câmaras distintas: dois átrios e dois ventrículos. havendo nele mistura de sangue arterial e venoso. só ocorre sangue venoso. iniciando a grande circulação. Através dele. também se ramificam. Dos pulmões o sangue arterializado retorna ao coração através das veias pulmonares. As principais modificações que ocorrem no sistema circulatório dos vertebrados referem-se ao coração e aos vasos que partem dele. Somente então o sangue arterial é bombeado para o corpo todo pela artéria aorta. No resto do corpo. o sangue circula sempre no interior de vasos sanguíneos. onde é oxigenado. agora. que possuem dois ventrículos bem diferenciados. lutando ou fugindo. por sua vez. pois o sangue passa uma só vez no coração em cada ciclo. frustrações. Presume-se que neuroses. A vida moderna. Também com exceção do que acontece com os crocodilianos. o sangue arterial é reunido em uma artéria aórtica única e conduzido para todo o corpo. por sua vez. Unindo veias e artérias de menor calibre. retorna ao coração pela veia cava.

Nos anfíbios e répteis. existem inúmeras válvulas responsáveis pela impulsão da linfa. O controle desses batimentos cardíacos pode ser determinado por fenômenos miogênicos. Apesar desse automatismo da contração. nas aves e nos mamíferos é dupla e completa. jovem. existe nos vertebrados a circulação linfática. em repouso. ou por fenômenos neurogênicos. o batimento é miogênico. A circulação nas aves é semelhante à dos mamíferos. os vasos linfáticos atravessam nódulos glandulares denominados gânglios linfáticos. que provoca diminuição da freqüência cardíaca. A atuação desses nervos permite ajustes nas frequências cardíacas de acordo com as necessidades do animal.duas vezes pelo coração em cada ciclo. nos artrópodes. atuando como um marcapasso que determina a contração dos átrios. Além da pressão sanguínea. é da ordem de 8 mmHg. O funcionamento do coração Os movimentos de contração do coração são denominados sístoles e os de relaxamento. que transmite o impulso a fibras musculares cardíacas modificadas . Indivíduos que possuem pressão constantemente alta são considerados hipertensos. Desse modo. O nervo vago. denominado nódulo sino-atrial. que provocam aceleração da freqüência cardíaca. que ocorre através de veias e capilares linfáticos. para a esquerda. Batimentos cardíacos controlados por nervos ocorrem. Nos vertebrados. o número de vezes que o coração sofre contrações por minuto corresponde à frequência cardíaca que. libera acetílcolina como mediador químico. enquanto os nervos cardíacos. e dos nervos cardíacos. impulsionando-a em direção às veias linfáticas. Em certas regiões do corpo. a artéria aorta é dirigida para a direita e. Os elementos que compõem a linfa nos vertebrados são: plasma (parte líquida) e Iinfócitos (parte celular). que. jovem. ainda dentro de padrões considerados normais. Esses valores podem sofrer variações. liberam adrenalina. Além da circulação sangüínea. falando-se em pressão diastólica. um dos tipos de glóbulos brancos do sangue. A pressão medida nesse momento é chamada de pressão sistólica. a linfa retirada pelo sistema linfático é “reposta” pela contida no sangue. originados por estímulos nervosos. os batimentos cardíacos têm mecanismos reguladores relacionados com o sistema nervoso autônomo. A composição química do plasma linfático varia de acordo como tipo de alimentação. que são os originados no próprio músculo cardíaco. através do nervo vago. encontrados também na linfa. Desse nódulo partem impulsos que vão para outro nódulo. em um homem normal. Nos vertebrados. entretanto. Quando a musculatura cardíaca sofre relaxamento. o atrioventricular. No momento em que a musculatura cardíaca se contrai (sístole). nos mamíferos.o feixe de His. em um homem normal. provando que o estimulo da contração é de origem miogênica do próprio coração. vasos maiores que desembocam em determinadas veias do sistema circulatório sanguíneo. a circulação é dupla e incompleta. a pressão diminui. onde há intensa produção de linfócitos. O coração dos vertebrados continua a bater mesmo quando cortamos as nervações que possuem. A linfa que os capilares linfáticos retiram dos tecidos provem do sangue. é da ordem de 70 contrações por minuto. haver alterações provocadas por estímulos nervosos. por exemplo. em função de fatores como a idade. que é cardiomoderador. os batimentos cardíacos obedecem ao ritmo de impulsos oriundos de um nódulo especial do músculo cardíaco. 60 . diástoles. especialmente nos mamíferos. Nos vasos linfáticos. mas nas aves. Ë então que ocorre a contração ou sístole do ventrículo. que são cardioaceleradores. Estes têm fundo cego e recebem a linfa dos tecidos. podendo. é da ordem de 12 mmHg. é exercida pressão no sistema de vasos arteriais relacionados com o ventrículo. em um homem normal. 2. que.

Na realidade. Esta teoria recebeu o nome de teoria da tensão-coesão ou teoria de Dixon. puxando-a para cima. Isto ocorre porque. as raízes e os tecidos abaixo da lesão morrem. Essa absorção de água cria uma constante tensão na coluna líquida. por osmose. por exemplo passaram a apresentar um sistema de transporte – aparelho circulatório (nos animais) e vasos condutores de seiva (nos vegetais) . garantindo a continuidade desse processo. Em entrada gera uma pressão que eleva a seiva bruta vários centímetros pela planta. A análise químico das substâncias contidas no floema pode ser feito através de um artifício curioso: sabe-se que os pulgões inserem sua tromba sugadora nos vasos do floema. dispostas em cadeia. encadeadas. hormônios e outras substâncias entre essas regiões. O floema ou liber é formado principalmente por células vivas. formam os vasos lenhosos. provocando a entrada de água por osmose. mostrando que essas partes deixaram de receber as substâncias orgânicas da seiva elaborada. juntamente com sais minerais. A absorção de água do solo pelas raízes repõe a quantidade perdida na transpiração.à raiz e ao caule .como para cima . então. Outra experiência comprova que o transporte da seiva orgânica ocorre pelo floema: se removermos a casca do caule de uma planta (região onde está o floema). por onde circula a seiva ‘elaborada ou orgânica (substâncias orgânicas produzidas nas folhas). pode-se acompanhar a t-adiatividade pelo corpo da planta. Surge. o problema de transporte de alimentos. Existem dois tipos de sistemas condutores: o xilema e o floema. absorvem água dos vasos lenhosos próximos. para que a planta efetue uma boa fotossíntese os estômatos das folhas devem abrir-se ocorrendo então uma inevitável perda de água por transpiração. O xilema ou lenho constitui-se. as células das folhas tornam-se mais concentradas e. por transporte ativo. que se ligam umas nas extremidades das outras. Conseqüentemente. Encerrando a planta numa câmara de vidro e fornecendo gás carbônico com carbono 14 (radioativo). mas que é insuficiente para conduzi-la até o topo de árvores de grande porte. fazendo com que a coluna líquida forme um fio continuo e não se arrebente. A subida da seiva bruta A absorção de sais minerais do solo. alimentando- 61 . 1) Em consequência. a carga elétrica dos hidrogênios é positiva e a do oxigênio é negativa). as células ficam mais afastadas da superfície e mais distantes de uma região para outra do corpo. em homenagem a um de seus autores. hipertonifica as células da raiz. que. Dixon. que.até o ápice da planta. de células mortas. a atração elétrica entre os hidrogênios de uma molécula e o oxigênio de outra (ponte de hidrogênio) mantém a coesão entre as moléculas de água. é a transpiração nas folhas que constitui o fator mais importante nessa subida. que as substâncias orgânicas fabricadas nas folhas pela fotossíntese são levadas tanto para baixo . O transporte da seiva na planta Nas plantas há tecidos que se compõem de células alongadas.PARTE V Circulação: hemodinâmica Circulação Nos organismos mais complexos e de maior tamanho.que resolvem este problema. os organismos de maior porte só conseguiram sobreviver quando. formam os vasos liberianos. Observa-se. gases. por onde circula a seiva bruta ou mineral (água e sais retirados do solo). o botânico irlandês A. então. principalmente. Como a água é uma substância polar (ou seja. formando vasos por onde circulam as seivas da planta.

o sangue mantém boa velocidade e. Ela propõe o seguinte mecanismo: açúcar fabricado pelas células da folha é bombeado. enquanto os que devolvem o sangue ao coração denominam-se veias. como em muitos invertebrados. o sangue passar apenas uma vez pelo coração. Vimos que em muitos animais o sangue costuma apresentar pigmentos respiratórios dissolvidos. dissolvidos na água. Ao sair do vaso. Conseqüentemente. há uma circulação fechada: o sangue corre sempre no interior dos vasos. se o órgão cresce.se assim da seiva elaborada. as hemácias. e recolheu-se o líquido que continuava o sair pelo tromba. Decapitou-se então um pulgão. ramificando-se em capilares. excretas e hormônios. então. que penetram nos órgãos. além de íons minerais. A circulação nos vertebrados Nos vertebrados a circulação é fechada e a hemoglobina toda concentra-se dentro de células especiais. • Os vasos liberianos. Portanto. No caso dos insetos porém. como o caule e a raiz. apenas transporta alimentos. cria uma corrente de água que arrasta os açúcares para outras partes da planta. entrando nos vasos liberianos. O transporte da seiva elaborada Como as substâncias orgânicas são levadas pelo floema das folhas para toda a planta? Em 1927. que é aceita atualmente com algumas modificações. e. deixando o estilete preso ao vegetal. o sangue desses animais é incolor. o botânico alemão Ernst Munch elaborou uma hipótese chamada fluxo por pressão. No caso dos anelídeos -. utilizando-o como fonte de energia ou armazenando-o como amido. Quando não há lacunas. a circulação torna-se mais lenta. como aminoácidos e açúcares. • As células do caule e da raiz absorvem por transporte ativo o açúcar do floema. há várias substâncias orgânicas. um aumento do corpo do animal. as substâncias orgânicas do floema se deslocam -graças a um fluxo osmótico de água vindo dos vasos lenhosos -.. O coração dos vertebrados tem sempre posição ventral e não dorsal. • 62 . o sangue não tem função respiratória. entrando nas células da raiz ou nos vasos lenhosos. Se. por osmose. • A pressão da água. e os órgãos são apenas banhados pelo sangue. a circulação é simples. conseqüentemente. as ramificações aumentam. ficam mais concentrados que os vasos lenhosos. Por isso. se passar duas vezes. irrigando todas as células. através de transporte ativo para dentro dos vasos liberianos. A circulação nos invertebrados O sistema circulatório dos artrópodes e dos moluscos compõe-se de alguns vasos e um coração. A água acompanha o açúcar por osmose.dos locais onde elas são produzidas (folhas) para os locais onde são consumidas (raiz. Isso permite o desenvolvimento de órgãos maiores e. Os vasos despejam sangue em cavidades que alojam os órgãos. Essa circulação chama-se circulação aberta ou lacunar. A análise químico nivelou que.primeiros invertebrados a apresentarem um aparelho circulatório -e moluscos cefalópodes (polvo e lula). é dupla. O sangue vermelho que sai de um mosquito ou de uma pulga é sangue humano que estava em seu intestino. Os vasos que levam sangue do coração a todos os órgãos chamam-se artérias. o que limita o tamanho do corpo do animal. o sangue perde velocidade. caule). a água sai dos vasos lenhosos e entra nos vasos liberianos. de acordo com esta teoria. Isso permite a existência de maior quantidade de pigmento respiratório sem “engrossar” muito o sangue. num circuito completo pelo corpo.

chama-se incompleta. Mas o ventrículo é parcialmente dividido por um septo -. persiste uma pequena mistura de sangue. o seio venoso. Do bulbo arterial origina-se uma artéria. denominada venosa. Nos mamíferos o esquema é semelhante. A aorta das aves toma direção ascendente. diástole. o coração atinge maior aperfeiçoamento. mas em vez de ser enviado ao corpo volta ao coração pela aurícula esquerda.o septo de Sabatier -. emitindo várias artérias a diversos órgãos. e desce. Além disso. possuindo duas aurículas e dois ventrículos. diminuindo o poder de oxigenação dos tecidos. Répteis Os répteis possuem um coração de três cavidades. Ao passar pelas ramificações desses órgãos. faz uma curva para a direita. Anfíbios As larvas de anfíbios possuem circulação semelhante à dos peixes. A aorta se ramifica em quatro pares de vasos. Graças à separação completa entre os dois ventrículos e à presença de uma só aorta a circulação é dupla e completa: o sangue venoso e o arterial não se misturam. A fase de contração chama-se sístole e a de relaxamento. vindo de todas as partes do corpo. A circulação é dupla e. A circulação humana O coração O coração funciona como uma bomba que se contrai e se relaxa ritmicamente. Porém. O sangue contendo gás carbônico -. que leva sangue para as brânquias. um orifício que comunica as duas aortas que saem dos ventrículos. o ventrículo. contribuindo para a homeotermia (manutenção de temperatura constante) desses animais. A circulação dos mamíferos será abordada mais extensamente no estudo da circulação humana. após sair do coração as duas aortas sofrem uma união. que bombeia sangue para uma cavidade mais musculosa.Peixes O coração dos peixes possui duas dilatações principais: uma aurícula e um ventrículo. O sangue bombeado percorre todo o corpo em cerca de um minuto. 63 . que é distribuído para o corpo. a aorta ventral. o sangue perde velocidade. indo um para cada brânquia: são os chamados arcos aórticos. Isso acontece devido ao forâmen de Panizza. chamada crossa da aorta. Nos adultos. o qual se comunica com uma pequena dilatação o bulbo arterial. Nas brânquias ocorre a hematose: o sangue venoso perde gás carbônico e recebe oxigênio transformando-se em sangue arterial. a circulação é simples. porque nas cavidades do coração só passa sangue venoso.sangue venoso --. Aves e mamíferos Nestes grupos. mesmo quando o septo é completo dividindo o ventrículo em duas cavidades. o sangue passa para o ventrículo e é rebombeado para o corpo Como há apenas um ventrículo o sangue venoso mistura-se ao arterial.que diminui a proporção de sangue venoso que se mistura ao arterial. e por isso os tecidos passam a receber uma taxa maior de oxigênio. como ocorre mistura de sangue venoso e arterial. O sangue venoso que chega à aurícula direita passa para o ventrículo e é bombeado para o pulmão e a pele onde é oxigenada. é levado pelas veias para uma pequena antecâmara da aurícula. Em seguida. o coração apresenta três cavidades: duas aurículas e um ventrículo. porém. Como vemos. como ocorre com os répteis crocodilianos (jacaré). mas a aorta é voltada para o lado esquerdo.

passando então a controlar o ritmo do coração. através de um condutor elétrico. provocando então as contrações. inclusive. por exemplo. Essa circulação. O músculo cardíaco ou miocárdio é capaz de funcionar independentemente do sistema nervoso. causando fluxos de sangue irregulares de um lado para o outro do coração. que leva sangue venoso aos pulmões e devolve sangue arterial ao coração. podem impedir seu fechamento completo. até formarem vênulas e veias. um pequeno aparelho dotado de uma pilha. que alimentam o próprio coração. Esses ruídos anormais são chamados sopros cardíacos e são importantes para o diagnóstico de anormalidades cardíacas. envia impulsos para o ventrículo. apesar de ser um órgão autônomo. que se ramifica pelo corpo. O primeiro corresponde ao fechamento da tricúspide e da mitral. Neste caso. O sangue venoso passa da aurícula para o ventrículo direito e dai é bombeado para a artéria pulmonar. onde ocorrerá a hematose. que. sob condições normais e em repouso. prejudicando o ritmo normal do coração. onde se situam as válvulas semilunares: ao se fecharem. A grande e a pequena circulação O sangue arterial sai do ventrículo esquerdo pela aorta (a maior de todas as artérias). Após exercício intenso ou emoção forte. Isso ocorre porque. que acusa possíveis defeitos cardíacos. Essa artéria se ramifica. o marcapasso artificial. Nesses capilares. cabeça. essas válvulas fazem vibrar as paredes do coração. pois a pressão do próprio sangue fecha a passagem em sentido contrário. o sangue arterial transforma-se em sangue venoso. pescoço).o feixe de Hiss --.As duas aurículas comunicam-se com os respectivos ventrículos por meio de orifícios protegidos por válvulas. Lesões nas válvulas. A freqüência das batidas cardíacas. abaixo da pele. o nódulo aurículo-ventricular onde um segundo impulso é levado aos ventrículos. por um feixe de fibras -. que determina o ritmo das contrações. o coração bate mais rápido e com mais força. Sopros cardíacos As doenças cardíacas podem alterar os ruídos normais do coração. os capilares. o marcapasso ou nódulo sino-atrial. O impulso elétrico que aí surge dirige-se às aurículas. O sangue arterial volta ao coração pela veia pulmonar entrando na aurícula esquerda e recomeçando o trajeto. e a veia cava inferior que recolhe sangue do resto do corpo. Duas grandes veias recolhem o sangue venoso e o lançam na aurícula direita: a veia cava superior que recolhe o sangue das partes situadas acima do coração (braços. O marcapasso situa-se na aurícula direita. Situação semelhante ocorre na passagem dos ventrículos para as artérias. constituindo o que se chama eletrocardiograma. permitindo um retorno de sangue. determinando sua contração. As ramificações dos capilares. Essas atividades elétricas podem ser registradas por um aparelho especial. é de aproximadamente setenta vezes por minuta. e também dirige-se a outro grupo de células. Na passagem do lado direito localiza-se a válvula tricúspide. Certas doenças podem afetar a transmissão dos impulsos elétricos gerados no nódulo sino-a trial. as artérias coronárias. na do lado esquerdo. finalmente. vão-se concentrando em vasos cada vez maiores. e o segundo. levando sangue venoso para os pulmões. é a pequena circulação ou circulação pulmonar. causando dois ruídos característicos. O sangue atravessa essas válvulas da aurícula para o ventrículo apenas. As ramificações vão se tornando cada vez menores e mais finas. ao das semilunares. pode ser necessário implantar no abdome. formando as arteríolas e. Podem também existir orifícios que comuniquem os ventrículos ou as aurículas entre si. o coração também sofre influência do sistema nervoso e de hormônios como a adrenalina. devido à presença de um grupo de células musculares especiais. Da aorta saem. Esta circulação que leva sangue arterial aos tecidos e traz de volta sangue venoso é a grande circulação ou circulação sistêmica. 64 . fica a válvula mitral.

que entopem esses vasos e interrompem o fluxo sanguíneo (trombose). vários fatores -. Graças a esse mecanismo. Esse fenômeno é causado geralmente por depósitos de placas gordurosas. a pressão máxima. De forma simplificada. com o tempo. As causas diretas da arteriosclerose não são bem conhecidas. conhecida como hipertensão arterial ou. alimentação rica em gorduras animais e açúcares. a pressão arterial. O coração. Só os restantes 20% necessitam de medicação. devido à combinação da hemoglobina com o oxigênio. há uma tendência para a formação de coágulos. entupindo artérias menores e causando a morte de alguns tecidos. ficando endurecidas (esclero = duro). preparando assim o organismo para enfrentar uma situação de perigo. a maioria dos enfartes ocorre porque. em repouso.como a artéria braquial (do braço) -. como a eliminação do fumo. Finalmente. as paredes das artérias perdem a elasticidade. Esses vasos estreitos e musculosos podem contrair-se. provocando o aparecimento de varizes. trazendo problemas ao organismo. dieta. que não são de todo conhecidas. prática de exercícios físicos e eliminação de contraceptivos orais (no caso dos mulheres). na maioria dos casos. O estreitamento dos vasos diminui o fluxo sanguíneo e os órgãos irrigados passam a receber menos oxigênio e alimento.O sangue arterial é vermelho vivo. que se calcificam. 65 . A pressão mínima. Quando levamos um susto. enquanto o sangue venoso é arroxeado. Outra doença importante é a subida anormal e constante da pressão arterial. Suspeita-se que vários fatores possam predispor o organismo a essa doença. Sabe-se hoje que. dificultando a passagem do sangue. Além disso. que se irradiam para o ombro e para o braço esquerdo (angina pectoris ou angina do peito). A pressão arterial depende da qualidade de sangue nas artérias e do diâmetro das arteríolas. que parte do músculo cardíaco morre (enfarte do miocárdio). podem influir no aparecimento da doença. Em indivíduos jovens. Com isso. nos vasos com arteriosclerose. vulgarmente. O indivíduo afetado pode sentir dores no peito. diminuindo a quantidade de sangue que estava destinada a outra. Cerca de 80% dos hipertensos normalizam o pressão apenas com a adoção de medidas profiláticas e dietéticas. músculos fracos e ocupações em que o indivíduo fica muito tempo em pé ou sentado podem fazer com que o sangue se acumule nos veias. mais sangue é retido nas artérias e a pressão arterial aumenta. vida sedentária. na parte interna da parede arterial. medida durante a sístole ventricular nas grandes artérias próximas ao coração -. levando a uma insuficiência cardíaca (insuficiência do coração para bombear quantidades adequadas de sangue). principalmente nas pernas. por exemplo. os sangue exerce uma pressão contra a parede das artérias. dizemos que a pressão normal é de 12 por 8 (em centímetros). “pressão alta’. obesidade. Esta doença pode ter vários causas. Tais coágulos podem também ser carregados para longe pela circulação. A contração das arteríolas é controlada por uma parte do sistema nervoso e por um hormônio. por exemplo as arteríolas da pele se contraem e o indivíduo “fica pálido de susto”. pode ser seriamente afetado pela arteriosclerose das coronárias. ela aparece quando a capacidade dos rins é afetada. A arteriosclerose Na doença conhecida como arteriosclerose. supõe-se também que haja uma certa predisposição hereditária. medida durante a diástole ventricular. é de 80 milímetros de mercúrio. O estreitamento pode levar a tal diminuição do sangue.como a tendência hereditária para desenvolver defeitos nas válvulas. a adrenalina. Branco de Susto e roxo de frio Quando impulsionado pelo coração. Sabe-se que sua freqüência aumenta com a idade e que tensão nervosa. Entretanto.equivale à de uma coluna de 120 milímetros de mercúrio. um volume maior de sangue poderá ser usado pelos músculos e pelo cérebro. redução da ingestão de sal (que retém água no organismo). Esse controle permite aumentar a irrigação de uma região do corpo. fumo e doenças como o diabetes.

diminuindo o fluxo de sangue na superfície do corpo. ocorre o oposto arteríolas se dilatam. o que da uma tonalidade avermelhada à pele. Quando esses músculos se contraem. Esse líquido que banha os tecidos levando água. é mais prolongada que a anterior. a linfa fica com aspecto leitoso. além dessa. as veias que estão próximas se comprimem.Num ambiente de frio moderado. RESUMO DAS IDÉIAS BÁSICAS • Ao absorver sais minerais por transporte ativo e água por osmose. fica garantido o fluxo nesse sentido. e assim ela retorna à circulação sanguínea. O excesso de líquido intersticial é recolhido pelos vasos linfáticos e passa a se chamar linha. permitindo que o excesso de calor seja perdido mais facilmente pela pele. Sem oxigênio. uma coloração azulada ou roxa. pois uma de suas funções é absorver gorduras do intestino. as arteríolas da pele se contraem. lançam a linfa nas veias próximas ao coração. Assim sendo. formando o sangue venoso. impulsionando o sangue. Então a água volta para o capilar com carbônico e excretas produzidos pelas células. as células da folha puxam água dos vasos lenhosos por osmose. provocando uma diferença de pressão que dilata as veias. As trocas entre o sangue e os tecidos. a cavidade abdominal aumenta. as raízes criam uma pressão que faz a seiva bruta subir. Como as veias possuem válvulas que só se abrem no sentido da volta ao coração. enquanto as proteínas do sangue exercem uma pressão osmótica em sentido contrário. oxigênio e alimento chama-se líquido intersticial. a pressão sanguínea é maior que a pressão osmótica isso faz com que parte da água. Por exemplo recolhem algumas proteínas que conseguem vazar dos capilares. Os vasos linfáticos de todo o corpo (sistema linfático). quando cortamos uma veia. Por isso. confluindo em dois grandes vasos. o fluxo é mais rápido e com mais oxigênio. a pressão do sangue é muito baixa e a parede desses vasos é bem mais fina que a das artérias. A circulação linfática A diferença de pressão na parte do capilar que conduz o sangue arterial é maior que a diferença do lado venoso. Num dia quente ou durante um exercício físico. porém. Esta baixa pressão provoca uma pergunta: como o sangue das partes inferiores do corpo consegue subir de volta ao coração? A resposta é esta: graças ao trabalho dos músculos do esqueleto e da respiração. Os vasos linfáticos tem outras funções. Após uma refeição rica em gorduras. a hemoglobina adquire uma cor azul escura e a pele. como na hemorragia arterial. e como fluxo de sangue é lento nesse período. fazendo o sangue subir. No início do capilar. A coesão entre as moléculas de água impede que a coluna líquida arrebente. oxigênio e pequenas moléculas presentes no sangue arterial passem para os tecidos. Além disso. mas que não é suficientemente forte para levar água ao topo de árvores de grande porte. devolvendo-as ao sangue. Esta teoria da subida da seiva 66 . A pressão sanguínea dos capilares tende a expulsar água para os tecidos. o sangue simplesmente escorre. Ë então que entra em ação a transpiração nas folhas: ao perderem água. quando expiramos o ar dos pulmões. Mais importante: os vasos linfáticos atravessam dilatações no nosso corpo os gânglios linfáticos. os tecidos removem mais oxigênio das hemácias. não saindo aos jatos. que lançam linfócitos – células que transportam anticorpos para a defesa do organismo. o que diminui também a perda de calor pela pele. No final do capilar a pressão sangüínea torna-se menor que a pressão osmótica. Esta contração. A volta do sangue pelas veias Nas veias. a quantidade de líquido que sai do capilar é maior do que a quantidade que volta.

pela aurícula esquerda. ele possui glóbulos brancos. é indispensável nos animais de grande porte.são feitas por diferenças entre pressão arterial e pressão osmótica do sangue. Linfa. muito semelhantes às veias. Indique também a grande e pequena circulação. O que é seiva bruta? E seiva elaborada? 2. Segundo Munch. o coração apresenta duas aurículas e dois ventrículos e a circulação é dupla e completa. responsável pelo transporte de substâncias no interior do corpo dos animais.• • • • • chama-se teoria da tensão-coesão ou teoria de Dixon. e os órgãos ficam mergulhados em lacunas cheias de sangue (hemoceles). não se comunicando com outros vasos. já nos artrópodes e outros moluscos. as cavidades cardíacas e o tipo de sangue (venoso ou arterial) em cada vaso e cavidade. Nos anelídeos e em alguns moluscos (cefalópodes). o coração tem três cavidades: duas aurículas e um ventrículo e a circulação é dupla e incompleta. o líquido intersticial. Nos anfíbios e na maioria dos répteis. Os capilares linfáticos. A circulação é simples e venosa. No entanto. a circulação é aberta (o sangue sai dos vasos e banha as células). Entretanto. que terminam por desembocar nas veias cavas. 67 . devido à comunicação entre as aortas. o sangue circula sem sair dos vasos. isto é. completa. o que tornaria ineficiente o transporte apenas por difusão. O aparelho circulatório. ou seja. onde reabsorvem o liquido tissular que não voltou aos capilares sanguíneos. Que tipo de circulação (dupla. no entanto tubos de fundo cego. Como se chama esta teoria? 3. Parte do plasma que sai para o tecido. Qual a diferença entre o aparelho circulatório dos vertebrados e o da maioria dos invertebrados? 4. A circulação dos vertebrados é fechada. 6. o aparelho circulatório é fechado. Sua principal diferença em relação ao sangue é não possuir hemácias. Nas aves e nos mamíferos. ROTEIRO PARA REVISÃO DO CAPITULO 1.ao nível dos capilares com os tecidos . indicando as principais artérias e veias. nódulos linfáticos e Iinfócitos O líquido que circula dentro dos vasos linfáticos é chamado linfa. Esquematize a circulação humana. Já nos répteis crocodilianos. Os capilares linfáticos fundem-se uns aos outros formando vasos de calibre cada vez maiores. O coração dos peixes tem duas cavidades: uma aurícula e um ventrículo. a pressão osmótica da água que sai dos vasos lenhosos empurra a seiva orgânica dos lugares de produção de substâncias orgânicas (folhas) para os locais de consumo (raiz e caule). sua extremidade é fechada. é recolhida pelo sistema linfático e devolvida à circulação venosa. O transporte da seiva elaborada é mais complexo. Explique como a seiva bruta é transportada pelos vasos lenhosos. incompleta etc) ocorre em cada grupo de vertebrados? Quantas cavidades tem o coração da cada um desses grupos? 5. O sangue venoso entra pela aurícula direita e o arterial. há dois ventrículos e pequena mistura de sangue. Os capilares linfáticos estão presentes em todos os tecidos do corpo. nos quais as substâncias devem percorrer grandes distâncias. As trocas . é uma hipótese ainda discutida. Como o sangue consegue subir pelas veias dos membros inferiores? Parte VI Líquidos Orgânicos A circulação linfática O sistema linfático é formado por um conjunto de vasos de diversos calibres.

a pressão do sangue expulsa. que se ramificam em seu interior em muitas arteríolas. Bloqueios dos vasos linfáticos produzem edemas linfáticos (inchaços). continua a ocorrer a reabsorção ativa dos sais. Na filtração. Essa grande atividade provoca o crescimento dos nódulos linfáticos. absorvida por osmose. os nódulos linfáticos agem como verdadeiros filtros. Cada arteríola se dirige a um néfron. formando-se então as ínguas. que é a unidade excretora do rim. em caso contrário.a reabsorção . uma baixa ingestão de água. 4 68 . do glomérulo para a cápsula. uma alta ingestão de cálcio proteína. as paredes do tubo tornam-se mais permeáveis e mais água sai do tubo para o sangue por osmose. Na parte final do tubo (tubo distal). Este processo. O primeiro é formado pelo glomérulo de Malpighi e pela cápsula de Bowman. As pedras ou cálculos renais formam-se pelo acúmulo de cristais de sais minerais nos rins. Quando ocorre uma infecção em nosso corpo. Os glomérulos e as cápsulas concentram-se na região externa do rim. especialmente se o tempo estiver muito quente. O tecido que compõe os nódulos linfáticos produz glóbulos brancos chamados Iinfócitos. removendo íons hidrogênio (ácidos) ou íons NH + (básicos). a água e as pequenas moléculas dissolvidas no plasma (sais. retendo partículas estranhas e restos de células mortas. Essa cápsula se prolonga formando o túbulo. Além disso. elas tomam-se menos permeáveis. eliminando-as da circulação. causados pelo acúmulo de liquido tissular entre os tecidos. As células da parte inicial do túbulo . as paredes do tubo têm permeabilidade variável em relação à água. Existem cerca de um milhão dessas unidades em cada rim. os aminoácidos e parte dos sais. mais íons sódio são reabsorvidos ativamente seguidos de água. que lançam a urina em cavidades denominadas cálices renais. O trabalho do néfron: filtrações e reabsorção O néfron funciona em duas etapas : a filtração e a reabsorção. Do bacinete sai o ureter que conduz a urina até a bexiga urinário. Ao longo da alça de Henle. o qual não está sendo convenientemente drenado. voltando para o sangue. tanto produzindo glóbulos brancos quanto filtrando partículas e micróbios invasores. por exemplo. Assim. o sangue toma-se mais concentrado que o liquido do túbulo fazendo com que parte da água também seja reabsorvida. são reabsorvidas.absorvem. os quais passam para os condutos linfáticos. Além de filtrar e reabsorver. são fatores que tendem a aumentar a chance do aparecimento de cálculos. o córtex. O néfron é composto de duas partes: o corpúsculo de Malpighi e o túbulo renal . Além de certa predisposição genética. lançando-os no sangue. Os glóbulos sanguíneos e as grandes proteínas do plasma não passam para a cápsula A segunda etapa . A uréia e outros produtos tóxicos ou em excesso não voltarão ao sangue e serão eliminados com a urina. um saco muscular que acumula a urina e a lança ao exterior através da uretra. os nódulos linfáticos entram em grande atividade.ocorre ao longo do restante do túbulo.túbulo proximal . Processo semelhante ocorre no tubo coletor. as células do túbulo retiram do sangue íons hidrogênio (H+) e íons amônio (NH + ) lançando-os na cavidade do túbulo. Além da produção de glóbulos brancos. que tinham sido filtradas para a cápsula. é um hábito importante para o bom funcionamento dos rins. principalmente.produzidos e lançados na circulação pelos nódulos linfáticos ou linfonodos. Através da rede de capilares que envolve o túbulo a água e as substâncias úteis. Ao receber de volta essas substâncias. Beber grande quantidade de água. por transporte ativo toda a glicose. Os cálices se reúnem no bacinete ou pelve renal. enquanto os túbulos estão parte no córtex e parte na medula. chamado secreção tubular 4 ajuda a regular o pH do sangue. O aparelho urinário Os rins recebem sangue pelas artérias renais. sódio e. agora por osmose e não por transporte ativo. se o corpo tiver necessidade de reter água. que faz uma curva (alça de Henle) envolta por capilares. moléculas orgânicas simples e uréia). Esses túbulos vão confluindo até formar canais maiores os túbulos coletores.

Os problemas renais podem acarretar aumento da pressão. Entretanto o ser humano produz diariamente cerca de apenas 1 litro e meio de urina. em vários invertebrados. ao controlar a concentração de água. em que ocorre uma inflamação dos glomérulos. causando insuficiência renal e afetando todo o organismo. Finalmente. Nos répteis e aves. O principal produto nitrogenado de excreção dos animais é o NH3 (amônia). fazendo com que a urina seja produzida em menor quantidade e se torne mais concentrada e. de sais e da acidez do sangue. O pronefro (larvas de peixes e de anfíbios) é um tubo com abertura apenas para o celoma. diminuindo a permeabilidade do túbulo e a reabsorção de água. O caso inverso ocorre quando bebemos muita água: a produção do hormônio fica inibida. como a uréia. Diversas doenças podem prejudicar o funcionamento dos rins. a homeostáse. Uma delas é glomerulonefrite. o NH3 é transformado em ácido úrico. conseqüentemente. O álcool também inibe a produção de hormônio antidiurético. Nos vertebrados. Quando tomamos cerveja. o hipotálamo. Resumo das idéias Básicas • • A excreção elimina certos produtos tóxicos ou que estão em excesso. aumento da acidez do sangue (acidose) e outros problemas de sérias repercussões no funcionamento do organismo. Portanto nosso rim tem um grande poder de concentração pois acumula a uréia e outros produtos de um dia inteiro em pouco mais de um litro de urina. por exemplo estamos ingerindo álcool e muita água. 1% de cloreto de sódio e 2% de outros sais e produtos nitrogenados. que causa inchações nos tecidos (edema). os tubos de Malpighi (insetos). isto é. o mesonefro (peixes e anfíbios adultos) está aberto no celoma. Nos animais aquáticos. outro hormônio. o que explica o conhecido efeito diurético dessa bebida.conforme o pH diminua ou aumente. • • • 69 . de acordo com a quantidade total de água do corpo. a reabsorção de água por osmose aumenta. ajudando. por sua vez. Nos invertebrados. Ao chegar ao tubo coletor a urina é formada por cerca de 95 % de água. Como resultado. nossa urina torna-se clara e abundante. aumenta a reabsorção de sócio. aves e mamíferos) tem comunicação apenas com o sangue. o mínimo de água necessário para diluir os produtos de excreção. assim. Assim. assim. por exemplo. respectivamente. mesonegro e metanefro. nos peixes e nas larvas de anfíbios. certas infecções da garganta. quando perdemos muita água pelo suor as células de uma região do encéfalo. o sistema excretor é formado de três tipos de néfrons: pronefro. as principais estruturas excretoras são: as células-flamas (platelmintos). produzem o harmônio antidiurético. O rim humano é formado por cerca de um milhão de néfrons (metanefro). mas se comunica também com o sangue. Isto significa que quase 99 % do líquido filtrado foram reabsorvidos. Seu funcionamento se dá em duas etapas: a filtração e a reabsorção. Essa economia de água tem um importante valor adaptativo para os animais terrestres. o t4H~ é eliminado diretamente na água. Eliminamos. A quantidade de água reabsorvida pode variar ligeiramente. Nos animais que não dispõem de muita água (anfíbios adultos e mamíferos). 2% de uréia. que aumenta a permeabilidade do tubo distal e do tubo coletor à água. proveniente do metabolismo dos aminoácidos. o metanefro (répteis. as nefrídias (anelídeos e moluscos). elevação da taxa de uréia no sangue (uremia). Os rins filtram cerca de 180 litros de líquido por dia. retenção de água e sal. o rim é um dos mais importantes agentes da homeostase no corpo. o que. portanto mais escura. a manutenção do equilíbrio interno do corpo. também aumenta a reabsorção de água por osmose. Assim. em dias quentes. a aldosterona. como o ácido úrico. que é insolúvel e não intoxica o embrião dentro do ovo. produzido pelas glândulas suprarenais. Essa doença pode surgir em conseqüência de infecções por estreptococos em outras partes do corpo. como. o NH3 deve ser transformado (no fígado) em produtos menos tóxicos. a amônia e a creatinina.

Desse modo. determinando a abertura ou o fechamento do estômato. Então. aminoácidos uréia). a planta perderá muito água por transpiração. A reabsorção ocorre ao longo do túbulo. Os estômatos Nos vegetais terrestres.às vezes associado ao aparelho circulatório -encarregado dessa tarefa. puxa água do túbulo. que é realizado pelas células da parede do túbulo. as plantas retiram gás carbônico para realizar a fotossíntese. E claro que a água também começa a sair na forma de vapor. Este retorno ao sangue depende de um transporte ativo de sais e moléculas orgânicas. Elas continuam o trajeto de excreção. tornando-se túrgidas e fazendo os estômatos se abrirem (figura. quando a maior parte da água. as células estomáticas perdem água e murcham. as células estomáticas absorvem água das células vizinhas. uma boa absorção de oxigênio (na respiração) ou de gás carbônico (na fotossíntese). porém. por exemplo eles regularmente abrem-se pela manhã e fecham-se à noite. os sais e as moléculas orgânicas voltam ao sangue. Tal processo é chamado respiração externa ou orgânica.ocorre no interior das células. se o abastecimento de água da planta não estiver compensando essa perda por transpiração. os outros produtos tóxicos em substâncias em excesso (principalmente água e sais) não voltam ao sangue. quando ocorre a fotossíntese. a superfície de contato das plantas com o ambiente é extensa. fechando a abertura e reduzindo assim a perda de água.chamado respiração celular . o gás carbônico será absorvido principalmente de dia. O problema é resolvido pela presença de aberturas na epiderme das folhas. do sangue do glomérulo para a cápsula de Bowman. a camada protetora e impermeável de cutina --que evita a perda excessiva de água pela planta -. PARTE VII A RESPIRAÇÃO Uma das funções do alimento é fornecer energia para o metabolismo celular.onde ocorre a maior parte das trocas gasosas --. e a perda de água diminuirá à noite. há um aparelho respiratório -. Porém. Tal fato não acontece porque quando a planta está com bom suprimento de água. Este processo . á variação da acidez causada pelo aumento ou pela diminuição de gás carbônico e 70 . 1). No entanto. os estômatos. A uréia. O sangue recebendo esse soluto torna-se mais concentrado e. por osmose. sais e pequenas moléculas dissolvidas (glicose. Há hipóteses relacionando este movimento à concentração de substâncias produzidas pela fotossíntese.dificulta a troca de gases com o exterior. em seres maiores e mais complexos. a planta pode realizar as trocas gasosas necessárias.• • A filtração corresponde à passagem de grande quantidade de água. o que permite. Trocas gasosas nos vegetais Além de realizar a respiração. depende do fornecimento de oxigênio e produz gás carbônico CO2 Neste capitulo estudaremos o mecanismo através do qual as células recebem oxigênio do ambiente e eliminam o gás carbônico produzido. por onde o oxigênio e o gás carbônico podem entrar ou sair mais facilmente No entanto se os estômatos estiverem sempre abertos. Nos seres unicelulares do reino Protista e Monera -.e também nos fungos esta troca de gases ocorre por simples difusão através da membrana plasmática. Em algumas espécies. em princípio. constituindo a urina. outros fatores também podem influir neste processo. Embora o estado de hidratação da planta seja o principal fator que determina a abertura e o fechamento dos estômatos. Devido à ramificação do corpo e à presença de folhas . mesmo quando não houver alterações no estado de hidratação da planta.

A respiração nos invertebrados Nos animais muito pequenos ou “finos” . por isso chamadas de brônquios internos. atingindo diretamente todas as células. mais comumente brânquias e pulmões. poliquetas. cnidários. acionado por um músculo promove a circulação da água mesmo com o animal parado. as fendas branquiais são expostas. traquéias e pulmões primitivos Os animais mais volumosos. onde ocorre a troca de gases.tubarão e raia --. chamada bexiga natatória. A traquéia . a cavidade do manto funciona como um pulmão primitivo. miriápodes e alguns aracnídeos . A respiração nos vertebrados Peixes A semelhança de alguns vertebrados aquáticos. crustáceos e moluscos. surgiram apenas a partir do momento em que uma série de mutações promoveu o aparecimento de um aparelho respiratório O aparelho respiratório é sempre uma estrutura ramificada.típica dos insetos. ela é um sistema de tubos que se abrem na parte lateral do corpo e se ramificam até os tecidos. A partir desse pulmão primitivo pode ter-se originado o pulmão dos anfíbios. os peixes possuem brânquias. elas estão protegidas por um opérculo que. ajustar sua densidade às diversas profundidades. Além disso. com grande superfície relativa que absorve oxigênio (O~) do ar ou dissolvido na água. Deles sairiam 71 . Em alguns peixes. Brânquias. conseguindo assim. Entretanto ainda não foi possível chegar a conclusões inteiramente satisfatórias sobre o fenômeno. como a pirambóia. que são dobras da pela ricas em capilares sanguíneos. que não são formadas por dobras da pele. como os poríferos. Nos osteíctes (maioria dos peixes). Nos animais aquáticos. Nos anelídeos oligoquetos (minhoca). essa estrutura ramificada fica fora do corpo. há uma bolsa com capilares que pode absorver oxigênio do ar atmosférico funcionando como um pulmão primitivo. Em alguns moluscos. se ficassem em contato com o ar provocariam a desidratação do animal. cujas paredes contém ar e capilares sanguíneos — a filotraquéias ou pulmões foliáceos. Nos animais terrestres. é muito comum nos peixes ósseos. em todos os representantes. permite que o animal tenha o corpo um pouco mais volumoso.formados por poucas camadas de células . há um aparelho circulatório que transporta os gases da pele às células (e vice-versa) com maior velocidade que na difusão simples. O movimento do corpo faz com que a água entre pela boca e saia pelas brânquias. Esse tipo de respiração denomina-se respiração cutânea direta e está presente nos animais mais primitivos.possui filamentos de quitina que impedem seu achatamento durante o fluxo de ar produzido pela dilatação do abdome. onde o oxigênio é fornecido diretamente às células sem passar pelo sangue.ainda a alterações na concentração de potássio. com superfície relativa pequena. formado por câmaras que derivam das traquéias. mas por ramificações da parede das fendas branquiais da faringe. As aranhas apresentam um pulmão primitivo. essas ramificações . Este tipo de respiração conhecida como respiração cutânea indireta. que se difunde em sentido inverso. O mesmo ocorre com o gás carbônico. como anelídeos. platelmintos e asquelmintos. como os caracóis. Nos condríctes -. Essa bolsa.a superfície do corpo é bastante 9rande em relação a seu volume e permite que oxigênio em quantidade suficiente penetre por difusão pela pele. porém com função diferente: o peixe pode bombear gases do sangue para a bexiga natatória e vice-versa.que formam as traquéias e os pulmões — crescem para dentro do corpo pois. Nos vertebrados encontram-se aparelhos respiratórios. na forma de brânquias.

cilios e um muco pegajoso. responsáveis pela voz. uma importante função respiratória. tornando a respiração pulmonar mais eficiente. cuja abertura é protegida pela epiglote. Isto faz com que o ar circule mais rapidamente. O restante do oxigênio é absorvido pela pele. absorve o excesso de calor do corpo e é eliminado na forma de ar quente. não ocorrendo nesses animas a respiração cutânea. eliminando um corpo estranho que poderia provocar até mesmo asfixia e morte. por sua vez. Anfíbio A larva dos anfíbios .os répteis que. Desse modo. originária aves e mamíferos. O ar penetra pelo nariz. tem poucas dobras (pulmão saculiforme) e sua superfície é insuficiente para capturar todo o oxigênio consumido pelo animal. região comum ao tubo digestivo e ao aparelho respiratório. porém. Por não ter muita proteção . Aves Nas aves o grau de pregueamento do pulmão é muito mais acentuado. traquéia. alvéolos.o girino . Além disso elas possuem sacos aéreos. impedindo que esses animais se afastem muito da água. Quando o ar é expirado. Isto permite que eles vivam em ambiente seco. além de umedecer. durante a metamorfose para adulto serão substituídas por pulmões.o que seria incompatível com sua função respiratória -. Os sacos aéreos servem como reservatório suplementar de ar. finalmente. Da faringe sai a traquéia. assim. que possui terminações nervosas especializadas em perceber odores. o diafragma. laringe. tem seu revestimento formado por pêlos. Os germes e as partículas estranhas aderem ao muco e são arrastados para fora pelo movimento dos cílios. Quando um corpo estranho penetra na laringe. Na parte anterior da traquéia fica a laringe. onde causa uma 72 . na traquéia ou nos brônquios. o ar é expelido para fora com alta pressão e grande velocidade. Então os músculos das costelas e do abdome se contraem fortemente e subitamente as cordas vocais e a epiglote se abrem. que tem. O pulmão. Da cavidade nasal. bronquíolos e. que. que se comunicam com os pulmões e com cavidades cheias de ar nos ossos. desencadeiase o reflexo da tosse: há uma rápida inspiração de ar seguida do fechamento da epiglote e das cordas vocais. aquecer e filtrar o ar. a pele é mantida sempre úmida. o maior grau de ramificações do pulmão e a musculatura relacionada à respiração aperfeiçoou-se pela presença de um músculo. aumentando ainda mais a capacidade respiratória. As vias respiratórias A cavidade nasal. A respiração nos mamíferos: o homem Nos mamíferos atinge-se. diminuem a densidade do corpo e atuam também como meio de refrigeração: o grande consumo de energia no vôo libera uma grande quantidade de calor. que é protegida por peças cartilaginosas e apresenta as cordas vocais. brônquios.desenvolve-se na água e respira por brânquias. Répteis Nos répteis a superfície do pulmão é maior que nos anfíbios devido ao aumento de dobras (pulmão parenquimatoso). passa pelas cordas vocais. o ar vai para a faringe. passando para a faringe. Além disso enquanto nos anfíbios o ar é engolido por movimentos dos músculos do assoalho da boca. o ar frio retirado do ambiente é armazenado nos sacos aéreos. que impede a entrada de impurezas existentes no ar. nos répteis há uma musculatura que puxa as costelas. finalmente. onde ocorrem as trocas gasosas. dilatando e contraindo o tórax.

equivalente uma área cinquenta vezes maior que a da nosso pele. que. Nossos pulmões. que acusam variações no nível do gás carbônico e do oxigênio no sangue. Esse movimenta somado ao dos músculos intercostais.fenômeno chamado hematose. O transporte de gases pelo sangue O transporte de oxigênio pelo sangue depende de pigmentos respiratórios que são proteínas associadas a um metal. como a traquéia. Na expiração os músculos se relaxam. obteríamos uma superfície de cerca de 100m2. são protegidos por anéis cartilaginosos. reduzindo o volume torácico e empurrando para fora o ar usado. ou seja. Como nos insetos o sangue não tem ele não possui pigmentos respiratórios. É nos alvéolos que ocorrem as trocas de gases entre o ar e o sangue . Realmente. apesar das variações do ambiente. os alvéolos. aumenta o volume da caixa torácica. ou se concentrar em células sanguíneas. mamíferos e aves são animais de sangue quente.3 ml de oxigênio em solução. por terem afinidade com o oxigênio.um músculo que separa a caixa torácica da cavidade abdominal . O bulbo é estimulado por impulsos de estruturas quimiorreceptoras localizadas na parede das artérias aorta e carótida. aumentam bastante a capacidade do sangue para transportar esse gás. Como sabemos. que provê grande quantidade de oxigênio e. produzindo o som. os glóbulos vermelhos. Os alvéolos são formados por uma fina camada de células envolvidas por uma rede de capilares. uma parte do sistema nervoso estimula os movimentos respiratórios independentemente de nossa vontade (por isso é impossível se suicidar parando de respirar). Os brônquios ramificam-se no interior dos pulmões como galhos de uma árvore. entre outras adaptações. Ao se contrair. Esses pigmentos podem ficar dissolvidos no plasma (quadro abaixo). que impedem seu achatamento. revestidos por uma membrana protetora dupla chamada pleura. Até certo ponto podemos controlar nossa respiração mas o bulbo. O transporte do oxigênio O mecanismo de transporte pela hemoglobina ocorre assim: na cavidade dos alvéolos a 73 . que consiste na troca do sangue venoso (rico CO2 por sangue arterial (rico em O2). formando a oxi-hemoglobina (HbO2) Este oxigênio é transportado pelo sangue e liberado nos tecidos.Há cerca de setecentos milhões de alvéolos nos pulmões. a um aparelho respiratório com grande superfície relativa. estamos diante de algo bem mais eficiente que a respiração cutânea. formam os bronquíolos. Os ramos. o diafragma se abaixa. Cada molécula de hemoglobina pode combinarse com quatro moléculas de oxigênio. sua temperatura mantém-se constante. ocupam quase toda a caixa torácica. Isso faz com que o ar penetre nos pulmões. onde será utilizado na produção de energia. Os pigmentos respiratórios são substâncias que. Os pulmões vibração. O ar entra e sai dos pulmões graças à contração do diafragma .e dos músculos intercostais. o mesmo volume com hemácias contendo hemoglobina pode transportar 20 ml de oxigênio. conseqüentemente. nos vertebrados. A traquéia bifurca-se e forma os brônquios. cada vez mais finos. O pigmento mais eficiente é a hemoglobina. Assim enquanto 100 ml de plasma puro podem transportar apenas 0. caso mais comum nos invertebrados. Cada bronquíolo termina num cacho de pequeníssimos sacos. Se estendêssemos todas essas bolsas. Isto é possível graças. fazendo com que a pressão interna nessa cavidade diminua e se torne menor que a pressão do ar atmosférico. maior produção de energia.

O resultado é um gradativo acúmulo de resíduos que acabam causando várias doenças respiratórias ou predispondo o organismo a essas doenças. A maior parte. é carregada na forma de íon bicarbonato. um reflexo para eliminar o corpo estranho. A mucosa reage de modo ainda mais violento à penetração e proliferação de vírus. como o coração. doença que afeta pessoas muito sensíveis a partículas encontradas no ar como o pólen das plantas ou a poeira doméstica. que passa do sangue ao alvéolo. Essa difusão ocorre porque a concentração de oxigênio no interior da célula é baixa. Em conseqüência.com a conseqüente deficiência de oxigenação em órgãos vitais. porém. por exemplo. progressivamente. em virtude de sua grande afinidade com a hemoglobina. a anidrase carbônica. Esta reação é acelerada por uma enzima. o gás carbônico reage com a água produzindo ácido carbônico. surgindo a tosse e o pigarro típico dos fumantes. Gripes e resfriados Quando a mucosa das vias respiratórias é irritada pela penetração de partículas estranhas. BIOLOGIA ONTEM E HOJE Problemas do aparelho respiratório Poluição A poluição do ar nas zonas urbanas. esse gás impede o transporte de oxigênio podendo causar a morte do indivíduo. um composto altamente tóxico. O transporte do gás carbônico O transporte de gás carbônico é um pouco diferente. Uma pequena parcela de oxigênio permanece dissolvida no plasma. a eficiência respiratória diminui. mas a maioria penetra nos glóbulos vermelhos. O ácido carbônico se dissocia em íons H+ e íons bicarbonato. havendo produção de gás carbônico. O monóxido de carbono (CO). o gás carbônico passa das células ao sangue. formando a carbo-hemoglobina. O íon bicarbonato sai da hemácia por difusão e é transportado dissolvido no plasma. Ao penetrar na hemácia. e abrindo-se caminho para a instalação de doenças infecciosas bronquite crônica e enfisema (destruição dos alvéolos dos pulmões) . os músculos circulares que envolvem os bronquíolos podem se contrair prejudicando a respiração. muitas vezes ultrapassa a capacidade de defesa de nossas vias respiratórias. Durante uma infecção ou reação alérgica. São os incômodos característicos da gripe ou do resfriado. o oxigênio passa do sangue para as células. os alvéolos. infelizmente. durante um ataque de asma. devido ao consumo continuo desse gás pela respiração celular. inchando e produzindo um intenso fluxo de muco. Apenas uma parte (cerca de 1/5 do total) se prende à hemoglobina. Nos tecidos. a ponto de dificultar a respiração. o cérebro e os músculos. No pulmão ocorre o processo inverso. dissolvido no plasma. Com isso. combinando-se com a hemoglobina e sendo transportada aos tecidos do corpo . Logo por difusão o gás passa ao sangue. encontrado em pequena proporção no gás de cozinha e produzido pelas descargas dos automóveis. fazendo com que este fique mais concentrado do que no meio extracelular. Ao se combinar com a hemoglobina. Fumo O fumo inibe o movimento dos cílios que limpam as vias respiratórias e destrói. Outra pequena parte permanece no plasma. Ë o que ocorre. 74 .concentração de oxigênio é superior à dos capilares sanguíneos. Ao mesmo tempo que consome oxigênio a célula produz gás carbônico. ocorre o espirro. é.

75 . ficam as cargas negativas. o CO2 é levado. répteis. que bombeia o ar para dentro e para fora dos pulmões e dos alvéolos . na forma de bicarbonato dissolvido no plasma. ou neurônio. nos vertebrados. a respiração é traqueal -. ela se despolariza. que podem ser dendritos ou axônios. determinando resposta imediata do órgão receptor da mensagem. a respiração cutânea também é importante nas aves. Este é uma “mensagem elétrica” transmitida com rapidez e eficiência. e internamente. A respiração celular ou interna. que lançam seus produtos (secreções) diretamente na corrente sangüínea. A inversão vai sendo transmitida ao longo do axônio. Nos insetos. isto é.os sacos aéreos diminuem o peso específico e refrigeram o animal. principalmente. as positivas.RESUMO DAS IDÉIAS BÁSICAS • • • • A respiração orgânica ou externa é o conjunto de mecanismos encarregados de levar O2 do ambiente até as células. Quando em repouso.pequenos sacos se dá a hematose (troca de CO2 por 02) Nos invertebrados. estruturas uni ou pluricelulares. aves e mamíferos. têm respiração cutânea direta e nas minhocas (anelídeo) já existem capilares embaixo da pele para o transporte de gases (respiração cutânea indireta).feita por meio de tubos (traquéias) que se ramificam para dentro do corpo até os tecidos. por sua vez. Ao receber um estimulo. As unidades morfológicas do sistema endócrino são as glândulas endócrinas. No sistema nervoso a unidade morfológica e funcional é a célula nervosa. e os axônios são pouco ramificados. podem formar estruturas individualizadas. longos. o pigmento respiratório está quase dissolvido no sangue e. sofre modificações. cnidários. corresponde ao conjunto de reações de liberação de energia no interior da célula. e de finos prolongamentos celulares. Os dendritos são geralmente muito ramificados e atuam como receptores de estímulos. principalmente. Nos anfíbios. insetos. ramificações ricamente vascularizadas da pele dirigidas para fora do corpo. A troca de gases nas plantas terrestres é facilitada pelos estômatos . e todo esse processo é considerado o impulso nervoso. aparece dentro das hemácias. que se fecham. Os animais de grande superfície relativa. combinado com a hemoglobina. onde está o núcleo. Certos invertebrados aquáticos (moluscos. e atuam como condutores dos impulsos nervosos. Introdução Os sistemas envolvidos na coordenação e na regulação das funções dos corpos dos animais são os sistemas nervoso e endócrino. O 02 é transportado. automaticamente. os pulmões possuem ramificações . a respiração é feita por partes. • • • • • PARTE VIII O Sistema Nervoso e os Sentidos Especiais Coordenação e Regulação 1. Nos peixes e larvas de anfíbios. à medida que aumenta a desidratação da planta. Quando multicelulares. havendo inversão das cargas elétricas: externamente. Mamíferos possuem o diafragma. O percurso do impulso nervoso no neurônio é sempre no sentido dendrito axônio. a respiração é feita por brânquias que são ramificações provenientes da faringe. Nos anfíbios. ou constituir grupos de células que participam da formação de outros órgãos. O neurônio é uma célula composta de um corpo celular. platelmintos e nematelmintos. a membrana celular do axônio está polarizada. possui carga elétrica positiva do lado externo e carga elétrica negativa do lado interno. como as ilhotas de Langerhans no interior do pâncreas. como poríferos. crustáceos e anelídeos do grupo dos poliquetas) respiram por brânquias.aberturas variáveis situadas na folha -. que recebe e transmite o impulso nervoso. como a tireóide dos vertebrados. isto é.

2. O prosencéfalo e o rombencéfalo sofrem estrangulamento. e ao canal do epêndimo. Alguns neurônios do hipotálamo dos mamíferos. os hormônios são também denominados mensageiros químicos. Devido a essa característica. 3. o tubo neural dá origem à medula espinhal. O diencéfalo possui dois centros nervosos principais. o hormônio pode levar segundos ou até minutos para atingir o órgão-alvo. cada um deles. Nas aves e mamíferos. essa disposição em linha das vesículas cerebrais persiste no adulto. a duas outras vesículas. Esse cruzamento denomina-se quiasma óptico. metencéfalo e mielencéfalo (decorrentes da divisão do rombencéfalo). As vesículas são. a segunda. Nos hemisférios cerebrais. assim como a consciência. No corpo dos animais. transportados pela corrente sangüínea. pela ordem: telencéfalo. As secreções que produzem não são hormônios. e as digestivas. rombencéfalo. Durante o desenvolvimento embrionário dos cordados. a partir da vesícula única que constitui o encéfalo primitivo. por exemplo. Os hormônios são substâncias químicas com composição variada. o apetite e as emoções. verificou-se que alguns neurônios podem produzir hormônios denominados neurosecreções. Durante o desenvolvimento embrionário dos vertebrados. é bem desenvolvido nas aves e nos mamíferos. Apesar dessas diferenças anatômicas e funcionais entre esses sistemas. dando origem ao encéfalo primitivo. Esta se forma a partir do teto da cavidade bucal e comunica-se com o hipotálamo por meio de vários nervos e vasos sanguíneos. Em vertebrados inferiores. Eles podem atuar inibindo ou produzindo estímulos no órgão-alvo. Nos demais vertebrados. Este possui uma cavidade interna cheia de líquido: o canal neural. que diferem das endócrinas por possuírem dutos que conduzem a secreção para o exterior da glândula. indo atuar em órgãos específicos. que se fecha. formando o tubo neural. mesencéfalo e a terceira. e dá origem às circunvoluções cerebrais. São glândulas exócrinas. produzem neuro-secreções que ficam acumuladas no lobo posterior da hipófise (neuro-hipófise). O sistema endócrino difere funcionalmente do sistema nervoso pela rapidez da resposta: enquanto um impulso nervoso pode percorrer o como em milésimos de segundo. que controlam muitas atividades musculares e glandulares. o sono. através dela. Logo após o quiasma. denominada prosencéfalo. O sistema nervoso dos vertebrados O sistema nervoso dos vertebrados origina-se da ectoderme embrionária e se localiza na região dorsal. verifica-se que. Em sua região anterior. Estas continuam pela medula espinhal. Desse modo. seu tamanho é grande em relação às demais vesículas e os hemisférios cerebrais são bastante desenvolvidos. denominadas exócrinas. 76 . O hipotálamo exerce efeito controlador sobre a hipófise e. une-se ao cérebro uma importante glândula endócrina: a hipófise. correspondendo aos ventrículos cerebrais no interior do encéfalo. sobre várias atividades do organismos. Sua característica básica está em serem produzidos em uma glândula endócrina. dos vertebrados. denominada pálio. ou cérebro. procedentes dos olhos. as sudoríparas. o tubo neural sofre dilatação. são formadas três outras vesículas: a primeira. O canal neural persiste nos vertebrados adultos. Sua parede externa. Em sua região posterior. É nele que os nervos ópticos. dando origem. situam-se as sedes da memória e dos centros sensitivos e motores. o encéfalo do embrião de vertebrado é constituído por cinco vesículas dispostas em linha reta. apresenta grande aumento de superfície. mesencéfalo (que não sofreu divisão).As secreções produzidas pelas glândulas endócrinas são chamadas hormônios e podem ser consideradas as unidades funcionais do sistema endócrino. dos mamíferos. o tálamo e o hipotálamo. por exemplo. chamados órgãos-alvo. dando origem à goteira neural. a ectoderme sofre uma invaginação longitudinal dorsal. é basicamente o centro do olfato. diencéfalo (decorrentes da divisão do prosencéfalo). existem outros tipos de glândulas. no interior da medula. cruzam-se e depois dirigem-se para o cérebro. O mesencéfalo não se divide. O encéfalo dos vertebrados O telencéfalo.

forma o sistema nervoso cefalorraquidiano. Da medula espinhal dos vertebrados partem 31 pares de nervos raquidianos. nervo raquidiano. O sistema nervoso periférico dos vertebrados Do encéfalo dos peixes e anfíbios derivam dez pares de nervos cranianos. Os nervos parassimpáticos não se comunicam com os gânglios centrais do sistema simpático nem com os nervos raquidianos. aves e mamíferos derivam doze pares. O mielencéfalo. Desse modo. nervo simpático e órgão. Os órgãos do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas e por membranas denominadas meninges. 5. eles não possuem comunicantes. na medula espinhal. Nos mamíferos. aves e mamíferos. O número de glândulas endócrinas que o formam é muito superior ao verificado nos invertebrados. ele é bem desenvolvido. associado ao SNC. estando mais relacionado à adição. Os centros nervosos do sistema parassimpático situam-se no encéfalo e na porção inferior da medula. Dada a um órgão de nutrição segue o seguinte trajeto: centro nervoso. do tônus e do vigor muscular. Na base do cerebelo. ao lado esquerdo do corpo. como a deglutição. Estes. O conjunto dos nervos cranianos e raquidianos forma o sistema nervoso periférico (SNP). com exceção do bulbo. Nos vertebrados muito ativos. situados dorsalmente.O mesencéfalo possui basicamente dois grandes lóbulos ópticos. é considerado um centro vital. Em todos os vertebrados. Os hormônios 77 . Exerce o controle do equilíbrio corporal. 4. a substância cinzenta ocorre mais externamente e a substância branca. gânglio central. mais internamente. além de determinar alterações nos batimentos cardíacos. ou bulbo. por seus prolongamentos. Exerce. esses lóbulos são o centro da visão. pela coluna vertebral. também denominada raque. ou cerebelo. O sistema parassimpático é formado por nervos parassimpáticos e não apresenta gânglios. com exceção dos mamíferos. o lado esquerdo do encéfalo controla o lado direito do corpo e o lado direito. No bulbo e na medula a disposição é a contrária. O Sistema nervoso Central dos vertebrados O conjunto encéfalo e medula forma o chamado sistema nervoso central (SNC). enquanto do dos répteis. como é o caso da locomoção. o lado contrário do que ocupavam no encéfalo: se estavam no lado direito passam para o esquerdo e vice-versa. portanto. que correspondem apenas a uma região de passagem dos nervos ópticos. que forma a ponte de Varolio. O encéfalo é protegido pela caixa craniana e a medula. influência em certos atos reflexos. No encéfalo. ramo comunicante. existem as substâncias cinzenta e branca. Desse modo. também. Sob a proteção esquelética estão as meninges: dura-máter (a externa). o vômito. os órgãos de nutrição podem receber ordens também dos glânglios centrais. ocorre o cruzamento das vias sensitivas e motoras. Além das ordenes dadas pelos centros nervosos da medula. o mesencéfalo não é o centro visual. O metencéfalo. os quais vão terminar na parte posterior dos hemisférios cerebrais. como peixes bons nadadores. 8. A substância cinzenta é formada pelos corpos dos neurônios e a branca. Entre a meninge aracnóide e a pia-máter há um espaço preenchido por um liquido denominado líquido cefalorraquidiano ou líquor. onde terminam os feixes nervosos provenientes dos olhos. Diretamente desses centros partem os nervos que se dirigem a diversos órgãos de nutrição. A maioria desses nervos parte do bulbo. podem ser considerados também centros nervosos do sistema simpático. Este. portanto. Nos mamíferos. que passam a ocupar. Nesta estrutura. a sucção e a tosse. é encarregado de coordenar funções motoras que exijam grande precisão e rapidez. existe um par de feixes nervosos. Neste. Regulação hormonal nos vertebrados O sistema endócrino dos vertebrados é bastante complexo. pois controla a respiração e a digestão. os lóbulos formam os tubérculos quadrigêmeos. aracnóide (a do meio) e pia-máter (a interna).

ou neuro-hipófise. Na fase adulta. localiza-se na base do crânio. sendo quatro deles trópicos: o folículo estimulante (FSH) e o luteinizante (LH). sendo que seu excesso ou falta. são denominados hormônios trópicos. gônadas. Esse hormônio começa a ser produzido na mãe. e o posterior. que são gonadotrópicos. pâncreas. Tem o tamanho aproximado de uma ervilha e liga-se ao hipotálamo por um pedúnculo. Entretanto. liberada por influência do sistema nervoso. anomalia que é chamada de acromegalia. o que aumenta a absorção desta. tireóide. supra-renais. 8 -1. ao passo que o sistema endócrino regula a resposta interna do organismo a esta informação. 8. em uma depressão do osso esfenóide chamada sela túrcica. excessivo. e a falta. respondendo com um armamento anormal. Esses hormônios são a ocitocina e o hormônio antidiurético (ADH). algumas regiões do corpo. produzidos pela adeno-hipófise. pode provocar doenças. paratireóides. por esse motivo. pois os tecidos adultos não mais respondem a ele. O ADH aumenta a permeabilidade das membranas das células dos túbulos renais à água. • gonadotrópicos: atuam sobre as gônadas masculinas e femininas. A neuro-hipófise não secreta hormônios. são: hipófise. sob influência do hormônio tireoideotrópico da hipófise outro hormônio. alguns hormônios dos vertebrados atuam sobre outras glândulas endócrinas. A ocitocina. Esta atua no temperamento das pessoas e. que estimula a secreção de leite nos mamíferos. podem ser sensíveis. O sistema nervoso pode fornecer ao endócrino a informação sobre o meio externo. que estimulam a secreção de hormônios em outras glândulas endócrinas. comandando a secreção de outros hormônios: algumas glândulas. São eles: • tereoidotrópicos: atuam sobre a glândula endócrina tireóide. Outro hormônio não-trópico produzido pela adeno-hipófise é a prolactina. Um dos hormônios não-trópicos. tomando como exemplo o homem. Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios nos vertebrados. Freqüentemente o sistema nervoso interage com o endócrino. produzindo urina mais concentrada. ou glândula pituitária. Estes hormônios são denominados hormônios de liberação. mãos e pés. logo após o parto. apenas armazena dois dos hormônios produzidos pelos neurônios do hipotálamo (neuro-secreções). formando mecanismos reguladores bastante precisos. o nanismo. Tireóide A tireóide está localizada na porção anterior do pescoço e produz. por exemplo. que atuam sobre a adeno-hipófise. A adeno-hipófise produz seis hormônios. o hipotálamo produz aproximadamente nove outros. Os principais hormônios trópicos dos vertebrados são produzidos pela hipófise.Hipófise A hipófise. a tiroxina. Este promove o crescimento de ossos e de músculos.produzidos por essas glândulas influenciam praticamente todas as funções dos demais sistemas não-endócrinos do organismo. Sua 78 . atua acelerando as contrações uterinas no momento do parto. a tireóide é também conhecida como glândula do temperamento. Além desses hormônios. O excesso determina o gigantismo. é o hormônio do crescimento ou somatotropina. o excesso não produz gigantismo. estimulando ou inibindo suas secreções.2. • andrenocortitrópicos: atuam sobre o córtex da glândula endócrina adrenal (ou suprarenal). na fase de crescimento. o adrenocorticotrópico(ACTH) e o tireoideotrópico (TSH). ou adeno-hipófise. Esses hormônios. Possui dois lobos bem desenvolvidos: o anterior. Além de exercerem efeitos sobre órgãos não-endócrinos. e a manutenção de sua produção deve-se aos estímulos nervosos decorrentes da sucção da mama pelo bebê. só produzem hormônios quando estimuladas por hormônios produzidos por outras glândulas. como mandíbula.

e a central. que inibe a remoção de cálcio dos ossos. portanto.produção é maior nos indivíduos mais agitados do que nos indivíduos mais calmos. Dependendo da concentração de cálcio no sangue. No adulto. As gônadas masculinas denominam-se testículos e as femininas. ou adrenais. a tireóide produz outro hormônio: a calcitonina. ou cortical.5. podem promover sua remoção dos ossos ou aumentar sua absorção pelo intestino e reduzir sua excreção pelos rins. fala-se em hipertireoidismo e.3. elemento que faz parte da molécula de tiroxina e cuja falta não permite sua síntese. 8. localizam-se sobre os rins. 8. ou medular. ou paratormônio. fala-se em hipotireoidismo. hormônios que são funcionalmente classificados em glicorticóides. cujas secreções formam o suco pancreático (liberado no duodeno e que participa da digestão). Gônadas As gônadas são também chamadas de glândulas sexuais e produzem. determina pele seca. consistindo em quatro glândulas pequenas. os gametas. Pâncreas O pâncreas é uma glândula mista.4. a glândula tireóide apresenta grande aumento. 8. e uma região endócrina. provocando a doença conhecida como cretinismo. relacionam-se com a regulação da concentração dos íons sódio e potássio’ no sangue. são produzidos os corticosteróides. a produção de tiroxina à hiper ou à hipoatividade da tireóide. O hipotireoidismo na infância pode impedir o bom desenvolvimento psíquico e corporal. representada pelas ilhotas de Langerhans. o excesso desses hormônios pode provocar o aparecimento de barba e de outras características masculinas secundárias na mulher. Os glicorticóides estão relacionados com o metabolismo de glicose. dando origem ao bócio. que mantém constante o nível de cálcio no sangue. mantendo constante o nível de glicose no sangue. ovários. ou epinefrina. O hipertireoidismo determina nervosismo excessivo. aumento do ritmo cardíaco e perda de peso. Nesses casos. intolerância ao frio e cansaço. Na região cortical. Tem efeito. respectivamente. Na região medular. sendo formadas por duas regiões distintas: a periférica. caracterizada por deficiência mental e nanismo. na retenção ou perda de água no organismo. que produzem hormônios relacionados com o metabolismo da glicose Esses hormônios são: insulina e glucagon. entre os quais a aldosterona é o principal. A causa do hipotireoidismo pode ser a carência de iodo. Paratireóídes As paratireóides localizam-se sobre a tireóide. 9. Além da tiroxina. relacionando. que determina vasoconstrição periférica e taquicardia (aumento da freqüência cardíaca). quando são muito baixos. a produção de gametas nas gônadas e o aparecimento de caracteres 79 . mineralocorticóides e hormônios sexuais masculinos. é produzido o hormônio adrenalina. e atuam como anti-inflamatórios.6. além de hormônios sexuais. Supra-renais As supra-renais. Para evitar o bócio. Produzem hormônio paratireoidiano. Os mineralocorticóides. A insulina reduz e o glucagon aumenta o nível de glicose no sangue. o que é característico da doença Diabete mellitus. Os diabéticos precisam tomar doses diárias de insulina para compensar sua deficiência. é prática comum adicionar iodo ao sal de cozinha. Os hormônios sexuais masculinos produzidos no córtex da adrenal afetam caracteres sexuais secundários. composta por uma região exócrina. Regulação hormonal dos processos sexuais Na espécie humana. Quando os níveis de tiroxina são muito elevados. A deficiência na produção de insulina provoca aumento na taxa de açúcar no sangue. 8.

que atinge concentração máxima ao redor o sétimo dia do ciclo. O aumento de sua concentração inibe a produção de LH pela hipófise (feedback negativo) e. iniciando-se então a gravidez. a alta concentração de LH estimula a formação de corpo lúteo ou corpo amarelo no folículo que eliminou o óvulo. em geral apenas um óvulo por mês. reiniciando o ciclo. que. Além disso. Logo em seguida. A mulher produz. está bem desenvolvida. os espermatozóides permanecem no interior do útero por três a quatro dias em condições de fecundar o óvulo. Uma mulher com um ciclo de 28 dias e com ovulação no décimo quarto dia tem como período fértil do décimo ao décimo oitavo dia do ciclo. estimulando-o a produzir a progesterona que manterá a gravidez. que geralmente ocorre no décimo quarto dia do ciclo. o mais importante é a testosterona. sendo que o baixo nível de progesterona representa a eliminação do estímulo que mantém o endométrio desenvolvido. inicia-se a formação da placenta.sexuais secundários estão relacionados a hormônios sexuais. o corpo amarelo começa a regredir e. O folículo em desenvolvimento inicia a secreção do estrógeno que. sendo que. Os altos níveis de esfrógenos do sexto ao décimo quarto dia do ciclo estimulam o crescimento do endométrio. Este estimula as glândulas do endométrio a secretarem seus produtos. espessa e muito vascularizada. há redução dos níveis de progesterona e de estrógeno. também ao redor do sétimo dia.. A interação desses hormônios determina uma série de alterações no sistema reprodutor feminino. Sob a influência do LH. O óvulo pode ser fecundado até três a quatro dias após haver sido eliminado do ovário e ter penetrado na trompa de Falópio. e começa a descarnar. dando origem ao ciclo menstrual. o hormônio luteinizante atua sobre células intersticiais do testículo (localizadas entre os túbulos seminais). o embrião. Essa concentração de estrógeno começa a inibir a produção de FSH pela hipófise. Após a ovulação. apenas um dos folículos atinge desenvolvimento maior que os outros. Na mulher. Como se pode notar. Nesse local. ao mesmo tempo que estimula a hipófise a secretar LH. sendo este o estimulo hormonal para a ovulação. a hipófise aumenta a produção de FSH. No primeiro dia do ciclo. em geral. Se ela mantiver relações sexuais nesse período. O HCG começa a 80 . há grande probabilidade de ocorrer a fecundação do óvulo. Por isso. dando origem ao sangramento menstrual. No homem. o dia da ovulação pode variar de um ciclo para outro. formado por um pequeno número de células. que dura em geral cinco dias. cuja concentração aumenta rapidamente. as famosas “tabelinhas” anticoncepcionais têm alto índice de falhas. A progesterona é importante também para manter dentro do útero o endométrio desenvolvido. de modo que uns controlam a produção dos outros. O hormônio folículo estimulante também estimula a espermatogênese. Os andrógenos regulam o aparecimento de caracteres sexuais secundários e estimulam a espermatogênese (formação de espermatozóides). é responsável pelo aparecimento dos caracteres sexuais secundários. a concentração de LH decresce. com isso. Entre os andrógenos. o período fértil da mulher compreende quatro dias antes e quatro dias depois da ovulação. O FSH induz os folículos ovarianos a produzirem óvulos. onde se iniciam as primeiras etapas do desenvolvimento embrionário. Nessas condições. o FSH estimula os folículos ovarianos a produzirem óvulos e esses folículos em desenvolvimento secretam o estrógeno. O óvulo é fecundado na trompa de Falópio. estimulando a produção de andrôgenos (hormônios sexuais masculinos). Por outro lado. A placenta secreta um hormônio chamado gonadotropina coriônica (HCG) que atua sobre o corpo lúteo. A adeno-hipófise produz dois hormônios gonadotrópicos: o hormônio luteinizante (LH) e o folículo estimulante (FSH). É importante frisar que nem todas as mulheres têm ciclos menstruais de 28 dias e que as que têm nem sempre ovulam no décimo quarto. passa para a cavidade uterina e fixa-se à parede do útero. Durante esse período. sendo que o primeiro dia do ciclo corresponde ao primeiro dia da menstruação. passa a ter alta concentração no sangue. a parede do útero. então. denominada endométrio. Os hormônios gonadotrópicos na mulher interagem com os produzidos pelo ovário. na puberdade. assim. o corpo lúteo inicia a produção de um outro hormônio: a progesterona. Ao redor do vigésimo segundo dia do ciclo. estrógenos e LH são muito baixos. A duração média do ciclo menstrual é de 28 dias. No vigésimo oitavo dia os níveis de progesterona. o endométrio está na iminência de uma nova descamação (menstruação).

A amônia deve ser eliminada do corpo do animal. também mais complexo que o da uréia e que ocorre igualmente no fígado. sendo formado através do ciclo do ácido úrico. mesmo em baixa concentração. passando a excretar principalmente uréia. pois é uma substância tóxica. quando ingeridos em excesso. São animais ureotélicos: os condrícties. que tem estrutura mais complexa do que a da uréia. que poderão participar dos mecanismos CO2 e oxidativos (liberando energia. pois participam da “construção” do corpo dos animais. que é transformado em amônia (NH3) um dos produtos nitrogenados da excreção. como combustível celular. Estando circundados por grande volume de água. que serão 81 . As proteínas ingeridas pelo animal são degradadas em seus elementos constituintes: os aminoácidos. As dosagens desse hormônio no sangue e na urina são os principais testes clínicos de gravidez. liberando energia através da respiração celular. Antes de participarem dos mecanismos oxidativos eles passam por mecanismos de remoção do grupo amina (NH2) (os aminoácidos são substâncias que têm um grupamento amina e um grupamento ácido. São animais amoniotélicos: os peixes (com exceção dos condrícties) e as larvas aquáticas de animais terrestres. e função energética. ou em ácido úrico. O primeiro estágio da decomposição dos aminoácidos é denominado desaminação e consiste na remoção do grupo amina. A excreção de uréia pelos condrícties está relacionada a problemas osmóticos. os animais podem ser classificados em: • animais amoniotélicos: que excretam principalmente amônia. utilizados como combustível. A uréia é menos tóxica e menos solúvel em água que a amônia. Esse grupamento amina é que dá origem aos excretas nitrogenados. • animais ureotélicos: que excretam principalmente uréia. os animais aquáticos têm. como gorduras. Os aminoácidos sem o grupo nitrogenado dão origem a cetoácidos. em substâncias de reserva. como matéria-prima para sintetizarem outras proteínas e. havendo necessidade de volume considerável de água para sua eliminação. podendo ser detectado no sangue e na urina da mulher durante a gestação. pois atuam como fornecedores de energia para o metabolismo celular. e é necessário um volume menor de água para sua eliminação. têm particular interesse no estudo da excreção. os mamíferos e os animais ainda relacionados de algum modo ao ambiente aquático. O ácido úrico é atóxico e praticamente insolúvel em água. ou ser transformados. como os girinos. Os aminoácidos. em parte. H20). Os animais aquáticos são amoniotélicos. PARTE IX O trato Alimentar Função Hepática Os excretas nitrogenados são os resultantes do metabolismo das proteínas. A amônia é muito tóxica e muito solúvel em água. A amônia pode ser transformada em uréia através do ciclo da uréia ou ciclo da ornitina. • animais uricotélicos: que excretam principalmente ácido úrico. quando a água do meio seca. Os animais terrestres são ureotélicos ou uricotélicos. Os uricotélicos o eliminam como uma pasta espessa ou como bolotas sólidas e não têm necessidade de água para isso. As proteínas têm portanto. Estes são utilizados pelos animais. que ocorre no fígado.ser formado logo no inicio da formação da placenta. como é o caso dos anfíbios adultos. assim. De acordo com o produto de excreção nitrogenada predominante. facilitada a dispersão da amônia. em parte. função plástica. A excreção predominante de um desses produtos está relacionada com o ambiente em que o animal vive. daí o nome aminoácido). Os peixes pulmonados deixam de ter a amônia como excreta predominante. Resumo do metabolismo dos aminoácidos.

o que não ocorreria com os outros produtos de excreção nitrogenada.possuem uma língua denteada e protátil. uma pessoa produz cerca de 1 litro de saliva. havendo troca de substâncias entre o sangue da mãe e o do feto através da placenta. embaixo da língua. São animais uricotélicos: os répteis e as aves. juntamente com outras ligadas à respiração e à excreção permitiram que animais maiores e mais complexos tivessem boas condições de sobrevivência. lubrifica e dilui o alimento facilitando a deglutição. o tiflossole.discutidos posteriormente. Tais adaptações. alguns animais excretam outros tipos. os embriões geralmente desenvolvem-se no útero materno. as submaxilares. o alimento é raspado por cinco dentes calcários. No caso dos mamíferos. substância solúvel mas atóxica. O odor característico do peixe morto é decorrente do aumento da concentração dessa substância na carne desses animais. que são terrestres na imensa maioria. a mastigação e a gustação. a excreção de uréia está provavelmente relacionada à viviparidade. Graças a essas glândulas. Eles são ovíparos e seus embriões se desenvolvem no interior de ovos revestidos por cascas. que inicia a digestão do amido e do glicogênio. Os peixes ósseos marinhos excretam quantidades consideráveis de óxido de trimetilamina. que com isso. Os moluscos . A digestão humana O aparelho digestivo do homem compõe-se de boca. O ácido úrico. não há prejuízo para nenhum deles. Além disso. Mas somente nos artrópodes e moluscos aparecem glândulas como o fígado e o pâncreas. A amílase age no pH neutro da boca. A saliva contém uma enzima. intestino e ânus. além da economia de água. língua e glândulas salivares. A língua. O intestino recebe as substâncias secretadas pelo fígado e pelo pâncreas. um dissacarideo. Modificação do alimento na boca Os dentes encarregam-se de cortar e triturar o alimento. esôfago estômago. produzida pelas glândulas salivares. Na boca há dentes. que secretam grandes quantidades de enzimas digestivas. que formam a lantema-dearistóteles. refere-se também ao tipo de desenvolvimento desses animais. pode ser armazenado no interior do ovo. Diariamente. como as aranhas. Nas minhocas há uma prega dorsal no intestino. mas é inibida ao chegar no estômago devido à acidez do suco gástrica. eliminam a base nitrogenada guanina como principal produto de excreção. que aumenta a superfície de produção de enzimas e de absorção de alimento. manipula o alimento misturando-o à saliva. a amílase salivar ou ptialina. sendo provocada por um vírus). Alguns invertebrados excretam aminoácidos e outros. Já no ouriço-do-mar (equinoderma). chamada rádula. sem causar prejuízo ao embrião. que pode ser melhor aproveitada para absorver o alimento digerido. órgão de grande mobilidade dotado de corpúsculos sensoriais que captam o sabor. adquire maior superfície de contato com as enzimas digestivas. Ela é produzida por três pares de glândulas salivares: as parótidas situadas atrás dos ouvidos(a conhecida caxumba. eles podem digerir maior quantidade de alimento sem ocupar grande superfície da parede intestinal. na base posterior do maxilar inferior. 82 . aumentando a velocidade da digestão.com exceção dos pelecípodes (ostras e mariscos) . A saliva. Sendo a uréia menos tóxica do que a amônia. Além desses principais produtos nitrogenados de excreção. substância praticamente insolúvel em água. transformando-os em maltose. não havendo necessidade de água para sua eliminação. que serve para ralar os alimentos. A vantagem desse tipo de excreção. e as sublinguais. A guanina é ainda menos solúvel do que o ácido úrico. Nesses animais. protege a boca contra as bactérias e umedece sua mucosa. especialmente para o feto.

é produzida na forma inativa de pepsinogênio. a renina. armazenando-a na forma de glicogênio e devolvendo-a depois ao sangue. fecha automaticamente a traquéia. Armazena diversas vitaminas (vitaminas A. lançado no sangue. o alimento é engolido passando ao esôfago. que determina a coagulação do leite. impedindo que ele siga pelo aparelho respiratório (figura.). Porém. onde o alimento é armazenado e sofre a ação do suco gástrico. Destrói glóbulos vermelhos “velhos”. facilitando a ação da pepsina. que contém ácido clorídrico (HCI). a gastrina. Há também uma enzima.O cheiro e o sabor dos alimentos.ou até mesmo a imagem que formamos dele podem estimular a secreção gástrica. responsável pela extrema acidez do estômago (pH em torno de 2). Do esôfago até o estômago o alimento é ativamente transportado por contrações musculares. A proteína é então fragmentada em moléculas menores: proteoses. que. fibrino gênio etc. corrói o cimento intercelular dos alimentos ingeridos e destrói bactérias. inativando substâncias prejudiciais ao organismo. o estômago fabrica um muco protetor. D e B12) Vem daí seu valor nutritivo como alimento. A desaminação produz amoníaco. tais como. 6). formando-se uma massa ácida branca e pastosa. Após a mastigação. captados pelas terminações nervosas do nariz e da língua. o quimo. um novo reflexo provoca a tosse. estimulam a maior produção de saliva. peptonas e polpeptideos. de acordo com as necessidades do organismo. A partir dos aminoácidos essenciais fabrica os demais aminoácidos do corpo. O ácido clorídrico facilita a ação das enzimas do suco gástrico. Não é à toa. desobstruindo o aparelho respiratório. Fabrica várias proteínas do sangue (albumina. nós nos engasgamos. os movimentos peristálticos. Funções do fígado O fígado não atua apenas na digestão. Modificações do alimento no estômago O estômago é uma região dilatada e musculosa do canal alimentar. A hemoglobina desses glóbulos é transformada em pigmentos de cor parda. portanto que dizemos “fiquei com água na bocas”. Além da pepsina. Pode transformar o excesso de glicídios e proteínas em lipídios. Faz a desaminação de aminoácidos (retirada de nitrogênio) para que possam ser queimados ou transformados em glicídios ou lipídios. A simples visão do alimento ou a percepção de seu odor . um composto muito tóxico. A digestão dura de duas a quatro horas. passa a estimular todo o estômago na fabricação do suco gástrico. Funciona como um complexo laboratório químico e realiza diversas funções vitais ao organismo. Ele é um dos órgãos mais importantes e versáteis do nosso como. Nesse momento uma pequena “tampa” . Por isso pode-se comer ou beber mesmo de cabeça para baixo. A uréia é lançada no sangue e eliminada pelos rins. A principal enzima do suco gástrico. • • • • • Retira o excesso de glicose do sangue. Além de um estimulo nervoso. encontrada em mamíferos de pouca idade. removendo-os da circulação. que é transformado prontamente em uréia (substância menos tóxica). com pouca atuação sobre os lipídios. que são eliminados pela biIe e • • • 83 . que serão depois armazenados no tecido adiposo do organismo. Pela ação do ácido clorídrico o pepsinogênio transforma-se em pepsina e começa a quebrar as ligações químicas entre certos aminoácidos das proteínas. há um controle hormonal da secreção: o contato do alimento com a parte final do estômago estimula as células desse órgão a produzirem um hormônio. há no suco gástrico uma lipase. Quando há descontrole dos reflexos que fecham a traquéia. a pepsina. Para evitar que sua própria parede seja destruída. Tem ação desintoxicante. a epiglote.

Recentemente evidenciou-se que no intestino grosso ocorre alguma digestão e absorção de alimentos devido à ação das numerosas bactérias que vivem nesse órgão. dipeptidases e tripeptidases (transformam os peptídeos em aminoácidos) e lipases (transformam gorduras em ácidos graxos e glicerol). Ë produzida também uma lipase.a enteroquinase e a segunda é ativada pela ação da própria tripsina produzida. A primeira transforma-se em tripsina por uma enzima produzida no duodeno . há dobras na parede intestinal. sendo absorvida na forma de gotículas microscópicas que são lançadas nos vasos linfáticos. Além dessas substâncias. mas sais biliares. que atuam como “detergentes” emulsionando as gorduras. que digere as gorduras em glicerol e ácidos graxos. produzem vitaminas importantes para o homem. transformando-as em minúsculas gotículas que se misturam com a água e formam uma emulsão. que aumentam mais ainda a área de absorção do alimento. respectivamente. diminui a acidez do quimo. que fragmentam ácidos nucléicos em nucleotídeos. que formam boa parte das fezes. Quando o quimo entra em contato com a parede intestinal. O suco pancreático contém água e bicarbonato de sódio que. sacarase (transforma a sacarose em glicose e frutose). que corresponde aos 25 centímetros iniciais. composto de enzimas que terminam a digestão dos alimentos: maltase (transforma a maltose em glicose). as nucleases. o quilo. Parte das gorduras não é ingerida. A bile. as vilosidades. matar essas bactérias e provocar diarréia. No ceco encontra-se uma projeção denominada apêndice. Tal fato aumenta muito a superfície de contato dos lipídios com a lipase. produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar não possui enzimas digestivas. como a vitamina K. a biotina e o ácido fólico. resultando peptídeos menores. Essas bactérias. e a carboxipeptidase. existem as enzimas tripsina e quimiotripsina que quebram os fragmentos de proteína produzidos pela pepsina. isto é. O fim da digestão e a absorção do alimento A digestão termina na parte mais longa do intestino delgado o jejuno-ileo que produz o suco intestinal.determinam a cor perda das fezes Modificações do alimento no intestino delgado O bolo alimentar (quimo) passa do estômago para o intestino delgado. Atlas doses de antibióticos podem. As moléculas simples são absorvidas pela parede intestinal e lançadas no sangue. Como no caso do estômago essas secreções são controladas por mensagens nervosas e hormônios. Essas duas enzimas são produzidas em formas inativas: o tripsinogênio e o quimiotripsinogênio. Após a digestão. erepsina. com a bile. lactase (transforma a glactose em glicose e glalactose). são lançadas as secreções do fígado e do pâncreas. ele estimula a produção de hormônios (colecistocinina e secretina) que agem sobre o pâncreas e a vesícula biliar fazendo-os lançar no duodeno o suco pancreático e a bile. Além disso cada célula possui pequenas projeções. facilitando a sua ação. o intestino mede cerca de 6 metros de comprimento e no seu interior ocorre a principal parte da digestão e da absorção do alimento pelo organismo. que completa a ação da amilase salivar. O intestino delgado divide-se em duas regiões: duodeno e jejuno-íleo. o cólon e o reto. aminopeptidases. Na espécie humana. O pâncreas produz ainda a amílase pancreática. as microvilosidades. No duodeno. Facilitando o trabalho de absorção pelo intestino. que quebra mais algumas ligações dos peptídeos. eventualmente. Nos animais herbívoros o ceco é bem 84 . Modificações do alimento no intestino grosso O intestino grosso é formado por três partes: o ceco. o alimento transforma-se em um líquido branco.

aves e mamíferos que põem ovos. Em muitos vertebrados . que formam as presas. O cólon é a parte maior do intestino. que absorve a água. denominada cloaca.e um grande número de bactérias. apesar de serem muito pequenos. carneiro girafa. anfíbios. veado camelo etc. Assim. que comem grãos ou folhas. Digestão em outros vertebrados A digestão está adaptada aos diferentes modos de vida em cada grupo de vertebrados. mas não têm dentes: a trituração do alimento é feita no estômago. as aves possuem um bico côrneo. formadas por água. O intestino dos peixes cartilaginosos (tubarão) e dos agnatos (lampréia). os dentes são iguais entre si (várias fileiras. que serão mastigadas na boca vagarosamente. em vez de dentes. herbívoros como o boi e o cavalo. um tubo musculoso que se abre para o exterior através do ânus. enquanto os anfíbios não possuem dentes mas têm a língua bastante desenvolvida. Depois o alimento é deglutido outra vez. que é muito mais variada. e. A seguir o alimento vai para o barrete. que pode capturar insetos e outras presas. Então o alimento mistura-se à saliva e é regurgitado em pequenas porções. Nos peixes. O alimento é rapidamente mastigado e engolido indo se acumular na pança. Nosso apêndice pode ser considerado um vestígio do ceco desenvolvido dos herbívoros. répteis. que aumenta a superfície de absorção.) é muito desenvolvido e divide-se em quatro partes: pança (ou rúmen).desenvolvido funcionando como um reservatório onde ocorre parte da digestão dos alimentos. Finalmente.os aparelhos digestivo. podendo medir até 40 m de comprimento. que produz enzimas digestivas. que se divide em duas partes: a que produz enzimas digestivas. onde há glândulas salivares semelhantes às da boca. têm molares mais desenvolvidos etc. com grossas paredes musculares que trituram o alimento O estômago de mamíferos ruminantes (boi. As cobras podem ter dois dentes que se transformam em presas inoculadoras de veneno. urinário e reprodutor terminam numa bolsa única. que se abre para fora. folhoso (ou omaso) e coagulador (ou abomaso). finalmente. Porém os peixes ósseos e a maioria dos 85 . Aí ocorre a absorção da água e dos sais minerais que não foram absorvidos pelo intestino delgado.peixes cartilaginosos. lâminas fortes que servem para esmagar o alimento. o papo.como a celulose . As tartarugas têm. chamada estômago químico ou proventrículo e a moela ou estômago mecânico. o que está de acordo com nossa alimentação. onde os grãos são armazenados e amolecidos antes de irem para o estômago. os tipos de dentes variam de acordo com os hábitos alimentares do animal. A variação nos tipos de dentes Nos mamíferos. como veremos a seguir. Aí a celulose é atacada por bactérias e protozoários. segue para o coagulador. possuem dobras em forma de espiral. como o ornitorrinco . barrete (ou retículo). roedores têm incisivos bem desenvolvidos. são elimina das pelo reto. no tubarão). além de possuírem ligamentos elásticos na mandíbula que permitem a ingestão de presas volumosas. carnívoros têm caninos. Os dentes humanos são menos especializados que os dentes desses mamíferos. formando a válvula espiral ou tiflosole. O estômago das aves e dos ruminantes A maioria das aves possui uma dilatação no esôfago. O intestino dos outros vertebrados O intestino dos animais herbívoros é muito maior do que o do homem e de outros animais carnívoros. indo para o folhoso. As fezes. restos não digeridos de alimentos .

coma alguns alimentos de cada um dos quatro grupos básicos por dia. pois não têm todos os aminoácidos essenciais em boa quantidade. São abundantes nos cereais. enquanto um trabalhador com grande atividade física gasta em média 3 800 calorias por dia. das aves e dos peixes. o aparelho digestivo abre-se para o exterior separadamente dos outros. Normalmente. no mel. são completas. além de ferro e algumas vitaminas do complexo B ao nosso organismo. beterraba). nas frutas. o peso etc. Os alimentos podem ser divididos em quatro grupos: o do leite (que inclui derivados como o iogurte e o queijo). Glicídios. no açúcar comum e na rapadura. Entretanto. Vitaminas. Para adquirirmos todos os nutrientes. vitaminas e fibras (importantes para o bom funcionamento dos intestinos) e o grupo dos cereais e tubérculos (que inclui arroz. Assim. amendoim). mandioca. que fornece proteínas. do queijo. as proteínas são macromoléculas formadas pela união de muitos aminoácidos. com os quais ele sintetiza os outros dez. Têm principalmente uma função plástica ou estrutural. ervilha ou lentilha. pois os aminoácidos que faltam no cereal estão presentes na leguminosa e vice-versa. São nutrientes reguladores. possuem todos os aminoácidos essenciais na proporção ideal para nosso organismo já as proteínas vegetais são em geral incompletas. nas raízes e nos tubérculos (batata. mas pode ser substituído por ovos ou queijo ou ainda por feijão. massas etc.mamíferos não têm cloaca. óleo de soja. o trigo (e seus derivados: pão farinha. da carne. sendo portanto indispensáveis para o bom desempenho das funções orgânicas. em certos produtos de origem vegetal (margarina. isto é. batata ou mandioca). podemos dizer que um adulto precisa consumir cerca de 70 gramas de proteína por dia. A necessidade de glicídios varia com a atividade física da pessoa. macarrão. São encontrados no leite e em seus derivados (principalmente a manteiga).) e o milho. que fornece cálcio proteína e algumas vitaminas e sais minerais o da carne (que inclui carne de vaca. açúcares. constituem o principal componente de construção da célula. é necessário suplementar a dieta com um pouco de proteína animal). é necessário ter uma dieta variada. porco. o grupo das hortaliças. não há a menor necessidade de tomar remédios à base de vitaminas. que fornece glicídios. pois. Nutrição e saúde As substâncias químicas presentes nos alimentos são chamadas nutrientes e exercem três funções principais em nosso organismo: função plástica. controlam as reações químicas do corpo. na carne. aveia etc. dos legumes e das frutas. Lipídios. pão. Os lipídios são nutrientes com função energética e plástica: servem como reserva de energia e tomam parte na formação das membranas das células. As proteínas animais. soja. Como sabemos. frutas e cereais. neste caso. do leite. De modo geral. aumente a ingestão de verduras. no toucinho. ao misturarmos cereais (arroz. função energética e função reguladora. Coma menos alimentos açucarados (principalmente entre as refeições) e alimentos ricos em gorduras animais. a idade. que fornece sais minerais. Finalmente. Um homem com profissão de pouca atividade física precisa consumir cerca de 3 000 calorias por dia. Vejamos como cada grupo de substâncias químicas alimentares atua em relação a essas três funções: Proteínas. isto é. ervilhas. ave ou peixe. conseguimos uma mistura equilibrada de aminoácidos essenciais. juntamente com as enzimas. chamados aminoácidos essenciais. como as do ovo. trigo e derivados. de milho etc) e em frutas. sendo que. Um grama de lipídio produz cerca de 9 calorias. pois nosso 86 . pois constituem a principal fonte de energia para o organismo. na qual a deficiência de um nutriente em certo alimento seja compensada por sua presença em outro. Neles. lentilhas. Os glicídios.) com leguminosas (feijão soja. como o abacate. ferro e algumas vitaminas. a noz etc. no ovo (gema). Apesar de existirem vinte aminoácidos diferentes na natureza. Um grama de glicidio produz 4 calorias. hidratos de carbono ou carboidratos são nutrientes energéticos por excelência. nosso corpo necessita apenas de dez tipos. como o arroz.

frutas. Cozinhe as batatas e cenouras com casca e ferva a água antes de colocar nela qualquer vegetal. podem trazer problemas ao organismo. a criança pode morrer se não receber uma alimentação equilibrada. B12 e niacina). para que os nutrientes não se percam com o vapor reaproveitando a água do cozimento para fazer arroz ou sopas. É o caso da vitamina C e das vitaminas do complexo B (vitaminas B1. o ideal é comer as frutas cruas. legumes. permitindo as reações químicas do metabolismo e impedindo grandes variações de temperatura. Nas populações mais pobres. pois isso facilita o trabalho de eliminação pelos rins das substâncias tóxicas que penetram em nosso organismo através da poluição ou dos alimentos. verduras e frutas. É o caso das vitaminas A. de preferência. como leite. provocando diarréias freqüentes. sempre que puder os doces por frutas e os refrigerantes por sucos de. D.corpo é automaticamente suprido delas caso receba uma dieta variada. que se dissolvem em água. instala-se uma doença conhecida como kwashiorkor que se caracteriza por estatura abaixo do normal. quando ingeridas em demasia (hipervitaminoses). Através do estudo da nutrição podemos concluir em síntese. ovos. o que poderá prejudicar sua capacidade de aprendizagem para o resto da vida. que comer bem não é comer muito. A desnutrição pode provocar atraso no desenvolvimento mental e físico. A carência simultânea de proteínas e calorias provoca o marasmo. é comum encontrar crianças que. Como conseqüência. O excesso de vitaminas hidrossolúveis é eliminado pela urina. verduras. no vapor. B2. verduras e frutas. E e K. Além disso. a desnutrição enfraquece as defesas do indivíduo. enquanto as vitaminas lipossolúveis. Em ambos os casos. possui anticorpos que protegem a criança e cria maior vínculo emocional entre a mãe e o filho. que a desnutrição da gestante ou da criança nos primeiros anos de vida pode causar lesões permanentes no cérebro da criança. Cozinhe o vegetal inteiro ou cortado em pedaços grandes. Agua e sais minerais. lesões na pele. Finalmente. com sintomas semelhantes aos do kwashiorkor. com leite. B6. pois funciona como solvente. em que estejam presentes leite (ou derivados). escolha sempre as frutas e verduras mais frescas e não compre as já picadas. Sabe-se. porque elas perdem mais facilmente as vitaminas. deixando para picá-lo depois. É importante beber muita água diariamente. Cozinhe apenas o tempo suficiente para que os vegetais fiquem tenros. legumes e cereais. É importante estimular a amamentação natural. apresentam deficiências de proteínas. São metabolizadas pelo fígado: por isso. é isento de bactérias. mas ter uma dieta variada e equilibrada. a água é importante para a vida. após o desmame. são encontradas em cereais. Use também pouca água. Além disso. ovos e queijo. pois o leite materno possui maior valor nutritivo para o bebê e tem digestão mais fácil que o leite em pó. facilitando a instalação de doenças infecciosas. frutas. A desnutrição Dizemos que ocorre desnutrição quando é insuficiente o consumo ou o aproveitamento pelo organismo de um ou mais nutrientes. para evitar a perda de vitaminas e faça o cozimento com a panela bem tampada. elas podem perder parte do valor nutritivo com o transporte e o estoque: quanto mais amassada ou murcha uma verdura estiver mais vitaminas ela deve ter perdido. por exemplo. 87 . acarretando retardo e altura e peso inferiores ao normal. Embora as frutas e verduras frescas sejam a melhor fonte de vitaminas entre os alimentos. As vitaminas lipossolúveis dissolvem-se bem em gorduras e predominam nos alimentos gordurosos. As hidrossolúveis. carne (ave ou peixe). Como vimos. Por isso. atraso no desenvolvimento mental e infecções no tubo digestivo. embora recebam a quota normal de glicídios. Substitua.

PARTE X Endocrinologia e Reprodução Hormônios são substâncias químicas, produzidas por células especializadas do como, e que atuam sobre outras células, modificando seu metabolismo de maneira específica. Os hormônios são, em geral, moléculas de proteínas ou esteróides. Eles são produzidos por glândulas chamadas endócrinas ou de secreção interna . As glândulas endócrinas lançam sua secreção no sangue e é através da corrente sanguínea que os hormônios atingem as células sobre as quais irão atuar. Embora todas as células do como sejam atingidas pelos hormônios presentes no sangue, apenas alguns tipos celulares são capazes de responder a eles. As principais glândulas endócrinas Hipófise A hipófise, também chamada pituitária, é a glândula responsável pela produção de uma série de hormônios que atuam sobre diversas partes do corpo, inclusive controlando outras glândulas endócrinas. A hipófise é constituída por três partes, ou lobos, os quais produzem hormônios distintos. Os lobos anterior e médio originam-se da epiderme do teto da boca do embrião, ou seja, têm origem epitelial. O lobo posterior da hipófise é uma projeção da base do cérebro (hipotálamo), sendo de origem nervosa. Harmônios da adeno-hipófise Os principais hormônios produzidos pelo lobo anterior da hipófise, também conhecido como adeno-hipófise, estão relacionados a seguir. O harmônio somatotrófico ou hormônio de crescimento, também conhecido pela sigla GH (do inglês Growth Hormone), regula o crescimento geral do corpo. Sua produção excessiva, em caso de disfunção glandular, pode causar o gigantismo. Sua deficiência causa o nanismo. O hormônio tireotrófico ou tireóide-estimulante, também conhecido pela sigla TSH, regula o desenvolvimento e a atividade da glândula tireóide. O hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) regula a atividade da porção mais externa (córtex) das glândulas supra-renais ou adrenais. O hormônio folículo estimulante (FSH) atua sobre os órgãos reprodutivos. Nos machos, estimula a produção de espermatozóides. Nas fêmeas, promove o amadurecimento dos folículos ovarianos, onde estão contidas as células sexuais femininas. O hormônio luteinizante (LH) também atua sobre o aparelho reprodutor. Induz a ovulação e a produção do hormônio progesterona pelos ovários. Nos machos, induz a produção do hormônio testosterona por células especializadas do testículo. O hormônio Iactogênico regula a produção de leite pelas glândulas mamárias dos mamíferos. O lobo mediano da hipófise é pouco desenvolvido nos mamíferos. Nos peixes, répteis e anfíbios, no entanto, ele é responsável pela síntese de um hormônio chamado de intermedina, que atua sobre as células da pele, os cromatóforos, tornando-as mais claras ou mais escuras. Hormônios liberados pela neuro-hipófise A porção posterior da hipófise, conhecida como neuro-hipófise, é responsável pela liberação de dois importantes hormônios produzidos no hipotálamo: a vasopressina e a ocitocina. A vasopressina, também conhecida como hormônio antídiurético (ADH), atua sobre os túbulos dos néfrons renais. Sua ação nos rins dá-se no sentido de aumentar a reabsorção de grande parte da água filtrada nos glomérulos.

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Diabete insípido Uma deficiência de vasopressina ocasiona uma menor reabsorção de água pelos néfrons. Isso faz com que o indivíduo produza uma grande quantidade de urina muito diluída. O indivíduo fica com tendência a desidratação e tem sede exagerada. Esse quadro de sintomas caracteriza o diabete insípido, uma doença causada, portanto, pela insuficiência hipofisária na secreção de ADH. A ocitocina é um hormônio importantíssimo por ocasião do parto. Ela determina as contrações rítmicas da musculatura lisa do útero as quais levam à expulsão do filhote. Ela atua também sobre a musculatura lisa das glândulas mamárias, provocando a expulsão do leite, facilitando assim a amamentação. Tireóide A tireóide é uma glândula localizada na região em frente à laringe. Seus hormônios mais conhecidos são a tiroxina e a diodotironina, substâncias que contêm iodo na sua estrutura. A ausência de iodo na alimentação humana pode levar a tireóide a aumentar muito em tamanho, formando um inchaço no pescoço (papo) chamado bócio. Isso decorre de uma tentativa da glândula de absorver o máximo possível de iodo, necessário á síntese da tiroxina. Bócio endêmico Em certas regiões interioranas do Brasil, a carência de iodo na dieta provoca o aumento da tireóide de vários indivíduos da população. Nesse caso, fala-se em bócio endêmico. A tiroxina regula o metabolismo de praticamente todas as células do corpo. Quando em excesso, ela provoca uma elevação da atividade celular, enquanto sua falta leva a uma diminuição do metabolismo das células. Bócio exoftálmico O hiperfuncionamento da tireóide, conhecido como hipertireoidismo, aumenta de maneira generalizada a atividade corporal. O indivíduo afetado por essa doença é magro, muito agitado e tem grande apetite. Ele pode apresentar um crescimento anormal da glândula (bócio) e olhos arregalados e saltados da órbita (exoftalmia). Esse quadro gerou a denominação de bócio exoftálmico para essa doença. Mixedema e cretinismo O hipotireoidismo ou mixedema é resultante da diminuição da atividade da tireóide. Seus sintomas são o inverso dos do hipertireoidismol A pessoa afetada tende a engordar, ser pouco ativa e apresenta pele fria e ressecada. Quando o hipotireoidismo se manifesta na infância, o indivíduo pode vir a ter retardamento físico e mental, produzindo-se um quadro clínico conhecido como cretinismo. A tireóide produz ainda a calcitonina, um hormônio que atua no metabolismo do cálcio. Seu principal efeito é dificultar a passagem de cálcio dos ossos para o sangue. Como você verá a seguir, a calcitonina exerce um efeito contrário ao do paratormônio, um hormônio produzido pelas paratireóides. Paratireóides Essas glândulas, em número de quatro e localizadas atrás da tireóide, são responsáveis pela produção do paratormônio. Esse hormônio regula o metabolismo do cálcio no corpo. Sua presença na circulação induz a retirada de cálcio dos ossos e dos dentes, mobilizando-o para o sangue. Na sua ausência ocorre o processo inverso, o cálcio passa a se depositar nos ossos e nos dentes, diminuindo sua

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concentração no sangue. A manutenção de uma quantidade normal de cálcio no sangue é de grande importância para o funcionamento do corpo. Esse elemento participa dos processos de contração muscular e transmissão dos impulsos nervosos. Além disso, ele tem papel fundamental na coagulação do sangue. Pâncreas O pâncreas, como já vimos, é um órgão do aparelho digestivo. No entanto, em meio às células que secretam o suco pancreático, existem grupos isolados de células com função endócrina, as chamadas ilhotas de Langerhans. Elas produzem dois importantes hormônios, a insulina e o glucagon. Diabete melito A função mais conhecida da insulina é diminuir a taxa de glicose no sangue circulante, facilitando o seu armazenamento no fígado, na forma de glicogênio. A diminuição da insulina no sangue de um indivíduo, decorrente de uma disfunção do pâncreas, causa o diabete melito. Essa condição faz com que o nível de glicose no sangue aumente e parte desse açúcar passe a ser excretada na urina. A deficiência de insulina tem inúmeras consequências para o organismo. Em alguns casos pode ocorrer o estado de coma diabético, em que ocorre perda de consciência e outras complicações. O glucagon tem ação inversa à da insulina, sendo responsável pela liberação de glicose pelo fígado, e conseqüente elevação da taxa desse açúcar no sangue circulante. Supra-renais Existe uma glândula supra-renal localizada sobre cada rim. A supra-renal apresenta-se formada por duas porções: a mais externa é denominada córtex e a mais interna é denominada medula. Ambas as porções produzem importantes hormônios. O córtex da supra-renal secreta hormônios esturdies conhecidos genericamente como corticosteróides. Os corticosteróides podem ser divididos em três categorias: mineralocor ticóides, glicocorticóides e androgenios. Os mineralocorticóides atuam na manutenção do equilíbrio hidrossalino do corpo, regulando as taxas de sódio, potássio, cloro e a quantidade de água no sangue. Os glicocorticóides atuam na formação de glicose a partir de proteínas e de gorduras. Isso é importante para manter estável a taxa de glicose no sangue pois, nos intervalos grandes entre as refeições, proteínas e gorduras dos tecidos corporais são convertidos em glicose. Os androgênios são hormônios sexuais masculinos, e atuam na produção dos caracteres sexuais secundários. Alterações nos hormônios androgênicos das supra-renais podem resultar em malformação de órgãos genitais masculinos (pênis e escroto mal desenvolvidos) e femininos. Adrenalina O principal hormônio da medula da suprarenal é a adrenalina. Esse hormônio, também conhecido como epinefrina, atua sobre o fígado acelerando a transformação de glicogênio na glicose, a qual é lançada no sangue. Não podemos esquecer que a adrenalina é dos mediadores químicos presentes nas sínteses nervosas, sendo responsável pela passagem do estimulo nervoso nas sinopses entre neurônios do sistema nervoso simpático. A separação da adrenalina no sangue estimula os nervos do sistema nervoso simpático. Sob a ação da adrenalina, os vasos sanguíneos da pele contraem-se -- o que leva á palidez - e o sangue se concentra nos músculos nos órgãos localizados mais internamente, ocorre também taquicardia (aumento do ritmo cardíaco), aumento da pressão arterial e excitação geral do corpo.

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o que aumenta grandemente a chance de a fecundação ocorrer. que atua sobre o teor de cálcio no plasma sanguíneo. fala-se em inibição pelo produto. o aumento da taxa de glicose no sangue e a maior irrigação dos órgãos internos nos músculos são uma preparação para uma reposta rápida ao estimulo externo.). O maior teor de cálcio. percebemos um interessante mecanismo de auto-regulação das concentrações hormonais no corpo. ou equilibração. Neste capítulo centraremos nossa 91 .a digestão de proteínas e conseqüentemente a produção de oligopeptídios. o que é chamado de retroinibição ou “feedback” negativo. de modo que a concentração desse hormônio no sangue declina. Essa resposta pode tanto ser a fuga. mais suco gástrico. que é liberado no sangue. com mais produção de gastrina. quanto o ataque e a defesa. Introdução A função primordial do aparelho reprodutor é perpetuar a espécie. onde induz a produção de mais suco gástrico. Se o alimento for rico em proteínas (moléculas polipeptídicas). Nesse caso. é o que os biólogos denominam homeostase. tem . O mecanismo de auto-regulação hormonal Ao analisarmos a atuação de diversos hormônios no controle dos processos metabólicos. “realimentada” (embora indiretamente) pelo próprio produto de sua atuação: quanto mais gastrina. mais oligopeptidios e mais gastrina. Esse mecanismo de alimentação pelo produto é denominado retroalimentação ou “feedback” positivo. Ele é o responsável pela produção dos gametas e pela secreção de hormônios que determinam as características sexuais secundárias e controlam inclusive o impulso sexual. Homeostase Mecanismos como esses estão presentes em várias situações do metabolismo animal. Tomemos dois exemplos: a regulação da tarde gastrina. por sua vez. hormônio que atua sobre a promoção de suco gástrico. No caso. estas serão digeridas e transformadas em oligopeptídios (pedaços protéicos com poucos aminoácidos) A presença de oligopeptídios estimula células especiais da parede do estômago a produzirem o hormônio gastrina. Nesses casos. há grande variação nos processos reprodutivos dos vertebrados. Assim. o teor de cálcio também irá diminuir. Como já estudamos. A presença de paratormônio no sangue leva ao aumento do teor de cálcio no plasma sanguíneo. ele continuará enquanto houver proteína sendo digerida. por exemplo). visão do alimento. cessando a inibição sobre as paratireóides que voltam a produzir paratormônio. assim . pela circulação. e a regulação do para hormônio.efeito inibidor sobre a produção de paratormônio pelas paratireóides. sofre a ação do suco gástrico.A adrenalina é liberada no sangue em situações de emergência (susto. portanto. Há animais que simplesmente lançam seus gametas na água e outros que realizam o ato sexual. mastigação etc. Em poucos minutos a gastrina chega. envolvendo não somente hormônios como também diversos tipos de substâncias e reações químicas. Aumenta. O mecanismo de “feedback” A produção de gastrina é. que teve sua produção iniciada pelos estímulos sensoriais pré-refeição (olfato. Quando um alimento chega ao estômago. Esse ajustamento. Tais mecanismos permitem que o organismo se ajuste tanto às condições do seu ambiente externo quanto ao meio interno de seu corpo. Reprodução humana 1. ao estômago.

atenção no aparelho reprodutor da espécie humana. pouco antes da união deles com a uretra. a próstata e as glândulas bulbo-uretrais. denominada colo uterino. Esse canal sai do saco escrotal e penetra na cavidade do corpo. As vesículas seminais lançam suas secreções nos canais deferentes. um canal enovelado que se prolonga pelo chamado canal deferente. Além disso. canais deferentes e uretra. os espermatozóides passam para os epididimos e dai para os canais deferentes. passando por cima da bexiga urinária. entre as coxas. a qual está localizada sob a bexiga. Esse deslocamento é passivo. dai seguindo para o pênis. os gametas masculinos iniciam o batimento de suas caudas. Dos túbulos seminíferos. Os dois ovários da mulher estão localizados no abdome. A uretra percorre o pênis e se abre para o exterior em sua extremidade. ocorrendo em função das contrações das paredes dos túbulos e do fluxo do líquido existente em seu interior. entre as quais destacam-se as espermatogônias . Sua porção inferior. Ativados e nutridos por essas secreções. fazem parte desse aparelho diversas glândulas. A partir da puberdade. útero e vagina. entre os lábios vaginais. Os testículos estão localizados fora da cavidade do corpo. 2. No interior dos canais deferentes. que é um canal musculoso que se abre para o exterior. em posição próxima às virilhas. Os espermatozóides. as espermatogônias passam a se multiplicar intensamente e vão se transformando nos espermatócitos primários. O útero é uma estrutura musculosa e oca. Os espermatozóides e o fluido nutritivo secretado pelas glândulas anexas formam o esperma 92 . 3. origina quatro espermatozóides. As paredes desses túbulos são formadas por diversos tipos de células. As glândulas bulbo-uretrais. Estudaremos também os principais mecanismos que garantem a perpetuação de nossa espécie. comunica-se com a vagina. As trompas de Falópio ou ovidutos são dois tubos que partem das proximidades dos ovários e desembocam no útero. assim que se formam. epidídimos.células que darão origem aos espermatozóides. O nome trompa deve-se à sua semelhança com o instrumento musical de mesmo nome. Os gametas e a fecundação A formação dos espermatozóides O testículo é um órgão globóide revestido por uma cápsula de tecido conjuntivo. ou de Cowper. em sua porção mais externa. caem na cavidade interna dos túbulos seminiferos e passam a se deslocar em seu interior. internamente. trompas de Falópio.células que darão origem aos óvulos. dentro de uma bolsa de pele denominada escroto ou saco escrotal. Eles medem cerca de 5 cm em seu diâmetro maior e apresentam. Aparelho reprodutor masculino O aparelho reprodutor masculino é constituído. O escroto está localizado na região do baixo-ventre. ao sofrer meiose. Em seu interior existem milhares de minúsculos tubos. desembocam na uretra pouco depois de ela sair da próstata. Os testículos são os órgãos produtores dos espermatozóides. as ovogônias -. chamados túbulos seminíferos. Do testículo parte o epidídimo. eles entram em contato com as secreções das vesículas seminais e da próstata. pelos testículos. Os órgãos reprodutivos humanos Aparelho reprodutor feminino O aparelho reprodutor feminino é constituído pelos ovários. A uretra passa por dentro da próstata. com tamanho e forma de uma pêra. como as vesículas seminais. Cada espermatócito.

o que bloqueia imediatamente a penetração de qualquer outro. atingindo a sua membrana. Dessa forma. ao ser liberado do ovário. penetra na trompa e passa a se deslocar no interior do oviduto. o corpo do jovem adolescente passa por profundas mudanças. mantêm sua capacidade fecundante no interior do organismo feminino por cerca de 3 dias. 93 . Isso ocorre até. os espermatozóides atravessam a camada de células foliculares que o envolve. Daí eles nadam ativamente para o interior do útero. No clímax do ato sexual. os 50 anos. vindo a liberar os ovócitos que contém em seu interior. Um espermatozóide consegue então fecundar o óvulo. o foliculo maduro rompe-se e liberta o gameta feminino nele contido. constituindo o chamado folículo de Graaf. Por volta do 14º dia do início de seu desenvolvimento. Em um ovário humano. de onde sobem pelos ovidutos. Essas células estão estacionadas nas fases iniciais da meiose e são denominadas ovócitos primários. O óvulo. Acredita-se que um óvulo mantém-se capaz de ser fecundado com sucesso apenas nas primeiras 24 horas após sua liberação pelo ovário.ou sêmen. apenas alguns (entre 300 e 400) atingirão a maturidade durante a vida fértil da mulher. Esse processo é chamado ovulação. um foliculo amadurece liberando seu óvulo. Na mulher a partir de 11 a 13 anos de idade. existem cerca de 400 mil folículos. Os espermatozóides. o óvulo caminha em direção ao útero. 4. Ovulação O folículo em amadurecimento cresce pelo acúmulo de um liquido secretado pelas células foliculares. muitas células precursoras de óvulos. Ao penetrar no oviduto. Inicio do desenvolvimento embrionário Ao encontrar o óvulo. em geral. no primeiro terço do oviduto. A expulsão do esperma é chamada de ejaculação. em rápido caminho para a plena maturidade física e reprodutiva. Hormônios envolvidos na reprodução Hormônios sexuais masculinos Na puberdade. o esperma é expulso por meio de contrações rítmicas da parede uretral. quando o processo é interrompido pela menopausa. Destes. em sua região mais externa (córtex ovariano). aproximadamente. aproximadamente. Esse deslocamento dá-se à custa do batimento dos cílios presentes nas células que recobrem internamente o oviduto e pelas contrações rítmicas de suas paredes. o óvulo pode encontrar milhões de espermatozóides. A sobrevivência dos gametas A fecundação ocorre. A formação dos óvulos Os ovários possuem. A fecundação Os gametas masculinos são depositados no fundo da vagina por ocasião do ato sexual. a cada 28 dias. por sua vez. Folículos ovarianos Cada ovócito primário está rodeado por diversas camadas de células foliculares.

que se torna espessa e bastante irrigada por vasos sanguíneos. As células do foliculo rompido transformam-se no corpo amarelo e passam a secretar progesterona. que pode durar de 3 a 7 dias. ocorre a menstruação. o desenvolvimento dos seios e o alargamento dos quadris. um hormônio de importância fundamental no processo reprodutivo. pela vagina. ciclos repetidos de atividade reprodutoras. o lobo anterior da hipófise passa a secretar o hormônio folículo estimulante (FSH). estimula a formação de espermatozóides. juntamente com o FSH hipofisário. a queda desse hormônio provoca a regressão daquele órgão. Uma vez que o desenvolvimento do corpo amarelo é mantido por indução do LH. provocando a inibição da produção de FSH e estimulando a liberação do LH. Esses ciclos. ambos liberados pelo lobo anterior da hipófise. O ciclo menstrual A cada 28 dias. Esse efeito prepara o útero para receber um possível embrião que se forme durante o ciclo. de sangue e resíduos de mucosa uterina. é responsável pelo rompimento do foliculo maduro e conseqüente ovulação. A testosterona atua. O homem não experimenta. determinando o impulso sexual e. são determinados por hormônios da hipófise e do ovário. A testosterona é responsável pelo aparecimento das características sexuais secundarias masculinas. Um foliculo em desenvolvimento suplanta os demais que. ocorre a produção de espermatozóides (espermatogênese) e a produção e liberação do hormônio teotosterona pelos testículos. O folículo ovariano em desenvolvimento produz estrógeno. sobre o nervoso. a hipófise reinicia a produção do FSH. ciclos de atividade reprodutora. acentuando o impulso sexual. chamados genericamente de gonadotróficos. Além disso. como a mulher. Sob a ação desses hormônios. eles permaneceram até praticamente o fim da vida do indivíduo. Uma vez iniciados esses processos. os estrógenos atuam sobre o sistema nervoso. a musculatura desenvolve-se. e os órgãos genitais completam seu desenvolvimento. regridem. por exemplo. o mesmo produzido pelo homem. A progesterona induz o crescimento da parede uterina (endométrio). A menstruação ocorre quando a taxa de hormônios sexuais no sangue se torna baixa. o LH atua sobre o foliculo rompido transformando-o em uma estrutura denominada corpo lúteo ou amarelo. então. Além disso. chamados de ciclos menstruais. Esse hormônio induz o crescimento da parede uterina e passa a inibir a produção do LH. produzido pela hipófise. a taxa de LH está muito alta e ocorre então a ovulação. que é a eliminação. os pêlos no rosto e em outras partes do corpo crescem. Na puberdade. Por volta do 14º dia do inicio do ciclo.Hormônios hipofisários gonadotróficos O processo de amadurecimento sexual tem início com a produção do hormônio folículo estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH). Com a regressão do corpo amarelo diminuem 94 . Sob a ação desse hormônio. a partir da puberdade. Sob seu efeito. O hormônio luteinizante. Durante esse período. tornando mais grave o timbre voz. Esse hormônio é responsável pelo aparecimento das características sexuais secundárias da mulher como. Esse foliculo passa a lançar estrógeno na circulação sanguínea. durante a vida fértil da mulher. O estrógeno atua sobre a hipófise. Hormônios sexuais femininos As mulheres apresentam. Cada ciclo menstrual é contado a partir do 1º dia de menstruação. as cordas vocais espessam-se. O corpo lúteo é responsável pela produção da progesterona. ainda. O aumento do FSH no sangue induz alguns folículos ovarianos a entrarem em processo de amadurecimento. os folículos do ovário são estimulados a se desenvolver.

constituindo a menstruação. com a qual ele se comunica através do cordão umbilical. formam-se lacunas onde passa a circular sangue materno. são eliminados pela vagina. as taxas de hormônios sexuais no sangue estão muito baixas. Na 5 semana. Nas imediações das vilosidades. o embrião penetra na mucosa uterina e passa a lançar projeções que se introduzem entre os tecidos daquele órgão. As trocas entre mãe e filho passam a ocorrer. no entanto. é chamado de menopausa. Seus olhos estão em formação e seu coração começa a funcionar. se porventura ocorrer o nascimento. enquanto as excreções e o gás carbônico fazem o caminho inverso. o embrião humano tem perto de 1 centímetro de comprimento. juntamente com o sangue resultante do rompimento de vasos sanguíneos. os esboços dos braços e das pernas já são bem evidentes. 5. lá chegando após 4 dias. podem ocorrer as trocas entre o sangue do embrião —que circula nas vilosidades -e o sangue materno. As diversas partes de seu corpo começam a se diferenciar e aparece uma membrana (âmnio) que o envolve totalmente. A partir de então. Enquanto ocorrem os processos de fixação no útero. Enquanto as clivagens vão ocorrendo. Na 8’ semana. Dessa forma. A formação da placenta A partir de uma determinada etapa do desenvolvimento. o embrião tem cerca de 2. no interior da qual fica mergulhado. Aos 5 meses. A partir de uma dada época a placenta passa a produzir progesterona. Essa bolsa cheia de liquido. os ciclos menstruais tornam-se irregulares. e já ocorrem contrações de seus músculos. então. o feto já está bem desenvolvido e apresenta boas chances de sobrevivência. o embrião continua seu desenvolvimento. 95 . O sangue do embrião é purificado na placenta. a maior parte das vilosidades coriônicas regride. Na região de sua implantação mais profunda. induzindo-o a produzir mais progesterona. que atua sobre o corpo amarelo do ovário. através da placenta. o embrião. Na falta de progesterona e de estrógeno. elas aumentam muito e dão origem a uma estrutura chamada placenta. O alimento passa do sangue materno para o do filho. chamado gonadotrofina coriônica. As vilosidades coriônicas produzem um hormônio.as taxas de estrógeno e de progesterona no sangue. Ao chegar no útero. Aos 7 meses. que circula nas lacunas. o feto humano tem cerca de 20 centímetros e pesa por volta de 500 gramas. Gravidez e parto O desenvolvimento do embrião Logo após a fecundação. Por volta do 28º dia do início do ciclo. o zigoto começa a sofrer as primeiras clivagens ou segmentações. até cessarem por completo. quando se encerra a atividade reprodutiva da mulher. Cerca de 4 semanas após a fecundação. Esse período.5 centímetros de comprimento e já possui forma humana: nesse estágio ele passa a ser chamado de feto. o embrião percorre o oviduto em direção ao útero. Essas projeções embrionárias são chamadas vilosidadeo coriônicas. é chamada bolsa amniótica. Os resíduos da parede uterina. É isso o que evita a descamação da parede uterina quando o corpo amarelo do ovário regride e deixa de produzir hormônios. o endométrio do útero regride e descarna-se. Menopausa A produção dos hormônios sexuais femininos declina significativamente por volta dos 50 anos.

O TRANSPORTE DA SEIVA BRUTA NO VEGETAL FIG. a concentração desse gás na circulação torna-se alta o suficiente para o aparelho respiratório do recém-nascido a começar a funcionar. Nesse momento.4. acontece ao fim do 9º mês de gravidez. O feto. H. Fisiopatologia: os princípios biológicos da doença. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. cerca de 38 a 40 semanas após à fecundação. ESQUEMA DE CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA FIG. Franklyn G.5 quilogramas. H. São Paulo: Editora Harba.19.1. Fisiologia humana e mecanismos das doenças. A EVOLUÇÃO DO ENCÉFALO AO LONGO DOS VERTEBRADOS FIG. O útero sofre contrações rítmicas que empurram o feto para fora dele. o feto humano mede cerca de 50 centímetros de comprimento e pesa por volta de 3 a 3.8. O CO2 produzido pelas células do bebê acumula-se em seu sangue. ESQUEMA DE CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA FIG. O líquido contido na bolsa extravasa pela vagina. 1991 BEVILACQUA. com a cabeça voltada para baixo. ALGUMAS FUNÇÕES E ÓRGÃOS CONTROLADOS PELO CÉREBRO FIG. 1990. Fisiopatologia clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. ASPECTO ESQUEMÁTICO DO SISTEMA LINFÁTICO DO HOMEM FIG. H. São Paulo: Edgar Blücher. Fisiologia. pois não há mais como ser eliminado para o sangue da mãe. O TRANSPORTE DA SEIVA ELABORADA FIG. 96 .. FIG. A AÇÃO DA EPIGLOTE IMPEDINDO QUE O ALIMENTO CAIA NO APARELHO RESPIRATÓRIO FIG. 1980 MC ELROY. L. Fisiopatologia veterinária. entra na vagina. No momento do parto.20. que se dilata enormemente.O parto O parto. Em questão de segundos.6. como é chamada a expulsão do feto do útero. S. PIRAMBÓIA. THIER.15. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Fisiologia médica.17. São Paulo: Editorial Médica Panamericana. o cordão umbilical que liga o feto à placenta deve ser cortado. juntamente com o sangue perdido pela ruptura de vasos sanguíneos maternos.7. O APARELHO DIGESTIVO DAS AVES FIG. BRÂNQUIAS DE PEIXES ÓSSEOS E DE PEIXES CARTILAGINOSOS FIG. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. O SANGUE DAS VEIAS SOBE PARA O CORAÇÃO GRAÇAS ÀS CONTRAÇÕES DOS MÚSCULOS ESQUÉLITICOS FIG.10. UM PEIXE PULMONADO. A DIGESTÃO DO AMIDO NA BOCA FIG. processo esse que só terminará com a morte do indivíduo. 1969. 2ª edição. o colo do útero dilata-se e a membrana que envolve o embrião (bolsa amniótica) se rompe. 1989 GUITON.9.5. 1997 _______.11. O CORAÇÃO HUMANO FIG. SPORRI.13. Fisiologia e bioquímica da célula. O APARELHO DISGETIVO HUMANO (E A PARTE DO APARELHO RESPIRATÓRIO) FIG. Espanha Editora Acribia. Fisiopatologia rural. ESQUEMA DE CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA FIG. M.16. e é conduzido para fora do corpo da mãe. ESQUEMA SIMPLIFICADO DO ENCÉFALO DE VERTEBRADO FIG.18.14.3. E A FORMAÇÃO DE PULMÕES E DE BEXIGA NATATÓRIA ATRAVÉS DA EVOLUÇÃO FIG. O ESTÔMAGO DOS RUMINANTES BIBLIOGRAFIA AIRES. NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO CELULAR FIG. Um fato importante que resulta do desprendimento da placenta é a indução da respiração do recém-nascido. 1992 KNOX. STUNZI. William David.2. A placenta desprende-se da parede do útero e é também expulsa pela vagina. Nessa época. A PASSAGEM DO IMPULSO NERVOSO ENTRE DOIS NEURONIOS FIG. O.12. 1988 SMITH.

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