FACULDADES INTEGRADAS DE JACAREPAGUÁ

DIRETORIA ACADÊMICA NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - NEAD

ANATOMIA E FISIOLOGIA COMPARADAS

ANATOMIA HUMANA PRÓLOGO Desde o aparecimento do Atlas de Anatomia Humana temos recebido constantemente solicitações quanto a uma possível ampliação do mesmo, devido ao enorme interesse que desperta a matéria. Desejosos de sempre satisfazer a nossos leitores, lhes oferecemos agora este novo Atlas Anatômico do Corpo Humano que vem a ser um valioso complemento para todos os que já conheciam o Atlas de Anatomia Humana e para as pessoas desejosas de ampliar seus conhecimentos sobre esta ciência. O leitor encontrará neste volume a descrição sucinta, embora nem por isto menos completa e cientificamente rigorosa, dos grandes capítulos em que podemos dividir a Anatomia Humana. Sem dúvida, uma das mais apaixonantes aventuras intelectuais que o homem pode empreender é adentrar-se no estudo de seu próprio corpo. A medida que avançamos neste campo de conhecimentos vamos fazendo descobertas sempre interessantes e às vezes surpreendentes. Estamos certos de que este novo volume que vem enriquecer nossa “Coleção Atlas” encontrará uma boa acolhida no público em geral, e em particular entre aqueles leitores para quem estas páginas serão seu primeiro cantata com um conhecimento mais profundo da matéria. Os Editores O ESQUELETO CONSTITUIÇÃO: OS OSSOS O exame de um osso solado pode levar à reconstrução da totalidade do esqueleto do vertebrado a que pertencia. Esta estreita relação entre os ossos e a estrutura geral do corpo explica perfeitamente que o conhecimento daqueles constitua a base dos estudos de anatomia e que o primeiro passo obrigatório, ao iniciá-los seja o exame e a descrição das peças ósseas cujo conjunto forma o esqueleto. Uma ligeira olhada a um esqueleto nos indica a variada forma dos ossos que o integram: vemos ossos largos, escavados ou chatos (cabeça quadril); longos (membros); curtos (coluna vertebral mãos, pés). Essencialmente o esqueleto compõe-se de um eixo central, a coluna vertebral, constituída por elementos semelhantes e superpostos, as vértebras. Por sua extremidade superior, este eixo sustenta a cabeça, e de sua parte inferior sobressaem lateralmente duas peças largas, os ossos ilíacos, ou ossos do quadril. Da parte média da coluna vertebral se projetam para a frente uns arcos ósseos, em número de doze as costelas. que por sua extremidade anterior se unem a uma peça alongada e chata o esterno. A cavidade limitada pela coluna vertebral as costelas e o esterno constitui o tórax, Por sua vez, os ossos ilíacos, articulados entre si por diante e por trás com a última peça vertebral, limitam outro espaço ósseo, a pelve. A descrição do esqueleto ficará completa com a menção das chamadas cinturas; são elas a cintura escapular e a pélvica. A cintura escapular, formada pela clavícula e a omoplata (ou escapula) está situada na parte superior e lateral do tórax; da escápula pende o membro superior ou torácico. Na cintura pélvica mais simples, existe o osso ilíaco, já citado, de cujo lado pende o membro inferior ou pélvico. Mencionamos as diferentes partes que compõem o esqueleto ao unir-se ou articular-se entre si os ossos que o formam: a coluna vertebral, o tórax a cabeça e os membros. Mais adiante nos ocuparemos de cada um dos ossos que formam estes conjuntos. CONSTITUIÇÃO INTERNA DOS OSSOS Vejamos agora utilizando o microscópio, a constituição interna dos ossos, mas antes convém advertir que é preciso diferenciar o osso fresco do osso seco. A diferença consiste em que as

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cavidades e galerias características do sino, que neste aparecem vazias, no fresco estão ocupadas por elementos moles que desaparecem com a processo de decomposição e secamento. Canais de Havers. São canalículos de curso retilíneo unidos entre si para formar galerias que atravessam o tecido ósseo. Osteoplastos ou lacunas ósseas. São cavidades esculpidas nas lamínulas ósseas, de cujo contorno nascem em forma radiada os canalículos. Células ósseas ou osteoblastos. São corpúsculos celulares que se amoldam ao espaço das lacunas ósseas e emitem prolongamentos que penetram nos canalículos. Medula óssea. É uma substância mole que ocupa as cavidades do tecido ósseo, o canal medular e os espaços do tecido esponjoso. Existem dois tipos: a medula vermelha (tecido esponjoso) e a medula amarela (canal medular); ambas produzem elementos sanguíneos. Periósteo. Ë uma lâmina fibrosa resistente estendida como um envoltório continuo pela superfície do osso, só interrompido a nível das inserções tendinosas e das articulações. O perióteo gera internamente camadas concêntricas de matéria óssea e fornece vasos e nervos ao osso subjacente. CARTILAGENS O esqueleto se compõe não só de ossos, como também de cartilagens. A cartilagem é parte integrante de muito à ossos, sendo inclusive totalmente cartilaginosos alguns elementos esqueléticos, como as cartilagens costais, que se descrevem com o esqueleto. VARIEDADES DE TECIDO ÓSSEO À simples vista o corte de um osso seco ou fresco nos mostra a substância óssea sob dois aspectos, o tecido compacto e o esponjoso. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS OSSOS São formados em cerca de 30 % por uma substância orgânica osteína, e em 70% por uma substância mineral (compostos de fosfato de cálcio); a seu grande conteúdo mineral se deve sua opacidade aos raios X. A CABEÇA ÓSSEA CRÂNIO E FACE O estudo especializado dos ossos, que não é próprio certamente desta obra elementar, requer a representação de cada um deles desarticulado e isolado; para nós bastará representa-los em posição e articulados com seus vizinhos. Uma seção sagital da cabeça nos servirá para mostrar os ossos que não são visíveis de outro modo. Na cabeça se distinguem duas partes bem diferenciadas: o crânio e a face. O crânio é uma caixa ovóide que ocupa a parte superior e posterior da cabeça é está formada por oito Ossos: frontal, parietal (par) temporal (par), occipital, esfenóide e etmóide. Os quatro primeiros contribuem para estabelecer extensas superfícies do crânio, muito bem delimitáveis externamente; do etmóide e do esfenóide fica oculta grande parte que só se torna visível ao seccionar ou desarticular o crânio. Temos aqui uns quantos detalhes anatômicos importantes dos ossos citados. O frontal forma o esqueleto da testa convexo por sua parte anterior e côncavo pela posterior, apresenta uma borda superior articular e uma face inferior com uma chanfradura central, a qual separa as duas porções que constituem as abóbodas orbitárias. O parietal, articulado com o lado oposto, constitui a abóbada craniana tem forma quadrilátera; sua face interna é côncava e a externa convexa; apresenta duas linhas curvas (linhas temporais). O occipital contribui para edificar a base do crânio; em sua parte anterior se acha o forame occipital, que em estado fresco dá passagem à medula; a cada lado daquele se encontram duas saliências ovaladas (côndilos do crânio) que se articulam com a primeira vértebra cervical. O temporal contém o órgão da audição; em sua parte

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contém os cometos superiores e médios direitos e esquerdos com seus meatos respectivos. encravado intracranialmente como uma cunha entre os ossos vizinhos pode-se dizer que se articula com todos os ossos do crânio. Os ossos da face. malar. divide-se em três zonas: anterior. se prestam a um exame mais completo na apresentação frontal da cabeça. a apófise mastóide e muito para dentro. por baixo e por dentro apresenta uma lâmina horizontal que ao unir-se com a oposto do outro maxilar. O etmóide. a apófise estilóide. esta por sua vez. por sua borda externa se articula com uma porção ascendente do maxilar superior. A face se divide em duas partes. situado à frente do esfenóide contribui para formar a parede interna da órbita e constitui o teta e parte das paredes das fossas nasais. A inferior consta de um único osso: o maxilar inferior. O esfenóide. O maxilar superior compõe por cima parte do assoalho da órbita: por sua parte anterior e média circunscreve as fossas nasais. a articulação com o maxilar inferior. delimita inferiormente o meato inferior. a borda superior das fossas nasais. O vômer (impar). CONFIGURAÇÃO INTERNA DO CRÂNIO Observam-se duas regiões: abóbada e base. Na parte interior do maxilar superior se encontra uma grande 4 . parte média importa citar o arco zigomático. A região temporal está limitada por cima e por trás pela linha temporal e por baixo pelo arco zigomático. forma por baixo. por baixo deste. Como osso anexo á face há que citar o hióide. pela linha temporal. se articula com um osso do crânio (temporal). o orifício do conduto auditiva externo. uma cavidade articular para o maxilar inferior e uma eminência mamilonada (apófise mastóide). Todos esses ossos. O malar constitui o limite lateral da face: por sua borda interna contribui para a reborda orbitária e por fora e por trás.externa apresenta o orifício do conduto auditivo. que na página precedente mal foram enunciados. A superior é um conglomerado ósseo composto por treze ossos (todos pares exceto um) e que agora só enumeraremos: nasal. por cima do qual se projeta para a frente um prolongamento ósseo (apófise zigomática) que se articula com o malar. respectivamente. cujo valor é reconhecido hoje com unanimidade. em sua parte superior tem uma depressão que aloja em estado fresco uma importantíssima glândula (a hipófise). palatino. a protuberância o bulbo e o cerebelo. A abóbada é limitada inferiormente a cada lado. vômer (ímpar) e palatino. de sua parte média desce uma lâmina perpendicular que se articula com o vômer para formar o septo ósseo nasal. vômer e cometo inferior). cometo inferior. em sua parte inferior há outra formação óssea em forma de estilete (apófise estilóide). CONFIGURAÇÃO EXTERNA DO CRÂNIO Distinguem-se nele três regiões: abóbada. descrito no texto de lâmina A/3. situado dentro das fossas nasais compõe com o etmóide o septo nasal. O cometo inferior. O corte sagital da cabeça óssea descobre os ossos que na cabeça integra permanecem ocultos ou só se mostram parcialmente através de cavidades (esfenóide etmóide. O úngüe forma parte da órbita e está escavado por um canal destinado ao saco lacrimal. incorporamos a estas páginas alguns dos exemplares mais representativos. média e occipital. a nível. úngüe. Da região lateral do crânio. com seus pares correspondentes do lado oposto. unido por sua borda interna com seu homônimo. A base do crânio só pode ser examinada se se coloca a abóbada para baixo. contribui para formar o palato ósseo. chamadas mandíbula superior e inferior. também contido nas fossas nasais e aplicado à sua parede externa (maxilar superior). sobre as quais repousam o cérebro. região temporal e base. maxilar superior. Radiografias anatômicas Com o propósito. reinem-se ao redor dos dois maxilares superiores e constituem a primeira porção da face ou mandíbula superior. divide-se em três pisos ou fossas. naturalmente desta obra de iniciar o leitor no conhecimento das imagens radiográficas anatômicas. O nasal.

dá lugar a uma alta coluna que desde a base do crânio até as partes posterior e inferior da pelve vai armando sucessivamente o eixo ósseo do pescoço. ao número de 33 ou 34. a superposição destes discos. alcança tal complexidade estrutural e funcional que se lhe chama aparelho hióide. órgão de um dos sentidos mais complexos: a visão. Aplicado à parte posterior do maxilar superior está o palatino. de cada lado.cavidade o seio maxilar. frente ao osso occipital. tendões. chamados camas. Esta borda apresenta uma série de pequenas fossas ou alvéolos. uns e outros pertencentes ao etmóide. não se articula com nenhum outro e parece suspenso na parte anterior do pescoço. A cavidade central que apresenta a face. e cada um termina numa eminência arredondada (côndilos) que se articula com o temporal (que não pertence á face. constituem ambos um arco completo. aproximando ou distanciando seu arco dentário do superior. Na formação de suas paredes intervêm cinco ossos da face e dois do crânio. cuja abertura posterior desemboca na parte posterior do maciço facial. O OSSO HIÓIDE Pequeno e independente. Ao ser articulado. entre o maxilar inferior e a primeira cartilagem da laringe. artérias. esfenoidal e etmoidal. porém. As duas cavidades que separam a abóbada craniana da face são as órbitas. em estado fresco. A segunda porção óssea da face é o maxilar inferior. A borda inferior de cada maxilar superior descreve meio arco: ao unir-se na linha média com o oposto. formado acima pela lâmina perpendicular do etmóide e abaixo pelo vômer. de contorno triangular e que separa os dois maxilares superiores. formado por duas lâminas soldadas em ângulo roto. oculto atrás da porção traseira da face: é um osso pequeno. do dorso e da região tombar e que na pelve é sua parte posterior. aos ossos que formara a pelve. na maioria dos mamíferos. Dentro das fossas nasais. o maxilar inferior pode subir ou descer. como estes também apresenta alvéolos para a implantação das raízes das peças dentárias inferiores. o que permite reuni-los num grupo com o nome de vértebras. veias e nervos. cujo contorno é quadrangular. tem. de cada lado. por cima se acham os cornetos médios e mais acima os superiores. que delimitam estreitas galerias. sua borda superior se corresponde exatamente com o arqueado formado pelos dois maxilares superiores. No vértice dos pequemos se insere um ligamento que por sua vez. pela outra extremidade o faz na apófise estilóide do temporal: os dois camas grandes se unem por uma membrana à primeira cartilagem laríngea. entre eles os que integram a língua razão pela qual se já que esse osso forma seu esqueleto. dirigidos para trás. que são duas: direita e esquerda respectivamente separadas por um septo médio. COLUNA VERTEBRAL Consiste num eixo ósseo que ocupa a parte dorsal e central do corpo um conjunto essencial da armadura que forma o esqueleto. chanfraduras orifícios e canais por onde passam. No fundo da órbita se percebem fendas. consta de uma parte média ou corro e dois prolongamentos desiguais. nos quais se doíam as raízes dos dentes superiores. como aquele. pode-se ver os cometes inferiores. como corresponde a uma região ocupada pelo olho. o ramo horizontal continua brevemente a lâmina óssea do maxilar superior que constitui a abóbada do palato. Pode-se considerar o tifóide como um resto atrofiado do que. mas ao crânio). se encurvam para cima. entre estas por sua vez se percebem diferenças conforme pertençam à região do pescoço 5 . No osso tifóide se inserem treze músculos. Na formação de suas paredes intervêm sete ossos da face e dois do crânio. A coluna vertebral é constituída por ósseas discais. Outras cavidades que se encontram dentro dos ossos do crânio são os selos frontal. Os discos ósseos fiem características comuns que os diferenciam dos demais ossos. talvez o mais importante do ponto de vista arquitetural posto que sobre esta coluna óssea descansa a cabeça em sua parte média presta apoio à armação que é o tórax e mais abaixo. semelhante a uma ferradura seus dois ramos. que se projetam para trás e para cima. o aspecto de ferradura com a concavidade dirigida para trás. corresponde à abertura anterior das fossas nasais. ou mandíbula inferior.

encontramse soldadas entre si formando dois ossos: o sacro e o cóccix. abreviados. observando a apófise transversa ou corpo vertebral Apófise transversa Se tem orifício é uma vértebra cervical. Corpo muito desenvolvido. Em número de 9 ou 10. Forame vertebral triangular. Apófise espinhosa curta. forame ou canal vertebral. A coluna vertebral como conjunto. Trata-se portanto. são lâminas discóides biconvexas. de um eixo ósseo ao redor do qual se verifica a rotação do atlas e por conseguinte. chamados por isso forames intervertebrais. da qual sobressaem as apófises transversas. Vértebras dorsais. importantes porque estabelecem aberturas ao longo do canal raquídeo. e nelas se vão alternando as trajetórias convexas com as côncavas. ou disco ósseo. lados iguais. com a qual se articula. das cartilagens costais e do esterno. 12) à região tombar (lombares. lâminas e os dois pedículos. só nos vamos ocupar agora da descrição das costelas. destaca a coluna cilíndrica formada pela superposição dos corpos vertebrais. da cabeça que repousa sobre esta vértebra. que funcionam ainda como amortecedores. Os discos intervertebrais. Constituem as articulações fibrocartilaginosas intervertebrais. só mencionaremos como mais destacadas as que mereceram nomes próprios: as duas primaras vértebras cervicais. A coluna vertebral apresenta umas curvaturas ou inflexões destinadas a aumentar sua resistência. No homem constitui um rudimento da cauda dos mamíferos. portanto. pelas doze costelas e suas correspondentes cartilagens na parte lateral e pelo esterno na parte anterior. Examinada por sua face anterior. Em toda vértebra se notam. que descreve uma concavidade anterior. 6 .(vértebras cervicais. O áxis possui um apêndice ósseo semelhante a um dente que se eleva desde o corpo da vértebra e se introduz na parte posterior do arco ósseo da dianteira do forame vertebral do atlas. É possível classificar uma vértebra (Testut). Apófises transversas caiu orifícios. O sacro. O atlas. os que expomos a seguir. Lateralmente vêem-se as apófises versas. conjunto de cinco vértebras soldadas. comuns todas elas: carpo vertebral. da trás as seguintes características. Corpo vertebral Se há superfícies articulares é vertebral uma vértebra dorsal. Forame raquídeo pequeno e circular. Dentro de cada região existem vértebras com características peculiares. Corpo alto com superfícies articulares (para as costelas). 5) ou à região pélvica (sacrococcigeas. 9 ou 10). Deste conjunto de ossos já descrevemos a coluna vertebral. é uma vértebra Iombar. que sustenta a cabeça carece de corpo e de apófise espinhosa e apresenta duas superfícies articulares que se articulam com os côndilos do occipital. na realidade trata-se de quatro ou cinco vértebras atrofiadas. estas recebem o nome da região em que se acham localizadas: curvaturas cervical. é uma pirâmide do vértice inferior. O cóccix é o segmento inferior da coluna vertebral e está aplicado ao vértice do sacro. e apófise espinhosa. Se não o tem. chamadas altas e áxis. Lateralmente se articula com os ossos lacas. Apófise horizontal volumosa. pelas quais saem os nervos deste nome. dorsal. Vértebras cervicais. Os caracteres próprios das vértebras pertencem ás distintas regiões são. lombar e sacra. Forame vertebral triangular. é uma vértebra dorsal ou lombar. situadas entre dois corpos vertebrais. também chamados meniscos. Se não as há. Vértebras lombares. Vértebras da região pélvica ou vértebras sacrococcígeas. O TÓRAX É o espaço circunscrito pela coluna vertebral (vértebras torácicas) na parte posterior. Corpo alongado transversalmente. a cujas faces se aderem intimamente. as quatro apófises articulares. Lateralmente são visíveis os orifícios que resultam da superposição dos corpos vertebrais. A face posterior apresenta na linha média a crista espinhal (que justifica o nome de espinhaço com que vulgarmente se designa esta região) composta pela sucessão das apófises espinhosas. 7) à região dorsal (dorsais.

o tórax possui uma proeminência formada pela coluna vertebral. que se articula por sua vez com o esterno. simétrico. formado por dois ossos que a modo de raiz. são ossos longos. uma para cada pulmão. A cavidade torácica tem duas aberturas. 12 de cada lado. unem o membro superior ao tórax. pois arcos ósseos que se dirigem desde a coluna vertebral até o esterno. e a omoplata ou escápula. A constituição mista óssea por suas partes posterior e lateral. O MEMBRO SUPERIOR OU TORÁCICO Na extremidade superior se distinguem duas partes essenciais: o ombro. ascenso e descenso que sendo exíguos na respiração normal (poucos milímetros para a frente para cima e para fora) são suficientes para aumentar o volume da caixa torácica e sua capacidade em mais de meio litro. Aloja os vértices dos pulmões e através dela passam todos os órgãos que descem do pescoço para a cavidade torácica ou viceversa. As costelas em número de 24. permite a toda a armação torácica realizar movimentos de expansão. O esterno é um osso piano. Com efeito. este músculo. que na parte superior do tórax se encontram os ossos do ombro.Digamos antes já que não nos ocuparemos desta parte até que estudemos o membro superior ou torácico. todas as costelas se inclinam de cima para baixo e de trás para a frente sendo esta inclinação tanto mais notária quanto mais inferiores forem. seu tamanho é muito variável e a partir da primeira que é a mais curta seu comprimento vai aumentando até a sétima logo diminui gradualmente até a décima segunda. Os espaços intercostais seguem naturalmente a mesma inclinação e sua largura e comprimento variam de uns para outros. das quais são continuação. seu número e pois também de 24. As costelas são. Ao examinar lateralmente o tórax comprova-se a obliquidade dos arcos costais e dos espaços que os separam. Nas bordas do corpo do esterno distinguem-se sete chanfraduras destinadas a alojar a extremidade interna das sete primeiras cartilagens costais. que se aplica á face posterior e superior do tórax. as mais curtas permanecem livres entre as massas musculares. a clavícula. das cinco últimas (costelas falsas). O aumento do diâmetro ântero-posterior do tórax e o rebaixamento do diafragma próprios da inspiração profunda permitem que os movimentos da caixa torácica sejam então mais extensos. tal como foi descrito. Pode ser decomposto em três segmentos: o superior (manúbrio). e cartilaginosa e óssea pela anterior. uma superfície articular para a apófise transversa da vértebra inferior. A abertura torácica inferior. uma superior e outra inferior a primeira de forma elíptica é pequena e está orientada para baixo e para a frente. a externa penetra nas depressões das extremidades anteriores das costelas. composto pelo 7 . Por sua parte interior. situado na parte anterior e central do tórax. além disso. chamados também cintura escapular ou torácica constituída por dois ossos articulados entre si. e cuja forma tem sido comparada tradicionalmente com a de uma espada romana. a extremidade inferior se articula com a cartilagem costal que lhe corresponde. A configuração das cartilagens costais é análoga à das costelas. assim como as incurvações e disposição das costelas. as três primeiras (falsas costelas propriamente ditas) se unem à cartilagem costal da que está acima e as duas últimas (costelas flutuantes). As sete primeiras (costelas verdadeiras) se articulam diretamente com aquele osso mediante uma curta cartilagem. é um recinto em parte ósseo e em parte cartilaginoso. O tórax. A extremidade interna de cada cartilagem se aloja dentro das chanfraduras do esterno. As sete primeiras prolongam as costelas até o «temo: as três seguintes se inserem na cartilagem situada acima e as duas últimas (que correspondem às costelas flutuantes) se perdem entre os músculos do abdome. da escápula pende o membro superior ou torácico. e o membro torácico. o médio (corpo) e o inferior (apêndice xifóide). No superior existem superfícies articulares laterais para articular-se com as clavículas. muito ampla é ocupada pelo músculo diafragma que se aplica à face interna das sós últimas costelas. De suas duas extremidades a posterior se articula com dois corpos vertebrais e tem. planos e arqueados. que tem sido comparado a uma jaula (jauta torácica). muito importante separa a cavidade torácica da cavidade abdominal. alongado. que divide a cavidade torácica em outras duas secundários.

que se articulam com os dois ossos do antebraço. urna delas corresponde ao dorso. A extremidade inferior. ao redor da cabeça do cúbito. Este primeiro segmento do membro superior é constituído por dois ossos: a clavícula e a omoplata ou escápula. O ângulo anterior. A posição correta chamada anatômica para a descrição dos ossos da extremidade superior é a de extensão. achatada da frente para trás. larga e plana se articula com a fila superior de dois ossinhos da mão. triangular. que se interpõe transversalmente como um arco que apoia sua extremidade interna no manúbrio do esterno e a externa na omoplata. Porém convém acrescentar que quando a parte superior do rádio gira ao redor do côdilo umeral. Ossos do ombro. A escápula é um osso largo. Sua extremidade inferior. Os dois primeiros se articulam com o rádio e formam a articulação do punho. A fila superior compreende o escafóide. ossos longos colocados paralelamente e articulados por cima com o úmero e também entre si. 8 . o antebraço e a mão. a extremidade inferior da falangeta é contornada por uma reborda em forma de ferradura. O cúbito é mais volumoso em sua extremidade superior. e de sua parte superior sobressai um grande apêndice em forma de bico de corvo (apófise coracóide) no qual se inserem importantes músculos do braço. tem um corpo (diáfise) e duas extremidades (epífises). o úmero. a extremidade inferior. Por seu lado externo tem em sua parte inferior e na superior. que lembra una chave inglesa aberta. formando um xis ambos os ossos produz-se um movimento de rotação que coloca a palma da mão voltada para trás. ao contrário do cúbito. quarto e quinto metacarpianos. que corresponde ao polegar. São designados com os nomes de polegar. piramidal e pisiforme. Ossos da mão. encaixa a tróclea do úmero. metacarpo e dedos. rombo. Um só osso forma seu esqueleto. Como todos os ossos longos. A extremidade superior (cabeça do úmero) esférica se articula com a cavidade articular (cavidade glenóide) da escápula. tem uma eminência arredondada (côndilo) por fora e uma polé (tróclea) por dentro.braça. os demais o fazem. O metacarpo forma o esqueleto da palma da mão e é constituído por cinco ossos longos que se dispõem como a armação de um leque aberto. semilunar. A clavícula é um osso longo. dá-se que o antebraço se encontra em pronação. Ossos do braço. superfícies articulares para o rádio. tem a parte inferior mais grossa que a superior. fim está em contato com a parte posterior e superior do tórax (de cujo esqueleto se acha separada por planos musculares). falanginha e falangeta. Na primeira posição. nesta abertura que é a cavidade articular (cavidade sigmóide). outra à palma da mão e as restantes servem para articular-se entre si. com a palma da mão dirigida para a frente. adelgaçada (cabeça do cúbito). está ocupado por uma cavidade articular (cavidade glenóide) para o úmero. O esqueleto de cada dedo é formado por três ossos (exceto o polegar. Sua face posterior está dividida em duas zonas desiguais por uma crista óssea (espinha da omoplata). O rádio. que só tem dois). Na rua inferior há o trapézio. que de cima para baixo se chamam falange. Por seu lado interno tem as duas superfícies articulares que se correspondem com as facetas articulares do cúbito. Ossos do antebraço. achatado. Os dedos são os apêndices mais móveis da mão. médio. A mão é formada por três grupos de ossos: carpo. são designados simplesmente com os nomes de primeiro. e seguem a direção dos rnetacarpianos. em cuja extremidade articular apresenta uma escavação arredondada para o condito do úmero. A extremidade superior de cada falange se articula com o rnetacarpiano correspondente. articulados entre si. osso grande e ganchoso. têm formas irregulares mas em todos se percebem seis faces. São o cúbito (interno) e o rádio (externo). terceiro. e a parte inferior. O primeiro. se relaciona com um pequeno osso da mão. na segunda em supinação. O carpo é composto por oito ossinhos agrupados em duas filas. indicador. com os restantes ossos da segunda fila do carpo e também entre si. que se articulam acima com os da rua superior e abaixo com os do metacarpo. anular e mínimo. se articula com o trapézio. segundo. sua face anterior. em forma de —. trapezóide.

que se articula por sua parte posterior com os côndilos do fêmur. assimétrico. Na parte anterior. estrangulada em sua parte média por duas chanfraduras. Ossos da perna. o cubóide e os três cuneiformes. Ossos do pé. cuja parte superior ou articular é escavada formando duas cavidades (cavidades glenóides) que se articulam com os côndilos do fêmur. é um osso curto. e a anterior com o escafóide. sua face posterior se articula com o calcâneo e a anterior com os últimos metatarsianos. metatarso e dedos. por cima da qual se estende urna extensa superfície óssea (ílio) e por baixo um orifício triangular (orifício obturador) que separa uma porção angular. a perna e o pé. Por sua parte interna o ilíaco apresenta na parte posterior uma face articular (face auricular) para o sacro e outra no púbis. 9 . com a qual se articula a extremidade superior da libra possui duas tuberosidades. com os vértices arredondados. ou cintura pélvica formada por um só osso. entre ambas as tuberosidades. O calcâneo é o osso do calcanhar. aos quais há que acrescentar a rótula. a segunda fila. anterior (púbis). Compõem o tarso sete ossos curtos muito irregulares. A superior apresenta urna cabeça esférica (cabeça do fêmur) que se articula com o ilíaco e que se une ao corpo do fêmur por um curto e oblíquo talo ósseo (colo do fêmur). na posterior se insere um robusto tendão. O escafóide ocupa a parte interna do pé. e o membro inferior propriamente dito. O cubóide tem urna face superior que forma parte do dorso do pé. O perônio é uru osso delgado situado na parte externa da perna paralelo à tíbia e um pouco atrás desta. É o fêmur. Os cuneiformes assim chamados por sua forma de cunha são três ossos encravados entre os três primeiros metatarsianos e o escafóide. sua face anterior se articula com o cubóide. Osso da coxa. de cada lado. Centrada neste ponte. O escafóide. A extremidade inferior da tíbia por na parte interna prolonga para baixo uma apófise volumosa (maléolo interno). que se corresponde com a do outro ilíaco (sínfise pubiana). alongada forma o maléolo externo e por sua parte interna se articula com a tíbia e com um osso do pé. de forma triangular. ao lado do cubóide e se articula por trás com a cabeça do astrágalo e pela frente com os três cuneiformes. que descansa diretamente no chão. Sua extremidade superior (cabeça do perônio) apresenta em sua parte interna uma face articular para a que possui a tíbia a este nível. Sua face inferior se articula com o calcâneo. nas quais se inserem potentes músculos. que está colocado seguindo uma direção obliqua ou seja num esqueleto montado os dois mures aproximam suas extremidades inferiores. observamos no inferior duas partes fundamentais: o quadril. Como no antebraço. O astrágalo está encaixado por sua parte superior no arco que tem por pilares os dois maléolos e por abóbada a face inferior da tíbia. o tendão de Aquiles. cuja extremidade posterior se articula com algum dos ossos do tarso (cuneiformes ou cubóide) a extremidade anterior o faz com a extremidade posterior do primeiro osso que forma o esqueleto de cada dedo. O metatarso consta de cinco ossos longos. dispostos em duas ruas. A tíbia é um osso longo situado na parte interna da perna. Corno a extremidade inferior do fêmur. o pé é formado por três grupos de ossos: tarso. Sua extremidade inferior. plano. O astrágalo e o calcâneo formam a primeira rua. É o ilíaco ou coxal de forma quadrilátera muito irregular. Corno a mão. A rótula completa o esqueleto da perna. composto pela coxa. osso longo. Na parte externa deste se encontram duas proeminentes eminências (trocanter maior e trocanter menor). se encontra uma eminência óssea na qual se inserem músculos da região anterior da perna e na sua parte externa urna face articular para o perônio. Da extremidade inferior se separam. dois ossos formam o esqueleto da perna: a tíbia e o perônio. o ilíaco. massas ósseas arredondadas (côndilos do fêmur). por sua parte externa se acha uma grande cavidade articular (cavidade cotilóidea) para o fêmur. de outra tuberosa posterior (isquio). e era sua parte externa outra superfície articular inferior do perônio. sua face interna se articula com o escafóide e o terceiro cuneiforme. Osso do quadril.MEMBRO INFERIOR OU PÉLVICO Como no membro superior.

contribui para formar um cinturão ósseo se conhece por pelve. que descreveremos contornando a pelve desde sua parte média anterior até. encontra alojamento e sustentação grande parte da massa intestinal. exceto o maior (hálux) que tem apenas a primeira e a última. articulado pela frente (púbis) com o outro ilíaco e. chanfraduras grandes e pequenas. A borda anterior forma um ângulo obtuso muito aberto que por cima é fechado por uma faixa fibrosa (arco crural). a interna e as aberturas ou estreitos superior e inferior. à cavidade superior. a pelve é formada pelos dois essas ilíacos. pelve maior. estão constituídos por falante. A esta cornija irregular que estreita a parte média da pelve se denomina estreito superior. inserida nos extremos do mesmo. pelas superfícies ósseas que correspondem às regiões ilíacas (fossas lacas internas) e pela frente e pelos lados se encontra aberto (abertura que no estado natural é fechada pela parede abdominal). com o sacro. Pela função que a pelve feminina desempenha durante a gravidez e o parto. razão pela qual é de suma transcendência que a pelve esteja normalmente configurada. assim como atravessar os estreitos. a totalidade do aparelho reprodutor. a pelve é um amplo recinto fechado em suas partes posterior e média pelo sacro. vasos e nervos. a cabeça e o corpo do feto durante o parto. diâmetros e eixos dos estreitos: com efeito. falanginha e falangeta. esta fechada. também conhecido pelo nome de diafragma pélvico. encontraremos estes elementos: sínfise pubiana.membranosos que fornam o períneo. o sacro e o cóccix. do qual resulta circunscrito um espaço triangular que se localiza precisamente na união do abdome com a coxa e que exteriormente se corresponde com a prega da virilha esta região é importante porque nela se estabelece comunicação entre o abdome e a parte superior da coxa. as cavidades pélvicas formam um canal curvo pelo qual devem deslizar e girar. ou pélvico. assim como vasos arteriais e venosos que se dirigem às extremidades ou que procedem delas. são muito importantes determinados caracteres específicos. e o estreito inferior. ramos púbicos (horizontal e descendente) forame obturador. quando existem as partes. o qual delimita por cima uma cavidade grande e. a média posterior. Há que esclarecer que o estreito superior corresponde à abertura superior da pelve. Conformação da pelve. Em sua parte média. por baixo. primeiro. porém. amplamente aberta. O contorno do osso ilíaco apresenta numerosas. à abertura inferior. fossas ilíacas externas acima. Existe também um estreito inferior. De modo que este osso isolado forma o primeiro segmento do membro inferior. A PELVE Ao estudar o esqueleto do membro inferior. ou assoalho da pelve. Na pelve. quarto e quinto. Na superfície externa. com o isquio e o cóccix. outra menor. A redução de um ou mais diâmetros ou a deformação pélvica supõem serias dificuldades para o parto. e se encontra situada na parte inferior do tronco. 10 . Por sua parte interna. tais como planos de inclinação. músculos. o isquio abaixo e a parte posterior do sacro e do cóccix. por trás.Os dedos. a cavidade pélvica apresenta um estreitamento anular horizontal. Assim. formado por uma tinha irregularmente circular que une de forma imaginária a parte inferior da sínfise pubiana a borda inferior dos ramos isquiopubianos. e à inferior pelve menor. cavidade cotilóidea. pelos planos músculo . especialmente a porção terminal do tubo digestivo e o último trecho do aparelho urogenital e. que corresponde aproximadamente à parte média do corpo. descrevemos o osso ilíaco que também é conhecido por osso do quadril ou cintura pélvica. moles. de cada lado. além de passarem por seu interior importantes nervos. na mulher. seta impedimentos nem fricções violentas. terceiro. segundo. Para o estudo da pelve consideraremos sucessivamente a superfície externa. Em sua pane inferior se encontram o ísquio e os ramos púbicos. tanto em sua borda anterior como na posterior: estas chanfraduras (às vezes convertidas em orifícios por meio de ligamentos) dão passagem a tendões.

Para ter uma idéia delas. mas entre as mesmas se interpõe uma cartilagem que adere fortemente às superfícies ósseas e o movimento articular se reduz a curtos deslocamentos laterais. extensão e translação (do rádio. cabe destacar as fibrocartilagens próprias das superfícies côncavas de algumas diartroses (ombro). Se se atende à morfologia das superfícies que se articulam. tanto por parte dos ossos como pela dos elementos moles articulares. merece ser citada a do cotovelo. a cartilagem que as recobre. outorga-se o nome de articulação ao conjunto de partes duras e moles que estabelecem uma conexão entre dois ou mais ossos imediatos. Não obstante. Os meios de deslizamento (sinoviais). Anfiartroses também denominadas semiarticulações. de cilindro ósseo por um e de anel osteofíbroso por outro e. Curva fibrocartilagem. possui estruturas muito especializadas. A cartilagem que as recobre se caracteriza por sua solidez e grande flexibilidade. que intervêm na estrutura de toda articulação. Agora completaremos o conhecimento desta mediante o estudo dos elementos não ósseos. cuja face interna revestem. amplos e variados como assegurar todo o contrário: a imobilidade mais absoluta entre os ossos vizinhos. As partes constituintes de uma articulação móvel ou diartrose são: as superfícies articulares. Em anatomia. os meios de união e os de deslizamento. por sua grande variedade não é possível escolher nenhuma como tipo para uma descrição generalizada. Deve ficar claro que articulação não significa necessariamente mobilidade. Existem muitos tipos de diartroses. assim como à segurança e solidez que uma articulação tão móvel exige. segundo os elementos articulares. são faixas e cordões fibrosos muito resistentes. às quais se adapta uma espécie de rodete (rodete anular). ou de polia (tróclea) por um lado e crista por outro. A variedade de movimentos articulares depende da estrutura das superfícies articulares. podem estar fora da articulação (ligamentos periféricos)como o ligamento capsular ou cápsula ou então dentro dela (ligamentos interósseos). mas sim moles. flexão. na abóbada craniana. portanto. aparecem como linhas sinuosas. em geral denteadas. que em certas articulações (joelho) cobrem as superfícies articulares contíguas. cabe encontrar nelas elementos e características funcionais comuns. finalmente. ou então de superfícies côncavas e convexas que se correspondem reciprocamente. como clara de ovo. Em toda articulação há que considerar superfícies ósseas articulares. Dentro da articulação pode haver outras cartilagens e fibrocartilagens. são membranas tão finas e aderentes que é impossível separá-las dos ligamentos. ou gêneros. As segundas articulam ossos endocranianos. Por sua parte articular. que determina os de supinação e pronação). ou fibrocartilagens interarticulares. na qual se produzem movimentos de deslizamento. chamadas suturas. A cada articulação correspondem umas determinadas funções e. 11 . partes moles interpostas entre aquelas e outras colocadas ao seu redor. a sinóvia. rotação. Os meios de união ou ligamentos. semimóveis ou anfiartrose e móveis ou diartrose. segregam uma substância viscosa. encontraremos as que adotam a forma de cabeça por uma parte e de cavidade por outra. para obter os melhores resultados quanto à amplitude de movimentos e á facilidade de sua realização. a conexão óssea tanto pode permitir movimentos fáceis. Delas. existem superfícies articulares. as autênticas só se encontram na coluna vertebral. de faces planas por ambos os lados. Entre as diartroses mais móveis. Tais adaptações articulares permitem a realização de variados e extensos movimentos. Diartroses: nestas existem as condições ótimas. média ou ampla. As primeiras. que lubrifica as superfícies em contato. ou sinartrose. cuja finalidade é aumentar a profundidade e extensão da cavidade. As superfícies articulares dos ossos vizinhos já se viu que podem ter formas muito variadas. as articulações foram classificadas em imóveis. bastante citada nas descrições médicas das lesões que costumam acometer os jogadores de futebol é a dos meniscos. Sinartroses localizadas nos ossos do crânio e da face: os ossos ficam unidos mediante membranas fibrosas ou cartilaginosas.ARTICULAÇÕES Nos ossos que examinamos foram assinaladas de maneira especial as relações que mantinham entre si por meio das superfícies articulares que constituem uma parte da articulação. De acordo com sua dinâmica nula. o que facilita seu deslizamento.

Do ponto de vista anatômico. as estrias transversais. As fibras musculares contêm uma substância protoplasmática (sarcoplasma) e uns elementos filiformes. é capaz de contrair-se bruscamente para logo recuperar suas dimensões. deste modo se chega a descrever até sete grupos. que se estendem de um extremo a outro. pode diminuir seu comprimento. branca e muito resistente.SISTEMA MUSCULAR O músculo é um órgão que sob o efeito de um estimulo. a uma cartilagem ou a uma membrana fibrosa. As fibras musculares possuem microdispositivos especiais. com inserção na pele e ação sobre ela. as fibras conjuntivas convergem nos extremos para formar os tendões. sem estrias. Existem duas classes deles: os que se contraem por intervenção da vontade. as fibrilas musculares. respiratório. situados na parte lateral do crânio e da face. O número de músculos do corpo humano excede os 400 (50% da massa do corpo). dai serem chamados músculos de fibralisa. que se estende do ocipital ao frontal. Por isto também são denominados músculos viscerais. indispensável para a sua intensa atividade funcional. por sua vez. enrugamento da pele frontal. O tendão é de natureza fibrosa. delgados. Na outra classe. alguns sensitivos (feixe neuromuscular) e outros motores (placa terminal). São classificados tradicionalmente segundo um método topográfico que prescinde de sua fisiologia para atender somente à sua situação no esqueleto (Testut). os músculos voluntários ou da vida animal. Classificam-se em músculos da mímica e músculos mastigadores. que constituem unidades isoláveis de variadas formas. do nariz e da boca. Vamos expor sucintamente os planos mais superficiais destes grupos musculares cuja complexissima ação nos veremos obrigados a sintetizar: Grupo I. Os primeiros são cutâneos. o tendão. que se dividem e subdividem para formar departamentos cada vez menores. Por esta armação passam os vasos e os nervos. As fibras musculares se alojam entre as malhas de uma armação de tecido conjuntivo dispostas como septos. fechamento ou abertura dos olhos e a boca. Uma membrana fina e transparente. as aponeuroses ou fáscias. o miolema ou sarcolema. em número par. providas de numerosos núcleos. cobre a fibra muscular. e outro. Os da vida vegetativa constam de fibras fusiformes. ou seja. vermelha o músculo propriamente dito. Os tendões possuem como os músculos. os músculos voluntários se compõem de fibras musculares em que se destacam claramente umas características estrias: por isto são chamados músculos estriados. A sua ação se devem os seguintes movimentos: elevação das sobrancelhas. de cujos acoplamentos resulta uma grossa capa carnosa que se dispõe ao redor dos ossos: são os órgãos ativos da locomoção. Em todo músculo há que distinguir uma parte contrátil. Os músculos estão envoltos por membranas. dilatação transversal da fenda bucal (sorriso) e tantos outros que são causa da cambiante expressão facial humana. No músculo existe uma rica vascularização e nervação. formado por vários que se distribuem ao redor da cavidade orbitária. e formam membranas nos aparelhos digestivo. paralelos ao eixo da fibra muscular: a elas se devem as estrias longitudinais: cada fibrila se compõe de discos superpostos cuja justaposição origina. se reúnem os que são totalmente independentes da vontade. As fibras musculares aderem suas extremidades a pequenas depressões existentes no tendão. que evitam desvios e roturas durante sua contração e se dispõem como manguitos que desempenham o papel de uma meia elástica. etc. os músculos da vida vegetativa ou orgânica. mais numeroso. Músculos da cabeça. Os mastigadores. circulatório. nervos motores e sensitivos. ou músculos lisos. O músculo é constituído fundamentalmente por elementos cilindróides longados: são as fibras musculares. por um extremo se une ao corpo muscular e pelo outro a um osso. O músculo e o tendão se unem por continuidade da cobertura conjuntiva que envolve o corpo muscular com os elementos conjuntivos do mesmo tendão. 12 . cujos filetes se ramificam dentro d pequenos corpos fusiformes (corpúsculos músculo-tendinosos de Golgi). costuma-se dividi-los em dois grupos: um formado por um único músculo. elevam o maxilar inferior e mantêm encostadas ambas as bordas alveolares. e outra não contrátil.

que estendem a perna. Sua função reside em dobrar o tórax e comprimir as vísceras abdominais. os músculos do ombro. Músculos do tórax. dirigir o braço para trás e para baixo e elevar ou baixar as costelas. A plantar compreende todos aqueles que se distribuem pelas partes interna. que se inserem no osso ilíaco. e outros cruzam ambas as extremidades. na realidade. e a região palmar média. outros dobram a perna e a coxa. especialmente as inserções iliopubianas que correspondem à virilha. a região posterior. que contém os que acionam o polegar. que compreende aqueles que colocam o braço em pronação. os do braço. que se agrupam em três regiões: anterior. essenciais para a marcha e o salto e extensores do pé (outros mais profundos dobram a perna e os dedos do pé) 4º. 2º. dirigem-no para a frente e para trás e fazem girar o úmero. os da coxa. na qual se encontram os que dobram o pé sobre a perna. Os da nuca. na região póstero-interna figuram os que dobram a perna. na qual se encontram os orifícios que estabelecem comunicação entre a cavidade abdominal e as regiões vizinhas (canal inguinal’. que endireitam a pelve e comunicam ao fêmur movimentos de rotação. que se dispõem ao redor do cúbito e do rádio e formam: a região anterior. cujos músculos trabalham como extensores dos dedos. os segundos movem o braço e a região do ombro. flexionam. que se distribuem em várias regiões: uma para o dorso do pé e três para a face plantar. 3º os da perna. por outro. que se dispõem alguns na região anterior (que dobram o antebraço sobre o braço) e outros na posterior (que estendem o antebraço sobre o braço). a região externa. o que estende os dedos. cujas duas inserções são costais daqueles que por um extremo se inserem no tórax e. nalgum osso da cintura escapular. A região lombar é ocupada por uma extensa lâmina aponeurótica romboidal que se estende até o sacro e que. que compreende os que movem as falange dos demais dedos. Grupo V. situados num plano mais profundo. os da parte posterior correspondem à nuca. Inclui músculos largos que se dispõem de cada lado da coluna vertebral. à divisão admitida para a mão).Grupo lI. os da pelve: no grupo mais superficial e posterior se encontram os três grandes músculos da região das nádegas. os do antebraço. cujas paredes contribuem para formar. Músculos do membro inferior. Músculos do pescoço. a externa reúne aqueles que estendem o pé e dirigem sua face plantar para fora. flexionam os dedos ou dobram a mão sobre o antebraço. MUSCULOS DE FIBRA ESTRIADA Além dos que vimos nas páginas anteriores. Músculos da nuca e da região posterior do tronco. A primeira é formada por um só músculo. 2º. Os largos são uns planos musculares que ocupam a parte anterior e lateral do abdome. e que se reúnem no grupo dos músculos da 13 . costumam ser curtos. Este grupo compreende os que fecham a cavidade abdominal. que se distribuem uns numa região ânteroexterna e entre eles figuram os mais robustos do membro inferior. Sua função é variada e compreende as funções de trepar. Os primeiros intervêm na função respiratória. Podem ser longos ou largos. os do pé. onde atuam como extensores da mão ou colocam o antebraço em supinação. na qual se consideram a região palmar externa. inclinam ou giram a cabeça para um lado ou outro. é um grande tendão que contém fibras procedentes de diversos músculos. excepto os da região dorsal. 1º. figuram nele: 1º. Grupo IV. Grupo VI. onde se encontram os da panturrilha. os da mão. São importantes as aponeuroses inferiores. 3º. Dispostos simetricamente ao redor a coluna vertebral. Músculos do membro superior. aproximam a coxa para dentro e comunicam ao fêmur um movimento de rotação. arco crural). Distinguem-se os intrinsecamente torácicos. e a região posterior. que se estendem desde a clavícula e a omoplata até o úmero: elevam o braço. Pertencem a este grupo aqueles que fixam suas duas inserções no esqueleto do membro superior. o aproximam á linha média e estendem os dedos. 4º. Os primeiros se estendem longitudinalmente a cada lado da linha média do abdome e estão separados por uma porção aponeurótica chamada linha alba. Grupo VII. Músculos do abdome. Grupo III. Os músculos anteriores e laterais flexionam a cabeça e a dirigem a um e outro lado. externa e média (que correspondem.

Estes músculos fecham a pelve por sua parte inferior e constituem um dispositivo diafragmático. Canais excretores do fígado (colédoco) e do pâncreas (canal de Wirsung). e as da interna são circulares e longitudinais. na média. São o do martelo e o do estribo. e sua contração ou dilatação influi no calibre destes vasos. existem outros músculos. e as externas. variadas funções (mastigação. Possui :rês camadas concêntricas de fibras: as da externa são longitudinais. o miocárdio. Estes canais possuem. Músculos eretores do pêlo. Músculos da laringe. Bexiga urinária. localizados ao redor dos folículos pilosos. disposto em forma de abóbada. Músculo largo. Os feixes musculares se dispõem debaixo das peças cartilaginosas dos canais brônquicos e se organizam predominantemente como fascículos circulares que se estendem a modo de uma camada contínua. suas fibras musculares se distribuem em três planos: superficial. deglutição. de fibras circulares. de fibras oblíquas. também de fibra estriada. Útero. Muito importantes. A seguir. pertencem a um tipo especial. (diafragma pélvico) guardam estreita relação com o aparelho gênito-urinário e com a região anal. MÚSCULOS DE FIBRA LISA Sua característica é que funcionam de maneira totalmente livre da influência da vontade: sua contração se verifica com lentidão. estas se acham dispostas em todas as direções. Grupo numeroso que desde pontos diversos. O coração. agrupados em feixes cilíndricos. Diafragma. que contribuem para formar um largo conduto músculo membranoso que intervém principalmente na deglutição. Suas fibras musculares. isto é. longitudinais Estômago. Músculos da língua. que nas proximidades do anus se torna mais grossa e gera um anel muscular (esfíncter interno). uns fascículos anulares de fibras lisas (esfíncteres) que regulam a excreção da bile e do suco pancreático. são os fatores de sua mobilidade. vasos e canais. Na quase totalidade de sua espessura está formado pela túnica muscular (miométrio). citamos alguns órgãos em cuja estrutura intervêm os músculos de fibra lisa. onde constituem a massa carnosa da língua. as fibras musculares adotam duas direções: as mais internas são circulares. Nele. Tem uma camada superficial de fibras longitudinais e outra profunda de circulares. se acham ao redor da uretra (esfíncter vesical interno) e as da interna voltam a ser longitudinais. Músculos do ouvido. Brônquios. que por serem parte de órgãos ou sistemas distintos. por fora do globo ocular (músculos extrínsecos). à qual mobiliza em sua.locomoção. Encontram-se diminutos músculos. Esôfago. Alcança maior espessura nas artérias. Vamos expor alguns deles cujas funções são realmente importantes. É definido como um músculo oco. separa a cavidade torácica da abdominal e torna parte nos movimentos respiratórios. convergem na cavidade bucal. A independência de sua atividade já adverte que se encontram situados precisamente naqueles aparelhos e sistemas sobre cuja função o homem não tem domínio algum. Situados na órbita. respectivamente. Artérias e veias. e do mesmo modo recuperam suas dimensões. Reto. Músculos do olho. 14 . As fibras musculares lisas formam aqui uma capa (túnica média) que se dispõe circularmente. e profundo. em sua parte terminal. que atuam sobre a cadeia de ossículos na fase da transmissão mecânica da onda sonora. mais grossas. sobre as vísceras. de fibras longitudinais. embora estriadas. no duodeno (ampola de Vater). pela motilidade que desenvolve este órgão. que relacionam entre si as cartilagens que a formam e participam de modo indireto ou direto (cordas vocais) na fonação. Períneo. na média. médio. locução). Músculos da faringe. mu to grossa. são estudados em outros capítulos da anatomia. que se compõe de três camadas de fibras: na externa são longitudinais.

que também abarca os vasos quiliferos. Num coração que nos mostre por cima o plano que contém os orifícios citados. Contém a válvula mitral e o orifício da artéria aorta. APARELHO CIRCULATÓRIO SANGUÍNEO O coração é um músculo oco que atua como uma bomba aspirante-impelente: por aspiração introduz em suas cavidades o sangue procedente das veias e por impulsão o envia. Tanto a regulação da luz como a acomodação são funções automáticas. A íris consta de fibras radiais e circulares que permitem a contração e dilatação da pupila. ou o revestem por sua parte interna. Admite-se por tudo isto que existe um coração direito (venoso) e outro esquerdo (arterial) totalmente isolados um do outro. endocárdio. fecham a abertura. Ventrículo esquerdo. Nas válvulas mitral e tricúspide a abertura se deve ao aumento da pressão intra-atrial e à tração dos pilares. As paredes ventriculares projetam para o centro da cavidade pequenos mamilos musculares (músculos papilares ou pilares). semelhantes a ninhos de pombo. que confere ao conjunto o aspecto de malhas de uma rede. menores. o orifício atrioventricular direito. O miocárdio é formado por fibras musculares. onde se localizam as válvulas sigmóides. Compõe-se de duas partes: a massa contrátil. Ventrículo direito. o fechamento. através das artérias. com sua válvula mitral. com suas válvulas sigmóides. ainda pertencendo ao tipo estriado. ocupado pela válvula tricúspide. A tensão das 15 . ao abaular-se para o átrio. que fecha ou abre a comunicação entre ambas as cavidades. os ventrículos. além da válvula tricúspide. Eis aqui as características de cada cavidade: Átrio direito. só existindo comunicação entre átrio e ventrículo por meio dos orifícios atrioventriculares. O músculo ciliar retifica a curvatura do cristalino. que regulam a passagem do sangue. sua imagem histológica mostra que. Um septo separa as cavidades da direita das da esquerda. e as inferiores. flexíveis. que paira dentro da cavidade ventricular e na qual se inserem as cordas tendinosas que por seu outro extremo se unem aos músculos papilares. entre as quais destacam seu pouco comprimento. veias e capilares) e aquela que trata do sistema linfático (gânglios e vasos). apresenta características diferenciais. que junta fortemente as bordas livres de ambas as valvas que. suspensas da parede do vaso. a todas as medes capilares. ao aumento de pressão intraventricular. umas do átrio ao ventrículo. ou miocárdio. os átrios. formada por três delas. e as membranas que o envolvem por sua parte externa. podemos ver a disposição das valvas: triocúspide. o orifício da artéria pulmonar. Cada valva tem uma borda aderida ao contorno do orifício atrioventricular e outra livre. Todas as válvulas cardíacas são formadas por membranas delgadas. outras do ventrículo aos troncos vasculares. Átrio esquerdo. que fecha ou abre a passagem entre ambas as cavidades.Íris e músculo olhar (intrínsecos do olho). da linfa e do quilo abrange duas partes: a que se ocupa do aparelho circulatório sanguíneo (coração. a mitral constituída por apenas duas. artérias. e sua ramificação. O exame interno do coração permite distinguir quatro cavidades: as duas superiores. que apresenta os quatro orifícios das veias pulmonares e o orifício atrioventricular esquerdo. que consistem em pregas membranosas. cuja extremidade livre se prolonga com umas delgadas cordas tendinosas que se inserem nas bordas livres das válvulas mitral e triocúspide. SISTEMA CIRCULATÓRIO CORAÇÃO E PERICÃRDIO O estudo dos órgãos destinados à circulação do sangue. pericárdio. Os orifícios das artérias pulmonar e aórtica apresentam três valvas sigmóides cada um. que e mononuclear. no qual se acham os orifícios das veias cava superior e cava inferior. Vemos nele.

Situado no ponto de união da veia cava superior e o átrio. e uma membrana interna. logo. CIRCUITOS CIRCULATÓRIOS São dois: um. O pericárdio é um saco fibroseroso. suas bordas voltam a juntar-se. válvulas e vasos é simultâneo e as fases de contração e dilatação se produzem ao mesmo tempo no coração direito e no esquerdo. A base do pericárdio fibroso se adere ao diafragma. o peso da coluna de sangue injetada nos vasos gravita sobre suas cavidades. Endocárdio e pericárdio. a artéria aorta e suas ramificações. CIRCULAÇAO INTRACARDÍACA A explicação da circulação sanguínea. Além isso. concretamente no átrio esquerdo o qual. seu vértice. seguido pelo sangue que do coração direito vai aos pulmões e retoma ao coração esquerdo. os capilares de todos os parênquimas e o sistema venoso. que se continuam com as fibras musculares do átrio e estão inervadas por outras autônomas. por ser o mais importante gerador de impulsos recebe o nome de 16 . contrai-se o átrio e se abre a válvula tricúspide. válvulas e cordas tendinosas e se continua com a túnica interna dos grandes vasos. o pericárdio fibroso. duplo saco sem abertura. na qual intervêm o ventrículo esquerdo. o qual compreende dois nodos e um fascículo.cordas tendinosas e a contração dos músculos papilares contêm em seus justos limites o abaulamento. o pericárdio seroso. que envolve o coração sem contê-lo. e o sangue passa através dela ao ventrículo direito até enchê-lo. ao preenchê-las. que envolve o coração e a parte inicial dos grandes vasos. que desembocam no átrio esquerdo. Quando este está cheio. O primeiro constitui a pequena circulação (da qual já em 1553 Miguel Servet teve clara intuição) e se realiza entre o ventrículo direito. no coração existem fibras musculares especializadas na condução de impulsos isto é. completará com uma visão de conjunto a relação anatômica e funcional que mantêm entre si as distintas partes do coração e que já examinamos em separado. os capilares pulmonares e as veias pulmonares. orifícios e vasos. convertido em arterial. de fibras cardíacas especializadas. uma vez repleto. em ambos se realiza sua oxigenação e. o sangue ingressa nas veias pulmonares que o retomam ao coração. também está rodeado de células ganglionares parassimpáticas. abraça os grandes vasos. AUTOMATISMO CARDÍACO O músculo cardíaco é de fibra muscular estriada de caracteres próprios (miocárdio) que o diferenciam das fibras do músculo somático. reingressa no coração direito. que o devolve ao coração. pelo sistema venoso. ou feixe. que se enche totalmente. outro. utilizando um esquema que mostre a chegada de uma massa de sangue isolada que vá percorrendo cada uma das cavidades. O segundo circuito constitui a grande circulação. ao cessar a tensão intraventricular. se contrai e o injeta através da válvula mitral no ventrículo esquerdo . O funcionamento das cavidades. que têm forma de ninho e. razão pela qual os movimentos cardíacos são sincrônicos. O endocárdio é uma membrana (endotélio) que reveste as cavidades. a artéria pulmonar. A intervenção das válvulas sigmóides é simplesmente passiva: a pressão da corrente sanguínea ascendente as dobra e encosta às paredes das artérias. aberto. contrai-se por sua vez e impele o sangue através das válvulas sigmóides na artéria aorta. A massa de sangue venoso chega pelas veias cava superior e inferior e flui diretamente ao átrio direito. fechando-se a abertura. é formado por dois folhetos muito finos: o externo corresponde ao pericárdio fibroso. O nodo sinoatrial é fusiforme. O pericárdio fibroso é um envoltório protetor. o seroso (que contém um líquido viscoso) facilita os movimentos cardíacos. este se contrai e o sangue é impelido através das válvulas sigmóides à artéria pulmonar. consta de uma camada externa. O pericárdio seroso. percorrido por aquele que do coração esquerdo se dirige pelo sistema arterial a todos os parênquimas e logo. que o conduz aos pulmões. o interno se estende sobre e superfície do miocárdio e se dispõe como um manguito sobre os troncos arteriais. o sistema de condução. distribuindo-o seu ramo direito ao pulmão direito e seu ramo esquerdo ao pulmão esquerdo.

poplítea) e a perna (tibial anterior e tibioperoneira). Além deste sistema autoregulador que o torna autônomo. Todas elas desembocam direta ou indiretamente no tronco (braquiocefálico) originário da veia variações do potencial elétrico que. à qual segue uma segunda bifurcação (ilíaca interna. a interna dá ramos intra.e extrapélvicos (para a bexiga. dos quais nascem as artérias para os dedos (digitais e colaterais dos dedos) . que se pode uma fita da marcha da excitação do coração exames clínicos. ao propagar-se do corpo. o intestino (mesentérica). Sua inervação também se deve a fibras nervosas autônomas. mediastino. as veias profundas da mão. do tórax (pericárdio. esôfago. o coração se encontra submetido à ação aceleradora do sistema simpático e à freadora do parasimpático. 2º. cajado da aorta. que se continuam com outras atriais musculares. renais). está localizado no átrio direito. o baço (esplênica). 3º. VEIAS E CAPILARES Os tubos membranosos por onde circula o sangue são chamados vasos sanguíneos e são as artérias. cefálica). de uso muito frequente nos 17 . da qual nascem artérias para o diafragma. antebraço e braço seguem o trajeto das artérias e recebem seus mesmos nomes. irriga a região plantar. os genitais (espermática. da medula espinhal e do membro superior: neste. As veias superficiais da mão e antebraço acabam constituindo três ramos (cubital. As veias só possuem uma túnica externa de fibras musculares e elásticas e outra interna endotelial. direito e esquerdo). que descem cavalgando sobre o septo interventricular e terminam subdividindo-se cada uma para formar respectivas redes (de Purkinje) que se distribuem por ambos os ventrículos. radial. Os capilares são vasos finíssimos formados simplesmente por células endoteliais soldadas entre si. o estômago (gástrica). do pescoço (jugular e outras). constituído pelas veias pulmonares. logo se reúnem numa só veia (adiar. a aorta torácica. que nascem nos pulmões e desembocam no coração. pleura. reto. onde forma um arco (arco dorsal) do qual nascem as artérias para os dedos. por repetidas divisões e anastomoses destes vasos se formam as redes capilares. que nasce do ventrículo direito e se divide em dois ramos (pulmonares direita e esquerda). ARTÉRIAS. pulmões). endotelial. O outro nodo. ao antebraço (radial. ao braço (umeral). cubital) e que na mão formam uns arcos (arcos palmares). da qual partem as artérias que se distribuem pelo tórax (pulmão. Cada um recebe afluentes da cabeça (intracraniais. rosto. intercostais). que devolvem o sangue ao coração. chegam à superfície tempos da contração cardíaca. o registro sobre é o eletrocardiograma.). ilíaca externa). O feixe atrioventricular se bifurca em dois ramos. no qual nascem as artérias que irrigam o coração (coronárias) e as que se dirigem para a cabeça (carótidas)(1). a outra (tibioperoneira) dá dois ramos (peroneira. O sistema venoso é formado pelo sistema de veias que corresponde á artéria pulmonar. os capilares e as veias. axiliar). pericárdio. a mais interna. As artérias conduzem o sangue aos órgãos. ELETROCARDIOGRAMA A contração cardíaca se acompanha de em todas as direções. onde reproduzem o ritmo dos diversos detectar com o eletrocardiógrafo. ao oco axilar (subclávia (1). As artérias se compõem de uma túnica externa conjuntiva. músculos e genitais) a externa dá um ramo ascendente (epigástrica) e se continua pela coxa (femoral. Os ramos terminais da aorta começam a partir de uma primeira bifurcação (ilíacas primitivas direita e esquerda). e o sistema de veias que corresponde à artéria aorta: veias cardíacas (coronários e outras) veia cava superior. ao chegar ao pé. formada por dois troncos (braquiocefálicos. o sistema da artéria aorta. mediana) e dois no braço (basílica. -tibial posterior). onde formam os capilares dos quais se originam as veias. o rim (capsulares. O sistema arterial consta de: o sistema da artéria pulmonar. e um tronco (tronco celíaco) que dá artérias para o fígado (hepática). a aorta abdominal. esôfago. que se divide nas seguintes partes: 1º. subclávio). uterovariana) e o intestino grosso (mesentérica). uma delas (tibial anterior) termina irrigando o dorso do pé (pediosa). de outra média muscular e de outra interna. o atrioventricular. composto também de uma rede de fibras cardíacas especializadas.marcador do passo ou marcapasso. etc.

VASOS E GÂNGLIOS LINFÁTICOS Os vasos linfáticos são canais por cujo. por sua vez. apresenta dois envoltórios: o mais externo é uma serosa dependente do peritônio. da passagem aos vasos e nervos esplênicos (hilo). Anatomicamente. supra-hepáticas. Os vasos linfáticos distribuem-se em planos superficiais e profundos pela cabeça. a modo de septos. grande tronco venoso que sobe pelo abdome. mediastino. Aos capilares seguem os vasos coletores. o faz no átrio direito. ainda que muito mais grossos e de aspecto nodoso. Os gânglios distribuem-se como um conjunto continuo e existem na axila. descrevendo um trajeto paralelo entre si. recebem por um pólo os vasos aferentes e emitem pelo oposto (hilo) os vasos eferentes. a inferior. O ducto torácico nasce na cisterna de Pecquet. O BAÇO É um órgão ovóide. Tanto a cisterna de Pecquet como o ducto torácico recebem a linfa proveniente de um território que se circunscreve à parte esquerda do corpo. porta. e de cauda do baço. parte posterior do joelho. pescoço. onde desembocam. renais. partes laterais do pescoço. e a estes. A grande veia linfática. interna). direita e esquerda). em qualquer caso se dirigem sempre para os grandes coletores. de cada gânglio. Gânglios linfáticos. de cor vermelho escura. cuja união origina a veia cava inferior. os troncos linfáticos. que por sua vez o faz com um ramo (ilíaca externa). interior circula a linfa desde seu lugar de procedência até o sistema venoso. acompanhados dos sanguíneos. onde convergem: o ducto torácico e a grande veia linfática. assim como nas ésceras. ao chegar à perna. As veias profundas do pé seguem o trajeto das artérias. por canalículos semelhantes aos capilares sanguíneos. Este tronco recebe veias da pelve. cujos extremos (dorsal externa e dorsal interna). tronco e membros. da mesma forma ingressam nele as veias do abdome. planta do pé). suas extremidades arredondadas recebem o nome de cabeça do baço. saem os vasos eferentes. A secção de um gânglio mostra uma cápsula que envolve uma massa periférica (substância cortical). O trajeto dos vasos linfáticos se encontra interrompido por massas globosas. onde cujas anfractuosidades circula a linfa. Os vasos quiliferos são capilares linfáticos que partem das vilosidades intestinais. e podem ser superficiais ou profundos. Originam-se rio seio dos tecidos. virilha. e dela partem para o interior numerosas prolongações laninares. que desemboca cada um em outra veia mais profunda (poplitea. que se cruzam e 18 . as superficiais compõem na região plantar uma rede venosa e na dorsal um arco venoso. Nela confluem todos os vasos linfáticos que não são tributários do ducto torácico e que pertencem a um território circunscrito à direita. cria um dos dois ramos (ilíacas primitivas. desde as que se estendem pelo mesentério (prega do peritôneo que une o intestino delgado à coluna vertebral) para desembocar num reservatório. etc. pelve e abdome (onde se encontram repartidos na maioria das vísceras). tibioperoneiras) e logo se continua com um tronco (femoral). a interna é de natureza fibrosa. escavada. e podem desembocar nos grupos vizinhos. femoral). Veias do membro inferior. os gânglios linfáticos. Sua face anterior. flexura do cotovelo. umas parietais e outras viscerais (capsulares. dão dois ramos ascendentes (safena externa e safena interna). cuja distribuição é análoga à das artérias. muito mais curta. a cisterna de Pecquet. a superior. o qual. Em cada gânglio desembocam os vasos linfáticos aferentes que desde os territórios onde nascem se vão estendendo até chegar ao grupo do qual são tributários. está situada no lado direito do corpo e desemboca entre as veias jugular interna e subclávia direita.cava superior que. espermáticas ou uterovarianas). por sua vez. a mais inferior (poplítea) resulta da união de ramos profundos (tibiais. cujo centro alberga outra (substância medular). desde cuja extremidade superior se prolonga para cima e para a esquerda. penetra no tórax e na parte superior deste se encurva para a frende para desembocar na veia subclávia esquerda. atravessa o diafragma e desemboca no átrio direito. exceto por alguns pontos (palma da mão. com poucas anastomoses. unindo-se a outro (ilíaca. De forma e volume muito variáveis.

com sua membrana envolvente. o segundo reveste as paredes do tórax: por cima cobre o pulmão. no hipocôndrio esquerdo. a faringe. 19 . portanto. penetram nos pulmões respectivos. e o esquerdo. Seu volume varia durante os movimentos de inspiração ou expiração e sua capacidade é de uns três litros e meio. cricóide. as aritenóides. nascem da bifurcação da traquéia e reproduzem a configuração anular desta. atuando corno um reservatório de sangue. enquanto diminui seu calibre e se ramificam para formar as árvores brônquicas direita e esquerda. que dá passagem ao pedículo pulmonar. A cartilagem tiróide. da laringe nos ocuparemos quando a examinarmos como aparelho fonador. Descansam sobre o diafragma e estão separados entre si por um espaço que aloja outros órgãos torácicos (mediastino). O APARELHO DA RESPIRAÇÃO Consta de uma parte condutora do ar e de outra respiratória propriamente dita. o hilo. Por sua face interna. a laringe. onde apresenta quatro prolongamentos: os dois superiores se unem ao hióide e as inferiores se articulam com a cricóide. é larga.hióide. e por fora. exceto seu centro. cada pulmão oferece um orifício. vasos e nervos que entram no pulmão ou saem dele. direito e esquerdo. acompanhados de vasos e nervos.anastomosam em todos os sentidos. Este órgão. não são visíveis numa projeção anterior da laringe. dois lobos separados por uma cissura. seguem um trajeto inverso. A porção condutora começa no nariz e acessoriamente na boca e segue com a cavidade nasal. situados na cavidade torácica. O pulmão direito apresenta três lobos separados por cissuras. Cada brônquio. Entre ambos os folhetos existe uma cavidade virtual que contém uma pequena quantidade de liquido seroso. A polpa vermelha é constituída por seios venosos e uma rede de fibras reticuladas. Outras duas pequenas cartilagens. sem abertura. Os brônquios. Consta das seguintes peças cartilaginosas. Depois de um curto trajeto. o diafragma. realiza três funções importantes: pelo tecido linfóide. aritenóide e epiglote. articuladas e unidos por ligamentos e movidas por músculos: tiróide. gera glóbulos brancos: pela ação das células fagocitárias (macrófagos). localizada atrás da tiróide. O primeiro adere intimamente ao pulmão. graças à rede vascular. apresenta a placa orientada para trás. que revestem os pulmões. AS PLEURAS São dois sacos serosos. que corresponde ao mediastino. a traquéia e os brônquios. por baixo. destrói as hemácias envelhecidas e. a pleura. e como tal vamos examiná-lo a seguir. a face interna das costelas (seio costodiafragmático). A epiglote é uma lâmina ovalada. situam-se na parte superior e posterior da cricóide e. feixe de todos os canais. independentes de membrana deslizante. Cada pleura compõe-se de dois folhetos: o visceral e o parietal. A traquéia se estende desde a laringe até a origem dos brônquios. proeminente à frente e aberta por trás. O baço compõe-se em grande parte de tecido linfático: a polpa branca que rodeia a vermelha é formada por folículos linfáticos. A LARINGE COMO ÓRGAO DA FONAÇÃO Mencionou-se a laringe como parte das vias aéreas. As veias. situada imediatamente abaixo do osso . que está coberta por uma membrana. situado profundamente na parte superior do abdome. revestidas por células fagocitárias (sistema retículo-endotelial). Os pulmões consistem em dois sacos esponjosos. esta cartilagem. formando compartimentos que se encontram repletos do tecido próprio do baço. parecida com um anel de sinete. A parte respiratória é constituída pelos pulmões. é um tubo composto de anéis em forma de C. elásticos e cônicos. portanto. como vimos. é capaz de dilatar-se enormemente. mas é também um aparelho fonador. descem obliquamente. por cima do orifício superior da laringe. o canal traqueal só é cilíndrico por sua parte anterior e plano pela posterior. que é composto de polpa branca e polpa vermelha. A faringe será descrita com o aparelho digestivo. qualquer que seja seu calibre. com a convexidade dirigida para a frente. vai acompanhado de um ramo da artéria pulmonar. por dentro reveste a face mediastinica.

O exame da parte posterior do fragmento anterior de uma laringe cortada frontalmente permite ver a porção mais importante do conduto laríngeo em relação. que se ramifica. convém esclarecer que a artéria pulmonar. Delas. se bifurca. Pode-se. assim como os de tensão. os que se dispõem na periferia do pulmão apresentam na face externa deste suas bases e dirigem seus vértices para o interior do mesmo. Esta relação anatômica tão estreita entre os pulmões e o coração se explica porque. as veias pulmonares. RELAÇÃO CARDIOPULMONAR Antes de iniciar o estudo das relações existentes onde o coração e os pulmões. e às vesículas. os brônquios direito e esquerdo. CONSTITUIÇÂO ANATÔMICA DOS PULMÕES Os pulmões estão formados por sáculos membranosos em cujas delgadas paredes se ramificam os vasos através dos quais se verifica o intercâmbio gasoso: são os lóbulos pulmonares. cuja vibração. embora contenham sangue arterial recebem o nome de veias porque convergem para o coração. onde se unem para formar vasos cada vez mais grossos e menos numerosos. infundibulos. onde se subdividem seguindo as ramificações da artéria pulmonar. a estes conjuntos se lhes chama ácinos. outras membranas e ligamentos mantêm relacionadas as distintas peças pelas superfícies articulares. No espaço acanalado compreendido entre os troncos venosos e os arteriais pulmonares se alojam. até ficarem reduzidos a dois troncos para cada pulmão. O aparelho respiratório e o circulatório apresentam estreitas relações. chamado feixe da corda vocal. à traquéia. em cuja espessura se aloja um feixe muscular (do músculo tiroaritenóideo). embora a ventilação pulmonar se realize naqueles órgãos. Cada pulmão está unido ao coração pelo pedículo pulmonar. transmitida à coluna de ar expirado. de um lado e do outro. já que conduz o sangue para fora do coração. que se devem a delicados deslocamentos pendulares das cartilagens laríngeas. está a cargo do coração. que ao chegar ao hilo respectivo penetram no pulmão. que atravessam o hilo correspondente e penetram no pulmão respectivo. o importante trânsito ininterrupto do sangue pelos capilares pulmonares. sua ação proporciona a esta corda a possibilidade de experimentar uma especialíssima tensão que distingue de todas as demais esta bem chamada “lingueta viva”.sobre a qual desce. recebe o nome de artéria por seu funcionamento. no ato da deglutição. dá se dirigem ao átrio esquerdo. pois. e cada ramo terminal desemboca num conjunto de três a seis vesículas lobuladas. de forma piramidal. Por outro lado. uma parte alheia ao intercâmbio gasoso. Estes apresentam por fora umas empolas que lembram as células ou alvéolos com seu opérculo de um favo de mel. apesar de conter sangue venoso. as cordas vocais. formando ali o bronquiolo intralobular. A primeira se dirige para cima e. como ocorre com todas as veias. com a função fonética: a glote. depois de um breve trajeto. a modo de opérculo. das redes capilares dos lóbulos e das últimas ramificações brônquicas nascem vênulas que convergem e se dirigem para o hilo pulmonar. duas de cada lado. que se continua dentro do lóbulo. Os músculos intrinsecamente laríngeos mobilizam as cartilagens. Os movimentos básicos para a produção do som são os de aproximação ou separação das cordas vocais. produz a voz. Do mesmo modo. A laringe se une pela tiróide ao hióide (membrana tiro-hióidea) e pela cricóide. dando um ramo direito e outro esquerdo. e devido a esta semelhança receberam o nome de alvéolo. Atravessa o vértice de cada lóbulo um canal brônquico. em cuja parede superior desembocam. limitada por quatro pregas. e para evitar a confusão que pode advir da identidade nominal dos grandes troncos arteriais (artéria pulmonar e artéria aorta). as inferiores são as verdadeiras cordas vocais. cuja parede é uma 20 . fenda de amplitude muito variável. dizer que “a artéria pulmonar une o ventrículo direito aos pulmões” (Soula) e se ramifica profusamente em ambos. vimos também que de cada ventrículo do coração nascem duas grossas artérias: a pulmonar e a aorta. Resultava imprescindível esta prolixa descrição para chegar ao elemento fundamental do pulmão. constringem ou dilatam a glote ou deprimem a epiglote. tensionam as cordas vocais. como fazem todas as artérias. do qual parece pender como uma fruta de seu talo: é o bronquíolo supralobular. o alvéolo pulmonar.

intestino delgado.finíssima membrana que “separa o ar do sangue” (Soula) e constitui precisamente o ponto de intima união entre o aparelho respiratório. recobertas pela mucosa bucal. a dentina ou marfim. No assoalho da boca esta a língua. o sentido do paladar. existem outras que os diferenciam entre si e que se devem às variações que a coroa e a raiz mostram. Afora estas características comuns. OS MOVIMENTOS RESPIRATÓRIOS As duas fases da função respiratória. raiz. na qual termina uma ramificação da artéria pulmonar acompanhante do bronquiolo intralobular. No adulto seu número ascende a 32 (16 para cada mandíbula): são os dentes permanentes. 4). matéria mole na qual se distribuem artérias. esôfago. pertencem à fisiologia. de cor branca brilhante. Compreende as seguintes porções: boca. a porção inicial. A nível da coroa. O palato. As veias que seguem estes capilares passam pelas paredes interlobulares e se dirigem para a periferia do lóbulo. e aos quais se conhecem como glandulares anexas ou simplesmente como anexos do tubo digestivo. este. orifício que comunica com a faringe. linfáticos e nervos que penetram por uns orifícios que perfuram o vértice da raiz. raiz única (pré-molares. ao recuperar a forma abobadada. abóbada palatina. Os dois pilares anteriores formam um arco que circunscreve o istmo das fauces. Intervém em ambos os atos a caixa torácica. amígdalas e istmo das fauces. reduz a cavidade torácica e expulsa o ar. de cada lado. representado deste modo pela parede alveolar. parte implantada no alvéolo. A ventilação pulmonar é realizada mediante movimentos inspiratórios e expiratórios. para formar as veias pulmonares. Os dentes. mas o exame da intervenção física de alguns dos órgãos descritos até aqui pode ser interessante do ponto de vista da mecânica respiratória. o diafragma. A expiração é um ato passivo. pelo cemento. apresenta na parte média de sua borda livre a úvula ou campainha e se continua lateralmente. órgãos linfóides em forma de amêndoa. raiz única (incisivos. móvel e contrátil. além disso. coroa pontiaguda. 4) coroa larga. veias. o maxilar inferior: descobrem-se então. Todos eles possuem: coroa ou corpo. que só se converte em uma cavidade real quando desce. raiz múltipla (molares. ou véu do paladar. úvula. que intervém na mastigação. Nela reside. umas dobras chamadas pilares. coroa com quatro cúspides. elementos duros. As gengivas são as bordas alveolares. Quanto à sua configuração interna (fig. se dilatam e aspiram o ar. Este se estende desde a boca até o ânus e alcança um comprimento de dez a doze metros. compõe-se de palato duro e palato mole. estômago. com os dois pilares. intestino grosso e ânus. o corte de um dente permite distinguir uma parte periférica. raiz única (caninos. O APARELHO DIGESTIVO TUBO DIGESTIVO. e o aparelho circulatório. ou da segunda dentição. representado pela rede capilar que o envolve. portanto. durante a inspiração se produz o aumento dos diâmetros intratorácicos. que separa a coroa da raiz. devido à elasticidade do pulmão e ao relaxamento do diafragma que. 8). entre os quais se alojam as amígdalas. com duas cúspides. 12). e a nível da raiz. de natureza fibromuscular. dentes. estão implantados nos alvéolos dos maxilares. órgão musculoso coberto por uma mucosa. bordeado pelos lábios. muito dura. em seu interior. A boca é. uma série de órgãos: gengivas. BOCA FARINGE O aparelho digestivo compõe-se do tubo digestivo propriamente dito e de vários órgãos glandulares que vertem nele suas secreções ou sucos digestivos. ou céu da boca. especialmente pela ação do diafragma. deglutição e locução. O tórax realiza movimentos alternados. os músculos intercostais e a pleura. No centro da peça dentária se observa uma cavidade que contém a polpa dentária. 8). O número de dentes varia com a idade: até os sete ou oito anos chegam a 20 (10 para cada mandíbula): são os dentes da primeira dentição. língua. anterior e posterior. faringe. Imediatamente atrás da boca se encontra a faringe segunda porção do tubo digestivo. parte que sobressai do alvéolo. que 21 . a dentina esta coberta pelo esmalte. Ao crescer o espaço intratorácico. estas são: coroa cortada a bisei. a ventilação pulmonar e a respiração celular. ou dentes de leite. e colo. os pulmões descem.

O estômago. e as extremidades (grande e pequena tuberosidade) que correspondem. órgãos especialmente dedicados a atuar mecânica e quimicamente sobre a massa alimentar. e para impedir que se desvie para o conduto aéreo. Por sua parte anterior e superior se comunica com as fossas nasais e a boca. aberto pela frente. a cuja parede posterior está aderido por uma dobra do peritônio (mesentério) que lhe permite executar amplos movimentos: ao se abrir o abdome se apreciam as circunvoluções ou alças do jejuno-íleo. O extremo termina do jejuno-íleo. especialmente a subida ou descida durante a deglutição. por cuja razão seu deslocamento. ESTÔMAGO. que atravessa o tórax de cima a baixo. não é uma simples via de passagem. como se indicou. se abre perpendicularmente no ceco. em forma de C. ao orifício de entrada ou cárdia. desde o duodeno ao intestino grosso. portanto. seu extremo inferior desemboca por diante no conduto respiratório e por sua região posterior continua a via digestiva ao prolongar-se com o esôfago. a porção diafragmática. e cujo teto corresponde ao occipital. nele desemboca o estômago. que atua seletivamente sobre os alimentos e os converte em quimo. Divide-se em duas partes: duodeno e jejuno-íleo. ao ser comprimido pela língua contra o palato. achatada. De comprimento. muito importante no estômago. órgão saciforme. No ato da deglutição o bolo alimentar. estes sobretudo na parte inferior. e nela se destacam estas partes: como. a superior. O estômago e o intestino delgado deixam de ser exclusivamente vias de trânsito para ser. acarreta o da laringe. para evitar seu desvio para as fossas nasais. formado pela união da parede anterior com a posterior. Atendendo a seu funcionamento.consiste num conduto músculo . Este anatômicamente é constituído por uma armação fibrosa. direita e esquerda. a cuja grande mobilidade se devem suas variações de forma e orientação. chamado cárdia. que retém os alimentos e sobre eles atua mecânica e quimicamente. cujo extremo superior é continuação da faringe e o inferior desemboca no estômago por meio de um orifício. Tal ação. localizada na parte inferior do pescoço. onde os alimentos experimentam ainda a ação mecânica dos movimentos peristálticos e a ação química dos sucos secretados pelas próprias paredes intestinais ou por glândulas vizinhas. é sim um órgão muito mais complexo. parecido com um funil.membranoso. bordas. A ação mecânica estriba em produzir ondas contráteis anulares que avançam para o piloro e fazem progredir o conteúdo alimentar (movimentos peristálticos). é. que. a elevação do véu palatino oclui a parte posterior destas. Sua imagem radiológica lembra a de um J. Consta de: a porção cervical. situado na fossa ilíaca direita. não deixa de sê-lo no intestino delgado. INTESTINO DELGADO O esôfago é como um tubo músculo-membranoso de 24 a 28 cm. A ação química consiste na secreção do suco gástrico. destinado à passagem do bolo alimentar por um lado e do ar para a respiração pelo outro. Segue regularmente todas as inflexões da coluna vertebral e tem forma cilíndrica. que atravessa o músculo diafragma. O jejuno-iléo . O duodeno (chamado assim por medir aproximadamente umas 12 polegadas) é a porção inicial do intestino delgado. que se estende desde o estômago ao intestino grosso e pode medir até sete metros. uma encruzilhada onde se entrecruzam a via digestiva e a respiratória. a faringe deve ser considerada como um conduto misto. ou piloro. Constituição anatômica. cilíndrico. chamadas também pequena e grande curvatura. O estômago é constituído por quatro túnicas superpostas: túnica 22 . dos quais uns atuam como constritores e outros como elevadores. com estreitamentos e segmentos alargados. envolta por uma camada muscular de dez músculos. Ocupa a maior parte do abdome inferior. ESÔFAGO. O intestino delgada é também um tubo músculo-membranoso. Por isso interessa conhecer a estrutura íntima do estômago e a do intestino delgado. e a inferior ao de saída. O bolo é dirigido para baixo. corno a faringe e o esôfago. efetua-se o retrocesso da língua e o descenso da epiglote. Alguns deles se inserem no osso hióide e nas cartilagens laríngeas. além disso. que se abre para o duodeno e está provido de uma válvula e um esfíncter. que fecha a laringe. desliza pelas fauces. Por sua parte anterior se acha coberto por uma grande dobra peritoneal (grande epiploo). e a porção abdominal que ocupa um curto espaço do abdome. a porção média ou torácica. comunica com o esôfago. em cuja concavidade se aloja a cabeça do pâncreas.

Os apêndices epiplóicos são prolongamentos adiposos peritoneais com um pedículo aderido à borda da faixa. mostra macroscopicamente pregas e orifícios das glândulas. que compreende uma camada de fibras longitudinais. compõe-se das mesmas túnicas que o estômago. túnica muscular. seu comprimento chega até 1. para a esquerda e chegar à zona inferior do baço. como um fundo de saco. em cujo interior. e que externamente está revestida por um epitélio. a válvula ileocecal. a qual percorre obliquamente para introduzir-se na pequena pelve. No interior do ceco. termina abrindo-se ao exterior na região perineal O intestino grosso se considera formado por três partes ou porções: ceco. a mais curta. que é a origem dos linfáticos intestinais. mas 23 . Quanto à sua constituição microscópica . outra de fibras circulares e uma terceira de fibras em S. túnica submucosa. às quais corresponde a secreção do muco lubrificante e do suco gástrico (pepsina e ácido clorídrico) que atuam sobre os alimentos. 25-30 mm). que reveste a superfície interna do estômago e se dispõe em pregas onduladas paralelas ao eixo maior do órgão. que se dirige para baixo e se prolonga com o cólon ileopélvico. entre as cavidades ampolares e as pregas falciformes. O intestino grosso aparece como um tubo de considerável calibre que constitui um marco dentro do qual se acha o volume intestinal. são eminências arredondadas ou separadas por sulcos transversais. O cólon. Externamente. líquidas e gasosas do intestino delgado ao grosso. observa-se a abertura do conduto apendicular e. Elemento característico do intestino delgado é a vilosidade intestinal. túnica mucosa. urna passa a ser anterior. ou haustrações. e a partir dai desce até ocupar a fossa ilíaca esquerda. em número de três. não é retilíneo. que termina no orifício anal. das quais existem dois tipos : fúndicas e pilóricas. Ë um resto de dependências intestinais que se atrofiam durante o período fetal. está situado por baixo da desembocadura do jejuno-ileo. de largura. que o aborda em ângulo reto. muito desenvolvidos no ceco e cólon. dependência de peritônio. com uma cavidade central muito estreita. O cêco é a parte do intestino grosso que. orientadas em sentido perpendicular ao eixo. apêndices epiplóicos e faixas ou fitas longitudinais. entre as quais se abre uma fenda tipo urna botoeira: esta válvula regula a passagem de matérias sólidas. e impede seu retorno. S ilíaca do cólon ou alça sigmóide. RETO) O segmento terminal do tubo digestivo alcança até sete centímetros de diâmetro (intestino delgado. por cima.40 a 1. o intestino grosso oferece umas formações ampotares separadas por pregas falciformes. para desaparecer na parte rural do cólon descendente. cilindróide e flexuoso. As faixas são fitas de 1 cm. o qual se dirige transversalmente para a parte inferior do baço. último segmento. que termina debaixo do fígado (ângulo hepático) e se prolonga com o cólon transverso.70 m. Origina-se na fossa ilíaca direita desde onde sobe verticalmente e se introduz debaixo do fígado. também chamado cólon ilíaco. O trajeto deste. para dirigir-se então. colado ao sacro. na espessura desta túnica se acham as glândulas gástricas. e reto. pequenos apêndices que interiormente contêm uma rede capilar disposta ao redor de um vaso linfático ou quilífero. Os abaulamentos. á diferença de seus precedentes. seccionado longitudinalmente. cólon. laterais. que correspondem respectivamente aos abaulamentos e aos sulcos externos. na interposição das faixas musculares nasce o apêndice vermicular. continuação do ceco. a mais longa. Descansa sobre a fossa ilíaca direita e apresenta muito desenvolvidos os abaulamentos. Internamente. e as outras duas. no centro. apresenta três elementos anatômicos característicos: abaulamentos com os sulcos que os limitam. formada por fascículos conjuntivos pelos quais passam vasos e nervos. transversalmente.serosa. ou celular. que nascem formando um T invertido na parte posterior do ceco para dirigir-se para cima. INTESTINO GROSSO (CECO. recoberta por uma mucosa muito rica em tecido lirifóide. Suas variações de direção dão nome a suas partes: cólon ascendente. CÓLON. Na túnica mucosa se encontram glândulas especiais que segregam o suco intestinal (glândula de Lieberkühn). O intestino delgado. o reto carece deles. em cujo ponto torce em ângulo reto (ângulo esplênico) para continuar-se com o cólon descendente. elevação ovalada que consta de uma prega superior e outra inferior.

que por sua parte aderente envia septos conjuntivos ao interior. finalmente. É um órgão volumoso. nos quais desembocam seus canais excretores. elaboradoras da bile. No lóbulo hepático se reúnem. o fígado e o pâncreas. é a glândula de maior volume do corpo. Da união dos canais biliares direito e esquerdo nasce o canal hepático. se introduz na pequena pelve para continuar-se com o reto. as válvulas semilunares. pelo orifício anal. A face visceral é côncava e fendida por três sulcos que delineiam um H. que limitam uns nichos curvos de concavidade superior. limitam espaços ovalados. Em direção à sua parte interior há umas pregas verticais. termina em dois ramos. e esquerdo. que representam a unidade estrutural do fígado. o qual se une ao conduto hepático para formar o colédoco. á qual ultrapassa em sua parte inferior (ampola retal). O reto. dispostos em diferentes pontos de seu trajeto. que apesar do nome não podem ser consideradas como tais). o transversal é o hilo do fígado. o colédoco é o último trecho das vias biliares. o conduto excretor desemboca muito perto do da submaxilar. Uns canalículos recolhem a saliva secretada e a vertem num grande canal (de Stenon). artérias e canais biliares. por baixo de cuja borda anterior assoma sua extremidade mais volumosa (fundo). formando uma complicada estrutura. O fígado. nos quais as células hepáticas. ocupa em sua origem a fossa ilíaca esquerda e. que ocupa a totalidade do hipocôndrio direito. do hepático e do cístico. que se abre de cada lado do frênulo da língua. parte do epigástrio e chega ao hipocôndrio esquerdo. muito tênues. por sua vez. a nível da ponta da língua. por sua vez. Aparelho excretor da bile. as quais. localiza-se no espaço compreendido entre o arco zigomático e o ângulo do maxilar inferior. Constituição anatômica. diante do cóccix. composta de folículos fechados que alcançam seu máximo desenvolvimento durante a juventude. As lâminas conjuntivas. Os capilares biliares formam canalículos aos quais seguem ductos intra-hepáticos. se prolonga com o canal cístico. por sua vez. Carece de abaulamentos. O reto se abre ao exterior na região perineal posterior. muito próxima ao conduto auditivo externo. A glândula submaxilar ocupa a região supra-hióidea. A parôtida é a maior. ANEXOS AO TUBO DIGESTIVO Fazem parte do tubo digestivo alguns órgãos glandulares. Estas glândulas anexas são as salivares. desaguam na veia cava inferior. No apêndice tem especial importância a estrutura linfóide. As células recebem sangue arterial (da artéria hepática) e sangue venoso (da veia porta) que se drena através de veias (supra-hepáticas). e este. o resto do corpo se continua como colo. grande. que passa sob a mucosa bucal da maçã do rosto e se abre atrás do segundo molar. três grupos de dois pares cada um: parótidas. A glândula sublingual está no assoalho da boca. situado na face inferior do fígado. depois de formar uma alça de concavidade superior. submaxilares e sublinguais. túnica submucosa e túnica mucosa. entre o maxilar inferior e o hióide. Sua denominação se deve a que seu trajeto deixa de ser flexuoso para tornar-se mais retilíneo. intestino delgado). que emergem do fígado. e por ele passam as veias. os canais biliares direito e esquerdo. se adapta à face côncava do diafragma e está dividida por um ligamento (suspensório) em dois lobos. Nele se distinguem a face diafragmática e a face visceral. túnica muscular. As mais volumosas formam. pelos quais vertem os líquidos que complementam a ação dos excretados em certos trechos pelo próprio tubo digestivo (estômago. os canais coletores convergem para um único ducto (de Warton). A vesícula biliar é um receptáculo membranoso. convexa e lisa. A primeira. 24 . continuação. dispostas em circulo. e estes. procedentes da cápsula de Glisson. periforme. segue uma direção descendente e desemboca na terceira porção do duodeno (ampola de Vater). vasos sanguíneos e capilares biliares. Constituição anatômica. mas ostenta uns sulcos transversais que interiormente correspondem a três pregas (válvulas retais. muito menor. O intestino grosso compõe-se de quatro túnicas concêntricas: túnica serosa. os lóbulos hepáticos. dependência peritoneal. vertem sua secreção. Mede de 12 a 14 cm e está sobreposto à coluna sacrococcígea. Toda a víscera está envolta por uma cápsula fibrosa (cápsula de Glisson). com fibras longitudinais e circulares. direito. liso. Glândulas salivares.sim flexuoso. células hepáticas.

de cor vermelha. formadas por cordões celulares e capilares sanguíneos. que são os orifícios terminais dos túbulas uriníferos retos. suas paredes têm aspecto areolar e em sua parte inferior há os orifícios da desembocadura dos ureteres e. os corpúsculos de Malpighi. as pirâmides de Malpighi. cuja base descansa na pirâmide de Malpighi e contém prolongamentos dos túbulos uriníferos retos. coagulação sangüínea. até o baço. A medular é constituída por espaços a que o corte confere um aspecto triangular. que pertencem ao aparelho reprodutor. em sua parte média. e entre ambos passam os grandes vasos abdominais. Externamente é liso. a cada lado da coluna vertebral. a insulina. Os rins. os cálices. uma vez livre. ureteres. metabolismo intermediário. reserva de vitaminas e desintoxicação sanguínea. é uma glândula alongada que aloja sua extremidade direita na alça duodenal e estende sua extremidade esquerda. a veia cava inferior à direita e a aorta à esquerda. gorduras e hidrocarbonetos. O suco pancreático contém enzimas que atuam sobre as proteínas. Internamente. pelve renal. Da substância cortical. o qual se bifurca antes de emergir do pâncreas. O pâncreas. A cápsula. Intervém ainda nos seguintes processos: síntese das proteínas. e outra periférica ou cortical. onde se assoma como uma papila. Em número de dois. O corpúsculo de Malpighi é formado por uma cobertura (cápsula de Bowman) que aloja um novelo vascular (glomérulo). Sua porção exócrina é formada por células glandulares cuja secreção (suco pancreático) se verte em canalículos que desembocam num longo canal (de Wirsung). sua extremidade superior ou pólo renal sustenta um órgão totalmente alheio à função renal. une-se ao colédoco. à qual aborda por sua parte póstero-inferior.O fígado é um órgão muito vascularizado. Os órgãos pares deste conjunto se acham situados na região lombar. os quais formam a estrutura interna da pirâmide de Malpighi. necessária para o metabolismo dos hidratos de carbono. Aparelho excretor dos rins. onde aparece entre uma papila e outra (colunas de Bertin). No homem se relaciona especialmente com as vesículas seminais e. Como glândula endócrina compõe-se das chamadas ilhotas de Langerhans. sua cúspide (área crivosa) apresenta uns poros. veia porta) e emite outros (veias supra-hepáticas) que terminam na veia cava inferior. recebe a urina e a retém até o momento da micção. O glomérulo é um novelo de capilares cujo extremo aferente procede de uma arteriola que penetra pelo pólo vascular. uma parte se dispõe como pequenas pirâmides (de Ferrem).. na qual desemboca. Exteriormente apresenta paredes lisas) em sua parte posterior se encontra a desembocadura dos ureteres. o seio do rim. e ambos perfuram o duodeno numa pequena cavidade (ampola de Vater). o estroma conjuntivo. dando um canal acessório. entre os quais se distinguem umas granulações. Começa com uns pequenos coletores. Entre as funções que realiza. cuja abertura superior abraça o contorno da papila e a inferior se une à pelve renal. Sua capacidade é de 250 g. O APAREÇHO UROGENITAL ÓRGÂOS URINÁRIOS O aparelho urinário consta de duas partes. Formam o rim uma cobertura fibrosa. o tecido próprio e um tecido de sustentação. o extremo eferente emerge pelo mesmo pólo e acaba por unir-se a uma rede capilar. urna fenda que conduz a uma cavidade. o orifício posterior da 25 . têm forma de feijão. esférica. ao mesmo tempo. cujo colo se continua com o ureter. onde as células descarregam um importante hormônio. cujo vértice truncado se dirige para o seio do rim. Num corte de rim se distinguem duas substâncias distintas: uma central ou medular. no centro. procedentes daquela. outra parte da substância cortical (labirinto) se interpõe entre cada duas destas pequenas pirâmides e nela se aloja um emaranhado de túbulos uriníferos contornados. reservatório membranoso semelhante a um funil. por trás do estômago. A bexiga urinária. por sua base. bexiga urinária e uretra). a glândula ou cápsula suprarenal. tem um pólo vascular e um urinário. Ë. mais pálida. que recebe grandes vasos (artéria hepática. Está situada na cavidade pélvica e descansa no púbis. são muito importantes a produção de bile (necessária para a digestão das gorduras) o armazenamento do glicogênio e sua transformação em glicose. receptáculo músculo-membranoso. tubo membranoso que se estende até a bexiga. uma glândula de secreção externa (exócrina) e interna (endócrina). a secretora (rins) e a escretora (cálices. com a próstata. A substância cortical se estende até o seio renal. sua borda côncava é. ou hilo. A bexiga e a uretra se localizam na pelve.

que logo rica interno. os canais ejaculadores e a uretra. o canal deferente. Ao redor da glande se dispõe uma dobra tegumentar. que se inicia na cabeça e termina na cauda. por diante se introduzem sob a glande. introduz-se na cavidade pélvica e se faz outra vez externo. da qual partem lamínulas que formam septos na massa interna ou núcleo central. o canal deferente descreve uma curva para chegar à face posterior da bexiga. glândulas anexas e órgão copulador. à produção. corri os quais forma um só feixe que. armazenamento e expulsão dos produtos sexuais que elabora. Intervêm em sua constituição as formações eréteis e os envoltórios. cuja porção terminal se projeta ao exterior envolta por formações eréteis e tegumentares. no homem. São as glândulas distintivas do aparelho genital masculino. se encontra inserido nos ramos pubianos. cuja luz é revestida pelo epitélio produtor dos espermatozóides. formam a veia renal. há que acrescentar as glândulas anexas. Estão constituídos por um envoltório fibroso (albugínea). Na parte superior de ambas as uretras. de cujas ramificações terminais procedem as arteríolas aferentes dos glomérulos. A porção livre. polpa semifluida de canalículos muito finos (ductos seminferos). A uretra feminina mede 4 cm. Constituição anatômica. Órgão masculino da cópula. tem um formato ovóide e em sua parte posterior apresenta um corpo alongado. nervos e linfáticos. que formam o pênis. nasce no colo da bexiga. que penetra na espessura da próstata e se abre na uretra prostática. se poderia dizer que o aparelho reprodutor masculino se inicia no exterior. que. que lhe está estreitamente justaposto desde seu pólo superior (cabeça) até o inferior (cauda). Pertencem ao primeiro grupo os corpos cavernosos e o corpo esponjoso. termina por sua extremidade anterior numa eminência conóide. Há que diferenciar a uretra masculina. próximo ao colo vesical. atravessa o diafragma pélvico e se abre (meato) no vestíbulo. ingressa no pênis e termina (meato) na glande. Pênis. está ricamente vascularizado pela artéria renal. ORGÃOS GENITAIS MASCULINOS Compõe-se destas partes: órgão glandular. envolto numa capa fibrosa. neste ponto recebe o colo da vesícula seminal. as vesículas seminais. se situa entre ambos os cavernosos: por diante forma a glande e por dás se espessa (bulbo). este conduto fibromuscular. o qual atravessa o conduto inguinal.uretra. em cujo vértice se abre o meato urinário. impar. Como órgãos complementares. por sua extremidade posterior (raiz). que desembocam no interior do epidídimo. Da união do canal deferente e o colo da vesícula seminal nasce o canal ejaculador. considera-se nele um corpo que. da feminina. Testículos. que é exclusivamente urinário: a uretra masculina mede 20 cm. Em quase toda a sua extensão está atravessado pela uretra. a este nível juntam-se a ele dois feixes de vasos. a próstata e as glândulas de Cowper. Atendendo a seu funcionamento. último segmento das vias urinárias. num coletor comum. por trás se separam e aderem firmemente aos ramos isquiopubianos (raiz do pênis). entre o clitóris e o orifício vaginal. ou seja. introduz-se na cavidade pélvica e. recoberta pela pele. permite a passagem da urina desde a bexiga até o exterior. da capilarização reticular consecutiva nascem as veias. O primeiro oclui o orifício que estabelece comunicação entre bexiga e uretra e favorece a acumulação de urina: o segundo fecha a uretra posterior e prolonga a resistência á micção para além da ação do esfíncter liso. sacos membranosos ou reservatórios. O testículo mede de 40 a 45 mm. descrever como porção externa os testículos e parte das vias que neles se iniciam. atravessa a próstata e o diafragma pélvico. dissociando-se ali de seus acompanhantes. dá passagem também ao liquido seminal. sob o qual se encontra a bolsa escrotal que contém os testículos. origina-se no colo vesical. da qual emerge. conduto urogenital. existe o esfíncter estriado. engrossando-se progressivamente. Constituição anatômica. alojando-se entre as porções posteriores daqueles (raiz do pênis). justapostos entre si como os canos de um fuzil. o prepúcio. a glande. A esta porção geradora do ducto seguem os secretores. se acha o esfíncter liso da uretra. o canal epididimário. justapostos à parede vesical. vias genitais. de comprimento. deste modo podem-se. Os primeiros são cilíndricos. o epidídimo. recebe o nome de cordão espermático. por ser o principal aparelho da depuração sanguínea. por fora deste. O rim. O corpo esponjoso. Os corpos cavernosos e o esponjoso estão 26 . constituindo o canal deferente.

são dois tubos estendidos transversalmente desde a extremidade externa do ovário até a parte superior do útero. Tem formato conóide. fibras conjuntivas e musculares e a substância cortical. o que obstaculiza a drenagem. Três túnicas compõem o útero: perimétrio. se localizam atrás do bulbo da uretra e nela se abre seu conduto excretor. e sua direção é oblíqua de cima abaixo e de diante para trás. exteriormente. trompas uterinas (formações pares). ampla no fundo (onde se encontram os orifícios de desembocadura das trompas). Ligamentos do útero. aréolas pelo efeito secundário da compressão das veias. As glândulas de Cowper. se chama escroto. ou seja a pele. piriforme. é formado por um corpo e um colo. entre a bexiga e o reto. perto do ovário. as quais. adota a forma de um funil encurvado e a circunferência de sua abertura se mostra festonada por umas franjas denteadas com aspecto de coroa. que envolve completamente a medular. através destas. por diante e debaixo do púbis. OS ÓRGÃOS GENITAIS FEMININOS Os genitais internos constam destes órgãos: ovários. trompas e útero se encontram na cavidade pélvica. O extremo externo. ímpar e meio situado sob a bexiga urinária e atravessado pela uretra. a franja mais comprida está aderida como ligamento ao ovário. oco. e que delimitam espaços nos quais se acumulam os elementos glandulares. Dividem-se em laterais. finalmente. As trompas uterinas. anteriores e posteriores. pares. Constituição anatômica São formados pela substância medular. unida ao útero por um ligamento. formam uma só bolsa. Ovário. seu comprimento é de 4 cm. cujos ductos desembocam na uretra prostática. Ao pavilhão se segue o corpo da trompa. ao redor do qual se insere ao orifício superior da vagina. muscular. mais estreita na direção do istmo. pela afluência de sangue arterial e. cuja parede atravessa para desembocar em seu interior (orifício uterino). transversais e entrecruzadas (camada plexiforme) e. a vagina está situada em parte naquela e em parte no períneo. primeiro. a base se justapõe à da bexiga urinária e o vértice se prolonga com a uretra. dispostas em três camadas de fibras longitudinais. Os ovários. que contêm o óvulo. O corpo tem uma extremidade superior (fundo do útero) e outra inferior que se prolonga com o colo. A habilitação do pénis para sua incumbência sexual (ereção) está determinada mecanicamente. constituída por fibras lisas (miométrio). útero e vagina (formações ímpares). Naquela se encontram os elementos essenciais do ovário. que corresponde ao ovário. O corte transversal mostra uma membrana externa. Os primeiros estão 27 . Além disso. Internamente apresenta umas pregas longitudinais que se estendem entre ambos os orifícios. mas que um septo interno subdivide em duas. em plena cavidade peritoneal. lnteriormente o útero apresenta uma Cavidade. por seu estancamento nas. a cobertura mais externa. separados por um estreitamento (istmo). em cujo centro se situa um orifício (orifício abdominal) que se abre. ou de Falópio. que reveste toda a superfície interna do órgão. os externos designam-se com o nome de vulva. Por cima da substância cortical se estende uma camada epitelial. achatado da frente para trás. do sangue acumulado nas aréolas. Os ovários são às órgãos essenciais do aparelho sexual feminino. dependência do peritônio. depois. a mucosa (endométrio). que se estreita progressivamente até chegar ao útero. integrada por vasos. de cuja parte interna se desprendem numerosos septos que se entrecruzam e originam pequenas cavidades chamadas aréolas. A próstata. do tamanho de urna ervilha. existem no ovário células especializadas na produção de hormônios sexuais (glândula intersticial). O pênis tem uns envoltórios concêntricos. Ocupa a parte média da cavidade pélvica. septos radiados que convergem para um núcleo central. Medem de 10 a 12 cm. com o pólo mais abaulado dirigido para cima. A extremidade externa esta coberta pela trompa uterina. onde se acha o orifício inferior do colo. De formato comparável ao de uma amêndoa. a interna. O núcleo central está atravessado pelos ductos ejaculadores e pela uretra. dos quais alguns são continuação das paredes testiculares. O útero ou matriz é um órgão muscular. Constituição anatômica.revestidos por um envoltório resistente (albuginea). os folículos de Graaf em diversos estádios de desenvolvimento. e a vulva. E um órgão glandular. Glândulas anexas.

e sob os ligamentos largos. Como todas as serosas. As dobras peritoneais estendidas entre a cavidade e órgão que não pertencem ao tubo digestivo se chamam ligamentos (duodeno-hepático. chamado grande cavidade. A cavidade peritoneal. devido à apertada disposição das vísceras. sem deixar de ser contínua. ocupado por uma delgada película de liquido seroso. os grandes lábios. composto por. A vagina. a que cobre as vísceras. No homem é realmente um saco totalmente fechado. consta de dois folhetos. sua superfície interna está sulcada por pregas transversais. que se forma entre duas dobras peritoneais (epiploo gastro-hepático e ligamento hepato-renal). e o reto. O primeiro reveste a superfície continente. Glândulas anexas.).formados por folhetos peritoneais que cobrem o útero por suas duas faces e ao chegar a cada uma de suas bordas se soldam e formam septos (ligamentos largos direito e esquerdo) que vão inserir-se nas paredes laterais da pelve. seu orifício superior abraça o colo uterino e o inferior se abre na vulva.” que se continua com a vagina. A parede das serosas. Sua direção é obliqua de cima abaixo e de trás para a frente. o peritônio. como o pericárdio. músculo. gastroesplênico. mesocólon descendente. O PERITÔNIO MEMBRANAS SEROSAS As serosas são sacos fechados compostos de duas paredes entre as quais fica um espaço virtual ocupado por um líquido lubrificante. descrevem uma curva.membranoso muito distensível. erétil. O segundo reveste o órgão móvel ou contido. exceto nos pontos de entrada ou saída de vasos e nervos. peritônio visceral. ou mesocólon transverso. dirigidas da frente atrás. No vértice do vestíbulo se situa um órgão médio. Estas dobras recebem nomes diferentes segundo se relacionem ou não com o aparelho digestivo. a conjunção das quais delimita uma fenda alongada. o clitóris. por sua vez. o que une um ou outro cólon à parede posterior do abdome. epiploos (epiploos gastro-hepático. falciforme. se estende desde o diafragma até o fragma pélvico. por trás. Orgãos genitais externos. as pleuras. dois pequenos corpos cavernosos fixados por sua parte posterior aos ramos isquipubianos. etc. etc. externamente. é fino e transparente e adere a toda a víscera. no útero. que envolve as vísceras sem contê-las em sua cavidade” (Bichat). o parietal e o visceral. E um canal cilíndrico. Está situada entre a uretra. O peritônio é uma membrana serosa que reveste a face interna de toda a cavidade abdominal e se estende pela superfície externa das vísceras que contêm. ao saírem. Sob os pequenos lábios existe outra formação erétil (bulbos vaginais). as pregas peritoneais que unem uma víscera com outra. através de um orifício (hiato de Winslow). Separando-se os grandes lábios ficam à mostra os pequenas lábios. Neste grupo se reúnem as denominadas serosas esplâncnicas. Os ligamentos anteriores são dois cordões fibrosos (ligamentos redondos direito e esquerdo) que. as chamadas serosas verdadeiras constam de dois tecidos fundamentais. seu conjunto recebe o nome de vulva. A grande cavidade se comunica. resistente e fortalece as paredes das cavidades que alojam as vísceras. uretrais e vulvovaginais. chamada transcavidade dos epíloos. não assim na mulher posto que as trompas uterinas se abrem pelo lado do pavilhão na cavidade peritoneal e por seu extremo interno. ao deslizarem uma parede sobre a outra. reduz-se a um espaço quase capilar. é a de suavizar o atrito das superfícies dos órgãos que recobrem. que se estende desde a parte 28 . é fibroso. Dentro desta cavidade pende uma grande dobra peritoneal (grande epíploo) que desde o estômago chega ao púbis para subir em seguida e aderir-se ao cólon transverso. com outra pequena cavidade. pode ser comparado a um ‘saco sem abertura. Fazem parte dela. a aracnóide e a vaginal testicular. desde a parte superior e lateral do útero. cobrem um espaço (vestíbulo) no qual desembocam a uretra e a vagina. penetram por seu orifício interno no conduto inguinal respectivo e. Um grande espaço intraperitoneal. pregas cutâneas menores que. Sua missão. se repartem em filamentos que se perdem sob os tegumentos do púbis. a qual desemboca na vulva. a dobra peritoneal que une o intestino delgado à coluna lombar se chama mesentério. Entre as funções do peritônio está a de aderir as vísceras à parede abdominal e pélvica por pregas formadas pelos dois folhetos serosos. por diante. o epitelial e o conjuntivo.). pregas tegumentares prolongadas. Vertem secreções lubrificantes nos órgãos respectivos. A parte da serosa que reveste a parede abdominal chama-se peritônio parietal.

A substância branca (fig. Na mulher. que partem do neuroeixo e se ramificam por todos os sistemas e aparelhos. cerebelo e istmo do encéfalo. no canal raqueal semelha um cilindro oco que se estende desde o bulbo até o extremo terminal da medula. a aracnóide é uma serosa situada na parte média. fossas e recessos). Ambas substâncias cinzenta e branca distribuem-se diversamente nos centros nervosos. a mais superficial. o cerebelo. uma comprida haste. 3) consiste numa associação de fibras que são continuação do axônio. Além das dobras (mesos. o istmo do encéfalo. O neuroeixo está tornado por: o cérebro. se reflete na metade superior do útero (fundo de saco vésicouterino). o bulbo raquidiano. a medula. e o visceral com a face externa da pia-máter. e também sobre a hipófise na porção raquidiana. A dura-máter reveste a caixa craniana óssea e estabelece septos sobre o cerebelo. Compõem o sistema nervoso central. o peritônio se dispõe sobre o reto e o cólon do mesmo modo que no homem. que envolvem o neuroeixo. com efeito. unidos por um curto segmento intermediário. todo o neuroeixo está protegido por envoltórios membranosos. nervos. ligamentos. o peritônio. de natureza fibrosa e também a mais grossa e resistente. A massa encefálica divide-se em três partes: cérebro. é uma serosa com seu folheto parietal relacionado com a dura-máter. A aracnóide. desce por trás e Constitui o fundo de saco retovaginal a nível das bordas laterais do útero. Estas membranas são a dura-máter. são corpúsculos providos de numerosas expansões protoplasmáticas ramificadas (dendritos) e um prolongamento alongado (axônio) que se relacionam com elementos procedentes de células vizinhas. As meninges são membranas concêntricas. e está localizado no canal ósseo cramiorraquidiano: é designado com o nome de eixo cérebro-espinhal ou neuroeixo. A disposição do peritônio na cavidade pélvica é diferente em um e outro sexo. O primeiro tem a forma de uma longa haste com um espaçamento em seu extremo superior. conjunto de células fagocitárias. na parte craniana seu aspecto é o de uma esfera oca. A primeira procede da reunião de células e fibras nervosas. de tecido não nervoso. O sistema nervoso periférico é constituído por cordões nervosos. que se vai inserir nas paredes laterais pélvicas direita e esquerda. a substância cinzenta situada perifericamente. logo o peritônio se estende por cima do reto e se continua com o mesocólon ileopélvico que se adere à face anterior do sacro. São unidades independentes que atuam como centros receptores de estímulos motores e como centros elaboradores de fenômenos psíquicos: constituem o elemento fundamental do neuroeixo. entre os dois hemisférios cerebrais e cerebelares. as células. são os ligamentos largos já descritos. e a mais profunda é a pia máter. Os centros nervosos constam de substância cinzenta e substância branca. a partir deste ponto. ao chegar à bexiga urinária. o encéfalo. as meninges. e um corpo volumoso em sua extremidade superior. As meninges têm uma porção cranial e outra raquídeo que chega até a parte média do sacro. depois de estender-se sobre a bexiga urinária. no homem o peritônio. No encéfalo. como se disse. epiploos) são importantes outras formações que resultam da fiel e complexa adaptação do peritônio aos relevos e cavidades que formam as vísceras (hiatos. cobre seu pólo superior. os chamados ligamentos uterossacros. Além destes elementos fundamentais existe a neuróglia. os folhetos pentoneais que o revestem por sua parte anterior e posterior se unem para estabelecer de cada lado um só folheto.póstero-inferior do fígado até a porção inferior do epiploo maior. Como veremos em seguida. membrana celulovascular que se adapta intimamente à superfície externa do órgão que recobre. cobre sua parte superior e ao ultrapassá-la para trás forma um fundo de saco (fundo de saco vésico-renal). formando uma bainha que envolve a aguçada extremidade medular (filo terminal). chamadas neurônios. o bulbo raquidiano e a medula. Pela parte posterior do útero o peritônio forma outras pregas que unem aquele ao sacro. A pia-máter contém os vasos destinados ao encéfalo e à medula (membrana nutriz): cobre diretamente a massa 29 . constitui o córtex cerebral. ao qual ultrapassa (fundo de saco dural). que serve para o isolamento e a formação de cicatrizes e a micróglia. O SISTEMA NERVOSO (CCREBRO-ESPINHAL) O sistema nervoso se mostra claramente dividido em duas partes: sistema nervoso central e sistema nervoso periférico. comparável a uma teia de aranha por sua delgadez.

porque este órgão é o ponto de reunião dos feixes que passam pelo eixo nervoso e que em tais textos se estudam simultaneamente com a morfologia externa dos órgãos que os contêm. terminando pelo cérebro. sobre o cerebelo. O considerável volume que alcança no homem é um dos distintivos mais característicos da espécie humana. respectivamente. muito convexa. que se adapta de modo direto à substância nervosa. que experimentou fiogeneticamente um desenvolvimento progressivo. que se relaciona com os dois ventrículos laterais e se prolonga para trás e para baixo com um delgado canal. cada um. As extremidades mais proeminentes dos hemisférios são os pólos frontal e occipital. constitui a parte superior e anterior do encéfalo. subdividido por trabéculas que limitam um sistema de cavidades (espaços aracnóides). pela ordem. a parte inferior (base) descansa. massa ovóide de eixo. lâmina quadrangular de cujos ângulos anteriores partem os nervos ópticos e dos posteriores as cintas ópticas. um prolongamento inferior se dirige ao lobo temporal. que determina um importante desnível entre a porção anterior e a posterior. de cima para baixo. Na linha média da convexidade se observa um sulco profundo.encefálica e desce ao fundo de todos os sulcos do cérebro e do cerebelo. os tubérculos mamilares e o espaço perfurado posterior. pelo qual se une ao ventrículo bulbocerebeloso ou IV ventrículo. A parte superior. os hemisférios cerebrais. na primeira se encontra a cinta olfatória. Este é uma cavidade rombóide. parietal e da ínsula. importantíssima glândula. ântero-posterior. chamadas ventrículos. na medula forma um revestimento cilíndrico. que nasce por duas raízes posteriores e que termina por diante no bulbo olfatório. sinuosas. venham a aparecer. simétricas. Entre a aracnóide e a pia-máter existe um espaço. pela metade anterior. Examinado por sua face inferior apresenta a parte interna da cissura de Silvio aparentemente prolongada para trás por uma fenda (de Bichat). temporal. lnteriormente o encéfalo apresenta umas cavidades irregulares. Dentro dos ventrículos se observam estruturas vasculares da dura-máter que já foram mencionadas com o nome de telas e plexos coróides ao se descrever as meninges. de adaptar-se a um continente (o crânio) que o fez em muito menor proporção. cheios de líquido cefalorraquidiano ou cérebro-espinhal. uma cavidade curva que ocupa um hemisfério . Os ventrículos laterais (I-II). Atualmente se aproveita a disposição destas cavidades encefálicas para se fazerem exames 30 . ambos se estendem desde o lobo frontal ao occipital. Na face externa do cérebro onde se encontram a maior parte dos centros corticais motores ou sensitivos. as cissuras. as circunvoluções. que divide o cérebro em duas metades laterais. o aqueduto de Silvio. e de cada lado a seção dos pedúnculos cerebrais. Nos textos de ensino superior. a cissura inter-hemisférica.cerebral. que se estendem a diferentes órgãos vizinhos e que se designam com números e também com nomes que se referem a sua situação. encontram-se a cissura de Silvio. A pia-máter apresenta no cérebro lâminas e cordões vasculares (tela coróidea e plexo coróide) que intervêm na gênese do liquido cefalorraquidiano. Os dois hemisférios estão unidos pelas chamadas formações inter-hemisféricas: corpo caloso e quiasma óptico. situada entre o cérebro. são. occipital. Comunicam-se com o ventrículo médio ou III ventrículo. Como este não é o caso da presente obra. em número par. separadas por sulcos profundos. O cérebro. descreve-se o neuroeixo de baixo para cima. a de Rolando e a perpendicular externa. o que só pode efetuar-se às expensas da parte mais maleável que precisa encolher-se e dobrar-se sobre si mesma. que se estende por toda a altura do centro nervoso. que limitam cinco lobos: frontal. o corpo caloso. unidos em sua parte média por uma lâmina horizontal. O córtex cerebral apresenta numerosas proeminências alongadas. o bulbo e a protuberância. cujo pólo mais grosso está colocado para trás. se relaciona com a abóbada craniana. o espaço perfurado anterior dá passagem a vasos arteriais e venosos: o tuber cinereum. continua-se diretamente por cima com o aqueduto de Silvio e por baixo com o canal do epêndimo. O significado destas pregas poderia ser explicado pela necessidade que tem um conteúdo mole (substância cinzenta). fenda entre os dois tálamos. com as correspondentes circunvoluções. Na face inferior de cada hemisfério se distingue a parte interna da cissura de Silvio e os lobos orbitários e têmporo-occipital. do pedúnculo pituitário pende a hipófise. nas fossas anterior e média da base do crânio e. por trás. Situado na caixa craniana a ocupa quase em sua totalidade. iniciaremos a exposição do neuroeixo pelo cérebro e a iremos completando com a dos órgãos que.

Também se a encontra formando inclusões centrais. que põem em comunicação os demais componentes do eixo com o cerebelo. em número par. o limite inferior. o hipotáltamo. O istmo do encéfalo é uma porção da massa encefálica que une entre si o cérebro. os tubérculos quadrigêminos. o tálamo. médios e inferiores. estendida entre os dois hemisférios cerebelares. forma-se nos plexos coróides e circula pela superfície cerebral. os pedúnculos cerebrais. Vista por sua face posterior se mostra bem mais acidentada: dois prolongamentos. Por cima se observam quatro eminências arredondadas.(ventriculografia. relacionada com funções viscerais. a primeira se apresenta sob a forma de uma eminência proeminente e segmentada. comparável ao plasma. regulares e concêntricos que lhe conferem uma característica segmentação: por sua parte interior mostra a substância cinzenta distribuída perifericamente. cerebelo e nervos bulbares. Sua drenagem faz-se através das vilosidades aracnóides. está totalmente coberto pelo lobo occipital. situados a cada lado do III ventrículo: contém múltiplos núcleos e fibras e realiza as funções de um importante centro sensitivo. e está contido nos espaços subaracnóideos do crânio. Sua quantidade chega aos 100-150 ml. O estudo das características hidrodinâmicas (pressão) e de sua composição química e celular constitui um valioso método para o diagnóstico de muitos distúrbios neurológicos. de reduzido tamanho (12 a 15 mm) o que não impede que reuna fibras procedentes dos seguintes órgãos: medula. e seja um dos segmentos mais importantes do neuroeixo. Por sua parte exterior este apresenta uns sulcos curvilíneos. o septum lucidum. ou decussação. interrompido em seu terço inferior pelo entrecruzamento de uns curtos feixes estendidos obliquamente da direita para a esquerda. De cada lado do mesmo se dispõem os hemisférios ou lobos cerebelares. separados por diante e por trás por chanfraduras: da anterior sobressaem seis robustos cordões. forma o segmento inferior posterior da massa encefálica. os pedúnculos cerebelares superiores. a hipófise. simétrico. O bulbo raquidiano ou medula oblonga une a medula espinhal com o istmo e o cérebro. o aqueduto de Sílvio. alcalino. por sua parte anterior se apoia sobre o canal basilar. A cada lado deste sulco aparecem dois cordões 31 . que num corte sagital aparece como a seção de uma abóbada. A protuberância anular é o limite superior. Existem outros pedúnculos cerebelares inferiores. pobre em proteínas e contém sais e linfócitos. consta de dois núcleos de substância cinzenta. importantíssima glândula de secreção interna. O istmo do encéfalo dá passagem às vias nervosas que estabelecem conexões com os diversos centros nervosos. cérebro. Situado na base do crânio. que põem em relação todos os departamentos do neuroeixo com a parte mais nobre do encéfalo. O corte do cérebro pela cissura inter-hemisférica mostra: o corpo caloso. Por sua parte superior. o entrecruzamento. Situado no canal craniorraquidiano. e o entrecruzamento das pirâmides. claro. formam os pedúnculos cerebelares médios. a glândula pineal ou epífise. aos seios venosos cranianos. Vista por diante aparece como um largo e grosso cordão achatado. parte anterior do III ventrículo. Também se costuma injetar anestésicos nos espaços aracnóideos para a anestesia medular. quatro semiesferas de substância cinzenta relacionadas com as vias ópticas e as auditivas. nos ventrículos e na raque. O líquido cefalorraquidiano ou cérebro-espinhal é incolor. das pirâmides. O cerebelo. limitam um espaço em forma de V invertido. A substância branca se dispõe no centro e desenha ramificações cujo aspecto arborescente lhe valeu o nome de “árvore da vida”. também com função provavelmente endócrina. canal estreito e curto que une os ventrículos III e IV. Compõe-se de uma parte média e duas laterais. Prolongados lateralmente seus extremos. os pedúnculos cerebelares superfícies. septo transparente que separa as porções frontais de ambos os ventrículos laterais. os tubérculos quadrigêminos. é um cilindro achatado de diante para trás. órgão impar. Outros prolongamentos superiores constituem os pedúnculos cerebrais. pneumencefalografia) mediante a injeção de gás. é a protuberância anular ou ponte de Varoglio. lâmina de substância branca estendida transversalmente de um a outro hemisfério. com o que se obtêm imagens radiográficas úteis para a localização de tumores ou de processos expansivos ou retráteis do encéfalo. atrás da protuberância e por cima do bulbo. que são descritos com o cerebelo. que por sua semelhança com um verme é chamada vermis. o cerebelo e o bulbo. Sua face anterior apresenta um sulco médio.

nota-se a diferença entre as substâncias cinzenta e branca. achatado de diante para trás. A face posterior apresenta o sulco médio posterior. recebeu o nome de “cauda equina”. Por sua parte superior se continua diretamente com o bulbo. que também se reúnem num único fascículo. Lateralmente se distinguem um par de sulcos de direção vertical. cujo fundo forma a metade do IV ventrículo. o tronco radicular posterior. as fibras. inversa. vêem-se as raízes posteriores dos nervos raquidianos. A primeira se dispõe centralmente. o sulco médio anterior que separa os chamados cordões anteriores da medula. O espaço que existe entre ela e a parede interna do canal raquidiano é ocupado pelas meninges. Da parte superior de cada cordão. A secção transversal permite ver o canal raquidiano e. As células são neurônios multipolares que alcançam tamanhos gigantescos e das quais existem três tipos que se agrupam no como anterior. o epidural. dispostas. A substância branca rodeia por completo a cinzenta e forma externamente os cordões anteriores.se. Um cone transversal da medula permite observar sua conformação interna. e as alares posteriores. e as posteriores. do qual nascem os nervos que se dirigem para o membro inferior. se dispõe por cima. a cada lado do qual. envolto pelas membranas meninges. alongado. Conformação externa da medula: apresenta.) A substância cinzenta compõe-se de fibras e de células nervosas. a face superior da medula seccionada. O cordão lateral se encontra entre as raízes anteriores e as posteriores. O bulbo raquidiano contém centros nervosos dos quais dependem funções tão importantes como a respiração e a circulação. por sua parte inferior termina em um cone (cone terminal). e separado de suas paredes ósseas por uma distância de 3 a 8 mm. Entre a dura-máter e as paredes ósseas existe outro espaço. Da medula espinhal nascem dois tipos de fibras radiculares: as anteriores. também em forma de V. esta porção medular. direito e esquerdo. junto com o tronco radicular anterior. A medula segue as inflexões da coluna vertebral e apresenta um curvatura cervical de convexidade anterior e outra dorsal. os gânglios espinhais. corresponde à protuberância e entre ambas limitam um espaço rombóide em cujo fundo se albergam formações nervosas diversas. cujo vértice se prolonga com um filamento (filo terminal) que. posteriores e laterais. insere-se na base do cóccix. que contém plexos venosos. o cervical. não um plexo.brancos. As superfícies alares anteriores se chamam cornos anteriores. (O conjunto dos nervos raquidianos ou espinhais será estudado no texto da lâmina 1/6. e estão unidas por um segmento transversal. limitados lateralmente por outros dois sulcos. mas invertida. como as asas estendidas de uma borboleta. e seu limite convencional se situa num plano que passa pela articulação do atlas com os côndilos do occipital. de dentro para fora. ambos se fundem e formam o nervo raquidiano. e o lombar. entre o sulco médio posterior e o nascimento das raízes se acha o cordão posterior. respectivamente. lembra o modo de implantação das crinas na cauda de um cavalo: por sua semelhança a esta. nascem os filetes que formam O VI e XII par. A aracnóide (serosa) é formada por dois folhetos separados pelo espaço subdural. por sua parte anterior.. formam um retículo. A medula é um cordão nervoso. A substância branca está representada 32 . O filo terminal ocupa a parte média de um feixe formado pelos últimos nervos raquidianos que desde o espessamento Iombar da medula descem verticalmente para os orifícios sacros dos quais emergem. por sua parte externa. constituídas por axônios. aracnóide e dura-máter. constituem um tronco radicular anterior. dos quais emergem os pares cranianos VII e VIII. no posterior e na comissura. por fora dos quais emergem as raízes anteriores dos nervos raquidianos. que se alojam precisamente no forame intervertebral. com o feixe de nervos raquidianos. Por sua face posterior e superior se observa uma fenda em forma de V. contido dentro do canal raquidiano. Antes de tudo. a outra metade. com dois espessamentos. a comissura cinzenta. e da inferior de cada sulco lateral. A medula fica fixa no interior do canal raqueal mediante ligamentos que a unem à pia-máter em toda a sua altura e por baixo à base do cóccix (ligamento coccígeo). tem a forma de um eixo cilíndrico. em seu centro. cornos posteriores. ao unirem. do qual só ocupa os dois terços superiores. ao saírem deste orifício. porque jamais se anastomosam. do qual emergem os nervos que se dirigem para o membro superior. Este tronco contém umas massas ovóides. Entre as aracnóides e a pia-máter se aloja o líquido cefalorraquidiano. do seguinte modo: pia-máter (aderida à superfície externa da medula).

estão formados. que corresponde ao 33 . o que permite sistematizar em cada cordão diversos feixes constituintes. nos quais cabe distinguir sua origem aparente. em seu trajeto dividem-se em ramos mais ou menos numerosos que. pela substância branca (cordões anteriores. Quanto à sua estrutura. por fibras nervosas. As fibras se agrupam em sistemas autônomos. é um nervo misto. convém advertir que não é de um rigor absoluto. juntas umas às outras e unidas por tecido conjuntivo. Assim. Apesar de sua constituição idêntica. As fibras de Remak não diferem em nada essencial das mielínicas e só se distinguem delas porque estes nervos formam verdadeiros plexos. embora muito importante nos estudos de fisiologia e de clínica. por outro lado. Encontram-se indistintamente nos nervos cérebro-espinhais e nos simpáticos. o pneumogástrico ou vago. Os nervos cranianos nascem por pares simétricos do encéfalo ou do bulbo e. além de proteger as fibras nervosas e dar consistência ao tronco nervoso. a motilidade. A parte central da fibra nervosa é constituída pelo axônio que emana de uma célula nervosa (prolongamento protoplasmático). os nervos dividem-se em nervos cranianos.pelos cordões anterior. não o é tanto em anatomia. é um complicado centro elaborador de reflexos. permite classificálos em nervos centrifugas ou sensitivos e nervos centrípetos ou motores: esta divisão. posto que a nervação do sistema autônomo não se reduz de um modo estrito às vísceras e. lateral e posterior e consta de fibras com mielina. a mielina fibras mielínicas). posteriores e laterais) é um condutor de estimulas sensitivos e motores. que estudaremos em outro capítulo com o nome de sistema nervoso autônomo. pela substância cinzenta. como os tácteis. colaterais e terminais. Os espaçamentos ou gânglios que se costumam perceber no trajeto dos nervos se distinguem em que possuem fibras e células nervosas. Esta dupla função. ou então mediante micro aparelhos de grande complexidade. os nervos oferecem o aspecto de cordões de cor branca brilhante e de espessura variável. Do ponto de vista estritamente anatômico tem mais valor a sistematização em nervos que procedem do neuroeixo e se distribuem pelos órgãos da vida de relação (sistema nervoso da vida animal ou de relação) e em nervos que nascem das cadeias ganglionares situadas a cada lado da coluna vertebral (sistema nervoso da vida vegetativa). lhe proporciona os vasos sanguíneos. Existem 12 pares deles. nervos espinhais e nervos do sistema autônomo. cordões formados por centenas de milhares de fibras nervosas envoltas por tecido conjuntivo. quase sempre o nervo contém fibras sensitivas e motoras. O tecido conjuntivo. por exemplo. são de dois tipos. de espessura variável. dispostas paralelamente ao eixo e misturadas com elementos conjuntivos. O sistema nervoso periférico é constituído pelos nervos. separadas por delgados septos compostos por feixes. que se refere á superfície externa donde se projeta e a origem real. Do ponto de vista descritivo. pois a missão de umas é conduzir a sensibilidade e a de Outras. A terminação dos nervos no seio dos territórios que põem em relação com os centros nervosos se efetua livremente entre os elementos celulares. A fibra nervosa pode estar rodeada de uma substância gordurosa. o que rodeia cada fibra nervosa se chama endoneuro. o nervo na realidade é um feixe de fibras nervosas com e sem mielina. Com respeito a esta classificação. além disso. Os nervos nascem do encéfalo e da medula a distintas alturas e tanto uns como Outros atravessam canais ósseos. emergem atravessando a parede óssea por orifícios osteofibrosos da base do crânio. as fibras são funcionalmente distintas. ou seja. Neles se dão com freqüência as anastomoses. como as artérias. depois de atravessar as membranas do encéfalo. como já se disse. Os nervos desempenham uma dupla função: conduzem aos centros nervosos as sensações recebidas na periferia ou transportam a ela as incitações motrizes ou secretoras elaboradas por aqueles. posto que não existe diferença no aspecto externo de uns a outros e. As que não o estão se chamam fibras amielínicas ou de Remak. o que envolve os fascículos formados pela associação de fibras nervosas se denomina perineuro. porém nos nervos tais uniões devem ser consideradas um simples ajuntamento de dois ramos de origem diferente. também existem nervos de procedência neuroaxial que estendem sua ação a alguma víscera. A medula. que continua mantendo-se ainda hoje.

que é o ponto em que emergem da medula. O plexo cervical (A). nervos mistos. Depois de atravessar a dura-máter (conduto dural) penetram no forame intervertebral e na saída se unem para formar um tronco único. que se encontra dentro do forame intervetebral. braquial. os nervos espinhais se dividem e dão dois ramos: o posterior ou dorsal. os três nervos motores oculares (motor ocular externo. bordeando o pulmão e o coração (nervo frênico). lombar. um ramo terminal (nervo ciática maior) desce pela parte posterior da coxa até o joelho. Como nos nervos cranianos. faringe. atravessam os forames intervertebrais e se distribuem pelos órgãos que inervam. É o conjunto de ramificações anastomosadas procedentes dos ramos anteriores dos quatro primeiros pares lombares de aspecto triangular. unindo-se e entrelaçando-se para formar plexos. são os seguintes: cervical. e da porção axilar se desprendem três ramos que chegam à mão (músculos cutâneo. Ë o entrecruzamento dos ramos anteriores do último par lombar com os quatro primeiros pares sacros. tem a forma de um vasto triângulo com a base aplicada à linha que une imaginariamente o último forame intervertebral ao quarto forame sacro e cujo vértice corresponde a uma grande chanfradura da borda inferior do osso ilíaco. e sua origem real. finalmente. irregular e variável. lombares (5). dá ramos colaterais para as paredes abdominais. o nervo vago ou pneumogástrico. que. sensitivos ou sensoriais e são: quatro pares para os órgãos dos sentidos: o nervo olfatório. dorsais (12). Nascem de duas raízes. apenas se distribuem pelos espaços intercostais. Encontra-se à altura do músculo esternoocleidomastóideo. A saída deste. do que resultam formados três arcos nervosos que se superpõem em sentido vertical. Contêm fibras sensitivas e mataras: são. Está situado bem no interior da pequena pelve. o ramo anterior se subdivide. que é o de seu nascimento nos cornos medulares. É de constituição intrincada. estômago e fígado e. Existem 31 pares deles. Nervos intercostais. os genitais e a região glútea e um ramo que chega ao joelho. um deles inerva os músculos da face anterior da coxa (nervo crural) e dá ramificações para ajoelho. Está situado profundamente entre os corpos vertebrais e as apófises transversas da região lombar. a cada lado da coluna espinhal. Os nervos cranianos saem do crânio ou entram nele segundo sejam motores. o nervo espinhal (acessório do vago). A raiz posterior apresenta um pequeno alargamento ovóide. as posteriores. enumerados de cima para baixo. Os ramos anteriores dos nervos dorsais não formam plexos. o nervo auditivo. dos ramos terminais. Existem cinco plexos. que não formam plexos. Os nervos raquidianos ou espinhais nascem por pares. há que distinguir sua origem externa. O plexo braquial (B). Os nervos espinhais se dividem em cervicais (8 de cada lado). o nervo glossofaríngeo (do gosto). mediano. radial). sacro e sacro-coccigeo. a garganta do pé e a raiz do hálux. portanto. o nervo óptico. que inervam os músculos de ambas regiões. o tronco radicular anterior. O plexo sacro (D). e dois ramos descendentes. que desce até o diafragma. as anteriores são mataras. cuja base descansa sobre os corpos vertebrais da região lombar e seu vértice se dirige para a crista do ilíaco. que se pode esquematizar como um triângulo de vértice truncado.núcleo de substância cinzenta intracerebral do qual nasce. sacros (5) e coccígeos (1). respectivamente. Seus ramos terminais fazem o mesmo com o músculo do ombro. cubital. que se distribui pelos seguintes órgãos: laringe. onde se 34 . Seus ramos colaterais se distribuem pelos órgãos pélvicos e o períneo. O plexo lombar (C). um deles de excepcional importância. o gânglio espinhal. o nervo hipoglosso. coração. pulmões. nervo patético). aos quais se deve a motilidade do globo ocular. As fibras da raiz anterior se reúnem num feixe. o nervo trigêmeo (sensibilidade da cabeça e do rosto). motor ocular comum. Dá ramos superficiais e profundos para a pele e os músculos. onde se ramificam para dar os colaterais da palma e dos dedos. que mantém sua independência em todo seu trajeto e termina na pele e nos músculos dorsais. ocupa o oco axilar e sua base corresponde à fila de forames intervertebrais que dão saída aos ramos iniciais. do qual depende a motilidade da língua. É constituído pelo entrecruzamento dos quatro últimos nervos cervicais e o primeiro dorsal. o nervo facial ou da mímica. sensitivas. É formado pelo entrecruzamento dos quatro primeiros nervos cervicais . aos quais há que acrescentar os nervos intercostais. as da raiz posterior formam o tronco radicular posterior. Está localizado a nível da clavícula e se divide em ramos anteriores e posteriores.

Seu número não coincide com o dos segmentos ósseos da coluna vertebral: na região cervical se reduzem a três gânglios volumosos. pois. e um segundo trecho. que dão colaterais para os músculos e a pele da perna. fígado. mas o faça também em outros órgãos. Seu nome indica claramente que seu raio de ação se estende ao território visceral. como já se disse em páginas anteriores. ainda que. O nervo tibial posterior percorre a parte posterior da perna e dá ramos terminais (plantares interno e externo) para esta região do pé. facial. O simpático não é. glossofaringeo). as fibras. formado pelas fibras pós-ganglionares. ponto de partida de fibras que inervam estômago. neste ponto. Apresenta duas alças superpostas situadas diante da porção terminal do sacro e do cóccix. aos gânglios que formam a cadeia ganglionar paraverterbral. Por carecerem de independência anatômica. pulmões. chegam à garganta do pé e se distribuem em ramos que inervam o dorso do pé e os dedos. Estas fibras se repartem do seguinte modo: as que se distribuem formando parte do motor ocular comum (II par) inervam o músculo esfíncter da pupila e o músculo ciliar. Os ramos terminais (músculo cutâneo. a íris (iridodilatação) e as glândulas sudoríparas (ação secretora). um sistema independente: há que assinalar a existência de numerosas fibras que estabelecem comunicação com os nervos raquidianos e que. piramidal. A cápsula supra-renal recebe um ramo direto. por esta razão. As cadeias estão situadas a cada lado da coluna vertebral e se estendem desde a primeira vértebra cervical até a última sacra. triangular. desde o qual se estendem por suas ramificações a inervar vasos. O sistema nervoso autônomo se diferencia fundamentalmente do sistema nervoso cérebroespinhal pela existência no trajeto das vias nervosas de uma estação ganglionar situada fora do sistema nervoso central e que atua como centro efetor. as de origem pélvica utilizam o nervo pélvico. formado por fibras pre-ganglionares. músculo ciliar. O plexo sacrococcigeo (E). glândulas salivares. para diferenciá-los dos outros situados fora da cadeia ganglionar) são de volume variável. íris. tibial anterior). O sistema nervoso parassimpático não tem individualidade anatômica: seus centros se encontram uns no encéfalo e outros na região sacra. como as que antes descrevemos. dez ou onze são dorsais. as fibras pós-ganglionares ingressam nos nervos espinhais. glândulas sudoríparas e músculos horripiladores. O sistema nervoso autônomo se divide em duas unidades bem diferenciadas anatômica e fisiologicamente: o sistema nervoso simpático e o parassimpático. as que se incorporam ao 35 . ou então se individualizam como nervos independentes e se dirigem a inervar diferentes órgãos (glândulas lacrimais. nesta via de nervação autônoma há um trecho. pelos ramos comunicantes brancos. baço. As fibras pré-ganglionares correm pelo tronco simpático e ingressam no gânglio celíaco ou nos mesentéricos. coração). de forma muito irregular (de oliva. que emergem do gânglio e terminam nos músculos ou glândulas aos quais se destinam. este sistema nervoso não se reduza exclusivamente a inervar as vísceras.bifurca em dois ramos (ciática popliteo externo e ciática popliteo interno). O sistema vegetativo ou sistema nervoso autônomo (visceral) é o conjunto de novos cujo funcionamento regula as atividades viscerais de modo automático e involuntário. remontam à cadeia de gânglios cervicais e. ambos participam na nervação da maioria das vísceras que recebem a influência antagônica de um ou outro. que vão desde o encéfalo ou a medula ao gânglio. cuja atividade escapa da regulação voluntária. receberam o nome de ramos comunicantes. As fibras saem pelas raízes anteriores dos nervos espinhais e passam. situados na demarcação de tal nervo. de tal modo que ao estimulo do simpático se opõe a inibição do parassimpático. intestino e bexiga urinária. pode-se. algumas fibras reingressam pelos ramos comunicantes cinzentos no nervo espinhal. Portanto. É formado pelas anastonioses entre os dois últimos nervos sacros e o nervo coccígeo. motor ocular comum. dizer que os órgãos cujo funcionamento não depende de nossa vontade recebem sua nervação centrífuga de um centro alheio ao sistema nervoso central. Os gânglios simpáticos (chamados centrais. O sistema nervoso simpático está representado anatômicamente pelas cadeias nervosas (cadeia simpático) e pelos gânglios. quatro lombares e quatro sacros. se unem a certos nervos cranianos (pneumogástrico. Outras fibras seguem uma orientação ascendente. de modo algum. a túnica muscular das artérias (ação vasoconstritora e vasodilatadora). bifurcados). por exemplo. Delas nascem os ramos que se distribuem pelos músculos e a pele da região coccígea. desde os centros encefálicos.

que recobre a cavidade e meatos. que consta de dois ossos. que in vivo aloja o canal lacrimal. Assim.. reto. Mais tarde. a destruição da área sensitiva visual produz indefectivelmente a cegueira. as narinas. as que se unem ao vago ou pneumogástrico (X par) chegam ao coração. Os órgãos dos sentidos são as fossas nasais. durante muito tempo. pâncreas. acima da cavidade bucal que aloja a língua. visuais.). por outro lado. O nervo pélvico conduz fibras parassimpáticas que se distribuem pelo cólon. o funcionamento e a utilidade da maioria de suas vísceras ou fantasiou sobre elas. os meatos superior. na parte baixa apresenta dois orifícios. gustativas. formado pelos ossos nasais. As fossas nasais se projetam para trás. ânus e aparelho geniturinário. que percebe a luz: é o sentido da visão. 36 . onde são elaboradas as sensações. óssea. olfativas e auditivas. o mesmo acontece com todos os demais sentidos. faringe. Cada fossa nasal é um estreito corredor. as fossas nasais se completam por diante pelo nariz. que limitam três espaços. articular. as possibilidades de algum achado aparentemente apetitoso. entre ambos os sentidos existe estreita relação. fígado. para a qual possui receptores específicos. Toda a superfície das cavidades nasais está revestida por uma mucosa. brônquios. a pele.. onde formam a porção superior da. os cometas superior. e uma lesão neles pode provocar a perda da sensação de que se trate. OS SENTIDOS O homem ignorou. que podia diferenciar e localizar não menos naturalmente. médio e inferior. SENTIDO DO OLFATO Está situado nas paredes das fossas nasais. que percebe as sensações de tato. pelo sabor ou o cheiro. médio e inferior. de cor rósea e consistência muito frágil. e também soube evitar com cuidado qualquer contingência que sabia lhe produziria dor. O centro regulador da atividade funcional do sistema nervoso autônomo reside na região hipotalâmica. ainda que se conservem integras o globo ocular e o nervo óptico. isto é. assim. pertencem ao âmbito da fisiologia do córtex cerebral. que percebe os sabores: é o sentido do paladar. olfato. direita e esquerda. a lâmina vertical do etmóide por cima e o vômer por baixo. estômago. acercava seu corpo ao fogo ou ao sol quando sentia frio. calor. intestino delgado. separadas pelo septo nasal. existem outros fenômenos da sensibilidade que são comuns a todas as partes do corpo e alheios à consciência (sensibilidade muscular. Cada departamento sensorial tem sua zona cerebral correspondente. os fenômenos de consciência que se agregam aos reflexos nascidos de uma excitação dos receptores sensoriais. Nas fossas nasais desemboca o canal nasal. que percebe os sons: é o sentido da audição. frio e dor: é o sentido do tato. muito cedo descobriu com toda a naturalidade a relação existente entre a percepção de fenômenos externos e determinados órgãos ou zonas de seu próprio corpo. Além dos cinco citados. desde tempos imemoriais ficaram bem diferenciadas cinco classes de sensações: táteis. de cuja parede externa se desprendem três lâminas ósseas. que com o tempo foram chamadas sentidos corporais e cuja percepção se atribuiu à atividade especifica de cinco classes de receptores designados com o nome de órgãos dos sentidos. o olho. e o ouvido. Aprendeu que devia aguçar a vista ou o ouvido quando se tratava de perceber com clareza uma imagem ou som. sensibilidade espacial dos canais semicirculares. Pela importância dos fenômenos psíquicos que os acompanham. a ciência admitiu como fisiológica esta divisão e decidiu que devia ser conservada e completada (Hedon). que comunicam diretamente com as fossas nasais: estas são duas. órgão do paladar. que percebem os odores: é o sentido do. respectivamente. como teremos ocasião de ver. utilizava a língua ou o nariz quando indagava.nervo facial (VII par) inervam as glândulas lacrimais e salivares. situadas na parte média do conglomerado ósseo da face. a língua. Cada um destes órgãos está especializado na percepção de uma só classe de sensações. as cartilagens e um revestimento muscular e cutâneo. Revestidas por suas partes moles. a pituitária. e buscava a sombra ou mergulhava na água quando lhe incomodava o calor. A parte anterior é completada pela cartilagem nasal. rins e primeiro trecho do cólon.

botões ou corpúsculos gustativos. dai o nome de papila caliciforme. As papilas caliciformes. As papilas fungiformes. observam-se umas pequenas elevações que receberam o nome de papilas linguais.Nas fossas nasais há que considerar a zona respiratória. As papilas fungiformes. Este considerável grupo muscular adota a forma de um cone com o vértice (ponta da língua) dirigido para a frente. graças à presença de uns peculiares microrreceptores. pouco numerosas. O aspecto dos botões gustativos lembra bastante o de uma garrafa com o corpo 37 . sua espessura é variável e sua coloração. são de cor avermelhada. separadas por sulcos mais ou menos profundos. As papilas foliadas. visíveis com uma lupa e até mesmo à vista desarmada. a reunião de cujas fibras (axônios) constituem os nervos olfatórios. convergem em sua parte posterior e delineiam o chamado V lingual. com um remate formado por um pincel de prolongamentos filiformes que lhe conferem uma aparência de carola (papilas coroli. acondicionada para aquecer e umedecer o ar inspirado. Esta está situada no assoalho da cavidade bucal. Na superfície livre da mucosa lingual. Todas as papilas linguais são órgãos sensitivos. normalmente rosada. espalhadas pela superfície da língua. cujas quatro raízes alcançam por diferentes trajetos o córtex cerebral. aparecem como diminutos apêndices cilíndricos ou cônicos. sobressaem por sua extremidade livre. células nervosas que são os autênticos elementos sensoriais da pituitária. Estas papilas ocupam o dorso da língua e se dispõem em filas paralelas que seguem uma direção oblíqua desde a linha média à borda da língua. Vista com lupa. mas também por seu número. em número de 9 a 11. órgãos especificas do paladar. São as mais volumosas e também as mais importantes por sua estrutura e funções. o esqueleto da língua. o epitélio que reveste esta zona contém as células olfativas periféricas. que chega a dezessete. as outras são as propriamente gustativas. por sua vez. e entre ela e o anel que a rodeia existe um sulco ou fossa. rodeado por uma formação anular. Suas formas são variadas e se as têm designado com diferentes nomes. formado pelo osso hióide e umas lâminas fibrosas nas quais se inserem os músculos que. sobretudo. O mamilo é a papila propriamente dita. próximas à base. de modo que a papila parece contida dentro de um cálice. na apófise estilóide e na armação fibrosa da faringe. em número de 150 a 200. constituídas por pregas verticais da mucosa. os bulbos. pequena massa ovóide de substância cinzenta que descansa sobre a lâmina crivosa e que se prolonga para trás com a cinta olfatória. unida a um curto pedículo. situados na camada epitelial da língua. recoberta por uma mucosa. onde. agrupadas em duas ‘séries lineares que. não só porque conferem a este órgão sua peculiar consistência e a mobilidade necessária para realizar suas funções. Este órgão tem uma armação osteofibrosa. formes). desempenha outras importantes funções. mas convém fazer uma importante distinção entre elas: as papilas filiformes só contêm corpúsculos táteis e térmicos. que a reveste totalmente. na articulação dos sons. limitada ao cometo superior e terço superior do septo nasal. Estes músculos constituem os elementos básicos da língua. além de ser o órgão essencial do paladar. lhe comunicam o aspecto aveludado característico desde órgão. As papilas caliciformes são formadas por um mamilo central. distribuem-se preferentemente pelas bordas e a ponta da língua. se altera e adquire tonalidades esbranquiçadas ou amareladas no começo ou no curso de certas doenças. são rudimentares e se encontram na borda da língua. inserem-se por seu outro extremo no maxilar inferior. As papilas filiformes são as mais numerosas. desde ambas as bordas livres. alargada. que atravessam a lâmina crivosa do etmóide e estabelecem conexões com as células olfativas (mitrais) do bulbo olfatório. e uma região olfatória. Tem uma porção anterior ou bucal e outra posterior (base da língua). assim chamadas por sua grande semelhança com um cogumelo. continuação da mucosa orofaríngea. pois intervém na mastigação e deglutição dos alimentos e. só são na face dorsal da língua. SENTIDO DO PALADAR Os receptores que são impressionados pelos sabores se encontram espalhados pela superfície externa da língua.

as mais superficiais das quais. A camada córnea se compõe de células laminares. encontrando-se repartido por todo o tegumento externo ou pele e também nas mucosas externas. A pele é. portanto.arredondado. A camada de Malpighi descansa sobre outra de células (camada basal ou matriz) em continua atividade: dela derivam todas as outras células epidérmicas. a epiderme. e o gargalo que se prolonga pelas camadas superficiais epiteliais para abrir-se na superfície livre da mucosa por um orifício. as pestanas gustativas. Logo. onde ocupam zonas diferentes perfeitamente delimitadas (pontos de pressão. e está em relação com o tecido celular subcutâneo: a superficial é a derma papilar e se relaciona com a epiderme. onde muda sua configuração para constituir as mucosas. as glândulas sebáceas. a derme ou cório. o suporte destes microrreceptores táteis que em sua espessura se encontram alojados. portanto. enfiado na parte profunda do epitélio (cório). exteriormente este corpúsculo mostra um tubo nervoso que descreve um trajeto em espiral para introduzir-se finalmente em seu interior. de frio). órgãos de natureza conjuntiva. térmicas e dolorosas. a camada profunda de Malpighi e a camada superficial ou camada córnea. estão constituídos também por tecido conjuntivo. Os corpúsculos táteis podem ser divididos em órgãos da sensibilidade à pressão (cutânea e profunda) e órgãos da sensibilidade tátil propriamente dita. o poro gustativo. A derma ou camada profunda oferece duas faces: a profunda é a derme reticular. chamados anexos cutâneos. que são as glândulas sudoríparas. Os bulbos do paladar só se encontram nas papilas caliciformes e nas fungiformes. Nas células da de Malpighi se acumula o pigmento que confere cor à pele. que se encontram distribuídos por toda a superfície cutânea. será proveitoso conhecer a constituição da pele antes de examinar a estrutura e a localização daqueles. de calor. divide-se em duas camadas. quase sempre cónicas. além do envoltório geral do corpo que protege os órgãos subjacentes e que desempenha funções muito importantes. cuja excitação origina precisamente a sensação correspondente e não outra. ao qual assoma um pincelzinho de apêndices filiformes. nas bordas da língua e em outros dois terços anteriores de sua face dorsal e na região do V lingual. Os nervos da pele terminam nos corpúsculos sensitivos que a seguir expomos. devem-se à estimulação de receptores específicos para cada uma destas sensações. de forma elipsoidal. SENTIDO DO TATO O tato proporciona sensações de diversas naturezas: táteis. eminências pequenas. perpendiculares à superfície da derme. deformadas e inúteis. além da natureza do excitante. Nela há que considerar uma face externa livre ou superficial e outra aderente ou profunda que se une aos órgãos subjacentes mediante uma camada de tecido conjuntivo que engloba lóbulos de gordura (tecido celular subcutâneo). opalinos. o sentido do gosto reside precisamente nas regiões onde se acham aquelas papilas. A derme papilar contém as chamadas papilas dérmicas. as unhas e os pelos. Encontram-se no tecido celular subcutâneo e também nas articulações e no mesentério. Os corpúsculos de Meissner. que podem ser de dois tipos: vasculares e nervosas. ou seja. se desprendem da epiderme como elementos mortos (descamação fisiológica). formados por lâminas concêntricas em cujo interior se ramifica uma fibra nervosa. os primeiros são chamados corpúsculos de Pacini. As modalidades das sensações táteis e térmicas. Há que acrescentar às citadas a sensibilidade própria de músculos. Constituição anatômica A pele compõe-se de duas camadas superpostas: uma camada profunda. e uma camada superficial. formada por células epiteliais (células epidérmicas) cuja forma e propriedades biológicas se modificam à medida que se tornam superficiais. Na pele se localizam três tipos de órgãos. o sistema tegumentar ou pele recobre todo o corpo e o interior das aberturas naturais. ovóides. onde se ramifica entre as células intersticiais 38 . tendões e ligamentos e as resultantes de modificações dos órgãos internos.

as membranas envolventes. dispostas meridianamente. respectivamente. por trás. ao redor da íris. O músculo ciliar é semelhante a um anel achatado. A porção coróide (retina 39 . Os órgãos da sensibilidade térmica se classificam nos receptores sensíveis ao frio. não adoram formas diferenciadas de modo particular. como uma coroa (corpo chiar). As membranas envolventes são três : túnica externa. a seção aparece como um triângulo. Os corpúsculos de Krause. um equador. Entre as camadas que formam a íris existe uma de fibras musculares lisas. de natureza nervosa. anterior e posterior. os corpúsculos de Ruffini. Os corpúsculos de Ruffini diferem notavelmente. de forma esférica. são formados. segmento anterior da túnica vascular. SENTIDO DA VISÂO (O olho e seus anexos) O sentido da visão nos proporciona as sensações de luz e de cor e seu órgão essencial é o globo ocular. A túnica externa consta de uma porção posterior. ou porção ciliar. vascular e muscular. simétrico. que a divide em dois hemisférios. forma o aparelho visual. um anterior e outro posterior. a córnea (que correspondem aos dois segmentos de esfera desiguais a que nos referimos). e a anterior. muito alongadas. Os processos cifrares são umas pregas de configuração piramidal. quanto à forma: de todos os demais: são órgãos fusiformes. Na retina se distinguem três zonas: a posterior. os corpúsculos de Krause. Como as demais. Encontram-se no cimo das papilas dérmicas. e os processos ciliares. sendo simplesmente terminações nervosas livres que se ramificam nos interstícios do epitélio cutâneo. é composta por três partes: posterior. nervosa. por trás do músculo ciliar. constam de células e fibras conjuntivas e elásticas. e por sua parte posterior é atravessada pelo nervo óptico. túnica média. cuja tonalidade varia com os indivíduos. com ramificações arredondadas e aspecto irregular. seu limite anterior constitui um anel festonado chamado ora serrata. A coróide é um segmento de esfera com uma abertura posterior que dá passagem ao nervo óptico. é unia membrana circular.nervosas. a esclerótica. Encontram-se no tecido celular subcutâneo. é um segmento de esfera oca com uma face externa aplicada à coróide e uma face interna que se amolda a um dos meios transparentes (humor vítreo). entre as quais se ramifica profusamente a fibra nervosa. estendida verticalmente como um diafragma no círculo formado pela união da córnea com a esclerótica. diante do cristalino. dos quais o anterior é o menor. Os órgãos da sensibilidade dolorosa receptores específicos para a dor. e os receptores sensíveis ao calor. ou zona ciliar. órgão par. os meios transparentes e refringentes. um meridiano horizontal. a esclerótica. a pupila. que envolvem as divisões e subdivisões da fibra nervosa. ou porção coróide. umas circulares. cujo estudo compreende o exame do globo ocular e também o dos citados órgãos. que se destaca por sua cor negra do restante da íris. é formado por fibras musculares lisas. em virtude de estar constituído pelos segmentos de duas esferas de diâmetro desigual. por sua vez. Encontram-se em toda a derme. Anatomicamente. a média. Nesta esfera se descrevem dois pólos. grossa e resistente. a íris. A retina é a túnica interna do olho. formando uma rede inextricável. e num cone meridiano. por diante. a coróide propriamente dita. de cor branca. estão constituídos por maços de vasos capilares. outras radiadas. outro vertical e uma série indefinida de meridianos oblíquos. chamados anexos do olho. . ou porção irídea. e outra anterior. Apresenta um orifício central. é um segmento de esfera oco que em sua parte anterior apresenta uma larga abertura onde se encaixa a córnea. O globo ocular tem a forma de uma esfera irregular. em união com outros órgãos diversos. e anterior. de diâmetro variável. que separa esta porção coróidea posterior da média ou zona ciliar. que. por uma membrana conjuntiva que engloba uma massa de células. média. de natureza fibrosa. das quais algumas se dispõem circularmente e constituem o esfíncter pupilar. se encontra formado por três túnicas concêntricas. como todos. outras são radiais e formam o músculo dilatador da pupila. e por uns meios líquidos ou sólidos. alojado nas órbitas. se corresponde em toda a sua extensão com a túnica média. que consta do músculo ciliar. A superfície interna. A íris. e túnica interna. côncava.

e nela se combinam os elementos propriamente nervosos com os que formam a armação que os sustenta. possa recobrar rapidamente sua forma primitiva. ou mancha amarela. é constituída. de uma expansão do nervo óptico. o humor aquoso. as células deste epitélio vão se prolongando a partir de um ponto para formar as fibras do cristalino. Consta de duas faces convexas.propriamente dita) se estende desde o nervo óptico até a ora serrata: em sua parte posterior se observa a papila. integrado por fibras que seguem uma direção meridiana e que se estendem desde a ora serrata e os processos ciliares até o equador do cristalino. Na segunda zona se encontram. análogos aos que se encontram no cérebro. entre o humor aquoso pela frente e o humor vítreo por trás. ou neurônios intermediários. que constitui o mais importante dos meios transparentes e está situado imediatamente atrás da pupila. Deles. que associam várias células da primeira camada. por baixo dela se acha a segunda zona com as células bipolares. aderidas por sua base à coróide. continuação da anterior. das quais partem as fibras que formarão o nervo óptico. às quais segue a terceira zona. Essencialmente se compõe de uma camada externa. que corresponde ao ponto de expansão do nervo (ponto cego) e a mácula. termina revestindo a face posterior da íris transparente. ponto de maior acuidade visual. como as estacas de uma paliçada. que simplificaremos em nossa descrição. A estrutura da retina se acha profundamente modificada na mancha amarela. alongadas. Ambos os elementos emitem uns prolongamentos que se põem em comunicação com os neurônios bipolares da segunda zona que. carente de axônio (célula amácrina). finalmente. situada entre o cristalino e a retina. Os bastões possuem uma matéria Corante sensível à luz. são os elementos impressionáveis da retina especializados na recepção da energia luminosa. esferóide. por sua vez. O cristalino é uma lente biconvexa. A terceira camada é de grandes células ganglionares. por sua vez. ou camada nervosa. além disso. o cristalino e o corpo vítreo. e outra camada interna. cujos dendritos estão em conexão com o prolongamento dos neurônios da camada intermediária: seus axônios formam as fibras de cujo agrupamento nascerá o nervo óptico. chamada rodopsina. ou púrpura retiniana. os cones e os bastonetes. neurônios horizontais ou transversais. A porção ciliar é uma delgada película que perdeu seus elementos essenciais e se estende desde a ora serrata até os processos ciliares. por três zonas: a primeira contém as células visuais. Em sua constituição intervêm um envoltório elástico ou cápsula e um epitélio que reveste a face posterior da parede capsular anterior. Os meios transparentes e refringentes do olho Constituem o aparelho de retração do olho e compreendem a córnea. na realidade. células epiteliais diferenciadas. O corpo vítreo é uma massa transparente. Sua natureza elástica faz com que. por isto se disse que o olhar sempre fixa a imagem sobre a fávea’ (Soula). Tanto os cones como os bastonetes. disposto em forma de gomos e atravessado em sua parte central por um canal 40 . cuja união determina uma circunferência ou equador que está em relação com as fibras de uma membrana elástica que o sustenta. pigmentar. atuam como intermediários com os da Camada seguinte. a das células ganglionares. A primeira é formada por células poligonais pigmentares. de modo que algumas camadas desapareceram e Outras se adelgaçaram de tal modo que os raios luminosos chegam és células visuais de um modo mais direto e nítido: assim resulta que sua sensibilidade é 150 vezes maior que a nível das regiões mais anteriores da retina. nervosa. Esta lente mantém-se em posição mediante um aparelho suspensor membranoso chamado zônula ou zona de Zinn. observam-se nela dez camadas. Completam este conjunto de células nervosas as células da neuróglia. os outros três ocupam o espaço interior circunscrito pelas três túnicas opacas. consta de uma membrana (hialóide) e um conteúdo gelatinoso (humor vítreo). A segunda. a porção irídea. Constituição anatômica da retina Trata-se. dispostas em fileiras. embora se deforme facilmente. elementos de sustentação. já se descreveu a córnea. e também se encontra um tipo especial de célula nervosa. multipolares. mais reduzida e rudimentar. um pouco mais denso que a clara de ovo.

a câmara posterior. eminências arqueadas que correspondem à borda superior das órbitas. que mantém estirado e achatado o cristalino. e então se aumenta a convexidade de suas curvaturas. o saco lacrimal e o conduto nasal. onde se reflete sobre si mesma e cobre a face anterior deste até o centro da córnea. que conduzem o excesso das lágrimas para as fossas nasais. aos quais seguem os condutos lacrimais. Anexos do olho Os órgãos dispostos ao redor do globo ocular fazem parte do aparelho visual. da qual emerge por canalículos que o drenam para as veias. acomoda o olho para a visão distante (se achata) ou próxima (se alarga) . os társios. o resto segue uma direção descendente e se continua sem limites precisos com o 41 . os canalículos excretores abrem-se no fundo de saco conjuntival superior. une o globo ocular às pálpebras. que emana do corpo ciliar e que. pálpebras. encontramos primeiro os supercílios. Os primeiros são dois pequenos orifícios situados na parte mais interna da borda livre de cada pálpebra. O cristalino intervém no ato de enfocar os objetos que se olham isto é. portanto. recoberta por uma mucosa face conjuntival). A conjuntiva é uma membrana que reveste o dorso das pálpebras e a zona anterior do olho. este mecanismo é absolutamente involuntário e inconsciente e ocorre com a intervenção indireta do músculo ciliar que. transparente. a glândula lacrimal se compõe de uma porção superior. atrai a coróide para a frente. Os condutos lacrimais são prolongamento dos pontos lacrimais e. A pele está provida de pêlos implantados obliquamente: sua função é desviar para as têmporas o suor ou a água que resvala da testa. com o que se relaxa o ligamento suspensor. Localizada numa pequena cavidade situada na parte externa do teto da órbita. sua extremidade superior se dispõe em . ou sobrancelhas. através da pupila. Cada pálpebra apresenta uma face anterior. que se ajusta ao canal lácrimo-nasal. situadas diante do globo ocular. uma superior e outra inferior por olho. depois de um pequeno acotovelamento. as duas bordas livres se encontram separadas quando o olho está aberto. a conjuntiva forma uma prega (semilunar) sobre a qual se aplica a carúncula lacrimal. ao contrair-se. Uma parte da pálpebra se continua com a pele vizinha. limitando um espaço alongado transversalmente. há um conduto lacrimal superior e outro inferior que. em cujo lugar se une ao epitélio corneal. liquido incolor. já que. consideradas como o esqueleto das pálpebras. Entre a córnea e o cristalino existe um espaço. Aparelho lacrimal Lubrifica constantemente a conjuntiva com as lágrimas. Entre as camadas que formam a pálpebra figuram umas lâminas fibrosas. circula da câmara posterior para a anterior. a situada entre a córnea e a íris é a câmara anterior e a compreendida entre a íris e o cristalino. Ambas estão cheias de humor aquoso. e outra inferior. pequeno reservatório membranoso. ou pestanas. a glândula lacrimal. e uma camada de fibras musculares estriadas (músculo elevador da pálpebra). estão relacionados com sua função. que têm por missão proteger o olho contra a introdução de corpos estranhos dispersos flutuantes no ar. móveis em sentido ascendente e descendente. consta de um órgão secretor. de um modo ou de outro. Assim disposta. orbitária. no resto da borda se implantam uns pêlos curvos. que a íris divide em duas partes. a conjuntiva forma um saco (saco conjuntival) cuja abertura corresponde à fenda palpebral. os cílios. Na zona cutânea da região orbitária (figura 1). as paredes se encontram estreitamente coladas uma à outra. São em número de duas. a abertura palpebral. isto é.forma de fundo de saco. A parte mais interna de cada borda livre contém em seu interior canalículos que serão estudados com o aparelho lacrimal. de forma cilindróide. do que resulta que o espaço compreendido entre ambas é na realidade capilar. Esta mucosa se estende desde a borda livre de cada pálpebra até o equador do globo ocular. cutânea. No ângulo interno do olho. dai seu nome. e as vias lacrimais. As vias lacrimais se iniciam nos pontos lacrimais. As pálpebras são dobras músculo-fibrosas.(canal hialóide). e uma camada posterior. convergem e se abrem por um orifício comum no saco lacrimal. rígidos e sedosos. lavrado no úngüe.

conduto nasal, que desemboca no meato inferior. Músculos da órbita Também são chamados músculos extrínsecos para diferencia-los dos contidos no globo ocular (músculos ciliar, dilatador e esfíncter da pupila). Os músculos do olho se agrupam por pares: quatro músculos retos e dois oblíquos. Os retos se inserem por dentro no vértice da órbita, de onde se dirigem a inserir-se nos pontos do contorno equatorial da esclerótica que correspondem à sua denominação: são o reto superior, o inferior, o interno e o externo. Os oblíquos, assim chamados porque rodeiam transversalmente a esfera ocular, são dois: o maior se estende desde o vértice da órbita até a parede interna, onde se reflete para inserir-se no hemisfério posterior, O obliquo menor se insere na parede interna da órbita e no hemisfério posterior. Os músculos do olho só lhe comunicam movimentos de rotação ao redor de um eixo sempre fixo; aos retos se devem os movimentos para cima, para baixo e para os lados; aos músculos oblíquos, os deslocamentos que dirigem a córnea para fora e para baixo ou para fora e para dentro. SENTIDO DA AUDIÇÃO Ë O sentido que nos permite perceber os sons. O aparelho destinado a recebê-los e ser impressionado por eles está localizado em ossos pares de cada lado do crânio, os temporais. Divide-se em três segmentos: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno ou labirinto. O ouvido externo é constituído pelo pavilhão da orelha, lâmina cartilaginosa em forma de concha, com pregas curvilíneas na superfície côncava e um orifício central que se continua com o conduto auditivo externo, cuja parte mais externa é cartilaginosa, e a mais interna, óssea. O ouvido médio é uma cavidade óssea, estreita e alta, cuja parede externa apresenta uma membrana fibrosa, delgada e transparente de forma circular, abaulada para dentro, o tímpano, que separa o conduto auditivo externo da caixa do tímpano; a parede interna óssea separa o ouvido médio, ou caixa do tímpano, do ouvido interno e apresenta dois orifícios ou janelas, a janela oval e a redonda, que põem em comunicação a caixa do tímpano com o ouvido interno. A parede anterior oferece um orifício que corresponde à abertura interna de um canal em forma de trompa que comunica o ouvido médio com a faringe: é a trompa de Eustáquio. Na caixa do tímpano se aloja a cadeia de ossículos do ouvido, estendida transversalmente desde o tímpano até a janela oval: estes ossículos, em número de três, se chamam martelo, bigorna e estribo e estão suspensos por ligamentos às paredes da caixa e unidos entre si por articulações que lhes prestam grande mobilidade. A parte do martelo que corresponde ao cabo está englobada na membrana do tímpano; a base do estribo se aplica à membrana da janela oval. Nestes dois ossículos se inserem dois músculos, chamados do martelo e do estribo, aos quais mobilizam, como logo veremos. O ouvido interno contém a parte essencial, constituída por uma série de cavidades que formam um complexo conjunto, designado com o nome de labirinto ósseo, dentro das quais se localizara, in vivo, outros elementos moles e membranosos, o labirinto membranoso. Entre as paredes de ambos os labirintos se encontra um liquido, a perilinfa; da mesma forma, no interior do labirinto membranoso há outro líquido, a endolinfa. O labirinto ósseo consta de uma câmara central: o vestíbulo ósseo, que se relaciona por trás com umas galerias curvilineas, os canais semicirculares ósseos, e por sua parte anterior com outra galeria, de trajeto helicoidal, o caracol ósseo. Os canais semicirculares e o caracol ósseo, com seus componentes membranosos que logo veremos, constituem dois aparelhos: o vestibular e o coclear, que funcionalmente nada têm em comum. O primeiro intervém nos reflexos posturais, da estação normal e do equilíbrio, e o segundo, na audição. O caracol ósseo, também chamado cóclea por sua semelhança com uma concha de caracol, consta de um núcleo ósseo ou coluneta central (columela), ao redor da qual se enrola em espiral um tubo cônico (lâmina dos contornos), cujo vértice, que corresponde ao do caracol, está fechado e cuja base está aberta. lnteriormente, este tubo é percorrido por uma lâmina que descreve um trajeto em espiral (lâmina espiral), junta à columela por uma borda, enquanto a outra fica livre e,

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portanto, não entra em contato com a parede interna do tubo: deste modo a parte interna do caracol se encontra dividida em duas rampas, uma superior (rampa vestibular), que se abre no vestíbulo, e outra inferior (rampa timpânica), que termina na janela redonda. À borda livre da lâmina espiral se aplica, desde a base ao vértice, um canal membranoso, o canal coclear ou caracol membranoso que não é cilíndrico, mas sim prismático triangular e ocupa precisamente o espaço que existe entre a borda livre da lâmina espiral e a parede do tubo ósseo. A descrição da parte interna do caracol membranoso se completará com a do órgão de Corti. Vimos que o órgão do ouvido se compõe efetivamente, de fora para dentro, de uma parte receptora do som, o pavilhão auricular e o conduto auditivo externo; de uma parte transmissora, formada pela cadeia de ossículos, e de uma parte receptora, o ouvido interno, constituída pelo caracol ósseo e o membranoso. A parte receptora recebe e canaliza a onda sonora sobre o tímpano (fase aérea), que transmite a vibração à cadeia de ossículos e à membrana da janela oval (fase mecânica); sobre esta se apoia a base do, estribo e todos os movimentos oscilatórios da cadeia de ossículos se manifestam por variações da pressão da perilinfa primeiro, e da endolinfa depois. SISTEMA HUMORAL OU ENDÓCRINO Ë o conjunto de glândulas especializadas na elaboração de substâncias que são vertidas no sangue ou que atuam diretamente sobre os centros nervosos. Estas secreções compõem-se de corpos químicos definidos, cuja reunião constitui a secreção interna própria de cada glândula e que recebe o nome de hormônio. Existe uma relação muito estreita entre o sistema humoral e o nervoso, de modo que os impulsos nervosos e a função hormonal não representam mecanismos diferentes podendo-se inclusive falar de uma ação única neuro-hormonal (correlação neuro-hormonal). Os hormônios se transformam no sangue, ao qual proporcionam qualidades especiais que fazem reagir de modo diferente o sistema nervoso, que é, definitivamente, o que atua sobre o tecido terminal (Marañón). Em algum caso (hipófise e talvez outros) à hormônio atua diretamente sobre as centros nervosos (neurocrinia). Convém acrescentar que também existem hormônios elaborados par órgãos não especializados, ou difusos (neuróglia, conjuntivo), e também par estruturas não permanentes (placenta, corpo lúteo). Deixando de lado a verossímil porém não demonstrada, atividade endócrina de alguns órgãos que logo citaremos, expomos a seguir as glândulas consideradas hoje como de secreção interna. A hipófise ou glândula pituitária é um órgão ovóide situado numa depressão do esfenóide (sela turca), sob o encéfalo; está unida ao cérebro mediante um pedúnculo (pedúnculo hipofisário). Divide-se em duas porções: um segmento anterior (adenohipófise) e outro posterior (neuro-hipófise). Admite-se também que a parte intermediária entre ambos as segmentos constitua uma terceira porção (lobo intermediário, ou médio). A hipófise segrega um hormônio (somatotropina) que estimula o crescimento do corpo e outros dois (gonadotropinas) que estimulam a atividade das glândulas sexuais. É, além disso, um centro de conexão entre os sistemas nervoso e endócrino. A tiróide é um órgão volumoso, situado sob a laringe, diante da traquéia. É formada por dois lobos unidos em sua parte inferior por um istmo, do qual nasce um terceiro lobo muito delgado. A tiróide estimula a atividade metabólica geral influi na morfogênse e no crescimento e intervém nos intercâmbios minerais (cálcio, fósforo). As paratiróides, em número de quatro, do tamanho de um via de trigo, estão situadas na parte posterior da tiróide, perto de suas bordas. As glândulas paratiróides regulam a concentração do cálcio no sangue (aumento ou diminuição da calcemia). O pâncreas é uma glândula exócrina e endócrina. Como exócrina foi descrita ao se tratar concretamente dos anexos do aparelho digestivo. Conhecemos, pois, sua forma e situação e acrescentaremos agora que entre as células produtoras do suco pancreático existem as chamadas ilhotas de Langerhans, formadas por acúmulos de células ricamente irrigadas por capilares que recebem os hormônios elaborados por aquelas. O pâncreas intervém na regulação da glicose no sangue (glicemia) mediante dois hormônios: a insulina, que diminui seu nível, e o glucagon, que o aumenta.

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As cápsulas supra-renais são dois órgãos de forma piramidal que se encontram sobrepostos sobre cada um dos pólos superiores renais. Ao corte se distinguem duas parte bem diferenciadas, o córtex e a medula. O primeiro é formado por três camadas de células que se dispõem concentricamente e que segregam hormônios de diferentes tipos. A medula, por sua vez, consta de cordões celulares, vasos venosos e fibras nevosas. Os hormônios segregados são a adrenalina e a noradrenalina por parte da medula; o córtex elabora a aldosterona e a cortisona. As primeiras atuam sobre o metabolismo dos glicídios e sobre as vísceras em ação comparável ao estímulo do simpático; as segundas regulam o metabolismo do sódio e do potássio. Hormônios sexuais. O testículo e o ovário contém, entre as componentes celulares que produzem as gametas, outras agrupações, chamadas células intersticiais, especializadas na secreção de hormônios masculinos e femininos, respectivamente, que entram em atividade ao se iniciar a puberdade e operam favorecendo o desenvolvimento sexual e as caracteres típicos de cada sexo. A ação endócrina da epífise é discutida: alguns descartam sua atividade endócrina, outros defendem sua intervenção hormonal baseando-se em dados histológicos, clínicos e experimentais. É um órgão reduzido situado na entrada do ventrículo médio; a partir da puberdade se torna inativa. Quanto ao time existe discordância nos resultados experimentais no que diz respeito à sua função endócrina, embora ultimamente se fale de um fator humoral timico. Está situado entre o pescoço e o tórax e alcança seu maior desenvolvimento na adolescência. FIG. 1. MEMBRO INFERIOR FIG. 2. SINARTROSE FIG. 3. ANFIARTROSE FIG. 4. ORGÃO GENITAL FEMININO ( REPRESENTAÇÃO FRONTAL) FIG. 5. O SISTEMA SIMPÁTICO E O PARASSIMPÁTICO FIG. 6. O OLFATO FIG. 7. O PALADAR FIG. 8. O TATO FIG. 9. A VISÃO (ANEXOS DO OLHO) BIBLIOGRAFIA ATLAS FOTOGRÁFICOS DE ANATOMIA SISTÊMICA E REGIONAL. São Paulo: Manole, 1987 CASTRO, S. U. Anatomia fundamental. São Paulo: Makron Books, 1985 RASH, Phillip J. Cinesiologia e anatomia aplicada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991 SOBOTTA, Johannes. Atlas de anatomia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan SÁ, 2v, 1993 VANDER, Arthur et alii. Anatomia e fisiologia humana. São Paulo: Makron Books, 1990.

UNIDADE II: FISIOLOGIA COMPARADA
Apresentação O trabalho que apresentamos como material de apoio para as aulas nos cursos de graduação, não é original nosso, é uma compilação de textos escolhidos. Esperamos que seja de grande utilidade, mas que não seja o único material a ser consultado. Parte I A Célula e Fisiologia Geral Ë impossível analisar significativamente as complexas atividades do corpo humano sem uma organização a partir da qual se possa construir um conjunto de conceitos que oriente nosso pensamento. Este capitulo tem por objetivo fornecer uma orientação para a fisiologia humana - os

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como no caso das 45 . todas têm a habilidade especial para gerar forças. como no caso do coração ou na eliminação de urina da bexiga. As células diferenciadas de um mesmo tipo são organizadas em tecidos. ou podem circundar cavidades de tal modo que sua contração expulsa os conteúdos das mesmas.mecanismos pelos quais funciona o organismo. o resultado final seria a formação de uma massa esférica de células idênticas. A diferenciação celular é o processo pelo qual células idênticas durante os estágios iniciais de desenvolvimento sofrem não somente alteração anatômica mas também adquirem propriedades funcionais especializadas. (3) células epiteliais e (4) células do tecido conjuntivo. Uma segunda generalização crucial. Por exemplo. e assim por diante prosseguem as repetidas divisões celulares. As células musculares geram forças e produzem movimento. Uma sociedade de células Células: as unidades básicas As células são as unidades básicas tanto da estrutura quanto da função dos seres vivos. uma célula hepática humana e uma ameba são acentuadamente semelhantes quanto aos meios que utilizam para permutar nutrientes com seus ambientes. O organismo humano tem origem de uma célula única. como a apresentada pelas células nervosas para conduzir sinais elétricos. as células musculares esqueléticas. o óvulo fertilizado. ou casos por suas origens. que ocorreram durante a diferenciação celular. a excitabilidade das células nervosas representa uma especialização de fenômenos elétricos comuns às membranas de virtualmente todas as células. outros processos que ocorrem simultaneamente fazem com que as células do embrião se tornem alteradas e dispostas em uma variedade de configurações. Se a multiplicação celular fosse o único evento que ocorre. Aproximadamente 200 espécies distintas de células podem ser identificadas no organismo humano. Isto não quer dizer que não existem diferenças significativas entre uma ameba e uma célula hepática ou entre esta última e uma nervosa. para obter energia de substâncias orgânicas. Uma das generalizações unificadoras da biologia é que certas atividades fundamentais são comuns a quase todas as células e representam as necessidades mínimas para manter a integridade e a vida das mesmas. é a que considera estas diferenças na função celular como que representando geralmente especializações de uma ou mais das propriedades fundamentais comuns. os quais se reúnem para construir os sistemas de órgãos. que se divide em outras duas. Conseqüentemente. As células musculares são também encontradas em muitos órgãos tubulares no organismo. para sintetizar proteínas complexas e para duplicarem-se. as células do organismo tomam-se arranjadas em várias combinações. as quais por sua vez resultam em outras quatro. geneticamente controlada. Muitas delas. tendo cada uma delas um número de variações relacionadas a um tema comum: (1) células musculares. (2) células nervosas. quatro categorias de células diferenciadas são reconhecidas. todavia.o músculo. Outros processos no desenvolvimento embrionário incluem a migração celular para novas localizações e a adesão seletiva de vários tipos de células. as cardíacas e as lisas. enquanto diferentes tecidos são combinados para. embrionárias. Assim. e sua contração modifica os diâmetros dos mesmos. encontrada em todas as células. aumentando o número de unidades no embrião em desenvolvimento. realizam funções gerais semelhantes: por exemplo. Na dependência de função geral que desempenham. o transporte de moleculas alimentares através dos constituintes da parede intestinal resulta de uma orientação especializada de mecanismos de troca grandemente similares na maioria das células. estes três tipos de células compreendem juntamente uma categoria funcional especializada . apesar de distintas umas das outras. Todavia. no entanto. Todas estas especializações. a secreção de hormônios protéicos por algumas glândulas do organismo é uma forma especializada de síntese de proteínas. Desta maneira. fazem parte da evolução e resultaram na adaptação de certas células para desempenhar papéis específicos. para formar uma hierarquia de estruturas organizadas. Elas podem estar unidas aos ossos e produzir movimentos dos membros ou do tronco. formar órgãos.

ou nas paredes de diversas estruturas tubulares e ocas no interior do corpo. que proporciona a matriz de sustentação na qual se apoiam outros tipos de células. Correspondendo às quatro categorias gerais dos tipos de células diferenciadas. tecido pulmonar. o intestino é um órgão tubular longo e oco cuja superfície interna é revestida com uma camada de células epiteliais. ou pode dar início à secreção em uma célula glandular ou à contração em uma célula muscular. (2) tecido nervoso. tubos. Deve-se notar que o termo tecido’ é empregado freqüentemente sob diversas maneiras. armazenam gorduras (células adiposas). Subjacente e ligada a estas células. desta maneira. Muitas das células do tecido conjuntivo secretam no fluido que as circunda moléculas que formam uma matriz. Esta matriz pode variar em consistência. há uma fina camada de material extracelular protéico conhecido como membrana basal. (3) tecido epitelial e (4) tecido conjuntivo. isto é. As células do tecido conjuntivo. tiras. tecido renal. desde um gel semifluido até um sólido cristalino da estrutura óssea. abaixo desta há uma camada de tecido conjuntivo através da qual passam os vasos sanguíneos e os feixes de fibras nervosas. como os das células que. por exemplo. Estas células constituem os limites entre compartimentos e funcionam como barreiras seletivas que regulam a permuta de moléculas através destas superfícies. passar informação de uma para outra célula nervosa. há uma de células musculares lisas. os revestimentos epiteliais dos pulmões. feixes. semelhantes a tiras de borracha. etc. Por exemplo.. muitas vezes sob a forma de uma fina rede de fibras. O sinal elétrico pode iniciar um segundo sinal em outra célula nervosa e. Tais agregados de células similares formam unidades multicelulares. Assim. circundando todo o 46 . como também as fibras de elastina. as vermelhas e brancas do sangue também pertencem a esta categoria. As células nervosas têm a habilidade de iniciar sinais elétricos e de propaga-los ao longo de seus processos. Órgãos e sistemas de órgãos Os órgãos do organismo são compostos das quatro classes de tecidos arranjados em lâminas. Um agregado de um único tipo de célula especializada. cuja atividade contrátil confere ao órgão forças para mover os conteúdos luminais ao longo do tubo digestivo. As fibras extracelulares formadas por estas células incluem. mas outros tipos tão diversos. no entanto. é também empregado comumente para denotar a estrutura celular geral de qualquer órgão. As glândulas formadas pela invaginação da camada epitelial superficial estão também localizadas nesta lâmina de tecido conjuntivo e estão ligadas através de dutos com a superfície luminal do trato intestinal. as células nervosas fornecem um dos principais meios de controle da atividade de outras células. sustentar e apoiar as estruturas do organismo. do trato gastrointestinal e dos rins regulam a troca de moléculas entre o sangue e o ambiente. Finalmente. os tendões e ligamentos inetásticos que unem os ossos entre si ou com os músculos. como. as células epiteliais na superfície da pele formam uma barreira que impede que a maioria das substâncias do meio externo penetrem no organismo . as dos ossos. As células epiteliais estão localizadas nas superfícies que revestem o organismo ou órgãos individuais.células musculares lisas que circundam os vasos sanguíneos. cada um dos quais é em realidade constituído de todos os quatro tipos especializados de células. que conferem as propriedades elásticas encontradas em vários órgãos. etc. camadas. Circundando a camada de tecido conjuntivo. existem quatro classes gerais de tecidos: (1) tecido muscular. Alguns tipos de células do tecido conjuntivo formam uma frouxa malha de células e fibras subjacentes da maioria das camadas epiteliais. tem como principal função unir. elementos do tecido conjuntivo são encontrados distribuídos em todos os órgãos do organismo. que consiste em vários tipos de fibras embebidas em uma substância fundamental. que se prolongam de uma à outra área do organismo. Por exemplo. Tecidos A maioria das células diferenciadas no organismo estão organizadas em grupos celulares do mesmo tipo. Sua definição formal é aquela que acaba de ser mencionada. como sugere sua denominação. que são conhecidas como tecidos.

diferentemente desta. em verdade. o ambiente no qual cada célula viva não é o “meio externo” que circunda o organismo. em sua essência. que capta o oxigênio do meio ambiente. remover do organismo muitos dos diferentes tipos de células e mante-Ias em tubos de ensaio com vida independente: Há um paradoxo explícito nesta análise. que distribui nutrientes a todas as partes do organismo. Pode-se. elimina o gás carbônico. mas pode ser identificado muito especialmente em termos anatômicos: o meio interno do organismo é o liquido extracelular (literalmente. possibilitam que nutrientes provenientes do exterior sejam ofertados às células. o liquido “fora das células”). A urina é formada pelo movimento de moléculas através dos capilares e células epiteliais. Cada néfron é um tufo de capilares e um tubo contorcido de células epiteliais circundadas por uma camada de tecido conjuntivo que encerra os vasos sanguíneos e nervos. cooperando entre si. os sistemas digestivo e circulatório. constituem o sistema urinário. De forma idêntica. ou no interior. a bexiga e os tubos que os unem. Um organismo multicelular pode sobreviver 47 . os rins. Se cada célula pode individualmente realizar as atividades fundamentais necessárias para sua própria sobrevivência. uma coleção de órgãos que juntamente servem a uma função global. que o fixa à outras estruturas. não se encontra em contato direto com o meio externo? O suprimento de oxigênio ao fígado é função tanto do sistema respiratório (compreendendo pulmões e vias aéreas). a ultima ordem na classificação é aquela de um sistema de órgãos. No entanto. com a finalidade de executar as funções indispensáveis para que o organismo sobreviva como um todo. Em outras palavras. Mas. como pode a célula hepática executar os dois processos da mesma forma que a ameba se. mas sim o liquido extracelular ao redor de cada uma delas. os. Muitos órgãos são compostos de grande número de subunidades similares. Por exemplo. O “meio interno” não e meramente um conceito fisiológico teórico. o efeito global das atividades dos sistemas de órgãos é o de criar dentro. Finalmente. para que sejam excretados para o exterior. Desta maneira. outros que não o gás carbônico. A ameba capta o oxigênio necessário diretamente do seu ambiente e. são conduzidos pelo sistema circulatório desde as células que os produziram até os rins (e fígado). Inversamente.órgão há tecido conjuntivo. os rins consistem em 2 milhões de unidades funcionais simulares conhecidas como néfrons. os rins também regulam as a concentrações de água e de muitos minerais essenciais no plasma. É deste liquido que as células recebem nutrientes e no qual excretam seus catabolitos. O volume total de urina excretada pelos rins é a soma das quantidades formadas por cada um dos néfrons individuais. Uma ameba e uma célula hepática obtêm ambas a maior parte da energia de que necessitam pela degradação de certos nutrientes orgânicos. Por exemplo. do organismo o ambiente necessário para que todas as células funcionem. mais aqueles que da bexiga se orientam ao exterior. qual a contribuição feita pelos diferentes sistemas de órgãos? Como nós podemos referir às funções de um sistema como sendo ‘essencial para que um organismo sobreviva como um todo “quando cada célula do organismo encerra em si mesma todas as capacidades para realizar suas atividades fundamentais? A resolução deste paradoxo é encontrada no isolamento da maioria das células de um organismo multicelular do ambiente circundante e imediato ambiente ou meio externo). permanece o fato de que células individualizadas ainda constituem as unidades básicas desta sociedade e que quase todas estas células exibem individualmente as atividades fundamentais comuns a todas as formas e vida. quais o eliminam para o exterior. sendo a função total dos mesmos o resultado da somatória das contribuições feitas por cada uma delas. o sistema circulatório conduz o dióxido de carbono originado na célula hepática e nas demais do organismo até os pulmões. quanto do sistema circulatório. neste. ser considerado como uma complexa sociedade de células de tipos muito diversos e que estão associadas e inter-relacionadas estrutural e funcionalmente em uma enorme variedade de meios. Os catabolitos. que banha cada uma das células do corpo. as reações químicas envolvidas nestes processos intracelulares são acentuadamente similares nos dois tipos de células e incluem a utilização de oxigênio e a produção de dióxido de carbono. O meio interno O organismo humano pode.

exceto para as proteínas. etc. respiração. Estas últimas atividades especializadas constituem. síntese de proteínas. Os restantes 20% do liquido extracelular constituem a porção fluida do sangue. por todas as partes do organismo e representa a porção dinâmica do liquido extracelular.sociedade complexa deve realizar para si mesma um conjunto de atividade fundamentais (comer. Dois terços da água corporal total (28 L) estão localizados no interior das células: o líquido intracelular. a atividade total da célula no organismo pode ser incluída em duas categorias: (1) cada célula realiza para si mesma todos aqueles processos fundamentais básicos (troca de substâncias através de sua membrana. ou 42 L. O fisiologista francês Claude Bernard foi o primeiro a descrever claramente. Todos os mecanismos vitais. e assim por diante. portanto. a importância central do fluido extracelular do organismo: “é a constância do meio interno que proporciona a condição de vida livre e independente. dormir.somente enquanto é capaz de manter a composição de seu meio interno em estado compatível com a sobrevivência de suas células individuais. o plasma. é conhecido como fluido ou liquido intercelular ou. a qual é responsável por aproximadamente 60% do peso corporal normal. extração de energia. etc. 48 . o de preservar constantes as condições de vida no meio interno”. Aproximadamente 80% do fluido extracelular circunda as células do organismo e. pela ação do coração. contribuem para a sobrevida do organismo auxiliando a manter o meio interno estável requerido por todas as células. Com esta principal exceção. Em adição. (2) cada célula simultaneamente realiza uma ou mais atividades especializadas que. cada indivíduo participa na realização de uma destas operações e suprimentoliberaçao necessárias para a sobrevida de todos os seus componentes. Para generalizar um pouco mais. os processos coordenados do organismo (circulação. detritos e outros produtos do metabolismo com o liquido intersticial à medida que o sangue passa através dos capilares do organismo. o plasma permuta oxigênio. Para resumir. em conjunto. as concentrações de soluto no plasma e no líquido intersticial são virtualmente idênticas. Sem dúvida. uma vez que a complexidade de uma sociedade organizada torna virtualmente impossível que cada indivíduo consiga seu próprio alimento. têm um único objetivo. o fluido das células do organismo.) que representam as exigências mínimas para manter sua integridade e vida individualizada. em comum e cooperativamente com outras células de seu tecido ou sistema de órgãos.) que são típicos dos organismos multicelulares. mais freqüentemente. nutrientes. por mais variados que sejam. em 1857. o liquido extracelular todo pode ser considerado como tendo uma composição homogênea. excretar. intersticial. O terço restante da água corporal total 14 L) constitui os dois líquidos extracelulares: 80% são intersticiais (11 L) e 20% são plasma (3 L). (2) o liquido intersticial e (3) o liquido intracelular. Como será visto no Capitulo 11. Os compartimento hídricos do organismo O liquido extracelular está dividido entre dois compartimentos ou localizações gerais. embora nunca permita que o indivíduo cesse ou reduza sua dedicação às atividades fundamentais necessárias à própria sobrevivência. pode-se considerar que o organismo humano contém três compartimentos hídricos: (1) o plasma sanguíneo. Este conceito de um meio interno e a necessidade de manter sua composição relativamente constante é a idéia unificadora mais importante a ser mantida em mente sempre que tentamos descobrir e entender as funções e as inter-relações dos sistemas de órgãos. arranje para dispor seus detritos. O plasma sanguíneo circula continuamente. Uma atividade especializada. às quais são virtualmente as mesmas para todas as pessoas. O principal componente molecular de todos os três compartimentos é a água. digestão. Devido às trocas que se dão nos capilares. por estar situado entre as células e tecidos. em um indivíduo médio. a sociedade de células que constitui o organismo humano apresenta surpreendentes similaridades a uma sociedade de pessoas (se bem que a analogia não deva ser levada muito a sério). Cada pessoa em uma . etc). como o humano. torna-se uma parte adicional de sua rotina diária.

estes reguladores intracelulares básicos permanecem. A informação sobre todos os aspectos importantes dos meios externos e interno deve ser continuamente monitorizada. a temperatura corporal é regulada por um sistema cujos princípios básicos são quase iguais aos de um sistema controlado por termostato. mas a existência de uma multidão de diferentes células organizadas em tecidos e órgãos especializados obviamente impõe a necessidade de mecanismos regulatórios globais. o resultado é um aumento compensatório na captação de oxigênio pelo organismo e a restauração ao normal da concentração interna. Por exemplo. etc. ‘instruções’ devem ser enviadas às células dos diversos tecidos e órgãos (particularmente células musculares e glandulares) no sentido de orientá-las para que aumentem ou diminuam suas atividades. O que determina a quantidade de açúcar a ser transportado através da membrana celular? Que proporção deste açúcar. Justificativa e explanação Com este ponto de referência em mente. estes dois sistemas contribuem para a manutenção da vida do organismo através do controle das atividades de seus componentes. com base em seu conteúdo. Assim. Esta transmissão e integração de informação é realizada principalmente (se bem que não exclusivamente) pelos sistemas nervoso e hormonal. Em verdade. Em qualquer organismo multicelular. será utilizado como energia ou transformado em gordura ou proteína? Quanta proteína de cada tipo será sintetizada e em que momento? Que tamanho deverá a célula atingir durante seu crescimento e quando deverá dividir-se? A lista é quase interminável. Sem dúvida nenhuma. caso uma modificação esteja por ocorrer. um entendimento da fisiologia celular requer que tenhamos não somente conhecimento dos processos básicos. mas também dos mecanismos que os controlam. De maneira idêntica. uma vez que a análise dos fenômenos celulares em termos de princípios físico-químicos mostrou. Também enfatizamos a fisiologia celular desde o inicio. nenhum sistema vivo pode existir sem que possua mecanismos precisos para controlar suas diversas atividades. Visto que os aspectos fundamentais da função celular são compartilhados por virtualmente todas as células e além disso.A importância do controle Implícito na vida está o controle. para proceder a uma análise da fisiologia celular básica. O tema destas descrições é o de que cada uma destas funções coordenadas (com a óbvia exceção 49 . como o do homem. Independentemente do seu’ nível de complexidade organizacional. a maior parte da biologia celular é anualmente referida como biologia molecular em reconhecimento do objetivo final. ultimamente.) resultam de atividades precisamente controladas e integradas de células especializadas agrupadas em tecidos e órgãos. alcançar grande sucesso. quando (por qualquer razão) a concentração de oxigênio no organismo diminui significativamente abaixo do normal. Portanto. O exemplo acima é análogo ao de certos sistemas em engenharia como o que mantém constante a concentração de oxigênio em um submarino. Cada um dos processos fundamentais realizados pela célula (ameba ou célula hepática) deve ser cuidadosamente regulado. o sistema nervoso detecta a alteração e aumenta suas informações ou instruções para os músculos esqueléticos responsáveis pelos movimentos respiratórios. que é explicar todos os processos celulares em termos de interações entre moléculas de estrutura conhecida. respiração. a organização global e a abordagem empregada neste livro poderiam ser facilmente entendidas. constituem as bases sob as quais Se desenvolve a especialização dedicamos a primeira parte deste texto sobre o animal humano. Em um outro extremo do espectro organizacional. a terceira parte do livro descreve como as diversas funções coordenadas do organismo (circulação. uma vez no interior da célula. esta informação deve ser integrada e. Estes são conhecidos como sistemas de controle. que culminam com a remoção da alteração ou conduzem a um estado de preparação antecipada. de tal maneira que qualquer modificação (ou modificação iminente) no meio interno automaticamente desencadeia uma série de eventos. que mantém uma casa a uma temperatura especifica. os dois conhecimentos são inseparáveis.

os sistemas de controle são analisados em termos gerais. Este tipo de afirmação constitui um exemplo de teleologia. a ocorrência automática de uma seqüência de eventos iniciados pelo aumento da produção de calor: o aumento da produção de calor aumentou a temperatura do sangue aumentou a atividade de células nervosas especificas no cérebro aumentou a atividade de uma série de células nervosas. por exemplo. a origem evolucionária e a composição físico-química do meio interno são apresentadas. através da interação destes caracteres .e o tema ou tópico central . resultou na ligação da corrente elétrica para acionar o aquecedor. Cada um destes passos ocorre por meio de alterações físico-químicas nas células envolvidas. Mecanismo e causalidade A opinião mecanicista procura. Mas ela não é. A causa da sudorese foi. de alguma forma mística. na qual a explanação dos eventos é feita em termos de propósitos. opinião oposto ao mecanicismo. uma explicação no sentido científico da palavra.células nervosas. uma vez que o excesso de calor. da palavra ‘porque”. O homem é uma máquina . mas apesar de tudo apenas uma máquina. Acreditamos que mesmo essa área terá um dia uma análise físico-química. fisiológicos é sua contribuição para a sobrevivência. com a finalidade de enfatizar que os princípios básicos que governam virtualmente todos eles são os mesmos. Não seria correto dizer que a sudorese serve realmente a um propósito útil. o vitalismo. não está completamente abandonado. Todavia. Em Segundo lugar. A evolução é a chave para entender porque a maioria das atividades do organismo parecem ter indubitavelmente um propósito. Uma vez familiarizado com a importância dos caracteres principais . não sendo de surpreender que relute em permanecer em áreas como a neurofisiologia. No decorrer das apresentações que analisaremos neste livro. Isto é atribuível aos processos evolucionários.circulação respiração etc. explicá-los em seus mínimos detalhes com base em leis físicas e químicas e nega a necessidade de utilizar qualquer “força vital” diferente da matéria e energia para explicar a vida. os quais resultam na seleção daquelas respostas que tenham valor para a sobrevivência. o fato de um fenômeno ser benéfico para a pessoa torna-o de considerável interesse e importância. mas é totalmente diferente da afirmação de que uma necessidade para evitar a injúria causou a sudorese. Finalmente. enfatizaremos como um processo particular contribui para a sobrevivência. causaria uma enfermidade ou mesmo a morte? Está correto. na verdade. mas o leitor não deve nunca confundir este 50 . mas considerarmos também que seria pouco científico com base nos conhecimentos atuais exclui-la. Este é o significado científico de causalidade. Em ciência. em termos de um sistema de controle similar àqueles mais familiares em engenharia. nas quais estamos quase totalmente desprovidos de hipóteses para explicar fenômenos como o pensamento e a consciência em base físico-química. que estimulara as glândulas sudoríparas as quais aumentara a produção de suor. a afirmação de que “durante o exercício uma pessoa transpira porque seu organismo necessita liberar-se do excesso de calor produzido”. por ter caído abaixo do ponto de referência do termostato. É a mesma coisa que dizer “a caldeira está ligada porque a casa necessita ser aquecida”. as necessidades da casa. Por outro lado. são salientadas também as bases físico-químicas das atividades celulares especializadas e as intenções entre elas. mas simplesmente porque a temperatura. Infelizmente. Temos destacado que o denominador comum dos processos.uma máquina enormemente complexa. É claro que a caldeira está acesa não porque perceba.a manutenção de um meio interno estável. independentemente da complexidade dos fenômenos. A segunda parte do livro dá os princípios e a informação necessários para reduzir a distância entre estes dois níveis organizacionais. a célula e o corpo. Primeiro. musculares e glandulares . musculares e glandulares). a maior parte desta seção é destinada aos principais componentes dos sistemas de controle (células nervosas.o feitor poderá sentir-se livre para seguir as linhas ou trajetórias especificas . portanto. Se não fosse eliminado. explicar um fenômeno exige sua redução a uma seqüência de acontecimentos físico-químicos. Considere.da reprodução) serve para manter algum aspecto importante do meio interno relativamente constante e pode ser descrito. Esta opinião predominou no Século XX porque quase toda a informação obtida através da observação e experimentação concordava com ela. é fácil interpretar erroneamente esta relação.

Os herbívoros desenvolveram. bem como a sua interação no sentido de coordenar e integrar os movimentos do corpo. Neste capítulo estudaremos a estrutura dos Sistemas muscular. Os músculos esqueléticos têm contração voluntária. A linha Z é. os quais representariam as moléculas filamentosas de actina. o tecido muscular estriado cardíaco e o tecido muscular estriado esquelético A estrutura do músculo estriado esquelético A musculatura estriada esquelética constitui a maior parte do volume muscular corpóreo. as quais são muito alongadas e multinucleadas. O sistema muscular Os vertebrados são dotados de três tipos de tecidos musculares: o tecido muscular liso. que se alternam ao longo de seu comprimento. Esses filamentos são chamados de fibrilas musculares ou miofibrilas. são elas que conferem o aspecto estriado típico dos músculos esqueléticos. Introdução A estratégia evolutiva dos animais desenvolveu-se no sentido de aprimorar cada vez mais a capacidade de localizar e capturar alimento. Potenciais de ação. denominada linha Z. Sarcômero. do sistema nervoso e dos músculos desses animais. PARTE II Potenciais de Membranas. a unidade de contração A região compreendida entre duas linhas z é a unidade estrutural do músculo estriado. dependendo do grau de contração do músculo. nervoso e sensorial. isto é. que as efetuam. 51 . Sentidos aguçados percebem o ambiente. Ela pode ser comparada a um disco de madeira cravado de pregos.. O citoplasma de uma fibra muscular é totalmente preenchido por uma enorme quantidade de filamentos. A fibra muscular estriada O músculo estriado esquelético é formado pelas fibras musculares estriadas. As miofibrilas apresentam faixas transversais claras e escuras.valor de sobrevivência de um processo com a explicação dos mecanismos pelos quais o processo ocorre. Ela é denominada sarcômero. Essas faixas resultam de uma disposição altamente organizada das moléculas de actina e miosina. As estrias mais claras das fibras musculares são conhecidas como bandas (ou faixas) I e as mais escuras como bandas (ou faixas) A. A banda A possui. estruturas resultantes da fusão de inúmeras células. Estudaremos também o sistema endócrino. um disco onde se inserem filamentos de actina. A banda I apresenta em sua região central uma linha bem evidente. na verdade. evoluíram no sentido de localizar e caçar suas presas cada vez com maior eficiência. constituídos principalmente por moléculas das proteínas actina e miosina. Nesse contexto. sincícios celulares. Os carnívoros. excitação e ritmicidade. uma zona mais clara chamada zona H. a capacidade de fugir de seus predadores. passando as informações ao sistema nervoso. ocorreu um grande desenvolvimento dos órgãos dos sentidos. na realidade. Essas fibras são. 1. Essa zona pode aparecer mais estreita ou mais larga. em sua porção mais central. responsável pelo controle de muitas das atividades dos vertebrados. por sua vez. A coordenação e integração entre esses sistemas é que lhes garante a sobrevivência. Ela compreende os músculos que estão ligados ao esqueleto e que são responsáveis pela movimentação do corpo. dentre as quais destaca-se a reprodução. Este analisa as informações e envia ordens para os músculos. ainda. 2.

3: O sistema nervoso O impulso nervoso Os neurônios são células especializadas na condução do impulso nervoso através do corpo dos animais. ele se une às moléculas de miosina. Nesse caso. Nessa condição. decorrente do deslizamento das moléculas de miosina sobre as de actina. As extremidades de cada filamento de miosina ficam entre as pontas dos filamentos de actina. É isso que causa a rigidez do corpo logo após a morte (rigormortis). provocando seu encurtamento e a consequente contração do músculo. Creatina-fosfato. O músculo então enrijece e não mais se movimenta. São eles que aparecem no microscópio como uma faixa mais escura. ou creatina-fosfato. ATP. Isso é causado pelo encurtamento das miofibrilas. Essa substância transfere seu grupo fosfato energético para o ADP. portanto. transformando-o em ATP. todas as miofibrilas presentes no interior da fibra muscular contraem-se simultaneamente. Essa diferença de potencial entre os lados externo e interno da membrana é chamado potencial despouso. o disparador da contração muscular.muscular A contração de um músculo estriado ocorre quando o comprimento de suas fibras musculares diminui. Quando o ATP está disponível. partir do ATP produzido na respiração celular A creatina-fosfato desempenha o papel. reservatório secundário de energia O ATP gasto durante a contração muscular é rapidamente reposto. A fisiologia da contração. Potencial de repouso Em um neurônio em repouso. portanto. os filamentos podem deslizar livremente uns sobre os outros e os músculos podem se contrair ou se distender. estão os filamentos de miosina.No centro do sarcômero. O deslizamento dessas moléculas umas sobre as outras faz com que a distância entre os dois discos Z (que delimitam o sarcômero) diminua. a chamada banda A. graças a uma substância denominada fosfato de creatina ou fosfocreatina. A presença de íons de cálcio livres no citoplasma da fibra muscular faz com que as miosinas quebrem moléculas de ATP ligadas a elas. É exatamente isso que ocasiona a contração muscular. O estímulo para a contração (impulso nervoso) chega à fibra muscular e estimula as bolsas do retículo endoplasmático (sarcoplasmático) a liberarem íons de cálcio. Nessa condição. será logo refosfatada a. isto é. Fatores necessários para a contração Duas condições são necessárias para que os filamentos de miosina deslizem sobre os de actina e a contração muscular ocorra: a presença de ATP e de íons de cálcio. dependendo da presença ou não do cálcio. de reservatório secundário de energia para a contração muscular. sua superfície externa é positiva em relação à interna. O impulso nervoso é de natureza elétrica. causando a diminuição do tamanho do sarcômero. ele resulta de alterações nas cargas elétricas das superfícies interna e externa da membrana plasmática da célula nervosa. a membrana é polarizada. 52 . as placas Z se aproximam. fonte direta de energia para a contração A falta de ATP faz com que as moléculas de miosina se unam fortemente às de actina. A creatina. evitando que elas se liguem às actinas. O aumento da concentração de íons de cálcio no interior do sarcômero é. A energia liberada nessa reação é utilizada para “puxar” os filamentos de actina em direção ao centro do sarcômero. que acontece pelo estreitamento do sarcômero. agora sem fosfato.

ou ambos) envolvidos por um tecido conjuntivo que contém vasos sanguíneos para sua nutrição. A despolarização de cada região particular da membrana plasmática dura apenas cerca de 1. Para gerar um impulso nervoso. o sistema nervoso compreende também os nervos. que partem do cérebro. em lei do tudo ou nada: ou o neurônio não responde ao estímulo. que se propaga até a extremidade do axônio. Falase. ramificando-se nas proximidades do local que irão inervar. ao chegar às terminações de um axônio. O potencial de ação e a velocidade de transmissão do impulso gerado no neurônio são sempre os mesmos. Fibras sensitivas e motoras Alguns nervos contem apenas fibras sensitivas isto e dendritos que trazem o impulso nervoso ate o gânglio . faz com que sejam liberadas substâncias. Dessa maneira o impulso propaga-se ao longo da célula nervosa. Já a substância branca é formada por fibras nervosas. apresentando tanto fibras sensitivas quanto motoras. chamadas mediadores químicos. até a extremidade do axônio. Nas sinapses nervosas. no entanto. Existem. isto é.Potencial de ação Quando um neurônio é estimulado. Lei do tudo ou nada Não importa qual a intensidade do estímulo. Nesses casos eles se encontram agrupados nos chamados gânglios nervosos. isto é despolariza-se ficando o exterior negativo em relação ao interior. Os nervos podem ser muito longos. que são os axônios e os dendritos. A região acinzentada desses órgãos é constituída por corpos celulares dos neurônios. portanto. 53 . Essas fibras ligam-se à medula separadamente: as motoras formam a raiz ventral e as sensitivas. Os nervos espinais são mistos. da medula ou de um gânglio até os órgãos efetuadores. da medula e dos gânglios nervosos. Outros nervos contêm apenas fibras motoras. espalhando-se por todo o. Nervos são conjuntos de fibras nervosas (dendritos. que levam o impulso nervoso do cérebro. axônios. o impulso deixa. Qualquer estímulo acima dessa intensidade (limiar de excitação) gera um impulso nervoso. corpo do indivíduo. químicos O impulso nervoso. Existem ainda os nervos que contêm os dois tipos de fibras. a raiz dorsal. uma pequena região de sua membrana inverte a polaridade. alguns atingindo mais de 1 metro de comprimento. que estimulam os dendritos da célula seguinte. A diferença de potencial entre os lados externo e interno e nesse caso de potencial de ação. O impulso nervoso gerado nos dendritos propaga-se pelo neurônio. Além disso. de ser elétrico e passa a ser químico. ou responde de maneira plena. por isso. e necessário que o estimulo tenha uma intensidade mínima (limiar). gerando nela um novo impulso. na forma de uma onda de despolarização. axônios. Mediadores. As raízes sensitiva e motora juntam-se em um único nervo.a medula espinal ou o cérebro. Gânglios e nervos A maioria dos corpos das células nervosas dos animais vertebrados encontra-se agrupada no cérebro e na medula espiral.5 milésimo de segundo e provoca a despolarização em uma região imediatamente adjacente. Os nervos que partem do cérebro são denominados nervos cranianos e os que saem da medula são chamados nervos espinais. corpos de neurônios fora do cérebro e da medula espinal. abaixo da qual a célula nervosa não respondera. desde que seja acima do limiar.

quando nos espetamos ou quando tocamos uma superfície quente. A função desses neurônios é estabelecer a relação entre as fibras sensitivas (ou aferentes) e as fibras motoras (ou eferentes). em geral. Neurônios associativos As terminações das fibras sensitivas que penetram na medula fazem sinapse com pequenos neurônios chamados de associativos. o gânglio localiza-se perto do SNC (cérebro e medula). Anatomia e fisiologia do sistema nervoso O cérebro e a medula espinal constituem o sistema nervoso central (SNC) e estão protegidos. respectivamente. que o transmitem às extremidades sensitivas de nervos espinais. pela caixa craniana e pelas vértebras. Vias simpáticas e parassimpáticas A diferença entre uma via nervosa simpática e uma parassimpática está na posição do gânglio nervoso que as vias autônomas sempre possuem. As fibras motoras que partem da medula conduzem o impulso até os órgãos efetuadores que. cada uma delas. no interior do qual se situam os corpos celulares dos neurônios sensitivos. O arco reflexo: um exemplo de ação do SNP somático O arco reflexo é uma ação nervosa medular. Através desses nervos. Embora a resposta rápida seja inconsciente. são músculos. o indivíduo logo toma consciência do que lhe aconteceu. por exemplo. é mais rápido do que a resposta cerebral. principalmente a dos órgãos viscerais. O arco reflexo simples. O sistema nervoso periférico autônomo O SNP autônomo (SNPA) é dividido em dois ramos chamados simpático e parassimpático. inervando a musculatura involuntária. num reflexo inconsciente. Já no SNPA parassimpático. O SNP somático controla a musculatura voluntária. Os gânglios e os nervos constituem o sistema nervoso periférico (SNP). por ser medular. O responsável pela transmissão do estimulo ao cérebro são os neurônios medulares. os impulsos chegam até um gânglio espinal. um pequeno gânglio (gânglio espinal). PARTE III Função das Sinápses Nervosas e das Junções Mioneurais A Coordenação nervosa Cientistas norte-americanas anunciaram a confirmação da teoria de que o cérebro armazena memórias através de conexões entre as células nervosas ligadas aos órgãos dos sentidos. Richard 54 . O estímulo é percebido por células sensoriais da pele. Isso ocorre quando o estímulo chega ao cérebro. que se comunicam com os neurônios associativos. Os músculos então se contraem e o indivíduo. afasta-se do agente que desencadeou a reação. As fibras nervosas simpáticas e parassimpáticas distribuem-se por todo o corpo.As raízes dorsais dos nervos espinais apresentam. Ele é de grande importância em casos que exijam reações rápidas em situações potencialmente perigosas. o gânglio localiza-se longe do SNC. Ela acontece. No caso do SNPA simpático. perto (ou mesmo dentro) do órgão nervado. o qual é dividido em somático (ou voluntário) e visceral (ou autônomo). de onde passam para a medula. inconsciente e muito rápida. estando ligado aos músculos estriados esqueléticos.

Já os cnidiários apresentam um sistema nervoso difuso. e William Greenough. pois vale-se de mensagens elétricas. Há apenas algumas células musculares que guarnecem os poros de seu corpo e que são capazes de se contrair quando estimuladas. pois já possuem uma rede de neurônios. utilizaram 15 coelhos em seu trabalho. aracnóide e piamáter). Desse modo. formando uma cadeia ganglionar ventral. da Universidade de Illinois (nordeste dos EUA). não há perfeita continuidade entre as membranas de ambas. sempre começam nos dendritos e caminham do corpo celular para o axônio.dotados de nutrição heterotrófica e mobilidade. há dois cordões nervosos . que emitem nervos para o resto do corpo. 1 . Como esses mediadores estão acumulados somente no final do axônio a transmissão do impulso ocorre ‘sempre do axônio de um neurônio para o dendrito ou para corpo celular do neurônio seguinte. Esses animais são fixos ou com pouca mobilidade e apresentam simetria radiada. surge uma série de alterações elétricas em sua membrana. Entre as meninges e as cavidades do sistema nervoso circula o liquido cefalorraquidiano. 2/11/89 O sistema nervoso. formando uma cabeça que recolhe informações do ambiente. Assim. à medida que o animal se desloca. e um prolongamento dorsal.Thompsom. região de contato entre dois neurônios. além de coordenar as diversas funções.O sistema nervoso dos vertebrados Nos vertebrados o sistema nervosos é centralizado. possam reagir de modo rápido a estímulos do meio ambiente. da Universidade do Sul da Califórnia (oeste dos EUA). o sistema nervoso segue mais ou menos o mesmo padrão. contribuindo para o equilíbrio do organismo.e o sistema nervoso central não possui cavidades em seu interior.como os animais -. as meninges (dura-máter. Os cientistas constataram que havia mais conexões entre os neurônios dos coelhos que haviam aprendido a pestanejar em resposta ao som. Quando um neurônio é estimulado. causadas pela entrada de íons sódio e pela saída de íons potássio. constitui um meio mais rápido de comunicação do que o sistema hormonal. Alguns dos animais foram condicionados a pestanejar cada vez que uma campainha era acionada. a medula. A passagem do impulso nervoso nessa região é feita por substâncias químicas. encontramos uma simetria bilateral. 55 . que caminham por nervos mais rapidamente que os hormônios pelo sangue. que recolhem informações vindas de todas as direções. A centralização do sistema nervoso Nos outros invertebrados. os gânglios cerebrais. mas nos artrópodes e anelídeos. os neuro-hormônios ou mediadores químicos. o sistema nervoso é peça importante para que seres vivos . que constituem o impulso nervoso. Na planária (platelminto). Nos outros invertebrados. com uma dilatação o encéfalo. com órgãos sensoriais distribuídos pela periferia do corpo. fechando esses poros. Na sinapse. os cordões apresentam pares de gânglios que se repetem ao longo do corpo. Desses gânglios saem dois cordões nervosos ventrais. Folha de São Paulo. mas ainda não há um controle central das mensagens.ventral e maciço . exclusivo dos animais. há uma pequena distância entre as duas células envolvidas. essas mensagens são interpretadas e armazenadas no cérebro. a cabeça possui olhos primitivos e gânglios bem desenvolvidos. com a acetilcolina e a noradrenalina. isto é. que facilita o deslocamento Esta simetria é acompanhada pela formação do sistema nervoso centralizado: os órgãos dos sentidos se concentram na região anterior do corpo. 2 . Nos animais superiores. Essas alterações. Essas duas partes estão protegidas por ossos (o crânio e a coluna vertebral) e por três membranas conjuntivas. o sistema nervoso da maioria dos invertebrados é duplo.Coordenação nervosa nos invertebrados As esponjas não apresentam células nervosas típicas.

Os impulsos motores que saem do cérebro passam pelo cerebelo. formado por um grande número de corpos celulares de neurônios. especialmente o homem. assumindo o controle de quase todas as atividades do organismo. coordenando os movimentos do corpo e o tônus muscular. pode-se observar uma camada externa. É o caso das aves. e do cérebro posterior surgem o bulbo. raiva e prazer e. além de controlar os batimentos cardíacos. controlados pelo bulbo. a conservação da água do corpo. ponte ou cerebelo. formando-se assim as diversas partes do encéfalo. No hipotálamo há centros nervosos que controlam a pressão do sangue. enquanto a camada inferior é branca. a produção de suor. nas aves e mamíferos. e duas dilatações. o hipotálamo controla a produção dos hormônios da hipófise anterior e produz. amortecendo os movimentos do corpo. recebendo impulsos dos músculos. a ponte ou protuberância e o cerebelo. Do cérebro anterior saem duas protuberâncias. nos quais o olfato é o sentido mais importante e pouco desenvolvidos nos vertebrados superiores. que têm movimentos rápidos e precisos. o córtex.que funciona como proteção adicional. as sensações de sede. a temperatura do corpo. a partir dos répteis. que lhe conferem cor cinzenta. Essas dilatações. Há. Enquanto o córtex dos répteis e aves é liso. dos tendões. ele próprio. que é pouco desenvolvido nesses animais. formada por prolongamentos dos neurônios que saem do córtex ou que chegam até ele. produzem dobras e sofrem espessamentos em certos locais. O encéfalo e a medula formam o que se chama sistemia nervosa central. os lobos olfativos. O córtex passa a ser o local de controle dos atos conscientes e voluntários. como é o caso dos peixes. Dele partem os nervos cranianos que saem do encéfalo e os nervos raquianos. O espessamento de algumas áreas produz o tálamo e o hipotálamo. os hemisférios cerebrais. A organização do encéfalo E Durante o desenvolvimento do embrião o encéfalo produz três dilatações: o cérebro anterior ou prosencéfaio. regressão dos lobas olfativos. O tálamo funciona como centro de retransmissão de impulsos que vêm dos órgãos dos sentidos para os hemisférios cerebrais. Além disso. que promove os ajustes necessários aos movimentos do corpo. uma vez que a maior parte de suas atividades é formada por atos reflexos simples. As funções do encéfalo Nos mamíferos. das articulações e dos órgãos de equilíbrio. A evolução do encéfalo O desenvolvimento de cada uma das partes do encéfalo varia em cada grupo de vertebrados. estejam à frente dos outros 56 . que recebem nervos do nariz. nos vertebrados superiores esta região desenvolve-se cada vez mais. onde ele é importante no controle dos movimentos do vôo. os hemisférios cerebrais estão especializados principalmente em receber sensações olfativas. os lobos ópticos. o que aumenta sua área em relação às das outras camadas. Além disso. por exemplo. fome. muito desenvolvidos nos primeiros vertebrados. alguns hormônios que são armazenados na neurohipófise antes de serem lançados no sangue. O oposto acontece com o cérebro. por sua vez. o cérebro médio ou mesencéfalo e o cérebro posterior ou romboencéfalo. O conjunto desses nervos e os gânglios nervosos formam o sistema nervoso periférico. O cerebelo trabalha em conjunto com o cérebro. o dos mamíferos é enrugado. que saem da medula. formando sulcos e circunvoluções. o bulbo funciona como um centro de controle dos movimentos respiratórios e do tubo digestivo. Enquanto nos primeiros vertebrados. O cerebelo é muito desenvolvido em vertebrados superiores. Do cérebro médio formam-se duas projeções. E justamente esse aumento que faz com que os mamíferos.

já na memória a longo prazo. ocorrem diversas sinapses entre neurônios que chegam e saem do sistema nervoso central. a cada noventa minutos. Além disso durante certas cirurgias no cérebro humano. O eletroencefalograma Através de eletrodos presos ao couro cabeludo pode-se registrar a atividade elétrica do cérebro. Pela região dorsal. como no encéfalo. suspeita-se. A medula A medula possui uma substância cinzenta situada internamente e uma substância branca em posição externa Pela região ventral da substância branca saem prolongamentos dos neurônios motores. Por exemplo. os sonhos: se uma pessoa for acordada nesse momento. Esse registro.um número de telefone que discaremos daqui a pouco. que pode ser um músculo ou uma glândula. em casos de anormalidade grave. cujos corpos celulares se acham no interior de gânglios. são levados ao cérebro ou à medula. a memória consistiria de circuitos especiais de neurônios: ao se aprender algo. de causa desconhecida. seria relativamente permanente. que é uma doença. podendo ou não ir depois para a memória a longo prazo. onde passam para o neurônio motor. porém. Nos órgãos sensoriais.animais em inteligência. ou experimentava a sensação de ouvir um ruído ou de perceber luz. utiliza-se o EEG para detectar tumores e certas doenças como epilepsia. pois o Córtex pode assumir novas funções. como olhos e ouvidos. a informação poderia ser armazenada por tempo definitivo. O EEG mostra que a atividade elétrica do cérebro persiste durante o sono. observando-se então que eleitos isso produzia nos animais. Mesmo assim o EEG pode ser útil. Esse encadeamento de neurônios chama-se arco reflexo. Na medula. em que a atividade elétrica aumenta. Embora se aceite que o sono seja importante para a recuperação física e concentração mental. de modo que cada coisa aprendida seria armazenada em uma sub-rede dentro da imensa rede dos dez bilhões de neurônios do cérebro. o que não costuma ocorrer fora desses períodos. leva a resposta do estímulo a um órgão efetor. Os dois tipos funcionam de forma integrada: um evento tem que ser estocado primeiro na memória a curto prazo. o paciente movia determinadas partes do corpo. Para alguns. embora com ondas mais lentas que na vigília. Além disso ela é a sede de diversos atos reflexos e via sensitiva e motora dos impulsos que se dirigem ao encéfalo ou que saem dele. Através desses dados foi possível “mapear” grandes regiões do córtex. OP mais ou menos. e o tipo de resposta involuntária e automática que ocorre quando um impulso segue este caminho denomina- 57 . isto é. que duram de cinco a vinte minutos. por exemplo. O indivíduo afetado por epilepsia pode ter convulsões ou perder temporariamente a consciência. encontram-se neurônios sensitivos encarregados de receber os estímulos externos. que mecanismos estariam envolvidos nestes processos. há prolongamentos dos neurônios sensitivos. de modo semelhante à vigília. quando há uma grande alteração no funcionamento do cérebro. No entanto. Não se sabe. que. O conhecimento das regiões do córtex que comandam cada parte do corpo tornou-se possível graças a experiências com animais: nessas experiências eram removidas ou danificadas certas regiões. os neurônios envolvidos formariam novas ligações ou sinapses entre si. há curtos episódios. transformados em impulsos nervosos. caracterizada por uma atividade excessiva e incontrolada de uma parte do encéfalo. Quando certos locais eram estimulados. relacionadas ao pensamento simbólico. o uso de anestesia local permitiu que se estimulasse com eletrodos certas regiões do cérebro. Os mamíferos têm dois tipos de memória: na memória de curto prazo a informação é estocada temporariamente no cérebro e nos permite lembrar algo apenas por algumas horas ou menos . Nesses períodos ocorrem rápidos movimentos dos olhos e. O neurônio motor. fornece uma idéia bastante grosseira do que ocorre no cérebro. ela sempre consegue relatar o que estava sonhando. então. por intermédio dos neurônios de associação. discute-se qual a verdadeira função dos sonhos. à linguagem e ao raciocínio lógico. chamado eletroencefalograma (EEG).

Nos gânglios encontram-se neurônios localizados fora do sistema nervoso central. há doze pares. geralmente voluntárias. pelo controle da homeostase. pode-se dizer que o sistema simpático estimula os órgãos que preparam um animal para enfrentar um perigo deixando-o pronto para lutar ou fugir. Numa situação de perigo ou considerada perigosa pelo animal. secreção de glândulas etc. um mediador químico que aumenta a pressão sanguínea e desvia sangue para os músculos e para o cérebro. há 31 pares de nervos raquianos. de forma involuntária nossa vida vegetativa: digestão. O número de nervos raquianos varia para cada grupo de vertebrados. No homem. nervos sensitivos. como vimos. por meio de sinapses. O sistema nervoso periférico pode ser dividido em duas partes: o sistema nervoso somático e o sistema nervoso autônomo ou vegetativo O sistema nervoso somático é formado por receptores que captam as mensagens do ambiente externo e por neurônios que recebem e levam essa mensagem ao sistema nervoso central e depois aos músculos esqueléticos. Desse modo. Cada nervo é formado por dezenas e até centenas de prolongamentos de neuróticos. no joelho (reflexo patelar). Além disso. ou então no interior dos próprios órgãos. as fibras nervosas (dendritos ou axônios) que levam e trazem impulsos do encéfalo da medula e dos gânglios. Esses gânglios funcionam como pequenas estações nervosas. com os hormônios. isto é. o sistema nervoso autônomo controla. no qual apenas dois neurônios estão em jogo. O sistema nervoso autônomo. pressão arterial. levando-os ao sistema nervoso central e depois aos músculos lisos. o sistema nervoso simpático transforma o glicogênio armazenado no fígado e nos músculos em glicose. Esse antagonismo permite um controle mais preciso do funcionamento de cada órgão. liberando-a no sangue. ao mesmo tempo que. batimentos cardíacos. O efeito de cada um desses sistemas varia de órgão para órgão. como a pele ou os rins (as arteríolas da pele. Um exemplo conhecido é o do arco reflexo simples. com outros neurônios encarregados de levar a mensagem aos órgãos. diminui a irrigação em órgãos que não necessitam de muito sangue durante o perigo. é formado pelos neurônios que recebem mensagens de receptores situados em nossos órgãos internos. nos répteis. Algumas fibras do sistema nervoso simpático estimulam também a medula da supra-renal. A maioria dos órgãos controlados pelo sistema nervoso autônomo recebe dois tipos de nervos: um que estimula e outro que inibe o funcionamento do órgão. portanto. o sistema nervoso simpático libera noradrenalina. Esses hormônios (juntamente com o cortisol. por se contraem e o indivíduo fica pálido de medo). Já com a musculatura do tubo digestivo ocorre o contrário. Portanto. glândulas e músculos cardíacos. Há dez pares de nervos cranianos nos peixes e anfíbios. por sua vez. Em outras palavras: o sistema nervoso somático controla nossa vida de relação com o ambiente. os nervos parassimpáticos saem do bulho e da extremidade final da medula. que produz adrenalina e noradrenalina. Assim. por contração das arteríolas. nas aves e nos mamíferos. O Sistema nervoso periférico O sistema nervoso periférico forma-se por gânglios nervosos e por nervos cranianos e raquianos que saem do encéfalo e da medula. motores e mistos (estes últimos contêm tanto fibras sensitivas quanto motoras). Alguns nervos saem da medula ou do cérebro e se dirigem diretamente para os órgãos. esse sistema nervoso controla nossas respostas ao ambiente externo. Todos esses neurônios estão organizados na forma de arcos reflexos. Outros passam primeiro por gânglios nervosos situados de cada lado da coluna vertebral.se ato reflexo. produzido no córtex das supra-renais) reforçam a ação do 58 . Há. De modo geral. são locais em que os prolongamentos dos neurônios que vem do cérebro e medula entram em contato. O coração por exemplo é estimulado pelo simpático e inibido pelo parassimpático. respectivamente. Os nervos simpáticos originam-se na região mediana da medula. Em outras palavras: o sistema nervoso autônomo é responsável. excreção. o sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e parassimpático --um funciona como “chicote” e o outro como “freio”.

que possuem dois ventrículos bem diferenciados. Presume-se que neuroses. o coração consiste em duas câmaras: o átrio e o ventrículo. submete o homem diariamente a tensões e a problemas. retornando ao coração como sangue venoso. retorna ao coração pela veia cava. pois o sangue passa uma só vez no coração em cada ciclo. Através dele. aumentando a duração do estado de alerta e a resistência física. Nos peixes. A circulação em que há essa mistura de sangue no coração é chamada de incompleta. tanto mentais quanto físicos. circulação das aves e dos mamíferos é completa. preparando o animal para enfrentar o perigo. É um órgão muscular que impulsiona o sangue para vasos denominados artérias que. úlceras e hipertensão tenham forte influência do stress. lutando ou fugindo. agora. as artérias são vasos que saem do coração. tomando-se arterial. conduzem o sangue às várias partes do corpo. ou circulação sistêmica. e nele não há mistura de sangue. também se ramificam. mas em menor quantidade do que nos anfíbios. através dos quais ocorrem as trocas de substâncias entre o sangue e as células dos tecidos. o sangue passa 59 . A circulação é simples. As principais modificações que ocorrem no sistema circulatório dos vertebrados referem-se ao coração e aos vasos que partem dele. O sangue proveniente das várias partes do corpo é conduzido ao coração através das veias. portanto. alimento e oxigênio são levados para as células. Portanto. No coração dos peixes. formando capilares nas brânquias. havendo nele mistura de sangue arterial e venoso. Somente então o sangue arterial é bombeado para o corpo todo pela artéria aorta. Distingue-se. O sistema circulatório dos vertebrados é fechado. Os ventrículos. Na dupla circulação dos vertebrados. Na pequena circulação. vasos de diâmetro microscópico. e os produtos do metabolismo destas são recolhidos. Unindo veias e artérias de menor calibre. o que está relacionado à endotermia. ou circulação pulmonar. por sua vez. Ocorrem as trocas gasosas nas brânquias e. como outros animais. Ë característico dos vertebrados terrestres a dupla circulação: a pequena e a grande circulação. nesses animais. rnuitos dos quais não se pode resolver. o sangue sai venoso do coração pelas artérias pulmonares. Isso provoca stress constante e excessivo que pode acarretar muitos problemas. A vida moderna. A circulação nesses animais realiza-se do seguinte modo: do ventrículo o sangue é impulsionado para uma artéria que se ramifica em 4 ou 5 pares de artérias branquiais que. por sua vez. só ocorre sangue venoso. Como não há mistura de sangue arterial e venoso no coração. porém. iniciando a grande circulação. pois não há mistura de sangue arterial com venoso no coração. Os anfíbios possuem coração com três câmaras: dois átrios e um ventrículo. o sangue circula sempre no interior de vasos sanguíneos. onde é oxigenado. nos répteis ainda há mistura de sangue arterial e venoso no coração. Dos pulmões o sangue arterializado retorna ao coração através das veias pulmonares. e completa. No coração dos répteis existem dois átrios e dois ventrículos. frustrações. indo para os pulmões. Nas aves e nos mamíferos. a. o sangue arterial é reunido em uma artéria aórtica única e conduzido para todo o corpo. existem os capilares. enquanto as veias são vasos que chegam ao coração. o coração como órgão central da circulação.sistema nervoso simpático. reiniciando o ciclo. entretanto. são incompletamente divididos. isto é. o coração possui quatro câmaras distintas: dois átrios e dois ventrículos. exceto nos crocodilianos. Circulação nos vertebrados O sistema circulatório tem como função primordial o transporte de substâncias no interior do corpo dos animais. PARTE VI O coração: excitação e contração rítmica Circulação 1. As modificações que surgem no corpo devido ao estado de alerta ou de tensão não podem ser mantidas por muito tempo sem grande prejuízo para o organismo. o sangue arterial transforma-se em venoso. No resto do corpo. Também com exceção do que acontece com os crocodilianos.

O controle desses batimentos cardíacos pode ser determinado por fenômenos miogênicos. Além da circulação sangüínea. por exemplo. é da ordem de 12 mmHg. existe nos vertebrados a circulação linfática. através do nervo vago. os batimentos cardíacos têm mecanismos reguladores relacionados com o sistema nervoso autônomo. atuando como um marcapasso que determina a contração dos átrios. originados por estímulos nervosos. que transmite o impulso a fibras musculares cardíacas modificadas . Desse modo. onde há intensa produção de linfócitos. A linfa que os capilares linfáticos retiram dos tecidos provem do sangue. O coração dos vertebrados continua a bater mesmo quando cortamos as nervações que possuem. enquanto os nervos cardíacos. mas nas aves. para a esquerda. jovem. Quando a musculatura cardíaca sofre relaxamento. Nos vasos linfáticos. um dos tipos de glóbulos brancos do sangue. O funcionamento do coração Os movimentos de contração do coração são denominados sístoles e os de relaxamento. Além da pressão sanguínea. Ë então que ocorre a contração ou sístole do ventrículo. podendo. especialmente nos mamíferos. Estes têm fundo cego e recebem a linfa dos tecidos. Indivíduos que possuem pressão constantemente alta são considerados hipertensos. impulsionando-a em direção às veias linfáticas. 2. que. que são os originados no próprio músculo cardíaco. em um homem normal. que são cardioaceleradores. a pressão diminui. que provocam aceleração da freqüência cardíaca. jovem. A composição química do plasma linfático varia de acordo como tipo de alimentação. 60 . A pressão medida nesse momento é chamada de pressão sistólica. falando-se em pressão diastólica. é da ordem de 8 mmHg. a linfa retirada pelo sistema linfático é “reposta” pela contida no sangue. e dos nervos cardíacos. ou por fenômenos neurogênicos. em um homem normal. Nos anfíbios e répteis. em um homem normal. libera acetílcolina como mediador químico. haver alterações provocadas por estímulos nervosos. os vasos linfáticos atravessam nódulos glandulares denominados gânglios linfáticos. Os elementos que compõem a linfa nos vertebrados são: plasma (parte líquida) e Iinfócitos (parte celular). A atuação desses nervos permite ajustes nas frequências cardíacas de acordo com as necessidades do animal. ainda dentro de padrões considerados normais. nos mamíferos. a artéria aorta é dirigida para a direita e. Desse nódulo partem impulsos que vão para outro nódulo. em função de fatores como a idade. provando que o estimulo da contração é de origem miogênica do próprio coração. vasos maiores que desembocam em determinadas veias do sistema circulatório sanguíneo. que ocorre através de veias e capilares linfáticos. existem inúmeras válvulas responsáveis pela impulsão da linfa. nos artrópodes.o feixe de His. encontrados também na linfa. os batimentos cardíacos obedecem ao ritmo de impulsos oriundos de um nódulo especial do músculo cardíaco. Apesar desse automatismo da contração. é exercida pressão no sistema de vasos arteriais relacionados com o ventrículo. O nervo vago. Batimentos cardíacos controlados por nervos ocorrem. diástoles. A circulação nas aves é semelhante à dos mamíferos. denominado nódulo sino-atrial.duas vezes pelo coração em cada ciclo. Nos vertebrados. nas aves e nos mamíferos é dupla e completa. a circulação é dupla e incompleta. que. o número de vezes que o coração sofre contrações por minuto corresponde à frequência cardíaca que. No momento em que a musculatura cardíaca se contrai (sístole). Nos vertebrados. em repouso. liberam adrenalina. que provoca diminuição da freqüência cardíaca. entretanto. o atrioventricular. Em certas regiões do corpo. o batimento é miogênico. Esses valores podem sofrer variações. que é cardiomoderador. é da ordem de 70 contrações por minuto.

Em entrada gera uma pressão que eleva a seiva bruta vários centímetros pela planta. provocando a entrada de água por osmose. gases. O transporte da seiva na planta Nas plantas há tecidos que se compõem de células alongadas. encadeadas. puxando-a para cima. A absorção de água do solo pelas raízes repõe a quantidade perdida na transpiração. O xilema ou lenho constitui-se.à raiz e ao caule . Como a água é uma substância polar (ou seja. hormônios e outras substâncias entre essas regiões. garantindo a continuidade desse processo. por onde circula a seiva bruta ou mineral (água e sais retirados do solo). principalmente. de células mortas. é a transpiração nas folhas que constitui o fator mais importante nessa subida. alimentando- 61 . pode-se acompanhar a t-adiatividade pelo corpo da planta.PARTE V Circulação: hemodinâmica Circulação Nos organismos mais complexos e de maior tamanho. Encerrando a planta numa câmara de vidro e fornecendo gás carbônico com carbono 14 (radioativo). por transporte ativo.como para cima . que as substâncias orgânicas fabricadas nas folhas pela fotossíntese são levadas tanto para baixo . por osmose. por onde circula a seiva ‘elaborada ou orgânica (substâncias orgânicas produzidas nas folhas). Observa-se. absorvem água dos vasos lenhosos próximos. dispostas em cadeia.que resolvem este problema. Dixon. então. 1) Em consequência. as células ficam mais afastadas da superfície e mais distantes de uma região para outra do corpo. em homenagem a um de seus autores. hipertonifica as células da raiz. O floema ou liber é formado principalmente por células vivas. Isto ocorre porque. Existem dois tipos de sistemas condutores: o xilema e o floema. Surge. formam os vasos lenhosos. formando vasos por onde circulam as seivas da planta. Outra experiência comprova que o transporte da seiva orgânica ocorre pelo floema: se removermos a casca do caule de uma planta (região onde está o floema). Essa absorção de água cria uma constante tensão na coluna líquida. o problema de transporte de alimentos. então. Na realidade. as células das folhas tornam-se mais concentradas e. para que a planta efetue uma boa fotossíntese os estômatos das folhas devem abrir-se ocorrendo então uma inevitável perda de água por transpiração. fazendo com que a coluna líquida forme um fio continuo e não se arrebente. formam os vasos liberianos.até o ápice da planta. o botânico irlandês A. que. por exemplo passaram a apresentar um sistema de transporte – aparelho circulatório (nos animais) e vasos condutores de seiva (nos vegetais) . as raízes e os tecidos abaixo da lesão morrem. mas que é insuficiente para conduzi-la até o topo de árvores de grande porte. a atração elétrica entre os hidrogênios de uma molécula e o oxigênio de outra (ponte de hidrogênio) mantém a coesão entre as moléculas de água. que. juntamente com sais minerais. mostrando que essas partes deixaram de receber as substâncias orgânicas da seiva elaborada. A análise químico das substâncias contidas no floema pode ser feito através de um artifício curioso: sabe-se que os pulgões inserem sua tromba sugadora nos vasos do floema. Conseqüentemente. A subida da seiva bruta A absorção de sais minerais do solo. que se ligam umas nas extremidades das outras. os organismos de maior porte só conseguiram sobreviver quando. Esta teoria recebeu o nome de teoria da tensão-coesão ou teoria de Dixon. a carga elétrica dos hidrogênios é positiva e a do oxigênio é negativa).

No caso dos anelídeos -. • As células do caule e da raiz absorvem por transporte ativo o açúcar do floema. utilizando-o como fonte de energia ou armazenando-o como amido. a circulação é simples. então. Essa circulação chama-se circulação aberta ou lacunar. como em muitos invertebrados. A água acompanha o açúcar por osmose. através de transporte ativo para dentro dos vasos liberianos. A análise químico nivelou que. A circulação nos vertebrados Nos vertebrados a circulação é fechada e a hemoglobina toda concentra-se dentro de células especiais. O sangue vermelho que sai de um mosquito ou de uma pulga é sangue humano que estava em seu intestino. ramificando-se em capilares. O coração dos vertebrados tem sempre posição ventral e não dorsal. conseqüentemente. num circuito completo pelo corpo. que é aceita atualmente com algumas modificações. como aminoácidos e açúcares. a água sai dos vasos lenhosos e entra nos vasos liberianos. dissolvidos na água. Isso permite o desenvolvimento de órgãos maiores e. Por isso.se assim da seiva elaborada. o que limita o tamanho do corpo do animal. Se. como o caule e a raiz. Isso permite a existência de maior quantidade de pigmento respiratório sem “engrossar” muito o sangue. Quando não há lacunas. enquanto os que devolvem o sangue ao coração denominam-se veias. o sangue perde velocidade. o sangue passar apenas uma vez pelo coração. por osmose. Os vasos que levam sangue do coração a todos os órgãos chamam-se artérias. é dupla. se o órgão cresce. Ao sair do vaso. ficam mais concentrados que os vasos lenhosos. • A pressão da água. irrigando todas as células. a circulação torna-se mais lenta. Ela propõe o seguinte mecanismo: açúcar fabricado pelas células da folha é bombeado. excretas e hormônios.primeiros invertebrados a apresentarem um aparelho circulatório -e moluscos cefalópodes (polvo e lula).. há várias substâncias orgânicas. e. se passar duas vezes. as substâncias orgânicas do floema se deslocam -graças a um fluxo osmótico de água vindo dos vasos lenhosos -. • Os vasos liberianos. Portanto. as ramificações aumentam. caule). o botânico alemão Ernst Munch elaborou uma hipótese chamada fluxo por pressão. e os órgãos são apenas banhados pelo sangue. Conseqüentemente. além de íons minerais. O transporte da seiva elaborada Como as substâncias orgânicas são levadas pelo floema das folhas para toda a planta? Em 1927. entrando nas células da raiz ou nos vasos lenhosos.dos locais onde elas são produzidas (folhas) para os locais onde são consumidas (raiz. A circulação nos invertebrados O sistema circulatório dos artrópodes e dos moluscos compõe-se de alguns vasos e um coração. o sangue não tem função respiratória. Os vasos despejam sangue em cavidades que alojam os órgãos. o sangue desses animais é incolor. de acordo com esta teoria. há uma circulação fechada: o sangue corre sempre no interior dos vasos. cria uma corrente de água que arrasta os açúcares para outras partes da planta. as hemácias. deixando o estilete preso ao vegetal. que penetram nos órgãos. o sangue mantém boa velocidade e. entrando nos vasos liberianos. Decapitou-se então um pulgão. um aumento do corpo do animal. No caso dos insetos porém. e recolheu-se o líquido que continuava o sair pelo tromba. • 62 . Vimos que em muitos animais o sangue costuma apresentar pigmentos respiratórios dissolvidos. apenas transporta alimentos.

como ocorre mistura de sangue venoso e arterial. o seio venoso. e desce. Aves e mamíferos Nestes grupos. o sangue perde velocidade. A circulação é dupla e. porém. A circulação dos mamíferos será abordada mais extensamente no estudo da circulação humana. Mas o ventrículo é parcialmente dividido por um septo -.o septo de Sabatier -. que é distribuído para o corpo. Como vemos. diástole. A aorta das aves toma direção ascendente. um orifício que comunica as duas aortas que saem dos ventrículos. que leva sangue para as brânquias. que bombeia sangue para uma cavidade mais musculosa. Nos mamíferos o esquema é semelhante. o qual se comunica com uma pequena dilatação o bulbo arterial. indo um para cada brânquia: são os chamados arcos aórticos. é levado pelas veias para uma pequena antecâmara da aurícula. o ventrículo.Peixes O coração dos peixes possui duas dilatações principais: uma aurícula e um ventrículo. chamada crossa da aorta. o coração apresenta três cavidades: duas aurículas e um ventrículo. e por isso os tecidos passam a receber uma taxa maior de oxigênio. como ocorre com os répteis crocodilianos (jacaré). A aorta se ramifica em quatro pares de vasos. O sangue contendo gás carbônico -. diminuindo o poder de oxigenação dos tecidos. Isso acontece devido ao forâmen de Panizza. A fase de contração chama-se sístole e a de relaxamento. contribuindo para a homeotermia (manutenção de temperatura constante) desses animais. Porém. Do bulbo arterial origina-se uma artéria. a circulação é simples. possuindo duas aurículas e dois ventrículos. Ao passar pelas ramificações desses órgãos. Nas brânquias ocorre a hematose: o sangue venoso perde gás carbônico e recebe oxigênio transformando-se em sangue arterial. Répteis Os répteis possuem um coração de três cavidades. Graças à separação completa entre os dois ventrículos e à presença de uma só aorta a circulação é dupla e completa: o sangue venoso e o arterial não se misturam. vindo de todas as partes do corpo. Anfíbios As larvas de anfíbios possuem circulação semelhante à dos peixes. o sangue passa para o ventrículo e é rebombeado para o corpo Como há apenas um ventrículo o sangue venoso mistura-se ao arterial. emitindo várias artérias a diversos órgãos. O sangue bombeado percorre todo o corpo em cerca de um minuto. chama-se incompleta. mesmo quando o septo é completo dividindo o ventrículo em duas cavidades. 63 . após sair do coração as duas aortas sofrem uma união. Além disso.que diminui a proporção de sangue venoso que se mistura ao arterial. denominada venosa. o coração atinge maior aperfeiçoamento. Nos adultos.sangue venoso --. persiste uma pequena mistura de sangue. mas em vez de ser enviado ao corpo volta ao coração pela aurícula esquerda. A circulação humana O coração O coração funciona como uma bomba que se contrai e se relaxa ritmicamente. Em seguida. O sangue venoso que chega à aurícula direita passa para o ventrículo e é bombeado para o pulmão e a pele onde é oxigenada. faz uma curva para a direita. a aorta ventral. mas a aorta é voltada para o lado esquerdo. porque nas cavidades do coração só passa sangue venoso.

O sangue arterial volta ao coração pela veia pulmonar entrando na aurícula esquerda e recomeçando o trajeto. na do lado esquerdo. Podem também existir orifícios que comuniquem os ventrículos ou as aurículas entre si. que. é de aproximadamente setenta vezes por minuta. Essa artéria se ramifica. determinando sua contração. 64 .As duas aurículas comunicam-se com os respectivos ventrículos por meio de orifícios protegidos por válvulas. A grande e a pequena circulação O sangue arterial sai do ventrículo esquerdo pela aorta (a maior de todas as artérias). vão-se concentrando em vasos cada vez maiores. sob condições normais e em repouso. inclusive. e a veia cava inferior que recolhe sangue do resto do corpo. As ramificações vão se tornando cada vez menores e mais finas. Neste caso. Nesses capilares. é a pequena circulação ou circulação pulmonar. o nódulo aurículo-ventricular onde um segundo impulso é levado aos ventrículos. o coração também sofre influência do sistema nervoso e de hormônios como a adrenalina. Após exercício intenso ou emoção forte. causando fluxos de sangue irregulares de um lado para o outro do coração. ao das semilunares. as artérias coronárias. apesar de ser um órgão autônomo. Da aorta saem. O impulso elétrico que aí surge dirige-se às aurículas. causando dois ruídos característicos. por um feixe de fibras -. Esta circulação que leva sangue arterial aos tecidos e traz de volta sangue venoso é a grande circulação ou circulação sistêmica. essas válvulas fazem vibrar as paredes do coração. o marcapasso artificial. Situação semelhante ocorre na passagem dos ventrículos para as artérias. pode ser necessário implantar no abdome.o feixe de Hiss --. As ramificações dos capilares. Isso ocorre porque. Lesões nas válvulas. Sopros cardíacos As doenças cardíacas podem alterar os ruídos normais do coração. o marcapasso ou nódulo sino-atrial. por exemplo. prejudicando o ritmo normal do coração. abaixo da pele. onde se situam as válvulas semilunares: ao se fecharem. que acusa possíveis defeitos cardíacos. Na passagem do lado direito localiza-se a válvula tricúspide. Duas grandes veias recolhem o sangue venoso e o lançam na aurícula direita: a veia cava superior que recolhe o sangue das partes situadas acima do coração (braços. que alimentam o próprio coração. O sangue atravessa essas válvulas da aurícula para o ventrículo apenas. O músculo cardíaco ou miocárdio é capaz de funcionar independentemente do sistema nervoso. que se ramifica pelo corpo. até formarem vênulas e veias. e o segundo. devido à presença de um grupo de células musculares especiais. passando então a controlar o ritmo do coração. pescoço). o coração bate mais rápido e com mais força. Essa circulação. finalmente. um pequeno aparelho dotado de uma pilha. O primeiro corresponde ao fechamento da tricúspide e da mitral. cabeça. levando sangue venoso para os pulmões. podem impedir seu fechamento completo. provocando então as contrações. Certas doenças podem afetar a transmissão dos impulsos elétricos gerados no nódulo sino-a trial. onde ocorrerá a hematose. envia impulsos para o ventrículo. O sangue venoso passa da aurícula para o ventrículo direito e dai é bombeado para a artéria pulmonar. permitindo um retorno de sangue. Esses ruídos anormais são chamados sopros cardíacos e são importantes para o diagnóstico de anormalidades cardíacas. que determina o ritmo das contrações. O marcapasso situa-se na aurícula direita. o sangue arterial transforma-se em sangue venoso. que leva sangue venoso aos pulmões e devolve sangue arterial ao coração. através de um condutor elétrico. pois a pressão do próprio sangue fecha a passagem em sentido contrário. formando as arteríolas e. Essas atividades elétricas podem ser registradas por um aparelho especial. e também dirige-se a outro grupo de células. A freqüência das batidas cardíacas. constituindo o que se chama eletrocardiograma. os capilares. fica a válvula mitral.

que se calcificam. a pressão máxima. por exemplo as arteríolas da pele se contraem e o indivíduo “fica pálido de susto”. podem influir no aparecimento da doença. é de 80 milímetros de mercúrio. Esta doença pode ter vários causas. ficando endurecidas (esclero = duro). com o tempo.equivale à de uma coluna de 120 milímetros de mercúrio. que entopem esses vasos e interrompem o fluxo sanguíneo (trombose). a pressão arterial. que se irradiam para o ombro e para o braço esquerdo (angina pectoris ou angina do peito). obesidade. ela aparece quando a capacidade dos rins é afetada. entupindo artérias menores e causando a morte de alguns tecidos. Esses vasos estreitos e musculosos podem contrair-se. O coração. Em indivíduos jovens. prática de exercícios físicos e eliminação de contraceptivos orais (no caso dos mulheres). Sabe-se hoje que. vulgarmente. A pressão arterial depende da qualidade de sangue nas artérias e do diâmetro das arteríolas. na maioria dos casos. na parte interna da parede arterial. Outra doença importante é a subida anormal e constante da pressão arterial. dificultando a passagem do sangue. Quando levamos um susto. há uma tendência para a formação de coágulos. As causas diretas da arteriosclerose não são bem conhecidas. como a eliminação do fumo. dizemos que a pressão normal é de 12 por 8 (em centímetros). Entretanto. que não são de todo conhecidas. enquanto o sangue venoso é arroxeado. levando a uma insuficiência cardíaca (insuficiência do coração para bombear quantidades adequadas de sangue).como a tendência hereditária para desenvolver defeitos nas válvulas. Esse fenômeno é causado geralmente por depósitos de placas gordurosas. Finalmente. A contração das arteríolas é controlada por uma parte do sistema nervoso e por um hormônio. em repouso. Cerca de 80% dos hipertensos normalizam o pressão apenas com a adoção de medidas profiláticas e dietéticas. dieta. os sangue exerce uma pressão contra a parede das artérias. conhecida como hipertensão arterial ou. De forma simplificada. as paredes das artérias perdem a elasticidade. fumo e doenças como o diabetes. um volume maior de sangue poderá ser usado pelos músculos e pelo cérebro. nos vasos com arteriosclerose. a adrenalina. músculos fracos e ocupações em que o indivíduo fica muito tempo em pé ou sentado podem fazer com que o sangue se acumule nos veias. A pressão mínima. supõe-se também que haja uma certa predisposição hereditária. vida sedentária. principalmente nas pernas. por exemplo. O estreitamento dos vasos diminui o fluxo sanguíneo e os órgãos irrigados passam a receber menos oxigênio e alimento. Suspeita-se que vários fatores possam predispor o organismo a essa doença. Tais coágulos podem também ser carregados para longe pela circulação. alimentação rica em gorduras animais e açúcares. redução da ingestão de sal (que retém água no organismo). medida durante a diástole ventricular. pode ser seriamente afetado pela arteriosclerose das coronárias. Esse controle permite aumentar a irrigação de uma região do corpo. A arteriosclerose Na doença conhecida como arteriosclerose. Branco de Susto e roxo de frio Quando impulsionado pelo coração. Graças a esse mecanismo. preparando assim o organismo para enfrentar uma situação de perigo.como a artéria braquial (do braço) -. Além disso. diminuindo a quantidade de sangue que estava destinada a outra. 65 . O indivíduo afetado pode sentir dores no peito. medida durante a sístole ventricular nas grandes artérias próximas ao coração -. Só os restantes 20% necessitam de medicação. devido à combinação da hemoglobina com o oxigênio. Com isso. Sabe-se que sua freqüência aumenta com a idade e que tensão nervosa. a maioria dos enfartes ocorre porque.O sangue arterial é vermelho vivo. vários fatores -. trazendo problemas ao organismo. que parte do músculo cardíaco morre (enfarte do miocárdio). mais sangue é retido nas artérias e a pressão arterial aumenta. O estreitamento pode levar a tal diminuição do sangue. provocando o aparecimento de varizes. “pressão alta’.

e como fluxo de sangue é lento nesse período. Mais importante: os vasos linfáticos atravessam dilatações no nosso corpo os gânglios linfáticos. oxigênio e pequenas moléculas presentes no sangue arterial passem para os tecidos. Esta contração. A circulação linfática A diferença de pressão na parte do capilar que conduz o sangue arterial é maior que a diferença do lado venoso. quando cortamos uma veia. A pressão sanguínea dos capilares tende a expulsar água para os tecidos. Então a água volta para o capilar com carbônico e excretas produzidos pelas células. pois uma de suas funções é absorver gorduras do intestino. Sem oxigênio. A coesão entre as moléculas de água impede que a coluna líquida arrebente. oxigênio e alimento chama-se líquido intersticial. Por exemplo recolhem algumas proteínas que conseguem vazar dos capilares. a hemoglobina adquire uma cor azul escura e a pele. o que da uma tonalidade avermelhada à pele. Quando esses músculos se contraem. as raízes criam uma pressão que faz a seiva bruta subir. Num dia quente ou durante um exercício físico. impulsionando o sangue. Esta baixa pressão provoca uma pergunta: como o sangue das partes inferiores do corpo consegue subir de volta ao coração? A resposta é esta: graças ao trabalho dos músculos do esqueleto e da respiração. devolvendo-as ao sangue. provocando uma diferença de pressão que dilata as veias. o sangue simplesmente escorre. diminuindo o fluxo de sangue na superfície do corpo. Além disso. as veias que estão próximas se comprimem. Esta teoria da subida da seiva 66 . fazendo o sangue subir. Assim sendo. formando o sangue venoso. a cavidade abdominal aumenta. Os vasos linfáticos de todo o corpo (sistema linfático). enquanto as proteínas do sangue exercem uma pressão osmótica em sentido contrário. Os vasos linfáticos tem outras funções. No final do capilar a pressão sangüínea torna-se menor que a pressão osmótica. a quantidade de líquido que sai do capilar é maior do que a quantidade que volta. O excesso de líquido intersticial é recolhido pelos vasos linfáticos e passa a se chamar linha. a pressão do sangue é muito baixa e a parede desses vasos é bem mais fina que a das artérias. Ë então que entra em ação a transpiração nas folhas: ao perderem água. porém. o fluxo é mais rápido e com mais oxigênio. além dessa.Num ambiente de frio moderado. que lançam linfócitos – células que transportam anticorpos para a defesa do organismo. Esse líquido que banha os tecidos levando água. fica garantido o fluxo nesse sentido. Por isso. A volta do sangue pelas veias Nas veias. a linfa fica com aspecto leitoso. as células da folha puxam água dos vasos lenhosos por osmose. quando expiramos o ar dos pulmões. mas que não é suficientemente forte para levar água ao topo de árvores de grande porte. uma coloração azulada ou roxa. os tecidos removem mais oxigênio das hemácias. como na hemorragia arterial. lançam a linfa nas veias próximas ao coração. o que diminui também a perda de calor pela pele. não saindo aos jatos. confluindo em dois grandes vasos. e assim ela retorna à circulação sanguínea. permitindo que o excesso de calor seja perdido mais facilmente pela pele. a pressão sanguínea é maior que a pressão osmótica isso faz com que parte da água. RESUMO DAS IDÉIAS BÁSICAS • Ao absorver sais minerais por transporte ativo e água por osmose. as arteríolas da pele se contraem. é mais prolongada que a anterior. No início do capilar. Como as veias possuem válvulas que só se abrem no sentido da volta ao coração. As trocas entre o sangue e os tecidos. ocorre o oposto arteríolas se dilatam. Após uma refeição rica em gorduras.

indicando as principais artérias e veias. completa. e os órgãos ficam mergulhados em lacunas cheias de sangue (hemoceles). o coração tem três cavidades: duas aurículas e um ventrículo e a circulação é dupla e incompleta. ou seja. Os capilares linfáticos estão presentes em todos os tecidos do corpo. não se comunicando com outros vasos. Nos anfíbios e na maioria dos répteis. as cavidades cardíacas e o tipo de sangue (venoso ou arterial) em cada vaso e cavidade. ele possui glóbulos brancos. nódulos linfáticos e Iinfócitos O líquido que circula dentro dos vasos linfáticos é chamado linfa. o que tornaria ineficiente o transporte apenas por difusão. Que tipo de circulação (dupla. nos quais as substâncias devem percorrer grandes distâncias. é uma hipótese ainda discutida. já nos artrópodes e outros moluscos. O transporte da seiva elaborada é mais complexo. Sua principal diferença em relação ao sangue é não possuir hemácias. No entanto. Os capilares linfáticos fundem-se uns aos outros formando vasos de calibre cada vez maiores. Parte do plasma que sai para o tecido. há dois ventrículos e pequena mistura de sangue. Já nos répteis crocodilianos. o líquido intersticial.• • • • • chama-se teoria da tensão-coesão ou teoria de Dixon. o sangue circula sem sair dos vasos. incompleta etc) ocorre em cada grupo de vertebrados? Quantas cavidades tem o coração da cada um desses grupos? 5.são feitas por diferenças entre pressão arterial e pressão osmótica do sangue. é indispensável nos animais de grande porte. pela aurícula esquerda. O aparelho circulatório. a circulação é aberta (o sangue sai dos vasos e banha as células). devido à comunicação entre as aortas. isto é. A circulação dos vertebrados é fechada. O sangue venoso entra pela aurícula direita e o arterial. Indique também a grande e pequena circulação. a pressão osmótica da água que sai dos vasos lenhosos empurra a seiva orgânica dos lugares de produção de substâncias orgânicas (folhas) para os locais de consumo (raiz e caule). 67 . Como se chama esta teoria? 3. sua extremidade é fechada. A circulação é simples e venosa. O coração dos peixes tem duas cavidades: uma aurícula e um ventrículo. que terminam por desembocar nas veias cavas. Qual a diferença entre o aparelho circulatório dos vertebrados e o da maioria dos invertebrados? 4. Entretanto. O que é seiva bruta? E seiva elaborada? 2. é recolhida pelo sistema linfático e devolvida à circulação venosa. muito semelhantes às veias.ao nível dos capilares com os tecidos . Nas aves e nos mamíferos. Como o sangue consegue subir pelas veias dos membros inferiores? Parte VI Líquidos Orgânicos A circulação linfática O sistema linfático é formado por um conjunto de vasos de diversos calibres. As trocas . Explique como a seiva bruta é transportada pelos vasos lenhosos. Segundo Munch. Nos anelídeos e em alguns moluscos (cefalópodes). responsável pelo transporte de substâncias no interior do corpo dos animais. Os capilares linfáticos. o aparelho circulatório é fechado. 6. onde reabsorvem o liquido tissular que não voltou aos capilares sanguíneos. no entanto tubos de fundo cego. o coração apresenta duas aurículas e dois ventrículos e a circulação é dupla e completa. Esquematize a circulação humana. Linfa. ROTEIRO PARA REVISÃO DO CAPITULO 1.

que é a unidade excretora do rim. Na filtração. Ao receber de volta essas substâncias. as paredes do tubo têm permeabilidade variável em relação à água. O primeiro é formado pelo glomérulo de Malpighi e pela cápsula de Bowman. removendo íons hidrogênio (ácidos) ou íons NH + (básicos). as células do túbulo retiram do sangue íons hidrogênio (H+) e íons amônio (NH + ) lançando-os na cavidade do túbulo. agora por osmose e não por transporte ativo. 4 68 . elas tomam-se menos permeáveis.a reabsorção . é um hábito importante para o bom funcionamento dos rins. absorvida por osmose. especialmente se o tempo estiver muito quente. os aminoácidos e parte dos sais. do glomérulo para a cápsula. as paredes do tubo tornam-se mais permeáveis e mais água sai do tubo para o sangue por osmose. causados pelo acúmulo de liquido tissular entre os tecidos. Além de certa predisposição genética. Processo semelhante ocorre no tubo coletor. uma alta ingestão de cálcio proteína. o sangue toma-se mais concentrado que o liquido do túbulo fazendo com que parte da água também seja reabsorvida. os quais passam para os condutos linfáticos. Os glóbulos sanguíneos e as grandes proteínas do plasma não passam para a cápsula A segunda etapa . Essa grande atividade provoca o crescimento dos nódulos linfáticos. que se ramificam em seu interior em muitas arteríolas. Ao longo da alça de Henle. formando-se então as ínguas. eliminando-as da circulação. As pedras ou cálculos renais formam-se pelo acúmulo de cristais de sais minerais nos rins. Através da rede de capilares que envolve o túbulo a água e as substâncias úteis.absorvem. Além da produção de glóbulos brancos. O trabalho do néfron: filtrações e reabsorção O néfron funciona em duas etapas : a filtração e a reabsorção. tanto produzindo glóbulos brancos quanto filtrando partículas e micróbios invasores. O tecido que compõe os nódulos linfáticos produz glóbulos brancos chamados Iinfócitos. lançando-os no sangue.túbulo proximal . são fatores que tendem a aumentar a chance do aparecimento de cálculos. mais íons sódio são reabsorvidos ativamente seguidos de água. moléculas orgânicas simples e uréia). Quando ocorre uma infecção em nosso corpo. por exemplo. principalmente. uma baixa ingestão de água. por transporte ativo toda a glicose. o qual não está sendo convenientemente drenado. que lançam a urina em cavidades denominadas cálices renais. A uréia e outros produtos tóxicos ou em excesso não voltarão ao sangue e serão eliminados com a urina. sódio e. Além disso. os nódulos linfáticos entram em grande atividade. Os cálices se reúnem no bacinete ou pelve renal. O aparelho urinário Os rins recebem sangue pelas artérias renais. Os glomérulos e as cápsulas concentram-se na região externa do rim. que tinham sido filtradas para a cápsula.ocorre ao longo do restante do túbulo. Existem cerca de um milhão dessas unidades em cada rim. os nódulos linfáticos agem como verdadeiros filtros. continua a ocorrer a reabsorção ativa dos sais. são reabsorvidas. Beber grande quantidade de água. Essa cápsula se prolonga formando o túbulo. Do bacinete sai o ureter que conduz a urina até a bexiga urinário. a água e as pequenas moléculas dissolvidas no plasma (sais. o córtex. a pressão do sangue expulsa. um saco muscular que acumula a urina e a lança ao exterior através da uretra. chamado secreção tubular 4 ajuda a regular o pH do sangue. em caso contrário. Cada arteríola se dirige a um néfron. Este processo. Esses túbulos vão confluindo até formar canais maiores os túbulos coletores. Bloqueios dos vasos linfáticos produzem edemas linfáticos (inchaços). retendo partículas estranhas e restos de células mortas. Além de filtrar e reabsorver. Assim. se o corpo tiver necessidade de reter água. Na parte final do tubo (tubo distal).produzidos e lançados na circulação pelos nódulos linfáticos ou linfonodos. As células da parte inicial do túbulo . enquanto os túbulos estão parte no córtex e parte na medula. que faz uma curva (alça de Henle) envolta por capilares. voltando para o sangue. O néfron é composto de duas partes: o corpúsculo de Malpighi e o túbulo renal .

2% de uréia. nossa urina torna-se clara e abundante. que é insolúvel e não intoxica o embrião dentro do ovo. Assim. certas infecções da garganta. o que explica o conhecido efeito diurético dessa bebida. Nos animais aquáticos. as nefrídias (anelídeos e moluscos).conforme o pH diminua ou aumente. a homeostáse. ao controlar a concentração de água. o que. como o ácido úrico. o metanefro (répteis. Essa doença pode surgir em conseqüência de infecções por estreptococos em outras partes do corpo. o NH3 deve ser transformado (no fígado) em produtos menos tóxicos. que aumenta a permeabilidade do tubo distal e do tubo coletor à água. nos peixes e nas larvas de anfíbios. aumenta a reabsorção de sócio. Uma delas é glomerulonefrite. Nos vertebrados. O caso inverso ocorre quando bebemos muita água: a produção do hormônio fica inibida. o mínimo de água necessário para diluir os produtos de excreção. em que ocorre uma inflamação dos glomérulos. fazendo com que a urina seja produzida em menor quantidade e se torne mais concentrada e. a aldosterona. a reabsorção de água por osmose aumenta. Portanto nosso rim tem um grande poder de concentração pois acumula a uréia e outros produtos de um dia inteiro em pouco mais de um litro de urina. Entretanto o ser humano produz diariamente cerca de apenas 1 litro e meio de urina. causando insuficiência renal e afetando todo o organismo. a manutenção do equilíbrio interno do corpo. elevação da taxa de uréia no sangue (uremia). aves e mamíferos) tem comunicação apenas com o sangue. em dias quentes. Nos animais que não dispõem de muita água (anfíbios adultos e mamíferos). ajudando. Nos invertebrados. assim. 1% de cloreto de sódio e 2% de outros sais e produtos nitrogenados. Finalmente. Eliminamos. por exemplo estamos ingerindo álcool e muita água. • • • 69 . Ao chegar ao tubo coletor a urina é formada por cerca de 95 % de água. mas se comunica também com o sangue. produzido pelas glândulas suprarenais. o sistema excretor é formado de três tipos de néfrons: pronefro. como. o mesonefro (peixes e anfíbios adultos) está aberto no celoma. Quando tomamos cerveja. Essa economia de água tem um importante valor adaptativo para os animais terrestres. O rim humano é formado por cerca de um milhão de néfrons (metanefro). produzem o harmônio antidiurético. como a uréia. mesonegro e metanefro. o NH3 é transformado em ácido úrico. Assim. as principais estruturas excretoras são: as células-flamas (platelmintos). outro hormônio. Seu funcionamento se dá em duas etapas: a filtração e a reabsorção. A quantidade de água reabsorvida pode variar ligeiramente. portanto mais escura. de sais e da acidez do sangue. também aumenta a reabsorção de água por osmose. Os rins filtram cerca de 180 litros de líquido por dia. isto é. o t4H~ é eliminado diretamente na água. em vários invertebrados. o hipotálamo. por exemplo. O pronefro (larvas de peixes e de anfíbios) é um tubo com abertura apenas para o celoma. respectivamente. por sua vez. aumento da acidez do sangue (acidose) e outros problemas de sérias repercussões no funcionamento do organismo. quando perdemos muita água pelo suor as células de uma região do encéfalo. o rim é um dos mais importantes agentes da homeostase no corpo. de acordo com a quantidade total de água do corpo. Como resultado. proveniente do metabolismo dos aminoácidos. Isto significa que quase 99 % do líquido filtrado foram reabsorvidos. assim. os tubos de Malpighi (insetos). conseqüentemente. Os problemas renais podem acarretar aumento da pressão. Diversas doenças podem prejudicar o funcionamento dos rins. O principal produto nitrogenado de excreção dos animais é o NH3 (amônia). retenção de água e sal. Nos répteis e aves. diminuindo a permeabilidade do túbulo e a reabsorção de água. a amônia e a creatinina. que causa inchações nos tecidos (edema). O álcool também inibe a produção de hormônio antidiurético. Resumo das idéias Básicas • • A excreção elimina certos produtos tóxicos ou que estão em excesso.

as células estomáticas perdem água e murcham. porém. E claro que a água também começa a sair na forma de vapor. há um aparelho respiratório -. a superfície de contato das plantas com o ambiente é extensa.ocorre no interior das células. e a perda de água diminuirá à noite. se o abastecimento de água da planta não estiver compensando essa perda por transpiração. Tal processo é chamado respiração externa ou orgânica. O sangue recebendo esse soluto torna-se mais concentrado e. Devido à ramificação do corpo e à presença de folhas . Em algumas espécies.dificulta a troca de gases com o exterior. Os estômatos Nos vegetais terrestres. Há hipóteses relacionando este movimento à concentração de substâncias produzidas pela fotossíntese. Este processo . fechando a abertura e reduzindo assim a perda de água. á variação da acidez causada pelo aumento ou pela diminuição de gás carbônico e 70 . Embora o estado de hidratação da planta seja o principal fator que determina a abertura e o fechamento dos estômatos. sais e pequenas moléculas dissolvidas (glicose. o que permite. constituindo a urina. a camada protetora e impermeável de cutina --que evita a perda excessiva de água pela planta -. os estômatos. No entanto. A reabsorção ocorre ao longo do túbulo.e também nos fungos esta troca de gases ocorre por simples difusão através da membrana plasmática. que é realizado pelas células da parede do túbulo. Então. o gás carbônico será absorvido principalmente de dia.às vezes associado ao aparelho circulatório -encarregado dessa tarefa. em seres maiores e mais complexos.chamado respiração celular . Este retorno ao sangue depende de um transporte ativo de sais e moléculas orgânicas. uma boa absorção de oxigênio (na respiração) ou de gás carbônico (na fotossíntese). quando ocorre a fotossíntese. depende do fornecimento de oxigênio e produz gás carbônico CO2 Neste capitulo estudaremos o mecanismo através do qual as células recebem oxigênio do ambiente e eliminam o gás carbônico produzido. tornando-se túrgidas e fazendo os estômatos se abrirem (figura. as células estomáticas absorvem água das células vizinhas. a planta perderá muito água por transpiração. do sangue do glomérulo para a cápsula de Bowman. Tal fato não acontece porque quando a planta está com bom suprimento de água. 1). Elas continuam o trajeto de excreção. por exemplo eles regularmente abrem-se pela manhã e fecham-se à noite. A uréia. Porém.• • A filtração corresponde à passagem de grande quantidade de água. Trocas gasosas nos vegetais Além de realizar a respiração. Nos seres unicelulares do reino Protista e Monera -. os sais e as moléculas orgânicas voltam ao sangue. em princípio. puxa água do túbulo.onde ocorre a maior parte das trocas gasosas --. as plantas retiram gás carbônico para realizar a fotossíntese. O problema é resolvido pela presença de aberturas na epiderme das folhas. quando a maior parte da água. por onde o oxigênio e o gás carbônico podem entrar ou sair mais facilmente No entanto se os estômatos estiverem sempre abertos. PARTE VII A RESPIRAÇÃO Uma das funções do alimento é fornecer energia para o metabolismo celular. determinando a abertura ou o fechamento do estômato. aminoácidos uréia). por osmose. outros fatores também podem influir neste processo. os outros produtos tóxicos em substâncias em excesso (principalmente água e sais) não voltam ao sangue. Desse modo. a planta pode realizar as trocas gasosas necessárias. mesmo quando não houver alterações no estado de hidratação da planta.

Em alguns peixes. Nos animais aquáticos. Nos anelídeos oligoquetos (minhoca). miriápodes e alguns aracnídeos . se ficassem em contato com o ar provocariam a desidratação do animal.ainda a alterações na concentração de potássio. Deles sairiam 71 . essa estrutura ramificada fica fora do corpo. as fendas branquiais são expostas. Este tipo de respiração conhecida como respiração cutânea indireta. elas estão protegidas por um opérculo que. com grande superfície relativa que absorve oxigênio (O~) do ar ou dissolvido na água. é muito comum nos peixes ósseos. ajustar sua densidade às diversas profundidades. platelmintos e asquelmintos. mas por ramificações da parede das fendas branquiais da faringe. onde o oxigênio é fornecido diretamente às células sem passar pelo sangue.possui filamentos de quitina que impedem seu achatamento durante o fluxo de ar produzido pela dilatação do abdome. há um aparelho circulatório que transporta os gases da pele às células (e vice-versa) com maior velocidade que na difusão simples. como os poríferos. Entretanto ainda não foi possível chegar a conclusões inteiramente satisfatórias sobre o fenômeno. Esse tipo de respiração denomina-se respiração cutânea direta e está presente nos animais mais primitivos.que formam as traquéias e os pulmões — crescem para dentro do corpo pois. O movimento do corpo faz com que a água entre pela boca e saia pelas brânquias. poliquetas. cujas paredes contém ar e capilares sanguíneos — a filotraquéias ou pulmões foliáceos.típica dos insetos. Além disso. por isso chamadas de brônquios internos. cnidários. permite que o animal tenha o corpo um pouco mais volumoso. crustáceos e moluscos. ela é um sistema de tubos que se abrem na parte lateral do corpo e se ramificam até os tecidos.a superfície do corpo é bastante 9rande em relação a seu volume e permite que oxigênio em quantidade suficiente penetre por difusão pela pele. A partir desse pulmão primitivo pode ter-se originado o pulmão dos anfíbios. Nos condríctes -. Nos animais terrestres. atingindo diretamente todas as células. A traquéia . em todos os representantes. como a pirambóia. há uma bolsa com capilares que pode absorver oxigênio do ar atmosférico funcionando como um pulmão primitivo. onde ocorre a troca de gases. como os caracóis. surgiram apenas a partir do momento em que uma série de mutações promoveu o aparecimento de um aparelho respiratório O aparelho respiratório é sempre uma estrutura ramificada. a cavidade do manto funciona como um pulmão primitivo. traquéias e pulmões primitivos Os animais mais volumosos. mais comumente brânquias e pulmões. os peixes possuem brânquias. Nos osteíctes (maioria dos peixes). O mesmo ocorre com o gás carbônico. Essa bolsa. acionado por um músculo promove a circulação da água mesmo com o animal parado. A respiração nos vertebrados Peixes A semelhança de alguns vertebrados aquáticos. conseguindo assim. Nos vertebrados encontram-se aparelhos respiratórios.formados por poucas camadas de células . que se difunde em sentido inverso. que são dobras da pela ricas em capilares sanguíneos. que não são formadas por dobras da pele. com superfície relativa pequena. Em alguns moluscos. As aranhas apresentam um pulmão primitivo. formado por câmaras que derivam das traquéias. A respiração nos invertebrados Nos animais muito pequenos ou “finos” . Brânquias. chamada bexiga natatória. essas ramificações . porém com função diferente: o peixe pode bombear gases do sangue para a bexiga natatória e vice-versa. na forma de brânquias.tubarão e raia --. como anelídeos.

além de umedecer. durante a metamorfose para adulto serão substituídas por pulmões. brônquios. que impede a entrada de impurezas existentes no ar. na traquéia ou nos brônquios. nos répteis há uma musculatura que puxa as costelas. que é protegida por peças cartilaginosas e apresenta as cordas vocais. laringe.desenvolve-se na água e respira por brânquias. Quando o ar é expirado. desencadeiase o reflexo da tosse: há uma rápida inspiração de ar seguida do fechamento da epiglote e das cordas vocais. que se comunicam com os pulmões e com cavidades cheias de ar nos ossos. finalmente. finalmente. Além disso enquanto nos anfíbios o ar é engolido por movimentos dos músculos do assoalho da boca. Os sacos aéreos servem como reservatório suplementar de ar. responsáveis pela voz. Répteis Nos répteis a superfície do pulmão é maior que nos anfíbios devido ao aumento de dobras (pulmão parenquimatoso). impedindo que esses animais se afastem muito da água. que. não ocorrendo nesses animas a respiração cutânea. tem seu revestimento formado por pêlos. o diafragma. aquecer e filtrar o ar. eliminando um corpo estranho que poderia provocar até mesmo asfixia e morte. o ar frio retirado do ambiente é armazenado nos sacos aéreos. assim. o maior grau de ramificações do pulmão e a musculatura relacionada à respiração aperfeiçoou-se pela presença de um músculo. tem poucas dobras (pulmão saculiforme) e sua superfície é insuficiente para capturar todo o oxigênio consumido pelo animal. onde ocorrem as trocas gasosas. região comum ao tubo digestivo e ao aparelho respiratório. Além disso elas possuem sacos aéreos. Os germes e as partículas estranhas aderem ao muco e são arrastados para fora pelo movimento dos cílios. tornando a respiração pulmonar mais eficiente. Da cavidade nasal. o ar é expelido para fora com alta pressão e grande velocidade. traquéia. a pele é mantida sempre úmida.os répteis que. Isto permite que eles vivam em ambiente seco. O ar penetra pelo nariz. passando para a faringe. onde causa uma 72 . uma importante função respiratória. o ar vai para a faringe. absorve o excesso de calor do corpo e é eliminado na forma de ar quente. cilios e um muco pegajoso. que possui terminações nervosas especializadas em perceber odores. dilatando e contraindo o tórax. diminuem a densidade do corpo e atuam também como meio de refrigeração: o grande consumo de energia no vôo libera uma grande quantidade de calor. Aves Nas aves o grau de pregueamento do pulmão é muito mais acentuado. Isto faz com que o ar circule mais rapidamente. A respiração nos mamíferos: o homem Nos mamíferos atinge-se. Desse modo. passa pelas cordas vocais. porém. As vias respiratórias A cavidade nasal. aumentando ainda mais a capacidade respiratória. bronquíolos e. alvéolos. que tem. Da faringe sai a traquéia. cuja abertura é protegida pela epiglote. Anfíbio A larva dos anfíbios . O restante do oxigênio é absorvido pela pele.o que seria incompatível com sua função respiratória -. Por não ter muita proteção . Na parte anterior da traquéia fica a laringe. originária aves e mamíferos. Então os músculos das costelas e do abdome se contraem fortemente e subitamente as cordas vocais e a epiglote se abrem. Quando um corpo estranho penetra na laringe.o girino . por sua vez. O pulmão.

Isto é possível graças. fazendo com que a pressão interna nessa cavidade diminua e se torne menor que a pressão do ar atmosférico. O transporte de gases pelo sangue O transporte de oxigênio pelo sangue depende de pigmentos respiratórios que são proteínas associadas a um metal. Os alvéolos são formados por uma fina camada de células envolvidas por uma rede de capilares. aumenta o volume da caixa torácica. nos vertebrados. revestidos por uma membrana protetora dupla chamada pleura. reduzindo o volume torácico e empurrando para fora o ar usado.fenômeno chamado hematose. ou seja. que acusam variações no nível do gás carbônico e do oxigênio no sangue. apesar das variações do ambiente. obteríamos uma superfície de cerca de 100m2. a um aparelho respiratório com grande superfície relativa. Cada molécula de hemoglobina pode combinarse com quatro moléculas de oxigênio. Na expiração os músculos se relaxam. por terem afinidade com o oxigênio. caso mais comum nos invertebrados. Os ramos. Realmente. Esses pigmentos podem ficar dissolvidos no plasma (quadro abaixo). maior produção de energia. conseqüentemente. ocupam quase toda a caixa torácica. estamos diante de algo bem mais eficiente que a respiração cutânea. entre outras adaptações.3 ml de oxigênio em solução.Há cerca de setecentos milhões de alvéolos nos pulmões. É nos alvéolos que ocorrem as trocas de gases entre o ar e o sangue . O bulbo é estimulado por impulsos de estruturas quimiorreceptoras localizadas na parede das artérias aorta e carótida. Ao se contrair. aumentam bastante a capacidade do sangue para transportar esse gás. O pigmento mais eficiente é a hemoglobina. Cada bronquíolo termina num cacho de pequeníssimos sacos. os glóbulos vermelhos. Os brônquios ramificam-se no interior dos pulmões como galhos de uma árvore. Como sabemos.e dos músculos intercostais. que provê grande quantidade de oxigênio e. o mesmo volume com hemácias contendo hemoglobina pode transportar 20 ml de oxigênio. equivalente uma área cinquenta vezes maior que a da nosso pele. Isso faz com que o ar penetre nos pulmões. Os pulmões vibração. são protegidos por anéis cartilaginosos. Se estendêssemos todas essas bolsas. O ar entra e sai dos pulmões graças à contração do diafragma . o diafragma se abaixa. Nossos pulmões. que impedem seu achatamento. Como nos insetos o sangue não tem ele não possui pigmentos respiratórios. formando a oxi-hemoglobina (HbO2) Este oxigênio é transportado pelo sangue e liberado nos tecidos. ou se concentrar em células sanguíneas. mamíferos e aves são animais de sangue quente. Assim enquanto 100 ml de plasma puro podem transportar apenas 0. Os pigmentos respiratórios são substâncias que. O transporte do oxigênio O mecanismo de transporte pela hemoglobina ocorre assim: na cavidade dos alvéolos a 73 . que. uma parte do sistema nervoso estimula os movimentos respiratórios independentemente de nossa vontade (por isso é impossível se suicidar parando de respirar). Esse movimenta somado ao dos músculos intercostais. A traquéia bifurca-se e forma os brônquios. que consiste na troca do sangue venoso (rico CO2 por sangue arterial (rico em O2).um músculo que separa a caixa torácica da cavidade abdominal . sua temperatura mantém-se constante. formam os bronquíolos. Até certo ponto podemos controlar nossa respiração mas o bulbo. produzindo o som. onde será utilizado na produção de energia. como a traquéia. cada vez mais finos. os alvéolos.

porém. O íon bicarbonato sai da hemácia por difusão e é transportado dissolvido no plasma. Gripes e resfriados Quando a mucosa das vias respiratórias é irritada pela penetração de partículas estranhas. Ao se combinar com a hemoglobina. é carregada na forma de íon bicarbonato. o oxigênio passa do sangue para as células. Fumo O fumo inibe o movimento dos cílios que limpam as vias respiratórias e destrói. O transporte do gás carbônico O transporte de gás carbônico é um pouco diferente. os músculos circulares que envolvem os bronquíolos podem se contrair prejudicando a respiração. esse gás impede o transporte de oxigênio podendo causar a morte do indivíduo. dissolvido no plasma. por exemplo. havendo produção de gás carbônico. como o coração. fazendo com que este fique mais concentrado do que no meio extracelular. durante um ataque de asma. surgindo a tosse e o pigarro típico dos fumantes. o cérebro e os músculos. Ë o que ocorre. que passa do sangue ao alvéolo. é. combinando-se com a hemoglobina e sendo transportada aos tecidos do corpo . Outra pequena parte permanece no plasma. 74 . No pulmão ocorre o processo inverso. a ponto de dificultar a respiração. A maior parte. Durante uma infecção ou reação alérgica. infelizmente. Esta reação é acelerada por uma enzima. Apenas uma parte (cerca de 1/5 do total) se prende à hemoglobina. inchando e produzindo um intenso fluxo de muco. ocorre o espirro. progressivamente. doença que afeta pessoas muito sensíveis a partículas encontradas no ar como o pólen das plantas ou a poeira doméstica.concentração de oxigênio é superior à dos capilares sanguíneos. A mucosa reage de modo ainda mais violento à penetração e proliferação de vírus. muitas vezes ultrapassa a capacidade de defesa de nossas vias respiratórias. Ao mesmo tempo que consome oxigênio a célula produz gás carbônico. Com isso. a eficiência respiratória diminui. um reflexo para eliminar o corpo estranho. Essa difusão ocorre porque a concentração de oxigênio no interior da célula é baixa. a anidrase carbônica. Ao penetrar na hemácia. O monóxido de carbono (CO). São os incômodos característicos da gripe ou do resfriado. formando a carbo-hemoglobina. Logo por difusão o gás passa ao sangue. encontrado em pequena proporção no gás de cozinha e produzido pelas descargas dos automóveis. em virtude de sua grande afinidade com a hemoglobina. Em conseqüência. um composto altamente tóxico. O ácido carbônico se dissocia em íons H+ e íons bicarbonato.com a conseqüente deficiência de oxigenação em órgãos vitais. devido ao consumo continuo desse gás pela respiração celular. Uma pequena parcela de oxigênio permanece dissolvida no plasma. O resultado é um gradativo acúmulo de resíduos que acabam causando várias doenças respiratórias ou predispondo o organismo a essas doenças. mas a maioria penetra nos glóbulos vermelhos. Nos tecidos. BIOLOGIA ONTEM E HOJE Problemas do aparelho respiratório Poluição A poluição do ar nas zonas urbanas. os alvéolos. o gás carbônico passa das células ao sangue. o gás carbônico reage com a água produzindo ácido carbônico. e abrindo-se caminho para a instalação de doenças infecciosas bronquite crônica e enfisema (destruição dos alvéolos dos pulmões) .

platelmintos e nematelmintos. estruturas uni ou pluricelulares.feita por meio de tubos (traquéias) que se ramificam para dentro do corpo até os tecidos. principalmente. e todo esse processo é considerado o impulso nervoso. e de finos prolongamentos celulares. que podem ser dendritos ou axônios. Nos anfíbios. e atuam como condutores dos impulsos nervosos. como as ilhotas de Langerhans no interior do pâncreas. podem formar estruturas individualizadas. Certos invertebrados aquáticos (moluscos. têm respiração cutânea direta e nas minhocas (anelídeo) já existem capilares embaixo da pele para o transporte de gases (respiração cutânea indireta). cnidários. O 02 é transportado. No sistema nervoso a unidade morfológica e funcional é a célula nervosa. a respiração é feita por brânquias que são ramificações provenientes da faringe. o CO2 é levado. onde está o núcleo. a respiração é feita por partes. ramificações ricamente vascularizadas da pele dirigidas para fora do corpo. a membrana celular do axônio está polarizada. aves e mamíferos. os pulmões possuem ramificações . Nos insetos. aparece dentro das hemácias. as positivas. que lançam seus produtos (secreções) diretamente na corrente sangüínea. o pigmento respiratório está quase dissolvido no sangue e. na forma de bicarbonato dissolvido no plasma. O percurso do impulso nervoso no neurônio é sempre no sentido dendrito axônio. Nos peixes e larvas de anfíbios. e internamente. a respiração cutânea também é importante nas aves. havendo inversão das cargas elétricas: externamente.RESUMO DAS IDÉIAS BÁSICAS • • • • A respiração orgânica ou externa é o conjunto de mecanismos encarregados de levar O2 do ambiente até as células. combinado com a hemoglobina. Quando em repouso. nos vertebrados. que recebe e transmite o impulso nervoso. Quando multicelulares. ela se despolariza. a respiração é traqueal -. crustáceos e anelídeos do grupo dos poliquetas) respiram por brânquias. e os axônios são pouco ramificados. sofre modificações.aberturas variáveis situadas na folha -. répteis. 75 . determinando resposta imediata do órgão receptor da mensagem. • • • • • PARTE VIII O Sistema Nervoso e os Sentidos Especiais Coordenação e Regulação 1. A respiração celular ou interna. como poríferos. principalmente. automaticamente. isto é.pequenos sacos se dá a hematose (troca de CO2 por 02) Nos invertebrados. corresponde ao conjunto de reações de liberação de energia no interior da célula. A inversão vai sendo transmitida ao longo do axônio. por sua vez. ou constituir grupos de células que participam da formação de outros órgãos. Os animais de grande superfície relativa. como a tireóide dos vertebrados. Ao receber um estimulo. à medida que aumenta a desidratação da planta. Introdução Os sistemas envolvidos na coordenação e na regulação das funções dos corpos dos animais são os sistemas nervoso e endócrino. que bombeia o ar para dentro e para fora dos pulmões e dos alvéolos . ficam as cargas negativas. Nos anfíbios. ou neurônio. O neurônio é uma célula composta de um corpo celular. Este é uma “mensagem elétrica” transmitida com rapidez e eficiência. que se fecham. insetos. longos. isto é. Mamíferos possuem o diafragma. A troca de gases nas plantas terrestres é facilitada pelos estômatos . As unidades morfológicas do sistema endócrino são as glândulas endócrinas. possui carga elétrica positiva do lado externo e carga elétrica negativa do lado interno.os sacos aéreos diminuem o peso específico e refrigeram o animal. Os dendritos são geralmente muito ramificados e atuam como receptores de estímulos.

une-se ao cérebro uma importante glândula endócrina: a hipófise. O diencéfalo possui dois centros nervosos principais. Logo após o quiasma. Durante o desenvolvimento embrionário dos cordados. é basicamente o centro do olfato. 2. As secreções que produzem não são hormônios. Nas aves e mamíferos. o tálamo e o hipotálamo. o tubo neural sofre dilatação. cruzam-se e depois dirigem-se para o cérebro. é bem desenvolvido nas aves e nos mamíferos. os hormônios são também denominados mensageiros químicos. dando origem ao encéfalo primitivo. O hipotálamo exerce efeito controlador sobre a hipófise e. ou cérebro. Em sua região posterior. cada um deles. rombencéfalo. Em sua região anterior. Devido a essa característica. assim como a consciência. denominadas exócrinas. Nos demais vertebrados. Este possui uma cavidade interna cheia de líquido: o canal neural. Apesar dessas diferenças anatômicas e funcionais entre esses sistemas. É nele que os nervos ópticos. O sistema nervoso dos vertebrados O sistema nervoso dos vertebrados origina-se da ectoderme embrionária e se localiza na região dorsal. As vesículas são. sobre várias atividades do organismos. diencéfalo (decorrentes da divisão do prosencéfalo). dos mamíferos. que se fecha. Desse modo. procedentes dos olhos. mesencéfalo e a terceira. Esse cruzamento denomina-se quiasma óptico. verificou-se que alguns neurônios podem produzir hormônios denominados neurosecreções. formando o tubo neural. correspondendo aos ventrículos cerebrais no interior do encéfalo. no interior da medula. por exemplo. Nos hemisférios cerebrais. Os hormônios são substâncias químicas com composição variada. Durante o desenvolvimento embrionário dos vertebrados. apresenta grande aumento de superfície. através dela. 76 . mesencéfalo (que não sofreu divisão). a segunda. denominada pálio. O encéfalo dos vertebrados O telencéfalo. seu tamanho é grande em relação às demais vesículas e os hemisférios cerebrais são bastante desenvolvidos. Alguns neurônios do hipotálamo dos mamíferos. Em vertebrados inferiores. Eles podem atuar inibindo ou produzindo estímulos no órgão-alvo. a partir da vesícula única que constitui o encéfalo primitivo. e dá origem às circunvoluções cerebrais. pela ordem: telencéfalo. são formadas três outras vesículas: a primeira. São glândulas exócrinas. metencéfalo e mielencéfalo (decorrentes da divisão do rombencéfalo). O prosencéfalo e o rombencéfalo sofrem estrangulamento. O sistema endócrino difere funcionalmente do sistema nervoso pela rapidez da resposta: enquanto um impulso nervoso pode percorrer o como em milésimos de segundo. denominada prosencéfalo. a ectoderme sofre uma invaginação longitudinal dorsal. por exemplo. Sua parede externa. que diferem das endócrinas por possuírem dutos que conduzem a secreção para o exterior da glândula. dando origem à goteira neural. transportados pela corrente sangüínea. produzem neuro-secreções que ficam acumuladas no lobo posterior da hipófise (neuro-hipófise). e as digestivas. essa disposição em linha das vesículas cerebrais persiste no adulto. as sudoríparas. O canal neural persiste nos vertebrados adultos.As secreções produzidas pelas glândulas endócrinas são chamadas hormônios e podem ser consideradas as unidades funcionais do sistema endócrino. existem outros tipos de glândulas. 3. e ao canal do epêndimo. o apetite e as emoções. indo atuar em órgãos específicos. O mesencéfalo não se divide. Esta se forma a partir do teto da cavidade bucal e comunica-se com o hipotálamo por meio de vários nervos e vasos sanguíneos. No corpo dos animais. situam-se as sedes da memória e dos centros sensitivos e motores. chamados órgãos-alvo. Sua característica básica está em serem produzidos em uma glândula endócrina. o sono. o tubo neural dá origem à medula espinhal. a duas outras vesículas. que controlam muitas atividades musculares e glandulares. dos vertebrados. o hormônio pode levar segundos ou até minutos para atingir o órgão-alvo. Estas continuam pela medula espinhal. dando origem. o encéfalo do embrião de vertebrado é constituído por cinco vesículas dispostas em linha reta. verifica-se que.

por seus prolongamentos. com exceção do bulbo. Entre a meninge aracnóide e a pia-máter há um espaço preenchido por um liquido denominado líquido cefalorraquidiano ou líquor. 5. ou cerebelo. pela coluna vertebral. é encarregado de coordenar funções motoras que exijam grande precisão e rapidez. 8. que forma a ponte de Varolio. do tônus e do vigor muscular. Nos mamíferos. O Sistema nervoso Central dos vertebrados O conjunto encéfalo e medula forma o chamado sistema nervoso central (SNC). O sistema parassimpático é formado por nervos parassimpáticos e não apresenta gânglios. aracnóide (a do meio) e pia-máter (a interna). eles não possuem comunicantes. No encéfalo. Regulação hormonal nos vertebrados O sistema endócrino dos vertebrados é bastante complexo. o vômito. O metencéfalo. Da medula espinhal dos vertebrados partem 31 pares de nervos raquidianos. Desse modo.O mesencéfalo possui basicamente dois grandes lóbulos ópticos. onde terminam os feixes nervosos provenientes dos olhos. ocorre o cruzamento das vias sensitivas e motoras. os órgãos de nutrição podem receber ordens também dos glânglios centrais. situados dorsalmente. como a deglutição. podem ser considerados também centros nervosos do sistema simpático. o mesencéfalo não é o centro visual. portanto. os quais vão terminar na parte posterior dos hemisférios cerebrais. O número de glândulas endócrinas que o formam é muito superior ao verificado nos invertebrados. ao lado esquerdo do corpo. O mielencéfalo. além de determinar alterações nos batimentos cardíacos. influência em certos atos reflexos. que correspondem apenas a uma região de passagem dos nervos ópticos. O conjunto dos nervos cranianos e raquidianos forma o sistema nervoso periférico (SNP). também denominada raque. Diretamente desses centros partem os nervos que se dirigem a diversos órgãos de nutrição. como é o caso da locomoção. ramo comunicante. portanto. gânglio central. na medula espinhal. enquanto do dos répteis. Os centros nervosos do sistema parassimpático situam-se no encéfalo e na porção inferior da medula. a sucção e a tosse. esses lóbulos são o centro da visão. ou bulbo. Dada a um órgão de nutrição segue o seguinte trajeto: centro nervoso. Exerce. O encéfalo é protegido pela caixa craniana e a medula. Este. com exceção dos mamíferos. estando mais relacionado à adição. os lóbulos formam os tubérculos quadrigêmeos. Nos vertebrados muito ativos. mais internamente. Os nervos parassimpáticos não se comunicam com os gânglios centrais do sistema simpático nem com os nervos raquidianos. é considerado um centro vital. Além das ordenes dadas pelos centros nervosos da medula. Desse modo. existem as substâncias cinzenta e branca. forma o sistema nervoso cefalorraquidiano. 4. Estes. aves e mamíferos derivam doze pares. nervo simpático e órgão. Nos mamíferos. associado ao SNC. Os órgãos do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas e por membranas denominadas meninges. também. pois controla a respiração e a digestão. Sob a proteção esquelética estão as meninges: dura-máter (a externa). No bulbo e na medula a disposição é a contrária. Na base do cerebelo. Os hormônios 77 . existe um par de feixes nervosos. A substância cinzenta é formada pelos corpos dos neurônios e a branca. Nesta estrutura. a substância cinzenta ocorre mais externamente e a substância branca. Em todos os vertebrados. que passam a ocupar. A maioria desses nervos parte do bulbo. como peixes bons nadadores. Neste. o lado contrário do que ocupavam no encéfalo: se estavam no lado direito passam para o esquerdo e vice-versa. nervo raquidiano. O sistema nervoso periférico dos vertebrados Do encéfalo dos peixes e anfíbios derivam dez pares de nervos cranianos. ele é bem desenvolvido. o lado esquerdo do encéfalo controla o lado direito do corpo e o lado direito. aves e mamíferos. Exerce o controle do equilíbrio corporal.

e a falta. Na fase adulta. produzidos pela adeno-hipófise. tomando como exemplo o homem. Esta atua no temperamento das pessoas e. O ADH aumenta a permeabilidade das membranas das células dos túbulos renais à água. A ocitocina. O sistema nervoso pode fornecer ao endócrino a informação sobre o meio externo. que estimulam a secreção de hormônios em outras glândulas endócrinas. Além desses hormônios. a tireóide é também conhecida como glândula do temperamento. em uma depressão do osso esfenóide chamada sela túrcica. produzindo urina mais concentrada. é o hormônio do crescimento ou somatotropina. mãos e pés. 8. só produzem hormônios quando estimuladas por hormônios produzidos por outras glândulas. pode provocar doenças. o que aumenta a absorção desta. localiza-se na base do crânio. o adrenocorticotrópico(ACTH) e o tireoideotrópico (TSH). supra-renais. podem ser sensíveis. sendo quatro deles trópicos: o folículo estimulante (FSH) e o luteinizante (LH). anomalia que é chamada de acromegalia. como mandíbula. Freqüentemente o sistema nervoso interage com o endócrino. Sua 78 . tireóide. A neuro-hipófise não secreta hormônios. apenas armazena dois dos hormônios produzidos pelos neurônios do hipotálamo (neuro-secreções). A adeno-hipófise produz seis hormônios. logo após o parto. e o posterior. o nanismo. a tiroxina. atua acelerando as contrações uterinas no momento do parto. São eles: • tereoidotrópicos: atuam sobre a glândula endócrina tireóide. 8 -1. Estes hormônios são denominados hormônios de liberação. Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios nos vertebrados. O excesso determina o gigantismo. Esses hormônios. Tireóide A tireóide está localizada na porção anterior do pescoço e produz. • gonadotrópicos: atuam sobre as gônadas masculinas e femininas. Possui dois lobos bem desenvolvidos: o anterior.produzidos por essas glândulas influenciam praticamente todas as funções dos demais sistemas não-endócrinos do organismo.Hipófise A hipófise. Os principais hormônios trópicos dos vertebrados são produzidos pela hipófise. Este promove o crescimento de ossos e de músculos. Um dos hormônios não-trópicos. Outro hormônio não-trópico produzido pela adeno-hipófise é a prolactina. que atuam sobre a adeno-hipófise. liberada por influência do sistema nervoso. estimulando ou inibindo suas secreções. o hipotálamo produz aproximadamente nove outros.2. são denominados hormônios trópicos. Esse hormônio começa a ser produzido na mãe. ou glândula pituitária. excessivo. ou neuro-hipófise. Entretanto. ou adeno-hipófise. na fase de crescimento. Além de exercerem efeitos sobre órgãos não-endócrinos. Esses hormônios são a ocitocina e o hormônio antidiurético (ADH). pois os tecidos adultos não mais respondem a ele. Tem o tamanho aproximado de uma ervilha e liga-se ao hipotálamo por um pedúnculo. o excesso não produz gigantismo. sendo que seu excesso ou falta. ao passo que o sistema endócrino regula a resposta interna do organismo a esta informação. são: hipófise. alguns hormônios dos vertebrados atuam sobre outras glândulas endócrinas. sob influência do hormônio tireoideotrópico da hipófise outro hormônio. que estimula a secreção de leite nos mamíferos. algumas regiões do corpo. pâncreas. • andrenocortitrópicos: atuam sobre o córtex da glândula endócrina adrenal (ou suprarenal). que são gonadotrópicos. formando mecanismos reguladores bastante precisos. gônadas. respondendo com um armamento anormal. e a manutenção de sua produção deve-se aos estímulos nervosos decorrentes da sucção da mama pelo bebê. paratireóides. por esse motivo. por exemplo. comandando a secreção de outros hormônios: algumas glândulas.

mantendo constante o nível de glicose no sangue. ou medular. No adulto. que inibe a remoção de cálcio dos ossos. Os diabéticos precisam tomar doses diárias de insulina para compensar sua deficiência. O hipotireoidismo na infância pode impedir o bom desenvolvimento psíquico e corporal. hormônios que são funcionalmente classificados em glicorticóides. 8. determina pele seca. é produzido o hormônio adrenalina.6. Produzem hormônio paratireoidiano. dando origem ao bócio. Dependendo da concentração de cálcio no sangue. Quando os níveis de tiroxina são muito elevados. fala-se em hipotireoidismo. ou paratormônio. A deficiência na produção de insulina provoca aumento na taxa de açúcar no sangue. consistindo em quatro glândulas pequenas. 9. Pâncreas O pâncreas é uma glândula mista. ou epinefrina. o excesso desses hormônios pode provocar o aparecimento de barba e de outras características masculinas secundárias na mulher. Supra-renais As supra-renais. Para evitar o bócio.produção é maior nos indivíduos mais agitados do que nos indivíduos mais calmos. os gametas. elemento que faz parte da molécula de tiroxina e cuja falta não permite sua síntese. portanto. Regulação hormonal dos processos sexuais Na espécie humana. que determina vasoconstrição periférica e taquicardia (aumento da freqüência cardíaca). composta por uma região exócrina. ou adrenais. A insulina reduz e o glucagon aumenta o nível de glicose no sangue. relacionando. 8. O hipertireoidismo determina nervosismo excessivo. aumento do ritmo cardíaco e perda de peso. Paratireóídes As paratireóides localizam-se sobre a tireóide. são produzidos os corticosteróides. 8. Os mineralocorticóides. 8. localizam-se sobre os rins. além de hormônios sexuais. na retenção ou perda de água no organismo. respectivamente. Na região medular. podem promover sua remoção dos ossos ou aumentar sua absorção pelo intestino e reduzir sua excreção pelos rins. Gônadas As gônadas são também chamadas de glândulas sexuais e produzem. a produção de gametas nas gônadas e o aparecimento de caracteres 79 . que mantém constante o nível de cálcio no sangue. quando são muito baixos. Nesses casos. representada pelas ilhotas de Langerhans. Tem efeito.4. relacionam-se com a regulação da concentração dos íons sódio e potássio’ no sangue. cujas secreções formam o suco pancreático (liberado no duodeno e que participa da digestão). a glândula tireóide apresenta grande aumento. e uma região endócrina. é prática comum adicionar iodo ao sal de cozinha. intolerância ao frio e cansaço. Os hormônios sexuais masculinos produzidos no córtex da adrenal afetam caracteres sexuais secundários. ou cortical. mineralocorticóides e hormônios sexuais masculinos. sendo formadas por duas regiões distintas: a periférica. ovários. As gônadas masculinas denominam-se testículos e as femininas. e atuam como anti-inflamatórios.5. o que é característico da doença Diabete mellitus. caracterizada por deficiência mental e nanismo. Os glicorticóides estão relacionados com o metabolismo de glicose.3. Na região cortical. fala-se em hipertireoidismo e. e a central. que produzem hormônios relacionados com o metabolismo da glicose Esses hormônios são: insulina e glucagon. entre os quais a aldosterona é o principal. A causa do hipotireoidismo pode ser a carência de iodo. a tireóide produz outro hormônio: a calcitonina. a produção de tiroxina à hiper ou à hipoatividade da tireóide. provocando a doença conhecida como cretinismo. Além da tiroxina.

A mulher produz. Durante esse período. o dia da ovulação pode variar de um ciclo para outro. reiniciando o ciclo. Essa concentração de estrógeno começa a inibir a produção de FSH pela hipófise. Por isso. Uma mulher com um ciclo de 28 dias e com ovulação no décimo quarto dia tem como período fértil do décimo ao décimo oitavo dia do ciclo. estrógenos e LH são muito baixos. Os andrógenos regulam o aparecimento de caracteres sexuais secundários e estimulam a espermatogênese (formação de espermatozóides). que atinge concentração máxima ao redor o sétimo dia do ciclo. assim. então. na puberdade. estimulando-o a produzir a progesterona que manterá a gravidez. os espermatozóides permanecem no interior do útero por três a quatro dias em condições de fecundar o óvulo. o período fértil da mulher compreende quatro dias antes e quatro dias depois da ovulação. sendo que o primeiro dia do ciclo corresponde ao primeiro dia da menstruação. em geral apenas um óvulo por mês. Nessas condições. que dura em geral cinco dias. O hormônio folículo estimulante também estimula a espermatogênese. O óvulo pode ser fecundado até três a quatro dias após haver sido eliminado do ovário e ter penetrado na trompa de Falópio. está bem desenvolvida. em geral. é responsável pelo aparecimento dos caracteres sexuais secundários. há grande probabilidade de ocorrer a fecundação do óvulo. A placenta secreta um hormônio chamado gonadotropina coriônica (HCG) que atua sobre o corpo lúteo. estimulando a produção de andrôgenos (hormônios sexuais masculinos). Na mulher. passa a ter alta concentração no sangue. as famosas “tabelinhas” anticoncepcionais têm alto índice de falhas. que geralmente ocorre no décimo quarto dia do ciclo. No homem. formado por um pequeno número de células. a hipófise aumenta a produção de FSH.sexuais secundários estão relacionados a hormônios sexuais. Nesse local. inicia-se a formação da placenta. a concentração de LH decresce. Ao redor do vigésimo segundo dia do ciclo. O folículo em desenvolvimento inicia a secreção do estrógeno que. onde se iniciam as primeiras etapas do desenvolvimento embrionário. dando origem ao ciclo menstrual. com isso. A adeno-hipófise produz dois hormônios gonadotrópicos: o hormônio luteinizante (LH) e o folículo estimulante (FSH). o embrião. o FSH estimula os folículos ovarianos a produzirem óvulos e esses folículos em desenvolvimento secretam o estrógeno. No primeiro dia do ciclo. o corpo lúteo inicia a produção de um outro hormônio: a progesterona. cuja concentração aumenta rapidamente. a parede do útero. sendo que o baixo nível de progesterona representa a eliminação do estímulo que mantém o endométrio desenvolvido. O aumento de sua concentração inibe a produção de LH pela hipófise (feedback negativo) e. também ao redor do sétimo dia. dando origem ao sangramento menstrual. sendo que. o corpo amarelo começa a regredir e. Se ela mantiver relações sexuais nesse período. o hormônio luteinizante atua sobre células intersticiais do testículo (localizadas entre os túbulos seminais). denominada endométrio. Entre os andrógenos. há redução dos níveis de progesterona e de estrógeno. Os hormônios gonadotrópicos na mulher interagem com os produzidos pelo ovário. Este estimula as glândulas do endométrio a secretarem seus produtos. o mais importante é a testosterona. sendo este o estimulo hormonal para a ovulação. Como se pode notar. A duração média do ciclo menstrual é de 28 dias. ao mesmo tempo que estimula a hipófise a secretar LH. Sob a influência do LH. Além disso. o endométrio está na iminência de uma nova descamação (menstruação). No vigésimo oitavo dia os níveis de progesterona.. que. e começa a descarnar. passa para a cavidade uterina e fixa-se à parede do útero. A interação desses hormônios determina uma série de alterações no sistema reprodutor feminino. a alta concentração de LH estimula a formação de corpo lúteo ou corpo amarelo no folículo que eliminou o óvulo. É importante frisar que nem todas as mulheres têm ciclos menstruais de 28 dias e que as que têm nem sempre ovulam no décimo quarto. apenas um dos folículos atinge desenvolvimento maior que os outros. iniciando-se então a gravidez. O óvulo é fecundado na trompa de Falópio. A progesterona é importante também para manter dentro do útero o endométrio desenvolvido. de modo que uns controlam a produção dos outros. espessa e muito vascularizada. O FSH induz os folículos ovarianos a produzirem óvulos. Os altos níveis de esfrógenos do sexto ao décimo quarto dia do ciclo estimulam o crescimento do endométrio. Após a ovulação. O HCG começa a 80 . Por outro lado. Logo em seguida.

A amônia é muito tóxica e muito solúvel em água. São animais amoniotélicos: os peixes (com exceção dos condrícties) e as larvas aquáticas de animais terrestres. Os aminoácidos. A uréia é menos tóxica e menos solúvel em água que a amônia. como combustível celular. que serão 81 . ou ser transformados. como é o caso dos anfíbios adultos. que é transformado em amônia (NH3) um dos produtos nitrogenados da excreção. Resumo do metabolismo dos aminoácidos. têm particular interesse no estudo da excreção. De acordo com o produto de excreção nitrogenada predominante. • animais ureotélicos: que excretam principalmente uréia. PARTE IX O trato Alimentar Função Hepática Os excretas nitrogenados são os resultantes do metabolismo das proteínas. assim. mesmo em baixa concentração. pois é uma substância tóxica. como gorduras. As dosagens desse hormônio no sangue e na urina são os principais testes clínicos de gravidez. como matéria-prima para sintetizarem outras proteínas e. em parte. Os animais aquáticos são amoniotélicos. que ocorre no fígado. utilizados como combustível. quando a água do meio seca. ou em ácido úrico. O ácido úrico é atóxico e praticamente insolúvel em água. os mamíferos e os animais ainda relacionados de algum modo ao ambiente aquático. em substâncias de reserva.ser formado logo no inicio da formação da placenta. havendo necessidade de volume considerável de água para sua eliminação. passando a excretar principalmente uréia. O primeiro estágio da decomposição dos aminoácidos é denominado desaminação e consiste na remoção do grupo amina. quando ingeridos em excesso. São animais ureotélicos: os condrícties. podendo ser detectado no sangue e na urina da mulher durante a gestação. H20). As proteínas ingeridas pelo animal são degradadas em seus elementos constituintes: os aminoácidos. Os peixes pulmonados deixam de ter a amônia como excreta predominante. daí o nome aminoácido). facilitada a dispersão da amônia. A excreção predominante de um desses produtos está relacionada com o ambiente em que o animal vive. e função energética. liberando energia através da respiração celular. Os aminoácidos sem o grupo nitrogenado dão origem a cetoácidos. Os animais terrestres são ureotélicos ou uricotélicos. Antes de participarem dos mecanismos oxidativos eles passam por mecanismos de remoção do grupo amina (NH2) (os aminoácidos são substâncias que têm um grupamento amina e um grupamento ácido. A excreção de uréia pelos condrícties está relacionada a problemas osmóticos. função plástica. • animais uricotélicos: que excretam principalmente ácido úrico. os animais podem ser classificados em: • animais amoniotélicos: que excretam principalmente amônia. pois participam da “construção” do corpo dos animais. que tem estrutura mais complexa do que a da uréia. Os uricotélicos o eliminam como uma pasta espessa ou como bolotas sólidas e não têm necessidade de água para isso. que poderão participar dos mecanismos CO2 e oxidativos (liberando energia. e é necessário um volume menor de água para sua eliminação. Esse grupamento amina é que dá origem aos excretas nitrogenados. sendo formado através do ciclo do ácido úrico. Estando circundados por grande volume de água. pois atuam como fornecedores de energia para o metabolismo celular. como os girinos. A amônia deve ser eliminada do corpo do animal. A amônia pode ser transformada em uréia através do ciclo da uréia ou ciclo da ornitina. também mais complexo que o da uréia e que ocorre igualmente no fígado. em parte. Estes são utilizados pelos animais. As proteínas têm portanto. os animais aquáticos têm.

possuem uma língua denteada e protátil. O intestino recebe as substâncias secretadas pelo fígado e pelo pâncreas. os embriões geralmente desenvolvem-se no útero materno. substância solúvel mas atóxica. um dissacarideo. a mastigação e a gustação. esôfago estômago. Alguns invertebrados excretam aminoácidos e outros. alguns animais excretam outros tipos. transformando-os em maltose. Mas somente nos artrópodes e moluscos aparecem glândulas como o fígado e o pâncreas. o alimento é raspado por cinco dentes calcários. Já no ouriço-do-mar (equinoderma). o que não ocorreria com os outros produtos de excreção nitrogenada. Os moluscos . Nesses animais. Diariamente. uma pessoa produz cerca de 1 litro de saliva. A língua. O ácido úrico. não havendo necessidade de água para sua eliminação. intestino e ânus. A guanina é ainda menos solúvel do que o ácido úrico. produzida pelas glândulas salivares. aumentando a velocidade da digestão. que pode ser melhor aproveitada para absorver o alimento digerido. havendo troca de substâncias entre o sangue da mãe e o do feto através da placenta. que secretam grandes quantidades de enzimas digestivas. como as aranhas. sendo provocada por um vírus). manipula o alimento misturando-o à saliva. Além disso. São animais uricotélicos: os répteis e as aves. a excreção de uréia está provavelmente relacionada à viviparidade. que aumenta a superfície de produção de enzimas e de absorção de alimento. a amílase salivar ou ptialina. na base posterior do maxilar inferior. Graças a essas glândulas. refere-se também ao tipo de desenvolvimento desses animais. eles podem digerir maior quantidade de alimento sem ocupar grande superfície da parede intestinal. mas é inibida ao chegar no estômago devido à acidez do suco gástrica. A saliva. juntamente com outras ligadas à respiração e à excreção permitiram que animais maiores e mais complexos tivessem boas condições de sobrevivência. Tais adaptações. o tiflossole. No caso dos mamíferos. que com isso. lubrifica e dilui o alimento facilitando a deglutição. A saliva contém uma enzima.com exceção dos pelecípodes (ostras e mariscos) . sem causar prejuízo ao embrião. órgão de grande mobilidade dotado de corpúsculos sensoriais que captam o sabor. língua e glândulas salivares. O odor característico do peixe morto é decorrente do aumento da concentração dessa substância na carne desses animais. não há prejuízo para nenhum deles. pode ser armazenado no interior do ovo. adquire maior superfície de contato com as enzimas digestivas. protege a boca contra as bactérias e umedece sua mucosa. que são terrestres na imensa maioria. Além desses principais produtos nitrogenados de excreção. Modificação do alimento na boca Os dentes encarregam-se de cortar e triturar o alimento. Na boca há dentes. que formam a lantema-dearistóteles. chamada rádula.discutidos posteriormente. 82 . Sendo a uréia menos tóxica do que a amônia. Ela é produzida por três pares de glândulas salivares: as parótidas situadas atrás dos ouvidos(a conhecida caxumba. e as sublinguais. as submaxilares. especialmente para o feto. Nas minhocas há uma prega dorsal no intestino. Eles são ovíparos e seus embriões se desenvolvem no interior de ovos revestidos por cascas. que serve para ralar os alimentos. A vantagem desse tipo de excreção. A amílase age no pH neutro da boca. eliminam a base nitrogenada guanina como principal produto de excreção. A digestão humana O aparelho digestivo do homem compõe-se de boca. substância praticamente insolúvel em água. embaixo da língua. além da economia de água. Os peixes ósseos marinhos excretam quantidades consideráveis de óxido de trimetilamina. que inicia a digestão do amido e do glicogênio.

o alimento é engolido passando ao esôfago. fecha automaticamente a traquéia. A digestão dura de duas a quatro horas. A simples visão do alimento ou a percepção de seu odor . Armazena diversas vitaminas (vitaminas A. fibrino gênio etc. Ele é um dos órgãos mais importantes e versáteis do nosso como. a gastrina. um novo reflexo provoca a tosse. encontrada em mamíferos de pouca idade. A partir dos aminoácidos essenciais fabrica os demais aminoácidos do corpo. Quando há descontrole dos reflexos que fecham a traquéia. Porém. Faz a desaminação de aminoácidos (retirada de nitrogênio) para que possam ser queimados ou transformados em glicídios ou lipídios. um composto muito tóxico. que determina a coagulação do leite. que contém ácido clorídrico (HCI). Pela ação do ácido clorídrico o pepsinogênio transforma-se em pepsina e começa a quebrar as ligações químicas entre certos aminoácidos das proteínas. tais como. Não é à toa. Funciona como um complexo laboratório químico e realiza diversas funções vitais ao organismo. A desaminação produz amoníaco. responsável pela extrema acidez do estômago (pH em torno de 2). desobstruindo o aparelho respiratório. A principal enzima do suco gástrico. os movimentos peristálticos. • • • • • Retira o excesso de glicose do sangue. Para evitar que sua própria parede seja destruída. há um controle hormonal da secreção: o contato do alimento com a parte final do estômago estimula as células desse órgão a produzirem um hormônio. com pouca atuação sobre os lipídios. Funções do fígado O fígado não atua apenas na digestão. a epiglote. é produzida na forma inativa de pepsinogênio.). Do esôfago até o estômago o alimento é ativamente transportado por contrações musculares. nós nos engasgamos. O ácido clorídrico facilita a ação das enzimas do suco gástrico. lançado no sangue. passa a estimular todo o estômago na fabricação do suco gástrico. estimulam a maior produção de saliva.ou até mesmo a imagem que formamos dele podem estimular a secreção gástrica. de acordo com as necessidades do organismo. A hemoglobina desses glóbulos é transformada em pigmentos de cor parda. Além da pepsina.O cheiro e o sabor dos alimentos. a pepsina. que serão depois armazenados no tecido adiposo do organismo. o estômago fabrica um muco protetor. 6). captados pelas terminações nervosas do nariz e da língua. removendo-os da circulação. Além de um estimulo nervoso. formando-se uma massa ácida branca e pastosa. armazenando-a na forma de glicogênio e devolvendo-a depois ao sangue. portanto que dizemos “fiquei com água na bocas”. que é transformado prontamente em uréia (substância menos tóxica). corrói o cimento intercelular dos alimentos ingeridos e destrói bactérias. Por isso pode-se comer ou beber mesmo de cabeça para baixo. Há também uma enzima. há no suco gástrico uma lipase. Fabrica várias proteínas do sangue (albumina. onde o alimento é armazenado e sofre a ação do suco gástrico. Após a mastigação. A uréia é lançada no sangue e eliminada pelos rins. que são eliminados pela biIe e • • • 83 . o quimo. facilitando a ação da pepsina. que. a renina. peptonas e polpeptideos. Destrói glóbulos vermelhos “velhos”. A proteína é então fragmentada em moléculas menores: proteoses. D e B12) Vem daí seu valor nutritivo como alimento. Tem ação desintoxicante. Nesse momento uma pequena “tampa” . impedindo que ele siga pelo aparelho respiratório (figura. inativando substâncias prejudiciais ao organismo. Modificações do alimento no estômago O estômago é uma região dilatada e musculosa do canal alimentar. Pode transformar o excesso de glicídios e proteínas em lipídios.

Essas duas enzimas são produzidas em formas inativas: o tripsinogênio e o quimiotripsinogênio. respectivamente. Após a digestão. que completa a ação da amilase salivar. como a vitamina K. facilitando a sua ação. as nucleases. que quebra mais algumas ligações dos peptídeos. transformando-as em minúsculas gotículas que se misturam com a água e formam uma emulsão. Além disso cada célula possui pequenas projeções. erepsina. A bile. O fim da digestão e a absorção do alimento A digestão termina na parte mais longa do intestino delgado o jejuno-ileo que produz o suco intestinal. Facilitando o trabalho de absorção pelo intestino. eventualmente. Tal fato aumenta muito a superfície de contato dos lipídios com a lipase. Essas bactérias. lactase (transforma a glactose em glicose e glalactose). e a carboxipeptidase. o intestino mede cerca de 6 metros de comprimento e no seu interior ocorre a principal parte da digestão e da absorção do alimento pelo organismo. sacarase (transforma a sacarose em glicose e frutose). que fragmentam ácidos nucléicos em nucleotídeos. sendo absorvida na forma de gotículas microscópicas que são lançadas nos vasos linfáticos. as microvilosidades. aminopeptidases. a biotina e o ácido fólico. as vilosidades. produzem vitaminas importantes para o homem.determinam a cor perda das fezes Modificações do alimento no intestino delgado O bolo alimentar (quimo) passa do estômago para o intestino delgado. No duodeno. O suco pancreático contém água e bicarbonato de sódio que. existem as enzimas tripsina e quimiotripsina que quebram os fragmentos de proteína produzidos pela pepsina. diminui a acidez do quimo. Como no caso do estômago essas secreções são controladas por mensagens nervosas e hormônios. Ë produzida também uma lipase. No ceco encontra-se uma projeção denominada apêndice. o quilo. O pâncreas produz ainda a amílase pancreática. o cólon e o reto. resultando peptídeos menores. Atlas doses de antibióticos podem. As moléculas simples são absorvidas pela parede intestinal e lançadas no sangue. O intestino delgado divide-se em duas regiões: duodeno e jejuno-íleo. Quando o quimo entra em contato com a parede intestinal. Nos animais herbívoros o ceco é bem 84 . Modificações do alimento no intestino grosso O intestino grosso é formado por três partes: o ceco. Além dessas substâncias. que formam boa parte das fezes. que aumentam mais ainda a área de absorção do alimento. que corresponde aos 25 centímetros iniciais. que digere as gorduras em glicerol e ácidos graxos. mas sais biliares. que atuam como “detergentes” emulsionando as gorduras. são lançadas as secreções do fígado e do pâncreas. há dobras na parede intestinal. ele estimula a produção de hormônios (colecistocinina e secretina) que agem sobre o pâncreas e a vesícula biliar fazendo-os lançar no duodeno o suco pancreático e a bile.a enteroquinase e a segunda é ativada pela ação da própria tripsina produzida. dipeptidases e tripeptidases (transformam os peptídeos em aminoácidos) e lipases (transformam gorduras em ácidos graxos e glicerol). A primeira transforma-se em tripsina por uma enzima produzida no duodeno . Parte das gorduras não é ingerida. produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar não possui enzimas digestivas. o alimento transforma-se em um líquido branco. Recentemente evidenciou-se que no intestino grosso ocorre alguma digestão e absorção de alimentos devido à ação das numerosas bactérias que vivem nesse órgão. composto de enzimas que terminam a digestão dos alimentos: maltase (transforma a maltose em glicose). com a bile. Na espécie humana. matar essas bactérias e provocar diarréia. isto é.

O estômago das aves e dos ruminantes A maioria das aves possui uma dilatação no esôfago. veado camelo etc. Os dentes humanos são menos especializados que os dentes desses mamíferos. Aí a celulose é atacada por bactérias e protozoários. carneiro girafa. que serão mastigadas na boca vagarosamente. répteis. urinário e reprodutor terminam numa bolsa única. O intestino dos outros vertebrados O intestino dos animais herbívoros é muito maior do que o do homem e de outros animais carnívoros. restos não digeridos de alimentos . mas não têm dentes: a trituração do alimento é feita no estômago. Porém os peixes ósseos e a maioria dos 85 . que formam as presas. Assim. que é muito mais variada. um tubo musculoso que se abre para o exterior através do ânus. Depois o alimento é deglutido outra vez. anfíbios. Aí ocorre a absorção da água e dos sais minerais que não foram absorvidos pelo intestino delgado. O intestino dos peixes cartilaginosos (tubarão) e dos agnatos (lampréia). formadas por água. folhoso (ou omaso) e coagulador (ou abomaso). As cobras podem ter dois dentes que se transformam em presas inoculadoras de veneno. como o ornitorrinco . finalmente. chamada estômago químico ou proventrículo e a moela ou estômago mecânico. Nos peixes. carnívoros têm caninos. Em muitos vertebrados . no tubarão). lâminas fortes que servem para esmagar o alimento.desenvolvido funcionando como um reservatório onde ocorre parte da digestão dos alimentos. A variação nos tipos de dentes Nos mamíferos. e. roedores têm incisivos bem desenvolvidos. que absorve a água. segue para o coagulador. que produz enzimas digestivas. o que está de acordo com nossa alimentação.e um grande número de bactérias. além de possuírem ligamentos elásticos na mandíbula que permitem a ingestão de presas volumosas. denominada cloaca. que se abre para fora. aves e mamíferos que põem ovos. As tartarugas têm. As fezes. têm molares mais desenvolvidos etc. enquanto os anfíbios não possuem dentes mas têm a língua bastante desenvolvida. Finalmente.) é muito desenvolvido e divide-se em quatro partes: pança (ou rúmen). O alimento é rapidamente mastigado e engolido indo se acumular na pança. barrete (ou retículo). apesar de serem muito pequenos. com grossas paredes musculares que trituram o alimento O estômago de mamíferos ruminantes (boi. Então o alimento mistura-se à saliva e é regurgitado em pequenas porções.peixes cartilaginosos. A seguir o alimento vai para o barrete. o papo. podendo medir até 40 m de comprimento.os aparelhos digestivo. são elimina das pelo reto. que pode capturar insetos e outras presas. em vez de dentes. como veremos a seguir. Digestão em outros vertebrados A digestão está adaptada aos diferentes modos de vida em cada grupo de vertebrados. Nosso apêndice pode ser considerado um vestígio do ceco desenvolvido dos herbívoros. O cólon é a parte maior do intestino. que comem grãos ou folhas. que se divide em duas partes: a que produz enzimas digestivas. os dentes são iguais entre si (várias fileiras. onde os grãos são armazenados e amolecidos antes de irem para o estômago. as aves possuem um bico côrneo. indo para o folhoso. herbívoros como o boi e o cavalo. formando a válvula espiral ou tiflosole. que aumenta a superfície de absorção.como a celulose . possuem dobras em forma de espiral. onde há glândulas salivares semelhantes às da boca. os tipos de dentes variam de acordo com os hábitos alimentares do animal.

isto é. ervilhas. possuem todos os aminoácidos essenciais na proporção ideal para nosso organismo já as proteínas vegetais são em geral incompletas. nas frutas. conseguimos uma mistura equilibrada de aminoácidos essenciais. São encontrados no leite e em seus derivados (principalmente a manteiga). óleo de soja. Um grama de lipídio produz cerca de 9 calorias.mamíferos não têm cloaca. pão. coma alguns alimentos de cada um dos quatro grupos básicos por dia. ervilha ou lentilha. controlam as reações químicas do corpo. Glicídios. Um grama de glicidio produz 4 calorias. Um homem com profissão de pouca atividade física precisa consumir cerca de 3 000 calorias por dia. do leite. o peso etc. Neles. o trigo (e seus derivados: pão farinha. De modo geral. lentilhas. das aves e dos peixes. em certos produtos de origem vegetal (margarina. que fornece glicídios. isto é. massas etc.) e o milho. Nutrição e saúde As substâncias químicas presentes nos alimentos são chamadas nutrientes e exercem três funções principais em nosso organismo: função plástica.) com leguminosas (feijão soja. que fornece cálcio proteína e algumas vitaminas e sais minerais o da carne (que inclui carne de vaca. sendo portanto indispensáveis para o bom desempenho das funções orgânicas. como as do ovo. além de ferro e algumas vitaminas do complexo B ao nosso organismo. não há a menor necessidade de tomar remédios à base de vitaminas. nosso corpo necessita apenas de dez tipos. como o arroz. ferro e algumas vitaminas. podemos dizer que um adulto precisa consumir cerca de 70 gramas de proteína por dia. nas raízes e nos tubérculos (batata. hidratos de carbono ou carboidratos são nutrientes energéticos por excelência. ave ou peixe. na qual a deficiência de um nutriente em certo alimento seja compensada por sua presença em outro. de milho etc) e em frutas. ao misturarmos cereais (arroz. Apesar de existirem vinte aminoácidos diferentes na natureza. Coma menos alimentos açucarados (principalmente entre as refeições) e alimentos ricos em gorduras animais. é necessário ter uma dieta variada. no mel. São nutrientes reguladores. beterraba). no ovo (gema). função energética e função reguladora. amendoim). pois constituem a principal fonte de energia para o organismo. Os glicídios. Como sabemos. Finalmente. Vitaminas. o grupo das hortaliças. macarrão. com os quais ele sintetiza os outros dez. aveia etc. pois os aminoácidos que faltam no cereal estão presentes na leguminosa e vice-versa. A necessidade de glicídios varia com a atividade física da pessoa. pois nosso 86 . Assim. como o abacate. mandioca. o aparelho digestivo abre-se para o exterior separadamente dos outros. São abundantes nos cereais. açúcares. Lipídios. Normalmente. dos legumes e das frutas. chamados aminoácidos essenciais. é necessário suplementar a dieta com um pouco de proteína animal). Têm principalmente uma função plástica ou estrutural. da carne. a idade. soja. Os lipídios são nutrientes com função energética e plástica: servem como reserva de energia e tomam parte na formação das membranas das células. sendo que. pois. Os alimentos podem ser divididos em quatro grupos: o do leite (que inclui derivados como o iogurte e o queijo). porco. na carne. são completas. constituem o principal componente de construção da célula. frutas e cereais. aumente a ingestão de verduras. Para adquirirmos todos os nutrientes. no toucinho. que fornece sais minerais. enquanto um trabalhador com grande atividade física gasta em média 3 800 calorias por dia. do queijo. Entretanto. trigo e derivados. a noz etc. batata ou mandioca). que fornece proteínas. neste caso. vitaminas e fibras (importantes para o bom funcionamento dos intestinos) e o grupo dos cereais e tubérculos (que inclui arroz. no açúcar comum e na rapadura. As proteínas animais. juntamente com as enzimas. pois não têm todos os aminoácidos essenciais em boa quantidade. Vejamos como cada grupo de substâncias químicas alimentares atua em relação a essas três funções: Proteínas. mas pode ser substituído por ovos ou queijo ou ainda por feijão. as proteínas são macromoléculas formadas pela união de muitos aminoácidos.

é comum encontrar crianças que. permitindo as reações químicas do metabolismo e impedindo grandes variações de temperatura. É o caso da vitamina C e das vitaminas do complexo B (vitaminas B1. Embora as frutas e verduras frescas sejam a melhor fonte de vitaminas entre os alimentos. é isento de bactérias. a criança pode morrer se não receber uma alimentação equilibrada. São metabolizadas pelo fígado: por isso. Além disso. As vitaminas lipossolúveis dissolvem-se bem em gorduras e predominam nos alimentos gordurosos. a desnutrição enfraquece as defesas do indivíduo. para que os nutrientes não se percam com o vapor reaproveitando a água do cozimento para fazer arroz ou sopas. legumes e cereais. Agua e sais minerais. pois isso facilita o trabalho de eliminação pelos rins das substâncias tóxicas que penetram em nosso organismo através da poluição ou dos alimentos. porque elas perdem mais facilmente as vitaminas. após o desmame. Nas populações mais pobres. ovos e queijo. Além disso. pois funciona como solvente. 87 . mas ter uma dieta variada e equilibrada. quando ingeridas em demasia (hipervitaminoses). verduras. que comer bem não é comer muito. como leite. É importante beber muita água diariamente. com sintomas semelhantes aos do kwashiorkor. possui anticorpos que protegem a criança e cria maior vínculo emocional entre a mãe e o filho. deixando para picá-lo depois. enquanto as vitaminas lipossolúveis. O excesso de vitaminas hidrossolúveis é eliminado pela urina. E e K. para evitar a perda de vitaminas e faça o cozimento com a panela bem tampada. É importante estimular a amamentação natural. Através do estudo da nutrição podemos concluir em síntese. que a desnutrição da gestante ou da criança nos primeiros anos de vida pode causar lesões permanentes no cérebro da criança. podem trazer problemas ao organismo. elas podem perder parte do valor nutritivo com o transporte e o estoque: quanto mais amassada ou murcha uma verdura estiver mais vitaminas ela deve ter perdido. acarretando retardo e altura e peso inferiores ao normal. Use também pouca água. A desnutrição Dizemos que ocorre desnutrição quando é insuficiente o consumo ou o aproveitamento pelo organismo de um ou mais nutrientes. instala-se uma doença conhecida como kwashiorkor que se caracteriza por estatura abaixo do normal. em que estejam presentes leite (ou derivados). Como conseqüência. Sabe-se. D. ovos. no vapor.corpo é automaticamente suprido delas caso receba uma dieta variada. As hidrossolúveis. o ideal é comer as frutas cruas. frutas. sempre que puder os doces por frutas e os refrigerantes por sucos de. por exemplo. são encontradas em cereais. carne (ave ou peixe). A desnutrição pode provocar atraso no desenvolvimento mental e físico. escolha sempre as frutas e verduras mais frescas e não compre as já picadas. pois o leite materno possui maior valor nutritivo para o bebê e tem digestão mais fácil que o leite em pó. verduras e frutas. embora recebam a quota normal de glicídios. Cozinhe apenas o tempo suficiente para que os vegetais fiquem tenros. Finalmente. que se dissolvem em água. com leite. o que poderá prejudicar sua capacidade de aprendizagem para o resto da vida. Cozinhe as batatas e cenouras com casca e ferva a água antes de colocar nela qualquer vegetal. de preferência. legumes. B12 e niacina). verduras e frutas. provocando diarréias freqüentes. B2. atraso no desenvolvimento mental e infecções no tubo digestivo. a água é importante para a vida. lesões na pele. facilitando a instalação de doenças infecciosas. Cozinhe o vegetal inteiro ou cortado em pedaços grandes. Como vimos. A carência simultânea de proteínas e calorias provoca o marasmo. frutas. Por isso. B6. apresentam deficiências de proteínas. Em ambos os casos. Substitua. É o caso das vitaminas A.

PARTE X Endocrinologia e Reprodução Hormônios são substâncias químicas, produzidas por células especializadas do como, e que atuam sobre outras células, modificando seu metabolismo de maneira específica. Os hormônios são, em geral, moléculas de proteínas ou esteróides. Eles são produzidos por glândulas chamadas endócrinas ou de secreção interna . As glândulas endócrinas lançam sua secreção no sangue e é através da corrente sanguínea que os hormônios atingem as células sobre as quais irão atuar. Embora todas as células do como sejam atingidas pelos hormônios presentes no sangue, apenas alguns tipos celulares são capazes de responder a eles. As principais glândulas endócrinas Hipófise A hipófise, também chamada pituitária, é a glândula responsável pela produção de uma série de hormônios que atuam sobre diversas partes do corpo, inclusive controlando outras glândulas endócrinas. A hipófise é constituída por três partes, ou lobos, os quais produzem hormônios distintos. Os lobos anterior e médio originam-se da epiderme do teto da boca do embrião, ou seja, têm origem epitelial. O lobo posterior da hipófise é uma projeção da base do cérebro (hipotálamo), sendo de origem nervosa. Harmônios da adeno-hipófise Os principais hormônios produzidos pelo lobo anterior da hipófise, também conhecido como adeno-hipófise, estão relacionados a seguir. O harmônio somatotrófico ou hormônio de crescimento, também conhecido pela sigla GH (do inglês Growth Hormone), regula o crescimento geral do corpo. Sua produção excessiva, em caso de disfunção glandular, pode causar o gigantismo. Sua deficiência causa o nanismo. O hormônio tireotrófico ou tireóide-estimulante, também conhecido pela sigla TSH, regula o desenvolvimento e a atividade da glândula tireóide. O hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) regula a atividade da porção mais externa (córtex) das glândulas supra-renais ou adrenais. O hormônio folículo estimulante (FSH) atua sobre os órgãos reprodutivos. Nos machos, estimula a produção de espermatozóides. Nas fêmeas, promove o amadurecimento dos folículos ovarianos, onde estão contidas as células sexuais femininas. O hormônio luteinizante (LH) também atua sobre o aparelho reprodutor. Induz a ovulação e a produção do hormônio progesterona pelos ovários. Nos machos, induz a produção do hormônio testosterona por células especializadas do testículo. O hormônio Iactogênico regula a produção de leite pelas glândulas mamárias dos mamíferos. O lobo mediano da hipófise é pouco desenvolvido nos mamíferos. Nos peixes, répteis e anfíbios, no entanto, ele é responsável pela síntese de um hormônio chamado de intermedina, que atua sobre as células da pele, os cromatóforos, tornando-as mais claras ou mais escuras. Hormônios liberados pela neuro-hipófise A porção posterior da hipófise, conhecida como neuro-hipófise, é responsável pela liberação de dois importantes hormônios produzidos no hipotálamo: a vasopressina e a ocitocina. A vasopressina, também conhecida como hormônio antídiurético (ADH), atua sobre os túbulos dos néfrons renais. Sua ação nos rins dá-se no sentido de aumentar a reabsorção de grande parte da água filtrada nos glomérulos.

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Diabete insípido Uma deficiência de vasopressina ocasiona uma menor reabsorção de água pelos néfrons. Isso faz com que o indivíduo produza uma grande quantidade de urina muito diluída. O indivíduo fica com tendência a desidratação e tem sede exagerada. Esse quadro de sintomas caracteriza o diabete insípido, uma doença causada, portanto, pela insuficiência hipofisária na secreção de ADH. A ocitocina é um hormônio importantíssimo por ocasião do parto. Ela determina as contrações rítmicas da musculatura lisa do útero as quais levam à expulsão do filhote. Ela atua também sobre a musculatura lisa das glândulas mamárias, provocando a expulsão do leite, facilitando assim a amamentação. Tireóide A tireóide é uma glândula localizada na região em frente à laringe. Seus hormônios mais conhecidos são a tiroxina e a diodotironina, substâncias que contêm iodo na sua estrutura. A ausência de iodo na alimentação humana pode levar a tireóide a aumentar muito em tamanho, formando um inchaço no pescoço (papo) chamado bócio. Isso decorre de uma tentativa da glândula de absorver o máximo possível de iodo, necessário á síntese da tiroxina. Bócio endêmico Em certas regiões interioranas do Brasil, a carência de iodo na dieta provoca o aumento da tireóide de vários indivíduos da população. Nesse caso, fala-se em bócio endêmico. A tiroxina regula o metabolismo de praticamente todas as células do corpo. Quando em excesso, ela provoca uma elevação da atividade celular, enquanto sua falta leva a uma diminuição do metabolismo das células. Bócio exoftálmico O hiperfuncionamento da tireóide, conhecido como hipertireoidismo, aumenta de maneira generalizada a atividade corporal. O indivíduo afetado por essa doença é magro, muito agitado e tem grande apetite. Ele pode apresentar um crescimento anormal da glândula (bócio) e olhos arregalados e saltados da órbita (exoftalmia). Esse quadro gerou a denominação de bócio exoftálmico para essa doença. Mixedema e cretinismo O hipotireoidismo ou mixedema é resultante da diminuição da atividade da tireóide. Seus sintomas são o inverso dos do hipertireoidismol A pessoa afetada tende a engordar, ser pouco ativa e apresenta pele fria e ressecada. Quando o hipotireoidismo se manifesta na infância, o indivíduo pode vir a ter retardamento físico e mental, produzindo-se um quadro clínico conhecido como cretinismo. A tireóide produz ainda a calcitonina, um hormônio que atua no metabolismo do cálcio. Seu principal efeito é dificultar a passagem de cálcio dos ossos para o sangue. Como você verá a seguir, a calcitonina exerce um efeito contrário ao do paratormônio, um hormônio produzido pelas paratireóides. Paratireóides Essas glândulas, em número de quatro e localizadas atrás da tireóide, são responsáveis pela produção do paratormônio. Esse hormônio regula o metabolismo do cálcio no corpo. Sua presença na circulação induz a retirada de cálcio dos ossos e dos dentes, mobilizando-o para o sangue. Na sua ausência ocorre o processo inverso, o cálcio passa a se depositar nos ossos e nos dentes, diminuindo sua

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concentração no sangue. A manutenção de uma quantidade normal de cálcio no sangue é de grande importância para o funcionamento do corpo. Esse elemento participa dos processos de contração muscular e transmissão dos impulsos nervosos. Além disso, ele tem papel fundamental na coagulação do sangue. Pâncreas O pâncreas, como já vimos, é um órgão do aparelho digestivo. No entanto, em meio às células que secretam o suco pancreático, existem grupos isolados de células com função endócrina, as chamadas ilhotas de Langerhans. Elas produzem dois importantes hormônios, a insulina e o glucagon. Diabete melito A função mais conhecida da insulina é diminuir a taxa de glicose no sangue circulante, facilitando o seu armazenamento no fígado, na forma de glicogênio. A diminuição da insulina no sangue de um indivíduo, decorrente de uma disfunção do pâncreas, causa o diabete melito. Essa condição faz com que o nível de glicose no sangue aumente e parte desse açúcar passe a ser excretada na urina. A deficiência de insulina tem inúmeras consequências para o organismo. Em alguns casos pode ocorrer o estado de coma diabético, em que ocorre perda de consciência e outras complicações. O glucagon tem ação inversa à da insulina, sendo responsável pela liberação de glicose pelo fígado, e conseqüente elevação da taxa desse açúcar no sangue circulante. Supra-renais Existe uma glândula supra-renal localizada sobre cada rim. A supra-renal apresenta-se formada por duas porções: a mais externa é denominada córtex e a mais interna é denominada medula. Ambas as porções produzem importantes hormônios. O córtex da supra-renal secreta hormônios esturdies conhecidos genericamente como corticosteróides. Os corticosteróides podem ser divididos em três categorias: mineralocor ticóides, glicocorticóides e androgenios. Os mineralocorticóides atuam na manutenção do equilíbrio hidrossalino do corpo, regulando as taxas de sódio, potássio, cloro e a quantidade de água no sangue. Os glicocorticóides atuam na formação de glicose a partir de proteínas e de gorduras. Isso é importante para manter estável a taxa de glicose no sangue pois, nos intervalos grandes entre as refeições, proteínas e gorduras dos tecidos corporais são convertidos em glicose. Os androgênios são hormônios sexuais masculinos, e atuam na produção dos caracteres sexuais secundários. Alterações nos hormônios androgênicos das supra-renais podem resultar em malformação de órgãos genitais masculinos (pênis e escroto mal desenvolvidos) e femininos. Adrenalina O principal hormônio da medula da suprarenal é a adrenalina. Esse hormônio, também conhecido como epinefrina, atua sobre o fígado acelerando a transformação de glicogênio na glicose, a qual é lançada no sangue. Não podemos esquecer que a adrenalina é dos mediadores químicos presentes nas sínteses nervosas, sendo responsável pela passagem do estimulo nervoso nas sinopses entre neurônios do sistema nervoso simpático. A separação da adrenalina no sangue estimula os nervos do sistema nervoso simpático. Sob a ação da adrenalina, os vasos sanguíneos da pele contraem-se -- o que leva á palidez - e o sangue se concentra nos músculos nos órgãos localizados mais internamente, ocorre também taquicardia (aumento do ritmo cardíaco), aumento da pressão arterial e excitação geral do corpo.

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por exemplo). quanto o ataque e a defesa. portanto. com mais produção de gastrina. mais oligopeptidios e mais gastrina. Esse mecanismo de alimentação pelo produto é denominado retroalimentação ou “feedback” positivo. Assim. Há animais que simplesmente lançam seus gametas na água e outros que realizam o ato sexual. A presença de paratormônio no sangue leva ao aumento do teor de cálcio no plasma sanguíneo. hormônio que atua sobre a promoção de suco gástrico. o teor de cálcio também irá diminuir. Ele é o responsável pela produção dos gametas e pela secreção de hormônios que determinam as características sexuais secundárias e controlam inclusive o impulso sexual.efeito inibidor sobre a produção de paratormônio pelas paratireóides.A adrenalina é liberada no sangue em situações de emergência (susto. Esse ajustamento. pela circulação. “realimentada” (embora indiretamente) pelo próprio produto de sua atuação: quanto mais gastrina. Nesses casos. por sua vez. estas serão digeridas e transformadas em oligopeptídios (pedaços protéicos com poucos aminoácidos) A presença de oligopeptídios estimula células especiais da parede do estômago a produzirem o hormônio gastrina. e a regulação do para hormônio. sofre a ação do suco gástrico. assim . Homeostase Mecanismos como esses estão presentes em várias situações do metabolismo animal. ele continuará enquanto houver proteína sendo digerida. Quando um alimento chega ao estômago. o aumento da taxa de glicose no sangue e a maior irrigação dos órgãos internos nos músculos são uma preparação para uma reposta rápida ao estimulo externo. o que é chamado de retroinibição ou “feedback” negativo. fala-se em inibição pelo produto. tem . O maior teor de cálcio.). envolvendo não somente hormônios como também diversos tipos de substâncias e reações químicas. que atua sobre o teor de cálcio no plasma sanguíneo. Reprodução humana 1. Introdução A função primordial do aparelho reprodutor é perpetuar a espécie. que é liberado no sangue. o que aumenta grandemente a chance de a fecundação ocorrer. O mecanismo de “feedback” A produção de gastrina é. visão do alimento. Nesse caso. mastigação etc. Tomemos dois exemplos: a regulação da tarde gastrina. de modo que a concentração desse hormônio no sangue declina. Essa resposta pode tanto ser a fuga. percebemos um interessante mecanismo de auto-regulação das concentrações hormonais no corpo. No caso. Em poucos minutos a gastrina chega. ao estômago. há grande variação nos processos reprodutivos dos vertebrados. Como já estudamos. cessando a inibição sobre as paratireóides que voltam a produzir paratormônio. ou equilibração. onde induz a produção de mais suco gástrico. Se o alimento for rico em proteínas (moléculas polipeptídicas). Neste capítulo centraremos nossa 91 . é o que os biólogos denominam homeostase. Aumenta. Tais mecanismos permitem que o organismo se ajuste tanto às condições do seu ambiente externo quanto ao meio interno de seu corpo. mais suco gástrico. que teve sua produção iniciada pelos estímulos sensoriais pré-refeição (olfato.a digestão de proteínas e conseqüentemente a produção de oligopeptídios. O mecanismo de auto-regulação hormonal Ao analisarmos a atuação de diversos hormônios no controle dos processos metabólicos.

Do testículo parte o epidídimo. internamente. entre as quais destacam-se as espermatogônias .células que darão origem aos óvulos. entre os lábios vaginais. caem na cavidade interna dos túbulos seminiferos e passam a se deslocar em seu interior. em sua porção mais externa. as espermatogônias passam a se multiplicar intensamente e vão se transformando nos espermatócitos primários. dentro de uma bolsa de pele denominada escroto ou saco escrotal.células que darão origem aos espermatozóides. ou de Cowper. como as vesículas seminais. entre as coxas. os gametas masculinos iniciam o batimento de suas caudas. O útero é uma estrutura musculosa e oca. chamados túbulos seminíferos. Os testículos são os órgãos produtores dos espermatozóides. A uretra percorre o pênis e se abre para o exterior em sua extremidade. a próstata e as glândulas bulbo-uretrais. A partir da puberdade. em posição próxima às virilhas. as ovogônias -. origina quatro espermatozóides. útero e vagina.atenção no aparelho reprodutor da espécie humana. que é um canal musculoso que se abre para o exterior. os espermatozóides passam para os epididimos e dai para os canais deferentes. Ativados e nutridos por essas secreções. Estudaremos também os principais mecanismos que garantem a perpetuação de nossa espécie. Eles medem cerca de 5 cm em seu diâmetro maior e apresentam. Além disso. comunica-se com a vagina. Sua porção inferior. um canal enovelado que se prolonga pelo chamado canal deferente. Em seu interior existem milhares de minúsculos tubos. fazem parte desse aparelho diversas glândulas. assim que se formam. Esse canal sai do saco escrotal e penetra na cavidade do corpo. epidídimos. 2. O nome trompa deve-se à sua semelhança com o instrumento musical de mesmo nome. a qual está localizada sob a bexiga. passando por cima da bexiga urinária. No interior dos canais deferentes. As paredes desses túbulos são formadas por diversos tipos de células. Os testículos estão localizados fora da cavidade do corpo. trompas de Falópio. Dos túbulos seminíferos. As trompas de Falópio ou ovidutos são dois tubos que partem das proximidades dos ovários e desembocam no útero. Esse deslocamento é passivo. 3. Cada espermatócito. O escroto está localizado na região do baixo-ventre. Os espermatozóides. Os espermatozóides e o fluido nutritivo secretado pelas glândulas anexas formam o esperma 92 . As glândulas bulbo-uretrais. ocorrendo em função das contrações das paredes dos túbulos e do fluxo do líquido existente em seu interior. Os órgãos reprodutivos humanos Aparelho reprodutor feminino O aparelho reprodutor feminino é constituído pelos ovários. Aparelho reprodutor masculino O aparelho reprodutor masculino é constituído. dai seguindo para o pênis. desembocam na uretra pouco depois de ela sair da próstata. denominada colo uterino. ao sofrer meiose. As vesículas seminais lançam suas secreções nos canais deferentes. pouco antes da união deles com a uretra. eles entram em contato com as secreções das vesículas seminais e da próstata. A uretra passa por dentro da próstata. Os dois ovários da mulher estão localizados no abdome. pelos testículos. com tamanho e forma de uma pêra. canais deferentes e uretra. Os gametas e a fecundação A formação dos espermatozóides O testículo é um órgão globóide revestido por uma cápsula de tecido conjuntivo.

apenas alguns (entre 300 e 400) atingirão a maturidade durante a vida fértil da mulher. Em um ovário humano. Dessa forma. o óvulo pode encontrar milhões de espermatozóides. constituindo o chamado folículo de Graaf. A formação dos óvulos Os ovários possuem. penetra na trompa e passa a se deslocar no interior do oviduto. Ao penetrar no oviduto. Esse processo é chamado ovulação. de onde sobem pelos ovidutos. Acredita-se que um óvulo mantém-se capaz de ser fecundado com sucesso apenas nas primeiras 24 horas após sua liberação pelo ovário. a cada 28 dias. mantêm sua capacidade fecundante no interior do organismo feminino por cerca de 3 dias. A expulsão do esperma é chamada de ejaculação. A sobrevivência dos gametas A fecundação ocorre. um foliculo amadurece liberando seu óvulo. Inicio do desenvolvimento embrionário Ao encontrar o óvulo. em rápido caminho para a plena maturidade física e reprodutiva. atingindo a sua membrana. O óvulo. quando o processo é interrompido pela menopausa. ao ser liberado do ovário. Essas células estão estacionadas nas fases iniciais da meiose e são denominadas ovócitos primários. existem cerca de 400 mil folículos. A fecundação Os gametas masculinos são depositados no fundo da vagina por ocasião do ato sexual. Um espermatozóide consegue então fecundar o óvulo. em geral. 4. 93 . Folículos ovarianos Cada ovócito primário está rodeado por diversas camadas de células foliculares. Na mulher a partir de 11 a 13 anos de idade. Ovulação O folículo em amadurecimento cresce pelo acúmulo de um liquido secretado pelas células foliculares. o corpo do jovem adolescente passa por profundas mudanças. muitas células precursoras de óvulos. aproximadamente. por sua vez. o que bloqueia imediatamente a penetração de qualquer outro. o esperma é expulso por meio de contrações rítmicas da parede uretral. os 50 anos. Daí eles nadam ativamente para o interior do útero. Destes. No clímax do ato sexual. Hormônios envolvidos na reprodução Hormônios sexuais masculinos Na puberdade. no primeiro terço do oviduto. Por volta do 14º dia do início de seu desenvolvimento. o óvulo caminha em direção ao útero. o foliculo maduro rompe-se e liberta o gameta feminino nele contido. aproximadamente. Isso ocorre até.ou sêmen. Os espermatozóides. Esse deslocamento dá-se à custa do batimento dos cílios presentes nas células que recobrem internamente o oviduto e pelas contrações rítmicas de suas paredes. vindo a liberar os ovócitos que contém em seu interior. em sua região mais externa (córtex ovariano). os espermatozóides atravessam a camada de células foliculares que o envolve.

ocorre a produção de espermatozóides (espermatogênese) e a produção e liberação do hormônio teotosterona pelos testículos. um hormônio de importância fundamental no processo reprodutivo. por exemplo. a musculatura desenvolve-se. Sob a ação desse hormônio. juntamente com o FSH hipofisário. pela vagina. Durante esse período. Hormônios sexuais femininos As mulheres apresentam. a hipófise reinicia a produção do FSH. Além disso. são determinados por hormônios da hipófise e do ovário. chamados de ciclos menstruais. os pêlos no rosto e em outras partes do corpo crescem. acentuando o impulso sexual. os folículos do ovário são estimulados a se desenvolver. o lobo anterior da hipófise passa a secretar o hormônio folículo estimulante (FSH). provocando a inibição da produção de FSH e estimulando a liberação do LH. então. Com a regressão do corpo amarelo diminuem 94 . Esse foliculo passa a lançar estrógeno na circulação sanguínea. o desenvolvimento dos seios e o alargamento dos quadris. os estrógenos atuam sobre o sistema nervoso. Sob seu efeito. ocorre a menstruação. O estrógeno atua sobre a hipófise. ainda. A testosterona atua. a queda desse hormônio provoca a regressão daquele órgão. regridem. a taxa de LH está muito alta e ocorre então a ovulação. A progesterona induz o crescimento da parede uterina (endométrio). chamados genericamente de gonadotróficos. Cada ciclo menstrual é contado a partir do 1º dia de menstruação. O aumento do FSH no sangue induz alguns folículos ovarianos a entrarem em processo de amadurecimento. Uma vez iniciados esses processos. e os órgãos genitais completam seu desenvolvimento. ambos liberados pelo lobo anterior da hipófise. o LH atua sobre o foliculo rompido transformando-o em uma estrutura denominada corpo lúteo ou amarelo. Esse efeito prepara o útero para receber um possível embrião que se forme durante o ciclo. ciclos de atividade reprodutora. Esses ciclos. que se torna espessa e bastante irrigada por vasos sanguíneos. tornando mais grave o timbre voz. Uma vez que o desenvolvimento do corpo amarelo é mantido por indução do LH. O homem não experimenta. é responsável pelo rompimento do foliculo maduro e conseqüente ovulação.Hormônios hipofisários gonadotróficos O processo de amadurecimento sexual tem início com a produção do hormônio folículo estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH). As células do foliculo rompido transformam-se no corpo amarelo e passam a secretar progesterona. a partir da puberdade. produzido pela hipófise. A testosterona é responsável pelo aparecimento das características sexuais secundarias masculinas. Um foliculo em desenvolvimento suplanta os demais que. O folículo ovariano em desenvolvimento produz estrógeno. que pode durar de 3 a 7 dias. A menstruação ocorre quando a taxa de hormônios sexuais no sangue se torna baixa. O ciclo menstrual A cada 28 dias. estimula a formação de espermatozóides. sobre o nervoso. determinando o impulso sexual e. o mesmo produzido pelo homem. Esse hormônio é responsável pelo aparecimento das características sexuais secundárias da mulher como. de sangue e resíduos de mucosa uterina. Além disso. eles permaneceram até praticamente o fim da vida do indivíduo. as cordas vocais espessam-se. que é a eliminação. durante a vida fértil da mulher. Esse hormônio induz o crescimento da parede uterina e passa a inibir a produção do LH. ciclos repetidos de atividade reprodutoras. Na puberdade. O corpo lúteo é responsável pela produção da progesterona. O hormônio luteinizante. Sob a ação desses hormônios. como a mulher. Por volta do 14º dia do inicio do ciclo.

é chamado de menopausa. podem ocorrer as trocas entre o sangue do embrião —que circula nas vilosidades -e o sangue materno. o embrião percorre o oviduto em direção ao útero. 95 . Cerca de 4 semanas após a fecundação. Os resíduos da parede uterina. Menopausa A produção dos hormônios sexuais femininos declina significativamente por volta dos 50 anos. no entanto. Enquanto ocorrem os processos de fixação no útero. elas aumentam muito e dão origem a uma estrutura chamada placenta. A partir de uma dada época a placenta passa a produzir progesterona. Ao chegar no útero. enquanto as excreções e o gás carbônico fazem o caminho inverso. que atua sobre o corpo amarelo do ovário. Gravidez e parto O desenvolvimento do embrião Logo após a fecundação. lá chegando após 4 dias. É isso o que evita a descamação da parede uterina quando o corpo amarelo do ovário regride e deixa de produzir hormônios. As vilosidades coriônicas produzem um hormônio. no interior da qual fica mergulhado. quando se encerra a atividade reprodutiva da mulher. Na falta de progesterona e de estrógeno. o embrião penetra na mucosa uterina e passa a lançar projeções que se introduzem entre os tecidos daquele órgão. Na 5 semana. o zigoto começa a sofrer as primeiras clivagens ou segmentações. O alimento passa do sangue materno para o do filho. 5. Seus olhos estão em formação e seu coração começa a funcionar. Essa bolsa cheia de liquido. Esse período. A formação da placenta A partir de uma determinada etapa do desenvolvimento. Aos 7 meses. As trocas entre mãe e filho passam a ocorrer. Essas projeções embrionárias são chamadas vilosidadeo coriônicas. a maior parte das vilosidades coriônicas regride. Aos 5 meses. o embrião. O sangue do embrião é purificado na placenta. A partir de então. Enquanto as clivagens vão ocorrendo. através da placenta. então. constituindo a menstruação. é chamada bolsa amniótica. juntamente com o sangue resultante do rompimento de vasos sanguíneos. o feto humano tem cerca de 20 centímetros e pesa por volta de 500 gramas. o endométrio do útero regride e descarna-se. e já ocorrem contrações de seus músculos. Na 8’ semana. as taxas de hormônios sexuais no sangue estão muito baixas. o embrião continua seu desenvolvimento.as taxas de estrógeno e de progesterona no sangue. até cessarem por completo. que circula nas lacunas. Nas imediações das vilosidades. chamado gonadotrofina coriônica. se porventura ocorrer o nascimento. o feto já está bem desenvolvido e apresenta boas chances de sobrevivência.5 centímetros de comprimento e já possui forma humana: nesse estágio ele passa a ser chamado de feto. com a qual ele se comunica através do cordão umbilical. formam-se lacunas onde passa a circular sangue materno. os ciclos menstruais tornam-se irregulares. Dessa forma. As diversas partes de seu corpo começam a se diferenciar e aparece uma membrana (âmnio) que o envolve totalmente. induzindo-o a produzir mais progesterona. o embrião humano tem perto de 1 centímetro de comprimento. o embrião tem cerca de 2. Por volta do 28º dia do início do ciclo. são eliminados pela vagina. os esboços dos braços e das pernas já são bem evidentes. Na região de sua implantação mais profunda.

William David. A EVOLUÇÃO DO ENCÉFALO AO LONGO DOS VERTEBRADOS FIG. S. 1980 MC ELROY. São Paulo: Editorial Médica Panamericana. O TRANSPORTE DA SEIVA ELABORADA FIG. ESQUEMA DE CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA FIG. Um fato importante que resulta do desprendimento da placenta é a indução da respiração do recém-nascido.O parto O parto. E A FORMAÇÃO DE PULMÕES E DE BEXIGA NATATÓRIA ATRAVÉS DA EVOLUÇÃO FIG.20. A placenta desprende-se da parede do útero e é também expulsa pela vagina.3.5. entra na vagina. H. 96 . Fisiologia e bioquímica da célula. THIER. Nesse momento. 1991 BEVILACQUA. Fisiopatologia: os princípios biológicos da doença.12. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.6. juntamente com o sangue perdido pela ruptura de vasos sanguíneos maternos. Em questão de segundos. São Paulo: Editora Harba. L. Franklyn G. O CO2 produzido pelas células do bebê acumula-se em seu sangue. O APARELHO DIGESTIVO DAS AVES FIG. que se dilata enormemente. ESQUEMA DE CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA FIG. ASPECTO ESQUEMÁTICO DO SISTEMA LINFÁTICO DO HOMEM FIG. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.19. O TRANSPORTE DA SEIVA BRUTA NO VEGETAL FIG.2. São Paulo: Edgar Blücher. BRÂNQUIAS DE PEIXES ÓSSEOS E DE PEIXES CARTILAGINOSOS FIG. 1992 KNOX. pois não há mais como ser eliminado para o sangue da mãe.13. 1969. STUNZI. O.11. O SANGUE DAS VEIAS SOBE PARA O CORAÇÃO GRAÇAS ÀS CONTRAÇÕES DOS MÚSCULOS ESQUÉLITICOS FIG. UM PEIXE PULMONADO. A AÇÃO DA EPIGLOTE IMPEDINDO QUE O ALIMENTO CAIA NO APARELHO RESPIRATÓRIO FIG.8. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. a concentração desse gás na circulação torna-se alta o suficiente para o aparelho respiratório do recém-nascido a começar a funcionar. com a cabeça voltada para baixo.10. Fisiologia médica. O útero sofre contrações rítmicas que empurram o feto para fora dele. Espanha Editora Acribia. O líquido contido na bolsa extravasa pela vagina.4. 1990.14. acontece ao fim do 9º mês de gravidez. cerca de 38 a 40 semanas após à fecundação. O feto. 1988 SMITH. ESQUEMA SIMPLIFICADO DO ENCÉFALO DE VERTEBRADO FIG. Fisiopatologia rural.15. Fisiopatologia veterinária.7. No momento do parto. Fisiologia.17. H.5 quilogramas. 1997 _______. O CORAÇÃO HUMANO FIG. o colo do útero dilata-se e a membrana que envolve o embrião (bolsa amniótica) se rompe. H. Fisiologia humana e mecanismos das doenças.16. ESQUEMA DE CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA FIG. NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO CELULAR FIG. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. PIRAMBÓIA. processo esse que só terminará com a morte do indivíduo. FIG.. o feto humano mede cerca de 50 centímetros de comprimento e pesa por volta de 3 a 3. 2ª edição. ALGUMAS FUNÇÕES E ÓRGÃOS CONTROLADOS PELO CÉREBRO FIG. O APARELHO DISGETIVO HUMANO (E A PARTE DO APARELHO RESPIRATÓRIO) FIG. o cordão umbilical que liga o feto à placenta deve ser cortado. O ESTÔMAGO DOS RUMINANTES BIBLIOGRAFIA AIRES. M. SPORRI. e é conduzido para fora do corpo da mãe.1.18. Fisiopatologia clínica. Nessa época. A PASSAGEM DO IMPULSO NERVOSO ENTRE DOIS NEURONIOS FIG. A DIGESTÃO DO AMIDO NA BOCA FIG. 1989 GUITON.9. como é chamada a expulsão do feto do útero.

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