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Coerência, Texto e Linguística do Texto 02

Coerência, Texto e Linguística do Texto 02

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COERÊNCIA, TEXTO E LINGUÍSTICA DO TEXTO

Coerência e Texto

Quando relacionamos coerência e texto alguns pontos se mostram relevantes e quase sempre se tornam objeto de questionamento pelo interessado no fenômeno da coerência

Tais pontos são:
 


1) Qual a contribuição da coerência para a constituição e existência de um texto? 2) Há sequências linguísticas que não constituem um texto, isto é, que são incoerentes? Ou seja, existe o não-texto? 3) A coerência é uma característica do texto? 4) Há diferentes tipos de coerência para diferentes tipos de textos?

Primeira questão: Qual a contribuição
da coerência para a constituição e existência de um texto?

É a coerência que faz com que uma sequência linguística qualquer seja vista como um texto, porque é a coerência, através de vários fatores, que permite estabelecer relações (sintáticogramaticais, semânticas e pragmáticas) entre os elementos da sequência (morfemas, palavras, expressões, frases, parágrafos, capítulos, etc.), permitindo construí-la e percebê-la, na recepção, como constituindo uma unidade significativa global. A coerência dá origem à textualidade.

Recapitulando COESÃO  A coesão é apenas um dos fatores de coerência. nem suficiente para converter uma sequência linguística em texto. mas não sendo nem necessária. que contribui para a constituição do texto enquanto tal. Coesão não dá textualidade. . representando fatos da face linguística da coerência. Pode ocorrer seqüências sem coesão. quem o faz é a coerência. mas com coerência que lhes dá textualidade e sequências com coesão mas sem coerência.

Exemplos de seqüências sem coesão mas com coerência que lhe dá textualidade  (4) O Show O cartaz O desejo O pai O dinheiro O ingresso O dia A preparação A ida O estádio A multidão A expectativa A música A vibração A participação O fim A volta O vazio pág. 10/11 .

Ouve-se rádio à tarde.Exemplos de seqüências sem coesão mas com coerência que lhe dá textualidade  (7) Corte – Maria Amélia Mello O dia segue normal. Limpa-se em volta. Lá pelas 5 horas. Almoça-se ao meio dia. 9). pág. p. (Miniconto publicado no Suplemento Literário do Minas Gerais nº 686. inicia-se o sempre. Arruma-se a casa. 24/11/79. Cumprimenta-se os vizinhos. ano XIV.14 .

. . . 22 .José Gregório e esposa .João da Silva . pág.Alberto D’Onofrio .Meus irmãos. tias e primos .Cecília Machado . .Exemplos de seqüências sem coesão mas com coerência que lhe dá textualidade  (13) Lista de convidados para festa do meu aniversário .Tios.Tereza Mardin e noivo .

Ugo Giorgetti. a ecoópera de Philip Glass. a aguda inteligência trabalha ao vivo. Romances do tempo em que se perdia a cabeça. Ney Matogrosso. pág. única unanimidade.Exemplos de seqüências sem coesão mas com coerência que lhe dá textualidade  (14) Triste poema para uma mulher criança. O arraso de Magic Slim. Premiação. uma festa de humor bandido. Reflexos de São Paulo em Amsterdã. 22/23 . 20/06/89. Retratos de Cher quando jovem. Tite de Lemos. Diana Pequeno em nova fase canta autores inéditos. Autor que inspirou Machado. Quando o bem sempre triunfava sobre o mal. Estas são algumas das matérias do Caderno 2 de “O Estado de São Paulo”. Duplas feitas e desfeitas. hoje. “Matogrosso”. “Flores”.

Que pão! Doce? de mel? de açúcar? de ló? de ló de mico? de trigo? de milho? de mistura? de rapa? de saruga? de soborralho? do céu? dos anjos? brasileiro? francês? italiano? alemão? do chile? de forma? de bugio? de porco? de galinha? de pássaros? de minuto? ázimo? branco? dormido? duro? sabido? saloio? seco? segundo? nosso de dia? ganho com o suor do rosto? que o diabo amassou? .Exemplos de seqüências sem coesão mas com coerência que lhe dá textualidade  (15) A Eterna Imprecisão da Linguagem Carlos Drumond de Andrade . 23 ..] pág.Uma uva ! Branca? preta? tinta? moscatel? isabel? maçã? japonesa? ursina? mijona gorda? brava? bastarda? rara? de galo? de cão? de cão menor? do monte? da serra? do mato? de mato grosso? de facho? de gentio? de joão pais? do nascimento? do inverno? do inferno? de praia? de rei? de obó? da promissão? da promissão roxa? verde da fábula de La Fontaine? espim? do diabo? [..

25 . pág.Exemplos de seqüências sem coesão mas com coerência que lhe dá textualidade  (16) A: O telefone! B: Estou no banho! A: Certo.

Os tijolos são caríssimos.Exemplo de seqüência com coesão mas sem coerência  (8) João vai á padaria. (Marcuschi. 15 . 1983: 31) pág. A padaria é feita de tijolos. Também os mísseis são caríssimos. Segundo a teoria da Relatividade o espaço é curvo. A geometria rimaniana dá conta desse fenômeno. Os mísseis são lançados no espaço.

não. ponha isso lá fora em qualquer parte. 36/37 .Não ponha junto com as outras. Senão pode vir alguém e querer fazer qualquer coisa com elas.Não..Maria. Millôr.77) pág.Junto com as outras? ..Sim senhora.Aquele de quando choveu? . Ponha no lugar do outro dia. Olha.Que é que você disse a ele? . . o homem está aí. Círculo do Livro. . . .” (Richard Gehman) .Eu disse para ele continuar.]  (Fernandes.Exemplo de seqüência com coesão mas sem coerência (20) A Vaguidão Específica “As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo de vago-específica. Trinta anos de mim mesmo. [. o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo. p.

seja pela discrepância entre os conhecimentos ativados. existe o não-texto?   Beaugrande e Dressler (1981) . que seriam aquelas em que o receptor não consegue descobrir qualquer continuidade de sentido. que são incoerentes? Ou seja.Falam na mesma existência de textos incoerentes.Segunda questão: Há seqüências lingüísticas que não constituem um texto. .Há sequências linguísticas incoerentes. seja pela inadequação entre esses conhecimentos e o seu universo cognitivo. isto é. Marcuschi (1983) juntamente com Fávero e Koch (1985) .

Pois como não há regras de boa formação de textos (como as há para as frases) que se apliquem a todas as circunstâncias e cuja violação. tudo vai depender muito dos usuários do texto (o produtor e principalmente o receptor) e da situação. como na sintaxe das frases. levasse todos ao mesmo veredicto: “é um texto ou não é um texto”. isto é. mas admite que pode ocorrer o tipo de incoerência local e que pode resultar do uso inadequado de elementos lingüísticos. Para Charolles não há o texto incoerente em si. “fizesse unanimidade”. .Afirma que as seqüências de frases não são coerentes ou incoerentes em si. violando seu valor e função.Charolles  Charolles (1987) .

(2) João não foi à aula. pág. entretanto estava doente. (3) A galinha estava grávida.Exemplos desta violação    (1) Maria tinha lavado a roupa quando chegamos. mas ainda estava lavando a roupa. 9 .

todavia ela não fora convidada. pág. todavia porque não fora convidado. É um cavalo árabe puro sangue. d) João foi à festa.Exemplos desta violação  (26) Roberto tem um belo veículo. 44 .) pág. (Cavalo não é hipônimo de veículo e a seqüência aparece como incoerente. 43  (28) b) João foi à festa.

Exemplo: (30) A: Você me empresta seu livro do Guimarães Rosa? B: Hoje eu comi um chocolate que é uma delícia! pág. 46 (32) b) Júlia está com dor de dente. 55 .Charolles  Charolles comenta o fato de muitas vezes se considerar como incoerentes sequências nas quais não há nenhuma marca de relação entre os enunciados e nas quais a relação entre os conteúdos dos enunciados não é aparente. pág. / Dois e dois são quatro.

a fala de B. pode ser vista pragmaticamente como uma recusa por qualquer razão. não tendo ouvido a pergunta. disse algo que deseja contar a A. sem qualquer relação com a fala de A.Explicação : EXEMPLO 30 A/B  Neste exemplo. excluída naturalmente a hipótese de que B. .

Júlia está chupando muito sorvete e picolé.um dentista – conhece bem a situação dos dentes de Júlia (eles estão com várias cáries) num dado momento. O irmão dentista avisa que ela vai ter dor de dentes. então o irmão diz (32b). Certo domingo. . que é uma menina. O produtor de (32b) . significando que Júlia estar com dor de dentes era algo tão certo e esperado quanto dois mais dois ser quatro. mas ninguém se preocupa em fazer a menina parar. À tarde. Imagine a seguinte situação: o produtor de (32b) é dentista e é irmão de Júlia. a menina começa a chorar e reclamar que está com dor de dentes.Explicação : EXEMPLO 32  Neste exemplo podemos estabelecer entre eles uma relação plausível.

Bernárdez  Bernárdez (1982) . propõe que ele se dá em três fases e que. . podem ocorrer falas causadoras de incoerência em determinados casos. em cada uma delas.Ao falar do processo de criação de um texto coerente.

quase só pessoas com problemas psíquicos ou neurológicos incorreriam neste tipo de falha. . mas esse tipo de incoerência dificilmente acontecerá. Para Bernárdez.A)  Primeira fase O produtor do texto tem uma intenção comunicativa. o texto será incoerente. Se ele tiver uma intenção comunicativa impossível para a situação.

compreensível. mas seria incoerente com a intenção comunicativa que devia realizar. mas não estabelecer o paralelo entre as características dos dois. Seja o caso em que se pede a alguém que compare dois fatos. etc.B)  Segunda fase O produtor do texto desenvolve um plano global que lhe possibilite conseguir que seu texto cumpra sua intenção comunicativa. O produtor do texto pode caracterizar só um dos elementos em comparação ou caracterizar ambos. pessoas. Se o produtor projetar mal o seu plano. ou seja. ocorre falha e incoerência. o texto pode até estar coeso. . fenômenos. livros. Neste caso. tenha êxito face a todos os fatores envolvidos.

o recebedor seja capaz de reconstruir ou identificar a intenção comunicativa. de maneira que. As falhas dessa fase afetam diretamente a formulação lingüística.C)  Terceira fase O produtor do texto realiza as operações necessárias para expressar verbalmente o plano global. sendo um texto sem coesão ou com problemas de coesão e/ou “gramaticalmente incorreto” (aqui não no sentido normativo). através das estruturas superficiais. .

mas fazem-na depender dos usuários e da situação (cf. o que Beaugrande e Dressler disseram ser um texto incoerente: aquele em que o receptor não consegue descobrir qualquer continuidade de sentido). criar coerência. receptor) do texto. etc.Pontos relevantes para a resolução da segunda questão   Mesmo os que admitem a existência de textos incoerentes ou de determinadas incoerências locais não colocam a incoerência apenas na sequência linguística. de normas sociais. dependendo da situação. Mesmo fatores normalmente definidores da coerência podem ser violados sem. . da intenção comunicativa. necessariamente. dos usuários (produtor.

Buscará um contexto. Mesmo o texto sendo o mais absurdo. uma situação em que a seqüência dada como incoerente faça sentido e se torne coerente. . constituindo um texto. usando para isso todos os recursos à sua disposição.Pontos relevantes para a resolução da segunda questão   A descontinuidade é até uma condição para a existência do texto como um texto de humor. o receptor (interpretador) fará todo o possível para estabelecer um sentido para a seqüência que recebe. Como está explicitado no exemplo (18). por mais incoerente. sem sentido que ela possa parecer: ele irá construir as relações que não figuram explicitamente no texto.

psicológicas.Também gostaria de saber porque as garotas não me dão bola.Eu queria saber as causas econômicas da Revolução Francesa / e também as causas sociais. morais e religiosas.Professor. como se isto não fosse algo totalmente díspar do que perguntara antes).Pois não. gostaria de lhe fazer algumas perguntas. (RISOS) pág. filosóficas. quase sem tomar fôlego). (o trecho após a barra é falado de enfiada. 32/33  . . (Com entonação natural. . políticas. .Exemplo 18 (18) O aluno se aproxima do professor para lhe pedir alguns esclarecimentos: . -E só isso que você quer saber? ( professor coloca ênfase em só como a fazer uma leve ironia em relação à pergunta do aluno).

passa a manteiga na torrada e lhe oferece. O sol brilhava. pois o telegrama lhe trazia a notícia de que o irmão se enforcara num pé de alface. Esta. de repente começou a chorar. Enquanto esperava. Pássaros cantavam pulando de galho em galho. pelado com a mão no bolso. que lia o jornal. num gesto de amor. absorta em seus pensamentos. passava a mão na faca sobre a mesa como se a acariciasse tendo idéias. Ele se agasta. esperava que lhe servissem o desjejum. O homem cedo. 59 . olha-a com desdém. (Este texto reproduz aproximadamente versão ouvida junto a crianças de Araguari .MG) pág.Texto incoerente  (33) Era meia-noite. sentado à mesa de roupão. enquanto olhava fixamente a esposa sentada à sua frente. buscava consolá-la e calado dizia: a Terra se queixa de que ele ficou impassível. porque não é o irmão dele que vai receber as honrarias. O cego. agarra a faca.

O papel do receptor é fundamental. Nada adianta o texto ser bem elaborado se o receptor desconhece o assunto. Caso contrário. destinatário. será coerente. Sendo assim ele fará o comentário: “Não consegui entender este texto. O texto será incoerente se o seu produtor não souber adequá-lo à situação. levando em conta intenção comunicativa. mas que o texto pode ser incoerente em/para determinada situação comunicativa. objetivos. regras socioculturais. não tem domínio do léxico e/ou estruturas.Análise: Texto incoerente 33    O texto ratifica a conceituação da coerência como um princípio de interpretabilidade e nos leva à posição de que não existe o texto incoerente em si. etc. ele deve estar bem estruturado para poder entender e/ou compreender o texto que está lendo. outros elementos da situação.” . uso dos recursos linguísticos.

. por termos um mau uso extremo do código linguístico. um produtor só faria um texto assim com um propósito. o que é suficiente para torná-lo coerente. Se o produtor de um texto violar em alto grau o uso desses elementos. b) devido à competência lingüística dos usuários da língua é improvável o aparecimento real de um texto com tal nível de violação no uso de elementos lingüísticos. Excetuando casos patológicos em que não teríamos um situação normal. o receptor não conseguirá estabelecer o seu sentido e teríamos um texto incoerente em si.Possibilidade teórica  O mau uso de elementos linguísticos e estruturais cria incoerências no nível local. colocamos esta possibilidade como apenas teórica por duas razões: a) como produtor e recebedor são cooperativos.

1987) está envolvida a manipulação de elementos linguísticos por operações argumentativas (ligadas à intencionalidade) e processos cognitivos realizados entre os usuários do texto. constrói o texto. Nesta atividade (cf. cuja superfície linguística é constituída de pistas que permitem ao receptor calcular o (um) sentido do texto. levando em conta todos os fatores da situação e usando seu conhecimento lingüístico. mas está no processo que coloca texto e usuários em relação numa situação comunicativa. etc. . nem dos usuários do mesmo. de modo que podemos afirmar que a coerência não é nem característica do texto. em função de sua intenção comunicativa. Garrafa.Terceira questão: A coerência é uma característica do texto?   O produtor do texto. estabelecendo sua coerência. de mundo.. através da consideração dos mesmos fatores que o produtor e usando os mesmos recursos.

Diferentes tipos de texto podem diferir quanto ao número e/ou quanto ao tipo de pistas da superfície lingüística que apresentam ao receptor do texto para que ele possa estabelecer o sentido desse texto. como a possibilidade de estabelecer um sentido para uma seqüência lingüística.Quarta questão: Há diferentes tipos de coerência para diferentes tipos de textos?   Coerência: um princípio de interpretabilidade. .

diferentes tipos de texto têm diferentes esquemas estruturais.Quarta questão: Há diferentes tipos de coerência para diferentes tipos de textos?   Na Linguística Textual. que recebem o nome de superestruturas. . As superestruturas ou esquemas textuais – conjunto de conhecimentos sobre os diversos tipos de textos. que vão sendo adquiridos à proporção que temos contato com esses tipos e fazemos comparações entre eles.

descritivos e dissertativos. epopéias. contos. romances. Subtipos: entre os narrativos. Textos poéticos são diferentes dos textos em prosa. crônicas. fábulas. .Quarta questão: Há diferentes tipos de coerência para diferentes tipos de textos?    Textos: narrativos.

estruturas e recursos fonológicos (rima. aliteração. ritmo. eco.). são bem menos usados que os mecanismos por progressão através de manutenção temática e os de sequenciarão por recorrência de termos. entre os mecanismos de coesão referencial. Ainda no mesmo tipo de texto parece que. etc. os por reiteração são mais freqüentes que os de substituição.Quarta questão: Há diferentes tipos de coerência para diferentes tipos de textos?  Textos líricos são diferentes de textos de ficção e dramáticos. . os mecanismos que fazem a coesão sequencial por progressão através de encadeamentos (sobretudo por conexão). Nos textos poéticos do gênero lírico.

Exemplo 4  O Show O estádio A multidão A expectativa A música A vibração A participação O fim A volta O vazio pág. 10/11 O cartaz O desejo O pai O dinheiro O ingresso O dia A preparação A ida .

Foi para o UTC com um grupo de amigos. Após o final. escolhendo uma roupa com que ficasse mais à vontade durante o evento. falou com o pai que lhe deu dinheiro para comprar o ingresso. ficou com muita vontade de assistir à apresentação. no ginásio do Uberlândia Tênis Clube na Getúlio Vargas. que começou com meia hora de atraso. Raul voltou para casa com um vazio no peito pela ausência de todo aquele som. pág.Exemplo 5  O Show Sexta-feira Raul viu um cartaz anunciando um show de Milton Nascimento para a próxima terça-feira. Na terça-feira. dia 04/04/89. Lá havia uma multidão em grande expectativa aguardando o início do espetáculo. às 21h. Mas valeu a pena: a música era da melhor qualidade. Chegando em casa. dia do show. 12 . Raul preparou-se. fazendo todos vibrarem e participarem do show. Por ser fã do cantor. de toda aquela alegria contagiante.

Almoça-se ao meio dia. p. Cumprimenta-se os vizinhos. 24/11/79.Exemplo 7  Corte – Maria Amélia Mello O dia segue normal. pág. Arruma-se a casa. 9). Limpa-se em volta. Ouve-se rádio à tarde. ano XIV. Lá pelas 5 horas.14 . (Miniconto publicado no Suplemento Literário do Minas Gerais nº 686. inicia-se o sempre.

Café preto que nem a preta velha café gostoso. pára o berço onde pousou um mosquito. . E dava um suspiro. E eu não sabia que minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé.. Minha mãe ficava sentada cosendo.Psiu. não acorde o menino. Comprida história que não acaba mais. (Do livro Alguma Poesia) pág... Meu irmão pequeno dormia.  Minha mãe ficava sentada cosendo. que fundo! Lá longe meu pai campeava no mato sem fim da fazenda..Exemplo 34 Infância Carlos Drummond de Andrade Meu pai montava a cavalo. Eu sozinho menino entre mangueiras lia a história de Robinson Crusoé. café bom. 63 No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu chama para o café. olhando para mim? . ia para o campo.

. povo Passa ponte Passa poste Passa pasto Passa boi Passa boiada Passa galho De ingazeira Debruçada No riacho Que vontade De cantar! [.Exemplo 35  Trem de Ferro Manuel Bandeira Oô. 64/65 Café com pão Café com pão Café com pão Virge Maria qie foi isso maquinista? Agora sim Café com pão Agora sim Voa. cerca Ai seu foguista Bota fogo Na fornalha Que eu preciso Muita força Muita força . fumaça Corre... bicho Foge. Foge..] pág.

Exemplo 36  Pássaro em Vertical penas fofas leves plumas mole espuma e um risco surdo n o r t e s u l Libério Neves Cantava o pássaro e voava cantava para lá voava para cá voava o pássaro e cantava de repente um tiro seco (Do livro Pedra Solidão) pág. 66 .

caixas de entrada. níqueis. sapatos. xícara pequena. espátula. documentos. Água. Quadros. vales. Cueca. camisa. calça. água quente.Exemplo 37  Circuito Fechado Ricardo Ramos 1 Chinelos. sabonete. pincel. água.) . maço de cigarros. espuma. Cigarro. gravata. guardanapo. xícara e pires. sabonete. cadeira. pastas. cheques. pente. vaso. Mesa e poltrona. meias. toalha. abotoaduras. relógio. (. fósforo. Pasta. telefone. descarga. relatórios. agenda. carro. canetas. Papéis.. caixa de fósforo. creme dental. Bandeja. prato. bule. paletó. vaso com plantas. água. Pia. lenço. cinzeiro. de saída. cigarro. Jornal. notas. cortina. telefone. papéis. água fria. Carteira.. quadros. cadeiras. espuma. cartas. Escova. copo com lápis. Creme para cabelo. fósforo. talheres. Cigarro e fósforo. papéis. Mesa. gilete. caneta. bloco de notas. creme de barbear. chaves.

relógios. Várias vezes. como o jasmim no muro. os bens da infância. imóveis. paisagens. Mulheres também. Flores e frutos. (. amigos. desvio. de empréstimo. seu registro.. a cada ano. esquecimento e mudança. não a de muito longe nem a de ontem.. chegando e se despedindo. os pés de pau. chamando e seus ecos. Móveis. Luzes. como os seus temas. sua música. terrenos.Continuação EXEMPLO 37 2 Dentes. contando. quem sabe não virão mais. Parentes. Livros. um pouco do ouvido esquerdo e da visão. conversando. roupas. A memória intermediária. do caminho. distância. por morte. cabelos. as romãs encarnadas. do candeeiro ao vaga-lume. do entendimento.) .

Bem. obrigado. Acho que não. Guarde o troco. de carro. com gelo. Este mês. não está pronto.Continuação EXEMPLO 37 3 Muito prazer. Gosto mais assim. pode levar. quer ver o meu saldo? Acho que sim. Por favor. Que bom telefonar. da comum. Creio que não. Penso que sim.. Passe mais tarde. vou até lá. com azul. hoje chovendo. Veja logo a conta. fica para o outro. Vinte litros. Ontem. Desculpe. não. Nas próximas férias. e você? Feitas as contas. ainda não fiz. aquele calor. (. Amanhã eu ligo. sim? É pena mas hoje não posso. foi ótimo. Já.) . Puro. não me lembrei. e digo alguma coisa. agora mesmo estava pensando em você. estava errado.. tenho um jantar.

169 . Um envelope com fotografias. tudo sem horizonte.. Uma lâmpada de cabeceira. Um armário com roupa e sapatos. Uma sombra no chão. depois a rua e os telhados. e nada mais. Um canto de sala e o livro marcado. uma gargalhada. que olha e lembra. Porto Alegre: Editora Globo. haver. Um silêncio por dentro. quando se engarrafam o trânsito.) págs.175 . Uma janela sobre o quintal.. Uma dor de dente. as pessoas. que doem quando chove. 73/74/75 Fonte: Os Melhores Contos Brasileiros de 1973. não aquele álbum. um choro no ouvido. Uma curva de estrada e uma árvore. (. que não duram nem rendem. e todavia muda. os dias. um recorte que permanece. p. um seguro que se desvalorizou. que somente vestem e calçam. Uma cicatriz de operação na barriga e mais cinco invisíveis. uma colcha e os seus retalhos. uma filha. 1974. um filho. uma gaiola de passarinhos.Continuação EXEMPLO 37 4 Ter. um cachorro vermelho. felizmente breves. Um talento para as coisas avulsas.

Pesquisa empírica  Necessidade de pesquisa empírica que permita estabelecer as regularidades básicas da relação entre gêneros e tipos de pistas da superfície linguística e sua frequência em cada um deles. .

calculando sua coerência.Coerência e Lingüística do Texto   O texto como unidade de estudo: Gramática do texto (semelhante à gramática de frases proposta por Chomsky). mas permitir representar os processos e mecanismos de tratamento dos dados textuais que os usuários põem em ação quando buscam interpretar uma sequência linguística. . Teoria do Texto ou Linguística do Texto – princípios e/ou modelos cujo objetivo não é predizer a boa ou má formação dos textos. estabelecendo o seu sentido e. portanto.

Linguística em geral e de alguns ramos em particular – Socio-linguística. Psicolinguística.  . Filosofia. Sociologia.Coerência e Lingüística do Texto O estudo da produção. compreensão e coerência textuais tornou-se um campo inter e pluridisciplinar. Teoria da Computação e Informática. recebendo contribuições da: Psicologia.

O linguista deve fazer “a análise das marcas de relação entre as unidades de composição textual que a língua usa para resolver.Coerência e Lingüística do Texto   O que cabe à Linguística fazer no estudo da produção. o melhor possível. na constituição e composição textuais. compreensão e coerência textuais? Segundo Charolles (1987). qual é a parte e a natureza das determinações que resultam dos diferentes meios que existem nas diferentes línguas. para exprimir a continuidade ou a sequência do discurso”. cabe aos linguistas “delimitar. . Isto para além da generalidade dos processos psico e sociocognitivos que intervêm na interpretação (da coerência) do discurso. os problemas de interpretação que seu uso possa gerar.

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