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José Rabaça Gaspar

Recolha e Organização

José Rabaça Gaspar Recolha e Organização NATAL na ESCOLA RECOLHA de CANÇÕES, poemas, textos DE NATAL

NATAL na ESCOLA

RECOLHA de CANÇÕES, poemas, textos DE NATAL

28/11/1986 - 28/11/1996

1996/97

2

José Rabaça Gaspar

Recolha e Organização

NATAL na ESCOLA

RECOLHA de CANÇÕES, poemas, textos DE NATAL

28/11/1986 - 28/11/1996

1996/97

3

FICHA TÉCNICA título NATAL NA ESCOLA - Recolhas de can- ções, Poemas proposta de animação

FICHA TÉCNICA

título NATAL NA ESCOLA - Recolhas de can- ções, Poemas proposta de animação Comissão do
título
NATAL NA ESCOLA - Recolhas de can-
ções, Poemas
proposta de animação
Comissão do DECÉNIO - 1996/97
organização para
GAT - CONTRA MISÉRIAS, ANOS e
TURMAS
pesquisa e arranjo
JRGaspar e FBorges
local
Escola Secundária João de Barros -
CORROIOS
data
Outubro de 1996
composição, maquetagem e 1ª
impressão
Repografia da Escola Secundária João de Bar-
ros, Corroios
PDF
Corroios, 2008 DEZ

4

PLANO DO TRABALHO de NATAL na ESCOLA

Ficha técnica Plano de trabalho e índice 4 5
Ficha técnica
Plano de trabalho e índice
4
5

lista de CANÇÕES

CANÇÕES TRADICIONAIS DE NATAL

9

Título

Lín-

Origem/ Autor/

Fonte

Pg.

gua

Port. Entrai, Pastores, Popular/Alentejo entrai CPP, MGiacometti, CL, Lx.,1981, 44 aCPP, LGraça, PEA, MMrt. 1974,
Port.
Entrai, Pastores,
Popular/Alentejo
entrai
CPP, MGiacometti, CL,
Lx.,1981, 44
aCPP, LGraça, PEA, MMrt.
1974, 102
10
EtB, I vol., JLD, 2ª ed. ENP, Lx.
1944, 165
Port.
José embala o
Menino
Pop/ Monsanto BB
aCPP, LGraça, PEA, MMrt.
1974, 53
12
Port.
Ó meu menino
Pop/Portalegre BB
EtB, I vol., JLD, 2ª ed. ENP, Lx.
1944, 157
13
Jesus
O Menino está
dormindo
Alegres cantam
os sinos
Eu hei-de dar ao
Menino
Port.
CANTAR - Caderno policp.Guarda, 4ª ed.
1960, 156.
13
Port.
CANTAR - Caderno policp.Guarda, 4ª ed.
1960, 160.
13
Port.
Pop. G. Cartaxo,
Évora, AAlt.
Natal d’Elvas /Arre
burriquito / Olhei para
o Céu
CPP, MGiacometti, CL,
Lx.,1981, 42
CANTAR - Caderno
policopiado Guarda, 4ª ed.
1960, 142
14
15
Port.
Olé, Rapazes
Pop. Figueira da Foz
aCPP, LGraça, PEA, MMrt.
1974, 100
16
Pimpões
Port.
Oh, BENTO
Pop. Paradela Tr.M
aCPP, LGraça, PEA, MMrt.
1974, 101
17
AIROSO
Port.
Ó meu menino
Pop. Minho
Vamos Cantar
,
MTino, Ped.,
18
s/d, 106
Port.
Bem pudera Deus
nascer
Pop.TrM.
Vamos Cantar
,
MTino, Ped.,
18
s/d, 106
Port.
Ai, ó Meu Menino
Jesus
Pop. Beiras
Vamos Cantar
,
MTino, Ped.,
19
s/d, 107
Port.
Ó meu Menino
Pop. Alentejo
Vamos Cantar
,
MTino, Ped.,
19
s/d, 107
Jesus
Assim que nas-
ceu
Port.
adapt. de estr.
CANTAR - Caderno policp. Guarda, 4ª ed.
1960, 190 e 196.
20
Oh! Vinde todos à
porfia
Port.
popular
registo antigo
20

5

Canções de NATAL em Língua estrangeira, a maior parte com tradução ou adapta- ção em Português

21

Glória in excélsis Latim Gregoriano 22 Déo Hódie Chrístus Latim Gregoriano LIBER USUALIS, S. Sedis
Glória in excélsis
Latim
Gregoriano
22
Déo
Hódie Chrístus
Latim
Gregoriano
LIBER USUALIS, S. Sedis
ASRCT, Parisis, Tornaci,
Romae, 1950, 402
LIBER USUALIS, S. Sedis
ASRCT, Parisis, Tornaci,
Romae, 1950, 402
22
nátus est
Adeste Fidelis
Latim
D. João IV
23
Stille Nacht!
Alemão
Tx. J. Mohr (1792-
24
Inglês
1848)
Silent night!
Voici Noël
Francês
Weise: F. Gruber
(1787 - 1863)
DAS GROSSE
WEIHNACHTS BUCH, IN-
TERPRESS VERLAG, HAM-
BURG
Noite Feliz
Port.
Noite de
Paz
The little Drummer
Inglês
???
??
25
Port.
adpt. MTRGaspar
Boy
O pequeno Tambor
White Christmas
Berlim
?
in CD MOVIEPLAY, Natal,
26
?
1995
Natal Branco
A Merry Christmas
A todos um Bom
Natal
Jingle Bells
Inglês
Pierpont
Canções em Inglês do
27
?
Longman Group Ltd. 1. pbl.
Natal, É Natal
Toca o Sino
É
1979
e 6. impr. 1986, nº
63
pequenino
God rest you
merry, Gentlemen
Inglês
Traditional
Canções em Inglês do
Longman Group Ltd. 1. pbl.
28
1979
e 6. impr. 1986, nº
63

Título

Lín-

Origem/

Fonte

Pg.

gua

Autor/

Ale- Tx. E. Anschütz (1780- Oh Tannenbaum Christmas Tree Mon Beau Sapin Ó meu Pinheiro
Ale- Tx. E. Anschütz (1780-
Oh Tannenbaum
Christmas Tree
Mon Beau Sapin
Ó meu Pinheiro de Natal
DAS GROSSE WEIHNACHTS
BUCH, INTERPRESS VERLAG,
29
1861)
mão
u. J.A. Zarnack (1777-
Inglês
1827)
HAMBURG
Fran- Weise: Westfalen um
1800
cês
Port.
(Schlaf’, mein Kindchen)
Lullaby / Berceuse
Canção de Embalar
Noite linda de Natal
WAMozart (1756-
Caderno Musical - Beja???
30
1791)
(Lullaby Berceuse)
JBrahms (1833-
Caderno Musical - Beja???
30
1897)
Lullaby little man
Já nasceu em
Belém
Rudolf, the Red-
Nose Reindeer
Un Flambeau
The First Noel
Sleigh Ride / Santa
Claus is coming to
31
31
31
32

6

Town Alle Jhare Tx. W. Hey 33 (1790-1854) Morgen kommt der Weihnachtsmann Weise: F. Silcher
Town
Alle Jhare
Tx. W. Hey
33
(1790-1854)
Morgen kommt der
Weihnachtsmann
Weise: F. Silcher
(1789 -1860)
Tx. H. von
Fallersleben
DAS GROSSE WEIHNACHTS
BUCH, INTERPRESS VERLAG,
HAMBURG
DAS GROSSE WEIHNACHTS
BUCH, INTERPRESS VERLAG,
HAMBURG
34
(1798-1874);
O du fröhliche
Wolksweise
(trad.)
Tx. J. Falk
DAS GROSSE WEIHNACHTS
BUCH, INTERPRESS VERLAG,
HAMBURG
35
81768-1826)
Kling, Glöckchen
Weise Sizil.
Wolkslied.
Tx u. Weise: B.
Widmann
36
Vom Himmel hoch,
komm ich her
Text und Melodie
von Martin Lu-
ther
DAS GROSSE WEIHNACHTS
BUCH, INTERPRESS VERLAG,
HAMBURG
DAS GROSSE BUCH UNSERER
BELIEBTESTEN VOLKSLIEDER,
37
Falken Verlag, Niedernhausen, 1983,
p. 176
NOËL, NOËL JE CHANTE
PETIT JÉSUS
Fr.
Musique et
38
Paroles: Aida
Bruno Coelho
Les Jouets de Noël
Père Noël, Père
Noël
Le Père Noël
Fr.
39
Fr.
40

Janeiras e Reis

41

Título

Lín-

Origem/

Fonte

Pg.

gua

Autor/

‘Inda agora aqui cheguei CANTAR - Caderno policp. Guarda, 4ª ed. 1960, 162 42 Mal
‘Inda agora aqui
cheguei
CANTAR - Caderno policp. Guarda, 4ª ed.
1960, 162
42
Mal pus o pé nesta esca-
da
‘Inda agora aqui
cheguei
CANTAR - Caderno policp. Guarda, 4ª ed.
1960, 154
42
Já começo a cantar
Em Belém à meia
noite
CANTAR - Caderno policp. Guarda, 4ª ed.
1960, 152
42
CANTAR - Caderno policp. Guarda, 4ª ed.
42
REIS: Viva lá minha
senhora
1960
Janeiras lindas
janeiras
Boas noites, Boas
noites
(Naquela relvi-
nha )
Viva lá
(Naquela relvi-
nha )
Esta noite é de
Janeiras
Esta Noite é de
CANTAR - Caderno policp. Guarda, 4ª ed.
1960, 169
43
Vale de Lobo,
BB
EtB, I vol., JLD, 2ª ed. ENP,
Lx. 1944, 159
44
Valezim,
Sazes, BA
Alegrias Populares, JPPerei-
ra, ed. autor 1967 (Cancio-
neiro da BA), 21
45
Mértola, Beja
CPP, MGiacometti, CL,
Lx.,1981, 46
46
Alt.
Serpa
Cancioneiro de Serpa, M.
46

7

Janeiras Rita O. Pinto Cortez, Ed. CMSerpa, Nov. 1994, 366
Janeiras
Rita O. Pinto Cortez, Ed.
CMSerpa, Nov. 1994, 366
Quem são n’os Três Cavalheiros Serpa Cancioneiro de Serpa, M. Rita O. Pinto Cortez, Ed.
Quem são n’os
Três Cavalheiros
Serpa
Cancioneiro de Serpa, M. Rita
O. Pinto Cortez, Ed. CMSerpa,
Nov. 1994, 368
CPP, MGiacometti, CL,
Lx.,1981, 55
47
Quais foram os
três Cavalheiros
Partiram’nos três
Reis Magos
47
Cabanas,
CPP, MGiacometti, CL,
Lx.,1981, 54
48
Alenquer

Siglas

ASRCT Apostolicae et Sacrorum Rituum Congregationis Typographi aCPP A CANÇÃO POPULAR PORTUGUESA de Fernando Lopes
ASRCT
Apostolicae et Sacrorum Rituum Congregationis Typographi
aCPP
A CANÇÃO POPULAR PORTUGUESA de Fernando Lopes Graça
CL
CPP
CsPP
ENP
EtB
IAC
JLD
MMrt
PEA
Ped.
S.Sedis
CIRCULO DE LEITORES
CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS de Michel Giacometti
CANTARES DO POVO PORTUGUÊS de Rodney Gallop, 1940
EMPRESA NACIONAL DE PUBLICIDADE e depois TORRES & Cta LIVRARIA FERIN
ETNOGRAFIA DA BEIRA de Jaime Lopes Dias
INSTITUTO DE ALTA CULTURA
Dr. Jaime Lopes Dias
Mem Martins
PUBLICAÇÕES EUROPA AMÉRICA
PORTO EDITORA
S. Sedis Apostolicae et Sacrorum Rituum Congregationis Typographi
ASRCT

lista de POEMAS

49

Pg. Título Autor Obra À Encarnação do Ver- Luís de Camões 50 bo Eterno soneto
Pg.
Título
Autor
Obra
À
Encarnação do Ver-
Luís de Camões
50
bo Eterno
soneto CXXXVII
Obras Completas,
Lello & Irmão, Por-
to, 1970, 72
A
Cristo Nosso Senhor
Luís de Camões
Obras Completas,
Lello & Irmão, Por-
to, 1970, 73
50
no Presépio
soneto CXXXVIII
Natal
Fernando Pessoa
Obras Completas
51
É
dia de Natal
Fernando Pessoa
Obras Completas
51
Num meio dia de fim
de Primavera
Alberto Caeiro
Guardador de Reba-
nhos, VIII
52
Natal, e não Dezembro
David M. Ferreira
As Lições do Fogo
57
Natal
Sidónio Muralha
poemas
57
Dia de Natal
António Gedeão
Máquina de Fogo
58
Balada da Neve
Augusto Gil
Luar de Janeiro
60
A
Palavra mais Bela
Adolfo Simões Mül-
ler
60
Presentinho de Natal
Matilde Rosa Araújo
O Livro de Tila
61
Dia de Ano Bom
Eugénio de Castro
Cravos de Papel
61
História Antiga
Miguel Torga
Diário I
62
Presépio
Espínola de Men-
donça
Gerânios
63
Canto de Natal
Manuel Bandeira
63

8

O Menino Brincando Augusto Gil Alba Plena 64 Natal Sidónio Muralha Poemas 65 Natal Manuel
O Menino Brincando
Augusto Gil
Alba Plena
64
Natal
Sidónio Muralha
Poemas
65
Natal
Manuel Sérgio
65
Romance do Menino -
Deus
Romance Popular
66
Outros textos escolhidos e/ou
escritos por professores e
alunos

9

10

10

Do Natal se fez amor com cânticos à mistura; nasceu Cristo, o Redentor, filho da virgem mais pura.

in medalha alusiva ao NATAL 94 Escultura de Alves André, Poema de Baltazar Emissão - MEDALPRATA

alusiva ao NATAL 94 Escultura de Alves André, Poema de Baltazar Emissão - MEDALPRATA CANÇÕES TRADICIONAIS

CANÇÕES TRADICIONAIS DE NATAL

alusiva ao NATAL 94 Escultura de Alves André, Poema de Baltazar Emissão - MEDALPRATA CANÇÕES TRADICIONAIS
alusiva ao NATAL 94 Escultura de Alves André, Poema de Baltazar Emissão - MEDALPRATA CANÇÕES TRADICIONAIS

11

12

in Cancioneiro Popular Português de M. Giacometti (colb. F.L. Graça) Círculo de Leitores, Lisboa, 1981, p. 44

in Cancioneiro Popular Português de M. Giacometti (colb. F.L. Graça) Círculo de Leitores, Lisboa, 1981, p.

13

ENTRAI, PASTORES, ENTRAI

(Popular com letras de várias regiões)

Entrai, pastores, entrai, Por este portal a dentro; Vinde adorar o Menino, No seu santo nascimento.

Entrai, pastores, entrai, Por este portal sagrado; Vinde adorar o Menino, Numas palhinhas deitado.

Pastorinhos do deserto Todos correm para o ver; Trazem um e mil presentes, Para o Menino comer.

Ó meu Menino Jesus,

Convosco é que eu estou bem;

Nada deste mundo quero, Nada me parece bem.

Ó meu Menino Jesus,

Ó meu Menino tão belo, Só vós quisestes nascer Na noite de caramelo!

Alegrem-se os céus e a terra, Cantemos com alegria, Já nasceu o Deus Menino Filho da Virgem Maria.

14

15

in A Canção Popular Portuguesa, Fernando Lopes Graça, Publicações Europa América, Mem Martins, 1974, p. 53

in A Canção Popular Portuguesa, Fernando Lopes Graça, Publicações Europa América, Mem Martins, 1974, p. 53
in A Canção Popular Portuguesa, Fernando Lopes Graça, Publicações Europa América, Mem Martins, 1974, p. 53

16

JOSÉ EMBALA O MENINO (Canção de embalar e Natal, Mon- santo - BB)

O

MENINO ESTÁ DORMINDO

O

Menino está dormindo

 

Nas palhinhas deitadinho (despidi-

José embala o Menino Que a mãezinha logo vem Foi lavar os teus paninhos à fontinha de Belém

nho). Os Anjos lhe estão cantando:

“Por amor tão pobrezinho!”

 

O

Menino está dormindo

Ó Ó, ó ó, Ó Ó

Nos braços de S. José. Os Anjos lhe estão cantando:

Vai-te embora passarinho Das agulhas do pinheiro Deixa dormir o Menino Um soninho por inteiro.

“Gloria tibi, Domine!”

O

Menino está dormindo

Nos braços da Virgem pura. Os Anjos lhe estão cantando:

Vai-te embora passarinho Da beirinha do telhado Deixa dormir o Menino Um soninho descansado.

“Hossana, lá na altura!”

O

Menino está dormindo

Um sono de amor (muito) profun-

Vai-te embora passarinho, Deixa a baga do loureiro, Deixa dormir o Menino, Que está no sono primeiro.

do. Os Anjos lhe estão cantando:

“Viva o Salvador do Mundo!”

ALEGRES CANTAM OS SINOS

Ó MEU MENINO JESUS

 

Alegres cantam os sinos Nesta noite de Natal

(Beira Baixa in Etnografia da Beira, I vol., Jaime Lopes Dias, Empresa Nacional de Publicidade, 2ªed., Lisboa, 1944, 157.

Ó Alegrem-se os céus e a terra,

meu Menino Jesus!

Ó

meu Menino tão belo!

Em que Jesus veio ao Mundo Para nos livrar do Mal.

Vinde, pastores correi a Belém, Ver, na lapinha, Jesus, nosso Bem. Vinde adorar o Menino Vinde todos a Belém.

Logo vieste a nascer Na noite do caramelo.

Cantemos com alegria, Que já nasceu o Menino Filho da Virgem Maria

Ó

meu Menino Jesus!

Todos os filhos dos ricos Dormem em lençóis

Convosco é que eu ‘stou bem! (leito) doirado/s

Glória a Deus nas Alturas, Estão Anjos a cantar; Vinde adorar o Menino Que nasceu p’ra nos salvar.

Ó meu Menino Jesus, Nascidinho na pobreza, Tomai posse da minha alma Que é toda a minha riqueza.

Nada deste mundo quero, Nada me parece bem.

Só vós, meu Menino Jesus, Numas palhinhas deitado.

Entrai, pastores, entrai Por esse portal sagrado, Vinde a adorar o Menino Numas palhinhas deitado.

Entrai ,pastores , entrai Por esses portais adentro, Vinde a adorar o Menino No seu santo Nascimento.

Todos os filhos dos ricos Têm belos travesseiros, Só vós, meu Menino Jesus, Preso a esse madeiro.

De quem são as camisinhas Que a Senhora está a lavar? São do Menino Jesus Qu’inda está por baptizar.

madeiro. De quem são as camisinhas Que a Senhora está a lavar? São do Menino Jesus
madeiro. De quem são as camisinhas Que a Senhora está a lavar? São do Menino Jesus

17

madeiro. De quem são as camisinhas Que a Senhora está a lavar? São do Menino Jesus

in Cancioneiro Popular Português de M. Giacometti (colb. F.L. Graça) Círculo de Leitores, Lisboa, 1981, p.42

in Cancioneiro Popular Português de M. Giacometti (colb. F.L. Graça) Círculo de Leitores, Lisboa, 1981, p.42

18

EU HEI-DE DAR AO MENINO

Eu hei-de dar ao Menino uma fita, uma fita pr’ó chapéu Também Ele nos há-de dar um lugar, um lugarzinho no Céu.

Não façam bulha ao Deus Menino, não o acordeis, que está dormindo, que está dormindo; em de O brindar com algum mimo, dêem-lhe leite, que é pequenino, que é pequenino.

Outras letras Eu hei-de dar ao Menino Cinco pedras preciosas:

Cada pedra, cinco quinas Cada quina, cinco rosas.

No seio da Virgem Maria Encarnou a Divina Graça, Entrou e saiu por Ela, Como o sol pela vidraça.

(outras variantes, conhecidas como:

NATAL D’ELVAS)

Eu hei-de dar ao Menino Uma fitinha p’ró chapéu. Também Ele me há-de dar Um lugarzinho no céu.

Ai, o Menino que nasceu Da Virgem cheia de graça Entrou e saiu por ela Como o sol pela vidraça.

Ai, Três palavras disse a Virgem, Ai, quando nasceu o Menino:

Ai, vinde cá meu anjo loiro, (d’Oiro) Meu Sacramento Divino!

Esta calçadinha Vai dar a Belém, Vai fazer a paz Com quem anda a mal Com quem anda a mal, Anda agora a bem Esta calçadinha Vai dar a Belém.

Arre burriquito Vamos a Belém, A ver o Menino Que a Senhora tem, Que a Senhora tem, Que a Senhora adora, Arre burriquito, Vamo-nos embora.

Olhei para o Céu Estava estrelado, Vi o Deus Menino Em palhas deitado, Em palhas deitado Em palhas ‘stendido (‘squecido)

19

Filho duma Rosa, Dum Cravo nascido.

20

in A Canção Popular Portuguesa, Fernando Lopes Graça, Publicações Europa América, Mem Martins, 1974, p.100

Publicações Europa América, Mem Martins, 1974, p.100 OLÉ RAPAZES PIMPÕES 1 Olé, rapazes pimpões, Cantemos à

OLÉ RAPAZES PIMPÕES

1

Olé, rapazes pimpões, Cantemos à desgarrada, Para alegrar o Menino, Mai’la sua Mãe sagrada.

2

Mai’la sua Mãe sagrada, Acabastes de cantar; Lembraste bem, ó rapaz, Atrás não hei-de ficar.

3

Atrás não hei-de ficar, Não, decerto, a ninguém, Faria triste figura Junto à lapa de Belém.

4

Junto à lapa de Belém Grande alegria tivemos, Vamos p’rós nossos casais Gabar-nos do que fizemos.

21

in A Canção Popular Portuguesa, Fernando Lopes Graça, Publicações Europa América, Mem Martins, 1974, p.101

Publicações Europa América, Mem Martins, 1974, p.101 OH, BENTO AIROSO 1 Oh, bento airoso, Mistério Divino,

OH, BENTO AIROSO

1

Oh, bento airoso, Mistério Divino, Encontrei a Maria À beira do rio, (E) Lavando os cueiros Do bendito Filho.

2

Maria lavava, S. José estendia, O Menino chorava, C’o frio que fazia.

3

Calai, meu Menino, Calai, meu amor, (É) que as vossas verdades Me matam com dor.

22

, Porto Editora, Porto, s/d, p. 106.

in Vamos Cantar!

Manuel Tino,

, Porto Editora, Porto, s/d, p. 106. in Vamos Cantar! Manuel Tino, 23

23

, Porto Editora, Porto, s/d, p. 107.

in Vamos Cantar!

Manuel Tino,

, Porto Editora, Porto, s/d, p. 107. in Vamos Cantar! Manuel Tino, 24

24

ASSIM QUE NASCEU

ASSIM QUE NASCEU Assim que nasceu, Jesus acampou E à luz das estrelas Uma voz soou:

Assim que nasceu, Jesus acampou

E à luz das estrelas Uma voz soou:

UÁÁ ÁÁ UÁÁ ÁÁ

Maria a senhora Seu filho embalou

E à luz das estrelas Uma voz soou:

UÁÁ ÁÁ UÁÁ ÁÁ

OH! VINDE TODOS À PORFIA CANTAR UM HINO DE LOUVOR HINO DE PAZ E DE ALEGRIA (HARMONIA) QUE OS ANJOS CANTAM AO SENHOR:

Les Anges dans nos campagnes Ont entonné l’hymne des Cieux Et l’écho de nos montagnes Redit ce crit mélodieu:

GLÓRIA IN EXCÉLSIS DEO GLÓRIA IN EXCÉLSIS DEO

25

CANÇÕES TRADICIONAIS DE NATAL em língua estrangeira muitas delas com tradução ou adap- tações em

CANÇÕES TRADICIONAIS DE NATAL em língua estrangeira muitas delas com tradução ou adap- tações em português

CANÇÕES TRADICIONAIS DE NATAL em língua estrangeira muitas delas com tradução ou adap- tações em português
CANÇÕES TRADICIONAIS DE NATAL em língua estrangeira muitas delas com tradução ou adap- tações em português

26

Benedictus Dominus…

Benedictus Dominus… GLÓRIA IN EXCÉLSIS DEO (In Liber Usalis - Matinas de Natal) in Liber UsualisS.

GLÓRIA IN EXCÉLSIS DEO

(In Liber Usalis - Matinas de Natal) in Liber UsualisS. Sedis, ASRTC, PARISIS, TOMACI, ROMAE, 1950, 402.

UsualisS. Sedis, ASRTC, PARISIS, TOMACI, ROMAE, 1950, 402. Glória in excélsis Deo, et in terra, pax

Glória in excélsis Deo, et in terra, pax homínibus bónae voluntatis, Alleluia, Alleluia!

in Liber UsualisS. Sedis, ASRTC, PARISIS, TOMACI, ROMAE, 1950, 413.

UsualisS. Sedis, ASRTC, PARISIS, TOMACI, ROMAE, 1950, 413. Hodie Chrístus nátus est: hódie Salvátor appáruit:

Hodie Chrístus nátus est: hódie Salvátor appáruit: hódie in térra cánunt Angeli, laetántur Archángeli: hódie exsúltant jústi, dicéntes:

GLÓRIA IN EXCÉLSIS DÉO, ALLELÚIA

27

ADESTE, FIDELES (atribuída a D. João IV)

Adeste, fideles, laeti triunfantes venite, venite in Bethelem. Natum videte regem angelorum. Venite adoremus Dominum.

Adeste, fideles, laeti triunfantes venite, venite in Bethelem. Natum videte regem angelorum. Venite adoremus Dominum. 28

28

in

DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG,

,p

GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG, ,p SILENT NIGHT STILLE NACHT (Text: J. Mohr (1792-1848)

SILENT NIGHT

STILLE NACHT

(Text: J. Mohr (1792-1848) Weise: F. Gruber (1787 -

1863)

Silent night, holy night! All is calm, all is bright, Round you Virgin Mother and Child. Holy Infant, so tender and mild, Sleep in heavenly peace, Sleep in heavenly peace.

Stille Nacht! Heilige Nacht! Hirten erst Kind gemacht Durch den Engel. Halleluya Tont eslaut von fern und nach:

Christ der Retter ist da! Christ der Retter ist da!

Silent night, holy night! Shepherds first saw the light, Heard resounding clear and long, Far and near, the angel song:

Stille Nacht! Heilige Nacht! Gottes Sohn, o wie lacht Lieb aus deinem götlichen Mund, Da uns schlägt die rettende Stund, Christ, in deiner Geburt! Christ, in deiner Geburt!

Christ the Saviour is here, Christ the Saviour is here.

NOITE FELIZ

NOITE DE PAZ Noite de Paz, Noite de Luz

Noite feliz, Noite feliz!

O

Senhor, Deus de Amor,

Em Belém, nasceu Jesus Cantam os Anjos canções de louvor Cantam pastores um hino de Amor Brilha a Estrela da Paz.

Pobrezinho nasceu em Belém, Eis na lapa Jesus nosso bem! Dorme em paz, ó Jesus! Dorme em paz, ó Jesus!

Noite feliz, Noite Feliz!

VOICI NOËL Voici Noël! Oh, douce nuit!

Ó

Jesus, Deus de luz,

L’étoile est lá, qui nous conduit. Allons, donc, tous avec les Mages Porter à Jesus nos hommages,

Quão amável é teu coração

Que quiseste nascer nosso irmão

E

a nós todos salvar!

Car l’Enfant nous est né,

E

a nós todos salvar!

Le Fils nous est donné. Oh! Douce nuit! Oh! Douce nuit! Tout s’endort à minhuit Mais dans le ciel sans voile a paru une étoile Pour guider les bergers Jusqu’à l’Enfant qui est né.

Noite de Paz, noite de Amor, Tudo dorme em redor, Entre os astro que espargem a luz, Indicando o Menino Jesus, Brilha a Estrela da Paz. Brilha a Estrela da Paz.

29

THE LITTLE DRUMMER BOY O PEQUENO TAMBOR   em inglês: ??? em português, trad/adapt. de
THE LITTLE DRUMMER BOY O PEQUENO TAMBOR   em inglês: ??? em português, trad/adapt. de
THE LITTLE DRUMMER BOY O PEQUENO TAMBOR   em inglês: ??? em português, trad/adapt. de

THE LITTLE DRUMMER BOY

O

PEQUENO TAMBOR

 

em inglês: ???

em português, trad/adapt. de Teresa Rabaça

Come, they told me, poropompom our new-born King to see, poro- popompom our finest gifts we bring, poro- popompom to lay before the King, poropopom- pom ropopompom, ropopompom

O

caminho que leva a Belém

Chega a um vale que a neve

cobriu

Os pastorinhos querem ver o seu Rei Levam presentes e o Menino

sorriu

Ra ca ta plan, Ra ca ta plan

So to honour Him, poropopompom

nasceu num portal de

Belém

when we come Baby Jesus, poropopompom I am a poor boy too, poropopompom

I have no gift to bring, poropopom- pom that's fit to give a King, poropopom- pom ropopompom, ropopompom Shall I play for Him, poropopompom

Menino Deus Eu queria deixar a Teus pés Algum presente que Te agra- de, Senhor, Mas tu bem sabes que eu sou pobre também

Não tenho mais do que este velho tambor Ra ca ta.plan, Ra ca ta plan Para Te honrar, junto ao por- tal tocarei Com meu tambor.

on my drum. May nodded, poropopompom

À

entrada, envergonhado,

parei

the ox and lamb kept time, poro- popompom I played my drum for Him, poro- popompom I played my best for Him, poro- popompom ropopompom, ropopompom

Vi

S. José embalando o meu

Senhor

A

Virgem Mãe acenou-me, eu

avancei

Toquei alegre um lindo canto

de Amor:

Ra ca ta plan, Ra ca ta plan

Then He smiled to me, poropompom

Quando Deus me viu tocar para Ele Sorriu também Sorriu-me a mim

 

poropompom

poropompom me and my drum

E

ao meu tambor.

30

WHITE CHRISTMAS (Berlim)

NATAL DE BOAS FESTAS

I'm dreaming of a white Christ- mas just like the ones I used to know where the tree tops glisten and children listen to hear sleigh bells in the snow.

Natal, que magia tens

Natal, que minha infância faz lem-

brar

 

Um pinheiro a vergar, de neve a

brilhar,

Natal, branco e sempre igual

I'm dreaming of a white Christ- mas with every Christmas cards I write may your days be merry and bright and may all your Christmas be white.

Christ- mas with every Christmas cards I write may your days be merry and bright and

Vem duma ermida além

A

voz dum novo sino a repicar

há mais fé e há mais esperança em nós

E

há mais paz e alegria em cada lar.

E

É

NATAL!!! É NATAL!!!

(Letra in CD “As mais bonitas canções de Natal” Movieplay, Natal 95)

Eu sonho com um Bom Natal Branco de neve onde ela houver

Mas que seja um dia em que a ale-

gria

 

NATAL BRANCO Natal, branco e sempre igual Natal, que minha aldeia faz lem- brar, Um pinheiro a vergar, de neve a brilhar Natal, branco e sempre igual.

Nos dê a prenda de Viver.

Eu sonho com um Bom Natal Com Boas Festas a dizer Que esse dia sem Mal, vai ser um Natal P’ra não mais ‘squecer.

A MERRY CHRISTMAS We wish you a Merry Christmas We wish you a Merry Christmas We wish you a Merry Christmas And a Happy New Year.

A

TODOS UM BOM NATAL

Good tidings to you Wherever you are Good tidings for Christmas And happy New Year.

 

A

todos um Bom Natal

A

todos um Bom Natal

A

todos um Bom Natal

 

E

Feliz Ano Novo.

Good tidings we bring To you and your Kind We whish you a Merry Christmas And a happy New Year.

 

31

in Canções em Inglês do LONGMAN GROUP Ltd., First published 1979, sixth 1986., p.63

LONGMAN GROUP Ltd., First published 1979, sixth 1986., p.63 JINGLE BELLS TOCA SINO É NATAL, É

JINGLE BELLS

TOCA SINO

É

NATAL, É NATAL

(in “MOVIEPLAY” Natal 95) Pe’lo caminho eu vou Caminho de brincar

O

sol tem mais luz

Dashing through the snow in a one-horse open sleigh, o'er the fields we go, laughing all the way; bells on bob-tail ring, making spirits bright, what fun it is to ride and sing, this sleighing song tonight!

O

dia rompeu

nasceu Jesus

O

sino tocou

Que veio do céu.

O

Natal ‘stá a chegar

Cantamos um hino

O

galo cantou

Cheios de alegria

‘Stá quase a amanhecer Vou depressa vou Que não há tempo a perder.

Glória ao Deus Menino

E à Virgem Maria.
É

Natal, É Natal

 

Toca o sino pequenino

Haja Paz e Amor

Jingle bells! jingle bells! jingle all the way! oh! what fun it is to ride in a one-horse open sleigh!

E

toda a gente a ouvir

É

Natal, é Natal

Ai

que bom, ir p’lo caminho

Nasceu o Senhor!

Com gente a sorrir. Dias a sonhar

É

Natal, é Natal

Noite santa e fria

C’o a manhã que vai nascer

É

Natal, é Natal

E

a hora de dar-me

Noite de Alegria!

 

Esta prenda de Te ver

É

Natal, é Natal

P’lo caminho eu vou C’o sino a tocar Sininhos de luz,

P’lo caminho eu vou C’o sino a tocar

Sininhos de luz,

É

Natal, é Natal

O

tempo voou

nasceu Jesus.

eu ‘stou quase a chegar. Vou com mais de cem Tão depressa quis andar Que escorreguei Numa curva de luar Mas não te perdi No caminho de brincar

E

Toca o sino, pequenino,

Sino de Belém

 

nasceu o Deus Menino

Para nosso Bem! Paz na Terra, pede o sino

Para nosso Bem! Paz na Terra, pede o sino

Alegre, a cantar, Abençoa, Deus Menino

 

E

cheguei aqui

Este nosso lar.

Mesmo a tempo de cantar.

32

in Canções em Inglês do LONGMAN GROUP Ltd., First published 1979, sixth 1986., p.61

in Canções em Inglês do LONGMAN GROUP Ltd., First published 1979, sixth 1986., p.61 33

33

OH TANNENBAUM!

in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG,

, p

DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG, , p OH TANNENBAUM! (Text: E. Anschütz (1780 -

OH TANNENBAUM!

(Text: E. Anschütz (1780 - 1861) und J. A. Zarnack (1777 - 1827) Weise: Westfalen um 1800)

Oh Tannenbaum! Oh Tannenbaum! Wie grün (treu) sind deine Blätter! Du grünst nicht nur zur Sommerzeit, Nein, auch im Winter, wenn es schneit Oh Tannenbaum! Oh Tannenbaum! Wie grün sind deine Blätter!

CHRISTMAS TREE Oh, Christmas tree, Oh, Christ- mas tree, How lovely are your branche! In Summer sun, or Winter snow, A dress of green, you always show. Oh, Christmas tree, Oh, Christ- mas tree, How lovely are your branche!

MON BEAU SAPIN

PINHEIRO DE NATAL (In “Movieplay” Natal 95)

O

meu Pinheiro de Natal

Mon beau sapin, roi des forêts, Que j’aime ta verdure! Quand, par l’hiver, bois et guérets Sont dépouillés de leurs attraits, Mon beau sapin, roi des forêts, Tu gardes ta parure!

Todo enfeitado de luz Celebra em jeito de abraço

O

Nascimento de Jesus

O

meu Pinheiro de Natal

Todo enfeitado de luz.

O

meu Pinheiro de Natal

Mon beau sapin, roi des forêts, Que j’aime ta parure! Si j’ai grandi, je peux rêver Aux beau Noëls de mon passé. Mon doux sapin, roi des forêts, Que j’aime ta verdure! Mon doux sapin, rempli de joies Je garde ton image:

Tem uma estrela a brilhar Tem um Menino a sorrir

E

tem um Anjo a cantar

O

meu Pinheiro de Natal

Tem uma Estrela a brilhar.

O

meu Pinheiro de Natal

Todo enfeitado de cor

Celebra em jeito de abraço

O

Nascimento por Amor

Tout scintillant dans ton éclat Tu es symbole et tu es roi Mon doux sapin tu chanteras Pour tous les enfants sages.

Mon beau sapin, roi des forêts, Autour de toi, la ronde! Chante Noël, la liberté, Chante l’amour, la joie d’aimer. Tous les Noëls, reviens fêter La douce nuit du monde.

O

meu Pinheiro de Natal

Todo enfeitado de cor.

PINHEIRO VERDE Pinheiro verde de Natal Teu verde é esperança de Viver! Com neve fria ou sol de Verão Tu és esperança de viver Pinheiro verde de Natal Teu verde é esperança de Viver!

34

(SCHLAF’, MEIN KINDCHEN, SCHLAF’ EIN!) Wolfgang Amadeus Mozart - 1756 - 1791

CANÇÃO DE EMBALAR

NOITE LINDA DE NATAL

Dorme depressa, meu bem, No teu bercinho tão lindo, Que as rosinhas também, No jardim estão dormindo

Noite linda de Natal, Em que até a natureza Veste seu manto real, Tecido com tal beleza!

As estrelinhas do céu

Céu polvilhado de luz,

No mar se vão reflectir,

Anunciando nos vem:

E

a lua, que já nasceu,

Natal de Amor que seduz

Seu caminho vai seguir

e

mil mistérios contém

 

E

eu

Jesus Nasceu lá, em Belém

Te quero ver dormir

Dormem as ervas do monte

Na gruta silenciosa

E

as pedras do caminho

De tão estrema pobreza Qual tela maravilhosa,

Dormem as águas da fonte

E

as velas do moinho

Palco de tanta grandeza!

O

sol já se foi deitar,

Um milagre se produz:

Os passarinhos também Está tudo a descansar,

e

Maria, Virgem Mãe,

No seu filho nos traduz

já não brinca ninguém Nanar, Nanar, tu vais meu bem!

E

O

amor que o mundo tem Jesus

Nasceu lá, em Belém

LULLABY BERCEUSE Johannes Brahms, 1833 - 1897

JÁ NASCEU EM BELÉM

Já nasceu em Belém

Lullaby little man you ‘re a child of adventure, Put your dragons out of sight, Mommie’s watching you tonight. Now that you had your fun, And the day is all done, All the battles are won, Little man, little son. Lullaby and good night, Little girl off to dreamland, As you journey a star, Daddy’s watching from afar. When the shines a new And the stars bid adieu, Harry back ingenue Daddy’s waiting for you.

O

Menino Jesus.

Que candura Ele tem, Que a todos seduz.

Há canções pelo ar, Num murmúrio de amor, Corações a cantar, Louvam Deus Salvador.

Lá no céu, a brilhar Uma estrela com luz, Vai os Magos guiar Até junto a Jesus.

35

Rudolf, The Red-Nose Reindeer

UN FLAMBEAU

Rudolf the red-nose reindeer Had a very shiny nose And if you ever saw it You would even say it glows like a light bulb

Un flambeau, Jeannette, Isabelle, Un flambeau, courons au berceau

All of the other reindeer Used to laugh and call him names like Pinocchio

Then one foggy Christmas Eve Santa come to say Oh, Oh, Oh, Rudolf with your nose so bright Won’t you guide my sled tonight

Then all reindeer loved him As they shouted out with glee yupee! Rudolf the red-nose reindeer, You’ll go down in history.

C’est Jésus, bonnes gens du hameau Le Christ est né, Marie ap- pelle

Ha! Ha! Ha! Que la Mère est belle! Ha! Ha! Ha! Que l’enfant est beau

C’est un tort, qund l’enfant sommeille, C’est un tort de crier si fort Taisez vous, l’un et l’autre, d’aberd, Au moindre brut, Jésus s’eveiille Chut! Chut! Chut! il dort à merveille Chut! Chut! Chut! Voyez comme il dort

The First Noel

The First Noel

The first Noel The Angel did say Was to certain poor shepherds in filds as they lay; In fields where they Lay keepeing their sheep, On a cold Winter night That was so deep

Noel, Noel, Noel, Born is the King of Israel!

Lay keepeing their sheep, On a cold Winter night That was so deep Noel, Noel, Noel,
Lay keepeing their sheep, On a cold Winter night That was so deep Noel, Noel, Noel,

36

Lay keepeing their sheep, On a cold Winter night That was so deep Noel, Noel, Noel,
SLEIGH RIDE / SANTA CLAUS IS COMING TO TOWN Just see those sleigh bells dingle

SLEIGH RIDE / SANTA CLAUS IS COMING TO TOWN

Just see those sleigh bells dingle and ring ting-a-ling-aling- too, Come on it’s lovely weather for a slegh-ride together with you. Outside the snow is falling and friends are calling you, Come on it’s lovely weather for a sleigh-ride togeher with you.

Our cheeks are nice and rosy and comfy and cosy are we, We’re snuggled up together like birds of feather would be. Let’s take the road before us and sing a chorus or two, Come on it’s lovely weather for a slegh-ride together whit you.

You better watch out, you better not cry, Better not pout, I’m telling you why, Santa Claus is coming to town.

He’s making a list and checking it twice Gonna find out who’s naughty and nice, Santa Claus is coming to town.

OH! You’d better watch out, you’d better not cry, Better not pout, I’m telling you why, Santa Claus is coming to Town!

37

ALLE JHARE

in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG,

, p

ALLE JHARE in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG, , p 38
ALLE JHARE in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG, , p 38

38

MORGEN KOMMT DER WEIHNACHTS MANN

in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG,

, p

MORGEN KOMMT DER WEIHNACHTS MANN in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG, , p 39
MORGEN KOMMT DER WEIHNACHTS MANN in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG, , p 39

39

O DU FRÖLICHE

in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG,

, p

O DU FRÖLICHE in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG, , p 40
O DU FRÖLICHE in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG, , p 40

40

KLING, GLÖCKCHEN

in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG,

, p

KLING, GLÖCKCHEN in DAS GROSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG, , p 41

41

VOM HIMMEL HOCH, DA KOMM ICH HER

in DAS GROSSE BUCH UNSERER BELIEBTESTEN VOLKSLIEDER, FALKEN VERLAG, NIEDERNHAUSEN,1983,

p.176

HOCH, DA KOMM ICH HER in DAS GROSSE BUCH UNSERER BELIEBTESTEN VOLKSLIEDER, FALKEN VERLAG, NIEDERNHAUSEN,1983, p.176

42

PETIT JÉSUS Musique et Paroles: Aida Bruno Coelho.

PETIT JÉSUS Musique et Paroles: Aida Bruno Coelho. 43

43

LES JOUETS DE NOËL

LES JOUETS DE NOËL 44

44

PÈRE NOËL, PÈRE NOËL e LE PÈRE NOËL

PÈRE NOËL, PÈRE NOËL e LE PÈRE NOËL 45
PÈRE NOËL, PÈRE NOËL e LE PÈRE NOËL 45

45

JANEIRAS 46

JANEIRAS

JANEIRAS 46

46

INDA AGORA AQUI CHEGUEI

‘INDA AGORA AQUI CHEGUEI

(Janeiras) (Cantar, cad. policopiado, Guarda, 4ª ed., 1960, 162)

(Janeiras) (Cantar, cad. policopiado, Guarda, 4ª ed., 1960, 154)

Inda agora aqui cheguei Mal pus o pé na escada Logo o meu coração disse:

‘Inda agora aqui cheguei Já começo a cantar ‘Inda não pedi licença Não sei se ma querem dar.

Aqui mora gente honrada.

Ó

irmãos na caridade

Coro Pastores, Pastores, Vinde todos a Belém

Notícias vos trago eu

Às doze horas da noite,

O

Deus Menino nasceu.

Adorar o Deus Menino, Que Nossa Senhora tem. Não venho aqui por boleta Que este ano muita houve, Venho cá pelo chouriço P’ra ‘nha mãe fazer com couve. Levante-se lá, senhora, Desse seu lindo banquinho, Venha o prato das filhoses E um bom garrafão de vinho.

Levante-se lá, senhora Dessa cadeira de prata, Venha-nos dar as Janeiras, Que está um frio que mata

Nasceu numas tristes palhas Como nasce o cordeirinho; Por causa dos meus pecados Foi preso ao madeirinho.

Viva lá senhor Casaquinha de veludo, Meta a mão no seu bolsinho Deite p’ra cá um escudo.

De quem é a bengalinha

Que está além no bengaleiro?

É

do senhor

Que é um lindo cavalheiro.

Vamos dar a despedida Que a cereja deu ao ramo; Fiquem-se com Deus, senhores, Adeus, até outro ano.

EM BELÉM

REIS

(Janeiras) (Cantar, cad. policopiado, Guarda, 4ª ed., 1960, 152)

in ALEGRIAS POPULARES, vol. II, Jaime Pinto Pereira, Ed. autor, 1967, p. 22 - Vila Verde - Tourais.

Em Belém, à meia noite, Noite de tanta alegria;

nasceu o Deus Menino,

 

Filho da Virgem Maria. Pastores, Pastores, Vinde todos a Belém Adorar o Deus Menino, Que Nossa Senhora tem. Viva lá, senhora Raminho de amendoeira, ‘Inda neste mundo anda

Viva lá, minha senhora, Casaquinho de veludo; Quando mete a mão ao bolso, Tem dinheiro para tudo.

Boas Festas, Boas Festas, Vos dizemos neste dia; Venham-nos dar as Janeiras, Com prazer e alegria.

no céu tem a cadeira.

Viva lá, o menino Que lá está juntinho à brasa; Venha-nos dar as Janeiras Que é o morgado da casa.

Viva lá, minha senhora, No seu livrinho a ler; Quando vai para a janela, Parece o sol a nascer.

Viva lá, senhor Raminho de salsa crua, Quando vai para a igreja alumia toda a rua.

Viva lá, minha senhora, Linda estrela do norte; Que Deus a deixe criar, Para uma boa sorte.

A

todos que aí estão

Levante-se lá, minha senhora, Desse banco de cortiça; Venha-nos dar as Janeiras, Ou de carne, ou de chouriça.

Ao redor dessa fogueira, Santa paz lhes desejamos ‘Té à hora derradeira.

47

JANEIRAS, LINDAS JANEIRAS

(Janeiras) (Cantar, cad. policopiado, Guarda, 4ª ed., 1960, 169) Letra J. Geraldes, Música: M. Fernandes

Vinde pastores depressa, Que já nasceu o Menino, Já se cumpriu a promessa, Vamos a tocar o sino.

Janeiras,, lindas Janeiras, Janeiras da minha aldeia Sois quais estrelas fagueiras, Nas noites de lua cheia

Janeiras, lindas Janeiras Senhores, vimos cantar, Boas Festas e alegrias Vos queremos desejar.

Sopram os ventos da serra, Caem estrelas do céus, Alegre-se toda a terra, Nasceu o Menino Deus.

Senhores, não demoreis, Que é muito frio o luar; Vinde-nos dar as Janeiras, Que temos de caminhar.

Levantai-vos da lareira

E vinde depressa ver

a grandiosa fogueira

Que o Menino há-de aquecer.

Ó Janeiras de (Nome da terra

Como vós não há igual Dais consoada aos pobres Nestas noites de Natal.

)

A mensagem de Natal

A todos dê luz e amor

Oxalá por toda a vida Vos guie com seu fulgor.

Boas noites, meus senhores, Até para o ano que vem; Alegria e paz em Deus

E na Virgem sua Mãe.

48

BOAS NOITES, BOAS NOITES

(Naquela relvinha

Vale de Lobo, BB. - EtB, I vol., JLD, 2ª ed. ENP, Lx.

1944, 159

)

Recolha de várias com base na de

Boas noites, boas noites, Boas noites de alegria,

Que lhas manda o Rei da Glória, Filho da Virgem Maria. Naquela relvinha, C’o vento gelou,

A mãe de Jesus

Tão pura ficou. Dominus excelsis Deo, Que já é nascido

O que nove meses

Andou escondido. De quem será (é) o chapeuzinho Qu’além ‘stá despindurado?

É do senhor (menino) (

Que Deus o faça um cravo.

De quem será (é) o vestidinho Cosido com seda branca?

É da senhora (menina) (

Que Deus a faça uma santa.

De quem será (é) o pentem d’oiro Que se achou no alvoredo?

É da senhora (menina) (

Que lhe caiu do cabelo.

De quem seriam (eram) as ligui- nhas Que se acharam entre as ervas?

Eram da senhora (menina) ( Que lhe caíram das pernas. De quem seriam (eram) as boti- nhas Que se acharam (estavam) no sapateiro? Eram do senhor (menino) (

Que as pagou c’o seu dinheiro. Levante-se lá, senhora Do seu banco de cortiça, Venha-nos dar as Janeiras:

Ou morcela ou chouriça. Levante-se lá, senhora Desse seu rico banquinho, Venha-nos dar as Janeiras Em louvor do Deus Menino.

)

)

)

)

)

49

Levante-se lá, senhora, Desse seu rico assento, Venha-nos dar as Janeiras Em louvor do Nascimento. Levante-se lá, senhora, Desse seu banco de prata, Venha-nos dar as Janeiras

Que está um frio que rapa (mata).

(se demoram a dar as Janeiras Levante-se lá, senhora

Dessa cadeirinha torta, Venha-nos dar as Janeiras Se não (fazemos-lhe) à porta.

(Se dão as Janeiras, cantam a des-

pedida) Despedida, despedida, Despedida quero dar, Os senhores desta casa

Bem nos podem desculpar. (Se não dão as Janeiras) Esta casa não é alta, Tem apenas um andar,

Estes barbas de farelo Nada têm p’ra nos dar. Esta casa é bem alta, Forradinha de papel,

O senhor que nela mora

É um grande furriel.

Esta casa é bem alta, Forradinha a papelão,

O senhor que nela mora

É um (grande forretão) grandessís- simo ladrão. (Trelinca a martelo Torna a trelincar Estes barbas de chibo Não têm que nos dar.) (Quando vão comer as Janeiras) Naquela relvinha, Naquela lameira, Detrás da fontinha Se come a Janeira. Gloria in excelsis Deo, Que já é nascido

O que nove meses

Andou escondido.

)

in ALEGRIAS POPULARES, vol. II, Jaime Pinto Pereira, Ed. autor, 1967, p.21

vol. II, Jaime Pinto Pereira, Ed. autor, 1967, p.21 Viva lá, minha senhora, Raminho de salsa

Viva lá, minha senhora, Raminho de salsa crua; Quando vai para a Igre- ja, Alumia toda a rua

Viva lá, minha senhora, A sua cara é o sol; Prendada de diamantes Com serafins ao redol.

Estas casas são bem altas, Têm varandas de vidro; Vivam nela muitos anos, A senhora e seu marido.

Não venho cá por bolota, Que este ano muita hou- ve; Venho cá por o chouriço P’ra minha mãe cozer com couve

CORO

Naquela

relvi-

nha,

Que o

vento

gelou;

A Mãe

de

Jesus,

Tão

pura

ficou.

Agarra,

agarra

Peixi-

nhos no

mar;

Adora,

adora

Jesus no

altar.

50

De quem é aquela caneta Forradinha de veludo?

- É do menino

Ai, que anda no estudo.

De quem é aquela cami- sa,

Que além está no lava- doiro?

- É d

Que ela tem raminhos d’oiro.

,

Venho dar a despedida, Por cima de toda a luz; Gente nobre desta casa, Viva sempre com Jesus.

Viva lá, senhor prior, Raminho de serpão; Quando vai para a igreja, Os anjos lhe dão a mão.

in CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS,

Michel Giacometti, e FLGraça, Círculo de Leito- res, 1981, p.46 (Canto de peditório - Mértola, Beja, 1970)

JANEIRAS

Esta noite é de Janeiras

E dum grande merecimento,

Por ser a noite primeira Em que Deus passou tormento.

Os tormentos que passou, Eu lhes digo a verdade:

O seu sangue derramou

P’ra salvar a sociedade.

UM RAMINHO, DOIS RAMINHOS UM RAMINHO DE SALSA CRUA, AO PÉ DA TUA CAMA NASCE O SOL E PÕE-SE A LUA DAQUI D’ONDE EU ‘STOU BEM VEJO UM CANIVETE A BAILAR, PARA CORTAR A CHOURIÇA QUE A SENHORA ME HÁ-DE DAR.

BAILAR, PARA CORTAR A CHOURIÇA QUE A SENHORA ME HÁ-DE DAR. 51 in CANCIONEIRO DE SERPA,

51

in CANCIONEIRO DE SERPA, M. Rita Ortigão P. Cortez, Ed. CMSerpa, 1994, 366/7. AS JANEIRAS

Esta noite é de Janeiras,

é de grande mer’cimento.

Por ser a noite primeira em que Deus passou tormen- to.

Os tormentos que passou de Sua livre vontade,

o Seu Sangue derramou

pra salvar a Cristandade.

O Seu Sangue derramou,

Seu Sangue derramaria pra salvar a Cristandade, São Pedro, Santa Maria!

Ao fim de séculos passados, foram ver a sepultura. Acharam ossos mirrados,

o sinal da criatura!

Esta noite de Ano Novo

é de tão alto valor.

Deus lhe dê muita saúde

e pão ao Sr. Doutor!

Viva o Sr. Dr. Carlos que vela p’los pobrezinhos Deus lhe dê muita saúde pra criar os seus filhinhos!

Esta casa está juncada com junquilhos da ribeira. Viva o dono desta casa, mais a sua companheira!

Esta casa está juncada

com ramos de erva cidreira. Deus lhe dê muita saúde,

e à sua família inteira!

52

AOS REIS

AOS REIS in CANCIONEIRO DE SERPA, M. Rita Ortigão P. Cortez, Ed. CMSerpa, 1994, 368/9. QUEM

in CANCIONEIRO DE SERPA, M. Rita Ortigão P. Cortez, Ed. CMSerpa, 1994, 368/9. QUEM SÃ ‘NOS TRÊS CAVALHEI- ROS

- Quem sã’nos três cavalheiros que fazem, que fazem sombra no mar? - Sã’nos três do Oriente, que a Jesus, que a Jesus vêm buscar!

Não perguntam por pousada, nem onde, nem onde ir pernoitar. Só precuram’no Deus Menino, aonde, aonde O irão achar?

Foram-no achar em Roma, revesti-, revestido no altar, com seis mil almas de roda, todas pa-, todas para comungar!

Missa Nova quer dizer, Missa No-, Missa nova quer cantar. São João ajuda à Missa, São Pedro, São Pedro muda o missal!

in CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS,

Michel Giacometti, e FLGraça, Círculo de Leitores, 1981, p.55. Barbacena / Elvas, Portalegre, 1970.

QUAIS FORAM OS TRÊS CAVALHEI- ROS

Solo:

- Quais foram os três cavalheiros Ai, que fizeram, que fizeram sombra no mare?

(bis / coro)

- Foram’nos três d’Oriente, Ai, que Jesus que Jesus foram achamare.

(bis / coro) Desgarrada:

Ai, casa nobre e gente honrada,

(e) viva da casa o patrão!

Aí, Aí!

Ai a sua alma era guiada

(e) pró reino di a salvação. Aí, Aí.

Solo Não procuram por pousada, Ai, nem aonde, Nem aonde o irão achare.

(bis / coro)

Procuram por Jesus Cristo, Ai, aonde, aonde o irão achare.

(bis / coro) Desgarrada:

Ai, onde estão primos, irmãos,

(e) onde esta toda a parenteira?

Aí, Aí!

Ai, eu canto com devoção,

(e) cantaria a noite inteira.

Aí, Aí!

53

in CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS, Michel Giacometti, e FLGraça,

Círculo de Leitores, 1981, p. 54. Cabanas de Torres / Alenquer, Lisboa,

1971

1981, p. 54. Cabanas de Torres / Alenquer, Lisboa, 1971 PARTIRAM’NOS TRÊS REIS MAGNOS (E) partiram’nos

PARTIRAM’NOS TRÊS REIS MAGNOS

(E)

partiram’nos três Reis Mag-

Quando chegaram ao palácio aonde estava o nosso rei,

nos

(e)

da parte do Oriente

(e)

logo le perguntaram

(e)

visitaram Deus nascido,

se estavam longe de Belém.

Filho de a Virgem omnipotente.

O nosso rei por ser tão bom

(E)

guiados pel’uma estrela,

(e)

foi o próprio que les disse

os três Reis partiram pr’a costa,

(e)

que fossem sempre anda-

(e)

visitaram Deus-Menino

do,

(e)

quem no Céu, a terra adora.

(e)

que o seu caminho

(E)

embarcaram numa nau,

seguisse.

(e)

sem purder tempo nem hora.

(E)

logo ali le ofereceram

(E)

isto com quem Deus nãove-

(e)

oiro, incenso e mirra,

ga,

(e)

nem ouro como o mortal,

(e)

do mar o vento lhe assopra.

nem incenso como o divino.

(E)

gaveiro que atrepa à gaiva,

Demos louvores à Senhora,

(e)

lá le respondeu de a proa,

(e)

demos graças ao Menino.

(e)

que já se avista Bolém,

(E)

Boas-Festas vimos dari

(e)

já se vê Lisboa toda.

(e)

à vinda dos Santos Reis,

O nosso rei se vestiu de gala

(e)

também vós tereis cuida-

(e)

mais a sua gente toda.

do

 

(e)

de arranjar o que nos

deis.

54

POEMAS de NATAL

POEMAS de NATAL 55

55

DOIS SONETOS DE CAMÕES

À Encarnação do Verbo Eterno

soneto CXXXVII, in OBRAS DE LUÍS de CAMÕES, Lello & Irmão Ed., Porto, 1970, p. 72

Desce do céu imenso Deus para encarnar na Virgem soberana. Porque desce o divino a cousa humana? Para subir o humano a ser divino.

Pois como vem tão pobre e tão menino, Rendendo-se ao poder de mão tirana? Porque vem receber morte inumana Pera pagar de Adão o desatino.

É possível que os dois o fruito comem

Que de quem lhes deu tanto foi vedado? Sim, porque o próprio ser de deuses tomem.

E por esta razão foi humanado?

Sim, porque foi com causa decretado, Se quis o homem ser Deus, que Deus fosse homem.

A Cristo Nosso Senhor no Presépio

soneto CXXXVIII, in OBRAS DE LUÍS de CAMÕES, Lello & Irmão Ed., Porto, 1970, p. 73

Dos céus à Terra desce a mor Beleza, Une-se à nossa carne e a faz nobre; E, sendo a humanidade dantes pobre, Hoje subida fica à mor riqueza

Busca o Senhor mais rico a mor pobreza; Que, como ao mundo o seu amor descobre, De palhas vis o corpo tenro cobre,

E por elas o mesmo céu despreza.

Como? Deus em pobreza à terra desce?

O que é mais pobre tanto lhe contenta,

Que este somente rico lhe parece.

Pobreza este Presépio representa;

56

Mas tanto por ser pobre já merece, Que quanto mais o é, mais lhe contenta.

pobre já merece, Que quanto mais o é, mais lhe contenta. NATAL Fernando Pessoa Natal Nos

NATAL

Fernando Pessoa

Natal

Nos lares aconchegados, Um sentimento conserva Os sentimentos passados.

Na província neva.

Coração oposto ao mundo, Como a família é verdade! Meu pensamento é profundo, ‘Stou só e sonho saudade.

E como é branca de graça

A paisagem que não sei,

Vista detrás da vidraça Do lar que nunca terei!

É DIA DE NATAL Chove. É dia de Natal. Lá para o Norte é melhor:
É
DIA DE NATAL
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E
o frio que ainda é pior.
E
toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra

E o Natal a quem o fez,

Pois se escrevo ainda outra

quadra

Fico gelado dos pés.

57

NUM MEIO DIA DE FIM DE PRIMAVERA

(Alberto Caeiro, poema VIII de O Guardador de Rebanhos)

Num meio - dia de fim de Primavera

Tive um sonho como uma fotografia.

Vi Jesus Cristo descer à terra.

Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino,

A

correr e a rolar-se pela erva

E

a arrancar flores para as deitar fora

E

a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu. Era nosso demais para fingir

De segunda pessoa da Trindade. No céu era tudo falso, tudo em desacordo Com flores e árvores e pedras. No céu tinha que estar sempre sério

E de vez em quando de se tornar outra vez homem

E subir para a cruz, e estar sempre a morrer Com uma coroa toda à roda de espinhos

E os pés espetados por um prego com cabeça,

E até com um trapo à roda da cintura Como os pretos nas ilustrações. Nem sequer o deixavam ter pai e mãe Como as outras crianças.

O seu pai era duas pessoas -

Um velho chamado José, que era carpinteiro,

E que não era pai dele;

E o outro pai era uma pomba estúpida, A única pomba feia do mundo

Porque não era do mundo nem era pomba.

E a sua mãe não tinha amado antes de o ter. Não era mulher: era uma mala Em que ele tinha vindo do céu.

E queriam que ele, que só nascera da mãe,

E nunca tivera pai para amar com respeito, Pregasse a bondade e a justiça! Um dia em que Deus estava a dormir

E o Espírito Santo andava a voar,

58

Ele foi à caixa dos milagres e roubou três. Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido. Com o segundo criou-se eternamente humano e menino. Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz

E deixou-o pregado na cruz que há no céu

E serve de modelo às outras. Depois fugiu para o Sol

E desceu pelo primeiro raio que apanhou. Hoje vive na minha aldeia comigo.

É

Limpa o nariz ao braço direito Chapinha nas poças de água, Colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, Rouba a fruta dos pomares

E foge a chorar e a gritar dos cães.

E, porque sabe que elas não gostam

E que toda a gente acha graça,

Corre atrás das raparigas Que vão em ranchos pelas estradas Com as bilhas às cabeças

E levanta-lhes as saias.

uma criança bonita de riso e natural.

A mim ensinou-me tudo.

Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas Quando a gente as tem na mão

E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.

Diz que ele é um velho estúpido e doente, Sempre a escarrar no chão

E

a dizer indecências.

A

Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia

E

o Espírito Santo coça-se com o bico

E

empoleira-se nas cadeiras e suja-as.

Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica. Diz-me que Deus não percebe nada

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Das coisas que criou - “Se é que ele as criou, do que duvido.” -

“Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória, Mas os seres não cantam nada. Se cantassem seriam cantores. Os seres existem e mais nada,

E

por isso se chamam seres.”

E

depois, cansado de dizer mal de Deus,

O

Menino Jesus adormece nos meus braços

E

levo-o ao colo para casa.

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. Ele é o humano que é natural, Ele é o divino que sorri e que brinca.

E por isso é que eu sei com toda a certeza Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É

E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.

E que o meu mínimo olhar

Me enche de sensação,

E o mais pequeno som, seja do que for, Parece falar comigo.

esta minha quotidiana vida de poeta,

A Criança Nova que habita onde vivo

Dá-me uma mão a mim

E a outra a tudo que existe

E assim vamos os três pelo caminho que houver, Saltando e cantando e rindo

E gozando o nosso segredo comum

Que é o de saber por toda a parte Que não há mistério no mundo

E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.

60

A

direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.

O

meu ouvido atento alegremente a todos os sons

São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro Na companhia de tudo Que nunca pensamos um no outro, Mas vivemos juntos e dois Com um acordo íntimo Como a mão direita e a esquerda. Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas No degrau da porta de casa,

Graves como convém a um deus e a um poeta,

E como se cada pedra

Fosse todo um universo

E fosse por isso um grande perigo para ela

Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens

E ele sorri, porque tudo é incrível.

Ri dos reis e dos que não são reis,

E

tem pena de ouvir falar das guerras,

E

dos comércios e dos navios

Que ficam fumo no ar dos altos mares.

Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade Que uma flor tem ao florescer

E

que anda com a luz do Sol

A

variar os montes e os vales

E

a fazer doer aos olhos dos muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o. Levo-o ao colo para dentro de casa

E

deito-o, despindo-o lentamente

E

como seguindo um ritual muito limpo

E

todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma

E

às vezes acorda de noite

E

brinca com os meus sonhos.

Vira uns de pernas para o ar,

61

Põe uns em cima dos outros

E bate as palmas sozinho

Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,

Seja eu a criança, o mais pequeno. Pega-me tu ao colo

E leva-me para dentro da tua casa. Despe o meu ser cansado e humano

E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias, caso eu acorde, Para eu tornar a adormecer.

É dá-me sonhos teus para eu brincar Até que nasça qualquer dia Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus. Por que razão que se perceba Não há-de ser ela mais verdadeira Que tudo quanto os filósofos pensam

E tudo quanto as religiões ensinam?

perceba Não há-de ser ela mais verdadeira Que tudo quanto os filósofos pensam E tudo quanto

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David Mourão Ferreira in As Lições do Fogo

Natal, e não Dezembro

Entremos, apressados friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos, e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos o rastro de uma casa, a cave, a gruta, o sulco de uma nave Entremos, despojados, mas entremos. Das mãos dadas talvez o fogo nasça, talvez seja Natal e não Dezembro, talvez universal a consoada.

NATAL

Sidónio Muralha

Poemas

Hoje é dia de Natal.

O jornal fala dos pobres

em letras grandes e pretas,

traz versos e historietas

e

desenhos bonitinhos,

e

traz retratos também

dos bodos, bodos e bodos, em casa de gente bem. Hoje é dia de Natal.

- Mas quando será de todos?

63

DIA DE NATAL

António Gedeão (Rómulo de Carvalho) Máquina de Fogo (1961), in Poesias Completas, 2ª ed. 1965

Hoje é dia de ser bom.

É

de falar e de ouvir com mavioso tom, de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

dia de passar a mão pelo rosto das crianças,

É dia de pensar nos outros - coitadinhos - nos que padecem,

de lhe darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,

de perdoar aos nossos inimigos, mesmo os que não merecem, de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria. Comove tanto a fraternidade universal.

É só abrir o rádio e logo um coro de anjos, como se de anjos fosse, numa toada doce, de violas e banjos, entoa gravemente um hino ao Criador.

E mal se extinguem os clamores plangentes,

a voz do locutor anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu

e as vozes crescem num fervor patético.

(Vosso Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nas-

ceu?

Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimag- nético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas. Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante. Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas

e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates, com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica, cintilam, sobre o intenso fluxo de milhares de quilovates, as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito, ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.

É

como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.

Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.

como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,

E

a gente, mesmo sem querer, entra num estabelecimento

e

compra - louvado seja o Senhor! - o que nunca tinha pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena. Naquela véspera santa

a sua comoção é tanta, tanta, tanta,

64

que nem dorme serena.

Cada menino abre um olhinho na noite incerta para ver se a aurora já está desperta. De manhãzinha salta da cama, corre à cozinha mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!!

Na branda macieza da matutina luz aguarda-o a surpresa do Menino Jesus.

Jesus,

o

doce Jesus,

o

mesmo que nasceu na manjedoura,

veio pôr no sapatinho de Pedrinho uma metralhadora. Que alegria

reinou naquela casa todo o santo dia!

O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,

fuzilava tudo com devastadoras rajadas

e obrigava as criadas

a caírem no chão como se fossem mortas:

tá-tá-tá-tá-tá-tá- tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá. Já está!

E

fazias erguer para de novo matá-las.

E

até mesmo a mamã e o sisudo papá

fingiam

que caíam crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal, Dia de Amor, de Paz, de Felicidade, de sonhos e Venturas.

É dia de Natal.

Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.

Glória a Deus nas alturas.

65

BALADA DA NEVE

(Augusto Gil, Luar de Janeiro)

Batem leve, levemente, Como quem chama por mim

Será chuva? Será gente? Gente não é certamente,

E a chuva não bate assim

É talvez a ventania

Mas há pouco, há poucochi-

nho,

Nem uma agulha bulia Na quieta melancolia Dos pinheiros do caminho

Quem bate assim levemente,

Com tão estranha leveza, Que mal se ouve, mal se sen-

te?

Não é chuva, nem é gente,

Nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía Do azul-cinzento do céu,

Branca e leve, branca e fria Há quanto tempo a não via!

E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça. Pôs tudo da cor do linho.

Passa gente, e, quando pas-

sa,

Os passos imprime e traça Na brancura do caminho

Fico olhando esses sinais

Da pobre gente que avança,

E noto, por entre os mais, Os traços miniaturais Duns pezitos de criança

E, descalcinhos, doridos,

A neve deixa inda vê-los,

Primeiro bem definidos, Depois em sulcos compridos, Porque não podia erguê-los

Que quem já é pecador Sofra tormentos, enfim!

Mas as crianças, Senhor, Porque lhes dais tanta dor?

Porque padecem assim?

E uma infinita tristeza,

Uma funda turbação, Entre em mim, fica em mim pre- sa Cai neve na natureza

E cai no meu coração.

A PALAVRA MAIS BELA

Adolfo Simões Müller

Fui ver ao dicionário dos sinónimos

A

palavra mais bela, sem igual,

Perfeita como a nave dos Jerónimos

E

o dicionário disse-me: NATAL.

Perguntei aos poetas que releio

Gabbriela, Régio, Göthe, Poe, Quental,

Lorca, Olegário

E a resposta veio:

Christmas… Nöel… Natividade… NATAL.

Interroguei o firmamento todo

Cobra, formiga, pássaro, chacal!

O

aço em chispas, o pipe-line, o lodo!

E

a voz das coisas respondeu: NATAL!

Pedi ao vento e trouxe-me dispersos

Riscos de luz, fragmentos de papel

Cânticos, sinos, lágrimas e versos

Um N, um A, um T, um A, um L

Perguntei a mim próprio e fiquei mudo

Qual a mais bela das palavras, qual?

Para que perguntar, se tudo, tudo, Diz: NATAL, diz NATAL, diz NATAL!

66

PRESENTINHO DE NATAL de Matilde Rosa Araújo, O livro de Tila

Eu queria ter um cestinho cheio de flores

Para tecer um xaile de muita cor, muito lindo!

E um retalhinho do Céu

Para fazer um vestido azul tão lindo!

E mais sete estrelas das mais brilhantes Para armar um chapeuzinho de luz!

E mais ainda dois quartinhos de lua

Que chegassem para uns sapatos de saltos muito altos

E tudo isto, depois,

Eu dava a minha Mãe, Neste dia de Natal:

O xailezinho de muita cor,

Os sapatinhos de saltos muito altos

Minha Mãe! minha Mãe!

E

hoje é dia de Natal

E

só posso dizer:

Minha Mãe! minha Mãe!

DIA DE ANO BOM de Eugénio de Castro, Cravos de Papel

Hoje, dia d’Ano Bom, Foi o jantar melhorado:

Canja d’oiro, cabidela

E um rico leitão assado.

Não contente de o assar bem,

A cozinheira briosa

Pôs na boca do leitão Uma linda e grande rosa.

Além dessas vitualhas,

Outras mais o olhar divisa:

Mexilhões frescos d’Aveiro

E um paio, róseo, de Nisa;

67

Sobremesas são às dúzias,

Na mesa, ao pé da floreira:

Manjar branco, ovos de fio,

E uma “barriga-de-freira”.

De fato novo, os pequenos

Riem bem e melhor

comem:

O Martin, que é o mais

novinho,

A comer parece um

homem!

Na braseira, sob a cinza, Dormem brasas resplen-

dentes:

Fazem-se alegres saúdes Aos amigos e aos parentes.

68

HISTÓRIA ANTIGA de Miguel Torga, Diário I

Era uma vez, lá na Judeia, um rei. Feio bicho, de resto:

Um cara de burro sem cabresto

E duas grandes tranças.

A gente olhava, reparava, e via

Que naquela figura não havia Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia. Porque um dia, O malvado, Só por ter o poder de quem é rei, Por não ter coração, Sem mais nem menos, Mandou matar quantos eram pequenos Na cidades e aldeias da Nação.

Mas,

Por acaso ou milagre, aconteceu

Que, num burrinho pela areia fora,

Fugiu,

Daquelas mãos de sangue um pequenito

Que o vivo sol da vida acarinhou;

E bastou

Esse palmo de sonho Para encher este mundo de alegria; Para crescer, se Deus;

E meter no inferno o tal das tranças,

Só porque ele não gostava de crianças.

69

PRESÉPIO de Espínola de Mendonça, Gerânios

Dos teus vários brinquedos de criança, muitos dos quais te dava o Deus-

Menino,

há um que mais perdura na lembrança:

- o presépio que armaste em pequenino.

A igreja de cartão que tu fizeste,

onde um par de bonecos se casou!

E o desgosto profundo que tiveste,

quando o padre de barro se quebrou.

Um galo empoleirado sobre um sino, de bico muito aberto, de contente, cantava anunciando que o Menino sobre palhas nascera, humildemente.

Mais além era um rancho que folgava, com guitarras, pandeiros e violas, tendo à frente uma preta que dançava, brandindo com salero as castanholas.

E lavadeiras, frescas e formosas, entoavam canções ao desafio;

e, arregaçando as saias vaporosas,

lavavam debruçadas sobre o rio.

Junto à fonte, sorrindo em seus afagos namorados juravam seus amores.

E, descendo a colina, os três Reis-Magos

caminhavam à frente duns pastores.

Ao pé da gruta, onde Jesus dormia, um soldado de chumbo, prazenteiro, com a sua espingarda o protegia de qualquer inimigo traiçoeiro.

Eram estes bonecos tentadores

que te encantavam num ingénuo afã, entre velas brilhantes, de mil cores,

que se apagavam só com a manhã.

Foi como se apagou a minha luz, lançando sobre mim um negro véu, naquela madrugada em que Jesus te arrebatou consigo para o Céu.

Bonecos de expressões entristecidas, tendes segredos que só eu desvendo.

E há vozes no ar gritando, indefinidas, que dizem coisas que só eu entendo.

E destas rosas de papel, agora,

que o tempo as desbotou sem piedade,

o mais vivo perfume se evapora:

- é o vivo perfume da saudade.

CONTO DE NATAL, Manuel Bandeira

O nosso menino

Vem para sofrer

Nasceu em Belém.

A

morte na cruz,

Nasceu tão-somente

O

nosso menino.

Para querer bem.

Seu nome é Jesus.

Nasceu sobre as palhas

O nosso Menino.

Mas a mãe sabia Que ele era divino.

Por nós ele aceita

O humano destino.

Louvemos a glória de Jesus Menino.

70

O MENINO BRINCANDO, Augusto Gil, Alba Plena

Ó meu Jesus adorado,

Fecha os teus olhos divinos Num soninho descansado; Que a não sermos tu e eu Toda a gente do povoado, Desde os velhos aos meninos, Há muito que adormeceu.

E o Menino Jesus não se dor- mia

Dorme, dorme, dorme agora (Cantava a Virgem Maria) Que mal assomou a aurora, Sentei-me junto ao tear

E por todo o dia fora,

Até que já se não via, Não deixei de trabalhar!

E o Menino Jesus não se dor- mia

Tornava Nossa Senhora, Numa voz mais consumida:

Dorme, dorme, dorme agora

E que eu descanse também,

Porque mesmo adormecida Vela sempre, a toda a hora, No meu peito, o amor de mãe.

E o Menino Jesus não se dor- mia

Numa voz mais fatigada, Tornava a Virgem Maria:

Dorme pombinha nevada, Dorme, dorme, dorme bem Vê que está quase apagada

71

A frouxa luz da bugia,

Do pouco azeite que tem.

E o Menino Jesus não se dor- mia

Rogava Nossa Senhora:

Modera a tua alegria

Não deites a roupa fora Do teu leito pequenino

Não rias mais. Dorme agora

E brincarás todo o dia

Dorme, dorme, meu menino.

E o Menino Jesus não se dor-

mia

Mais triste, mais abatida, Pediu a Virgem Maria:

Tem pena da minha vida, Que se a quero é para ti Vida aflita e dolorida! Só por ti a viveria Tão longe de onde nasci!

E o Menino Jesus não se dor- mia

E a voz da Virgem volveu:

Repara no meu olhar,

Vê como ele entristeceu

Dorme, dorme, dorme bem,

Ó alvo lírio do céu!

Olha que estou a chorar, - Tem pena da tua mãe!

Nosso Senhor, então, ador- meceu

NATAL, Sidónio Muralha, Poemas

Hoje é dia de Natal.

O jornal fala dos pobres,

em letras grandes e pre-

tas,

traz versos e historietas

e desenhos bonitinhos,

e traz retratos também dos bodos, bodos e

bodos,

em casa de gente bem.

Hoje é dia de Natal.

Mas quando será para

todos?

NATAL, Manuel Sérgio

Enquanto a chuva

Escorrer da minha vidraça

E furar o telhado

Daquele farrapo de homem que além passa Enquanto o pão Não entrar com a justiça

Lado a lado

Mão a mão Nem Jesus vem Andar pelos caminhos onde os outros vão Um dia Quando for Natal (E já não for Dezembro)

E o mundo for o espaço Onde cabe Um só abraço

Então

Jesus virá

E

será

À

flor de tudo

O

redentor

Universal

(Quando o Homem quiser Será Natal)

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ROMANCE DO MENINO - DEUS - Romance Popular

Um pastor, vindo de longe

à nossa porta bateu:

trouxe recado que diz:

“O Deus - Menino nasceu”.

Este recado tivemos já meia noite seria.

- Estrela do céu lá vamos

dar parabéns a Maria.

- Mas que havemos de levar

a um Deus que tanto tem?

- Ainda que muito tenha,

Sempre gosta que lhe dêem.

-

Eu lhe levo um cordeirinho,

o

melhor que eu encontrei.

-

E eu levo um requeijão,

o

melhor que eu requeijei.

-

Pois também eu aqui levo

fofinhos p’ra lhe oferecer,

bons merendeiros de leite, favos de mel p’ra comer.

- Vamos ter com mais pastores, não se percam no caminho, vamos todos, e depressa, adorar o Deus - Menino.

- Vinde também, pastorinhos, vinde, correi a Belém, vinde visitar Maria, que divino filho tem.

Esta noite é santa noite,

inda mesmo assim tão fria; vamos todos a Belém visitar Jesus, Maria.

- Ai, que formoso Menino,

ai, que tanta graça tem! Ai que tanto se parece Com sua Senhora Mãe!

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lista de TEXTOS para sugestões de outras LEITURAS

Título Autor Obra Ego sum pastor Biblia vulgata bonus (Latim) Evangelho de S. João Novo
Título
Autor
Obra
Ego sum pastor
Biblia vulgata
bonus
(Latim)
Evangelho de S.
João
Novo Método de Latim, AABorregana,
Lisboa Editora, 1995, 219
Francês
Inglês
Alemão
Bíblia, Mt. I, 1-25 e 2,
São Mateus
Novo Testamento
1-18
Bíblia, Lc. I, 5-80 e II,
São Lucas
Novo Testamento
1-21
Morte e Vida Severina
João Cabral de
Melo e Neto
Auto de Natal Pernambu-
cano
A
Ceia de Natal
Júlio Dinis
Morgadinha dos Cana-
viais
O
Desarmar o Presépio
Júlio Dinis
Serões da Província
Natal Nortenho
Guilherme Fel-
Mensário
gueiras
A
Confusão das Portas
(lenda da Beira Baixa)
rec. Jaime Lopes
Dias
Etnografia da Beira, I
vol., 2ª ed., Empresa
Nacional de Publicida-
de, Lx. 1944.
Um Milagre (O suave
Eça de Queirós
Milagre)
Contos, Resomnia Edi-
tores, Braga, 427
Um conto de Natal
Charles Dickens
O Natal de Jesus
José Maria Gaspar
in
Almanaque de Santo
António, 1952, pp. 275
A Menina dos Fósforos
Hans Christien
ANDERSEN
CONTOS IMORTAIS,
Publicações Europa
América, 1944, pp.
86s.
A Lenda da Rosa do
Selma LAGERLÖF
O
Livro das Lendas,
Natal
Ed. Livros do Brasil,
Lx, s/d., pp. 111s.
O
Poço dos Três Reis
Selma LAGERLÖF
Magos
Histórias Maravilhosas,
Editorial Minerva, Lx.
1952, pp. 29s.
As Crianças de Belém
Selma LAGERLÖF
Hiistórias Maravilhosas,
Editorial Minerva, Lx.
1952, pp. 43s
A
Fuga para o Egipto
Selma LAGERLÖF
Hiistórias Maravilhosas,
Editorial Minerva, Lx.
1952, pp. 71s

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trabalho acabado de escrever e realizar em WinWord C 486-66 por @ JORAGA e FBorges Corroios

1996/97 JORAGA emememem viagem viagem viagem viagem
1996/97
JORAGA
emememem viagem
viagem
viagem
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Edição especial com revisão e aprovação da COMISSÃO DO DECÉNIO, para celebrar o 10º ANIVERSÁRIO da ESCOLA SECUNDÁRIA JOÃO DE BARROS, que iniciou as suas activi- dades em 28 de Novembro de 1986, e pretende celebrar este ANIVERSÁRIO ao longo de todo o ANO LECTIVO

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