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2010 2011 -Teorica - Analise Financeira

2010 2011 -Teorica - Analise Financeira

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  • 1.13.1 - Limites para uma empresa ser considerada uma Pequena Entidade
  • 1.15.4 - Demonstração dos Fluxos de Caixa
  • 1.15.4.1 - Fluxos de caixa
  • 1.15.4.2 - Demonstração de fluxos de caixa
  • 1.16 - O orçamento de tesouraria
  • 1.16.1 - Orçamento de Tesouraria – Elaboração
  • 1.16..2 - Controlo do orçamento de tesouraria
  • 1.16.3 - Tesouraria Deficitária vs Tesouraria Excedentária:
  • 1.16.3.1 - Déficit de Tesouraria
  • 1.16.3.2 - Superavit de Tesouraria
  • 1.17 - Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo
  • 1.18 - A importancia do fluxo de caixa (liquidez financeira)
  • 1.20.1 - Análise estática (1)
  • 1.20.2 - Análise dinâmica (1)
  • 2.3 - Rácios económicos
  • 2.4 – Rácios financeiros
  • 2.5 - Limitaçoes dos rácios
  • 3.2 - Autofinanciamento - vantagens e inconvenientes
  • 3.2.1 - Autofinanciamento, liquidez e disponibilidade
  • 4.1 - Introduçao
  • 4.2 - Tecnicas de analise
  • 4.2.1 - Introduçao
  • 4.2.2 - Descriçao das varias tecnicas de analise
  • 4.2.2.1 - Em valores absolutos
  • 4.2.2.2. - Em percentagens
  • 4.2.2.3 - Em gráficos
  • 4.3.3 - Os rácios na analise financeira
  • 5.1 - Noção de investimento
  • 5.1.1 - Diversificar para melhorar resultado
  • 5.1.2 O mecanismo da alavanca
  • 5.2 a) Introdução
  • 5.2 b) Características das Bolsas
  • 5.2 c) Porque investir no Mercado de Valores Mobiliários ?
  • 5.2 d) Como tomar uma decisão de investimento em valores mobiliários
  • 5.2 e) Principais tipos de Valores Mobiliários
  • 5.2.e3) Obrigações hipotecárias
  • b) - Evolução dos fundos de investimento em Portugal
  • c) - Estrutura dos fundos de investimento
  • d) - Classificação dos Fundos de Investimento
  • d).1 - Quanto ao Espaço de Actuação
  • d).2 - Quanto à Forma de Remuneração do Participante
  • 5.2.1.1 – Fundo de Investimento Mobiliário ( FIM )
  • 5.2.1.2 - Fundo de Investimento imobiliário ( FII )
  • a) - Noção de Fundo de Investimento Imobiliário
  • c) - Os Fundos de Investimento Imobiliário em Portugal
  • e) - Constituição do activo dos FII
  • g) - Natureza dos participantes dos FII
  • i) - Tipos de Fundos de Investimento Imobiliário quanto ao capital
  • j) - Estrutura dos Fundos de Investimento
  • k) - Actividades realizadas pelos Fundos de Investimento Imobiliário
  • n) - Composição da carteira dos FII
  • o) - Calculo da rentabilidade de um Fundo
  • p) - Análise de competitividade
  • 5.3 – Investir no sector produtivo
  • 5.6 – Classificação dos investimentos por objectivos
  • 5.6.1 – Investimento de substituição
  • 5.6.2 – Investimento de expansão
  • 5.6.3 – Investimento de inovação ou modernização
  • 5.6.4 – Investimentos estratégicos
  • 5.7 – Classificação devido á interdependencia dos projectos
  • 5.8 – Principais etapas de um projecto de investimento
  • 5.8.1 - Identificação
  • 5.8.2 - Preparação
  • 5.8.3.4 - Execução
  • 5.9.2 – Métodos de previsão
  • 5.9.3 - Estudo tecnico do investimento
  • 5.10 - Valor residual do investimento
  • 5.11 - Taxas equivalentes – Fórmula e calculo
  • 5.12 - Capitalização
  • 5.12.1 - Taxa de capitalização
  • 5.12.2 - Capitalização - fórmula
  • 5.13 - Noção de actualização
  • 5.13.1 - Fórmula
  • 5.14.1 - Os meios libertos ou "cash-flow" do investimento
  • 5.15.1 - Valor actual liquido
  • 5.16- Fontes de Financiamento
  • 5.16.2.1 – Empréstimos Bancários e Obrigacionistas
  • 5.16.2.2.-Linha de crédito, factoring e leasing,
  • 5.16.2.3 -Business angels
  • 5.16.2.4 - Capital de risco
  • 5.16.2.5 - Franchising
  • 5.16.2.6 -Management Buy Out
  • 5.16.2.7 -Management Buy In
  • 5.16.2.8 -Oferta Pública de Aquisição
  • 5.16.2.9 -Garantia Mútua
  • 5.16.2.10 -Titularização de Créditos (Securitization)
  • 6.1 - Noção de Empreitada
  • 6.2 - O Auto de Medição
  • 6.3 - O Pagamento
  • 6.4 - Factura Comercial
  • 6.5 - Factura proforma
  • 6.6 - Factura provisória
  • 6.8 - Quando facturar
  • 6.12 - Como montar o controlo

INDICE
CAP I 1 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 -AS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRA……….……..………… 9 * - Informação como instrumento de gestão …………………………..10 * - Conceito de nformação…………………………………………… .10 * - Requisitos da informação geral…………………………………… 10 * - Informação e gestão………………………………………….…….10 * - Evolução da informação contabilística………………………….…10 * - Contabilidade – missão e objectivos…………………………….…10 * - Sistema de informação contabilística……………………………. ..11 * - Quadros de informação contabilística……………………….……..11 * - Objectivo da elaboração das demonstrações financeiras…………..11 * - Utilizadores da informação contabilística…………………….……11

1.10 * - O Estado como utilizador da informação financeira……………….12 1.11 * - Fluxos da empresa …………………………………………………12 1.11.1* - Tipos de fluxos……………………………………………………..13 1.12 * - Sistema de Normalização Contabilística (SNC)……………………14 1.12.1* - O que é o SNC?..................................................................................14 1.12.2 * - SNC – Aplicabilidade ( Decreto Lei nº 158/2009 de 13/7/2009)…..14 1.13 * - Norma Contabilistica e de Relato Financeiro Pequenas entidades....14 1.13.1 * - Limites para uma empresa ser considerada Pequena Entidade…......15 1.14 * - Instrumentos do Sistema de Normalização Contabilística SNC)…..15 1.14.1* 1.14.2* 1.15 1.15.1 1.15.2 1.15.3 - O que se entende no SNC por demonstrações financeiras? ……… 16 - Reclassificação das Contas POC/SNC ………………..…………..17 - Demonstrações Financeiras - SNC……………………………….. 19 - Balanço ………………………………………………………….... 19 - Demonstração de Resultados ……………………………………... 26 - Demonstração alterações Capital Próprio …………….….…….…. 29 2 A. Financeira – 2010

1.15.2.1 - Rendimentos Gastos e Resultados ………………………………... 26

1.15.4

-Demonstração dos Fluxos de Caixa ………………………………….31

1.15.4.1 - Fluxos de caixa ………………………………………………………31 1.15.4.2 - Demonstração de fluxos de caixa.……….……………………………31 1.16 1.16.1 1.16.2 1.16.3 - Orçamento de tesouraria ……………………………………………..33 - Orçamento de Tesouraria – Elaboração ……………………………..33 - Controlo do orçamento de tesouraria ……………………….………35 - Tesouraria Deficitária vs Tesouraria Excedentária: …….….………..37

1.16.3.1 - Déficit de Tesouraria ……………………………………….…….….37 1.16.3.2 - Superavit de Tesouraria …………………………….…………..……37 1.17 1.18 1.19 1.20 1.20.1 1.20.2 2 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 3.1 3.2 3.2.1 - Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo ………………………….…37 - A importancia do fluxo de caixa (liquidez financeira) ……….……..38 - O Serviço de Tesouraria ……………………………………………. 38 - Análise em função do tempo ………………………………………..39 - Análise estática ……………………………….……………………..39 - Análise dinâmica ………………………………………….………....39 - Rácios …………………………………………………………..……41 - Designação …………………………………………………….…….41 - Racios técnicos …………………………………………….……..….41 - Rácios económicos ………………………………………….……....43 - Rácios financeiros ………………………………………………..…43 - Limitaçoes dos rácios ……………………………………………..…43 - Rácios ………………………………………………………….……45 - Autofinanciamento - vantagens e inconvenientes ……………..……49 - Autofinanciamento, liquidez e disponibilidade ………………..……50

CAP II - RÁCIOS………………………………………………………..…....40

CAP III - ANÁLISE ECONÓMICA……………………………………….....44

3

A. Financeira – 2010

..........1 4........Obrigações hipotecárias.....Em gráficos …………………………………………………………56 ........…............2 d) 5........Fundos de Investimento...2 4..1 5..................... 67 ............ 51 4.....52 .....2.............2 e) 5..............………...........................................................2 e1) 5.....2......Introdução....85 4 A.....................................62 ..............78 ..........Estrutura dos fundos de investimento.. 74 .....1 5...Warrants.....Em percentagens ………………………………………………... 69 ... 68 ..................Porque investir no Mercado de Valores Mobiliários................................……...........................Mecanismo da alavanca ..54 .................Em valores absolutos ………………………………………..................Como tomar uma decisão de investimento em valores mobiliários................2..............Noção de Investimento..... 66 ......2..Evolução dos fundos de investimento em Portugal....1.............c) .......Introduçao …………………………………………………..........……................. 61 .....CAP IV -ANÁLISE FINANCEIRA……………………………………..................... 71 ...ANALISE DE INVESTIMENTOS...........3.........2.......................Introdução...................2....2 b) 5........………52 ...........Descriçao das varias tecnicas de analise ………………………......3 4...2.......................2....... 4.Características das Bolsas ......1...........Investir no Mercados de Valores mobiliarios( ou de Capitais )…............. 64 .........2 c) 5........2.......................................57 .............................2 e5) 5............….......2......2..........Acções...........................66 ........ .....Diversificar para melhorar resultados ...............78 ......84 .... Financeira – 2010 5...…….........................b) . CAP 5 5..1.1..54 ................................................. 69 ........ 66.......2...................1.........................Titulos de participação........2 e2) 5...........2 5...........…....2 e4) 5.a) 5....................2 e3) 5.....2 4..........84 ..1 5.....2..84 ................52 ....Principais tipos de Valores Mobiliários ........2 a) 5.….........................55 ...Os rácios na analise financeira ………………………………..Introduçao …………………………………………………….1 4........Obrigações.....Tecnicas de analise …………………………………………........................2 5..........1 4............. 64 ...............

....2.......................Quanto à forma de remuneração do participante......2..1........... 90 5..2...2.........99 5 A............................1.....1..2....1.......................... 86 5....Fundos de Acções....... 91 5................... 88 5..1....1...Fundos do Mercado Monetáro….................1............... 89 5..5..........2........... 94 5...........1......a) .........................Quanto ao espaço de actuação.........c) ..................... 91 5.......2................87 5....................2.1.....1..............b) ..............1..............1.Fundos deObrigações.......Fundos de Poupança-Reforma/Educação e de Acções….........1.c) ...1....Actividades realizadas pelos Fundos Investimento Imobiliário……........2................Administração dos FII....a) .....2..................................................Fundo de Investimento Mobiliário (FIM ).............2....Quanto Às entidades de supervisão...............................87 5..2........................................... 88 5.2.....1...........................................1. 92 5.. 86 5.............e) .........1......Fundos Mistos.....95 5............2.....Fundos Garantidos....................................Vantagens........... 92 5............................ 92 5...........................................1......1...............d) ...................2..................b) ..........................2............2....................Avaliação dos FII..d3) .......2..d1) .2....2..........2...2... 98 5...Tipos de Fundos de Investimento Imobiliário quanto capital...............1..................2 ........Fundos de Fundos.............. Financeira – 2010 ....Constituição do activo dos FII......d) ............Classificação dos Fundos de Investimento.........1.................Fundos de Índices.........1.... 96 5.....j) .....................1...g) ......2............ i) ...e) ......h)..1......Fundos de Tesouraria..........2.d4) .... 90 5.................2.....1 ........2..............................d) ........2............1...................1......Vantagens fiscais..........................d2) .....f)............... 97 5............................1.. 89 5...............Fundo de Investimento imobiliário ( FII )............1....... 97 5..........Os Fundos de Investimento Imobiliário em Portugal.2..........2..................Natureza dos participantes dos FII.......1.1..........1...........Noção de Fundo de Investimento Imobiliário............2...h) ..........2.....................2............2.. 92 5....1..................1....i) ....... 99 5..............2......................f) ............. 86 5...2............................Estrutura dos Fundos de Investimento....1.................................1.....l) ...........g)... 97 5..2...............Gestão dos FII......................1.Quanto a natureza dos activos..........2.2................. 89 5...................... 88 5.................2.k) ...1............2......

..Composição da carteira dos FII.............100 5..................................................................2.............8................................109 .....................................9...........9..........................Estudo de mercado............Capitalização......................................11 5.................1 5........................1.................6.........................2 5..Análise..................110 .Decisão...............................n) ..........Investimentos estratégicos........... 105 ........Identificação.........Análise económica........................................................Classificação devido á interdependência dos projectos.3 5.Preparação.......................4 5...................Investimento de expansão..110 .....................117 ..............Taxas equivalentes....1................3.........o) ...Análise financeira.............p) .....................................7 5........109 .......................118 6 A....Classificação dos Investimentos por objectivos…......................2..107 .....6.............3..Calculo da rentabilidade de um Fundo.3 5...............6..................... 106 .................................109 ........1...............Principais etapas de um projecto de investimento..........8....................2 5..............................m)...................... 105 ....9 5..........2...........100 5.......Investimento de substituição.......2 5.................. Fórmula e calculo...........................................................100 5.......6 5............3............117 ........108 ................................................6...............Estudo técnico do investimento......... Financeira – 2010 ........Investir no sector produtivo .....................................8..Valor residual do investimento.Investir em imóveis .....4 5............................................................................1 5........ 105 .. 5......... 106 .............2 5...Execução.101 5....................................2..2..110 ............................109 ...................4 5................. 107 ..........5 5...... 107 ..5.........8.......2............2...... 106 .........................................Critérios de análise...........9................ 106 .....8............. 108 ......Análise de competitividade.........................8 5..........112 ...................................................1.......Elementos a considerar no estudo de um projecto de investimento.......3 5.3........................ 105 .1 5......................Métodos de previsão.....................8...3............................Investimento de inovação ou modernização................8.................................2...........................1 5....12 ....10 5...................................3 5..Investir em bens de reserva de valor .......

.16........Taxa interna de rendibilidade....................... 121 .. ...............3 5........Noção de actualização........................... 123 ........16 5...................1 5.....1 5.........2 ........Oferta Pública de Aquisição………........Valor Actual Liquido....................... factoring e leasing…………..Titularização de Créditos (Securitization)…..............................…........................………...16...………........................... 128 ..................................................……………….............2.....…........2 5.............................16.........2....5..Fórmula............Franchising …………………………….....................…...15............134 5.……….........126 ..........…….1 5.......Internas ...............……….…….........16..... Financeira – 2010 ...Management Buy Out………..…………………….........Externas .135 5..13.....13 5.2....2........Taxa de Capitalização...….........16...130 ....Período de reembolso.133 5.. 118 .............4 .............…………….............2 5...Critérios da análise de investimentos.........1 – Empréstimos Bancários e Obrigacionistas………...2..……….............…………....…......................................12.…..................16..16........5 ................………..........15 5........2 5..Capital de risco………………………….... 119 .........Garantia Mútua…….15...…......130 ..........................2.........6 .........16........2.......16....……........15.132 5...10 .....130 5.....131 5.......... 120 .............2.2....................7 ..........4 5.Linha de crédito...........134 5.........2....…………...15............Calculo da taxa a utilizar....Management Buy In………………......... 118 .………136 7 A....………………………………............ 122 .....…………135 5.14 5......16.............Business angels ……………………………......................8 ..... 118 ....16..................12....……………………135 5..... 118 .....…..........................9 .Fontes de financiamento ..2..........……...14...........……135 5.............1 5.....128 .....Fórmula....……….....16..1 5..........3 ...Os meios libertos ou cash-flow de investimento..Índice de rendibilidade...................13........Capitalização ....Cash-Flow............................…….……................

.....................Tipos de factura da empreitada .......................10 6...........4 6................................................. e as notas de crédito .......................Factura provisória ..............................6 6............................Noção de empreitada…..138 ......................138 .................... 142 6....8 6............... 145 ..............................O Auto de Medição .....7 6.5 6...CAP 6 ............. 147 8 A..........................................Juros de mora ........................... 139 .................138 ...............................O Pagamento ..............................138 .................................9 6........situação ...................................................... 141 ...............138 ...........................................................................Cálculo ...............Factura comercial ..............................................................................3 6................................Factura proforma ....................PAPERS.........................Quando facturar ..........................................................11 6....... 139 ..............12 Cap 7 ..1 6.....................V.....................O I.........medidas a tomar ….....Saldos das contas clientes.......A................. 143 ............................ Financeira – 2010 .........137 .............As obras em curso no final do ano ...... 141 .................................................................Garantias ...............................................Como montar o controlo ...... -CONTROLO FINANCEIRO DE EMPREITADAS............................................................ 139 ........O controlo de garantias bancárias ....2 6... 141 .................. 139 ...................................................

Financeira – 2010 .Cap I 9 A.

Conhecimento – facto ou dado recolhido de qualquer modo.3 . . Informação – respeita a dados ou conhecimentos avaliados para um fim específico.“A contabilidade é uma actividade de serviços.Requisitos da informação geral Oportunidade – estar disponível no momento em que é necessária. 1. a situação económica.Normalizada e harmonizada: tendências no início do século XXI. clientes.Desenvolvimento de sistemas de gestão para um melhor desempenho.Organizada segundo o método contabilístico: século passado.Contabilidade – missão e objectivos: . Dado – facto obtido mediante investigação empírica ou verificação. fornecedores.5 .Subsistema de informação financeira que a partir dos factos patrimoniais os regista em suportes próprios por forma a dar a conhecer aos múltiplos utilizadores.Normalizada: final do século passado.A sua função é proporcionar informação financeira sobre as entidades económicas com o fim de permitir a tomada de decisões face a diferentes alternativas” . processos de gestão.Informação como instrumento de gestão 1.Entender a informação como fonte de conhecimento dos negócios. metodologias.1 . 1. . Economicidade – estar subordinada ao princípio ou lógica do custo-benefício. . Credibilidade – permite aos seus utilizadores retirar conclusões idóneas. .4 . ..).Rudimentar: nos primórdios. financeira e monetária da organização.. e relação entre recursos e produção.Aumento da qualificação e competência dos seus recursos humanos. 10 A. 1. Financeira – 2010 . .Criação de uma atitude pró-activa para a inovação com todos os “stakeholders” (pessoal.Conceito de informação Facto – algo que acontece no mundo real e que pode ser observado.2 . 1. armazenado e sistematizado para futura referência e utilização.1 .Informação e gestão: Desafios aos gestores: .Evolução da informação contabilística: .

1.Público/ Administração pública 11 A. . .1.Proporcionar informação sobre a posição financeira da empresa.Financiadores/Trabalhadores .8 .Balanço.7 .9 – Utilizadores da informação contabilística . .Sistema de informação contabilística NTABILIDADE 1.Investidores/Accionistas .Objectivo da elaboração das demonstrações financeiras .Demonstração das alterações nos capitais próprios .Quadros de informação contabilística: SISTEMA DE INFORMAÇÃO . .6 .Auxiliar a tomada de decisão 1.Evidenciar o desempenho dos responsáveis da empresa. a sua situação económica e respectivas evoluções.Demonstração dos resultados.Fornecedores/Clientes .Demonstração dos fluxos de caixa. Financeira – 2010 .

ou seja.Conhecer a situação tributária dos sujeitos passivos. GASTO: consiste no valor dos fluxos representativos dos consumos ou utilizações dos meios pela empresa. .Elaborar estatísticas (Instituto Nacional de Estatística) . ou dos seu pagamento. A essa aquisição e respectiva obrigação financeira designa-se Despesa. independentemente da sua utilização ou consumo. ou seja. das vendas e da prestação de serviços ou seja. ou ao serviço que presta.Concorrência (Autoridade da Concorrência) .Obtenção de produtos (bens ou serviços aptos a serem vendidos ou utilizados pelos clientes).11 . ou seja. no direito a receber a contraprestação pecuniária equivalente ao bem que vende. Na venda de bens e prestações serviços. procede-se a um conjunto de transformações dos meios adquiridos pela empresa. uma entrada presente ou futura de meios líquidos para a entidade.Controlar a matéria tributável / lucro tributável . RENDIMENTO: representa o fluxo representativo da produção de bens. geram-se portanto novos fluxos (internos): . . A esse venda e respectivo direito financeiro designa-se Receita DESPESA: consiste na obrigação financeira do comprador correspondente a uma aquisição de bens ou serviços. Ao analisarmos a empresa em função dos fluxos reais internos. Financeira – 2010 .Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). ou seja. nas vendas e nas prestações de serviços. vendas e prestações de serviços.Fluxos da empresa Com a aquisição de bens e serviços. estamos atentos à forma como ela consome ou utiliza os seus recursos (meios) e gera os seus produtos e serviços. 1.10 . nasce a obrigação de efectuar o pagamento correspondente. RECEITA: consiste no direito financeiro do vendedor.Consumos ou utilizações dos meios ou recursos na produção. Para se assegurarem os fluxos reais externos de entrada dos fornecedores (despesas) 12 A. Para que os bens e serviços sejam postos à disposição dos clientes.Prevenir / evitar a fraude e a evasão fiscal. diminuições nos benefícios económicos da entidade.O Estado como utilizador da informação financeira .1. . aumentos nos benefícios económicos da entidade. uma saída presente ou futura de meios líquidos da entidade. nasce o direito de receber o valor correspondente.

e de saídas para os clientes (receitas) torna-se necessário proceder à correspondente contraprestação pecuniária .Tipos de fluxos Consoante os fluxos considerados.Gastos . assumimos diferentes perspectivas que são evidenciadas por diferentes demonstrações financeiras: Tipos de Fluxos Fluxos Monetários .Demonstração dos Resultados Monetária Fluxos Financeiros .Recebimentos Perspectiva Demonstrações Financeiras Demonstração dos Fluxos Caixa .Despesas .( recebimentos e pagamentos) RECEBIMENTOS PAGAMENTOS RECEITAS DESPESAS Óptica financeira (BAL/DVCP) Balanço Demonstração das Variações do Capital Próprio Óptica económica (DR) Demonstração dos Resultados (Por Natureza ou Funções) Óptica monetária (DFC) Demonstração de Fluxos de Caixa RENDIMENTOS GASTOS 1.Receitas Financeira Fluxos Económicos .Balanço .11.Pagamentos .Demonstração das Alterações no Capital Próprio .Fluxos monetários. Financeira – 2010 .1 .Rendimentos Económica (por Natureza ou por Função) 13 A.

Banco de Portugal . 1. industrial ou agrícola. Esta é uma medida que permitirá a convergência internacional em matéria de relato financeiro.1. não realizem na média dos últimos três anos.Comissão de Mercado de Valores Mobiliários Ficam dispensadas da aplicação do SNC (artigo 10º) as pessoas que. 14 A.2 . Lei.Instituto de Seguros de Portugal .Norma Contabilistica e de Relato Financeiro para Pequenas Entidades Para estas entidades.000 € 1.12 . um volume de negócios superior a 150.Sociedades abrangidas pelo Código das Sociedades Comerciais .12.Estabeleciemntos individuis de responsabilidade limitada .Empresas públicas . mais acessível e de mais fácil aplicação.12.1 .SNC – Aplicabilidade ( Decreto Lei nº 158/2009 de 13/7/2009 ) É obrigatóriamente aplicável às seguintes entidades: .PE).13 .O que é o SNC? Conjunto de normas coerente com as normas internacionais de contabilidade em vigor na União Europeia.consideradas de “menor dimensão” foi especificamente criada uma norma designada Norma Contabiisitica e de Relato Financeiro para Pequenas Entidades (NCRF.Empresas individuais reguladas pelo Códiço Comercial . 1. as exigências contabilisticas mais comuns a esse universo.Cooperativas .Sistema de Normalização Contabilística (SNC) O SNC é o novo modelo de normalização contabilística aprovado em Conselho de Ministros a 23 de Abril de 2009. exercendo a título individual qualquer actividade comercial. que permite delimitar e simplificar num único documento. Financeira – 2010 . O artigo 5ª do Dec.Agrupamentos complementares de empresas e agrupamentos europeus de interesse económico. exclui a aplicação do SNC às entidades sujeitas à supervisão do: .

• Modelos de Demonstrações Financeiras (MDF) Publicados em Portaria do Ministério das Finanças e contemplam modelos para as demonstrações financeiras previstas no SNC. Nota: Qualquer entidade pode optar pela aplicação do conjunto das NCFR.1.13.Limites para uma empresa ser considerada uma Pequena Entidade São consideradas Pequenas Entidades (PE) pelo enquadramento do SNC as empresas cuja dimensão não ultrapasse dois dos três limites seguintes: .000.000 .Instrumentos do Sistema de Normalização Contabilística (SNC • Bases para a Apresentação de Demonstrações Financeiras (BADF) Estabelecem os requisitos globais que permitem assegurar a comparabilidade quer com as demonstrações financeiras de períodos anteriores da empresa quer com as de outras empresas.000 .Número de trabalhadores empregados em média durante o exercício: 20 Portanto as empresas que não ultrapassem nenhum ou que só ultrapassem 1 destes 3 limites.14 .Total das vendas liquidas e outros rendimentos : € 1. • Código de contas (CC ) Quadro síntese de contas.Total do balanço : € 500. 1. (lista codificada de contas)) • Normas Contabilísticas de Relato Financeiro (NCRF) • Norma Contabilística e de Relato Financeiro Pequenas Entidades(NCRF-PE) • Normas Interpretativas (NI) Esclarecimentos e orientações 15 A. Financeira – 2010 . são consideradas PE e por isso podem adoptar a NCRF-PE.1 . mesmo que a sua dimensão apenas obrigue à aplicação da NCRF-PE.

Financeira – 2010 .Uma demonstração de alterações do capital .14. inclui: .Um balanço.Uma demonstração de resultados.Um anexo em que se divulguem as bases de preparação e políticas contabilísticas adoptadas e outras divulgadas pelas NCRF.Uma demonstração de fluxos de caixa.1.O que se entende no SNC por demonstrações financeiras? No âmbito do novo sistema de normalização contabilística. próprio.1 . . Que riscos corre uma empresa que não cumpra no prazo previsto pela lei o novo modelo de contabilidade e fiscalidade? As empresas que estejam sujeitas ao SNC e que não apliquem qualquer das disposições constantes nas Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro (NCRF) cuja aplicação lhe seja exigível. 16 A. é punida com coima de 500€ a 15000€. . um conjunto completo de demonstrações financeiras. .

fornecedores. quer todos os activos ou passivos financeiros mensurados ao justo valor. financiadores.Reclassificação das Contas POC/SNC Com o novo normativo será importante fazer uma reclassificação do sistema POC para o sistema SNC. accionistas. Reservas e Resultados Transitados (manteve nome) Valor aplicado pelos sócios. 3 Inventários e Activos Biológicos.14. pessoal. 4 Investimentos (Ex Imoblizações) Bens e direitos com continuidade e permanência e que não se destinam a ser vendidos ou transformados no decurso normal da actividade. 17 A. como mostrado no quadro abaixo. quer sejam da propriedade da própria entidade. bem como os resultados transitados. Estado. quer estejam em regime de locação financeira. (Ex Existências) Inclui os inventários (existências) e os activos biológicos (animais e plantas vivos). Os diferimentos e as provisões também são incluídos para permitir o registo dos gastos e dos rendimentos no período a que respeitam. Financeira – 2010 .2 . 1 Meios Financeiros Líquidos. quer o dinheiro e depósitos bancários. 5 Capital. (Ex Disponibilidades) Destina-se a registar os meios financeiros líquidos que incluem. bem como outras operações com terceiros que não tenham cabimento nas contas anteriores ou noutras classes específicas. 2 Contas a Receber e a Pagar (Ex Terceiros) Destina-se a registar as operações relacionadas com clientes. cujas alterações sejam reconhecidas na Demonstração de Resultados.1.

que não sejam as relacionadas com distribuições aos participantes no capital próprio. 8 Demonstração de Resultados Evidencia a posição económica ou de desempenho da empresa através da relação entre os rendimentos obtidos e os gastos incorridos 18 A. que não sejam os relacionados com as contribuições dos participantes no capital próprio. Financeira – 2010 . 7 Rendimentos (Ex Proveitos) Os rendimentos são aumentos nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de influxos ou aumentos de activos ou diminuições de passivos que resultem em aumentos no capital próprio.6 Gastos ( Ex Custos) Os gastos são diminuições nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de exfluxos ou deperecimentos de activos ou na incorrência de passivos que resultem em diminuições do capital próprio.

Na predição da capacidade da entidade para gerar no futuro caixa e equivalentes de caixa -Na predição de futuras necessidades de empréstimos. É útil . sendo colocadas na coluna as quantias líquidas. enquanto que o POC tem a lógica baseada na conta. pela sua liquidez e solvência. de como os lucros futuros e fluxos de caixa serão distribuídos entre os interessados e sucesso que terá em conseguir fundos adicionais .Na predição da capacidade da entidade para satisfazer os seus compromissos financeiros à medida que estes se vencerem.SNC 1.15 . que é afectada pelos recursos económicos que a entidade controla.1. quer a Curto Prazo. O SNC tem uma lógica de entendimento da operação e dos agregados envolvidos.Balanço Informação acerca da posição financeira.1. pela sua estrutura financeira.Demonstrações Financeiras . 19 A. Financeira – 2010 .15. quer a Médio/Longo Prazo O SNC – Balanço passa a assumir uma forma vertical pelo facto do activo passar de três para apenas uma coluna de valores.

Patentes e direitos. Podem ser: . São o inverso do anterior. Financeira – 2010 . vendido ou consumido. no decurso do ciclo operacional normal da empresa .Locações. .É detido essencialmente com a finalidade de ser negociado .Activos fixos intangíveis (Nova denominação).Se espera que seja realizado num prazo inferior a 12 meses a contar da data do balanço . Estes activos podem ser: . .Máquinas.Activos detidos para venda e unidades operacionais descontinuadas (Novo).Propriedades de investimento (Novo).Quando se trata de dinheiro ou equivalente (não existindo restrições quanto à sua utilização). . .Se espera que seja realizado.Activos fixos tangíveis (Nova denominação).Activos contingentes (Novo).Activo É um recurso controlado pela empresa como resultado de acontecimentos passados e do qual se espera que fluam para a empresa benefícios económicos futuros BENS E DIREITOS Activo corrente Um Activo deve ser considerado como corrente quando: .Activos biológicos (Novo). 20 A. . . Activo não corrente.

Financeira – 2010 .Balanço Activo 21 A.

Passivo e Capital Próprio 22 A. Financeira – 2010 .

Fornecedores. Corresponde ao interesse residual. Passivo não corrente Os passivos não correntes podem ser: . . Passivo corrente Um Passivo deve ser considerado como corrente quando: . Financeira – 2010 .Empréstimos a menos de 12 meses.Obrigações. Capital próprio É o interesse residual nos activos da empresa depois de deduzir todos os seus passivos . da liquidação da qual se espera que resulte um exfluxo de recursos da empresa OBRIGAÇÕES Deve-se ter sempre presente a distinção entre uma obrigação presente e um compromisso futuro. Activos – Passivos.É detido essencialmente com a finalidade de ser negociado .Empréstimos concedidos de longo prazo. . RESPONSABILIDADE PERANTE OS ACCIONISTAS 23 A.Passivo e Capital Próprio Passivo É uma obrigação presente da empresa proveniente de acontecimentos passados.Se espera que seja liquidado num prazo inferior a 12 meses a contar da data do balanço Os passivos correntes podem ser: . ou seja.Se espera que seja liquidado. no decurso do ciclo operacional normal da empresa .

Financeira – 2010 .Balanço .Exemplo 24 A.

Exemplo 25 A. Financeira – 2010 .Balanço .

Resultados antes de impostos .Rendimentos Gastos e Resultados Rendimentos São aumentos nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de influxos ou aumentos de activos ou diminuições de passivos que resultem em aumentos no capital próprio.Na formação de juízos de valor acerca da eficácia com que a entidade pode empregar recursos adicionais.2. 26 A. . Financeira – 2010 . A sua forma no SNC vai assumir a forma vertical. Esta classe fica reduzida a apenas duas contas: . Resultados Destina-se a apurar o resultado líquido do período. que não sejam os relacionados com as contribuições dos participantes no capital próprio.Valor do imposto estimado para o período. que não sejam as relacionadas com distribuições aos participantes no capital próprio.1 .15. A anterior designação de proveitos (POC) passa a designar-se por réditos ou rendimentos (SNC) Gastos São diminuições nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de exfluxos ou deperecimentos de activos ou na incorrência de passivos que resultem em diminuições do capital próprio.15. A anterior designação de custos (POC) passa a gastos (SNC).Na predição da capacidade da entidade para gerar fluxos de caixa a partir dos seus recursos básicos existentes. 1.Demonstração de Resultados Pretende evidenciar a posição económica ou de desempenho da empresa através da relação entre os rendimentos obtidos e os gastos incorridos.1. É útil .2 .

Gastos (Ex Custos e Perdas). Financeira – 2010 . Gastos e perdas suportadas pela empresa respeitantes ao período.Demonstração de Resultados Rendimentos (Ex Proveitos e Ganhos) Rendimentos e ganhos obtidos respeitantes ao período. 27 A.

Demonstração de Resultados 28 A. Financeira – 2010 .

as restantes entidades abrangidas pelo SNC. são obrigadas a apresentar a demonstração das alterações no capital próprio 29 A.1. Encontra-se subdividida nas alterações provocadas pelos resultados líquidos.Demonstração alterações Capital Próprio É um documento que pretende demonstrar. de um exercício económico para o outro. pelos detentores do capital e por outras alterações no Capital Próprio. justificar e explicar as modificações ocorridas na composição e valor do Capital Próprio através das respectivas rubricas. Excepto as pequenas entidades que estão dispensadas. No fundo. Financeira – 2010 .15.3. explica como variou o Património Líquido da entidade. Dá aos utilizadores informação útil de explicação da variação ocorrida na Posição Financeira da empresa.

Financeira – 2010 .Demonstração alterações Capital Próprio 30 A.

4.Fluxos de caixa Compreende: . reembolsar empréstimos e fazer distribuições aos seus proprietários.1 . satisfazer pagamentos de juros.Demonstração dos Fluxos de Caixa 1.15.15.15. 31 A.4 . Financeira – 2010 . Os fluxos de caixa são entradas /recebimentos e saídas /pagamentos de caixa e seus equivalentes 1.Os equivalentes de caixa São investimentos financeiros a curto prazo. .Da capacidade da entidade para gerar caixa.Demonstração de fluxos de caixa Serve para avaliar: .1. altamente líquidos que sejam prontamente convertíveis para quantias conhecidas de dinheiro ( maturidade inferior a três meses) e que estejam sujeitos a um risco insignificante de alterações de valor.2 .Da capacidade de uma entidade para pagar aos seus empregados e fornecedores.O dinheiro em caixa e em depósitos á ordem .4.

Financeira – 2010 .Demonstração dos Fluxos de Caixa 32 A.

vendas e despesas. despesas e vendas (tesouraria de exploração) deverá ter em conta a contabilidade orçamental e aos valores do ano anterior aplicar a percentagem de crescimento ou diminuição. permitindo obter assim o saldo de tesouraria previsional ao longo do ano.Orçamento de Tesouraria – Elaboração Para a elaboração do orçamento de tesouraria é necessário conhecer mês a mês as previsões de compras.16 . Orçamento Tesouraria de exploração: 33 A. Financeira – 2010 .1 .O orçamento de tesouraria O orçamento de tesouraria corresponde à previsão de todos os recebimentos e pagamentos da entidade mês a mês. é necessário ter em conta a amortização dos empréstimos. 1. Na estimativa das compras. Para os pagamentos e recebimentos relacionados com o financiamento.1.16. Na previsão dos investimentos deverá efectuar uma relação pormenorizada de todas os investimentos a efectuar ao longo do ano. transferências e investimentos e seu financiamento. assim como todos os encargos financeiros tais como os juros.

dão origem ao orçamento de tesouraria. o Balanço Previsional e a conta de Exploração Previsional.Orçamento Tesouraria de Investimentos Orçamento Tesouraria de Financiamento Estes 3 sub-orçamentos. o qual inclui todos os pagamentos e recebimentos previstos na actividade de exploração da empresa. 34 A. Financeira – 2010 . dos investimentos e do seu financiamento.

.16. análise das causas que o originaram e a introdução das medidas correctivas. Exemplo de Orçamento de Tesouraria Anual Recebimentos 35 A.Controlo do orçamento de tesouraria O orçamento de Tesouraria é um instrumento indispensável de gestão e controlo financeiro a curto-prazo.2 . Financeira – 2010 . É importante que o gestor financeiro efectue reanálises regulares do orçamento de tesouraria. No orçamento de tesouraria é necessário efectuar um controlo periódico dos desvios.1.

pelo facto de os recebimentos serem superiores aos pagamentos (verificou-se um aumento de capital de 1.600 €.500 €). Em Fevereiro o saldo previsional de tesouraria é positivo em 650 €.000 € o qual foi apenas financiado nesse mês por 4. em resultado essencialmente do investimento efectuado de 6. 36 A.300 €. verificamos que em Janeiro o saldo previsional de tesouraria é negativo em 1. Financeira – 2010 . O saldo final do ano da tesouraria é positivo em 3.000 €.Exemplo de Orçamento de Tesouraria Anual Pagamentos Jan Fev Total Neste exemplo.

É então necessário encontrar formas de antecipar esta situação.Déficit de Tesouraria No caso de saldo negativo (deficit) o gestor vai prever a forma de financiamento a curto-prazo. 1. Deste modo.16. a qual será positiva ou negativa. para evitar situações de ruptura. 1. Este facto. terrenos. etc). as quais poderão ter prazos médios de pagamento a fornecedores reduzidos ou uma reduzida rotação dos seus stocks.Superavit de Tesouraria Inversamente. crédito bancário a curto prazo (apoio à tesouraria). Esta regra pressupõe financiar com capitais permanentes (capital próprio ou empréstimos de longo-prazo) os investimentos em imobilizado (equipamentos. negociar alargamento de prazo de pagamentos a fornecedores.2 . etc. o que implica que o valor das compras já pagas aos fornecedores não tenha ainda sido recebida. se o saldo for positivo (superavit) o gestor poderá aplicar esse excedente em aplicações financeiras obtendo assim juros.16. poderá antecipar pagamentos para obter des€ financeiros.Tesouraria Deficitária vs Tesouraria Excedentária: O orçamento de tesouraria permitirá ao gestor conhecer mês a mês. factoring (adiantamento das facturas a crédito). Esta tesouraria positiva deverá ser optimizada no sentido de aumentar os resultados por juros recebidos em aplicações ou des€ por pagamento a pronto. se a entidade irá necessitar de mais fundos do que aqueles que são libertados pelos proveitos e custos da empresa e de quando irá necessitar em cada momento.3. Esta situação de tesouraria deficitária é também frequente em organizações saudáveis e rentáveis.1 .Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo Em complemento à elaboração do orçamento de tesouraria.1. esta diferença estará a ser paga pela tesouraria corrente. Esta é uma das principais razões da asfixia de tesouraria de muitas organizações. tais como: empréstimo a curto-prazo.3 . 1. o gestor deverá ter em conta um aspecto essencial que é a Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo. se os investimentos forem superiores ao financiamento de longo-prazo. isto é.etc. 37 A. implica dificuldades imediatas de tesouraria. Assim. Financeira – 2010 . Se esta condição não estiver satisfeita.17 . pois os recebimentos de exploração estarão a financiar um investimento a longo prazo. o estado da tesouraria da empresa ao longo dos vários meses do ano.16. poderá prever a tempo e horas eventuais faltas de fundos. necessidades de financiamento e excessos de tesouraria e tomar também as medidas mais convenientes.3. o Orçamento Tesouraria Anual irá prever em dinheiro.

por vezes.19 . que permite fundamentar as decisões de aplicação ou solicitação de fundos Gestão Diária de Tesouraria b) Gestão de Bancos . e a garantia de que estes se encontram integralmente reflectidos na Contabilidade c) Contabilização de Pagamentos e Recebimentos 38 A. Financeira – 2010 ..e. 1.1. A fim de se dar um crescimento sustentado das organizações é de extrema importância que os fluxos de caixa (cash flow’s) sejam devidamente planeados e controlados.Verificação da conformidade dos saldos apresentados nos extractos das contas correntes bancárias. problemas de liquidez (i.esta actividade consiste na realização das seguintes tarefas: Previsão Financeira . ignoram esta área.18 . No entanto alguns gestores. bem como gerir e incrementar os recursos financeiros disponíveis.O Serviço de Tesouraria Tem como função efectuar/autorizar os pagamentos. São englobados no serviço de Tesouraria a realização das seguintes tarefas: a) Orçamentação e Controlo de Tesouraria . registar os recebimentos e efectuar os devidos registos contabilisticos.A importancia do fluxo de caixa (liquidez financeira) Muitas entidades que reportam resultados positivos têm.Ferramenta de gestão de Tesouraria. por diversas razões.Este processo engloba as seguintes actividades: Contabilização de documentos bancários Certificação das contas bancárias . dificuldade e incapacidade para assumir os seus compromissos a curto prazo).

Compara valores do balanço (no ano X).1 . Refere-se a um determinado momento da vida da empresa e relaciona várias grandezas integrantes do BALANÇO. principalmente as correctivas para remediar uma situação indesejável. considerando a variável tempo.2 . sem considerar a variável tempo.Análise estática (1) Conceito Todos os elementos de analise estão referidos ao mesmo momento ou período de tempo. Financeira – 2010 .Análise em função da variável temporal 1. Ex: Fundo de Maneio (do ano X)= Cap. (do ano X) 1. Analisa a situação da empresa em momentos diferentes.Análise dinâmica (1) Conceito Nesta analise uns elementos referem-se a um período e pelo menos algum elemento a outro período diferente.1.20.Permanentes (do ano X) – Activo Fixo.20 .20. Ex: Comparação do: F Maneio (do ano X) com o F Maneio (do ano Y) e com o F Maneio (do ano Z) (1) Tema a desenvolver aquando da execução de exercicios práticos 39 A. Facilita a previsão e a tomada de decisões.

CAP II 40 A. Financeira – 2010 .

por cada 4 unidades monetárias produzidas do bem Y . Um RACIO pode ser expresso com um quociente ou com uma percentagem.1 Designação Designa-se por RACIO um quociente ou uma relação característica entre duas grandezas.000 (1) (2) (1) Horas de trabalho x custo da hora (2) 60 H x 500 u.000 -----------------------.= ------------. Estas duas grandezas podem ser traduzidas em unidades físicas ou monetárias. pois reflecte melhor a evolução da produtividade geral . Financeira – 2010 . devemos considerar a produtividade do trabalho.2 – Rácios 2.= 4 Factores produtivos utilizados 50. se utilizou 1 unidade monetária referente a factores produtivos. Produçao 200.Racios tecnicos São indicadores referentes á produtividade e exprimem a eficiência dos factores produtivos na produção. INDICADOR DA PRODUTIVIDADE GLOBAL Trata-se de uma razão entre a produção realizada e os facto res utilizados nessa produção.6 População activa 30. O interesse dos RACIOS reside essencialmente no facto de permitirem comparações intertemporais e interempresas.= 6.000 Significa que.6 unidades monetárias do produto por cada unidade monetária de salários 41 A.= ------------. Ou seja 6.2 . Produção 200.000 -----------------------------------------. INDICADOR DE PRODUTIVIDADE DO TRABALHO Para uma melhor análise da medida de eficiência atrás referida.m. 2.

Financeira – 2010 . 42 A. Resultados efectivos Lucro efectivo -----------------------------.= ---------------------Resultados previstos Lucro previsto Traduz o grau de alcance dos objectivos previamente fixados. Resulta da comparação entre os resultados obtidos e os resultados previstos. permitindo correcções futuras ou na execução e/ou na previsão.INDICADOR DE ECONOMICIDADE Este rácio visa atingir níveis previamente fixados.

ou com médias de sector. Financeira – 2010 . sob pena de se tirarem conclusões no mínimo com pouco significado. Algumas das limitações a referir são: . . 2. devendo pois ser usado com prudência. 43 A. 2.Os rácios tratam apenas dados quantitativos. a liquidez.2. convém alertar que este instrumento tem algumas limitações. dos rendimentos. a qualidade dos gestores. Assim. a solvabilidade.A comparação de rácios entre empresas do mesmo sector.Não existe uma definição normalizada a nível nacional e muito menos internacional de cada rácio. vendas intempestivas de existências à data do balanço.5 .4 – Rácios financeiros São os que analisam os aspectos financeiros.Decisões de curto prazo podem afectar profundamente os documentos financeiros e os rácios que lhes estão inerentes. a capacidade de autofinanciamento.3 . . Por exemplo. Não têm em consideração factores qualitativos como a ética. a capacidade técnica dos quadros. etc. etc. tais como a estrutura financeira. senão mesmo incorrectas. dois analistas podem calcular um mesmo rácio para a mesma empresa com valores diferentes. pode ser falseada pelas diferenças das práticas contabilísticas da empresa.Rácios económicos Pretendem revelar aspectos da situação económica como a estrutura dos gastos. a motiva ção.Limitaçoes dos rácios Numa altura em que a técnica dos rácios se vulgariza e se utiliza com frequência para quase todos os fins. etc. .

CAP III 44 A. Financeira – 2010 .

Gastos normais Este rácio exprime a percentagem de remuneração dos capitais próprios da empresa.X 100 CAPITAL SOCIAL CAPITAL SOCIAL RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS TOTAIS (OU ECONOMICA) LUCRO ---------------------------.1 .Medem a capacidade que todos ou parte dos capitais postos à disposição da empresa. RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS PROPRIOS LUCRO OPERATIVO ----------------------------------.Rácios Analisam a evolução e a formação do lucro e do autofinanciamento .3 – Análise económica 3. maior é a capacidade de autofinanciamento da empresa.X 100 E ----------------------------. RENDIBILIDADE NA OPTICA DOS ACCIONISTAS LUCROS DISTRIBUÍDOS LUCRO LIQUIDO --------------------------------------. têm de originar resultados.X 100 ACTIVO (TOTAL) Mede a capacidade que todos os capitais postos á disposição da empresa tem em originar resultados 45 A. Quanto mais elevado for. RACIOS DE RENDIBILIDADE DA EMPRESA . Financeira – 2010 .x 100 CAPITAL PRÓPRIO em que Lucro Operativo = Rendimentos normais .

Variação das quantidades vendidas Daqui se infere que o aumento da rendibilidade das vendas é função das variações do preço de custo e/ou de venda.CUSTOS ---------------------------------------------------------------------------------------.= -----------------------------. Pode ser alterado por: .X -----------------------------ACTIVO TOTAL VENDAS LIQUIDAS ACTIVO TOTAL (1) (2) (3) Daqui se infere que a Rendibilidade dos capitais dependerá : . 46 A.Do numero de escudos vendidos por cada escudo investido (3) RENDIBILIDADE DAS VENDAS PREÇO MÉDIO VENDAS X QUANT. Financeira – 2010 . VENDIDAS .X 100 PREÇO MÉDIO VENDAS X QUANT.Do lucro obtido por escudo vendido(2) .EQUAÇAO FUNDAMENTAL DA RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS (1) Engloba a: RENDIBILIDADE DAS VENDAS (2) e a ROTAÇÃO DE CAPITAIS (3) LUCRO LUCRO VENDAS LIQUIDAS ------------------------. VENDIDAS Este rácio define o montante do lucro que se origina por cada 100 unidades monetárias.Variação do preço de venda .Variação do preço de custo .

Financeira – 2010 .ROTAÇAO DOS STOCKS (Tempo médio em meses) INVENTÁRIO (EXISTÊNCIAS) ----------------------------------------------.Redução do Activo mantendo vendas constantes . devem-se reduzir as dívidas dos clientes. nomeadamente no que diz respeito aos stocks em armazém. Estes devem ser reduzidos ao mínimo de modo a realizar vendas rentáveis com um stock limitado.ROTAÇAO DO ACTIVO CORRENTE VENDAS LIQUIDAS --------------------------------ACTIVO CORRENTE A rotação deste Activo reveste-se de especial importância.Aumento das vendas sem aumento do Activo . 47 A..Aumento das vendas e redução do Activo .Aumento das vendas em maior proporção ao aumento do Activo .X 12 VENDAS Exprime o tempo médio de transformação dos Inventários em disponibilidades. . na medida em que é ele que mais influencia a rotação do Activo Total. O aumento deste rácio dá-se por: . Assim. Por outro lado. é sinal de uma sã política a preocupação pela gestão deste Activo.ROTAÇAO DO CAPITAL OU DO ACTIVO Este rácio indica o grau de utilização dos activos VENDAS LIQUIDAS -------------------------------ACTIVO Representa a relação entre o montante de vendas de um período com o capital investido (Activo).

- TEMPO MEDIO DE RECEBIMENTOS CRÉDITOS (CLIENTES) -------------------------------------- X 12 VENDAS Indica qual o prazo médio de transformação dos créditos em disponibilidades. Um rácio alto é, em termos financeiros, desfavorável, mostrando por vezes ineficiência do departamento de cobrança ou falta de poder negocial da empresa perante os seus clientes. - TEMPO MEDIO DE PAGAMENTOS DÉBITOS (FORNECEDORES) ---------------------------------------------- X 12 COMPRAS Mede a velocidade com que a empresa costuma pagar as suas dividas aos fornecedores. Quanto mais baixo o seu valor, menor o grau de financiamento que os fornecedores fazem á exploração. Pode também revelar falta de poder negocial da empresa perante os seus fornecedores. Mas será de referir que um valor muito elevado pode identificar dificuldades da empresa em satisfazer as suas obrigações. ROTAÇAO DO ACTIVO FIXO VENDAS LIQUIDAS ------------------------------------ACTIVO NÃO CORRENTE Tem este rácio a finalidade de comparar o valor do montante das vendas de um período com o valor actual do Activo Não Corrente. A empresa deve vender os Activos Não Correntes com fraca rendibilidade e com poucas perspectivas futuras.

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A. Financeira – 2010

3.2 - Autofinanciamento - vantagens e inconvenientes Considerandos O Autofinanciamento desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da empresa. Permite assegurar o crescimento do activo económico sem recursos a terceiros, sem originar encargos financeiros directos - juros e reembolsos -. O autofinanciamento, além disso, aumenta a faculdade de obtenção de empréstimos por parte da empresa. O AUTOFINANCIAMENTO é o conjunto de recursos financeiros gerados na própria empresa e que são as AMORTIZAÇÕES, RESERVAS, PROVISÕES. As AMORTIZAÇÕES constituem uma verdadeira fonte de financiamento que proporciona disponibilidades á tesouraria e permite novos investimentos. De notar que as AMORTIZAÇOES são para a empresa uma fonte de financiamento muito especial, pois está isenta de impostos. As RESERVAS são constituídas pela fracção de lucro que, por decisão da assembleia geral ou por estatuto, não é distribuída aos accionistas, ficando na empresa para o seu financiamento. Como fonte de financiamento apresentam o inconveniente de recair sobre elas imposto. As PROVISÕES para gastos futuros ou para riscos ocasionados mas não realizados, constituem uma fonte de financiamento isenta de impostos. Importa mencionar que nem todas as PROVISÕES são Autofinanciamento. Com efeito, cada vez que uma provisão é constituída, com vista a fazer face a perdas ou a encargos claramente fixados, a empresa apenas disporá dos fundos por um período muito limitado, pois desaparecerão com a constatação do encargo. Como exemplo, refira-se o caso das provisões para créditos de cobrança duvidosa. Torna-se portanto necessário separar todas as provisões que são apenas encargos a prazo. Em compensação, é preciso tomar em consideração as provisões para depreciação dos títulos de participação ou dos empréstimos a mais de um ano que têm por objecto constatar uma depreciação real e portanto uma perda de capital Vantagens e inconvenientes do AUTOFINANCIAMENTO - Vantagens: Evita que a empresa se endivide de forma exagerada Permite às empresas que não podem ter acesso ao mercado financeiro, libertar os recursos necessários ao seu desenvolvimento. Não origina qualquer encargo de juro e reembolso. 49 A. Financeira – 2010

-Inconvenientes O Autofinanciamento não é gratuito. Tem um custo em juros já que as somas disponíveis poderiam ser colocadas no exterior em aplicações lucrativas.

3.2.1 - Autofinanciamento, liquidez e disponibilidade O autofinanciamento anual (quando positivo) significa um aumento da liquidez da empresa, mas não necessariamente das suas disponibilidades, pois aquela pode ser automática ou deliberadamente absorvida por outras rubricas do activo ( v.g., crédito concedido aos clientes);assim importa distinguir os conceitos de liquidez e disponibilidade A liquidez (entendida como grau de liquidez) de um elemento activo consiste na sua aptidão para se converter a curto prazo em meios monetários (meios financeiros liquidos);a disponibilidade (grau de disponibilidade) de um elemento activo é revelada pela sua aptidão para se transformar imediatamente em meios monetários. O que acabámos de afirmar permite-nos concluir que, quanto maior for o nível do autofinanciamento anual, maior será o grau de liquidez por si gerado, dependendo as variações das disponibilidades (durante o período de referência) dos seguintes aspectos primordiais: - Política de concessão de créditos a clientes - Política de formação de stocks - Política de obtenção de crédito - Política de investimento em capital fixo - Política de distribuição de lucros

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A. Financeira – 2010

Financeira – 2010 .CAP IV 51 A.

ao mesmo tempo. 2) Qual a sua aptidão para gerar valor ou rendimento. pois eles correspondem á estrutura de capitais da empresa e á forma como se processou a obtenção dos resultados.4 – Análise financeira 4. 52 A.1 . independentemente de ter sido boa ou má. a rendibilidade e a produtividade. Financeira – 2010 . Daqui se infere que cabe á ANALISE FINANCEIRA determinar em que medida são conseguidos os objectivos gerais e particulares que correspondem ao conjunto das tarefas que integram a função financeira Assim a ANALISE FINANCEIRA deve dar resposta a duas questões fundamentais: 1) Em que medida a empresa dispõe dos meios financeiros adequados às suas necessidades operacionais. no lucro e no valor acrescentado. por forma a poder funcionar com independência perante terceiros. Estamos perante o estudo do equilíbrio financeiro em geral e da liquidez e solvabilidade em particular. 4. Não evidencia a trajectória percorrida.1 .2. mas sim a situação num dado momento. Estamos perante problemas relacionados com o grau de eficiência da empresa.Introduçao Compete-lhe: A recolha de informações e o estudo por forma a se poder obter um julgamento seguro sobre a situação financeira da empresa. para dar satisfação adequada a todos os que dela participam. O balanço reúne em si todas as consequências da gestão passada.Tecnicas de analise 4. assegurar a sua permanência no mercado e a expansão da actividade. cuja tradução financeira assenta.Introduçao Já se fez referência aos balanços e ás demonstrações de resultados com sendo os elementos que servem de base á análise financeira/económica. e.2 . respectivamente. ou tem possibilidade de vir a deles dispor. e dos condicionalismos que afectaram a vida da empresa.

RECORRENDO AO PASSADO PARA SE PERSPECTIVAR O FUTURO é o que interessa numa análise financeira. tem vindo a degradar-se. com a seguinte evolução: Situação Financeira Muito boa GAMA Boa ALFA BETA Má -3 -2 -1 Anos 0 1 2 No momento actual (Ano 0 ) todas tem uma boa situação financeira. Assim o balanço e a demonstração de resultados que o apoia servirão de base para a tomada das medidas impulsoras e correctoras que coloquem a empresa numa evolução consentânea com os objectivos que se pretendem alcançar. A empresa ALFA apresenta-se estável. Financeira – 2010 .Será como que o ponto de partida para o futuro. demonstra grande vitalidade e antevê-se uma evolução favorável. A empresa GAMA tendo vindo de uma situação difícil. mas sim com os balanços de anos sucessivos (geralmente de 3 a 5) 53 A. partindo do principio que se conhece o presente e o passado. A empresa BETA que tinha uma situação muito boa. Consideremos as empresas ALFA. GAMA. BETA. ANALISAR O PRESENTE. Pretende-se com este exemplo chamar a atenção para o principio de que a análise financeira a uma empresa NUNCA deve ser feita somente com o último balanço.

de clientes Financiamentos obtidos 2010 + - 54 A.2.Em valores absolutos Através da comparação do último balanço da empresa com os anteriores. em termos absolutos. obtém-se uma visão directa e rápida da evolução da situação financeira.2. Apresenta-se seguidamente um exemplo sucinto do mapa de mutação de valores.4. MAPA DE MUTAÇAO DE VALORES 2009 ACTIVO Activo Não Corrente Propriedades de investimento Activos intangiveis Activos fixos tangiveis Activo Corrente Meios Financeiros liquidos Outros activos financeiros Estado Adiant.1 .2. a fornecedores Clientes Inventários CAPITAL PRÓPRIO Capital realizado Acções próprias Reservas legais Resultados transitados PASSIVO Passivo Não Corrente Provisões Fianciamentos obtidos Passivo Corrente Fornecedores Adiant.2 .Descriçao das varias tecnicas de analise Comparação de balanços e contas de resultados de exercícios sucessivos. Para o efeito elabora-se o mapa de mutação de valores. Financeira – 2010 . 4.

.4. Financeira – 2010 . a fornecedores Clientes Inventários 100 CAPITAL PRÓPRIO Capital realizado Acções próprias Reservas legais Resultados transitados PASSIVO Passivo Não Corrente Provisões Fianciamentos obtidos Passivo Corrente Fornecedores Adiant.Em percentagens Este método complementa o anterior e neste há todo o interesse em agregar as diversas rubricas nos grupos patrimoniais mais significativos COMPARAÇAO DE BALANÇOS SUCESSIVOS EM PERCENTAGENS 2003 Valor € ACTIVO Activo Não Corrente Propriedades de investimento Activos intangiveis Activos fixos tangiveis Activo Corrente Meios Financeiros liquidos Outros activos financeiros Estado Adiant.2.2.2. de clientes Financiamentos obtidos 100 55 100 100 100 100 % 2004 Valor € % 2005 Valor € % A.

Cap. Próprio.Em gráficos 2008 2009 2010 Passivo Activo Corrente Activo Corrente Passivo Corrente Activo Passivo Corrente Corrente Corrente Activo Passivo Activo Não Corrente Não Corrente Não Passivo Não Corrente Corrente Activo Não Corrente Passivo Não Corrente Cap. Próprio. 56 A.4.2. Financeira – 2010 . Próprio.2.3 . Cap.

Esta situação provoca geralmente dificuldades.3. Não há margem de segurança. significa: Fundo de Maneio negativo. significa: Todo o Capitais Corrente é financiado pelo Passico Corrente.3 . QUE FAZER ? Diminuir prazo médio de credito a clientes Tentar o aumento do prazo médio de pagamentos aos fornecedores Se este rácio é > 1.Os rácios na analise financeira No estudo do Balanço. QUE FAZER ? Diminuir prazo médio de credito a clientes Tentar o aumento do prazo médio de pagamentos aos fornecedores Recorrer ao crédito bancário Se este rácio é = 1. Pode no futuro ocasionar problemas como no caso anterior. utilizam-se os Rácios . Poderá haver dificuldades de Tesouraria.4. Podem ser expressos sob a forma de quociente ou sob a forma de percentagens. e dos prazos de exigibilidade das dividas do passivo corrente. Tudo depende dos prazos de disponibilidade dos elementos do Activo Corrente. significa : Estamos perante uma situação favorável. ACTIVO CORRENTE ---------------------------------PASSIVO CORRENTE Se este rácio é < 1 . A.relações entre os dados contabilísticos. LIQUIDEZ E TESOURARIA LIQUIDEZ GERAL Por liquidez entende-se a capacidade que a empresa tem de fazer face aos seus compromissos a curto prazo. Financeira – 2010 57 . É uma situação instável.

Para valores < 1 o Activo não tem capacidade de responder pelas dividas a pagar. Torna-se necessário recorrer a outros dois Rácios. 58 A. estamos a libertálo de um elemento cujo peso é normalmente elevado e que poderia levar a conclusões menos correctas da liquidez . oscilam entre 1. LIQUIDEZ REDUZIDA OU DE TESOURARIA ACTIVO CORRENTE – INVENTARIOS (Ex Existências) --------------------------------------------------------------------------------PASSIVO CORRENTE Ao expurgar dos Activoss Circulantes a componente Inventários.Os valores deste rácio. para uma empresa bem gerida.9 e 1. pelo que as dividas a pagar estão garantidas pelos bens da empresa. O rácio descrito não permite. As empresa bem geridas apresentam valores compreendidos entre 0. RACIO DE SOLVABILIDADE TOTAL ACTIVO TOTAL --------------------------PASSIVO Para valores > 1 o Activo é > que o Passivo. LIQUIDEZ IMEDIATA MEIOS FINANCEIROS LIQUIDOS -----------------------------------------------------PASSIVO CORRENTE Este rácio revela a capacidade que a empresa tem para liquidar imediatamente os compromissos a Curto Prazo.1. Financeira – 2010 .3 e 1. tirar conclusões determinantes sobre a verdadeira liquidez da empresa. SOLVABILIDADE E a capacidade de a empresa fazer face aos compromissos a médio e longo prazo. por si só.5.

FINANCIAMENTO DO ACTIVO CORRENTE (CIRCULANTE) O rácio PASSIVO CORRENTE ------------------------------------. O rácio de AUTONOMIA mostra o total de Capitais Próprios aplicados em cada 100 unidades monetárias do Activo. o total de capitais alheios (Passivo) aplicados em cada 100 unidades monetárias da Activo. Este rácio pode apresentar os seguintes valores: Igual a 100 Este valor leva a concluir que o Activo Corrente é igual ao Passivo Corrente .RACIOS DE AUTONOMIA E DEPENDENCIA FINANCEIRA CAPITAIS PRÓPRIOS AUTONOMIA = ----------------------------------. tendo um Fundo de Maneio igual a 0.X 100 ACTIVO CORRENTE Indica o total de unidades monetárias do Passivo Corrente que contribuíram para financiar 100 do Activo Corrente (Circulante). 59 A.X 100 ACTIVO TOTAL Mostram em que proporção a empresa utiliza os meios próprios e alheios que estão á sua disposição. ou seja.x 100 ACTIVO TOTAL CAPITAIS ALHEIOS DEPENDENCIA = ----------------------------------.(Passivo Não Corrente + Cap Próprios) Há uma margem de segurança. O rácio de DEPENDENCIA mostra a dependência financeira em relação ao exterior. O grau de autonomia varia em consequência da variação do Capital Alheio e/ou do Capital Próprio. Inferior a 100 O Activo Corrente foi financiado não só pelo Passivo Corrente. o FUNDO de MANEIO. mas também por Capitais Permanentes. Os dois rácios apresentados são complementares. Financeira – 2010 .

Financeira – 2010 . Inferior a 100 Os Capitais Permanentes são insuficientes. pelo que parte do Activo Não Corrente está a ser financiado pelo Passivo Corrente.Superior a 100 O Passivo Corrente apresenta um valor superior ao Activo Corrente e financiam parte do Activo Não Corrente. Não está de acordo com a regra de equilíbrio financeiro mínimo quando diz que os capitais utilizados devem permanecer na empresa num período correspondente pelo menos à duração do elemento activo que financiou. Há que ter cuidado. Situação perigosa e de dificil resolução. Superior a 100 Capitais Permanentes financiam o Activo Não Corrente e parte do Activo Corrente. 60 A. FINANCIAMENTO DO ACTIVO NÃO CORRENTE O rácio CAPITAIS PERMANENTES -------------------------------------------.x 100 ACTIVO NÃO CORRENTE informa o contributo em unidades monetárias dos Capitais Permanentes para o financiamento de 100 u. Se: Igual a 100 Os Capitais Permanentes financiam somente o Activo Não Corrente.m. do Activo Não Corrente.

Financeira – 2010 .CAP V 61 A.

Estes recursos financeiros investidos irão transformar-se depois em «activos reais» (máquinas. Financeira – 2010 . Para a Economia. Mas também se chama investimento à aquisição de um título de Estado.Análise de investimentos 5.5. Se o viajante quiser sentir emoções fortes. 62 A. "deleitar-se-á" com uma incursão no campo das ACÇOES. onde o FACTOR RISCO e o FACTOR TEMPO são igualmente importantes. no sentido em que quem investe não gasta o dinheiro em bens de consumo (para satisfação imediata de uma necessidade) mas põe-os de parte. estiver disposto a enfrentar campos minados. a viagem é calma e baseada no factor tempo. como. de um certificado de aforro: e é também investimento simples mente deixar o dinheiro na sua conta corrente. escritórios. da sua disponibilidade para o risco e do tempo que prevê dedicar à sua estada no país do investimento.Noção de investimento Por INVESTIMENTO entende-se a aquisição de bens com vista à sua utilização no processo produtivo e não para satisfação imediata de uma necessidade. a diminuição do preço do título do Estado.O terreno a explorar é fascinante e apresenta aspectos variados segundo as possibilidades de cada aforrador.. Claro que se o viajante se aventurar pelo terreno bem cultivado dos “ TITULOS DO ESTADO " terá a seu favor o factor TEMPO que irá favorecer consideravelmente o amadurecimento dos frutos (juros) a colher no final. Tudo depende do uso que é feito do dinheiro por quem o pede emprestado.1 . O RISCO é representado pela possibilidade de que se verifiquem factos que possam reduzir o prazer da viagem. Estes activos financeiros são investimentos para quem os faz. o rendimento que se pensava obter em troca da renuncia à utilização do dinheiro para outros fins. Porém. globalmente. na sua globalidade. ou seja. por exemplo. quanto mais longo for o tempo de aplicação do capital. de uma acção de uma empresa. Podemos comparar o Investimento a: Uma viagem que empreendemos com espírito de aventura e com o equipamento certo. O TEMPO e o RISCO O Tempo e o Risco são duas variáveis sempre presentes no investimento. Como é óbvio. Assim considera-se Investimento a aquisição de uma máquina escavadora ou de uma casa. os únicos investimentos são aqueles feitos em activos reais. etc. aqueles investimentos que se transformam em bens físicos. seja. Para tal deverá equipar-se contra possíveis abalos telúricos "accionistas" e preparar-se para combater ou abandonar o campo numa retirada mais ou menos estratégica. maior será a probabilidade de incidentes de percurso. ou. pois ("compram-se" depósitos bancários).). fabricas.

63 A. 4.Os títulos de participação em outras empresas (aquisição de acções de outras empresas com o objectivo de participação ou controlo). Uma receita que constitua a recuperação desta despesa e produza um excedente. material e apetrechos.Os investimentos técnicos (estudo e realização de novos processos e protótipos). existe investimento a partir do momento em que uma despesa é feita com o fim de obter ulteriormente uma receita que lhe seja superior. 2. bem como as prestações de serviços pelo pessoal ou por terceiros. De uma maneira geral. mas também as que tem como fim a aquisição de mercadorias. Investimento em sentido lato Engloba não só as despesas consentidas em equipamento.Na linguagem de negócios entende-se por INVESTIMENTO A AFECTAÇAO DE MEIOS FINANCEIROS A MODERNIZAÇAO E A EXPANSAO DOS EQUIPAMENTOS Esta noção é relativamente restrita. 3. mas todas as operações que consistem em transformar uma soma de dinheiro num elemento destinado a ser utilizado permanentemente pela empresa durante um tempo mais ou menos longo. de matérias primas. licenças e direitos de fabrico). material de transporte mobiliário. de matérias para consumo interno. considera-se que INVESTIMENTOS compreendem. visto que não compreende sequer a afectação de meios financeiros á substituição de equipamentos Investimento em sentido restrito Toda a despesa de meios financeiros com vista á aquisição de bens concretos duráveis de instrumentos de produção ( equipamentos ) e que a empresa utilizará durante muitos anos com vista á realização do seu objectivo social. Neste sentido (lato). Financeira – 2010 .As imobilizações (terrenos. quer dizer.Os investimentos comerciais (desenvolvimento da rede comercial). não somente as imobilizações.Os investimentos em investigação (despesas de pesquisa ou de estudos científicos e tecnológicos). 5. 6. construções.Os investimentos intelectuais (despesas de organização e aperfeiçoamento de pessoal). trespasses. traga um LUCRO. Os investimentos cobrem então: 1.

Sabe que. de modo a que o risco seja igualmente dividido. das quais se espera um rendimento de 15% então a média do rendimento (ponderada) do portfolio será de 10. Além da média. o segredo de uma boa diversificação consiste na escolha de actividades cujo rendimento não seja igualmente prejudicado por mudanças súbitas da cena económica.5. acções. Porque é importante que exista esta diversificação do investimento ? A resposta é simples: PARA DIMINUIR O RISCO Por conseguinte.([900+150]/100). também é preciso calcular os elementos de risco que incidem consideravelmente sobre o rendimento. A. imóveis. Assim. que dão um rendimento anual de 10 %. a primeira preocupação deve ser a de criar uma carteira (portfolio) de actividades diversas. Neste momento ele já sabe que tem que calcular os riscos. para limitar as surpresas de acontecimentos inesperados.1 . mas actividades que.1.1. Com efeito. títulos do Estado. e isto é o suficiente para constituir um conjunto de actividades financeiras. 5. se se utilizarem 90% do capital em títulos do Estado. tem de diversificar os investimentos de tal modo que os seus rendimentos não vão todos na mesma direcção. podendo. Na verdade.Diversificar para melhorar resultado Uma regra base que deveria orientar o comportamento do investidor é a aplicação do seu capital em actividades financeiras diversas. porque o investidor típico possui uma conta corrente no banco. não é difícil diferenciar os investimentos. e pode escolher o campo mais adaptado aos seus recursos para se medir com os factores «TEMPO» e «RISCO». perante a mesma situação. Desta forma. O limite teórico e prático desta formula é que dificilmente se consegue encontrar um número de actividades que tenham reacções muito diferentes perante um choque externo. simultaneamente privilegiar outras. menor é o risco que o investidor corre. Sabemos que as situações imprevistas podem mudar o curso dos acontecimentos e fazer cair as cotações de algumas actividades financeiras. logo de inicio.2 O mecanismo da alavanca Voltemos ao investidor que se aventurou no mundo complicado dos investimentos e que quer sair dele da melhor forma possível. Financeira – 2010 64 . se se fala de investimento. haverá maiores probabilidades de as descidas na cotação de um título serem compensadas por eventuais subidas de outros títulos. e os restantes em acções da Bolsa.5%. Torna-se então claro que quanto mais alto for o número de actividades constantes do portfolio. tenham reacções opostas.

por isso as aplicações diferentes significam. possuir muito capital. pode ser superada por um mecanismo particular que multiplica o rendimento na mesma proporção do capital investido. mas nem sempre se tem à disposição o capital suficiente para satisfazer todos estes requisitos. Esta falta de capital. no entanto. Estamos perante o EFEITO DE LEVIER OU EFEITO ALAVANCA. Existem limites mínimos para cada investimento. 65 A. na prática. Valorização dos capitais próprios da empresa através do recurso ao capital alheio. Financeira – 2010 .Tudo isto é claro.

Por ex. . títulos de participação.As operações de bolsa realizam-se através de sistemas de negociação adequados.Os valores mobiliários que aí se negoceiam são previamente admitidos à negociação. a compra e venda de valores mobiliários realiza-se através de ordens de compra e ordens de venda.a Bolsa de Valores de Lisboa (BVL) e a Bolsa de Derivados do Porto (BDP) . até há bem pouco tempo existiam. para a negociação de operações 66 A. introduzem ofertas no sistema de negociação bolsista. 5. .2 a) Introdução Os mercados de valores são espaços onde um conjunto indeterminado de pessoas pode realizar negócios sobre valores mobiliários. acções.É disponibilizada aos investidores toda a informação relevante quer pela entidade que emite os valores mobiliários. obrigações. respectivamente. Na mesma bolsa podem ser criados mercados diferentes em função das características das operações que aí se realizem.Mercados Organizados PEX . Financeira – 2010 .. .Mercados de Bolsa de Valores Mercado regulamentado em que a emissão das ofertas e a conclusão das operações são centralizadas num só espaço . dos valores mobiliários que aí se negoceiem ou mesmo das entidades que os emitem. Os intermediários financeiros que sejam membros do mercado de bolsa.Funcionam regularmente em sessões públicas (normais ou especiais). de acordo com determinadas regras.2 – Investir no Mercados de Valores Mobiliários ( ou de Capitais ) 5. quer pela entidade gestora do mercado de bolsa. em Portugal. para executarem as ordens recebidas dos clientes. .. é permitido o funcionamento dos seguintes mercados para a negociação de valores mobiliários: . Em Portugal.criadas.5. etc.São geridas por uma entidade gestora.São mercados de acesso público mas apenas através dos membros da bolsa.Outros Mercados Regulamentados Mercado Especial da Divida Pública .Mercado organizado mas não regulamentado que iniciou em Setembro de 2003 . sociedades corretoras e sociedades financeiras de corretagem). dadas aos intermediários financeiros relativamente a qualquer um dos tipos de valor mobiliário. a sua boa gestão é atribuída a uma sociedade gestora e os negócios só podem efectuar-se através dos chamados membros do mercado (por ex. O seu objectivo é o de permitir às pequenas e médias empresas assegurar financiamento directo juntos dos investidores Em qualquer um destes mercados.2 b) Características das Bolsas As Bolsas apresentam as seguintes características: . duas bolsas de valores . Caracteriza-se ainda por ter obrigatoriamente um mercado de cotações oficias . Em Bolsa. .

. as empresas utilizam-nas para manter sua atividade operacional. Esse é o esquema da circulação de capital.de bolsa a contado e a prazo. que podem ser obtidos por meio de: . .Se para um determinado valor mobiliário há mais procura do que oferta. maior é a disponibilidade para investir. o respectivo "preço" tenderá a descer. tornando-o mais eficiente e beneficiente para toda a comunidade. existe uma dilação temporal entre o momento da celebração do negócio e o da entrega dos valores mobiliários e pagamento do respectivo preço. e assim por diante.Empréstimos de terceiros. Nas segundas. gera aumento de renda.Participação de acionistas. Mas é pela participação de novos sócios – os acionistas – que uma empresa ganha condição de obter novos recursos não exigíveis. As empresas. por sua vez. como contrapartida à participação no seu capital. Com os recursos necessários. Como em qualquer mercado.Formação mais adequada de preços. 67 A.2 c) Porque investir no Mercado de Valores Mobiliários ? À medida que cresce o nível de poupança. as empresas têm condições de investir em novos equipamentos ou no desenvolvimento de pesquisas. Assim.Se para um determinado valor mobiliário há mais oferta do que procura. . A negociação em Bolsa de Valores apresenta diversas vantagens: . de tal forma que os investidores "especulam" em torno dessa dilação temporal.Maior transparência e segurança.Reinvestimento de lucros. a entrega dos valores mobiliários e o pagamento do preço de compra ocorre imediatamente após a realização do negócio ou num espaço de tempo muito curto. o respectivo "preço" tenderá a subir. presente no processo de desenvolvimento econômico. Geralmente. . . A poupança individual e a poupança das empresas (lucros) constituem a fonte principal do financiamento dos investimentos de um país. As duas primeiras fontes de recursos são limitadas. com conseqüente aumento da poupança e do investimento.Maior protecção dos investidores. numa Bolsa também o "preço" dos valores mobiliários é fixado em função da sua oferta e da sua procura.Maior Liquidez. Nas primeiras. . melhorando seu processo produtivo. pode afirmar-se que: . dada a possibilidade de aí se realizar um número elevado de operações. Tais investimentos são o motor do crescimento econômico e este. Financeira – 2010 . 5. à medida que se expandem. carecem de mais e mais recursos.

no mercado primário. ou seja. é necessário que o investidor se dirija a uma sociedade corretora membro de uma bolsa de valores. Se os considerar insuficientes. defina um objectivo de rendibilidade e um limite de prejuízo para um determinado período de tempo. Antes de decidir investir as suas poupanças em valores mobiliários avalie os seus conhecimentos e a sua disponibilidade de tempo. passando progressivamente a investimentos que envolvam maior risco à medida que adquire maior sensibilidade ao risco. Faça um plano de investimento Antes de tomar qualquer decisão de investimento. na qual funcionários especializados poderão fornecer esclarecimentos e orientação na seleção do investimento. de acordo com os objetivos definidos pelo aplicador. Pondere convenientemente as vantagens e desvantagens de investir em determinados valores mobiliários. Essa é a mecânica da democratização do capital de uma empresa e da participação em seus lucros.2 d) Como tomar uma decisão de investimento em valores mobiliários Avalie os seus conhecimentos O investimento em valores mobiliários tem consequências directas no seu património: exige não só um acompanhamento permanente mas também determinados conhecimentos técnicos. Se pretender adquirir ações de emissão nova. Não decida sob pressão. A definição de objectivos é importante para proceder à reavaliação periódica do investimento realizado. Pondere a sua decisão O investimento em valores mobiliários deve ser cuidadosamente pensado. uma corretora ou uma distribuidora de valores mobiliários. Para operar no mercado secundário de ações. opte por deixar essa tarefa a cargo de especialistas. o investidor deverá procurar um Banco. Esteja preparado para técnicas de venda agressivas e desconfie de receitas milagrosas para ganhar muito dinheiro em pouco tempo e de forma segura. Como acionista ele é sócio da empresa e se beneficia da distribuição de dividendos sempre que a empresa obtiver lucros. Financeira – 2010 . mais confiança e conforto financeiro. mais conhecimento. Invista progressivamente Opte por uma intervenção gradual no mercado de valores mobiliários: comece por investir em valores mobiliários mais seguros. dos quais ele também é consumidor. que participem do lançamento das ações pretendidas 5.O investidor em ações contribui assim para a produção de bens. 68 A.

Tipos de Acções . nomeadamente a relativa às entidades emitentes. Diversificando os seus investimentos os riscos podem compensar-se mutuamente e a carteira ou grupo de instrumentos tende a ter um rendimento menos flutuante.2 e) Principais tipos de Valores Mobiliários 5. A diversificação implica um menor risco.e. 5.Ordinárias Proporcionam participação nos resultados da empresa e conferem ao acionista o direito de voto em assembleias gerais.1) Acções São títulos que representam capital social de sociedades anónimas. pela negociação em bolsas de valores. "não deve colocar todos os ovos no mesmo cesto. a qualquer tempo. Financeira – 2010 .Direito de voto ." Cada investimento comporta um risco que lhe está associado. Evite contrair empréstimos para investir Procure investir com dinheiro que efectivamente lhe pertence e não com dinheiro emprestado. São as preferidas pelas empresas para efectuar aumento de capital social . Haverá momentos em que aproveitará oportunidades e outros em que o mercado não será especialmente atractivo para os investimentos. Informe-se Recolha e analise toda a informação relevante. ou seja. É-lhe conferindo: .Diversifique as suas opções Aplique as suas poupanças em diversos activos financeiros de modo a ficar menos dependente da rendibilidade incerta de um único activo. Conheça os custos Solicite ao seu intermediário financeiro informação sobre todos os custos derivados dos serviços que lhe são prestados.2. 69 A. às principais características dos valores mobiliários e aos mercados disponíveis para investir. O investidor em acções é um co-proprietário da sociedade anónima da qual é acionista. dando atenção às respectivas vantagens e desvantagens.Direito de eleger os membros dos órgãos sociais .Direito de receber dividendos As acções são convertíveis em dinheiro. Invista regularmente Invista de forma regular.

O valor nominal. de acordo com os resultados obtidos pela empresa em determinado período .Escriturais Acções que não são representadas por cautelas ou certificados. em número proporcional às já possuídas. advém da posse da ação. real e contabilístico . Bonificação em Acções Advém do aumento de capital de uma sociedade. outra parte advém do eventual ganho de capital na venda da ação. em contrapartida à estratégia de aumento de capital da empresa. composta de dividendos ou participação nos resultados e benefícios concedidos pela empresa. os direitos que detém. mediante a incorporação de reservas e lucros. .Nominativas Cautelas ou certificados que apresentam o nome do acionista. Formas .. A. em percentagem a ser definida na Assembleia Geral Ordinária de Acionistas. na qual os valores são lançados a débito ou a crédito dos acionistas. em bolsa. Parte dela. Dividendos A participação nos resultados de uma sociedade é feita sob a forma de distribuição de dividendos em dinheiro.com preferência na subscrição . é o valor que consta no certificado de emissão. no caso de dissolução da sociedade.em quantidade proporcional às possuídas.Valor nominal é o que consta no título e. Financeira – 2010 70 . em livro próprio da sociedade emitente. o acionista poderá vender a terceiros.Preferenciais Garantem ao acionista a prioridade no recebimento de dividendos (geralmente em percentagem mais elevada do que a atribuída às acções ordinárias) e no reembolso de capital. cuja transferência é feita com a entrega da cautela e a averbação de termo. Rentabilidade das acções É variável. quando são distribuídas gratuitamente novas acções a seus acionistas. no caso das acções. Direitos de Subscrição O direito de aquisição de novo lote de acções pelos acionistas . funcionando como uma conta corrente. Venda de Direitos de Subscrição Como não é obrigatório o exercício de preferência na subscrição de novas acções. não havendo movimentação física dos documentos. identificando novo acionista.

Financeira – 2010 . Em termos financeiros trata-se de um erro.Emitente: empresa. para evitar esta imagem. as obrigações são emitidas ao par.e2) Obrigações São titulos de crédito que que representam fracções iguais de um empréstimo. que pode ser diferente do valor nominal. com uma consequente redução no seu valor de mercado. com a alteração das condições de mercado e a evolução da actividade do emitente. transmitindo ao investidor a sensação de que possui mais acções e que estas se encontram mais baratas. instituição financeira. Quanto ao valor nominal das acções nacionais constata-se que têm sofrido alterações nos últimos tempos.-Valor real é o preço pelo qual se compra e vende uma acção no mercado.Valor contabilístico de uma acção é outro conceito frequentemente utilizado para valorizar o preço de uma acção. Esta operação consiste em dividir o valor nominal para incrementar a liquidez do título. Dividindo depois pelo número de acções ordinárias emitidas encontra-se o valor contabilístico da acção.Valor nominal: valor inscrito no título. como os depósitos a prazo. destinam-se a investidores mais conservadores face ao risco. O valor de mercado permite a cada momento fazer uma valorização real de cada companhia. ao longo da vida 71 A. Contudo. há que subtrair ao valor contabilístico de uma empresa o valor das suas dívidas a curto e a médio/longo prazo assim como o valor contabilístico das acções preferenciais. uma empresa com um valor nominal muito baixo relativamente à sua cotação dará sempre a ideia de ser mais cara que outra cujos valores estejam mais próximos. se estas existirem. Características . em resultado da oferta e procura dos títulos. um instrumento que se pode situar em termos de nível de risco entre as aplicações mais tradicionais. . coincide com o valor nominal. São. Estado ou entidades públicas. devido à vaga de operações de «stock split» que têm ocorrido. por isso. ou seja. 5. . . muitas empresas optam por reduzir o seu valor nominal («stock split»). Consiste numa estimativa do valor de uma acção calculada segundo o balanço de uma empresa: para a calcular. Frequentemente.2. mas dividido em várias partes.Preço de aquisição: preço a pagar para se adquirir uma obrigação. mas devem manter uma certa relação. que valorizam a segurança e a distribuição periódica de rendimentos. e as de maior risco como as acções ou os warrants. dando ao seu titular o direito de receber juros periódicamente e o reembolso do capital no vencimento As Obrigações. O valor nominal e o valor de mercado não têm de coincidir. o preço a que são vendidas. pois na realidade os investidores têm o mesmo valor.

. Caso fosse superior ou inferior denominar-se-ia. o seu preço altera-se.Periodicidade do cupão: frequência de pagamento do juro. de valor constante ou crescente. diz-se que o seu preço é 98%. semestral ou anual.Taxa de juro ou de cupão: é a taxa anual que se aplica ao valor nominal para apurar o montante do rendimento (cupão) da obrigação.da obrigação. .Put option: cláusula através da qual o obrigacionista tem a opção de receber antecipadamente o capital da emissão.22 (assume-se que 180 dias são o número de dias do semestre). Pode ser realizado através de um ou vários reembolsos periódicos.Maturidade: data do último reembolso de capital da obrigação. .Juro decorrido = Taxa de cupão para o período de cálculo de juro X valor nominal / nº de dias do período de cálculo de juro X nº de dias decorridos desde o último pagamento de cupão até à data de liquidação Exemplo A empresa X emite um empréstimo obrigacionista de 1 milhão de Eur representado por 10 000 obrigações com o valor nominal (VN) de 100 Eur (10 000 * 100 = 1 000 000 Eur).5 Eur. .Valor de reembolso: é o montante pago pelo emitente ao detentor de uma obrigação que amortiza a dívida contraída. Se supusermos uma taxa de cupão de 5% ao ano. 72 A. . . . A cotação das obrigações em mercado secundário não inclui o juro decorrido. supondo que passaram 160 dias entre o último pagamento de cupão e a liquidação da aquisição. a todos os obrigacionistas.Juro decorrido: tempo que medeia entre o último pagamento de cupão e o momento da liquidação da transacção do título em mercado secundário. na maturidade. se as obrigações transaccionarem a 98 Eur. então o detentor da obrigação receberia juros todos os semestres de 5%/2*100 Eur = 2. Em geral é igual ao valor nominal e nesse caso diz-se que o reembolso é feito ao par. reembolso acima ou abaixo do par (a prémio ou a desconto). Deverá ser pago pelo comprador da obrigação ao vendedor e não está incluído no preço. o juro decorrido seria calculado da seguinte forma: 5%/2*160 dias/180 dias*100 Eur=2. pelo que. . Neste caso. transaccionando-se acima ou abaixo do par (a prémio ou a desconto).Amortização: reembolso do capital. . O método mais comum é um único reembolso. O preço das obrigações é usualmente expresso em percentagem do valor nominal. Financeira – 2010 .Call option: cláusula através da qual o emitente tem a opção de reembolsar antecipadamente a emissão. tornando-se superior ou inferior ao valor nominal. que normalmente é trimestral. respectivamente. paga semestralmente.

Obrigações de taxa indexada: o cupão depende da evolução de uma determinada referência (por exemplo.Obrigações de caixa: obrigações com algumas especificidade legais. a um preço pré-definido. A taxa de cupão pode ser fixada no início do período do cupão ou apenas no final. . que passamos a discriminar: (i) Apenas podem ser emitidas por instituições de crédito com fundos próprios não inferiores a 2. e implicará a amortização das mesmas. que vai depender das características do emitente das obrigações e visa reflectir a capacidade do mesmo cumprir com as responsabilidades assumidas (risco de crédito). Na data de emissão são conhecidos todos os cash flows originados pela obrigação. destinam-se a investidores mais conservadores face ao risco.As obrigações normalmente designadas de obrigações a taxa variável. (iii) São emitidas com prazo fixo. (iv)Não podem ser adquiridas ou reembolsadas por iniciativa da instituição emitente antes de decorrido o prazo de dois anos sobre a data de emissão. O rendimento resulta da diferença entre o valor de reembolso e o valor de aquisição da obrigação. .Obrigações de taxa fixa: a taxa de juro é constante e conhecida até à maturidade do empréstimo. taxa de juro de mercado. cabaz de acções. São.Obrigações cupão zero: obrigações sem cupão. índices. em que o indexante é uma referência das taxa de juro praticadas em mercado (por exemplo.As Obrigações. a Euribor). e as de maior risco como as acções ou os warrants. Financeira – 2010 . . por isso. matérias primas). o qual não poderá efectuar-se antes de decorridos 12 meses após a data de emissão das obrigações. . podendo ser concedido ao obrigacionista a opção de reembolso antecipado. como os depósitos a prazo. . um instrumento que se pode situar em termos de nível de risco entre as aplicações mais tradicionais. são um caso especial de obrigações a taxa indexada. que valorizam a segurança e a distribuição periódica de rendimentos. no momento do pagamento de juro. não pagam juros. (v) O valor nominal das obrigações é de 50 Eur ou múltiplos desse valor.000 Eur (ii) Podem ser emitidas de forma contínua ou por séries. até uma determinada data e é 73 A.500. Alguns tipos de Obrigações .Obrigações com warrants: possuem as mesmas características das obrigações tradicionais mas na data de emissão têm associado um warrant. Este tipo de obrigações é indicado para investidores que não acreditam que as taxas de juro de mercado vão subir a partir do momento da compra das obrigações. Normalmente esta referência é acrescida de uma percentagem. ou seja. Este warrant confere ao seu detentor o direito de adquirir um determinado número de acções da empresa emitente.

implícito nas taxas de juro da dívida pública adicionado de um spread.Obrigações convertíveis: obrigações que podem ser convertidas num determinado número de acções do emitente por opção do obrigacionista. como acontece no caso dos warrants. 74 A. de 27 de Janeiro. sectorial e específico do emitente. que visa reflectir a diferença entre a capacidade do emitente e do Estado cumprirem com as suas responsabilidades. ou seja.17%+1%=4. com um valor nominal de 5 Eur e um cupão pago anualmente de 5%.6% 5. Sabendo que as taxas da dívida pública em Eur a 5 anos se encontra nos 3.2. qual o valor actual da obrigação? Taxa de actualização: 3. de 16 de Abril. o risco soberano.destacável da obrigação e por isso transaccionável separadamente. Financeira – 2010 . O Valor de uma obrigação O valor de uma obrigação depende de duas variáveis fundamentais: os níveis de taxas de juro de mercado e a capacidade do emitente cumprir com as suas obrigações. Estas obrigações.17% 5.17% e que o risco de crédito da empresa X implica um acréscimo de 1% à taxa de juro da dívida pública. que visam a dinamização do sector imobiliário e que podem ser admitidas à cotação nas bolsas de valores. . actualizados a uma determinada taxa. a 5 anos. A taxa de actualização destes fluxos reflecte o custo de oportunidade de alternativas de investimento com o mesmo nível de risco das obrigações em causa. alterado pelo Decreto-Lei nº 17/95. conferem aos seus titulares privilégio creditório especial sobre os créditos hipotecários afectos à respectiva emissão. As obrigações convertíveis em acções de uma entidade que não a emitente denominam-se de exchangeables. de mercado. que são influenciadas pelo risco macroeconómico. Exemplo: Supondo uma obrigação da empresa X.18/5= 103. trouxe para o panorama financeiro português as obrigações hipotecárias. A opção de conversão não pode ser transaccionada separadamente da obrigação.e3) Obrigações hipotecárias Introdução O Decreto-Lei nº 125/90. O preço das obrigações corresponde ao valor actual dos cupões pagos pelo emitente ao longo do tempo e do capital a reembolsar. político.

Podem emitir obrigações hipotecárias as instituições de crédito ou outras instituições financeiras legalmente autorizadas a conceder créditos, garantidos por hipoteca, para financiamento da construção ou aquisição de imóveis. O prazo de reembolso não pode ser inferior a três nem superior a trinta anos. A taxa de juro pode ser variável ou fixa, devendo, no entanto, os créditos hipotecários afectos à emissão vencer uma taxa de juro do mesmo tipo. As três emissões de obrigações deste tipo realizadas em Portugal foram da iniciativa da Caixa Geral de Depósitos (duas em 1991 e uma em 1996). Foi publicado no passado dia 20 de Março de 2006, o Decreto-Lei nº 59/2006, que estabelece o novo regime aplicável às obrigações hipotecárias, bem como o regime das obrigações sobre o sector público. Neste texto tentaremos dar uma panorâmica, necessariamente genérica e sumária, do referido diploma, referindo, no entanto, apenas as obrigações hipotecárias, que são um instrumento de dívida que permite aos seus emitentes por um lado, a captação de recursos e, por outro lado, a cessão aos investidores do risco inerente aos créditos hipotecários que lhes estão subjacentes. As obrigações hipotecárias são directamente concorrentes das titularizações de créditos hipotecários, apresentando contudo assinaláveis diferenças de regime no que respeita à sua montagem, gestão e intervenientes. Com efeito, nas obrigações hipotecárias pode existir uma relação directa entre o detentor dos créditos hipotecários e os investidores, com a consequente dispensa do envolvimento de veículos de titularização o que faz das obrigações hipotecárias um instrumento financeiro mais flexível e desburocratizado. Quem pode emitir Podem emitir obrigações hipotecárias as instituições de crédito que disponham de fundo próprios não inferiores a € 7.500.000 e que estejam autorizadas a conceder créditos hipotecários, bem como as instituições de crédito hipotecário, uma nova espécie de instituições de crédito criadas com este diploma. A emissão A emissão de obrigações hipotecárias (i) pode ser feita de forma contínua ou por séries e deve ser precedida de deliberação do órgão de administração da entidade emitente, (ii) pode ser realizada por oferta particular, caso em que não estão sujeitas a registo comercial, ou por oferta pública, sendo aplicável o disposto para o efeito no Código dos Valores Mobiliários. As obrigações hipotecárias podem ainda ser admitidas à negociação em mercado, sendo de realçar que são equiparadas a títulos cotados em bolsas de valores nacionais para efeitos de composição das reservas das instituições de segurança social. O respectivo prazo de reembolso não pode ser inferior a dois anos nem superior a cinquenta anos. 75 A. Financeira – 2010

Activos subjacentes As obrigações hipotecárias podem ser garantidas (i) por créditos pecuniários não vencidos e não sujeitos a condições ou onerados que sejam detidos pelas emitentes e que sejam garantidos por primeira hipoteca sobre bens imóveis destinados à habitação ou com fins comerciais situados num Estado membro da União Europeia, (ii) depósitos no Banco de Portugal de moeda ou títulos elegíveis no âmbito das operações de crédito do Eurosistema (iii) depósitos à ordem ou a prazo constituídos junto de instituições de crédito com rating igual ou superior a “A-“ ou equivalente, (iv) ou outros activos de baixo risco e elevada liquidez, a definir pelo Banco de Portugal. No que respeita aos créditos hipotecários, esclareça-se ainda que (i) podem ser afectos créditos com hipotecas de grau inferior desde que os que beneficiem das hipotecas de grau superior estejam também afectos à garantia da mesma emissão, (ii) podem igualmente ser afectos créditos garantidos por fiança de instituição de crédito ou por contrato de seguro, desde que os mesmos beneficiem de garantia hipotecária em condições similares às supra descritas (iii) e o montante de um crédito hipotecário oferecido em garantia de uma emissão não pode ultrapassar o valor das hipotecas, nem 80% ou 60% do valor do bem hipotecado, consoante se trate de imóveis destinados à habitação ou de imóveis para fins comerciais, respectivamente. Já quanto aos restantes activos subjacentes, a soma do seu valor não pode exceder 20% do valor total dos créditos hipotecários e dos outros activos garantes das obrigações hipotecárias. Regime prudencial Como limites prudenciais aplicáveis às emissões de obrigações hipotecárias, a lei impõe (i) que o valor nominal global das obrigações hipotecárias em circulação não pode exceder 95% do valor nominal global dos créditos hipotecários e outros activos que lhes estejam afectos, (ii) que o vencimento médio das obrigações hipotecárias em circulação não pode ultrapassar, em cada momento, o vencimento médio dos créditos hipotecários e outros activos que lhes estejam afectos (iii) e que o montante global dos juros a pagar não deve exceder, em cada momento, o montante dos juros a receber referentes aos créditos hipotecários e outros activos que lhes estejam afectos. A lei permite ainda a realização de operações sobre instrumentos derivados para cobertura de riscos, como sejam riscos de taxa de juro, cambial ou de liquidez, ficando tais instrumentos afectos às respectivas obrigações hipotecárias. 76 A. Financeira – 2010

Regime dos créditos hipotecários Os créditos hipotecários, incluindo os respectivos juros, e os restantes activos que, como vimos supra, podem ser afectos à garantia das obrigações hipotecárias, constituem um património autónomo, não respondendo pelas dívidas da emitente até ao limite das dívidas decorrentes dessas obrigações hipotecárias. Aos titulares das obrigações hipotecárias e às contrapartes das operações sobre instrumentos financeiros derivados é-lhes reconhecido um privilégio creditório especial sobre o património autónomo afecto à emissão, com precedência sobre quaisquer outros credores, não estando este privilégio sujeito a registo. Por seu turno, as hipotecas que garantam os créditos hipotecários afectos às obrigações hipotecárias prevalecem sobre quaisquer outros privilégios creditórios imobiliários. Fica por testar a plena aplicação destas regras sempre que as hipotecas tenham sido constituídas sobre imóveis situados em qualquer outro Estado membro da União Europeia. Dispõe a lei que em caso de dissolução e liquidação da entidade emitente, os créditos hipotecários que lhes estão subjacentes e os restantes activos que lhes estejam afectos, serão separados da massa insolvente e geridos de um modo autónomo em condições a determinar em aviso do Banco de Portugal. Esperamos que o aviso a publicar pelo Banco de Portugal possa, de algum modo, ajudar a resolver a deficiente redacção da norma em questão, pois que não só a referência à massa insolvente que consta da letra da lei nos parece desadequada, porquanto a dissolução e liquidação da entidade emitente poderá ocorrer sem ser num cenário de insolvência, como ainda porque este cenário poderá verificar-se sem que ocorra necessariamente, pelo menos logo desde um primeiro momento, a dissolução e liquidação da entidade emitente. Cessão de créditos hipotecários No caso de uma instituição de crédito autorizada a conceder créditos hipotecários não pretender proceder à cessão de obrigações hipotecárias, mas desejar antes cedê-los a outra entidade para efeitos de emissão de obrigações hipotecárias, prevê a lei uma série de disposições que regulam essa cessão, a qual se opera em termos muito idênticos aos previstos para o mesmo efeito em sede de titularização de créditos. Supervisão e auditor independente É ao Banco de Portugal que compete a supervisão do disposto no novo diploma, sem prejuízo das competências da CMVM no que respeita à aplicação do Código dos Valores Mobiliários às emissões de obrigações hipotecárias. Por outro lado, prevê-se a designação de um auditor independente, registado junto da CMVM, a quem competirá, na defesa dos interesses dos titulares das obrigações, verificar o cumprimentos dos requisitos legais e regulamentares 77 A. Financeira – 2010

Reunir e deliberar em assembleia de detentores de títulos de participação para apreciar assuntos do interesse comum. Último dia de negociação dos warrants é o 4º dia útil antes da data de maturidade e pode ser consultado nas respectivas fichas técnicas. cabendo-lhe elaborar um relatório anual sobre o cumprimento de tais requisitos pela entidade emitente. Tanto a remuneração fixa como a variável são determinadas sobre uma percentagem do valor nominal do título de participação. não a obrigação. cuja evolução e comportamento depende da evolução desses mesmos activos.2. composta pela parte fixa e pela parte variável. Direitos que conferem aos seus detentores Os títulos de participação conferem aos seus titulares os seguintes direitos: . Este permite-lhe beneficiar dessa apreciação ao mesmo tempo que lhe limita a perda potencial. deverá comprar um call warrant. Tipos de Warrants -Call Warrant Quando um investidor acredita na apreciação de determinado activo. ou se essas entidades entrarem em falência. .e. de comprar (call warrant) ou de vender (put warrant) o activo subjacente ao qual estão indexados ao preço inicialmente contratado (preço de exercício) e numa data futura igualmente préfixada (data de maturidade). Conferem ao seu detentor o direito. mas nunca antes de terem decorrido 10 anos desde a sua emissão.Eleger um representante comum dos detentores de títulos de participação. nos mesmos termos previstos para os accionistas. Os títulos de participação podem ser emitidos por empresas públicas e por sociedades anónimas pertencentes maioritariamente ao Estado. .4) Titulos de Participação Introdução Os títulos de participação são valores mobiliários tendencialmente perpétuos que conferem o direito a uma remuneração com duas componentes: uma fixa e outra variável.aplicáveis às obrigações hipotecárias. Os títulos de participação só são reembolsáveis se as entidades que os emitiram o decidirem. que os representa perante a sociedade.2. Financeira – 2010 .Receber uma remuneração anual. 78 A.Tomar conhecimento dos negócios das entidades que os emitem. . indexados a activos negociados em mercados organizados.e5) Warrants (direitos) Os warrants são produtos financeiros cotados em bolsa. 5. 5.

independentemente da apreciação do activo. o investidor irá exercer o seu direito: comprar o activo por 1000. Esta é a perda máxima que poderá sofrer.-Put Warrant Se um investidor quer proteger a sua carteira de eventuais quedas ou beneficiar de desvalorizações do mercado de acordo com uma visão de descida de preços. uma vez que lhe dá o direito a vender o activo. adquirindo o direito a comprar o activo por 1000 (preço de exercício). o ganho corresponde à diferença entre o valor do activo e 1000 deduzido do prémio. Se o activo se apreciar. A principal diferença reside no facto de o warrant ser um valor mobiliário. a compra de um put warrant é o investimento aconselhado. cotados em Portugal ou em bolsas estrangeiras. 79 A. independentemente da depreciação do activo. Se o activo se depreciar. adquirindo o direito a vender o activo por 1000. Financeira – 2010 . o investidor irá exercer o seu direito: vender o activo por 1000. Características -Activo Subjacente O warrant deriva o seu valor do activo financeiro ao qual está indexado. Quanto maior for a apreciação do activo. enquanto as características de um warrant dependem exclusivamente do seu emitente. Neste caso. Se o activo se apreciar. De um ponto de vista financeiro. pelo que não pode ser vendido sem ter sido previamente adquirido. Neste caso. o warrant (call ou put) é semelhante a uma opção. Existem warrants indexados aos mais diversos activos financeiros. os emitentes são bancos de investimento internacionais ou grandes bancos domésticos. Esta é a perda máxima que poderá sofrer. Se o activo se depreciar. o investidor não vai vender o activo por menos do que este vale pelo que não exerce o seu direito e perde o prémio. Exemplos Práticos Call Warrant Vamos assumir que o investidor comprou um call warrant pelo qual pagou um prémio de 50. Put Warrant Vamos assumir que o investidor comprou um put warrant pelo qual pagou um prémio de 50. o investidor não vai comprá-lo por mais do que vale pelo que não exerce o seu direito e perde o prémio. Uma opção tem ainda um conjunto de características standard definidas pela Bolsa onde está cotada. Tradicionalmente. Quanto menor for o valor do activo maior será o ganho do investidor. maior será o ganho do investidor. Este activo é denominado activo subjacente. o ganho corresponde à diferença entre 1000 e o valor do activo deduzido do prémio.

Porquê investir em Warrants? O investimento em warrants é justificado pelas múltiplas oportunidades que oferece. Os warrants permitem ainda conceber estratégias de investimento que não seriam possíveis apenas com o investimento directo nos activos subjacentes. é possível proceder ao exercício ao longo de toda a sua vida. Permite beneficiar tanto de valorizações do mercado (call warrants) como de desvalorizações (put warrants) e. -Preço de Exercício Preço de exercício é o preço pré-definido ao qual o investidor tem o direito de comprar (call warrant) ou vender (put warrant) o activo subjacente. devido à sua maior versatilidade. criar de forma eficiente uma carteira multi-activos diversificada geograficamente. Na Euronext Lisbon estão cotados warrants sobre activos tão diversos como acções. Uma menos valia provocada pela queda do preço de um determinado activo pode ser compensada por uma mais valia gerada por put warrants. permitem alavancar uma determinada posição ou alterar o perfil de risco de uma carteira. acima de tudo. Uma paridade de 1/5 significa que para comprar (call warrant) ou vender (put warrant) o equivalente a uma unidade do activo subjacente. índices e divisas. O investimento directo na maioria destes activos só é possível através de transacções em bolsas estrangeiras. nomeadamente. Financeira – 2010 . o investidor beneficia de eventuais subidas. O estilo mais comum é o americano. Para além de proteger a carteira de descidas do mercado. No caso de ser de estilo americano. Paridade ou Rácio A paridade representa o número de warrants exercidos por cada unidade do activo subjacente. A utilização de warrants para a cobertura de uma carteira de investimento contra movimentos adversos do mercado é um exemplo deste tipo de estratégias. Os warrants tornaram-se num instrumento muito popular para investidores 80 A.proporcionando uma multiplicidade de oportunidades de investimento. O preço de exercício pode sofrer alterações se o activo subjacente for objecto de eventos corporativos que impliquem concentração ou diluição de capital. com custos de transacção associados mais elevados. No caso de ser de estilo europeu. só é possível efectuar o exercício na data de maturidade. A diferença entre estes dois estilos prende-se com a data em que o warrant pode ser exercido. O preço de exercício é fixado pelo emitente na data de emissão do warrant e não é alterado durante a vida deste -Estilo O warrant pode ser de estilo americano ou de estilo europeu. sendo de destacar os principais índices de acções mundiais e as acções das maiores empresas europeias e americanas. são necessários 5 warrants.

Nesta caso e. flexibilidade. liquidez e alavancagem que proporcionam. não podendo individualmente afetar as cotações dos produtos produzidos. petróleo.50. positiva ou negativa.5%. commodities (Termo em inglês que significa mercadoria. aproximadamente. Produtos Estruturados Títulos. geralmente de capital garantido. Desta forma. taxas de juro. que proporcionam um rendimento variável dependente da evolução de um indexante. não custará menos de Eur 0. desde empresas. permitindo que sejam cotadas nas Bolsas de Valores. o que gerou uma mais valia de 7.00.50. enquanto o risco de crédito está associado à entidade emitente das obrigações. O risco de taxa de juro deriva da data de reembolso do capital e da data de pagamento de cupões.50 para Eur 7. pelo menos. Exemplo . Uma pequena variação do activo subjacente pode traduzir-se numa variação significativa do warrant. Qual seria o retorno se o investidor tivesse adquirido call warrants em vez de acções? Com o preço da acção a Eur 6. Têm risco de taxa de juro e risco de crédito. o warrant apreciou-se para. a acção subiu de Eur 6. Uma semana depois.00. soja. Os indexantes mais comuns são acções. A. ou seja. o preço de mercado é de Eur7. trigo. outros Instrumentos Financeiros (em função do risco) Baixo Risco Obrigações Títulos representativos de dívida. Warrants vs.e 81 divisas. Proporciona um pagamento periódico de juros (a taxa pode ser fixa ou variável) e reembolsa o valor nominal na data de maturidade.Conceito de Alavancagem Um investidor adquire uma acção da empresa XYZ por Eur 6. Financeira – 2010 . os warrants potenciam maiores retornos mas introduzem maiores riscos.00. Eur 1. regiões administrativas ou mesmo câmaras municipais.50 baseado na convicção da valorização da acção a curto prazo. A alavancagem é uma das características pelas quais o investimento em warrants é tão atractivo. Estados. Uma commodity costuma ter características muito parecidas com a de outros produtores. Na semana seguinte.00.institucionais e investidores privados que fazem uma gestão moderna da sua carteira de investimento devido à acessibilidade. Os produtores de commodities são considerados "price takers". um call warrant indexado à acção XYZ com um preço de exercício de Eur6. uma vez que o detentor do warrant tem o direito a comprar uma acção por Eur 6. Os emitentes são os mais diversos. Face a outros instrumentos de mercado. Trata-se de produtos primários como café. são tomadores de preços. milho. por maior que seja e por mais que varie sua produção. além de alguns produtos industriais semi-elaborados como celulose e açúcar.00. o que corresponde a uma valorização de 100%. um produtor de soja no Brasil. muito dificilmente conseguirá determinar os preços mundiais da soja).

O risco é elevado porque não têm garantia de retorno e estão sujeitas a constantes flutuações de preços. Têm características idênticas às das opções. incorpora o risco característico das acções atenuado pelo efeito de diversificação. Isto é. Financeira – 2010 . Títulos sem maturidade definida que. Alto Risco Futuros Instrumento derivado standard. cotado em mercado organizado.Para além do risco de uma obrigação tradicional. uma conta margem onde são apuradas as mais e menos valias do dia. Opções Instrumento derivado cujo perfil de retorno está indexado a um activo subjacente 82 A. Assume a forma de um contrato standard. pagam. para além do rendimento variável. é movimentada. Médio Risco Certificados Instrumentos financeiros cujo valor replica o comportamento de um índice ou de um cabaz de acções ao qual estão indexados. Costumam assumir a forma de uma obrigação de caixa com maturidades que variam entre 2 e 5 anos. a crédito ou a débito. No entanto. Warrants Denominação universal para opções titularizadas emitidas por empresas. Apresentam um perfil de risco equivalente ao das opções. na maioria dos casos. têm risco associado ao indexante do rendimento variável. Acções Títulos representativos do capital social das sociedades anónimas. Por vezes. com um perfil semelhante a uma transacção a prazo. proporcionam um rendimento denominado dividendo. Tem maturidade definida. cujo perfil de retorno é semelhante ao investimento no activo subjacente. O risco é equivalente ao de investir directamente no índice ou no cabaz de acções. cupões fixos. Produto não alavancado que está cotado em bolsa e transacciona em contínuo. Diariamente. Apresentam o risco associado ao activo subjacente ampliado pelo efeito de alavancagem. como assumem a forma de valores mobiliários não podem ser vendidos sem terem sido previamente adquiridos.

83 A. .Habitue-se a assumir perdas.Não compre warrants se. Esta obrigatoriedade pode. . Por exemplo.Determine previamente ganhos e perdas a assumir. necessitar do capital investido. no momento ou na quantidade que pretende negociar. de compra ou de venda. que tem por obrigação manter ordens de compra e de venda no mercado. registado na Euronext Lisbon. .Para todos os warrants autónomos emitidos em Portugal existe um market maker.Acompanhe sempre a evolução do activo subjacente e as tendências do mercado. ao mercado ou de não conseguir aferir o estado das ordens previamente enviadas. . poderá não encontrar ninguém que lhos compre.Não recorra a crédito para aplicar em warrants.Risco Operacional Refere-se ao risco de não se conseguir fazer chegar a ordem. O detentor tem o direito mas não a obrigação de comprar ou vender um determinado activo. ser suspensa temporariamente se.e incorpora uma escolha de exercício por parte do seu detentor. a um preço e numa data previamente contratados. taxa de juro e dividendos. a curto prazo. por exemplo. . . O risco está associado ao seu perfil de retorno. ao efeito de alavancagem e ao comportamento do activo subjacente. Este direito é assegurado pelo vendedor. Recomendações . O percurso de uma ordem até à sua execução depende da operacionalidade das vias de comunicação (internet ou telefone) e dos sistemas informáticos que suportam o mercado. .Risco de Liquidez Refere-se ao risco de um investidor não encontrar contraparte no mercado. Riscos inerentes ao investimento em Warrants . caso seja necessário. no entanto.Risco de Mercado Refere-se ao risco de valorização (desvalorização) do warrant em consequência de variações nas diversas variáveis de mercado. Financeira – 2010 . no caso de um investidor decidir vender warrants que tenha comprado. ocorrer uma a suspensão da negociação do activo subjacente. nomeadamente. activo subjacente. volatilidade implícita.

. Por fim.). XIX ( O primeiro fundo de investimento foi criado em 1849 na Suíça (Société Civile Genévoise d’emploi de fonds). Financeira – 2010 . Na Europa. sendo que o primeiro fundo de investimento aberto só surgiu em 1924 nos EUA (The Massachusetts Investment Trust). tendo sido criado em 1868 o segundo fundo de investimento no Reino Unido (Foreign & Colonial Government Trust). o aforrador realiza investimentos. e pela primeira vez.Introdução A origem dos fundos de investimento remonta já a meados do séc. Reino Unido. reflete-se.1 . para além do acesso ao mercado nacional..2. entidades especializadas que gerem os fundos. o primeiro registo de um fundo de investimento em Portugal ocorreu apenas em Junho de 1964. bem como de entidades colocadoras (balcões dos bancos) e meios de comercialização autorizados pela CMVM. na sequência da nacionalização do sector 84 A.5. As principais vantagens da aplicação das poupanças em fundos de investimento (Cada fundo divide-se em partes de características idênticas e sem valor nominal . b) . os fundos têm acesso a mercados que para o pequeno investidor se revelam inacessíveis (Isto é. como sejam a banca telefónica e a internet). De facto. obrigações ou outro tipo de activos (Em imóveis. em princípio. Em segundo lugar. em rendibilidades superiores às que seriam obtidas por gestores não profissionais (As Sociedades Gestoras de Fundos de Investimento (SGFI). O primeiro fundo americano surgiu em 1894 (Boston Personal Property Trust). Em primeiro lugar. económicos e financeiros dificilmente acessíveis ao investidor individual). que permite ao investidor de recursos moderados obter as mesmas vantagens que os grandes capitalistas no que respeita à diminuição do risco. com inevitáveis efeitos benéficos ao nível da diversificação do risco. o qual. o surgimento de um mercado pan-europeu de fundos de investimento teve início com a implementação da chamada directiva UCITS (Undertaking for collective Investment in Transferable Securities” e descreve os fundos de investimento que respeitam à directiva UCITS. apresentou uma definição de fundo de investimento como sendo um ”. comparativamente às aplicações directas em acções. traduzida num profundo conhecimento dos mercados. Estes fundos são livremente transaccionados dentro da UE ) por parte de todos os estados pertencentes à CEE. Em 1975. Alemanha e EUA. mobiliários ou imobiliários. ainda que apenas em meados dos anos 60 tenham atingido uma expressão relevante nos EUA. nomeadamente Suíça.Unidades de Participação em Instituições de Investimento Colectivo Fundos de Investimento a). os fundos beneficiam de um enquadramento institucional que concede maior segurança ao investimento (A acrescer a este factor.veículo. o enquadramento fiscal dos fundos definido pelo Estatuto dos Benefícios Fiscais) também prevê alguns benefícios para certos tipos ). Refira-se que todos estes fundos de investimento eram fechados. proporcionam uma gestão profissional dos fundos e têm acesso a conhecimentos técnicos.unidades de participação (UP) .. entre outros. à escala mundial e numa gama diversificada de activos ). a gestão profissional da carteira. prendem-se. enquanto os Alemães só o fizeram em 1923 (Zickert’sche Kapitalverein).. com os seguintes aspectos.que podem ser subscritas junto de uma entidade gestora..Evolução dos fundos de investimento em Portugal A história dos fundos de investimento em Portugal é relativamente recente quando comparada com a de outros países. no caso dos fundos de investimento imobiliário).dispersando o investimento por várias acções”. se bem que de forma indirecta.

que garante o bom cumprimento das políticas de investimento e na qual são depositados os valores que integram o fundo. as unidades dos fundos existentes foram transformadas em dívida pública. no período compreendido entre Dezembro de 1996 e de 2001 assistiu-se a um forte crescimento da indústria. Eventualmente. Para efeito de subscrição.Estrutura dos fundos de investimento Os Fundos de investimento (organismos de investimento colectivo) são formados por patrimónios autónomos pertencentes a pessoas singulares ou colectivas. efectua as subscrições e resgates por ordem da entidade gestora. é responsável pela administração do fundo em representação dos participantes. para 306 no final de 2001). o valor de cada Unidade de Participação ( UP ) calcula-se dividindo o Valor Liquido Global ( VLG ) dos bens que integram o fundo ( liquidez. direitos ou outras aplicações financeiras. tendo o peso do valor líquido global dos fundos (VLGF) no PIB vindo a cair c) . No ano seguinte surgiram mais quatro fundos e desde então esta actividade ganhou uma importância crescente no nosso país. em grande medida resultado do mau comportamento do segmento accionista do mercado de capitais. . Financeira – 2010 . quer em número de fundos constituídos (de 230 no início de 1996. quer em termos de volume dos activos sob gestão (64%). Este crescimento foi mais acentuado até 1998. . verifica-se desde 1998 uma redução da importância da indústria na economia nacional. A actividade da indústria de fundos de investimento em Portugal foi reiniciada em 1986 com o surgimento do fundo Invest. aplicando o seu dinheiro na compra e venda de títulos. valores mobiliários e imobiliários e depósitos a prazo) pelo numero de unidades de participação em circulação. o valor de cada UP será calculado do seguinte modo : UP = VLG / ( nº de UP em circulação) A estrutura fundamental dos fundos de investimento assenta em : . De facto. Tratando-se de fundos fechados. Assim. poderá existir uma terceira entidade: 85 A. tendo-se registado uma quebra significativa em 2000.Sociedade Gestora . A ligeira recuperação verificada em 2001 deveu-se principalmente ao dinamismo dos fundos de investimento imobiliário.é a entidade que.O depositário (banco) O investimento efectuado por um fundo de investimento depende de duas entidades: . designados Unidades de Participação. reembolso ou resgate. Ainda assim. a gestão pode também ser efectuada por instituições de crédito – situação ainda inexistente em Portugal.6% face a 2000.Banco Depositário .bancário e da consequente interrupção da actividade no mercado de capitais.especializada em mercados financeiros. Os fundos de investimento tem registado um desenvolvimento muito acelerado. onde cada participante é titular de quotas-partes dos valores que os compõem.A sociedade de gestão. que cresceram 22. entre outras funções.

é possível distinguir os fundos de investimento segundo determinados critérios. .Natureza dos activos. existe uma vasta variedade de fundos de investimento consoante o binómio risco/rendibilidade associado e a política de investimento pretendida por cada agente.assume as funções normalmente desempenhadas pelo Banco Depositário e exerce a actividade de distribuição por conta da Sociedade Gestora (está sujeita às normas que regem as operações do depositário). d) .fundos geridos por entidades domiciliadas em território nacional e que investem principalmente em valores transaccionados em mercados nacionais. Embora os fundos de investimento pertençam aos participantes estes não interferem na sua gestão (mandatando para tal.1 .Fundos de Rendimento – distribuem periodicamente aos participantes os rendimentos gerados. Deste modo. 86 A. internacionais e estrangeiros: .Entidade Colocadora .Quanto à Forma de Remuneração do Participante É possível distinguir entre fundos de rendimento e fundos de capitalização: .Fundos Estrangeiros . nos termos fixados no regulamento de gestão.Fundos de Capitalização . Financeira – 2010 . gestão efectuada no país de origem)..Forma de remuneração do participante . sendo o valor da UP constante ao longo do tempo . não havendo lugar à distribuição periódica de rendimento. com vista a formar uma carteira diversificada de valores mobiliários ou outros valores equiparados. e do direito de resgate/reembolso das suas unidades de participação. -Fundos Internacionais – fundos geridos por entidades domiciliadas em território nacional mas que direccionam as suas aplicações para valores cotados em mercados internacionais. a sociedade gestora).2 .fundos geridos por entidades domiciliadas no estrangeiro (isto é.os rendimento gerados são incorporados no valor da UP.Quanto ao Espaço de Actuação Este critério dá lugar à distinção entre fundos nacionais.Classificação dos Fundos de Investimento O património de um fundo pertence a uma pluralidade de pessoas singulares ou colectivas denominadas participantes e pode ser aplicado em diversos instrumentos financeiros segundo um princípio de divisão de riscos9. d).Fundos Nacionais .Entidade de supervisão . . mas comercializados no espaço financeiro nacional.Espaço de actuação. sendo apenas titulares do direito à percepção dos respectivos proventos. d). tais como: . Assim.

adoptou-se o critério de supervisão funcional -repartição do controlo com base nas atribuições funcionais da CMVM e . A CMVM é detentora de amplos poderes de supervisão prudencial dos fundos. implicando algumas alterações importantes com repercussões na própria actividade das Sociedades Gestoras dos Fundos de Investimento Imobiliário . A título de exemplo. a supervisão da sua actividade passou a ser competência da CMVM com a entrada em vigor do Decreto-Lei n. é responsável pela autorização da constituição de novos fundos de investimento.Fundo de Investimento Mobiliário (FIM) .SGFII) do Banco de Portugal -) d).do que às actividades em si (Relativamente aos FII.º 294/95.4 .instituições de crédito e sociedades financeiras .Quanto à Natureza dos Activos Neste âmbito. sendo mais dirigidas à supervisão das entidades gestoras .3 – Quanto às entidades de supervisão A actividade dos fundos de investimento está sujeita à supervisão de duas entidades: a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e o Banco de Portugal (Em lugar do critério institucional -repartição das instituições supervisionadas entre a CMVM e o Banco de Portugal -. sendo a entidade que assegura a produção regulamentar e exerce a supervisão e o audito institucional do fundo e das entidades gestoras e depositárias respectivas. a CMVM.quando o fundo se especializa na aplicação em valores mobiliários transaccionáveis . de 17 de Novembro. 87 A. As funções do Banco de Portugal são acessórias na actividade dos fundos.Fundo de Investimento Imobiliário (FII) .quando o fundo privilegia a aplicação em valores imóveis de raíz ou em valores mobiliários de sociedades cujo objecto principal seja a transacção. com parecer favorável do Banco de Portugal. mediação ou exploração imobiliária. Financeira – 2010 .d). os fundos de investimento podem distinguir-se entre mobiliários e imobiliários: .

por 50% de obrigações de taxa fixa. 88 A. em acções ordinárias (A classificação da CMVM adoptada até 1998. esse limite mínimo era de pelo menos 60%.Euro – quando detém um mínimo de 90% dos activos expressos em euro .) . Os FIM podem então diferenciar-se pelo nível de liquidez. Sempre que existam outras condições objectivas que permitam enquadrar os fundos numa determinada categoria. De acordo com os critérios de classificação de fundos de investimento mobiliário da CMVM (a partir de 1999 inclusive.) e podem ser subdivididos em três categorias. . deste modo.Nacionais – quando o património é composto.2. que dão ao investidor a possibilidade de escolher aquele que melhor se adequa às suas especificidades. estão normalmente associados a um maior potencial de crescimento e rendibilidade e.Taxa Variável – quando não cumprem o critério acima apresentado.Taxa Fixa – quando são constituídos. apenas definia que os fundos de obrigações deveriam ser predominantemente constituídos por obrigações ) . Os fundos de obrigações podem ser de: . Segundo a interpretação da CMVM.Fundos de Acções. a CMVM poderá não atender exclusivamente a esta metodologia os fundos de acções devem investir uma percentagem mínima de 70% da carteira em acções (De acordo com a classificação da CMVM adoptada antes de 1999. Os Fundos de Acções.União Europeia – quando o património é composto por um mínimo de 70% de acções transaccionadas em mercados da União Europeia e com o mínimo de 90% dos activos expressos em euro. Internacionais – quando não se enquadram em nenhum dos anteriores.5.Internacionais – restantes fundos. Financeira – 2010 de classificação. quer directa ou indirectamente. Os Fundos de Obrigações investem predominantemente em activos de rendimento fixo. cada um deste tipo de fundos divide-se ainda em: . constituídos predominantemente por acções (cotadas ou não).1. b – Fundos de Obrigações. o seu património deve ser composto no mínimo por 50% de obrigações e não devem investir. nomeadamente obrigações de médio e longo prazo. risco e rentabilidade potencial. Por seu turno. simultaneamente sujeitos a um risco superior. . no mínimo. existe uma diversidade de categorias de políticas de investimento que traduzem diferentes binómios rentabilidade/risco e distintos horizontes temporais. no mínimo.1 – Fundo de Investimento Mobiliário ( FIM ) Relativamente aos FIM. a saber: . por 70% de acções transaccionadas em mercados nacionais e com um mínimo de 90% dos activos expressos em euro. assumindo as seguintes categorias: a. pelo que devem ser encarados como um investimento a longo prazo.

c – Fundos Mistos; Os Fundos Mistos são fundos que aplicam de forma diversificada, quer em aplicações de rendimento fixo (tesouraria e obrigações), quer em aplicações de rendimento variável (acções). Correspondem a fundos que não cumprem os critérios estabelecidos dos fundos de acções ou de obrigações. De acordo com a CMVM, podem ainda ser sub-divididos em: - Euro – compostos, no mínimo, por 70% de valores transaccionados em mercados da União Europeia e com um mínimo de 90% dos activos expressos em euro; - Internacionais – não cumprem o critério anterior d – Fundos de Tesouraria; Os Fundos de Tesouraria correspondem aos fundos constituídos ao abrigo do Decreto-Lei n.º 276/94 de 2 de Novembro ( A lei exige que sejam considerados fundos
mobiliários abertos ( art.º 52.º n.º1 do D.L. n.º 276/94, de 2 de Novembro, alterado pelo D.L. n.º 323/99, de 13 de

cuja política de investimentos se orienta para aplicações nos mercados monetários numa óptica de muito curto-prazo, isto é, em activos que se caracterizam por uma elevada liquidez, nomeadamente papel comercial, depósitos bancários e valores mobiliários com maturidade inferior a um ano (Este tipo de fundos,
por se tratarem de fundos com investimentos em produtos de baixo risco (volatilidade reduzida), destinam-se a investidores cujo principal objectivo consiste na estabilidade da remuneração e liquidez.).

Agosto),

Este tipo de fundos, sendo reconhecidos como uma categoria de fundos específica, tem de respeitar determinadas imposições legais quanto à composição das suas carteiras, nomeadamente: (i) Deter em permanência, pelo menos 35% do seu activo total investido em valores mobiliários com prazo de vencimento inferior a 12 meses (art.º 53.º n.º3); (ii) Não podem investir o seu capital em acções, em obrigações convertíveis ou obrigações que confiram o direito de subscrição de acções ou de aquisição a outro título de acções, em títulos de dívida subordinada, bem como títulos de participação (art.º 53.º n.º4). Segundos os critérios de classificação de FIM da CMVM, existem fundos de tesouraria ditos: - Euro – menos de 10% da carteira está exposta ao risco cambial - Internacionais- fundos que não cumprem o critério anterior. e – Fundos de Fundos; Os Fundos de Fundos ( Fundos mobiliários abertos (art.º 55.º n.º 3 do D.L. n.º 276/94, de 2 de Novembro) ,categoria constituída em 1995, correspondem àqueles cujo património é composto exclusivamente por participações em instituições de investimento colectivo e por liquidez (Os fundos de fundos, à semelhança dos fundos de tesouraria, são também alvo de imposições legais
mais específicas não podendo, por exemplo, aplicar mais de 20% do seu activo global num único fundo (art.º 56.º n.º2 do D.L. n.º 276/94, de 2 de Novembro, com alterações do D.L. n.º 323/99, de 13 de Agosto)

necessária

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ao movimento normal do resgate das unidades de participação (Dadas

as suas características, estes fundos são detentores de um elevado grau de diversificação. Refira-se ainda que as unidades de participação detidas por estes fundos podem apenas ser de fundos domiciliados em Portugal que sejam fundos abertos comuns, ou de fundos de tesouraria, ou de fundos harmonizados, não podendo ser de fundos imobiliários nem de fundos de fundos (art.º 56.º n.º 1 do D.L. n.º 276/94, de 2 de Novembro).

Existem fundos de

fundos: - Euro – quando mais de 90% das participações em que investem são de instituições de investimento colectivo domiciliados na União Europeia e com um mínimo de 90% dos activos expressos em Euros - Internacionais – não cumprem aquele critério. f – Fundos do Mercado Monetário; Os Fundos do Mercado Monetário são uma figura recentemente introduzida no mercado (em Agosto de 1999) e caracterizam-se basicamente por serem compostos, numa percentagem superior a 85% do seu valor líquido global, por depósitos bancários . g – Fundos de Poupança-Reforma/Educação e Fundos de Poupança em Acções; Os fundos especiais, nomeadamente os Fundos de Poupança-Reforma/Educação (FPR/E) e Fundos de Poupança Acções (FPA), constituem casos particulares dos fundos de investimento mobiliário, apresentando por isso, enquadramentos legal e fiscal específicos (Tratam-se de fundos que se situam entre os fundos abertos e fechados, uma vez que as subscrições são quase sempre possíveis e os resgates, verificadas certas condições, também podem ocorrer) . Os Fundos Poupança-Reforma constituem planos individuais de reforma, complementares aos esquemas de segurança social proporcionados pelo Estado e pelas empresas. Investem principalmente em activos de baixo risco, devendo ser compostos por uma percentagem mínima de 50% de títulos de dívida pública emitidos por prazo superior a um ano. Os Fundos Poupança Acções (enquadrados em Planos de Poupança Acções), constituem um veículo de investimento de médio-longo prazo orientado para a dinamização do mercado accionista nacional e que permite aos participantes usufruírem de benefícios fiscais. Os fundos de poupança acções podem deter uma componente mínima de 75% do seu valor em: i) acções e títulos de participação cotados em bolsa de valores nacional (Representando estas aplicações pelo menos dois terços daquele valor ); ii) unidades de participação de fundos cuja política de investimentos preveja um investimento mínimo de 50% de acções cotadas em bolsa de valores nacional. A parte restante pode ser aplicada em numerário, depósitos em instituições de crédito e aplicações no mercado monetário interbancário (A classificação da CMVM adoptada antes de 1999 apenas definia que os fundos poupança acções teriam que ser constituídos no mínimo por 50% de acções e títulos de participação cotados em bolsa de valores nacional )

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h – Fundos Garantidos; Os Fundos Garantidos correspondem a fundos que, independentemente da sua política de investimentos, têm adstrita uma garantia de capital e um certo perfil de rendimentos (Em 2002 foi aprovado o Regulamento da CMVM n.º 04/2002 onde se encontram estabelecidas as condições para a constituição deste tipo de fundos de investimento ) i – Fundos de Índices. Os Fundos de Índices são fundos cujo objectivo da política de investimento consiste na reprodução integral ou parcial dum índice de valores mobiliários. Do ponto de vista legal, este tipo de fundos foi consagrado no D.L. n.º 276/94, de 2 de Novembro, onde previa a possibilidade dos investimentos em acções que integrassem um índice de bolsa ultrapassarem os limites estabelecidos em relação a uma só entidade. Mais recentemente, com o Regulamento n.º 4/2002, a CMVM veio aprofundar determinados aspectos relacionados com os fundos de índices, nomeadamente a sua política de investimentos e limites, os índices de valores mobiliários elegíveis e a informação a enviar à CMVM. Os agrupamentos de fundos, que não são propriamente uma categoria de fundos mas sim uma modalidade especial de comercialização, podem ser constituídos por dois ou mais fundos de investimento mobiliário abertos (com excepção dos fundos de fundos). Os agrupamentos caracterizam-se principalmente, pelas vantagens que proporcionam no resgate e subscrição simultânea de UP dos fundos que os integram. Os fundos de investimento mobiliário que integram um determinado agrupamento são normalmente designados por “compartimentos” ou “sub-fundos”.

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Possibilidade de investir em imóveis sem arcar diretamente com os custos inerentes a esse tipo de investimento (custo c/ escritura. locação ou arrendamento Constituem patrimónios autónomos.Noção de Fundo de Investimento Imobiliário Os Fundos de Investimento Imobiliário são instituições de investimento colectivo que têm por fim o investimento de capitais recebidos do público em carteiras diversificadas de valores fundamentalmente imobiliários. ou no investimento em projetos que viabilizem o acesso à habitação e serviços. com vista à recuperação económica do país. Imovest.Possibilidade de vender parte do investimento (quotas). Foi assim que surgiram em 1987 (Apesar da legislação que cria os fundos de investimento imobiliário datar de 12 de Julho de 1985. segundo um princípio de divisão do risco e de maximização dos rendimentos obtidos. e sem ter vínculo direto com inquilino.Fundimo -.1. na aquisição de imóveis prontos. naquele que é o seu negócio e no que sabem fazer. procurando incentivar o sector imobiliário em geral. Financeira – 2010 92 . permitindo-lhes centrar os seus recursos financeiros na sua actividade principal. pertencentes. devendo-se este lapso de tempo ao facto de só em Janeiro de 1987 terem sido estabelecidos incentivos fiscais à actividade dos fundos imobiliários) os primeiros fundos de investimento imobiliário (Fundimo. designadas por participantes. etc.2 . Captam capitais ao público em geral e aplicam-nos fundamentalmente em operações imobiliárias. traduzindo-se em efeitos positivos nas indústrias de construção e no mercado de arrendamento de imóveis para habitação e para escritórios. O governo pretendia com a criação dos fundos de investimento imobiliário aumentar as poupanças ao mesmo tempo que tentava a sua mobilização para investimentos no sector imobiliário. nº 237/87 de 12 de Junho).5.Fundo de Investimento imobiliário ( FII ) a) . criou legislação específica para o sector (DL nº1/87 de 3 de Janeiro e D. c) .Vantagens Os FII oferecem vantagens para os investidores que valorizam a diversificação de seus investimentos.Os Fundos de Investimento Imobiliário em Portugal O governo. b) . . para posterior alienação. além de : . e o da construção e obras públicas em particular.). A. Para as empresas. no regime especial de comunhão a uma pluralidade de entidades.Complemento de rendimento através do aluguer de imóveis. Os recursos de um FII podem ser aplicados no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários.L. só em Maio de 1987 aparece o primeiro fundo . com impacto directo na performance económica e financeira. . na construção de imóveis.2. os Fundos de Investimento Imobiliário representam um papel importante como fonte de financiamento através da separação entre a propriedade dos activos imobiliários e a gestão. diferentemente do investimento directo em imóveis.

visavam propiciar aos participantes uma rendibilidade segura e razoável numa perspectiva de médio e longo prazo. e situados entre produtos de alto risco e o tradicional depósito a prazo.481 milhões de euros. nomeadamente através do crédito à habitação. estavam já ligadas ao imobiliário. mais atraentes. Imovest e Vip surgiram naturalmente visto que as suas instituições depositárias. sendo 16 abertos e 33 fechados. Crédito Predial Português e Montepio Geral. Caixa Geral de Depósitos.106 aos fundos fechados. correspondendo 3. porventura. Estes fundos. Financeira – 2010 . O valor total sob gestão era de 5.Geoger e Vip). inseridos no sector imobiliário. ao mesmo tempo que contribuíam para a estabilização da poupança de uma larga faixa de aforradores e para a dinamização do mercado de arrendamento. lançados numa altura de forte reanimação do mercado financeiro português com o aparecimento de novos produtos alternativos às formas tradicionais de aplicação de poupanças. responsáveis por 49 Fundos de Investimento Imobiliário. 93 A.375 aos fundos abertos e 2. Em 30 de Junho de 2003 existiam em Portugal 26 sociedades gestoras de fundos de investimento imobiliário. alguns dos quais a perspectivarem formas de remuneração. Os fundos Fundimo.

de 12. artigo 22º do Estatuto dos Benefícios Fiscais EBF). Financeira – 2010 . que se constituam e operem de acordo com a legislação nacional. prevista na alínea g) do n.Outros Rendimentos Aplicam-se as regras estabelecidas para os rendimentos dos Fundos de Investimento Mobiliário por remissão da lei para o regime dos mesmos (Cfr. alínea c) n. os prédios integrados em FII.º 6. assim.5 %.Vantagens fiscais A tributação dos rendimentos obtidos por FII. devidamente documentados (Cfr. artigo 22º do EBF).d) . . Considera-se o imposto eventualmente retido como pagamento por conta.º 6.Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) Nos termos do artigo 46º do EBF.Rendimentos prediais Tributados autonomamente à taxa efectiva de IRC de 20% sobre os rendimentos líquidos de encargos de conservação e manutenção efectivamente suportados. depende da natureza dos mesmos: . artigo 22º do EBF). sem prejuízo da dispensa de retenção na fonte sobre rendimentos prediais obtidos por FII. estão isentos de IMI.Mais-Valias Prediais Estão sujeitas a tributação autónoma à taxa de IRC de 25% sobre metade do saldo entre as mais e as menos valias realizadas apuradas de acordo com o Código do IRS (Cfr. alínea b) n. na esfera dos mesmos. 94 A. . alínea a) n. que se constituam e operem de acordo com a legislação nacional. A taxa efectiva é.º 6. .º 1 do artigo 90º do Código do IRC.

também são dedutíveis para efeitos da determinação do lucro tributável em 50%. Para os sujeitos passivos de IRC e sujeitos passivos de IRS. e republicado pelo Decreto-Lei n. de 3 de Janeiro ("ex vi " n. caso em que o imposto retido ou devido ao próprio Fundo tem a natureza de imposto por conta.º 13/2005. de 7 de Janeiro). correspondente aos rendimentos das unidades de participação que aqueles tenham subscrito. Os imóveis que integram o activo de um Fundo de Investimento Imobiliário devem encontrar-se livres de ónus e encargos. deve ser restituído pela entidade gestora do Fundo e pago conjuntamente com os rendimentos respeitantes a essas unidades. Em caso de englobamento. o imposto retido ou devido na esfera no Fundo. na esfera dos seus participantes depende do enquadramento fiscal do seu detentor e da respectiva residência fiscal: . Financeira – 2010 . fora do âmbito de uma actividade comercial. . Os FII estão regulados num Regime jurídico próprio aprovado pelo Decreto-Lei n.º 1/87.Constituição do activo dos FII O activo de um FII pode ser constituído por imóveis e liquidez (Cfr. correspondendo a prédios urbanos ou fracções urbanas. e) . de 12 de Novembro que aprovou o Código do IMT). No caso de sujeitos passivos de IRC isentos. os rendimentos estão isentos.º 60/2002 de 20 de Março (com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.Participantes residentes em território português Para os sujeitos passivos de IRS. os titulares das unidades de participação têm direito a deduzir 50% dos lucros colocados à disposição do Fundo por pessoas colectivas sujeitas e não isentas de IRC. artigo 25º do Regime). no âmbito de uma actividade comercial.De acordo com a redacção do artigo 1º do Decreto-lei n. 95 A.º 252/2003. industrial ou agrícola. sujeita e não isenta de IRC. os rendimentos não estão sujeitos a retenção na fonte. bem como os rendimentos resultantes de partilha em consequência da liquidação dessas entidades que sejam considerados como rendimentos de capitais. são isentas de IMT as aquisições de bens imóveis efectuadas para um FII pela respectiva sociedade gestora.º 6 do artigo 31º do Decreto-lei n. Os imóveis detidos pelos Fundos de Investimento Imobiliário devem estar localizados em Estados Membros da União Europeia. industrial ou agrícola. A tributação dos rendimentos respeitantes a unidades de participação em FII. Os lucros distribuídos ao Fundo por uma sociedade com sede ou direcção efectiva no território português. sendo considerados como proveitos ou ganhos e o montante de imposto retido ou devido na esfera do Fundo tem a natureza de imposto por conta.Participantes não residentes em território português Os rendimentos respeitantes a unidades de participação estão isentos de IRS e de IRC.º 287/2003. podendo no entanto ser englobados. de 17 de Outubro.

n. fundos de investimento fechados objecto de oferta pública de subscrição artigo 46º.º 1. No entanto. nomeadamente no que respeita a regras de avaliação. f) A sociedade imobiliária se comprometa contratualmente com a entidade gestora do fundo de investimento a prestar toda a informação que esta deva remeter à CMVM. artigo 38º do Regime. sendo o respectivo capital social representado por acções nominativas (Cfr. O mesmo limite é aplicado às restantes modalidades de FII (Cfr. no entanto. podendo. artigo 7º do Regime). nos fundos de investimento abertos as participações em sociedades imobiliárias não podem representar mais de 25% do activo total do fundo de investimento.Acrescenta o artigo 25º -A do Regime que o activo de um fundo de investimento pode ainda ser constituído por participações em sociedades imobiliárias desde que preenchidos os seguintes requisitos: a) O objecto social da sociedade imobiliária se enquadre exclusivamente numa das actividades que podem ser directamente desenvolvidas pelos fundos de investimento. b) O activo da sociedade imobiliária seja composto por um mínimo de 75% de imóveis passíveis de integrar directamente a carteira do fundo de investimento. fundos de investimento fechados objecto de oferta particular artigo 48º.Administração dos FII A administração dos FII é exercida por uma sociedade gestora de fundos de investimento imobiliário. sendo-lhe aplicáveis as regras definidas no presente diploma para as sociedades gestoras e para os fundos de investimento imobiliário que administrem (Cfr. sejam aplicados princípios equiparáveis ao regime aplicável aos fundos de investimento. n.º 1. explorados ou alienados. conflitos de interesse e prestação de informação.º 1. transparência e divulgação. g) Aos imóveis e outros activos que integrem o património da sociedade imobiliária ou por esta adquiridos. f) . As sociedades gestoras adoptam a forma de sociedade anónima. Financeira – 2010 . d) A sociedade imobiliária tenha sede estatutária e efectiva num dos Estados membros da União Europeia ou da OCDE no qual o respectivo fundo de investimento pode investir. alínea a). nº 1 e 2 do artigo 6º do Regime jurídico dos FII). fundos de investimento mistos artigo 55º. a administração dos fundos de investimento fechados pode ainda ser exercida por alguma das instituições de crédito referidas nas alíneas a) a f) do Regime Geral 96 A. n. nos termos do disposto na alínea e). todos do Regime jurídico dos FII). ser exercida por uma sociedade gestora de fundos de investimento mobiliário. c) A sociedade imobiliária não possua participações em quaisquer outras sociedades. Porém. e) As contas da sociedade imobiliária sejam sujeitas a regime equivalente ao dos fundos de investimento em matéria de revisão independente.

as circunstâncias da contabilidade dos FII ser organizada em harmonia com as normas emitidas pela CMVM (Cfr.Tipos de Fundos de Investimento Imobiliário quanto ao capital Os Fundos de Investimento Imobiliário podem ser: -Fundos abertos Os fundos abertos caracterizam-se pelo facto terem grande liquidez. Caso o FII venha a ser constituído com capital inferior ao mínimo legal ou no caso de a subscrição inicial de 5 milhões de euros ficar incompleta.Natureza dos participantes dos FII Os participantes dos FII podem ser pessoas singulares ou colectivas. que disponham de fundos próprios não inferiores a € 75. sociedades de investimento e sociedades de locação financeira (Cfr. As referidas instituições de crédito são as que se seguem: Bancos. h) .Gestão dos FII Não se afigura de grande complexidade a gestão dos FII.º 01/2005 da CMVM respeitante aos FII).º 11/2002 da CMVM respeitante à contabilidade dos FII) e ser obrigatório o envio a esta entidade dos relatórios e contas semestrais e anuais dos FII. a título de exemplo. -Fundos fechados Os fundos fechados caracterizam-se por possuírem um capital fixo e duração 97 A. Caixas económicas. Regime jurídico e Regulamento n.º 08/2002 da CMVM com as alterações introduzidas pelo Regulamento n. residentes ou não em território português. Destinam-se principalmente ao público em geral e tem duração indefinida. artigo 41º do Regime). Financeira – 2010 . Destacamos. As unidades de participação que constituem estes fundos são em número variável. A subscrição e resgate das unidades de participação é feita junto dos intermediários financeiros. com as obrigações a cumprir perante a CMVM (Cfr. ou o património adquirido deverá ter sido investido ou valorizado até aquele montante. essencialmente. g) . não sendo necessária a sua transacção em bolsa. a Caixa Central de Crédito Agrícola e as caixas de crédito agrícola mútuo. O FII deverá ter um património mínimo de 5 milhões de euros após um ano da sua constituição.das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras aprovado pelo Decreto-lei n. designadamente sociedades imobiliárias. de 31/12. no entanto. não excluindo o Regime do seu âmbito subjectivo nenhum sector de actividade ou forma societária.00.000. sendo permitido aos seus participantes subscreverem e/ou resgatarem unidades de participação a qualquer momento. O capital que os constitui ser variável. Composto mais por activo de rendimento em vez de activos de investimento. o FII terá de aumentar o seu capital para o mínimo legal. no prazo de 12 meses. instituições financeiras de crédito. i) . Regulamento n. é exigido nos termos do seu regime jurídico a observância de regras específicas nas matérias referentes ao acesso e exercício da actividade e ao seu regime financeiro que se prendem.º 298/92.

O banco depositário. sendo subscritas pelos bancos depositários. a recente alteração ao Regime dos Fundos de Investimento Imobiliário Fechados (FII) ao permitir a sua constituição com menos de cinco investidores. Os participantes não interferem na gestão dos fundos. e ao eliminar outras exigências jurídicas. sendo uma em número fixo e outra em número variável. Financeira – 2010 . Com efeito. -Fundos mistos Os fundos mistos caracterizam-se pela existência de duas categorias de unidades de participação. sendo titulares do direito à percepção dos respectivos proveitos. Este tipo de fundos pode ser admitido à negociação em bolsa e. incompatibilidades e informações ao mercado. sem dúvida alguma. nem à publicação de relatórios semestrais. podendo eventualmente ser aumentado em condições prédefinidas no regulamento de gestão. Destaque-se que estes Fundos passaram a poder adquirir participações em sociedades imobiliárias.definida ( máximo 10 anos ). 98 A. como os demais fundos. as respectivas unidades de participação são sempre negociadas em mercado secundário. converte os FII num instrumento financeiro de investimento colectivo mais flexível. Composto mais por activo de investimento em vez de activos de rendimento. mandatando para tal. Fundos de Investimento Fechados de Subscrição Particular com menos de 5 investidores passaram a ser. Menor liquidez que fundos abertos. uma alternativa para a estruturação de operações imobiliárias. a elaborar o prospecto. permitindo-se desta forma o exercício indirecto da actividade imobiliária. O número de unidades de participação é fixado no momento da emissão. j) . quer pela credibilidade de que gozam para a captação de recursos quer pelo regime fiscal favorável de que beneficiam. designadamente quanto aos limites do endividamento. quer essa admissão se concretize ou não. ao nível de informação. Sublinhe-se que estes fundos deixaram de ter limites de endividamento e não estão obrigados. bem como a aceder a activos e à aplicação de capitais anteriormente condicionados.Estrutura dos Fundos de Investimento A estrutura fundamental dos Fundos de Investimento assenta em três entidades: -Os participantes -A sociedade gestora . a sociedade gestora.

Adquirem imóveis para revenda .Actividades realizadas pelos Fundos de Investimento Imobiliário Os Fundos de Investimento Imobiliários . A avaliação deve ser feita : . O banco depositário é a entidade onde está parqueado o capital do Fundo.A sociedade gestora é responsável pela administração do fundo em representação dos participantes.Podem desenvolver projectos de construção de imóveis l) .Avaliação dos FII Os imóveis dos Fundos de Investimento Imobiliário devem ser avaliados por. que efectua as subscrições e resgates por ordem da sociedade gestora e que garante o bom cumprimento das políticas de investimento.Adquirem imóveis para arrendamento ou outras formas de exploração onerosa . k) . dois peritos avaliadores independentes. Financeira – 2010 . cuja actividade está sobre a alçada da CMVM . 99 A. pelo menos. investindo o seu dinheiro em aplicações essencialmente imobiliárias.previamente à sua aquisição e alienação.

. sem entrar em linha de conta com os benefícios fiscais que poderão estar associados ao mesmo.Composição da carteira dos FII De acordo com a portaria nº 422-B/88 de 4 de Julho o património dos fundos de investimento imobiliário.Depósitos bancários. Este método permite determinar o valor de mercado e encontrar a remuneração adequada às características da unidade e ao nível de risco de investimento face às condições gerais de mercado. e será segundo dois de três métodos possíveis : . Obriga ao calculo estimado dos rendimentos liquidos gerados pela propriedade assim como de uma taxa de actualização . . n) . abertos ou fechados.Valores imobiliários.Aplicações nos mercados interbancários.Método comparativo ( também conhecido como método directo ou sintético) O valor do imóvel é determinado por comparação com outros semelhantes cujo preço de mercado é conhecido. 100 A. Método baseado no conhecimento dos valores dos imóveis semelhantes e transaccionados no mercado local .Calculo da rentabilidade de um Fundo (sem considerar os benefícios fiscais e a distribuição de rendimentos) Apresenta-se de seguida a forma de cálculo da rentabilidade de um Fundo.Títulos da dívida pública. Financeira – 2010 . O imóvel objecto de análise é avaliado na óptica do rendimento.Critérios de análise A decisão sobre operações de aquisição e de arrendamento de imóveis tem por base critérios de rigor e rendibilidade.método comparativo-) o custo de construção do imóvel m) .Método do rendimento ( também conhecido como método indirecto ou analitico) Usado para estimativa de propriedades produtivas que podem ser arrendadas com certo valor de renda.Método do custo ( também conhecido como método de custo de substituição) O valor do imóvel é calculado adicionando ao valor do terreno ( valor de mercado .Certificados de participação noutros fundos de investimento. o) ..com uma periodicidade mínima de dois anos. . Relembra-se que as taxas de rentabilidade calculadas são líquidas de comissões e impostos uma vez que sobre os activos que compõem os Fundos incide IRS. só pode ser constituído por: . . sendo a unidade de participação calculada líquida de impostos e comissões do Fundo.Numerário. .

TAEL = ((UP 1/ UP 0 ) ^ (365/(Prazo)) em que: .UP 1 .Valor da UP no momento inicial (UP mais antiga) . O modelo de Porter. e. não excluía a hipótese de ser aplicado também aos serviços. verifica-se: Posição de força dos fornecedores Para os fundos imobiliários existem dois tipos de fornecedores: 101 A. por outro.UP 0 .Análise de competitividade Segundo Michael Porter.Taxa Anual Equivalente Liquida . tendo sido aplicado inicialmente à indústria. se verifica a existência. Financeira – 2010 .Diferença de dias entre o momento inicial e o momento final p) . pois. em ambas as áreas.Prazo . Fig nº 1 Aplicando-se esta análise aos fundos de investimento imobiliário. por um lado de fornecedores e clientes com todo o seu poder negocial. a performance das empresas de um sector é influenciada pela intensidade de cinco forças (ver figura nº 1). de ameaças externas que se traduzem na possibilidade de entrada de novos concorrentes e/ou na entrada de produtos substitutos.TAEL .Valor da UP no momento final (UP mais recente) .

Existe um enorme número de barreiras. O número de participantes nos fundos é normalmente bastante elevado (em 15/12/93 o Fundo VIP contava com 7. ou seja por pequenos e médios aforradores ) tinha em média 1. os títulos da dívida pública e os imóveis. numa conjuntura de grande oferta para uma escassa procura de escritórios. através da sua capacidade negocial junto dos potenciais arrendatários e/ou compradores. Quanto ao segundo tipo. no caso dos mediadores imobiliários.602 unidades de participação. Existem ainda os fornecedores de material e mobiliário diverso incluindo os equipamentos informáticos e respectivo software que não possuem um grande significado. no sentido de obterem melhores condições às sociedades gestoras e aos fundos. poderão repercutir-se directamente na actividade do fundo.420 participantes e no final de 1993 cada participante nãoinstitucional (Em 31/12/93 cerca de 77% das unidades de participação em circulação eram detidas por investidores não-institucionais.450 unidades) o que não provoca grande pressão. entre outros. . Financeira – 2010 . cada qual apresentando-se com uma intensidade que. Posição de força dos clientes Nos fundos de investimento imobiliário os clientes que são os detentores das unidades de participação. etc. Aqui poderá existir uma certa pressão no sentido de reduzir as rendas a pagar ao fundo. Ameaça de entrada de novos concorrentes Esta ameaça mede-se através da existência ou não de barreiras à entrada de novos concorrentes. detidas pelos fundos. destinadas a escritórios. mas como novas sociedades gestoras. nomeadamente pela possível perda de clientes (empresas arrendatárias) para outros fundos. poderemos considerar como clientes dos fundos as empresas que alugam as fracções de imóveis.. Os prazos de entrega e os montantes exigidos pela obra ou pela venda. Quanto ao primeiro tipo. pode tornar-se intransponível. principalmente quando se trata de um arrendamento de várias fracções de um edifício por uma empresa. correspondendo a 2. a sua influência faz-se sentir no desempenho dos fundos. Numa outra perspectiva.499 contos. quer da venda. quer através da construção. nomeadamente os ligados ao «fornecimento» de imóveis para os fundos. não têm geralmente qualquer poder negocial. sendo muito elevada. com uma variação entre um mínimo de 10 e um máximo de 138.) pelas transacções efectuadas e.Os fornecedores de serviços como. os mediadores imobiliários. a sua influência no desempenho do fundo faz-se sentir através do pagamento de comissões (comissão de bolsa.Os fornecedores de matéria-prima que neste caso são os depósitos bancários. evitando assim o aparecimento de novos concorrentes. as sociedades corretoras e as bolsas de valores de Lisboa e Porto. Nos fundos de investimento imobiliário os novos concorrentes não são vistos como novos fundos. que é a situação vivida nos últimos anos. É aqui que os grandes obstáculos 102 A.

se apresentam. pedido de número colectivo. o que traz sempre certas demoras. sem dúvida alguma. embora seja importante.. em situação alguma. que não o primeiro no mercado. Quanto à problemática dos canais de distribuição que é. com a imagem da sociedade gestora no mercado quando lança um fundo. escritura pública. A burocracia que infelizmente ainda afecta todos os sectores produtivos. visto que ainda existem bancos que não comercializam fundos imobiliários. causando possíveis perdas de oportunidades de mercado. No entanto. A constituição de uma sociedade gestora requer. a curto prazo. verifica-se que todas as sociedades gestoras têm como entidade depositária um banco. A imagem pode ser encarada de duas perspectivas: uma. por outro. Assim. ao contrário do que se passa com os fundos mobiliários em que o canal de distribuição está muito mais saturado. nomeadamente de três grandezas: -Burocracia. autorização do Ministro das Finanças após parecer do Banco de Portugal e. a outra. pela entidade depositária/comercializadora. directa ou indirectamente. etc. Esta «obrigatoriedade» da existência de um banco como canal de distribuição leva a que muitas sociedades gestoras sejam participadas. o canal de distribuição não é uma barreira intransponível. como também não permite que. podemos então concluir que não é possível a existência de um fundo de investimento que não tenha um banco com todas as suas agências a ele associado. nomeadamente para os fundos abertos que procuram dia-a-dia angariar novos subscritores como forma de garantirem uma carteira suficientemente diversificada para minimizar o risco. se considerarmos que a comercialização das unidades de participação é feita também pelas entidades depositárias. Financeira – 2010 . Ameaça de chegada de produtos de substituição Para os fundos de investimento imobiliário os produtos substitutos são todos aqueles que se apresentam aos aforradores como produtos ideais para a aplicação de 103 A. pode atrasar a constituição de novas sociedades gestoras em muitos meses. a grande barreira à entrada de novos concorrentes. todos os passos necessários à constituição de uma qualquer sociedade anónima tais como pedido de firma. a imagem não é decisiva. por um lado. ouvido o Banco de Portugal. A legislação estabelece ainda que nenhuma sociedade gestora de fundos de investimento imobiliário possa ser constituída com um capital social realizado inferior a 75. Quanto à imagem como obstáculo à entrada. a soma do capital social com as reservas seja inferior à percentagem do valor global dos fundos que vier a ser fixada por portaria do Ministro das Finanças. é opinião dos peritos no sector que. -Canais de distribuição -Imagem.000 contos. que tem a ver com a imagem e confiança que os aforradores têm da entidade comercializadora.

o que vai aumentar o leque de produtos alternativos aos fundos de investimento imobiliário. A tendência no nosso país é para uma maior especialização de produtos. pelos fundos. .certificados de aforro. existe sempre a possibilidade dos aforradores aplicarem directamente as suas poupanças em imóveis. Cada dia que passa vão surgindo novos produtos financeiros no mercado. Os principais produtos substitutos para os fundos de investimento imobiliário são: .poupanças. . quer pelos benefícios fiscais inerentes a esses produtos. . Esta situação mantida durante muito tempo poderá trazer graves problemas para os fundos caso haja um grande número de resgates ao valor actual da unidade de participação. a rivalidade entre fundos tem vindo a aumentar gradualmente. Assim. 104 A. tirando daí vantagens nítidas da aplicação em valores mobiliários (dívida pública e depósitos bancários).obrigações. os aforradores ainda levam muito em consideração aquando da escolha de um produto financeiro. para apresentar rendibilidades competitivas. Esta situação levava a que todos ou quase todos os fundos procurassem aproveitar o prazo de dois anos que a lei confere para que os rácios de estrutura sejam cumpridos. este valor sobre-avaliado não consegue ser alcançado pela venda dos imóveis.fundos de investimento mobiliário. . . criando-se «novas versões» para alguns produtos financeiros. Apesar de performances passadas não garantirem ganhos futuros.depósitos bancários. sendo a sua diferenciação feita quer pelos níveis históricos de performance. sendo esta a forma encontrada. pelo que é grande preocupação destes apresentarem rendibilidades muito próximas uns dos outros. facto que não se pode dissociar do grande aumento do número de fundos a operar no mercado nos últimos anos. as rendibilidades históricas dos fundos.tesouro familiar. também eles sobre-avaliados em relação à situação do mercado imobiliário.acções. . Paralelamente. . Actualmente.bilhetes do tesouro. Por outro lado. poder-se-á dizer que existem produtos financeiros para todos os gostos em termos de rendibilidade. é frequente referir-se que muitos imóveis estão sobreavaliados. risco e liquidez. Financeira – 2010 .seguros de vida. o que tem como desvantagem a perda de todos os benefícios que o investimento colectivo traz. o que vai aumentando a rivalidade entre os diferentes produtos. Rivalidade entre as empresas do sector Nos fundos de investimento imobiliário. quer pelos conhecimentos que os aforradores têm dos produtos.

5.6 – Classificação dos investimentos por objectivos Esta classificação permite uma apreciação relativa do risco de vários investimentos.4 . as obras de arte. segundo a categoria á qual eles pertencem. 5. constituem um investimento ao abrigo das movimentações de papelmoeda. mas não tem a possibilidade de prever a quantificação do rendimento. saber movimentar-se num mercado de baixo risco. Em termos genéricos. o investidor deve : . pode escolher uma empresa cujo controlo não seja muito seguro: as passagens de mão. O investimento num bem de reserva de valor não se adequa a uma especulação em prazos reduzidos. é aconselhável decidir-se por um sector de baixa vulnerabilidade. mas com tempos de realização geralmente longos. porque o mercado de arte reserva surpresas agradáveis e ao mesmo tempo imprevisíveis. mas na maior parte das vezes geram também valorizações nas cotações. Caso goste de arriscar. Estes tipos de bens de reserva de valor. comportam em si uma fruição estética que é já uma vantagem em si mesma: para mais. ou seja. Decida-se por uma empresa sólida que tenha dividendos constantes. as moedas.5. torna-se um BEM DE RESERVA DE VALOR O investimento em obras de arte.Bens de reserva de valor Os metais preciosos. sejam elas quadros. Financeira – 2010 . são um bom instrumento de investimento juntamente com os outros bens de reserva de valor típicos: os selos. a compra de acções diferenciadas é a melhor maneira de minimizar o risco de uma carteira. está sujeito a leis variáveis.Dividir o investimento por varias empresas. esculturas. Cada objecto que tenha uma consistência económica de base e um mercado preciso. Este tipo de investimento é bastante sólido. Assim falamos em: . 5. com uma faixa de pessoas que se interessa por esse bem e o compre para além do seu preço original. jóias.5 – Imoveis Os aforradores que se dirijam ao mercado imobiliário para realizar um investimento devem ter uma boa liquidez. A diversificação de uma carteira.3 – Investir no sector produtivo A escolha deverá ser cuidadosa. em épocas de elevada inflação.Investimento de substituição 105 A. . de um grupo para outro.Comprar quando os preços estiverem baixos e procurar as acções que estão a subir de uma forma sustentada. podem gerar incerteza. Se o horizonte de investimento é limitado no tempo.

A substituição faz-se por equipamento idêntico. . 5. Podemos definir alguns tipos de investimento estratégico: .Investimento de expansão . 5.3 – Investimento de inovação ou modernização Esta categoria engloba quer o investimento destinado essencialmente a baixar os custos.6. 106 A. nomeadamente os relativos aos equipamentos economizadores de mão-deobra.6. que visam melhorar o bem-estar do pessoal (welfare) e proporcionar um bom clima social e psicológico no seio da empresa. São normalmente os mais frequentes. A um acréscimo das despesas corresponde um acréscimo das receitas.Investimento de inovação ou modernização . suportados pelas empresas desejosas de continuar na frente do progresso e serem as primeiras a lucrar com as novas técnicas e os novos mercados. Na verdade os elementos a considerar no estudo dos projectos. Financeira – 2010 . e tem por objectivo único suprimir a inferioridade do serviço prestado pelo equipamento existente.Investimento estratégico 5. não aumentam a capacidade da empresa e são os que apresentam menos incerteza.6. aperfeiçoamentos que melhorem a qualidade) ou da elaboração e lançamento de novos produtos.2 – Investimento de expansão Este investimento permite ao empresário fazer face aos desenvolvimentos da procura nos sectores dinâmicos da economia. são essencialmente constituídos por factores internos da empresa. 5. Estes investimentos aumentam a capacidade da empresa sem modificar a natureza dos produtos.( simplificações que permitam redução de custos.Os investimentos ligados a preocupações de ordem social. Um investimento de modernização assemelha-se de alguma forma a um investimento de substituição e a um investimento de expansão.4 – Investimentos estratégicos Este investimento têm por objectivo a promoção de condições favoráveis á prosperidade e êxito dos diversos projectos futuros e consequente desenvolvimento da empresa..Os investimentos constituídos pelas despesas de investigação e desenvolvimento.1 – Investimento de substituição Este investimento destina-se á substituição de equipamentos envelhecidos quer pelo uso quer por obsolescência.6. quer os investimentos efectuados com vista á melhoria de produtos existentes.

8 – Principais etapas de um projecto de investimento 5.8. Complementares Se um projecto influência positivamente o outro. A. formalizando ideias concretas acerca de quais são os projectos prioritários ao desenvolvimento da empresa. Concorrentes Se a influência for negativa os projectos dizem-se Concorrentes. Financeira – 2010 107 . Torna-se assim necessário fazer um diagnóstico da evolução recente dos sectores de actividade e conhecer quais as necessidades a satisfazer. se formalizarem as ideias e desenvolverem-se as acções « projectos » que permitirão satisfazer o objectivo de desenvolvimento acima referido. No caso extremo em que um deles retira o total das receitas do outro eles dizem-se MUTUAMENTE EXCLUSIVOS OU INCOMPATIVEIS ( a aceitação de um implica a rejeição de outro ou outros projectos que formam o conjunto em análise) 5. estamos perante 2 projectos Complementares.Independentes . para. ou Quando a aceitação ou rejeição de um projecto não é influenciável pela aceitação ou rejeição de outro ou outros projectos.1 . em conformidade. ou Quando a aceitação de um projecto depende da aceitação de outro ou outros projectos.7 – Classificação devido á interdependencia dos projectos .Complementares . Dependentes Se as receitas de um projecto forem afectadas pela realização do outro.Dependentes .Identificação Esta é a 1ª etapa. Desenvolve-se a partir de uma tomada de consciência.Concorrentes Dois projectos denominam-se: Independentes Quando as receitas de um deles não são influenciadas pela realização ou não do outro.5.

A análise económica sob o ponto de vista da rendibilidade para a colectividade. assim como o registo provisional das receitas e despesas de cada uma delas.8.jurídicos e políticos.3 – Análise Esta é a etapa que vai permitir a tomada de decisão final quanto á realização ou não do(s) projecto(s).financeiros. Financeira – 2010 .2 .Preparação Diz respeito aos estudos a levar a cabo para que os projectos a realizar satisfaçam os requisitos técnicos. Há duas ópticas de analise a saber: . que se pensam levar a cabo. sem olvidar o enquadramento institucional. permitindo que os mesmos sejam analisados e se torne rentável a sua realização. técnicos. 5. económicos.8. Estes estudos incidem normalmente sobre os aspectos comerciais. É a partir da eficácia destes estudos que se constróem as diferentes variantes possíveis de um projecto de investimento. 108 A. económicos e financeiros.5.A análise financeira sob o ponto de vista da rendibilidade empresarial .

Se for aceite. 5. isto é. Entende-se por preços de mercado corrigidos. 5.2 – Analise económica (sob o ponto de vista da rendibilidades para a colectividade) Esta análise.8. «efeitos indirectos do projecto».3 . montagem de equipamentos. o projecto está pronto para a tomada de decisão. mas sim a preços de mercado corrigidos. num período mais ou menos longo de tempo. Contudo. Financeira – 2010 . a de execução. promovendo-se novos estudos para a sua concretização. os preços de mercado após efectuadas as correcções provocadas pelas distorções que alteram o seu valor real (preços sombra). em função das condições actuais e futuras. passa-se á fase seguinte. na medida em que os dados não são tratados a preços de mercado. 5. caso o referido período ter sido bastante longo e tal se justifique.3.3.3. etc. Análise Financeira. não só no sentido de aprofundar detalhadamente as operações a realizar. controlo de preços. mas também ter em linha de conta o período de tempo decorrido entre a primeira e a quarta etapa.3. quais as repercussões que a realização do projecto tem nos outros sectores da economia nacional. Assim.8. nos outros sectores da economia são muito difíceis de calcular. isto é. Serão então desencadeadas as acções necessárias para pôr em funcionamento o projecto: construção civil.8. actualizando para o efeito os preços dos bens utilizados. do calendário de realização. Se for rejeitado. Estas repercussões. para além da viabilidade técnica e financeira do projecto. 109 A. verificar se os capitais investidos. A Análise Social de um projecto de investimento é pois feita através da comparação entre as receitas e as despesas corrigidas. etc. será aceite ou rejeitado de acordo com a satisfação das perspectivas da entidade promotora.5. são remunerados e reembolsados de modo a que as receitas geradas superem as despesas realizadas. difere da anterior. e já referidas. contratos de funcionamento. Este tipo de análise pretende verificar. taxas de câmbio oficiais. incentivos ás exportações.Execução Nesta fase procede-se á revisão dos estudos técnicos e financeiros. o mesmo poderá ser reconsiderado. para além das receitas e despesas relacionadas com o projecto.4 .1 –Analise financeira (sob o ponto de vista da rendibilidade empresarial) Tem em vista. Essas distorções são nomeadamente as restrições ás importações.8. utilizam-se inquéritos aos agentes económicos que mais directamente estäo relacionados com a realização do projecto. também designada «Análise Social» ou «Análise Custo-Benefício». qual o seu contributo para a Economia Nacional. é necessário ter em conta os custos e benefícios indirectos do projecto.Decisão Após ultrapassadas as três ultimas etapas.

Utilização dos coeficientes técnicos . e é este o objectivo fundamental do estudo de mercado.Projecção da tendência Estudo da elasticidade Seja a função Y = f(x) Chama-se Elasticidade. de entre os quais abordaremos: . á relação entre a variação relativa de Y e a variação relativa de X: d Y ----Y --------d X ----X E = 110 A.novos métodos de actuação . Em segundo lugar.9 – Elementos a considerar no estudo de um projecto de investimento 5. Existem vários métodos de previsão. concorrência) e prever a sua evolução com a finalidade de esta aí se movimentar com o máximo de sucesso.1 – Estudo de mercado O conhecimento do mercado dentro do qual actua uma empresa é de primordial importância para a tomada de decisões relativas a diversos campos da sua actividade.5. Decisões relativas a : . 5.alteração na qualidade e no preço de venda de um produto Todo o projecto exige aquisição de factores de produção.2 – Métodos de previsão As previsões de consumos futuros constituem a base de trabalho e de raciocínio na concepção de projectos de investimento.novos investimentos . Financeira – 2010 .Estudo da elasticidade . que responda ás seguintes questões: . deverá permitir o estabelecimento de previsões sobre a evolução do consumo. logo a exigência de a empresa conhecer o mercado em que actua.9.9. O estudo de mercado.dimensão do mercado .área que abrange . a empresa deve fazer um diagnóstico correcto da situação existente. fornecedores.sector de actividade em que actua . Para a tomada de decisões relativas a diversos campos da sua actividade e para o conhecimento do meio em que se movimenta. serve precisamente para conhecer o meio em que se enquadra a actividade da empresa (consumidores.características óptimas do serviço ou bem a fornecer.

Uti1ização dos coeficientes técnicos 111 A. Se a elasticidade-preço do bem B é igual a -3. Como exemplo temos a procura dos automóveis. São elas a Elasticidade procura-preço e a Elasticidade procura-rendimento. A procura diz-se ELASTICA quando o valor da elasticidade em módulo.preço Define-se como sendo a relação entre as variações relativas das quantidades procuradas e as variações relativas do preço de um bem. for superior a 1. Será perfeitamente elástica quando for perpendicular a esse eixo. Financeira – 2010 . dq --q E = ----dp --p Esta elasticidade normalmente tem sinal negativo. dq ----q E = -----dy ----y Esta elasticidade normalmente tem sinal positivo.rendimento Define-se como a relação entre as variações relativas das quantidades procuradas e as variações relativas do rendimento. Poder-se-á ainda falar em procura inelastica infinita quando a curva de procura é representada por uma recta paralela ao eixo dos XX. Será RIGIDA quando esse valor for menor do que 1. Elasticidade procura . Como exemplo temos a procura do pão. há duas elasticidades que tem importância crucial.Nos estudos de mercado.isto quer dizer que se o preço do bem B aumentar 1% as quantidades procuradas diminuirão 3% Elasticidade procura . pois tanto o rendimento como a procura variam no mesmo sentido. uma vez que a procura varia em sentido inverso ao do preço.

Financeira – 2010 . 112 A. fazendo uma regressão entre os valores recolhidos e os anos a que correspondem. uma vez que parte do principio de que as condições que determinaram o crescimento do consumo no passado. Perante a necessidade de responder á procura de um bem ou serviço. determina-se uma função explicita pelo método dos mínimos quadrados. .Variantes do investimento Ao analisar as alternativas possíveis de investimento num sector.3 . o que muitas vezes não acontece. De notar que os coeficientes técnicos podem-se modificar ao longo do tempo. Sendo conhecida a relação histórica entre o consumo de um determinado bem intermédio e os produtos finais para que contribui. vários elementos devem ser tomados em linha de conta. verificar-se-ão no futuro.-1) x 100 Cn em que: i é a taxa média de crescimento anual Cn é o consumo no ano n Ct é o consumo no ano t 5. há que definir qual a dimensão.São utilizados habitualmente para analisar a procura de bens intermédios. tornar-se-á simples extrapolar esse consumo intermédio desde que se conheça a evolução daqueles produtos finais.Estudo tecnico do investimento A .9. Este método de projecção de tendência é limitado.Calculo da taxa média de crescimento anual em % Conhecidos os consumos no ano t e do ano n. localização e processos produtivos dos investimentos que a poderão satisfazer. Projecção da tendência Procura-se retirar da análise histórica do consumo a sua evolução futura. Assim só é aconselhável o seu uso para a obtenção da evolução futura do consumo a curto prazo. a taxa média de crescimento anual em % é dada por: t-n i = Ct (---. Para projectar uma linha de tendência.

com menores custos. que possibilitem obter um nível mínimo de actividade. Por outro lado.Linhas de montagem totalmente automatizadas ou mão-de-obra intensiva? . entre as quais o investidor tem que escolher. . por exemplo. Assim. Para tal torna-se necessário determinar: . Existem numerosas possibilidades técnicas. Assim.Construção de variantes de um projecto Ao analisar um projecto. os investimentos devem localizar-se próximo das fontes de energia.Que tipo de energia vai utilizar? Electricidade ou gasóleo? . .Custos de investimento . menores serão os custos de distribuição. A solução melhor é aquela que. Como exemplo apresentam-se as seguintes : . Vários são os factores que podem influenciar a escolha das técnicas para atingir o fim em vista. . torna-se necessário comparar alternativas em presença.Receitas e custos de exploração das varias variantes 113 A. o investimento só será possível se se conseguir outros mercados (exportação). Assim deverão ser ponderadas na escolha final do projecto. para o seu êxito. Contudo. e noutros.Dimensão do projecto A dimensão de um projecto é função do mercado a satisfazer. Lembremo-nos. em certos casos. Estas alternativas devem ser analisadas com base nos resultados económicos que apresentam. Financeira – 2010 . das matérias primas e de mão-de-obra qualificada e abundante. Nestes casos. quanto maior for a proximidade entre o produtor e o consumidor. pode ser preferível investir numa grande unidade produtiva que satisfaça a totalidade do mercado. consegue realizar maior volume de vendas. maior terá que ser a dimensão do investimento.. de certos equipamentos fortemente automatizados (linha de montagem de automóveis) que não se mostram rentáveis em escalas de operações reduzidas.Que qualidade para o bem ou serviço ? Estas diferentes alternativas conduzem a custos de investimento e de exploração desiguais para obter um bem. a melhor solução será investir em várias unidades de menor dimensão. quanto maior for a procura a satisfazer. mas que se encontram próximas dos locais de consumo É de salientar que muitos projectos não se compadecem com dimensões reduzidas. a fim de minimizar os custos de produção. e mesmo o mais importante.Localização do investimento A localização dos projectos é factor determinante.Escolha do processo de produção O processo produtivo de um bem ou serviço não é uniforme.

B . Financeira – 2010 .No entanto há rubricas que se consideram para qualquer tipo de investimento.Custos de investimento . electricidade e gás Instalação de telecomunicaç5es Estradas e caminhos Vedações Materiais Máquinas e custos de instalação Motores Equipamento eléctrico e de te1ecomunicações Material de transporte Material de manutenção Peças sobresselentes Imobi1izações incorpóreas Licenças Alvarás Trespasses Despesas de estabelecimento Despesas de constituição da empresa Organização de uma rede de distribuição Publicidade Recrutamento de pessoal Formação de pessoal Juros intercalares 114 A.Rubricas A determinação das rubricas a incluir nos custos de investimento varia de sector para sector . a saber: Despesas preliminares Estudos comerciais Estudos técnicos Estudos económicos e de rendibilidade Análise de possibilidades de financiamento Custo dos terrenos (incluindo escritura) Construção Fundações Estrutura. Alvenaria. Revestimento e coberturas Sistemas de abastecimento de água.

impostos e arrendamentos .Gastos em mão de obra operária e técnica . relacionados com a montante dos financiamentos utilizados.C. . devem ser tomadas em linha de conta no estudo de qualquer projecto.Seguros.Outros gastos administrativos .Amortizações técnicas (critério das quotas constantes) E. torna-se necessário um certo montante de capital circulante destinado a financiar os custos de exploração e de estrutura até ao escoamento da produção junto dos consumidores Essas necessidades de capital que podem ser financiadas a curto prazo (por crédito de fornecedores.Energia e combustível . Interessa considerar essencialmente custos directos de exploração. por crédito bancário a curto prazo) ou implicar necessidade da imobilização permanente de capitais próprios ou alheios emprestados a mais de um ano. custos de estrutura e as amortizações.Previsão sobre as necessidades de capital circulante Na maior parte das actividades económicas existe um desfasamento entre o momento em que se inicia o ciclo de produção e o momento em que o produto é vendido no mercado. não deverão ser considerados aqui.Previsões de receitas e custos de exploração .Descrição de despesas técnicas de exploração Compras Matérias de consumo corrente Combustíveis Produtos de manutenção Despesas com pessoal Salários 115 A.Previsões de custos de exploração Estas previsões (a preços de mercado) serão feitas mediante a atribuição de preços aos recursos a utilizar. pois.Gastos com pessoal de administração . não se relacionam com o investimento propriamente dito). os quais foram quantificados aquando do estudo técnico. Podemos referir as seguintes rubricas: .Previsões de receitas e custos As previsões das receitas do investimento são feitas a partir do estudo de mercado. pois este permite prever com maior ou menor fiabilidade o das vendas. D.Matérias primas e outros materiais . Deste modo.(Os custos financeiros. Financeira – 2010 .

electricidade Seguros Transportes e deslocações Transporte de pessoal Viaqens e deslocações Despesas de transporte sobre compras e vendas Custos diversos Publicidade Consumos correntes de escrit6rio Telefone.Compensação dos encarqos Encargos sociais Comissões Remunerações em espécie Impostos e taxas I. Financeira – 2010 . telex.R.A. gás. Direitos alfandegários I. correio 116 A.S Imposto de selo Taxas municipais Serviços exteriores Rendas Reparações Agua.V.

semestraal.10 .11 . sobretudo através da da venda dos equipamentos no termo da vida útil.Taxas equivalentes – Fórmula e calculo Duas taxas dizem-se equivalentes se.5. Financeira – 2010 . Geralmente. etc) teremos a seguinte fórmula para a Taxa Equivalente k I = (1 + i ) – 1 em que 1 K = -.Valor residual do investimento O valor residual do investimento é constituido pelo montante que se espera recuperar. quando aplicadas ao mesmo capital durante o mesmo período de tempo produzem o mesmo valor acumulado.Taxa equivalente que se pretende calcular i . por uma questão de comodidade o valor residual do investimento corresponde ao valor contabilístico liquido (deduzido de amortizações) do activo fixo.Período da taxa I (trimestral. Sendo: I . 5.Taxa base (anual) n .e m 12 m = --n 117 A.

13. a taxa de juro é o parâmetro que relaciona o valor actual de um capital com o seu valor acumulado em determinada data futura.1 .Noção de actualização A noção de ACTUALIZAÇÃO é amplamente utilizada nos cálculos económicos e financeiros.5. Em qualquer investimento. e n = 2 Cn = 100 x (l+0.Capital inicial i .Taxa de capitalização Designa-se por taxa de capitalização e representa-se por i.1 .Capital acumulado teremos a seguinte fórmula para a Capitalização Cn = C x (1 + i) Suponhamos que C = 100 €.Capitalização É o mecanismo através do qual um determinado capital aplicado.21 ) = 121 € 5. i = 10%. produz juro ao fim de um certo tempo de aplicação. C.13 . nenhum detentor de capital prescinde dele ou seja. Esta constatação é valida na ausência de inflação monetária. e o seu valor acumulado. é dada pela relação entre o valor actual do capital. o incremento apresentado por uma unidade de capital capitalizada durante uma unidade de tempo.Capitalização .10) = 100 x( l. podemos afirmar que o valor actualizado de um capital acumulado é o seu valor actual.12.Período (expresso na mesma unidade de tempo da taxa i) Cn . 5. Cn 118 A. Tendo em conta que a actualização é o processo inverso da capitalização.12 .fórmula Sendo: C .Fórmula Para um dado periodo. renuncia á liquidez e/ou á preferência para o presente. senão em contrapartida de uma remuneração: o JURO.12.Taxa de capitalização n . Financeira – 2010 2 n . É flexível e resulta da noção de juro composto.Não há equivalência entre a detenção de um capital C hoje e um capital C ao fim de n períodos.2 . Na hipótese de uma taxa de juro composta i. a equivalência entre o capital que se detém em dado momento o que se poderá dispor ao fim de n períodos. 5. 5.

-Se o investimento é financiado por "capitais alheios". A diferença ainda dependerá: . . Suponhamos que o investimento é financiado por: Capitais próprios Cp. Por conseguinte a taxa i tenderá para a taxa do ramo. Suponhamos que Cn = 121 €. Obtém-se assim uma taxa de actualização ponderada. . Capitais alheios Ca. a taxa i será pelo menos igual á taxa que o investidor poderá obter com um outro investimento de igual risco.Da taxa interna de rendibilidade desejada.Se o investimento é financiado por capitais próprios.10) -2 = 100 c 5. . a taxa de actualização i obtém-se pela fórmula 119 A. i = 10% e n = 2 Valor Actual Liquido = 121 x (1 + 0. é necessário considerar os factores mencionados nos dois parágrafos precedentes. a taxa i deve ser.= Cn x (1+i) n (1+i) -n -n A expressão (l+i) é o FACTOR DE ACTUALIZAÇÃO que permite obter o valor actual liquido de um capital disponivel na ano n sendo i a taxa de juro. para os quais se aplica a taxa ia Neste caso.Se o investimento é financiado simultaneamente por capitais próprios e alheios. sempre. para os quais se aplica a taxa ip.2 .Calculo da taxa de juro a utilizar O calculo da taxa tem em conta o modo de financiamento do investimento. Financeira – 2010 .13. superior á taxa de juro paga aos capitais alheios.Do risco do investimento. nas suas relações quantitativas.Cn = C x (l+i) donde Cn n C = -------.

entradas.14 . Financeira – 2010 . tomando em consideração a noção de tempo.ip + Y. as retiradas.do dinheiro disponível. caixa. «available money» Em inglês.ip + Ca. Os métodos baseados na estimativa do cash-flow. As aplicações de tesouraria serão os desembolsos. diminuições ou Cash outflow. aumentos ou Cash inflow. os gastos. por Y a parte dos capitais alheios. 120 A. origens.OUTFLOW A avaliação do fluxo de tesouraria esperado da realização de um projecto não é uma técnica nova.ia em que Cp X = -----------Cp + Ca Ca Y = -----------Cp + Ca e 5. disponibilidades.CASH OUTFLOW ou simplificando: CASH FLOW = INFLOW . liquidez. Estas fontes de tesouraria poderão indiferentemente chamar-se entradas em caixa. Cash será sinónimo de tesouraria.ia i = ----------------Cp+Ca Se se designar por X a parte dos capitais próprios. pode escrever-se também I = X. recursos. contributos. as saídas. as utilizações. Ela é muitas vezes considerada pelos financeiros nos seus estudos de produtividade relativos á oportunidade de um investimento.Cash flow O "CASH-FLOW" ou " FLUXO DE TESOURARIA" pode ser definido como a corrente das fontes e empregos do dinheiro durante um período determinado. uma vez que Cash Flow é uma expressão anglosaxonica.Cp. É o fluxo do «available money» . pode escrever-se a seguinte definição: CASH FLOW = CASH INFLOW . revelam a taxa real de rendibilidade e facilitam as comparações de projectos que apresentam características diferentes de duração e de rendimento financeiro.

5.14.1 - Os meios libertos ou "cash-flow" do investimento Em termos gerais, o cash-flow (ou meios libertos) de um projecto de investimento é a diferença entre as receitas e as despesas a ele associadas num determinado periodo. Portanto, o cash-flow traduz-se nos recursos financeiros libertados anualmente pelo projecto ao longo da sua vida útil. Estes recursos financeiros poderão ser utilizados na satisfação das necessidades suplementares de fundo de maneio, na remuneração ou reembolso de capitais alheios e na remuneração ou recuperação dos capitais próprios empregues no financiamento do projecto.

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5.15- Critérios de analise de investimentos Iremos estudar os métodos baseados no " Discount Cash- Flow". Basicamente estes métodos assentam por definição em duas concepções: A actualização (Discount) Os quadros de Cash - Flow No que concerne á actualizacao, digamos que uma unidade monetária a receber dentro de 10 anos, vale menos do que uma unidade monetária a receber dentro de um ano. Com efeito, uma unidade monetária recebida hoje (momento zero) poderá ser “colocada” e valerá ao tempo n, o montante n (1+i) unidades monetárias. Assim, a actualização consiste em rebater sobre um mesmo referencial actual (P) um valor estimado (S) através do factor de actualização l ----n (l+i) sendo i a taxa de actua1ização definida. 0 1 2 3 4 P S P = -------n (1 + i) …………… n-1 n S

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5.15.1 - Valor actual liquido O conceito de valor actual assenta no pressuposto que um determinado montante hoje é mais valioso do que o mesmo montante amanhã. De facto essa importância pode ser investida hoje e começar imediatamente a originar rendimentos (por exemplo através de um depósito bancário). O valor actual de uma quantia futura pode ser calculado pela multiplicação dessa mesma quantia pelo factor de actua1ização que é menor do que 1. VA = Factor de actualizaçào x V em que VA = Valor actual e V = Valor da quantia futura

1 Factor de actualizaçào = --------n (l + i) onde “i” é a taxa com a qual estamos a actualizar o valor futuro (i = taxa de actualizaçao) e “n” corresponde ao período. A taxa i é a recompensa exigida pelos investidores pelo facto de aceitarem pagamentos atrasados. O Factor de actua1ização representa o valor actua1 de uma unidade monetária considerada ao fim de certo número de períodos de tempo. Nota: A taxa “i” a utilizar é funçao da estrutura dos capitais a aplicar. O Valor Actual Liquido define-se como o somatório de todos os valores actualizados dos cash-flows associados ao projecto, isto é : n Cp V.A.L. =  ---------- - I P=1 p (1 + i) em que Cp = Cash-flow do mês p i = Taxa de actua1ização mensal n = N° de meses esperados do projecto I = Investimento inicial 123 A. Financeira – 2010

124 A.A. Neste caso a taxa a aplicar seria a de actualização correspondente (semestral).Se considerarmos que Cp = Rp . Caso estas não existissem.. . pelo que só deveria ser adoptado se se tratasse de um projecto obrigatório. concluímos que o projecto é financeiramente favorável. o projecto remunera o capital a uma taxa inferior á pretendida.Se VAL = 0. ( o projecto tem uma rendibilidade igual ao custo de oportunidade do capital) pelo que devem ser procuradas alternativas com VAL superior. .Se VAL < 0. o projecto remunera o capital á taxa pretendida. o projecto poderia ser adoptado por razões de ordem não financeira que o aconselhassem.Dp V. pois remunera o capital aplicado a uma taxa superior á pretendida. A partir do VAL calculado.Dp em que : Rp = Receitas esperadas para periodo p e Dp = Despesas esperadas para periodo p n Rp . =  ------------. podemos proceder á avaliação do projecto.I P=1 p (l+i) Note-se que foram considerados periodos mensais. .L. Financeira – 2010 .Se VAL > 0. mas poderiam ser quaisquer outros (por exemplo semestrais).

-É necessário escolher previamente uma taxa de actualização. 125 A.Propriedades do V. -O mérito de um projecto é função da taxa de actualização escolhida.A.L.A. Financeira – 2010 . Aditividade Considerando 2 projectos independentes A e B VAL (A+B) = VAL (A) + VAL (B) Universalidade O VAL é um critério eficiente em todas as situações em que desejamos comparar projectos alternativos Desvantagens do V. -As actualizações devem ser referidas ao mesmo ano base para permitir projectos alternativos.L.

I.R. Calcula-se o V.D = I em que I = Investimento actualizado R = Receitas actualizadas D = Despesas actualizadas ou Rp-Dp  ----------. mas de sinais diferentes.Líquidos próximos.2.I.Taxa interna de rentabilidade (T.I. de um projecto é nulo. Se V.D = 0  R . V.) É também um método baseado na capitalização.A. 126 A. Rendibilidade é a taxa de actualização para a qual o V.R. O T. Escolhe-se uma taxa de actualização.R.A.I = 0 p=1 p (l+i) n Pergunta : O que significa.L > O escolhe-se uma taxa de actualização superior.Liquido..A.A. Financeira – 2010 . = 0  . Calculo da T. Recalcula-se o V. para um projecto cuja vida se estima em 10 anos. é calculado por interpolação. mas não está dependente da escolha arbitrária da taxa de juro. uma T.= 15 % ? Resposta: Significa que os benefícios líquidos esperados permitirão a recuperação do capital investido ao fim de dez anos e que em cada ano remunerarão o capital á taxa de 15 %.A. Se V.15.L. Poder-se-á dizer que a T. I.I + R .I.L até que se obtenham V.L < O escolhe-se uma taxa de actualização inferior.R.5.A.A.L.

É independente do montante de investimento. Custo de oportunidade: Benefício da melhor alternativa possível.O mérito de um projecto depende da taxa de actualização escolhida. Financeira – 2010 . todas as satisfações a que um sujeito renuncia são o custo das que obteve. 127 A.E um critério inadequado para orientar a selecção de projectos mutuamente exclusivos (incompatíveis).I.Desvantagens do T. .Requer uma selecção da taxa de actualização. Se nos deparamos com o consumo alternativo de uma maçã ou de uma laranja.R .R. sabemos que se consumirmos a maçã deixamos de consumir uma laranja – é este o nosso custo de oportunidade Define-se Custo de Oportunidade Capital como sendo a remuneração mais baixa que se está disposto a aceitar para o capital a investir. para certos fluxos de fundos ou mesmo não haver nenhum valor (desde que haja investimentos em momentos intermédios da vida útil que tornem negativo o beneficio liquido) . . .I.Pode haver mais do que um valor da T. Do ponto de vista económico.

elevado não passa de uma análise hipotética a não ser que a massa monetária recuperada no projecto seja investida noutro de igual rendibilidade.Periodo de reembolso (PAY BACK) Podemos definir o período de reembolso como o período de tempo necessário ao Cash-Flow de exploração (a partir do inicio da laboração) para cobrir o capital investido excluindo o valor residual (caso haja). no entanto duas desvantagens : l) Matematicamente pode não haver nenhum valor para o T.L. quando ocorrem importantes factores de risco.15. 128 A.=  ------------t=1 t t=1 t (1 + i) (1 + i) t=p em que t = Período de Reembolso É um método aconselhado quando se conhece previamente o prazo de obsolescência do investimento. reside no facto de a rendibilidade do projecto não ser referida ao investimento (capital) inicial.4 . Estas desvantagens podem ser ultrapassadas com a utilização do índice de rendibilidade.R. A determinação do tempo do reembolso do capital investido obtém-se pela resolução em ordem ao tempo.R. este já relaciona o V.A. Quanto ao método T.I. dado exigir uma grande saída inicial de capital. Financeira – 2010 .A. com o capital investido apresentando.3 .Dt  -------. 5.5. e nÃo ser de qualquer modo atractivo. Assim. (Estamos a admitir que o investimento apenas se localiza no primeiro ano).L. Quanto maior for o i maior será o Período de Reembolso.A.I. elevado.15. um projecto pode ter um V. 2) Um valor da T. em qeral.R. (se houver investimentos em momentos intermédios que tornem negativo o beneficio liquido). quando é conveniente recuperar rapidamente o capital investido (actividade em período de concessão). ou.I.Indice de Rentabilidade Uma desvantagem do critério V. It t=p Rt . Por outras palavras será a determinação do tempo de reembolso do capital investido. da equação que relaciona o Cash-Flow de exploração com o investimento.L.

= ----------------n It  -------t=1 t (1 + i) n Quando IR < 1 o projecto não deve ser aceite.Dt  -------t=1 t (1 + i) I. 129 A. Anote-se que IR > 1 corresponde a VAL>0 (á mesma taxa de actualizaçao) e TIR superior ao custo de oportunidade do capital. pois nao recupera o custo do investimento. Quando IR > l entao devemos aceitar o projecto.Este define-se como sendo o ratio entre os valores actualizados da série de cash-flows gerados pelo projecto investido e o capital actualizado. Rt . Quando IR = 1 o projecto simplesmente recupera o investimento inicial. É de recusar. Financeira – 2010 . Quanto maior IR maior a rendibilidade do projecto.R.

pagamentos a fornecedores. quer para o arranque da actividade. o que por sua vez pode prejudicar o crescimento da empresa. Muitas vezes. business angels. etc. A falta de capital.Alheios (créditos de fornecedores.1. Genericamente existem dois tipos de fontes de financiamento ao dispor do empresário: internas e externas. mas também para reembolsar os empréstimos contraídos. O autofinanciamento constitui um complemento indispensável aos pedidos de empréstimo e se este autofinanciamento é insuficiente a empresa deverá. E necessário que uma empresa constitua reservas financeiras. 130 A. mais do que definir quanto precisa. os recursos que são libertados pelo seu funcionamento.16. 5. não deve recorrer a novos empréstimos sem dispor ela própria de um certo financiamento interno. o empresário tem que definir quais as fontes de financiamento adequadas. No entanto há cuidados a ter.Fontes de Financiamento Externas Entre as externas há a distinguir o financiamento através de capitais . linhas de crédito.Próprios (aumento de capital. Porém. essas necessidades de capital tendem a aumentar. constituição de inventário. quer sobretudo para o seu crescimento é uma das principais causas para o insucesso das PME”.5. O autofinanciamento representa o financiamento da empresa por ela própria. leasing e factoring) . 5. a empresa tem que garantir outras opções de financiamento. Financeira – 2010 .2. capital de risco e recurso ao mercado de capitais). da gestão mais eficiente dos activos (fixos e circulantes) ou do controlo de custos mais apertado. Como à medida que o negócio cresce.Fontes de Financiamento “Desconfie dos que lhe dizem que basta ter uma boa ideia pois o dinheiro não é problema. pois a banca não aceita geralmente cobrir a totalidade dos riscos.Fontes de Financiamento Internas Entre as internas destacamos o auto-financiamento através da retenção dos lucros obtidos. proceder a um aumento do seu capital.16. o dinheiro gerado pelas vendas não é suficiente para cobrir as necessidades de capital – investimento em instalações e equipamento. Por outro lado se uma empresa pretende assegurar o seu desenvolvimento. ou seja. não somente para renovar os seus bens de equipamento. empréstimos bancários. para a obtenção de recursos externos de que necessite. pois podemos pensar que o autofinanciamento permite uma determinada autonomia em relação ao mercado financeiro.16..

Empresários com negócios nestas condições podem recorrer a empréstimos bancários para financiarem as suas operações e programas de expansão em condições muito vantajosas sem cederem parte do controlo da empresa. sob pena de a empresa vir a enfrentar problemas de tesouraria que. A adequada quantificação e estruturação dos empréstimos bancários é muito importante. Assim.Vamos centrar a nossa análise nos dois casos mais frequentes: . normalmente um banco.2. do que a empresas emergentes. As características fundamentais dos empréstimos bancários são: . 5. etc. Como é natural.Financiamento de uma grande aquisição (equipamentos.Empréstimos financeiros . Financeira – 2010 . o financiamento bancário pode ser aconselhável nas seguintes condições: . a concretização dos próprios projectos.Reembolso da divida 131 A. durante um período de tempo pré-determinado.Venda de uma participação no capital da empresa.Forma de pagamento de juros .1 – Empréstimos Bancários e Obrigacionistas Uma dívida financeira consiste na obtenção de um empréstimo junto de um credor. Normalmente.16. a empresa está não só obrigada à restituição do capital emprestado. As instituições bancárias tendem a preferir empresas com experiência no negócio. Quando contrai uma dívida.Quando o cash flow da empresa é forte e é seguro -Empréstimos bancários a médio e longo prazo Os empréstimos bancários exigíveis a médio ou a longo prazo são uma fonte de financiamento muito corrente dos projectos de investimento. fixados com base numa taxa que é aplicada ao valor do empréstimo.O prazo de empréstimo . ou pelo menos adiar. em ultimo caso. Os empréstimos bancários podem ser de curto prazo (que implica a amortização da dívida até um ano após a contracção do empréstimo) ou de longo prazo (empréstimos por um período superior a um ano).Taxa de juro nominal . instalações. o crédito bancário é uma forma de financiamento adequada se a empresa está moderadamente endividada e manifesta boa capacidade de gerar cash flows. como também ao pagamento de juros. poderão comprometer. cujas equipas de gestão mantenham boas relações com a instituição e que apresentem planos de negócio que demonstrem capacidade para cumprir o serviço da dívida.Expansão de um negócio lucrativo . os bancos são mais receptivos a emprestarem dinheiro a empresas sólidas e já estabelecidas no mercado.) .

os credores têm um direito preferencial na distribuição dos lucros futuros das sociedades. retirar fundos consoante as suas necessidades de A.2. mesmo que consiga obter o desejado empréstimo devido ao seu historial de crédito muito positivo. têm surgido nos mercados internacionais de capitais novas modalidades de empréstimos por obrigações. Nas obrigações convertiveis em acções. a subscrição de empréstimos obrigacionistas pode representar um certo risco para os investidores. As possibilidades de financiamento através de empréstimos financeiros não se esgotam no empréstimo bancário clássico. Estes empréstimos podem atingir montantes relativamente elevados e são reembolsados de acordo com um plano previamente estabelecido. Ao contrário. em que a instituição credora confere à empresa o direito de. o recurso ao financiamento bancário não é aconselhável quando a empresa é demasiado jovem ou não lucrativa. deverão ser-lhe exigidas garantias pessoais que poderão ser incomportáveis.2. factoring e leasing. a médio ou longo prazo. relativamente usual nas sociedades de razoável dimensão e de reconhecida imagem de solidez financeira.) Em períodos de inflação ou de conjunturas relativamente indefinidas do ponto de vista político.Empréstimos obrigacionistas Os empréstimos por obrigações constituem igualmente uma fonte de financiamento. Nestes casos. O montante dos empréstimos obrigacionistas não pode. em principio exceder o valor do capital social efectivamente realizado nos termos do último balanço aprovado. orientado para o curto prazo. Vamos referir três formas de financiamento alternativas: -A linha de crédito As linhas de crédito são uma forma de empréstimo bancário flexível. obrigações participativas. são indexadas à taxa anual de inflação ou a outra taxa de referência. assim como juros demasiado elevados. pois a relação risco versus retorno de um empréstimo é desinteressante na óptica do banco. Nas obrigações indiciadas. obrigações convertiveis em acções. bancos. as obrigações indiciadas (indexadas). Além disso. como. Financeira – 2010 132 .16. Os empréstimos obrigacionistas podem ser garantidos por hipotecas de terrenos e edifícios. os credores tornam-se em determinadas condições. A colocação das obrigações nos mercados primários de capitais é geralmente realizada por intermédio de instituições bancárias. Nas obrigações participativas. económico ou financeiro. 5. por exemplo. terá muitas dificuldades para obter financiamento.. mas nada impede que seja a própria sociedade a fazê-lo. Assim.-Linha de crédito. a taxa de juro ou o montante de reembolso de capital. etc. dentro de um plafond previamente acordado. futuros accionistas das sociedades. consignação de rendimentos ou aval de uma outra entidade de reconhecida capacidade financeira (Estado.

As linhas de crédito são especialmente indicadas para fazer face a insuficiências temporárias e previsíveis de tesouraria (frequentes. O contrato de factoring consiste na cedência dos créditos da empresa a uma sociedade especializada que se responsabilizará pela cobrança desse crédito. o locador pode adquirir o equipamento objecto do contrato. autoriza o utilizador (o locatário) a dispôr do equipamento em troca de pagamentos periódicos. de uma parte do controlo da empresa. Este método tem a vantagem da empresa poder realizar os seus créditos sem estar dependente do prazo de pagamento dos clientes.2. tendo por isso que indemnizar a locadora no caso de surgir algum acidente com o equipamento da sua responsabilidade. No entanto. Financeira – 2010 . .16. temos o financiamento por capital. Este tipo de financiamento é sobretudo aconselhável para a aquisição de equipamentos que. Ao diferir os pagamentos. que reduz a rentabilidade das vendas. Num contrato leasing. recebendo em troca uma comissão. Um exemplo típico são os automóveis ao serviço da empresa.O leasing O leasing é um instrumento de financiamento ao qual a empresa pode recorrer quando não pretende afectar grandes quantidades de capital para ter acesso a um determinado bem (normalmente tratam-se de bens de equipamento).O factoring É igualmente um instrumento de gestão de tesouraria. A factoring adianta uma parcela do valor desse crédito à empresa. 133 A. mediante o pagamento de um valor residual pré-estabelecido. por exemplo.3 -Business angels Finalmente. como tal. de cobertura das necessidades de curto prazo. ou não são estratégicos para a empresa. pode recorrer a investidores privados. amigos ou business angels.tesouraria. o empreendedor. Tem a desvantagem do custo associado. tem a desvantagem de não ser proprietária do equipamento. que incluem capital e juros. o proprietário do equipamento (o locador). Numa primeira fase. Findo o prazo de vigência do contrato.podem ser uma ajuda preciosa com a sua experiência e know how na gestão de pequenos negócios. Estes últimos . em negócios sazonais) ou para prevenir o aparecimento de rupturas inesperadas. . 5. ou seja. que consiste na troca de dinheiro por uma parcela do capital e. que tendem a ser adquiridos em sistema de leasing (ou renting). face à carência de fundos próprios e aos problemas decorrentes do crédito. a empresa consegue garantir uma melhor liquidez. ou apenas serão utilizados por um período de tempo limitado.normalmente empreendedores que venderam o seu negócio ficando com dinheiro disponível . sejam eles família.

O empreendedor possui uma ideia e uma tecnologia excepcionais.5 .No caso de o empreendedor ter um ou mais amigos com capacidade financeira que acreditam nele e. tendem a assumir um papel de grande colaboração com o empresário. .A empresa pretende distribuir parte do seu capital em bolsa num futuro próximo.Capital de risco Ainda em termos de financiamento de capital.Franchising Uma opção particularmente indicada para financiar o crescimento da empresa consiste na opção pelo franchising.16.4 . Por outro lado. Tipicamente essa contrapartida inclui o pagamento de um direito de entrada. Trata-se de um modelo de desenvolvimento de negócios com base em parcerias. mas não quer que a gestão seja influenciada por estranhos. mediante o pagamento de uma contrapartida financeira. Trata-se de uma forma de financiamento interessante. cabe ao empreendedor explicar como irá garantir uma saída em condições vantajosas. através do qual uma empresa com um formato de negócio já testado (o franchisador) concede a outra empresa ou empresário (o franchisado) o direito de utilizar a sua marca. o franchisador está 134 A. . Financeira – 2010 . explorar os seus produtos. O recurso ao financiamento via capital de risco só está ao alcance de negócios que apresentem potencial de crescimento ou um elevado retorno de investimento esperado. o recurso aos business angels é aconselhável nas seguintes situações: . As sociedades ou fundos de capital de risco tomam participações normalmente minoritárias e temporárias (3 a 7 anos) no capital da empresa.2. estão disponíveis para investir no projecto. Ao criar ou expandir a sua rede de pontos de venda através do franchising. temos o capital de risco. 5. Uma vez que o retorno do investidor de capital de risco é a saída do negócio.Tipicamente. o que implica necessidades extra de capital. os business angels cedem capital a empresas emergentes.O empreendedor está disponível para aceitar investidores que tenham um interesse pessoal no seu negócio.16. como garante um parceiro de capital que irá partilhar o risco com o empresário. na medida em que o empreendedor não só assegura os fundos necessários. serviços e modelo de gestão. os royalties (em regra.2. .Os montantes de financiamento envolvidos são pequenos e a empresa é recente. uma percentagem sobre as vendas) e uma taxa de publicidade (fundo comum que visa suportar os investimentos na promoção da marca). 5. que lhe permitiram (ou permitirão) conquistar uma base de clientes de elevado potencial. Então. . Esta forma de financiamento é adequada nas seguintes condições: . contribuindo com a sua experiência.O empreendedor está disponível para partilhar o controlo da empresa com terceiros. por isso. cuja dimensão é ainda muito pequena para atraírem capital de risco.

Se o capital for controlado por um conjunto restrito de accionistas. 5.6 -Management Buy Out Outro caso particular de financiamento ocorre quando alguns quadros (internos ou externos) da empresa resolvem comprá-la. permitindo-lhe obter mais crédito a menor custo. Como. este tipo de operação designase por MBO ( Management Buy Out ). segundo o qual existe uma sociedade que presta um “aval” para os empréstimos bancários de uma empresa. o facto de o negócio em causa não se enquadrar na estratégia de crescimento dos actuais detentores do capital. as operações se designam genericamente por LBO( Leverage Buy Out). em regra. 5.7 -Management Buy In Quando a aquisição é efectuada por quadros exteriores à empresa utiliza-se a expressão MBI ( Management Buy In ).9 -Garantia Mútua Um outro caso particular de financiamento bancário é relativo ao conceito de garantia mútua.8 -Oferta Pública de Aquisição Quando o capital da empresa vendedora está disperso em bolsa.a aceder mais rapidamente a determinados mercados com um menor investimento inicial. 135 A.2.16.16. 5. por exemplo. podendo libertar as empresas (e os seus proprietários).2. as SGM prestam. em ambos os casos.16. da constituição de garantias reais (ou pessoais).2.16. A sua anuência pode resultar de uma boa proposta para o preço de venda. a operação só se concretiza com o seu consentimento. As garantias prestadas pelas Sociedades de Garantia Mútua (SGM) facilitam a obtenção de crédito em condições de preço e de prazo mais vantajosas. ou de outras razões como. Além das garantias. Quando são os próprios quadros directivos a adquirir o capital da empresa e assumir a sua gestão. também. os quadros têm baixos recursos financeiros próprios é comum o financiamento incluir elevados níveis de dívida pelo que. a aquisição é feita através de uma oferta pública de aquisição. aos seus mutualistas um apoio especializado na escolha das melhores soluções financeiras para a sua empresa. Este produto é especialmente vocacionado para as Micro e Pequenas e Média Empresas (PME) e visa promover a melhoria das suas condições de financiamento.2. 5. Financeira – 2010 .

existe uma outra forma de financiamento que está muito em voga e que se designa por titularização de créditos (securitization).16.10 -Titularização de Créditos (Securitization) Por fim.2. para financiar a aquisição dos créditos. a qual procede à emissão de valores mobiliários de dívida. Financeira – 2010 . colocados junto de investidores (normalmente de cariz institucional). Consiste na agregação de créditos com vista à sua alienação por parte do seu detentor inicial (originador) para a esfera da propriedade de uma entidade adquirente (o Special Purpose Vehicle – SPV). 136 A.5.

Financeira – 2010 .CAP VI 137 A.

separar os trabalhos executados que não são objecto de dúvidas . quantidade e preço.5 .trabalhos decididos . mediante um preço. as medições devem ser efectivadas por especialidades de acordo com os capítulos em que se divide o orçamento da obra e. mas não expedida . 6. (Art. efectiva.3 .1 .V. efectuada já. que geralmente a recebe por via aérea.Factura Comercial Documento escrito em que se discriminam as coisas vendidas e entregues.º 35º do C. Por outro lado.I. ela é emitida quando há necessidade de se abrir um crédito .neste caso uma venda real.e com ela o comprador. por qualidade de trabalho. As medições devem ser efectuadas com a assistência do empreiteiro ou de um seu representante e abrangerão todos os trabalhos executados. sua qualidade. de mercadorias. assim. Como elementos constitutivos da factura vêja-se o Art. Convém.daqueles que terão de ser objecto de análise ou negociação posterior par decisão do dono da obra . e estas são a maioria. não correspondendo a qualquer venda.Umas vezes representa uma factura «simulada». Financeira – 2010 . comprova a veracidade da transacção.A. 6.4 .6 – Controlo financeiro de empreitadas 6. perante o crédito que pretende abrir.Factura proforma Esta factura tem duas aplicações praticas: . quando é apenas um documento passado pelo vendedor ao provável comprador que deseja ser ilucidado acerca de preços e condições de venda. de modo a diligenciar apressar as 138 A. real. ainda quando não se considerem previstos no projecto nem devidamente ordenados e independentemente da questão de saber se devem ou não ser pagos ao empreiteiro.Outras vezes. dentro de cada especialidade. 1207ª do Código Civil) 6.2 .Noção de Empreitada Empreitada é o contrato pelo qual uma das partes se obriga em relação à outra a realizar uma certa obra. 6.trabalhos não decididos..O Pagamento Entende-se por pagamento a remuneração ou retribuição que cabe ao empreiteiro (contraprestação) correspondente aos trabalhos realizados prestação).O Auto de Medição O auto de medição é o documento onde constam as operações inerentes à definição da situação dos trabalhos. .

é verificar se o limite de crédito já foi ultrapassado. No caso do cliente não pagar o respectivo valor será incluído na coluna das facturas que ultrapassaram aquele período ou seja a coluna das facturas vencidas entre 1 e 30 dias. Umas das primeiras acções a efectuar.6 . é norma emitir uma factura provisória. 6. b) Para os trabalhos a mais c) Para os encargos com a revisão de preços. isto é. Financeira – 2010 . 33 do C. Encontrado o peso real e avisado o vendedor.exigências de importação.Factura provisória Quando se transaccionam mercadorias sujeitas a quebra e que segundo o contrato devem ser liquidadas pelo peso real à recepção dos documentos.A) 6. é então emitida a factura definitiva e ajustado o valor total da mercadoria. No 31º dia após o fornecimento. A facturação será justificada pelos autos de medição correspondentes e os encargos com a revisão de preços pelos cálculos efectuados com base na facturação das situações. que incluirá um extracto da conta.I.8 .medidas a tomar em funçao da sua idade . no dia em que o cliente está em falta. nesta fase.7 . Assim.fazendo claramente a destrinça dos trabalhos por especialidades. no qual são assinalados com um asterisco as facturas que já deveriam ter sido liquidadas.Tipos de facturas da empreitada No sentido de facilitar o controlo financeiro e o adequado cálculo dos encargos com a revisão de preços.9 . Nas empresas em que a facturação é feita por computador é possível obter de imediato aquela informação. o computador 139 A.V. 6. 6.(Art. preconiza-se a elaboração de três tipos de facturas: a) Para os trabalhos previstos no contrato inicial. geralmente por preço inferior ao total expedido.Quando facturar Nas empreitadas com autos de medição mensal a factura é elaborada até ao 5º dia útil seguinte ao fim de cada mês.Saldos das contas clientes . no aspecto aduaneiro e bancário. Se existir algum lançamento de encomendas cujo valor ultrapasse o limite do crédito estabelecido. deve ser escrita a primeira carta de cobrança.Saldos vencidos de 1 a 30 dias Quando se concede crédito a 30 dias significa que o cliente deverá pagar ao 31º dia após a data de fornecimento da mercadoria. a recepção dessa factura pelo comprador torna o contrato positivamente completado e vai vincular ambas as partes ao cumprimento integral das obrigações de cada um dos intervenientes. Esta modalidade de venda é de certo modo uma prova da ilimitada confiança entre vendedor e comprador.

Deve ser enviada uma 3ª carta de cobrança no 61º dia e serem feitos telefonemas no sentido de se obter do cliente pagamentos parciais numa base periódica (semanal. .rejeitará a encomenda. obrigando o operador a separar aquele pedido e a encaminhá-lo para o gestor de crédito. sugere-se o envio da 2ª carta de cobrança informando que os débitos já ultrapassaram os 30 dias. Se o extracto continuar a revelar que aquelas facturas ainda não foram liquidadas dever-se-á contactar o cliente e saber a razão do atraso no pagamento. durante o período que a divida está a ser regularizada. pedindo o respectivo pagamento. Estas decisões dependem muito das políticas de crédito e dos padrões estabelecidos nas empresas. ou no caso de prometer não aceitar o envio de cheques pós-datados e a idade dos saldos se aproximar dos 60 dias. Estas contas nunca são bons presságios pois podem significar que em breve pertencerão ao grupo dos 61 a 90 dias. deve verificar quais as facturas cuja idade estão a transitar para a coluna dos 31 a 60 dias. o que vai permitir a continuidade do esforço de cobranças adequado à antiguidade de cada saldo.Saldos vencidos de 61 a 90 dias Os saldos com esta idade são já um problema e requerem um tratamento especial. . Contudo existem situações em que o operador pode permitir o fornecimento além do limite de crédito. Os grandes problemas existentes nas contas inseridas neste grupo são aquelas que começam a ter 50 a 55 dias de atraso. mensal). dever-se-á considerar a suspensão do crédito e o não fornecimento de eventuais encomendas que estejam a aguardar aprovação. Ao 31º dia o computador listará uma relação das contas que se encontram nestas circunstâncias. Neste momento. O executivo de crédito.Saldos com mais de 90 dias Quando o departamento de cobranças não conseguir receber regularmente os saldos referentes às facturas com esta idade.Saldos vencidos de 31 a 60 dias Não devem ser subestimados os potenciais problemas que esta antiguidade representa. Nesta situação deverá ser feito um telefonema de imediato a todos os clientes que tenham ultrapassado a data de vencimento em 40 ou 50 dias. Financeira – 2010 . caso a encomenda não exceda determinado valor e a antiguidade de saldos daquela conta mostrar que não existem facturas com mais de 30 dias. . quinzenal. ao analisar a coluna dos saldos vencidos entre 1 e 30 dias. deverá ser enviada uma carta final aos clientes estipulando-lhes uma data limite (normalmente mais 10 dias sobre a data 140 A. Aconselha-se a obter uma informação da situação financeira do cliente e do seu comportamento actual na praça. para se constatar se o pagamento a outros fornecedores é igualmente tardio. devendo os fornecimentos serem feitos a pronto pagamento. Quando se fazem novos telefonemas e o cliente não promete pagar.

desta carta) para pagamento e informá-lo que o assunto será passado ao advogado para resolução por via litigiosa. o gestor de uma empresa de construção deve levar em consideração tal facto.10 – Garantias bancarias As garantias bancárias merecem por parte do empreiteiro uma atenção redobrada. 141 A. pois fica com a sua capacidade de financiamento bancário diminuída sempre que solicita uma garantia bancária. o qual entra em contacto com o banco a fim de saber se a mesma já foi mandada cancelar pelo dono da obra. tal facto deverá ser comunicado ao departamento de controlo de garantias.O controlo de garantias bancárias Uma garantia representa para o empreiteiro um encargo (pagamento trimestral á banca). Caso obtenha uma resposta negativa. deverá entrar em contacto com o dono da obra a fim de lhe chamar a atenção para a necessidade de comunicar ao banco o cancelamento da garantia bancária. na medida em que podem pôr em risco a capacidade de crédito bancário. Companhias de Seguros. Financeira – 2010 .Como montar o controlo Sempre que se efectua a recepção definitiva de uma empreitada. além de lhe diminuir o crédito bancário. que permita alertar o dono da obra para a necessidade de comunicar ao banco a libertação das garantias. tais como "COSEC". no caso de a divida não ser paga. 6. 6. deverá optar pelos outros meios ao dispor. Assim. deverá ser montado um sistema de controlo da recepção definitiva das empreitadas.12 . 6.11 . Assim. Na realidade.

CAP VII PAPERS 142 A. Financeira – 2010 .

à liquidação do IVA poderá o adquirente proceder à dedução do imposto. (ii) nota de devolução com evidência do conhecimento da regularização. Caso se verifique. por qualquer motivo. etc. Sempre que haja alteração da base tributável os sujeitos passivos estão obrigados (nº 7 do artigo 28º e nº 1 do artigo 71º. na transmissão de um bem ou na prestação de um serviço. o nº 1 do artigo 28º do CIVA obriga os sujeitos passivos à emissão de facturas ou documentos equivalentes (que devem respeitar os requisitos formais postos pelo artigo 35º) sempre que efectuem transmissões de bens ou prestações de serviços. dando assim origem à emissão de notas de crédito. Financeira – 2010 . abatimentos ou des€ fora da factura. e (iii)duplicado ou fotocópia da nota de crédito carimbada e assinada pelo adquirente. sob pena de não se poder regularizar o imposto. a redução do valor tributável. De acordo com os mecanismos de funcionamento deste imposto sempre que um sujeito passivo procede. até cinco anos. do CIVA) à emissão e contabilização de um documento rectificativo. caso contrário consideram-se não cumpridas as disposições estabelecidas no artigo 71º do Código 143 A. Consideram-se idóneos os seguintes documentos: (i) meio de comunicação escrita do adquirente com referência expressa de que tomou conhecimento da regularização do IVA. o Código do IVA permite à entidade transmitente a dedução do imposto liquidado em excesso. devoluções. Conforme já se referiu. devendo naturalmente proceder à regularização que é obrigatória sempre que resulte imposto a favor do Estado. devendo o adquirente proceder simultaneamente à devolução do imposto deduzido em excesso. a regularização do imposto por parte do transmitente só poderá ser efectuada quando a entidade tiver na sua posse prova considerada idónea de que o adquirente tomou conhecimento da regularização. Estas situações ocorrem habitualmente depois de efectuado o registo contabilístico das transmissões de bens ou da prestação de serviços. Estes documentos. Na actividade empresarial existem. havendo autorização da Administração Fiscal. para além de terem de respeitar os mesmos requisitos das facturas. operações que se traduzem na anulação ou correcção de facturas em virtude de faltas de mercadorias.O IVA E AS NOTAS DE CRÉDITO Como se sabe. contudo. Se da alteração da base tributável de uma operação resultar imposto a favor do sujeito passivo pode este efectuar a dedução do imposto até ao final do período de imposto seguinte àquele em que se verificarem tais circunstâncias ou. têm ainda de observar os procedimentos previstos no artigo 71º do CIVA e no Ofício Circular nº 33 129 de 2 de Abril de 1993. Qualquer regularização do IVA implica a existência de prova idónea de que o adquirente dos bens ou serviços teve conhecimento da regularização. nos termos do disposto no artigo 5º do citado artigo 71º.

A prática tem demonstrado alguma dificuldade em se conseguir dar cumprimento a estas disposições. deve este ter especial atenção à referida prova de comunicação da regularização do imposto. havendo lugar a regularização do IVA. Procedimentos a adoptar Nos casos em que a base tributável foi reduzida após efectuado o registo contabilístico das transmissões de bens ou serviços e que geraram imposto a favor do sujeito passivo. Para evitar qualquer situação de dedução indevida do imposto. juntamente com a nota de crédito. Nos casos mais complexos sugere-se o envio. a existência de suporte documental que demonstre que os clientes receberam comunicação que evidencie o montante do IVA rectificado ou de que foram reembolsados do respectivo imposto é fundamental para a recuperação do imposto. Deste modo. Financeira – 2010 . Uma vez que. tornando-se indevida a regularização do imposto. isto implica sempre para o cliente a necessidade de proceder simultaneamente à regularização do valor do imposto deduzido. Convém sempre ter presente que apenas se pode proceder à regularização do imposto a favor do sujeito passivo quando o transmitente tiver na sua posse prova considerada idónea de que o adquirente tomou conhecimento da regularização. do ofício-circular 33.do IVA. para poder proceder à regularização do IVA. 144 A.129 de 2 de Abril de 1993 do SIVA. os sujeitos passivos deverão enviar aos seus clientes o original e uma cópia das notas de crédito emitidas. referindo expressamente a necessidade da devolução das cópias depois de devidamente assinadas e carimbadas. criando assim uma situação de imposto a favor do Estado.

nas contas do ano N deveria reconhecer. 145 A. Distorção dos resultados É que a utilização do método do contrato acabado poderá causar distorções significativas nos resultados de uma empresa que tenha contratado. o rédito é também reconhecido proporcionalmente à evolução da obra. e respectivos proveitos e custos serem genericamente reconhecidos não só através do método da percentagem de acabamento. Por este método. o processo de especializar os resultados de uma obra com referência à sua fase de acabamento é usualmente designado por método da percentagem de acabamento. pelo menos. pelo método do contrato acabado. existências. as empresas têm de recorrer a todo um conjunto de procedimentos e princípios contabilísticos por forma a traduzirem nos seus documentos de prestação de contas anuais a sua verdadeira situação económica. se em 31 de Dezembro do ano N a encomenda estiver 90% acabada. a empresa. Neste hipotético caso. apurando-se assim os resultados proporcionais ao trabalho realizado. o rédito é reconhecido numa base linear durante esse período. 90% dos custos reflectindo assim. mais concretamente da conta "Produtos e Trabalhos em Curso" e em particular no que respeita ao tratamento contabilístico dos "Contratos de Construção". Por isto. prevêem a possibilidade de os produtos e trabalhos em curso. os proveitos são reconhecidos contabilisticamente. em rigor. Financeira – 2010 .AS OBRAS EM CURSO NO FINAL DO ANO No período de encerramento das contas. No caso em que sejam prestados um número indeterminado de acções durante um determinado período de tempo. É sobre esta rubrica do balanço. mas também pelo método do contrato acabado. sendo comparados com os custos incorridos. a produção de uma encomenda com entrega e facturação no ano N+1 pelo preço de 100 mil € e custos totais estimados de 60 mil €. financeira e patrimonial. As normas nacionais. no ano N. Segundo este método (do contrato acabado) o resultado será apurado apenas no final de cada contrato. os normativos internacionais preferem elegeram o método de percentagem de acabamento em detrimento do método do contrato acabado. a menos que haja outro método capaz de permitir um melhor apuramento. Uma rubrica que apresenta um peso considerável na estrutura do balanço de certas empresas de construção e obras públicas é a das existências (também vulgarmente designadas por stocks ou inventários) cuja valorimetria e contabilização apresenta algumas particularidades. à medida que a obra progride. relacionados com contratos de construção e de prestações de serviços de carácter plurianual. Alternativamente. só reconhecerá os custos e os proveitos no ano N+1 quando. por exemplo. nomeadamente a Directriz Contabilística nº 3 (DC 3). Nestes casos. nos resultados do ano N o efectivo grau de acabamento da obra em 31 de Dezembro. momento em que são reconhecidos a totalidade dos custos e dos proveitos. que iremos abordar.

ser considerados na demonstração de resultados no período em que a alteração seja feita e em períodos subsequentes. devendo os eventuais efeitos de uma alteração nas estimativas efectuadas. De igual forma. Obviamente que as empresas deverão utilizar o método que melhor se adapte à sua própria especificidade. bem como os adiantamentos recebidos. devendo-se excluir do cálculo.O grau de acabamento A tarefa mais complexa. Será ainda de referir que. qualquer perda esperada no contrato deve ser imediatamente objecto de provisão. Prudência Sempre que se preveja que os custos de uma obra contratada irão exceder os custos inicialmente estimados deve-se. Só com uma rigorosa reflexão sobre os efeitos da aplicação dos princípios contabilísticos e das directrizes nacionais e internacionais se pode pretender alcançar o tão divulgado objectivo da transparência das contas. 146 A.O apuramento a cada momento dos custos e proveitos incorridos. de imediato. com rigor e a cada momento. principalmente no final do exercício. passar a trabalhar-se com os novos custos. Por outro lado. o grau de acabamento corresponde à relação entre os custos incorridos até à data de fecho do exercício e a soma destes custos com os custos estimados para completar a obra. . . Para isso. A este respeito será de salientar que apenas os custos relacionados com a obra já realizada concorrem para o cálculo da percentagem de acabamento. os bens ou serviços já adquiridos mas ainda não incorporados na obra. porém. as empresas terão de adoptar um sistema fiável de recolha. no caso de obras com carácter marcadamente plurianual. os pagamentos por conta. ou de alterações contratuais. Financeira – 2010 . qualquer método deverá poder prever: . e mais falível. do método da percentagem de acabamento é sem dúvida a de determinar. Segundo a DC 3. relevando-se assim contabilisticamente a nova realidade. o método adoptado deverá ser aplicado em cada período contabilístico.O levantamento físico da obra já executada.A expressão percentual da obra executada em função da obra encomendada. tratamento e controlo que lhes permita imputar e apurar por cada obra em curso os respectivos custos e proveitos. por habitualmente não reflectirem a percentagem de acabamento de obra não deverão concorrer por influenciar o método utilizado. a fase de acabamento da obra.

será abonado ao empreiteiro juros de mora. Se o atraso no pagamento exceder o prazo estipulado ou fixado por lei. deverá efectuar-se até 30 dias após a sua recepção. que se acha da seguinte forma: Tj cj = ----100 sendo: Tj = taxa dos juros de mora em vigor no período da sua aplicação (Tj = Taxa básica de desconto do Banco de Portugal + 1 % ) O pagamento dos juros será feito mediante uma nota de débito enviada ao cliente e.CALCULO DOS JUROS DE MORA (por atraso no pagamento dos trabalhos executados e das respectivas revisões de preços e eventuais acertos em empreitadas de obras publicas). O cálculo dos juros de mora por atraso no pagamento dos trabalhos executados. tomando para o efeito o tempo decorrido desde o dia seguinte ao da expiração do referido prazo até ao dia fixado na notificação do pagamento.x cj 365 em que: Vj = Valor dos juros de mora a facturar Vp = Valor do pagamento (sem IVA) n = Nº de dias em atraso cj = Coeficiente dos juros de mora em vigor no período da sua aplicação. 147 A. tem por base a seguinte fórmula: n Vj = Vp x -----. Financeira – 2010 .

R. João Carvalho das. Eng.Costa.Carvalho.4ª Edição" . 148 A.BIBLIOGRAFIA * O meu sincero agradecimento ao Prof António Borges do ISCTE Business School e restante equipa docente.Código Civil .C.NEVES. Financeira – 2010 . . Caldas Manuel Ferreira.MENEZES. . por ter facultado alguns elementos que integram o presente texto de apoio. H. "Princípios de Gestão Financeira" Editora Presença . Hernâni "Controlo Financeiro de Empreitadas" D.T. Caldeira. "Análise Financeira: Método e Técnicas" Texto Editora .T.I. "Prontuário do Bancário .

Gonçalves.Semanário .Lições de Economia .Mapa da posição financeira da obra . (Ex) Banco Português do ..Macroeconomia Colecção Schaun .Colectanea de exercicios resolvidos 149 A. Alfredo "Matemática Financeira" Editora Morais .Moura.Textos de apoio .Vida Económica .Direcção de Estudos Económicos e Marketing – "O Mercado de Capitais" .Análise de propostas . Rui . Francisco Pereira .Mc Graw Hill” .Pereira. Financeira – 2010 .Atlântico.

Financeira – 2010 .150 A.

Financeira – 2010 .151 A.

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