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Direito Civil – Pablo Stolze Direito Civil Pablo Stolze www.pablostolze.com.

br PERSONALIDADE JURÍDICA: A noção de personalidade tem uma conotação psicológica, mas para a teoria do direito civil, exige-se um conceito técnico: personalidade é aptidão genérica para se titularizar direitos e contrair obrigações; ou seja, é a qualidade para ser sujeito de direitos. É o caso da pessoa física ou natural e da pessoa jurídica. Pessoa física ou natural: É denominada ente de existência visível segundo Teixeira de Freitas. Em que momento a pessoa física adquire personalidade? A polêmica é profunda. Aparentemente, a resposta se encontra na primeira parte do art. 2º do CC: a partir do nascimento com vida (funcionamento do aparelho cardiorespiratório) a personalidade jurídica é adquirida. Obs.: o sistema brasileiro, a luz do princípio da dignidade da pessoa humana não exige, para efeito civil, na aferição do nascimento com vida a forma humana e o tempo de sobrevida. Conceito e teorias explicativas do nascituro: Conceito: nascituro é o ente concebido, mas ainda não nascido. É diferente de prole eventual pois nessa não houve concepção. O nascituro tem vida intrauterina. Teorias explicativas do nascituro: 1. Natalista: Eduardo Spínola, Sílvio Rodrigues, Vicente Ráo. A personalidade só seria adquirida a partir do nascimento com vida, de maneira que o nascituro não seria considerado pessoa, gozando de mera expectativa de direitos. (banca mais tradicional). 2. Concepcionista: Teixeixa de Freitas, Silmara Chinellato. Nascituro é pessoa. Sob influência do direito francês, os adeptos da linha concepcionista afirmam que o nascituro é pessoa, ou seja, adquire personalidade desde a concepção, inclusive no que tange a certos direitos patrimoniais. Ainda os concepcionistas afirmam que, quanto ao direito a herança não há consolidação desse direito, exigindo-se o nascimento (se abortar não haverá transmissão) 3. Teoria da personalidade formal ou condicional: sustenta que o nascituro gozaria formalmente de personalidade, no que tange a direitos personalíssimos, mas direitos
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Direito Civil – Pablo Stolze patrimoniais em geral só seriam consolidados sob a condição de nascer com vida (seria uma semi-pessoa). Ex. Washington de Barros. *Qual teoria adotada pelo CC? Independentemente da teoria adotada, o nascituro goza de tutela jurídica em diversos pontos do sistema (ver quadro esquemático no material de apoio). Segundo Clóvis Beviláqua, em sua obra Comentários ao Código Civil dos Estados Unidos do Brasil, Ed. Rio, 1975, p. 98, o legislador teria adotado a teoria natalista “por ser mais prática”. Mas, em diversos pontos do sistema é sentida a influência concepcionista, na medida em que o nascituro é tratado como se pessoa fosse. Assim, cada vez mais, a teoria concepcionista está se fazendo presente. Questões especiais envolvendo o nascituro: 1. A jurisprudência do TJRS já havia apontado no sentido de reconhecer ao nascituro, como se pessoa fosse, o direito patrimonial aos alimentos (AI 7000.642.9096), tendência esta consolidada pela Lei dos Alimentos gravídicos – Lei 11.804/08. 2. O STJ já admitiu, em mais de uma oportunidade, a possibilidade de se reconhecer direito a indenização em favor do nascituro que houver sofrido dano moral (Resp 931.556/RS; Resp 399.028/SP). Ex. Morte do pai em acidente – não pôde reconhecer o filho. Obs.: O natimorto tem proteção jurídica? Natimorto é o nascido morto. Segundo o En. 1 da 1ª Jornada de Direito Civil, o natimorto respeitada sua condição mereceria a tutela de alguns direitos da personalidade, tais como nome, imagem e sepultura. ___________________________________________________________________________________ CAPACIDADE Desdobra-se em capacidade de direito e capacidade de fato (de exercício). A soma de ambas é a capacidade civil plena, que em geral se adquire aos 18 anos. 1. Capacidade de direito: é a capacidade jurídica genérica que toda pessoa tem. Diz Orlando Gomes que a capacidade de direito se confunde com a personalidade, nos dias atuais. 2. Capacidade de fato: é a capacidade de exercer, por si, os atos da vida civil. Nem todos têm e é a que gera a incapacidade quando ausente. Obs.: qual a diferença entre capacidade e legitimidade? A legitimidade, segundo pensamento de Calmon de Passos, traduziria a pertinência subjetiva para a prática de determinado ato. Vale dizer, uma pessoa pode até ser capaz, mas estar impedida de praticar determinado ato, sob pena de invalidade. Falta-lhe, no caso, legitimidade. Ex. art. 1521, IV, CC; art. 496, 1647, CC. Incapacidade Absoluta: art. 3º - Representação:
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Os atos praticados por absolutamente incapazes são nulos de pleno direito, não decorrendo deles qualquer efeito jurídico. São absolutamente incapazes: a) Menores de 16 anos: entre 0 e 16 anos incompletos. São os menores impúberes. b) Aqueles que não tiverem o necessário discernimento para prática de atos da vida civil, seja por enfermidade ou deficiência mental: no que se refere a essa disposição, vale lembrar, nos termos dos artigos 1177 e ss. do CPC, a incapacidade derivada de enfermidade ou deficiência mental deve ser aferida no bojo de procedimento de interdição. A partir da sentença, qualquer ato praticado pelo interditado é nulo de pleno direito (se não estiver representado), ainda que praticado em momento de lucidez. Obs.: qual o tratamento jurídico deverá ser dispensado às pessoas naturalmente incapazes ainda não interditadas e que praticam ato que lhes seja prejudicial? O CC é omisso quanto a este problema. Segundo Orlando Gomes, amparado na doutrina italiana, o ato praticado por incapaz ainda não interditado poderá ser invalidado se concorrerem três requisitos:  Incapacidade anterior;  Prejuízo ao incapaz  Má-fé da outra parte (esta má-fé poderá ser investigada segundo as circunstâncias do caso). c) Aqueles que mesmo por causa transitória não puderem exprimir sua vontade: esta pessoa não é doente mental e sim vítima de uma causa exógena. Ex. boa noite cinderela. É incapacidade absoluta, ainda que seja transitória sua causa. Ex. coma. Obs.: o CC 16 dizia que o surdo-mudo que não tinha habilidade para manifestar sua vontade e o ausente eram absolutamente incapazes. Uma hermenêutica básica capacita a inclusão daqueles acometidos da surdo-mudez que não tenha habilidade para se manifestar no inciso III do art. 3º do CC, já o ausente, conforme será abordado é tratado no Novo CC, segundo o art. 6º, como morto por presunção. Incapacidade Relativa: art. 4º - Assistência: a) Maiores de 16 anos e menores de 18 anos: menores púberes; b) Ébrios habituais, viciados em tóxicos, ou aqueles que por deficiência mental tenham discernimento reduzido. Se é total, qualquer desses casos gerará incapacidade absoluta. Ex. embriaguez patológica. Vale observar que, com base na teoria da Actio libera in causa, de possível aplicação também no direito civil (ver a obra Culpa e Risco de Alvino Lima) que não haverá isenção de responsabilidade civil em favor da pessoa que voluntariamente se coloca em estado de incapacidade c) Excepcionais sem desenvolvimento mental completo.
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4º. Já quanto a opção pelo casamento o pródigo não precisa ser assistido. Parágrafo único. uma vez que deveria ser respeitado o limite etário da Lei Previdenciária Especial (ver En. para que tenha vida digna. 358. nos termos do parágrafo único do art. salvo se demonstrar consciência e discernimento. quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Efeitos da redução da maioridade civil nos âmbitos do direito previdenciário e família: No campo previdenciário. o mínimo de patrimônio. relativamente incapaz nos termos do art. IV . em geral até a conclusão dos estudos). Emancipação: Aos 18 anos completos é atingida a maioridade civil Le a capacidade civil plena. Intensivo I LFG Página 4 . a maioridade é atingida no primeiro instante do dia em que se completa os 18 anos. independentemente de homologação judicial.pela colação de grau em curso de ensino superior. Obs. o credor não poderá ter cancelada automaticamente a pensão alimentícia (paga. Mas. ou por sentença do juiz. a capacidade civil poderá ser antecipada.pelo exercício de emprego público efetivo. STJ. se o menor tiver dezesseis anos completos. IV terá em seu favor. mediante emancipação. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos. Obs. a capacidade do índio é remetida ao tratamento da Lei especial (ver art.: O professor Luiz Edson Fachin. no bojo do procedimento de interdição. nos termos do parágrafo único do art.pelo casamento. mesmo antes dos 18 anos. II . garantindo-se sempre o contraditório para que possa demonstrar a necessidade dos alimentos – Súm. ouvido o tutor.: ver no material de apoio questão especial sobre o tema Restitucion in Integrum. Para o pródigo se casar deve haver assistência somente quanto ao regime de bens eleito. o próprio governo federal havia publicado nota no SAJ nº 42/03 – JMF no sentido de não permitir cancelamento de pagamento de benefício previdenciário sob o argumento de redução da maioridade no CC. Cite-se: Art.Direito Civil – Pablo Stolze d) Pródigos: o pródigo. 8º da Lei 6.pela concessão dos pais. No que tange ao direito de família. (art. *Tratamento jurídico do índio: no CC/02.001/73). 1782. III . 5º. a incapacidade: I . É tutelado pela FUNAI. 4º. nomeação de curador para assisti-lo em atos de disposição ou repercussão patrimonial. mediante instrumento público. 03 da 1ª Jornada de Direito Civil). ou de um deles na falta do outro. CC). Cessará. Segundo Washington de Barros Monteiro. as normas civis devem sempre resguardar a cada pessoa. para os menores. em uma perspectiva constitucional. o STJ já pacificou entendimento (HC 55606/SP) no sentido de que ao atingir a maioridade civil. em sua obra O Estatuto Jurídico do Patrimônio Mínimo afrima que.

RT 494/92) já apontaram no sentido de que para evitar situações de injustiça. c) Legal – art. Refere-se ao menor sob tutela e é efetivada por meio de procedimento de jurisdição voluntária. ou pela existência de relação de emprego. a emancipação persiste. a emancipação persiste? A questão é controvertida. II a V: No que tange a emancipação legal. Abaixo dos 16 anos. o ato emancipatório é conjunto. Obs. Tendo ambos os pais. 5º. b) Judicial – art. Espécies de emancipação – Código Civil: a) Voluntária – art. também nesses casos. senão vejamos: *Casamento: a regra quanto a idade núbil para homens e mulheres no CC é de 16 anos.Direito Civil – Pablo Stolze V . 1520 do CC admite excepcionalmente o matrimônio em caso de gravidez ou para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal. ún. desde que o menor tenha 16 anos completos. a emancipação perderá efeitos. 5º.: no caso de invalidade do casamento. Flávio Tartuce). o art. cabe ao outro deliberar acerca da emancipação. desde que o menor tenha pelo menos 16 anos completos. uma vez que seus efeitos são para o futuro. ún. no entanto. No entanto. exigindo-se até os 18 anos. a emancipação voluntária não exclui a responsabilidade dos pais por ilícito cometido por menor emancipado até que complete 18 anos. p. Partindo da linha de pensamento de autores que projetam os efeitos da sentença de invalidade para o futuro. existe mais de uma hipótese. conforme veremos na aula de família. I. autorização dos pais ou do juiz (suprimento de consentimento). Mesmo que haja separação ou divórcio. ún. mediante instrumento público. A doutrina brasileira (Silvio Venoza) assim como a jurisprudência (RTJ 62/108. *Exercício de emprego público efetivo: deveria se falar em função pública – cargo e emprego. a emancipação não seria atingida (ver Orlando Gomes). I. em função deles. É muito raro de acontecer pois os editais. Pode acontecer nos caos de carreiras militares que se iniciam aos 17 anos. 2ª parte: É aquela concedida pelo juiz ouvido o tutor. exigem 18 anos completos.pelo estabelecimento civil ou comercial. em caráter irrevogável. p. ou por um deles. na falta do outro. seguindo a linha de pensamento segundo a qual os efeitos da sentença de invalidade são retroativos inclusive para cancelar o registro de casamento. na letra fria da lei. A questão é polêmica. E na falta de um. em geral. desde que. restituindo-se as partes ao estado anterior. a emancipação ocorreria. 5º. A tutela dá-se na ausência dos pais (falecidos) ou quando forem destituídos do Poder familiar. independentemente de homologação judicial. ressalvada a hipótese de casamento putativo (Zeno Veloso. Intensivo I LFG Página 5 . 1ª parte: É aquela concedida por ato dos pais. o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. p.

Art. E mesmo que venha a perder o emprego não retornará a situação de incapacidade. ** Princípios do CC: a) operabilidade b) socialidade (função social) c) Eticidade.: O que se entende por economia própria? Partindo-se da ideia de que o nosso sistema civil é aberto. comercial ou relação de emprego. 77 da Lei de Registros Públicos. quanto aos ausentes. se o menor com 16 anos tem uma barraca na feira. O registro é feito no livro de óbito. a ser fixado em cada atividade hermenêutica (depende da análise do caso concreto).” A noção comum de morte. I do CTB estabelece que a imputabilidade penal é condição para ser condutor de veículo. ou seja. Morte Presumida – Hipóteses: Intensivo I LFG Página 6 . 140. permeado por conceitos indeterminados e cláusulas gerais. Obs. Isso traduz o princípio da operabilidade. Ex. O CC não fala da exigência de sentença judicial declarando a emancipação. nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. segundo a professora Maria Helena Diniz é a parada cardíaca prolongada e a ausência de respiração. Fala-se em emancipação dada pela lei. Menor emancipado deve respeitar norma administrativa específica: o art. caso não haja.: 1. Luiz Flavio Gomes entende que o menor pode sofrer prisão civil em sendo antecipado. O emancipado comete ato infracional na forma do ECA. REs. a luz do princípio da operabilidade. 4º. nos termos do art. 2.Direito Civil – Pablo Stolze *Colação de Grau em Curso de Ensino Superior: é bastante raro. presume-se esta. para efeito de transplante o critério mais seguro é a morte encefálica por ser irreversível (art. tenha economia própria:  Estabelecimento Civil ou  Estabelecimento comercial ou 16 anos completos = Economia própria  Relação de emprego Ex. desde que o menor. *Estabelecimento civil. com 16 anos completos. 1480/97 – do Conselho Federal de Medicina). a fim de permitir. temos que “economia própria” traduz um conceito vago. a melhor aplicação da norma ao caso concreto. O óbito deve ser declarado por médico ou. duas testemunhas que possam fazêlo. Todavia. 6º do CC: “A existência da pessoa natural termina com a morte. alimentos. mas pode ocorrer em casos excepcionais. Obs. A emancipação civil não importa emancipação penal. Extinção da Pessoa Natural: A morte marca o fim da pessoa natural. em função deles.

nas hipóteses do art. na 2ªparte do art. definir pessoa jurídica como um grupo humano.  Se alguém desaparecido em campanha ou feito prisioneiro não for encontrado até dois anos após a guerra Caso retorne. situações de guerra. Obs. podemos em um primeiro momento. Nesses casos. considerar-se-ão simultaneamente mortas. com personalidade jurídica própria. estabelece um procedimento de transmissibilidade dos bens: aberta a sucessão definitiva. nos termos do art.: não se pode confundir comoriência (morte simultânea) com premoriência. mas sim em livro especial no registro civil de Pessoas Naturais. Haverá morte presumida também. *Hipóteses:  Se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida. há fundado indício de que houve a morte. esta última significa a morte precedente de uma das partes. Teorias explicativas da pessoa jurídica: Intensivo I LFG Página 7 . cancelando-se o registro. O CC. 7º do CC. A sentença proferida. sem declaração de ausência. Ex. o presumidamente morto deve entrar com ação para reconhecer estar vivo. que indicará data provável da morte (procedimento de justificação) será registrada no livro de óbito normal. Caso seja reconhecida a simultaneidade das mortes. 8º do CC. Comoriência: A comoriência traduz a situação jurídica de morte simultânea. A ausência (ver apostila) traduz a situação da pessoa que desaparece de seu domicílio sem deixar notícias ou representante que administre seu patrimônio. se duas ou mais pessoas falecerem na mesma ocasião sem que possa precisar se qualquer delas precedeu a outra. A metade de casa um é transmitida para seus herdeiros. 6º e no art. noção oriunda da sociologia. de maneira que um comoriente não herda do outro. mas não há cadáver. para a realização de determinados fins. pois. mediante procedimento de justificação. a partir do art. Premoriência = pré-morte. Tal princípio só será aplicado se não houver a ordem cronológica das mortes e as pessoas que faleceram forem herdeiras entre si. o ausente é reconhecido presumidamente morto. criado na forma da lei. abrem-se cadeias sucessórias distintas. Vale dizer. 7º estabelece duas situações de morte presumida: a primeira decorrente da ausência e a segunda sem que haja o procedimento da ausência. PESSOA JURÍDICA Partindo-se do “fato associativo”. A sentença de ausência – abertura da sucessão definitiva não é registrada em livro de óbito. É grupo humano personificado pelo direito em sua essência.Direito Civil – Pablo Stolze O CC Brasileiro. 22.

o registro público competente para o qual é levado o ato constitutivo para criar a pessoa jurídica ou é a Junta Comercial ou o Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Ficção: Saviny.2. pela ausência da dimensão psicológica da pessoa jurídica (Wilson Melo da Silva. 2. o próprio artigo 52 do CC admite que a pessoa jurídica possa titularizar tais direitos. Negativista: negava o reconhecimento da pessoa jurídica como sujeito autônomo. 45 do CC é a mais equilibrada uma vez que reconhece que a pessoa jurídica seja personificada pela técnica do direito.1. A pessoa jurídica só passa a ter existência legal com o registro no órgão competente de seu ato constitutivo.: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral? É firme na jurisprudência brasileira (Súm. Realidade técnica: Hugo Ferrara – É criada pelo direito. ser condomínio ou ainda um grupo de pessoas físicas reunidas. A teoria da realidade objetiva. Essa corrente é oposta a de Savigny. 45 do CC. Aliás. apresentando três distintas vertentes: 2. Ele entendia a pessoa jurídica como ficção. criticando o reconhecimento desse tipo de dano. observamos que a pessoa jurídica só se constitui a partir do registro de seu ato constitutivo (contrato social ou estatuto) no registro público competente. STJ. Mas a pessoa jurídica integra relações sociais – negócios jurídicos. se dano moral é lesão a direito da personalidade. Em geral.3. baseada no organicismo sociológico. Afirmativista: aceitava e reconhecia a autonomia da pessoa jurídica como sujeito de direitos. Considerava a Pessoa Jurídica como organismo vivo fruto da sociologia pura. Realidade objetiva: oganicista ou sociológica – Clóvis Bevilaqua.Direito Civil – Pablo Stolze 1. Já a teoria da realidade técnica. mas sim organismo vio com existência social. Entendia a pessoa jurídica como ente abstrato. que não podia se relacionar socialmente. há quem sustente o contrário. Nos termos do art. Obs. mas tem atuação social. 2. Intensivo I LFG Página 8 . enquanto o registro da pessoa natural é declaratório. Alguns diziam ser patrimônio coletivo. Todavia. Ela integra relações sociais. Foi a teoria que prevaleceu. tem realidade própria e existência social. 286 da 4ª Jornada de Direito Civil). realiza negócios. Ex. A teoria da ficção reconhecia a pessoa jurídica como um ente abstrato. 227. En. fruto da técnica jurídica pura. Ag Rg Resp 865. entendia que a pessoa jurídica não seria mera criação do Direito.658/ RJ) o entendimento segundo o qual pessoa jurídica pode sofrer dano moral. Brinz. Planiol. mas não nega sua atuação social. 2. que no entender do professor foi adotada pelo art. Surgimento da Pessoa Jurídica: A pessoa jurídica é constituída a partir de sua inscrição no registro competente.

existirá uma mera sociedade irregular ou de fato. a teor do art. explica-se pela necessidade de “blindá-las” da norma impositiva de adaptação ao CC prevista no art. Não havendo o devido registro do ato constitutivo no registro público competente. têm capacidade processual. em face de sua importância. c) dado o funcionamento irregular. posto tecnicamente não devam ser consideradas pessoas jurídicas. Requisitos para constituição de uma fundação: Intensivo I LFG Página 9 . no art. 2031. possui CNPJ por ficção tributária. Principais Espécies de Pessoa jurídica no Direito Privado: O Código Civil. são essencialmente associações. 62 do Código Civil. Para aqueles que não se adaptaram. nos termos do art. o item 09. b) impossibilidade de participação em licitação. despersonificada.  partidos políticos A disciplina autônoma das organizações religiosas e partidos políticos. de autorização especial advinda do Estado. A fundação não pode ter fins lucrativos e só pode ser criada por escritura pública ou testamento. a despeito de serem associações. a afetação de um patrimônio. CC). observando-se quanto a este último que. Na redação atual. que se personifica. 12 do CPC. além do registro. ** O que se entende por entes despersonificados ou de personificação anômala? Existem entidades que. 44 estabelecia três espécies básicas de pessoas jurídicas de direito privado:  associações. bancos – autorização do Banco Central.  sociedades  fundações. precisam.031 (ver no material de apoio 02. na redação original do art. 44. Fundações: Conceito: A fundação não resulta da união de indivíduos. 2. referente ao art. Tal autorização / aprovação é exigida sob pena de inexistência (Caio Mario). do espólio e até mesmo do condomínio. nos termos do art. a exemplo da massa falida. a doutrina visualiza sanções: a) impossibilidade de obtenção do crédito bancário. 986 do CC e com possível responsabilidade pessoal de seus membros. Ex. Trata-se de uma exceção.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. acrescentaram-se dois incisos para incluir:  organizações religiosas. mas sim.: Algumas pessoas jurídicas. a possível responsabilidade pessoal dos sócios ou administradores. mediante a manifestação de vontade do instituidor para a realização de fins ideais.

Fundação que acaba: O patrimônio será incorporado em outra fundação de fim igual ou semelhante. 1202 do CPC – está estabelecido que. se o MP elabora o estatuto. nos termos do art. Territórios Mas referido parágrafo 2º foi declarado inconstitucional pelo STF na ADI-2794-8. Havendo razão e justificativa. 66. desde que preenchidos os seguintes requisitos: a) Quórum de 2/3. Velará pelas fundações. o MPF também poderá ter atribuição fiscalizatória. Sociedades: Conceito: Intensivo I LFG Página 10 . Distrito Federal o art. quem o aprova é o MP: “em norma esquisita – art.: quando não houver unanimidade. fiduciariamente (em confiança) por terceiro ou subsidiariamente pelo MP (se não for feito no prazo colocado pelo instituidor ou não havendo prazo. 66 do CC. se não efetivado no prazo de 180 dias). os administradores a submeterão ao MP e solicitarão ciência da minoria vencida para impugnar em 10 dias. devendo ser lido no sentido de reconhecer ao MP do DF e não ao MPF (Procuradoria da República) a atribuição precípua de fiscalizar a fundação situada no DF. elaboração do estatuto – a luz do art. salvo disposição em contrário. aprovação do Estatuto: regra geral. o juiz deverá aprová-lo”. o Ministério Público do Estado onde se situarem. b) Não contrariar ou desvirtuar a finalidade da fundação. 65 do CC. §2º fala que cabe ao MPFederal. Registro público da fundação no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. o estatuto da fundação poderá ser elaborado pelo próprio instituidor. Se estender-se por mais de um estado. cabe ao MP de cada estado correspondente. a exemplo da percepção de verba federal. instituição por escritura pública ou testamento. Alteração do Estatuto: O Estatuto da Fundação pode ser alterado nos termos dos artigos 67 e 68 do CC. Obs.Direito Civil – Pablo Stolze      afetação ou destacamento de bens livres do instituidor. O papel do MP: Vale salientar a precípua função fiscalizatória do MP. c) Aprovação pelo MP (pode ser suprida pelo Juiz).

Ex. Obs. filhas diletas do capitalismo são marcadas pela impessoalidade. Tal entidade visa lucro. Intensivo I LFG Página 11 . Não há finalidade de partilha de lucro. Ademais. 982) = Novo sistema tipológico: a) Simples: em geral. sindicatos.: Por força de lei (p. a exemplo de uma revenda de automóveis. são prestadoras de serviços técnicos. uma sociedade deve conjugar um requisito material (exercício da atividade típica de empresário. matéria prima e tecnologia). 977 do CC a proíbe se forem casados em comunhão universal ou separação obrigatória de bens. em geral. Sociedades anteriores ao novo Código Civil. uma vez que os seus sócios atuam simplesmente como articuladores de fatores de produção (capital. diferentemente das sociedades simples. uma vez que os seus sócios realizam ou supervisionam pessoal e diretamente. CC/2002 – Sociedade (art. pessoas jurídicas de direito privado. a exemplo de uma sociedade de médicos ou advogados. 982) a sociedade anônima é sempre considerada empresária e a cooperativa é sempre considerada sociedade simples (ver AgRg no Resp 808. por exclusão. Exerce atividade técnica. As sociedades empresárias. a atividade desenvolvida. consoante firmado pelo próprio DNRC – Departamento Nacional de Registro do Comércio – parecer 124/2003. CC). clubes. científica. a luz do art. É necessário observar que no que tange a sociedade entre cônjuges. ún. 982. Faltando qualquer desses requisitos. o art.Direito Civil – Pablo Stolze As sociedades. associação de bairro. Associações: Conceito: As associações são formadas pela união de indivíduos com propósito de realizarem fins não econômicos (art. essencialmente. Atividade empresária + registro.241/SP . corresponde a antiga sociedade civil. dotadas de personalidade jurídica própria e instituídas por meio de contrato social visam à finalidade econômica – art. Nos termos do art. em respeito ao princípio do ato jurídico perfeito. para ser empresária. CC/16 – sociedade a) Civil: perseguia lucro mas não praticava atos de comércio. 981. Por isso. STJ). não são atingidas pelo Novo CC. b) Mercantil: realizava atos de comércio e perseguia lucro. do art. que são marcadas pela pessoalidade. artísticos ou científicos e seu registro é feito no CRPJ. b) Empresária: o conceito de empresa é mais amplo que o de comércio. a sociedade é simples. têm registro obrigatório na Junta Comercial. 53. trabalho. 966) e um requisito formal (necessário registro na Junta Comercial). CC.

o seu patrimônio será atribuído a entidades de fins não econômicos designadas no estatuto. 54 do CC. Se houver justa causa pode ser o associado excluído. o STJ também aplicou o CPC/39 para decidir sobre divisão de bens com múltiplas penhoras. c) Judicial: é aquela que se opera por meio de sentença.: Entidades não sujeitas a falência podem ter a sua dissolução judicial regulada pelo art. garantindo-se ampla defesa e recurso. estadual ou federal de fins iguais ou semelhantes. 59.522. Tal artigo não se aplica ao condomínio vez que este não é associação. a luz do art. omisso esse à instituição municipal. a exemplo do que se dá no procedimento de falência. 57 do CC. É mais comum para as sociedades (Distrato). Conceito: Intensivo I LFG Página 12 . ** Em regra. O estatuto será registrado no CRPJ – Cartório de Registro de pessoas Jurídicas. quem sustentou a teoria inicialmente foi Rubens Requião. julgando o Resp 976. 1. Tem atribuições de destituir administradores e modificar o estatuto. um clube. Assembléia geral: É órgão mais importante da Associação. pode haver categorias diferentes de associados. CPC que remete ao rito do CPC de 1939. Desconsideração da Personalidade jurídica: Disregard doctrine – Rolf Serick. Recentemente. ou. 61 do CC. VII. Justa causa – conceito aberto.: Em uma associação.Direito Civil – Pablo Stolze Ato normativo: Estatuto e não contrato social. CC. No Brasil. b) Administrativa: resulta da cassação da autorização específica de constituição e funcionamento da pessoa jurídica. Os requisitos do estatuto estão no art. Obs. Art. mas os associados de uma mesma categoria não podem ser discriminados entre si. Obs. Exclusão de associados: Art. dissolvida a associação. por exemplo. Extinção da Pessoa Jurídica: Fundamentalmente existem três formas de extinção da pessoa jurídica: a) Convencional: os próprios sócios ou administradores deliberam a extinção da pessoa jurídica.218.

no art. ou seja. de origem anglo-saxônica e regulada no art. portanto.: Como vimos acima.. Ex. a extinção da própria pessoa jurídica e o cancelamento de seu registro. para efeito de desconsideração. considera-se nulo o ato praticado pelo sócio que extrapolou os poderes conferidos pelo contrato social. Não se pode confundir também. 28. não se pretende o simples afastamento temporário de personalidade. Segundo o professor Edmar Andrade. como se deu em face de algumas torcidas organizadas no país. A luz do art. 50. No âmbito das relações privadas. ressalvado o direito do trabalho. garantindo o contraditório. a situação em que uma controladora atua fraudulentamente por meio Intensivo I LFG Página 13 . Excepcionalmente.Direito Civil – Pablo Stolze A doutrina da desconsideração pretende o afastamento temporário da personalidade de uma pessoa jurídica para permitir que seus credores possam satisfazer seus direitos no patrimônio pessoal do sócio ou administrador que cometera o ato abusivo. Requisitos da desconsideração: O CC/16 não trouxe norma específica acerca da matéria. Ed. a desconsideração é matéria “sob reserva de jurisdição”. Não se deve confundir a desconsideração da personalidade jurídica. a desconsideração com a Teoria Ultra vires societatis. lavagem de dinheiro. que o credor demonstre a intenção ou o dolo específico do sócio no cometimento do ato ilícito. o abuso pode se caracterizar por um desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. Fábio Konder Comparato ( O Poder de Controle da S.A. 50 do CC. 1095 do CC. Desconsideração X Despersonificação: Na despersonificação. Por meio dessa teoria. a matéria é tratada em seu art. Obs.  Abuso em razão do desvio de finalidade  Abuso em razão da confusão patrimonial Inspirando-se na doutrina do prof. A sociedade. a primeira lei a tratar da desconsideração foi o CDC. No CC/2002. mas sim. não responde pelo ato praticado. a desconsideração da personalidade jurídica pressupõe:  Descumprimento de obrigação (insolvente).166/BA) têm admitido a desconsideração administrativa em caso de greve e de fraude. deve ser decretada pelo juiz. todavia. Forense) o sistema jurídico brasileiro não exige. Também pode caracterizar abuso por confusão de patrimônio apto a permitir a desconsideração. a própria doutrina (Gustavo Tepedino) e a jurisprudência (RMS 15. que tem requisitos próprios com a responsabilidade tributária subsidiária de sócio / administrador.

920. Fábio Comparato. Residência: pressupõe estabilidade – é o lugar em que a pessoa física se estabelece habitualmente. É sede estável da pessoa. 3. Obs. CC. cabe inversão do ônus da prova. 07 da 1ª Jornada) é no sentido de que a desconsideração pressupõe requerimento específico em face do sócio ou administrador que cometeu o ato abusivo ou dele se beneficiou. exige também a demonstração do abuso do sócio caracterizado pelo abuso (desvio de finalidade/confusão patrimonial). atinge-se a própria pessoa jurídica detentora de bens e valores para se alcançar a pessoa física que está por trás. O melhor entendimento doutrinário (En. habitual. 2. 50. além da insolvência da pessoa jurídica. Não altera nem modifica o domicílio e a residência. É o que se dá no CDC. É provisória. Teorias Maior e Menor da Desconsideração da Personalidade Jurídica: Indaga-se qual a diferença entre teoria maior e teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica. 283 da 4ª Jornada admite esse tipo de desconsideração. ver jurisprudência no material de apoio – Resp. 33453/01. em situações jurídicas especiais. Morada: é simplesmente o lugar em que a pessoa física se estabelece temporariamente. enfrentada pioneiramente pelo prof. Art. Em mais de uma oportunidade o STJ tem afirmado que a regra geral no âmbito da desconsideração é a teoria maior que. opera-se uma desconsideração indireta – desconsidera-se a empresa controlada e atinge a controladora. A respeito dessa diferença. É estável. TJSP. Intensivo I LFG Página 14 . para facilitar a satisfação do direito. É firma a jurisprudência do STJ no sentido de que é cabível a desconsideração em se de execução. DOMICÍLIO Do latim.: O En. O que é desconsideração inversa? Ag.273/ SP. Entretanto.602/DF. Questões Especiais: 1. Ocorre muito no direito de família.Direito Civil – Pablo Stolze de outra empresa do mesmo grupo. garantido o contraditório – Resp. Nesse tipo de desconsideração. Nesse caso. 279. adota-se a teoria menor que se contenta simplesmente com o descumprimento da obrigação ou da insolvência. Se não sabe quem cometeu o ato. domus.

As questões jurídicas mais profundas devem ser vistas na grade de processo. 3. Obs. A luz do art. especialmente em contratos de consumo pode ser declarada de ofício pelo juiz. sem necessidade de exceção de incompetência.  Incapaz – de seu representante. Espécies de Domicílio: 1.  Servidor público – onde exerce função permanente. pode ter mais de um domicílio. mas sim. CC. considera-se domicílio o local em que forem encontradas. Não se trata de domicílio geral. 70 do CC estabelece residência com ânimo definitivo.Direito Civil – Pablo Stolze Domicílio: é o conceito mais abrangente. Na linha do CC de Portugal. como circenses. Trata-se de domicílio escolhido pelas próprias partes no contrato. Caso a pessoa tenha mais de uma cidade / lugar como centro de sua vida jurídica. para pessoas que não têm domicílio certo. 72. No que se refere a mudança de domicílio.  Marítimo (marinha mercante) – onde o navio estiver matriculado.  Militar da aeronáutica ou marinha – sede de seu comando. Art. nos termos do art. 2. em seu art. uma vez que traduz o lugar em que a pessoa física se estabelece com ânimo definitivo (Animus manendi). o CC Brasileiro. Conceito: O art. a matéria é tratada no art. 76 e 77 do CC. especial – profissional: quanto as relações concernentes à profissão. consagra PARA DETERMINADOS EFEITOS UM DOMICÍLIO PROFISSIONAL. Legal: arts.  Militar do exército – onde servir. segundo a autonomia privada. 73 do CC. Se tem atividade em mais de um lugar cada um deles será seu domicílio. Obs. fixado por simples ato de vontade.: O domicílio da pessoa jurídica é regulado no art. parágrafo único do CPC. A natureza jurídica do ato de fixação de domicílio é de ato jurídico em sentido estrito ou não negocial. *Domicílio Aparente ou ocasional: trata-se de uma ficção jurídica baseada na teoria da aparência. 71.  Preso – onde cumprir pena (sentença) Intensivo I LFG Página 15 .: A luz do princípio da função social. 75 do CC. 112. convertendo-o em centro principal de sua vida jurídica. 74 do CC. Convencional ou voluntário: é o mais comum. Especial ou de eleição: regulado nos artigos 78 do CC. a nulidade de cláusula de eleição de foro.

Modernamente. Há patrimônio afetado para a garantia da construção. vida privada. BENS JURÍDICOS: Conceito: Bem jurídico é toda utilidade física ou ideal. honra. Já o conceito de bens abrange coisas corpóreas (bens materiais) e incorpóreas (bens imateriais). com influência do direito brasileiro (Orlando Gomes). direta ou indiretamente.: Incapaz – representante. etc). São eles: Intensivo I LFG Página 16 . o professor destacou como mais importantes os seguintes aspectos acerca da classificação dos bens jurídicos: *Imóveis por força de lei: esta figura se encontra disciplinada no art. autores do quilate de Wilson Melo da Silva. imagem. Acrescenta ainda que a obtenção de simples licença não altera o domicílio legal. vida. Carlos Alberto Bittar. coisa é conceito mais restrito pois se refere apenas a utilidades materiais ou corpóreas. Obs. que uma pessoa titulariza seu patrimônio moral (honra. do foro do domicílio do detentor de sua guarda. 80 do CC no qual o próprio legislador determina a natureza imobiliária. *Bem X coisa: A despeito da polêmica. na linha do direito germânico. a súmula 383 do STJ estabelece que “a competência para processar e julgar ações conexas de interesse do menor é. imagem.: Inspirando-se na doutrina dos direitos da personalidade.” *** Lembra a professora Maria Helena Diniz que o servidor público tem domicílio obrigatório no lugar em que exerce sua função permanente e não comissionada. integridade moral. preocupam-se mais os autores em fixar a sua natureza jurídica: universalidade de direitos e obrigações. Classificação dos bens jurídicos: Comprometo-me a fazer a leitura do tópico “revisão de conceitos básicos” no material de apoio. reconhecem ainda.931/04. A despeito dessa regra. Observe-se que há bens jurídicos que não são coisas: liberdade. *Patrimônio de afetação: consagrado na lei 10. A lei não exige ainda que já tenha passado pelo estágio probatório.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. objeto de um direito subjetivo. destaca-se um patrimônio específico independente da incorporadora para a garantia da obra. em princípio. Em sala de aula. *Patrimônio jurídico: a doutrina clássica afirmava ser o patrimônio “a representação econômica da pessoa”. o patrimônio de afetação visa a imprimir maior segurança jurídica nas relações do mercado imobiliário ao vincular bens aos custos do empreendimento. Assim.

As pertenças servem ao uso. É o tipo de bem que se acopla ao principal mas não integra sua estrutura. Observe-se que. Obs. 11 da 1ª Jornada de Direito Civil ao não reconhecer mais a categoria de bem imóvel por acessão intelectual tem sido combatido pela doutrina. Obs. Ex. são utilidades não renováveis cuja percepção esgota a coisa principal. b) Produtos: os produtos. O rádio do carro pode ser uma pertença – se pode ser retirado. que não são partes integrantes da coisa principal. observando-se que a ausência de consentimento do cônjuge torna o ato anulável.: O En. pedras de uma pedreira. *O artigo 84 do CC cuida dos bens móveis empregados em construção:  Enquanto não empregados: permanecem com a qualidade de móveis. 93. É utilidade que não se renova. ar condicionado. Ex.: Ao considerar de natureza imobiliária o direito a herança. de acordo com o princípio da Gravitação Jurídica. CC. Ex. São bens acessórios: a) Fruto: é uma utilidade renovável que a coisa principal produz periodicamente e cuja percepção não diminui a sua substância (ver no material de apoio a classificação dos frutos). petróleo. Autores como Flávio Tartuce negam tal Intensivo I LFG Página 17   . a exemplo da exigência de escritura pública e. 66. árvore. ao serviço e ao aformoseamento do bem. *Bens reciprocamente considerados: merece especial atenção o critério classificatório dos bens reciprocamente considerados que os divide em principal e acessório. o bem acessório segue o bem principal. por sua vê. *Bens duráveis e não duráveis: o CDC adota em seu art. Direito a sucessão aberta (herança): ainda que sejam apenas móveis os bens a serem inventariados. para efeito de se reclamar por vício de qualidade. carvão. fruto. não consagrada no CC fazendo a distinção entre bens duráveis e não duráveis.Direito Civil – Pablo Stolze Direitos reais sobre imóveis e as ações que os assegurem. Art. Acessório: é bem que pressupõe a existência do principal. cadeiras de uma sala de aula. As reclamações devem ser efetivadas dentro de 30 dias para bens não duráveis e dentro de 90 dias para bens duráveis.  Oriundos de demolição: readquirem a qualidade de móvel. se não puder ser retirado é parte integrante. segundo alguns autores (Francisco Cahali) de outorga uxória / marital. uma classificação de bens. c) Pertenças: as pertenças. justapõem-se ou acoplam-se a ela para servi-la. o legislador cerca de formalismos a sua transparência.   Principal: é bem que existe por ele mesmo. A ideia do legislador é para que a transmissão da herança seja cercada de solenidades. Ex. salvo se separados apenas momentaneamente e estiverem aguardando para serem reinseridos.

feita pelo homem. b) Legal – Lei 8009/90. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Bem de família: Histórico: Lei Texana de 1839 – Homestrad Act: nessa época. d) Benfeitorias: toda benfeitoria é artificial. Acessão dá ideia de união de uma coisa a outra com aumento de volume da coisa principal. melhorar sua utilização (benfeitoria útil) ou proporcionar prazer (benfeitoria voluptuária). colocação de uma escada de incêndio. colocação de uma viga na casa – benfeitoria necessária. É o que entende a melhor doutrina. CC) é toda obra realizada pelo homem na estrutura de uma coisa com o propósito de conservála (benfeitoria necessária). Espécies: a) Voluntário – art. havia uma crise tamanha nos Estados Unidos. mediante registro no Cartório de Imóveis.711. Ex.: Se houver construção com aumento de volume da coisa principal traduz acessão artificial e não benfeitoria. uma vez que poderia fraudar pessoas. 96/97. Obs. com várias empresas quebradas. Impenhorabilidade relativa 2. Uma pessoa insolvente pode ter impugnado o registro de seu bem de família. colocação de uma piscina em uma residência – benfeitoria voluptuária. mas não deixará de ser imobilizada por acessão intelectual do proprietário. alargamento de uma porta – benfeitoria útil. 1.Direito Civil – Pablo Stolze enunciado. Efeitos jurídicos – quando houver o registro: 1. Ex. Daí que se decidiu tornar impenhorável o bem de família com vistas a encorajar os empreendedores. A benfeitoria (art. A escada é pertença. CC. Inalienabilidade relativa Intensivo I LFG Página 18 . A sua característica principal é a instituição por ato de vontade e registro. da entidade familiar ou de terceiro. o que contraria o enunciado. O enunciado entende que o CC não reconhece mais a acessão intencional feita pelo proprietário. Em geral. é uma reforma feita na estrutura principal do bem. Bem de família voluntário: Conceito: é aquele constituído por ato de vontade do casal.

ún. Bem de família legal: Consagrado pela Lei 8009/90 – que. abrangendo plantações. 1º tem admitido desmembramento do imóvel para efeito de penhora (Resp 515. segundo o STJ pode ser aplicada até mesmo em face de penhoras anteriores a sua vigência (Súm. p. A lei do bem de família. 1722. CC) – rendas e mobiliários podem ser afetados conjuntamente ao bem de família.643/DF). desde que quitados. A proteção não é mais ampla e completa.Direito Civil – Pablo Stolze Esses dois efeitos são relativos nos termos dos artigos 1715 e 1717 do CC. mitigando o alcance hermenêutico do parágrafo único do art. mediante registro em ato cartorário. independentemente de escritura pública ou registro cartorário. da Lei 8009/90. 975. Resp 510. O bem de família é alugado. área de lazer da residência. 5º. O STJ. *** A dissolução da sociedade conjugal não extingue o bem de família. havendo incapazes. A inalienabilidade é reduzida: exige autorização de interessados e oitiva do MP. p.ex. 1712. ** A administração do bem de família voluntário está regulada no art. obras de arte e adornos suntuosos. por exemplo na hipótese do art. 205) – este tipo de bem de família traduz uma proteção automática da lei (impenhorabilidade do imóvel residencial).: Diferente é a situação em que o casal é compelido a alugar o seu imóvel residencial para sobreviver com base na renda do aluguel.: Poderá haver interesse na inscrição do bem de família voluntário.  Poderão também integrar a instituição do bem de família voluntário.858/SP). 2º da lei é lacônico no que tange a que tipos de bens móveis estariam protegidos pela impenhorabilidade legal. A impenhorabilidade não atinge dívidas oriundas de tributos relativos ao imóvel (IPTU. 1720 do CC e a sua extenção no art. benfeitorias. salvo se o outro imóvel houver sido registrado como bem de família voluntário. valores mobiliários e rendas (art. Nesse caso. Obs. A lei fala que excluem-se da impenhorabilidade veículos de transporte. Características: Além do fato de ser fruto de ato de vontade. Ex. *Bens móveis quitados: o art. móveis e instrumentos profissionais. Intensivo I LFG Página 19 . Extensão da impenhorabilidade legal: a proteção legal do bem de família é ampla e completa.) e despesas de condomínio relativas ao prédio. o bem de família tem outras duas características que merecem destaque:  O valor do bem de família não pode ultrapassar o teto de 1/3 do patrimônio líquido dos instituidores.122/RS. a família vai para casa de parentes e o aluguel é fonte de subsistência do casal. A lei 8009/90 não estabeleceu limite de valor do patrimônio tido como bem de família. o STJ tem decidido pela impenhorabilidade desse bem (AgRg Resp. havendo mais de um imóvel. Obs. irá proteger o de menor valor.

: O STJ já sumulou o entendimento (Súm. julgando o RE 352.  Credor de pensão alimentícia  Cobrança de impostos.058. 364) no sentido de que o devedor solteiro também goza da proteção do bem de família (direito a moradia). 644.822/SP). No que tange ao locatário. ar condicionado e freezer e até mesmo do teclado musical (REsp 218.  Bem adquirido por produto de crime ou para ressarcir a vítima ou para execução de pena ou perdimento de bens. Ex. taxas ou contribuições devidas em função do imóvel. o próprio STF (RE 439. Para que um fato seja jurídico segundo o professor Agustinho Alvim deve ter relevância para o direito. No que concerne a vaga de garagem. julgando o Resp. eletricistas e pintor não podem se valer da exceção em questão.  Crédito decorrente do financiamento para aquisição ou construção do bem. a exemplo do que se lê no Ag Rg no Resp 813.940-4/SP firmou o entendimento no sentido da constitucionalidade da penhora do imóvel residencial do fiador da locação. o STJ já firmou entendimento (Ag Rg no Ag 1. Ex. modificar ou extinguir relações jurídicas.  Execução da hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar: o STJ. vagas afastadas do prédio. Vejamos as exceções. ITR: observe-se que.003/SP) já firmou entendimento no sentido de que a cobrança de despesa condominial também excepciona a proteção do bem de família.546/DF tem admitido que o devedor que haja indicado bem de família a penhora possa posteriormente voltar atrás. a despeito de não ser tributo. mas a questão ainda não alcançou a jurisprudência.733/SC entendeu que trabalhadores meramente eventuais como diaristas. Lei 8009/90 – há quem diga que tais exceções podem ser aplicadas ao bem de família voluntário. a impenhorabilidade do bem de família se refere aos móveis que guarnecem a residência. IPTU.  Cobrança de obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação: o plenário do STF. Financiamento da Caixa Econômica Federal. Exceções legais a proteção ao bem de família: Art. especificadamente:  Créditos de trabalhadores da residência e contribuições previdenciárias respectivas (domésticos): o Min.Direito Civil – Pablo Stolze A jurisprudência brasileira já decidiu reconhecendo a proteção para o televisor. Luiz Fux. FATO JURÍDICO Conceito: Fato jurídico é todo acontecimento natural ou humano apto a criar. usufrutuário. Ex. Intensivo I LFG Página 20 . 3º. em mais de uma oportunidade. etc.070) no sentido de que a impenhorabilidade só é possível se a vaga não tiver registro e matrícula próprios. Obs.

cujos efeitos jurídicos estão previamente determinados na lei. liberdade de escolha dos efeitos jurídicos alcançados. O ato jurídico em sentido amplo subdivide-se em duas espécies: a) Ato jurídico em sentido estrito b) Negócio jurídico. A despeito da polêmica. Já as ações humanas lícitas se enquadram na ideia de ato jurídico. o nascimento de uma criança. mas há divergência na doutrina. também denominado de ato não negocial. posicionamo-nos no sentido de considerar o ato jurídico “a ação humana lícita deflagradora de efeitos jurídicos na órbita do direito” (Zeno Veloso). corriqueiro. Até porque o ato ilícito é tratado como categoria separada na própria parte geral do CC (Título III). traduz um simples comportamento humano. Pode ser comum. O que se entende por ações humanas ilícitas está na categoria dos atos ilícitos prevista no CC.Direito Civil – Pablo Stolze Fato Jurídico em sentido estrito Ordinário Extraordinário Fato Jurídico Ato Fato Lícitas = ATO JURÍDICO Ato Jurídico em sentido estrito Negócio Jurídico Ações Humanas Ilícitas = ATO ILÍCITO Fato jurídico em sentido Estrito: Seja ordinário ou extraordinário é todo acontecimento natural deflagrador de efeitos jurídicos. É acontecimento alheio a vontade do homem. furação no litoral de Salvador. Intensivo I LFG Página 21 . Chuva de verão – que faz desabar uma casa. não havendo liberdade de escolha quanto aos efeitos. Ações Humanas Lícitas: 1. Ex. ordinário. Seus efeitos estão delineados na lei. voluntário e consciente. Ex. Ações Humanas: Sejam lícitas ou ilícitas são espécies de fato jurídico. decurso do tempo = são fatos jurídicos em sentido estrito – são comuns e deflagram efeitos na órbita do direito. Pode ainda ser extraordinário. Ato jurídico em sentido estrito: *Conceito: ato jurídico em sentido estrito. Não existe aqui.

: O que é teoria da pressuposição? Elaborada por Windscheid em meados do Séc.Direito Civil – Pablo Stolze É como se o ato jurídico em sentido estrito apenas realizasse o pressuposto da norma. *Conceito: o ato fato é aquele comportamento que. mas sim uma declaração de vontade emitida segundo o princípio da autonomia privada. A notificação. pesca em áreas permitidas e com as res nullius (coisa de ninguém). Ato fato: Pontes de Miranda diz que há situações que se enquadram entre o fato da natureza o ato humano voluntário. Aquele que especifica coisa (transforma matéria bruta em obra final) traz para si a propriedade do bem: comportamento consciente com efeito automático dado pela lei: é também ato jurídico em sentido estrito. O mesmo ocorre com a caça. Já o professor Junqueira de Azevedo diz que tais teorias se complementam o que é declarado deve se compatibilizar com a intenção do agente. Ex. b) Teoria da declaração: (Erklarungstheorie) – afirmava que o núcleo essencial do negócio jurídico seria a vontade externa. mas não as pode tirar: aí alegaria que o negócio jurídico não é eficaz. Negocio jurídico: O negocio jurídico. o destacamento do fruto de uma árvore em zona permitida gera efeito imediato de tornar o agente proprietário do fruto. a intenção. XIX essa doutrina sustentava que um negocio jurídico somente seria considerado válido e eficaz se a certeza subjetiva do declarante não se modificasse ao longo da sua execução. No negócio jurídico há autonomia que não existe no ato jurídico em sentido estrito. 2. o protesto e a intimação também são atos jurídicos em sentido estrito. *Teorias explicativas fundamentais do negocio jurídico: a) Teoria voluntarista ou da vontade: de origem alemã (Willinstheorie) – afirmava que o núcleo essencial do negócio jurídico seria a vontade interna do declarante. pela qual o declarante. testamento (ainda que limitado pela legítima. embora derive do homem é desprovido de vontade consciente na sua realização e na projeção dos efeitos jurídicos realizados. o CC teria sido influenciado pela teoria da vontade em respeito ao art. Há Intensivo I LFG Página 22 . a vontade declarada. bancário alugou casa de veraneio hoje pressupondo que em janeiro teria férias. 112 do CC. Obs. segundo o CC. Ex. contrato. Segundo Eduardo Spínola. não é um simples comportamento humano. Ex. nos limites da função social e da boa-fé objetiva visa a atingir efeitos jurídicos escolhidos e possíveis. por sua vez. não há autonomia).

: Criança absolutamente incapaz que compra um doce na mercearia: qual seria a natureza jurídica desse ato? Há quem diga que seja NJ nulo socialmente aceitável. o absolutamente incapaz em tenra idade que compra um doce subsume sua conduta mais a categoria de ato fato que de NJ dada a ausência da necessária consciência do ato que pratica.1. Ele irá adquirir a propriedade do bem que será gerido por seu representante. Planos de caracterização do Negócio Jurídico Existência Negócio Jurídico Validade Eficácia Existência: Não foi adotado no CC e alguns autores dizem que não deve ser considerado. o que não deve prevalecer. Obs. mas não há vontade consciente e ainda assim gera efeitos. Jorge Ferreira diz que a criança realiza ato fato jurídico uma vez que. É plano substantivo do Negócio Jurídico em que se estudam os pressupostos existenciais do negócio: elementos constitutivos do negócio sem os quais não existirá. mas e se a criança tem 04 anos de idade? O prof. o silêncio é a ausência de manifestação da vontade e por isso não produz efeitos jurídicos. em regra. Assim.. dentro do ato jurídico. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Negócio jurídico O CC de 2002 adota um sistema jurídico dualista que prevê.Direito Civil – Pablo Stolze comportamento. Criança que incorpora algo de valor ao patrimônio da família. Ex. o ato jurídico em sentido estrito e o negócio jurídico. vol. apesar de produzir efeitos não tem consciência da vontade. cidadão foge de hospital psiquiátrico e manuseia uma argila fazendo obra em plena crise. São pressupostos de existência do negócio jurídico:  Manifestação da vontade: se não há vontade não há NJ. O silêncio pode ser entendido como manifestação da vontade para efeito de reconhecimento da existência do negócio? Segundo o professor Caio Mário em sua obra Instituições de Direito Civil. Intensivo I LFG Página 23 . Havendo coação física não há vontade e via de consequência não haverá negócio jurídico.

e. é pessoa física ou jurídica. Há. quais sejam: condição. Ex. Para que o NJ seja válido. inclusive o professor. 108.Direito Civil – Pablo Stolze Ocorre que. mas há quem diga.  Agente capaz e legitimado. Validade: O Código Civil começa a disciplina do negócio a partir do plano de validade: art. verbal. pois. os negócios jurídicos têm forma livre. possível. Frances e alemão. a própria lei (art. 227. CC) o silêncio do donatário traduz aceitação. Bem jurídico ou prestação. na linha dos direitos belga. 107 do CC o princípio da liberdade da forma. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Defeitos do Negócio Jurídico Intensivo I LFG Página 24 . No que tange a forma.  Forma livre ou prescrita em lei. Objeto: sobre o qual incide o negócio.  A ideia de que a existência não deve ser levada em conta não pode prevalecer já que se inexistente o Negócio Jurídico não poderá se falar em validade do negócio. Forma: Vicente Ráo reconhece a forma como elemento existencial do negócio. Ex. A forma é o meio pelo qual a vontade se manifesta (escrita. CC que traz os pressupostos de validade do Negócio Jurídico. termo e encargo. A forma é o revestimento exterior da vontade. em regra. CC) pode exigir forma prescrita par efeito de prova do NJ (Negócio Ad Probationem). pode-se exigir forma também como requisito de validade do próprio negócio (art. mímica) e excepcionado o caso do silêncio. Eficácia: É estudada junto aos elementos que interferem na eficácia do Negócio Jurídico. é sempre exigida. que seja incompleto tal dispositivo. excepcionalmente. temos um negócio Ad solemnitatem. a aptidão para gerar efeitos. Em regra. CC): nesse caso.   Agente: emissor da vontade. O plano de validade estuda os pressupostos do NJ que conferem ao NJ existente. determinado ou determinável. Todavia. merece ressaltar que vigora no Brasil. deve conter:  Vontade livre e de boa-fé. 111 do CC reconhece efeitos jurídicos ao silêncio.  Objeto lícito. a complementação dos pressupostos de existência para que seja considerado válido o NJ. o art. contrato de mútuo sem $ não é contrato. nos termos do art. 539. no caso da doação pura (sem encargo – art. 104. Além disso.

 Ser essencial ou substancial. achando que se tratava do outro. do CC. celebra negócio com irmão gêmeo. de diligência normal também cometeria tal erro – porque a lei não tutela os negligentes). compra estátua comum achando que era de marfim. Já a doutrina moderna. 138 e ss. 138 do CC não exige mais a prova da escusabilidade do erro para efeito de invalidação do negocio. negócio ou pessoa (art. (Enunciado 12 da 1ªJornada) interpretando o complexo e criticável art. mas se trata de locação. Ex. desde que não traduza intencional recusa ao império da lei. razão pela qual o CC16 não o consagrava. para invalidar o negócio jurídico deve conjugar dois requisitos:  Ser escusável ou perdoável. Obs. b) Negócio: incide na própria estrutura do negócio jurídico (ataca a causa do negócio). já a ignorância traduz um estado de espírito negativo. 1556 e 1557) uma vez que permite a anulação do casamento. Ou seja. incorrendo em erro de direito (art. para invalidar o NJ seria necessário demonstrar que o erro ataca a substância do negócio e que seja perdoável (o homem médio. ao celebrar o negócio. III. É irrelevante o fato de ser ou não escusável o erro. CC). O erro é defeito invalidante do NJ. do CC. O CC fala em erro ou ignorância e há quem faça distinção entre ambos. A doutrina clássica. a parte pode interpretar equivocadamente norma jurídica. nos termos dos arts. erro traduz um comportamento positivo equivocado (a falsa percepção da realidade). 138 e ss. 139. Ex. Ex. alguns autores como Eduardo Spínola. Ex. desde Clóvis Bevilaqua sustenta que o erro. Espécies / tipos de erro – Roberto de Ruggiero: O erro fato pode ser sobre o objeto. A parte imagina estar celebrando um contrato e é outro. c) Pessoa: é aquele que incide nas características pessoais ou identidade da outra parte. imagina que é comodato. Dolo Intensivo I LFG Página 25 . CC): a) Objeto: é aquele que incide na natureza ou características do objeto do negócio.: Qual é o tratamento jurídico dado ao erro de direito? Clóvis Bevilaqua não aceitava a teoria do erro de direito. Na teoria. Nessa linha. uma ausência de conhecimento ao celebrar o negócio. compra relógio de ouro e ao sair. Observe-se que o erro sobre a pessoa tem especial aplicação no direito de família (art. 138.Direito Civil – Pablo Stolze Erro: Art. Sucede que. se equivoca e leva o relógio de cobre. Carvalho Santos e Caio Mário sustentaram a admissibilidade da teoria.

ainda que subsista o negócio jurídico. Pablo e Luiz. se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento. A parte que é vítima do dolo é vítima de um erro provocado. celebra o negócio. Ex. 147 do CC traduz o silêncio ou a omissão intencional de informação. caracteriza-se pelo artifício malicioso imposto a uma das partes que. Ex. se for simplesmente acidental não o invalida. invalidante do negócio jurídico. O dolo tem uma carga de má-fé que o erro não tem.Direito Civil – Pablo Stolze É defeito invalidante do negócio que o anula. ou reclamar indenização. Já se está a parte beneficiária de boa-fé o negócio permanece e o terceiro responderá pelas perdas e danos. deve ficar claro que. em caso contrário. porém.: O dolo que invalida o negócio jurídico é o dolus malus. dolo invalidante é o principal. 148 do CC. 149. Art. nos termos do art. assim como o erro. 146). O dolo do representante legal de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente até a importância do proveito que teve. mas. Nos termos do art. vedada pelo ordenamento jurídico. 145 do CC. o dolo for do representante convencional. gerando apenas perdas e danos (art. 150. o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou. nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio. Art. mediante alteração do CDC (PL 4068/08 e PL 4825/2009). 1. Se ambas as partes procederem com dolo. mas não o faz. Obs. *Dolo de Terceiro: O dolo de terceiro está regulado no art. aquele que ataca a própria causa do negócio. não obstante não ter meios para tanto – o dolo é acidental e só merece perdas e danos. se. Art. vício invalidante do NJ. o negócio é celebrado com um intermediador e se o beneficiário souber ou tiver como saber do dolo de terceiro o negócio será anulado e poderá até caber perdas e danos a serem pagas na proporção da culpa de cada um. dolo negativo. 149) e dolo bilateral (art. Lembrar: Areta. *Dolo negativo: a luz do princípio da boa-fé objetiva. Obs. Venda de um carro com características próprias mas promete entregá-lo em outra cidade. 2. Já o dolus bonus é aceito socialmente em questões publicitárias. A denominada “mensagem subliminar” é aquela que não captada diretamente pela faculdade cognitiva humana é absorvida pelo inconsciente e induz o sujeito a comportamento não desejado. o negócio só será invalidado se o beneficiário soubesse ou tivesse como saber do dolo de terceiro. Ex. Nos termos do art. foto de sanduiche: realçar as características é permitido. 148. o representado responderá solidariamente com ele por perdas e danos. enganada. 148. Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro. 150). ou seja. Venda de um carro com características inexistentes – o dolo é principal. A parte deveria informar algo. É necessário salientar que tramitam no Congresso Nacional dois projetos de lei coibindo a prática da mensagem subliminar. mas aumentar ou dizer aquilo que não exista caracteriza-se a publicidade enganosa. O dolo.: Ver no Código Civil: dolo de representante (art. Coação – vis compulsiva: Intensivo I LFG Página 26 .

*Coação de Terceiro: o terceiro coage outrem para que celebre um negócio com o beneficiário.c 51. Obs. 154/155) tem disciplina semelhante a dolo de terceiro. V. V c.: Estando diante de negócio celebrado na vigência do CC/16 que não previa a matéria da lesão. vício invalidante do negócio jurídico. CC). já tendo o nome negativado sofre outra inscrição indevida. ou assina o contrato ou sequestro seu filho. Era forma de abuso em geral da questão econômica. Seria enormíssima se superior a 2/3 do preço justo. de acordo com as condições pessoais do coacto e não de acordo com o homem médio. no direito anterior. A coação de terceiro (arts. cabe anulação. A coação deve ser analisada em concreto. quem irá responder é apenas o terceiro. eclesiástica. Pontes de Miranda diz que se houver um plus de ameaça. militar. *** A matéria lesão foi também tratada no CDC – art. Temor reverencial é o respeito pela autoridade instituída. todavia. *Conceito: A lesão. *Requisitos doutrinários para ocorrência da lesão: A doutrina tradicionalmente reconhece um requisito matéria ou objetivo da lesão e um imaterial ou objetivo.687/RJ firmou entendimento de que. o que poderia ser feito? O STJ. Se o beneficiário soubesse ou devesse saber da coação. Ex.Direito Civil – Pablo Stolze A coação. 151. c. Foi tratada pela primeira vez pela Lei 1521/51 (Economia Popular) que tipificava a usura como crime.: Vale lembrar que a recente Súmula 385 do STJ nega o direito a reparação por dano moral aquele que. V – sendo que nesse caso é considerada causa de nulidade absoluta do negócio jurídico. Há desequilíbrio entre as partes pelo abuso de poder econômico. Obs. Se de boafé. a lesão enorme era aquela cujo preço praticado no contrato fosse superior a metade do preço justo. 6º. no Resp 434. caracteriza-se pela violência psicológica apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que lhe é prejudicial. Saliente-se que não configura coação a ameaça de exercício regular de um direito nem tampouco o simples temor reverencial. o negócio jurídico com lesão deveria ser considerado nulo por ilicitude do objeto a teor do CC/16. (art. Lesão: Para o Direito Romano. vício invalidante do negócio jurídico. responde solidariamente.c 39. caracteriza-se pelo prejuízo resultante da desproporção existente entre as prestações do negócio em face do abuso perpetrado em razão da necessidade premente ou da inexperiência de uma das partes. diferencia-se na medida em que a vítima poderá exigir indenização do beneficiário e do terceiro em solidariedade passiva. que pode ser acadêmica. Intensivo I LFG Página 27 .

A simulação relativa pode se dá ainda por interposta pessoa. b) Relativa: (dissimulação): As partes criam um negócio destinado a encobrir outro negócio de efeitos jurídicos proibidos – há uma camuflagem – ex. 167 prevê que a simulação é causa de nulidade absoluta do negócio jurídico. Não cabe a alegação de eventual simulação inocente. Imaterial / subjetivo: necessidade ou inexperiência da parte prejudicada e o dolo de aproveitamento da parte que se beneficia. compra e venda para encobrir uma doação feita a uma amante (proibida). mas que em verdade não pretende atingir o efeito que juridicamente deveria produzir. As duas partes se unem para prejudicar um terceiro ou fraudar a lei. O CC 16 tratava a simulação como defeito capaz de anular o negócio jurídico. qualquer dos simuladores pode alegá-la. O enunciado 294 da 4ª Jornada traz uma informação de clareza meridiana: uma vez que a simulação é causa de nulidade absoluta. Obs. O CC/16 dizia que se os simuladores brigassem não poderiam alegar a simulação em juízo uma vez que se tratava de causa de anulabilidade. bastando a necessidade ou inexperiência e a desproporção entre as prestações (que será analisada segundo os valores vigentes à época da celebração do negócio). Já o CC/02 no art. declarada de ofício pelo juiz poderá também ser alegada pelos simuladores.: O direito Brasileiro não exige o dolo de aproveitamento na lesão (art.Direito Civil – Pablo Stolze  Material / objetivo: é a desproporção entre as prestações do negócio (sempre presente). doa para A o bem para que este o passe para o amante. Simulação: Não há vítima dentro do negócio. ** A Lesão do CDC é causa de nulidade absoluta. mas no CC é de simples anulabilidade que não será declarada se:  For oferecido complemento  For aceito abatimento pelo beneficiário. Ex. Intensivo I LFG Página 28  . *Conceito: Na simulação. Já no CC/02 por ser causa de nulidade absoluta. celebra NJ com outrem para guardar patrimônio até o divórcio. 157). *Espécies de Simulação: a) Absoluta: as partes criam o NJ destinado a não gerar efeito algum. Ex. celebra-se um negócio jurídico com aparência normal.

CC). Todavia.903/SP. Perfeita aplicação da teoria do estado de perigo refere-se a situação de emissão de cheque caução como condição de internamento hospitalar de emergência. O estado de perigo é defeito invalidante do negócio jurídico (causa anulação do NJ). configura-se quando o agente. Resp. É situação de desespero em que.392/RN). uma vez que externada a reserva e dela tomando conhecimento a outra parte. Caio está se afogando e Tício se oferece para ajudar sob a condição de lhe dar metade de seu patrimônio. 441. Obs. Estado de Perigo: É uma aplicação do estado de necessidade na teoria do negócio jurídico. a luz do princípio da conservação e nos termos da segunda parte do art. vício invalidante do NJ. o negócio tornase inexistente.: O art. empréstimo a juros extorsivos ou ilegais. 156.355-7/SP e Resp. parte da doutrina defende a invalidade do negócio por dolo ou simulação. enquanto encerrada na mente do agente não tem repercussão jurídica. psicológico) a si próprio ou a pessoa próxima. *Conceito: o estado de perigo. 156 ao referir o conhecimento do perigo pela outra parte traduz a existência do dolo de aproveitamento. mas o negócio dissimulado poderá ser aproveitado se não ofender a lei ou prejudicar terceiro (En. Na jurisprudência. *Exemplos: 1. 167. ver Ap833. o negócio simulado é nulo. na simulação relativa. mas separado de fato. doação simulada em compra e venda para companheira estando ainda casado. 153 da 3ª Jornada). Observe-se que a Resolução 44 da Agência Nacional de Saúde disciplina a possibilidade de representação a Procuradoria Geral da República em caso de exigência de caução para atendimento médico-hospitalar. caso não seja celebrado o negócio. resguardando o íntimo propósito de não cumprir a finalidade projetada. 2. na linha de pensamento do Ministro Moreira Alves (art. Ex. A parte que se beneficia deve ter conhecimento da situação de perigo. mas vale frisar que o CC. *Reserva mental: A reserva mental (reticências) se configura quando o agente emite declaração de vontade.Direito Civil – Pablo Stolze Vale observar que. ocorrerá dano existencial (vida. 110) dispõe que manifestada a reserva. *Contrato de vaca-papel: é um negócio simulado que encobre a título de parceria pecuária. diante de situação de perigo de dano conhecido pela outra parte assume obrigação excessivamente onerosa para salvar-se ou a pessoa de próxima (art. Fraude contra credores: Intensivo I LFG Página 29 . 918. A reserva mental.

: A fraude à execução mais grave do que a contra credores desrespeita a própria administração da justiça. inclusive aquele com garantia. CC) – o devedor opta por pagar sem seguir a ordem dos créditos. 684. 163. Trata-se de uma ação específica. CC) – se. ou seja. 158. *Ação Pauliana: É ação pessoal com prazo decadencial de quatro anos para sua propositura. A ação pauliana deve ser proposta contra o devedor insolvente em litisconsórcio com todas as pessoas que participaram do ato fraudulento. Intensivo I LFG Página 30   . há prejuízo dos dois anteriores. b) Remissão fraudulenta de dívida (art. Eventus damni. Para requerer a desconstituição do negócio fraudulento a ação específica é a pauliana. especialmente no caso de doação fraudulenta. uma vez que já existe contra o devedor. que não pode ser analisada no bojo de embargos de terceiros (Súm. CC). e) Na outorga fraudulenta de garantia de dívida (art. ou seja. d) Antecipação fraudulenta de pagamento de dívida (art. c) Negócios fraudulentos onerosos. quando o credor prejudicado demonstrar que a insolvência do devedor era notória ou havia motivo para ser conhecida pela outra parte (o devedor vende o bem pro um preço e na verdade recebeu quantia a parte para se beneficiar) Art.925/RS. 158. o prejuízo do credor. (ver Resp. Art. inclusive terceiros de má-fé. §1º. mas também pela vítima da fraude ser específica – credor pré-existente. se esta se tornar insuficiente. A fraude diferencia-se da simulação não apenas por não existir um necessário disfarce. sede adequada para discussão da fraude. CC). No que se refere ao consilium fraudis a doutrina (Maria Helena Diniz) costuma dispensar a sua prova uma vez que pode derivar das próprias circunstâncias do negócio. A legitimidade ativa para a propositura da ação pauliana é do credor pré-existente. 159. demanda capaz de reduzi-lo a insolvência. 162. Obs. hipoteca um bem ao terceiro credor. CC. 158.Direito Civil – Pablo Stolze A fraude contra credores. por exemplo. *Hipóteses Legais de fraude contra credores: a) Negócios fraudulentos de transmissão gratuita de bens (art. 195. Resp.151/MG). CC. a má-fé dos envolvidos. *Elementos da fraude contra credores: Consilium fraudis. 242. STJ – em sede de embargos de terceiro não cabe discussão da fraude). defeito do negócio jurídico. caracteriza-se por meio da prática de um ato negocial que diminua o patrimônio do devedor (insolvente) prejudicando o credor préexistente.

Alexandre Câmara. A luz do princípio da boa fé.Terceiro de Má-fé. Ex. 137 diz que considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível (ir para a lua. São elementos acidentais do negócio:  Condição  Termo  Encargo Modo ou encargo: O encargo é uma determinação acessória típica dos negócios jurídicos gratuitos por meio da qual é imposto a parte um ônus em prol de um benefício maior. baseada no art. Moreira Alves). caso em que se invalida o negócio jurídico. 506. Frederico Pinheiro) sustenta que. a sentença na pauliana apenas declara a ineficácia relativa do negócio em face do credor prejudicado (REsp. salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade. o encargo é disciplinado em apenas dois artigos: 136 e 137. A Devedor insolvente B (fraudador) Vende o bem C . por exemplo). mais tradicional. 165 do CC (Nelson Nery. Intensivo I LFG Página 31 . é sustentado que a sentença na pauliana é desconstitutiva anulatória do negócio jurídico. *Natureza Jurídica da Sentença proferida na ação pauliana: em uma primeira corrente. em verdade. o terceiro a quem se transmitiu o bem em fraude poderá mantêlo consigo. mais arrojada (Yussef Said Cahali. A regra é de que o encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. durante doze meses. Estando o terceiro de boa fé ele ficará com o bem e caberá ao credor buscar outros meios para se ver ressarcido.Direito Civil – Pablo Stolze Credor A.512/MS). desde que demonstrado o seu estado de inocência quando da efetivação da compra. No CC. O art. B e o Terceiro estarão no pólo passivo da demanda. doação da fazenda sob o encargo do donatário efetivar a doação de cinco cestas básicas para uma creche. É possível que haja a revogação da doação se o encargo for descumprido. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Plano de eficácia do Negócio Jurídico: Nesse plano vamos estudar elementos que interferem na eficácia do negócio jurídico. Uma segunda corrente.

Direito Civil – Pablo Stolze Nos termos do art. 137, pois, o encargo ilícito ou impossível, em regra é considerado não escrito; mas, se for interpretado como a própria causa ou finalidade do negócio, todo este será invalidado. Condição: Condição, elemento acidental do negócio jurídico, consiste no acontecimento futuro e incerto que suspende ou resolve a eficácia jurídica do negócio. Toda condição tem duas características:  Futuridade: fatos passados não importam  Incerteza: toda condição é incerta quanto a sua ocorrência. Observe-se que a cláusula que estipula condição é sempre convencionada pelas próprias partes (art. 121), não podendo a cláusula ser determinada por lei (condiciones iuris). Obs.: A morte é uma condição? A morte, em regra, não é condição por conta certeza de sua ocorrência; mas, estabelecido um prazo dentro do qual deva ocorrer, já não se tem mais certeza, de maneira que poderá ser considerada condição. *Classificação da Condição: 1. Quanto ao modo de atuação: 1.1. Suspensiva: a condição suspensiva é o acontecimento futuro e incerto que suspende o início da eficácia jurídica do negócio. Ex. doarei um carro quando casar. 1.2. Resolutiva: resolve ou desfaz, quando implementada, os efeitos jurídicos até então produzidos pelo negócio. A sua disciplina, na parte geral, é feita nos arts. 127 e 128 do CC. Ex. receberá uma renda até que passe em um concurso. Obs.: Nos termos do art. 125 do CC está claro que enquanto a condição suspensiva não se implementar, as partes, ainda não adquirem os direitos e obrigações decorrentes do negócio. Uma vez que a condição suspensiva “suspende” a própria aquisição de direitos e obrigações decorrentes do negócio, a antecipação do pagamento, salvo liberalidade ou previsão contratual, é indevida, cabendo restituição do que se pagou. 2. Quanto a origem: 2.1. 2.2. Causal: refere-se a um acontecimento da natureza. Ex. se chover. Potestativa: é que se refere a vontade de uma das partes.

2.3. Mista: é que depende da vontade de uma das partes e de um fato de terceiro. Ex. vou lhe doar R$10.000,00 se você constituir sociedade com meu irmão.
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3. Quanto a licitude: 3.1. Lícitas: a luz do art. 122 do CC é a condição que não for contrária à lei, à ordem pública e aos bons costumes. 3.2. Ilícitas: contra a lei, ordem pública ou bons costumes. Ex. matar alguém. É também considerada ilícita a condição perplexa e a condição puramente postestativa. Condição perplexa é aquela contraditória em seus próprios termos, privando o negócio jurídico de efeitos. Ex. locação sob a condição de não morar no imóvel. A condição puramente potestativa, ilícita, é aquela que depende do exclusivo arbítrio ou capricho de uma das partes. Ex. “pagarei se quiser” como cláusula. Observe-se que a condição SIMPLESMENTE potestetiva, por outro lado, é lícita uma vez que, posto derive da vontade de uma das partes, mitiga-se por conta de fatores circunstanciais que retiram o caráter arbitrário da vontade. Ex. Irá receber 1 milhão se for eleito melhor jogador (depende da vontade, mas não é arbitrária). Obs.: excepcionalmente não haverá ilicitude em situação de prevalência da vontade exclusiva de uma das partes, quando o próprio ordenamento assim admitir, a exemplo do prazo de reflexão do art. 49 do CDC. *Condição Promíscua: trata-se da condição que nasce simplesmente postestativa e se impossibilita por um fato superveniente tornando o negócio jurídico sem efeito. Ex. se no caso do jogador que receberia 1 milhão se fosse eleito o melhor jogador, mas acaba quebrando a perna. Atenção! A luz dos artigos 123, II e 166, VII do CC, a condição ilícita invalida todo o negócio jurídico – nulidade absoluta. Termo: O termo, diferentemente da condição é o acontecimento futuro e certo que interfere no início ou fim da eficácia jurídica do negócio. Art. 131, CC. *Classificação do termo: a) Convencional: estipulado pela vontade das partes. b) Legal: determinado pela lei. Ex. obrigação tributária. c) Judicial ou de graça: fixado pelo juiz. *Características do termo:  Futuridade
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Direito Civil – Pablo Stolze  Certeza quanto a sua ocorrência. *** Em geral, o termo é uma data – se para dar início a eficácia é chamado termo inicial, se para finar efeitos: é chamado termo final. *Art. 131, CC: O termo inicial suspende o exercício do direito, mas não a sua aquisição. Diferentemente da condição, o termo suspende a exigibilidade mas não a aquisição do direito e da obrigação correspondente, razão pela qual, o pagamento antecipado é como regra, possível, a critério do devedor. Obs.: Tarifa de Liquidação Antecipada: O Banco Central por meio da resolução 3516 do Conselho Monetário Nacional proibiu a partir de dezembro de 2007, a cobrança de TLA em operações de crédito e arrendamento mercantil financeiro pactuadas com pessoas físicas, microempresas e empresas de pequeno porte. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Finalidade do Negócio Jurídico: O reconhecimento da invalidade de um ato é uma forma de defesa do ordenamento jurídico. É o que dizem Dinamarco, Ada Pelegrine e Antonio Cintra na obra Teoria Geral do Processo. Invalidade é um conceito genérico do qual se desdobram:  Nulidade absoluta  Nulidade relativa (anulabilidade) Princípio da conservação: A regra é tentar salvar o negócio. A luz do princípio da conservação, o intérprete deve tentar como diretriz de sua atividade hermenêutica, sempre que possível, conservar o negócio jurídico inválido, a exemplo do que se dá por meio de sua redução (art. 184, CC). Na redução, o juiz decota a cláusula inválida e mantém as demais, que são válidas. Art. 184, CC: a invalidade da obrigação principal importa na da acessória, mas a recíproca não é verdadeira. Nulidade absoluta: Como regra geral, as nulidades não se presumem, mas decorrem da Lei. As bases da nulidade absoluta no CC estão nos artigos 166 e 167. O art. 167 disciplina a simulação, que já foi analisada. Resta agora a análise do art. 166 do CC: é nulo o negócio jurídico quando: 1. Celebrado por pessoa absolutamente incapaz; 2. Por ilícito, impossível, ou indeterminável seu objeto; 3. O motivo determinante, comum a ambas as partes for ilícito (refere-se a finalidade ou causa do negócio).
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quanto aos efeitos patrimoniais. não podendo o juiz reconhecer de ofício a anulabilidade (art. pelo MP (quando lhe couber intervir) podendo inclusive ser reconhecida de ofício pelo juiz (art. CC): além dos casos expressamente declarados em lei é anulável o negócio jurídico:  Por incapacidade relativa do agente. CC) autores como Tartuce e Simão. III. estado de perigo. CC). locação de imóvel com a finalidade de se instalar uma casa de prostituição: objeto é lícito – locação. compra e venda de imóvel exige-se escritura pública. Ter por objetivo fraudar a lei imperativa. 169. Porthier e Cariota Ferrari. A nulidade absoluta não admite confirmação nem convalesce com o decurso do tempo (art. respeitados. dada sua gravidade poderá ser arguida por qualquer interessado. devendo ter ação proposta para tanto. percebe-se a influência da teoria da causa no art.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. CC). quando constatamos ser nulo o negócio jurídico de causa ou finalidade ilícita. empresa off share criada para lavar dinheiro. Ex. Página 35 Intensivo I LFG . casamento de portas abertas. Dispõe o art. No caso da nulidade absoluta do casamento (art.: A despeito de Clóvis Bevilaqua haver sido anticausalista. 177. 1449. 496.  Vício resultante de erro. A nulidade relativa é menos grave. Características da nulidade relativa  A nulidade relativa deverá ser arguida por meio de ação anulatória proposta por quem tenha interesse jurídico. Mas. por óbvio. A lei taxativamente o declarar nulo ou proibir-lhe a prática sem cominar sanção.   Nulidade relativa: A sua base se encontra no art. A sentença declaratória de nulidade absoluta opera efeitos retroativos (ex tunc) para fulminar o negócio nulo na sua origem. com propriedade. Não se pode confirmar o negócio nulo e nem existe prazo para ser declarada sua nulidade. art. Observe-se que essa imprescritibilidade (não tem prazo para ser arguida) refere-se a declaração de nulidade absoluta e não aos eventuais efeitos patrimoniais que são prescritíveis. já a finalidade é ilícita e o negócio jurídico é nulo. 166. For preterida solenidade que a lei considere essencial para a validade do ato – ex. 6. CC). dolo. efeitos em face de terceiros de boa fé. resistindo ao pensamento de autores como Domat. bastante amplo – ex. Não revestir a formar prescrita em lei – ex. 171 do CC (cujo rol é exemplificativo – ex. lesão ou fraude contra credores. observam a impossibilidade do reconhecimento de ofício. Características da nulidade absoluta:  A nulidade absoluta. É a chamada fraude à lei. pelo juiz. 5. 7. 171 do CC. A arguição da nulidade pode ser feita a qualquer tempo. há prescrição. coação. 4. É conceito aberto. 168.

lesão. b) Erro. Ex. Até que seja proferida sentença anulatória. A despeito da polêmica. o art. Aproveita-se o que pode do NJ e o recategoriza (Rachel Campini) em um negócio válido e de fins lícitos. CC). o negócio anulável gera efeitos jurídicos. Intensivo I LFG Página 36 . Para que haja a conversão do negócio é necessário o aproveitamento dos elementos materiais do negócio inválido (requisito objetivo) e também que fique demonstrado que caso as partes houvessem previsto a nulidade teriam desejado o negócio convertido (requisito subjetivo). mas. 179 ao estabelecer o prazo decadencial de dois anos para a propositura da ação anulatória quando não haja sido previsto prazo. reintegração de posse convertida em manutenção de posse pelo juiz. Prazos decadenciais: *Art. trata-se de medida sanatória por meio da qual são aproveitados os elementos materiais de um negócio inválido. mas para o processo civil já era usada. O ato será atacado em sua origem. dolo. deve-se salientar que. inclusive com a devolução da quantia indevidamente recebida. As partes devem ser colocadas em estado anterior de coisas. 179: Se a lei não estabelece prazo: será de dois anos contados da celebração do negócio (conclusão do ato). revogou a súmula 494 do STF referente a venda de ascendente a descendente – ver também Enunciado 368 da 4ª Jornada de Direito Civil. 178 e 179. CC). 178: 04 anos = contados a) Coação: dia em que esta cessar. se a ação não é proposta o NJ convalece. o negócio produz efeitos. A despeito de a doutrina admitir a conversibilidade tanto para o negócio nulo quanto para o anulável (Marcus Bernardes de Melo). mas nada impede a aplicação para o negócio anulável.   Por ser menos grave. compra e venda sem ser por instrumento público cujo valor é superior a 30 salários mínimos transmuda-se em promessa de compra e venda (não há valor). a nulidade relativa admite confirmação expressa ou tácita (arts. Até que a ação seja julgada. entendemos. posto desconstitutiva gera efeitos retroativos (ex tunc). O art. 182 reforça a eficácia retroativa da sentença que invalida o NJ. O art. *Art.Direito Civil – Pablo Stolze  Diferentemente do negócio nulo. No direito civil. *Conversão substancial do Negócio Jurídico: essa ideia é nova para o direito civil. o que se convencionou chamar eficácia interimística (Pontes de Miranda). convertendo-o em outro negócio válido e de fins lícitos. estado de perigo e fraude contra credores: da realização do negócio jurídico c) Incapazes: dia em que cessar a incapacidade. o negócio celebrado em erro pode ser confirmado. com base no art. Ex. Ex. o negócio anulável submete-se a prazo decadencial para o reconhecimento do vício. que a sentença anulatória. Não tem sentido falar em efeitos apenas para o futuro. na linha de pensamento do professor Humberto Teodoro Jr. 172/174. 182 do CC. não podendo se falar aqui em imprescritibilidade (arts. 170 do CC regula o instituto para o negócio nulo – pois quanto a estes há mais utilidade.

Mas. Não é correto o entendimento da doutrina clássica segundo o qual “a prescrição extingue a ação” uma vez que o moderno direito de ação (direito abstrato constitucional de se pedir ao Estado uma prestação jurisdicional. nada tem haver com o direito a prestação. Por direito Intensivo I LFG Página 37 . Prescrição: Autores tradicionais como Carvalho Santos. Ex. nascida da violação de seu direito a uma prestação. a qual se extingue pela prescrição. Por pretensão. deixa claro que o que prescreve não é o direito de ação. Art. mas sim a pretensão do credor.Direito Civil – Pablo Stolze PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA A essência da prescrição e da decadência está no decurso do tempo. não prescreve nunca). Clóvis Beviláqua e Silvio Rodrigues sempre afirmaram que a prescrição seria a perda da ação. nos prazos dos artigos 205 e 206 do Código Civil. Decadência refere-e a direitos potestativos. apesar de ainda existir jurisprudência equivocada nesse sentido. pois não pagou a dívida: nasce a pretensão Prescrição P 05 anos (ação de cobrança) Ações não prescrevem!! Haverá direito de ação independentemente de ter ocorrido a prescrição. muito menos. Por influência do Direito Alemão. 189. CC: Violado o direito.000. refere-se a pretensão. o art. essa concepção não mais pode prevalecer. Segundo tais autores prescrição é a perda da ação que defende o direito. A partir de Agnelo Amorim Filho (1960) foi percebido que a ação não prescreve. Decadência: A decadência. NJ Pablo (credor) Fredie (devedor) 23/03 – celebração 23/04 – Termo de pagamento Prestação R$1. entenda-se o poder de coercitivamente exigir-se o cumprimento da prestação inadimplida.00 Vencimento V 23/03 23/04 Fredie violou o direto a prestação. 189 do CC. nasce para o titular a pretensão. também chamada de caducidade. nem. por óbvio.

Marido Esposa Enquanto vigente a sociedade conjugal não corre a prescrição um contra o outro (causa impeditiva) Direito de Crédito Pablo Jenifer Prestação R$1. É o direito de interferência. o prazo para se anular um Negócio Jurídico é decadencial (178/179. Os prazos prescricionais sempre são legais. 202. o prazo volta a correr de onde parou. a interrupção da prescrição só pode ocorrer uma vez. As causas impeditivas ou suspensivas dos prazos prescricionais estão nos artigos 197 e 199 do CC. o prazo prescricional recomeça a contar do zero (art. de modo que.: Se na hora da prova der branco e eu não me lembrar a diferença entre prescrição e decadência. Ex. renúncia ao mandato. Diferentemente dos prazos prescricionais que sempre estão previstos em lei.00 Já devia antes do casamento: Na constância do casamento há suspensão do prazo prescricional. suspensivas e impeditivas da prescrição: A causa impeditiva impede o início do prazo. 206: traz inúmeros prazos especiais. Desfeita a sociedade conjugal. no NCC.Direito Civil – Pablo Stolze potestativo entenda-se aquele que. os prazos decadenciais podem ser legais ou convencionais (avençados pelas partes). Obs. basta recordar que os prazos prescricionais estão em apenas dois artigos do Código Civil:  Art. Ex. A mesma causa poderá ser suspensiva se o prazo já teria começado a correr. quando verificadas. I – não corre a prescrição entre cônjuges na constância da sociedade conjugal. Causas interruptivas. Existem direitos potestativos com e sem prazo e sempre que o um direito potestativo tiver prazo para seu exercício este prazo será decadencial. *Hipóteses de interrupção da prescrição:  Despacho do juiz que ordena a citação (ainda que feita por juiz incompetente) Intensivo I LFG Página 38 . uma vez que. art.  Art. divórcio. finda a causa. começa a correr a prescrição. 197. O prazo não começa a correr. A causa suspensiva paralisa o prazo. não cabendo convenção entre as partes. Para evitar abusos.000. CC). CC). sem o conteúdo prestacional interfere na esfera jurídica alheia sem que essa pessoa nada possa fazer. Ex. As causas interruptivas são de grande temor para os devedores. 205: traz prazo geral de 10 anos.

Direito Civil – Pablo Stolze Protesto (medida cautelar). o devedor pode renunciar a prescrição. Art. uma mera notificação extrajudicial não interrompe o prazo prescricional.909/PE. abrir prazo para que as partes se manifestem: o credor poderá. uma vez silentes as partes. Protesto cambial (de título de crédito). à luz do princípio da cooperatividade. A decadência pode ser reconhecida inclusive de ofício (art. Já os decadenciais. 219. CDC.: Prazos decadenciais. ** Notificação por AR: não interrompe a prescrição de acordo com a Lei. no processo civil em geral. o juiz pronunciará de ofício a prescrição. como regra. por óbvio poderão. a questão. 191. há uma tendência no não conhecimento da referida tese. Em regra. STJ Ag Rg Ag 618.  Ato inequívoco. Mas. a melhor ideia seria submeter às partes. 22. embora existam exceções no sistema. confissão extrajudicial de dívida feita em cartório. 1228. Intensivo I LFG Página 39   . e na letra fria do CC. A rigor. se forem convencionais. 210 e 211 do CC). Ex. A despeito da polêmica em doutrina estando curso processo com pretensão prescrita. A prescrição pode ser alegada pela parte interessada em qualquer grau de jurisdição.: Não deixar de ler artigo no material de apoio que trata da contagem de prazo (art. *Reconhecimento de ofício da prescrição pelo juiz: é possível? Inovando. a lei 11. a ser estudado na grade processo civil. Obs. CC e Enunciado 295. 194 do CC alterou a redação do art. não se submetem a tais causas. §5º do CPC para dispor: O juiz pronunciará de ofício a prescrição. Prescrição intercorrente: O tema prescrição intercorrente. traduz a situação da prescrição que se consuma dentro de um processo já existente. O projeto de lei 3293/2008 pretende incluir este tipo de notificação como causa interruptiva da prescrição. pondo por terra o art. Obs. antes de pronunciar a prescrição. 192). da 4ª Jornada) deverá o juiz. §2º. querendo.  Apresentação do título em juízo de inventário ou concurso de credores (habilitação). CC). colmo a paralisação é atribuída ao próprio judiciário. demonstrar que o prazo não se consumou e o devedor poderá renunciar a sua defesa. Mas o CC diz que. Características da prescrição e da decadência: Os prazos prescricionais por serem regulados por lei não podem ser alterados pelas partes (art.  Ato judicial que constitua o devedor em mora. Assim.280/06. ainda que extrajudicial que importe no reconhecimento da dívida pelo devedor. A súmula 153 do STF foi revogada diante dessa hipótese. por exemplo. e respeitando a faculdade conferida ao devedor de renunciar a prescrição (art.

obrigação de pagar taxa de condomínio: acompanha sempre a coisa (IPTU e IPVA são impostos também têm essa natureza. mas de 03 anos. fazer ou não fazer. é o conjunto de normas que disciplina a relação jurídica pessoal entre credor e devedor. obrigação locatícia levada a registro imobiliário – art. passa a ter eficácia erga omnes (ex. STJ – se refere a taxa de condomínio.187/SP. adere a uma coisa. Resp.039.Direito Civil – Pablo Stolze Prescrição contra a Fazenda Pública: Para formular a pretensão: 03 anos. Obr. mediante registro. Distinções Terminológicas Relevantes: Intensivo I LFG Página 40 . em virtude da qual este último compromete-se a satisfazer uma obrigação de dar. por ser propter rem em face da hipoteca que gravava o imóvel. 846. *Obrigação com eficácia real: A obrigação com eficácia real é aquela que. 8º da Lei do Inquilinato). acompanhando-a. Sujeito Dir. o terceiro adquirente deverá respeitar o prazo da locação. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES: Conceito: O direito das obrigações. Ex.117/SP) afirmou a preferência do crédito condominial. 8º da Lei do Inquilinato informa que se o contrato for averbado no Registro de Imóveis e se alienado o bem. ramo do direito civil. Mas o art. Reais Credor Relação Obrigacional Devedor Coisa *Obrigação propter rem: A obrigação propter rem. ob rem ou mista situa-se na zona cinzenta entre o direito das obrigações e o direito das coisas. A decisão baseou-se no fato de a obrigação de pagar a taxa de condomínio é para a própria conservação e utilização do bem. O STJ. A obrigação passa a ter eficácia contra todos – erga omnes. Trata-se de uma obrigação de natureza híbrida uma vez que posto vincule pessoas. O STJ no noticiário de 17/09/09 fixou que o prazo prescricional para se formular pretensão indenizatória para se formular pretensão indenizatória contra a Fazenda Pública não é de 05. apesar de se tratar de obrigação tributária). Pablo alugou apartamento para Adriano – uma relação obrigacional os une mas isso não impede que o bem seja alienado. em recente julgado (Ag Rg no Resp 1. Dir.

Assim. c) Delito d) Quase delito.  Em sentido estrito: débito assumido. cria a relação obrigacional. pode traduzir a própria relação obrigacional vinculativa do credor ao devedor. Ato ilícito: colidir um veículo. por exemplo. modernamente. promessa de recompensa. O delito para Gaio seria o ilícito doloso e o quase delito seria o ilícito culposo. quase contrato: promessa de recompensa (se perdeu um cachorro e oferece recompensa). Fontes das Obrigações: Embora a lei seja a fonte primária das relações jurídicas em geral. Assim:  Em sentido amplo: relação que une credor ao devedor. dívida e haftung quer dizer responsabilidade. são fontes das obrigações  Atos negociais: contrato. Ex. Ex. em sentido estrito é o próprio débito assumido.Direito Civil – Pablo Stolze A palavra obrigação. Esse sistema de Gaio não é mais utilizado. concretizando o preceito normativo. promessa de recompensa – o credor é indeterminado. Gláucia e Unidade do LFG – os sujeitos são individualizados. ainda que de forma temporária. superada a classificação de Gaio. autorizada pelo ordenamento. b) Quase contrato. em um sentido amplo. Subjetivo: sujeitos determinados ou ao menos determináveis. Lembra-nos Guilherme Nogueira da Gama que o fiador tem responsabilidade (Haftung) embora a dívida (Schuld) seja de outro.  Estrutura e requisitos da relação obrigacional: Fundamentalmente são três requisitos da estrutura da relação obrigacional: Ideal ou imaterial: o elemento ideal ou imaterial ou espiritual segundo Alvaro Vilaça é o próprio vínculo jurídico abstrato que une o credor ao devedor. por fonte das obrigações deve-se entender o fato jurídico que. ativa ou passiva. é sempre temporária ou relativa. Ex. O mesmo ocorre com o título ao portador. A classificação clássica de Gaio subdivida as fontes em: a) Contrato. Intensivo I LFG Página 41 .  Atos Não-negociais: fato material da vizinhança – o fato de ser vizinho importa na existência de obrigações que nada tem haver com ato negocial. A indeterminabilidade subjetiva. determinados. Não devemos confundir os termos Schuld e Haftung: Schuld significa débito.

Paulo Lobo e Silvio Venoza reconhecem algumas obrigações não patrimoniais a exemplo da obrigação que o testador impôs de se enterrado de determinada maneira. fazer ou não fazer. *** Lembra-nos Emílio Betti. imediato da obrigação e nós conhecemos como prestação. obrigação de não concorrência. A prestação deve ser lícita. Prestação é a atividade do devedor. um comportamento omissivo do devedor. Objetivo: é o mais importante dos elementos. Por meio dessa figura jurídica impõe-se ao próprio credor o dever de não agravar a situação do devedor (Dever de mitigar). denomina-se também obrigação ambulatória (circular). em sua clássica obra Teoria Geral das Obrigações. Até porque. podendo ser de dar. Nesse contexto. ainda que em situações especiais. satisfativa do crédito. não construir acima de determinada altura. ou ao menos determinável.: Toda prestação no direito das obrigações deve ter cunho patrimonial? Em geral. possível e determinada. Obs. Ex. atua especialmente o princípio da boa-fé objetiva para determinar um comportamento leal e harmônico entre as partes. a doutrina costumam reconhecer a natureza patrimonial ou econômica da prestação. Intensivo I LFG Página 42 . a exemplo do que se dá por meio do instituto jurídico “duty to mitigate”. ou seja. É chamado tecnicamente de objeto direto. autores como Pontes de Miranda. Classificação básica das Obrigações: Coisa Certa Dar Positiva (+) Obrigação Negativa (-) Fazer Não Fazer Coisa Incerta Obrigação Negativa de não fazer: A obrigação de não fazer tem por objeto uma prestação negativa.Direito Civil – Pablo Stolze O devedor poderá também ser indeterminado o que ocorre na obrigação propter rem de pagar taxa de condomínio. Observe-se que esse tipo de obrigação em que os sujeitos podem mudar. a existência de uma nítida “crise de cooperação entre credor e devedor” com uma acentuada vocação opressiva da autonomia privada. Todavia. é difícil encontrarmos exemplo de obrigação não patrimonial. fazer ou não fazer. O objeto da relação obrigacional será sempre a prestação o que deve ser analisado é se a obrigação é de dar.

248 e 249 do CC. Ex. um cantor para uma festa de formatura. dar o carro em virtude de compra e venda. nos termos do art. locação c) Dar no sentido de devolver a coisa. sem prejuízo de o credor optar pela tutela jurídica específica (art. 248. * Não efetivada a entrega (perecimento da coisa antes da entrega):  Sem culpa: o negócio é resolvido. Intensivo I LFG Página 43 . sem prejuízo da tutela específica (art. é cabível a sua responsabilidade civil por perdas e danos. Ex. salvo se o contrário resultar do contrato ou das circunstâncias do caso. 233 do CC. é óbvio que se o devedor de uma obrigação de não fazer for obrigado a atuar (exemplo: for notificado pela prefeitura) a obrigação é simplesmente extinta sem perdas e danos. nada mais é que uma obrigação de não fazer registrada no cartório do Registro de Imóveis. 247 e 249. Ex. sem preço ou perdas e danos.  Com culpa: se a coisa se perde. por sua vez. Obrigação Positiva de Fazer: A obrigação de fazer. 250. 250 e ss. tem por objeto a prestação de um fato. 251. Vale lembrar que a obrigação de fazer é infungível ou personalíssima quando só interesse a atividade do próprio devedor. podendo se estender juridicamente o verbo dar em três sentidos básicos: a) Dar no sentido de transferir propriedade. b) Dar no sentido de entregar a posse da coisa. Caso a obrigação de fazer seja descumprida por culpa do devedor. CC). cabe a devolução do preço mais perdas e danos. a relação obrigacional é extinta sem perdas e danos (art. Caso a obrigação de fazer seja descumprida sem culpa do devedor. deixa o veículo no estacionamento do shopping – há obrigação de devolução. Refere-se a atividade do devedor. É obrigação intuito personae. A luz do art. *Arts. Mas. CC. Ex.Direito Civil – Pablo Stolze A obrigação de não fazer pode ser temporária. *Obrigação de Dar Coisa Certa: A obrigação de dar coisa certa é disciplinada a partir do art. CC). A obrigação de não fazer extingue-se se por imperativo superior for necessária a realização do ato (sem culpa). Podemos observar que a servidão de não construir. A regra é que o acessório acompanha o principal. se culposamente o devedor descumpre a obrigação de não fazer poderá ser civilmente responsabilizado. CC). Obrigação positiva de dar: Obrigação de dar é aquela que tem por objeto a prestação de uma coisa.

b) Alternativas e facultativas. Vale observar que. 246.: Em geral.  Com culpa: pode exigir o preço ou receber a coisa abatido o preço. abatido o preço. devendo ser feita a necessária escolha da quantidade da coisa para ser efeito de pagamento (art. entregar 10 (quantidade) cabeças de gado (gênero) Mas a incerteza não é perpétua. o legislador estabeleceu a fórmula segundo a qual . nos termos da lei brasileira (arts. na teoria das obrigações. não poderá o devedor. 246. mas impossibilitada por culpa do devedor. c) Divisíveis e indivisíveis. 313. d) De meio e de resultado Obrigações solidárias: Intensivo I LFG Página 44 . cabendo em ambos os casos.CC). Logicamente. por princípio especialmente aplicado na obrigação de dar coisa certa o credor não está obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. para se eximir. 244 e 245. CC) é aquela indicada apenas pelo gênero e pela quantidade. *Obrigação de Dar Coisa Incerta: A obrigação de dar coisa incerta. tradicional regra do direito brasileiro. a indeterminabilidade desse tipo de obrigação é temporária. aí sim poderá o devedor eximir-se da sua obrigação. perdas e danos. Nos termos do art. alegar caso fortuito ou força maior. este poderá ser compelido a devolver o preço equivalente. 243/346. Vale lembrar que. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Classificação Especial das Obrigações: No material de apoio. O projeto de reforma do CC em sua redação original adverte que se o gênero for limitado na natureza.Direito Civil – Pablo Stolze * Deteriorada a coisa:  Sem culpa: devedor pode resolver o negócio ou receber o bem. Ex. a escolha da coisa é feita pelo devedor (concentração do débito ou da prestação devida). veremos os mais importantes: a) Obrigações solidárias. nem será obrigado a prestar a melhor. Álvaro Vilaça diz que o melhor seria falar-se em espécie pois a palavra gênero é muito aberta. ainda que mais valiosa (art. CC). Obs. (art. sem prejuízo das perdas e danos. assim. é feita a análise de cada tipo de classificação especial e. ou seja. enquanto não for feita a escolha. uma vez que “o gênero não perece jamais”. sendo individualizada quando do pagamento. regra geral. CC). em sala de aula. enquanto ainda for incerta a obrigação. impossibilitada a obrigação sem culpa do devedor ela será extinta sem perdas e danos. sendo que referida escolha é feita pela média: não se pode dar coisa pior.

O imóvel é incendiado por João. dois deles podem. 12 da Lei 209/48. por outro lado. C D3 R$300. uma vez que a solidariedade não se presume.00 – Solidariedade Passiva Jamais esquecerei. O proprietário pode demandar o agente causador do dano (João) e a seguradora. Obs.Direito Civil – Pablo Stolze Conceito: nos termos do art. solidariedade NÃO SE PRESUME: resulta da lei ou da vontade das partes.: Qual a diferença entre obrigação solidária e obrigação in solidum? Alguns autores. mas não há solidariedade entre eles. repassando a quota dos demais credores. Se a questão disser apenas que existem 3 devedores que devem R$300. se o credor nº 1 receber os R$300. tomemos os seguintes exemplos: art. fez um seguro de casa contra incêndio. Uma vez que solidariedade não se presume. existe solidariedade quando. A disciplina da solidariedade ativa é feita a partir do art. quanto a solidariedade ativa.00 a um credor. A obrigação pecuniária é.000. C1 C2 C3 Todos podem cobrar.00 repassará a quota dos demais credores. concorre uma pluralidade de credores ou devedores. este poderá cobrar R$100. *Solidariedade Ativa: Lembra-nos João de Matos Antunes Varela a principal característica da solidariedade ativa: qualquer dos credores poderá exigir do devedor a prestação por inteiro. não mantém vínculo de solidariedade entre si.00 de cada um. na obrigação in solidum os devedores. pois estão vinculados ao mesmo fato.000. resultando da lei ou da vontade das partes. a exemplo de Guilherme Borda e Silvio Venosa visualizam tal diferença afirmando que. posto vinculados ao mesmo fato. 267 do CC. fracionária e divisível. 264 do CC. à luz do dogmático artigo 265 do CC que. 2º da Lei do Inquilinato e art. ou seja. cada um com direito ou obrigado a toda dívida. deverá repassar a quota dos demais. por natureza. ou ainda apenas um. Pode haver ainda a solidariedade passiva que ocorre entre os devedores: D1 D2 Se o devedor paga toda a dívida terá direito de regresso contra os demais devedores. Ex. Saliente-se que são raros os exemplos de solidariedade ativa legal. D R$300. na mesma obrigação. o Intensivo I LFG Página 45 .00 – Solidariedade Ativa Se algum deles fizer a cobrança e receber mais que sua quota.

D3 Questões especiais envolvendo solidariedade:  A obrigação de pagar alimentos é conjunta segundo uma ordem de prestadores nos termos da Lei de família. Art.902/DF). quanto a solidariedade passiva por força de lei. qualquer dos devedores poderá ser compelido a pagar toda a dívida. *Solidariedade Passiva (é mais comum): Na solidariedade passiva.: No que se refere às defesas do devedor. CC. no âmbito da solidariedade passiva convencional. 932. não há solidariedade ativa. resultando da lei ou da vontade das partes. bem como defesas comuns a todos os devedores (exemplo: prescrição da dívida). inclusive. quanto ao idoso há benefício: uma solidariedade passiva em face dos devedores (parentes). renunciando ao benefício de ordem. casamento ou a união estável. vincula-se solidariamente ao devedor pelo pagamento da dívida. Credor D2 Não pode opor exceção pessoal de outro devedor. podendo inclusive haver complementação do valor a pagar. ver art. um tradicional exemplo é encontrado nos contratos de locação residencial quando o fiador. Quando ambos correntistas devem movimentar conjuntamente a conta.Direito Civil – Pablo Stolze contrato de abertura de conta-corrente conjunto em gera traduz bom exemplo de solidariedade ativa convencional (Resp. mas não poderá opor defesa pessoal de outro devedor. Esta haverá se cada um puder movimentar de forma isolada a conta. CC D1 = pode opor exceção pessoal sua ou exceção pessoal comum. se o credor dos alimentos for idoso poderá pedir alimentos a qualquer dos prestadores legitimados. 775. 708. Vale acrescentar ainda que o art.765/SP). uma vez que estes se encontram em solidariedade passiva em face do referido credor. a teor do art. 281. Como estabelecer a diferença entre remissão (perdão) e renúncia a solidariedade? A Página 46   Intensivo I LFG . O STJ tem admitido solidariedade passiva entre proprietário e condutor do veículo (Resp. Essa é a regra.612/RO). Assim. (Resp. 272 do CC dá a qualquer dos credores. qualquer dos devedores poderá opor ao credor defesa pessoal sua (exemplo: alegar ter sido vítima de coação). sob o argumento de que o proprietário do veículo deve ser solidariamente responsável pela reparação do dano como criador do risco de seus semelhantes. Obs. Considerando que a solidariedade não se presume. 577. na obrigação solidária. 275. Entre as partes há uma ordem de pagamento: pais → avós (complemento) → irmãos. São fundamentos do pedido de alimentos o parentesco. Observe-se que. o poder de perdoar integralmente a dívida.

tendo havido renúncia da solidariedade em face de um dos devedores. permanecendo os demais devedores. a escolha da prestação devida é feita pelo devedor. bem como em havendo impossibilidade da prestação devida a facultativa não remanesce. A renúncia da solidariedade importa que o credor cobrará apenas a quota daquele devedor. Obrigações Divisíveis e indivisíveis Intensivo I LFG Página 47 . 277 e 282.00 C D2 C D2 D3 200. nos termos do art.00 Renúncia da Solidariedade D1 Perdão D1 = 100. entrega carro e pode prestar outra (subsidiária). Obrigações Alternativas e Facultativas *Obrigações Alternativas: As obrigações alternativas. Arts. diferentemente da alternativa. CC. o credor poderá cobrar dos outros devedores solidários o remanescente da dívida. Não poderá o devedor obrigar o credor a receber parte da prestação de um.00 D3 200. Ex. O Enunciado 349 estabelece que. Há duas obrigações ou mais que se excluem. *Pluralidade de optantes: não havendo acordo UNÂNIME entre eles. 252. exonerando-se o devedor ao cumprir apenas uma delas. e parte de oturo.00 O perdão exonera o devedor de sua parte. de objeto múltiplo. *Prestações periódicas: pode ser realizada a escolha em cada período. Orlando Gomes observa ainda que. 100.00 (em solidariedade) R$300. com a peculiaridade de estabelecer em FAVOR DO DEVEDOR. solidariamente vinculados pelo resto. decidirá o juiz. Obs. o credor não pode exigir a prestação subsidiária. tem objeto único e simples. são aquelas com duas ou mais prestações. na obrigação facultativa.Direito Civil – Pablo Stolze remissão em favor de um dos devedores libera-o completamente da dívida.: Ver no material de apoio quadro esquemático referente ao tratamento jurídico da impossibilidade da prestação na obrigação alternativa. *Obrigação Facultativa: A obrigação facultativa. do mesmo. a faculdade de substituição da prestação devida. CC. O credor não pode exigir a prestação subsidiária nem quando se perder o principal.00 R$300. impedindo apenas que o credor possa cobrar-lhe mais que sua quota. Em geral. já a mera renúncia a solidariedade em favor de um dos devedores não o exonera da dívida.

a por cada um dos devedores. na obrigação de resultado. a indivisibilidade refere-se ao objeto e solidariedade aos sujeitos. a obrigação natural gera o efeito da soluti retentio (retenção do pagamento): o credor não pode cobrar a dívida. ela será fracionada na medida da culpa de cada devedor. Caso tenha sido prevista também a solidariedade ativa este documento é logicamente desnecessário. caso pretenda pagar a um só dos credores. Na doutrina. Derivada da vontade das partes – indivisibilidade convencional: as partes podem convencionar que o objeto será indivisível. *Art. Derivada da própria lei – indivisibilidade legal: ex. A obrigação natural. CC). pelo que constituirá obrigação de meio. dívida prescrita. ***Ainda no caso da obrigação indivisível. já as obrigações indivisíveis só podem ser cumpridas por inteiro (art. reparatória. o devedor se desobriga pagando a todos conjuntamente. atuando em intervenção estética. 814 do CC. caso haja pluralidade de credores. art. Diferentemente. a indivisibilidade é assim classificada: 1. será devido o preço mais perdas e danos na medida da cul. o devedor vincula-se ao resultado proposto que deve garantir. segundo a própria jurisprudência do STJ (Ag Rg Ag 1. 260 do CC. Observe-se que o cirurgião plástico. ou. 259. Se for uma cirurgia para reparar queimaduras: não se trata de cirurgia estética. médico. Além disso. embora judicialmente inexigível. Obs. a quem o devedor deverá pagar para não incorrer no adágio “quem paga mal. este lhe apresente documento de “caução de ratificação” dos outros credores. não se deve confundir solidariedade com indivisibilidade da obrigação. Intensivo I LFG Página 48 . mas se receber o pagamento poderá retê-lo. A doutrina reconhece que. CC: Obrigação Indivisível – qualquer dos devedores se obriga por inteiro. entrega de um animal. convertida uma obrigação indivisível em perdas e danos. dívida de jogo. também considerada “imperfeita” é aquela desprovida de exigibilidade jurídica.132. de Sérgio Covello. advogado. módulo rural.: A despeito da semelhança. Ex. caso haja pluralidade de credores. paga duas vezes”? Nos termos do art.Direito Civil – Pablo Stolze As obrigações divisíveis são aquelas que admitem cumprimento fracionado da prestação. 3. Obrigações de Meio e de Resultado: Obrigação de meio é aquela em que o devedor se obriga a empreender uma atividade sem garantir o resultado final. Ex. *Obrigação Natural: Obra: A Obrigação natural: elementos para uma possível teoria. 2. Pela natureza da coisa: ex. Se impossibilita a prestação. assume obrigação de resultado. Dentre outras diferenças. não havendo espaço para o reconhecimento de solidariedade alguma. mas sim. 257 e 258.743/RS).

o que explicaria a incidência dos vícios do negócio jurídico. A teoria também foi aplicada em um caso de alienação fiduciária em que havia sido pago 95% do valor do bem. a acuidade visual perfeita. posto não haja sido perfeita.Direito Civil – Pablo Stolze *Cirurgia de Miopia a Laser: a jurisprudência (ver revista consultor jurídico de 25/06/2007) aponta que cirurgia para correção de miopia encerra obrigação de meio e não de resultado: o médico não pode garantir como resultado final. Essa teoria tem específica aplicação nos contratos de seguro. 415. em determinadas situações a presente teoria (Resp. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------TEORIA DO PAGAMENTO Conceito: Pagamento consiste no adimplemento ou cumprimento voluntário da obrigação. Resp. O STJ tem aplicado.971/SP. A letra fria do CC diz que o atraso de um único dia acarreta o não pagamento da indenização. na quinta e última prestação do prêmio o beneficiário se esquece de pagar o boleto no dia do vencimento e o carro é furtado. 469. que tendo sido pagas 4 de 5 parcelas deve ser recebido o equivalente a 4/5 da indenização. ou. Ex.577/SC). à luz dos princípios da função social e da boa-fé objetiva não se deve considerar resolvida a obrigação quando a atividade do devedor. permitindo sua invalidação. Caio Mario) sustenta que o pagamento tem natureza jurídica negocial. Requisitos ou Condições do Pagamento: Condições Subjetivas Pagamento Condições Objetivas quem deve pagar a quem se deve pagar lugar objeto prova tempo Intensivo I LFG Página 49 . *Inadimplemento substancial – Substantial perfomance: A doutrina do adimplemento substancial sustenta que. aproxima-se consideravelmente do seu resultado final. mas a jurisprudência tem entendido que a depender do caso concreto será paga a indenização com base na teoria do adimplemento substancial. Respeitável parcela da doutrina (Roberto de Ruggiero. em interpretação mais beneficia que seja pago o valor da indenização deduzido o valor da última prestação. No caso concreto já se decidiu. por exemplo.

não terá direito a nada. CC. é razoável entender-se que a preservação dos direitos da personalidade do devedor justifica a oposição ao pagamento. Se feito por terceiro somente valerá após ratificado e se provar que o valor reverteu em proveito do credor. terá direito ao ressarcimento do que pagou e ainda levará para si a garantia real. bem com a lei reconhece essa legitimidade em favor do terceiro interessado ou não. CC: o pagamento deve ser feito ao credor ou a quem lhe represente. b) Se paga em nome do próprio devedor. Assim. o pagamento deverá ser feito ao credor (ou ao seu representante) admitindo ainda a lei brasileira. 309 do CC. nas seguintes situações: a) Se o credor ratificar o pagamento ou houver prova de que reverteu em seu proveito. terá. b) Na hipótese do credor aparente ou putativo. caso o pagamento seja feito por um terceiro não interessado. fará jus não apenas ao direito ao reembolso. *Credor aparente ou putativo: art. se o terceiro interessado paga. apresentar oposição ao pagamento feito pelo terceiro. fundamentadamente. concluímos que quem tem legitimidade para o pagamento é o devedor (ou seu representante). direito ao reembolso do que pagou. Fiador Se o fiador que é terceiro interessado irá C penhor D substituir o credo. 306 do CC. mas também se sub-rogará na própria posição de credor. segundo o princípio da Intensivo I LFG Página 50 . duas situações podem ocorrer: a) Se paga em seu próprio nome. 308. Com base na teoria da aparência. a teor do art. Esse terceiro não tem a amplitude de poderes do terceiro interessado. o pagamento feito de boa-fé a um terceiro que aparentava ser credor. Em tal caso. *A quem se deve pagar: Na vereda dos artigos 308 e 309.Direito Civil – Pablo Stolze Condições Subjetivas: *Quem deve pagar: A luz dos artigos 304 e 305. Em uma perspectiva civil constitucional em respeito ao princípio da dignidade da pessoa humana. o devedor pode. a exemplo do fiador. *Oposição ao pagamento feito pelo terceiro: nos termos do art. Situação diferente ocorre quando o terceiro não tem interesse jurídico direto na relação. Terceiro interessado é a pessoa na qual o inadimplemento obrigacional poderá repercutir. *Art. que o pagamento possa ser feito ao terceiro. com as garantias que foram instituídas. 309. pelo menos.

admitindo o cheque. poderá ter eficácia jurídica. 313/316 do CC. O art.  Se sujeito a condição suspensiva: quando essa se implementar. 314 adota como regra a indivisibilidade do pagamento. a sua recusa indevida pode gerar dano moral (Resp. Obs.Direito Civil – Pablo Stolze confiança. Ex. ainda que mais valiosa. João empresta a Pablo $ e fixa-se o vencimento daqui a um ano. Por isso. por partes.  Se não tem vencimento: pode ter exigência imediata. não havendo vencimento certo. Intensivo I LFG Página 51 . Este princípio do nominalismo não pode ser tratado com caráter absoluto por conta da natural desvalorização econômica da moeda. Mas. não pode o credor ser obrigado a receber nem o devedor a pagar. 315.  Regra: vencimento. *Princípio do Nominalismo: o art. O art. ** CUIDADO! No caso do mútuo. Condições objetivas: *Tempo do pagamento: Regra geral. 315 cita a expressão “valor nominal”. CC – o inciso II fala que se for $ será de 30 dias o prazo). se admitido o pagamento por meio de cheque. Ex. o art. 313 do CC estabelece uma regra básica: o credor não está obrigado a receber prestação diversa. Ex. 331 e 332. 333: hipóteses de antecipação do vencimento de uma dívida. ou seja. CC). será paga a mesma quantidade de moeda. nem correção. *Objeto do Pagamento: Art.: analisar o art. se assim não se convencionou. razão pela qual o credor pode se recusar a receber cheque. concluímos que a moeda nacional (Real) tem curso forçado no território brasileiro. O art. Se não convencionado juros. se sempre pagava a determinado preposto e esse é dispensado mas continua cobrando: o pagamento feito a ele será perfeitamente válido.: Apesar de não ser de aceitação obrigatória. cartão de crédito ou de débito. noticiado no daí 15/04/2010). discriminar o devedor – consumidor. o pagamento deve ser efetuado por ocasião do vencimento da dívida. 592. existe norma específica (art. O que não se pode fazer é. se a obrigação não tiver vencimento certo. 315 ainda consagra o vetusto princípio do nominalismo segundo o qual. é exigível de imediato pelo credor. 317 será estudado em Teoria da Imprevisão. Na linha do art. índices de correção monetária existem para atualizar o poder aquisitivo da moeda. Obs. o devedor se libera pagando a mesma quantidade de moeda prevista no título da obrigação. GPM. salvo norma especial em contrário. Juros: remuneração Correção monetária: atualização da moeda. (arts. 981.583/STJ. Conforme já vimos.

897) a possibilidade de utilização do salário mínimo como critério de correção de pensão alimentícia. dependerá da análise matemática do caso concreto. *Tabela Price: Também conhecida como sistema francês de amortização.988/SP. a ser visto em outra grade. O recibo é o instrumento da quitação. trata-se de um complexo cálculo de matemática financeira frequentemente utilizado em financiamentos que.  lugar do pagamento. 319 e 320. CC). com propriedade. A tabela é atacada pelas entidades de defesa do consumidor alegando anatocismo enquanto as instituições traduzem sua viabilidade. nada mais faz que albergar os critérios da correção monetária.br o artigo A Tabela Price é ilegal? de Luiz Scavone Jr e Pedro Gomes).899/71 que estabeleceu a incidência da correção nos débitos decorrentes de decisão judicial. O STJ (ver noticiário de 21/09/09) tem adotado uma posição de neutralidade. mantém a homogeneidade das prestações (ver no www. IV da CF estabeleceu-se a regra de que não se pode vincular o salário mínimoa esse tipo de finalidade (ver também súmula vinculante 4. Mário Delgado sustenta que o art.  assinatura do credor ou representante. defende Maria Berenice Dias. tal artigo é abusivo uma vez que traduz a possibilidade de aumento progressivo das prestações. 320. 316 (artigo de redação confusa). Caso o credor se recuse a dar quitação poderá o devedor ingressar com ação de consignação em pagamento. *Requisitos para uma quitação: art. CC: (sempre pode ser dada por instrumento particular)  valor e espécie da dívida quitada. Vale lembrar que apenas por exceção a variação cambial é admitida como índice de correção monetária (Ver Ag Rg no Ag 845.  nome do devedor  ou quem por este pagou. *Prova do Pagamento: A quitação é o ato jurídico que prova o cumprimento de uma obrigação (arts. Intensivo I LFG Página 52 . tem o seu referencial histórico na lei 6. A despeito da polêmica. Já para Pablo Stolze. A fixação em salário mínimo em casos de pensão alimentícia tem fundo social: saber o que está pagando e recebendo. em verdade. se a tabela price é ou não ilegal.377/SP nos dá a exata dimensão da importância da matéria. amparada em precedentes do próprio STF (Re 274. ou seja. *Salário mínimo como índice de correção: nos termos do art. STF). 7º. embora incorpore juros ao pagamento devido.jus.Direito Civil – Pablo Stolze *Correção Monetária: o tema correção monetária.  tempo do pagamento. 494. O Resp. STJ).

Pagamento por sub-rogação: A palavra sub-rogação dá ideia de substituição. *Espécies: a) Legal: art. cabe ao credor escolher entre eles. nas hipóteses de sub-rogação convencional a mudança de credores depende de um ajuste de vontades. CC. 327. Art. O parágrafo único diz que designados dois ou mais lugares. Se o pagamento consistir em entrega do imóvel ou a prestações relativas a ele será efetivado onde situado o bem. regra geral. 347 do CC. proíbe que uma parte adote comportamentos incompatíveis ou contraditórios. Pagamento com sub-rogação é pagamento com substituição de credores. 330 do CC é frequentemente citado como exemplo de aplicação da regra proibitiva do venire contra factum proprium. desdobramento da boa-fé objetiva. a dívida será portável ou portable. É presunção relativa.  Entrega do título ao devedor firma presunção do pagamento. O pagamento com sub-rogação regulado a partir do art. o pagamento deve ser efetuado no domicílio do devedor (dívida quesível ou quérable). 347 – a sub-rogação depende do acordo de vontades. 346 – a sub-rogação decorre da lei. Formas especiais de pagamento: 1. *Lugar do Pagamento: Nos termos do art. Nessa hipótese o credor pode provar em 60 dias que não foi efetivado o pagamento. temos que. se o próprio devedor tiver de se deslocar para efetuar o pagamento no domicílio do credor. 346 do CC traduz forma de cumprimento da obrigação pela qual se opera substituição de sujeitos no pólo ativos da relação jurídica.Direito Civil – Pablo Stolze Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida.  Se paga o capital. ele se sub-roga nos direitos do credor originário que já teve seu crédito satisfeito. Nos termos do art. em respeito ao princípio da confiança. Se o fiador paga. 329. presume-se pagos os juros. No entanto. O art. Esta regra. b) Convencional: art. nos artigos 322/324 estabelece especiais situações de presunção relativa do pagamento em favor do devedor:  Pagamento de prestações periódicas: a última paga conduz a presunção do pagamento das anteriores. O CC. por exceção. Intensivo I LFG Página 53 .

: A luz do princípio da autonomia privada é razoável sustentar-se que na sub-rogação convencional. Obs. por meio de uma estipulação negocial. Novação: A palavra novação dá ideia de algo novo. 349. o novo credor poderá abrir mão de determinada garantia. não podendo. cobrar a integralidade da dívida. Ex.00 e se sub-roga nos direitos do credor R$10.Direito Civil – Pablo Stolze Ex. Se o terceiro paga valor a menor ao credor originário. CC. deve ser retirado Página 54 B Intensivo I LFG B .000. é fruto da autonomia privada. mas daí não se conclua que os institutos do “pagamento com sub-rogação” e da “cessão de crédito” são a mesma coisa. uma vez que tem regras próprias e a cessão de crédito poderá até ser gratuita. nos termos do art. com novos prazos. poderá cobrar a integralidade? Na linha do art. afirma que a sub-rogação operada transfere ao novo credor todos os direitos. 350 do CC estabelece que na sub-rogação legal o novo credor só poderá cobrar do devedor o que efetivamente desembolsou.00 Devedor Obs. ações e privilégios e garantias do credor primitivo em relação à dívida contar o devedor principal e fiadores. A contrato X A Contrato Y Nova obrigação que exclui (substitui e liquida) a anterior.000.000. O terceiro empresa $ ao devedor para que solva sua dívida desde que acordado que este terceiro (mutuante) sub-rogue-se nos direitos do credor. 347.: é o mesmo que cessão de crédito? Na hipótese prevista no art. O CC. 593 do Código de Portugal. I. o pagamento com sub-rogação convencional ali delineado confunde-se com a própria cessão de crédito. as partes criam uma obrigação nova destinada a substituir e extinguir a obrigação anterior (depende sempre de ser determinada em contrato. O terceiro assume o posto de credor.00 Terceiro O terceiro solicita transferência do crédito de R$10. sub-rogando-se em seu lugar. 349 do CC. Credor R$ 9. 2. Opera-se a novação quando. pois. mitigando o alcance do art. se o do devedor está no cadastro de proteção ao crédito. o art. A nova obrigação. Credor Terceiro Devedor – não está conseguindo pagar a dívida. A novação legal é uma aberração legal).

que se a obrigação anterior for nula ou extinta. nos termos do art. mormente pelo que dispõe o art. a exemplo do CC Mexicano (art . mais conhecida de todos. mas se for simplesmente anulável. mas autores como Barros Monteiro e Clovis Bevilaqua negam a possibilidade. 814. *Requisitos da Novação: 1. significa haver sido criada uma obrigação nova que substituiu e liquidou a obrigação anterior. Para que possamos concluir ter havido novação. Caso a obrigação primitiva seja natural. o que exige a análise do caso concreto. também chamada de novação real (Eduardo Spínola). com elemento novo – aliquid novi). é preciso ainda investigar se as partes tiveram a intenção de novar. 360. Existência de obrigação anterior: Vale lembrar. poderá – quando há anulabilidade esta pode ser sanada. a doutrina diverge profundamente a respeito da possibilidade de se novar obrigação natural. iniciará novo cálculo e o nome do devedor não poderá permanecer negativado. Intensivo I LFG Página 55 .2215) exigem a intenção expressa de novar. No Brasil. de maneira que os prazos serão zerados. Nogueira da Gama admitem a tese. caso previsto. o juro. §1º do CC. Criação da obrigação nova substancialmente diversa da primeira (ou seja. esta intenção poderá resultar do comportamento das próprias partes e das circunstâncias do caso (comportamento conludente). Em nosso pensar. a prescrição recomeçará a contar. Caso configurada a novação. a tese favorável deverá prevalecer. 3. Intenção de novar – animus novandi. Serpa Lopes. regulada no art. I do CC é aquela em que as mesmas partes da relação obrigacional criam obrigação nova para substituir e extinguir a obrigação anterior. Silvio Rodrigues. Marcel Planiol. não poderá ser novada. 367. 2.Direito Civil – Pablo Stolze **Renegociar a mesma obrigação ≠ novação (nova obrigação) *** Apenas analisando o caso concreto é que poderá se dizer se de fato houve a novação. *Espécies de novação: a) Objetiva: a novação objetiva. Eduardo Spinola lembra que poucos códigos no mundo.

*Dação em pagamento de coisa e obrigação alimentícia: o próprio STJ já admitiu. 362. Trata-se de uma forma especial de pagamento. Na novação subjetiva passiva.930/SC) e Súmula 286 do STJ “A negociação ou a novação da obrigação constituída não impede a revisão judicial do contrato anterior”. em recente julgado. Existem duas maneiras de se operar a mudança de sujeitos na novação subjetiva passiva: por delegação ou por expromissão. *Dação pro solvendo: a dação pro solvendo. II) Na novação subjetiva ativa. Vale dizer. regulada nos artigos 356 a 359 pela qual. considera-se criada obrigação nova. CC). o devedor (animado pelo animus solvendi) no bojo da mesma relação jurídica. sugere ao credor realizar prestação diversa da que lhe é devida. o antigo devedor não participa do ato novatório. mesmo após a renegociação ou novação da dívida. na mesma relação jurídica obrigacional o credor aceita receber prestação diversa da que lhe é devida. 358. tendo afirmado ainda. por sua vez. (art. 360. a exemplo da entrega de títulos de crédito emitidos por terceiros. cabendo ao credor aceitar ou não: o consentimento do credor é requisito necessário. também conhecida de “dação por causa ou em função do pagamento” não satisfaz imediatamente o interesse do credor. após uma renegociação ou novação da dívida uma cláusula abusiva for mantida. se.  Vale observar ainda que. a luz do art.893/RS asseverou que a inserção no Refis importa novação. III) ou passiva (art. 4. na mesma linha. é considerada constituída obrigação nova. que este tipo de dação não implica adiantamento da legítima. Na expromissão.117/DF. Resp 629. Intensivo I LFG Página 56 . em sede de HC (HC 20317/SP) a possibilidade de dação de imóvel em pagamento de pensão alimentícia. segundo jurisprudência já consolidada pelo STJ (Ag Rg no Ag 801. o antigo devedor aquiesce participando do ato novatório. Na delegação. com o ingresso do novo devedor. A própria função social do contrato justifica o acerto da jurisprudência do STJ no sentido de permitir a impugnação da cláusula abusiva.Direito Civil – Pablo Stolze b) Subjetiva: A novação subjetiva opera uma mudança de sujeitos na relação obrigacional de maneira a considerar constituída a obrigação nova quando o novo sujeito integra a relação: poderá ser ativa (art. Questões especiais na jurisprudência do STJ envolvendo novação:  O STJ no AgRg nos Edcl no Resp 726. 360. Dação em pagamento: A dação em pagamento é também conhecida como datio in solutum. poderá ser impugnada não se podendo falar em incidência da regra proibitiva do venire contra factum proprium. com o ingresso do novo credor. Na dação em pagamento.

359.00 *Espécies de Compensação: a) Compensação judicial ou processual: é aquela em que o juiz. C. credora e devedora uma da outra. CC. regulada a partir do art. mediante provocação do interessado. 369). Art. independentemente dos requisitos da lei. que permite ao fiador. Caso haja.000. mesmo não sendo parte recíproca na obrigação. R$1. *Requisitos da Compensação Legal (art. na confusão. Intensivo I LFG Página 57 . R$1. Isso porque. opor a compensação contra o credor. se não houver prejuízo a terceiro. 368 do CC é uma forma de extinção da obrigação em que as partes são. resolvendo-se em perdas e danos. 359 do CC. segundo Eduardo Spínola. Nos termos do art. A aliena um carro para B que ao trafegar e ser parado em uma blitz tem sue carro perdido considerando que o bem era furtado e na realidade o carro pertencia a um terceiro. os quais. segundo a autonomia privada. uma mesma pessoa aglutina as qualidades de credor e devedor. opera a compensação de créditos recíprocos entre as próprias partes do processo. Ex. Observe-se que tal requisito é mitigado pela regra do art. determinam ao juiz a sua declaração. independentemente de provocação.00 Não posso confundir a compensação com a confusão P1 P2 (ver apostila).000.Direito Civil – Pablo Stolze *Evicção da coisa dada em pagamento: vale lembrar que ocorrer a evicção quando o adquirente de um bem perde a sua posse e propriedade em virtude de decisão judicial ou ato administrativo que reconhece direito anterior de outrem. 371 do CC. como se sabe. CPC. será restabelecida a obrigação primitiva. b) Compensação legal: trata-se de compensação cujos requisitos estão previstos no Código Civil (art. ao mesmo tempo. uma da outra. as partes devem ser. 5. compensação facultativa: trata-se daquela compensação ajustada pelas próprias partes. por decisão. quando reunidos. credora e devedora. a obrigação primitiva não poderá restabelecer. ao mesmo tempo. Há reciprocidade de crédito e débito. 21. A compensação legal não pode ser declarada de ofício pelo juiz. Compensação: A compensação. CC):  Reciprocidade dos débitos – para que haja compensação. Art. 369. c) Compensação convencional: ou. Evicto é quem perde a coisa em virtude do direito anterior de terceiro (adquirente). caso o credor venha a perder a coisa dada em pagamento por evicção.

ressalvada excepcional situação admitida pelo STJ. 373 do CC: a) Se provier de esbulho. só se pode compensar por força de lei. ressalvadas as importantes exceções previstas no art. 1.: O Ag Rg no Resp 353.Direito Civil – Pablo Stolze F1 $50 – relativo a crédito do devedor contra o credor P2 Devedor (não paga) $50  Liquidez das dívidas – só se podem compensar legalmente. cessão de débito e cessão de contrato. não cabe a compensação se um deve 10 cabeças de gado Nelore e outro deve 10 cabeças de gado Holandês. salário. gado com café. se qualquer dos débitos provier de alimentos. nos termos inclusive do En. lembrando o grande Eduardo Spínola. por exemplo. 374 do CC. fora revogado pela Lei 10. b) Se uma se originar de comodato. Ex. Há possibilidade de movimentação das obrigações. a exemplo do Resp.677/03. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES: O crédito e o débito podem ser cedidos. vale lembrar. Mas. não caberá compensação. depósito ou alimentos.857 do RJ.: Sob influxo do princípio da autonomia privada. Ex. afastar os requisitos da compensação legal. 370. ou dívida vencida com dívida não vencida. 19 da 1ª Jornada de Direito Civil *Hipóteses de Impossibilidade de Compensação: Regra geral. para evitar enriquecimento sem causa.  Vencimento das dívidas – ou seja. * O art. furto ou roubo. Obs. c) Se uma for de coisa não suscetível de penhora. compensando. Cessão de crédito: Intensivo I LFG Página 58 P1 $ 50 Credor . Por conta da dinâmica típica da relação obrigacional (anunciada por Couto e Silva na clássica obra A Obrigação como um processo). 982.  Homogeneidade dos débitos – vale dizer.291/RS assentou a ideia de não poder o Banco apropriar-se automaticamente do salário do cliente como forma de compensação. observe que essa compensação é facultativa. dívidas da mesma natureza. a causa do débito recíproco não interfere na compensação. mediante acordo de vontade. CC). Obs. admitem-se três formas básicas de transmissão obrigacional: cessão de crédito. as dívidas recíprocas devem estar vencidas para haver compensação legal. podem as partes. inclusive no que tange a qualidade da coisa (art. dívidas certas e líquidas. Regra geral.

o devedor poderá opor as suas defesas ao novo credor.000. mas. deverá ser comunicado até mesmo para que surta efeitos em sua esfera jurídica (art. se a isso não opuser:  A natureza do próprio crédito. III – proíbe que o tutor adquira crédito contra o tutelado.Direito Civil – Pablo Stolze Era a única prevista no CC/16. precisará autorizá-la? Na vereda do art. o cedente deverá responder pela existência do crédito que cedeu (cessão pro soluto). O art. CC). 290. na cessão de crédito. 287 do CC estabelece que. Intensivo I LFG Página 59 .  A lei. a regra geral é no sentido de que todo crédito possa ser cedido. A cessão de crédito consiste em um negócio jurídico pelo qual o credor (cedente) transmite total ou parcialmente seu crédito a um terceiro (cessionário) mantendo-se a mesma relação obrigacional com o devedor (cedido). 286 do CC regula a cessão de crédito. que a cláusula proibitiva de cessão. Ex. salvo disposição em contrário. art. em respeito ao princípio da boa fé objetiva. nos termos e nas condições dos artigos 295/297 do CC. em respeito ao dever anexo ou colateral de informação. Ex. alimentos. Questão de prova: O devedor. Até porque. o nosso artigo 294. *Responsabilidade pela Cessão de crédito: O cedente deve garantir o crédito que cedeu? Regra geral.  Cláusula pactuada expressamente pelas próprias partes (pacto de non cedendo) Vale reiterar. 1749. 290. a partir do momento em que toma conhecimento da cessão. para vincular terceiros. 1474 do CC Argentino. estabelece que.00 Credor Terceiro R$1. 286. se também assumir a responsabilidade pelo pagamento do devedor (o que dependerá do seu consentimento) a cessão será pro solvendo. a cessão do crédito abrange todos os seus acessórios. A luz do art. Cessão de débito: É também chamada assunção de dívida. a cessão de crédito aproxima-se do pagamento com sub-rogação convencional. na esteira do art. confundindo-se com este instituto. deverá sempre ser expressa. O art. posto o devedor não precise autorizar a cessão de crédito. derivado da boa fé objetiva. R$900. 2.00 – vencimento dia 04/06/10 Devedor Relembrando a última aula.

299. nos termos do parágrafo único do art. A celebração de um negócio jurídico entre cedente e cessionário. por sua vez. fato este desconhecido pelo credor. Segundo Emílio Betti. a lei autoriza uma cessão de contrato independentemente da Intensivo I LFG Página 60 . Integralidade da cessão (cessão global) 3.Direito Civil – Pablo Stolze A cessão de débito ou assunção de dívida consiste em um negócio jurídico pelo qual o devedor com expresso consentimento do credor. (art. Antunes Varela. um novo sujeito assume integralmente um dos pólos da relação processual. Obs. a cessão de contrato realiza a forma mais completa de substituição de sujeitos na relação obrigacional. Cessão de contrato: Não está prevista no CC. 3. em sua festejada obra dedicada a Teoria das Obrigações. CC). segundo a qual. Observe-se que o silêncio do credor. que a melhor teoria explicativa é a unitária. a anuência da outra parte é requisito necessário para a cessão de contrato. A cessão dá-se de forma global. no bojo da mesma relação obrigacional. Todavia. *Teorias explicativas da Cessão de Contrato: a) Teoria atomística ou fragmentária: Zerlegungskonstruktio – doutrina da decomposição: essa primeira teoria sustenta que a cessão de contrato implicaria uma múltipla cessão de créditos e débitos ao mesmo tempo. b) Teoria Unitária: Autores como Pontes de Miranda. a cessão da posição de um contrato opera-se como um todo. *Requisitos para a cessão do contrato: 1. via de regra.: Como vimos acima. 2. mais abrangente do que a simples cessão de crédito ou de débito operase quando o cedente transfere a sua própria posição contratual a um terceiro (cessionário) com a anuência da outra parte. A parte final do art. 299 é interpretado como uma recusa a cessão de débito. Credor (consente expressamente) Devedor Terceiro Exonera-se. transmite a um terceiro. A cessão de contrato. Silvio Rodrigues sustentam. Anuência expressa da outra parte. excepcionalmente. o seu débito. 299 estabelece que o devedor primitivo poderá reassumir a dívida se o novo devedor for insolvente. uma vez que por meio de um único ato. de maneira uniforme.

caso não haja vencimento certo ou exista previsão legal específica. Resp.397/RJ. Todavia. d) Viabilidade do cumprimento tardio da obrigação Intensivo I LFG Página 61 .150/2003. a despeito da notificação enviada pelo credor. Há prazo certo para pagamento e não sendo efetuado o pagamento. ocorre quando o sujeito passivo retarda culposamente o cumprimento da obrigação. Só haverá mora do devedor se houver fato imputável a ele (art. (A mora. O STJ já pacificou entendimento no sentido de que. dia 15 de abril) a mora opera-se automaticamente.Direito Civil – Pablo Stolze anuência da parte adversa. 783. ** A regra geral.102. Segundo a doutrina de Clóvis Bevilaqua há requisitos da mora do devedor.389/RO. CC).534/GO). segundo o adágio dies interpellat pro homine. opera-se a mora automaticamente. mais comum e conhecida. nesse caso é denominada mora ex re).127/DF) ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------TEORIA DO INADIMPLEMENTO: *Inadimplemento relativo Mora – conceito: ocorre a mora quando o pagamento não é feito no tempo. 1. o credor deverá interpelar o devedor para constituí-lo em mora (mora ex persona). a lei 10. 20. c) Culpa do devedor. 31.180. admitiu a cessão sem anuência da outra parte. Existem basicamente dois tipos de mora: a) Mora do credor / credendi / accipiendi b) Mora do devedor / debendi / solvendi O CC disciplina a matéria a partir do art. b) Vencimento da dívida. Vale acrescentar. segundo a teoria da cessão de contrato é no sentido de que a instituição financeira. nos termos e nas condições de seu art. ou seja.757/CE). 394. a mora na alienação fiduciária deriva automaticamente do vencimento. por meio de contrato de gaveta (Ag Rg no Resp 838. vale lembrar que. quais sejam: a) Existência de uma dívida líquida e certa. especialmente no âmbito do SFH – Sistema de Financiamento Habitacional – deverá anuir quanto a cessão (Resp 1. Resp. No que se refere ao vencimento da dívida. lugar e forma convencionada. é ex re (Ag Rg no Ag 997. a exemplo do art. tendo vencimento certo (ex. Mora do devedor: A mora do devedor. todavia que. 396. §1º da lei 6766/79 (esse tipo de cessão é denominado cessão legal ou imprópria). por exceção.

salvo se a perde se deu não por culpa do devedor ou se ocorreria pelo uso normal que seria feito pelo credor. deverá ser aferida objetivamente. nos termos do caput do art. Se o devedor não puder cumprir a obrigação (não é interesse do credor) restará inexistente a mora. c) Sujeita o credor a receber a cosia pela estimação mais favorável ao devedor se o $ oscilar entre o dia estabelecido para o adimplemento e o da efetiva entrega da coisa. ún. resolvendo-se em perdas e danos. p. Obs. Art. com preço desse dia dia 10 dia 18 $80 $120 $100 Intensivo I LFG Página 62 . ela se impossibilitaria do mesmo jeito. 399. Mora do Credor: O Credor poderá estar em mora quando recusa injustificadamente o recebimento da obrigação. mas em sua defesa o devedor poderá provar que não teve culpa na mora ou que ainda houvesse oportunamente desempenhado a prestação.: O Enunciado 162 da 2ª Jornada dispõe que: “A inutilidade da prestação que autoriza a recusa da prestação pro parte do credor. Art. uma vez que a obrigação estará completamente inadimplida. se viabilidade não houver. (Sinalagma remete a ideia de equilíbrio recíproco entre as prestações. *Efeitos da Mora do devedor: A mora do devedor gera a sua responsabilidade civil pelo prejuízo causado ao credor. Marco fixado efetiva entrega Fredie Pablo Receber dia 10. CC. 395 do CC.Direito Civil – Pablo Stolze Não posso me esquecer de que a mora do devedor pressupõe ainda haver viabilidade no cumprimento tardio da obrigação principal. e não de acordo com o mero interesse subjetivo do credor”. isso porque. de interdependência entre as prestações.400 do CC: a) Subtração do devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa: o devedor se exime da obrigação de conservar a coisa. Existe ainda um segundo efeito que é a responsabilidade pela integridade da coisa devida durante a mora (perpetuatio obligationis). Os efeitos da mora do credor estão previstos no art. A isenção de culpa se dá. Regra geral. por exemplo. b) Obrigação do credor em ressarcir as despesas coma conservação da coisa. Ex. raio que caiu em prédio e a TV era emprestada por um condômino a outro – queimaria do mesmo jeito. consoante o princípio da boafé e a manutenção do sinalagma. se o devedor quis adimplir e não estava o credor em casa. 395. A responsabilidade persiste ainda que pereça a coisa por caso fortuito ou força maior se durante o prazo da mora. CC. significa ter havido descumprimento absoluto da obrigação. o devedor responde pela impossibilidade da prestação ainda que esta resulte de caso fortuito ou força maior.

para cada Sushi deixado no prato será pago o valor de R$1. 408 do CC. 412 do CC> Questões especiais: 1. 3. consiste em um pacto acessório pelo qual as partes fixam. No exemplo. também denominada pena convencional. especialmente para se evitar enriquecimento sem causa. dessa forma. Por princípio.: art. Cláusula Penal A cláusula penal. por exemplo. segundo Washington de Barros Monteiro e Maria Helena Diniz.: Pode acontecer em uma relação obrigacional que credor e devedor estejam em mora? É possível que ocorra a mora de ambas as partes.Direito Civil – Pablo Stolze Será pago o maior valor do dia de mercado existente entre o dia marcado e o dia de efetiva entrega. 410. ler os enunciados 355/359 bem como artigo Intensivo I LFG Página 63 . aluguel de Beca de formatura constando que se não for entregue integralmente deverá ser pago 75% do $ de uma nova. O juiz poderia. Ex. 416 do CC estabelece que se o prejuízo do credor exceder ao previsto na cláusula penal. compensam-se proporcionalmente. seria $120. só será possível indenização suplementar se houver sido convencionada – deve haver previsão contratual expressa. previamente. A função primária da cláusula penal é compensatória e segundo alguns. 1152 do CC da Espanha a execução da cláusula penal compensatória afigura-se como uma alternativa ao credor. Obs. o $ de uma cláusula penal não poderá ultrapassar o $ da obrigação principal – art. havendo mora recíproca. bem como para o caso de total inadimplemento da obrigação principal (cláusula penal compensatória). O art. do credor e devedor. sob pena de multa diária). 2. a indenização devida em caso de mora ou descumprimento de alguma cláusula específica do contrato (cláusula penal moratória). Já a multa tem caráter eminentemente punitivo. Nos termos do art. de ofício.50. CC: O credor pode tanto executar a cláusula penal ou ajuizar ação específica (exigir devolução da coisa. É bom que se diga ainda que a cláusula penal é regulada a partir do art. o Enunciado 356 da 4ª Jornada estabelece a possibilidade de o juiz reduzir. Se o prejuízo do credor for superior ao valor da cláusula penal é cabível a indenização complementar? O parágrafo único do art. uma vez que ele pode optar em exigir o específico cumprimento da obrigação principal. a função secundária. 413 do CC admite hipótese de redução da cláusula penal equitativa feita pelo juiz se a obrigação tiver sido parcialmente satisfeita ou se o valor for manifestamente excessivo. Ex. na linha do art. reduzir o valor da cláusula penal? Sob o influxo do princípio da função social do contrato. Obs. 410. intimidatória (Cristiano Chaves e Orlando Gomes). de ofício o $ da cláusula penal (em casa.

Para restar configurada a responsabilidade civil necessário se faz que haja norma jurídica anterior prevendo o comportamento danoso e a consequente obrigação de indenizar. negligência ou imprudência. a responsabilidade civil pode ser de duas espécies: a) Contratual – quando a norma agredida tiver natureza negocial – arts. deriva da transgressão de uma norma civil pré-existente. Conceito: a responsabilidade civil. conforme a sua clássica obra “Da Responsabilidade Civil”. processual. etc. Sistema Positivo de Responsabilidade Civil: A despeito de o Código Civil não conter tipos especiais como no direito penal. a luz do caso concreto. REsp. uma vez que a responsabilidade jurídica abrange a responsabilidade civil. 187 e 927 do CC.Direito Civil – Pablo Stolze jurídico a respeito do reconhecimento de ofício de cláusula abusiva em contrato bancário). todavia.: Durante anos. b) Extracontratual ou aquiliana – quando a norma agredida tiver natureza legal – arts.” Intensivo I LFG Página 64 . ainda que exclusivamente moral. todos do CC. nesse ponto. um sistema normativo de responsabilidade calcado em três artigos fundamentais: art. “Art. 389 e ss e 395 e ss. 4. 186/187 e 927. No direito civil não há tipificação como ocorre no código penal. CC. consagrou. comete ato ilícito. 435. RESPONSABILIDADE CIVIL Segundo José de Aguiar Dias. espécie de responsabilidade jurídica. A cláusula penal que preveja a perda de todas as prestações pagas ou cheques emitidos é abusiva? O STJ. contratos anteriores ao CDC são mais facilmente mantidos em havendo esse tipo de previsão. todavia. 186. esse tipo de cláusula. violar direito e causar dano a outrem. penal. tributária. Aquele que. toda manifestação humana traz em si o problema da responsabilidade. A responsabilidade civil pressupõe a violação de uma norma civil anterior. A responsabilidade civil é uma espécie de responsabilidade jurídica. havendo apenas a norma genérica dispondo acerca da responsabilidade civil. 186. estabeleceu o divisor de águas ao permitir a aplicação do CDC em face de contratos celebrados após a sua vigência com o fito de impugnar. Na linha de pensamento de autores como Miguel Fenech e Aguiar Dias podemos concluir que a diferença está basicamente na carga sancionatória estatal e na tipicidade exigida para a responsabilidade penal. impondo-se ao causador do dano a consequente obrigação de indenizar. e a depender da natureza dessa norma violada. A responsabilidade civil não esgota a responsabilidade jurídica. Obs. por ação ou omissão voluntária.608/PR. a doutrina se digladiou tentando cunhar a diferença entre ilícito civil e ilícito penal.

Método) consagrou uma ilicitude objetiva uma vez que para a aferição do abuso. b) Nexo de causalidade. ao lado desta ilicitude. por sua natureza. risco para os direitos de outrem. em nosso direito convivem dois tipos de responsabilidade: subjetiva e objetiva. causador do resultado danoso. uma vez que. 927. Assim. como sabemos. Intensivo I LFG Página 65 . pela boa fé ou pelos bons costumes). mas não há responsabilidade sem efetivo prejuízo. Em verdade. senão a própria finalidade do agente (se ultrapassou ou não os limites ditados pelo fim social ou econômico. nos casos especificados em lei. O que pode haver é a responsabilidade sem a necessidade de prova do dano em juízo. 187. Parágrafo único. o art. há também o reconhecimento da ilicitude objetiva (art. causar dano a outrem. 186 do CC ao definir o ato ilícito. O art. Obs. na linha de pensamento de Rafael Boulos (Abuso de Direito no Código Civil – Ed. 187 e 927). não se analisa culpa ou dolo. Todavia. tal sistema visa a coibir comportamentos danosos. Também comete ato ilícito o titular de um direito que. independentemente de culpa.Direito Civil – Pablo Stolze “Art. Se faltar voluntariedade ou consciência. pela boa-fé ou pelos bons costumes. 186 consagra uma ilicitude subjetiva (baseada na culpa ou no dolo). O mero aborrecimento não se indeniza. consagra uma regra geral de responsabilidade civil complementada pelos artigos 187 (que define o abuso de direito) e 927 do CC. base da responsabilidade do Código Civil da França (arts.: A Culpa. Art. a) Conduta humana: Houve um tempo em que os animais eram responsabilizados. O critério utilizado não foi subjetivo de culpa ou dolo. 187. Aquele que. o que não ocorre mais. existe responsabilidade civil sem análise da culpa. c) Dano ou prejuízo = não há o que se falar em responsabilidade civil sem dano. O art. traduz um comportamento humano positivo ou negativo voluntário e consciente. fica obrigado a repará-lo. primeiro elemento da responsabilidade civil. por ato ilícito (arts. ao exercê-lo. 186 do CC é subjetiva. 1383 e 1383) e também do Código Civil de 1916. em atenção ao princípio no neminem laedere (segundo o qual. 187 prevê hipótese de responsabilidade objetiva já que ao prever o abuso de direito nada menciona acerca da culpa ou do dolo. A ilicitude prevista no art. não se poderá haver responsabilização. 186 e 187). mas finalístico ou teleológico. Elementos da Responsabilidade Civil: a) Conduta humana. Haverá obrigação de reparar o dano. conduta humana não haverá. não é um elemento obrigatório da responsabilidade civil. Obs. a ninguém é dado causar prejuízo a outrem. razão pela qual. A conduta humana. se não houver. exigindo o elemento volitivo. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. O art. excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social.

Paulo Lobo). autorizado pela lei e que gera responsabilidade para o Estado. mas ao exercê-lo acarreta um dano. não haveria diferença entre os antecedentes de um resultado danoso: tudo aquilo que concorresse para o resultado. a compra de uma arma não é a causa mais Intensivo I LFG Página 66 . Para esta segunda teoria. poderá haver responsabilidade civil derivada de um ato lícito (tese sustentada por diversos autores a exemplo de Garcez Neto. seria considerado causa. Desapropriação – trata-se de ato lícito. de modo que uma das partes o perca o acesso a via pública. mas somente aquela hábil a produzir o resultado. Obs. adotada por grande parte dos penalistas é mitigada pela teoria da imputação objetiva. aquele que vendeu a arma e assim por diante. se há coação física há exclusão da conduta. Essa conduta humana pode ser positiva (ação) ou negativa (omissão). Teoria da Equivalência de Condições ou da Conditio sine qua non: foi desenvolvida por um jurista alemão chamado Von Buri. cujo rumo será judicialmente fixado. Cavalieri Filho diz que. 186 não é regra absoluta. pode. considerando que poderia se regressar ao infinito. Ex. CC – passagem forçada (direito de vizinhança) “Art. Mas essa teoria é criticada. art. Sob o prisma do direito penal. Para esta teoria. depois. É necessário lembrar ainda que pode haver responsabilidade civil decorrente de ato lícito. o proprietário da outra deve tolerar a passagem. se necessário.” O proprietário tem o direito de passagem forçada. § 1 Sofrerá o constrangimento o vizinho cujo imóvel mais o natural e facilmente se prestar à passagem. nascente ou porto. constranger o vizinho a lhe dar o passagem. Windscheid. § 2 Se ocorrer alienação parcial do prédio. excepcionalmente – o art. seja apto ou idôneo a determinar o resultado danoso. mediante pagamento de indenização cabal. foi criada a teoria da imputação objetiva. a dar uma outra. segundo um juízo abstrato de probabilidade. também requisito da responsabilidade civil. Essa teoria não é seletiva. Essa teoria. Teorias explicativas do nexo de causalidade: 1. chegando-se a “Adão e Eva”.285. Teoria da Causalidade Adequada: foi desenvolvida pelo filósofo Von Kries. 1. deve indenizar. Ex. antes da alienação. causa é apenas o antecedente que. traduz o liame ou vínculo jurídico necessário que une o agente ao resultado danoso. existia passagem através de imóvel vizinho. segundo um juízo de experiência de vida. não estando o proprietário deste constrangido. Causa não é qualquer condição anterior. a fábrica de armas seria causa. para aqueles que acreditam.Direito Civil – Pablo Stolze Ex. b) Nexo de Causalidade: Conceito: o nexo de causalidade. e em virtude deste. § 3 Aplica-se o disposto no parágrafo antecedente ainda quando. Ex. 2. nascente ou porto. Excepcionalmente. 1285. em um homicídio com arma de fogo. causa para a teoria da Causalidade Adequada. é aquela que for mais apropriada a determinar o resultado. O dono do prédio que não tiver acesso a via pública. ela não seleciona condições.

sem prejuízo do disposto na lei processual”. a causa mais apropriada para causar o resultado morte. causa é o antecedente que determina o resultado danoso. é necessário que haja interesse tutelado pelo direito violado. patrimonial ou moral. Por outro lado. nem todo dano gera responsabilidade civil. Para esta terceira teoria. é pois. as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato. entende que o Código Civil adotou a teoria da causalidade adequada. o que encontra reforço inclusive. razão pela qual defendem ter sido esta a teoria adotada pelo Código Civil em seu artigo 403. Ex. Gustavo Tepedino. ardoroso defensor dessa terceira teoria (RTDC – Revista Trimestral de Direito Civil. Nem todo dano é indenizável. 403 do CC. É feita a análise abstrata quanto às causas aptas a produção do resultado. ano 2. por si só não gera dano algum. “Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor.Direito Civil – Pablo Stolze apropriada para causar a morte de alguém.6/01). deflagrar os tiros. no REsp 686. uma pessoa que estava Intensivo I LFG Página 67 . A indenização decorrente da responsabilidade civil deve decorrer direta e imediatamente da conduta danosa. Teoria da causalidade direta e imediata: especialmente desenvolvida no Brasil pelo prof. esta matéria está longe de ser pacífica. Em nosso pensar. se une ao resultado danoso. Agostinho Alvim. Conceito: dano traduz a lesão a um interesse jurídico tutelado. Essa teoria é amplamente defendida por Gustavo Tepedino em um artigo sobre Responsabilidade Civil. todavia. Violação de um interesse jurídico: para que haja dano. Essa teoria é adotada no Direito Argentino. a teoria adotada foi a da causalidade direta e imediata. bem como o é Carlos Roberto Gonçalves. Se o dano já foi reparado.: Todavia. mais objetiva do que as anteriores. 3. não há o que indenizar. afirmando que muitas vezes são confundidas as teorias da causalidade adequada e da causalidade direta. v. direto e imediato. ou seja. é sim. Grande parte da doutrina a exemplo de Cavalieri Filho e Romualdo dos Santos. Assim. 2. O que será analisado é se houve imediatidade entre o evento anterior e o resultado danoso. causa é apenas o comportamento segundo um vínculo necessário. o término de um namoro. Obs. c) Dano ou prejuízo Nem todo dano é indenizável. um dia antes do casamento.208/RJ e no Noticiário Especial do STJ de 04 de maio de 2010. A subsistência do prejuízo: tal requisito é lembrado por Maria Helena Diniz. Ex. Requisitos do dano indenizável: 1. a despeito da dicção do art. como consequência sua direta e imediata.

ligada à vítima direta da atuação ilícita. uma atingida diretamente. O filho. Quanto ao dano moral. e outra atingida reflexamente. mas um atenuado. Pedro não foi atingido pelo tiro. 3. perdeu a chance de poder acertar. a perda de uma chance pode ser indenizável por afastar uma legítima expectativa de favorecimento ao lesado. uma pessoa jurídica tem um título indevidamente protestado – a pessoa jurídica sofre um dano. ver a obra do prof. Certeza do dano: só podem ser indenizados danos certos. duas vítimas. Mas o bolo é consertado. No dano reflexo têm-se. cabível a indenização. Não se indenizam meras hipóteses de dano. ou que perde prazo de contestação em matéria favorável ao seu cliente. Sérgio Novaes Ed. Segundo o professor Fernando Gaburri. Obs.459/BA em que se reconheceu a perda de uma chance por impropriedade de pergunta formulada em programa de televisão = dentre as alternativas não havia resposta certa. Ex. pois. LTR). Não se pode indenizar danos abstratos.: Mitiga esse terceiro requisito a Teoria Francesa “Da perda de uma chance”. Exemplos no Direito Brasileiro: o advogado que não prepara um recuso julgado deserto. não existe. Não há dano material algum a ser reparado. mas é sim. mas ninguém contraria o fato de que tenha sofrido dano de forma reflexa já que o filho está umbilicalmente ligado ao pai. Nesse caso. fatalmente. mas pode ser que o sócio tenha sofrido dano em virtude desse título indevidamente protestado ao tentar financiar um bem o que lhe foi negado em razão do referido protesto. e apesar de que não se sabe se. a certeza do dano. mas se reconhece nele um nexo causal. pelo que houve indenização. caso em que a mesma vítima sofre uma cadeia de prejuízos. Questões especiais envolvendo o dano: a) O que se entende por dano reflexo ou em ricochete? Essa ideia mitiga um pouco a questão do nexo causal. * Na Jurisprudência do STJ merece especial referência o REsp 788. Mas João tem um filho de oito anos de idade. Não se pode indenizar mero aborrecimento. ainda que reflexas. Exemplo: Pablo comprou um cavalo manga Intensivo I LFG Página 68 . é outra questão. Ex. não aquele direto. criminoso deflagrou um tiro que atingiu a vítima João. pelo que não há o que indenizar. (sobre a perda de uma chance e a atividade do advogado. Se houve mero dissabor. neste caso. não podem ficar ao léu.Direito Civil – Pablo Stolze passando quebra o bolo. Ocorre nos casos em que se retira da vítima a provável oportunidade de melhorar a sua situação atual. Giselda Hironaka tem uma tese que diz que as vítimas. Devo tomar cuidado para não confundir este dano reflexo (em que há uma vítima primária e outra secundária) com o que alguns autores chamam de danos indiretos (Fernando Gaburri). Obs. Conceito: dano reflexo é aquele que atinge a vítima indireta. a indenização a ser paga não é a igual aquela obtida caso fosse certo o dano. Pedro. o participante saberia eventual resposta.

mas ao chegar na Fazenda restou detectado que o cavalo estava doente – além do prejuízo relativo ao valor do cavalo. §6º. já que. 37. Responsabilidade Civil objetiva em atividade de risco: O desenvolvimento tecnológico típico do Século XX.766/PR e REsp 357. Ex. considerando que o CC/1916 não consagrava tal responsabilidade. tem entendido grande parte da jurisprudência que. STJ. 2. Origem histórica da responsabilidade objetiva no Brasil A primeira lei brasileira a tratar do tema foi o famoso decreto 2681/1912 que tratava da responsabilidade objetiva das estradas de ferro – companhias ferroviárias.404/RJ). descaso e negligência da empresa seguradora em autorizar uma cirurgia. CF – responsabilidade objetiva do Estado em virtude de ato comissivo. Diz-se que a responsabilidade objetiva no Brasil entrou “pela janela”.Direito Civil – Pablo Stolze larga. “Cabe ao órgão mantenedor de cadastro de proteção ao crédito a notificação do devedor antes de proceder à inscrição”. Súm. 1. o afastamento da noção da culpa como premissa única da responsabilidade. pela gravidade da situação resta presumido. 359. b) O que se entende por dano in re ipsa? Esta expressão remete-nos a ideia do dano que pela sua gravidade ou reiteração. Ex. in re ipsa. paulatinamente. ficando a vítima durante seis horas sentido dores – o dano moral não precisa ser comprovado em juízo. em face do reconhecimento do risco como justificativa para uma responsabilidade tão somente objetiva. Pablo sofreu o dano relativo ao fato de terem sido infectados os demais animais ali presentes. Responsabilidade Objetiva no Novo Código Civil: Intensivo I LFG Página 69 . dano moral – transcrição indevida em cadastro de proteção ao crédito – o dano moral é de prova presumida. Exemplos de leis especiais que consagraram a responsabilidade objetiva:  Lei 6194/1974 – DPVAT – Essa lei consagrou a responsabilidade civil objetiva  CDC  Normas de responsabilidade do Estado – art. consolidando a visão profética do sociólogo Durkhein no sentido do crescente aumento da complexidade das relações sociais determinou. O dano in re ipsa é aquele que por sua gravidade ou reiteração não mais exige prova em juízo. já que o CC/16 não consagrava a responsabilidade objetiva no Brasil. ou seja. não sendo necessária prova efetiva do dano. dispensa prova em juízo (ver REsp 775. O dano é também considerado in re ipsa quando é muito gravoso. o dano também será presumido. Não sendo comunicado previamente. De lá para cá várias leis especiais trataram da responsabilidade civil objetiva.

não é toda atividade de risco que gera a responsabilidade objetiva. Ex. Além disso. habitualmente exercida. taxista – sua atividade enseja a responsabilidade objetiva? Usando o CDC seria possível enquadrar na responsabilidade objetiva quanto ao passageiro. b) Quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. Empresa Mineradora usa estrada para escoamento de seu produto. risco para os direitos de outrem. é preciso que se tenha cuidado hermenêutico redobrado. Assim. Ex. O art. Mas também com base no CC seria possível enquadrar o taxista na responsabilidade objetiva considerando que a atividade desenvolvida é habitual. Lembra-nos o jurista Roger Aguiar. diferentemente do de 1916 (acentuadamente subjetivista). sob pena de se encartar todo e qualquer comportamento em atividade de risco. Intensivo I LFG Página 70 . remetendo-se aos artigos 186 e 187 do CC. independentemente de culpa. quando a atividade desempenhada for reiterada. Para que seja o agente responsabilizado objetivamente a atividade por ele desenvolvida deve ser habitual e objetivar a obtenção de lucro. com base no pensamento de Alvino Lima (Da Culpa ao Risco). nos casos especificados em lei. Parágrafo único. fica obrigado a repará-lo. CC: “Aquele que. O art. 927. Haverá atividade de risco. e ao realizar sua atividade habitual. em sua bela obra “Responsabilidade Civil Objetiva”. visa lucro e tem potencialidade danosa. concluímos que o autor do dano realiza a atividade de risco visando a obtenção de determinado proveito. 186 do CC ao definir ato ilícito consagrou hipótese de ilicitude subjetiva. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. causar dano a outrem. é objetiva considerando que a atividade normalmente desenvolvida por si só gera risco. Assim. por sua natureza. risco para os direitos de outrem”. Já o artigo 187 do CC que define o abuso de direito refere-se a ilicitude objetiva. por ato ilícito (arts. 927 do CC deixa claro que foi adotada a responsabilidade civil objetiva (que independe de culpa) e também a responsabilidade subjetiva (que depende de culpa). afirmando que haverá responsabilidade objetiva: a) Nos casos especificados em leis especiais. ou algum proveito. por sua natureza. portanto. nesse caso. 927 do CC aglutina as duas ideias. 937. Mas não é qualquer tipo de atividade de risco que enseja a responsabilidade objetiva. que a atividade que justifica a responsabilidade objetiva traduz uma ação reiterada. 186 e 187). Art. Haverá obrigação de reparar o dano. consagrou as duas formas de responsabilidade (subjetiva e objetiva). expondo a vítima a uma probabilidade de dano maior do que a outras pessoas da comunidade. conforme podemos ver em seu art.Direito Civil – Pablo Stolze O Código Civil de 2002. o caminhão toma sobre uma casa na estrada – a responsabilidade. habitual e normalmente desenvolvida. logo da leitura de tais artigos percebe-se que foram consagradas ambas as espécies de responsabilidades – objetiva e subjetiva. O art. com potencialidade danosa maior para a vítima em relação as outras pessoas. Aqui. É muito difícil se ter atividade desenvolvida sem que haja risco possível.

Causas excludentes da Responsabilidade Civil 1. assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram. Estrito cumprimento do dever legal: Intensivo I LFG Página 71 . valorizando mais a vítima do que o réu. I. II . No caso do inciso II do art. Parágrafo único. não forem culpados do perigo. independentemente da culpabilidade do réu ou do risco da atividade desenvolvida. Art. cabendo ação regressiva contra o verdadeiro culpado. Art.a deterioração ou destruição da coisa alheia. “Art. ao realizar a atividade atingiu terceiro inocente. atuando em estado de necessidade ou legítima defesa. contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver ressarcido ao lesado. 2. 929. Em seu pensar. sobretudo processual. o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário. 188. Estado de Necessidade e Legítima Defesa: Como se sabe. Mas nessa teoria. Não constituem atos ilícitos: I . no caso do inciso II do art. vê uma criança no meio da via. 188.s 929/930 que. O sistema jurídico brasileiro. os pais da criança que a deixaram sozinha no local.1. dolo. perderia importância a tradicional distinção entre responsabilidade subjetiva e subjetiva. cria todos os mecanismos de facilitação da situação do réu. deve ser indenizada. e ao desviar dela bate em uma casa. Se a pessoa lesada. e a autora. 930. ao analisar a situação diz que se deve preocupar mais com a vítima do que com o réu. se a vítima sofreu um dano INJUSTO. se um agente ao trafegar. sem perquirir a existência de culpa.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. Obs. deteriorando o patrimônio alheio. se o agente atingir um terceiro inocente deverá indenizá-lo. nos termos dos art. No caso do inciso II. deve indenizar o terceiro. 188. primeira parte e II do CC). Se há dano INJUSTO (antijurídico. cabendo ação regressiva contra aqueles responsáveis – no caso. ou o dono da coisa. a legítima defesa e o estado de necessidade isentam a ilicitude. 188. se o perigo ocorrer por culpa de terceiro.os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido.” Ex. inciso I). Giselda afirma que. indeniza-se a vítima. Para se responsabilizar alguém devem ser construídos os elementos da responsabilidade. o Estado de Necessidade e a Legítima Defesa (art. uma vez que toda vítima merece ser indenizada por um dano injusto que sofreu. Parágrafo único. ou a lesão a pessoa. esta doutrina reformula as bases da responsabilidade civil em respeito a dignidade da pessoa humana. a fim de remover perigo iminente. não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. contrário ao direito).” De regra.: Vale lembrar. ainda que tenha atuado em estado de necessidade. ou risco da atividade. 188. afastam também a responsabilidade civil. Estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito 2. ao excluírem a ilicitude da conduta. “Art. Haveria um fundamento geral de responsabilidade além da concepção de culpa e da concepção de risco.: O que se entende por responsabilidade pressuposta? Fruto da tese de livre docência da professora Giselda Hironaka. A mesma ação competirá contra aquele em defesa de quem se causou o dano (art. 188.

entendemos que a força maior é o acontecimento inevitável. Álvaro Villaça).: * O Código Civil Brasileiro. O STJ não acatou a tese do exercício regular do direito no REsp 164.Direito Civil – Pablo Stolze Também quem atua no estrito cumprimento de um dever legal.: o STJ em julgado de 13 de abril de 2010 assentou que a instituição financeira que presta informação sigilosa à Receita Federal atua em estrito cumprimento do dever legal (REsp. Arriscamos dizer ter sido esta a razão de o Código Civil apenas regular expressamente o referido exercício regular de direito. do CC também exclui a responsabilidade civil. está isento de responsabilidade civil. segunda parte. Obs. Caso Fortuito e Força Maior Em doutrina. porta giratória em banco. O grande Frederico Marques observa que a noção de estrito cumprimento do dever legal está compreendida na ideia de exercício regular do direito. e esta cai da janela – suspeita de suicídio = foi considerada a abusiva a conduta dos empregadores ao tolherem a liberdade da empregada em face da suspeita de furto praticado pela mesma. composições antagônicas (Maria Helena Diniz. 622. em regra. a teor do art. policial que realiza busca e apreensão.: O STJ já pacificou entendimento de que a apresentação de notícia crime. uma vez que o autor atua no exercício regular de direito (AgRg no Ag 1. 393 adotou posição de neutralidade ao referir caso fortuito ou força maior simplesmente como um “fato necessário”. Quem atua no exercício regular do direito atua em contramão do abuso de direito. ainda que previsível (ex. 2. desde que não haja excesso.872/RJ). 188. não sendo admitido o exercício regular do direito.030. Na mesma linha. Obs. Observe-se que em geral os exemplos envolvendo o estrito cumprimento do dever legal envolvem agentes públicos. e portanto. 3. Ex.2. havendo ainda quem refira haver uma sinonímia (Sílvio Rodrigues). corretamente.391/RJ. por sua vez. guarda-volumes de supermercado. já decidiu o STJ que o mero ajuizamento de ação judicial não gera dano moral. é o acontecimento marcado pela imprevisibilidade (ex. reconhecendo ter havido excesso – empregada doméstica suspeita de furto é trancada no apartamento. Ex.365/RJ). Intensivo I LFG Página 72 . traduz exercício regular de um direito (Edcl no REsp 914. Exercício regular do direito: O exercício regular de direito. existe acesa polêmica a respeito da diferença entre caso fortuito e força maior.336/RS). Obs. I. não sujeita o denunciante a responsabilidade de indenizar material ou moralmente pelos danos sofridos pelo acusado. em seu parágrafo único do art. De nossa parte. sequestro relâmpago). oficial de justiça que cumpre mandado de imissão na posse. bombeiro que arromba uma porta para salvar pessoas. e o caso fortuito. um terremoto).

Parágrafo único. se expressamente não se houver por eles responsabilizado. nesse caso. costuma a doutrina diferenciar fortuito externo de fortuito interno (Cavalieri Filho. Obs. efeitos não era possível evitar ou impedir. É questão de segurança pública. não exime a empresa da indenização. Ex. Intensivo I LFG Página 73 . se um motorista sofre uma síncope na direção e causa um acidente – apesar de ninguém ter culpa. Ex. em situações especiais. O STJ não pensa assim e Pablo tem suas dúvidas acerca desta posição uma vez que a empresa não tem autonomia para cancelar a linha. O fortuito interno é aquele que integra o próprio processo de elaboração do produto ou execução do serviço. caso o condutor esteja desenvolvendo velocidade compatível com a pista e há passarela ou faixa de pedestres. É bem verdade que alguns tribunais inferiores. A jurisprudência entende que. Posição como esta também é encontrada no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. mas também no próprio Direito Administrativo e do Consumidor. poderá excluir o nexo jurídico de causalidade. estes não poderiam trafegar pela via de trânsito rápido. empresa fabricante do celular – houve abalo de proporções leves durante a fabricação do produto que influenciou o produto. a regra é que não haja indenização nas situações de caso fortuito ou força maior. O fortuito externo. cujos Assim. A culpa exclusiva da vítima é uma das principais causas de exclusão da responsabilidade. Esse fortuito externo rompe o nexo causal pelo que não há o que se falar em indenização. não só no Direito Civil. 393.259/MG . Ex. isentando o réu da responsabilidade civil.” Fortuito externo X Fortuito interno: Especialmente no âmbito do direito do consumidor. desde que devidamente comprovada. por sua vez. na mesma linha. Carlos Roberto Gonçalves). O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior.: O STJ já consolidou o entendimento de que a assalto em coletivo é fortuito externo e isenta a empresa de responsabilidade civil.761-8/TJRO). se o avião não pode embarcar em virtude de situações climáticas.Direito Civil – Pablo Stolze “Art. tornando-o potencialmente lesivo. A seguradora é exceção que prevê indenização do segurado ainda que haja caso fortuito ou força maior. havendo um atropelamento. restará configurada a culpa exclusiva da vítima. têm entendido haver previsibilidade e consequente responsabilidade da empresa viária (Apelação Cível 0. não eximindo a responsabilidade civil do réu. 4. por se alheio ou exógeno à própria atividade do réu. Culpa exclusiva da vítima: A culpa exclusiva da vítima. (AgRg no Resp 620. Da mesma forma.”).“O assalto configura causa de excludente de responsabilidade de empresa transportadora por tratarse de fato de terceiro inteiramente estranho à atividade de transporte – fortuito externo.2001. em caso de assalto constante. já que deveria ter analisado quando do controle de qualidade. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário. O fortuito. poderá isentá-lo da responsabilidade civil. o agente trafega na BR local em que existe passarela e as pessoas transitam pela BR – oportunidade em que ocorre um atropelamento – há culpa exclusiva da vítima. pelo que. é interno e ocorreu dentro da fabricação do produto o que não isenta a responsabilidade civil do réu.

444/SP). que deverá assumir a responsabilidade civil. Intensivo I LFG Página 74 . em caso de engavetamento. Assim. A responsabilidade deve ser imputada àquele que colocou as balas na arma. Resp. um tabelamento prévio na lei. Obs. portanto. muito comum na jurisprudência. confronto com a do autor do dano”. 5. CC – “Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso. a sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em Havendo culpa concorrente. Engavetamento no trânsito – o carro do meio é lançado em virtude de ser atingido por outro. é correto o entendimento segundo o qual o veículo atingido e involuntariamente lançado contra outrem não justifica a responsabilidade do seu condutor que alegará em sua defesa fato de terceiro (em face da pessoa que o atingiu). pois atua como um simples projétil ou um corpo neutro (Nesse sentido. já que tal hipótese ocorre nos casos de legítima defesa e estado de necessidade. Em razão de ser conduta voluntária. 945. não havendo. e deflagrados tiros. a indenização será reduzida em percentual a ser fixado pelo juiz. e atinge um terceiro. Teoria do Corpo Neutro: Ex. em doutrina.: Não posso confundir a culpa exclusiva (causa de exclusão de responsabilidade) com a culpa concorrente da vítima que apenas reduz a indenização devida (art. 54. faleceu um ator. O carro foi involuntariamente lançado e a defesa será a do fato de terceiro. Fato de Terceiro O fato de terceiro traduz o comportamento causal do verdadeiro agente físico e jurídico do dano. trata-se de estado de necessidade. O Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento (Súmula 187 – “A responsabilidade contratual pelo acidente com passageiro não é elidida por culpa de terceiro contra a qual tem ação regressiva” ) no sentido de que por ACIDENTE COM PASSAGEIRO a responsabilidade do transportador não pode ser afastada por fato de terceiro. Teoria do Corpo Neutro (tradução do fato de terceiro). acidente do avião da empresa Gol com o Jato da Infraero – a Gol deve indenizar as famílias da vítima com ação regressiva contra a Infraero. situações em que as condutas são voluntárias. A redução indenizatória é feita pelo juiz. caso na filmagem do filme O Corvo em que foram colocadas balas e ao ser filmada a cena. para a qual o veículo atingido e lançado à frente é isento de responsabilidade. Costuma-se também denominar. No caso do engavetamento não pode ser responsável o carro que sofre o abalroamento não pode ser responsabilidade considerando que também foi vítima da atuação causal. sequer se faz necessário que o que foi abalroado indenize o dano e mova ação de regresso. A lei não dispõe qual é o percentual a ser reduzido. Ex. a “Teoria do Corpo Neutro”. a despeito de existir controvérsia (RT 437/127).Direito Civil – Pablo Stolze A culpa exclusiva da vítima também resta configurada no caso em que nos fios de eletrodomésticos consta aviso em “caixa alta” avisando não ser possível ligar o aparelho em 220wolts e assim atua a vítima. ou como querem alguns. Na hipótese de tentar desviar. Ex.

492 (“A empresa locadora de veículos responde. considerando que o dano moral é incerto e não poderia ser fixado pelo juiz. d) Vale lembrar também. com o locatário. O recibo de entrega do documento de transferência isenta o alienante da responsabilidade ainda que a transferência não seja efetivada no Detran. não era admitido. haver o STJ entendido que “quem permite que terceiro conduza o seu veículo é responsável solidariamente pelo dano causado” (Resp. v.Histórico: Como se sabe. e a norma legal nada dizer a respeito. (AgRg no Resp 1.são invioláveis a intimidade. a despeito de não haver proibição no CC 16 a reparação autônoma do dano moral em nível jurídico só ocorreu após a Constituição Federal de 1988 (art. o STJ tem entendido haver solidariedade entre o alienante e o novo proprietário. 5º. b) No caso de infrações administrativas. A RESPONSABILIDADE CIVIL. além da indenização por dano material. Tradicionalmente. civil e solidariamente. Como bem observa Yussef Said Cahali em sua clássica obra Dano Moral. V e X: “ é assegurado o direito de resposta. pelos danos por este causados a terceiros. X . não obstante a solidariedade não ser presumida. oportunidade em que é transferida eventual responsabilidade. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. nº1). POR CONTA DA TRADIÇÃO OPERADA. não se admitia a reparação jurídica do dano moral. moral ou à imagem.11. proporcional ao agravo.024.”) Intensivo I LFG Página 75 . considerando que é feita anotação no documento do veículo. No momento em que o carro é entregue a concessionária opera-se a tradição. É cauteloso que. É DO NOVO PROPRIETÁRIO E NÃO DO ANTIGO. Entendiase que conceder ao juiz a possibilidade de fixar valor de dano moral era dar muito poder aquele. No início do século XX raríssimos julgados admitiam a tese (a exemplo do acórdão do STF de 13 de dezembro de 1913. no uso do carro locado”) estabeleceu que a empresa locadora de veículos é solidariamente responsável com o locatário por dano causado a terceiro. em caso de ausência de registro no Detran. É surpreendente.632/RS) “Alienado o veículo sem que se faça o registro ou ao menos a comunicação da transferência. 343. mas é verdade. na Súm. permanecem solidários o alienante e o novo proprietário. trata-se de entendimento jurisprudencial sumulado.Direito Civil – Pablo Stolze Questões especiais envolvendo veículo: a) Nos termos da Súmula 132 do STJ EM CASO DE ACIDENTE QUE ENVOLVA VEÍCULO ALIENADO CUJA TRANFERÊNCIA NÃO HOUVESSE SIDO FEITA AINDA NO DETRAN. a honra e a imagem das pessoas.649/MG) Dano Moral 1. Observese que. a vida privada. disponível na RT ano 3. segundo Pedro Lessa somente começou a admitir a tese da reparação do dano moral com juízes mais modernos. A jurisprudência brasileira. o agente comunique tal fato no Detran resguardandose.” c) O STF. em um primeiro momento na história de nosso direito.

: Vale lembrar que o tema “Dano Moral e Pessoa jurídica” fora visto em parte geral. existem dois sistemas básicos: a) Sistema livre ou aberto .: O próprio STJ já teve oportunidade de reconhecer a inconstitucionalidade do tarifamento legal existente na vetusta Lei de Imprensa. bem como o PLS114/2008). assim como ocorre na França faz referência expressa a autonomia do dano moral. Esta segunda função punitiva. É por isso que é também conhecido como dano extrapatrimonial (não atinge patrimônio. 860. Nessa linha de entendimento. Tal sistema pretende o tabelamento da indenização devida por dano moral na própria lei (ver. “Art. a teor da súmula 362 do STJ que “A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a data do arbitramento” b) Sistema do Tarifamento Legal: é sistema diverso de quantificação do dano moral. na linha da Constituição Federal. fixar o valor indenizatório devido. PL 7.: Vale lembrar. a doutrina brasileira (Salomão Resedá . ainda que exclusivamente moral. Ronaldo Andrade e amplamente consagrado em nossa jurisprudência: segundo este sistema. Doutrinariamente. 186. Intensivo I LFG Página 76 . na sentença.124/2002.” O Brasil. Obs.Direito Civil – Pablo Stolze O CC 2002 em seu artigo 186. teoricamente é traduzida no que se convencionou chamar Teoria do Desestímulo. por ação ou omissão voluntária. violar direito e causar dano a outrem. Natureza Jurídica da reparação por dano moral: Atualmente. caberá ao juiz. tem reconhecido também. com reflexos em alguns julgados da jurisprudência do STJ (Resp. portanto. seria inconstitucional o arbitramento legal Obs. a função pedagógica ou de desestímulo em face do próprio réu. a respeito da quantificação. no material de apoio. Obs. oriunda do instituto do “punitive damages” do Direito Norte-americano. direito da personalidade). Súmula 281. 3.A Função Social do Dano Moral).764/RJ). ao definir o ato ilícito faz expressa menção ao dano moral. comete ato ilícito. 2. negligência ou imprudência. mas sim. Resp 910. Quantificação do dano moral: Esse é um dos grandes problemas acerca do moral.defendido por autores como Carlos Alberto Bittar. STJ “A indenização por dano moral não está sujeita à tarifação prevista na lei de imprensa” 4. Conceito de Dano Moral: Dano moral é lesão a direito da personalidade. por arbitramento.705/DF. além da natureza compensatória da vítima. Vale ler o noticiário de 13/09/2009 a respeito de parâmetros de quantificação do dano moral. Aquele que.

Intensivo I LFG Página 77 . pelo que a Corte Superior resolveu fixar a indenização de forma partitiva . Dano Moral e Imposto de Renda: A indenização recebida a título de dano moral será tributável? Não. 388. na forma do Código Civil ou do Código de Defesa do Consumidor. o caráter punitivo da indenização por dano moral ainda não é amplamente abraçado pela jurisprudência. por exemplo. O dano pessoal na apólice de seguro engloba o dano moral. Já na seara consumerista. vale citar dois projetos de lei: 1) o projeto de reforma do CC. de R$100.496/2007 pretende deixar claro que. deveria ser aplicada com mais rigor a teoria em questão. por exemplo. na relação de consumo. em caráter punitivo destinada a.compensatória e de desestímulo. e parte seria destinada. a pretensão reparatória de responsabilidade civil prescreve em três ou cinco anos. a súmula obriga que nessa parcela sejam incluídos o dano moral e material. Dano Moral e a Jurisprudência do STJ: No material de apoio. 27 do CDC. Todavia. embasando a teoria naquele país a partir de do seguinte caso: uma indústria construiu um carro muito famoso que tinha um problema . o juiz. uma vez que as indenizações são brandas.mas a indústria percebeu que seria mais barato indenizar as vítimas que modificar a linha de montagem. o PL 2. Os EUA disciplinam isso há muitos anos. 387. e normalmente é mais benéfico para as grandes entidades permanecer prejudicando os consumidores e pagar a indenização posterior.000. inclusive as novas súmulas sobre o tema. esta mais vultosa. explodia . Por fim. 385 e 370. respectivamente. No Brasil. deve estabelecer um valor compensatório da vítima e um valor punitivo. 5. segundo o art. Assim.Direito Civil – Pablo Stolze O que a doutrina moderna sustenta atualmente é de que a indenização pelo dano moral teria função dúplice .00. em sede de tutela individual. a exemplo da 420. que reforça a função dúplice da indenização por dano moral. além dos julgados acima mencionados. Ex.ao sofrer uma colisão. em sua redação original. 7. que agirem com base na boa fé. pretende assentar que a indenização deve compensar a vítima e “desestimular o lesante”. 2) além disso. algum fundo de proteção ao consumidor.: Dada a ausência de norma legal específica. 402. Dano Moral e Prescrição: Vale lembrar que. ver farta e atualizada jurisprudência. lembremo-nos do Enunciado 379 da IV Jornada de Direito Civil. ao fixar a indenização. no valor. acidente de veículo = a vítima pede danos materiais e morais e se na apólice se encontra o termo “danos pessoais”. caso seja sofrido dano como consumidor o prazo prescricional será de cinco anos.parte da quantia seria destinada a vítima com caráter compensatório. se o dano diz respeito a esfera civil. 6. Obs. o prazo prescricional para formular pretensão reparatória é de três anos.

Ex. Ação regressiva contra representado: Caso seja efetivado o pagamento da indenização pelo representante. 934 do CC: “Art. que se acharem nas mesmas condições. Responsabilidade Civil por Ato de Terceiro Diferentemente do CC 16.os pais. salvo se o causador do dano for descendente seu. serviçais e prepostos. ou em razão dele. V . pelos pupilos e curatelados. mesmo para fins de educação. ainda que não haja culpa de sua parte. o Novo Código Civil. O entendimento é correto já que a indenização se limita a recompor o dano sofrido pela vítima. 933. até a concorrente quantia. “Art. no exercício do trabalho que lhes competir. Já em relação ao filho. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou.387. é possível ação regressiva em face do representado? No que tange à ação de regresso. Não mais se fala mais na presunção da responsabilidade pela culpa pela escolha e pela fiscalização. CC) não significa que nunca se possa discutir culpa na relação entre o representado e a vítima: por isso.Direito Civil – Pablo Stolze Existe entendimento no STJ (Resp. o curatelado não teve culpa.o tutor e o curador. São também responsáveis pela reparação civil: I . 932. ver o art. O empregador não pode alegar que não tem culpa em face da eleição do empregado. 932. pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia.os donos de hotéis.: O fato de a relação interna entre representante e representado haver sido objetivada (art. o representante não terá ação de regresso. o empregador não possa alegar ausência de culpa na escolha do empregado. hospedarias. mas pode aduzir que seu empregado não teve culpa no acidente.os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime. pelos seus hóspedes.o empregador ou comitente. mas sim na objetivação da responsabilidade do representante em relação aos atos do representado. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente. Intensivo I LFG Página 78 . IV . absoluta ou relativamente incapaz do representante que efetuou o pagamento a vítima. Ex. absoluta ou relativamente incapaz”. 934. por seus empregados. O fato é analisado à época do cometimento do ilícito. ressalvada a hipótese de o representado ser descendente. que consagrava presunções de culpa (artigos 1. Pablo é curador de Joaquim (interditado) e responde objetivamente pelos atos praticados pelo curatelado. 963. 933. moradores e educandos. poderá perfeitamente. Assim. no sentido de não incidir Impostos de Renda sobre a indenização por Dano moral. contra o empregado haverá ação de regresso. II . afirmar que o seu empregado não teve culpa. noticiário de 17/10/2008).523). descendente.521 e 1. vale dizer que a ação de regresso é em regra possível. ainda quando completar 18 anos. responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”. III . CC). casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro. em caso de acidente de trânsito. a título de exemplo. mas pode afirmar que. no fato específico. Art. Obs. no que tange à responsabilidade por ato de terceiro (art. consagrou a responsabilidade objetiva do representante pelo seu representado.

 Essa matéria sofreu mudança radical do CC 16 para o NCC. II .os pais. se o representante não tiver condição econômica ou obrigação de indenizar a vítima. o adolescente pichou o muro de outrem. * Merece atenção ainda o que dispõe o art. 932. É muito importante frisar que o CC/2002. poderá o Juiz da Infância fixar “medida reparatória”. 928. A indenização prevista neste artigo.: *Na sistemática do Estatuto da Criança e do Adolescente.):   segundo a norma. de forma subsidiária. Parágrafo único. que não têm a obrigação de fazê-lo. em favor da vítima. Ainda que os pais não tivessem patrimônio e o menor absolutamente incapaz tivesse. Se a guarda pertence a um dos cônjuges. Já o relativamente incapaz era equiparado ao maior e seria solidariamente responsável pelos danos causados (juntamente com seus pais). quando em companhia deste. excepcionado o caso da guarda da compartilhada. O juiz pode fixar que com a “mesada” que receba deva comprar uma tinta e pintar o referido muro. respondendo o incapaz. pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. admite a responsabilidade civil do incapaz. se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. Já o NCC não faz distinção entre o relativa e o absolutamente incapaz. sempre. Afirmava que o absolutamente incapaz era sempre irresponsável. além de reparatória da vítima. no bojo de ação sócio-educativa. O relativamente incapaz era tratado de forma distinta do absolutamente incapaz. Ex. Intensivo I LFG Página 79 . que se acharem nas mesmas condições. e não por seus pais. pois o absolutamente incapaz era completamente irresponsável. Obs. a doutrina afirma que há uma solidariedade passiva entre essas pessoas. absoluta e relativamente. O incapaz responde pelos prejuízos que causar. educativa sob o ângulo do menor.o tutor e o curador. uma vez que no CC16 havia tratamento diferenciado entre filhos menores incapazes. HAVERÁ RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO PRÓPRIO INCAPAZ. a indenização não seria paga. se a guarda pertence a mãe e na escola o menor lesiona outrem. salvo se privá-lo do necessário para viver. nos termos do art. 932 do CC quanto ao termo “estiverem sob sua autoridade e em companhia”. São também responsáveis pela reparação civil:  Nesse ponto. pela letra fria da lei. quer seja a incapacidade absoluta ou relativa. I . Ex. rompendo com o sistema anterior. pelos pupilos e curatelados. apenas o guardião responderá pelos atos do menor. 928 do CC (“Art.Direito Civil – Pablo Stolze Hipóteses de responsabilidade civil por ato de terceiro: Comentários ao artigo 932 do Código Civil: Art. que deverá ser eqüitativa. não terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem. que deverá ser cumprida pelo próprio incapaz. A medida é.

Mas normalmente. a empresa. ou em razão dele. III do art. moradores e educandos.  O empregador responde pelos atos do empregado no exercício do trabalho e em razão dele. o juiz irá condenar a empresa sob o argumento de que. mas nesse caso o empregado está em seu intervalo intrajornada e lesiona terceiro: o empregador continuará respondendo uma vez que agiu em razão da atividade desempenhada.os donos de hotéis. esse terceiro pode demandar o hotel. e até mesmo escolas são responsáveis objetivamente por eventuais danos causados pelo hóspede.Direito Civil – Pablo Stolze somente a mãe responderá. na oportunidade do ato danoso (Nesse sentido já decidiu o STJ no Resp. considerando que o empregado não estava no trabalho nem em razão dele. III . Outra hipótese é quando o empregador fornece o carro para o empregado e este causa dano a terceiro enquanto se desloca para o trabalho. construção civil . e não somente do guardião.937/MA). que nesta hermenêutica. se o hóspede se embriaga e lesiona terceiro. casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro. considerando-se que o próprio STJ em julgado mais recente levando em conta que o dever de educar é de ambos os pais não afastou a responsabilidade daquele que não detinha a guarda (Resp.se um dos empregados da construção civil causar danos a terceiro. se causa dano a terceiro. que não estava na companhia da menor. motéis. muitas vezes aquele que não tem a guarda tem maior autoridade sobre ele. ficará responsável o empregador = embora não tenha sido no trabalho. Vale anotar. entende-se que a responsabilidade pode ser estendida ao não guardião. pelos seus hóspedes. Ex. o dano foi causado em razão dele. Ex.o empregador ou comitente (preposto que não tem subordinação jurídica).74. 932 que o representante responde pelo ato do representado.  Os donos de hotéis. “no exercício do trabalho que lhe competir ou em razão dele”. 932 eximiria de responsabilidade o genitor que não tivesse o filho em sua companhia. mas não o pai. por seus empregados. de supervisionar é de ambos os pais. que se o empregado está com o carro da empresa deslocando-se para o trabalho. serviçais (palavra equivocada) e prepostos. Por isso. o empregador não irá responder objetivamente. Já se o empregado utiliza o carro da empresa em atividade particular. casas. em uma interpretação literal.   IV . mesmo para fins de educação. o inc. a matéria é polêmica. hospedarias. ao disponibilizar o veículo cria para si um risco e por ele irá responder. hospedarias. Mas a obrigação de educar. I do art. no exercício do trabalho que lhes competir. Assim. Mesmo porque.459/RS). o empregador responde pelos atos do empregado. 1. albergues. ou exercendo o direito de visitas. Assim. Intensivo I LFG Página 80 . entretanto. a teor do inc. 540.

se o animal está sob a vigilância de empresa de adestramento – foi transferido o poder de comando.os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime.Direito Civil – Pablo Stolze  Lembra-nos José de Aguiar Dias na clássica obra “Da Responsabilidade Civil” que o dever de segurança justifica a responsabilidade dos donos de hotéis e congêneres. se não provar culpa da vítima ou força maior”. ou detentor. podendo ser do detentor.  A matéria é analisada especificamente no processo penal.831/RS). Art.: Donos de Escolas: o mesmo inc. deverá recair no seu guardião: por guardião entenda-se a pessoa que exerce poder de comando sobe a coisa ou o animal (o proprietário é o guardião presuntivo).710/RJ). 936. Obs.527) admitia que o réu alegasse ausência de culpa in vigilando. V . a concessionária que a explora responde objetivamente. Responsabilidade Civil pelo fato da coisa e do animal: Sob influência da doutrina francesa. humilhação e eventual agressão física que um educando causa ao colega caracterizando o que se convencionou chamar bullying. 647. poderá resultar na responsabilidade civil por omissão dos estabelecimentos educacionais. 932 do CC estabelece a responsabilidade dos donos de escolas pelos seus educandos menores (se a escola é pública. educandos maiores ou menores. quer sejam neste caso. em seu artigo 936 a responsabilidade civil objetiva do dono ou detentor do animal. em virtude da negligência pela falta de fiscalização e sinalização na rodovia (REsp 438. com base no CDC (REsp. Obs. já que tais situações podem levar até mesmo ao suicídio daquele que sofre a agressão. o STJ já decidiu poder haver responsabilidade subjetiva do Estado por omissão. O CC não limitou a responsabilidade pelo fato do animal ao dono. por óbvio a responsabilidade é do Estado). Mas a conclusão é óbvia no sentido de que aquele que concorre para os produtos do crime deve responder até a concorrente quantia. consagra.: No que tange ao acidente no animal na pista. 1. CC: “O dono. até a concorrente quantia. Responsabilidade pelo fato da coisa (em caso de ruína ou de objetos lançados / caídos): Intensivo I LFG Página 81 . se a rodovia é pedagiada. IV do art. já o CC 2002. A situação de intimidação. A responsabilidade não é sempre do dono. Ex. mas. especialmente pelo risco da atividade lucrativa desenvolvida. Responsabilidade pelo fato do animal: O CC16 (art. em linhas gerais. do animal ressarcirá o dano por este causado. temos que a responsabilidade civil pelo fato da coisa e do animal.

sem nexo de causalidade não há responsabilidade civil médica. com base na teoria da causalidade alternativa. se o arremesso de deu pela frente do prédio. Obs. CC: “O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína. Se o dano aconteceu. 937. a demanda poderá ser proposta. que. Fernando Simão) é objetiva. 937. a responsabilidade pela ruína (ex. V. Pode ser o proprietário. Art. *Caso não se possa identificar a unidade habitacional de onde partiu o projétil. do CC. Conceito de erro médico: Intensivo I LFG Página 82 . CC: “Aquele que habitar prédio. segundo a doutrina (Flávio Tartuce. excluindose logicamente os blocos ou fachadas de onde seria impossível o arremesso (RT 530/213). Pode-se demandar o dono e solidariamente a construtora.: Denomina-se actio de effusis et dejectis a demanda proposta pela vítima de um objeto lançado ou caído (o prazo prescricional. responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. Responsabilidade Civil Médica: Houve brusco aumento de recursos especiais relativos à responsabilidade civil médica. O STJ em notícia veiculada no dia 04/05 afirmou que. cuja necessidade fosse manifesta”. toda construção é atividade de risco. contra todo o condomínio. Ademais. ou parte dele. Trata-se de visão abrangente – imputabilidade mais genérica. admitiu a responsabilidade do dono. *Objetos lançados do prédio: Art. Observe-se que. no que se refere ao regramento do CC. será de 03 anos). segundo Cavalieri. do advogado. Mutatis mutandis o que será estudado aqui poderá ser aplicado a responsabilidade civil do cirurgião dentista.” A responsabilidade prevista no art. na forma do art. em seu art. Quanto ao advogado há recomendação bibliográfica: Responsabilidade Civil do Advogado pela perda de uma chance – Prof. mas quem é está em primeiro plano respondendo pela ruína é o dono. não houve a reparação de eventual defeito. o CC 2002.Direito Civil – Pablo Stolze *Ruína: No que se refere à responsabilidade civil pela ruína de edifício ou construção. 206 §3º. Ex. 938. quanto aos habitantes do bloco do fundo não haverá responsabilização em face da impossibilidade fática. placa de cimento que cai – não precisa ser todo o prédio) é do dono. o locatário. se esta provier de falta de reparos. Sérgio Martins. 938 do CC também é objetiva de quem habita o prédio. Pablo entende que não deveria se perquirir culpa nesse caso tendo em vista que todo o sistema do código civil caminha para a responsabilização objetiva. o usufrutuário.

por sua vez. Quer faça análise pelo CC ou pelo CDC chegar-se-á a hipótese de culpa profissional. afirma que a vontade contrária do paciente deverá ser respeitada. disponíveis pela medicina para evitar uma reação alérgica mas não poderá nunca evitar todas as possibilidades de reações possíveis. agravar-lhe o mal. mas garanti-lo não poderá fazê-lo. via de regra e mesmo que não seja. no exercício de atividade profissional. com base no princípio da proporcionalidade. defende a supremacia do direito à vida. apta a justificar a necessária intervenção médica (ver antiga Res. No caso de incapazes. Uma segunda corrente doutrinária. 949 e 950 aplica-se ainda no caso de indenização devida por aquele que. se um médico atende alguém que passa mal em avião tendo-se uma relação civil. O art. 951. traduz uma obrigação de meio. No que se refere à delicada situação da transfusão de sangue como único meio terapêutico para salvar a vida de paciente adepto da religião Testemunhas de Jeová. Questões especiais: 1. mormente no campo das reações alérgicas.Direito Civil – Pablo Stolze O erro médico é o dano imputável ao exercente da medicina apurado mediante culpa profissional. à luz da dignidade da pessoa humana e do princípio da liberdade de consciência e crença. Art. por exemplo. a responsabilidade civil do médico. causar-lhe lesão. mas não se obriga a garantir referido resultado. resultam na ideia de que a sua obrigação também é de meio. quem a realiza deve invitar todos os meios para garantia do resultado. no direito do consumidor. existem duas correntes doutrinárias. Uma primeira corrente (Gustavo Tepedino). e não de resultado. No que tange ao erro médico enquanto profissional liberal deve-se partir da ideia de culpa profissional. O que se entende por termo de consentimento informado? Intensivo I LFG Página 83 . É uma questão de posição doutrinária.: Segundo o professor Jurandir Sebastião. 14. Quando se fala em obrigação de meio. a segunda corrente. A responsabilidade do médico é uma responsabilidade subjetiva baseada na culpa profissional. da mesma forma. §4º. 948. o anestesista tem autonomia técnica e profissional que outros médicos da equipe cirúrgica não tem. Ele deve empreender os melhores meios para alcance do resultado. será subjetiva a responsabilidade. Obs. os profissionais liberais respondem com base na culpa profissional. CC: “O disposto nos arts. realizando-se a intervenção necessária. via de regra.” Vê-se pois que a responsabilidade civil do médico. causar a morte do paciente. em relação civil é subjetiva. por negligência. §4º do CDC. 951 do CC e art. nos termos do art. CDC trata de exceção a regra prevista no CDC considerando que. a responsabilidade do fornecedor é objetiva.430-4 do TJSP). Mas nos termos do referido artigo. na jurisprudência tem prevalecido. Diferentemente do chefe da equipe cirúrgica que poderá responder pela sua equipe. imprudência ou imperícia. deverá prevalecer o direito a vida. o anestesista. Como se sabe. O anestesista vai realizar os exames possíveis. ou inabilitá-lo para o trabalho. ainda que seja respeitada a liberdade de crença e adotada a primeira corrente.021 de 1980 do CFM – Conselho Federal de Medicina e também a Apelação Cível 123. 1. diante das variáveis científicas imperscrutáveis pela medicina. Quando se realiza a relação médico-paciente essa relação é uma relação de consumo. Pablo não tem dúvidas sobre isso. 14. salvo no caso do cirurgião plástico estético.

até no campo da medicina particular o acesso aos hospitais e estabelecimentos médicos é difícil. 2. Lembra-nos Julio Gomes que. É comum que se entregue ao paciente o termo de consentimento informado. Se houve erro médico deverá ser apurada a responsabilidade. o termo de consentimento informado não é um salvo-conduto. A exemplo do entendimento do grande professor Miguel Kfouri Neto. se o advogado perde prazo para recorrer e o entendimento corrente no Tribunal seria favorável. Ex. mas quando deixa de se favorecer. O Código de Defesa do Consumidor prevê a responsabilidade objetiva para o fornecedor de serviços. excepcionando apenas o profissional liberal. No caso. poderia o médico ter tomado outras providências. há possibilidade de aplicação da Teoria da Perda de uma chance. e em respeito ao dever de informação derivado da boa-fé objetiva. mas não o hospital. Responsabilidade civil dos Hospitais: Atualmente. não isentando o médico da responsabilidade civil. Com base no artigo 15 do CC. quanto ao hospital enquanto pessoa jurídica exploradora de atividade econômica e exercente de atividade de risco. Ex. a responsabilidade do médico é subjetiva baseada na culpa profissional. o termo será de grande valia para fins de provar que o paciente foi devidamente informado. Nos casos em que possa haver a perda de uma chance. Intensivo I LFG Página 84 . a perda de uma chance pode se dar na área médica quando o profissional deixa de adotar determinado procedimento possível. No entanto. salvo a hipótese de necessidade em caso de vida ou morte. que poderia melhorar a situação do paciente.Direito Civil – Pablo Stolze Ninguém pode se submeter a tratamento médico forçado. diante da possibilidade de melhor a de sua situação. termo de consentimento informado ou esclarecido consiste na declaração firmada pelo paciente pela qual expressamente toma ciência dos efeitos e consequências da intervenção médica. É possível aplicar a Teoria da Perda de uma chance no âmbito da medicina? A perda de uma chance se dá não quando o agente tenha sofrido um dano efetivo. Assim. A indenização será reduzida mas há possibilidade de aplicação da Teoria da Perda de uma Chance. Mas o paciente também deverá ter ciência das possibilidades e eventuais consequências que podem advir da cirurgia / tratamento médico ministrado. como a realização de ultra-som. Observe-se que a indenização será equitativa. a responsabilidade seria objetiva. a paciente chega ao hospital com dores abdominais e o médico apenas a ausculta. Se uma pessoa é vítima de erro médico e este integra o corpo clínico de um hospital. O termo de consentimento serve para os casos em que o paciente possa alegar que não tinha consentimento das eventuais consequências ou efeitos colaterais de eventual cirurgia ou tratamento.

pois decorreria do fato da internação e não da atividade médica em si (REsp. STJ: “No transporte desinteressado de simples cortesia. Quanto a responsabilização. veiculou que o STJ. Nesse caso. a despeito do §4º do art. o transportador só será civilmente responsável se agir com culpa grave ou dolo [.389/SP. Ex. Assim.Direito Civil – Pablo Stolze A jurisprudência do STJ. Resp. valendo conferir o texto de Ricardo Zart no site www. a responsabilidade é objetiva – Resp. A única exceção que tem sido prevista pelo STJ é no sentido de serviços anexos ao do hospital. ainda no material de apoio. aceitou o seguinte: “O condomínio só responde por furto ocorrido em área comum se isto estiver expressamente previsto na convenção”. jurisprudência envolvendo responsabilidade no transporte aeronáutico pelo acidente com o carona. O STJ em recente julgado (Ag Rg no Ag 682.669/SP..212/RJ) ** É necessário observar ainda que o STJ decidiu ainda que. a responsabilidade será subjetiva. ver o noticiário do STJ de 10/05/2009 que..br. Resp 908. a responsabilidade seria objetiva. Obs. já entendeu o STJ que a responsabilidade do hospital é objetiva. 14 estabelecer em norma excepcional a responsabilidade subjetiva do profissional liberal (inclusive o médico). entende que a responsabilidade do hospital também é subjetiva.com. Dicas finais envolvendo a responsabilidade civil: *No que tange a responsabilidade civil do cirurgião dentista. a responsabilidade civil é subjetiva. ver também. Súmula 145. mas essa posição não está exarada no voto. o regramento é semelhante ao do médico. *No material de apoio. no que tange aos hospitais que realizam atendimento emergencial.: No que se refere a infecção hospitalar. há responsabilidade do motorista se este atuou com dolo ou culpa grave.875/RJ) reconheceu que empresa de seguro de saúde pode ser responsabilizada pelo erro do médico credenciado. Se demandado o hospital. não há posicionamento firmado nos tribunais superiores acerca do tipo de responsabilidade.jus.284/RJ Responsabilidade das Operadoras de Planos de Saúde e Erro Médico: Sendo vítima de erro médico sendo o médico filiado a Plano de Saúde é possível demandar o Plano de Saúde também. No que tange ao carona.359/SC.533 e Resp 268. o STJ tem estendido esta responsabilidade subjetiva também em favor do próprio hospital. conforme Resp 618. e apenas nesse. pessoa jurídica. TEORIA GERAL DO CONTRATO: Intensivo I LFG Página 85 . se a comida estava estragada.]” *Finalmente. 258. dentre outras notícias. muito embora no sentir do professor equivocada. No concurso. se a maca se fechou com o paciente. se demandado o médico. a responsabilidade também é subjetiva. 629. Caso seja adotada a teoria idêntica a do hospital. assim como não há previsão de ser objetiva a responsabilidade. 686.

A Teoria do Contrato só pode ser entendida levando-se em conta os regimes capitalistas de produção. não podendo. na perspectiva de um dirigismo contratual ditado por valores socialmente relevantes. em que houve várias mudanças inclusive quanto as bases geopolíticas mundiais. Intensivo I LFG Página 86 . por exemplo ao ser celebrado o contrato serem violadas regras do direito ambiental. afirmando-se que a igualdade entre as partes anterior não passava de hipocrisia. emitida segundo o princípio da autonomia privada. na monumental obra “A regra moral nas obrigações civis”. Conceito: Trata-se de uma declaração negocial de vontade. Por mais que seja celebrado um contato rapidamente. A autonomia privada manifestada em qualquer contrato não é absoluta. A autonomia privada manifestada no contrato é limitada. observa Orlando Gomes que. ainda assim existe procedimento formativo do contrato e referido procedimento fica claro quando o contrato é mais complexo. em observância aos princípios da função social e da boa-fé objetiva. mas o efetivo desenvolvimento somente se deu naquela época. A prof. O Séc.: Georges Ripert. determinaram a reconstrução da teoria do contrato. Judite Martins Costa afirma que a autonomia privada que se manifesta em um contrato é uma autonomia solidária. A par do importante desenvolvimento atribuído ao Direito Romano. em sua concepção moderna só se explica a luz da ideologia típica dos regimes capitalistas de produção. Obs. Nesse contexto. segundo Pablo. pela qual os contratantes perseguem efeitos jurídicos possíveis. na linha do tempo. a origem do contrato. mas sim limitada a ditames superiores: função social e boa-fé. traça um detido panorama da evolução do contrato no século XX. Ao ser efetivada uma compra e venda simples também há processo formativo. O contrato é fruto puro da autonomia das partes e durante muito tempo o Estado não influiu na relação contratual. Formação do contrato: Ver no material de apoio o tópico referente a classificação dos contratos. Ao longo do século XX fatores de ordem sócio-econômica e política. a base da relação contratual exigiu um novo pensamento. a teoria clássica do contrato. Um contrato para se formar demanda um procedimento. o que não significa que em outras eras não havia contrato. XX. observando inclusive a necessidade de se conter os abusos de poder econômico derivados da autonomia privada nos contratos por adesão.Direito Civil – Pablo Stolze Histórico: Não se pode precisar. A ideologia do contrato partia da ideia de que o contrato tinha como fundamento a igualdade entre as partes e a obrigatoriedade do cumprimento das cláusulas avençadas – pacta sunt servanda. foi o século mais importante da humanidade. mormente sob o influxo da técnica do contrato por adesão (Rayomond Saleilles).

428. o próprio código. Pablo entende que a contratação feita por e-mail é efetivada entre ausentes. É possível nessa fase ser celebrado um contrato de promessa.: Vale lembrar. inclusive por telefone ou chat na internet). Apesar da polêmica. a doutrina. 431 do CC estabelece a sua descaracterização se a referida aceitação ocorrer fora do prazo. IV se. É uma fase em que as partes realizam negociações preliminares. da natureza do negócio. culminando no consentimento.Direito Civil – Pablo Stolze Para que o contato se forme. Consentimento P 1 proposta /oferta aceitação P2.se. redigem minuta (rascunho) do contrato. A proposta de contrato é a declaração de vontade feita pelo proponente ou policitante. promessa de compra e venda. CC: Art. A proposta final também é chamada policitação. Art. já a contratação entre ausentes é aquela em que as partes não mantêm um contrato simultâneo a exemplo da contratação por correspondência epistolar (carta). A regra do CDC é distinta uma vez que se no campo do direito do consumidor o que foi proposto deve ser cumprido. reconheceu uma importante etapa denominada de Fase de Puntuação ou Punctação (Darcy Bessone). pois em tal caso haverá nova proposta. para entender o referido artigo é preciso ter em conta o seguinte: pessoas presentes são aquelas que mantêm contato direto e simultâneo (ex. ou das circunstâncias do caso. chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente. feita sem prazo a pessoa ausente. Para a formação do contrato. A proposta de contato nos termos do CC. Considera-se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de comunicação semelhante. Obs. do CC. em regra obriga o proponente. mas. tornando-se aceitante ou oblato. Deixa de ser obrigatória a proposta: I . antes dela. III . Todavia. nos termos dos artigos 427 e ss.se. é necessária a proposta e a aceitação. fazem estudos. diante da oferta que foi feita pode aceitá-la. O at. Ex. Intensivo I LFG Página 87 . 428. as partes se reúnem. contratação pessoal. 428 do CC complementa o rol de situações em que a proposta deixa de ser obrigatória. se o contrário não resultar dos termos dela. CC: “A proposta de contrato obriga o proponente. tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente.” *Exceções a obrigatoriedade da proposta: Art. com adições ou modificações. dirigida ao aceitante ou oblato. 427. quanto a aceitação da proposta que o art. ou simultaneamente. II . não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado. feita sem prazo a pessoa presente. A Parte 2.se. não foi imediatamente aceita. na fase preliminar de discussões ou tratativas iniciais. admite situações em que a proposta deixa de ser obrigatória (no âmbito do CDC. a obrigatoriedade da proposta é muito mais severa. feita a pessoa ausente. Mas esse contrato preliminar – contato promessa não é obrigatório.

ou concomitante a ela não será considerada a aceitação. 433. em uma interpretação literal do art.” Art.3) Da recepção: o contrato se forma quando a resposta é recebida pelo proponente. Tal teoria subdivide-se em três subteorias: b.Direito Civil – Pablo Stolze *Formação do contrato entre ausentes: No que tange a essa matéria. Mas tal teoria é fraca considerando que é difícil provar qual o efetivo momento da aceitação. 434 do CC. II . Por isso. mas.se o proponente se houver comprometido a esperar resposta. ao redigir a resposta. Essa teoria se encontra em desuso. CC: “Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida. concluímos que. se o arrependimento exarado chegar antes da aceitação. O contrato entre pessoas ausentes. CC: “Considera-se inexistente a aceitação. o contrato só se forma quando a resposta é recebida pelo proponente sem retratação. Intensivo I LFG Página 88 .se ela não chegar no prazo convencionado. Ex. A subteoria da recepção diz que o contrato só se forma quando da recepção da resposta. III . b.” O art. poderíamos concluir ter sido adotada a teoria da expedição. se antes dela ou com ela chegar ao proponente a retratação do aceitante. 173 da 3ª Jornada de Direito Civil). não obstante ter expedido a aceitação.1) Da declaração propriamente dita: afirma que o contrato se forma quando o aceitante declara que aceitou. Art. na vereda de Carlos Roberto Gonçalves. existem duas teorias fundamentais: a) Teoria da Cognição: segundo a qual o contrato só se forma quando o proponente toma conhecimento da resposta.: Qual dessas subteorias fora adotada pelo Código Civil Brasileiro? Existe acesa polêmica na doutrina brasileira acerca de qual subteoria é a adotada em nosso sistema. ** Analisando o art. Obs. segundo tal teoria só se forma quando o proponente recebe a proposta e a lê b) Teoria da Agnição: tal teoria prevê que não se faz necessário que o proponente tome conhecimento da resposta. b. Aviso de Recebimento recebido. concluímos que a melhor teoria é a da recepção. Daí que a melhor teoria é a da recepção – o contrato só se forma com o recebimento da aceitação SEM arrependimento.2) Da expedição: o contrato se forma quando a resposta é expedida. interpretando sistematicamente os artigos 433 e 434. 433. Ex. Não basta a expedição da resposta considerando a possibilidade de arrependimento (retratação). exceto: I no caso do artigo antecedente. em verdade. No momento em que foi expedida a resposta pelo correio é considerado formado o contrato. não importando se o proponente o leu ou não. 433 impõe que o contrato não se forma coma expedição uma vez que. 434. a teoria que melhor explica nosso direito é a da recepção (ver inclusive o En. Seguindo o pensamento de Clóvis Beviláqua.

desenvolvendo a partir daí.Direito Civil – Pablo Stolze Principiologia: 1. Se há situação imprevisível que acarrete obrigação excessivamente onerosa. desequilibrando a base econômica do negócio. O contrato pressupõe uma liberdade contratual. a autonomia privada que se manifesta no contrato implica uma autoresponsabilidade. que tem raiz na Escola Jusnaturalística. na media em que toda autonomia e liberdade contratual devem ser limitadas por elementos constitucionais de contensão: o princípio da função social dos contratos e o da boa-fé objetiva. O que foi avençado deve ser cumprido. a denominada “Teoria da Imprevisão”. A essência do contrato é a autonomia privada. No entanto. Durante muito tempo esta cláusula permaneceu esquecida até que o Direito Francês a fez ressurgir (Lei Falliot de 1918). A noção de autonomia privada. No direito contratual a autonomia privada é erigida como um princípio basilar traduzido na liberdade de contratar (sem liberdade negocial mínima. cabe a revisão contratual. não existe contrato). é na cláusula rebus sic stantibus do Direito Canônico que encontramos o referencial histórico mais importante: esta cláusula admitia a revisão de um contrato quando houvesse desequilíbrio na sua execução. Um autor que trabalha muito bem isso é o prof. Intensivo I LFG Página 89 . Massimo Bianca dia que. mas a autonomia privada não é absoluta. sendo contida por princípios constitucionais. Princípio da autonomia privada: Alguns autores denominam princípio da autonomia da vontade. mas há situações em que há necessidade de alteração do contrato. Todavia. Teoria da imprevisão: O próprio Código de Hamurab já trazia a ideia da imprevisão (Othon Sidou). ainda que mínima. Princípio da Obrigatoriedade dos Contratos É também chamado princípio da pacta sunt servanda e traduz a ideia de que o contrato se torna lei entre as partes. sendo elativizado pela denominada Teoria da Imprevisão. referido princípio não é absoluto. 2. e com auxílio da jurisprudência. é dotada de uma amplitude segundo Pietro Perlinguieri (Perfis de Direito Civil Constitucional) com aplicação inclusive na seara das relações existenciais. Otávio Luiz Rodrigues Junior. *Conceito: Trata-se da doutrina que admite a revisão ou resolução do contrato em virtude de circunstância superveniente e imprevisível que. impõe a uma das partes obrigação excessivamente onerosa. É óbvio que o contrato deve ter força entre as partes. A teoria da imprevisão parte da ideia de que a força obrigatória do contrato é algo relativo.

479.: A despeito de o Código Civil. A superveniência de um acontecimento imprevisível. em verdade. nasce com o próprio contrato. quanto possível. Obs. a pedido da parte. de um aspecto meramente acidental. 317. oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente as condições do contrato. poderá o juiz corrigi-lo. referir a extrema vantagem da outra parte como elemento da teoria. A luz do princípio da função social. 6º. A alteração da base econômica objetiva do contato. 317 do CC. Art. a fim de evitar a onerosidade excessiva. Princípio da relatividade dos efeitos do contrato: Conceitualmente. não poderá o juiz ficar adstrito nos termos do art. o valor real da prestação. em seu art. referindo-se a eficácia do contrato. se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa. 479 do CC para efeito de revisar o contrato. 157). de modo que assegure. 3. Vale lembrar que. não precisará demonstrar a imprevisibilidade do acontecimento que desequilibrou o negócio. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. 317 e artigos 478 a 480). Nos contratos de execução continuada ou diferida. Os artigos 478 a 480 é mais abrangente que o que prevê o art. mas é necessário observar que não poderá ficar a opção somente a alvedrio de uma das partes). por sua vez. A lesão. V) a doutrina aplicável é mais favorável ao consumidor. O contrato somente pode ser revisado se o réu quiser (normalmente banco). ou alterado o modo de executá-la. razão porque nesta seara é melhor denominar a teoria de Teoria da Onerosidade Excessiva. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes. 2. pressupõe contrato válido que se desequilibra depois. poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida. tal princípio consagra a ideia de que um contrato só poderá gerar efeitos obrigacionais entre as próprias partes contratantes. por motivos imprevisíveis.Direito Civil – Pablo Stolze *Elementos da Teoria: 1. poderá o devedor pedir a resolução do contrato. O Código Civil. não é exigido sempre) em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. 478. 480. uma vez que pressupõe contrato válido que posteriormente perde sua validade em razão de fato superveniente. com extrema vantagem para a outra (elemento acidental. sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução. 3. causa de invalidade do negócio jurídico (art. Não posso confundir lesão com teoria da imprevisão. no CDC (art. consagra um sistema mais complexo de aplicação da Teoria da Imprevisão (art. já a Teoria da Imprevisão. A onerosidade excessiva imposta a uma das partes. trata-se. Um contrato não tem eficácia erga omnes mas apenas inter partes. Perceba que a Teoria da imprevisão nada tem haver com a invalidade. 478. Art. 478 deverá conduzir sempre que possível a revisão judicial do contrato e não à sua resolução contratual. Enunciado 176 da 3ª Jornada de Direito Civil diz que o art. que pode ou não ocorrer (Enunciado 365 da 4ª Jornada). Art. A resolução poderá ser evitada. uma vez que para que ele obtenha revisão do contrato. Quando. Intensivo I LFG Página 90 . Art.

não podendo o contrato ficar imune a esta perspectiva. que assumirá os direitos e obrigações decorrentes do negócio. Uma cláusula geral. CDC: é o terceiro equiparado ao consumidor.257 e do Código da França. da empresa. Não se confunde com a cessão de crédito considerando que o contrato com pessoa a declarar a estipulação já consta do contrato desde o início da contratação. um terceiro (filho) poderá assumir o contrato caso queira. CC) – esse contrato é figura que escapa da regra que o contrato gere efeito apenas para as próprias partes.Direito Civil – Pablo Stolze Este princípio. no dizer de Intensivo I LFG Página 91 . Pablo compra um apartamento e consta no contrato que no futuro. trata-se de uma promessa de prestação de fato de terceiro. para além do próprio contrato. temos: a) Estipulações em favor de terceiro (como o seguro de vida) b) Contrato com pessoa a declarar (art. nem tampouco de extermínio da autonomia da vontade. Tal princípio. 17. ou seja. da família e também deve ser aplicada a função social do contrato. Princípio da Função Social do Contrato: O direito moderno caracteriza-se pela socialização dos institutos privados fundamentais. Antonio Junqueira de Azevedo de Tutela Externa do Crédito – e o que seria este instituto jurídico? A tutela externa do crédito mitiga o princípio da relatividade dos efeitos do contrato para reconhecer uma dimensão eficacial transindividual. não está assentado em artigo específico do Código Civil (diferentemente do Código do da Espanha. podendo ser conceituado da seguinte forma: regulado a partir do art. 1. Caso do Zeca Pagodinho – não poderia ter havido contratação posterior considerando a ética que deve permear o contrato. O primeiro traduz simplesmente um conceito vago ou indeterminado a ser preenchido pelo juiz no caso concreto. não se está estatizando o contrato. Ex. a exemplo dos conceitos fluídicos de justa causa. Há uma proteção externa do contrato para impedir que terceiro interfira indevidamente na contratação. todavia não é absoluto. família. d) Situação denominada pelo prof. A função social não que dizer atendimento a interesse Estatal. 4. 467. 467. Um dos mais importantes princípios do direito contratual é o princípio da função social do contrato. caso aceite a indicação constante no contrato (Cláusula Pro amico ellgendo). Fala-se em função social da propriedade. Observe-se que ao ser defendido o princípio da função social. *Cláusula geral e conceito aberto: Preliminarmente. vale diferenciar conceito aberto e cláusula geral. uma vez que direciona e limita a própria atividade do juiz. visando a protegê-lo da interferência indevida de terceiros. é dotada de uma maior força normativa. embora contenha um conceito indeterminado. uma vez que existem situações de inequívoca eficácia transubjetiva do contrato.165). art. artigo 1. Como exemplo de situações que mitigam esse dogma. posto presente em nosso sistema. Ex. risco. a exemplo da propriedade. c) Bystander – art. A cláusula geral.

A função social do contrato. projetada no âmbito interno da relação contratual. a boa-fé subjetiva traduz uma noção individual e psicológica de um estado de inocência. nas perspectivas intrínseca e extrínseca. Princípio da Boa-fé objetiva: Deve-se ao Direito Alemão (BGB. *Conceito de função social: Esse conceito não é completo. reconstruindo a noção romana de “Bona Fides” a consagração da boa-fé como regra objetiva de conduta (Treu und glauben). a doutrina. Vale lembrar que. Obs. STJ: “É abusiva a cláusula contratual que limita no tempo a internação hospitalar do segurado”. Ex. Tem um escopo teleológico (finalístico). perfeito e possui todos os requisitos.: Com base na função social.” A função social é princípio limitativo. concessionária de veículos contrata empresa publicitária para fazer publicidade enganosa – o contrato. há visual afronta. intrinsecamente é válido. possuidor de boa-fé. Observe-se que é farta a jurisprudência do STJ (ver material de apoio) no que tange a aplicação do princípio da função social. 421. A cláusula geral tem peso de norma. (ver a título de exemplo o Resp.649/SP e a súmula 302 do STJ). na medida em que equilibra o impacto do contrato em face da própria sociedade. Ex. cláusula geral de natureza principiológica. A função social é um princípio limitativo da autonomia privada. por exemplo.Direito Civil – Pablo Stolze José Assenção. regulada no art. se afrontar valores socialmente objetivados a exemplo das defesas dos consumidores ou do meio ambiente. de contenção. 302. terceiro de boa-fé. considerando que a função social do contrato somente pode ser realmente observado perante o caso concreto. CC: “A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. 5. 476. Outro exemplo é um contrato para instalação de fábrica que viole leis ambientais – o contrato está desrespeitando valores sociais. 421 do CC atua. A Ministra Nancy Andrigh reduziu multa de 10% para 2% em contrato de instituição de ensino. tem peso muito maior que o simples conceito aberto. a função social projeta-se em uma dimensão intrínseca na medida em que. §242). Mas no plano extrínseco. como vetor limitativo da liberdade contratual. Súm. Art. O contrato deve guardar a justa proporcionalidade entre as prestações. Intensivo I LFG Página 92 . credor de boa-fé. ainda que intrinsecamente perfeito deverá ser invalidado (Paulo Nalin). Segundo Paulo Roberto Nalin. e conexão com a boa fé impõe lealdade recíproca e equivalência material entre as partes contratantes (o justo equilíbrio entre as prestações contratadas) e em uma dimensão extrínseca. diante da violação de valores socialmente objetivados. um contrato. impondo ao juiz uma conduta auto-responsabilizante. sustenta a possibilidade de o juiz reduzir de ofício o valor da cláusula penal abusiva. Já no plano extrínseco.

Ex. mas de todo o direito. o que foi reformado pelo TJRS considerando a quebra da boa-fé e da confiança depositadas. 422 do CC: “Os contratantes são obrigados a guardar. decidiu referida empresa não celebrar o contrato. segundo o Enunciado 24 da 1ª Jornada. Referida regra impõe a lealdade e a confiança recíprocas entre as partes contratantes.  Dever de zelo. Em um ano. Almedina) é do professor Antonio Menezes Cordeiro. na perspectiva de deveres constitutivos de proteção remete-nos ao necessário reconhecimento de determinadas obrigações implícitas.  Dever de informação.  Dever de confidencialidade. resulta na responsabilidade objetiva do infrator. dada a sua gravidade. Rui Rosado de Aguiar – caso dos tomates. c) Constitutiva de deveres anexos ou colaterais ou de proteção: a boa fé objetiva. (colmatar é preencher).: A grande obra sobre o tema boa-fé objetiva (Ed.Direito Civil – Pablo Stolze Já a boa fé objetiva consiste em uma cláusula geral de natureza principiológica. *Desdobramentos da boa-fé objetiva (figuras parcelares ou funções reativas): Intensivo I LFG Página 93 . contrapropaganda por artista famoso.” Ex. Fase pós-contratual: (pós-eficácia) – mesmo que o contrato acabe. *Funções da Boa-fé objetiva: a) Interpretativa e colmatadora de lacunas: a boa fé objetiva orienta a interpretação do juiz e serve para preencher lacunas. os princípios de probidade e boa-fé. uso de segredos da empresa do qual se desvincula. fase pré-contratual: Prof.  Dever do advogado e do médico de dar ciência ao cliente dos riscos da atividade. impositiva da lealdade recíproca entre os contratantes. Obs. O art. de guarda (estacionamentos de shoppings centers). cujo descumprimento. b) Delimitativa da autonomia privada: a boa fé objetiva limita a autonomia privada de contratação. Não é apenas clausula geral do direito contratual. pela qual se consagra uma regra de conteúdo ético e exigibilidade jurídica. existe dimensão ética que deve ser preservada. no RS uma grande indústria de extrato de tomates incentivavam os agricultores a plantar e colher os tomates. como em sua execução. assim na conclusão do contrato. recebeu duras criticas da doutrina (Antonio Junqueira de Azevedo) uma vez que não considerou a necessária incidência do princípio nas fases pré (negociações preliminares – puntuação) e pós contratual (pós-eficácia) Art. 422 do CC a despeito de consagrar o princípio de consagrar o princípio da boa-fé objetiva. Alguns exemplos de deveres que derivam da boa-fé objetiva:  Dever de assistência. e depois assinavam o contrato.

Era uma regra proibitiva. sendo desdobramentos dele. Um artigo do CC que ilustra a aplicação do venire é o art. é comum a regra proibitiva do venire. *Vale lembrar. A regra proibitiva do venire visa a impedir comportamento contraditório. a exemplo do Resp 95. todavia.: No material de apoio. Resp. via surrectio. Tu quoque É uma partícula de uma expressão clássica que foi dita por Julio Cesar ao ser apunhalado por Brutos. Saber se o segundo comportamento é justificado é alcançado através da hermenêutica. É a mesma ideia do venire. advertência feita por Aldemiro Rezende. Ex.687/AM. A raiz dessa regra dá-se na idade média. há presunção da renúncia do credor aquilo previsto no contrato. resultando na correspondente aquisição.389/SP.Direito Civil – Pablo Stolze Venire contra factum proprium: O Venire contra factum proprium também é chamado em teoria dos atos próprios. de direito correspondente. receber a roupagem de cláusula de Stoppel: a ideia básica da cláusula em questão se refere a aplicação da regra do venire em relações entre Estados – para que não possuam comportamentos contraditórios com base na confiança. O Venire contra factum proprium serve de base para os institutos que serão estudados abaixo. condomínio – se for autorizado o uso de área de garagem sem pagamento do aluguel – o condomínio perde o direito pela surrectio enquanto o condômino adquire o direito através do surrectio.539/SP. A supressio traduz a perda de um direito ou faculdade não exercido ao longo do tempo. A expressão significa: “vir contra fato que lhe é próprio”. mas desde o início do contrato ele paga em SP e o credor aceita. temos farta jurisprudência sobre o tema. Supressio / Surrectio São conceitos que têm íntima conexão com o venire contra factum proprium. ou seja. nas relações entre os Estados. Obs. há decisões de tribunais nesse sentido. no sentido de não se aplicar a regra proibitiva do venire se o segundo comportamento for justificado. Seria possível que o condomínio notificasse o condômino para daqui em diante. com os glosadores. Cláusula de Stoppel No direito internacional. considerando que. visa a impedir que uma mesma pessoa ao longo do tempo adote comportamentos incompatíveis violando os princípios da boa-fé e da confiança. 330: “O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato. enquanto o condômino poderia até alegar usucapião da área. deixasse de utilizar a área. segundo Menezes Cordeiro. seu filho adotivo Tu quoque Brutos? Intensivo I LFG Página 94 .” Se o contrato dizia que o devedor pagaria em Campinas. 605. Resp 953.

ou lhe diminuam o valor. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas (com encargo)”. Ex. Vício aparente não é vício redibitório. *Cláusula solve et repete: Observe-se que. É uma defesa contra o comportamento surpresa – o comportamento que tolha uma das partes de surpresa. em franco prejuízo a uma das partes. tem a sua prestação exigida sem que a parte adversa houvesse previamente cumprido a sua obrigação. 441. Vício redibitório é vício oculto. uma vez que. uma vez que é objetivo por se situar na própria coisa. *Vicio redibitório X erro: O erro. oportunizando a propositura de uma das ações edilícias (redibitória ou quanti minoris). CC: “A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos. colhida de surpresa. mas não o faz e ajuíza ação cobrando a obra da empreiteira que. O juiz pode até aceitar. a exceção poderá ser oposta sob o título de exceptio non rite adimpleti contractus. mas não há previsão legal para tanto. *Exceção de contrato não cumprido A exceção de contrato não cumprido – “Exceptio non admimpleti contractus” – regulada nos artigos 476 e 477. nada tem haver com o subjetivismo do agente. uma vez que se encontra encerrado na dimensão psicológica do próprio agente. é subjetivo. denomina-se Cláusula solve et repete aquela que traduz uma exceção à defesa indireta de mérito vista acima. consiste em uma defesa indireta de mérito oposta pela parte que. umbilicalmente ligado aos princípios da boa-fé e da confiança. em defesa. Referida cláusula é corrente no Direito Administrativo – lembrar do prazo de 90 dias previsto na lei de licitações em que o contratado deve continuar cumprido o contrato. Já se a primeira prestação for cumprida de forma defeituosa (material insuficiente ou de máqualidade). que a tornem imprópria ao uso a que é destinada. Não há na lei previsão da garantia do vício para quem adquira o bem em leilão. visa a impedir o ineditismo na relação jurídica. Parágrafo único. aduz a exceção de contrato não cumprido considerando que o contratante não cumpriu a prestação prévia que lhe incumbia. ainda que inadimplente a administração pública. vício invalidante do negócio.Direito Civil – Pablo Stolze O instituto do tu quoque. em virtude de um contrato comutativo. contrato de empreitada – contratante contrata empreiteira para realizar a obra ficando consignado que o contratante se compromete a fornecer os materiais. Art. Vício redibitório: Vício redibitório é o defeito oculto que diminui o valor da coisa ou prejudica a sua utilização. já o vício redibitório. Intensivo I LFG Página 95 . caso estipulada. a parte cobrada deverá cumprir sua obrigação mesmo que a parte adversa não haja previamente cumprido a sua.

a teor do art. restituirá o que recebeu com perdas e danos. no Código de Defesa do Consumidor. é mais amplo é benéfico. há proteção. *Ação redibitória e quanti minoris: No âmbito do Código Civil. restituirá o preço + as despesas do contrato. mas em uma prova discursiva é possível afirmar a possibilidade de aplicação do dispositivo em relação a ação quanti minoris. 445. é de 30 ou 90 dias. tão-somente restituirá o valor recebido. 26. em havendo vício redibitório. Quando o agente adquire aquilo que quer. Art. pode o adquirente reclamar abatimento no preço. não há erro. Se houve vício. sendo que a reclamação deve se dar no prazo de 30 para bens não duráveis e de 90 dias para bens não duráveis. 441). mas. E se o defeito só surge depois. se o não conhecia. Mas nada impede que o adquirente do bem peça o abatimento do preço por meio da ação estimatória. o prazo somente começará a correr após a ocorrência do defeito. O CDC não preocupa muito se o vício é redibitório ou aparente. É necessário observar que a disposição se refere apenas a ação redibitória. nos termos do art. 443. Adquirindo produto defeituoso. *Prazos (de garantia) para a propositura das ações edilícias previstos no Código Civil: Tais prazos decadenciais para propositura da ação redibitória ou quanti minoris estão previstos no art. Esse artigo pune a má-fé do alienante. Art.: O sistema de garantia do adquirente da coisa com vício de qualidade. se o alienante não sabia do defeito. valendo lembrar.Direito Civil – Pablo Stolze O erro está na mente do agente. o adquirente deverá propor a ação redibitória ou a ação quanti minoris (ação estimatória). Obs. o CDC estabelece sistema efetivo e amplo de tutela do consumidor.” Se o alienante conhecia o vício restituirá o preço + perdas e danos. considerando que os pedidos são incompatíveis entre si. A cumulação de pedidos (uma e outra) é impossível. Assim. restituirá o preço mais perdas e danos. e apesar de ser difícil a dilação probatória acerca da matéria há previsão nesse sentido no CC. 442: “Em vez de rejeitar a coisa. que. apenas restituirá o preço e as despesas correspondentes. se atuando de má-fé sabia do defeito. CC (tenho que memorizar): Intensivo I LFG Página 96 . e se a coisa porta defeito oculto – há vício redibitório (diminui o valor da coisa ou prejudica a sua utilização). Já se não sabia do defeito. dissolvido o contrato. os prazos legais de garantia (por vício aparente ou redibitório).” – Na ação redibitória há desfazimento do contrato e devolução do preço. na relação de consumo. mais as despesas do contrato. O vício redibitório é defeito oculto na coisa. Nessa linha é razoável o entendimento no sentido de se pleitear maior abatimento em sede de ação quanti minoris. oportunidade em que ficará com o bem. 443: “Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa. redibindo o contrato (art.

na falta desta. Prazos gerais – contado da entrega efetiva:  30 dias – bem móvel  01 ano – bem imóvel Se o adquirente já estava na posse do bem:  O prazo será contado da efetiva alienação. em se tratando de bens móveis. ou. o prazo conta-se da alienação. o § 1 Quando o vício. ou seja. de possível aplicação supletiva na relação de consumo. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel. em conclusão que o STJ julgando o Ag Rg no Resp 639. sob pena de decadência”. 445 do CC. mas o adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento.Direito Civil – Pablo Stolze Art. fosse ré em ação redibitória promovida pelo mutuário. mas. Se o vício somente puder se conhecido mais tarde:  O prazo conta-se do momento da ciência e será de:  180 dias: no caso de bens móveis  01 ano: se for imóvel.193/DF admitiu que a Caixa Econômica Federal.  O prazo será reduzido a metade: isso porque se o adquirente já estava na posse do bem. aponta no sentido de que a perda da metade do prazo só haverá se o adquirente estivesse na posse da coisa por tempo razoável. contado da entrega efetiva. já o conhecia e poderia saber do vício. 445. se já estava na posse. surgindo o defeito. em respeito a boa fé objetiva. considerando que agiu de má-fé. Vale anotar. pelos usos locais. e de um ano se for imóvel. aplicando-se o disposto no parágrafo antecedente se não houver regras disciplinando a matéria.: uma hermenêutica razoável. não tem sentido que aquele que comprou o bem ter o prazo contado pela metade se já estava na posse do bem há apenas 1 semana. para os imóveis. Obs. Evicção: Intensivo I LFG Página 97 . e de um ano. reduzido à metade. mero agente de financiamento da casa própria. estabelece que o prazo legal não corre na constância da garantia contratual. os prazos de garantia por vícios ocultos serão os estabelecidos em lei especial. o § 2 Tratando-se de venda de animais. em face da segunda parte do art. por sua natureza. o adquirente deverá comunicar em trinta dias sob pena de perder a proteção legal. O contratante tem o dever de mitigar: se não comunicar o defeito irá perder a garantia. 446: “Não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia. só puder ser conhecido mais tarde. *Garantia legal X Garantia contratual: O artigo 446. até o prazo máximo de cento e oitenta dias. o prazo contar-se-á do momento em que dele tiver ciência. Art.

em caso de a evicção se operar em face de bem arrematado em hasta pública. Wilar de Castro. essa garantia subsiste ainda que a aquisição do bem se tenha realizado em hasta pública. além do pagamento do preço.: Assim. Se o bem é móvel a hasta pública é um leilão. a responsabilidade recairia no próprio credor-exequente. de direitos que assistem ao evicto. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública”. podendo se valer da denunciação da lide. A evicção traduz a perda da posse e propriedade da coisa alienada. “Salvo estipulação em contrário. II . CC. 447 do CC que. a responsabilidade do próprio Estado por haver permitido a hasta pública (Araken de Assis. adquirente (evicto) e o terceiro (evictor). perda de um imóvel por ter sido efetivada a venda a non domino. na doutrina que o se o executado não tem bens para ressarcir o arrematante. A ideia fundamental é aprender a noção de que a evicção se dá com a perda do bem em razão do reconhecimento de direito anterior motivado em ato judicial ou administrativo. é um desdobramento da execução civil. que recebeu o preço. Obs. todos sabem. CC. Mas se o credor não puder ressarcir o arrematante. em último plano. 450. há quem entenda que. estando andando com o veículo é parado em blitz e perde o carro em virtude de ato administrativo considerando que o carro era furtado. *Direitos do evicto contra o alienante: Há previsão. quem irá responder pelo valor é o credor do executado. E o adquirente irá responsabilizar o alienante. Intensivo I LFG Página 98 . Ex. o alienante vende um carro para o adquirente que. Nesse ponto é necessário observar que. tem direito o evicto. nos termos da lei. quando o bem é imóvel. em virtude de um ato judicial ou administrativo que reconhece direito anterior de outrem. em última ratio a responsabilidade poderá recair no Estado. Observe-se que. Fredie Didier). nos termos do art.à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir. III . Hasta pública. sustentada inclusive por Fredie Didier não é compartilhada pelo professor. é razoável o entendimento de que o devedor-executado responderá pela evicção operada e. Ex. o alienante responde pela evicção. e pertencia a terceiro (direito anterior). Há quem sustente. por haver recebido indevidamente o preço pago. O adquirente sofre a perda da evicção em virtude do reconhecimento de direito anterior de terceiro. O sistema jurídico da evicção envolve três figuras: alienante. CC: “Nos contratos onerosos. Traz a noção de perda. Não concordamos. no art. Art. quem irá responder por eventual evicção relativa a bem adquirido em hasta pública é o devedorexecutado.às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído. devendo buscar os bens para satisfazer o crédito relativo ao bem arrematado. todavia. 450. além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou: I . Art.à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção. se for insolvente.Direito Civil – Pablo Stolze Evicção vem de uma raiz latina evincere. com respeitável doutrina que visualiza. 447. dá-se pela praça. Essa posição.

Intensivo I LFG Página 99 . na época em que se evenceu. um contrato poderá ser extinto de três maneiras: por resolução. Uma das partes não cumpre a sua obrigação. comprou assumindo o risco e não poderá demandar pela evicção. Exclusão legal da garantia (art. a expressão técnica a ser utilizada é a resolução contratual. Já se a cláusula prevê a ciência do adquirente da evicção e este assume o risco formalmente (loucura!!). não terá direito a nada. Art. é como se estivesse o adquirente adquirindo coisa litigiosa. 448. Essa matéria varia um pouco de autor para autor. que. na perspectiva do princípio da função social. ou se sabia que sob ele pendia litígio.” Essa cláusula que exclui a responsabilidade da evicção merece aprofundamento detido. não o assumiu. havendo mitigação feita pelo CC. além disso. mas. admite que a garantia da evicção pode ser reforçada. se. terá pelo menos o direito ao preço pago. seja a evicção total ou parcial. a despeito da existência de uma cláusula excludente da garantia da evicção. se sabia que a coisa era alheia ou litigiosa”) – Essa exclusão é óbvia e não causa problemas. será o do valor da coisa. de constitucionalidade duvidosa. diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção. se esta se der. em seu artigo 448. se contrato diz que o alienante não responde pela evicção e o adquirente assume o risco da evicção (é informado. e proporcional ao desfalque sofrido. diminuída ou até mesmo excluída por meio do contrato. assumir formalmente o risco de perder a coisa. Resolução: A resolução traduz forma de dissolução contratual em caso de inadimplemento (artigos 474 e 475). O preço. 449 do CC. dele informado. se compra um carro sabendo que não é do alienante. por cláusula expressa. no caso de evicção parcial.Direito Civil – Pablo Stolze Parágrafo único. CC: “Não pode o adquirente demandar pela evicção. é necessário observar que o art. Exclusão convencional da garantia (art.” *Modificação /Exclusão da garantia através do contrato: O Código Civil brasileiro. 449. se esta se der. resilição e rescisão. não terá o adquirente o direito a receber o preço. 457. 2. ou. na relação de consumo é abusiva. Ex. na relação civil em geral é admitida em dois níveis: 1.: Assim. A exclusão da garantia da evicção. Ex. admite que. CC: “Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção. reforçar. em nosso sentir. tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta.) – Nessa hipótese. Obs. CC: “Podem as partes. se não soube do risco da evicção. se o contrato disser que o alienante disser apenas: o alienante não responde pela evicção – o evicto tem pelo menos o direito de receber de volta o preço que pagou. pelo que não terá direito sequer ao preço que pagou. ou dele sabia). Extinção do Contrato: Basicamente.

Direito Civil – Pablo Stolze Em havendo cláusula resolutiva expressa, a resolução do contrato opera-se de forma automática, razão pela qual, a sua estipulação é de grande utilidade processual. Art. 474, CC: A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial. Art. 475, CC:A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe
o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos.

Rescisão: A palavra rescisão costumeiramente é usada no mesmo sentido de resolução, mas, vale observar, que a doutrina clássica, a exemplo de Serpa Lopes e Orlando Gomes, amparada na doutrina de Francesco Messineo, sustentava que, o termo rescisão tecnicamente significaria invalidação de um contrato viciado pela lesão. Resilição: Resilição nada tem haver com inadimplemento. Não é sempre que é possível a resilição, e quando for possível se dará pelo exercício do direito potestativo das partes, ou de uma delas. A resilição, que tanto pode ser bilateral (art. 472) como unilateral (art. 473) traduz, quando possível, especialmente nos contratos de atividade (como a prestação de serviços) a dissolução do contrato por simples manifestação de vontade. Art. 472: “O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato”. Art. 473, CC: “A resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente o permita, opera
mediante denúncia notificada à outra parte. Parágrafo único. Se, porém, dada a natureza do contrato, uma das partes houver feito investimentos consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos.”

Mas apesar da possibilidade de resilição, há possibilidade de fidelização perpetrada pelo contratante. Ex. empresas de telefonia. A previsão legal consta do parágrafo único do art. 473 do CC. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ARRAS: Conceito: As arras consistem na cláusula negocial que estipula a entrega de dinheiro ou outra coisa a outra parte, visando a assegurar o negócio pactuado. Em geral quando se estuda arras, temos outra denominação, que o “sinal dado em pagamento”. A primeira função que as arras têm é tornar o contrato seguro. Mas existe espécie de arras em que se tem a segurança do contrato, mas também há o direito de arrependimento. Arras confirmatórias: São as mais conhecidas.

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Direito Civil – Pablo Stolze Conceito: as arras confirmatórias traduzem início de pagamento e não admitem direito de arrependimento. Ex. Fulano pagou o sinal do apartamento dele. Se existentes essas arras confirmatórias não é possível voltar a atrás. Se for financiado bem o dinheiro inicial dado, em geral, trata-se de arras confirmatórias. Art. 417, CC: “Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra,
a título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na prestação devida, se do mesmo gênero da principal.”

Referidas arras marcam o início da execução do contrato. Nos termos do art. 418 do CC, nas arras confirmatórias, o sinal pago poderá indenizar a parte que não cumpriu o contrato. Art. 418, CC: “Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra
tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado.”

Obs.: o artigo 419 do CC: (“A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo,
valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização”),

para as arras confirmatórias, admite indenização

suplementar em favor da parte inocente. Arras Penitenciais Conceito: as arras penitenciais, diferentemente, reguladas no art. 420 do CC, embora tenham função indenizatória, garantem o direito de arrependimento, de maneira que, a parte que se arrepende, embora perca o valor do sinal, não pode ser compelida a pagar indenização suplementar. Art. 420, CC: “Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou
sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar.”

As arras confirmatórias não permitem o arrependimento e quem se arrepende é considerado inadimplente, cabendo inclusive indenização suplementar se as arras não suprem as despesas. Já as arras penitenciais permitem o arrependimento, não sendo cabível indenização suplementar e não havendo o que se falar em inadimplência. Há perda apenas do sinal. Obs.: O STJ, julgando o Resp 761.944/DF, assentou que se o pagamento inicial do contrato representa substancial adimplemento da dívida, não se trata de um mero sinal, mas sim, do cumprimento quase total da obrigação principal. Se o valor pago inicial é vultoso, não se trata de mero sinal, mas sim de adimplemento substancial do contrato. DIREITOS REAIS / DIREITOS DAS COISAS: Conceito: Até o início do século XX preferia-se a expressão “direitos das coisas”. Os direitos reais ou direitos das coisas traduzem o conjunto de normas reguladoras das relações jurídicas referentes às coisas suscetíveis de apropriação pelo homem, segundo uma finalidade social. No campo dos direitos reais, antes de ingressarmos na propriedade, é necessário explicar a posse.
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Direito Civil – Pablo Stolze POSSE: Teorias explicativas da posse: a) Teoria Subjetiva de Savigny: Savigny partia da ideia de que a posse se baseava em dois elementos: animus (intenção de ter para si o bem) e o corpus (apreensão sobre o bem – poder sobre a coisa). Para Savigny a posse consistiria no poder exercido sobre a coisa, com a intenção de têla para si. Para tanto, Savigny decompôs a posse em dois elementos: animus (a intenção de ter a cosia para si) e corpus (o poder material ou físico sobre a coisa). b) Teoria Objetiva de Ihering: Ihering por sua vez, parte da ideia de que, para ser possuidor basta o exercício de um dos poderes da propriedade, comportando-se como se fosse proprietário, considerando que há possibilidade de que situações possessórias não sejam baseadas em ambas as premissas. A análise da posse é apenas objetiva. Possuidor, simplesmente, é aquela pessoa que está exercendo poderes como se proprietário fosse. Para esta segunda teoria a posse não exigiria a sua decomposição em dois elementos. Objetivamente, se o sujeito exerce poderes de proprietário, comportando-se como se assim o fosse e imprimindo destinação econômica à coisa, será considerado possuidor. São poderes que integram o conceito de propriedade: usar, fruir, dispor e reaver. Ex. se empresto um celular a um amigo, e este a usa – o amigo será possuidor, considerando que exerce um dos poderes da propriedade. Observe-se que ainda que armado, se um bando invade uma fazenda tomando-a para si, e expulsando o proprietário trata-se de possuidor. A discussão se é posse justa ou injusta é outra questão. Frise-se que, inclusive há possibilidade de obtenção da propriedade através da usucapião extraordinária. Opção do legislador: Analisando o art. 1.196 do CC, em cotejo com nosso sistema constitucional, podemos concluir que a matriz do direito brasileiro adota a Teoria Objetiva de Ihering, reconstruída na perspectiva sociológica (Saleilles / Hernandez Gil) em face da necessária incidência do princípio da função social. Art. 1.196, CC: “Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos
poderes inerentes à propriedade.”

Mas, muito embora a matriz seja baseada em Ihering não se pode esquecer uma visão sociológica nascida, impondo a necessidade de atenção à função social. Natureza jurídica da posse: Direito real ou situação de fato protegida pelo direito? O rol de direitos reais é taxativo e tem previsão no art. 1.225 do CC, não estando inclusa a posse em referido rol. Assim, a simples leitura do dispositivo conduz a ideia de que a posse seja situação de fato protegida pelo direito que pode gerar direitos reais. Mas há divergência.
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Direito Civil – Pablo Stolze Segundo o professor Moreira Alves, em seu monumental Tratado da Posse, há quem diga que a posse seria um direito real (na linha de pensamento de Ihering e Teixeira de Freitas). Há quem diga ainda que a posse seria ao mesmo tempo fato e direito (Savigny), mas melhor é o entendimento no sentido de que a posse é uma situação de fato protegida pelo ordenamento e constitutiva de direitos reais. Ex. usucapião. É a posição do prof. Geraldo Vilaça. Quanto a posse, ler os artigos do Código Civil, especialmente o 1.205 (quem pode adquirir posse) e o 1.223 (modos de perda da posse). *Diferença entre Jus possidendi e jus possessionis: Jus possidendi consiste no direito à posse derivado de um título. Ex. comprou um carro – tem a posse razão da compra. O Jus possissionis, por sua vez, caracteriza o direito resultante do exercício da posse. Ex. inquilino tem o direito de possuir e proteger a coisa. É direito que deriva da posse. *Posse de Direitos: Seria mais técnico dizer que titulariza direitos, possuir, possui-se a coisa. A ideia de posse de direitos surgiu quando inexistia o mandado de segurança, alegando-se a parte que era possuidora de direitos e solicitando a tutela do judiciário para tanto. Com o surgimento do Mandado de Segurança, indaga-se se ainda existe a posse de direitos. Com base no entendimento de Arruda Alvim, o correto é falar em posse de coisas. E quanto aos direitos, devem ser titularizados. No campo do direito autoral e propriedade intelectual devem ser observadas as regras especiais e não a tutela do direito a posse prevista no CC. No entanto, excepcionalmente poderá ser aplicada a teoria da posse em relação a direitos. Na linha do direito alemão (§90 do BGB), Menezes Cordeiro, na monumental obra “A posse: perspectivas dogmáticas atuais”, afirma que a posse só surge no âmbito das coisas corpóreas podendo ser aplicada em outras áreas apenas em situações excepcionais (no Brasil, é exemplo da excepcional situação da posse de um direito o enunciado da súmula 193 do STJ: “O direito de uso de linha
telefônica pode ser adquirido por usucapião.”

Classificação da posse: 1. Quanto ao seu exercício: Quanto ao exercício a posse pode ser direta e indireta. Art. 1.197: “A posse direta, de pessoa que
tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto.”

a) Direta: na forma do art. 1.197, é aquela em que o possuidor tem contado direto com coisa. Ex. locatário, usufrutuário, comodatário. b) Indireta: o possuidor indireto, embora exerça poderes não possui contato direto com a coisa. Ex. locador
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Direito Civil – Pablo Stolze

O possuidor direto pode proteger a sua posse inclusive contra o possuidor indireto. Obs: O que é composse? A composse, nos termos do art. 1.199 do CC (Se duas ou mais pessoas possuírem
coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores.),

traduz a situação em que duas ou mais pessoas simultaneamente exercem posse sobre a mesma coisa. Ex. há um único imóvel objeto da posse e da propriedade de três pessoas. Composse é semelhante ao condomínio, mas no condomínio há compropriedade. E na composse há simultaneidade de exercício de posse. Se porventura esses compossuidores resolverem dividir a área entre eles para melhor exploração da terra, a composse passa a se chamar composse pro diviso. Trata-se de uma divisão entre eles, mas todos são compossuidores do todo. Não havendo essa divisão interna, será chamada composse pro indiviso. 2. Quanto a existência de vício a posse pode ser: A posse pode ser justa ou injusta na forma do art. 1.200 do CC: a) Justa: a definição está no art. 1.200 do CC: “É justa a posse que não for violenta, clandestina ou
precária.”

b) Injusta: posse injusta é a violenta, clandestina ou precária. Ex. imagine que no dia 10/04 o Pablo proprietário e possuidor de uma fazenda lá estava, oportunidade em que o tem sua fazenda invadida ali permanecendo durante cinco dias – durante esses cinco dias houve atos de violência pelo invasor e de legítima defesa da possa por parte do proprietário. No prazo em que são perpetrados atos de violência não há posse. Mas em data posterior a esses cinco dias o proprietário sofre esbulho de posse, atuando o invasor como se proprietário fosse – exerce atos de posse, mas essa é uma posse injusta uma vez que deriva da violência. Se o invasor entra escondido e, por exemplo, troca as fechaduras da casa, trata-se de posse clandestina. Posse injusta é posse. Exercida a posse injusta, o proprietário esbulhado pode ajuizar ação de reintegração de posse e não sendo aviada tal ação no prazo de ano e dia não haverá perda da tutela possessória, mas sim da liminar no rito especial da possessória, o que não impede que seja pedida antecipação de tutela. O que o proprietário esbulhado perde se não ajuizar possessória no prazo de ano e dia perde a possibilidade de pleitear pedido liminar da tutela possessória (rito especial). Obs.: Assim, não posso me esquecer de que se o proprietário esbulhado ou turbado deixa transcorrer o prazo de ano e dia para a defesa de sua posse, posto ainda faça jus à proteção possessória, perde o direito a liminar do rito especial, uma vez que o réu passa a ter sobre a área “posse velha” (mas, transcorrido esse prazo de ano e dia, nada impede que a possessória possa ser intentada pelo rito ordinário com pedido de antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional). ** O que é posse precária? A matéria padece nesse ponto, de um equívoco interpretativo. A depender da interpretação dada pode-se chegar a conclusões díspares. Mas analisando a questão sob a ideia de Clóvis Beviláqua temos que há uma diferença entra a posse precária lícita e a
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no momento em que o possuidor. Ex. 113 do Código Civil. Art.1.Direito Civil – Pablo Stolze precariedade que gera a posse injusta. em nítida quebra de confiança. Parágrafo único. portanto. CC: Art. esteja ou não materializado em instrumento público ou particular. se o possuidor ignora o vício. e. Salvo prova em contrário. Pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé o ato jurídico capaz de transmitir a posse ad usucapionem. Considera-se justo título para presunção relativa da boa-fé do possuidor o justo motivo que lhe autoriza a aquisição derivada da posse. entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida.201. haverá presunção relativa desta boa-fé em seu favor. Quanto ao elemento psicológico: No que tange ao elemento psicológico (arts.203. b) De boa-fé: o possuidor de boa-fé é aquele que desconhece o vício que macula a sua posse. A posse precária se torna injusta no momento em que o proprietário requer a posse ao possuidor precário e este quebra confiança nele depositada. O formal de partilha vale como justo título. 1. observado o disposto no art.200 e 1.) a posse pode ser: a) De má-fé: Em linhas gerais. recusando-se a entregar ou devolver o bem. Trata-se de posse instável. e não apenas uma escritura pública ou formal de partilha viciados.214.202. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé. Obs.201/1. Na linha de pensamento de Clóvis Beviláqua. em havendo um justo título.203. configurando-se a posse injusta. tem relativizado corretamente este entendimento (ver Enunciados 302 e 303 da 4ª Jornada de Direito Civil – Enunciado 302: Art. Compreensão na perspectiva da função social da posse. Posse precária é posse concedida a título de favor. Esse tipo de posse precária é perfeitamente lícito.1. 1. É de boa-fé a posse. Os autores mais modernos entendem que até mesmo um recibo. Ex. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente. na perspectiva da função social da posse. 1. recusa-se a devolver o bem como se proprietário fosse (interversão da posse – En. a doutrina moderna. a concessão da posse precária (entendida como aquela deferida a título de favor como no comodato) é perfeitamente lícita. Aqui a posse se torna injusta pela quebra da confiança. 1. tornando-se uma posse precária injusta. 3. sob o critério psicológico possuidor de má-fé é aquele que tem ciência do vício que inquina a sua posse (a jurisprudência entende que se dá com a citação em ação possessória).: A despeito de uma visão mais conservadora dos Direitos Reais entender que justo título deve ser um documento formal (como uma escritura pública ou um formal de partilha). posse precária e a qualquer tempo o proprietário pode requerê-la. empréstimo de casa para que possa ficar em uma temporada de verão – por meio de comodato está-se cedendo o uso da coisa. ou quando a lei expressamente não admite esta presunção. mas lícita e concedida a título de favor. se recebeu como herança uma fazenda. poderia configurar um justo título tendo em vista a função social da posse. ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa.201. de seu avô e este tinha esbulhado e falsificado o registro anteriormente. Art. 237 da 3ª Jornada) surge o vício da precariedade. Enunciado 303: Art.) Exemplos: Intensivo I LFG Página 105 . A posse do comodatário é posse de favor. salvo prova em contrário. No entanto.

vinculando-o ao empreendimento. sou proprietário do meu apartamento e vendo-o para Fredie. 2. até que prove o contrário. se eu desconhecia é também de boa-fé. Assim. de maneira que. aquele que possuía em nome alheio passar a possuir em nome próprio. A chamada cláusula constituti documenta o constituto possessório.931/2004. 1. conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. o patrimônio de afetação visa a imprimir maior segurança jurídica no mercado imobiliário. poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força. 1. Possuía o bem em nome próprio e passarei a possuí-lo em nome alheio.Direito Civil – Pablo Stolze  Posse injusta e de boa-fé: A herança traz a posse com a origem objetiva: se era injusta é assim transmitida.210: Legítima defesa e desforço incontinente. Parágrafo único.210. observe-se que. presume-se detentor. contanto que o faça logo. a posse injusta é de má-fé e a posse justa é de boa-fé. CC: O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação. Posse justa de má-fé: esse exemplo é dado por Flávio Tartuce: o locatário exerce posse justa. O que é autotutela da posse? Trata-se de um legítimo meio de autodefesa. mas de boa fé. e segurado de violência iminente. ou de outro direito sobre a coisa. Nesse ponto. Questões especiais de concurso: 1.: se a operação for contrária. § 1 O possuidor turbado. ou restituição da o posse. O que é patrimônio de afetação? Consagrado pela lei 10. restituído no de esbulho. que tenha por objeto. não podem ir além do indispensável à manutenção. 1. O que é constituto possessório? Trata-se da operação jurídica que muda a titularidade na posse. mas. mas. ou seja. em geral. mas no contrato há cláusula que permanecerei como inquilino no imóvel. em relação ao bem e à outra pessoa. motorista particular. exercido segundo o princípio da proporcionalidade em duas situações previstas no §1º do art. CC: Considera-se detentor aquele que. achando-se em relação de dependência para com outro. caseiro. uma vez que destaca patrimônio específico da construtora. detentor é aquele que. por exemplo um carro roubado. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este artigo. não sendo possuidor. § 2 Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade.198. aquele que possuía em seu próprio nome passa a possuir em nome de outrem. se a sua intenção é usucapir o imóvel está de má-fé. se eu recebo uma herança. o  3. Ex. Intensivo I LFG Página 106 . Art. 4. ). Ex. se tiver justo receio de ser molestado. No entanto. É o contrário do constituto possessório. bibliotecário. ou esbulhado. o instituto denomina-se traditio brevi manu. em defesa do possuidor (comprador) de determinado imóvel. segue instruções do proprietário ou legítimo possuidor (art. Vale dizer. esta posse que me foi transmitida é injusta. O que é fâmulo da posse ou gestor ou servidor da posse? É o caso do detentor. Obs. podendo a posse do herdeiro ser injusta. ou de desforço. o elemento subjetivo transmuda-se. os atos de defesa.

sustenta a aplicação analógica do art.215. devendo responder pelos frutos colhidos e percebidos e os que por sua culpa deixou de perceber.216. mas e se a questão na prova envolver produtos? Uma primeira linha de raciocínio. desde o momento em que se constituiu de má-fé. 1.214 (acima citado). O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa. O tratamento da lei para o possuidor de má-fé é bastante duro.216 do CC referem-se à percepção de frutos. por dois anos uma plantação é citado em ação de reintegração de posse considerando que o registro se encontrava viciado.: Os artigos 1. salvo se. ao passo que o produto. Como estava de boa-fé os frutos colhidos. ao seu proprietário. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos. couberem a outrem”) .214/1. depois de deduzidas as despesas da produção e custeio. os artigos 1.218 do CC tratam de forma mais gravosa o possuidor de má-fé. recebida uma herança consubstanciada em uma fazenda. não). a que não der causa. concluímos que o legislador protege o possuidor de boa-fé.216: da leitura das normas. Art. Citem-se os dispositivos: Art.214 / 1. Ex. Intensivo I LFG Página 107 . Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos. por culpa sua.217 e 1. deixou de perceber. enquanto ela durar. para efeito de se proteger o possuidor de boa-fé que extraiu produtos da coisa principal.217.232 (“Os frutos e mais produtos da coisa pertencem. Responsabilidade Civil pela Perda ou Deterioração da coisa: Na mesma linha do tópico anterior.Direito Civil – Pablo Stolze Efeitos da posse: Percepção de frutos e produtos: Revisar no caderno de parte geral a diferença entre frutos e produtos. tem direito às despesas da produção e custeio. bem como pelos que. Já o possuidor de má-fé tem direito apenas às despesas da produção e custeio. No que se refere à posse. 1. fruto é uma utilidade que se renova. Art. por preceito jurídico especial. tendo produzido.214. na falta de regulamentação específica. bem como a sua classificação (recordando. respeitando o próprio princípio da boa-fé. aos frutos percebidos. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos. a matéria está tratada especialmente nos artigos 1. logo que são separados. sustenta que o possuidor de boa-fé ou de má-fé deverá indenizar o proprietário pelo produto extraído. O possuidor de boa-fé tem direito. Os colhidos antecipadamente e os pendentes serão restituídos. Parágrafo único. 1. percebidos são do possuidor. à luz do art. 1. Citem-se os dispositivos: Art. ainda quando separados. inspirada em Clóvis Beviláqua. uma segunda linha de pensamento. sendo indenizado pelas despesas que teve. 1. quanto a perda ou deterioração da coisa. 1. os civis reputam-se percebidos dia por dia. A matéria é eminentemente teórica e não se encontra consolidada nenhuma das posições na jurisprudência. Obs. devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação.

Também aqui a boa ou a má-fé do possuidor interfere na percepção ou não das benfeitorias realizadas (matéria tratada a partir do art. se danificar ou perder a coisa terá responsabilidade civil objetiva (responde pela perda ou deterioração ainda que acidentais). DIREITO DE PROPRIEDADE Conceito: Trata-se de um direito real complexo. e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. segundo uma função social. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. úteis e voluptuárias. nos termo s do art. se deu causa à perda ou deterioração da coisa. pois. o possuidor de boa-fé. desde que não prejudique a coisa principal. quanto às voluptuárias. obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé. O proprietário é denominado nu-proprietário uma vez que fica despido de poderes. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias. Assim. poderá ser compelido a indenizar o legítimo proprietário. compreensivo das faculdades reais de: usar. 1. Já o possuidor de má-fé.228 do CC. O possuidor de boa-fé tem o direito de ser indenizado pelas benfeitorias úteis e necessárias (fazendo jus inclusive ao direito de retenção). ou deterioração da coisa. dispor e reivindicar a coisa.218. 1.217. e. e só obrigam ao ressarcimento se ao tempo da evicção ainda existirem. 1. Art. queimada para se fazer pasto – o fogo se alastra e atinge toda a fazenda: o possuidor deu causa a danificação da coisa principal por culpa e deverá indenizar o proprietário. O possuidor de má-fé responde pela perda. Merecem destaque: Art. consistente em um direito real na coisa própria. gozar e fruir. nem o de levantar as voluptuárias. 1. usufruto – passa as faculdades de uso e fruição para o usufrutuário. As benfeitorias compensam-se com os danos. Ex. caso não lhes sejam pagas. ainda que acidentais. regulado a partir do art.220.218. Autores como Carlos Roberto Gonçalves e Arnold Wald. nos termos do art. 1. afirmam que “dar causa” significa agir com culpa ou dolo. tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo. O reivindicante. Já o possuidor de má-fé só terá direito de indenização pelas benfeitorias necessárias.222. se não lhe forem pagas. Tendo o agente todas as faculdades será considerado proprietário pleno. 1.221. Intensivo I LFG Página 108 . ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor atual. não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas. 1.Direito Civil – Pablo Stolze Art. sem o direito de retenção da coisa. a levantá-las. Art. é tratado de forma severa. quando o puder sem detrimento da coisa.219 do CC). bem como. Art. salvo se provar que de igual modo se teriam dado. 1. Indenização pelas benfeitorias realizadas e direito de retenção: Existem três tipos de benfeitorias: necessárias. A propriedade tem capacidade de constituir outros direitos reais. quanto às voluptuárias. poderá levantá-las (jus tollendi). 1. estando ela na posse do reivindicante.219. Ex.

ver artigos 1. e os limites ordinários de tolerância dos moradores da vizinhança. Ed. não exigiu a prova da intenção de prejudicar. A função social da propriedade. Art. *No CC. os direitos de vizinhança visam a regular conflitos de concorrência entre os vizinhos. tendo em vista a harmonia social. inadvertidamente exige a prova desta intenção. 187 do CC. encontramos um roteiro com o rol de direitos de vizinhança e os seus artigos correspondentes. Deveres de fazer e não fazer. o “infeliz” §2º do art.229/1.228. as características do direito de propriedade. não importando quem seja o proprietário ou possuidor. Tais direitos de vizinhança podem ser entendidos como obrigações propter rem. CC: “O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança. ao definir o abuso de direito. Os direitos de vizinhança impõem condutas positivas e negativas. DIREITOS DE VIZINHANÇA: Conceito: Segundo o professor Santiago Dantas. segundo a finalidade social do imóvel. especialmente a elasticidade (Orlando Gomes – Direitos Reais): a propriedade é elástica na medida em que pode ser distendida ou contraída. Trata-se do conjunto de regras que disciplina a convivência harmônica entre os vizinhos.277 traz dispositivos que regulam o uso da propriedade. provocadas pela utilização de propriedade vizinha. 1. ao tratar do abuso da propriedade (ato emulativo). 1. Proíbem-se as interferências considerando-se a natureza da utilização. sem perder a sua essência. ** O art. exercendo uma finalidade passiva (deveres de abstenção do proprietário) e uma finalidade ativa (condutas comissivas necessárias do proprietário). sendo que em sala abordaremos os mais importantes para concursos. magistralmente desenvolvida León Duguit na Clássica obra As Transformações Gerais do Direito Privado.” Intensivo I LFG Página 109 . o que deve ser desconsiderado segundo a melhor doutrina (para aprofundamento. na medida em que aderem à coisa. ao sossego e à saúde dos que o habitam.230 quanto à extensão da propriedade. quais sejam: Uso anormal da propriedade: O CCB em seu artigo 1.277. a localização do prédio. para formar outros direitos reais. Caso o proprietário ou possuidor exerça o seu direito de forma abusiva. poderá ser civilmente responsabilizado.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. Método). atendidas as normas que distribuem as edificações em zonas. além de atuar como um título justificativo (Pietro Perlingieri) é vetor limitativo da propriedade. ver o Abuso de Direito no Novo Código Civil de Daniel Boulos. visto na grade de responsabilidade civil. Parágrafo único. No material de apoio.: Ver no material de apoio.

mas sim segundo a própria localização do prédio e os zoneamento urbano. 1. Questão de concurso: O que é ação de dano infecto ou iminente? Trata-se da demanda proposta com base no art. Nada impede que seja construída servidão de passagem que terá a mesma finalidade. cujo rumo será judicialmente fixado. Conceito: A passagem forçada consiste no direito que assiste ao dono do prédio encravado de reclamar do vizinho que lhe deixe passagem. CC: “O proprietário ou o possuidor tem direito a exigir do dono do prédio vizinho a demolição.285. é criada. depois. a dar uma outra. CC).277.Direito Civil – Pablo Stolze O proprietário tem o direito de fazer cessar o uso abusivo da propriedade perpetrada pelo vizinho. 1. CC: O dono do prédio que não tiver acesso a via pública. não estando o proprietário deste constrangido. Observe-se ainda que poderá ser feita representação perante o Ministério Público para que seja ajuizada ação coletiva. Mas essa teoria não se aplica mais uma vez que a solução deve levar em conta o planejamento urbano. Servidão é direito real na coisa lei. com o propósito de salvaguardar o proprietário ou possuidor que esteja ameaçado pela ruína do prédio vizinho. de modo que uma das partes perca o acesso a via pública. *Teoria da Pré-ocupação: razão assistiria a quem teria ocupado primeiramente o solo.” É ação que protege o proprietário ou possuidor que está com medo de que a casa do vizinho desabe em cima da sua. bem como que lhe preste caução pelo dano iminente. mediante pagamento de indenização cabal.280 do CC. mas os institutos não são idênticos. constituída. uma vez que no caso de necessidade de demolição deveria ser ajuizada ação demolitória. Passagem forçada é direito de vizinhança. antes da alienação. A passagem forçada decorre diretamente da lei e tem natureza de direito de vizinhança.280. não é razoável solucionar-se o conflito entre vizinhos segundo a prioridade da construção (Teoria da Pré-ocupação). 1. à luz do interesse social (art. pode. ou a reparação deste. o o proprietário da outra deve tolerar a passagem. 1. existia passagem através de imóvel vizinho. A servidão normalmente é constituída por contrato. quando ameace ruína. se o o necessário.§ 3 Aplica-se o disposto no parágrafo antecedente ainda quando. Art. § 2 Se ocorrer alienação parcial do prédio. 1. Art. Assim. Ex. Dano infecto refere-se a caução relativa ao dano iminente.285. p. som alto e perturbador – pode pedir que seja colocado isolamento acústico. § 1 Sofrerá o constrangimento o vizinho cujo imóvel mais natural e facilmente se prestar à passagem. constranger o vizinho a lhe dar passagem. mediante pagamento de indenização (art. nascente ou porto. Passagem forçada: Passagem forçada não se confunde com a servidão. único – acima citado). derivando diretamente da lei. Intensivo I LFG Página 110 . nascente ou porto.

 Em zonas rurais. O proprietário pode levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver. Obs. ou fazer eirado. não maiores de dez centímetros de largura sobre vinte de comprimento e construídas a mais de dois metros de altura de cada piso. Mas não se faz necessária uma vez que a lei autoriza que seja imposta a passagem forçada (que é ato lícito) mediante indenização do proprietário que sofra a passagem. diretamente. Art.299. caso queiram. por exemplo. mediante contrato. Observe-se que os vizinhos podem constituir servidão.: Nos termos dos §§ 2º e 3º do artigo 1. É defeso abrir janelas. As portas podem ser abertas. é permitida uma vez que não é devassada personalidade. CC) Essa proibição de construir com certa distância se dá considerando a intimidade. não poderão ser abertas a menos de setenta e cinco centímetros. 1. ** Desde Carvalho Santos. bem como as perpendiculares. sobre o prédio vizinho. não se pode construir há menos de três metros do terreno vizinho.  Não se pode construir de maneira. para o alienante. uma vez que se o proprietário do terreno não tem passagem não poderá escoar sua produção. Se vendido trecho de terra em que acarreta a exclusão da passagem. 1.285 (acima citado). CC. o adquirente deverá suportar a passagem. todavia for tipo de janela que não abre cujo vidro é translúcido. A proibição não é para a porta. 1. a doutrina já aponta no sentido de que o encravamento do imóvel é conceito relativo: se existir uma passagem inadequada ou inóspita. Obs. CC. Art. O que se proíbe é colocação de janela.301.300. que a água da calha despeje no terreno vizinho. A passagem forçada tem íntima relação com a função social do contrato.299.Direito Civil – Pablo Stolze Estando o terreno encravado deve ser efetivada a passagem forçada. atém mesmo porque a porta é colocada na altura do muro. a menos de metro e meio do terreno vizinho. o direito de passagem forçado deve ser suportado pelo adquirente. 1. 316.301. salvo o direito dos vizinhos e os regulamentos administrativos. A passagem forçada será exigida do vizinho cujo terreno mais facilmente se preste a passagem. o § 2 As disposições deste artigo não abrangem as aberturas para luz ou ventilação. Página 111 Intensivo I LFG .303. 1. o proprietário tem o direito de exigir nova passagem forçada (ver Enunciado 88 da 1ª Jornada e Resp. 1. se respeitarem as dimensões do §2º do art. Visa não violar direitos da personalidade. o § 1 As janelas cuja visão não incida sobre a linha divisória. se o encravamento resultar de uma alienação. Se essa abertura. Art. sacado. Direito de construir: O direito de construir encontra-se regulado a partir do art.  O proprietário pode construir em seu terreno aquilo que lhe aprouver e o que os regulamentos administrativos não o proibirem. (art. terraço ou varanda.: As pequenas aberturas para luz e ar podem ser abertas a menos de metro e meio.336/MS). O proprietário construirá de maneira que o seu prédio não despeje águas.

305. 1. caso em que o primeiro fixará a largura e a profundidade do alicerce. ao regular abertura de janela que permite mera visão oblíqua ou indireta. para suportar o alteamento. ou aberturas para luz. fornos ou quaisquer aparelhos ou depósitos suscetíveis de produzir infiltrações ou interferências prejudiciais ao vizinho. Não é lícito encostar à parede divisória chaminés. aparentemente entra em rota de colisão com a Súmula 414. do STF. A disposição anterior não abrange as chaminés ordinárias e os fogões de cozinha.302. caberá ação demolitória no prazo decadencial de ano e dia. não será permitido levantar edificações a menos de três metros do terreno vizinho. Art. 1. Se a parede divisória pertencer a um dos vizinhos.301 do CC.    Verificando o proprietário (possuidor) que o seu vizinho está realizando uma abertura ou obra irregular. O §1º do art. Parágrafo único.304. mas terá de embolsar ao vizinho metade do valor da parede e do chão correspondentes. edificar sem atender ao disposto no artigo antecedente. não pondo em risco a segurança ou a separação dos dois prédios. da mesma natureza. a obra já foi concluída.307. na parede-meia. “Não se distingue a visão direta da oblíqua na proibição de abrir janela.013/RS admitiu a conversibilidade entre os procedimentos de nunciação de obra nova e demolitória. terraço ou goteira sobre o seu prédio. não pode sem consentimento do outro. 1. 1. se necessário reconstruindo-a. vilas e povoados cuja edificação estiver adstrita a alinhamento. 1. todavia. o escoamento das águas da goteira. Nas cidades. abre-se o prazo decadencial de ano e dia para a propositura de ação demolitória (Resp.507/AL). O STJ. Art. Enquanto a obra está sendo feita. ou contramuro. Parágrafo único. 1. deve ser ajuizada ação de nunciação de obra e nova. ou fazer terraço. pelo risco a que expõe a construção anterior. levantar a sua edificação. fazer. madeirando na parede divisória do prédio contíguo. escoado o prazo.308.306. inclusive de conservação. 1.” Nos termos do CC. ou dificultar. fogões. Art. nem impedir. 311. Qualquer dos confinantes pode altear a parede divisória. arcará com todas as despesas. se ela suportar a nova construção. pode assentar a parede divisória até meia espessura no terreno contíguo.Direito Civil – Pablo Stolze  Sabendo que não podia abrir a janela com visão frontal o vizinho abre janela no telhado com visão oblíqua. O CC não apenas regulou essa matéria como também derrubou uma súmula do STF. seja qual for a quantidade. Art. ou com metade. não poderá. O condômino da parede-meia pode utilizá-la até ao meio da espessura. e avisando previamente o outro condômino das obras que ali tenciona fazer. eirado ou varanda a menos de metro e meio do prédio de outrem. Art. O confinante. e não tiver capacidade para ser travejada pelo outro. se o vizinho adquirir meação também na parte aumentada. a janela oblíqua somente não pode ser aberta se com distância menor que 75cm. julgando o Resp 851. sacada. exigir que se desfaça janela. a todo tempo. o vizinho poderá. Parágrafo único. no lapso de ano e dia após a conclusão da obra. não poderá este fazer-lhe alicerce ao pé sem prestar caução àquele. o dono de um terreno pode nele edificar. Art. se. Estando concluída a obra. Indaga-se se a abertura for perpendicular com visão frontal é permitida. sem perder por isso o direito a haver meio valor dela se o vizinho a travejar. por sua vez. armários. altura e disposição. Na zona rural. Em se tratando de vãos. com prejuízo para o prédio vizinho. correspondendo a outras. Art. já feitas do lado oposto. 1. Intensivo I LFG Página 112 . poderá embargá-la por meio de uma ação de nunciação de obra nova. ainda que lhes vede a claridade. O proprietário pode. ou obras semelhantes. que primeiro construir.303.

ou nascente alheia. Art. IV da CF (ver Enunciado 243 da 3ª Jornada de Direito Civil: “A presunção de que trata o §2º do art. O proprietário do prédio vizinho tem direito a ressarcimento pelos prejuízos que sofrer. e que se não encontrar na posse de outrem. onde quer que ele se localize. poderá ser impedida a sua entrada no imóvel. e passar.275/1. Não é permitido fazer escavações ou quaisquer obras que tirem ao poço ou à nascente de outrem a água indispensável às suas necessidades normais.276 do CC aparentemente padece de inconstitucionalidade.pela renúncia.por perecimento da coisa. 1. o § 3 Se do exercício do direito assegurado neste artigo provier dano. em face do artigo 150. o § 1 O disposto neste artigo aplica-se aos casos de limpeza ou reparação de esgotos. É necessário que se lavre documento para ser efetivada. 1.311. Modos de perda da propriedade imóvel: Art. 150. à propriedade da União. Caso seja abandonado Obs. o § 1 O imóvel situado na zona rural.276. terá o prejudicado direito a ressarcimento. IV da Constituição da República”) Intensivo I LFG Página 113 . como bem vago. como bem vago. cessados os atos de posse. uma vez entregues as coisas buscadas pelo vizinho. poços e nascentes e ao aparo de cerca viva. *Renúncia: a renúncia é expressa. a elas preexistentes. Nos casos dos incisos I e II. simplesmente o agente deixando de exercer os poderes sobre a propriedade. senão após haverem sido feitas as obras acautelatórias. quando indispensável à reparação. Art. ou inutilizar.: O §2º do art. inclusive animais que aí se encontrem casualmente. 1. Art. construção. poderá ser arrecadado. IV . O imóvel urbano que o proprietário abandonar. Além das causas consideradas neste Código. deixar o proprietário de satisfazer os ônus fiscais. O proprietário ou ocupante do imóvel é obrigado a tolerar que o vizinho entre no prédio. III . São proibidas construções capazes de poluir.por abandono. Todo aquele que violar as proibições estabelecidas nesta Seção é obrigado a demolir as construções feitas. goteiras.275.312. a água do poço. formal. o § 2 Presumir-se-á de modo absoluto a intenção a que se refere este artigo. reconstrução ou limpeza de sua casa ou do muro divisório. Não é permitida a execução de qualquer obra ou serviço suscetível de provocar desmoronamento ou deslocação de terra.310. tendo natureza inclusive negocial. Art.313.309. II . Art. mediante prévio aviso. II . poderá ser arrecadado. 1. perde-se a propriedade: I .apoderar-se de coisas suas. Parágrafo único. não obstante haverem sido realizadas as obras acautelatórias. três anos depois.276 não pode ser interpretada de modo a contrariar a norma-princípio do art. para uso ordinário. quando.dele temporariamente usar. 1. abandonado nas mesmas circunstâncias. CC: Art. e passar. 1. *Abandono: o abandono é informal.por desapropriação. com a intenção de não mais o conservar em seu patrimônio. se se achar nas respectivas circunscrições. V . respondendo por perdas e danos.Direito Civil – Pablo Stolze Art. para: I . Parágrafo único. o § 2 Na hipótese do inciso II. 1. ou que comprometa a segurança do prédio vizinho.276.por alienação. 1. à propriedade do Município ou à do Distrito Federal. os efeitos da perda da propriedade imóvel serão subordinados ao registro do título transmissivo ou do ato renunciativo no Registro de Imóveis. aparelhos higiênicos. 1. três anos depois. 1.

1.253 e seguintes extrai-se uma regra geral: o dono do solo adquire a propriedade da construção ou plantação.Direito Civil – Pablo Stolze Modos de aquisição da propriedade imobiliária: Os modos de aquisição da propriedade imobiliária são. excepcionalmente.255 do CC fala-se que há uma acessão invertida (vale consultar a doutrina da Prof. a decretação de invalidade do registro. por meio de ação própria. três: 1. consoante se pode ver da leitura do art. fundamentalmente. e este o prenotar no protocolo.245. 1. Intensivo I LFG Página 114 . Espécies de acessão: a) Artificial: plantações e construções (arts. Art. o sistema Romano (Orlando Gomes) segundo o qual a aquisição da propriedade imobiliária. Se o teor do registro não exprimir a verdade. aumentando o volume da coisa principal. Registro: O direito brasileiro adota. vale lembrar.245. 1. o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. 1. 1.247. Parágrafo único. 1. se o contrário ocorrer. art.248 e que se opera mediante a união física de uma coisa à outra. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. Conceito: trata-se de um modo natural ou artificial de aquisição da propriedade imobiliária regulado a partir do art. 1. o Registro Torrens regrado nos artigos 277/288 da Lei de Registros Públicos para imóveis rurais firma presunção absoluta da propriedade (ver doutrina no material de apoio). além do título exige a solenidade do registro. CC). independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente. poderá o proprietário reivindicar o imóvel. mas. 2. o Obs. mas. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro. Acessão Ver no caderno de parte geral a diferença entre acessão e benfeitoria.246. e o respectivo cancelamento. Cancelado o registro. a exemplo do parágrafo único do art.245 do CC e correspondentes artigos da LRP. § 2 Enquanto não se promover.ª Maria Helena Diniz). uma vez que terceiros eventualmente podem impugnar o domínio (§2º. Da leitura dos artigos 1. o § 1 Enquanto não se registrar o título translativo. e seguintes do CC).: O sistema Brasileiro firma uma presunção relativa de propriedade decorrente do registro. 1. poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. Art. Art.253. b) Natural: existem formas de acessão natural.

sem indenização. uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro. Conceito: A usucapião é modo originário de aquisição de adquirir propriedade (ou outros direitos reais).as que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos terrenos ribeirinhos fronteiros de ambas as margens. a teor do art. III . mediante o exercício da posse mansa. Requisitos da usucapião da propriedade: a usucapião pressupõe três requisitos fundamentais: a) Coisa suscetível de ser usucapida: ex. * Álveo abandonado: art.as que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideram-se acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado.251. não se pode usucapir bens públicos. CC: “O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens. dividir-seá entre eles. contínua e segundo o período de tempo estipulado na lei. sem indenização. suspendem ou interrompem a prescrição. 1. suspensivas e interruptivas do prazo prescricional lhe são aplicadas).244 do CC. ninguém houver reclamado. * Avulsão: art. observadas as regras seguintes: I . Obs. pertencem aos donos dos terrenos marginais. que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes. 1. Intensivo I LFG Página 115 . 1. as causas impeditivas. na proporção de suas testadas.Direito Civil – Pablo Stolze As formas de acessão natural são as seguintes: * Formação de ilhas: art. entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo”. Recusando-se ao pagamento de indenização. o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo. sucessiva e imperceptivelmente. por força natural violenta.: Denomina-se aluvião imprópria o aumento da propriedade imobiliária por meio da retração de águas dormentes. razão pela qual também é conhecido como uma forma de prescrição aquisitiva de direitos reais (inclusive. O terreno aluvial. CC: “Quando. por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes. as quais também se aplicam à usucapião”. Usucapião: O tempo é o fundamento deste instituto. se. o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida”.” * Aluvião: art. 1.244.249.as que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a pertencer aos proprietários dos terrenos à custa dos quais se constituíram. sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso. em um ano. Parágrafo único. CC: “Os acréscimos formados. CC: “Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam. CC: “As ilhas que se formarem em correntes comuns ou particulares pertencem aos proprietários ribeirinhos fronteiros. Quem usucape é chamado prescridende da área. As águas estão retraindo por causa do aquecimento global e a margem está aumentando. na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem”. 1. ou pelo desvio das águas destas. Art. se indenizar o dono do primeiro ou. Parágrafo único. 1.252. até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais.250. 3. II .

Apelação Cível 1900127-99). ou realizado investimentos de interesse social e econômico. adquire-lhe a propriedade. RE 305. 2.238.: a Jurisprudência brasileira (Resp 247. Parágrafo único.345/MG. Usucapião Extraordinária: Está prevista no art. Usucapião Ordinária: A usucapião ordinária é aquela em que o possuidor tem. (STF. Parágrafo único. 1.416/RS). contínua e incontestadamente.” A hipótese do parágrafo único é o que o prof. Miguel Reale chamava de posse trabalho. até mesmo o criminoso que exercera uma posse injusta.240 do CC. Art.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença.” Obs. ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. basicamente.239 e 1. Raul Chaves) admitem a possibilidade de se usucapir coisa obtida por meio de crime.001/73). a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis.243 admite a soma de posses para efeito de usucapião (acessio possessionis) c) Decurso do tempo: Principais formas de usucapião no Código Civil: 1.: Vale lembrar que o art. sem interrupção. *Usucapião Indígena: é modalidade prevista no art. bem como a própria doutrina (Pontes de Miranda. b) É a posse mansa. 33 do Estatuto do Índio (Lei 6. com justo título e boa-fé. em favor do índio que exerça posse sobre terra de até 50 hectares. extraordinariamente usucapir. Obs. CC: “Adquire também a propriedade do imóvel aquele que. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual. 183. com base no registro constante do respectivo cartório. pode. Intensivo I LFG Página 116 . CC: “Aquele que.: As formas de usucapião rural e urbana posto previstas nos artigos 1. o possuir por dez anos. nem oposição.238 do CC e é aquela que independe de justo título ou boa-fé. em seu favor. 1. traduzem a reprodução das normas constitucionais (artigos 183 e 191 da Constituição Federal). 1. *Usucapião especial urbano de apartamento: vale anotar posição favorável do Ministro Marco Aurélio no que tange a subsunção da prescrição aquisitiva de um apartamento ao instituto da usucapião constitucional urbano (art. onerosamente. por quinze anos. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido. 1. Art. independentemente de título e boa-fé. possuir como seu um imóvel. justo título e boa-fé. pacífica e com animus domini. cancelada posteriormente.242. Desde que a ação penal esteja extinta. CF). desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia.

A despeito da constitucionalidade duvidosa dos referidos parágrafos (ver artigo a respeito no material de apoio).228. Pablo Stolze). e outros afirmam que incumbe ao poder público. eles próprios responsáveis pelo pagamento da indenização. em conjunto ou separadamente.228.228 do CC: § 4 O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área. se forem de baixa renda. os Enunciados 84 e 308 das Jornadas de Direito Civil tentam solucionar o problema: em regra. 1. 1. durante muito tempo. aplica-se a orientação do Enunciado 84 da I Jornada de Direito Civil” DIREITO DE FAMÍLIA: Introdução e Constitucionalização do Direito de Família: No direito Romano havia uma concepção política do direito de família. Já na idade média houve redução dos laços afetivos. atípica de usucapião rural. Seria uma forma especial. na posse ininterrupta e de boa-fé. em regra. §§4º e 5º do Novo Código Civil) deve ser arguida pelos réus em ação reivindicatória. e estas nela houverem realizado. Enunciado 308: “A justa indenização devida ao proprietário em caso de desapropriação judicial (art. o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário. o Há quem denomine esse instituto de desapropriação judicial (Monica Aguiar). pago o preço. o § 5 No caso do parágrafo antecedente. 1. de considerável número de pessoas. Os possuidores embora realizem a função social somente adquirem a propriedade do imóvel caso paguem indenização ao proprietário do imóvel. família fora do casamento. Não se levava em conta família que não fosse constituída fora da sociedade conjugal consubstanciada no casamento. A família casamentária no Brasil. A concepção de família era uma concepção eminentemente baseada no casamento. a indenização deve ser paga pelos próprios possuidores da área. tendo-se a ideia a partir de que a família se baseara no casamento. Mas aqui se indaga quem irá pagar a indenização ao proprietário. XX e início do Sec. entendendo-se que o casamento era a tradução da família uma vez que a concepção católica realizada era de que a família confundir-se-ia com o casamento. era considerada a única forma legítima de família. mas.Direito Civil – Pablo Stolze Comentários aos §§4º e 5º do art. em se tratando de possuidores de baixa renda e desde que tenha havido intervenção daquela nos termos da lei processual. Nos primórdios do Sec. Enunciado 84: “A defesa fundada no direito de aquisição com base no interesse social (art. assumirá a responsabilidade a própria administração pública. Somente em 1949 que os filhos havidos fora do casamento começaram a ser tutelados e somente com a CF 1988 todos os filhos foram tratados com isonomia Intensivo I LFG Página 117 . Alguns autores dizem que quem deve pagar é quem possui a área. obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante. por mais de cinco anos. XIX não se concebia. §5º) somente deverá ser suportada pela Administração Pública no contexto das políticas públicas de reforma urbana ou agrária. No CC o casamento era o standart legitimador da família. valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores. outros afirmam se tratar de forma especial de usucapião (Eduardo Cambi. Não sendo os possuidores de baixa renda.

Nelson Ronsevald. tendo-se um sistema aberto. admitindo assim outras formas de arranjos familiares não previstas expressamente na norma. na medida em que.Direito Civil – Pablo Stolze O direito de família foi um ramo do direito civil amplamente modificado com a Constituição Federal concebendo-se várias formas de família (monoparental. a CF amplia o rol colocando famílias para além do simples casamento. O núcleo entre pessoas do mesmo sexo é sim núcleo familiar. a exemplo da união homoafetiva.: Corrente Doutrinária mais progressista (Maria Berenice Dias. além do casamento. como a família homoafetiva. Paulo Lobo. Carbonnier). Se em um primeiro momento o CC16 diz que família é casamento. alguns autores de uma linha mais comedida. Giselda Hironaka. mas sim aberto. conservadora a exemplo de Álvaro Vilaça de Azevedo. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 a noção de família experimentaria profunda mudança. até mesmo porque não seria possível a Constituição estabelecer conceitos absolutos na seara do Direito de Família. As profundas mudanças sócio-econômicas e culturais ocorridas ao longo do século XX forçaram a reconstrução deste sistema (Guilherme de Oliveira). Família é uma pessoa jurídica? Já houve na doutrina quem afirmasse ser a família uma pessoa jurídica (Savatier. como o único stantard legitimador do conceito de família. 226 da CF fala que a família é a base da sociedade e nos parágrafos seguintes foram reconhecidas as formas de família: advinda do casamento. tem suas vicissitudes. consagrava o casamento. inclusivo e não discriminatório (Luiz Roberto Barroso).. e tais autores fazem apenas essa análise – literal. elevando a família ao status de base da sociedade. Resumindo . inclusivo e não discriminatório de família. Atualmente. o que é normalmente seguido pela jurisprudência. por influência da Igreja. Afirmam que o sistema constitucional não poderia tratar de todas as formas de família. Conceito de família: Cada família é única. O art. reconheceram-se também a união estável o núcleo monoparental. embasada por Giselda Hironaka. Pablo: O CC/16. aponta no sentido de que a Constituição Federal adotou um sistema de família aberto. união estável e núcleo monoparental. união estável). Ex. Mazeaud. o Direito de Família.. afirma que a constituição traz um conceito aberto pelo que é possível uma interpretação ampliativa no sentido de que sejam reconhecidas outras formas de família. uma madrinha que cria afilhado. traduzindo família a união estável e o núcleo monoparental. refletindo a sua época. Já outra corrente. Luiz Edson Fachin). Maria Berenice Dias. mas por se tratar de sistema poroso são permitidas novas formas de família. Cristiano Chaves. fazem análise interpretativa mais comedida. mas prevalece o entendimento (Dabin) no sentido de que a Intensivo I LFG Página 118 . Obs. Paulo Lobo. E o conceito que será dado não é determinado. irmão mais velho com irmão mais novo – tais situações formam família muito embora não estejam previstas na Constituição de forma explícita.

” Especificamente no que tange ao planejamento familiar tem-se o art. Não cabe ao Estado elencar o que entende por família e proibir outras formas de família. 1. Características do conceito de família: O conceito de família tem três características básicas: *Sócioafetivo: a socioafetividade é a matriz da noção de família: o núcleo formado pressupõe a potencial relação de afeto que une os seus integrantes. Questão de concurso: O que é Princípio da intervenção mínima do direito de família? Este princípio consagra a regra segundo a qual o Estado. Trata-se de um ente despersonalizado. A PEC do divórcio facilita o divórcio na medida em que acaba com a separação e com o prazo do divórcio direto.Direito Civil – Pablo Stolze família não tem personalidade jurídica. de direito público ou privado.” Casamento: Intensivo I LFG Página 119 . §2º CC: “O planejamento familiar é de livre decisão do casal. *Eudemonista: o caráter eudemonista família. sendo integrado por pessoas vinculadas pelo sangue ou não. A Lei Maria da Penha contribuiu muito para ampliação do conceito de família já que coloca a proteção na unidade doméstica tida como unidade de convívio entre pessoas com e sem vínculo familiar. I da Lei Maria da Penha). já que a decisão cabe ao casal. ao regular o direito de família. visa a permitir que os seus integrantes realizem-se enquanto indivíduos.565. podendo ser pleiteado o divórcio a qualquer tempo. conectado com a sua função social.513 do CC: “É defeso a qualquer pessoa. cujo núcleo é moldado pelo vínculo da sócioafetividade. casando-se novamente. 1. 5º. estando ligada pela afetividade. competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito. não pode invadir ou sufocar a esfera privada do núcleo familiar. vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas. *Anaparental: a anaparentalidade traz a ideia de que podem integrar a noção de família pessoas que não guardem estrito vínculo técnico de parentesco (ver art. Isso tem haver com o caráter eudemonista da família que prega que cada integrante da família deve buscar sua felicidade pessoal. base da sociedade. E eventual pedido não refletido pode ser revisto. na busca da sua felicidade pessoal. Outra aplicação do princípio da intervenção mínima está no art. interferir na comunhão de vida instituída pela família. Família não é pessoa jurídica é entidade protegida pelo direito. Quem trata muito bem dessa matéria é Rodrigo da Cunha Pereira. inclusive as ligadas esporadicamente.

” Aqui se tem a eficácia horizontal dos direitos fundamentais (igualdade) no âmbito privado. considerando que houve quebra da boa-fé objetiva (todos têm o direito de não querer casar. O casamento é um vínculo formal. causando dano moral ou material a outra parte. autor clássico. mas há situações de abuso de direito). Mas para o direito brasileiro. popularmente conhecida como “noivado”. 251. a depender do caso.511 do CC. O casamento é considerado um contrato especial e o noivado é como um compromisso prévio de casamento. e. Existem duas correntes doutrinárias acerca da natureza jurídica do casamento: a) Corrente Publicista: é uma corrente de direito público. Conceito: Na linha do art. com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges. desde 1977 não é mais uma união eterna. por não ter a dimensão jurídica do noivado.Direito Civil – Pablo Stolze Lafayette Rodrigues Pereira.0634). No momento em que se cria uma expectativa legítima e fundada. b) Corrente Privatista: o casamento.689/RJ) impondo ao noivo que injustificadamente rompeu o compromisso.511. Dentro desta corrente privatista. Já a ruptura de namoro. O casamento seria um ato administrativo. Obs. rompido o vínculo. AC 7000. Natureza jurídica do casamento: Esse tópico não pode constar de prova objetiva considerando que se trata de matéria polêmica na doutrina. o casamento traduz a união do homem e da mulher. será obrigatória a indenização. formalmente constituída. CC: “O casamento estabelece comunhão plena de vida.822. não tem justificado a responsabilidade civil (TJRS. abrem-se duas vertentes: Intensivo I LFG Página 120 . período anterior ao matrimônio em que é firmado o compromisso de realização do ato nupcial. afirmando que o casamento seria uma dinstituição de direito público em virtude da participação do Juiz. envolvendo responsabilidade. Art. a obrigação de indenizar. considerando a concretização do divórcio. baseado na igualdade de direitos. embora seja regulado por normas de direito público é uma instituição de direito privado. não sendo como a união estável que se liga por situação fática. dizia que o casamento seria uma “união eterna com promessa recíproca de fidelidade”. na perspectiva da socioafetividade e da igualdade de direitos. firmando uma plena comunhão de vida. 1.: O que se entende por esponsais? Trata-se da promessa de casamento. 1. Existem no Brasil diversas decisões (a exemplo do Resp. Essa corrente não convence e o fato de o casamento ser regulado por normas cogentes e de ordem pública não conduz a natureza jurídica de direito público.

declarar que esta não é livre e espontânea. em um concurso.538. celebrado por um Delegado de Polícia ou por uma pessoa que se disfarçou de Juiz de Paz é inexistente. 2. o casamento sequer terá existido. uma pergunta como essa deve ser discursiva. Assim. Nesses exemplos. não há o que se falar que o silêncio possa gerar efeitos. II . Clóvis Bevilaqua. Não-contratualistas: o casamento é instituto de direito privado mas não se trata de contrato. Consentimento: ausente o consentimento. se se tratar de incompetência meramente Intensivo I LFG Página 121 .Direito Civil – Pablo Stolze b. se a autoridade é materialmente incompetente. Outros dizem que o casamento é um negócio complexo. por exemplo. Silvio Rodrigues. o consentimento ser livre e explícito. Parágrafo único. tratando-se de um contrato. ou um Bombeiro. Para essa vertente contratualista.1.: Essa questão é eminentemente teórica. Ao ter-se em mente a ideia de que o casamento tem natureza contratual é mais fácil afirmar a possibilidade de sua invalidação por vícios. não sendo discutida na jurisprudência. Assim. Contratualistas: o casamento é instituto de direito privado. factoring. Obs. Mas. mas há uma tendência em se afirmar que o casamento é um contrato especial de direito de família (Pablo Stolze. o que não deve ser defendido. Pressupostos existenciais do casamento: O casamento tem três pressupostos de existência fundamentais: 1. Juiz Federal ou Delegado de Polícia celebrando um casamento. não será admitido a retratar-se no mesmo dia. o casamento seria um contrato especial de Direito de Família. (Art. ou que seria uma instituição (Maria Helena Diniz).2. Ex. Deverá pois.manifestar-se arrependido. este deve ser interpretado como recusa. b. 1. Havendo silêncio. o casamento é inexistente uma vez que a autoridade que o celebrou é desprovida de qualquer competência. por algum dos fatos mencionados neste artigo. A manifestação do juiz confirmatória do juiz declara o consentimento dos nubentes. o casamento. É preciso que sejam feitas ponderações. O nubente que. Os nubentes são chamados contraentes (ideia de contrato). mas sim um acordo (Orlando Gomes). entre outros). III . é mais razoável dizer-se que o casamento é inexistente. CC: A celebração do casamento será imediatamente suspensa se algum dos contraentes: I recusar a solene afirmação da sua vontade. ** Há quem defenda que o contrato de casamento seria de adesão. Aqui. etc. der causa à suspensão do ato. mas. Ao ser reconhecida a natureza contratual do casamento este não pode ser comparado a uma compra e venda. em verdade. Nelson Rosenvald. mas não se pode deixar de afirmar que o casamento consubstancia-se no consentimento que característica específica dos contratos. A celebração por autoridade materialmente competente: há quem diga que a incompetência da autoridade conduza à invalidade do casamento.

: Atualmente. Assim. Todavia. 1. exercer publicamente as funções de juiz de casamentos e. O casamento é um ato formal.550. dificilmente será possível a existência de um casamento entre pessoas do mesmo sexo considerando que principiologicamente o casamento impõe a diversidade de sexos. não é ato formal típico.517. de maneira que a admissibilidade da união estável de pessoas do mesmo sexo é possível.554 do CC (“Subsiste o casamento celebrado por aquele que. nessa qualidade.por incompetência da autoridade celebrante”). sem possuir a competência exigida na lei. defender-se a tese da união estável homoafetiva é mais fácil do que defender-se o casamento dessa forma. 1. com lastro na Teoria da Aparência. o casamento civil homoafetivo recomendaria a aprovação de uma lei. 3. CC = Art. O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam. e o juiz os declara casados. ou de seus representantes legais. em situações excepcionais. Esse aproveitamento dá-se em razão da boa-fé dos noivos.514. senão vejamos: Intensivo I LFG Página 122 . o art. exigindo-se autorização de ambos os pais. não existe uma norma proibitiva ou regulamentadora explícita. e esse formalismo é tão acentuado que é modificado o estado civil não mais o contraente voltando a ser solteiro. 1. Caio Mário diz que essa proibição é principiológica e a união homoafetiva é tida como pacto civil. a exemplo da Lei Espanhola de 1º de julho de 2005. perante o juiz. por conta do formalismo típico do casamento.: A luz do Princípio da Boa-fé Objetiva. Ex. Art. considerando que a união estável é fato da vida. se alguém se disfarça de Juiz. admite o aproveitamento do casamento celebrado por autoridade sem competência legal.517. 1. Obs. Enquanto não houver lei autorizadora. VI. e em virtude da difundida ideia da diversidade de sexos como pressuposto existencial. o casamento seria apenas inválido (art.514. 1. tal proibição é principiológica e encontra assento no formalismo típico do casamento (ausente na união estável). aí sim. não obstante inexistir norma proibitiva no CC. já se admite a união entre pessoas do mesmo sexo. Pablo: Assim.”). tiver registrado o ato no Registro Civil. As normas formais para o casamento pressupõem a diversidade dos sexos como pressuposto existencial Resumindo . 1. CC: “É anulável o casamento: VI . No que tange a união estável. A diversidade de sexos: no Brasil. a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal.Direito Civil – Pablo Stolze relativa ou territorial. O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar. Capacidade para o casamento: O CC 16 colocava diferenciação entre homens e mulheres para a idade núbil. 1.628 do CC Português. e em virtude das normas codificadas que referem às núpcias entre homem e mulher (art. ainda não se admite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.) Obs. como se dá no art. já o NCC não faz essa diferenciação... enquanto não atingida a maioridade civil.

trata-se de crime de ação penal pública incondicionada.517. em duas hipóteses: 1.517. Para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal. CC. após a aprovação da Lei 12. (incisos IX a XII) Havendo violação desses impedimentos. Impedimentos Matrimoniais CC/16 CC/2002 Art. enquanto não atingida a maioridade civil. bem como demonstrada a maturidade psicológica da noiva. até o dia do casamento pode haver a revogação da autorização data. 1517). segundo dispõe o art. havendo interesse no casamento. 2.015/2009 que reformou o Código Penal. 1. a c) Impedientes ou proibitivos (incisos XIII a XVI) consequência será a nulidade do casamento. tutores ou curadores revogar a autorização. mutatis mutandis. 1. 1. Citemos tais dispositivos: Art. manifestação favorável dos pais. 183. excepcionalmente. 1. Nos termos do art. Até à celebração do casamento podem os pais.520. CC: os impedimentos eram classificados O CC/2002 tratou a matéria de forma em: distinta. Excepcionalmente. 1. pode ser suprida pelo juiz. tornando crimes sexuais contra vítima menor de 18 anos ou vulnerável.631.) estabelece que. Gravidez. Quando injusta a denegação do consentimento pode ser suprida pelo juiz. Tudo dependerá da análise do caso concreto. Art. A denegação do consentimento. quando injusta. No que tange a autorização para casamento para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal. Obs.519.: O artigo 1. Todavia. CC) 18 anos de didade 16 anos de idade 16 anos de idade 16 anos de idade Até os 21 anos precisariam de Até os 18 anos precisam de autorização para casar autorização para casar Homens Mulheres Autorização Art. talvez seja o caso de se afastar a justa causa para a ação penal.518 do CC. Intensivo I LFG Página 123 . ou de seus representantes legais. Se houver divergência entre os pais. para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez”. Isso porque. Impedimentos Matrimoniais: *Conceito: trata-se dos requisitos que interferem na validade e eficácia do matrimônio. 1.”. CC: “O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar. Os antigos impedimentos a) Absolutamente dirimentes ou de ordem absolutamente dirimentes. pública (incisos I a VIII) são tratados como Impedimentos e estão b) Relativamente dirimentes ou privados previstos no art. 1.Direito Civil – Pablo Stolze CC/16 CC/2002 (Art. Parágrafo único. exigindo-se autorização de ambos os pais. aplica-se o disposto no parágrafo único do art.518.521 do CC.520 do CC (“Art. 1. será permitido o casamento de quem ainda não alcançou a idade núbil (art. 1. o casamento poderá ocorrer abaixo da idade núbil mediante autorização do juiz. tornou-se mais complicada.519. No CC16 os impedimentos matrimoniais eram tratados de forma distinta. em situações excepcionais.

os afins em linha reta. (trata-se de impedimento de ordem pública). e demais colaterais. seja o parentesco natural ou civil.o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante. Obs.200/41. O casal irá sofrer uma sanção de ordem econômica (submissão ao regime de separação legal de bens). *Análise do art. tio e sobrinha. Não podem casar: (IMPEDIMENTOS – NULIDADE DO CASAMENTO) I . mas sim a imposição do regime da separação obrigatória de bens.os ascendentes com os descendentes. unilaterais ou bilaterais (germano – por parte de pai e de mãe). 1.550. 1. até o terceiro grau inclusive. sogro e nora. mormente porque deixou de ser ilicitude penal.Direito Civil – Pablo Stolze No que se refere aos antigos impedimentos relativamente dirimentes.as pessoas casadas. com as observações pertintentes. Nesse caso. 1.523.: Desapareceu do NCC a antiga proibição de os cônjuges adúlteros casarem entre si. Irmãos entre si. (Ex. V .521. os impedimentos absolutamente dirimentes eram os mais graves. (são irmãos) VI . Intensivo I LFG Página 124 .: A doutrina tradicionalmente no Brasil flexibiliza a proibição de casamento entre colaterais de terceiro grau (ver Enunciado 98 da 1ª Jornada). (quem é casado não pode se casar novamente ainda) VII . 1. Os antigos impedimentos proibitivos ou impedientes são tratados como causas suspensivas do casamento (art. CC). CC: As hipóteses de impedimentos previstos no art. Art. mas observe-se que poderá configurar ilícito civil *Análise do art. Analisando em escala de gravidade. O casamento é válido mas irregular. à luz do Decreto Lei 3. desde que exista parecer médico favorável.os irmãos.o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte.o adotado com o filho do adotante. no NCC são tratados como causas de anulação do casamento (art. tia e sobrinho). 1. não há invalidade. 1.521. CC: As causas suspensivas do art. II . sogra e genro).523 não acarretam nulidade.521 do CC acarretam a nulidade do casamento. Merece destaque a citação de tais impedimentos. III . padrasto e enteada.523. CC). (Ex. 1. Obs. casar o pai com a ex-esposa do filho adotado) IV . enquanto os relativamente dirimentes estariam em escala mediana e os impedimentos proibitivos seriam menos graves. (Ex.

caso esteja a mulher grávida.realizado pelo mandatário. enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal. VI . III e IV deste artigo. no caso do inciso II. Não devem casar: (CAUSAS SUSPENSIVAS DO CASAMENTO – O CASAMENTO É VÁLIDO. o consentimento. enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros. a nubente deverá provar nascimento de filho. V . III .o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido. para o ex-cônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada. provando-se a inexistência de prejuízo.do incapaz de consentir ou manifestar. deverá ser adotado o regime da separação obrigatória). (caso haja o casamento.a viúva. ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado. cunhados ou sobrinhos. (essa hipótese é para se evitar o que se chama de confusão de sangue – turbatio sanguinis – a lei quer evita que. Nesse ponto. IV . e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. É permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as causas suspensivas previstas nos incisos I. (isso se dá com a finalidade de se evitar a confusão de patrimônio – caso case.565 e 1. de modo inequívoco. com a pessoa tutelada ou curatelada. O casamento constitui uma sociedade qualificada pelo Direito de Família e essa sociedade cria um plexo de deveres recíprocos. ou inexistência de gravidez. III . nos termos dos arts. quando não autorizado por seu representante legal. 1. 1. É anulável o casamento: (IMPEDIMENTOS MENOS GRAVES – ANULAÇÃO DO CASAMENTO) I . SENDO APENAS IRREGULAR – IMPÕEM O REGIME DA SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS. na forma dos artigos 1. até dez meses depois do começo da viuvez.: Art. impondo deveres de observância obrigatória. constitui a denominada sociedade conjugal. que não haja dúvida sobre quem é o pai da criança). II .o divorciado.) I . ou da dissolução da sociedade conjugal.o tutor ou o curador e os seus descendentes. irmãos. (dá-se essa hipótese para evitar confusão patrimonial).566. sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato.556 a 1. Deveres do Casamento (Matrimoniais): O casamento. II .de quem não completou a idade mínima para casar. Parágrafo único. e não estiverem saldadas as respectivas contas. enquanto não cessar a tutela ou curatela. ascendentes.550. para o herdeiro.523. sob pena de descasamento. passemos a análise dos dispositivos: Intensivo I LFG Página 125 . IV . tem-se a separação obrigatória de bens). Obs.por vício da vontade.Direito Civil – Pablo Stolze Art.558. na fluência do prazo. Parágrafo único. 1. Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada. respectivamente.do menor em idade núbil.por incompetência da autoridade celebrante.

1. haverá adultério que pressupõe “conjunção carnal com pessoa estranha ao casamento”. na situação em que há carícias. é possível acrescer ao seu o nome do nubente. ele poderá ser mantido. 3. em situações especiais. Obs. Essa regra. Obs. competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito. uma vez que este último em uma acepção sentimental e sexual mais restrita. § 1 Qualquer dos nubentes. O adultério precoce ocorre quando um cônjuge abandona o outro logo em seguida ao casamento. o  Esse §2º cuida de regra que esta insculpida na CF.565.manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida. que melhor seria denominado de “infidelidade virtual” (por não haver contato físico). Há ainda o denominado “adultério virtual”. Denomina-se adultério inocente ou “de seringa” a situação em que um dos cônjuges realiza inseminação artificial heteróloga (com material genético de terceiro) sem a anuência do outro.  A lealdade é conceito mais abrangente que o de fidelidade. Questões especiais envolvendo infidelidade: 1. desde que expressamente requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar: I .” § 2 O planejamento familiar é de livre decisão do casal. Vale dizer que a infidelidade poderá se caracterizar por meio do chamado “Quase adultério”. a exemplo do que dispõe o art. tecnicamente. afagos e beijos sem o ato sexual.fidelidade recíproca. querendo. São deveres de ambos os cônjuges: I .578.Direito Civil – Pablo Stolze Art.evidente prejuízo para a sua identificação. é reforçada a tese segundo a Intensivo I LFG Página 126 . o  Princípio da Isonomia – ao se casar.dano grave reconhecido na decisão judicial.565 traduz o Princípio da isonomia bem como a eficácia horizontal dos direitos fundamentais. com o fim do matrimônio. senão vejamos: Art. perde-se o nome de casado. II . CC: “ O cônjuge declarado culpado na ação de separação judicial perde o direito de usar o sobrenome do outro.  O caput do art.: No Brasil. 1. a jurisprudência é flexível no sentido de se alterar do nome do cônjuge que não alterasse a identificação própria e a identidade dos filhos. Com isso. Pelo casamento. 1. inclusive no âmbito virtual ou eletrônico. III . Em havendo o ato sexual. posto em regra. somente poderá ser acrescido o sobrenome. conforme visto na última aula exterioriza o Princípio da Intervenção Mínima do Estado no Direito de Família. 1. Nesse ponto.566.566 do CC prevê especificamente os deveres dos cônjuges.: A jurisprudência brasileira mais recente tem admitido responsabilidade civil pela infidelidade no casamento. homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes. mas de acordo com a letra da lei. vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas. O art. e isso vale para qualquer dos nubentes. 2. companheiros e responsáveis pelos encargos da família. 1. o qual consiste na relação espúria pela via eletrônica. poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.

quer seja para determinar a retirada compulsória de um dos cônjuges – suspende a eficácia do dever de coabitação. II . Se o casal decidir em casas separadas por razões profissionais não haverá quebra do dever. que já justificou inclusive pedido de divórcio em Estado Europeu (ver texto do professor Lourival Serejo no Boletim IBDFAM nº 54).  Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald afirmam que esse dever não decorre apenas do casamento.respeito e consideração mútuos.sustento.mútua assistência. III . justificadamente. Comentários ao artigo 1. embora não comporte execução coativa. IV . Mas.Direito Civil – Pablo Stolze qual a indenização poderia cobrir um dano existencial ou afetivo (ver noticiário no Consultor Jurídico referido no artigo Direitos da Amante) ** É digno de nota também diante do grande avanço tecnológico. não se trata de um dever jurídico comum (razão pela qual talvez alguns autores prefiram evitar a expressão “dever”). A frieza. É o dever de alimentos. mas sim de um efeito típico ou.647. mas caso seja afirmado isso. mas sim do estado de pai e de mãe. dever especial ou sui generis decorrente do casamento que.  Entende-se que é o dever de assistência material a esposa ou ao marido. no domicílio conjugal. arriscamos dizer. V . Seria obrigação sui generis. o mal-tratar são formas de quebra da boa-fé e violam os deveres do casamento. a exemplo do modelo propiciado pelo Programa Second Life. é necessário afirmar que não se trata de dever jurídico comum. Os alimentos recíprocos têm base nesse dispositivo. o reconhecimento feito pela doutrina de espaços virtuais para constituição de relações afetivas eletrônicas: há quem reconheça a existência de “famílias virtuais”. tem-se o abandono. o que deve ser afirmado perante uma banca mais conservadora. mas sim especial. Não é dever só no âmbito matrimonial. não admitindo as medidas coercitivas para que seja cumprido. há manifesto descumprimento do dever do casamento sendo cabível a separação judicial – a separação é a consequência jurídica do descumprimento desse dever especial ou efeito jurídico do casamento. guarda e educação dos filhos. Tradicionalmente. caso tenha havido o acordo entre os cônjuges e um deles decide deixar o lar. no caso de violência doméstica. repercute na medida em que autoriza medidas legais de descasamento. Há jurisprudência no sentido de se após o casamento a esposa se recusa a manter relações sexuais de forma veemente. CC: Intensivo I LFG Página 127 . A medida cautelar de separação de corpus – quer seja para autorizar a saída. A doutrina clássica afirma que o debitum conjugale é um dever decorrente do casamento. Ex.    É o chamado dever de coabitação.vida em comum. A assistência também tem um aspecto moral. Assim. a doutrina brasileira também faz a leitura do dever de coabitação como o Debitum conjugale (dever de prestação sexual).

prestar fiança ou aval. nenhum dos cônjuges pode. Esta súmula dispõe que as pessoas que casarem em separação obrigatória de bens (legal). acerca desses bens ou direitos. 1.648. III . não suprida pelo juiz. Ex. se vierem a constituir patrimônio comum. Obs. nos casos do artigo antecedente. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. A decretação de invalidade dos atos praticados sem outorga.” ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Formas Especiais de Casamento: Intensivo I LFG Página 128 .alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis. o ato será anulável. 1. 1. Nelson Nery.647 do CC. Parágrafo único. para a prática dos atos ali descritos. desde que feita por instrumento público.648. não sendo remuneratória (em atenção a serviços prestados.649. 1. A autorização conjugal é exigida. Ressalvado o disposto no art. mas o regime de bens utilizado.Direito Civil – Pablo Stolze Art. 1. ressalvada a situação em que os cônjuges estejam submetidos ao regime de separação absoluta de bens. ou dos que possam integrar futura meação. podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a anulação. A lei não utilizou como critério a origem do patrimônio. exceto no regime da separação absoluta (Leia-se convencional): I . Já na separação convencional (que é a mais rigorosa) não há o que se falar em direito a meação. posição esta recentemente confirmada pelo STJ (Resp. de bens comuns. sem autorização do outro.163. IV . A falta de autorização. 1. trata-se de questão contratual. 1.fazer doação. pelo que será necessária a outorga conjugal. 1. Cabe ao juiz. ou particular. 1. suprir a outorga. autenticado.074/PB). São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem economia separada. Não sendo colhida a autorização e não sendo esta suprida pelo juiz. se doa uma garrafa de vinho a um médico que atendeu a família). Atente-se que não se faz necessária autorização conjugal para aquisição de bens imóveis.650.649 do CC. como separação convencional de bens. Caso seja exigida pelo banco. têm direito a meação. nos termos do art.647 do Código Civil.647). A aprovação torna válido o ato. Art. segundo o Prof. as pessoas casadas em separação convencional de bens não precisam de autorização conjugal para a prática de atos do art. Observe-se que a expressão “separação absoluta” deve ser entendida. nos termos do art. ou sem suprimento do juiz.pleitear. como autor ou réu.: A Súmula 332 do STJ firmou o entendimento segundo o qual a fiança prestada sem autorização conjugal é totalmente ineficaz: “A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia. Art. tornará anulável o ato praticado. só poderá ser demandada pelo cônjuge a quem cabia concedê-la. segundo a lei. ou lhe seja impossível concedê-la.647. Parágrafo único. Assim. quando um dos cônjuges a denegue sem motivo justo. dada a não incidência da Súmula 377 do STF. salvo no regime da separação convencional de bens (não importando se o bem saiu do patrimônio pessoal ou comum). 1. II . Aqui se tem uma separação absoluta de bens. Art. sem consentimento. Possibilita-se ao outro cônjuge pleitear a anulação no prazo de dois anos. quando necessária (art. ou por seus herdeiros.

1. Art. perante duas testemunhas que saibam ler e escrever. no registro civil. que atender às exigências da lei para a validade do casamento civil. Após o referido prazo. sendo urgente. 1. o presidente do ato irá celebrá-lo onde se encontrar o impedido.542.512.532.516. e a do oficial do Registro Civil por outro ad hoc.Direito Civil – Pablo Stolze As formas básicas de casamento são amplamente conhecidas: casamento civil (art. lavrado pelo oficial ad hoc. Art. produzindo efeitos a partir da data de sua celebração. Existem ainda formas especiais de casamento: a) Casamento por procuração (art. o § 1 A falta ou impedimento da autoridade competente para presidir o casamento suprir-se-á por qualquer dos seus substitutos legais. Intensivo I LFG Página 129 . o registro e a primeira certidão serão isentos de selos. c) Casamento Nuncupativo: in extremis / in articulo mortis (art. É possível que. 1. o § 2 O casamento religioso. ou. mediante prévia habilitação perante a autoridade competente e observado o prazo do art. o § 4 Só por instrumento público se poderá revogar o mandato. que com os nubentes não tenham parentesco em linha reta. ou por iniciativa de qualquer interessado. com poderes especiais. equipara-se a este. seja chamado o presidente da celebração para que seja o casamento realizado.516. na colateral. CC). 1. 1. o § 2 O nubente que não estiver em iminente risco de vida poderá fazer-se representar no casamento nuncupativo. ainda que à noite. ficando arquivado. desde que registrado no registro próprio. 1. para as pessoas cuja pobreza for declarada. o § 3 Será nulo o registro civil do casamento religioso se.542. antes dele. o registro dependerá de nova habilitação. CC): Art. CC) e casamento religioso com efeitos civis (arts. CC) Art. 1.512. o § 3 A eficácia do mandato não ultrapassará noventa dias. por instrumento público.539. O casamento é civil e gratuita a sua celebração. Observe-se que a procuração tem prazo de 90 dias.515. No caso de moléstia grave de um dos nubentes.539. nomeado pelo presidente do ato. desde que haja sido homologada previamente a habilitação regulada neste Código.515 e 1. o § 2 O termo avulso. mas. qualquer dos consorciados houver contraído com outrem casamento civil. não obtendo a presença da autoridade à qual incumba presidir o ato. O casamento religioso. Art. será registrado no respectivo registro dentro em cinco dias. b) Casamento em caso de moléstia grave (art. até segundo grau. for registrado. 1. No casamento civil quem celebra é o juiz de paz ou juiz de direito. Quando algum dos contraentes estiver em iminente risco de vida (risco de morte). O casamento pode celebrar-se mediante procuração. o § 1 A revogação do mandato não necessita chegar ao conhecimento do mandatário. 1. Já o casamento religioso é celebrado pela autoridade religiosa. 1. emolumentos e custas. mediante comunicação do celebrante ao ofício competente. O registro do casamento religioso submete-se aos mesmos requisitos exigidos para o casamento civil. sob as penas da lei. 1. a qualquer tempo. a requerimento do casal. celebrado sem as formalidades exigidas neste Código. celebrado o casamento sem que o mandatário ou o outro contraente tivessem ciência da revogação. poderá o casamento ser celebrado na presença de seis testemunhas. 1.540. terá efeitos civis se. em caso de moléstia grave. responderá o mandante por perdas e danos. perante duas testemunhas. CC): Art.540. Parágrafo único. A habilitação para o casamento. nem a de seu substituto. o § 1 O registro civil do casamento religioso deverá ser promovido dentro de noventa dias de sua realização.

com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum. em um primeiro momento.: Qual a religião autorizada no Brasil a chancelar um casamento? O Brasil é um Estado laico. ou seja. STF: “Comprovada a existência de uma sociedade de fato entre os concubinos. na primeira parte do séc.521. O Direito Previdenciário foi pioneiro no tratamento jurídico protetivo da companheira.278/96). 1. A união estável (concubinato puro) somente recebeu tratamento de família na Constituição Federal de 1988 (entidade familiar). em tese. embora o nosso direito civil permanecesse insensível a esta necessária mudança. especialmente na França. a matriz legal da união estável se encontra a partir do art.” Somente após a promulgação da Constituição Federal de 1988 (art. Paulatinamente. Conceito Legal de União Estável Embora existam vários projetos de lei tramitando acerca da matéria. o Direito Privado Brasileiro começa a ceder para. Obs. não tem religião oficial.723 do CC: Art. o § 1 A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. 1. configurada na convivência pública. as testemunhas devem confirmar esse casamento o que está disposto nos artigos seguintes do Código. 226) a união informal não matrimonializada (união estável) receberia merecido tratamento do Direito Constitucional de Família (posteriormente. é cabível a sua dissolução judicial. em um segundo momento. Intensivo I LFG Página 130 . A palavra concubinato tinha uma raiz histórica pejorativa. a qual. contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. O CC 16 reconhecia o concubinato mas tratava a concubina para negar-lhe direitos. em um primeiro momento. XX já se processava na Europa. Posteriormente. tratando-a de forma discriminatória. não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------UNIÃO ESTÁVEL Histórico: O direito Brasileiro. duas leis de família regulariam o tema – Lei 9. 1.871/94 e Lei 9. Súmula 380. Nesse caso não há a presença de celebrante algum.723. relegou a relação de concubinato a um verdadeiro limbo jurídico. direito à partilha do patrimônio amealhado pelo sociedade de fato.Direito Civil – Pablo Stolze É necessário que o casamento seja celebrado na presença de seis testemunhas que não sejam parentes dos cônjuges. qualquer culto ou corrente religiosa organizada poderá celebrar o matrimônio (inclusive há precedente do TJBA no que tange ao casamento espírita cardecista (MS 34739-8/2005). de maneira que. reconhecer um mero direito à indenização por serviços domésticos prestados e. caracterizando uma união não matrimonializada. sob nítida influência religiosa. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher.

1. a relação de concubinato entre pessoas impedidas. resguardando-se a uma segunda companheira os direitos. justificaria os direitos da amante? Intensivo I LFG Página 131 . Obs. Não posso confundir este contrato de convivência (que regula efeitos patrimoniais da união estável reconhecida) com o denominado contrato de namoro pelo qual os declarantes pretendem exatamente o contrário: declarar a instabilidade da relação para afastar o regramento legal da união estável. o elemento mais importante é o finalístico: o objetivo de constituição de família (a aparência fundada no casamento). respeito e assistência. o Obs. 1. concluímos que. além de deflagrar efeitos sucessórios. salvo contrato escrito entre os companheiros. STF). O direito em vigor estabelece (art. companheira esta que desconhecia união estável anterior. e de guarda.725). Na união estável. União estável putativa: Trata-se de possibilidade embasada na Teoria da Aparência. Direitos da Amante: A luz do art.727 do CC (“As relações não eventuais entre o homem e a mulher.s 1.523 não impedirão a caracterização da união estável. salvo contrato escrito em contrário. O STJ acaba de decidir (noticiário de 23/06/2010) que a separação obrigatória de bens aplica-se a sexagenário que viveu em união estável. a par de reconhecer a união estável entre eles. Para o reconhecimento da União estável. impedidos de casar.: Denomina-se contrato de convivência (ver a excelente obra de Francisco Cahali) a declaração negocial conjunta firmada entre os companheiros que.: Nos termos do §1º do art. Art.723 do CC. a união estável poderá se constituir entre pessoas desimpedidas e. não se exige tempo mínimo de convivência. o regime da comunhão parcial de bens. mas.724. também entre pessoas casadas desde que separadas de fato (estas últimas).293/RJ não admitiu a tese da união estável putativa. constituem concubinato”). disciplina aspectos patrimoniais da união. 1. sustento e educação dos filhos.725.724 e 1. o regime de comunhão parcial de bens entre os companheiros. Esses requisitos reunidos ou isoladamente considerados reforçarão o reconhecimento da tese. As relações pessoais entre os companheiros obedecerão aos deveres de lealdade.Direito Civil – Pablo Stolze § 2 As causas suspensivas do art. 1. a exemplo do regime de bens. produz efeitos de família equiparáveis ao do casamento (art. Art. O STJ julgando o Resp 789. Os tribunais brasileiros tendem a abraçar a monogamia e por esse motivo não foi admitida referida tese. 1. aplica-se às relações patrimoniais. no que couber. bem como também não são indispensáveis prole comum e coabitação (Súmula 382. O reconhecimento da relação estável. 1.725).

mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes fatores: I – afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar.584 do CC. sem que haja um escopo protetivo. de dissolução de união estável ou em medida cautelar. especialmente de assistência material e moral.583 e 1. O Código Civil Brasileiro em seu artigo 1. Nesse julgado o STJ analisou caso em que o homem conviveu com sua esposa e com a concubina pelo prazo de 36 anos pelo que foi consagrada a possibilidade de indenizar a concubina pelos serviços domésticos prestados. têm negado a proteção jurídica à concubina (Re 590. decorrência do poder parental. por sua vez. concernentes ao poder familiar dos filhos comuns. objeto de estudo da psicologia caracteriza a relação de casamento ou união estável aberta em que o casal. que a concubina poderia ter direito pelo menos a uma indenização por serviços prestados (Resp. o § 5 ) e. por consenso. A regulamentação da guarda dá-se nos artigos 1. traduz um plexo de obrigações e direitos em face do menor. o § 2 A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercê-la e. ainda que no campo previdenciário. poderá ser: I – requerida. o § 3 A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os interesses dos filhos.584. vão mais além admitindo a tutela do próprio direito de família (Maria Berenice Dias). ou por qualquer deles. A guarda será unilateral ou compartilhada. tecnicamente é a relação entre pessoas impedidas de casar.727 faz breve referência à relação de concubinato.604). o § 4 (VETADO).Direito Civil – Pablo Stolze No NCC a (o) “amante” é chamada (o) concubina (o). Art. de divórcio. 1. A guarda.583. Poliamorismo: O denominado poliamorismo. 1. em ação autônoma de separação. por decisão conjunta. o § 1 Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua (art. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu. III – educação. As decisões mais recentes do STF. II – saúde e segurança. objetivamente. para evitar enriquecimento sem causa. unilateral ou compartilhada. Conceito: A guarda. Citem-se: Art. 303. O concubinato. 1. por guarda compartilhada a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto. flexibiliza o dever de fidelidade recíproca.584. todavia. pelo pai e pela mãe. aceitando a participação de terceiros no próprio núcleo afetivo.779/ES). Alguns autores. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------GUARDA DE FILHOS Aqui se analisa a guarda de filhos relativa ao poder familiar dos pais. Intensivo I LFG Página 132 . e não a guarda relativa ao Estatuto da Criança e do Adolescente. em situação excepcional.

É também chamada guarda conjunta. poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor. unilateral ou compartilhada. em atenção a necessidades específicas do filho. mas não se pode fazer essa confusão. sempre que possível. o juiz. o § 2 Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho. na guarda alternada há revezamento de guardas exclusivas. e os pais saem. se intercala. Alternada: muitos falam em guarda compartilhada. coresponsabilizando-se por ele (§1º do art. 2. CC. A criança fica na mesma casa em que era criada. de ofício ou a requerimento do Ministério Público. e os pais se revezam em sua companhia. cabendo ao próprio casal disciplinar a vida do seu filho. Espécies de Guarda: O CC trata de apenas dois tipos de guarda. O domicílio do menor será o domicílio do guardião. Art. §1º. o § 5 Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a guarda do pai ou da mãe. Aninhamento ou nidação: para evitar que a criança fique indo de uma casa para outra. de preferência. considerados. A guarda alternada não deixa de ser exclusiva. ou em razão da distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe.583 do CC). a similitude de deveres e direitos atribuídos aos genitores e as sanções pelo descumprimento de suas cláusulas. cabendo ao outro correspondente direito de visitas. exerce a função de guardião. 4.Direito Civil – Pablo Stolze II – decretada pelo juiz. Enquanto a primeira modalidade (guarda unilateral) o guardião fica com o menor exclusivamente e o outro tem direito de visitas. Guarda Compartilhada: o CC foi modificado em 2008 para explicitamente prever essa modalidade de guarda. o § 3 Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda compartilhada. Intensivo I LFG Página 133 . a guarda compartilhada. Unilateral ou exclusiva: é a modalidade mais difundida no Brasil. Trata-se de guarda em que apenas um dos pais. com caráter de exclusividade.583. o § 4 A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda. mas é exclusiva que se alterna. deferirá a guarda à pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida. Essa guarda é muito próxima da guarda compartilhada. 1. esta modalidade de guarda determina que fique no mesmo domicílio do casal enquanto casados. será aplicada. inclusive quanto ao número de horas de convivência com o filho. a sua importância. No entanto. 3. cabendo ao outro direito de visitas. o juiz informará ao pai e à mãe o significado da guarda compartilhada. Neste tipo de guarda. características da alternada. poderá basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar. tendo ainda. não há exclusividade: tanto o pai quanto a mãe detém-na. 1. o grau de parentesco e as relações de afinidade e afetividade. Guarda alternada é aquela em os pais revezam ou alternam períodos exclusivos de guarda. a doutrina apresenta quatro espécies de guarda: 1. o § 1 Na audiência de conciliação.

Intensivo I LFG Página 134 . a criança está em risco. tende a evitar a Síndrome da Alienação Parental – SAP: a indevida interferência psicológica promovida por um dos genitores para que repudie o outro (PL 4053/2008). Esse projeto estabelece sanções que vão da admoestação até a perda do poder parental. Mas não sendo esta hipótese. nesse dispositivo. Parágrafo único. Art. somente se afigura viável em situações excepcionais em que não haja risco para integridade do menor. quando não há acordo. pode o juiz determinar obrigatoriamente. pois. ainda que o reconhecimento não haja sido o objeto único e principal do ato que o contém. a guarda compartilhada. na hipótese de serem casados. há presunção de paternidade do marido. O reconhecimento pode preceder o nascimento do filho ou ser posterior ao seu falecimento. Mas o NCC derrogou parcialmente essa lei. Tem-se atualmente. considerando que. a ser arquivado em cartório. se ele deixar descendentes. essa síndrome. como matriz do reconhecimento voluntário de filhos previsto no art. por causar menos dano psicológico ao menor. c) Por testamento: observe-se que apesar de o testamento ser ato revogável a cláusula de reconhecimento de filho não o é. O legislador. É necessário observar que a guarda compartilhada incentiva o entendimento evitando. A lei 8. b) Por escritura pública ou escrito particular arquivado em cartório de registro civil. IV . sempre que possível. ao permitir que o Juiz obrigue o casal à guarda compartilhada.por manifestação direta e expressa perante o juiz. Em geral.por escritura pública ou escrito particular. de pouca aplicação prática. será aplicada.por testamento.: A guarda compartilhada. *Formas de reconhecimento de filho: a) No registro de casamento: é a forma mais comum de reconhecimento de filhos.609 do CC. § 2 Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho.no registro do nascimento. o Filiação: Reconhecimento voluntário de filhos: Alguns autores denominam o reconhecimento voluntário de filhos de perfilhação. a guarda compartilhada. II . 1.609. ainda que incidentalmente manifestado. e sendo possível. III .Direito Civil – Pablo Stolze Obs.584 do CC. 1.560/1992 tratava a matéria. *Guarda compartilhada obrigatória: O §2º do artigo 1. e em situações excepcionais. O reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento é irrevogável e será feito: I . quis relevar situações em que não há casamento.

Nesse ponto. STJ).: Há possibilidade de reconhecimento do filho antes mesmo de seu nascimento. O ato de reconhecimento voluntário de filho. julgando o Resp. Em geral. e o menor pode impugnar o reconhecimento. a possibilidade de reconhecimento de filho falecido se este deixou descendentes. A lei não explicita como deve ser feita a negativa de conhecimento. irrevogável e personalíssimo. se o filho é rico. Obs.954/RS. nos quatro anos que se seguirem à maioridade. *Reconhecimento de filho maior: O art.: O STJ. por meio de escritura pública. 878. O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento. 601. ação reivindicatória de paternidade. 1. o tratamento jurídico do reconhecimento de filho feito por absoluta ou relativamente incapaz. ou à emancipação. mas é necessário observar que esta não é a única ação. anulatória de registro de nascimento (Resp. Ex. mas pode ocorrer). *Ação Investigatória de Paternidade: Trata-se de ação imprescritível até mesmo por se tratar de declaratória. Ex.Direito Civil – Pablo Stolze d) Manifestação direta e expressa perante o juiz. se não houve reconhecimento do filho e na audiência de reconhecimento de união estável há afirmação voluntária da paternidade. ação investigatória de maternidade (é difícil. a primeira ideia que se vem é a ação de investigação de paternidade. *Legitimidade ativa: esta legitimidade é do alegado filho e do Ministério Público (legitimação extraordinária). é além de solene. Há ainda. ainda que o reconhecimento não haja sido objeto único e principal do ato que o contém. Art.614 do CC estabelece que o filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento e o menor poderá impugnar o reconhecimento nos quatro anos que se seguirem à maioridade ou à emancipação. a fim de se evitar reconhecimento interesseiro posterior a morte do filho. Não sendo dado o consentimento para o reconhecimento. Ex. como demorou tanto tempo para o reconhecimento o filho maior não aceita o consentimento. Intensivo I LFG Página 135 . indaga-se se há necessidade de fundamentação da negativa. Obs. 1. Reconhecimento Judicial de Filhos Ao se falar em reconhecimento judicial. é importante ver no material de apoio.614.997/RS entendeu que este direito de impugnar o reconhecimento seria imprescritível.

Lei 12. proposta a ação de investigação e falecido o suposto filho. Já está pacificado (Súmula 301 do STJ). Embora o exame de DNA seja de grande importância para afirmar a paternidade oficial. ausente o exame de DNA e julgado o pedido na investigatória. 226. Nesta última hipótese não é o espólio o legitimado passivo considerando que o espólio é a massa de direitos e obrigações.698/MS) que. Obs. Intensivo I LFG Página 136 . A paternidade/maternidade biológicas não esgotam a o real conceito de paternidade. A segunda fase é chamada fase da paternidade biológica ou científica.: a Súmula 277 do STJ estabelece que. dos herdeiros. na doutrina e na jurisprudência (Resp. Não se pode haver pretensões patrimoniais nem tampouco relativas a paternidade considerando que “pai é quem cria”. *Ficada: Resp. 942. efetivando-se o julgamento com base nas outras provas produzidas nos autos.352/SP) que a pessoa adotada não é impedida de propor a investigatória para conhecer a sua verdade biológica. Emblemático é o Resp 397. pai confunde-se com genitor. A despeito de tradicionalmente o nosso direito reconhecer o caráter personalíssimo para a propositura da ação investigatória (art. o STJ já flexibilizou esse entendimento para permitir que os próprios netos possam diretamente investigar a relação avoenga (Resp.606. biológica. 826. Não mais o legislador.004/2009.365/RO: houve conceituação da “ficada”. a paternidade biológica não corresponde à paternidade afetiva. há possibilidade de seus descendentes habilitarem no processo. quase absoluta. mas sim. julgada procedente a investigação de paternidade.084/GO. já está assentado.436/PR.: Em direito processual civil. salvo se as partes acordarem. Em um primeiro momento. de que o marido é presumidamente pai do filho da sua esposa. não será feito novo exame. 557. A doutrina inclusive defende isso. 604. a sentença não transita em definitivo materialmente em julgado. Em tal fase. Obs. vivia-se a fase da paternidade legal ou jurídica: o CC 16 e o Direito da época firmaram uma presunção.Direito Civil – Pablo Stolze Observe-se que.154/RS). os alimentos são devidos a partir da citação. dos seus herdeiros. *Legitimidade passiva: a legitimidade passiva é do suposto pai ou. 1. que a recusa injustificada ao exame de DNA gera uma presunção relativa de paternidade. Busca-se a verdade genética. CC). mas a ciência diria a palavra final. Etapas da paternidade no Brasil: A paternidade no Brasil passou por três fases.013/MG que disciplina a admissibilidade do teste de DNA em confronto com as demais provas produzidas. se a investigatória for post mortem. 300. Quando há confronto entre mais de um exame de DNA realizado. conforme dito. Obs.: o STJ já decidiu (Ag Rg no Ag.

549.548. *Paternidade Sócio-afetiva: *Conceito: esta teoria admite o reconhecimento do vínculo filial. Importa no caso da paternidade sócio-afetiva a afetividade existente. mas sim a afetividade existente e o vínculo emocional que envolve as partes.549 cuidam do casamento nulo – nulidade absoluta. A decretação de nulidade de casamento.520.Direito Civil – Pablo Stolze Em 1979. Não se leva em conta o lapso temporal ou outro requisito objetivo. independentemente da verdade biológica. há certas peculiaridades no que se refere ao direito de família e à invalidade do casamento. Nulidade relativa do casamento: Intensivo I LFG Página 137 . Embora a matriz da invalidade do casamento seja a própria matriz geral da teoria geral do direito civil. _______________________________________________________________________________ INVALIDADE DO CASAMENTO A nulidade do casamento se desdobra em nulidade e anulabilidade. Observe-se que se há o cometimento de um crime (caso Pedrinho) retirando a oportunidade dos pais biológicos de criarem o vínculo afetivo não há como reconhecer a paternidade sócio-afetiva. o que é previsto na parte geral quanto aos negócios jurídicos. Assim. por qualquer interessado. CC) e no caso de enfermidade mental há absoluta nulidade do casamento. Art. João Batista Vilela trouxe a ideia da desbiologização do Direito de Família. 1. pode ser promovida mediante ação direta. atualmente vivida é a da paternidade sócio-afetiva. pelos motivos previstos no artigo antecedente. Art. Quando houver violação de impedimento (art. trazendo a ideia de que a paternidade não pode se esgotar no conceito biológico da paternidade.548 e 1. como inclusive já admitiu o STJ consoante o noticiário de 19/11/2009. 1. 1. II . A terceira etapa. O CC não diz que o juiz declarar a nulidade de um casamento. A decretação de nulidade de casamento pode ser requerida mediante ação direta por qualquer interessado ou pelo Ministério Público. Nulidade absoluta do casamento: Os artigos 1. *Pai X Genitor: se a paternidade biológica não tiver a necessária fundamentação do afeto.pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil. que merece maiores considerações. uma paternidade afetiva deve prevalecer sobre aquela. É nulo o casamento contraído: I . se a relação de afeto estiver devidamente construída e fundamentada ao longo de toda uma vida. interpreta-se no sentido de ser necessária ação de nulidade para que esta seja reconhecida quanto ao casamento. ou pelo Ministério Público.por infringência de impedimento.

Art. confirmar seu casamento. de seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. se necessária.558. quando não autorizado por seu representante legal. V . observem-se os dispositivos pertinentes: Art. Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada.a ignorância. 1.pelo próprio cônjuge menor. de doença mental grave que. IV . 1. É necessário observar que o casamento. Art.do incapaz de consentir ou manifestar. Art. 1.Direito Civil – Pablo Stolze A matriz relativa a anulabilidade do casamento está prevista no art. exercer publicamente as funções de juiz de casamentos e. a nulidade é relativa.: Fazer a leitura do código. por qualquer modo. o consentimento. anterior ao casamento. e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. anterior ao casamento. Subsiste o casamento celebrado por aquele que. 1. o § 2 Não se anulará o casamento quando à sua celebração houverem assistido os representantes legais do incapaz. da morte do incapaz.552.558 do Código Civil. Art. de defeito físico irremediável. 1. III . se houve por parte de um dos nubentes. ou tiverem. II . nos termos dos arts. sem possuir a competência exigida na lei. com a autorização de seus representantes legais. que. e.557. no segundo.o que diz respeito à sua identidade. II . sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato. no primeiro caso. No caso de ser absolutamente incompetente a autoridade celebrante. sua honra e boa fama. depois de completá-la. Art. o casamento é inexistente.realizado pelo mandatário. pode ser anulado por vício de vontade. especialmente dos artigos que se referem aos prazos de anulação. Intensivo I LFG Página 138 .por seus ascendentes.550 do Código Civil. por iniciativa do incapaz. sua ou de seus familiares. Vícios da vontade podem resultar na invalidade do negócio.de quem não completou a idade mínima para casar. ou com suprimento judicial. Art.558.556 a 1.554.556 a 1. 1. III . torne insuportável a vida conjugal. a saúde e a honra. nos termos dos artigos 1. de modo inequívoco. III . tiver registrado o ato no Registro Civil. O casamento pode ser anulado por vício da vontade. senão vejamos: Art. Já se é relativamente incompetente. o casamento de que resultou gravidez. Parágrafo único. por sua natureza. só poderá ser anulado se a ação for proposta em cento e oitenta dias. Não se anulará. O casamento do menor em idade núbil.553. IV . Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: I .do menor em idade núbil. ou de moléstia grave e transmissível.551. erro essencial quanto à pessoa do outro. O menor que não atingiu a idade núbil poderá. anterior ao casamento. a partir do casamento. por motivo de idade.por vício da vontade. o § 1 O prazo estabelecido neste artigo será contado do dia em que cessou a incapacidade.a ignorância. É anulável o casamento: I .a ignorância de crime. pelo contágio ou herança. VI .556. 1. Art. 1. 1. Nesse ponto. nessa qualidade.por seus representantes legais. É anulável o casamento em virtude de coação. por sua natureza. quando não autorizado por seu representante legal. ao consentir. 1. Obs. 1.550.555. ao deixar de sê-lo. A anulação do casamento dos menores de dezesseis anos será requerida: I . quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida.por incompetência da autoridade celebrante. torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. manifestado sua aprovação. sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. no terceiro. capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência. II .

O casamento putativo nada mais é do que um casamento nulo ou anulável contraído de boa fé por um ou ambos os cônjuges. **Observe-se que a hipótese do artigo 1.558 do CC se refere a coação moral.557 do CC. possui conduta amoral. cujo título é Do Casamento Putativo. A impotência para o ato sexual que o cônjuge já portava e o outro somente soube após o casamento pode gerar a nulidade do casamento. concluímos que o defeito físico irremediável descoberto após o casamento. pode gerar a sua anulabilidade.” o Assim. Já se a impotência ocorre após o casamento pode ensejar a separação ou divórcio. os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão. caso seja homossexual. Se o que levou a pessoa a incorrer em erro foi circunstância anterior ao casamento é possível que haja anulação do casamento. mas diante da boa-fé de um ou ambos os cônjuges são preservados os efeitos do mesmo até a sua declaração de nulidade. Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona entendem que o juiz de ofício pode reconhecer a putatividade do casamento considerando que a boa-fé é cláusula geral do direito. 7. defeito físico irremediável há possibilidade de anulação do casamento. Embora anulável ou mesmo nulo.561. Obs. Ex. o casamento. Observe-se que é necessário que a causa seja anterior ao casamento e que a cônjuge somente tenha conhecimento desse erro após o casamento. § 2 Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar o casamento. a doutrina diverge no que se refere à retroatividade ou não da sentença que anula o casamento (Orlando Gomes versus Zeno Veloso. como no caso da impotência coeundi (TJRS Emb.): melhor é a corrente que sustenta a retroatividade dos efeitos até porque o registro do casamento é cancelado e as partes voltam ao status quo ante. Inf. etc. Há uma obra bem importante do mestre Yussef Said Cahali acerca da matéria. nos termos do artigo 1. os seus efeitos civis só a ele e aos filhos aproveitarão.561 do CC de um casamento nulo ou anulável contraído de boa fé por um ou ambos os cônjuges e cujos efeitos jurídicos são preservados. Se por exemplo o cônjuge for um criminoso. 1. Trata-se. sem dúvida alguma deve ter efeitos ex tunc. Fernando Simão.103. ________________________________________________________________________________ REGIME DE BENS: Conceito: Intensivo I LFG Página 139 . em relação a estes como aos filhos. *** A sentença que declara a nulidade do casamento.Direito Civil – Pablo Stolze O erro essencial quanto a pessoa do outro pode gerar a invalidade do casamento. Cite-se o dispositivo em questão: “Art. produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. As hipóteses de invalidade são relativas a fatos anteriores ao casamento trazidos para ele. o casamento putativo é casamento inválido. *Casamento putativo: indaga-se o que se entende por casamento putativo. Há conexão com a chamada Teoria da Aparência. se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges. § 1 Se um dos cônjuges o estava de boa-fé ao celebrar o casamento.6425). se dois irmãos se casam sem que saibam desse fato. Isso ocorre no caso em que a causa torna impossível a convivência em comum.: Nos termos do inciso III do art. Já no que tange a sentença que anula o casamento. existência de moléstia grave. 1.

Desde 1.: o TJRS julgando o Recurso 7. Ex. Obs.de todos os que dependerem. maior de 60 anos e golpe do baú. regido pelos princípios da Liberdade de escolha. § 1 O regime de bens entre os cônjuges começa a o vigorar desde a data do casamento. ** O STJ já pacificou (ver por exemplo o Resp. condicionado ao casamento.” Intensivo I LFG Página 140 . Antes da Lei do Divórcio o regime da comunhão universal de bens era o regime supletivo. Súmula 377. o Denomina-se pacto antenupcial o negócio jurídico solene.642. Pablo entende que. III .807/PR. É bom que se diga que o art. “ Art.das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento. 1.639.). ou seja. na linha de autores como Sérgio Pereira. 1.639. 1. Obs. Na separação obrigatória de bens (art. o que lhes aprouver.da pessoa maior de sessenta anos. atentando-se para o fato de que o pedido de mudança de regime de casamento deve ser feito a partir de mútuo acordo entre os cônjuges de forma fundamentada e somente será deferido se não houver prejuízo para terceiros. considerando que após a maioridade há fundamento para a mudança.3891. o que traduz no princípio da mutabilidade. estipular. segundo dispõe súmula do STF. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I . 1. apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros. quanto aos seus bens. comunicam-se os adquiridos na constância do casamento.” O inciso II é rechaçado pela doutrina que aduz a sua inconstitucionalidade uma vez que o maior de sessenta anos possui entendimento suficiente para optar por seu regime de bens. II .661. 1. CC). variabilidade e mutabilidade (art. Observe-se que essa disposição se refere a separação legal ou obrigatória de bens e não quanto a convencional em que os cônjuges assumem o risco. para casar. 821. É o chamado regime de separação legal de bens.Direito Civil – Pablo Stolze Trata-se do estatuto patrimonial do casamento. a depender da situação há possibilidade de mudança de regime de bens embasado no inciso III do artigo retro citado. se os cônjuges não optam por outro regime de bens será adotado o regime da comunhão parcial de bens. Resp. o Regime de bens supletivo é o da comunhão parcial de bens.641. § 2 É admissível alteração do regime de bens. Em geral o que o legislador quis ao impor a separação obrigatória de bens foi proteger um dos cônjuges. mitigando a dureza do Regime de separação legal ou obrigatória.641 do CC estabelece situações em que é imposto o regime de separação obrigatória ou legal de bens. Luiz Felipe Brasil. desde que não haja prejuízo a terceiros.640 é na mesma linha). afirmou a retroatividade da sentença que altera o regime de bens. CC: Art. O NCC admite a mudança de regime de bens no curso do casamento. mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges. se houver patrimônio comum esse patrimônio pode ser partilhado. STF: “No regime de separação legal de bens.977 – Lei do Divórcio – (e o artigo 1. de suprimento judicial.546/MG) que a mudança de regime de bens pode ser pleiteada por pessoas casadas antes do Código Civil de 2002. pelo qual os nubentes escolhem o regime de bens do casamento. É lícito aos nubentes. admite a comunicabilidade dos bens adquiridos na constância do casamento. 730. antes de celebrado o casamento.: a Súmula 377 do STF.

montepios e outras rendas semelhantes. V . No entanto. o Resp.os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. e os que lhe sobrevierem. Obs. VII . com as exceções dos artigos seguintes. No regime de comunhão parcial.384/RS). Observe-se que não se trata de alimentos. Entram na comunhão: I . 1. mas sim de direito a meação (ver Resp. Art.os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares.821/RS. IV . O patrimônio anterior ao casamento é pessoal e exclusivo de cada cônjuge. III . os livros e instrumentos de profissão.os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso. V. II .Direito Civil – Pablo Stolze **Merece destaque.658. 1. no curso do casamento. Art. O que a esposa adquire. nesse ponto. na constância do casamento. Os bens recebidos a título gratuito não se comunicam. o que o marido adquire e o que os cônjuges adquirem na constância do casamento comunica-se entre ambos. assim como o que for adquirido por doação ou herança. CC.os bens de uso pessoal. a despeito do que dispõe os artigos 1.os bens que cada cônjuge possuir ao casar. as decisões são contra legem.659. 555.660. tem admitido a partilha de verba rescisória e até mesmo saldo de FGTS. Comunhão parcial de bens: Conceito: O regime de comunhão parcial de bens.os bens adquiridos por fato eventual.668. salvo reversão em proveito do casal. A comunhão é para o futuro. Obs. VI e 1. Excluem-se da comunhão: I . aqueles adquiridos na constância do casamento. É o mais justo. Intensivo I LFG Página 141 . A ideia básica do regime da comunhão parcial é a comunicabilidade dos bens aquestos. Resp. na constância do casamento. 421. Espécies de regimes de casamento: 1. comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal.771/SP em que o STF firmou entendimento de que a comunicação dos bens e dívidas deve cessar com ruptura da vida em comum (separação de fato). Ford Ka X Celta. regra geral no sistema brasileiro. no sentido de ser pessoal o provento ou fruto do trabalho de cada cônjuge. tem por princípio a comunicabilidade dos bens adquiridos a título oneroso. 1. meios-soldos. Aparentemente. é o que tem sido decidido.658.659. por doação ou sucessão. regulado a partir do art. II . Ex.as obrigações anteriores ao casamento.as pensões. com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior. Se os valores são diferentes. Art. haverá comunicabilidade considerando que se presume o esforço comum dos cônjuges para completar o valor da troca. VI . e os sub-rogados em seu lugar. 1. ou seja. por um ou ambos os cônjuges. ainda que só em nome de um dos cônjuges.: o que se tinha antes de casar é exclusivo.: o STJ. 781. O mesmo ocorre quanto aos bens que foram sub-rogados no valor que se tinha antes. Ford Ka X Mercedes.as obrigações provenientes de atos ilícitos.

II . a título gratuito. salvo se provierem de despesas com seus aprestos. Art. Art. o § 3 Em caso de malversação dos bens. cessará a responsabilidade de cada um dos cônjuges para com os credores do outro. em favor de ambos os cônjuges. Obs. 1.671.: O art. mais abrangente do que o regime anterior. Extinta a comunhão. 1. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento.667 do CC. Art. se o cidadão solteiro pagou todas as prestações do contrato promessa de compra e venda e somente lavrou a escritura após o casamento. ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão.Os bens referidos nos incisos V a VII do art. 1. 1. contraídas por qualquer dos cônjuges na administração de seus bens particulares e em benefício destes. 1.as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge. No regime da comunhão parcial.661. Art. ou dos particulares de cada cônjuge. 1. Aplica-se ao regime da comunhão universal o disposto no Capítulo antecedente. Já se parte das prestações forem pagas após o matrimônio há presunção do esforço comum. devendo haver direito de meação proporcional do cônjuge. Art. às despesas de administração e às decorrentes de imposição legal.665. herança ou legado. A administração do patrimônio comum compete a qualquer dos cônjuges. quando não se provar que o foram em data anterior.662. 1.as dívidas anteriores ao casamento. ou reverterem em proveito comum. V .os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário. Art.os bens adquiridos por doação. III . IV .670.669. Os bens da comunhão respondem pelas obrigações contraídas pelo marido ou pela mulher para atender aos encargos da família. salvo convenção diversa em pacto antenupcial.661 estabelece a incomunicabilidade dos bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento (a exemplo da promessa de compra e venda inteiramente cumprida antes do matrimônio).as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade.659. O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas. A incomunicabilidade dos bens enumerados no artigo antecedente não se estende aos frutos. Comunhão universal de bens: Conceito: Neste regime. Art. o § 1 As dívidas contraídas no exercício da administração obrigam os bens comuns e particulares do cônjuge que os administra. V . Ex. As dívidas. salvo as exceções da lei. e efetuada a divisão do ativo e do passivo. 3. com as exceções do artigo seguinte. e os do outro na razão do proveito que houver auferido. os bens anteriores e posteriores ao matrimônio. 1.667. o juiz poderá atribuir a administração a apenas um dos cônjuges. não obrigam os bens comuns.os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar. que impliquem cessão do uso ou gozo dos bens comuns. Art. 1. Regime de Participação final nos aquestos: Intensivo I LFG Página 142 . quando se percebam ou vençam durante o casamento. o § 2 A anuência de ambos os cônjuges é necessária para os atos. Art.668. antes de realizada a condição suspensiva. 1. Art. São excluídos da comunhão: I . 2.Direito Civil – Pablo Stolze III . A administração e a disposição dos bens constitutivos do patrimônio particular competem ao cônjuge proprietário.664.666. adquiridos a título gratuito ou oneroso. percebidos na constância do casamento. comunicam-se. regra geral. presumem-se adquiridos na constância do casamento os bens móveis. regrado a partir do artigo 1.os frutos dos bens comuns. 1. IV . quanto à administração dos bens. 1.663. 1. Art.

Parágrafo único. em benefício do outro. Art. presumem-se do domínio do cônjuge devedor. o patrimônio do marido e da esposa. Se um dos cônjuges solveu uma dívida do outro com bens do seu patrimônio. serão avaliados e.678. Na dissolução da sociedade conjugal por morte.673. Ao determinar-se o montante dos aqüestos.676. 1. A administração desses bens é exclusiva de cada cônjuge.672. Pelas dívidas posteriores ao casamento. à meação do outro cônjuge. Art. excluindo-se da soma dos patrimônios próprios: I . Art. verificar-se-á a meação do cônjuge sobrevivente de conformidade com os artigos antecedentes.682. Art.685. Integram o patrimônio próprio os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os por ele adquiridos. consoante disposto no artigo seguinte.Direito Civil – Pablo Stolze Conceito: Segundo Maria Berenice Dias o regime é muito confuso. posteriores ao casamento. Parágrafo único. cada cônjuge possui patrimônio próprio. No caso de bens adquiridos pelo trabalho conjunto. em face de terceiros. Parágrafo único. ou declarado no monte partilhável. O direito à meação não é renunciável. III . alienados tantos bens quantos bastarem. 1. mediante autorização judicial. a qualquer título.680. que exigiria uma contabilidade constante (Maria Berenice Dias). calcular-se-á o valor de alguns ou de todos para reposição em dinheiro ao cônjuge não-proprietário. No regime de participação final nos aqüestos. 1. 1. o bem poderá ser reivindicado pelo cônjuge prejudicado ou por seus herdeiros. Seria necessário juntar nota fiscal de tudo que foi adquirido na constância do casamento. terá cada um dos cônjuges uma quota igual no condomínio ou no crédito por aquele modo estabelecido. na data da dissolução. 1. Sobrevindo a dissolução da sociedade conjugal.679. somente este responderá. 1. se forem móveis. mas. Salvo prova em contrário. à época da dissolução da sociedade conjugal. na época da dissolução da sociedade conjugal.672 do CC. contraídas por um dos cônjuges.681. por valor equivalente ao da época da dissolução. Intensivo I LFG Página 143 . apurar-se-á o montante dos aqüestos. individuais. na partilha é necessário que sejam computadas cinco massas de bens: o patrimônio do marido e da esposa anteriores ao casamento. Art. ou de seus herdeiros. Neste confuso regime (o que afirmado pela doutrina). Impugnada a titularidade.684.674. sem a necessária autorização do outro. Art. 1. 1. 1. direito à metade dos bens adquiridos pelo casal. Na dissolução do regime de bens por separação judicial ou por divórcio.os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade. Art. de difícil aplicação e para que desse certo deveria haver contabilidade diária do casal. de os reivindicar. computar-se-á o valor das doações feitas por um dos cônjuges. Art. deferindo-se a herança aos herdeiros na forma estabelecida neste Código. Os bens imóveis são de propriedade do cônjuge cujo nome constar no registro. nesse caso. Art.os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub-rogaram. Art.683. Não se podendo realizar a reposição em dinheiro. o valor do pagamento deve ser atualizado e imputado. 1. 1. segundo as específicas regras do regime. Art. disciplinado a partir do art. e lhe cabe. cessível ou penhorável na vigência do regime matrimonial.677. que os poderá livremente alienar. na constância do casamento. verificar-se-á o montante dos aqüestos à data em que cessou a convivência.as dívidas relativas a esses bens. salvo se o bem for de uso pessoal do outro. 1. Incorpora-se ao monte o valor dos bens alienados em detrimento da meação. parcial ou totalmente. cada cônjuge possui patrimônio próprio (como na separação de bens). Parágrafo único. 1. 1. II . Se não for possível nem conveniente a divisão de todos os bens em natureza. 1. presumem-se adquiridos durante o casamento os bens móveis. Art. se não houver preferência do cônjuge lesado. As coisas móveis. Citem-se os dispositivos pertinentes ao regime ora estudado: Art. Nesse regime. a título oneroso. Art. e a massa de bens adquiridos de forma comum e onerosa. para efeito de meação.675. caberá ao cônjuge proprietário provar a aquisição regular dos bens. o patrimônio adquirido pelo casal a título oneroso. apurar-se-á. na constância do casamento. salvo prova de terem revertido.

656. que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus real. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------PARENTESCO Conceito: Com base no pensamento de Maria Helena Diniz. quando superiores à sua meação. 1. Art.687.686. 1. Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens. 1.688. As dívidas de um dos cônjuges. salvo se vier cópia do CC. o parentesco consiste na relação vinculatória que une pessoas descendentes de um mesmo tronco comum ou unidas pela colateralidade. não obrigam ao outro. 4. poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis. Regime da Separação de Bens (Convencional): Conceito: A separação convencional de bens é aquela estabelecida segundo a autonomia da vontade do casal. No pacto antenupcial. Espécies de parentesco: A doutrina brasileira trabalha com três tipos de parentesco. Isso não quer dizer que haja dispensa da outorga uxória. desde que particulares.Direito Civil – Pablo Stolze Art. desde que particulares. que adotar o regime de participação final nos aqüestos.688 do CC. ou a seus herdeiros. Entre cônjuges e companheiros não há relação de parentesco. Art. Obs.: o art. conforme os artigos 1. É necessário observar que o cálculo para apuração da partilha dos cônjuges é bastante complexo e de difícil elaboração o que torna o regime inaplicável na prática e de difícil cobrança em prova de concurso. Estipulada a separação de bens. 1.656 do CC estabelece que no pacto antenupcial que adota o regime de participação final nos aquestos poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis. 1. mas sim que há possibilidade de convenção a disposição livre dos bens imóveis. no pacto antenupcial. assim como é a relação travada entre um dos cônjuges ou companheiros e os parentes do outro. Art. estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos cônjuges. Marido e mulher não são parentes. quais sejam: Intensivo I LFG Página 144 . salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial.687 e 1.

592. aos descendentes e aos o irmãos do cônjuge ou companheiro. descendentes de um mesmo tronco comum ou unidas pela colateralidade (artigos 1. segundo o qual se realiza a transmissão do patrimônio de alguém depois da sua morte. os graus de parentesco pelo número de gerações. CC: Art. São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para com as outras na relação de 2. não há o que se falar em concunhado.595.: o STJ (noticiário de 05/01/2009) entendeu que parentes colaterais de terceiro grau – tio e sobrinho – não tem obrigação de alimentos recíprocos. a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável. cessando-se o impedimento. Há regresso ao infinito. Para o Direito Civil.Direito Civil – Pablo Stolze 1. Contam-se. São parentes em linha colateral ou transversal. Obs. 1.593. 1. _________________________________________________________________________________ DIREITO DAS SUCESSÕES: Conceito: Segundo Clóvis Beviláqua. Os irmão são parentes de segundo grau. as pessoas provenientes de um só tronco. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade. o direito das sucessões é o conjunto de normas e princípios. Sistemas sucessórios: Intensivo I LFG Página 145 .) Na linha reta. sem descenderem uma da outra. Art.591. Parentesco consangüíneo ou natural: é a relação que vincula umas pessoas às outras. o parentesco consangüíneo vai até o infinito. e descendo até encontrar o outro parente. 3. Para o Código Civil Brasileiro não há parentesco colateral além do quarto grau. No que tange a linha colateral. Na mesma linha. 1. 1.591 e 1. § 2 Na linha reta. considerando que deve ser levado em conta o ascendente comum. atingindo até o quarto grau. Já o parentesco por afinidade na linha colateral (cunhados) há desvinculação quando da separação. sempre haverá um impedimento de casamento entre a sogra e o ex-genro. até o quarto grau. esta parte de um tronco comum. na linha reta. também pelo número delas. 1. ascendentes e descendentes. Parentesco por afinidade: é aquele travado entre um dos cônjuges ou companheiro e os parentes do outro (art.594. 1. considerando que não há relação de parentesco entre os parentes por afinidade. Ex. e. tratando-se de direito fundamental previsto na Constituição Federal. CC: Art. adoção.595. Art. Até por isso que não é cabível alimentos entre parentes por afinidade. quando há uma aceitação de uma inseminação artificial heteróloga (com material de terceiro) há parentesco civil.) o O parentesco por afinidade na linha reta vai até o infinito e não se desvincula. Ex. O parentesco é natural ou civil. na colateral. Parentesco Civil: o chamado parentesco civil tem matriz na norma legal.592. Art. descendo posteriormente. § 1 O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes. subindo de um dos parentes até ao ascendente comum. conforme resulte de consangüinidade ou outra origem. O fundamento do direito sucessório é a própria propriedade.

Sistema da concentração obrigatória: segundo o qual. ascendentes ou cônjuges) o testador somente poderá dispor de metade da herança. Já a herança se refere a partilha de bens dos herdeiros.789 do CC que estabelece que. por exemplo. A meação diz respeito ao regime de bens. e não se refere à herança. 3. Intensivo I LFG Página 146 . O direito brasileiro resguarda a legítima não se permitindo ao autor da herança doar mais de 50% de seu patrimônio para. Pablo entende que resguardar a legítima nos casos de filhos maiores e capazes a preservação da legítima pode acarretar infinitas brigas entre os familiares. Sistema da divisão necessária: é o sistema adotado no Brasil.Direito Civil – Pablo Stolze Existem basicamente três sistemas sucessórios no mundo: 1. em havendo herdeiros necessários (descendentes. observando-se que o cônjuge é herdeiro necessário. instituições de caridade. *Meação versus Herança: meação é um direito próprio do cônjuge que nada tem haver com a herança. 2. Era muito comum em sociedades mais antigas. 1. Sistema da Liberdade testamentária: permite ao testador fazer o que quiser de sua herança. Se o viúvo terá ou não direito a herança já é outra questão. Tinha-se o chamado Benefício da primogenitura. a herança era concentrada em um único herdeiro. estando previsto no art.

para evitar enriquecimento sem causa. 303.293/RJ não admitiu a tese da união estável putativa. têm negado a proteção jurídica à concubina (Re 590. decorrência do poder parental.727 faz breve referência à relação de concubinato. que a concubina poderia ter direito pelo menos a uma indenização por serviços prestados (Resp.727 do CC (“As relações não eventuais entre o homem e a mulher.Direito Civil – Pablo Stolze O STJ julgando o Resp 789. por sua vez. A regulamentação da guarda dá-se nos artigos 1. As decisões mais recentes do STF. Poliamorismo: O denominado poliamorismo.604). vão mais além admitindo a tutela do próprio direito de família (Maria Berenice Dias). sem que haja um escopo protetivo. Nesse julgado o STJ analisou caso em que o homem conviveu com sua esposa e com a concubina pelo prazo de 36 anos pelo que foi consagrada a possibilidade de indenizar a concubina pelos serviços domésticos prestados. O concubinato. Citemse: Intensivo I LFG Página 147 . impedidos de casar. Conceito: A guarda. objeto de estudo da psicologia caracteriza a relação de casamento ou união estável aberta em que o casal. por decisão conjunta. aceitando a participação de terceiros no próprio núcleo afetivo. ainda que no campo previdenciário. Os tribunais brasileiros tendem a abraçar a monogamia e por esse motivo não foi admitida referida tese. traduz um plexo de obrigações e direitos em face do menor. flexibiliza o dever de fidelidade recíproca. todavia. Alguns autores.584 do CC. tecnicamente é a relação entre pessoas impedidas de casar. Direitos da Amante: A luz do art. e não a guarda relativa ao Estatuto da Criança e do Adolescente. 1. justificaria os direitos da amante? No NCC a (o) “amante” é chamada (o) concubina (o). a relação de concubinato entre pessoas impedidas.583 e 1. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu. O Código Civil Brasileiro em seu artigo 1. em situação excepcional. especialmente de assistência material e moral. constituem concubinato” ). ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------GUARDA DE FILHOS Aqui se analisa a guarda de filhos relativa ao poder familiar dos pais.779/ES).

A guarda alternada não deixa de ser exclusiva. No entanto. em atenção a necessidades específicas do filho. inclusive quanto ao número de horas de convivência com o filho. § 4o A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda. III – educação. em ação autônoma de separação. ou em razão da distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe. Unilateral ou exclusiva: é a modalidade mais difundida no Brasil. unilateral ou compartilhada. Trata- se de guarda em que apenas um dos pais. § 1o Na audiência de conciliação. II – saúde e segurança. unilateral ou compartilhada. 1. mas é exclusiva que se alterna. de preferência.584.584. CC. de divórcio. Art. sempre que possível. cabendo ao outro direito de visitas. a similitude de deveres e direitos atribuídos aos genitores e as sanções pelo descumprimento de suas cláusulas. a sua importância. com caráter de exclusividade. § 5o Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a guarda do pai ou da mãe. por guarda compartilhada a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto. poderá ser: I – requerida. poderá basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar. mas não se pode fazer essa confusão. § 5o) e. § 2o Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho. Guarda alternada é aquela em os pais revezam ou alternam períodos exclusivos de guarda. O domicílio do menor será o domicílio do guardião. A guarda será unilateral ou compartilhada. mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes fatores: I – afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar.Direito Civil – Pablo Stolze Art. A guarda. § 2o A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercêla e. o grau de parentesco e as relações de afinidade e afetividade. 1. Enquanto a primeira modalidade (guarda unilateral) Intensivo I LFG Página 148 . a doutrina apresenta quatro espécies de guarda: 1. será aplicada.583. concernentes ao poder familiar dos filhos comuns. de ofício ou a requerimento do Ministério Público. § 3o Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda compartilhada. considerados. 1. Art. §1º. se intercala. por consenso. objetivamente. II – decretada pelo juiz. cabendo ao outro correspondente direito de visitas. poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor.583. deferirá a guarda à pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida. ou por qualquer deles. pelo pai e pela mãe. o juiz informará ao pai e à mãe o significado da guarda compartilhada. exerce a função de guardião. o juiz. § 1o Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua (art. de dissolução de união estável ou em medida cautelar. 1. 2. § 3o A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os interesses dos filhos. § 4o (VETADO). a guarda compartilhada. Espécies de Guarda: O CC trata de apenas dois tipos de guarda. Alternada: muitos falam em guarda compartilhada.

não há exclusividade: tanto o pai quanto a mãe detém-na. e os pais saem. Esse projeto estabelece sanções que vão da admoestação até a perda do poder parental. § 2o Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho. Intensivo I LFG Página 149 .560/1992 tratava a matéria. esta modalidade de guarda determina que fique no mesmo domicílio do casal enquanto casados. cabendo ao próprio casal disciplinar a vida do seu filho. Filiação: Reconhecimento voluntário de filhos: Alguns autores denominam o reconhecimento voluntário de filhos de perfilhação. a guarda compartilhada. 4. 1. Guarda Compartilhada: o CC foi modificado em 2008 para explicitamente prever essa modalidade de guarda. coresponsabilizando-se por ele (§1º do art. É necessário observar que a guarda compartilhada incentiva o entendimento evitando. como matriz do reconhecimento voluntário de filhos previsto no art. características da alternada. somente se afigura viável em situações excepcionais em que não haja risco para integridade do menor. quando não há acordo. a criança está em risco. Tem-se atualmente.583 do CC). A lei 8. Obs. essa síndrome. 3. É também chamada guarda conjunta. *Guarda compartilhada obrigatória: O §2º do artigo 1. a guarda compartilhada. Aninhamento ou nidação: para evitar que a criança fique indo de uma casa para outra. de pouca aplicação prática. pode o juiz determinar obrigatoriamente.: A guarda compartilhada. ao permitir que o Juiz obrigue o casal à guarda compartilhada. e em situações excepcionais. A criança fica na mesma casa em que era criada. e os pais se revezam em sua companhia. tendo ainda. tende a evitar a Síndrome da Alienação Parental – SAP: a indevida interferência psicológica promovida por um dos genitores para que repudie o outro (PL 4053/2008). Mas o NCC derrogou parcialmente essa lei. pois. na guarda alternada há revezamento de guardas exclusivas. será aplicada.584 do CC. e sendo possível. Neste tipo de guarda. Em geral. Essa guarda é muito próxima da guarda compartilhada. 1. sempre que possível.609 do CC. Mas não sendo esta hipótese.Direito Civil – Pablo Stolze o guardião fica com o menor exclusivamente e o outro tem direito de visitas. por causar menos dano psicológico ao menor.

Nesse ponto. ainda que o reconhecimento não haja sido o objeto único e principal do ato que o contém. se ele deixar descendentes. O reconhecimento pode preceder o nascimento do filho ou ser posterior ao seu falecimento. O ato de reconhecimento voluntário de filho. o tratamento jurídico do reconhecimento de filho feito por absoluta ou relativamente incapaz. e o menor pode impugnar o reconhecimento. quis relevar situações em que não há casamento. ou à emancipação. d) Manifestação direta e expressa perante o juiz.Direito Civil – Pablo Stolze Art. b) Por escritura pública ou escrito particular arquivado em cartório de registro civil. 1. a fim de se evitar reconhecimento interesseiro posterior a morte do filho. é importante ver no material de apoio. O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento. Ex. indaga-se se há necessidade de fundamentação da negativa. a ser arquivado em cartório.614 do CC estabelece que o filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento e o menor poderá impugnar o reconhecimento nos quatro anos que se seguirem à maioridade ou à emancipação. *Reconhecimento de filho maior: O art. ainda que incidentalmente manifestado.no registro do nascimento.614. a possibilidade de reconhecimento de filho falecido se este deixou descendentes. há presunção de paternidade do marido. irrevogável e personalíssimo. Há ainda. Não sendo dado o consentimento para o reconhecimento. Em geral.por testamento. se o filho é rico. O reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento é irrevogável e será feito: I . *Formas de reconhecimento de filho: a) No registro de casamento: é a forma mais comum de reconhecimento de filhos. Art.por manifestação direta e expressa perante o juiz. considerando que. 1. Parágrafo único. Obs. é além de solene. II . O legislador. c) Por testamento: observe-se que apesar de o testamento ser ato revogável a cláusula de reconhecimento de filho não o é. na hipótese de serem casados. III .por escritura pública ou escrito particular. Ex.609. se não houve reconhecimento do filho e na audiência de reconhecimento de união estável há afirmação voluntária da paternidade. ainda que o reconhecimento não haja sido objeto único e principal do ato que o contém. nesse dispositivo. como demorou tanto Intensivo I LFG Página 150 . por meio de escritura pública. nos quatro anos que se seguirem à maioridade. 1.: Há possibilidade de reconhecimento do filho antes mesmo de seu nascimento. IV .

ação reivindicatória de paternidade.606. Obs.436/PR. Observe-se que. *Ação Investigatória de Paternidade: Trata-se de ação imprescritível até mesmo por se tratar de declaratória. 1. dos herdeiros. 878. há possibilidade de seus descendentes habilitarem no processo. A lei não explicita como deve ser feita a negativa de conhecimento. dos seus herdeiros. *Legitimidade ativa: esta legitimidade é do alegado filho e do Ministério Público (legitimação extraordinária). julgando o Resp. 604. Busca-se a verdade genética. conforme dito. anulatória de registro de nascimento (Resp. a sentença não transita em definitivo materialmente em julgado. A despeito de tradicionalmente o nosso direito reconhecer o caráter personalíssimo para a propositura da ação investigatória (art.: Em direito processual civil. na doutrina e na jurisprudência (Resp. 826. 601. Não se pode haver pretensões patrimoniais nem tampouco relativas a paternidade considerando que “pai é quem cria”.: o STJ já decidiu (Ag Rg no Ag. proposta a ação de investigação e falecido o suposto filho.154/RS). Obs.Direito Civil – Pablo Stolze tempo para o reconhecimento o filho maior não aceita o consentimento. mas é necessário observar que esta não é a única ação. 226. Ex. 942. ação investigatória de maternidade (é difícil.: O STJ. se a investigatória for post mortem.954/RS.352/SP) que a pessoa adotada não é impedida de propor a investigatória para conhecer a sua verdade biológica. Intensivo I LFG Página 151 . *Legitimidade passiva: a legitimidade passiva é do suposto pai ou. ausente o exame de DNA e julgado o pedido na investigatória.997/RS entendeu que este direito de impugnar o reconhecimento seria imprescritível. mas pode ocorrer). 300. o STJ já flexibilizou esse entendimento para permitir que os próprios netos possam diretamente investigar a relação avoenga (Resp. A doutrina inclusive defende isso.698/MS) que. a primeira ideia que se vem é a ação de investigação de paternidade. mas sim. biológica. Obs. STJ). CC).084/GO. Nesta última hipótese não é o espólio o legitimado passivo considerando que o espólio é a massa de direitos e obrigações. já está assentado. Reconhecimento Judicial de Filhos Ao se falar em reconhecimento judicial.

*Paternidade Sócio-afetiva: *Conceito: esta teoria admite o reconhecimento do vínculo filial. Etapas da paternidade no Brasil: A paternidade no Brasil passou por três fases. Em 1979. de que o marido é presumidamente pai do filho da sua esposa. a paternidade biológica não corresponde à paternidade afetiva. 557. mas a ciência diria a palavra final.013/MG que disciplina a admissibilidade do teste de DNA em confronto com as demais provas produzidas. A paternidade/maternidade biológicas não esgotam a o real conceito de paternidade. vivia-se a fase da paternidade legal ou jurídica: o CC 16 e o Direito da época firmaram uma presunção. João Batista Vilela trouxe a ideia da desbiologização do Direito de Família. Obs. que merece maiores considerações. Intensivo I LFG Página 152 . Embora o exame de DNA seja de grande importância para afirmar a paternidade oficial.Direito Civil – Pablo Stolze Já está pacificado (Súmula 301 do STJ). Não mais o legislador. Em um primeiro momento.: a Súmula 277 do STJ estabelece que. *Ficada: Resp. A segunda fase é chamada fase da paternidade biológica ou científica. atualmente vivida é a da paternidade sócio-afetiva. como inclusive já admitiu o STJ consoante o noticiário de 19/11/2009. pai confunde-se com genitor. não será feito novo exame. trazendo a ideia de que a paternidade não pode se esgotar no conceito biológico da paternidade. Emblemático é o Resp 397.365/RO: houve conceituação da “ficada”. A terceira etapa. que a recusa injustificada ao exame de DNA gera uma presunção relativa de paternidade. quase absoluta. julgada procedente a investigação de paternidade. Importa no caso da paternidade sócio-afetiva a afetividade existente. Quando há confronto entre mais de um exame de DNA realizado.004/2009. mas sim a afetividade existente e o vínculo emocional que envolve as partes. efetivando-se o julgamento com base nas outras provas produzidas nos autos. salvo se as partes acordarem. Não se leva em conta o lapso temporal ou outro requisito objetivo. Em tal fase. os alimentos são devidos a partir da citação. Lei 12. se a relação de afeto estiver devidamente construída e fundamentada ao longo de toda uma vida. independentemente da verdade biológica.

do incapaz de consentir ou manifestar.552. Quando houver violação de impedimento (art. II . 1. 1. _______________________________________________________________________________ INVALIDADE DO CASAMENTO A nulidade do casamento se desdobra em nulidade e anulabilidade. 1.549. o casamento de que resultou gravidez.556 a 1.520.do menor em idade núbil.por incompetência da autoridade celebrante.Direito Civil – Pablo Stolze Observe-se que se há o cometimento de um crime (caso Pedrinho) retirando a oportunidade dos pais biológicos de criarem o vínculo afetivo não há como reconhecer a paternidade sócio-afetiva. pelos motivos previstos no artigo antecedente. O CC não diz que o juiz declarar a nulidade de um casamento. *Pai X Genitor: se a paternidade biológica não tiver a necessária fundamentação do afeto. Parágrafo único. Art. Art. 1. interpreta-se no sentido de ser necessária ação de nulidade para que esta seja reconhecida quanto ao casamento. senão vejamos: Art.548 e 1.549 cuidam do casamento nulo – nulidade absoluta.550 do Código Civil. 1.por infringência de impedimento. Embora a matriz da invalidade do casamento seja a própria matriz geral da teoria geral do direito civil.por vício da vontade. V . nos termos dos arts. 1. Nulidade relativa do casamento: A matriz relativa a anulabilidade do casamento está prevista no art. É anulável o casamento: I . III . sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato.558. Nulidade absoluta do casamento: Os artigos 1. uma paternidade afetiva deve prevalecer sobre aquela. CC) e no caso de enfermidade mental há absoluta nulidade do casamento. A decretação de nulidade de casamento pode ser requerida mediante ação direta por qualquer interessado ou pelo Ministério Público.realizado pelo mandatário. II . IV .550. Não se anulará. Art. o que é previsto na parte geral quanto aos negócios jurídicos.548. Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada. Assim.551. de modo inequívoco. por qualquer interessado. 1.pelo próprio cônjuge menor. quando não autorizado por seu representante legal. e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges.de quem não completou a idade mínima para casar. A anulação do casamento dos menores de dezesseis anos será requerida: I . É nulo o casamento contraído: I . ou pelo Ministério Público. o consentimento. Art. 1.pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil. Intensivo I LFG Página 153 . A decretação de nulidade de casamento. VI . há certas peculiaridades no que se refere ao direito de família e à invalidade do casamento. por motivo de idade. pode ser promovida mediante ação direta.

que. o casamento é inexistente. III . se necessária. manifestado sua aprovação.por seus representantes legais. torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. da morte do incapaz. 1.553.558.a ignorância de crime. torne insuportável a vida conjugal. Art. É anulável o casamento em virtude de coação.557.a ignorância. 1. quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida. com a autorização de seus representantes legais. § 1o O prazo estabelecido neste artigo será contado do dia em que cessou a incapacidade. por iniciativa do incapaz. Art. confirmar seu casamento. Art. 1. O casamento pode ser anulado por vício da vontade. Subsiste o casamento celebrado por aquele que. exercer publicamente as funções de juiz de casamentos e. O menor que não atingiu a idade núbil poderá. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: I . pelo contágio ou herança. ao consentir. por sua natureza. se houve por parte de um dos nubentes. pode ser anulado por vício de vontade. Intensivo I LFG Página 154 . sem possuir a competência exigida na lei. a partir do casamento. de doença mental grave que. Vícios da vontade podem resultar na invalidade do negócio.por seus ascendentes. a nulidade é relativa. por qualquer modo. Art.o que diz respeito à sua identidade. Nesse ponto. existência de moléstia grave. IV . 1. O casamento do menor em idade núbil. por sua natureza. quando não autorizado por seu representante legal. anterior ao casamento. só poderá ser anulado se a ação for proposta em cento e oitenta dias. de defeito físico irremediável. sua ou de seus familiares.554. Isso ocorre no caso em que a causa torna impossível a convivência em comum.Direito Civil – Pablo Stolze II .555. erro essencial quanto à pessoa do outro. depois de completá-la.558 do Código Civil. no segundo. O erro essencial quanto a pessoa do outro pode gerar a invalidade do casamento. no terceiro. É necessário observar que o casamento.556 a 1. anterior ao casamento. a saúde e a honra. defeito físico irremediável há possibilidade de anulação do casamento. e. especialmente dos artigos que se referem aos prazos de anulação. II . no primeiro caso.a ignorância. Art. III . possui conduta amoral. Se por exemplo o cônjuge for um criminoso. ou com suprimento judicial. anterior ao casamento.556. No caso de ser absolutamente incompetente a autoridade celebrante. nessa qualidade. de seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. sua honra e boa fama. capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência. Se o que levou a pessoa a incorrer em erro foi circunstância anterior ao casamento é possível que haja anulação do casamento. 1. sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. tiver registrado o ato no Registro Civil. Já se é relativamente incompetente. Obs. 1. ou de moléstia grave e transmissível. ou tiverem. ao deixar de sê-lo. § 2o Não se anulará o casamento quando à sua celebração houverem assistido os representantes legais do incapaz. observem-se os dispositivos pertinentes: Art.: Fazer a leitura do código. caso seja homossexual. nos termos dos artigos 1.

561 do CC de um casamento nulo ou anulável contraído de boa fé por um ou ambos os cônjuges e cujos efeitos jurídicos são preservados. *Casamento putativo: indaga-se o que se entende por casamento putativo. Obs. sem dúvida alguma deve ter efeitos ex tunc. *** A sentença que declara a nulidade do casamento. Trata-se. pode gerar a sua anulabilidade.: Nos termos do inciso III do art. ________________________________________________________________________________ REGIME DE BENS: Conceito: Intensivo I LFG Página 155 . se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges. se dois irmãos se casam sem que saibam desse fato. concluímos que o defeito físico irremediável descoberto após o casamento. o casamento putativo é casamento inválido. Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona entendem que o juiz de ofício pode reconhecer a putatividade do casamento considerando que a boa-fé é cláusula geral do direito. 1.Direito Civil – Pablo Stolze Observe-se que é necessário que a causa seja anterior ao casamento e que a cônjuge somente tenha conhecimento desse erro após o casamento. Cite-se o dispositivo em questão: “Art. Embora anulável ou mesmo nulo. Já se a impotência ocorre após o casamento pode ensejar a separação ou divórcio. nos termos do artigo 1. Ex. A impotência para o ato sexual que o cônjuge já portava e o outro somente soube após o casamento pode gerar a nulidade do casamento.): melhor é a corrente que sustenta a retroatividade dos efeitos até porque o registro do casamento é cancelado e as partes voltam ao status quo ante.561.103. a doutrina diverge no que se refere à retroatividade ou não da sentença que anula o casamento (Orlando Gomes versus Zeno Veloso. os seus efeitos civis só a ele e aos filhos aproveitarão. Há uma obra bem importante do mestre Yussef Said Cahali acerca da matéria. 1.” Assim. cujo título é Do Casamento Putativo. 7. produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. § 1o Se um dos cônjuges estava de boa-fé ao celebrar o casamento. **Observe-se que a hipótese do artigo 1. o casamento.6425).558 do CC se refere a coação moral. Inf. mas diante da boa-fé de um ou ambos os cônjuges são preservados os efeitos do mesmo até a sua declaração de nulidade. os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão.557 do CC. § 2o Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar o casamento. como no caso da impotência coeundi (TJRS Emb. O casamento putativo nada mais é do que um casamento nulo ou anulável contraído de boa fé por um ou ambos os cônjuges. Já no que tange a sentença que anula o casamento. etc. em relação a estes como aos filhos. Fernando Simão. As hipóteses de invalidade são relativas a fatos anteriores ao casamento trazidos para ele. Há conexão com a chamada Teoria da Aparência.

Em geral o que o legislador quis ao impor a separação obrigatória de bens foi proteger um dos cônjuges. 1. 1. a depender da situação há possibilidade de mudança de regime de bens embasado no inciso III do artigo retro citado. antes de celebrado o casamento. condicionado ao casamento. É o chamado regime de separação legal de bens. se os cônjuges não optam por outro regime de bens será adotado o regime da comunhão parcial de bens. CC: Art. 821. Pablo entende que.de todos os que dependerem.: o TJRS julgando o Recurso 7. estipular.546/MG) que a mudança de regime de bens pode ser pleiteada por pessoas casadas antes do Código Civil de 2002. considerando que após a maioridade há fundamento para a mudança. na linha de autores como Sérgio Pereira. pelo qual os nubentes escolhem o regime de bens do casamento. 730. atentando-se para o fato de que o pedido de mudança de regime de casamento deve ser feito a partir de mútuo acordo entre os cônjuges de forma fundamentada e somente será deferido se não houver prejuízo para terceiros.642. § 2o É admissível alteração do regime de bens. apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros. 1. Denomina-se pacto antenupcial o negócio jurídico solene. § 1o O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento. Ex. Antes da Lei do Divórcio o regime da comunhão universal de bens era o regime supletivo. o Regime de bens supletivo é o da comunhão parcial de bens. Luiz Felipe Brasil. II . variabilidade e mutabilidade (art. 1.639. o que lhes aprouver. segundo dispõe súmula do STF.). mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I . maior de 60 anos e golpe do baú.das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento. É bom que se diga que o art. Intensivo I LFG Página 156 . regido pelos princípios da Liberdade de escolha. se houver patrimônio comum esse patrimônio pode ser partilhado.639. afirmou a retroatividade da sentença que altera o regime de bens. 1.da pessoa maior de sessenta anos. Obs. Resp.3891.Direito Civil – Pablo Stolze Trata-se do estatuto patrimonial do casamento.641 do CC estabelece situações em que é imposto o regime de separação obrigatória ou legal de bens. “Art.661. para casar.641. desde que não haja prejuízo a terceiros. É lícito aos nubentes. Desde 1.” O inciso II é rechaçado pela doutrina que aduz a sua inconstitucionalidade uma vez que o maior de sessenta anos possui entendimento suficiente para optar por seu regime de bens. CC). III . O NCC admite a mudança de regime de bens no curso do casamento. de suprimento judicial.640 é na mesma linha). quanto aos seus bens. Na separação obrigatória de bens (art. ** O STJ já pacificou (ver por exemplo o Resp.977 – Lei do Divórcio – (e o artigo 1. ou seja. o que traduz no princípio da mutabilidade.807/PR.

: o que se tinha antes de casar é exclusivo. V . A comunhão é para o futuro.os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. Intensivo I LFG Página 157 . Ford Ka X Celta. Observe-se que essa disposição se refere a separação legal ou obrigatória de bens e não quanto a convencional em que os cônjuges assumem o risco. A ideia básica do regime da comunhão parcial é a comunicabilidade dos bens aquestos. os livros e instrumentos de profissão. CC. Excluem-se da comunhão: I . VI . na constância do casamento. Comunhão parcial de bens: Conceito: O regime de comunhão parcial de bens. Art. aqueles adquiridos na constância do casamento. regulado a partir do art. IV . salvo reversão em proveito do casal. o Resp. no curso do casamento. 1. comunicam-se os adquiridos na constância do casamento. Art. Ex.os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em subrogação dos bens particulares. haverá comunicabilidade considerando que se presume o esforço comum dos cônjuges para completar o valor da troca. tem por princípio a comunicabilidade dos bens adquiridos a título oneroso. Se os valores são diferentes.os bens que cada cônjuge possuir ao casar. No regime de comunhão parcial.771/SP em que o STF firmou entendimento de que a comunicação dos bens e dívidas deve cessar com ruptura da vida em comum (separação de fato).Direito Civil – Pablo Stolze Obs. regra geral no sistema brasileiro. Súmula 377. 1. e os sub-rogados em seu lugar. 1.658. O mesmo ocorre quanto aos bens que foram subrogados no valor que se tinha antes. III . com as exceções dos artigos seguintes. na constância do casamento.658.” **Merece destaque. STF: “No regime de separação legal de bens.as obrigações anteriores ao casamento. nesse ponto. e os que lhe sobrevierem. assim como o que for adquirido por doação ou herança. Obs. comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal. Ford Ka X Mercedes.as obrigações provenientes de atos ilícitos.os bens de uso pessoal. por um ou ambos os cônjuges. admite a comunicabilidade dos bens adquiridos na constância do casamento. por doação ou sucessão.: a Súmula 377 do STF.659. O patrimônio anterior ao casamento é pessoal e exclusivo de cada cônjuge. É o mais justo. O que a esposa adquire. mitigando a dureza do Regime de separação legal ou obrigatória. ou seja. Os bens recebidos a título gratuito não se comunicam. o que o marido adquire e o que os cônjuges adquirem na constância do casamento comunica-se entre ambos. II . Espécies de regimes de casamento: 1. 555.

660. Art. Art. às despesas de administração e às decorrentes de imposição legal. 1. com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior.662. Observe-se que não se trata de alimentos. quando não se provar que o foram em data anterior.os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso. Art. é o que tem sido decidido.665. percebidos na constância do casamento. V . § 3o Em caso de malversação dos bens. presumem-se adquiridos na constância do casamento os bens móveis. 1. ainda que só em nome de um dos cônjuges.: o STJ.661 estabelece a incomunicabilidade dos bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento (a exemplo da promessa de compra e venda inteiramente cumprida antes do matrimônio). Ex. 1. VII . II .as pensões.663. § 2o A anuência de ambos os cônjuges é necessária para os atos.: O art. ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão.668. A administração e a disposição dos bens constitutivos do patrimônio particular competem ao cônjuge proprietário. devendo haver direito de meação proporcional do cônjuge. Comunhão universal de bens: Conceito: Intensivo I LFG Página 158 . 1. IV . montepios e outras rendas semelhantes. Entram na comunhão: I . ou dos particulares de cada cônjuge.os bens adquiridos por fato eventual. As dívidas. V. a despeito do que dispõe os artigos 1. Os bens da comunhão respondem pelas obrigações contraídas pelo marido ou pela mulher para atender aos encargos da família. as decisões são contra legem. No entanto. 1. contraídas por qualquer dos cônjuges na administração de seus bens particulares e em benefício destes.384/RS).Direito Civil – Pablo Stolze Obs. em favor de ambos os cônjuges. Obs. Art. Aparentemente. III . Já se parte das prestações forem pagas após o matrimônio há presunção do esforço comum. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento.666. No regime da comunhão parcial. o juiz poderá atribuir a administração a apenas um dos cônjuges. 2. e os do outro na razão do proveito que houver auferido. não obrigam os bens comuns. 1.659.821/RS. VI e 1. mas sim de direito a meação (ver Resp.as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge. herança ou legado. tem admitido a partilha de verba rescisória e até mesmo saldo de FGTS. 1. salvo convenção diversa em pacto antenupcial. Art.os frutos dos bens comuns. A administração do patrimônio comum compete a qualquer dos cônjuges. Art. meios-soldos. Resp. se o cidadão solteiro pagou todas as prestações do contrato promessa de compra e venda e somente lavrou a escritura após o casamento. 1.661.664. 421. a título gratuito. no sentido de ser pessoal o provento ou fruto do trabalho de cada cônjuge. § 1o As dívidas contraídas no exercício da administração obrigam os bens comuns e particulares do cônjuge que os administra. 781. que impliquem cessão do uso ou gozo dos bens comuns. Art.os bens adquiridos por doação.

Os bens referidos nos incisos V a VII do art. regra geral. 1. na partilha é necessário que sejam computadas cinco massas de bens: o patrimônio do marido e da esposa anteriores ao casamento. Nesse regime. Regime de Participação final nos aquestos: Conceito: Segundo Maria Berenice Dias o regime é muito confuso. São excluídos da comunhão: I . Art. 1. os bens anteriores e posteriores ao matrimônio. e a massa de bens adquiridos de forma comum e onerosa.as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade. Aplica-se ao regime da comunhão universal o disposto no Capítulo antecedente. segundo as específicas regras do regime. se forem móveis. o patrimônio adquirido pelo casal a título oneroso. salvo se provierem de despesas com seus aprestos. quando se percebam ou vençam durante o casamento.Direito Civil – Pablo Stolze Neste regime. quanto à administração dos bens. Sobrevindo a dissolução da sociedade conjugal. excluindo-se da soma dos patrimônios próprios: I .667. 1. posteriores ao casamento.os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub-rogaram.668. à época da dissolução da sociedade conjugal. Neste confuso regime (o que afirmado pela doutrina).669. consoante disposto no artigo seguinte. apurar-se-á. e efetuada a divisão do ativo e do passivo. que exigiria uma contabilidade constante (Maria Berenice Dias). 1.672 do CC. mas. Art.os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar. Art. Art.672. comunicam-se. cada cônjuge possui patrimônio próprio. Citem-se os dispositivos pertinentes ao regime ora estudado: Art. No regime de participação final nos aqüestos. Art. mais abrangente do que o regime anterior.671. 1. que os poderá livremente alienar.as dívidas anteriores ao casamento. A administração desses bens é exclusiva de cada cônjuge. Intensivo I LFG Página 159 . com as exceções do artigo seguinte. Integram o patrimônio próprio os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os por ele adquiridos. na constância do casamento. antes de realizada a condição suspensiva. cessará a responsabilidade de cada um dos cônjuges para com os credores do outro.673. 1. apurar-se-á o montante dos aqüestos. disciplinado a partir do art. A incomunicabilidade dos bens enumerados no artigo antecedente não se estende aos frutos. direito à metade dos bens adquiridos pelo casal. Art.659. Seria necessário juntar nota fiscal de tudo que foi adquirido na constância do casamento.670. salvo as exceções da lei. V . na constância do casamento.667 do CC. para efeito de meação. o patrimônio do marido e da esposa.os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário. regrado a partir do artigo 1. III . 1. ou reverterem em proveito comum. a título oneroso. II . O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas. adquiridos a título gratuito ou oneroso.674. na época da dissolução da sociedade conjugal. Art. individuais. cada cônjuge possui patrimônio próprio (como na separação de bens). e lhe cabe. IV . 1. 3. 1. Extinta a comunhão. Parágrafo único. a qualquer título. 1. de difícil aplicação e para que desse certo deveria haver contabilidade diária do casal.

salvo se vier cópia do CC. verificarse-á o montante dos aqüestos à data em que cessou a convivência. Os bens imóveis são de propriedade do cônjuge cujo nome constar no registro. É necessário observar que o cálculo para apuração da partilha dos cônjuges é bastante complexo e de difícil elaboração o que torna o regime inaplicável na prática e de difícil cobrança em prova de concurso.682. Art. 4. O direito à meação não é renunciável. o valor do pagamento deve ser atualizado e imputado. contraídas por um dos cônjuges. serão avaliados e. Se um dos cônjuges solveu uma dívida do outro com bens do seu patrimônio. 1. Art. de os reivindicar. na data da dissolução. alienados tantos bens quantos bastarem. Art. Art. nesse caso. Obs. 1. deferindo-se a herança aos herdeiros na forma estabelecida neste Código.675. 1.as dívidas relativas a esses bens.676. No caso de bens adquiridos pelo trabalho conjunto. Se não for possível nem conveniente a divisão de todos os bens em natureza. mas sim que há possibilidade de convenção a disposição livre dos bens imóveis. por valor equivalente ao da época da dissolução.os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade. o bem poderá ser reivindicado pelo cônjuge prejudicado ou por seus herdeiros. salvo se o bem for de uso pessoal do outro. salvo prova de terem revertido. ou de seus herdeiros. Art. 1. 1. Isso não quer dizer que haja dispensa da outorga uxória. Art. 1. presumem-se adquiridos durante o casamento os bens móveis. quando superiores à sua meação.684. Impugnada a titularidade.: o art. 1. 1. No pacto antenupcial. terá cada um dos cônjuges uma quota igual no condomínio ou no crédito por aquele modo estabelecido. 1. que adotar o regime de participação final nos aqüestos. Art. Não se podendo realizar a reposição em dinheiro. Na dissolução do regime de bens por separação judicial ou por divórcio. se não houver preferência do cônjuge lesado.656. Regime da Separação de Bens (Convencional): Conceito: Intensivo I LFG Página 160 . Incorpora-se ao monte o valor dos bens alienados em detrimento da meação.677. ou a seus herdeiros. Salvo prova em contrário. à meação do outro cônjuge. 1. Parágrafo único. calcular-se-á o valor de alguns ou de todos para reposição em dinheiro ao cônjuge nãoproprietário. verificar-se-á a meação do cônjuge sobrevivente de conformidade com os artigos antecedentes.679. poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis. somente este responderá. Na dissolução da sociedade conjugal por morte. cessível ou penhorável na vigência do regime matrimonial.Direito Civil – Pablo Stolze II .680.685.686. desde que particulares. parcial ou totalmente. caberá ao cônjuge proprietário provar a aquisição regular dos bens. Art. Art. 1. Pelas dívidas posteriores ao casamento. Ao determinar-se o montante dos aqüestos. Parágrafo único. sem a necessária autorização do outro. ou declarado no monte partilhável. Art. 1. III . Art. As dívidas de um dos cônjuges. desde que particulares. em benefício do outro.678. mediante autorização judicial. Art. 1. em face de terceiros. Art. As coisas móveis. presumem-se do domínio do cônjuge devedor. 1. Parágrafo único. não obrigam ao outro.683.656 do CC estabelece que no pacto antenupcial que adota o regime de participação final nos aquestos poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis.681. computar-se-á o valor das doações feitas por um dos cônjuges.

CC: Art.593. atingindo até o quarto grau. 1. Espécies de parentesco: A doutrina brasileira trabalha com três tipos de parentesco. esta parte de um tronco comum. conforme os artigos 1. 1.687 e 1. quando há uma aceitação de uma inseminação artificial heteróloga (com material de terceiro) há parentesco civil. assim como é a relação travada entre um dos cônjuges ou companheiros e os parentes do outro. Art. as pessoas provenientes de um só tronco.591 e 1. Na mesma linha. na colateral. salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial.594.Direito Civil – Pablo Stolze A separação convencional de bens é aquela estabelecida segundo a autonomia da vontade do casal.688. também pelo número delas. Estipulada a separação de bens. No que tange a linha colateral. os graus de parentesco pelo número de gerações. descendentes de um mesmo tronco comum ou unidas pela colateralidade (artigos 1. Os irmão são parentes de segundo grau. Há regresso ao infinito. e.591. 1. São parentes em linha colateral ou transversal. que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus real. adoção. Art. 2. até o quarto grau. Art. Intensivo I LFG Página 161 . Art. Parentesco Civil: o chamado parentesco civil tem matriz na norma legal. no pacto antenupcial. subindo de um dos parentes até ao ascendente comum. Contam-se. São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para com as outras na relação de ascendentes e descendentes. considerando que deve ser levado em conta o ascendente comum. sem descenderem uma da outra. Parentesco consangüíneo ou natural: é a relação que vincula umas pessoas às outras. o parentesco consiste na relação vinculatória que une pessoas descendentes de um mesmo tronco comum ou unidas pela colateralidade. conforme resulte de consangüinidade ou outra origem.688 do CC. 1. Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens. quais sejam: 1. na linha reta.592. 1. o parentesco consangüíneo vai até o infinito. Ex. e descendo até encontrar o outro parente. Entre cônjuges e companheiros não há relação de parentesco. O parentesco é natural ou civil.) Na linha reta. 1. Art. Marido e mulher não são parentes. estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos cônjuges.592.687. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------PARENTESCO Conceito: Com base no pensamento de Maria Helena Diniz.

a herança era concentrada em um único herdeiro. 3. _________________________________________________________________________________ DIREITO DAS SUCESSÕES: Conceito: Segundo Clóvis Beviláqua. sempre haverá um impedimento de casamento entre a sogra e o ex-genro.595. § 2o Na linha reta. O fundamento do direito sucessório é a própria propriedade. Sistema da divisão necessária: é o sistema adotado no Brasil. Para o Código Civil Brasileiro não há parentesco colateral além do quarto grau. 1. Sistema da Liberdade testamentária: permite ao testador fazer o que quiser de sua herança. estando previsto no art. tratando-se de direito fundamental previsto na Constituição Federal.: o STJ (noticiário de 05/01/2009) entendeu que parentes colaterais de terceiro grau – tio e sobrinho – não tem obrigação de alimentos recíprocos. considerando que não há relação de parentesco entre os parentes por afinidade.789 do CC que estabelece que. Obs. § 1 o O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes. Já o parentesco por afinidade na linha colateral (cunhados) há desvinculação quando da separação. 1. 2. a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável. Parentesco por afinidade: é aquele travado entre um dos cônjuges ou companheiro e os parentes do outro (art. Ex. segundo o qual se realiza a transmissão do patrimônio de alguém depois da sua morte. 1. 3. Para o Direito Civil. não há o que se falar em concunhado.) O parentesco por afinidade na linha reta vai até o infinito e não se desvincula. o direito das sucessões é o conjunto de normas e princípios.595.Direito Civil – Pablo Stolze descendo posteriormente. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade. Era muito comum em sociedades mais antigas. Tinha-se o chamado Benefício da primogenitura. cessando-se o impedimento. Até por isso que não é cabível alimentos entre parentes por afinidade. Sistemas sucessórios: Existem basicamente três sistemas sucessórios no mundo: 1. Sistema da concentração obrigatória: segundo o qual. em havendo herdeiros Intensivo I LFG Página 162 . aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro. CC: Art.

A meação diz respeito ao regime de bens. por exemplo. Se o viúvo terá ou não direito a herança já é outra questão. Intensivo I LFG Página 163 . Já a herança se refere a partilha de bens dos herdeiros. O direito brasileiro resguarda a legítima não se permitindo ao autor da herança doar mais de 50% de seu patrimônio para. Pablo entende que resguardar a legítima nos casos de filhos maiores e capazes a preservação da legítima pode acarretar infinitas brigas entre os familiares. e não se refere à herança. ascendentes ou cônjuges) o testador somente poderá dispor de metade da herança. *Meação versus Herança: meação é um direito próprio do cônjuge que nada tem haver com a herança. instituições de caridade. observando-se que o cônjuge é herdeiro necessário.Direito Civil – Pablo Stolze necessários (descendentes.

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