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DIREITO DAS FAMÍLIAS
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______________________________________________________Profª Carolina Marques.
Duarte.

02CASAMENTO.

Sumário: 1. 2. 3. 4. 5. Conceito. Natureza jurídica do casamento. Finalidade. Direito e deveres do casamento. Pressupostos e requisitos de existência, validade e regularidade do casamento.

1. CONCEITO: É o vínculo jurídico entre o homem e a mulher que visa o auxílio
mútuo material e espiritual, de modo que haja uma integração fisiopsíquica e a constituição de uma família.1

2. NATUREZA JURÍDICA DO CASAMENTO. 2.1 TEORIAS SOBRE A NATUREZA JURÍDICA DO CASAMENTO:
I-) TEORIA CONTRATUALISTA: A noção de contrato remonta ao direito canônico que via o casamento não só como sacramento, mas também como um contrato natural, decorrente da natureza humana. Então para essa teoria o matrimônio é um contrato civil, regido normas comuns a todos os contratos, aperfeiçoando-se apenas pelo simples consentimento dos nubentes. Essa concepção sofreu algumas variações, pois há os que nele vêem um contrato especial; em razão de seus efeitos peculiares não se lhe aplicam os dispositivos legais dos negócios jurídicos relativos à capacidade das partes e vícios de consentimento. II-) CONCEPÇÃO INSTITUCIONALISTA: para a teoria francesa

anticontratualista, o casamento seria uma instituição social, refletindo uma situação
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E. Espínola, A família no direito civil brasileiro, p.239; Nelson Bassil Dower, Curso renovado de direito civil, São Paulo, Nelpa, v.4, p.16.

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Duarte. jurídica que surge da vontade dos contratantes, mas cujas normas, efeitos e forma encontram-se preestabelecidos em lei. As partes são livres podendo cada um escolher o seu cônjuge e decidir se vai casar ou não; uma vez acertada a realização do matrimônio, não lhes é permitido discutir o conteúdo de seus direitos e deveres, o modo pelo qual se dará a resolubilidade da sociedade ou do vínculo conjugal ou as condições de legitimidade da prole, porque não lhes é possível modificar a disciplina legal de suas relações. O estado matrimonial é, portanto, um estatuto imperativo preestabelecido, ao qual os nubentes aderem. Convém explicar que esse ato de adesão dos que contraem matrimônio não é um contrato, uma vez que, na realidade, é a aceitação de um estatuto tal como ele é, sem qualquer liberdade de adotar outras normas. III-) DOUTRINA ECLÉTICA OU MISTA – NATUREZA HÍBRIDA ( contrato + instituição): O casamento é um ato complexo, ou seja, é concomitantemente contrato (na formação) e instituição (no conteúdo). Logo:

Acordo de vontades
+

=

CONTRATO CASAMENTO

Aval da lei

=

INSTITUIÇÃO

2.2 NOTAS DIFERENCIAIS ENTRE CONTRATO E INSTITUIÇÃO.
CASAMENTO CONTRATO

No matrimônio a simples vontade dos O contrato tem no acordo de nubentes não tem o condão de constituí- vontade dos contraentes seu principal

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Duarte. lo; requer, necessariamente, a intervenção elemento. da autoridade eclesiástica ou civil para homologar ou sancionar tal acordo. Os consortes não podem, de modo No contrato, as partes estipulam algum, adicionar cláusulas, disciplinar as livremente as condições e termos. relações conjugais e familiares de forma contrária à estabelecida em lei, salvo ao que concerne aos interesses patrimoniais, embora limitadamente. As normas que regem o casamento As normas que regem os contratos são de ordem pública, porque o são de ordem privada. casamento domina todo o sistema social, pois confere o estado os direitos e deveres dos cônjuges; o estado e a legitimidade dos filhos. Não podem ser dissolvidos por mútuo Podem ser dissolvidos por mútuo consentimento ou pelo distrato. Somente consentimento ou pelo distrato. poderá ser resolvido nos casos expressos em lei (CF, art. 226, § 6°).

A instituição é feita para durar.

O contrato é precário, desata-se como foi formado, extinguindo-se com o pagamento.

3. FINALIDADE. * Instituição da família matrimonial: que é uma unidade que se origina do casamento e pelas inter-relações existentes entre marido e mulher e entre pais e filhos (CC, art. 1.513).
* Procriação e educação da prole: consequência lógico-natural e não essencial do matrimônio (CF/88, art.226, § 7º). Observe-se que a falta de filhos não afeta o casamento, tanto que alguns casais optam por não ter filhos. Ademais, a lei permite

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Duarte. a união de pessoas com idade avançada, sem condições de procriar, como por exemplo, o casamento nuncupativo. Quando da procriação dos

filhos está presente a obrigação de criá-los e educa-los para a vida, impondo aos pais a obrigação de lhes dar assistência ( CC, art. 1.634 e Lei n. 8.062/90, art.22). * Legalização das relações sexuais: pois dentro do casamento a satisfação do desejo sexual, que é normal e inerente à natureza humana. * Prestação de auxílio mútuo: corolário do convívio entre os cônjuges. O matrimônio é uma união entre pessoas de sexos diferentes que desejam enfrentar juntos a realidade e as expectativas da vida. *Estabelecimentos de direitos e deveres entre os cônjuges: Esses deveres se dividem e patrimoniais e não-patrimoniais, podemos citar como exemplo do primeiro o dever legal de caráter patrimonial que têm os cônjuges de prover na proporção dos rendimentos do seu trabalho e de seus bens a manutenção da família (CC, art. 1.568) e o não- patrimonial, que eles têm de fidelidade recíproca, respeito e considerações mútuos (CC, art. 1.566,I e V). III- mútua assistência; IV- sustento, guarda e educação dos filhos; V- respeito e considerações mútuos. Eis aí os principais deveres, mas outros ainda existem. A violação de um desses deveres autoriza a separação judicial culposa

3.1 DEVER DE FIDELIDADE. A violação do dever de fidelidade atenta contra a família monogâmica. Adultério é a relação sexual obtida fora do casamento. Atos diversos do sexual, por exemplo, beijos e abraços, não configuram adultério, mas a separação judicial pode

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Duarte. ser requerida, argumentando-se a prática de conduta desonrosa ou injúria grave. O adultério casto, isto é, a inseminação artificial escondida do marido, também não configura propriamente adultério, e sim uma conduta desonrosa.

3.2 DEVER DE COABITAÇÃO. Coabitação é a vida em comum no domicílio conjugal que será escolhido por ambos os cônjuges, mas um ou outro podem ausentar-se do domicílio conjugal para atender a encargos públicos, ao exercício de sua profissão particulares relevantes (CC, art. 1.569). 3.3 DEVER DE MÚTUA ASSISTÊNCIA. Compreende o auxílio mútuo não só material, mas também espiritual. 3.4DEVER DE SUSTENTO, GUARDA E EDUCAÇÃO DOS FILHOS. A omissão do dever de sustento pode configurar o delito de abandono material (CP, art. 244). A omissão ao dever de educação é crime de abandono intelectual (CP, art. 246). Quanto à guarda dos filhos menores, os pais só podem ser privados dela por decisão judicial. Cumpre observar que o dever de sustento, guarda e educação dos filhos existe independentemente do matrimônio, subsistindo mesmo após a dissolução deste. 3.5DEVER DE RESPEITO E CONSIDERAÇÃO MÚTUOS. O respeito e a consideração estão relacionados com o tratamento dispensado por um ao outro cônjuge dentro da família e perante a sociedade. Na análise desse dever, ou a interesses

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Duarte. deve ser levado em conta o grau de instrução dos cônjuges, o meio social em que vivem, a situação econômica do casal, etc. 3.6 DIREÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. A direção da sociedade conjugal será exercida, em colaboração, pelo marido e pela mulher, sempre no interesse do casal e dos filhos. àqueles interesses ( CC, art. 1.567). Havendo divergência, qualquer dos cônjuges poderá recorrer ao juiz, que decidirá tendo em consideração

O novo Código, a exemplo da Constituição de 1988, afasta a idéia do marido ser o chefe da sociedade conjugal. A mantença da família compete ao casal, e não apenas ao marido. Igualmente, a administração dos bens do casal. Se, porém, qualquer dos cônjuges estiver em lugar remoto ou não sabido, encarcerado por mais de 180 dias, interditado judicialmente ou privado episodicamente de consciência, em virtude de enfermidade ou de o outro exercerá com exclusividade a direção da família, cabendo-lhe a acidente,

administração dos bens (CC, art. 1.570). Nesses casos, caberá ao cônjuge administrador (CC, art. 1.651): I-) gerir os bens comuns e do consorte; II-) alienar os bens móveis comuns; III-) alienar os imóveis comuns e os móveis ou imóveis do consorte, mediante autorização \judicial. 3.7 DIREITOS DOS CÔNJUGES.

Dispõe, o art. 1.642 do Código Civil, o que podem livremente o marido e a mulher, qualquer que seja o regime de bens. 3.8RESTRIÇÕES À LIBERDADE PATRIMONIAL DOS CÔNJUGES.

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Dispõe, o art. 1.647 do Código Civil, o que nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta.

4. PRESSUPOSTOS E REQUISITOS DE EXISTÊNCIA, VALIDADE E REGULARIDADE DO CASAMENTO.
Considerando o interesse do Estado em proteger o casamento, a lei civil disciplina minuciosamente não só os pressupostos e formalidades preliminares que o antecedem, mas também a sua celebração. Para ser válido e eficaz, o casamento exige o preenchimento de condições de três ordens: I-) Condições necessárias à existência jurídica: A-) Diversidade de sexos. B-) Consentimento. C-) Celebração por autoridade competente. II-) Condições necessárias à validade. A-) Condições naturais de aptidão física. B-) Condições naturais de aptidão intelectual. C–) Condições de ordem moral e social. III-) Condições necessárias à regularidade do casamento: A-) Formalidade preliminares. B-) Formalidades concomitantes.

4.1 PRESSUPOSTOS DE EXISTÊNCIA JURÍDICA.

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Duarte. A inobservância dos pressupostos abaixo descritos acarreta a inexistência. Como a inexistência jurídica é absoluta e perpétua, o ato fica privado de qualquer eficácia. A-) Diversidade de sexos: A plena comunhão de vida, que é uma das

finalidades do casamento, pressupõe a diversidade de sexos. Nesse sentido a lei é clara e não abre espaço a qualquer exegese extensiva: O homem e a mulher... podem casar ( CC, art. 1.517). B-) Consentimento: A ausência total de consentimento torna inexistente o casamento. Ocorre quando um dos nubentes deixa de declarar a vontade de casar-se, por coação absoluta, por demência, embriaguez ou hipnose. C-) Celebração por autoridade competente: Inexiste casamento se o consentimento é manifestado perante quem não tem jurisdição para celebrar o ato matrimonial. O casamento deve ser celebrado por pessoa a quem a Lei de Organização Judiciária atribui tal poder (embora o art. 1.550, VI considere tal casamento anulável). 4.2 PRESSUPOSTOS DE VALIDADE. A -) Condições Naturais de Aptidão Física, a saber: a puberdade, a potência e a sanidade. → Puberdade: A lei estabelece um limite de idade no qual,

presumivelmente, todos se tornam puberis (adulto, que atingiu a puberdade), ou seja, atingem a capacidade matrimonial (grau de discernimento ou aptidão para avaliar a importância do casamento). No art. 1.517 do Código Civil o legislador fixou a idade núbil aos 16 anos, independentemente do sexo do nubente. Em assim sendo, se um ou ambos os pretendentes não tiverem atingindo a capacidade civil, será necessária a autorização dos pais ou representantes legais. Havendo divergência entre os pais, o interessado poderá obter do juiz o suprimento judicial correspondente (parágrafo

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Duarte. único do art.1.517 c/c o art. 1.519 do Código Civil). Dispõe, ainda, a lei, que até a celebração os pais ou representantes podem revogar a autorização ( CC, art.1.518). ATENÇÃO! A regra do art. 1.517 do Código Civil comporta, porém, duas exceções: admissibilidade do casamento para evitar cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez – (CC, art. 1.520) → Potência: É a aptidão para a conjunção carnal. Fora das exceções legais (casamento de anciãos e casamento in extremis ao direito matrimonial: ( CC – art. 1.540) os nubentes devem ter aptidão para a vida sexual. Dois são os tipos de impotência que interessam

• impotência coeundi – (de cópula) pode gerar a anulação do casamento,
desde que interesse a um dos cônjuges anulá-lo (CC, art. 1.517, III);

impotência gerandi – (de gerar, ou, de procriar) não justifica a anulação do

casamento, confirmando-se a idéia de que a prole não é a finalidade do casamento. → Sanidade: O Código Civil não previu a sanidade dos nubentes como condição necessária à validade do casamento. O exame pré-nupcial não é obrigatório, salvo no caso de casamento de colaterais de 3° grau (tios e sobrinhos), conforme dispõe o Dec.-lei 3.200, de 1941. B- ) Condições Naturais de Aptidão intelectual: Em matéria de casamento há uma teoria própria dos vícios de consentimento. Ou seja, somente o erro e a coação viciam o consentimento. O dolo não vicia o casamento. O erro - vicia o consentimento em direito matrimonial unicamente quando recai na pessoa do nubente ( CC, arts. 1.556 e 1.557). O erro quanto à pessoa deve ser essencial, isto é, capaz de tornar insuportável a continuidade da vida em comum dos cônjuges. C-) Condições de ordem moral e social: São de duas ordens: grau de parentesco e existência de casamento.

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Duarte. D- ) Grau de parentesco: Constitui obstáculo relativo ao casamento, sejam os parentes em linha reta ( CC, art. 1.521, I) ou linha colateral (CC, art. Existência de casamento – da 1.521, IV), seja o parentesco consangüíneo ( CC, art. 1.521, I), ou afim ( CC, art. 1.521, II), legítimo ou ilegítimo, natural ou civil. monogamia resulta a proibição de segundo casamento.

4.3 CONDIÇÕES NECESSÁRIAS À REGULARIDADE DO CASAMENTO.
São as que se referem às formalidades do casamento, que é ato jurídico eminentemente formal. A lei lhe prescreve formalidades de observância obrigatória pra sua regularidade. Duas são as formalidades: 1- preliminares. 2- concomitantes. A-) FORMALIDADES PRELIMINARES: como decorre do próprio termo, são as que antecedem o casamento. Elas são de três ordens:

4.3.1 DA HABILITAÇÃO DO CASAMENTO ( CC, Arts. 1.525 e 1.526).

É a fase preliminar, processo que corre perante o oficial de Registro Civil, na qual se verifica se os nubentes preenchem os requisitos para o ato nupcial. Por meio da habilitação visa-se evitar a realização de casamentos vedados por lei ( impedimentos, causas suspensivas).

O requerimento de habilitação para o casamento será firmado por ambos os nubentes, de próprio punho, ou, a seu pedido, por procurador.

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A habilitação será feita perante o oficial do registro civil, instruída com os documentos arrolados no art. 1.525 do Código Civil, e, após a audiência do Ministério Público, será homologada pelo juiz \(CC, art. 1.526). O parágrafo único do art. 1.527 dispõe que a autoridade competente – juiz de direito - havendo urgência, poderá dispensar a publicação dos proclamas, após ouvida do Ministério Público. A lei não especifica os casos de urgência, mas a doutrina costuma citar as seguintes hipóteses: I-) moléstia grave de um dos nubentes, que está prestes a morrer; II-) necessidade de viagens inadiáveis; III-) evitar a imposição ou cumprimento de pena criminal, nos crimes contra os costumes. Verificada a inexistência de fato obstativo, o oficial extrairá o certificado de habilitação (CC, art. 1.531), cuja eficácia será de 90 dias, a contar da data que foi extraído o certificado ( CC, art. 1.532). Após o decurso desse prazo, que é decadencial, o casamento só poderá ser realizado se houver a renovação do processo de habilitação.
B-) FORMALIDADES CONCOMITANTES: são as que acompanham a

cerimônia e vem detalhadamente previstas nos arts. 1.533 a 1.538, CC.

4.3.2 DA CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO. 4.3.4 FORMALIDADES ESSENCIAIS DA CERIMÔNIA NUPCIAL ( CC,
arts. 1.533 a 1.538).

Requerimento à autoridade competente para designar dia, hora e local da celebração do matrimônio (CC, art. 1533). Direito Civil VI – Família e Sucessões.

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A solenidade realizar-se-a-á na sede do cartório, com toda publicidade, a portas abertas, podendo ser realizado fora do cartório, a pedido dos contraentes, se o celebrante concordar (CC, art. 1.534 e parágrafo único). Presença real e simultânea dos contraentes ou de procurador especial, em casos excepcionais (CC, arts. 1535 e 1.542); das testemunhas (CC, art. 1.534, §§ 1° e 2°; Lei n. 6.015/73, art. 42), do oficial de registro e do juiz de casamento. A solenidade ocorrerá na presença de pelo menos duas testemunhas, parentes ou não dos contraentes (CC, art. 1.534). O Código exige quatro testemunhas em apenas duas hipóteses: A-) casamento celebrado em edifício particular. B-) se algum do contraentes não souber ou não puder escrever.

Declaração dos nubentes de que pretendem casar-se por livre e espontânea vontade, sob pena de ser a cerimônia suspensa (CC, art. 1.538 e parágrafo único), não podendo o contraente que deu causa a suspensão retratar-se no mesmo dia. Co-participação do celebrante que pronuncia a fórmula sacramental, constituindo o vínculo matrimonial (CC, art. 1.535). Lavratura do assento do matrimônio no livro de registro em 30 dias (Lei n° 6.015/73, art. 70).

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4.3.5 FORMAS EXCEPCIONAIS DE CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO. A-) CASAMENTO POR PROCURAÇÃO.
O nosso Código Civil permite no seu art. 1.542, §§ 1° a 4° que, se um dos contraentes não puder estar presente ao ato nupcial, se celebre o matrimônio por procuração pública desde que o nubente outorgue poderes especiais a alguém para comparecer em seu lugar e receber, em seu nome, o outro contraente, indicando o nome deste, individuando-o de modo preciso, mencionando o regime de bens ( LICC, art. 7°, § 1°).

A procuração que se refere o citado artigo tem eficácia por 90 dias (CC, art. 1.542,
§ 3°) e deve ser feita por instrumento público. Esta procuração pode ser revogada até o momento da celebração do casamento. Caso o celebrante tome conhecimento de declaração de vontade do mandante contrária ao casamento, extinta estará a procuração, suspendendo-se a cerimônia.

B-) CASAMENTO NUNCUPATIVO.
O casamento nuncupativo, também chamado de in extremis ou em articulo mortis dispensa o processo de habilitação, a publicação de proclamas e a presença da autoridade. É celebrado pelos próprios nubentes na presença de 6 testemunhas que com eles não tenham parentesco em linha reta, ou, na colateral, até o segundo grau. Tal forma excepcional de celebração do casamento só é possível mediante dois requisitos:

A) que um dos contraentes esteja em iminente risco de vida; B) impossibilidade dos contraentes obterem a presença da autoridade
celebrante ou de seu substituto.

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Realizado o casamento, devem as testemunhas comparecer perante a autoridade judiciária competente, dentro de 10 dias, sob pena de inexistência do casamento, pedindo que lhes tome por termo a declaração de: A) que foram convocadas por parte do enfermo. B) que este parecia em perigo de vida, mas em perfeito juízo. C) Que em sua presença declararam os contraentes, livre e espontaneamente, receber-se por marido e mulher (CC, art. 1.541). Instaura-se apelação. Após o trânsito em julgado da sentença favorável, o juiz mandará registra-la no livro de Registro dos Casamentos. O assento assim lavrado retrotrairá os efeitos do casamento, quanto ao estado dos cônjuges, à data da celebração, ainda que o enfermo já tenha morrido. Se o enfermo convalescer e puder ratificar o casamento, ele mesmo deverá fazê-lo na presença da autoridade judiciária e do oficial do registro, nesse mesmo prazo de 10 dias, sendo que, nesse caso, não há necessidade de comparecimento das testemunhas. Se, por outro lado, ele se convalescer somente após a transcrição no Registro Civil da sentença, não há necessidade de nova ratificação do casamento. A prova do casamento nuncupativo é a certidão da transcrição da sentença que o homologou. C-) CASAMENTO NO CASO DE MOLÉSTIA GRAVE um procedimento de jurisdição voluntária, com a

participação do Ministério Público. Da sentença é cabível o recurso de

( art. 1.539, CC).

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No casamento

em caso de moléstia grave, tem como pressuposto o

estado de saúde de um dos nubentes , cuja gravidade o impeça de locomoverse e de adiar a cerimônia. Nesse caso a legislação prevê que poderá solicitar a presença do celebrante e do oficial em sua casa ou onde estiver, inclusive no hospital, mesmo à noite, para celebrar o casamento, observando-se as formalidades previstas no art. 1.531 do Código Civil, perante duas testemunhas, que saibam ler e escrever (CC, art. 1.539). Por causa da urgência da celebração não permite, às vezes, que a autoridade esteja presente situação em que a cerimônia poderá ser realizada por qualquer dos substitutos legais do juiz. E se ocorrer de o oficial de registro também não puder está presente, será substituída por uma pessoa nomeada “ad hoc” pelo presidente do ato, lavrando tudo em termo avulso, que será levado a assento no respectivo registro em 5 dias, contados da celebração do casamento, perante 2 testemunhas, ficando arquivado ( CC, art. 1.539, § 2º).
Observe-se que a prova do casamento urgente obtém-se com a certidão de termo avulso transcrito no registro.

D-)

CASAMENTO

PERANTE

A

AUTORIDADE

DIPLOMÁTICA

OU

CONSULAR.
A Lei de Introdução ao Código Civil prescreve em seu art.7°, § 2° que “ O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes.” Portanto, o cônsul ou diplomata estrangeiro só poderá realizar casamento quando ambos os contraentes forem co-nacionais, assim, dois americanos ou dois italianos, residentes no Brasil, podem casar-se perante o cônsul de seu país. Este casamento, feito de acordo com a legislação de seu país de origem, vale no Brasil,

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Duarte. como se tivesse sido realizado no exterior. Se um dos nubentes for de nacionalidade diversa, cessa a competência do cônsul . Do mesmo modo, é possível o casamento de dois brasileiros que se encontram no estrangeiro, perante autoridade diplomática brasileira (CF/88. art. 32, caput e Lei n. 6.015/73, no seu art. 32, caput e § 1°, Código Civil, no art. 1.544, LICC em seu art. 18); Todavia, a eficácia do ato no Brasil, está submetida a condição suspensiva, qual seja, a realização de seu registro no território nacional em 180 dias, a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges no Brasil, no cartório do respectivo domicílio, ou, em sua falta, no 1° Ofício da Capital do Estado em que passarem a residir. Por fim, os casamentos de brasileiros celebrados no exterior serão considerados autênticos, nos termos da lei do lugar em que forem feitos, legalizadas as certidões pelos cônsules ( art. 32, LRP).

E-) CASAMENTO RELIGIOSO COM EFEITOS CIVIS (CF, ART. 226, § 2°). A)Casamento religioso precedido de habilitação civil (CC, art. 1.516, § 1°): no caso em que os nubentes processam a habilitação matrimonial perante o oficial de Registro Civil, pedindo-lhe que lhes forneça a respectiva certidão, para se casarem perante ministro religioso, nela mencionando o prazo legal de validade da habilitação, qual seja, de 90 dias. O oficial expedirá certidão, dela fazendo constar seu fim específico e a entregará a um dos contraentes, mediante recibo que ficará nos autos da habilitação. Essa certidão será entregue a autoridade eclesiástica, que a arquivará, realizando, então, o ato nupcial. Dentro de outro prazo decadencial de 30 dias, contado da celebração do casamento, o ministro religioso ou qualquer interessado deverá requerer o seu assento no registro civil (Lei n° 6.015/1973, art.73). Esgotado aquele prazo de 30 dias sem que se tenha promovido tal registro os pretendentes, se quiserem, terão que se habilitar novamente e, querendo casar-se, cumprir todas as formalidades civis, porque o oficial não poderá registrar o anterior.

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B)Casamento religioso não precedido de habilitação civil (CC, art. 1.516, § 2°): poderá ser registrado a qualquer tempo, desde que os nubentes, juntamente com o requerimento de registro, apresentem a prova do ato religioso e os documentos exigidos pelo art. 1.525 do Código Civil, e supram, à requisição do oficial, eventual falta de requisitos no termo da celebração religiosa. Processada a habilitação com a publicação dos editais, certificando-se o oficial da ausência de impedimentos matrimoniais e de causas suspensivas, fará o registro do casamento religioso observando o prazo do art. 1.532 do Código Civil e de acordo com a prova do ato e os dados constantes do processo ( CC, art. 1.516, § 2°).

C) Efeitos jurídicos: o casamento religioso, que atender às exigências da lei
para a validade do casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data da sua celebração (CC, art. 1.515).

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