P. 1
Os Primeiros Trabalhos Sobre a Questão Racial na Cadeira I de Sociologia Uspiana

Os Primeiros Trabalhos Sobre a Questão Racial na Cadeira I de Sociologia Uspiana

|Views: 86|Likes:
Publicado porRafael Tauil

More info:

Published by: Rafael Tauil on Dec 06, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/16/2013

pdf

text

original

Rafael MARCHESAN TAUIL

OS PRIMEIROS TRABALHOS SOBRE A QUESTÃO RACIAL NA CADEIRA I DE SOCIOLOGIA USPIANA: FLORESTAN FERNANDES, OCTAVIO IANNI E FERNANDO HENRIQUE CARDOSO.

Trabalho apresentado à disciplina Pesquisas semestre de Seminário ao de 1° na

referente de

2011

Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.

São Paulo, 2011

1

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO...........................................................................2 O ESBOÇO DE UMA INTRODUÇÃO...........................................3 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA.................................................17 BIBLIOGRAFIA A SER CONSULTADA.....................................23

2 APRESENTAÇÃO Este trabalho tem por finalidade compor o texto final que será utilizado como introdução na dissertação de mestrado que será escrita como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de mestre pelo Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP. Desta forma nossas principais preocupações serão referentes ao conteúdo que teremos que expor em um trabalho que ainda se encontra em fase de elaboração. apenas alguns dos aspectos do trabalho completo seriam tratados. Deste modo a intenção é a demonstração de um panorama geral de que mudanças ocorreram do projeto inicial até o ponto atual através das experiências vivenciadas nas aulas referentes à disciplina de Seminários de Pesquisa e através da arguição acerca deste trabalho pela professora Élide Rugai Bastos.caso o esboço de apenas um capítulo fosse escrito – não conseguiríamos demonstrar a evolução do trabalho como um todo. Nossa preocupação também se refere a que tipo de metodologia será utilizada na versão definitiva do trabalho e de que modo ela será exposta aqui uma vez que buscaremos não utilizar o formato de projeto apresentado inicialmente para o ingresso no programa já citado anteriormente. Teremos. tentando demonstrar qual é o seu núcleo principal. Esta preocupação se dá. Optou-se pela escrita de um esboço da introdução. Ainda que se trate de um esboço. pois buscaremos conferir certa importância a esta questão não somente pelas regras e normas requeridas pelo trabalho acadêmico. quais são as questões adjacentes e que partes compõe apenas uma contextualização sumária que estará presente sem destaque. claro. pois do contrário . buscaremos trabalhar com certa lógica que possa nos auxiliar posteriormente na confecção da versão definitiva desta introdução. mas sim pela centralidade que esta questão ocupará nesta dissertação e nas discussões sobre metodologia que serão feitas acerca dos próprios autores que serão analisados neste trabalho. mas que é também de grande importância. pelas professoras . a preocupação de que estas duas esferas não se fundão e tornem o entendimento do trabalho complicado mas este é um ponto no qual prestaremos a devida atenção uma vez que uma confusão é possível se não forem tomados os devidos cuidados.

o recorte que fizemos tinha a proposição do estudo de tudo aquilo que fora escrito pelos autores entre 1950 e 1972 – nossa intenção após alguns meses de reflexão e estudo é bem diferente. ou ainda que nem diferente do que foi produzido. de se aprofundar em determinados temas ou de desatar nós referentes a importantes questões do pensamento intelectual brasileiro tenham diminuído. mas que tenha de alguma maneira um mínimo de contribuição ao campo de trabalho no qual estamos inseridos . na qual percebemos o quão importante é o aprofundamento em determinadas questões e o quão difícil é chegar a alguma conclusão diferente daquilo tudo que foi escrito. à toda metodologia que .percebemos que devemos nos limitar a recortes de objetos que sejam capazes de uma apreensão completa. suas interpretações. Octavio Ianni e Fernando Henrique Cardoso. suas influências e os contextos históricos. Gabriela Nunes Ferreira e pelos demais colegas participantes deste mesmo programa. O ESBOÇO DE UMA INTRODUÇÃO Diferentemente do projeto inicial apresentado à comissão avaliadora do processo de seleção 2010 do programa de mestrado desta Universidade e à disciplina de Seminários de Pesquisa na mesma Universidade. seus pressupostos teóricos.3 Maria Fernandes Lombardi. políticos. Nossa ambição neste momento é bem menor. econômicos e sociais nos quais estavam inseridos – contextos estes que abordavam um largo espaço de tempo. que era um estudo sobre os aspectos referentes às questões raciais trabalhadas pelos autores Florestan Fernandes. mas com o passar de algum tempo e no contato com uma realidade diferente – a da própria academia no nível em que nos encontramos no presente. mesmo porque a própria pesquisa nos demonstra aquilo que não somos capazes de fazer. suas perspectivas. lógica e que possa se valer de uma condição de estudo confiável e valioso. e não aquilo que somos capazes de alguma maneira. Valioso não do ponto de vista de uma grande teoria. mas sim de uma relevância com relação ao comprometimento do estudante com relação a tudo aquilo que ele poderia ter buscado. não que a vontade de investigar longos períodos.

Assim se deu a mudança do objeto no qual trabalharemos daqui para frente. nos dá a ideia de que será melhor sistematizado. mas isto não faz com que o trabalho perca importância. por fim. como dissertação de mestrado dos dois alunos na Universidade de São Paulo. qual foi o contexto no qual foram escritos. Mas este é justamente o nosso desafio. Cor e Mobilidade Social em Florianópolis (1960) escrito por Octavio Ianni e Fernando Henrique Cardoso. mais especificamente. e estruturado com maior eloquência e inteligibilidade. os primeiros trabalhos acerca da questão racial desenvolvidos por Florestan Fernandes. As Metamorfoses do Escravo (1962) escrito por Octavio Ianni como tese de doutoramento na mesma universidade e Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional (1962) escrito por Fernando Henrique Cardoso também como tese de doutoramento àquela universidade. Nestas primeiras linha o intuito é de contextualizar aquilo que vem sendo . demonstrar que o que estamos trazendo à tona é uma nova contribuição acerca do que já foi escrito a este respeito. como resultado de uma pesquisa encomendada pela Unesco e pela revista Anhembi. por que abordaram a questão deste modo etc. Octavio Ianni e Fernando Henrique Cardoso. Tentaremos entender diversos aspectos que nos levem a compreender de que modo se deram estes estudos. o universo a ser estudado está bastante reduzido. Como se percebe. Mais adiante nos utilizaremos de algumas fontes que poderão nos dar embasamento sobre isto que estamos falando. demonstraremos através de diversos debates que se estabelecem no campo acadêmico da atualidade quais são as controvérsias e as semelhanças nos estudos desenvolvidos acerca do tema que estamos trazendo. Isto porque a questão não se resume às quatro obras evidentemente. A análise se dará em torno de quatro obras principais: Brancos e Negros em São Paulo (1955) escrito por Florestan Fernandes e Roger Bastide. pelo contrário. Desta forma a intenção principal deste trabalho a partir de agora é compreender de que forma se deu a construção de uma pequena parte dos trabalhos que foram desenvolvidos pela Cadeira I de Sociologia Uspiana.4 este pudesse fazer uso e. por que os autores escreveram sobre este tema. Num primeiro momento parece visível que já temos a maioria das respostas para estas questões uma vez que muito já foi escrito sobre estes autores e sobre a Cadeira I de Sociologia Uspiana. de toda a seriedade com que deveria ter trabalhado.

podemos incorrer em erros de interpretação e explicação. P. O texto a seguir nos dá uma dimensão do cuidado que teremos que tomar para não incorrer nos erros descritos abaixo por Gildo Marçal Brandão: “Como em todo lugar. 2005. inúmeros trabalhos sobre o pensamento político e social brasileiro foram e continuam a ser escritos nas Ciências Sociais brasileiras. A preocupação do autor neste parágrafo é de que modo se dão estas análises.5 trabalhado neste primeiro ano de estudo em toda a extensão da obra que se objetiva trabalhar. e de que modo se dá uma parte da formação de uma linha de pesquisa universitária pioneira como foi a “cadeira” qual estamos nos referindo. muita coisa menor foi aí escrita. se nos escapam às mãos.” (BRANDÃO. desde história das ideias que não passava de exposição monográfica das concepções de um autor sem a menor inquietação sobre a natureza da empreitada teórica e dos processos histórico-sociais dos quais – pensamento em pauta e forma de abordá-lo – são momento e expressão. Diversos serão os pontos abordados neste trabalho. temos de nos ater a pequenos detalhes que. Isso sem falar nas tradicionais “explicações” de uma obra pela origem social do autor e nas moderníssimas reduções do conteúdo e da forma da produção intelectual às estratégias institucionais ou de ascensão profissional ou social das coteries. até a pretensão de erigir a sociologia da vida intelectual ou a das instituições acadêmicas em sucedâneo da sociologia do conhecimento. 232) Deste modo. Ele coloca que são desde descrições superficiais sobre obras e autores sem nenhuma inquietação . Para se entender um conjunto de obras como este. de resolver o problema da qualidade e da capacidade cognitiva e propositiva de uma teoria pela enésima remissão ao grau de institucionalidade da disciplina ou província acadêmica na qual ela surge. ainda que os tropeços sejam previstos ao longo de todo o caminho que será percorrido. sabemos de antemão como deve se dar nossa tarefa. Como ressalta Brandão no trecho acima. É justamente deste tipo de armadilha que tentaremos fugir.

do início da carreira de Florestan Fernandes e fazer uma análise de sua metodologia funcionalista simplesmente levando em consideração os paradigmas metodológicos positivistas que o influenciaram. não podemos fazê-lo com as obras de Ianni e Fernando Henrique Cardoso acerca das questões do desenvolvimento nacional tão presentes em suas obras já em meados da década de 50. O trabalho que desenvolveremos buscará como se deram estas influências. Como já dito anteriormente o trabalho que está sendo desenvolvido não trata especificamente do início da carreira individual dos três autores citados anteriormente. suas condições econômicas e posições políticas. Isto não quer dizer que estes aspectos não possam nos dar pistas importantes acerca das obras e trajetórias do autor. Sendo assim será de grande importância uma pesquisa que possa relacionar todo tipo de elemento que possa ser considerado importante nesta trajetória. O que é possível e se espera fazer neste trabalho é tentar traçar um panorama geral daquilo que possa de alguma maneira. o trabalho busca mais dar conta de analisar uma linha de pensamento que vinha se formando entre as décadas de 50 e 60 na cidade de São Paulo do que as ideias particulares de cada ator individual. Este é um detalhe importante a ser ressaltado uma vez que o estudo dos pensamentos intelectuais e suas correntes não são tarefas simples a ser desenvolvidas. os lugares que ocupavam na estrutura social da época. Da mesma forma. Não podemos também dizer que seu interesse pelas questões sociais ou pela causa de determinadas minorias tenham se dado por conta de suas origens pobres. Não podemos tratar.6 sobre o teor mais profundo destes. ter influenciado o pensamento destes estudiosos. em que contexto se deram. em que circunstâncias. Sendo assim. por exemplo. através de que atores. nem tampouco enxergar sua perspectiva a respeito das mudanças sociais acreditando que a leitura e estudo de Mannheim simplesmente o tenham levado a isto. de que teorias e de que paradigmas científicos. Estamos tratando aqui de uma pesquisa acerca de parte dos primeiros trabalhos sobre a questão racial que foram desenvolvidos na Cadeira I de Sociologia Uspiana como já foi dito anteriormente. até textos que procuram as respostas sobre as obras de um determinado autor levando em consideração apenas aspectos como suas origens sociais. mas acreditar que isto por si só nos daria respostas consistentes é no mínimo enxergar a questão fazendo uso de apenas uma percentagem da visão. uma vez que esta .

por exemplo: A produção sociológica de Florestan Fernandes e a problemática educacional: uma leitura. F. especificamente. de Ernesto Renan Melo de Souza Freitas. Nossa intenção é compreender de que maneira se deram os interesses de Florestan Fernandes. pelos três autores tratados neste texto. A Sociologia de Florestan Fernandes. aos primeiros trabalhos dos três autores. não com intenção de compreender a questão racial pós-abolição ou com vistas a Na versão final da dissertação será apresentado um levantamento de todas as obras que foram escritas. Tese de Doutorado.7 tarefa já foi desenvolvida em diversos outros trabalhos por outros estudiosos destes mesmos autores. outros tantos em Octavio Ianni e em número um pouco menor com relação a Fernando Henrique Cardoso que permaneceu por um tempo menor no tratamento deste tema em seus estudos. Parte deste levantamento já foi apresentado por Duarcides Ferreira Mariosa em sua tese de doutoramento sobre Florestan Fernandes defendida em 2007. Diversos trabalhos já foram escritos sobre a questão racial em Florestan Fernandes.1998). desenvolvimento e crise na América Latina: para confronto crítico das contribuições de Fernando Henrique Cardoso e Florestan Fernandes. de Debora Mazza (Tese de doutoramento pela UNICAMP . Nos deteremos. (Tese de doutoramento pela PUC – SP – 1992). de Alberto Oliva (Tese de doutoramento pela UFRJ – 1986). O autor utilizou como recurso uma busca textual com o nome do autor na plataforma lattes de currículos acadêmicos. Florestan Fernandes e a sociologia como crítica dos processos sociais. 1 . UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas – São Paulo. Deste modo daremos melhor embasamento acerca das argumentações sobre outros trabalhos aos quais estamos nos referindo. e estão devidamente documentadas. Nossa pesquisa também não se forma a partir de uma perspectiva comparativa como é o caso de obras e trabalhos como Dependência. Da mesma maneira ocorre com Octavio Ianni e Fernando Henrique Cardoso. Nossa tentativa é tentar compreender de que modo se criou e funcionou parte daquilo que ficou conhecido como Cadeira I de Sociologia Upiana.1 Podemos citar teses acerca de Florestan Fernandes. D. MARIOSA. Avaliação Crítica dos Fundamentos Filosóficos da Sociologia Científica de Florestan Fernandes. Octavio Ianni e Fernando Henrique Cardoso pelos temas que fizeram parte do início desta escola. apresentado no XXVI Encontro Nacional de Economia (ANPEC) de 1998 em Vitória – ES. entre outros. Empirismo na Sociologia. de Carlos Aquedo Nagel Paiva. uma linha de pensamento que começou a se delinear e se fortalecer a partir de 1954 quando Florestan Fernandes assumiu interinamente a cátedra de Sociologia na FFCL-USP no lugar de Roger Bastide.

mas acreditamos possível. 1997. A discussão teórico-metodológica nos marxistas acadêmicos do grupo d` “O Capital. Como já dissemos anteriormente não poderemos nos apegar a questões particulares para tentativa de explicação de um todo complexo e cheio de nuances.2 O trabalho passará também por questões a respeito dos paradigmas científicos que imperavam naquele momento e pela pauta da agenda que conduzia de certa maneira a trajetória das Ciências Sociais brasileiras naquele momento. nº3.” Estudos de Sociologia. De qualquer modo não podemos negar a influência mútua compartilhada pelos três autores durante estes quase sete anos de trabalho sobre a questão racial.8 compreender de que modo se deu a desintegração do sistema escravocrata no Brasil e sua transição para a ordem capitalista. mas sim de que maneira estas questões foram tratadas pelos três autores. nossa análise levará em conta diversos aspectos. como foi o caso do Seminário do Capital liderado por José Arthur Giannoti. p. Ano 2. Sendo assim. Luiz Fernando. passando pelos tipos de estudos que influenciaram os três autores no que se refere a este princípio de trabalho intelectual.71-86. É certo obviamente que não havia apenas uma pauta nas Ciências Sociais daquele momento. traçar um esboço e entender melhor de que maneira se deram aqueles estudos e por que motivos se chegaram a determinadas conclusões. Araraquara. Diversos foram os estudos desenvolvidos por estes três pensadores através de suas carreiras na academia. . mas tentaremos apreender o maior número de fatores que possam nos fazer capazes de entender de que modo se deu este “estilo de pensamento” inaugurado por Fernandes e seguido por seus dois alunos até determinado período de tempo. A primeira obra escrita por Bastide e Fernandes tem uma abordagem diferente das utilizadas por Fernando Henrique e Ianni em suas obras referentes à tese de dissertação e mestrado. suas principais correntes de pensamento e até por grupos de estudos aos quais pertenceram. através de uma análise bem estruturada como a que se segue. desde a formação do projeto UNESCO e seus desdobramentos à confecção dos primeiros trabalhos sobre a questão racial desenvolvidos pelos três pensadores. Neste curto espaço de tempo diferentes interpretações são feitas pelos três intelectuais mesmo sendo os três da mesma “escola de pensamento”. tendo Octavio Ianni e Fernando Henrique Cardoso como parte de seus principais participantes. No caso de Florestan Fernandes a trajetória vai desde importantes etnografias desenvolvidas sobre a comunidade indígena dos Tupinambás até a “Sociologia 2 SILVA.

São Paulo: UNESP. O conhecimento de parte destas obras é importante. Eliane Veras.). mas com relação à própria metodologia que vinha sendo trabalhada. A preocupação de Florestan 3 SOARES. mas a intenção do nosso trabalho passa longe de fazer uma análise de todo este percurso e sim analisar como se deu o início de tudo isto. XIX a partir de uma ótica diferente.3 No caso de Ianni e Cardoso as trajetórias se iniciam com questões relacionadas aos dilemas raciais e desenvolvimentistas no Brasil e culminam em análises sobre a globalização e à teoria da dependência respectivamente. compreender melhor os motivos que levaram os intérpretes da questão racial a adotar uma metodologia de estudo que busca compreender os conflitos e desdobramentos da questão racial provenientes das transformações ocorridas no final do séc. As análises encomendadas pela UNESCO nas pesquisas sobre as relações raciais no Brasil não tiveram o resultado esperado. Diferentemente de uma nação onde as relações harmoniosas entre indivíduos de diferentes raças estivessem presentes. Esperamos através deste trabalho. mas também o problema socioeconômico sob o manto de problemas referentes à raça. . estava um país onde os problemas raciais eram bastante problemáticos. Desta forma o que parecia uma pesquisa com resultados já presumivelmente positivos se tornou um novo desafio para os estudiosos brasileiros que se debruçavam sobre a questão. Ensaios sobre Florestan Fernandes. Não só do ponto de vista dos principais aspectos abordados acerca da abolição da escravatura. Maria Ângela (org. estava uma nação onde não só o problema racial tinha presença marcante. transformação da qual Florestan e seus alunos eram causa e consequência. pois através destas podemos olhar para o passado dos autores e tentar perceber de que maneira se deu esta trajetória de mudança. Os primeiros trabalhos sobre a questão racial desenvolvidos por Ianni e Cardoso se distanciam largamente daquilo que vinha se desenvolvendo até então. cultura e tradições religiosas.9 militante” como a denominam alguns autores das Ciências Sociais no Brasil. São Paulo: Cortez: D'INCAO. O saber militante. Ocorre que a “Sociologia da questão racial” naquele momento começava a passar por um tipo de transformação. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Por trás dos modelos de relação inter-raciais mostrados em Casa Grande & Senzala de Gilberto Freyre que fortaleciam o mito da democracia racial no Brasil. que leve em consideração outras questões que não se refiram apenas às diferenças de cor. (1997) Florestan Fernandes: o militante solitário.

4 Nos ajudará a compreender as diferenças presentes entre as obras Cor e Mobilidade Social em Florianópolis e Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional e As Metamorfoses do Escravo respectivamente. Este grupo de estudos sobre o Capital nos ajuda também a entender de que maneira se deu uma mudança metodológica nas obras de Ianni e Cardoso com relação à primeira obra desenvolvida por Florestan Fernandes após a encomenda da UNESCO. estarem vinculados ao Seminário do Capital.10 Fernandes com a seriedade da pesquisa e com seu rigor metodológico em busca de uma Sociologia capaz de resolver os problemas práticos presentes na sociedade se une ao esforço de Octavio Ianni e Fernando Henrique. Além de podermos perceber estas questões nas obras sobre as questões raciais. Na edição da Revista Brasiliense n° 12 de 1957. Este grupo influenciou enormemente o resultado das pesquisas protagonizadas por estes intelectuais. Roger. 1955 4 . três anos antes da dissertação escrita a quatro mãos por Ianni e Cardoso já A obra acima se refere à BASTIDE. Soma-se a isto o fato destes dois sociólogos. na análise de uma trajetória que aborda a primeira obra de Fernandes Brancos e Negros em São Paulo e as três últimas já citadas acima de Octavio Ianni e Fernando Henrique Cardoso. em uma busca feita em periódicos das décadas de 50 à 70 já encontramos obras de Fernando Henrique Cardoso e Octavio Ianni tratando da questão referente ao desenvolvimento nacional. Brancos e negros em São Paulo.ed. Este recorte faz parte de um momento delicado do ponto de vista das mudanças que foram ocorrendo na produção bibliográfica destes autores. Florestan. 310 p. O seminário do Capital esteve entre a primeira obra citada acima e as duas últimas o que faz com que a primeira obra tenha abordagens metodológicas diferentes das segundas. trazendo novos elementos para a mudança paradigmática daquele tipo de análise. 1971. Desta forma se dará o estudo. no momento de estudo e dissertação de suas pesquisas. 1º Ed. O tema do desenvolvimentismo tão presente naquele momento e já sendo tratado por Florestan começa a aparecer em Ianni e Cardoso ainda nas primeiras obras sobre a questão racial. o que fez com que as análises pudessem levar em consideração o problema da questão racial como um todo. grupo de estudos sobre a obra de Marx liderado por José Arthur Giannoti. como extensão dos primeiros trabalhos desenvolvidos sob encomenda da UNESCO. 3°. São Paulo: Companhia Editora Nacional. de uma perspectiva que pudesse livrar o estudo de uma visão atomizada e unicelular. FERNANDES.

Não se pode negar que entre a questão do escravo e da abolição estivesse presente a questão referente ao desenvolvimento do país. As questões serão melhor discutidas e mais bem elaboradas nos capítulos que desenvolveremos sobre estas questões. 5 . mas falaremos mais sobre estas pesquisas a frente quando formos falar um pouco mais sobre a metodologia adotada por estes três autores. na Revista Brasiliense os números de 1 à 55 (coleção completa) referentes ao período de setembro de 1955 à dezembro de 1963 e na Revista Civilização Brasileira os números de 1 à 22 (coleção completa) referentes ao período de março de 1965 à 1968. Educação e desenvolvimento Econômico.11 encontramos um artigo de Fernando Henrique Cardoso denominado Desenvolvimento econômico e Nacionalismo. também de Fernando Henrique. o problema do homem negro na nova sociedade de classes que estava se formando.5 Através deste material temos claros indícios das mudanças que ocorriam nos estudos de Florestan e seus dois alunos. também nos debruçamos sobre as Revistas Anhembi. Além do periódico acima pesquisado. Ao ler Florestan Fernandes. na mesma revista de n°17. em 1960 para o n° 30 do mesmo periódico contribui com o texto Fatores Humanos para a Industrialização no Brasil Este é um dos elementos que diferenciam estes primeiros estudos sobre raça. mas já no ano de 1958 outro artigo se destaca. mas se faz necessária esta exposição para que fique claro o caminho que se vai percorrer para compreender como se deu o início desta linha de pensamento. Com relação à Revista Sociologia já foram consultados os anos de 1939 à 1946 mas a consulta ainda não foi concluída completamente. Outra questão que é importante deixar clara é que procuraremos neste trabalho nos manter o mais afastado possível do objeto – as obras a serem estudadas – de modo a não tentar refazer o estudo que estes autores já fizeram. em 1957 escreve para o n° 14 da Revista Brasiliense Aspectos do Nacionalismo Brasileiro. Os arquivos foram consultados no CEDEM e na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP. posteriormente. por Na Revista Anhembi foram pesquisados os números de 1 à 144 referentes ao período de dezembro de 1950 à novembro de 1962. esta é uma das perspectivas que já aparecem neste conjunto de obras. Mais uma vez ressaltamos que temos consciência de que estas questões não são novas no estudo dos três intelectuais. Não que isto fosse o único fator preponderante naquele momento. mas já nos dá pistas de que linhas vinham sendo adotadas e que. Civilização Brasileira e Sociologia. iriam resultar em análises sobre a questão do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Com Ianni não é diferente.

e. Neste caso. principalmente a vida pessoal de Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso nos dariam muito que falar. Desde décadas anteriores . Não poderá ser levada em consideração apenas a trajetória da escola de Sociologia uspiana uma vez que seus pressupostos e elementos principais estão inseridos em um contexto maior. A vida de Ianni ficou um pouco mais restrita à academia. A tentativa é a de não se deixar envolver com as questões durante as leituras uma vez que não faria sentido uma reavaliação deste fato em um trabalho como este que estuda uma trajetória intelectual e não um fato histórico. Em minhas pesquisas e estudos isto ocorreu mais de uma vez. Uma vez que o trabalho está orientado por uma reinterpretação acerca dos caminhos traçados por determinada escola de pensamento. diferentes discussões deverão ser feitas para que seja possível a reconstrução deste caminho. no caso de Fernando Henrique. Um por vir de família pobre e se tornar uma das maiores referências nas Ciências Sociais brasileiras além de sua tardia atuação política. qual seja o desenvolvimento das Ciências Sociais no Brasil. O objetivo é especificamente entender de que modo trataram a questão racial e não tentar entender esta questão em si. Acreditamos que este seja um deslize comum ao tratar de autores como os que estamos tratando. Também teremos a cautela de não escrever o trabalho dando foco mais na vida pessoal destes autores do que em suas próprias obras e trajetórias intelectuais. Muito embora seja importante entender de que maneira se deram estas transformações no Brasil – e isto será feito – o entendimento destas será procurado apenas como recurso metodológico para que se possa ver de que modo os fatos ocorreram e por que prismas foram analisados pelos três intelectuais. ainda que cada interpretação enxergue a questão de uma determinada maneira. é tentador tentar tirar nossas próprias conclusões a respeito do modo como se deu a questão da abolição. como a abolição.12 exemplo. Aproveitaremos o ensejo anterior para introduzir alguns pontos principais acerca dos recursos que serão utilizados para a realização deste trabalho e inferir desde já que discussões temos a intensão de desenvolver ao longo desta dissertação. influenciado por suas perspectivas. por sua trajetória como figura pública na política brasileira e Presidente do Brasil durante dois mandatos. portanto nos trabalhos escritos sobre ele os detalhes referentes aos outros feitos além da vida intelectual não são tão destacados como o são no caso dos dois primeiros autores.

Nestor Duarte. Ruy Barbosa. UNESCO. Ministério da Educação e Cultura. Raymundo Faoro. COSTA PINTO. Diversos trabalhos foram produzidos por conta desta pesquisa. tais quais Sílvio Romero. Rio de Janeiro. São Paulo. René (1956) Religião e relações raciais. Oliveira Vianna. São Paulo. Deste modo algumas discussões tem que ser estabelecidas ainda que de maneira sumária. por exemplo. Este é o caso. Thales (1955) As elites de cor: um estudo de ascensão social. Algumas discussões também serão desenvolvidas acerca de obras que estavam sendo produzidas durante o mesmo período em que trabalhavam Florestan e seus dois alunos. Companhia Editora Nacional. Companhia Editora Nacional. mas de modo a não deixar de lado algo que de alguma maneira tenha contribuído para o pensamento que se . Thales (1953) Les élites de couleur dans une ville brésilienne Paris. Luiz de Aguiar (1953) O negro no Rio de Janeiro: relações de raças numa sociedade em mudança. RIBEIRO. São Paulo.13 diversas reflexões sobre o Brasil já eram desenvolvidos por importantes autores. mas um breve retorno a estes cânones do Pensamento Político Social Brasileiro é necessário para uma breve contextualização acerca do que eram as Ciências Sociais em Finais de XIX e início de XX. Isto porque a explicação referente aos períodos aos quais estamos nos debruçando só será possível através de um trabalho de regressão àquilo que se passou neste campo intelectual durante fins do século XIX e início do século XX. Deste modo um breve retorno a estes modos de pensar serão necessários. grande espaço para estas discussões por conta do formato do trabalho a ser desenvolvido. WAGLEY et alii (1952) Race and class in rural Brazil. NOGUEIRA. Azevedo Amaral. por exemplo. AZEVEDO. Nina Rodrigues além de outros. Alberto Torres.: FERNANDES & BASTIDE (1955) Relações raciais entre negros e brancos em São Paulo.. UNESCO. Não teremos. é claro. Editora Anhembi. AZEVEDO. Do mesmo modo não se pode fazer uma avaliação a respeito das ideias desenvolvimentistas pelos três autores sem fazer um breve regresso às ideias acerca da unidade e desenvolvimento nacional presentes em Alberto Torres e Oliveira Vianna. Gilberto Freyre. e o que eram as Ciências Sociais em meados do XX. Sérgio Buarque de Holanda. Não é possível. dos demais resultados provenientes das pesquisas acerca das questões raciais encomendadas pela UNESCO entre as décadas de 40 e 50 do século XX. Oracy (1955) “Relações raciais no município de Itapetininga” In. Paris. Caio Prado Jr. compreender o pensamento de Florestan Fernandes sem saber qual era o pensamento de Gilberto Freyre durante a escrita de Casa Grande & Senzala e Sobrados e Mocambos. Joaquim Nabuco.

encontrada em uma edição da Revista Anhembi não foi encontrada em nenhum trabalho pesquisado até o momento e é também deste tipo de especificidade que procuraremos nos aproveitar para conseguir traçar um roteiro daquele momento de produção acadêmica. Acerca também dos detalhes a serem utilizados no trabalho.14 formava naquela época. 19) . este impacto se fez sentir de maneira mais brusca a partir do momento que o Brasil foi escolhido como “laboratório de análises” para as pesquisas acerca das relações raciais da UNESCO. Apesar de não ser o foco do trabalho.” (MAIO. Embasada no começo do século pelos paradigmas do positivismo a ciência do pré Segunda Guerra havia permitido que fenômenos como o nazismo viessem à tona. mas também a ciência se transformava. “O Brasil atraiu a atenção da Unesco. no mundo. 1998 P. um dos primeiros participantes brasileiros naquilo que viria a ser o projeto UNESCO no Brasil. estes documentos apresentam riquezas de detalhes acerca das discussões que se travavam sobre o conceito de raça no mundo. contaremos com alguns documentos primordiais da UNESCO escritos logo após o final da Segunda Guerra Mundial no ano de 1946. Como um braço da ONU. por exemplo. que o via como país onde prevaleciam relações raciais com reduzida presença de tensões. além disto. e de certa maneira. são de grande importância visto que se diferenciam em alguns pontos das obras de Florestan e seus alunos. As contribuições de Luis Aguiar Costa Pinto. a UNESCO estava incumbida de desenvolver projetos que pudessem demonstrar ao mundo que o conceito de raça que levava em consideração a “raça negra” como “raça inferior” estava completamente desatualizado e que esta questão deveria passar a ser tratada de outras maneiras. Da mesma maneira a pesquisa desenvolvida por Oracy Nogueira no município de Itapetininga e até algumas querelas entre Nogueira e Fernandes a respeito de sob que liderança estavam sendo desenvolvidos os trabalhos serão levadas em consideração. Uma carta contendo uma discussão entre Oracy Nogueira e Florestan Fernandes. Esta é uma discussão que deve ser levada em consideração ainda que em segundo plano para que se possa sistematizar e entender o que ocorria no campo das Ciências Sociais no Brasil. Naquele momento sentíamos também o impacto das transformações que vinham ocorrendo no campo científico. Desta forma não só o conceito de raça passava por uma grande transformação naquele momento.

Muito já foi escrito a este respeito.6. Results of an Inquiry. 1952 UNESCO The Race Question in Modern Science . e o trabalho de Maio trata de uma perspectiva que leva em consideração a formação das Ciências Sociais no Brasil como um todo. Sendo assim cabe. de certo modo. Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). também nesta mesma perspectiva uma de suas primeiras declarações sobre raça The Race Question in Modern Science . As mudanças de paradigmas citadas acima alteraram o modo qual a questão racial era tratada no Brasil. 7 6 .15 Utilizaremos como documentos da UNESCO. neste trabalho de Huxley. Desta maneira pretendemos conduzir o trabalho. o que facilita nosso trabalho em conseguir discutir alguns pontos de vistas colocados por estudiosos do assunto. The International Social Science Bulletin. Não será possível.The Race Concept. Desta forma são muito importantes para o reordenamento da trajetória que estamos tentando reconstruir. O trabalho de Florestan Fernandes foi profundamente impactado por estas questões uma vez que um de seus primeiros trabalhos sobre esta temática foram solicitados pela própria agência que buscava estas mudanças de visão. Tese de doutoramento em ciência política.The Race Concept. porém. Paris. Results of an Inquiry. através de uma perspectiva que leve em consideração pelo menos os principais fatores que influenciavam as mudanças ocorridas naquele período. porém tentaremos analisar pontos de vistas diferentes dos quis foram analisados pelo autor uma vez que nossa tarefa diz respeito apenas à questão racial na escola uspiana. Uma magnífica sistematização deste trabalho já foi elaborada pelo autor Marcos Chor Maio em sua tese de doutoramento8. um questionamento sobre os efeitos que estas influências exerceram sobre os trabalhos de Florestan e seus dois assistentes naquele momento. Rio de Janeiro. apenas para exemplificar de que modo serão sistematizadas estas pesquisas. Além dos fatores contextuais e conjunturais serão também analisadas as trajetórias iniciais de cada um dos autores. e ocorrem muito próximas do período que estamos estudando. Paris 8 Maio. Julian 1946 UNESCO _ its purpose and its philosophy. Marcos Chor 1997 A história do projeto Unesco: estudos raciais e ciências sociais no Brasil.7onde são também demonstrados os primeiros rascunhos acerca desta declaração e onde o nome de Luis Aguiar de Costa Pinto já estava presente. alguns materiais como a declaração da entidade a respeito de suas propostas e filosofias no período de sua fundação após o término da Segunda Guerra Mundial: UNESCO its purpose and its philosophy.

uma reconstrução que leve em consideração os menores detalhes possíveis. A compreensão de parte de uma “escola de pensamento” que teve total importância na formação e na institucionalização das Ciências Sociais no Brasil. . A Sociologia engajada destes três autores contribuiu de forma definitiva para a apreensão dos problemas que atravancavam o desenvolvimento econômico e sócio-político da nação naquele momento e.16 mestrado. da carreira de Florestan Fernandes como antropólogo algum tempo antes dos primeiros trabalhos a respeito da questão racial. Este é o escopo principal que se pretende neste trabalho. ainda que a visão dos autores estivesse fortemente influenciada por determinados autores e linhas de pensamento que serão tratadas neste trabalho. contribuíram para o desenvolvimento de um País que teve sua evolução obstada pelas injurias e atrasos deixados por um injusto e antiquado sistema colonial. por exemplo. mas de qualquer maneira acreditamos que alguma contribuição estará sendo dada se os aspectos levados aqui em consideração forem levados a sério e trabalhados com dedicação e disciplina. Até os dias de hoje o tipo de Sociologia fundada por Florestan Fernandes e seguida por seus dois alunos tratados neste trabalho continuam a exercer enorme influência nos trabalhos das Ciências Humanas como um todo no Brasil. tampouco o será com relação aos diversos estudos posteriores de Ianni sobre a globalização e de Fernando Henrique sobre o desenvolvimento no Brasil.

2006. S. Élide Rugai. Editora 34. outubro de 1997.9. Conversas com sociólogos brasileiros. 1955 BASTOS. 1º Ed. BASTIDE.R (orgs) Humanismo e Compromisso: Ianni. Paulo Roberto de. Juliano. R. 9 (2): 39-52. n. Revista Espaço Acadêmico – nº 52. S. Brasília. 196-219.17 Bibliografia Consultada ALMEIDA. (org. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. 310 p. “Pensamento social da escola sociológica paulista” In MICELI. 464 páginas. Virgínia Leone. USP. BERNARDES. Sociologia. Fernando. M. 1996. v. _________________Octavio Ianni: A questão racial e a questão nacional.ed. Elide Rugai. SP: ED.) O que ler na ciência social brasileira 1970 – 2002. Sociol. In: CRESPO. Metrópole e cultura: o novo modernismo paulista em meados do século. São Paulo. p. ABRUCIO. Atitudes raciais de pretos e mulatos em São Paulo. A formação do Estado desenvolvimentista na obra de Octavio Ianni. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas. Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo. São Paulo.3. José Marcio. 3. FALEIROS. DF: CAPES. Paulo. 1947. São Paulo: ANPOCS: Editora Sumaré. São Paulo: Companhia Editora Nacional. 2009 BICUDO. Roger. SET/2005 ARRUDA. Brancos e negros em São Paulo. Maria Arminda do Nascimento. UNESP. Tempo Social. Florestan. (Seminários e Debates) Ensaios sobre Octavio BASTOS. LOUREIRO. Maria Rita & REGO. 2002.A. Florestan Fernandes e a ideia de Revolução Burguesa no pensamento marxista brasileiro. Rev. FERNANDES. 1971. .

e Enzo Faletto. Consultado em 25. CARDOSO. Para uma História da Sociologia no Brasil: a Obra Sociológica de Florestan Fernandes – Algumas Questões Preliminares. 231 a 269. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Vol. Araraquara. Cor e Mobilidade Social em Florianópolis: Aspectos das Relações entre Negros e Brancos numa Comunidade do Brasil Meridional. CARDOSO. Octávio Ianni e a interpretação do Brasil: a concepção dialética da história sob o signo da metamorfose. Cientificismo à brasileira: notas sobre a questão racial no pensamento social brasileiro. 375 p. Rio de Janeiro: Zahar. O. Jeanne Gomes. p. Ed. São Paulo. Mirian Limoeiro. Rio de Janeiro. 1964. São Paulo: Difusão Européia. Linhagens do Pensamento Político Brasileiro DADOS – Revista de Ciências Sociais.08. Texto disponível em www. (1960). (1953). 2005.11. A. v.usp.18 BOTELHO. As Relações Raciais Sob a Perspectiva Analítica do Sociólogo Octavio Ianni. F. O Negro no Rio de Janeiro: Relações de Raças numa Sociedade em Mudança. Capitalismo e escravidão no Brasil meridional: O negro na sociedade escravocrata do Rio Grande do Sul.. v. Luiz de Aguiar. Companhia Editora Nacional (Coleção Brasiliana. Gildo Marçal. 2005 _________________. Texto da conferência proferida no IEA em 16 de dezembro de 1994.iea. Companhia Editora Nacional. no 2. e IANNI. 1970. Fernando Henrique. __________________________ Empresário industrial e desenvolvimento econômico no Brasil.17-31. 1. . Cadernos de Campo. CARDOSO. pp. Dependência e Desenvolvimento na América Latina. 307). Dissertação de mestrado: UNESP/Araraquara. 2003. 5. 48. BRITO. 2005 CARDOSO.br/artigos. Fernando Henrique. vol. Rio de Janeiro. H. 2002 BRANDÃO. São Paulo. Achegas Net Revista de Ciência Política.2011 COSTA PINTO.

313 p.19. Estudos Avançados. 55. ____________________ (1963) Organização Social dos Tupinambá. Global. Ensaios sobre Florestan Fernandes. no. Estudos Avançados 11 (31).19 COUTINHO. vol. 1968 ____________________ Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina Rio de Janeiro: Zahar. 2005. 1973.com/gramsci/?page=visualizar&id=90 (2000) D'INCAO. p.acessa. Revista. ____________________ Sociedade de Classes e Subdesenvolvimento. (2005) ”Florestan Fernandes: revisitado”. São Paulo: Dominus Ed.. 2007. ____________________. 1997. ___________________A Revolução Burguesa no Brasil: ensaio de interpretação sociológica (Rio de Janeiro: Zahar./Dec. Set. Difusão Européia do Livro. Rio de Janeiro: Zahar. Edusp. Maria Ângela (org. Carlos Nelson. Homens livres na ordem escravocrata. Rio de Janeiro: Paz e Terra. http://www. A Integração do Negro na Sociedade de Classes. FERNANDES. FREITAG. Marxismo e “imagem do Brasil” em Florestan Fernandes.229-243. 3 ed. Florestan. Bárbara. 1987 ESTUDOS AVANÇADOS. 2° Ed. São Paulo. SãoPaulo: Kairós. O negro no mundo dos brancos. Maria Sylvia de Carvalho. São Paulo: UNESP. 1974) FRANCO. . O saber militante. 1983. Sociologia e Militância: Entrevista com José de Souza Martins. São Paulo.). 1965 (vol. 1 e 2).

UNESCO. 22º ed. 2005. Petrópolis: Vozes. 1963. 1978 ______________ O Ciclo da Revolução Burguesa no Brasil”. 3° Ed. São Paulo. 1996 JACKSON. 1972 _____________ As metamorfoses do escravo. v. Casa Grande e Senzala. HOBSBAWM. 1-34 ______________Dialética & Capitalismo: ensaio sobre o pensamento de Marx. Julian 1946 UNESCO: its purpose and its philosophy. 1983. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 2007 . HOLANDA. Sérgio Buarque. Raças e Classes sociais no Brasil. 19. Octavio. Eric.20 FREYRE. Brasiliense. Gilberto. Editora da Universidade. 2004. 2 ed. 1º Ed. Era dos Extremos: o breve século XX: 1914-1991. Editora Nacional. 4 ª ed. ______________ Teorias da Estratificação Social: leitura de sociologia. Raízes do Brasil. Revista e acrescida de novos capítulos. Temas de Ciências Humanas. São Paulo/Curitiba: Hucitec/Scientia etLabor. 1982. n. ______________A Sociologia de Florestan Fernandes. São Paulo. 1° reimpressão. Paris. 1.. ______________Estado e capitalismo: Estrutura social e Industrialização no Brasil. 1988. Gerações pioneiras na sociologia paulista (1934-1969). São Paulo: Companhia das Letras. IANNI. 1981. n° 10. 356p. HUXLEY. revista de sociologia da USP. Estudos Avançados 10 (26). 1987. 1965. Rio de Janeiro: José Olympio. São Paulo. São Paulo: Cia. Luis Carlos. Tempo Social.

São Paulo: Abril Cultural.). 2007 MARX. Perspectivas. Revista USP. O Projeto UNESCO e a Agenda das Ciências Sociais no Brasil dos Anos 40 e 50.php?script=sci_arttext&pid=S0104- 59701998000200006&lng=en&nrm=iso. Arremate de uma reflexão: a Revolução Burguesa no Brasil de Florestan Fernandes”. Editora Anhembi.Universidade Estadual de Campinas. Contribuição à crítica da economia política. 1999 ___________O Brasil no concerto das nações: a luta contra o racismo nos primórdios da Unesco. Milton. . História das Ciências Sociais no Brasil (São Paulo: Vértice. cienc. 1998 . Maria Arminda do. Duarcides Ferreira. 2005 MAIO. Hist. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Oct. Disponível em http://www. p. Rio de Janeiro.). Tese (doutorado) . 1989) NASCIMENTO ARRUDA. v. São Paulo.21 LAUHERTA. Fernandes (orgs.. Bastide e F. (Tese de Doutorado). 1997. 2.: IUPERJ. 41. C. dossiê Florestan Fernandes (São Paulo: n° 29. Relações raciais entre negros e brancos em São Paulo. 5. saúde-Manguinhos. 1979b. São Paulo. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas . março-maio 1996. K. R. M. São Paulo. 28: 157-186. n. n.br/scielo. Em R. Sérgio (org.scielo. v. Oracy 1955 'Relações raciais no município de Itapetininga'. 56-65) NOGUEIRA. J. pp. MARIOSA. 141-158. Acessado em 30 Agosto de 2011 ___________A História do Projeto da UNESCO: estudos raciais e as ciências sociais no Brasil. Em Busca da Formação Social Brasileira: Marxismo e Vida Acadêmica. Florestan Fernandes e a sociologia como crítica dos processos sociais. (Os Pensadores) MICELLI.UNICAMP. 14.

99-114.22 OLIVEIRA. São Paulo: Cortez. “Um Seminário de Marx”. Roberto. Caio. Paris . nº 50. 1998.The Race Concept. Results of an Inquiry. pp. Publifolha. 1952 UNESCO The Race Question in Modern Science . Rio de Janeiro: Graal. São Paulo: Brasiliense. 5. Formação do Brasil Contemporâneo: Colônia. UNESCO. 2000. SOARES. SCHWARZ. The International Social Science Bulletin. A economia da dependência imperfeita. In Novos Estudos CEBRAP. 1989. Francisco. (1997) Florestan Fernandes: o militante solitário. PRADO JR. Eliane Veras. Março.

Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia. SCHWARCZ. Sociol. n. Antonio. Humanismo e Compromisso: Ensaios sobre Octávio Ianni.htm. Paulo. 18. Antonio Sérgio Alfredo. L.23 Bibliografia a ser consultada BASTOS. v. São Paulo : UNESP. Maria I. 2004. Luis Otávio. Salvador. Sylvia G. 2009. Fênix – Revista de História e Estudos Culturais Julho/ Agosto/ Setembro de 2007 Vol. Um enigma chamado Brasil: 29 intérpretes e um país.ufba. 1996.sem.. 1989. O Projeto UNESCO na Bahia. Bahia. O Ethos Positivista e a Institucionalização da Ciência no Brasil no início do século XIX. . Disponível em: http://www. BOTELHO. CÂNDIDO. Elide Rugai. ___________ Unesco/Anhembi: Um Debate Sobre a Situação do Negro no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras. 191 pp 2002. Pensamento Social no Brasil. Comunicação ao Colóquio Internacional “O projeto Unesco no Brasil: uma volta crítica ao campo 50 anos depois”. Octavio Ianni: a questão racial e a questão nacional In: FALEIROS. CRESPO. Rev. Regina A. revista de sociologia da USP. 1. Destino Ímpar: Sobre a Formação de Florestan Fernandes. 1(1): 7-27.ceao. USP. entre 12 e 14 de julho de 2004. A Sociologia no Brasil. André. São Paulo: EDUSC. S. Tempo Social. Lilia Moritz. 4 Ano IV nº 3 GARCIA. 1 – 2006 FERREIRA. Octavio. IANNI. São Paulo: Ed.br/unesco/03paper-Elide. GUIMARÃES. 34. ___________ A Sociologia e o Mundo Moderno. Tempo Social.

Tempo Social. Marcos Chor./jun. História Agora – Revista de História do Tempo Presente. Porto Alegre. Scientific and Cultural Organization. v.São Paulo. Trajetórias Intelectuais: Professoras do Curso de Ciências Sociais da FFCL – USP (1934 – 1969). São Paulo. nº 14. 2009 ZIMMERMANN. Perspectivas. Simone. Março/Maio 1996 MEUCCI. jan. 2007 SPIRANDELLI. Diálogos intermitentes: relações entre Brasil e América Latina. 97120. De Como o Sociólogo Brasileiro Deve Praticar Seu Ofício. jul/dez 2005. Ciência e educação no pensamento de Alberto Torres. p.. Four Statements on The Race Question. Sociologias. Um diálogo entre a Sociologia e a História do Tempo Presente. 167-168. Carolina. UNESP – Tese de Doutorado. 1969 . Araraquara.Paris . S. 2008 TOTTI. Fernando de Azevedo e Florestan Fernandes: das rupturas paradigmáticas à análise retórica. MARTINS. Tania Regina. NOGUEIRA. Lucia Lippi. 16. Marcelo Augusto. 31. 110-129 PULICCI. p. (Sem ano de publicação) UNESCO. Marco Aurélio. Sociol. ano 7. 11(1): 111-136. Educational. A Universidade que Não se Apaga. USP. 2004 OLIVEIRA.24 MAIO. Paulo. Revista USP. maio de 1999. Published in 1969 by the United Nations. Estudos de Sociologia. USP Tese de Doutorado . Rev. Homenagem a Octavio Ianni (1926 – 2004). Claudinei Carlos. 2004. Campos 5(1):201-210. Vida e História na Sociologia de Florestan Fernandes (Reflexões sobre o método da História de Vida). José de Souza. São Paulo (2914): 14 – 19. Tempo Controverso Gilberto Freyre e o Projeto UNESCO. As Cátedras de Sociologia da USP entre 1954 e 1969.

25 .

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->