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Universidade Federal do Espírito Santo Centro de Ciências da Saúde Departamento de Patologia Parasitologia Humana

ARTRÓPODES ECTOPARASITAS

Isabela Maggione Holz Luciana Seidel De Crignis Ronyérison Lourenço Silva Lima Tássia Cani Bussular

Vitória 2009

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ÍNDICE
1 INTRODUÇÃO ….................................................................................... 05 2 MOSCAS SINANTRÓPICAS...................................................................07 2.1 Ecologia …...........................................................................................07 2.2 Ciclo Biológico …................................................................................08 2.2.1 Ovo.......................................................................................... 08 2.2.2 Larva........................................................................................09 2.2.3 Pupa........................................................................................ 09 2.3 Principais espécies …........................................................................ 10 2.4 Importância para a Saúde Pública …................................................ 10 2.5 Principais Criatórios …...................................................................... 11 2.5.1 Resíduos sólidos urbanos dispostos inadequadamente......... 11 2.5.2 Unidade de triagem e compostagem mal operadas................ 11 2.5.3 Sanitários Mal Construídos..................................................... 12 2.5.4 Fossas Abertas........................................................................12 2.5.5 Criações de Fundo de Quintal................................................. 12 2.6 Medidas de Controle …...................................................................... 12 2.6.1 Controle das Formas Adultas.................................................. 12 2.6.2 Telagem...................................................................................12 2.6.3 Repelente Visual..................................................................... 13 2.6.4 Espectro Luminoso.................................................................. 13 2.6.5 Pincelamento........................................................................... 13 2.6.6 Iscas Tóxicas........................................................................... 13 2.6.7 Plantas Repelentes................................................................. 13 2.6.8 Disposição Correta do Resíduo Sólido Urbano....................... 13 2.6.9 Aterro Sanitário........................................................................14 2.6.10 Outros Métodos..................................................................... 14 2.7 Conclusão …....................................................................................... 14 3. MOSCAS CAUSADORAS DE MIÍASE.................................................. 16 3.1 Miíase …...............................................................................................16 3.1.1 Etiopatogenia...........................................................................16 3.1.2 Miíases primárias.................................................................... 20 3.1.3 Miíases secundárias................................................................ 20

3 3.1.4 Aspecto clínico das lesões e tratamento................................. 20 3.1.5 Bicheira....................................................................................25 3.2 Berne … …........................................................................................... 25 3.2.1 Etiologia................................................................................... 26 3.2.2 Ciclo evolutivo......................................................................... 27 3.2.3 Sintomas..................................................................................29 3.2.4 Diagnóstico.............................................................................. 30 3.2.5 Profilaxia.................................................................................. 31 3.2.6 Tratamento.............................................................................. 33 3.3 Conclusão …....................................................................................... 33 4. ANOPLURA: PIOLHO............................................................................ 35 4.1 Morfologia dos piolhos ….................................................................. 36 4.2 Ciclo de vida dos piolhos ….............................................................. 36 4.3 Doenças transmitidas por piolhos …................................................37 4.4 Conclusão …....................................................................................... 40 5. SIPHONAPTERA: PULGAS ….............................................................. 42 5.1 Morfologia das pulgas …................................................................... 42 5.2 Principais espécies …........................................................................ 42 5.2.1 Pulex irritans............................................................................ 42 5.2.2 Xenopsylla cheopis..................................................................43 5.2.3 Tunga penetrans..................................................................... 44 5.3 O ciclo de vida das pulgas …............................................................ 45 5.4 Doenças associadas às pulgas ….....................................................45 5.4.1 Atuando como parasitos.......................................................... 45 5.4.2 Atuando como transmissores ou vetores................................ 46 5.4.3 Atuando como hospedeiros intermediários............................. 46 5.4.4 Peste bubônica........................................................................ 47 6. ACARI: CARRAPATOS......................................................................... 48 6.1 Principais espécies …........................................................................ 48 6.1.1 Argas miniatus......................................................................... 49 6.1.2 Gênero Ornithodorus............................................................... 50 6.1.3 Anocentor nifens......................................................................51 6.1.4 Rhipicephalus sanguineus.......................................................51

........................................1 Ciclo de um hospedeiro.................................... 59 6.....1 Dermatite por Picada de Carrapato......................................3....... 53 6...............................................2 Diagnóstico …...........1...................2........ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS …... 65 ....................................................4 6.................................3.............................. 54 6......................................................3................................................. 57 6. 56 6................................................. 53 6............... 52 6......5 Conclusão …................................. 63 7..............1...4 Remoção de carrapatos ….....1 Patogenia …................55 6...................... 63 8................................................3 Doenças transmitidas por carrapatos …................................................................................... 60 7.. 55 6............2................................. ACARI: SARNA....................................3........................2 Ciclo de dois hospedeiros.......................3................................6 Amblyomma cajennense ................... 55 6..................4 Conclusão ….................3 Tratamento …............................................................................................................2 Paralisia por Picada de Carrapato..................3 Ciclo de três hospedeiros.......................................................3 Febre Maculosa...............................51 6.........................5 Boophilus microplus ….........................4 Febre Q....................... 54 6.........................5 Febre Recorrente........................2 Ciclo de vida …....... 61 7...........61 7.......................2................. 58 6...................................... 62 7..........

representam parte de um equilíbrio no ecossistema. três pares de patas e um par de antenas. seda. Ao se tornar pequeno. pois não acompanha o crescimento do corpo. quatro pares de patas e não possuem antenas. etc. contribuindo desse modo para o aparecimento e proliferação de diversas pragas. quando o exoesqueleto antigo se desprende do corpo do animal e é trocado pelo novo. a grande maioria participa da polinização das flores. Os aracnídeos. Algumas diferenças morfológicas podem ser observadas quando se estuda os insetos e os aracnídeos. Embora ofereça proteção. ocorre o fenômeno da muda. promiscuidade. patas). da decomposição da matéria orgânica. enquanto os últimos possuem cefalotórax (fusão cabeça-tórax) e abdome. mel. uso inadequado de métodos de controle. pode-se citar: insetos. répteis. anfíbios. Entre estas. tórax e abdome).5 1 INTRODUÇÃO Os artrópodes são animais invertebrados caracterizados pela presença de exoesqueleto. especialmente nos países subdesenvolvidos. entretanto. etc). Sabese. desinformação permanente e intencional da imprensa. Os artrópodes são subdivididos em classes de acordo com alguns critérios. aracnídeos. ignorância. pela mesma forma. a classe que apresenta maior número de espécies causando lesão ou transmitindo doenças aos humanos é a Insecta. . do equilíbrio biológico. Os primeiros possuem o corpo dividido em três partes (cabeça. quilópodes. que as espécies nocivas de insetos são poucas. um ambiente propício para a sua reprodução: sujeira. da produção de cera. Apenas espécies das duas primeiras classes serão consideradas neste trabalho. pássaros etc. como a divisão do corpo e o número de apêndices apresentados (patas. submissão religiosa e política. pássaros. articulados. e podos. corpo segmentado e apêndices articulados (do grego: arthron. Dentre todos os artrópodes conhecidos. diplópodes e crustáceos. o exoesqueleto limita o tamanho do animal. Os insetos encontraram. que já está formado. ao se alimentar de insetos e serem presas de roedores. antenas. e é fonte de alimento para peixes.

Em vista disto. . esse trabalho foi realizado com o intuito de abordar algumas das espécies importantes do ponto de vista médico da classe Insecta – moscas sinantrópicas. piolhos e pulgas – e da classe Arachnida – ácaros e carrapatos. como aquelas responsáveis por lesões ou doenças.6 Algumas espécies são de maior importância médica. moscas causadoras de miíases.

depois. pois indicam os seus hábitos de higiene e de organização tanto doméstico como empresarial. deposita a saliva contaminada sobre o alimento humano).) para a realização da postura. o número desta espécie é muito dependente das condições sanitárias vigentes.1 Ecologia As moscas pertencem ao reino animal.000 espécies conhecidas. lixo orgânico. com cerca de 100 famílias descritas e 85. as moscas usualmente defecam em paredes. feridas ou animais mortos e. voando a distância. Além disso. Através de dejetos da mosca. As moscas sinantrópicas podem veicular patógenos pelos seguintes mecanismos: a) pela regurgitação alimentar (alimenta-se em fezes.os alteres ou balancins. cadáveres. etc. A espécie de maior interesse médico/sanitário é a Musca domestica. . dificilmente ocorre infecção humana. a M. pupa e adulto. ocorrendo milhares delas quando há deficiência no serviço de coleta de lixo urbano ou tratamento do esterco dos animais. Possuem evolução do tipo holometabólica. tornando-as mais eficientes. à classe Insecta e à ordem Díptera. O estudo da Ecologia das moscas sinantrópicas possibilita aperfeiçoar as ações de controle. larva. À essa ordem pertencem os insetos que. Assim. Constitui uma das maiores ordens de insetos. tetos.7 2 MOSCAS SINANTRÓPICAS 2. visto que as fêmeas fecundadas procuram resíduos orgânicos em decomposição (esterco. b) pela veiculação mecânica de patógenos aderidos as patas e cerdas do corpo. distribuição e predominância são fatores de grande importância para a avaliação das condições de saúde de uma população. obrigatoriamente passam pelas fases de ovo. isto é. possuem um par de asas funcionais e um par de asas vestigiais . na forma adulta. e sua ocorrência. Raillietina). fios etc. pois apesar de suas fezes possuírem patógenos. domestica pode exercer o papel de hospedeiro intermediário de alguns helmintos de importância veterinária (Habronema.

No desenvolvimento pós-embrionário. No prazo médio de uma semana penetram em local seco (normalmente no solo) para empupar. dependendo da espécie. água parada ou corrente etc.2 Ciclo Biológico Sendo insetos holometabólicos. O processo ocorre em um período médio de 40 dias (30-45). lama. Assim. 2. passando então por um grande processo de transformação conhecido como metamorfose. . cilíndricos.1 Ovo Os ovos são geralmente ovais ou esféricos. dos ovos eclodem as larvas. fezes animais ou humanas. cadáveres.8 2. Nos períodos de calor eclodem entre 12 e 24 horas e nas épocas frias entre 3 e 4 dias. achatados ou pedunculados. que são vermiformes e não possuem patas. sua evolução é completa. mas podem ser também. É variadíssimo o meio escolhido por cada espécie para fazer a postura e o desenvolvimento da larva.2. e estas evoluem por pelo menos três mudas de pele e alimentam-se dos restos orgânicos a sua volta. de onde surge a mosca adulta. temos vários tipos de matéria orgânica em decomposição (folhas e paus podres).

pela quitinização progressiva. Após um período de 04 a 05 dias o adulto força com a cabeça a abertura de uma calota que lhe permite a passagem ao meio exterior.9 Os ovos de M. capim. Porém. Permanecem imóveis então. durante o inverno. . cerca de algumas horas após já estão de cor castanha-escura. Quando estão prestes a puparem. as partes bucais variam com o hábito alimentar. lixos domésticos. A fase de pupa dura cerca de quatro a seis dias no verão e no inverno prolonga-se por várias semanas.3 Pupa As larvas tomam a forma de um pequeno barril de cor clara e. 2. duram de cinco a oito dias. num total de 500 a 800. Os ovos são colocados nas porções úmidas e sombreadas (frestas) do substrato. cuja fermentação produz uma elevação da temperatura do substrato. As larvas são claras e movimentam-se ativamente.2. depositados em qualquer matéria orgânica fermentável.). estercos e fezes.2 Larva As larvas passam por três estágios. alongados. Alimentam-se de substâncias solubilizadas e bactérias. O primeiro estágio mede cerca de 2mm de comprimento e o terceiro de 10 a 14mm. fezes etc. terra fofa etc. ápteros (desprovidos de pernas). O gênero Musca desenvolve-se em restos orgânicos em decomposição. que. caracterizando-se como coprófagas. as antenas são reduzidas a pequenas papilas. tecidos necrosados ou cadáveres e caracterizam-se como saprófagas.2. São colocados em massas de 75 a 170 ovos de cada vez. deslocam-se para ambientes mais secos (partes mais altas do esterco ou penetram debaixo de folhas. São vermiformes. em geral. 2. domestica são brancos. iniciando o processo de pupação. o desenvolvimento larvar pode prolongar-se por várias semanas. Cochliomyia e Chrysomya desenvolvem-se normalmente em ferimentos. Os gêneros Sarcophaga. como lixo. medindo cerca de menos de 1mm.

3 Principais espécies As espécies de maior interesse são: Musca domestica (a mosca doméstica) e Stomoxys calcitrans (a mosca dos estábulos). Raillietina). Durante os meses quentes e chuvosos (novembro a março). dela diferindo. 2. dorsais. Musca domestica Stomoxys calcitrans 2. calcitrans se assemelha muito a M. é sua hematofagia que realmente é grave. domestica. equinos.4 Importância para a Saúde Pública Moscas da espécie M.10 Os adultos vivem cerca de 30 dias. após sua retirada. abdome com três manchas escuras. entre outras. entre outros. S. A introdução da sua probóscida na pele é bastante dolorosa e. domestica veiculam patógenos e podem exercer papel de hospedeiro intermediário de alguns helmintos de importância veterinária (Habronema. O . isto é. ocorrem ataques de milhares destas moscas picando animais. e por raramente invadir os domicílios. arista pectinada. deixa um pequeno orifício. calcitrans. moirões e fios de cerda. suínos. como bovinos. do qual emerge uma gotícula de sangue. sendo vista frequentemente pousada nas paredes dos estábulos. cães e homem. por possuir alimentação exclusivamente hematófaga (machos e fêmeas). Em relação ao S. apenas com cerdas dorsais.

Em suma. podem se tornar agentes da salmonelose. paratifo. Moscas do gênero Hippelates.2 Unidade de triagem e compostagem mal operadas Erros de operação nas unidades de triagem e compostagem compromentem a disposição adequada dos resíduos sólidos urbanos.5.5 Principais Criatórios Os criatórios consistem em locais em que ocorra uma disposição inadequada de resíduos orgânicos. se torna necessário uma estrutura adequada para que se dê um destino adequado aos resíduos sólidos urbanos. vírus. protozoários e/ou ovos de helmintos para o homem e animais domésticos.1 Resíduos sólidos urbanos dispostos inadequadamente Depósitos a céu aberto (lixões) constituem importantes criadouros de vetores. tuberculose. 2.11 traumatismo provocado pelas picadas causa um maior prejuízo para animais e fazendeiros. Necator. essas moscas podem transportar agentes patogênicos e parasitários. tracoma. Também transmitem alguns agentes etiológicos de parasitos internos tais como Taenia. tais como bactérias. como as moscas. O gênero Glossina (Glossinidae) é exclusivo da África. poliomielite. . 2. febre tifóide.5. mastite. mamites e úlceras cutâneas entre os humanos. Entamoeba e Giardia. de modo geral. sendo popularmente conhecido como tsé-tsé. Ancylostoma. conjuntivite. conjuntivites. Ascaris. etc nos animais domésticos. Por isso. onde as moscas depositam seus ovos. são vetores de tracoma. cólera. carbúnculo hemático. Trichuris. Assim. e é importante na transmissão da doença do sono. 2. etc no homem e desinteria bacilar. Toxoplasma. denominadas popularmente "lambe-olhos".

podem se tornar criatórios de moscas.5.3 Sanitários Mal Construídos O uso de latrinas. 2.6. pode possibilitar o acesso constante das moscas às fezes humanas. as construções de latrinas devem seguir determinados padrões.12 2. repelentes. principalmente no meio rural. Por exemplo. 2. produtos e iscas tóxicos e plantas repelentes. 2. apesar da sinantropia característica destas moscas. com vista a impedir a proliferação de vetores e disseminação de doenças. Inclui a utilização de telas. nos quais se procura atender às normas sanitárias e a hábitos de higiene.2 Telagem Devem ser colocadas telas nas portas e janelas. onde não são observadas condições adequadas de higiene.5 Criações de Fundo de Quintal Criações de animais domésticos. Para que isso seja evitado. 2. o fosso (buraco) para disposição das fezes deve ser profundo e construído de modo a impedir a entrada de moscas.1 Controle das Formas Adultas É realizado por métodos preventivos.4 Fossas Abertas Fossas sépticas com fechamento prejudicado podem se tornar criatórios presentes no meio urbano.5.6 Medidas de Controle 2. . ainda comum no meio rural e periurbano.5.6. espectros luminosos.

que atraem e em seguida eliminam as moscas através de descargas elétricas. pocilgas e canis. vidro.6. à base de organo-fosforados e piretróides. 2. devido à ação que exerce nos órgãos de visão das mesmas.6.3 Repelente visual A difusão da luz através de um volume de água suspenso (um saco plástico transparente) é capaz de repelir as moscas.6.8 Disposição Correta do Resíduo Sólido Urbano A coleta seletiva. Hortelã e Mamona.6.13 2. facilitando a sua eliminação. 2. que consiste em juntar restos . 2. que atraem as moscas para as mesmas. exercem efeito repelente ao serem plantadas nas residências. 2.6 Iscas Tóxicas Ao uso de iscas tóxicas ou armadilhas (com inseticidas) para moscas podem ser associados ferormônios sexuais. como folhas de Cinamomo. recicláveis ou não (papel. plástico. têm sido utilizados produtos tóxicos.5 Pincelamento Em estábulos.4 Espectro Luminoso Em estabelecimentos que preparam alimentos.6. papelão.6. podem ser utilizadas lâmpadas com luz azul.7 Plantas Repelentes Plantas de odor forte. lata) e a compostagem doméstica. 2. a redução do uso de materiais.

7 Conclusão Muitas espécies de moscas estão associadas a seres humanos e ao seu ambiente modificado. Ou seja. devido à grande mobilidade dos adultos e à enorme variedade de ambientes que podem ser explorados pelas formas imaturas. de óleo queimado colocado em uma bandeja. pela oferta de alimento às larvas.6. constituindo várias pragas e importantes vetores de doenças. a “armadilha da Emater”. O controle de moscas sinantrópicas é muito problemático. 2. que consiste basicamente em atrair as fêmeas adultas. ainda. Consiste basicamente em cobrir os resíduos com material inerte. como elemento letal às larvas. são alguns métodos utilizados para se destinar adequadamente o lixo urbano. em intervalos regulares. passando a ter importância médica e veterinária. atuando como potenciais vetores de mais de 100 diferentes patógenos. 2. nesta bandeja. o controle das moscas. especialmente fezes e resíduos vegetais. podendo-se também fazer uso de água com sabão. como atrativo e. 2. No Brasil. na maioria dos .10 Outros Métodos Há.9 Aterro Sanitário É uma técnica de disposição final de resíduos sólidos. A associação ocorre pelo fato de moscas serem exploradoras de substâncias e resíduos orgânicos produzidos pela atividade humana e animal.6.14 orgânicos como folhas e restos de alimentos. para um meio adequado à ovoposição. por sua capacidade de dispersão a longas distâncias estão frequentemente implicadas em intoxicações alimentares e podem ser facilmente identificadas no ambiente urbano. As moscas. que apresenta mínimos riscos à Saúde Pública e ao Meio Ambiente. normalmente faz-se uso de esterco fresco colocado sob uma tela fina. desde vírus até formas parasitárias.

adequado acondicionamento e destino final de resíduos sólidos. o controle se faz necessário como método de promoção da saúde e pode ser obtido por meio de boas práticas de armazenagem e de produção de alimentos.15 municípios. Entretanto. . bem como medidas preventivas capazes de reduzir a taxa de reprodução de insetos. é ausente ou executado ineficientemente por meio de métodos inadequados.

é frequente em certas regiões brasileiras. . por exemplo. alimentando-se dos tecidos vivos ou mortos deste. exceto. Algumas que merecem destaque estão listadas a seguir: • Cochliomya hominivorax (“mosca varejeira”) é a espécie mais importante nesse contexto em toda a região Neotropical (América Tropical). Cochliomya hominivorax – a mosca varejeira • Dermatobia hominis.16 3 MOSCAS CAUSADORAS DE MIÍASE 3. na região Amazônica.1 Miíase Entende-se por miíase a doença parasitária do homem e outros vertebrados causada por larvas de dípteros que completam seu ciclo ou pelo menos parte do seu desenvolvimento dentro ou sobre o corpo do hospedeiro. ou mosca do berne.1.1 Etiopatogenia São muitas as espécies de moscas envolvidas na etiologia da miíase. 3.

são fortemente atraídas pelo cheiro de sangue derramado ou pelo odor fétido de tecidos vivos em sofrimento. durante o período de oviposição. como a Saecodexia lambens. ocorre a liberação de 200 a 300 ovos. em massas compactas nas bordas da lesão prévia. constituem condições predisponentes à instalação do parasitismo: a falta de asseio. As moscas adultas da espécie Cochliomyia hominivorax têm hábitos diurnos.17 Dermatobia hominis – a mosca do berne • • • Espécies da família Sarcophagidae. Os ovos eclodem e originam as larvas nas primeiras 24 ou 48 horas. entre outros. supurações. sendo encontrado eventualmente parasitando o homem. Anastrepha sp. um agente habitual do berne em macacos guaribas (bugios). Alouattamyia baeri. lesões vegetantes. Assim. As fêmeas. Durante a oviposição. lesões traumáticas abertas. particularmente no período menstrual ou puerperal. se existente. As miíases são mais freqüentes na zona rural. . e outros agentes de miíase quase sempre transitória da luz do intestino. ulcerações.

no qual a fêmea de D. O máximo de desenvolvimento das larvas ocorre por volta do sexto dia. Em seguida. Rapidamente. mal respeitando as estruturas ósseas.18 Larvas e pupas de Cochliomyia hominivorax em meio de cultura. A ovoposição não se realiza diretamente no tegumento do hospedeiro vertebrado.5. essas larvas causam ulcerações e fistulização. de modo que a etiologia somente será reconhecida mediante a demonstração do parasito ao nível da lesão. As alterações anatomopatológicas são. são estimulados pelo calor e pelo dióxido de carbono desprendidos do corpo do animal. hominis deposita os ovos. com ampla destruição de tecidos moles. inespecíficas. quando menos resistente. Há sempre a participação de um vetor mecânico. pode-se destacar o mecanismo curioso que envolve a biologia desta espécie. quando apresentam-se robustas. ocorre o desenvolvimento dos embriões até o momento da eclosão dos ovos. podem sofrer destruição. quando. porém. enfocado também no tópico 5. aptos para penetrar no tegumento do hospedeiro. lesões na face e no ouvido médio. podendo levar a graves mutilações. A ovoposição ocorre após aprisionamento em forma de cacho de banana. .2 (ciclo de vida Berne). propiciando a remoção do opérculo em forma de unha e fixando-se no pêlo mais próximo para penetrar na pele circunvizinha. para o qual é necessária a participação de uma substância cimentante. Estas. inseto alado de igual ou menor porte (mosquito ou mosca). Em se tratando de Dermatobia hominis. como por exemplo.

Entretanto. a maturidade. Outro mecanismo admitido é a ingestão de larvas dessa espécie que contaminaram alimentos. . Suas larvas são elementos constitutivos da fauna cadavérica. muitas vezes. posto que quando a larva atinge terceiro estágio. as larvas não causam invasão profunda. A infecção evolui. mas há estudos que sugerem que macacos ingerem ovos embrionados no momento da alimentação por folhas dos vegetais. A espécie Cochliomyia hominivorax. ou seja. as fêmeas vivíparas parecem larvipositar em organismos vivos que possuem como atrativo o odor fétido de lesões necróticas. abandona naturalmente o hospedeiro para pupar no solo. Desconhece-se o mecanismo completo de infecção. é um parasito habitual de primatas não humanos. de distribuição exclusivamente neotropical. instalando-se sobre a pele íntegra e gerando lesões que se caracterizam pelo aspecto furunculóide. Entretanto. ou de urina em franca decomposição. Os sarcofagídeos são considerados parasitas acidentais em humanos. esse mecanismo não parece elucidar a infecção em humanos. para a cura espontânea. As Anastrepha (“bicho-de-goiaba”) e outras espécies causadoras de miíase intestinal são adquiridas em frutos infestados ou no leite.19 Larvas de Dermatobia hominis no segundo estágio de desenvolvimento Entretanto.

a larva penetra ativamente pela lesão. há um vetor intermediário. abrasões.2 Miíases primárias Na Miíase primária. previamente infectados. picadas de insetos. 3. habitualmente. e se entoca na derme ou tecido subcutâneo.1.1. digerindo o tecido da pele. 3. a otomiíase. a intestinal. a oftalmomiíase. com um orifício central. destacam-se a anorretal. através do qual a mesma se protunde.20 3. Dentre as miíases secundárias. então. por onde a larva penetrou e por onde respira. é a mosca Neivamya lutzi.1. A mosca é atraída pelo odor que exala da lesão e nela deposita seus ovos. como arranhões. os ovos são depositados em ulcerações expostas de pele e orifícios ou cavidades naturais. com a eclosão dele. lesões ulcerosas. a lesão furunculóide: um nódulo de pouco aspecto inflamatório. Nelas.4 Aspecto clínico das lesões e tratamento ASPECTOS CLÍNICOS DAS LESÕES . escoriações. a mosca deposita os ovos na pele junto às lesões tegumentares simples. Nesse tipo de Miíase. O ovo adere à superfície da pele e. as larvas desenvolvem-se alimentando-se de tecido morto. Forma-se. a vulvovaginal. as pulmonares e as anorretais. feridas de pé diabético. as orais. aí permanecendo para desenvolver-se. Dentro de três semanas estes eclodem liberando as larvas que passam a digerir o tecido necrosado. a qual porta os ovos da Dermatobia hominis e os deposita na pele. que.3 Miíases secundárias Na Miíase secundária.

numerosas e vorazes -rapidamente destroem as cartilagens. edema. As lesões dessa localização podem instalar-se primariamente na cavidade bucal ou decorrer da extensão de outras. Miíase do palato e das fossa nasais por C. constituem forte atrativo para as moscas depositarem seus ovos nessa região. O mau estado de conservação dos dentes.21 Oftalmomiíase. Nesta. O prognóstico é. ulcerações da córnea. hiperemia conjuntival. como conjuntivites intensas. panoftalmites e até ruptura e destruição do globo ocular. . de considerável potencial de gravidade. Os principais sintomas. nos quadros dessa localização. levando ao óbito. Miíases Orais. aquelas determinadas principalmente pela Cochliomyia hominivorax e pela Dermatobia hominis. que drenam secreção serossanguinolenta de odor fétido. Caracterizam-se por úlceras destrutivas. Referidas por Wolffenbüttel (1953) como as mais temidas e comuns das formas de miíases. além de outros fatores predisponentes. vizinhas. hominivorax. portanto. sensação de corpo estranho e abundante secreção lacrimal. podendo penetrar nos seios paranasais e mesmo atingir a cavidade craniana. são dor intensa. incluem-se neste grupo as miíases do globo ocular e as conjuntivais. Na maioria dos casos são produzidas por Cochliomyiah ominivorax. Miíases Rinofaríngeas. como por exemplo das fossas nasais. o arcabouço nasal e a abóbada palatina. As larvas aí sediadas -quase sempre de Cochliomyia hominivorax. Infecções microbianas associadas contribuem para complicações.

São de ocorrência rara e geralmente decorrem de formas nasais graves. Miíases Pulmonares. entretanto. todos amazônicos. promovendo dor epigástrica. A ocorrência de miíases no aparelho auditivo depende. A infecção resulta da ingestão de alimentos (verduras. Quanto às formas crônicas. acompanhados de diarréia e vômitos que cessam com a expulsão das larvas. Há apenas 3 casos registrados na literatura. náuseas. principalmente as determinadas por C. fundamentalmente. num acesso violento. a que elas. Otomiíases. Os sintomas da fase aguda são transtornos dispépticos. otorragia. leite) contaminados com larvas ou ovos de mosca. roncos e sibilos expiratórios. expectoração sanguinolenta. secreção piohemática fétida e. Entre as miíases dessa localização destaca-se. As larvas exercem sobre o trato digestivo diferentes tipos de ação: traumática. Em todos há história de tosse intensa e persistente. valendo-se de empiemas fistulizados ou de feridas que atinjam essa serosa. de dois fatores predisponentes: a presença de supuração local e ausência de cerume Os principais sintomas dessa localização são dor local intensa. Larvas desta e de outras espécies podem também penetrar através da pleura. acompanhado de sensação de sufocação e "de um bicho subindo pela garganta" ou "mexendo dentro". Pode ocorrer dor torácica. O mecanismo de infecção permanece não esclarecido. às vezes com muco e sangue. dor epigástrica. algumas vezes. e a eliminação do parasito é sempre precedida de uma exacerbação desse sintoma. hominivorax. vômitos freqüentes e episódios diarréicos. inflamatória. pneumotórax. às vezes. distinguem-se as formas agudas e crônicas. Segundo sua evolução. ainda. pelo exotismo da história clínica e por sua etiopatogenia. há autores que sustentam a possibilidade de larvas de sarcofagídeos e de algumas outras espécies persistirem durante anos (5 a 10) na luz do intestino do hospedeiro. Podem surgir. As secreções digestivas não modificam a vitalidade das larvas.22 Miíases Intestinais. vômitos. dispnéia. apenas o suco gástrico representa relativa defesa. sensação vertiginosa e acessos de tosse. frutas. aquela decorrente do parasitismo por larvas de Alouattamyia baeri. ainda assim resistem. 48 horas após a . infecciosa. que exacerba com manobras de compressão da região mastóidea. febre e acentuada perda ponderal. tóxica e espoliativa. Os sintomas aparecem.

Caracterizam-se. hominivorax (caso de Corrêa et aI. A secreção oriunda de tais lesões é serossanguinolenta e extremamente fétida. dores lancinantes As lesões produzidas pelas larvas se caracterizam por úlceras anfractuosas profundas. evidentemente. Miíases Vulvovaginais.23 penetração de um inseto no ouvido. Em alguns casos pode ocorrer febre e adenopatia inguinal. pelo prurido intenso.56) ou prolapso do útero. A dor na região vulvovaginal pode dificultar o ato de sentar e a deambulação. O agente mais importante das lesões dessa localização é.. a Cochliomyia hominivorax. odor fétido e. desconforto. embora a simples falta de asseio já possa justificar a atração da mosca adulta. Habitualmente dessa mesma etiologia específica. Miíases Anorretais. a presença das larvas. é habitual a ocorrência de ulcerações e fistulização. ainda. A visualização otoscópica das larvas é fundamental para estabelecer o diagnóstico etiológico. acompanhadas de dor. Além das manifestações características da lesão predisponente. secreção abundante. 1984) . As espécies mais envolvidas são a Cochliomyia hominivorax e alguns sarcofagídeos. Miíase vulvovaginal por C. ou em saca-bocados. quase sempre. estas miíases se assestam sobre lesões condilomatosas (figura 8. As complicações mais comuns são a perfuração timpânica destruição do ouvido médio e invasão das meninges.

aparentemente tão simples. ainda. as larvas devem ser retiradas com pinça. procedendo-se depois à limpeza local com solução fisiológica. reconhecido como um recurso eficaz. a inconveniência do uso tópico de substâncias anestésicas voláteis. para expulsão das larvas eventualmente deglutidas. Hungria (1995) refere-se a outros recursos terapêuticos nas miíases desta localização. até a total eliminação das larvas. Algumas vezes era necessário repetir as injeções. pode ser de difícil execução prática. tais como pulverizações com calomelano ou iodofórmio puro no interior das fossas nasais. Dizem os relatos que. que possam concorrer para a sua expulsão. Em seguida. esta droga já não pode ser encontrada no mercado farmacêutico. as larvas despencavam das fossas nasais. quer seja ela mecânica ou química (mediante o emprego de medicamentos ou substâncias anestésicas). porém. seguidas de lavagens endonasais e remoção das larvas com pinça. podendo ser recolhidas numa cuba de rim. É o caso. diante desse desafio. que oferecem dificuldades de acesso às larvas mais profundamente situadas.24 TRATAMENTO Os tratamentos dividem-se em específicos e inespecíficos. administrava-se um purgativo salino. ao que se soma. como o éter e o clorofórmio. Houve época em que. uma a cada dia. fazia-se uso de injeções endovenosas de oxicianeto de mercúrio. Era o chamado "Processo Prado Moreira". Talvez como decorrência da toxicidade dos mercuriais. por exemplo. Surge agora melhor perspectiva com a ivermectina (Mectizan MSD). basicamente. apresentada em comprimidos de 6 mg e recentemente introduzida em medicina humana. Nas miíases destrutivas e cavitárias de qualquer localização. hoje proscritos da terapêutica médica. na eliminação das larvas. na dependência do sítio e da natureza das lesões. Vem com a recomendação de êxitos extraordinários no tratamento e controle de miíases . à medida que a droga ia sendo injetada. Este procedimento. das localizações rinofaríngeas. Os Específicos: Consistem.

com adução das coxas. dada a intensidade da dor local e conseqüente contratura muscular. Nos casos de miíase vulvovaginal. cuja fase larval. é denominada por berne. 3. Já a empregamos umas poucas vezes em casos humanos de localização nasal determinados por C. ou mesmo anestesia peridural para permitir a retirada das larvas. a intervalo de 12 horas. na América Central. com resultados animadores. dividida em duas tomadas. encontra-se distribuída desde o sul do México. quando houver infecção bacteriana associada. Tecnicamente. Realizar anti-sepsia com solução tópica de polivinilpirrolidona-iodo (PVP-I). Administrar antimicrobianos. hominivorax. Fazer profilaxia do tétano.2 Berne A mosca Dermatobia hominis. costuma ser necessária a sedação da paciente. no Brasil. tais como: • • • • • Limpar as lesões com solução fisiológica. Os Inespecíficos: Recomendações gerais. em algumas . na dose total de 0. Indicar cirurgia plástica reparadora em lesões mutilantes.1.25 de interesse veterinário. mais conhecida como mosca varejeira. 3. a doença recebe o nome de miíase cutânea.4 mg/kg.5 Bicheira A popular bicheira é a designação usual dada à infestação da pele dos bovinos e humanos por uma grande quantidade de larvas de moscas da espécie Cochliomyia hominivorax.

mostrando no couro cabeludo). com temperatura e pluviosidade relativamente altas. Nas altitudes abaixo de 400 metros do nível do mar as infestações aumentam significativamente.. contribuem para sua incidência em determinadas regiões. Nota-se inclusive que algumas regiões fisiográficas de relevo. principalmente naquelas com altitudes de até 1. As condições ideais para a sobrevivência da mosca são aquelas de clima tropical e subtropical.26 ilhas do Caribe (Antilhas menores. com a presença de uma ou mais larvas no interior. que se caracteriza pela formação de nódulos no hospedeiro.400 metros acima do nível do mar.1781). em localizações rodeadas por arbustos e florestas. 3. O berne. . uma vez presente nos animais causa a chamada miíase furuncular ou dermatobiose (figura ao lado. Trinidad e Tobago) e em todos os países das América do Sul.2.1 Etiologia O agente etiológico da Dermatobiose ou Berne é a Dermatobia hominis (Linnaeus Jr.

27 3. hominis. As fêmeas de tamanho grande e de porte superior aos machos. Mosca doméstica carregando ovos de D. ou seja: • Têm que ter atração para os animais (hábitos zoófilos) Têm que ter hábitos diurnos Têm que ter tamanho igual ou menor do que a D. a Musca domestica (mosca doméstica). hominis faz um ciclo indireto. em condição de vôo capturam um inseto vetor.2 Ciclo evolutivo A D. a Hydrotaea aenescens.2. ou seja. devem possuir algumas características importantes para levarem os ovos contendo larvas até os hospedeiros. . Os foréticos ou veiculadores das larvas da D. ela não se aproxima de um animal. sendo que as principais moscas vetoras são a Stomoxys calcitrans (mosca-dos-estábulos). hominis Não devem ser muito ativos • • • Tem-se reportado acima de 50 espécies de veiculadores dos ovos do berne. hominis. um zoófilo para ovipozitar massa de ovos no seu abdômen. e a Sarcopromusca pruna.

Durante 35-50 dias a larva desenvolve-se no tecido subcutâneo do animal. capineiras etc. estimulada pela temperatura corpórea e liberação de gás carbônico. hominis . Uma fêmea de D. hominis pode ovipositar de 200 a 300 ovos. O início do ciclo se dá em dias muito quentes. bambuzais. que procuram abrigar-se em locais onde haja vegetação abundante e onde os animais procuram descansar ou proteger-se do sol. em várias posturas. a sua maturidade. Após o amadurecimento dos ovos. semelhante a uma cacho de bananas. movimenta-se em média em 20 minutos até penetrar. por um tempo médio de 8 dias. hominis. ou seja. quando os animais procuram sombreamento para se protegerem do sol e calor e então são atacados pelas moscas vetores.28 São moscas com hábitos diurnos. as larvas desenvolvidas escapam. contendo massas de ovos que variam de 30 a 60 ovos. . Larvas da mosca D. quando a mosca veiculadora pousa sobre o hospedeiro. sendo que se mantém fixos uns aos outros impermeabilizados por substâncias secretadas pela D. Agregados uns aos outros. como capoeiras. os ovos se apresentam na forma de massa. A larva infestante uma vez em contato com a pele. alcançando a fase de 3º estágio (média 32 dias). localizando-se no tecido subcutâneo.

reiniciando o ciclo holometabólico. A mosca adulta desprovida de aparelho bucal não se alimenta e sobrevive de 4 a 19 dias. O ciclo total do berne pode durar em média de 3 a 5 meses. O período pupal também sofre influência climática e temperatura de 25° C. em média 3 a 4 vezes. Normalmente.2. nota-se a formação de extensas áreas de bernes formando placas. tanto machos como fêmeas iniciam a cópula. entretanto. A larva penetra através do folículo piloso alcançando o tecido subcutâneo. apta a copular e capturar os vetores.3 Sintomas As larvas nos seus diferentes ínstares (1º. pode-se encontrar eventualmente duas ou três larvas se comunicando na mesma abertura. com média de 42 dias. de preferência em local umedecido e protegido onde inicia a sua fase de pupa.29 Após estar amadurecida cai no solo. É que essas moscas se aglomeram em torno de exsudato e assim as portadoras de ovos (foréticas). 3. com umidade relativa de 60 a 80%. alcançando constantemente o orifício . Normalmente cada orifício nodular corresponde ao desenvolvimento de uma larva. ocorrendo após a metamorfose. Quando a infestação advém de insetos veiculadores de hábito alimentar lambedor. Esse período pode variar de 30 a 43 dias. onde se aloja até completar os seus ínstares (L1.2º e 3º) possuem espinhos ao longo do corpo e ao se movimentarem de forma retrátil. L2 e L3). da qual se emerge a mosca adulta. a emergência dos adultos do pupário ocorre pela manhã e 3 a 6 horas pós emergência. deixam escapar larvas no local com mais abundância.

provocam dores e irritação.30 de abertura para respirarem. principalmente se for jovem.4 Diagnóstico PROVAS ESPECÍFICAS O diagnóstico etiológico depende. Processos inflamatórios com pústulas acontecem com freqüência. bastante prejudicial à visualização de estruturas importantes. Há. as larvas mais maduras a puparem imediatamente.2. como mecanismo de defesa. . Em casos raros pode acontecer a instalação de miíases associada a mosca Cochliomyia hominivorax. fundamentalmente da demonstração do parasito ao nível das lesões. além disso. como as placas estigmáticas posteriores. A mais importante é evitar a desidratação brusca dos espécimes coletados e isso ocorrerá toda vez que as larvas forem mergulhadas. vivas. em alguns casos oriundos de uma reação inflamatória do próprio organismo animal. algumas recomendações úteis quanto ao método de coleta e conservação das larvas. do que resulta apreciável alteração da cor do tegumento para um castanho-escuro que descaracteriza por completo o aspecto original. geralmente após estabelecida a larva ou quando ela morre dentro do nódulo. O impacto promove retração imediata da musculatura. em altas concentrações de álcool ou formol. em que o animal se torna irrequieto e estressado. há um emagrecimento. Em infestações altas. complicando o quadro de parasitismo com processos infecciosos 3. entretanto. Induz. fundamentais à preservação de caracteres de interesse taxonômico. perda da capacidade produtiva e eventualmente a morte. A etiologia específica é tarefa de competência do entomologista.

as larvas deverão ser mortas em água quente. Quando começarem a surgir as primeiras bolhinhas. por exemplo). num cadinho de porcelana sobre a chama de um bico de Bunsen. que possa ser levado ao fogo (uma lata pequena. já mortas. aquece-se pequena quantidade de água até o início da ebulição. 3. abelhas e marimbondos). entretanto. as larvas. uma complicação decorrente de infecção bacteriana da lesão prévia. O berne difere o furúnculo por apresentar menor reação inflamatória e deixar drenar discreta serosidade pelo orifício central. antes de mergulhadas no álcool ou formol. com picnose nuclear dos neutrófilos e aumento discreto dos monócitos. Assim. Somente então. PROVAS INESPECÍFICAS O leucograma pode mostrar leucocitose. principalmente quando localizadas ao nível da face ou do couro cabeludo. A histopatologia parece não poder oferecer maior contribuição ao diagnóstico. necessária para o esclarecimento da patologia básica.2. dado que as alterações encontradas são inespecíficas. ou. podem provocar edema semelhante ao dos traumatismos locais ou das ferradas de insetos himenópteros (vespas.5 Profilaxia Envolve medidas de proteção individual e coletiva: . quando levemente comprimido. inicialmente. lançandolhe dentro as larvas e voltando a aquecê-lo até reiniciada a ebulição. se no laboratório. Pode ser. A exsudação abundante e a dor local que ocorrem nas miíases destrutivas instaladas sobre feridas abertas podem simular.31 A fim de evitar que isso aconteça. deverão ser transferidas para o álcool -de preferência a 70% -ou o formol a 10%. As miíases furunculóides. num recipiente descartável qualquer. retira-se o recipiente do fogo.

esterqueiras e proximidades. para evitar a doença tanto em gados. (principalmente se por perto houver criação de galinhas ou porcos). As fezes no estábulo. pois a D. também depende do manejo das fezes em estábulos. medidas de controle da população de moscas: • Realizar campanhas de combate Dermatobia hominis. Essa técnica. Proteger adequadamente feridas e queimaduras. de duas maneiras: • Através de esterqueiras ou trincheiras . O controle profilático do berne.32 • Telar portas e janelas de hospitais ou dependências domésticas que abriguem pacientes portadores de lesões ou de ouras condições predisponentes à intalação do berne. as infestações por bernes diminuirão. hominis não terá muitos vetores disponíveis para capturar. mediante esterilização e soltura contínua e em larga escala de machos esterilizados. O esterco dos animais deve ser trabalhado. doença bastante comum na zona rural. também. quanto nos trabalhadores rurais. são as principais fontes para multiplicação das moscas veiculadoras dos ovos da Dermatobia hominis. Com a redução dos foréticos. de custo elevadíssimo. nas regiões infestadas. Envolve. • • Usar mosquiteiros e repelentes de moscas. ensejou campanhas vitoriosas de erradicação executadas nos Estados Unidos e no México.

Enquanto vivo. quase sempre. cuja extremidade livre está voltada para a abertura da lesão.6 Tratamento Nas miíases furunculóides (berne) são desaconselháveis manobras de expressão da lesão. com auxílio de agulha romba. a respiração da larva. quando esta vem à tona respirar. com vistas à expulsão da larva. por alguns minutos. Esse recurso foi muito bem sucedido. café. medidas intempestivas levam. 3. esparadrapo. primeiro. da extremidade posterior.3 Conclusão Miíase é a invasão de tecido humano e de outros mamíferos por ovos ou larvas de moscas da Ordem Díptera. propiciando supuração local e infecção grave. para depois removê-Ia. por asfixia. toucinho. ou outro recurso que impeça. O esparadrapo deve ser suficientemente largo e aderir perfeitamente à superfície cutânea. inclusive em casos de localização palpebral. à fragmentação do organismo parasitário. efetivamente. o parasito resistirá a essas manobras à custa dos ganchos orais que lhe permitem firme fixação aos tecidos.33 • Juntando as fezes misturadas com palhas e cobri-las com uma lona de plástico 3. contrapondo-se a movimentos de regressão. Ocorre principalmente nos trópicos. Assim. resinas pegajosas (como a de pessegueiro). números métodos têm sido utilizados com esse objetivo: vedação do orifício da lesão com tabaco. sem mais opor resistência. Outro mecanismo proposto para facilitar a retirada da larva consiste na injeção de 1 ml de éter no orifício da lesão.2. a morte da larva. vaselina. Com muita destreza e paciência. a asfixia da larva pode ser promovida pelo pinçamento. associada à higiene . Logo o parasito poderá ser retirado. bem como à custa dos espinhos dispostos em círculos paralelos ao longo de vários segmentos do corpo. o que é particularmente difícil nos casos de lesão ao nível do couro cabeludo. Recomenda-se promover.

os criadouros (animais são atrativos) e locais atrativos de moscas. bem como intervenções complexas. quais sejam os ambientes rurais. olhos. mas que para o qual é necessária a assistência médica para evitar possíveis complicações. Assim. . conduto auditivo e cérebro. Conclui-se. principalmente onde há exposição de alimentos ou feridas. indicadas nas fases finais da doença. que a miíase é uma doença de evolução dolorosa e de tratamento relativamente simples. Grandes infestações podem causar até morte do hospedeiro. portanto. Raramente as larvas se instalam nos olhos. A conscientização e cuidados higiênicos são fortes maneiras de se evitar a doença. É importante ressaltar que medidas preventivas citadas no texto são essenciais e devem ser difundidas nas áreas de maior prevalência da doença. área urogenital e reto. especialmente quando comprometem nariz. o diagnóstico precoce e a exploração com limpeza adequada (geralmente cirúrgica) podem evitar morbidez e danos teciduais extensos.34 precária. seios paranasais. nariz. pública e pessoal.

com metamorfose gradual e parasitos de mamíferos. Pediculus humanus . Pediculus capitis B) Pthiridae: com a espécie Pthirus púbis (figura a seguir). São todos eles hematófagos.35 4. ANOPLURA: PIOLHO Incluem-se nessa ordem os insetos vulgarmente conhecidos como piolhos. Existem cerca de 532 espécies distribuídas em 15 famílias. duas das quais parasitam humanos: A) Pediculidae: com as espécies Pediculus humanus (Pediculus humanus corporis) e Pediculus capitis (Pediculus humanus humanus).

3 mm. Uma vez que não voam e não saltam como as pulgas. e três pares de patas. enquanto os outros colocam mais de 100. em caso de grandes parasitemias os piolhos possam ser encontrados em outras partes do corpo que não as onde comumente vivem. Após um período de incubação de 6 a 9 dias. alimentam-se exclusivamente de sangue. o que justifica a dificuldade para se extrair os piolhos. os ovos eclodem e as ninfas sofrem mais duas sucessivas trocas de exoesqueleto até se tornarem adultos prontos para . muito embora. pois são hematófagos obrigatórios de mamíferos. pertencem à ordem Anoplura e. com adultos medindo em torno de 3 mm. Os ovos branco-amarelados de 0.2 Ciclo de vida dos piolhos Os piolhos que vivem na cabeça e os que vivem no corpo possuem diferenças na postura dos ovos. possuem o corpo dividido em cabeça. ou seja. São ápteros (sem asas) e possuem aparelho picador-sugador. principalmente nas dobras das roupas. conhecidos como lêndeas são colocados fortemente aderidos à base dos pêlos e às fibras das roupas. graças a uma substância acinzentada cimentante secretada por glândulas das fêmeas.36 4. nos pêlos pubianos).8 por 0. O local de postura é um dos motivos que alguns estudiosos os consideram espécies diferentes. Essas características explicam muito sobre seus hábitos e modo de transmissão. e é com ela que os piolhos agarram-se firmemente aos pêlos. eles só passam de um indivíduo ao outro por contato. como todos os insetos. tórax e abdome. Em suas fortes patas encontra-se uma espécie de pinça formada por uma garra no tarso que se opõe à tíbia.1 Morfologia dos piolhos Esses pequenos insetos. O hábito sugador causa a famigerada coceira e suas garras são os mantém firmes nos pêlos. 4. Os primeiros colocam em torno de 7 a 10 ovos por dia na base dos fios de cabelos (assim como os “chatos”.

o prurido e a irritação da pele. maturação e vida irá depender de fatores como temperatura e pH. são o primeiro problema e principal sintoma da infestação. e cada fêmea põe. porém quando a infestação é pelo piolho-chato. A partir disso. em média. . Todo esse período de eclosão.37 se reproduzir. em todos esses estágios os piolhos se alimentam de sangue várias vezes ao dia. 250 ovos durante sua vida. 4. Eles vivem em torno de 40 dias. É importante saber que. ftiríase. há a pediculose do couro cabeludo e a do corpo. surgem as consequências: irritação. Desse modo. Isso leva à formação de uma porta de entrada para microorganismos. levando cerca de 15 dias. aumentando ainda mais a coceira e podendo levar a complicações mais graves. a denominação passa a ser pitiríase. principalmente na nuca e atrás da orelha.3 Doenças transmitidas por piolhos A infestação por piolhos é denominada pediculose. A reação do hospedeiro à saliva secretada na hora de sugar o sangue resulta em uma dermatite e o prurido leva o indivíduo a coçar a região. pitirose ou fitirose. Em relação ao piolho do couro cabeludo (figura acima).

Uma dieta pobre. Apesar de serem mais comuns nos infantes. escovas. nem pulam e necessitam de contato íntimo para passarem de um indivíduo a outro. porém as ninfas e os adultos podem facilmente. como pentes. acredita-se que fômites. O que favorece a maior prevalência entre as crianças é. sexo ou classe social. As lêndeas (figura acima) pouco provavelmente poderiam passar do cabelo de uma pessoa a outra. venham a ser outra importante via de transmissão. causando diminuição do rendimento escolar e. e estudos apontam que os piolhos podem passar até 2 a 3 dias sem se alimentar. justamente. atingindo principalmente a população mais carente. o que pode gerar infecções. E. . O convívio em escolas e creches. Há relatos de postura de ovos e crescimento de larvas de mosquitos em feridas originadas deste processo ligadas. As crianças coçam constantemente a cabeça e. os piolhos não tem preferência por idade. aliada à constante hematofagia dos piolhos pode levar uma criança a um quadro anêmico.38 nervosismo e falta de concentração são comuns em crianças. mais raramente. embora não seja unânime entre os pesquisadores. bonés. ao o fazerem. abrindo uma porta de entrada para microorganismos. muitas vezes necessitando de um tratamento específico e mais demorado. mas felizmente são casos raros. fronhas. as brincadeiras e constante contato físico favorecem o deslocamento. problemas infecciosos ou anemia. o modo de transmissão: os piolhos não voam. inclusive ao desenvolvimento da anemia. arranham.

axilas. O “chato” pode ser encontrado nos pelos das coxas. porém. podendo. tem algumas características próprias. Ele é o vetor da febre recorrente (causada por Borrelia recurrentis) transmitida pelo esmagamento dos insetos entre os dedos ou dentes. inclusive. deixaram de se ser um grande problema com a melhoria dos hábitos de higiene e com a troca constante de roupas. pois seus ovos são postos nos fios das roupas. Como necessitam do calor do corpo para sua maturação e eclosão. O ciclo de vida e o os sintomas são muito semelhantes ao do piolho do couro cabeludo. a troca de roupas infestadas entre as pessoas pode ser um mecanismo de transmissão. Deve-se examinar a cabeça a fim de encontrar piolhos e lêndeas Quanto mais precoces o tratamento e o alerta às pessoas com quem a criança ou o adulto . A maior prevalência encontra-se nas populações marginalizadas. porém na região pubiana. da febre das trincheiras (por Bartonella quintana) transmitida pela picada e pelas fezes e do tifo epidêmico (por Rickettsia prowazekii) também transmitida pelo esmagamento. pois a higienização das roupas é bem menos frequente. e seu modo de transmissão se dá principalmente pelo contato sexual. TRATAMENTO A pediculose é um problema de saúde coletivo. incluindo a roupa de cama. por sua vez. Embora na grande maioria dos países não seja considerado um problema de saúde pública. que já foram responsáveis por muitas mortes. É importante ressaltar que a lavagem de cabelo evita uma série de problemas e faz parte dos bons hábitos de higiene. Uma forte maneira de se evitar a infestação por piolhos é a atenção a qualquer sinal de coceira. o piolho do corpo já foi responsável por muitas mortes no passado. sobrancelhas e barba. ser responsável por casos maciços de infestação na cabeça. não é ela que evita ou mata os piolhos. O “chato” habita os pêlos da região genital e perianal. Os piolhos do corpo.39 O piolho do corpo.

mas nem sempre isso é necessário. mas não eliminam as lêndeas. Muitos piolhos criaram resistência pela seleção natural a uma série destes produtos e de nada adiantará utilizá-los e. Há disponível no mercado uma série de piolhicidas. já os piolhos jovens e adultos podem se mover pela cabeça. mais fácil torna-se o controle da situação. A raspagem da cabeça é fatal para os piolhos. muitas vezes cortar bem curto (8 mm do couro cabeludo) já é suficiente. pois ajuda a retirar dos cabelos as ninfas e os adultos que devem ser jogados no vaso sanitário ou em um recipiente com álcool a fim de matá-los. Outra maneira é evitar o uso comum de pentes e bonés quando se suspeitar do problema e lavar com água quente e passar a ferro a roupa de cama. E como para todo e qualquer medicamento deve-se sempre consultar um médico. já que durante o ato de coçar formam-se lesões no couro cabeludo permitindo a maior absorção dessas substâncias.40 convive. há várias maneiras de eliminá-los. pois elimina o local de fixação. O ar quente dos secadores de cabelo por alguns minutos diariamente podem apresentar um bom efeito contra as lêndeas. Uma vez confirmado que se trata de pediculose. em sua grande maioria são substâncias tóxicas e seu mau uso pode levar a quadros de intoxicação. O pente bem fino é bastante útil. mas deve-se ter extrema cautela ao usá-los. pois estas estão fixas. É importante ressaltar que não se deve espremê-los entre os dedos. o uso do pente fino ainda é o mais eficiente. Os medicamentos comercializados podem ser eficazes contra as ninfas e adultos. fugindo do calor. Então. 4. inclusive facilita muito a ação do pente. além de possíveis reações alérgicas. um hábito muito comum. pois eles vivem junto à cabeça e não por toda extensão dos fios.4 Conclusão . Mas não é o tamanho do cabelo que vai determinar a “quantidade” de piolhos.

recomenda-se o pente fino. Cabe aos professores alertar os pais de todas as crianças que convivem na mesma área para que sejam tratadas concomitantemente a fim de evitar novas infestações do piolho. Inclusive. Para evitar que uma criança pegue piolhos é necessário que haja fiscalização e alerta nas escolas. portanto. que só é útil se for passado todos os dias especialmente onde a pessoa tem mais lêndeas. comum principalmente em crianças que frequentam ambientes escolares. Embora sejam parecidas com descamações comuns na seborréia. dependem da ação coletiva dos pais. As lêndeas são visíveis. . Às vezes. o tratamento pode ser feito com produtos inseticidas. que atingem crianças de todos os estratos sociais e não apenas as das comunidades carentes.41 A pediculose é uma infecção parasitária provocada pelos piolhos. que surtos de pediculose. porque é uma doença mais comum em crianças. aí. Conclui-se. especialmente se forem muitas. onde as condições de higiene deixam a desejar. O tratamento da pediculose requer sacrifício do doente e da mãe. esses remédios conseguem fazer com que as lêndeas fiquem petrificadas e. Se os cabelos não forem cortados totalmente. estão grudadas no pêlo e não saem se forem puxadas. Para o tratamento. O piolho deposita seus ovos na base do folículo piloso. Os dermatologistas têm obtido também bons resultados com o uso de medicamentos por via oral. quando surge um caso de pediculose do couro cabeludo. é só ir cortando o cabelo para retirar os ovos mortos que o problema estará resolvido. semelhantes aos usados para escabiose. os remédios para pediculose já trazem também um pente fino dentro de sua embalagem. das crianças e dos professores para serem controlados. Acontece que as lêndeas resistem à ação desses medicamentos. Medicamentos tópicos podem ser aplicados em toda a cabeça (piretenos ou piretróides e GPHC).

medem cerca de 1. Possuem pernas longas adaptadas para pular. ou sobre vários outros animais.42 5. Viver no domicílio humano. no porco. 5. Algumas pulgas podem pular mais de 100 vezes o tamanho do seu corpo( 3mm-30cm).1.5 a 4 mm. hematófagos. . 5. no gato. menos freqüentemente. de onde dispersou-se por todo mundo. holometábolos(metamorfose completa). Está muito bem adaptada às habitações humanas. mas pode ser encontrada no cão e. onde se alimenta de sangue de seus moradores. parecendo ser originária da Europa. não tem olhos compostos mais podem ter olhos simples. Em conseqüência.1 Morfologia das pulgas São insetos sem asa e achatados lateralmente. apenas três apresentam espécies de importância médica. nos ratos domésticos. Procurando-os somente para os repastos sanguíneos. onde chega a ser abundante. SIPHONAPTERA: PULGAS 5. Pulex irritans vive fora do corpo de seus hospedeiros. De um modo geral.Pulex irritans A “pulga do homem” é cosmopolita.2. pode ser encontrada sobre os mais diversos hospedeiros.presença de cerdas projetadas para trás e antenas curtas. e tem preferência pelo sangue do homem.2 Principais espécies Das 8 famílias de pulgas existentes no Brasil. São ectoparasitas.

enquanto Pulex apresenta aí uma única serda. o que não ocorre em X. em quase todo o Brasil. Sua distribuição geográfica abrange as regiões tropicais e algumas áreas temperadas. O caráter molesto desses insetos parece relacionado. em pessoas hipersensíveis. O controle requer o uso de inseticidas e a limpeza dos locais. quando possível. A importância da identificação de X. 5.2 Xenopsylla cheopis É a pulga mais encontrada nos ratos domésticos. gênero Xenopsylla. Na transmissão da peste comporta-se com um mau vetor. basta considerar que. a fazer-se. braziliensis.43 Apesar de molestar por sua picada. Outras pessoas nada mais sentem que a cócega provocada pelo deambular do inseto sobre a pele. como nos EUA. sua participação na transmissão de doença é praticamente nula. Porém. Nos países de clima temperado. nos pacientes mais sensíveis. por vezes. a reprodução das pulgas e sua agressividade contra as pessoas é maior no verão. Para distinguir X. com aspiradores de pó. em larga medida. As três espécies são desprovidas de ctenídeos. de prurido e dor. No gênero Xenopsylla. porém. Em regiões subtropicais. cheopis. parecendo que no inverno ataca mais freqüentemente os pequenos mamíferos. à noite. chepis resulta de ser ela o principal responsável pela transmissão da peste entre os ratos e entre os ratos e o homem. as cerdas da região occipital da cabeça dispõem-se em forma de “V”. causando insônia. a mesopleura mostra um espessamento interno vertical (a sutura mesopleural) que não existe em Pulex. pode suceder o contrário.2. No local da picada forma-se. . a segunda espécie tem a cerda antepigidial implantada em um tubérculo saliente. um halo eritematoso e com pequeno edema acompanhado. com um processo de sensibilidade dos pacientes à secreção salivar da pulga.

Os hospedeiros atacados mais frequentemente são: porco. No homem. É a menor espécie de pulga conhecida (lmm). próximos de chiqueiros. A longevidade alcança três meses ou mais. recebem a denominação "favo de mel".2. tendo posteriormente atingido a África. montes de esterco e no peridomicílio (jardins. pupas ou adultos são disseminados com o esterco oriundo de sítios e fazendas.44 e. braziliensis. próximas entre si e localizadas na borda do calcanhar. larva (três estágios). . demora cerca de um mês. Machos e fêmeas permanecem em locais secos. a diferença mais notável está na forma da espermateca: o corpo desta é muito menor que a cauda. Seu desenvolvimento. Tudo indica que essa espécie é originária da América. nas fêmeas. em X. calcanhar. prefere penetrar principalmente na sola plantar. no verão. tomando uma forma hipertrofiada. pupa e inseto adulto. larvas.3. hortas). a disseminação desta espécie é feita através de dois mecanismos principais: 1) Ovos. apenas a fêmea é que penetra nos tecidos alimentando-se de líquido tissular e sangue e se enchendo de ovos. Em geral. o esterco. cantos dos dedos (dos pés e mãos) e raramente no escroto. 5. cheopis. Quando as lesões cutâneas são numerosas. denominada meosoma. passa a ser um novo foco da mesma. ao chegar no domicílio e contendo as diversas formas da pulga. cão e gato.Tunga penetrans É o "bicho-de-pé". através das fases do ovo. também chamado de "bicho-de-porco" e "bicho-de-cachorro". e de tamanho equivalente e X. homem. Apesar de ambos os sexos serem hematófagos. segundo observações feitas em São Paulo e em diversos outros lugares. comprado com a finalidade de se adubar hortas e jardins. e de dois a dois meses e meio no inverno. ânus e pálpebras.

ao abrigo da luz. causam lesões cutâneas nos locais de parasitismo por Tunga penetrans (bicho-de-pé). As larvas eclodem de 216 dias dependendo do ambiente. pelas sucessivas hemato fagias. ninhos. com várias espécies continuando a exercer a hematofagia. A tungíase apresenta alta prevalência no . penetrans durante suas andanças podem disseminar ovos da pulga que. Consistem de 3 segmentos torácicos e abdominais. alguns animais de pequeno porte podem apresentar-se anêmicos. darão origem a formas adultas. Antígenos preparados de pulgas podem induzir hipossensibilidade ao hospedeiro. prurido de Hebra). de gangrenas gasosas (Clostridium perfrigens) e de esporos de fungos (Paracoccidioides brasiliensis).45 2) Cães vadios (ou mesmo gatos) parasitados por fêmeas grávidas de T. se caírem em ambiente propício. mesmo após repletas. Os ovos ficam na poeira e sujidade e raramente no hospedeiro.. ocasionando dermatite e reações alérgicas de intensidade variada ( ex.4 Doenças associadas 5. locais de descanso de 5. 5. quando injetados intradermicamente em concentrações graduais. provocam irritação da pele devido à picada.3 Ciclo de vida A fêmea bota cerca de 20 ovos por vez e 400-500 ovos ao longo de sua vida. com a possível veiculação mecânica do tétano (Clostridium tetani). São encontradas em fendas em pisos. Em altas infestações. Reações cruzadas entre antígenos de Ctenocephalides e Pulex ou entre os de Xenopsylla e Nosopsyllus (pulgas de roedores sinantrópicos mas que picam o homem) podem ocorrer. A larva dá origem a uma pupa(7-10dias) com casulo aderente que se reveste de resíduos do ambiente.4. animais.1 Atuando como parasitas São agentes espoliadores sanguíneos (machos e fêmeas).

em Minas Gerais. Hymenolepis nana e Hymenolepis diminuta. que se desenvolvem posteriormente no homem elou roedores.2 Atuando com transmissores ou vetores Como viroses (Mixoma mollitor.3. Esta espécie de bactéria é agente etiológico de uma nova riquetsiose que infecta humanos no México.4.4. . agente do tifo murino. Rickettsia felis foi diagnosticada em pulgas Ctenocephalides. entre os portadores. Rickettsia mooseri. Salmonella enteritidis e Salmonella typhimurium. com evolução no cão (ou acidental no homem). Recentemente usando-se técnicas moleculares. especialmente nos meses quentes e secos. a possibilidade da transmissão mecânica do calazar canino por meio de pulgas.Atuando como hospedeiros intermediários: • Protozoa: Trypanosoma lewisi. assim. verme filaria1 com posterior desenvolvimento em cães. A técnica da PCR tem também permitido reconhecer DNA de Leishmania chagasi em Ctenocephalides. retiradas de cães naturalmente infectadas. • Cestoda: Dypilidium caninum. 5. agente da peste bubônica. Em doenças bacterianas: Yersinia pestis. Francisella tularensis. ocasionando. com evolução em roedores sinantrópicos. EUA e Brasil.agentes de salmoneloses. 5. levantando. agente da mixomatose em coelhos). que atinge humanos também. necrose óssea e tendinosa e até perda de dedos dos pés. dificuldades de postura e locomoção. • Nematoda: Dipetalonema reconditum. agente da tularemia.46 Brasil.

. Deste modo. Esfomeada.Peste bubônica A peste bubônica também é conhecida como peste negra. Tal denominação surgiu graças a um dos momentos mais aterrorizantes da história da humanidade protagonizado pela doença: durante o século 14. Após o esforço da picada. o que causa problemas em sua alimentação. como a tetraciclina e a estreptomicina. A doença leva de dois a cinco dias para se estabelecer. a maneira mais eficaz de combate à doença continua a ser a prevenção com o extermínio dos ratos urbanos e de suas pulgas. um grande número de animais contaminados. Atualmente o quadro de letalidade é mínimo devido à administração de antibióticos. febre de 40oC e delírios. O quadro pode se tornar mais grave com o surgimento da diarréia e pode matar em 60% dos casos não tratados. a pulga busca novas fontes de alimento (como cães. caracterizados por inflamação dos gânglios linfáticos e uma leve tremedeira. Isso só acontece quando há uma epizootia.4. ou seja. dores nos membros e nas costas. intolerância à luz. pode ser transmitida por suas pulgas (Xenopsylla cheopis) para o homem. o excesso de bactérias pode entupir o tubo digestivo da pulga. sonolência. apatia. ela dizimou um quarto da população total da Europa (cerca de 25 milhões de pessoas). Segue-se então. ela relaxa seu tubo digestivo e libera as bactérias na corrente sangüínea de seus hospedeiros.47 5. como ratos e esquilos. Depois surgem seus primeiros sintomas. No entanto. A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis e apesar de ser comum entre roedores. Também existem vacinas específicas que podem assegurar a imunidade quando aplicadas repetidas vezes.4. vertigem. dor de cabeça. gatos e humanos).

de hábitos noturnos. e encontram-se difundidos por toda a Terra. e por isso classificados como parasitas permanentes. intervém também como transmissores de muitos outros agentes causadores de doenças. e concomitantemente à sua atividade hematófaga. Algumas espécies permanecem toda vida adulta sobre seus hospedeiros.48 6 ACARI: CARRAPATOS Os carrapatos são descritos em Zoologia na Ordem dos Acarina. relativamente à sua pouca espessura. outros abandonam-no após haverem sugado sangue e então são classificados como parasitas temporários. funcionando portanto como vetores de doenças. verdadeiro exoesqueleto. Algumas espécies podem ter até 25 mm de diâmetro. ectoparasitos sugadores de sangue de vertebrados. Os Argasidae têm um aspecto coriáceo. protozoários e riquétzias. A . tanto aos animais como ao homem. seus hospedeiros. são acarinos de porte relativamente grande. melhor dizendo. porém quando repletos de sangue de seus hospedeiros. bactérias. apresentam-se então convexos e até esféricos. Geralmente têm a forma oval. e quando em jejum são planos no sentido dorsoventral.1 Principais Espécies Os carrapatos verdadeiros estão compreendidos na subordem Ixodida. como vírus. A subordem Ixodida tem duas famílias de interesse médico e veterinário: Argasidae e Ixodidae. é firme e resistente. têm pelo menos dois estágios ninfais. Durante sua evolução. e sua carapaça quitinosa de revestimento. sugam várias vezes em sua longa vida. praticamente sem dimorfismo sexual. Tanto os machos quanto as fêmeas. pois vivem na cobertura pilosa dos mamíferos. ecto-parasitas temporários. 6. apenas parte de seus ciclos biológicos de vida. pois é o sangue seu alimento.

menores em tamanho. Os machos não sugam sangue ou sugam muito pouco. De três a cinco dias após cada repasto sanguíneo.é conhecida como “carrapato de galinheiro”. após a ovodepoisição. as fêmeas morrem.1. escondendo durante o dia na palha dos ninhos. Boophilus e Rhipcephalus. com 33 espécies. etc. sob casca de árvores. Além dos ovos. os Ixodidae têm três estágios durante seu ciclo biológico: larvas. Nas fêmeas. Haemaphysalis. Ixodes. A família Ixodidae está representada no Brasil por vários gêneros: Anocentor. cada um com uma espécie. 6.as fêmeas fazem uma postura de aproximadamente 100 ovos.49 sucção sanguínea dura aproximadamente 30 minutos. muito comum em nosso meio. . Essa família abriga dois gêneros de importância parasitológica: Argas e Ornithodorus. ninfas e adultos. Tem hábitos noturnos.1 Argas miniatus A espécie Argas miniatus. Suga sangue de galinhas e outras aves e não ataca o homem. com nove espécies. Cada um desses estágios suga sangue durante alguns dias. nas fendas das paredes de argila de galinheiros. com três espécies e Amblyomma. apresentam um escudo recobrindo toda a área dorsal. o escudo é limiado ao terço anterior do noto. antes de uma ecdise ou do início da postura de milhares de ovos. Os Ixodidae apresentam dimorfismo sexual acentuado: os machos.

50 É o transmissor para as aves, da Espiroquetose aviar. Transmite também à pombos, infecção paralítica (Salmonella typhimurium), que pode permanecer latente vários meses nesse parasita. Os ovos produzem larvas ao fim de uma semana de incubação (a 30ºC). As larvas hexápodes fixam durante 4 ou 5 dias sobre uma ave e, depois de bem alimentadas, caem ao solo para mudar, decorrido outros 4 ou 5 dias. A ninfa octópode alimentase durante meia hora, sobre outra ave, retornando ao solo. Os adultos copulam, permanecem sobre o hospedeiro apenas o tempo necessário para alimentarem-se e as fêmeas não tardam a desovar. O número de ovos não costuma ser grande. 6.1.2 Gênero Ornithodorus As espécies deste gênero têm o corpo espesso e sem limites nítidos entre a face dorsal e ventral. Sulcos profundos percorrem a superfície ventral e um ou dois pares de olhos podem estar presentes nas bordas da metade anterior do corpo. No Brasil, já foram encontradas as seguintes espécies deste gênero: O. rostratus, O. braziliensis, O. turicata e O. talaje. A espécie Ornithodoros rostratus é uma espécie silvestre que se adaptou ao habitát humano, sendo encontrado em muitas áreas do Brasil, principalmente em Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, onde é conhecido como “carrapato de chão”. Vive na terra dos ranchos e das casa primitivas usadas pelos tropeiros, chiqueiros e outros lugares ocupados por animais domésticos. Não está provado que transmita doença ao homem, no Brasil. Sua picada, no entanto, é muito dolorosa e pode levar a graves lesões locais. As espécies O. turicata e O. talaje vivem em forros e telhado de residências humanas onde os morcegos se abrigam. Atacam, além dos quirópteros, humanos e outros animais provocando edema, prurido e feridas de caráter rebelde.

51 6.1.3 Anocentor nitens É a única espécie do gênero Anocentor descrita no Brasil. Parasita o pavilhão da orelha e divertículo nasal de equinos, menos frequentemente parasita bovinos. 6.1.4 Rhipicephalus sanguineus É conhecido como “carrapato vermelho” do cão, que é seu principal hospedeiro. É muito comum no Brasil,principalmente nas áreas urbanas. Pode transmitir a Babesia canis e Ehrlichia canis provocando anemias severas e, às vezes, morte de cães. É uma espécie de três hospedeiros. Já foi encontrado parasitando o homem, tendo sido descritos vários casos de Ehrlichia canis neste hospedeiro. Sendo reservatório e vetor de erliquiose canina, o Rhipicephalus poderá provocar o aumento da incidência desta doença entre os humanos. Macerados de R. Sanguineus, retirados de cães naturalmente infectados por Leishmania chagasi, transmitiram o protozoário para hamster experimentalmente inoculados. Esse achado mostra a possibilidade desse carrapato ser transmissor mecânico do calazar entre cães, pois esse animal ingere carrapatos. As fêmeas, 4 a 5 dias depois de alimentadas,começam a ovipor. Em duas semanas, pôe 1.000 a 3.000 ovos, que eclodem em três semanas, a 25ºC. Decorridos mais 4 ou 5 dias, estão aptas a instalarem-se sobre seu primeiro hospedeiro. O ciclo vital completa-se em dois a três meses, porém nas regiões temperadas pode haver hibernação, seja na fase ninfal, seja na fase adulta. A longevidade dos adultos é de um ano, aproximadamente, prolongando-se nas regiões de clima frio. 6.1.5 Boophilus microplus Caracteriza-se pelo rostro curto, tendo os palpos mais curtos que as quelíceras. O capítulo tem base hexagonal. Os olhos estão presentes e os estigmas são circulares. Placas adanais em número de dois pares.

52 É o mais ectoparasito de bovinos na América do Sul. Pode ser também encontrado em outros hospedeiros domésticos e silvestres. Esta espécie causa enorme prejuízo a pecuária, através da espoliação sanguínea, inoculação de toxinas e transmissão doenças, entre elas a babesiose, que é uma hemoprotozoose que infringe sérias perdas aos rebanhos, podendo atingir também humanos. 6.1.6 Amblyomma cajennense Possivelmente esta é, entre as dezenas de espécies no Brasil, a mais comum e mais importante na transmissão de doenças para os humanos. Ataca os equídeos, porém tem pouca especificidade parasitária, principalmente nos estágios de larva e ninfa. Suas larvas são conhecidas por "carrapatinhos" ou "micuins" e atacam o homem vorazmente. Os adultos são conhecidos por "carrapato-estrela" ou "rodoleiro". Durante a estação seca, as larvas desta espécie são comuns nas pastagens. Acumulam-se aos milhares nas extremidades dos galhos de arbustos, dos campos e cerrados, e aderem imediatamente aos animais e aos indivíduos que passem roçando nas vegetação. Exigem três hospedeiros para completarem seu ciclo. No fim de cada estágio de desenvolvimento, o carrapato abandona o hospedeiro para realizar muda de cutícula. As fêmeas fazem posturas de 6 a 8 mil ovos. As picadas desta espécie provocam ferimentos, às vezes, de cura demorada. Pode reter o vírus da febre amarela e é, em nosso meio, a mais importante transmissora da febre maculosa (Rickettsia rickettsi). Essa riquétsia pode ser mantida em reservatórios silvestres e domésticos (cão), bem como no próprio carrapato, onde ocorre transmissão transovariana. Além disso,é o principal transmissor do tifo exantemático de São Paulo. O A. cajennense é também o provável vetor da doença de Lyme no Brasil. No Mato Grosso do Sul, foram encontradas formas espiraladas semelhantes a Borrelia burgdorferi em culturas desses carrapatos. Entre as borrélias, essa parece ser a única capaz de infectar aves e mamíferos, o que, certamente, pode facilitar a transmissão desse patógeno.

quando então ingurgita-se de sangue.1 Ciclo de um hospedeiro O ciclo de monoxeno ocorre quando. onde também se realizam as ecdises. ninfa octópoda e adulto. iniciam a oviposição. as fêmeas morrem. repletas de sangue. As "larvas" dos ovos sobem pelas gramíneas e arbustos ou paredes de abrigos e ai esperam a passagem dos hospedeiros. 6. após se destacarem dos hospedeiros. De acordo com o número de hospedeiros utilizados para completarem o ciclo. Durante o desenvolvimento. as baixas temperaturas prolongam os períodos dos estágios de desenvolvimento. os carrapatos são classificados em três grupos: Carrapatos de um só hospedeiro (monoxisno). durante alguns dias.2. O período de ovipostura dura vários dias.53 6. Carrapato de três hospedeiros (trioxeno). Carrapatos de dois hospedeiros: (dioxeno). especialmente dos períodos de incubação e de pré-oviposição. Os ovos são pequenos. a larva sofre muda da cutícula e se transforma no estágio seguinte. Este espera alguns dias para endurecer o tegumento. os ixodídeos passam pelos estágios de "larva hexápoda". Esta. os parasitas se alimentam no mesmo hospedeiro. Os machos permanecem mais tempo no hospedeiro. quando ocorre o endurecimento do tegumento. Após sugar sangue dos hospedeiros. esféricos e de coloração castanha. em todos os três estágios. Terminada a oviposição. Geralmente. O desenvolvimento do ovo até imago depende muito das condições de temperatura. As fêmeas. após um período de pré-postura. . após alguns dias. se desprendem do hospedeiro e no solo. procuram um abrigo próximo do solo. que é octópoda. que é a ninfa. onde põem milhares de ovos.2 Ciclo de Vida As fêmeas dos ixodídeos. ingurgita-se de sangue e muda novamente de cutícula. transformando-se em imago.

para cada estádio corresponde um hospedeiro e todas as mudas são realizadas fora dos hospedeiros. As ninfas engurgitadas caem no solo.e procura um segundo hospedeiro. Cerca de 600 a 650 espécies deste grupo apresentam este tipo de ciclo biológico. Após a primeira muda. Os machos permanecem no corpo do hospedeiro. por um período maior de tempo. após serem fecundadas. a segunda ecdise se realiza no solo e o ixodídeo adulto procura um segundo hospedeiro para se alimentar. realizam a segunda muda. onde também se realiza a primeira ecdise. A larva alimentada não cai no solo. as ninfas escapam da exuvia larval e movem-se a uma curta distância antes de fixar-se ao mesmo animal. agora para o estágio adulto.3 Ciclo de três hospedeiros Neste ciclo. 6. porém mostrando uma sazonalidade distinta dos estádios. completa duas a três gerações por ano em regiões onde a temperatura é mais amena (sul do país) e ao redor de cinco gerações em locais mais quentes (sudeste). É o tipo de ciclo que ocorre com mais frequência entre os ixodideos. Para completar o . se alimentam no mesmo hospedeiro. ficando presa no hospedeiro. Nos climas tropicais úmidos o ciclo se completa sem interrupção. ingurgitam e caem no solo. geralmente maior. onde acasalam-se com outras fêmeas. As fêmeas alimentadas caem no solo e ovipositam antes de morrer. nos estágios de larva e ninfa.2 Ciclo de dois hospedeiros Ocorre quando.54 As fêmeas. Este ciclo está presente em algumas espécies de Hyalomma e Rhipecephalus encontradas em estepes ou savanas onde ocorre uma longa estação seca e pouca chuva. O Boophilus microplus com seu ciclo biológico curto.2. para se alimentar. 6. onde depositam ovos.2.

2 Paralisia por Picada de Carrapato Além de uma hipersensibilidade à picada de carrapatos. da mesma espécie ou não. forte ação irritativa local e uma resposta inflamatória em torno dos pontos das picadas. temperatura elevada (40°C).são necessários três diferentes hospedeiros. 6.55 seu desenvolvimento. Os ciclos biológicos são longos podendo cariar de 1 a 3 anos. mas sim uma única vez em ruminante doméstico.3 Doenças Transmitidas por Carrapatos 6. pela ação de suas enzimas digestivas. 6. As manifestações aparecem rapidamente ou após períodos de incubação de alguns dias. tem sido descrito um quadro paralítico desencadeado. por constituintes da secreção salivar. ou o mesmo indivíduo três vezes. mas de distribuição mundial. determina.1 Dermatite por Picada de Carrapato A secreção salivar desses artrópodes.3. No Brasil. ao que parece. A paralisia por picada de carrapato é rara. inoculada nos tecidos do hospedeiro através da lesão traumática produzida pelas quelíceras e hipostômio. mas os adultos não estão isentos do risco. Ocorre em geral nas crianças. Hiperemia e edema locais podem acompanhar-se de hemorragias e de um espessamento da camada córnea. podendo terminar com a morte do paciente. que se desenvolve junto com um quadro tóxico generalizado. ainda não foi assinalada no homem. .3. se ele permanece nas proximidades da larva.ninfa ou adulto. perturbações de deglutição e da respiração. Trata-se de uma paralisia motora flácida ascendente.

Em outras regiões recebe nomes diferentes. aparece exantema característico e muito útil para o diagnóstico. enquanto no Velho Mundo são incriminadas espécies dos gêneros Ixodes e Ornithodoros. que pode chegar a 40°C nos dois primeiros dias. Variabilis. na África e na Índia. tifo da Índia. quando os carrapatos são removidos. A febre maculosa no Novo Mundo caracteriza-se por seu início súbito. com formação de . R. São máculas róseas. começando pelas extremidades (punhos e tornozelos). tifo africano. cefaléia intensa. nos dias que seguem o exantema torna-se macropapular e depois petequial. a planta dos pés e se estende centripetamente para quase todas as partes do corpo.3. febre maculosa das Montanhas Rochosas ou febre maculosa do Novo Mundo. com febre moderada a alta. dores musculares e prostração. febre exantemática do Mediterrâneo etc. como febre botonosa. a maioria dos casos são devidos a Dermacentor andersoni e D. de limites irregulares e mal definidos. Nas Américas. Autralis. 6. Por volta do terceiro ou quarto dias. As lesões hemorrágicas podem tornar-se coalescentes e formar grandes manchas equimóticas. Rickettsia rickettsii é o agente etiológico. R. no sul da Europa. proliferação e degeneração das células endoteliais. com 2 a6 mm de dinâmetro. Acompanha-se de mal-estar. Os pequenos vasos são os primeiros locais de ataque das rickéttsias. Conorii é responsável pela febre botonosa. e na Austrália. em geral. que logo invade a palma das mãos. e dura em geral duas a três semanas. sofrendo tumefação.56 Na América do Norte. A doença é conhecida também pelo nomes de tifo exantemático de São Paulo.3 Febre Maculosa As rickettsioses do grupo da febre maculosa apresentam características clínicas semelhantes e são causadas por rickéttsias estreitamente relacionadas. Os sintomas desaparecem.

nos EUA. Na ausência e tratamento específico. de 2 a 5 mm.3. As lesões vasculares conduzem a alterações nos tecidos vizinhos. O diagnóstico é feito com provas de fixação do complemento ou com imunofluorescência. e negra na parte central (“tache noire”). a letalidade é de cerca de 20%. Nos casos mais graves. na musculatura esquelética. . Os resultados tornam-se positivos a partir da segunda semana. com gangrena das extremidades. O tratamento consiste na administração de antibióticos de amplo espectro. A febre botonosa do Mediterrâneo. mas a morte é rara nos casos diagnosticados e tratados prontamente. com uma lesão ulcerativa. e pode ser transmitida por carrapatos. choque e insuficiência renal. sem esperar a confirmação laboratorial do diagnóstico. Ainda assim. podem surgir delírio. nos EUA e em várias outras regiões do mundo. África e Índia costuma ser mais benigna (letalidade inferior a 3%. têm-se registrado 4 a 6% de óbitos entre os casos notificados em anos recentes. devida à Coxiella burnetti.57 trombos e oclusão vascular. especialmente na pele. como o cloranfenicol ou as tetraciclinas. 6. feitas com antígenos específicos para o grupo da febre maculosa. no cérebro. Ainda não foi diagnosticada no Brasil. As fibras musculares lisas também podem ser envolvidas. que proporcionam excelentes resultados. A falência circulatória pode levar a anóxia e necrose dos tecidos. nos pulmões e rins. no ponto da picada do carrapato. mesmo sem tratamento) e se inicia.4 Febre Q É outra rickettsiose.

Várias espécies de Ornithodoros veiculam a Borrelia duttoni. em estado livre.58 O C.3. Nos carrapatos a Coxiella burnetti propaga-se por via transovariana. ovino e caprino. a uma pneumonite com infiltrado de células mononucleares. A infecção confere imunidade. às condições do meio ambiente. Diversas raças de B. Epidemias explosivas tiveram lugar entre pessoas que trabalhavam em currais e na indústrias de processamento de carnes e derivados. podendo ser transmitida tanto por piolhos (forma epidêmica) como carrapato (forma endêmica). Recurrentis já foram descritas. que produz uma variedade de febre recorrente encontrada na África. brunetti é um microrganismo particularmente resistente. que dura de uma a quatro semanas. segundo as regiões ou seus transmissores. Também afeta laboratoristas que se ocupam de isolamento do agente e do diagnóstico da doença. bem como alguns animais silvestres (marsupiais). A presença desse agente patogênico no organismo humano conduz à hipertrofia macrófago-linfóide do baço e do fígado e. Nos casos de recaídas têm sido isoladas variedades antigênicas distintas das do ataque anterior. Há febre alta. a Borrelia recurrentis. macacos e outros mamíferos frequentados pelos Ornithodoros. sem que apresentassem diferenças biológicas intrínsecas. mas sem exantema. podendo disseminar-se pela poeira dos lugares contaminados. . 6. nos casos mais graves. sendo que em geral eles tê infecções assintomáticas. Trata-se de uma enzootia própria de roedores silvestres.5 Febre Recorrente Esta doença é causada por um espiroquetídeo. respondendo a doença muito bem aos antibióticos (tetraciclinas). Nos indivíduos com lesões valvulares ou próteses assume um curso crônico. O período de incubação é de duas a três semanas e a letalidade baixa. Os reservatórios da infecção compreendem o gado bovino.

facilmente se desprenderão dos locais em que estejam alojados Se for de grande quantidade. 6.4 Remoção de Carrapatos O diagnóstico da infestação por esse parasita é muito fácil. óleos ou glicerina provocará oclusão dos estigmas respiratórios dos carrapatos. foi abandonado como meio de tratamento.denominados banheiras carrapaticidas. substância sintéticas cloradas e fosforadas foram também utilizadas como carrapaticidas. razão pela qual permanecem infectantes em qualquer fase evolutiva. ou então a aspersão ou pulverização de substâncias especiais. e a profilaxia. efetuado pela simples visualização com vista desarmada desse hóspede. A infecção dos mamíferos faz-se pela picada.cuja presença também provoca coceira. que também foram . como nas outras doenças transmitidas por carrapatos. porém devido os acidentes que ocorreram por incúria na sua aplicação. era utilizado como carrapaticida. ou pela contaminação da lesão com a secreção das glândulas coxais. Se a infestação for pequena. A patologia e a sintomatologia são as da febre recorrente epidêmica (transmitida por piolhos). depois de infectados apresentam espiroquetídeos em todas as partes do corpo e os passam aos descendentes. a aplicação de graxas neutras. O arsênico. que após algumas horas. também o DDT e o BHC.59 Os carrapatos. por via transovariana. somente a aplicação de banhos sob a forma de imersão em banheiras especiais. denominadas carrapaticidas. sendo esporádicos os casos de febre recorrente devidos à Borrelia duttoni. O homem é raramente afetado. até pouco tempo atrás. poderá efeuar a eliminação desses hóspedes nocivos. Algum tempo depois.

. juntamente com sua saliva. entre as madeiras em climas úmidos ou secos. no chão. sendo por isso considerados hematófogos. Deve ser salientado que os ixodídeos superam todos os outros artrópodes em número e variedade de doenças que transmitem aos animais domésticos e são. riquétsias. aspersões. espiroquetas. Têm grande resistência ao jejum e podem transmitir vários patógenos (protozoários. Além da espoliação sanguínea. têm sido incorporados ao manejo dos animais. 6. bactérias. vários programas. ectoparasitos sugadores de sangue de vertebrados. visando diminuir os efeitos adversos dos carrapatos. Encontram-se difundidos por toda a Terra. Vivem em touceiras. funcionando simultaneamente como vetores e reservatórios. capim. Existem espécies microscópicas até 25 mm de diâmetro. as vezes fatais aos hospedeiros.. vírus e filárias). polvilhamento etc.5 Conclusão Os ixodideos. depois dos mosquitos. é ainda o mais amplo e disponível método no combate aos ixodídeos. Ruelene e Neguvon são as mais utilizadas como carrapaticidas em todo o mundo. em todo o mundo. Alguns destes patógenos podem ser transmitidos transovarianamente a sua progênie. tanto no campo como na cidade. Trolene. incluindo o homem Devido a sua importância na produção animal. pois o principal motivo de sua ação é o ser humano ou animal de cujo sangue se alimenta. são acarinos de porte relativamente grande. O uso de carrapaticidas sobre o corpo dos animais. algumas espécies de carrapatos injetam. através de banhos.e pelo efeito cumulativo no organismo dessas substâncias. os mais importantes vetores de doenças humanas. toxinas debilitantes e paralisantes (tick paralisis). substâncias fosforadas sintéticas como o Assuntol.60 abandonadas pela ocorrência de intoxicações e mesmo morte em animais tratados. Hoje. mais comumente conhecidos como carrapatos.

Diferentes tipos de sarna. exsudação e formação de crostas. brevis vivem na pele da face de seres humanos. respectivamente. devido à ação dos ácaros nos folículos. especialmente ao redor da boca ou próximo dos olhos. comumente ocorre a queda de pelos na região afetada. Demodex caprae. Estes não penetram na pele. Também interferem na gravidade deste processo a sensibilidade característica de cada pessoa e o número de ácaros. Demodex equi. entretanto. 7. Em certos casos. e geralmente passam despercebidos. Demodex folliculorum e D. caracterizada por inflamação. de acordo com a espécie de ácaro. Demodex ovis. por exemplo. Próximo à boca. A sarna psoróptica é causada por ácaros do gênero Psoroptes. em caprinos. bovinos.1 Patogenia A sarna demodécica é causada por ácaros do gênero Demodex. formam áreas avermelhadas e um tanto salientes. Outras espécies de Demodex atacam outros animais. ordem Astigmata. não causando qualquer incômodo.61 7 ACARI: SARNA Sarnas são alterações da pele de animais. “sarna psoróptica” e “sarna sarcóptica”. Os três principais tipos de sarnas são designados “sarna demodécica”. o primeiro dentro dos folículos pilosos e os últimos dentro das glândulas sebáceas que se conectam diretamente aos folículos. Nestes casos. A densidade destes ácaros geralmente aumenta com a idade das pessoas. podem ocorrer. assim como a formação de nódulos ou de pústulas na pele dos animais. e então podem causar distúrbios. podem atingir níveis elevados. ordem Prostigmata. Próximo aos olhos. ovinos e eqüinos. podem causar irritação nas pálpebras e queda de cílios. devido à ação de diferentes espécies de ácaros. A ocorrência destes ácaros nas pessoas é muito comum. conhecidas como “rosáceas”. Demodex bovis. . Ficam na superfície e causam a queda de pelos. que apresentam maior ou menor gravidade.

que são pruriginosas. Exame histopatológico: utilizado para fechar o diagnóstico em cães da raça Shar pei. no geral os sintomas só aparecem cerca de um mês depois. são comuns surtos que se espalham por alunos nas escolas ou entre pacientes em hospitais. Em casos de pododermatite também. Otoscopia revela: eritema e secreção ceruminosa abundante seguido de parasitológico de cerúmen. que então causam infecção do local. ordem Astigmata. ferindo ainda mais o tecido e facilitando a incidência de patógenos. por isso. que apresentam muita mucina. Não é necessário que a população do ácaro seja alta para que sintomas expressivos sejam observados. A sarna sarcóptica é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. acompanhada de prurido. que afetam ovinos. o homem ou outro hospedeiro se coça. por estar a pessoa já “sensibilizada”. Pode afetar o ser humano e vários outros animais. No combate a este tipo de ácaro.2 Diagnóstico Raspado de pele em áreas alopécicas corado com potassa revela o ácaro Demodex canis. 7. eqüinos e coelhos. O contágio se dá principalmente pelo contato entre pessoas e. Psoroptes equi e Psoroptes cuniculi. Este ácaro faz túneis logo abaixo da superfície da pele. O sintoma mais característico é a vermelhidão da área infectada. Este é o exame de eleição para shar pei. Nas infestações subseqüentes. Na primeira ocasião em que uma pessoa é infestada. há evidências de que os ácaros desta espécie apresentem certa especificidade em relação ao hospedeiro.62 Algumas das principais espécies são Psoroptes ovis. o que dificulta a visualização do ácaro. É freqüentemente difícil constatar-se a presença do ácaro na área afetada. mas também os patógenos. Devido ao prurido. devido à hiperqueratose. aparecem poucas horas mais tarde. respectivamente. . há que se considerar que não apenas estes organismos devam ser combatidos. Entretanto. Diagnóstico Diferencial: Dermatofitose e Piodermites.

assim como na demodécica. O diagnóstico é igual ao da demodécica porém em casos de suspeita de escabiose em animais. Dar banhos por 3 dias consecutivos e mais 4 banhos semanais com shampoos acaricidas (tetraetiltiruram por exemplo) e aplicar Ivermectina por exemplo.3 Tratamento Banhos semanais com peróxido de benzoíla 2. As lesões incluem: eritema.63 7. Em caso de piodermite tratar antes de inciar o amitraz ou Ivermectina (Ivomec) – 0. Todos os contactantes . a coceira é intensa. Contra indicado para: Collie.4 Conclusão A sarna é um afecção dermatológica e algumas delas são zoonoses (ou seja.lavar fômites.5%. mesmo que assintomáticos devem ser tratados. 0. é uma zoonose além de poder ser transmitida entre os humanos infectados. Pastor de Shetland. Há alopecia. É altamente pruriginosa . Como prevenção: descartar jornais diariamente. Alta do paciente – só após 3 raspados negativos consecutivos. Outras drogas podem ser utilizadas. ou escabiose. crostas hemorrágicas e escoriações. panos etc. Old english sheepdog. se positivo confirma-se escabiose (atritar a orelha do animal levemente e o mesmo irá mexer a pata traseira na tentativa de coçar a orelha). Amitraz (Triatox) – diluir 4 mL em 1 L de água. Cuidado com efeitos hipoglicemiantes e outros adversos. A sarna sacóptica.5 mg/Kg SID. animais e seres humanos. 7.A primeira reavaliação é feita em 8 semanas. realiza-se o teste do reflexo otopedal. Border Collie. ou seja .6 mg/Kg SID 3 meses. podem ser transmitidas dos animais de estimação como cão e gato para os seres . Ou ainda Milbemicina (Interceptor) – alternativa para as raças que não podem usar a Ivermectina.

existe ainda a sarna terceróide (causada pelo platelminto Tricoloris arrudai) que ocorre apenas em uma região específica do nordeste brasileiro. Em menor escala. no mundo veterinário. As mais conhecidas. . são a sarna demodécica ("sarna negra". ou também conhecida como "escabiose" (causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei). causada pelo ácaro Demodex canis) e a sarna sarcóptica .64 humanos).

pdf www./Siphonaptera.2006.saude.esalq.icb..pdf http://en.2ª Edição.wikipedia.coccidia..org. Rey.br/disciplinas/BMP222/.11ª edição.rs.usp.pdf http://pt. David Pereira Bases da Parasitologia Médica.br/lccbferr/ArtropodaTeo2. Luiz http://www.org/wiki/Sarna .abes-dn. Neves.usp.pdf docentes.org/wiki/Arthropod http://www.br/publicacoes/engenharia/resaonline/v13n04/_NotaTecnica095_07.65 8 REFERÊNCIAS Parasitologia Humana .gov.wikipedia.br/dados/1161605504304Moscas%20Sinantropicas%20%20set%5B2%5D.

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