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A Coesão por Conectores no Português Medieval

A Coesão por Conectores no Português Medieval

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Publicado porMarcos Nakayama
O objetivo desta pesquisa é investigar os mecanismos coesivos por conectores no português medieval. Partiu-se do pressuposto de que essa fase da língua contava com elementos coesivos diferentes do que se encontra na moderna, mesmo tais elementos pertencendo a um grupo de palavras pouco propenso a evoluções. No latim vulgar, descartou-se quase a totalidade das variadas conjunções, e, desse modo, a fase inicial do português é cenário de um intenso processo de formação de novos termos de conexão, o qual resultou em um novo quadro de conectores a partir de advérbios, preposições e outros vocábulos ou sintagmas. O estudo de como ocorria a coesão em uma fase anterior do português poderá servir de sustentação para as teorias modernas, pois, como se sabe, a base histórica contribui para a compreensão de fenômenos atuais. Além disso, esta análise poderá apoiar a hermenêutica dos escritos primitivos, cuja construção de sentidos muitas vezes se encontra prejudicada pela distância temporal entre texto e leitor. Muitos autores sustentam a importância de conhecer os mecanismos de coesão para facilitar a interpretação textual e a construção da coerência pelos usuários. O princípio de que a coesão deve privilegiar os mecanismos de construção do texto, e não apenas categorias gramaticais, diferencia a coesão textual da gramática do período composto. Fundamenta-se, assim, a escolha da coesão como prisma da análise. Inicialmente, organizou-se uma base teórica sobre a coesão por conectores, focando as propostas que mais contribuem a esta pesquisa. Em seguida, fez-se um estudo histórico da formação tanto da língua portuguesa quanto da maioria dos seus conectores, que no latim vulgar eram bastante escassos. Finalmente, a partir dos textos medievais, analisou-se como ocorrem as relações semânticas e discursivas entre as partes de textos medievais. Além de focar os mecanismos coesivos, foram observados os conectores em uso na época antiga e a relação deles com os gêneros textuais.

Palavras-chave: Coesão; Português Medieval; Conectores.
O objetivo desta pesquisa é investigar os mecanismos coesivos por conectores no português medieval. Partiu-se do pressuposto de que essa fase da língua contava com elementos coesivos diferentes do que se encontra na moderna, mesmo tais elementos pertencendo a um grupo de palavras pouco propenso a evoluções. No latim vulgar, descartou-se quase a totalidade das variadas conjunções, e, desse modo, a fase inicial do português é cenário de um intenso processo de formação de novos termos de conexão, o qual resultou em um novo quadro de conectores a partir de advérbios, preposições e outros vocábulos ou sintagmas. O estudo de como ocorria a coesão em uma fase anterior do português poderá servir de sustentação para as teorias modernas, pois, como se sabe, a base histórica contribui para a compreensão de fenômenos atuais. Além disso, esta análise poderá apoiar a hermenêutica dos escritos primitivos, cuja construção de sentidos muitas vezes se encontra prejudicada pela distância temporal entre texto e leitor. Muitos autores sustentam a importância de conhecer os mecanismos de coesão para facilitar a interpretação textual e a construção da coerência pelos usuários. O princípio de que a coesão deve privilegiar os mecanismos de construção do texto, e não apenas categorias gramaticais, diferencia a coesão textual da gramática do período composto. Fundamenta-se, assim, a escolha da coesão como prisma da análise. Inicialmente, organizou-se uma base teórica sobre a coesão por conectores, focando as propostas que mais contribuem a esta pesquisa. Em seguida, fez-se um estudo histórico da formação tanto da língua portuguesa quanto da maioria dos seus conectores, que no latim vulgar eram bastante escassos. Finalmente, a partir dos textos medievais, analisou-se como ocorrem as relações semânticas e discursivas entre as partes de textos medievais. Além de focar os mecanismos coesivos, foram observados os conectores em uso na época antiga e a relação deles com os gêneros textuais.

Palavras-chave: Coesão; Português Medieval; Conectores.

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Published by: Marcos Nakayama on Dec 08, 2011
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08/17/2013

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Halliday e Hasan (1983) consideram a conexão6

mais significativa e mais

complexa que as outras categorias. Os conectores são coesivos indiretamente, de

acordo com a relação que estabelecem entre as partes. Por isso, o mesmo conector

6

Como se viu, os autores utilizam o termo conjunção (Conjunction). Optamos pela padronização do

termo conexão.

42

pode estabelecer várias relações de sentido7

, assim como uma espécie de ligação

pode ser feita de várias formas diferentes. Trata-se das relações de equivalências,

como exemplifica Fávero (1991, p. 14):

(1) Um trovão seguiu-se à ventania.
(2) Depois da ventania, houve um trovão.
(3) Depois de ventar muito, trovejou.

Para Koch (2004), a conexão é um tipo de encadeamento realizado por

palavras responsáveis pela articulação do texto, que estabelecem relações

semânticas e pragmáticas. Servem a essa função as conjunções, os advérbios

sentenciais (ou de texto), algumas preposições e outras palavras ou expressões.

Podem estabelecer relações lógico-semânticas ou discursivas.

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