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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

2ª Quinzena de Outubro de 2008 Ano XXIX - No. 1050 Modesto, California

portuguesetribune@sbcglobal.net

$1.50 / $40.00 Anual

Uma vez mais a América vai ter um novo Presidente em Janeiro de 2009. O futuro deste grande País está no nosso voto. Votar é mesmo importante. A nossa escolha ditará o futuro de muitas coisas, quer na América quer no Mundo (exemplo - o fim da Guerra do Iraque). Obama tem 47 anos e McCain 72 - duas visões da América muito diferentes. Qual deles será o melhor para todos nós? Na California temos três congressistas de descendência portuguesa a concorrer. Dennis Cardoza (à esquerda) não tem oponente no lado republicano, por isso tem a eleição ganha. Devin Nunes (centro) e Jim Costa, por aquilo que produziram durante os últimos anos em Washington devem ter as eleições controladas a seu favor. Cabe aos eleitores manter sempre uma vigilância atenta àquilo que os nossos Representantes fazem no Congresso, porque de dois em dois anos podemos “castigá-los”, escolhendo outros que façam melhor. É o poder do voto a trabalhar...

FRATERNAL

RECONHECIMENTO

NEGOCIOS

Larry Soares novo CEO da LALIS
Larry Soares, até agora VicePresidente/Secretário da LusoAmerican Life Insurance Society, foi escolhido como o novo Vice-Presidente Executivo e Chefe Executivo (CEO), da organização sediada em Dublin, California. Larry Soares, de 58 anos de idade, começou a trabalhar na Sociedade como “Regional Field Manager” em 1992, e também foi “Director of Sales and Marketing” antes de se tornar “Vice-President/Secretary” em 1999. Pág. 13

FamíliaVieira tem nome num Parque de San José
A Câmara Municipal de San José homenageou a família Vieira, de San José, dando o seu nome à nova Plaza em Tuscany Hills. Os terrenos onde estão implantadas os novos complexos de residências eram pertença desde 1896 da família Azevedo, avós de Dolores Vieira casada com o industrial Batista Vieira. Os terrenos foram vendidos por Dolores e Batista Vieira a KB Homes. Pág. 15

Dutra Enterprises inaugura complexo
No dia 4 de Outubro realizou-se a inaugração do novo edifício da Dutra Enterprises na cidade de Fremont. O projecto denomina-se Plaza Los Olivos. É o último empreendimento de John Dutra, ex-legislador Luso-Americano da Assembleia do Estado da Califórnia e fundador da Dutra Enterprises Inc. Também foi celebrada a grande abertura do novo espaço da Prudential California Realty. Esta companhia de imóveis, com mais de cem agentes é dirigida por Hilda Furtado e ocupa uma grande parte do primeiro piso. Pág. 31

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SEGUNDA PÁGINA
De recorte a beira Mar Parecem mesmo primores Sobre a água a flutuar Nessa ilha dos Açores São Jorge ilha altaneira Verde Azul tão florida Entre todas a primeira Com Vaquinhas tão garrida No jardim há lindas Flores Há papoilhas nos Trigais E os melhores Celeiros É na Freguesia dos Rosais Uma Princesa é as Velas Uma Vila de encantar Com as suas Casas belas Ali à beira do Mar Tem Coroa de Princesa É misteriosa a Colina É distinta a sua beleza A Freguesia da Urzelina Os costumes de tradição Matança do Porco e bailados E os Bolos do Espírito Santo E os Tremoços apoitados Bem pitoresca e Veleira Inocente e cristalina Com distinção de primeira A Vila de Santa Catarina Suas Fajãs tem rara beleza São de grande distinção E desconhecidas de certeza No arquipélago e na Nação São Jorge de encanto ao Este É central nos Acores Num relevo e bem agreste Distinguida de mil cores É bem distinta e singela Como outra náo há igual Parece mesmo uma tela Pintura de Portugal Esta ilha Verde Esperança Foi a ilha onde eu nasci Que conheço desde Criança Como ela outra não vi Cheia de hortênsias azul Entre o verde penetrante Desde o Norte até ao Sul É um colorido deslumbrante E as aguas dos Ribeirinhos São puras e cor de Prata Que fazem rodar os Moinhos E as pedrinhas de Cascata É asim a Virgindade Desta ilha no Atlântico Que a Santísima Trindade Baptizou com amor Santo Em produtos afamada Uma ilha de Riqueza Se fosse bem cultivada Com distinta realeza

Tribuna Portuguesa
Eu sou filha da pobreza Embora conheca o Rico Sou cem por cento Portuguesa De São Jorge Terceira e Pico Minha Mãe era do Pico Em São Jorge eu nasci Meu Pai era da Terceira De três ilhas descendi Estas quadras eu dedico A todo o Jorgense nobre Como símbolo de recordação Seja ele rico ou pobre E para todo o emigrante Que deixou a Pátria a Bandeira E que longe muito distante A recorda a vida inteira Os Açores é minha Mãe Meu bercinho de embalar Que tanta beleza tem Só quem o vai visitar Um tesouro sem ter fim Ai que lindas maravilhas É um castelo de marfim Construido de nove ilhas Um ramalhete de Flores Como outro não há igual E São Jorge nos Açores Meu berço em Portugal Filomena F. Wilson, Fremont Nota: A nossa amiga Filomena Wilson tem 82 anos, visitou São Jorge este ano e tem um irmão com 91 anos naquela sua/nossa ilha.

EDITORIAL

uito embora sejamos contrários ao processo anti-democrático como é eleito o nosso Presidente, é importante mesmo assim, que votemos, porque, por um se ganha, por um se perde um Estado. O Colégio Eleitoral foi inventado com o propósito de evitar que os maiores Estados impusessem as suas vontades, aos mais pequenos. Outros tempos. Hoje não faz sentido nenhum. O voto universal é o único sistema democrático que deve existir. Não podemos andar por todo o lado, a pregar democracia, se a eleição do homem mais importante do mundo não é democrática a 100 %. Não nos esqueçamos que Al Gore ganhou as eleições em 2000, por mais de 543 mil votos e perdeu o Colégio Eleitoral por 5 votos. Não faz sentido se a vontade do povo não é respeitada. Esta é razão porque muita pouca gente vota na América. Aqui estão alguns exemplos: 1996 2000 2004 Clinton 47,402,357 votos 49.24% Dole 39,198,755 votos 40.71% Gore Bush 50,999,897 votos 48.4% 50,456,002 votos 47.9%

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Votar é importante, mesmo se…

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Kerry 59,028,444 votos 48.3% Bush 62,040,619 votos 50.7%

ambém nos Açores as eleições estão a aquecer. O problema é que a oposição ao actual governo de Carlos César, é excessivamente fraca e fragmentada, e quase com tendência a desaparecer, o que é muito mau para a democracia. Numa democracia moderna, a oposição deve ter quase a mesma importância que o governo. A Assembleia Regional não pode ser uma correia de transmissão de qualquer governo, com os “YESman” sempre a concordarem com tudo, sem vozes activas, medrosos, hipócritas, vendidos. A Assembleia é o controlador da acção governativa. Não é, nem nunca deve ser escrava, de outras vontades. jose avila

Carla Rebelo em Dezembro próximo vai correr a Maratona a favor da “Leukemia and Lymphoma Society”. Embora muita gente, felizmente, tenha sobrevivido a esta terrível doença, ainda há muitos que não sobrevivem e sofrem terrívelmente. Carla é forte, saudável e vai correr 26.2 milhas porque sabe que há muitos que nem se podem levantar das suas camas. Muitos estão aflitos para poderem pagar as suas dividas hospitalares, médicos e medicamentos. Por tudo isto, a Carla decidiu correr, para poder angariar fundos para esta sociedade, não sómente porque

eles fazem investigações para a cura, como também ajudam aos que não podem suportar as despesas. Carla precisa angariar pelo menos $3900 até 1 de Novembro e isto não é tarefa fácil por isso ela apela à vossa generosidade. 75% vai directamente para a ajuda aos doentes e para as investigações os outros 25% vão para outras funções. Se puder dar um donativo pode mandar em nome da Leukemia and Lymphoma Society, 4951 Cherry Ave. Apt. 210, San Jose, CA 95118. Carla é filha de Laura e Tito Rebelo, residentes em Ceres.

Year XXIX, Number 1050 Oct 15th, 2008

Tribuna Portuguesa

COLABORAÇÃO

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Tribuna da Saudade

ordem religiosa com a invocação da Santíssima Trindade foi fundada, em França, por S. João da Mata e S. Felix de Valois, e aprovada pelo papa Inocêncio III em 1198, de onde derivaram os Trinitários, que se dedicaram ao resgate dos cristãos caídos sob o poder dos muçulmanos. Conta-se que João da Mata, não tendo dinheiro, Nossa Senhora apareceu-lhe com uma bolsa cheia, prestando assim “remédio” a uma grave situação. A partir daí, começaram a dar à Virgem o nome de Nossa Senhora dos Remédios. Talvez por isso as suas imagens representam-na com a mão direita estendida, como quem oferece alguma coisa, enquanto a esquerda segura o Menino Jesus, fonte do poder contra todos os males. Em Portugal, conta-se que a gente do mar que vivia em Alfama e embarcava na Ribeira Velha, tinha uma corporação

A

(irmandade) à qual pertencia uma enfermaria funcionando na igreja de S. Miguel. Quando um capitão do mar ofereceu umas casas à irmandade, ficou resolvido construir uma capela própria, p’ra cujas obras serviam-se das águas dum poço, que tinha uma roldana numa armação por onde deslizava a corda do balde. Um dia, com a água, veio dentro do balde uma linda imagem de Nossa Senhora, de pouco mais de 20 centímetros. Imediatamente, os vendedores e vendedeiras de peixe entraram a c h a ma r - lh e S e n ho r a d o s Remédios, a quem dedicaram a capela da irmandade. (Padre José do Vale Carvalheira, Nossa Senhora na História & Devoção do Povo Português, 1988). Nos Açores, curiosamente, a Senhora dos Remédios surgiu logo no início do povoamento. Como devidamente informou Gaspar Frutuoso, na ilha de S. Miguel “acima da vila da Lagoa,

um quarto de légua, está a célebre ermida de Nossa Senhora dos Remédios, ao pé do monte que chamam Vulcão, de muita romagem de toda a ilha, que se vê na terra de muitas partes e do mar também, a quem pedem na ilha, e de quem também recebem algumas vezes os mareantes seu remédio”. (Saudades, Livro IV, pg. 165, Ed. 1998). Frutuoso escreveu (páginas 11 e 13) que a construção dessa er-

mida deveu-se a Pero Velho, que teria vindo p’ràs ilhas na companhia do seu tio Gonçalo Velho, tendo casado em S. Miguel, onde fez a ermida e jaz sepultado nela, e viveu ali perto onde tinha as suas terras. Em 2005, acompanhado pelo dr. José Guerreiro, tive a oportunidade de visitar esta encantadora ermida assente num alto panorâmico. Não disponho da data da respectiva fundação, mas certamente ocorreu antes de 1511, ano em que Pero Velho assinou o seu testamento. Igualmente não disponho da data do nascimento de Pero Velho, mas aparentemente faleceu em 1517. Falta de espaço proíbe-me discorrer detalhadamente àcerca da ermida e seu fundador. No entanto, p’rós leitores deveras interessados, recomendo a leitura do livro “Pedras que Falam”, publicado em 1988, da autoria de Manuel Ferreira, e Monografia Histórica, de Carreiro da Costa (Insulana, Vol 1, Num. 1, Ano 1944), além das preciosas referências dispersas em três dos quatro volumes da série “Etnografia, Arte & Vida Antiga dos Açores”, de Luís Bernardo Leites de Ataíde. Valiosa informação sobre esta ermida, agora com cinco séculos de existência, encontra-se também no livro “A Vila da Lagoa & O Seu Concelho”, do padre João José Tavares, que acertadamente chamou-lhe “um autêntico documento da devoção que Portugal sempre teve à Santíssima

Virgem, e que trazida pelos primeiros povoadores ficou implantada nestas formosas terras, onde permanece cheia de vida”. Ainda em S. Miguel, no antigo lugar dos Remédios da Bretanha, elevado a freguesia em 1960, a primeira ermida dedicada a Nossa Senhora dos Remédios foi construída em 1720-1728, ficando demolida em 1852 por um abalo de terra. Dois anos depois procedia-se à sua reconstrução, concluída em 1857, ficando novamente restaurada em 1975. Na freguesia da Fajãzinha, ilha das Flores, a igreja paroquial é da invocação de Nossa Senhora dos Remédios. No dizer de Guido de Monterey, constitui “um dos mais magnificentes templos da ilha. Teve a sua construção iniciada em 1776 e terminada em 1783. Antes existira um outro templo, edificado em 1675, o qual fora substituído por um outro em 1747. A actual igreja é, portanto, a terceira construída na freguesia. A imagem da Senhora, esculpida em cedro da própria ilha, data de 1789”. Virgem Senhora dos Remédios, Escuta o grito da nossa fé; Abençoa por piedade A nossa terra que tua é. Adeus, Senhora dos Remédios, Inda cá hei-de tornar; Deixei lá meu terço branco Dobrado no seu altar.

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Da Música e dos Sons

Traços do Quotidiano

Five Wounds Youth Choir
O Grupo Coral de Jovens da Igreja Nacional Portuguesa das Cinco chagas lançou recentemente um CD através da organização de um concerto na Igreja das Cinco Chagas. Este CD conta com 11 temas em Inglês, maioritariamente de âmbito

A

gora que estamos na febre das eleições presidenciais dos Estados Unidos, talvez muitos dos nossos leitores desconhecem quem foram as primeiras mulheres a candidatarem-se para essa importante posição. Por isso, aqui segue alguma informação sobre estas verdadeiras pioneiras do mundo político americano:

Victoria Woodhull, em 1872, e Belva Ann Lockwood em 1884 e 1888. Victoria Woodhull nasceu em Homer, Ohio, no dia 23 de religioso. Setembro, 1838. Desde muito Este grupo é constituído por Evelina Dias (Voz e Piano), Madalena nova começou a dedicar-se a Dias (Voz e Guitarra) Michael Rosa (Voz), Alyssa Vargas (Voz) e causas sociais quando, na altura, Cassey Valadão (Voz). as mulheres praticamente, não Nos últimos 4 anos este grupo tem preenchido uma lacuna enorme tinham voz activa na sociedade que existe na nossa Igreja e tem contribuído para a mobilização e americana. participação de mais Jovens nas actividades sociais e religiosas da Victoria trabalhou incansavelIgreja. De salientar também a existência de um Grupo de Jovens mente em vários projectos tais paralelo a este grupo coral que assume um papel determinante nas como: o sufrágio e direitos civis actividades da missa em Inglês todos os Domingos às 5:30p.m. da mulher, reformas no prograpresidida pelo nosso Pastor Toni Mancuso. ma do “Social Welfare”, opoA iniciativa da formação deste grupo surgiu à cerca de 4 anos pelo sição à escravidão, obtenção de agora falecido Senhor Padre Jack Greer. Com grande prazer assumi oito horas diárias de trabalho, o papel de Director Musical e liderei a iniciativa de constituir um etc,. Victoria era uma mulher grupo coral de Jovens com idades compreendidas entre os 14 e os 100 anos à frente do seu tempo. 21. Devido a motivos profissionais não me foi possível continuar No século XIX as mulheres com este projecto. Portanto, é com grande orgulho e satisfação que casadas eram obrigadas a percontinuo a prestar apoio a esta iniciativa sempre que possível. manecer na união matrimonial, Na verdade este grupo (agora reduzido a 5 elementos) tem mesmo sem amor, e aquelas que mostrado uma persistência , responsabilidade e qualidade que não é se divorciavam era, muitas frequente entre jovens da nossa comunidade. Este grupo é talvez o vezes, condenadas ao ostracisúnico grupo de Jovens a cantar em Inglês de descendência mo. Victoria julgava que as Portuguesa, em toda a história desta Igreja. Espero que não seja o mul-heres tinham direito a último! Muitas vezes as gerações mais antigas que deviam apoiar deixar casamentos instáveis e estes projectos, complicam as coisas... Se não atrapalhassem já criticava a hipocrisia de o ajudavam muito. adultério masculino ser aceite Poderá contactar este grupo, ouvir o seu trabalho e manifestar o pela sociedade. apoio que eles merecem através de www.myspace.com/ Apesar de se opor ao cristiafivewoundsyouthchoir nismo organizado, ela vivia os seus próprios princípios: dava de comer aos famintos, cuidava de doentes e visitava prisioneiros. Ela considerava que isso era mais importante do que pregar a ressurreição de Cristo. Victoria foi a primeira mulher a negociar na “Wall Street” e foi editora do jornal “Woodhull & Caflin’s Weekley” que publicava artigos muito controversos, especialmente, sobre a educação sexual. Este jornal é conhecido, agora, por ter publicado a primeira versão em inglês do “Manifesto Comunista”, de Karl Marx, em Dezembro, 1871. Pelas suas causas liberais, Victoria tinha muitos críticos, entre os quais Henry Ward Beecher, proeminente ministro protestante que a censurava frequentemente nos seus sermões. Acontece Vinho D’Oiro Tinto que, enquanto Beecher $2.50 / garrafa atacava a moralidade da Belva, ele estava a ter relações sexuais com uma paroquiana. $12.99 Caixa Como pagamento da de 24 latas hipocrisia demonstrada por Beecher, Victoria revelou o escândalo no Azeite seu jornal o qual cauBOM sou sensacional controvérsia e levou Beecher DIA Polvo a ser julgado, mas não $8.99 Congelado condenado, por prática litro $2.50 libra de adultério. Victoria Woodhull foi a primeira candidata presidencial dos Estados Unidos em 1872 COMPRE através da Interpelo “Equal Rights net no Party”. Como era mul400 Moffett Blvd, her e pertencia a um Mountain View, CA terceiro partido, ela 650-967-4461 jamais teria possibi-

lidade de avançar ou ganhar uma campanha eleitoral. Mas, ao mesmo tempo, dizia-se, que seria uma mensagem enviada directamente para Washington. Já era tempo de haver uma mulher presidente na Casa Branca. Isto, vejam lá, em 1872... É interessante notar que, enquanto as mulheres, perante a lei em vigor no século XIX, não tinham o direito do voto, não havia nenhum estatuto que as proibisse de serem candidatas presidenciais. Reparem na ironia! Após uma vida de intensa luta por causas sociais, e quiçá, decepcionada pelo insucesso do seu esforço, Victoria Woodhull deixou os Estados Unidos e foi residir para Norton, Inglaterra, onde casou com o banqueiro John Bidduph Martin. Victoria faleceu no dia 27 de Junho, 1927. “The Woodhull Freedom Foundation & Federation “é uma organização global que tem por fim defender as causas sociais iniciadas há mais de um século por uma grande figura política americana. Victoria Woodhull merece lugar de destaque nos anais da história dos Estados Unidos. Belva Ann Lockwood nasceu em Royaltown, New York, no dis 24 de Outubro de 1830. Foi uma proeminente advogada, educadora e grande defensora dos direitos humanos do século XIX. Após ter completado o curso de universitário de ciências, ela exerceu a profissão de professora por alguns anos em escolas privadas. Quando começou a leccionar verificou que os seus colegas ganhavam o dobro do que ela. Por isso, Belva dedicou-se à causa de igual pagamento para as professoras, o que, aliás não conseguiu obter. Como era seu desejo frequentar a faculdade de direito e obter o diploma de advocacia, Belva requeriu admissão à Columbia Law School em Washington D.C., mas foi-lhe recusada porque a sua presença na universidade poderia ser uma distração para os estudantes masculinos. Finalmente ela e outras mulheres foram aceites na National University of Law, também na capital americana. Apesar da Belva ter completado o seu curso, a universidade recusou-se a entregar-lhe o diploma por ser mulher. Mas, sem o diploma, ela não podia exercer advocacia. Por isso, ela resolveu escrever ao Presidente Ulysses S. Grant, ex-officio da universidade, pedindo que ele interviesse a favor dela na aquisição do referido diploma, o qual lhe foi entregue em Setembro de 1873. Quando Belva pediu para ser integrada na associação de advogados do Estado de Maryland, um dos juizes representantes dessa organização, deu-lhe uma grande lição dizendo que Deus havia determinado que as mulheres não eram e jamais seriam iguais aos homens. Viva a diferença! Na sua luta por causas sociais, Belva, no seu estado de casada, não tinha direitos civis. Ela estava rigorosamente subjugada ao esposo que, até, era a favor

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das causas dela. Em muitos Estados, as mulheres não podiam possuir, nem herdar propriedade e nem tão pouco eram donas da sua própria roupa. Também, todo o dinheiro que ganhassem, só podia ser usado com a autorização dos maridos. Perante tanta discriminação contra as mulheres, Belva durante cinco anos apelou ao Congresso dos Estados Unidos para que fosse passada uma lei que autorizasse todas as mulheres advogadas qualificadas a praticar advocacia nos tribunais federais, o que veio a acontecer em 1879, quando o Presidente Ruthford B. Hayes assinou o referido documento. Belva sabia que, só quando as advogadas tivesse esse poder, poderiam lutar mais pelos direitos da mulher. Belva Ann Lockwood concorreu para Presidente dos Estados Unidos em 1884 e 1888 como membro do National Equal Rights Party, do qual foi uma das fundadoras. Numa altura em que as mulheres não tinham direito ao voto, a Belva, quase por milagre, conseguiu 4,100 votos em Novembro de 1884. Dois meses mais tarde, ela recorreu ao Congresso para ter os seus votos contados de novo, pois tinha evidência de voto fraudulento. Alguns apoiantes de Belva viram os seus votos serem rasgados e atirados para o cesto dos papeis. E isto aconteceu há mais de um século... Bem, até mesmo ia dizer que a fraude eleitoral ainda ocorre no nosso progressivo século XXI... Belva Ann Lockwood trabalhou incansavelmente pelos direitos da mulher e dos negros, tendo, em 1880, levado ao Tribunal Supremo e ganho o caso para o advogado negro Samuel Lowrey poder praticar advocacia que lhe havia sido negada. Também, em 1905, ela levou ao tribunal e ganhou o caso dos índios americanos, Cherokee Nation, que receberam 5 milhões de dólares de pagamento de juro atrasado que lhes devia o governo federal. Após uma carreira de 43 anos a defender causas justas, Belva faleceu no dia 19 de Maio, 1917, e foi sepultada no Congressional Cemetery, em Washington D.C. Durante a II Grande Guerra, um navio da Marinha Mercante americana, Liberty Ship USS Belva Lockwood foi baptizado em sua honra. Em 1986 foi emitido um selo do correio em sua homenagem. Se algum leitor reside em Lockwood, Califórnia, deve o nome da sua cidade a uma grande e patriótica americana. Foram mulheres como a Victoria Woodhull e Belva Ann Lockwood que abriram o caminho para que o direito ao sufrágio fosse, finalmente, conseguido para as mulheres americanas em 1920. Seria bom que isso fosse lembrado, especialmente pelas nossas estimadas leitoras quando forem às urnas votar.

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Muito Bons Somos Nós

Sandra, que conheci nos bancos da Igreja Baptista de Angra do Heroísmo, ouvi-lhe há uns tempos a mais inesperada e lisonjeira das frases. Note-se que, quando digo que a conheci, não quero propriamente dizer que a conheci. Vi-a nascer, fiz-lhe festas no cabelo, andei com ela ao colo – e, se em algum momento a distingui das outras (poucas) crianças que na altura alegravam a nossa minúscula comunidade, foi só por causa daqueles olhos brilhantes, quase vivos, com que parecia sorrir por dentro ao cantar perante nós todos, com gestos, no fim de mais uma Escola Bíblica Dominical: “O Sabão/ Lava o meu rostinho/ Lava os meus pezinhos/ Lava as minhas mãos// Mas Jesus/ P’ra me deixar limpinho/ Quer lavar meu coração”. Adiante. Quinze anos depois daqueles cultos sombrios e familiares, há portanto meia dúzia de meses, Sandra mandou-me um email. Era finalista do liceu, tinha mil projectos universitários – mas, entretanto, precisava de entrevistar alguém para um último trabalho da escola. Quase morri de vaidade – e verdadeiramente à beira da morte fiquei (morte de vaidade também, não vou mentir) quando, após uma prolongada troca de emails com perguntas, respostas e cumprimentos à família, ela se despediu: “O Joel era uma das minhas personalidades favoritas.” Não me entendam mal: não foi o piropo em si que me envaideceu – não há um só de nós que não seja o maior em pelo menos um lugar do mundo, ainda que

À

apenas na sua própria casa. Acontece que, de todos os baptistas dos Açores, eu fora sempre o maior candidato a anti-Cristo – e aquela miúda (que continuara anos a cantar “O Sabão”, e depois se tornara num pilar da juventude protestante terceirense, e finalmente fazia planos para ir estudar em universidades evangélicas americanas, incluindo formação académica e projectos filantrópicos) chamar-me “favorito” conquistou-me para sempre. Não é portanto o facto de a Sandra ser a nova carteira (a classe prefere a designação “técnica de distribuição postal”, mas ela rir-se-ia disso) da minha na casa dos Açores que me inquieta. Se a alguém eu gostaria de confiar para sempre as minhas cartas, seria à Sandra, que é uma miúda séria e íntima, filha de gente séria e íntima – e cuja boa formação pessoal e escolar, aliás, me parece perfeitamente adequada a um trabalho que, tendo algo de braçal, é também de uma responsabilidade e de um romantismo que poucas outras poderão reclamar. O que me inquieta é que, absolutamente serena perante a minha óbvia atrapalhação ao vêla de colete cinzento, mala às costas e envelopes de correio azul nas mãos, Sandra tenha feito um trejeito e explicado: “É por um ano. Não entrei na universidade e no próximo ano volto a tentar.” O que me incomoda, no fundo, é que ela fique apenas um ano. E não porque ela não mereça mais: ela lá decidirá o que é que é mais e o que é que é menos do que a profissão de carteiro – e de certeza que em breve chegará ao que isso for. O problema é que a profissão de

“Vivo nesta casa há menos de dois anos e já tive uns cinco carteiros. Decorei o nome do Amílcar, decorei o nome do João – e depois não decorei mais nome nenhum.”
carteiro merece mais. Mais do que alguém que, logo à entrada, decide ficar apenas um ano – e, inevitavelmente, mais do que Sandra também. Vivo no Bairro Alto há menos de dois anos e já tive uns cinco carteiros. Decorei o nome do Amílcar, decorei o nome do João – e depois não decorei mais nome nenhum. Nos Açores, a mesma coisa: garantem-me os vizinhos que os novos carteiros são todos contratados a prazo, que não chegam a aquecer o lugar – e que, inevitavelmente, passam o pouco tempo que ali andam a pôr as cartas nas caixas erradas, a deixar avisos de encomendas em endereços onde há gente em casa e a fazer um esforço por esquecer depressa as instruções sobre a quem entregar uma carta quando o destinatário estiver de férias ou simples-mente tiver a caixa entupida. Não sei qual é, por estes dias, a política de proximidade em vigor nos CTT. Sei que, no dia em que perguntei ao Amílcar como se chamava, ele olhou para mim surpreendido e suspirou: “Carteiro...” Ora, que Luís Nazaré tenha fomentado a despersonalização da actividade, ele que há tantos anos vinha crescendo como apparatchik do PS e de José Sócrates, não é coisa que não devêssemos todos esperar. Mas o que fará Mata da Costa, o novo presidente da empresa, desde sempre um homem das comunicações: irá

ele permitir que o Amílcar continue a não ter nome? Que diabo, irá ele deixar fugir a Sandra sem oferecer-lhe uma oportunidade de, pelo menos por um instante, sentir-se honrada com a mágica actividade que desempenhou antes de cair na escola de jovens delinquentes que provavelmente será também a sua universidade? neto.joel@gmail.com In Revista NS

Pergunte à Judite
A Judite Teixeira irá manter esta coluna para responder aos nossos assinantes e não só, sobre assuntos referentes à Segurança Social, e outros serviços dependentes, tais como Medicare, Seguro Suplementar, Reforma, Aposentação por Invalidez, Seguro Médico e Hospitalar. As perguntas dirigidas à Judite Teixeira podem ser enviadas para “Portuguese Tribune - P. O. Box 579866, Modesto, CA 95357-5866. A vossa correspondência será respondida através desta coluna. Quanto é que uma pessoa tem de ganhar no ano 2008 para fazer um “quarter” se precisa quatro “quarters” por ano? Uma pessor recebe um “quarter” para cada $1050.00 que ganha no seu salario. Quando uma pessoa ganha $4200.00 no ano 2008, ganhou as 4 “quarters” para o ano. Ninguém precisa mais de 40 “quarters” ou 10 anos de trabalho para qualificar para o seguro social. Quanto recebe um pessoa se o seu esposo/esposa falecer? A quantia média em 2007 foi $2,243.00 para o viuvo/ viuva e dois filhos. Como posso saber quanto o minha esposa vai receber quando eu falecer? Visitando, www.socialsecurity.gov/survivorplan. Vai encontrar três calculadoras para vos ajudar a encontrar a estimativa para a sua familia. Também vai encontrar a explicação completa para beneficios de viuvos.

Qual são o nomes mais populares em 2008? Os nomes mais populares para 2008 da lista de nomes são: Jacob e Emily. Visite: www.socialsecurity.gov/ babynames para ver os nomes mais populares nos Estados Unidos. Também pode saber como pedir o seu numero do seguro social para o seu filho, filha ou netos. As pessoas lembram-se do seguro social para a sua reforma, mas não sabem que o seguro social tem muitos beneficios para pessoas de todas as idades. Quanto é que uma pessoa precisa ganhar para se qualificar para a sua reforma? Os beneficios do seguro social são baseados sobre os créditos que ganham. Qualquer pessoa que nasceu depois de 1929, precisa 40 “quarters” para se qualificar para a sua reforma. Ganhando até quatro “quarters” por ano, portanto, precisa trabalhar 10 anos para se qualificar para a reforma. Cada ano a quantia por cada “quarter” aumenta. Enquanto trabalhar, você recebe os seus “quarters”. Visite : www.socialsecurity.gov para ver quantos “quarters” você tem. Como é que o Seguro Social sabe quanto uma pessoa ganhou no seu trabalho/negócio? Cada ano, o seu emprego manda a informação com o seu W2. Pessoas que tem um negócio, mandam a sua informação para o IRS com as suas taxas. O IRS manda esta informação ao Seguro Social. Mandei a minha aplicação para a reforma, mas tenho algumas perguntas que gostaria de fazer. Como posso contactar alguém do seguro social? Pode telefonar para 1-800-772-1213 (não se esqueça de pedir para falar com alguém que fale português, se for necessário) entre as 7 da manhã às 7 da noite. Também pode ver as perguntas e respostas na internet www.socialsecurity.gov. Quando é a melhor altura para reformar-me? Depende de vários factores, e a decisão é vossa. Pode pedir o panfleto “Quando posso começar a receber os

beneficios da reforma” Pode ver isso na Estimativa da Reforma em www.socialsecurity.gov. Pode preencher a sua aplicação através da internet e assim não precisa ir ao escritório do seguro social. Você tambem vai precisar do seu certificado de nascimento, prova da sua cidania, certificado do casamento, W2 do ano anterior. Eu recebia beneficios de incapacidade mas voltei para o trabalho. Posso começar a receber os meus beneficios ou tenho que mandar outra aplicação? Se parou de receber beneficios porque voltou para o trabalho, pode pedir para começar os seus beneficios sem aplicar de novo, se: 1. Não puder trabalhar por causa da sua invalidez 2. A condição médica é a mesma quando o seguro social achou que você estava inválido 3. Se tiver que pedir este beneficio em 60 meses, desde a data que achámos que estava inválido. Visite www.socialsecurity.gov/disability para mais informação. Tem informação em português. Posso aplicar para o SSI, o seguro social, através da internet? Não ainda. Em pouco tempo vamos ter a aplicação do SSI na internet. Como posso saber mais sobre o Medicare ou Medicare, parte D? Pode telefonar para 1-800-medicare, visitar www.socialsecurity.gov/prescriptionhelp, ou telefonar para 1-800-772-1213 para aplicar para o parte D, que ajuda a pagar os seus medicamentos. Quanto vai ser o Medicare em 2009? Você vai pagar ou vamos descontar dos seus beneficios do seguro social, $96.40 por mês. É a primeira vez desde 2000, que não houve aumento no Medicare. Judy Teixeira 916-373-1112 ext. 200 District Manager

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COMUNIDADE

Tribuna Portuguesa

Caro Amigo Sr. Avila, Foi com o mais profundo pesar que recebi a noticia da morte do grande amigo, Dias de Melo. Porém, não me surpreendeu, pois a última vez que falei com ele pelo telefone já tive grande dificuldade em percebê-lo pela sua voz fraca e tremida. Ele disse-me que se sentia muito doente e lamentava não ter forças para continuar a escrever. Talvez goste de saber que Dias de Melo era admirador do Tribuna e apreciava os seus editoriais. Cheguei a enviar-lhe vários números que ele lia de ponta a ponta e ficava surpreendido por tantos e tão bons colaboradores. Ainda bem o Tribuna o ter homenageado enquanto vivo. Talvez por não ter pertencido à “elite” dos escritores açorianos, ele nunca recebeu o justo apreço que merecia. E, embora fosse vizinho de porta da Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, nunca lá foi convidado... Foi pena ele ter vindo à América apenas uma vez., pois tinha aqui muitos amigos e ex-alunos com quem confraternizar. Com um abraço amistoso, Margarida da Silva Novato Tudo aconteceu ao amanhecer de Sexta-Feira, dia 8 de Agosto de 2008 (08/08/08), no mesmo dia em que no Japão começavam os Jogos Olímpicos. No cimo do pico da Ilha do Pico, no arquipélago dos Açores, o jovem Tiago Pereira, de joelhos e a tremer de frio, mas também de emoção, tal como o testemunha a foto anexa, pede em casamento a jovem Natalie Bastião, na presença dos irmãos desta, o Danny e o Phillip. Claro que a resposta pronta e também repleta de emoção, por parte da Natalie, foi “YES”... O Tiago, de 27 anos de idade, residente em San Jose, California, é natural de Leiria e visitou os Açores, este verão de 2008, pela primeira vez. Quando lhe perguntámos qual a sua impressão dos Açores, limitou-se a responder: “Um autêntico paraíso”. O Tiago é um electricista profissional e trabalha por conta própria na área da Baía de San Francisco. A Natalie Bastião tem 24 anos de idade, é natural da California e residente em Fremont. Concluíu a sua formação académica com um Bacharelato de Ciências em Comunicação Gráfica, pela Universidade Estadual Politécnica da Califórnia (Cal Poly), em San Luis Obispo. Actualmente a Natalie é funcionária da Apple Inc., em Cupertino. Tanto quanto eu saiba, é a primeira vez que no ponto mais alto de Portugal, um jovem de Portugal Continental pede em casamento uma jovem Luso-Americana, cuja mãe é Picoense e o pai de Ílhavo, Portugal. Razão para denominar a efeméride de “o mais alto pedido de casamento” até hoje, em todo o Portugal. Os jovens enamorados já marcaram a data do seu enlace matrimonial que decorrerá na lindíssima Igreja Nacional Portuguesa das Cinco Chagas, em San Jose, no Sábado, dia 8 de Agosto de 2009, e com a recepção na sala de visitas da Comunidade, o Portuguese Athletic Club, de San Jose. Lá estaremos para mais um pequeno apontamento de “Casamento Elegante”, não fosse a Natalie uma sobrinha por quem tenho uma grande ternura e admiração. Ao Tiago e à Natalie, e seus familiares, os nossos Parabéns, muitas felicidades e que o seu amor cresça sempre para ultrapassar ainda a altitude da grandiosa Ilha do Pico.

NOTA INFORMATIVA DO BANIF
Fundos Banif sem exposição a falências bancárias
A contínua instabilidade nos mercados financeiros tem exacerbado os níveis de aversão ao risco e de falta de confiança nas instituições financeiras, particularmente nos EUA, mas também em alguns países europeus. Em consequência, tem-se assistido a falência de instituições de elevada dimensão nos EUA (Washington Mutual, Wachovia, Lehman Brothers) e a necessidade de intervenções estatais em grandes instituições financeiras na Zona Euro e Reino Unido, como Fortis Bank, Dexia, Hypo Real Estate, Bradford & Bingley, entre outros. Na sequência destes acontecimentos e de notícias vindas a público na comunicação social sobre a exposição das sociedades gestoras nacionais a títulos emitidos por estas empresas, vimos divulgar que a Banif Gestão de Activos não dispõe, nos fundos ou carteiras por si geridas, de qualquer exposição a obrigações ou acções preferenciais destas sociedades, dispondo apenas de uma participação muito reduzida em acções do Banco Fortis no fundo Banif Euro Acções (aproximadamente de 130 mil euros, on seja cerca de 0,6% da carteira do fundo), exposição essa que é inferior ao peso deste título no índice Eurostoxx50 (0,64%), o índice de referência para a gestão do fundo.

Tony Silveira

Esta foto foi tirada numas das primeiras Sanjoaninas da Ilha Terceira da era moderna. Vieram canoas baleeiras de muitas ilhas e houve uma linda regata entre elas. Ao longe pode-se ver o “Terra Alta” de boa memória e algumas lanchas baleeiras. Alguém se lembra deste evento?
State Youth President Mary Batista and Supreme President Natalie Batista

Official visits in October.
Saturday October 18, 2008. Hughson Council #116 Sunday October 19, Joint Official Visit of Councils #74 Los Banos and Council #169, Dos Palos. Saturday October 25, 2008 Council #8, Pleasanton

O voto é a arma do povo!
O recém criado Portuguese-American Citizens Fórum apela à nossa comunidade para participar activamente na vida cívica deste grande país. Daí que relembramos a todos quantos são cidadãos americanos que é essencial que se recenseiem e votem. O recenseamento eleitoral aqui na Califórnia está em vigor até ao dia 20 de Outubro. A nossa comunidade só terá uma voz se participarmos activamente na vida cívica deste país. Daí que é importantíssimo que se registem para votar. Os residentes do condado de Tulare que necessitem mais informações, ou os formulários, podem contactar com o Portuguese-American Citizens Forum através de Diniz Borges pelo telefone: 559-686-76711 ou Lino Pimentel pelo telefone: 559-688-1900.

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Rasgos d’Alma
Faleceu Dias de Melo. Morreu um pedacinho dos Açores. Empobreceu-se o nosso panorama cultural. Está de luto o espirito criativo que embeleza a Alma Açoriana.
Pedra Negras choram de ilha em ilha porque o mestre da (nossa) palavra escrita se foi. Foi-se – assim o acrediramos – desta para melhor. Melhor, no entanto, seria não se ter ido sem que todos lhe tivessemos pedido…– ao menos os que moramos cá mais ao longe – … umas linhas, mesmo que apenas rabiscadas à pressa para nos deliciarmos a ler. Seria fisicamente impossivel, bem sabemos. O nosso humilde mas ilustre escritor estava no fim e deu a seu tempo tudo o que tinha a dar às Letras Açorianas, cotando-se, por mérito próprio, como figura de relevo no neorealismo nacional. A sua obra é vasta e fala por si. Se eu fosse autoridade ou tivesse influência para tal, decretava imediatamente obrigatório a todos os filhos legitimos das nossas formosas Ilhas de Bruma terem de ler ao menos um livro de Dias de Melo. Acreditem-me: vale a pena. Sobretudo, para quem deu o salto, como nós cá para os confins da diáspora, repito: vale a pena! Experimentem. São de leitura fácil, de linguagem acessivel e o seu conteúdo vai-nos direitinho ao fundo da alma – como bálsamo tranquilizante que precisamos de vez em quando (cá na terra das correrias) para melhor nos apercebermos calmamente donde viemos sem sabermos tantas vezes para aonde queremos ir. Não me apetecia ir a lado nenhum naquela tarde soalheira de domingo com o corpo a pedirme descanso e a alma a mendigar-me alimento. Televisão é aparelho que dispenso fàcilmente quando o programa não me agrada. Rádio, tem que ser mesmo coisa que eu goste de ouvir. A Internet, às vezes, dá-me dores de cabeça. Virei-me então para a minha estante e namorei de novo o que lá tinha. Queria um livro que pudesse ler naquela tarde, sem, se possivel, ter que deixar nada para o dia seguinte. Não hesitei. Os meus olhos foram direitinhos lá poisar. Já o tinha lido em rapaz, então nas calmas do sossego ilhéu, sem ter ainda alimentado bem a ilusão de emigrar. Queria lê-lo agora na integra como homem embarcado nas pressas desta nossa geração ilhôa, que tambem se atreveu a dar o salto mas já sem o dramático penar doutras eras (primorosamente recriadas por Dias de Melo), quando os nossos avós se aventuraram a cruzar desbravadamente o Atlântico ao Deus Dará. Pedras Negras – um livreco que, à primeira vista, no diminuto tamanho da sua edição original, não impressiona grande coisa por caber-nos fàcilmente no bolso – era exactamente o que eu estava à procura. Deito-lhe as mãos e abro-o imediatamente. Começo a ler de pronto e a rever-me de novo com as gentes da minha terra na maresia e ressalga doutros tempos tão bem descritos naquelas páginas que nos dizem tanto. Às tantas, sem mais nem menos, sinto um arrepio enorme varrer-me a espinha dorsal de alto a baixo. Reclino-me na cadeira, olho para o espelho ali ao meu lado e vejome (pasmado) de olhos ligeiramente humedecidos. Não estaria a comover-me demais? Não. Dias de Melo tinha (e tem) esse magnifico condão de prender emocionalmente os seus leitores ao livro e fazê-los sentirem-se parte dele. A sua extrema habilidade para nos (ilhéus) fazer sentar à mesa com a temática migrante do mar imenso a nossos pés é testemunho incontornável do seu talento, do seu temperamento e da sua visão…de baleeiro, escritor, poeta e professor que, mesmo agora, após a sua partida, tem ainda muitas lições para nos dar. Para aprendermos a maior parte delas, basta lê-lo. Convidemo-nos a esse desafio. Sou tambem dos que acreditam firmemente que um escritor só morrerá de vez quando um dia deixarmos de procurar os seus livros. São cerca de trinta as obras publicadas deste notável picoense da Calheta do Nesquim, escritorhomem integro que soube aliar sempre o melhor da sua escrita ao drama social dos mais desprotegidos e pincelar como ninguem a sina embarcadiça da Alma Açoriana na tela universal das Artes e Letras que melhor nos descrevem ao redor do globo.

Partiu, porem, desconfio que algum dia o deixemos morrer por completo no fundo do nosso coração emigramado. Ao menos na diáspora (onde as suas Pedras Negras se encontram traduzidas em inglês para beneficio das gerações vindouras), temos esse absoluto dever.

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Tribuna Portuguesa

Comunidades Do Sul

A Outra Voz

Falecimento
Com 83 anos de idade, faleceu no dia 16 do mês de Setembro, em La Palma, o conhecido ex-agente de viagens em Artesia, Angelo Vieira Nunes. Os serviços religiosos tiveram lugar na Igreja da Sagrada Família, em Artesia, com terço no dia 19 e missa de corpo presente no dia 20, seguida do funeral para o cemitério de Todas as Almas, em Long Beach. Deixa a chorar a falta da sua presença, sua esposa, Zelia Nunes, sua filha, também Zelia Nunes, casada com o advogado Manuel Nunes, filho Paulo Nunes, funcionário da companhia aérea United, casado com a professora Maria Tristão Nunes e filha Mariana Moniz, casada com Pedro Moniz, residentes em Angra do Heroismo, agentes de viagens naquela cidade. Também deixa de luto, uma cunhada, diversos sobrinhos e sobrinhas, sete netos e netas, dois dos quais na ilha Terceira. Angelo Nunes nasceu na freguesia das Fontinhas, na ilha Terceira. Aos 20 anos de idade, iniciou o seu primeiro trabalho na Base Aérea das Lajes, onde trabalhou durante 23 anos, até à sua partida como emigrante para o sul da California. Aqui na área de Los Angelos, trabalhou para algumas companhias, até que optou por iniciar o seu próprio negócio com uma

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agência de viagens, mais tarde sobejamente conhecida pela Agência Nunes. Além de passagens, esta agéncia tratava de todas as qualidades de documentos, o que muito ajudou os emigrantes que constantememte chegavam a esta área sem quaisquer conhecimentos e muito menos a língua. Foi um dinâmico presidente na nova era do Artesia D.E.S., ajudou muitos emigrantes a obterem diversas documentações, incluindo cartas de condução. Foi presidente do Rotario Club e durante as suas actividades comunitárias foi presidente da Clube Cívico Português e da Comissão das Festas em honra de Nossa Senhora de Fátima.

Este novo programa de Televisão comunitária, da responsabilidade de Agostinho Barbosa, é apresentado semanalmente no Canal 6 de Half Moon Bay, com a duração de uma hora. Terá como base a divulgacao das nossas festas tradicionais, bem como actividades recreativas, actuações de Bandas de Música e Danças de Carnaval. Este programa televisivo será também apresentado no Canal 20 de San Luis Obispo e no Canal Comunitário de Fresno, alcançando assim muitas das cidades do Vale de San Joaquin. Também já há contactos com a Costa Leste para que este programa possa ser transmitido em Massachussetts.

Para mais informações podem contactar: Portuguese Community Contacto Public Television California P.O.Box 3522 Half Moon Bay, CA 94019 Telefone: 650-712-8854 Email:bertcontatctotv@yahoo.com Cell: 650-207-1301 510-372-4281 Vídeo e Produção: Agostinho Barbosa Estudios: Fernando Moniz

ecentemente, num artigo publicado no Los Angeles Times, a autora e ícone feminista americana Gloria Steinem declara que a única coisa que Palin e Clinton possuem em comum é um cromossomo. Escusado será dizer que de tal afirmação dimanaram uma corrente de insultos e acusações contra a velha escola feminista a que afirmaram estar já ultrapassada. O que me surpreendeu foi a minha reaçcão. Senti-me pessoalmente agredida mas em vez de me zangar, fiquei perplexa e sem resposta. Afinal de contas, embora não concordasse com a política de Palin, não podia negar que é uma mulher emancipada. É para admirar qualquer mulher que, casada e mãe de família, atingiu, sem a ajuda de marido, nome ou fortuna, o posto de governador e que, além disso, teve a audácia de engravidar e dar à luz uma criança enquanto exercia tal cargo. Preguntei, “Se isto não é feminismo, então que é?” O Novo Dicionário Aurélio define assim a palavra feminismo: “Movimento daqueles que preconizam a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher” Penso que não é o movimento mas sim a definição da palavra que está ultrapassada. Feminismo é isso e muito mais. Feminismo implica um certo e previsível conjunto de valores morais e normas de conducta. Feminismo compartilha da opinião que o futuro da humanidade, o futuro do nosso lindo planeta, encontra-se nas mãos das tais qualidades que chamamos “femininas” e tradicionalmente ligadas à Mãe de Deus, tais como o amor, o carinho, a compaixão, a bondade, e muito em especial, o perdão. Ser feminista significa denunciar o patriarcalismo do Deus macho e tudo o que este sistema defende e protege: o domínio do forte sobre o fraco, o rico sobre o pobre, uma raça sobre as demais; a opressão dos mais desfavorecidos, das vítimas de injustiça social, das minorias. É ter consciência que a nossa sociedade anda desequilibrada sob o regime patriarcal e que a tendencia é para resolver tudo à força e às pancadas. É admitir que raramente nos preocupamos se a luta é justa ou se os ad-

versários são comparáveis. Embora com imperfeições, o partido democrático é o que melhor representa os ideais feministas. Por essa razão muito mais fácil votaria por um Biden que por uma Palin e a seleção entre Clinton e Obama foi extremamente difícil para mim. Não, não basta ser mulher, não basta ser emancipada. Confesso que Clinton, na minha opinião, não era a mulher ideal para ser a primeira mulher presidente dos EU, pois o facto de estar casada com um presidente de certo modo a comprometia, mas era a que tinha mais possibilidades e a que melhor compreendia e representava os ideais feministas. Obama também não é o homem emancipado que desejaria para presidente como o demonstra Michelle Obama e a sua prontidão para sacrificar capacidade e talento a favor de servir chá e bolachas na Casa Branca. O que une Clinton e Obama não é um cromossomo, mas sim uma paixão e afinidade pelos ideais democráticas e uma promessa de defender os mais desfavorecidos. Gloria Steinem tem razão, Sarah Palin não é nem nunca será uma Hilary Clinton. O que ela é, é uma republicana mal instruida e com pouca experiencia que defende, desavergonhadamente mal, os valores do regime patriarcal. Mas, cuidado, à primeira vista pode enganar até uma feminista pura e dura da velha escola como eu. Acreditem-me, não estou sendo condescendente, quando digo, temo que muitos, principalmente jovens, sejam desencaminhados por esta falsa feminista. É a velha táctica de guerra. Se não conseguires destruir o adversário com calúnias e mentiras, acolhe-o no teu regaço, aproveita-te da sua ingenuidade e afoga-o numa confusão de promessas e meia-verdades. Sem dúvida o movimento de resistência ao feminismo de que nos fala Susan Faludi no seu livro Backlash continua cada vez mais forte, mas agora vem bem disfarçado e esconde-se detrás das saias duma mulher mascarada de feminista. Cuidado, não se confundam.

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Sabor Tropical

inda jovem, depois de ler “Cem anos de solidão”, famoso livro do não menos famoso e ilustre escritor Colombiano, Prêmio Nobel de Literatura, Gabriel Garcia Marques, passei a prestar mais atenção à solidão e o livro acirrou minha imaginação: aquelas mulheres fortes, silenciosas, trancadas por décadas numa casa escura... Aqueles homens que arrastavam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas... Então, a palavra “solidão” tornou-se romântica e totalmente instigante para minha vida. Não que eu goste de senti-la ou estar só (e quando estou só, não me sinto sozinha). Todavia, passei a observar e procurar entender os motivos que levam alguém a se isolar, com o passar do tempo, não reagir, até adoecer e tudo o mais perder o sentido. Antes, era só uma expressão forte, vazia de significado para mim, que sempre fui alegre, rodeada por uma família numerosa, com amigos presentes, vivendo uma vida movimentada. Porém, à medida que os anos foram passando, fui ouvindo-a cada vez mais freqüentemente... Na minha infância e adolescência, não tive muita convivência com as pessoas idosas da família, entretanto, observava que meus avós eram silenciosos, embora mantivessem um sorriso enigmático até quando ralhavam conosco. Muitas vezes quis saber da minha mãe o por quê do meu “vô” sorrir daquele modo triste, dos seus longos silêncios e em resposta, a frase de sempre: “é o jeito dele!” ou “está com saudade da sua vó que partiu para a

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glória”. E essas explicações me bastavam, tanto que não me lembro de ter tido com eles conversa alguma a respeito. Grande falha minha, reconheço. E esse “é o jeito” da maioria que envelhece, passei a observar, até porque, sem dar-me conta, aos poucos, estou calando-me também. Logo eu, a tagarela! Hoje em dia, converso muito mais com o teclado do meu computador... Só não quero, jamais, conversar com meus fantasmas, se é que algum dia terei algum ou com minhas lembranças (que já são muitas). Quero mesmo é cantar, sorrir, amar, viver e... silenciar, mas só quando for urgente. A solidão compulsória é muito dolorosa: os filhos que trabalham ou foram morar sozinhos e não têm tempo para os pais; a família que encolhe pela morte de entes queridos; os amigos que envelhecem ou adoecem e não mais aparecem como antes; a cidade que se torna violenta e todos se recolhem. Quando passo por um jardim, se há um casal de idosos sentados, de mãos dadas, sinto muito mais a solidão separando-os (ou unindo-os), do que propriamente o carinho dos dedos entrelaçados. Normalmente os olhos estão perdidos no tempo, olhando através das pessoas que passam ou estão cabisbaixos, pensativos. Sinto uma ternura muito grande por eles e se tenho tempo, paro para conversar. E há as pessoas que se isolam diante de uma tv ligada, aumenta o seu volume para não ouvir as conversas à sua volta e perdem-se em devaneios, enquanto as imagens na tela se embaralham à sua frente. Daí, com o tempo, o cônjuge se afasta, a família dá um tempo, os amigos

somem e a solidão se torna a amiga inseparável. Há culpados ou a vida tem esses estágios e todos somos obrigados a passar por eles? Os jovens também estão solitários. Trancados em seus quartos, com seus computadores. A Psicóloga e Psicoterapeuta Laura Trindade Ituaçú, disse, numa de suas entrevistas (resumidamente), que o que os Sociólogos têm notado nos seus estudos é que há uma dificuldade crescente das pessoas manterem relacionamentos afetivos duradouros. Isso lhes traz frustração e desesperança, levando-as a buscar a autosuficiência. Afirma que existe outra dificuldade, própria do ser humano, que é a de lidar com uma condição antagônica: todo mundo precisa se relacionar, para se humanizar. Ninguém vive sozinho, depende do outro e ao mesmo tempo todo ser humano é sozinho, porque desde que cortaram seu laço com a mãe, não há garantia de que o mundo vá corresponder às suas necessidades. E essa falta de correspondência caracteriza, também, uma solidão, isto é, o que a pessoa precisa, ela tem que buscar, daí a dificuldade entre precisar do outro e aprender administrar e assumir as responsabilidades das suas decisões. Quem vive só, não precisa se sentir só. Basta aprender a lidar com a solidão, ou seja, não se esconder dos outros quando houver problemas, não culpar ninguém por suas insatisfações, encontrar, sempre que possa, a família e os amigos, etc. No entanto, há pessoas que preferem se isolar. Buscam a solidão como defesa. Acham que não precisam de ninguém, porque não valoriza o outro. Pode acon-

tecer tanto na vida pessoal como na profissional. A solidão leva à depressão. E a depressão acarreta inúmeras doenças. Precisa ser tratada. A solidão é bem pior para as pessoas idosas que moram em asilos ou com seus familiares (sem ter muita atenção) ou, ainda, que moram sozinhas. Aqui no Rio de Janeiro a Prefeitura criou seis “Casas de convivência”, totalmente gratuitas, onde as pessoas idosas (ambos os sexos) se encontram para conversar, fazer ginástica, dançar, fazer trabalhos manuais ou só para espantar a tristeza. Temos também outros serviços para idosos, como os 90 cursos oferecidos pela “Universidade aberta da terceira idade”, do Estado; e o atendimento telefônico “Disque solidão”, totalmente gratuito, que funciona dia e noite (para todas as idades). E outros. Particularmente, acho que só há um sentimento que neutraliza a solidão: o amor! Quando amamos e permitimos ser amados... Aquele amor que faz a vida renascer em cada novo dia, quando as cores ganham novos matizes, as melodias se tornam delicadas, harmoniosas e a fragrância suave de cada amanhecer perfuma a nossa alma. elendemoraes_rj@globo.com

Ao Sabor do Vento
tivesse feito muito calor no dia da procissão, parada, desfile, cortejo ou o que lhe queiram chamar, porque, francamente, com tantos disparates que se vê em algumas das nossas paradas, eu não sei que nome lhes dar. Mas, sendo essas coisas de religião, alturas em que se deve praticar penitência, faria mais sentido que as meninas na foto da primeira página do jornal, levassem nos ombros uma capa, por mais leve que fosse, a fim de poder cobrir os seios, como recomenda a quadra do cântico à Nossa Senhora de Fátima que, penso eu, é mais ou menos assim: Vesti com modéstia E certo pudor Olhai como veste A Mãe do Senhor. Não é que eu não admire a postura e beleza das nossas moças e, como eu, tenho a certeza que muitos mais admiram, mas, francamente, isso é uma procissão, um desfile de beleza ou amostra de melões? Ver um corpo com poucas vestes ou totalmente sem elas, o que já me aconteceu uma vez que fui a uma praia e não sabia que parte da mesma era de nudismo e até parei, olhei, vi, apreciei, sorri e... não há mal algum, porém, caros leitores, as nossas paradas, por enquanto, ainda não são feitas nas praias. Alguns vão dizer que o Raposo agora está tornado em beato. Não, não estou. Só acho que é um disparate muito grande as nossas rainhas e aias se vestirem daquela maneira, numa procissão. Cada coisa no seu lugar. Quanto à noite de fados, como disse, ouvi-a pela internet. Sei que houve alguns problemas entre os guitarristas e uma fadista de cá, mas como esses são assuntos entre os artistas, embora alguns não mereçam tal nome, não me vou meter no assunto. Muitos desses fadistas que vêm de Portugal, pensam que aqui na California somos todos ignorantes, que não sabemos a escala musical e alguns deles vêm com o seu desafino perfurar os nossos tímpanos, trazem empresários e ainda são bem pagos. Outros, porém, embora afinados, alteram as letras dos fados pensando que talvez já nos esquecemos das mesmas. Fado é fado e Karaoke é Karaoke. E se porventura houver algum que fique escandalizado com o que eu escrevo ou digo, não deixe de cantar, outrossim, prove que o pode fazer. Nós temos fadistas e guitarristas à altura. Os nossos artistas têm é que ter mais consideração uns pelos outros, ajudarem-se, para que se possa fazer mais e melhor. Sempre que possa hei-de os ouvir. Uma coisa é eu não gostar por não gostar e a outra é eu não gostar por se cometer erros imperdoáveis, que devem ser corrigidos para que os mesmos não mais aconteçam. Limito-me a escrever sobre o que vejo ou ouço e o chapéu serve a quem serve...

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u tinha um artigo preparado sobre a festa de Santo António, em Pismo Bispo, mas acho que há mais urgência em escrever sobre certas coisas que se passaram na festa de Gustine e na noite de fados. No entanto, desde já, dou os meus parabéns aos Portugueses de Pismo Bispo pela maneira como a procissão decorreu, pelo civismo, religiosidade e decoro. Continuem assim porque vão bem. Vou fazer uma coisa que nunca faço que é falar sobre uma festa sem ter ido à mesma. Mas, como há um provérbio Chinês que diz que uma fotografia vale mil palavr as, aventuro- me a escrever. A festa de Gustine, penso eu, é a mais concorrida e, sem dúvida alguma, merece o nosso apoio e todas as pessoas que trabalham para que a festa seja um sucesso, merecem, também, palavras de gratidão e apreço, pois que deixam as suas vidas para que as nossas tradições continuem com a mesma devoção, desde 1936. As minhas últimas palavras do parágrafo anterior, são as primeiras da página da frente do Tribuna, da primeira quinzena deste mês. É muito provável que

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15 de Outubro de 2008

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segundo o census de 2000, que Carol Ann Gregory publicou na sua tese de doutoramento, o condado de Santa Clara, que inclui a cidade de São José tem 29,138 portugueses, ou seja: 1,7% da população daquele condado no ano de 2000. Mas diga-se que a bem da verdade sempre gostamos de dizer que somos um milhão aqui e acolá. “Venho conhecer a questão da língua portuguesa na Califórnia”. Esta uma novidade total para os professores de língua portuguesa nas escolas secundárias, que nada souberam, e para outros tantos nas universidades. Onde foi a reunião com os professores de língua portuguesa? Mais, disse que: “a nova alunos. Nas universidades há menos de uma dúzia de cursos em todo o Estado, alguns pelas ruas da amargura. Esta é a avaliação Senhor Secretário. Esta é a verdade, nua e crua, sem interesses e rodeios pelo meio. Há cursos que funcionam bem e há outros que funcionam menos bem. Há ainda que dizer que todos os cursos no ensino secundário vivem à custa dos esforços dos professores, que para além de ensinarem língua, desdobram-se em agentes culturais, promovendo as associações estudantis ligadas à cultura portuguesa e a aproximação à comunidade. É que ensinar língua e cultura portuguesas nas escolas secundárias

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sol com a peneira. Mas diga-se, a bem da verdade, que o seu governo tem sido sábio nessa metáfora, só que um dia destes a peneira poder-se-á romper. Coitada, de tanto tapar, ela, a peneira, já está muito lisa, e até já dá para ver algum sol. Há ainda que registar que o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas anunciou um fórum “com todo o movimento associativo da diáspora, em Lisboa, no próximo mês de Janeiro”. O que dever ter sido música para muitos ouvidos de certos dirigentes das nossas associações, ou talvez não. Quero acreditar que já ninguém se vende por uma passagem e uns jantares. Quero acreditar que ninguém aceita um cargo só para ter umas passagens de borla. Oxalá que assim seja! Porém, não deixa de ser curioso que um governo no poder há 4 anos, aguarda para uns escassos meses antes das eleições, para marcar uma reunião magna com o movimento associativo de origem portuguesa no mundo. Será que pensam que com umas passagens, uns copos, uns jantares e umas fotos de circunstância apagam as atrocidades políticas dos últimos quatro anos? Enfim, há que passar destas situações verdadeiramente lamentáveis. Há que continuar a fazer comunidade, a trabalhar com o que temos, sem esperar muito de Portugal. A comunidade tem que acreditar em si própria, na sua capacidade, na sua “prata da casa”, nos seus talentos. Tem que celebrar os seus triunfos e enfrentar os seus dilemas. Tudo isto sem a interferência de políticos ou de diplomatas portugueses, porque quer uns quer outros, são extremamente efémeros. Daí que e em jeito de conclusão, pergunto: será que não podemos promover um banquete, apresentar um livro, fazer um congresso ou inaugurarmos uma exposição sem termos alguém “ilustre” de Portugal? É mesmo necessário ter-se um ornamento vindo de Portugal? Não bastaria um simples Galo de Barcelos?

Reflexos do Dia-a-dia
Alguém soube que o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas António Braga vinha à Califórnia? Sim, cá esteve, e bem sei que a maioria dos leitores nem tão pouco ligou à sua passagem por este Estado. Mas acontece que o homem que é Secretário de Estado das Comunidades, há quase quatro anos, fez a sua primeira visita oficial aos Estados Unidos pelo Estado da Califórnia. Houve quem boicotou a visita, e ainda bem, porque à muito mais que fazer nesta comunidade do que acompanhar estas visitas ocas. Porém, o Secretário de Estado encontrou tempo para antes de ter uma reunião com líderes comunitários em São José (reunião com três pessoas), conceder uma entrevista à popular estação de rádio KSQQ. Vivo a quatro horas de carro de São José, e só com a magia da Internet, tive oportunidade de ouvir a dita entrevista. Acredito que há assuntos mais importantes para reflectir, mas em nome da verdade, há que citar, esclarecer e comentar a dita entrevista. Primeiro, o Secretário de Estado disse que uma das razões da sua visita a este Estado relacionavase com: “o grande esforço de Portugal para aproximar a Califórnia a Portugal.” Ah, sim? Imaginem onde estaríamos, como comunidade, se Portugal não fizesse esforço? Que esforço? O de mandar um Secretário de Estado dizer meia dúzia de desacertos? Senhor Secretário de Estado, esta gente não é ignara. É do conhecimento geral que Portugal, e muito concretamente o seu governo, nunca fez nada pelas comunidades e se há uma aproximação, como o senhor diz, está completamente nas mãos desta comunidade, que continua a pensar com o coração e daí ainda ter paciência para receber e aturar políticos como o Senhor. “Grande esforço” - é preciso não ter vergonha. Mas se os deixarmos dizer estas imbecilidades daqui a dias dizem-nos que são eles os responsáveis por aquilo que temos feito na passagem do nosso legado cultural. “As reformas deste governo nunca vêm de forma para estorvar, mas para ajudar os cidadãos”. Sim? Acabar com o voto por correspondência é uma grande ajuda, não é? Porém nós emigrantes deveremos ser os últimos a falar, é que os portugueses residentes têm um rosário de amarguras, com exemplos, claros e inequívocos, como este governo tem sido um estorvo para o cidadão comum. Em relação aos serviços consulares disse que os consulados honorários foram “um esforço para descentralizar”. Que descaramento! Os Cônsules Honorários não têm qualquer poder! Em Tulare, o meu bom amigo Sr. Helter Martins, nada pode fazer. Mais, este Secretário de Estado, somente porque quis desfazer o que tinha feito o PSD, modificou toda a politica dos cônsules honorários. Ainda na questão de Cônsules e Consulados, o entrevistador, o amigo Nelo Bettencourt, insistiu em que o consulado de São Francisco deveria estar em São José. Não sei porque se insiste nisto?! Seríamos dos poucos países europeus sem uma representação na cidade de São Francisco. Acho que mudar o consulado para S. José é incongruente. Temos que ver um pouco mais além das nossas simples comodidades. Aliás, na dita entrevista o Senhor Secretário de Estado disse que a cidade de São José tinha cerca de 100 mil portugueses. Quem lhe passou essa nota não deve estar informado. A verdade é que

... será que não podemos promover um banquete, apresentar um livro, fazer um congresso ou inaugurarmos uma exposição sem termos alguém “ilustre” de Portugal? É mesmo necessário ter-se um ornamento vindo de Portugal? Não bastaria um simples Galo de Barcelos? coordenadora iria avaliar a situação do ensino português na Califórnia e a questão de colocação de professores”. Primeiro, há que dizer que sou amigo da Ana Cristina Sousa. Mas, que avalização quer o Senhor Secretário de Estado? É que ao longo dos últimos 10 anos foram feitas, no mínimo, uma dúzia de avaliações. Se o governo português não conhece a actual situação do ensino da língua portuguesa neste Estado, e no continente norte-americano, é porque não quer, não lhe interessa, dá muito trabalho e não tem pachorra como se diz na minha terra. Senhor Secretário de Estado, na Califórnia a situação é simples, tão simples que até o Senhor pode entender: temos 8 escolas com cursos de língua e cultura portuguesas no ensino secundário da Califórnia (três dessas oito em Tulare), com um universo que ronda cerca de 700 alunos. Temos cinco escolas comunitárias a funcionar, com um universo que ronda os cerca de 275 alunos. Depois há mais um curso aqui e acolá nas escolas primárias, com umas dúzias de não é um simples trabalho das 8 às 4. A ponte com a comunidade, mesmo quando a comunidade está relutante, é essencial. É que talvez o Senhor não saiba, talvez até nem queira saber, mas os cursos de sucesso estão todos interligados ao trabalho que se tenta fazer na aproximação escola/comunidade. Daí que a avaliação seja elementar: enquanto não se criarem mais cursos de língua e cultura portuguesas nas escolas secundárias deste Estado, tudo está em jogo. Mais, se o seu governo quer tratar seriamente a questão do ensino da língua e cultura portuguesas na Califórnia (embora nós já saibamos que não quer) deveria, em colaboração com as forças vivas da comunidade (as mesmas forças vivas com quem o Senhor se deveria ter reunido, para ouvir, não para pregar - já temos pregadores que nos restam) ter por objectivo primordial, abrir, em cada ano lectivo, pelo menos dois novos cursos de língua e cultura portuguesas nas escolas do ensino secundário no Estado da Califórnia. Enquanto isso não acontecer, estaremos apenas a tapar o

Memorandum

2 – A linguagem universal da memória

Socorro-me nesta emergência da famosa expressão poética de José Régio ‘...só sei que não vou por aí’. Não vou por aí a repetir o tema requentado que veio comigo na bagagem de emigrante, ou seja lastimar o facto do sistema financeiro inspirado na barbárie capitalista ter novamente ‘entrado’ em delírio comatoso. Nada se aprende sem dor. Dirse-ia que, teoricamente, a dor humana costuma ser dirigida a todos, mas o sofrimento real só se instala na existência dos deserdados... Não é novidade dizer-se que o peso psicológico que os indivíduos trazem nos suspensórios da memória não depende dos princípios da gravimetria. Nem o eco dos falares antigos nos é devolvido à origem em obediência às leis da acústica. Talvez por isso não valha a pena misturar memória com passadismo. Mas isso não invalida as memórias gratas que não esquecemos, e aquelas outras que não se esquecem de nós… as tais que não desistem de perseguir a nossa sombra…

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– breve intróito sem missal

O episódio de que vos falo hoje já vem de longe. Atrevo-me a (re)visitá-lo para prestar homenagem aos mestres do Ensino Técnico Profissional da década de 50 -periodo singular da nossa própria existência atarantada em pleno planalto da adolescência, como ilhéu micaelense e trabalhador-estudante (1957-1962). Naquele tempo, o modestíssimo salário que nos fora conferido para trabalhar na secretaria da antiga Escola Industrial e Comercial de Ponta Delgada, não dava para meia-missa. Mas gozava duma oportunidade rara: a convivência diária com mestres de proverbial valia para o reforço dos arcos-de-ponte do meu percurso mental e cultural. Além disso, fora-me facultado o acesso livre à biblioteca daquela Escola, na altura dotada com cerca de 6.000 livros, não contando a enciclopédia luso-brasileira, considerada a indispensável internet da época. Falta ainda somar a tudo isto uma preciosidade instrumental: a selecta discoteca com meia centena de obras clássicas, que podiam ser ouvidas num majestoso rádio-gira-discos da marca blue point. Durante anos, nas tardes de sábado, foi naquele ambiente que me surpreedi a gaguejar dúvidas e a cismar soluções para as interrogações invisíveis da minha juventude: ouvir música ligeira, escrever poesia, escutar Villaret, ler Antero, Eça, e Garrett, e Cesário Verde, e Herculano –

era um privilégio marquesado para a época! Todavia havia que gerir um desconforto ocasional: a oficina de carpintaria onde funcionavam as aulas de Trabalhos Manuais ficava logo ali debaixo da sala dos professores, no réz-do-chão do edificio solarengo da rua do Mercado. Um dos docentes daquela actividade chamava-se Deodato Carvalho, irmão de Brito Carvalho, também artista de invulgar talento professional, ambos apreciadores informados da arte musical, designadamente, a música clássica. Naquele sábado (1957) a tarde estava húmida, pardacenta e com pressa de anoitecer. Olhei distraidamente o espólio de música gravada existente na estante, e senti-me atraído pela fealdade do rosto patente na aristocrática capa de um dos discos de 33 rotações. A seguir procurei soletrar o nome do misterioso compositor da Quinta Sinfonia. Qual quê? Beethoven? … que maluqueira para uma mãe escolher um nome tão ‘arrudo’ ao próprio filho? Não tardou muito, e já os primeiros acordes da Quinta Sinfonia ribombavam na sala dos professores, cuja ampla varanda permitia o acesso indirecto à algazarra do mercado da Graça. À distância de quase meio século suspeito que, aos quinze anos, ainda não crescera o suficiente para apreciar o cintilar sinfónico servido por uma incrível pujança instrumental. Durante breves minutos, ainda tentei aguentar firme o efeito melódico da agonia beethoveniana, mas… depressa fui vencido pela impetuosidade das interrogações musicais do

‘destino a bater à porta’... 3 – a ignorância não é defeito de nascença. Na altura não me apercebi que mestre Deodato estava a trabalhar na tal oficina instalada no rés-do-chão, debaixo da sala dos professores. Só mais tarde me foi dito que, ao ouvir com surpresa os primeiros acordes, o Mestre desligara imediatamente a serra eléctrica e a ventoinha, para se entregar ao fascínio da abertura monumental da Quinta Sinfonia. Entretanto, devido à inocente-ignorância da idade, pratiquei o primeiro pecadomortal cultural da minha vida: substituir o imortal Beethoven por uns arranjos musicais do trompetista James Last. … estou ainda a ver a silhueta de mestre Deodato, naquele fim de tarde de sábado, junto à porta da sala dos professores. Trazia no rosto uma expressão repartida entre o espanto e o desgosto; a sua calva de monge-operário reflectia a claridade teológica de quem tinha ‘poderes’ para administrar a extrema-unção à (minha) indigência cultural, sobretudo no âmbito da música clássica. Na sua voz magoada, como que a implorar a misericórdia celestial para acudir à enormidade do meu pecado, mestre Deodato de Medeiros Carvalho não resistiu ao pertinente desabafo: - João Luís... valha-te Deus! Acabas de calar um génio para dares voz a um habilidoso. Isso não se faz a Beethoven…

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Temas de Agropecuária

A Minha Coluna

Nós temos que idealizar um melhor sistema para fixar os preços do leite
O sistema corrente baseado em fórmulas - “product formula pricing ” é tão obstruído com problemas, que a nossa indústria tem que pensar sériamente em encontrar alternativas. Estamos a necessitar um sistema que mais diretamente se adapte à realidade, e venha eliminar as constantes disputas nas audiências Estaduais e Federais que têm a duração de um ou mais dias em acentuado litígio em “tribunais” improvisados para esse fim. À primeira vista “produt formula pricing” parece lógico, mas uma grande maioria do leite produzido é transformado em queijo, manteiga e leite em pó, portanto faria sentido que o preço do leite fosse directamente baseado no valor desses produtos e não por linhas travessas, como acontece usando menos de 1% das vendas actuais dos mesmos. Os detalhes dessas fórmulas são complicados e deixam rumo para incompreensões no que respeita ao rendimento dos productos e os custos de transformação - “make allowances” - retirados à produção do preço original do leite, estes preços são mesmo incríveis, se tivermos em conta a influência que distribuidores e fabricantes têm no mercado, enquanto que a produção está práticamente indefesa. Milhares de horas e centenas de mil-

hares de dólares, muitas destas retiradas dos preços que deviam ser pagos aos produtores, têm sido gastos discutindo os detalhes de “formula pricing”, por uma burocracia interminável. E agora as mudanças votadas a favor no “make allowance”, estão paradas nos tribunais. Muitos nesta industria gostariam de ver o regresso do “competitive pay price”, o Departamento da Agricultura (USDA) recebia informações desses preços pagos pelo leite de “grade B”, nas zonas competitivas dos transformadores que as pagavam, usando o velho “MinnesotaWisconsin” sistema de precos. Essa imformação trazia o preço do mês anterior e o que se esperava para o próximo mês formando assim uma

formula básica que passava a ser o preço da “class III” das ordens Federais, e por aí se originavam todos os preços, em resposta ao preço competitivo realmente pago e não um sistema volátel e controverso como é a bolsa de valores comercial de Chicago (CME), que tem provado ser facilmente manipulada pelos grandes distribuidores da industria. Alguns nesta industria têm advogado um sistema híbrido, envolvendo preços competitivos que seriam ajustados para o corrente preço dos produtos do leite, isso essencialmente seria um cruzamento entre o presente sistema (BFP) “basic formula price” e o antigo (M-W) “MinnesotaWisconsin”. Um novo sistema tem sido sugerido por publicações altamente reconhecidas nesta industria, incluindo acordos contratuais, entre produtores e processadores, cooperativas ou independentes, que envolve-se o preço combinado, certa quantidade de leite, e certo periodo de tempo. Um sistema assim seria transparente e daria estabilidade e eficiência a produtores e compradores. Aperfeiçoar o mecanismo seria fácil se houvesse cooperação, infelizmente isto são apenas sonhos de dias melhores. Entretanto estamos usando eficientemente o processo de eliminação usado presentemente pelo sistema financeiro. Quem não pode suportar o calor, sai da porta do forno.

A Positive Note to Real Estate
In the long term, home prices often tend to rise with commodity prices. With that being said, the prices for commodities are sky-high right now and the Producer Price Index for construction is up nearly forty percent over the past five years. Sooner or later the increasing costs of raw materials will push home prices back up. With the risk of rising construction costs in the near future, you can be comforted to know that now is a great time to buy a home and it becomes insightful investment advice, not just a marketing pitch. Real estate is the ultimate commodity. Every home is made from materials like steel, wood, copper wiring, cement and others, and with these combined with cost of land and labor, becomes a store of value for every commodity that’s gone into a homes construction. It’s this tangible quality that ties the long term price of a home to its cost of production and makes a home a different kind of investment than a stock or bond. The current oversupply of resale and foreclosure homes may be keeping home prices low for now even as the cost of raw materials rise. But, because home prices are grounded in hard costs, in the long-term home prices will adjust at some point to reflect the price of production and the cost of the land it sits on. Once builders are in a position to pass on higher material costs, buyers will begin to feel price pressures. That being said; if you want to stay ahead of inflation you must understand that over a long period of time, home prices will go up again.

VOCALISTA
Precisa-se vocalista (homem ou mulher) com experiência em cantar música Portuguesa, para fazer parte de um Conjunto Musical já estabelecido e com vários contratos. O Conjunto Musical tem os seus ensaios em Escalon, CA.

CONVERSA COM JESUS
Converse com Jesus todos os dias, durante nove dias orar: Meu Jesus em Vós depositei toda a minha confiança. Vós sabeis de tudo, Pai e Senhor do Universo, sois o Rei. Vós que fizestes o paralítico andar, o morto voltar a viver, o leproso sarar, Vós que vedes minhas angústias, minhas lágrimas, bem sabes, Divino Amigo, como preciso alcançar do Vós esta grande graça: (pede-se a graça com fé). A minha conversa conVosco, Mestre, dá-me ânimo e alegria de viver. Só de Vós espero com fé e confiança (pede-se a graça com fé). Fazei, Divino Jesus, que antes de terminar esta conversa que terei conVosco durante nove dias, eu alcance esta graça que peço com fé. Com gratidão publicarei esta oração para que outros que precisem de Vós aprendam a ter fé e confiança na tua misericórdia. Ilumine meus passos, assim como o Sol ilumina todos os dias o amanhecer e testemunha a nossa conversa. Jesus, tenho confiança em Vós, cada vez mais aumenta a minha fé, por graças alcançadas. CS

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Programa Litúrgico
Novenário
De 17 a 23 de Outubro pelas 7:30 da noite Recitação do Terço, Missa solenizada e pregação. Na Quinta-feira, dia 23 de Outubro haverá a Santa Unção aos doentes. Na Sexta-feira, dia 24 de Outubro a recitação do terço será às 7:00 da noite. Todos os dias durante as novenas das 6:00 às 7:30 haverá exposição do Santíssimo Sacramento

Horário das Confissões

De 17 a 23 de Outubro das 6:30 às 7:30 da noite. Sexta-Feira dia 24, das 6:00 às 7:00 da noite. Sábado dia 25, das 9:00 às 10:00 da manhã. O ministério da pregação do Novenário e da Festa, está a confiado ao Rev. Jacinto Alberto de menezes Bento, vinda da Ilha Terceira. O tema do novenário e festa é Maria, Senhora do Rosário.

Sexta-feira, 24 de Outubro
7:00 da noite: Recitação do TERÇO E MISSA SOLENE com pregação. 9:00 da noite: Espectáculo por um Grupo de Paroquianos do Santo Rosário.

Sábado, 25 de Outubro
10:30 da manhã: Tradicional BODO DE LEITE com desfile de animais e carros alegóricos, Acompanhará o cortejo a Banda Lira Açoriana no tradicional PÉZINHO, pelos improvisadores João Angelo (Terceira), António Azevedo, Vital Marcelino, João Pinheiro, José Ribeiro, Manuel dos Santos, Adelino Toledo, acompanhados pelos tocadores Manuel Avila, Victor Reis, Dimas Toledo e os jóvens Michael Machadoo e Justin Rocha. A Comissão convida todos os lavradores a participarem no cortejo trazendo os seus carros de bois enfeitados. 1:00 da tarde: BENÇÃO DOS ANIMAIS com a imagem de Santo Antão, seguindo-se a distribuição de massa doce e leite a todos os presentes. 2:00 da tarde: Arrematação de animais e ofertas. Abrilhantará a tarde os grupos folclóricos: “Mar Bravo” da Casa dos Açores, SES de Merced, Luso-American do Concelho de Jóvens #4 de Modesto e Mar Alto, da Paróquia de Nossa Senhora da Assunção, de Turlock. 6:30 da tarde: Novena e Missa Campal (bilingue) cantada pelo Coro Português da Paróquia. O Terço será recitado durante a Procissão. Depois da Missa haverá Procissão de Velas e Benção ao Santíssimo Sacramento na Igreja, seguindo-se o Adeus a Nossa Senhora. 9:30 da noite: No Salão haverá a tradicional Cantoria, pelos improvisadores já mencionados. Ao ar livre: Dança com o Conjunto “Zodiac” de San José

Durante todas as Festividades haverá:
Iluminação, Arrematações, Bazar e completo serviço de Restaurante

Domingo, 26 de Outubro
10:30 da manhã: Missa campal, cantada pelo Coro Português da Paróquia, seguindo-se a Solene Procissão de Nossa Senhora do Rosário, acompanhada pelas Imagens convidadas das paróquias vizinhas. Tomarão parte na Procissão as Filarmónicas Lira Açoriana, União Popular, Banda Portuguesa de Tulare e a Banda Portuguesa de San José. Após a Procissão servir-se-á almoço de torresmos, batata doce e feijão oferecido pela Comissão a toda a comunidade. Durante a tarde haverá Concertos pelas Filarmónicas: Lira Açoreana, União Popular, Filarmónica P. de Tulare e Banda Portuguesa de San José. 8:00 da noite: Actuação dos artistas António Albernaz e fátiam Caldeira, de Portugal 8:30 - 11:00 pm no Salão - Dança com Marson Brothers DJ

Não falte !
A comissão da Festa convida a Comunidade a honrar a nossa Mãe do Céu, e a participar na já tradicional festa da Paróquia do Santo Rosário em Hilmar, California. Desde já a comissão agradece a presença de toda a Comunidade e um sincero obrigado a todos aqueles que de uma forma ou outra contribuíram para a realização desta Festa. Muito Obrigado

Direcção da Comissão da Festa 2008
Pároco — Rev. Hilary Silva Presidente — Frank e Manuela Enes Secretária — Maria e Manuel Almada Tesoureiro — Mary Xavier
Telephone - 209-667-8961 Frank, Nathan e Manuela Enes

20263 American Avenue, Hilmar, CA 95324

A Igreja ficará aberta durante a noite para venerar Nossa Senhora

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Agua Viva

Cantinho do Miguel

P

arece estar cumprido o ciclo das Festas religiosas dedicadas ao Divino Espírito Santo, tanto aqui nos Estados Unidos, como nos Açores, onde têm a sua força real, embora vestidas de outra maneira mais simples, para dar lugar a outra consagração: Nossa Senhora de Fátima. Enquanto em Portugal, neste mês em quase todas as freguesias se festeja a Mensagem de Oração e o Adeus à Virgem, desde a Sua visita à Cova da Iria, o emigrante saudosamente vai percorrendo longos caminhos fora do seu País de origem para também prestar homenagem à Mãe de Jesus, e mãe de todos os Cristãos. A Nossa Senhora que sempre recebe o nome do lugar onde faz a sua primeira aparição, de vez em quando parece querer demonstrar que o Mundo precisa de uma forma de estar e viver diferentes, de um comportamento distinto do que o Povo se está encaminhando. E da forma mais incrível, faz-se manifestar. A última aparição que aconteceu foi no dia 3 deste mês, na cidade de Springfield no Estado de Massachussets, no vidro de uma janela do Mercy Medical Center, único hospital católico da área, onde vivem muitos portugueses, tendo sido testemunhado por muitas centenas de pessoas e pelo canal 22 de Televisão WWLP.com, que transmitiu o acontecimento. Durante quatro dias consecutivos os reporters, também eles visivelmente admirados, seguiram o caso que movimentou muitos crentes, agnósticos e curiosos, no desejo de saber a verdade do caso e alguns doentes dirigiram-se ao local em cadeira de rodas, à procura de uma benção, ou de uma possível cura para os seus males; outros começaram a orar de olhos fixos na imagem aparecida na janela. Alguns diziam que apesar de não terem nenhuma religião, que se sentiam impressionados pois nunca tinham visto algo semelhante. Como o caso já estava a causar demasiada celeuma, sobretudo para os não crentes na Virgem Maria, foram dadas diversas explicacções científicas por um engenheiro de restauro em vidro, para que tal visão constasse na janela, mas porque os crédulos não se sentiam satisfeitos com o argumento, foi dada ordem para que aquele vidro fosse tirado e outro colocado em seu lugar, a fim de verem o que acontece e se acabarem com as especulações. Por agora, todos aguardam a mudança, mas o certo é que embora fosse bem visível no vidro a silhueta da Virgem Maria, de mãos postas e com o Rosário, existe sempre uma preocupação tremenda de acabar com a fé do Povo, pois vêm logo os ditos entendidos da Bíblia dizer que é coisa diabólica. No meu entender, diabólico é andar-se por aí metendo confusão nas cabeças de cada um, fazendo promessas de Vida eterna sem saberem ao certo o que está escrito nas entrelinhas. Diabólico é enganar o próximo, é mentir e levantar falsos testemunhos da vida das pessoas. Diabólico é tentar impedir que o semelhante cresça como pessoa e como profissional. Diabólico é fingir que se quer bem, dizendo palavras bonitas ao coração, mas espetando nas costas a faca da falsidade. Diabólico é o que vemos todos os dias os políticos fazerem uns aos outros, atacando-se mùtuamente, em campanhas para se colocarem no poleiro sem um mínimo de respeito pelo povo que lhes paga com sangue e suor do rosto as vaidades e os ordenados desmedidos. Diabólico é ver meio mundo a tentar enganar o outro meio que ainda consegue ter um pouco de Fé. E se este Povo necessita de um novo motivo de Fé… O Mundo inteiro precisa acreditar, antes que chegue a completa ruína, não só da Banca, das minas de petróleo e outras, mas também do ser humano e de todos os seres vivos que estabilizam a condição do planeta Terra, e que a mão destruidora do homem sem escrúpulos tende a fazer desaparecer. Precisamos acreditar e precisamos também de votar. As eleições estão à porta e devemos tentar fazê-lo com consciência, medindo prós e contras, separar o trigo do jóio, com o firme propósito de não escolhermos fantasmas do passado que nos conduzam de novo à Guerra com o resto do mundo, alegando que é para defender o nosso pequeno bairro de birras e quezílias. *

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em sei que não sou a pessoa indicada para falar sobre o grancle vulto das letras açorianas que foi o Professor Dias de Melo recentemente falecido. Não faltará quem de direito a fazê-lo. Cheguei a conhecê-lo pessoalmente numa des minhas várias visitas ao Pico quando a minha boa mãe lá vivia. Só li três dos seus livros - Mar pela Proa, Vida Vivida em Terras de Baleeiros e Pedras Negras. Este último foi-me oferecido com dedicatória do autor a 11 de Outubro de 1985. Gostei tanto do romance “Pedras Negras” que no mesmo ano li-o no meu programa de rádio “Saudades da Nossa Terra”, e mais recentemente, de Maio a Julho desto ano, voltei a contar a história das “Pedras Negras” aos meus radiouvintes. Faço minhas algumas das palavras escritas pelo editor na capa

do livro: …”Pedras Negras” é um dos romances mais notáveis da literatura açoriana dose últimos vinte anos. Escrito pelo picoense Dias de

Melo, esta obra bem pode considerar-se um modelo de rigor formal e da arte de contar uma história. Profundo conhecedor da realidade da Ilha do Pico, ninguém como Dias de Melo saberia reproduzir com tanta fidelidade as matizes das suas cores locais, os hábitos e costumes das suas gentes, a sua linguagem e o clima de conflito social onde os baleeiros e os grandes senhores da pesca.” Que pena que eu tenho de não ser a minha querida mãe Josefina a escrever sobre este velho amigo seu, pois conviveram espiritualmente váios anos no seu adorado Pico em mutua amizade e admiração! À memória de ambos e em nome da minha família apresento os meus sentidos pêsames a toda a família do falecido Professor Dias de Melo.

A Direcção da Luso-American Life Insurance Society (LALIS) anuncia que John Larry Soares foi nomeado Vice-Presidente Executivo e Chefe Executivo (CEO) a partir de 1 de Janeiro de 2009. Manuel A. Minhoto, Vice-Presidente e CEO desde 1999 reforma-se a 31 de Dezembro deste ano. Larry Soares tem 58 anos e começou a trabalhar na LALIS em 1992 como Gerente Regional de Vendas e Marketing antes de se tornar Vice-Presidente e Secretário em 1999. Larry Soares serviu esta sociedade fraternal nas suas camadas jovens assim como foi membro da sua Direcção entre 1984 e 1993. Larry Soares recebeu o seu bacharelato em gestão de empresas da San José State University. Larry é casado com Margaret e reside em Pacific Grove, California, e é pai de dois filhos. A sua filha Jennifer casada com Tim tem uma filha Erin e está grávida com um menino, Jack, e reside em San Diego. O filho de Larry, John, está no segundo

Rádio Clube Português
Director: João Vidal Cardadeiro Produtor: José C. Rosa Aos Sábados das 2:05 às 5 da tarde Estação: KNRY - 1240 AM www.knry.com
ano na University of Southern California (USC) em Los Angeles. Tribuna Portuguesa sauda Larry Soares pela oportunidade que tem de cada vez mais poder ajudar uma das nossas mais importantes Sociedades Fraternais.

Monterey, CA
Telefones: 408-259-2988 San José

Filipe S. Lima Médico Dentista
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Minha Língua Minha Pátria
noite, quando, já exausto, recebeu do Embaixador um telefonema pedindo-lhe ainda que fosse à residência oficial para uma conversa. Dela resultou para o Secretário a conclusão de que o seu chefe, sempre declarado indefectível salazarista, desejava agora, com os previsíveis novos ventos políticos, desfazer essa imagem junto do Ministério. De momento havia desaparecido uma fotografia de Salazar com dedicatória ao seu “bom amigo”, antes ostensivamente exposta no salão da Emreage à apresentação ao diplomata com um “Muito prazer, Senhor Embaixador. Veio com certeza ver se eu entornava a sopa, não?” Mais tarde o Embaixador oferece a desajeitada desculpa de não haver ido ao espectáculo por sofrer dos rins, não podendo estar muito tempo sentado. Então Amália, vendo-o de copo na mão, acrescenta “Tenha cuidado com o uísque, Senhor Embaixador. Pode-lhe fazer mal aos rins”. Outra gafe do Embaixador tem lugar um embrulho que mais tarde o Secretário descobre conter um pijama, umas chinelas e artigos de “toilette”do Embaixador. Era evidentemente algo que o Secretário não poderia enviar para Lisboa, pelo que resolve deixá-lo num bosque. Escreve contudo ao seu chefe relatando o acontecido e recebe dele uma carta de tom compungido, narrando o romance e contendo um cheque para pagamento de três meses de aluguer. O entrecho do livro envereda então por um rumo inesperado. A amante do Embaixador, holandesa, pede ao Secretário que a visite e este acaba por substituir o seu superior nos idílios de quinta-feira, aproveitando-se da cómoda vantagem de que o apartamento continuava a ser pago. Confessa que se sente um tanto ou quanto “chulo” com esta situação mas as visitas semanais prosseguem. Tudo no entanto termina quando um dia ele chega numa terça-feira e se depara com a holandesa à porta beijando amorosamente outro homem. E a estadia do Secretário no país conclui-se com a vinda de outro Embaixador e a nomeação como cônsul nos Estados Unidos. Existem por certo toques de coincidência entre o narrado na obra - seria preferível não tentar determinar quais - e a vida pessoal de Pinto Machado. Também sem dúvida a descrição de ambientes e mesmo o relato de certos eventos resultam de observação directa. Tanto a actividade profissional como a literária de Pinto Machado mereceram-lhe numerosas distinções. Foi membro honorário da Academia Colombiana de Letras e Filosofia, da Sociedade de Geografia do mesmo país e membro da Sociedade de Geografia de Lisboa. Grande Oficial da Ordem do Mérito da Colômbia, recebeu também a grã-cruz da Ordem de San Carlos do mesmo país. De igual modo foi distinguido como Grande Oficial da Ordem El Condor de los Andes, da Bolívia, e comendador da Ordem de S. Silvestre, da Santa Sé. Foi além disso contemplado com o Prémio 1992 da Sociedade de Direitos de Autor, pela sua obra de divulgação de autores portugueses no estrangeiro.

Conclusão da última edição

A

mais sólida obra literária de Pinto Machado é o romance O Secretário do Embaixador, aparecido em 2003 e prefaciado por António Manuel Couto Viana. A longa gestação deste volume, ficcional mas fundamentado numa experiência profissional, devese a uma muito justificável reserva em revelar os podres observáveis nos bastidores da nossa diplomacia, o que com toda a probabilidade explica o facto de apenas ter sido lançado após a aposentação do autor. Não obstante o título, o maior destaque assenta na figura de um inconstante e arbitrário embaixador. O seu secretário actua basicamente como narrador. O autor teve no entanto o máximo afã em camuflar a identidade do atingido e mesmo o nome da cidade onde a acção decorre. (Em princípio poderia pensar-se na Haia, o primeiro posto de Pinto Machado no exterior, mas detalhes referentes a tempos, pessoas e lugares não justificam essa hipótese.) Num artifício usado por outros romancistas, incluindo por exemplo Camilo Castelo Branco, o autor atribui a outrem a feitura da obra. Conta assim que uma vez num táxi havia encontrado um grosso caderno manuscrito de um texto desprovido de nome, assinatura ou morada, que só vinte anos depois decidiu publicar. A narração tem início no dia da morte de Salazar. O secretário de uma embaixada portuguesa, algures na Europa, recebe a notícia da boca do chanceler. Este referese ao ex-Presidente do Conselho como o Botas, o que diverte o Secretário, que não conhecia a alcunha. Tornava-se então necessário avisar o Embaixador mas estava-se em quinta-feira, dia da semana em que este não permitia ser incomodado durante as várias horas que dedicava à doce companhia da sua “petite amie”. O Embaixador por fim apareceu. Nessa altura já o Secretário tinha tomado alguns dos encargos que a ocasião requeria. Continuou não obstante a trabalhar no que lhe fora ordenado até perto das dez horas da

Amália, ressentida pela ausência dele ao espectáculo, que havia sido um grande sucesso, reage à apresentação ao diplomata com um “Muito prazer, Senhor Embaixador. Veio com certeza ver se eu entornava a sopa, não?”
baixada. Este primeiro capítulo da obra começa já a traçar um retrato do Embaixador como uma figura egocêntrica, prepotente, pronta a adoptar atitudes que melhor servissem as suas conveniências, nas palavras do narrador, “retrógrado e desumanizado”. Depois desta cena inicial, o Embaixador continua a ser caracterizado num tom muito negativo. Recusa com frequência sensatas sugestões e propostas do Secretário, o que o conduz a situações embaraçosas. Opõe-se por exemplo a um apoio à visita de Amália Rodrigues ao país pois considera fado e futebol manifestações da ralé. Acrescenta que não tinha nada que ver com o recital de Amália e que não colaborava com empreendimentos comerciais. Assim não aceita as ideias de se comprarem quatro ou cinco camarotes para convidar autoridades locais ou chefes de missão de países amigos e de oferecer uma recepção na Embaixada depois do espectáculo, quanto a esta com o argumento de que não iria receber uma “fadista” em sua casa. Ante isso o Secretário prepara uma reunião com umas trinta pessoas no seu apartamento, a que o Embaixador só chega por volta da uma da noite. Amália, ressentida pela ausência dele ao espectáculo, que havia sido um grande sucesso, quando nessa cidade o Benfica iria disputar a meia-final da Taça da Europa. Os bilhetes eram procuradíssimos e a Embaixada só recebe dois, que o Embaixador oferece ao Secretário, negando a sugestão deste de que se comprassem mais para prover a possíveis solicitações vindas de Lisboa. A data do desafio aproximava-se, a lotação do estádio estava esgotada e de Portugal começam a chegar pedidos de bilhetes. Entretanto o Secretário, perante um telefonema idêntico, havia oferecido ao Embaixador de Portugal em Paris utilizar um dos bilhetes de que dispunha. A última gota de água transbordou quando o Ministro ds Comunicações telefonou ao Embaixador pedindo-lhe duas entradas. Este primeiro sugeriu e depoi ordenou ao Secretário que lhe devolvesse os bilhetes que lhe tinha oferecido, o que foi firmemente recusado. O Embaixador saiu “como uma fera”, atirando com a porta e por várias semanas não falou ao Secretário. Um curioso “imbroglio” inicia-se quando, após a partida do Embaixador para férias em Portugal, que por certo iria resultar num definitivo abandono do posto, a sua amante vem falar com o Secretário e conta que o contrato do apartamento que o Embaixador lhe tinha posto era por doze meses, pedindo que lhe paguem o saldo. A “petite amie” entrega também

Fios / Malhas / Redes

omo se prepara hoje em dia um professor para ensinar Português a falantes não nativos? E mais especificamente, que competências devem os professores desenvolver para ensinar na Califórnia, não só a crianças, jovens e adultos lusodescendentes, mas também a falantes de outras línguas, sobretudo inglês e espanhol? Imaginemos um(a) jovem que completa este ano lectivo o seu curso universitário e deseja ensinar Português no ensino secundário público. Se frequenta uma das poucas universidades que oferecem uma licenciatura em Estudos Portugueses (Major) poderá estar mais perto de realizar o seu sonho, mas ainda assim não poderá obter uma credencial estatal específica para a disciplina (Single Subject Teaching Credential), pela simples razão de

C

que ela não existe. Não admira, por isso, que nos debatamos com um défice no número de profissionais qualificados que permita, por um lado, manter os programas existentes e, por outro, expandir a oferta com a criação de novos programas. Recentemente, porém, parece ter sido criada uma via para a resolução do problema da falta de credencial para professores de Português. A exemplo do que já aconteceu anteriormente em relação a línguas como o Hmong, Cantonês, Árabe e Farsi, entre outras, a Comissão para a Certificação de Professores (California Commission on Teacher Credentialing) vai permitir a criação de um exame que ateste as competências dos professores de Português, chamado CSET: LOTE (California Subject Examinations for Teachers: Languages Other Than English Examinations). No entanto, em-

todos os que se interessam pelo futuro da educação da comunidade luso-americana que não perdessem a oportunidade de demonstrarem publicamente o vosso desejo de verem resolvido este assunto, informando igualmente os vossos representantes políticos do mesmo. bora teoricamente se tenha aberto esta importante janela de oportunidade, nem o processo de candidatura das instituições que deverão administrar o exame foi posto em marcha, nem se conseguem ainda identificar os interlocutores no Departamento de Educação que poderão promover directamente esta causa. A curto e médio prazo, a resolução desta questão deve ser encarada como central na agenda do Ensino Português na Califórnia. E como "ave só não faz ninho" gostaria de pedir a Por seu lado, a CEP.CA (Coordenação do Ensino Português na Califórnia), para além de vir a contribuir directamente na elaboração do referido exame, e em antecipação a outros cursos de preparação que poderão criarse no futuro, está neste momento a oferecer uma oficina certificada de desenvolvimento profissional para professores de Português. O título da oficina é "Teaching Portuguese in the 21st Century: Principles, Practices and Tools", correspondendo a 4 Unidades de Crédito ($40 por unidade) atribuídas pela California State University, Stanislaus

(Extended Education). A oficina vai realizar-se segundo um modelo híbrido (20 horas presenciais e 40 horas online) e inicia-se a 27 de Outubro, terminando a 6 de Março, incluindo pausa para as férias de Natal. As instituições de ensino onde existem programas de português (todos os níveis) receberão por correio informações adicionais. Para efectuar a pré-inscrição ou para outras informações, por favor contactar Ana Cristina Sousa através do telemóvel 209-202-0980 ou email acsousa@csustan.edu. As inscrições são limitadas a 24 participantes (locais, nacionais e internacionais). Caro professor de Português, contamos consigo!

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HOMENAGEM

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A entrada do Vieira Park - 1.3 acres, com mais 1.4 acres de “trails” em volta da montanha

Aspecto dos condomínios em redor do Vieira Park, tipo Tuscany, tal com se pode ler nos prospectos da KB Homes

Família Vieira recebendo o Louvor (Commendation) da Câmara Municipal de San José. Joseph, Nicholas, Lina, Ethan, Batista e Dolores Vieira, Madison Nguyen, Davide e Theresa Vieira. Ausentes os estudantes Christopher e Anthony Vieira

Mais uma vez a Câmara Municipal de San José reconheceu a importância dos açorianos no desenvolvimento não só da cidade mas do Condado de Santa Clara. Uma pequena montanha, conhecida por Communications Hills, situada ao lado da auto-estrada 87, desde 1896 era quase toda pertença de José Azevedo, um jorgense, avô de Dolores Batista, que lá tinha mais de cem acres de terra. Batista Vieira quando chegou à California trabalhou no rancho dos Azevedos com o irmão, durante quatro anos. Em 1958 Batista Vieira casou com Dolores e viveram no rancho de Communications Hills até 1971. Dolores e Batista Vieira herdaram parte do rancho e um dia compraram à tia Adeline a parte dela. Em 2004 Batista Vieira vendeu cerca de 90 acres ao KB Homes, onde foi construído esta nova comunidade com vista privilegeada para as Montanhas de Santa Cruz, Monte Hamilton e Almaden Valley. O Vieira Park tem

Julie Edmonds-Mares, Joseph Batista, Madison Nguyen, Vereadora da Câmara de San José (em representação do Mayor Chuck Reed), David, Dolores e Batista Vieira

Mesmo debaixo de chuva forte, a inauguração continuou, com o corte da fita tradicional por Dolores e Batista Vieira, na presença de filhos, netos e representantes da Câmara e dos Parques e Recreação.

áreas de piquenique e entretinimento para crianças. A cerimónia foi simples. Falaram uma representante da comunidade residente em Tuscany Hills, dos Serviços de Parques e Recreação, representante da KB Homes e finalmente Madison Nguyen, vereadora, tendo David Vieira agradecido em nome de toda a família. A história do Vieira Park vai ficar marcada numa placa em bronze, cuja cópia mostramos ao lado.

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FESTAS

Tribuna Portuguesa Fotos de Jorge Avila “Yaúca”

Já há anos passados escrevemos que não compreendíamos muito bem a devoção do nosso povo. Quando esta festa tinha Rainhas e aias era grande, mas desde que o Monsenhor Alvernaz decidiu não misturar Espírito Ssanto com Nossa Senhora de Fátima, a festa decaíu enormemente no número de pessoas que participam nesta bonita, simples e bem organizada procissão. Porquê? Da Terceira veio o pregador, o Reverendo António Henrique Arruda Pereira, pároco da freguesia da Ribeirinha. A Comissão da Festa era constituída pelo Pároco Mark Wagner, Presidente Manuel Lima, VicePresidente Jim Estácio, Secretária Fátima Medina, Tesoureira Charlene Silveira e Lúcia Silveira, como responsável pelo inventário. A parte profana foi variada com fados e guitarradas - Ana Vinagre e Angela Brito na sexta-feira da festa, cantorias com Abel Raposo, Adelino Toledo, Jose Ribeiro, Vital Marcelino. Alcides Machado alegrou a festa no Ginásio com as suas músicas e cantares. As arrematações decorreram bem e o almoço depois da Procissão, de “Galinha de Churrasco” é já um ex-libris desta festa. Parabéns a todos.
Imagem de Nossa Senhora de Fátima ladeada pelos Knights of Columbus e Padres António Pereira e Luis Navarro

O começo da pequena mas bem organizada Procissão

Vice-Presidente Jim e Laurie Estácio, Mary e Manuel Lima, Presidente

Aspectos da Procissão Imagem do Sagrado Coração de Jesus. Embaixo: os pastorinhos

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COMUNIDADE

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9th Annual Halloween Dance
Hosted by Luso-American Fraternal Federation
20-30's Region # 6 of Modesto

Friday, October 24th, 2008 @ MPPA (California Ballroom)
632 6th Street, Modesto, CA
Lira Açoriana de Livingston e Lusitania de North Bay na Festa de Turlock

Dance 8pm-1am (ONE EXTRA HOUR THIS YEAR) Music by Progresso (American & Portuguese) * $2 and $3 drinks all night!

DRESS TO IMPRESS, PRIZES WILL BE AWARDED!
Youth Contest @ 9pm Adults @ 11pm NEW THIS YEAR: Activities for kids from 8-9:30pm

BUY YOUR TICKETS NOW! $7 CALL LOCAL PARTY HOSTS
President- MONIQUE VALLANCE at 209-613-0341 Vice President- MICHELLE ROCHA at 209-652-8233 Secretary- BRIAN MARTINS at 209-613-1655
Region #6 Dance Party Hosts- Danny Silva, Melanie Silva, Jenna Maiorino, Georgann Demelo, Danny Martins, Tiffany Jackson, Monica Xavier, David Oliveira, Jennifer Meirinho, Liz Alves, Diana Morris, Nancy Morris, Johnny Azevedo, Derek Rocha, Dave Vallance, Julie Meneses, Mark Meirinho, and Hollie Briganti

------------------------------------------------------------------------------------------FILHÓS SALE the day of the Halloween Dance to benefit Adult Council 49B-55C of Modesto Call Council President Monica Xavier to pre-order at 209-456-9095 $1 each, 6 for $5, or 12 for $10

(Filhós orders will be ready at 4pm)

Celebraram recentemente 50 anos de vida conjugal, o casal Luciano e Alice Neves, residentes em San Leandro, California. Para comemorar esse auspicioso acontecimento, os aniversariantes reuniram-se

com toda a família e amigos na Igreja Católica de St. John’s, em San Lorenzo e depois prosseguiram a comemoração com um banquete, num elegante restaurante em Berkeley. Foi num ambiente de muita animação que Luciano e Alice relembraram o dia feliz do seu enlace matrimonial em 1958.

Luciano Neves é natural da Praia do Almoxarife, Faial, e Alice Neves é natural de Pedro Miguel, Faial, e residem há quarenta anos em San Leandro. Aos brindes foram dirigidas ao simpático casal, palavras de muito afecto por parte dos familiares e amigos presentes na celebração, e muito especialamente pelos seus filhos, nora e genros, Alvaro e Colleen Neves, Lina e Miguel Jimenez, Olga e Antonio Galindo, netos Lorenzo e Alex Galindo, Sebastian, Gracie, Mary e

Marciano Neves, pelos 50 anos de vida matrimonial, vividos com muita felicidade pelos seus pais e avós. Tribuna Portuguesa sauda e felicita estes nossos assinantes pelos 50 anos de vida conjugal.

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PATROCINADORES

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Portugal, Spain & France September 7-21, 2009
Deluxe Hotels, Customized & Hosted by: Maria Fagundes-Bettis
Maria Fagundes Fala Português

Tour Includes: Roundtrip Motorcoach from Modesto Roundtrip Airfare from San Francisco All Transfers, Taxes, Breakfast Daily, 9 Dinners, Entrance Fees, English Speaking Tour Guide & more. Call Maria for a day by day itinerary 2 Nights in Algarve 2 Nights in Lisbon 2 Nights in Fatima 1 Night in Salamanca 1 Night in Burgos 2 Nights in Lourdes 3 Nights in Paris Rates: $4789.00 (Per Person (Double) $5529.00 Single

Servindo o Vale desde 1984
Castanha saborosa, mais doce e grada do Vale de San Joaquin 3 tamanhos de castanha para todos os gostos Vendas a Retalho e por Atacado para toda a América - mínimo de 10 libras quando UPS’d.

Candy’s Carefree Travel,Inc
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Façam já as suas encomendas Quinta de Castanhas Também têm abóboras para venda. c/o Joe Avila Boas para sopas, doces, paios ou mesmo para 2450 Albers Road Modesto, CA 95357 assar no forno.
Tel: 209-522-3250

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COLABORAÇÃO

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Ao Cabo e ao Resto
Peter Café Sport, 27 de Agosto de 2008 gritar aos quatro ventos: “Quand je serai vieux je serai insuportable”... Ainda hoje, Brel, sinto uma grande emoção quando oiço a tua voz, tão viva como dantes. Ainda hoje te vejo como um trovador, um Quixote, um sonhador, um poeta! Um poeta com um coração imenso. Um poeta que interpretava a palavra certeira e o silêncio magoado, com gestos cénicos e dançados... E as tuas mãos, Brel, as tuas mãos enorrnes afagavarn os versos e eram a raiva, a ironia, o sarcasmo, a ternura... Fazes-nos falta, Jacques Brel. Por isso queremos manter-te vivo a cantar as tuas cancões. Tu próprio o disseste: “A canção é um acto de amor, um acto de ternura”. Fazes-nos falta, porque andamos carenciados de sonho, de amor e de ternura. Em vez disso, andamos para aqui, em banho-maria, a viver a vida pardacenta, entre o silêncio e a solidão à espera de alguma coisa que nunca acontece. À espera de um aumento de ordenado e à espera de D. Sebastião no dorso de uma baleia. À espera de ver Deus na televisão e à espera das bem-aventuranças da União Europeia... Ou “aguardando um raiozinho de socialismo”, como escreveu, aqui há uns anos, o poeta Marcolino Candeias. Ah, e se tu soubesses o que, musicalmente, por cá se passa… Se eu te falasse no “marketing” discográfico, no individualismo desenfreado, na ganância do lucro,

M

eu caro Jacques Brel

Neste espaço de todos os reencontros, sentado à mesa onde tu um dia cantaste, escrevo-te esta carta, com os olhos postos no “gin”, a sede na cerveja e a memória em ti. E isto porque fez este ano 34 anos que, a bordo do teu “Askoy”, aportaste à Horta acompanhado da tua filha France e da tua companheira Maddly. Nessa altura, eu ainda não tinha fixado residência nesta cidade, senão, garanto-te, ter-te-ia aberto a porta da minha casa e o meu melhor whisky. Acontece que tenho um amigo chamado Sérgio Luís, engenheiro, artista e teu admirador profundo, que de há muito buscava um pretexto para te homenagear. Que é como quem diz: reunir os amigos, beber uns copos e falarmos de ti, da tua vida, da coragern dos teus versos e da força da tua música. A ideia concretizou-se. Após contactos estabelecidos com aqueles que, por estas paragens, te viram e te conheceram, indagámos lembranças, memórias e arquivos, reconstruímos os teus passos por esta ilha e, numa realização da RTP/ Açores, levámos a cabo umn trabalho intitulado Jacques Brel no porto da Horta. Deixa-me que te diga que foi a partir dos versos das tuas canções que me iniciei na aprendizagem da lingua francesa. Sabes, às vezes, tenho saudades tuas - eu que nunca te conheci. Mas porque tenho todos os teus discos, e porque vi todos os teus filmes, e porque colecciono todas as tuas fotos, e porque li todas as tuas entrevistas, tenho a impressão, meu caro Brel, que somos velhos amigos, se não mesmo “compagnons de route”... A verdade é que sempre te admirei e não tenho problema nenhum em te considerar um génio! Porque foste um criador, não um imitador; um poeta, não um versejador. Fizeste da palavra uma arma de arremesso e da música um hino ao amor. Não cedeste, nem te vergaste a coisa nenhuma. Não transigiste com o que era fácil. Desafiaste os poderes. Minaste os politicos. Derrubaste muros de silêncio. Andaste, meu sacana, a brincar com a tropa e com a Igreja e com outras coisas sérias... Zornbaste dos burgueses, irritaste os conservadores, gozaste “les flamandes”, inquietaste as senhoras de bem e deste porrada nos cretinos, nos imbecis e nos idiotas... E denunciaste a guerra, a intolerância e a hipocrisia dos homens. E lutaste sernpre pela paz, pela liberdade e pela justica. Agora sei que o teu coração sangrou pelos infortunios do mundo. Tu, o controverso, o arrebatado e, por vezes, o violento, fizeste da amizade um padrão de vida. A tua bondade, o teu altruismo e a tua generosidade não tinham tamanho. Por isso cantaste a dor e a rnágoa de todos nós. Cantaste o teu triste e pluvioso Pays bas, revisitaste a tua infância, rasgaste o peito com o Ne me quitte pas, dançaste o Tango funebre da tua morte anunciada e a Valse a mille temps da tua bulimia de viver. Cá por rnirn não me importava nada de ter sido teu amigo. Para contigo acender cigarros na noite e ser, como tu, um “voyageur perdu”. Sim, daria tudo para viajar contigo para os portos de Armsterdam e do mundo inteiro. Festejar a vida e o amor! Conhecer uma ou outra mulher “belle et cruelle”. Ter-te a meu lado a beber quantidades industriais de cerveja e dedilhar na tua guitarra canções dos nossos 20 anos... Aprender contigo a rimar “tendresse” com “tristesse”, “putain” com “chagrin”, “nuage” com “voyage”, “frontiere” com misere”... Acima de tudo, gostaria de envelhecer contigo, meu born Jacques, e, tal como tu,

tu não acreditarias. Se eu te dissesse que a música agora também serve para encher chouriços, ou que a qualidade deixou de interessar, ou que a maior parte dos cantores de hoje canta fora de tom, tu certamente mandavas-me passear. Se eu te referisse que a cultura deixou de ser um acto de espírito e de imaginação humana. Se eu te falasse da música “light”, que por aí anda à solta… Ah, com ficarias desgostoso, se soubesses que hoje, a nivel planetário, andamos culturalmente colonizados pelos americanos e por outros imbecis contentinhos… Quando cá estiveste, há 34 anos, a revolução de Abril ainda estava na rua. Chegámos a acreditar em rnanhãs radiosas, porque “foi bonita a festa, pá”, como cantou, do outro lado do mar, o nosso amigo Chico. Mas hoje, meu caro, vivemos de resignações televisivas e de outros futebóis e só queremos que “não nos falte o dinheiro para o bife”... (Lembras-te do Zeca Afonso?). “Em Portugal o mal é ancestral”, escreveu um poeta português que muito te admirou e até copiou alguns dos teus versos: José Carlos Ary dos Santos. E houve até um cantor que, durante algum tempo, pretendeu ser o Brel português: Fernando Tordo... Mas a tua voz sempre foi única, exclusiva, inimitável. Aqui a cidade da Horta também não é o que era. Três décadas depois, temos mais automóveis e menos gente. Mais funcionários públicos e menos povo. Mais bancos e menos casas de espectáculo. Mais crédito e menos dinheiro... Só o Pico à nossa frente é que continua a ser infinitarnente belo!

E temos agora uma Marina onde cabem todos os iates do mundo. O nosso porto continua abrigado e nós continuamos a ser hospitaleiros e cosmopolitas. Só que, “hélas”, a nossa hospitalidadezinha é uma forma de escondermos o nosso provincianismo paroquial... E o nosso cosmopolitisrno rima com o nosso ruralismo pequeno-burguês. A bon entendeur... E no entanto, existimos e resistimos nestas ilhas que te encantaram. Dos amigos que por cá fizeste, só o Othon Silveira e o José Azevedo (o “Peter”) é que infelizrnente já não pertencem ao mundo dos vivos. Os restantesa estão bem, na graça do “Bon Dieu”. O dr. Decq Mota, se bem que recolhido, é o mesmo “gentil homme” que tão bem conheceste. O filho do “Peter” (que era um fedelho quando cá estiveste) é hoje um homem de barba rija e está a imprimir uma nova dinâmica empresarial ao bom nome deste Café. O João Carlos Fraga continua a ser aquela Paz de alma que conhece todos os barcos e todos os portos do mundo. Tenho tido boas noticias da tua filha France, que, há 34 anos impressionou de tal forrna o nosso amigo Jorge Dinis, que ainda hoje se lembra de como ela andava vestida, imagina... Nós, ilhéus, somos assim. O que de bom vem de fora não nos escapa. Para sempre guardarei o teu retrato no fundo do meu espelho. Adeus, meu doce, meu terno, meu maravilhoso amigo! Toma juizo, não fumes tanto e volta depressa! Um grande abraço de mar! In O Dever

Organizado pela Filarmónica Portuguesa de San José
100 N. 33rd St San José, CA 95116

1 de Novembro de 2008
14 Bands Participating
8:00 a.m. – Drawing by all bands for concert times (Mestre & President) Drawing for 2010 Festival 8:30 a.m. – Parade of Bands There will be two bands performing at a time, with halfhour intermissions for auctions and band set-up. There will be Snack Bar and Restaurante available throughout the day. 9:00 p.m. to 1:00 a.m – Dance with conjunto “RAÇA” On Friday, October 31, 2008 The Restaurant and Snack Bar will be opening @ 5:00 p.m. to 11:00p.m Then at 8:00 p.m. to 11:00 a.m. Musical entertainment and Dancing with conjunto “CAIXA” reunited for this special night.
Filarmónica Portuguesa de Tulare, fundada em 1981

Filarmónica Portuguesa de San Jose, fundada em 1971

Concert 1- 10:30 to 11:30 Concert 2 - 12:00 to 1:00 Concert 3 - 1:30 to 2:30 Concert 4 - 3:00 to 4:00 Concert 5 - 4:30 to 5:30 Concert 6 - 6:00 to 7:00 Concert 7 - 7:30 to 8:30

Sociedade Filarmónica Recreio do Emigrante Português de Newark, fundada em 1978

Sociedade Filarmónica Nova Aliança, fundada em 1973

Lusitania Band of the North Bay, fundada em 1995

Filarmónica União Portuguesa de San Diego, fundada 1998

Banda Artista Amadora de San Leandro, fundada em 1980

Filarmónica Nova Artista Açoriana de Tracy, fundada 1975

Banda Açoriana de Escalon, fundada em 1980

Filarmónica Portuguesa de Santa Clara, fundada em 1974

Filarmónica do Chino D.E.S., fundada em 1986

Filarmónica Lira Açoriana de Livinsgton, fundada em 1982

Filarmónica do Artesia D.E.S., fundada em 1972

Sociedade Filarmónica União Popular, San José, fund. 1978

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PATROCINADORES

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Genuino nas Maurícias
Rota Prevista
Açores - Cabo Verde - Brasil Uruguai - Argentina - Cabo Horn (Chile) - Chile - Ilha de Páscoa Polinésia Francesa - Samoa - Fiji - Austrália - Timor - Indonésia Maurícias - Madagascar África do Sul - Ilha Sta Helena - Açores.

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15 de Outubro de 2008

DESPORTO

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A loja “Moto World” fica situada na Avenida McHenry, em Modesto. Basta entrarmos na loja para nos apercebermos que é mesmo especial. Não é para toda a gente, mas é para muita boa gente, desde jovens a partir dos cinco anos até aos mais velhos de setenta anos. Em Portugal chamamos a isto desporto radical, isto é, motas, corridas em “trails”, dunas, quatro rodas, duas rodas, em Utah, Idaho, Mojave Desert. Quando regressam ao Pismo, depois de visitar esses outros Estados, acham o Pismo muito pequenino. Enfim, um mundo para pessoas especiais. Joe e Anna Bettencourt, conheceram-se quando Joe ia entregar erva ao rancho dos pais dela. Além de serem os donos da “Moto World” desde Fevereiro de 2007, são praticantes ferrenhos deste desporto radical e já os seus dois filhos, a Sarah e o Broc, seguiram a paixão dos pais. Já há muitos anos que são praticantes destes desportos e até conheciam os donos da loja, que já a tinham há 36 anos e decidiram reformar-se em 2007. Anna começou a andar de mota aos dezoito anos, mas no rancho dos pais já guiava a “three-wheeler”, mas o Joe começou desde muito novo. Joe tem duas Hondas e a Anna conduz uma Kawasaki. O Broc tem uma Suzuki 50 e a Sarah uma Honda. Sempre que possível, os fins de semana da família Bettencourt são passados ou no deserto ou nas praias, correndo com as motas de duas rodas (dirt bikes) ou quatro rodas (“quads”), nas dunas, sempre à procura de maior excitamento. Desde que a gasolina começou a aumentar de preço, a “Moto World” tem ven-

Sarah, de dez anos e Broc, de cinco, já são mestres nas corridas de motas. Broc começou a conduzir motas aos três anos. Joe e Anna Bettencourt em Dove Springs, Mojave Desert

dido muitos capacetes e acessórios, o que quer dizer que há muita gente a investir em motas para o seu dia-a-dia, especialmente em motas usadas. Joe Bettencourt e os seus mecânicos são especialistas no consertos de todo o tipo de motas. Tambem vendem accessórios para todos as elas. Joe e Anna nasceram na California. Façam uma vista à Moto World e digam que vão da nossa parte.

Broc foi o nosso guia na loja. Mostrou-nos tudo o que de mais moderno há para desporto

Joe, Ana, Broc e Sarah, rodeados pelos “Stunt Riders from Idol Riders”

Joe Bettencourt e o seu mecânico trabalhando numa bonita mota

Capacetes de todos os estilos

Todos os tipos de botas para desporto estão à venda na Moto World

Agora todos podem ver a RTPi e a RDPi sem pagarem mensalidades. Basta comprar um Sistema de Satélite (antena pequena) apropriada para esse efeito.

Luciano Costa - 559-435-1276

Preço: $ 99.00 + taxas + instalação

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PATROCINADORES

15 de Outubro de 2008

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Esporão - o melhor do Alentejo $12.99

Ouça a Voz da Comunidade na KNRY 1240 AM em Monterey
Domingos das 3 às 5 horas Voz da Comunidade é transmitido a partir do novo estúdio no Salão da I.S.T.W. em Watsonville. Produzido e apresentado por um grupo de voluntários para serviço da comunidade Portuguesa da Baía de Monterey e cidades circunvizinhas. Também nos podem sintonizar através da Internet, ligando para www.knry.com. Para qualquer anúncio de interesse comunitário, por favor entrem em contacto connosco, escrevendo para PO Box 337 Watsonville, CA 95077 ou ligando para 831 722 7375 ou Fax 831 728 2732 ou ainda por email vozdacomunidade@yahoo.com - todo este serviço será completamente grátis.

Todos os membros e suas famílias são cordialmente convidados a participarem nas visitas oficiais dos Presidentes Estaduais da Luso-American Fraternal Federation e da Sociedade Portuguesa Rainha Santa Isabel

Thursday, October 16, 2008
SPRSI - Atwater Council 62 & 120 Place - Brooks Ranch Restaurant 975 Bellevue Road, Atwater, Ca. Contact: Louise Chivers at 209-8542245 or Joann Mirers at 209-394-7456 Time: 6:30 pm

Sunday, November 2, 2008
San José Council “Benevolent” N° 47 Youth Council N° 2 & 20-30’s Region N° 1 Place - I.E.S. Hall 1401 E. Santa Clara St, San José Time: 01:00 p.m. No-Host Cocktails 02:00 p.m. Luncheon

Sunday, November 9, 2008
Los Banos Council “Benevolent” N° 21 Place - D.E.S. Hall 1155 I. Street, Los Banos Time: 12:00 pm Host Cocktails 1:00 pm Luncheon

Council 19B, Youth Council N° 30 20-30’s Region N° 16 Newark Annual São Martinho Dinner & Dance Place - Newark Pavillion For more information, please contact the following: John M. Dias 510-795-7059 Joe M. Machado 510-786-4255

Other Fraternities Activities Friday, November 14, 2008

CAVALHEIRO
Solteiro, de 45 anos procura senhora entre os 35 e 45 anos, para fins matrimoniais.
SPRSI Presidents: Constance Brazil, Tisha Cardoza, Brianne Mattos

Ligue para 209-667-1917 e deixe mensagem

LAFF Presidents: Liz Alves, Liz Rodrigues and Gary Resendes

Quarto Tércio
Tiro o meu chapéu ao meu amigo Vielmino Simões, de Ontario, CA, por me ter emprestado as duas primeiras fotos do Joaquim Burra Branca. Atiro ao ar o meu chapéu três vezes pelo consolo que tive em ver estas fotografias de um artista taurino com mais de 70 anos de idade - Joaquim Burra Branca. Um ARTISTA. Fico com o meu chapéu de banda com tristeza por a Ana Batista estar impossibilitada de nos visitar em Thornton (partiu um pulso a tourear). Em conta partida vamos ter outro grande cavaleiro português para substituí-la - Rui Fernandes. Seja bem-vindo. Tiro meio chapéu à RTP por nos ter dado a oportunidade de ver através da internet a Corrida à Antiga Portuguesa com os Melhores do Ano no Campo Pequeno do dia 2 de Outubro. Pena não poder ser visto por todos na Televisão Pública de Portugal. Atiro o meu chapéu quatro vezes ao ar e deixo-o ficar a voar por tempo indefinido, só pelo prazer que tive em ver na Internet a estrondosa faena do matador espanhol José Tomás ao toiro de nome “Idílico” que indultou na Corrida de 27 de Setembro de 2008, na Praça de Barcelona. Que toiro, que faena! Ver faenas destas até faz bem à saude. Tiro o chapéu ao Tribuna Portuguesa por ter produzido um DVD da Feira Taurina da Gracioisa (360 fotografias, 35 minutos de grande prazer taurino Joaquim Bastinas, Marcos Tenório, Rui Lopes, Tiago Pamplona, João Pamplona, Forcados da Terceira e de Turlock, 11 pegas) com o melhor que lá aconteceu nas duas corridas., onde os Forcados de Turlock esti veram muito bem. São apenas $25.00. Chamem 209-576-1951

Estas fotografias vão servir como um curso intensivo de como tourear bem um toiro. “Burra Branca” com mais de 60 anos (nas primeiras fotos), mostra bem como se toureia. Incentivamos os nossso jovens da California a aprenderem com ele. Devemos copiar os melhores, se queremos ser como eles e mesmo ultrapassá-los. Devemos tentar preservar o que de melhor se fez na Terceira - saber estar em frente a um toiro, saber enfrentá-lo a corpo aberto ou de guarda-sol, dar espectáculo.

122 páginas sobre Toiros, Cavalos, Corridas e Touradas à Corda Resumo da Temporada de 2007 da Terceira, Graciosa, São Jorge e California. 395 fotografias de toiros 195 fotografias antigas na velhinha Praça de São João Contactar: Tribuna Portuguesa

209-576-1951
Vende-se no Rosa Trade Rite Market, Padaria Popular, San José, Fernandes Linguiça, Tracy
Burra Branca em S. João de Deus. Assim se “brincava” com toiros

Tribuna Portuguesa

COLABORAÇÃO / PATROCINADORES

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Apontamentos da Diáspora

C

enário. Ponta Delgada, Açores, últimos anos da década de 60 e primeiros da de 70. Neste período de gestação, azorean made, do que seria mais tarde denominado Revolução de Abril, conheci Dias de Melo, professor do novo programa escolar, Ciclo Preparatório, e eu professor do Seminário Colégio do Santo Cristo, há um ano regressado da Itália. Vivia-se na tensão dos derradeiros momentos da ditadura salazarista que redobrava de vigilância perante a crise económica do pais, o escoamento da sua população via emigração, a impopularidade da guerra colonial e o consequente isolamento nacional numa Europa já quase toda liberta do fascismo. ‘O orgulhosamente só’ estava a chegar ao fim, contudo, era perigoso pensar em voz alta, havia os agentes da PIDE altamente dedicados e motivados, apoiados pelos informadores secretos camuflados em cidadãos e cidadãs normais. Desde os governadores civis, aos autarcas camarários, aos elementos influentes da sociedade e às figuras privilegiadas da hierarquia eclesiástica, com raras e honrosas excepções, parecia que toda a gente comungava da ideologia da União Nacional emanada do oráculo teocrático Salazar-Cerejeira. Ter a coragem de discordar desta montagem politico-religiosa era perigoso e se não levasse à pena de prisão, com certeza, condenaria quem quer que fosse ao ostracismo local e nacional, com sérias consequências sociais e profissionais. Quem criticasse a filosofia do Estado Novo era imediatamente alcunhado de comunista, o maior labéu que se poderia afixar à dignidade da cidadania lusa. Dias de Melo na sua coluna jornalística, O Fumo do Meu Cachimbo, era dos poucos sopros semanais de contestação velada deste sistema de intimidação e repressão que se vivia nos Açores. Não confrontava directamente o regime, mas com habilidade insinuava e punha em causa muita coisa. Encontrávamo-nos de vez em quando para um bate papo regado com uma cerveja na Melo Abreu ou um café no Central, sempre com o ‘aroma’ do fumo do seu cachimbo. Fazíamos o ponto da situação, analisávamos o borbulhar dos sinais de mudança e sonhávamos com a esperança de um dia podermos apreciar o sol da liberdade politica sem medo da PIDE. Nunca descuidávamos um olhar circunspecto a quem se encontrava à nossa volta, com atenção especial para as rondas dos agentes da bófia que surgiam a qualquer altura. Caro também sem ignorar os informadores disfarçados que nos serviam o café ou a cerveja e escutavam as conversas vendidos ao suborno da policia. Tornara-se tema frequente dos nossos colóquios, com certo espírito de aventura e muito de apreensão e mesmo receio, a elaboração clandestina do Manifesto Político de 1969, que deixaria toda a gente signatária do documento e sobretudo os seus escribas com cadastro nos cavernosos ficheiros pidescos às ordens do comandante desta macabra instituição, que de Gentil só tinha o nome. No final

da década de 60, começou-se a preparar o dossier da declaração para as eleições nacionais da altura com a falsa promessa de maior abertura e tolerância politicas do governo de Marcelo Caetano. O grupo destes pioneiros da democracia nos Açores era apoiado por Melo Antunes, que de vez em quando aparecia em S. Miguel por alegadas razões familiares, a esposa era micaelense. Para nós ambos, todavia, o auge desta aventura com a todo-poderosa PIDE, com licença para prender e torturar, deuse quando o Padre Fanhais, um dos melhores ‘trovadores’ das baladas de contestação, ao chegar à Terceira, convidado para as Festas da Cidade de Angra, era impedido de actuar. De regresso ao continente, na sua passagem por P. Delgada, foi convidado para um jantar convívio, no salão de Festas do Restaurante Sagres. A notícia de que Fanhais estaria no Sagres reuniu aqui um bom número da oposição ao governo. Todavia quando celebrávamos e ouvíamos algumas baladas interpretadas por Fanhais, precisamente quando tínhamos acabado de saborear “Não há machado que corte a raiz ao pensamento”, apareceu no meio de nós o chefe da PIDE, acompanhado por vários agentes, depois de cercar o edifício com a polícia de segurança pública para que ninguém escapasse. A sala caíu em profundo e desconfortável silêncio, quebrando-o a voz ameaçadora do chefe: quem é o Padre Fanais? Ninguém respondeu e Gentil entrou em fúria, ameaçando prender todas as pessoas presentes se não disséssemos quem era. Perante isto, ele identificou-se e o ‘comandante’ intimidou-o logo: ‘não sabe que não pode cantar?! Ao qual Fanhais respondeu com humor: “por que não posso cantar, até sei?”. “Olhe que posso prendê-lo” – respondeu o colérico chefe. Após alguns momentos de confusão e burburinho, autorizou-nos a abandonar o Sagres, mas só depois de passarmos pelo crivo da identificação pessoal: nome, direcção e profissão ... Fora da porta, Dias de Melo pediu-me boleia para casa, e lá fomos para os lados da Fajã de Cima, digerindo o acontecimento no meu carocha VW 1300, o primeiro amor de carro que nunca esqueci por esta e outra razões. Quando nos despedimos, disse-me: será desta vez que nos prendem?! Tenho esposa e várias crianças. Eu próprio ainda não podia falar dessa felicidade!. Deixei os Açores dois anos antes do 25 de Abril de 1974 e voltamos a encontrarnos apenas uma vez, muitos anos depois, na Casa dos Açores, em Lisboa. Não houve tempo e já era demasiado tarde para recordar o que quer que fosse, mas ficou a certeza de que depois de tantos anos e tantas coisas, nem a neve branca dos seus cabelos de eremita do Pico e a sua visão e audição limitadas tinham conseguido cortar a raiz ao seu pensamento. Aqui fica esta simples homenagem de apreço a Dias de Melo, prolífero escritor, convicto democrata e grande homem.

Direcção de Diniz Borges Apenas Duas Palavras

nze horas da manhã em Gilroy. O televisor, sintoniza-do na RTP-internacional, dá notícias. Na Califórnia, na comodidade do sofá, ouço notícias em português. No ecrã, em nota de rodapé, surpreendentemente, leio: “Morreu o escritor açoriano José Dias de Melo”. Ponto final parágrafo. A notícia ficou-se pela nota. Não consegui, nesse dia, ouvir notícias dos Açores. Na casa onde estou hospedado, não posso (não devo) mostrar interesse especial por uma notícia em rodapé, mesmo que seja sobre um escritor açoriano. Entretanto, uma amiga, residente em San José , telefonoume: “Ouviste?” Respondi: “Não. Li, apenas!” Senti-lhe a oportunidade de um sorriso: “Tens razão. Ele estava doente?” Estava. A verdade, é que recebi a notícia através duma nota de rodapé, passada no ecrã de um televisor, colocado na sala de uma pequena casa na cidade de Gilroy, a meia-hora (na Califórnia, as distâncias medem-se às horas de um carro a 120 Km/hora) da cidade de San José. Então, viro-me para dentro e procuro rememorar este José Dias de Melo, que nasceu na ilha do Pico, foi professor durante muitos anos e, entre as ilhas de S. Miguel e Pico, foi repartindo muitos dos seus anos de vida fazendo o que mais gostava de fazer: escrever. E escreveu bastante e bem. Foi rara a sua poesia, mas romance,

O

novela, conto e crónica formaram dezenas de títulos, que foram sendo publicados a ritmo regular e entusiasta. Alguns desses títulos, como Pedras Negras entre outros, mereceram bastas reedições. Além disso, o livro citado foi traduzido para inglês e japonês, sendo publicado nos Estados Unidos da América e no Japão. Dias de Melo foi, na prática, escritor de um só tema: a baleação praticada pelos homens da ilha do Pico. Com uma paciência apaixonada, revelou a heroicidade da vida de algumas dezenas de pessoas a quem a miséria obrigou a enfrentar situações de perigo, a par de outras impostas, de forma injusta, por quem mais lucrava com o resultado da caça à baleia. Dias de Melo deixou, em quase todos os seus livros, o registo dessa história que foi construída com tanto de heróico como de patético e, curiosamente, com tanto de denúncia social como de solidariedade afectiva. A par da escrita, a que emprestou ficção a tanta realidade, Dias de Melo teve a generosidade de proceder ao levantamento da população baleeira da ilha do Pico, fazendo os necessários trabalhos de campo, seriando e organizando uma espécie de dicionário temático de baleação, que a então Secretaria Regional de Educação e Cultura fez publicar em quatro volumes, sob o título de Vida Vivida de Baleeiros. Sob este livro ficaram dados biográficos dos baleeiros da ilha do Pico dos finais do

Alamo Oliveira
século XIX até à extinção da baleação; ficaram registados números de capturas, de despesas e de receitas; ficaram cronicados diversos acontecimentos de cariz sócio-económico, como revoltas e prepotências relacionadas com a caça e indústria baleeiras; ficaram as nomenclaturas dos barcos e o registo dos instrumentos utilizados nessa faina; ficaram as expressões mais típicas empregues no quotidiano dos baleeiros. Injustamente esquecido está o seu livro de crónicas Das Velas de Lona às Asas de Alumínio. E, no entanto, é dos mais correctos e comoventes olhares aos espaços da diáspora açoriana na América do Norte, com incidência especial sobre a Califórnia. Correspondendo ao apelo de amigos e familiares, Dias de Melo não escondeu a sua surpresa perante o mundo americano que, normalmente, caracterizava pelas suas impressionantes contradições, pelas vagas de oportunidades que proporcionava aos emigrantes e pela forma como dava a conhecer a sua inegável

Morreu o escritor açoriano Dias de Melo. As letras dos Açores estão de luto. Já lá vão uns anos que comecei a ler apreciar a escrita de Dias de Melo. Quando o li, pela primeira vez, relembrei-me da escrita de John Steinbeck, que era um dos escritores que mais gostava. Sempre apreciei a sua postura, a sua verticalidade, a sua forma de ver o mundo. Esta essa a nossa simples homenagem a Dias de Melo. Temos três textos de três escritores açorianos: Álamo Oliveira, Daniel de Sá e Victor Rui Dores. Temos um outro texto de Kiwamu Hamaoka que o traduziu para japonês. Abraços diniz

grandeza. Dias de Melo refere tudo isto neste seu livro e, sobretudo, refere, com afecto, o quanto os açorianos alcançaram de bem-estar e de nível de vida, sem deixar de aperceber todas as dificuldades que tiveram de enfrentar. “Morreu o escritor açoriano José Dias de Melo”. Foi, assim que muitos ficaram a saber a morte do autor de Pedras Negras. A notícia veio numa faixa em rodapé da RTP-internacional, na manhã de 24 de Setembro/08. Lamentamos o seu desaparecimento. No entanto, a sua obra fica ao dispor e para enriquecimento de todos.

Victor Rui Dores
Aos 83 anos de idade, o escritor Dias de Melo deixou de “escreviver”. Desapareceu o homem, mas fica a obra – mais de 30 livros publicados em diversos registos e diversificados géneros literários: a poesia, a narrativa, o conto, a novela, o romance, a crónica, a monografia, a dissertação didáctico-pedagógica, a recolha e o estudo etnográfico. Conheci o Dias de Melo em 1978, nas instalações da Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa, numa altura em que se discutia a existência ou não de uma literatura açoriana. Eu era então um jovem estudante universitário e andava envolvido num projecto cultural chamado “Memória da Água-Viva”, à frente do qual estavam os poetas Santos Barros e Urbano Bettencourt. Ao longo de três décadas, mantive com o escritor uma longa relação de amizade, de camaradagem literária e outras cumplicidades. Escrevi recensões a praticamente todos os seus livros. E sempre o conheci igual a si próprio: um homem solidário, solitário e fraterno, viciado na escrita e no cachimbo, baleeiro da literatura açoriana, picaroto que da Calheta de Nesquim

escreveu para o Mundo. Escritor da condição humana, Dias de Melo nunca fez concessões a modas literárias. E foi sempre um contador de histórias – dos homens do mar e da terra – gente de grande riqueza psicológica e funda expressão humana e universal. Já muitos têm catalogado Dias de Melo como autor (neo-realista) de temáticas baleeiras. Nada mais injusto e redutor. É que também ele escreveu, com igual mestria, sobre camponeses, pescadores, operários, vaqueiros e muitas outras classes sociais. É certo que este autor deu à literatura portuguesa um testemunho empolgante sobre a história anónima e colectiva dos baleeiros da ilha do Pico, num cenário de contencioso social. Com efeito, ninguém melhor do que Dias de Melo soube captar a verdadeira dimensão humana, social e dramática da saga baleeira, sobretudo nos livros que constituem aquilo a que Santos Barros chamou de “trilogia da baleia” e João de Melo considerou “o ciclo da baleia”: Mar Rubro (1958), Pedras Negras (1964) e Mar pela Proa (1976), recentemente reeditados pela VerAçor, sendo que Pedras Negras, a sua obra mais emblemática, foi já traduzida para inglês e japonês. Dias de Melo soube aguentar o rumo da escrita, num percurso literário cujo universo temático consubstancia à sua volta a distância, a ausência, o tempo, a saudade, o afecto, a solidão, o amor, o ódio, o sonho, o pesadelo, a vida e a morte, no registo mais sentido de uma escrita pessoalíssima e profundamente humana. Este picaroto fez da sua vida e da sua obra um acto cívico. Agora que partiu, ecoam por aí muitos e desvairados elogios fúnebres, sobretudo por parte

daqueles que nunca escreveram nem disseram uma só palavra sobre a notável obra do escritor… A literatura passa bem sem tais carpideiras... Termino com esta certeza: o escritor Dias

de Melo só morrerá no dia em que deixarmos de o ler. Até lá está vivo e bem vivo!

Tribuna Portuguesa

DIAS DE MELO
profissão não terá feito falta na vida dos baleeiros do Pico. Alguém o terá manejado por ele. Mas a sua escrita não poderia ser substituída por nenhuma outra, por nenhuma de outro. A minha admiração por ele vem do tempo em que eu era ainda um rapaz a sonhar que haveria de escrever umas coisas. Depois, na idade adulta, o destino juntounos numa grande amizade. Eu disse-lhe um dia que, felizmente, a literatura não era como o desporto, em que só há um vencedor. E lembrei o combate de Rocky Marciano com Joe Louis, em que, depois de Rocky ter vencido, voltou as costas ao adversário tombado no chão. Alguém o censurou por essa atitude deplorável. Mas ele, para quem Joe Louis fora um ídolo, respondeu que o fizera para ninguém ver que chorava. Dias de Melo nunca teve de provar que era mais forte do que eu. E eu nunca tive de sentir a angústia de sair derrotado ou de tentar derrotar um bom amigo. Ele fizera de mim seu confidente. Nas muitas horas que passávamos ao telefone,

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Um escritor livre
Não há sucessão para um escritor. Porque cada escritor é único, irrepetível. Ninguém sucedeu a Antero de Quental, a Roberto de Mesquita, a Vitorino Nemésio. As palavras de Dias de Melo não voltarão a ser ditas nem reinventadas. Ele existiu para a sua obra, para a sua missão. E a sua missão foi dar sentido universal à vida da gente da sua ilha, das suas ilhas. Fê-lo com devoção e talento. Fê-lo com amor, por vezes salpicado com uns respingos de ira justa. O remo que Dias de Melo não usou por

contava-me e recontava-me histórias do seu Pico, dos seus baleeiros, de trancadores lendários, de mares embravecidos, de vidas em risco constante. E falava-me dos livros que ia escrevendo e

dos que pensava escrever. Dizia-me, nos últimos tempos, que só queria conseguir mais um. Não conseguiu. Dias de Melo ficará para sempre conhecido como o escritor das baleias e dos baleeiros. Nenhum baleeiro de Dias de Melo será jamais enterrado no chão do esquecimento. Ele garantiu a todos a perenidade da vida na memória das gentes. E, tal foi a força da luz que lançou sobre o palco da vida dessa gente do seu Pico, que como que se fez uma espécie de penumbra a respeito da baleação que houve em todas as outras ilhas dos Açores. Mas Dias de Melo foi muito mais do que isso. Onde houvesse uma causa justa a defender, uma injustiça a combater, aí estava presente com a sua palavra iluminada e iluminadora, com o seu talento de escritor reconhecido como grande, enorme, sem precisar de peregrinar pelas “capelinhas” onde se decide o mérito na capital da Pátria e da cultura portuguesa.

Notícia
Dias de Melo, com cerca de 50 anos de vida literária, morreu quarta-feira, aos 83 anos, em Ponta Delgada, noticiou a Agência Lusa citando uma filha do escritor. Edna Dias de Melo adiantou que o pai faleceu cerca das 11:30 locais (12:30 de Lisboa), no Hospital de Ponta Delgada, depois de ter sido internado há cerca de uma semana. «O estado de saúde dele (Dias de Melo) estava a deteriorar-se cada vez mais», disse Edna Dias de Melo, sem avançar qual o motivo da morte. O escritor João de Melo, tam-

bém natural dos Açores e conselheiro cultural na Embaixada de Portugal em Madrid, afirmou à Lusa que Dias de Melo foi autor de uma «obra vasta e significativa, especial-mente em torno da sua ilha natal, o Pico». «Tendo sido um épico local da faina da caça à baleia, com paralelo na literatura norteamericana, basta lembrar Moby Dick, esteve sempre muito atento ao tempo português e não se limitou a ser um homem insularizado», sublinhou o autor de Gente feliz com lágrimas. «Ele inseriu os Açores na dinâmica do tempo português, nunca se deixando apanhar pelo regionalismo, e é claramente um autor nacional", sublinhou João de Melo. O escritor açoriano Cristóvão de Aguiar afirmou por seu lado à Lusa que Dias de Melo «ficará para a posteridade como um símbolo do homem do mar». «É um escritor baleeiro que deu um retrato real da vida do baleeiro. Aliás, ele próprio tinha essa experiência, chegou a ser baleeiro», lembrou.

Ninguém melhor que Dias de Melo “cantou” a baleação açoriana

«Dias de Melo marca, sem dúvida, a literatura portuguesa de significação açoriana», observou Cristóvão de Aguiar, que destacou na obra do escritor agora falecido a trilogia Pedras Negras, Mar Rubro e Mar P'la Proa e o livro de contos Milhas contadas. José Dias de Melo nasceu na Calheta do Nesquim, ilha do Pico, a 08 de Abril de 1925, e, além de professor primário, foi

colaborador assíduo da imprensa regional e nacional e um profundo conhecedor da temática baleeira e da emigração. No anos 50 do século passado, inicia o seu percurso literário, com um livro de poesia intitulado Toadas do Mar e da Terra, a que se seguiram outros, com destaque para o seu maior sucesso Pedras Negras, que foi publicado, pela primeira vez, em 1964. Em reconhecimento do contributo do escritor para o panorama literário português, o Presidente da República, Mário Soares,

condecorou-o com a Ordem do Infante, e também foi homenageado pelas Lajes do Pico com o título de Cidadão Honorário do concelho. Recentemente, o presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, presidiu a uma sessão pública de homenagem a Dias de Melo, que incluiu o lançamento de uma nova edição da triologia das obras do autor Pedras Negras, Mar Rubro e Mar Pla Proa. Agência LUSA

Kiwamu Hamaoka
No dia 24 de Setembro soube, pela Internet, do falecimento do grande escritor açoriano Dias de Melo. Conhecio na Ilha de São Miguel em 1991. Mas antes disso tinha adquirido em Lisboa uma segunda edição do seu livro Pedras Negras. Dez anos depois, traduzi essa obra prima para japonês, que foi publicada no Japão. A dialectologia picoense era, porém, inevitavelmente domplexa e eu tinha que fazer perguntas ao autor por carta. Dias de Melo não estava ligado à internet e levou muito tempo a eu conseguir resposta. Soube entretanto que ele fora internado no hospital e operado. Mesmo assim, continuava a “escreviver” e parece que o fez até ao último momento. No Japão, bem como nos Açores, houve próspera actividade de baleação e essa indústria enriqueceu a vida do mundo. E contribuiu para aumentar o intercâmbio mundial. Dias de Melo foi, como é óbvio pela leitura dos seus livros, experimentou a baleação e por isso as suas descrições daquela saga têm, naturalmente, mais força e dinamismo, nitidamente graças à sua experiência. A trilogia baleeira - Mar Rubro, Pedras Negras, Mar pela Proa deve ficar na memória da gente porque tem na verdade um valor de ficar. Aprendi várias cóisas através das crónicas romanceadas de Dias de Melo. Por exemplo, de Mar Rubro, soube que um emigrante açoriano se tornou na América um capitão militar. Isso revela também é o universalismo dos Açores. Em Pedras Negras, soube que um barco baleeiro foi utilizado para fuga à fome dos Açores. E, em Mar pela Proa, tive conhecimento das inúmeras intrigas profundas dos homens baleeiros por causa do dinheiro da pesca da baleia. As três obras acima mencionadas, em todo o caso, devem ser consideradas tesouros não só para os açorianos mas também para o mundo inteiro. Quem está ligado à comunidade açoriana vai ter de dar as mãos para manter esse património mundial. No Japão, traduzi Pedras Negras. Nos Estados Unidos da América, Gregory MacNab traduziu também (Gávea-Brown, 1983). E nos Açores há felizmente agora a reedição dessa obra prima dele. E por isso continurá a trilogia da amizade entre o Japão, os E. U. A. e os Açores.

in Tribuna Portuguesa de 16 de Junho de 1988

ENGLISH SECTION

15 de Maio de 2001

October 15th, 2008

Ideiafix
miguelvalleavila@tribunaportuguesa.com

As the famous poet and playwright, Lança Agitação, once asked: To vote or not to vote, that is the question; Whether 'tis nobler in the mind to fire The slings and arrows of outrageous rumors, Or to take arms against a sea of economic troubles, And by opposing, end them. To lie, to weep; No more; and by a weep to say we end The interviews and the thousand TV pundits That primetime is air to — 'tis a consummation Devoutly to be wish'd. To lie, to weep; To weep, perchance to dream. Ay, there's the plug, For in that weep of Wall Street what dreams may come, When we have shuffled off this mortal loan, Must give us financial peace. There's the bankruptcy That makes calamity of so long life, For who would bear the ebbs and flows of interest rates, Th'oppressor's wrong, the proud man's contumely, The pangs of despised W, the law's delay, The incompetence of office, and the spurns That impatient merit of th'unworthy takes, When he himself might his quietus make With a body armor? who would suits bear, To grunt and sweat under a ruthless life, But that the dread of something after campaign, The undiscovered country from whose capital No politician returns, puzzles the will, And makes us rather bury those skeletons we have Than unearth others that we know not of? Thus compromise does make cowards of us all, And thus the native hue of consolation Is sickening with the Palin cast of thought, And enterprises of great pitch and winks With this regard their currents turn Cain, And lose the name of action. PS: Only to be used as the unofficial Lança Agitação (or known to the Portuguese as the Agitation Launcher) version during the 2008 Presidential campaign. All other uses are strictly prohibited.

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Its majestic Pico Alto, with 2,352 m the highest peak in all of Portugal, makes Pico Island stand out from all the other islands of the archipelago. Also famous for its whaling tradition, Pico is the second largest island of the archipelago, covering a surface of about 448 sq. km (about 46 km long and 15 km wide). The distances to the other islands of the central group, of which Pico is the most southern, are about 8 km to Faial, 15 km to São Jorge, 80 km to Graciosa and 100 km to Terceira. While the colossal Pico Alto with its surrounding high plateau takes in most of the western part of the island, another high plateau, the Planalto da Achada, featuring several dozens of volcanic cones, several crater lakes, pastures and forests, stretches along most of the eastern part, also reaching heights of over 1000 m. The slopes of the highlands roll gently down to the island’s low, but mostly steep and rugged black coastline, often featuring bizarre rock formations, with especially impressive ones on the north coast where many arches, caves, rifts and tunnels can be found. One outstanding example is the Arcos do Cachorro, a peculiarly shaped rock formation, perforated by numerous tunnels and grottoes, located in the bay of the same name on the northwest coast. Pico offers a good network of roads, on which it is possible to drive all around the coasts and visit the interior of the island, offering magnificent views across landscapes of an outstanding, savage beauty, with the all-dominating Pico to be seen from everywhere, as well as the deep-blue Atlantic and the neighboring islands. With its birth from volcanic explosions only happening estimated 300,000 years ago, Pico is the youngest island of the archipelago, which explains the relatively thin layer of humus on the volcanic rock that the first settlers in the beginning of the second half of the 15th century found when they started cultivating the island. These conditions

made the growing of fruit and vines very hard work… and it is still today! Other witnesses of the island’s volcanic past – only during the last 500 years, the Pico Volcano erupted four times, the last time in 1718 – are

many lava fields (called ‘mistérios’ by the islanders as it was ‘mysterious’ to them why this bad luck struck them) and black lava rocks lying about everywhere. To recover precious agricultural land, these lava rocks were piled up to small pyramids, the so-called ‘maroiças’, which add an interesting aspect to Pico’s landscape. Yet, there is also a positive side

to the island’s volcanic heritage because the black lava stone has – from the very beginning up to date – been used in the construction of the typical black stone houses, and walls, the latter protecting the vineyards from the strong sea winds. Living mostly all around the edges of the island where the interior volcanic massifs left them some space, the today’s round about 15,000 inhabitants exploit restricted areas on terraced fields nearby the coasts, mainly concentrating on the cultivation of fruits, vegetables and vines. The slopes towards the volcanic massifs are mostly cov-

ered with dense vegetation, with tree-heather, laurel and juniper prevailing. The highlands, where still the ancient laurissilva forest that used to cover wide parts of the Mediterranean and the Atlantic islands has survived, can hardly be exploited agriculturally. The northern coast is densely forested and less populated, while the south coast is populated up to higher levels and cultivated to a maximum. Pico’s history is closely linked with that of Faial because it has been dependant from its neighbor for a long time and still today its administration is conducted by Faial – this explains also why the town of Madalena is only considered the island’s main town but not its capital. Pico was discovered round about the same time as Faial and shortly after the settlement of the island had set off – initially mainly in the area around the village of São Roque on the north coast – the Verdelho vine was brought to the island from Madeira by the clergyman Frei Pedro Gigante. This was the base for the island’s long wine-growing tradition, which, however, only set off on a larger scale after the volcanic eruptions in 1718 and 1720, because the remaining lava fields only allowed the cultivation of vines in arduous work and ingenuity. During the heydays of the island’s viticulture, its excellent wine was appreciated all over the world and exported to many royal courts, even as far as Russia, and European noble houses. Up to the second half of the 19th century, Pico’s wine and fishing industries constituted the main income sources for its inhabitants, even if it was Horta – Faial’s capital – that made the big money with the wine, as it was exported from here in barrels labeled ‘Vinho do Faial’ (Faial Wine). In the last quarter of the 19th century, after the phylloxera had devastated the vines to a large extent, the viticulture industry declined and the whaling industry became an important mainstay of the island’s economy. When whaling stopped on the island in 1983 – before it was even completely forbidden in 1989 – as it had become unprofitable, it was replaced by the tuna fishing and processing industry, which up to date provides a main income source to the islanders.
In Azores-Islands.info

Portuguese Tribune

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Pela Primeira Vez Nesta Praça Jim Verner
jim-verner@earthlink.net

Oct 15th, 2008

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Effective on January 1, 2009, the Board of Directors of the LusoAmerican Life Insurance Society announces the appointment of John Larry Soares as the Executive VicePresi-dent/CEO of the Society. Manuel A. Minhoto, the Executive V i c e - P r e sident/CEO since 1999, is retiring on December 31, 2008. Soares, age 58, entered the service of the Society as a Regional Field Manager in 1992 and has served as Director of Sales and Marketing prior to becoming VicePresident/Secretary in 1999. He has been very active in the Society as a former youth member and as a fraternal officer, having served in the Board of Directors of the Luso-American Fraternal Federation for the period of 1984-1993. He is a graduate of San Jose State University with a Bachelor of Science degree in Business Administration. Larry and his wife Margaret live in Pacific Grove, California, and have two children. Their daughter Jennifer, son-in-law Tim, granddaughter Erin and soon to be born grandson Jack live in San Diego. Their son John is a sophomore at the University of Southern California (USC) in Los Angeles.

Ramana Vieira will be performing Fado at the Mission San Francisco Solano in Sonoma starting at 7:30pm on October 24. Admission is $15.00 and tickets are available at the Mission San Francisco Solano front desk daily from 10am to 5pm. The Mission San Francisco Solano is located on the corner of Spain and First Street East. Ramana will be joined by acoustic guitars, cello and contemporary world/Latin rhythms. The translation is a fusion of old world meets new world. The ensemble wil include Alberto Rameriz, bass; Marcia Brown, cello; Jeffrey Luis, classical guitar; Steve LaPorta, percussion/drums. LaSalette Restaurant will be taking dinner reservations at 9pm and 9:30pm after the concert. To make reservations, call 707-938-1927. LaSalette Restaurant is located at 452-H First Street East in Sonoma, and is owned by Portuguese Chef Manuel Azevedo.

TULARE, September 27 — John Mendonça, the first ganadero of toiros bravos in Tulare, did more than raise fighting bulls. His vision and actions played an important role in bringing the art of bloodless bullfighting to his community. While John has passed on in 2005, his legacy lives in the number of other ganadeiros and aficionados who follow in his footsteps to maintain this Portuguese tradition in California. And what better memorial for John than a program of amateurs? Unlike professionals, amateur bullfighters do not seek fame or money. Toureiros praticantes and forcados amadores bullfight for their love of the art and the thrill of facing a brave animal. And, to be able to show their respect for John Mendonça made this evening extra special. At the same time, John’s many friends in Tulare paid him homage by supporting the event with donations and advertisements in the Bullfight Program. Six brave novilhos from four different ganadarias allowed the toureiros praticantes and forcados to put on a performance that pleased the crowd and had moments of both art and emotion that kept the Banda Filarmónica de Tulare playing throughout the evening. The only negative of the festival was the unstable surface of the arena that proved difficult and dangerous for both animals and men. Special mention should be made of the work of bandarilheiro David Vaz. Working alone, often in difficult terrains and footing due to the condition of the surface, he handled

the brega for all six bulls and placed bandarilhas in all four novilhos. Cavaleiro praticante, João Serra Coelho, fought two novilhos from António Azevedo. After placing ferros and ferros compridos with style on the first, João took a volta. While working his second animal, João’s horse slipped on the loose footing and fell. The brave novilho attacked the horse and became tangled in the reins while the cavaleiro, the forcados, the praticantes, and even spectators watching from the fence who jumped into the ring, struggled with the bull to free the horse. The Forcados Amadores de Tulare made excellent pegas to each novilho. Johnny Cotta made the pega on the first bull, and his brother, Frankie Cotta, made his first grab on the second. Frankie Cotta was the rabejador on the first, and Michael Kimbrel held the tail on the second, spinning the novilho with excellent style before walking away. Jim Verner faced the second novilho, from Frank Rodrigues. Opening with veronicas and then making a quite of gaoneras, it was obvious the bull was brave and charged with good style. After dedicating to Mrs. Linda Mendonça, Jim opened with a pendulo and continued with a structured faena of derechazos, naturals, and por altos. After simulating the kill with a Velcro-tipped banderilla, Verner took a volta to the applause of the crowd. Guillermo Torres Lira fought the third novilho, from Manuel Sousa of Tipton. The animal was brave, but with what bullfighters call “genio,”

seeking out the body of the toureiro in each pass. After beginning with excellent veronicas, the novilho’s difficulty became apparent. Torres Lira also dedicated to Mrs. Mendonça and then did what was possible with such an animal, taking risks that cost him a tossing. He was applauded for his effort and ability. Pepe Canales received his novillo, from António Azevedo, with smooth veronicas. The bull showed exceptional bravery and a smooth charge, but when turning at the end of a pass the bull slipped on the loose surface and twisted its hind leg and had a difficult time charging. Pepe did what he could to pass the animal to charge, but to no avail. The brave novilho simply could not charge through the passes, yet Canales insisted and earned several tossings for his determination and effort. The crowd showed its appreciation with applause. The final novilho of the evening, also from António Azevedo, was a true novilho “de bandeira” and Mário Orlando took full advantage of it. He opened with veronicas and then made two quites, the first of orticinas and the second of fregolinas. Mário also dedicated to Mrs. Mendonça and started his faena with smooth doblones that worked the bull to the center. He continued his long faena with a variety of excellent passes with both hands and adornos, while the novilho’s noble charge improved as the fight continued. It was a fitting close to an excellent festival held in memory of a fine man.

12th Annual PALCUS Leadership Awards Gala
The Honorable Devin Nunes The Honorable Jim Costa The Honorable Dennis Cardoza cordially invite you to attend the 12th Annual Leadership Awards Gala Honoring Ana Moura - International Mary Alice Gonsalves - Community Service Frank Gaspar - Literature Mel Ramos - Arts Elmano Costa - Education Portuguese Organization for Social Services and Opportunities (POSSO) Portuguese Heritage Publications of California City of San José, New City Hall 200 East Santa Clara Street San José, CA 95113

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Saturday, November 1, 2008 Reception commences at 5:00 PM
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Portuguese Tribune

California Chronicles

I

n this chronicle I intend to narrate the history of an incident which occurred toward the end of World War I, about 275 miles from the city of Ponta Delgada on São Miguel Island, Azores. It was the morning of October 14, 1918. The Portuguese packet ship “S. Miguel”, with cargo and 206 passengers aboard, was on course to arrive at Ponta Delgada the following day. Escorting the packet ship was the Portuguese minesweeper “Augusto Castilho”, originally a fishing boat named “Elite”, ostensibly equipped with a 47 mm gun astern and another 65 mm on the prow. It was under the command of young captain Jose Botelho de Carvalho Araujo. At about 6:15 a.m., the German submarine U-139 broke the morning silence by surfacing and firing on the Portuguese vessels. The minesweeper began firing back at the U-boat withour success, because the aim of the near obsolete guns was simply out of range. Menacingly, the German submarine kept coming closer, conceptrating its heavy artillery on the unarmed packet ship. It was, then, that with an unforgettable decision of extraordinary audacity, Carvalho Araujo ordered the minesweeper to advance directly against the U139. By placing the “Augusto Castilho” in the line of fire, the valiant captain gave the “S. Miguel” a chance to gain speed and head to safety. In fact, the packet ship reached Ponta Delgada at 1 a.m., on October 15. The battle lasted a couple of hours. The Germans achieved victory with no loss of lives. However, the minesweeper was extensively damaged. Several crewmembers, including the captain, were dead, and many more were seriously wounded.

A group of survivors escaped on a lifeboat, reaching Santa Maria Island during the afternoon of October 16. A dozen more survivors remained behind until the Germans let them go. They crammed onto a small, unsafe and leaky boat. Luckily, they salvaged four oars, but the provisions consisted solely of a container with 14 liters of water, a box of biscuits, a can of tuna and 10 small loaves of bread. Those courageous survivors, some of them badly wounded, covered a distance of more than 200 nautical miles, and miraculously arrived at Ponta do Arnel, at the site of Nordeste on São Miguel Island, on the morning of October 20, six days later. Luis José Simões, one of the survivors of that sea odyssey, published a detailed report in the “Diário de Noticias” (Lisbon, 1920), entitled “Duzentas Milhas a Remos” (Two Hundred Miles on Oars). In 1980, the full transcript of that heroic saga was included in the book “Naufragios, Viagens, Fantasias & Batalhas” (Shipwrecks, Voyages, Fantasies & Battles), edited by João Palma Ferreira. Apparently, a radio message sent from the “Augusto Castilho” Ponta Delgada. Immediately, the Portuguese “Canhoneira Ibo”, a small ship armed with artillery of reduced caliber, departed toward the scene of the attack. On the way, approximately at 4 p.m. on October l4, the “Ibo” encountered the “S. Miguel” and escorted it back to Ponta Delgada. Late in the afternoon of the following day, accompanied by four sub-chasers and one tugboat from the American Fleet stationed at Ponta Delgada, the “Ibo” made another run to the site of the battle. They sighted no survivors, and while the American ships returned to the harbor the next day (October 16), the “Ibo” remained circulating the area for several hours.

Days later (October 20), when all hopes had vanished, the “Ibo” received the news of the survivors arrival at Ponta do Arnel, and proceeded to pick them up and transport them to P o n t a D e l g a d a . By the time the last crewmembers from “Augusto Castilho” left the Azores for Lisbon on November 14, the Armistice had been signed and the war was over. Before closing, I would like to point out that, in 1917, to ward off German U-boat attacks on the North Atlantic, the United States established a naval base at Ponta Delgada and a supply depot on shore, as well as two companes of U.S. Marines. According to James Guill (Azores Islands, A History, 1993 Edition), “during the period of operation of this foreign naval base in the Azores, the United

"Augusto Castilho".

States stationed 19 surface ships, 5 submarines and 18 aircraft. In addition, the base repaired or resupplied 20 other Allied ships and submarines. On board of one of the ships, the USS Dyer, was President Franklin Delano Roosevel, then Assistant Secretary of the Navy’.”

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José Soares 209-872-1067
Poderá ver o Contacto em: ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=19756

Sextas-feiras às 11:30 pm Sábados às 11:30 am e 6:30 pm Próximos programas: 25 Out e 8 Nov

Tribuna Portuguesa

NEGÓCIOS

15 de Outubro de 2008

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No dia 4 de Outubro realizou-se a inaugração do novo edifício da Dutra Enterprises na cidade de Fremont. O projecto denomina-se Plaza Los Olivos. É o último empreendimento de John Dutra, ex-legislador LusoAmericano da Assembleia do Estado da Califórnia e fundador da Dutra Enterprises Inc. Foi um grande dia de festa, com mais de 200 pessoas na assistência, entre eles vários vereadores da cidade de Fremont e o Mayor Bob Wasserman. Também foi celebrada a grande abertura do novo espaço da Prudential California Realty. Esta companhia de imóveis, com mais de cem agentes é dirigida por Hilda Furtado e ocupa uma grande parte do primeiro piso. O edifício foi desenhado para condizer com a zona da Missão de São José, em Fremont, onde se encontra a réplica duma das igrejas mais antigas da nossa área erguida no século dezoito. A arquitectura é claramente de origem íbérica e o interior está também decorado num estilo correspondente. Hilda Furtado e a familia Dutra convidam a nossa comunidade para os visitarem nestes novos edifícios.

1. 2.

Hilda Furtado cortando a fita simbólica John Jr., John Dutra, Bernie, Dominic, Tony Dutra.

Amigos portugueses presentes em Fremont.

Mayor Bob Wasserman cumprimentando Hilda Furtado

Bolsas de

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15 de Outubro de 2008

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