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Resumo Dor

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO CENTRO PEDAGÓGICO PAULO FREIRE CURSO DE PSICOLOGIA DISCIPLINA: PSICOFISIOLOGIA DOCENTE: PROFº GERALDO MELÔNIO

ALUNO (a): ALINE PEREIRA CAMPÊLO

Resumo referente ao capítulo ―MECANISMOS BÁSICOS E ASPECTOS MOTIVACIONAIS DA DOR‖, do livro As bases biológicas do comportamento – Introdução à neurociência (BRANDÃO, Marcus Lira; 2002. São Paulo; Atheneu).

São Luís – MA 2011

O outro feixe de condução de informação nociceptiva é o trato paleo-espinotalâmico. A sensação é bem localizada. é filogeneticamente mais novo. e cursa medialmente no tronco encefálico. As vias de projeção da dor são coletivamente chamadas de sistema ou trato ânterolateral da coluna. seus receptores e ligantes endógenos contribuem sobremaneira para estabelecermos a melhor estratégia a utilizar para minorar o sofrimento humano. isto é. As vias de condução lenta têm importantes conexões na substância ativadora reticular ascendente e substância cinzenta periaquedutal. como as paredes mediais e caudais dos ventrículos. o hipotálamo e a substância ativadora reticular ascendente do tronco encefálico. AS VIAS NEURAIS DA DOR Para o envio da informação dolorosa para os centros da dor no cérebro existem dois canais principais de comunicação (Fig. existe uma relação estreita entre a área estimulada com sua representação no córtex somestésico (somatotopia) e ela não ultrapassa a duração do estímulo desencadeador. Muitas das fibras ântero-laterais (ou ventrolaterais) ativadas pela dor terminam no teto mesencefálico.1). Algumas destas áreas também são dotadas de circuitos neurais responsáveis pelo alívio da dor. em geral. A maior parte dos neurônios envolvidos no processamento da informação dolorosa pertence a áreas filogeneticamente antigas. sua duração ultrapassa a do estímulo desencadeador. De qualquer forma as evidências até então obtidas apontam para uma dissociação entre os circuitos neurais da dor e do medo no mesencéfalo. o trato neo-espinotalâmico. 8.1. e enviam projeções difusas para o tálamo. de condução rápida e cursa lateralmente no tronco encefálico. Um exemplo típico desta condução é a dor cutânea superficial. A dor é uma experiência universal da espécie humana. A sensação é pobremente localizada e. córtex e estruturas do sistema límbico.MECANISMOS BÁSICOS E ASPECTOS MOTIVACIONAIS DA DOR A dor é um dos processos de primordial importância para a sobrevivência do indivíduo. 8. de condução lenta. . o tálamo. As vias de condução rápida enviam projeções principalmente para o tálamo ventrobasal e daí diretamente para o córtex sensorial. Um exemplo desta condução é a dor tegmental profunda. Um deles. O entendimento das bases neurobiológicas destes sistemas com seus circuitos neurais. que é filogeneticamente mais antigo.

a intensidade e o contexto em que este componente se manifesta é decisivo na expressão da dor. Assim. Assim. determinados comportamentos são induzidos por esta condição da mesma forma que fome. COMPONENTES DA DOR O fenômeno da dor tem sido considerado como consistindo de dois componentes: o componente perceptivo-discriminativo e o componente aversivocognitivo-motivacional. Este modelo continua sendo periodicamente revisto e tornou-se um referencial teórico importante no estudo da dor. Na dor aguda existe uma causa bem definida com um curso temporal característico. . que enfatiza as diferenças entre dor aguda e dor crônica. Mecanismos neurofisiológicos distintos parecem existir para cada um dos componentes da dor.2. terminar ou mesmo fugir do estímulo nocivo. em 1965. a sensação da dor está sujeita a um intenso controle central que influencia a entrada de impulsos dolorosos no corno dorsal da medula. Ao contrário. 8. a dor depende do somatório da estimulação sensorial e não apenas da descarga de receptores especializados da dor. injúrias traumáticas sofridas durante competições esportivas ou combate são frequentemente relatadas como relativamente nâo-dolorosas. proposto por Ronald Melzack e Patrick Wall. as mesmas injúrias produzidas em outras circunstâncias podem ser provocar muita dor. O indivíduo avalia o estímulo físico em um contexto que envolve sua experiência passada de forma a estabelecer o real significado da injúria e determinar a resposta mais apropriada para ele. TEORIA DA COMPORTA Grande parte do nosso conhecimento sobre a dor tem sido organizado no chamado ―modelo da comporta‖ da percepção da dor. Os aspectos motivacionais da dor produzem o desejo de reduzir. sede e necessidade de satisfação dos desejos sexuais também promovem comportamentos específicos. Outra forma de classificar a dor foi proposta por Ronald Melzack. e a dor desaparece tão logo ocorra a curso da injúria. Portanto. segundo. Estes pesquisadores destacam dois aspectos na percepção da dor: primeiro.8.3. A forma. a resposta à injúria não é determinada apenas pelas propriedades do estímulo doloroso.

8.4. de forma a gerar processos de inibição mútua. Mais que uma simples abordagem teórica. visando acelerar o restabelecimento do indivíduo. ASPECTOS MOTIVACIONAIS DA DOR Os estímulos sensoriais que dão origem à percepção da dor servem como estímulos primários para o comportamento de fuga/luta. As células transmissoras da dor no corno dorsal da medula estão sujeitas às influências dos impulsos nociceptivos provenientes da periferia — que a elas chegam diretamente ou via substância gelatinosa — e também estão sob o controle inibitório descendente do cérebro. é necessário considerar as várias formas de tratamento existentes para a dor e não apenas bloquear o impulso sensorial por procedimentos cirúrgicos ou farmacológicos. bem como células localizadas na lâmina II da substância gelatinosa. Atualmente. A teoria da comporta reverteu a ênfase histórica dada à pesquisa da dor na ótica de uma experiência sensorial aferente e única. Os sistemas motivacionais do medo e da dor servem a funções competitivas e diferentes. Isto se dá através da avaliação cognitiva e pelas informações de experiências passadas armazenadas nas áreas corticais superiores relacionadas aos sistemas discriminativo e motivacional da dor. Fase Perceptiva .Ambos os tipos de estímulos excitam células transmissoras da dor nas camadas superficiais do corno dorsal. como veremos um pouco mais adiante. Da mesma forma. Este mecanismo explica os efeitos benéficos da acupuntura no tratamento da dor. a teoria da comporta destaca o papel primordial das variáveis psicológicas e como elas afetam a reação à dor. grande importância tem sido dada aos mecanismos cerebrais de controle da dor. A ativação do sistema motivacional da dor induzida pela lesão promove comportamentos recuperativos tais como o repouso e cuidados com o organismo. Enfatizar somente as características sensoriais da dor no estudo de suas bases neurais é ignorar suas propriedades motivacionais e afetivas e confrontar somente parte do problema.

Os indivíduos tornam-se mais sensíveis e reativos à estimulação ambiental.7C). de forma que outros estímulos que servem como sinais contextuais para o estímulo traumático tendem a evocar comportamento defensivo no futuro.6. podem ser tolerados. a morfina). e o comportamento defensivo é mobilizado para a auto-preservação imediata.5. Na conversão da nocicepção em dor estão envolvidos fatores como experiência prévia. A aceitação científica da acupuntura é um reconhecimento deste sistema. cognitivos. O perigo já passou e o sistema motivacional da dor é ativado pelos estímulos provenientes do dano tissular. 8. cuidados corporais e repouso predominam e há uma inibição de qualquer outro tipo de motivação. O conhecimento da anatomia. CONTROLE SUPRA-ESPINAL DA DOR A capacidade de controlar a dor faz parte de nossa experiência subjetiva. Nessa fase. quando o estímulo traumático é detectado. esforço físico intenso ou grande concentração. Como consequência disso. Fase Defensiva É a fase em que o animal reage ao trauma. 8. Isto implica a existência de um sistema fisiológico de controle da dor.É uma fase muito breve. estímulos que são normalmente dolorosos. codificado e memorizado (fase de aprendizagem). Em momentos de estresse. fisiologia e farmacologia deste sistema advém do estudo de pacientes que sofrem de dor intratável e de drogas que promovem efeitos benéficos nestas condições (por exemplo. Fase Recuperativa A função desta fase é promover a cura da injúria (Fig. prevalecem os comportamentos recuperativos visando ao tratamento da injúria. contexto cultural e social. 8. Esta fase é caracterizada por medo intenso e reduzida sensibilidade à dor. O papel da aprendizagem é o de fazer com que o estímulo condicionado induza uma expectativa do estímulo incondicionado. RECEPTORES E LIGANTES OPIÓIDES Um dos grandes avanços no estudo da representação central da dor ocorreu com a descoberta de receptores opióides no SNC através de pesquisas desenvolvidas . A aprendizagem é primariamente pavloviana.

Acredita-se que suas fibras serotoninérgicas descendentes exerçam um controle inibitório sobre a transmissão da dor no corno dorsal da medula e que a liberação de serotonina pelos terminais nervosos desta via seja a responsável pela analgesia observada pela estimulação elétrica do núcleo magno da rafe. Estudos de mapeamento destes recep-tores no SNC mostraram que eles têm uma distribuição seletiva ao longo de sistemas neuronais que conduzem e integram informações dolorosas. estimulam neurônios serotoninérgicos do núcleo magno da rafe a liberar 5-HT ao nível da medula espinal. as encefalinas (pentapeptídios) e as endorfinas (peptídios com 31 aminoácidos). Em 1975. defesa. . um outro grupo de ligantes endógenos. em estudos independentes. SEROTONINA E ANALGESIA O núcleo magno da rafe é o principal núcleo serotoninérgico envolvido na antinocicepção. Face a demandas comportamentais impostas por exposição a situações estressantes. J. por sua vez. que drogas opióides. A idéia corrente para explicar estes efeitos é que a morfina ativa células na SCPV que. Um pouco mais tarde. as reações normais de um organismo à dor poderiam mostrar-se desvantajosas. tais como aquelas envolvendo predação. foi identificado no SNC.8. também resultantes do mesmo processo evolucionário. surgiu a idéia de que os receptores desenvolveram-se no curso da evolução para reconhecerem substâncias produzidas pelo próprio organismo (ligantes).7. e L. dominância ou condições ambientais desfavoráveis ou ameaçadoras. e que ambos (receptores e ligantes) servem a um papel adaptativo. na Suécia. Terenius. 8. Hughes e colaboradores descobriram a presença de opióides endógenos no SNC.independentemente por S. destacando-se estruturas do sistema límbico e a substância cinzenta periaquedutal. H. nos EUA. onde este neurotransmissor exerce uma inibição sobre a transmissão da dor. 8. as dinorfinas. Em vista destas descobertas. Snyder. ANALGESIA INDUZIDA PELO ESTRESSE Um dos componentes mais importantes da resposta do organismo a situações de emergência é a redução da sensibilidade à dor. em 1973. Estes autores mostraram. como a morfina. ligam-se de forma estereoespecífica a receptores opióides.

Classificação A dor neuropática resulta da lesão do sistema nervoso central (síndrome da dor central) ou do sistema nervoso periférico causado por trauma. em homens. uma forma de ansiedade catalogada no DSM-IV. o DSM-IV exige que haja pelo menos seis meses de preocupação com a dor e a inexistência de uma patologia orgânica responsável pela dor neste período. doença degenerativa. sua severidade e os métodos utilizados para medir a analgesia. a fase aguda do herpes zoster que cursa com dor intensa. mas pode se desenvolver numa dor crônica excruciante em algumas delas. DORES CRÔNICAS Para o diagnóstico de dor crônica. Não obstante. infecção (neuropatia pósherpética). são freqüentes os relatos de soldados feridos em batalha ou de atletas contundidos em competições que experimentaram intensa analgesia.9. . o estresse induza analgesia somente em situações extremas ou nas que representem alguma ameaça à vida. situa-se a neuralgia do trigêmio ou as neuralgias que são provocadas por ativação de mecanismos de memória associados a experiências anteriores de natureza aversiva. isquemia. A dor psicogênica está relacionada à prevalência de fatores psicológicos na gênese da dor desdes seus estágios iniciais. É possível que. Esta última condição pode ser observada em pacientes com os chamados distúrbios do estresse pós-traumático. 8. corticosterona e β-endorfina. a dor apresenta duração variável. No primeiro caso. invasão tumoral.O curso temporal da analgesia pelo estresse pode durar de minutos a horas. termina em três ou quatro semanas. Em qualquer caso. injúria química ou metabólica ou radiação. A dor crônica pode surgir como conseqüência de doenças estruturais ou funcionais da maioria dos órgãos do corpo (embora estas doenças já não mais estejam presentes) ou sem que tenha sido detectada qualquer injúria neuronal aparente. Estudos que buscam explicar os mecanismos neuro-humorais da analgesia induzida pelo estresse têm mostrado que praticamente todo agente físico estressante produz um aumento dos níveis plasmáticos de ACTH. dependendo do tipo de agente estressante utilizado. na maioria das pessoas. No segundo caso.9. de meses a anos. mas nem todo agente estressante produz analgesia. 8.1. para citar um exemplo. em geral.

9. surgir de doenças estruturais ou funcionais da maioria dos órgãos do corpo. 8.9. dores centrais. cerca de 60% dos indivíduos que sofreram algum tipo de amputação apresentam este distúrbio). Não está definitivamente esclarecido. ou de que a depressão nestes casos é secundária à dor. lesão de discos intervertebrais. .2. 8. por exemplo. mas a dor lombar. A prevalência deste tipo de dor é extremamente alta. Além disto. secção de plexos nervosos. Os sítios de aparecimento da dor psicogênica variam muito. Estes compostos aumentam a neurotransmissão mediada pela serotonina por promoverem uma inibição de sua recaptação nos seus terminais nervosos. são inúmeros os relatos na literatura mostrando que em alguns tipos de ansiedade e na depressão existe um aumento da vulnerabilidade à dor. como a imipramina. abdominal. A relação inversa também existe. principalmente do tato) pós-cordotomia. Tratamento O maior índice de alívio da dor crônica tem sido obtido com o uso dos antidepressivos tricíclicos. Associação com outras doenças mentais A dor crônica gera disfunções psicológicas e sociais importantes.A dor ―nociceptiva‖ou ―fisiológica‖ pode aparecer. se a remissão da dor provocada por estas drogas é dependente ou não dos seus efeitos antidepressivos. entretanto. Algumas condições de dor neuropática são caracterizadas pela dor do membrofantasma (a dor é percebida na região do membro amputado. uma vez que problemas psicossociais freqüentemente causam uma intensificação das queixas de pacientes que sofrem de dor crônica. secundárias a espasmos e inflamações musculares e câncer. tais como a dor da paraplegia e dores provenientes de lesões talâmicas (dor talâmica). como a dor facial.3. facial e a cefaléia são as mais comuns. e disestesia (perturbação sensorial. os sintomas psiquiátricos desapareceram com a remissão da dor decorrente deste tratamento e não reapareceram com a recorrência da dor após a interrupção do tratamento. Em favor da independência de efeitos. A dor psicogênica é fortemente dependente das características da personalidade do indivíduo. como dor lombar após uma aracnoidite. tem-se observado que em certos tipos de dor crônica.

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