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Series e Eq Diferen-11

Series e Eq Diferen-11

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  • Série de potências
  • 1.1 Séries de números reais
  • 1.1.1 Critérios de convergência das séries numéricas
  • 1.1.2 Sumário dos Critérios para Séries de Números
  • 1.2 Séries de funções
  • 1.2.1 Raio de convergência
  • Exercícios 1-1
  • 1.3 Desenvolvimento em séries de potências
  • 1.3.1 A função exponencial
  • 1.4 Operações com série de potências
  • 1.4.1 A série binomial
  • 1.5 Série de Taylor
  • 1.5.1 Série de Taylor associada a uma função
  • 1.5.2 Polinômio de Taylor
  • 1.5.3 Convergência da série de Taylor
  • Exercícios 1-2
  • 1.6 Fórmula de Taylor
  • 1.6.1 Resto de um Polinômio de Taylor
  • 1.6.2 Combinando Séries de Taylor
  • 1.7 Lista de série de Taylor de algumas funções comuns
  • 1.8 Aplicações
  • 1.8.1 Cálculo de limites e integrais
  • 1.8.2 Estudo de Extremos
  • 1.8.3 Outra definição para a derivada
  • 1.9 Série de Taylor em várias variáveis
  • 1.9.1 Para duas variáveis
  • Exercícios 1-3
  • Equações diferenciais de 1a
  • 2.1 Introdução
  • 2.2 Equações diferenciais
  • 2.2.1 Classificação
  • 2.2.2 Ordem e grau
  • 2.2.3 Problemas que conduzem a uma equação diferencial
  • 2.2.4 Equações diferenciais lineares
  • 2.2.5 Motivação
  • 2.3 Solução de uma equação diferencial
  • 2.3.1 Solução Geral. Solução Particular
  • 2.3.2 Solução Singular
  • 2.3.3 Problemas de valores iniciais
  • 2.3.4 Campo de direções
  • 2.4 Classificação das EDO de primeira ordem
  • 2.4.1 Forma Diferencial
  • 2.4.2 Forma Normal
  • Exercícios 2-1
  • 2.5 Solução de alguns tipos e equações
  • 2.5.1 Equações de variáveis separáveis
  • 2.5.2 Equações Diferenciais Exatas
  • 2.5.3 Equações Homogêneas
  • 2.5.4 Equações Lineares
  • 2.6 Fator integrante
  • 2.6.1 Métodos de solução
  • 2.6.2 Determinação de um fator integrante
  • Exercícios 2-2
  • 2.7 Equações diferenciais não lineares de primeira or-
  • 2.7.1 Equações de Bernoulli
  • 2.7.2 Equação de primeira ordem de grau n
  • 2.7.3 Equações da forma F(y, y ) = 0 e F(x, y ) = 0
  • 2.7.4 Equação de Lagrange
  • 2.7.5 Equação de Clairaut
  • Exercícios 2-3
  • Equações diferenciais de ordem n > 1
  • 3.1 Teoria preliminar
  • 3.2 Equações diferenciais especiais
  • 3.3 Equações diferenciais lineares
  • 3.3.1 Problema de valor inicial
  • 3.4 Teorema de existência e unicidade
  • Teorema 3.1. Existência e unicidade
  • 3.4.1 Problema de valor de contorno
  • 3.4.2 Dependência Linear. Independência linear
  • 3.4.3 O Wronskiano
  • Exercícios 3-1
  • 3.5 Equações diferenciais lineares de coeficientes con-
  • 3.5.1 Equação homogênea de segunda ordem
  • 3.5.2 Equação homogênea de ordem maior que dois
  • 3.6 Equações lineares não homogêneas de coeficientes
  • 3.6.1 Equação não homogênea de segunda ordem
  • 3.6.2 Equação não homogênea de ordem maior que dois
  • 3.6.3 Método dos coeficientes a determinar
  • 3.6.4 Método de variação de parâmetros
  • Exercícios 3-2
  • 3.7 Equações diferenciais lineares de coeficientes var-
  • 3.7.1 Método dos coeficientes indeterminados
  • 3.7.2 Método da variação de parâmetros
  • 3.8 Equações Euler-Cauchy
  • 3.8.1 Método de Euler-Cauchy
  • 3.8.2 Método de Frobenius
  • 3.8.3 Método de redução de ordem
  • 3.9 Aplicações
  • 3.9.1 Movimento harmônico simples
  • 3.9.2 Movimento vibratório amortecido
  • 3.9.3 Movimento vibratório forçado
  • 3.9.4 Outras aplicações
  • Exercícios 3-3
  • 3.10 Resolução de Equação Diferencial por Série de
  • 3.10.1 Método da Série de Taylor
  • 3.10.2 A equação de Hermite
  • 3.10.3 A equação de Legendre
  • 3.10.4 Método de Frobenius
  • 3.10.5 Equação de Bessel
  • 3.10.6 Equação de Airy
  • Exercícios 3-4
  • Transformada de Laplace
  • 4.1 Introdução
  • 4.2 Existência da transformada de Laplace
  • 4.2.1 Função seccionalmente contínua
  • 4.2.2 Função de ordem exponencial
  • 4.3 Propriedades da transformada de Laplace
  • 4.3.1 Linearidade
  • 4.3.2 Deslocamento em s
  • 4.3.3 Derivada da transformada
  • Exercícios 4-1
  • 4.4 Transformada da derivada
  • 4.5 Transformada da integral de uma função
  • 4.6 Transformadas de funções elementares
  • 4.6.1 Função gama
  • 4.6.2 Função delta de Dirac
  • 4.7 Transformada inversa de Laplace
  • 4.7.1 Cálculo de transformadas inversas
  • Exercícios 4-2
  • 4.8 Resolução de equações diferenciais mediante a trans-
  • 4.8.1 Equações com termo não homogêneo descontínuo
  • 4.8.2 Deslocamento no domínio do tempo t
  • 4.9 Convolução
  • 4.10 Aplicações
  • 4.10.1 Aplicações em circuitos elétricos
  • Exercícios 4-3
  • SÉRIE DE FOURIER
  • 5.1 Introdução
  • 5.2 Motivação
  • 5.3 Função Periódica
  • 5.4 Funções Ortogonais
  • 5.4.1 Coeficientes de uma série respeito de um conjunto ortogonal
  • 5.5 Séries de Fourier
  • 5.5.1 Cálculo dos coeficientes de Fourier
  • 5.5.2 Outra Representação da Série de Fourier
  • 5.5.3 Série exponencial de Fourier
  • 5.6 Coeficientes de Fourier que tendem a zero
  • 5.7 Aproximação mediante uma série finita
  • 5.8 Série de Fourier de seno e coseno de comprimento
  • Exercícios 5-1
  • 5.9 CONVERGÊNCIA DA SÉRIE DE FOURIER
  • 5.9.1 Critério D’Alembert’s
  • 5.9.2 Séries Alternadas
  • 5.9.3 Convergência uniforme
  • 5.10 Convergência de séries trigonométricas
  • 5.11 Convergência da Série de Fourier
  • 5.11.1 Condições de Dirichlet
  • 5.11.2 Outros critérios de convergência
  • 5.11.3 A derivada da série de Fourier
  • 5.12 Séries duplas de Fourier
  • 5.13 Aplicações
  • 5.13.1 Convergência da série de Fourier
  • 5.13.2 Solução de uma EDO de segunda ordem
  • 5.13.3 Equação de Laplace
  • 5.13.4 Soma de uma série numérica
  • Referências Bibliográficas

Grupo de Ensino e Pesquisa em Educação Matemática

Notas de Aula N
o
7
.5
Christian Q. Pinedo
5
ii Séries de Potências e Equações Diferenciais
A meus pais
Christian (em memória) e.
Noemi.
iii
iv Séries de Potências e Equações Diferenciais
Título do original
Séries de Potências e Equações Diferenciais
Janeiro de 2011
Direitos exclusivos para língua portuguesa:
UFT - CAMPUS DE PALMAS
Coordenação de Engenharia Civil/Elétrica
512.8
Pinedo. Christian Quintana, 1954 -
Séries de Potências e Equações Diferenciais / Christian José Quin-
tana Pinedo : Universidade Federal do Tocantins. Campus de Palmas,
Curso de Engenharia Civil/Elétrica, 2009.
250 p. il. 297mm
I. Série de Potencias e Equações Diferenciais. Christian Q. Pinedo. II.
Série. III. Título
CDD 512.8 ed. CDU
SUMÁRIO
PREFÁCIO xi
1 Série de potências 1
1.1 Séries de números reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.1.1 Critérios de convergência das séries numéricas . . . . . . . . . . . . 10
1.1.2 Sumário dos Critérios para Séries de Números. . . . . . . . . . . . . 15
1.2 Séries de funções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.2.1 Raio de convergência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Exercícios 1-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
1.3 Desenvolvimento em séries de potências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
1.3.1 A função exponencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
1.4 Operações com série de potências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
1.4.1 A série binomial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
1.5 Série de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
1.5.1 Série de Taylor associada a uma função . . . . . . . . . . . . . . . . 38
1.5.2 Polinômio de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
1.5.3 Convergência da série de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
Exercícios 1-2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
1.6 Fórmula de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
1.6.1 Resto de um Polinômio de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
1.6.2 Combinando Séries de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
1.7 Lista de série de Taylor de algumas funções comuns . . . . . . . . . . . . . 59
1.8 Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
1.8.1 Cálculo de limites e integrais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
1.8.2 Estudo de Extremos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
1.8.3 Outra definição para a derivada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
1.9 Série de Taylor em várias variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
1.9.1 Para duas variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
Exercícios 1-3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
v
vi Séries de Potências e Equações Diferenciais
2 Equações diferenciais de 1
a
ordem. 71
2.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
2.2 Equações diferenciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
2.2.1 Classificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
2.2.2 Ordem e grau . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
2.2.3 Problemas que conduzem a uma equação diferencial . . . . . . . . . 76
2.2.4 Equações diferenciais lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78
2.2.5 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
2.3 Solução de uma equação diferencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
2.3.1 Solução Geral. Solução Particular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
2.3.2 Solução Singular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
2.3.3 Problemas de valores iniciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
2.3.4 Campo de direções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
2.4 Classificação das EDO de primeira ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
2.4.1 Forma Diferencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
2.4.2 Forma Normal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92
Exercícios 2-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
2.5 Solução de alguns tipos e equações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100
2.5.1 Equações de variáveis separáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100
2.5.2 Equações Diferenciais Exatas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103
2.5.3 Equações Homogêneas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106
2.5.4 Equações Lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110
2.6 Fator integrante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111
2.6.1 Métodos de solução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113
2.6.2 Determinação de um fator integrante . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
Exercícios 2-2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117
2.7 Equações diferenciais não lineares de primeira ordem . . . . . . . . . . . . 122
2.7.1 Equações de Bernoulli . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122
2.7.2 Equação de primeira ordem de grau n . . . . . . . . . . . . . . . . . 123
2.7.3 Equações da forma F(y, y

) = 0 e F(x, y

) = 0 . . . . . . . . . . . 124
2.7.4 Equação de Lagrange . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126
2.7.5 Equação de Clairaut . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
Exercícios 2-3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129
3 Equações diferenciais de ordem n > 1. 131
3.1 Teoria preliminar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
3.2 Equações diferenciais especiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
3.3 Equações diferenciais lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135
Christian José Quintana Pinedo vii
3.3.1 Problema de valor inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136
3.4 Teorema de existência e unicidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136
3.4.1 Problema de valor de contorno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137
3.4.2 Dependência Linear. Independência linear . . . . . . . . . . . . . . 137
3.4.3 O Wronskiano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141
Exercícios 3-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145
3.5 Equações diferenciais lineares de coeficientes constantes . . . . . . . . . . . 147
3.5.1 Equação homogênea de segunda ordem . . . . . . . . . . . . . . . . 147
3.5.2 Equação homogênea de ordem maior que dois . . . . . . . . . . . . 149
3.6 Equações lineares não homogêneas de coeficientes constantes . . . . . . . . 152
3.6.1 Equação não homogênea de segunda ordem . . . . . . . . . . . . . . 152
3.6.2 Equação não homogênea de ordem maior que dois . . . . . . . . . . 155
3.6.3 Método dos coeficientes a determinar . . . . . . . . . . . . . . . . . 160
3.6.4 Método de variação de parâmetros . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162
Exercícios 3-2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165
3.7 Equações diferenciais lineares de coeficientes variáveis . . . . . . . . . . . . 169
3.7.1 Método dos coeficientes indeterminados . . . . . . . . . . . . . . . . 169
3.7.2 Método da variação de parâmetros . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170
3.8 Equações Euler-Cauchy . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172
3.8.1 Método de Euler-Cauchy . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172
3.8.2 Método de Frobenius . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 174
3.8.3 Método de redução de ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176
3.9 Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179
3.9.1 Movimento harmônico simples . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179
3.9.2 Movimento vibratório amortecido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183
3.9.3 Movimento vibratório forçado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188
3.9.4 Outras aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 190
Exercícios 3-3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195
3.10 Resolução de Equação Diferencial por Série de Potências . . . . . . . . . . 199
3.10.1 Método da Série de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 205
3.10.2 A equação de Hermite . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209
3.10.3 A equação de Legendre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 211
3.10.4 Método de Frobenius . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 214
3.10.5 Equação de Bessel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220
3.10.6 Equação de Airy . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224
Exercícios 3-4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227
viii Séries de Potências e Equações Diferenciais
4 Transformada de Laplace 231
4.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 232
4.2 Existência da transformada de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 235
4.2.1 Função seccionalmente contínua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239
4.2.2 Função de ordem exponencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240
4.3 Propriedades da transformada de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244
4.3.1 Linearidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244
4.3.2 Deslocamento em s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245
4.3.3 Derivada da transformada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 247
Exercícios 4-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 249
4.4 Transformada da derivada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 251
4.5 Transformada da integral de uma função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 252
4.6 Transformadas de funções elementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253
4.6.1 Função gama . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253
4.6.2 Função delta de Dirac . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254
4.7 Transformada inversa de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255
4.7.1 Cálculo de transformadas inversas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260
Exercícios 4-2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 263
4.8 Resolução de equações diferenciais mediante a transformada de Laplace . . 265
4.8.1 Equações com termo não homogêneo descontínuo . . . . . . . . . . 269
4.8.2 Deslocamento no domínio do tempo t . . . . . . . . . . . . . . . . . 271
4.9 Convolução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273
4.10 Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 278
4.10.1 Aplicações em circuitos elétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 279
Exercícios 4-3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 281
5 SÉRIE DE FOURIER 285
5.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 286
5.2 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 288
5.3 Função Periódica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 289
5.4 Funções Ortogonais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291
5.4.1 Coeficientes de uma série respeito de um conjunto ortogonal . . . . 293
5.5 Séries de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294
5.5.1 Cálculo dos coeficientes de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294
5.5.2 Outra Representação da Série de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . 299
5.5.3 Série exponencial de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 300
5.6 Coeficientes de Fourier que tendem a zero . . . . . . . . . . . . . . . . . . 302
5.7 Aproximação mediante uma série finita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 303
Christian José Quintana Pinedo ix
5.8 Série de Fourier de seno e coseno de comprimento médio . . . . . . . . . . 306
Exercícios 5-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 308
5.9 CONVERGÊNCIA DA SÉRIE DE FOURIER . . . . . . . . . . . . . . . . 311
5.9.1 Critério D’Alembert’s. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 312
5.9.2 Séries Alternadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 313
5.9.3 Convergência uniforme . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 313
5.10 Convergência de séries trigonométricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 317
5.11 Convergência da Série de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 318
5.11.1 Condições de Dirichlet . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 321
5.11.2 Outros critérios de convergência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 324
5.11.3 A derivada da série de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 326
5.12 Séries duplas de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 327
5.13 Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 327
5.13.1 Convergência da série de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 327
5.13.2 Solução de uma EDO de segunda ordem . . . . . . . . . . . . . . . 328
5.13.3 Equação de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 328
5.13.4 Soma de uma série numérica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 330
APÊNDICE 332
Referências Bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 335
x Séries de Potências e Equações Diferenciais
PREFÁCIO
O propósito de uma primeira disciplina de “Séries de Potências e Equações Diferenci-
ais” é ensinar ao estudante as noções básicas das séries de funções em R e de equações
diferenciais ordinárias, assim como as técnicas e aplicações básicas que acompanham tais
conceitos; estas Notas de Aula é a continuação e abordagem de conceitos e teorias sobre
série de potências, tipos de equações diferenciais e solução de alguns tipos de equações
diferenciais mediante séries de funções.
Esta obra representa o esforço de sínteses na seleção de um conjunto de problemas que,
com freqüência se apresenta quando um estudante começa a estudar cálculo avançado.
Estas notas de aula estão divididas em três capítulos.
No primeiro capítulo, apresenta-se noções gerais sobre série de potências, séries de
Taylor e MacLaurin, e teoremas do resto, úteis na solução de equações diferenciais.
No segundo capítulo, apresenta-se noções gerais sobre equações diferenciais ordinárias
e notação a ser utilizada nestas notas, e parte da classificação das equações de primeira
ordem que se utiliza com muita freqüência.
No terceiro capítulo, apresenta-se alguns métodos para a solução de equações diferen-
ciais ordinárias de primeira ordem vistas no primeiro capítulo.
O quarto capítulo está dedicado para a solução de equações diferencias ordinárias
lineares de ordem n > 1, onde n ∈ N. Equações estas de coeficientes constantes ou
variáveis.
xi
xii Séries de Potências e Equações Diferenciais
O último capítulo está reservado para o estudo da transformada de Laplace e suas
aplicações na solução de equações diferenciais lineares de coeficientes constantes, assim
como as propriedades que esta transformada apresenta para a solução de outros problemas.
O objetivo deste trabalho é orientar a metodologia para que o leitor possa identificar
e construir um modelo matemático e logo resolvê-lo.
Cada capítulo se inicia com os objetivos que se pretende alcançar; os exercícios apre-
sentados em quantidade suficiente, estão classificados de menor a maior dificuldade.
A variedade dos problemas e exercícios propostos pretende transmitir minha exper-
iência profissional durante algumas decadas como Consultor em Matemáticas Puras e
Aplicadas, assim como professor de ensino superior, com atuação na graduação da docên-
cia universitária.
Fico profundamente grato pela acolhida desde trabalho e pelas contribuições e sug-
estões dos leitores, em especial a meus alunos do Curso de Engenharia Civil e Elétrica da
Universidade Federal do Tocantins.
Christian Quintana Pinedo.
Palmas - TO, Janeiro de 2011
“A Matemática é a honra do espírito humano”
Leibniz
Capítulo 1
Série de potências
Brook Taylor
Brook Taylor nasceu em 18 agosto de 1685 em Edmonton,
Middlesex, Inglaterra e faleceu em 29 de dezembro de 1731 em
Somerset House, Londres, Inglaterra.
Taylor teve uma excelente educação em casa antes de en-
trar no College Brook St John’s de Cambridge em 03 de abril
de 1703, nessa época ele tinha uma boa base em clássicos da
matemática. Em Cambridge Taylor envolveou-se altamente com
a matemática.
Graduou-se com um Bacharel em Direito em 1709, mas nessa
época ele já havia escrito um primeiro artigo importante de
matemática (em 1708) embora não fosse publicado até 1714.
Sabemos que algo dos detalhes do pensamento de Taylor a
respeito de vários problemas matemáticos a partir de cartas que
trocou com Machin e Keill no início dos últimos anos de graduação.
Adicionou a matemática um novo ramo agora chamado o “Cálculo das Diferenças Finitas”,
inventou a integração por partes, e descobriu a célebre fórmula conhecida como a expansão de
Taylor, de qual a importância permaneceu não reconhecida até 1772 quando Lagrange proclamou
isto como o princípio básico do cálculo diferencial.
Em 1708 Taylor encontrou uma solução para o problema do centro de oscilação, sendo que
isso foi inédito até 1714, resultando em uma disputa de prioridade com Johann Bernoulli.
Em 03 de abril de 1712, Taylor foi eleito membro da Royal Society. Foi uma eleição baseada
mais nas experiência que Machin (matemático e astrônomo), Keill (matemático) e outros sabiam
a respeito de Taylor. Por exemplo, Taylor escreveu em 1712 para Machin sobre uma solução para
um problema de Kepler sobre a segunda lei do movimento planetário.
Também em 1712, Taylor foi nomeado para o comitê criado para se pronunciar sobre o pedido
de Newton ou Leibnitz ter inventado o Cálculo. De 14 de janeiro de 1714 até 21 de outubro de
1718 Taylor foi secretário da Royal Society.
Comenta-se de um experimento de Taylor em 1715 para a descoberta das leis da atração
magnética e um método não provado para aproximar as raízes de uma equação, dando um novo
método para logaritmos computacionais (1717). Taylor desenvolveu em 1715 os princípios fun-
damentais da perspectiva em Perspectivas Lineares (1715) junto com os “ Novos Princípios da
Perspectiva Linear”.
1
2 Séries de Potências e Equações Diferenciais
1.1 Séries de números reais
Representamos por N
+
o conjunto dos números naturais positivos, isto é:
N
+
= ¦ 1, 2, 3, 4, , n, ¦
Seja ¦a
n
¦
n∈N
+ uma sequência de números reais, a partir de ela podemos obter os
seguintes elementos:
s
1
= a
1
;
s
2
= a
1
+ a
2
;
s
3
= a
1
+ a
2
+a
3
;
.
.
.
s
n−1
= a
1
+ a
2
+ a
3
+ + a
n−2
+ a
n−1
;
s
n
= a
1
+ a
2
+ a
3
+ + a
n−2
+ a
n−1
+ a
n
Isto é, podemos obter outra sequência ¦s
n
¦
n∈N
+, chamada série onde seus elementos
são somas parciais de elementos da sequência ¦a
n
¦.
Quando o índice n seja o maior possível (por exemplo n → +∞), teremos a escrever
o termo geral da sequência ¦s
n
¦ como uma soma de uma quantidade indeterminada de
elementos da forma a
i
onde i ∈ N
+
.
A notação que permite exprimir esta soma é: s
n
=
n

k=1
a
k
.
Por se tratar ¦s
n
¦ de uma sequência de números reais, todo o estudado para seqüências
numéricas ¦a
n
¦
n∈N
+ podemos aplicar a nossa série ¦s
n
¦; por exemplo limitação, monoto-
nia, convergência entre outros.
Logo, a série ¦s
n
¦ é limitada, se existe uma constante C ∈ R tal que [s
n
[ ≤ C ∀ n ∈
N
+
isto é
¸
¸
¸
¸
¸
+∞

n=1
a
n
¸
¸
¸
¸
¸
≤ C.
A série ¦s
n
¦ é convergente, se lim
n→+∞
s
n
= S ou lim
n→∞
_
n

i=1
a
i
_
= S, para algum S ∈ R
fixo e único.
Assim, podemos dizer que existem séries convergentes e séries divergentes. O objetivo
deste capítulo é aprender a distinguir umas das outras.
Dada uma sequência ¦a
n
¦ de números reais, a soma infinita a
1
+a
2
+a
3
+ +a
n−2
+
a
n−1
+ a
n
+ , será representada simbólicamente por
+∞

n=1
a
n
.
Nosso objetivo agora é estabelecer condições sobre a sequência ¦a
n
¦ para que a soma
infinita
+∞

n=1
a
n
tenha como resultado um valor de número real. Se este for o caso dizemos
que a soma infinita converge.
Estas somas infinitas são denominadas “séries infinitas” ou simplesmente séries.
Christian José Quintana Pinedo 3
Definição 1.1.
Dizemos que a série é convergente, quando a sequência ¦s
n
¦ de suas somas parciais
for convergente. Neste caso, a soma da série é o limite da sequência ¦s
n
¦, isto é:
+∞

n=1
a
n
= lim
n→+∞
s
n
= S (1.1)
Quando uma série não converge, ela é denominada divergente.
Estamos trabalhando com os índices n ∈ N dos elementos das séries, então podemos
escrever
+∞

n=0
a
n
ou

n=0
a
n
entende-se que a variação do índice n é de zero (ou outro número)
até +∞
Exemplo 1.1.
• Se a
n
= 0 ∀ n ∈ N
+
, a série gerada pela sequência ¦a
n
¦ é convergente, sua soma
é zero; isto é
+∞

n=1
a
n
= 0.
• Se b
n
= 1 ∀ n ∈ N
+
, a série gerada pela sequência ¦b
n
¦ é divergente, sua soma é
indeterminada; na verdade
+∞

n=1
b
n
= +∞
• Se a
n
= (−1)
n+1
∀ n ∈ N
+
, então a série gerada pela sequência ¦a
n
¦ é divergente,
a soma de todos seus termos é indefinida; isto é
+∞

n=1
(−1)
n+1
= 1 ou −1 ou 0.
Pela unicidade do limite lim
n→∞
s
n
= S, concluímos que essa soma não existe.
Por definição uma “série geométrica” é da forma S =
+∞

n=1
ar
n−1
, onde o número r é
denominado razão da série, e o número constante a é seu coeficiente.
Exemplo 1.2.
Estudar a série geométrica.
Solução.
Pela propriedade de somatório podemos escrever S =
+∞

n=1
αr
n−1
= α
+∞

n=1
r
n−1
, de onde:
s
n
= α
n

i=1
r
i−1
= α
1 −r
n
1 −r
(1.2)
Quando [r[ < 1, sabemos que lim
n→+∞
r
n
= 0, tomando o limite em (5.37) quando
4 Séries de Potências e Equações Diferenciais
n →+∞ tem-se: lim
n→+∞
s
n
= α lim
n→+∞
1 −r
n
1 −r
=
α
1 −r
= S.
Isto é: S =
+∞

n=1
ar
n−1
= lim
n→+∞
s
n
=
α
1 −r
converge quando [r[ < 1.
É imediato que, para o caso [r[ > 1 a série diverge.
Por definição uma “série harmônica” é da forma
+∞

n=1
1
n
.
Exemplo 1.3. Série harmônica.
Determine se série harmônica
+∞

n=1
1
n
converge.
Solução.
Sabe-se que esta série representa o termo n-ésimo de uma sequência ¦s
n
¦, onde s
n
=
+∞

n=1
1
n
.
Consideremos duas subseqüência de s
n
:
s
n
= 1 +
1
2
+
1
3
+
1
4
+ +
1
n
+
s
2n
= 1 +
1
2
+
1
3
+
1
4
+ +
1
n
+ +
1
2n −1
+
1
2n
Suponha que s
n
→L quando n →+∞, então tem-se que s
n
→L quando n →+∞ e
s
2n
→L quando n →+∞, segue que (s
n
−s
2n
) →0 quando n →+∞.
Porém, s
n
− s
2n
=
1
n + 1
+
1
n + 2
+
1
n + 3
+ + +
1
n
+ +
1
2n −1
+
1
2n

1
2n
+
1
2n
+
1
2n
+ +
1
2n
=
1
2
de onde lim
n→+∞
(s
n
−s
2n
) ≥
1
2
,= 0, caso o limite existisse.
Portanto, a série harmônica
+∞

n=1
1
n
. é divergente.
Uma “série p” é da forma
+∞

n=1
1
n
p
, onde p ∈ R é uma constante fixa.
Mostra-se que a série:
+∞

n=1
1
n
p
= 1 +
1
2
p
+
1
3
p
+ +
1
n
p
+ (1.3)
converge se p > 1, e diverge se p ≤ 1, p ∈ R.
Observação 1.1.
A série
+∞

n=1
(b
n
−b
n+1
) é denominada série de encaixe devido à natureza de seus termos:
(b
1
−b
2
) + (b
2
−b
3
) + (b
3
−b
4
) + + (b
n
−b
n+1
) +
Christian José Quintana Pinedo 5
A sequência de suas somas parciais ¦s
n
¦, vem dado pela expressão:
s
n
= (b
1
−b
2
) + (b
2
−b
3
) + (b
3
−b
4
) + + (b
n
−b
n+1
) = b
1
−b
n+1
(1.4)
Se a sequência ¦b
n
¦ convergir para um número L, segue que ¦s
n
¦ converge para b
1
−L.
Exemplo 1.4.
Verificar que a série
+∞

n=1
1
n
2
+ n
converge.
Com efeito, observe que
+∞

n=1
1
n
2
+ n
=
+∞

n=1
_
1
n

1
n + 1
_
= 1 −
1
n + 1
, logo;
lim
n→+∞
n

i=1
1
n
2
+n
= lim
n→+∞
_
1 −
1
n + 1
_
= 1 −0 = 1
Portanto, a série
+∞

n=1
1
n
2
+ n
converge.
Exemplo 1.5.
Determine se a série
+∞

n=1
Ln
_
n
n + 1
_
converge.
Solução.
Observe que, podemos escrever
+∞

n=1
Ln
_
n
n + 1
_
=
+∞

n=1
[Lnn −Ln(n + 1)].
Logo,
n

k=1
Ln
_
k
k + 1
_
= Ln1−Ln(n+1) ⇒ lim
n→+∞
n

k=1
Ln
_
k
k + 1
_
= lim
n→+∞
[Ln1−
Ln(n + 1)] = 1 −∞= −∞
Portanto, a série
+∞

n=1
Ln
_
n
n + 1
_
diverge.
A propriedade a seguir fornece uma condição necessária, mas não suficiente para que
uma série numérica seja convergente.
Propriedade 1.1. Critério do n-ésimo termo.
Seja

n=1
a
n
convergente, então:
i) A sequência ¦s
n
¦ de somas parciais é limitada.
ii) lim
n→∞
a
n
= 0.
6 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Demonstração. i)
Se
+∞

n=1
a
n
converge, então existe em R o limite L = lim
n→+∞
s
n
logo, sendo ¦s
n
¦ uma
sequência convergente, ela é limitada.
Demonstração. ii)
Denotando por ¦s
n
¦ a sequência de somas parciais da série,
+∞

n=1
a
n
temos que a
n
=
s
n
−s
n−1
e admitindo que a série é convergente, resulta que a sequência de somas parciais
¦s
n
¦ converge para um certo número L, o mesmo ocorrendo com a subseqüência ¦s
n−1
¦,
então:
lim
n→∞
a
n
= lim
n→+∞
(s
n
−s
n−1
) = lim
n→+∞
s
n
− lim
n→+∞
s
n−1
= L −L = 0
Exemplo 1.6.
Verificar que a série
+∞

n=1
n
2
2n
2
+ 3n
diverge.
Solução.
Observe que o limite
lim
n→∞
n
2
2n
2
+ 3n
=
1
2
,= 0
Logo pelo critério do n-ésimo termo a série diverge.
Esta última propriedade nos leva a um primeiro teste para a detecção da divergência
de uma série e justifica a seguinte propriedade.
Propriedade 1.2.
Se lim
n→+∞
a
n
,= 0 ou não existe, então a série
+∞

n=1
a
n
diverge.
A demonstração é exercício para o leitor.
Exemplo 1.7.
1. A séries
+∞

n=1
n
n + 1
e
+∞

n=1

n ambas são divergentes.
Com efeito, lim
n→∞
n
n + 1
= 1 ,= 0 e lim
n→∞

n ,= 0.
2. A séries
+∞

n=1
(−1)
n+1
e
+∞

n=1
−n
3n + 4
ambas são divergentes.
Observe que, lim
n→∞
(−1)
n+1
,= 0 e lim
n→∞
−n
3n + 4
,= 0.
A Propriedade (5.15) constitui-se no primeiro critério de convergência, para séries. Ao
analisar a convergência de uma série, em primeiro lugar observamos a convergência de seu
primeiro termo geral s
n
, como sugere o seguinte diagrama:
Christian José Quintana Pinedo 7
¦a
n
¦ diverge
E

n=1
a
n
diverge
E
Fim
L ,= 0

n=1
a
n
diverge Fim

n=1
a
n
E
E
E E
E
E
E E
lim
n→∞
a
n
= L
L = 0
E
?
A condição lim
n→+∞
a
n
= 0 não dá informação sobre a convergência da série
+∞

n=1
a
n
sendo
necessária uma análise adicional para determinar se a série converge ou diverge.
Exemplo 1.8.
A seguinte tabela ilustra algumas situações:
+∞

n=1
Lnn
n
2
0
indefinida
+∞

n=1
n
3n + 5
1
3
divergente
+∞

n=1
e
n
n
2
+∞ divergente
+∞

n=1
a
n
lim
n→∞
a
n
situação
Observação 1.2.
Suponha temos uma série
+∞

n=1
a
n
convergente; isto é lim
n→+∞
s
n
= S existe. Então é
correto afirmar que:
lim
n→+∞
(s
n
−S) existe se e somente se, lim
n→+∞
s
n
= S existe.
Deduzimos assim, que podemos omitir um número finito de termos (entre os primeiros)
de uma série infinita sem afetar sua convergência.
8 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Como no caso das seqüências numéricas, o acréscimo ou a omissão de um número
finito de termos não altera a convergência de uma série, podendo alterar o valor de sua
soma.
Propriedade 1.3.
Se as séries

n=1
a
n
e

n=1
b
n
diferem apenas em seus primeiros termos em uma quan-
tidade finita, então ambas são convergentes ou ambas são divergentes.
A demonstração é exercício para o leitor.
Ainda mais, uma consequência da Propriedade (1.3), temos que para cada número
k ∈ N
+
, as séries

n=1
a
n
e

n=k
a
n
são ambas convergentes ou ambas divergentes.
Exemplo 1.9.
As séries

n=9
1
n
e

n=9
1
n −8
ambas são divergentes, entanto as séries

n=9
1
n
2
e

n=9
1
(n −8)
2
ambas são convergentes.
Propriedade 1.4.
Sejam

n=1
a
n
e

n=1
b
n
duas séries numéricas e α ∈ R.
(a) Se as séries

n=1
a
n
e

n=1
b
n
são convergentes, então

n=1
(a
n
+b
n
) e

n=1
α a
n
também
convergem.
(b) Se

n=1
a
n
e convergente e

n=1
b
n
é divergente, a série

n=1
(a
n
+ b
n
) diverge.
(c) Se

n=1
a
n
é divergente e α ,= 0, então a série

n=1
α a
n
é também divergente.
A demonstração é exercício para o leitor.
Observação 1.3.
Quando as séries

n=1
a
n
e

n=1
b
n
são ambas divergentes, a Propriedade (1.4) não dá
informação sobre a convergência da série

n=1
(a
n
+ b
n
).
Exemplo 1.10.
Christian José Quintana Pinedo 9
• As séries

n=1
1
n
e

n=1
−1
n
são ambas divergentes, entanto que a série

n=1
(
1
n
+
−1
n
)
converge.
• A série

n=1
_
1
n
2
+ n
+
3
4
n−1
_
é convergente, enquanto as séries

n=1
1
n
2
+ n
e

n=1
3
4
n−1
são convergentes.
Propriedade 1.5. Condição de Cauchy.
Seja ¦s
n
¦ uma sequência de números reais, a série s
n
=
n

k=1
a
k
é convergente se, para
qualquer ε > 0, existe n
0
> 0 tal que [s
m
−s
n
[ < ε sempre que m, n > n
0
.
A demonstração é exercício para o leitor.
Existem casos onde a série têm seus termos decrescentes, então podemos utilizar a
seguinte propriedade.
Propriedade 1.6.
Suponhamos temos uma série de termo geral a
n
de modo que a
n
≥ a
n+1
para todo
n ∈ N
+
; logo:
A série

n=1
a
n
converge se e somente se, a série

n=1
2
n
a
2
n também converge.
A demonstração é exercício para o leitor.
Exemplo 1.11.
Verificar que a série

n=1
1
n
2
converge.
Solução.
Tem-se que a
n
=
1
n
2
>
1
(n + 1)
2
= a
n+1
, então podemos obter a
2
n =
1
(2
n
)
2
.
Logo,

n=1
2
n
a
2
n =

n=1
2
n

1
(2
n
)
2
=

n=1
2
n
2
2n
=

n=1
1
2
n
= lim
n→∞
1
2

_
¸
_
1 −
_
1
2
_
n
1 −
1
2
_
¸
_
= 1.
Como a série

n=1
1
2
n
converge, então a série

n=1
1
n
2
também converge.
Uma série

n=1
a
n
onde cada termo a
n
é maior ou igual do que zero é denominada série
de termos positivos.
10 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Propriedade 1.7.
Seja ¦a
n
¦ uma sequência com a
n
≥ 0 para todo n ∈ N
+
. Então a série

n=1
a
n
é
convergente se, e somente se, a sequência de somas parciais ¦s
n
¦ é limitada.
A demonstração é exercício para o leitor.
Exemplo 1.12.
A série

n=1
1
n(n + 1)
é convergente.
Observe que
1
n(n + 1)
=
1
n

1
n + 1
para todo n ∈ N
+
.
Como s
n
=
1
1 2
+
1
2 3
+
1
3 4
+ +
1
n(n + 1)
, tem-se que s
n
= 1 −
1
n + 1
≤ 1 para
todo n ∈ N
+
.
Sendo os termos positivos, e a sequência de somas parciais ¦s
n
¦ limitada, então série

n=1
1
n(n + 1)
é convergente.
Definição 1.2.
Dizemos que a série

n=1
a
n
é dominada pela série

n=1
b
n
quando a
n
≤ b
n
, ∀ n ∈ N
+
.
Nesse caso

n=1
a
n
é a série dominada e

n=1
b
n
é a série dominante.
Observação 1.4.
Para séries de termos positivos, os seguintes fatos são imediatos:
1. A sequência s
n
de somas parciais é monótona crescente.
2. Se a série

n=1
a
n
é dominada pela série

n=1
b
n
, as respectivas séries de somas parciais
¦s
n
¦ e ¦t
n
¦ satisfazem a relação s
n
≤ t
n
, ∀ n ∈ N
+
.
Estes fatos junto com a Propriedade (1.7) estabelecem o seguinte critério de convergên-
cia conhecido como critério de comparação.
1.1.1 Critérios de convergência das séries numéricas
Propriedade 1.8. Critério de comparação.
Sejam

n=1
a
n
e

n=1
b
n
duas séries de termos positivos:
Christian José Quintana Pinedo 11
i) Se a série

n=1
b
n
converge e a
n
≤ b
n
, ∀n ∈ N
+
, então a série

n=1
a
n
também converge.
ii) Se a série

n=1
a
n
diverge e a
n
≤ b
n
, ∀ n ∈ N
+
, então a série

n=1
b
n
também diverge.
Sendo as afirmações i) e ii) equivalentes, é suficiente mostra apenas uma delas.
A demonstração é exercício para o leitor.
Definição 1.3. Série absolutamente convergente.
Dizemos que uma série

n=1
a
n
é absolutamente convergente, se a série

n=1
[a
n
[ é con-
vergente.
Observe, se a
n
≥ 0, ∀ n ∈ N
+
⇒ [a
n
[ = a
n
, assim, a série é

n=1
a
n
é absoluta-
mente convergente. Para o caso de alguns termos a
n
positivos e negativos, a convergência
e a convergência absoluta não é a mesma.
Exemplo 1.13.
Toda série convergente, cujos termos não mudam de sinal é absolutamente conver-
gente. Em particular quando −1 < r < 1, a série geométrica

n=1
r
n
é absolutamente
convergente, pois [r
n
[ = [r[
n
, com 0 ≤ [r[ < 1.
Observação 1.5.
Os elementos de uma série absolutamente convergente, podem ser reordenados sem
afetar a convergência ou a soma da série.
Por exemplo a série 1−
1
3
+
1
9

1
27
+
1
81

1
243
+
1
729

1
2187
converge absolutamente.
O reordenamento 1 +
1
9
+
1
81
+
1
729
+ −
1
3

1
27

1
243

1
2187
− também
converge e tem a mesma soma que a original.
Propriedade 1.9.
Se a série

n=1
a
n
é absolutamente convergente, então ela é convergente e:
¸
¸
¸
¸
¸

n=1
a
n
¸
¸
¸
¸
¸

n=1
[a
n
[
A demonstração é exercício para o leitor.
12 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Exemplo 1.14.
A série

n=1
(−1)
n
n
2
é absolutamente convergente. Observe que:
¸
¸
¸
¸
(−1)
n
n
2
¸
¸
¸
¸
=
1
n
2
, ∀ n ∈ N
+
Como

n=1
1
n
2
é convergente, segue-se que a série

n=1
(−1)
n
n
2
é absolutamente conver-
gente.
Propriedade 1.10.
Sejam

n=1
a
n
é

n=1
b
n
séries absolutamente convergentes, então:
i) A série

n=1
a
n
b
n
é absolutamente convergente.
ii) O produto de Cauchy

n=1
c
n
das séries

n=1
a
n
é

n=1
b
n
é absolutamente convergente,
e:

n=1
c
n
=
_

n=1
a
n
__

n=1
a
n
_
A demonstração é exercício para o leitor.
O critério de convergência a seguir, embora não conclusivo em alguns casos, constitui-
se como o mais importante teste de convergência para séries numéricas, não apenas do
ponto de vista técnico, mais também como nas aplicações às “Séries de Potências”.
Propriedade 1.11. Critério de comparação.
Sejam

n=1
a
n
tais que

n=1
b
n
duas séries e [a
n
[ ≤ K[b
n
[, ∀ n ∈ N
+
, K > 0:
i) Se a série

n=1
b
n
é absolutamente convergente, então a série

n=1
a
n
também é absolu-
tamente convergente.
ii) Se a série

n=1
a
n
não é absolutamente convergente, então a série

n=1
a
n
não é abso-
lutamente convergente.
A demonstração é exercício para o leitor.
Exemplo 1.15.
Christian José Quintana Pinedo 13
A série

n=1
sen n
2
n
é absolutamente convergente.
É imediato que
¸
¸
¸
sen n
2
n
¸
¸
¸ ≤
1
2
n
para todo n ∈ N
+
. Como a série

n=1
1
2
n
é absolutamente
convergente, pela Propriedade (1.11), a série

n=1
sen n
2
n
é absolutamente convergente.
Propriedade 1.12. Critério D’Alembert’s
1
.
Seja a
n
,= 0 para todo n ∈ N
+
e suponhamos que lim
n→∞
¸
¸
¸
¸
a
n+1
a
n
¸
¸
¸
¸
= r ∈ R.
i) Se r < 1, a série

n=1
a
n
é absolutamente convergente.
ii) Se r > 1, a série

n=1
a
n
diverge.
A demonstração é exercício para o leitor.
Exemplo 1.16.
• A série

n=1
p
n
n!
é absolutamente convergente, para todo p ∈ R.
Com efeito, se p = 0 é imediato.
Suponhamos que p ,= 0, e seja a
n
=
p
n
n!
para n ∈ N
+
, então:
¸
¸
¸
¸
a
n+1
a
n
¸
¸
¸
¸
=
¸
¸
¸
¸
p
n+1
(n + 1)!

n!
p
n
¸
¸
¸
¸
=
[p[
n + 1
Calculando o limite, r = lim
n→∞
¸
¸
¸
¸
a
n+1
a
n
¸
¸
¸
¸
= lim
n→∞
[p[
n + 1
= 0.
Portanto a série

n=1
p
n
n!
é absolutamente convergente.
• A série

n=1
senn!
n!
é absolutamente convergente.
Com efeito,

n=1
¸
¸
¸
¸
senn!
n!
¸
¸
¸
¸

n=1
1
n!
Pelo critério de comparação (Propriedade (1.11), a série

n=1
senn!
n!
converge ab-
solutamente.
1
Também conhecido como Critério da razão.
14 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Propriedade 1.13. Critério de Cauchy
2
.
Suponhamos que lim
n→∞
n
_
[a
n
[ = r ∈ R.
i) Se r < 1, a série

n=1
a
n
é absolutamente convergente.
ii) Se r > 1, a série

n=1
a
n
diverge.
A demonstração é exercício para o leitor.
Exemplo 1.17.
A série

n=1
n
p
a
n
converge absolutamente se [a[ < 1, e é divergente se [a[ > 1.
Com efeito,
n
_
[n
p
a
n
[ = (
n

n)
p
[a[ para n ∈ N
+
, de onde lim
n→∞
n
_
[n
p
a
n
[ = [a[.
Se [a[ < 1 pelo critério de Cauchy, a série é absolutamente convergente.
Se [a[ > 1 a série diverge.
2
Também conhecido como Critério da raiz
Christian José Quintana Pinedo 15
1.1.2 Sumário dos Critérios para Séries de Números.
Critério Série Converge Diverge Comentário
do n-ésimo termo

n=1
a
n
lim
n→∞
a
n
,= 0
O critério não pode ser
usado para provar con-
vergência
da série ge-
ométrica

n=1
ar
n
[r[ < 1 [r[ ≥ 1 soma: S =
a
1 −r
para séries p

n=1
1
n
p
p > 1 p ≤ 1
Propriedade (1.4)

n=1
a
n

n=1
(a
n
+ b
n
) se

n=1
b
n
< +∞
Propriedade (1.4)

n=1
a
n

n=1
(a
n
+ b
n
) se

n=1
b
n
≮ +∞
Propriedade (1.6)

n=1
a
n

n=1
a
n
< +∞ se

n=1
2
n
a
2
n < +∞
para séries teles-
cópicas

n=1
(b
n
−b
n+1
) lim
n→∞
b
n
= L soma: S = b
1
−L
de comparação
(a
n
, b
n
> 0)

n=1
a
n
se, 0 ≤ a
n
≤ b
n
e

n=1
b
n
< +∞
se, 0 ≤ b
n
≤ a
n
e

n=1
b
n
≮ ∞
da integral (f
contínua, positiva
e decrescente)

n=1
a
n
a
n
= f(n) ≥ 0

_
1
f(x)dx < +∞

_
1
f(x)dx ≮ +∞
resto:
0 < R
N
<

_
N
f(x)dx
dos limites da
comparação
(a
n
, b
n
> 0)

n=1
a
n
lim
n→∞
a
n
b
n
= L > 0
e

n=1
b
n
< +∞
lim
n→∞
a
n
b
n
= L > 0
e

n=1
b
n
≮ +∞

n=1
a
n
< +∞ caso
L = 0 e

n=1
b
n
< +∞
de Raabe

n=1
a
n
k > 1 k < 1 k = lim
n→∞
n
_
1 −
a
n+1
a
n
_
de D’Alembert’s
ou da razão

n=1
a
n
lim
nto∞
¸
¸
¸
¸
a
n+1
a
n
¸
¸
¸
¸
< 1
absolutamente
lim
nto∞
¸
¸
¸
¸
a
n+1
a
n
¸
¸
¸
¸
> 1
inconclusivo se:
lim
n→∞
¸
¸
¸
¸
a
n+1
a
n
¸
¸
¸
¸
= 1
de Cauchy ou da
raiz

n=1
a
n
lim
nto∞
n
_
[a
n
[ < 1
absolutamente
lim
nto∞
n
_
[a
n
[ > 1
inconclusivo se:
lim
nto∞
n
_
[a
n
[ = 1
de Leibnitz ou
para séries alter-
nadas

n=1
(−1)
n
a
n 0 < a
n+1
≤ a
n
e lim
nto∞
a
n
= 0
Resto: [R
N
[ ≤ a
N+1
16 Séries de Potências e Equações Diferenciais
1.2 Séries de funções
As linguagens de programação de computadores fornecem certas funções tais como
seno, coseno, logaritmo, exponencial, etc.
No entanto, muitas vezes não temos a função pré-definida e recorremos ao desenvolvi-
mento em série de potências para fazer nossos cálculos.
Anteriormente foram estudadas séries de números da forma

n=0
a
n
onde cada a
n
é
um número real. Em analogia a essas séries podemos estudar series de funções da forma

n=0
a
n
(x) onde os a
n
(x) são funções. Um exemplo típico desta classe de séries é

n=1
cos(nx)
n
2
=
cos x
1
+
cos 2x
4
+
cos 3x
9
+
Evidentemente quando substituímos um valor para x, por exemplo, x = 2, retornamos
ao estudo da série numérica.
Nossa atenção estará centrada nas somas particulares infinitas de equações tais como
e
x
= 1 +
x
1!
+
x
2
2!
+
x
3
3!
+
referentes a somas de quantidades que dependem de x. Em outras palavras estamos
interessados em funções definidas mediante equações da forma

n=1
f
n
(x) = f
1
(x) + f
2
(x) + f
3
(x) + f
4
(x) + (1.5)
Em tal situação ¦f
i
¦ será certa sequência de funções; para cada valor de x obteremos
uma sequência de números ¦f
i
(x)¦ e f(x) será a soma desta sequência.
Para analisar tais funções tem-se que lembrar que cada soma
f
1
(x) + f
2
(x) + f
3
(x) + f
4
(x) +
é por definição o limite da sequência
f
1
(x), f
1
(x) + f
2
(x), f
1
(x) + f
2
(x) + f
3
(x), f
1
(x) + f
2
(x) + f
3
(x) + f
4
(x) +
Se definirmos uma nova sequência de funções ¦s
n
¦ mediante
s
n
= f
1
+ f
2
+ f
3
+f
4
+ + f
n
Christian José Quintana Pinedo 17
então podemos expressar mais sucintamente este fato escrevendo
f(x) = lim
n→+∞
s
n
(x)
Assim estaremos concentrados em funções definidas como limites.
De modo natural, existem duas perguntas importantes respeito de uma série de funções.
1
a
pergunta: Para quais valores de x a série (1.5) converge?
2
a
pergunta: A qual função converge a série de funções (1.5) ? Isto é, qual é a soma
f(x) da série ?
Para obter resposta a nossa preocupação será estudada as séries de potências.
Definição 1.4. Série de potências.
Uma série infinita da forma

n=0
a
n
x
n
= a
0
+ a
1
x + a
2
x
2
+ a
3
x
3
+ a
4
x
4
+ (1.6)
onde a
n
é número que não depende de x, denomina-se série de potências de x.
Por convenção (x −c)
0
= 1, quando x = c. O número c é chamado “centro da série”.
Pela sua forma, a igualdade (1.6) podemos imaginar como uma função polinômica de
variável x. As séries de potências de x são uma generalização da noção de polinômio.
Mais geralmente, em matemática, uma série de potências de (x−c), (de uma variável)
é uma série infinita da forma

n=0
a
n
(x −c)
n
= a
0
+ a
1
(x −c) + a
2
(x −c)
2
+ a
3
(x −c)
3
+ (1.7)
onde a
n
representa o coeficiente do n-ésimo termo chamado “coeficiente da série de potên-
cia”, c é uma constante, e x varia em torno de c (por esta razão, algumas vezes a série é
dita “série centrada em c”).
Note que não se trata de uma série numérica. Uma série do tipo (1.7) pode convergir
para alguns valores de x e divergir para outros valores. Assim, faz sentido falar em
“domínio de convergência”, o qual denotamos por D(s), que é o conjunto dos valores de
x que tornam a série (1.7) convergente.
Essas séries de potências aparecem primariamente em análise, mas também ocorre em
combinatória (sob o nome de funções geradoras) e em engenharia elétrica (sob o nome
de Transformada-Z), também as séries de potências aparecem em muitos problemas da
Física-Matemática, como, por exemplo, em fenômenos ondulatórios, onde recorremos as
“Funções de Bessel ”.
18 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Definição 1.5.
Chama-se domínio de convergência D(s) da série de potências (1.7) ao conjunto dos
valores reais que, substituídos na série, originam uma série numérica convergente.
Exemplo 1.18.
O domínio de convergência da série

n=0
x
n
= 1+x+x
2
+x
3
+ é D(s) = (−1, 1)
O valor 0 (zero) pertence sempre ao domínio de convergência D(s) desta série, mais,
para qualquer x ∈ (−1, 1) tem-se que

n=0
x
n
define a função f(x) =
1
1 −x
. Esta é
chamada “série geométrica”, é um dos exemplos mais importantes de séries de potência.
A igualdade (1.7) permite imaginar que qualquer polinômio pode ser facilmente ex-
presso como uma série de potências em torno de um centro x = c, embora um ou mais
coeficientes sejam iguais a zero. Como mostra o exemplo a seguir.
Exemplo 1.19.
O polinômio p(x) = x
2
+ 2x + 3 pode ser escrito como a série de potência em torno
de c = 0 assim:
p(x) = 3 + 2x + 1 x
2
+ 0x
3
+ 0x
4
+
ou em torno do centro c = 1 como
p(x) = 6 + 4(x −1) + 1 (x −1)
2
+ 0(x −1)
3
+ 0(x −1)
4
+
ou mesmo em torno de qualquer outro centro c.
Exemplo 1.20.
São exemplos de série de potências.
• A fórmula da função exponencial: e
x
=

n=0
x
n
n!
= 1 + x +
x
2
2!
+
x
3
3!
+
• A fórmula do seno: senx =

n=0
(−1)
n
x
2n+1
(2n + 1)!
= x −
x
3
3!
+
x
5
5!

x
7
7!
+
Exemplo 1.21.
Considere-se a série:

k=0
_
2
3
_
k
(x −
1
2
)
k
Para x = 1 obtém-se:

k=0
_
2
3
_
k
(
1
2
)
k
=

k=0
_
1
3
_
k
é série convergente.
Para x = 3 obtém-se:

k=0
_
2
3
_
k
(
5
2
)
k
=

k=0
_
5
3
_
k
é série divergente
Christian José Quintana Pinedo 19
Para os valores de x em que a série de potências é convergente, a soma define uma
função de variável x.
Potências negativas não são permitidas em uma série de potências, por exemplo
1 + x
−1
+ x
−2
+
não é considerada uma série de potência (embora seja uma série de Laurent).
Similarmente, potências fracionais, tais como x
1/2
, não são consideradas séries de
potências (veja série de Puiseux).
Observação 1.6.
Existem séries de potências da forma:

k=0
a
k
[ϕ(x)]
k
= a
0
+ a
1
[ϕ(x)] + a
2
[ϕ(x)]
2
+ a
3
[ϕ(x)]
3
+ + a
k
[ϕ(x)]
k
+
onde ϕ(x) é função de x.
Tal série é chamada de série de potência em ϕ(x).
1.2.1 Raio de convergência
O raio de convergência r pode ser encontrado utilizando na série dos módulos corre-
spondente, o critério da razão ou outro critério utilizado na determinação da natureza de
uma série numérica.
Uma série de potências

k=0
a
k
(x −c)
k
pode convergir para alguns valores conforme os
valores tomados da variável x, e pode divergir para outros. Sempre há um número r com
0 ≤ r ≤ ∞ tal que a série converge quando [x −c[ < r e diverge para [x −c[ > r.
Definição 1.6. Intervalo de convergência.
Chama-se intervalo de convergência da série de potências (1.7) ao subconjunto de R
de todos os valores para os quais a série converge.
O intervalo de convergência e o domínio de convergência são sinônimos quando estu-
damos séries em R; isso não acontece com as séries em R
n
, neste último caso se estuda
discos ou esferas de convergência, geralmente se entende como região de convergência.
O intervalo de convergência de uma série de potências pode ser de um dos seguintes
tipos
(c −r, c + r) ou [c −r, c + r) ou (c −r, c + r] ou [c −r, c + r]
isso depende da convergência da série nos extremos.
20 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Definição 1.7. Raio de convergência.
O número r que é a metade do comprimento do intervalo de convergência da série
(1.7) é chamado de raio de convergência da série de potências (1.7)
Em casos particulares r = +∞, logo a série (1.7) converge em todo R, para o caso
r = 0 a série de potências só converge em x = c.
O raio de convergência r pode ser encontrado utilizando na série dos módulos corre-
spondentes, o critério da razão ou outro critério utilizado na determinação da natureza
de uma s´erie numérica.
Também é costume determinar o intervalo e o raio de convergência r da série de
potências

k=0
a
k
(x −c)
k
usando um dos seguintes procedimentos:
1. Se a
k
,= 0, ∀ k ∈ N, isto é a série só tem potências positivas de (x −c), então
r
−1
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
a
k+1
a
k
¸
¸
¸
¸
(1.8)
sempre que o limite exista.
2. Se série tem a forma

k=0
a
k
(x −c)
kp
onde p ∈ N então
r
−1
=
p
¸
lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
a
k+1
a
k
¸
¸
¸
¸
(1.9)
e a sequência dos expoentes
3. Para o caso da série de potências (1.7) tiver coeficientes iguais a zero, e a sequência
dos x−c que ficaram é qualquer
3
, então o raio de convergência podemos determinar
pela fórmula
r
−1
= lim
k→∞
sup.[a
k
[
1
k
(1.10)
ou, equivalentemente,
r = lim
k→∞
inf.[a
k
[

1
k
na qual somente se usan valores de a
k
diferentes de zero. Esta fórmula também é
útil nos dois primeiros casos.
4. Em todos os casos o intervalo de convergência pode-se determinar aplicando direta-
mente o critério de D’Alembert ou o de Cauchy a uma série determinada pelos
valores absolutos dos termos da série inicial
3
Isto é não forma uma P.G. como no caso anterior
Christian José Quintana Pinedo 21
A série converge absolutamente para [x − c[ < r e converge uniformemente em todo
subconjunto compacto de ¦ x /. [x −c[ < r ¦.
Propriedade 1.14.
O raio de convergência r de uma série de potências da forma

k=0
a
k
(x − c)
k
é dado
por:
• r
−1
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
a
k+1
a
k
¸
¸
¸
¸
desde que o limite exista ou seja zero.
• r
−1
= lim
k→∞
sup.[a
k
[
1
k
desde que o limite exista ou seja zero.
Além disso,
1. Se r = 0, a série converge só quando x = c;
2. Se r = +∞ a série converge para todo x ∈ R;
3. Se r ∈ (0, +∞) então a série converge pelo menos para todos os valores de x ∈
(c −r, c + r).
Exemplo 1.22.
Encontre o raio de convergência e o intervalo de convergência da

k=0
k!x
k
.
Solução.
Tem-se r
−1
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
a
k+1
a
k
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
(k + 1)!
k!
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
(k + 1) = +∞ de onde r = 0.
Como o raio de convergência é 0 (zero), a série dada converge apenas quando x = 0.
Exemplo 1.23.
Encontre o raio de convergência e o intervalo de convergência da série

k=0
x
k
k!
.
Solução.
Tem-se r
−1
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
a
k+1
a
k
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
k!
(k + 1)!
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
1
k + 1
= 0 de onde r = +∞.
Como o raio de convergência é r = +∞a série dada converge apenas para todo x ∈ R.

Esta última série converge para todo x ∈ R, logo podemos definir uma função f :
R −→R de modo que
f(x) = 1 + x +
x
2
2!
+
x
3
!
+ +
x
n
n!
+ =
+∞

k=0
x
k
k!
22 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Formalmente, derivando em relação à variável x obtém-se
f(x) = 1 + x +
x
2
2!
+
x
3
!
+ +
x
n−1
(n −1)!
+ =
+∞

k=1
x
k−1
(k −1)!
= f

(x)
como f(x) ,= 0, podemos escrever
f

(x)
f(x)
= 1 para logo obter Lnf(x) = x de onde f(x) = e
x
Assim, obtivemos uma série de potências para representar a função exponencial
e
x
=
+∞

k=0
x
k
k!
Exemplo 1.24.
Encontre o raio de convergência e o intervalo de convergência da série

k=0
(x −5)
k
k
2
.
Solução.
Tem-se r
−1
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
a
k+1
a
k
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
k
2
(k + 1)
2
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
1
k + 1
= 1 de onde r = 1.
Como o raio de convergência é r = 1 a série dada converge pelo menos para x tal que
[x −5[ < 1 isto é x ∈ (4, 6).
Quando x = 4, a série

k=0
(4 −5)
k
k
2
=

k=0
(−1)
k
k
2
é apenas uma série absolutamente
convergente ( justificar! ) e por isso é convergente.
Quando x = 6, a série

k=0
(6 −5)
k
k
2
=

k=0
1
k
2
é uma série de Dirichlet
4
com p = 2 e
por isso é convergente.
Portanto, o intervalo de convergência é [4, 6].
Propriedade 1.15.
Se a série de potências

k=0
a
k
x
k
converge quando x
1
,= 0, então converge para todo y
tal que [y[ < [x
1
[.
Demonstração.
Tem-se que

k=0
a
k
x
k
1
converge, logo lim
k→∞
a
k
x
k
1
= 0. Aplicando a definição de limite ao
infinito, tem-se que para = 1 > 0 existe M > 0 tal que [a
k
x
k
1
[ < 1 sempre que k ≥ M
Se y é tal que [y[ < [x
1
[ então [a
k
y
k
[ = [a
k
y
k

x
k
1
y
k
[ = [a
k
y
k
[[
x
k
1
y
k
[ < [
x
1
y
[
k
∀k ≥ M.
4
Dirichlet 1805 −1859 nasceou na Alemanha. Foi educado na Alemanha e na França, onde foi aluno
dos mais renomados matemáticos da época. Sua primeira publicação foi sobre o “Último teorema de
Fermat”
Christian José Quintana Pinedo 23
Como a série

k=0
[
x
1
y
[
k
converge, pois seu raio r = [
y
x
1
[ < 1, e temos que

k=0
[a
k
y
k
[ <

k=0
[
x
1
y
[
k
, pelo critério de comparação (1.8) a série

k=0
[a
k
y
k
[ converge absolutamente
quando [y[ < [x
1
[.
Portanto, se a série

k=0
a
k
x
k
converge quando x
1
,= 0, então converge para todo y tal
que [y[ < [x
1
[.
Propriedade 1.16.
Se a série de potências

k=0
a
k
x
k
diverge quando x
2
,= 0, então diverge para todo y tal
que [y[ > [x
2
[.
Demonstração.
Suponhamos que a série

k=0
a
k
x
k
seja convergente, para algum x
1
tal que [x
2
[ < [x
1
[,
pela Propriedade (1.15) a série converge quando x
2
. Isto é contradição !
Portanto, a série

k=0
a
k
x
k
diverge para todo y tal que [y[ > [x
2
[
Propriedade 1.17.
Seja a série

k=0
a
k
x
k
, então uma e somente uma das condições cumpre
1. A série converge só se x = 0.
2. A série converge absolutamente para todos os valores de x.
3. Se r é o raio de convergência da série, então a série converge absolutamente se [x[ < r
e diverge se [x[ > r.
Demonstração.
1. Se x = 0, então

k=0
a
k
x
k
= a
0
+ 0 + 0 + 0 + = a
0
, a série converge.
2. Suponhamos que a série dada seja convergente para x = x
1
, onde x
1
,= 0, então a série
converge absolutamente para todo x tal que [x[ < [x
1
[.
Se não existe outro valor de x para o qual a série dada seja divergente, podemos
concluir que a série converge absolutamente para todo x
3. Suponhamos que a série dada seja convergente para x = x
1
, onde x
1
,= 0, e divergente
para x = x
2
onde [x
2
[ > [x
1
[, então pela Propriedade (1.16) a série diverge para
todos x tal que [x[ > [x
1
[.
24 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Portanto, [x
2
[ é um limite superior do conjunto de valores de [x[ para o qual a série
converge absolutamente. Logo pelo Axioma do Supremo
5
, este conjunto tem um
supremo que é o número r.
Esta propriedade nada afirma sobre a convergência da série nos extremos do intervalo
de convergência. O intervalo de convergência é o maior intervalo aberto em que a série é
convergente.
A Propriedade (1.17) é consequência do seguinte Teorema
Teorema 1.1. de Abel.
Seja y = x −c, se temos a série

k=0
a
k
y
k
nas condições da Propriedade (1.4) então:
1. A série converge somente quando x = c.
2. Existe um número r > 0 tal que a série converge absolutamente para todo x ∈ R tal
que [x −c[ < r e diverge ∀ x ∈ R tal que [x −c[ > r.
Logo o intervalo de convergência será um dos intervalos:
(c −r, c +r), (c −r, c + r], [c −r, c +r), [c −r, c + r]
No teorema anterior, quando se verifica o 1
o
caso tem- se r = 0 e quando se verifica o
2
o
caso tem- se r = ∞.
Um dos corolários do Teorema de Abel é o fato que para toda série de potências
existe um intervalo de convergência [x −c[ < r para o qual a série de potências converge
absolutamente e fora do intervalo diverge. Nos extremos do intervalo isto é em x =
c ±r diversas séries de potências se comportam de um modo diferente: umas convergem
absolutamente em ambos os extremos; outras convergem condicionalmente em ambos os
extremos, o bem em um dos extremos convergem condicionalmente e no outro divergem;
umas terceiras divergem em ambos os extremos.
Exemplo 1.25.
Determine o raio de convergência de cada uma das seguintes séries:
1.

k=0
(−1)
k
x
2k
2.

k=0
x
2k
5
k+1
3.

k=0
(x −2)
k
2
k
k
2
.
Solução.
1. r
−1
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
a
k+1
a
k
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
(−1)
k+1
(−1)
k
¸
¸
¸
¸
= 1 ⇒ r = 1.
A série converge absolutamente se [x[ < 1 = r. Se x = ±1 a série diverge, logo o
intervalo de convergência é (−1, 1).
5
Ver “Cálculo Diferencial em R ” do mesmo autor.
Christian José Quintana Pinedo 25
2. r
−1
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
a
k+1
a
k
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
1
5
k+2
1
5
k+1
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
5
k+1
5
k+2
¸
¸
¸
¸
= [
1
5
[ ⇒ r = 5.
Como [x
2
[ < 5, a série converge absolutamente se [x[ <

5 = r. Se x = ±

5 a
série diverge, logo o intervalo de convergência é (−

5,

5).
3. r
−1
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
a
k+1
a
k
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
2
k
k
2
2
k+1
(k + 1)
2
¸
¸
¸
¸
=
1
2
⇒ r = 2 ⇒ [x −2[ < 2.
A série converge absolutamente se [x −2[ < 2 = r. Se x = 2 a série converge, logo
o intervalo de convergência é [0, 4].
Exemplo 1.26.
Determine o domínio de convergência da série

n=1
_
n + 1
2n + 1
_
n
(x −2)
2
n
.
Solução.
Observe que se k = 2n − 1 tem-se que a
k
= 0 e, se k = 2n tem-se a
k
=
_
n + 1
2n + 1
_
n
.
Para determinar o raio de convergência devemos usar a fórmula (1.9)
r
−1
= lim
n→+∞
2n
_
_
n + 1
2n + 1
_
n
= lim
n→+∞
_
n + 1
2n + 1
=
1

2
⇒ r =

2
La série converge se [x −2[ <

2 um estudo nos extremos leva a estudar a série

n=1
_
n + 1
2n + 1
_
n
(

2)
2
n
=

n=1
_
n + 1
2n + 1
_
n
2
n
=

n=1
[1 +
1
2n + 1
]
n
Como lim
n=1
[1 +
1
2n + 1
]
n
=

e ,= 0 a série diverge. O mesmo acontece com x = −

2.
Portanto, o domínio de convergência é o intervalo (2 −

2, 2 +

2).
Exemplo 1.27.
Determine o domínio de convergência da série

n=1
(x −1)
k(k+1)
k
k
.
Solução.
Aplicando o critério da raiz (de Cauchy) considerando a
k
=
(x −1)
k(k+1)
k
k
então
k

a
k
=
(x −1)
(k+1)
k
, logo lim
k→+∞
k

a
k
=
_
0 se [x −1[ ≤ 1
∞ se [x −1[ > 1
assim, a série converge quando [x −1[ ≤ 1
Portanto, a série converge em [0, 2].
26 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Christian José Quintana Pinedo 27
Exercícios 1-1
1. Determine se a série dada
+∞

n=1
9

n −1
n
2
+ 3

n
converge.
2. Determine a convergência da série
+∞

n=1
1
2
n
_
1 +
1
n
_
n
3. Determine se a série dada
+∞

n=1
1
(n + 1)Ln(n + 1)
converge.
4. Verificar que o produto infinito

n=0
(1 + a
n
) com a
n
> 0 converge sempre

n=0
a
n
converge.
5. Determine os intervalos de convergência para as seguintes series de potências:
1. 2x +
8
3
x
3
+
32
5
x
5
+
128
7
x
7
+ 2.
x
1 2
+
x
2
2 3
+
x
3
2
2
4
+
x
4
2
3
5
+
3. 1 −
x
2
2
2
+
x
4
2
2
4
2

x
6
2
2
4
2
6
2
+
6. Calcule o raio de convergência das seguintes séries de potências:
1.

n=1
_
n
2n + 1
_
2n−1
x
n
2.

n=1
(−1)
n
1 3 5 (2n −1)
2 4 6 (2n)
x
2n
3.

n=1
_
1 +
1
n
_
n
2
(x −1)
n
4.
7. Encontre a região de convergência das seguintes séries de potências:
1.

n=1
(x −3)
n
n 5
n
2.

n=0
(n + 1)
5
2n + 1
x
2n
3.

n=1
n
n + 1
_
x
2
_
n
4.

n=1
(−1)
n+1
x
2n−1
(2n −1)!
5.

n=1
2
n
x
n
n
2
6.

n=1
(x + 2)
n
Ln(n + 1)
7.

n=1
Lnn
n + 1
(x −5)
n
8.

n=1
n! x
n
9.

n=1
1
1 + x
2n
8. Determine o maior intervalo aberto em que a série
+∞

n=1
(n!)
2
(2n)!
x
n
é convergente.
9. Determine a convergência da série
+∞

n=1
_
(n + 1)
n
2n + 1
_
(x −2)
n
10. Mostre que a série
+∞

n=1
x
2
(1 + x
2
)
n
é convergente em R.
28 Séries de Potências e Equações Diferenciais
11. Considere a série de potências

n−0
a
n+1
n + 1
x
n+1
; com a ∈ R
+
:
1. Determine o raio de convergência da série e estude a sua natureza nos extremos
do intervalo de convergência.
2. Considere a série numérica que se obtém fazendo x = −3. Justifique que existe
um único valor de a para o qual a série numérica correspondente é simplesmente
convergente e determine-o.
12. Considere a série de potências

k=1
x
k+3
k + 3
1. Determine o maior intervalo onde a série é convergente.
2. Representando por f(x) a soma da série dada, escreva o desenvolvimento de
f

(x) em série de potências e determine a soma desta série.
3. Utilizando a parte 2. calcule a soma da série dada.
13. Determine o intervalo de convergência das seguintes séries de potências e estude a
sua natureza nos extremos de aquele intervalo:
1.

n=1
x
n
2n +

n
2.

n=1
2
n
x
n
1 + 2
n
3.

n=1
[2 + (−1)
n
]
2n
(x + 1)
n
4.

n=1
(x −3)
n

n
5.

n=1
(x −1)
n
1 + n
2
6.

n=1
(−1)
n
(n + 1)!
2 4 6 (2n)
x
n+1
7.

n=1
(x + 5)
n
5
n+1
8.

n=1
(x + 3)
2n
(n + 1)4
n
9.

n=1
(−1)
n
(2n + 1)!
(x −1)
n
10.

n=1
(3x −1)
n
3
2n
11.

n=1
12.

n=1
Christian José Quintana Pinedo 29
1.3 Desenvolvimento em séries de potências
Seja a um número real (não nulo) e considere-se a sequência u
k
= a
k
, k ∈ N.
Considere-se uma nova sequência, obtida de u
k
, a qual designamos por S
n
, de tal modo
que para cada n é a soma dos n +1 primeiros termos de u
k
, onde k = 0 até n ∈ N, isto é,
S
n
=
n

k=0
a
k
Embora é imediato compreender o seu significado (soma dos n + 1 primeiros termos
da sequência u
k
), tal como a sequência S
n
está escrita, não nos revela muito sobre o seu
comportamento. Esta sequência S
n
é limitada?, é convergente?
Tentemos então escrevê-la de outra forma.
S
n
= a
0
+a
1
+a
2
+a
3
+ +a
n−1
+a
n
= a
0
+a(1 +a
1
+a
2
+a
3
+ +a
n−1
) = 1 +aS
n−1
também
S
n
= a
0
+a
1
+a
2
+a
3
+ +a
n−1
+a
n
= (a
0
+a
1
+a
2
+a
3
+ +a
n−1
) +a
n
= S
n−1
+a
n
deste modo
S
n−1
+ a
n
= 1 + aS
n−1
⇒ S
n−1
=
1 −a
n
1 −a
se a ,= 1
sabemos que
lim
n→+∞
a
n
=
_
0 se [a[ < 1
∞ se [a[ ≥ 1
Assim, lim
n→∞
S
n−1
=
_
_
_
1
1 −a
se [a[ < 1
∞ se [a[ ≥ 1
.
Portanto, S =

k=0
a
k
= lim
n→∞
_
n−1

k=0
a
k
_
= lim
n→∞
S
n−1
=
1
1 −a
se [a[ < 1
Logo desenvolvemos f(x) =
1
1 −x
em série de potências de x em torno de x = 0,
obtendo, para [x[ < 1, a soma

n=0
x
n
.
Deste desenvolvimento obtemos outros. Escrevamos então o mesmo desenvolvimento
mas em ordem a uma nova variável y:
1
1 −y
=

n=0
y
n
se [y[ < 1 (1.11)
30 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Suponhamos que dada uma constante c, y = x −c, então podemos escrever
g(x) =
1
1 −(x −c)
=

n=0
(x −c)
n
se [x −c[ < 1
Admitindo que no interior do intervalo de convergência de uma série de potências de
x, a derivada da série é igual à série das derivadas e que a primitiva da série é igual à
série das primitivas. Isto vai-nos permitir obter desenvolvimentos em série de potências
de x como por exemplo para funções Ln(1 + x) e arctan(x).
De fato, quando y = −x, na igualdade (5.12) tem-se
1
1 + x
=

n=0
(−1)
n
x
n
se [x[ < 1
logo
_
1
1 + x
dx =
_

n=0
(−1)
n
x
n
dx ⇒ Ln(x + 1) =

n=0
(−1)
n
n + 1
x
n+1
+C se [x[ < 1
Quando y = −x
2
, na igualdade (5.12) tem-se
1
1 + x
2
=

n=0
(−1)
n
x
2n
se [x
2
[ < 1
logo
_
1
1 + x
2
dx =
_

n=0
(−1)
n
x
2n
dx ⇒ arctan x =

n=0
(−1)
n
2n + 1
x
2n+1
+C se [x
2
[ < 1
1.3.1 A função exponencial
Podemos admitir que uma maneira de definir a função exponencial é:
e
x
=
+∞

n=0
1
n!
x
n
(1.12)
que faz sentido para todo número x real, ou melhor, como a série (5.38) em questão
converge para todo número real x então define um função de domínio R. A essa função
de x chamamos “função exponencial de x”.
Lembrar que graças à Propriedade (5.16), se existe o limite lim
n→+∞
¸
¸
¸
¸
a
n+1
a
n
¸
¸
¸
¸
= [r[ < 1
Christian José Quintana Pinedo 31
então a série de potências
+∞

n=0
a
n
(x −c)
n
converge absolutamente para todo x em (c −r, c +r) e diverge para todo o x em (−∞, c −
r) ∪(c+r, +∞) a convergência em x = r tem que ser averiguada para cada caso específico
de a
n
.
Nesta abordagem informal, introduzamos a variável xi na definição (5.38) acima de
exponencial (onde i
2
= −1). Sabe-se que:
i
0
= 1, i
1
= i, i
2
= −1, i
3
= −i, i
4
= 1, i
5
= i, i
6
= −1, i
7
= −i,
assim, i
2k
= (−1)
k
, i
2k+1
= (−1)
k
i, k ∈ N. então
e
ix
=
+∞

n=0
1
n!
(xi)
n
=
+∞

n=0
1
(2n)!
(xi)
2n
+
+∞

n=0
1
(2n + 1)!
(xi)
2n+1

e
ix
=
+∞

n=0
(−1)
n
(2n)!
x
2n
+
+∞

n=0
(−1)i
(2n + 1)!
x
2n+1
lembrando que e
ix
= cos x +isenx segue:
cos x =
+∞

n=0
(−1)
n
(2n)!
(x)
2n
e senx =
+∞

n=0
(−1)
(2n + 1)!
(x)
2n+1
(1.13)
Como podemos observar, para determinar a soma de séries de potências, é comum
partir de uma das seguintes séries:
+∞

n=0
x
n
=
1
1 −x
, [x[ < 1 e
+∞

n=0
x
n
n!
= e
x
Através de processos como substituição de variáveis, multiplicação, integração e difer-
enciação, efetuados em ambos os membros da igualdade, é possível chegar à série cuja
soma queremos determinar.
Exemplo 1.28.
Calcular o limite L = lim
x→0
2e
x
−2 −2x −x
2
x −senx
.
Solução.
32 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Das igualdades (5.38) e (1.13) em séries de potências temos
L = lim
x→0
2e
x
−2 −2x −x
2
x −senx
= lim
x→0
2[

k=0
1
n!
x
n
] −2 −2x −x
2
x −

n=0
(−1)
(2n + 1)!
(x)
2n+1
=
L = lim
x→0
2x
3
3!
+
2x
4
4!
+
x
3
3!

x
5
5!
+
= lim
x→0
2
3!
+
2x
4!
+
1
3!

x
2
5!
+
= 2
Portanto, L = lim
x→0
2e
x
−2 −2x −x
2
x −senx
= 2.
1.4 Operações com série de potências
Cada série de potências

n=0
a
n
x
n
define uma função f
f(x) =

n=0
a
n
x
n
(1.14)
o domínio da função f é o intervalo de convergência da série.
Consequência do Teorema de Abel (1.1) é que qualquer função definida por uma série
de potências de x −c, com raio r > 0, é indefinidamente derivável em (c −r, c + r) e as
suas derivadas podem ser calculadas derivando a série termo a termo.
Propriedade 1.18.
Dada uma série de potências como em (1.14) cujo raio de convergência é r ,= 0, então
sua função derivada é definida por f

(x) =
+∞

n=1
na
n
x
n−1
em cada número x do intervalo
aberto (−r, r).
A demonstração é exercício para o leitor.
Observação 1.7.
Se o raio de convergência da série f(x) =
+∞

n=0
a
n
x
n
é r > 0, então r também é o raio
de convergência da série f

(x) =
+∞

n=2
n(n −1)a
n
x
n−2
Propriedade 1.19.
Dada uma série de potências f(x) =
+∞

n=0
a
n
x
n
cujo raio de convergência é r ,= 0, então
Christian José Quintana Pinedo 33
para [x[ < r tem-se:
x
_
0
f(t)dt =
+∞

n=0
x
_
0
a
n
t
n
dt =
+∞

n=0
a
n
n + 1
x
n+1
Demonstração.
Sejam f(x) =

n=0
a
n
x
n
e g(x) =

n=0
a
n
n + 1
x
n+1
então pela Propriedade (1.18) g(t)
têm o mesmo raio de convergência de f(t) e g

(x) = f(x). Como g(0) = 0, pelo teorema
fundamental do cálculo integral segue que
x
_
0
f(t)dt = g(x)

As Propriedades (1.18) e (1.19) apresentam vários aspectos. Afirmam que f é derivável
e integrável e implica que o raio de convergência da série derivada e integrada é o mesmo
raio de convergência da série original (não afirma nada respeito dos extremos do intervalo
de convergência).
Exemplo 1.29.
Obter uma representação em série de potências para
1
(x −1)
2
.
Solução.
Sabemos pela igualdade (5.12) que
1
1 −x
= 1 + x + x
2
+x
3
+ + x
n
+ , se [x[ < 1 ⇒
derivando respeito de x segue
1
(1 −x)
2
= 1 + 2x + 3x
2
+ 4x
3
+ +nx
n−1
+ , se [x[ < 1
Portanto,
1
(x −1)
2
=
+∞

n=1
nx
n−1
.
Exemplo 1.30.
Verificar que e
x
=
+∞

n=0
x
n
n!
.
Solução.
34 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Sabe-se que se f(x) = e
x
, então sua derivada f

(x) = e
x
= f(x).
Seja f(x) =
+∞

n=0
x
n
n!
⇒ f

(x) =
+∞

n=1
nx
n−1
n!
=
+∞

n=1
x
n−1
(n −1)!
=
+∞

k=0
x
n
n!
= f(x)
Portanto, e
x
=
+∞

n=0
x
n
n!
.
O teorema a seguir é uma complementação das Propriedades (1.18) e (1.19).
Teorema 1.2.
Seja a série

n=0
a
n
(x − c)
n
com raio de convergência r, isto é, a série converge no
intervalo aberto (a −r, a + r). Então, definindo f(x) =

n=0
a
n
(x −c)
n
tem-se que:
1. f(x) é contínua em (c −r, c + r).
2. Existe f

(x) tal que f

(x) =

n=1
n a
n
(x −c)
n−1
3. Existe h(x) tal que h(x) =
_
_

n=0
a
n
(x −c)
n
_
dx =

n=0
a
n
(x −c)
n+1
n + 1
A demonstração é exercício para o leitor.
Exemplo 1.31.
Determine uma representação em séries de potências para o arctan x
Solução.
Sabe-se que
1
1 −y
= 1 + y + y
2
+ y
3
+ + y
n
quando [y[ < 1. Considerar y = −t
2
,
logo
x
_
0
1
1 + t
2
dt =
x
_
0
(1 −t
2
+ t
4
−t
6
+ + t
n
+ )dt, [ −x
2
[ < 1
arctan x = x −
x
3
3
+
x
5
5

x
7
7
+
x
9
9

x
11
11
+ , [x[ < 1
Propriedade 1.20.
Sejam f(x) =
+∞

n=0
a
n
x
n
e g(x) =
+∞

n=0
b
n
x
n
convergentes em [x[ < r. Ao se realizar
operações de adição, subtração e multiplicação com estas séries como se forem polinômios,
então a série resultante converge em [x[ < r e representa; f(x) +g(x), f(x) −g(x) e
f(x) g(x) respectivamente. Quando b
0
,= 0 o resultado também vale para a divisão, sendo
[x[ suficientemente pequeno.
A demonstração deste teorema é exercício para o leitor.
Christian José Quintana Pinedo 35
Exemplo 1.32.
Multiplicar a série geométrica
+∞

n=0
x
n
com o desenvolvimento em série de g(x) =
1
1 −x
para obter uma série de potências de
1
(1 −x)
2
Solução.
Sabe-se que
+∞

n=0
x
n
=
1
1 −x
sempre que [x[ < 1, e sejam
f(x) =
+∞

n=0
a
n
x
n
= 1 + x + x
2
+ x
3
= + x
n
+ ; [x[ < 1, a
n
= 1, ∀ n ∈ N
g(x) =
+∞

n=0
b
n
x
n
= 1 + x + x
2
+ x
3
= + x
n
+ ; [x[ < 1, b
n
= 1, ∀ n ∈ N
logo f(x) g(x) =
+∞

n=0
c
n
x
n
onde
c
n
= a
0
b
n
+ a
1
b
n−1
+ a
2
b
n−2
+ + a
j
b
n−j
+ + a
n−1
b
1
+ a
n
b
0
= n + 1, ∀ n ∈ N
Então pela Propriedade (1.20)
f(x) g(x) =
+∞

n=0
c
n
x
n
=
+∞

n=0
(n + 1)x
n
=
1
(1 −x)
2
, [x[ < 1
Exemplo 1.33.
Determine uma série de potências para e
arctan x
.
Solução.
Sabe-se que e
y
= 1 + y +
y
2
2!
+
y
3
3!
+
y
4
4!
+ . De onde
e
y
= 1 + arctan x +
(arctan x)
2
2!
+
(arctan x)
3
3!
+
(arctan x)
4
4!
+ =
= 1+(x−
x
3
3
+
x
5
5
− )+
(x −
x
3
3
+
x
5
5
− )
2
2!
+
(x −
x
3
3
+
x
5
5
− )
3
3!
+
(x −
x
3
3
+
x
5
5
− )
4
4!
+
logo
e
arctan x
= 1 + x +
x
2
2

x
3
6

7x
4
24
+
36 Séries de Potências e Equações Diferenciais
1.4.1 A série binomial
Lembre que o binômio de Newton diz que
(x + y)
n
=
n

k=0
_
n
k
_
x
k
y
n−k
fazendo y = 1 nesta igualdade obtemos
(1+x)
n
= 1+nx+
(n −1)n
2!
x
2
+ +
n(n −1(n −2) (n −k + 1)
k!
x
k
+ +nx
n−1
+x
n
Motivados por esta expressão, dado x ,= −1 queremos uma representação do desen-
volvimento em série de potências para a função f(x) = (1+x)
α
onde é um número racional
qualquer.
Dada uma série da forma
1 +αx +
α(α −1)
2!
x
2
+ +
α(α −1(α −2) (α −k + 1)
k!
x
k
+ +αx
α−1
+x
α
(1.15)
para esta série verifica-se que
lim
n→∞
¸
¸
¸
¸
a
n+1
a
n
¸
¸
¸
¸
= [x[ lim
n→∞
α −n
n + 1
= [x[
Portanto, a série (1.15) converge absolutamente quando [x[ < 1 diverge nos outros
casos.
Formalmente, suponhamos que g(x) =

k=1
α(α −1(α −2) (α −k + 1)
k!
x
k
.
Derivando termo a termo obtém-se
g

(x) = α + α(α −1)x + +
α(α −1(α −2) (α −k + 1)
k!
x
k−1
+
assim
g

(x) + xg

(x) = αg(x) ⇒
g

(x)
g(x)
=
α
1 + x
⇒ Ln g(x) = LnC(1 + x)
α
de onde podemos obter g(x) = C(1 + x)
α
como g(0) = 1 segue que C = 1 e assim
g(x) = (1 + x)
α
com isto obtemos a representação
(1+x)
α
= 1+αx+
α(α −1)
2!
x
2
+ +
α(α −1(α −2) (α −k + 1)
k!
x
k
+ +αx
α−1
+x
α
válida para [x[ < 1 e α ∈ Q.
Algumas propriedades desta série binomial são:
Christian José Quintana Pinedo 37
i) Se α ∈ N, tem um número finito de termos e é um polinômio.
ii) Se α > 0 , α / ∈ Z a série converge absolutamente em [−1, 1].
iii) Se −1 < α < 0, a série converge em (−1, 1].
iv) Se α ≤ −1, a série converge em (−1, 1).
Exemplo 1.34.
Determine uma aproximação para

1, 2.
Solução.
Consideremos a função f(x) =

1 + x, aplicando a série binomial tem-se que α =
1
2
,
x = 0, 2 ∈ (−1, 1), logo

1 + x = 1 +
1
2
x +
(1)(1/2 −1)
2
x
2
+
(1)(1/2 −1)(1/2 −2)
6
x
3
+ ⇒
_
1, 2 = 1 +
1
2
(0, 2) −
1
8
(0, 2)
2
+
1
16
(0, 2)
3
+ ≈ 1, 0955
1.5 Série de Taylor
Com muita freqüência a série de Taylor é utilizada no Cálculo Numérico e tem par-
ticipação importante na solução de equações algébricas e transcendentes, na interpolação
na integração, na diferenciação e na solução de equações diferenciais.
Em muitos problemas de Física desejamos uma solução exata de uma função, mas,
às vezes, nos deparamos com funções com soluções aproximadas. Com tais aproximações
podemos extrair o significado físico de alguns problemas. A série de Brook Taylor nos dá
uma solução aproximada de uma função, além de nos permitir estimar o erro associado.
Uma função definida por série de potências possui derivada de todas as ordens, que
podem-se obter derivando a série de potências termo a termo de acordo com a Propriedade
(1.4).
Se f(x) =

n=0
a
n
(x −c)
n
tem como domínio um intervalo aberto que contém x = c,
então
df
dx
= f

(x) =

n=1
na
n
(x −c)
n−1
,
d
2
f
dx
2
= f

(x) =

n=2
n(n −1)a
n
(x −c)
n−2
Em geral
d
n
f
dx
n
= f
(n)
(x) =

k=n
k(k −1) (k −n + 1)a
k
(x −c)
n−k
38 Séries de Potências e Equações Diferenciais
A função f e suas derivadas tem todas o mesmo raio convergência de acordo com a
Propriedade (1.14) ao calcular a função e suas derivadas no ponto x = c obteremos:
f(c) = a
0
, f

(c) = a
1
, f

(c) = 2a
2
, , f
(n)
(c) = n!a
n
Propriedade 1.21.
Se f tiver uma representação (expansão) em séries de potências em x = c
f(x) =
+∞

n=0
a
n
(x −c)
n
[x −c[ < r (1.16)
então seus coeficientes são dados pela fórmula a
n
=
f
(n)
(c)
n!
A demonstração é exercício para o leitor.
Assim, a
n
=
f
(n)
(c)
n!
, para cada número natural n a série de potências (1.16) associada
à f podemos escrever como
f(x) = f(c) +
f

(c)
1!
(x −c) +
f

(c)
2!
(x −c)
2
+
f

(c)
3!
(x −c)
3
+ +
f
(n)
(c)
n!
(x −c)
n
+
isto é
f(x) =
+∞

n=0
f
(n)
(c)
n!
(x −c)
n
O emprego desta última série, evidentemente limitada para os casos em que esta é
convergente será de muita utilidade. Pela teoria de das séries de potências, esta série é
convergente para valores de que satisfazem a desigualdade [x −c[ < r.
1.5.1 Série de Taylor associada a uma função
Definição 1.8. Série de Taylor.
Seja f : R −→R uma função indefinidamente derivável num ponto c ∈ R. Chama-se
série de Taylor de f em torno do ponto x = c à série de potências,
f(x) =
+∞

n=0
f
(n)
(c)
n!
(x −c)
n
(1.17)
isto é
f(x) = f(c) +
f

(c)
1!
(x −c) +
f

(c)
2!
(x −c)
2
+
f

(c)
3!
(x −c)
3
+ +
f
(n)
(c)
n!
(x −c)
n
+
Christian José Quintana Pinedo 39
A série de potências associada à função f dada por (1.17) também é chamada de “Série
de Taylor entorno de x = c”.
Assim, uma função pode ser representada por mais de uma série de potências em x−c.
A questão da existência de uma série de Taylor persiste quando a pergunta é:
Dada uma função f. podemos representar-la por meio de uma série de
Taylor?
A constante c é o centro da série que pode ser encarada como uma função real ou
complexa.
Estas séries devem o seu nome a Brook Taylor que as estudou no trabalho “Methodus
incrementorum directa et inversa” em 1715. Condorcet
6
atribuía estas séries a Taylor e
d’Alembert e o nome série de Taylor só começou a ser usado em 1786, por l’Huillier.
Na Física, com frequência é usada a notação
f(x) =
+∞

n=0
f
(n)
(c)
n!
(x −c)
n
ou f(x) =
+∞

n=0
1
n!

d
k
f(n)
dx
n
¸
¸
¸
x=c
(x −c)
n
Exemplo 1.35.
Desenvolver a função f(x) = Lnx na vizinhança de x = 1 e determinar o raio de
convergência da série obtida.
Solução.
Se f(x) = Lnx, então f
(n)
(x) =
(−1)
n+1
(n −1)!
x
n
.
Observe que f(0) = 1 e f
(n)
(0) = (−1)
n+1
(n −1)!.
Assim, f(x) = Lnx = 0 +
+∞

n=1
(−1)
n+1
(x −1)
n
n
.
O raio de convergência da série é r = lim
n→+∞
¸
¸
¸
¸
(−1)
n+1
(n + 1)(n −1)!
(−1)
n+2
n!
¸
¸
¸
¸
= 1
Portanto, a série converge quando [x −1[ < 1.
Exemplo 1.36.
Expressar a função f(x) =
3

x como uma série de Taylor em torno de c = 8 .
Solução.
Sabe-se que f(x) =
3

x, f

(x) =
1
3
x
−2/3
, f

(x) = −
(1)(2)
3
2
x
−5/3
,
f

(x) =
(1)(2)(5)
3
3
x
−8/3
; f
(iv)
(x) = −
(1)(2)(5)(8)
3
4
x
−11/3
6
Antoine Nicolas de Caritat Condorcet 1743−1794 um dos líderes ideológicos da revolução, matemático
e filósofo. Foi um dos últimos iluministas, o grupo de pensadores franceses que acreditava, acima de tudo,
no poder do conhecimento. A origem do termo iluminismo se refere justamente às “luzes” da razão que
tirariam o homem dos domínios da superstição e da ignorância
40 Séries de Potências e Equações Diferenciais
em geral para n ≥ 2 tem-se
f
(n)
(x) = (−1)
n+1
1
3
n
_
n

k=2
(3k −4)
_
x
(1−3n)/3
Quando x = 8 tem-se f(8) = 2, f

(8) =
1
12
, f
(n)
(8) = (−1)
n+1
1
3
n
_
n

k=2
(3k −4)
_
8
(1−3n)/3
.
Logo
f(x) =
3

x = 2 +
1
12
1!
(x −8) +

1
144
2!
(x −8)
2
+
5
3456
3!
(x −8)
3
+
f(x) =
3

x = 2 +
1
12
(x −8) +
+∞

n=2
(−1)
n+1
2
n! 24
n
_
n

k=2
(3k −4)
_
(x −8)
n
Estudamos numa disciplina de Cálculo diferencial em R que a linearização de uma
função diferenciável em x = c é dada por
L(x) = f(c) + f

(c)(x −c)
Se f(x) admitir derivadas finitas e determinadas até a ordem n no ponto x = c, existirá
um único polinômio inteiro em x −c de grau n.
Para o caso ser a função f(x) diferenciável em x = c para ordens superiores, então
podemos ter aproximações de ordem mais elevada.
1.5.2 Polinômio de Taylor
Definição 1.9. Polinômio de Taylor.
Seja f(x) uma função com derivada de ordem k para k = 1, 2, 3, , m, em algum
intervalo contendo x = c. Então, para n ∈ (0, m) o polinômio de Taylor de ordem n
gerado por f em x = c é o polinômio
T
n
(x) =
n

k=0
f
(k)
(c)
k!
(x −c)
k
(1.18)
isto é
T
n
(x) = f(c) +
f

(c)
1
(x −c) +
f

(c)
2!
(x −c)
2
+
f

(c)
3!
(x −c)
3
+ +
f
(n)
(c)
n!
(x −c)
n
.
Quando c = 0, em (1.18) o polinômio é conhecido como “Polinômio de MacLaurin”.
Exemplo 1.37.
Christian José Quintana Pinedo 41
Expressar a função f(x) =
3

x como uma série de Taylor com aproximação até terceira
ordem em torno de c = 8 .
Solução.
Sabe-se que f(x) =
3

x, f

(x) =
1
3
x
−2/3
, f

(x) = −
2
9
x
−5/3
, f

(x) =
10
27
x
−8/3
.
Quando x = 8 tem-se f(8) = 2, f

(8) =
1
12
, f

(8) = −
1
144
, f

(8) =
5
3456
. Logo
T
3
(x) =
3

x = 2 +
1
12
1!
(x −8) +

1
144
2!
(x −8)
2
+
5
3456
3!
(x −8)
3
T
3
(x) = 2 +
1
12
(x −8) −
1
288
(x −8)
2
+
5
20736
(x −8)
3
Definição 1.10. Série de MacLaurin.
Chama-se série de MacLaurin de f à série de Taylor de f quando c = 0, isto é em
(1.16), a:
f(x) = f(0) +
f

(0)
1
x+
f

(0)
2!
x
2
+
f

(0)
3!
x
3
+ +
f
(n)
(0)
n!
x
n
+ =

k=0
f
(k)
(0)x
k
k!
(1.19)
Exemplo 1.38.
Determine a série de MacLaurin para a função f(x) = e
x
.
Solução.
Se f(x) = e
x
, então f
(n)
(x) = e
x
, assim f
(n)
(0) = 1 e a série de MacLaurin é da forma
e
x
= 1 + x +
x
2
2!
+
x
3
3!
+ +
x
n
n!
+ =
+∞

n=0
x
n
n!
A Figura (1.1) mostra a função f(x) = e
x
e suas aproximações mediante os polinômios
de Taylor até a terceira ordem três isto é T
3
(x).
Figura 1.1: Aproximações para f(x) = e
x
Figura 1.2: Aproximações para f(x) = senx
42 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Exemplo 1.39.
Determine a série de MacLaurin para a função f(x) = senx.
Solução.
Se f(x) = senx, então f(0) = 0. Por outro lado, para todo j ∈ Z
+
tem-se:
f
(n)
(x) =
_
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
_
cos x se n = 4j + 1
−senx se n = 4j + 2
−cos x se n = 4j + 3
senx se n = 4j
⇒ f
(n)
(0) =
_
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
_
1 se n = 4j + 1
0 se n = 4j + 2
−1 se n = 4j + 3
0 se n = 4j
logo
senx = x −
x
3
3!
+
x
5
5!

x
7
7!
+ +
(−1)
k
x
2n+1
(2n + 1)!
+ =
+∞

k=0
(−1)
k
x
2k+1
(2k + 1)!
A Figura (1.2) mostra a função f(x) = senx e suas aproximações mediante os polinômios
de Taylor até a terceira ordem três, isto é T
3
(x).
1.5.3 Convergência da série de Taylor
Toda série de Taylor possui um raio de convergência r com a propriedade que a série
converge uniformemente em cada bola (circunferência) [x −c[ ≤ ρ < r.
Entre outros, a fórmula de Cauchy - Hadamard fornece o valor deste raio de con-
vergência:
r
−1
= lim
x→+∞
sup.[a
n
[
1
n
O fato de uma função possuir derivada de todas as ordens em algum ponto x = c
não garante que tenha representação em série de Taylor naquele ponto o exemplo clássico
desta patologia é a função definida por:
f(x) =
_
e

1
x
2
se x > 0
0 se x ≤ 0
Observe a derivada
f

(0) = lim
x→0
f(x) −f(0)
x −0
= lim
x→0
e
−1/x
x
aplicando a regra de L’Hospital segue que
f

(0) = lim
x→0
(−1/x
2
)
(−2/x
3
)e
1/x
2
= lim
x→0
x
2e
1
x
2
= 0
Pode-se seguir mostrando que f

(0) = 0, f

(0) = 0, f
(n)
(0) = 0 ∀ n ∈ N
Christian José Quintana Pinedo 43
Assim, uma série em torno de uma vizinhança de x = 0 para f(x) é
+∞

n=0
f
(n)
(0)
n!
(x −0)
n
= 0 + 0x + 0x
2
+ 0x
3
+ ,= f(x)
Isto nos indica que se exige de uma condição adicional como por exemplo lim
x→0
R
n
(x) =
0 para garantir a existência da série de Taylor.
3
a
pergunta: Qual a relação entre esta a série de Taylor e a função f que usamos para
calcular os coeficientes da série?
Na seção anterior procurou-se mostrar entre outros asuntos que funções transcendentes
(no caso, exponencial, seno, coseno, logaritmo e arco de tangente) podem ser expressas
como séries de potências (pelo menos em parte do seu domínio) e que as séries de potências
são diferenciáveis e integráveis termo a termo evidenciando assim a importância de poder
exprimir uma função à custa de uma série de potências.
Exemplo 1.40.
Determine o intervalo de convergência da função f(x) = Lnx em potências de x −1.
Solução.
Se f(x) = Lnx, então f(1) = 0. As derivadas
f

(x) =
1
x
, f

(x) = −
1
x
2
, f

(x) =
2!
x
3
, f
iv
(x) = −
3!
x
4
em geral
f
(n)
(x) = (−1)
n−1
(n −1)!
x
n
de onde f
(n)
(1) = (−1)
n−1
(n −1)!.
A série de Taylor para Lnx é da forma
Lnx = (x −1) −
(x −1)
2
2
+
(x −1)
3
3
+ =

k=1
(−1)
k−1
(x −1)
k
k
Para determinar o raio de convergência: r
−1
= lim
n→∞
¸
¸
¸
¸
a
n+1
a
n
¸
¸
¸
¸
= lim
n→∞
¸
¸
¸
¸
1
(n + 1)

n
1
¸
¸
¸
¸
= 1.
A série converge se [x − 1[ < 1 e diverge se [x − 1[ > 1. Quando [x − 1[ = 1, para
x = 0 diverge, para x = 2 converge.
Portanto, a série converge no intervalo (0, 2].
Exemplo 1.41.
44 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Dada a função de Bessel de ordem zero J
0
(x) =

k=0
(−1)
k
x
2k
2
2k
(k!)
2
, determine seu domínio
de convergência.
Solução.
Tem-se que r
−1
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
a
k+1
a
k
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
(−1)
k+1
2
2(k+1)
((k + 1)!)
2

2
2k
(k!)
2
(−1)
k
¸
¸
¸
¸
= lim
k→∞
¸
¸
¸
¸
1
2
2
(k + 1)
2
¸
¸
¸
¸
=
0, logo r = +∞, converge em todo R.
Quando k = 0 ⇒ S
0
= 1 , quando 0 ≤ k ≤ 1 ⇒ S
1
= 1 −
x
2
4
, quando
0 ≤ k ≤ 2 então S
2
= 1 −
x
2
4
+
x
4
64
, logo S
3
= 1 −
x
2
4
+
x
4
64

x
6
2
6
(3!)
A Figura (1.3) mostra as aproximações para a função de Bessel, a Figura (1.4) mostra
o gráfico da função de Bessel.
Figura 1.3: Aproximações para a função
de Bessel J
0
(x) Figura 1.4: A função de Bessel J
0
(x)
Exemplo 1.42.
Seja q ∈ Q
+
algum número, determine o intervalo de convergência da função g(x) =
(1 + x)
q
em potências de x.
Solução.
Tem-se que a k-ésima derivada de g é dada por
g
(k)
(x) = q(q −1)(q −2)(q −3) (q −k + 1)(1 + x)
q−k
portanto, a série de MacLaurin desta função chamada “série binomial” é dada por
g(x) = (1 + x)
q
= 1 + qx +
q(q −1)
2!
x
2
+
q(q −1)(q −2)
3!
x
3
+ +
+
q(q −1) (q −k −1)
k!
x
k
+ =

k=0
C
k
x
k
onde C
k
=
q(q −1)(q −2) (q −k −1)
k!
.
Christian José Quintana Pinedo 45
Quando q seja um inteiro não negativo então a série binomial converge.
Para determinar o raio de convergência: lim
n→∞
¸
¸
¸
¸
a
n+1
a
n
¸
¸
¸
¸
= lim
n→∞
¸
¸
¸
¸
C
n+1
C
n
¸
¸
¸
¸
= lim
n→∞
a −n
n + 1
=
1.
A série converge se [x[ < 1 e diverge se [x[ ≥ 1.
Portanto o raio de convergência é r = 1
Observe que para o caso da função h(x) = (b + x)
q
podemos fatorar o número b para
obter (1 + x)
q
. Assim por exemplo podemos determinar a série binomial para

9 + x =
3

1 + y substituindo y por
x
3
.
Retomando o assunto em discussão, seria desejável que a série de Taylor convergisse
para a função que lhe deu origem, pelo menos em alguma vizinhança de x = c.
46 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Christian José Quintana Pinedo 47
Exercícios 1-2
1. Desenvolver em séries de potências de x
2
a fração f(x) =
x
4
x
4
+ x
2
−2
2. Desenvolver em séries de potências de x a fração f(x) =
x + 2
x
2
+x + 1
.
3. Seja f(x) =
1
1 −x
. 1. Desenvolva em série de potências de x a função x f

(x),
indicando o respectivo intervalo de convergência. 2. Utilize o desenvolvimento
obtido em 1. para mostrar que
+∞

k=1
k
2
k
= 2.
4. Desenvolva em série de potências de x as seguintes funções:
1. f(x) =
1
(1 + x)
2
2. f(x) =
1
(x −1)(x −2)
3. f(x) = arctan x
4. f(x) = Ln
_
1 −x
1 + x
5. f(x) =
1
(1 −x)
2
6. f(x) =
2x
(1 −2x)
2
5. Considere a série de potências

k=1
(−1)
k
(1 −
1
k
)
k
x
k
. 1. Determine o conjunto dos
pontos onde a série é convergente. 2. Seja f(x) a função definida pela série anterior.
Determine o domínio da função g(t) = f(1 −2t)
6. Considere a função f(x) =
x
3
1 + x
2
. Desenvolva f(x) em série de potências de x,
determine o respectivo intervalo de convergência e calcule o valor de f
(9)
(0)
7. Desenvolva as seguintes funções em série de Taylor, na vizinhança do ponto a indi-
cado, e determine o maior intervalo aberto de R onde a série representa a função:
1. x
2
e
x
, c = 0 2. −
1
x
, c = −1 3. sen
2
x, c = 0
4. Lnx, c = 1 5.

x, c = 1 6.
2
(x + 1)(x + 2)
, c = 0
8. Considere a série de potências
+∞

k=1
(x + 1)
k

k 3
k
1. Determine em que pontos a série converge absolutamente e em que pontos con-
verge simplesmente.
2 Sendo f(x) a função definida por aquela série nos pontos onde é convergente,
calcule f

(1); f

(1) e escreva a série de Taylor de f no ponto x = 1 da função
x +f

(x)
48 Séries de Potências e Equações Diferenciais
9. Diga, justificando, se são verdadeiras ou falsas as seguintes proposições:
1. Se
+∞

k=1
a
k
x
k
tem raio de convergência 1/2 ; então
+∞

k=1
a
k
é convergente.
2. Se
+∞

k=1
a
k
x
k
tem raio de convergência 2; então lim
k→+∞
a
k
= 0.
10. Estude, para os diferentes valores de x, a natureza das séries:
1.
+∞

k=1
(x −4)
k
(k + 1)3
k+1
2.
+∞

k=1
x
k
k(k + 2)2
k
11. Determine o domínio de convergência da série de potências
+∞

k=1
(−1)
k
5
k
(k + 2)
(x + 2)
k
12. Considere a série de potências
+∞

k=1
(1 − x)
k
_
k
k + 1
_
k
. (1.) Determine o maior
subconjunto de R para o qual a série é convergente e indique se existem pontos para
os quais a série é simplesmente convergente. (2.) Sendo f(x) =
+∞

k=1
(1 − x)
k
k
k + 1
no intervalo de convergência desta série, determine f

(x).
13. Considere a série de potências
+∞

k=1
(x + 3)
k
2
k
+ 1
. (1.) Determine o maior subcon-
junto de R para o qual a série é absolutamente convergente. (2.) Sendo f(x) =
+∞

k=1
(x + 3)
k
2
k
+ 1
definida no intervalo de convergência desta série, determine a primitiva
de f(x) que para x = −3 toma o valor 2.
14. Expresse a função
1
(1 −x)
2
como soma de uma série de potências. Em seguida,
encontre a soma da série numérica

n=1
n
2
n
15. Obtenha o desenvolvimento em série de potências da função f(x) abaixo em torno
do ponto a indicado.
1. f(x) =
1
(x −2)(x −3)
, a = 0 2. f(x) = senhx, a = 0
3. f(x) = sen
2
x, a = 0 4. f(x) = senx cos x, a = 0
5. f(x) = Lnx, a = 1 6. f(x) = cos x, a = π/3
Christian José Quintana Pinedo 49
1.6 Fórmula de Taylor
Dada uma função f : R −→R e a-fixo a ∈ R, a fórmula de Taylor tem como objetivo
decompor o valor f(x+a) da função f(x) como uma soma de outras duas funções T
n
(x) e
R
n
(x), onde T
n
(x) é um polinômio de grau arbitrário n, e R
n
(x) é um termo complementar.
Definição 1.11. Função analítica.
Uma função f diz-se analítica num ponto x = c, do seu domínio, se f é a soma de
uma série de potências de x em alguma vizinhança de c. Isto é, se existe uma sequência
¦a
k
¦ tal que, para algum > 0.
f(x) =

k=0
a
k
(x −c)
k
para todo x ∈ (c −, c + )
Logo, uma função f que pode ser representada por uma série de potências podemos
dizer que é uma função analítica. Assim, e sabendo que uma série de potências pode
ser diferenciada termo a termo no interior do seu intervalo de convergência, os a
k
são as
n-ésimas derivadas de f em x = c multiplicadas por n!, e esta representação em séries de
potências para uma função analítica é única.
Portanto, funções analíticas num ponto x = c são indefinidamente diferenciáveis em
x = c.
Exemplo 1.43.
A função f(x) =
1
1 −x
é analítica no ponto x = 0.
A 3
a
pergunta que fazemos acima pode agora reformular-se da seguinte maneira:
4
a
pergunta: Será que todas as funções indefinidamente diferenciáveis num ponto x = c
são analíticas em x = c?
A resposta é não!
Nem todas as funções que são indefinidamente diferenciáveis são analíticas, como
mostrado na seção anterior para a função
f(x) =
_
e

1
x
2
se x ,= 0
0 se x = 0
Esta função é indefinidamente diferenciável em qualquer x, com todas as derivadas
nulas em x = 0. Conseqüentemente sua série de Taylor gerada por f em x = 0 é:
+∞

n=0
0 x
n
=
+∞

n=0
0 = 0
50 Séries de Potências e Equações Diferenciais
a série converge para todo x ∈ R, porém converge para f(x) somente quando x = 0.
Assim, f(x) não podemos escrever como uma série de potências para todo x no seu
domínio. Isto é, f(x) só é nula em x = 0, onde a série de MacLaurin de f não converge
para a função em nenhuma vizinhança de x = 0.
Definição 1.12.
Diz-se que f é desenvolvível em série de Taylor num ponto x = c se f é a soma da
sua série de Taylor em alguma vizinhança de x = c.
5
a
pergunta: Como reconhecer as funções indefinidamente diferenciáveis num ponto x =
c que são analíticas nesse ponto x = c ?
O seguinte resultado dá um critério para as distinguir:
Teorema 1.3. Condição suficiente de Desenvolvimento em Série de Taylor.
Seja f uma função indefinidamente derivável no intervalo (c − ρ, c + ρ) para a qual
existe uma constante M tal que
∀ k ≥ 0, ∀ x ∈ (c −ρ, c + ρ) [f
(k)
(c)[ ≤ M
Então, neste intervalo, f é soma da série de Taylor no ponto x = c, isto é,
f(x) =

k=0
f
(k)
(x)
k!
(x −c)
k
∀ x ∈ (c −ρ, c + ρ)
Nota: Para aplicar este teorema temos que majorar f e todas as suas derivadas, em
(c −ρ, c + ρ), pela mesma constante.
A demonstração do teorema é exercício para o leitor.
O Teorema (1.3) podemos interpretar como que, se uma função é indefinidamente
diferenciável e tem todas as suas derivadas globalmente limitadas em alguma vizinhança
de x = c, então, nessa vizinhança de c, a função é igual a sua série de Taylor.
Exemplo 1.44.
As funções (indefinidamente diferenciáveis) senx e cos x são tais que as suas derivadas
são sempre um das seguintes funções: senx, cos x, −senx ou −cos x.
Os módulos de tais funções, [senx[ e [ cos x[, são limitados por 1, qualquer que seja
x ∈ R
Propriedade 1.22.
Se uma função f é a soma de uma série de potências

k=0
f
(k)
(x)
k!
(x − c)
k
, em uma
vizinhança de um ponto x = c, esta série coincide com a série de Taylor de f em x = c.
Isto é, para qualquer n > 0, tem-se a
n
=
f
(n)
(c)
n!
.
Christian José Quintana Pinedo 51
A demonstração do teorema é exercício para o leitor.
Assim concluímos que uma função f é analítica num ponto x = c se e só se é desen-
volvível em série de Taylor no ponto x = c.
Esta Propriedade (5.17) permite garantir que uma certa série é a série de Taylor de
uma função num ponto e mostrar que a função é soma dessa série, recorrendo a de-
senvolvimentos conhecidos e/ou aos resultados sobre derivação e integração de séries de
potências.
Uma pergunta natural é:
6
a
pergunta: Se a função f não for indefinidamente diferenciável em x = c? Isto é, se
f só admitir n derivadas no ponto x = c?
Se a função f da igualdade (1.17) admitir derivadas contínuas no ponto x = c, até a
ordem n, as duas funções f(x) e T
n
(x) e suas primeiras derivadas tenderão para o mesmo
limite quando x → c, e será natural considerar T
n
(x) como o valor aproximado de f(x),
quando x tenha pequeno valor absoluto. Assim temos que
f(x) = T
n
(x) + R
n
(x) (1.20)
onde T
n
(x) é um polinômio de grau arbitrário n ∈ N
+
em x −c dado em (1.17) e R
n
(x)
é um termo complementar.
Então vale a fórmula de Taylor
f(x) = f(0) +
f

(0)
1
x +
f

(0)
2!
x
2
+
f

(0)
3!
x
3
+ +
f
(n)
(0)
n!
x
n
+ R
n
(x)
onde R
n
(x) é uma função de x tal que
lim
x→c
R
n
(x)
(x −c)
n
= 0
1.6.1 Resto de um Polinômio de Taylor
Nas aplicações da série de Taylor, torna-se impossível computar todos os termos da
série. O que se faz é considerar somente um número finito deles.
Se a série (1.17) é truncada após o n-ésimo termo, obtemos a aproximação (1.20)
O erro que se obtém nesta aproximação constitui o erro de truncamento R
n
(x), apre-
sentado na igualdade (1.20).
Um dos problemas mais importantes do Cálculo Numérico é a estimativa do erro de
truncamento, sem o conhecimento do qual a aproximação dada pela igualdade (1.17) não
faz qualquer sentido.
52 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Precisamos de uma medida da precisão na aproximação do valor de uma função f(x)
por seu polinômio de Taylor T
n
(x). Podemos usar a idéia de um resto R
n
(x) definido pela
igualdade (1.20).
O valor absoluto [R
n
(x) = T
n
(x) −f(x)[ é chamado de erro associado à aproximação.
Vejamos como é possível estimar o erro de truncamento R
n
(x). Seja f(x) uma função
contínua em x para a qual as derivadas f

(x), f

(x), f

(x), , f
(n)
(x), f
(n+1)
(x) existem
num dado intervalo a ≤ x ≤ b. Satisfeitas estas condições, logo formalmente vem que
x
_
a
f
(n+1)
(t)dt = f
(n)
(t)
¸
¸
¸
x
a
= f
(n)
(x) −f
(n)
(a)
x
_
a
x
_
a
f
(n+1)
(t)(dt)
2
=
x
_
a
[f
(n)
(x) −f
(n)
(a)]dt = f
(n−1)
(x) −f
(n−1)
(a) −f
(n)
(a)(x −a)
x
_
a
x
_
a
x
_
a
f
(n+1)
(t)(dt)
3
= f
(n−2)
(x) −f
(n−2)
(a) −f
(n−1)
(a)(x −a) −f
(n)
(a)
(x −a)
2
2
integrando assim sucessivamente
x
_
a

x
_
a
f
(n+1)
(t)(dt)
n+1
= f(x)−f(a)−f

(a)(x−a)−f

(a)
(x −a)
2
2
− −f
(n)
(a)
(x −a)
n
n!
f(x) = f(a)+f

(a)(x−a)+f

(a)
(x −a)
2
2
+ +f
(n)
(a)
(x −a)
n
n!
+
x
_
a

x
_
a
f
(n+1)
(t)(dt)
n+1
comparando com a igualdade (1.20) vem que o erro cometido quando se considera apenas
os n + 1 primeiros termos da série é
R
n
(x) =
x
_
a

x
_
a
f
(n+1)
(t)(dt)
n+1
Sejam m
1
e m
2
respectivamente os menor e maior valores de f
(n+1)
(x) para a ≤ t ≤ x,
assim
x
_
a

x
_
a
m
1
(t)(dt)
n+1

x
_
a

x
_
a
f
(n+1)
(t)(dt)
n+1

x
_
a

x
_
a
m
2
(dt)
n+1
isto conduz
m
1

(x −a)
n+1
(n + 1)!
≤ R
n
(x) ≤ m
2

(x −a)
n+1
(n + 1)!
Christian José Quintana Pinedo 53
assim, existe ξ ∈ (a, x) tal que
R
n
(x) =
f
(n+1)
(ξ)
(n + 1)!
(x −a)
n+1
(1.21)
Esta última identidade é conhecida como “Fórmula de Lagrange”. Não sendo ξ con-
hecido explícitamente, o emprego desta fórmula fica limitado a estimativa do valor mais
desfavorável do erro de truncamento
[R
n
(x)[ ≤
M
(n + 1)!
(x −a)
n+1
(1.22)
onde o valor de M é o valor máximo absoluto de [f
(n+1)
(ξ)[, a ≤ ξ ≤ x.
Observação 1.8.
i) O erro cometido ao aproximar f(x) pelo polinômio de Taylor T
n
(x) é inferior a [R
n
(x)[
da desigualdade (5.39)
ii) Considerando x −a = h na equação (5.13)
R
n
(h) =
f
(n+1)
(a + th)
(n + 1)!
h
n+1
, 0 ≤ t ≤ 1 (1.23)
Sem considerarmos o termo f
(n+1)
(a+th), que muitas vezes não varia substancialmente
com h e n , a igualdade (1.23) nos mostra que quanto menor [h[ e quanto maior n, menor
será o valor de [R
n
(h)[.
Logo verifica-se a seguinte propriedade.
Propriedade 1.23. Resto de Lagrange.
Sob as condições do Teorema (1.3) o resto da fórmula de Taylor podemos escrever na
forma
R
n
(h) =
h
n+1
(n + 1)!
f
(n)
(a + th) onde. 0 < t < 1 (1.24)
A demonstração é exercício para o leitor.
Exemplo 1.45.
Para o exemplo (1.40) determine: a) Ln0, 8 para [θ[ < 0, 01, onde θ é o erro absoluto.
Solução.
Calculamos no Exemplo (1.40) que f
(n)
(x) = (−1)
n−1
(n −1)!
x
n
, então f
(n+1)
(x) =
(−1)
n
(n)!
x
, assim na igualdade (1.24)
R
n
(h) =
h
n+1
(n + 1)!

(−1)
n
n!
(1 + h)
n+1
onde. 0 < t < 1
54 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Como 0 ≤ x ≤ 1 e queremos Ln 0, 8 consideremos h = −0, 2 de onde
[R
n
(−0, 2)[ ≤
(0, 2)
n+1
(n + 1)

1
(1 −0, 2)
n+1
=
(0, 25)
n+1
n + 1
< 1
resulta, por tentativas, que n ≥ 2. Portanto, vem da série obtida no exemplo (1.40) que
Ln 0, 8 = 0 + (−0, 2) +
(−0, 2)
2
2!
com erro [θ[ < 0, 01
A condição de que uma função que seja indefinidamente diferenciável num certo inter-
valo seja analítica é, evidentemente, que o resto da fórmula de MacLaurin para todo valor
fixo de x no intervalo tenda a zero quando n → +∞, isto é, sendo a série convergente
lim
n→+∞
R
n
(x) = 0.
Exemplo 1.46.
1. e
x
= 1 + x +
x
2
2!
+
x
3
3!
+ +
x
n
n!
e
θx
(0 < xθ < 1)
2. senx =
x
1!

x
2
3!
+
x
5
5!

x
7
7!
+ +
x
n
n!
sen(θx + n
π
2
) (0 < θ < 1)
3. cos x = 1 −
x
2
2!
+
x
4
4!

x
6
6!
+ +
x
n
n!
cos(θx +n
π
2
) (0 < θ < 1)
Considerando o resto, nos três casos podemos observar que estes restos tendem para
zero para qualquer valor fixo de x ∈ R. As três funções são por tanto analíticas em
R e as séries infinitas que se obtém das fórmulas acima quando n → +∞ são seus
desenvolvimentos em série.
Teorema 1.4. de Roche-Schl¨ omilch.
Se f(x) admitir derivadas contínuas até a ordem n no intervalo I = [a, b] considerando
b − a = h e uma derivada única de ordem n + 1 no intervalo aberto (a, b), então neste
intervalo aberto existe ao menos um valor c para x tal que
R
n
(c) =
h
k
(b −c)
n+1−k
n!
f
(n+1)
(c); k ∈ N (1.25)
Demonstração.
Seja A uma constante definida pela igualdade
f(b) = T
n
(h) + Ah
k
(1.26)
suponhamos
ϕ(x) = f(x) + (b −x)f

(x) +
(b −x)
2
2!
f

(x) + +
(b −x)
n
n!
f
(n)
(x)
Christian José Quintana Pinedo 55
e consideremos a função auxiliar
φ(x) = ϕ(x) −T
n
(h) + A(b −x)
k
(1.27)
Quando x = a tem-se que, φ(a) = Ah
k
e φ(b) = f(b) − T
n
(h) = Ah
k
e cumpre as
condições do Teorema de Rolle no intervalo (a, b). Logo existe um c ∈ (a, b) tal que
φ

(c) = 0, isto é
φ

(c) = ϕ

(c) −kA(b −c)
k−1
= 0
então
(b −c)
n
n!
f
(n+1)
(c) −kA(b −c)
k−1
= 0 ⇒ A =
(b −c)
n+1−k
n! k
f
(n+1)
(c)
Logo, das igualdades (1.25) e (1.26) segue que
R
n
(c) = f(b) −T
n
(h) = Ah
k
=
h
k
(b −c)
n+1−k
n! k
f
(n+1)
(c)
Observe que, para c ∈ (a, b) existe t ∈ (0, 1) tal que c = a+t(b−a) = a+th e podemos
escrever o resto do polinômio de Taylor (1.25) na forma
R
n
(c) =
h
n+1
(1 −t)
n+1−k
n! k
f
(n+1)
(a + th) (1.28)
Teorema 1.5. de Taylor.
Se f for derivável até a ordem n +1 em um intervalo aberto I contendo c, então para
cada x em I existe um número a entre x e c tal que
f(x) = f(c) +
f

(c)
1
(x−c) +
f

(c)
2!
(x−c)
2
+
f

(c)
3!
(x−c)
3
+ +
f
(n)
(c)
n!
(x−c)
n
+R
n
(x)
onde R
n
(x) é uma função de x tal que
R
n
(x) =
f
(n+1)
(a)
(n + 1)!
(x −c)
n+1
A demonstração do teorema é exercício para o leitor.
Propriedade 1.24.
Se f(x) admitir derivadas contínuas até a ordem n no intervalo I = [a, b] e uma
derivada de ordem n + 1 integrável nesse intervalo, então fazendo b −a = h
R
n
(h) =
h
_
0
x
n
n!
f
(n+1)
(b −x)dx (1.29)
56 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Demonstração.
Para m < n + 1 integrando por partes
I =
h
_
0
x
m−1
(m−1)!
f
(m)
(b −x)dx =
x
m
(m)!
f
(m)
(b −x)
¸
¸
¸
h
0
+
h
_
0
x
m
m!
f
(m+1)
(b −x)dx
isto é
I =
h
_
0
x
m−1
(m−1)!
f
(m)
(b −x)dx =
h
m
m!
f
(m)
(a) +
h
_
0
x
m
m!
f
(m+1)
(b −x)dx
Como m = 1, 2, 3, , n −1, n somando os resultados, obtém-se
h
_
0
f

(b −x)dx =
n

m=1
h
m
m!
f
(m)
(a) +
h
_
0
x
n
n!
f
(n+1)
(b −x)dx
−f

(b −x)
¸
¸
¸
h
0
=
n

m=1
h
m
m!
f
(m)
(a) +
h
_
0
x
n
n!
f
(n+1)
(b −x)dx
f(b) = T
n
(h) +
h
_
0
x
n
n!
f
(n+1)
(b −x)dx
Portanto, R
n
(h) =
h
_
0
x
n
n!
f
(n+1)
(b −x)dx.
Exemplo 1.47.
A função f(x) =
3

x
11
tem derivadas contínuas até a ordem três em todo R, logo
quando c = 8 a fórmula de Taylor fornece a igualdade
f(x) = f(8) + f

(8)(x −8) +
f

(8)
2!
(x −8)
2
+
x
_
8
(x −t)f

(t)dt
3

x
11
= 2048 +
2816
3
(x −8) +
2816
18
(x −8)
2
+
440
27
x
_
8
(x −t)
3

t
2
dt
Teorema 1.6. Estimativa do Resto.
Se existirem constantes positivas M e r tais que [f
(n+1)
(t)[ ≤ Mr
n+1
para todo t entre
c e x, inclusive, então o resto R
n
(x) no Teorema de Taylor (1.5) satisfará a desigualdade
[R
n
(x)[ ≤ M
r
n+1
[x −c[
n+1
(n + 1)!
Christian José Quintana Pinedo 57
A demonstração do teorema é exercício para o leitor.
Observe que, se essas condições forem válidas para todo n e todas as outras condições
do Teorema de Taylor forem satisfeitas por f, então a série convergirá para f(x) e o erro
cometido ao aproximar f(x) pelo polinômio de Taylor é menor do que [R
n
(x)[.
Exemplo 1.48.
Use o polinômio de Taylor para aproximar cos 75
0
e estime a precisão da aproxi-
mação.
Solução.
Observe que 70
o
= 60
o
+ 15
o
=
π
3
+
15π
180
. Seja f(x) = cos x, logo f(
π
3
) =
1
2
f

(
π
3
) =


3
2
, f

(
π
3
) = −
1
2
, f

(x) = senx. O polinômio de Taylor até a segunda ordem é
T
2
(x) =
1
2


3
2
(x −
π
3
) −
1
2
2!
(x −
π
3
)
2

T
2
(
π
3
+
15π
180
) =
1
2


3
2
(
15π
180
) −
1
2
2!
(
15π
180
)
2
= 0, 256134 ⇒ cos 75
o
= 0, 256134
Para estimar a precisão, considere
[R
2
(x)[ =
¸
¸
¸
¸
f

(ξ)
3!
(x −
π
3
)
3
¸
¸
¸
¸
=
¸
¸
¸
¸
senξ
3!
(x −
π
3
)
3
¸
¸
¸
¸
onde ξ está entre
π
3
e x. Como [f (x)[ ≤ 1, segue
[R
2
(
π
3
+
15π
180
)[ =
¸
¸
¸
¸
senξ
3!
(x −
π
3
)
3
¸
¸
¸
¸

¸
¸
¸
¸
1
3!
(
15π
180
)
3
¸
¸
¸
¸
≤ 0, 002990
Assim, cos 75
o
= 256134 tem precisão de três casas decimais. Para o caso de querer
maior pr3ecisão, devemos determinar um maior valor para n de modo que [R
n
(
π
3
+
15π
180
)[
esteja dentro do intervalo desejado.
Observação 1.9.
1. As funções como o resto de ordem n, R
n
(x), que quando divididas por outra função e
tomando o limite quando x tende para um certo c se obtém 0, têm uma designação
especial:
f(x) = ◦(g(x)), x →c ⇔ lim
x→c
f(x)
g(x)
= 0
(leia-se “f(x) é o pequeno de g(x) quando x tende a c”)
58 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Assim, podemos escrever
R
n
(x) = ◦((x −a)
n
), x →c
2. Se f for n+1 vezes diferenciável em c tem-se a seguinte fórmula para o resto (conhecida
por fórmula do resto de Peano):
R
n
(x) =
(x −c)
n+1
(n + 1)!
_
f
(n+1)
(c + α
n
(x)
_
onde α
n
(x) é uma função de x tal que:
lim
x→c
α
n
(x) = 0
Exemplo 1.49.
Determine o valor numérico do número de Neper e.
Solução.
Sabe-se que, dado y = e
x
, suas derivadas
d
n+1
dx
n+1
e
x
= e
x
, então se R
n
é o resto de
Lagrange (??) segue
e
x
=

k=0
x
k
k!
⇒ e
1
=
n

k=0
1
n!
+ R
n
onde R
n
=
e
t
(n + 1)!
, 0 < t < 1
Por exemplo, quando n = 9, os nove primeiros termos do número e com um erro
R
9
=
e
t
10!
<
3
t
10!
<
3
10!
< 10
−6
isto é, é menor do que uma unidade de 6
a
casa decimal, vindo a ser e = 2, 718281 .
1.6.2 Combinando Séries de Taylor
Na interseção dos seus intervalos de convergência, as séries de Taylor podem ser so-
madas, subtraídas e multiplicadas por constantes e potências de x, e os resultados são
novamente séries de Taylor.
A série de Taylor para f(x) + g(x) é a soma da série de Taylor para f(x) e a série de
Taylor para g(x) porque a n-ésima derivada de f + g é f
(n)
+ g
(n)
e assim por diante.
Podemos obter a série de MacLaurin para
(1 + cos2x)
2
substituindo 2x na série de
MacLaurin para cos x, adicionando 1 e dividindo o resultado por 2.
A série de MacLaurin para senx + cos x é a soma termo a termo da série para senx e
cos x.
Christian José Quintana Pinedo 59
Obtemos a série de MacLaurin para xsenx pela multiplicação de todos os termos da
série de MacLaurin de senx por x.
1.7 Lista de série de Taylor de algumas funções comuns
Dizemos que a série de Taylor associada a uma função f infinitamente diferenciável
(real ou complexa) definida em um intervalo aberto (c − r, c + r) é a série de potências
dada por
T(x) =

k=0
f
(k)
(c)
k!
(x −c)
k
Onde, k! é o factorial de k e f
(k)
(c) denota a n-ésima derivada de f no ponto c.
Com essa ferramenta, podem ser moldadas funções trigonométricas, exponenciais e
logarítmicas em polinômios.
Função exponencial: e
x
=

n=0
x
n
n!
para todo x.
Função logaritmo natural: Ln(1 + x) =

n=0
(−1)
n
n + 1
x
n+1
para [x[ < 1.
Série geométrica:
x
m
1 −x
=

n=0
x
n
para [x[ < 1.
Teorema binomial: (1 −x)
α
=

n=0
_
α
n
_
x
n
para todo [x[ < 1 e todo complexo α
Funções trigonométricas:
• senx =

n=0
(−1)
n
(2n + 1)!
x
2n+1
para todo x.
• cos x =

n=0
(−1)
n
(2n)!
x
2n
para todo x.
• tan x =

n=0
B
2n
(−4)
n
(1 −4
n
)
(2n)!
x
2n−1
= x +
x
3
3
+
2x
5
15
+ para [x[ <
π
2
onde
B
s
são números de Bernoulli.
• sec x =

n=0
(−1)
n
E
2n
(2n)!
x
2n
para [x[ <
π
2
• arcsenx =

n=0
(2n)!
4
n
(n!)(2n + 1)
x
2n+1
para [x[ < 1
• arctan x =

n=0
(−1)
n
2n + 1
x
2n+1
para [x[ < 1
Funções hiperbólicas:
60 Séries de Potências e Equações Diferenciais
• senhx =

n=0
1
(2n + 1)!
x
2n+1
para todo x.
• cosh x =

n=0
1
(2n)!
x
2n
para todo x.
• tanh x =

n=0
B
2n
4
n
(4
n
−1)
(2n)!
x
2n−1
para todo [x[ <
π
2
.
• arcsenhx =

n=0
(−1)
n
(2n)!
4
n
(n!)(2n + 1)
x
2n+1
para [x[ < 1
• arctanhx =

n=0
1
2n + 1
x
2n+1
para [x[ < 1
Função W de Lambert: W
0
(x) =

n=0
(−n)
n−1
n!
x
n
para [x[ <
1
e
1.8 Aplicações
Muitas funções são deriváveis mas não podem ser integradas recorrendo só ao que
se estudo na disciplina de integração, isto é: - integrações imediatas, integração por
partes, integração por substituição entre outros. Por exemplo, para o cálculo da integral
_
e
−x
2
dx.
Definição 1.13. Função elementar.
Diz-se que f é uma função elementar se pode ser obtida por um número finito de
operações de adição, multiplicação, divisão e composição, a partir de funções polinomiais,
exponenciais, logarítmicas e trigonométricas, diretas ou inversas.
A função e
−x
2
é uma função elementar.
Pode-se provar que a sua primitiva não é elementar, pelo que não pode ser obtida,
pelos métodos referidos, a partir de funções elementares.
Recorrendo a série de potências, sabe-se que
e
z
=

k=0
z
k
k!
⇒ e
−x
2
=

k=0
(−x
2
)
k
k!
=

k=0
(−1)
k
x
2k
k!
logo
_
e
−x
2
dx =
_
_

k=0
(−1)
k
x
2k
k!
_
dx =

k=0
(−1)
k
x
2k+1
k!(2k + 1)
.
1.8.1 Cálculo de limites e integrais
Exemplo 1.50.
Calcular o limite L = lim
x→0
2e
x
−2 −2x −x
2
x −senx
.
Solução.
Christian José Quintana Pinedo 61
Substituindo e
x
e senx pelo seus desenvolvimentos em séries de potências tem-se
L = lim
x→0
2

n=0
x
n
n!
−2 −2x −x
2
x −

n=0
(−1)
n
(2n + 1)!
x
2n+1
= lim
x→0
2x
3
3!
+
2x
4
4!
+
x
3
3!

x
5
5!
+
= 2
Exemplo 1.51.
Calcular o limite L = lim
x→0
senx −arctan x
x
3
.
Solução.
Substituindo senx e arctan x pelo seus desenvolvimentos em séries de potências
tem-se
L = lim
x→0

n=0
(−1)
n
(2n + 1)!
x
2n+1

n=0
(−1)
n
2n + 1
x
2n+1
x
3
= lim
x→0
_
(
1
3

1
3!
) −(
1
5

1
5!
)x
2
+
_
=
1
6
Exemplo 1.52.
Calcular a integral I =
1/2
_
0
1 −cos x
x
2
dx com precisão até 0, 001.
Solução.
Tem-se I =
1/2
_
0
1 −cos x
x
2
dx =
1/2
_
0
1 −

n=0
(−1)
n
(2n)!
x
2n
x
2
dx =
I =
1/2
_
0
[
1
2!

x
2
4!
+
x
4
6!
− = [
1
2!
x −
x
3
4! 3
+
x
5
6! 5
]Big[
1/2
0
] =
I = [
1
2! 2

1
4! 3 2
3
+
1
6! 5 2
5
] ≈ 0, 25 −0, 0017 + = 0, 2483
1.8.2 Estudo de Extremos
Se f é uma função diferenciável, os pontos estacionários, isto é, os pontos x onde
f

(x) = 0, serão o ponto de partida para o estudo dos extremos de f.
Suponhamos que f é duas vezes diferenciável em c e f

(c) = 0. Então a fórmula de
Taylor aplicada a f no ponto x = c com resto de Peano é:
f(x) = f(c) + (x −c)f

(c) +
(x −c)
2
2!
_
f

(c) + α
1
(x)
_
= f(c) +
(x −c)
2
2!
_
f

(c) + α
1
(x)
_
62 Séries de Potências e Equações Diferenciais
pois f

(c) = 0. Assim
f(x) −f(c) =
(x −c)
2
2!
_
f

(c) + α
1
(x)
_
(1.30)
Se f tem um extremo local em x = c, então f(x)−f(c) tem sinal constante em alguma
vizinhança de x = c porque ou f(x) ≥ f(c) (mínimo local) ou f(x) ≤ f(c) (máximo local),
em alguma vizinhança de c.
Pretendemos, então, conhecer o sinal de f(x) − f(c), numa vizinhança de c. Isso
vai-nos ser facilitado pelo conhecimento do sinal de f

(c), da igualdade (1.30).
De fato, já que (x −c)
2
≥ 0 então o sinal de f(x) −f(c) depende do sinal de [f

(c) +
α
1
(x)]. Suponhamos então que f

(c) ,= 0. Como lim
x→c
α
1
(x) = 0 então por definição de
limite, para todo > 0 existe δ > 0 tal que, [α
1
(x) − 0[ < sempre que 0 < [x − c[ < δ,
ou seja [α
1
(x)[ < .
Considerando = [f

(c)[ > 0, existirá então δ > 0 tal que para todo [x−c[ < δ tem-se

1
(x)[ < [f

(c)[ e portanto o sinal de [f

(c) +α
1
(x)] é o sinal de f

(c), nessa vizinhança.
Então se f

(c) > 0 o sinal de f(x) −f(c) é positivo e portanto ocorre um mínimo em
x = c; se f

(c) < 0 o sinal de f(x)..f(c) é negativo e portanto ocorre um máximo em
x = c.
Se f

(c) = 0 usamos a fórmula de Taylor de ordem dois
f(x) = f(c)+(x−c)f

(c)+
(x −c)
2
2!
f

(c)+
(x −c)
3
3!
_
f

(c)+α
2
(x)
_
= f(c)+
(x −c)
3
3!
_
f

(c)+α
1
(x)
_
Mais uma vez, queremos saber o sinal de f(x) − f(c). Comecemos por supor que
f

(c) ,= 0. Tem-se:
f(x) −f(c) =
(x −c)
3
3!
_
f

(c) + α
1
(x)
_
mas como (x − c)
3
muda de sinal quando x “passa” por c, então f não tem extremo em
c. Se f

(c) = 0, então utilizar-se-ia a fórmula de Taylor de ordem 3 e assim por diante.
Enunciamos então o seguinte:
Teorema 1.7.
Dada uma função f, n vezes diferenciável em x = c (com n ≥ 2) e tal que 0 = f

(c) =
f

(c) = = f
(n−1)
(c) e f
(n)
(c) ,= 0, então
1. Se n é par, f(c) é máximo local se f
(n)
(a) < 0 e é mínimo local se f
(n)
(a) > 0
2. Se n é ímpar, f não tem extremo local em x = c.
Demonstração.
Christian José Quintana Pinedo 63
A fórmula de Taylor de ordem n −1 para f em x = c com resto de Peano é:
f(x) −f(c) =
(x −c)
n
n!
_
f
(n)
(c) + α
n−1
(x)
_
Se n é par, então (x − c)
n
≥ 0 e argumentando como acima concluímos que ocorre
máximo em x = c se f
(n)
(c) < 0 e mínimo se f
(n)
(c) > 0. Análogamente para n ímpar.
Figura 1.5: f diferenciável em x = c
e a tangente ao gráfico de f em c.
Quanto à concavidade de uma função diferen-
ciável num ponto x = c, a análise que se faz é
análoga a que acabámos de fazer.
Queremos agora é estudar o sinal da função
f(x) − g(x), onde g(x) = f(c) + (x − c)f

(c). O
fato de o sinal da função f(x) −g(x) ser negativo,
pelo menos numa vizinhança de c, diz-nos que a
função f está, nessa vizinhança, sempre embaixo
da tangente no ponto c (concavidade voltada para
baixo (côncava); ver exemplo na (Figura (1.5)) e
no caso de ser positivo, que a função está acima da
tangente no ponto x = c (concavidade voltada para
cima; convexa). Temos então:
Teorema 1.8.
Dada uma função f, n vezes diferenciável em x = c (com n ≥ 2) e tal que 0 = f

(c) =
f

(c) = = f
(n−1)
(c) e f
(n)
(c) ,= 0, então
1. Se n é par, f é côncava em c se f
(n)
(c) < 0 e é convexa em c se f
(n)
(c) > 0
2. Se n é ímpar, f tem ponto de inflexão em x = c.
A demonstração é exercício para o leitor.
1.8.3 Outra definição para a derivada
Dada f diferenciável num ponto x = c, podemos escrever a sua fórmula de Taylor de
ordem 1 (um) relativamente a esse ponto c:
f(x) = f(c) + f

(c) (x −c) + R
1
(x) onde lim
R
1
(x)
x −c
= 0
Suponhamos agora que, dada uma função f definida em uma vizinhança de x = c,
existe um número real γ e uma função R
1
(x) tal que
f(x) −f(c) = γ (x −c) + R
1
(x) ⇒
f(x) −f(c)
x −c
=
γ (x −c) + R
1
(x)
x −c
= γ +
R
1
(x)
x −a
64 Séries de Potências e Equações Diferenciais
e portanto
lim
x→c
f(x) −f(c)
x −c
= lim
x→c
_
γ +
R
1
(x)
x −a
¸
= γ + lim
x→c
R
1
(x)
x −a
= γ
ou seja f é diferenciável em c com f

(c) = γ.
Mostramos então que f é diferenciável em x = c, é equivalente a dizer que existe um
número real, chamemos- lhe γ, e uma função R
1
(x), tal que
f(x) = f(c) + γ (x −c) + R
1
(x) onde lim
R
1
(x)
x −c
= 0
Reescrevendo esta expressão na forma
f(x) −f(c) = γ (x −c) + R
1
(x) onde lim
R
1
(x)
x −c
= 0
podemos dizer desta função que f(x) −f(c) é aproximadamente linear em x −c.
f(x) −f(c) ≈ γ (x −c)
e que essa aproximação é tanto melhor quando x estiver mais próximo de x = c, já que
R
1
(x) tende para zero mais rápidamente que x tende para c. Dito de outra forma ainda,
a “distância” de f(x) a f(c) é, aproximadamente, uma função linear da “distância” de x
até c.
1.9 Série de Taylor em várias variáveis
A série de Taylor pode também ser definida para funções de R
n
−→R.
1.9.1 Para duas variáveis
Definição 1.14.
Seja a função f : R
2
−→R diferenciável até a ordem n+1 em qualquer ponto P
0
(a, b)
de um domínio D(f), então para qualquer o ponto P(x, y) ∈ 1(a, b) é válida a fórmula de
Taylor:
f(x, y) = f(a, b) +
1
1!
[(x −a)f
x
(P
0
) + (y −b)f
y
(P
0
)] +
1
2!
[(x −a)
2
f
xx
(P
0
) +
+2(x −a)(y −b)f
xy
+ (y −b)
2
f
yy
] +
1
3!
[(x −a)
3
f
xxx
(P
0
) + 3(x −a)
2
(y −b)f
xxy
(P
0
) +(1.31)
+3(x −a)(y −b)
2
f
xyy
(P
0
) + (y −b)
3
f
yyy
(P
0
)] + +
1
n!
[(x −a)

∂x
+ (y −b)
∂f
∂y
]
n
f(P
0
) + R
n
Christian José Quintana Pinedo 65
Isto é
f(x, y) =
2

k=0
1
k!
_
k

j=0
k!
j!(k −j)!


k
f
∂x
k−j
∂y
j
(P
0
)(x −a)
k−j
(y −b)
j
_
+ R
2
(x, y) (1.32)
Se f é diferenciável até a ordem n + 1 no ponto (a, b), então
lim
x→a
y→b
R
n
(x, y)
(
_
(x −a)
2
+ (y −b)
2
)
n
= 0 (1.33)
Para o caso particular a = b = 0 a fórmula (5.14) tem a forma
f(x, y) = f(0, 0) +
1
1!
[x f
x
(P
0
) + y f
y
(P
0
)] +
1
2!
[x
2
f
xx
(P
0
) + 2xy f
xy
+ y
2
f
yy
] +
1
3!
[x
3
f
xxx
(P
0
) +
+3x
2
y f
xxy
(P
0
) + +3xy
2
f
xyy
(P
0
) + y
3
f
yyy
(P
0
)] + +
1
n!
_
x

∂x
+ y
∂f
∂y
_
n
f(P
0
) + θ(ρ
2
) (1.34)
onde ρ =
_
x
2
+ y
2
.
Esta última fórmula é a “Fórmula de MacLaurin”.
Exemplo 1.53.
Desenvolver em série de Taylor a função f(x, y) = x
2
Lny em torno do ponto P(1, 1)
até os termos de segunda ordem inclusive.
Solução.
Tem-se
f
x
(x, y) = 2xLny, f
y
(x, y) =
x
2
y
, f
xx
(x, y) = 2Lny, f
yy
(x, y) = −
x
2
y
2
, f
xy
(x, y) =
2x
y
f(1, 1) = 0, f
x
(1, 1) = 0, f
y
(1, 1) = 1, f
xx
(1, 1) = 0, f
yy
(1, 1) = −1, f
xy
(1, 1) = 2
Pela fórmula (5.14)de Taylor tem-se no desenvolvimento
f(x, y) = 0+
1
1!
[(x−1)0+(y−1)1]+
1
2!
[(x−1)
2
0+2(x−1)(y−1)0+(y−1)
2
(−1)]+θ(ρ
2
)
onde ρ =
_
(x −1)
2
+ (y −1)
2
.
Exemplo 1.54.
Desenvolver em série de Taylor a função f(x, y) = x
2
− xy − 2y
2
− 3x + 4y + 8 em
torno no ponto P(1, −3).
Solução.
66 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Observe que f(1, −3) = −21. Calculemos as derivadas parciais
f
x
= 2x−y−3, f
y
= −x−4y+4, f
xx
= 2, f
yy
= −4, f
xy
= −1,

k
f
∂x
k−i
∂y
i
= 0, k ≥ 3
f
x
(1, −3) = 2, f
y
(1, −3) = 15, f
xx
= 2, f
yy
= −4, f
xy
= −1

k
f
∂x
k−i
∂y
i
(1, −3) = 0, k ≥ 3
Pela fórmula (5.14) segue
f(x, y) =
2

k=0
1
k!
_
k

j=0
k!
j!(k −j)!


k
f
∂x
k−j
∂y
j
(1, −3)(x −1)
k−j
(y + 3)
j
_
+ R
n
(x, y)
f(x, y) = f(1, −3) +
_
f
x
(1, −3)(x −1)
1
+ f
y
(1, −3)(y + 3)
1
¸
+
+
1
2!
_
f
xx
(1, −3)(x −1)
2
+ 2f
xy
(1, −3)(x −1)(y + 3) + f
yy
(1, −3)(y + 3)
2
¸
+ 0
f(x, y) = −21 +
_
(2)(x −1) + (15)(y + 3)
1
¸
+
+
1
2!
_
(2)(x −1)
2
+ 2(−1)(x −1)(y + 3) + (−4)(y + 3)
2
¸
+
A série de Taylor pedida é:
f(x, y) = −21 + 2(x + 1) + 15(y + 3) + (x −1)
2
−(x −1)(y + 3) −2(y + 3)
2
+ R
n
(x, y)
Para mais de duas variáveis
Nesse caso, tem-se que a série de Taylor de f em torno do ponto P(x
0
1
, x
0
2
, x
0
3
, , x
0
n
)
é dada por:
f(x
1
, x
2
, x
3
, , x
n
) =

k≥0
1
k!
_
n

i=1
∂f
∂x
i
(P)(x −x
0
i
)
_
k
onde
_
∂f
∂x
i
(P)
_
k
denota

k
f
∂x
k
i
(P), assim tem-se
_
n

i=1
∂f
∂x
i
(P)(x−x
0
i
)
_
k
=

α
i
∈N,
n

i=1
α
i
=k
_
k!
α
1
! α
n
!


k
f
∂x
α
1
1
∂x
α
n
n
(P)(x
1
−x
0
1
)
α
1
(x
n
−x
0
n
)
α
n
_
Christian José Quintana Pinedo 67
Exercícios 1-3
1. Determine as constantes a
0
, a
1
, a
2
, a
3
e a
4
de modo que
3x
4
−17x
3
+35x
2
−32x +17 = a
4
(x −1)
4
+a
3
(x −1)
3
+a
2
(x −1)
2
+a
1
(x −1) +a
0
2. Determine uma série de potências de x + 1 para a função f(x) = e
2x
, e uma série
de potências de x −1 para a função g(x) = Lnx.
3. Uma função f(x) tem as seguintes propriedades: f(x) > 0, ∀ x ∈ R, f

(x) =
2xf(x), ∀ x ∈ R e f(0) = 1. Achar uma série de potências que represente a
função f(x).
4. Idem ao exercício 3 para uma função g(x) com as propriedades: g(0) = 0, g

(0) = 1
e g

(x) = −g(x), ∀ x ∈ R.
5. Desenvolva as seguintes funções em série de Taylor no ponto x = 1 e indique o maior
intervalo aberto em que a série representa a função:
1. f(x) =
1
x
2
2. f(x) =
Ln

x
(x −1)
2
6. Represente
1
(1 −x)
2
numa série de MacLaurin para [x[ < 1.
7. Sendo g(x) =
1
4 + x
2
, desenvolva em série de potências de x − c função g

(x) e
indique o maior intervalo aberto em que o desenvolvimento é válido.
8. Desenvolva em série de MacLaurin a função f(x) = Ln
1
x + 2
e indique o maior
intervalo aberto em que esse desenvolvimento é válido.
9. Verificar que
x
_
0
e
−t
2
dt =
+∞

(−1)
n
(2n + 1) n!
x
2n+1
.
10. Dado f(x) =
+∞

n=1
sennx
n
3
, verificar que
π
_
0
f(x)dx = 2

n=1
1
(2n −1)
4
.
11. Considere a função f(x) = arctan(x
2
). 1. Escreva o desenvolvimento em série de
MacLaurin de f

(x), indicando o maior intervalo aberto onde esse desenvolvimento
é válido. 2. Usando a item anterior, calcule f

(
1
2
) + f

(0).
12. Dado um k ∈ Z
+
considere a k-ésima derivada da Função de Bessel de primeira
espécie J
k
(x), definida por J
k
(x) =
+∞

n=0
(−1)
n
n!(n + k)!
_
x
2
_
2n+k
68 Séries de Potências e Equações Diferenciais
1. Determine o raio de convergência desta série.
2. Mostre que o erro cometido ao aproximar J
k
(x), 0 ≤ x ≤ 1, pelo polinômio
1 −
x
2
4
+
x
4
64

x
6
2304
é inferior a 10
−5
.
3. Verificar que J

0
(x) = −J
1
(x) e
_
x
3
J
2
(x)dx = x
3
J
3
(x)
13. Encontre uma expansão em série de potências de x para x
2
e
−x
, logo derive este
resultado para provar que
+∞

n=2
(−1)
n
(n + 2)2
n
n!
= 8.
14. Ache a série de MacLaurin para f(x) =
_
_
_
1 −cos x
x
se x ,= 0
0 se x = 0
e indique o raio
de convergência.
15. calcular lim
x→0
x −arctan x
x
2
.
16. calcular lim
x→0
1 −cos x
e
x
−1 −x
.
17. calcular
0,2
_
0
senx
x
com precisão até 0, 0001.
18. calcular
0,1
_
0
e
x
−1
x
com precisão até 0, 001.
19. Determine o grau do polinômio de Taylor P
n
(x), expandido em torno de x = 1, de
modo que o resto da aproximação de Ln(1, 2) seja menor do que 0, 001
20. Desenvolver pela fórmula de MacLaurin até os termos de terceira ordem, inclusive,
a função f(x, y) = senhy cos x.
21. Desenvolver pela fórmula de MacLaurin até os termos de quarta ordem, inclusive,
a função g(x, y) = e
−y
senx.
22. Determine a série de Taylor da função
e
x
−1
x
em torno de a = 0.
23. Por diferenciação termo a termo da série de potências do exercício 22 , mostre que

n=1
n
(n + 1)!
= 1
Christian José Quintana Pinedo 69
24. Calcule as seguintes integrais com erro inferior a 10
−4
:
1.
1/2
_
0
senx
2
dx 2.
1
_
1/2
senx
x
dx 3.
1/3
_
0
dx
1 + x
4
4.
_
0
q cos

xdx 5. 6.
25. Use séries de potências para calcular Ln(1, 2) e arctan
1
4
, com erro inferior a 10
−4
.
26. Derivando termo a termo duas vezes uma série de potências que representa a função
e
−x
2
, mostre que
+∞

n=1
(−1)
n+1
(n + 2)
n!2
n
= 1
27. Determine o polinômio de Taylor de ordem m das funções seguintes nos pontos
indicados.
1. f(x, y) =
1
2 + x −2y
, m = 2, (x
0
, y
0
) = (2, 1)
2. f(x, y) = cos(x + seny), m = 2, (x
0
, y
0
) = (0, 0)
3. f(x, y) = e
x+2y
, m = 3, (x
0
, y
0
) = (0, 0)
4. f(x, y) = y
x
, m = 2, (x
0
, y
0
) = (1, 1)
28. Desenvolva em série de potências de x a função f(x) =
2
3 + 4x
3
.
29. Calcular
1
_
0

1 −x
3
dx com quatro casas decimais.
30. Calcular
1
_
0
senx
2
dx com cinco casas decimais.
70 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Capítulo 2
Equações diferenciais de 1
a
ordem.
L. Euler
Leonhard Euler nasceu em 15 de abril de 1707 Basiléia na
Suíça e Faleceu em 18 de setembro de 1783 em São Petersburgo
na Rússia. Euler ampliou as fronteiras da geometria analítica
e da trigonométria modernas deu contribuições decisivas para a
geometria, o cálculo e a análise numérica.
Euler conseguiu de seu pai o consentimento para mudar seus
estudos para a Matemática ajudado pela persuasão de Johann
Bernoulli, que intercedeu junto a seu pai. Johann Bernoulli
tornou-se então seu professor.
Euler ingressou na Academia de Ciências de São Petersburgo
em 1727, dois anos após a sua fundação por Catarina I. Em São
Petersburgo ele viveu com Daniel Bernoulli e tornou-se professor
de Física na academia em 1730, e professor de Matemática em
1733. Neste mesmo ano ele casou-se e deixou a casa de Johann
Bernoulli. Deste casamento Euler teve 13 filhos, dos quais apenas cinco sobreviveram à primeira
infância. Ele costumava dizer que algumas de suas maiores descobertas foram feitas enquanto
segurava um bebê nos braços, tendo os outros filhos brincando em suas pernas.
A publicação de diversos artigos e de seu livro “Mechanics”(1736 −37) - no qual apresentava
pela primeira vez a dinâmica Newtoniana na forma de análise matemática - iniciaram Euler nos
caminhos de um trabalho matemático mais incisivo.
Em 1741, por convite de Frederico o Grande, Euler associou-se à Academia de Ciência de
Berlim, onde ele permaneceu por vinte e cinco anos. Neste período em Berlim ele escreveu cerca
de 200 artigos, três livros de análise matemática, e uma publicação científica popular, “Cartas
para uma princesa da Alemanha” (3 volumes, 1768 −72).
Em 1766 Euler voltou à Rússia e perdeu a visão do olho direito aos 31 anos e logo após re-
tornar a São Petersburgo ficou quase inteiramente cego após uma operação de catarata. Graças à
sua formidável memória ele foi capaz de continuar seus trabalhos em Ótica, Álgebra e movimen-
tos lunares. Surpreendentemente após 1765 (quando tinha 58 anos) ele produziu quase metade
de seu trabalho, a despeito de estar totalmente cego.
Depois de sua morte, em 1783, a Academia de São Petersburgo continuo a publicar todos os
seus trabalhos ainda não publicados durante quase cinqüenta anos.
71
72 Séries de Potências e Equações Diferenciais
2.1 Introdução
Numa primeira disciplina de Cálculo
1
estudamos que existem funções polinomiais de
grau n e são da forma f : R −→ R tais que f(x) = a
0
+ a
1
x + a
2
x
2
+ a
3
x
3
+ + a
n
x
n
sempre que a
n
,= 0 e, os a
i
sejam constantes que não dependam de x. O grau a que nos
referimos é no sentido “algébrico”. Quando estas funções polinomiais igualamos a zero,
isto é f(x) = 0, estas expressões são chamadas de equações de grau n de variável x (ou
na incógnita x).
Resolver uma equação, significa determinar valores para a variável de modo ao substituir-
mos estes valores na equação se obtenha uma proposição verdadeira. Estes valores deter-
minados da equação chama-se “solução da equação”.
Em geral, para o caso da variável x ser matrizes, teríamos uma “equação matricial”;
para o caso da variável x ser função, teríamos uma “equação funcional”.
2.2 Equações diferenciais
Quando estudamos uma disciplina de cálculo diferencial inicial, aprendemos que, dada
uma função y = f(x), sua derivada sempre que exista é a função
dy
dx
= f

(x), também
estudamos que dada uma função de variável x sua derivada é calculada com regras apro-
priadas. Por exemplo, se y = e
x
4
então sua derivada é
dy
dx
= 4x
3
e
x
4
ou
dy
dx
= 4x
3
y.
Uma pergunta natural é:
Dada uma equação, por exemplo
dy
dx
= 4x
3
y, é possível achar com
alguma técnica uma função y = f(x) que seja solução de tal equação.
Dito de outro modo, nosso objetivo é resolver equações diferenciais.
Definição 2.1. Equação diferencial.
Dizemos equação diferencial a toda expressão algébrica que apresenta o símbolo de
igualdade e tem como variável uma função incógnita assim como suas derivadas.
Isto é, equações diferenciais são relações entre variáveis independentes, funções, suas
derivadas ou diferenciais, até certa ordem.
Uma grande quantidade das leis da Física, Química e Biologia têm sua expressão nat-
ural nas equações diferenciais com derivadas ordinárias ou parciais. Também são muitas
as aplicações das equações diferenciais em Engenharia, Economia, Ciências Sociais, As-
tronomia, e mesmo nas Matemáticas. O motivo é simples, se um fenômeno podemos
expressar mediante várias mudanças instantâneas entre variáveis implicadas então conse-
qüentemente teremos uma ou mais equações diferenciais.
1
Cálculo Diferencial em R, Editora EUMET 2008, do mesmo autor
Christian José Quintana Pinedo 73
Um exemplo simples é a equação diferencial que provêem da segunda lei de Newton
para a força, ista é F = m a, mais, se um corpo de massa m cai sob a influência da
gravidade terrestre g então
m a = m g (2.1)
como a aceleração a =
d
2
y
dt
2
, onde y(t) é a posição do corpo no instante t, então da
igualdade anterior obtemos
d
2
y
dt
2
= g
sendo esta igualdade uma equação diferencial ordinária, cuja solução é a função de posição
y(t).
Para este nosso exemplo, podemos supor que sobre o corpo atua uma força de fricção
no meio em que esta inserido, cuja magnitude é proporcional à velocidade instantanea
dy
dt
segue então da igualdade (2.1) que
m
d
2
y
dt
2
+ k
dy
dt
= mg
de onde
d
2
y
dt
2
+
k
m
dy
dt
= g
Esta última igualdade é uma equação diferencial ordinária e satisfaz as condições de
nosso problema.
Outros exemplos são as famosas equações em derivadas parciais do calor, da onda e
de Laplace, que têm a forma

2
u
∂x
2
+

2
u
∂y
2
+

2
u
∂z
2
=
1
a
2

∂u
∂t

2
u
∂x
2
+

2
u
∂y
2
+

2
u
∂z
2
=
1
a
2


2
u
∂t
2

2
u
∂x
2
+

2
u
∂y
2
+

2
u
∂z
2
= 0
respectivamente onde a é uma constante não nula.
Exemplo 2.1.
As seguintes são equações diferenciais envolvendo a função incógnita y = f(x) ou
74 Séries de Potências e Equações Diferenciais
z = g(x, t).
F(x, y,
dy
dx
,
d
2
y
dx
2
, ) = 0 (2.2)
F(x, u, v,
du
dx
,
dv
dx
, ) = 0 (2.3)
F(x, y, z,
∂z
∂x
,
∂z
∂y
, ) = 0 (2.4)
onde F é uma função nas variáveis respectivas.
2.2.1 Classificação
As equações diferenciais classificam-se em:
Equações diferenciais ordinárias: Sendo aquelas em que só há uma variável indepen-
dente, como em (5.32) e (2.3), mas podendo haver uma função como em (5.32),
ou mais como em (2.3), e elas se caracterizarão por não apresentarem derivadas ou
diferenciais parciais. Denotam-se as equações diferenciais ordinárias como EDOs.
Equações diferenciais com derivadas parciais: São aquelas em que há mais de uma
variável independente, como é o caso (2.4) caracterizado por apresentar derivadas
ou diferenciais parciais. Denotam-se as equações diferenciais com derivadas parciais
como EDPs.
Exemplo 2.2.
As seguintes são equações diferenciais envolvendo a função incógnita y = f(x) ou
z = g(x, t).
dy
dx
+ 8x −3 = 0 (2.5)
e
y
d
2
y
dx
2
+ 5 (
dy
dx
)
3
−1 = 0 (2.6)
6
d
3
y
dx
3
−(tan x)
d
2
y
dx
2
+ 8xy = 4 (2.7)
(
d
2
y
dx
2
)
4
+ 9y (
dy
dx
)
3
+ y
2
(
dy
dx
)
2
= 9x (2.8)

2
z
∂t
2
−6

2
z
∂x
2
= 0 (2.9)
As equações diferenciais (2.5) até (2.8) são do tipo EDO pois, a função incógnita
depende só de x. A equação (2.9) é uma EDP, pois depende de x e de t.
Christian José Quintana Pinedo 75
2.2.2 Ordem e grau
Definição 2.2. Ordem.
Dizemos “ordem de uma equação diferencial” à ordem mais alta da derivada da função
incógnita que nela comparece.
Segundo a ordem, as equações diferenciais classificam-se em equações de 1
a
ordem
(aquelas que apresentam diferenciais somente primeiras), de 2
a
ordem; de 3
a
ordem, etc.
Exemplo 2.3.
A equação (2.5) é uma EDO de primeira ordem; (2.6), (2.8) e (2.9) são equações
diferenciais de segunda ordem. A equação (2.7) é uma EDO de terceira ordem.
Para falar de grau de uma equação diferencial, temos que fazer analogia com o grau
no sentido algébrico de uma equação em números reais, isto é; uma equação de grau n é
da forma a
n
z
n
+a
n−1
z
x−1
+ +a
1
z +a
0
= 0, a
n
,= 0 onde aos a
i
∈ R são constantes.
Em analogia com esta definição de grau de uma equação em números reais, se consid-
eramos z como uma função de y = y(x) (ou de alguma de suas derivadas) e consideramos
as constantes a
i
como funções que não dependam de y = y(x), então faz sentido a seguinte
definição.
Definição 2.3. Grau.
O grau de uma equação diferencial é o “grau algébrico” a que se encontra elevada a
derivada de ordem mais alta da função incógnita.
Isto é, o grau de uma equação diferencial é a maior potência à que se encontra a
ordem de uma equação diferencial, considerando a derivada ou diferencial como se fosse
uma incógnita numa equação algébrica. É por isto, esta noção de grau pode carecer de
sentido em certos casos (aqueles em que a equação não fosse algébrica) como no exemplo
(2.6).
Exemplo 2.4.
A equação (2.8) é uma EDO de segunda ordem de grau quatro, pois a derivada mais
alta (a segunda neste caso) se encontra elevada à potência quatro.
A equação (2.5) é de primeira ordem e de primeiro grau, entanto a equação (2.7) é
de terceira ordem e primeiro grau.
Exemplo 2.5.
A equação (

2
y
∂x
2
)
4
+

2
y
∂x
2
(
∂y
∂x
)
5
− x
8
y
9
= cos x é de segunda ordem de grau quatro.
Observe que o grau do término

2
y
∂x
2
(
∂y
∂x
)
5
é seis, não obstante o grau da derivada
segunda é um.
76 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Observação 2.1.
1. Nem toda equação diferencial pode ser classificada segundo o grau. Por exemplo, (2.6)
não possui grau, pois não pode ser escrita sob a forma de um polinômio na função
incógnita e de suas derivadas, em razão da presença do termo e
y
.
2. Para obter o grau de uma equação diferencial, quando necessário temos que racionaliza-
la respeito as derivadas que contenha e eliminar todas estas dos denominadores.
2.2.3 Problemas que conduzem a uma equação diferencial
Na prática equações diferenciais aparecem de muitas formas, existe um caminho para
chegar as equações diferenciais que é útil para intuir a classe de soluções que se espera.
Exemplo 2.6.
Suponhamos que um corpo,que tem temperatura y
0
no instante de tempo t = 0, se
encontra colocado em um meio cuja temperatura é igual a T
m
onde y
0
> T
m
.
Problema: Achar a relação pela qual varia a temperatura do corpo em relação ao
tempo.
Como a temperatura do corpo está em função do tempo, iremos designar esta temper-
atura por y(t).
Sabe-se pelas leis da física, que a velocidade de esfriamento do corpo é proporcional à
diferença entre a temperatura do corpo e a do meio ambiente. Considerando que a função
é decrescente em virtude da interpretação mecânica da derivada, tem-se que
dy(t)
dt
= −k[y(t) −T
m
] (2.10)
onde k é a constante de proporcionalidade.
A relação (2.10) é o modelo matemático do processo físico dado. É uma “equação
diferencial”, pelo fato que junto com a função desconhecida y(t) encontra-se sua derivada.
Outro método que utilizaremos é o de eliminação de constantes, este método varia de
acordo com a forma em que aparecem as constantes na relação dada. Pelo fato que em
cada diferenciação aparece uma nova relação, o número de derivadas que necessitamos
utilizar é o mesmo que o número de constantes que aparece na primeira relação.
Exemplo 2.7.
Uma fábrica produz um determinado produto destinado à população onde existe um
número m de potenciais compradores. Esta fábrica decide estabelecer uma campanha
publicitária para promocionar o produto. Os proprietários solicitam a seu departamento
de publicidade uma medida de impacto de publicidade. É possível resolver este problema?
Solução.
Christian José Quintana Pinedo 77
Seja y(t) o número de pessoas que conhecem o produto no instante t. Suponhamos que
a velocidade com que varía o número de pessoas que conhecem o produto é proporcional
ao número de pessoas que conhecem o produto, como as pessoas que não conhecem o
produto, então
dy
dt
= λy(m−y)
onde λ é uma constante positiva.
Podemos tentar uma solução na forma
dy
dt
= λy(m−y) ⇔
1
m
_
dy
y
+
dy
m−y
_
= λ ⇔ Ln[y(m−y)] = mλ t +C
1
y(m−y) = Ce
λmt
⇔ y(t) =
m
1 + Ce
−λmt
onde C
1
é uma constante.
Na literatura econômica a equação y(t) =
m
1 + Ce
−λmt
é conhecida como a equação
da curva da logística, a qual nos proporciona o número de pessoas que conhecem o produto
ao tempo t.
Exemplo 2.8.
Elimine a constante a da equação (x − a)
2
+ y
2
= a
2
a fim de obter uma equação
diferencial.
Solução.
Derivando esta igualdade obtém-se 2(x − a) + 2yy

= 0 de onde yy

= (a − x) ou
a = x + yy

. Logo, na equação original tem-se
(yy

)
2
+ y
2
= (x + yy

)
2
⇒ y
2
= x
2
+ 2xyy

Portanto, a equação diferencialquad (y
2
− x
2
)dx + 2xydy

= 0 tem como solução a
relação (x −a)
2
+ y
2
= a
2
. São circunferências de centro (a, 0) e raio a.
Exemplo 2.9.
Obter a equação diferencial que tem como solução a relação y = Bcos(ωx+α), onde
ω é um parâmetro.
Solução.
Aqui temos que eliminar B e α. Derivando respeito de x obtemos y

= −Bωsen(ωx+
α). A derivada segunda é y

= Bω
2
cos(ωx + α). De onde
y

+ ω
2
y = (Bω
2
cos(ωx + α)) + ω
2
(Bcos(ωx + α)) = 0
Portanto, y

+ ω
2
y = 0 tem como solução y = Bcos(ωx +α).
78 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Exemplo 2.10.
Elimine as constante arbitrárias C
1
e C
2
da relação y = C
1
e
−2x
+C
2
e
3x
a fim de obter
uma equação diferencial.
Solução.
Derivando em relação a x podemos obter o sistema de equações lineares em C
1
e C
2
−y + C
1
e
−2x
+ C
2
e
3x
= 0 (2.11)
−y

−2C
1
e
−2x
+ 3C
2
e
3x
= 0 (2.12)
−y

+ 4C
1
e
−2x
+ 9C
2
e
3x
= 0 (2.13)
Sabemos, pelas propriedades da álgebra linear elementar que as três equações (2.11),
(5.33) e (2.13) consideradas como equações das incógnitas C
1
e C
2
podem ter solução
somente se o determinante (Wronskiano)
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
−y e
−2x
e
3x
−y

−2e
−2x
3e
3x
−y

4e
−2x
9e
3x
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= 0 (2.14)
e
−2x
e
3x
(y

−y

−6y) = 0 ⇒ y

−y

−6y = 0, pois e
−2x
e
3x
,= 0
Portanto, a equação diferencial y

−y

−6y = 0 tem como solução y = C
1
e
−2x
+C
2
e
3x
.

Este último método permite observar que a eliminação das constantes C
1
, C
2
, , , C
n−1
,
C
n
de uma relação da forma
y = C
1
e
m
1
x
+ C
2
e
m
2
x
+ + C
n−1
e
m
n−1
x
+C
n
e
m
n
x
nos conduz sempre a uma equação diferencial da forma
a
n
(x)
d
n
y
dx
n
+ a
n−1
(x)
d
n−1
y
dx
n−1
+ + a
1
(x)
dy
dx
+a
0
(x)y = 0
onde os coeficientes a
0
, a
1
, a
2
, , , a
n−1
, a
n
são constantes.
2.2.4 Equações diferenciais lineares
Definição 2.4. Equação diferencial linear.
Uma EDO de ordem n na função incógnita y = f(x) dizemos que é linear se pode ser
Christian José Quintana Pinedo 79
escrita sob a forma
a
n
(x)
d
n
y
dx
n
+a
n−1
(x)
d
n−1
y
dx
n−1
+ + a
1
(x)
dy
dx
+ a
0
(x)y = b(x) (2.15)
As funções a
j
(x), j = 0, 1, 2, n e b(x) supõem-se conhecidas, dependem apenas
da variável x.
Observação 2.2.
As equações diferenciais lineares são caracterizadas por duas propriedades.
1. A variável dependente y = y(x) e todas suas derivadas são do primeiro grau; isto é, a
potência de cada termo envolvendo y(x) é um.
2. Cada coeficiente de (2.15) depende apenas da variável x.
Definição 2.5. Equação diferencial não linear.
As equações diferenciais que não podem ser postas sob esta forma (2.15) dizem-se não
lineares.
Exemplo 2.11.
A equação (2.5) é uma EDO linear de primeira ordem, aqui a
1
(x) = 1, a
0
(x) =
0, b(x) = −8x + 3. A equação (2.7) é linear de terceira ordem, com b
3
(x) = 6, a
2
(x) =
tan x, a
1
(x) = 0, a
0
(x) = 8x, b(x) = 0. As equações (2.6) e (2.8) não são lineares.
2.2.5 Motivação
Dizemos que as equações diferenciais, são de grande interesse nas ciências exatas e nas
engenharias, uma vez que muitas leis e relações físicas podem ser formuladas matemáti-
camente por meio de uma equação diferencial.
É fundamental não apenas saber resolver uma equação diferencial mas, sobretudo,
formular matemáticamente o fenômeno que dá origem à equação.
2.2.5.1 Problema de crescimento
Consideremos y(t) a quantidade de uma substância que sofrera um processo de cresci-
mento (ou decrescimento) em um determinado instante t, onde esta variável independente
t representa o tempo. Admitindo que a taxa de variação é proporcional à quantidade de
substância presente, formulamos o seguinte modelo matemático
dy
dt
= ky(t) (2.16)
80 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Para resolver a equação (2.16) integramos formalmente ambos os lados da EDO com
respeito à variável t e obtemos y(t) = y
0
e
kt
, onde y
0
= y(0) representa a quantidade da
substância no início do processo, aqui denominado “dado inicial”.
Ao par constituído pela EDO (2.16) e pela condição inicial y
0
= y(0) damos o nome
de “problema de valor inicial ” e abreviamos pvi.
2.2.5.2 Variação de temperatura
A lei de variação de temperatura de Newton estabelece que:
“a taxa de variação de temperatura de um corpo é proporcional á diferença
de temperatura entre o corpo e o meio ambiente ”.
Denotando por T(t) a temperatura do corpo no instante de tempo t e por T
m
a
temperatura do meio ambiente, a lei de Newton é apresentada matemáticamente pela
seguinte equação diferencial:
dT
dt
= −k(T −T
m
), k > 0 ou T

+ kT = kT
m
(2.17)
O sinal negativo em (2.17) indica um processo de esfriamento. Neste caso T(t) > T
m
,
e portanto
dT
dt
< 0.
2.2.5.3 Juro Composto
Seja A
0
a quantidade de dinheiro aplicado a uma taxa anual de k%, computados
continuamente. Se A(t) representa a quantidade de dinheiro ao final de t anos, temos a
seguinte formulação para o problema de se calcular A(t)
dA
dt
=
k
100
A, A(0) = A
0
(2.18)
A solução do p.v.i. (2.18) é obtida por integração com respeito à variável t e vem dado
por
A(t) = A
0
exp(
k
100
t)
2.3 Solução de uma equação diferencial
Definição 2.6.
Uma solução de uma equação diferencial de ordem n na função incógnita y na variável
independente x, no intervalo I = (a
0
, b
0
), é uma função y = f(x) definida no intervalo
I = (a
0
, b
0
) junto com suas derivadas sucessivas até a de ordem n inclusive, de modo que
Christian José Quintana Pinedo 81
ao fazer a substituição y = f(x) na equação diferencial, esta, verifique uma identidade
com respeito à variável x no intervalo I = (a
0
, b
0
).
Figura 2.1:
Em outras palavras, uma solução de uma
equação diferencial ordinária
F(x, y, y

, y

, y

, , y
(n)
) = 0
é uma função f(x) que possui pelo menos n
derivadas e satisfaz a equação; isto é
F(x, f(x), f

(x), f

(x), f

(x), , f
(n)
(x)) = 0
para todo x no intervalo I = (a
0
, b
0
).
Geometricamente, uma equação diferencial rep-
resenta uma família de curvas (Figura (2.1)), a
mesma dada pela solução geral y = F(x, C). As propriedades resultantes do estudo
da equação diferencial serão as que dependem do parâmetro C (a constante C).
Cada curva da família fica determinada por um só de seus pontos; esse é o ponto inicial
da curva. Cada curva leva o nome “curva integral da equação”.
As soluções das equações diferenciais podem ser apresentadas implícitamente ou ex-
plícitamente.
Definição 2.7.
Uma solução explícita de uma equação diferencial é uma função y = y(x) do con-
junto das variáveis independentes, a qual quando substituída na equação diferencial, a
transforma em uma identidade da igualdade.
Suponhamos temos a equação diferencial y

= 2x, ela tem como solução explícita
y(x) = Ce
2x
, pois se substituirmos y(x) na equação y

= 2x obtém-se uma proposição
verdadeira para a igualdade.
Definição 2.8.
Uma solução implícita de uma equação diferencial é uma função f(x, y(x)) do con-
junto de variáveis dependentes e independentes, a qual, através de derivações implícitas,
reproduz a equação diferencial inicial.
Por exemplo a função f(x, y) = x
2
+ y
2
−25 = 0 é uma solução implícita da equação
diferencial
x +y
dt
dx
= 0
Nem sempre é possível escrever uma solução explícita a partir da solução implícita.
82 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Físicamente, uma equação diferencial define, dentro de certo domínio D, um campo
de direções, pois, dadas as coordenadas de um ponto P(x, y), a equação que passa por
esse ponto será y

= f(x, y), isto é, uma direção determinada nesse ponto.
Cada modelo apresentado nos exemplos de motivação na Seção 2.2.5, matemática-
mente pode ser enquadrada no seguinte modelo geral
y

+ a(x)y = b(x) (2.19)
onde as funções a(x) e b(x) são supostamente contínuas. Essa EDO pode ser classificada
como linear de primeira ordem.
Formalmente, para resolver a equação (2.19) multiplicamos ambos os lados da igual-
dade por g(x) = e

a(x)dx
, transformando-a em uma derivada total, logo em seguida inte-
gramos este resultado . Assim
y

g(x) + a(x)yg(x) = b(x)g(x) ⇔

d
dx
_
ye

a(x)dx
_
= b(x)e

a(x)dx
e integrando esta última igualdade com respeito à variável x, obtemos
y = e

a(x)dx
_
C +
_
b(x)e

a(s)ds
dx
_
(2.20)
onde C é uma constante arbitrária a ser determinada quando for imposta a condição
adicional.
Exemplo 2.12.
A solução da equação diferencial y

+y = 0 é dada pela função y = senx+cos x, ∀x ∈
R.
Com efeito, derivando duas vezes esta função, tem-se
y

= cos x −senx, y

= −senx −cos x, ∀ x ∈ R
Substituindo na equação diferencial y

e y por suas expressões, resulta a identidade
(−senx −cos x) + (senx + cos x) = 0, ∀ x ∈ R
Exemplo 2.13.
Sejam c
1
e c
2
constantes arbitrárias, verifique se y(x) = c
1
sen2x+c
2
cos 2x é solução
da equação diferencial y

+ 4y = 0.
Solução.
Christian José Quintana Pinedo 83
A derivada primeira de y(x) = c
1
sen2x+c
2
cos 2x em relação a x é y

(x) = 2c
1
cos 2x−
2c
2
sen2x.
A derivada segunda de y(x) = c
1
sen2x+c
2
cos 2x respeito de x é y”(x) = −4c
1
sen2x−
4c
2
cos 2x. Esta última expressão podemos escrever na forma y

(x) = −4(c
1
sen2x +
c
2
cos 2x) = −4y, de onde y

+ 4y = 0.
Logo, y(x) = c
1
sen2x+c
2
cos 2x é solução da equação diferencial y

+4y = 0, qualquer
que seja o valor de x no intervalo (−∞, +∞).
Exemplo 2.14.
Usando a fórmula (2.20), determine a solução da EDO
senx
dy
dx
+ y cos x = cos2x, 0 < x < π
Solução.
Esta EDO pode ser escrita na forma y

+ y cot x =
cos 2x
senx
, comparando com (2.20)
tem-se que a(x) = cot x e b(x) =
cos 2x
senx
.
Assim a solução geral da EDO será
y = e

cot xdx
_
C +
_
cos 2x
senx
e

cot xdx
_
e usando Ln(senx) como uma primitiva da cot x, obtemos y = e
−ln senx
_
C +
_
cos 2x
senx
e
Lnsenx
_
,
onde y(x) =
1
senx
_
C +
1
2
sen2x
_
é a solução procurada.
Exemplo 2.15.
Verifique se: y = x
2
−1 é uma solução de (y

)
4
+ y
2
= −1
Solução.
Tem-se que y

= 2x, logo (y

)
4
= 16x
2
. Por outro lado, y
2
= (x
2
−1)
2
= x
4
−2x
2
+ 1.
Somando estas duas igualdades segue que (y

)
4
+ y
2
= (4x
2
) + (x
4
− 2x
2
+ 1) =
x
4
+ 2x
2
+ 1 ,= −1 qualquer que seja o valor de x ∈ R.
Portanto, y = x
2
−1 não é uma solução de (y

)
4
+ y
2
= −1.
Podemos observar entretanto que algumas equações diferenciais admitem infinitas
soluções (Exemplo (2.13)) entanto outras não admitem nenhuma solução (Exemplo (2.15))
neste último exemplo y = y(x) ∈ R e a soma de quadrados nunca é menor do que zero.
É possível também uma EDO admitir uma única solução ((y

)
4
+ y
2
= 0).
Observação 2.3.
84 Séries de Potências e Equações Diferenciais
1. Em geral, uma equação diferencial ordinária de ordem n tem, uma solução que contém
n constantes arbitrárias.
2. O processo da obtenção das soluções de uma equação diferencial é chamado de “inte-
gração da equação diferencial”
Exemplo 2.16.
Um assado pesando 2, 5kgf, inicialmente a 10
o
C, é posto em um forno a 280
o
C às
cinco horas da tarde. Depois de 75 min a temperatura T(t) do assado é de 90
o
C. Quando
será a temperatura do assado igual a 150
o
C?
As 17 : 00 tem-se que t = 0 ⇒ T(0) = 10
o
C. Depois de 75 minutos T(75) = 90
o
C.
Seja T
a
a temperatura do ambiente.
dT
dt
= −k(T −T
a
) ⇒ −
_
1
T −280
=
_
k dr ⇒ −Ln(T −280) = kt + C
⇒ T = 280 −Ae
−C
onde A = e
−C
Quando t = 0 ⇒ T(0) = 10 ⇒ 280 −10 = A ⇒ A = 270
Portanto, T(t) = 280 −270e
−kt
.
Quando t −75 ⇒ T(75) −90 ⇒ 280 −270e
−kt
= 90 ⇒ k = −
1
75
Ln
190
270
logo k ≈ 0, 0047. Assim, T(t) = 280 −270e
−0,0047t
.
Seja t

o tempo para ficar a temperatura em 150
o
C, então 150 = 280−270e
−0,0047t


t

= −
1
0, 0047
Ln
130
270
≈ 155 min
A temperatura do assado sera igual a 150
o
C por volta das 19 : 35 min
2.3.1 Solução Geral. Solução Particular
Uma solução geral da equação diferencial y

= f(x, y), é uma função y = ϕ(x, C) que
depende de uma constante arbitrária C que satisfaz as seguintes condições:
1. É solução da equação diferencial para qualquer valor de C.
2. Dada uma condição inicial arbitrária y(x
0
) = y
0
, sempre é possível determinar um valor
C = C
0
tal que a função y = ϕ(x, C
0
) satisfaz a equação diferencial e a condição
inicial.
A função y = ϕ(x, C
0
) é chamada de solução particular; isto é, uma solução
particular é qualquer solução da mesma.
Geometricamente a solução geral y = ϕ(x, C) representa uma família de curvas no
plano-xy. estas curvas são chamadas curvas integrais. Quando as condições do teorema
de existência e unicidade se cumprem, estas curvas integrais não se interceptam.
Christian José Quintana Pinedo 85
Exemplo 2.17.
Para a equação diferencial do Exemplo (2.13) tem-se que y(x) = c
1
sen2x +c
2
cos 2x é
uma solução geral.
Para a mesma equação diferencial Exemplo (2.13) tem-se que y(x) = 3sen2x+5 cos 2x
é uma solução particular.
Observação 2.4.
A solução geral de uma equação diferencial nem sempre pode ser expressa mediante
uma fórmula única.
Por exemplo, consideremos a equação y

+ y
2
= 0, que admite soluções particulares
y =
1
x
e y = 0.
Neste caso as equações diferenciais lineares constituem casos especiais, suas soluções
gerais serão discutidas posteriormente.
2.3.2 Solução Singular
Existem situações em que uma equação diferencial pode ter uma solução adicional, que
não pode ser obtida a partir da solução geral, esta solução é chamada “solução singular”.
Estas soluções não são de interés para os estudos en engenharia e só é mencionada como
referência como mostra o exemplo[8].
Exemplo 2.18.
A equação diferencial
(y

)
2
−xy

+y = 0 (2.21)
tem como solução geral y = Cx − C
2
, isto podemos verificar derivando e substituindo
na equação original. Esta solução representa uma família de retas, para cada valor da
constante C.
Também podemos verificar que a função y =
1
4
x
2
é uma solução particular da EDO
(5.9) não obstante esta equação da parábola não podemos obter a partir da solução geral
y = Cx −C
2
.
Estudaremos que as condições sob as quais as equações diferenciais têm soluções, são
bastante gerais.
Existem equações diferenciais que não tem solução, por exemplo observe que (y

)
2
+
1 = 0 não tem solução para y = y(x) ∈ R.
Existem outras equações diferenciais que não tem solução geral, por exemplo observe
que [y

[ +[y[ = 0 não tem solução geral, pois sua única solução é y = 0.
86 Séries de Potências e Equações Diferenciais
2.3.3 Problemas de valores iniciais
Um problema de valor inicial consiste em uma equação diferencial, juntamente com
condições subsidiárias relativas à função incógnita e suas derivadas, tudo dado para um
mesmo valor da variável independente. As condições subsidiárias são condições iniciais.
Se as condições subsidiárias se referem a mais de um valor da variável independente,
o problema é um problema de valores de contorno, e as condições dizem-se condições de
contorno.
Exemplo 2.19.
a) O problema y

+ 2y

= e
x
, y(π) = 1, y

(π) = 2 é um problema de valor inicial, pois
as duas condições subsidiárias são ambas dadas no ponto x = π.
b) O problema y

+ 2y

= e
x
, y(0) = 1, y

(1) = 2 é um problema de valor de contorno,
pois as duas condições subsidiárias são dadas em diferentes pontos x = 0 ou x = 1.
Teorema 2.1. De existência e unicidade (Picard).
Seja dada uma equação diferencial y

= f(x, y), onde a função f(x, y) está definida
no recinto 1 = ¦ (x, y) ∈ R
2
/. [x −x
0
[ ≤ a, [y −y
0
[ ≤ b ¦ do plano-xy que contêm o
ponto (x
0
, y
0
).
Se a função f(x, y) satisfaz as condições:
i) Ser função contínua nas duas variáveis x e y, no região 1.
ii) Admitir derivada parcial
∂f
∂y
contínua com respeito a x e y, no região 1.
Então existe uma, e somente uma solução y = y(x) da equação dada que satisfaz o
problema de valor inicial y

= f(x, y), y(x
0
) = y
0
.
Para a demonstração deste teorema se requer conceitos mais avançados da matemática
e não é propósito destas notas. Uma demonstração encontra-se em [2].
O problema da busca da solução da equação diferencial y

= f(x, y) que satisfaz a
condição y(x
0
) = y
0
do pvi é chamado problema de Cauchy.
Definição 2.9. Solução singular.
Uma solução y = g(x) da equação diferencial F(x, y, y

) = 0 dizemos que é singular,
se cada um do seus pontos infringe a propriedade da unicidade.
Isto é, se por cada um do seus pontos (x
0
, y
0
) ademais desta solução, passa também
outra solução que tem no ponto (x
0
, y
0
) a mesma tangente que a solução y = g(x), porém
que não coincide esta última em nenhuma vizinhança do ponto (x
0
, y
0
).
A solução singular não é deduzida da solução geral.
Christian José Quintana Pinedo 87
Exemplo 2.20.
Dada a equação diferencial y

= xy+e
−y
, tem-se que f(x, y) = xy+e
−y
,
df
dy
= x−e
−y
são contínuas com respeito a x e y em todos os pontos do plano-xy.
Em virtude do teorema de existência e unicidade, a região onde a equação tem única
solução é todo o plano-xy.
O Teorema (2.1) expressa condições suficientes para a existência de solução única
do problema de Cauchy para a equação y

= f(x, y), porém estas condições não são
necessárias.
Pode existir uma única solução da equação y

= f(x, y) que satisfaz a condição
y(x
0
) = y
0
não obstante no ponto (x
0
, y
0
) pode não cumprir a condição (i) ou (ii)
ou estas duas condições simultaneamente.
Exemplo 2.21.
Seja y

=
1
y
2
. Aqui f(x, y) =
1
y
2
,
df
dy
= −
2
y
3
.
Nos pontos (x
0
, 0) do eixo
−→
0x não satisfaz as condições (i) e (ii) do Teorema (2.1).
Porém por cada ponto do eixo
−→
0x passa somente uma curva integral y =
3
_
3(x −x
0
).
Exemplo 2.22.
A velocidade de desintegração do Rádio é diretamente proporcional à sua massa no
instante considerado.
1. Determine a lei de variação da massa de Rádio em função do tempo, sabendo que no
instante t = 0 a massa era m
0
.
2. Qual o intervalo de tempo necessário para que metade da massa inicial de Rádio se
desintegre? (k = 0, 000436a
−1
)
Solução.
1. A massa do objeto pode ser expressa em relação ao tempo t, isto é m(t), então temos
que
dm
dt
= pkm ⇒
1
m
dm = −kdt ⇒
_
1
m
dm = −
_
kdt
Ln(m) = −kt + C ⇒ m(t) = Ae
−kt
onde A = e
C
quando t = 0 segue que a massa inicial era m(0) = m
0
= Ae
−k·0
⇒ m
0
= A.
Portanto, m(t) = m
0
e
−t
.
2. A calcular t
1
quando m(t
1
) =
m
0
2
sabendo que k = 0, 000436a
−1
. com efeito
m
0
2
= m
0
e
−kt
1
⇒ e
kt
1
= 2 ⇒ kt
1
= Ln2 ⇒ t
1
=
1
k
Ln2 ≈ 1590 anos
88 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Portanto, o intervalo de tempo necessário para desintegrar a metade de sua massa
inicial é de 1590 anos.
Exemplo 2.23.
Segundo a lei de Newton, a velocidade de resfriamento de um corpo no ar é proporcional
à diferença da temperatura T do corpo e a temperatura T
a
do ambiente. Se a temperatura
do ambiente é de 20
o
C e a temperatura do corpo cai em 20 minutos de 100
o
C a 60
o
C,
dentro de quanto tempo sua temperatura descerá para 30
o
C?
Solução.
Pela lei de Newton, tem-se que
dT
dt
= −k(T −T
a
), logo

dT
T −T
a
= k dt ⇒
_
1
T −T
a
dT = −k
_
dt ⇒ Ln(T
a
−T) = −kt + C ⇒
⇒ T −T
a
= e
−kt
e
C
⇒ T = T
a
+ Ae
−kt
onde A = e
C
Quando t = 0 segue que T(0) = 100 = 20 + Ae
−k·0
⇒ A = 80.
Assim, tem-se que T(t) = 20 + 80e
−kt
Se t = 20 ⇒ T(20) = 60 = 20 + 80e
−20k
⇒ e
−20k
=
40
80
=
1
2
assim −20k =
−Ln2 de onde k =
1
20
Ln2.
Portanto, T(t) = 20 + 80 exp
_

t
20
Ln2
_
descreve o modelo.
A calcular t
1
para obter 30
o
30 = 20 + 80 exp
_

t
1
20
Ln2
_
⇒ 10 = 80 exp
_

t
1
20
Ln2
_

1
8
= exp
_

t
1
20
Ln2
_
⇒ t
1
=
20Ln8
Ln2
= 60min
Portanto em 60 min teremos 30
o
C.
Exemplo 2.24.
Numa colmeia, a razão de crescimento da população p é uma função da população
f(p). Assim
dp
dt
= f(p). Solução.
1. Calcular p(t) para f(p) = β p, onde β e uma constante positiva, e determinar a
população limite do sistema.
2. Encontrar p(t) para f(p) = β p −Ap
2
, onde β e A sao constantes positivas. Calcular
novamente a população limite do sistema.
1.
dp
dt
= β p ⇒
1
p
dp = βdt ⇒
_
1
p
dp =
_
βdt logo Lnp = βt + C. Isto é
p(t) = Ae
βt
onde A = e
C
. Quando t = 0 tem-se p(0) = p
0
⇒ p
0
= Ae
β·0
= A.
Christian José Quintana Pinedo 89
Portanto p(t) = p
0
e
β·t
, supondo p
0
fixo quando t →∞ segue que p(t) →∞.
2. Tem-se
dp
dt
= βp −Ap
2

1
βp −Ap
2
dp = dt
_
1
βp −Ap
2
dp =
_
dt ⇒
1
A
_
A
β
_
(
1
p
+
1
β
A
−p
)dp
_
=
_
dt
1
β
[Lnp −Ln(
β
A
−p) = t + C] ⇒
β
¸
pA
β −Ap
= e
t+C
⇒ p(t) =
βDe
βt
1 + p
0
De
βt
onde D = e
βC
.
Portanto, p(t) =
βDe
βt
1 + p
0
De
βt
, supondo p
0
fixo quando t → ∞ segue que p(t) →
β
p
0
.
2.3.4 Campo de direções
Consideremos no plano-xy uma família de curvas e um parâmetro descrito pela função
F(x, y, λ) = 0 (2.22)
onde a função F é supostamente diferenciável em alguma região do plano euclidiano
tridimensional R
3
.
Para cada valor de λ, a equação (5.34) descreve uma curva no plano-xy e por difer-
enciação formal com relação à variável x, obtemos usando a regra da cadeia a seguintes
equação
F
x
+ F
y

dy
dx
= 0 (2.23)
supondo F
y
,= 0, resolvemos esta última equação para obter
dy
dx
= −
F
x
F
y
que representa a declividade das curvas descritas por (5.34) e cuja família de curvas (ou
trajetórias) ortogonais terá declividade
dy
dx
=
F
x
F
y
de onde obtém-se a equação diferencial
F
x
dy −F
y
dx = 0 (2.24)
90 Séries de Potências e Equações Diferenciais
cuja solução irá descrever a família de trajetórias ortogonais às curvas descritas por (5.34)
Assim, dada a equação diferencial y

= f(x, y) e sabendo que a primeira derivada
representa a direção no plano-xy, podemos por tanto associar a cada ponto (x, y) uma
direção.
A este campo de direções chamamos o campo de direções ou campo de inclinação da
equação diferencial y

= f(x, y). Este campo de direções nos permite inferir propriedades
qualitativa das soluções, como por exemplo se são assintóticas a uma reta, se são fechadas,
abertas, etc.
Exemplo 2.25.
O campo de direções da equação y

= −2x
2
+y
2
e quatro curvas solução da equação
diferencial que passam pelos pontos (0, 2), (0, 0), (0, 1) e (0, −1) respectivamente são
mostrados na Figura (2.2).
Figura 2.2:
Exemplo 2.26.
Consideremos a família de circunferências descritas pela equação:
x
2
+ y
2
= λ; λ > 0
Neste exemplo, temos F(x, y, λ) = x
2
+ y
2
−λ = 0 e a EDO (2.24) asume a forma
xdy −ydx = 0 ou
dy
y
=
dx
x
de onde integrando a ambos os termos obtém-se y = ±Cx que representa uma família
de retas passando pela origem.
Essa família de retas representa as trajetórias ortogonais à família de circunferências
dada como mostra a Figura (2.3)
Christian José Quintana Pinedo 91
Figura 2.3:
2.4 Classificação das EDO de primeira ordem
A forma geral de uma equação diferencial de primeira ordem é F(x, y, y

) = 0. Nesta
última igualdade para o caso seja possível isolar y

, resulta y

= f(x, y) de onde dy =
f(x, y)dx.
2.4.1 Forma Diferencial
Suponhamos temos uma equação diferencial da forma:
M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 (2.25)
A expressão apresentada em (2.25) é chamada forma diferencial de uma equação
diferencial de primeira ordem.
Dependendo da forma que assumem as funções M(x, y) e N(x, y), esta forma difer-
encial apresenta duas categorias de equações diferenciais. As chamadas “equações difer-
enciais de variáveis separáveis” e as “equações diferenciais exatas”.
2.4.1.1 Equações de variáveis separáveis
Seja uma equação diferencial na forma (2.25). Se M(x, y) = A(x) e N(x, y) = B(y),
a equação diferencial se diz separável, ou de variáveis separáveis.
2.4.1.2 Equações exatas
Equações diferenciais exatas são do tipo (2.25) em que as funções M(x, y) e N(x, y)
satisfazem a relação:
∂M(x, y)
∂y
=
∂N(x, y)
∂x
(2.26)
92 Séries de Potências e Equações Diferenciais
2.4.2 Forma Normal
Lembrando que y

=
dy
dx
e supondo que
M(x, y)
−N(x, y)
podemos escrever sob a forma
f(x, y), então a igualdade dada em (2.25) podemos escrever como y

= f(x, y). A forma
normal de uma equação diferencial de primeira ordem é da forma:
y

= f(x, y) (2.27)
Exemplo 2.27.
a) Para a equação diferencial y

= y + senx, temos f(x, y) = y + senx.
b) Para y

=
3yx
2
x
2
+ y
4
, temos f(x, y) =
3yx
2
x
2
+ y
4
.
c) A equação diferencial e
x
y

+e
2x
y = senx não esta na forma normal, podendo, contudo
ser posta, sob a referida forma, resolvendo algébricamente em relação à função y

.
Assim, e
x
y

= −e
2x
y+senx ⇒ y

= −e
x
y+e
−x
senx e f(x, y) = −e
x
y+e
−x
senx.
Dependendo da forma que assume a função f(x, y), esta forma normal apresenta duas
categorias de equações diferenciais. As chamadas “equações diferenciais homogêneas” e
as “equações diferenciais lineares”.
2.4.2.1 Equações Homogêneas
Definição 2.10. Função homogênea.
Se uma função f(x, y) satisfaz f(tx, ty) = t
λ
f(x, y) para algum número λ ∈ R, então
dizemos que f é uma função homogênea de grau λ.
Exemplo 2.28.
1. f(x, y) = x
2
+ 5xy −6y
2
é homogênea de grau dois.
Com efeito, f(tx, ty) = (tx)
2
+ 5(tx)(ty) −6(ty)
2
= t
2
(x
2
+ 5xy −6y
2
) = t
2
f(x, y)
2. g(sx, sy) =
5
_
2x
3
+ 5y
3
é homogênea de grau
3
5
.
Com efeito, g(x, y) =
5
_
2(sx)
3
+ 5(sy)
3
=
5

s
3
5
_
2x
3
+ 5y
3
=
5

s
3
g(x, y)
3. h(x, y) = x + y
2
+ 3 é homogênea de grau zero.
4. f(x, y) =
2x
5y
+ 9 não é homogênea.
Definição 2.11.
Uma equação diferencial da forma M(x, y)dx +N(x, y)dy = 0 é chamada homogênea
se ambos os coeficientes M e N são funções homogêneas do mesmo grau.
Christian José Quintana Pinedo 93
Em outras palavras, dizemos que uma equação diferencial na forma normal (2.27) é
homogênea se
f(tx, ty) = t
λ
f(x, y) (2.28)
para todo t ∈ R ¦0¦.
Exemplo 2.29.
A EDO não linear (xy
2
+ x
2
y)dx + (x
2
y −xy
2
)dy = 0 é homogênea.
Com efeito, a equação diferencial podemos escrever na forma
dy
dx
= −
xy
2
+x
2
y
x
2
y −xy
2
observe que f(x, y) =
xy
2
+ x
2
y
x
2
y −xy
2
=
(tx)(ty)
2
+ (tx)
2
(ty)
(tx)
2
(ty) −(tx)(ty)
2
= f(tx, ty) para todo t ∈ R¦0¦
Observação 2.5.
No sentido geral para equações diferenciais, a palavra “homogênea” tem significado
totalmente diferente.
No sentido do contexto das equações diferenciais de primeira ordem é que a palavra
“homogênea” tem o significado descrito acima.
2.4.2.2 Equações Lineares
Seja uma equação diferencial na forma normal (2.27), se f(x, y) pode-se escrever como
f(x, y) = −p(x)y + q(x), isto é, como o produto de uma função de x por y, mais outra
função de x, então a equação diferencial é uma equação linear.
As equações diferenciais lineares de primeiras ordem lineares podem, sempre expressar-
se na forma
y

+ p(x)y = q(x) (2.29)
É importante salientar que a maioria das equações diferenciais de primeira ordem não
se enquadra em nenhuma dessas categorias, nem pode ser transformada em nenhuma
delas.
Ou seja, para a maioria das equações diferenciais, não há, em geral, técnicas analíticas
para obtenção da solução.
94 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Christian José Quintana Pinedo 95
Exercícios 2-1
1. Para os exercícios seguintes classificar cada equação diferencial segundo a ordem, o
grau (quando possível) e a linearidade. Determine a função incógnita e a variável
independente
1. y

−9xy

= senx + 2 2. xy

−x
2
y

+ Lnx

y = x
2
3. t
2
d
2
s
dt
2
−st
ds
dt
= t 4. y

−9xy

= senx + 2
5. xy −x
2
y

+ Lnx

y = x
2
= x −1 6. t
2
d
2
s
dt
2
−st
ds
dt
= t
7.
d
n
x
dy
n
= y
2
+ 1 8. (
dt
dp
)
5
= 8p
9. y
(5)
+ xy

+ x
2
y

+ cos y = 0 10.
d
6
dp
6
−9p = 0
11. x
4
y
(4)
+ 2xy

= e
x
12. (y

)
2
−8xy

+ 2xy = 0
2. Para cada exercício, elimine as constantes arbitrárias e construa a equação diferen-
cial respectiva..
1. x
3
−3x
2
y = C 2. y = C
1
e
−x
+C
2
e
−3x
3. y = Ce
2x
+ xC
2
e
2x
4. y
2
= 4Cx 5. y = Cx + C
2
+ 1 6. y = C
1
cos(ωx) + C
2
sen(ωx)
7. x
2
y = 1 + Cx 8. y = C
1
+ C
2
e
−3x
9. y = x + C
1
e
−x
+ C
2
e
−3x
10. Cy
2
= x
2
+ y 11. y = xC
1
+ xC
2
e
−x
12. y = x
2
C
1
+ C
2
e
2x
3. Para cada exercício, aplicando o teorema de existência e unicidade, determine uma
região onde admite solução a equação diferencial.
1. y

= x
2
+ y
2
2. y

=
x
y
3. y

= y + 3
3

y
4. y

=

x −y 5. y

=
_
x
2
−y −x 6. y

=
_
1 −y
2
7. y

=
y + 1
x −y
8. y

= seny −cos y 9. y

= 1 −cot y
10. y

=
3
_
3x −y −1 11. 2y

= 3
3
_
y
2
12.
4. Determine se, as funções indicadas é solução da equação
1. função: y(x) = 2e
−x
+xe
x
, equação: y

+ 2y

+ y = 0.
2. função: y = 1, equação: y

+ 2y

+ y = x.
96 Séries de Potências e Equações Diferenciais
3. função: y =
senx
x
, equação: xy

+ y = cos x.
4. função: y = Ce
−2x
+
1
3
e
x
, equação: y

+ 2y = e
x
.
5. função: y = x

1 −x
2
, equação: yy

= x −2x
3
.
6. função: y = 2 + C

1 + x
2
, equação: (1 −x
2
)y

+ xy = 2x.
7. função: y = e
arcsenx
, equação: xy

= tan Lny.
8. função: y = e
x
x
_
0
e
t
2
dt, equação: y

−y = e
x+x
2
.
9. função: y = x
x
_
0
sent
t
dt, equação: xy

= y + xsenx.
10. função: y = x
__
e
x
x
dx
_
, equação: xy

−y = xe
x
.
11. função:
x = cos t
y = sent
_
, equação: x + yy

= 0.
12. função:
x = te
t
y = e
−t
_
equação: (1 + xy)y

+ y
2
= 0.
13. função:
x = e
arctant
y = e
−arctant
_
, equação: y −xy

= 0.
14. função:
x = tLnt
y = t
2
(2Ln(t) + 1)
_
, equação: y

Ln(
y

4
) = 4x.
15. função: y =
_
−x
2
se, x < 0
x
2
se, x ≥ 0
, equação: xy

−2y = 0.
16. função: y =
_
0 se, x < 0
x
3
se, x ≥ 0
, equação: (y

)
2
−9xy = 0.
17. função: y = Lnx , equação: xy

+y

= 0 em (0, ∞), mais não é solução
em (−∞, +∞).
18. função: y =
1
x
2
−1
, equação: y

+ 2xy
2
= 0 em (−1, 1) mais não
em qualquer outro intervalo mas amplo contendo (−1, 1).
5. Mostre que y =

9 −x
2
e y = −

9 −x
2
são soluções para
dy
dx
= −
x
y
no intervalo
(−3, 3). Explicar por que y =
_

9 −x
2
se, −3 < x < 0


9 −x
2
se, 0 ≤ x < 3
não é uma solução
para a equação diferencial no intervalo (−3, 3).
Christian José Quintana Pinedo 97
6. Determine valores de m para que y = x
m
seja uma solução para cada equação
diferencial.
1. x
2
y

−y = 0 2. x
2
y

+ 6xy

+ 4y = 0
7. Determine valores de m para que y = e
mx
seja uma solução para cada equação
diferencial.
1. y

−5y

+ 6y = 0 2. y

+ 10y

+ 25y = 0
8. Determine uma solução do problema de valor inicial indicado para a solução geral
dada, onde C
1
e C
2
são constantes arbitrárias.
1. y

+y = 0; y(3) = 2. Solução geral: y = C
1
e
−x
.
2. y

+ 4y = 0; y(0) = 0, y

(0) = 1. Solução geral: y = C
1
senx + C
2
cos x.
3. y

= 1 + y
2
; y(0) = 0. Solução geral: y = C
1
tan x.
9. Determine uma solução do problema de valores de contorno indicado para a solução
geral dada, onde C
1
e C
2
são constantes arbitrárias.
1. y

+ 4y = 0; y(
π
8
) = 0, y(
π
6
) = 1. Solução geral: y = C
1
sen2x +C
2
cos 2x.
2. y

+ 4y = 0; y(0) = 1, y(
π
2
) = 2. Solução geral: y = C
1
sen2x + C
2
cos 2x.
10. Determine C
1
e C
2
de modo que a função dada, satisfaça as condições indicadas.
1. Função: y = C
1
sen2x + C
2
cos 2x + 1. Condições: y(
π
8
) = 0, y

(
π
8
) =

2
2. Função: y = C
1
e
2x
+ C
2
e
x
+ 2senx. Condições: y(0) = 1, y

(0) = 1
3. Função: y = C
1
e
x
+C
2
e
−x
+ 4senx. Condições: y(0) = 1, y

(0) = −1
4. Função: y = C
1
x + C
2
+x
2
. Condições: y(1) = 1, y

(1) = 2
5. Função: y = C
1
e
x
+C
2
e
2x
+ 3e
3x
. Condições: y(0) = 0, y

(0) = 0
6. Função: y = C
1
senx + C
2
cos x + 1. Condições: y(π) = 0, y

(π) = 0
7. Função: y = C
1
e
x
+C
2
xe
x
+ x
2
e
x
. Condições: y(1) = 1, y

(1) = −1
11. Para os seguintes exercícios, determine C
1
e C
2
de modo que y(x) = C
1
senx+C
2
cos x
satisfaça s condições dadas. Determine se tais condições são iniciais ou de contorno.
1. y(0) = 1, y

(0) = 2 2. y(0) = 2, y

(0) = 1 3. y(
π
2
) = 1, y

(
π
2
) = 2
4. y(0) = 1, y(
π
2
) = 1 5. y

(0) = 1, y(
π
2
) = 1 6. y(0) = 1, y

(π) = 1
7. y(0) = 1, y(π) = 2 8. y(0) = 0, y

(0) = 0 9. y(
π
4
) = 0, y(
π
6
) = 1
10. y(0) = 0, y

(
π
2
) = 1
98 Séries de Potências e Equações Diferenciais
12. Determine quais das seguintes equações diferenciais são de variáveis separáveis.
1.
dy
dx
=
_
2y + 3
4x + 5
_
2
2. (1 + xy)dx + ydy = 0 3. xy
2
dx −x
2
y
2
dy = 0
4.
dx
dy
=
1 + 2y
2
ysenx
5. senxdx +y
2
dy = 0 6. (1 + x
2
+ y
2
+ x
2
y
2
)dy = y
2
dx
7.
dS
dr
= kS 8. (y −yx
2
)
dy
dx
= (y + 1)
2
9. x
_
1 −y
2
dx = dy
13. Determine quais das seguintes equações diferenciais são exatas.
1. 3x
2
ydx + (y + x
3
)dy = 0 2. xydx + y
2
dy 3.
4. xy
2
dx + (x
2
y + y
2
)dy = 0 5. y

= −
2y
x
6.
7. (1 −2x
2
−2y)
dx
dy
= 4x
3
+ 4xy 8.
2x
y
dx −
x
2
y
2
dy = 0 9. (5y −2x)y

−2y = 0
14. Suponha que M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 seja uma equação homogênea. Mostre
que a substituição x = uy transforma a equação em uma com variáveis separáveis.
15. Suponha que M(x, y)dx+N(x, y)dy = 0 seja uma equação homogênea. Mostre que
a substituição x = r cos θ, y = rsenθ transforma a equação em uma com variáveis
separáveis.
16. Suponha que M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 seja uma equação homogênea. Mostre
que a equação pode ser escrita
dy
dx
= G(x, y).
17. Diga se as seguintes equações diferenciais são homogêneas.
1. y

=
x + y
x
2. y

=
y
2
x
3. y

=
2xye
x
y
x
2
+ y
5
sen(
x
y
)
4. y

=
x
2
+ y
x
3
5. y

=
xy
2
x
2
y + y
3
6. y
2
y

= x
2
18. Determine quais das seguintes equações diferenciais são lineares:
1. y

= (senx)y + e
x
2. y

= xseny +e
x
3. y

= y
2
+ x
4. y

= 5 5. y

= xy + 1 6. xy

+ 2y = 0
19. Prove que uma equação diferencial de variáveis separáveis é sempre exata.
20. O problema de valor inicial y

= 2
_
[x[; y(0) = 0 admite duas soluções y = x[x[
e y = 0. Este resultado contradiz o Teorema (2.1)?
Christian José Quintana Pinedo 99
21. A população de uma cidade é de 1.000.000 de habitantes. Houve uma epidemia e
10% da população contraiu um vírus. Em sete dias esta percentagem cresceu para
20%. O vírus se propaga por contato direto entre indivíduos enfermos e sãos (logo, é
proporcional ao número de contatos). A partir destes dados e supondo que o modelo
seja fechado, isto é, a população se mantém constante, sem nascimentos, mortes ou
migração, e os indivíduos tendo toda a liberdade de interagir, calcule:
1. A proporção de indivíduos enfermos e sãos, como uma função do tempo.
2. O tempo necessário para que a percentagem de indivíduos enfermos seja 50%.
100 Séries de Potências e Equações Diferenciais
2.5 Solução de alguns tipos e equações
2.5.1 Equações de variáveis separáveis
Consideremos a equação diferencial de primeira ordem e primeiro grau
Mdx + Ndy = 0 (2.30)
onde M e N podem ser funções de variáveis x e y,
Definição 2.12.
Dizemos que uma equação diferencial ordinária é de variáveis separáveis, se podemos
escrever-la na forma
dy
dx
=
A(x)
B(y)
Desta definição podemos escrever na forma
A(x)dx + B(y)dy = 0 (2.31)
onde M = A(x) e N = B(y) e se resolve integrando ambos os termos da igualdade.
A expressão (5.10) é o diferencial total de uma função F(x, y); isto é dF(x, y) = 0,
logo F(x, y) = C é o resultado desejado.
Lembre que y = y(x) e y

=
dy
dx
, logo é correto escrever a equação original sob a forma
A(x) + B(y)y

= 0 ou
A(x) + B(y(x))y

(x) = 0
de onde integrando ambos os membros em relação a x,obtemos
_
A(x)dx +
_
B(y(x))y

(x)dx = C
fazendo a mudança de variável y = y(x), logo dy = y

(x)dx assim obtém-se
_
A(x)dx +
_
B(y)dy = C (2.32)
onde C é uma constante arbitrária de integração.
As integrais em (2.32) podem não ser imediatas no seu cálculo, em tais casos devemos
apelar para métodos de aproximações numéricas.
A solução do problema de valor inicial
A(x)dx + B(y)dy = 0; y(x
0
) = y
0
(2.33)
Christian José Quintana Pinedo 101
pode ser obtida na forma usual da igualdade (2.32) para resolver a equação diferencial,
em seguida, aplicando a condição inicial diretamente para determinar C.
Alternativamente a solução de (2.33) pode ser obtida a partir de
x
_
x
0
A(¯ x)d¯ x +
y
_
y
0
B(¯ y)d¯ y = C (2.34)
A igualdade (4.30) pode entretanto, não determinar a solução de (2.33) de maneira
única, isto é, pode ter muitas soluções, das quais uma apenas satisfará o problema de
valor inicial.
Exemplo 2.30.
Resolver o problema de valor inicial: x cos xdx + (1 −6y
5
)dy = 0, y(π) = 0.
Solução.
Aqui x
0
= π, y
0
= 0, A(x) = x cos x e B(y) = 1 −6y
5
. Pela fórmula (4.30)
x
_
π
¯ x cos ¯ xd¯ x +
y
_
0
(1 −6¯ y
5
)d¯ y = 0
Calculando as integrais (a primeira por partes), encontramos
¯ x sen¯ x
¸
¸
¸
x
π
+ cos ¯ x
¸
¸
¸
x
π
+ (¯ y − ¯ y
6
)
¸
¸
¸
y
0
= 0
ou x senx + cos x + 1 = y
6
−y
Como não é possível resolver esta equação explícitamente em relação a y, a solução
permanecerá em sua forma implícita.
Exemplo 2.31.
Resolver a equação
dy
dx
= −
x
y
, y(5) = 12.
Solução.
De
dy
dx
= −
x
y
podemos escrever ydy = −xdx, de onde
_
ydy = −
_
xdx ⇒ x
2
+ y
2
= C
A solução representa uma família de circunferências concêntricas. Quando x = 5,
segue que y = 12 de onde 5
2
+ 12
2
= C; isto é C = 169.
Em vista do Teorema (2.1) podemos concluir que existe uma única circunferência dessa
família que passa pelo ponto (5, 12) e tem raio 13.
102 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Exemplo 2.32.
Resolver a equação 3e
x
tan ydx + (2 −e
x
) sec
2
ydy = 0.
Solução.
Suponhamos que (2 −e
x
) tan y ,= 0.
Dividindo ambos os membros da equação pelo produto (2 −e
x
) tan y tem-se
3e
x
dx
2 −e
x
+
sec
2
ydy
tan y
= 0
integrando segue: −3Ln(2 −ex) + Ln(tan y) = C de onde
tan y
(2 −e
x
)
3
= e
C
.
Logo tan y = e
C
(2 −e
x
)
3
, então y = arctan e
C
(2 −e
x
)
3
.
Ao escrever a constante C = LnC
1
teriam,os que y = arctan C
1
(2 −e
x
)
3
sem precisar
da exponencial.
Observe que ao dividir por (2 −e
x
) tan y supusemos que nenhum dos fatores era zero.
Pois caso contrário teríamos respectivamente
y = kπ (k = 0, 1, 2, ), x = Ln2
que são soluções desta equação.
Observação 2.6.
1. A divisão por (2−e
x
) tan y pode dar lugar à perda de soluções particulares que anulam
este produto.
2. A solução da equação diferencial da forma
dy
dx
= f(ax + by + c) onde a, b e c são
constantes, reduz-se a uma equação de variáveis separáveis utilizando a substituição
z = ax + by + c.
Exemplo 2.33.
Resolver y

= ax + by + c, onde a, b e c são constantes.
Solução.
Seja z = ax + by + c, então
dz
dx
= a + b
dy
dx
, logo a equação original podemos escrever
sob a forma
dz
dx
−a = bz de onde
dz
a + bz
= dx, integrando
_
dz
a + bz

_
dx = C
1
, então
1
b
Ln(a +bz) −x = C
1
Desta última igualdade resulta abx + b
2
y + C
3
= C
2
e
bx
.
Portanto, y =
1
b
2
[C
2
e
bx
−abx −C
3
].
Christian José Quintana Pinedo 103
2.5.2 Equações Diferenciais Exatas
A equação diferencial da forma
M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 (2.35)
dizemos que é exata, se seu primeiro membro é a diferencial total de uma função F(x, y).
Lembre que, se y = f(x), então sua derivada y

=
dy
dx
=
df
dx
, e seu diferencial
dy = df = f(x + h) −f(x) ≡ f

(x)dx
Para o caso de uma função de duas variáveis z = F(x, y) tem-se que seu diferencial
exata é
dz = dF(x, y) = F(x + h, y + k) −F(x, y) ⇒
dF = [F(x + h, y + k) −F(x, y + k)] + [F(x, y + k) −F(x, y)] ⇒
dF ≡
∂F
∂x
dx +
∂F
∂y
dy
Assim, justifica-se a seguinte expressão
0 = M(x, y)dx + N(x, y)dy ≡ dF ≡
∂F
∂x
dx +
∂F
∂y
dy = dF(x, y) (2.36)
e podemos supor M(x, y) =
∂F
∂x
e N(x, y) =
∂F
∂y
estas equações nos conduzem a
∂M
∂y
=

2
F
∂y∂x
e
∂N
∂x
=

2
F
∂x∂y
Pelas propriedades do cálculo diferencial sabemos que

2
F
∂y∂x
=

2
F
∂x∂y
sempre que as
derivadas parciais sejam contínuas. Assim temos a seguinte propriedade.
Propriedade 2.1.
Se M, N,
∂N
∂x
e
∂N
∂x
são funções contínuas de x e y, a condição necessária e
suficiente para que a equação (2.35) seja uma equação diferencial exata é que se cumpra
a condição
∂M
∂y

∂N
∂x
(em uma região simplesmente conexa 1 de variação x e y).
A demonstração desta propriedade é exercício para o leitor.
104 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Observe que, para resolver (2.35), sendo exata, devemos primeiro resolver as equações
∂F(x, y)
∂x
= M(x, y) (2.37)
∂F(x, y)
∂y
= N(x, y) (2.38)
em relação a F(x, y). Como em (2.36) dF(x, y) = 0, então sua solução é dada explícita-
mente por
F(x, y) = C
onde C é uma constante arbitrária. Esta última equação é decorrência imediata de (2.37)
e (2.38) de onde obtém-se que dF(x, y(x)) = 0 e logo integrando
_
dF(x, y(x))dx =
_
0dx =
_
d(C)dx.
Portanto, a solução geral da equação (2.37) tem a forma
F(x, y) =
x
_
x
0
M(¯ x, y)d¯ x +
y
_
y
0
N(x, ¯ y)d¯ y = C
Exemplo 2.34.
Resolver a equação diferencial (x + seny)dx + (x cos y −2y)dy = 0
Solução.
Aqui M(x, y) = x + seny e N(x, y) = x cos y − 2y, além disso cumpre que
∂M
∂y

∂N
∂x
= cos y, logo a equação diferencial é exata.
Procuremos agora uma função F(x, y) que satisfaça (2.37) e (2.38), para isto consid-
eremos
∂F(x, y)
∂x
= x + seny, de onde
_
∂F(x, y)
∂x
=
_
(x + seny)dx
ou
F(x, y) =
1
2
x
2
+ xseny + v(y) (2.39)
Para determinar v(y), derivamos esta última função em relação a y, obtendo
∂F
∂y
=
x cos y + v

(x), e levamos o resultado juntamente com N(x, y) = x cos y − 2y em (2.38),
obtendo
x cos y + v

(y) = x cos y −2y ou v

(y) = −2y
Christian José Quintana Pinedo 105
de onde v(y) = −y
2
+ C
1
.
Considerando este valor em (2.39), obtemos
F(x, y) =
1
2
x
2
+xseny −y
2
= C
Portanto, a solução da equação diferencial é dada implícitamente por
1
2
x
2
+ xseny −
y
2
= C.
Exemplo 2.35.
Resolver a equação diferencial [sen(xy) + xy cos(xy)]dx + x
2
cos(xy)dy = 0
Solução.
Observe que
∂M
∂y
= x cos(xy) +x cos(xy) −x
2
ysen(xy) = 2x cos(xy) −x
2
ysen(xy) por
outro lado,
∂N
∂x
= 2x cos(xy) −x
2
ysen(xy) ou seja
∂M
∂y

∂N
∂x
.
Observamos que cumpre a condição necessária e suficiente, conseqüentemente
F(x, y) =
x
_
x
0
sen(xy) + xy cos(xy)]dx +
y
_
y
0
x
2
0
cos(x
0
y)dy =
xsen(xy)
¸
¸
¸
x
x
0
+ x
0
sen(x
0
y)
¸
¸
¸
y
y
0
= xsen(xy) −x
0
senx
0
y
0
de modo que xsen(xy) = C + x
0
sen(x
0
y
0
).
Portanto, xsen(xy) = C
1
onde C
1
é constante, é solução geral da equação.
Observação 2.7.
1. Existem casos excepcionais onde M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 não representa uma
equação diferencial exata. Neste caso procura-se por uma função µ(x, y) de modo
que ao multiplicar por esta última igualdade resulta uma diferencial da forma
dF = µMdx + µNdy
A função µ(x, y) é chamada fator integrante
2. Todas as equações diferenciais de variáveis separáveis são exatas, pois
∂M
∂y
=
∂N
∂x
= 0
106 Séries de Potências e Equações Diferenciais
2.5.3 Equações Homogêneas
Os polinômios nos quais todos os términos são do mesmo grau tais como
x
2
+ 3xy −5y
2
,
x
5
−y
5
,
x
3
y + 8y
4
_
¸
_
¸
_
(2.40)
são chamados polinômios homogêneos. Em analogia com isto estenderemos o conceito de
homogeneidade a funções que não sejam polinômios.
Definição 2.13.
Dizemos que uma função f(x, y) é homogênea de grau n em seus argumentos, se
cumpre a identidade
f(tx, ty) = t
n
f(x, y), para algúm t ∈ R
Para n = 0, tem-se uma função de grau zero. Por exemplo, f(x, y) =
x
2
+ y
2
x
2
−y
2
é uma
função homogênea de grau zero, pois
f(tx, ty) =
(tx)
2
+ (ty)
2
(tx)
2
−(ty)
2
=
t
2
t
2
x
2
+ y
2
x
2
−y
2
= f(x, y)
As equações homogêneas sempre podem ser representadas na forma
dy
dx
= ϕ(
y
x
) (2.41)
Introduzindo uma nova função incógnita u =
y
x
, a equação (2.41) reduz-se à equação
de variáveis separáveis do tipo
x
du
dx
= ϕ(u) −u
para o caso que u = u
0
seja uma raiz da equação ϕ(u) − u = 0, a solução da equação
homogêneas é y = u
0
x (reta que passa pela origem de coordenadas)
Propriedade 2.2.
Para o caso de M(x, y) e N(x, y) sejam homogêneas do mesmo grau, então a função
M(x, y)
N(x, y)
é homogênea de grau zero.
A demonstração desta propriedade é exercício para o leitor.
Propriedade 2.3.
Se f(x, y) é homogênea de grau zero em x e y, então f(x, y) é uma função de variável
y
x
.
Christian José Quintana Pinedo 107
A demonstração desta propriedade é exercício para o leitor.
Assim, uma equação diferencial homogênea M(x, y)dx+N(x, y)dy = 0 ou y

= f(x, y),
pode ser resolvida por meio da substituição algébrica y = ux ou x = vy, em que u e v são
as novas variáveis independentes, que transformará a equação original em uma equação
diferencial de primeira ordem separável.
Exemplo 2.36.
Resolver (x
2
+ y
2
)dx + (x
2
−xy)dy = 0
Solução.
Observe que tanto M(x, y) quanto N(x, y) são homogêneas de grau dois. Podemos
considerar y = ux, de onde
dy
dx
= u + x
du
dx
. Substituindo na equação original segue
(x
2
+ x
2
u
2
)dx + (x
2
−x
2
u)(udx + xdu) = 0
x
2
(1 + u)dx +x
3
(1 −u)du = 0
1 −u
1 + u
du +
dx
x
= 0 ⇒
_
2
1 + u
−1
_
dy +
dx
x
= 0
integrando resulta 2Ln(1 + u) −u + Ln(x) = C
1
, substituído y = xu
2Ln(1 +
y
x
) −
x
y
+ Ln(x) = Ln(C)
então Ln
_
(x + y)
2
Cx
_
=
y
x
.
Portanto, (x + y)
2
= Cx
x

e
y
Exemplo 2.37.
Resolver xy

=
_
x
2
−y
2
+y
Solução.
Observe que f(x, y) =
_
x
2
−y
2
+ y
x
é homogênea, considerando y = ux segue que
dy
dx
= u + x
du
dx
.
Substituindo na equação original resulta x(u + x
du
dx
) =

x
2
−x
2
u
2
+ ux de onde
x
du
dx
=

1 −u
2
.
Separando as variáveis
du

1 −u
2
=
dx
x
, integrando arcsenu = Lnx + C ou arcsenu =
Lnx + LnC
1
onde C = LnC
1
. Logo, sen(Ln(x[C
1
]) = u.
Portanto, y = x sen(Ln(x[C
1
]) é a solução geral.
108 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Neste último exemplo, ao separar as variáveis dividimos ambos os membros da equação
por x

1 −u
2
, pelo qual podiam se perder soluções que transformam em zero seus fatores.
Suponhamos por exemplo que x = 0 e

1 −u
2
, observa-se que x = 0 não é solução,
devido ao que resulta 1 −
y
2
x
2
= 0, de onde y = ±x o qual se verificamos na equação
original teremos que y = x e y = −x são soluções singulares da equação.
Observação 2.8.
As equações da forma
dy
dx
= f
_
a
1
x + b
1
y +c
1
a
2
x + b
2
y +c
2
_
(2.42)
podem ser reduzidas a homogêneas transladando a origem de coordenadas ao ponto (x
0
, y
0
)
interseção das retas
a
1
x + b
1
y + c
1
= 0 e a
2
x + b
2
y + c
2
= 0
isto consegue-se fazendo a substituição
x = s + x
0
e y = t +y
0
O método não é aplicável quando as retas a
1
x + b
1
y + c
1
= 0 e a
2
x + b
2
y + c
2
= 0
fossem paralelas. Nesta caso
a
2
a
1
=
b
2
b
1
= λ e a equação (2.42) podemos escrever na forma
dy
dx
= f
_
a
1
x + b
1
y + c
1
λ(a
1
x + b
1
y +c
1
) + c
2
_
= F(a
1
x + b
1
y) (2.43)
comentada na Observação (2.6)
Exemplo 2.38.
Resolver a equação (x + y −2)dx + (x −y + 4)dy = 0
Solução.
Examinemos o sistema de equações lineares
x + y −2 = 0 e x −y + 4 = 0
segue que sua única solução é x = −1 e y = 3. A substituição sugerida é x = s −1 e
y = t +3 assim a equação original resulta (s +t)ds +(s −t)dt = 0, esta é uma equação
homogênea, fazemos t = su de onde (1 + 2u + u
2
)ds + s(1 − u)du = 0, separando as
variáveis
ds
s
+
1 −u
1 + 2u −u
2
du = 0
Christian José Quintana Pinedo 109
integrando achamos Ln(s) +
1
2
Ln(1 + 2u + u
2
) = LnC ou s
2
(1 + 2u + u
2
) = C
Voltando as variáveis x, y obtemos
(x + 1)
2
_
1 + 2
y −3
x + 1

(y −3)
2
(x + 1)
2
_
= C
Portanto, a solução geral é x
2
+ 2xy −y
2
−4x + 8y = C
1
onde C
1
= C + 14.
Observação 2.9.
Algumas vezes a equação M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 pode-se reduzir a homogênea
mediante a substituição y = z
α
.
Isto ocorre quando todos os elementos da equação são do mesmo grau, atribuindo grau
um á variável x, grau α à variável y, e o grau α −1 à variável
dy
dx
.
Exemplo 2.39.
Resolver 2xy
3
dx + (x
2
y
2
−1)dy = 0
Solução.
Consideremos a substituição y = z
α
, então dy = αz
α−1
dz, onde α é um número
arbitrário que será determinado a seguir.
Substituindo na equação original y e dy por seus equivalentes, obtém-se
2xx

dx + (x
2
z

−1)αz
α−1
dz = 0
o bem
2xx

dx + (x
2
z
3α−1
−z
α−1
)αdz = 0
observe que o grau de x
2
z
3α−1
é 3α + 1, o grau de z
α−1
é α −1.
Esta equação será homogênea se os graus de todos os términos resultam iguais, isto é
se cumpre a condição 3α −1 = α −1, de onde α = −1.
Conseqüentemente temos que y = z
−1
e a equação inicial resulta na forma
2
x
z
3
dx +
_
1
z
2

x
2
z
4
_
dz = 0
isto é 2zxdx + (z
2
−x
2
)dz = 0.
Suponhamos que z = ux, dz = udx + xdu, então esta última equação tem a forma
2udx + (u
2
−1)(udx + xdu) = 0
de onde
dx
x

u
2
−1
u
2
+ 1 + u
du = 0
110 Séries de Potências e Equações Diferenciais
integrando achamos que ln(x) + Ln(u
2
+ 1) −Ln(u) = Ln(C) o bem
x(u
2
+ 1)
u
= C.
Substituindo u por
1
xy
, obtém-se a solução geral da equação 1 + x
2
y
2
= Cy.
Observe que y = 0 também é solução trivial da equação que se obtém quando da
solução geral 1 + x
2
y
2
= Cy escrevemos y = e calculamos o limite C →∞.
Portanto, 1 + x
2
y
2
= Cy é solução geral, e y = 0 é solução particular .
2.5.4 Equações Lineares
Dizemos equação diferencial linear de primeira ordem, a aquela que é linear com
respeito à função incógnita e sua derivada. Esta equação tem a forma
dy
dx
+a(x)y = b(x) (2.44)
onde a(x), b(x) são funções contínuas na variável x na região onde teremos que integrar.
Observe que a equação (4.31) podemos escrever na forma
dy + a(x)ydx = b(x)dx (2.45)
a qual também pode-se escolher como a outra forma para a equação linear de primeira
ordem.
A equação (2.45) podemos multiplicar por uma função υ(x) ao qual chamaremos “fator
integrante” para obter υ(x)dy + a(x)υ(x)ydx = b(x)υ(x)dx de onde
υ(x)[a(x)y −b(x)]dx + υ(x)dy = 0 (2.46)
Considerando M(x, y) = υ(x)[a(x)y − b(x)] e N(x, y) = υ(x), na igualdade (2.46)
para que seja uma equação diferencial exata deve acontecer que
d
dy
υ(x)[a(x)y −b(x)] =
d
dx
υ(x) ⇒ υ(x)a(x) =
d
dx
υ(x)
logo, a(x)dx =
d[υ(x)]
υ(x)
, assim Lnυ(x) =
_
a(x)dx. Assim,
υ(x) = e

a(x)dx
(2.47)
A mostrar que (2.47) em verdade é um fator integrante de (2.46)
Multiplicando υ(x) = e

a(x)dx
pela equação (2.45) resulta
e

a(x)dx
[dy + a(x)ydx] = e

a(x)dx
[b(x)dx] (2.48)
Christian José Quintana Pinedo 111
A parte esquerda de (2.47) é um diferencial exato do produto d[e

a(x)dx
y], parte de
direita de (2.42) é uma diferencial exata, pois não depende de y.
Portanto, a equação (2.42) é exata.
Para o caso b(x) = 0, a equação (4.31) é chamada de linear homogênea e, para o caso
b(x) ,= 0, a equação (4.31) é chamada de linear não homogênea .
A equação homogênea
dy
dx
+ a(x)y = 0 é de variáveis separáveis e possui a solução
geral
y = Ce

a(x)dx
(2.49)
Observação 2.10.
Pode acontecer que a equação diferencial seja linear respeito de x, considerada esta
variável como função de y. A forma normal desta equação é
dx
dy
+ s(y)x = t(y).
2.6 Fator integrante
Em geral uma equação diferencial
M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 (2.50)
não é exata. Não entanto esta equação podemos transformar algumas vezes em uma
equação diferencial exata, mediante multiplicação por um fator adequado.
Definição 2.14. Fator integrante
Uma função I(x, y) dizemos que é um fator integrante de (2.50) se a equação
I(x, y)[M(x, y)dx +N(x, y)dy] = 0 (2.51)
é exata.
Exemplo 2.40.
Determine se −
1
x
2
é fator integrante de ydx −xdy = 0.
Solução.
Multiplicando a equação diferencial dada por −
1
x
2
obtemos

1
x
2
(ydx −xdy) = 0 ⇒ −
y
x
2
dx +
1
x
dy = 0
Como esta última equação é exata, então −
1
x
2
é fator integrante.
112 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Exemplo 2.41.
Determine se −
1
xy
é fator integrante de ydx −xdy = 0.
Solução.
Multiplicando a equação diferencial dada por −
1
xy
obtemos

1
xy
(ydx −xdy) = 0 ⇒ −
1
x
dx +
1
y
dy = 0
Como esta última equação é exata, então −
1
xy
é fator integrante.
Este dois últimos exemplos mostram que uma equação diferencial pode admitir mais
de um fator integrante.
Para o caso da equação diferencial (2.50) estar escrita na forma
y

+ a(x)y = b(x) (2.52)
A mostrar que um fator integrante é υ(x) = e

a(x)dx
, observe assim que, o fator
integrante não depende da equação diferencial dada.
Exemplo 2.42.
Determine um fator integrante para y

−2xy = x.
Solução.
Tem-se que a(x) = −2x. Assim,
_
a(x)dx =
_
−2xdx = x
2
.
Portanto, o fator integrante é υ(x) = e
−x
2
.
Exemplo 2.43.
Determine um fator integrante para y

+ (
4
x
)y = x
4
.
Solução.
Aqui, a(x) =
4
x
, logo
_
a(x)dx =
_
4
x
dx = x
2
= 4Lnx = Lnx
4
.
De onde υ(x) = e
Lnx
4
= x
4
.
Se I(x, y) é um fator integrante de (2.51), então (2.52) é exata e pode ser resolvida seja
pelo processo estudado na Seção 2.5.2 ou pelo processo de integração direta. A solução
de (2.52) também é solução de (2.51).
Propriedade 2.4.
O fator integrante de M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 satisfaz a equação em derivadas
parciais
M(x, y)
∂I
∂y
+ N(x, y)
∂I
∂x
dy = I(x, y)
_
∂N
∂x

∂M
∂y
_
Christian José Quintana Pinedo 113
Demonstração.
Com efeito, sendo I(x, y)M(x, y)dx+I(x, y)N(x, y)dy uma diferencial exata, tem-se
∂I(x, y)M(x, y)
∂x
=
∂I(x, y)M(x, y)
∂x
Efetuando as derivações nesta última igualdade tem-se o esperado.
Propriedade 2.5.
Se M(x, y)dx+N(x, y)dy = 0 tem uma solução singular, esta será da forma
1
I(x, y)
.
Demonstração.
Com efeito, sendo I(x, y)[M(x, y)dx+N(x, y)dy] = dF(x, y) = 0, teremos M(x, y)dx+
N(x, y)dy =
1
I(x, y)
dF(x, y) = 0 onde as soluções dF(x, y) = 0 isto é F(x, y) = C é
solução geral, e
1
I(x, y)
= 0 é solução singular.
2.6.1 Métodos de solução
1
o
método. Para resolver a equação (2.52) multiplicar esta equação pelo fator integrante
υ(x), o membro esquerdo da equação resultante será da forma
d[y υ(x)]
dx
.
Integrando esta nova equação, obteremos a solução de (2.52).
Exemplo 2.44.
Resolver o pvi y

+ y = senx, y(π) = 1.
Solução.
Tem-se que a(x) = 1, de onde o fator integrante é υ(x) = e
x
, e obtemos a equação
diferencial e
x
(y

+y) = e
x
senx) = 0, isto é
d(e
x
y)
dx
= e
x
senx ⇒ e
x
y =
_
e
x
senxdx.
A solução geral da equação diferencial é y = Ce
x
+
1
2
senx −
1
2
cos x. Aplicando
diretamente a equação diferencial obtemos 1 = Ce
π
+
1
2
ou c =
1
2
e
π
.
Portanto, y =
1
2
e
π−x
+
1
2
senx−
1
2
cos x é a solução particular da equação diferencial.
2
o
método. Lembre que a equação homogênea
dy
dx
−a(x)y = 0 é de variáveis separáveis
e possui a solução
y = Ce

a(x)dx
(2.53)
A solução da equação geral da equação linear não homogênea (2.52) podemos deter-
minar pelo método da variação da constante, segundo o qual busca-se uma solução
114 Séries de Potências e Equações Diferenciais
da equação (2.52) da forma
y = C(x)e

a(x)dx
onde C(x) é uma nova função incógnita de x.
A equação (2.52) também podemos integrar do seguinte modo.
Consideremos
y = u(x)w(x) (2.54)
Substituindo (4.32) em (2.52) depois das operações obtemos
u

(x)w(x) + u[a(x)w + w

(x)] = b(x) (2.55)
Determinando w(x) da condição w

(x) +a(x)w(x) = 0, logo determinamos a função
u(x) resolvendo a equação (2.55), obtendo conseqüentemente a solução da equação
(2.52). Neste caso w(x) é uma solução particular qualquer da equação w

(x) +
a(x)w(x) = 0 (distinta da solução trivial w ≡ 0).
Exemplo 2.45.
Resolver a equação diferencial y

+ 2xy = 2xe
−x
2
.
Solução.
Apliquemos o método da variação da constante. Consideremos y

+ 2xy = 0 corre-
spondente à equação homogênea dada. Esta é uma equação de variáveis separáveis, sua
solução geral é da forma y = Ce
−x
2
.
Procuremos a solução geral da equação não homogênea da forma
y = C(x)e
−x
2
(2.56)
onde C(x) é uma função incógnita de x.
Considerando (2.56) em y

+ 2xy = 2xe
−x
2
, obtemos C

(x) = 2x, de onde C(x) =
x
2
+ C
1
.
Portanto, a solução geral da equação não homogênea é y = (x
2
+ C
1
)e
−x
2
.
Exemplo 2.46.
Resolver a equação
dy
dx
=
1
x cos y + sen2y
.
Solução.
A equação dada é linear considerando x como uma função de y:
dx
dy
−x cos y = sen2y (2.57)
Christian José Quintana Pinedo 115
Procureamos uma solução da forma x = u(y)v(y) de onde dx = vdu + udv. Substi-
tuindo x e dx na equação (2.57), obtemos v
du
dy
+u(
dv
dy
−v cos y) = sen2y.
De onde obtemos v(y) da condição
dv
dy
− v cos y = 0. Considerando qualquer solução
particular (não trivial) desta equação, por exemplo v(y) = e
seny
. Então e
−seny
du
dy
=
sen2y de onde
u =
_
e
seny
sen2ydy = −2e
−seny
(1 + seny) + C
Portanto a solução geral é x = x(y) = Ce
seny
−2seny −2.
Exemplo 2.47.
Resolver a equação xdx + (x + x
3
y
2
)dy = 0.
Solução.
Agrupando os términos do mesmo grau, e escrevendo a equação da forma
(ydx +xdy) + x
2
y
2
dy = 0 ⇒ d(xy) + x
3
y
2
dy = 0
Logo,
d(xy)
(xy)
3
+
dy
y
= 0, de onde integrando obtemos

1
2x
2
y
2
+ Lny = −LnC
isto implica que 2x
2
y
2
Ln(Cy) = 1.
Portanto, a solução implícita da equação xdx +(x +x
3
y
2
)dy = 0 é 2x
2
y
2
Ln(Cy) = 1.
Exemplo 2.48.
Sabendo que 0 < x < π, 0 < y < π, e usando fator integrante, achar a solução geral
implícita da equação diferencial:
_
2 cos x
seny
+e
x
_
dx −
senx cos y
sen
2
y
dy = 0, .
Solução.
Sejam M(x, y) =
_
2 cos x
seny
+ e
x
_
e N(x, y) = −
senx cos y
sen
2
y
, então
∂M
∂y
(x, y) = −
2 cos x cos y
sen
2
y
e
∂N
∂x
(x, y) = −
cos x cos y
sen
2
y
logo a equação não é exata.
Observe que
1
N
_
∂M
∂y

∂N
∂x
_
=
cos x
senx
, assim o fator integrante é µ(x) = e

cos x
senx
dx
=
senx.
116 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Multiplicando a equação original pelo fator integrante resulta
_
2 cos xsenx
seny
+ e
x
senx
_
dx −
sen
2
x cos y
sen
2
y
dy = 0
Seja F(x, y) = −
_ _
sen
2
x cos y
sen
2
y
_
dy =
sen
2
x
seny
+ g(x)
Como
∂F
∂x
(x, y) = −
_
2 cos xsenx
seny
+ e
x
senx
_
= −
_
2 cos xsenx
seny
_
+g

(x), então g

(x) =
e
x
senx de onde g(x) =
1
2
e
x
(senx −cos x).
Portanto a solução geral é
sen
2
x
seny
+
1
2
(senx −cos x)e
x
= C, C ∈ R.
2.6.2 Determinação de um fator integrante
Da condição necessária e suficiente para determinar se uma equação diferencial é exata,
decorre que um fator integrante é solução de certa equação diferencial parcial, sendo que
esta última equação em geral nem sempre é imediata sua solução. Conseqüentemente os
fatores integrante obtém-se, em geral, por inspeção.
O êxito do método depende da habilidade do estudante em reconhecer quais determi-
nados termos constitui uma diferencial exata du(x, y). Para tanto, a Tabela (2.1) poderá
constituir boa ajuda.
Observação 2.11.
Por vezes um reagrupamento dos termos da equação diferencial facilita a visualização
de um fator integrante.
1. Se
1
N
_
∂M
∂y

∂N
∂x
_
≡ g(x) é função somente de x, então I(x, y) = e

g(x)dx
.
2. Se
1
M
_
∂M
∂y

∂N
∂x
_
≡ h(y) é função somente de y, então I(x, y) = e

h(y)dy
.
3. Se M = yf(x, y) e N = xg(x, y), então I(x, y) =
1
xM −yN
.
Christian José Quintana Pinedo 117
Grupo de Termos Fator Integrante Diferencial exata du(x, y)
ydx −xdy −
1
x
2
xdy −ydx
x
2
= d(
y
x
)
ydx −xdy
1
y
2
ydx −xdy
y
2
= d(
x
y
)
ydx −xdy −
1
xy
xdy −ydx
xy
= d(Ln
_
y
x
_
)
ydx −xdy −
1
x
2
+ y
2
xdy −ydx
x
2
+ y
2
= d(arctan
_
y
x
_
)
ydx + xdy
1
xy
ydx + xdy
xy
= d(Ln(xy))
ydx + xdy
1
(xy)
n
, n > 1
ydx + xdy
(xy)
n
= d
_
−1
(n −1)(xy)
n−1
_
ydy + xdx
1
x
2
+ y
2
ydy + xdx
x
2
+ y
2
= d[
1
2
Ln(x
2
+ y
2
)]
ydy + xdx
1
(x
2
+y
2
)
n
, n > 1
ydy + xdx
(x
2
+ y
2
)
n
= d
_
−1
2(n −1)(x
2
+ y
2
)
n−1
_
aydx + bydy x
a−1
y
b−1
x
a−1
y
b−1
(aydx +bxdy) = d(x
a
y
b
)
Tabela 2.1:
Exercícios 2-2
1. Resolver e
x
dx −ydy = 0, y(0) = 1
2. Determine a solução geral para as seguintes equações de variáveis separáveis.
1. (1 + y
2
)dx + (1 + x
2
)dy = 0 2. (1 + y
2
)dx + xydy = 0
3. (y
2
+ xy
2
)y

+ x
2
−yx
2
= 0 4. (1 + y
2
)dx = xdy
5. x
_
1 + y
2
+ yy


1 + x
2
= 0 6. x
_
1 −y
2
dx + y

1 −x
2
dy = 0, y(0) = 1
7. e
−y
(1 + y

) = 1 8. yLnydx + xdy = 0, y(1) = 1
9. y

= a
x+y
, (a > 0, a ,= 1) 10. e
y
(1 + x
2
)dy −2x(1 + e
y
)dx = 0
11. (1 + e
x
)yy

= e
y
, y(0) = 0 12. (1 + y
2
)(e
2x
dx −
y
dy) −(1 + y)dy = 0
13.
dy
dx
= (x + y + 1)
2
14.
dy
dx
=
1 −x −y
x + y
15.
dy
dx
= tan
2
(x +y) 16.
dy
dx
= sen(x + y)
17.
dy
dx
= 2 +
_
y −2x + 3 18.
dy
dx
= 1 + e
y−x+5
118 Séries de Potências e Equações Diferenciais
3. Para cada exercício, encontre uma solução para cada equação diferencial dada que
passe pelos pontos indicados:
1.
dy
dx
−y
2
= −9 (a) (0, 0) (b) (0, 3) (c) (
1
3
, 1)
2. x
dy
dx
= y
2
−y (a) (0, 1) (b) (0, 0) (c) (
1
2
,
1
2
)
4. Verifique se as seguintes equações diferenciais são exatas, e resolva as que forem.
1. (2xy + x)dx + (x
2
+ y)dy = 0 2. (y + 2xy
3
)dx + (1 + 3x
2
y
2
+ x)dy = 0
3. ye
xy
dx + xe
xy
dy = 0 4. xe
xy
dx + ye
xy
dy = 0
5. 3x
2
y
2
dx + (2x
3
y + 4y
3
)dy = 0 6. ydx + xdy = 0
7. (x −y)dx + (x +y)dy = 0 8. (ysenx +xy cos x)dx + (xsenx + 1)dy = 0
9. x(2x
2
+ y
2
) + y(x
2
+ 2y
2
)y

= 0 10. (3x
2
+ 6xy
2
)dx + (6x
2
y + 4y
3
)dy = 0
5. Para cada uma das equações, determine o valor de k para que a equação seja exata.
1. (x
3
+ kxy
4
−2x)dx + (3xy
2
+ 20x
2
y
2
)dy = 0
2. (2xy
2
+ye
x
)dx + (2x
2
y + ke
x
−1)dy = 0
3. (2x −ysenxy +ky
4
)dx −(20xy
3
+ xsenxy)dy = 0
4. (6xy
3
+ cos y)dx + (kx
2
y
2
−xseny)dy = 0
6. Determine a solução geral para as seguintes equações homogêneas.
1. 4x −3y + y

(2y −3x) = 0 2. xy

= y +
_
y
2
−x
2
3. 2xy

(x
2
+ y
2
) = y(y
2
+ 2x
2
) 4. 4x
2
+ xy −3y
2
+y

(y
2
−5x
2
+ 2xy) = 0
5. y

=
2xy
3x
2
−y
2
6. 4x
2
−xy + y
2
+ y

(x
2
−xy + 4y
2
) = 0
7. xy

=
_
y
2
−x
2
8. (y
2
−3x
2
)dy = −xydx
9. y
3
dx + 2(x
3
−xy
2
)dy = 0 10. (y −xy

)
2
= x
2
+ y
2
11. 3x + y −2 + y

(x −1) = 0 12. 2x + 2y −1 + y

(3x −7y −3) = 0
7. Para os seguintes exercícios, determine a solução das equações que satisfazem as
condições dadas.
1. y

−2xy = cos x −2xsenx, onde y é função limitada quando x →∞.
2. 2

xy

−y = −sen

x −cos

x , onde y é limitada quando x →+∞.
3. y

−yLn2 = 2
senx
(cos x −1)Ln2, onde y é limitada quando x →+∞.
Christian José Quintana Pinedo 119
4. 2x
2
y

−xy = 2x cos x −3senx, onde y →0 quando x →+∞.
5. y

senx −y cos x = −
sen
2
x
x
2
, onde y →0 quando x →∞.
6. (1 +x
2
)Ln(1 +x
2
)y

−2xy = Ln(1 +x
2
) −2x arctan x, onde y →−
π
2
quando
x →−∞.
7. y

−e
x
y =
1
x
2
sen
1
x
−e
x
cos
1
x
, onde y →2 quando x →−∞.
8. y

−yLnx = −(1 + 2Lnx)x
−x
, onde y →0 quando x →+∞.
8. Para cada um dos seguintes exercícios, determine um fator integrante apropriado
para cada equação, e resolva-a.
1. (y + 1)dx −xdy = 0 2. ydx + (1 −x)dy = 0
3. (x
2
+ y + y
2
)dx −xdy = 0 4. (y + x
2
y
3
)dx + xdy = 0
5. (y + x
4
y
2
)dx + xdy = 0 6. (3x
2
y −x
2
)dx + dy = 0
7. dx −2xydy = 0 8. 2xydx + y
2
dy = 0
9. ydx.3ydy = 0 10.
_
2xy
2
+
x
y
2
_
dx + 4x
2
ydy = 0
11. xy
2
dx + (x
2
y
2
+ x
2
y)dy = 0 12. xy
2
dx + x
2
ydy = 0
9. Resolver as seguintes equações diferenciais (fator integrante).
1.
_
x
_
x
2
+ y
2
+
1
x
+
1
y
_
dx +
_
1
_
x
2
+y
2
+
1
y

x
y
2
_
dy = 0
2. (3x
2
tan y −
2y
3
x
3
)dx + (x
3
sec
2
y + 4y
3
+
3y
2
x
2
)dy = 0
3.
_
2x +
x
2
+ y
2
x
2
y
_
dx =
x
2
+ y
2
xy
2
dy
4.
_
sen2x
y
+x
_
dx + (y −
sen
2
x
y
2
)dt = 0
5. (3x
2
−2x −y)dx + (2y −x + 3y
2
)dy = 0
6.
_
xy

1 + x
2
+ 2xy −
y
x
_
dx + (

1 + x
2
+ x
2
−Lnx)dy = 0
10. Mostre que a solução geral da equação
(x
n
y
n+1
+ay)dx + (x
n+1
y
n
+ bx)dy = 0
é da forma
_
x
n
y
n
= nLn(Cx
−a
y
−b
), se n ,= 0
xy = C
1
x
−a
y
−b
, se n = 0
120 Séries de Potências e Equações Diferenciais
11. Mostre que a solução geral da equação
(x
n+1
y
n
+ ay)dx + (x
n
y
n+1
+ ax)dy = 0
é da forma
_
(n −1)(xy)
n−1
(x
2
+ y
2
−C) = 2a, se n ,= 1
x
2
+ y
2
−C = −2aLn(xy), se n = 1
12. Sabe-se que a lei de variação de temperatura de Newton afirma que: “A taxa de
variação de temperatura T(t) de um corpo é proporcional diferença de temperatura
T(t) entre o corpo e o meio ambienteT
m
(t)”. Isto é
dT
dt
= −K(T − T
m
), onde a
constante de proporcionalidade K > 0.
1. Coloca-se uma barra de metal, à temperatura de 100
o
F em um quarto com
temperatura constante 0
o
F. se após 20 minutos a temperatura da barra chega
à temperatura de 50
o
F, determine: (a) O tempo necessária para a barra chegar
à temperatura de 25
o
F (b) A temperatura da barra após 10 minutos. Rpta.
a) 39, 6min b) 70, 5
o
F
2. Um corpo com temperatura desconhecida é colocado em uma geladeira mantido
à temperatura constante de 0
o
F. se após 20 minutos a temperatura do corpo
é 40
o
F e após 40 minutos é 20
o
F, determine a temperatura inicial do corpo.
Rpta. 80F
3. Coloca-se um corpo temperatura de 0
o
F em um quarto mantido à temperatura
constante de 100
o
F. Se após 10 minutos a temperatura do corpo é 25
o
F,
determine: (a) O tempo necessária para a temperatura do corpo atingir 50
o
F
(b) A temperatura do corpo após 20 minutos. Rpta. T = −100e
−0,029t
a)
23, 9min b) 44
o
F
13. Seja N(t) a quantidade de uma substância. Sabe-se que a lei de crescimento ou
decrescimento de uma substância afirma que: "A taxa de variação da substância
N(t) é proporcional à quantidade de substância presente". Isto é
dN(t)
dt
= KN(t),
onde a constante de proporcionalidade K ∈ R.
1. Sabe-se que a população de Patópolis cresce a uma taxa proporcional ao número
da habitantes existentes, se após dois anos a população é o dobro da população
inicial, e após três anos é de 20.000 habitantes, determine a população inicial.
Rpta. 7062
2. Certa substância radioativa decresce a uma taxa proporcional à quantidade de
substância presente. Se, para uma quantidade inicial de substância de 100
Christian José Quintana Pinedo 121
miligramas, se obser4va um decrescimento de 5% após dois anos, determine:
(a) Uma expressão para a quantidade restante no tempo t. (b) O tempo
necessário para uma redução de 10% da quantidade inicial. Rpta. a)
N = 100e
−0,026t
b) 6, 6 anos
3. Sabe-se que a população de determinada cidade cresce a uma taxa proporcional
ao número de habitantes existente. se, após 10 anos, a população triplica, e
após 20 anos é de 150.000 habitantes., determine a população inicial. Rpta.
16.620
14. Um corpo de 1, 2 quilogramas cai à terra com velocidade inicial v
0
desde uma de-
terminada altura. Na medida em que o corpo cai, a resistência do ar atua sobre
o corpo. Suponha que esta resistência em quilogramas equivale numéricamente ao
dobro da velocidade em metros por segundo. 1.) Determine a velocidade e a dis-
tância da queda com respeito ao tempo. 2.) Qual deve ser o valor de v
0
ao término
de
1
8
Ln2 segundos a velocidade se duplique? Considere g = 4.8m/s
2
. Rpta.2.
v
0
= 0, 6 m/s
122 Séries de Potências e Equações Diferenciais
2.7 Equações diferenciais não lineares de primeira or-
dem
2.7.1 Equações de Bernoulli
Uma equação da forma
dy
dx
+ a(x)y = b(x)y
n
(2.58)
onde n ,= 0 ou n ,= 1 é chamada equação de Bernoulli. Para o caso n = 0 é uma equação
linear já estudada da seção anterior, se n = 1 é uma equação de variáveis separáveis.
Para o caso n ,= 1, em (2.58) podemos escrever
y
−n
dy + a(x)y
−n+1
dx = b(x)dx (2.59)
como o diferencial de y
−n+1
é (1 − n)y
−n
dy, a equação(2.59) pode se simplificar se
consideramos z = y
−n+1
.
Portanto, a equação (2.58) reduz-se a uma equação linear ao substituir z =
1
y
n−1
.
Porém é mais conveniente substituir (sem reduzir à linear) y = u(x)v(x).
Exemplo 2.49.
Resolver a equação de Bernoulli xy

+ y = y
2
Lnx.
Solução.
Consideremos y = u(x)v(x), então y

= u

v + uv

de onde substituindo na equação
original
x(u

v +uv

) + y = y
2
Lnx ⇒ xvu

+ u(xv

+ v) = u
2
v
2
Lnx
Determinamos a função v(x) como solução particular da equação xv

+v = 0, de onde
resulta v(x) =
1
x
.
Então u

(x) =
u
2
x
2
Lnx. Separando as variáveis e integrando obtém-se

1
u
=
_
Lnx
x
2
dx = −
Lnx
x

1
x
−C
logo, u =
x
1 + C + Lnx
.
Portanto, a solução geral da equação é y =
1
1 −Cx + Lnx
.
Observação 2.12.
Christian José Quintana Pinedo 123
A substituição z =
1
y
n−1
, tem como derivada
dz
dx
= (1−n)y
−n
dy
dx
conseqüentemente
a equação (2.53) transforma-se em uma linear da forma
dz
dx
+ (1 −n)za(x) = (1 −n)b(x)
Exemplo 2.50.
Resolver y

+
1
x
y = xy
2
.
Solução.
Tem-se que a(x) =
1
x
, b(x) = x e n = 2. Logo, a mudança de variável nos dá
dz
dx

1
x
z = −x.
O fator integrante para esta equação linear em (0, ∞) é
e

dx
x
= e
−Lnx
= e
Lnx
−1
= x
−1
assim
x
−1
z
dx
= −1.
Integrando esta última forma, obtemos x
−1
z = −x + C ou z = −x
2
+ Cx. como
z = y
−1
segue que a solução é y =
1
−x
2
+ Cx
.
Para n > 0 observe que a solução trivial é y = 0.
2.7.2 Equação de primeira ordem de grau n
Suponhamos temos que resolver uma equação da forma
(y

)
n
+ p
1
(x, y)(y

)
n−1
+ + p
n−1
(x, y)y

+p
n
(x, y) = 0 (2.60)
Sejam
y

= f
1
(x, y), y

= f
2
(x, y), , : y

= f
k
(x, y), (k ≤ n) (2.61)
as soluções reais da equação (2.60).
O conjunto das integrais
Φ
1
(x, y, C) = 0, Φ
2
(x, y, C) = 0, , Φ
k
(x, y, C) = 0 (2.62)
onde Φ
1
(x, y, C) = 0 é a integral da equação y

= f
i
(x, y), i = 1, 2, 3, , k e representa
a integral geral da equação (2.60).
Portanto, por cada ponto do domínio em que y

toma valores reais, passam k curvas
integrais.
124 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Exemplo 2.51.
Resolver y(y

)
2
+ (x −y)y

−x = 0.
Solução.
Isolando y

temos
y

=
y −x ±
_
(x −y)
2
+ 4xy
2y
de onde y

= 1 ou y

= −
x
y
.
Assim, y = x +C e x
2
+ y
2
= c
2
são soluções.
2.7.3 Equações da forma F(y, y
/
) = 0 e F(x, y
/
) = 0
Para o caso de conseguir isolar y

, resultam equações diferenciais de variáveis sepa-
ráveis, conseqüentemente, é melhor estudar os demais casos.
Caso 1. Na equação F(y, y

) = 0 se conseguimos isolar y

de modo que se obtenha
y = ϕ(y

).
Neste caso fazemos a mudança y

= t, então y = ϕ(t). Diferenciando esta equação
e substituindo dy por tdx obtém-se
tdx = ϕ

(t)dt
de onde
dx =
ϕ

(t)
ρ
dt e x =
_
ϕ

(t)
t
dt + C
e obtém-se a solução geral da equação na forma paramétrica
x =
_
ϕ

(t)
t
dt + C, t ∈ R
y = ϕ(t)
_
_
_
t é o parâmetro (2.63)
Exemplo 2.52.
Resolver y = a(y

)
2
+ b(y

)
3
onde a e b são constantes.
Solução.
Consideremos y

=
dy
dx
= t, logo y = at
2
+bt
3
.
Diferenciando em relação a t temos dy = 2atdt + 3bt
2
dt, o bem
tdx = 2atdt + 3at
2
dt ⇒ dx = 2adt + 3btdt
logo x = 2at +
3
2
bt
2
+ C.
Christian José Quintana Pinedo 125
A solução geral é
x = 2at +
3
2
bt
2
+ C, t ∈ R
y = at
2
+ bt
3
_
_
_
(2.64)
Caso 2. Se na equação F(y, y

) = 0 não podemos isolar y nem y

(ou temos dificuldade
para isolar), porém esta últimos podemos expressar na forma paramétrica mediante
algum parâmetro t:
y = ϕ(t), b = ψ(t), ρ =
dy
dx
Então, dy = ρdx = ψ(t)dx.
Por outro lado, dy = ϕ

(t)dt, de modo que ψ(t)dx = ϕ

(t)dt e dx =
ϕ

(t)
ψ(t)
dt.
De onde x =
_
ϕ

(t)
ψ(t)
dt.
Conseqüentemente, obteremos a solução geral da equação dada na forma paramétrica
x =
_
ϕ

(t)
ψ(t)
dt, t ∈ R
y = ϕ(t)
_
_
_
t é o parâmetro (2.65)
Exemplo 2.53.
Resolver
3
_
y
2
+
3
_
(y

)
2
= 1.
Solução.
Consideremos y = cos
3
t e y

= ρ = sen
3
t., então
dx =
dy
ρ
=
−3 cos
2
t sentdt
sen
3
t
= −3
cos
2
t
sen
2
t
dt
De onde x =
_
_
3 −
3
sen
2
t
¸
dt = 3t + 3 cot t + C.
A solução geral é
x = 3t + 3 cot t + C, t ∈ R
y = cos
3
t
_
Caso 3. A equação é da forma F(x, y

) = 0 e suponhamos que nesta equação podemos
isolar x na forma x = ϕ(y

). Supondo y

≡ ρ, obtém-se dx = ϕ

(t)dt.
Porém, tdx = dy conseqüentemente, dy = tϕ

(t)dt de modo que
dy = tϕ

(t)dt, e, y =
_

(t)dt + C
126 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Portanto, temos a solução geral da equação na forma paramétrica (t é um parâmetro):
x = ϕ(t)
y =
_
ϕ

(t)dt + C, t ∈ R
_
_
_
t é o parâmetro (2.66)
Observação 2.13.
Nas equações (2.66) e (2.63) não podemos considerar t como a derivada, deve-se con-
siderar como um parâmetro.
Exemplo 2.54.
Resolver a
dy
dx
+ b
_
dy
dx
_
2
= x.
Solução.
Tem-se
dy
dx
= t, x = at + bt
2
, dx = adt + 2btdt, logo dy = tdx = atdt + 2bt
2
dt,
assim y =
a
2
t
2
+
2
3
bt
3
+ C.
Portanto, a solução geral é
x = at + bt
2
y =
a
2
t
2
+
2
3
bt
3
+ C, t ∈ R
_
_
_
2.7.4 Equação de Lagrange
A equação da Lagrange tem a forma
y = xϕ(y

) + ψ(y

)
Considerando y

= t, diferenciando e substituindo dy por tdx, reduzimos esta equação
a outra linear que é considerada em x como uma função de t.
Resolvendo esta última x = g(t, C), obtém-se a solução geral da equação original na
forma paramétrica.
x = g(t, C)
y = g(t, C)ϕ(t) + ψ(t), t ∈ R
_
t é o parámetro
Exemplo 2.55.
Resolver y = 2xy

+ Lny

.
Solução.
Suponhamos y

= t, então y = 2xt + Lnt. Diferenciando encontramos
tdx = 2tdx + 2xdt +
dt
t
Christian José Quintana Pinedo 127
de onde t
dx
dt
= −2x −
1
t
,isto é
dx
dt
= −
2
t
x −
1
t
2
.
Observe que obtivemos uma equação linear de primeira ordem respeito de x. Resolvendo-
la achamos que x =
C
t
2

1
t
.
Substituindo o valor encontrado de x na expressão de y resulta
x =
C
t
2

1
t
y = Lnt +
2C
t
−2, t ∈ R
_
¸
_
¸
_
t é o parámetro
que é a solução geral da equação y = 2xy

+ Lny

.
2.7.5 Equação de Clairaut
A equação de Clairaut é da forma
y = xy

+ ψ(y

)
O método da solução desta equação é o mesmo que para a equação de Lagrange. A
solução geral da equação tem a forma
y = Cx + ψ(C)
A equação de Clairaut pode também ter uma solução singular, que se obtém elimi-
nando t entre as equações
y = xt +ψ(t), x = ψ

(t) = 0
Exemplo 2.56.
Resolver y = xy

+
a
2y

(a constante).
Solução.
Supondo y

= t, obtém-se y = xt +
a
2t
.
Diferenciando esta última equação e substituindo dy por tdx, achamos tdx = tdx +
xdt −
a
2t
2
dt, de onde dt(x −
a
2t
2
) = 0
Examinemos os dois fatores do primeiro membro da última igualdade.
Igualando a zero o primeiro fator obtemos dt = 0 de onde t = C, e a solução da
equação inicial é y = Cx +
a
2C
. Este é um feixe de retas.
Igualando a zero o segundo (x −
a
2t
2
= 0) fator tem-se x =
a
2t
2
.
Eliminando t entre esta equação e a equação y = xt +
a
2t
, resulta y
2
= 2ax. Esta
também é uma solução da equação considerada (solução singular).
128 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Christian José Quintana Pinedo 129
Exercícios 2-3
1. Resolver as seguintes equações diferenciais. Indique quais são equações de Bernoulli.
1. y

+ 2y = x
2
+ 2x 2. (x
2
+ 2x −1)y

−(x + 1)y = x −1
3. xLnx y

−y = x
3
(3Lnx −1) 4. (a
2
−x
2
)y

+ xy = a
2
5. (x + 1)dy −[2y + (x + 1)
4
]dx = 0 6. 2xy

−y = 3x
2
7. xy

= y + x
2
senx 8. y

−2xy = 2xe
x
2
9. 3xy

−2y = x
3
y
2
10. 8xy

−y = −
1
y
3

x + 1
11. (xy + x
2
y
3
)y

= 1 12. y

−y = 2xe
x+x
2
13. y

=
1
xseny + 2sen2y
14. y

=
2xy
x
2
−y
2
−a
2
15. y

=
y
2yLny + y −x
16. y

=
3x
2
x
3
+ y + 1
17. y

+y cos x = senx cos x 18. y

−y tan x = sec x
19. 2xy

−y = 3x
2
20.
_
ϕ(αx)dα = nϕ(x)
2. Integrar as seguintes equações diferenciais.
1. (y

)
2
−(2x + y)y

+ (x
2
+ xy) = 0 2. x(y

)
2
+ 2xy

−y = 0
3. 4(y

)
2
−9x = 0 4. (y

)
2
−2yy

= y
2
(e
x
−1)
5. x
2
(y

)
2
+ 3xyy

+ 2y
2
= 0 6. x(y

)
2
−2yy

+ x = 0
7. (y

)
2
−2xy

−8x
2
= 0 8. (y

)
3
+ (x + 2)e
y
= 0
9. (y

)
3
−y(y

)
2
−x
2
y

+ x
2
y = 0 10.
3. Resolver as seguintes equações diferenciais.
1. y = (y

)
2
e
y

2. y

=
y

e
y

3. x = Lny

+ seny

4. x = (y

)
2
−2y

+ 2
5. y = y

Lny

6. y = arcseny

+ Ln[1 + (y

)
2
]
7. y = (y

−1)e
y

8. (y

)
2
x =
y


e
9. x(1 + (y

)
2
) = 1 10. x
_
[1 + (y

)
2
]
3
= a
11.
5
_
y
2
+
5
_
(y

)
2
=
5

a
2
12. y
4
−(y

)
4
−y(y

)
2
= 0
13. x = y

(1 + y

cos y

) 14. y = y

(1 + y

cos y

)
130 Séries de Potências e Equações Diferenciais
4. Resolver as seguintes equações diferenciais.
1. 2y = xy

+ y

Lny

2. y = 2xy

+ Lny

3. y = x(1 + y

) + (y

)
2
4. y = 2xy

+ seny

5. y = x(y

)
2

1
y

6. y =
3
2
xy

+ e
y

7. y = xy

+ (y

)
2
8. x(y

)
2
−yy

−y

+ 1 = 0
9. y = xy

+ a
_
1 + (y

)
2
10. y = xy

+
a
(y

)
2
11. y = xy

+
ay

_
1 + (y

)
2
12. yx =
y
y

+
1
(y

)
2
Capítulo 3
Equações diferenciais de ordem n > 1.
Jean Bernoulli
Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 − 1716) encontrou nos ir-
mãos Jacques Bernoulli (1654 −1705) e Jean Bernoulli (1667 −
1748) discípulos dedicados, tanto para o desenvolvimento do Cál-
culo como um bom substituto para seus estudos da geometria.
Jaques e Jean Bernoulli foram filhos de Nicolas Bernoulli.
Na história da humanidade, nenhuma família teve tantos
matemáticos quanto à família Bernoulli, doze ao todo, deram
uma contribuição inestimável ao desenvolvimento das ciências.
Movido pelo desejo do pai Nicolas B. de que os filhos se tor-
nassem religiosos ou médicos, Jean Bernoulli chegou a escrever
uma tese de doutorado em Medicina com apenas 23 anos. Mas,
a partir de 1691, passou a se interessar pela teoria do Cálculo e,
em 1692 chegou a escrever dois livros sobre Cálculo.
Estando em Paris no final de 1692, Jean acabou lecionando aulas particulares para G. François
L’Hospital, este pagaria um salário mensal a Jean que passaria todas suas descobertas matemáti-
cas e as usasse como bem entendesse.
Deste acordo entre Jean e L’Hospital aconteceu que uma das mais importantes contribuições
de Jean Bernoulli para resolução de limites indeterminados, hoje conhecida como Regra de
L’Hospital. Este trabalho de Jean Bernoulli foi incluído por L’Hospital em seu livro “Analysis
des Infiment Petits” publicado em 1699, é considerado como o primeiro livro de Cálculo editado
no mundo. No prefácio, L’Hospital agradeceu de maneira especial a Jean Bernoulli e a Leibnitz.
Após a morte de L’Hospital, em 1704, Bernoulli o acusou de ter plagiado diversos trabalhos
seus, mas os estudiosos da época consideraram suas acusações infundadas. Somente anos depois,
quando o acordo entre os dois tornou-se público, é que os matemáticos compreenderam que todas
as grandes idéias de L’Hospital foram dadas por Bernoulli. Em 1711, Jean Bernoulli era con-
hecido no mundo todo pelos seus importantes trabalhos em Matemática, Física e da Engenharia.
Em 1712 começou a demonstrar sinais de desequilíbrio mental, expulsou de casa seu filho
Daniel B. (1700 − 1782) por este ter ganho um prêmio da Academia de Ciências de Paris ao
qual Jean também concorria. Acusava as pessoas à sua volta, que conheciam Matemática, de
serem ladras de suas idéias. Os sintomas de paranóia foram piorando com o passar dos anos.
Em 1747 foi abandonado pela família e morreu completamente louco em 3 de janeiro de 1748,
com 81 anos.
131
132 Séries de Potências e Equações Diferenciais
3.1 Teoria preliminar
Estudaremos solução para equações diferenciais de ordem igual ou superior a dois, em-
bora possamos resolver algumas equações não lineares de primeira ordem com as técnicas
do capítulo anterior.
Equações diferenciais não lineares de ordem maior ou igual a dois geralmente resistem
a técnicas ou métodos pelos quais sua solução possa ser exibida em termos de “funções
elementares” ou outros tipos. Consequência disto é que nossa preocupação neste capítulo
será apresentar algumas técnicas para solução de dos tipos de equações diferenciais de
ordem n > 1, n ∈ N: i) As do tipo especial; ii) As equações lineares .
3.2 Equações diferenciais especiais
1
o
caso: As equações diferenciais da forma
d
n
y
dx
n
= f(x) (3.1)
onde f é função somente de x
A solução de (4.50) se obtém por integrações sucessivas, isto é
y =
_ _

_
. ¸¸ .
f(x)dx + C
1
]dx + C
2
]dx + C
n−1
]dx +C
n
n-vezes
2
o
caso: As equações diferenciais da forma
d
n
y
dx
n
= g(y) (3.2)
Para obter a solução da equação (4.51) procedemos assim:
Para o caso n = 2, como
d
2
y
dx
2
=
d
dx
_
dy
dx
_
=
d
dx
y

=
dy

dy

dy
dx
=
dy

dy
y


d
2
y
dx
2
= g(y) ⇒ y

dy

dy
= g(y)
de onde y

dy

= g(y)dy, assim integrando
_
y

dy

=
_
g(y)dy ⇒
1
2
(y

)
2
=
_
g(y)dy + C
1
⇒ y

=
¸
2[
_
g(y)dy] + C
1
Christian José Quintana Pinedo 133
separando as variáveis
dy =
¸
2[
_
g(y)dy] + C
1
dx ⇒
_
dy
_
2[
_
g(y)dy] + C
1
dy =
_
dx + C
2
De modo similar tem-se
d
3
y
dx
3
= y

_
y

d
2
y

d
2
y
+
_
dy

dy
_
2
_
3
o
caso: As equações diferenciais da forma
F(x, y
(k)
, y
(k+1)
, , y
(n)
) = 0 (3.3)
onde a equação (3.3) não contém y, podemos reduzir a ordem da equação mediante a
substituição z = y
(k)
para obter
F(x, z, z

, z

, , z
(n−k)
) = 0
Exemplo 3.1.
Resolver as seguintes equações diferenciais:
1.
d
3
y
dx
3
= xe
x
2.
d
2
y
dx
2
= 8y
3. xy

= y

(Lny

−Lnx)
Solução.
1.
d
3
y
dx
3
= xe
x

d
2
y
dx
2
=
_
xe
x
dx + C
1
= xe
x
−e
x
+ C
1
, logo
dy
dx
=
_
[= xe
x
−e
x
+C
1
]dx +C
2
= xe
x
−2e
x
+ C
1
x + C
2
y =
_
[xe
x
−2e
x
+ C
1
x + C
2
]dx + C
3
= xe
x
−3e
x
+ C
1
x
2
2
+ C
2
x + C
3
2. Como
d
2
y
dx
2
= y

dy

dy
⇒ y

dy

dy
−8y = 0, então
y

dy

−8ydy = 0 ⇒
1
2
(y

)
2
−8
1
2
y
2
= C
1
⇒ y

=
_
2C
1
+ 8y
2
134 Séries de Potências e Equações Diferenciais
dy
_
2C
1
+ 8y
2
= dx ⇒

2
4
arctan
2y

C
1
= x + C
2

y =

C
1
2
tan(2

2(x + C
2
))
3. xy

= y

(Lny

−Lnx) considerando y

= z segue xz

= z(Lnz −Lnx é uma equação
homogênea. Seja z = ux de onde dz = xdu + udx então
udx + xdu = uLnudx ⇒
du
u(Lnu −1)

dx
x
= 0 ⇒ Ln(Lnu −1) = LnC
1
x
Lnu −1 = C
1
x ⇒ u = e
1+C
1
x

z
x
= e
1+C
1
x
⇒ y

= xe
1+C
1
x
C
2
xe
C
1
x
y = C
2
[e
C
1
x
(
x
C
1

1
C
2
1
)] + C
3
= C
4
e
C
1
x
(C
1
x −1) + C
3
Observação 3.1.
Quando uma equação diferencial for homogênea para a função y = y(x) e suas derivadas,
a substituição y

= yz(x) ou y = e

z(x)dx
reduz a ordem da equação diferencial em uma
unidade.
Exemplo 3.2.
Resolver a equação xy

(yy

−(y

)
2
) −y(y

)
2
= x
4
y
3
.
Solução.
Seja y = e

z(x)dx
então
y

= z(x)e

z(x)dx
e y

= e

z(x)dx
[z

(x) + (z(x))
2
]
na equação original
xze

z(x)dx
_
e

z(x)dx
e

z(x)dx
[z

+ (z)
2
] −(ze

z(x)dx
)
2
_
−y(ze

z(x)dx
)
2
= x
4
e
3

z(x)dx
e
3

z(x)dx
¦
_
xzz

+ x(z)
3
] −x(z)
3
¸
−y(z)
2
¦ = x
4
e
3

z(x)dx
z


1
x
z = x
3
z
−1
Esta equação diferencial é do Bernoulli com n = −1, então
z
2
= e
−2

−x
−1
dx
_
2
_
e
2

−x
−1
dx
x
2
dx +C
1
_
z
2
= x
2
(x
2
+ C
1
) ⇒ z = x
_
x
2
+ C
1
Portanto, y = e

x

x
2
+C
1
dx
= e
1
3
(

x
2
+C
1
)
3
.
Christian José Quintana Pinedo 135
3.3 Equações diferenciais lineares
Sejam a
n
(x), a
n−1
(x), a
2
(x), a
1
(x), a
0
(x), b(x) funções dadas contínuas indepen-
dentes de y e definidas num intervalo I ⊆ R, a equação diferencial linear geral de ordem
n escreve-se na forma
a
n
(x)y
(n)
+ a
n−1
(x)y
(n−1)
+ + a
2
(x)y

+a
1
(x)y

+a
0
(x)y = b(x) (3.4)
A equação (3.4) podemos escrever implicitamente como
F(x, y, y

, y

, , y
(n)
) = 0
nesta última equação estão relacionadas a variável independente, variável dependente e
as derivadas da variável dependente.
Na equação (3.4) para o caso b(x) = 0, dizemos que (3.4) é uma “equação linear
homogênea”; para o caso b(x) ,= 0 a equação (3.4) é chamada “equação linear não ho-
mogênea”. Não confundir com função homogênea do capítulo anterior.
Propriedade 3.1.
Sejam C
1
e C
2
constantes arbitrárias, se y
1
y
2
soluções da equação diferencial
homogênea
a
n
(x)y
(n)
+a
n−1
(x)y
(n−1)
+ + a
2
(x)y

+ a
1
(x)y

+ a
0
(x)y = 0 (3.5)
então y = C
1
y
1
+ C
2
y
2
também é solução da equação (3.5).
Demonstração.
Pelo fato y
1
e y
2
serem soluções de (3.5) tem-se que
a
n
(x)y
(n)
1
+ a
n−1
(x)y
(n−1)
1
+ + a
2
(x)y

1
+ a
1
(x)y

1
+ a
0
(x)y
1
= 0 (3.6)
a
n
(x)y
(n)
2
+ a
n−1
(x)y
(n−1)
2
+ + a
2
(x)y

2
+ a
1
(x)y

2
+ a
0
(x)y
2
= 0 (3.7)
Multiplicando cada membro de (3.6) por C
1
, e cada membro de (3.7) por C
2
, e somando
estes resultados. Obtemos
a
n
(x)[C
1
y
(n)
1
+ C
2
y
(n)
2
] + a
n−1
(x)[C
1
y
(n−1)
1
+ C
2
y
(n−1)
2
] +
+ a
1
(x)[C
1
y

1
+C
2
y

2
] + a
0
(x)[C
1
y
1
+ C
2
y
2
] = 0
_
(3.8)
Para todo n ∈ N, a igualdade [C
1
y
(n)
1
+C
2
y
(n)
2
] = [C
1
y
1
+C
2
y
2
]
(n)
é válida para funções
deriváveis então, de (3.8) resulta que y = C
1
y
1
+ C
2
y
2
é solução da equação (3.5).
Desta propriedade, podemos afirmar que o caso C
2
= 0 implica que se y
1
é solução
136 Séries de Potências e Equações Diferenciais
da equação (3.5), então C
1
y
1
também é solução de (3.5). A Propriedade (3.1) podemos
generalizar para o caso de m soluções e m constantes.
3.3.1 Problema de valor inicial
Dada uma equação diferencial de n-ésima ordem, o problema;
a
n
(x)y
(n)
+ a
n−1
(x)y
(n−1)
+ +a
2
(x)y

+ a
1
(x)y

+ a
0
(x)y = b(x)
y(x
0
) = y
0
, y

(x
0
) = y

0
, y

(x
0
) = y

0
, y
n−1
(x
0
) = y
n−1
0
_
_
_
(3.9)
onde y
0
, y

0
, y

0
, , y
(n−1)
0
, y
(n)
0
são constantes arbitrárias, é chamado de “problema de
valor inicial ” ou simplesmente denota-se PVI.
Os valores específicos
y(x
0
) = y
0
, y

(x
0
) = y

0
, y

(x
0
) = y

0
, , y
(n−1)
(x
0
) = y
(n−1)
0
são chamados de valores iniciais.
No caso de uma equação de segunda ordem, uma solução para o problema de valor
inicial
_
¸
_
¸
_
a
2
(x)
d
2
y
dx
2
+ a
1
(x)
dy
dx
+ a
0
(x)y = b(x)
y(x
0
) = y
0
, y

(x
0
) = y

0
é uma função que satisfaça a equação diferencial em um determinado intervalo I ⊆ R,
cujo gráfico passa pelo ponto (x
0
, y
0
) com x
0
∈ I e coeficiente angular (inclinação) igual
a y

0
.
3.4 Teorema de existência e unicidade.
Teorema 3.1. Existência e unicidade.
Sejam a
n
(x), a
n−1
(x), a
n−2
(x), a
2
(x), a
1
(x), a
0
(x), b(x) funções contínuas em um
intervalo I ⊆ R com a
n
(x) ,= 0 para todo x ∈ I. Se x = x
0
é algum ponto deste intervalo,
então existe uma única solução y = y(x) para o problema de valor inicial (3.9) neste
intervalo.
A demonstração do teorema é exercício para o leitor.
Exemplo 3.3.
Determine todas as soluções do problema de valor inicial:
y

+ e
x
y

+ (x + 1)y = 0; y(1) = 0, y

(1) = 0
Christian José Quintana Pinedo 137
Solução.
Aqui a
2
(x) = 1, a
1
(x) = e
x
, a
0
(x) = x + 1 e b(x) = 0 satisfazem as hipóteses do
Teorema (3.1). Assim, a solução do problema de valor inicial é única.
Por outro lado, uma simples inspeção indica que y = 0 é solução.
Portanto, y = 0 é a única solução.
3.4.1 Problema de valor de contorno
Um outro problema consiste em resolver uma equação diferencial de ordem dois ou
maior, na qual a variável dependente y ou suas derivadas são especificadas em pontos
diferentes. Para uma equação diferencial de ordem dois, um problema do tipo
_
¸
_
¸
_
a
2
(x)
d
2
y
dx
2
+ a
1
(x)
dy
dx
+ a
0
(x)y = b(x)
y(x
0
) = y
0
, y(x
1
) = y
1
x
0
,= x
1
é chamado “problema de valor de contorno” ou simplesmente PVC . Os valores y(x
0
) =
y
0
, y(x
1
) = y
1
são chamados de “condições de contorno” ou “condições de fronteira”.
Uma solução para o PVC é uma função que satisfaça a equação diferencial em algum
intervalo I ⊆ R contendo x
0
e x
1
cujo gráfico passa pelos pontos (x
0
, y
0
) e (x
1
, y
1
).
Este conceito do PVC pode ser generalizado para equações diferenciais de ordem n.
Exemplo 3.4.
Verificar que no intervalo (0, +∞) a função, y = 3x
2
− 6x + 3 satisfaz a equação
diferencial e as condições do problema de valor de contorno
x
2
y

−2xy

+ 2y = 6, y(1) = 0, y(2) = 3
Solução.
Tem-se que y = 3x
2
−6x + 3 ⇒ y

= 6x −6, logo y

= 6, ∀ x ∈ (0, ∞).
Assim, x
2
y

−2xy

+ 2y = x
2
[6] −2x[6x −6] + 2[3x
2
−6x + 3] = 6, ∀ x ∈ (0, ∞)
Por outro lado, y(1) = 3(1)
2
−6(1) + 3 = 0 e y(2) = 3(2)
2
−6(2) + 3 = 3.
Portanto, a função y = 3x
2
− 6x + 3 satisfaz a equação diferencial e as condições de
contorno para o problema.
3.4.2 Dependência Linear. Independência linear
Consideremos um conjunto de funções f
1
(x), f
2
(x), , f
n
(x) definidas num intervalo
I = (a, b) ⊆ R.
138 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Definição 3.1. Dependência Linear.
Dizemos que um conjunto de funções f
1
(x), f
2
(x), , f
n
(x) é linearmente depen-
dente em um intervalo I ⊆ R se existem constantes c
1
, c
2
, , c
n
não todas nulas, tais
que
c
1
f
1
(x) + c
2
f
2
(x) + + c
n
f
n
(x) = 0
para todo x ∈ I.
Definição 3.2. Independência Linear.
Dizemos que um conjunto de funções f
1
(x), f
2
(x), , f
n
(x) é linearmente indepen-
dente em um intervalo I ⊆ R se ele não é linearmente dependente em I.
Se as funções de um conjunto são linearmente dependentes, então ao menos uma delas
é combinação linear das outras. Se elas são linearmente independentes, nenhuma delas é
combinação linear das outras.
Exemplo 3.5.
Mostre que os seguintes pares de funções são linearmente dependentes:
1. f(x) = x, g(x) = −2x 2. f(x) = e
x
, g(x) =
1
3
e
x
3.
f(x) = x
2
, g(x) = −

3x
2
Solução.
É imediato que sejam linearmente dependentes, já que uma das funções é múltiplo
escalar da outra.
1. f(x) = e
x
, g(x) =
1
3
e
x

21
3
f(x) + (−1)g(x) = 0, ∀ x ∈ R.
2. f(x) = x, g(x) = −2x ⇒ 2f(x) + g(x) = 0, ∀ x ∈ R.
3. f(x) = x
2
, g(x) = −

3x
2


3f(x) + g(x) = 0, ∀ x ∈ R.
Exemplo 3.6.
Verificar que o conjunto de funções ¦ x, x
2
¦ é linearmente independente em R.
Solução.
Sejam f(x) = x e g(x) = x
2
e suponhamos que sejam linearmente dependentes em
R, logo existem constante α e β não nulas tais que
αx + βx
2
= 0; ∀ x ∈ R
Derivando esta igualdade respeito de x segue
α + 2βx = 0 ⇒ α = −2βx; x ∈ R
Christian José Quintana Pinedo 139
Destas duas, ∀ x ∈ R igualdades obtemos o sistema
x α + x
2
β = 0
1 α + 2x β = 0
Como o sistema tem uma solução não nula α ,= 0 (ou β ,= 0), pela álgebra linear isto
só é possível se o determinante
¸
¸
¸
¸
¸
x x
2
1 2x
¸
¸
¸
¸
¸
= 2x
2
−x
2
= 0; x ∈ R
Isto último é um absurdo, pois supor que sejam linearmente dependentes nos levou a
concluir que x
2
= 0, x ∈ R.
Portanto o conjunto ¦ x, x
2
¦ é linearmente independente.
Exemplo 3.7.
O conjunto de funções ¦1, x, x
2
, x
3
¦ é linearmente independente no intervalo (−∞, +∞).
Com efeito, dada a igualdade α
0
1 +α
1
x+α
2
x
2

3
x
3
= 0 só é possível para todos
os valores de x ∈ (−∞, +∞) somente quando α
0
= α
1
= α
2
= α
3
= 0.
Derivando sucessivamente em relação a x a igualdade α
0
1 +α
1
x +α
2
x
2

3
x
3
= 0
α
1
+ 2α
2
x + 3α
3
x
2
= 0 (3.10)
α
2
+ 6α
3
x = 0 (3.11)

3
= 0 (3.12)
Observe que na equação (3.12) tem-se que α
3
= 0, logo em (3.11) segue que α
2
= 0.
Estes dois resultados em (3.10) implicam que α
1
= 0 de onde finalmente α
0
= 0.
Exemplo 3.8.
Mostre que o conjunto de funções senx, sen(x +
π
8
), sen(x −
π
8
) é linearmente
dependente no intervalo (−∞, +∞).
Solução.
A mostrar que existem tais números α
1
, α
2
, α
3
não todos iguais a zero, de modo que
no intervalo (−∞, +∞) tem lugar a igualdade
α
1
senx + α
2
sen(x +
π
8
) + α
3
sen(x −
π
8
) = 0 (3.13)
Supondo que a identidade (3.13) cumpre, podemos supor por exemplo, x = 0, x =
140 Séries de Potências e Equações Diferenciais
π
4
, x =
π
2
. Então, obteremos um sistema de três equações com três incógnitas α
1
, α
2
, α
3
.
α
2
sen
π
8
−α
3
sen
π
8
= 0
1

2
α
1

2
sen

8
+ α
3
sen
π
8
= 0
α
1

2
sen

8
+ α
3
sen

8
= 0
_
¸
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
¸
_
(3.14)
O determinante deste sistema
∆ =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
0 sen
π
8
−sen
π
8
1

2
sen

8
sen
π
8
1 sen

8
sen

8
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
é igual a zero.
Conseqüentemente, as soluções do sistema homogêneo (3.14) são não nulas, isto é,
existem tais números α
1
, α
2
, α
3
pelo menos um deles diferente de zero.
Para determinar estes ternos de números α
1
, α
2
, α
3
consideramos as duas primeiras
equações do sistema (3.14), isto é
α
2
sen
π
8
−α
3
sen
π
8
= 0
1

2
α
1
+ α
2
sen

8
+ α
3
sen
π
8
= 0
_
¸
_
¸
_
de onde, da primeira equação obtemos α
2
= α
3
; da segunda α
1
= −2α
3
cos
π
8
. Con-
siderando α
3
= 1 obtemos a solução não nula do sistema (3.14): α
1
= −2 cos
π
8
, α
2
=
1, α
3
= 1.
Demonstremos que para estes valores de α
1
, α
2
, α
3
, a identidade (3.13) se cumpre.
Com efeito, para qualquer x ∈ (−∞, +∞) tem-se que
α
1
senx + α
2
sen(x +
π
8
) + α
3
sen(x −
π
8
) =
= −2 cos
π
8
senx + 2senx cos
π
8
= 0
Portanto, o sistema dado de funções é linearmente dependente no intervalo (−∞, +∞).
Christian José Quintana Pinedo 141
3.4.3 O Wronskiano
Na matemática, Wronskiano é uma função aplicada especialmente no estudo de equações
diferenciais. O nome dessa função é uma homenagem ao matemático polonês Josef Wron-
ski
1
.
Seja ¦ y
1
(x), y
2
(x), y
3
(x), , y
n−1
(x), , y
n
(x), ¦ um conjunto de funções deriváveis
num intervalo I = (a, b) ⊆ R até a ordem (n − 1), da equação por derivações sucessivas
se obtém:
C
1
y
1
(x) + C
2
y
2
(x) + C
3
y
3
(x) + C
n
y
n−1
(x) + C
n
y
n
(x) = 0
C
1
y

1
(x) + C
2
y

2
(x) + C
3
y

3
(x) + C
n
y

n−1
(x) + C
n
y

n
(x) = 0
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
C
1
y
(n−2)
1
(x) + C
2
y
(n−2)
2
(x) + C
3
y
(n−2)
3
(x) + C
n
y
(n−2)
n−1
(x) + C
n
y
(n−2)
n
(x) = 0
C
1
y
(n−1)
1
(x) + C
2
y
(n−1)
2
(x) + C
3
y
(n−1)
3
(x) + C
n
y
(n−1)
n−1
(x) + C
n
y
(n−1)
n
(x) = 0
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
(3.15)
Considerando as igualdades (3.15) como um sistema de equações de C
1
, C
2
, , C
n
,
observamos que este sistema não tem solução, exceto quando todos os C
1
, C
2
, , C
n
sejam iguais a zero.
Para o caso do determinante dos coeficientes C
1
, C
2
, , C
n
não ser nulo então o
conjunto de funções ¦ y
1
(x), y
2
(x), y
3
(x), , y
n−1
(x), , y
n
(x), ¦ é linearmente indepen-
dente.
Definição 3.3. Wronskiano.
Seja ¦ y
1
(x), y
2
(x), y
3
(x), , y
n−1
(x), , y
n
(x), ¦ um conjunto de funções deriváveis
num intervalo I = (a, b) ⊆ R até a ordem (n −1), o determinante
W(y
1
, y
2
, y
3
, , y
n−1
, , y
n
) =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
y
1
(x) y
2
(x) y
n−1
(x) y
n
(x)
y

1
(x) y

2
(x) y

n−1
(x) y

n
(x)
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
y
(n−2)
1
(x) y
(n−2)
2
(x) y
(n−2)
n−1
(x) y
(n−2)
n
(x)
y
(n−1)
1
(x) y
(n−1)
2
(x) y
(n−1)
n−1
(x) y
(n−1)
n
(x)
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
é chamado “determinante de Wronsky” ou “Wronskiano” para o conjunto de funções
dadas.
O Wronskiano é utilizado para calcular se um conjunto de funções diferenciáveis são
linearmente dependentes ou independentes, em um intervalo dado. Caso o Wronskiano
1
Josef Maria Hoëné-Wronski, (1776−1853), foi um filósofo e matemático franco-polonês. Wronski era
poliglota. Além de falar francês e polonês, falava hebraico, árabe, grego, latim, mas não falava inglês.
142 Séries de Potências e Equações Diferenciais
seja diferente de zero em algum ponto do intervalo dado, as funções são linearmente
independentes.
Observe que em geral o Wronskiano é uma função de x definida num certo intervalo.
Para o caso de três funções o wronskiano tem a forma
W(y
1
, y
2
, y
3
) =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
y
1
(x) y
2
(x) y
3
(x)
y

1
(x) y

2
(x) y

3
(x)
y

1
(x) y

2
(x) y
3

(x)
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
Exemplo 3.9.
Determine o Wronskiano para o conjunto de funções ¦ e
k
1
x
, e
k
2
x
, e
k
3
x
¦.
Solução.
Tem-se que:
W(y
1
, y
2
, y
3
) =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
e
k
1
x
e
k
2
x
e
k
3
x
k
1
e
k
1
x
k
2
e
k
2
x
k
3
e
k
3
x
k
2
1
e
k
1
x
k
2
2
e
k
2
x
k
2
3
e
k
3
x
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= (k
2
−k
1
)(k
3
−k
1
)(k
3
−k
2
)e
(k
1
+k
2
+k
3
)x
.
Exemplo 3.10.
Determine o wronskiano para o conjunto de funções ¦senx, sen(x+
π
8
), sen(x−
π
8
) ¦.
Solução.
Tem-se que:
W(y
1
, y
2
, y
3
) =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
senx sen(x +
π
8
) sen(x −
π
8
)
cos x cos(x +
π
8
) cos(x −
π
8
)
−senx −sen(x +
π
8
) −sen(x −
π
8
)
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= 0
pois a última fila é proporcional à primeira.
Propriedade 3.2.
Se, um conjunto de funções ¦y
1
(x), y
2
(x), y
3
(x), , y
n−1
(x), , y
n
(x)¦ é linearmente
dependente num intervalo [a, b] ⊆ R, então seu wronskiano é identicamente nulo em [a, b].
A demonstração desta propriedade é exercício para o leitor.
A recíproca da Propriedade (3.2) diz que, se o wronskiano de um conjunto de funções
y
1
(x), y
2
(x), y
3
(x), , y
n
(x) definidas em [a, b] for não nulo, então o conjunto é linear-
mente independente.
Esta Propriedade (3.2) indica somente a condição necessária para a dependência linear
de um conjunto de funções. O recíproco nem sempre cumpre, isto é, o wronskiano pode ser
nulo mesmo que as funções consideradas num intervalo sejam linearmente independentes,
como mostra o seguinte exemplo.
Christian José Quintana Pinedo 143
Exemplo 3.11.
Sejam as funções y
1
(x) e y
2
(x), onde:
y
1
(x) =
_
¸
_
¸
_
0, se 0 ≤ x ≤
1
2
(x −
1
2
)
2
, se
1
2
< x ≤ 1
y
2
(x) =
_
¸
_
¸
_
(x −
1
2
)
2
, se 0 ≤ x ≤
1
2
0, se
1
2
< x ≤ 1
este sistema de funções é linearmente independente, pois para α
1
= α
2
= 0 cumpre a
igualdade α
1
y
1
(x) + α
2
y
2
(x) = 0.
Consideremos o wronskiano do sistema W[y
1
, y
2
].
No segmento [0,
1
2
] tem-se W[y
1
, y
2
] =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
0 (x −
1
2
)
2
0 2(x −
1
2
)
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= 0 e, no segmento [
1
2
, 1]
tem-se W[y
1
, y
2
] =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
(x −
1
2
)
2
0
2(x −
1
2
) 0
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= 0.
Portanto W[y
1
, y
2
] = 0 no segmento [0, 1].
Observe o seguinte critério de dependência linear para um conjunto de funções
Suponhamos que se considera o conjunto de funções
y
1
(x), y
2
(x), y
3
(x), , y
n
(x) definidas em [a, b]
e consideremos o produto interno < y
i
, y
j
>=
_
y
i
(x)y
j
(x)dx, i, j = 1, 2, 3, , n, o
determinante
Γ(y
1
, y
2
, y
3
, , y
n
) =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
< y
1
, y
1
> < y
1
, y
2
> < y
1
, y
n
>
< y
2
, y
1
> < y
2
, y
2
> < y
2
, y
n
>
.
.
.
.
.
.
.
.
.
< y
n
, y
1
> < y
n
, y
2
> < y
n
, y
n
>
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
denomina-se “determinante de Gram” do conjunto de funções ¦y
1
(x), y
2
(x), y
3
(x), , y
n
(x)¦.
Propriedade 3.3.
Para que o conjunto de funções y
1
(x), y
2
(x), y
3
(x), , y
n
(x) definidas em [a, b]
seja linearmente dependente é necessário e suficiente que seu determinante de Gram seja
zero.
Exemplo 3.12.
Verifique que as funções y
1
= x e y
2
= 2x são linearmente dependentes no segmento
[0, 1].
144 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Solução.
Temos que (y
1
, y
1
) =
1
_
0
x
2
dx =
1
3
, (y
2
, y
2
) =
1
_
0
4x
2
dx =
4
3
por último (y
1
, y
2
) =
(y
2
, y
1
) =
1
_
0
2x
2
dx =
2
3
, logo Γ(y
1
, y
2
) =
¸
¸
¸
¸
¸
1/3 2/3
2/3 4/3
¸
¸
¸
¸
¸
= 0, conseqüentemente, as
funções y
1
(x) e y
2
(x) são linearmente dependentes.
Propriedade 3.4.
Sejam a
n
,= 0, a
n−1
, a
n−2
, a
2
, a
1
, a
0
constantes e y
1
, y
2
, , y
n
soluções da equação
a
n
y
(n)
+a
n−1
y
(n−1)
+ + a
2
y

+ a
1
y

+a
0
y = 0
definidas num intervalo I ⊆ R. Então, uma condição necessária e suficiente para que as
y
1
, y
2
, , y
n
sejam linearmente independentes, é que seu wronskiano seja não nulo em
I.
A demonstração desta propriedade é exercício para o leitor.
Christian José Quintana Pinedo 145
Exercícios 3-1
1. Resolver as seguintes equações diferenciais.
1.
d
2
x
dt
2
= t
2
2.
d
2
y
dx
2
= xe
−x
, y(0) = 1, y

(0) = 0
3. y

= 2senx cos
2
x −sen
3
x 4. y = y

tan x −(y

)
2
sec
2
x
5. xyy

−x(y

)
2
−yy

= 0 6. x
2
yy

= (y −xy

)
2
7. xyy

+ x(y

)
2
= 2yy

8.
d
3
y
dx
3
= x + senx
9.
d
2
y
dx
2
=
a +bx
x
10. x
d
2
y
dx
2
= 1 + x
2
11. y
2
y

−3yy

y

+ 2(y

)
3
+
y
x
(yy

−(y

)
2
) =
y
3
x
2
12. y
(iv)
= cos
2
x, y(0) =
1
32
, y

(0) = y

(0) =
1
8
, y

(0) = 0
13. 4x
2
yy

= 9xy
2
+ 6x + 54y
6
+ 108y
4
+ 72y
2
+ 16
2. Obter o Wronskiano para as seguintes funções indicadas.
1. x, xe
x
2. senhx, cosh x 3. e
mx
, e
nx
; m, n ∈ Z, m ,= n
4. e
−x
, xe
−x
5. e
x
senx, e
x
cos x 6. 1, x, x
2
, , x
n
n > 1
7. e
x
, 2e
x
, e
−x
8. cos
2
x, 1 + cos 2x 9. log
a
x, log
a
x
2
, (x > 0)
10. 2, cos x, cos 2x 11. e
−3x
sen2x, e
−3x
cos 2x
3. Mediante o Wronskiano, determine se cada um dos seguintes conjuntos são linear-
mente independentes.
1. 1, e
x
, 2e
2x
2. Lnx, xLnx 3.

x,
3

x
4. 4, x 5. Ln
x −1
x + 1
, 1 6. 1, sen
2
x, 1 −cos x
7.

1 −x
2
, x 8. sen
x
2
, cos
2
x 9. x, a
log
a
x
, (x < 0)
10. e
x
. x
ax
, x
2
e
x
11. x
2
, x
4
, x
8
12. e
ax
senbx, e
ax
cos bx, b ,= 0
4. Verificar que o sistema de funções ¦e
αx
senβx, e
αx
cos βx¦ onde β ,= 0 é linearmente
independente em R. Determine os valores de C
1
e C
2
de modo que se cumpra a
identidade C
1
e
αx
senβx + C
2
e
αx
cos βx = 0
5. Suponha que y
1
= e
x
e y
2
= e
−x
sejam duas soluções de uma equação diferencial
linear homogênea. Explicar porque y
3
= cos hx e y
4
= senhx são também soluçõ-
146 Séries de Potências e Equações Diferenciais
es da equação.
6. Determine se as funções dadas são linearmente independentes em seu campo de
definição.
1. 1, 2, x, x
2
2. senx, cos x, cos(2x) 3. cos x, cos(x + 1), cos(x −2)
4. x, 2x, x
2
5. 1, senx, cos(2x) 6. 1, sen(2x), (senx −cos x)
2
7. e
x
, xe
x
, x
2
e
x
8. 5, arctan x, arccotx 9. 1, arcsenx, arccos x
10. 5, cos
2
x, sen
2
x 11. e
ax
2
2
, e
ax
2
2
x
_
0
e
at
2
2
dt 12. x, x
1
_
x
0
e
t
t
2
dt (x
0
> 0)
7. Determine o Wronskiano para os seguintes sistemas de funções.
1. 1, x 2. x,
1
x
3. 1, 2, x
2
4. e
−x
, xe
−x
5. e
x
, 2e
x
, e
−x
6. 2, cos x, cos(2x)
7. senx, sen(x +
π
4
) 8. arccos
x
π
, arcsen
x
π
9. π, arcsenx, arccos x
10. 4, sen
2
x, cos(2x) 11. x, Lnx 12. e
−3x
sen(2x), e
−3x
cos(2x)
13. e
x
senx, e
x
cos x 14.
1
x
, e
1
x
15. sen(
π
4
−x), cos(
π
4
−x)
8. Mediante o método do determinante de Gram, determine se as funções do exercício
anterior são linearmente dependentes.
9. Verificar que as os seguintes pares de funções são linearmente independentes e seu
Wronskiano é zero, construir o gráfico das funções num mesmo sistema de coorde-
nadas.
1. y
1
(x) =
_
0 se 0 < x < 2
(x −2)
2
se 2 < x < 4
; y
2
(x) =
_
(x −2)
2
se 0 < x < 2
0 se 2 < x < 4
2. y
1
(x) =
_
x
3
se −2 < x < 0
0 se 0 < x < 2
; y
2
(x) =
_
0 se −2 < x < 0
x
2
se 0 < x < 1
3. y
1
(x) = x
2
, y
2
(x) = x[x[, −1 < x < 1.
10. Numéricamente, o determinante de Gram coincide com o quadrado do volume do
paralelepípedo formado por três vetores. Verificar esta propriedade para três vetores
qualquer do espaço R
3
.
Christian José Quintana Pinedo 147
3.5 Equações diferenciais lineares de coeficientes con-
stantes
Dois métodos para resolver equações diferenciais lineares com coeficientes constantes
apresentaremos nestas notas. O método clássico é tratado nesta seção, o outro método que
trata do desenvolvimento da transformada de Laplace será tratada no capítulo seguinte.
Cada um dos métodos tem suas vantagens e desvantagens, ambas teorias são necessárias
e teóricamente suficientes para a solução de um grande número de EDOs lineares.
3.5.1 Equação homogênea de segunda ordem
Sejam a
0
, a
1
, a
2
∈ R constantes que não dependem de x, o conjunto das soluções da
equação homogênea de segunda ordem
a
2
y

+a
1
y

+ a
0
y = 0 (3.16)
é da forma y = C
1
y
1
(x) + C
2
y
2
(x) onde y
1
e y
2
são linearmente independentes.
Constitue, portanto, um espaço vetorial de dimensão dois. Na prática, é possível
considerar y
1
e y
2
como duas soluções particulares linearmente independentes, tais soluções
formam uma “base” do espaço das soluções.
Teorema 3.2.
Se y
1
e y
2
são soluções da equação diferencial (3.16) então a combinação linear
y
h
= C
1
y
1
(x) + C
2
y
2
(x) também é solução de (3.16) onde C
1
e C
2
são números reais ou
complexos quaisquer.
A demonstração deste teorema é exercício para o leitor.
Este teorema diz que se y
1
e y
2
são soluções da equação diferencial (3.16) então então
é possível elaborar uma infinidade de soluções de (3.16).
Uma pergunta natural é: Esta infinidade de soluções inclue todas as soluções de
(3.16)?
A resposta é sim, desde que y
1
e y
2
sejam linearmente independentes.
Definição 3.4.
Se y
1
e y
2
são duas soluções da equação diferencial (3.16), e são linearmente inde-
pendentes num intervalo I ⊆ R, então dizemos que y
1
e y
2
constituem um conjunto
fundamental de soluções de (3.16) em I.
Logo, nossa preocupação é saber quando suas soluções da equação diferencial (3.16)
são linearmente independentes em algum intervalo. O teorema a seguir proporciona uma
condição necessária e suficiente para a independência linear de soluções.
148 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Teorema 3.3.
Suponhamos que y
1
e y
2
são soluções da equação (3.16) em I ⊆ R, então y
1
e y
2
formam um conjunto fundamental de soluções em I se e somente se W(y
1
, y
2
) ,= 0, para
algum x
0
∈ I.
A demonstração deste teorema é exercício para o leitor.
Por último, o resultado principal desta seção diz:
Teorema 3.4.
Se a equação diferencial homogênea (3.16) tem duas soluções y
1
e y
2
linearmente
independentes em I ⊆ R, então para qualquer outra solução y = ϕ(x) de (3.16) em I
podemos encontrar constantes tais que
ϕ(x) = C
1
y
1
(x) + C
2
y
2
(x) (3.17)
Da igualdade (3.17), a solução geral da equação homogênea (3.16) define-se como
y = C
1
y
1
(x) + C
2
y
2
(x); ∀ x ∈ I
Uma outra pergunta natural é: Como determinar essas soluções y
1
e y
2
linear-
mente independentes para a equação (3.16)?
Para resolver (3.16), procuramos soluções particulares da forma y = e
λx
de onde
y

= λe
λx
logo y

= λ
2
e
λx
assim, substituindo em (3.16)
(a
2
λ
2
+ a
1
λ + a
0
)e
λx
= 0
Para não obter uma solução trivial de (3.16) tem-se y = e
λx
,= 0 logo,
a
2
λ
2
+ a
1
λ + a
0
= 0
esta última igualdade é chamada equação característica
2
associada à equação diferencial
(3.16)
Como a
2
, a
1
, a
0
são as mesmas constantes de equação (3.16), e as raízes da equação
característica de segundo grau, podem reais, ou complexas, distintas ou iguais então
de todos estes casos se deduzem duas soluções linearmente independentes para equação
(3.16).
A solução geral y
g
da equação tem um destes formatos:
1. y
g
= C
1
e
λ
1
x
+ C
2
e
λ
2
x
; para o caso que λ
1
e λ
2
sejam raízes reais distintas.
2
A equação característica também é conhecido como polinômio característico
Christian José Quintana Pinedo 149
2. y
g
= C
1
xe
λx
+ C
2
e
λx
; se λ é raiz real de multiplicidade dois.
3. y
g
= C
1
e
αx
sen(βx) + C
2
e
αx
cos(βx); se α ±iβ são são raízes complexas.
Exemplo 3.13.
Resolver a equação y

+ 4y

+ 5 = 0.
Solução.
A equação característica é λ
2
+ 4λ + 5 = 0 cujas raízes são r = −2 ±i.
Conseqüentemente a solução geral é y = C
1
e
−2x
senx + C
2
e
−2x
cos x.
Exemplo 3.14.
Determine a solução geral da equação y

−2y

−3y

= 0.
Solução.
Suponhamos y

= y

(x) = z(x), então a equação y

−2y

−3y

= 0 podemos escrever
na forma z

−2z

−3z = 0.
Sua equação característica r
2
− 2r − 3 = 0 tem como raízes λ = 3 e λ = −1, logo
z = C
1
e
−x
+ C
2
e
3x
é sua solução. Como y

= z então
y =
_
(C
1
e
−x
+C
2
e
3x
)dx = C
0
−C
1
e
−x
+
1
3
C
2
e
3x
Portanto, y = C
0
−C
1
e
−x
+
1
3
C
2
e
3x
é solução da equação diferencial y

−2y

−3y

= 0.
3.5.2 Equação homogênea de ordem maior que dois
Suponhamos temos a equação diferencial
a
n
y
(n)
+a
n−1
y
(n−1)
+ + a
2
y

+ a
1
y

+a
0
y = 0 (3.18)
onde os a
n
, a
n−1
, , a
2
, a
1
, a
0
são constantes reais e a
n
,= 0.
Esta equação (3.18) tem como equação característica
a
n
λ
n
+ a
n−1
λ
n−1
+ + a
2
λ
2
+ a
1
λ + a
0
= 0 (3.19)
Suponhamos que λ
n
, λ
n−1
, , λ
2
, λ
1
, λ
0
sejam as raízes da equação (3.19) entre as
quais pode haver múltiplas, logo podemos ter os seguintes casos:
a) Se, λ
n
, λ
n−1
, , λ
2
, λ
1
, λ
0
são reais e distintas.
Então neste caso, o sistema fundamental de soluções da equação (3.18) tem a forma
e
λ
1
x
, e
λ
2
x
, e
λ
3
x
, , e
λ
n−2
x
, e
λ
n−2
x
, e
λ
n
x
150 Séries de Potências e Equações Diferenciais
e a solução geral da equação homogênea (3.18) é da forma
y
g
= C
1
e
λ
1
x
+ C
2
e
λ
2
x
+C
3
e
λ
3
x
+ +C
n−1
e
λ
n−2
x
+C
n
e
λ
n
x
b) Se as raízes da equação característica são reais, porém algumas de elas são múltiplas.
Seja por exemplo λ
n
= λ
n−1
, , λ
k−1
= λ
k
= λ onde λ é a raiz de multiplicidade
n −k da equação (3.19), entanto que as outras k raízes são distintas.
Então neste caso, o sistema fundamental de soluções da equação (3.18) tem a forma
e
λ
1
x
, e
λ
2
x
, , e
λ
k−1
x
, e
λx
, xe
λx
, x
2
e
λx
, , x
n−k−2
e
λx
, x
n−k−1
e
λx
e a solução geral da equação homogênea (3.18) é da forma
y
g
= C
1
e
λ
1
x
+C
2
e
λ
2
x
+ +C
n−k−1
e
λx
+C
n−k−2
xe
λx
+C
n−k−3
x
2
e
λx
, , +C
n
x
n−k−1
e
λx
c) Se algumas das raízes da equação característica são de números complexos, supon-
hamos λ
1
= α+iβ, λ
2
= α−iβ, λ
3
= γ +iδ, λ
4
= γ −iδ, β ,= 0, δ ,= 0 e as demais
raízes são reais, por hipótese os coeficientes a
i
(i = 0, 1, 2, , n) da equação (3.19)
são reais, as raízes complexas da equação (3.18) são conjugadas dois a dois.
Então neste caso, o sistema fundamental de soluções da equação (3.18) tem a forma
e
λ
1
x
, e
λ
2
x
, e
λ
3
x
, , e
λ
n−2
x
, e
λ
n−2
x
, e
λ
n
x
e a solução geral da equação homogênea (3.18) é da forma
y
g
= C
1
e
λ
1
x
+ C
2
e
λ
2
x
+C
3
e
λ
3
x
+ +C
n−1
e
λ
n−2
x
+C
n
e
λ
n
x
Lembre, como C
1
é uma constante real então
C
1
e
λ
1
x
= C
1
e
(α+iβ)x
= e
αx
e
iβx
= C
1
e
αx
[cos(βx) + isen(βx)] =
= C
1
e
αx
cos(βx) + (iC
1
)e
αx
sen(βx) = C
1
e
αx
cos(βx) +D
1
e
αx
sen(βx), D
1
= iC
1
d) Se todas as raízes da equação característica são complexas, porém algumas de elas são
múltiplas.
Seja por exemplo λ
n
= λ
n−1
, , λ
k−1
= λ
k
= λ onde λ é a raiz complexa de
multiplicidade n−k da equação (3.19), entanto que as outras k raízes são distintas.
Christian José Quintana Pinedo 151
Então neste caso, o sistema fundamental de soluções da equação (3.18) tem a forma
e
λ
1
x
, e
λ
2
x
, , e
λ
k−1
x
, e
λx
, xe
λx
, x
2
e
λx
, , x
n−k−2
e
λx
, x
n−k−1
e
λx
e a solução geral da equação homogênea (3.18) é da forma
y
g
= C
1
e
λ
1
x
+ C
2
e
λ
2
x
+ + C
k
e
λx
+ C
k+1
xe
λx
+ C
k+2
x
2
e
λx
, , +C
n
x
n−k−1
e
λx
Lembre que por se tratar de raízes complexas, o tratamento deve ser dado como em
(c).
Exemplo 3.15.
Determine a solução geral da equação y

−2y

−3y

= 0
Solução.
Sua equação característica é λ
3
−2λ
2
−3λ = 0.
Suas raízes são λ = 0, λ = −1 e λ = 3.
Portanto, a equação geral tem forma y
g
= C
1
+ C
2
e
−x
+ C
3
e
3x
.
Exemplo 3.16.
Resolver y

−4y

+ 4y = 0.
Solução.
A equação característica correspondente é λ
2
− 6λ + 9 = 0 de onde λ = 3 é raiz de
multiplicidade dois. Logo o sistema fundamental de soluções é ¦e
3x
, xe
3x
¦.
Portanto, a solução geral da equação diferencial é y
g
= C
1
e
3x
+ C
2
xe
3x
.
Exemplo 3.17.
Resolver y

−6y

+ 2y

+ 36y = 0.
Solução.
A equação característica é λ
3
− 6λ
2
+ 2λ + 36 = 0 tem como raízes os números
λ = −2, λ = 4 −i

2 e 4 + i

2.
A solução é da forma y
g
= C
1
e
−2x
+ C
2
e
4x+i

2x
+ C
3
e
4x−i

2x
que pode ser escrito
usando as relações de Euler na forma.
y
g
= C
1
e
−2x
+C
2
e
4x
cos(

2x) + C
3
e
4x
sen(

2x)
Exemplo 3.18.
Resolver
d
6
y
dx
6
+ 6
d
4
y
dx
4
+ 9
d
2
y
dx
2
+ 4y = 0.
Solução.
152 Séries de Potências e Equações Diferenciais
A equação característica da equação diferencial é
λ
6
+ 6λ
4
+ 9λ
2
+ 4 = 0
de onde r
1
= i e r
2
= −i são raízes de multiplicidade dois, r
5
= 2i e r
6
= −2i.
Assim obtivemos o sistema fundamental de soluções:
¦ cos x, senx, x cos x, xsenx, cos 2x, sen2x ¦
Portanto, a solução geral da equação é:
y
g
= C
1
cos x + C
2
senx + C
3
x cos x + C
4
xsenx + C
5
cos 2x + C
6
sen2x
3.6 Equações lineares não homogêneas de coeficientes
constantes
3.6.1 Equação não homogênea de segunda ordem
Suponhamos temos a equação diferencial
a
2
y

+ a
1
y

+ a
0
y = b(x) (3.20)
onde os a
2
, a
1
, a
0
são constantes reais e b(x) é uma função dada.
A equação que se obtém em (3.20) quando b(x) = 0 chamada de “equação homogênea
(reduzida ou complementar) associada ao problema (3.20)” foi estudada na seção anterior.
Para obter a solução geral das equações diferenciais lineares não homogêneas (3.16),
primeiro determina-se uma solução geral y
h
da equação diferencial linear homogênea as-
sociada ao problema depois se procura uma solução particular y
p
qualquer da equação
diferencial linear não homogênea (3.16), e a solução geral y da equação (3.20) é a soma
y = y
h
+ y
p
Logo o problema se reduz a achar a solução particular das equações (3.20).
Propriedade 3.5.
1. Se a função b(x) for da forma b(x) = b
1
(x) + b
2
(x), então procura-se uma solução
particular y
p
para cada uma das funções b
1
(x) e b
2
(x), logo somam-se as soluções
achadas.
Christian José Quintana Pinedo 153
2. Para o caso ser b(x) da forma b(x) = e
αx
b
1
(x), a mudança de variável y = e
αx
z,
facilita os cálculos.
A demonstração desta propriedade é exercício para o leitor.
Quando a função b(x) tiver a forma
b(x) = e
αx
[P
m
(x) cos βx + Q
n
(x)senβx]
onde P
m
(x) e Q
n
(x) são polinômios de grau m e n respectivamente, então a solução
particular y
p
tem a forma
y
p
= x
s
e
αx
[
¯
P
k
(x) cos βx +
¯
Q
k
(x)senβx] (3.21)
onde k = max¦m, n¦ e s é a ordem da multiplicidade da raiz r = α ±iβ, sendo
¯
P
k
(x)
e
¯
Q
k
(x) polinômios em x de grau k de coeficientes a determinar.
Na solução das equações diferenciais não homogêneas de segunda ordem se apresentam
os seguintes casos:
Caso 1. Se b(x) é um polinômio e a
0
,= 0, então existe uma solução particular que é
um polinômio do mesmo grau de b(x), este polinômio se determina por identificação.
Para o caso a
0
= 0, logo λ = 0 é uma raiz da equação característica, podemos
escrever a equação (3.16) como a
2
y

+ a
1
y

= b(x) e resolver-la por integração
resultando
a
2
y

+a
1
y =
_
b(x)dx = g(x)
esta é uma equação de primeira ordem estudada na seção anterior.
Para o caso a
1
= a
0
= 0 então a equação a
2
y

= b(x) resolve-se por dupla integração
na primitiva b(x).
Caso 2. Se b(x) = e
mx
P
n
(x) onde P
n
(x) é um polinômio de grau n, podemos fazer a
substituição y = e
mx
z e remplazar na equação original para obter
a
2
z

+ (2ma
2
+ a
1
)z

+ (a
0
+ a
1
m +a
2
m
2
) = P
n
(x)
Para o caso que m não seja raiz da equação característica, da igualdade (3.21) a
solução particular é um polinômio
¯
P
n
(x) do mesmo grau que P
n
(x). Isto é z
p
=
¯
P
n
(x).
Se m é raiz simples, o grau do polinômio
¯
P
n+1
(x) é do grau maior em uma unidade
que o grau de P
n
(x). Isto é z
p
= x
¯
P
n
(x).
154 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Se m é raiz dupla, o grau do polinômio
¯
P
n+2
(x) é do grau maior em duas unidades
que o grau de P
n
(x). Isto é z
p
= x
2

¯
P
n
(x).
Caso 3. Se b(x) = P
m
(x)sen(αx) + Q
n
(x) cos(αx) onde P
m
(x) e Q
n
(x) são dois
polinômios de graus m e n respectivamente, então
1. Se λ = ±iβ não são raízes da equação característica, a solução particular da
equação diferencial é
y
p
=
¯
P
k
(x)sen(αx) +
¯
Q
k
(x) cos(αx)
onde k = max¦ m, n ¦.
2. Se λ = ±iβ são raízes da equação característica, a solução particular da
equação diferencial é
y
p
= x[
¯
P
k
(x)sen(αx) +
¯
Q
k
(x) cos(αx)] onde k = max¦ m, n ¦
Exemplo 3.19.
Determine a solução da equação y + y

= cos
2
x se satisfaz as condições y(
π
2
) =
y

(
π
2
) = 0.
Solução.
As raízes da equação homogênea são λ = ±i, logo a solução geral de y

+y = 0 é
y
h
= C
1
senx + C
2
cos x
Podemos escrever b(x) = cos
2
x =
1
2
+
1
2
cos(2x) = b
1
(x) + b
2
(x) onde b
1
(x) =
1
2
e
b
2
(x) = P
0
(x)sen2x + Q
0
(x) cos 2x, então a solução particular é da forma
y
p
= C
3
+
¯
P
0
(x)sen(2x) +
¯
Q
(
x) cos(2x)
onde
¯
P(x) = C
4
e
¯
Q(x) = C
5
constantes.
Da solução particular, sua primeira derivada é y

p
= 2C
4
cos(2x) −2C
5
sen(2x).
A derivada segunda é y

= −4C
4
sen(2x) −4C
5
cos(2x).
Substituindo na equação y

+ y =
1
2
+
1
2
cos(2x)
[−4C
4
sen(2x) −4C
5
cos(2x)] + [C
3
+ C
4
sen(2x) + C
5
cos(2x)] =
1
2
+
1
2
cos(2x)
C
3
+ (−3C
4
)sen(2x) + (−3C
5
) cos(2x) =
1
2
+
1
2
cos(2x)
segue que C
3
=
1
2
, C
4
= 0 e C
5
= −
1
6
.
Christian José Quintana Pinedo 155
Então a solução geral de y

+ y =
1
2
+
1
2
cos(2x) é
y = C
1
senx + C
2
cos x +
1
2

1
6
sen(2x)
Como temos condiciones iniciais, então quando x =
π
2
tem-se que y = C
1
+
1
2
= 0,
logo C
1
= −
1
2
e y

= −C
2
+
1
3
= 0, de onde C
2
=
1
3
.
Portanto, a solução de y + y

= cos
2
x com condições iniciais y(
π
2
) = y

(
π
2
) = 0 é
y(x) =
1
2

1
2
senx +
1
3
cos x −
1
6
sen(2x).
3.6.2 Equação não homogênea de ordem maior que dois
Seja y
p
qualquer solução particular (não necessáriamente contendo constantes arbi-
trárias) da equação diferencial
a
n
y
(n)
+a
n−1
y
(n−1)
+ +a
2
y

+ a
1
y

+ a
0
y = b(x) (3.22)
onde os a
n
, a
n−1
, , a
2
, a
1
, a
0
são constantes reais com a
n
,= 0, e seja y
h
a solução geral
da equação homogênea correspondente
a
n
y
(n)
+a
n−1
y
(n−1)
+ + a
2
y

+ a
1
y

+a
0
y = 0 (3.23)
então, y = y
p
+ y
h
é solução geral da equação não homogênea (3.22) (chamada também
solução completa).
A solução geral y
h
da homogênea (3.23) correspondente determina-se mediante as
regras expostas na seção anterior.
Se y
1
, y
2
, y
3
, , y
n
são soluções linearmente independentes da equação (3.22),
então
y
h
= C
1
y
1
+ C
2
y
2
+C
2
y
3
+ + C
n
y
n
(3.24)
na qual C
i
, i = 1, 2, , n são constantes arbitrárias, é a solução geral de (3.23).
Portanto, o problema da integração da equação (3.22) se reduz ao problema da busca
da solução particular y
p
da equação não homogênea.
No caso geral, a integração da equação (3.22) pode-se realizar pelo método de variação
das constantes arbitrárias. Não obstante, quando os segundos membros têm uma forma
especial a solução particular pode ser encontrada com maior facilidade pelo método de
seleção.
Para utilizar o método de seleção o segundo membro b(x) da equação (3.22) deve ter,
156 Séries de Potências e Equações Diferenciais
no caso geral a forma
b(x) = e
αx
[P
n
(x) cos(βx) + Q
m
(x)sen(βx)] (3.25)
onde P
n
(x) e Q
m
(x) são polinômios de grau n e m respectivamente. Neste caso se busca
uma solução particular y
p
da equação (3.22) da forma
y
p
= x
s
e
αx
[
¯
P
k
(x) cos(βx) +
¯
Q
k
(x)sen(βx)] (3.26)
onde k = max¦m, n¦,
¯
P
k
(x) e
¯
Q
k
(x) são polinômios em x de grau k, de coeficientes inde-
terminados, e s é a ordem de multiplicidade da raiz λ = α ±iβ da equação característica
(s = 0 para o caso de α ±iβ não ser raiz da equação característica).
Para o caso do segundo membro b(x) ser apresentado como uma soma
b(x) =
l

k=1
α
k
b
k
(x) (3.27)
onde b
k
(x) são da forma (3.26), em virtude do princípio de superposição procura-se uma
solução particular y
p
da equação (3.22) da forma
y
p
=
l

k=1
α
k
y
kp
Exemplo 3.20.
Determine a solução da equação diferencial y

−y

+ y

−y = x
2
+x.
Solução.
A equação característica associada à equação é λ
3
− λ
2
+ λ − 1 = 0, sendo as raízes
λ
1
= 1, λ
2
= −i, λ
3
= i pelo qual a solução geral da homogênea é da forma
y
h
= C
1
e
x
+C
2
cos x + C
3
senx
Como o número zero não é raiz da equação característica, a solução particular é da
forma y
p
= C
4
x
2
+ C
5
x + C
6
onde os C
4
, C
5
e C
6
são constantes a determinar.
Para calcular estas constantes, substituímos y
p
na equação original dada, obtendo
−C
4
x
2
+ (2C
4
−C
5
)x + (C
5
−2C
4
−C
6
) = x
2
+ x ⇒
C
4
= −1, 2C
4
−C
5
= 1, C
5
−2C
4
−C
6
= 0 ⇒
Resolvendo o sistema achamos que C
4
= −1, C
5
= −3 e C
6
= −1, então y
p
=
−x
2
−3x −1.
Christian José Quintana Pinedo 157
Portanto a solução geral da equação é y = C
1
e
x
+C
2
cos x +C
3
senx −x
2
−3x −1.
Exemplo 3.21.
Resolver o problema de valor inicial
y

−2y

−y

+ 2y = 2x
2
−6x + 4; y(0) = 5, y

(0) = −5, y

(0) = 1
Solução.
A equação característica associada à equação tem a forma λ
3
− 2λ
2
− λ + 2 = 0 de
onde (λ
2
−1)(λ −2) = 0 suas raízes são λ = ±1 e λ = 2.
Uma solução da homogênea é da forma y
h
= C
1
e
x
+ C
2
e
−x
+ C
3
e
2x
. A seleção
particular é da forma y
p
= C
4
+C
5
x +C
6
x
2
, logo y

p
= C
5
+ 2xC
6
, y

p
= 2C
6
e y

p
= 0.
Substituindo na equação original
y

−2y

−y

+2y = 2x
2
−6x+4 ⇔ 0−2(2C
6
)−(C
5
+2xC
6
)+2(C
4
+C
5
x+C
6
x
2
) = 2x
2
−6x+4
2C
6
x
2
= 2x
2
; (−2C
6
+2C
5
)x = −6x; −4C
6
−C
5
+2C
4
= 4 ⇒ C
6
= 1, C
5
= −2, C
4
= 3
A solução geral é y = y
h
+ y
p
= C
1
e
x
+C
2
e
−x
+C
3
e
2x
+ 3 −2x + x
2
.
Para determinar as constantes C
1
, C
2
e C
3
, das condições iniciais segue
y = C
1
e
x
+ C
2
e
−x
+ C
3
e
2x
+ 3 −2x +x
2
⇒ C
1
+C
2
+ C
3
+ 3 = 5
y

(x) = C
1
e
x
−C
2
e
−x
+ 2C
3
e
2x
−2 + 2x ⇒ C
1
−C
2
+ 2C
3
−2 = −5
y

(x) = C
1
e
x
+C
2
e
−x
+ 4C
3
e
2x
+ 2 ⇒ C
1
+C
2
+ 4C
3
+ 2 = 1
Resolvendo o sistema tem-se que a solução do PVI esta dada por y = e
x
+ 2e
−x

e
2x
+ 3 −2x + x
2
.
Exemplo 3.22.
Determine a solução da equação y

−y

+ y

−y = x
2
+ x.
Solução.
A equação característica λ
3
− λ
2
+ λ − 1 = 0 tem raízes distintas λ
1
= 1, λ
2
= i e
λ
3
= −i, pelo qual a solução geral da equação é da forma
y
g
= C
1
e
x
+ C
2
cos x +C
3
senx
Como o número 0 (zero) não é raiz da equação característica, deve-se procurar uma
solução particular y
p
da equação dada na forma
y
p
= A
1
x
2
+A
2
x + A
3
158 Séries de Potências e Equações Diferenciais
onde A
1
, A
2
, A
3
são constantes a determinar.
Para isto substituímos y
p
na equação dada, resultando
−2A
1
+ (2A
1
x + A
2
) −(A
1
x
2
+ A
2
x +A
3
) = x
2
+ x
−A
1
x
2
+ (2A
1
−A
2
)x + (A
2
−2A
1
−A
3
) = x
2
+x
Por igualdade de polinômios resulta A
1
= −1, A
2
= −3, A
3
= −1 conseqüentemente
a solução particular é y
p
= −x
2
−3x −1.
Portanto, a solução geral tem a forma y(x) = C
1
e
x
+C
2
cos x +C
3
senx −x
2
−3x −1.

O seguinte quadro mostra soluções particulares para distintas formas de segundos
membros da equação (3.16)
N
o
b(x) Raízes da equação característica Forma da solução
particular, aqui tem-
se k = max¦m, n¦
i
P
m
(x)
O número 0 não é raiz da equação
característica
¯
P
m
(x)
O número 0 é raiz da equação car-
acterística e tem multiplicidade s
x
s
¯
P
m
(x)
ii
P
m
(x)e
α
, α ∈ R
O número α não é raiz da equação
característica
e
αx
¯
P
m
(x)
O número α é raiz da equação car-
acterística e tem multiplicidade s
x
s
e
αx
¯
P
m
(x)
iii P
n
(x) cos(βx) +
Q
m
(x)sen(βx)
Os números ±iβ não são raízes da
equação característica
¯
P
k
(x) cos(βx) +
¯
Q
k
(x)sen(βx)
Os números ±iβ são raízes da
equação característica e têm mul-
tiplicidade s
x
s
[
¯
P
k
(x) cos(βx) +
¯
Q
k
(x)sen(βx)]
iv e
αx
[P
n
(x) cos(βx) +
Q
m
(x)sen(βx)]
Os números α±iβ não são raízes
da equação característica
e
αx
[
¯
P
k
(x) cos(βx) +
¯
Q
k
(x)sen(βx)]
Os números α ± iβ são raízes da
equação característica e têm nul-
tiplicidade s
x
s
e
αx
[
¯
P
k
(x) cos(βx) +
¯
Q
k
(x)sen(βx)]
Exemplo 3.23.
Um tubo em forma de U está cheio (Figura (3.1)) com um líquido homogêneo, que
é levemente comprimido em um dos lados do pistão. O pistão é removido e o nível do
Christian José Quintana Pinedo 159
líquido em cada ramo oscila. Determine a altura do nível do líquido em um dos ramos
em função do tempo.
Figura 3.1:
Consideremos o fluido ideal.
São características do fluido ideal, quando:
1. O escoamento é uniforme: A velocidade do fluido em
qualquer ponto não muda com o tempo, em magnitude, em
direção e em sentido.
2. O escoamento é incompressível: A densidade do flu-
ido é constante.
3. O escoamento é não-viscoso: Então um objeto se
movendo através do fluido não experimenta nenhuma força
resistiva devido à viscosidade.
4. O escoamento é irrotacional: Então um corpo imerso
no fluido não gira em torno do eixo que passa pelo seu centro de massa.
Quando o nível em um dos ramos do tubo em U desce de uma quantidade y, a diferença
de pressão do líquido entre os dois ramos é
´p = 2ρgy
onde ρ e a densidade do líquido e g e a aceleração da gravidade. Dessa forma, a força
restauradora pode ser escrita como
F = −A´p = 2ρAgy
onde A é a área da seção transversal do tubo. Temos então que
m
d
2
y
dt
2
= −2ρAgy ⇒
d
2
y
dt
2
+
2ρAg
m
y = 0
mas,
2ρAg
m
=
2ρAg
ρV
=
2ρAg
ρA
=
2g

dai
d
2
y
dt
2
+
2g

y = 0
onde e o comprimento total da coluna líquida e m = ρV e a massa total de líquido.
A equação característica é r
2
+
2g

= 0 de onde r = ±
_
2g

i, logo
y(t) = C
1
e
iωt
+ C
2
e
−iωt
onde ω =
_
2g

160 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Ainda podemos escrever
y(t) = Acos φcos ωt −Asenφsenωt = Acos(ωt + φ)
onde
C
1
+ C
2
+ Acos φ e C
1
−C
2
= −Asenφ
Portanto, y(t) = Acos(
_
2g

t + φ).
3.6.3 Método dos coeficientes a determinar
Como para as equações lineares de segunda ordem, com o método dos coeficientes
indeterminados obtém-se soluções particulares y
p
da equação de coeficientes constantes
(3.22). Este é um método para resolver equações lineares não homogêneas, e somente se
aplica a um tipo restrito de equações, não obstante a vantagem consiste em que, quando
este método é pertinente pelo geral é mais fácil de utilizar os outros métodos.
Para aplicar o método dos coeficientes a determinar, iniciamos supondo conhecida a
forma da solução particular y
p
a menos de constantes arbitrárias multiplicativas. Estas
constantes logo em seguida são calculadas, levando-las à solução suposta conhecida na
equação diferencial em estudo, e identificando-se os coeficientes.
Neste método, os detalhes dos cálculos seguem sendo os mesmos que para as equações
lineares de ordem dois estudadas na seção anterior. A pequena diferença surge do fato
que, entanto para as equações de ordem dois as raízes do polinômio característico ou são
simples ou duplas, a equação característica da equação homogênea de (3.23) pode ter
raízes múltiplas de ordens menores do que n.
Podemos admitir que a função procurada y
p
possa ser escrita como a soma dos termos
que compõem b(x) e todas as derivadas de b(x) (a menos constantes multiplicativas).
Caso 1. Se b(x) = P
n
(x) é da forma de um polinômio de grau n em x. Neste caso
procura-se uma solução particular y
p
da forma
y
p
= C
n
x
n
+ C
n−1
x
n−1
+ C
n−2
x
n−2
+ + C
1
x +C
0
(3.28)
onde os C
i
; i = 1, 2, , n são constantes a determinar.
Caso 2. Se b(x) = e
αx
P
n
(x) onde α é constante conhecida, e P
n
(x) é um polinômio de
grau n em x como no caso anterior. Neste caso se procura uma solução particular
y
p
da forma
y
p
= e
αx
[C
n
x
n
+ C
n−1
x
n−1
+ C
n−2
x
n−2
+ + C
1
x + C
0
] (3.29)
Christian José Quintana Pinedo 161
com os C
i
como no caso anterior.
Caso 3. Se b(x) = e
αx
P
n
(x)senβx ou b(x) = e
αx
P
n
(x) cos βx onde α e β são constantes
conhecidas, e P
n
(x) é um polinômio de grau n em x como nos casos anteriores. Neste
caso se procura uma solução particular y
p
da forma
y
p
= e
αx
senβx[C
n
x
n
+ C
n−1
x
n−1
+ C
n−2
x
n−2
+ + C
1
x + C
0
] +
e
αx
cos βx[D
n
x
n
+ D
n−1
x
n−1
+D
n−2
x
n−2
+ + D
1
x + D
0
] (3.30)
com os C
i
e D
i
; i = 1, 2, , n constantes a determinar.
Exemplo 3.24.
Resolver a equação diferencial y
iv
−y = 18e
−2x
.
Solução.
A equação característica da equação é λ
4
− 1 = 0 de onde λ = ±1 e λ = ±i são
raízes.
Uma solução da equação homogênea associada ao problema é
y
h
= C
1
e
x
+ C
−x
2
+ C
3
e
ix
+ C
4
e
−ix
ou y
h
= C
1
e
x
+ C
2
e
−x
+ C
5
senx +C
6
cos x.
Da igualdade (3.29) supondo uma solução particular da forma y
p
= Ce
−2x
substituindo
na equação original segue
y
iv
p
−y
p
= 12e
−2x
⇔ (−2)
4
Ce
−2x
−Ce
−2x
= 18e
−x
de onde C = 1, 2.
Portanto, y = C
1
e
x
+C
2
e
−x
+C
5
senx + C
6
cos x + 1, 2e
−2x
é solução procurada.
Observação 3.2.
Se qualquer termo da suposta solução, a menos constantes multiplicativas é também
um termo da solução da homogênea y
h
associada, então a forma da solução procurada deve
ser modificada multiplicando por x
k
, onde k é o menor inteiro positivo tal que o produto
de x
k
com a solução procurada não tenha nenhum termo em comum com a solução y
h
da
homogênea associada ao problema. Isto afasta a possibilidade de chegar a igualdades do
tipo 0 = 0, ou a um sistema algébrico sem soluções.
Naturalmente este método não se aplica às equações diferenciais que não possuem
coeficientes constantes ou aquelas em que a função b(x) não seja de algum dos tipos
considerados, por exemplo este método não se aplica quando b(x) = tan x. O seguinte
exemplo mostra esta situação.
162 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Exemplo 3.25.
Dada a equação diferencial y

+ xy = 2, pela igualdade (3.28) admitimos como
solução particular uma função do tipo y
p
= C
k
x
k
, sendo C
k
e k constantes, com k ∈ Z
+
.
Levando esta suposta solução na equação diferencial, obtemos a identidade polinomial
k(k −1)C
k
x
k−2
+ C
k
x
k+1
= 2
a qual não tem solução algébrica, pois um dos coeficientes não é constante.
Exemplo 3.26.
Achar a solução geral da equação diferencial y

−3y

+ 3y

−y = 36e
x
.
Solução.
A equação característica da equação é λ
3
−3λ
2
+ 3λ −1 = 0 de onde λ = 1 é uma
raiz triple.
Uma solução da equação homogênea associada ao problema é y
h
= C
1
e
x
+ C
2
xe
x
+
C
3
x
2
e
x
+C
4
x
3
e
x
.
Supondo uma solução particular da forma y
p
= Ce
x
substituindo na equação original
segue C − 3C + 3C − C = 30, o qual não tem solução única para C, também supor
y
p
= Cxe
x
ou y
p
= Cx
2
e
x
não leva a determinar uma solução para C. Pela Observação
(3.1) tem-se k = 3 e devemos supor y
p
= Cx
3
e
x
, isto implica
y

p
= Ce
x
(3x
2
+ x
3
); y

p
= Ce
x
(6x + 6x
2
+ x
3
)
y

p
= Ce
x
(6 + 18x + 9x
2
+ x
3
)
Substituindo estas últimas igualdades na equação original segue
Ce
x
(6 + 18x + 9x
2
+ x
3
) −Ce
x
(6x + 6x
2
+ x
3
) + Ce
x
(3x
2
+ x
3
) −Cx
3
e
x
= 36e
x
de onde C = 6
Portanto, y = (C
1
+ C
2
x + C
3
x
2
)e
x
+ 6x
3
e
x
é solução procurada.
3.6.4 Método de variação de parâmetros
Sem perda de generalidade, podemos descrever o método para equações de Euler-
Cauchy de segunda ordem
a
2
y

+ a
1
y

+ a
0
= b(x) (3.31)
onde a
2
, a
1
, a
0
são constantes e b(x) é função contínuas num intervalo I ⊆ R, suponhamos
a
2
(x) ,= 0. Da equação característica podemos obter a solução geral y
h
da equação
homogênea de (3.31) da forma y
h
= C
1
y
1
(x) + C
2
y
2
(x).
Christian José Quintana Pinedo 163
Sendo a combinação de y
1
(x) e y
2
(x) soluções da equação diferencial homogênea asso-
ciada a (3.31). Logo uma solução particular é da forma y
p
(x) = u
1
(x)y
1
(x)+u
2
(x)y
2
(x),
onde u
1
(x) e u
2
(x) são funções a determinar, e que devem satisfazer a condição lateral
u

1
(x)y
1
(x) + u

2
(x)y
2
(x) = 0 (3.32)
condição esta que justifica o nome do método.
Derivando a suposta solução particular y
p
segue
y

p
(x) = u

1
(x)y
1
(x) + u
1
(x)y

1
+ u

2
(x)y
2
(x) + u
2
(x)y

2
(x) ⇒
y

p
(x) = u
1
(x)y

1
+ u
2
(x)y

2
(x) ⇒
y

p
(x) = u
1
(x)

y

1
u
1
(x)y

1
(x)u

2
(x)y

2
(x) + u
2
(x)y

2
(x)
Substituindo y
p
(x), y

p
(x) e y

p
(x) na equação (3.31) e simplificando obtemos a
igualdade
u
1
[a
2
y

1
+ a
1
y

1
+ a
0
y
1
] + u
2
[a
2
y

2
+ a
1
y

2
+a
0
y
2
] + a
2
u

1
y

1
+ a
2
u

2
y

2
= b(x) (3.33)
Como y
1
(x) e y
2
(x) são soluções da equação homogênea então
a
2
y

1
+ a
1
y

1
+ a
0
y
1
= 0 e a
2
y

2
+ a
1
y

2
+ a
0
y
2
= 0
assim, em (3.33) tem-se
a
2
u

1
y

1
+ a
2
u

2
y

2
= b(x) (3.34)
Combinando as igualdades (3.32) e (3.34) obtemos o sistema
_
_
_
u

1
(x)y
1
(x) + u

2
(x)y
2
(x) = 0
u

1
(x)y

1
(x) + u

2
(x)y

2
(x) =
b(x)
a
2
Resolvendo este último sistema obtemos a solução para u
1
(x) e u
2
(x) na forma
u

1
(x) = −
b(x)y
2
(x)
a
2
ω(x)
e u

2
(x) =
b(x)y
1
(x)
a
2
ω(x)
(3.35)
onde ω(x) = W(y
1
, y
2
) é o o wronskiano para o conjunto de funções y
1
, y
2
As funções u
1
(x) e u
2
(x) obtém-se por integração a partir de (3.35), fixando x
0
∈ I
u
1
(x) = −
x
_
x
0
b(s)y
2
(s)
a
2
ω(s)
ds e u
2
(x) =
x
_
x
0
b(s)y
1
(s)
a
2
ω(s)
ds
164 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Exemplo 3.27.
Resolver y

−3y

+ 2y = e
3x
.
Solução.
A equação característica é λ
2
− 3λ + 2 = 0 de onde as raízes são λ
1
= 1 e λ
2
= 2. A
solução geral da homogênea é y
h
= C
1
e
x
+ C
2
e
2x
. Supondo y
1
(x) = e
x
e y
2
(x) = e
2x
, e
a solução particular y
p
= u
1
(x)e
x
+ u
2
(x)e
2x
_
u

1
(x)e
x
+u

2
(x)e
2x
= 0
u

1
(x)e
x
+ 2u

2
(x)e
2x
= e
3x
⇒ ω(x) = W(y
1
, y
2
) = e
3x
,= 0
As funções u
1
(x) e u
2
(x) obtém-se por integração fixando x
0
∈ I como em (3.35)
u
1
(x) = −
x
_
x
0
e
3s
e
2s
e
3s
ds = −
1
2
e
2x
e u
2
(x) =
x
_
x
0
e
3s
e
s
e
3s
ds = e
x
Logo, y
p
= −
1
2
e
2x
e
x
+ e
x
e
2x
=
1
2
e
3x
.
Portanto a solução da equação diferencial é y = C
1
e
x
+ C
2
e
2x
+
1
2
e
3x
.
Exemplo 3.28.
Achar a solução de y

+ y = tan x que satisfaz as condições de contorno y(0) =
y(π/6) = 0.
Solução.
A equação característica λ
2
+ 1 = 0 tem como raízes λ = ±i. A solução da equação
homogênea correspondente é y
h
= C
1
cos x + C
2
senx.
Pelo método da variação dos parâmetros segue
_
u

1
(x) cos x +u

2
(x)senx = 0
−u

1
senx + u

2
cos x = tan x
⇒ ω(x) = W(y
1
, y
2
) = 1 ,= 0
As funções u
1
(x) e u
2
(x) obtém-se por integração fixando x
0
∈ I como em (3.35)
u
1
(x) = −
_
sen
2
x
cos x
dx = senx−Ln(
x
2
+
π
4
)+C
3
e u
2
(x) =
_
senxdx = −cos x+C
4
Logo, y
p
= cos x
_
senx −Ln(
x
2
+
π
4
) + C
3
_
+ senx
_
−cos x + C
4
_
.
A solução da equação diferencial é y = C
3
senx + C
4
senx −cos xLn(
x
2
+
π
4
).
Pelas condições de contorno obtém-se C
3
= 0 e C
4
=

3
2
Ln3.
Portanto a solução da equação diferencial é y =

3
2
Ln3 senx −cos xLn tan(
x
2
+
π
4
).
Christian José Quintana Pinedo 165
Exercícios 3-2
1. Formar as equações diferenciais lineares homogêneas dadas que se conhecem sua
equações características.
1. λ
2
+ 3λ + 2 = 0 2. 2λ
2
−3λ −5 = 0 3. λ(λ + 1)(λ + 2) = 0
4. (λ
2
+ 1)
2
= 0 5. λ
3
= 0 6. λ
2
+ 5λ + 6 = 0
2. Determine as equações diferenciais lineares homogêneas dado que se conhecem as
raízes da equação característica. Escrever suas soluções gerais.
1. λ
1
= 1, λ
2
= 2 2. λ
1
= 1, λ
1
= 1 3. λ
1
= 3 −2i, λ
2
= 3 + 2i
3. Forme as equações diferenciais lineares homogêneas, se se conhece o conjunto fun-
damental de soluções.
1. e
−x
, e
x
2. 1, e
x
3. e
−2x
, xe
−2x
4. sen(3x), cos(3x) 5. 1, x 6. e
x
, e
2x
, e
3x
7. e
x
, xe
x
, x
2
e
x
8. 1, x, e
x
9. 1, senx, cos x
4. Resolver as seguintes equações diferenciais:
1. y

−y = 0 2. 3y

−2y

−8y = 0
3. y

−3y

+ 3y

−y = 0 4. y

−2y

−2y = 0
5. y
(vi)
+ 2y
(v)
+ y
(iv)
= 0 6. y

+ 6y

+ 11y

+ 6y = 0
7. 2y

−3y

+ y

= 0 8. y

−3y

−2y = 0
9. y
(v)
= 0 10. y

−2y

+ 2y

= 0
11. y

+ 2y

−y

−2y = 1 12. y

−2y

+ 3y = 0
5. Determine a solução particular da equação linear não homogênea, se se conhecem
as raízes da equação característica e o segundo membro b(x).
1. λ
1
= 1, λ
2
= 2; b(x) = Ax
2
+ Bx + C
2. λ
1
= 0, λ
2
= 1; b(x) = Ax
2
+ Bx + C
3. λ
1
= 0, λ
2
= 0; b(x) = Ax
2
+ Bx + C
4. λ
1
= 1, λ
2
= 2; b(x) = e
−x
(Ax +B)
166 Séries de Potências e Equações Diferenciais
5. λ
1
= −1, λ
2
= 1; b(x) = e
−x
(Ax + B)
6. λ
1
= −1, λ
2
= −1; b(x) = e
−x
(Ax + B)
7. λ
1
= 0, λ
2
= 1; b(x) = senx + cos x
8. λ
1
= −i, λ
2
= i; b(x) = senx + cos x
9. λ
1
= −2i, λ
2
= 2i; b(x) = Asen(2x) + Bcos(2x)
10. λ
1
= −ki, λ
2
= ki; b(x) = Asen(kx) + Bcos(kx)
11. λ
1
= 1, λ
2
= 1; b(x) = e
x
(Asenx + Bcos x)
12. λ
1
= −1 −i, λ
2
= −1 + i; b(x) = e
−x
(Asenx +Bcos x)
13. λ
1
= λ
2
= λ
3
= 1; b(x) = Ax
2
+Bx + C
14. λ
1
= 0, λ
2
= 1, λ
=
2; b(x) = Ax
2
+Bx + C
15. λ
1
= i, λ
2
= −i, λ
3
= 1; b(x) = senx + cos x
16. λ
1
= −1, λ
2
= 1, λ
3
= 2; b(x) = Ae
−x
+ Be
x
17. λ
1
= λ
2
= 0, λ
3
= 1; b(x) = Ae
−x
+Be
x
18. λ
1
= 0, λ
2
= 1, λ
3
= 2; b(x) = (Ax
2
+Bx + C)e
x
19. λ
1
= λ
2
= k; b(x) = (ax
2
+ bx + c)e
kx
, k ,= 1, k ,= 0
20. λ
1
= λ
2
= λ
3
= k; b(x) = (ax
2
+ bx + c)e
kx
, k ,= 1, k ,= 0
21. λ
1
= λ
2
= 1, λ
3
= 2; b(x) = Asenx + Bcos x
22. λ
1
= −i, λ
2
= i, λ
3
= 0; b(x) = Asenx + Bcos x
23. λ
1
= 3 −2i, λ
2
= 3 + 2i, λ
3
= λ
4
= 0; b(x) = e
3x
(sen(2x) + cos(2x))
24. λ
1
= λ
2
= 3 −2i, λ
3
= λ
4
= 3 + 2i; b(x) == e
3x
(sen(2x) + cos(2x))
6. Determine a forma da solução particular para as seguintes equações diferenciais
lineares não homogêneas
1. y

+ 3y

= 3 2. y

−7y

= (x −i)
2
3. y

+ 3y

= e
3
4. y

+ 7y

= e
−7x
5. y

−8y

+ 16y = (x −1)e
4x
6. y

−10y

+ 25y = e
5x
7. 4y

−3y

= x
4

e
3x
8. y

−y

−2y = e
x
+ e
−2x
9. y

−4y

= xe
4x
10. y

+ 25y = cos(5x)
11. y

+ y = senx −cos x 12. y

+ 4y

+ 8y = e
2x
(sen(2x) + cos(2x))
13. y

+ 16y = sen(4x + α) 14. y

−4y

+ 8y = e
2x
(sen(2x) −cos(2x))
15. y

+ 6y

+ 13y = e
−3x
cos(2x) 16. y

+ k
2
y = ksen(kx + α)
17. y

+ k
2
y = k 18. y

+ 4y = senxsen(2x)
Christian José Quintana Pinedo 167
7. Resolver as seguintes equações
1. y

+ 2y

+ y = −2 2. y

+ 2y

+ 2 = 0
3. y

+ 9y −9 = 0 4. y

+ y

= 1
5. 5y

−7y

−3 = 0 6. y
(iv)
−6y

+ 6 = 0
7. 3y
(iv)
+y

= 2 8. y
(iv)
−2y

+ 2y

−2y

+ y = 1
9. y

−4y

+ 4y = x
2
10. y

+ 8y

= 8x
11. y

+ 4y

+ 4y = 8e
−2x
12. y

−2ky

+ k
2
y = e
x
, (k ,= 1)
13. y

+ 4y

+ 3y = 9e
−3x
14. 7y

−y

= 14x
15. y

+ 3y

= 3xe
−3x
16. y

+ 5y

+ 6y = 10(1 −x)e
−2x
17. y

+ 2y

+ 2y = 1 + x 18. y

+y

+ y = (x + x
2
)e
x
19. y

+ 4y

−2y = 8sen(2x) 20. y

+y = 4x cos x
21. y

−2my

+ m
2
y = sen(mx) 22. y

+ 2y

+ 5y = e
−x
sen(2x)
23. y

−y

= e
x
senx 24. y

+a
2
y = 2 cos(mx) + 3sen(mx) m ,= a
8. Para cada uma das seguintes equações determine as soluções particulares para os
dados iniciais.
1. y

−5y

+ 6y = (12x −7)e
−x
; y(0) = y

(0) = 0
2. y

+ 9y = 6e
3x
; y(0) = y

(0) = 0
3. y

−4y

+ 5y = 2x
2
e
x
; y(0) = 2, y

(0) = 3
4. y

+ 6y

+ 9y = 10senx; y(0) = y

(0) = 0
5. y

+ y = 2 cos x; y(0) = 1, y

(0) = 0
6. y

+ 4y = senx; y(0) = y

(0) = 1
7. y

−6y

+ 9y = x
2
−x + 3; y(0) =
4
3
, y

(0) =
1
27
8. y

−4y

+ 4y = e
2x
; y(0) = 2, y

(0) = 8
9. y

+ 4y = 4(sen(2x) + cos(2x)); y(π) = y

(π) = 2π
10. y

−y

= −5e
−x
(senx + cos x); y(0) = −4, y

(0) = 5
11. y

−2y

+ 2y = 4e
x
cos x; y(π)πe
π
, y

(π) = e
π
12. y

−y

= −2x; y(0) = 0, y

(0) = 1, y

(0) = 2
13. y
(iv)
−y = 8e
x
; y(0) −1, y

(0) = 0, y

(0) = 1, y

(0) = 0
14. y

−y = 2x; y(0) = y

(0) = 0, y

(0) = 2
15. y
(iv)
−y = 8e
x
; y(0) = 0, y

(0) = 2, y

(0) = 4, y

(0) = 6
168 Séries de Potências e Equações Diferenciais
9. Para os seguintes problemas necessita achar a solução particular das equações que
cumpram no infinito as condições dadas.
1. y

−4y

+ 5y = senx; y é limitada para x →+∞
2. y

+ 2y

+ 5y = 4 cos(2x) + sen(2x); y é limitada para x →−∞
3. y

−y = 1; y é limitada para x →∞
4. y

−2y

+ y = 4e
−x
; y →3 para x →+∞
5. y

−y = −2 cos x; quady é limitada para x →∞
6. y

+ 4y

+ 3y = 8e
x
+ 9; y →3 para x →−∞
7. y

−y

−5y = 1; y →−
1
5
para x →∞
8. y

+ 4y

+ 4y = 2e
x
(senx + 7 cos x); y →0 para x →−∞
9. y

−5y

+ 6y = 2e
−2x
(9sen(2x) + 4 cos(2x)); y →0 para x →−∞
10. y

−4y

+ 4y = ()e
−x
; y →0 para x →+∞
Christian José Quintana Pinedo 169
3.7 Equações diferenciais lineares de coeficientes var-
iáveis
A estrutura da solução geral de uma equação linear não homogênea de coeficientes
variáveis da forma
a
n
(x)y
(n)
+ a
n−1
(x)y
(n−1)
+ + a
2
(x)y

+a
1
(x)y

+a
0
(x)y = b(x) (3.36)
define-se segundo o teorema
Teorema 3.5.
Se y
p
é uma solução particular da equação (3.36) e y
1
, y
2
, y
3
, , y
n
é um sistema
fundamental de soluções da equação homogênea associado a (3.36), então a solução geral
y de (3.36) tem a forma
y = y
p
+ C
1
y
1
+C
2
y
2
+ C
3
y
3
+ + C
n
y
n
A demonstração deste teorema é exercício para o leitor.
Logo, a solução geral da equação diferencial (3.36) é igual à soma da solução particular
y
p
qualquer de esta, e a solução geral y
h
da homogênea correspondente. Logo, para achar a
solução geral da equação (3.36) é necessário encontrar uma solução particular y
p
(supondo
conhecida a solução geral da homogênea correspondente).
Examinemos dois métodos para achar uma solução particular y
p
da equação linear não
homogênea (3.36)
3.7.1 Método dos coeficientes indeterminados
Estudamos na seção anterior que este método somente se aplica para equações difer-
enciais lineares de coeficientes constantes e somente quando o segundo membro tem a
forma
b(x) = e
αx
[P
m
(x) cos βx + Q
n
(x)senβx]
aqui α e β são constantes, P
n
(x) e Q
m
(x) são polinômios de graus m e n respectivamente.
Como foi estudada na Subseção 3.6.2 para a equação diferencial (3.36) a solução par-
ticular é conveniente procurar-la na forma
y
p
= x
s
e
αx
[P
k
(x) cos βx + Q
k
(x)senβx]
Aqui s é o índice de multiplicidade da raiz α + iβ na equação característica, P
k
(x) e
Q
k
(x) são polinômios de coeficientes indeterminados, onde k é o maior entre os números
170 Séries de Potências e Equações Diferenciais
n e m.
É importante lembrar que os polinômios P
k
(x) e Q
k
(x) devem ser completos em x com
grau k e com coeficientes indeterminados.
3.7.2 Método da variação de parâmetros
Este método se utiliza para determinar uma solução particular de uma equação linear
não homogênea de ordem n, seja com coeficientes constantes ou coeficientes variáveis,
conhecido a solução geral da equação homogênea correspondente a (3.36).
Este método consiste no fato que conhecido o sistema fundamental de soluções y
1
, y
2
, y
3
, ,
y
n
da equação homogênea correspondente então é conveniente procurar a solução geral
da equação não homogênea correspondente na forma y = y
h
+ y
p
. Isto é, supondo que a
solução da equação diferencial da homogênea (3.36) é
y
h
= C
1
y
1
+ C
2
y
2
+C
3
y
3
+ + C
n
y
n
Logo a solução particular y
p
de (3.36) é
y
p
= u
1
(x)y
1
+ u
2
(x)y
2
+u
3
(x)y
3
+ + u
n
(x)y
n
onde as funções u
1
(x), u
2
(x), u
3
(x), u
n
(x) são incógnitas que satisfazem as seguintes
condições:
u

1
(x)y
1
+ u

2
(x)y
2
+ u

3
(x)y
3
+ + u

n
(x)y
n
= 0
u

1
(x)y

1
+ u

2
(x)y

2
+ u

3
(x)y

3
+ + u

n
(x)y

n
= 0
.
.
. = 0
u

1
(x)y
(n−2)
1
+ u

2
(x)y
(n−2)
2
+ u

3
(x)y
(n−2)
3
+ + u

n
(x)y
(n−2)
n
= 0
u

1
(x)y
(n−1)
1
+ u

2
(x)y
(n−1)
2
+ u

3
(x)y
(n−1)
3
+ + u

n
(x)y
(n−1)
n
= b(x)
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
(3.37)
b(x) é a função do segundo membro de (3.36).
Estas equações diferenciais lineares com coeficientes variáveis serão tratadas pelo
“método de variação dos parâmetros”, que podemos entender como uma generalização
do “método dos coeficientes indeterminados”.
O método consiste em:
1
o
Escrever a solução geral da homogênea
y
h
= C
1
y
1
+ C
2
y
2
+ C
3
y
3
+ +C
n
y
n
2
o
Substituir os C
i
pelas funções incógnitas u
i
, i = 1, 2, 3, n obtendo a solução
Christian José Quintana Pinedo 171
particular da equação (3.27)
y
p
= u
1
(x)y
1
+ u
2
(x)y
2
+u
3
(x)y
3
+ + u
n
(x)y
n
3
o
Formar o sistema sob as condições da equação (3.27).
4
o
Mediante integração obtemos os u
i
, i = 1, 2, 3, , n
Exemplo 3.29.
Resolver
d
2
y
dx
2
+ y = csc x.
Solução.
Tem-se a equação característica λ
2
+ 1 = 0 ⇒ λ = ±i. a solução geral da
homogênea é da forma
y
h
= C
1
cos x + C
2
senx
A solução particular da equação é da forma
y
p
= u
1
cos x +u
2
senx
e cumpre
u

1
cos x + u

2
senx = 0
−u

1
senx −u

2
cos x = csc x
_
de onde
u

1
=
¸
¸
¸
¸
¸
0 senx
csc x cos x
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
cos x senx
senx cos x
¸
¸
¸
¸
¸
= −1 ⇒ u
1
(x) = −x
De modo análogo
u

2
=
¸
¸
¸
¸
¸
cos x o
−senx csc x
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
cos x senx
senx cos x
¸
¸
¸
¸
¸
= cot x ⇒ u
2
(x) = Ln(senx)
logo
y
p
= −x cos x + senx Ln(senx)
A solução geral da equação diferencial
d
2
y
dx
2
+y = csc x é
y = C
1
cos x + C
2
senx −x cos x + senx Ln(senx)
172 Séries de Potências e Equações Diferenciais
3.8 Equações Euler-Cauchy
As equações da forma
a
n
x
n
y
(n)
+ a
n−1
x
n−1
y
(n−1)
+ + a
2
x
2
y

+ a
1
xy

+ a
0
y = b(x) (3.38)
onde todas as a
i
são constantes, são chamadas de equações de Euler-Cauchy.
As equações da forma
a
n
(αx + β)
n
y
(n)
+ + a
2
(αx + β)
2
y

+ a
1
(αx + β)y

+ a
0
y = b(x) (3.39)
Quando b(x) = 0 tem-se as respectivas equações homogêneas.
3.8.1 Método de Euler-Cauchy
Quando b(x) = 0, mediante a substituição x = e
t
(ou x = −e
t
, se t < 0) em (3.38)
estas equações se reduzem a equações lineares homogêneas de coeficientes constantes.
a
n
y
(n)
+a
n−1
y
(n−1)
+ + a
2
y

+ a
1
y

+a
0
y = 0 (3.40)
na variável t.
Observação 3.3.
Também se b(x) = 0 em (3.39) as equações lineares homogêneas se reduzem a uma de
coeficientes constantes na variável t mediante a substituição αx + β = e
t
.
Exemplo 3.30.
Determine a solução geral da equação x
2
y

+ 2xy

−6y = 0
Solução.
Consideremos x = e
t
, então y

=
dy
dx
= e
−t
dy
dt
e a derivada segunda é
y

=
d
dx
(
dy
dx
) =
d
dx
(e
−t
dy
dt
) = −e
−t
dt
dx
dy
dt
+ e
−t
d
2
y
dt
2
dt
dx
= e
−2t
_
d
2
y
dt
2

dy
dt
_
substituindo na equação x
2
y

+ 2xy

−6y = 0 segue
d
2
y
dt
2
+
dy
dt
−6y = 0
As raízes da equação característica são λ
1
= −3 e λ
2
= 2, e a equação geral da última
equação é y = C
1
e
−3t
+C
2
e
2t
. Substituindo x = e
t
resulta y = C
1
x
−3
+ C
2
x
2
.
Portanto, y =
C
1
x
3
+ C
2
x
2
é a solução procurada.
Christian José Quintana Pinedo 173
Nas equações diferenciais da forma (3.38) no ponto x = 0, o termo a
i
x
i
y
(i)
, i =
1, 2, 3, , n se anula e por essa razão dizemos que x = 0 é um ponto singular para esta
equação.
Qualquer solução para a equação (3.38) está definida para x ∈ R ¦0¦.
Observação 3.4.
As equações de Euler-Cauchy da forma
m

k=0
a
k
x
k
y
(k)
= x
α
P
m
(Lnx)
onde P
m
(u) é um polinômio de grau m, podem ser resolvidas pelo método dos coeficientes
indeterminados do mesmo modo que se resolvem equações lineares não homogêneas de
coeficientes constantes cujos segundos membros são os da forma
e
αx
P
m
(x)
As equações de Euler-Cauchy de segunda ordem assumem a forma
a
2
x
2
y

+ a
1
xy

+a
0
y = b(x); a
2
,= 0 (3.41)
Com a mudança de variáveis x = e
t
, tem-se que y

=
dy
dx
=
dy
dt

dt
dx
então y

=
dy
dt
e
−t
.
Usando a regra da cadeia mais uma vez obtemos:
y

=
d
2
y
dx
2
=
_
e
−t

dy
dt
_

dt
dx
= [−e
−t

dy
dt
+ e
−t

d
2
y
dt
2
] e
−t
= e
−2t
[−
dy
dt
+
d
2
y
dt
2
]
assim resulta
y

=
dy
dx
=
dy
dt
e
−t
(3.42)
y

=
d
2
y
dx
2
= e
−2t
[−
dy
dt
+
d
2
y
dt
2
] (3.43)
Substituindo (3.42) e (3.43) na equação (3.41) tem-se
a
2
(e
t
)
2
[e
−2t
(−
dy
dt
+
d
2
y
dt
2
)] + a
1
(e
t
)[
dy
dt
e
−t
] + a
0
y = b(e
t
)
isto leva a uma equação diferencial linear de variável t com coeficientes constantes da
forma:
a
2
d
2
y
dt
2
+ (a
1
−a
2
)
dy
dt
+a
0
y = b(e
t
)
Exemplo 3.31.
174 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Determine a solução geral da equação x
2
y

+ 5xy

+ 3y = xLnx; x > 0.
Solução.
Consideremos x = e
t
, das igualdades (3.42) e (3.43) segue
x
2
y

+ 5xy

+ 3y = xLnx ⇔
d
2
y
dt
2
+ 4
dy
dt
+ 3y = 4t
Como λ
2
+ 4λ + 3 = 0 então a solução da equação homogênea é y
h
= C
1
e
−3t
+ C
2
e
−t
e uma solução particular é da forma y
p
= C
3
t + C
4
. Esta solução particular na equação
original modificada fornece
0 + 4(C
3
) + 3(C
3
t +C
4
) = 4t ⇒ C
3
=
4
3
e C
4
= −
16
9
logo a solução geral da equação modificada é y = C
1
e
−3t
+C −2e
−t
+
4
3
t −
16
9
.
Portanto, a solução geral da equação dada é y = C
1
x
−3
+ C
2
x
−t
+
4
3
Lnx −
16
9
.
3.8.2 Método de Frobenius
Um modo alternativo para resolver as equações de Euler-Cauchy, conhecido como
método de Frobenius, consiste em procurar um número λ real (ou complexo) que torne
y
p
= x
λ
uma solução particular da equação. Obtendo para λ uma equação que coincide
com a equação característica de (3.38)
Exemplo 3.32.
Determine a solução geral da equação x
2
y

+ 2xy

−6y = 0
Solução.
Consideremos a mudança y = x
λ
de onde y

= λx
λ−1
, y

= λ(λ−1)x
λ−2
, substituindo
na equação original resulta
x
2
λ(λ −1)x
λ−2
+ 2xλx
λ−1
−6x
λ
= 0
ou bem x
λ
[λ(λ −1) +2λ −6] = 0. Como x
λ
,= 0 tem-se λ(λ −1) +2λ −6 de onde λ = 2
ou λ = −3.
O sistema fundamental de soluções é y = x
−3
, y = x
2
.
Portanto, y = C
1
x
−3
+ C
2
x
2
é a solução procurada.
Observação 3.5.
Seja λ um raiz da equação característica do problema da equação da Observação (3.4)
então
Christian José Quintana Pinedo 175
1. Se λ for uma raiz real de multiplicidade k, a esta raiz fazemos corresponder as soluções
linearmente independentes
x
λ
, x
λ
(Lnx), x
λ
(Lnx)
2
, x
λ
(Lnx)
3
, , x
λ
(Lnx)
k−1
; x > 0
com a substituição x = e
t
, que corresponde ao caso dos coeficientes serem constantes,
temos as soluções linearmente independentes
e
λt
, te
λt
, t
2
e
λt
, t
3
e
λt
, , t
k−1
e
λt
2. Se λ = α + i β é uma raiz complexa da equação característica, então sua conjugada
λ também será raiz. Observe que
x
λ
= x
α+iβ
= x
α
e
β(Lnx)i
= x
α
[cos(βLnx) + isen(βLnx)]
x
λ
= x
α−iβ
= x
α
e
−β(Lnx)i
= x
α
[cos(βLnx) −isen(βLnx)]
Com estas soluções complexas construímos um conjunto de soluções reais linear-
mente independentes da forma
ϕ
1
(x) = x
α
cos(βLnx) e ϕ
2
(x) = x
α
sen(βLnx)
Exemplo 3.33.
Determine a solução geral da equação x
2
y

−xy

+ 2y = xLnx
Solução.
Seja y = x
λ
, então y

= λx
λ−1
, y

= λ(λ−1)x
λ−2
substituindo na equação homogênea
associada ao problema.
x
2
λ(λ −1)x
λ−2
−xλx
λ−1
+ 2x
λ
= 0 ⇒ x
λ
[λ(λ −1) −λ + 2] = 0
Logo, a equação característica é λ(λ −1) −λ +2 = 0 de onde λ
1
= 1 −i, λ
2
= 1 +i
são as raízes.
Conseqüentemente, a solução y
h
da equação homogênea correspondente é
y
h
= x[C
1
cos(Lnx) + C
2
sen(Lnx)]
Pela primeira parte da Observação (3.5) procuremos por uma solução particular da
forma y
p
= (C
3
xLnx +xC
4
). tem-se y

p
= C
3
Lnx + C
3
+ C
4
, y

p
=
C
3
x
.
176 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Substituindo na equação original dada, resulta
C
3
x −x(C
3
Lnx + C
3
+ C
4
) + 2x(C
3
Lnx + C
4
) = xLnx,
o bem C
3
xLnx +C
4
x = xLnx de onde C
3
= 1 e C
4
= 0. logo y
p
= xLnx.
Portanto a solução geral da equação dada é y = x [C
1
cos(Lnx) + C
2
sen(Lnx)] +xLnx.
3.8.3 Método de redução de ordem
Dada uma solução y
1
da equação diferencial homogenea de segunda ordem
y

+a
1
(x)y

+a
0
(x)y = 0 (3.44)
podemos determinar uma segunda solução y
2
que seja linearmente independente com y
1
,
da forma v(x)y
1
, para certa função v(x) distinta de uma constante
Seja y(x) = y
1
(x)v(x), então
y

= y
1
v

+ y

1
v
y

= y
1
v

+ 2y

1
v

+ y

1
v
Substituindo as expressões y, y

e y

em (3.44) e simplificando resulta
[y
1
v

+ 2y

1
v

+ y

1
v] + a
1
(x)[y
1
v

+y

1
v] + a
0
(x)vy
1
= 0
v[y

1
+ a
1
(x)y

1
+ a
0
(x)y
1
] + v

[2y

1
+ a
1
(x)y
1
] + y

1
v = 0
Como y
1
é solução de (3.35) então v(y

1
+ a
1
(x)y

1
= 0 de onde
v

[2y

1
+a
1
(x)y
1
] + y

1
v = 0 ⇔ v

+
_
a
1
(x) +
2y

1
y
1
_
v

= 0 (3.45)
Logo, para que a função y
1
(x)v(x) seja uma solução da equação diferencial (3.44), a
função v(x) deve satisfazer a equação de segunda ordem (3.45).
Para determinar v(x) podemos supor u(x) = v

(x), assim so temos que resolver a
equação de primeira ordem
v

[2y

1
+ a
1
(x)y
1
] + y

1
v = 0 ⇔ u

+
_
a
1
(x) +
2y

1
y
1
_
u = 0 (3.46)
de onde
u

u
= −a
1
(x) −2
y

1
y
1
Christian José Quintana Pinedo 177
integrando e simplificando obtém-se
Lnu = −
_
a
1
(x)dx −2Lny
1
+ LnC; C é constante
Ln
_
u y
2
1
C
_
= −
_
a
1
(x)
aplicando exponencial a ambos lados
u(x) =
C
y
2
1
e

a
1
(x)dx
Portanto, v(x) = C
_
1
y
2
1
e

a
1
(x)dx
+ C
1
.
Podemos supor por exemplo C = 1 e C
1
= 0, e tem-se o seguinte resultado
Teorema 3.6.
Se y
1
(x) é solução da equação diferencial
y

+a
1
(x)y

+a
0
(x)y = 0 (3.47)
então uma segunda solução de (3.47) linearmente independente com y
1
(x) é
y
2
(x) = y
1
(x)
_
1
y
2
1
e

a
1
(x)dx
(3.48)
A demonstração deste teorema é exercício para o leitor
3
.
Exemplo 3.34.
Dado que y
1
= x
−2
é solução da equação diferencial
x
2
y

−7xy

−20y = 0 (3.49)
encontre sua solução geral no intervalo (0, ∞).
Solução.
Verifiquemos que y
1
é a solução de (3.49). Com efeito, y

1
= −2x
−3
; y

1
= 6x
−4
,
substituindo em (3.49)resulta
x
2
(6x
−4
) −7x(−2x
−3
) −20(x
−2
) = 0 ⇔ 6x
−2
+ 14x
−2
−20x
−2
= 0
3
A identidade (3.48) é conhecida como fórmula de Abel.
178 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Pelo Teorema (3.6) para determinar uma segunda solução devemos escrever na forma
y


7
x
y


20
x
2
y = 0
logo a
1
(x) = −
7
x
, então sabendo que y
1
é solução, pela igualdade (3.48) segue que
y
2
= x
−2
_
_
e


7
x
dx
(x
−2
)
2
dx
_
= x
−2
_
e
7Lnx
x
−4
dx = x
−2
_
x
11
dx =
x
10
12
Note que uma segunda solução linearmente independente com y
1
é ˜ y
2
= x
10
.
Portanto, a solução geral da equação em (0, ∞) é y = C
1
x
−2
+ C
2
x
10
Exemplo 3.35.
Para x > 0 considere a equação diferencial xy

+ (x
2
−1)y

+ x
3
y = x
3
e
−x
2
/4
.
1.) Achar a solução equação da equação homogênea sabendo que uma de suas soluções é
y
1
(x) = e
−x
2
/4
cos(

3
4
x
2
)
2.) Achar a solução geral da equação não homogênea.
Solução. 1.)
Para achar uma segunda solução usando a fórmula de Abel devemos calcular a integral
_
e
x
2
/2
cos
2
(

3
4
x
2
)
e

p(x)dx
, onde p(x) =
x
2
−1
x
temos
_
p(x)dx =
_
x
2
−1
x
dx =
1
2
x
2
−Lnx, logo
_
e
x
2
/2
cos
2
(

3
4
x
2
)
e

1
2
x
2
+Lnx
=
_
x
cos
2
(

3
4
x
2
)
dx =
2

3
3
tan(

3
4
x
2
)
Nossa segunda solução é y
2
(x) =
2

3
3
e
−x
2
/4
sen(

3
4
x
2
). A solução da homogênea é
y
h
= e
−x
2
/4
_
C
1
cos(

3
4
x
2
) + C
2
sen(

3
4
x
2
)
_
, C
1
, C
2
∈ R, x > 0
Solução. 2.)
A equação dada dividida por x é y

+
(x
2
−1)
x
y

+x
2
y = x
2
e
−x
2
/4
.
Para achar uma solução particular y
p
= u
1
(x) cos(

3
4
x
2
) + u
2
(x)sen(

3
4
x
2
) desta
Christian José Quintana Pinedo 179
equação usando o método da variação dos parâmetros, devemos resolver o sistema
_
u

1
(x)y
1
(x) + u

2
(x)y
2
(x) = 0
u

1
(x)y

1
(x) + u

2
(x)y

2
(x) = x
2
e
−x
2
/4
Isto se reduz a:
_
¸
¸
_
¸
¸
_
u

1
(x) cos(

3
4
x
2
) + u

2
(x)sen(

3
4
x
2
) = 0
−u

1
(x)sen(

3
4
x
2
) + u

2
(x) cos(

3
4
x
2
) =
2

3
x
Resolvendo o sistema obtém-se
u

1
(x) = −
2

3
xsen(

3
4
x
2
) ⇒ u
1
(x) =
4
3
cos(

3
4
x
2
)
e
u

2
(x) =
2

3
x cos(

3
4
x
2
) ⇒ u
2
(x) =
4
3
sen(

3
4
x
2
)
logo, a solução geral da equação não homogênea é:
y(x) = e
−x
2
/4
_
4
3
+ C
1
cos(

3
4
x
2
) + C
2
sen(

3
4
x
2
)
_
. c
1
, c
2
∈ R, x > 0
3.9 Aplicações
3.9.1 Movimento harmônico simples
Podemos apreciar duas situações para o movimento harmônico simples.
Mola na posição horizontal
Suponhamos que temos uma mola flexível presa em um de seus extremos como mostra
a Figura (3.2), suponhamos que, em seu outro extremo se encontre um objeto de massa
m e que seja puxado horizontalmente x unidades (de medida) para fora com uma força F,
esta força é diretamente proporcional ao comprimento x puxado. Suponhamos que para
esta força existe uma outra única força em sentido contrário f
r
que depende da constantes
k da lei de Hooke
4
e da distância x puxada. Como pela segunda lei de Newton a somatória
de forças é a massa vezes a aceleração então, tem-se f
r
= −kx = F = ma, onde a é a
4
Robert Hooke (1635 −1703), físico inglês, precursor de Newton con respeito à lei da gravitação.
180 Séries de Potências e Equações Diferenciais
aceleração em que é puxado o objeto, assim
ma = −kx ⇒ m
d
2
x
dt
2
= −kx ⇒
d
2
x
dt
2
+ ω
2
x = 0
onde ω
2
=
k
m
. Esta última equação é chamada de “equação do oscilador harmônico
simples”.
Figura 3.2: Sistema massa-mola
Para a solução desta última equação diferencial, temos que as raízes do polinômio
característico é r = ±iω de onde
x(t) = C
1
e
iωt
+ C
2
e
−iωt
= (C
1
+ C
2
) cos ωt + i(C
1
−C
2
)senωt
Considerando C
1
+C
2
= Asenφ e i(C
1
+ C
2
) = Acos φ na última igualdade, tem-se
x(x) = Asenφcos ωt + Acos φsenωt = Asen(ωt + φ)
Portanto, x(t) = Asen(ωt + φ) é a distância percorrida pelo objeto de massa m no
instante de tempo t.
Mola na posição vertical
Figura 3.3: Sistema massa-mola
Christian José Quintana Pinedo 181
Suponha uma mola flexível de comprimento l (de peso depreciável) como mostra a
Figura (3.3) se encontra presa num suporte rígido em um de seus extremos, e no outro
extremo livre se encontra pendurado um objeto com determinado peso m.
Quando o objeto se encontra em repouso, decrevemos sua posição como a posição de
equilíbrio. Caso o objeto seja deslocado para baixo uma certa distância x e logo solto,
estará sob um movimento vibratório entorno de sua posição de equilíbrio. (Figura (3.3).
Nosso propósito é estudar o movimento do corpo conhecido como movimento har-
mônico simples, no qual ignoramos qualquer força de fricção do meio em que está inserido
Neste caso, as únicas forças que atuam são:
• Uma força de recuperação da mola f
r
, oposta à direção de alongamento e propor-
cional a sua magnitude (Lei de Hooke). De modo simples podemos escrever f
r
= αd
onde α é uma constante de proporcionalidade e d a magnitude do alongamento.
• O peso do corpo dado por W = mg, onde g = 9, 8m/s
2
(ou 32pl/s
2
) é a aceleração
da gravidade.
Adotamos a seguinte convenção. Todas as quantidades (deslocamento, velocidade e
força), medidas para baixo desde a posição de equilíbrio são consideradas positivas. As
que são medidas para acima serão consideradas negativas
Na posição de equilíbrio tem-se mg −αd = 0
Da posição inicial de repouso, ao alongar a mola para baixo um comprimento de
magnitude x = x(t) solta-la, da segunda Lei de Newton segue
m
d
2
x
dt
2
= mg −α(d +x) ⇒ m
d
2
x
dt
2
= mg −αd −αx
e usando a condição de equilíbrio, resulta
m
d
2
x
dt
2
= mg −α(d + x) (3.50)
de onde
d
2
x
dt
2
+
α
m
x = 0 ou bem
d
2
x
dt
2
+ ω
2
x = 0, onde ω
2
=
α
m
(3.51)
A equação (3.51) é a equação diferencial do movimento harmônico simples ou movi-
mento vibratório não amortecido.
Existem duas condições iniciais associadas ao problema (3.51)
x(0) = x
0
, x

(0) = x
1
182 Séries de Potências e Equações Diferenciais
que representam o deslocamento e velocidade inicial respectivamente.
• Se x
0
< 0 e x
1
> 0 então o movimento inícia-se em um ponto que está a [x
0
[ unidades
acima da posição de equilíbrio e com uma velocidade inicial direcionada para baixo.
• Se x
0
> 0 e x
1
= 0, a massa está inicialmente em repouso a x
0
unidades abaixo da
posição de equilíbrio.
• Se x
0
= 0 o corpo inícia seu movimento desde o repouso.
Para resolver (3.51) tem-se que sua equação característica é λ
2

2
= 0 cujas raízes
são λ
1
= iω e λ
2
= −iω, conseqüentemente a solução da equação (3.51) é
x(t) = C
1
cos ωt + C
2
senωt (3.52)
Observe que independente dos valores C
1
e C
2
, a equação do movimento harmônico
simples (3.52), define uma função periódica de período T =

ω
e descreve um movi-
mento ideal no corpo que se movimenta alternadamente de cima para baixo da posição
de equilíbrio infinitas vezes.
O período T é chamado “período de vibrações livres” é o tempo necessário para que
se complete um ciclo e seu recíproco f =
1
T
chama-se “freqüência de vibrações livres”.
O deslocamento máximo do corpo, medido desde a posição de equilíbrio, é chamado de
amplitude.
Podemos chamar
_
C
2
1
+C
2
2
= A, se consideramos senφ =
C
1
A
e cos φ =
C
1
A
, a
constante A é chamada “amplitude do movimento harmônico simples” M.A.S., e o ângulo
φ é chamado “ângulo da fase”. Como
x(t) =
A(C
1
cos ωt + C
2
senωt)
A
= A
_
C
1
A
cos ωt +
C
2
A
senωt
_
então
x(t) = A(senφcos ω + cos φsenω) = Asen(ωt + φ) (3.53)
Portanto, x(t) = Asen(ωt + φ) é a distância percorrida pelo objeto de massa m no
instante de tempo t.
Exemplo 3.36.
Num experimento se encontrou que um objeto de 2kg estica uma mola de 16cm. Se
o peso é solto desde a posição de equilíbrio com uma velocidade direcionada para baixo a
uma velocidade de 4cm/s, determine:
1. A equação diferencial e condições iniciais que descrevem o movimento.
Christian José Quintana Pinedo 183
2. A equação do movimento.
3. A posição, velocidade e aceleração do peso 3 segundos depois.
4. O período e frequência da solução.
Solução.
1. Pela Lei de Hooke tem-se 2kg = k 16cm ⇒ k =
1
8
kg/cm. O peso do corpo é dado
por W = mg ⇒ m =
2kg
9,8m/s
2
=
2
9, 8
. Logo de (3.52) tem-se
d
2
x
dt
2
+
1/8
2/9, 8
x = 0,
então
d
2
x
dt
2
+
9, 8
16
x = 0 sujeita as condições x
0
= 0, x

(0) = 4.
2. A equação característica da equação diferencial é λ
2
+
9, 8
16
= 0, e suas raízes são
λ
1
= i

9, 8
4
e λ
2
= −i

9, 8
4
.
Sua equação geral vem dado por x(t) = C
1
cos

9, 8
4
+C
2
sen

9, 8
4
. Das condições
iniciais C
1
= 0 e C
2
=
16

9, 8
A solução requerida é: x(t) =
16

9, 8
sen
t

9, 8
4
.
3. A posição, velocidade e aceleração do peso 2 segundos depois.
• x(2) =
16

9, 8
sen
2

9, 8
4
= 5, 11....
• x

(2) = 4 cos
2

9, 8
4
.
• x

(2) = −
2

9, 8
16
sen

9, 8
4
.
o qual indica que o corpo se encontra 5, 11...cm abaixo da posição de equilíbrio.
4. O período da solução é T =


9, 8/4
= 2, 55π. A freqüência é f
r
=
1
2, 55π
=.
Com facilidade se observa que a amplitude é
16

9, 8
cm. A solução mostra que o sis-
tema fica em movimento, e permanece em tal estado deslocando-se alternadamente
16

9, 8
cm paca cima e embaixo da posição de equilibrio x = 0.
3.9.2 Movimento vibratório amortecido
Na subseção anterior, supusemos que não atuam forças retardadouras sobre a massa
em movimento, o qual não é certo a menos que o objeto se encontre suspenso num vazio
perfeito.
184 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Figura 3.4: Movimento vi-
bratório amortecido livre
Quando um objeto presso a uma mola se movimenta
num meio que produz fricção sobre o objeto isto é quando
existe resistência do meio sobre a massa, então dizemos
que o movimento se efetua com amortecimento (ver Figura
(3.4)), suponhamos que o amortecimento é diretamente à
velocidade
dx
dt
.
Pela segunda Lei de Newton na ausência de forças ex-
ternas tem-se
m
d
2
x
dx
2
= −k(x + s) + mg −β
dx
dt
onde β é a constante de fricção, é a constante do amorteci-
mento (positivo), este sinal deve-se a que a força de amortecimento atua na direção oposta
ao movimento.
Obtém-se assim, a equação do movimento vibratório amortecido livre,
m
d
2
x
dx
2

dx
dt
+ kx = 0 ⇒
d
2
x
dx
2
+ 2λ
dx
dt
+ ωx = 0 (3.54)
onde 2λ =
β
m
e ω
2
=
k
m
Esta última igualdade é chamada “equação do oscilador harmônico amortecido” A
equação característica da equação (3.54) é: r
2
+2λr+ω = 0 ⇒ r = −λ±

λ
2
−ω
2
.
Caso i Quando λ
2
−ω
2
> 0, então a este movimento é chamado “movimento amortecido
forte” ou “superamortecimento” (ver Figura (3.5), neste caso as raízes da equação
característica são as duas negativas.
Figura 3.5: Amortecimento forte
A equação que descreve este movimento é
x(t) = C
1
e
r
1
t
+ C
2
e
r
2
t
= C
1
e
(−λ+

λ
2
−ω
2
)t
+C
2
e
(−λ+

λ
2
−ω
2
)t
ela represente um movimento suave e não oscilatório, observe que lim
t→∞
x(t) = 0
Christian José Quintana Pinedo 185
Caso ii Quando λ
2
−ω
2
= 0, então a este movimento é chamado “movimento críticamente
amortecido” ou “amortecimento crítico” (ver Figura (3.6)).
Figura 3.6: Amortecimento crítico
A equação que descreve este movimento é
x(t) = C
1
e
−λt
+C
2
te
−λt
= e
−λt
(C
1
+ tC
2
)
pois r
1
= r
2
= −λ.
Nesta situação, uma pequena diminuição da força de amortecimento produziría um
movimento oscilatório. Alguns possíveis gráficos da solução mostram-se na Figura (3.6)
Uma exame das derivadas da solução, permite observar que estas funções podem
quando mas um máximo ou um mínimo relativo para t > 0, isto indica que o corpo
pode passar somente uma vez pela posição de equilíbrio.
Caso iii Quando λ
2
−ω
2
< 0, então a este movimento é chamado “movimento amortecido
oscilatório” ou “subamortecimento” (ver figura (3.7).
Figura 3.7: Amortecimento oscilatório
A equação que descreve este movimento é
x(t) = C
1
e
−λt
cos

ω
2
−λ
2
+ C
2
e
−λt
sen

ω
2
−λ
2
186 Séries de Potências e Equações Diferenciais
ela representa um movimento oscilatório que tende para zero quanto t tende para o infinito.
Podemos chamar
_
C
2
1
+ C
2
2
= A, se consideramos senφ =
C
1
A
e cos φ =
C
2
A
. Logo
x(t) = Ae
−λt
sen(

ω
2
−λ
2
t + φ) (3.55)
onde φ é o ângulo da fase.
Observe que
φ =
_
¸
_
¸
_
arctan
C
1
C
2
se C
2
> 0
arctan
C
1
C
2
+ π se C
2
< 0
Na forma alternativa da solução (igualdade (3.55)), o coeficiente Ae
−λt
é chamado de
amplitude amortecida das soluções. A igualdade


ω
2
−λ
2
é o quase-período, e

ω
2
−λ
2

é a quase-freqüência.
O quase-período é o intervalo de tempo trascorrido entre dois máximos sucessivos de
x(t), também é o dobro do tempo entre dois zeros sucessivos da solução.
Para representar gráficamente as solução (3.55) considerar as seguintes observações.
As interseções com o eixo-x se obtém fazendo
sen(

ω
2
−λ
2
t + φ) = 0 ⇒

ω
2
−λ
2
t + φ = nπ, n ∈ N
t
n
=
nπ −φ

ω
2
−λ
2
, n ∈ N
Por outro lado, o gráfico de x(t) é tangente as curvas exponenciais y = Ae
−λt
e
y = −Ae
−λt
para os valores de t tais que sen(

ω
2
−λ
2
t + φ) = ±1, de onde resolvendo
esta equação as soluções t

k
são dadas por
t

k
=
(2k + 1)π −2φ
2

ω
2
−λ
2
, k ∈ N
Exemplo 3.37.
Uma mola de 5ft encontra-se pendurada em um de seus extremos. Depois de pendurar
um corpo de 10lb ao outro extremo, o comprimento esta mola mede 7ft. Retira-se este
corpo de 10lb e logo se substitui por outro de 8lb. O sistema completo é colocado num
meio que oferece resistência numéricamente igual à velocidade instantânea.
1. Obtenha a equação do movimento, se o peso é solto desde desde um ponto que se
encontra a 1/2ft abaixo da posição de equilíbrio com uma velocidade direcionada
para baixo de 1ft/s
Christian José Quintana Pinedo 187
2. Encontre os instantes nos quais o corpo passa pela posição de equilíbrio em direção
para baixo.
Solução.
Um corpo de 10lb estica de 5ft para 7ft, logo esticou 2ft, e pela Lei de Hooke,
k =
10lb
2ft
= 5lb/ft.
Substituindo por um corpo de 8lb, então m =
8lb
32ft/s
2
=
1
4
slug. A resistência
numérica β = 1. Na igualdade (3.54) tem-se
1
4

d
2
dt
2
+
dx
dt
+ 5x = 0 ⇒
d
2
dt
2
+ 4
dx
dt
+ 20x = 0
Sua equação característica é r
2
+ 4r + 20 então r = −2 ±4i, logo
x(t) = C
1
e
−2t
cos(4t) + C
2
e
−t
sen(4t) (3.56)
Solução. 1.
Das condições desta parte do problema, tem-se que x(0) =
1
2
ft e x

(0) = 1ft/s.
Destas condições iniciais na equação (3.56) segue que x(t) =
1
2
e
−2t
[cos(4t) + sen(4t)].
Solução. 2.
Escrevemos a solução da parte i na forma alternativa. Tem-se que
A =
_
_
1
2
_
2
+
_
1
2
_
2
=

2
2
, φ = arctan 1 =
π
4
de modo que x(t) =

2
2
e
−2t
sen
_
4t +
π
4
_
.
Quando x(t) = 0 segue que t = π
4n −1
16
, com n inteiro positivo par, são os instantes
em que o corpo passa pela posição de equilíbrio descendo.
Exemplo 3.38.
Uma massa de 0, 2kg que esta presa a uma mola de constante de rigidez k = 2N/m se
movimenta num meio com coeficiente de amortecimento c = 1, 2kg/s. Suponha ademais
que esta submetida a uma força externa dada por f(t) = 5 cos(4t) Newton. Se a massa é
solta a partir do repouso localizada a 50cm por embaixo da posição de equilíbrio, encontre
a posição da massa em qualquer instante t.
Solução.
A equação do movimento é 0, 2x

(t)+1, 2x

(t)+2x(t) = 5 cos(4t) ou bem x

(t)+
6x”(t) + 10x(t) = 25 cos(4t) as condições iniciais são x(0) = 0, 5, x

(0) = 0.
As soluções da equação característica r
2
+6r +10 = 0 são r = −3 ±i, assim a solução
geral da equação homogênea associada ao problema é x
h
(t) = e
−3t
C
1
cos(4t)+C
2
e
−3t
sent
188 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Para achar a solução particular da equação não homogênea usamos o método dos
coeficientes indeterminados.
Como ±4i ,= −3 ±i, então nossa solução particular tem a forma
x
p
(t) = Acos(4t) + Bsen(4t)
Tem-se: x

p
(t) = −4Asen(4t) + 4Bsen(4t), x

p
(t) = 16Acos(4t) −16Bsen(4t).
Substituindo na equação original e comparando coeficientes obtemos o sistema
_
−6A + 24B = 25
−24A −6B = 0
cujas soluções são A = −
25
102
e B = −
50
51
. Logo a solução particular é
x
p
(t) = −
25
102
cos 4t −
50
51
sen4t
A solução geral é
x(t) = −
25
102
cos 4t −
50
51
sen4t + e
−3t
C
1
cos(4t) + C
2
e
−3t
sent
das condições iniciais C
1
=
38
51
e C
2
= −
86
51
.
Portanto, x(t) = −
25
102
cos 4t −
50
51
sen4t +e
−3t
38
51
cos(4t) −
86
51
e
−3t
sent.
3.9.3 Movimento vibratório forçado
Nas subseções anteriores estudamos a problema da mola e foram consideradas as forças
restauradoras e de amortecimento. Estudaremos o caso onde atuam outras forças externas
que variam com o tempo.
Esta forças podem ocorrer por exemplo quando o suporte que segura a mola se desloca
verticalmente de um certo modo dado, tal como um movimento periódico ou quando o ao
peso se dá um certo “puxão” para baixo cada vez que alcança sua posição mais baixa.
Denotemos por f(t) a força exterior que atua sobre a massa, da segunda lei de Newton,
a equação diferencial do movimento é
m
d
2
x
dt
2
= −kx −β
dx
dt
+ f(t)
ou
d
2
x
dt
2
+ 2λ
dx
dt
+ ω
2
x = F(t) (3.57)
Christian José Quintana Pinedo 189
onde 2λ =
β
m
, ω
2
=
k
m
e F(t) =
f(t)
m
.
A solução da equação (3.57) podemos obter mediante a variação dos parâmetros ou
dos coeficientes indeterminados
Exemplo 3.39.
Uma mola vertical com constante de 6 lb/ft tem suspenso uma massa de 1/2slug. Se
aplica uma força externa dada por f(t) = 40sen2t, t ≥ 0 . Suponha que atua uma força
de amortecimento igual a duas vezes velocidade instantânea, e que inicialmente o corpo
está em repouso na posição de equilíbrio. Determine a posição do corpo em qualquer
instante t > 0.
Solução.
Com os dados k = 6 lb/ft, m = 1/2slug e β = 2 a equação diferencial de movimento é
d
2
x
dt
2
+ 4
dx
dt
+ 12x = 80sen2t (3.58)
A solução da equação homogênea associado à equação (3.58) é
x
h
(t) = e
−2t
(C
1
cos 2

2t + C
2
sen2

2t)
Pelo Método dos coeficientes indeterminados, podemos supor uma solução particular
de (3.58) da forma
x
p
(t) = Acos 2t + Bsen2t
logo
x

p
(t) = −2Asen2t + 2Bcos 2t e x

p
(t) = 4Acos 2t −4Bsen2t
Substituindo em (3.58) segue que
(8A + 8B) cos 2t + (8B −8A)sen2t = 80sen2t
de onde A = −5 e B = 5, Assim a solução geral de (3.58) é
x(t) = e
−2t
(C
1
cos 2

2t +C
2
sen2

2t) + 5(sen2t −cos 2t)
Utilizando as condições iniciais x(0) = 0 e x

(0) = 0 achamos que C
1
= 5 e C
2
= 0.
portanto a solução pedida é x(t) = 5e
−2t
cos 2

2t + 5(sen2t −cos 2t).
Observe-se neste exemplo, que a solução da homogênea x
h
(t) = 5e
−2t
cos 2

2t associ-
ado à equação (3.58) tem a propriedade
lim
t→∞
x
h
(t) = 0
190 Séries de Potências e Equações Diferenciais
é devido a isto, que dizemos que x
h
(t) é um termo transitório ou uma solução de trânsito.
Assim, para valores grandes de t, a solução x(t) se aproxima à solução particular x
p
(t).
A função x
p
(t) é chamada solução estacionária ou de estado permanente.
De fato, se na equação diferencial (3.57) escrevemos F(t) = F
0
senαt ou F(t) =
F
0
cos αt, onde F
0
e α são constantes, então sua solução geral consiste na soma de dois
termos, um termo transitório e um termo estacionário.
3.9.4 Outras aplicações
As equações diferenciais do movimento vibratório das molas, também se aplicam em:
Circuito LRC em série
Figura 3.8: Circuito LRC
Nosso objetivo é determinar a carga q(t) e a corrente
i(t) num circuito como mostrado na Figura (3.8), no caso
em que se conectam um indutor ou bobina de L henrys,
uma resistência de R ohms, um condensador ou capacitor
de C farads e um gerador de voltagem cuja força eletro-
motriz está dada pela função E(t) volts.
Da segunda Lei de Kirchhoff tem-se:
L
di
dt
+ Ri +
1
C
q = E(t)
como
i =
dq
dt

di
dt
=
d
2
q
dt
2
(3.59)
Substituindo na igualdade anterior resulta a equação diferencial para a carga elétrica
no condensador
L
d
2
q
dt
2
+ R
dq
dt
+
1
C
q = E(t) (3.60)
Podemos observar a analogia entre as equações (3.57) e (3.60), a qual permite resolver
um problema de movimento vibratório na base da análise do correspondente circuito
elétrico e viceversa, identificando
• q(t) é a carga instantânea (medida em coulombs) com a posição x.
• E(t) é a voltagem ou força eletromotriz fornecida (medida em volts) com a força
externa
• L é a indutância (medida em henry) com massa m
• R é a resistência (medida em ohms) com constante de amortecimento β
Christian José Quintana Pinedo 191
• C á a capacitância (medida em farad) com o recíproco da constante de Hooke
• i é a corrente elétrica , i =
dq
dt
com a velocidade v =
dx
dt
.
Note que se derivamos a equação de Kirchhoff com respeito a t obtemos
L
d
2
i
d
2
+R
di
dt
+
1
C

dq
dt
=
dE
dt
logo substituindo as igualdades de (3.59), isto nos conduz à equação diferencial da corrente
elétrica
L
d
2
i
dt
2
+R
di
dt
+
1
C
i =
E
dt
Exemplo 3.40.
Um circuito em série consta de um inductor de 0, 25H, uma resistência de 40 Ω, um
capacitor de 410
−4
F e uma força eletromotriz dada por E(t) = 5sen100tV. Se a corrente
inicial e a carga inicial do capacitor são ambas zero, determine a carga no capacitor e a
corrente elétrica do circuito em qualquer tempo t > 0.
Solução.
Substituindo os valores de L = 0, 25H, R = 40Ω, C = 410
−4
F e E(t) = 5sen100tV
na equação diferencial (3.60)
(0, 25)
d
2
q
dt
2
+ (40)
dq
dt
+
1
4 10
−4
q = 5sen100t
isto é
d
2
q
dt
2
+ 160
dq
dt
+ 10.000q = 20sen100t (3.61)
A equação característica de (3.61) é r
2
+ 160r + 10.000 = 0, cujas raízes são r
1
=
−80 + 60i e r
2
= −80 −60i, logo
q
h
(t) = e
−80t
(C
1
cos 60t + C
2
sen60t)
Pelo método dos coeficientes indeterminados achamos uma solução particular de (3.61)
q
p
= −
1
800
cos 100t
Assim, a solução geral de (3.61) é
q(t) = e
−80t
(C
1
cos 60t + C
2
sen60t) −
1
800
cos 100t
Das condições iniciais C
1

1
800
= 0 e −80C
1
+60C
2
= 0 resolvendo esse sistema
C
1
= 1/800 e C
2
= 1/600.
192 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Portanto a carga no capacitor é q(t) = e
−80t
(
1
600
cos 60t+
1
600
sen60t)−
1
800
cos 100t.
A corrente elétrica vem dada por i(t) = −
5
24
e
−80t
sen60t +
1
8
sen100t.
O pêndulo simples
Os pêndulos fazem parte de uma classe de osciladores harmônicos simples nos quais a
força restauradora está associada à gravidade, ao invés das propriedades elásticas de um
fio torcido ou de uma mola comprimida.
Figura 3.9: Pêndulo livre
Um pêndulo simples consiste em uma massa m presa
ao extremo de uma corda de comprimento l e massa depre-
ciável, e o outro extremo fixo. Supondo que a corda está
sempre tensa, quando afastado de sua posição de equilíbrio
e solta, as oscilações acontecem num plano vertical sob a
ação da gravidade e as únicas forças que atuam são o peso
da massa e a tensão na corda, o movimento é periódico e
oscilatório. Desejamos achar a equação do período de movi-
mento.
Decompondo o peso mg em duas componentes, uma na
direção à tangente da trajetória e a outra perpendicular a
está, observa-se que a componente perpendicular é compensada pela tensão. A magnitude
da componente tangencial é mg senθ.
Pela segunda Lei de Newton m a = m l
d
2

dt
2
= −m g senθ = 0 onde s é o
deslocamento medido ao longo do arco que descreve a oscilação, o sinal negativo indica
que a força age na direção da posição de equilíbrio. Considerando a componente do peso
na direção tangencial, o arco s = l θ tem-se a equação diferencial
d
2
θ
dt
2
= −
g
l
senθ
ou equivalente
d
2
θ
dt
2
+
g
l
senθ = 0 (3.62)
A equação (3.62) não é linear e não pode ser resolvida em termos de funções ele-
mentares, não obstante, para ângulos pequenos senθ ≈ θ, onde ao substituir em (3.62)
obtemos a equação diferencial linear
d
2
θ
dt
2
+
g
l
θ = 0
este último processo é chamado de linearização.
Christian José Quintana Pinedo 193
Resolvendo esta equação tem-se como solução
θ(t) = C
a
cos
_
g
l
t + C
2
sen
_
g
l
t
que corresponde a um movimento harmônico simples com período
T = 2π
¸
l
g
De modo similar obtém-se a equação diferencial para o pêndulo amortecido
d
2
θ
dt
2
+
c
m

dt
+
g
l
senθ = 0
onde c é a constante de amortecimento. Esta última equação linearizando resulta
d
2
θ
dt
2
+
c
m


dt
+
g
l
θ = 0 (3.63)
Torção de barra
Figura 3.10: Torção de barra
A equação diferencial que rege o movimento de torção
de um corpo suspenso um eixo elástico é (ver Figura (3.10))
I
d
2
θ
dt
2
+c

dt
+ kθ = T(t) (3.64)
• I é o momento de inércia do corpo suspenso
• c é a constante de amortecimento
• k é a constante elástica do eixo
• T(t) é a força de torção exterior aplicada ao corpo
Exemplo 3.41.
Um cilindro homogêneo de raio rft e peso W libras e movimento de inércia I
g
=
W
g

r
2
2
(em relação ao seu eixo g) tem uma corda flexível enrrolada em torno de seu eixo central.
Quando o corpo cai a resistência do ar é
W
170
vezes a sua velocidade instantânea. Se você
desenrrolar a partir do repouso, encontrar distância y da queda em função do tempo t, o
limite de velocidade e a percentagem de velocidade adquirida em 20s.
Solução.
194 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Figura 3.11: io-io
Se θ é o ângulo de rotação em torno do eixo g e no
sentido horário (ver Figura (3.11) então y = rθ e assim as
equações para a velocidade v e aceleração a são
v =
dy
dt
= r

dt
e a =
d
2
y
dt
2
= r
d
2
θ
dt
2
Pela segunda lei de Newton

de forças na direção do eixo y = m
d
2
y
dt
2
logo
−T +W −
W
170

dy
dt
= m
d
2
y
dt
2
(3.65)

de torques em torno do eixo g = I
g

d
2
θ
dt
2
de onde
Tr =
W
g

r
2
2

1
r

d
2
y
dt
2
=
Wr
2g

d
2
y
dt
2
isolando T e substituindo em (3.65) segue

W
2g

d
2
y
dt
2
+W −
W
170

dy
dt
= m
d
2
y
dt
2
=
W
g

d
2
y
dt
2
3W
2g

d
2
y
dt
2
+
W
170

dy
dt
= W ⇒
d
2
y
dt
2
+
g
255

dy
dt
=
2g
3
as condições iniciais são y(0) = 0 e y

(0) = 0.
A solução geral é y = C
1
+ C
2
e

g
255
t
+ 170(t −
255
g
) e a solução particular é
y =
170 255
g
e

g
255
t
+ 170(t −
255
g
)
a velocidade é
y

= −170e

g
255
t
+ 170
a velocidade limite é lim
t→∞
y

= 170 = v
t
A percentagem da velocidade limite é
y

(20)
v
t
100 =
_
−170e

g
255
·20
+ 170
170
_
100 = 100(1 −e

4
51
g
)
Christian José Quintana Pinedo 195
Exercícios 3-3
1. Determine a solução geral de cada uma das equações diferenciais.
1. y

−3y

+ 2y = 0 2. y

−3y

+ 2y = 0
3. y

+ 5y

= 0 4. 12y

−5y

−2y = 0
5. y

+ 3y

−5y = 0 6. 8y

+ 2y

−y = 0
7. 3y

+ 2y

+ y = 0 8. 4y

+ 4y

+y

= 0
9. y

−4y

−5y = 0 10. y

+ 5y

= 0
2. Resolver as seguintes equações homogêneas de Euler.
1. x
2
y

+ xy

−y = 0 2. x
2
y

+ 3xy

+y = 0
3. x
2
y

+ 2xy

+ 6y = 0 4. xy

+ y

= 0
5. (x + 2)
2
y

+ 3(x + 2)y

−3y = 0 6. (2x + 1)
2
y

−2(2x + 1)y

+ 4y = 0
7. x
2
y

−3xy

+ 3y

= 0 8. x
2
y

= 2y

9. ((x + 1)
2
y

−12y

= 0 10. (2x + 1)
2
y

+ 2(2x + 1)y

+y

= 0
3. Resolver as seguintes equações não homogêneas de Euler.
1. x
2
y

+ xy

+ y = x(6 −Lnx) 2. x
2
y

−xy

+ y = 2x
3. x
2
y

−xy

−3y = −
16Lnx
x
4. x
2
y

−2xy

+ 2y = x
2
−2x + 2
5. x
2
y

+ xy

−y = x
m
, [m[ ,= 1 6. x
2
y

+ 4xy

+ 2y = 2Ln
2
x + 12x
7. x
3
y

−3x
2
y

+ 6xy

−6y = x 8. x
2
y

+ 4xy

+ 2y = 2Ln
2
x + 12x
9. 10.
11. 12.
4. Resolver as seguintes equações pelo método de redução de ordem dado que y
1
é uma
solução da equação.
1. y

−9y = 0; y
1
= e
3x
2. x
2
y

+ xy

+ y = 0; y
1
= cos Lnx
3. y

+ 9y = 0; y
1
= cos x 4. (1 −x
2
)y

−2xy

+ 2y = 0; y
1
= x
5. x
2
y

+ 2xy

−6y = 0; y
1
= x
2
6. x
3
y

+ x
2
y

+ xy = 0; y
1
= sen(Lnx)
7. x
2
y

+ xy

= 0; y
1
= 1 8. x
2
y

−4xy

+ 6y = 0; y
1
= x
2
9. x
2
y

+ 3xy

= 0; y
1
= 1 10. x
2
y

−2xy

+ 2y = 0; y
1
= x
196 Séries de Potências e Equações Diferenciais
11. (2x+1)y

−4(x+1)y

+4y = 0; y
1
= x+1 12. x
2
y

+2xy

−1 = 0
5. Resolver as seguintes equações pelo método dos coeficientes indeterminados.
1. y

+ 2y

+y = x
2
e
−x
2. y

+y

+
1
4
y = e
x
(sen3x −cos 3x)
3. y

−y

= x
2
e
x
+ 5 4. y

+ 4y = cos
2
x
5. y

+ y

+ y = xsenx 6. y

−y = 3xe
x
cos 2x
7. y

+ 25y = 6senx 8. y

−2y

+ 5y = e
x
senx
9. y

+ 3y

+ 2y = 6 10. y

−8y

= 20y = 100x
2
−26xe
x
11. y

+ 3y = −48x
2
e
x
12. 4y

+ 4y

−3y = cos 2x
13. y

−5y

= 2x
3
−4x
2
−x + 6 14. y

−16y = 2e
4x
15. y

+ 2y

−24y = 16(x + 2)e
4x
16. y

−2y

−4y

+ 8y = 6xe
2x
6. Resolver as seguintes equações pelo método de variação de parâmetros.
1. y

+ y

= sec x 2. y

−2y

+ y =
e
x
x
3. y

−y

−y = e
3x
4. xy

+ 4y = x
4
5. x
5
y

−2x
5
y

−x
5
y = e
x
6. y

+ 4y = sen
2
2x
7. y

+ y = −x
−2
senx + 2x
−1
cos x 8. y

+ 5y + 6 = e
−2x
sec
2
(1 + 2 tan x)
9. y

+ 2y

+ y = e
−x
Lnx 10. y

−3y

+ 2y = cos(e
−x
)
11. y

+ 4y = 4 sec
2
x 12. y

+ y = csc x cot x
13. y

−3y

+ 2y =
e
2x
1 + e
2x
14. y

−2y

+ y = e
2x
(e
x
+ 1)
−2
7. Resolva os problemas de valor inicial:
1. y

+ y

−2y = t
2
+ 3, y(0) = 0, y

(0) = 0
2. y

+ 2y

+ y = 3sen(2t), y(0) = 0, y

(0) = 0
3. y

−4y

+ 4y = 3e
−t
, y(0) = 0, y

(0) = 0
4. 2y

+ 2y

+ y = t
2
, y(0) = 0, y

(0) = 0
8. Encontre a solução geral da equação y

+2y

+αy = 0 para α > 1, para α = 1 e para
α < 1. 1. Determine a forma adequada para uma solução particular da equação
y

+ 2y

+ αy = t
e−t
sen(

α −1t) para α > 1. 3. Para quais valores de α todas as
soluções tendem a zero quando t →∞.
9. Se y
1
=

x
−1
cos x e y
2
=

x
−1
senx formam un conjunto linearmente independente
Christian José Quintana Pinedo 197
e são soluções de x
2
y

+ xy

+ (x
2

1
4
)y = 0. Achar a solução geral para x
2
y

+
xy

+ (x
2

1
4
)y = x

x
3
.
10. Se y
1
= x e y
2
= e
x
formam un conjunto linearmente independente e são soluções
da homogênea associada à ED (x − 1)y

+ xy

− y = 2(x − 1)
2
e
−x
; 0 < x < 1.
Achar a solução geral.
11. Para x > 1 considere a seguinte equação diferencial
(x
4
−x
3
)y

+ (2x
3
−2x
2
−x)y

−y =
(x −1)
2
x
1. Achar a solução geral da homogênea sabendo que uma de suas soluções é y
1
=
e
1/x
2. Achar a solução geral da equação não homogênea.
12. Um peso de 24 libras preso à extremidade de uma mola que se estende 4 polegadas.
Encontre a equação do movimento se o peso em repouso, é liberado a partir de um
ponto que é de 3 polegadas. na posição de equilíbrio.
13. Encontrou-se num experimento que um corpo de 4 lb estica uma mola 6 polegadas.
O meio oferece uma resistência ao movimento do corpo numéricamente igual a 2, 5
vezes a velocidade instantânea. Determine a equação do movimento sabendo que o
peso esta se desplazando 4 polegadas por baixo da posição de equilíbrio e é solta.
14. Um peso de 32lb estica uma mola 6 polegadas. O peso se move em um ambiente que
se opõe a uma força de amortecimento numéricamente igual a β vezes a velocidade
instantânea. Determine os valores de β para que o sistema mostre um movimento
oscilatório.
15. Uma massa de uma libra, está sujeita a uma mola cuja constante é 9 lb/pie. O meio
oferece resistência ao movimento numéricamente igual igual a 6 vezes a velocidade
instantânea. A massa é liberada desde um ponto que está a 8 polegadas sobre a
posição de equilíbrio. Determinar os valores de v
0
a fim de que posteriormente a
massa passe a posição de equilíbrio.
16. Um peso 16 lb estica uma mola em
8
3
ft. Inicialmente peso a partir do repouso de
um ponto que é de 2 ft abaixo da posição de equilíbrio e o movimento posterior
é feito em um ambiente que se opõe uma força de amortecimento numéricamente
igual a
1
2
da velocidade instantânea. Encontre a equação do movimento se o peso é
impulsionado por uma força externa igual a f(t) = 10 cos 3t.
198 Séries de Potências e Equações Diferenciais
17. Uma massa pesa de 4 lb está pendurada no extremo de numa mola. Se a mola
se estica 2 polegadas por causa do peso da massa para em seguida, se mover 6
polegadas da posição de equilíbrio e ser lançada com uma velocidade inicial de zero,
encontrar a equações diferencial do sistema, considerar que o meio ambiente oferece
uma resistência ao movimento de 6lb quando a massa tem uma velocidade de 3ft/s.
18. Um bloco de 4, 0Kg está suspenso de uma certa mola, estendendo-a a 16, 0cm além
de sua posição de repouso. 1. Qual a constante da mola? 2. O bloco é removido e
um corpo de 0, 5 Kg é suspenso da mesma mola. Se esta mola for então puxada e
solta, qual o período de oscilação?
19. Uma massa de 100 gramas estica uma mola 10 centímetros. A massa está presa a um
amortecedor viscoso. Suponha que a aceleração da gravidade seja de 10
3
centímetros
por segundo ao quadrado. 1. Para quais valores da constante de amortecimento γ o
sistema é super-amortecido, tem um amortecimento crítico e é sub-amortecido. 2.
Suponha que o amortecedor exerce uma força de 10
4
dinas (=gramas centímetros
por segundos
2
) quando a velocidade é de 10 centímetros por segundo. Se a massa
é puxada para baixo 2 centímetros e depois é solta, determine a posição x(t) em
função do tempo t e faça um esboço do seu gráfico. Qual o valor do quase período?
20. Um circuito possui um capacitor de 0, 12510
−1
F, um resistor de 60Ω e um indutor
de 10 H, em série. A carga inicial no capacitor é zero. No instante t = 0 conecta-se
o circuito a uma bateria cuja tensão é de 12 V e o circuito é fechado. 1. Determine
a carga no capacitor em qualquer instante t > 0. 2. Determine a carga no capacitor
quando t →∞.3. Esboce o gráfico da solução obtida.
21. Um circuito possui um capacitor de 0, 5 10
−1
F, um resistor de 25 Ω e um indutor
de 5H, em série. O capacitor se encontra descarregado. No instante t = 0 conecta-se
esse circuito a uma bateria cuja tensão é de 10e
−t/4
V , e o circuito ´ e fechado.
22. Determinar a carga do capacitor num circuito em série LRC em t = 0, 01 s, L =
0, 05 h, R = 2Ω, C = 0, 01 f, E(t) = 0 V , q(0) = 5 C e i(O) = 0 A. Encontre o
primeiro momento em que a carga no capacitor é zero
Christian José Quintana Pinedo 199
3.10 Resolução de Equação Diferencial por Série de
Potências
Existem casos onde a solução de equações diferenciais ordinárias mediante manipulação
das funções elementares é impossível, nestes casos busca-se a solução da tal equação
diferencial mediante series de potências.
O objetivo desta seção é apresentar a solução de equações diferenciais ordinárias me-
diante a utilização das séries de potências, este método de solução é um primeiro passo
para resolver as equações diferenciais através de métodos numéricos.
Uma aplicação importante das séries de potências está orientada para a solução de
equações diferenciais lineares com coeficientes variáveis. Para isto, é necessário calcular
as derivadas da solução em forma da série y =
+∞

n=0
a
n
(x −x
0
)
n
y

=
+∞

n=1
na
n
(x −x
0
)
n−1
=
+∞

n=0
(n + 1)a
n+1
(x −x
0
)
n
y

=
+∞

n=2
n(n −1)a
n
(x −x
0
)
n−2
=
+∞

n=0
(n + 2)(n + 1)a
n+2
(x −x
0
)
n
estas operações não são mais mudanças de nome do índice. Este sobe-desce dos indices
tem interés porque podemos escrever todas as séries em função de (x−x
0
)
n
e assim anular
os coeficientes. O método consiste em que se reduz em k o índice inferior do somatório,
devo aumentar em k os indices dentro do somatório.
Exemplo 3.42.
Resolver a equação diferencial y

−y = 0.
Solução.
Supondo que a solução é y =
+∞

n=0
a
n
(x − x
0
)
n
, tem-se y

=
+∞

n=0
(n + 1)a
n+1
(x − x
0
)
n
de onde
+∞

n=0
(n + 1)a
n+1
(x − x
0
)
n

n=0
a
n
(x − x
0
)
n
= 0, a série proposta como solução
cumpre com a equação se exigimos aos coeficientes que
a
n+1
=
a
n
n + 1
⇒ a
n
=
a
0
n!
Logo a solução da equação diferencial é
y =

n=0
a
n
(x −x
0
)
n
=
+∞

n=0
a
0
n!
(x −x
0
)
n
= a
0
e
−x
0
e
x
= C
1
e
x
200 Séries de Potências e Equações Diferenciais
onde C
1
= a
0
e
−x
0
é constante.
Isto é a solução é a função exponencial e todos seus múltiplos.
Existem casos que nem sempre substituindo uma série obteremos a solução como
mostra o seguinte exemplo.
Exemplo 3.43.
Dada a equação diferencial x
2
y

−y = −x −1.
Solução.
Em torno de x
0
= 0, supondo y =
+∞

n=0
a
n
x
n
é uma solução, tem-se
x
2
+∞

n=1
na
n
x
n−1

+∞

n=0
a
n
x
n
= −x −1 ⇒
+∞

n=1
na
n
x
n+1
−a
0
−a
1
x −
+∞

n=2
a
n
x
n
= −x −1

+∞

n=1
na
n
x
n−1

+∞

n=1
a
n−1
x
n−1
−a
0
−a
1
x = −x −1

+∞

n=1
(na
n
−a
n−1
)x
n−1
−a
0
−a
1
x = −x −1
Como na
n
−a
n−1
= 0, a
0
= a
1
= 1 então o termo geral é a
n
= (n −1)!, logo
y = 1 + x +
+∞

n=2
(n −1)! x
n
Esta série não converge para x ,= 0, seu raio de convergência é zero, logo converge
quando x = 0. Então poderíamos dizer que a solução é y = 1 (uma constante) porém
isto não é uma solução no sentido real.
Equações diferenciais aparecem com muita frequência na física matemática em proble-
mas de transferência de calor, equações de onda, problema de acustica e eletromagnetismo,
entre outras áreas. A equação de Bessel
x
2
y

+ xy

+ (x
2
−n
2
)y = 0
e a equação de Legendre
5
.
(1 −x
2
)y

−2xy

+n(n + 1)y = 0
5
Adrien Marie Legendre (1752 − 1833), matemático nascido na França, realizou importante con-
tribuição nas funções especiais, integrais elípticas, a teoria de números e no cálculo variacional. Seu
livro “Élements de géométrie” foi famoso e teve 12 edições publicadas em menos de 30 anos.’
Christian José Quintana Pinedo 201
são um exemplo deste tipo de equações.
Suponhamos temos a equação diferencial
a
2
(x)y

+ a
1
(x)y

+ a
0
(x)y = 0 (3.66)
podemos escrever na forma
y

+ p(x)y

+ q(x)y = 0 (3.67)
onde a
2
(x) ,= 0 no intervalo I ⊂ R com p(x) =
a
1
(x)
a
2
(x)
e q(x) =
a
0
(x)
a
2
(x)
. Aqui estamos
supondo que p(x) e q(x) não sejam simultaneamente constantes, e limitar nosso estudo
a equações diferenciais de segunda ordem, pois para ordens maiores é só generalizar as
conclusões de ordem dois.
Definição 3.5. Funções analíticas.
Dizemos que a função

n=0
f
(n)
(x
0
)
n!
(x −x
0
)
n
é analítica em x = x
0
se sua série de Taylor converge para f(x) em alguma vizinhança
de x = x
0
.
São exemplos de funções analíticas em todo R, os polinômios, as funções senx, cos x, e
x
.
O quociente de duas funções analíticas também é analítica desde que o denominador não
seja nulo.
Exemplo 3.44.
Sejam as seguintes equações diferenciais escritas na forma da igualdade (3.67) então:
• Da equação y

+
y

x
+y = 0, segue que p(x) e q(x) são analíticas exceto em x
0
= 0.
• Da equação y

+ x
2
y



xy = 0, segue que p(x) é analítica em R e q(x) não é
analítica em x
0
= 0.
• Da equação y

+
senx
x
y

+xy = 0, primeiro devemos calcular o raio de convergência
de p(x); se a série tiver raio de convergência não nulo em x = x
0
então p(x) é
analítica no ponto x = x
0
considerado.
Definição 3.6. Ponto ordinário.
Dizemos que x = x
0
é um ponto ordinário da equação (3.66), se p(x) e q(x) forem
analíticas em x = x
0
, isto é, se p(x) e q(x) podem ser expandidas em séries de potências
de x −x
0
com raio de convergência positivo.
Observação 3.6.
Se um ponto não for ordinário, dizemos que x = x
0
é ponto singular.
202 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Exemplo 3.45.
Determine os pontos ordinários e singulares de y

+ senx y

+ e
x
y = 0.
Solução.
Como p(x) = senx tem expansão em série de Taylor para qualquer x
0
∈ R; e q(x) = e
x
também tem expansão em série de Taylor para qualquer x
0
∈ R, então todo ponto x ∈ R
é ponto ordinário.
Portanto, não tem pontos singulares.
Exemplo 3.46.
Determine os pontos ordinários e singulares de xy

+ senx y = 0.
Solução.
Tem-se y

+
senx
x
y = 0, assim, podemos supor q(x) =
senx
x
, na forma de séries de
potências
q(x) =

n=0
(−1)
n x
2n+1
(2n+1)!
x
=

n=0
(−1)
n
x
2n
(2n + 1)!
então x = 0 é ponto ordinário da equação diferencial.
Portanto, todos os pontos x ,= 0 são pontos singulares.
Exemplo 3.47.
Determine os pontos ordinários e singulares de y

+ Lnx y = 0.
Solução.
Tem-se que x = 0 é ponto singular, pois p(x) = Lnx não tem expansão em série de
Taylor em x = 0, todos os demais pontos diferentes de x = 0 são pontos ordinários.
Quando em (3.66) tem-se que a
2
(x), a
1
(x) e a
0
(x) são polinômios sem fatores comuns,
isto é, sem raízes comuns, então x = x
0
é
i) Um ponto ordinário se a
2
(x
0
) ,= 0, isto é x = x
0
não é raiz de a
2
(x).
ii) Um ponto singular se a
2
(x
0
) = 0, isto é, x = x
0
é raiz de a
2
(x).
Isto é, se têm pontos singulares nas raízes de a
2
(x), quaisquer outros valores são
pontos ordinários.
Exemplo 3.48.
Determine os pontos ordinários e singulares da equação (x
2
−4)y

+ 2xy

+ 3y = 0.
Solução.
Como a
2
(x) = x
2
− 4 = 0, logo x = ±2 são pontos singulares e x ,= ±2 são pontos
ordinários.
Christian José Quintana Pinedo 203
Definição 3.7. Ponto singular regular.
Dizemos que x = x
0
é ponto singular regular da equação diferencial
y

+ p(x)y

+ q(x)y = 0
se (x −x
0
)p(x) e (x −x
0
)
2
q(x) fossem analíticas em x = x
0
.
Desta definição decorre que se temos a equação
(x −x
0
)
2
y

+ (x −x
0
)p(x)y

+ q(x)y = 0 (3.68)
onde p(x) e q(x) são funções analíticas numa vizinhança de x = x
0
. O ponto x = x
0
é
chamado ponto singular regular para a equação (3.68).
Deste modo podemos entender que x = x
0
é ponto singular regular, se podemos
escrever as funções p(x) e q(x) na forma
p(x) =

n=−1
b
n
(x −x
0
)
n
e q(x) =

n=−2
c
n
(x −x
0
)
n
Exemplo 3.49.
São exemplos de pontos singulares regulares:
1. Os pontos x = ±1 são pontos singulares regulares para a equação de Legendre
(1 −x
2
)y

−2xy

+ λ(λ + 1)y = 0
De fato, x = −1 é um ponto singular regular, pois a equação de Legendre pode ser
posta na forma (3.67) com p(x) = −
2x
1 −x
e q(x) =
λ(λ + 1)(x + 1)
(x −1)
.
Um raciocínio análogo para verificar que x = 1 também é ponto singular regular.
2. O ponto x = 0 é ponto singular regular para a equação de segunda ordem de Euler-
Cauchy.
3. Os pontos x = ±1 são pontos singulares regulares para a equação de Chevyshev
(1 −x
2
)y

−xy

+ λ
2
y = 0
4. O ponto x = 0 é ponto singular regular para a equação de Bessel
x
2
y

+ xy

+ (x
2
−λ
2
)y = 0
204 Séries de Potências e Equações Diferenciais
5. O ponto x = 0 é ponto singular regular para a equação de Laguerre
xy

+ (1 −x)y

+ λy = 0
Todas estas equações acima mencionadas aparecem em problemas das equações difer-
enciais parciais da Física Matemática, e apresentam interessantes propriedades do ponto
de vista matemático.
Observação 3.7.
1. Se x = x
0
não satisfaz a Definição (3.7), então dizemos que x = x
0
é ponto singular
irregular.
2. Se na equação diferencial a
2
(x)y

+a
1
(x)y

+a
0
(x)y = 0 tem-se que a
2
(x), a
1
(x) e
a
0
(x) são polinômios sem fatores comuns, então dizemos que x = x
0
é um ponto
singular regular se a
2
(x) = 0; além disso, se em p(x) =
a
1
(x)
a
2
(x)
e q(x) =
a
0
(x)
a
2
(x)
o fator x − x
0
tem quando mais grau um no denominador de p(x) e grau dois no
denominador de q(x).
Exemplo 3.50.
Determine os pontos singulares regulares e irregulares de
(x
2
−4)
2
y

+ (x −2)y

+ y = 0
Solução.
São pontos singulares: a
2
(x) = (x
2
−4)
2
= 0 ⇒ x = ±2
p(x) =
x −2
(x
2
−4)
2
=
1
(x −2)
2
(x + 2)
2
e q(x) =
1
(x −2)
2
(x + 2)
2
• Quando x = 2, como (x−2) é um fator de grau um em p(x) e de grau dois em q(x),
portanto x = 2 é um ponto singular regular.
• Quando x = −2, tem-se um ponto singular irregular, pois (x+2) é um fator de grau
dois no denominador de p(x).
Teorema 3.7. Existência da solução geral.
Se x = x
0
é ponto ordinário da equação (3.68), então ela admite soluções analíticas
da forma
y =

n=0
a
n
(x −x
0
)
n
linearmente independentes com raios de convergência maior ou igual à distância,sobre o
plano complexo, de x
0
à singularidade mais próxima de p(x) ou q(x).
Christian José Quintana Pinedo 205
Teorema 3.8. Existência da solução particular.
Dados y
0
e y
1
, se x = x
0
é ponto ordinário da equação (3.68), então existe uma função
analítica em x
0
que é solução da equação (3.68) tal que y(x
0
) = y
0
e y

(x
0
) = y
1
.
A demonstração deste teorema é exercício para o leitor.
Observação 3.8.
Com frequência se trabalha com o ponto ordinário x = 0, para o caso do ponto ordinário
x ,= 0, se faz a substituição t = x − a, esta substituição transforma a EDO original em
outra EDO com ponto ordinário t = 0.
3.10.1 Método da Série de Taylor
Este método como seu próprio nome sugere, inicia-se admitindo que a solução da
equação diferencial pode ser representada por série de Taylor em torno de um ponto inicial,
o qual é suposto singular regular. Tal método, sendo mais prático que o de Frobenius,
parece menos eficaz por não usar uma fórmula de recorrência.
Seja y = y(x), nos casos em que para a equação y

= F(x, y) se deve resolver o
problema de Cauchy com a condição inicial y
0
= y(x
0
), a solução pode ser obtida com a
ajuda da série de Taylor
y =

n=0
y
(n)
(x
0
)
n!
(x −x
0
)
n
onde y
0
= y(x
0
), y

0
= F(x
0
, y), em diante as derivadas y
(n)
(x
0
) são determinadas por
derivação sucessiva da série de Taylor, logo ir substituindo na equação diferencial original.
Como ilustração deste método, acharemos a solução do PVI
Exemplo 3.51.
Resolver mediante séries de potências o PVI:
dy
dx
= x + y, y(0) = 1 (3.69)
Sabe-se que a solução analítica é: y = 2e
x
−x −1.
Solução.
Pelo estudado no Capítulo I, podemos escrever o desenvolvimento em Série de Taylor
da igualdade (3.69) em algum ponto ordinário x = x
0
.
y(x
0
+ h) = y(x
0
) + y

(x
0
).h +y

(x
0
).
h
2
2!
+ y

(x
0
).
h
3
3!
+ (3.70)
Como y

é conhecido, tem-se
y

=
dy
dx
= x +y ⇒ y

=
d
2
y
dx
2
= 1 +
dy
dx
= 1 + x + y
206 Séries de Potências e Equações Diferenciais
y

=
dy
dx
[1 + x + y] ⇒ y

=
d
3
y
dx
3
= 1 +
dy
dx
= 1 + x + y = y

y
iv
= y

= y

, y
v
= y
iv
= y

= y

, y
(k)
= y

logo em (3.70)
y(x
0
+ h) = y(x
0
) + y

(x
0
).h + y

(x
0
).
h
2
2!
+ y

(x
0
).
h
3
3!
+ y

(x
0
).
h
4
4!
+ (3.71)
Pelos dados dos valores iniciais temos que x
0
= 0 e y(x
0
) = 1. Logo y

(0) = 0 +
1, y

(0) = 1 +0 +1 = 2, em geral se k ≥ 2 segue que y
(k)
(0) = 2. Assim se considerar-
mos h = 0, 1, em (3.70)
y(0 + 0, 1) = y(0, 1) = y(0) + y

(0).h + y

(0).
h
2
2!
+y

(0).
h
3
3!
+ y

(0).
h
4
4!
+
y(0, 1) = 1 + 1.(0, 1) + 2.
(0, 1)
2
2!
+ 2.
(0, 1)
3
3!
+ 2.
(0, 1)
4
4!
+ = 1, 11034166666...
Por outro lado, como y = 2e
x
− x − 1 é uma solução analítica, então y(0, 1) =
2e
0,1
−(0, 1) −1 = 1, 11034183616... O erro está na sétima casa decimal.
Logo, podemos aceitar então como solução aproximada da equação de valores iniciais
(3.69) a função
y(x) = 1 + 1.(x) + 2.
(x)
2
2!
+ 2.
(x)
3
3!
+ 2.
(x)
4
4!
+ = 1 + x + 2

k=2
x
k
k!
Método de solução
O método é simple, mesmo que aqui se descreva o caso da equação de segunda ordem,
este método pode-se aplicar a equações lineares de ordem n.
Para encontrar una solução para la EDO lineal de segundo ordem segue-se o seguinte
roteiro
1. Supoe-se que a solução é uma função analítica em x = x
0
cuja expansão em séries de
potências é y(x) =

n=0
a
n
(x −c)
n
.
2. Substitue-se a suposta solução y(x) na equação diferencial e tratamos de achar dos
conjuntos de coeficientes a
n
de modo que se tenham duas séries de potências y
1
(x)
e y
2
(x)as quais formam o conjunto fundamental de soluções.
3. A solução geral estará dada pela combinação linear das funções y
1
(x) e y
2
(x).
Nem sempre ocorre que a série está centrada em x = x
0
como mostra o seguinte
exemplo.
Christian José Quintana Pinedo 207
Exemplo 3.52.
Resolver por series de potências a EDO y

−(t + 3)y

−(t
2
+ 6t + 9) = 0.
Solução.
A mudança de variável apropriada é x = t + 3, esta mudança não afeita as derivadas
e tem-se que
dy
dt
=
dy
dx
. Assim nossa EDO podemos escrever como
y

−xy

−x
2
y = 0; x
0
= 0
Logo a solução y(x) podemos escrever como y(t +3), com isto é suficiente resolver com
séries centradas em x = 0 como mostram os exemplos a seguir.
Exemplo 3.53.
Utilizando o método das series de potências, resolver: (1 −x
2
)y

−2xy = 0.
Solução.
Como a
2
(x) = 1 − x
2
e os coeficientes são polinômicos, tem-se singularidades em
x = ±1. Será considerado x
0
= 0 como ponto ordinário para determinar a expansão da
série a propor como solução.
1. Assim, y(x) =

n=0
a
n
x
n
.
2. Substituindo na equação diferencial
(1 −x
2
)

n=1
a
n
nx
n−1
−2x

n=0
a
n
x
n
= 0

n=1
a
n
nx
n−1

n=1
a
n
nx
n+1
−2

n=0
a
n
x
n+1
= 0
a
1
+ (2a
2
−2a
0
)x +

n=3
a
n
nx
n−1

n=1
a
n
nx
n+1
−2

n=1
a
n
x
n+1
= 0
podemos escrever esta igualdade na forma:
a
1
+(2a
2
−2a
0
)x +

m=0
a
m+3
(m+3)x
m+2

k=0
a
k+1
(k +1)x
k+2
−2

i=0
a
i+1
x
i+1
= 0
a
1
+ (2a
2
−2a
0
)x +

n=0
[a
n+3
(n + 3) −a
n+1
(n + 1) −2a
n+1
]x
n+2
= 0
desta última igualdade trataremos de determinar os a
n
.
Como estamos comparando polinômios, para verificar a igualdade deve acontecer:
a
1
= 0; a
2
= a
0
; a
n+3
(n + 3) −a
n+1
(n + 1) −2a
n+1
= 0
208 Séries de Potências e Equações Diferenciais
desta última igualdade tem-se a
n+3
=
(n + 3)a
n+1
(n + 3)
= a
n+1
quando n = 0 segue:
a
1
= a
3
= a
5
= = a
2k+1
= 0 e a
2k
= a
0
para k ∈ N
3. Como a solução proposta foi y(x) =

n=0
a
n
x
n
, substituindo os valores correspondentes
a
n
segue que y(x) = a
0

n=0
x
2n
é solução da equação diferencial.
Exemplo 3.54.
Resolver por series de potências a EDO (x
2
−1)y

+ 4xy

+ 2y = 0.
Solução.
Seja x
2
−1 = 0, logo x = ±1 são pontos singulares, e os x ,= ±1 são pontos ordinários.
Consideremos sem perda de generalidade o ponto ordinário x
0
= 0, então a solução é
da forma y(x) =

n=0
a
n
x
n
. Logo, na equação original tem-se
(x
2
−1)y

+ 4xy

+ 2y = 0 ⇔ x
2
y

−y

+ 4xy

+ 2y = 0
x
2

n=2
a
n
n(n −1)x
n−2

n=2
a
n
n(n −1)x
n−2
+ 4x

n=1
a
n
nx
n−1
+ 2

n=0
a
n
x
n
= 0 ⇔

n=2
a
n
n(n −1)x
n

n=2
a
n
n(n −1)x
n−2
+ 4

n=1
a
n
nx
n
+ 2

n=0
a
n
x
n
= 0 ⇔
escrevendo as potências de x com os mesmos expoentes

n=2
a
n
n(n −1)x
n

n=0
a
n+2
(n + 2)(n + 1)x
n
+ 4

n=1
a
n
nx
n
+ 2

n=0
a
n
x
n
= 0 ⇔
2a
0
−2a
2
+ 6(a
1
−a
3
)x +

n=2
[a
n
n(n −1) −a
n+2
(n + 2)(n + 1) + 4a
n
n + 2a
n
]x
n
= 0
comparando coeficientes com o polinômio 0 = 0 + 0x + 0x
2
+
x
0
: 2a
0
−2a
2
= 0 ⇒ a
0
= a
2
x
1
: a
1
−a
3
= 0 ⇒ a
1
= a
3
x
k
: a
n
n(n −1) −a
n+2
(n + 2)(n + 1) + 4a
n
n + 2a
n
= 0; k = 2, 3,
a
n
[n(n −1) + 4n + 2] = a
n+2
(n + 2)(n + 1) = 0
a
n
(n + 2)(n + 1) = a
n+2
(n + 2)(n + 1) = 0 ⇒ a
n+2
=
(n + 2)(n + 1)
(n + 2)(n + 1)
a
n
Assim, a
n+2
= a
n
para n ≥ 2, logo
a
4
= a
2
= a
0
; a
5
= a
3
= a
1
; a
6
= a
4
= a
2
= a
0
Christian José Quintana Pinedo 209
em geral a
2n
= a
0
; a
2n+1
= a
1
para todo n ∈ N de onde
y(x) =

n=0
a
n
x
n
= a
0
(1 + x
2
+ x
4
+ ) + a
1
(x + x
3
+x
5
+ )
y(x) = a
0
1
1 −x
2
+ a
1
x
1 −x
2
= a
0
y
1
(x) + a
1
y(x); [x
2
[ < 1
Sendo y
1
(x) e y
2
(x) duas soluções linearmente independentes.
Observação 3.9.
O exemplo a seguir somente é válido para equações diferenciais com condições iniciais.
Para o caso da condição inicial estar em x = 0 usa-se as séries de MacLaurin; se a
condição inicial estiver em x ,= 0 utiliza-se a série de Taylor.
Exemplo 3.55.
Resolver a equação diferencial com condições iniciais: y

− 6e
−x
y = 0; y(0) =
y

(0) = 1.
Solução.
Consideremos a série de MacLaurin y(x) =

n=0
y
(n)
(0)
n!
x
n
, isto é
y(x) = y(0) +
y

(0)
1!
x +
y

(0)
2!
x
2
+
y

(0)
3!
x
3
+
da equação segue que y

(x) = e
−x
y(x) de onde y

(0) = e
−0
y(0) = 1.
Como y

(x) = e
−x
y(x) ⇒ y

(x) = e
−x
y

(x) −e
−x
y(x), assim y

(0) = e
−0
y

(0) −
e
−0
y(0) = 0.
Verifica-se que y
(iv)
(x) = e
−x
(y

(x) −2y

(x)) −e
−x
(y

(x) −y(x)), logo y
(iv)
(0) = 0.
Também verifica-se que y
(v)
(0) = −1.
Substituindo na fórmula de MacLaurin obtemos a solução da EDO
y(x) = 1 + x +
x
2
2!

x
5
5!
+
3.10.2 A equação de Hermite
Esta equação tem importância no contexto da solução do oscilador harmônico quântico.
A equação de segunda ordem de Hermite é da forma
y

−2xy

+ 2py = 0; p ∈ R
Nesta equação podemos observar sem dificuldade que x = 0 é um ponto ordinário. A
210 Séries de Potências e Equações Diferenciais
solução y(x) =

n=0
a
n
x
n
achamos em séries de potência na forma

n=0
(n + 2)(n + 1)a
n+2
x
n
−2

n=0
na
n
x
n
+ 2p

n=0
a
n
x
n
= 0
(n + 2)(n + 1)a
n+2
−2na
n
+ 2pa
n
= 0
a
n+2
=
2(n −p)
(n + 1)(n + 2)
a
n
; n ≥ 0
Novamente os dois primeiros coeficientes ficam livres, deste modo podemos achar duas
soluções particulares independentes.
Cálculo da solução y
1
: Quando a
0
= 1, e a
1
= 0, a cadeia é par, e a
2n+1
= 0
y
1
(x) = a
0
_
1 −
2p
2!
x
2
+
2
2
p(p −2)
4!
x
4
+
2
3
p(p −2)(p −4)
6!
x
6
+
_
Cálculo da solução y
2
: Quando a
0
= 0, e a
1
= 1, a cadeia é ímpar, e a
2n
= 0
y
2
(x) = a
1
_
x −
2(p −1)
3!
x
3
+
2
2
(p −1)(p −3)
5!
x
5
+
2
3
(p −1)(p −3)(p −5)
7!
x
7
+
_
Estas funções y
1
e y
2
são chamadas funções de Hermite. Se p é par (ou zero), então
a solução y
1
é um polinômio e tem um número finito de termos; se p é ímpar então a
solução y
2
tem um número finito de termos.
Justifica-se a escolha dos a
0
e a
1
neste contexto pelo fato que o wronskiano em x = 0
é
W(y
1
, y
2
) =
¸
¸
¸
¸
¸
y
1
(0) y
2
(0)
y

1
(0) y

2
(0)
¸
¸
¸
¸
¸
=
¸
¸
¸
¸
¸
1 0
0 1
¸
¸
¸
¸
¸
,= 0
de modo que y
1
é linearmente independente com y
2
, e os a
0
e a
1
mais simples são os
escolhidos acima.
Definição 3.8. Polinômios de Hermite.
Uma equação algébrica da forma H
n
(x) = (−1)
n
e
x
2

d
n
dx
n
e
−x
2
é chamado polinômio de
Hermite com termo dominante 2
n
x
n
.
Observe; H
0
= 1, H
1
= 2x, H
2
= 4x
2
−2, H
3
= 8x
3
−12x.
Propriedades do polinômio de Hermite
Algumas das propriedades importantes dos polinômios de Hermite são:
Christian José Quintana Pinedo 211
1. Os polinômios de Hermite H
n
podem ser representados pela fórmula de Rodriguez.
H
n
(x) = (−1)
n
e
x
2 d
n
dx
n
(e
−x
2
) para n = 0, 1, 2, 3,
2. Os polinômios de Hermite H
n
(x), formam um sistema ortogonal no intervalo −∞<
x < ∞ com a função de peso w = e
−x
2

_
−∞
e
−x
2
H(x)dx = 2
n
n!

πδ
mn
Usando a ortogonalidade das funções de Hermite, uma função f(x) pode ser expressa
em função dos polinômios de Hermite.
f(x) =

n=0
C
n
H
n
(x) onde C
n
=
1
2
n
n!

π

_
−∞
e
−x
2
f(x)H
n
(x)dx
3. Um polinômio de Hermite é uma fun ção par quando n é par, e ímpar quando n
seja ímpar.
H
n
(−x) = (−1)
n
H(x)
4. Os polinômios de Hermite cumprem a seguintes relações
H
n+1
(x) = 2xH
n
(x) −2nH
n−1
(x)
H

n
(x) = 2nH
n−1
(x)
3.10.3 A equação de Legendre
A equação de segunda ordem de Legendre é da forma
(1 −x
2
)y

−2xy

+ p(p + 1)y = 0; p ∈ R
Esta equação ocorre em diversos problemas, principalmente em aqueles que apresentam
simetria esférica, como por exemplo em eletrostática. O parâmetro p é um número real
dado.
As soluções das equações de Legendre são chamadas de “funções de Legendre”, estas
funções pertencem ao grupo das conhecidas “funções especiais” que quer dizer funções su-
periores, por oposição as funções elementares (exponencial, logarítmica, trigonométricas,
etc.)
212 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Observa-se que os coeficientes da função de Legendre, são analíticos em x
0
= 0 onde
existe ponto ordinário. Esta equação podemos escrever na forma
y


2x
(1 −x
2
)
y

+
p(p + 1)
(1 −x
2
)
y = 0; p ∈ R
Como p(x) = −
2x
(1 −x
2
)
e q(x) =
p(p + 1)
(1 −y
2
)
, estas duas funções não estão definidas
para x = ±1. portanto são pontos singulares. Por outro lado,
lim
x→1
_

2x
(1 −x
2
)
(x −1)
_
= lim
x→1
_

2x
1 + x
_
=
2(1)
1 + 1
= 1
lim
x→−1
_

2x
(1 −x
2
)
(x + 1)
_
= lim
x→1
_

2x
1 −x
_
=
−2(−1)
1 −(−1)
= 1
lim
x→1
_
p(p + 1)
(1 −x
2
)
(x −1)
2
_
= lim
x→1
_
p(p + 1)
(1 −2x)
2(x −1)
_
= 0
lim
x→−1
_
p(p + 1)
(1 −x
2
)
(x + 1)
2
_
= lim
x→−1
_
p(p + 1)
(1 −2x)
2(x + 1)
_
= 0
Como todos estes limites existem, podemos dizer que os pontos x = ±1 são pontos
singulares regulares, e podemos afirmar que as soluções convergem ao menos com raio
r = 1.
Ao substituir as expressões do desenvolvimento em séries chegamos à fórmula de recor-
rência
a
n+2
=
n(n + 1) −p(p + 1)
(n + 1)(n + 2)
a
n
=
−(p −n)(p + n + 1)
(n + 1)(n + 2)
a
n
Cálculo da solução y
1
: Quando a
0
= 1, e a
1
= 0,
y
1
(x) = 1 −
p(p + 1)
2!
x
2
+
p(p −2)(p + 1)(p + 3)
4!
x
4
+
+
p(p −2)(p −4)(p + 1)(p + 3)(p + 5)
6!
x
6
+
Cálculo da solução y
2
: Quando a
0
= 0, e a
1
= 1,
y
2
(x) = x−
(p −1)(p + 2)
3!
x
3
+
(p −1)(p −3)(p + 2)(p + 4)
5!
x
5
+
+
(p −1)(p −3)(p −5)(p + 2)(p + 4)(p + 6)
7!
x
7
+
Estas são as séries de Legendre, como observamos, se p cumpre certas condições é
possível que fique truncada uma das séries num número finito de termos. Estes polinômios
são chamados polinômios de Legendre e estão estreitamente relacionados com a equação
Christian José Quintana Pinedo 213
de Laplace.
A fórmula de Rodrigues para polinômios de Legendre é
P
n
(x) =
1
2
n
n!

d
n
dx
n
_
(x
2
−1)
n
¸
e permite obter o n-ésimo polinômio como função de x. Alguns destes polinômios são
P
0
= 1, P
1
= x, P
2
=
1
2
(3x
2
−1), P
4
=
1
8
(x
4
−x
2
), P
5
=
1
8
(x
5
−x
3
)
Os polinômios de Legendre cumprem a seguinte propriedade no intervalo [−1, 1]
1
_
−1
P
n
(x)P
m
(x)dx =
_
_
_
0 se m ,= n
2
2n + 1
se m = n
Esta última integral expressa que a família P
n
(x) é uma sequência de funções ortogo-
nais sobre o intervalo [−1, 1]. Além disso, existe uma questão vital para as aplicações, a
possibilidade de desenvolver uma função f(x) arbitrária em série de Legendre, entendendo
que tal desenvolvimento é do tipo]
f(x) =

n=0
a
n
P
n
(x)
O resultado seria muito melhor que uma aproximação em série de Taylor. Para calcular
os coeficientes a
n
poderia-se usar a relação de ortogonalidade, isto é multiplicando por
P
m
(x) e integrando entre −1 e 1.
Propriedades dos polinômios de Legendre
Algumas propriedades para polinômios de Legendre de primeira classe são:
1. Uma forma de gerar os polinômios de Legendre é usando as representação de Ro-
driguez
P
n
(x) =
1
2
n
n!

d
n
dx
n
(x
2
−1)
n
2. Os polinômios de Legendre P
n
(x), formam um sistema ortogonal no intervalo −1 <
x < 1 com a função de peso w = 1. Usando a ortogonalidade das funções de
Legendre, uma função f(x) pode ser expressa em função dos polinômios de Legendre.
f(x) =

n=0
C
n
P
n
(x) onde C
n
=
2n + 1
2
1
_
−1
f(x)P
n
(x)dx
214 Séries de Potências e Equações Diferenciais
3. Os polinômios de Legendre também são úteis na expansão de funções da forma
1
_
1 + η
2
−2ηx
=

k=1
η
k
P
k
(x)
4. Os polinômios de Legendre são simétricos e antisimétricos tais que
P
n
(−x) = (−1)
n
P
n
(x)
5. Os polinômios de espécie um e dois só estão definidos quando [x[ < 1, só os
polinômios P
n
(x) são analíticos em x = ±1.
3.10.4 Método de Frobenius
Na teoria das equações diferenciais ordinárias, o método de Frobenius consiste num
procedimento analítico para encontrar soluções de equações diferenciais ordinárias de
segunda ordem na forma de série de Taylor. Até o momento foram resolvidas equações
diferenciais onde os coeficientes são polinômios de grau n, existem muitos exemplos onde
os coeficientes têm descontinuidades, isto é pontos onde o comportamento da função tende
ao infinito (pontos singulares). É importante enfatizar que propor uma série de Taylor não
é possível nestes casos já que a derivada da função deve ser contínua no ponto avaliado.
Quando o ponto x = 0 é um ponto singular da equação diferencial, a solução y = y(x)
não é analítica em x = 0 e não pode ser escrita na forma de uma série de MacLaurin. No
entanto, em alguns casos existe uma constante r tal que y/x
r
é uma função analítica:
y(x) = x
r
f(x)
. e a série de MacLaurin de f sim existe, Para saber em que casos isso acontece é preciso
identificar a que tipo de singularidade corresponde x = 0.
Consideremos a equação diferencial homogênea
y

+ p(x) y

+ q(x) y = 0 (3.72)
onde x = x
0
seja ponto singular regular. Se x
0
,= 0, a mudança de variável t = x − x
0
trasladará à origem para x
0
.
Teorema 3.9. Frobenius.
Se x = x
0
é ponto singular regular da equação diferencial (3.72), então existe ao menos
Christian José Quintana Pinedo 215
uma solução para (3.72) em série de potências da forma
y(x) = x
s

n=0
b
n
(x −x
0
)
n
(3.73)
∀ n ∈ N onde s e b
n
são constantes a determinar. Esta série converge no intervalo da
forma 0 < x −x
0
< r.
A demonstração deste teorema é exercício para o leitor.
O método de Frobenius garante pelo menos uma solução da equação diferencial a ser
resolvida. Neste método, estamos supondo uma solução da equação (3.72) na forma (3.73),
procede-se então como o método das séries de potências para determinar sucessivamente
as constantes s e b
n
, ∀ n ∈ N.
A constante s será determinada por meio de uma equação quadrática, chamada equação
indicial . As duas raízes da equação indicial podem ser reais ou complexas. Para o caso
das raízes serem complexas (logo serão conjugadas), e as soluções que elas determinam
podem ser combinadas com a identidade de Euler x
α±iβ
= x
α
e
iβLnx
para formar soluções
reais.
Formalmente, para entender o método suporemos que as raízes s
1
e s
2
da equação
indicial sejam números reais onde s = s
1
≥ s
2
, logo o método de Frobenius dará sempre
uma solução da forma
y
1
(x) = x
s
1

n=0
a
n
(s
1
)x
n
(3.74)
para a equação (3.72).
Para o caso de p(x) e q(x) ser quocientes de polinômios, em geral devemos multiplicar
pelo menor denominador comum, e logo aplicar o método à de Frobenius à equação
resultante.
Teorema 3.10.
Seja x = 0 é ponto singular regular de (3.72), e sejam s
1
e s
2
com s
1
≤ s
2
as raízes
da equação indicial associada, então a solução geral da equação (3.72) é y = C
1
y
1
(x) +
C
2
y
2
(x) onde C
1
e C
2
são constantes arbitrárias, y
1
(x) é dado por (3.72) e se apresentam
três casos:
Caso 1: Se s
1
−s
2
não é inteiro, então
y
2
(x) = x
s
2

n=0
a
n
(s
2
)x
n
(3.75)
216 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Caso 2: Se s
1
= s
2
, então
y
2
(x) = y
1
(x)Lnx +x
s
1

n=0
b
n
(s
1
)x
n
(3.76)
Caso 3: Se s
1
−s
2
é inteiro positivo, então
y
2
(x) = d
−1
y
1
(x)Lnx + x
s
2

n=0
d
n
(s
2
)x
n
(3.77)
Os coeficientes a
n
(s
1
), a
n
(s
2
), b
n
(s
1
), d
n
(s
2
) e d
−1
sao todos constantes e podem
eventualmente ser zero. Em todos estes casos a solução é válida para x ∈ (0, r)
Exemplo 3.56.
Aplicar o método de Frobenius a equação diferencial
x
2
y

+ x p(x) y

+ q(x) y = 0 (3.78)
onde p(x) e q(x) são funções analíticas em torno de x = 0.
Solução.
O método de Frobenius afirma que existe um solução de (3.78) da forma: y(x) =
x
s

n=0
a
n
x
n
, onde s é um número a determinar. Derivando em relação a x
y

(x) =

n=0
(n + s)a
n
x
n+s−1
e y

(x) =

n=0
(n + s −1)(n + s)a
n
x
n+s−2
Assim, substituindo na equação:
x
2

n=0
(n + s −1)(n + s)a
n
x
n+s−2
+ xp(x)

n=0
(n + s)a
n
x
n+s−1
+ q(x)

n=0
a
n
x
n+s
= 0

n=0
(n +s −1)(n + s)a
n
x
n+s
+ p(x)

n=0
(n + s)a
n
x
n+s
+ q(x)

n=0
a
n
x
n+s
= 0

n=0
[(n + s −1)(n + s) + p(x) (n + s) + q(x)]a
n
x
n+s
= 0
[s(s −1) + p(x)s + q(x)]a
0
x
s
+

n=1
[(n + s −1)(n +s) + p(x) (n + s) + q(x)]a
n
x
n+s
= 0
Define-se a expressão s(s −1) +p(0)s +q(0)
.
= I(s) como o polinômio indicial, que
é quadrático em s .
Christian José Quintana Pinedo 217
Usando este polinômio, a expressão geral do coeficiente x
n+s
é dada por
I(n + s) a
n
+
n−k

k=0
[k p(n −k) + (n −k)]a
k
Estes coeficientes devem se anular, uma vez que a equação deve ser satisfeita
I(n + s) a
n
+
n−k

k=0
[k p(n −k) + (n −k)]a
k
= 0
n−k

k=0
[k p(n −k) + (n −k)]a
k
= −I(n +s) a
n

1
I(n + s)

n−k

k=0
[k p(n −k) + (n −k)]a
k
= a
n
A série formada pelos a
n
acima U
n
(x) =

n=0
a
n
x
n+s
satisfaz:
x
2
U

s
(x) + p(x)xU

s
(x) + q(x)U
s
(x) = I(s)x
s
Se s é uma raiz do polinômio indicial, então podemos construir uma solução para a
equação. Se a diferença entre as raízes do polinômio indicial não é um número inteiro,
então podem-se construir duas solução linearmente independentes para (3.78).
Exemplo 3.57.
Considere x > 0 na equação
x
2
y

+x(x −1)y

+ (1 −x)y = 0 (3.79)
usando o método de Frobenius, encontre a solução general entorno de x = 0.
Solução.
Como o polinômio indicial é q(s) = s(s −1) −s +1 = (s −1)
2
, tem-se que s
1
= s
2
= 1
Usando o método de Frobenius procuramos soluções da forma y(x) = x
s

n=0
a
k
x
n
Observando a equação perseve-se que só devemos desenvolver −xy(x) e x
2
y

(x).
Assim
−xy(x) = x
s

n=0
−a
n
x
n+1
= x
s

n=1
−a
n−1
x
n
−x
2
y

(x) = x
s

n=1
(k + s)a
n
x
n+1
= x
s

n=1
(s +n −1)x
n
218 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Substituindo na equação (3.79) obtém-se
x
s
_
a
0
q(s) +

n=1
[q(s + n)a
n
+ (s + n −2)a
n−1
]x
n
_
= 0
Considerando a
0
= 1, devemos ter para todo n ≥ 1
a
s
= −
s +n −2
q(s + n)
a
n−1
(s) = −
s +n −2
s +n −1
a
n−1
(s)
então a
1
(s) = −
s −1
s
2
, a
2
= −
s
(s + 1)
2

s −1
s
2
=
s −1
s(s + 1)
2
a
3
= −
s + 1
(s + 2)
2

s −1
(s + 1)
2
s
= −
s −1
(s + 2)
2
(s + 1)s
a
4
= −
s + 2
(s + 3)
2

s −1
(s + 2)
2
(s + 1)s
= −
s −1
(s + 3)
2
(s + 2)(s + 1)s
logo para n ≥ 1 tem-se a
n
(s) = (−1)
n
s −1
s(s + 1) (s + n −2)(s + n −1)
2
.
Por tanto, a
n
(s
1
) = 0 para todo n ≥ 1 e assim nossa primeira solução geral é y
1
(x) =
x.
Para achar a segunda solução calculamos a

n
(s) para s = s
1
= 1, obtém-se
a

n
(s
1
) = (−1)
n
1
1 2 3 (n −1)n
2
= (−1)
n
1
n! n
logo nossa segunda solução é y
2
(x) = x

n=1
(−1)
n
x
n
n! n
+ x Ln(x)
Portanto, a solução geral da equação (3.79) é
y(x) = x
_
A +B
_
x Ln(x) +

n=1
(−1)
n
x
n
n! n
_
_
Exemplo 3.58.
Mediante o Teorema de Frobenius achar duas soluções linearmente independentes da
equação diferencial 3xy

+y

−y = 0.
Solução.
Tem-se que x = 0 é ponto singular regular, pois p(x) =
1
3x
e q(x) = −
1
3x
Suponhamos uma solução da forma y =

n=0
b
n
x
n+s
então y

=

n=0
b
n
(n + s)x
n+s−1
e
Christian José Quintana Pinedo 219
y

=

n=0
b
n
(n + s)(n + s −1)x
n+s−2
. Substituindo na equação diferencial
3x

n=0
b
n
(n + s)(n + s −1)x
n+s−2
+

n=0
b
n
(n + s)x
n+s−1

n=0
b
n
x
n+s
= 0 ⇔

n=0
b
n
(n + s)(3n + 3s −2)x
n+s−1

n=0
b
n
x
n+s
= 0 ⇔
x
s
_

n=0
b
n
(n + s)(3n + 3s −2)x
n−1

n=0
b
n
x
n
_
= 0 ⇔
na primeira somatória seja k = n −1 então n = k + 1
x
s
_
s(3s −2)b
0
+

k=0
b
k+1
(k + 1 + s)(3k + 1 + 3s)x
k

n=0
b
n
x
n
_
= 0 ⇔
x
s
_
s(3s −2)b
0
+

k=0
[b
k+1
(k + 1 + s)(3k + 1 + 3s) −b
k
]x
k
_
= 0 ⇔
em potências de:
x
−1
: s(3s −2)b
0
= 0
x
k
: b
k+1
(k + 1 + s)(3k + 1 + 3s) −b
k
= 0 onde k = 0, 1, 2, .
Se b
0
,= 0 então s(3s −2) = 0 ⇒ s
1
= 0 ou s
2
=
2
3
. Também
b
k+1
=
b
k
(k + 1 + s)(3k + 1 + 3s)
onde k = 0, 1, 2,
Quando s
2
=
2
3
segue
b
k+1
=
b
k
(k +
5
3
)(3k + 3)
=
b
k
(3k + 5)(k + 1)
; onde k = 0, 1, 2, (3.80)
Considerando s
1
= 0 segue
b
k+1
=
b
k
(k + 1)(3k + 1)
; onde k = 0, 1, 2, (3.81)
Iterando (3.80) k = 0, b
1
=
b
0
5 1
; k = 1, b
2
=
b
1
(5 1) (8 2)
=
b
0
2!(5 8)
k = 2, b
3
=
b
2
(11 3)
=
b
0
(5 1) (8 2) (11 3)
=
b
0
3!(5 8 11)
220 Séries de Potências e Equações Diferenciais
k = 3, b
4
=
b
3
(14 4)
=
b
0
4!(5 8 11 14)
em geral b
k
=
b
0
k!(5 8 11 14 (3k + 2))
, k = 1, 2, 3,
Iterando (3.81) k = 0, b
1
=
b
0
1 1
; k = 1, b
2
=
b
1
(2 4)
=
b
0
(1 1) (2 4)
k = 2, b
3
=
b
2
(3 7)
=
b
0
(1 1) (2 4) (3 7)
=
b
0
3!(4 7)
k = 3, b
4
=
b
3
(4 10)
=
b
0
4!(4 7 10)
em geral b
k
=
b
0
k!(1 4 7 10 (3k −2))
, k = 1, 2, 3,
Quando s
1
=
2
3
segue y
1
=

n=0
b
n
x
n+2/3
= x
2/3

n=0
b
n
x
n

y
1
= x
2/3
_
b
0
+

n=1
b
0
n!(5 8 11 14 (3n + 2))
x
n
_
y
1
= b
0
x
2/3
_
1 +

n=1
x
n
n!(5 8 11 14 (3n + 2))
_
Quando s
2
= 0 segue y
2
=

n=0
b
n
x
n+0
=

n=0
b
n
x
n

y
1
= b
0
+

n=1
b
0
k!(5 8 11 14 (3k + 2))
x
n
y
1
= b
0
_
1 +

n=1
x
n
n!(1 4 7 10 (3n −2))
_
Portanto, a solução geral é y = β
1
y
1
+ β
2
y
2
onde β
1
, β
2
∈ R.
3.10.5 Equação de Bessel
Muitos problemas da física matemática como por exemplo: propagação do calor, vi-
brações (mecânicas e electromagnéticas) se reduzem á equação de Bessel. Estas equações
diferenciais de bessel aparecem em problemas onde se involucra simetria cilíndrica.
Definição 3.9. Função Gamma.
Christian José Quintana Pinedo 221
Consideremos a função
Γ(s) =

_
0
e
−x
x
s−1
dx, s > 1 (3.82)
por definição ela é chamada “função gamma de Euler”.
Sem dificuldade verifica-se que Γ(s + 1) = sΓ(s), e para todos os números inteiros
positivos s verifica
Γ(s + 1) = s!
Para números negativos s a função Γ(s) é determinado de outro modo, porém a pro-
priedade Γ(s + 1) = sΓ(s) segue sendo válida. Deste modo, a função gamma pode ser
encarada como uma generalização da função factorial f(x) = n! que apenas é definida
para inteiros não negativos.
Para os valores não inteiros negativos de s da definição podemos escrever assim
Γ(s) =
Γ(s + 1)
s
; s < 0, e não inteiro (3.83)
Aplicando a igualdade (3.82) mostra-se que Γ(1) = 1, também
lim
s→0
+
Γ(s) =
Γ(s + 1)
s
= +∞ e lim
s→0

Γ(s) =
Γ(s + 1)
s
= −∞
disto decorre que Γ(0) não desta definida, e desigualdade (3.83) também Γ(s) também
não esta definida para os valores inteiros negativos de s.
Definição 3.10. Função de Bessel.
Seja s ∈ R, a função de Bessel de primeira espécie de ordem s é definida por
J
s
(x) =

k=0
(−1)
k
x
2k+s
2
2k+s
k! Γ(s + k + 1)
(3.84)
por definição ela é chamada “função gamma de Euler”.
Uma equação diferencial com coeficientes variáveis da forma
x
2
y

+ xy

+ (x
2
−r
2
)y = 0, x > 0, r constante
é chamada de “equação de Bessel ”.
Equações do tipo x
2
y

+ xy

+ (m
2
x
2
− r
2
)y = 0 também se reduzem à equação de
Bessel mediante a substituição mx = t.
222 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Verifica-se que J
s
(x) é solução numa vizinhança de x = 0 da equação diferencial de
Bessel de ordem dois como mostra o seguinte exemplo. Isto é, funções de Bessel são
soluções particulares para a equação do seguinte exemplo.
Exemplo 3.59.
Resolver a equação de Bessel
x
2
y

+ xy

+ (x
2
−r
2
)y = 0, x > 0, r ∈ R (3.85)
Solução.
Observe que y

+
1
x
y

+ (1 −
r
2
x
2
)y = 0, assim p(x) =
1
x
e q(x) = 1 −
r
2
x
2
então as
funções não são analíticas em x = 0 e portanto é um ponto singular. Por outro lado,
lim
x→0
x p(x) = 1 e lim
x→0
x
2
q(x) = 0
Procuremos uma solução particular de (3.85) na forma de série de potência general-
izada y = x
s

n=0
a
n
x
n
. Derivando até duas vezes a série y = x
s

n=0
a
n
x
n
e substituindo
em (3.85) obtém-se

n=0
a
n
(n + s)
2
x
n+s
+ (x
2
−r
2
)

n=0
a
n
x
n+s
= 0

n=0
a
n
[(n + s)
2
+ x
2
−r
2
] = 0
Comparando os coeficientes de potências iguais de x obtemos:
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
x
s
: a
0
(s
2
−r
2
) = 0
x
s+1
: a
1
([(s + 1)
2
−r
2
]) = 0
x
s+2
: a
2
([(s + 2)
2
−r
2
]) + a
0
= 0
x
s+3
: a
3
([(s + 3)
2
−r
2
]) + a
1
= 0
.
.
.
.
.
.
.
.
.
x
s+p
: a
p
[(s + p)
2
−r
2
] + a
p−2
= 0
(3.86)
Suponhamos que o coeficiente a
0
,= 0, então da primeira igualdade (3.86) segue que
s = ±r. Seja s = r, então da segunda igualdade de (3.86) segue a
1
([(r + 1)
2
− r
2
]) = 0
então a
1
= 0 conseqüentemente os coeficientes provistos de índice ímpar são iguais a zero.
Christian José Quintana Pinedo 223
Logo
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
a
2
= −
a
0
(s + 2)
2
−r
2
= −
a
0
2
2
(s + 1)
a
4
= −
a
0
(s + 4)
2
−r
2
= −
a
0
2
4
(s + 1)(s + 2) 1 2
.
.
.
.
.
.
.
.
.
a
2p
= −
a
0
2
2p
(s + 1)(s + 2) (s + p) p!
.
.
.
.
.
.
.
.
.
(3.87)
Portanto, para s = r a solução da equação (3.86) é
y
1
= a
0

k=0
(−1)
k
x
2k+s
2
2k
(s + 1)(s + 2) (s + k) k!
(3.88)
Seja s = −r, então todos os coeficientes de a
k
são determinados de modo análogo
somente no caso em que s não seja um número inteiro, então a solução que achamos é
y
2
= a
0

k=0
(−1)
k
x
2k−s
2
2k
(−s + 1)(−s + 2) (−s + k) k!
As séries y
1
(x) e y
2
(x) convergem para todos os valores de x e pode ser verificada
mediante o critério de d’Alembert, estas soluções são linearmente independentes, já que
a relação entre elas não é constante.
Se na solução de (3.88) escolhemos a
0
=
1
2
s
Γ(s + 1)
, podemos escrever
J
s
(x) =

k=0
(−1)
k
(x/2)
2k+s
Γ(k + 1)Γ(k +s + 1)
(3.89)
Quando s = −r, escolhendo a
0
=
1
2
s
Γ(−s + 1)
, de modo análogo podemos escrever
J
−s
(x) =

k=0
(−1)
k
(x/2)
2k+s
Γ(k + 1)Γ(k −s + 1)
(3.90)
Pela Definição (3.9), as funções (3.89) e (3.90) são chamadas “funções de Bessel de
primeiro género de ordem s” (ou −s segundo o caso) respectivamente. Ambas as séries
convergem, a série (3.89) converge para todos os valores de x, entanto que a de (3.90)
converge para todo x ,= 0. Ambas também permitem a derivação dupla termo a termo.
Conseqüentemente, J
s
(x) e J
−s
(x) são soluções da equação (3.81).
Para o caso de s não ser número inteiro, então as funções J
s
(x) e J
−s
(x) são lin-
earmente independentes, pois suas séries começam com diferentes potências de x e a
224 Séries de Potências e Equações Diferenciais
combinação linear
α
1
J
s
(x) + α
2
J
−s
(x) = 0
é válida somente quando α
1
= α
2
= 0, é por isso que neste caso a solução de (3.81)
podemos escrever também na forma
y = C
1
J
s
(x) + C
2
J
−s
(x)
Para o caso s = n ∈ Z, mostra-se que J
−n
(x) = (−1)
n
J
n
(x), logo estas funções
tornam-se linearmente dependentes. A função Γ(s) para números negativos s e para s = 0
é infinito. Por isto, como segunda solução linearmente independente deve se considerar
qualquer outra função. Geralmente é considerada a função de Bessel de segunda espécie
Y
n
(x), esta função é combinação das funções J
m
(x) e J
−m
(x)
Y
n
(x) = lim
s→n
J
s
(x) cos sπ −J
−s
(x)
sen sπ
Observação 3.10.
A solução geral para da equação diferencial (3.80) para s = n ∈ N tem a forma
y = C
1
J
n
(x) + C
2
Y
n
(x)
onde C
1
e C
2
são constantes arbitrárias.
A função Y
n
(x) não está limitada en torno de x = 0, é por isso que toda solução da
equação (3.80) limitada em torno de x = 0, tem a forma y = C
1
J
n
(x), isto é aqui C
2
= 0.
3.10.6 Equação de Airy
Um exemplo de uma equação linear muito simples que não pode ser resolvida pelos
métodos dos capítulos anteriores e que pode ser resolvida pelo método das séries, é a
equação de Airy:
y

= xy (3.91)
O polinômio P é neste caso igual a 1, de maneira que a solução será analítica em x = 0
e poderá ser escrita como uma série de MacLaurin:

n=0
a
n
x
n
, sua segunda derivada é

n=0
n(n −1)a
n
x
n−2
e substituindo em (3.91)

n=0
n(n −1)a
n
x
n−2
=

n=0
a
n
x
n+1
(3.92)
Christian José Quintana Pinedo 225
para agrupar as duas séries numa única série de potências, escrevemos a primeira série
numa forma equivalente: podemos incrementar em 3 unidades o índice n, dentro da série,
se subtrairmos 3 aos limites do somatório; a série resultante ser´ a idêntica à série inicial

n=−3
(n + 3)(n + 2)a
n+3
x
n+1

n=0
a
n
x
n+1
= 0 (3.93)
Na primeira série os dois primeiros termos (n = −3 e n = −2) sao nulos e o terceiro
termo (n = −1) pode ser escrito explícitamente; a série resultante começa desde n = 0,
podendo ser agrupada à segunda série: 2a
2
+

n=0
[(n + 3)(n + 2)a
n+3
x
n+1
−a
n
]x
n+1
= 0
no lado esquerdo da equação temos uma série de potências em que o coeficiente de ordem
zero é 2a
2
e os coeficientes de ordem superior a zero sao o termo dentro dos parênteses
quadrados, com n = 0; 1; 2; :::
Para que a série de potências seja nula em qualquer ponto x, é necessário que todos
os coeficientes sejam nulos:
2a
2
= 0, (n + 3)(n + 2)a
n+3
x
n+1
−a
n
= 0; n = 0, 1, 2, (3.94)
Temos transformado o problema num problema de equações de diferenças. A equação
de diferenças obtida é uma equação incompleta, de terceira ordem e a sua solução consiste
em três sucessões independentes para os coeficientes de ordem múltiplo de 3, múltiplo de
3 mais 1, e múltiplo de 3 mais 2. Como a
2
= 0, os coeficientes de ordem múltiplo de 3
mais 2 são todos nulos. Para obter as outras duas seqüências podemos usar o método
estudado no capítulo anterior: para n = 3m, definindo u
m
= a
3m
obtemos:
9(m + 1)(m +
2
3
)u
m+1
−u
m
= 0 (3.95)
em termos de fatoriais e funções gama temos
(m + 1)(m +
2
3
) =
(m + 1)!Γ(m +
5
3
)
m!Γ(m +
2
3
)
usando a substituição x
m
= m!Γ(m +
2
3
)u
m
em (3.95) transforma-se numa equação de
coeficientes constantes
9x
m+1
−x
m
= 0
A solução obtida é x
m
=
x
0
(−9)
m
e a
3m
= u
m
=
(−1)
m
Γ(2/3)
m!Γ(m +
2
3
)9
m
a
0
.
Para calcular a seqüência correspondente a n = 3m + 1, procedemos de modo semel-
hante. Em função de v
m
= a
3m+1
a fórmula (Equação (3.94)) é uma equação de primeira
226 Séries de Potências e Equações Diferenciais
ordem
9(m + 1)(m +
4
3
)v
m+1
−v
m
= 0
e com a substituição z
m
= m!Γ(m +
4
3
)v
m
a equação transforma-se numa equação de
coeficientes constantes
9z
m+1
−z
m
= 0
com solução
z
m
=
z
0
(−9)
m
, e a
3m+1
= v
m
=
(−1)
m
Γ(4/3)a
1
m!Γ(m + 4/3)9
m
Finalmente, substituindo a
n
na série de MacLaurin para obter a solução da equação
diferencial
y(x) = a
0

m=0
(−1)
m
Γ(2/3)
m!Γ(m + 2/3)9
m
x
3m
+ a
1
x

m=0
(−1)
m
Γ(4/3)
m!Γ(m + 4/3)9
m
x
3m
onde a
0
e a
1
são duas constantes arbitrárias (condições iniciais para y e y

em x = 0).
Em alguns casos as séries podem ser identificadas como séries de MacLaurin de alguma
função de alguma função conhecida.
Neste exemplo, as séries não correspondem a nenhuma função conhecida, e constituem
duas funções especiais designadas funções de Airy
Christian José Quintana Pinedo 227
Exercícios 3-4
1. Resolver os seguintes exercícios no ponto ordinário x = 0
1. (x
2
)y

−6y = 0 2. y

−xy = 0
3. (x
2
+ 1)y

+ 6xy

+ 6y = 0 4. y

−xy

−y = 0
5. (x −1)y

+ y

= 0 6. (1 + x
2
)y

+ 2xy

−2y = 0
7. y

+e
−x
y = 0. Sugestão: Determinar a série e
−x
e multiplicar-la pela série de
y.
8. y

−2xy

+ 8y = 0; y(0) = 3, y

(0) = 0
9. y

−xy

+ y = −x cos x, y(0) = 0, y

(0) = 2
10. y

−2xy

+ 4y = 0; y(0) = 1; y

(0) = 0
11. (1 −x
2
)y

−(1 −x)y

−y = 0; y(0) = y

(0) = 1
12. y

−2xy

−2y = x; y(0) = 1, y

(0) =
1
4
13. y

+ xy

+ (2x − 1)y = x; y(0) = 2, y

(0) = 3. Determine os seis
primeiros termos da solução particular
14. y

−2xy −2y = x; y(0) = 1, y

(0) = −
1
4
2. Dada a equação diferencial y

+ xy

+y = 0.
1. Determine duas soluções linearmente independentes y
1
(x) e y
2
(x)
2. Usando o critério do quociente, mostrar que as séries convergem para todo x ∈ R.
3. verificar que y
1
(x) = e
−(
x

2
)
2
4. Determine y
2
(x)
3. Resolver o PVI y

+ xy

+ (2x − 1)y = 0; y(−1) = 2, y

(−1) = −2, mediante
séries de Taylor.
4. Resolvendo mediante séries, mostre que a solução de (x − 1)y

− xy

+ y =
0; y(0) = −2, y

(0) = 6 é y = 8x −2e
x
5. Determine a solução particular da EDO de Ayry, entorno do ponto ordinário x = 1:
y

−xy = 0; y(1) = 1, y

(1) = 0.
6. Resolver o PVI (t
2
−2t −3)y

+ 3(t −1)y

+ y = 0; y(1) = 4, y

(1) = 1.
7. Resolver o PVI y

−xy = 0; y(0) = 0, y

(0) = 1 mediante série de potências.
8. Resolver a equação diferencial 8x
2
y

+ 10xy

+ (x − 1)y = 0 pelo método de
Frobenius.
228 Séries de Potências e Equações Diferenciais
9. Resolver a equação diferencial x
2
y

− x(x + 3)y

+ 2x
2
y = 0 pelo método de
Frobenius.
10. Resolver a equação diferencial x
2
y

+(x
2
−2x)y

+2y = 0 pelo método de Frobenius.
11. Resolver a equação diferencial 4xy

+ 2y

+ y = 0 pelo método de Frobenius.
12. Exprima

_
0
e
−x
2
dx como uma função gamma.
13. Usar o método de Frobenius para determinar a solução da equação de Bessel de
ordem s
x
2
y

+ xy

+ (x
2
−s
2
)y = 0
14. Determine a solução da equação de Bessel de ordem zero x
2
y

+ xy

+ x
2
y = 0.
15. A equação de Legendre de ordem α é: (1 −x
2
)y

−2xy

+α(α+1)y = 0; α > 1.
Mostrar que:
1. Mostrar que as fórmulas de recorrência são:
a
2n
=
(−1)
n
α(α −2)(α −4) (α −2n + 2)(α + 1)(α + 3) (α + 2n −1)
(2n)!
a
0
a
2n+1
=
(−1)
n
(α −1)(α −3) (α −2n + 1)(α + 2)(α + 4) (α + 2n)
(2n + 1)!
a
1
2. As soluções linearmente independentes são
y
1
= a
0

n=0
(−1)
n
a
2n
x
2n
e y
2
= a
1

n=0
(−1)
n
a
2n+1
x
2n+1
onde a
2n
e a
2n+1
são as frações determinadas na parte primeira sem (−1)
n
.
3. Se α é um inteiro não negativo e par então a
2n
= 0 para 2n > k; mostrar que
y
1
é um polinômio de grau k e y
2
é uma série infinita. Se alpha é um inteiro
não negativo e ímpar então a
2n+1
= 0 para 2n + 1 > k; mostrar que y
2
é um
polinômio de grau k e y
1
é uma série infinita.
4. É costume considerar a constante arbitrária (a
0
ou a
1
segundo seja o caso) de tal
modo que o coeficiente de x
n
no polinômioy
1
ou y
2
(segundo seja o caso) seja
(2n)!
2(n!)
2
e é chamado de polinômios de Legendre P
n
(x).Mostrar que
P
n
(x) =
N

k=0
(−1)
k
(2n −2k)!
2
n
k!(n −k)!(n −2k)!
x
n−2k
onde N = [[
n
2
[]
Christian José Quintana Pinedo 229
5. Determine os seis primeiros polinômios de Legendre.
16. A fórmula de Rodriguez para calcular o polinômio de Legendre de grau n é dada
por
P
n
(x) =
1
n!2
n

d
n
dx
n
(x
2
−1)
n
1. Mostrar que u = (x
2
−1)
n
satisfaz a equação diferencial (1 −x
2
)u

+2nxu = 0.
Derivar ambos os lados para obter (1 −x
2
) + 2(n −1)xu

+ 2nu = 0
2. Derivar sucessivamente, n vezes ambos lados da equação para obter
(1 −x
2
)u
(n+2)
−2xu
(n+1)
+ n(n + 1)u
(n)
= 0
Considerar v = u
(n)
e verificar que v = D
n
(1 −x
2
)
n
e mostrar que v satisfaz a
equação de Legendre de ordem n
3. Mostre que o coeficiente de x
n
em v é
(2n)!
n!
17. A equação diferencial y

−2xy

+ 2αy = 0 é chamada de equação de Hermite de
ordem α.
1. Mostre que as duas soluções em série de potências são:
y
1
= 1 +

n=1
(−1)
n
2
n
α(α −2) (α −2n + 2)
x
2n
y
2
= x +

n=1
(−1)
n
2
n
(α −1)(α −3) (α −2n + 1)
x
2n+1
2. Mostre que, se α é inteiro par, então y
1
é um polinômio. Mostre que, se α é
inteiro ímpar, então y
2
é um polinômio.
3. O polinômio desta segunda parte denota-se por H
n
(x) e é chamado polinômio
de Hermite quando o coeficiente de x
n
seja 2
n
4. Determine os seis primeiros polinômios de Hermite
18. Mostre que
d
dx
[x
s+1
J
s+1
(x)] = x
s+1
J
s
(x)
230 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Capítulo 4
Transformada de Laplace
P. S. Laplace
Pierre Simon Laplace nasceu em Beaumont-en-Auge, na
Normandia (França) em 1749 e faleceu em 1827 em Paris. Pela
sua extraordinária inteligência foi auxiliado por protetores ricos
para poder fazer estudos superiores. Impressionou vivamente o
matemático D’Alembert com a apresentação de um trabalho sobre
Mecânica, o que le valeu o lugar de professor de matemática na
Escola Militar de Paris, com apenas com 18 anos.
Laplace estudou em diversas áreas como a astronomia, cál-
culo das probabilidades, calorimetria, capilaridade, acústica, di-
latação dos corpos, eletricidade.
Publicou varias obras científicas. A mais importante foi o
“Tratado de Mecânica Celeste”, em 4 volumes, impresso em 1799
e 1825. Outras obras importantes são “Exposição do Sistema do
Mundo”, de 1796 e “Teoria Analítica das Probabilidades” em 1812. São de sua autoria a Equação
de Laplace, a Lei de Laplace e a Transformada de Laplace.
Em 1773, com 24 anos, foi eleito para a Academia das Ciências. Desenvolveu atividades
políticas com Napoleão, de quem foi Ministro do Interior e, mais tarde, serviu os Bourbons, que
lhe deram o título de Marques em 1817.
Em 1793 é de opinião que a luz é constituída por corpúsculos. Fez estudos, em colaboração
com Biot, entre 1802 e 1816, sobre a velocidade de propagação do som, cujos resultados se veri-
ficaram muito próximos dos obtidos experimentalmente em 1822 por Gay-Lussac e J.J. Welter.
Em 1804 foi efetuada a primeira ascensão científica em balão por Gay-Lussac e Biot, por
instigação de Laplace, tendo medido a composição do ar a 6500 metros de altitude. Concluíram
que as proporções de azoto e de oxigénio do ar são as mesmas que no solo
As obras que tornaram Laplace célebre são: “Traité de Mécanique Céleste ”(4 volumes : 1799−
1825), “Théorie Analytique des Probabilités (1812)”, “Mémoire sur la chaleur (1783)”, resultado
de uma sua colaboração com Lavoisier, “Théorie du mouvement et de la figure elliptique des
planètes” (1784). Nos anos de 1790 uma obra de vulgarização “L’Exposition du Système du
Monde”.
Desenvolveu, em suplementos a um dos volumes da Mecânica Celeste, explicações teóricas
para fenômenos conhecidos de capilaridade.
Pelo que se sabe, Laplace nunca realizou pessoalmente uma experiência. Sugeria oportuna-
mente projetos de instrumentos aos seus associados.
Morreu em 1827, poucos dias antes de completar 78 anos.
231
232 Séries de Potências e Equações Diferenciais
4.1 Introdução
No capítulo anterior dizemos que iríamos estudas dois métodos para resolver equações
diferenciais lineares com coeficientes constantes, um deles estudado é o método clássico e
o outro método é o da transformada de Laplace, que estudaremos neste capítulo.
No modelo matemático linear de um sistema físico, como o de uma massa e mola ou
de um circuito elétrico em série, o lado direito da equação diferencial
m
d
2
y
dt
2
+ β
dy
dt
+ ky = f(t) e L
d
2
y
dt
2
+ R
dy
dt
+
1
C
q = E(t)
é uma função forçada pode representar a uma força externa f(t) ou a voltagem aplicado
E(t). Na seção anterior resolvimos problemas onde f(t) ou E(t) eram contínuas, não
obstante com frequência podemos achar funções contínuas por partes, por exemplo a
voltagem aplicada a um circuito, e estes problemas são melhor estudados aplicando a
transformada de Laplace.
Para melhor entender a transformada de Laplace, devemos lembrar propriedades im-
portantes da integral imprópria e o conceito da função de ordem exponencial, logo demon-
straremos o teorema que nós garanta a existência da transformada de Laplace para funções
com algumas restrições.
Definição 4.1. Integrais impróprias.
Se g(t) é definida para a ≤ t < +∞, onde a ∈ R sendo uma constante, então a integral
imprópria
+∞
_
a
g(t)dt é definida por:

_
a
g(t)dt = lim
R→+∞
R
_
a
g(t)dt (4.1)
Sempre que o limite exista.
Quando o limite existe diz-se que a integral imprópria converge, caso contrário, diz-se
que a integral imprópria diverge
Exemplo 4.1.
Determine se as integrais impróprias convergem: a)
+∞
_
4
1
t
2
dt b)
+∞
_
2
1
t
dt.
Solução. a)
Como lim
R→+∞
R
_
4
1
t
2
dt = lim
R→+∞
(−
1
t
)
¸
¸
¸
R
4
= lim
R→+∞
_

1
R
+
1
4
_
, a integral imprópria con-
Christian José Quintana Pinedo 233
verge para o valor
1
4
.
Solução. b)
Como lim
R→∞
R
_
2
1
t
dt = lim
R→+∞
Ln[t[
¸
¸
¸
R
2
= lim
R→+∞
[LnR −Ln2] = +∞, a integral imprópria
diverge.
Existem soluções técnicas que nos permitem encontrar soluções dos vários tipos de
equações. Laplace criou um método muito curioso e de uma beleza inigual que o conduziu
às soluções de várias equações diferenciais ordinárias. Este método simples e elegante foi
desenvolvido do seguinte modo: Seja y = y(t), dado o problema de valor inicial
y

−y = e
2t
; y(0) = −1
Pergunta-se: Qual é esta função y = y(t) ?
Resposta: A função procurada, ou seja, a função que a satisfaz é y(t) = e
2t
−2e
t
.
Esta solução foi encontrada pelo criativo método de Laplace do seguinte modo:
y

−y = e
2t
⇒ e
−st
(y

−y) = e
−st
e
2t
+∞
_
0
e
−st
y

(t)dt −
+∞
_
0
e
−st
y(t)dt =
+∞
_
0
e
−st
e
2t
=
+∞
_
0
e
−(s−2)t
dt (4.2)
Para resolver estas integrais, Laplace utilizou-se da identidade de Leibnitz
b
_
a
u

v = uv
¸
¸
¸
b
a

b
_
a
uv

Assim teremos que: u

= y

(t), u = y(t), v = e
−st
, v

= −se
−st
, de onde

_
0
e
−st
y

(t)dt = 0 −y(0) + s
+∞
_
0
e
−st
y(t)dt (4.3)
por outro lado
+∞
_
0
e
−(s−2)t
dt =
e
−(s−2)t
2 −s
¸
¸
¸
+∞
0
=
1
s −2
(4.4)
234 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Substituindo (4.3) e (4.4) em (4.2)
[0 −y(0) + s
+∞
_
0
e
−st
y(t)dt] −

_
0
e
−st
y(t)dt =
1
s −2
então
+∞
_
0
e
−st
y(t)dt =
1
s −1
_
1
s −2
+y(0)
_
. No entanto, y(0) = −1, logo
+∞
_
0
e
−st
y(t)dt =
1
s −2

1
s −1
(4.5)
Laplace diante do resultado (4.5) questionar-se.
“A função y(t) que procuramos, multiplicado por e
−st
e integrada de 0 até
+∞ resultou
1
s −2

1
s −1
. Qual seria esta função? ”
A multiplicação de ambos os lados da equação diferencial por e
−st
dt e posterior inte-
gração de 0 até +∞ foi um artifício muito útil na obtenção da solução de y(t) = e
2t
−2e
t
.
Não entanto, foi necessário conhecer antecipadamente a solução da integral (4.5).
Sendo assim, temos que:
“ Quanto mais funções forem multiplicadas por e
−st
dt e integradas de 0
até +∞ tanto mais complicada será encontrar a solução de uma equação
diferencial ”.
A transformada de Laplace pode ser usada para resolver problemas de valor inicial.
Para isso, a equação diferencial é inicialmente modificada pela transformada de Laplace
numa equação algébrica. Depois resolve-se a equação algébrica e finalmente transforma-
se de volta a solução da equação algébrica na solução da equação diferencial inicial ou
problemas de valores de fronteira. Isto é, básicamente o processo de solução consta de
três etápas:
Primeira etapa : Dado o problema “difícil” transforma-se numa equação simples (equação
subsidiária)
Segunda etapa : A equação subsidiária resolve-se exclusivamente com manipulações al-
gébricas.
Terceira etapa : A equação subsidiária é transformada novamente para obter a solução
do problema dado.
Christian José Quintana Pinedo 235
4.2 Existência da transformada de Laplace
Um fato matemático interessante surge na realização deste procedimento e pode ser
ilustrado segundo a (Figura (4.1))
y(t) = e
2t
F(s) =
1
s −2
Integração
L
E
Função de variável t Função de variável s
Figura 4.1:
A transformação de variáveis acima denotada por L é chamada de integração de
Laplace ou de Transformada de Laplace, é denotada por:
L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
y(t)dt (4.6)
Isto é este processo podemos registrar mediante a Figura (4.2)
y(t) = e
2t

_
0
e
−st
e
2t
dt E E F(s) =
1
s −2
Figura 4.2:
Definição 4.2.
Seja f : [0, ∞) −→ R (ou C), uma função definida para todo t ≥ 0, define-se a
transformada de Laplace de f(t) como
L[f(t)] =
+∞
_
0
e
−st
f(t)dt = lim
b→+∞
b
_
0
e
−st
f(t)dt = F(s)
caso o limite existe.
Vamos exercitar a operacionalidades deste processo.
236 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Caso 1: Suponhamos que y(t) = 1, então L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
y(t)dt.
L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
y(t)dt =
+∞
_
0
e
−st
dt = −
e
−st
s
¸
¸
¸

0
=
1
s
Portanto, se y(t) = 1, então L[y(t)] =
1
s
.
Caso 2: Suponhamos que y(t) = t, então L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
tdt.
L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
tdt = −
te
−st
s
¸
¸
¸
+∞
0
+
1
s
+∞
_
0
e
−st
dt =
1
s
2
Portanto, se y(t) = t, então L[y(t)] =
1
s
2
.
Caso 3: Suponhamos que y(t) = t
2
, então L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
t
2
dt.
L[y(t)] =

_
0
e
−st
t
2
dt = −
t
2
e
−st
s
¸
¸
¸
+∞
0
+
2
s
+∞
_
0
te
−st
dt =
(2)(1)
s
3
Portanto, se y(t) = t
2
, então L[y(t)] =
(2)(1)
s
3
.
Caso 4: Suponhamos que y(t) = t
3
, então L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
t
3
dt.
L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
t
3
dt = −
t
3
e
−st
s
¸
¸
¸
+∞
0
+
3
s
+∞
_
0
t
2
e
−st
dt =
(3)(2)(1)
s
4
Portanto, se y(t) = t
3
, então L[y(t)] =
(3)(2)(1)
s
4
.
Caso 5: Suponhamos que y(t) = t
4
, então L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
t
4
dt.
L[y(t)] =

_
0
e
−st
t
4
dt = −
t
4
e
−st
s
¸
¸
¸
+∞
0
+
4
s
+∞
_
0
t
3
e
−st
dt =
(4)(3)(2)(1)
s
4
Christian José Quintana Pinedo 237
Portanto, se y(t) = t
4
, então L[y(t)] =
(4)(3)(2)(1)
s
5
.
Caso 6: Suponhamos que y(t) = t
n
onde n ∈ N, então L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
t
n
dt.
L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
t
n
dt = −
t
4
e
−st
s
¸
¸
¸
+∞
0
+
n
s
+∞
_
0
t
n−1
e
−st
dt =
n (4)(3)(2)(1)
s
4
Portanto, se y(t) = t
n
para n ∈ N, então L[y(t)] =
n!
s
n+1
.
Exemplo 4.2.
Determine a transformada de Laplace para a função y(t) = e
at
Solução.
Tem-se
L[y(t)] =
+∞
_
0
e
−st
e
at
ndt = −
e
−(s−a)t
s −a
¸
¸
¸
+∞
0
=
1
s −a
Observação 4.1.
1. A transformada de Laplace de uma função y(t) é outra função F(s).
2. Na operacionalidade deste processo, podemos trabalhar com funções y(t) descon-
tínuas em seu domínio.
Assim, justifica-se a seguinte definição.
Definição 4.3.
Seja f(t) definida em 0 ≤ t < +∞ e seja s ∈ R uma variável arbitrária. A trans-
formada de Laplace de uma função f(t) é uma outra função F(s) denotada L[f(t)] num
domínio de valores reais s, definida pela integral:
F(s) = L[f(t)] =

_
0
f(t)e
−st
dt = lim
b→+∞
b
_
0
f(t)e
−st
dt (4.7)
para todos os valores de s que tornem convergente a integral.
Observe que os valores da integral dependem dos valores de s.
Observação 4.2.
Ao calcular a integral em (4.7), a variável s é considerada como constante, pois a
integração é em relação a t.
238 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Nem todas as funções admitem transformada de Laplace. A seguir serão exibidas as
condições impostas a f(t) tais que a integral imprópria (4.7) seja convergente.
Exemplo 4.3.
Determine para que valores a integral imprópria I =
+∞
_
0
e
−st
dt converge.
Solução.
I =
+∞
_
0
e
−st
dt = lim
R→+∞
R
_
0
e
−st
dt = lim
R→+∞
[−
1
s
e
−st
]
¸
¸
¸
R
0
= lim
R→+∞
_

1
s
e
−sR
+
1
s
_
Nota-se que quando s < 0, −sR > 0; logo, o limite é +∞ assim, a integral I diverge.
Quando s > 0, −sR < 0; logo, o limite é 1/s e a integral I converge. Constata-se
ainda que quando s = 0 o limite e +∞.
Portanto, a integral I converge para todo s > 0.
Exemplo 4.4.
Determine a transformada de Laplace para a função f(t) = sen(at)
Solução.
Aplicando a definição tem-se que: L[f(t)] = lim
b→∞
b
_
0
sen(at)e
−st
dt, integrando por
partes segue que L[f(t)] =
a
a
2
+ s
2
.
Observe que esta expressão somente é válida para o conjunto dos números reais s tais
que s > 0, de modo que podemos afirmar que o domínio da função F é (0, ∞)
Agora surge o seguinte problema
“Sob que condições existe a transformada de Laplace? ”
Tem-se que, se considerarmos que a função f(t) seja contínua por partes em cada
intervalo da forma [0, b] sendo b > 0, pois então
b
_
0
f(t)e
−st
dt existiria, porém não seria
suficiente para garantir a existência de L[f(t)] = lim
b→+∞
b
_
0
f(t)e
−st
dt.
Para garantir a convergência deste limite, é que f(t) seja de “ordem exponencial ”.
Igual que no caso da derivação, uma forma rápida de calcular a transformada de uma
função é por meio de algumas regras simples.
Christian José Quintana Pinedo 239
4.2.1 Função seccionalmente contínua
Definição 4.4. Seccionalmente contínua.
Dada uma função f; [a, b] −→R dizemos que é seccionalmente contínua em [a, b], se
satisfaz as duas condições:
1. Existe um número finito de pontos em [a, b] tal que a = t
0
< t
1
< t
2
< < t
n
= b
onde f(t) é descontínua de primeira espécie, isto é
∃ lim
h→0
f(t
i
+ h) = f(t
+
i
) e ∃ lim
h→0
f(t
i
−h) = f(t

i
)
2. f(t) é contínua para todo t ∈ [a, b], t ,= t
i
, i = 1, 2, 3, , t
n
Isto é uma função f(t) é seccionalmente contínua ou contínua por partes em um
intervalo [a, b] se f(t) é contínua em [a, b] exceto possívelmente em um número finito de
pontos, nos quais os limites laterais existam.
Observação 4.3.
Uma função f(t) é seccionalmente contínua ou contínua por partes em um intervalo
[a, ∞) se f(t) é seccionalmente contínua para todo intervalo da forma [a, A], com A > a.
Exemplo 4.5.
1. A função onda quadrada f(t) =
_
1, se 2na ≤ t < 3na
−1, se, na ≤ t < 2na
, a ∈ R, n ∈ N é
seccionalmente contínua em todo R.
2. As funções g(t) = tan t e h(t) = sen
1
t
não são seccionalmente contínuas em [0,
π
2
],
pois a função g(t) tem descontinuidade de segunda espécie em
π
2
, e a função h(t)
oscila quando t →0
Exemplo 4.6.
Determine se f(t) =
_
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
_
sin πt se t > 1
0 se 0 ≤ t ≤ 1
e
t
se −1 < t < 0
t
3
se t ≤ −1
é seccionalmente contínua em [2, 5]
Solução.
A função dada é contínua em [−2, 5] exceto nos dois pontos t
1
= 0 e t
2
= −1.(Note-se
que f(t) é contínua em t = 1). Nos dois pontos de descontinuidade encontramos
lim
t→0
+
f(t) = lim
t→0
+
0 = 0 lim
t→0

f(t) = lim
t→0

e
t
= e
0
= 1
240 Séries de Potências e Equações Diferenciais
lim
t→−1
+
f(t) = lim
t→−1
+
e
t
= e
−1
lim
t→−1

f(t) = lim
t→−1
t
3
= −1
Como todos os limites necessários existem f(t) é contínua por partes em [−2, 5].
Em geral tem-se que se uma função f(t) é contínua em [a, b], então ela é seccionalmente
contínua em [a, b].
Exemplo 4.7.
Determine se f(t) =
_
t
3
+ 2 se t ≥ 0
1/t se t < 0
é seccionalmente contínua em [−1, 1].
Solução.
A função dada é contínua em todo o intervalo [−1, 1] exceto em t = 0.
Caso existam os limites laterais em t = 0, f(t) será seccionalmente contínua em [−1, 1].
Observe:
lim
t→0
+
f(t) = lim
t→0
+
t
3
+ 2 = 2; lim
t→0

f(t) = lim
t→0

1
t
= −∞
Logo, f não é seccionalmente contínua em [−1, 1].
4.2.2 Função de ordem exponencial
Em (4.2) a existência como número real das integrais estava garantida desde que y(0)
for um número real, e isso nem sempre acontece exceto quando as funções sejam de ordem
exponencial.
Se uma função f(t) crescer muito rápido na variação de t, pode não existir a transfor-
mada de Laplace dessa função, por exemplo se f(t) = e
t
2
. Isto não acontece se a função
for de ordem exponencial conhecida também como função admissível.
Definição 4.5. Função de ordem exponencial.
Dada uma função f : [0, +∞) −→R dizemos que é de ordem exponencial em [0, ∞)
se existem constantes C > 0 e a ∈ R tais que [f(t)[ ≤ Ce
at
, ∀ t ≥ 0.
Exemplo 4.8.
1. A função f(t) = 1 é de ordem exponencial, pois C = 1, a = 0 verifica a definição.
2. A função f(t) = t
2
é de ordem exponencial para todo a > 0.
Com efeito, aplicando a regra de L’Hospital, obtemos:
lim
t→∞
e
−at
[t
2
[ = lim
t→∞
t
2
e
αt
= lim
t→∞
2t
ae
at
= lim
t→∞
2
a
2
e
at
= 0
Escolhendo M = 1 (ou qualquer número positivo).
Então, como lim
t→∞
e
−αt
[t
2
[ = 0, segue-se que existe um t
0
tal que e
−αt
[t
2
[ ≤ 1 = M
para t ≥ t
0
.
Christian José Quintana Pinedo 241
3. As funções f(t) = t
n
, n ∈ Z é de ordem exponencial, pois [t
n
[ = [t[
n
≤ e
nt
se t ≥ 0.
Portanto considerando a = n, C = 1 é suficiente.
Para o caso t < 0 consideremos a = −n
4. A função e
t
2
não é de ordem exponencial, pois se existem C > 0, a ∈ R tal que
[e
t
2
[ ≤ Ce
at
então
e
t
2
e
at
= e
t(t−a)
≤ C para todo t ∈ R o qual é falso.
4.2.2.1 Propriedades da função de ordem exponencial
1. O produto de duas funções de ordem exponencial, é uma função de ordem exponencial.
2. Suponhamos que f seja contínua em [0, +∞) e suponhamos existam constantes C > 0 e
a ∈ R tais que [f(t)[ ≤ Ce
at
sempre que t
0
> t > 0 então, f é de ordem exponencial.
3. Se duas funções de ordem exponencial têm a mesma transformada de Laplace então
elas são iguais exceto possívelmente nos pontos de descontinuidade.
4. Seja f seccionalmente contínua em [0, +∞), então f é de ordem exponencial se existe
uma constante a ∈ R tal que lim
t→+∞
f(t)e
−at
= 0
Propriedade 4.1.
Se f e g são integráveis em cada intervalo da forma [c, d] para c fixo e d > c arbitrário,
e se [f(t)[ ≤ [g(t)[ ∀ t ≥ 0 então,
_
f(t)dt existe sempre que
_
g(t)dt exista
Demonstração.
Sabe-se que f(t) ≤ [f(t)[, então vem que
+∞
_
0
f(t)dt ≤
+∞
_
0
[f(t)[dt.
Por outro lado como [f(t)[ ≤ [g(t)[ ∀ t ≥ 0, temos que
n
_
0
[f(t)[dt ≤
n
_
0
[g(t)[dt,
no limite quando n tende para o infinito, ou seja lim
n→+∞
n
_
0
[f(t)[dt ≤ lim
n→∞
n
_
0
[g(t)[dt =
+∞
_
0
[g(t)[dt, do fato de
+∞
_
0
[g(t)[dt existir segue que
+∞
_
0
g(t)dt existe.
Assim sendo

_
0
[f(t)[dt = lim
n→∞
_
n
0
[f(t)[dt existe.
Portanto, como
+∞
_
0
f(t)dt ≤
+∞
_
0
[f(t)[dt, segue que
+∞
_
0
f(t)dt existe.
242 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Teorema 4.1.
Se f é uma função seccionalmente contínua e de ordem exponencial em [0, ∞), então
existe a ∈ R tal que
+∞
_
0
f(t)e
−st
dt < +∞ ∀ s > a.
Demonstração.
Sendo f de ordem exponencial, existe C > 0 e a ∈ R tal que [f(t)[ ≤ Ce
at
, ∀ t ∈
[0, ∞)
Por outro lado, para todo t
0
∈ [0, ∞) tem-se
t
0
_
0
f(t)e
−st
dt ≤
t
0
_
0
[f(t)[e
−st
dt ≤
t
0
_
0
Ce
at
e
−st
dt
t
0
_
0
f(t)de
−st
dt ≤
t
0
_
0
Ce
−(s−a)t
dt = −C
_
e
−(s−a)t
0
s −a

1
s −a
_
Suponhamos que s > a, então

_
0
f(t)e
−st
dt = lim
t
0
→∞
t
0
_
0
f(t)e
−st
dt ≤
C
s −a
.
Portanto,

_
0
f(t)e
−st
dt < ∞ ∀ s > a.
Pelo exposto, tem-se que se uma função f(t) for de ordem exponencial, a transformada
de Laplace de tal função L[f(t)] =

_
0
f(t)e
−st
dt será convergente sempre que s > a, onde
a é o número encontrado para a função exponencial f.
Assim fica garantida a existência da transformada de Laplace para f(t) sempre que
f(t) verifique as seguintes duas propriedades:
1. A função deverá ser seccionalmente contínua.
2. A função f(t) deve ser uma função de ordem exponencial.
O domínio da transformada de Laplace de f(t) são os valores s > a, para os quais
[f(t)[ ≤ Ce
at
, ∀ t > 0.
Definição 4.6. Função de classe A.
Dizemos que uma função f é de classe A, se satisfaz as duas condições:
1. É seccionalmente contínua sobre qualquer intervalo finito, sempre que t ≥ 0; e,
2. É de ordem exponencial quando t →+∞.
Christian José Quintana Pinedo 243
Teorema 4.2. Da existência da transformada de Laplace.
Se f(t) é seccionalmente contínua em todo o intervalo finito e fechado 0 ≤ t ≤ b onde
b > 0, e se f(t) é de ordem exponencial a, então a transformada de Laplace de f(t) existe
para s > a.
Demonstração.
Se f é de ordem exponencial então existem constantes a, M e t
0
tais que e
−at
[f(t)[ ≤
M para todo t ≥ t
0
, e e
−at
[f(t)[ ≤ M ⇒[f(t)[ ≤ Me
at
.
Aplicando a Propriedade (4.1) temos que
b
_
0
e
−st
f(t)dt ≤
b
_
0
e
−st
[f(t)[dt, ainda como,
[f(t)[ ≤ Me
at
temos que
b
_
0
e
−st
f(t)dt ≤
b
_
0
e
−st
[f(t)[dt ≤
b
_
0
Me
−st
e
at
de onde segue
que
b
_
0
e
−st
f(t)dt ≤ M
b
_
0
e
−(s−a)t
dt
temos que a integral M
b
_
0
e
−(s−a)t
dt = −M
_
e
−(s−a)b
s −a

1
s −a
_
daí segue que
b
_
0
e
−st
f(t)dt ≤ −M
_
e
−(s−a)b
s −a

1
s −a
_
Observe que para anular o primeiro termo é necessário que s > a de modo que e
−(s−a)
tenha expoente negativo, e quando b →∞ teremos que e
−(s−a)
→0, onde resulta;

_
0
e
−st
f(t)dt = lim
b→∞
b
_
0
e
−st
f(t)dt ≤
M
s −a
, s > a
ou seja
b
_
0
e
−st
f(t)dt é convergente ∀ s > a.
Logo, sendo f uma função de ordem exponencial a, a transformada de Laplace dessa
função será F(s) =

_
0
e
−st
f(t)dt, que será convergente sempre que s > a.
Portanto o domínio de F(s) incluirá sempre intervalos da forma (a, +∞)
Observação 4.4.
Uma outra forma de apresentar o Teorema (??) é:
244 Séries de Potências e Equações Diferenciais
“Se f(t) é de classe A, então L[f(a)] existe”.
4.3 Propriedades da transformada de Laplace
Teorema 4.3.
Se f é função seccionalmente contínua para t ≥ 0 e de ordem exponencial para t ≥ T
então
lim
s→∞
L[f(t)](s) = lim
s→∞
F(s) = 0
Demonstração.
Como a função é seccionalmente contínua em [0, T], então ela é limitada neste intervalo,
assim, existe M
1
> 0 tal que [f(t)[ ≤ M
1
e
0t
, ∀ t ∈ [0, T].
Sendo de ordem exponencial para t ≥ T, então [f(t)[ ≤ M
2
e
αt
onde M
2
e α são
constantes com M
2
≥ 0.
Seja M = max¦M
1
, M
2
¦ e seja β = max¦0, α¦, logo [f(t)[ ≤ Me
βt
, ∀ t ≥ 0.
[F(s)[ =
¸
¸
¸
¸
¸
¸

_
0
e
−st
f(t)dt
¸
¸
¸
¸
¸
¸


_
0
e
−st
[f(t)[ ≤

_
0
e
−st
Me
βt
dt
= M

_
0
e
−(s−β)t
dt = −
M
s −β
e
(s−β)
¸
¸
¸

0
= 0
Exemplo 4.9.
Em virtude deste último teorema podemos dizer que F(s) = 1 e G(s) = s/(s+1) não
são transformadas de Laplace de funções secionalmente contínuas de ordem exponencial,
pois F(s) 0 e G(s) 0 quando s →∞.
4.3.1 Linearidade
Propriedade 4.2. Linearidade.
Sejam f(t) e g(t) funções que admitam transformada de Laplace para s > r
1
e s > r
2
respectivamente, então para duas constantes quaisquer a e b, af(t)+bf(t) também admite
transformada de Laplace e
L[af(t) + bg(t)] = aL[f(t)] + bL[g(t)] = aF(s) + bG(s), para s > max¦r
1
, r
2
¦ (4.8)
L[af(t) + bg(t)] = aL[f(t)] + bL[g(t)]
conseqüentemente, a transformada inversa também é um operador linear:
L
−1
[aF(s) + bG(s)] = af(t) + bg(t) = aL
−1
[F(s)] + bL
−1
[G(s)] (4.9)
Christian José Quintana Pinedo 245
Demonstração.
L[af(t) + bg(t)] =

_
0
e
−st
af(t)dt +

_
0
e
−st
bg(t)dt =
a

_
0
e
−st
f(t)dt + b

_
0
e
−st
f(t)dt = aL[f(t)] + bL[g(t)]
Exemplo 4.10.
Pode-se demonstrar sem dificuldade que L[a +bt +ct
2
] = a L[1] +b L[t] +c L[t
2
]
Solução.
Supondo a, b, c ∈ R tem-se
L[a + bt + ct
2
] = L[a] +L[bt] +L[ct
2
] =
a
1
s
+ b
1
s
2
+ c
1
s
3
= a L[1] + b L[t] + c L[t
2
]
Exemplo 4.11.
Determine F(s) se f(t) = 2sent + 3 cos 2t
Solução.
Sabe-se que F(s) = L[2sent + 3 cos 2t] = 2L[2sent] + 3L[cos 2t]. Logo
F(s) = 2
1
s
2
+ 1
+ 3
s
s
2
+ 4
=
2
s
2
+ 1
+
3s
s
2
+ 4
Exemplo 4.12.
Determine F(s) se f(t) = cosh t
Solução.
Sabe-se que cosh t =
e
at
+ e
−at
2
, pela Propriedade (4.2) e do Exemplo (4.2)
F(s) =
1
2

1
s −a
+
1
2

1
s + a
=
1
s
2
−a
2
; s > [a[
4.3.2 Deslocamento em s
Propriedade 4.3. Deslocamento em s.
Se f(t) uma função que admita transformada de Laplace F(s) = L[f(t)] onde s > a,
então para qualquer constante α ∈ R, segue que e
αt
f(t) tem a transformada F(s − α)
onde s −α > a, logo
L[e
αt
f(t)] = F(s −α) (s −α > a) (4.10)
246 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Demonstração.
Por hipótese F(s) =

_
0
e
−st
f(t)dt s > a, em particular
F(s −α) =

_
0
e
−(s−α)t
f(t)dt s −α > a
Para s −α > a tem-se

_
0
e
−(s−α)t
f(t)dt =

_
0
e
−st
(e
αt
f(t))dt = L[e
αt
f(t)]
Logo, L[e
αt
f(t)] = F(s −α).
Esta propriedade diz que, se f : [0, ∞) →R tem como transformada F(s) para s > a,
então a transformada de Laplace da função g(s) = e
αt
f(t) é dada por
G(s) = F(s −α), onde s > α + a
Exemplo 4.13.
Sejam a, b ∈ R, se g(t) = cos at, então sabe-se que G(s) =
s
s
2
+ a
2
Pela propriedade do deslocamento
L[e
bt
g(t)](s) = G(s −b)
Logo se f : [0, ∞) −→ R é dada por f(t) = e
bt
cos at então sua transformada de
Laplace é dada por
F(s) =
s −b
(s −b)
2
+ a
2
, para s > a
Exemplo 4.14.
Determine L[te
4t
]
Solução.
Aplicando a Propriedade (4.3) com a = 4 e f(t) = t, temos
F(s) = L[f(t)] = L[t] =
1
s
2
L[e
4t
t] = F(s −4) =
1
(s −4)
2
Exemplo 4.15.
Sejam a, b ∈ R, se f(t) = cos at então
F(s) =
s
s
2
+ a
2
Christian José Quintana Pinedo 247
Pela propriedade do deslocamento em s
L[e
bt
f(t)] = F(s −b)
Logo, se g : [0, ∞) −→R dada por g(t) = e
bt
f(t), então
L[g(t)] =
(s −b)
(s −b)
2
+ a
2
onde s > a + b
Exemplo 4.16.
Ao aplicar a propriedade do deslocamento em s obtém-se os seguintes resultados:
f(t) L[f(t)]
e
αt
t
n
n!
(s −α)
n+1
e
αt
cos ωt
s −α
(s −α)
2
+ ω
2
e
αt
senωt
ω
(s −α)
2
+ ω
2
4.3.3 Derivada da transformada
Nesta seção pretendemos explorar a diferenciação da transformada de Laplace em
relação ao parâmetro s. Os resultados que encontraremos serão muito úteis na aquisição
das transformadas das funções do tipo: x
n
f(x).
dF
ds
=
d
ds
[L[f(t)]] =
d
ds
_
_

_
0
f(t)e
−st
dt
_
_
= −

_
0
tf(t)e
−st
dt = −L[tf(t)]
Assim obtemos que
d
ds
[L[f(t)]] = −L[tf(t)] (4.11)
A segunda derivada em relação a s
d
2
ds
2
[L[f(t)]] = −
d
ds
[L
_
_

_
0
tf(t)e
−st
dt
_
_
= L[t
2
f(t)]
A terceira derivada em relação a s
d
3
ds
3
[L[f(t)]] =
d
ds
[L
_
_

_
0
t
2
f(t)e
−st
dt
_
_
= −L[t
3
f(t)]
248 Séries de Potências e Equações Diferenciais
De modo geral, derivando n vezes concluímos que:
d
n
ds
n
L[f(t)] = (−1)
n
L[t
n
f(t)] (4.12)
Propriedade 4.4.
Para a transformada de Laplace de uma função seccionalmente contínua de ordem
exponencial tem-se:
L[t
n
f(t)](s) = (−1)
n
d
n
ds
n
F(s), n = 1, 2, 3, 4,
onde F(s) = L[f(t)](s).
A demonstração desta propriedade é feita por indução matemática, é exercício para o
leitor.
Exemplo 4.17.
Determine a transformada de Laplace da função: g(t) = t
3
e
2t
Solução.
Seja f(t) = e
2t
, pela fórmula (4.12) temos que
d
3
ds
3
L[e
2t
] = (−1)
3
L[t
3
e
2t
] de onde
L[t
3
e
2t
] = (−1)
3
d
3
ds
3
_
1
s −2
_
=
6
(s −2)
4
Exemplo 4.18.
Determine a transformada de Laplace da função: g(x) = x
2
senx.
Solução.
Seja f(x) = senx, pela fórmula (4.12) temos que
d
2
ds
2
L[senx] = (−1)
2
L[x
2
senx] de
onde
L[x
2
senx] = (−1)
2
d
2
ds
2
_
1
1 + s
2
_
=
8s
2
(1 + s
2
)
3

2
(1 + s
2
)
2
Christian José Quintana Pinedo 249
Exercícios 4-1
1. Determine para que valores de s, a integral imprópria
_

0
e
−sx
dx converge.
2. Mostre que se f(t) e g(t) são de ordem exponencial quando t →∞, então f(t) g(t)
e f(t) + g(t) também são de ordem exponencial quando t →∞.
3. Determine uma função, F(t), que seja de ordem exponencial, e que f(t) = F

(t)
não seja de ordem exponencial. Construa uma função f que não seja de ordem
exponencial, porém cuja transformada de Laplace exista.
4. Mostre que se f(t) e g(t) são de classe A, então f(t) g(t) e f(t) + g(t) também
são de classe A.
5. Demonstre que as funções dadas são de classe A, n ∈ N, k ∈ R.
1. sen(kt) 2. cos(kt 3. senh(kt) 4. cosh(kt)
5. t
n
6. t
n
e
kt
7. t
n
sen(kt) 8. t
n
cos(kt)
9. t
n
senh(kt) 10. t
n
cosh(kt) 11.
sen(kt)
t
12.
1 −cos(kt)
t
13.
1 −e
−t
t
14.
cos t −cosh t
t
6. Determine a transformada de Laplace para as seguintes funções:
1. f(t) =
_
1 se, t ≥ 0
0 se, t < 0
Heaviside 2. g(t) = e
αt
f(t)
3. h(t) =
_
4 se, 0 < t < 1
3 se, t > 1
4. ϕ(t) =
_
1 se, 0 < t < 2
t se, > 2
5. ψ(t) =
_
sen(2t) se, 0 < t < π
0 se, t > π
6. φ(t) =
_
¸
_
¸
_
0 se, 0 < t < 1
t se, 1 < t < 2
0 se, > 2
7. f(t) = sen2t + cos 2t 8. f(t) = (1 + e
2t
)
2
9. f(t) = (e
t
−e
−t
)
5
10. f(t) = t
2
−2t + 2
11. f(t) = t
3
+ 4t
2
+ 4t 12. f(t) = (t −2)
3
(t + 2)
13. f(t) = te
−at
14. f(t) = (t + 2)te
t
15. f(t) = cos
2
hat 16. f(t) = e
at
senbt
17. f(t) =
sent
t
18. f(t) = sen
2
2t
19. f(t) = tsent 20. f(t) =
250 Séries de Potências e Equações Diferenciais
7. Verifique as seguintes igualdades:
1. L[t
2
−3t + 5] =
2
s
3

3
s
2
+
5
s
, s > 0 2. L[2e
3t
−e
−3t
] =
s + 9
s
2
−9
, s > 3
3. L[
1
2
t
3
+ t
2
−1] =
3
s
4
+
2
s
3

1
s
, s > 0 4. L[cosh(kt)] =
s
s
2
−k
2
, s > [k[
5. L[e
−4t
+ 3e
−2t
] =
2(2s + 7)
(s + 2)(s + 4)
, s > −2 6. L[senh(kt)] =
k
s
2
−k
2
, s > [k[
8. Aplicando propriedade da linearidade, achar a transformada de Laplace para as
funções:
1. sen
3
t 2. sen
2
(kt) 3. sen(kt) cos(kt)
9. Mostre que, L[e
−at
−e
−bt
] =
b −a
(s + a)(s + b)
onde s > max¦ −a, −b ¦
10. Determine a transformada de Laplace para as seguintes funções f(t) e f

(t):
1. f(t) = te
αt
cos(βt) 2. f(t) = senh
3
t 3. f(t) = sent −t cos t
4. f(t) = cosh tsent 5. f(t) = senh
3
t 6. f(t) = isent + cos t
7. f(t) = e
−t
sen
2
t 8. f(t) = te
αt
sen(βt) 9. f(t) =
1
2
(cosh tsent + senht cos t)
11. Seja a ∈ R constante, mediante o cálculo da transformada da função f(t) =
e
iat
, i
2
= −1, determine a transformada de Laplace para as funções senat e
cos at.
12. Determine a transformada de Laplace para a função “seno integral ” f(t) =
t
_
0
senτ
τ

13. Mostre que, se

_
p
L[f(t)]dt converge, então L
_
f(t)
t
_
=

_
p
L[f(t)]dt.
14. Utilizar a exercício (13) para mostrar que

_
0
sent
t
dt =
π
2
15. Mostre que a função f(t) = 1/t
2
não tem transformada de Laplace. Sugestão:
Aplique a definição da integral imprópria para mostrar que
1
_
0
e
−st
f(t)dt não existe.
Christian José Quintana Pinedo 251
4.4 Transformada da derivada
Uma propriedade bastante útil na resolução de um PVI apresenta-se a seguir.
Propriedade 4.5. Transformada de Laplace da derivada de uma função.
Seja f(t) uma função contínua e de ordem exponencial a tal que f

seja seccionalmente
contínua em [0, ∞). Então L[f

(t)] está definida para s > α.
L[f

(t)] = sL[f(t)] −f(0) (4.13)
Demonstração.
Integrando por partes com du = f

(t)dt e v = e
−st
L[f

(t)] =

_
0
f

(t)e
−st
dt = f(t)e
−st
¸
¸
¸
M
0
+ s

_
0
f(t)e
−st
dt, M →+∞ (4.14)
o último integral é a transformada de f, definida em s > a. Para s > a o limite do
primeiro termo, quando t for infinito, é zero já que f é de ordem exponencial a.
Aplicando a transformada de Laplace obtemos L[f

(t)] = L[f(t)] −f(0).
Propriedade 4.6. Transformada de Laplace da derivada segunda.
Suponhamos que f(t) e f

(t), definidas em [0, ∞), são contínuas e de ordem expo-
nencial a, segue que f

(t) seccionalmente contínua em [0, ∞).
Então L[f

(t)] esta definida para s > α e se cumpre.
L[f

(t)] = s
2
F(s) −sf(0) −f

(0)
Demonstração.
Primeiramente definamos g(t) = f

(t), e apliquemos a propriedade anterior. Então
L[f

(t)] = L[g

(t)] = s(L[g(t)]) + g(0) = s[L[f

(t)])] + f

(0) =
= s
2
F(s) −sf(0) −f

(0)
Portanto, L[f

(t)] = s
2
L[f(t)] −sf(0) −f

(0).
A transformada de derivadas de ordem superior calcula-se aplicando a mesma pro-
priedade várias vezes.
Exemplo 4.19.
Seja a constante, e f(t) = tsenat, calcular L[f(t)].
Solução.
252 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Observe que f

(t) = senat + at cos at, f

(t) = 2a cos at −a
2
f(t), logo
L[f

(t)] = L[2a cos at −a
2
f(t)]
s
2
L[f(t)] −sf(0) −f

(0) = 2a
s
s
2
+ a
2
−a
2
L[f(t)]
Portanto L[f(t)] =
2as
(s
2
+ a
2
)
2
Propriedade 4.7.
Se f(t), f

(t), f

(t), , f
(n−1)
(t) são contínuas de ordem exponencial, e f
(n)
(t) sec-
cionalmente contínua em [0, ∞), então
L[f
(n)
(t)] = s
n
L[f(t)] −s
n−1
f(0) −s
n−2
f

(0) − −sf
(n−2)
(0) −f
(n−1)
(0), s > 0
A demonstração desta propriedade é exercício para o leitor.
4.5 Transformada da integral de uma função
Propriedade 4.8. Transformada de Laplace da integral de uma função.
Suponhamos que f : [0, ∞) →R é contínua por partes e de ordem exponencial a. Logo
L
_
_
t
_
0
f(x)dx
_
_
=
1
s
L[f(t)]
Demonstração.
Seja a função g(t) =
t
_
0
f(x)dx ela é contínua e derivável, como pelo teorema funda-
mental do cálculo g

(t) = f(t). Assim de acordo com a Propriedade (1.16), aplicada a
g(t), podemos concluir que L[g

(t)] está definida para s > a e
L[g

(t)] = sL[g(t)] −g(0)
L[g(t)] =
L[g

(t)] −g(0)
s
=
L[f(t)] −0
s
Portanto, L
_
_
t
_
0
f(x)dx
_
_
=
1
s
L[f(t)].
Exemplo 4.20.
Christian José Quintana Pinedo 253
Calcular L
_
_
t
_
0
e
−x
cos xdx
_
_
.
Solução.
Observe que L
_
_
t
_
0
e
−x
cos xdx
_
_
=
1
s
L
_
e
−t
cos t
¸
= L[cosr](s + 1).
Pela Propriedade (4.3) do deslocamento, tem-se:
L
_
_
t
_
0
e
−x
cos xdx
_
_
=
1
s
L
_
e
−t
cos t
¸
(s) =
1
s
L[cos t] (s + 1)
Portanto, L
_
_
t
_
0
f(x)dx
_
_
=
1
s
L[f(t)] =
1
s

s + 1
(s + 1)
2
+ 1
.
4.6 Transformadas de funções elementares
4.6.1 Função gama
Definição 4.7. Função gama.
Por definição, para α + 1 > 0 a função gama é
Γ(α + 1) =

_
0
e
−t
t
α
dt, α ∈ R
Quando n ∈ N tem-se que Γ(n + 1) = n!.
A transformada de t
p
, onde p é qualquer número real, é: L[t
p
] =

_
0
t
p
e
−st
dt
Com efeito, usando a mudança de variável u = st, o integral transforma-se numa
função gama:
L[t
p
] =

_
0
(
u
s
)
p
e
−u
du
s
= s
−(p+1)

_
0
u
p
e
−u
du =
Γ(p + 1)
s
p+1
(4.15)
em particular, quando p for um número inteiro positivo n, L[t
n
] =
n!
s
n+1
e para n = 0
tem-se L[1] =
1
s
.
Aplicando a propriedade de deslocamento em s, podemos calcular a transformada da
função exponencial
L[1 e
at
] = F(s −a) =
1
s −a
(4.16)
254 Séries de Potências e Equações Diferenciais
e usando a propriedade da derivada da transformada
L[te
at
] = −
d
ds
_
1
s −a
_
=
1
(s −a)
2
(4.17)
O mesmo resultado podia ter sido obtido a partir da transformada de t, usando a
propriedade de deslocamento em s.
As transformadas do seno e do coseno podem ser calculadas substituindo a = ib na
Equação (4.16) e usando a fórmula de Euler
L[e
ibt
] = L[cos(bt) + isen(bt)] =
1
s −ib
=
s + ib
s
2
+ b
2
(4.18)
comparando as partes reais e imaginárias, concluímos:
L[cos(bt)] =
s
s
2
+ b
2
e L[sen(bt)] =
b
s
2
+ b
2
(4.19)
Assim obtém-se a relação, L[cos(bt)] =
s
b
L[sen(bt)].
4.6.2 Função delta de Dirac
Em muitos sistemas mecânicos, elétricos, etc., se observa que aparecem forças externas
grandes que atuam em intervalos pequenos, por exemplo o golpe de um martelho, ou um
relâmpago num sistema elétrico. A forma de representar esta força exterior é mediante a
função delta de Dirac.
Seja a função
δ
ε
(t −a) =
_
_
_
1

se a −ε ≤ t ≤ a + ε
0 se t < a + ε ou t > a +ε
onde ε e a são constantes positivas, e a ≥ ε.
Para esta função, quando t > 0 cumpre

_
−∞
δ
ε
(t − a)dt = 1 como mostra a Figura
(4.3)
Definição 4.8.
A função delta de Dirac ou função de impulso unitário é definido pelo limite
δ(t −a) = lim
ε→0
δ
ε
(t −a)
seu gráfico mostra-se na Figura (4.4)
Christian José Quintana Pinedo 255
Figura 4.3: Figura 4.4: Função delta de Dirac
Propriedades
1. δ(t −a) é infinita em t = a e zero se t ,= a.
2.

_
−∞
δ(t −a)dt = 1
3. L[δ
ε
(t −a)](s) = e
−sε
_
e
sa
−e
−sε
2εs
_
4. L[δ(t −a)](s)
def.
=
lim
ε→0
L[δ
ε
(t −a)](s)
L’Hopital
=
e
−sa
5. Se a = 0 então L[δ(t)](s) = 1
6.

_
−∞
f(t)δ(t −a)dt = f(a), em particular

_
0
f(t)δ(t −a)dt = f(a)
7. L[f(t)δ(t −a)](s) = e −saf(a)
Observe em 5. desta propriedade lim
ε→0
L[δ
ε
(t −a)](s) = 1, entanto pelo Teorema (4.3)
vimos que quando a função é de ordem exponencial lim
ε→0
L[δ
ε
(t − a)](s) = 0, o que está
em contradição, isto indica que a função delta de Dirac não é de ordem exponencial, é
por isso que esta função é uma “função extranha”. Esta função em detalhes é tratada nos
textos da “Teoria das Distribuições”.
4.7 Transformada inversa de Laplace
Embora sejam necessárias algumas propriedades para facilitar o cálculo da transfor-
mada inversa de Laplace, um modo prático para obter transformadas inversas de Laplace
é através de tabelas.
256 Séries de Potências e Equações Diferenciais
A transformada inversa de Laplace de uma função F(s) pode não ser única, é possível
que L[f
1
(t)] = L[f
2
(t)] não obstante f
1
,= f
2
.
Seja ϑ = ¦ f /. f seccionalmente contínua de ordem exponencial ¦.
Definamos em ϑ as operações de adição + e produto usual entre funções; então
(ϑ, +, ) é um espaço vetorial.
Seja = ¦ g /. D(g) = (s
0
, +∞) ou [s
0
, +∞) com s
0
≥ −∞¦.
Definamos em as operações de adição + e produto usual entre funções; então
(, +, ) é um espaço vetorial.
Logo, pelo Teorema (??) tem-se que L : ϑ −→ é uma transformação linear.
Será que essa transformação linear L tem inversa?
Para saber isto, tem-se que saber se L é biunívoca.
Propriedade 4.9.
Se 0 ≤ x < b ≤
k
n
≤ 1 ou 0 ≤
k
n
≤ b < x ≤ 1, então
x
k
n
(1 −x)
1−
k
n
≤ e
−2(x−b)
2
b
k
n
(1 −b)
1−
k
n
A demonstração desta propriedade é exercício para o leitor.
Teorema 4.4. Teorema de aproximação de Weierstrass.
Seja f : [a, b] −→R uma função contínua. Para todo > 0, existe um polinômio p(t)
tal que [f(t) −p(t)[ < , para todo t ∈ [a, b].
Demonstração.
Seja t = (1 − x)a + xb, então x =
1
b −a
(t − a) e t ∈ [a, b] se e somente se x ∈ [0, 1].
Seja
ˆ
f : [0, 1] −→R definida por
ˆ
f(x) = f((1 −x)a + xb). Consideremos o polinômio de
Bernstein
1
ˆ p(x) =
n

k=0
ˆ
f(
k
n
)x
k
(1 −x)
n−k
e p(t) = ˆ p
_
1
b −a
(t −a)
_
Sabendo que

k∈A
_
n
k
_
x
k
(1 −x)
n−k

n

k=0
_
n
k
_
x
k
(1 −x)
n−k
= 1 (4.20)
para qualquer A ∈ ¦0, 1, 2, 3, , ¦.
1
Bernstein
Christian José Quintana Pinedo 257
Por outro lado, como f é contínua, existe δ > 0 tal que
[x −y[ < δ ⇒ [f(x) −f(y)[ <

2
(4.21)
Sejam b
1
= x −δ, b
2
= x + δ, M = max
x∈[0,1]
[f(x)[ e n tal que 4Me
−2δ
2
n
<

2
.
Pela Propriedade
b
2

k
n
≤ 1 ou o ≤
k
n
≤ b
1
⇒ x
k
n
(1 −x)
1−
k
n
≤ e
−2(x−b)
2
b
k
n
(1 −b)
1−
k
n
(4.22)
Das relações (4.20), (4.21) e (4.22) tem-se
[
ˆ
f(x) − ˆ p(x)[ =
¸
¸
¸
¸
¸
n

k=0
ˆ
f(x)
_
n
k
_
x
k
(1 −x)
n−k

n

k=0
ˆ
f(
k
n
)
_
n
k
_
x
k
(1 −x)
n−k
¸
¸
¸
¸
¸


n

k=0
¸
¸
¸
¸
ˆ
f(x) −
ˆ
f(
k
n
)
¸
¸
¸
¸
_
n
k
_
x
k
(1 −x)
n−k



2
+

|
k
n
−x|>δ
¸
¸
¸
¸
ˆ
f(x) −
ˆ
f(
k
n
)
¸
¸
¸
¸
_
n
k
_
x
k
(1 −x)
n−k


2
+ 2M

k
n
≥b
2
_
n
k
_
x
k
(1 −x)
n−k
+ 2M

k
n
≤b
1
_
n
k
_
x
k
(1 −x)
n−k


2
+ 2Me
−2δ
2
n

k
n
≥b
2
_
n
k
_
b
k
2
(1 −b
2
)
n−k
+ 2Me
−2δ
2
n

k
n
≤b
1
_
n
k
_
b
k
1
(1 −b
1
)
n−k


2
+ 4Me
−2δ
2
n

Teorema 4.5.
Dadas duas funções de ordem exponencial, se
L[f(t)] = L[g(t)], para s > a
então f(t) = g(t), exceto possívelmente nos pontos de descontinuidade.
Demonstração.
Pelo fato ser uma transformação linear, é suficiente mostrar que, se L[h(t)](s) = 0
para s > a, então h(t) = 0 para todos os valores t > 0 para os quais h(t) seja contínua.
Seja n = 0, 1, 2, e 0 = L[h(t)](a + n) =

_
0
e
−nt
e
−at
h(t)dt.
258 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Com a mudança de variáveis t = −Lnx e definindo v(x) = e
aLnx
h(−Lnx) segue
0 =
1
_
0
x
n−1
v(x)dx (4.23)
Pelo teorema (??) para > 0 existe um polinômio p(x) tal que
1
_
0
[p(x) −v(x)[
2
dx <
logo de (4.23)
1
_
0
p(x) v(x)dx = 0
de onde
1
_
0
[p(x) −v(x)[
2
dx =
1
_
0
[p(x)[
2
dx +
1
_
0
[v(x)[
2
dx <
assim,
1
_
0
[v(x)[
2
dx
Como > 0 é um número positivo arbitrário, então v(x) = 0 para x ∈ (0, 1].
Portanto h(t) = 0, para t > 0.
Portanto se F(s) é a transformada de Laplace de uma função admissível f(t), esta
função esta determinada a menos dos pontos de descontinuidade e dizemos que f(t) é a
transformada de Laplace inversa de F(s), e escrevemos
L
−1
[F(s)] = f(t)
.
Enunciaremos o teorema de Lerch, que ajudará a vislumbrar o problema
Teorema 4.6.
Se f e g são pertencentes a ϑ, e supondo que existe s
0
tal que L[f(t)] = L[g(t)] para
todo s > s
0
exceto um número finito de pontos de descontinuidade, então f(t) = g(t) para
todo t > 0.
A demonstração do teorema é exercício para o leitor.
Logo, se L[f(t)] = F(s), então podemos achar um único valor para f(t).
Christian José Quintana Pinedo 259
Esta solução denotamos com L
−1
[F(s)], e será chamada de inversa da transformada
de Laplace da função F(s).
A transformada inversa L
−1
de uma função F(s) é a função f(t) cuja transformada
de Laplace seja igual a F(s). Isto é L
−1
[F(s)] = f(t) ⇔ L[f(t)] = F(s).
Teorema 4.7.
Se f ∈ ϑ, então lim
s→∞
L[f(t)] = 0.
Demonstração.
Como f ∈ ϑ, então f é seccionalmente contínua em [0, ∞) e de ordem exponencial,
logo existe uma constante a ∈ R tal que lim
t→∞
f(t)e
−at
= 0.
De onde, para esse a ∈ R tem-se

_
0
f(t)e
at
dt ≤
C
s −a
.
Isto é [L[f(t)] = F(s)[ ≤
C
s −a
para s > a, de onde lim
s→∞
L[f(t)] = 0.
Este teorema mostra que L não é uma aplicação sobrejetora, pois dado 1, s, sens, e
s
s + 1
não têm inversa em ϑ já que nenhum delas tende a zero, ou cumpre com o teorema.
Exemplo 4.21.
Se F(s) =
1
s
, então L
−1
[F(s)] = 1, pois L[1] =
1
s
.
Se F(s) =
1
s
2
+ 1
, então L
−1
[F(s)] = sent, pois L[sent] =
1
s
2
+ 1
.
Observação 4.5.
1. A transformada inversa de Laplace não necessáriamente é única. Por exemplo as
funções
f(t) =
_
¸
_
¸
_
1, se t ≥ 0, t ,= 1, t ,= 2
3, se t = 1
−3 se t = 2
e g(t) = 1
observe que f(t) ,= g(t).
Tem-se que L[f(t)] = L[g(t)] =
1
s
porém L
−1
(
1
s
) = f(t) L
−1
(
1
s
) = g(t) são
diferentes.
Não obstante, para o caso f(t) e g(t) ser contínuas para t ≥ 0 e L[f(t)] = L[g(t)]
então f(t) = g(t) em tal intervalo.
2. Para funções contínuas, L
−1
é um operador linear
L
−1
(αF(s) + βG(s)) = αL
−1
(F(s)) + βL
−1
(G(s))
260 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Uma importante aplicação das transformadas inversas de Laplace, é quando rela-
cionamos com conceitos da “derivada da transformada de Laplace”. Vimos na igualdade
(4.12) que
d
n
ds
n
L[f(t)] = (−1)
n
L[t
n
f(t)] ⇒
d
n
ds
n
F(s) = (−1)
n
L[t
n
f(t)]
logo quando n = 1 obtemos a igualdade
d
ds
F(s) = −L[t
n
f(t)] ⇒ f(t) = −
1
t
L
−1
_
d
ds
F(s)
_
Exemplo 4.22.
Determine a função f(t), sabendo que L
−1
_
Ln
s −3
s −1
_
= f(t).
Solução.
f(t) = −
1
t
L
−1
_
d
ds
F(s)
_
f(t) = −
1
t
L
−1
_
d
ds
Ln
s −3
s −1
_
f(t) = −
1
t
L
−1
_
d
ds
Ln(s −3) −Ln(s + 1)]
_
= −
1
t
L
−1
_
1
s −3

1
s + 1
_
Portanto, f(t) =
e
−t
−e
3t
t
.
4.7.1 Cálculo de transformadas inversas
Os resultados antes estudados, podem também ser usados para calcular transformadas
inversas de Laplace, a expressão que define a transformada inversa de Laplace. Essa in-
tegral pode ser de resolução complicada. Existem métodos expeditos de obter a transfor-
mada inversa. Vamos aqui apresentar um baseado na expansão em frações simples.
Método dos coeficientes indeterminados
Assume-se que a transformada de Laplace está representada por uma função racional,
o que ocorre sempre para as funções que nos interessam no âmbito da engenharia. A
transformada de Laplace da forma
F(s) =
P(s)
Q(s)
=
a
m
s
m
+ a
m−1
x
m−1
+ +a
1
s +a
0
s
n
+ b
n−1
s
n−1
+ + b
1
s + b
0
onde o grau do polinômio P(s) é menor do que o grau de Q(s) pode ser escrita na forma
F(s) =
a
m
s
m
+ a
m−1
s
m−1
+ + a
1
s + a
0
(s −α
n
)(s −α
n−1
) (s −α
1
)
(4.24)
Christian José Quintana Pinedo 261
Aqui se apresentam vários casos
1
o
Caso: Quando as raízes do denominador sejam todas reais simples, podemos escrever
(4.24) na forma
F(s) =
a
m
s
m
+ a
m−1
s
m−1
+ + a
1
s + a
0
(s −α
n
)(s −α
n−1
) (s −α
1
)
=
A
1
s −α
1
+
A
2
s −α
2
+ +
A
n
s −α
n
2
o
Caso: Quando as raízes do denominador sejam todas reais simples, sendo que uma
delas é de multiplicidade k (por exemplo (s − α
2
)
k
) podemos escrever (4.24) na
forma
F(s) =
A
1
s −α
1
+
_
A
21
(s −α
2
)
+
A
22
(s −α
2
)
2
+ +
A
2k
(s −α
2
)
k
_
+
A
3
s −α
3
+ +
A
n
s −α
n
Para o caso de ter mais outras raízes com multiplicidade, procede-se de modo análogo
ao descrito.
3
o
Caso: Quando as raízes do denominador sejam reais simples e outras (por exemplo
duas) complexas, podemos escrever (4.24) na forma
F(s) =
A
11
s + A
12
s
2
+ β
11
s + β
12
+
A
2
s −α
2
+ + +
A
n−1
s −α
n−1
4
o
Caso: Quando todas raízes do denominador sejam complexas, podemos escrever (4.24)
na forma
F(s) =
A
11
s +A
12
s
2
+ β
11
s + β
12
+
A
21
s + A
22
s
2

21
s + β
22
+
A
3
s −α
3
+ +
A
n−2
s −α
n−2
Nos quatro casos o objetivo é achar as constantes do numerador das frações parciais.
Por exemplo, calculemos a transformada inversa de:
G(s) =
2s
3
+ 4s
2
+ 10s + 74
(s
2
+ 2)(s
2
−2s + 10)
(4.25)
usando expansão em frações parciais, obtemos:
G(s) =
2
s + 2
+
3
(s + 2)
2
+
1
(s −1)
2
+ 9
(4.26)
para calcular a transformada inversa de cada termo, começamos por calcular as trans-
formadas inversas das três funções:
1
s
,
1
s
2
,
3
s
2
+ 9
que são 1, t e sen(3t), re-
spectivamente. A seguir usamos a propriedade de deslocamento em s para calcular a
262 Séries de Potências e Equações Diferenciais
transformada inversa da função G.
g(t) = 2e
−2t
+ 3te
−2t
+
e
t
3
sen(3t) (4.27)
Exemplo 4.23.
Determine a função cuja transformada de Laplace é
7s −1
(s −3)(s + 2)(s −1)
.
Solução.
L
−1
_
7s −1
(s −3)(s + 2)(s −1)
_
= L
−1
_
A
s −3
+
B
s + 2
+
C
s −1
_
= AL
−1
_
1
s −3
+ B
1
s + 2
+ C
1
s −1
_
= Ae
3t
+ Be
−2t
+Ce
t
Portanto, L
−1
_
7s −1
(s −3)(s + 2)(s −1)
_
= Ae
3t
+Be
−2t
+ Ce
t
.
Exemplo 4.24.
A transformada de Laplace de uma função f(t) é F(s) =
s + 3
s
2
−3s + 2
. Determine a
função f(t).
Solução.
Observe que o denominador de F(s) podemos decompor em frações parciais.
F(s) =
A
s −2
+
B
s −1
logo s + 3 = A(s −2) + B(s −1) de onde A = −4 e B = 5. Assim
F(s) = 5
1
s −2
−4
1
s −1
Logo a função pedida é f(t) = 5e
2t
−4e
t
.
Exemplo 4.25.
Determine L
−1
_
1
s(s
2
+ 4)
_
Solução.
Pelo método das frações parciais, obtemos
1
s(s
2
+ 4)
=
1/4
s
+
(−1/4)s
s
2
+ 4
.
Assim, L
−1
_
1
s(s
2
+ 4)
_
=
1
4
L
−1
_
1
s
_

1
4
L
−1
_
s
s
2
+ 4
_
=
1
4

1
4
cos 2x.
Christian José Quintana Pinedo 263
Exercícios 4-2
1. Mostre que se f(t), f

(t), f

(t), , f
(n−1)
(t) são contínuas de ordem exponencial,
e f
(n)
(t) seccionalmente contínua em [0, ∞), então
L[f
n
(t)] = s
n
L[f(t)] −s
n−1
f(0) −s
n−2
f

(0) − −sf
(n−2)
(0) −f
(n−1)
(0), s > 0
2. Calcular as transformadas de Laplace das funções f(t) = cos at e senat calculando
a transformada de Laplace da função h(t) = e
iat
, i
2
= 1.
3. Seja n um inteiro positivo. Calcular a transformada de Laplace da função f
n
:
[0, ∞) −→R dada por f
n
(t) = t
n
, para n = 0, 1, 2, .
4. Usando a propriedade do deslocamento, determine uma função f(t) sabendo que
sua transformada de Laplace é
F(s) =
s −2
2s
2
+ 2s + 2
5. aplicando a transformada de Laplace da derivada, verificar que, se f(t) = t cos at
então L[f](s) =
s
2
−a
s
(s
2
+ a
2
)
2
6. Sem calcular a integral, determine as transformadas de laplace.
1. L
_
t
_
0
e
x
dx
_
2. L
_
t
_
0
cos xdx
_
3. L
_
t
_
0
senx cos(t −x)dx
_
4. L
_
t
_
0
xe
t−x
_
5. L
_
t
_
0
e
−x
senxdx
_
6. L
_
t
t
_
0
senxdx
_
7. L
_
t
_
0
e
−x
dx
_
9. L
_
t
_
0
xsenxdx
_
10. L
_
t
t
_
0
xe
−x
dx
_
7. Mostre que se 0 ≤ x < b ≤
k
n
≤ 1 ou 0 ≤
k
n
≤ b < x ≤ 1, então
x
k
n
(1 −x)
1−
k
n
≤ e
−2(x−b)
2
b
k
n
(1 −b)
1−
k
n
264 Séries de Potências e Equações Diferenciais
8. Determine a transformada inversa de Laplace para as funções:
1.
s
s
4
+ 4
2.
s
s
4
+ 4

e
−s
s
2

e
−2s
s
2
−1
3.
2s −5
s(s
2
+ s + 12
4.
p
p
4
+ 4

e
−p
p
2

e
−2p
p
2
−1
9. Determine:
1. L
−1
_
1
s
4
_
2. L
−1
_
1
s
2

64
s
5
_
3. L
−1
__
3
s

1
s
3
_
2
_
4. L
−1
_
1
s
2

1
s −2
+
1
s
_
5. L
−1
_
12s
s
2
+ 9
_
6. L
−1
_
1
s
2
+ s −6
_
7. L
−1
_
s −5
(s +

5)(s −

5)
_
8. L
−1
_
s
(s −1)(s −2)(s −3)
_
9. L
−1
_
s −2
s
2
(s
2
+ 4)
_
10. L
−1
_
1
(s
2
+ 9)(s
2
+ 4)
_
11. L
−1
_
6s + 3
(s
2
+ 1)(s
2
+ 4)
_
12. L
−1
_
1
s
4
−16
_
10. Considere L[f](s) = F(s), determine f(t)
1. F(s) =
2
s 2(s + 2)(s −1)
+
1
(s + 2)(s −1)
2. F(s) =
3
(s −1)(s
2
+ 4
11. Seja a constante, sabe-se que a transformada de Laplace de f(t) = senat é
a
s
2
+ a
2
, s >
0 e a de g(t) = t cos at é
s
2
−a
2
(s
2
+a
2
)
2
, s > 0. Determine a transformada de Laplace
de h(t) = senat +t cos at.
12. Determine a função cuja transformada de Laplace é
s + 1
s
2
(s + 2)
3
.
13. Determine a função cuja transformada de Laplace é
s
2
+ 2
s(s
2
+ 2s + 2)
.
14. Determine a função f(t), sabendo que L
−1
_
Ln[1 +
1
s
2
]
_
= f(t).
Christian José Quintana Pinedo 265
4.8 Resolução de equações diferenciais mediante a trans-
formada de Laplace
Como vimos na seção anterior, as transformadas de Laplace das derivadas de uma
função são todas proporcionais à transformada da função original, multiplicada por s
n
,
onde n é a ordem da derivada. Estas transformadas têm inumeras aplicações na engen-
haria, resulta particularmente útil em problemas onde a força impolsóra (mecânica ou
elétrica) apresenta descontinuidades, é impulsiva ou é periódica mais não uma simples
função seno ou coseno. Outra vantagem é que as equações não homogêneas são resolvidas
sem a necessidade de resolver primeiro as homogêneas correspondentes.
Esta propriedade permite transformar uma equação diferencial linear, com coefi-
cientes constantes em uma equação algébrica.
Por exemplo temos uma função f(t) de modo que sua derivada em relação a t e
substraída dela própria é igual a zero que satisfaz f(0) = 1. Isto é, temos o problema de
valor inicial:
f

(t) −f(t) = 0, f(0) = 1 (4.28)
Esta função f(t) pode ser encontrada se aplicarmos ambos os lados da equação a
transformada de Laplace.
L[f

(t) −f(t)] = L[0] (4.29)
não entanto sabemos que:
L[0] = 0, L[f

(t)] = sL[f(t)] −f(0)
logo em (4.29) segue pela linearidade da transformada que
(sL[f(t)] −f(0)) −L[f(t)] = 0
de onde L[f(t)] =
1
s −1
. Lembre que L[e
at
] =
1
s −a
.
Portanto, f(t) = e
t
é solução da equação diferencial (4.28).
Roteiro
Para resolver uma equação diferencial linear ordinaria segue-se o seguinte roteiro
1. Aplicar a transformada de Laplace a ambos os lados da equação diferencial.
2. Aplicar o teorema da transformada da derivada. Quando as condições iniciais não
estiveram dadas em t = 0, por exemplo estiver em t = a fazer a mudança de
variável τ = t −a, com esta mudança, a nova EDO tem condições iniciais em τ = 0
266 Séries de Potências e Equações Diferenciais
3. Conseguir uma função em s, isto é da forma G(s).
4. Achar a transformada inversa de Laplace da função G(s), isto é L
−1
[G(s)]
Assim, com este método da transformada de Laplace se resolvem equações diferenciais
e problemas de valores inicial e de fronteira correspondentes. Podemos resumir o roteiro
em três pasos:
1
o
O problema dado “difícil” transformamos em uma equação “simples” (equação sub-
sidiária).
2
o
A equação subsidiária é resolvida mediante manipulações algébricas.
3
o
A solução da equação subsidiária é transformada para obter a solução da equação
original
Suponhamos que temos que resolver uma equação diferencial linear de ordem n com
coeficientes constantes e valores iniciais y
0
, y

0
, y

0
, y
(n−1)
0
, y
(n)
0
,
a
n
y
(n)
(x) + a
n−1
y
(n−1)
(x) + + a
2
y

(x) + a
1
y

(x) + a
0
y(x) = f(x)
y(x
0
) = y
0
, y

(x
0
) = y

0
, y

(x
0
) = y

0
, y
n−1
(x
0
) = y
n−1
0
_
_
_
(4.30)
Precisamos achar uma solução da equação (4.30) quando t ≥ 0 para essas condições
iniciais.
Suponhamos que y = y(x) seja solução de (4.30) que satisfaz as condições iniciais.
Então ao substituir esta função y = y(x) em (4.30), obteremos uma identidade. Portanto,
a função da parte esquerda de (4.30) e a função f(x) têm a mesma transformada de
Laplace; isto é
L[
n

k=0
a
k
y
k
] = L[f(x)] onde y
(0)
= y
Aplicando a Propriedade (4.7) tem-se que
L[y
k
] = s
k
L[y] −s
k−1
y(0) − −sy
(k−2)
(0) −y
(k−1)
(0)
Utilizando a propriedade de linearidade da Transformada, obtemos
a
n
L[y
(n)
] + a
n−1
L[y
(n−1)
] + + a
2
L[y

] + a
1
L[y

] + a
0
L[y] = L[f(x)]
Christian José Quintana Pinedo 267
isto é
a
n
[s
n
L[y] −s
n−1
y(0) − −sy
(n−2)
(0) −y
(n−1)
(0)] +
+a
n−1
[s
n−1
L[y] −s
n−2
y(0) − −sy
(n−3)
(0) −y
(n−2)
(0)] +
+ a
2
[sy(0) + y

(0)] + a
1
y(0) = L[f(x)] (4.31)
Chamaremos à equação (4.31) “equação auxiliar”, “equação da transformada” ou “equação
operatório”.
Para abreviar a notação consideremos L[y(x)] = Y (s). Observe que o coeficiente de
Y (s) em (4.31) obtém-se da parte esquerda de (4.30) mediante a substituição formal das
derivadas y
(k)
(x) pelas potências de s
k
. Designemos este coeficiente por
R
n
(s) = a
n
s
n
+ a
n−1
s
n−1
+ +a
1
s + a
0
É imediato observar que este coeficiente é o primeiro membro da equação característica
para a equação diferencial (4.30).
Então achamos a transformada da solução na forma
Y (s) =
F(s)
R
n
(s)
+
ψ
n−1
(s)
R
n
(s)
(4.32)
onde
ψ
n−1
(s) = a
1
y
0
+ a
2
(sy
0
+ y

0
) +
+a
3
(s
2
y
0
+ sy

0
+ y

)0) + + a
n
[s
n−1
y
0
+ s
n−2
y

0
+
+sy
(n−2)
0
+ y
(n−1)
0
]
Para o caso das condições iniciais nulas, isto é para o caso
y(x
0
) = y

(x
0
) = y

(x
0
) = y
n−1
(x
0
) = y
n−1
0
= 0
a fórmula (4.32) escreveremos
Y (s) =
F(s)
R
n
(s)
(4.33)
Caso a partir de (4.32) ou (4.33) achamos a inversa da transformada de Laplace, em
virtude da unicidade, ésta será precisamente a solução procurada y = y(x).
Exemplo 4.26.
268 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Resolver o problema de valor inicial:
f

(t) −2f

(t) = 2e
2t
, f(0) = 0, f

(0) = 1 (4.34)
Solução.
Aplicando a transformada de laplace nos dois lados, da equação diferencial e pela
linearidade da transformada teremos:
L[f

(t)] −2L[f

(t)] = 2L[e
2t
] (4.35)
lembre que
L[f

(t)] = s
2
L[f(t)] −sf(0) −f

(0)
L[f

(t)] = sL[f(t)] −f(0)
L[e
2t
] =
1
s −2
substituindo em (4.35) sege que
(s
2
L[f(t)] −sf(0) −f

(0)) −2(sL[f(t)] −f(0)) = 2
_
1
s −2
_
(s
2
−2s)L[f(t)] −1 = 2
_
1
s −2
_
⇒ L[f(t)] =
1
(s −2)
2
consultando a tabela de transformadas encontramos que f(t) = te
2t
é solução da equação
(4.34).
Exemplo 4.27.
Temos que resolver o problema de valor inicial:
y

−3y

+ 2y = 0, y(0) = 3, y

(0) = 4 (4.36)
Solução.
Transformando os dois lados da equação e usando a propriedade de linearidade, obte-
mos:
3L[y

] −3L[y

] + 2L[y] = L[0] (4.37)
Christian José Quintana Pinedo 269
cada um dos termos pode ser calculado usando as propriedades da transformada de
Laplace:
L[y] = Y (s) (4.38)
L[y

] = sY (s) −y(0) (4.39)
L[y

] = s
2
Y (s) −sy(0) −y

(0) (4.40)
L[0] = 0 (4.41)
a transformada da equação diferencial é
[s
2
Y (s) −sy(0) −y

(0)] −3[sY (s) −y(0)] + 2Y (s) = 0 (4.42)
Esta equação é uma equação algébrica que pode ser facilmente simplificada, con-
duzindo à função Y , depois de substituir os valores iniciais y(0) = 3, y

(0) = 4 segue
(s
2
−4s −3)L[y] −3s −4 + 9 = 0
Y (s) =
3s −5
s
2
−4s + 2
(4.43)
A solução da EDO é a transformada inversa desta função. Usando a expansão em
frações parciais:
Y (s) =
1
s −2
+
2
s −1
(4.44)
Devido ao fato de ser L
−1
linear, então
L
−1
[Y (s)] = L
−1
_
1
s −2
_
+L
−1
_
2
s −1
_
(4.45)
A transformada inversa de cada uma das frações parciais é facilmente identificada,
pois L
−1
[
1
s −2
] = e
2x
, para s > 2 , e; L
−1
[
2
s −1
] = 2e
x
, para s > 1.
Portanto, y(x) = e
2x
+ 2e
x
.
4.8.1 Equações com termo não homogêneo descontínuo
Para resolver problemas de valor inicial de segunda ordem
a
2
y

+ a
1
y

+ a
0
y = f(t); y(0) = y
0
, y

(0) = y
1
(4.46)
onde f(t) é uma função descontínua num número finito de pontos, deve-se escrever f(t)
em função da função de Heaviside
Definição 4.9. Função de Heaviside
270 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Chamada também função de grau unitário, é definido por
u
a
(t) =
_
1 se t ≥ a
0 se t < a
Observe que u
a
(t) = u
0
(t − a), em muitos sistemas computacionais, a função u
0
(t) é
uma função pré-definida no sistema.
Exemplo 4.28.
Ao aplicar u
π
(t) à função sent, trunca a função sent entre 0 e π ficando a função
g(t) = u
π
(t)sent como mostra a Figura (4.5)
Figura 4.5: g(t) = u
π
(t)sent
Exemplo 4.29.
Escrever a função descontínua
f(t) =
_
¸
_
¸
_
f
1
(t) se 0 ≤ t < a
f
2
(t) se a ≤ t < b
f
3
(t) se t ≥ b
em termos da função de Heaviside.
Solução.
Podemos escrever na forma
f(t) = f
1
(t) −u
a
(t)f
1
(t) + u
a
(t)f
2
(t) −u
b
(t)f
2
(t) + u
b
(t)f
3
(t)
Observe que para “zerar” f
1
(t) a partir de t = a, subtraímos u
a
(t)f
1
(t) e para “acres-
centar” f
2
(t) a partir de t = a somamos u
a
(t)f
2
(t). Para “zerar” f
2
(t) a partir de t = b,
subtraímos u
b
(t)f
2
(t) e para “acrescentar” f
3
(t) a partir de t = b somamos u
b
(t)f
3
(t). Esta
idéia pode ser repetida para o caso em que existam mais pontos de descontinuidade.
Exemplo 4.30.
Calcular a transformada de Laplace da função de Heaviside.
Solução.
Christian José Quintana Pinedo 271
Sabe-se que s > 0, então
L[u
a
(t)](s) =

_
0
e
−st
u
a
(t)dt =
a
_
0
e
−st
u
a
(t)dt +

_
a
e
−st
u
a
(t)dt =

_
a
e
−st
dt =
e
−as
s
Assim, L[u
a
(t)](s) =
e
−as
s
; s > 0.
Exemplo 4.31.
Calcular a transformada de Laplace da função f(t) =
_
1 se 0 ≤ t < 2
0 se t ≥ 2
.
Solução.
Podemos escrever na forma f(t) = 1 −u
2
(t)
Pela linearidade da transformada temos
L[f(t)](s) = L[1](s) +L[u
2
(t)](s) =
1
s

e
−2s
s
4.8.2 Deslocamento no domínio do tempo t
A Propriedade (4.3) refere-se ao deslocamento sobre o eixo-s, à substituição de s em
F(s) por s −α corresponde à multiplicação da função original f(t) por e
αt
.
O deslocamento no domínio do tempo t, trata da translação sobre o eixo-t. A substi-
tuição de t em f(t) por t − α. Em linhas gerais é a multiplicação da transformada F(s)
por e
αs
.
A função u
a
(t)f(t −a), representa à função f(t) deslocada uma distância a no eixo
do tempo t, sendo nula para t < a. A sua transformada de Laplace calcula-se facilmente,
em função da transformada de f:
L[u
a
(t)f(t−a)] =

_
a
f(t−a)e
−st
dt =

_
0
f(r)e
−s(r−a)
dr = e
−sa

_
0
f(r)e
−sr
dr = e
−sa
L[f(t)]
E obtemos a propriedade de deslocamento em t:
Esta propriedade é útil para calcular transformadas de funções com descontinuidades.
Uma outra forma equivalente é a seguinte:
Propriedade 4.10.
Seja a uma constante positiva, se a transformada de Laplace da função f(t) é F(s)
para s > c, então a transformada de Laplace da função g(t) = u
a
(t)f(t −a) é
G(s) = e
−as
F(s) para s > c
272 Séries de Potências e Equações Diferenciais
A demonstração desta propriedade é exercício para o leitor.
Logo, se conhecemos a transformada F(s) de f(t), obtém-se a transformada da função
˜
f(t) =
_
0, se t < a
f(t −a) se t > a
(4.47)
cuja variável deslocou-se ao multiplicar F(s) por e
as
.
A função de Heaviside u
a
(t) = u(t −a) podemos usar para escrever a função
˜
f(t) em
(4.47) da forma f(t −a)u(t −a), isto é
f(t −a)u(t −a) =
_
0, se t < a
f(t −a) se t > a
(4.48)
Logo podemos reformular a propriedade (4.10)
Propriedade 4.11.
Se L[f(t)] = F(s), então
L[f(t −a)u(t −a)] = e
−as
F(s)
Demonstração.
Da definição sabe-se que
e
−as
F(s) = e
−as
+∞
_
0
e
−sx
f(x)dx =
+∞
_
0
e
−s(x+a)
f(x)dx
Substituindo x + a por t na integral segue
e
−as
F(s) =
+∞
_
0
e
−s(x+a)
f(x)dx =
+∞
_
a
e
−st
f(t −a)dt = 0 +
+∞
_
a
e
−st
f(t −a)dt
e
−as
F(s) =
a
_
0
e
−st
0(t)dx +
+∞
_
a
e
−st
f(t −a)dt =
+∞
_
0
e
−st
f(t −a)u(t −a)dt
Portanto, L[f(t −a)u(t −a)] = e
−as
F(s).
Observe que aplicando a transformada inversa em ambos os membros desta igualdade
obtém-se
f(t −a)u(t −a) = L
−1
[e
−as
F(s)]
Exemplo 4.32.
Christian José Quintana Pinedo 273
Resolver o problema de valores iniciais: y

+ 3y

+ 2y =
_
t, se t < 1
−t, se 1 ≤ t
,
y(0) = y

(0) = 0.
Solução.
Começamos por escrever o lado direito da equação na forma compacta:
y

+ 3y

+ 2y = [1 −u(t −1)]t −tu(t −1) = t −2tu(t −1)
A transformada de Laplace do lado esquerdo é:
L[y

+ 3y

+ 2y] = (s
2
+ 3s + 2)Y (s)
Usando a propriedade de deslocamento em t, a transformada do lado direito é:
L[t −2tu(t −1)] =
1
s
2
−2e
−s
L[t + 1] =
1
s
2
−2
e
−s
s
−2
e
−s
s
2
Igualando as transformadas dos dois lados da equação diferencial, podemos obter sem
dificuldade Y :
Y =
1 −2e
−s
s
2
(s + 1)(s + 2)
−2
e
−s
s(s + 1)(s + 2)
Usando decomposição em frações parciais:
1
s(s + 1)(s + 2)
=
1
2s

1
s + 1
+
1
2(s + 2)
1
s
2
(s + 1)(s + 2)
=
1
2s
2

3
4s
+
1
s + 1

1
4(s + 2)
obtemos:
Y =
1
2s
2

3
4s
+
1
s + 1

1
4(s + 2)
+ e
−s
_
1
2s

1
s
2

1
2(s + 2)
_
e a transformada inversa é:
y(t) =
t
2

3
4
+ e
−t

1
4
e
−2t
+ u(t −1)
_
1
2
−(t −1) −
1
2
e
−2(t−1)
_
4.9 Convolução
A transformada de Laplace de um produto de duas funções não é igual ao produto das
transformadas de Laplace das duas funções. Outra propriedade importante da transfor-
mada de Laplace esta relacionada com produto de transformadas, com frequência pode-
mos ter duas transformadas L[f(t)] e L[g(t)] cujas inversas f(t) e g(t) se conheçam
274 Séries de Potências e Equações Diferenciais
não obstante queremos calcular a inversa do produto L[f(t)] L[g(t)] a partir das inversas
conhecidas f(t) e g(t).
Existe uma operação entre funções que, quando transformada, dá o produto das trans-
formadas das duas funções. Essa operação entre funções é chamada “convolução”, e tem
papel importante no cálculo de transformadas inversas, como veremos.
Definição 4.10. Produto de convolução.
Sejam f = f(t) e g = g(t) funções integráveis para as quais o produto destas funções
também é uma função integrável. O produto de convolução entre duas funções f(t) e g(t)
define-se da seguinte forma
f(t) ∗ g(t) =
t
_
0
f(r)g(t −r)dr (4.49)
Exemplo 4.33.
A convolução de f(t) = e
t
e g(t) = sent é
e
t
∗ sent =
t
_
0
e
t
sen(t −r)dr (4.50)
=
1
2
(−sent −cos t + e
t
) (4.51)
É possível calcular a transformada de Laplace da convolução de duas funções, como
em (4.50), sem precisar resolver a integral como fizemos em (4.51). O resultado que segue
é conhecido como teorema de convolução.
Teorema 4.8. Teorema de convolução.
Sejam f e g funções de classe A, então o produto de suas transformadas F(s) = L[f(t)]
e G(s) = L[g(t)] é a transformada H(s) = L[h(t)] da convolução h(t) de f(t) e g(t)
denotada por L[(f ∗ g)(t)] e definida por
L[(f ∗ g)(t)] = L[f(t)] L[g(t)] = F(s) G(s)
Assim, a transformada de Laplace do produto de convolução entre duas funções f e
g, é igual ao produto das transformadas de Laplace das duas funções.
Demonstração.
A partir das definições da transformada de Laplace e do produto de convolução, obte-
mos
L[f(t) ∗ g(t)] =

_
0
t
_
0
f(r)g(t −r)e
−st
drdt (4.52)
Christian José Quintana Pinedo 275
A integral em r pode ser estendido até infinito, se multiplicarmos por uma função
degrau unitário que anule a parte desde t até infinito
L[f(t) ∗ g(t)] =

_
0

_
0
f(r)g(t −r)χ(t −r)e
−st
drdt (4.53)
trocando a ordem dos dois integrais, obtemos
L[f(t) ∗ g(t)] =

_
0
f(r)[

_
0
g(t −r)χ(t −r)e
−st
dt]dr (4.54)
O termo entre parênteses quadrados é a transformada de Laplace da função g, deslocada
em t:
g(t −r)χ(t −r) (4.55)
que é igual à transformada de Laplace de g, multiplicada pela exponencial de −sr. Assim,
obtemos o resultado
L[f(t) ∗ g(t)] = G(s)

_
0
f(r)e
−sr
dr (4.56)
que é igual ao produto das transformadas de Laplace das duas funções, como pretendíamos
demonstrar:
L[f(t) ∗ g(t)] = G(s)F(s) (4.57)
O teorema anterior também implica, em forma inversa, que a transformada inversa de
Laplace de um produto de funções é igual ao produto de convolução entre as transformadas
inversas das duas funções.
O teorema de convolução é útil no cálculo de transformadas inversas de funções com-
plicadas que possam ser escritas como o produto entre funções simples. O produto de
convolução entre funções verifica as propriedades comutativa, associativa e distributiva
em relação à soma de funções.
Exemplo 4.34.
Usando a convolução achar a inversa f(t) de F(s) =
1
(s
2
+ 1)
2
.
Solução.
Podemos escrever na forma F(s) =
1
(s
2
+ 1)
2
=
1
s
2
+ 1

1
s
2
+ 1
Sabemos que os fatores de F(s) têm por transformada inversa a função sent, assim
276 Séries de Potências e Equações Diferenciais
pelo teorema da convolução obtém-se
f(t) = L
−1
[F(s)] = sent ∗ sent =
t
_
0
senxsen(t −x)dx =
=
1
2
t
_
0
−cos tdx +
1
2
t
_
0
cos(2x −t)dx = −
1
2
t cos t +
1
2
sent
Portanto, f(t) = −
1
2
t cos t +
1
2
sent.
Exemplo 4.35.
Calcule L[e
−t
∗ e
t
cos t](s).
Solução.
Pela definição do produto convolução tem-se
L[e
−t
∗ e
t
cos t](s) = L[e
−t
](s) L[e
t
cos t](s) =
=
1
s + 1

s −1
(s −1)
2
+ 1
Exemplo 4.36.
Calcule L[
t
_
0
e
t
sen(t −r)dr]
Solução.
Como f(t) = e
t
e g(t) = sent, o teorema de convolução diz que a transformada de
Laplace da convolução de f e g é o produto das transformadas.
L[
t
_
0
e
t
sen(t −r)dr] = L[e
t
] L[sent]
=
1
s −1

1
s
2
+ 1
=
1
(s −1)(s
2
+ 1)
=
1
2
[
1
s −1

s
s
2
+ 1

1
s
2
+ 1
]
Portanto, L[
t
_
0
e
t
sen(t −r)dr] =
1
2
[
1
s −1

s
s
2
+ 1

1
s
2
+ 1
].
Observe, para a solução do seguinte exemplo usaremos resultados dos teoremas da
transformada de Laplace, e não precisamos usar outros métodos complicados como o das
frações parciais.
Exemplo 4.37.
Calcule L
−1
[
s
(s
2
+ 9)
2
](t).
Solução.
Christian José Quintana Pinedo 277
Tem-se L
−1
[
s
(s
2
+ 9)
2
](t) =
1
3
L
−1
[
3
s
2
+ 9

s
s
2
+ 9
](t) =
=
1
3
(f ∗ g)(t) =
1
3
(sen3t ∗ cos 3t) =
1
3
t
_
0
sen3x cos 3(t −x)dx
=
1
3
t
_
0
sen3x(cos 3t cos 3x + sen3tsen3x)dx
=
1
3
cos 3t
t
_
0
sen3x cos 3xdx +
1
3
sen3t
t
_
0
sen
2
3xdx
=
1
12
cos 3tsen
2
3t +
1
4
tsen3t −
1
24
sen3tsen6t
Portanto, L
−1
[
s
(s
2
+ 9)
2
](t) =
1
12
cos 3tsen
2
3t +
1
4
tsen3t −
1
24
sen3tsen6t.
Exemplo 4.38.
Calcule a transformada inversa da função F(s) =
a
s(s
2
+a
2
)
Solução.
Podemos escrever a função F como o produto entre duas funções G(s) =
1
s
e
H(s) =
a
s
2
+ a
2
. as transformadas inversas de G e H obtém-se a partir de uma tabela de
transformadas de Laplace g(t) = 1 e h(t) = sen(at).
E a transformada inversa de F(s) é igual ao produto de convolução de g(t) e h(t)
f(t) = 1 ∗ sen(at) =
t
_
0
sen(ar)dr =
1 −cos(at)
a
(4.58)
No cálculo do produto de convolução entre g e h, o elemento no interior da integral
pode ser escrito como g(r)h(t − r) ou g(t − r)h(r), usando a propriedade comutativa;
convém sempre examinar as duas possibilidades para selecionar a que seja mais fácil de
primitivar.
Exemplo 4.39.
Calcule a integral I(t) =

_
0
1 −cos(tx)
x
2
dx
Solução.
278 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Determinemos a transformada de Laplace da integral
L[I(t)] = L
_
_

_
0
1 −cos(tx)
x
2
dx
_
_
=

_
0
e
−st

_
0
1 −cos(tx)
x
2
dxdt =
=

_
0

_
0
e
−st
[1 −cos(tx)]dt
dt
x
2
=

_
0
L[1 −cos(tx)]
dx
x
2
=
=

_
0
_
1
s

s
s
2
+ x
2
_
dx
x
2
=

_
0
dx
s(s
2
+ x
2
)
=
1
s
2
arctan
1
s
¸
¸
¸

x=0
=
π
2s
2
Isto é, L[I(t)] =
π
2s
2
, de onde I(t) = L
−1
[
π
2s
2
] =
πt
2
.
Portanto, I(t) =
πt
2
.
Em cursos mais avançados, podemos estudar outras propriedades da convolução de
funções. Por exemplo, quando temos uma função f com uma propriedade fraca rela-
cionada com a suavidade e outra função g com propriedade forte relacionada com a suavi-
dade, então a convolução f ∗ g é uma outra função com propriedades melhores que as
propriedades de f e g.
Para a convolução de funções valem as seguintes propriedades:
1. Comutatividade: f ∗ g = g ∗ f.
2. Associatividade: f ∗ (g ∗ h) = (f ∗ g) ∗ h.
3. Distributividade: f ∗ (g + h) = f ∗ g + f ∗ h
4. Nulidade: f ∗ 0 = 0.
5. Identidade: f ∗ δ = f onde δ é a distribuição delta de Dirac.
4.10 Aplicações
A convolução podemos aplicar para a solução de certos tipos de equações integrais, isto
é, equações onde a função incognita f(t) se apresenta mediante o operador de integração
(ou fora dele)
Exemplo 4.40.
Resolver a equação integral f(t) = t +
t
_
o
f(x)sen(t −x)dx
Solução.
Christian José Quintana Pinedo 279
Podemos observar que mediante a convolução podemos escrever essa equação na forma
f(t = t + (f ∗ sen)(t)
Aplicando o teorema da convolução
F(s) =
1
s
2
+ F(s)
1
s
2
+ 1

F(s) =
s
2
+ 1
s
4
+
1
s
2
+
1
s
4
f(t) = L
−1
[f(s)] = t +
1
6
t
3
Portanto, f(t) = t +
1
6
t
3
.
4.10.1 Aplicações em circuitos elétricos
Figura 4.6:
Problemas ligados a circuitos elétricos podem ser resolvi-
dos rapidamente mediante a utilização de frações parciais,
considerando o circuito da Figura (4.6) acionado por uma
fonte eletromotriz constante (de valor E
0
) y de tal maneira
que I
1
(0) = I
2
(0) = 0. As equações que regem o circuito se
deduzem das leis de Kirchhoff. Temos
R
1
I
1
(t) + R
2
(I
1
(t) −I
2
(t)) = E
0
LI

2
(t) + R
2
(I
2
(t) −I
1
(t)) = 0
Suponhamos que desejamos achar o valor de I
2
(t). Re-
ordenando os sistemas e extraindo a transformada de Laplace chegamos a
(R
1
+ R
2
)i
1
(s) −R
2
i
2
(s) =
E
0
s
−R
2
L
i
2
(s) +
_
R
2
L
+ s
_
i
2
(s) = 0
aonde i
1
(s) = L(I
1
(t))(s) , i
2
(s) = L(I
2
(t))(s).
Um pouco de álgebra elementar nos permite afirmar que i
2
(s) =
E
0
a
s
_
R
1
a
+ s
_, onde a =
L
R
2
(R
1
+ R
2
).
280 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Por frações parciais temos:
1
s(s +
R
1
a
)
=
A
s
+
B
s +
R
1
a
. Logo, A =
a
R
1
, B =
−a
R
1
.
Daí temos que I
2
(t) =
E
0
a
_
a
R
1

a
R
1
e

R
1
a
t
_
=
E
0
R
1
(1 −e

R
1
a
t
).
Christian José Quintana Pinedo 281
Exercícios 4-3
1. Achar f(t) da seguinte igualdade f(t) =
t
_
0
f(r)dr = 1.
2. Aplicar a Propriedade (4.5) para mostrar a fórmula de Duhamel
2
sL[f(t)]L[g(t)] = f(t)g(t) +
t
_
0
f(x)g(t −x)dx
3. Achar as transformadas de Laplace para as seguintes funções
1. (t −1) u(t −1) 2. (t −1)
2
u(t −1) 3. (t −1)u(t −π) (cos t
4. t u(t −1) 5. t
2
u(t −1) 6. (t −1)u(t −
π
2
) sent
7. e
t
u(t −
1
2
) 8. u(t −1) cosh t .
4. Resolver as seguintes equações diferenciais de PVI.
1.
_
f

(t) −f(t) = 1
f(0) = 0, f

(0) = 1
2.
_
f

(t) + f(t) = 0
f(0) = 1, f

(0) = 0
3.
_
¸
_
¸
_
f

(t) + ωf(t) = 0
f(0) = A, f

(0) = 0
ω e A constantes
4.
_
¸
_
¸
_
Lf

(t) + Rf(t) = E
f(0) = 0
L, R e E são constantes
5. Resolver cada um dos PVIs.
1. y

+ y

−2y = 2t; y)0) = 0, y

(0) = 1
2. y

−2y

+ y = e
t
+ t; y(0) = 1, y

(0) = 0
3. y

+ 2y

+ 5y = 4e
−t
cos 2t; y(0) = 1, y

(0) = 0
4. y

+ 4y = t
2
+ 3e
t
; y(0) = 0, y

(0) = 2
5. y

−2y

+ y = te
t
+ 4; y(0) = 1, y

(0) = 1
6. y

−2y

−3y = 3te
2t
; y(0) = 1, y

(0) = 0
7. y

+ 4y = 3sen2t; y(0) = 2, y

(0) = −1
8. y

+ 4y = e
t
; y(0) = 0, y

(0) = 0.
9. y

−2y

+ y = e
2t
; y(0) = 0, y

(0) = 0.
2
Duhamel (1797 −1872) matemático francês.
282 Séries de Potências e Equações Diferenciais
10. y

+ 2y

+ 2y = e
t
; y(0) = 0, y

(0) = 0.
6. Resolver cada um dos PVIs
1. y

−y = δ(t −2π); y)0) = 0, y

(0) = 1
2. y

+ 2y

+ 2y = cos t δ(t −3π); y(0) = 1, y

(0) = −1
3. y

+ y = δ(t −π) cos t; y(0) = 0, y

(0) = 1
4. y

+ 2y

= δ(t −1); y(0) = 0, y

(0) = 1
5. y

+ 4y

+ 5y = δ(t −2π); y(0) = 0, y

(0) = 0
6. y

+ y = e
t
δ(t −2π); y(0) = 0, y

(0) = 0
7. y

−2y

= 1 + δ(t −2); y(0) = 0, y

(0) = 1.
7. Resolver o PVI
2y

+ 2y

+ 2y =
_
¸
_
¸
_
0 se 0 ≤ t < 2
2 se 2 ≤ t < 10
0 se t ≥ 10
; y(0) = 0, y

(0) = 0
8. Determine f(t) para a seguintes equações integrais.
1. f(t) +
t
_
0
f(x)dx = 1 2. f(t) +
t
_
0
(t −x)f(x)dx = t
4. f(t) + 4
t
_
0
senxf(t −x)dx = 2t 5. f(t) = te
t
+
t
_
0
xf(t −x)dx
7. f(t) +
t
_
0
f(x)dx = e
t
9. f(t) +
t
_
0
f(x)dx = t
9. Mostre as seguintes propriedades da convolução
1. f ∗ g = g ∗ f 2. f ∗ (g ∗ h) = (f ∗ g) ∗ h
3. f ∗ 0 = 0 4. f ∗ (g + h) = f ∗ g +f ∗ h
5 f ∗ δ = f onde δ é a distribuição delta de Dirac.
10. Calcular cada convolução indicada
1. u
2
(t) = (u ∗ u)(t) onde u = u(t) é a função degrau unitário.
2. u
n
(t) = (u ∗ u ∗ . . . ∗ u)(t) (n-vezes).
Christian José Quintana Pinedo 283
3. f ∗ g sendo f(t) = e
at
e g(t) = e
bt
.
4. f ∗ g sendo f(t) = e
at
e u = u(t)
11. Seja y(t) a solução da equação de Bessel de ordem zero ty

+ y

+ ty = 0, tal que
y(0) = 1 e y

(0) = 0. Mostre que
1. L[y(t)](s) = L[J
0
(t)](s) =
1

s
2
+ 1
2.
+∞
_
0
J
0
(y)dy = 1
3. J
0
(y) =
1
π
π
_
0
cos(y cos t)dt. Sugestão
π
_
0
cos
2n
ydy =
1 3 5 7 (2n −1)
2 4 6 (2n)
π.
284 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Capítulo 5
SÉRIE DE FOURIER
Fourier
Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier
Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de
Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier
Séries de Fourie r Séries de Fourier Séries de Fourier Séries
de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de
Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier
Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries
de Fourier Séries de Fourier Séries de
Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de
Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier
Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries
de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries
de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries
de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de
Fourier Séries
de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries
de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de
Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de
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Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de
Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier Séries de
Fourier Séries de Fourier Séries de Fourier
285
286 Séries de Potências e Equações Diferenciais
5.1 Introdução
Séries de Fourier é um conteúdo próprio de curso de graduação das áreas de engenharia
e matemática, pela sua aplicabilidade em fenômenos como solução de equações diferen-
ciais, problemas da eletrônica, química entre outras. Certas formas de ondas periódicas,
as quais a dente-de-serra é um exemplo, só podem ser descritas por uma função simples
dentro de um intervalo. Assim, a dente-de-serra é expressa por f(t) =
V
T
t no intervalo
0 < t < T e por f(t) =
V
T
(t −T) no intervalo T < t < 2T, onde V á a altura máxima do
dente-de-serra e T o período.
Embora tais expressões descrevam de modo satisfatório a forma da onda, não per-
mitem a determinação da resposta do circuito. Entretanto uma função periódica pode ser
expressa como a soma de um número finito ou infinito de funções senoidais.
As séries de potência estudadas no primeiro capítulo são exemplos de séries em que
seus termos dependem não apenas do índice n, que é uma variável discreta, mas também
de uma variável contínua real x. Outros tipos de séries da mesma natureza e que também
são utilizados na resolução de equações diferencias são as séries trigonométricas.
As séries de Fourier aparecem no estudo dos modelos físicos que descrevem pequenas
oscilações de uma corda elástica e de uma membrana, como também no fenômeno de
condução de calor em uma barra.
Existe uma enorme diferença entre estudar séries de Fourier e séries de potência,
pois uma série de Fourier funciona como um processo global enquanto que uma série de
potência é local.
Definição 5.1. Série trigonométrica.
Define-se série trigonométrica a uma soma de funções da forma
α +
n

k=1
[a
k
cos(kt) + b
k
sen(kt)] (5.1)
onde α, a
k
, b
k
, k = 1, 2, 3, , n são constantes.
A série (5.1) pode ser finita ou infinita. Esta definição justifica-se pelo fato que,
conhecendo a fórmula
sen(A + B) −sen(A −B) = 2senBcos A
e considerando A = kt, B =
t
2
, ∀ k ∈ R então
sen(kt +
t
2
) −sen(kt −
t
2
) = 2sen(
t
2
) cos(kt)
Christian José Quintana Pinedo 287
Se k = 1 ⇒ sen(
3t
2
) −sen(t −
t
2
) = 2sen(
t
2
) cos(t).
Se k = 2 ⇒ sen(
5t
2
) −sen(
3t
2
) = 2sen
t
2
cos(2t).
Se k = 3 ⇒ sen(
6t
2
) −sen(
5t
2
) = 2sen
t
2
cos(3t).
.
.
.
.
.
.
Se k = (n −1) ⇒ sen(
(n −1)t
2
) −sen(
(n −3)t
2
) = 2sen(
t
2
) cos(
(n −1)t
2
).
Se k = n ⇒ sen[(n +
1
2
)t] −sen[(n −
1
2
)t] = 2sen
nt
2
cos(nt).
Somando ambos os membros dessas igualdades
sen[(n +
1
2
)t] −sen(
1
2
t) = 2sen(
1
2
t)
n

k=1
cos(kt)
Suponhamos sen(
1
2
t) ,= 0, logo t ,= 2kπ, ∀ k ∈ Z.
1
2
+
n

k=1
cos(kt) =
sen[(n +
1
2
)t]
2sen(
1
2
t)
(5.2)
Estudemos o caso sen(
1
2
t) = 0. Quando t se aproximar indefinidamente a 2kπ apli-
cando a regra de L’Hospital tem-se o limite
lim
t→2kπ
sen[(n +
1
2
)t]
2sen(
1
2
t)
= lim
t→2kπ
(n +
1
2
)
1
2
cos[(n +
1
2
)t]
2 cos(
1
2
t)
= n +
1
2
Portanto,
1
2
+
n

k=1
cos(kt) está bem definido para todo t ∈ R sendo que, quando t = 2kπ
deve-se considerar
1
2
+
n

k=1
cos(kt) = n +
1
2
De modo análogo podemos determinar uma série da forma α +
n

k=1
sen(kt), con-
siderando cos(A + B) −cos(A −B) = −2senAsenB para o caso A = kt e B =
1
2
t.
Sendo o operador de somatório um operador fechado, vale a expressão (5.1) para todo
t ∈ R.
A equação (5.2) é conhecida como o “Núcleo de Dirichlet ” é definido para todo t ∈ R.
288 Séries de Potências e Equações Diferenciais
5.2 Motivação
Por exemplo, temos uma equação diferencial que descreve um fenômeno físico. Esta
equação satisfaz as condições iniciais indicadas; sendo a função de duas variáveis reais
u(x, t) que resolve o problema de valor de fronteira.
∂u
∂t
= 2

2
u
∂x
2
, se 0 < x < 3, t > 0
u(0, t) = u(3, t) = 0,
u(x, 0) = f(x), [u(x, t)[ < M, para algum M ∈ R
_
¸
¸
_
¸
¸
_
(5.3)
Um dos métodos de solução para a equação (5.3) é o de separação de variáveis, para
aplicar este método, considera-se u(x, t) = f(x)g(t) sendo f de classe (
2
e g de classe
(
1
.
Pela forma da equação u(x, t) tem-se que f(x)g

(t) = 2f

(x)g(t) de onde
f

(x)
f(x)
=
g

(t)
2g(t)
cada um das partes da igualdade deve ser uma constante que chamamos −λ
2
(o
caso λ
2
não satisfaz as condições de limitação), logo
f

(x) + λ
2
f(x) = 0, g

(t) + 2λ
2
g(t) = 0
tem como soluções: f(x) = A
1
cos(λx) + B
1
sen(λx), g(t) = C
1
e
−2λ
2
t
.
A solução geral da equação diferencial (5.3) é dada por
u(x, t) = e
−2λ
2
t
[A
1
C
1
cos(λx) + B
1
C
1
sen(λx)]
Seja A = A
1
C
1
, como u(0, t) = 0 ⇒ e
−2λ
2
t
(A) = 0 ⇒ A = 0, logo u(x, t) =
Be
−2λ
2
t
sen(λt). Por outro lado, como u(3, t) = 0 ⇒ Be
−2λ
2
t
sen(3λ) = 0. Se B = 0 a
solução é u(x, t) ≡ 0 e não satisfaz u(x, 0) = f(x), de modo que devemos ter sen(3λ) = 0,
de onde λ =

3
se, m = 0, ±1, ±2,
Assim, u(x, t) = Be
−(2m
2
π
2
t)/9
sen(
mπx
3
)
Ao buscar satisfazer a condição u(x, 0) = f(x) teríamos que trabalhar com um número
finito de termos.
Por exemplo, se f(x) = 5 então teríamos 5 = Bsen(
mπx
3
). Para um B apropriado
temos uma quantidade finita de valores de m que satisfaz esta última igualdade.
Assim, para f(x) arbitrária isso será insuficiente, isto nos conduz a assumir que deve-
mos considerar um número infinito de termos adicionais, isto é
u(x, t) =

m=1
B
m
e
−(2m
2
π
2
t)/9
sen(
mπx
3
)
Christian José Quintana Pinedo 289
a fim de obter uma boa aproximação de f(x).
A condição u(x, 0) = f(x) nos conduz a f(x) =

m=1
B
m
sen(
mπx
3
)
Isto esta caracterizado como um problema de expansão de uma função em série de
senos. Estas expansões trigonométricas são conhecidas como séries de Fourier.
Dado que cada termo da série trigonométrica é periódica, é claro que iremos a desen-
volver as funções em tais séries, as funções também têm que ser periódicas.
5.3 Função Periódica
Definição 5.2.
Dizemos que uma função f : A −→R é periódica quando existe um número real T ,= 0,
tal que para todo x ∈ D(f), temos:
i) x + T ∈ D(f) ii) f(x + T) = f(x)
Figura 5.1:
O número T denomina-se “um período de f”.
O menor período positivo T de f quando ex-
ista, denomina-se “o período de f”, e neste caso
dizemos que f é periódica de período T. A Figura
(5.1) mostra o gráfico de uma função periódica de
período T.
Exemplo 5.1.
Temos que calcular o período da função f(x) =
cos
x
3
+ cos
x
4
.
Solução.
Sabemos que a função coseno tem domínio em
todos os números reais e é de período 2π, isto é cos(θ + 2πk) = cos θ para todo k ∈ Z.
Logo, podemos supor que
cos
x + T
3
+ cos
x +T
4
= cos
x
3
+ cos
x
4
de onde
1
3
T = 2πm e
1
4
T = 2πn, para algum m, n ∈ Z.
De onde
1
3
T
1
4
T
=
2πm
2πn

4
3
=
m
n
, logo quando m = 4, tem-se que n = 3, assim
T = 24π. Portanto, o período da função f(x) é 24π.
Exemplo 5.2.
Temos que determinar se, a função f(t) = cos(10t) +cos[(10+π)t] é função periódica.
Solução.
290 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Suponhamos que f seja periódica, de período T, então f(t + T) = f(t)
Temos que, ω
1
= 10T e ω
2
= (10 + π)T e como
ω
1
ω
2
=
10
10 + π
/ ∈ Q.
Portanto, f(t) não é função periódica. Assim, justifica-se a seguinte observação.
Observação 5.1.
Em geral, se a função f(t) = cos ω
1
t + cos ω
2
t é periódica, com período T,então é
possível achar dois inteiros m e n tais que
ω
1
ω
2
=
m
n
∈ Q
Propriedade 5.1.
Se f : R −→R é função periódica de período T, então:
1.
a+T/2
_
a−T/2
f(t)dt =
T/2
_
−T/2
f(t)dt onde a ∈ R
2.
T+l
_
T
f(t)dt =
l
_
0
f(t)dt
A demonstração é exercício para o leitor.
Definição 5.3. Função par. Função ímpar.
Seja f : [−a, a] ⊆ R −→R uma função.
• Dizemos que uma função f é par se, para todo t ∈ D(f) tem-se que −t ∈ D(f) e
f(−t) = f(t).
• Dizemos que uma função f é par se, para todo t ∈ D(f) tem-se que −t ∈ D(f) e
f(−t) = −f(t).
Exemplo 5.3.
1. f(t) = cos t é função par em R.
2. g(t) = sent é função ímpar em R.
3. h(t) = cos t + sent não é função par nem função ímpar.
A seguinte propriedade sem demonstração é importante quando se trabalha com séries
de Fourier.
Propriedade 5.2.
Christian José Quintana Pinedo 291
1. Se f é função par, tem-se
a
_
−a
f(x)dx = 2
a
_
0
f(x)dx, a ∈ R.
2. Se f é função ímpar, tem-se
a
_
−a
f(x)dx = 0, a ∈ R.
A demonstração é exercício para o leitor.
Segundo Fourier, ele descobriu, no início do século IXX, que qualquer função per-
iódica, por mais complicada que seja como por exemplo as funções seccionalmente con-
tínuas, pode ser representada como a soma de várias funções seno e coseno com amplitudes,
fases e períodos escolhidos convenientemente
Definição 5.4. Função seccionalmente contínua.
Sejam [a, b] ⊂ R, e f; [a, b] −→ R função real. Dizemos que f é seccionalmente
contínua, se satisfaz as duas condições:
1. Existe um número finito de pontos em [a, b] tal que a = t
0
< t
1
< t
2
< < t
n
= b
onde f(t) é descontínua de primeira espécie em t
i
, isto é
∃ lim
h→0
f(t
i
+ h) = f(t
+
i
) e ∃ lim
h→0
f(t
i
−h) = f(t

i
)
2. f(t) é contínua para todo t ∈ [a, b], t ,= t
i
, i = 1, 2, 3, , t
n
Exemplo 5.4.
1. A função onda quadrada f(t) =
_
1, se 2na ≤ t < 3na
−1, se, na ≤ t < 2na
é seccionalmente con-
tínua em todo R, n = 1, 2, 3, a ∈ R a−fixo.
2. As funções g(t) = tan t e h(t) = sen
1
t
não são seccionalmente contínuas em [0,
π
2
]
Para o caso da função g, não existe lim
t→
π
2
g(t), pois lim
t→
π
2
g(t) = ∞
Para o caso da função h, não existe lim
t→0
sen
1
t
.
Em geral tem-se que se uma função f(t) é contínua em [a, b], então ela é seccionalmente
contínua em [a, b].
5.4 Funções Ortogonais
A idéia de função ortogonal está relacionado com os conceitos,de vetores ortogonais,
conseqüentemente intervém um produto escalar bem definido para seu estudo. Seja
¦φ
k
¦
k∈N
uma seqüencia de funções reais.
292 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Definição 5.5. Funções ortogonais.
Dizemos que um conjunto de funções não nulas ¦φ
k
(t)¦
k∈N
é ortogonal em um intervalo

T
2
< t <
T
2
se, para cada par de funções quaisquer φ
m
(t) e φ
n
(t) do conjunto, tem-se:
T
2
_

T
2
φ
m
(t)φ
n
(t)dt =
_
0, se m ,= n
τ
n
, se m = n
Para o caso φ
n
(t) = sen(nω
0
t) ou φ
n
(t) = cos(nω
0
t) onde ω
0
=

T
= 2πτ
n
tem-se
τ
n
=
1
T
Exemplo 5.5.
O conjunto das funções f(t) = t e g(t) = t
2
são ortogonais no intervalo [−1, 1].
Pois
1
_
−1
t t
2
dt =
1
4
t
4
¸
¸
¸
1
−1
= 0
Exemplo 5.6.
O conjunto das funções 1, cos(ω
0
t), cos(2ω
0
t), , cos(nω
0
t), , sen(ω
0
t), sen(2ω
0
t),
sen(3ω
0
t), , sen(nω
0
t), formam um conjunto de funções ortogonais no intervalo
aberto −
T
2
< t <
T
2
.
Com efeito, sabe-se que sen(mω
0
t) cos(nω
0
t) =
1
2
[sen((m+n)ω
0
t) + sen((m−n)ω
0
t)]
então
T
2
_

T
2
sen(mω
0
t) cos(nω
0
t)dt =
T
2
_

T
2
1
2
[sen((m + n)ω
0
t) + sen((m−n)ω
0
t)]dt =
=
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
1
2
T
2
_

T
2
[sen((m + n)ω
0
t) + sen((m−n)ω
0
t)]dt, se m ,= n
1
2
T
2
_

T
2
sen(2mω
0
t)dt, se m = n
=
_
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
_
1
2
_
−1
(m + n)ω
0
cos((m + n)ω
0
t) +
−1
(m−n)ω
0
t
cos((m−n)ω
0
t)
_
¸
¸
¸
T
2

T
2
= 0 se m ,= n
1
2
_
1
2mω
0
t
cos(2mω
0
t)
_
¸
¸
¸
T
2

T
2
= 0 se m = n
Christian José Quintana Pinedo 293
Isto é,
T
2
_

T
2
sen(mω
0
t) cos(nω
0
t)dt = 0 para qualquer valor de m e n.
De modo análogo mostra-se aplicando conceito de função par ou função ímpar que
T
2
_

T
2
cos(mω
0
t) cos(nω
0
t)dt =
_
¸
_
¸
_
0 se m ,= n
T
2
se m = n ,= 0
T
2
_

T
2
sen(mω
0
t)sen(nω
0
t)dt =
_
¸
_
¸
_
0 se m ,= n
T
2
se m = n ,= 0
onde ω
0
=

T
.
Assim, as funções 1, cos(ω
0
t), cos(2ω
0
t), , cos(nω
0
t), , sen(ω
0
t), sen(2ω
0
t),
sen(3ω
0
t),
, sen(nω
0
t), formam um conjunto de funções ortogonais no intervalo −
T
2
< t <
T
2
.
5.4.1 Coeficientes de uma série respeito de um conjunto ortogonal
Seja ¦φ
k
(t)¦
k∈N
um conjunto ortogonal de funções em um intervalo a < t < b, e
suponhamos que f(t) =

k=1
C
k
φ
k
(t). Queremos determinar uma representação para os C
k
em termos de f(t) e das funções ortogonais ¦φ
k
(t)¦.
Para isto considere um membro do conjunto, digamos φ
n
(t), logo
b
_
a
f(t)φ
n
(t)dt =
b
_
a
_

k=1
C
k
φ
k
(t)
_
φ
n
(t) =

k=1
C
k
b
_
a
φ
k
(t)φ
n
(t)dt = C
k
τ
k
Assim, temos mostrado que se f é seccionalmente contínua no intervalo [a, b] e f(t) =

k=1
C
k
φ
k
(t), então C
k
=
b
_
a
f(t)φ
k
(t)dt
b
_
a
φ
k
(t)φ
k
(t)dt
=
b
_
a
f(t)φ
k
(t)dt
τ
k
=
1
τ
k
b
_
a
f(t)φ
k
(t)dt.
Uma prova rigorosa deste resultado requer técnicas de convergência de série de funções.
Exemplo 5.7.
Sabe-se que ¦sen(nx)¦
n∈N
é um conjunto ortogonal de funções em [0, π]. Expressar
f(t) = 1 como uma série de senos.
Solução.
294 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Tem-se que
C
k
=
π
_
0
1 sen(kt)dt
π
_
0
sen(kt)sen(kt)dt
=
2
π
π
_
0
1sen(kt)dt =
_

2
π
cos(kt)
k
_ ¸
¸
¸
¸
π
0
=
_
_
_
0, se k par
4

, se k ímpar
Portanto, f(t) =

k=impar
4

sen(kt) =

k=1
4
(2k + 1)π
sen[(2k + 1)t].
5.5 Séries de Fourier
Suponhamos que f esteja definida no intervalo (−
T
2
,
T
2
) e definida fora deste intervalo
por f(t +T) = f(t), isto é assumamos que f(t) seja de período T. A “série trigonométrica
de Fourier” ou o desenvolvimento de Fourier que corresponde a f(t) define-se mediante
a série trigonométrica:
f(t) =
1
2
a
0
+

n=1
[a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)] onde ω
0
=

T
(5.4)
Toda forma periódica, isto é, para a qual f(t) = f(t +T), pode ser expressa por uma
série de Fourier, desde que compra as condições de Dirichlet, condições estas que dizem
que a função f:
1. Sendo descontínua, haja um número finito de descontinuidades, no período T.
2. Tenha um valor médio finito no período T.
3. Tenha um número finito de imagem máxima positivas e negativas no período T.
Definem-se os coeficientes de Fourier como os números a
0
, a
n
e b
n
de (5.4) onde n ∈ N.
Estes coeficientes são determinados para uma forma de onda.
5.5.1 Cálculo dos coeficientes de Fourier
Para definirmos os coeficientes de Fourier de uma função f, as hipóteses mínimas a
fazer sobre ela são periodicidade, integrabilidade e integrabilidade absoluta no intervalo
(−
T
2
,
T
2
).
Christian José Quintana Pinedo 295
4.5.1.1 Cálculo do coeficiente a
0
Tem-se que o coeficiente a
0
esta definido por
a
0
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t)dt (5.5)
Com efeito, integrando a igualdade (5.4) no intervalo [−
T
2
,
T
2
] obtém-se
T
2
_

T
2
f(t)dt =
1
2
T
2
_

T
2
a
0
dt +

n=1
T
2
_

T
2
[a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)]dt
De onde,
T
2
_

T
2
f(t)dt =
T
2
a
0
+

n=1
[a
n
T
2
_

T
2
cos(nω
0
t)dt +b
n
T
2
_

T
2
sen(nω
0
t)dt] (5.6)
Como a função sen(nω
0
t) é ímpar, da Propriedade (5.2) segue que
T/2
_
−T/2
sen(nω
0
t)dt = 0
Por outro lado, como a função cos(nω
0
t) é par, segue da Propriedade (5.2) que
T/2
_
−T/2
cos(nω
0
t)dt = 2
T/2
_
0
cos(nω
0
t)dt =
2

sen(nω
0
t)
¸
¸
¸
T/2
0
= 0, ω
0
=

T
Portanto, da equação (5.6) tem-se a
0
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t)dt.
O coeficiente a
0
também podemos obter a partir da fórmula (5.7) quando n = 0.
Entretanto como
1
2
a
0
é o valor médio da função, pode-se determiná-la, muitas vezes por
simples inspeção da forma da onda.
296 Séries de Potências e Equações Diferenciais
4.5.1.2 Cálculo do coeficiente a
n
Tem-se que o coeficiente a
n
esta definido por
a
n
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t) cos(nω
0
t)dt (5.7)
Com efeito, multipliquemos ambos os lados da igualdade (5.4) por cos(mω
0
t) e inte-
gremos no intervalo [−
T
2
,
T
2
], para obter
T
2
_

T
2
f(t) cos(mω
0
t)dt =
T
2
_

T
2
_
1
2
a
0
cos(mω
0
t) +

n=1
[a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)] cos(mω
0
t)
_
dt
=
1
2
T
2
_

T
2
a
0
cos(mω
0
t)dt+

n=1
T
2
_

T
2
a
n
cos(nω
0
t) cos(mω
0
t)dt+

n=1
T
2
_

T
2
b
n
sen(nω
0
t) cos(mω
0
t) =
Aplicando as relações do Exemplo (5.6) segue que
T
2
_

T
2
f(t) cos(mω
0
t)dt =
T
2
a
n
.
Portanto, a
n
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t) cos(nω
0
t)dt.
4.5.1.3 Cálculo do coeficiente b
n
Tem-se que o coeficiente b
n
esta definido por
b
n
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t)sen(nω
0
t)dt (5.8)
Com efeito, multiplicando ambos os lados da igualdade (5.4) por sen(mω
0
t) e integre-
mos no intervalo [−
T
2
,
T
2
], obtém-se
T
2
_

T
2
f(t)sen(mω
0
t)dt =
T
2
_

T
2
_
1
2
a
0
sen(mω
0
t) +

n=1
[a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)] sen(mω
0
t)
_
dt
Christian José Quintana Pinedo 297
=
1
2
T
2
_

T
2
a
0
sen(mω
0
t)dt+

n=1
T
2
_

T
2
a
n
cos(nω
0
t)sen(mω
0
t)dt+

n=1
T
2
_

T
2
b
n
sen(nω
0
t)sen(mω
0
t) =
Aplicando as relações do Exemplo (5.6) segue que
T
2
_

T
2
f(t)sen(mω
0
t) =
T
2
b
n
Portanto, b
n
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t)sen(nω
0
t)dt.
Exemplo 5.8.
Determine a série de Fourier para a forma de onda mostrada na Figura (5.2)
E
T

0 2π 4π 6π
10
Figura 5.2:
Solução.
A forma de onda é contínua no intervalo 0 < ωt < 2π e dada por f(t) =
10

ωt
com descontinuidades em ωt = 2πn onde n = 0, 1, 2, As condições de Dirichlet são
satisfeitas e os coeficientes de Fourier são calculados segundo (5.5), (5.7) e (5.8) o valor
médio da função por inspeção é 5 e portanto
1
2
a
0
= 5, observe que ω =

T
=


= 1.
Pela equação (5.7), tem-se
a
n
=
1
π

_
0
_
10

t
_
cos(nt)d(t) =
10

_
t
n
sen(nt) +
1
n
2
cos(nt)
_
¸
¸
¸

0
=
10

[cos(2πn) −cos 0] = 0
A série não contém termos co-senoidais. Empregando a equação (5.8) tem-se
b
n
=
1
π

_
0
_
10

t
_
sen(nt)d(t) =
10

_

t
n
cos(nt) +
1
n
2
sen(nt)
_
¸
¸
¸

0
= −
10
πn
298 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Empregando esses coeficientes dos termos senoidais e o termo médio, a série fica
f(t) = 5 −
10
π
sen(t) −
10

sen(2t) − = 5 −
10
π

k=1
sen(kt)
k
Exemplo 5.9.
Determine a série de Fourier para a função f(t) definida por:
f(t) =
_
¸
_
¸
_
−1, se −
T
2
< t < 0
1, se 0 < t <
T
2
Solução.
De (5.4) segue que
a
n
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t) cos(nω
0
t)dt =
2
T
[
0
_

T
2
(−1) cos(nω
0
t)dt +
T
2
_
0
1 cos(nω
0
t)dt]
a
n
=
2
T
_
−1

0
sen(nω
0
t)
¸
¸
¸
0
−T
2
+
−1

0
sen(nω
0
t)
¸
¸
¸
T
2
0
_
como ω
0
=

T
, então a
n
=
2
T
_
−1

0
[sen0 −sen(−nπ)] +
−1

0
[sen(nπ) −sen0]
_
= 0 isto
para n ,= 0. Para o caso n = 0 tem-se da igualdade (5.5) que
a
0
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t)dt =
2
T
0
_

T
2
(−1)dt +
2
T
T
2
_
0
(1)dt = 0
Por outro lado, de (5.8) segue que
b
n
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t)sen(nω
0
t)dt =
2
T
[
0
_

T
2
(−1) sen(nω
0
t)dt +
T
2
_
0
1 sen(nω
0
t)dt]
b
n
=
2
T
_
1

0
cos(nω
0
t)
¸
¸
¸
0

T
2
+
−1

0
cos(nω
0
t)
¸
¸
¸
T
2
0
_
como ω
0
=

T
, então
b
n
=
2

0
T
_
[cos 0 −cos(−nπ)] −[cos(nπ) −cos 0]
_
=
2

(1 −cos nπ)
Christian José Quintana Pinedo 299
isto para n ,= 0.
Sabe-se que cos(nπ) = (−1)
n
, logo
b
n
=
_
_
_
0, se n par
4

, se n impar
como todo número ímpar n ∈ N podemos escrever na forma n = 2m−1 para todo m ∈ N,
então a série de Fourier para a função dada é
f(t) =
4
π

m=1
1
2m−1
sen[(2m−1)ω
0
t]
f(t) =
4
π
_
sen(ω
0
t) +
1
3
sen(3ω
0
t) +
1
5
sen(5ω
0
t) +
_
5.5.2 Outra Representação da Série de Fourier
Os termos senoidais e co-senoidais da mesma freqüência podem ser combinados em
um único termo senoidal ou co-senoidal com um ângulo de fase. Resultam assim duas
alternativas para a forma da série trigonométrica.
f(t) =
1
2
a
0
+

n=1
C
n
cos(nω
0
t −θ
n
) (5.9)
e
f(t) =
1
2
a
0
+

n=1
C
n
sen(nω
0
t + φ
n
) (5.10)
onde C
n
=
_
a
2
n
+b
2
n
é a amplitude do harmônico θ
n
= arctan
b
n
a
n
e φ
n
= arctan
a
n
b
n
são
ângulos da fase do harmônico.
Justifiquemos a representação da série de Fourier (5.4) da forma (5.10).
Com efeito, seja o triângulo retângulo ABC, reto em C onde a
n
e b
n
são os lados
opostos aos ângulos A e B respectivamente, e denotamos
´
A = θ
n
, então
cos θ
n
=
b
n
_
a
2
n
+ b
2
n
e senθ
n
=
a
n
_
a
2
n
+ b
2
n
De onde temos que C
n
=
_
a
2
n
+ b
2
n
logo, podemos escrever
a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t) = C
n
[senθ
n
cos(nω
0
t) + cos θ
n
sen(nω
0
t)]
= C
n
sen(θ
n
+ nω
0
t)
300 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Considerando C
0
=
1
2
a
0
e θ
n
= arctan
b
n
a
n
, tem-se em (5.4) que
f(t) = C
0
+

n=1
C
n
sen(θ
n
+ nω
0
t)
Como esperávamos demonstrar
Segundo a igualdade (5.10), é obvio que a representação em série de Fourier de uma
função periódica, representa a função periódica como a soma de componentes senoidais que
têm diferentes freqüências. A componente senoidal de freqüência ω
n
= nω
0
denomina-se
n-ésima harmônica da função periódica. Também é possível apresentar a série de Fourier
na forma f(t) = C
0
+

n=1
C
n
cos(nω
0
t −θ
n
)
A primeira harmônica ω
0
= 2πτ
0
=

T
geralmente se conhece com o nome de freqüên-
cia angular fundamental isto pelo fato que tem o mesmo período da função.
Os coeficientes C
n
e os ângulos θ
n
se conhecem como amplitude harmônica e ângulo
de fase respectivamente.
5.5.3 Série exponencial de Fourier
A forma complexa da série de Fourier de uma função periódica real f pode ser obtida
como uma combinação linear de funções exponenciais complexas.
Usando as identidades de Euler
e

= cos θ + isenθ, e
−iθ
= cos θ −isenθ
onde i =

−1 é a unidade imaginaria, podemos escrever
cos(nω
0
t) =
1
2
(e
inω
0
t
+ e
−inω
0
t
) sen(nω
0
t) = −
1
2
i(e
inω
0
t
−e
−inω
0
t
)
Substituindo na igualdade (5.4) tem-se
f(t) =
1
2
a
0
+

n=1
[
1
2
a
n
(e
inω
0
t
+ e
−inω
0
t
) −
1
2
ib
n
(e
inω
0
t
−e
−inω
0
t
)]
f(t) =
1
2
a
0
+

n=1
[
1
2
(a
n
−ib
n
)e
inω
0
t
+
1
2
(a
n
+ ib
n
)e
−inω
0
t
] (5.11)
Considerando
C
0
=
1
2
a
0
, C
n
=
1
2
(a
n
−ib
n
), C
−n
=
1
2
(a
n
+ib
n
)
Christian José Quintana Pinedo 301
tem-se que a
n
= C
n
+ C
−n
e b
n
= i(C
n
+ C
−n
) além disso, a equação (5.11) resulta
f(t) = C
0
+

n=1
C
n
e
inω
0
t
+

n=1
C
−n
e
i(−n)ω
0
t
Considere-se m = −n, então

n=1
C
−n
e
i(−n)ω
0
t
=
−∞

m=−1
C
m
e
imω
0
t
logo podemos escrever
f(t) = C
0
+

n=1
C
n
e
inω
0
t
+
−1

n=−∞
C
n
e
inω
0
t
=

n=−∞
C
n
e
inω
0
t
Portanto, a série de Fourier da função f(t) na sua forma complexa é
f(t) =

n=−∞
C
n
e
inω
0
t
(5.12)
1.7.3.1 Cálculo dos coeficientes C
n
Temos que
C
n
=
1
2
(a
n
−ib
n
) =
1
2
T/2
_
−T/2
2
T
f(t)[cos(nω
0
t) −isen(nω
0
t)]dt =
1
T
T/2
_
−T/2
f(t)e
−inω
0
t
dt
de onde
C
n
=
1
T
T/2
_
−T/2
f(t)e
−inω
0
t
dt, ∀ n ∈ Z (5.13)
Ao escrever a igualdade (5.13) estamos supondo que as condições de Dirichlet
1
são
satisfeitas, ainda mais que f(t) é contínuo em t.
Caso f seja descontínua em t, na igualdade do lado esquerdo de (5.13) deve substituir-
se por
1
2
[f(t

i
) + f(t
+
i
)]
Esta forma complexa da série de Fourier coincide com a sua forma real. Cada uma das
formas pode ser usada para tirar vantagem das propriedades matemáticas envolvidas com
o contexto físico. No estudo de Sinais Digitais, Comunicação de Dados ou Computação
Gráfica, é útil trabalhar com a série complexa.
Exemplo 5.10.
Determinar a série exponencial de Fourier para a forma da onda do Exemplo (5.8).
Solução.
1
Estas condições serão estudadas no próximo capítulo
302 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Tem-se que
C
n
=
1


_
0
_
10

_
ωte
−inωt
d(ωt) =
10
(2π)
2
_
e
−inωt
(in)
2
(−inωt −1)
_
¸
¸
¸

0
=
10i
2πn
Logo a série exponencial de Fourier fica na forma
f(t) = −i
10

e
−2iωt
−i
10

e
−iωt
+ 5 + i
10

e
iωt
+ i
10

e
2iωt
+
Os coeficientes do termos co-seno da série trigonométrica é
a
n
= C
n
+ C
−n
= i
10

+i
10

= 0
e o coeficiente do termo em seno é
b
n
= i(C
n
+ C
−n
) = i
_
i
10
2πn
) −i
10
−2πn
_
= −
10
πn
Exemplo 5.11.
Seja f(t) = t, para t ∈ (−1, 1) e f(t + 2) = f(t). Os coeficientes complexos ¦C
n
¦ da
série de Fourier de f(t) são dados por C
0
= 0 e C
n
=
1
2
1
_
−1
te
−inπt
dt.
Com alguns cálculos integrando por partes obtemos:
C
n
= −
1
2
_
e
inπ
inπ
+
e
inπ
−inπ
+
e
inπ
(inπ)
2
+
e
−inπ
(inπ)
2
+
_
Como e
inπ
= e
−inπ
= −1, simplificamos C
n
para C
n
=
(−1)
n
inπ
logo, a forma complexa
da série de Fourier de f = f(t) será:
f(t) =

n=1
(−1)
n+1
inπ
[e
inπt
−e
−inπt
]
que pode ser escrita na forma f(t) = 2

n=1
(−1)
n+1

sen(nπt).
5.6 Coeficientes de Fourier que tendem a zero
Definição 5.6. Integral absolutamente convergente.
Uma integral imprópria
b
_
a
f(t)dt dizemos que é absolutamente convergente, se a inte-
Christian José Quintana Pinedo 303
gral
b
_
a
[f(t)[dt for convergente.
Definição 5.7. Função absolutamente integrável.
As funções para as quais a integral
b
_
a
f(t)dt é absolutamente convergente, chamam-se
funções absolutamente integráveis.
É muito importante na teoria das séries trigonométricas o fato que os coeficientes de
Fourier de uma função absolutamente integrável tendam a zero quando n →∞. Este fato
se deduz de algo mais geral e que se utiliza freqüentemente no referente a pesquisas em
séries de Fourier e suas aplicações.
Teorema 5.1. de Riemann
Se uma função f é absolutamente integrável no intervalo (a, b), seja este finito ou
infinito, então
lim
n→∞
b
_
a
f(t) cos(nt)dt = lim
n→∞
b
_
a
f(t)sen(nt)dt = 0
Conseqüência deste teorema é que os coeficientes (5.7) e (5.8) de uma função absolu-
tamente integrável no intervalo [
T
2
,
T
2
] tendem a zero quando n →∞.
5.7 Aproximação mediante uma série finita
Seja
S
k
(t) =
1
2
a
0
+
k

n=1
[a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)] (5.14)
a soma dos 2k+1 primeiros termos de uma série de Fourier que representa f(t) no intervalo

T
2
< t <
T
2
.
Como f(t) aproxima-se a S
k
(t) então temos
f(t) = S
k
(t) + ε
k
(t) (5.15)
onde ε
k
(t) é o erro diferença entre f(t) e sua aproximação.
Definição 5.8. Erro quadrático.
O erro quadrático médio está definido por
E
k
=
1
T
T
2
_

T
2

k
(t)]
2
dt =
1
T
T
2
_

T
2
[f(t) −S
k
(t)]
2
dt (5.16)
304 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Propriedade 5.3.
O erro quadrático médio E
k
em uma aproximação à função f(t) por S
k
(t) definido por
(5.13) reduz-se a:
E
k
=
1
T
T
2
_

T
2
[f(t)]
2
dt −
a
2
0
4

1
2
k

n=1
(a
2
n
+b
2
n
)
Demonstração.
De (5.15) temos que
E
k
=
1
T
T
2
_

T
2
[f(t) −S
k
(t)]
2
dt =
1
T
T
2
_

T
2
[f(t)]
2
−2f(t)S
k
(t) + [S
k
(t)]
2
dt =
=
1
T
T
2
_

T
2
[f(t)]
2
dt −
2
T
T
2
_

T
2
f(t)S
k
(t) +
1
T
T
2
_

T
2
[S
k
(t)]
2
dt =
logo
E
k
=
1
T
T
2
_

T
2
[f(t)]
2
dt −
2
T
T
2
_

T
2
f(t)S
k
(t) +
1
T
T
2
_

T
2
[S
k
(t)]
2
dt (5.17)
Por outro lado,
2
T
T
2
_

T
2
f(t)S
k
(t)dt =
2
T
T
2
_

T
2
f(t)[
a
0
2
+
k

n=1
a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)]dt =
=
2
T
_
¸
_
a
0
2
T
2
_

T
2
f(t)dt +
k

n=1
a
n
T
2
_

T
2
f(t) cos(nω
0
t)dt +
k

n=1
b
n
T
2
_

T
2
f(t)sen(nω
0
t)dt
_
¸
_
Das igualdades (5.5), (5.7) e (5.8) segue que
2
T
T
2
_

T
2
f(t)S
k
(t)dt =
a
2
0
2
+
k

n=1
(a
2
n
+ b
2
n
) (5.18)
Christian José Quintana Pinedo 305
Para o cálculo de
1
T
T
2
_

T
2
[S
k
(t)]
2
dt temos
1
T
T
2
_

T
2
[S
k
(t)]
2
dt =
1
T
T
2
_

T
2
[
a
0
2
+
k

n=1
a
n
cos(nω
0
t) +
k

n=1
b
n
sen(nω
n
t)]
2
dt
utilizando as condições de ortogonalidade
1
T
T
2
_

T
2
[S
k
(t)]
2
dt =
a
2
0
4
+
1
2
k

n=1
(a
2
n
+ b
2
n
) (5.19)
Substituindo (5.19) e (5.18) em (5.17) segue que
E
k
=
1
T
T
2
_

T
2
[f(t)]
2
dt −
_
a
2
2
+
k

n=1
(a
2
n
+b
2
n
)
_
+
_
a
2
0
4
+
1
2
k

n=1
(a
2
n
+b
2
n
)
_
Portanto, E
k
=
1
T
T
2
_

T
2
[f(t)]
2
dt −
a
2
0
4

1
2
k

n=1
(a
2
n
+ b
2
n
).
Teorema 5.2. De Parseval
Se a
0
, a
n
, b
n
para n = 1, 2, 3, são os coeficientes na expansão de Fourier de uma
função periódica f(t) com período T, então
1
T
T
2
_

T
2
[f(t)]
2
dt =
a
2
0
4
+
1
2

n=1
(a
2
n
+ b
2
n
) (5.20)
Demonstração.
Tem-se que E
k
(t) =
1
T
T
2
_

T
2
[f(t) − S
k
(t)]
2
dt ≥ 0, logo ¦E
k
(t)¦
k∈N
é uma seqüencia de
termos positivos.
Por outro lado, E
k+1
(t) = E
k
(t) −
1
2
(a
2
k+1
+ b
2
k+1
), assim, E
k
(t) ≥ E
k+1
(t) para todo
k ∈ N, logo ¦E
k
(t)¦
k∈N
é uma seqüencia não crescente, conseqüentemente a sucessão
¦E
k
(t)¦
k∈N
converge.
306 Séries de Potências e Equações Diferenciais
De (5.15) tem-se que lim
k→∞
ε
k
(t) = lim
k→∞
[f(t) − S
k
(t)] = f(t) − lim
k→∞
S
k
(t) = 0 de onde
lim
k→∞
E
k
= 0
Portanto,
1
T
T
2
_

T
2
[f(t)]
2
dt =
a
2
0
4
+
1
2

n=1
(a
2
n
+b
2
n
)
Observação 5.2.
1. A série de Fourier que corresponde a uma função ímpar, somente apresenta termos de
seno.
2. A série de Fourier que corresponde a uma função par somente apresenta termos de
coseno (e possivelmente uma constante, a qual consideramos como um término de
coseno).
Devemos lembrar que a série (5.4) é unicamente a série que corresponde a f(t),
ainda não sabemos se esta série converge ou não, somente supusemos que a função dada
podíamos representar mediante uma série de Fourier.
5.8 Série de Fourier de seno e coseno de comprimento
médio
Diz-se que uma função apresenta simetria de meia-onda, se para todo t ∈ R, f(t +
T
2
) = −f(t). Do ponto de vista geométrico, o gráfico da segunda metade da função f(t) no
período T é a reflexão do gráfico da primeira metade de f(t) em relação ao eixo horizontal,
deslocada de
T
2
para a direita.
As série de Fourier de comprimento médio são aquelas nas quais se apresentam termos
de seno e coseno, respectivamente.
Quando se deseja ter uma série de senos e cosenos, a função a que corresponde está
pelo geral definida no intervalo (0,
T
2
) (metade do intervalo (−
T
2
,
T
2
) pelo qual recebe
o nome de série de médio intervalo) e, sendo além disso par ou ímpar, fica claramente
definida na outra metade do intervalo (−
T
2
, 0). Neste caso tem-se
a
n
= 0, b
n
=
1
T
T/2
_
0
f(t)sen(nω
0
t)dx para uma série só de senos (5.21)
b
n
= 0, a
n
=
1
T
T/2
_
0
f(t) cos(nω
0
t)dx para uma série só de cosenos (5.22)
Christian José Quintana Pinedo 307
Exemplo 5.12.
Desenvolver a função f(t) = t, 0 < t < 2 em série de seno.
Solução.
Podemos prolongar a função dada à função ímpar de período 4 como se indica na
Figura (5.3). esta é a chamada prolongação ímpar de f(t), então T = 4 de onde
T
2
= 2
E
T

0 2 4 6 8 −2 −4 −6
Figura 5.3: Prolongamento da função f(t)
Assim, como a
n
= 0 e
b
n
=
1
T
T/2
_
0
f(t)sen(nω
0
t)dt =
1
2
2
_
0
tsen(nω
0
t)dt =
−4

cos(nπ)
Logo, f(t) =

n=1
−4

cos(nπ)sen(
nπt
2
); isto é
f(t) = −4

n=1
1

sen[
nπt
2
]
308 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Exercícios 5-1
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
20.
21.
22.
23.
Christian José Quintana Pinedo 309
24.
25.
26.
27.
28.
29.
30.
31.
32.
33.
34.
35.
36.
37.
38.
39.
40.
41.
42.
43.
44.
45.
46.
47.
48.
310 Séries de Potências e Equações Diferenciais
49.
50.
51.
52.
53.
54.
55.
56. Sejam a > 0 e f : [0, a] −→R tal que
f(t) =
_
0 se 0 ≤ t ≤
a
2
1 se
a
2
< t ≤ a
Determine a série de Fourier da expansão par de f
Solução.
a
0
=
1
a
a
_
0
f(t)dt =
1
a
a
_
0
1
a
(a −
a
2
) =
1
2
dt =
Se k ≥ 1, então
a
k
=
a
2
1
a
a
_
a/2
cos(
kπt
a
)dt =
2

sen(
kπt
a
)
¸
¸
¸
a
a/2
= −
2

sen(

2
)
Logo
a
k
=
_
_
_
0 se k = 2m

2sen((2m + 1)π/2)
(2m + 1)π
se k = 2m + 1
com m ∈ N
=
_
_
_
0 se k = 2m

2(−1)
m
(2m + 1)π
se k = 2m + 1
com m ∈ N
Portanto, a extensão par de f é
1
2

2
π
+∞

m=0
2
π
cos((2m + 1)π/a).
Christian José Quintana Pinedo 311
5.9 CONVERGÊNCIA DA SÉRIE DE FOURIER
Existe uma enorme diferença entre estudar séries de Fourier e séries de potências,
pois uma série de Fourier funciona como um processo global enquanto que uma série de
potências é local.
Dada uma função f periódica de período T e integrável no intervalo (
T
2
,
T
2
), podemos
calcular um conjunto de coeficientes a
n
e b
n
, e construir, formalmente, uma série de
Fourier para f. O problema é saber se essa série converge para algum valor de t e, se for
esse o caso, se sua soma é f(t). Foram descobertos exemplos que mostram que uma série
de Fourier correspondente a uma função f pode não convergir para f(t).
Na teoria geral das séries existem critérios de convergência das séries semelhantes. Tais
critérios são de Dirichlet e o de Abel, bom para o estudo das séries trigonométricas. Para
garantir a convergência de uma série de Fourier para a função da qual seus coeficientes
são calculados, é essencial colocar hipóteses adicionais sobre a função.
Dada uma seqüência ¦a
n
¦ de números reais, a soma infinita a
1
+a
2
+a
3
+ +a
n−2
+
a
n−1
+ a
n
+ , será representada simbolicamente por

n=1
a
n
, para o caso de ter um
número finito de somas denotamos S
n
=
n

k=1
a
k
.
Definição 5.9.
A série

n=1
a
n
é limitada, se existe uma constante C ∈ R tal que [

n=1
a
n
[ ≤ C, ∀n ∈ N
+
.
Definição 5.10.
A série

n=1
a
n
é convergente, quando a seqüência ¦S
n
¦ de suas somas parciais for
convergente. Neste caso, a soma da série é o limite da seqüência ¦S
n
¦, isto é:

k=1
a
k
= lim
n→∞
S
n
= S S ∈ R (5.23)
Quando uma série não converge, ela é denominada divergente. Logo, podemos dizer
que existem séries convergentes e séries divergentes.
Dado um conjunto de funções f
n
: A ⊆ R −→ R sendo n ∈ N , nosso objetivo agora
é estabelecer condições sobre a seqüência de funções ¦f
n
(t)¦ para que a soma infinita

n=1
f
n
(t) tenha como resultado um valor de número real para todo t ∈ A, isto é para que
convirja.
Estas somas infinitas são denominadas “séries infinitas de funções” ou simplesmente
séries de funções.
A propriedade a seguir fornece uma condição necessária, mas não suficiente para que
uma série de funções seja convergente.
312 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Propriedade 5.4. Critério do n-ésimo termo.
Se, a série

n=1
f
n
(t) é convergente ∀ t ∈ A, então lim
n→∞
f
n
(t) = 0 ∀ t ∈ A.
A condição lim
n→∞
f
n
(t) = 0, ∀ t ∈ A não dá informação sobre a convergência da série

n=1
f
n
(t) sendo necessária uma análise adicional para determinar se a série converge ou
diverge.
A Propriedade (5.4) é equivalente a dizer que, se lim
n→∞
f
n
(t) ,= 0, então a série

n=1
f
n
(t)
diverge.
Propriedade 5.5.
Sejam

n=1
f
n
(t) e

n=1
g
n
(t) duas séries de funções definidas ∀ t ∈ R.
(a) Se as séries

n=1
f
n
(t) e

n=1
g
n
(t) são convergentes, então

n=1
[f
n
(t) + g
n
(t)] também
converge, e vale a relação

n=1
[f
n
(t) + g
n
(t)] =

n=1
f
n
(t) +

n=1
g
n
(t)
(b) Se

n=1
f
n
(t) e convergente e

n=1
g
n
(t) é divergente, a série

n=1
[f
n
(t) +g
n
(t)] diverge.
Observação 5.3.
Quando as séries

n=1
f
n
(t) e

n=1
g
n
(t) são ambas divergentes, a Propriedade (5.5) não
dá informação sobre a convergência da série

n=1
[f
n
(t) + g
n
(t)].
Definição 5.11. Série absolutamente convergente.
Dizemos que uma série

n=1
f
n
(t) é absolutamente convergente, se a série

n=1
[f
n
(t)[ é
convergente.
Para o caso de alguns termos f
n
(t) positivos e negativos, a convergência e a convergên-
cia absoluta não são as mesma.
Propriedade 5.6.
Toda série absolutamente convergente, é convergente.
5.9.1 Critério D’Alembert’s.
Propriedade 5.7. Critério D’Alembert’s
2
.
Seja f
n
: A ⊆ R −→ R, e suponhamos que f
n
(t) ,= 0 para todo n ∈ N
+
, ∀ t ∈ A tal
que lim
n→∞
¸
¸
¸
¸
f
n+1
(t)
f
n
(t)
¸
¸
¸
¸
= r ∈ R.
2
Também conhecido como Critério da razão.
Christian José Quintana Pinedo 313
i) Se r < 1, a série

n=1
f
n
(t) é absolutamente convergente.
ii) Se r > 1, a série

n=1
f
n
(t) diverge.
Observação 5.4.
1. Se o limite lim
n→∞
¸
¸
¸
¸
f
n+1
(t)
f
n
(t)
¸
¸
¸
¸
não existe ou for igual a 1, o critério D’Alembert’s não pode
ser usado, e teríamos que recorrer a outros métodos.
5.9.2 Séries Alternadas
Para uma série de termos positivos

k=1
f
k
(t) a seqüência ¦S
n
¦ de suas somas parciais
é crescente, e sua convergência passa a ser uma conseqüência de sua limitação. Precisa-
mente, esse foi o argumento usado na demonstração do critério de comparação e o da
integral, os quais são válidos para series de termos positivos.
Definição 5.12.
Uma série cujos termos são alternadamente positivos e negativos, é denominada “série
alternada”
Séries alternadas encontramos quando estamos a estudar fenômenos ondulatórios, cu-
jos modelos matemáticos tem por solução funções representadas mediante séries de Fourier
da forma:
u(x, t) =

n=1
_
a
n
cos
nπt
L
+ b
n
sen
nπt
L
_
sen
nπt
L
(5.24)
onde os coeficientes a
n
e b
n
que aparecem na série representam a posição e a velocidade
inicias, respectivamente, de um ponto da onda.
Propriedade 5.8.
Se a série

k=1
[f
k
(t)[ converge, então a série alternada

k=1
f
k
(t) também converge.
5.9.3 Convergência uniforme
Seja f
n
: A ⊆ R −→R e suponhamos que exista uma série infinita

k=1
f
k
(t). Definimos
a soma parcial n da serie como a soma dos n primeiros términos da série, isto é
S
n
(t) =
n

k=1
f
k
(t) (5.25)
314 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Por definição dizermos que a série infinita converge a f(t) em um intervalo, se dado
qualquer número > 0, existe para qualquer t um número positivo N para o intervalo,
tal que
[S
n
(t) −f(t)[ < sempre que n > N (5.26)
Em geral o número N não depende somente de , algumas vezes também depende de
t. Chamamos a f(t) a soma das série

k=1
f
k
(t).
Se apresenta um caso importante quando N depende somente de e não de t no inter-
valo. Neste caso dizemos que a série “converge uniformemente"ou que é uniformemente
convergente para f(t).
Exemplo 5.13.
A função f(t) = e
−t
2
cujo gráfico é simétrico ao eixo
−→
0y tende a zero quando t →±∞.
Seja a seqüencia ¦f
n
¦ onde f
n
(t) = f(t −n) observe que f
n
(t) → 0 quando n → ±∞
pontualmente. Mas, essa convergência não é uniforme, pois a condição [f
n
(t) −f(t)[ <
não se satisfaz quando x = n com < 1 (aqui f
n
(n) = 1).
Entretanto, se restringirmos ao intervalo para o qual x ≤ c < n então f
n
(x) ≤ f
n
(c) =
e
−(x−c)
2
e considerando esta última expressão menor que qualquer > 0, teríamos que
¦f
n
¦ converge uniformemente.
Apresentamos propriedades bastante importantes para nas séries uniformemente cov-
ergentes
Propriedade 5.9.
Se cada termino de uma série infinita ¦f
n
(t)¦ é contínua no intervalo A = (a, b) e a
série é uniformemente convergente para f(t) nesse intervalo, então
1. f(t) também é contínua no intervalo.
2. A série pode ser integrada término a término. isto é
b
_
a
_

n=1
f
n
(t)
_
dt =

n=1
b
_
a
f
n
(t)dt (5.27)
Propriedade 5.10.
Se cada termino de uma série infinita ¦f
n
(t)¦ tem derivada e a série de derivadas é
uniformemente convergente, então a série pode ser diferenciada término a termino. Logo
d
dt

n=1
f
n
(t) =

n=1
d
dt
f
n
(t) (5.28)
Christian José Quintana Pinedo 315
Existem varias maneiras de demonstrar a convergência uniforme de uma série.
A mais obvia é achar a soma de uma série S
n
(t) em forma fechada e logo aplicar a
a definição diretamente. Uma outra forma mais poderosa é usando o teorema de Weier-
strass..
Teorema 5.3. Weierstrass. M.
Se existe um conjunto de constantes M
n
, n = 1, 2, 3, de tal modo que para
todo t no intervalo [f
n
(t)[ ≤ M
n
e se além disso

n=1
M
n
converge e

n=1
f
n
(t) converge
uniformemente no intervalo. Incidentemente a série é também absolutamente convergente.
Isto é

n=1
[f
n
(t)[ converge sob estas condições.
Exemplo 5.14.
A série

n=1
sen(nt)
n
2
converge uniformemente no intervalo [−π, π].
De fato,
¸
¸
¸
¸
sen(nt)
n
2
¸
¸
¸
¸

1
n
2
e sabe-se que

n=1
1
n
2
converge.
Portanto a série

n=1
sen(nt)
n
2
é uniformemente convergente.
Em verdade, o Teorema de Weierstrass. M. diz que, se f e uma função continua real
periódica de período 2π, então f pode ser aproximada uniformemente por uma seqüencia
de polinômios trigonométricos da forma
S
n
(f(t)) =
a
0
2
+
n

k=1
[a
k
cos(kt) + b
k
sen(kt)] (5.29)
Este teorema e fundamental na Teoria de Aproximação de funções, sendo muito usado
em Analise Numérica e com ele, podemos mostrar a relação gráfica existente entre uma
função f e as n-ésimas somas parciais (n-ésimas reduzidas) da serie de Fourier de f. Este
estudo pode ser estendido a funções 2π-periódicas seccionalmente diferenciáveis.
Exemplo 5.15.
A função f(t) = [t[ ,é 2π-periódica, definida sobre [−π, π], possui desenvolvimento de
Fourier dado por: f(t) =
π
2
+
4
π
_
cos t +
1
9
cos(3t) +
1
25
cos(5t) +
_
Esta função satisfaz às hipóteses dos Teoremas de Weierstrass. e de Fourier, assim
podemos garantir a igualdade de f com a sua série e garantir a convergência uniforme da
série. Temos então que: lim
n→∞
S
n
(f(t)) = f(t)
As somas parciais (reduzidas) desta série de Fourier, serão denotadas por S
1
(f), S
2
(f),
S
3
(f), S
4
(f), e neste caso:
316 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Figura 5.4: Função modular com a 1
a
aproximação
Figura 5.5: Função modular com a 2
a
aproximação
S
1
(f) =
π
2
(Figura (5.4)); S
2
(f) =
π
2

4
π
cos(t) (Figura (5.5))
S
3
(f) =
π
2

4
π
_
cos(t) +
cos(3t)
9
_
(Figura (5.6))
S
4
(f) =
π
2

4
π
_
cos(t) +
cos(3t)
9
+
cos(5t)
25
_
(Figura (5.7))
Utilizando gráficos, mostraremos o processo de aproximação de f com estas primeiras
somas parciais.
Figura 5.6: Função modular com a 3
a
aproximação
Figura 5.7: Função modular com a 4
a
aproximação
Quando n aumenta arbitrariamente (n → ∞) então S
n
(f) → f e observamos pelos
gráficos que S
4
(f) já representa uma boa aproximação para f sobre [π, π].
Definição 5.13. Função integrável.
Uma função real f : R −→R é integrável sobre a reta R se

_
−∞
f(t)dt < +∞.
Exemplo 5.16.
A função (sinc) f : R −→ R definida por f(t) =
_
_
_
sent
t
se t ,= 0
1 se t = 0
é integrável
sobre a reta real, pois

_
−∞
sent
t
dt = π
Figura 5.8:
Definição 5.14. Absolutamente convergente.
Uma integral imprópria
b
_
a
f(t)dt dizemos que é absolutamente convergente sobre R, se
a integral

_
−∞
[f(t)[dt for convergente.
Definição 5.15. Função absolutamente integrável.
As funções para as quais a integral

_
−∞
f(t)dt é absolutamente convergente sobre R,
chamam-se funções absolutamente integráveis sobre R.
Christian José Quintana Pinedo 317
Exemplo 5.17.
A função sinc do exemplo (5.16) não é absolutamente integrável sobre R, pois

_
−∞
¸
¸
¸
¸
sent
t
dt
¸
¸
¸
¸
= +∞
Também podemos definir funções absolutamente integráveis num intervalo da reta R,
assim, dizemos que uma função real f : R −→ R é absolutamente integrável sobre um
intervalo [a, b] se
b
_
a
[f(t)[dt < +∞
Por exemplo, as funções f(x) = cos(mx) e g(x) = sen(nx) são absolutamente inte-
gráveis sobre intervalos da forma [a, b].
5.10 Convergência de séries trigonométricas
Suponhamos que está dada a série trigonométrica
a
0
2
+

n=
[a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)] (5.30)
para determinar se esta série converge, é natural examinar a série numérica
[a
0
[
2
+

n=1
[[a
n
[ +[b
n
[] (5.31)
que a maiora, como se diz, a série (5.30). Seus valores superam respectivamente, os valores
absolutos dos términos na série (5.30) [a
n
cos(nω
0
t)[ ≤ [a
n
[, [b
n
sen(nω
0
t)[[ ≤ [b
n
[.
De aqui se deduz que se a série (5.31) converge, então a série (5.30) também converge
para todos os valores de t, esta convergência absoluta e uniformemente. Não obstante a
série (5.30) pode convergir sem que a série (5.31) seja convergente. Isto pelo fato que na
série (5.30) para cada valor de t, ao variar n mudam o sinal (oscilam) um número infinito
de vezes e ela pode resultar convergente devido à compensação do seus términos positivos
e negativos.
De modo que. se se estabelece a convergência de (5.30) então o fato de que seus
términos sejam funções contínuas de período T, se deduz que também soma soma
f(t) =
a
0
2
+

n=1
[a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)] (5.32)
é uma função contínua de período T e a série (5.32) pode ser derivada ou integrada término
a término.
318 Séries de Potências e Equações Diferenciais
A série (5.32) podemos derivar formalmente respeito de t

n=1

0
[−a
n
sen(nω
0
t) + b
n
cos(nω
0
t)] (5.33)
e formar sua série maiorante

n=1

0
[[a
n
[ +[b
n
[] (5.34)
Assim, se a série (5.34) converge, então a série (5.33) também converge ainda mais
converge uniformemente. Como a série (5.33) é a derivada da série (5.32) podemos escrever
f

(t) =

n=

0
[−a
n
sen(nω
0
t) + b
n
cos(nω
0
t)]
Em geral, se a série

n=1
(nω
0
)
s
[[a
n
[ + [b
n
[] < ∞ para certo s ∈ N, é legítimo derivar a
série (5.32) s vezes; na verdade não se exclui a legitimidade de derivar s + 1 vezes.
Exemplo 5.18.
Determine o número de vezes que pode ser derivado término a término a série

n=1
q
n
cos(nω
0
t) para 0 < q < 1
Solução.
Derivando formalmente a série s vezes, tem-se ±

n=1
(nω
0
)
s
q
n
_
cos(nω
0
t)
sen(nω
0
t)
_
A série majorante

n=1
(nω
0
)
s
q
n
, 0 < q < 1 converge para todo s ∈ N isto pode ser
obtido aplicando o critério de D’Alembert
5.11 Convergência da Série de Fourier
Suponhamos que f(t) esteja definida no intervalo (−
T
2
,
T
2
) e definida fora deste inter-
valo por f(t+T) = f(t), isto é assumamos que f(t) seja periódica, de período T. Dizemos
que a série da forma
f(t) =
1
2
a
0
+

n=1
[a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)] onde ω
0
=

T
(5.35)
onde ¦a
n
¦ e ¦b
n
¦ são sucessões de números reais, denomina-se série trigonométrica.
Christian José Quintana Pinedo 319
Suas somas parciais são combinações lineares de funções que componhem o sistema
cos ω
0
t, senω
0
t, cos(2ω
0
t), sen(2ω
0
t), , cos(nω
0
t), sen(nω
0
t), (5.36)
O conjunto (5.36) conhecido como sistema trigonométrico possui as seguintes pro-
priedades.
T/2
_
−T/2
cos(nω
0
t) cos(mω
0
t)dt = 0,
T/2
_
−T/2
sen(nω
0
t)sen(mω
0
t)dt = 0, se m ,= n
T/2
_
−T/2
cos(nω
0
t)sen(mω
0
t)dt = 0, m, n = 0, 1, 2,
T/2
_
−T/2
cos
2
(nω
0
t) =
T/2
_
−T/2
sen
2
(nω
0
t) =
T
2
, n = 0, 1, 2,
A série (5.35) é conhecida como “série trigonométrica de Fourier" que corresponde ao
desenvolvimento de f(t).
Supondo que o segundo membro da série (5.35) converge uniformemente em [
T
2
,
T
2
],
os “coeficientes de Fourier" são os números a
n
e b
n
de (5.35) onde n = 1, 2, 3, e
a
0
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t)dt, a
n
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t) cos(nω
0
t)dt, b
n
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t)sen(nω
0
t)dt
isto quer dizer que toda série trigonométrica uniformemente convergente é a série de
Fourier de sua soma.
Na equação (5.35) para o caso de f ser função par tem-se que b
n
= 0, n = 1, 2, 3,
e para o caso de f ser função ímpar tem-se a
n
= 0, n = 0, 1, 2, 3,
Para definirmos os coeficientes de Fourier de uma função f em (5.35), as hipóteses
mínimas a fazer sobre ela são, periodicidade, integrabilidade e integrabilidade absoluta
no intervalo (−
T
2
,
T
2
). Devemos lembrar que a série (5.35) é unicamente a série que
corresponde a f(t), ainda não sabemos se esta série converge ou não, somente supusemos
que a função dada podíamos representar mediante uma série de Fourier.
Logo vemos que, para a Série de Fourier da função f de período T tenha significado,
em todo caso devem ter significado as integrais que definem a
0
, a
n
e b
n
Em nosso raciocínio as integrais que definem a
0
, a
n
e b
n
sempre terão significado,
porque falaremos de funções limitadas contínuas ou contínuas seccionalmente sobre um
320 Séries de Potências e Equações Diferenciais
período. Podemos perguntarnos
Quais são as condições que deve satisfazer a função f para que a série de
Fourier seja convergente para f(t)?
Apresentarei duas propriedades que auxiliam a responder essa questão.
Propriedade 5.11.
Se uma função f de período t é contínua em todo o eixo real, e tem a derivada contínua
seccionalmente sobre o período, então sua série de Fourier converge uniformemente para
f(t).
Exemplo 5.19.
A função f(t) de período 2π, que é par e se define sobre o segmento [0, π] pela igualdade
f(t) = t, (0 ≤ t ≤ π)
satisfaz, evidente, a propriedade. Seu gráfico mostra-se na Figura (5.9)
E
T

d
d
d
d

d
d
d
d

0 2π
y
x
π
−2π −π π
Figura 5.9:
Seus coeficientes de Fourier b
n
= 0 e os coeficientes a
n
=
2
π
π
_
0
t cos(nt) =
π
2
.
Agora bem, a
0
= π, a
2n
= 0, a
2n−1
=
−4
π(2n −1)
3
, n = 1, 2, 3,
Portanto, conforme a Propriedade (5.11) segue que
f(t) =
π
2

4
π

n=1
cos(2n −1)t
(2n −1)
2
, t ∈ R
com a particularidade que a convergência é uniforme.
O fato da convergência uniforme se deduz do critério de Weierstrass. Observe que
ademais que a função periódica dada f(t) coincide com a função y = t somente sobre o
segmento [0, π] e fora do segmento [0, π] estas funções são diferentes.
Christian José Quintana Pinedo 321
As séries trigonométricas com os coeficientes obtidos pelas integrais descritas converge
uniformemente para uma função em todos os pontos contínuos e converge para o valor
médio nos pontos de descontinuidade.
5.11.1 Condições de Dirichlet
Definição 5.16. Função seccionalmente contínua.
Dada uma função f; [a, b] −→R dizemos que é seccionalmente contínua, se satisfaz:
1. Existe um número finito de pontos em [a, b] tal que a = t
0
< t
1
< t
2
< < t
n
= b
onde f(t) é descontínua de primeira espécie, isto é
∃ lim
h→0
f(t
i
+ h) = f(t
+
i
) e ∃ lim
h→0
f(t
i
−h) = f(t

i
)
2. f(t) é contínua para todo t ∈ [a, b], t ,= t
i
, i = 1, 2, 3, , t
n
Exemplo 5.20.
1. A função onda quadrada f(t) =
_
1, se 2na ≤ t < 3na
−1, se, na ≤ t < 2na
é seccionalmente con-
tínua em todo R.
2. As funções g(t) = tan t e h(t) = sen
1
t
não são seccionalmente contínuas em [0,
π
2
]
Em geral tem-se que se uma função f(t) é contínua em [a, b], então ela é seccionalmente
contínua em [a, b].
O problema de convergência foi examinado por Dirichlet, quem desenvolveu condições
de convergência das séries das séries de Fourier.
Se enunciaram aqui as condições, conhecidas como “condições de Dirichlet"sob as quais
é possível a representação em série de Fourier de uma função f(t).
Observação 5.5. Condições de Dirichlet.
Suponhamos temos a série:
f(t) =
1
2
a
0
+

n=1
[a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)] (5.37)
que satisfaz
1. A função f(t) seja definida e tem um único valor, exceto possivelmente em um número
finito de pontos em (−
T
2
,
T
2
)
2. A função f(t) tem período T
322 Séries de Potências e Equações Diferenciais
3. As funções f(t) e f

(t) são seccionalmente contínuas em [−
T
2
,
T
2
]
Isto quer dizer que uma função f de período T satisfaz a condição de Dirichlet sobre
o segmento [−
T
2
,
T
2
] se podemos indicar um número finito de pontos −
T
2
= t
0
< t
1
< t
2
<
< t
k−1
< t
k
=
T
2
tais que sobre os intervalos (t
j
, t
j+1
) a função seja limitada e seja
monótona (não decresce ou não cresce) em cada ponto t
j
da descontinuidade de f.
Propriedade 5.12. Critério de Dirichlet.
Se a função f(t) de período T satisfaz as condições de Dirichlet, então sua série de
Fourier converge para f(t) para todo t ∈ R.
f(t) =
1
2
a
0
+

n=1
[a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)] onde ω
0
=

T
De acordo com este resultado, podemos escrever (5.36) em qualquer ponto de con-
tinuidade de t. Não obstante, se t
i
é ponto de descontinuidade, então o lado esquerdo da
equação substituímos por f(t
i
) =
1
2
[f(t

i
) + f(t
+
i
)].
As condições (1.), (2.) e (3.) são suficientes porém não necessárias, isto é se as
condições estão garantidas, então a convergência também está garantida.
Exemplo 5.21.
A função f(t) de período 2π, se se define pela igualdade
f(t) =
_
π −t se 0 < t < 2π
0 se x = 0
E
T
0 2π
y
x
π
−2π −π π
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
d
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.


.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.

Figura 5.10:
Como se observa na Figura (5.10) a função f(t) satisfaz as condições de Dirichlet.
Tem-se que nos pontos 0 = t
0
< t
1
= π possui a seguinte propriedades: A função
decresce e esta limitada sobre o intervalo (t
0
, t
1
) e
f(0) =
f(0
+
) + f(0

)
2
=
π + (−π)
2
= 0
Christian José Quintana Pinedo 323
f(2π) =
f(2π
+
) + f(2π

)
2
=
π + (−π)
2
= 0
A função f(t) é ímpar, é por isso que sua série de Fourier se compõe somente de senos;
conseqüentemente os coeficientes de Fourier são a
n
= 0, n ∈ N e
b
n
=
2
π
π
_
0
(π −t)sen(nt)dt =
2
n
n = 1, 2, 3,
Portanto, f(t) = 2

n=1
sen(xt)
n
(−∞< t < ∞)
Seja F uma extensão de f a todo o R tal que F é periódica de período T, isto é, a função
F coincide com a função f no intervalo (−
T
2
,
T
2
) e o seu gráfico é repetido cada T unidades
ao longo do eixo
−→
0X. A função F é dita uma extensão periódica de f, com período T.
Assim, dizer que a série de Fourier converge para f(t) no intervalo −
T
2
< t <
T
2
) significa
também que a série de Fourier converge para uma extensão periódica de f, com período
T. Do teorema anterior obtemos então de imediato que:
A série de Fourier de f(t) no intervalo [−
T
2
,
T
2
] converge, nos pontos −
T
2
e
T
2
, para
o mesmo valor. Com efeito, fazendo t = −
T
2
ou t =
T
2
, em (5.26), obtém-se o mesmo
resultado f(−
T
2
) = f(
T
2
) =
1
2
a
0
+

n=1
[a
n
cos(nπ)].
Exemplo 5.22.
Estude a convergência da série de Fourier da função f(t) no intervalo [−3, 3]
f(t) =
_
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
_
1, se, −3 ≤ t < −1
[t[, se, −1 ≤ t ≤ 0
t
2
, se, 0 < t ≤ 2
t + 6, se, 2 < t ≤ 3
(5.38)
Devido à continuidade de f, em cada intervalo aberto, para cada t
0
pertencente a esses
intervalos a série converge para f(t
0
).
Esta função pode ser estudada como uma restrição de uma função periódica, definida
em todo o R, de período 3 −(−3) = 6.
Nos extremos temos respectivamente o seguinte:
t
0
= 0 converge para 0 t
0
= −3 converge para 5 t
0
= 3 converge para 5
t
0
= 2 converge para 6 t
0
= −1 converge para 1
Um fato de muita importância na teoria das séries trigonométricas é que os coeficientes
de Fourier de uma função absolutamente integrável convergem a zero quando n →∞isto
é justifica-se mediante o seguinte teorema.
324 Séries de Potências e Equações Diferenciais
Teorema 5.4. Riemann.
Se a função f é absolutamente integrável no intervalo (a, b), seja este intervalo finito
ou infinito, então lim
n→∞
b
_
a
f(t) cos(nt)dt = lim
n→∞
b
_
a
f(t)sen(nt)dt = 0.
A demonstração deste teorema requer conceitos de análise funcional que escapa à
finalidade destas notas.
5.11.2 Outros critérios de convergência
É muito importante na teoria das séries trigonométricas o fato que os coeficientes de
Fourier de uma função absolutamente integrável tendam a zero quando n →∞. Este fato
se deduz de algo mais geral e que se utiliza freqüentemente no referente a pesquisas em
séries de Fourier e suas aplicações.
Propriedade 5.13.
Para todo t ∈ R, t ,= 0 tem-se
1
2
+

k=1
cos(kt) =
sen[(n +
1
2
)t]
2sen(
1
2
t)
Propriedade 5.14.
Seja S
n
(t) a soma dos 2n + 1 primeiros términos da série (5.35), então
S
n
(t) =
2
T
T/2
_
−T/2
f(x)D
n

0
(x −t)]dx onde D
n
(s) =
sen[(n +
1
2
)s]
2sen(
1
2
s)
Demonstração.
Tem-se que S
n
(t) =
1
2
a
0
+
n

k=1
[a
k
cos(kω
0
t) + b
k
sen(kω
0
t)] onde ω
0
=

T
, logo
substituindo os respectivos coeficientes a
k
e b
k
tem-se
a
k
cos(nω
0
t) + b
k
sen(kω
0
t) =
2
T
T
2
_

T
2
f(x)[cos(kω
0
x) cos(kω
0
t) + sen(kω
0
x)sen(kω
0
t)]dx
=
2
T
T
2
_

T
2
f(x) cos[kω
0
(x −t)]dx
Logo, S
n
(t) =
1
2
a
0
+
n

k=1
2
T
T
2
_

T
2
f(x) cos[kω
0
(x − t)]dx, da definição do coeficiente a
0
,
Christian José Quintana Pinedo 325
segue da Propriedade (5.13)
S
n
(t) =
2
T
T
2
_

T
2
f(x)[
1
2
+
n

k=1
cos[kω
0
(x −t)]dx =
2
T
T/2
_
−T/2
f(x)D
n

0
(x −t)]dx
Propriedade 5.15.
Seja f(t) uma função periódica com período T, absolutamente integrável em um período.
Então f(t) =
2
T
T/2
_
−T/2
f(t)D
n

0
s)ds.
Demonstração.
Pela Propriedade (5.14) tem-se:
2
T
T/2
_
−T/2
D
n

0
s)ds =
2
T
T/2
_
−T/2
sen[(n +
1
2

0
s]
2sen(
1
2
ω
0
s)
=
2
T
T/2
_
−T/2
[
1
2
+

k=1
cos(kω
0
s)]ds = 1
Pois
T/2
_
−T/2
cos(kω
0
s) =
1
s
sen(kω
0
s)
¸
¸
¸
T/2
−T/2
= 0 isto pela definição de ω
0
=

T
.
Como
2
T
T/2
_
−T/2
[
1
2
+

k=1
cos(kω
0
s)]ds = 1 ⇒ f(t) =
2
T
T/2
_
−T/2
f(t)D
n

0
s)ds
Propriedade 5.16.
Seja f(t) uma função periódica com período T, integrável absolutamente em um período.
Então, em todo ponto de continuidade de f tem-se lim
n→∞
S
n
(t) = f(t)
Demonstração.
Pelas Propriedades (5.14) e (5.15) tem-se
S
n
(t) −f(t) =
2
T
T/2
_
−T/2
f(x)D
n

0
(x −t)]dx −
2
T
T/2
_
−T/2
f(t)D
n

0
s)ds
Fazendo x −t = s,
S
n
(t) −f(t) =
2
T
−t+T/2
_
−t−T/2
f(t + s)D
n

0
s)ds −
2
T
T/2
_
−T/2
f(t)D
n

0
s)ds
326 Séries de Potências e Equações Diferenciais
A função D
n

0
s) é periódica na variável s, com período T. A função f(t +s) também
é periódica na variável s, com período T, logo o integrando
−t+T/2
_
−t−T/2
e podemos escrever
T/2
_
−T/2
, assim S
n
(t) −f(t) =
2
T
T/2
_
−T/2
[f(t +s) −f(t)]D
n

0
s)ds.
Sejam g(t) =
f(t + s) −f(t)
s
, h(t) =
s
sen(
1
2
ω
0
s)
, como f é derivável no ponto t,
então
f(t +s) −f(t)
s
é limitada quando s →0.
Por outro lado, lim
s→0
s
sen(
1
2
ω
0
s)
= 1. Logo dado que f é integrável absolutamente, então
a função g também é absolutamente integrável e:
lim
n→∞
S
n
(t) −f(t) = lim
n→∞
2
T
T/2
_
−T/2
g(s)sen
_
_
n +
1
2
_
_
ω
0
s]ds = 0
Portanto, lim
n→∞
S
n
(t) = f(t).
5.11.3 A derivada da série de Fourier
Há uma conexão entre os coeficientes complexos da série de Fourier de uma função f
e os correspondentes coeficientes da série de Fourier da derivada de f.
Propriedade 5.17.
Se f é uma função diferenciável 2L-periódica e f(t) =
+∞

n=−∞
C
n
e
(inπt)/L
.
Então f

(t) =
+∞

n=−∞
C
n
inπ
L
e
(inπt)/L
.
Pode-se justificar a diferenciação e integração de séries de Fourier usando as pro-
priedades (5.9) e (5.10) que são válidas para séries em geral.
Não obstante tem-se que fazer ênfase que essas propriedades suministram condições
suficientes e não necessárias.
Utiliza-se especialmente a seguinte propriedade para integração.
Propriedade 5.18.
Pode-se integrar a série de Fourier que corresponde a f(t) término a termino de a a
t, e a série resultante convergira uniformemente a
t
_
a
f(s)ds, desde que f(t) seja contínua
por intervalos em (−
T
2
,
T
2
) e tanto a quanto t pertençam a este intervalo.
Christian José Quintana Pinedo 327
5.12 Séries duplas de Fourier
A idéia do desenvolvimento de uma série de Fourier para uma variável t pode ser
estendida ao caso de funções de duas variáveis t e s, isto é f(t, s). Por exemplo podemos
desenvolver f(t, s) em uma´série dupla de seno de Fourier
f(t, s) =

m=1

n=1
B
mn
sen(mω
0
t)sen(nω
0
s) (5.39)
de onde B
mn
=
4
T
1
T
2
T
1
/2
_
0
T
2
/2
_
0
f(t, s)sen(mω
0
t)sen(nω
0
s)dtds.
Podem se obter resultados semelhantes para séries de coseno ou para séries formadas
por senos e cosenos.
Podemos generalizar estas idéias para séries triplas de Fourier, etc.
5.13 Aplicações
5.13.1 Convergência da série de Fourier
Seja a função f(t) = sign(x), definida no intervalo −π < x < π, determine sua série
de Fourier e calcular a soma da série de Leibniz

k=0
(−1)
k
2k + 1
.
Solução.
Por definição0 a função f(x) = sign(x) = 1 se x ≥ 0 e f(x) = sign(x) = −1 se x < 0.
Assim, a função f(x) é ímpar, logo a
n
= 0, n = 0, 1, 2, , . Determinemos b
n
.
b
n
=
2

π
_
−π
f(x)sen(ωnx)dx =
2
π
π
_
0
f(x)sen(ωnx)dx =
2
π
π
_
0
sen(ωnx)dx
b
n
= −
2
π
sen(ωnx)
ωn
¸
¸
¸
π
0
=
2
π
[1 −cos(nπ)] =
_
_
_
4
π(2k −1)
se n = 2m−1
0 se n = 2k
para k ∈ Z. Observe que ω = 1.
Conseqüentemente ,para −π < x < π, tem-se que f(x) = sign(x) =
4
π

k=1
sen(2k −1)x
2k −1
.
De onde para x =
π
2
obtém-se 1 =
4
π

k=1
(−1)
2k−1
2k −1
.
Portanto,

k=1
(−1)
2k−1
2k −1
=
π
4
328 Séries de Potências e Equações Diferenciais
5.13.2 Solução de uma EDO de segunda ordem
Seja f uma função periódica de período 2π. Estudaremos agora as soluções periódicas
da EDO linear de segunda ordem:
y

+ ay

+by = f(x) (5.40)
E
T
(0, 0) (1, 0)
0 0
0
u
1
(1, 1) (0, 1)
y
x
Figura 5.11:
Consideraremos a serie de Fourier de f, dada por
f(x) =

−∞
f
n
e
inx
e a serie de Fourier da função incóg-
nita y = y(x), dada por y(x) =

−∞
y
n
e
inx
onde y
n
são os
coeficientes complexos de Fourier de y = y(x).
Ao substituir estas representações na EDO dada
(5.40), obteremos dois somatórios cujos coeficientes de
Fourier coincidem para todo n ∈ Z
_
(
inπ
L
)
2
+a
inπ
L
+ b
_
y
n
= f
n
de onde segue que para todo n ∈ Z y
n
=
f
n
(
inπ
L
)
2
+a
inπ
L
+ b
.
Assim, se conhecermos os coeficientes f
n
, nos teremos a solução da equação diferencial
dada por:
y(x) =

−∞
_
¸
_
f
n
(
inπ
L
)
2
+ a
inπ
L
+ b
_
¸
_
e
inx
5.13.3 Equação de Laplace
Exemplo 5.23.
Uma placa quadrada de lados de comprimento a unidade tem suas faces isoladas e três
do seus lados se mantém a uma temperatura de 0
o
C, entanto o quarto lado esta a uma
temperatura constante de f
1
.
Determinar a temperatura em condições estáveis para qualquer ponto da placa.
Solução.
Escolhemos o lado que tem a temperatura u
1
como aquele no qual y = 1, como mostra
a Figura (5.11).
A função para a temperatura em qualquer ponto (x, y) e no tempo t tem a forma
u(x, y, t), porém como desejamos que a temperatura u
1
esteja em condições estáveis a
qual não depende do tempo t, então nossa função para a temperatura se reduz à forma
Christian José Quintana Pinedo 329
u(x, y). Como
∂u
∂t
= 0, a equação que descreve o fenômeno é a equação de Laplace

2
u
∂x
2
+

2
u
∂y
2
= 0 (5.41)
as condições iniciais são
u(0, y) = u(1, y) = u(x, 0) = 0, u(x, 1) = u
1
, e [u(x, y)[ < M
Para resolver este problema de valor limite consideremos a solução geral de (5.41) na
forma u = g(x)h(y) de onde obtemos
g

(x)h(y) + g(x)h

(y) = 0 ou
g

(x)
g(x)
= −
h

(y)
h(y)
Considerando cada lado igual a λ
2
obtemos como resultado
g

(x) + λ
2
g(x) = 0, h

(y) −λ
2
h(y) = 0
de onde g(x) = a
1
cos(λx) + b
1
sen(λx), h(y) = a
2
senh(λy) + b
2
senh(λy).
Então uma possível solução é
u(x, y) = (a
1
cos(λx) + b
1
sen(λx))(a
2
senh(λy) + b
2
senh(λy))
De u(0, y) = 0 encontramos que a
1
= 0, de u(x, 0) = 0 achamos que a
2
= 0. De
u(1, y) = 0 achamos que λ = mπ, m = 1, 2, 3, . Então uma função que satisfaz
todas estas condições é u(x, y) = Bsen(mπx)senh(mπy).
Para satisfazer a última condição u(x, 1) = u
1
devemos primeiro utilizar o principio
de superposição para obter a solução
u(x, y) =

m=1
B
m
sen(mπx)senh(mπy) (5.42)
Então de u(x, 1) = u
1
devemos obter u
1
=

m=1
(B
m
senh(mπ)sen(mπx). Então us-
ando a teoria de series de Fourier
B
m
senh(mπ) = 2
1
_
0
u
1
sen(mπx) =
2u
1
(1 −cos(mπ))

330 Séries de Potências e Equações Diferenciais
do qual
B
m
=
2u
1
[1 −cos(mπ)]
mπsenh(mπ)
(5.43)
de (5.42) e (5.43) obtemos
B
m
=
2u
1
π

m=1
2u
1
[1 −cos(mπ)]
mπsenh(mπ)
sen(mπx)senh(mπy)
5.13.4 Soma de uma série numérica
Através da séries de Fourier podemos obter somas de séries numéricas reais onde é
difícil (ou até impossível) estabelecer a regra para definir a n-ésima soma parcial.
Exemplo 5.24.
Obter a serie de Fourier da função 2π-periódica f(t) = t
2
definida sobre [−π, π].
Solução.
Lembre que f(t) =
1
2
a
0
+

n=1
[a
n
cos(nω
0
t) + b
n
sen(nω
0
t)] sendo ω
0
=

T
onde
a
n
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t) cos(nω
0
t)dt a
0
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t)dt b
n
=
2
T
T
2
_

T
2
f(t)sen(nω
0
t)dt
Para o caso T = 2π, ω
0
= 1, e f(t) =
1
2
a
0
+

n=1
[a
n
cos(nt) + b
n
sen(nt)] onde
a
n
=
1
π
π
_
−π
t
2
cos(nt)dt a
0
=
1
π
π
_
−π
t
2
dt b
n
=
1
π
π
_
−π
t
2
sen(nt)dt
De onde, a
0
=
1
π
π
_
−π
t
2
dt =

2
3
, b
n
=
1
π
π
_
−π
t
2
sen(nt)dt = 0 pois t
2
sen(nt) é função
ímpar. Por último a
n
=
1
π
π
_
−π
t
2
cos(nt)dt =
4
n
2
cos(nπ), substituindo
f(t) =
1
2

2
3
+

n=1
4
n
2
cos(nπ) cos(nt)
supondo t = π segue que f(π) = π
2
=
π
2
3
+

n=1
4
n
2
cos(nπ) cos(nπ) =
π
2
3
+

n=1
4
n
2
então
π
2

π
2
3
=

n=1
4
n
2
.
Christian José Quintana Pinedo 331
Portanto,

n=1
1
n
2
=
π
2
6
Índice Remissivo
Bessel, 203
Brook Taylor, 1
Caritat Condorcet, 39
Centro da série, 17
Chevyshev, 203
Condição de Cauchy, 9
Critério
de comparação, 10, 12
do n-ésimo termo, 5
Curva integral, 81
D’Alembert’s, 13, 312
Dependência linear, 138
Determinante de Gram, 143
Domínio
de convergência, 18
Equação
de Clairaut, 127
de Lagrange, 126
diferencial, 72
indicial, 215
linear homogênea, 111
linear não homogênea, 111
equação diderencial
não homogênea, 135
Equação diferencial
Grau, 75
homogênea, 135
Ordem, 75
Equações
de Bernoulli, 122
fórmula de
Rodrigues, 213
Fator integrante, 105, 110, 111
Função
analítica, 49
de Bessel, 221
gamma, 220
homogênea, 92
Função elementar, 60
Independência linear, 138
Intervalo de convergência, 19
Lagrange, 1
Laguerre, 204
Legendre, 200
Polinômio
indicial, 216
Polinômios
de Hermite, 210
Ponto
sigular irregular, 204
singular, 201, 203
singular regular, 203, 204
problema
de valor inicial, 86
de valores de contorno, 86
Produto de Cauchy, 12
Propriedade de Cauchy, 9
Raio de convergência, 20
Resto de
Peano, 58
332
Christian José Quintana Pinedo 333
Resto de Taylor, 51
Série
p, 4
de Laurent, 19
absolutamente convergente, 11, 312
convergente, 3
de encaixe, 4
de Puiseux, 19
de termos positivos, 9
divergente, 3
dominada, 10
dominante, 10
geométrica, 3, 18
harmônica, 4
Série de Dirichlet, 22
Séries
infinitas, 2, 311
Sequência, 2
Solução
completa, 155
da equação, 72
geral, 84
particular, 84
Teorema
de Abel, 24
de existência e unicidade, 136
de Frobenius, 214
Teorema de
Roche-Schl¨ omilch, 54
Taylor, 55
334 Séries de Potências e Equações Diferenciais
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[14] Makarenko G & Krasnov M. & Kiselion A.- Problemas de Ecuaciones Diferen-
ciales Ordinárias. Editorial Mir Moscou. 1979.
[15] Richard Bronson.- Moderna Introdução as Equações Diferenciais. Coleção Schaum.
McGraw-Hill São Paulo 1973
[16] Ricieri A. P. - Construindo a Transformada de Laplace. Edição PRANDIANO.
1988.
[17] Santos. Reginaldo J.Introdução as Ecuaciones Diferenciales Or-
dinárias.Departamento de Matemática UFMG. http://www.mat.ufmg.br/ regi/.
Brasil 27/03/2011.
[18] solpes[1]-ApoioSeEDO.2011
[19] Trejo C. Alvaro & Múzquiz P. R. Ecuaciones Diferenciales Ordinárias.
alqua.com, la red en estudio. Mexico 13/05/2002.
c
Christian José Quintana Pinedo 337
CHRISTIAN JOSÉ QUINTANA PINEDO
Decada do 80
Christian é de nacionalidade brasileira, nasceu
em Lima - Perú, onde graduou-se como Bacharel em
Matemática Pura na Universidade Nacional Mayor
de San Marcos; realizou estudos de Mestrado e
Doutorado em Ciências Matemáticas na Universi-
dade Federal do Rio de Janeiro.
Atualmente é professor Adjunto IV da Univer-
sidade Federal do Tocantins nos Cursos de Engen-
haria Civil e Elétrica.
Christian, tem trabalhos publicados na área de
equações diferenciais em derivadas parciais, história da matemática e outros; suas linhas
de pesquisa são: História da Matemática, Filosofia da Matemática, Epistemologia da
Matemática e Equações Diferenciais em Derivadas Parciais.
338 Séries de Potências e Equações Diferenciais
DO MESMO AUTOR
Livros Páginas
• Princípios de Matemática. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 276
• Fundamentos da Matemática. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254
• Cálculo Diferencial em R. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 312
• Introdução à Epistemologia da Ciência Parte I. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152
Notas de Aula
1. História da Matemática I. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224
2. Suplemento de Cálculo I . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202
3. Integração e Funções de Várias Variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 332
4. Suplemento de Cálculo II. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124
5. Cálculo Vetorial e Séries Numéricas (em edição) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 222
6. Suplemento de Cálculo III (em edição) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
7. Série de Potências e Equações Diferenciais Ordinárias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 340
8. Suplemento de Cálculo IV (em edição) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
9. Transformada de: Fourier, Laplace e de Z . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200
10. Complemento da Matemática I. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194
11. Introdução as Estruturas Algébricas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 230
12. Complemento da Matemática II. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104
13. Manual do Estudante. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
14. Introdução à Análise Real . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155
15. Suplemento de Análise Real . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160
16. Matemática Aplicada (à economia). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 198
17. Epistemologia da Matemática II. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184
18. Estruturação para o ensino da Matemática. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180
Christian José Quintana Pinedo 339
19. Tópicos de Cálculo I. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142
20. Elementos de Cálculo II. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 237
21. Elementos de Cálculo III. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106
22. O Cálculo com números complexos C . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100
23. Estruturação para o ensino da Matemática - Pró-Ciências - Vol 1 - 1999. . . . 140
24. Estruturação para o ensino da Matemática - Pró-Ciências - Vol 2 - 1999. . . . 236

ii

Séries de Potências e Equações Diferenciais

A meus pais Christian (em memória) e. Noemi.

iii

iv

Séries de Potências e Equações Diferenciais

Título do original Séries de Potências e Equações Diferenciais

Janeiro de 2011

Direitos exclusivos para língua portuguesa: UFT - CAMPUS DE PALMAS

Coordenação de Engenharia Civil/Elétrica Pinedo. Christian Quintana, 1954 Séries de Potências e Equações Diferenciais / Christian José Quintana Pinedo : Universidade Federal do Tocantins. Campus de Palmas, Curso de Engenharia Civil/Elétrica, 2009. 250 p. il. 297mm I. Série de Potencias e Equações Diferenciais. Christian Q. Pinedo. II. Série. III. Título CDD 512.8 ed. CDU

512.8

SUMÁRIO
PREFÁCIO 1 Série de potências 1.1 Séries de números reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.1 1.1.2 1.2.1 xi 1 2

Critérios de convergência das séries numéricas . . . . . . . . . . . . 10 Sumário dos Critérios para Séries de Números. . . . . . . . . . . . . 15 Raio de convergência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

1.2 Séries de funções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Exercícios 1-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 1.3 Desenvolvimento em séries de potências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 1.3.1 1.4.1 1.5.1 1.5.2 1.5.3 A função exponencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 A série binomial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 Série de Taylor associada a uma função . . . . . . . . . . . . . . . . 38 Polinômio de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 Convergência da série de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 1.4 Operações com série de potências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 1.5 Série de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

Exercícios 1-2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 1.6 Fórmula de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 1.6.1 1.6.2 Resto de um Polinômio de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 Combinando Séries de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58

1.7 Lista de série de Taylor de algumas funções comuns . . . . . . . . . . . . . 59 1.8 Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 1.8.1 1.8.2 1.8.3 1.9.1 Cálculo de limites e integrais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 Estudo de Extremos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 Outra definição para a derivada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 Para duas variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64

1.9 Série de Taylor em várias variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 Exercícios 1-3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 v

vi 2 Equações diferenciais de 1a ordem.

Séries de Potências e Equações Diferenciais 71

2.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 2.2 Equações diferenciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 2.2.1 2.2.2 2.2.3 2.2.4 2.2.5 2.3.1 2.3.2 2.3.3 2.3.4 2.4.1 2.4.2 Classificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 Ordem e grau . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 Problemas que conduzem a uma equação diferencial . . . . . . . . . 76 Equações diferenciais lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 Solução Geral. Solução Particular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 Solução Singular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 Problemas de valores iniciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86 Campo de direções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 Forma Diferencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 Forma Normal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92

2.3 Solução de uma equação diferencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80

2.4 Classificação das EDO de primeira ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91

Exercícios 2-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 2.5 Solução de alguns tipos e equações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 2.5.1 2.5.2 2.5.3 2.5.4 2.6.1 2.6.2 Equações de variáveis separáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 Equações Diferenciais Exatas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 Equações Homogêneas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 Equações Lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110 Métodos de solução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 Determinação de um fator integrante . . . . . . . . . . . . . . . . . 116

2.6 Fator integrante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111

Exercícios 2-2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 2.7 Equações diferenciais não lineares de primeira ordem . . . . . . . . . . . . 122 2.7.1 2.7.2 2.7.3 2.7.4 2.7.5 Equações de Bernoulli . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122 Equação de primeira ordem de grau n . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 Equações da forma F (y, y ) = 0 e F (x, y ) = 0 . . . . . . . . . . . 124 Equação de Lagrange . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126 Equação de Clairaut . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127

Exercícios 2-3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 3 Equações diferenciais de ordem n > 1. 131

3.1 Teoria preliminar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 3.2 Equações diferenciais especiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 3.3 Equações diferenciais lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135

Christian José Quintana Pinedo 3.3.1 3.4.1 3.4.2 3.4.3

vii

Problema de valor inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136 Problema de valor de contorno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137 Dependência Linear. Independência linear . . . . . . . . . . . . . . 137 O Wronskiano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141

3.4 Teorema de existência e unicidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136

Exercícios 3-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145 3.5 Equações diferenciais lineares de coeficientes constantes . . . . . . . . . . . 147 3.5.1 3.5.2 3.6.1 3.6.2 3.6.3 3.6.4 Equação homogênea de segunda ordem . . . . . . . . . . . . . . . . 147 Equação homogênea de ordem maior que dois . . . . . . . . . . . . 149 Equação não homogênea de segunda ordem . . . . . . . . . . . . . . 152 Equação não homogênea de ordem maior que dois . . . . . . . . . . 155 Método dos coeficientes a determinar . . . . . . . . . . . . . . . . . 160 Método de variação de parâmetros . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162

3.6 Equações lineares não homogêneas de coeficientes constantes . . . . . . . . 152

Exercícios 3-2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165 3.7 Equações diferenciais lineares de coeficientes variáveis . . . . . . . . . . . . 169 3.7.1 3.7.2 3.8.1 3.8.2 3.8.3 3.9.1 3.9.2 3.9.3 3.9.4 Método dos coeficientes indeterminados . . . . . . . . . . . . . . . . 169 Método da variação de parâmetros . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170 Método de Euler-Cauchy . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172 Método de Frobenius . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 174 Método de redução de ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176 Movimento harmônico simples . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179 Movimento vibratório amortecido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183 Movimento vibratório forçado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188 Outras aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 190

3.8 Equações Euler-Cauchy . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172

3.9 Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179

Exercícios 3-3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195 3.10 Resolução de Equação Diferencial por Série de Potências . . . . . . . . . . 199 3.10.1 Método da Série de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 205 3.10.2 A equação de Hermite . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209 3.10.3 A equação de Legendre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 211 3.10.4 Método de Frobenius . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 214 3.10.5 Equação de Bessel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220 3.10.6 Equação de Airy . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224 Exercícios 3-4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 281 5 SÉRIE DE FOURIER 285 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253 Função delta de Dirac . . . . . . . . . . . . . . 269 Deslocamento no domínio do tempo t . . . . . . . . . . . . . . . . 240 Linearidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273 4. . . . . . . . . . . . . . .10 Aplicações .3. . . . . . . . . . . . . . . . . .8. . . . . . . . . 265 4. . . . . . . . . . . . . . . . .3 Função seccionalmente contínua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244 Deslocamento em s . .5. .7 Transformada inversa de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 Transformada da derivada . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 286 5. . .6. 279 Exercícios 4-3 . 302 5. . . . . . . 289 5. . . . . . . . . . . . .3 Propriedades da transformada de Laplace . . . . . . . . . . . . . 232 4. . . . . . . . . . . . . 271 4. . . . . . . . . . . . . . 255 Exercícios 4-2 . . . . 251 4.1 Introdução . . . . . . . . . . . . 299 Série exponencial de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 5. . . . . 245 Derivada da transformada . . .1 5. . 293 Cálculo dos coeficientes de Fourier . . . . . . . . . . . .10. .3 Coeficientes de uma série respeito de um conjunto ortogonal . . . . . . . . . . .2 Motivação .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 5.5 Séries de Fourier . . . . . . . . 254 Cálculo de transformadas inversas . . . . . . .5. .1 4. . .1 Introdução . . . . . . . . .5 Transformada da integral de uma função . . . . . . . . . . . 235 4. .2 Existência da transformada de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . 291 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 Função Periódica . . 303 . . . 288 5. . . . . . . . . . . . . . . .6 Coeficientes de Fourier que tendem a zero . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294 Outra Representação da Série de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8. . . .8 Resolução de equações diferenciais mediante a transformada de Laplace . . . . . . . . 300 5. . . . . . 263 4. . . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . . .1 4. . . . . . . . . . . . . 247 4. . 260 4. . . 278 4. . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Função gama . . . . . . . . . . . . . . . . . 253 4. . .2. . . . . . . . . . . . . . 252 4. . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . .7. . .1 4. .5. . . . . . . . . . . . . . 249 4.6. . . . . . . . . .1 4. . . . .1 Aplicações em circuitos elétricos . . . . . .2 Equações com termo não homogêneo descontínuo . . . . .7 Aproximação mediante uma série finita .6 Transformadas de funções elementares . .2 4. . . 244 Exercícios 4-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294 5. . . . . . . . . . . . . . 239 Função de ordem exponencial .9 Convolução . . . . . . . . . . . . . . . .4 Funções Ortogonais . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . .viii 4 Transformada de Laplace Séries de Potências e Equações Diferenciais 231 4. . . . . .

. . . . . . . . . . .2 Solução de uma EDO de segunda ordem 5. . . .1 Convergência da série de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . .3 Convergência uniforme . . . . . . .1 Condições de Dirichlet . . . .10 Convergência de séries trigonométricas 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5. . . . . . . . . . . .11 Convergência da Série de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . .11. . . .13. . 308 5. . . . . . . .1 Critério D’Alembert’s. . . .4 Soma de uma série numérica . . . . . .13. . . . . . . . . . . .9. . . . .Christian José Quintana Pinedo ix 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 Série de Fourier de seno e coseno de comprimento médio . . . . . . . . .13 Aplicações . . . . . . . .2 Outros critérios de convergência 5. . . . . . . . . . . . 5. . . . .13. . . . . . .13. . .9. APÊNDICE Referências Bibliográficas . . . . . 5. . . . . . . . . . . . 5. . . . . . . . . . . . . .12 Séries duplas de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 335 . . . . . . . . . . . . . . . . 311 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5. . . . . . . . . . . . .9 CONVERGÊNCIA DA SÉRIE DE FOURIER . . . . . . . . . . . . . . 5. . .11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Séries Alternadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 306 Exercícios 5-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5. . .9. . . . 312 313 313 317 318 321 324 326 327 327 327 328 328 330 332 5. . 5. . . . . . .3 A derivada da série de Fourier . . . . . . 5. . . . . . . . . . . . .3 Equação de Laplace .11. . . . . . .

x Séries de Potências e Equações Diferenciais .

No terceiro capítulo. tipos de equações diferenciais e solução de alguns tipos de equações diferenciais mediante séries de funções. Equações estas de coeficientes constantes ou variáveis. O quarto capítulo está dedicado para a solução de equações diferencias ordinárias lineares de ordem n > 1. onde n ∈ N. e teoremas do resto. assim como as técnicas e aplicações básicas que acompanham tais conceitos. xi . com freqüência se apresenta quando um estudante começa a estudar cálculo avançado. úteis na solução de equações diferenciais. Estas notas de aula estão divididas em três capítulos. e parte da classificação das equações de primeira ordem que se utiliza com muita freqüência. apresenta-se noções gerais sobre equações diferenciais ordinárias e notação a ser utilizada nestas notas. No primeiro capítulo. No segundo capítulo.PREFÁCIO O propósito de uma primeira disciplina de “Séries de Potências e Equações Diferenciais” é ensinar ao estudante as noções básicas das séries de funções em R e de equações diferenciais ordinárias. séries de Taylor e MacLaurin. estas Notas de Aula é a continuação e abordagem de conceitos e teorias sobre série de potências. Esta obra representa o esforço de sínteses na seleção de um conjunto de problemas que. apresenta-se alguns métodos para a solução de equações diferenciais ordinárias de primeira ordem vistas no primeiro capítulo. apresenta-se noções gerais sobre série de potências.

A variedade dos problemas e exercícios propostos pretende transmitir minha experiência profissional durante algumas decadas como Consultor em Matemáticas Puras e Aplicadas. Christian Quintana Pinedo. Cada capítulo se inicia com os objetivos que se pretende alcançar. os exercícios apresentados em quantidade suficiente. estão classificados de menor a maior dificuldade. em especial a meus alunos do Curso de Engenharia Civil e Elétrica da Universidade Federal do Tocantins.TO. Palmas . assim como as propriedades que esta transformada apresenta para a solução de outros problemas. assim como professor de ensino superior. Fico profundamente grato pela acolhida desde trabalho e pelas contribuições e sugestões dos leitores.xii Séries de Potências e Equações Diferenciais O último capítulo está reservado para o estudo da transformada de Laplace e suas aplicações na solução de equações diferenciais lineares de coeficientes constantes. com atuação na graduação da docência universitária. O objetivo deste trabalho é orientar a metodologia para que o leitor possa identificar e construir um modelo matemático e logo resolvê-lo. Janeiro de 2011 “A Matemática é a honra do espírito humano” Leibniz .

de qual a importância permaneceu não reconhecida até 1772 quando Lagrange proclamou isto como o princípio básico do cálculo diferencial. Em Cambridge Taylor envolveou-se altamente com a matemática. 1 . De 14 de janeiro de 1714 até 21 de outubro de 1718 Taylor foi secretário da Royal Society. e descobriu a célebre fórmula conhecida como a expansão de Taylor. Inglaterra. Também em 1712. nessa época ele tinha uma boa base em clássicos da matemática. Londres. Comenta-se de um experimento de Taylor em 1715 para a descoberta das leis da atração magnética e um método não provado para aproximar as raízes de uma equação. Foi uma eleição baseada mais nas experiência que Machin (matemático e astrônomo). Graduou-se com um Bacharel em Direito em 1709. Por exemplo. Em 03 de abril de 1712. Taylor teve uma excelente educação em casa antes de entrar no College Brook St John’s de Cambridge em 03 de abril de 1703. Taylor foi eleito membro da Royal Society. Middlesex. Em 1708 Taylor encontrou uma solução para o problema do centro de oscilação. inventou a integração por partes. Taylor escreveu em 1712 para Machin sobre uma solução para um problema de Kepler sobre a segunda lei do movimento planetário. Taylor desenvolveu em 1715 os princípios fundamentais da perspectiva em Perspectivas Lineares (1715) junto com os “ Novos Princípios da Perspectiva Linear”. Inglaterra e faleceu em 29 de dezembro de 1731 em Somerset House. dando um novo método para logaritmos computacionais (1717).Capítulo 1 Série de potências Brook Taylor nasceu em 18 agosto de 1685 em Edmonton. Taylor foi nomeado para o comitê criado para se pronunciar sobre o pedido de Newton ou Leibnitz ter inventado o Cálculo. Adicionou a matemática um novo ramo agora chamado o “Cálculo das Diferenças Finitas”. resultando em uma disputa de prioridade com Johann Bernoulli. mas nessa época ele já havia escrito um primeiro artigo importante de matemática (em 1708) embora não fosse publicado até 1714. sendo que isso foi inédito até 1714. Brook Taylor Sabemos que algo dos detalhes do pensamento de Taylor a respeito de vários problemas matemáticos a partir de cartas que trocou com Machin e Keill no início dos últimos anos de graduação. Keill (matemático) e outros sabiam a respeito de Taylor.

2. . teremos a escrever o termo geral da sequência {sn } como uma soma de uma quantidade indeterminada de elementos da forma ai onde i ∈ N+ . Dada uma sequência {an } de números reais. Se este for o caso dizemos que a soma infinita converge. Estas somas infinitas são denominadas “séries infinitas” ou simplesmente séries. n. . Por se tratar {sn } de uma sequência de números reais.2 Séries de Potências e Equações Diferenciais 1. se lim sn = S ou lim n→+∞ n→∞ ai = S. Assim. monotonia. · · · } Seja {an }n∈N+ uma sequência de números reais. s2 = a1 + a2 . A notação que permite exprimir esta soma é: sn = k=1 n ak . 4. Logo. a soma infinita a1 + a2 + a3 + · · · + an−2 + +∞ an−1 + an + · · · . n=1 . . para algum S ∈ R i=1 fixo e único.1 Séries de números reais Representamos por N+ o conjunto dos números naturais positivos. todo o estudado para seqüências numéricas {an }n∈N+ podemos aplicar a nossa série {sn }. será representada simbólicamente por n=1 +∞ an . podemos dizer que existem séries convergentes e séries divergentes. n A série {sn } é convergente. chamada série onde seus elementos são somas parciais de elementos da sequência {an }. Quando o índice n seja o maior possível (por exemplo n → +∞). O objetivo deste capítulo é aprender a distinguir umas das outras. 3. se existe uma constante C ∈ R tal que |sn | ≤ C +∞ ∀n ∈ N+ isto é n=1 an ≤ C. a série {sn } é limitada. Nosso objetivo agora é estabelecer condições sobre a sequência {an } para que a soma infinita an tenha como resultado um valor de número real. s3 = a1 + a2 + a3 . · · · . convergência entre outros. podemos obter outra sequência {sn }n∈N+ . a partir de ela podemos obter os seguintes elementos: s1 = a1 . sn−1 = a1 + a2 + a3 + · · · + an−2 + an−1 . sn = a1 + a2 + a3 + · · · + an−2 + an−1 + an Isto é. isto é: N+ = { 1. por exemplo limitação.

a série gerada pela sequência {bn } é divergente. +∞ +∞ Pela propriedade de somatório podemos escrever S = n=1 n αrn−1 = α n=1 rn−1 . sabemos que lim rn = 0. n=1 Pela unicidade do limite lim sn = S. ela é denominada divergente. 3 Dizemos que a série é convergente. a soma da série é o limite da sequência {sn }. ∀ n ∈ N+ . Estamos trabalhando com os índices n ∈ N dos elementos das séries.1. Exemplo 1.37) quando n→+∞ . Estudar a série geométrica. então podemos escrever até +∞ +∞ n=0 an ou ∞ n=0 an entende-se que a variação do índice n é de zero (ou outro número) Exemplo 1.1.2.Christian José Quintana Pinedo Definição 1. então a série gerada pela sequência {an } é divergente. Solução. +∞ a soma de todos seus termos é indefinida. sua soma é +∞ n=1 indeterminada. concluímos que essa soma não existe. onde o número r é denominado razão da série.1) Quando uma série não converge.2) Quando |r| < 1. quando a sequência {sn } de suas somas parciais for convergente. a série gerada pela sequência {an } é convergente. sua soma +∞ n=1 é zero. Neste caso. tomando o limite em (5. isto é • Se bn = 1 an = 0. e o número constante a é seu coeficiente. • Se an = 0 ∀ n ∈ N+ . na verdade • Se an = (−1)n+1 bn = +∞ ∀ n ∈ N+ . de onde: sn = α i=1 ri−1 = α 1 − rn 1−r (1. isto é n→∞ (−1)n+1 = 1 ou −1 ou 0. +∞ Por definição uma “série geométrica” é da forma S = n=1 arn−1 . isto é: +∞ an = lim sn = S n=1 n→+∞ (1.

+∞ 1 Por definição uma “série harmônica” é da forma . p ∈ R. n→+∞ 2n 2n 2n 2 2 +∞ 1 Portanto. np n=1 Mostra-se que a série: +∞ n=1 1 1 1 1 = 1 + p + p + ··· + p + ··· p n 2 3 n (1. e diverge se p ≤ 1. Sabe-se que esta série representa o termo n-ésimo de uma sequência {sn }. n→+∞ 1−r n=1 É imediato que. n=1 n Consideremos duas subseqüência de sn : +∞ sn = 1 + s2n = 1 + 1 1 1 1 + + + ··· + + ··· 2 3 4 n 1 1 1 1 1 1 + + + ··· + + ··· + + 2 3 4 n 2n − 1 2n Suponha que sn → L quando n → +∞.3.1. +∞ A série n=1 (bn −bn+1 ) é denominada série de encaixe devido à natureza de seus termos: (b1 − b2 ) + (b2 − b3 ) + (b3 − b4 ) + · · · + (bn − bn+1 ) + · · · .4 n → +∞ tem-se: lim sn = α lim Séries de Potências e Equações Diferenciais 1 − rn α = = S. sn − s2n = + + + +··· + + ··· + + ≥ + n+1 n+2 n+3 n 2n − 1 2n 2n 1 1 1 1 1 + + ··· + = de onde lim (sn − s2n ) ≥ = 0. onde sn = 1 . é divergente. Observação 1. n=1 n +∞ Exemplo 1. então tem-se que sn → L quando n → +∞ e s2n → L quando n → +∞. Determine se série harmônica Solução. 1 1 1 1 1 1 1 Porém. onde p ∈ R é uma constante fixa. Série harmônica. n→+∞ n→+∞ 1 − r 1−r +∞ α Isto é: S = arn−1 = lim sn = converge quando |r| < 1. caso o limite existisse. a série harmônica . segue que (sn − s2n ) → 0 quando n → +∞. n n=1 1 converge. n=1 n +∞ 1 Uma “série p” é da forma . para o caso |r| > 1 a série diverge.3) converge se p > 1.

. a série Ln diverge. Exemplo 1. logo.Christian José Quintana Pinedo A sequência de suas somas parciais {sn }. podemos escrever n n Ln = n+1 n=1 +∞ [Lnn − Ln(n + 1)]. observe que n=1 n n→+∞ 1 = 2+n n +∞ n=1 1 1 1 =1− − . n+1 n=1 n→+∞ lim Ln k=1 k = lim [Ln1− n→+∞ k+1 A propriedade a seguir fornece uma condição necessária. +∞ Determine se a série Solução. Observe que. = Ln1−Ln(n+1) ⇒ k+1 k=1 Ln(n + 1)] = 1 − ∞ = −∞ +∞ n Portanto. n n+1 n+1 lim i=1 1 1 = lim 1 − =1−0=1 n2 + n n→+∞ n+1 +∞ Portanto.1. n=1 n k Ln Logo. a série n=1 1 converge.4. Propriedade 1.4) Se a sequência {bn } convergir para um número L. vem dado pela expressão: sn = (b1 − b2 ) + (b2 − b3 ) + (b3 − b4 ) + · · · + (bn − bn+1 ) = b1 − bn+1 5 (1. então: i) A sequência {sn } de somas parciais é limitada. n2 + n +∞ Com efeito.5. ii) n→∞ lim an = 0. segue que {sn } converge para b1 −L. ∞ Seja n=1 an convergente. mas não suficiente para que uma série numérica seja convergente. n=1 Ln n n+1 +∞ converge. +∞ Verificar que a série n=1 1 converge. Critério do n-ésimo termo. n2 + n Exemplo 1.

resulta que a sequência de somas parciais {sn } converge para um certo número L.6. como sugere o seguinte diagrama: . i) Se +∞ n=1 Séries de Potências e Equações Diferenciais an converge. sendo {sn } uma n→+∞ sequência convergente. A demonstração é exercício para o leitor. +∞ n=1 an temos que an = sn − sn−1 e admitindo que a série é convergente. lim = 1 = 0 e lim n = 0. n→∞ n + 1 n→∞ +∞ +∞ −n ambas são divergentes. Ao analisar a convergência de uma série. ela é limitada. n→∞ n→∞ 3n + 4 A Propriedade (5. ii) Denotando por {sn } a sequência de somas parciais da série. Demonstração. n=1 n + 1 n=1 √ n Com efeito. n=1 n=1 3n + 4 −n Observe que.6 Demonstração. Propriedade 1.15) constitui-se no primeiro critério de convergência. Exemplo 1. A séries (−1)n+1 e +∞ primeiro termo geral sn . lim (−1)n+1 = 0 e lim = 0. A séries +∞ √ n e n ambas são divergentes. então a série n→+∞ +∞ n=1 an diverge. 2 n=1 2n + 3n +∞ n2 1 = =0 2 + 3n n→∞ 2n 2 Logo pelo critério do n-ésimo termo a série diverge. lim Esta última propriedade nos leva a um primeiro teste para a detecção da divergência de uma série e justifica a seguinte propriedade. Verificar que a série Solução. então existe em R o limite L = lim sn logo. Observe que o limite n2 diverge.7. em primeiro lugar observamos a convergência de seu 2. 1. o mesmo ocorrendo com a subseqüência {sn−1 }. para séries. então: n→∞ lim an = lim (sn − sn−1 ) = lim sn − lim sn−1 = L − L = 0 n→+∞ n→+∞ n→+∞ Exemplo 1. Se lim an = 0 ou não existe.2.

Christian José Quintana Pinedo

7

E {an } diverge

E

∞ n=1

an diverge

E

Fim

E
∞ n=1

L=0

E

∞ n=1

an diverge

E

Fim

an

E

E

n→∞

lim an = L

E

E

L=0

E

?
+∞ n=1

A condição lim an = 0 não dá informação sobre a convergência da série
n→+∞

an sendo

necessária uma análise adicional para determinar se a série converge ou diverge. Exemplo 1.8. A seguinte tabela ilustra algumas situações:
+∞

an
n=1 +∞

n→∞

lim an +∞ 1 3 0

situação

n=1 +∞

en n2 n 3n + 5 Lnn n2

divergente

divergente

n=1 +∞

indefinida

n=1

Observação 1.2.
+∞

Suponha temos uma série correto afirmar que:
n→+∞ n=1

an convergente; isto é lim sn = S existe. Então é
n→+∞

lim (sn − S) existe se e somente se, lim sn = S existe.
n→+∞

Deduzimos assim, que podemos omitir um número finito de termos (entre os primeiros) de uma série infinita sem afetar sua convergência.

8

Séries de Potências e Equações Diferenciais

Como no caso das seqüências numéricas, o acréscimo ou a omissão de um número finito de termos não altera a convergência de uma série, podendo alterar o valor de sua soma. Propriedade 1.3.
∞ ∞

Se as séries
n=1

an e
n=1

bn diferem apenas em seus primeiros termos em uma quan-

tidade finita, então ambas são convergentes ou ambas são divergentes. A demonstração é exercício para o leitor. Ainda mais, uma consequência da Propriedade (1.3), temos que para cada número
∞ ∞

k ∈ N+ , as séries
n=1

an e
n=k

an são ambas convergentes ou ambas divergentes.

Exemplo 1.9.

As séries
∞ n=9

1 e n

n=9

1 ambas são divergentes, entanto as séries n−8

n=9

1 e n2

n=9

1 ambas são convergentes. (n − 8)2
∞ ∞

Propriedade 1.4. Sejam
n=1 ∞

an e
n=1

bn duas séries numéricas e α ∈ R.
∞ ∞ ∞

(a) Se as séries convergem.
∞ n=1

an e
n=1

bn são convergentes, então
n=1 ∞

(an + bn ) e
n=1 ∞

α · an também

(b) Se
n=1 ∞

an e convergente e
n=1

bn é divergente, a série
n=1 ∞

(an + bn ) diverge.

(c) Se
n=1

an é divergente e α = 0, então a série
n=1

α · an é também divergente.

A demonstração é exercício para o leitor. Observação 1.3.
∞ ∞

Quando as séries
n=1

an e
n=1

bn são ambas divergentes, a Propriedade (1.4) não dá

informação sobre a convergência da série
n=1

(an + bn ).

Exemplo 1.10.

Christian José Quintana Pinedo

9 1 −1 ( + ) n n n=1
∞ ∞

• As séries converge. • A série
n=1 ∞ n=1 ∞

1 e n

n=1

−1 são ambas divergentes, entanto que a série n

3 1 + n−1 2+n n 4

é convergente, enquanto as séries
n=1

n2

1 e +n

3 4n−1

são convergentes.

n=1

Propriedade 1.5. Condição de Cauchy. Seja {sn } uma sequência de números reais, a série sn =

n

ak é convergente se, para
k=1

qualquer ε > 0, existe n0 > 0 tal que |sm − sn | < ε sempre que m, n > n0 . A demonstração é exercício para o leitor. Existem casos onde a série têm seus termos decrescentes, então podemos utilizar a seguinte propriedade. Propriedade 1.6. Suponhamos temos uma série de termo geral an de modo que an ≥ an+1 para todo n ∈ N+ ; logo:
∞ ∞

A série
n=1

an converge se e somente se, a série
n=1

2n · a2n também converge.

A demonstração é exercício para o leitor. Exemplo 1.11.

Verificar que a série Solução. Tem-se que an =
∞ n=1

1 converge. n2 1 . (2n )2   1 n 1 1 1 − 2  = lim ·  = 1. 1  2n n→∞ 2 1− 2 a2n =

1 1 > = an+1 , então podemos obter 2 n (n + 1)2

Logo,
n=1

2n · a2n =
n=1 ∞

2n ·

1 = (2n )2

n=1

2n = 22n

n=1

Como a série
n=1 ∞

1 converge, então a série 2n

n=1

1 também converge. n2

Uma série
n=1

an onde cada termo an é maior ou igual do que zero é denominada série

de termos positivos.

10 Propriedade 1.7.

Séries de Potências e Equações Diferenciais

Seja {an } uma sequência com an ≥ 0 para todo n ∈ N . Então a série convergente se, e somente se, a sequência de somas parciais {sn } é limitada. A demonstração é exercício para o leitor. Exemplo 1.12.
∞ n=1

+

an é

A série
n=1

1 é convergente. n(n + 1)

1 1 1 = − para todo n ∈ N+ . n(n + 1) n n+1 1 1 1 1 1 Como sn = + + +···+ , tem-se que sn = 1 − ≤ 1 para 1·2 2·3 3·4 n(n + 1) n+1 todo n ∈ N+ . Observe que Sendo os termos positivos, e a sequência de somas parciais {sn } limitada, então série

n=1

1 é convergente. n(n + 1)
∞ ∞

Definição 1.2. Dizemos que a série
n=1 ∞ ∞

an é dominada pela série
n=1

bn quando an ≤ bn ,

∀ n ∈ N+ .

Nesse caso
n=1

an é a série dominada e
n=1

bn é a série dominante.

Observação 1.4. Para séries de termos positivos, os seguintes fatos são imediatos: 1. A sequência sn de somas parciais é monótona crescente.
∞ ∞

2. Se a série
n=1

an é dominada pela série
n=1

bn , as respectivas séries de somas parciais ∀ n ∈ N+ .

{sn } e {tn } satisfazem a relação sn ≤ tn ,

Estes fatos junto com a Propriedade (1.7) estabelecem o seguinte critério de convergência conhecido como critério de comparação.

1.1.1

Critérios de convergência das séries numéricas
∞ ∞

Propriedade 1.8. Critério de comparação. Sejam
n=1

an e
n=1

bn duas séries de termos positivos:

Christian José Quintana Pinedo
∞ ∞

11
+

i) Se a série
n=1 ∞

bn converge e an ≤ bn , ∀ n ∈ N , então a série
n=1 ∞

an também converge.

ii) Se a série
n=1

an diverge e an ≤ bn , ∀ n ∈ N , então a série
n=1

+

bn também diverge.

Sendo as afirmações i) e ii) equivalentes, é suficiente mostra apenas uma delas. A demonstração é exercício para o leitor. Definição 1.3. Série absolutamente convergente.

Dizemos que uma série vergente. Observe, se an ≥ 0,
n=1

an é absolutamente convergente, se a série
n=1

|an | é con-

∀ n ∈ N+

|an | = an , assim, a série é
n=1

an é absoluta-

mente convergente. Para o caso de alguns termos an positivos e negativos, a convergência e a convergência absoluta não é a mesma. Exemplo 1.13. Toda série convergente, cujos termos não mudam de sinal é absolutamente conver∞

gente. Em particular quando −1 < r < 1, a série geométrica convergente, pois |rn | = |r|n , com 0 ≤ |r| < 1. Observação 1.5.
n=1

rn é absolutamente

Os elementos de uma série absolutamente convergente, podem ser reordenados sem afetar a convergência ou a soma da série. 1 1 1 1 1 1 1 Por exemplo a série 1− + − + − + − · · · converge absolutamente. 3 9 27 81 243 729 2187 1 1 1 1 1 1 1 + + ··· − − − − − · · · também O reordenamento 1 + + 9 81 729 3 27 243 2187 converge e tem a mesma soma que a original. Propriedade 1.9.

Se a série
n=1

an é absolutamente convergente, então ela é convergente e:
∞ ∞

an ≤
n=1 n=1

|an |

A demonstração é exercício para o leitor.

12 Exemplo 1.14.

Séries de Potências e Equações Diferenciais

A série
n=1

(−1)n é absolutamente convergente. Observe que: n2 (−1)n 1 = 2, 2 n n ∀ n ∈ N+

Como gente.
n=1

1 é convergente, segue-se que a série n2

n=1

(−1)n é absolutamente convern2

Propriedade 1.10.
∞ ∞

Sejam
n=1 ∞

an é
n=1

bn séries absolutamente convergentes, então:

i) A série
n=1

an bn é absolutamente convergente.
∞ n=1 ∞ ∞

ii) O produto de Cauchy e:

cn das séries
n=1 ∞ ∞

an é
n=1 ∞

bn é absolutamente convergente, an
n=1

cn =
n=1 n=1

an

A demonstração é exercício para o leitor. O critério de convergência a seguir, embora não conclusivo em alguns casos, constituise como o mais importante teste de convergência para séries numéricas, não apenas do ponto de vista técnico, mais também como nas aplicações às “Séries de Potências”. Propriedade 1.11. Critério de comparação.
∞ ∞

Sejam
n=1

an tais que
n=1 ∞

bn duas séries e |an | ≤ K|bn |, ∀ n ∈ N+ ,

K > 0:

i) Se a série
n=1

bn é absolutamente convergente, então a série
n=1

an também é absolu-

tamente convergente.

ii) Se a série
n=1

an não é absolutamente convergente, então a série
n=1

an não é abso-

lutamente convergente. A demonstração é exercício para o leitor. Exemplo 1.15.

Christian José Quintana Pinedo

13

A série
n=1

sen n é absolutamente convergente. 2n

sen n 1 É imediato que ≤ n para todo n ∈ N+ . Como a série n 2 2

n=1

1 é absolutamente 2n

convergente, pela Propriedade (1.11), a série
n=1

sen n é absolutamente convergente. 2n an+1 = r ∈ R. an

Propriedade 1.12. Critério D’Alembert’s1 . Seja an = 0 para todo n ∈ N+ e suponhamos que lim
∞ n→∞

i) Se r < 1, a série
n=1 ∞

an é absolutamente convergente.

ii) Se r > 1, a série
n=1

an diverge.

A demonstração é exercício para o leitor. Exemplo 1.16.

• A série
n=1

pn é absolutamente convergente, para todo p ∈ R. n! pn para n ∈ N+ , então: n!

Com efeito, se p = 0 é imediato. Suponhamos que p = 0, e seja an =

an+1 n! |p| pn+1 · n = = an (n + 1)! p n+1 Calculando o limite, r = lim

n→∞

an+1 |p| = lim = 0. n→∞ n + 1 an

Portanto a série
n=1 ∞

pn é absolutamente convergente. n!

• A série Com efeito,

n=1 ∞

senn! é absolutamente convergente. n! senn! ≤ n!

n=1

n=1

1 n!

Pelo critério de comparação (Propriedade (1.11), a série solutamente.
1

n=1

senn! converge abn!

Também conhecido como Critério da razão.

2 Também conhecido como Critério da raiz . n n n→∞ |np an | = |a|. de onde lim Com efeito. a série é absolutamente convergente.13. e é divergente se |a| > 1. A demonstração é exercício para o leitor.14 Propriedade 1. a série n=1 an é absolutamente convergente. ∞ ii) Se r > 1. ∞ A série n=1 np an converge absolutamente se |a| < 1. Se |a| > 1 a série diverge. √ |np an | = ( n n)p |a| para n ∈ N+ . Exemplo 1.17. Suponhamos que lim n Séries de Potências e Equações Diferenciais n→∞ |an | = r ∈ R. Se |a| < 1 pelo critério de Cauchy. a série n=1 an diverge. Critério de Cauchy2 . ∞ i) Se r < 1.

bn > 0) de Raabe da ∞ an n=1 ∞ an =L>0 n→∞ bn lim ∞ an =L>0 n→∞ bn lim ∞ an n=1 < ∞ +∞ caso bn < +∞ e n=1 bn < +∞ e n=1 bn +∞ L=0 e n=1 an n=1 ∞ k>1 lim an+1 <1 an k<1 an+1 >1 an k = lim n 1 − n→∞ an+1 an de D’Alembert’s ou da razão de Cauchy ou da raiz de Leibnitz ou para séries alternadas an n=1 ∞ nto∞ absolutamente an nto∞ nto∞ lim inconclusivo se: an+1 lim =1 n→∞ an inconclusivo se: lim n |an | = 1 nto∞ lim n |an | < 1 n=1 ∞ absolutamente (−1)n an 0 < an+1 ≤ an e lim an = 0 nto∞ nto∞ lim n |an | > 1 n=1 Resto: |RN | ≤ aN +1 .4) n=1 ∞ an n=1 (an + bn ) ∞ se n=1 ∞ bn < +∞ bn n=1 ∞ Propriedade (1. bn > 0) an n=1 se.2 Sumário dos Critérios para Séries de Números.Christian José Quintana Pinedo 15 1. positiva e decrescente) an n=1 ∞ ∞ an = f (n) ≥ 0 f (x)dx < +∞ 1 1 f (x)dx +∞ 0 < RN < N ∞ f (x)dx dos limites comparação (an .4) n=1 ∞ an ∞ (an + bn ) n=1 se se n=1 +∞ Propriedade (1. 0 ≤ bn ≤ an ∞ 2n · a2n < +∞ para séries telescópicas (bn − bn+1 ) n=1 ∞ n→∞ soma: S = b1 − L de comparação (an . 0 ≤ an ≤ bn ∞ e n=1 bn < +∞ e n=1 ∞ bn ∞ resto: ∞ da integral (f contínua.1. Critério do n-ésimo termo Série ∞ Converge Diverge n→∞ Comentário O critério não pode ser usado para provar convergência soma: S = a 1−r an n=1 ∞ lim an = 0 da série ométrica para séries p ge- arn n=1 |r| < 1 p>1 ∞ |r| ≥ 1 p≤1 1 np n=1 ∞ ∞ ∞ Propriedade (1.6) n=1 an n=1 ∞ an < +∞ lim bn = L se.

Nossa atenção estará centrada nas somas particulares infinitas de equações tais como ex = 1 + x x 2 x3 + + + ··· 1! 2! 3! referentes a somas de quantidades que dependem de x.16 Séries de Potências e Equações Diferenciais 1. x = 2.5) Em tal situação {fi } será certa sequência de funções. muitas vezes não temos a função pré-definida e recorremos ao desenvolvimento em série de potências para fazer nossos cálculos. Para analisar tais funções tem-se que lembrar que cada soma f1 (x) + f2 (x) + f3 (x) + f4 (x) + · · · é por definição o limite da sequência f1 (x). logaritmo. f1 (x) + f2 (x). f1 (x) + f2 (x) + f3 (x) + f4 (x) + · · · Se definirmos uma nova sequência de funções {sn } mediante sn = f1 + f2 + f3 + f4 + · · · + fn . para cada valor de x obteremos uma sequência de números {fi (x)} e f (x) será a soma desta sequência. retornamos ao estudo da série numérica. etc. Em outras palavras estamos interessados em funções definidas mediante equações da forma ∞ fn (x) = f1 (x) + f2 (x) + f3 (x) + f4 (x) + · · · n=1 (1. coseno.2 Séries de funções As linguagens de programação de computadores fornecem certas funções tais como seno. Em analogia a essas séries podemos estudar series de funções da forma an (x) onde os an (x) são funções. f1 (x) + f2 (x) + f3 (x). exponencial. ∞ Anteriormente foram estudadas séries de números da forma n=0 ∞ an onde cada an é um número real. por exemplo. No entanto. Um exemplo típico desta classe de séries é n=0 ∞ n=1 cos(nx) cos x cos 2x cos 3x = + + + ··· 2 n 1 4 9 Evidentemente quando substituímos um valor para x.

quando x = c. Uma série infinita da forma ∞ an xn = a0 + a1 x + a2 x2 + a3 x3 + a4 x4 + · · · n=0 (1. (de uma variável) é uma série infinita da forma ∞ an (x − c)n = a0 + a1 (x − c) + a2 (x − c)2 + a3 (x − c)3 + · · · n=0 (1. que é o conjunto dos valores de x que tornam a série (1. Série de potências. Pela sua forma. Por convenção (x − c)0 = 1. qual é a soma f (x) da série ? Para obter resposta a nossa preocupação será estudada as séries de potências. onde recorremos as “Funções de Bessel ”. Uma série do tipo (1. .7) convergente.7) pode convergir para alguns valores de x e divergir para outros valores. também as séries de potências aparecem em muitos problemas da Física-Matemática. o qual denotamos por D(s).Christian José Quintana Pinedo então podemos expressar mais sucintamente este fato escrevendo f (x) = lim sn (x) n→+∞ 17 Assim estaremos concentrados em funções definidas como limites. De modo natural. mas também ocorre em combinatória (sob o nome de funções geradoras) e em engenharia elétrica (sob o nome de Transformada-Z). denomina-se série de potências de x.4. como.6) podemos imaginar como uma função polinômica de variável x.5) converge? 2a pergunta: A qual função converge a série de funções (1. em fenômenos ondulatórios. em matemática. Note que não se trata de uma série numérica. Definição 1. O número c é chamado “centro da série”. por exemplo. faz sentido falar em “domínio de convergência”. existem duas perguntas importantes respeito de uma série de funções. e x varia em torno de c (por esta razão.6) onde an é número que não depende de x. a igualdade (1. As séries de potências de x são uma generalização da noção de polinômio. Essas séries de potências aparecem primariamente em análise. uma série de potências de (x − c).5) ? Isto é. c é uma constante.7) onde an representa o coeficiente do n-ésimo termo chamado “coeficiente da série de potência”. Mais geralmente. algumas vezes a série é dita “série centrada em c”). Assim. 1a pergunta: Para quais valores de x a série (1.

é um dos exemplos mais importantes de séries de potência. mais. Séries de Potências e Equações Diferenciais Chama-se domínio de convergência D(s) da série de potências (1. senx = n=0 (−1)n x2n+1 x3 x5 x7 =x− + − + ··· (2n + 1)! 3! 5! 7! ∞ Considere-se a série: k=0 ∞ 1 2 k (x − )k 3 2 2 k 1 k ( ) = 3 2 2 k 5 k ( ) = 3 2 ∞ Para x = 1 obtém-se: k=0 ∞ k=0 ∞ 1 3 5 3 k é série convergente. Esta é 1−x n=0 chamada “série geométrica”.7) ao conjunto dos valores reais que. ∞ O domínio de convergência da série n=0 xn = 1 + x + x 2 + x3 + · · · é D(s) = (−1. O polinômio p(x) = x2 + 2x + 3 pode ser escrito como a série de potência em torno de c = 0 assim: p(x) = 3 + 2x + 1 · x2 + 0x3 + 0x4 + · · · ou em torno do centro c = 1 como p(x) = 6 + 4(x − 1) + 1 · (x − 1)2 + 0(x − 1)3 + 0(x − 1)4 + · · · ou mesmo em torno de qualquer outro centro c. Exemplo 1.21. 1) O valor 0 (zero) pertence sempre ao domínio de convergência D(s) desta série.5. embora um ou mais coeficientes sejam iguais a zero.18 Definição 1. originam uma série numérica convergente. Exemplo 1.19. A igualdade (1. ∞ 1 para qualquer x ∈ (−1.18. 1) tem-se que xn define a função f (x) = . São exemplos de série de potências. Exemplo 1. ∞ • A fórmula da função exponencial: ∞ e = n=0 x xn x2 x3 =1+x+ + + ··· n! 2! 3! • A fórmula do seno: Exemplo 1.7) permite imaginar que qualquer polinômio pode ser facilmente expresso como uma série de potências em torno de um centro x = c.20. é série divergente Para x = 3 obtém-se: k=0 k k=0 . Como mostra o exemplo a seguir. substituídos na série.

não são consideradas séries de potências (veja série de Puiseux). ∞ Uma série de potências k=0 ak (x − c)k pode convergir para alguns valores conforme os valores tomados da variável x. a soma define uma função de variável x. c + r] isso depende da convergência da série nos extremos. Tal série é chamada de série de potência em ϕ(x). tais como x1/2 . geralmente se entende como região de convergência.2. O intervalo de convergência de uma série de potências pode ser de um dos seguintes tipos (c − r. c + r) ou [c − r. c + r) ou (c − r. c + r] ou [c − r. Observação 1. isso não acontece com as séries em Rn .7) ao subconjunto de R de todos os valores para os quais a série converge. e pode divergir para outros. Similarmente. Sempre há um número r com 0 ≤ r ≤ ∞ tal que a série converge quando |x − c| < r e diverge para |x − c| > r. neste último caso se estuda discos ou esferas de convergência. Existem séries de potências da forma: ∞ ak [ϕ(x)]k = a0 + a1 [ϕ(x)] + a2 [ϕ(x)]2 + a3 [ϕ(x)]3 + · · · + ak [ϕ(x)]k + · · · k=0 onde ϕ(x) é função de x. o critério da razão ou outro critério utilizado na determinação da natureza de uma série numérica. potências fracionais. Definição 1. Intervalo de convergência.Christian José Quintana Pinedo 19 Para os valores de x em que a série de potências é convergente. .1 Raio de convergência O raio de convergência r pode ser encontrado utilizando na série dos módulos correspondente. O intervalo de convergência e o domínio de convergência são sinônimos quando estudamos séries em R.6. Potências negativas não são permitidas em uma série de potências. Chama-se intervalo de convergência da série de potências (1.6. 1. por exemplo 1 + x−1 + x−2 + · · · não é considerada uma série de potência (embora seja uma série de Laurent).

Raio de convergência. Séries de Potências e Equações Diferenciais O número r que é a metade do comprimento do intervalo de convergência da série (1. k→∞ sempre que o limite exista.7) converge em todo R. Em todos os casos o intervalo de convergência pode-se determinar aplicando diretamente o critério de D’Alembert ou o de Cauchy a uma série determinada pelos valores absolutos dos termos da série inicial 3 Isto é não forma uma P. como no caso anterior .G. 4.|ak |− k k→∞ 1 na qual somente se usan valores de ak diferentes de zero. o critério da razão ou outro critério utilizado na determinação da natureza de uma s´erie numérica.9) 3.7. O raio de convergência r pode ser encontrado utilizando na série dos módulos correspondentes.10) ou. Para o caso da série de potências (1. logo a série (1. Também é costume determinar o intervalo e o raio de convergência r da série de ∞ potências k=0 ak (x − c)k usando um dos seguintes procedimentos: ∀ k ∈ N. isto é a série só tem potências positivas de (x − c).8) 1. Se ak = 0. equivalentemente. então r−1 = lim ak+1 ak (1. r = lim inf.7) Em casos particulares r = +∞.7) é chamado de raio de convergência da série de potências (1. Esta fórmula também é útil nos dois primeiros casos. e a sequência dos x − c que ficaram é qualquer3 .20 Definição 1.7) tiver coeficientes iguais a zero. ∞ 2. para o caso r = 0 a série de potências só converge em x = c.|ak | k k→∞ 1 (1. Se série tem a forma k=0 ak (x − c)kp onde p ∈ N então r−1 = e a sequência dos expoentes p k→∞ lim ak+1 ak (1. então o raio de convergência podemos determinar pela fórmula r−1 = lim sup.

k! k! ak+1 1 = lim = lim = 0 de onde r = +∞. |x − c| < r }.22. +∞) então a série converge pelo menos para todos os valores de x ∈ (c − r. ak 1 ak (x − c)k é dado k=0 k→∞ r−1 = lim sup. ∞ Encontre o raio de convergência e o intervalo de convergência da Solução. ∞ O raio de convergência r de uma série de potências da forma por: • • r−1 = lim ak+1 desde que o limite exista ou seja zero. a série dada converge apenas quando x = 0. Se r = 0.14.|ak | k desde que o limite exista ou seja zero. Se r ∈ (0. 2. Exemplo 1. Tem-se r−1 = lim k=0 xk .23. Propriedade 1. 1. c + r). 3. logo podemos definir uma função f : R −→ R de modo que f (x) = 1 + x + x xn x2 + 3 + ··· + + ··· = 2! ! n! +∞ k=0 xk k! . k→∞ k→∞ k→∞ ak k! Como o raio de convergência é 0 (zero). k→∞ Além disso. Exemplo 1. k→∞ (k + 1)! k→∞ k + 1 k→∞ ak Como o raio de convergência é r = +∞ a série dada converge apenas para todo x ∈ R. a série converge só quando x = c. Tem-se r−1 = lim k=0 k!xk . Esta última série converge para todo x ∈ R. ∞ Encontre o raio de convergência e o intervalo de convergência da série Solução.Christian José Quintana Pinedo 21 A série converge absolutamente para |x − c| < r e converge uniformemente em todo subconjunto compacto de { x /. ak+1 (k + 1)! = lim = lim (k + 1) = +∞ de onde r = 0. Se r = +∞ a série converge para todo x ∈ R.

k2 ak+1 1 k2 = 1 de onde r = 1. Foi educado na Alemanha e na França. derivando em relação à variável x obtém-se x2 x xn−1 f (x) = 1 + x + + 3 + ··· + + ··· = 2! ! (n − 1)! +∞ k=1 xk−1 = f (x) (k − 1)! como f (x) = 0.15. Aplicando a definição de limite ao 1 1 k→∞ infinito. = lim = lim 2 k→∞ k→∞ (k + 1) k→∞ k + 1 ak Como o raio de convergência é r = 1 a série dada converge pelo menos para x tal que |x − 5| < 1 isto é x ∈ (4. logo lim ak xk = 0. ∞ Quando x = 4. 6]. a série k=0 ∞ (4 − 5)k = k2 (6 − 5)k = k2 ∞ k=0 ∞ (−1)k é apenas uma série absolutamente k2 1 é uma série de Dirichlet4 com p = 2 e 2 k convergente ( justificar! ) e por isso é convergente. ∞ k=0 ak xk converge quando x1 = 0. onde foi aluno dos mais renomados matemáticos da época.22 Séries de Potências e Equações Diferenciais Formalmente. k=0 k=0 Portanto. podemos escrever f (x) = 1 para logo obter Lnf (x) = x de onde f (x) = ex f (x) Assim. Tem-se r−1 = lim k=0 (x − 5)k . 6). então converge para todo y Tem-se que k=0 ak xk converge. obtivemos uma série de potências para representar a função exponencial +∞ e = k=0 x xk k! Exemplo 1. ∞ Se a série de potências tal que |y| < |x1 |. Demonstração. a série por isso é convergente. y y y Dirichlet 1805 − 1859 nasceou na Alemanha. Sua primeira publicação foi sobre o “Último teorema de Fermat” 4 . Quando x = 6.24. ∞ Encontre o raio de convergência e o intervalo de convergência da série Solução. Propriedade 1. o intervalo de convergência é [4. tem-se que para = 1 > 0 existe M > 0 tal que |ak xk | < 1 sempre que k ≥ M 1 xk xk x1 1 1 Se y é tal que |y| < |x1 | então |ak y k | = |ak y k · k | = |ak y k |·| k | < | |k ∀k ≥ M .

. então converge para todo y tal ∞ Se a série de potências que |y| > |x2 |. então pela Propriedade (1. k=0 ak xk diverge quando x2 = 0. | ∞ ∞ ∞ |ak y k | converge absolutamente k=0 Portanto. onde x1 = 0. 2.16.16) a série diverge para todos x tal que |x| > |x1 |. Se r é o raio de convergência da série. então diverge para todo y tal ∞ Suponhamos que a série k=0 ∞ ak xk seja convergente. Demonstração. Suponhamos que a série dada seja convergente para x = x1 . pela Propriedade (1. a série converge. Demonstração. e temos que x1 k=0 y ∞ ∞ 23 |ak y k | < k=0 x1 k | . então k=0 ak xk = a0 + 0 + 0 + 0 + · · · = a0 . então a série converge absolutamente se |x| < r e diverge se |x| > r.17. A série converge só se x = 0. ∞ 1. k=0 ak xk converge quando x1 = 0. ∞ Seja a série k=0 ak xk . podemos concluir que a série converge absolutamente para todo x 3. 2. onde x1 = 0. 3. Se não existe outro valor de x para o qual a série dada seja divergente. pelo critério de comparação (1. Suponhamos que a série dada seja convergente para x = x1 . para algum x1 tal que |x2 | < |x1 |. A série converge absolutamente para todos os valores de x. então uma e somente uma das condições cumpre 1. Propriedade 1.8) a série y k=0 quando |y| < |x1 |. e divergente para x = x2 onde |x2 | > |x1 |. Isto é contradição ! Portanto.15) a série converge quando x2 . se a série que |y| < |x1 |. Se x = 0.Christian José Quintana Pinedo x1 y Como a série | |k converge. pois seu raio r = | | < 1. a série k=0 ak xk diverge para todo y tal que |y| > |x2 | Propriedade 1. então a série converge absolutamente para todo x tal que |x| < |x1 |.

logo o intervalo de convergência é (−1. . Logo o intervalo de convergência será um dos intervalos: (c − r.25. 1. [c − r.24 Séries de Potências e Equações Diferenciais Portanto. 1). [c − r. umas terceiras divergem em ambos os extremos. Logo pelo Axioma do Supremo5 . Determine o raio de convergência de cada uma das seguintes séries: ∞ ∞ 1. k=0 (x − 2)k . de Abel. 2. A série converge somente quando x = c. ∞ Seja y = x − c. se temos a série k=0 ak y k nas condições da Propriedade (1. Solução.se r = 0 e quando se verifica o 2o caso tem. Um dos corolários do Teorema de Abel é o fato que para toda série de potências existe um intervalo de convergência |x − c| < r para o qual a série de potências converge absolutamente e fora do intervalo diverge. 2k k 2 r−1 = lim (−1)k+1 ak+1 = lim = 1 ⇒ r = 1. |x2 | é um limite superior do conjunto de valores de |x| para o qual a série converge absolutamente. Esta propriedade nada afirma sobre a convergência da série nos extremos do intervalo de convergência.1. Existe um número r > 0 tal que a série converge absolutamente para todo x ∈ R tal que |x − c| < r e diverge ∀ x ∈ R tal que |x − c| > r. (c − r. Nos extremos do intervalo isto é em x = c ± r diversas séries de potências se comportam de um modo diferente: umas convergem absolutamente em ambos os extremos. c + r). c + r] No teorema anterior. 5 Ver “Cálculo Diferencial em R ” do mesmo autor. o bem em um dos extremos convergem condicionalmente e no outro divergem. O intervalo de convergência é o maior intervalo aberto em que a série é convergente. quando se verifica o 1o caso tem. k→∞ k→∞ ak (−1)k A série converge absolutamente se |x| < 1 = r.17) é consequência do seguinte Teorema Teorema 1. k=0 x2k 5k+1 ∞ 3.se r = ∞. k=0 (−1) x k 2k 2. A Propriedade (1.4) então: 1. este conjunto tem um supremo que é o número r. c + r]. c + r). Se x = ±1 a série diverge. outras convergem condicionalmente em ambos os extremos. Exemplo 1.

Como lim[1 + Exemplo 1. n=1 (x − 1)k(k+1) . 5). Se x = ± 5 a √ √ série diverge. 2 + 2).27. ∞ Determine o domínio de convergência da série Solução. o domínio de convergência é o intervalo (2 − 2. 2]. n=1 2n + 1 √ √ Portanto. a série converge em [0. k √ k 0 ∞ logo k→+∞ lim ak = assim. r −1 25 5k+1 1 = lim k+2 = | | k→∞ 5 5 ⇒ r = 5. n Observe que se k = 2n − 1 tem-se que ak = 0 e. ak+1 = lim = lim k→∞ k→∞ ak 1 5k+2 1 5k+1 k→∞ A série converge absolutamente se |x − 2| < 2 = r. se k = 2n tem-se ak = Para determinar o raio de convergência devemos usar a fórmula (1. √ √ Como |x2 | < 5.Christian José Quintana Pinedo 2.26. Exemplo 1. a série converge absolutamente se |x| < 5 = r. r−1 = lim ak+1 2k k 2 1 = lim k+1 = k→∞ 2 ak (k + 1)2 2 ⇒ r=2 ⇒ |x − 2| < 2.9) r−1 = lim 2n n+1 2n + 1 n . O mesmo acontece com x = − 2. kk (x − 1)k(k+1) então kk se |x − 1| ≤ 1 se |x − 1| > 1 Aplicando o critério da raiz (de Cauchy) considerando ak = √ k (x − 1)(k+1) ak = . n=1 n+1 2n + 1 n (x − 2)2 . Determine o domínio de convergência da série Solução. n→+∞ n+1 2n + 1 √ n = lim n→+∞ n+1 1 =√ 2n + 1 2 ⇒ r= √ 2 La série converge se |x − 2| < ∞ 2 um estudo nos extremos leva a estudar a série ∞ n=1 n+1 2n + 1 n √ n ( 2)2 = n=1 n+1 2n + 1 n n ∞ 2 = n=1 [1 + 1 ]n 2n + 1 √ √ 1 ]n = e = 0 a série diverge. a série converge quando |x − 1| ≤ 1 Portanto. . logo o intervalo de convergência é [0. logo o intervalo de convergência é (− 5. 3. Se x = 2 a série converge. 4].

26 Séries de Potências e Equações Diferenciais .

n=1 +∞ 8. Determine os intervalos de convergência para as seguintes series de potências: 1. n=1 ∞ n x n+1 2 (x + 2)n Ln(n + 1) 1 1 + x2n n 4. Mostre que a série +∞ +∞ n=1 (n!)2 n x é convergente. n=1 ∞ (x − 3)n n · 5n (−1)n+1 x (2n − 1)! 2n−1 ∞ 2. n=1 n! · xn 9. 2 n=1 n + 3 n +∞ 2. 3. Calcule o raio de convergência das seguintes séries de potências: ∞ 1. n=1 ∞ n 2n + 1 1+ 1 n 2n−1 ∞ x n 2. Determine a convergência da série 10. n=1 ∞ 6. n=1 (2n)! (n + 1)n · (x − 2)n 2n + 1 x2 é convergente em R. n=1 n2 (x − 1)n 4. n=1 (−1)n 1 · 3 · 5 · · · (2n − 1) 2n x 2 · 4 · 6 · · · (2n) 3. x x2 x3 x4 + + 2 + 3 + ··· 1·2 2·3 2 ·4 2 ·5 6. Determine se a série dada √ 9 n−1 √ converge. 32 128 7 8 x + ··· 2x + x3 + x5 + 3 5 7 x2 x4 x6 1 − 2 + 2 2 − 2 2 2 + ··· 2 24 246 2. (1 + an ) com an > 0 converge sempre n=0 n=0 an 5. 2 n n=1 (1 + x ) .Christian José Quintana Pinedo 27 Exercícios 1-1 1. Verificar que o produto infinito converge. Encontre a região de convergência das seguintes séries de potências: ∞ 1. n=1 (n + 1)Ln(n + 1) ∞ ∞ 4. n=1 ∞ 5. Determine se a série dada +∞ 1 1 1+ n n n=1 2 +∞ n 1 converge. n=0 ∞ (n + 1)5 2n x 2n + 1 2 x n2 n n ∞ 3. n=1 ∞ 7. 7. Determine a convergência da série 3. Determine o maior intervalo aberto em que a série 9. n=1 Lnn (x − 5)n n+1 8.

n=1 ∞ 5. n=1 ∞ 7. 2. n=1 ∞ 10. escreva o desenvolvimento de f (x) em série de potências e determine a soma desta série. n=1 ∞ xn √ 2n + n (x − 3)n √ n (x + 5) 5n+1 n ∞ 2. n=1 12. Considere a série de potências k=1 xk+3 k+3 1. Determine o maior intervalo onde a série é convergente. n n=1 ∞ 9. Justifique que existe um único valor de a para o qual a série numérica correspondente é simplesmente convergente e determine-o. Representando por f (x) a soma da série dada. ∞ 12. Determine o raio de convergência da série e estude a sua natureza nos extremos do intervalo de convergência. Utilizando a parte 2. Considere a série de potências ∞ Séries de Potências e Equações Diferenciais an+1 n+1 x . n=1 (3x − 1) 32n 11. 3. 2. Considere a série numérica que se obtém fazendo x = −3. 13. n=1 ∞ 2n xn 1 + 2n (x − 1)n 1 + n2 (x + 3) (n + 1)4n 2n ∞ 3. Determine o intervalo de convergência das seguintes séries de potências e estude a sua natureza nos extremos de aquele intervalo: ∞ 1. n=1 ∞ 6. n=1 ∞ 8. com a ∈ R+ : n+1 n−0 1. calcule a soma da série dada.28 11. n=1 . n=1 ∞ [2 + (−1)n ]2n (x + 1)n (−1)n (n + 1)! xn+1 2 × 4 × 6 × · · · × (2n) (−1)n (x − 1)n (2n + 1)! 4.

tal como a sequência Sn está escrita. n=0 Deste desenvolvimento obtemos outros. Considere-se uma nova sequência. a soma ∞ 1 em série de potências de x em torno de x = 0. é convergente? Tentemos então escrevê-la de outra forma. 1−x xn . obtida de uk . Sn = a0 + a1 + a2 + a3 + · · · + an−1 + an = a0 + a(1 + a1 + a2 + a3 + · · · + an−1 ) = 1 + aSn−1 também Sn = a0 + a1 + a2 + a3 + · · · + an−1 + an = (a0 + a1 + a2 + a3 + · · · + an−1 ) + an = Sn−1 + an deste modo Sn−1 + an = 1 + aSn−1 sabemos que n→+∞ ⇒ Sn−1 = 1 − an 1−a se a = 1 lim an = 0 se |a| < 1 ∞ se |a| ≥ 1 Assim. isto é. Escrevamos então o mesmo desenvolvimento mas em ordem a uma nova variável y: 1 = 1−y ∞ yn n=0 se |y| < 1 (1. S = ak = lim Sn−1 = n→∞ k=0 1 1−a se |a| < 1 Logo desenvolvemos f (x) = obtendo. a qual designamos por Sn .  ∞ se |a| ≥ 1 ak = lim n−1 k=0 n→∞   Portanto.11) .3 Desenvolvimento em séries de potências k ∈ N. Seja a um número real (não nulo) e considere-se a sequência uk = ak . não nos revela muito sobre o seu comportamento. n Sn = k=0 ak Embora é imediato compreender o seu significado (soma dos n + 1 primeiros termos da sequência uk ).Christian José Quintana Pinedo 29 1. para |x| < 1. de tal modo que para cada n é a soma dos n + 1 primeiros termos de uk . n→∞ lim Sn−1 ∞ 1 se |a| < 1 1−a = . onde k = 0 até n ∈ N. Esta sequência Sn é limitada?.

an+1 = |r| < 1 Lembrar que graças à Propriedade (5.38) em questão converge para todo número real x então define um função de domínio R. Isto vai-nos permitir obter desenvolvimentos em série de potências de x como por exemplo para funções Ln(1 + x) e arctan(x).1 A função exponencial Podemos admitir que uma maneira de definir a função exponencial é: +∞ ex = n=0 1 n x n! (1. se existe o limite lim n→+∞ an .3. ou melhor. A essa função de x chamamos “função exponencial de x”.12) que faz sentido para todo número x real. então podemos escrever g(x) = 1 = 1 − (x − c) ∞ (x − c)n n=0 se |x − c| < 1 Admitindo que no interior do intervalo de convergência de uma série de potências de x. quando y = −x. como a série (5. De fato.30 Séries de Potências e Equações Diferenciais Suponhamos que dada uma constante c. y = x − c.12) tem-se 1 = 1 + x2 logo 1 dx = 1 + x2 ∞ ∞ ∞ (−1)n x2n n=0 se |x2 | < 1 (−1)n x2n dx n=0 ⇒ arctan x = n=0 (−1)n 2n+1 x +C 2n + 1 se |x2 | < 1 1. na igualdade (5. a derivada da série é igual à série das derivadas e que a primitiva da série é igual à série das primitivas.12) tem-se 1 = 1+x logo 1 dx = 1+x ∞ ∞ ∞ (−1)n xn n=0 se |x| < 1 (−1) x dx n=0 n n ⇒ Ln(x + 1) = n=0 (−1)n n+1 x +C n+1 se |x| < 1 Quando y = −x2 . na igualdade (5.16).

i6 = −1. L = lim 2ex − 2 − 2x − x2 . é possível chegar à série cuja soma queremos determinar. x→0 x − senx . Nesta abordagem informal. 1 (xi)n = n! +∞ k ∈ N. +∞ i2k+1 = (−1)k i. i5 = i. Calcular o limite Solução. +∞) a convergência em x = r tem que ser averiguada para cada caso específico de an . Sabe-se que: i0 = 1. introduzamos a variável xi na definição (5. i2k = (−1)k . para determinar a soma de séries de potências. Exemplo 1. 1−x n=0 n +∞ +∞ |x| < 1 e n=0 xn = ex n! Através de processos como substituição de variáveis. c + r) e diverge para todo o x em (−∞. i4 = 1.13) Como podemos observar. então +∞ e = n=0 ix n=0 1 1 (xi)2n + (xi)2n+1 (2n)! (2n + 1)! n=0 +∞ ⇒ +∞ e = n=0 ix (−1)n 2n (−1)i 2n+1 x + x (2n)! (2n + 1)! n=0 lembrando que eix = cos x + isenx segue: +∞ cos x = n=0 (−1)n 2n (x) (2n)! +∞ e senx = n=0 (−1) (x)2n+1 (2n + 1)! (1. i7 = −i. i3 = −i. multiplicação.Christian José Quintana Pinedo então a série de potências +∞ 31 an (x − c)n n=0 converge absolutamente para todo x em (c − r.28. integração e diferenciação.38) acima de exponencial (onde i2 = −1). é comum partir de uma das seguintes séries: 1 x = . i2 = −1. c − r) ∪ (c + r. · · · assim. efetuados em ambos os membros da igualdade. i1 = i.

19. +∞ Se o raio de convergência da série f (x) = +∞ n=0 an xn é r > 0.13) em séries de potências temos 1 n x ] − 2 − 2x − x2 2e − 2 − 2x − x k=0 n! L = lim = lim = ∞ x→0 x→0 (−1) x − senx 2n+1 x− (x) n=0 (2n + 1)! x 2 2[ ∞ L= Portanto.38) e (1. r). então r também é o raio de convergência da série f (x) = n=2 n(n − 1)an xn−2 Propriedade 1. +∞ Dada uma série de potências f (x) = n=0 an xn cujo raio de convergência é r = 0. 2x3 lim 3!3 x→0 x 3! + − 2x4 + ··· 4! 5 x + ··· 5! = lim 2 3! x→0 1 3! + − 2x 4! x2 5! + ··· + ··· =2 2ex − 2 − 2x − x2 L = lim = 2.14) cujo raio de convergência é r = 0. Consequência do Teorema de Abel (1. com raio r > 0. então +∞ sua função derivada é definida por f (x) = aberto (−r. então . Propriedade 1.1) é que qualquer função definida por uma série de potências de x − c. Observação 1.7. Dada uma série de potências como em (1. x→0 x − senx 1.32 Séries de Potências e Equações Diferenciais Das igualdades (5.18. c + r) e as suas derivadas podem ser calculadas derivando a série termo a termo.4 Operações com série de potências ∞ Cada série de potências n=0 an xn define uma função f ∞ f (x) = n=0 a n xn (1. é indefinidamente derivável em (c − r.14) o domínio da função f é o intervalo de convergência da série. n=1 nan xn−1 em cada número x do intervalo A demonstração é exercício para o leitor.

an n+1 x então pela Propriedade (1. Sabemos pela igualdade (5.30. pelo teorema fundamental do cálculo integral segue que Sejam f (x) = an x n ∞ ∞ e g(x) = x f (t)dt = g(x) 0 As Propriedades (1. Obter uma representação em série de potências para Solução.18) g(t) n+1 n=0 n=0 têm o mesmo raio de convergência de f (t) e g (x) = f (x).29.12) que 1 = 1 + x + x2 + x3 + · · · + xn + · · · . n! . Como g(0) = 0. (x − 1)2 se |x| < 1 ⇒ se |x| < 1 nxn−1 . e = n=0 x xn . 1 = (x − 1)2 +∞ 1 . Afirmam que f é derivável e integrável e implica que o raio de convergência da série derivada e integrada é o mesmo raio de convergência da série original (não afirma nada respeito dos extremos do intervalo de convergência). 1−x derivando respeito de x segue 1 = 1 + 2x + 3x2 + 4x3 + · · · + nxn−1 + · · · .18) e (1.Christian José Quintana Pinedo para |x| < r tem-se: x +∞ x +∞ 33 f (t)dt = 0 n=0 0 an tn dt = n=0 an n+1 x n+1 Demonstração. Exemplo 1. +∞ Verificar que Solução.19) apresentam vários aspectos. 2 (1 − x) Portanto. n=1 Exemplo 1.

Existe h(x) tal que h(x) = n=0 an (x − c) n dx = n=0 an (x − c)n+1 n+1 A demonstração é exercício para o leitor.34 Séries de Potências e Equações Diferenciais Sabe-se que se f (x) = ex . Ao se realizar operações de adição. definindo 1. subtração e multiplicação com estas séries como se forem polinômios. ex = n=0 O teorema a seguir é uma complementação das Propriedades (1. Existe f (x) tal que f (x) = n=1 n · an (x − c)n−1 ∞ ∞ 3. f (x) é contínua em (c − r. Então. Determine uma representação em séries de potências para o arctan x Solução. +∞ Seja f (x) = n=0 xn n! +∞ +∞ ⇒ x . a série converge no ∞ intervalo aberto (a − r. Sabe-se que logo x 1 = 1 + y + y 2 + y 3 + · · · + y n quando |y| < 1. 1−y x 1 dt = 1 + t2 0 (1 − t2 + t4 − t6 + · · · + tn + · · · )dt. sendo |x| suficientemente pequeno. f (x) + g(x). c + r).20. ∞ Seja a série n=0 an (x − c)n com raio de convergência r. f (x) − g(x) e f (x) · g(x) respectivamente. Quando b0 = 0 o resultado também vale para a divisão.18) e (1. A demonstração deste teorema é exercício para o leitor. isto é. Teorema 1. a + r). então sua derivada f (x) = ex = f (x).2. Considerar y = −t2 . Sejam f (x) = +∞ n=0 |x| < 1 an xn e g(x) = +∞ n=0 bn xn convergentes em |x| < r. Exemplo 1. então a série resultante converge em |x| < r e representa. .19). ∞ f (x) = n=0 an (x − c)n tem-se que: 2. arctan x = x − 3 5 7 9 11 Propriedade 1. n! n f (x) = n=1 nxn−1 = n! +∞ n=1 xn−1 = (n − 1)! +∞ k=0 xn = f (x) n! Portanto. | − x2 | < 1 0 x3 x5 x7 x9 x11 + − + − + ··· .31.

+∞ n=0 |x| < 1. De onde 2! 3! 4! (arctan x)2 (arctan x)3 (arctan x)4 + + + ··· = 2! 3! 4! earctan x . e sejam 1−x f (x) = n=0 +∞ an xn = 1 + x + x2 + x3 = · · · + xn + · · · .33. |x| < 1. an = 1. Determine uma série de potências para Solução. Então pela Propriedade (1. ∀ n ∈ N g(x) = n=0 bn xn = 1 + x + x2 + x3 = · · · + xn + · · · .Christian José Quintana Pinedo Exemplo 1. y2 y3 y4 + + + · · · . Sabe-se que ey = 1 + y + ey = 1 + arctan x + (x − = 1+(x− logo x x + −· · · )+ 3 5 3 5 x3 x5 x3 x5 x3 x5 + − · · · )2 (x − + − · · · )3 (x − + − · · · )4 3 5 3 5 3 5 + + +· · · 2! 3! 4! x2 x3 7x4 − − + ··· 2 6 24 earctan x = 1 + x + .32.20) +∞ +∞ f (x) · g(x) = n=0 c n xn = n=0 (n + 1)xn = 1 . (1 − x)2 |x| < 1 Exemplo 1. ∀ n ∈ N logo f (x) · g(x) = cn xn onde ∀n∈N cn = a0 bn + a1 bn−1 + a2 bn−2 + · · · + aj bn−j + · · · + an−1 b1 + an b0 = n + 1. +∞ Sabe-se que n=0 +∞ xn = 1 sempre que |x| < 1. bn = 1. +∞ 35 Multiplicar a série geométrica n=0 xn com o desenvolvimento em série de g(x) = 1 (1 − x)2 1 para obter uma série de potências de 1−x Solução.

4. a série (1.15) 2! k! para esta série verifica-se que lim an+1 α−n = |x| = |x| lim n→∞ n + 1 an n→∞ Portanto.1 A série binomial Lembre que o binômio de Newton diz que n (x + y) = k=0 n n k xk y n−k fazendo y = 1 nesta igualdade obtemos (1 + x)n = 1 + nx + (n − 1)n 2 n(n − 1(n − 2) · · · (n − k + 1) k x +···+ x + · · · + nxn−1 + xn 2! k! Motivados por esta expressão. suponhamos que g(x) = Derivando termo a termo obtém-se g (x) = α + α(α − 1)x + · · · + assim g (x) + xg (x) = αg(x) ⇒ k=1 α(α − 1(α − 2) · · · (α − k + 1) k x . dado x = −1 queremos uma representação do desenvolvimento em série de potências para a função f (x) = (1+x)α onde é um número racional qualquer.36 Séries de Potências e Equações Diferenciais 1. k! α(α − 1(α − 2) · · · (α − k + 1) k−1 x + ··· k! g (x) α = g(x) 1+x ⇒ Ln g(x) = LnC(1 + x)α de onde podemos obter g(x) = C(1 + x)α como g(0) = 1 segue que C = 1 e assim g(x) = (1 + x)α com isto obtemos a representação (1 + x)α = 1 + αx + α(α − 1) 2 α(α − 1(α − 2) · · · (α − k + 1) k x +· · ·+ x + · · · + αxα−1 + xα 2! k! válida para |x| < 1 e α ∈ Q. Dada uma série da forma 1 + αx + α(α − 1) 2 α(α − 1(α − 2) · · · (α − k + 1) k x +···+ x + · · · + αxα−1 + xα (1. Algumas propriedades desta série binomial são: .15) converge absolutamente quando |x| < 1 diverge nos outros casos. ∞ Formalmente.

que podem-se obter derivando a série de potências termo a termo de acordo com a Propriedade (1. ∞ Se f (x) = então n=0 an (x − c)n tem como domínio um intervalo aberto que contém x = c. 2)3 + · · · ≈ 1. 1 1 + x. tem um número finito de termos e é um polinômio. / iii) Se −1 < α < 0. aplicando a série binomial tem-se que α = . a série converge em (−1. ii) Se α > 0 . A série de Brook Taylor nos dá uma solução aproximada de uma função. na diferenciação e na solução de equações diferenciais. 0955 2 8 16 ⇒ 1. d2 f = f (x) = dx2 ∞ n(n − 1)an (x − c)n−2 n=2 Em geral dn f = f (n) (x) = dxn ∞ k(k − 1) · · · (k − n + 1)ak (x − c)n−k k=n .5 Série de Taylor Com muita freqüência a série de Taylor é utilizada no Cálculo Numérico e tem participação importante na solução de equações algébricas e transcendentes. 2)2 + (0. Exemplo 1. 2. 2 = 1 + (0. 2 ∈ (−1. Com tais aproximações podemos extrair o significado físico de alguns problemas. às vezes. α ∈ Z a série converge absolutamente em [−1. Em muitos problemas de Física desejamos uma solução exata de uma função. iv) Se α ≤ −1. 1]. além de nos permitir estimar o erro associado. mas. 1].34. 2 1 (1)(1/2 − 1) 2 (1)(1/2 − 1)(1/2 − 2) 3 1+x=1+ x+ x + x + ··· 2 2 6 1 1 1 1. 2) − (0. df = f (x) = dx ∞ nan (x − c) n=1 n−1 .Christian José Quintana Pinedo i) Se α ∈ N. Consideremos a função f (x) = x = 0. na interpolação na integração. nos deparamos com funções com soluções aproximadas.4). logo √ √ √ 37 1. 1). Determine uma aproximação para Solução. a série converge em (−1. Uma função definida por série de potências possui derivada de todas as ordens. 1).

f (c) = a1 .14) ao calcular a função e suas derivadas no ponto x = c obteremos: f (c) = a0 . Pela teoria de das séries de potências. esta série é convergente para valores de que satisfazem a desigualdade |x − c| < r.8.17) isto é f (x) = f (c) + f (c) f (c) f (n) (c) f (c) (x − c) + (x − c)2 + (x − c)3 + · · · + (x − c)n + · · · 1! 2! 3! n! . an = f (x) = f (c) + isto é f (x) = n=0 f (c) f (c) f (n) (c) f (c) (x − c) + (x − c)2 + (x − c)3 + · · · + (x − c)n + · · · 1! 2! 3! n! +∞ f (n) (c) (x − c)n n! O emprego desta última série.16) associada n! à f podemos escrever como Assim. evidentemente limitada para os casos em que esta é convergente será de muita utilidade.21. 1. f (n) (c) = n!an Propriedade 1. Se f tiver uma representação (expansão) em séries de potências em x = c +∞ f (x) = n=0 an (x − c)n |x − c| < r f (n) (c) n! (1. Chama-se série de Taylor de f em torno do ponto x = c à série de potências.38 Séries de Potências e Equações Diferenciais A função f e suas derivadas tem todas o mesmo raio convergência de acordo com a Propriedade (1. f (c) = 2a2 . +∞ f (x) = n=0 f (n) (c) (x − c)n n! (1. Série de Taylor. an = f (n) (c) .16) então seus coeficientes são dados pela fórmula A demonstração é exercício para o leitor. Seja f : R −→ R uma função indefinidamente derivável num ponto c ∈ R.5. · · · . para cada número natural n a série de potências (1.1 Série de Taylor associada a uma função Definição 1.

32 (1)(2)(5) −8/3 x . Solução. uma função pode ser representada por mais de uma série de potências em x−c. A origem do termo iluminismo se refere justamente às “luzes” da razão que tirariam o homem dos domínios da superstição e da ignorância . xn Observe que f (0) = 1 e f (n) (0) = (−1)n+1 (n − 1)!. no poder do conhecimento. Desenvolver a função f (x) = Lnx na vizinhança de x = 1 e determinar o raio de convergência da série obtida. Estas séries devem o seu nome a Brook Taylor que as estudou no trabalho “Methodus incrementorum directa et inversa” em 1715. então f (n) (x) = Portanto. acima de tudo.36. Exemplo 1. n n=1 (−1)n+1 (n + 1)(n − 1)! O raio de convergência da série é r = lim =1 n→+∞ (−1)n+2 n! Se f (x) = Lnx. Sabe-se que f (x) = f (x) = 6 √ 3 x. a série converge quando |x − 1| < 1. matemático e filósofo.35. 1 f (x) = x−2/3 . com frequência é usada a notação +∞ f (x) = n=0 f (n) (c) (x − c)n n! +∞ ou f (x) = n=0 1 dk f (n) · n! dxn x=c (x − c)n Exemplo 1. Solução. 3 f (x) = − (1)(2) −5/3 x .Christian José Quintana Pinedo 39 A série de potências associada à função f dada por (1. (−1)n+1 (n − 1)! . A questão da existência de uma série de Taylor persiste quando a pergunta é: Dada uma função f. o grupo de pensadores franceses que acreditava. Condorcet6 atribuía estas séries a Taylor e d’Alembert e o nome série de Taylor só começou a ser usado em 1786.17) também é chamada de “Série de Taylor entorno de x = c”. √ Expressar a função f (x) = 3 x como uma série de Taylor em torno de c = 8 . Na Física. f (x) = Lnx = 0 + (−1)n+1 . Foi um dos últimos iluministas. por l’Huillier. 33 f (iv) (x) = − (1)(2)(5)(8) −11/3 x 34 Antoine Nicolas de Caritat Condorcet 1743−1794 um dos líderes ideológicos da revolução. Assim. +∞ (x − 1)n Assim. podemos representar-la por meio de uma série de Taylor ? A constante c é o centro da série que pode ser encarada como uma função real ou complexa.

Logo f (x) = √ 3 √ 3 1 12 f (8) = 1 .18) isto é Tn (x) = f (c) + . então podemos ter aproximações de ordem mais elevada.37. 2. m) o polinômio de Taylor de ordem n gerado por f em x = c é o polinômio n Tn (x) = k=0 f (k) (c) (x − c)k k! (1. em algum intervalo contendo x = c. Então.2 Polinômio de Taylor Definição 1. Quando c = 0. · · · . f (c) f (c) f (n) (c) f (c) (x − c) + (x − c)2 + (x − c)3 + · · · + (x − c)n 1 2! 3! n! . Para o caso ser a função f (x) diferenciável em x = c para ordens superiores. 3. Polinômio de Taylor. Exemplo 1.40 em geral para n ≥ 2 tem-se f (n) Séries de Potências e Equações Diferenciais (x) = (−1) n+1 1 3n n (3k − 4) x(1−3n)/3 k=2 Quando x = 8 tem-se f (8) = 2. em (1. para n ∈ (0.9.5. 1. Seja f (x) uma função com derivada de ordem k para k = 1. existirá um único polinômio inteiro em x − c de grau n.18) o polinômio é conhecido como “Polinômio de MacLaurin”. 12 f (n) (8) = (−1)n+1 1 3n n (3k − 4) 8(1−3n)/3 . k=2 1 5 − 144 2 3456 x = 2 + (x − 8) + (x − 8) + (x − 8)3 + · · · 1! 2! 3! +∞ n f (x) = 1 2 x = 2 + (x − 8) + (−1)n+1 12 n! · 24n n=2 (3k − 4) (x − 8)n k=2 Estudamos numa disciplina de Cálculo diferencial em R que a linearização de uma função diferenciável em x = c é dada por L(x) = f (c) + f (c)(x − c) Se f (x) admitir derivadas finitas e determinadas até a ordem n no ponto x = c. m.

Sabe-se que f (x) = √ 3 x.2: Aproximações para f (x) = senx .1: Aproximações para f (x) = ex Figura 1. Solução. f (8) = − .38. Série de MacLaurin.16). Determine a série de MacLaurin para a função f (x) = ex . Chama-se série de MacLaurin de f à série de Taylor de f quando c = 0. Solução. f (x) = x . f (8) = . assim f (n) (0) = 1 e a série de MacLaurin é da forma x2 x3 xn e =1+x+ + + ··· + + ··· = 2! 3! n! x +∞ ∞ k=0 f (k) (0)xk (1.1) mostra a função f (x) = ex e suas aproximações mediante os polinômios de Taylor até a terceira ordem três isto é T3 (x).19) k! n=0 xn n! A Figura (1. então f (n) (x) = ex . 3 9 27 1 1 5 f (8) = . a: f (0) f (0) 2 f (0) 3 f (n) (0) n f (x) = f (0) + x+ x + x +···+ x +··· = 1 2! 3! n! Exemplo 1. Logo 12 144 3456 T3 (x) = 1 5 − 144 2 3456 x = 2 + (x − 8) + (x − 8) + (x − 8)3 1! 2! 3! 1 12 T3 (x) = 2 + 1 1 5 (x − 8) − (x − 8)2 + (x − 8)3 12 288 20736 Definição 1. Figura 1.Christian José Quintana Pinedo Expressar a função f (x) = ordem em torno de c = 8 . √ 3 41 x como uma série de Taylor com aproximação até terceira f (x) = Quando x = 8 tem-se f (8) = 2. √ 3 1 −2/3 2 10 −8/3 x .10. isto é em (1. f (x) = − x−5/3 . Se f (x) = ex .

Por outro lado.5.42 Séries de Potências e Equações Diferenciais Exemplo 1. então f (0) = 0. 1. isto é T3 (x).|an | n x→+∞ O fato de uma função possuir derivada de todas as ordens em algum ponto x = c não garante que tenha representação em série de Taylor naquele ponto o exemplo clássico desta patologia é a função definida por: f (x) = Observe a derivada f (0) = lim e−1/x f (x) − f (0) = lim x→0 x→0 x−0 x e− x2 0 1 se x > 0 se x ≤ 0 aplicando a regra de L’Hospital segue que f (0) = lim x (−1/x2 ) = lim 1 = 0 3 )e1/x2 x→0 x→0 (−2/x 2e x2 f (0) = 0.3 Convergência da série de Taylor Toda série de Taylor possui um raio de convergência r com a propriedade que a série converge uniformemente em cada bola (circunferência) |x − c| ≤ ρ < r.39. Determine a série de MacLaurin para a função f (x) = senx. para todo j ∈ Z+ tem-se:   cos x     −senx (n) f (x) =  − cos x     senx logo x3 x5 x7 (−1)k x2n+1 senx = x − + − + ··· + + ··· = 3! 5! 7! (2n + 1)! +∞ k=0 se n = 4j + 1 se n = 4j + 2 se n = 4j + 3 se n = 4j ⇒   1     0 (n) f (0) =  −1     0 se n = 4j + 1 se n = 4j + 2 se n = 4j + 3 se n = 4j (−1)k x2k+1 (2k + 1)! A Figura (1. a fórmula de Cauchy . Solução. Se f (x) = senx.Hadamard fornece o valor deste raio de convergência: 1 r−1 = lim sup. .2) mostra a função f (x) = senx e suas aproximações mediante os polinômios de Taylor até a terceira ordem três. Entre outros. · · · f (n) (0) = 0 ∀ n ∈ N Pode-se seguir mostrando que f (0) = 0.

2]. Solução. para x = 2 converge. f (x) = 3 . . logaritmo e arco de tangente) podem ser expressas como séries de potências (pelo menos em parte do seu domínio) e que as séries de potências são diferenciáveis e integráveis termo a termo evidenciando assim a importância de poder exprimir uma função à custa de uma série de potências.40.Christian José Quintana Pinedo Assim. A série de Taylor para Lnx é da forma (x − 1)2 (x − 1)3 + + ··· = Lnx = (x − 1) − 2 3 Para determinar o raio de convergência: r−1 = lim ∞ 1 1 2! 3! . As derivadas f (x) = em geral f (n) (x) = (−1)n−1 de onde f (n) (1) = (−1)n−1 (n − 1)!. então f (1) = 0. Exemplo 1. Portanto. exponencial. a série converge no intervalo (0. Se f (x) = Lnx. Exemplo 1.41. n→∞ (n + 1) 1 n→∞ an A série converge se |x − 1| < 1 e diverge se |x − 1| > 1. f iv (x) = − 4 x x x x (n − 1)! xn k=1 (−1)k−1 (x − 1)k k 1 n an+1 = lim · = 1. Determine o intervalo de convergência da função f (x) = Lnx em potências de x − 1. coseno. f (x) = − 2 . seno. uma série em torno de uma vizinhança de x = 0 para f (x) é +∞ 43 n=0 f (n) (0) (x − 0)n = 0 + 0x + 0x2 + 0x3 + · · · = f (x) n! lim Rn (x) = Isto nos indica que se exige de uma condição adicional como por exemplo 0 para garantir a existência da série de Taylor. Quando |x − 1| = 1. x→0 3a pergunta: Qual a relação entre esta a série de Taylor e a função f que usamos para calcular os coeficientes da série? Na seção anterior procurou-se mostrar entre outros asuntos que funções transcendentes (no caso. para x = 0 diverge.

quando 0 ≤ k ≤ 1 ⇒ S1 = 1 − x2 . Solução.42.4) mostra o gráfico da função de Bessel. Figura 1. a Figura (1. a série de MacLaurin desta função chamada “série binomial” é dada por g(x) = (1 + x)q = 1 + qx + q(q − 1) 2 q(q − 1)(q − 2) 3 x + x + ··· + 2! 3! q(q − 1) · · · (q − k − 1) k x + ··· = ··· + k! ∞ Ck xk k=0 onde Ck = q(q − 1)(q − 2) · · · (q − k − 1) . Seja q ∈ Q+ algum número.4: A função de Bessel J0 (x) Exemplo 1. Tem-se que r−1 = lim Quando k = 0 ⇒ S0 = 1 . Solução.44 Dada a função de Bessel de ordem zero de convergência. k! . determine seu domínio 22k (k!)2 ak+1 22k (k!)2 (−1)k+1 1 · = lim 2(k+1) = lim 2 = 2 k k→∞ k→∞ 2 k→∞ 2 (k + 1)2 ak ((k + 1)!) (−1) 0. determine o intervalo de convergência da função g(x) = (1 + x)q em potências de x. Tem-se que a k-ésima derivada de g é dada por g (k) (x) = q(q − 1)(q − 2)(q − 3) · · · (q − k + 1)(1 + x)q−k portanto.3) mostra as aproximações para a função de Bessel. logo r = +∞. quando 4 0 ≤ k ≤ 2 então S2 = 1 − x2 x4 x2 x4 x6 + .3: Aproximações para a função de Bessel J0 (x) Figura 1. Séries de Potências e Equações Diferenciais ∞ J0 (x) = k=0 (−1)k x2k . converge em todo R. logo S3 = 1 − + − 6 4 64 4 64 2 (3!) A Figura (1.

seria desejável que a série de Taylor convergisse para a função que lhe deu origem. Quando q seja um inteiro não negativo então a série binomial converge.Christian José Quintana Pinedo 45 1. Portanto o raio de convergência é r = 1 Observe que para o caso da função h(x) = (b + x)q podemos fatorar o número b para √ obter (1 + x)q . pelo menos em alguma vizinhança de x = c. an+1 Cn+1 a−n Para determinar o raio de convergência: lim = lim = lim = n→∞ n→∞ n→∞ n + 1 an Cn A série converge se |x| < 1 e diverge se |x| ≥ 1. Assim por exemplo podemos determinar a série binomial para 9 + x = √ x 3 1 + y substituindo y por . . 3 Retomando o assunto em discussão.

46 Séries de Potências e Equações Diferenciais .

+x+1 x2 1 3. Seja f (x) = . calcule f (1). 1 − . na vizinhança do ponto a indicado. Seja f (x) a função definida pela série anterior. Lnx. (x + 1)(x + 2) 8. x. Determine em que pontos a série converge absolutamente e em que pontos converge simplesmente. 2. Desenvolva em série de potências de x as seguintes funções: 1. f (x) = Ln 5. c=0 c=0 2 . c=0 c=1 2. Considere a série de potências k=1 (x + 1)k √ k · 3k 1. 2. 1. Desenvolver em séries de potências de x a fração f (x) = f (x) = x4 x4 + x2 − 2 x+2 . 1. e determine o maior intervalo aberto de R onde a série representa a função: 1. para mostrar que = 2. Determine o conjunto dos k k=1 pontos onde a série é convergente. Considere a função f (x) = 7. Desenvolva f (x) em série de potências de x. f (x) = 1 (1 + x)2 1−x 1+x 2. 2k k=1 4. 2 Sendo f (x) a função definida por aquela série nos pontos onde é convergente. x2 ex . Considere a série de potências 1 (−1)k (1 − )k xk . 1−x indicando o respectivo intervalo de convergência. Desenvolva as seguintes funções em série de Taylor. c = −1 x √ 5. c = 1 +∞ 3.Christian José Quintana Pinedo 47 Exercícios 1-2 1. Desenvolver em séries de potências de x2 a fração 2. 4. f (x) = arctan x 6. sen2 x. 6. f (x) = 2x (1 − 2x)2 4. f (1) e escreva a série de Taylor de f no ponto x = 1 da função x + f (x) . Desenvolva em série de potências de x a função x · f (x). 1 + x2 determine o respectivo intervalo de convergência e calcule o valor de f (9) (0) 6. f (x) = ∞ 1 (x − 1)(x − 2) 1 (1 − x)2 3. Utilize o desenvolvimento +∞ k obtido em 1. Determine o domínio da função g(t) = f (1 − 2t) x3 . f (x) = 5.

5. para os diferentes valores de x. então lim ak = 0. Se +∞ k=1 +∞ k=1 ak xk tem raio de convergência 1/2 . Determine o domínio de convergência da série de potências k=1 +∞ (−1)k (x + 2)k k (k + 2) 5 12. Expresse a função 15. f (x) = senhx. Em seguida. ak xk tem raio de convergência 2.) Determine o maior subcon2k + 1 k=1 junto de R para o qual a série é absolutamente convergente. determine f (x). (1 − x)k 13. justificando. Se 2. a=0 a=0 3. Considere a série de potências (x + 3)k . Diga. a = π/3 . Estude.) Sendo f (x) = k+1 k=1 no intervalo de convergência desta série. determine a primitiva 2k + 1 k=1 de f (x) que para x = −3 toma o valor 2. f (x) = cos x. k→+∞ 10. (k + 1)3k+1 k(k + 2)2k k=1 k=1 +∞ 11. (2. então +∞ k=1 ak é convergente. (1. Considere a série de potências k k . 6. 4. se são verdadeiras ou falsas as seguintes proposições: 1. 1. 1 como soma de uma série de potências. (x − 2)(x − 3) a=0 a=1 a=0 2. (2.) Determine o maior k+1 k=1 subconjunto de R para o qual a série é convergente e indique se existem pontos para +∞ k (1 − x)k os quais a série é simplesmente convergente. (1. 2.) Sendo f (x) = +∞ (x + 3)k definida no intervalo de convergência desta série. f (x) = senx cos x. Obtenha o desenvolvimento em série de potências da função f (x) abaixo em torno do ponto a indicado. f (x) = 1 . (1 − x)2 ∞ n encontre a soma da série numérica n n=1 2 +∞ 14. f (x) = sen2 x. f (x) = Lnx. a natureza das séries: +∞ +∞ (x − 4)k xk 1.48 Séries de Potências e Equações Diferenciais 9.

e sabendo que uma série de potências pode ser diferenciada termo a termo no interior do seu intervalo de convergência. Conseqüentemente sua série de Taylor gerada por f em x = 0 é: +∞ +∞ 0 · xn = n=0 n=0 0=0 . com todas as derivadas nulas em x = 0. c + ) Logo. Função analítica. e esta representação em séries de potências para uma função analítica é única. como mostrado na seção anterior para a função f (x) = e− x2 0 1 se x = 0 se x = 0 Esta função é indefinidamente diferenciável em qualquer x. onde Tn (x) é um polinômio de grau arbitrário n. ∞ f (x) = k=0 ak (x − c)k para todo x ∈ (c − . Exemplo 1. Isto é. e Rn (x) é um termo complementar.Christian José Quintana Pinedo 49 1. os ak são as n-ésimas derivadas de f em x = c multiplicadas por n!. Portanto. Assim. se existe uma sequência {ak } tal que. do seu domínio. a fórmula de Taylor tem como objetivo decompor o valor f (x + a) da função f (x) como uma soma de outras duas funções Tn (x) e Rn (x).11. uma função f que pode ser representada por uma série de potências podemos dizer que é uma função analítica.6 Fórmula de Taylor Dada uma função f : R −→ R e a-fixo a ∈ R. A função f (x) = 1 é analítica no ponto x = 0. Uma função f diz-se analítica num ponto x = c.43. para algum > 0. 1−x A 3a pergunta que fazemos acima pode agora reformular-se da seguinte maneira: 4a pergunta: Será que todas as funções indefinidamente diferenciáveis num ponto x = c são analíticas em x = c? A resposta é não! Nem todas as funções que são indefinidamente diferenciáveis são analíticas. funções analíticas num ponto x = c são indefinidamente diferenciáveis em x = c. se f é a soma de uma série de potências de x em alguma vizinhança de c. Definição 1.

tem-se an = n! ∞ . f é soma da série de Taylor no ponto x = c. ∞ f (x) = k=0 f (k) (x) (x − c)k k! ∀ x ∈ (c − ρ. |senx| e | cos x|. O Teorema (1. Assim. f (x) só é nula em x = 0. 5a pergunta: Como reconhecer as funções indefinidamente diferenciáveis num ponto x = c que são analíticas nesse ponto x = c ? O seguinte resultado dá um critério para as distinguir: Teorema 1. em (c − ρ. Os módulos de tais funções. ∀ x ∈ (c − ρ. cos x.22. pela mesma constante.44. esta série coincide com a série de Taylor de f em x = c. As funções (indefinidamente diferenciáveis) senx e cos x são tais que as suas derivadas são sempre um das seguintes funções: senx. Seja f uma função indefinidamente derivável no intervalo (c − ρ. são limitados por 1. a função é igual a sua série de Taylor. qualquer que seja x∈R Propriedade 1. para qualquer n > 0.50 Séries de Potências e Equações Diferenciais a série converge para todo x ∈ R. em uma k! k=0 vizinhança de um ponto x = c. nessa vizinhança de c. onde a série de MacLaurin de f não converge para a função em nenhuma vizinhança de x = 0. c + ρ) |f (k) (c)| ≤ M Então. f (k) (x) Se uma função f é a soma de uma série de potências (x − c)k . porém converge para f (x) somente quando x = 0. Isto é.3.3) podemos interpretar como que. A demonstração do teorema é exercício para o leitor. Exemplo 1. Diz-se que f é desenvolvível em série de Taylor num ponto x = c se f é a soma da sua série de Taylor em alguma vizinhança de x = c. f (x) não podemos escrever como uma série de potências para todo x no seu domínio. neste intervalo. se uma função é indefinidamente diferenciável e tem todas as suas derivadas globalmente limitadas em alguma vizinhança de x = c. então. c + ρ) para a qual existe uma constante M tal que ∀ k ≥ 0. Condição suficiente de Desenvolvimento em Série de Taylor. c + ρ) Nota: Para aplicar este teorema temos que majorar f e todas as suas derivadas. c + ρ).12. −senx ou − cos x. Isto é. f (n) (c) . isto é. Definição 1.

Um dos problemas mais importantes do Cálculo Numérico é a estimativa do erro de truncamento.6. Então vale a fórmula de Taylor f (0) f (0) 2 f (0) 3 f (n) (0) n f (x) = f (0) + x+ x + x + ··· + x + Rn (x) 1 2! 3! n! onde Rn (x) é uma função de x tal que Rn (x) =0 x→c (x − c)n lim 1. Uma pergunta natural é: 6a pergunta: Se a função f não for indefinidamente diferenciável em x = c? Isto é.20) O erro que se obtém nesta aproximação constitui o erro de truncamento Rn (x). O que se faz é considerar somente um número finito deles. e será natural considerar Tn (x) como o valor aproximado de f (x).17) é truncada após o n-ésimo termo. apresentado na igualdade (1. 51 Assim concluímos que uma função f é analítica num ponto x = c se e só se é desenvolvível em série de Taylor no ponto x = c. . Esta Propriedade (5. obtemos a aproximação (1. se f só admitir n derivadas no ponto x = c? Se a função f da igualdade (1. Assim temos que f (x) = Tn (x) + Rn (x) (1. recorrendo a desenvolvimentos conhecidos e/ou aos resultados sobre derivação e integração de séries de potências.17) e Rn (x) é um termo complementar.17) não faz qualquer sentido. Se a série (1.Christian José Quintana Pinedo A demonstração do teorema é exercício para o leitor.20) onde Tn (x) é um polinômio de grau arbitrário n ∈ N+ em x − c dado em (1.1 Resto de um Polinômio de Taylor Nas aplicações da série de Taylor. sem o conhecimento do qual a aproximação dada pela igualdade (1.17) permite garantir que uma certa série é a série de Taylor de uma função num ponto e mostrar que a função é soma dessa série. as duas funções f (x) e Tn (x) e suas primeiras derivadas tenderão para o mesmo limite quando x → c. torna-se impossível computar todos os termos da série. até a ordem n.20). quando x tenha pequeno valor absoluto.17) admitir derivadas contínuas no ponto x = c.

O valor absoluto |Rn (x) = Tn (x) − f (x)| é chamado de erro associado à aproximação.20) vem que o erro cometido quando se considera apenas os n + 1 primeiros termos da série é x x Rn (x) = a ··· a f (n+1) (t)(dt)n+1 Sejam m1 e m2 respectivamente os menor e maior valores de f (n+1) (x) para a ≤ t ≤ x. f (n) (x). Podemos usar a idéia de um resto Rn (x) definido pela igualdade (1. Seja f (x) uma função contínua em x para a qual as derivadas f (x). Vejamos como é possível estimar o erro de truncamento Rn (x). f (x). Satisfeitas estas condições. f (x).20). logo formalmente vem que x f (n+1) (t)dt = f (n) (t) a x x x x a = f (n) (x) − f (n) (a) f (n+1) (t)(dt)2 = a a x x x a [f (n) (x) − f (n) (a)]dt = f (n−1) (x) − f (n−1) (a) − f (n) (a)(x − a) (x − a)2 2 f (n+1) (t)(dt)3 = f (n−2) (x) − f (n−2) (a) − f (n−1) (a)(x − a) − f (n) (a) a a a integrando assim sucessivamente x x ··· a a f (n+1) (t)(dt)n+1 = f (x)−f (a)−f (a)(x−a)−f (a) (x − a)2 (x − a)n −· · ·−f (n) (a) 2 n! x x (x − a)2 (x − a)n (n) f (x) = f (a)+f (a)(x−a)+f (a) +· · ·+f (a) + 2 n! a ··· a f (n+1) (t)(dt)n+1 comparando com a igualdade (1. · · · . f (n+1) (x) existem num dado intervalo a ≤ x ≤ b. assim x x x x x x ··· a a m1 (t)(dt) n+1 ≤ a ··· a f (n+1) (t)(dt) n+1 ≤ a ··· a m2 (dt)n+1 isto conduz m1 · (x − a)n+1 (x − a)n+1 ≤ Rn (x) ≤ m2 · (n + 1)! (n + 1)! .52 Séries de Potências e Equações Diferenciais Precisamos de uma medida da precisão na aproximação do valor de uma função f (x) por seu polinômio de Taylor Tn (x).

Observação 1. x) tal que Rn (x) = f (n+1) (ξ) (x − a)n+1 (n + 1)! 53 (1. 8 para |θ| < 0.45.40) que f (n) (x) = (−1)n−1 (−1)n (n)! .3) o resto da fórmula de Taylor podemos escrever na forma hn+1 (n) Rn (h) = f (a + th) onde.24) (n + 1)! A demonstração é exercício para o leitor.22) onde o valor de M é o valor máximo absoluto de |f (n+1) (ξ)|. menor será o valor de |Rn (h)|.23) nos mostra que quanto menor |h| e quanto maior n.40) determine: a) Ln 0. Propriedade 1.24) x Rn (h) = (−1)n · n! hn+1 × (n + 1)! (1 + h)n+1 (n − 1)! .Christian José Quintana Pinedo assim.23.8. Logo verifica-se a seguinte propriedade. (n + 1)! 0≤t≤1 (1.21) Esta última identidade é conhecida como “Fórmula de Lagrange”. Resto de Lagrange. 0 < t < 1 . o emprego desta fórmula fica limitado a estimativa do valor mais desfavorável do erro de truncamento |Rn (x)| ≤ M (x − a)n+1 (n + 1)! a ≤ ξ ≤ x. Calculamos no Exemplo (1. i) O erro cometido ao aproximar f (x) pelo polinômio de Taylor Tn (x) é inferior a |Rn (x)| da desigualdade (5. (1. então f (n+1) (x) = xn onde. 01.13) Rn (h) = f (n+1) (a + th) n+1 h . Solução. onde θ é o erro absoluto. 0 < t < 1 (1. existe ξ ∈ (a. Sob as condições do Teorema (1.23) Sem considerarmos o termo f (n+1) (a+th).39) ii) Considerando x − a = h na equação (5. que muitas vezes não varia substancialmente com h e n . Não sendo ξ conhecido explícitamente. assim na igualdade (1. a igualdade (1. Para o exemplo (1. Exemplo 1.

54

Séries de Potências e Equações Diferenciais Como 0 ≤ x ≤ 1 e queremos Ln 0, 8 consideremos h = −0, 2 de onde |Rn (−0, 2)| ≤ (0, 2)n+1 1 (0, 25)n+1 × <1 = (n + 1) (1 − 0, 2)n+1 n+1

resulta, por tentativas, que n ≥ 2. Portanto, vem da série obtida no exemplo (1.40) que Ln 0, 8 = 0 + (−0, 2) + (−0, 2)2 2! com erro |θ| < 0, 01

A condição de que uma função que seja indefinidamente diferenciável num certo intervalo seja analítica é, evidentemente, que o resto da fórmula de MacLaurin para todo valor fixo de x no intervalo tenda a zero quando n → +∞, isto é, sendo a série convergente lim Rn (x) = 0.
n→+∞

Exemplo 1.46. 1. 2. 3. ex = 1 + x + senx = x2 x3 xn + + · · · + eθx 2! 3! n! (0 < xθ < 1) (0 < θ < 1)

x x2 x5 x 7 xn π − + − + · · · + sen(θx + n ) 1! 3! 5! 7! n! 2

x2 x4 x6 xn π + − + ··· + cos(θx + n ) (0 < θ < 1) 2! 4! 6! n! 2 Considerando o resto, nos três casos podemos observar que estes restos tendem para cos x = 1 −

zero para qualquer valor fixo de x ∈ R. As três funções são por tanto analíticas em R e as séries infinitas que se obtém das fórmulas acima quando n → +∞ são seus desenvolvimentos em série. Teorema 1.4. de Roche-Schl¨milch. o Se f (x) admitir derivadas contínuas até a ordem n no intervalo I = [a, b] considerando b − a = h e uma derivada única de ordem n + 1 no intervalo aberto (a, b), então neste intervalo aberto existe ao menos um valor c para x tal que Rn (c) = Demonstração. Seja A uma constante definida pela igualdade f (b) = Tn (h) + Ahk suponhamos ϕ(x) = f (x) + (b − x)f (x) + (b − x)n (n) (b − x)2 f (x) + · · · + f (x) 2! n! (1.26) hk (b − c)n+1−k (n+1) f (c); n! k∈N (1.25)

Christian José Quintana Pinedo e consideremos a função auxiliar φ(x) = ϕ(x) − Tn (h) + A(b − x)k

55

(1.27)

Quando x = a tem-se que, φ(a) = Ahk e φ(b) = f (b) − Tn (h) = Ahk e cumpre as condições do Teorema de Rolle no intervalo (a, b). Logo existe um c ∈ (a, b) tal que φ (c) = 0, isto é φ (c) = ϕ (c) − kA(b − c)k−1 = 0 então (b − c)n (n+1) f (c) − kA(b − c)k−1 = 0 n! ⇒ A= (b − c)n+1−k (n+1) f (c) n! · k

Logo, das igualdades (1.25) e (1.26) segue que Rn (c) = f (b) − Tn (h) = Ahk = hk (b − c)n+1−k (n+1) f (c) n! · k

Observe que, para c ∈ (a, b) existe t ∈ (0, 1) tal que c = a+t(b−a) = a+th e podemos escrever o resto do polinômio de Taylor (1.25) na forma Rn (c) = Teorema 1.5. de Taylor. Se f for derivável até a ordem n + 1 em um intervalo aberto I contendo c, então para cada x em I existe um número a entre x e c tal que f (x) = f (c) + f (c) f (c) f (c) f (n) (c) (x − c) + (x − c)2 + (x − c)3 + · · · + (x − c)n + Rn (x) 1 2! 3! n! hn+1 (1 − t)n+1−k (n+1) f (a + th) n! · k (1.28)

onde Rn (x) é uma função de x tal que Rn (x) = f (n+1) (a) (x − c)n+1 (n + 1)!

A demonstração do teorema é exercício para o leitor. Propriedade 1.24. Se f (x) admitir derivadas contínuas até a ordem n no intervalo I = [a, b] e uma derivada de ordem n + 1 integrável nesse intervalo, então fazendo b − a = h
h

Rn (h) =
0

xn (n+1) f (b − x)dx n!

(1.29)

56 Demonstração. Para m < n + 1 integrando por partes
h

Séries de Potências e Equações Diferenciais

I=
0

xm (m) xm−1 (m) f (b − x)dx = f (b − x) (m − 1)! (m)!

h 0

h

+
0

xm (m+1) f (b − x)dx m!

isto é I=
0

h

xm−1 (m) hm (m) f (b − x)dx = f (a) + (m − 1)! m!
0

h

xm (m+1) f (b − x)dx m!

Como m = 1, 2, 3, · · · , n − 1, n somando os resultados, obtém-se
h

0

hm (m) f (b − x)dx = f (a) + m! m=1
h 0

n

h

xn (n+1) f (b − x)dx n!

0 h

−f (b − x)

hm (m) f (a) + = m! m=1
h

n

xn (n+1) f (b − x)dx n!

0

f (b) = Tn (h) +
0 h

xn (n+1) f (b − x)dx n!

Portanto, Rn (h) =
0

xn (n+1) f (b − x)dx. n!

Exemplo 1.47.

√ 3 A função f (x) = x11 tem derivadas contínuas até a ordem três em todo R, logo quando c = 8 a fórmula de Taylor fornece a igualdade f (8) f (x) = f (8) + f (8)(x − 8) + (x − 8)2 + 2!
8 x

(x − t)f (t)dt

√ 3

x11

2816 2816 440 = 2048 + (x − 8) + (x − 8)2 + 3 18 27
8

x

√ 3 (x − t) t2 dt

Teorema 1.6. Estimativa do Resto. Se existirem constantes positivas M e r tais que |f (n+1) (t)| ≤ M rn+1 para todo t entre c e x, inclusive, então o resto Rn (x) no Teorema de Taylor (1.5) satisfará a desigualdade |Rn (x)| ≤ M · rn+1 |x − c|n+1 (n + 1)!

Christian José Quintana Pinedo A demonstração do teorema é exercício para o leitor.

57

Observe que, se essas condições forem válidas para todo n e todas as outras condições do Teorema de Taylor forem satisfeitas por f , então a série convergirá para f (x) e o erro cometido ao aproximar f (x) pelo polinômio de Taylor é menor do que |Rn (x)|. Exemplo 1.48. Use o polinômio de Taylor para aproximar mação. Solução. π 15π π 1 π Observe que 70o = 60o + 15o = + . Seja f (x) = cos x, logo f ( ) = f( )= 3 180 3 2 3 √ 3 π − , f ( ) = − 1 , f (x) = senx. O polinômio de Taylor até a segunda ordem é 2 2 3 √ 1 1 3 π π T2 (x) = − (x − ) − 2 (x − )2 ⇒ 2 2 3 2! 3 √ 1 π 15π 3 15π 1 15π 2 T2 ( + )= − ( )− 2 ( ) = 0, 256134 ⇒ cos 75o = 0, 256134 3 180 2 2 180 2! 180 Para estimar a precisão, considere |R2 (x)| = onde ξ está entre π π f (ξ) senξ (x − )3 = (x − )3 3! 3 3! 3 cos 750 e estime a precisão da aproxi-

π e x. Como |f (x)| ≤ 1, segue 3 π 15π π senξ 1 15π 3 + )| = (x − )3 ≤ ( ) ≤ 0, 002990 3 180 3! 3 3! 180

|R2 (

Assim, cos 75o = 256134 tem precisão de três casas decimais. Para o caso de querer π 15π )| maior pr3ecisão, devemos determinar um maior valor para n de modo que |Rn ( + 3 180 esteja dentro do intervalo desejado. Observação 1.9. 1. As funções como o resto de ordem n, Rn (x), que quando divididas por outra função e tomando o limite quando x tende para um certo c se obtém 0, têm uma designação especial: f (x) f (x) = ◦(g(x)), x → c ⇔ lim =0 x→c g(x) (leia-se “f (x) é o pequeno de g(x) quando x tende a c”)

58 Assim, podemos escrever

Séries de Potências e Equações Diferenciais

Rn (x) = ◦((x − a)n ),

x→c

2. Se f for n+1 vezes diferenciável em c tem-se a seguinte fórmula para o resto (conhecida por fórmula do resto de Peano): Rn (x) = (x − c)n+1 (n+1) f (c + αn (x) (n + 1)!

onde αn (x) é uma função de x tal que:
x→c

lim αn (x) = 0

Exemplo 1.49. Determine o valor numérico do número de Neper e. Solução. dn+1 x Sabe-se que, dado y = ex , suas derivadas e = ex , então se Rn é o resto de dxn+1 Lagrange (??) segue

e =
k=0

x

xk k!

n

e =
k=0

1

1 + Rn n!

onde Rn =

et , (n + 1)!

0<t<1

Por exemplo, quando n = 9, os nove primeiros termos do número e com um erro R9 = et 3t 3 < < < 10−6 10! 10! 10!

isto é, é menor do que uma unidade de 6a casa decimal, vindo a ser e = 2, 718281 · · · .

1.6.2

Combinando Séries de Taylor

Na interseção dos seus intervalos de convergência, as séries de Taylor podem ser somadas, subtraídas e multiplicadas por constantes e potências de x, e os resultados são novamente séries de Taylor. A série de Taylor para f (x) + g(x) é a soma da série de Taylor para f (x) e a série de Taylor para g(x) porque a n-ésima derivada de f + g é f (n) + g (n) e assim por diante. (1 + cos2x) substituindo 2x na série de Podemos obter a série de MacLaurin para 2 MacLaurin para cos x, adicionando 1 e dividindo o resultado por 2. A série de MacLaurin para senx + cos x é a soma termo a termo da série para senx e cos x.

Christian José Quintana Pinedo

59

Obtemos a série de MacLaurin para xsenx pela multiplicação de todos os termos da série de MacLaurin de senx por x.

1.7

Lista de série de Taylor de algumas funções comuns

Dizemos que a série de Taylor associada a uma função f infinitamente diferenciável (real ou complexa) definida em um intervalo aberto (c − r, c + r) é a série de potências dada por ∞ f (k) (c) T (x) = (x − c)k k! k=0 Onde, k! é o factorial de k e f (k) (c) denota a n-ésima derivada de f no ponto c. Com essa ferramenta, podem ser moldadas funções trigonométricas, exponenciais e logarítmicas em polinômios. Função exponencial: ex = xn para todo x. n=0 n!

Função logaritmo natural: Série geométrica:

Ln(1 + x) =

(−1)n n+1 x para |x| < 1. n=0 n + 1

∞ xm xn para |x| < 1. = 1 − x n=0 ∞ n=0

Teorema binomial:

(1 − x)α =

α n

xn para todo |x| < 1 e todo complexo α

Funções trigonométricas: • • senx = cos x = (−1)n 2n+1 x para todo x. n=0 (2n + 1)!

(−1)n 2n x para todo x. n=0 (2n)!
∞ ∞

x3 2x5 π B2n (−4)n (1 − 4n ) 2n−1 x = x+ + + · · · para |x| < onde • tan x = (2n)! 3 15 2 n=0 Bs são números de Bernoulli. ∞ (−1)n E π 2n 2n x para |x| < • sec x = (2n)! 2 n=0 • • arcsenx = arctan x =
∞ n=0 ∞

(2n)! 4n (n!)(2n + 1)

x2n+1 para |x| < 1

(−1)n 2n+1 x para |x| < 1 n=0 2n + 1

Funções hiperbólicas:

60 • • • • • senhx =

Séries de Potências e Equações Diferenciais 1 x2n+1 para todo x. n=0 (2n + 1)! ∞ 1 2n cosh x = x para todo x. n=0 (2n)! tanh x = π B2n 4n (4n − 1) 2n−1 x para todo |x| < . (2n)! 2 n=0
∞ ∞

(−1)n (2n)! 2n+1 x para |x| < 1 n n=0 4 (n!)(2n + 1) ∞ 1 arctanhx = x2n+1 para |x| < 1 n=0 2n + 1 arcsenhx = W0 (x) =
∞ n=0 (−n)n−1 n x n!

Função W de Lambert:

para |x| <

1 e

1.8

Aplicações

Muitas funções são deriváveis mas não podem ser integradas recorrendo só ao que se estudo na disciplina de integração, isto é: - integrações imediatas, integração por partes, integração por substituição entre outros. Por exemplo, para o cálculo da integral e−x dx. Definição 1.13. Função elementar. Diz-se que f é uma função elementar se pode ser obtida por um número finito de operações de adição, multiplicação, divisão e composição, a partir de funções polinomiais, exponenciais, logarítmicas e trigonométricas, diretas ou inversas. A função e−x é uma função elementar. Pode-se provar que a sua primitiva não é elementar, pelo que não pode ser obtida, pelos métodos referidos, a partir de funções elementares. Recorrendo a série de potências, sabe-se que

2 2

ez =
k=0 ∞

zk k!

e−x =
k=0 ∞

2

(−x2 )k = k!

k=0

(−1)k x2k k!

logo

e−x dx =
k=0

2

(−1)k x2k dx = k!

k=0

(−1)k x2k+1 . k!(2k + 1)

1.8.1

Cálculo de limites e integrais
L = lim 2ex − 2 − 2x − x2 . x→0 x − senx

Exemplo 1.50. Calcular o limite Solução.

0017 + · · · = 0. Suponhamos que f é duas vezes diferenciável em c e f (c) = 0. Então a fórmula de Taylor aplicada a f no ponto x = c com resto de Peano é: f (x) = f (c) + (x − c)f (c) + (x − c)2 (x − c)2 f (c) + α1 (x) = f (c) + f (c) + α1 (x) 2! 2! . x→0 x3 e arctan x pelo seus desenvolvimentos em séries de potências ∞ (−1)n (−1)n 2n+1 x − x2n+1 1 1 1 1 1 n=0 2n + 1 n=0 (2n + 1)! L = lim = lim ( − ) − ( − )x2 + · · · = 3 x→0 x→0 x 3 3! 5 5! 6 Exemplo 1.52. 1/2 Calcular a integral Solução. 001. isto é.2 Estudo de Extremos Se f é uma função diferenciável.8. serão o ponto de partida para o estudo dos extremos de f . os pontos estacionários. 25 − 0.51.Christian José Quintana Pinedo 61 Substituindo ex e senx pelo seus desenvolvimentos em séries de potências tem-se xn − 2 − 2x − x2 n! = lim L = lim n=0 ∞ x→0 (−1)n 2n+1 x→0 x− x n=0 (2n + 1)! 2 ∞ 2x3 2x4 + + ··· 3! 4! =2 x3 x5 − + ··· 3! 5! Exemplo 1. os pontos x onde f (x) = 0. Calcular o limite Solução. Substituindo senx tem-se ∞ L = lim senx − arctan x . x2 Tem-se I= 0 1 − cos x dx = x2 1/2 1 − (−1)n 2n x n=0 (2n)! dx = x2 ∞ 0 1/2 I= 0 [ x2 x4 1 x3 x5 1 1/2 − + − ··· = [ x − + ]Big|0 ] = 2! 4! 6! 2! 4! · 3 6! · 5 I=[ 1 1 1 − + ] ≈ 0. 2483 3 2! · 2 4! · 3 · 2 6! · 5 · 25 1. 1/2 I= 0 1 − cos x dx com precisão até 0.

62 pois f (c) = 0. Assim f (x) − f (c) =

Séries de Potências e Equações Diferenciais

(x − c)2 f (c) + α1 (x) 2!

(1.30)

Se f tem um extremo local em x = c, então f (x)−f (c) tem sinal constante em alguma vizinhança de x = c porque ou f (x) ≥ f (c) (mínimo local) ou f (x) ≤ f (c) (máximo local), em alguma vizinhança de c. Pretendemos, então, conhecer o sinal de f (x) − f (c), numa vizinhança de c. Isso vai-nos ser facilitado pelo conhecimento do sinal de f (c), da igualdade (1.30). De fato, já que (x − c)2 ≥ 0 então o sinal de f (x) − f (c) depende do sinal de [f (c) + α1 (x)]. Suponhamos então que f (c) = 0. Como lim α1 (x) = 0 então por definição de x→c limite, para todo > 0 existe δ > 0 tal que, |α1 (x) − 0| < sempre que 0 < |x − c| < δ, ou seja |α1 (x)| < . Considerando = |f (c)| > 0, existirá então δ > 0 tal que para todo |x − c| < δ tem-se |α1 (x)| < |f (c)| e portanto o sinal de [f (c) + α1 (x)] é o sinal de f (c), nessa vizinhança. Então se f (c) > 0 o sinal de f (x) − f (c) é positivo e portanto ocorre um mínimo em x = c; se f (c) < 0 o sinal de f (x)..f (c) é negativo e portanto ocorre um máximo em x = c. Se f (c) = 0 usamos a fórmula de Taylor de ordem dois f (x) = f (c)+(x−c)f (c)+ (x − c)2 (x − c)3 (x − c)3 f (c)+ f (c)+α2 (x) = f (c)+ f (c)+α1 (x) 2! 3! 3!

Mais uma vez, queremos saber o sinal de f (x) − f (c). Comecemos por supor que f (c) = 0. Tem-se: (x − c)3 f (x) − f (c) = f (c) + α1 (x) 3! mas como (x − c)3 muda de sinal quando x “passa” por c, então f não tem extremo em c. Se f (c) = 0, então utilizar-se-ia a fórmula de Taylor de ordem 3 e assim por diante. Enunciamos então o seguinte: Teorema 1.7. Dada uma função f , n vezes diferenciável em x = c (com n ≥ 2) e tal que 0 = f (c) = f (c) = · · · = f (n−1) (c) e f (n) (c) = 0, então 1. Se n é par, f (c) é máximo local se f (n) (a) < 0 e é mínimo local se f (n) (a) > 0 2. Se n é ímpar, f não tem extremo local em x = c. Demonstração.

Christian José Quintana Pinedo A fórmula de Taylor de ordem n − 1 para f em x = c com resto de Peano é: f (x) − f (c) = (x − c)n (n) f (c) + αn−1 (x) n!

63

Se n é par, então (x − c)n ≥ 0 e argumentando como acima concluímos que ocorre máximo em x = c se f (n) (c) < 0 e mínimo se f (n) (c) > 0. Análogamente para n ímpar. Quanto à concavidade de uma função diferenciável num ponto x = c, a análise que se faz é análoga a que acabámos de fazer. Queremos agora é estudar o sinal da função f (x) − g(x), onde g(x) = f (c) + (x − c)f (c). O fato de o sinal da função f (x) − g(x) ser negativo, pelo menos numa vizinhança de c, diz-nos que a função f está, nessa vizinhança, sempre embaixo da tangente no ponto c (concavidade voltada para Figura 1.5: f diferenciável em x = c baixo (côncava); ver exemplo na (Figura (1.5)) e e a tangente ao gráfico de f em c. no caso de ser positivo, que a função está acima da tangente no ponto x = c (concavidade voltada para cima; convexa). Temos então: Teorema 1.8. Dada uma função f , n vezes diferenciável em x = c (com n ≥ 2) e tal que 0 = f (c) = f (c) = · · · = f (n−1) (c) e f (n) (c) = 0, então 1. Se n é par, f é côncava em c se f (n) (c) < 0 e é convexa em c se f (n) (c) > 0 2. Se n é ímpar, f tem ponto de inflexão em x = c. A demonstração é exercício para o leitor.

1.8.3

Outra definição para a derivada

Dada f diferenciável num ponto x = c, podemos escrever a sua fórmula de Taylor de ordem 1 (um) relativamente a esse ponto c: f (x) = f (c) + f (c) · (x − c) + R1 (x) onde lim R1 (x) =0 x−c

Suponhamos agora que, dada uma função f definida em uma vizinhança de x = c, existe um número real γ e uma função R1 (x) tal que f (x) − f (c) = γ · (x − c) + R1 (x) ⇒ f (x) − f (c) γ · (x − c) + R1 (x) R1 (x) = =γ+ x−c x−c x−a

64 e portanto

Séries de Potências e Equações Diferenciais

R1 (x) R1 (x) f (x) − f (c) = γ + lim = lim γ + =γ x→c x→c x→c x − a x−c x−a lim

ou seja f é diferenciável em c com f (c) = γ. Mostramos então que f é diferenciável em x = c, é equivalente a dizer que existe um número real, chamemos- lhe γ, e uma função R1 (x), tal que f (x) = f (c) + γ · (x − c) + R1 (x) Reescrevendo esta expressão na forma f (x) − f (c) = γ · (x − c) + R1 (x) onde lim R1 (x) =0 x−c onde lim R1 (x) =0 x−c

podemos dizer desta função que f (x) − f (c) é aproximadamente linear em x − c. f (x) − f (c) ≈ γ · (x − c) e que essa aproximação é tanto melhor quando x estiver mais próximo de x = c, já que R1 (x) tende para zero mais rápidamente que x tende para c. Dito de outra forma ainda, a “distância” de f (x) a f (c) é, aproximadamente, uma função linear da “distância” de x até c.

1.9

Série de Taylor em várias variáveis

A série de Taylor pode também ser definida para funções de Rn −→ R.

1.9.1

Para duas variáveis

Definição 1.14. Seja a função f : R2 −→ R diferenciável até a ordem n + 1 em qualquer ponto P0 (a, b) de um domínio D(f ), então para qualquer o ponto P (x, y) ∈ V(a, b) é válida a fórmula de Taylor: 1 1 [(x − a)fx (P0 ) + (y − b)fy (P0 )] + [(x − a)2 fxx (P0 ) + 1! 2! 1 (1.31) +2(x − a)(y − b)fxy + (y − b)2 fyy ] + [(x − a)3 fxxx (P0 ) + 3(x − a)2 (y − b)fxxy (P0 ) + 3! 1 ∂ ∂f +3(x − a)(y − b)2 fxyy (P0 ) + (y − b)3 fyyy (P0 )] + · · · + [(x − a) + (y − b) ]n f (P0 ) + Rn n! ∂x ∂y f (x, y) = f (a, b) +

Christian José Quintana Pinedo Isto é
2

65

f (x, y) =
k=0

1 k!

k

j=0

k! ∂kf · k−j j (P0 )(x − a)k−j (y − b)j + R2 (x, y) j!(k − j)! ∂x ∂y

(1.32)

Se f é diferenciável até a ordem n + 1 no ponto (a, b), então lim x→a
y→b

Rn (x, y) ( (x − a)2 + (y − b)2 )n

=0

(1.33)

Para o caso particular a = b = 0 a fórmula (5.14) tem a forma f (x, y) = f (0, 0) +

1 1 1 [x · fx (P0 ) + y · fy (P0 )] + [x2 fxx (P0 ) + 2xy · fxy + y 2 fyy ] + [x3 fxxx (P0 ) + 1! 2! 3! n 1 ∂ ∂f x· f (P0 ) + θ(ρ2 ) (1.34) +3x2 y · fxxy (P0 ) + +3xy 2 fxyy (P0 ) + y 3 fyyy (P0 )] + · · · + +y· n! ∂x ∂y x2 + y 2 .

onde ρ =

Esta última fórmula é a “Fórmula de MacLaurin”. Exemplo 1.53. Desenvolver em série de Taylor a função f (x, y) = x2 Lny em torno do ponto P (1, 1) até os termos de segunda ordem inclusive. Solução. Tem-se fx (x, y) = 2xLny, f (1, 1) = 0, fy (x, y) = x2 , y fxx (x, y) = 2Lny, fyy (x, y) = − x2 , y2 fxy (x, y) = 2x y

fx (1, 1) = 0,

fy (1, 1) = 1,

fxx (1, 1) = 0,

fyy (1, 1) = −1,

fxy (1, 1) = 2

Pela fórmula (5.14)de Taylor tem-se no desenvolvimento f (x, y) = 0+ onde ρ = 1 1 [(x−1)·0+(y−1)·1]+ [(x−1)2 ·0+2(x−1)(y−1)·0+(y−1)2 ·(−1)]+θ(ρ2 ) 1! 2!

(x − 1)2 + (y − 1)2 .

Exemplo 1.54. Desenvolver em série de Taylor a função f (x, y) = x2 − xy − 2y 2 − 3x + 4y + 8 em torno no ponto P (1, −3). Solução.

66

Séries de Potências e Equações Diferenciais Observe que f (1, −3) = −21. Calculemos as derivadas parciais

fx = 2x−y−3,

fy = −x−4y+4,

fxx = 2,

fyy = −4,

fxy = −1,

∂kf = 0, ∂xk−i · ∂y i

k≥3

fx (1, −3) = 2,

fy (1, −3) = 15,

fxx = 2,

fyy = −4,

fxy = −1

∂kf (1, −3) = 0, ∂xk−i · ∂y i

k≥3

Pela fórmula (5.14) segue
2

f (x, y) =
k=0

1 k!

k

j=0

∂kf k! · k−j j (1, −3)(x − 1)k−j (y + 3)j + Rn (x, y) j!(k − j)! ∂x ∂y

f (x, y) = f (1, −3) + fx (1, −3)(x − 1)1 + fy (1, −3)(y + 3)1 + · · · + 1 fxx (1, −3)(x − 1)2 + 2fxy (1, −3)(x − 1)(y + 3) + fyy (1, −3)(y + 3)2 + 0 2!

f (x, y) = −21 + (2)(x − 1) + (15)(y + 3)1 + 1 (2)(x − 1)2 + 2(−1)(x − 1)(y + 3) + (−4)(y + 3)2 + 2! A série de Taylor pedida é: + f (x, y) = −21 + 2(x + 1) + 15(y + 3) + (x − 1)2 − (x − 1)(y + 3) − 2(y + 3)2 + Rn (x, y) Para mais de duas variáveis Nesse caso, tem-se que a série de Taylor de f em torno do ponto P (x0 , x0 , x0 , · · · , x0 ) 1 2 3 n é dada por: n k ∂f 1 (P )(x − x0 ) f (x1 , x2 , x3 , · · · , xn ) = i k! i=1 ∂xi k≥0 onde
n

∂f (P ) ∂xi

k

denota
k

∂kf (P ), assim tem-se ∂xk i k! ∂kf · α1 (P )(x1 −x0 )α1 · · · (xn −x0 )αn n 1 αn α1 ! · · · αn ! ∂x1 · · · ∂xn
αi =k

i=1

∂f (P )(x−x0 ) i ∂xi

=
αi ∈N,
n i=1

Christian José Quintana Pinedo

67

Exercícios 1-3
1. Determine as constantes a0 , a1 , a2 , a3 e a4 de modo que 3x4 − 17x3 + 35x2 − 32x + 17 = a4 (x − 1)4 + a3 (x − 1)3 + a2 (x − 1)2 + a1 (x − 1) + a0 2. Determine uma série de potências de x + 1 para a função f (x) = e2x , e uma série de potências de x − 1 para a função g(x) = Lnx. 3. Uma função f (x) tem as seguintes propriedades: f (x) > 0, ∀ x ∈ R, f (x) = 2xf (x), ∀ x ∈ R e f (0) = 1. Achar uma série de potências que represente a função f (x). 4. Idem ao exercício 3 para uma função g(x) com as propriedades: g(0) = 0, g (0) = 1 e g (x) = −g(x), ∀ x ∈ R. 5. Desenvolva as seguintes funções em série de Taylor no ponto x = 1 e indique o maior intervalo aberto em que a série representa a função: √ 1 Ln x 1. f (x) = 2 2. f (x) = x (x − 1)2 6. Represente 1 numa série de MacLaurin para |x| < 1. (1 − x)2

1 7. Sendo g(x) = , desenvolva em série de potências de x − c função g (x) e 4 + x2 indique o maior intervalo aberto em que o desenvolvimento é válido. 8. Desenvolva em série de MacLaurin a função f (x) = Ln intervalo aberto em que esse desenvolvimento é válido.
x +∞

1 e indique o maior x+2

9. Verificar que
0

e
+∞

−t2

dt =

(−1)n x2n+1 . (2n + 1) · n!
π ∞

10. Dado f (x) =
n=1

sennx , verificar que n3
0

f (x)dx = 2
n=1

1 . (2n − 1)4

11. Considere a função f (x) = arctan(x2 ). 1. Escreva o desenvolvimento em série de MacLaurin de f (x), indicando o maior intervalo aberto onde esse desenvolvimento 1 é válido. 2. Usando a item anterior, calcule f ( 2 ) + f (0). 12. Dado um k ∈ Z+ considere a k-ésima derivada da Função de Bessel de primeira +∞ (−1)n x 2n+k espécie Jk (x), definida por Jk (x) = n!(n + k)! 2 n=0

68

Séries de Potências e Equações Diferenciais 1. Determine o raio de convergência desta série. 2. Mostre que o erro cometido ao aproximar Jk (x), 0 ≤ x ≤ 1, pelo polinômio x 2 x4 x6 1− + − é inferior a 10−5 . 4 64 2304 3. Verificar que J0 (x) = −J1 (x) e x3 J2 (x)dx = x3 J3 (x)

13. Encontre uma expansão em série de potências de x para x2 e−x , logo derive este +∞ (−1)n (n + 2)2n resultado para provar que = 8. n! n=2   1 − cos x 14. Ache a série de MacLaurin para f (x) = x  0 de convergência. 15. calcular x − arctan x . x→0 x2 lim 1 − cos x . x→0 ex − 1 − x lim
0,2

se x = 0 se x = 0

e indique o raio

16. calcular

17. calcular
0

senx com precisão até 0, 0001. x e −1 com precisão até 0, 001. x

0,1 x

18. calcular
0

19. Determine o grau do polinômio de Taylor Pn (x), expandido em torno de x = 1, de modo que o resto da aproximação de Ln(1, 2) seja menor do que 0, 001 20. Desenvolver pela fórmula de MacLaurin até os termos de terceira ordem, inclusive, a função f (x, y) = senhy cos x. 21. Desenvolver pela fórmula de MacLaurin até os termos de quarta ordem, inclusive, a função g(x, y) = e−y senx. 22. Determine a série de Taylor da função ex − 1 em torno de a = 0. x

23. Por diferenciação termo a termo da série de potências do exercício 22 , mostre que ∞ n =1 n=1 (n + 1)!

y) = ex+2y . y) = y x . Derivando termo a termo duas vezes uma série de potências que representa a função +∞ (−1)n+1 (n + 2) −x2 e . y0 ) = (1. 0) (x0 . Calcular 0 senx2 dx com cinco casas decimais. y0 ) = (0. Calcular 0 1 √ 1 − x3 dx com quatro casas decimais. 25. 1) (x0 . f (x. f (x. 0 dx 1 + x4 4. 3 + 4x3 28. 3. 6. m = 2. (x0 . 0) m = 3.Christian José Quintana Pinedo 24. Calcule as seguintes integrais com erro inferior a 10−4 : 1/2 1 69 1. 2 + x − 2y f (x. m = 2. y) = cos(x + seny). 1 . (x0 . 1) 2 . y) = f (x. 30. 1. Use séries de potências para calcular Ln(1. 0 senx2 dx q cos 0 2. Desenvolva em série de potências de x a função f (x) = 1 29. y0 ) = (2. 1/2 senx dx x 1/3 3. mostre que =1 n!2n n=1 27. y0 ) = (0. Determine o polinômio de Taylor de ordem m das funções seguintes nos pontos indicados. com erro inferior a 10−4 . 2. 2) e arctan 1 . √ xdx 5. 4 26. . 4. m = 2.

70 Séries de Potências e Equações Diferenciais .

Capítulo 2 Equações diferenciais de 1a ordem. três livros de análise matemática. tendo os outros filhos brincando em suas pernas.no qual apresentava pela primeira vez a dinâmica Newtoniana na forma de análise matemática . Em 1766 Euler voltou à Rússia e perdeu a visão do olho direito aos 31 anos e logo após retornar a São Petersburgo ficou quase inteiramente cego após uma operação de catarata. Euler Petersburgo ele viveu com Daniel Bernoulli e tornou-se professor de Física na academia em 1730. “Cartas para uma princesa da Alemanha” (3 volumes. dos quais apenas cinco sobreviveram à primeira infância. Johann Bernoulli tornou-se então seu professor. e uma publicação científica popular. Neste mesmo ano ele casou-se e deixou a casa de Johann Bernoulli. o cálculo e a análise numérica. 71 . Euler ingressou na Academia de Ciências de São Petersburgo em 1727. Deste casamento Euler teve 13 filhos. 1768 − 72). Leonhard Euler nasceu em 15 de abril de 1707 Basiléia na Suíça e Faleceu em 18 de setembro de 1783 em São Petersburgo na Rússia. a despeito de estar totalmente cego. Graças à sua formidável memória ele foi capaz de continuar seus trabalhos em Ótica. Neste período em Berlim ele escreveu cerca de 200 artigos. Euler conseguiu de seu pai o consentimento para mudar seus estudos para a Matemática ajudado pela persuasão de Johann Bernoulli. por convite de Frederico o Grande. Surpreendentemente após 1765 (quando tinha 58 anos) ele produziu quase metade de seu trabalho. Euler ampliou as fronteiras da geometria analítica e da trigonométria modernas deu contribuições decisivas para a geometria. em 1783. a Academia de São Petersburgo continuo a publicar todos os seus trabalhos ainda não publicados durante quase cinqüenta anos. onde ele permaneceu por vinte e cinco anos. A publicação de diversos artigos e de seu livro “Mechanics”(1736 − 37) . Depois de sua morte. Euler associou-se à Academia de Ciência de Berlim. Álgebra e movimentos lunares. e professor de Matemática em 1733. dois anos após a sua fundação por Catarina I. Ele costumava dizer que algumas de suas maiores descobertas foram feitas enquanto segurava um bebê nos braços.iniciaram Euler nos caminhos de um trabalho matemático mais incisivo. Em São L. Em 1741. que intercedeu junto a seu pai.

os ai sejam constantes que não dependam de x. por exemplo = 4x3 y. O grau a que nos referimos é no sentido “algébrico”. Isto é.1 Introdução Numa primeira disciplina de Cálculo1 estudamos que existem funções polinomiais de grau n e são da forma f : R −→ R tais que f (x) = a0 + a1 x + a2 x2 + a3 x3 + · · · + an xn sempre que an = 0 e. 2.1. Quando estas funções polinomiais igualamos a zero. se um fenômeno podemos expressar mediante várias mudanças instantâneas entre variáveis implicadas então conseqüentemente teremos uma ou mais equações diferenciais. suas derivadas ou diferenciais. Química e Biologia têm sua expressão natural nas equações diferenciais com derivadas ordinárias ou parciais. também uma função y = f (x). significa determinar valores para a variável de modo ao substituirmos estes valores na equação se obtenha uma proposição verdadeira. Editora EUMET 2008.2 Equações diferenciais Quando estudamos uma disciplina de cálculo diferencial inicial. O motivo é simples. Estes valores determinados da equação chama-se “solução da equação”. equações diferenciais são relações entre variáveis independentes. até certa ordem. para o caso da variável x ser função. Dito de outro modo. nosso objetivo é resolver equações diferenciais. é possível achar com dx alguma técnica uma função y = f (x) que seja solução de tal equação. Equação diferencial. Economia. dada dy = f (x). Resolver uma equação. Uma grande quantidade das leis da Física. aprendemos que. teríamos uma “equação funcional”. do mesmo autor . dx dx Uma pergunta natural é: dy Dada uma equação. funções. 1 Cálculo Diferencial em R. Ciências Sociais. Por exemplo. Definição 2. estas expressões são chamadas de equações de grau n de variável x (ou na incógnita x).72 Séries de Potências e Equações Diferenciais 2. Astronomia. Também são muitas as aplicações das equações diferenciais em Engenharia. sua derivada sempre que exista é a função dx estudamos que dada uma função de variável x sua derivada é calculada com regras aprody dy 4 4 priadas. Em geral. e mesmo nas Matemáticas. se y = ex então sua derivada é = 4x3 ex ou = 4x3 y. isto é f (x) = 0. para o caso da variável x ser matrizes. Dizemos equação diferencial a toda expressão algébrica que apresenta o símbolo de igualdade e tem como variável uma função incógnita assim como suas derivadas. teríamos uma “equação matricial”.

se um corpo de massa m cai sob a influência da gravidade terrestre g então m·a=m·g (2.Christian José Quintana Pinedo 73 Um exemplo simples é a equação diferencial que provêem da segunda lei de Newton para a força. então da dt2 igualdade anterior obtemos d2 y =g dt2 sendo esta igualdade uma equação diferencial ordinária. que têm a forma ∂ 2u ∂ 2u ∂2u 1 + 2+ 2 = 2 ∂x2 ∂y ∂z a 2 2 2 ∂ u ∂ u ∂ u 1 + 2+ 2 = 2 2 ∂x ∂y ∂z a 2 2 2 ∂ u ∂ u ∂ u + + =0 ∂x2 ∂y 2 ∂z 2 respectivamente onde a é uma constante não nula.1. podemos supor que sobre o corpo atua uma força de fricção no meio em que esta inserido.1) que dt m de onde d2 y dy +k = mg 2 dt dt d2 y k dy + =g 2 dt m dt Esta última igualdade é uma equação diferencial ordinária e satisfaz as condições de nosso problema. cuja magnitude é proporcional à velocidade instantanea dy segue então da igualdade (2. onde y(t) é a posição do corpo no instante t. mais. ∂u ∂t ∂ 2u · 2 ∂t · Exemplo 2. cuja solução é a função de posição y(t). Para este nosso exemplo. da onda e de Laplace. As seguintes são equações diferenciais envolvendo a função incógnita y = f (x) ou . Outros exemplos são as famosas equações em derivadas parciais do calor. ista é F = m · a.1) d2 y como a aceleração a = .

como é o caso (2. e elas se caracterizarão por não apresentarem derivadas ou diferenciais parciais. . u. . v. mas podendo haver uma função como em (5. . pois depende de x e de t.5) até (2. Denotam-se as equações diferenciais ordinárias como EDOs. ou mais como em (2. As seguintes são equações diferenciais envolvendo a função incógnita y = f (x) ou z = g(x.··· ) = 0 dx dx ∂z ∂z . onde F é uma função nas variáveis respectivas. dy + 8x − 3 = 0 dx d2 y dy ey 2 + 5 ( )3 − 1 = 0 dx dx 3 2 dy dy 6 3 − (tan x) 2 + 8xy = 4 dx dx dy 3 dy d2 y 4 ( 2 ) + 9y ( ) + y 2 ( )2 = 9x dx dx dx 2 ∂ z ∂2z −6 2 =0 ∂t2 ∂x (2.4) 2. ∂x ∂y F (x.8) são do tipo EDO pois. Séries de Potências e Equações Diferenciais dy d2 y .32) e (2. como em (5. t).9) As equações diferenciais (2.74 z = g(x. y.3) (2.6) (2. (2. Denotam-se as equações diferenciais com derivadas parciais como EDPs.9) é uma EDP.5) (2. t).8) (2. z.3).··· ) = 0 F (x.2) (2.1 Classificação As equações diferenciais classificam-se em: Equações diferenciais ordinárias: Sendo aquelas em que só há uma variável independente.4) caracterizado por apresentar derivadas ou diferenciais parciais. A equação (2.3).7) (2.32). a função incógnita depende só de x. Exemplo 2.2. Equações diferenciais com derivadas parciais: São aquelas em que há mais de uma variável independente.2.··· ) = 0 dx dx2 du dv F (x. . . y.

an = 0 onde aos ai ∈ R são constantes.8) e (2.6). A equação (2.5. então faz sentido a seguinte definição. Exemplo 2. de 3a ordem.8) é uma EDO de segunda ordem de grau quatro.2.5) é uma EDO de primeira ordem.3.7) é uma EDO de terceira ordem. (2. se consideramos z como uma função de y = y(x) (ou de alguma de suas derivadas) e consideramos as constantes ai como funções que não dependam de y = y(x). É por isto. esta noção de grau pode carecer de sentido em certos casos (aqueles em que a equação não fosse algébrica) como no exemplo (2. (2. Ordem. ∂x ∂x ∂x ∂ 2 y ∂y 5 ( ) é seis. Em analogia com esta definição de grau de uma equação em números reais. o grau de uma equação diferencial é a maior potência à que se encontra a ordem de uma equação diferencial. temos que fazer analogia com o grau no sentido algébrico de uma equação em números reais. Exemplo 2.9) são equações diferenciais de segunda ordem. A equação (2. Para falar de grau de uma equação diferencial. Segundo a ordem. considerando a derivada ou diferencial como se fosse uma incógnita numa equação algébrica. isto é.4. ∂ 2 y 4 ∂ 2 y ∂y 5 A equação ( 2 ) + 2 ( ) − x8 y 9 = cos x é de segunda ordem de grau quatro.2. O grau de uma equação diferencial é o “grau algébrico” a que se encontra elevada a derivada de ordem mais alta da função incógnita. Exemplo 2. Grau. etc.Christian José Quintana Pinedo 75 2. uma equação de grau n é da forma an z n + an−1 z x−1 + · · · + a1 z + a0 = 0.7) é de terceira ordem e primeiro grau. não obstante o grau da derivada Observe que o grau do término ∂x2 ∂x segunda é um.5) é de primeira ordem e de primeiro grau. . A equação (2. pois a derivada mais alta (a segunda neste caso) se encontra elevada à potência quatro. as equações diferenciais classificam-se em equações de 1a ordem (aquelas que apresentam diferenciais somente primeiras). Dizemos “ordem de uma equação diferencial” à ordem mais alta da derivada da função incógnita que nela comparece. A equação (2. Isto é.6). Definição 2. entanto a equação (2. de 2a ordem.2 Ordem e grau Definição 2.3.

2. Os proprietários solicitam a seu departamento de publicidade uma medida de impacto de publicidade.3 Problemas que conduzem a uma equação diferencial Na prática equações diferenciais aparecem de muitas formas. pois não pode ser escrita sob a forma de um polinômio na função incógnita e de suas derivadas. Exemplo 2. que a velocidade de esfriamento do corpo é proporcional à diferença entre a temperatura do corpo e a do meio ambiente. o número de derivadas que necessitamos utilizar é o mesmo que o número de constantes que aparece na primeira relação. 2. Outro método que utilizaremos é o de eliminação de constantes. Nem toda equação diferencial pode ser classificada segundo o grau. Problema: Achar a relação pela qual varia a temperatura do corpo em relação ao tempo. É possível resolver este problema? Solução.6. quando necessário temos que racionalizala respeito as derivadas que contenha e eliminar todas estas dos denominadores. Sabe-se pelas leis da física. Uma fábrica produz um determinado produto destinado à população onde existe um número m de potenciais compradores.76 Observação 2. Esta fábrica decide estabelecer uma campanha publicitária para promocionar o produto.10) onde k é a constante de proporcionalidade. iremos designar esta temperatura por y(t).que tem temperatura y0 no instante de tempo t = 0. Séries de Potências e Equações Diferenciais 1. existe um caminho para chegar as equações diferenciais que é útil para intuir a classe de soluções que se espera. 2.1. pelo fato que junto com a função desconhecida y(t) encontra-se sua derivada. Para obter o grau de uma equação diferencial.10) é o modelo matemático do processo físico dado. . Exemplo 2. É uma “equação diferencial”. Como a temperatura do corpo está em função do tempo. este método varia de acordo com a forma em que aparecem as constantes na relação dada. Pelo fato que em cada diferenciação aparece uma nova relação. Suponhamos que um corpo. tem-se que dy(t) = −k[y(t) − Tm ] dt (2. Por exemplo. em razão da presença do termo ey .7.6) não possui grau. se encontra colocado em um meio cuja temperatura é igual a Tm onde y0 > Tm . (2. A relação (2. Considerando que a função é decrescente em virtude da interpretação mecânica da derivada.

A derivada segunda é y = Bω 2 cos(ωx + α). Na literatura econômica a equação y(t) = Portanto. São circunferências de centro (a. 0) e raio a. onde Aqui temos que eliminar B e α. Derivando respeito de x obtemos y = −Bωsen(ωx + α). a equação diferencialquad (y 2 − x2 )dx + 2xydy = 0 tem como solução a relação (x − a)2 + y 2 = a2 . Solução. então dy = λy(m − y) dt onde λ é uma constante positiva.9. Derivando esta igualdade obtém-se 2(x − a) + 2yy = 0 de onde yy = (a − x) ou a = x + yy . Solução. como as pessoas que não conhecem o produto. Suponhamos que a velocidade com que varía o número de pessoas que conhecem o produto é proporcional ao número de pessoas que conhecem o produto. Obter a equação diferencial que tem como solução a relação ω é um parâmetro.8. . y + ω 2 y = 0 tem como solução y = B cos(ωx + α). na equação original tem-se (yy )2 + y 2 = (x + yy )2 ⇒ y 2 = x2 + 2xyy onde C1 é uma constante. y = B cos(ωx + α). a qual nos proporciona o número de pessoas que conhecem o produto ao tempo t. Elimine a constante a da equação (x − a)2 + y 2 = a2 a fim de obter uma equação diferencial. De onde y + ω 2 y = (Bω 2 cos(ωx + α)) + ω 2 (B cos(ωx + α)) = 0 Portanto. Podemos tentar uma solução na forma dy = λy(m − y) dt ⇔ 1 dy dy =λ + m y m−y ⇔ ⇔ Ln[y(m − y)] = mλ · t + C1 m 1 + Ce−λmt y(m − y) = Ceλmt y(t) = m é conhecida como a equação 1 + Ce−λmt da curva da logística. Exemplo 2. Exemplo 2. Logo.Christian José Quintana Pinedo 77 Seja y(t) o número de pessoas que conhecem o produto no instante t.

a equação diferencial y − y − 6y = 0 tem como solução y = C1 e−2x + C2 e3x . . Cn de uma relação da forma y = C1 em1 x + C2 em2 x + · · · + Cn−1 emn−1 x + Cn emn x nos conduz sempre a uma equação diferencial da forma an (x) dn y dn−1 y dy + an−1 (x) n−1 + · · · + a1 (x) + a0 (x)y = 0 dxn dx dx onde os coeficientes a0 .12) (2. Séries de Potências e Equações Diferenciais Elimine as constante arbitrárias C1 e C2 da relação y = C1 e−2x + C2 e3x a fim de obter uma equação diferencial.2. Este último método permite observar que a eliminação das constantes C1 .14) −2e−2x 3e3x 4e−2x 9e3x ⇒ y − y − 6y = 0. 2.4.10.13) consideradas como equações das incógnitas C1 e C2 podem ter solução somente se o determinante (Wronskiano) −y −y −y e−2x e3x (y − y − 6y) = 0 e−2x e3x =0 (2. an−1 . Solução. . C2 . Equação diferencial linear. Cn−1 . a1 . · · · . pelas propriedades da álgebra linear elementar que as três equações (2. · · · . a2 .33) e (2.11) (2. Uma EDO de ordem n na função incógnita y = f (x) dizemos que é linear se pode ser .4 Equações diferenciais lineares Definição 2. Derivando em relação a x podemos obter o sistema de equações lineares em C1 e C2 − y + C1 e−2x + C2 e3x = 0 −y − 2C1 e−2x + 3C2 e3x = 0 −y + 4C1 e−2x + 9C2 e3x = 0 (2. (5. an são constantes. pois e−2x e3x = 0 Portanto.11).13) Sabemos.78 Exemplo 2.

a0 (x) = 0. 1. formular matemáticamente o fenômeno que dá origem à equação. b(x) = −8x + 3. · · · n e b(x) supõem-se conhecidas. sobretudo. Exemplo 2. A variável dependente y = y(x) e todas suas derivadas são do primeiro grau. Definição 2. dependem apenas As equações diferenciais lineares são caracterizadas por duas propriedades. A equação (2. É fundamental não apenas saber resolver uma equação diferencial mas. 2. 2.5. As equações (2. formulamos o seguinte modelo matemático dy = ky(t) dt (2.2. a2 (x) = tan x. j = 0.15) depende apenas da variável x.1 Problema de crescimento Consideremos y(t) a quantidade de uma substância que sofrera um processo de crescimento (ou decrescimento) em um determinado instante t. Equação diferencial não linear. b(x) = 0. a potência de cada termo envolvendo y(x) é um. 2.16) .15) dizem-se não lineares.2. com b3 (x) = 6.5) é uma EDO linear de primeira ordem.15) As funções aj (x). isto é.Christian José Quintana Pinedo escrita sob a forma an (x) dn y dn−1 y dy + an−1 (x) n−1 + · · · + a1 (x) + a0 (x)y = b(x) n dx dx dx 79 (2. da variável x. onde esta variável independente t representa o tempo. uma vez que muitas leis e relações físicas podem ser formuladas matemáticamente por meio de uma equação diferencial.8) não são lineares. a1 (x) = 0. As equações diferenciais que não podem ser postas sob esta forma (2. Observação 2. 2.6) e (2.2.5. aqui a1 (x) = 1.7) é linear de terceira ordem. a0 (x) = 8x. A equação (2. 1.5 Motivação Dizemos que as equações diferenciais. Cada coeficiente de (2.11. são de grande interesse nas ciências exatas e nas engenharias. Admitindo que a taxa de variação é proporcional à quantidade de substância presente.

2 Variação de temperatura A lei de variação de temperatura de Newton estabelece que: “a taxa de variação de temperatura de um corpo é proporcional á diferença de temperatura entre o corpo e o meio ambiente ”. Denotando por T (t) a temperatura do corpo no instante de tempo t e por Tm a temperatura do meio ambiente.17) O sinal negativo em (2. (2.i.5. a lei de Newton é apresentada matemáticamente pela seguinte equação diferencial: dT = −k(T − Tm ).18) é obtida por integração com respeito à variável t e vem dado por A(t) = A0 exp( k t) 100 2. b0 ) junto com suas derivadas sucessivas até a de ordem n inclusive.5.16) integramos formalmente ambos os lados da EDO com respeito à variável t e obtemos y(t) = y0 ekt . Uma solução de uma equação diferencial de ordem n na função incógnita y na variável independente x.3 Juro Composto Seja A0 a quantidade de dinheiro aplicado a uma taxa anual de k%. no intervalo I = (a0 . dt 2. temos a seguinte formulação para o problema de se calcular A(t) dA k = A. aqui denominado “dado inicial”. dt k>0 ou T + kT = kTm (2.17) indica um processo de esfriamento. b0 ).v.80 Séries de Potências e Equações Diferenciais Para resolver a equação (2. dt 100 A(0) = A0 (2. dT e portanto < 0. de modo que .18) A solução do p.2. Se A(t) representa a quantidade de dinheiro ao final de t anos. Ao par constituído pela EDO (2. 2. onde y0 = y(0) representa a quantidade da substância no início do processo.2. Neste caso T (t) > Tm . computados continuamente.6.16) e pela condição inicial y0 = y(0) damos o nome de “problema de valor inicial ” e abreviamos pvi.3 Solução de uma equação diferencial Definição 2. é uma função y = f (x) definida no intervalo I = (a0 .

isto é F (x. f (x). esse é o ponto inicial da curva. y . Por exemplo a função f (x. Geometricamente. f (x). f (x). reproduz a equação diferencial inicial. · · · . f (x). As soluções das equações diferenciais podem ser apresentadas implícitamente ou explícitamente.1)). verifique uma identidade com respeito à variável x no intervalo I = (a0 .Christian José Quintana Pinedo 81 ao fazer a substituição y = f (x) na equação diferencial. Cada curva da família fica determinada por um só de seus pontos. · · · . y) = x2 + y 2 − 25 = 0 é uma solução implícita da equação diferencial dt x+y =0 dx Nem sempre é possível escrever uma solução explícita a partir da solução implícita. uma solução de uma equação diferencial ordinária F (x. a transforma em uma identidade da igualdade. Uma solução implícita de uma equação diferencial é uma função f (x. y . f (n) (x)) = 0 Figura 2.8. Em outras palavras. ela tem como solução explícita y(x) = Ce2x . y . . a mesma dada pela solução geral y = F (x. Suponhamos temos a equação diferencial y = 2x. y(x)) do conjunto de variáveis dependentes e independentes. Definição 2. y (n) ) = 0 é uma função f (x) que possui pelo menos n derivadas e satisfaz a equação. C). a qual. b0 ).1: para todo x no intervalo I = (a0 . esta. através de derivações implícitas. Definição 2. Uma solução explícita de uma equação diferencial é uma função y = y(x) do conjunto das variáveis independentes. uma equação diferencial representa uma família de curvas (Figura (2. pois se substituirmos y(x) na equação y = 2x obtém-se uma proposição verdadeira para a igualdade. y. a qual quando substituída na equação diferencial. As propriedades resultantes do estudo da equação diferencial serão as que dependem do parâmetro C (a constante C).7. Cada curva leva o nome “curva integral da equação”. b0 ).

dadas as coordenadas de um ponto P (x. Essa EDO pode ser classificada como linear de primeira ordem.2. y). uma direção determinada nesse ponto.13. Exemplo 2. derivando duas vezes esta função.82 Séries de Potências e Equações Diferenciais Físicamente.20) onde C é uma constante arbitrária a ser determinada quando for imposta a condição adicional. dentro de certo domínio D. matemáticamente pode ser enquadrada no seguinte modelo geral y + a(x)y = b(x) (2. logo em seguida integramos este resultado . transformando-a em uma derivada total. y). Substituindo na equação diferencial y y = −senx − cos x. tem-se y = cos x − senx. Sejam c1 e c2 constantes arbitrárias.5.19) onde as funções a(x) e b(x) são supostamente contínuas. . Solução. Com efeito. uma equação diferencial define. A solução da equação diferencial y +y = 0 é dada pela função y = senx+cos x. verifique se y(x) = c1 sen2x + c2 cos 2x é solução da equação diferencial y + 4y = 0. pois. obtemos y = e− a(x)dx C+ b(x)e a(s)ds dx (2. Cada modelo apresentado nos exemplos de motivação na Seção 2. resulta a identidade ∀x∈R (−senx − cos x) + (senx + cos x) = 0. ∀x∈R ∀x ∈ e y por suas expressões. um campo de direções.12. a equação que passa por esse ponto será y = f (x. R.19) multiplicamos ambos os lados da igualdade por g(x) = e a(x)dx . Assim y g(x) + a(x)yg(x) = b(x)g(x) ⇔ ⇔ d ye a(x)dx = b(x)e a(x)dx dx e integrando esta última igualdade com respeito à variável x. Exemplo 2. Formalmente. isto é. para resolver a equação (2.

Observação 2.3.15. +∞). comparando com (2. É possível também uma EDO admitir uma única solução ((y )4 + y 2 = 0). Somando estas duas igualdades segue que (y )4 + y 2 = (4x2 ) + (x4 − 2x2 + 1) = x4 + 2x2 + 1 = −1 qualquer que seja o valor de x ∈ R. y(x) = c1 sen2x + c2 cos 2x é solução da equação diferencial y + 4y = 0. Podemos observar entretanto que algumas equações diferenciais admitem infinitas soluções (Exemplo (2.13)) entanto outras não admitem nenhuma solução (Exemplo (2. obtemos y = e− ln senx C + onde y(x) = 1 1 C + sen2x é a solução procurada. de onde y + 4y = 0. senx 2 y = x2 − 1 é uma solução de (y )4 + y 2 = −1 cos 2x Lnsenx e . A derivada segunda de y(x) = c1 sen2x + c2 cos 2x respeito de x é y”(x) = −4c1 sen2x − 4c2 cos 2x.14. Exemplo 2. Tem-se que y = 2x. determine a solução da EDO senx Solução. y 2 = (x2 − 1)2 = x4 − 2x2 + 1. tem-se que a(x) = cot x e b(x) = senx Assim a solução geral da EDO será y = e− cot xdx dy + y cos x = cos2x.15)) neste último exemplo y = y(x) ∈ R e a soma de quadrados nunca é menor do que zero. . Verifique se: Solução. Logo. senx Exemplo 2. Usando a fórmula (2. Esta última expressão podemos escrever na forma y (x) = −4(c1 sen2x + c2 cos 2x) = −4y. qualquer que seja o valor de x no intervalo (−∞. logo (y )4 = 16x2 . dx 0<x<π C+ cos 2x e senx cot xdx e usando Ln(senx) como uma primitiva da cot x.Christian José Quintana Pinedo 83 A derivada primeira de y(x) = c1 sen2x+c2 cos 2x em relação a x é y (x) = 2c1 cos 2x− 2c2 sen2x.20) senx cos 2x . Por outro lado. Portanto. cos 2x Esta EDO pode ser escrita na forma y + y cot x = . y = x2 − 1 não é uma solução de (y )4 + y 2 = −1.20).

C) representa uma família de curvas no plano-xy. y). é uma função y = ϕ(x. Depois de 75 minutos T (75) = 90o C. uma solução particular é qualquer solução da mesma. 2. Quando será a temperatura do assado igual a 150o C? As 17 : 00 tem-se que t = 0 ⇒ Seja Ta a temperatura do ambiente. Solução Particular Uma solução geral da equação diferencial y = f (x. 0047. isto é. C0 ) satisfaz a equação diferencial e a condição inicial.1 Solução Geral. é posto em um forno a 280o C às cinco horas da tarde. 1 = T − 280 k · dr ⇒ −Ln(T − 280) = kt + C T = 280 − Ae−C onde A = e−C ⇒ A = 270 1 190 Quando t − 75 ⇒ T (75) − 90 ⇒ 280 − 270e−kt = 90 ⇒ k = − Ln 75 270 logo k ≈ 0. Em geral. Um assado pesando 2. C) que depende de uma constante arbitrária C que satisfaz as seguintes condições: 1. 2. T (t) = 280 − 270e−0. 0047 270 A temperatura do assado sera igual a 150o C por volta das 19 : 35 min Quando t = 0 ⇒ T (0) = 10 ⇒ Portanto. Dada uma condição inicial arbitrária y(x0 ) = y0 .16. então 150 = 280−270e−0. A função y = ϕ(x. T (t) = 280 − 270e−kt .84 Séries de Potências e Equações Diferenciais 1. estas curvas são chamadas curvas integrais. dT = −k(T − Ta ) dt ⇒ ⇒ − T (0) = 10o C. . 280 − 10 = A 2. uma equação diferencial ordinária de ordem n tem.3. estas curvas integrais não se interceptam. uma solução que contém n constantes arbitrárias. inicialmente a 10o C. ∗ Seja t∗ o tempo para ficar a temperatura em 150o C.0047t . sempre é possível determinar um valor C = C0 tal que a função y = ϕ(x.0047t ⇒ 1 130 t∗ = − Ln ≈ 155 min 0. C0 ) é chamada de solução particular. Depois de 75 min a temperatura T (t) do assado é de 90o C. 5kgf . Geometricamente a solução geral y = ϕ(x. É solução da equação diferencial para qualquer valor de C. Quando as condições do teorema de existência e unicidade se cumprem. O processo da obtenção das soluções de uma equação diferencial é chamado de “integração da equação diferencial” Exemplo 2. Assim.

2. por exemplo observe que |y | + |y| = 0 não tem solução geral.18.4. isto podemos verificar derivando e substituindo na equação original. Estudaremos que as condições sob as quais as equações diferenciais têm soluções. 85 Para a equação diferencial do Exemplo (2. Esta solução representa uma família de retas. A solução geral de uma equação diferencial nem sempre pode ser expressa mediante uma fórmula única. esta solução é chamada “solução singular ”. Existem equações diferenciais que não tem solução.13) tem-se que y(x) = 3sen2x + 5 cos 2x é uma solução particular. por exemplo observe que (y )2 + 1 = 0 não tem solução para y = y(x) ∈ R. que não pode ser obtida a partir da solução geral.17. Exemplo 2.Christian José Quintana Pinedo Exemplo 2. pois sua única solução é y = 0. . A equação diferencial (y )2 − xy + y = 0 (2. são bastante gerais.3. que admite soluções particulares 1 y= e y = 0. Para a mesma equação diferencial Exemplo (2. Observação 2. 1 Também podemos verificar que a função y = x2 é uma solução particular da EDO 4 (5. x Neste caso as equações diferenciais lineares constituem casos especiais.21) tem como solução geral y = Cx − C 2 . para cada valor da constante C. suas soluções gerais serão discutidas posteriormente. Por exemplo. consideremos a equação y + y 2 = 0. Estas soluções não são de interés para os estudos en engenharia e só é mencionada como referência como mostra o exemplo[8].2 Solução Singular Existem situações em que uma equação diferencial pode ter uma solução adicional. Existem outras equações diferenciais que não tem solução geral.9) não obstante esta equação da parábola não podemos obter a partir da solução geral y = Cx − C 2 .13) tem-se que y(x) = c1 sen2x + c2 cos 2x é uma solução geral.

O problema da busca da solução da equação diferencial y = f (x. As condições subsidiárias são condições iniciais. y (π) = 2 é um problema de valor inicial. Exemplo 2. Definição 2. se cada um do seus pontos infringe a propriedade da unicidade.3 Problemas de valores iniciais Um problema de valor inicial consiste em uma equação diferencial. De existência e unicidade (Picard). y). a) O problema y + 2y = ex . Uma solução y = g(x) da equação diferencial F (x. juntamente com condições subsidiárias relativas à função incógnita e suas derivadas. y ) = 0 dizemos que é singular.86 Séries de Potências e Equações Diferenciais 2. |y − y0 | ≤ b } do plano-xy que contêm o ponto (x0 . no região R. |x − x0 | ≤ a. y) ∈ R2 /.19. ii) Admitir derivada parcial ∂f contínua com respeito a x e y.1. Se a função f (x. no região R. se por cada um do seus pontos (x0 . y0 ). y(0) = 1. Uma demonstração encontra-se em [2]. Se as condições subsidiárias se referem a mais de um valor da variável independente. y (1) = 2 é um problema de valor de contorno. Para a demonstração deste teorema se requer conceitos mais avançados da matemática e não é propósito destas notas. e as condições dizem-se condições de contorno. ∂y Então existe uma. y0 ) a mesma tangente que a solução y = g(x). y0 ). y0 ) ademais desta solução.9. A solução singular não é deduzida da solução geral. e somente uma solução y = y(x) da equação dada que satisfaz o problema de valor inicial y = f (x.3. y(x0 ) = y0 . onde a função f (x. Teorema 2. porém que não coincide esta última em nenhuma vizinhança do ponto (x0 . o problema é um problema de valores de contorno. Isto é. y) que satisfaz a condição y(x0 ) = y0 do pvi é chamado problema de Cauchy. passa também outra solução que tem no ponto (x0 . tudo dado para um mesmo valor da variável independente. y) satisfaz as condições: i) Ser função contínua nas duas variáveis x e y. y) está definida no recinto R = { (x. y). b) O problema y + 2y = ex . Solução singular. pois as duas condições subsidiárias são dadas em diferentes pontos x = 0 ou x = 1. Seja dada uma equação diferencial y = f (x. . pois as duas condições subsidiárias são ambas dadas no ponto x = π. y. y(π) = 1.

A velocidade de desintegração do Rádio é diretamente proporcional à sua massa no instante considerado. tem-se que f (x.22. y y dy y − → Nos pontos (x0 . quando t = 0 segue que a massa inicial era m(0) = m0 = Ae−k·0 Portanto. y) = xy+e−y . m(t) = m0 e−t . y). 2. A massa do objeto pode ser expressa em relação ao tempo t. y) = 2 . = − 3.20. porém estas condições não são necessárias. 000436a−1 ) Solução. Pode existir uma única solução da equação y = f (x. 87 são contínuas com respeito a x e y em todos os pontos do plano-xy. A calcular t1 quando m(t1 ) = m0 = m0 e−kt1 2 ⇒ m0 sabendo que k = 0.1) expressa condições suficientes para a existência de solução única do problema de Cauchy para a equação y = f (x. y0 ) pode não cumprir a condição (i) ou (ii) ou estas duas condições simultaneamente. y) que satisfaz a condição y(x0 ) = y0 não obstante no ponto (x0 . isto é m(t). 1.21. sabendo que no instante t = 0 a massa era m0 . 000436a−1 . O Teorema (2. 1 1 df 2 Seja y = 2 . Determine a lei de variação da massa de Rádio em função do tempo. a região onde a equação tem única solução é todo o plano-xy.Christian José Quintana Pinedo Exemplo 2. Aqui f (x.1). Dada a equação diferencial y = xy+e−y . Exemplo 2. − → Porém por cada ponto do eixo 0x passa somente uma curva integral y = 3 3(x − x0 ). 0) do eixo 0x não satisfaz as condições (i) e (ii) do Teorema (2. Exemplo 2. então temos que dm = pkm dt ⇒ 1 dm = −kdt m ⇒ ⇒ 1 dm = − m kdt df = x−e−y dy Ln(m) = −kt + C m(t) = Ae−kt onde A = eC ⇒ m0 = A. com efeito 2 ⇒ kt1 = Ln2 ⇒ t1 = 1 Ln2 ≈ 1590 anos k ekt1 = 2 . Qual o intervalo de tempo necessário para que metade da massa inicial de Rádio se desintegre? (k = 0. 1. Em virtude do teorema de existência e unicidade. 2.

20Ln8 = 60min Ln2 Exemplo 2. Isto é p p A = eC . dentro de quanto tempo sua temperatura descerá para 30o C? Solução. Calcular novamente a população limite do sistema. Exemplo 2. 20 t Portanto. a velocidade de resfriamento de um corpo no ar é proporcional à diferença da temperatura T do corpo e a temperatura Ta do ambiente. Calcular p(t) para f (p) = β · p. Se a temperatura do ambiente é de 20o C e a temperatura do corpo cai em 20 minutos de 100o C a 60o C. 2. e determinar a população limite do sistema. o intervalo de tempo necessário para desintegrar a metade de sua massa inicial é de 1590 anos. dp = β·p ⇒ dt p(t) = Aeβt onde 1 1 dp = βdt ⇒ dp = βdt logo Lnp = βt + C. Encontrar p(t) para f (p) = β · p − Ap2 .23. dt 1. a razão de crescimento da população p é uma função da população dp f (p). Quando t = 0 tem-se p(0) = p0 ⇒ p0 = Aeβ·0 = A. 40 1 = assim −20k = 80 2 ⇒ 1 dT = −k T − Ta ⇒ T − Ta = e−kt · eC T = Ta + Ae−kt ⇒ Quando t = 0 segue que T (0) = 100 = 20 + Ae−k·0 Assim. T (t) = 20 + 80 exp − Ln2 descreve o modelo. Segundo a lei de Newton.88 Séries de Potências e Equações Diferenciais Portanto.24. tem-se que T (t) = 20 + 80e−kt Se t = 20 ⇒ T (20) = 60 = 20 + 80e−20k ⇒ e−20k = −Ln2 de onde k = 1 Ln2. tem-se que − dT = k · dt T − Ta ⇒ ⇒ dT = −k(T − Ta ). onde β e uma constante positiva. logo dt dt ⇒ Ln(Ta − T ) = −kt + C onde A = eC A = 80. 20 A calcular t1 para obter 30o 30 = 20 + 80 exp − ⇒ t1 Ln2 20 ⇒ ⇒ 10 = 80 exp − t1 = t1 Ln2 20 t1 1 = exp − Ln2 8 20 Portanto em 60 min teremos 30o C. 1. Solução. Numa colmeia. Pela lei de Newton. Assim = f (p). . onde β e A sao constantes positivas.

22) onde a função F é supostamente diferenciável em alguma região do plano euclidiano tridimensional R3 . Tem-se dp = βp − Ap2 dt ⇒ 1 dp = dt βp − Ap2 dt ⇒ 1 A A β 1 ( + p 1 )dp = −p dt 89 1 dp = βp − Ap2 1 β [Lnp − Ln( − p) = t + C] β A onde D = eβC .24) .3.23) dx supondo Fy = 0. 2. Para cada valor de λ. λ) = 0 (2.34) descreve uma curva no plano-xy e por diferenciação formal com relação à variável x. supondo p0 fixo quando t → ∞ segue que p(t) → ∞. y. supondo p0 fixo quando t → ∞ segue que p(t) → 1 + p0 Deβt 2. p0 β A ⇒ β pA = et+C β − Ap ⇒ p(t) = βDeβt 1 + p0 Deβt βDeβt . resolvemos esta última equação para obter Fx dy =− dx Fy que representa a declividade das curvas descritas por (5. Portanto. obtemos usando a regra da cadeia a seguintes equação dy Fx + Fy · =0 (2. a equação (5.Christian José Quintana Pinedo Portanto p(t) = p0 eβ·t . p(t) = β .34) e cuja família de curvas (ou trajetórias) ortogonais terá declividade dy Fx = dx Fy de onde obtém-se a equação diferencial Fx · dy − Fy · dx = 0 (2.4 Campo de direções Consideremos no plano-xy uma família de curvas e um parâmetro descrito pela função F (x.

y. como por exemplo se são assintóticas a uma reta. y) e sabendo que a primeira derivada representa a direção no plano-xy.24) asume a forma xdy − ydx = 0 ou dx dy = y x de onde integrando a ambos os termos obtém-se y = ±Cx que representa uma família de retas passando pela origem.25. O campo de direções da equação y = −2x2 + y 2 e quatro curvas solução da equação diferencial que passam pelos pontos (0. dada a equação diferencial y = f (x. Figura 2. 1) e (0.90 Séries de Potências e Equações Diferenciais cuja solução irá descrever a família de trajetórias ortogonais às curvas descritas por (5. (0.3) . se são fechadas. A este campo de direções chamamos o campo de direções ou campo de inclinação da equação diferencial y = f (x. abertas. temos F (x. λ>0 Neste exemplo. Exemplo 2.26. y).34) Assim. 0). (0.2). Essa família de retas representa as trajetórias ortogonais à família de circunferências dada como mostra a Figura (2. Consideremos a família de circunferências descritas pela equação: x2 + y 2 = λ. λ) = x2 + y 2 − λ = 0 e a EDO (2. 2).2: Exemplo 2. −1) respectivamente são mostrados na Figura (2. podemos por tanto associar a cada ponto (x. etc. y) uma direção. Este campo de direções nos permite inferir propriedades qualitativa das soluções.

y). Dependendo da forma que assumem as funções M (x. y) = ∂y ∂x (2.25) é chamada forma diferencial de uma equação diferencial de primeira ordem. ou de variáveis separáveis. y) satisfazem a relação: ∂M (x. 2.25) A expressão apresentada em (2.Christian José Quintana Pinedo 91 Figura 2. esta forma diferencial apresenta duas categorias de equações diferenciais.26) .1 Equações de variáveis separáveis Seja uma equação diferencial na forma (2. a equação diferencial se diz separável. y) de onde dy = f (x. resulta y = f (x. y) e N (x. 2.25). y) e N (x. y) ∂N (x. Se M (x. 2.4 Classificação das EDO de primeira ordem A forma geral de uma equação diferencial de primeira ordem é F (x. y)dx. y.1.4.1 Forma Diferencial Suponhamos temos uma equação diferencial da forma: M (x. y) = A(x) e N (x. Nesta última igualdade para o caso seja possível isolar y .25) em que as funções M (x. y ) = 0. y)dy = 0 (2.2 Equações exatas Equações diferenciais exatas são do tipo (2. As chamadas “equações diferenciais de variáveis separáveis” e as “equações diferenciais exatas”.4.4. y) = B(y).1.3: 2. y)dx + N (x.

y). f (x. g(sx. y) para algum número λ ∈ R. f (tx. Se uma função f (x. y). Exemplo 2. resolvendo algébricamente em relação à função y . y) = 2(sx)3 + 5(sy)3 = s 2x3 + 5y 3 = s3 g(x. a) Para a equação diferencial y = y + senx.4. esta forma normal apresenta duas categorias de equações diferenciais. então a igualdade dada em (2. sy) = 3 2x3 + 5y 3 é homogênea de grau . contudo ser posta. ex y = −e2x y+senx ⇒ y = −ex y+e−x senx e f (x. 4.11.27. y)dy = 0 é chamada homogênea se ambos os coeficientes M e N são funções homogêneas do mesmo grau. y) = 2 . y). h(x.10. As chamadas “equações diferenciais homogêneas” e as “equações diferenciais lineares”. f (x. 5 √ 5 √ 5 3 5 5 Com efeito.2 Forma Normal dy M (x.27) Dependendo da forma que assume a função f (x.2.4. então dizemos que f é uma função homogênea de grau λ. y) Exemplo 2. temos f (x. sob a referida forma. 2. Com efeito. y) e supondo que podemos escrever sob a forma dx −N (x. ty) = (tx)2 + 5(tx)(ty) − 6(ty)2 = t2 (x2 + 5xy − 6y 2 ) = t2 f (x. temos f (x. 1. y) f (x. .92 Séries de Potências e Equações Diferenciais 2. y) = −ex y+e−x senx. 3yx2 3yx2 b) Para y = 2 . y) satisfaz f (tx. (2. podendo. x + y4 x + y4 c) A equação diferencial ex y + e2x y = senx não esta na forma normal. y) 2. ty) = tλ f (x. Função homogênea. g(x. Uma equação diferencial da forma M (x.1 Equações Homogêneas Definição 2. y) = x2 + 5xy − 6y 2 é homogênea de grau dois.25) podemos escrever como y = f (x. y) = x + y 2 + 3 é homogênea de grau zero. y) = 2x + 9 não é homogênea. y) = y + senx. A forma normal de uma equação diferencial de primeira ordem é da forma: Lembrando que y = y = f (x. 5y Definição 2. Assim. y)dx + N (x. y) 5 3.28.

2. nem pode ser transformada em nenhuma delas. No sentido do contexto das equações diferenciais de primeira ordem é que a palavra “homogênea” tem o significado descrito acima. em geral. . isto é.27). Com efeito. y) para todo t ∈ R {0}.29) xy 2 + x2 y (tx)(ty)2 + (tx)2 (ty) = = f (tx. como o produto de uma função de x por y. y) = −p(x)y + q(x). A EDO não linear (xy 2 + x2 y)dx + (x2 y − xy 2 )dy = 0 é homogênea. técnicas analíticas para obtenção da solução. ty) para todo t ∈ R {0} x2 y − xy 2 (tx)2 (ty) − (tx)(ty)2 É importante salientar que a maioria das equações diferenciais de primeira ordem não se enquadra em nenhuma dessas categorias. sempre expressarse na forma y + p(x)y = q(x) (2.2 Equações Lineares Seja uma equação diferencial na forma normal (2. Ou seja. y) = Observação 2. então a equação diferencial é uma equação linear.5. para a maioria das equações diferenciais. (2. No sentido geral para equações diferenciais. não há.28) Exemplo 2. mais outra função de x. se f (x.Christian José Quintana Pinedo 93 Em outras palavras. y) pode-se escrever como f (x.4. dizemos que uma equação diferencial na forma normal (2.2.29. ty) = tλ f (x. a palavra “homogênea” tem significado totalmente diferente. As equações diferenciais lineares de primeiras ordem lineares podem.27) é homogênea se f (tx. a equação diferencial podemos escrever na forma dy xy 2 + x2 y =− 2 dx x y − xy 2 observe que f (x.

94 Séries de Potências e Equações Diferenciais .

(y )2 − 8xy + 2xy = 0 7. 9. t2 12. y − 9xy = senx + 2 3. Cy 2 = x2 + y 2. y = x2 C1 + C2 e2x 3.. 3x − y − 1 4. 2. elimine as constantes arbitrárias e construa a equação diferencial respectiva. equação: y + 2y + y = x. Para cada exercício. − 9p = 0 dp6 6. y = xC1 + xC2 e−x 3. y 2 = 4Cx 7. y = C1 cos(ωx) + C2 sen(ωx) 9. ds =t dt √ 5. 2y = 3 3 y 2 9. y = seny − cos y 11. y = x−y 10. y = C1 + C2 e−3x 11. x4 y (4) + 2xy = ex 2. y = y + 3 3 y 6. y = x2 + y 2 x−y y+1 7. y = x + C1 e−x + C2 e−3x 12. função: y(x) = 2e−x + xex . função: y = 1. y = 1 − y2 8. as funções indicadas é solução da equação 1. 1. Determine se. .Christian José Quintana Pinedo 95 Exercícios 2-1 1. y (5) + xy + x2 y + cos y = 0 11. o grau (quando possível) e a linearidade. y = Cx + C 2 + 1 8. x2 y = 1 + Cx 10. xy − x2 y + Lnx y = x2 = x − 1 −