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o

W.

LIVRO TIBETANO DA GRANDE

Y.

Evans- Wentz

(arg.)

LIBERA~AO

Este volume, o quarto da famosa série que o dr. Evans-Wentz escreveu sobre o Tibete, contém ensinamentos extremamente impor­ tantes de ilustres gurus do Tibete e da India. Desconhecido no mundo ocidental até sua primeira publica9ao em 1954, O livro tibetano da grande libera~ao exp6e a quintessencia do Caminho Supremo, o Ma­ hayana, e revela o método iogue de obter a ilumina9ao através do conhecimento da Mente Una e da Consciencia Cósmica Universal, sem a ajuda de posturas, de técnicas respiratórias e outras, em geral associadas as demais iogas.

Num longo comentário, C. G. Jung fala sobre as diferen9as entre os modos oriental e ocidental de pensamento e equipara o "incons­ ciente coletivo" a Mente Budista Iluminada.

o texto original desta ioga pertence a cole9ao de tratados do Bardo Thodol, relativa a vários métodos de obter a transcendencia. Toda essa série de livros pertence a escola tantrica do Mahayana. O livro tibetano da grande libera~iio é atribuído a Padma Sambhava que, a convite de um rei tibetano, viajou da India para o Tibete, no século VIII.

Um relato sobre a vida desse grande guru e sobre as doutrinas secretas precede o texto propriamente dito. A última parte da obra apresenta os ensinamentos legados pelo guru Phadampa Sangay, tra­ duzidos pelo Lama Kazi Dawa-Samdup, que também traduziu os ou­

tros livros da cole9ao: O livro tibetano dos martas, A ioga tibetana e as doutrinas secretas e Milarepa - História de um yogi tibetano.

EDITORA PENSAMENTO

O S OITO GURUS

UVROI

UMEPITOME

DA VIDA E DOS ENSINAMENTOS

DO GRANDE GURU

PADMA-SAMBHAVA

DOTIBETE

DE ACORDO COM A BIOGRAFIA FElTA POR SUA PRINCIPAL DISCfi>ULA,

A DAMA TIBETANA YESHEY TSHOGYAL, ENCARNAC;AO DE SARASVAn,

DEUSA DA APRENDIZAGEM. •

Baseado nos excertos vertidos para o ingles pelo falecido Sardar Bahiidur S . W. Laden La, C. B. E., F . R. G. S., com o auxilio do Lama Sonam Senge

• Os d iverso s t ítulos d ado s a BiograIllI sao aprese ntad os aq ui, tanto ero tradUf;iio tibe ta­

da

na com o ingl esa, n o Co! o f líO, a p ágina 138 . O t ítulo mais geral, q ue est á n o primeiro fóli o

c6pia xilográfica, é o seguinte:

. "Aqu i est á con tid.a a Biografia In tegral do Duro [dos E nsinamento sl que f1uminam o

Hby ung-gnas gy i Rnam-thar Rgyas·pa Gser·gyi Ph reng· ba Th ar-Iam Gsal-byed

Guro Urgyan Padrna·Sambh ava:"O R osário de Caminho da Liberar;ao" «(J.rgyiin Guro Pad·ma

Bzhug-so) ."

o Plenamente Iluminado

" Sabei, Vasetha, que d e tempos em tempos em Tathagata n asce no mundo, um Plenamente Ilunúnado, aben~oado e poderoso, cheio de sa­ bedoria e bondade, fe liz , tendo conhecimento do mundo, insuperável como guia para os mortais errantes, um professor de deuses e homens, um Buda Aben~oado. Ele por Si s6 entendeu profundamente e viu, co­ mo se estivesse frente a frente, o Universo - o mundo lA de baixo, com todos os seus seres espirituais, e os mundos lA de cima, de Mara e Brah­ ma - e todas as criatu ras, Samanas e Bráhmins, deuses e homens; e Ele, entao, tornou o Seu conhecimento conhecido dos outros. Ele pro­ clama a Verdade, em forma e conteúdo, bela na sua origem, bela no seu progresso, bela na sua consuma~ao; Ele revela a Vida mais Elevada em toda a sua pureza e perfei~ao."

o Buda, Tevigga Suttanta, 1,46

(baseado na tradu~ao contida em

The Library of

Original Sources, i, org. por Oliver J. Thatcher).

INTRODUyAO

Neste livro , Padma-Sam bhava é aprese n tad o como a divina personifi~o do idealismo tibetano, como uro Herói d a Cultura, maior até do que o Buda Gautama.

As mar avilh as do mito oriental, o mistério d as doutrinas secret as do MahiJyli1la e os

Como os celt as Arthure Cuchullain, os es­

can dinavos Oclin e Thor, os gregos Orfeu e Odisseu, o u os e gípcios Osíris e Hermes, o Nascido-do-Lótus pertence a urna linhagem super-humana, que transcende a pompa, as circunstanci as e as co nve n ~ es do mund o.

Na Saga d e Cesar, a llíada da Ásia Central , as herói cas caracte rísti cas de Padma­ Sambhava t ambém sao enfatizadas. 1 Enquanto Gesar, o rei-guerreiro supemormal­ mente dotado, vence a violencia e a inj ustiya, a missao d o Grande Guru é destruir o erro e estabelecer o DhaT77U1. Provavelmente , em m ais nenhum lugar da literatura sagrada da Hwnanidade se encontra um paralelismo mais notável do que o existente entre os relatos das extra­

pro digios da magia lh e servem de auréola.

ordinárias característi cas at ri buidas a Pa dma-Sambhava e as atribuídas a Melquizede­ que. Eram eles Reis da Correyao, Reís da paz e altos sacerdotes. Nenhum deles, como

nem genealogía , n ao t end o nem in ício

sempre sacerdotes". 2 Da mesma forma, os dais,

sendo sucessores dos Grandes Mestres, fundaram urna fratemidade espiritual oculta:

a de Melquizedequ e data tra dicionalment e do século VI a.C . e a de Padma-Sambh a­ va, da metad e d o sécul o VllI A.D. Nada é conhecido sobre a origem ou o fim des­

ses dois her6is . De acordo com a tradi9ao , acredita-se q ue os

Ao historiador e estudioso das o rigens religiosas, nao menos que aos antropó­

logos, este Ep í tome da Biografia d o Grande G u ru provará ser d e valor insuperável. Ela n[o s6 ilust ra o processo de deifica9ao de alguém que, sem dúvida, foi um perso­ nagem histórico, mas também fo mece tra90s do n otável estado cultural da IÍl di a de d ore séculos atrás , apresentan d o al gumas ded uy ~es de g ran de alcance , q ue f or aro atingidas por urna sucessao de Sábios da Escola MahiJyiína, relacionada com o proble­ ma m aior d a Reali cl ad e .

Biografia

contém muito mais d o que seria do simples interesse dos budistas de todas as escolas.

é díto de Melquizedeque , "tinha pai nem fim de vida" e "permaneceram

nem mlie,

dois jamais morreram. 3

A. parte os mi tos, as tradiy Oes po pular es e a dou trin a d os gurus, a

I Cf. The Superhuman Life of Cesar of Ling, de Alexandra David-Néel e do Lama Yong­ den (Londres, 1933).

2

Cf. Hebreus, vii. 2-3.

3

[bid., vi. 20; VÜ. 17.

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Isso flca claro nas se~&s do Epítome sobre a ordena~a-o de Padma, feita por Ánan­ da, na hist6ria do monge infi el, de como !manda foi escolhido como o discípulo prin­ cipal, o testemunho de Ananda com rela~o a Buda e as Escrituras e o notável relato da derrota dos nao-budistas em B5dh-Gaya na disputa e na mágica. Ache ou 1Ú0 apropriado o budista Theravada dar crédito a estes relatos do Maháyano relacionados eom a vida e os ensinamentos do Buda, pelo menos eles m ostram que no Budismo, as­ sim como no Cristi anismo e em outras religH~es, existe urna literatura apócrifa. Os re­ latos, em si , s~o valio sos para o estudo das o rigens bud is t as . A respeit o dos estranhos incidentes e d as várias dou trinas descritas n o Ep ítome,

o leitor tem que ser o j uiz. Neles, sem dúvida alguma, o racional e o irracional se mis­ turarn, bem como o exotérico e o esotérico. Mas, subjacente a Biografia do Grande

Guru e m se u todo, ex iste o disce mimen to d a C orret a Inten~ao da ilustr e dama ti be­ tana Yeshey Tshogyal que , como registra o Colofiio do text o tib etano, compílou-a em

forma manuscrit a hA uns núl e duzent os

a nos at r ás e, depo is, esconde u-a n um a caver­

na

, no Tibete , ande ela fl eou até ehegar

o tempo da sua descobert a e transmiss ao

pa­

ra

a nossa época. Cada lei t o r do Epítome, que se segue agora, é seu de vedor, assim co­

mo o discípulo fiel é um devedor do seu p receptor.

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o EPITOME DA BIOGRAFIA DO GRANDE GURU

A PROFECIA DO BUDA SOBRE O NASCIMENTO DE PADMA-SAMBHAVA

para falecer, em Kushinagara, I e os Seus discípulos cho­

ravaro, Ele lhes disse: "Se ndo o m undo tr ansit6rio e a morte inevitável para todas as

coisas vivas, chegou

a minha partida, de urna

país de Urgy an,3 n ascerá

do qu e Eu mes m o_ Ele se chamará Pa dma -Sambhav it e a Doutrina Esotéric a será es­ tabelecida por Ele_"

o t empo da Minha partida_ Mas nao choreis, pois doze anos após

flor-de -ló tus , no Lago Dh anakosha, 2 no canto n oroeste do aqu ele que será mais sábio e mais poderoso espiritualmente

Quando o Buda estava

O RE! INDRABODID

No país de Urgyan (ou Udyana), a oeste de Bodh-Gaya, existia a grande cidade de Jatumati, onde h avia um p alAcio, que se ch amava "Palácio da Esmeralda" , onde

urna ¡mensa riqueza mundana, p o der , e

fosse aben 90ado coro quinhentas rainhas, cem ministros budist as e cem ministr os

nao-budistas, In drabodhi era cego e seu s su balternos o chamavam de " o mais po dero­ so rei sero olhos"_ Quand o o seu filho único e h erdei ro morreu , e a fome, logo em se ­ guida, enfraqueceu o seu reino, Indrab odhi chorou, d omina do pe l o infortúnio_ Con­ solado por um ioguirn, o Re i reuniu os sacerdotes e eles fizeram oferen das aos deuses

e leram os livros sagrados.

todas as suas possessOes; e os seus tesauros e celeíros foram esvaziados. No fIm, os

seus sú dítos estavam tao empobrecidos que fo ram obrigados a comer os graos novos

e verdes e at é mesmo as suas fl ores .

residía o Rei Indr abodhi_ Em bo ra possu ísse

Depois, o Reí prestou juramento de fazer caridade, d o ando

I Kush inagara, o lugar do Pari-Nirvana do Bu da , [jea a cerea de trinta e cinco rnilhas a les­ te da moderna Gorakpur. Kush inag ara q uer diz er "Cidade (ou Lugar) da erva Kusha", urna erva sagrada para os ioguins (ver página 110n).

2 De acordo com alguns relatos, o Lago Dhanakosha ou, como tambérn é chamado, o La­ godo Lótus (em tibetano: Tsho-Padma-chan) [jca perto de Hardwar, nas Províncias Unidas da [ n­ dia, embora geralmente seja dito que ele [jea no país de Urgyan (ou Udyana).

3 Dizem que Urgyan (ou Udyana) correspondia ao país perto de Gazni, ao noroeste da úchemira. (Cf. L. A. Waddell . op. cit. , pág. 26.)

4 Ou o "NascidCHio-Lótus" _ Ver págs. 95 e 125.

o ABATIMENTO DO RE!

Oprimido pelo pensarnento de n~o ter herdeiro, o Rei fez oferendas e orou :\s deidades de todas as principais fé s; mas, como nenhum fliho lhe fo i concedido, perdeu a conftanr¡:a em todas as religi<5es. En~o, um día, foi até o telliado do palácio e fez

soar o tambor da co nvocaylfo e, quando todo

o pavo h avia chegado, dirigiu-se aos sa­

cerdotes reunidos da seguinte maneira: "Ouvi cada urn de vós! Eu orei :\s deidades e

aos espiritas guardiaes desta terra e fu o ferendas a Trindade,s mas n~o fui aben90a­ do coro um ftlh o. A religiao, por conseguin te , é desprovida de verdade e eu vos orde­

que den t ro de sete días destruais cada urna des tas deidades e destes es pí rit os diaes. Do contrário, conhecereís a minha Puni9lro."

no

guar­

O APELO DE AVALOKITESlNARA A AMITÁBHA

os objetos p ara a represe n­

taylro de urna cerimónia de oferendas. As deidades e os espiritas guarruaes, cheios

de ira, enviararn t ormentas de ventania , granizo e sangue; por todo o U rgyin os h abi­ tante s ficaram tao atemorizados quanto os peixes que sao tirados da água e dispostos sobre a areia. Apiedado, Avalokiteshvara apela ao Ruda Amita.bha, no Céu Shukhava­

ti , para

Os sa cerdotes , con st ernados, rapidarn ente reuniram

que proteja o pavo sofredor.

RESPOSTA E EMANA<;ÁO DE AMITADHA

Em conseqiiencia disso, o Buda Amitabha pensou: "Vou nascer no Lago Dha­ nakosha". e da sua língua saiu um raio de luz vermellia que, como uro meteoro, en­ trou no centr o do lago. No lugar em que o raio penetrou na água, aparece u urna pe­ quena ilha coberta com urna grama de cor doura da de onde brotaram tres fon tes cor de turquesa, e do centro da ilha brotou uma flo r-de-Iótus. Ao mesmo tempo, o Buda Amitabha, com grande luminosidade, emitiu do Seu cora91Io uro dorje 6 de cinco pon­ tas e o dorje caiu no centro da flor-de-16tus.

5 ¡sto é, o Buda, o Dhanna (o u Escrituras) e Sangha (ou Fratemidade dos Sacerdotes da Ordem Budista).

6 O dorje (em sanscrito: Vajra) tibetano é um dos principais objetos do ritual do Budis­ mo tibetano e tem muitos significados. ~ aplicado aos Budas e deidades, aos iniciados tantricos, aos lugares especialmente sagrados, aos textos e sistemas filosóficos . Por exemplo, Vajrayiina, que quer dizer "Caminho do Vajra" é o nome de urna das escalas mais esotéricas do Budismo do Nor­ te. Dorje. ou Vajra. é aplicado a qualquer coisa que tenha um elevado caráter religioso, que seja duradouro , imune adestruü,ao, ocultamente poderoso e irresistível. Dorje Lopon. que se refere ao iniciado elevado, que preside os ritos tibetanos tantricos, é mais um exemplo do seu uso.Na capa des­ te volume está reproduzido um dorje duplo, igual a urna cruz grega. Em O ¡¡IIro tibetano dos mor­ tos, na página 84, aparece urna ilustra,<ao do dorje simples que, mais do que o dOrje duplo, é a forma mais comumente usada.

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ESTAMPA VI

EMANA<;:AO

(Descri~lIo as págs. XXIV-XXV.)

OS SONHOS DO REI E DO SACERDOTE

cessaram de

prejudic ar o pavo de Urgyan e circundaram o lago fazendo homenagens e oferendas.

que emití a um brilho tia

intenso que todo o rein o fica u iluminad o. De pois de acordar, o Rei ficou tIa feli z

que adorou a Trin dade; as deidades e espiritas da guarda apareceram e se postaram humildemente diante d~le. Os sacerdo tes bu distas também tiveram um sonho auspi­

mil s6is que

O Rei sonhou que tinha na roao um dorje de cinco pontas

Senda ap aziguadas com isto, as deidades e os espiritas guardifes

cioso, que perturbou os sace rdotes nao-budistas : eles contemplavam iluminavam o mundo.

A PROFECIA DA ENCARNAC;AO DE AMITÁBHA

EnUo, enquanto o Rei estava piedosamente dando a volta a urna stiipa de nove degr aus que havia milagrosamente bro t ado de um tanque na frente do palácio, os

deuses apareceram nos céus e fizeram a profecia: "Salve! Salve! O senhor Arnitabha,

de uma fl or-d e -16tus

Nao tenhais medo de que Ele vos

aconteya e dai-Lhe a vossa p roteyao. Desse modo, todos os ba os propósitos virlro a

v6s."

Esta do, Trigunadhara, e pe diu-lhe

que procurasse pe lo fll.ho p rometido . O ministro imediatamente foi até o lago e viu no se u centro urna fl or· de·lótus muito gran de, completamente aberta e, sentado no meio dela, uro belo menino, que aparentava cerca de um ano de ídade. O suor borbu­ lhava do rosto d a c rianya e urna au ra o circundava. Duvidando da sabedoria de o Rei

ada t ar uma crianya tao incomurn, que podia nao ser de origem humana, tro decidiu postergar o relato da descoberta.

o minis­

Prot e t or no Lago

da Hurnanid ade , nascerá corno

urna Encamayao Divina

Precioso 7 e ele se dignará se r vosso filho.

O Rei relatou esta profe cia ao seu ministro de

A JÓ IA DA RE ALIZA C; AO D OS DESFJOS

Estando o reino empobrecido, o Rei reuniu os seus ministros para pedir-lhes conselhos. Alguns sugeriram que desenvolvesse a agricultura, alguns, que ampliasse o

mercado e outros se declarar am a favor da guerra e da pilhagem da propriedade alheia. Em vez de adatar qualquer política que nao estivesse de acordo com os precei­

bem do p a vo e obt er

dos Nágas, que residiam debaixo das águas do oceano, urna maravilhosa pedra preciosa que reali zava os desejos. " Quando eu voltar com a jóia" - disse ele - "terei con di­

yOes de alimentar a todos os meus súditos e pedintes." De pois, o Rei se dirigiu ao palácio dos Níigas e aj6ia da realizayao dos desejos foí-lhe presenteada pela princesa deles. Lago que a j6ia foi colocada na mao do Rei ele desejou te r visao no olho esquerdo e a vislro lhe foi dada.

tos do Dharma, o Reí decidiu arriscar a sua pr6pria vida pelo

7 Ou lago Dhanako sh a.

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o REI DESCOBRE A CRIANC;A NASCIDA-DO-LÚTUS

o REI DESCOBRE A CRIANC;A NASCIDA-DO-LÚTUS Na volta para o país de Urgyan, lago que o
o REI DESCOBRE A CRIANC;A NASCIDA-DO-LÚTUS Na volta para o país de Urgyan, lago que o

Na volta para o país de Urgyan, lago que o ministro T riguna dhara dele se apro­ ximou, saudando-o, o Reí notou um arco-íris de cinco cores sobre o Lago Dhanako­ sha, embora n[o existissem nuvens e o Sol estivesse brilliando intensamente. O Rei disse ao ministro: "Por favor, e se certifique do que naquele lago ao longe_" " Como podeis vós, sendo cego, enxergar isto?", perguntou o ministro. "Eu pedi ¡\ j6ia da satisfa9áo dos desejos e a minha vislio fai restaurada", respondeu aReL Em r~o disso, o ministro revelau a descoberta do b ebe maravilhos o, d izen do: "O u­ sei náo relatar-vos o assunto antes" , e implorou ao Rei que fosse até o lago e visse por si mesmo_ "Na naite passada", resp ondeu o Rei, " en sonhei que do céu deseeu a

minha m[o u m d o rje de n ove pontas e, na noite an te ri or,.so nhei que do meu cora~¡¡o emanava wn sol, cuja luz brilhava sobre o mundo to do."

lago e , to m ando um pequeno bote , chega­

raro até o lugar onde brilhava o arco-iris. U . eles con templaram wna fragran te flo r­

e, senta d o no o Senhor Buda,

de-16tus, cuja circunferencia n[o podía ser abarcada por um homem centro da fl or, wn m enino bonito e de faces rosad as , parecido com

O Rei e o

seu minis tro fOlam até o

que segurava em sua m lio direita urna florzinha-d e-Iótus , na esquerda, um peque no re­ cipiente de águ a sagrada e n as dobras do bra~o esquerdo um pe queno basta~ com tres dentes.

O Rei sentiu grande venera9áo pelo bebe, que h avia n as cido por si mesmo e, no

seu ex cesso de alegri a, chorou. Ele p erguntou a crian~a: "Quem slio o teu pai e a tua máe e a que país e casta pertenees?" A crianc;a resp ondeu: " Meu pai é a Sabedoria e

a minha m[e é o Vazio. O meu p aís é o país d o Dharma. Nao perten~o a casta algum a

e a nenhum credo. Sou sustentado pela perplexidade e aqui estou para destruir a Lu­ xúria, a Ira e a Pregui~a." Quando a crian~a parou de fal ar , o olho direito do Rei nao era mais eego . Dominado pela alegria, o Rei chamou ao menino de "O Dorje Nascido­ do-Lago", e ele e o ministro renderam h omenage m a crian~a.

A CRIAN C; A ~ LEVADA PARA O

PAL ÁC IO

O Rei pergunt ou ao menino se ele ida com ele, e o menino respondeu: "!reí,

po is viro ao mun do para benefi ciar

sao prejudiciais e para o bem da Doutrina dos Budas." Entao, a flor abriu-se mais e

a crian~a pulou como wna seta disparada para a margem do lago. No lugar onde to­

cou ate rra ime di atamen te bra tou urna flor·de -16tus e nela a crian~a sentou-se, em conseqüéncia do qu e o Rei a cham ou de "O Nascido-d o-Lótus", e pensou consigo mesmo: " Ele será o meu herdeiro e a meu guru." Entíro, o Rei cortou a flo r-de-16tus

e juntamente com o ministro pos­

pelo caule, levanto u-a com a crian~a sentada n ela

todas as c ri aturas sencientes, para ven ce r os que

se a caminho do p al ácio . Os graus e o s patos selvagens estav am d ominados p el a dar da perda da cri an~ a. Alguns se empoleiravam nos seus ombras. Alguns voavam asua frente e inclinavam as

cabe~as. Alguns se postavam na terra e lá permaneciam, como se estivessem marta s.

Alguns puse ram-se a circular avolta do lago, gritando. Alguns encostavarrí os bicos na

terra e choravam . Até as árvores e os arbustos se inclinavam sinal de tristeza. As p egas e os papagaios , os pavOes e outros

p ássaros voavam afrente

em dire~¡¡o ¡\ crian~a, em

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da procisslfo e uniam as pontas das asas nuro esfor~o p ara dete-Ia. Os abutres e o s mi­ lhanos batiam no Reí e no ministro com os bicos. Os pequenos pássaros caíam em prantos. Le¡')es, tigres, UISOS e outros animais ferozes coniam por todos os lados nu­

Os elefantes, os búfalos e

os asnos saíram da selva e se juntaram aos outros animais, em protesto. Os espiritas guardilles e os genios do lugar estavam bastante perturbados e provocaram raios, tro­

vCSes e granizo. Quando a procisslrO chegou Ils vilas, todos os habitantes acompanharam.n:!. Ha­ via urn velho sentado próximo II margem, pescando, e O Nascido-d o-Lótus , vendo-o, pensou consigo mesmo: "Este é uro sinal de que se eu me tomar o Rei deste país íreí sofrer tanto quanto sofrem até mesmo os peixes." Logo depois, O Nascído-do-Lótus, depois de ver uro COIVO peISeguindo uma perdiz, que se refugiou debaixo de urna framboeseira e fugiu, pensou consigo mesmo : "A framboeseira representa o reinado, o COIVO representa o reí e a perdiz representa a miro mesmo; o significado disto é que devo abdicar gradualmente do reinado."

ma atitude amea<;adora , tentando interromper a procissao.

O NASCIDO·DO-LÚTUS COMO PRrnCIPE, ATLETA E REI

palácio, o Rei pegou a j6 ía d a satisf a <; !lo dos de­

sejos e desejou um trono feito com sete espécies de pedras preciosas encimado por urna sombrinha real. O trono apareceu imediatamente, sobre o trono ele sentou a cri­ an~a e reconheceu·a como seu filho e herdeiro. O Nascido-do-Lótus tomou-se COMe­

cido como o Príncipe Bodhisattva 8 e foi proclamado reí. Quando estava com treze

anos de idade, sen tado nurn t rono de ouro

e turquesas , enquanto os sacerdotes ofi cia­

varo as cerim6nias religiosas pela prosperidade d o reino , o Buda Amitibh a, Avaloki· teshvara e os Deuses Guardiáes das Dez Dire~es9 vieram e o ungiram com água sagra­ da e o batizaram de "O Reí do Lótus". 10

O Rei do Lótus estabeleceu um novo código legal baseado nos Dez Preceitos. 11 O reino prosperou e o pavo estava feliz. Ele estudou e tomou-se uro erudito, desta­

Quando a procissa:o

c h ego u ao

8 Um Bodhisattva, ou Ser n urninado, é alguém que está muito adiantado no caminho do Estado de Bud a. Gautarna., p or exemplo , era urn Bo dhisattva que es tava no momento da Sua su­

prema Ilurninac;ao, que ro i alcan~ada enquanto estava se ntado, meditando debaixo Bodh i, em conseqüencia d o que se torno u Buda.

da Árvore­

9

E stes sao o s dez deuses que , como porteiros nurna assembléia iniciatória,

guardam o

sao os qu atr o pontos cardeais e intermediários da

bússola, o nadir e o zénite.

oito manifesta¡¡:oes, ou perso nalidades, as sum idas

pelo Grande Guro, que estao descritas na página XXII.

11 O s Dez P r eceit os (Dasha. S hila ), ou Proibi~oes, d o Códig o Moral Budista s ao: 1. Na o ma·

tar; 2. Nao

comer fora do tempo indicado ; 7. Nao usar nenhuma Coroa, Ornamentos ou Perfumes; 8. Nao

usar nenhum Colchao Al to ou Tronos (p ara sentar ou dormir); 9. Abster-se de Dan~ar. Cantar, da Música e dos Espe t áculos Mu ndanos ; 10 . Nao possuir nenhum Ouro ou Prata e nao aceitá-Ios.

a laicidade ; os dez estao ligados sornen­

te aos membros da Ordem mas. as veze s, os leigos fazem o voto piedoso de observar , em certos dias de jejum . um ou mais dos preceitos enumerados de 6 a 9. (Cf. L. A. Waddell, 11/e Buddhism ofTibe t. Cambridge, 934.1934, pág. 134 .)

80

Destes, os cinco primeiros (os Panca-Sh Íll1) dizem respeito

roub ar ; 3. Nao cometer ad ul tério ; 4. Nao mentir ; 5. Nao tomar bebidas fortes; 6. Nao

m und o , uro em

cad a urna das/dez dir~o es, que

10 E m t i betano : Padma Gyalpo. urna das

can do-se na poesia e na Filosofia. Na luta corporal e nos esp ortes rungué m o igualava. Poilia atirar urna flecha pelo buraco de urna agulha. Poilia lan9ar treze flechas urna ap6s outra t~o depressa que a segunda flecha batia na primeira e a impelía mais para cima, e a tercerra na segunda, e assirn por diante, até chegar adécima terceira. A for­ ~ com que ele lan~va urna flecha era til'o grande que a flecha penetrava sete portas

de couro e sete

portas de ferro; e quando ele lan~va urna flecha para cima, ninguém

conseguia enxergar a altura a que ela subia. Dessa forma, o povo o chamava de "O Poderoso Rei·Herói Atleta". Certa vez, levantou urna pedra ta-o grande quanto um iaque l2 e ailiou-a tia Ion· ge que quase nao se podia divisá-la. Ele podia pegar nove big omas numa atiradeira, jogá·las cont ra um grande penedo e derrubá·l0. Respirando apenas urna vez, podia dar

tres voltas correndo em tomo da cidade coro a velocidade de urna flecha. tntrapassa­

va o s peixes ao nadar. Po di a l~ ar urna águia em pleno v o o. E também era um grande

conhecedor de música. Agora, era chamada de "O Rei-l

eao lnvencível".

A CHEGADA DOS ARl1ANTS

Um dia , ele foi desacompanhado até a "Floresta Triste", que ficava a cerca de du as milhas do palácio, para meditar. Quando lá sentou·se n a postura de Buda, os Ar­ hants,13 que estavam passando no firmamento, desceram e o cumprimentaram, di­ zendo-lhe: "Salve! Salve! Vós sois o indubitável Reí do Lótus, V6s sois o segundo Bu­ da, que apregoa urna nova era que deverá conquistar o mundo. Embora tenhamos centenas de línguas e vaguemos de kalpa a ka/pa,14 oro seremos felizes o suficiente para fruir nem mesmo de urna fra~o da vossa vasta erudi9~0." Depois de carninha­ rem em volta dele sete vezes, eles subiram e desapareceram.

O PLANO PARA PRENDER PADMA PELO

CASAMENTO

O Reí Indrabodhi e os ministros, percebendo a inclina9ll'o do Príncipe pela vi­ da de medita~o,tiveram medo de que, fmalmente, ele fosse renunciar ao reinado e, dessa forma, reuniram-se em conselho e decidirarn procurar urna esposa para ele. O Príncipe sabia que o principal propósito do plano era prende-lo a administra9ll'0 do Estado e recusou-se a escolher qualquer urna das muitas donzelas que foram cuidado­ samente selecionadas de todas as partes de Urgyan. O Reí lndrabodhi insistiu que o Príncipe fizesse a escolha e se casasse no p razo de sete días. Depois de meditar devida­ mente, o Príncipe decidiu nao deso bedecer o velho Rei que, como urn pai, o havia salvaguardado e criado e entregou ao Rei , p or escrito , urna des criy30 do tipo de don­ zela que aceitaria.

12 O iaque é o animal tibeta no da fa mli ia bovina q ue tem pelos langas; o ma ha é usad o

como an imal de CaIga e no tra balho agrícola, a fe mea, como leiteira.

13 Um Arhant, literalmente "O Poderoso", é um santo budista, quase sempre indistinto de

uro

B o dhi s attva e com parável a o Rishi hindu , que alcan~o u o objetivo.do No b re Caminh o O c tu ­

pIo

e, na mort e . e stá pro nto para o Nirvana para trabalhar para a sa!va~ao do s nao-iluminado s, e

se tom ar au tomaticamente uro perfeit o Bo dh isattva.

14 Um kalpa é um dia de Brahma, ou um período de milyugas. ou eras. durante o qua! o

Cosmos resiste antes de ser dissolvi o de novo na No ite de Brahma.

81

A descriyll'o por escrito foi entregue ao ministro Trigunadhara com a ordem do Reí para que encontrasse tal donzela sem demora. O ministro imediatamente pQs.se a canúnho de Singala onde, numa festividade religiosa em honra do Senhor Buda, viu

at raente n um grup o d e quinhentas donzelas . Inquirindo a moya, ve­

rificou qu e o seu n ome era llliisadhara ('-A Dona da Luz"), que eJa era a i~ do Rei Chandra Kumar e que já estava prometida a um príncipe .JS O ministro voltou depres­ sa paÍa o seu Rei e cont o u-lhe que c on siderava Bhasadhara uma escolha muito apro­ priada.

urna m0tra mui to

A ESCOLHA DE BHÁSADHARA E A CERIMONIA DO CASAMENTO

Sob o pretex.to de que desejava presente á-las, o Rei In drabodlú convidou Bha­ sadhara e as su as quatrocentas e noventa e nove acompanhantes para «em ao pal ácio. Quando o Príncipe viu Bhasadhara agradou-se dela; passou-lhe a j6ia da satisfay[o dos desejos e ela desejou tomar-se a sua rainha. Bhasadhara e todas as suas damas volta­ ram para Singala e uma carta foi enviada ao Reí Chandra Kumar, pedindo-lhe que desse Bhisadhara em casamento ao Príncipe Nascido-do-Lótus. O Rei Chandra Ku­ mar responden que embora tivesse satisfatráo em aceitar o pedido, ¡sto lhe era impos­ sível, pois o casamento de Bhisadhara com um príncipe de Singala estava para se realizar. Quando foi informado desta resposta, o Príncipe Nascido-do-Lótus disse: "Só

ela me 'Serve, e eu devo te-la." O

asSWlto e ordenou-lhe que fo sse a Singala, dizendo: "Vá ao palácio, onde a procissll'o de casamento deve permanecer uma n oite, e coloque debaixo das p ontas das unhas

dos dedos da

Depois que o ioguim partiu em suamisslfo Q Rei foi até o teIhado do palácio, sus­

pendeu numa Bandeirada Vit6ria 17 a j6ia da

aos quat ro

panhantes fossem trazidas a sua presenya; como se fossem trazidas pelo vento, elas

apareceram. O Rei ordenou qu e as preparayOes para o casamento do Príncipe Nascido­ do-Lótus e Bhisadhara fossem feitas imediatamente. Bhasadhara foi banhada, ador­

Rei In drabodhi, chamando uro ioguim, informou-o do

mOya p6 de ferro umedecido com águ a."16

satisfaylio dos desejos e, inclinando-se

pontos cardeais, orou para que Bhisadhara com todas as suas damas acom­

1 5 O f alecid o Gu stave~arles T o ussaint , no se u Le Di e t de Pa d 11lll (pan s, 1933 ) , pág . 491 , consider a esta referencia ao " Singala" (co m um ente visto corn o sinonimo d o Ce iUio) como a in­ dica~o de um país continental nao distante de Udylina (ou Urgyan) e o substitui pelo de "Sirh­

n. 4 , é

da mesm a o piniao q uando afirm a : "Este provavelm ent e é o Shirnhap ura de Hiue n Tsiang, qu e se li·

gou c om Ud ay lin a , ou Udylina ; pod e se r S agala. " O fal ec ido Sard ar Bahiidur S. W. Lade n La o b­

servou, enquanto tradllZÍamos esta passagem, que "S ingala" pode ter sido de Gan t our, da Presidencia d e Madra s, em vez de ser o Ceilao. Tuda isso

grafia ap resentará , enquanto prosseguimos, t oca pro blem as complexos de geografia e história , cuja considerayao detalhada está além do alcance do nosso atual estudo, que é essencialrnente an, tropológico.

em todo o mun do, é comumen te tabu para os espíritos m aléficos e previne q u e

os encantamento s

quer po der mágico qu e possa ser exercido, prevenindo a

tenham efeito. O seu uso aqui parece ser de precauc;:ao, para neu tIalizar q ual­

hapura", O Dr, L. A Wadde ll, em seu The Buddhism orTibet (Cambridge, 1934 ), pág. 38 1

o que agora é o Distrito e rnu it o mais q ue a Bi o­

16 O fe rro,

perda do espír it o de Bhasadh ara.

17 Essa ¡Umula é mostrada em Milarepa . história de um yogftibetano, apágina 23.

82

nada com vestimentas fmas e j6ias e colocada em uro t ron o ao lado do Príncipe Nas­

Bhasa­

dhara Rainha. 18 De pois, as quatrocentas e n oventa e nove damas casaram-se com o Príncipe, pois era costume do Rei de Urgyan t er quinhentas esposas . E, desse mo do, durante cinco anos o Príncipe experimentou a felioidade mundana.

cido-do-1.6tus; e eles se casaram. Cero mil mulhe res de Urgyan proclamaram

A RENúNCIA

Poi entl[o que o Buda Dyani Vaj ra-Sattva apareceu e anunciou ao Príncipe que

havia chegado o temp o de renun ciar tanto ao casamento como ao trono . E o Reí In­ trab odhi sonhou que o Sol e a Lua se punham simultaneamente, que o paIácio esta­

todos os ministros choravam. Quando o Rei acordou, foi e tristeza. Logo de pois, o Príncipe com os seus ministros

saiu para urn a caminhad a até a "Floresta Tris te", onde fora visitado pelos Arhants; e surgiram nos cé us do sul os vários emblemas d a Fé Budista, significando que o Prínci­ pe estava para se tornar um imperador do mundo. Conseqüentemente, um ap6s ou­ tro, mmtos reis re nde ram sub miss!o a ele . ren da assim alcan¡¡:ado as alturas" do poder mun dano e da alegria sensual , O

va cheio de lame ntos e que tomado de pre sse ntirnentos

Nasci do-do-L6 tus perce beu a natureza ilusó ria e insatisfat6ria de todas as coisas mun­ danas. E , pensando n a Grande Renúncia do Senhor Buda, anunciou ao Rei-Pai a sua inten~o de abdicar e entrar para a Ordem. Def rontado com a oposiylro do Rei-Pai,

disse-lhe: "Se n[o me

, mor r erei a q ui em vossa

pIÓpria presenya." E golpeou o seu lado direit o com urna ad aga, aparentemente com

a intenylo de acabar consigo mesmo . Com medo, temendo que o Príncipe levasse

adiante a sua ameaya, o velho Reí pensou: ,,~preferivel que eu lhe permita entrar pa­

d erdes penoissa"o para abra~ar a re li gilro

ra a Ordem do que

vir ele a morrer." Nern as súplicas dos minis tros de Estado

nem os

protestos do amigo

mais íntimo do Re i, " Luz Dourada", que fo i t razido de

Singala

especi alm ente p ara isto n em os lamentos das q uinhen tas es posas demoveram o Nasci­ do-do-L6 tu s do seu fi rme prop6sito_ Por conseguinte, ele foi chamad o de "O Rei Dorje Irresistível" .

A PARTIDA

As Rainh as, em prantos, disseram para O Nascido -d o-Lótus quando ele deJas

se des pedia: "V6 s, nosso Senhor, so is com o os olh os da nossa face . Ne m por um in s­ tante podemos nos separar de v6s. Devereis nos abandonar como se Iossemos os COf­

convos­

pos de um cemitéri o? Ao nde quer que fo rd es, convid ai-nos para i rmos junto

co ; de outra forma , pareceremos como caes sem dono. Nao tendes pie dade de n ós'!"

O Nas ci d o -d o - Ló tus re sponde u: "Esta vida mundana é t ran si t6ri a e a separa~ ao

é inevitável. Co mo num merca do , as pesso as se j untam e de pois se separam . Por que ,

portanto , preocupar-se com a separayao? Esta é a Roda do Mundo; renunciemos a ela

18 Na (ndi a antiga, era costume em alguns reino s, como em Urgyan, que as mulliere s pro­

clamasse m a ascensao de urna rainha, e os homen s, a ascensao de um reí.

83

e firmemos os nOSSos pensamentos

guir a carreira religiosa e prepararei o caminho para a vossa pr6prla saJn~l[O,para que possais estar comigo doravante. Por enquanto, permanecei aqw ." E porque ele, aa sair, prometeu-lhes valtar quando tivesse aJcanyado a Verdade , elas o chamaram de "O Rei Que Permaneceu Um na Mente".

em alcan~ar a Libe ra~a-o. Est o u determin ad o a se­

o KARMIco TIRAR A VIDA

Em outra parte de Urgyan, para ande O Nascido-do-L6tus foi, h avia um ho­

geradores por todo o carpo, porque, na vida anterior ,

senda om sacerdote, violara o voto do celibato, vivendo com uma cortesa. A corte· sll" renasceu como o filho de um rei, e o homem, adotando a forma de urna mosca, es· tava pausado na testa da crianya. O Nascido-do-Lótus atirou uma pedra na mosca com tamanha fOT~a que a pedra n:fo s6 matou a mosca como penetrou no cérebro da crian ya, levando a mosca junto; e ambos, a mosca e a crianya, morreram. Quando foi considerado culpado do crime, O Nascido-do-Lótus explicou que numa vida anterior fora contemporiineo da cortesll e conhecido como Gautama e que Padma TsaIag, o amante da cortesí[, nuro acesso de ciúme a havia matado quando sou­ bera, por intermédio da sua pr6pria empregada, que ela recebera secretamente um rival, um mercador de nome Hari; e que Padma TsaIag acusou falsamente Gautama de

te -la ass assinado e Gautama fora condenado ~ morte . Com o a mosca era Padma Tsa­

lag l 9 e o fllho do rei era a cortesa, O Nascido-do-Lótus fora impelido pelo kamuz a cometer o ato. Ele disse: "Se nao fosse pelo karma, a pedra nllo poderla ter matado

a ambos, a mosca e a crianya." O Nascido-do-I.ótus pediu ao Rei Indrabodhi que fi· zesse cumprir a lei do reino e ele foi feito prisioneiro no palácio. A cidade real foi, ent:fo, assediada por dez mil espiritas do mal, que procura­ vam impedir que O Nascido-do-Lótus se tomasse uro grande sacerdote instruido, des­ trtúndo seu prestigio e seu poder. Os portOes, tanto da cidade quanto do palácio, es· tavam bem guardados por causa do assédio; enuro, O Nascido-do-Lótus pensou em como escapar. E, despindo as suas vestes, colocou sobre o carpo nu ornamentos fei· tos com ossos humanos e , levando consigo um dorje e um mshüla,lD fo i até o t elha­

do do paIácio e dan~ou como um hornem louco . Ele deixou cair o dorje e o mshüla

mem que nascera com 6rg:ros

embalxo; os dentes do mshü.la bat erarn no peito da mulher de um dos ministros

de

Estado, penetrando o seu corayao, e o dorje bateu n a

cabe~a do seu fIlho, pene­

trando·lhe o céreb ro, e amb os morreram.

19 Exi ste m t an to a interp re ta¡¡:ao exotéric a da doutrina do

renascimento, como a que este

conto popular ex emplifica, quanto a interpreta¡¡:ao esotérica dos iniciados, que nao sanciona a cre n<;a p op ulanne nte d ifundida na transmigra~ o das fOnTIas humanas para as fOnTIas sub um anas. Ver O livro tibetano d os m arta s, p ágs. 27 -4 2 . C onq uan to , na maioria, os ex otéricos possam a ceitllI esse estranho conto de forma literal, os devotos mais espiritualmente ad iantados do Grande Guro interpretam·no de forma simbólica, corno fazem, de fOnTIa geral, com a Biografia em seu todo: a mosca é para ele s a significa¡¡:ao das característic as ind esejáveis da sensualidade descontrolada a s­ so ciada a Padma Tsalag.

20 O 1shiiJa é um baslao 8 tres dentes c omo aquele que ele segura na ilustra¡¡:ao a página 2

des te livro. i! empregado no .:rituais tantticos e sim botiz;a o domínio dos poderes ocultos.

84

APARTIDA PARA O EXI1.r0

Os ministros aconselharam que O Nascido-do-Lótus fosse condenado ~ morte por enforcamento, mas o Rei disse: "Este filho n[o é de origem humana; como pode ser urna divindade encamada, uma puni~a-o capital n!o Ihe pode ser imposta. Conse­ qüentemente, de creto que el e seja ex ilado." O Re i inti mou O Nascido-do -Ló tus e Ihe disse que o decreto entraría em vigor

dentro de t res meses . O Nascido-do-Ló tus explicou que, como no caso do assassina­

to da crianc;:a e da m osca , havia

ministro e seu m.ho . O f'Ilho do ministro tinha sid o na vida anterior, a serva da cor­

tesa que h avia contado para Padma

cortesa e o mercador Hari; a esposa do ministro era a reencarnac;:ao deste mercador Hari. Em bora nlío arrependido, O Nascido-do -Lótus n ao tinha nenhuma má·vontade contra ainguém. Diversas partes da mdia e, também, da China e da Pérsia, bem como o misterio­ so país de Sham bh ala, [oram considerados lugares p ara o exilio do Príncipe, mas o Rei !he disse que ele de via ir para onde quisesse. "Para miro", disse o Príncipe, " t o­ dos os países sao agra d áveis ; p reciso apen as empreender o trabalho religioso e qua!­

quer lugar pode se t orn ar o m eu mosteiro ." Em segre do, o Rei p rese n teou o Príncipe com a pedra da satisfa~o dos desejos, clizendo·lhe: "1st o irá satisfazer todos os vossos desejos." O Príncipe a devolveu , di­ zendo: "O qu e eu tenho em mente é a núnha pr6pria pedra dos desejos", e, quando o Reí em respo t ao pedido do Príncipe estendeu a mao aberta, o Príncipe cuspiu nela e irnediatamente a saliva tomou-se outra pedra dos desejos. Bhasadhara, em prantos, tomou o Príncipe pela ~o e implorou que ele a d ej­ xasse acompanhá-lo ao exilio. Dep ois, apelou para o Rei para 01'0 deixá-lo ser exi· lado. Enquanto ¡sso, o Prín cipe partiu e diri giu·se a um jardim, onde dirigiu a pal a­ vra ao pavo que o seguia:

"O ca rpo é impennanente; é como a beira de uro precipício. 21 A respira~aoé impermanente; é corno urna nuvem. A mente é impennanente, é como a luz. A vida é impermanente; é como o orvaIho do campo." En t[o, os Reis Gu ardHies dos quatro pontos cardeais juntamente com as suas

prostrararn diant e do Príncipe , exaltando-o. As

deidades auxiliare s apareceram e

QuatroDákinis 22 tam bé m vieram com músi ca e can~ oes; eles colocaram o Príncipe mun corcel celeste e ele desapareceu nos céus, na dire~áo do Sul. Ao por-do-sol ele desceu a Terra e dirigiu-se a urna caverna, a nde se dedicou ao culto e ~ ora~o duran­ te sete días , e t odas as Deidades Pacífi cas 23 lhe ap are cerarn como num es pelho e lhe concederam tran scen dencia so bre a vid a e a m o rte .

Tsalag a rela c;:ao clandestina que existia entre a

para o assassinat o da mulher do

urna raz!o k ármica

se

21 Assim como o carpo le va al guém:i morte , assim tambérn o precipício pode faze·lo.

22 Estas sao asquatrodQkinis principais, a a ber, a Diikiní Divina (o u Vajra) , asso ciada

00 Ratna ), da dire :io su l; a Diikin i

Lótus (ou Padma), do oeste ; e a Diikin l da A¡yao (ou K arnuz), da dire~o nort e. O centro , o u a po­

si~iiocentral , é de stinada a Diik in'f do E sclarecime nto, o u lMkini Buda. 2J Nos cultos tantriLOs, as principais deidades , inclusive os Bud as . sao simbolicame nt e re· presentadas no modo dual, pacífico e irado , corno foi exemplificado em O livro tibetano dos mor·

ros.

85

com a dire¡;.8:o o riental, numa rnan dala ; a Diikin; Preciosa

o DEUS DOS DEFUNTOS

De l á , ele p rossegu iu p ar a o Cenú tério d o "sart dal o R efres cante" , 2A a cerca de

de z m Uh as de du rante cin co

mortos 25 e a sua roupa as mo rtalhas dos defuntos. As pess oas o chamavam de " O De us dos Defu ntos" . Foi aqui que ele expos pe la p rimeira vez, para as dakinis, os

nove passos progressivos d o Grande Caminho. Quan do aconte ceu urna grande fome , urna multid ao de de funt os f oi

da n o cemitério sem comida nem mortalh a; e Padma, como agora devemos chamar o

Grande Guru, t ran smut o u a

carne d esses corpos em comida, de la se alimentando ,

deposita­

cadáveres como assent o , lá p ermanece u

Bodh-Gaya. U tiliz an do-s e dos

an os, praticando m edita~(jes. Seu alimento era a comida oferecida aos

e

a pele dos corp os

se rviu-lhe de indu mentária. Subjugou os seres espiritu ais que ha­

bi

tavam o cem itério

e fez de les os seus servi9ais.

A DERROCADA DOS lRREUGIOSOS

Indraraja, uro insign ifi cante reí do p aís de Urgyan, t omo u -se ininúgo da reli giíío,

e os seus sú di tos seguiram o seu exempl o ; Padma fo í até lá fantasiado de urna das Dei­ dades Iradas e d estituiu o reí e todos os home ns descren tes dos seus co rpos, que eram os seus meios para propagar novos karmOJ maléficos; e, transmu dan do os corpos de foona mágica, bebeu-lhes o sangue e comeu-lhes a carne. 26 Os p rincip ios de coos­

ciencia ,27 ele liberou, prevenindo que

caíssem nos infemos 28 Tomou cada mulher coro

24 Este c e mité ri o (em tibetano: Bs il-bll- t shal) , onde diz e m qu e o Buda p ro mmci ou alguns

dos Seus ensinamentos d o Mahiiyiin4, é um dos Oito Cemitérios da (ndia antiga; em todos eles, um após o outro, O Nascido-do·Lótus pnt icou a ioga do sosiinika. Sosiin ika ("o u freqüentar os cemitérios") é um dos doze mandamentos da obriga,<ao dos bhik~lpJ. A inten,<ao é imprimir nele os t r e s prin cipais feno m e n os sangsárico s , a saber, a transitoried a d e, o sofrime nt o (ou

va cu ida d e (ou ilusao), ao t estem u nhar o s fu n erais, os parentes mortificados, as lutas

exala dos co rpos em de com po si~ao. Tam­

pr e datórios p elo s de spo j o s e sentir o m a u cheiro que

bém o Bu da , dizem que praticou o sosiinik4. (Cf. L. A. Waddell, op. cit., pág. 381 n? 6. )

Era costume , e ntao, dos parentes sobreviventes, quando de positavam um corpo no ce­

do s animais

afli ~o ), e a

2S

mitério (ou n o piso de crern~ao, ou no lugar dos corpos) colocar junto dele um grande po te de lou~ de barro cheio de arroz cozido.

26 Aparentemente, esta transmuta~ao mágica deve ser vista como o seu reverso, pela qual ,

de acordo com as cr enlfas pagas d a Antigüidade, o vinho pode ser transmutado em sangue e o pao em carne.

27 O t ermo "alma", como é entendido no Ocidente, nao tem um equivalente no pensa­

mento budista, pois o Budismo nega a existencia de urn a entidade pessoal imutável. Aqui, como

sempre, o termo prin cí p io-<:onsc iencia (em tibetano: ph¿¡ e ñ a m-she) é prefe ríve L cr. tano dos mortos, págs. 60 n, 9 e 64 n. 29,

28 Esta lenda, aos oIhos tibetanos, mosua que é justo que um Grande loguim fa,<a cessar a

carreira de um praticante do mal, privando-o do seu corpo e dirigindo o seu princípio-<:onsciencia (que é totalmente diferente da "alma", na teologia ocidental) de tal maneira que ele renascerá num meio religioso , Mas tirar a vida sem o poder iogue. para dirigir o princípio de consciencia, é o pecado mais hediondo ,

O livro n'be·

86

que se e ncontrou p ara p u ri fi cá-la esp iritualmente e p rep ará-la para to rn ar-se a m ae de urna prole de mente religiosa.Z 9

o IOVEM QUE FUe IU

DO DEMONIO

A rainha do Rei Ah ru ta morre u grávid a e o seu carpo foi depositado num cefiÚ­ té rio ande Padm a estava medi t ando. Do ventre do cadáver, Padma rec uperou urna eri­ an ya do sexo feminino que ainda estava viva. Como existia urn a relayao kánnica, de urna vi da an terio r, e ntre a c rian~a e Padrn a, ele decidiu criá·la . O Rei Ah ruta man ­ do u soldados para atacarem Padma e o Reí Warma-Sh ñ enviou urn poderos o guerrei­ ro , fam oso por sua pericia no uso da forya dos bravos para auxiliar os atacantes . Pad­ rna acertou o guerreiro com urna flec ha e fugi u; e, dess a fo rm a, a dquiriu o llome de "O Jovem que Fugiu do Demonio" . Depois de levantar urna stüpa 30 em arrepen dimento, Padma f1xou resi den cia no "Cemitério da Felicidade" , ande as Iradas Diik.inis, conhecidas como as " Subjugadoras dos Dem onios" , vieram ab en<;:o á-Io . Depo is , sent ou·se para me dit ar n o Ce mitério So­ saling, ao sul do país de Urgyan, e recebeu as ben~[os da dakini da Ordem Pacífica.

A SUBMISSÁO DA DAKINi DO LAGO

pregou o Mahayiína para as

diikinTs, na l in gua ge m d elas . 31 El e as mant eve, e as d em ais d ei dades do lugar , so b a in­

fluencia d o seu poder ¡ogue ; e elas fizeram votos de auxiliá-Io na sua missao na Terra.

De lá, indo p ara o La go Dhan akosh a, onde nas eeu,

29 Como muitos outros He róis da Cul tura , Padma-Sam bhava faz uso natural da sua mascu­

lini dade, como neste exemplo. pelo bem euge ru co . Na n o ssa I n trodu ~ o Geral . o b se rv am os qu e os co nceitos convencionais de moral sexual sao completamente ignorados por ele. Em o u tras circunstancias, o que foi ch amado de os seus jogos amorosos com as mulh eres, tanto hum anas

quan to p ert ence ntes aordem das dli kin IS, é vis t o pelos Nyingmapas como u m dos se us muitos at os ~ligiosos que tem significa~o esotérica e resultam em benefício para a religiao. O próprio ato é chamado , em tibetano, de Dze-pa.

30 Q Ch 'orten tibetano, que literalmente significa receptáculo de oferendas ", correspon­

de a $tilpa (caitya, ou to pe do Budismo d a Índia. Urn a stü pa geralmente é urna estrutura canica

de tijolos que co ntém, com o um tú mulo, de onde pro vavelmente

derivou , urna cirnara central

para guardar as relíquias , tais como por90es de ossos carbonizados da pira funerária de um san­ to, objetos preciosos como imagens e os t ext os das escrituras. De algumas das antigas stüpas da

deste texto, urna stü·

(nd ia, au té: nticas relíquias do Buda foram redescobertas. Como no exemplo

po pode se rvir para penitencia. Qu tras sti1pas, como mui tas em B6dh-Gaya, sao votivas. Geralmen­ te, urna stiipa é um cenotáfio em memória do Buda ou de um grande arhant ou Bodhisattva bu­

Iristória de um yogi tibetano, onde é mostrada urna stilpa e é apresentado o

dista. Ver Mi14re pa.

se u simbolismo. na págin a 200.

31 Esta é urna das línguas secretas do Tibete que. como o falecido lama Kazi Dawa-Sam­

dup me contou, é atualmente conhecida apenas por alguns poucos lamas altamente iniciados.

87

A B~N <; AO D E v AJRA-V ARÁHi

o próximo lugar de morada de Padma foí o " Cemitério Muito Temido", ande

dl1kinTs masculinas e as

diikinfs dos Tres Lugares Sagrad os - que estao debaixo, sobre e acima da Terra - tam­ bém apareceram; e, depois de lhe conferirem o poder de dominar os outros, chama­ ram-no de "Dorje Dragpo". 33

Vajra-Varáh.P2 apareceu e o abenyoou. As qua tro o rd en s de

A DECISAO DE IR A PROCURA DE GURUS

culto no Templo . Pratica a mudanya q ue, ds ve zes, par ece ser u rn a i rn ensa

manada de elefantes e, as vezes, urna multidao d e i o guins . Q u an do o pavo l h e per gun­ tava quem era ele e quem era o gu ru, respondía : "Eu nao tenho pai, nem máe nem abade nem guru, nem casta, nem nome; en sou o Budanascido de si mesmo_" O po­ vo nao acreditava e dizia: "J á q ue ele nao tem uro guru, nao será um demonio ?,,3 5 Ess a

observayao fez com que Padma pensasse: " Embora eu seja a encarnayao do Buda nas­ cido de si mesmo e, por conseguinte, nao tenha necessidade de uro guru, será sábio ir ter com os instruidos pandits e fazer um estudo das Tres Doutrinas Secretas,36 poís

percebo que estas pessoas e as

tual."

Agora Padma vai a de carpos, mul ti p li cando

Bodh-Gaya 34 e presta seu corpo d e tal forma

das gerayoes vindouras precisam de orientayao espiri­

:fZ Os tibe ta nos a cr ed itam q ue Vaj r a-VarilhI (em t ibetano : Dorje-Phag·mo ) encarna sucessi­

vamente em cada a badessa do Most eiro

nifica "lndestru tível (Va/fa semeadura Variihi)", e sugere. como os ou tros nomes das Deidades Vajra. da Escola Vajra-yana, elevados poderes iniciatórios.

terrÍvel e que

d o Lago Yarn-dok , no TIbe te. O nome, lite ralmen te, sig­

33 Ou "O Ln d omável Irado ", um Drag-po , d ei dade demonía ca d o t ip o mais

tantricam en te sim boliza as forc,: as de stru tivas d a Na tureza. Os mem bro s da Ord em do Drag-po (e m sanscri to :Bhaira'Q) sao os princip ais defe nsor es do Budismo .

34 No texto: idorje.gd an (pron. : DOrje-d.añ) ; (em san scri t o : Vajrasana ) , q ue quer dizer. com referen cia ao lugar, ou assen t o, o nd e o Bu da sentou em me ditac,:áo e al eanc,:ou o Esclareci­

m ento, o Tro no rndestru t ível (ou Im u t ável . ou co mo-diarnante) . Bo dh-C aya tam bém é escrito,

mas de forma incorre ta. Buda -Caya.

Esta p ergunta seria fe it a hoje pelos piedosos POyOS da (ndia ao s milhóes de pessoas n o

vi­

d a

xa de ter religiao : e, atualmente , todo menino e menina, mesmo entre os marginalizados, ainda re­

cebe instru crao religiosa e tem um guru. Cie ntes d os efeitos mundanos da ocidentalizac,:ao. tao

cuidad oso

afastarnento . Os t ibetanos te m um provérbio qu e pode ser transmitido dessa mane ira: "C omo o s

do rm ir e no copular . se os ho mens nao tivere m r eli­

homen s e os animais sao

giao - a única coisa que os diferencia dos animais - eles se torn arn in distinguíveis dos animais_"

si me smo . os ensin arnent o s transm üi d o s pela

lnicia~ ao. conce m entes a o s aspect o s Extem.os (ou Exotéricos) , Internos (ou Esotéricos ) e Tr an5­

cendentais (ou Nao-Duais, isto é.

A essencialidade d e H inayana r epre sen ta a priIru:ira~ a e senci ali dade d o MahQyanQ,

rep resenta a

a D outrina di) Vatio (em sánscri to: S /¡Ü1lYatii), com o ,exposta no Pra;iiii Piiramitíi, terceira.

3S

Ocid ente qu e se orgulham de nao terem nen h um guru , nenh um orientado r sábío na ciencia da

e na arte de viver e m orrer. Ningu ém, na [nd ia ou no Tibete, a nao ser os ocide ntalizad os, del­

mareante s na Am érica, os t ibetanos, bem com o os nepale ses, mante m urna política de

A aplica~ao

iguai s no comer, no

disto as c on d lc,: oes do mu ndo atua l evi de n cia-se por

36 A s Tres Doutrinas S ecretas sao , d e fOIm a ab reviada,

Nao-Exotéricos e Nao-Esotéricos ) da

Verda de. ou Realidad e.

a

segun da ; e

88

A PROFICffiNClA DE PADMAEM ASTROLOGIA, MEDICINA, LlNGUAS , ARTES E ENGENHOS

ConseqÜ8ntemente, Padma dirigiu-se primeiro a um santo guro, um Loka-Sid­ dha 37 ero Benares, e se tom ou mestre em Astrologia. Foi-lhe ensinado tuda a respei­ to do ano da concepy[o do Buda, o ano em que a mífe do Buda sonhou que um ele­ fante branco entrava em seu ventre e o ano do nascimen to do Buda e como estes pe­

ríodos esotericamente significativos

Também lhe foi ensinado o eclipse do Sol e da Lua. E, dessa fo rma, ele foi ch amada de "O Astrólogo de Kilachakra". 38

Tendo se tomad o mestre em Astrologia , Padma t omo u-se mestre em Medicina, sob a orienta9[o do famoso médico conhecido como "O Jovem que Pode Cu rar".

fo rma, Padma tom ou -se conhecido com o "A Essencía Salvadora da Vida d a

Medicina".

o mais sábio em o rtografi a e escri ta,

que !he ensinou o sanscrito e línguas vernáculas qu e lhe sao relacionadas , a lingu agem dos demo nios, o significado d os sinais e símbolos, as lingu agens d os deuses e d as cria­ turas brutas e de to dos os demais seres pertencentes aos Seis Estad os da Exis ten cia. 39 Aa mesm o tempo, Padma tomou-se mestre nos sessenta e quatro modos de escrita e nas trezentas e sess enta língu as. E o nome q u e !he de ram foi "O Guru -Leao da P al a". Depois , pondo-se sob a orienta~o de um grande artista , cuj o nome era Vishva­

kanna, que tinha oitenta anos

de idade, Padma torn ou -se especialista no tr abalh o d o

aura e das pedras preciosas, da p rata, do cobre , do ferro e da pedra na criac¡:ao de ima­ gens, pintura, modelagem em b arro, gravu ra, carpintaria, alvenaria, na fab ricac¡:ao de

cordames, botas, chapéus, no oficio de alfaiate e em to das as demais artes e enge­ nhos. Urna pedinte ensinou-o a modelar e vitrificar potes de barro. E o nome que lhe deram foi o de "O Instruido Mestre de Todas as Artes Aplicadas".

tero correspondencia coro o calendário ti betano.

Dessa

O mest re segu inte de Padma roi um i ogue ,

O GURU PRABHAHASTI (OU " ELEFANTE DA

LUZ")

Em suas andanc¡:as, logo depois disto, Padma enconuou-se com dois monges or­ denados, que estavam a caminho do seu guru. Rendendo-lhes homenagem, perliu­ lhes instru~o religiosa. Com medo de que ele estivesse armado e da sua aparencia es­ tranha, eles o tomaram como um dos pertencentes a ordem dos demonios, que co­ rn em carne humana, e fugiram correndo. E le o s c h arno u , d izen do : "E u re n unci ei as ac¡:Oes maléficas e escolhi a vid a religiosa. Tende a b ond ade de me instruir na re ligilIo."

alcan <; ou todas as perce p<; oes

psíquica e, como neste ex em­

plo , é também um ade pto das ciencias astro lógicas.

, urna das mais esotéricas dou tr i­ incluí o que o Lama Sonam Sen­

ge designa co mo na ciencia de tod as as espécie s de Astrología e Astronomia". "A própria D ou tr i­

nas tintricas. (Ver pág. XVIII,

37 U m Lo ka· S i ddh a, ou "Mu nd o Si ddha" é alguém que

logu es, ou p oderes sobre a ex istencia hum ana, tanto física quanto

38 Em tibetan o:

Dus · k y i·Khorlo. o u " C írculo do Tempo"

anterio r.) A Do utrina Kalachakra

na Kilach akra em si mesm a", ele acr escen t ou, "é conhecida no Tibete há mil anos ou mais".

39 Os Seis

Estados da Ex istencia sao o s reinos dos deuses , dos titas , do s homens, dos bru­

to s, dos fantasmas e dos hab itantes dos vários iruemos .

89

A pedido deles, Ihes entregou o seu arco e a aljava coro flechas de fe rro e os acampa­ nhou até o seu guro, Prabhah as ti , urna emana~o encamada do Ádi -Buda, que vivia numa casa de madeira co m nove portas~ Depois de ter-se inclinado di an te do guro, Padma dirigiu-lhe a palavra , dizendo -lhe : "Salve! Salve! Tende a bondade de dar-me ouvidos, 6 nobre guro . Em bora eu seja um príncipe nascido no país de Urgyan, roa­ tei de m aneira pecamin osa o filho do demOnio de um ministro e fui exilado . Nao t e ­

nho posses materiais, e acho que flZ mal No entan to, sede con descen dente em me

O guru respondeu: "Salve, salve, 6 maravilhoso jovem! V6s sois o pre cioso vaso para se verter a esséncia dos ensinamentos religiosos. Sois o receptáculo encarnado para o Mahiiyiina ; eu vos instruirei em to das essas coisas."

Padma respondeu: " Antes de tu da, por favor, concedei-me o estado de brahma­ ch arya ."42 E o guru disse: "Eu enten do os sistemas iogues; e se desejastes instruyao

neles com o p arte do Mahayiina as5im eu

o e st ado de Brahmachary a. 43 Para tan to, de veis ir a Ánanda, na Caverna As ura. E n­

quanto isto, e antes que e u vos ins trua

Conseqüentemente, Prabhahasti ensinou a Padma o significado de se alcanyar o Estado de Buda, de evitar a regressao espiritual, de ganhar domínio sobre as Tres Re­

gioes 44 e corn relayao ao P¡¡ramit~S e Al aga. Embora Padma se lembrasse e pudesse dominar qual q uer coisa que já apren dera a ntes, este gu ru, de forma a limpar Padma

do s seos p ecados, o fez lembrar-se dezoito

em vir sem uro presente para vos oferecer. 41 ensinar tu do o que sabeis ."

vos instrui rei, mas nao

posso c onceder-vos

no Mahayan a,

re cebei a minha benyao ."

vezes de cada uro dos ensinamentos.

ÁNANDAORDENAPADMA

Mais tarde , na Caverna de Asura, na presenya de Ánanda, Padma fez o voto de

da

Terca su rgiu trazendo uro manto amarelo ; quando ela envolve u Padma com ele, to­

celib ato e foi ordenado; e Ánanda t o rnou Padma um regente de Buda. A Deusa

dos os Budas das eras passadas apareceram n o firmamento, vindos das dez direyoes,

e denominaram Padma " O Leao dos Shiikyas, Possuidor da Doutrina".

40 Essa passagem é um exemplo d o esoterismo subjacente a muitas das lendas : as "nove

portas" sao as nove aberturas do carpo humano, isto é, as duas aberturas dos olhos, as duas do nariz, as duas das orelhas, a boca, o IDUS e a abertura do 6rgao sexual.

discípulo quand o se apresenta pela primeira vez a um guru, presenteá-lo ,

sig n ificando

tibetano, págs. 52 , 54 , 59 e 76.

4"2 O estad o de brah macharya , ou continencia sexual, é um dos mais essenciais para a io­ ga aplicada praticamente.

43 Como será visto agora, Padma fo i destinado a fazer voto de celibato defronte de Anan­

da. o primo e principal discípulo de Buda, na Caverna Asura, e dele receber a ordenaQao para en­

trar na Ordem . As instrUl,6es que Prabhahasti deu a Padma parecem ser mais ou menos exotéri­ cas ou preliminares aquelas dadas por Ananda, mais tarde, e podem, por conseguinte, ser chama­ das de intelectuais em vez de aplicadas. Nesta rela"ao , é significativo o fato de que Prabhahasti nao inicia, mas apenas aben"oa Padma.

dess e m o d o o seu desejo de orienta~ao espiritual. Ver Milarepa, hist6riadeumyogi

41

I: costume do

44 Ver a pág. lSOn.

45

Ver as págs . 125n e 173n .

90

PADMA INTERRO G A

ÁN ANDA COM RE LA <;ÁO Á S U A PREE~N

CIA

Senda um monge j á orde nado e p ossuido r do poder do MaMyana de des t ruir

os malefici os do mundo, Padm a, assim corno os Budas anteriores, partiu, ensinou a

ele se tom ado wn Bodhi­

sattva, voltou p ara Án anda; um dia, quando Ánanda estava discutindo o Dhamw, per­

gunto u-Ihe co mo respondeu que a

preceitos e, como exemplo , contou a seguinte hist6ria:

Doutrina e discutiu-a co ro os Bo dhisattvas. Depois, t endo

ele h avia se tom ado o principal dis cípulo do Senhor Buda. Ánanda sua preeminencia era devida ao fato de te r p rati cado fielmente os

A mSTÚRIA DO MONGE INFIEL

Um mon ge, em Bodh ·Gaya, cham ado "B oa Est rela" (L egs·pahi-Skarma ) havia memo ri zado doze volum es dos p receit os, sem n ada por em prática. Dessa forma, o Senhor Buda o admoestou, dizendo·lhe: " Emb oca possais recitar to dos esses precei­ tos de memória, fracassais na prática. Vós, portanto, nao podeis ser considerado um hornem ins truido." Co m isso, o mon ge foi fican do excessivamente irado e replicou :

"Existem apenas tr es coisas que Vos tomam difere nt e de mim : OS Vossos trint a e dais nomes ilustres, os Vossos oito bons exemplos e a Vossa aura, que tem a largura dos vossos brayos esticados . Também eu sou instruído. Apesar de ter-Vos servido durante vinte e quat ro anos, nao descobri em V6s nenhum conhecimento sequer, nero do tamanho de u rn a semente til."4(, Depois, tendo awnentado a ira do monge, ele gritou al to: "Eu me recuso a continuar a Vos servir, mendigo imprestável; sou superior a V6s no entendimento da Doutrina, V6s, patife que fugistes do Vosso pr6prio reino." E, ainda gritando raivosamente, o monge saiu.

DE COMO ÁNANDA FOI ESCOLHIDO O PRINCIPAL DISCWULO

o Senhor Bu da re uniu os discípulos e lhes disse : " 'Boa Estrela' fico u mui to ira­ do e me deixou . Desejo saber quem irá me servir no seu lugar." Todos os discípulos juntos se inclinaram e se ofereceram, dizendo: "Eu <lesejo servir ; eu desejo servir." Ele perguntou: ""Por que deseja:is me servir , sabendo que ago ra eu estou velho?" E, como o Senhor Buda nao escolheu nenhwn deles, eles entraram em meditayao silen·

ciosa;

qüentemente , a assembléia, composta de quinhentos monges inst ru ídos, muitos deles

Bodhisattvas, escolheu Ánanda. O Senhor Buda sorriu e disse : " Seja bem·vindo!" E

Ánanda respondeu: " Emboca eu seja completamente in adequado para Vos servir, no entant o, se d.evo servi r-Vos, desejo que me fa<;:ais tres promessas. A primeira promessa é que me seja permitido providenciar a minha pr6pria comida e roupa; a segunda, é que deveis da r-me tu do aquilo [de o rienta<;:ao religiosa] que eu possa Vos pedir ; e a te rceira é que nao deveis c omunicar urna [nova] doutrina em um momento em qu e eu nao esteja presente."

e Moggalllina viu logo que Ánanda era ap ro pri ad o p ara ser o escolhid o. Conse·

O Bu da de n ovo sorriu e repli cou: " Muito

46 A semen te ti l indiana, da me sm a form a q ue

bem, muito bem, muit o bem. "

a d a mos t ard a , é muit o pequena.

91

BUDA PROFETIZA A MORTE DO MONGE INFIEL

infonnasse sobre "Boa

Estrela"; diante disso, o Senhor profetizou que "Boa Estrela" monería dentro de sete

días e se tomaria uro fan tasma infeliz a vagar pelos jardins do mosteiro . Quando

Ánanda contou-lhe

em quando as Suas mentiras se tomam verdad e. Se eu estiver vivo depois do sétimo

día , terei mais

aIgumas coisas p ara dlzer a Seu respeit o . Enquanto isso, pe rm anece rei

A primeira solicita~~o de Ánanda ao Senhor foi que

a profecia, "Boa Estrela", um tanto perturb ado , disse: " De vez

aqui." Na manha- do oitavo día, Ánan da encontrou "Boa Estre la" morto, e o seu fan ­

tasma vagava pel os j arclins. Dali em diante, semp re q ue o Senhor

dim, expondo o Dhanna, o f antasma voltava nos ouvidos.

Bu da estava n o jar­

o rosto ao Senho r e c olo cava su as maos

O TESTEMUNHO DE ÁNANDA

COM

RE LA<; ÁO A BUD A

coisas que havia servido o Senhor

fielmente durant e vint e e um anos. Depois, contou como ° Buda aIcanyou o Estado de Buda, em Dodh-Gaya , no Seu tri gés imo q uin t o ano; como Ele pos a fWlcionar a Roda d a Lei em Sa ma th , perto d e Ben ares , a o ensin ar aos Seu s disc íp ulo s as Quat ro

° Sofrimento, a causa do Sofrirnento, o Triunfo sobre o Sofrimen­

to e o Método (ou Caminho da SaIvayao), pelo qualse pode triunfar do Sofrimento.

pregar em Samath durante set e anos con tid as tan to n o s doze vol um es dos

menos dois meses , o Buda ensinou preceitos que "Boa Estr ela" h avia

memorizado qu an t o nos dez outro s volumes. O

conteúdo de cada um desses dez volumes, Ánanda descreveu da seguin te forma: o vo­ lume 1 expunha a doutrina do Bem e do Mal ; os volumes 2 , 3 e 4, os cero deveres re­ ligiosos ; o volume 5 , o méto do de p raticar esses devere s; o volume 6 , as t eorias do "self'; o volume 7, a loga; o volume 8, a recompensa pela bondade; o volwne 9, Sa­

be do ri a ; e o volwn e 10 , a ment e e o p ens amento. Havi a também m ais aIguns volumes de ensinamentos sobre a luxúria, a raiva, a preguiya, os preceitos sacerd ot ais , guru e

Ánanda disse que era por causa d e todas essas

Nobres Verdades:

Ananda também contou como, continuando a

as verd ades

shishy a, mét odos de pregayao, sobre o Vazi o, os frutos da p rática dos p rece it os

e so­

b re o método d e Durante o

alcan yar a Li b ertayao. 47 segundo período da Su a missao , que se es tendeu p or ce rca de

mais

de dez anos, o Senhor p regou o Mahayiina em Magadha, em Gri dhra.kiita , em Jetava­ e em outros lugares. Ele também pregou para Maitreya, Avalokiteshvara e ou tros Bod hisattvas nos mundos celestes e para deuses e demonios, a essencia do Dharma, como foi exposto em várias Escrituras, e contou a Sua visit a ao Ceilao. O t er ceiro p eríodo d a prega~o de Buda esten deu-se por mais de t reze anos e foi. prin cip alm ente, dedicado aos deuses, niigas. arhants e vários outros seres espiri­ t u ais. Durante o quarto períod o, de se te anos, Ele ensinou as do uttinas taotricas, mas apen as exotericamente.

na

47 Os Budi stas Tibetanos ve em os ensinamentos dados pelo Buda em Sar nath como per­

ou tros lugares , como perten­

tencentes ao Hmayana (ou Theravad a ), e os transmitidos depois, em centes ao Mahayana.

92

o Buda ordenou e deu poderes a V ajra _Pani 48 p ara ensinar os aspectos esotéri­

cos dos Tantras e lhe disse: "No mesmo país e época nao podem existir dais Budas de Bodh_Gayii 49 pregando a Doutrina. Se houver outro Bu da , Ele s6 pode viI depois da partida do Buda atual."

quan do EJ e se p assou e o Abh idharma Pita­

para o Nirvana, ka 50 e o GetTi 51

e até o Seu oct ogésim o segundo an o, Senhor Buda pregou a Vinaya, a Sütra

Poi nesta época

q ue o

PADMA ESTImA COM mANDA

Padma ficou muito satisfeito com esse longo discurso de Ánanda (que aquí foi

sinte tiza do J, perm ane ceu

ze vo lumes de zado.

Quan do seus estudos sob a orienta yao de Án an da es t avam para se completar, Padma, percebendo as limitayoes da exposiyao exotérica da Doutrina, pens ou consigo mesmo: "Por intennédio dos ensinamentos relacionados com o Vazio e a Sabedoria Divina, tenho que descobrir um caminho mais perfeito.,,52

do­

p receitos que compreendiarn o Getn', que "B oa Estrela" h avia memori­

com Ánanda d uran te cinco anos e to rn ou-se me st re no s

o TESTEMUNHO D E ÁNANDA COM RELAC;ÁO As ESCRITURAS

registrados os Sutras e os

Mantras S3 e, se forem contados, quantos volumes existem e onde estao os textos?"

Ele perguntou a Ánanda: " Há quanto tem po fo ram

48 Vajra-P-ani (ern t ibe tano, Phyag·na·Rdo·rje;

pro nuncia-se: Chha k·n a·Dorje; ou Ph yag·

Rdor , q ue se pronuncia Ozhak ·Dor), " Manejador do Vajra " (ou "Raio dos Deuses" ), é tid o co­

fOI~, personificada como indIa pelos hindu s, Ze us pelos gre·

gos, J úpiter pelos romanos e Jeová pelos hebreus. Ele é o ftlho espiritual de Ak shobhya, o segun·

do do s cinco Buda s Dh y m (Cf. L. A . Waddell , op. cit., pág. 356.) Como Chhak -Dor, ele dade dirigente do sistema Untrico.

49 t o mesmo que dizer que nao podem existir dois Budas encarnados, ao mesmo tempo,

é a dei­

m o uma peIso nifi~o ta.ntrica da

que tenham atingido o Esclarecimento como Gautama atingiu em Bodh-Gaya. SO Estas tres Pitakas (ou cole~óes) compreendem o cmone do Budismo do Sul. A Pitaka

do sacerdócio; a Pitaka Sa tra, dos discursos do Buda;

a Piraka A bh idharma, de Psicología e Me tafísica. Ver nota na página 149, a seguir. A tradi~iio tibetana aqui apresentada, relacionada com os vários períodos dos ensinamentos de Buda, sugere a teoria formulada pelo monge chines Chih-che (que víveu durante a última metade do século VI A.D,) de que os sermóes e pronuncia­

menta s do Buda designam cinco grandes períodos da Sua vida. O estudante é remetido a K. L.

Re ichelt, op. cit., págs . 43-5.

Vinay ii consiste de regras para o governo

SI

52 O texto traduzido da " Ioga do Conhecimento da Mente em sua Nudez", que está con­ tido aqllÍ no Livro 11, apresenta. em forma resumida, os resultados desta decisao de grande alcan­

ce do Grande Guro , ao descobrir a

das a guiar o pavo nao-esclarecido para os Ensinamentos Elevados. A onenta~¡¡o feíta pelos sacer­ dotes, até mesmo pelos mais sábios guros, tem como objetivo preparar o discípulo para ser urna 13m­ pada e um refúgio para si mesmo, como ensinou o Buda. O Caminho pode ser evidenciado, saindo-se da escundao da existencia mundana p:ua a luminosidade do Objetivo Nirvánico. Mas o peregrino deve palmJlh:u por seus própnos esfor~os a rota da Peregrina~o até o fim; ninguém mais pode fa­

zer isso por ele.

Verdad e Última. As Escrituras de todas as religióes sao destina­

S3

Os Mantras sao as Escrituras especiais da Escala Mantrayana do Budismo do Norte.

93

Ánanda respondeu: "Desde que o Senhor passou-se para o Nirvana, tudo o que ele dis­ se tem sido registrado. Se fossem transportados pelo Elefante de Indra,54 haveria quí­ nhentos fardos dessas escrituras." Surgiu urna disputa entre os Devas e os !Vagas. os Devas desejavam ter as escrituras no seu mundo e os !Vagas as desejavam no seu. Os

volumes

condido no céu de IndI a; a maior parte dos Sutras foi escondida em Bodh·Gaya; o

Abhidharma Pitaka foi escondido no Mosteiro d e Nalanda; grande parte dos textos de

Mahñyiina foi escondida em Urgyan

em NiiJ.anda. E todas essas escrituras fo ram ass eguradas contra a destrui~ao dos inse ­

do Boom 55 foram escondidos no reino

dos !Vagas; o Prajñi-Pliramitli foi es­

na stüpa.

. Os d emais textos foram depositados

tos e da uIIÚdade.

OS ENSINAMENTOS DE PADMA E vARIos ESTUDOS

Ao completar seus estudos com Ánanda, Padma dirigiu-se a uro cemitério on­ de h abitava a deidade tfultrica Mahlikila, 56 que tinha co rpo d e i aque, cabe~a de leao

e pemas serpentifonnes. O cemitério continha urna stüpa feita de pedras preciosas, contra a qual Padma estava acostumado a apoiar as costas, enquanto pregava o Dhar­ ma; e lá , durante cinco anos, ele se dedicou a ensinar as diikinis e foi chamado de "O dos-raios-do-Sol". 57 Desejoso de encontrar urna doutrina capaz de ser exposta em poucas palavras de grande significa9áo e que, quando aplicada, fosse imediatamente eficaz, iluminan­

do e fomecendo

nada a Doutrina da Grande Perféiylf"o_S8 E, entao,Padma foí clíaiña de Vajra-Dha­

ra no aspecto esotérico.S9

calor, Padma i ~ . da, n Céu ' Og-Min, e lhe foi ensi­

Depois disso, Padma foi até o Cemitério da "Felicidade Distendida", na Cache­ mira. Lá ensmou o Dharma durante quatro anos ademoDia Gaurima e para muitas

54 Um el efante mítico, de for<;a su pemorm al , a q ue a li t era tura d a Úldía se refe re comu­

mente, como aqui, de fo rma figurativa, para enfatizar o exagero oriental.

O Boom. ou Bum (em sánscrito : Sata SahaJri1caj, significa "100.0 0 0 [shlokq! de Sabe­

volurnes do S'u-p 'yin cano­

nico (pronunc ia-s e Sher-chin), traduzido d o origin al san scri to, Prajñ4-Piiramitii (que corresponde

ao Abhidharma da EscoJa de Budismo d o Sul). (Ver Tibetan Yoga and Secret Doctrines, págs. 343­

49.)

masculino , ou

shakta, das fOI<;as desintegradoras d o Cosmos, das quais Kiili (n A Fernea Pret a" ) é O aspecto fe­

minin o , ouShakti. Como tal, Mah a1caÜl é o Senh o r da Mart e . sinónimo de Dharma-R iij a_ E ele é a

Ch enraze e ) de q u em o Dala! L am a é a re­

presenta<;io encarn ad a

que Padma­

Sambh ava se m an ifest ava. (Ver a Estampa V e a sua descric;ao nas págs. XXI-XXIV .)

é a doutrlna básica do insight místico da Es c al a Nyi­

n groa, fun

Vajra. ou Dorje") é o Mesue super-humano ~a Doutrina

Secreta sobre o qual o Vajrayana e o Mantrayana sao baseados. Ele é associado ao Adi (ou pri­

mordial) Buda, penonifica~ao da Mente Cósmica Única e ao Dharma·Kiiya " Corpo, ou Essencia­ lidaue, do Dharma ou Verdade"), símbolo da Realidade. Como tal, Vajra-Dh ara é o Guro Divino da EscoJa Nyingrna.

ss

doria Tnn scendental)", e consiste nos prirneiros doze dos vinte e wn

56 Mahilkllla. ("O Gxande Preto") é a personifica<;io tintrica do lIspecto

rn an ifesta~ao ir ad a d e Avalokiteshvar a (e m tibetano:

na Teua.

57 Em tibetano : Nyi-17UJ Hod-zer. urna das o ito formas, ou personalidades . em

SS

A Dout ri na da Grande Perfeic; ao

dad a p o r P a dm a -S ambhava. (V er

59 Vajra-Dhira ("Portador do

Tibetan Yo ga and Sec~t D octrines . págs . 2 77 - 78 .)

94

~ dell

asso~

~

MjmD~

i1

F

o

Vajra-Dhira ("Portador do Tibetan Yo ga and Sec~t D octrines . págs . 2 77 -

dáldnis; e foi chamada de "O Transmissor da Sabedoria para todos os Mundos" .60 Depois, foi ao Vajra.sattva, no Seu mWldo celeste, e adquiriu proficiencia em loga e nas doutrinas tantricas,61 e foi cbamado de Vajra-Dhira no aspecto exotérico.

Padma também habitou por um período de cinco anos no Cemitério do "Pico Autogerado", 00 Nepal, onde, depois de eosinar e subju gar várias classes de seres espi­

rituais , inclusive demonios, e

cia condicionada, foi chamado de "Aquele que Ensina com a Voz do Leao". 62 No Céu do Adi-Buda, Padma foi instruido de forma completa nos Nove Veí­ culos, ou Caminhos,63 em viote e uro tratados do Chitti-Yoga 64 e em todas as coi­

sas q ue pertencem aos MantIas e Tantras, e foi chamada de "O Plenamen te Ensina­ do".

Foi no Cemitério do «Pico Lanka", no país de Sahor, de pois de ter pregado e di sci plinado muitos demonios amedrontadores, que ele fo i cham ada de "O Nascido­ do _Lótus". 65 No Cernitério do "Pico de Deus", da tem de Urgyan, Padma pennaneceu cinco

anos e recebeu instruyao de

método tantrico secreto de alcanyar a Liberayao. Foi depois que ensinou asdakinis, no

Ce mi téri o do "Pico do Lótns", qu e Padma tomou-se conhecido como "O Eterno Consolador de todos [os Seres]".67

de adquirir dominio sobre as Tres Regilies da existen­

umadasdákinís da Ordem dos Ioguins Vajra 66 sobre o

A INICIAyAO DE PADMA POR UMADAKINÍ

A mestra seguinte de Padma foí mua da"Kinj ordenada, que habitava num jardim de sandalo no meio de um cernitério, em palácio construido de caveiras. Quando che­

60 Em tíbeta no: Llíden (J¡og-se, outra das oito penonalidades em que Padm a se mani­

festono

Sambhoga·Kiiya, on reflex o d o aspecto D harrr14.Kiiya, d o ao Reino Oriental da Fellcidade Pteerninente, co rno em O ¡¡.

.,ro tibetano dos monos (pág. 16). Exotericamente, Ele manifesta o Universo; esotericarnente, Ele compreende todas as deidades. Como Shiva, sendo Ele o Grande Mes tre da loga, é, nesta Escola,

o Tutor de tod o s os aspirantes ao su ~ sso na Ioga.

Dhyiini Buda Akshobhya. associado

61 Vajra

5attva

é o aspecto

62 Ou Seng·ge D ra.dog, que é m ais um dos no me s darl os as oito per sonalidades, ou fonnas,

assum idas'por Padma.

alcan <; ar o E scl ar e cirn en to, c o mo os repr e se nt a ­

do s pelo Mahiiyana, Hinayiiltll. Vajrayiiltll, Manrray iina e Y oga-Charo (ba seado s nos Cinco L lvros

de Maitreya. o próximo Buda). Da mesma forma, no HinduÍsmo existem Seis Escolas (em sans­ crito: Shad{)anhaltlls) d e Filosofia, ou Visoes, ou Meios de alcan<;ar a L ibera<;ao, a saber, a Nyii­ ya. Vaishshfka, Siinkhya. Mímangsa. Yoga e os si:sterr14s Vediinta.

64 Ou l oga que p ertence am en t e em sua Na tur eza VerdadeiIa, como foi exp osto em nosso

63 E st e s co nsistem de Il ov e mét od o! para

tratado .

65 Os tibetano s dizem qu e es te cemitér io era habitado por muitas criaturas nascid as na

água , e compararn o seu nascirnento com o nas cimen to do nascido no !ótus e, de f orma couelata,

com o d o Grande Guru. Em co ns eq üencia, eles o nomearam " O Nascido-do- Ló tu s" (em

sansCIÍ­

to

: Padrr14-Sambhava).

 
 

66

A o rde m d

as devatas Vajray altll é personificada coletivamentena V aj ra- Yo gini,

a d en sa

principal tu telar asso ciada

Yoga an d S ecret D oc trines.

a muita

a llu s tr a~ao V e a des cri<;ao da V ajra - Yogini, nas págs . 17 3 -7 5'.)

práticas eso téricas do y oga t antrico tibetano. (Ver Tibetan

67 Ou, mais lit eralmente, Dorje Drij·lo. o nome de outra das oito personalidades de Pad­

ma. (Ver pág. XXIII. )

95

gou a porta do palácio, encontrou-a fechada. Entao, apareceu uma serva carregando água para o palácio e Padma sentou-se em meditarrao, fazendo coro que eIa parasse de transportar água, por meio do seu poder iogue. Em razao disso, criando urna faca de cristal, eIa abriu o peito e eXIoiu, na parte de cima, as quarenta e duas Deidades Pací­

ficas e, na parte de baixo, as quarenta e oito Deidades Iradas. 68 Dirigindo-se a Padma, eIa disse: "Observo que sois um mendigo maravilhoso, possuidor de grande poder. Mas olh ai para mim, n ao tendes fé em mim ?" Padma inclinou-se di ante dela, de s­ culpou-se e pediu os eruinamentos que pro curava. Ela respo nde u: "Sou ap enas uma serva. Entrai."

nurn tro n o d e

Sol e Lua, que segurava em suas maos um tambor dupl069 e urna tarra feita de craruo

hum an o, ~ e estava rodeada por ttinta e duas diikinis q ue !he faziam oferen das sacrifi­

ci ais. Padm a louvou a dlikinl entronizada e as o ferendas e pediu-lite p ara que o erui­

nasse tanto esotérica quanto exotericamente. As cem Deidades Pacíficas e hadas apa­ receram, entao, no alto. "Contemplai" - disse a diikinI - "as Deidades. Agora fazei

a vossa iniciarrao." E Padma respondeu: HAssim como todos os Budas em todos os terop os tiveram guros, aceitai-me como vosso discípulo. '

Aa entr a r no palácio, Pa dm a contemplou a dákinT en t roni z a da

tran sfor­

mou Pa dm a na s ílaba Hüm 7~ O Hüm

bén9ao do Buda-Amitabh a. Depois , eIa engoll u o Hüm e, dent ro d o seu estom ago,

Avalokiteshvara. Quando o Hüm chegou a re­

giao de Kundalinl, ela lite conced eu a iniciarrao do corp o, da fala e da m ente; e ele foi

timpa d e to das as sujeiras e o bscuridades. Em segredo, el a t ambém fue cooferiu a ini­ ciarrao Hayagriva;n que dá poder p ara dominar todos os seres espirituais maléficos.

Padma recebeu a iniciarrao secreta de

pennaneceu nos seus láb io s e eIa lh e co n ce d eu a

Em segui d a, a dlik in! absorveu to d as as Deid ades em seu corpo. Ela

o GURU DETENTOR DA SABE

ORlA

Sabedoria,73 de 'Og-min, o mais alto dos céus de Buda, depois

ensinou a Padma tudo que era conhecido sob re magia, renascimento , conhecimen to mundano , tesauros escondidos, poder sobre as posses m un dan as e longevidade, tan to exotérica quanto esotericamente.

Um De t entor da

68 Estas constituern a mandala t ántrica de Cem Deidades. (Ver O ¡¡lIro tibetano dos mor· tos, pág. 164 .)

69 O da miiru tibetano, o u ritual do tambo r. (V er

~ Igual a que Padm a-8ambhava segura, ver pág. 11.

Estamp a V .)

71 A sl1aba man tra Hüm dos tibetanos , quand o entoada de maneira própria por um inicia­

do do Manrraytina , é urna das mais eficazes d e todos os mantra s, com o A um (ou Om) dos h indus.

Ela representa um papel rn uito importan te e m

com os centros psíquicos (em sanscrito: chakra ) da parte inferior do corpo e, por conseguinte . com

o Múliidhiíra -chakra , que

CÚllinr reside, e cujo despertar,

pod er o cult o como o que irá capacitar o ini­

ciado a empregar com mestria as fo rc;as cós micas, personificadas pela deidade t an trica Hayagrlva

(em tibetano: Rta·mgrin. que se pronuncia Ta m-din g), A d a Ca be~a d e Ca val o , que é manif est a da

através dos espíritos mal ignos e também como

73 Em tibetano: Rig·hdzin (que se pronuncia: Rig-zin) , um ser altamente adíantado. como um Bodhisattva.

96

ritu ais tán tricos do Tibete e está ass ociada

to dos os

fica na base da colun a espinhal. onde o Poder da Serpente da Deu sa Kun ·

sob orientayao sábia. é essencial a Iniciayao bem-sucedida.

72 Esta

Iniciayao consiste na tr ansferen cia d o

f o r<tas da destrui<tao e da desann o nia.

bem-sucedida. 72 Esta Iniciayao consiste na tr ansferen cia d o f o r<tas da destrui<tao

OS ~TODOS A MANEIRA ZEN DE UM GURU BIRMM$S

o Detentor da Sabedoria enviou Padma para Pegu,74 em Bunna, para adquirir do Príncipe shñ Singha, que morava numa caverna, a essencia de todas as Escolas de Budismo, sem diferenciar uro ensinamento do outro. Quando Padrna pediu ao guru

shñ Singha que o ensinasse tal coisa, o guro ap ontou para os céus e respondeu: "Nao

desejeis o desejo;

nao desejeis o desejo. O desejo e a libertac;:ao devem ser simultaneos. Vazio, vazio.

Nao-vazio, nao·vazio . Nao-obscurecimento , nao·obscureciment o. Obscurecimento, obscurecimento. 75 Esvaziamento de todas as coisas; esvaziame nto de todas as coisas .

Desejo em cima , em baix o, no

Quando t udo isso foi explicado em detalhes e o guru havia assegurado a Padma que ele iri a perceb er a essen ciali dade de todas as doutrin as, Padma lo uvou o guru . 76 Depois, Padm a pergun tou ·lh e: "Qual é a di ferenc,:a entre os Budas e os nlo-Bu­ das?" E shñ Singha r espondeu: "Mui to embora se procure encontrar uma di ferenc,:a,

ce n tro, em tod as as direc,:6es, sem diferenciac,:ao."

desejais o que ve des . Nao desejeis, n ao desejeis. Desej o, desej o . Nao

nao existe nenhuma dife renya. 77 Por conseguinte , libertai-vos da dúvida coro rela­ 9 a o as coisas externas. Para vence r a dúVÍda com relac;:ao as c oisas internas, em p regai

a perfeita e absoluta Sabedoria Divina. Ninguém ainda descobriu a Primeira Causa nem a Segunda Causa. Eu mesmo nao fui ainda capaz de tanto ; e vós, da mesma for­ ma, v6s, Nasci do-do-Lótus , deve re is fracassar nisso."

A ORIGEM SOBRENATURAL DE MAÑJUsHRi

que residia na

Montanha dos Cinco Picos, próximo ao Rio SIta-Sara, n a Provincia de Shanshi, na China. A origem de MañjushrI, tal como a de Padma, era sob renatural:

O Buda, certa vez, foí aChina p ara ensinar o Dhanna mas, ao invés de ouvi-Lo ,

o povo O amaldiyoou. Entao, Ele ret ornou a Gridhraküt a, n a ÍÍldia. 78 Considerando inútil explicar as verdades elevadas para os chineses, decidiu introduzir na China as

o grande guru seguinte a Padma fo i o B odhisattva Mañjusliñ,

74 Te xtu almente : Ser-Ung, a antiga Pegu , em Burma, ond e o Budismo fl oresceu

los IX e X.

nos sécu­

Ou Ignorancia (em sanscrito :A vidyo ). Este m ét odo d e e nsino dos guru s se pare ce com o dos gurus da Escola Zen e pretende

levar o discípu lo a urna introspec~o meditativa profunda, ao fun do qual ele estará capacitado a responde r as s u as próprias perguntas e resolver os seus próprios problemas. A Es c ola Zen, exata­ mente com o a "[oga d o Conhecimento da Mente em sua Nudez", ensina a futilidade da procura fora de si me sm o , nas Escrituras ou através dos gurus , da libertayao da Ignorancia.

77 A compreensao de sta asseryao paradoxal supoe o entendimento do ensinamento de que todas as coisas vivas, tanto subum anas como humanas, sao Budas em potencial ou, no sentido gnós­ tico-cnstao, Cristos. Conseqüentemente, o guru continua sugerindo que o que os ho mens chamam

d os professores chi­

neses da Escola Zen. declara de

mem comum é q ue um percebe que é Buda e o outro nao." E como Bodhi-dharma. o primeiro dos professo res Zen , ensino u, todas as coisas contem a natureza do Buda desde sempre . ?8 De acordo com a tradi9ao tibetana, foi em Gridhraküta que o Buda ensinou o Mahiiyii· na. Gridhrak üta, ou "O Pico do Urubu" é o mais alto das cinco montanhas que cercam Rajagri· ka , onde o p rimeiro grande Conselho Budista foi realizado, no ano de 477 a.C.

mane ira semelhante : " A única diferenya entre um Buda e um ho­

de diferenr,:as sao o Um e , assim , em essencia, sao ind istint as. Hui-neng , um

75

':t;

97

verdades condicionais,79 juntamente com a Astrologia. Conseqüentemente, o Buda,

Gridhraküta, emitiu da coroa da Sua cabe~a um raío de Juz ama­

relo, que caíu sobre urna árvore que crescia perta de uma stUpa, em meío a mais cin­ co stUpas, cada urna delas senda um dos picos da Montanha dos Cinco Picos. Da ár­ vore cresceu urna excrescencia semelhante a uro b6cio , de onde brotou urna flor-de­ lótus. E desta flor-de·16tus nasceu Mañjushfl, segurando em sua m~o direita a Espada da Sabedoria e em sua mao esquerda urna flor-de-16tus azul, que sustentava o Uvro

da Sabedoria; o povo dizia que ele n[o nascera de pai e mae.

enquanto esteve em

A TARTARUGA DOURADA E OS SISTEMAS ASTROLÓGICOS DE MA&JUSHRi

Da cabeya de Mafljushñ saiu urna tartaruga dourada. A tartaruga entrou no Río Sita-Sara e, de urna bolha, surgiram duas tanarugas brancas, macho e lernea, que pro­ eriaram cinco espécies de tartarugas.80 Por esse te mpo, o Senhor BUda emitiu da coroa da Sua cabe ya um raio de luz branca, que caíu sobre a Deusa da Vit6ria. A Deusa foi ter com Mafijushri e, ele, to­ mando em sua m[ o a tartaruga dourada , disse : "Esta é a grande tartaruga dourada." Em seguida, instruiu e iniciou a Deusa em sete sistemas astrológicos, e ela estudou com ele um total de 84.000 tratados. Destes, 21.000 eram de Astrologia aplicada aos sere s humanos vivos, 21.000 de Astrologia aplicada aos mortos,81 21.000 de Astrolo­

gía aplicada ao casamento e

21.000 de Astrologia aplicada atena e aagricultura 81

~

PADMARESTAURA OS ENSINAMENTOS ASTROLóGICOS DE ~JUsHRi

PARA A HUMANIDADE

Quando estes ensinamentos astrológicos, conhecidos como os ensinamentos que brotaram da cabeya do santíssirno Mai'ijushrI, se espalharam por todo o mundo, o povo lhes deu tarlta aten~o que o Dharma do Senhor Buda foí negligenciado. Dessa forma , Mafijus1u:l colocou todos os t extos que continham OS ensinam.entos dentro de urna caixa de cobre mágica e a escondeu numa rocha, no lado oriental da Montanha dos Cinco Picos. Dessa maneira, desprovida da onenta¡;ao astrol6gica, a humanidade

subordinados.,

aos asp ectos esotéricos.

símbolo do Cosmos , p ara adivinha yao. como su gere astrol6gica tibetana, de ad ivinhar;áo, de oligem chi­

nesa, presidid a por Mañjusbri transfODIladO nu ma tartaruga; sob re d ifere nt es partes do seu corp o

sao distribu ídas cartas escritas em sanscrito numa seqüenc ia m ág ica_

81 No Tibete , a Asuologia é empregada p ara averigu ar o dia e a hora que sao auspiciosos

para um fune ral e p ara saber o tempo , lugar e circunst ancia d o r enascim ent o de urna p essoa fale­

cid a, servind o o m o mento da morte com o base para o

pág. 146 n. 104 .) 8:l Em tod a a (ndi a, no Ceilli o , no Tibete, na Ch ina e em outras terras d o Orien te , t odas as

como ar ar, sem ear e

colher os graos, e a detenninar;ao das caract erísticas da tetra e dos lugares é suje ita ao cálculo as­

trológico. No Ceilao, on de o h orma astr ológico é ainda urn a ciencia florescente , o exato momen ­ to para a constru~ao de urna casa, urna cerca ou u m p ortao , para derrubar urna more, cavar um PO((O e para todas as operar;6es similares, é flXado pela str ologia.

princlp ais ati vidades de u rna carre ira terren a, todas as operar;éies agrícolas , tal

79 I sto é , o s aspectos mais exotéricos do Dharma , que sao p re limin ares, ou

80 Os chineses e mpcegam a tartaruga,

o Si-pa-Khor. /o (Srl-pa-Hkhor-Iol, urna cana

cálculo. (Ver O livro tibetano dos mortos,

98

"encama~íio

o Si-pa-Khor. /o (Srl-pa-Hkhor-Iol, urna cana cálculo. (Ver O livro tibetano dos mortos, 98 "encama~íio

sofreu m e d onhos infortúnios: doe n ~as, abrevia~ao da vida , pobre za, es te rilidade do gado e fome. Ao saber desses infortúnios, Avalokiteshv ara foi até Padma·Sambhava e disse :

"Eu renovei o mundo tres vezes e, pensando que t odos os seres estavam felizes, retor­ nei a RipotaIa. 83 Mas agora, quando olho para baixo, vejo tanto sofrimento que até choro." E Avalokiteshvara acrescento u: "Assurna o as pect o de Brahma e, para o bem

das criatur as

Tendo assunúdo o aspecto de Brahma, Padma foi até MañjushO e disse: "Embo· nao seja re almente urna parte do Dharma do Senho r Buda, a As trologia é, entretan­

conseguinte, pe~o-lhe revelar

ra

to , de grande bene ficio para as cri aturas d o mundo. Po r

os textos escondidos e instruir·me neles." E Maftj uslul retirou os textos escondidos

e instruiu e iniciou Padma em todos eles. 84

do mundo, vA e redescubra estes te sour os [ de t ext os] escondid os. "

OUTROSGURUS DE PADMA

Astrologi a, sob a orienta~ao de Mañju­

sh ñ, Padma recebeu mais instruyeíes religiosas de Ádi·Buda. Depois, vários guros hu· manos lhe derarn, cada qua!, um novo nome, o iniciaram em oito doutrinas, com re­

Depois de completar a sua instru~ao em

la~o As Deidades Pacíficas e l ra das , aos d emo n ios dos Tres Reinos da Exist encia,

a

o

fe renda de hinos e louvores, As maldi~Oes, a m e lhor de todas as essencias r eli gios as

e

a essencialidade da consagrayao;

le. Ele const ruiu urna stüpa de treze degraus e nela escon de u os textos dessas oito

doutrinas.

e as deidades correspondentes apareceram diante de­

PADMA RECUPE RA OS TEXTOS

ESCONDIDOS

EntAo, apareceu para Padma urna diikin l que, depois de té·lo saudado como a "encamac;ao da Mente do Buda Amitlibha", declarou que era tempo de ele retomar os textos escondidos dos ensinamentos do Senhor Buda. E Padma reuniu os t extos

dos ensinamentos do Senhor Buda, alguns nos

naga e alguns no mundo humano 85 e, dominando os seus conteúdos, foi chamado de "O Pod eroso e Ric o do Mund o". 86

mun dos celestes, alguns no mun do

de

ARTES IOGUES DOMINADAS POR PADMA

Agora Padm a vai p ara Grl dhrakiita e t oma·se mestre da arte ¡ogue essencias para pro duzir a saúde e a longevida de, o poder sobrenatural

de ext rair as da visao , da

83 Textualmente: Ripotiila. a resid~ncia celestial do Avalokiteshvara (em sanscrito: Potii·

la) , o nom e p elo qu al o palácio do Dala! Lama (A encamatyao de Avalokiteshvara) é conhecido fo· ra do Tibete .

84 Os vários títulos des tes tratados astrológicos sao dados numa longa lista nos fólios 105·

06 do texto

85

Os nomes des tes textos sao dados no fólio 107 do texto tibetano.

86

Como é do sábio costume do Oriente, diz·se que alguém é poderoso e rico mo em coi·

sas mundanas, mas em Sabedoria. O nome aqui dado a Padma é comumente aplicado a Avalokite­

shvara.

99

audi9§'O, da sensa9ao, do olfato e do gasto, de apenas be ber águ a e se abste r de comi­ da, de reter a saúde e o c alor c orp oral sem usar roup as, 87 o mé tod o de ad quirir cla­ reza da mente, leveza do carpo e ligeireza dos pés pelo controle da respira¡;:ao, de pro­

lon gar a vid a e adquirir c onhecime ntos tao ilimitados qu an t o o céu através d a fIxa9 ao

prática de to das as p eni­

tencias, Padma to rn ou-se h abituado a to das as p rov a900s. O seu nome , oeste t empo ,

e da aplica9a'O dos ensinamentos relativos ao Vazio. 88 E, pela

era "O que Desfruta todas as Ben¡;:aos".

Padma tam hém dominou a arte iogue de extrair o elixir das p edras e da areia e de trans m utar o lixo e a carne dos cadáveres h umanos e m comida pura. Out ra reali­ za9lIo foi a da pericia em acrobacia. Ele , enta:o , foi chamada de "O Régio Desfruta­ dor da Comida". Outras artes iogues nas quais Padma adquiriu proficiencia foram: prolongar a

vida com a essencia do aura, prevenir a doenQa

as águas com a esseocia da pérola, neutralizar o veneno com a essencia do ferr o, ad­

quirir urna visao clara com

tus Essencia das J 6ias" . Padma domin ou a u tiliza9ao de urna centena dessas essencias e as comunicou em beneficio da humanidade. Os textos a respeito de algumas delas ele escreveu em papel e escondeu. O Buda da Medicina apareceu diante de Padma e, oferecendo-lhe uro recipien­ te corn amrita,9Q pediu q ue behesse. Padma bebeu a metade da por9ao para prolon­ gar a vida e a outra metade escondeu numa stüpa; agora, era chamado de "Padma, o da Realiza9ao" .91

a essencia do lápis-lazúlL 89 Ago ra o seu nom e era " O Ló ­

corn a essencia da prata, andar sob re

Brahma, Senhor dos Rishis, acompanhado por viote e um Grandes Rishis, apa­

receu diante de Padma, borrifou-o com fl ores e c antou os se us louvores. Brahma di ri ­

giu-lhe a palavra, dizendo: "V6s sois u rn a

tes de uro 16tus. V6s do veneno, aos Cinco

men te de Amitabha e nas ces­

emanaQao da

do minast es as artes que pertencem a Medi cina, an eutraliza9ao Elementos e ao prolongamento d a vida ."

PADMA DESTR Úl OS CARNICEIROS

doen~a

Aconteceu que existia em um dos pontos extremos da IÍldia urna cidade habi­ tada por carniceiros, e Padma, para dorniná-los e destruí-los, encamou-se corno um dos seus filhos, que se chamava Kati, o Proscrito de rnao maligna. Para Kati, que era carniceiro de profissao, nao fazia nenhuma diferen<;a matar e comer um animal ou

~

87 Ist o sugere a prática do Tum mo; um tex to traduzido está contido no LiVIO UI do Tibe­

tan Yo ga and Secret Doctrines.

88 Nesta série de realizayoes (em sanscrito: siddhO, o poder sobre os Cinco Elementos (ter­

ra. água, [ogo, ar e éter ) está simbolicam en te sugerido . As essencjas simbolizam a tena; o beber

simbuliza a águ a ' a [oupa , o fogo; o controle da l'espira9ao,

o

al ; o

vazio , o éter.

89 No te xto: bai-dur.ya

referente a m alaquita ou crisolita , da

o verde e o branco. O p rincip al dos Budas M é­

desta subst ancia m ineral curad o ra.

néctar dos deuses, que confere aos homens a dádiva da vida longa , ou

(em sanscrito: vaidilrya ),

qual exi ste m t re s varie d ades, o lápis-Iazú li amare lo,

di cos, o Buda BedUriya é chamado assim por causa

00

imonal.

A mri ta

é

o

91 Ou "Padma. o Siddha".

100

peregrina~ao.

BedUriya é chamado assim por causa 00 imonal. A mri ta é o 9 1 Ou

um hornem; e, entao , ele com eyou a matar os carniceiros e a comer a sua carne . Quando pegou. O hábito de cortar peda~os de sua pr6pria carne e come-la, o P OyO amaldi~oou-oe rnandou-o ern bo ra. Kati saiu e conheceu urn camiceiro chamada Tumpo,93 tlio perverso qu.anto ele, e lhe disse: "N6s dais t ernos a mesma fo nn a de vida e devemos ser boa compa­ nhia um para o ou tro." Kati forn eceu a Tumpo arcos, fl echas e la~os e !he disse:

"Agora, continue a matar os camiceiros com toda a vossa forya e eu com toda a mi­ nha forya enviarei os se us p rincípios de c ons ciencia para as moradas dos deuses." Desta fonna, t odos os carniceiros fo ram mortos. 94

92

PADMA CONQUISTA TODOS OS DEMONIOS E TODAS AS DEIDADES

A fa~anha seguinte de Padma foi a subjugayao e a conversao dos h eréticos e de­ monios , que fi zeram vot o de o fer ecer sua vida para auxiliá-l0 a fund ar o Dharma. Ele escreveu um liyro sobre como subjugar e converter os demonios e escondeu-o numa rocha,

Entao, Padrn a pensou : "Nao posso difundir mmto bern a Doutrina e auxiliar os seres sencientes antes de destruir o m al ." Voltou ao Cernitério do "Siindalo Re­ frescante" , perta de Badh-Gaya, e lá construiu coro cayeiras humanas urna casa de oi­ to port.as e dentro dela uro t rono, ande sentou-se como um leao e entrou em medita­ ~o. O deus Tho-wo-HÜIn-chen 9s apareceu <liante de Padma e, louvando-o, disse:

"Hüm! Ú v6s, Ú do carpo-Vajra, Portador da Religiao Shiikya, que, como uro lelio, es­

tais sentado em vosso trono, sendo o gerado-de-si-mesmo, crescido-por-si, o conquis­ tador do nascimento, da velhice e da roorte, o eternamente joyem, transcendente a todas as fraquezas físicas e as enfennidades, v6s sois o Corpo Verdadeiro. 96 Sois vito­ riaso sobre o demonio nascido dos agregados corporalmente, sobre o demonio do so­

frimento, da doenya e da morte, sobre o mensageiro do Senhor da

deus da luxúria , 6 v6 s, Her6i, chegou o tempo de subjugardes todos esses males."

Morte 97 e sobre o

Entao, Padma saiu da sua meditaylio. Subindo ao t opo da casa, iyou oito flamu­

vá­

las da vit6 ria , espalhou as peles hum anas dos ca dáveres do cernitério e represent ou

92 Como todas as coisas vivas pertencem a urna única consangüinidade, comer a carne dos animais inferiores é, no estrito sentido budista, essencialmente o mesmo que comer a sua própria carne.

93 E ste n ome se refere a u m in diY{d uo de aparenc ia fe roz, que é membro de urn a tribo

bárbara vista como casta marginal

91 Embora este canto deva aparentemente ser tomado como urna fábula lendária para en­

fatizar o preceito budis ta q ue prolbe, como o fez o Imperador Ashoka, de fOnTIa legal, tirar a vida, seja humana ou subumana, os tibetanos que a aceitam lit eralmente sustentam que o Grande Guro,

ao mat ar os camiceiros e enviar os seus prin CÍp ios de consciencia para os mundos celestes e , des­ sa maneira, salv á-los dos sofrimentos dos infe m os, ande de outra fOnTIa teriam caído, agiu de ma ­

neira sábia e human a. O texto

cimentas em estado s inferiores ao humano. 9S Urna deidade da Qrdem l uda, ob cuja llrote~ao estilo colocado os t emplos e os lu ga­

res de peregrín~íi:o.

continua, dizend o q u e ele também fechou as portas aos seu s te nas­

96

Isto é, o Carpo da Verdade, o Dha T1TI/1· /(Qya.

rn

Também conhecido como Dharma-Raja, o Senhor da Verdade , J uiz da Ma rte , Rel das

Regío es Inferiores e, também, como Y ama, o Senhor da Mart e. (V er O livro ribetan o do s morro s, pág. 24.)

101

lÍas danyas de mo d o ira do. Ass umi u u rna form a c o m nov e cabe ~as e d ezoito mao s . Entoou mantras místicos enquanto segurava um rosário de cantas feito de ossos hu­ manos. Desse modo, subjugou to dos esses demonios e esp iritos do mal, matand o-os e

colocando os seus cora~es e o seu sangue

ele transmutou na silaba Hum e fez com que o Hüm desaparecesse nos mundos celes­

tes. Ele agora era chamada de " A Essencia de

Transformando-se no Rei das Deid ades Iradas , Padma. enquanto estava sentado em meditayao, subjugou os gnomos. Da m esma forma , cont rolou t odas as mulheres que haviam quebrado os seus solenes votos e, dest ruiñdo os seus corpos, enviou os seus p rincipios.consciencia para os céus de Buda.98 Ele agora era chamada de "O

Subjugador dos Gnomos". Assurnindo a forma de Hayagriva, a deidade coro cabeya

de cavalo, Pa dm a re presen t o u d anyas mágicas na superficie de um lago

envenenado

b oca. Os seus princípi os de co nsciencia ,

n a

Vajra".

que fem a , e to dos os nagas malignos e demoníacos , que habitavam o lago, renderam· !he subrniss[o e ele foi chamada "O Subjugador d os Nagas" .

Assumindo as fo on as d e outras d eid ades, subj ugou várias espécies de demOnios, t ais como os que c ausam as epidemias, as doenyas, os obstáculos, as tempestades de granizo e as fom es. Sob o asp ecto d o Mafijushri Ve rmelho,99 Padma to mou sob seu

con t ro le t odos os deu ses q ue h ab it avam os céus, p resididos por Brahma, ao pronun·

ciar os seu s mantras. 1OO E, sob outros disfarces, Padma conquistou todos os mais fu·

riosos e atemorizadores espiritas do m al e 2 1.000 diabos, tanto masculinos quanto fernininos. Como Hala·hala,101 padma dominou t odos os demonios, bons e maus, que con­

trolavam os oráculos no Tibete. 102 Como o Ca rpo dos Trinta e Dois Swastikas Ira­

os Nove Planet as , o Sol, a Lua, Marte , Mercúrio, Venus, Júpi­

Khetu 103 e tod as as coisas que estao sob a sua influencia. Co­

dos, Padma dominou ter, Saturno, Rahu

mo o Yama de seis faces, o Senhor da Marte, Padma dominou todos os Senhores da Marte que eram dominados por Yama. Da m esma forma, Padma conquistou Pe·har,

o Rei dos Tres Reinos da Existencia lO4 sujeitou toda a arrogancia, ganhou as cenden­

e

98 Com o e ss as mulh eres haviam q ueb rado o s seus votos e estavam, de acordo co m a cren~

entre os gnomos, Padmalheconcedeu uro bem in­

comensu rável ao salvá-las do s seus dest inos e enviar o s seu s p rlncípios de consciencia para os rei­

Dosde Buda.

o nd e o Bud is·

mo d o N orte prevale ce tem o seu Mañjusbrl especial. Ver a descri~ao da Estampa IV, na página XIX, anterior.

100 To da co isa viva, em tod os o s est ados de existencia, possui urna forma corp oral em bar·

série d e st1 abas da m es­

ma freqüenca da co isa ou ser (geralmente , u m ser espiritual invisível, deus ou demonio) ao qual

ele pelt ence , e um especialista mágico, que conhe«a o mantra de qualquer deidade ou ordem dos seres menores, p ode, ao entoá-lo apropriadamente, invocar a deidade ou dominar os seres meno· res. (Ver O livro tibetano dos martas, p ágs. 167-68.)

m o Dia com urn a celt a f req üe n cia de vib ra~ ao . U m m antra é urna st1aba o u

tibetan a, karmicamente de st in adas a ren ascer

99 Ma ñjushñ é representado sob muitos aspectos; a maior p arte do s pa ís es

101 Halii-l,al4 é urna manifesta9ao tiintrica de seis faces do AvaJokiteshvara

102 Alguns dos demonio s desta o rde m controlam os "médiuns espíritas" que sao indicados oficialmente como oráculos do Tibete e que, acredita-se, sejam espíritos vingadores dos lamas

mortos que, quando estiveram em corpos humanos , praticaram a magia negra e, dessa forma, fra· cassaram espiritualmente. Os tibetanos o s chamam de Bisa1l.

103 Os nove planetas sao descritos em Tibeta1l Yoga and Secret Doctrines, pág. 287

I~ Foi Pe.har que P a dma mais tarde tomou a deidade guardia do famos o M osteiro d e

Sarnyé.

102

cia sobre Mahaveda,lOS Pashupatí 106 e demais dei dades dos BraJunins bem como sa­ bre as deidades principais dos Jains. E o deus Mahiildüa ,107 a deusa Remati lO8 e Ekad. zati lO9 apareceram diante de Padma e o louvaram por ter desta maneira conquista. do todos os males e deidades.

A RESSUSCITA9AO DOS SERES MAll:FICOS ASSASSINADOS E A PROPAGA9ÁO DO DHARMA

Padma até entao havia empregado os nuzntras e a magia para conquistar o mal;

mas, agora, desejando alcanyar o Absolut o Conhecimento da Verdade, foi até

Gaya su bjugar tod a a inverdade, empregando o poder das Sütras; lá se sentou em me­ ditayao. Pronunciando o mantra Hn--Hüm-Ah , Padma ressuscitou todos os espiritos do mal, os nagas e demonios que havia matado, ensinou-llies o Dharma, iniciou-os llO e os fez se rvir a causa da r eligiao. Re to m ando a Gridh rakü ta , para se certifi car se exis­

Bodh·

tiam mais alguns seres precisando de ensinamentos religiosos especiais, mas nao en­ controu nenhurn.

Dep ü is d isso , pregou o Dha rma , tanto exotérica quanto esotericarnent e, as dQ­ kinis, especialmente As quatro principais dakims lU do Lago Dhanakosha, onde ele ha­

ele .

vía nascido. Vajra-Variilü. 112 ju nt amente com est asditkinls, ren deu submissao a Da mesma forma, ensinou os deuses dos Oito Planetas.

NASCIMENTO E INFANCIA DE MANDÁRA VA

Padma foi para a cidade de Sahor,113 na regiiIo noroeste do país de Urgyan, on· de o Rei Arshadhara reinava. O rei tinha 360 esposas e 720 ministros de Estado. Pad­

lOS No texto : Wl11Ig-chuk O/en·po (em sanscrito: Mahiídeva, o " Grande Deva"). Mahllde·

va, que em várias f onnas e aspecto é cultuado pelos tibetanos e hindus, habi ta no Monte Ka¡· ¡¡¡s, o objetivo d a Peregrina~ao no oest e do T ibete .

Como Gu­

l ang , es ta d eidad e te m as b oas gra~

106 No texto : Gu-lllng (em

sánscrito : Pashupatf, a deusa principal dos nepaleses. de todas as maes, no Ti b ete.

107 No tex to : Gon-po·Nag-po

(em sanscrito : Mahiikiila, "O Grande Preto" ), 011

Kiilaniitha

("Sonhor Preto" ), urna forma do Shiva hindu, é urna das princip ais deidades t an tricas dos tibeta­ nos.

la! No texto: Re.ma-ti, urna forma do Kili Hindu e urna deidade de grande significayao tanto para a seia Ri:fonnada