o LIVRO TIBETANO DA GRANDE

W. Y. Evans- Wentz (arg.)
Este volume, o quarto da famosa série que o dr. Evans-Wentz
escreveu sobre o Tibete, contém ensinamentos extremamente impor­
tantes de ilustres gurus do Tibete e da India. Desconhecido no mundo
ocidental até sua primeira publica9ao em 1954, O livro tibetano da
grande exp6e a quintessencia do Caminho Supremo, o Ma­
hayana, e revela o método iogue de obter a ilumina9ao através do
conhecimento da Mente Una e da Consciencia Cósmica Universal,
sem a ajuda de posturas, de técnicas respiratórias e outras, em geral
associadas as demais iogas.
Num longo comentário, C. G. Jung fala sobre as diferen9as entre
os modos oriental e ocidental de pensamento e equipara o "incons­
ciente coletivo" a Mente Budista Iluminada.
o texto original desta ioga pertence a cole9ao de tratados do
Bardo Thodol, relativa a vários métodos de obter a transcendencia.
Toda essa série de livros pertence a escola tantrica do Mahayana.
O livro tibetano da grande é atribuído a Padma Sambhava
que, a convite de um rei tibetano, viajou da India para o Tibete, no
século VIII.
Um relato sobre a vida desse grande guru e sobre as doutrinas
secretas precede o texto propriamente dito. A última parte da obra
apresenta os ensinamentos legados pelo guru Phadampa Sangay, tra­
duzidos pelo Lama Kazi Dawa-Samdup, que também traduziu os ou­
tros livros da cole9ao: O livro tibetano dos martas, A ioga tibetana e
as doutrinas secretas e Milarepa - História de um yogi tibetano.
EDITORA PENSAMENTO
OS OITO GURUS
(Descri<; ao as págs. XXI-XXIV. )
UVROI
UMEPITOME
DA VIDA E DOS ENSINAMENTOS
DO GRANDE GURU
PADMA-SAMBHAVA
DOTIBETE
DE ACORDO COM A BIOGRAFIA FElTA POR SUA PRINCIPAL DISCfi>ULA,
A DAMA TIBETANA YESHEY TSHOGYAL,
ENCARNAC;AO DE SARASVAn,
DEUSA DA APRENDIZAGEM. •
Baseado nos excertos vertidos para o ingles pelo falecido
Sardar Bahiidur S. W. Laden La, C. B. E., F. R. G. S.,
com o auxilio do Lama Sonam Senge
• Os diversos t ítulos dados aBiograIllI sao apresentados aqui, tanto ero tradUf;iio tibeta­
na como inglesa, no Co!oflíO, a página 138. O t ítulo mais geral, que está no primeiro fólio da
c6pia xilográfica, é o seguinte: .
"Aqui está contid.a a Biografia Integral do Guro Urgyan Padrna·Sambhava:"O Rosário de
Duro [dos Ensinamentosl que f1uminam o Caminho da Liberar;ao" «(J.rgyiin Guro Pad·ma
Hbyung-gnas gyi Rnam-thar Rgyas·pa Gser·gyi Phreng·ba Thar-Iam Gsal-byed Bzhug-so) ."
71
72
o Plenamente Iluminado
"Sabei, Vasetha, que de tempos em tempos em Tathagata nasce no
mundo, um Plenamente Ilunúnado, e poderoso, cheio de sa­
bedoria e bondade, feliz, tendo conhecimento do mundo, insuperável
como guia para os mortais errantes, um professor de deuses e homens,
um Buda Ele por Si s6 entendeu profundamente e viu, co­
mo se estivesse frente a frente, o Universo - o mundo lA de baixo, com
todos os seus seres espirituais, e os mundos lA de cima, de Mara e Brah­
ma - e todas as criaturas, Samanas e Bráhmins, deuses e homens; e
Ele, entao, tornou o Seu conhecimento conhecido dos outros. Ele pro­
clama a Verdade, em forma e conteúdo, bela na sua origem, bela no seu
progresso, bela na sua Ele revela a Vida mais Elevada em
toda a sua pureza e
o Buda, Tevigga Suttanta, 1,46
(baseado na contida em The Library of
Original Sources, i,
org. por Oliver J. Thatcher).
INTRODUyAO
Neste livro, Padma-Sambhava é apresentado como a divina do
idealismo tibetano, como uro Herói da Cultura, maior até do que o Buda Gautama.
As maravilhas do mito oriental, o mistério das doutrinas secretas do MahiJyli1la e os
prodigios da magia lhe servem de auréola. Como os celtas Arthure Cuchullain, os es­
candinavos Oclin e Thor, os gregos Orfeu e Odisseu, ou os egípcios Osíris e Hermes, o
Nascido-do-Lótus pertence a urna linhagem super-humana, que transcende a pompa,
as circunstancias e as do mundo.
Na Saga de Cesar, a llíada da Ásia Central, as heróicas características de Padma­
Sambhava t ambém sao enfatizadas.
1
Enquanto Gesar, o rei-guerreiro supemormal­
mente dotado, vence a violencia e a injustiya, a missao do Grande Guru é destruir o
erro e estabelecer o DhaT77U1.
Provavelmente, em m ais nenhum lugar da literatura sagrada da Hwnanidade se
encontra um paralelismo mais notável do que o existente entre os relatos das extra­
ordinárias características atri buidas a Padma-Sambhava e as atribuídas a Melquizede­
que. Eram eles Reis da Correyao, Reís da paz e altos sacerdotes. Nenhum deles, como
é díto de Melquizedeque, "tinha pai nem mlie, nem genealogía, nao t endo nem início
nem fim de vida" e "permaneceram sempre sacerdotes". 2 Da mesma forma, os dais,
sendo sucessores dos Grandes Mestres, fundaram urna fratemidade espirit ual oculta:
a de Melquizedeque data tradicionalment e do século VI a.C. e a de Padma-Sambha­
va, da metade do século VllI A.D. Nada é conhecido sobre a origem ou o fim des­
ses dois her6is. De acordo com a tradi9ao, acredita-se que os dois jamais morreram.
3
Ao historiador e estudioso das origens religiosas, nao menos que aos antropó­
logos, este Epí tome da Biografia do Grande Guru provará ser de valor insuperável.
Ela n[o s6 ilust ra o processo de deifica9ao de alguém que, sem dúvida, foi um perso­
nagem histórico, mas também fomece tra90s do notável estado cultural da IÍl di a de
há dore séculos atrás, apresentando algumas de grande alcance, que foraro
atingidas por urna sucessao de Sábios da Escola MahiJyiína, relacionada com o proble­
ma maior da Realicl ade.
A. parte os mitos, as tradiyOes populares e a doutrina dos gurus, a Biografia
contém muito mais do que seria do simples interesse dos budistas de todas as escolas.
I Cf. The Superhuman Life of Cesar of Ling, de Alexandra David-Néel e do Lama Yong­
den (Londres, 1933).
2 Cf. Hebreus, vii. 2-3.
3 [bid., vi. 20; VÜ. 17.
73
74
Isso flca claro nas do Epítome sobre a de Padma, feita por Ánan­
da, na hist6ria do monge infiel, de como !manda foi escolhido como o discípulo prin­
cipal, o testemunho de Ananda com a Buda e as Escrituras e o notável relato
da derrota dos nao-budistas em B5dh-Gaya na disputa e na mágica. Ache ou 1Ú0
apropriado o budista Theravada dar crédito a estes relatos do Maháyano relacionados
eom a vida e os ensinamentos do Buda, pelo menos eles mostram que no Budismo, as­
sim como no Cristianismo e em outras existe urna literatura apócrifa. Os re­
latos, em si, valiosos para o estudo das origens budistas.
A respeit o dos estranhos incidentes e das várias doutrinas descritas no Epítome,
o leitor tem que ser o juiz. Neles, sem dúvida alguma, o racional e o irracional se mis­
turarn, bem como o exotérico e o esotérico. Mas, subjacente aBiografia do Grande
Guru em seu todo, existe o discemimento da Correta da ilustre dama tibe­
tana Yeshey Tshogyal que, como registra o Colofiio do texto tibetano, compílou-a em
forma manuscrita hA uns núl e duzentos anos atrás e, depois, escondeu-a numa caver­
na, no Tibete, ande ela fl eou até ehegar o tempo da sua descoberta e transmissao pa­
ra a nossa época. Cada leit or do Epítome, que se segue agora, é seu devedor, assim co­
mo o discípulo fiel é um devedor do seu preceptor.
o EPITOME DA BIOGRAFIA DO GRANDE GURU
A PROFECIA DO BUDA SOBRE O NASCIMENTO DE P ADMA-SAMBHAVA
Quando o Buda estava para falecer, em Kushinagara, I e os Seus discípulos cho­
ravaro, Ele lhes disse: "Sendo o mundo transit6rio e a morte inevitável para todas as
coisas vivas, chegou o tempo da Minha partida_ Mas nao choreis, pois doze anos após
a minha partida, de urna flor-de-lótus, no Lago Dhanakosha,
2
no canto noroeste do
país de Urgyan,3 nascerá aquele que será mais sábio e mais poderoso espiritualmente
do que Eu mesmo_ Ele se chamará Padma-Sambhavit e a Doutrina Esotérica será es­
tabelecida por Ele_"
O RE! INDRABODID
No país de Urgyan (ou Udyana), a oeste de Bodh-Gaya, existia a grande cidade
de Jatumati, onde havia um palAcio, que se chamava "Palácio da Esmeralda" , onde
residía o Rei Indrabodhi_ Embora possuísse urna ¡mensa riqueza mundana, poder, e
fosse aben90ado coro quinhentas rainhas, cem ministros budist as e cem ministros
nao-budistas, Indrabodhi era cego e seus subalternos o chamavam de " o mais podero­
so rei sero olhos"_ Quando o seu filho único e herdeiro morreu, e a fome, logo em se­
guida, enfraqueceu o seu reino, Indrabodhi chorou, dominado pelo infortúnio_ Con­
solado por um ioguirn, o Rei reuniu os sacerdotes e eles fizeram oferendas aos deuses
e leram os livros sagrados. Depois, o Reí prestou juramento de fazer caridade, doando
todas as suas possessOes; e os seus tesauros e celeíros foram esvaziados. No fIm, os
seus súdítos estavam tao empobrecidos que foram obrigados a comer os graos novos
everdes e até mesmo as suas flores.
I Kushinagara, o lugar do Pari-Nirvana do Buda, [jea a cerea de trinta e cinco rnilhas a les­
te da moderna Gorakpur. Kushinagara quer dizer "Cidade (ou Lugar) da erva Kusha", urna erva
sagrada para os ioguins (ver página 110n).
2 De acordo com alguns relatos, o Lago Dhanakosha ou, como tambérn é chamado, o La­
godo Lótus (em tibetano: Tsho-Padma-chan) [jca perto de Hardwar, nas Províncias Unidas da [ n­
dia, embora geralmente seja dito que ele [jea no país de Urgyan (ou Udyana).
3 Dizem que Urgyan (ou Udyana) correspondia ao país perto de Gazni, ao noroeste da
úchemira. (Cf. L. A. Waddell . op. cit. , pág. 26.)
4 Ou o "NascidCHio-Lótus"_Ver págs. 95 e 125.
7S
76
o ABATIMENTO DO RE!
Oprimido pelo pensarnento de n ~ o ter herdeiro, o Rei fez oferendas e orou :\s
deidades de todas as principais fés; mas, como nenhum fliho lhe foi concedido, perdeu
a conftanr¡:a em todas as religi<5es. E n ~ o , um día, foi até o telliado do palácio e fez
soar o tambor da convocaylfo e, quando todo o pavo havia chegado, dirigiu-se aos sa­
cerdotes reunidos da seguinte maneira: "Ouvi cada urn de vós! Eu orei :\s deidades e
aos espiritas guardiaes desta terra e fu oferendas aTrindade,s mas n ~ o fui aben90a­
do coro um ftlho. A religiao, por conseguinte, é desprovida de verdade e eu vos orde­
no que dentro de sete días destruais cada urna destas deidades e destes espí ritos guar­
diaes. Do contrário, conhecereís a minha Puni9lro."
O APELO DE AV ALOKITESlNARA A AMITÁBHA
Os sacerdotes, consternados, rapidarnente reuniram os objetos para a represen­
taylro de urna cerimónia de oferendas. As deidades e os espiritas guarruaes, cheios
de ira, enviararn t ormentas de ventania, granizo e sangue; por todo o Urgyin os habi­
tantes ficaram tao atemorizados quanto os peixes que sao tirados da água e dispostos
sobre a areia. Apiedado, Avalokiteshvara apela ao Ruda Amita.bha, no Céu Shukhava­
ti, para que proteja o pavo sofredor.
RESPOSTA E EMANA<;ÁO DE AMITADHA
Em conseqiiencia disso, o Buda Amitabha pensou: "Vou nascer no Lago Dha­
nakosha". e da sua língua saiu um raio de luz vermellia que, como uro meteoro, en­
trou no centro do lago. No lugar em que o raio penetrou na água, apareceu urna pe­
quena ilha coberta com urna grama de cor dourada de onde brotaram tres fontes cor
de turquesa, e do centro da ilha brotou uma flor-de-Iótus. Ao mesmo tempo, o Buda
Amitabha, com grande luminosidade, emitiu do Seu cora91Io uro dorje
6
de cinco pon­
tas e o dorje caiu no centro da flor-de-16tus.
5 ¡sto é, o Buda, o Dhanna (ou Escrituras) e Sangha (ou Fratemidade dos Sacerdotes da
Ordem Budista).
6 O dorje (em sanscrito: Vajra) tibetano é um dos principais objetos do ritual do Budis­
mo tibetano e tem muitos significados. ~ aplicado aos Budas e deidades, aos iniciados tantricos,
aos lugares especialmente sagrados, aos textos e sistemas filosóficos. Por exemplo, Vajrayiina, que
quer dizer "Caminho do Vajra" é o nome de urna das escalas mais esotéricas do Budismo do Nor­
te. Dorje. ou Vajra. é aplicado a qualquer coisa que tenha um elevado caráter religioso, que seja
duradouro , imune adestruü,ao, ocultamente poderoso e irresistível. Dorje Lopon. que se refere ao
iniciado elevado, que preside os ritos tibetanos tantricos, é mais um exemplo do seu uso.Na capa des­
te volume está reproduzido um dorje duplo, igual a urna cruz grega. Em O ¡¡IIro tibetano dos mor­
tos, na página 84, aparece urna ilustra,<ao do dorje simples que, mais do que o dOrje duplo, é a
forma mais comumente usada.
ESTAMPA VI
EMANA<;:AO
as págs. XXIV-XXV.)
OS SONHOS DO REI E DO SACERDOTE
Senda apaziguadas com isto, as deidades e os espiritas guardifes cessaram de
prejudicar o pavo de Urgyan e circundaram o lago fazendo homenagens e oferendas.
O Rei sonhou que tinha na roao um dorje de cinco pontas que emitía um brilho tia
intenso que todo o reino ficau iluminado. Depois de acordar, o Rei ficou tIa feliz
que adorou a Trindade; as deidades e espiritas da guarda apareceram e se postaram
humildemente diante d ~ l e . Os sacerdotes budistas também tiveram um sonho auspi­
cioso, que perturbou os sacerdotes nao-budistas: eles contemplavam mil s6is que
iluminavam o mundo.
A PROFECIA DA ENCARNAC;AO DE AMITÁBHA
EnUo, enquanto o Rei estava piedosamente dando a volta a urna stiipa de nove
degraus que havia milagrosamente brot ado de um tanque na frente do palácio, os
deuses apareceram nos céus e fizeram a profecia: "Salve! Salve! O senhor Arnitabha,
Protet or da Hurnanidade, nascerá corno urna Encamayao Divina de uma flor-de-16tus
no Lago Precioso
7
e ele se dignará ser vosso filho. Nao tenhais medo de que Ele vos
aconteya e dai-Lhe a vossa proteyao. Desse modo, todos os baos propósitos virlro a
v6s."
O Rei relatou esta profecia ao seu ministro de Estado, Trigunadhara, e pediu-lhe
que procurasse pelo fll.ho prometido. O ministro imediatamente foi até o lago e viu
no seu centro urna fl or· de·lótus muito grande, completamente aberta e, sentado no
meio dela, uro belo menino, que aparentava cerca de um ano de ídade. O suor borbu­
lhava do rosto da crianya e urna aura o circundava. Duvidando da sabedoria de o Rei
adat ar uma crianya tao incomurn, que podia nao ser de origem humana, o minis­
tro decidiu postergar o relato da descoberta.
A JÓIA DA REALIZAC; AO DOS DESFJOS
Estando o reino empobrecido, o Rei reuniu os seus ministros para pedir-lhes
conselhos. Alguns sugeriram que desenvolvesse a agricultura, alguns, que ampliasse o
mercado e outros se declararam a favor da guerra e da pilhagem da propriedade
alheia. Em vez de adatar qualquer política que nao estivesse de acordo com os precei­
tos do Dharma, o Reí decidiu arriscar a sua pr6pria vida pelo bem do pavo e obter
dos Nágas, que residiam debaixo das águas do oceano, urna maravilhosa pedra preciosa
que realizava os desejos. "Quando eu voltar com a jóia" - disse ele - "terei condi­
yOes de alimentar a todos os meus súditos e pedintes."
Depois, o Rei se dirigiu ao palácio dos Níigas e aj6ia da realizayao dos desejos
foí-lhe presenteada pela princesa deles. Lago que a j6ia foi colocada na mao do Rei
ele desejou ter visao no olho esquerdo e a vislro lhe foi dada.
7 Ou lago Dhanakosh a.
78
o REI DESCOBRE A CRIANC;A NASCIDA-DO-LÚTUS
Na volta para o país de Urgyan, lago que o ministro Trigunadhara dele se apro­
ximou, saudando-o, o Reí notou um arco-íris de cinco cores sobre o Lago Dhanako­
sha, embora n[o existissem nuvens e o Sol estivesse brilliando intensamente. O Rei
disse ao ministro: "Por favor, vá e se certifique do que há naquele lago ao longe_"
"Como podeis vós, sendo cego, enxergar isto?", perguntou o ministro. "Eu
pedi ¡\ j6ia da satisfa9áo dos desejos e a minha vislio fai restaurada", respondeu aReL
Em disso, o ministro revelau a descoberta do bebe maravilhoso, dizendo: "Ou­
sei náo relatar-vos o assunto antes", e implorou ao Rei que fosse até o lago e visse
por si mesmo_ "Na naite passada", respondeu o Rei, " en sonhei que do céu deseeu a
minha m[o um dorje de nove pontas e, na noite anterior,.sonhei que do meu
emanava wn sol, cuja luz brilhava sobre o mundo todo."
O Rei e o seu ministro fOlam até o lago e, tomando um pequeno bote, chega­
raro até o lugar onde brilhava o arco-iris. U . eles contemplaram wna fragrante flor­
de-16tus, cuja circunferencia n[o podía ser abarcada por um homem e, sentado no
centro da flor, wn menino bonito e de faces rosadas, parecido com o Senhor Buda,
que segurava em sua mlio direita urna florzinha-de-Iótus, na esquerda, um pequeno re­
cipiente de água sagrada e nas dobras do esquerdo um pequeno com tres
dentes.
O Rei sentiu grande venera9áo pelo bebe, que havia nascido por si mesmo e, no
seu excesso de alegria, chorou. Ele perguntou a "Quem slio o teu pai e a tua
máe e a que país e casta pertenees?" A crianc;a respondeu: "Meu pai é a Sabedoria e
a minha m[e é o Vazio. O meu país é o país do Dharma. Nao a casta alguma
e a nenhum credo. Sou sustentado pela perplexidade e aqui estou para destruir a Lu­
xúria, a Ira e a Quando a parou de fal ar, o olho direito do Rei nao
era mais eego. Dominado pela alegria, o Rei chamou ao menino de "O Dorje Nascido­
do-Lago", e ele e o ministro renderam homenagem a
A CRIANC; A LEVADA PARA O PALÁCIO
O Rei pergunt ou ao menino se ele ida com ele, e o menino respondeu: "!reí,
pois viro ao mundo para beneficiar todas as criaturas sencientes, para vencer os que
sao prejudiciais e para o bem da Doutrina dos Budas." Entao, a flor abriu-se mais e
a pulou como wna seta disparada para a margem do lago. No lugar onde to­
cou aterra imediatamente bratou urna flor·de-16tus e nela a sentou-se, em
conseqüéncia do que o Rei a chamou de "O Nascido-do-Lótus", e pensou consigo
mesmo: " Ele será o meu herdeiro e a meu guru." Entíro, o Rei cortou a flor-de-16tus
pelo caule, levantou-a com a sentada nela e juntamente com o ministro pos­
se a caminho do palácio.
Os graus e os patos selvagens estavam dominados pela dar da perda da
Alguns se empoleiravam nos seus ombras. Alguns voavam asua frente e inclinavam as
Alguns se postavam na terra e lá permaneciam, como se estivessem martas.
Alguns puse ram-se a circular avolta do lago, gritando. Alguns encostavarrí os bicos na
terra e choravam. Até as árvores e os arbustos se inclinavam em ¡\ em
sinal de tristeza. As pegas e os papagaios, os pavOes e outros pássaros voavam afrente
79
80
da procisslfo e uniam as pontas das asas nuro para dete-Ia. Os abutres e os mi­
lhanos batiam no Reí e no ministro com os bicos. Os pequenos pássaros caíam em
prantos. Le¡')es, tigres, UISOS e outros animais ferozes coniam por todos os lados nu­
ma atitude amea<;adora, tentando interromper a procissao. Os elefantes, os búfalos e
os asnos saíram da selva e se juntaram aos outros animais, em protesto. Os espiritas
guardilles e os genios do lugar estavam bastante perturbados e provocaram raios, tro­
vCSes e granizo.
Quando a procisslrO chegou Ils vilas, todos os habitantes acompanharam.n:!. Ha­
via urn velho sentado próximo II margem, pescando, e O Nascido-do-Lótus, vendo-o,
pensou consigo mesmo: "Este é uro sinal de que se eu me tomar o Rei deste país íreí
sofrer tanto quanto sofrem até mesmo os peixes." Logo depois, O Nascído-do-Lótus,
depois de ver uro COIVO peISeguindo uma perdiz, que se refugiou debaixo de urna
framboeseira e fugiu, pensou consigo mesmo: "A framboeseira representa o reinado, o
COIVO representa o reí e a perdiz representa a miro mesmo; o significado disto é que
devo abdicar gradualmente do reinado."
O NASCIDO·DO-LÚTUS COMO PRrnCIPE, ATLETA E REI
Quando a procissa:o chegou ao palácio, o Rei pegou a j6ía da satisfa<;!lo dos de­
sejos e desejou um trono feito com sete espécies de pedras preciosas encimado por
urna sombrinha real. O trono apareceu imediatamente, sobre o trono ele sentou a cri­
e reconheceu·a como seu filho e herdeiro. O Nascido-do-Lótus tomou-se COMe­
cido como o Príncipe Bodhisattva
8
e foi proclamado reí. Quando estava com treze
anos de idade, sentado nurn t rono de ouro e turquesas, enquanto os sacerdotes ofi cia­
varo as cerim6nias religiosas pela prosperidad e do reino, o Buda Amitibha, Avaloki·
teshvara e os Deuses Guardiáes das Dez vieram e o ungiram com água sagra­
da e o batizaram de "O Reí do Lótus". 10
O Rei do Lótus estabeleceu um novo código legal baseado nos Dez Preceitos.
11
O reino prosperou e o pavo estava feliz. Ele estudou e tomou-se uro erudito, dest a­
8 Um Bodhisattva, ou Ser nurninado, é alguém que está muito adiantado no caminho do
Estado de Buda. Gautarna., por exemplo, era urn Bodhisattva que estava no momento da Sua su­
prema Ilurninac;ao, que roi enquanto estava sentado, meditando debaixo da Árvore­
Bodhi, em conseqüencia do que se tornou Buda.
9 Estes sao os dez deuses que, como porteiros nurna assembléia iniciatória, guardam o
mundo, uro em cada urna das/dez que sao os quatro pontos cardeais e intermediários da
bússola, o nadir e o zénite.
10 Em t i betano: Padma Gyalpo. urna das oito manifesta¡¡:oes, ou personalidades, assumidas
pelo Grande Guro, que estao descritas na página XXII.
11 Os Dez Preceitos (Dasha.Shila), ou do Código Moral Budista sao: 1. Nao ma·
tar; 2. Nao roubar ; 3. Nao cometer adultério; 4. Nao mentir; 5. Nao tomar bebidas fortes; 6. Nao
comer fora do tempo indicado ; 7. Nao usar nenhuma Coroa, Ornamentos ou Perfumes; 8. Nao
usar nenhum Colchao Al to ou Tronos (para sentar ou dormir); 9. Abster-se de Cantar,
da Música e dos Espet áculos Mundanos; 10. Nao possuir nenhum Ouro ou Prata e nao aceitá-Ios.
Destes, os cinco primeiros (os Panca-ShÍll1 ) dizem respeito a laicidade; os dez estao ligados sornen­
te aos membros da Ordem mas. as vezes, os leigos fazem o voto piedoso de observar, em certos
dias de jejum. um ou mais dos preceitos enumerados de 6 a 9. (Cf. L. A. Waddell, 11/e Buddhism
ofTibet. Cambridge, 934.1934, pág. 134.)
cando-se na poesia e na Filosofia. Na luta corporal e nos esportes runguém o igualava.
Poilia atirar urna flecha pelo buraco de urna agulha. Poilia lan9ar treze flechas urna
ap6s outra depressa que a segunda flecha batia na primeira e a impelía mais para
cima, e a tercerra na segunda, e assirn por diante, até chegar adécima terceira. A for­
com que ele urna flecha era til'o grande que a flecha penetrava sete portas
de couro e sete portas de ferro; e quando ele urna flecha para cima, ninguém
conseguia enxergar a altura a que ela subia. Dessa forma, o povo o chamava de "O
Poderoso Rei·Herói Atleta".
Certa vez, levantou urna pedra ta-o grande quanto um iaque
l2
e ailiou-a tia Ion·
ge que quase nao se podia divisá-la. Ele podia pegar nove bigomas numa atiradeira,
jogá·las cont ra um grande penedo e derrubá·l0. Respirando apenas urna vez, podia dar
tres voltas correndo em tomo da cidade coro a velocidade de urna flecha. tntrapassa­
va os peixes ao nadar. Podia urna águia em pleno voo. E também era um grande
conhecedor de música. Agora, era chamada de "O Rei-l..eao lnvencível".
A CHEGADA DOS ARl1ANTS
Um dia, ele foi desacompanhado até a "Floresta Triste", que ficava a cerca de
duas milhas do palácio, para meditar. Quando lá sentou·se na postura de Buda, os Ar­
hants,13 que estavam passando no firmamento, desceram e o cumprimentaram, di­
zendo-lhe: "Salve! Salve! Vós sois o indubitável Reí do Lótus, V6s sois o segundo Bu­
da, que apregoa urna nova era que deverá conquistar o mundo. Embora tenhamos
centenas de línguas e vaguemos de kalpa a ka/pa,14 oro seremos felizes o suficiente
para fruir nem mesmo de urna da vossa vasta Depois de carninha­
rem em volta dele sete vezes, eles subiram e desapareceram.
O PLANO PARA PRENDER PADMA PELO CASAMENTO
O Reí Indrabodhi e os ministros, percebendo a inclina9ll'o do Príncipe pela vi­
da de tiveram medo de que, fmalmente, ele fosse renunciar ao reinado e,
dessa forma, reuniram-se em conselho e decidirarn procurar urna esposa para ele. O
Príncipe sabia que o principal propósito do plano era prende-lo aadministra9ll'0 do
Estado e recusou-se a escolher qualquer urna das muitas donzelas que foram cuidado­
samente selecionadas de todas as partes de Urgyan. O Reí lndrabodhi insistiu que o
Príncipe fizesse a escolha e se casasse no prazo de sete días. Depois de meditar devida­
mente, o Príncipe decidiu nao desobedecer o velho Rei que, como urn pai, o havia
salvaguardado e criado e entregou ao Rei , por escrito, urna descriy30 do tipo de don­
zela que aceitaria.
12 O iaque é o animal tibetano da famliia bovina que tem pelos langas; o ma ha é usado
como animal de CaIga e no trabalho agrícola, a fe mea, como leiteira.
13 Um Arhant, literalmente "O Poderoso", é um santo budista, quase sempre indistinto de
uro Bodhisattva e comparável ao Rishi hindu, que o objetivo.do No bre Caminho Octu­
pIo e, na morte. está pronto para o Nirvana para trabalhar para a dos nao-iluminados, e
se tomar automaticamente uro perfeito Bodhisattva.
14 Um kalpa é um dia de Brahma, ou um período de milyugas. ou eras. durante o qua! o
Cosmos resiste antes de ser dissolvi o de novo na Noite de Brahma.
81
82
A descriyll'o por escrito foi entregue ao ministro Trigunadhara com a ordem do
Reí para que encontrasse tal donzela sem demora. O ministro imediatamente pQs.se
a canúnho de Singala onde, numa festividade religiosa em honra do Senhor Buda, viu
urna m0tra muito at raente num grupo de quinhentas donzelas. Inquirindo a moya, ve­
rificou que o seu nome era llliisadhara ('-A Dona da Luz"), que eJa era a do Rei
Chandra Kumar e que já estava prometida a um príncipe. JS O ministro voltou depres­
sa paÍa o seu Rei e contou-lhe que considerava Bhasadhara uma escolha muito apro­
priada.
A ESCOLHA DE BHÁSADHARA E A CERIMONIA DO CASAMENTO
Sob o pretex.to de que desejava presente á-las, o Rei Indrabodlú convidou Bha­
sadhara e as suas quatrocentas e noventa e nove acompanhantes para «em ao palácio.
Quando o Príncipe viu Bhasadhara agradou-se dela; passou-lhe a j6ia da satisfay[o dos
desejos e ela desejou tomar-se a sua rainha. Bhasadhara e todas as suas damas volta­
ram para Singala e uma carta foi enviada ao Reí Chandra Kumar, pedindo-lhe que
desse Bhisadhara em casamento ao Príncipe Nascido-do-Lótus. O Rei Chandra Ku­
mar responden que embora tivesse satisfatráo em aceitar o pedido, ¡sto lhe era impos­
sível, pois o casamento de Bhisadhara com um príncipe de Singala estava para se
realizar.
Quando foi informado desta resposta, o Príncipe Nascido-do-Lótus disse: "Só
ela me 'Serve, e eu devo te-la." O Rei Indrabodhi, chamando uro ioguim, informou-o do
asSWlto e ordenou-lhe que fosse a Sin gala, dizendo: "Vá ao palácio, onde a procissll'o
de casamento deve permanecer uma noite, e coloque debaixo das pontas das unhas
dos dedos da mOya p6 de ferro umedecido com água."16
Depois que o ioguim partiu em suamisslfo Q Rei foi até o teIhado do palácio, sus­
pendeu numa Bandeirada Vit6ria
17
a j6ia da satisfaylio dos desejos e, inclinando-se
aos quatro pontos cardeais, orou para que Bhisadhara com todas as suas damas acom­
panhantes fossem trazidas asua presenya; como se fossem trazidas pelo vento, elas
apareceram.
O Rei ordenou que as preparayOes para o casamento do Príncipe Nascido­
do-Lótus e Bhisadhara fossem feitas imediatamente. Bhasadhara foi banhada, ador­
15 O falecido Toussaint , no seu Le Diet de Pad11lll (pans, 1933), pág. 491 ,
considera esta referencia ao "Singala" (comumente visto corno sinonimo do CeiUio) como a in­
de um país continental nao distante de Udylina (ou Urgyan) e o substitui pelo de "Sirh­
hapura", O Dr, L. A.. Waddell, em seu The Buddhism orTibet (Cambridge, 1934), pág. 381 n. 4, é
da mesma opiniao quando afirma: "Este provavelment e é o Shirnhapura de Hiuen Tsiang, que se li·
gou com Udaylina, ou Udylina; pode ser Sagala. " O falecido Sardar Bahiidur S. W. Laden La ob­
servou, enquanto tradllZÍamos esta passagem, que "Singala" pode ter sido o que agora é o Distrito
de Gantour, da Presidencia de Madras, em vez de ser o Ceilao. Tuda isso e rnuit o mais que a Bi o­
grafia apresentará, enquanto prosseguimos, toca problemas complexos de geografia e história,
cuja considerayao detalhada está além do alcance do nosso atual estudo, que é essencialrnente an,
tropológico.
16 O ferro, em todo o mundo, é comumente tabu para os espíritos maléficos e previne que
os encantamentos tenham efeito. O seu uso aqui parece ser de precauc;:ao, para neutIalizar qual­
quer poder mágico que possa ser exercido, prevenindo a perda do espírito de Bhasadhara.
17 Essa ¡Umula é mostrada em Milarepa. história de um yogftibetano, apágina 23.
nada com vestimentas fmas e j6ias e colocada em uro t rono ao lado do Príncipe Nas­
cido-do-1.6tus; e eles se casaram. Cero mil mulheres de Urgyan proclamaram Bhasa­
dhara Rainha. 18 Depois, as quatrocentas e noventa e nove damas casaram-se com o
Príncipe, pois era costume do Rei de Urgyan t er quinhentas esposas. E, desse modo,
durante cinco anos o Príncipe experimentou a felioidade mundana.
A RENúNCIA
Poi entl[o que o Buda Dyani Vaj ra-Sattva apareceu e anunciou ao Príncipe que
havia chegado o tempo de renunciar tanto ao casamento como ao trono. E o Reí In­
trabodhi sonhou que o Sol e a Lua se punham simultaneamente, que o paIácio esta­
va cheio de lamentos e que todos os ministros choravam. Quando o Rei acordou, foi
tomado de pressentirnentos e tristeza. Logo depois, o Príncipe com os seus ministros
saiu para urna caminhada até a "Floresta Triste", onde fora visitado pelos Arhants; e
surgiram nos céus do sul os vários emblemas da Fé Budista, significando que o Prínci­
pe estava para se tornar um imperador do mundo. Conseqüentemente, um ap6s ou­
tro, mmtos reis renderam submiss!o a ele.
renda assim alcan¡¡:ado as alturas" do poder mundano e da alegria sensual, O
Nascido-do-L6tus percebeu a natureza ilusória e insatisfat6ria de todas as coisas mun­
danas. E, pensando na Grande Renúncia do Senhor Buda, anunciou ao Rei-Pai a sua
de abdicar e entrar para a Ordem. Defrontado com a oposiylro do Rei-Pai,
disse-lhe: "Se n[o me derdes penoissa"o para a religilro, morrerei aqui em vossa
pIÓpria presenya." E golpeou o seu lado direito com urna adaga, aparentemente com
a intenylo de acabar consigo mesmo. Com medo, temendo que o Príncipe levasse
adiante a sua ameaya, o velho Reí pensou: preferivel que eu lhe permita entrar pa­
ra a Ordem do que vir ele a morrer." Nern as súplicas dos ministros de Estado nem os
protestos do amigo mais íntimo do Rei, " Luz Dourada", que foi trazido de Singala
especi almente para isto nem os lamentos das quinhentas esposas demoveram o Nasci­
do-do-L6tus do seu fi rme prop6sito_ Por conseguinte, ele foi chamado de "O Rei
Dorje Irresistível" .
A PARTIDA
As Rainhas, em prantos, disseram para O Nascido-do-Lótus quando ele deJas
se despedia: "V6s, nosso Senhor, sois como os olhos da nossa face. Nem por um ins­
tante podemos nos separar de v6s. Devereis nos abandonar como se Iossemos os COf­
pos de um cemitéri o? Aonde quer que fordes, convidai-nos para irmos junto convos­
co; de outra forma , pareceremos como caes sem dono. Nao tendes piedade de nós'!"
O Nascido-do-Lótus respondeu: "Esta vida mundana é t ransit6ria e a
é inevitável. Como num mercado, as pessoas se j untam e depois se separam. Por que,
portanto, preocupar-se com a separayao? Esta é a Roda do Mundo; renunciemos a ela
18 Na (ndia antiga, era costume em alguns reinos, como em Urgyan, que as mullieres pro­
clamassem a ascensao de urna rainha, e os homens, a ascensao de um reí.
83
84
e firmemos os nOSSos pensamentos em a Estou determinado a se­
guir a carreira religiosa e prepararei o caminho para a vossa pr6prla para que
possais estar comigo doravante. Por enquanto, permanecei aqw." E porque ele, aa
sair, prometeu-lhes valtar quando tivesse aJcanyado a Verdade, elas o chamaram de
"O Rei Que Permaneceu Um na Mente".
o KARMIco TIRAR A VIDA
Em outra parte de Urgyan, para ande O Nascido-do-L6tus foi, havia um ho­
mem que nascera com 6rg:ros geradores por t odo o carpo, porque, na vida anterior,
senda om sacerdote, violara o voto do celibato, vivendo com uma cortesa. A corte·
sll" renasceu como o filho de um rei, e o homem, adotando a forma de urna mosca, es·
tava pausado na testa da crianya. O Nascido-do-Lótus atirou uma pedra na mosca
com tamanha que a pedra n:fo s6 matou a mosca como penetrou no cérebro da
crianya, levando a mosca junto; e ambos, a mosca e a crianya, morreram.
Quando foi considerado culpado do crime, O Nascido-do-Lótus explicou que
numa vida anterior fora contemporiineo da cortesll e conhecido como Gautama e que
Padma TsaIag, o amante da cortesí[, nuro acesso de ciúme a havia matado quando sou­
bera, por intermédio da sua pr6pria empregada, que ela recebera secretamente um
rival, um mercador de nome Hari; e que Padma TsaIag acusou falsamente Gautama de
te-la assassinado e Gautama fora condenado morte. Como a mosca era Padma Tsa­
lag
l 9
e o fllho do rei era a cortesa, O Nascido-do-Lótus fora impelido pelo kamuz a
cometer o ato. Ele disse: "Se nao fosse pelo karma, a pedra nllo poderla ter matado
a ambos, a mosca e a crianya." O Nascido-do-I.ótus pediu ao Rei Indrabodhi que fi·
zesse cumprir a lei do reino e ele foi feito prisioneiro no palácio.
A cidade real foi, ent:fo, assediada por dez mil espiritas do mal, que procura­
vam impedir que O Nascido-do-Lótus se tomasse uro grande sacerdote instruido, des­
trtúndo seu prestigio e seu poder. Os portOes, tanto da cidade quanto do palácio, es·
tavam bem guardados por causa do assédio; enuro, O Nascido-do-Lótus pensou em
como escapar. E, despindo as suas vestes, colocou sobre o carpo nu ornamentos fei·
tos com ossos humanos e, levando consigo um dorje e um mshüla,lD foi até o telha­
do do paIácio e como um hornem louco. Ele deixou cair o dorje e o mshüla
lá embalxo; os dentes do mshü.la bat erarn no peito da mulher de um dos ministros
de Estado, penetrando o seu corayao, e o dorje bateu na do seu fIlho, pene­
trando·lhe o cérebro, e ambos morreram.
19 Existem t anto a interpreta¡¡:ao exotérica da doutrina do renascimento, como a que este
conto popular ex emplifica , quanto a interpreta¡¡:ao esotérica dos iniciados, que nao sanciona a
cre n<;a populannente difundida na das fOnTIas humanas para as fOnTIas subumanas.
Ver O livro tibetano dos martas, págs. 27-42. Conquanto, na maioria, os exotéricos possam aceitllI
esse estranho conto de forma literal, os devotos mais espiritualmente adiantados do Grande Guro
interpretam·no de forma simbólica, corno fazem, de fOnTIa geral, com a Biografia em seu todo: a
mosca é para eles a significa¡¡:ao das características indesejáveis da sensualidade descontrolada as­
sociada a Padma Tsalag.
20 O 1shiiJa é um baslao 8 tres dentes como aquele que ele segura na ilustra¡¡:ao apágina 2
des te livro. i! empregado no .:rituais tantticos e simbotiz;a o domínio dos poderes ocultos.
APARTIDA PARA O EXI1.r0
Os ministros aconselharam que O Nascido-do-Lótus fosse condenado morte
por enforcamento, mas o Rei disse: "Este filho n[o é de origem humana; como pode
ser urna divindade encamada, uma capital n!o Ihe pode ser imposta. Conse­
qüentemente, decreto que ele seja exilado."
O Rei inti mou O Nascido-do-Lótus e Ihe disse que o decreto entraría em vigor
dentro de t res meses. O Nascido-do-Lótus explicou que, como no caso do assassina­
to da crianc;:a e da mosca, havia urna raz!o kármica para o assassinato da mulher do
ministro e seu m.ho. O f'Ilho do ministro tinha sido na vida anterior, a serva da cor­
tesa que havia contado para Padma Tsalag a relac;:ao clandestina que existia entre a
cortesa e o mercador Hari; a esposa do ministro era a reencarnac;:ao deste mercador
Hari. Embora nlío arrependido, O Nascido-do-Lótus nao tinha nenhuma má·vontade
contra ainguém.
Diversas partes da mdia e, também, da China e da Pérsia, bem como o misterio­
so país de Shambhala, [oram considerados lugares para o exilio do Príncipe, mas o
Rei !he disse que ele devia ir para onde quisesse. "Para miro", disse o Príncipe, "t o­
dos os países sao agradáveis; preciso apenas empreender o trabalho religioso e qua!­
quer lugar pode se tornar o meu mosteiro."
Em segredo, o Rei presenteou o Príncipe com a pedra da dos desejos,
clizendo·lhe: "1st o irá satisfazer todos os vossos desejos." O Príncipe a devolveu, di­
zendo: "O que eu tenho em mente é a núnha pr6pria pedra dos desejos", e, quando
o Reí em respo t ao pedido do Príncipe estendeu a mao aberta, o Príncipe cuspiu
nela e irnediatamente a saliva tomou-se outra pedra dos desejos.
Bhasadhara, em prantos, tomou o Príncipe pela e implorou que ele a dej­
xasse acompanhá-lo ao exilio. Depois, apelou para o Rei para 01'0 deixá-lo ser exi·
lado. Enquanto ¡sso, o Príncipe partiu e dirigiu·se a um jardim, onde dirigiu a pala­
vra ao pavo que o seguia:
"O carpo é impennanente; é como a beira de uro precipício.
21
A é
impermanente; é corno urna nuvem. A mente é impennanente, é como a luz. A vida
é impermanente; é como o orvaIho do campo. "
Ent[o, os Reis GuardHies dos quatro pontos cardeais juntamente com as suas
deidades auxiliares apareceram e se prostrararn diante do Príncipe, exaltando-o. As
QuatroDákinis
22
também vieram com músi ca e eles colocaram o Príncipe
mun corcel celeste e ele desapareceu nos céus, na do Sul. Ao por-do-sol ele
desceu aTerra e dirigiu-se a urna caverna, ande se dedicou ao culto e duran­
te sete días, e t odas as Deidades Pacífi cas
23
lhe aparecerarn como num espelho e lhe
concederam transcendencia sobre a vida e a morte.
21 Assim como o carpo leva alguém:i morte, assim tambérn o precipício pode faze·lo.
22 Estas sao asquatrodQkinis principais, a aber, a Diikiní Divina (ou Vajra) , associada
com a dire¡;.8:o oriental, numa rnandala; a Diikin; Preciosa 00 Ratna), da dire :io sul; a Diikini
Lótus (ou Padma), do oeste; e a Diikinl da A¡yao (ou Karnuz), da norte. O centro, ou a po­
central , é destinada a Diikin'f do Esclarecimento, ou lMkini Buda.
2J Nos cultos tantriLOs, as principais deidades, inclusive os Budas. sao simbolicamente re·
presentadas no modo dual, pacífico e irado, corno foi exemplificado em O livro tibetano dos mor·
ros.
85
86
o DEUS DOS DEFUNTOS
De lá, ele prosseguiu para o Cenútério do "sartdalo Refrescante",2A a cerca de
dez mUhas de Bodh-Gaya. Utilizando-se dos cadáveres como assento, lá permaneceu
durante cinco anos, praticando Seu alimento era a comida oferecida aos
mortos
25
e a sua roupa as mortalhas dos defuntos. As pessoas o chamavam de "O
Deus dos Defuntos". Foi aqui que ele expos pela primeira vez, para as dakinis, os
nove passos progressivos do Grande Caminho.
Quando aconteceu urna grande fome, urna multidao de defuntos foi deposita­
da no cemitério sem comida nem mortalha; e Padma, como agora devemos chamar o
Grande Guru, t ransmuto u a carne desses corpos em comida, dela se alimentando,
e a pele dos corpos serviu-lhe de indumentária. Subjugou os seres espirituais que ha­
bi tavam o cemitério e fez deles os seus servi9ais.
A DERROCADA DOS lRREUGIOSOS
Indraraja, uro insignificante reí do país de Urgyan, tomou-se ininúgo da religiíío,
e os seus súditos seguiram o seu exemplo; Padma foí até lá fantasiado de urna das Dei­
dades Iradas e destituiu o reí e todos os homens descrentes dos seus corpos, que eram
os seus meios para propagar novos karmOJ maléficos; e, transmudando os corpos de
foona mágica, bebeu-lhes o sangue e comeu-lhes a carne.
26
Os principios de coos­
ciencia,27 ele liberou, prevenindo que caíssem nosinfemos
28
• Tomou cada mulher coro
24 Este cemitério (em tibetano: Bsil-bll-tshal) , onde dizem que o Buda prommciou alguns
dos Seus ensinamentos do Mahiiyiin4, é um dos Oito Cemitérios da (ndia antiga; em todos eles,
um após o outro, O Nascido-do·Lótus pnticou a ioga do sosiinika. Sosiinika ("ou freqüentar os
cemitérios") é um dos doze mandamentos da obriga,<ao dos A inten,<ao é imprimir nele
os t res principais fenomenos sangsáricos, a saber, a transitoriedad e, o sofrimento (ou e a
vacuidade (ou ilusao), ao t estemunhar os funerais, os parentes mortificados, as lutas dos animais
predatórios pelos despojos e sentir o mau cheiro que exala dos corpos em Tam­
bém o Buda, dizem que praticou o sosiinik4. (Cf. L. A. Waddell, op. cit., pág. 381 n? 6.)
2S Era costume, entao, dos parentes sobreviventes, quando depositavam um corpo no ce­
mitério (ou no piso de ou no lugar dos corpos) colocar junto dele um grande pote de
de barro cheio de arroz cozido.
26 Aparentemente, esta mágica deve ser vista como o seu reverso, pela qual ,
de acordo com as cr enlfas pagas da Antigüidade, o vinho pode ser transmutado em sangue e o pao
em carne.
27 O t ermo "alma", como é entendido no Ocidente, nao tem um equivalente no pensa­
mento budista, poi s o Budismo nega a existencia de urna entidade pessoal imutável. Aqui, como
sempre, o termo princí pio-<:onsciencia (em tibetano: ph¿¡ e ñam-she) é preferíveL cr. O livro n'be·
tano dos mortos, págs. 60 n, 9 e 64 n. 29,
28 Esta lenda, aos oIhos tibetanos, mosua que é justo que um Grande loguim fa,<a cessar a
carreira de um praticante do mal, privando-o do seu corpo e dirigindo o seu princípio-<:onsciencia
(que é tot almente diferente da "alma", na teologia ocidental) de tal maneira que ele renascerá num
meio religioso, Mas tirar a vida sem o poder iogue. para dirigir o princípio de consciencia, é o
pecado mais hediondo,
que se encontrou para puri fi cá-la espiritualmente e prepará-la para tornar-se a mae de
urnaprole de mente religiosa.Z
9
o IOVEM QUE FUeIU DO DEMONIO
A rainha do Rei Ahruta morreu grávida e o seu carpo foi depositado num cefiÚ­
tério ande Padma estava medit ando. Do ventre do cadáver, Padma recuperou urna eri­
anya do sexo feminino que ainda estava viva. Como existia urna relayao kánnica,
de urna vida anterior, entre a e Padrna, ele decidiu criá·la. O Rei Ahruta man­
dou soldados para atacarem Padma e o Reí Warma-Shñ enviou urn poderoso guerrei­
ro, famoso por sua pericia no uso da forya dos bravos para auxiliar os atacantes. Pad­
rna acertou o guerreiro com urna flecha e fugiu; e, dess a forma, adquiriu o llome de
"O Jovem que Fugiu do Demonio" .
Depois de levantar urna stüpa
30
em arrependimento, Padma f1xou residencia no
"Cemitério da Felicidade" , ande as Iradas Diik.in is , conhecidas como as "Subjugadoras
dos Demonios" , vieram aben<;: oá-Io. Depois, sent ou·se para meditar no Cemitério So­
saling, ao sul do país de Urgyan, e recebeu as da dakini da Ordem Pacífica.
A SUBMISSÁO DA DAKINi DO LAGO
De lá, indo para o Lago Dhanakosh a, onde naseeu, pregou o Mahayiína para as
diikinTs, na linguagem delas. 31 Ele as manteve, e as demais deidades do lugar, sob a in­
fluencia do seu poder ¡ogue; e elas fizeram votos de auxiliá-Io na sua missao na Terra.
29 Como muitos outros Heróis da Cul tura, Padma-Sambhava faz uso natural da sua mascu­
linidade, como neste exemplo. pelo bem eugeruco. Na nossa Geral. observamos que
os conceitos convencionais de moral sexual sao completamente ignorados por ele. Em outras
circunstancias, o que foi chamado de os seus jogos amorosos com as mulheres, tanto humanas
quanto pertencentes aordem das dlikin IS, é vist o pelos Nyingmapas como um dos seus muitos atos
que t em esotérica e resultam em benefício para a religiao. O próprio ato
é chamado, em tibetano, de Dze-pa.
30 Q Ch 'orten tibetano, que literalmente significa receptáculo de oferendas", correspon­
de a $tilpa (caitya, ou tope do Budismo da Índia. Urna stüpa geralmente é urna estrutura canica
de tijolos que contém, como um túmulo, de onde provavelmente derivou, urna cirnara central
para guardar as relíquias, tais como por90es de ossos carbonizados da pira funerária de um san­
to, objetos preciosos como imagens e os textos das escrituras. De algumas das antigas stüpas da
(ndia, auté: nticas relíquias do Buda foram redescobertas. Como no exemplo deste texto, urna stü·
po pode servir para penitencia. Qutras sti1pas, como muitas em B6dh-Gaya, sao votivas. Geralmen­
te, urna stiipa é um cenotáfio em memória do Buda ou de um grande arhant ou Bodhisattva bu­
dista. Ver Mi14repa. Iristória de um yogi tibetano, onde é mostrada urna stilpa e é apresentado o
seu simbolismo. na página 200.
31 Esta é urna das línguas secretas do Tibete que. como o falecido lama Kazi Dawa-Sam­
dup me contou, é atualmente conhecida apenas por alguns poucos lamas altamente iniciados.
87
88
A DE vAJRA-VARÁHi
o próximo lugar de morada de Padma foí o "Cemitério Muito Temido", ande
Vajra-Varáh.P2 apareceu e o abenyoou. As quatro ordens de dl1kinTs masculinas e as
diikinfs dos Tres Lugares Sagrados - que estao debaixo, sobre e acima da Terra - tam­
bém apareceram; e, depois de lhe conferirem o poder de dominar os outros, chama­
ram-no de "Dorje Dragpo".33
A DECISAO DE IR A PROCURA DE GURUS
Agora Padma vai a Bodh-Gaya
34
e presta culto no Templo. Pratica a mudanya
de carpos, multiplicando seu corpo de tal forma que, ds vezes, parece ser urna irnensa
manada de elefantes e, as vezes, urna multidao de ioguins. Quando o pavo lhe pergun­
tava quem era ele e quem era o guru, respondía: "Eu nao tenho pai, nem máe nem
abade nem guru, nem casta, nem nome; en sou o Budanascido de si mesmo_" O po­
vo nao acreditava e dizia: "Já que ele nao tem uro guru, nao será um demonio?,,35 Essa
observayao fez com que Padma pensasse: " Embora eu seja a encarnayao do Buda nas­
cido de si mesmo e, por conseguinte, nao tenha necessidade de uro guru, será sábio
ir ter com os instruidos pandits e fazer um estudo das Tres Doutrinas Secretas,36 poís
percebo que estas pessoas e as das gerayoes vindouras precisam de orientayao espiri­
tual."
:fZ Os tibetanos acreditam que Vajra-VarilhI (em t ibetano: Dorje-Phag·mo ) encarna sucessi­
vamente em cada abadessa do Most eiro do Lago Yarn-dok, no TIbete. O nome, literalmente, sig­
nifica "lndestrutível (Va/fa semeadura Variihi)", e sugere. como os outros nomes das Deidades
Vajra. da Escola Vajra-yana, elevados poderes iniciatórios.
33 Ou "O Lndomável Irado", um Drag-po, deidade demoníaca do tipo mais terrÍvel e que
tantricamente simboliza as forc,:as destrutivas da Natureza. Os membros da Ordem do Drag-po
(em sanscrito :Bhaira'Q) sao os principais defensores do Budismo.
34 No texto: idorje.gdan (pron. : DOrje-d.añ) ; (em sanscri to: Vajrasana), que quer dizer.
com referencia ao lugar, ou assento, onde o Buda sentou em meditac,:áo e aleanc,:ou o Esclareci­
mento, o Trono rndestrut ível (ou Imutável . ou como-diarnante). Bodh-Caya também é escrito,
mas de forma incorreta. Buda-Caya.
3S Esta pergunta seria feita hoje pelos piedosos POyOS da (ndia aos milhóes de pessoas no
Ocidente que se orgulham de nao terem nenhum guru , nenhum orientador sábío na ciencia da vi­
da e na arte de viver e morrer. Ninguém, na [ndia ou no Tibete, a nao ser os ocidentalizados, del­
xa de ter religiao: e, atualmente, todo menino e menina, mesmo entre os marginalizados, ainda re­
cebe instrucrao religiosa e tem um guru. Cientes dos efeitos mundanos da ocidentalizac,:ao. tao
mareantes na América, os t ibetanos, bem como os nepaleses, mantem urna política de cuidadoso
afastarnento. Os t ibetanos tem um provérbio que pode ser transmitido dessa maneira: "Como os
homens e os animais sao iguais no comer, no dormir e no copular. se os homens nao tiverem reli­
giao - a única coisa que os diferencia dos animais - eles se tornarn indistinguíveis dos animais_"
A disto as condlc,: oes do mundo atual evidencia-se por si mesmo.
36 As Tres Doutrinas Secretas sao, de fOIma abreviada, os ensinarnentos transmüidos pela
concem entes aos aspectos Extem.os (ou Exotéricos), Internos (ou Esotéricos) e Tran5­
cendentais (ou Nao-Duais, isto é. Nao-Exotéricos e Nao-Esotéricos) da Verdade. ou Realidade.
A essencialidade de Hinayana representa a a e sencialidade do MahQyanQ, a segunda; e
a Doutrina di) Vatio (em sánscri to: S/¡Ü1lYatii), como ,exposta no Pra;iiii Piiramitíi, representa a
terceira.
A PROFICffiNClA DE PADMAEM ASTROLOGIA, MEDICINA, LlNGUAS,
ARTES E ENGENHOS
ConseqÜ8ntemente, Padma dirigiu-se primeiro a um santo guro, um Loka-Sid­
dha
37
ero Benares, e se tomou mestre em Astrologia. Foi-lhe ensinado tuda a respei­
to do ano da concepy[o do Buda, o ano em que a mífe do Buda sonhou que um ele­
fante branco entrava em seu ventre e o ano do nascimento do Buda e como estes pe­
ríodos esotericamente significativos tero correspondencia coro o calendário ti bet ano.
Também lhe foi ensinado o eclipse do Sol e da Lua. E, dessa forma, ele foi chamada
de "O Astrólogo de Kilachakra". 38
Tendo se tomado mestre em Astrologia, Padma t omou-se mestre em Medicina,
sob a orienta9[o do famoso médico conhecido como "O Jovem que Pode Curar".
Dessa forma, Padma tomou-se conhecido como "A Essencía Salvadora da Vida da
Medicina" .
O mestre seguinte de Padma roi um i ogue, o mais sábio em ortografi a e escri ta,
que !he ensinou o sanscrito e línguas vernáculas que lhe sao relacionadas, a linguagem
dos demonios, o significado dos sinais e símbolos, as linguagens dos deuses e das cria­
turas brutas e de todos os demais seres pertencentes aos Seis Estados da Existencia.
39
Aa mesmo tempo, Padma tomou-se mestre nos sessenta e quatro modos de escrita e
nas trezentas e sessenta línguas. E o nome que !he deram foi "O Guru-Leao da Pal a".
Depois, pondo-se sob a de um grande artista, cuj o nome era Vishva­
kanna, que tinha oitenta anos de idade, Padma tornou-se especialista no trabalho do
aura e das pedras preciosas, da prata, do cobre, do ferro e da pedra na criac¡:ao de ima­
gens, pintura, modelagem em barro, gravura, carpintaria, alvenaria, na fabricac¡:ao de
cordames, botas, chapéus, no oficio de alfaiate e em todas as demais artes e enge­
nhos. Urna pedinte ensinou-o a modelar e vitrificar potes de barro. E o nome que lhe
deram foi o de "O Instruido Mestre de Todas as Artes Aplicadas".
O GURU PRABHAHASTI (OU "ELEFANTE DA LUZ")
Em suas andanc¡:as, logo depois disto, Padma enconuou-se com dois monges or­
denados, que estavam a caminho do seu guru. Rendendo-lhes homenagem, perliu­
lhes religiosa. Com medo de que ele estivesse armado e da sua aparencia es­
tranha, eles o tomaram como um dos pertencentes aordem dos demonios, que co­
rnem carne humana, e fugiram correndo. Ele os charnou, dizendo: "Eu renunciei as
ac¡:Oes maléficas e escolhi a vida religiosa. Tende a bondade de me instruir na religilIo."
37 Um Loka·Siddha, ou "Mundo Siddha" é alguém que já alcan<; ou todas as percep<;oes
logues, ou poderes sobre a existencia humana, tanto física quanto psíquica e, como neste exem­
plo, é também um adepto das ciencias astrológicas.
38 Em tibetano: Dus·kyi·Khorlo. ou " Círculo do Tempo" , urna das mais esotéricas doutri­
nas tintricas. (Ver pág. XVIII, anterior.) A Doutrina Kalachakra incluí o que o Lama Sonam Sen­
ge designa como na ciencia de todas as espécies de Astrología e Astronomia". "A própria Doutri­
na Kilachakra em si mesma", ele acrescentou, "é conhecida no Tibete há mil anos ou mais".
39 Os Seis Estados da Existencia sao os reinos dos deuses, dos titas, dos homens, dos bru­
tos, dos fantasmas e dos habitantes dos vários iruemos.
89
A pedido deles, Ihes entregou o seu arco e a aljava coro flechas de ferro e os acampa­
nhou até o seu guro, Prabhahasti, urna encamada do Ádi-Buda, que vivia
numa casa de madeira com nove Depois de ter-se inclinado diante do guro,
Padma dirigiu-lhe a palavra, dizendo-lhe: "Salve! Salve! Tende a bondade de dar-me
ouvidos, 6 nobre guro. Embora eu seja um príncipe nascido no país de Urgyan, roa­
tei de maneira pecaminosa o filho do demOnio de um ministro e fui exilado. Nao te­
nho posses materi ais, e acho que flZ mal em vir sem uro presente para vos oferecer.
41
No entanto, sede condescendente em me ensinar tudo o que sabeis."
O guru respondeu: "Salve, salve, 6 maravilhoso jovem! V6s sois o precioso vaso
para se verter a esséncia dos ensinamentos religiosos. Sois o receptáculo encarnado
para o Mahiiyiina ;eu vos instruirei em todas essas coisas."
Padma respondeu: " Antes de tu da, por favor, concedei-me o estado de brahma­
charya."42 E o guru disse: "Eu entendo os sistemas iogues; e se desejastes instruyao
neles como parte do Mahayiina as5im eu vos instruirei, mas nao posso conceder-vos
o estado de Brahmacharya. 43 Para tanto, de veis ir a Ánanda, na Caverna Asura. En­
quanto isto, e antes que eu vos instrua no Mahayana, recebei a minha benyao."
Conseqüentemente, Prabhahasti ensinou a Padma o significado de se alcanyar o
Estado de Buda, de evitar a regressao espiritual, de ganhar domínio sobre as Tres Re­
gioes
44
e corn relayao ao e Alaga. Embora Padma se lembrasse e pudesse
dominar qualquer coisa que já aprendera antes, este guru, de forma a limpar Padma
dos seos pecados, o fez lembrar-se dezoito vezes de cada uro dos ensinamentos.
ÁNANDAORDENAPADMA
Mais tarde, na Caverna de Asura, na presenya de Ánanda, Padma fez o voto de
celibato e foi ordenado; e Ánanda t ornou Padma um regente de Buda. A Deusa da
Terca surgiu trazendo uro manto amarelo; quando ela envolveu Padma com ele, to­
dos os Budas das eras passadas apareceram no firmamento, vindos das dez direyoes,
e denominaram Padma " O Leao dos Shiikyas, Possuidor da Doutrina".
40 Essa passagem é um exemplo do esoterismo subjacente a muitas das lendas: as "nove
portas" sao as nove aberturas do carpo humano, isto é, as duas aberturas dos olhos, as duas do
nariz, as duas das orelhas, a boca, o IDUS e a abertura do 6rgao sexual.
41 I: costume do discípulo quando se apresenta pela primeira vez a um guru, presenteá-lo,
sign ificando desse modo o seu desejo de espiritual. Ver Milarepa, hist6riadeumyogi
tibetano, págs. 52, 54, 59 e 76.
4"2 O estado de brah macharya, ou continencia sexual, é um dos mais essenciais para a io­
ga aplicada praticamente.
43 Como será visto agora, Padma fo i destinado a fazer voto de celibato defronte de Anan­
da. o primo e principal discípulo de Buda, na Caverna Asura, e dele receber a ordenaQao para en­
trar na Ordem. As instrUl,6es que Prabhahasti deu a Padma parecem ser mais ou menos exotéri­
cas ou preliminares aquelas dadas por Ananda, mais tarde, e podem, por conseguinte, ser chama­
das de intelectuais em vez de aplicadas. Nesta rela"ao , é significativo o fato de que Prabhahasti
nao inicia, mas apenas aben"oa Padma.
44 Ver a pág. lSOn.
45 Ver as págs. 125n e 173n.
90
PADMA INTERROGA ÁNANDA COM RELA<;ÁO Á SUA
Senda um monge já ordenado e possuidor do poder do MaMyana de dest ruir
os maleficios do mundo, Padma, assim corno os Budas anteriores, partiu, ensinou a
Doutrina e discutiu-a coro os Bodhisattvas. Depois, tendo ele se tomado wn Bodhi­
sattva, voltou para Ánanda; um dia, quando Ánanda estava discutindo o Dhamw, per­
guntou-Ihe como ele havia se tomado o principal discípulo do Senhor Buda. Ánanda
responde u que a sua preeminencia era devida ao fato de ter praticado fielmente os
preceitos e, como exemplo, contou a seguinte hist6ria:
A mSTÚRIA DO MONGE INFIEL
Um monge, em Bodh·Gaya, chamado "Boa Estrela" (Legs·pahi-Skarma) havia
memorizado doze volumes dos preceitos, sem nada por em prática. Dessa forma, o
Senhor Buda o admoestou, dizendo·lhe: "Emboca possais recitar todos esses precei­
tos de memória, fracassais na prática. Vós, portanto, nao podeis ser considerado um
hornem instruido." Com isso, o monge foi ficando excessivamente irado e replicou:
"Existem apenas tres coisas que Vos tomam diferente de mim: OS Vossos trinta e dais
nomes ilustres, os Vossos oito bons exemplos e a Vossa aura, que tem a largura dos
vossos brayos esticados. Também eu sou instruído. Apesar de ter-Vos servido durante
vinte e quat ro anos, nao descobri em V6s nenhum conhecimento sequer, nero do
tamanho de urna semente til."4(, Depois, tendo awnentado a ira do monge, ele gritou
alto: "Eu me recuso a continuar a Vos servir, mendigo imprestável; sou superior a
V6s no entendimento da Doutrina, V6s, patife que fugistes do Vosso pr6prio reino."
E, ainda gritando raivosamente, o monge saiu.
DE COMO ÁNANDA FOI ESCOLHIDO O PRINCIPAL DISCWULO
oSenhor Buda reuniu os discípulos e lhes disse: " 'Boa Estrela' ficou mui to ira­
do e me deixou. Desejo saber quem irá me servir no seu lugar." Todos os discípulos
juntos se inclinaram e se ofereceram, dizendo: "Eu <lesejo servir; eu desejo servir."
Ele perguntou: ""Por que deseja:is me servir, sabendo que agora eu estou velho?" E,
como o Senhor Buda nao escolheu nenhwn deles, eles entraram em meditayao silen·
ciosa; e Moggalllina viu logo que Ánanda era apropriado para ser o escolhido. Conse·
qüentemente, a assembléia, composta de quinhentos monges instruídos, muitos deles
Bodhisattvas, escolheu Ánanda. O Senhor Buda sorriu e disse: " Seja bem·vindo!" E
Ánanda respondeu: "Emboca eu seja completamente inadequado para Vos servir, no
entanto, se d.evo servi r-Vos, desejo que me fa<;:ais tres promessas. A primeira promessa
é que me seja permitido providenciar a minha pr6pria comida e roupa; a segunda, é
que deveis dar-me tudo aquilo [de orienta<;:ao religiosa] que eu possa Vos pedir; e a
terceira é que nao deveis comunicar urna [nova] doutrina em um momento em que eu
nao esteja presente. "
O Buda de novo sorriu e repli cou: "Muito bem, muito bem, muito bem."
46 A semente til indiana, da mesma forma que a da most arda, é muito pequena.
91
BUDA PROFETIZA A MORTE DO MONGE INFIEL
A primeira de Ánanda ao Senhor foi que infonnasse sobre "Boa
Estrela"; diante disso, o Senhor profetizou que "Boa Estrela" monería den tro de sete
días e se tomaria uro fantasma infeliz a vagar pelos jardins do mosteiro. Quando
Ánanda contou-lhe a profecia, "Boa Estrela", um tanto perturbado, disse: " De vez
em quando as Suas mentiras se tomam verdade. Se eu estiver vivo depois do sétimo
día, terei mais aIgumas coisas para dlzer a Seu respeito. Enquanto isso, permanecerei
aqui."
Na manha- do oitavo día, Ánanda encontrou "Boa Estrela" morto, e o seu fan­
tasma vagava pelos j arclins. Dali em diante, sempre que o Senhor Buda estava no jar­
dim, expondo o Dhanna, o fantasma voltava o rosto ao Senhor e colocava suas maos
nos ouvidos.
O TESTEMUNHO DE ÁNANDA COM RELA<;ÁO A BUDA
Ánanda disse que era por causa de todas essas coisas que havia servido o Senhor
fielmente durant e vint e e um anos. Depois, contou como °Buda aIcanyou o Estado
de Buda, em Dodh-Gaya, no Seu trigésimo quinto ano; como Ele pos a fWlcionar a
Roda da Lei em Samath, perto de Benares, ao ensinar aos Seu s discípulos as Quat ro
Nobres Verdades: °Sofrimento, a causa do Sofrirnento, o Triunfo sobre o Sofrimen­
to e o Método (ou Caminho da SaIvayao), pelo qualse pode triunfar do Sofrimento.
Ananda também contou como, continuando a pregar em Samath durante set e anos
menos dois meses, o Buda ensinou as verdades contidas tanto nos doze volumes dos
preceitos que "Boa Estrela" havia memorizado quanto nos dez outros volumes. O
conteúdo de cada um desses dez volumes, Ánanda descreveu da seguinte forma: o vo­
lume 1 expunha a doutrina do Bem e do Mal ; os volumes 2, 3 e 4, os cero deveres re­
ligiosos; o volume 5, o método de praticar esses deveres; o volume 6, as t eorias do
"self'; o volume 7, a loga; o volume 8, a recompensa pela bondade; o volwne 9, Sa­
be doria; e o volwne 10, a mente e o pensamento. Havia também mais aIguns volumes
de ensinamentos sobre a luxúria, a raiva, a preguiya, os preceitos sacerdot ais, guru e
shishy a, mét odos de pregayao, sobre o Vazi o, os frutos da prática dos preceit os e so­
bre o método de alcanyar a Libertayao.
47
Durante o segundo período da Sua missao, que se estendeu por cerca de mais
de dez anos, o Senhor pregou o Mahayiina em Magadha, em Gridhra.kiita, em Jetava­
na e em outros lugares. Ele também pregou para Maitreya, Avalokiteshvara e outros
Bodhisattvas nos mundos celestes e para deuses e demonios, a essencia do Dharma,
como foi exposto em várias Escrituras, e contou a Sua visit a ao Ceilao.
O t erceiro período da de Buda estendeu-se por mais de treze anos e
foi. principalmente, dedicado aos deuses, niigas. arhants e vários outros seres espiri­
tuais. Durante o quarto período, de sete anos, Ele ensinou as douttinas taotricas, mas
apenas exotericamente.
47 Os Budi stas Tibetanos veem os ensinamentos dados pelo Buda em Sarnath como per­
tencentes ao Hmayana (ou Theravada), e os transmitidos depois, em outros lugares , como perten­
centes ao Mahayana.
92
o Buda ordenou e deu poderes a Vajra_Pani
48
para ensinar os aspectos esotéri­
cos dos Tantras e lhe disse: "No mesmo país e época nao podem existir dais Budas de
Bodh_Gayii
49
pregando a Doutrina. Se houver outro Buda, Ele s6 pode viI depois da
partida do Buda atual."
Poi nesta época e até o Seu octogésimo segundo ano, quando EJe se passou
para o Nirvana, que o Senhor Buda pregou a Vinaya, a Sütra e o Abhidharma Pita­
ka
50
e o GetTi 51
PADMA ESTImA COM mANDA
Padma ficou muito satisfeito com esse longo discurso de Ánanda (que aquí foi
sintetizado J, permaneceu com Ánanda durante cinco anos e tornou-se mest re nos do­
ze volumes de preceitos que compreendiarn o Getn', que "Boa Estrela" havia memori­
zado.
Quando seus estudos sob a orientayao de Ánanda estavam para se completar,
Padma, percebendo as limitayoes da exposiyao exotérica da Doutrina, pensou consigo
mesmo: "Por intennédio dos ensinamentos relacionados com o Vazio e a Sabe doria
Divina, tenho que descobrir um caminho mais perfeito.,,52
o TESTEMUNHO DE ÁNANDA COM RELAC;ÁO As ESCRITURAS
Ele perguntou a Ánanda: " Há quanto tempo foram registrados os Sutras e os
Mantras
S3
e, se forem contados, quantos volumes existem e onde estao os textos?"
48 Vajra-P-ani (ern t ibetano, Phyag·na·Rdo·rje; pronuncia-se: Chhak·na·Dorje; ou Phyag·
Rdor , que se pronuncia Ozhak·Dor), " Manejador do Vajra " (ou "Raio dos Deuses" ), é tido co­
mo uma ta.ntrica da personificada como indIa pelos hindus, Zeus pelos gre·
gos, Júpiter pelos romanos e Jeová pelos hebreus. Ele é o ftlho espiritual de Akshobhya, o segun·
do dos cinco Budas Dhym (Cf. L. A. Waddell, op. cit., pág. 356.) Como Chhak-Dor, ele é a dei­
dade dirigente do sistema Untrico.
49 t o mesmo que dizer que nao podem existir dois Budas encarnados, ao mesmo tempo,
que tenham atingido o Esclarecimento como Gautama atingiu em Bodh-Gaya.
SO Estas tres Pitakas (ou compreendem o cmone do Budismo do Sul. A Pitaka
Vinayii consiste de regras para o governo do sacerdócio; a Pitaka Satra, dos discursos do Buda;
a Piraka A bhidharma, de Psicología e Metafísica.
SI Ver nota na página 149, a seguir. A tibetana aqui apresentada, relacionada
com os vários períodos dos ensinamentos de Buda, sugere a teoria formulada pelo monge chines
Chih-che (que víveu durante a última metade do século VI A.D,) de que os sermóes e pronuncia­
mentas do Buda designam cinco grandes períodos da Sua vida. O estudante é remetido a K. L.
Reichelt, op. cit., págs. 43-5.
52 O texto traduzido da " Ioga do Conhecimento da Mente em sua Nudez", que está con­
tido aqllÍ no Livro 11, apresenta. em forma resumida, os resultados desta decisao de grande alcan­
ce do Grande Guro, ao descobrir a Verdad e Última. As Escrituras de todas as religióes sao destina­
das a guiar o pavo nao-esclarecido para os Ensinamentos Elevados. A feíta pelos sacer­
dotes, até mesmo pelos mais sábios guros, tem como objetivo preparar o discípulo para ser urna 13m­
pada e um refúgio para si mesmo, como ensinou o Buda. O Caminho pode ser evidenciado, saindo-se
da escundao da existencia mundana p:ua a luminosidade do Objetivo Nirvánico. Mas o peregrino
deve palmJlh:u por seu s própnos a rota da até o fim; ninguém mais pode fa­
zer isso por ele.
S3 Os Mantras sao as Escrituras especiais da Escala Mantrayana do Budismo do Norte.
93
l
I
Ánanda respondeu: "Desde que o Senhor passou-se para o Nirvana, tudo o que ele dis­
se tem sido registrado. Se fossem transportados pelo Elefante de Indra,54 haveria quí­
nhentos fardos dessas escrituras." Surgiu urna disputa entre os Devas e os !Vagas. os
Devas desejavam ter as escrituras no seu mundo e os !Vagas as desejavam no seu. Os
volumes do Boom
55
foram escondidos no reino dos !Vagas; o Prajñi-Pliramitli foi es­
condido no céu de IndI a; a maior parte dos Sutras foi escondida em Bodh·Gaya; o
Abhidharma Pitaka foi escondido no Mosteiro de Nalanda; grande parte dos textos de
Mahñyiina foi escondida em Urgyan . Os demais textos foram depositados na stüpa.
em NiiJ.anda. E todas essas escrituras foram asseguradas contra a dos inse­
tos e da uIIÚdade.
OS ENSINAMENTOS DE PADMA E vARIosESTUDOS
Ao completar seus estudos com Ánanda, Padma dirigiu-se a uro cemitério on­
de habitava a deidade tfultrica Mahlikila, 56 que tinha corpo de iaque, de leao
e pemas serpentifonnes. O cemitério continha urna stüpa feita de pedras preciosas,
contra a qual Padma estava acostumado a apoiar as costas, enquanto pregava o Dhar­
ma; e lá, durante cinco anos, ele se dedicou a ensinar as diikinis e foi chamado de
"O dos-raios-do-Sol". 57
Desejoso de encontrar urna doutrina capaz de ser exposta em poucas palavras
de grande significa9áo e que, quando aplicada, fosse imediatamente eficaz, iluminan­
do e fomecendo calor, Padma i da, n Céu ' Og-Min, e lhe foi ensi­
nada a Doutrina da Grande Perféiylf"o_S8 E, entao,Padma foí clíaiña de Vajra-Dha­
ra no aspecto esotérico.S9
Depois disso, Padma foi até o Cemitério da "Felicidade Distendida", na Cache­
mira. Lá ensmou o Dharma durante quatro anos ademoDia Gaurima e para muitas
54 Um elefante mítico, de for<;a supemormal, a que a literatura da Úldía se refere comu­
mente, como aqui, de forma figurativa, para enfatizar o exagero oriental.
ss O Boom. ou Bum (em sánscrito : Sata SahaJri1caj, significa "100.000 [shlokq! de Sabe­
doria Tnnscendental)", e consiste nos prirneiros doze dos vinte e wn volurnes do S'u-p'yin cano­
nico (pronuncia-se Sher-chin), traduzido do original sanscrito, Prajñ4-Piiramitii (que corresponde
ao Abhidharma da EscoJa de Budismo do Sul). (Ver Tibetan Yoga and Secret Doctrines, págs. 343­
49. )
56 Mahilkllla. ("O Gxande Preto") é a personifica<;io tintrica do lIspecto masculino, ou
shakta, das fOI<;as desintegradoras do Cosmos, das quais Kiili (n A Fernea Pret a" ) é O aspecto fe­
minino, ouShakti. Como tal, Maha1caÜl é o Senhor da Marte. sinónimo de Dharma-Riija_ E ele é a
irada de Avalokiteshvara (em tibetano: Chenrazee) de quem o Dala! Lama é a re­
presenta<;io encarnada na Teua.
57 Em tibetano : Nyi-17UJ Hod-zer. urna das oito formas, ou personalidades. em que Padma­
Sambhava se manifest ava. (Ver a Estampa V e a sua descric;ao nas págs. XXI-XXIV.)
SS A Doutrina da Grande Perfeic;ao é a doutrlna básica do insight místico da Escala Nyi­
ngroa, fundada por Padma-Sambhava. (Ver Tibetan Yoga and Doctrines. págs. 277-78.)
59 Vajra-Dhira ("Portador do Vajra. ou Dorje") é o Mesue super-humano Doutrina
Secreta sobre o qual o Vajrayana e o Mantrayana sao baseados. Ele é associado ao Adi (ou pri­
mordial) Buda, da Mente Cósmica Única e ao Dharma·Kiiya " Corpo, ou Essencia­
lidaue, do Dharma ou Verdade"), símbolo da Realidade. Como tal, Vajra-Dh ara é o Guro Divino
da EscoJa Nyingrna.
94
dákinis; e foi chamado de
Depois, foi ao Vajra-Sattva
nas doutrinas tantricas,61 e
Padma também habil
Autogerado", no Nepal, 0 01
rituais, inclusive demonios
cia condicionada, roi cham:
No Céu do Adi-Bud
culos, ou Caminhos,63 em
sas que pertencem aos Mru:
do" .
Foi no Cemitério do
discíplinado rn uitos deman
do_L6tuS".65
No Cemitério do " Pi(
anos e recebeu instruyao (
método tantrico secreto de
Cemi téri o do "Pico do l..{¡
Consolador de todos [os Se
AINICI!
A mestra seguinte de
de sándalo no roeío de uro I
60 Em tibetano:
festou.
61 Vajra.sattva é o 8S11
Dhyaru Buda Akshobhya,
lira tibetano dos morfos (pág. 7
compreende todas as deidades.
o Tutor de todos os aspirantes a
62 Ou Seng-ge Dra-dog,
assumidas' por Padma.
63 Estes consistern de n
dos pelo Mahiiyana, Hinayiina.
de Majtreya, o plóximo Buda)
cito: Shad-Darshallas) de
ya, Vaishshika, Siillkhya,
64 Ou l ega que pertence
tratado.
65 Os tibetanos dizem I
água, e comparam o seu nascim
com o do Grande Guro. Em ce
to: Padma-Sambhava)_
66 A ordern das devattU
principal tu tetar assoclada a m
Yoga and Secref Doctrines. a III
67 Ou, rnais literalmente
ma. (Ver pág. XXI1I.)
dáldnis; e foi chamada de "O Transmissor da Sabedoria para todos os Mundos".60
Depois, foi ao Vajra.sattva, no Seu mWldo celeste, e adquiriu proficiencia em loga e
nas doutrinas tantricas,61 e foi cbamado de Vajra-Dhira no aspecto exotérico.
Padma também habitou por um período de cinco anos no Cemitério do "Pico
Autogerado", 00 Nepal, onde, depois de eosinar e subjugar várias classes de seres espi­
rituais, inclusive demonios, e de adquirir dominio sobre as Tres Regilies da existen­
cia condicionada, foi chamado de "Aquele que Ensina com a Voz do Leao".
62
No Céu do Adi-Buda, Padma foi instruido de forma completa nos Nove Veí­
culos, ou Caminhos,63 em viote e uro tratados do Chitti-Yoga
64
e em todas as coi­
sas que pertencem aos MantIas e Tantras, e foi chamada de "O Plenamente Ensina­
do".
Foi no Cemitério do «Pico Lanka", no país de Sahor, depois de ter pregado e
disciplinado muitos demonios amedrontadores, que ele foi chamada de "O Nascido­
do_Lótus". 65
No Cernitério do "Pico de Deus", da tem de Urgyan, Padma pennaneceu cinco
anos e recebeu instruyao de umadasdákinís da Ordem dos Ioguins Vajra
66
sobre o
método tantrico secreto de alcanyar a Liberayao. Foi depois que ensinou asdakinis, no
Cemitério do "Pico do Lótns", que Padma tomou-se conhecido como "O Eterno
Consolador de todos [os Seres]".67
A INICIAyAO DE PADMA POR UMADAKINÍ
A mestra seguinte de Padma foí mua da"Kinj ordenada, que habitava num jardim
de sandalo no meio de um cernitério, em palácio construido de caveiras. Quando che­
60 Em tíbetano: Llíden (J¡og-se, outra das oito penonalidades em que Padma se mani­
festono
61 Vajra..5attva é o aspecto Sambhoga·Kiiya, on reflexo do aspecto Dharrr14.Kiiya, do
Dhyiini Buda Akshobhya. associado ao Reino Oriental da Fellcidade Pteerninente, corno em O ¡¡ .
.,ro tibetano dos monos (pág. 16). Exotericamente, Ele manifesta o Universo; esotericarnente, Ele
compreende todas as deidades. Como Shiva, sendo Ele o Grande Mestre da loga, é, nesta Escola,
o Tutor de todos os aspirantes ao na Ioga.
62 Ou Seng·ge Dra.dog, que é mais um dos nomes darl os as oito personalidades, ou fonnas,
assumidas'por Padma.
63 Estes consistem de Il ove método! para alcan<; ar o Esclarecirnento, como os representa­
dos pelo Mahiiyana, Hinayiiltll. Vajrayiiltll, Manrrayiina e Yoga-Charo (baseados nos Cinco Llvros
de Maitreya. o próximo Buda). Da mesma forma, no HinduÍsmo existem Seis Escolas (em sans­
crito: Shad{)anhaltlls) de Filosofia, ou Visoes, ou Meios de alcan<;ar a Libera<;ao, a saber, a Nyii­
ya. Vaishshfka, Siinkhya. Mímangsa. Yoga e os si:sterr14s Vediinta.
64 Ou l oga que pertence amente em sua Natureza VerdadeiIa, como foi exposto em nosso
tratado.
65 Os tibetanos dizem que este cemitério era habitado por muitas criaturas nascidas na
água, e compararn o seu nascirnento com o nascimento do nascido no !ótus e, de forma couelata,
com o do Grande Guru. Em conseqüencia, eles o nomearam "O Nascido-do-Lótus" (em sansCIÍ­
to : Padrr14-Sambhava).
66 A ordem das devatas Vajrayaltll é personificada coletivamentena Vajra-Yogini, a densa
principal tutelar associada a muita práticas esotéricas do y oga t antrico tibetano. (Ver Tibetan
Yoga and Secret Doctrines. a V e a descri<;ao da Vajra-Yogini, nas págs. 173-75'.)
67 Ou, mais lit eralmente, Dorje Drij·lo. o nome de outra das oito personalidades de Pad­
ma. (Ver pág. XXIII. )
95
l
,
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l
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i
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gou aporta do palácio, encontrou-a fechada. Entao, apareceu uma serva carregando
água para o palácio e Padma sentou-se em meditarrao, fazendo coro que eIa parasse de
transportar água, por meio do seu poder iogue. Em razao disso, criando urna faca de
cristal, eIa abriu o peito e eXIoiu, na parte de cima, as quarenta e duas Deidades Pací­
ficas e, na parte de baixo, as quarenta e oito Deidades Iradas.
68
Dirigindo-se a Padma,
eIa disse: "Observo que sois um mendigo maravilhoso, possuidor de grande poder.
Mas olhai para mim, nao tendes fé em mim?" Padma inclinou-se di ante dela, des­
culpou-se e pediu os eruinamentos que procurava. Ela respondeu: "Sou apenas uma
serva. Entrai."
Aa entrar no palácio, Padma contemplou a dákinT ent ronizada nurn trono de
Sol e Lua, que segurava em suas maos um tambor dupl069 e urna tarra feita de craruo
humano, ~ e estava rodeada por ttinta e duas diikinis que !he faziam oferendas sacrifi­
ciais. Padma louvou a dlikinl entronizada e as oferendas e pediu-lite para que o erui­
nasse t anto esotérica quanto exotericamente. As cem Deidades Pacíficas e hadas apa­
receram, entao, no alto. "Contemplai" - disse a diikinI - "as Deidades. Agora fazei
a vossa iniciarrao." E Padma respondeu: HAssim como todos os Budas em todos os
teropos tiveram guros, aceitai-me como vosso discípulo. '
Em seguida, a dlikin! absorveu todas as Deidades em seu corpo. Ela transfor­
mou Padma na sílaba Hüm7 ~ O Hüm pennaneceu nos seus lábios e eIa lhe concedeu a
bén9ao do Buda-Amitabha. Depois, eIa engollu o Hüm e, dentro do seu estomago,
Padma recebeu a iniciarrao secreta de Avalokiteshvara. Quando o Hüm chegou are­
giao de Kundalinl, ela lite concedeu a iniciarrao do corpo, da fala e da mente; e ele foi
timpa de todas as sujeiras e obscuridades. Em segredo, ela t ambém fue cooferiu a ini­
ciarrao Hayagriva;n que dá poder para dominar todos os seres espirituais maléficos.
o GURU DETENTOR DA SABE ORlA
Um Detentor da Sabedoria,73 de 'Og-min, o mais alto dos céus de Buda, depois
ensinou a Padma tudo que era conhecido sobre magia, renascimento, conhecimento
mundano, tesauros escondidos, poder sobre as posses mundanas e longevidade, tanto
exotérica quanto esotericamente.
68 Estas constituern a mandala tántrica de Cem Deidades. (Ver O ¡¡lIro tibetano dos mor·
tos, pág. 164.)
69 O da miiru tibetano, ou ritual do tambor. (Ver Estampa V.)
~ Igual a que Padma-8ambhava segura, ver pág. 11.
71 A sl1aba mantra Hüm dos tibetanos, quando entoada de maneira própria por um inicia­
do do Manrraytina , é urna das mais eficazes de todos os mantras, com o A um (ou Om) dos hindus.
Ela representa um papel rnuito importante em todos os rituais tántricos do Tibete e está associada
com os centros psíquicos (em sanscrito: chakra) da parte inferior do corpo e, por conseguinte. com
o Múliidhiíra-chakra, que fica na base da coluna espinhal. onde o Poder da Serpente da Deusa Kun ·
CÚllinr reside, e cujo despertar, sob orientayao sábia. é essencial aIniciayao bem-sucedida.
72 Esta Iniciayao consiste na transferencia do poder oculto como o que irá capacitar o ini­
ciado a empregar com mestria as forc;as cósmicas, personificadas pela deidade t antrica Hayagrlva
(em tibetano: Rta·mgrin. que se pronuncia Tam-ding), A da C a b e ~ a de Cavalo, que é manifestada
através dos espíritos malignos e também como for<tas da destrui<tao e da desannonia.
73 Em tibetano: Rig·hdzin (que se pronuncia: Rig-zin) , um ser altamente adíantado. como
um Bodhisattva.
96
OSMJ:TODOS
O Detentar da Sabe
do Príncipe Shri Singha, q
Budismo, sem diferenciar
sIui Singha que o ensinas!
desejais o que vedes. Nao
nlio desejeis o desejo. o
Nao-vazio, nlio-vazio. Na
obscurecimento.
7S
Esvazia
Desejo em cima, embaix
Quando tudo isso foí exp
ele iria perceber a essencial
Depois, Padma perg¡
das?" E sIui Singha respo
nao existe nenhuma difer
yao as caisas externas. Par
a perfeita e absoluta Sab(
nem a Segunda Causa. Eu
ma, v6s, Nascido-do-Lótus
AORIGl
o grande guro segu
Montanha dos Cinco Pico
China. A origem de Mañjw
O Buda, certa vez, ti
o povo O amaldiyoou. En
inútil explicar as verdade!
?$ Textualmente: Ser·n
los IX e X.
75 Ou Ignorancia (em s
?6 Este método de ens
levar o discípulo a urna intros
responder as suas próprias peI
mente como a "loga do ConIJ
fora de si rnesmo. nas Escritun
77 A compreensao dest
todas as coisas vivas, tanto sub
tico-cristio, Cristos. ConseqÜeI
de diferen<¡:as sao o Urn e, ass
neses da Escala Zen. declara c
mem comum é que um perce!
dos professores Zen, ensinou, t
'l8 De acordo com a tr
na. Gridhraküta, ou "O Pico Q
ka, ande o primeiro grande Ca
OS A MANEIRA ZEN DE UM GURU BIRMM$S
o Detentor da Sabe doria enviou Padma para Pegu, 74 em Bunna, para adquirir
do Príncipe shñ Singha, que morava numa caverna, a essencia de todas as Escolas de
Budismo, sem diferenciar uro ensinamento do outro. Quando Padrna pediu ao guru
shñ Singha que o ensinasse tal coisa, o guro apontou para os céus e respondeu: "Nao
desejais o que vedes. Nao desejeis, nao desejeis. Desejo, desej o. Nao desejeis o desejo;
nao desejeis o desejo. O desejo e a libertac;:ao devem ser simultaneos. Vazio, vazio.
Nao-vazio, nao·vazio. Nao-obscurecimento, nao·obscureciment o. Obscurecimento,
obscurecimento.
75
Esvaziamento de todas as coisas; esvaziamento de todas as coisas.
Desejo em cima, embaixo, no centro, em todas as direc,:6es, sem diferenciac,:ao."
Quando tudo isso foi explicado em detalhes e o guru havia assegurado a Padma que
ele iria perceber a essencialidade de todas as doutrinas, Padma louvou o guru.
76
Depois, Padma perguntou·lhe: "Qual é a diferenc,:a entre os Budas e os nlo-Bu­
das?" E shñ Singha respondeu: "Muito embora se procure encontrar uma di ferenc,:a,
nao existe nenhuma diferenya.
77
Por conseguinte, libertai-vos da dúvida coro rela­
9ao as coisas externas. Para vencer a dúVÍda com relac;:ao as coisas internas, empregai
a perfeita e absoluta Sabedoria Divina. Ninguém ainda descobriu a Primeira Causa
nem a Segunda Causa. Eu mesmo nao fui ainda capaz de tanto; e vós, da mesma for­
ma, v6s, Nascido-do-Lótus, devereis fracassar nisso."
A ORIGEM SOBRENATURAL DE MAÑJUsHRi
o grande guru seguinte a Padma foi o Bodhisattva Mañjusliñ, que residia na
Montanha dos Cinco Picos, próximo ao Rio SIta-Sara, na Provincia de Shanshi, na
China. A origem de MañjushrI, tal como a de Padma, era sobrenatural:
O Buda, certa vez, foí aChina para ensinar o Dhanna mas, ao invés de ouvi-Lo,
o povo O amaldiyoou. Entao, Ele ret ornou a Gridhraküt a, na ÍÍldia.
78
Considerando
inútil explicar as verdades elevadas para os chineses, decidiu introduzir na China as
74 Textualmente: Ser-Ung, a antiga Pegu, em Burma, onde o Budismo floresceu nos sécu­
los IX e X.
75 Ou Ignorancia (em sanscrito:A vidyo ).
':t; Este mét odo de ensino dos gurus se parece com o dos gurus da Escola Zen e pretende
levar o discípulo a urna meditativa profunda, ao fun do qual ele estará capacitado a
responder as suas próprias perguntas e resolver os seus próprios problemas. A Escola Zen, exata­
mente como a "[oga do Conhecimento da Mente em sua Nudez", ensina a futilidade da procura
fora de si mesmo, nas Escrituras ou através dos gurus, da libertayao da Ignorancia.
77 A compreensao de sta asseryao paradoxal supoe o entendimento do ensinamento de que
todas as coisas vivas, tanto subumanas como humanas, sao Budas em potencial ou, no sentido gnós­
tico-cnstao, Cristos. Conseqüentemente, o guru continua sugerindo que o que os homens chamam
de diferenr,:as sao o Um e, assim, em essencia, sao indistint as. Hui-neng, um dos professores chi­
neses da Escola Zen. declara de mane ira semelhante : " A única diferenya entre um Buda e um ho­
mem comum é que um percebe que é Buda e o outro nao." E como Bodhi-dharma. o primeiro
dos professores Zen, ensinou, todas as coisas contem a natureza do Buda desde sempre.
?8 De acordo com a tradi9ao tibetana, foi em Gridhraküta que o Buda ensinou o Mahiiyii·
na. Gridhraküta, ou "O Pico do Urubu" é o mais alto das cinco montanhas que cercam Rajagri·
ka, onde o primeiro grande Conselho Budista foi realizado, no ano de 477 a.C.
97
I
verdades condicionais,79 juntamente com a Astrologia. Conseqüentemente, o Buda,
enquanto esteve em Gridhraküta, emitiu da coroa da Sua um raío de Juz ama­
relo, que caíu sobre urna árvore que crescia perta de uma stUpa, em meío a mais cin­
co stUpas, cada urna delas senda um dos picos da Montanha dos Cinco Picos. Da ár­
vore cresceu urna excrescencia semelhante a uro b6cio, de onde brotou urna flor-de­
lótus. E desta flor-de·16tus nasceu Mañjushfl, segurando em sua direita a Espada
da Sabe doria e em sua mao esquerda urna flor-de-16tus azul, que sustentava o Uvro
da Sabedoria; o povo dizia que ele n[o nascera de pai e mae.
A TARTARUGA DOURADA E OS SISTEMAS ASTROLÓGICOS DE MA&JUSHRi
Da cabeya de Mafljushñ saiu urna tartaruga dourada. A tartaruga entrou no Río
Sita-Sara e, de urna bolha, surgiram duas tanarugas brancas, macho e lernea, que pro­
eriaram cinco espécies de tartarugas.80
Por esse tempo, o Senhor BUda emitiu da coroa da Sua cabe ya um raio de luz
branca, que caíu sobre a Deusa da Vit6ria. A Deusa foi ter com Mafijushri e, ele, to­
mando em sua m[ o a tartaruga dourada, disse: "Esta é a grande tartaruga dourada."
Em seguida, instruiu e iniciou a Deusa em sete sistemas astrológicos, e ela estudou
com ele um total de 84.000 tratados. Destes, 21.000 eram de Astrologia aplicada aos
seres humanos vivos, 21.000 de Astrologia aplicada aos mortos,81 21.000 de Astrolo­
gía aplicada ao casamento e 21.000 de Astrologia aplicada atena e aagricultura81
PADMARESTAURA OS ENSINAMENTOS ASTROLóGICOS DE
PARA A HUMANIDADE
Quando estes ensinamentos astrológicos, conhecidos como os ensinamentos
que brotaram da cabeya do santíssirno Mai'ijushrI, se espalharam por todo o mundo, o
povo lhes deu tarlta que o Dharma do Senhor Buda foí negligenciado. Dessa
forma, Mafijus1u:l colocou todos os textos que continham OS ensinam.entos dentro de
urna caixa de cobre mágica e a escondeu numa rocha, no lado oriental da Montanha
dos Cinco Picos. Dessa maneira, desprovida da onenta¡;ao astrol6gica, a humanidade
79 Isto é, os aspectos mais exotéricos do Dharma, que sao preliminares, ou subordinados.,
aos aspectos esotéricos.
80 Os chineses empcegam a tartaruga, símbolo do Cosmos, para adivinhayao. como sugere
o Si-pa-Khor. /o (Srl-pa-Hkhor-Iol, urna cana astrol6gica tibetana, de adivinhar;áo, de oligem chi­
nesa, presidida por Mañjusbri transfODIladO numa tartaruga; sobre diferentes partes do seu corpo
sao distribuídas cartas escritas em sanscrito numa seqüencia mágica_
81 No Tibete, a Asuologia é empregada para averiguar o dia e a hora que sao auspiciosos
para um funeral e para saber o tempo, lugar e circunstancia do renasciment o de urna pessoa fale­
cid a, servindo o momento da morte como base para o cálculo. (Ver O livro tibetano dos mortos,
pág. 146 n. 104.)
8:l Em toda a (ndia, no Ceillio, no Tibete, na China e em outras terras do Oriente, todas as
princlpais atividades de urna carreira terrena, todas as operar;éies agrícolas, tal como arar, semear e
colher os graos, e a detenninar;ao das características da tetra e dos lugares é sujeita ao cálculo as­
trológico. No Ceilao, onde o h orma astrológico é ainda urna ciencia florescente, o exato momen­
to para a de urna casa, urna cerca ou um portao, para derrubar urna more, cavar um
PO((O e para todas as operar;6es similares, é flXado pela strologia.
98
sofreu medonhos infortúni
do gado e fome.
Aa saber desses infor
"Eu renovei o mundo tres V
nei a Ripotlila.
83
Mas agora
charo." E Avalokiteshvara é
das criaturas do mundo, vá e
renda assumido o asp'
ra nao seja realmente urna p:
to, de grande beneficio pan
os textos escondidos e ¡ost]
e instruiu e iniciou Padrna el
(
Depois de completar :
shñ. Padma recebeu mais in
manos lhe deram, cada qua!
lay[o Deidades Pacíficas
oferenda de hinos e louvore
aessencialidade da consagra
le. Ele construiu urna stüp'
doutrinas.
PADMA R
Ent!'o, apareceu para
da Mente do B
os textos escondidos dos el
dos ensinamentos do Senho
IUJga e alguns no mundo hu
"O Poderoso e Rico do Mun
ARTES]
Agora Padma vai para
essencias para produzir a s:
83 Textualmente : Ripot¿
úz), o nome pelo qual o palácio 1
ra do Tibete.
84 Os vários títulos destl
06 do texto tibetano ..
ss Os nomes destes textG
86 Corno é do sábio cos
sas mundanas. mas em Sabedori
shvara.
sofreu medonhos infortúnios: da vida, pobreza, esterilidade
do gado e fome.
Ao saber desses infortúnios, Avalokiteshvara foi até Padma·Sambhava e disse:
"Eu renovei o mundo tres vezes e, pensando que todos os seres estavam felizes, retor­
nei a RipotaIa.
83
Mas agora, quando olho para baixo, vejo tanto sofrimento que até
choro." E Avalokiteshvara acrescentou: "Assurna o aspecto de Brahma e, para o bem
das criaturas do mundo, vA e redescubra estes tesouros [de textos] escondidos."
Tendo assunúdo o aspecto de Brahma, Padma foi até MañjushO e disse: "Embo·
ra nao seja realmente urna parte do Dharma do Senhor Buda, a Astrologia é, entretan­
to, de grande beneficio para as criaturas do mundo. Por conseguinte, revelar
os textos escondidos e instruir·me neles." E Maftj uslul retirou os textos escondidos
e instruiu e iniciou Padma em todos eles.
84
OUTROSGURUS DE PADMA
Depois de completar a sua em Astrologia, sob a de Mañju­
shñ, Padma recebeu mais instruyeíes religiosas de Ádi·Buda. Depois, vários guros hu·
manos lhe derarn, cada qua!, um novo nome, o iniciaram em oito doutrinas, com re­
As Deidades Pacíficas e l radas, aos demonios dos Tres Reinos da Existencia, a
oferenda de hinos e louvores, As amelhor de todas as essencias religiosas e
aessencialidade da consagrayao; e as deidades correspondentes apareceram diante de­
le. Ele const ruiu urna stüpa de treze degraus e nela escondeu os textos dessas oito
doutrinas.
PADMA RECUPERA OS TEXTOS ESCONDIDOS
EntAo, apareceu para Padma urna diikinl que, depois de té·lo saudado como a
"encamac;ao da Mente do Buda Amitlibha", declarou que era tempo de ele retomar
os textos escondidos dos ensinamentos do Senhor Buda. E Padma reuniu os textos
dos ensinamentos do Senhor Buda, alguns nos mundos celestes, alguns no mundo de
naga e alguns no mundo humano
85
e, dominando os seus conteúdos, foi chamado de
"O Poderoso e Rico do Mundo".86
ARTES IOGUES DOMINADAS POR PADMA
Agora Padma vai para Grldhrakiita e t oma·se mestre da arte ¡ogue de extrair as
essencias para produzir a saúde e a longevidade, o poder sobrenatural da visao, da
83 Textualmente: Ripotiila. a celestial do Avalokiteshvara (em sanscrito: Potii·
la) , o nome pelo qual o palácio do Dala! Lama (A encamatyao de Avalokiteshvara) é conhecido fo·
ra do Tibete.
84 Os vários títulos des tes tratados astrológicos sao dados numa longa lista nos fólios 105·
06 do texto tibetano . .
85 Os nomes des tes textos sao dados no fólio 107 do texto tibetano.
86 Como é do sábio costume do Oriente, diz·se que alguém é poderoso e rico mo em coi·
sas mundanas, mas em Sabedoria. O nome aqui dado a Padma é comumente aplicado a Avalokite­
shvara.
99
:
audi9§'O, da sensa9ao, do olfato e do gasto, de apenas beber água e se abster de comi­
da, de reter a saúde e o calor corporal sem usar roupas, 87 o método de adquirir cla­
reza da mente, leveza do carpo e ligeireza dos pés pelo controle da respira¡;: ao, de pro­
longar a vida e adquirir conhecimentos tao ilimitados quanto o céu através da fIxa9ao
e da aplica9a'O dos ensinamentos relativos ao Vazio.
88
E, pela prática de todas as peni­
tencias, Padma tornou-se habituado a todas as prova900s. O seu nome, oeste tempo,
era "O que Desfruta todas as Ben¡;:aos".
Padma tamhém dominou a arte iogue de extrair o elixir das pedras e da areia e
de transmutar o lixo e a carne dos cadáveres humanos em comida pura. Outra reali­
za9lIo foi a da pericia em acrobacia. Ele, enta:o, foi chamada de "O Régio Desfruta­
dor da Comida".
Outras artes iogues nas quais Padma adquiriu proficiencia foram: prolongar a
vida com a essencia do aura, prevenir a doenQa corn a essencia da prata, andar sobre
as águas com a esseocia da pérola, neutralizar o veneno com a essencia do ferro, ad­
quirir urna visao clara com a essencia do lápis-lazúlL89 Agora o seu nome era " O Ló­
tus Essencia das J6ias".
Padma dominou a utiliza9ao de urna centena dessas essencias e as comunicou
em beneficio da humanidade. Os textos a respeito de algumas delas ele escreveu em
papel e escondeu.
O Buda da Medicina apareceu diante de Padma e, oferecendo-lhe uro recipien­
te corn amrita,9Q pediu que behesse. Padma bebeu a metade da por9ao para prolon­
gar a vida e a outra metade escondeu numa stüpa; agora, era chamado de "Padma, o
da Realiza9ao" . 91
Brahma, Senhor dos Rishis, acompanhado por viote e um Grandes Rishis, apa­
receu diante de Padma, borrifou-o com flores e cantou os seus louvores. Brahma diri ­
giu-lhe a palavra, dizendo: "V6s sois urna emanaQao da mente de Amitabha e nasces­
tes de uro 16tus. V6s dominaste s as artes que pertencem aMedi cina, aneutraliza9ao
do veneno, aos Cinco Elementos e ao prolongamento da vida."
PADMA DESTRÚl OS CARNICEIROS
Aconteceu que existia em um dos pontos extremos da IÍldia urna cidade habi­
tada por carniceiros, e Padma, para dorniná-los e destruí-los, encamou-se corno um
dos seus filhos, que se chamava Kati, o Proscrito de rnao maligna. Para Kati , que era
carniceiro de profissao, nao fazia nenhuma diferen<;a matar e comer um animal ou
87 Ist o sugere a prática do Tum mo; um texto traduzido está contido no LiVIO UI do Tibe­
tan Yoga and Secret Doctrines.
88 Nesta série de realizayoes (em sanscrito: siddhO, o poder sobre os Cinco Elementos (ter­
ra. água, [ogo, ar e éter) está simbolicamente sugerido. As essencjas simbolizam a tena; o beber
simbuliza a água ' a [oupa, o fogo; o controle da l'espira9ao, o al; o vazio, o éter.
89 No texto: bai-dur.ya (em sanscrito: vaidilrya), referente a malaquita ou crisolita, da
qual existem t res variedades, o lápis-Iazúli amarelo, o verde e o branco. O principal dos Budas Mé­
dicos, o Buda BedUriya é chamado assim por causa desta substancia mineral curadora.
00 A mri ta é o néctar dos deuses, que confere aos homens a dádiva da vida longa, ou
imonal .
91
Ou "Padma. o Siddha" .
100
uro hornem; e, entao, ele c(
Quando pegou o hábito de
amaldü;:oou-o e mandou·Q err
Kati saiu e conheceu
ele, e !he disse: "Nós dais te
nhia wn para o Qutro." Ka:
"Agora, continue a matar os
oha for9a enviarei os seus F
Desta fonoa, todos os carnie<
PADMA CONQUISTA '
A fayanha seguinte de
monios, que fizeram voto de
escreveu um livro sobre com
rocha.
Enta:o, Padma pensou:
os seres senCÍentes antes de
frescante", perta de Bodh-G,
to portas e dentro dela um t
ya'o. O deus Tho-wo-HÚIp-cl
"Hüm! Ú v6s, Odo carpo· Vaj
tais sentado em vosso trono,
tador do nascimento, da veU
todas as fraquezas físicas e as
naso sobre o demonio nasci(
frimento, da e da me
deus da 1uxúria, 6 vós, Herói,
Entao , Padma saiu da Sl
las da vit6ria, espalholl as pelt
92 Como todas as coisas VI
animais inferiores é, no estrito se
carne.
93 Este nome se refere a
bárbara vista como casta marginal
Em bora este con to dev
Catizar o preceito budista que prol
sej a humana ou subumana, os tibE
ao matar os camiceiros e enviar (
53 maneira, salvá·los dos soirimen
neira sábia e humana. O texto ca
cimentos em estados inferiores ao
9S Urna deidade da. Orden
res de
96 Isto é, o Corpo da Verd
97 Também conhecido COI
Regioes Inferiores e, também, COI
pág. 24, )
um hornem; e, entao, ele comeyou a matar os carniceiros e a comer a sua carne.
Quando pegou. O hábito de cortar de sua pr6pria carne e come-la, o P OyO
92
e rnandou-o ern bora.
Kati saiu e conheceu urn camiceiro chamada Tumpo, 93 tlio perverso qu.anto
ele, e lhe disse: "N6s dais ternos a mesma fonna de vida e devemos ser boa compa­
nhia um para o outro." Kati forneceu a Tumpo arcos, fl echas e e !he disse:
"Agora, continue a matar os camiceiros com toda a vossa forya e eu com toda a mi­
nha forya enviarei os seus princípios de consciencia para as moradas dos deuses."
Desta fonna, t odos os carniceiros foram mortos.
94
PADMA CONQUISTA TODOS OS DEMONIOS E TODAS AS DEIDADES
A seguinte de Padma foi a subjugayao e a conversao dos heréticos e de­
monios, que fizeram vot o de oferecer sua vida para auxiliá-l0 a fundar o Dharma. Ele
escreveu um liyro sobre como subjugar e converter os demonios e escondeu-o numa
rocha,
Entao, Padrna pensou: "Nao posso difundir mmto bern a Doutrina e auxiliar
os seres sencientes antes de destruir o m al." Voltou ao Cernitério do "Siindalo Re­
frescante" , perta de Badh-Gaya, e lá construiu coro cayeiras humanas urna casa de oi­
to port.as e dentro dela uro t rono, ande sentou-se como um leao e entrou em medita­
O deus Tho-wo-HÜIn-chen
9s
apareceu <liante de Padma e, louvando-o, disse:
"Hüm! Ú v6s, Ú do carpo-Vajra, Portador da Religiao Shiikya, que, como uro lelio, es­
tais sentado em vosso trono, sendo o gerado-de-si-mesmo, crescido-por-si, o conquis­
tador do nascimento, da velhice e da roorte, o eternamente joyem, transcendente a
todas as fraquezas físicas e as enfennidades, v6s sois o Corpo Verdadeiro.
96
Sois vito­
riaso sobre o demonio nascido dos agregados corporalmente, sobre o demonio do so­
frimento, da doenya e da morte, sobre o mensageiro do Senhor da Morte
97
e sobre o
deus da luxúria, 6 v6s, Her6i, chegou o tempo de subjugardes todos esses males."
Entao, Padma saiu da sua meditaylio. Subindo ao t opo da casa, iyou oito flamu­
las da vit6ria, espalhou as peles humanas dos cadáveres do cernitério e representou vá­
92 Como todas as coisas vivas pertencem a urna única consangüinidade, comer a carne dos
animais inferiores é, no estrito sentido budista, essencialmente o mesmo que comer a sua própria
carne.
93 Este nome se refere a um indiY{duo de aparencia feroz, que é membro de urna tribo
bárbara vista como casta marginal
91 Embora este cant o deva aparentemente ser tomado como urna fábula lendária para en­
fatizar o preceito budista que prolbe, como o fez o Imperador Ashoka, de fOnTIa legal, tirar a vida,
seja humana ou subumana, os tibetanos que a aceitam lit eralmente sustentam que o Grande Guro,
ao matar os camiceiros e enviar os seus prinCÍpios de consciencia para os mundos celestes e, des­
sa maneira, salvá-los dos sofrimentos dos infem os, ande de outra fOnTIa teriam caído, agiu de ma­
neira sábia e humana. O texto continua, dizendo que ele também fechou as portas aos seu s tenas­
cimentas em estado s inferiores ao humano.
9S Urna deidade da Qrdem l uda, ob cuja estilo colocado os templos e os luga­
res de
96 Isto é, o Carpo da Verdade, o DhaT1TI/1· /(Qya.
rn Também conhecido como Dharma-Raja, o Senhor da Verdade, Juiz da Ma rte, Rel das
Regíoes Inferiores e, também, como Yama, o Senhor da Marte. (Ver O livro ribetano dos morros,
pág. 24.)
101
102
lÍas danyas de modo irado. Assumiu urna forma com nove e dezoito maos.
Entoou mantras místicos enquanto segurava um rosário de cantas feito de ossos hu­
manos. Desse modo, subjugou todos esses demonios e espiritos do mal, matando-os e
colocando os seus e o seu sangue na boca. Os seus princípios de consciencia,
ele transmutou na silaba Hum e fez com que o Hüm desaparecesse nos mundos celes­
tes. Ele agora era chamada de " A Essencia de Vajra".
Transformando-se no Rei das Deidades Iradas, Padma. enquanto estava sentado
em meditayao, subjugou os gnomos. Da mesma forma, controlou t odas as mulheres
que haviam quebrado os seus solenes votos e, dest ruiñdo os seus corpos, enviou os
seus principios.consciencia para os céus de Buda.98 Ele agora era chamada de "O
Subjugador dos Gnomos". Assurnindo a forma de Hayagriva, a deidade coro cabeya
de cavalo, Padma representou danyas mágicas na superficie de um lago envenenado
que fem a, e todos os nagas mali gnos e demoníacos, que habitavam o lago, renderam·
!he subrniss[o e ele foi chamada "O Subj ugador dos Nagas" .
Assumindo as foonas de outras deidades, subj ugou várias espécies de demOnios,
t ais como os que causam as epidemias, as doenyas, os obstáculos, as tempestades de
granizo e as fomes. Sob o aspecto do Mafijushri Vermelho,99 Padma tomou sob seu
controle t odos os deuses que habit avam os céus, p resididos por Brahma, ao pronun·
ciar os seus mantras.
1OO
E, sob outros disfarces, Padma conquistou todos os mais fu·
riosos e atemorizadores espiritas do mal e 2 1.000 diabos, tanto masculinos quanto
fernininos.
Como Hala·hala,101 padma dominou t odos os demonios, bons e maus, que con­
trolavam os oráculos no Tibete.
102
Como o Carpo dos Trinta e Dois Swastikas Ira­
dos, Padma dominou os Nove Planet as, o Sol, a Lua, Marte, Mercúrio, Venus, Júpi­
ter, Saturno, Rahu e Khetu
103
e todas as coisas que estao sob a sua influencia. Co­
mo o Yama de seis faces, o Senhor da Marte, Padma dominou todos os Senhores da
Marte que eram dominados por Yama. Da mesma forma, Padma conquistou Pe·har,
o Rei dos Tres Reinos da Existencia
lO4
sujeitou toda a arrogancia, ganhou ascenden­
98 Como essas mulheres haviam quebrado os seus votos e estavam, de acordo com a
tibetana, karmicamente dest inadas a renascer entre os gnomos, Padmalheconcedeu uro bem in­
comensurável ao salvá-las dos seus destinos e enviar os seus prlncípios de consciencia para os rei­
Dosde Buda.
99 Mañjushñ é representado sob muitos aspectos; a maior parte dos países onde o Budis·
mo do Norte prevalece tem o seu Mañjusbrl especial. Ver a da Estampa IV, na página
XIX, anterior.
100 Toda coisa viva, em todos os est ados de existencia, possui urna forma corporal em bar·
moDia com urna celta freqüencia de Um mantra é urna st1aba ou série de st1abas da mes­
ma freqüenca da coisa ou ser (geralmente, um ser espiritual invisível, deus ou demonio) ao qual
ele peltence , e um especialista mágico, que conhe«a o mantra de qualquer deidade ou ordem dos
seres menores, pode, ao entoá-lo apropriadamente, invocar a deidade ou dominar os seres meno·
res. (Ver O livro tibetano dos martas, págs. 167-68.)
101 Halii-l,al4 é urna manifesta9ao tiintrica de seis faces do AvaJokiteshvara
102 Alguns dos demonios desta ordem controlam os "médiuns espíritas" que sao indicados
oficialmente como oráculos do Tibete e que, acredita-se, sejam espíritos vingadores dos lamas
mortos que, quando estiveram em corpos humanos, praticaram a magia negra e, dessa forma, fra·
cassaram espiritualmente. Os tibetanos os chamam de Bisa1l.
103 Os nove planetas sao descritos em Tibeta1l Yoga and Secret Doctrines, pág. 287
Foi Pe.har que Padma mais tarde tomou a deidade guardia do famoso Mosteiro de
Sarnyé.
cia sobre Mahaveda, lOS Pashupatí
106
e demais deidades dos BraJunins bem como sa­
bre as deidades principais dos Jains. E o deus Mahiildüa,107 a deusa Remati
lO8
e Ekad.
zati
lO9
apareceram diante de Padma e o louvaram por ter desta maneira conquista.
do todos os males e deidades.
A RESSUSCITA9AO DOS SERES MAll:FICOS ASSASSINADOS E
A PROPAGA9ÁO DO DHARMA
Padma até entao havia empregado os nuzntras e a magia para conquistar o mal;
mas, agora, desejando alcanyar o Absoluto Conhecimento da Verdade, foi até Bodh·
Gaya subjugar toda a inverdade, empregando o poder das Sütras; lá se sentou em me­
ditayao. Pronunciando o mantra Hn--Hüm-Ah, Padma ressuscitou todos os espiritos
do mal, os nagas e demonios que havia matado, ensinou-llies o Dharma, iniciou-os
llO
e os fez servir a causa da r eligiao. Retomando a Gridhraküta, para se certifi car se exis­
tiam mais alguns seres precisando de ensinamentos religiosos especiais, mas nao en­
controu nenhurn.
Depüis disso, pregou o Dharma, tanto exotérica quanto esotericarnente, as dQ­
kinis, especialmente As quatro principais dakims
lU
do Lago Dhanakosha, onde ele ha­
vía nascido. Vajra-Variilü.
112
juntamente com estasditkinls, rendeu submissao a ele.
Da mesma forma, ensinou os deuses dos Oito Planetas.
NASCIMENTO E INFANCIA DE MANDÁRAVA
Padma foi para a cidade de Sahor,113 na regiiIo noroeste do país de Urgyan, on·
de o Rei Arshadhara reinava. O rei tinha 360 esposas e 720 ministros de Estado. Pad­
lOS No texto: Wl11Ig-chuk O/en·po (em sanscrito: Mahiídeva, o " Grande Deva"). Mahllde·
va, que em várias f onnas e aspecto é cultuado pelos tibetanos e hindus, habita no Monte Ka¡·
¡¡¡s, o objetivo da no oeste do Tibete.
106 No texto: Gu-lllng (em sánscrito: Pashupatf, a deusa principal dos nepaleses. Como Gu­
lang, esta deidade tem as boas de todas as maes, no Tibete.
107 No texto: Gon-po·Nag-po (em sanscrito: Mahiikiila, "O Grande Preto" ), 011 Kiilaniitha
("Sonhor Preto"), urna forma do Shiva hindu, é urna das principais deidades t antricas dos tibeta­
nos.
la! No texto: Re.ma-ti, urna forma do Kili Hindu e urna deidade de grande significayao
tanto para a seia Ri:fonnada (011 Gelugpa) quanto para a Nio-reformada (Ningmapa) do Budismo
Tibetano é comumente escolhido como protetor pelos ioguins altamente adiantados e é associa­
do com as doutrinas secretas tantricas.
109 No texto: E-ka-dza-ti, urna deusa de um olho só, que pertence aos cultos místicos; esse
olho significa o olho único (011 nao-dual) da Sabedoria.
110 Isto é, ele lhes deu "Poder" (no texto: Wang). Esse mantra pertence, principalmente,
a A valolciteshvara.
1U Ver Tibetan Yoga and Secrer Doctrines. pág. 306.
112 Algumas vezes, os ti betanos chamam Vajra-VarahI de " O Poder mais Precioso da Fala, A
Energía Feminina de Todo o Bem". (Cf. L. A. Waddell, op. cit., pág. 275.) Aqui ela é associada
aestasdiikin fs do lago, indicayao de que t ambém ela pertence aordem delas. .
113 Sahor (ou Zahor), que significa cidade ou vila, é, as vezes. situada onde agora está Man·
di, um principado pequeno no Punj ab, entre os rios Byas e Ravi , onde existe um lago sagrado que
103
'
ma, contemplando o reí e a sua esposa principal, a Rainha Hauki, em u.ni!o, produziu
um raio de luz que penetrou no ventre da rainha; eIa sonhou que urna centena de só!S
se levantavam simultaneamente, queirnando o país de Sahor com o calor e que da co­
roa da sua brotava urna flor azul-turquesa. Deuses e deusas protegeram a rai­
nha durante a sua gravidez. Quando nasceu-lhe urna fllha, para a constemayao da cor­
te real, a rainha chamou urn ioguim e lhe mostrou a menina, narrando-lhe o sonho. O
ioguim banhou a com perfume, colocou-a de forma que metade do seu corpo
ficasse exposto ¡\ luz solar e a outra metade na sombra. Depois de ter examinado o
bebe cuidadosamente, o ioguirn anunciou que ela possu{a os 32 sinais de uro Buda,1l4
que era filha de urn deus e que, portanto, nao podí a ser dada em casamento e que ela
renunciaria ao mundo e tomar-se-ía urna íoguirn; ele a batizou como Mandaravi 115
A menina cresceu depressa; crescía num día o que urna nonnal cresce
num mes. Aos treze anos, todos a viam como se fosse realmente urna deusa encama­
da. Príncipes chineses, hindus, maometanos e persas estavam entre os seus quarenta
pretendentes reais. Quando recusou a todos, o rei ordenou que ela escolhesse um de­
les no prazo de tres dias. Repensando a sua vida pregressa, ela disse ao rei que devia
devotar-se areligiao. Este, muito irado com a sua decisao, dispos urna guarda de 500
servos para tomar conta deIa, recusando-se a deixá-Ia sair do palácio; e disse aos guar­
das que mandarla matar todos eles se permitissem que Mandarava se suicidasse.
Como os empregados da própria rainha nao encontraram carne tal como a rai­
nha desejava, ela, secretamente, mandou que Mandarava fosse procurar. Os mercados
estavam já fechados e Mandarava nlIo encontrou carne ¡\ venda; entao, cortou um pe­
de carne do cadáver de wna que descobriu ao voItar para o palácio e en·
tregou-o asua mae, que lhe ordenou que fizesse com ele um ensopado, o que Manda­
rava fez. Aa compartilhar o ensopado, o reí levitou do seu assento, sentindo-se como
se pudesse voar; e, pensando ser a carne de um Brahmin sete vezes nascido,116 mano
dou que Mandirava fosse buscar o restante do corpo. O reí pegou o carpo, fez com
ele pílulas mágicas e enterrou-as numa caixa nuro cemitério, sob a guarda das diikin1s.
A FUGA DE MANDÁRAVÁ. PARA A FWRESTA E A SUA
Mandarava, acompanhada por urna fugiu do palácio por urna passagem
secreta e, indo para a floresta, desfez-se das suas roupas de seda e das suas jóias e orou
é lugar de hindu. (Cf. S. C. Das, op. cit., pág. 1089.) Os budistas tibetanos também
fazem ao lago, acreditando que ele seja o lago que milagrosamente apareceu ao lado
da pira debaixo da qual Padma estava atado a urna estaca e condenado a morrer queimado, como
vai contar a nossa nanativa.
114 Existem 32 sinais de potencialidade físi ca, moral, psíquica e espiritual do Estado de
Buda, que aparece m nos carpos dos Bodhisattvas que estao para se tornar Budas.
115 Dizem que MandáraV1i, cuj o nome todo era Mandlirava Kuma DeVi , era a irmá do mon­
ge indiano Shanta-Rakshit a, o sacerdote da fam J1ia de Thi-Srong-Detsan. Rei do Tibete que, pela
sugestao do monge, convidou Padma-Sambhava para ir ao Tibete restabelecer o Budismo. Padma­
Sambhava fez Shanta-Rakshita o primeiro abade do Mosteiro de Slirnyé. (Cr. L. Á . Waddell, op.
cit., págs. 24 n. 5 e 28.)
116 No texto: Kewa-dun. O tradutor me disse, enquanto traduzíamos esta passagem, que
ele se recordava de t er visto, em menino, um peda.¡:o seco desta carne, que foi levada para a sua
máe e descrita co mo tendo sido encontrada por um terran (ou "descobridor" de livros escondidos
e tesauros) num depósito de livros escondidos, no Tibete.
104
para tomar-se urna irm[ d,
e arranhou o rosto com as
dente viesse a desejá-la e en
A empregada, conste!
havia se passado. Oreí desI
Irmandade; ela foi ordenad
ra elas um mosteiro palaciaJ
ACHEGADA DE
Percebendo que havi
bre wna nuvern do Lago I
raya e suas seguidoras, que
do sobre um areo-íris. O ar
o odor do incenso. Domina
desrnaíaram. Padma as reY!
Aterrissou no jardim e tod:
convidou-o a entrar no mos
Mandarava perguntou
pondeu: "Eu nao tenho p:
Amitabha e de
da mesma essencia do Adi.1
tus originado de foona
mestre dos Oito País da Ce
Viagem, dos Oito Lugares d
pécies de Gurus, das Oito
Diretores da Religiao 1, das
mentas, das Oito Difieulda
das Oito Partes das Vestin]
dos e Futuros, das Oito Cl as
Eu reuní todas as doutrinas
em sua totalidade. Vou pl8j
do. Eu sou o mais ¡ncampar¡
Pacima instruiu Mand
Tres Iogas
118
e elas praticara
APRISAODEMAND
Urn vaqueiro viu a eh
monjas no mosteiro; aproxi
Il? o raio veonelho
princí pio mental.
118 Es tas compreendem ¡
"Contemplativa") do MahiiyiiTIJ
"Caminho do Mantra" mais ou
para tomar-se urna irm:r da Ordem, em vez de urna noiva. Ela desgrenhou os cabelos
e arranhou o rosto coro as unhas, dest ruindo a sua beleza para que nenhurn preten­
dente viesse a desejá-la e entrou no silencio da meditayao.
A empregada, consternada, voll ou depressa para o palácio e contou ao rei o que
havia se passado. O rei despediu os pretendentes dizendo que ela havia entrado para a
hmandade; ela [oi ordenada, juntamente com as 500 servidoras, e o rei construiu pa­
ra elas um mosteiro palaciano a nde elas iniciaram a vida religiosa.
A CHEGADA DE PADMA E A DE MANDÁRA VÁ
Pereebendo que havia ehegado a hora de instruir Mandarava, Padma voou so­
bre urna nuvem do Lago Dhanakosha para o reti ro religioso de Mandlirava. Manda­
rava e suas seguidoras, que est avam fora, no jardim, viram um jovem sorridente senta­
do sobre um arco-friso O ar vibrava com o som dos címbalos e estava impregnado com
o odor do incenso. Dominada pela alegria e maravilhada, Mandirava e suas seguidoras
desmaiaram. Padma as revive u, emanando raios de luz vermelha, branca e azul. \1 7
Aterrissou no jardirn e t odas as monjas se inclinaram di ante dele. Entao, Mandarava
convidou-o a entrar no mosteiro para expor a Doutrina.
Mandarava perguntou a Padma a respeito da sua familia e dos seus pais, e ele res­
pondeu: "Eu nao t enho pais. Sou um presente do Vazio. Sou a essencíalidade de
Amitabha e de Avalokiteshvara. nascido de um 16tus no Lago Dhanakosha; e, senda
da mesma essencia do Ádi-Buda, de Vajra-Dhira e do Buda de Bodh-Gaya, sou o J..6.
tus originado de fanna milagrosa. de todos Eles. Ajudarei a todos os seres. Sou o
mestre dos Oi to Pais da das Oito Maes do Nascimento, dos Dito Lugares da
Viagem, dos Di to Lugares da Morada, dos Oito Cemitérios da Meditaylío, das Oito Es­
pécies de Gurus, das Oito Classes da Sabedoria, dos Oito Lamas Mais Elevados [ou
Diretores da Religiao ], das Dito Classes da nusao Mágica, dos Dit o Tipos de Vesti­
mentas, das Oito Dificuldades das Deidades Hntrleas para Ganhar as Boas Grayas,
das Oito Partes das Vestimentas logues nos Cemitérios, dos Dito [Eventos? ] Passa­
dos e Futuros, das Oito Classes de Erros Passados e das Oito Oasses de Erras Futuros.
Eu reuni todas as doutrinas da perfeicrao e conheyo O passado, O presente e o futuro
em sua t otalidade. Vou plantar as fl iimulas da Verdade nas Dez Direcrt'5es deste Mun·
do. Eu sou o mais incomparável [de todos os Professores]."
Padma instruiu Mandirava e as suas 500 acompanhantes, primeiramente nas
Tres Iogas
1l8
e elas praticaram essas iogas.
A PRISAO DE MANDARA VA E A MORTE DE PADMA NA FOGUEIRA
Um vaqueiro viu a chegada de Padma e a forma como ele foi introduzido pelas
monj as no mosteiro ; aproximou-se da porta e pos-se a escutar e, ao ouvi-lo conversar
U7 O raio vermelho simboliza o princípi da fala; o branco, o princípio corpol'lli; o azul, o
princípio mental.
118 Estas compreendem os sistemas Ari, Anu e Chitri da l oga da Escala Yogachara (ou
"Contemplativa") do Mahayana, fundada por Asañga, que se desenvolveu no Manuayana, ou
"Caminho do ManUa" mais ou menos pelo ano 700 a. D. (Ce. L. A. Waddeil, op. cit., pág. 128.)
105
l
.
;
com e1as, contou que Mandarava estava vivendo com um jovem brahmachiiri e nlIo
era assim virtuosa como eles pensavam. Quando o rei ouviu esta ofe­
receu uma recompensa para quem fosse capaz de pravar tal acusaylfo; o vaqueiro exi­
giu a recompensa. O reí ordenou que o mosteiro fosse arrombado e o jovem preso,
se encontrado; Padma foi capturado e amarrado com cordas.
O rei ordenou: "Coletaí 61eo da semente til entre os habitantes das vilas e quei­
mai o jovem. Para pwúr Mandarava, confi nai-a nua num payo cheio de espinhos du­
rante VÍI1te e cinco anos. Tapaí o paya para que e1a nao possa ver o céu azul. Prendei
as duas monjas superioras numa masmorra e todas as outras monjas no mosteiro, de
tal modo que elas nunca mais possam ouvir a voz de um homern."
Os soldados agarraram Padma, tiraram·lbe a roupa, cuspiram oele, agrediram-no
e apedrejaram-no, amarraram suas maos ru; costas, colocaram urna corda em volta do
seu pescoc;:o e o prenderam a urna estaca de tres estradas. Ao pavo, 17.000
pessoas, [oi ordenado que trouxessem um pequeno feixe de lenha e urna pequena me­
dida de óleo de semente tilo Um langa rolo de pano preto foi molbado no 6leo e, de­
pois, enrolado em volta de Padma. A seguir, foram empilhadas sobre el e folbas da ár­
vare tala e da palmeira palmyra. Sobre as folbas foí colocada a madeira, e o 61eo de
semente tii [oi derramado sobre ela. A pira estava t ao alta quanto urna montanha;
e, quando Coi posta fogo nela, a furnac;:a esconde u o Sol e o céu nas quatro direc;:Oes
cardeais. A multidlfo flcou satisfeita e dispersou-se para as suas casas.
Ouviu-se uro intenso roído, como de um terremoto. Todas as deidades e os Bu­
das vieram em auxílio de Padma. Alguns criaram um lago, aIguns jogaram longe a
madeira, alguns desenrolaram o pano umedecido no 61eo, alguns o abanaram. No séti­
mo dia depois do acontecido o rei olbou ao longe e, vendo que ainda havía fumac;:a
saindo da pira,119 pensou consigo mesmo: "Esse pedinte pode ter sido, afinal. urna
encamac;:ao de alguém." E envíou os ministros para investigarem. Para surpresa deles,
havía uro arco-iris envolvendo uro lago no lugar da pira e, ero volta do lago, toda a
madeira em chamas e. no seu centro, uma flor-de-16tus onde estava sentado uro belo
menino com uma aura, aparentando ter oito anos de ¡dade; o seu rosto estava coberto
com gotículas que pareciam orvalho. Oito donzelas que tinham a mesma aparencia de
Mandarava cuidavam da
Quando o reí ouvíu o relato dos ministros, achou que tuda fora um sonho. Ele
mesmo foi até o lago e caminhou asua volta. esfregando os olhos para se certificar de
que estava acordado; e a crianc;:a exclamou: "O VÓS, reí maligno, que procurastes ma­
tar pelo fogo o Grande Professor do passado, do presente e do futuro, entao víestes!
Os vossos pensamentos estao fixos nas coisas deste mundo, vós nao praticais ne­
nhuma religHlo. V6s prendestes pessoas sem razlio alguma. Senda dominado pelos
Cinco Venenos - luxúria, raiva, preguiya, ciúme e egoísmo - v6s fazeis o mal. Nada
sabeis do futuro. Vós e vossos ministros sao violadores dos Dez Preceitos." O fei mos­
trou uro arrependimento humilde, reconheceu em Padma o Buda do passado, do pre­
sente e do futuro, e ofereceu-se a ele juntamente com o seu reino. Ao aceitar o arre­
pendimento do reí, Padma disse: "Nlio fiqueis aflito. As rninhas atividades sao tao
vastas quanto o céu. Nlro nem o prazer nero a dar. O fogo nao pode queimar
este corpo inexaurivel de bem-aventuranya."
119 A pira já devia estar reduzida a cinzas.
106
Mandirava recusou-s.
buscá-la. Nlio sem que, an1
tudo foi que Mandarava v(
Padma, por sua vez, cante
j6ias sobre ele, urna touca
rava_

Os antigos pretenden
do Mandarava para Padma.
semideuses enormes arcos e
te, juntamente com urna m
do MahapaIa viu os arcos e
nejá-los e temendo que Pal
coro seu exército. Surgindc
arcos e llechas tao poderos
cos e flechas e acertou num
sível; e todos os reis retirara
Al
O rei de Sahor, tOlIllll
truy[o adequada nas doutriJ
Nirvana; e Padma disse: "O I
nos, praticar os Preceitos. 1:
tras e os Tantras, sem inicia
pote ter sido queimado" . 1U
o reí e vinte e dais dos seus
uro professor do Dharma..
AS PERGUNTAS Dl
Certo dia, Mandiravii
na, que. juntamente com as
"De que fauna os SUD
"Os Sutras s[o as semf
"Que diferen«a existe
"A diferen9a é dupla;
120 Urna de
121 Assim como um pote
disc{pu!o nao lIeinado nem inic
guiana seria de qlle a Verdade ge
122 Ou "entre o Miihaya1ll.
123 Ou "entre o exotérico
Mandarava recusou-se a sair do cheio de espinhos quando o reí mandou
buscá-Ia_ Nlro sem que, antes, o próprio rei fosse, em pessoa, até ela, para explicar-fue
tudo foi que Mandarava voltou ao palácio. Depois, ela cantou as orayOes do guro e
Pacima, por sua vez, cantou as dela. O rei vestiu Padma com roupas reais, colocou
j6ias sobre ele, urna touca em forma de coro a e lhe deu tanto o reino quanto Manda­
rava.
o bffiTODO DE PADMA PARA EVITAR A GUERRA
Os antigos pretendentes de Mandlirava decretaram guerra ao reí por ter ele da­
do Mandarava para Padma. Primeiro, MahapaJa enviou o seu exército. Obtendo dos
semideuses enormes arcos e flechas que a tudo venciam, Padma os enviou num elefan­
te, juntamente com uma mensagem que era levada por dois her6is gigantescos. Quan­
do Mahlipala viu os arcos e as flechas e soube que Padma e os dais her6is podiam ma­
nejá-Ios e temendo que Padma tivesse m.íl desses her6is e bateu em retirada
coro seu exército. Surgindo rumores de que, possivelmente, ninguém podía manejar
arcos e flechas t[o poderosos, Rlihula
120
sob o comando de Padma tomou um dos ar­
COS e flechas e acertou num alvo a urna distancia da qua! um homem mal podía ser vi­
s{vel; e todos os reis retiraram os seus exércitos.
A INICIA<;AO DO REI DE SAHOR
O rei de Sahor, tomando Padma como o seu guro, pediu-lhe que !he desse íos­
adequada nas doutrinas dos Mantras, Tantras e Sutras, para que ele atingisse o
Nirvana; e Padma disse: "O reí, é difícil para vós, quando imerso nos neg6cios munda­
nos, praticar os Preceitos. Ensinar-vos as doutrinas secretas a que pertencem os Man­
tras e os Tantras, sem é como derramar água num pote de barro antes do
pote ter sido queimado".ll1 Mas, depois de receber o treinamento iogue necessário,
o rel e vinte e dais dos seus seguidores foram devidamente iniciados, e o reí tomou-se
um professor do Dhamuz.
AS PERGUNTAS DE MANDÁRAVÁ E AS RESPOSTAS DE PAOMA
Certo día, Mandarava fez a Padma urna série de perguntas com adoutri­
na, que, juntamente com as respostas de Padma, foraro as seguintes:
"De que forma os Sutras diferem dos Mantras e dos Tantras?"
"Os Su tras s:ro as sementes, os Mantras e os Tantras siIo a frut a."
"Que existe entre o Carninho Superior e o Caminho Inferior?"122
" A é dupla; a da simples significayao e a da sugerida:'123
120 Urna do Deus do Planeta Rahula.
121 Assim como um pote de barro que nao Coi queimado nao retém ligua. assim também o
discípulo nao treinado nem iniciado nao pode reter a Verdade plenamente. A jun­
guiana seria de que a Verdade geralmente produz e da personalidade.
122 Ou "entre o MifhayafIQ e o Hmayana" .
123 Ou "entre o exotérico e o esotérico".
107
,
I
I
:
"Que diferenya existe entre a verdade condicional e a verdade incondicional?"
"A diferen9a é a que existe entre a na'o-verdade e a verdade."U4
"Qual é a diferen93 entre o ritual e a Sabedoria Divina?,,12S
"A diferenya está entre nIo ter e ter."
"Qual é a diferen9a entre o Sangsara e o Nirvana?"
"A diferenya é a que existe entre a Ignorancia e a Sabe doria. "
Quando Mandarava perguntou a Padma a respeito das suas vidas passadas e futu­
ras, ele respondeu que a resposta poderia ser muito longa para ser dada naquele mo­
mento. E asua pergunta sobre "Quem foi o meu paí na minha anterior?",
Padma respondeu: "O vosso pai foi o príncipe de um reí íogue de Kalinga_ Ele orde­
nou-se monge do Senhor Buda, em Benares. Converteu os jainos e hindus ao Budis­
mo. O mosteiro de Vikramashila esteve sob a sua jurisdi9ao. Combateu os nao-budis­
tas e mateu mnitos, e, por causa deste pecado, ret omou ao nascirnento sangsárico,
sendo concebido no ventre da Rainha do Reí Arti. A rainha morreu e no cemitério
eu!he ab ri o ventre e tíreí a crian9a, que morren e renasceu como o vosso paí, o reL"
"Que destino espera o meu pai nos próximos nascirnentos?"
" Ele nascerá primeiro como Akara-mati-shÍla na Terra dos Macacos, no Tibe­
te ;126 depoís, no país de R éikshasas,.127 depois, como wn príncipe do reí de KotaIa;
depois, entre os semideuses, e eu serei o seu guru; depois, como Deva
filho de um monge, no Nepal. Mais tarde, depois de ter sido ensinado por Avalokite­
shvara no Seu céu, nascerá como príncipe Uaje, filho do Reí Mu-thI-tsan-po do Tibe­
te. Irá me encontrar no Tibete, e mais urna vez lhe direi o seu futuro. Depois de vin­
te ele renascerá no país de Sabor, ora como um reí virtuoso, ora como um
homem muito instrui do (ou pandit) , ora em condicroosinferiores ; mas, por causa da
minha bondade, jamais verá os mundos infemais. De tudo ísso devereis manter segre­
do." Padma inst ruiu Mandarava nos Preceitos e nas DoutDnas. E pennaneceu no país
de Sahor durante 200 anos e lá estabeleceu a fé.
A MEDITA<;:ÁO DE PADMA E DE MANDÁRAVA NAS CAVERNAS
Achando que era o tempo próprio para a prega9a-o do Dharma pela mdia, Chi­
na, Tibete, Nepa! e pelos países nao-budistas, Padma revelou a Mandaraya a sua par­
tida imínente. Ela pediu-lhe que primeiro a instruísse na loga Kundalim; e ele clisse:
Estou indo para RipotaIa, no Leste. Na terceira noite, depois que eu t iver partido,
1)4 Ou "entre a ver dad e parcial e a verdade t otal".
125 Ou "entre as observa¡;:oes religiosas exotéri cas e o tnsight intuitivo".
126 Quando, nos tempos antigos, as viajantes da fndia visit aran! pela primeira vez o Tibete,
os tibetanos estavam em estado de barbárie e, ao observar os seus rostos avennelhados, como ho­
je, cobertos com ungüento de COI ocre para se proteger do frio, com as seus semblantes aparente­
mente ferozes, os seus corpos cabertas com peles de animal e os seus modas deSa]eltados, os V1a­
jantes os tomaram por urna espécie de macacos. Também existe urna lenda sobre a origem d.o TI­
bete, que o progenitor dos tibetanos foi um macaco. O Tibete é conhecido pelo pavo do propno
Tibete como o Bod·kyi·yu/, o país de Bhot. Antes de ter aceito o Budismo, o Tibete era conhecl­
do como o país dos canibais (ou selvagens) de pele·vermelha - Dong-mar·can·gyi-yul.
127 Urna terra nao-humana, as vezes, imaginariamente tida como o Ceilao.
108
olhaí para o Leste, fazei um:
uro assento formado de do
palácio celestial de Avalokit
em meditacrfo.
Dominada pela solida
de Sahor. Padma apareceu e
no entanto, me pedístes tod
centrai a vossa mente nuel
teshvara, e durante tres me
Longa.
128
Entao, Amitayus
ma e Mandarava , deu·lhes a
lhes imunidade amorte e ac
em Hayagñva e Mandarava
transfonnacrao em arco·íris (
darava desceram ao mundo
Lousa", no país de KotaIa, e'
te 12 anos, praticando loga,
A PRINCESA O:
Padma, numa visao io
alirnentavam dos mortos est
tindo grande compaixao pel<
próprio corpo para que se alir
de,l30 e os animais nao podía
128 Isto é, Amitayus (O q\
da longevidade, especialmente na
em seu calo um da ambrosia
129 Ver p. 88n, 103n, ante
130 Isto é o mesmo que d
cam sucessa pelaloga. A pesqui,
servem para sustentar a hipótese
sustenta a corpo camal. Dais mé
da antes e um instante depois da 1
60 a 90g, o que foi creditado al
técnica de Paris, provou que qua
salj:ilo deixa de existir no corpo I
metros. Madame de Esperance,
Barao de Meck também relata o
grau que as luzes podiam ser vi ti
descobriu que quando um men
membro etérico ainda permanec
tada em 1ñe 1Wo Worlds, Lon
tentam os mestres orientais da la
cirUrgía da morte, a corurapaIt
causa de suas áuricas)
dos sen tidos do carpo no plano
o!hai para o Leste, fazei urna súplica intensa e eu virei a vós." Pacima, sentado sobre
um assent o fonnado de dorjes cruzados, foi t ransportado por quatro deusas para o
palácio celestial de Avalokiteshvara, de onde se dirigiu para urna caverna e sentou-se
em meditaya-o.
Dominada pela solidao, e entristecida, Mandarava fugiu chorando do palácio
de Sahor. Pacima apareceu diant e dela e disse: "V68 ainda nao podeis vos controlar e,
no entanto, me pedistes todas as doutrinas. Renunciai a todas as coisasdumWldo e
I
4 centrai a vossá mente na religiao." Padma levou-a para a caverna, no céu de Avaloki­
teshvara, e durante tres meses e sete días fez ora90es e oferendas ao Buda da Vida
Longa.
128
Entao, Amitayus apareceu, dispos a urna da vida infinita nas m[ os de Pad­
ma e Mandarava, deu-!hes a beber do néctar da imortalidade, ini ciou-os e concedeu­
!hes imunídade amorte e ao nasciment o até o fIm do kalpa. Pacima foi transformado
em Hayagñva e Mandarava em Vaj ra-Varahl.
129
Ambos foram dotados do siddhi da
transfonna9ao em arco-íris e do siddhi da invísibilidade. Depois disso, Paclma e Man­
darava des ceram ao mundo humano e habitaram a Caverna da "Montanha Alta de
Lausa", no país de Kotal a, entre Sahor e o resto da lÍldi a, onde pennaneceram duran­
te 12 anos, praticandol oga, enquanto o rei de Kotála os mantinha.
A PRINCESA OFERECE SEU CORPO PARA ALIMENTAR
AS BESTAS FAMINTAS
Padma numa visao iogue, contemplou um cemitério onde os animais que se
alimentavam dos mortos estavam passando fome pela carencia de novos corpos. Sen­
tindo grande compaixao pelos animais, Padma foi ao cemitério e ofereceu-lhes o seu
pr6prio corpo para que se alimentassem. Mas o seu carpo era um corpo de invisibilida­
de, lJO e os animais n[o podiam come-lo.
128 Isto é, Amitayus (O que tem a Vida Infinita) , o Buda que é invocado para a
da longeVidade. especialmente na celebrayao da eucaristia tibetana. Ele é representado segurando
em seu colo um vaso da ambrosía da vida, o néctar dos imortais.
129 Ver p. 88n, 103n, ant eriores.
130 Isto é o mesmo que dizer, um corpo nao carnal e sutil, tal como o que é conseguido
com sucesso pelaloga. A pesquisa psíquica na Europa e na América acumulou muit os dados que
seIVem para sustentar a hipótese de um carpo etéreo como a estrutura normalmente invisível que
sustenta o carpo camal. Dais médicos americanos descobriram, ao pesarem uma pessoa moribun­
da antes e uro instante dcpois da morte, que o processo da morte resultava numa perda de peso de
60 a 90g, o que foi creditado aperda do carpo etérico. O Coronel de Rachas, Professor da Poli­
técnica de Paris, provou que quando o corpo etérico se exterioriza pela hipnose do suj eito, a sen­
deixa de existir no carpo físico, mas é removida de lá para uma distancia de dais ou tres
metros. Madame de Esperance, urna "médium" de transe, desmaterializou as suas pernas; e o
Barao de Meck também relata o caso de uro homem que podia se desmaterializar avontade em tal
grau que as luzes podiam ser vistas através do seu carpo. O próprio Barao, de forma experimental ,
descobriu que quando um membro físico era amputado de um organismo humano vivo, o
membro etérico ainda permanecia presente. (C!. a conferenda do Barao de Meck como foi rela­
tada em 1ñe TWo Worlds, Londres, 16 de dezembro de 1938,794.) Da mesma forma, como sus­
tentam os mestres orientais da loga, quando forma carnal como um todo é amputada pela alta
cirurgia da morte, a conuaparte etérica (que os tibetano chamam de " corpa. dec uco·Ws" , por
causa de suas uradia<;6es áuricas) continua a existir, nao apenas dotada com as faculdades normais
dos sentidos do carpo no plano terrestre (conhecido em tibetano como o Bardo, ou estado inter­
109
:
;
,
l
;
,
Para detenninar o que devia fazer para salvar os animais, Padma entrou em me­
e descobriu, desse modo, que o falecido rei de Sahor havia reencarnado como
a princesa do rei de Kotala e refIetiu sobre a forma como a carne desta princesa devia
ser dada aos animais. Padma t ransformou-se em wn par de gaviOes, que construí­
ram um ninho a nde puseram ovos. A princesa, que saíra para colher grama kusha, 131
viu os ovos e colocou algumas folhas sobre o ninho, para abrigá-Ios, e pedras nos can­
tos do ninho, para evitar que ele fosse jogado longe. O gaviao macho ajudou.a. Dessa
forma, a p iedade brotou nela e, decidindo adatar a vida religiosa, [oi até Padma e
Mandarava, na caverna, aprocura de orientayao religiosa. Padma disse para a princesa:
"Se desejardes tomar-vos wna mulher religiosa, primeiro percebei os sofrimentos de
todos os anirnais no cemitério; depois, ¡de e oferecei a eles o vosso corpo. Devorando
o vosso ca rpo, todos esses animais renasceráo como seres humanos e se tamarao vos­
sos discípulos, enquanto v6s, depois de algurnas vidas, devereis nascer como o Rei
Srong-Tsan-Gampo na Terra da Neve.
132
Ele mandará os seus enviados buscar a ima­
gem de Avalokiteshvara, no Tibete. Nesse tempo, todos os animais tedio nascimento
mediário entre a completa desmaterializa<;:ao produzida pelo processo da morte e a completa re­
materializayao produzida pelo P!ocesso de renascimento). O texto traduzido dO /lvro tibetano
dos mortos, págs. 121-22, que desc.reve o corpo-Bardo do estado pós-morte, af1Dl13 o seguinte:
Dirigindo-se ao morto, diz o Oficiante:
" •. . , implica (que, emboral possas tersido, q uando vivo, cego dos olhos ou surdo ou aleijado,
náo obstante, neste Plano do Pós-morte teus albos verao foOllas, e teus ouvidos ouviño sons, e
todos os teus outros órgaos sens(veis serao inalterados e agu<;:ados e completos ....0 teu atual cor­
po, senda um carpo de desejo - e teu intelecto t endo sido separado de sua sede -, nao é wn cor­
po de matéria rode, de modo que, agora, tens o poder de passar através de massas rochosas, mon­
tanhas, encostas. terra, casas e mesmo do Monte Meru sem seres impedido ....Ou podes chegar ins­
tantaneamente em qualquerlugar que desejares; tens o poder de ali chegar no tempo que um homem
leva para abrir ou fechar a mao....Nao há nenhum [desses poderes) que podes desejar que nao
possas mostrar. A habilidade para exerce-Ios liVIemente existe agora em ti."
Os lamas sustent.mJ que todos esses poderes milagrosos, se desenvolvidos no plano t erres­
tre, através das práticas iogues, podem ser exercidos avontade, t anto no corpo carnal quanto no
corpo-Bardo, como o foram pelo Grande Guro, cujas viagens no corpo sutil (ou etérico) aos esta­
dos extraterrestres da existencia sao relatadas na Bibliografia como sendo tao comuns quanto as
viagens na fOIma carnal sao para os homens comuns.
Um "corpo de invisibilidade" ou, segundo o nosso texto tibetano de foOlla mais literal,
um " corpo capaz de desaparecer" é um conceito totalmente igual ao do lapis (ou corpus) invisi·
bilitaris dos alquimistas, aos quais o Dr. C. G. Jung faz referencias freqüentes em Psych% gy and
A/chemy e em outres dos seus escritos.
131 Uma grama peculiar na (ndia, usada pelos ioguins para a fabrica<;:ao de colchóes e tra­
vesseiros e sobre os quais sentam quando meditam. Ela também serve de alimento para o gado. Os
lamas com ela fazem vassouras para serem usadas no templo e também empregam-na como deco­
racrao para o altar, juntamente com as penas sagradas do pavao, em vasos de água santa. urna
grama apreciada como sacrificial pelos hindus e pelos budistas, por ter formado a almofada sobre
a qual o Bodhisattlla Gautama sentou-se debaixo da Árvore-Bodhi, quando Ele tornou-se Buda.
132 No texto: Kha-wa·chen. "Terra da Neve" , um no me dado ao Tibete. Sreng-Tsan-Gam­
po, que nasceu na primeira metade do século VII A.D. e morreu cerca de 650, foi o primeiro rei
budista do Tibete e, sendo um grande patrono da aprendizagem, é o mais famoso e popular dos
administradores tibetanos. Foi canonizado como urna encarnacrao do Avalokiteshvara, o Senhor
da Misericórdia e da Compaixao, e, dessa forma, preparou o caminho para a linhagem dos Dalai
Lamas. Acredita-se que ele reencarnou em 1077 com Dvag-po Lharj e, o sucessor apostólico dire­
to de Milarepa, e se tomou conhecido como o Grande Guru Gampopa, que morreu em 1152.
humano, alguru¡ no leste da
mosteiros e 5e11l0 criados de
Avalokiteshvara, de ome ro
oportunidade de adorá·L
A princesa ímediataIn(
do para o cemitério, oferecel
Quando o rei soube, p
cesa, também ele procurou
o Mtzhiiyana do auto·sacrifíCl
ACONDEN,
Em seguida, depois di
outros lugares, Padma foi p
depois de ter incitado urna
mandou matar os últimos e
havia declarado guerra a uro
Para subjugar Ashoka,
de Ashoka pedir esmolas. ")
desprezo por mim"; e orden<
rada num tanque de óleo fe
No d.ia seguinte. o reí foi at
que um 16tus crescera no ta
lhado, Ashoka imediatanlen
shu em demonstrayao de aro
de pecado; Ó Senhor, dizei-J
truirdes dez milMes
137
de $
tes insuperavelmente grande
pecado."
O rei disse : fácil di
tas stüpas em umasó noite ..
gar o meu pecado." Padma 11
ID Literalmente, o Carpo
o Dhamuz e o Sangha.
134 Patalipütra, " A Cidadt
gregos como "Palibothra", situa
pério de Ashoka, ande, durante
mo como a religiao do Estado. (
c. , um conc11io budista especia!
rosa da ordem monástica foi
te conselho. (Cf. K. L. Reichelt , ,
135 Essa história lendária ,
tornou-se o famoso Imperador BI
136 Um Bhikshu é um md
ta, a forma piili é Bhikkhu, e a ti1
137 Este é um exemplo típ
humano, alguns no leste da lÍldia, alguns em Singala; e construir!o duas centenas de
mosteiros e ser[o criados de Buda, do Dharma e do Sangha. 133 EnUo, a irnagem do
Avalokiteshvara, de onze rostos, será levada para o Tibete e os Filhos do Macaco te·
([o oportunidade de adorá-Lo."
A princesa irnediatamente entregou a Padma as suas vestes e ornamentos e, in·
do para o cenútério, ofereceu o seu corpo aos animais; e eles o devoraram.
Quando o reí soube, por intermédio de Padma, da maravilhosa piedade da prin­
cesa, também ele procurou a sua religiosa; Padma foi ao palácio e pregou
O Mahiiyana do auto·sacrificio e do altruismo universal por todas as coisas viventes.
A DE PADMA PELO REI- ASHOKA
Em seguída, depois de ter visitado cada um dos Oito Cemitérios da Útdía, e
outros lugares, Padma foí para Patalipütra,134 onde morava o Reí Ashoka, 135 que,
depois de ter incitado urna contenda entre os monges mais velhos e os mais jovens,
mandou matar os últimos e surrar e abandonar amorte os primeiros. O reí também
havia declarado guerra a um reí rival e o havia capturado, mantendo·o prisíoneíro.
Para subjugar Ashoka, Pacima transformou-se nurn bhikshu 136 e foí ao palácío
de Ashoka pedir esmolas_ "Este homem" - disse Ashoka - "veío para mostrar o seu
desprezo por mim"; e ordenou que prendessem Padma_ Corno puniyao, Pacima foí ati­
rado num tanque de 6leo fervente. " Fervam·no até que se dissolva", ordenou o reí.
No día seguinte, o rei foi até o tanque para ver como a senteoya fora cumprida e viu
que wn 16tus crescera 00 tanque e o bhikshu estava sentado no meio da flor. Maravi­
lhado, Ashoka imedíatamente reconheceu o seu erro e, inclinando-se diante do bhik­
shu em demonstrayao de arrependimento, disse: " Devido Apreguiya, cometi um gran­
de pecado; O Senhor, dizei·me como posso repará-Io." Padma respondeu: " Se cons­
truirdes dez milh5es
l37
de srUpas em urna 56 noite e fizerdes caridade, dando presen­
tes irtsuperaveImente grandes aos pobres, mesmo assim nao podereís apagar o V05S0
pecado."
O reí disse: fácil distribuir tais presentes aos pobres, difícil é construir tan·
tas stüpas em urna 56 noite. Talvez as vossas palavras sugiram que eu nao poderei apa­
gar o meu pecado." Padma respondeu: "V6s viestes ao mund·o como curnprimento da
133 Literalmente, o Corpo, a Mente e a Fala, que sao equivalentes tibetanos para o Buda,
o Dharma e o Sarrgha.
134 Patalipütra, " A Cidade das Flores de Perfume Doce", que era conhecida pelos antigos
gregos como "Palibothra", situada perto da moderna Patna, sobre o Ganges, era a capital do im­
pério de Ashoka, ande, durante o nono ano do seu reinado, ou em 261 a.c., ele adotou o Budis­
mo como a religiao do Estado. (Cf. L. A. Waddell, op. ci/ .. pág. xx_) Anteriormente, em 245 a.
c., um concl1io budista especial foi realizado em PataJipütra, mas como sornen te a ala mais rigo­
rosa da ordem monástica foi representada, os budistas chineses nao reconhecem as decisoes des­
te conselho. (Cf. K. L. Reichelt , op_ ci/., pág_ 23.)
135 Essa história lendária diz respeito a Ashoka que.depois da sua conversao ao Budismo,
tornou-se o famoso Imperador Budista da fndia_
136 Um Bhikshu é um monge ordenado da Ordem Budista. Bhikshu é urna palaVIa sanscri­
ta , a forma pa:\i é Bhikkhu. e a tibetana, Ge-Iong (Dge-slon ). .
137 Este é um exemplo típico do exagero oriental para enfatizar a grandiosidade numérica.
111
I
l
(
i
.
l
138 Esta profecia se referla ao fato histórico de que o Rei Ashoka tomou­se o Grande lm­
perador Budista da rndia. Como tal, foi chamado o Constantino Budista. Para demonstrar a sua
sincera conversao ao Budismo e o seu profundo rernorso pela espantosa perda de vidas humanas e
o alastrarnento do sofrimento, que a sangrenta conquista de Kalinga, ao sul da rndia, causou, ele
mudou o seu nome de Ashoka. ou "O Causador da Dor" para "O Comp s ivo" (Píye-dasl no ver­
náculo da rndia e Priya-danin em sanscrito). Nos seus éditos ele também é chamada de "O Ama­
do dos Deuses", Devan.am-priya. (Cf. 1. A. Waddell , ap cit., pág. xx. )
139 Segundo algumas rontes, acredita-se que a Cidade de Maghadha estava localizada ande
hoje se ergue a moderna Allahabad; outros a associam com a moderna Patna, ou Patalipütta_
1'\0 De acordo com a versao do Kah -gyur. Baidha foi o lugar de nascimento do Príncipe Vi­
shantaIa, cuja representa o último e maior dos Dez Grandes [Últ imos ) Nascimentos
(OU Mahii¡iitalar), precedendo o nascimento no qua! o Bodhfsattva Gautama atingiu o Estado de
Buda. Os tibetanos acreditam que Baidha (ou Biddha) seja a antiga Videha, que identificam, pro­
vavelmente de fonna err6nea, com a moderna Bettiah, ao norte de Bengala. (Cf_ L. A. Waddell.
op. cit., pág. 543 n. 8.)
112
agora." O reí concordou CO
1
nha o rosto transpirando.
14
141 Uma san.scn
gues".
142
Um Siddha·Sol (em l
tivas ao Sol, como mostra o te
alto Ganges, perta de Rikhikesl
sentava-se e praticava, fixando
sobre os olhos. Se nao
cegueira total , mas este pratiCi
propósito exato cQPl tal práti
143 Esta era devi
queima do mostelTO e das escri
144 O aparecímenlo da cn
deres iagues para provocar o n
que transpira, como o de p¡
ritual ntre eles ou pode suge
GUIll.
profecia
l38
do Senhor Buda. Se fordes orar diante da Árvore-Boddhi, em B6dh-Gaya,
conseguireis construir tantas stüpas. "
O reí foí até a Árvore-Boddhi e arou: "Se é verdade que eu vim ao mundo em
cumprimento da proroessa do Senhor Buda, que me seja dado a poder de construir
esses milhOes de stüpas em urna s6 noite"; e, para surpresa su a, ocorreu o que deseja­
va. E, na cidade de Maghadha, 139 o reí fez aos pobres donativos surpreendentemente
grandes.
O EXAME PÚBLICO DE DOIS PRrnClPES RIVAlS EM MEDICINA
Padma residia agora num cemitério, no país de Baidha,14O onde vivia um reí
íogue que se. chamava Balín, muito instruido em Medicina. Balín tinha duas esposas
e cada urna delas lhe dera m filho. Para o filho da esposa mais velha, Balín, em se­
gredo, ensinara todo o seu conhecimento médico mas, para o fIlho da esposa mais
joyero, nada ensinara. Um dia, o reí anuncio u que tinha a intellya-o de determinar, por
meío de um exame, qual dos fll.hos tirilla melhor pendor para estudar Medicina. A
mae do filho mais jovem, pensando que o reí estava, dessa maneíra, planejando es­
colher uro dos filhos como herdeiro ao trono, chorou amargamente, porque o seu fí­
lho nada conhecia de Medicina. Quando chegou o momento do exame, o reí fez urna
pública de que o ñlho que mostrasse maior proficü!ncia no conhecimen­
to médico, seria escolhido para sucede-lo no reino.
Publicamente, os dois filhos fOlam examinados. O mais velho mostrou profi­
ciencia em treuntos tratados médicos; mas o mais novo demonstrou maior proficien­
cía e, em acréscimo as suas exposiyOes, expOs a Doutrina do Buda de forma t!o mara­
vilhosa que os devas, os niígas e os demómos apareceram e lhe renderam homenagem.
"Sem serdes ensinado, v6s dominastes tuda", disse o reí, e se inclinou diante
dele e pós o pé do ffiho na sua lrada, a mulher OlaiS velha exclamou: "Embo
o
ra secretamente v6s tenhais ensinado o meu filho, para o fúho da rainha mais jovem
transmitlstes a pr6pria essencia da ciencia médica. Se eles tivessem sido ensinados
juntos, o meu tnho teria sido vitorioso. E agora vós o em público. A me­
nos que dividais o reino de forma igual entre os dois, eu porei fim aminha vida aquí e
o filho mais novo; "Eu vou
déscfpuIo de Padma, torn
tos tratados sobre Religiao e
O IOGUIM SOLpC
Por este tempo um S.
ou urna loga cuja intenyao
corpo, de foona que, quan
o mosteiro budista de Vikr
ras do Abhidharma foram
linda ficou muito doente.
14
morrer, a menos que um i11
foram buscar o Bhikshu S
reí presenteou °bhikslzu ca
paI discípulo do Buda, h
Reí Naga rete.ve era a ua se.j
ao reino dos nagas. Este b
tomou-se canhecido como
ONASCIME
Padma foí, entao,
Phala, tornou·se o seu patl
os nao-budistas trazendo a
de Vikramashila e restabele
sao, o jardineiro do rei nof
16tus que nunca fechava as
de·16tus, descobriram nela
agora." O rei coneordou eom a proposta de dividir o reino, a respeito do que afirmou
o filho mais novo: "Eu vou abrayar a carreira religiosa." E o filho vitorioso, tomando·
se discípulo de Padma, tornou-se mestre nos Sutras, Tanteas e Manteas, escreveu mui·
tos tratados sobre Religiao e Medicina e foi chamada de Siddhi-Phala. 141
O IOGUIM SOL PÚE FOGO NO MOSTEIRO DE VIKRAMASHiLA
POI este t empo um Siddha-Sol
142
pregava doutrinas nlfo-budistas. Ele praticou
ou urna loga euja era retirar energía do Sol, captando-a para o seu próprio
carpo, de forma que, quando abriu os oilios, deles saiu urn fogo que pos em chamas
o rnosteiro budista de Vibamashila [em Maghadha l. No incendio, muitas das escritu­
ras do Abhidhanna foram destruidas. Como resultado desta destruíyao, o Rei Muchi­
linda flcou muito doente.
143
Nanda, OUtrO rei dos nagas, previu que Muchilinda iria
morrer, a menos que um médico humano fosse imediatamente chamado. Dais niigas
fa ram buscar O Bhikshu Siddhi-Phala, que curou Muchilinda. Como Iecompensa o
reí presenteou o bhikshu coro a m al r parte d texto do Boom, que Ananda, princi­
pal disclpulo do Buda, havia e condido no reino dos nagas. A parte do Boom que o
Reí NOga Ieteve era a sua de que o bhikshu. como prometera. ma retomar
¡la reino do nagas. Este bhikshu depois de retomar ao mundo hwnano com o Boom.
omou-se conhecido como Árya Nagaxjuna.
O NASCIMENTO SOBRENATURAL DE ARYA·DEVA,
DISCI1>UW DE NÁGÁRJUNA
Padma [oí , entao, para um cemitério no país de Singala. O rei de Singala. Shri
Phala, tomou-se o seu patrono e discípulo. Padma, com sua visao sobrenatural, viu
os nao-budistas trazendo os seu s exércitos para completar a destruiyao do MosteÍIo
de Vi.kramaslÚla e restabelecer a religiao nao-budista. Depois que Padma teve esta vi­
sao, o jardineiro do reí notou num tanque do jardim do palácio umaimensaflor-de­
l6tus que nunca fechava as pétalas Anoite. Quando o rei e a rainha foram ver a flor­
de-16tus, descobriram nela urna bela que aparentava oito anos de ¡dade, e ti­
nha o rosto transpirando.
l44
O principal sacerdote do rei, ao ser chamado para expli­
141 Urna sarucrita que significa "Fruta do Siddh¡", ou "Fruta das Realizayi5es lo­
gues".
142 Um Sfddha-Sol (em sanscrito: SiiTya-Sfddha) é um proficiente cm práticu iogues reja­
tivas ao Sol, como mostta o texto a seguir. O Editor se lembra de ter enconnado nos bancos do
alto Ganges, perto de Rikhikesh, um ioguim que executava a mesma prática. Diariamente o ioguim
sentava-se e praticava, 1IXando o seu olhar no disco sem nuvens do Sol tropical. sem nenhuma
prote¡¡:áo sobre os oilios. Se nao for executada com o maJor cuidado, esta prática pode resultar em
cegueira t tal, mas este praticante tinha urna visao incomumente perfeita e boa saúde. O seu
propósito ento cQIll tal prática, nunca me esclareceu totalmente.
143 Esta doenya era devida apoluiQio do ar e da água ( nde os niigas residem) por causa da
queima do mo teiro e das escrituras (das quais o Rei Niiga foi feito guardillo).
144 O aparecimento da ap6s a visao de Padma sugere que Padma exerceu os seus po­
deres ¡ogues para provocaI o nascimento no 16tus da crianya e, o paralelismo entre o rosto da crí­
que transpira, como o de Padma, quando f oi encontrado num lótus, mostra uma relaQio espi­
ritual entre eles ou pode sugerir até mesmo que esta crianya é urna das emana<;i5es do Grande
Guro.
113
car quern era a disse: "Ele é a encamayao de Sh3kya Mitra . .Está destinado a
vencer Maticitra, o arquünimigo do Budismo, cuja deidade tutelar é Mah3:deva. Le­
vai-o para o palácio e cuidai dele." O reí tomou a e cuidou dela; Padma ini­
ciou a e a instruiu no Dharma; e a foi chamada de Árya-Deva. O meni­
no pediu a Padma que flzesse a sua ordenayA'o para a Ordem, mas Padma, recusando­
se, disse: "Vós deveis ser ordenado por NigiUjuna.
145
E Padma pennaneceu em Bai­
dha e SingaJa por aproximadamente duzentos anos,l46 e converteu o povo ao Budismo
Mahayana.
A INSTITUIt;ÁO DO BUDISMO EM BENGALA
No lado oriental de Bengala, reinava um jovem reí nao-budista. O seu palácio
era cercado por seis fossos e tinha oito portas. Ele possuía um gato com mil olhos e
urna pedra mágica que emitía luz. Eram muitos os seus súditos, grande era o seu po­
der, mas o seu govemo era maléfico.
Padma, a fim de subjugar este reí, colocou Mandarava numa estrada pñncipal
e mandou que ela se transfonnasse num ser com cara de gato. Através da mágica, Pad­
ma reuruu um exército de 81.000 homens e os armou com arcos e flechas. O rei foi
morto e o seu reino conquistado. As Cinco Deusas do Prazer Sensual, que eram as
principais deidades do reí, foram convertidas. Assumindo o aspecto do Adi-Buda,
Padma fez com que o princípio-consciencia de todos os que foram mortos na guerra
fossem para os paraísos. Os vivos, ele converteu ao Budismo. Ajudou os pobres e
fortou as criaturas brutas. O país prosperou, e o povo foi feliz.
Tendo sido o mosteiro de VikramasiñIa reconstruido, o Reí Houlagou, da Pér­
sia, veío com um grande exército e destruiu as doze que compreendiam o
Mosteiro e urna parte das escrituras Abhidharma da Escola Milhayana. Dois instruidos
bhikshus, Thok_me
147
e Yik-nyen,148 transfonnaram-se em dUBS monjas ordenadas; e
elas introduziram e instituiram as Cinco Doutrinas de Maitreya, as Oito Espécies de
Prakarana
149
e o AbhidJumna-Kosha.
145 NagiIjuna foi o maíor de todos GS País do Mahiíyana, tendo sido (cerca de 50 A.D.)
o décimo terceiro OU, de acordo com a.lguns, o décimo quano na suces3io direta dos Patriarcas Bu­
distas. Acredita-se que ele tenha sido a de Ánanda, o ilustre discípulo de Buda. Co­
mo foi sugerido antes, Nlgiüjuna Coi o tJ:ansmiSSOI do PrajfflT·Parrz17Úta. (Ver 1Ybetan Yoga and
Secret Doctrines, págs. 34446.) Ázya.Deva Iecebeu a das mios de f oi o
seu mais erudito discípulo e sucesSO[ da cadeira hierázquica budista de Nilanda, a OxfOld da (n­
dia antiga.
146 Esta Biografia representa o Grande Guro como tendo surgido na fndia e em outros lu­
gares do mundo humano durante muitos séculos. Sendo Ele um Mestre da loga, viveu, como j á
foi sugerido acima, num carpo imune adoenr;a, avelhice e a morte. Ele é. dessa
forma, o expoente vivo idealizado do Budismo aplicado de forma pmtica e, com isto, um Buda
maíor do que o Buda Gautama, como acreditam os budistas tibetanos.
147 Este é o equivalente tibetano de AryaS4ngluz (ou Arangha), o fundador da Escola Yo­
gichliIa. Ele também é conhecido como o Sábio de Ajanta, relacionado as famosas Cavernas de
Ajanta, que, em seu lempo, eram conhecidas como AchintapUri Viham. Dizem que viveu 150
anos.
148
Um nome tibetano, que significa .. Auxiliar Pedra·Preciosa".
149
Os O1to Pralcara/'IQ sao oito tratados metafísicos que pertencem aEscola Hi1UJyiina.
114
PADMAATlNi
Padma foi para Bodt
das Deidades Iradas assocü
através destes meios, demon
la conduta se pode, passo
verbal da sua exposi9ao, Pa
ser visto e, depois, reaparec
também sobrenaturais. Retl
consagrando·a.
Muitos pandits instn
Padma, pediram·lhe que lh
Mantras, Vinoya Pilaka, Al
chamaram de "O Grande j
Yoga
151
em sua completud
Dorje a que Nada Falta"].
Depois, colocaram todos os
a caixa a urna fHimula da v
slÜla. E, enta"o, chamaram
da Doutrina". Imediatamer
as doen{:3S desapareceram
realmente tomou-se um BI
um lefo. Os nao·budistas fi
de "Guro Seng-ge-Dradog.
1
!
AMIS
Padma considerou qlJ
belecer a Doutrina; primeir!
clam muitos jambeiros [Et
mo. Em seguida, foi 80 paJ
ri Preto 15 3 lA ensinou os as
de N""agapota, a oeste, onde
para eles Padrna ensinou os
dirigiu ao país de Kashakru
19> Como sugere esta p¡
associadas diretamenta ao Cami
151 Ver p. 151n, a seguir.
1S2 (sto é, "O Guru do E
midas por Padma. (Ver Estampa
153 Ou Mañju.shrf em
rrtlld " O rrado 1m vel", tima
do Budismo Tibetano. (Ver a
bedoria Divina. (Vera Estampa l
154 Avaloldteshvara rep
daMisericótdia. d quem o DaI
PADMA ATINGE o ESTADO DE BUDA EM BÓDH-GAYA
Padma foi para Bodh-Baya e, na presenya do Guru Singha, criou as Mandalas
das Deidades Iradas associadas com o Ati-Yoga, o Chitti-Yoga e o Yangti-Yoga e,
através destes meios, demonstrou ao guru os métodos pelos quais, pela dOlltrina e pe­
la conduta, se pode passo a passo, atingir o itvana.
lso
Quando completou a parte
verbal da sua exposiyao, Padma levitou e alyou-se ao ar tiro alto que nlro podiamais
ser visto e, depois, reapareceu em várias formas sobrenaturais e exibiu vários poderes
também sobrenaturais. Retomou aterra e construiu urna stüpa de pedras preciosas,
consagrando.a.
Muitos pandits instruidos, que testemunharam as apresentayt'5es mágicas de
Padma, pediram-Ihe que lhes ensinasse a Doutrina; e ele lhes expos Sutras, Tantras,
Mantras, Vinaya Pitaka, Abhidharma e as ciencias médicas detalhadamente; e eles o
chamaram de "O Grande Pandit". Depois, Padma ensinou-lhes o sistema da Kriya­
Yoga
l SI
em sua completude; e eles o nomearam "O Dorje sem lmperfeiyao" [ou "O
Dorje a que Nada Falta"]. Tudo o que Padma ensinou aos pandits, eles escreveram.
Depois, colocaram todos os manuscritos numa caixa feita com j6ias preciosas, ataram
a a urna flamula da vit6ria e a iyaram sobre as ruínas do Mosteiro de Vikrama­
slula. E, ent!o, chamaram Padma de "O nwninado [ou Buda], a Flamula Vitoriosa
da Doutrina". lmediatarnente ap6s, comeyou urna chuva que durou sete di as. Todas
as doenyas desapareceram e surgiram os treze sinais da sorteo Dessa forma, Padma
realmente tomou·se um Buda em Bodh-Gaya e, no telhado do palácio, rogiu como
um lelo. Os nao-budistas ficaram muito agitados e ele os converteu; eles o chamaram
de "Guro Seng_ge.Dradog.
152
A MlSSAO DE PADMA EM OITO PMSES
Padma considerou que havia chegado o tempo de ir para mais oito países esta­
belecer a Doutrina; primeiro, foi ao país de Jambu-mala, a leste de Urgyan, onde cres­
clam muitos jambeiros (Eugenia jamboItms] e eosinou a forma Vajrayana do Budis­
mo. Em seguida, foi ao país de Par-pa-ta, ao Sul, onde prevaleciao culto do Mafijwh:r
ñPreto,lS3 lá. ensinou os aspectos pacíficos e irados de Mañj ushri. Depois, [oi ao país
de Nligapota, a oeste, onde o POy O era devoto de Hayagriva no seu Asp cto de Ló
para eles Padma ensinou os aspectos pacíficos e irados de Avalokiteshvara.
l 54
Dali, se
dirigiu ao país de Kashakamala, ao norte, onde prevalecía o culto doPhurbu, ouAda­
150 Como sugere esta passagem, essas tres iogas pertencem a Escola Yogiichiira, e estto
associadas diret amente ao Caminho Nirvanico. (Ver p. lOS, anterior).
l SI Ver p. 151n, a següir.
152 Isto é, "O Guro do Rugido do Leao", o nome de urna das oito fonnas principais assu­
midas por Padma. (Ver Estampa Vea sua descric.ao, p. XXll I.)
153 Ou MAñjushrT em seu asp eto irado; em t ibetano: DOrje·Jig1e: em s3.nsaíto: Vajra-Bhaj.
nna, "O Irado Imutável", urna das IDW importantes deidades da '¡reja Gelugpa, on Estabelecida.
do Budismo Tibetano. CVer a Estampa VI.) O aspecto pacífico de Manjushó é o Guardilio da Sa­
bedoria Divina. (Vera Estampa IV.)
154 A alokitesbvara repI nla o aspecto pacífico e Hayagñva o aspecto irado o Senh r
da MisericóroJa, de quem o Da1ai Lam é a encam da na Tena.
115
I
j
'
l
l
ga Mágica;ISS e Padma ampliou este culto. Daqui, foi para o país conhecido como
Trang-srong,156 a Sudeste, ande o pavo cultuava as Deusas-Mlres; e Padma amplíou es..
te culto, ensinando-lhes como invocar essas deusas. Indo, entlio para o país dos Ra­
kshasas, comedores de carne, a Sudoeste, que era govemado por uro rei da Dinastia
dos de Lanka (ou Ceillro), onde o POyO cultuava Vishnu. Ali, ele ensinou
a Doutrina Kalach.akra para converte-los. A missao seguinte de Padma Coi o país de
Lung_lha,157 a Noroeste, povoado por devotos de Mahadeva; para eles ensinou as ofe­
rendas sangsáricas com os hinos de louvor.
l58
No oitavo país, chamada Kelcki-ling,
ou "Lugar dos Heróis", a Nordeste, ande o pavo praticava a magia negra, Padma in­
troduziu um dos oito sistemas para ganhar as boas gTaryas das deidades.
Padma foi para o Lago Dhanakosha, ao centro do país de Urgyan,lS9 e encon­
t rou o P Oy O prosperando e as doutrinas Mahiiyanas florescentes. Entrou ero medita­
y[o e determinou que nao era tempo ainda de converter todos os demais países; e vol­
tou a Bengala e viveu com Mandarava nuro cemitério, ande os dais praticavarn a
loga.
o AMIGO SUSPEITO DE PADMA
Um dos amigos de Padrna. tendo visitado Padrna e Mandlirava no seu retiro no
cemitério e suspeitando que os dais estivessem vivendo juntos como marido e mulher.
disse aPadma: "Que hornem rnaravilhoso sois vós! Abandonastes vossa esposa legíti­
ma, Bhasadhara, em vosso palácio, no país de Urgyan. o que é muito vergonhoso!" E,
nlro obstante o amigo ter despIezado Padrna, recusando-se a convidá-Io para ir él sua
casa, Padma pensou consigo mesmo: "Corno este individuo ignora a pro­
funda do Mahiiyana e das pláticas iogues que pertencem aos tres nervos psíquicos
principais,l60 devo perdoá-lo."
O QUE NASCEU SETE VEZES BRAHMIN
Transformandc>-se no filho de um Branmin, Padma foi ao Templo Khasar-Pa­
ni
161
e rendeu homenagem a um Brahmin que possuía a presciencia divina. "Por que
15S O phurbu tibetano..é urna adaga com wna Jimina m fODIl tr:iangUlar, usad'p a
ce.rimonial ou mane dos demOnios.
156 Um nome de lugar ti betano, que equivale ao sanscrito Krisi, ou Suni, e quer dizer "Re­
citador de Hinos Sagrados".
157 Este tenno t ibetano significa "Deus Vento" (em sanscrito: Marot ), e refere·se ao deus
da tempestade, que preside o Quarto Noroeste dos Céus.
158 No texto: Jik·un Choe-toe, que se refere as oito dificuldades para ganhar as boas gra­
'?S dos deuses, da Escola Nyingma. (Ver S. C. Das, op. cit., pág. 325 .)
159 Como será observado, cada um desses oito países mencionados ficava em urna das Oito
Dire!t0es, sendo o Lago Dhanakosha, no país de Urgyiln, o centro. Eles constituem, dessa founa,
a figura simbólica de urna imensa mandaia geométrica.
160 Eles sao, de acordo com a loga KunCÚllini, o nervo-médio, localizado na cavidad e da
coluna espinhal e os nervos psíquiws da esquerda e da diJe ita, enrolados em volta da coluna
espinhal. (Ve O /(vro tibetano dos mortos, págs.
161 Khasar-Pini é urna fo rma do Avalokiteshvara.
116
rendeis homenagem a mim?'1
eu possa ajudar as criaturas d
Brahmín sete vezes, sucessiva
fazei isto na hora da vossa
O Bráhmín disse: "Enq
pria vida antes do tempo;
e, enUo, Padma deixou o Era
Cinco anos lTiaÍS tarde
Dhombhi Heruka, imediatan
raro o pandit mas, exercend
olhar; e, colocando o carpo
cho do tigre ele usou serpen te
nos e, levando um bastao de
Por lá andou, anunciando qu
le.
l 64
Um passante observan:
montando o tigre se antes na
lhes tivesse dado almíscar, "
16
1

o HER UKA BEBEl
Depois, o Herukcl foi a
VlIlasa e pediu-lhe vinho. "Q
vinho que tiverdes", respond
disse: "Pagarei quando o Sol s
O lieruka nao apenas I
manteve ocupada trazendo vi;
o Heruka colocou metade dO
pOde se por; ele assim o roan
pasto secou e as árvores mon
162 A redita·s que alguém
Briihmin. Da mesma forma , no OC
163 Como aqu ele (mostrad
que m o Dhombhi Heroka é urna e
ta,<oes iradas da principal deidade
te aos grandes mcstres da ioga tal
vamente na linhagem hierárquica ¿
164 Os ioguins praticam con
de acordo com o preceito " f meih
165 De acorclo com a
tado com mel e urna erpcnll! p OI
tanos estao acostu01ados a levar (
tradutor contou·me que nunca o
cobra.
166 Um phurhu geralmente
para usado m prálicas cerimoi
reodeis homenagem a mim?" , perguntou o Bráhmin. E Padma respondeu: "Para que
eu possa ajudar as criaturas do mundo, preciso da carne de alguém que tenha nascido
Briihmin sete vezes, sucessivamente.
162
Se nao podeis providenciá-la agora, por favor,
fazei isto na hora da vossa morte."
O Brahmin disse: " Enquanto es! nene mundo nlIo se deve renunciar apró­
pria vid antes do tem o; mas tIa lago u 've mo o, p d . levar a minha carne";
e, entáo, Padma deixou o Brahmín.
Cinco anos ITiaiS tarde, o BrQ}¡min morreu. Um grande pandit cujo nome era
Dhombhi Heruka, irneruatamente apareceu para exigir o carpo. Muitos lobos ataca·
raro o pandit mas, exercendo os poderes ¡ogues, ele os dispersou, fIXando neles o
o!har; e, colocando o corpo sobre o colo, montou urn tigre. Como rédeas, cilha e rabi­
cho do t igre ele usou serpentes, em seu COlpa usava ornamentos feitos de ossos huma­
nos e, levando um bastao de t res dentes,163 foi para a cidade mUyulmana de De-dan.
Por lá andou, anunciando que faria presente do carpo a quem conseguisse tirá-lo de­
le.
l 64
Um pass ante observou: 'Olbem para este ioguim dizendo tolices. Ele nllo estaria
montando O t igre se antes !he tivesse dado mel, nem usando as serpentes se olIo
!hes tivesse dado almíscar."165
• O HERUKA BEBEDOR DE VINHO QUE lMPEDlU QUE O SOL
SE PUSESSE
Depois, o HeruJea foí a uma taberna que era mantida por urna mulher chamada
VlOasa e pedíu-fue vinho. " Quanto?", perguntou a mulher. "Quera comprar todo o
vinho que tiverdes", respondeu ele. "Tenho quinhentas jarras", disse ela; o Heruka
disse: "Pagarei quando o Sol se puser."
O Heruka nao apenas bebeu t odo o vinho de que a mulher dispunha como a
manteve ocupada trazendo vinho de outros lugares. Quando o Sol estava para se por,
o Heruka colocou metade do seu phurbu
166
no Sol e metade asombra, e o Sol nlIo
pOde se por; ele assim o manteve durante tanto tempo que o país flcou crestado, o
pasto secou e as árvores moueram. Durante sete días o Heruka pennaneceu sentado,
162 Acredita-se que alguérn que assim nasce possua o poder de ver o futuro, como fazia esse
Bráhmin. Da rnesma forma, no Ocidente, acredit a-se que o sétimo {"¡.\.ha é dotado de " visao".
163 Corno aquele (mostrado na Estampa I) comumente usado por Padma.,5ambhava, de
quern o Dhombhi Heruka é urna ou metamorfoseo O ter mo Heruka refere-se as manifes­
iradas da principal deidade t<'intrica, Sarnvara (em tibetano: Dl!'mchog) e é aplicado somen­
te aos grandes mestres da ioga tantrica. Acredita-se que um aspecto do Demchog encarne sucessi­
vamente na linhagem hierárquica do Principal Lama, que reside em Pequim.
164 Os iogums praticarn comumente a de presentes, para acumular mérito espiritual,
de acordo om o preceito "E melhor dar do que receber".
165 De acordo com a cren<;a popular tibetana, um t igre pode ser domesticado se for alimen­
tado com mel e urna serpente pode ser mantida adistanCia pelo odor do almíscar. Como os tibe­
tanos estao acostumados a levar consigo almíscar, dizem que nunca sao picados por serpentes. O
tradutor contou-me que nunca ouvira falar de um tibetano que tivesse marrido por picada de
cobra.
166 Um phurbu geralmente é carre o por um ioguim tib no escondido em sua pe a,
pam el usa cm práticas cecimoni ís iogul:S.
117
i
bebendo vinho, e durante todo este tempo o phurbu permaneceu metade expost o ao
Sol e metade asombra, e o Sol continuou a brilhar.
O pavo se queixou amargamente ao rei, dizendo que urn pedinte, sentado numa
tavema a beber vinho, podía ser a fonte de toda a temvel desgrat;a. 167 Assim, na roa­
oh[ em que terminou o sétimo día em que o Heruka bebia vinho, o reí foi até ande
estava ele e disse: "O, v6s, pedinte, que devíeis estar fazendo o bem a todas as criatu­
ras, porque bebeis desta maneira?" E o Heruka respondeu: "O, Reí, estou sem dinhei­
ro para pagar pelo vinho que bebí." Quando o rei prometeu saldar a quantia, o Heruka
retirou o phurbu e o Sol se pos.
Depois disso, o Heruka foi para a Caverna do Kuru-kullli e fez neIa a sua resi­
dencia. Vinasa, a vendedora de vinho, que t inha urna fé ilimitada no Heruka
J
fez-lhe
urna visita, levando consigo, sobre urn elefante, vinho e comida com que o presen­
teou, pedindo-lhe que a aceitasse como discípula, o que ele fez. Favoreceu-a com ins­
trut;Oes completas da raga e ela alcant;ou o siddhi da imunidade de se afogar na água,
de voar pelo ar e de passar através de substáncias sólidas.
COMO O REI DE URGYÁN FOI CURADO DE DMA MORDIDA DE COBRA
O rei do país de Urgyan foi ao cemitério e foi mordido por urna serpente vene·
nasa. Quando os mais instruídos Brahmins. pedintes e médicos, fracassaram em curá­
lo, eles concluíram que a única esperan ya estava no fundo das águas do oceano. A
água foi imediatamente providenciada, mas o carregador, enquanto ia buscá-la, en­
controu wn joYero chorando e ao perguntar.lhe por que chorava recebeu como res­
posta que o rei estava marta. Muito perturbado, o carregador jogou fora a água e cor­
reu para o palácio, encontrando o rei ainda' viVO.
I68
Vmasa, que agora era a instruida discípula do Heruka. foi chamada e, conse­
guindo ir buscar a água das profundezas do oceano, curou o reí; o rei, em gratida"o,
tornou-a sua conselheira espiritual.
Como Vmasi era urna mulher de casta inferior, as esposas do reí rejeitaram a
sua Vmasa desejava muito abandonar o posta, mas o reí nfo a ouvia.
Percebendo que fue seria difícil deixar o palácio, Vinasi, de forma mágica, criou urna
e, fingindo que nas cera deJa, de forma natural, presenteou-a ao rei, dizendo
que seria o seu guro em seu lugar. O rei aceitou a e criou-a; a tomou­
se urn santo mmto instruido, conhecido como Santo La-wa-pa.
PADMA E MANDARA V Á SAO QUEIMADOS NUMA FOGUEIRA EM URGYÁN
Tendo chegado a hora, como previra Padma, de disciplinar o pavo de Urgyan,
quatro dDkinis aparecerarn com um palanquim, sobre ele coJocaram Padrna e Manda­
167 Nao se espera que nenhum ioguim entre numa tavema onde sejam vendidas bebidas ine­
briantes. menos ainda bebidas alcoólicas; e, vendo que o Heruko. nao t inha a mínima
por estas o pavo suspeitou que os seus infortúnios eram o resultado direto das
maléficas do Heruka.
168 A serpente que picou o rei era a de um niiga maléfico, e o jovem era urna
fonoa que este niiga assumiu para evitar a cura do rei.
118
rava e os transportaram p
dintes, e pediram comid,
quando os ministros do n
jeitou a R.ainba Bhlisadha
vendo com urna pedinte.
maiores males."
Sem o conhecimenl
par foi amarrado junto e
taca. Foi empilhada madE
foi posta [ogo apira em (
mo primeiro día a pira aiI
sobre ela. Quando o reí p
uma explicayao,
me abandonou e ao reino
ver Com urna pedinte, foi
nao ter sido consultado s
MO poderla ter sido quein
em cujl) centro estava UIDJ
dos juntos sobre a flor-de·l
día oiliar para eles. A Del
em cantos de ¡ouvor relato
vo também fizeram louva
y
para ser o seu guru até o t
"Os Tres Mundos sao urna
pode escapar dos prazeres
saiba como governar a pró:
tencia sangsárica. Ó reí, tor
Estado de Buda."17l
A mente do rei mudo
res entraram para a Ordem
no trono real e lhe renderar
Padrna permaneceu na terra
MANDA.
Mandaravii foi até a a
dessa da""kini. As vezes, ela a!
urna tigresa, as vezes, a de I
Doutrina e converteu diversl
169 Geralmente urn a pira
1'Xl Um Dharma.riija. ou '
171 O Dharma-Kaya, ou "
da exist e. (Ver O livro tibetano 6
172 Esta doutrina é estrit
namento é li bertar a mente da .
comunicado em nosso tratado,
rava e os transportaram pelo ar para a terra de Urgyan. Lá eles apareceram como pe­
dintes, e pediram comida de casa em casa. Finalmente, Padma foi reconhecido e,
quando os ministros do rei ficaram sabendo disso, disscram: "Este é o harnem que re­
jeitou a Rainha Bhasadhara e matou a mullier e o fllho do ministro; agora ele está vi­
vendo com urna pedinte. Ele infringiu antes a lei do reino e voltou para nos causar
maiores males." .
Sem o conh cimento do rei. os ministros capturaram Padma e Mandarava. O
par foi amarrado junto e depois atado em pano embebido em óleo e presos a urna es­
taca_ Foi empilhada madeira em volta deles, derramou-se óleo em cima da madeira e
foi posta fogo A. pira em cada urna das quatro cardeais. Até depois do vigési­
mo primeiro día a pira ainda soltava 169 e um arco-íris fonnava urna auréola
sobre ela. Quando o rei perguntou a origem do fenómeno e ninguém se dispós a dar
urna explicac;[o, Bhasadhara disse: "O meu marido, por ter entrado para a Ordem,
me abandonou e ao reino pela religi!o. Entao, como ele volt ou recentemente para vi­
ver com urna pedinte, foi condenado pelos ministros e queimado." Enfurecido por
nao ter sido consultado sobre a o rei disse: "Se ele é umaencarnaC;ao,
nao poderla ter sido queimado." E, indo até o lugar ande estivera a pira, viu um lago
em cujl) centro estava urna imensa flor-de-16tus; Padma e Mandarava estavam senta­
dos juntos sobre a flor-de-16tus, envoltos por auras tao radiantes que quase nao se po­
dia olhar para eles. A Deusa-Terra, acompanhada por outras divindades, apareceu e
em cantos de louvor relatou os feitos de Padrna no mundo. O rei. os ministros e o pa­
vo também fizerarn louvaylles e pediram o perdao de Padma; o rei convidou Padma
para ser o seu guru até o término do ka/pa e para difundir a Doutrina. Disse Padma:
"Os Tres Mundos s[o urna pris4"o; mesmo que alguém urn Dharma-raja
l70
nao
pode escapar dos prazeres do mundo. E mesmo que possua o Dharma-/Giya
l 71
e nao
saiba como govemar a própria mente, nao pode quebrar a cadeia de misérias da exis­
tencia sangsárica. Ó rei. tomai pura a vossa mente e atingi a visao clara e alcanc;areis o
Estado de Buda."I72
A mente do reí mudou irnediatamente e ele, os seus ministros e os seus seguido­
res entraram para a Ordem. Padma foi acompanhado até o palácio e o rei o colocou
no trono real e fue renderam homenagem e lhe flZerarn oferendas. Durante treze anos
Padma permaneceu na terra de Urgyan, educando o pavo e estabelecendo a Fé.
MANDARAVA E A MENINA ABANDONADA
Mandarava foi até a Caverna do Heruka Sagrado das Diikinis e lá tomau-se a aba­
dessa da7dni. As vezes, ela assumia a forma de lima da7cíni, as vezes, a de uro chacal ou
urna tigresa, as vezes, a de wn menino ou urna menina. Por esses meios, na
Doutrina e converteu diversos tipos de seres.
169 Geralmente urna pira cessa de fumegar no sétimo dia depois de o fogo ter sido ateado.
1':0 Um Dharma-rii;a, ou "Rei do Dharma", é o mais alto tipo de monarca ideal.
171 O Dharma- Kiiya. ou "Carpo do Dharma", simboliza o estado nirviinico no qual um Bu·
da existe. (Ver O livro tibetano dos mortos, págs. 8-12.)
17.1 Esta doutrina é estritamente budista, o Buda enfatizou que todo objetivo do Seu ensi­
namento é libertar a mente da servidao ao Sangsiira. Também este é o propósito do ensinamento
comunicado em nosso tratado , a seguir. (CL Tibetan Yoga and Secret Doctrines. págs. 5-6.)
119
Viviam na Cidade de Pal-pang.gyu urn homem e a sua mulher, que eram teee­
lOes. A mulher morreu ao dar aluz urna menina, e o pai, achando que a crianya nao
poderla sobreviver sem urna ma"e, deposítou os corpos da mae e da crianya no cemité­
rio. Mandlirava, transformada em tigresa, foi ao cemitério para comer a carne dos cor­
pos e viu a sugando o peito da mire morta e, sentindo infinita compaixao,
recolheu a crianya e a nutriu com o seu próprio leite. Día-a-dia a tigresa comia o corpo
da mlie e alimentava a crianya com da carne.
Quando a menina estava com dezesseis anos, era tao bonit a quanto urna deusa,
e Manctarava deixou-a asua sorteo Padma, vendo que havia chegado a hora de conver­
ter a moya, assumiu o aspecto de um bhikshu e a iniciou na Mandala do Vajra-Satt­
va. 173
o GURU VAQUEIRO
Uro vaqueiro que estivera fomeeendo ¡eite para o casal, também se tomou dis­
cípulo de Padma e, depois de ter sido por ele iniciado na mesma Mandala atingiu o
siddhi do Vajra-Sattva. Apareeeu na testa do vaqueiro, como resultado deste siddhi,
a sílaba mantrica Fum, e Padma o denominou HUm·kiira. EnUo, Padma ensinou ao
vaqueiro a Doutrina do 1.ongo Hüm
1
?4 e t ambém coneedeu·lhe o siddhi do rápido­
caminhar,l7S de fonoa que ele tinha o poder de, utilizando esse siddhi, levitar um CO­
vado acima do CMO.
I76
Como resultado psíquico de tanto progressonaloga, uma
protubenlncia que parecia uro HayagrÍva Cabeya-de-Cavalo surgiu na cabeya do va­
queiro, acima da abertura de Brahma.
1
'T7 Depois, enquanto o vaqueiro progredia mais
113 Ver O lil/ro tibetano dos martas, págs. 76-8 6, 166.
Esta Doutrina, que pertence aSabedoria dos Cinco Budas Dbyaru. é exposta em deta­
!hes no Tibetan Yoga and Secret Doctrines. Livro VI .
175 No texto: Rkang·mgyogf (pron.: Kang·gyok), significa literalmente "pé ligeiro", ou "pé
rápido".
1')6 O falecido Sardar Bahador Laden La contou-meque, urna vez, bavia vistoum iogulm ti­
betano transportando-se desta maneira. Foi no Tibete, lá pelo ano de 1931. "Eu o mandel", dis­
se, "levar urna mensagem para um grande lama que se chamava Pba-pong-k.ha e vivia em Lhasa,
e ele atravessou urna distancia de doze milhas em aproximadamente vinte minutos". Um mestIe
nesta arte do rápido-caminhar que, ero tibetano, chama-se lung·gom-pa. foi encontrado celta vez,
enquanto exercitava sua arte nas floteStas do Norte do Tibete, pel Sra. Alexandra David-Néel, a ex­
ploradora do misticismo tibetano. Aparentemente, o hornero estava em transe rnectitativo, os seus
olhos estavam bem abenos e rlXos em a1gum objeto i:nvis(vel e muito distante; e dissenun-lhe que
deté-lo cm seu rápido-caminhar provavelmente o mataria. Ele nao coma. mas "parecia do
chao, por pulos. Parecia ser dotado da elasticidade de uma bola e pulava cada vez que
o. seus pés tocavam o chao. Os seus passos tinham a reguJaridade de urn péndulo. Ele usava o
manto e a toga monásticas comuns, ambos um tanto esfarrapados. A sua mao esquerda segurava
urna dobra da toga, estando meio escondida pelo pano. A mao direita segurava um phurbu (urna
adaga mágica). O seu bra,<o dueito se movía lentamente a cada passo, como se o phurbu, cuja
extremidade pontuda estava muito longe do chao. o tocasse e fosse, na verdade, um suporte".
Visto de urna cena rustancia, ele "parecia ser transportado por asas". (Cf. A. David·Néel,
Wirh Mystics and Magicians in Tibet. Londres, 1931. págs. 201-04.) Também é feita urna refe­
rencia a esta arte amenormente ( pp. 99-100), onde Padma é representado como mestre do
método da "rapidez do pé".
177 Esta é a ab rtUIa por onde o princípio-consciencia, na morte, sai do corpo; é chamada,
em sanscrito, de Briihmarandhra. (Ver O tibetano dos mortos, págs. xxx!. 13,61 n. 12.)
120
aínda na loga, o contorno d
y30, e o de um dorje duplc
corpo, a luz se irracliava.
l 78
Depois de ter atingid!
cair da tarde, foi visto por
o vaqueiro, colocando-o so
dele. "Por que", perguntou
vosso servo? As pessoas voo
"V6s sois Vajra-Sattva, pod
povo se reuniram e declarar
na e fez muitas conver.;oes.
AfllS'i
Urna breve biografia d
gue: Dhanna-Bhitti , filli a di
nhou que um homem de tel
dela uro vaso de amrita e de
seu carpo pela abertura de
meses depois, ela deu aluz 1
que se perdeu na areia. Uro
descobriu a crianya ainda vij
Quando o menino atingiu a
bhikshu mas, como era ainl
Mosteiro de shñ Nalanda,
Cinco Classes do Conhecime
Vunala Mitra; e, depois, o ah
na confratemidade dos quinh
1?8 Dessa fOIIDa, o vaqueu
to: riddh¡): a do ro
phyin.pa); a da rala, ou
a da mente, ou domi
d efi 'Sncia no uab
le-tlusr-phyin·pa); e a peIfeiljoio
pa). Como resultado da segunda
como le ultado da terceinl . o (/,
da das nove bertuIlIUOlpO
das narinas, as uas das orelhas, e
179 Trata-se, provllvelmente
tornou um dos Gurus da Escola K¡
J80 As Cinco Classes do O
Dialetos, da Física e Artes Mecan
Escrituras Budistas.
ainda na 10ga, o contorno de um dorje simples apareceu no seu corpo, acima do cora­
e o de uro dorje duplo, na sua testa e, de cada uma das nove aberturas do seu
corpo, a luz se imuliava.
l 78
Depois de ter atingido este siddhi, o vaqueiro, levando o seu gado para casa, ao
cair da tarde, foi visto por seu mestre como sendo o Vajra-Sattva. O mestre exaltou
o vaqueiro, sobre um assento feito especialmente, e inclinou-se diante
dele. "Por que", perguntou o vaqueiro, ''v6s vos inclinais diante de mim, que sou o
vosso servo? As pessoas vos menosprezarao por fazerdes isso." E o mestre respondeu:
"VÓS sois Vajra-Sattva, podeis me <lizer onde está o meu vaqueiro?" E o mestre e o
povo se reuniram e declararam ser o vaqueiro o seu guru; o vaqueiro exp6s a Doutn­
na e fez muitas conversaes.
A ffiSTÓRIA DE SHAKYA sHRi MITRA
Urna breve biografia de Shakya shñ Mitra é transmitida da maneira que se se­
gue: Dharma-Bhitti, filha do Reí Dharma Ashoka, estava dormindo no jardim e so­
nhou que um hornem de tez branca, envolto numa aura de arco-íris, colocou diante
dela uro vaso de amrita e derramou água sagrada sobre a sua que entrou no
eu carpo pela abertura de Braluna e a fez sentir-se completamente tranqüila. Dez
meses depois, ela deu el luz um menino. Sentindo muita vergonha, enjeitou a
que se perdeu na areía. Um c[o, que pertencia a um vassalo do reí do país de Urgyan
descobriu a crianya ainda viva e a levou para o reí e a foi criada na casa real.
Quando o menino atingiu a idade de cinco anos, mostrou desejo de se tomar um
bhikshll mas, como era ainda muito jovem para ser ordenado, foi mandado para o
Mosteiro de ShrÍ Nalanda, onde, sob a de Padrna-Karpo,t'19 se instruiu nas
Cinco Classes do Conhecimento.
l 80
O grande Pandít Shri Singha charnou o jovem de
Vtmala Mitra; e, depois, o abade Nalanda o charnou de Shakya Shñ Mitra e o adrnitiu
na confratemidade dos quinhentos pandits de Nlilanda.
l'18 Dessa f oona, o vaqueiro atingiu as cinco petfeilfoes. iogues (em sánscri­
to: siddhl): a do CClTpO, que.resultouno (em tibetano: f(¡zng·gyok-th4r·
phyin·pa) ; a da fala. oU a grande iogue em tibetano: Sung-thar-phyin-pa);
a peñeiyio mente. ou domínio dos plOCesSOS mentais tem t ibetano: Thuk-thar·phyin-pa); a
perfeiyio da efic(encia no trabalho espiritual. ou dominio dos ensinamento (em tibetano: T}¡fn­
[e·rluzr-phyin-pa) ; e a da cxceH!ncia ou adestro alag« (em tibetano: Yon.ten.rh4r-plz;:.in­
pal. Como re1ultado da segunda apareceu-Ihe umapmtuberincia iguala de Hayagnva;
como re uJtado da terceln, o dOl'f. $ÍIJ'lple ; da qllarta, o dor;e duplo; da quinta. aradiáncill vin­
da das nove aber (em t ibetano: Ne-gu) , que sao as duas aberturas dos olhos, as duas
das natinas, as duas das orelhas. e as da boca, do m us e do órgao gerador.
1"19 Trata-se. provavelmente. de Padma-Karpo, que estabeleceu o Budismo no Burao e se
tomou um dos Gurus da Escola KaIgYÜtpa. (Ver Tibetan Yoga and Secret Doctrines. pág. 251 n. 5.)
180 As Cinco Classes do Conhecimento sao: Conhecimendo da Medicina, das línguas, dos
Dialetos, da Física e Artes Mecánicas e do Tri-Pitaka, que compreende, como na Escola do Sul. as
Escrituras Budistas.
121
A DERROTA DOS NAO-BUDISTAS EM BÓDH-GAYA
EM POLEMICA E MÁGICA
Exercendo o seu poder de presciencia, Padma viu que devia voltar a B6dh­
-Gaya. Primeiro foi ao Cemitério de Jal andhar
l81
para medi tar. Enquanto isso, um
reí nlio-budista, conhecido como "O Serrúdeus a Tudo Penet rante" reuniu o seu
exército e enviou quatro alt os sacerdotes nao-budistas, cada um deles acompanhado por
nove pandits, e quinhentos seguidores, a Bodh-Gaya preparar o caminho para a des­
truiylfo do Budismo. Cada um dos quatro altos sacerdotes se aproximou de Bodh-Ga­
ya por urna das quat ro direyl5es cardeais, desafi ando os budistas para o debate públi­
co, dizendo: "Se fordes vencidos por n6s, será de vossa incumbencia vos converterdes
anossa fé e se nos derrotardes nos t omaremos budistas!' Os quat ro principais erudi­
tos dos budistas disseram entre si: " Embora possamos derrotá-Ios na polernica, na:o
poderemos sobrepujar os seus poderes ocultos."
Quando os budistas estavam reunidos no palácio real em Bodh-Gaya, discutin­
do o debate seguinte, urna mulher de tez azul e trazendo urna vassoura na mlfo, apa­
receu de repente e disse: "Se competirmos com os nao-budistas nao seremos bem-su­
cedidos. Existe alguém, o meu írmao, que pode derrotá-los." Eles perguntararn:
"Qua! é o nome do vosso iunao e ande ele mora?" Ela respondeu: "O seu nome é
Padm -Va'ra 182 e atualmente ele mora no Cemitério de Jalandhar." Como os budistas
queriam saber como poderiam convidá-lo, ela disse: "V6s nao podeis convidá-Io. Reu­
ni-vos no Templo da Árvore-Bodhi, l83 fazei muitas oferendas e oray5es e eu ireí bus­
cá-Io."
A estranha mulher desapareceu de repente, tal como havia surgido; os budi stas
fizeram o que ela mandara, oraram a Padma-Vajra para que viesse vencer os nao-bu­
distas. Na manha seguinte, Padma chegou ao palácio descendo dos galhos das árvores
como se fasse um grande pássaro e logo entrou em meditayio; enquant o Padma medi­
tava, os budistas fizeram soar os seus tambores religiosos. Quando os tambores estavam
soando, os espilSes dos nao-budistas ouviram o que os budistas diziam. O espiao do la­
do Leste canto u que os budistas haviam dito que os nlfo-budistas, cujos cérebres eram
como os das raposas, seriam derrotados. O espilfo do Su! relatou que os budistas ha­
viam dito que os seguidores de Ganesha e o seu exército seriam subjugados. O espiao
do lado Oeste relatou que ouvira dizerem que os maliciosos nl[o-budistas com es seus
seguidores seriam aniquilados, e o espiao do lado Norte ouvira dizer que toda a assem­
bléia negra seria esmagada.
Quartdo o Sol se levantou, Padma assumiu o aspecto de um Dharma-Riija e
voou sobre Bodh-Gaya. O rei de Bodh-Gaya, vendo-o manifestar dessa forma o seu
poder mágico, duvidou da sua habilidade intelectual e !he disse: "0, vós, sois apenas
181 Em Jalandhar. ao norte da [ndia, quase no fim do século 1 A.D., sob os auspícios do
Rei Kanishka. foi realizado o grande concl1io budista que causou o cisma do que veio a ser cha­
mado de Budismo do "Norte" e do "Sul". Hoje, o Budismo do Sul prevalece no CeiHio, em Bur­
ma, na Tailandia e no Camboj a, e o Budismo do None, no Tibete, em Sikkim, no Butao, no Ne­
pal, em Ladak. na Mongólia, no Tartary , na China e no Japao.
182 O que quer dizer "Diamante (ou Indestrutível ou Adamantino) L6tus". A estranha mu­
!her era, na verdade, urna diikini disfarc;ada.
183 Ou Templo de Bodh-Gaya, construído ao lado da Árvore-Bodhi, sob a qual o Gautarna
atingiu o Estado de Buda.
122
um menino de oito anos q¡;
os ni!o-budistas." Padma res
anos, e quem é que diz que
por que ousais competir com
O rei n§'o deu res posta
bavia dito, eles pedlram: "(
monge inferior que nos deix
miná-lo, a nossa religilio pod(
Bntao, todos os n[o-bl
se reuniram. Padma emanot
pria, urna em cada urna das q
dita9ao; estas quatro persoo
budistas, e os budistas, ao v
haviarn sido derrotados. Da
peticrao seguinte, de realizaya
Na competicr[o seguint
tas levaram a melhor por di
ma gritou: "Esperem! Espert
de-I6tus e deJa saiu urna cha
principais sacerdotes dos nac
raro aos céus. Padma aponto
cheios de medo, eles voltara
derrotastes, tanto em argum(
sete dias." Dirigindo-se para
matar Padma. Todos os seu:
abrayaram o Budisrno.
l 84
Entao, Padma fez ofen
as diikin ís charnadas "DoJUirj
couro guarnecida coro cravos
e os mio-budist as." Aa abrir
cretas que explicavam como
dias, a partir do comeyo das (
cerdotes nao-budistas terem (
morte de Pacima, e retomare]
raro e puseram fogo na cidac
peTeceram.
Padrna foi para o telha¡
de rugir como um leao, fez e
medo e abrayassem a Doutrin
tocados do telhado do palácic
De maneira semelhan te.
do rel. competirarn na e:
Sao Patricio, sendo vi orioso, con
Padrna converteu os nao·budistas a
185 Milarepa tarnbém estudl
de um yogi tibetano, pags. 54, 59
um menino de oito anos que fmge ser um pandit; nao estais preparado para derrotar
os nao-budistas." Padma responden: "O, men senhor, sou um velho de trezentos mil
anos, e quem é que diz que eu tenho apenas oito anos de idade? VÓS, sem cérebro,
por que ousais competir comigo?"
O fei n(fo deu resposta alguma mas, ao contar para os nao-budistas o que Padma
havia dito, eles pediram: "O rei, tende a bondade de chamar agora mesrno aquele
monge inferior que nos deixou de cabelo em pé esta manha. Se nao conseguirrnos eli­
miná-l0, a nossa religiao pode sofrer, que subjugá.lo."
Entilo, todos os nao·budistas, mais instruídos, que possuíam poderes mágicos,
se reunirarn. Padma emanou quatro personalidades que se pareciam com a sua pró·
pria, urna em cada urna das quatro dire9t'5es, enquanto ele mesmo permaneceu em me·
estas quatro personalidades debaterem os assuntos religiosos com os nao­
budistas, e os budistas , ao vencerem, bateram palmas, gritando que os nao-budistas
haviam sido derrotados. Da mesma forma, os budistas saíram vitoriosos na ca m­
seguinte, de realizas:ao de milagres.
Na seguinte, que consistia em produzir fogo mágico, os nao-budis­
tas levaram a melhor por dez chamas e, enquanto os nao-budistas aplaudiam, Pad­
ma gritou: "Esperem! Esperem!" Entao, colocando a mao no chao, brotou urna flor­
de-16tus e dela saiu urna chama que o topo do mundo. A seguir, os quatro
principais sacerdotes dos nao-b udistas acompanhados de uns poucos seguidores, subi­
ram aas céus. Padma apontou para eles, o fogo deu urna volta e foi na dire9ao deles;
cheios de medo, eles voltaram para os seus lugares, gritando para Padma: "Vós nos
derrotastes, tanto em quanto em mágica; preparai-vos para moner em
sete <llas." Dirigindo-se para a floresta eles puseram-se a praticar a magia negra para
matar Padma_ Todos os seus 500 seguidores, que haviam sido deixados para trás,
o Budismo.
l84
Entao, Padma fez oferendas de agradecimento as daJdnls e, na manha seguinte,
as dakínis eh amadas "Dominadoras do Mal" aparecerarn e !he deram urna caixa de
couro guarnecida com cravos de ferro, dizendo: " Mantenha sob controle os demónios
e os nao-budist as." Aa abrir a caixa, Padma encontrou manuscritos de doutrinas se­
cretas que explicavam como produzir o t rovao, o raio e o granizo no de sete
días, a partir do das cerimónias mágicas adequadas.
18s
Antes de os quatro sa­
cerdotes nao-budistas terem completado os ritos mágicos, cuja inten9ao era causar a
morte de Padma, e retornarem para a sua cidade natal, os trov<:5es e as raíos os mata­
ram e puserarn fogo na cidade, de forma que todos os seus habitantes nao-budistas
pereceram.
Padma foi para o telhado do palácio, em Bodh-Gaya, e, exercendo o seu poder
de rugir como um leao, fez com que todos os nao-budistas que o ouvissem tivessem
medo e abra9assem a Doutrin a. Os tambores religiosos, os gangas e as conchas foram
tocados do telhado do palácio. Os principais budistas carregaram Padma sobre as suas
184 De maneira semelhante, na Montanha de Tara, na Irlanda, Sao Patrício e os Druidas, na
do rei, competiram na do fogo mágico e dos demais fenómenos aqui descrit os;
Sao Patricio, sendo vitorioso, converteu o irlandes pagao ao Cristianismo, da mesma forma como
Padma converteu os nao-budistas ao Budismo.
185 Milarepa também estudou estas doutrinas secretas e as praticou. (Ver MiÜlrepa. históri4
de um yogi tibetano. págs. 54. 59.{í 1, 85.{í.)
cabeyas e o denominaram " O Mais Exalt ado Lello Rugidor".186 Os reis vizinhos con­
vidaram Padma para ir aos seus reinos e o Budismo disseminou-se amplamente. Os
n!o-budistas convertidos em Bodh-Gaya o chamavarn de "O Vitorioso Todo-Subju­
gadar" .
O CASAMENTO DO PRrnCIPE DEFORMADO
No país nao-budista de Ser-ling nasceu um príncipe deformado, Filho do Reí.
O rosto da crianya era esquelético, tinha urna cor azulada e era muito feio; um olho
era cego, a perna esquerda era capenga, a rolio direita era aleijada e o carpo exalava
um odor desagradável, como o odor de cauro apodrecido. O Rei e a Rainha, envergo­
nhados da crianya, mantinharn-na escondida no palácio. Quando o príncipe cresceu e
desejou casar-se e viver como um 1eigo, eles lhe dlsserarn: "Sois muito deformado e
feio; nenhuma noiva se casará convosco. Seria melhor para vós se entrásseis para a Or­
dem e nos permitísseis suprir vossas necessidades." O pr ncipe respondeu: "A Reli­
gi lfo é vazia por dentro e nao permite a luxúria. Se vós, meus pais, nao procurardes
urna noiva para miro, atearei fogo ao palácio e depois acabarei cornigo mesmo, ou vos
matarei a ambos.'" O príncipe foi procurar urna t ocha acesa e voltou mvestindo con­
tra o rei e a rainha; dessa fo ana, com medo do príncipe, eles o casaram com a prince­
sa filha do rei da Baidha, e abandonaram o palAcio, indo viver longe dele. A princesa
demonstrou um tal desprazer por seu real marido que ele ficou com medo de que ela
fugisse.
Padma, sentado em meditayao, percebeu o problema do par recém-casado e, in­
do até o pátio do palácio, mostrou os seos poderes mágicos, criou mmtos hornens e
mulheres, que danyavam, vestindo ornamentos feitos de ossos humanos. A princesa
desejou sair para ir ver a apresentaylfo mágica, mas o príncipe nao permitiu. De urna
janela, e1a viu Padma e exclamou: "Oh! Se ao menos eu tivesse urn marido como
aquele, como eu seria feliz!"
Padma, ouvindo-a, respondeu: "Se urna mulher [casada]187 ama outro homem,
sofrerá urna tal angústia que os dais nao poderao ser ami gos. Se um homem ama urna
mulher [contra a vontade dela),I88 isso resultará em um mal como o dos espírit05 ma­
léficos e impedirá a sua convivencia. Se marido e mulher forem socialmente desiguais,
surge a falta de respeito mútuo, como o atribuído a Ara, l89 e também i550 impede a
convivencia. "
O príncipe e a princesa ficararn t ao afetados por essas observayeíes, que foraro.
até Padma, inclinaram-se, fizerarn-lhe oferendas e abrayaram o Budismo. O rei, lem­
brando-se das antigas fas:anhas de Padma no paí s de Baidha, flcou muito insatisfeito
e disse: "Este pequeno pedinte matou o meu sacerdote e destruiu o meu palácio."
186 No t exto: Phak-pa Seng·ge Dradog, "Arya (ou Mais Exaltado) Leao Rugid.or". Ante­
rioDllente foi dado a Padma um nome similar, mas menor Seng·ge Dradog; ver pág. anterior.
187, 188 Essas duas interpola<;6es sao necessárias para salientar o sentido sugerido pelos tibeta­
nos; as observa<;oes de Padma, aqui, sao da natureza de urna reprimenda aprincesa por expressar­
!he amor e ao príncipe por viver com a princesa contra a vontade dela.
189 Ara era um bandido famoso. que nao tinha respeito por ninguém, fosse da c1asse alta
ou baixa.
124
Depois, Padma foi apanhad,
lhada palha e, depois, foi p'
ma fora preso e ande havial
todos os seus súditos se arre]
A DESIGNAt; Á<
Depois disso, Padma I
demonios nas suas línguas f
do mundo humano - na Ct
la] e em diversos lugares da
824 deles no Tibete. Em
pa de cristal. Por ter feito to
O MENINO BRAHJ,
Enquanto estava sent¡
cebeu que Bódh·Gaya fora .
va "Vishnu dos Néigas" . O te
ges haviarn sido postos em tI
tiranía do rei. Padma previu
destinados a derrubar o rei.
Um dia, essa ftlha do
urna chuva e ela se abrigou
190 Ou Gharsha (Ghanha·
191 Avaloldteshvua send
vel) Luz, reside no Paraíso
chiin (" Morada dos DrnIrn" ),
so Budista Maltcryiñra.que está
vab é o mundo celeste ande. e
vatl é a ingido como IeSUJudo la
Avalokíte hvara, os Bodhi$4ttYa
Nirvana ara ajudar a onen
me Hiim I ("Oml J6iano Lótus!
Eso tericamente, diz-5I! q
a Essénoia de Buda inata lO hOI
cia de Budaj e que AYaloltiteshl
da cósmica autoge¡
A BriefGlossary of Buddhist Terl
ssa forma, o Mahay­
La multidao leva
tyeka (isto é. aUlo-evoluidos.
g1onoso Caminho. é o dos B
nho, o aspirante pratica 3. pied
tudes Transcendentais) e, re
rico. dedica-se 1I ensillar a um
Nave do Dh4/7Tl1J. o Mar da Exis
Depois, Padma foi apanhado e colocado nurna prisao de tijolos sobre a qual foi empi­
!hada paiha e, depois, foi posta fogo nela. Na manha: seguinte, no palácio ande Pad­
ma fora preso e ande haviam posta fogo havia urna stüpa de ouro. O rei e a rainha e
todos os seus súditos se arrependeram publicamente e se tornaram budistas.
A DESIGNAC;XO FORMAL DO NOME P ADMA·SAMBHA VA
Depois disso, Padma pregou o Dharma para os deuses, os nagas, as diikinis e os
demonios nas suas línguas e reinos respectivos e para os homens, em diversas partes
do mundo humano - na China, em Assam, em Ghasha,190 em Trusha [perto de Sim­
Ia] e em diversos lugares da IÍldia e da Pérsia. Construiu muitos e mosteiros,
824 deles no Tibete. Ern Devachan, o céu de Avalokiteshvara;191 construiu urna stü­
pa de cristal. Por ter feíto todas essas coisas, foí-lhe dado o nome de Padma-Sambhava.
O MENINO BRAHMIN QUE SE TORNOU O REI DE BODH-GAY Á
Enquanto estava sentado em meditayao no céu de Avalokiteshvara, Padma per­
cebeu que Bodh-Gaya fora tomada e saqueada por urn rei nao-budista que se chama­
va "Vishnu dos Nagas". O templo e o palácio haviarn sido reduzidos a ruinas, os mon­
ges haviam sido postos em trabaihos mundanos e o POyO estava sofrendo muito com a
tiranía do rei. Padma previu que o filho da fIlha de urn Briihmin e wn peixe estavam
destinados a derrubar o rei.
Vm dia, essa filha do Briihmin estava fora, vigiando o seu gado, quando veio
urna chuva e ela se abrigou numa caverna, onde adormeceu. Sonhou que Padma apa­
190 OU Gharsha (Gharsha·kha-do-ling, "País das Dakinls"), o atual Lahoul, acima de Kulu.
191 AValokiteshvam, sendo espirituaLd Amttibha, O Suda da Infinita (ou ImeD5Ufá­
veJ Luz, reside no Paraíso Ocidental de Amitiibha, e é conhecido }1elos tibetanos como Dna­
chiin ("Morada dos Dtmu" ), ero sinscrit como SuJcbQwzti ("Reino da Feücidade"). Pata o piedo­
so Budista Mahizyana 4ue está muito abaixo do status evolucion o do Estado de Buda., Sukhli­
vati é o mundo c:el te ondt ele molU durante o intervalo eutIe du el!! oes. Sukhi­
vat. é atingido como resultado laírmico de um altmistico feito em DtlIlle de Amjtibb e de
Ava:loldte hva.ra, os Bodhislntlla.. todo-m . cordioso , que renunciaram ao seu olleito de entrar no
Nirvana para afudar a orientar a humanidade para a Grande O mantra: Om Man; Pad­
meJJiiml ( " Oml J6ia no L6tnsJ JJiiml), é eotoado como um apelo direto a Avalokiteshvara.
E-soteJicamente, que Amitibba, o quarto dos Cinco Budas da representa
a Essencia de Buda ¡nata ao homero, e que nascer no seu paraíso implica o despertar desta Essen­
cia de Buda' e qu Avalokiteshvara, o reflexo BodhiSlfrtvico celestial de Amitabha, ' a "personifi-,
caQiio da cósmica. autogeradora' \ o Om (ou Aum) do seu mIIntl'a é o seu símbolo. (Cf.
A BriefGlossaryofBuddhist Terms, da Loja Budista, Londres, 1937, págs. 8, 14.)
Dessa forma, o Mahtiy"iina consiste de Tres Caminhos. O primeiro Caminho, palmilhado pe­
la muJtidio nao-evolufda, leva ao malS alto do"S paraísos. Um segundo Camtnho, o dos Budas PTa­
tyeka (isto é, auto-evoluídos, ou do olJtúio nao-eo..sinol . leva ao Nirvana. O terceiro e o matS
glorioso Canllnho, é o dos Bodhisattlla$, que leva ao Perielto Estado de Buda. No prlmellO Caml­
nho, o aspirante pratica a piedade; no segundo, a Filosof¡a; no terceiro, os Seis Piiramilíi (ou Viro
tudes Transcendentais) e. retardando a sua própria entrada no Nirvana , o Estado
rico, dedica-se a ensmar a um mundo de sofrimento os roeios de passar para a outra Margem na
Nave do Dhar1TUl, o Mar da ExistenciaSa..ngIÓrica..
125
'
,
<
I
receu corno um belo jovem, coabitou com eIa e a iniciou. Alguns dias depois, ela con­
tou o SOMO él mulher do innIo, dizendo que estava grávida e queria se matar. O ir­
mio, ouviudo-a, d.isse que cuidarla da crianya; e a maya deu él luz um menino. O as­
trólogo da família declarou que o menino havia nascido sob uro bom sinal e o chama­
raro de "Sambhiira da Essencia do Tempo".
Quando o menino estava coro oito anos, mais ou menos, perguntou él mae:
"Quem foi o meu pai?" A ma-e chorou e respondeu: "Nao tendes pai." EntIo, ele per­
gUIltoU: "Quem é o rei deste país, e quem é o seu sacerdote [ou guru]?" A role res­
pondeu: "O seu nome é "Vishnu dos Nagas" e ele tem muitos sacerdotes nao-budis­
tas." O menino disse: "Nlio é justo sustentar um fllho que nlio tem pai. Permiti-me ir
a Bodh-GayiL"
E o menino foi para Bodh-Gaya e procurou entrar nuro mosteiro nao-budista,
mas, como era milito jovem para ser admitido, encontrou uro emprego na cozinha do
rei.
O reí tinha o hábito de comer peixe cru e o menino transformou-se no peixe de
um regato, foi apanhado por um pescador e dado para o rei comer. Quando o reí esta­
va para dar urna mordida, o peixe escorregou da sua m¡[o e foí para o seu estomago,
ande causou-fue uroa dar aguda. Quando todos os sacerdotes haviam sido chamados
ao palácio para !he oferecer ajuda, o menino reapareceu na sua forma natural e, tiran­
do vantagem da confusáo, pos fogo no palácio, abriu as janelas e fechou as portas e
todos os que estavam lá dentro pereceram. Depois, o menino foi para a cidade de Sa­
hor, onde foi ordenado como sacerdote budista, atingindo muitas perfeiyoes espiri­
tuais.
Agora que Bodh-Gaya estava mais urna vez sob o controle budista, os budistas
decidiram reconstruir o Templo e o velho palácio e restaurar o govemo budista. Du­
rante um ano, foi feita urna pesquisa em busca de alguém capaz de se tomar rei, mas
ninguém foi encontrado.
O menino, assumindo o aspecto de um mendigo, foi ao mercado e lá se sentou.
Naquele mesmo dis, o grupo de budistas que estava él procura de um candidato
apto para o reino levou um elefante ao mercado e anunciou que aquele a quem o ele­
fante se dirigisse, oferecendo um vaso como coroa seria aceito como reL Lago que o
elefante foi salto correu com a tromba e o rabo eretos diretamente para o menino e
coloco u o vaso sobre a sua cabeya. E o menino tomou-se o rei de BOdh-Gaya.
Mais tarde, quando o menino encontrou-se com a mac, ela recusou-se a acredi­
tar que ele, o rei, era o seu filho, dizendo que este havia marrido no último incendio
de Bodh-Gaya. Entlio, o rei orou para que um peixe nascesse debaixo de urna tábua
de madeira, dizendo asua m¡[e: "Se esta prece for atendida, deveis acreditar que eu
sou o vosso r1lho." O peixe foi encontrado e, dessa forma, a m[e acreditou. E sob o
govemo deste virtuoso rei budista, "Sambhlira da Essencia do Tempo", a Fé foi disse­
minada e o país prosperou.
MAIS FAC;ANHAS DE PADMA
Padma revisitou, entAo, Bodh-Gaya, ande consagrou o Templo e o palácio res­
taurados, construiu muitas stüpas, reescreveu as escrituras perdidas e reviveu a Fé de
forma geral. Ele também foi ao país do assa-fétida, em Khoten, onde pennaneceu
126
200 anos e estaheleceu as j
dirigiu-se a urna montanha
Sete cayadores aparece ram
los parar de latir. Os
ordenou que Padma abandc
AMOyA CRIADAPELC
Dali, Padma foi para I
morrera ao dar él luz urna I
depositada no cemítério. UJ
mentando-se de frutas. Aos
pés de pato, mas eIa era ro
chamou de Shakya-devi. DI
fonnou urna mandi
sentado com eIa, em
os relampagos interroropera
ram a meditayIo. Como res
ameía-noite, o chef e dos17lJ
pareceu. Como resultado, a
ro lugar, antes do amanheo
do, O espíritos do mal da
homens e para o gado.
Por todas essas coisas
guros; eles conferenciaram
Phurbu
l94
sob a orientayiio
Conseqüentemente, P
um texto phurbu tao pesa
que o texto chegou as m[o:¡
provocado os
continuar as suas práticas .
flor-do-I6tus. Embora ela CI
do texto e ocultou·a na ca'il
céu, caiu chuva, as fl ores del
192 !Choten, ou Turque;tl
foi antes um centro muito flore
sua produr;.ao de assa-fétida, que
corar;.ao.
193 Os mOras sao dem - .
mento como oeste exemplo c1á
Árvore-Bodhi no momento de al
Estes ensinamentos re
gar as influencias maléficas. O
sao objeto rituaís u os para
nomes aos ens1namentos mágEe
200 anos e estabeleceu as formas Sutra, Mantra e Mahiiyiína do Budismo.
1in
Depois,
dirigiu-se a urna montanha na fronteira da fudia com o Nepal e entrou em
Sete apareceram com os seus cies ladradores e Padma, de forma mágica, fe­
los parar de latir. Os cru;:adores, dominados pelo medo, contaram o fato ao reí e este
ordenou que Padrna abandonasse o lugar.
A MOc;A CRIADA PELOS MACACOS E A MEDIT Ac;AO INTERROMPIDA DE
PADMA
Dali, Padma oi para o templo Shankhu. A rainha do Rei Ge-wa-dzin, do Nepal,
morrera ao dar aluz urna menina; a crianya, juntamente com o carpo da rainha, foi
depositada no cemitério. Um macaco que a encontrou adotou-a; a menina cresceu ali­
mentando-se de frutas. Aos dez anos, suas maos eraro ligadas por membranas como os
pés de pato, mas ela era muito bonita. Padma foi ao cernitério, iniciou a menina e a
chamou de Shiikya-devi. Depois, levando-a para urna caverna, para !he dar maior ins­
truyao, formou urna roandala com nove lantemas acesas e, enquanto lá permaneceu
sentado com ela, ero meditayao iogue, surgiram tres impedimentos. Primeiro, anoite,
os relAmpagos interromperam a sua meditayao, mas cessaram quando eles interrompe­
ram a meditaylfo. Como resultado, a seca prevaleceu por tres anos_ Bm segundo lugar,
ameia-noite, o chefe dosrrniras 19l apareceu e, depois de perturbar a meditayao, desa­
pareceu. Como resultado, a fome prevaleceu sobre toda a lÍldiae o Nepal. Ero tercei­
ro lugar, antes do amanhecer, um pássaro interrompeu a meditayao e, como resulta­
do, os espiritas do mal da lÍldia, do Nepal e do Tibete trouxeram epidemias para os
homens e para o gado.
Por todas essas coisas, Padma procurou a orientay!ro dos que tinham sido seus
guros; eles conferenciaram e disseram-1he para estudar os ensinamentos do Dorje­
Phurbu
l94
80b a orientayao do Pandit Prabhahasti.
Conseqüentemente, Padma escreveu para este pandit, que mandou para Padma
um texto phurbu tao pesado que um hornero quase nao podía transportá-Io. Logo
que o texto chegou as maos de Padma, na caverna, os espiritos maléficos, que haviam
provocado os impedimentos, desapareceram e Padma e Shiikya-devi foram capazes de
continuar as suas práticas iogues sem serem molestados. Padma disse: "Sou como a
flor-do-16tus. Emboca ela cres9a da lama, a lama nao adere a ela." Ele fez urna c6pia
do texto e ocultou-a na caverna. O vapor levantou-se do mar, formaram-se nuvens no
céu, caiu chuva, as flores desabrocharam e as frutas amadureceram. A fome e as doen­
192 Khoten, ou TUIquestiio do leste, como confmnam as recentes pesquisas arqueol6gicas,
foi antes um cenUo muito florescente do Budismo Malliiyiina e é conhecida comercialmente por
sua producrlo de assa-fétida, que os tibetanos eml'regarn no tratamento de resfriados e " SOplO" no

193 Os miiraJ sao demonio que plocu.ram evitar que o seres humanos atinjam o Eselareci­
ment como neste exemplo clássico do Bodhisattva Gautarna, quando Ele sentou-se debaixo da
Árvore-Bodhi no momento de atingir o Estado de Buda.
194 Estes ensinarnent os referem-se aos mét odos mágicos de dominar os demonios e subju­
gar as influencias maléficas. tibetano (ou J:alo dos deuses) e o phUTbu (ou dagamágica)
sao objetos rituais usado! para controlar e exorciZar os espl'rito ma:léficot e emprestam o 5eUS
no mes 30 e.nsinamento mágl s.
127
1
,
l
desapareceram, e o povo foi feliz. Depois que Padma estabeleceu a Doutrina na
regilfo da caverna, ele foi chamado de "Padma, O Padroeiro Vitorioso das Dtikinis". 195
AS MUlTAS APA@NCIAS MÁGICAS DE PADMA
Padma continuou a subjugar o mal, assumindo numerosas aparencias. As vezes,
ele aparecía como um peclinte comum; as vezes, como um menino de oito anos; as ve­
zes, como trovao, OU vento; as vezes, como um belo jovem namorando as mulheres;
as vezes, como urna bela mulher apaixonada pelos homens; as vezes como um pássa­
ro, um animal ou um inseto; as vezes como um médico ou um rico doador de esmo­
las. Outras vezes, tomava-se um barco e o vento no mar para salvar os homens, ou a
água para apagar o fogo. Ensinou o ignorante, acordou o preguiyoso e dominou o ciu­
mento por interméclio dos seus feitos her6icos. Para superar a preguiya, a raiva e a lu­
xúria da humanidade, apareceu como os Tres Principais Professores, Avalokiteshvara,
MañjushrÍ e Vaj ra-Piini; para superar a arrogancia, assumíu o Corpo, a Fala e a Mente
do Buda;l96 , para superar o ciúme, o quinto dos "Cinco Venenos"197 transformou-se
nos Cinco Budas Dhyaru.
198
Agora, ele era chamado de " O Principal Possuidor das
Danyas Mágicas [ou Formas-em-Mutayao )". Resumindo, para realizar a sua missao
com todas as criaturas sencientes, humanas, super-humanas e subumanas, Padma assu­
mía a aparencia mais própria para a ocasiao.
TEXTOSETESOUROSESCONDlDOSPORPADMA
Os muitos livros que escreveu, ele escondeu no mundo dos homens, nos mun­
dos celestes e nos reinos dos niigas, debaixo das águas, dos mares e lagos, de forma a
deixar preservados para as futuras gerayOes os ensinamentos originais nao corrompi­
dos. Poressa razao, asdiikinis o chamaram de "O Possuidor do Poder sobre os Tesau­
ros [ou Textos) Esconclidos". Muitos desses textos escondidos foram escritos em fo­
!has de palmeira de tala, em seda e sobre papel azul [ou laqueado] em tinta de ouro,
prata, bronze, ferro e malaquita e fechados em caixas com riscas de ouro, em potes
de barro, receptáculos de pedra, caveiras e pedras preciosas. Tudo o que ele ensinou
195 As diikinis, wna classe elevada de seres espirituais parecidos com as fadas , que sao comu­
mente escolhidas como padroeiras pelos neófitos do Tibete, parecem, segundo esta denomina'Yao
terem escoihido Padma como o seu padroeiro em virtude do seu domínio sobre os deuses, demo­
nios e homens.
196 O Carpo do 'Buda é o DhDf1T/II-Kiiya; a Mente, o Sambhoga-fiya; a Fala. o NirmanD­
K1iya. Estes tTes tGiyas sao as tres Calmas pelas quais a Essencia de Buda é mistícamente personifi­
cada. A primeira é o Carpo Verdadeira. ande todos os Bud3s no Nirvana estilo na mconcebível
a segunda é o Carpo Refletido da gl6da. ande moram, nos mundos celestes, os
DhyinÍ Budas e todos os Budas e Bodhiwttvas que estB:o no Sangsara, quando nao encarna­
dos na Terra; a terceira é o Carpo da no qua! todos os Budas e Bodhlsattvas mOlam
quando trabalham entre os homens.. (Ver O livro tibetano dos mortos, págs. 7-12.)
197 Sao eles: a luxúria. o 6djo (ou raiva), a estupidez (ou pregujlta). o egoísmo (ou arrogan­
cia) e o ciúme. (Ver Milarepa, hist6ria de um yogi tibetano, págs. 146 n. 13 e 194.)
198 Estes, os Budas da Medita'Yao, sao: Vairochana, Vajra-Sattva, Ratna-Sambhava, Amita­
bha e Amogha-Siddhi. (Ver O livro tibetano dos mortos, págs. 76-91.)
128
foi registrado e escondido
na sua pureza original paJ
a 0.[0 ser os tertons [os (
trazer aluz as escritas sag¡
Padma colocou os t
da.sabedoria; abenyoou o
guém que, sem o mérito q
se indigno. Dessa forma,
cia9ao, da sucessao sacerd
Entre as Montanha:
Tibete] e Tri·shi·trik, na (
importantes, cinco essenc
do Budismo e dos B6npos
derijos similares foram fei
mente com os textos, ent
para sustentar os tertons
Acreclit a-se que Padma e!
lh5eS.
201
OS TESOUROSES
Depois de ter explic:
exposto antes, sobre por g
acrescentou: "Árya-deva!
conseguinte, subjugarao os
Depois, Sh1ik:ya·devi
tao grande, corno eles se !
mérito obtido em urna en
poder de descobrir os tesOl
favor, explicai-me tuda iss!
Padma respondeu: "
meritório. Foi depois da d
199 Diz-se que alguns le
ma, ou seja, como
presente tratado, assim como
dos por Padma que, subseqüe¡
dos mortos, págs. 51-2.) De al
pelos tertons em quarenta e no
Dl Os Bónpos sao segU'
dominou, assumindo alguns el
mo é ilustrado no Tibelan Yo
201 Este, naturalmente,
dao , mas sem significa'Yao nu
202 O nome tibetano d
truiu o progresso do Budism
'Y0s adissemina¡yiio do Dharrru
ka/a.
foi registrado e escondido. Até mesmo os ensinamentos do Senhor Buda ele escondeu
na sua pureza original para que os nao-budistas nao os pudessem adulterar. Ninguém,
a nao ser os tertóns [os extratores de textos escondidos] teria poder de descobrir e
trazer aluz as escritas sagradas. 199
Padrna colocou os textos escondidos sob a guarda das dakinlS e dos Portadores­
da-Sabedoria; abenyoou os textos para que nenhum deles pudesse cair nas m[os de al­
guém que, sem o mérito que brota das boas ay1'les feitas em encamayoos passadas, foso
se indigno. Dessa forma, nao poderia haver nenhuma diminuiyao da Doutrina, da ini­
ciagao, da sucessao sacerdotal através da reencamay[o, nem da prática da religiao.
Entre as Montanhas Khang·kar·te-say [perto da fronteira do Nepal, ao sul do
Tibete] e Tri.shi·t rik, na China, Padma escondeu 108 grandes trabalhos, 125 imagens
importantes, cinco essencias muito raras [das doutrinas secretas] , os livros sagrados
do Budismo e dos Bonpos,lOO livros de Medicina, Astrologia, artes e engenhos. Escon·
derijos similares foram feitos por Padrna nas cavernas do Nepal e em templos. Junta­
mente com os textos, enterrou muitos tesouros mundanos, armas mágicas e comida
para sustentar os tertons que deveriam descobrir os textos e entregá-los ao mundo.
Acredita-se que Padrna escondeu textos e objetos acessórios num total de dez mi­
20 1
Ih1'leS.
OS TESOUROS ESCONDIDOS E AS PESSOAS CAPACITADAS PARA
DESCOBRI-LOS
Depois de ter e plicado para Shakya·devi, em resposta asua pergunta, como foi
exposto antes, sobre por que tantos textos e tesouros haviam sido escondidos, Padma
acrescentou: "Árya-deva e Nagarjuna retirarao um dos tesouros escondidos e, por
conseguinte, subjugarao os nao-budistas."
Depois, Shakya-devi perguntou: "O Grande-Guro, se o número dos tesauros é
tao grande, como eles se originaram e por que chamá·los de tesouros? Quem terá o
mérito obtido em urna encamac;ao anterior para beneficiar-se com eles? Quem terá o
poder de descobrir os tesauros? E como nascerá o descobridor de um tal tesouro? Por
favor, explicai.me tuda isso."
Padrna respondeu: "Tende a bondade de dar·me ouvidos, 6 v6s, de nascimento
merit6rio. Foi depois da destruic;ao do Demonio Thar-pa Nag_po202 que os tesauros
199 Diz-se que alguns tertons apareceram como reencamattoes de certos discípulos de Pad­
ma, ou seja, como emanattoes do próprio Padma. Os tibetanos acreditam que o texto do nosso
presente tratado, assim como o texto do Bardo Th Odol, estao entre os t extos escritos e escondi­
dos por Padma que, subseqüentemente, foram descobertos por um terton. (Ver O livro tibetllno
dos mortos, págs. 51-2.) De acordo com a Escala Nyingma, os textos sagrados foram encontrados
pelos tertons em quarenta e nove lugares diferentes do Tibete.
:lOO Os Bonpos sao seguidores da religiao pré-budista do Tibete, chamada Bon, que Padma
dominou, assumindo alguns dos seus ensinamentos e incorporando-os ao Budismo Tantrico, ca·
mo é ilustrado no Tibetan Yoga and Secret Doctrines. Livro V.
201 Este, nat uralmente, é outro exagero figurativo tipicamente oriental, expressando multi­
dao, mas sem significattao numérica precisa.
202 O nome tibetano de um rudra. ou demonio, que quer dizer "Salvattao Negra", que obs­
truiu o progresso do Budismo no Tibete. Padma subjugou-o e empregou os seus poderosos servi­
~ o s adisseminattlio do Dharma. Depois de Thar-pa Nag-po morrer ele reencarnou como um Maha·
kala.
129
se originaram. Da sua mente brotaram os Cito Cemitérios.10
3
A sua pele representa o
pa'pel; suas maos e pemas, a pena; o fluido aquoso que ele exsuda das quatro abertu­
ras do seu C011'0204 representa a tinta. Destes tres [a pele, os membros corporais e o
fluido aquosol vieram os "Cinco Venenos" e dos "Cinco Venenos" veía o alfabeto
das letras. O cramo, a boca e o nariz tomaram-se receptáculos para os tesauros. Os
seus 6rglios internos, os dedos dos pés e das mll'os representam os lugares dos tesou­
ros. Os Seis Receptáculos da Doutrina
2os
ir.lo declarar quem deverá possuir o poder
para descobrir os tesouros. Dos cinco 6rgaos principais (o corayao, o ffgado, os pul­
mOes, o estomago e os intestinos] virao os Abencoados.
206
Dos cinco órgaos dos sen­
tidos [a Hngua, as narinas, as orelhas, os olhos e os 6rgaos do tato, incluindo o do se­
xo] virlio os "Cinco Poderes,,207 e também os "Cinco Elementos,,208 e, dos "Cinco
Elementos", o Corp [o Dharma-Kayal a Mente [oSamghoga-Ka'ya] e aFata [oNir­
nui"na-IGya l.
"Se forem c\assificados, existem dezoito tipos de tesouro. O louco descobri­
docl
09
do tesouro principal será conhecido como os globos oculares e os tertans infe­
riores serao conhecidos como a retina dos olhos. Se alguns desses tertons foc chama­
da de eunuco,210 ele será igual ¡l descarga do nariz [do Demonio]; alguém de vida ele­
vada e bem-aventuranya será igual ¡l consciencia e amente. Qualquer um que possa
ser chamado tertan de espiritualidade média será igual ao fígado e abiles. E com to­
dos esses exemplos, vós sereis capaz de reconhecer os descobridores."
Estes tesauros escondidos, como Padma explicaD em pormenores nao podem
ser encontrados todos de urna s6 vez. Um ap6s outro, quando forero necessários para
o progresso da humanidade eles serao descobertos. Assim como é raro o udamba­
ra.
211
raros sao os tertans. Sempre que nasce um tertan. o udambara surge. Se o nas­
cimento fOI entre os kshatriya, a COI da flor será branca; se for entre os briihmins, a
cor será verrnelha; se for entre os vaishyas, será amarela, e se for entre os shiidras,212
azul. O nascimento de uro tertón é imediatamente seguido pela morte da mae 00 do
pai do certan. Dois ou mais rertans nao podem nascer simultaneamente [ou na mes­
2m Estes sao os conhecidos Cito Grandes Centitérios (ou Pátios de Crema"ao) na fndia an­
Oga, nos quais Padrna viveu e meditou cm diversas épocas.
:204 Sao e1as a boca, o nariz, o ánus e o órgao sexual.
20S Sao, provavelmente, seis dos pdncipais patriarcas do Mahiiyana, como Nagilrjuna, Átya­
devi (rnencionado acima por Padma), também conhecidos como Kana-devii, e os seus sucessores
imediatos.
206 Os Mestres do Dhamuz, os Budas, BodhiSQttvas e os Grandes Gurus.
'1JJ7 Os Cinco Poderes sao: o Poder. da fé religiosa o Poder da diligente. o Poder
da mernória, o Poder da meditar;ao profunda, e o Poder da ingenujdade ou inteligencia..
2Q¡ A saber: Tena, Água. Fogo, Ar e €ter.
:10} € costume entre os guros e iogulns n:ferir -se eufemisticamentea alguém de altas rea1i­
espirituais como lou . (Cr. Tibetan Yoga and Secret Doctrines, pág. 269.)
210 Toda esta passagem, sendo esotericamente simbólica, toma a denomiDa9áo de eunuco
também simbólica e, provavelmente, refere-se a um ioguim que se fez, nao de forma literal, mas
ItgUIativamente, no sentido bfulico, um eunuco plWl atingir a cone<r3o.
211 O udDmbara (ficus c/onerata) é uro 16tus mítico de grande tamanho. que é representa­
do comumente na literatura oriental como se fI orescesse somente quando um grande ser espiri­
tual, tal como o Buda, nasce sobre a Tena.
212 Os kshatriya, ou c1asse guerreira; os brahmins, ou a classe espiritualmente instruída;
os vaishyas, ou classe mercant il: e os s}¡üdras. ou classe trabalhadora, constituem as quatro cas­
tas da organiza<r3o social hindu.
130
ma J, pois somente w
tesouros escondidos será dadl
a outra e se sucederao; existiri
riqueza mundana, os leigos e ,
Depois de ter complet'
Padrna foi até a Caverna de 1
ma atingiria um detenninado
ao chegar ao cemitério, viu u
e tres oilios em cada
dia seguinte para o siddhi C,
piao tirou de debaixo de um
manuscritos da Doutrina Ph
cada um dos olhos e de cada I
Padrna voltou para
permaneceu, reforyando a
tempo de ir em direglio ao
firme do que fora fundado
te, restabelecido pelo Rei
O Rei
'213 No Teframento
mortM; nas págs. 51-2, Padma
214 Kowa era urna parte
215 Ver págs. 17n. 127n,
216 Um yafUJ é um metodo
21'7 Srong-Tsan-Gampo
Durante os noventa anos que
se desapareccu. te ndo os
pré-budista Bon.
218 Embora a causa ex
considerarnm a ausa ocult a
ma J, poís somente uro terton encama de cada vez. O poder para descobrir os
tesouros escondidos será dado principalmente a seis pessoas, que nascerao uma após
a outra e se existirao cinco tertons de menor grau.
213
Os reís, as pessoas de
riqueza mundana, os leigos e os apegados apropriedade nao terao este poder.
O GURU ESCORPIÁO
Depois de ter completado outras misseies, no vale do Nepal e em Kosala,214
Padrna foi até a Caverna de Phüllahari, onde Vajra-pani apareceu e previu como Pad­
ma atingiria um detenninado siddhi no grande cemitério próximo de Rajagir. Padrna,
ao chegar ao cemitério, viu uro enorme escorpiao com nove cabeyas, dezoito clúfres
e tres olhos em cada cabe ya. Padma louvou o escorpiao e este pediu-lhe que viesse no
dia seguinte para o siddhL Conseqüentemente, Padma manteve o encontro e o escor­
piao tirou de debaixo de urna rocha urna caixa de pedra triangular contendo textos
manuscritos da Doutrina Phurbu,2lS e Padma entendeu imediatamente os textos. De
cada urn dos olhos e de cada um dos chifres do escorpillo saiu uro yana. 21 6
A VIAGEM DE PADMA AO TmETE
Padma voltou para Bodh-Gaya a pedido do reí Nyima Singha e, enquanto lá
pennaneceu, reforyando a Doutrina, veio-lhe o pensamento de que havia chegado o
tempo de ir em direylro ao Tibete para fundar o Budismo Tibetano de maneha rnais
finne do que forafundado originalmente pelo Rei Srong-Tsan-Gampo e, da! em dian­
te, restabelecido pelo Reí TIÜ-Srong-Detsan, a encamac;ao de Mañjushñ.
217
O Rei Thi.srong-Detsan tentara construir um mosteiro em Sarnyé, mas como o
lugar nao havia sido consagrado de forma própria, os espíritos maléficos atrapalha­
varo a construc;ao; 10go que urna parede era levantada, imediatamente caía. 218 Alguns
dos sacerdotes do rei declarararn que era necessário um sacerdote de poderes superio­
res para subjugar os espiritos maléficos; o rei despachou mensageiros para a lidia e
para a China para procurarem uro tal sacerdote. Como resultado, o Grande Pandita
Bodhisattva, que estava ensÍIlando em Nilanda, foi ao Tibete, a convite do rei; o rei
encontrou-se com o Bodhisattva em Sang-phor [perto de Sarnyé]. Embora o Bodhi­
sattva tenha consagrado e exorcizado o lugar do Mosteiro de S'"aroyé, os espiritos ma­
léficos nao foraro vencidos e ele entao avisou ao cei que Padma-Sambhava, entao em
213 No Testamento abreviado de Padma, o título IDtetro é dado em O /ivro tibetano dos
monos; nas págs. 51-2, Padma menciona oito ten6ns que deverao ser enca.mayoes dele mesrno.
Z14 Kosala era urna parte do antigo Oudh.
21S Ver págs. 117n, 127n, 194, para explicayao.
216 Um yaTUl é um método doutrinaJ ou caminho para atingir o poderes espirituais.
417 SIong-Tsan-Gampo morreu no A.D. de 650 e Tlú-Srong·Detsanreinou de 740 a 786 A.D.
Durante os noventa anos que separaram os dois reinados, o Budismo sofreu um declínio e qua­
se desapareceu. tendo os sucessores imedlatos de Srong·Tsan-Gampo apostatado a antiga religiao
pré-budista Bon.
Embora a causa externa disto, provavelmente, tenlla sido os terremotos, os tibetanos
consideraram a causa oculta como demoníaca. Para todos os efeitos, de acordo coro os registros
históricos tibetanos, tao logo o lugar foi exorcizado por Padma, nenhuma parede caiu mais.
131
:
'
:
I
Bodh-Gaya, era o úni co capaz de subj ugar os espiritas maléficos; o rei convidou Pad­
ma-Sambhava para ir ao Tibet e.
219
Padma aceitou o convite e dirigiu·se ao Tibete no décimo quinto dia do décimo
primeiro mes, de acordo com o calendário tibetano .
22o
No trigésimo dia do mesmo
mes ele chegou ao Nepal. Padma disse que i ri a prosseguir, estágio por estágio, enqu an­
to subjugava os demonios de um lugar ap6s outro. Permaneceu no Nepal durante trés
meses a convite do Rei Vasud-hari , pregando a Doutrina. Quando estava para deixar
o Nepal, depois de ter mmtos males, as dtikinís e outros seres espirituais que
tinham sido amistosos e o haviam auxiliado, pediram·lhe para que nao se fosse; ele
disse: "Eu devo ir, chegou a hora de subjugar os espiritos maus do Tibete."
o MILAGRE DA ÁGUA
Padma, entao, viajou em direylto ao Tibete, subjugando seres demoníacos por
t odo o caminho, e o seu primeiro lugar de descanso foi ero Tod-lung [a cerca de doze
milhas de Ulasa ]. O rei tibetano enviou os dois principais ministros de Estado para se
encontrarem com Padma, levando cartas, present es e 500 acompanhantes montados.
O próprio cavalo do rei , se lado com urna sela de ouro, foi mandado para ir buscar
Padma. Quando esta numerosa encontrou-se corn Padma, estava sofrendo
de falt a d' água e, como nao havia nenhuma água disponível no lugar, Padma, toman­
do um cajado comprido, bateu numa rocha, a água j orrou deIa e os horneas e os ani­
mais saeiaram a sua sede. O lugar é ch amado de Zhon-pa-hi-lha-chhu.
221
A REAL DE PADMA E O MILAGRE DO FOGO
O rei, juntamente com o seu grupo, foi para Zung-khar, próximo aPassagem
de Haopori (a sete ou oit o milhas de Ullisa], para se encontrar com Padma. O P OYO lá
219 Alguns eruditos no Ocidente declararam que Padma-8ambhava foi professor da Univer­
sidade Budista de NaIanda ao tempo em que o rei tibetano convidou-<l para ir ao Tíbete (como,
por exemplo, o Dr. L. A. Waddell, op. cit., pág. 24) ; °Editor, tendo aceito esta alrrmao;:a:o, repe­
tiu-a em suas próprias (como em O livro tibetano dos morros, pág. 50). Agora, pa­
rece neste relat o textual original que foi o Grande Pandita Bodh isattva e nao Padma-8ambhava
o professor em Niilanda e, como o nosso t exto mostra depois, o Bodhisattva era sem dúvida
alguma um personagem completamente diferente de Padma-Sambhava. O rei tibetano. por
exemplo, na ocasiao da recep(¡ao pública de Padma em Samyé, colocou Pad.ma num trono de
ouro e o Bodhisattva em um trono de prata. Adiante, o Bodhisattva, como mastra °text o, mor­
reu mais ou menos na mesma época que o Rei Thi-Srong-Detsan. Aparentemente, portanto, pOI
causa de urna leitura errónea do texto tibetano, o Bodhisattva e Padma foram tomados como urna
só e a mesma pessoa.
220 O ano tibetano, que é lunar, come(¡a em fevereiro, cam o nascimento da Lua. Assim, o
décimo primeiro mes seria dezembro de 746 A. D. A sua chegada ao Tibele fol cerca de tres me­
ses e meio mais t arde, ou em 747 A.D., no in(cio da primavera.
221 Um name de lugar tibetano que quer dizer "Néctar dos Deuses para a Cavalaria", com
referencia aágua que Padma miraculosamente fez jorrar para os acompanhantes montados do reL
O falecido Sardar Balladur S. V. Laden La, quando estávamos traduzindo esta passagem, disse-me
que havia visitado o lugar e que a água ainda corre num filete de cerca de urna poiegada da rocha
sólida, a urna altura de aproximadamente 8 pés do chao.
132
havia se reunido em gran
em procisslio com acompa
para .I.llisa, onde se seguiu
Quando Padma e o
rei e vendo que este espel
na Padma !he d
16tus e sou um segundo E
asua Padma di!
nar diante de núm." E Pa
dos seu s dedos, queimand
disso, o rei, os seus ministl
ACON
No primeiro dia do
nhou até o Palácio em S
trono de prat a, fez oferen<
Padma atirou tesoUl
poueo, subjugou os deuse:
muitos milagres.
No oitavo día do oi
do Mosteiro de Sarnyé cor
pLeitos maus, ensinando·U
diretores-chefe do trabalhe
teo e empregou
cais e as deidades guardias
seres espirituais o levavam
ORELATOD
Vendo Padma que (
Chhim-phug perto de Sam
NQga.. Naquele momento, (
ca encontrar madeira para
cia de um homem de tez ¡
222 Samyé, o primeiro I
está situado a cerca de trinta
po, nurna altitude de cerca de
zer: "Academia para
um grande templo, quatro col
do muro circular de cerca de
quatro pontos cardeais. A sua
"O Rei de Samyé". Dizem qu
ram trazidos da India. (Para m
havia se reunido em grande quantidade para cumprimentar Padma; e ele foi levado
em procíssilo com acompanhamento de música e dan9a, pelos dan9arinos mascarados,
para UWa, ande se seguiu urna grande festividade.
Quando Padma e o rei se encontraram, Padma deixou de inclinar-se diante do
rei e vendo que este esperava que ele se inclinasse, como os Bodhisattva haviam feito
na recep94"o, Padma lhe disse: "V6s nascestes de um entre materno; eu nasci de um
16tus e sou uro segundo Buda." Depois, ap6s t er-se referido aos seus poderes iogues e
¡\ sua instru9a:O, Padma disse: "ó rei , como vim para o vosso bem, vós deveis vos incli­
nar ruante de mim." E Padma apontou os dedos para o rei e o fogo saiu das pontas
dos seus dedos, queimando-lhe as vestes; apareceram raíos e um terremoto. Em razao
disso, o reí, os seus ministros e o P OyO inclinaram·se diante de Padma.
A CONSTRm;ÁO DO MOSTEIRO DE sAMrt
No primeiro dia do oitavo mes tibetano, Padma visitou Sarnyé. O rei o acompa­
nhou até o Palácio em Siimyé, colocou-o num t rono de ouro e o Bodhisattva num
trono de prata, fez oferendas religiosas e Padma previu o que iria fazer no Tibete.
Padma atirou teso uros nos lagos, para ganhar a boa-vontade dos nagas. Pouco a
poueo, subjugou os deuses, as deusas e os espiritas rnaus de todo o Tibete e realizou
muitos milagres.
No oitavo dia do oitavo mes do ano do tigre da terra, o trabalho da constru9ao
do Mosteiro de Siimyé eorne90u, tendo Padma consagrado o lugar e apaziguado os es­
piritos maus, ensinando·lhes os Preceitos.
222
Padma indicou Brahma e Indra como
diretores-chefe do trabalho de constru9ao, fez supervisores os Quatro Reís das Qua­
tro e ernpregou como operários os deuses, os espiritos maus, os genios lo­
cais e as deidades guardias. Os homens levavam adiante o trabalho durante o dia e os
seres espirituais O levavam adiante anoite, de forma que o progresso foi rápido.
O RELATO DA SUBMISSAO DO RE! NÁGA POR PADMA
Vendo Padma que o rei dos niigas continuava insubmisso, foi el Caverna de
Chhim.phug perto de Samyé e entrou em corn o propósito de vencer o Rei
Miga. Naquele momento, o Reí Thi-Srong-Detsan estava tendo rnuita difieuldade pa­
ra encontrar madeira para a do mosteiro; o Reí Niiga, assumindo a aparen­
ci a de uro homem de tez branca, foí ao reí do Tibete e disse: "Eu suprirei toda ama-
m Samyé, o prirneiro mosteÍlo budista construído no Tibete, depois do PoUla em Lhasa,
está situado a cerca de trinta milhas a sudeste desta cidade, perto do banco norte do rio Tsang­
po, numa altitude de cerca de 11.430 pés. O s u nome completo, traduzido para o ingles, quer di­
zer: "Academia para de Muita Medita<;io lmutável". Samyé, corno é hoje, cornpreende
um grande templo, quatro colégios importantes e dJversos outros edíflcio$ cercados por um eleva·
do muro circular de cerca de urna millia e meia de cÍlcunferencia. com portoes que dio para os
quatro pontos cardeais. A sua grande imagem do Buda, de maís de dez pés de altura, é chamada
"O Rei de Samyé" . Dizem que a biblioteca monástica contém muitos manuscritos raros que fo·
ram trazidos da ¡"ndia. (Para maiores detalhes, ver L. A. WaddeU, op. cit., págs. 266-68.)
133
:
;
l
I
deira necessária, contanto que interrompaís, como vos a de Pad­
ma."l23 O reí tibetano prometeu cumprir O pedido e o homem prometeu providen­
ciar a madeira.
O reí tibetano [oí até a caverna mas, em vez de ver Padma viu um imenso garu­
da,W. que segurava em suas patas urna enorme serpente que já havia engolido quase
toda, somente urna pequena do rabo da serpente permanecia para fora. O reí
disse: "Tende a bondade de interromper a vossa poís estamos para atingir
urn grande siddhr'; em conseq1lencia disso, a serpente libertou-se e ogaruda transfor­
mou-se em Padma, que perguntou: "Que siddhi é esse?"
Depois de o reí ter-lhe explicado, Padma disse: "Conquanto eu tenha subjugado
completamente todos os demais espiritos maléficos, subjugueí apenas o carpo do Reí
Naga e n[o a sua mente. Se eu tivesse subjugado a sua mente, a madeira teria surgido
por si mesma. Daqui em diante, gra9as avossa a9ao, o Reí Niiga dominará o Tibete e
mandará para o pavo dezoito espécíes de lepra, e os nogas irados ser[o vossas inimi­
gas."
O reí tibetano retornou para Sarnyé para averiguar se o homem de tez branca
havia ou nao mantida a sua promessa e encontrou a madeira lá; e esta madeira foi uti­
lizada na constru-rao do mosteiro.
Em seguida, o reí tibetano perguntou a Padma se nao havia nenhurn modo de
subj ugar o Reí Niiga e Padma respondeu: "A única forma é o rei dos n5gas e o rei do
Tibete t omarem-se amigos." Padma foí para o Lago Malgro, perto de S-amyé,
ande o Reí Niiga morava. O rei tibetano com os seus ministros escondeu-se num vale,
como Padma havia mandado, e Padma urna pequena tenda branca sobre a
areia do lago e lá meditou du:rante tres noites.
22s
Na terceira noite, uma bela jovem
apareceu diante de Padma e perguntou: "O que estais fazendo aqui , e o que procu­
rais?" Padma respondeu: ''Eu desejo que o rel do Tibete e o rei dos nagas tornem-se
amigos. Tendo o tesoUIO do reí tibetano se esvaziado por causa da construylIo do
mosteiro, eu viro para pedir riqueza aos niigas. E quero que Jeveís a mensagem ao vos­
so rei."
Entao, a donzela desapareceu; na manhiI seguinte, urna serpente muito grande
saíu do lago agitando as águas, e o ouro encheu todas as praias. Dessa fonna, o tesou­
ro foi reabastecido e a do mosteiro continuou. Um pouco do aura foi
223 Sendo o Tibete um país de escassos recursos de madeira, pode-se imaginar o problema
para encontrar tábuas adequadas e apIopriadas, pIoblema com o qua! se defrontou o fel tibetano,
e como foi grande a tenta"ao de atender ao pedido do rei dos ruigas.
224 Um garw:Ja é urna criatura mítica com a de lÍgUla, carpo meio humano m eio pás­
saro, dois bra,"os parecidos com os membros humanos, asas e pés de gaviao, o que simboliza
a energia e a aspirat;:3."o. f análoga a renix clássica e ao pássaro-trovao dos Peles Vennelhas da
América do Norte. Num sentido mais esotérico, os tibetanos, assim como os chineses, a vcem co­
mo um símbolo da Terra e dos seus elementos circundantes: a cabec;a representa os céus; os olbos,
o Sol; o dOJ:so, a Lua crescente; as asas, o vento; os pés, a própria Terta; o rabo, as mores e plan­
tas. Assim como o marabu, ou a cegonha, chamadas popu1annente pelos hindus de garuda, ela
é inimiga e devoradora de serpentes, como mostra o nosso texto. (Cf. L. A. Waddell, op. cit.,
págs. 395-96.)
225 Durante estas tres noites, como sugere a annayao da barraca, Padma provavetmente
celebro u urna forma do Rito Chod (que é exposto integralmente no Livro V de Tiberan Yoga and
Secret Doctrines ).
134
aplicado il de im
entradas e levou cinco anos
Padma colocau o mos
foi consagrado no décimo (
nho. O pr6prio Bodhisam
um dia e iniciou o reí do Ti1
OSWLAGRES
Dentro do mosteiro,
manifestou em cento e oi!
mente, realizau a cerim6nil
tava distribuindo as flores 1
cularam tres vezes em volt
plos safram dos seus santuá:
vidou que as imagens volta:
voltaram aos seus pr6prios
flamulas das auréolas dos;
das portas. De novo, o rei
deram, e das pétalas das floJ
As deidades reunidas
houve urna chuva d
de pessoas que estavam pres
ADERROTl
E,
Mais tarde, os budlst
os Bonpos foram derrotado
Z26 e-, (gcDlllmlrtte
do o · cípa! do
Pe-har ser urna deidade
du Veda, ou com a chinesa We
ros. Dessa fonna, acreditam
("Mosteiro"). Acredita-se que F
presentados pelo "Nobte Relígi
cido como o Oráculo Nii-ch'un.
sao (Cf. L. A. WaddeU. op. cit.,
guarda de aiguma dessas deidad!
templos tibetanos, montanhas s¡
metais ou pedras preciosas. Da
da de urn ser espiritual benefiCl:
mem, mulher o u tem u
vel ao anj o-da-guarda dos cri stiic
227 Sarasvati, a Dcusa da
plement feminino, de MañjUShI
rei foi.inlciado Ilas dou trinas
aplicado a de imagens e afrescos para o mosteiro. que tinha trinta e duas
entradas e levou cinco anos para ser terminado.
Padma colocou o mosteiro sob a guarda da eidade lrada Pe_har.
226
O mosteiro
foi consagrado no décimo quinto dia do décimo primeiro mes do ano do cavalo-mari­
MO. O pr6prio Bodhisattva o consagrou tres vezes. Entlro, Padma meditau durante
um dia e inicio u o rei do Tibete na Doutrina de Sarasvati. 227
OS Mll..AGRES QUE ACOMPANHARAM A CONSAGRA<;ÁO
Dentro do mosteiro, existiam cento e oito templos [ou santuários] e Padma se
manifestou em centa e oito carpos, todos semelhantes a ele mesmo e, simultanea­
mente, realizou a cerimóDÍa da consagrayao. Quando, em tres desses templos, ele es­
tava distribuindo as flores usadas na cerimonia, as imagens desceram dos altares e cir­
cularam tres vezes em valta dos seus pr6prios santuários. As imagens dos autras tem­
plos saíram dos seus santuários e movirnentaram as mllos. O rei flcau com medo e du­
vidou que as irnagens valtassem para os seus lugares. Padma estalou os dedos e todas
voltaram aos seus pr6prias lugares. SaÍIam chamas verdadeiras dos fogos pintados nas
flamulas das auréolas dos afrescos, que representavam as Deidades lradas Guardias
das portas. De novo, o rei teve medo; Padma jogou flores sobre as chamas e elas ce­
deram, e das pétalas das flores floresceram botOes de 16tu8.
As deidades reunidas no céu ouviram e testemunharam a cerimonia da cansa­
grayliO; houve urna chuva de flores acompanhada de outros fenomenos. Os milhares
de pessoas que estavam presentes foram testemunhas de todos esses milagres.
A DERROTA DOS BONPOS NUM: DEBATE PúBLICO
E A SUA EXPUlSÁO DO TlBETE
Mais tarde, os budistas e os Bonpos, no Tibete, debateram publicamente; como
os Btinpos foram derrotados, o rei mandou embora a maioria dos que nao
226 P bar (geraimente é tJrODun iad ,. -perlen grupo :x ote lra­
do ' cipaJ 40 d Reis que guardam o q tro canto do Univeno. Embota
Pe-har pareya ser urna deídade nao hinduísta, as vezes tem sido identificada com a deidade hin­
du Veda, ou com a chínesa Wei-to, que os budistas chineses invoClim como protetora dos mostei·
ros. Dessa forma, aCI1:d.itam alguns eruditos que Pe·har seja urna corruptela do sánscrito Viha,.
("Mosteito"). Acredita-se que Pe-har encame sucessivamente em cada um dos oráculos vivos re·
presentados pelo "Nobre Religioso" (Ch'o·je), o verdadeiro Oráculo do Estado do Tibete, conhe­
cido como o Oráculo Na-ch'un. Dizem que Pe-har inspira t ambém o Oráculo Karma-s'ar de Lha­
sa. (Cr. L. A. WaddeU, op. cit .. págs. 371, 478-81.) Cada um dos mosteiros tibetanos está sob a
guarda de alguma dessas deidades da Ordem ¡rada dos Guardiiios Tiintricos; e assim todos os
templos tibetanos, montanhas sagradas. rios.lagos, lugares de e depósitos naturais de
metais ou pedtas preciosas. Da mesma Corma, cada campo e habitaC(iio, no Tib te. está sob a guar­
da de um ser espiritual beneficente. bem como o gado e os cereais; e cada indivíduo tibetano, ha·
mem, mulher ou crian<; a, tem um protetor ou uma deidade orientadora e guardadora, compará­
vel ao anjo-<l a-guarda dos crist aos.
227 Sarasvatí, a Deusa da Aprendizagem, as vezes.é, como parece ser aqui, a shakti. ou COIl}'
plcment fcminin ,de Mañj ushri. o deus da Sabedoria Divina; e, conseqtientemente. parece que o
rei Coi iniciado nas doutrinas ecretas tantnca juntamente com a mandala Sarasvati-Mañjushñ.
135
l
zer " Um Claro Tratado Sobre o Tantra de Surya, o Sol".
136
norte do Tibete.
o Budismo para os desertos do Norte, para o NepaJ, Mongólia e outros países pouco
povoados. O Budismo foi introduzido em todas as partes do Tibete. O Kanjur, o Tan­
jur e outros trabalhos do MIlhiiyiina foram traduzidos do sanscrito para o tibetano.
Assim também o foram os Tantras e os Mantras exotéricos e esotéricos e os trat ados
de Medicina e de Astrologia.
A AUTORA E A ORlGEM DA BIOGRAFIA
O f6lio 288
b
rel ata a origem da ddkiniencamada. Ye-she-Tsho-gyal
223
que,por
ter sido urna das discípulas mais próximas de Padma desde a idade de dezesseis anos,
compilou a matéria contida na Biografia.
O TEXTO MANUSCRITO DA BIOGRAFIA É ESCONDIDO
Quando Ye-she-Tsho-gyal t erminou de escrever em papel amarelo o ditado de
Padma, assunto desta Biografia, Padma fue disse: "Antes de rnorrerdes, enterrai este
manuscrito na Caverna situada a cerca de dezoito jardas de urna árvore solitária que
cresce sobre urna rocha em forma de leao, em Boom_thang.
229
A Caverna, onde ne­
nhuma luz penetra, s6 pode ser adentrada por cima, fazendo deslizar urna corda. Eu
já enterrei O Long-sal-nyi-mai-gyudl
30
lá, e este manuscrito deverá ser preservado jun­
tamente com aquele." Ele a advertiu que, se o esconderijo do manuscrito nao fosse
mantido em segredo, as dakinis iriam causar-lhe problemas_
OS TERTÓNS, A MORTE DO BODHlSA 1TVA E O REI,
E OSUMÁRlO
Do f6lio 303
b
ao f6lio 332
a
sao dadas indicayOes para a descoberta dos textos
escondidos e os tesouros que os acompanham, j untamente com os nomes dos terrons,
os tempos auspiciosos e os presságios que guiariam os tertóns.
228 Urna palavta tibetana que quer dizer "[01 Vitorioso do Oceano da Sabedoria" . O fale­
cido Sir John WoodroCfe (Arthur Avalon) nurn artigo intitulado "Orlgem dos Ya;rayiilllZ Deva­
tas", reimpresso na Modem Review, de j unho de 1916, e baseado em trabalho que ele e o Caleei­
do Lama Kazi Dawa,sarndup flZeram jllntos, declara, na página 2: "O GIUU Padma-Sambhava, o
assirn chamado fundador do Lamaísmo, t inha einco discípulos que compil aram vários relat os dos
ensinamentos do seu Mestre e os esconderam em vários lugares para beneficio dos crentes futuros.
Urna dessas discípulas, Khandro 10uDlIkinl JYeshe TShogyal , Coi urna dama tibetana que dizem
ter possuído um tal poder de memória que se !he clissessem urna coisa apenas urna vez ela se lembra­
va dela para sempre. Ela reuniu o que havia ouvido do Guru num livro chamado Padm¡; Than­
gyig Serteng, ou Rosário Dourado da hist6ria do seu Guro, que se chamava O Nascido-do-L6tus
(Padma,sambhava). O tivro foi escondido e, subseqüentemente, Coi revelado sob inspira¡;ao há uns
quinhentos anos atrás, p OI [urnl Terton. " Padm¡; Thangyig Serreng é outro ú tulo para a Biogra­
fia do Grande Guru, que aqui é apresentada em forma de Epítome.
229 Boom-thang fica a cerca de quatorze milhas a nordeste (le Lhasa.
230 No texto : Klong-gsal-nyi-mahi-rgyud (pronuncia-se Long-sal-nyi-mai-gyud), que quer di­
Os f6lios 332
b
e 33
precedeu a Padma no Tib
ocorreu quase ao mesmo t
cedeu ao trono tibetano, 1
no oitavo ano do pasaamel
Em seguida, vem w
por ele visitados, incluind,
Tibete e da fu dia. E
cento e onze anos.
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gar agora, eles devararaa 1
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232
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Quando Padma esta,
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ma e do Sangha, ele e as de
231 Se alguém estiver di:
oito anos depois do falecimen
pág. 75, seria necessário assum
do antes do quadragésimo ano
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m Esta passagem, cita¡¡;
Calecido Sardar Bahadur Ladet:
va no sul da (ndia e olio, CO[
Cachemira" (cf. L. A. Waddell
agora é conhecido como AfegaJ
sustentar a teoria. Algumas vez
233 Rcfere-se provaveIm
o futuro guardlao e proCessor
Coi o Gunde ( DaJai) Lama
d OI da Ordem GelugpJl. (CC. L.
234 Gung-thang-la, que q
Os f6lios 332
b
e 333 contem relatos da morte do Bodhisattva de Nalanda, que
precede u a Padma no Tibete, e do passamento do Rei 1'hi-Srong-Detsan, cuja morte
ocorreu quase ao mesmo tempo que a do Bodhisattva. Aa Rei Mu-thl-tsan-po, que su­
cedeu ao trono tibetano, Padma, falando de si mesmo, declarou que ele havia nascido
no oitavo ano do passamento do Buda de UIIlaflor-de-lótus no Lago Dhanakosha. 231
Em seguida, vem um relato sintetizado das atividades de Padma e dos lugares
por ele visi tados, incluindo Pérsia, Sikkim, Bumo, China, Ceilao e todas as partes do
Tibete e da fndia. E existe a declaragao de que Padma permaneceu no Tibete durante
cento e onze anos.
PADMA DEIXA O TIBETE
Tenho deci dido sair do Tibete, Padma disse ao rei: "Chegou o tempo de subju­
gar os Rakshasas e somente O Nascido-do-Lótus pode subjugá-Ios. Se eu nao os subju·
gar agora, eles devorarao toda a hurnanidade e aTerra ficará sem os seres humanos."
Do país dos R akshasas, que é triangular como urna espádua e contém cinco grandes
cidades, Padma faz urna descrigao longa. "Estas cidades nao ficam longe do país de
Urgyan.
232
Cada urna dessas cinco cidades é composta de quinhentas vilas. O propósi·
to de Padma nao era destruir os Riikshasas, mas converte-Ios ao Budismo.
Quando Padma estava para sair do Tibete, disse: "Daqui em diante, a Doutrina
será disseminada pelos Avalokiteshvaras. "233 O rei, os ministros de Estado e os seus au­
xiliares, montados em cavalos, acompanharam Padma ao Gung-thang-Ia;34 ande todo
o grupo acampou anoite_
De manha, depois de Padma ter-se despedido do rei e lhe desejado bons votos e
a todos os presentes, desceu dos céus, em meio a urna luminosidade de arco-iris, um
cavalo azul completamente selado. Padma montou no cavalo e o animal elevou-se.
Entao, depois de Padma ter dado as suas bengaos fmais, em no me do Buda, do Dhar­
ma e do Sangha, ele e as deidades que o seguiam desapareceram nos raios do Sol.
231 Se alguém estiver disposto a proc.urar reconciliar o relato de Padma-Sambhava, nascido
oito anos depois do falecimento do Buda com o da profecia do Buda, que foi exposto aqui, na
pág. 75 , seria necessário assumir que Padma-Sambhava nao comec;ou a sua missao ativa no mun­
do antes do quadragésimo ano de vida; mas de urna biografia como esta, do Grande Guru, onde
os fatos históricos e lendários sao interligados de forma inextricável, nao se pode esperar urna cor­
reIa.c;ao ou unidade comum nOlDlal entre as suas di versas partes.
232 Esta passagem, titeraJ do texto, lembra urna teoria entre tantas, adiantada pelo
falecido Sardar Bahadur Laden La, de que Urgyan, o país nativo de Padma, provaveirnente fiea­
va no sul da (ndia e nao, como é comumente aceit o, "o pa{s acima de Ghazni ao noroeste da
Cachemira" (cf. L. A. WaddeIJ , op. cit ., pág. 26) ou, como pensaram outros, urna parte do que
agora é conhecido como Afeganistio. A suposic;ao de que o país dos Riikshasas é o Ceíláo, tende a
sustentar a teoria. Algumas vezes, também. o país dos Riikshasas foi tido como Java.
233 provaveirnent e ao Dalai Lama, a encarnac;ao de Avalokiteshvara. como sendo
o futuro guardiao e professor do Dharma no Tibete, de quem o primeiro Iepresentante histórico
Coi o Grande (DalaO Lama Geden-dub (A.D. 1391·1475) o sobrinho de Tsong-Khapa, o funda­
dor da Ordem Gelugpa. (CC. L. A. Waddell, op. cit. , págs. 38 e 233.)
234 Gung.thang-la, que quer dizer "Alta Passagem Plana", fica em Mangyul , nos confins do
norte do Tibete.
137
PADMA CHEGA AO PAfs DOS IÜKSHASAS E OS SUBroGA
Alguns lamas entraram em profunda medita91Io iogue e viram Padma passar pe­
lo país de Urgyan e depois deseer no país de Singala
23S
e se abrigar debaixo de urna
árvore de magn6lia, e viram o cavalo azul rolar nas areías douradas de Singala. Mais
tarde, eles viram Padma rodeado pelas donzelas Riikshasas a quem estava ensinando
e, depois, que ele havia se transformado no rei de Riikshasas e subjugado todos eles.
Aquí, no Capitulo 116, termina o F6lio 393. O Capitulo 117 contém as lamen­
ta90es do reí tibetano pela partida de Padma.
O COLOFAO DA BIOGRAFlA
No F6lio 394 come9a o Colofao, que é como se segue:
"Este Livro foí escrito [ou compilado] por Ye-she-Tsho-gyal, a encama9áo de
Yang-chen':236 em beneficio das criaturas das gera9l'5es vindouras e para prevenir que
o seu conteúdo se perca da sua mem6rla.
O nome deste ·vo é PadrJu¡ Ka.-hi-thang-y · [ou Os Preeei os de PacJmaJ.
237
Ele també é charoa o Ke-r, Nam-tJuu G)le-pa [ou Hi ória ComplellI do Nasei­
mento].238 Outro d s í ulos é Thi-srong-Detsan Ka-chen [ou O Testamento de
Thf-Srong-Detsan ].139
Esta detalhada [narrativa sobre o Livro] origem foí registrada por escrito e en­
terrada [juntamente eom o Livro] como urna j6ia preciosa.
Que este [Livro] possa ser encontrado por pessoas de grandes a9l'5es e atos merl­
t6rios.
Este tesouro escondido foi deseoberto na grande Caverna do Espelho de Pou­
ti, pelo Guro Sang-gye Ling-Pa.
[Foi na foana de] uro rolo de pergaminho escrito em sanscrito
Z40
e traduzido
para o tibetano sem omissa-o de nenhuma palavra_
Pelo bem dos seres deste mW1do, os Nam-gyal-Duk-pa
241
moldaram os blocas
de madeira para impressao sob a supervislIo da familia reinante de Pum·thang de Bu·
tlro, sob encomenda de Ngag-ki.Wang_po.242
O último F6lio, de número 397, termina com bons votos para todos os seres
sencientes e eom louvores a Padma.
lA da qual este Epítome é o fruto, foi completada no día vinte e cin·
co de janeiro de 1936. ]
23S No texto: Singa-úl. presume-se aquí que se reflna ao Ceilao.
236 Ou, em amerito, Sarrzllaslf, Deusa da Aprendizagem.
237 Em tibetano,Padma-bkahi-thang-yig.
238 Em tibetano, Skyes-rabs-mam-thar-rgyas-pa.
Zl9 Em tibetano, Khri-srong-Idehu-bisan-gyi-bkah-chems (ou klla-chem$).
)1\() De acordo com a tibetana, Ye-she-Tsho-gyal adquiriu dos pandits hindus um
notável conhecimento do sanserito antes de compilar esta BiograHa.
;141 Quer dizer "Os Sempre Vitoriosos Butaneses".
)42 Que quer dizer "O de Fala Poderosa", provavelmente o nome de um Dharma·Riija (ou
"Rei Religioso") do Butao.
138
OS TRI­
ESTAMPA Vil
os TRI-KAYA OU OS TRES CORPOS DMNOS
apágina XXVI)

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