ISOLAMENTO ABSOLUTO

SÃO PAULO 2010 UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO

sob orientação do Prof. Eduardo Russo SÃO PAULO 2010 INTRODUÇÃO .LARA FERNANDES NOGUEIRA ISOLAMENTO ABSOLUTO Dissertação apresentada à disciplina de Dentística Operatória do curso de Odontologia da UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO como quesito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Odontologia. Dr.

utilizando um conjunto de procedimentos que tem por finalidade eliminar a umidade. realizando os tratamentos em condições de assepsia e restaurando os dentes de acordo com as indicações dos materiais utilizados. Condições adequadas para a inserção e condensação dos materiais restauradores. Barnum-1864 é a Intervenção realizada na cavidade bucal. não sendo utilizado somente em casos de total impossibilidade. O isolamento absoluto deve sempre ser empregado sendo preterido em casos de total impossibilidade. Para sua utilização. pois é o único meio de se obter um campo totalmente livre de umidade. É um conjunto de procedimentos que tem por finalidade eliminar ou diminuir a umidade para a realização dos tratamentos dentais em condições assépticas e restaurar os dentes de acordo com as indicações do material. é essencial o uso do isolamento absoluto para alcançar a mais alta qualidade do material restaurador. Além disso. há uma série enorme de outras vantagens: • • • • Retração e proteção dos tecidos moles para promover o acesso à área a ser operada. dispositivos e instrumentos. restos de material restaurador ou qualquer outro tipo de elemento estranho. Melhor visibilidade do campo operatório.” É indicado para todos os procedimentos que exijam total ausência de umidade bucal. sua utilização visa: .Na Odontologia. Proteção do paciente contra a aspiração ou deglutição de instrumentos. CONCEITO DE ISOLAMENTO ABSOLUTO Isolamento Absoluto segundo Sanford G. OBJETIVO Independentemente do tipo de isolamento realizado (mecânico ou químico). é necessário um conjunto de materiais.

Esta última característica é também favorável ao profissional. O tempo ganho pelo operador em trabalhar em um campo limpo com uma boa visibilidade compensa o tempo gasto para a colocação do isolamento absoluto. seco e ideal.-Controlar a umidade durante os procedimentos clínicos. dos fluidos do sulco gengival. No caso do paciente. possibilitando a visibilidade máxima da área ser tratada. a aspiração de pequenos instrumentos ou produtos provenientes dos procedimentos restauradores além de diminuir a contaminação. protegendo os lábios. ISOLAMENTO ABSOLUTO É um meio intra-bucal utilizado para isolar um ou mais dentes. VANTAGENS DO ISOLAMENTO ABSOLUTO -Manter o campo operatório limpo e seco: o profissional consegue uma melhora em seus procedimentos clínicos como remoção de tecido cariado. por exemplo. proporcionando campo operatório limpo. saliva e sangramento gengival. Esta umidade pode ser proveniente. Há um menor de risco de problemas pós-operatórios provenientes da contaminação com os fluidos bucais. o isolamento pode evitar danos acidentais aos tecidos moles da cavidade bucal. preparo cavitário e inserção dos materiais restauradores. . Os detalhes dos procedimentos restauradores são dificilmente controlados se não houver uma retração gengival apropriada e um afastamento das estruturas presentes na cavidade bucal que permita o acesso ao tratamento. -Retração e acesso. -Proteção do paciente e operador. A realização do isolamento do campo operatório é base para maior produtividade e conseqüentemente maior lucro na Odontologia atual. a língua e as bochechas do paciente e eliminando a presença de umidade.

. diminuindo a efetividade deste procedimento. por este motivo o isolamento absoluto reduz sensivelmente a contaminação ambiental durante o tratamento odontológico. produtos provenientes dos procedimentos restauradores ou qualquer outro tipo de elemento estranho.Redução da contaminação: a contaminação se restringe a uma área de aproximadamente 40 cm da cavidade bucal. o lábio e a língua e controlam a umidade no campo de trabalho. pois a umidade interfere na liberação de flúor. DESVANTAGENS DO ISOLAMENTO ABSOLUTO -Tempo gasto: esta desvantagem pode ser eliminada com o simples uso como rotina. pode ser realizado pela auxiliar. -Proteção do paciente e operador: impede o paciente de engolir ou aspirar pequenos instrumentos. O operador fica protegido das infecções presentes na boca do paciente.-Melhor acesso e visibilidade: o afastamento gengival conseguido promove um melhor acesso e visibilidade dos aspectos gengivais dos preparos cavitários. Mesmo a aplicação tópica de flúor deve ser preferencialmente realizada com isolamento absoluto. facilita procedimentos restauradores em todo o quadrante. a irrigação que pode ser utilizada é imediatamente eliminada. -Aumenta as propriedades dos materiais: os materiais restauradores diminuem as suas propriedades físicas se utilizados em um campo úmido. protege os tecidos moles da cavidade bucal de irritação pelos materiais utilizados ou danos pelos instrumentais. pois afastam as bochechas. -Eficiência operatória (aumento da produtividade): mantêm a boca do paciente aberta durante todo o procedimento. . desencoraja pacientes excessivamente falantes. Demoraria de 3 a 5 minutos que é praticamente o tempo necessário para a anestesia produzir efeito.

-Dificuldade de aplicação em determinados casos: dentes pouco erupcionados. A borracha espessa tem boa resistência ao rompimento e promove o máximo de afastamento e proteção aos tecidos moles subjacentes. 0.25mm (grosso). -Perfurador de borracha. 0. -Arco porta-dique. -Dor e desconforto ao paciente. alguns terceiros molares e dentes mal-posicionados. as borrachas escuras são mais indicadas. além de diferentes espessuras: 0. MATERIAIS AUXILIARES UTILIZIDOS NOS PROCEDIMENTOS DE ISOLAMENTO ABSOLUTO .15mm (fino). -Grampos. MATERIAIS E INTRUMENTAIS USADOS NO ISOLAMENTO ABSOLUTO Materiais utilizados nos procedimentos de isolamento absoluto: -Dique de borracha.3mm (extra-grosso).Intolerância por pacientes asmáticos ou pacientes alérgicos ao material da borracha. Com relação à cor. 0. -Pinça porta-grampos. .2mm (médio). DISPOSITIVOS AUXILIARES O dique de borracha pode ser fornecido em rolos ou pré-cortados. pois contrasta com o dente e reflete menos luz.

São utilizados para aumentar a abertura do grampo. Estas perfurações possuem diâmetros diferentes. mantendo-o estendido. Existem vários tipos detes dispositivos. Os orifícios realizados na borracha são realizados com o perfurador. permitindo que o mesmo supere o diâmetro oclusal do dente. Arco de Enodon. mas possuem essencialmente 1 ponta ativa. Arco de Wizzard. etc. Ele deve assentar o grampo apicalmente à altura do contorno axial. Arco de Ian. que apresentam 5 perfurações circulares e uniformes em uma plataforma de dente. mas devem apresentar 7 pinos (6 laterais e 1 central).: Arco de Young. firme e liso. Exs. mola e um cursor que trava a pinça aberta. Existem vários desenhos de pinças porta-grampos. pois cada uma corresponde à um determinado tamanho . A periferia do dique deve ficar fora da boca do paciente. giratória.-Tesoura -Guardanapo de papel -Tira de lixa de aço -Fio dental -Vaselina -Godiva / Lâmpada à álcool -Caneta esferográfica -Cânula de aspiração (baixa/alta potência) -Cunha plástica ou de madeira O porta-dique será o responsável pela fixação do lençol de borracha.

-Com asa. Deve ser selecionado aquele que melhor se adapte ao dente que o irá receber. além de promover o afastamento gengival. mantendo a borracha em posição.200 a 205 => Molares .Os grampos têm a finalidade de reter o dique de borracha.W8A => Posteriores . garras. Partes do grampo: arco flexível. asas e perfurações esféricas ou retangulares para a colocação/remoção do grampo. Os grampos podem ser classificados quanto à forma e quanto à finalidade. A classificação dos grampos quanto à finalidade é a seguinte: -Grampos comuns: .14A => Posteriores .206 a 209 => Pré-molares .210 e 211 => Anteriores -Grampos para retração: -212 => Anteriores -1A => Posteriores -Grampos especiais: -26 => Molares . Classificação dos grampos quanto à forma: -Sem asa.14 => Molares .

tira de lixa. além das garras de preensão. com outro alicate do mesmo tipo. o grampo 212. da seguinte maneira: as garras são aquecidas em lâmpada a álcool. modificações que consistem na curvatura da garra lingual para incisal e da vestibular para apical. devem ser realizadas algumas operações prévias na boca do paciente a fim de se remover qualquer empecilho que possa atrapalhar o bom andamento do isolamento. OPERAÇÕES PRÉVIAS Á REALIZAÇÃO DO ISOLAMENTO ABSOLUTO Antes de se iniciar a colocação do isolamento absoluto na boca do paciente. faz-se a curvatura das mesmas. e também no dique de borracha.Alguns grampos podem ser adaptados para determinado dente através de desgastes. discos de granulação fina) -Teste do grampo -Separação mecânica quando necessária . trabalhos simultâneos em dois dentes. PREPARO DA BOCA -Limpeza dos dentes e polimento coronário -Proteção dos tecidos moles com um lubrificante -Verificação dos contatos proximais (fio dental. de Ferrier. ainda. removendo-se a alça de um dos lados. Por exemplo. Visando facilitar o acesso ou. mantendo-se o grampo em posição com um alicate 121. indicado para retração gengival. necessita em alguns casos. Este tipo de grampo deve sempre ser imobilizado com godiva às superfícies dentárias. o grampo 212 pode ainda sofrer outras modificações.

a cor e a espessura -Demarcar a posição dos orifícios na borracha -Perfuração da borracha -Lubrificação da borracha O número de dentes a serem incluídos no campo a isolar deve ser o maior número possível. até a mesial do canino. Quando for se trabalhar em dentes anteriores. deve-se isolar de pré-molar a pré-molar. na incisal. com pequeno espaço interdental. devem-se isolar dois dentes para distal até a região anterior. Existem alguns fatores que determinarão o espaço e a relação entre os orifícios a serem perfurados na borracha: -Tamanho dos dentes: quanto maiores. incluindo o canino do lado oposto àquele em que está trabalhando. Quando for operar em dentes posteriores. com exceção no tratamento endodôntico onde somente o dente a ser tratado será isolado. -Contorno dos dentes: dentes ovóides e cônicos e com ameias V e L extensas requerem maior espaço entre os orifícios que os tipos quadrangulares. enquanto que nos anteriores. Para os procedimentos na superfície distal do canino. . maior o espaço entre estes orifícios. deve-se isolar desde o 1o molar até o incisivo lateral. Deve ser isolado no mínimo 3 dentes ou 4 (dois para distal e um para mesial). nos dentes posteriores eles são demarcados na fossa central. Com relação à posição dos orifícios na borracha. tendo a mesma disposição dos dentes na boca. A distância entre eles deve ser igual à distância entre os eixos longitudinais dos dentes.-Colocação de um guardanapo de papel ao redor da boca do paciente PREPARO DO DIQUE DE BORRACHA -Selecionar o tamanho.

formando-se um capuz. Devem-se utilizar grampos sem asa (Técnica de Stibbs). Métodos de demarcação e perfuração da borracha: -divisão em quadrantes. . depois a borracha. -Má posição dos dentes no arco dental: os orifícios devem ser perfurados exatamente na mesma relação de posição de cada dente no arco. TÉCNICAS DE COLOCAÇÃO DO ISOLAMENTO ABSOLUTO -Coloca-se o grampo.-Altura da gengiva interdental: quanto mais baixa a papila interdental. menor a distância entre os orifícios. -Posição da cavidade no dente: nos casos de restauração gengival. Devem-se usar grampos sem asa. -marcação diretamente na boca ou no modelo de gesso. -“Técnica de Ingrahan” (técnica do capuz): prende o grampo na borracha. prende-se o grampo e o leva à boca juntamente com a borracha. permitindo uma quantidade de borracha suficiente para invaginação apropriada na área gengival. Passa-se a borracha pelo arco do dente. o orifício deve ser deslocado 2mm para vestibular. -Espaço entre os dentes ou ausência de dentes: o espaço na borracha deve ser igual à distância entre os eixos logitudinais dos dentes adjacentes. mantendo-se a borracha frouxa no porta-dique. -dique pré-marcado. -carimbo ou cartão perfurado. Depois se coloca novamente o porta-dique. solta a borracha do porta-dique.

Existem algumas situações especiais para a utilização do isolamento absoluto: -moldagem transcirúrgica. colocação de grampo no lado oposto sem perfurar. Não necessita de grampos especiais. com fio dental apenas. Mais utilizado em procedimento em dentes isolados (Técnica de Ryan). impedindo a penetração de saliva. -Coloca-se o conjunto grampo-arco-borracha. depois o grampo. além do grampo. Depois de colocado o grampo em posição. existem algumas regras gerais para a colocação do isolamento absoluto: esterelização do grampo. podendo também serem realizadas amarrias com fio dental nestes outros dentes. invaginação da borracha no sulco gengival dos dentes. A técnica de colocação depende do caso em particular e da preferência do profissional. mas pode-se perder a visibilidade (Técnica de Parulla). A remoção do dique de borracha deve ser cuidadosa. -prótese fixa. utilização de fio dental. removendo-se primeiro o grampo.-Colocam-se a borracha e o arco. Além disso. com tira de borracha e com godiva. passa-se a borracha pelos outros dentes. em seguida a amarria e corta-se a borracha interdentária. DISPOSITIVOS AUXILIARES NO ISOLAMENTO DO CAMPO OPERATÓRIO Substâncias Químicas Sistêmicas (drogas sialopressoras) . -cimentação. Depois realiza-se uma irrigação com água e faz-se o massageamento da área isolada. A fixação do dique de borracha pode ser realizada.

Na eventualidade destas ocorrências a droga deverá ser suprimida. como os derivados da atropina e da escopolamina ou similares. O fio deve ser colocado parte no interior do canal e parte permanecer fora e com cerca de 3 minutos obtêm-se um afastamento satisfatório. Podem ser observados alguns efeitos colaterais com a utilização destas drogas como taquicardia.Estas drogas atuam sobre o sistema parassimpático. FIOS RETRATORES Os fios retratores. Entretanto contra-indicadas portadores glaucoma. mas também podem ser utilizados o cloreto de alumínio e o sulfato de alumínio. etc.Os fios ou cordas retratoras podem ou não estar embebidos em soluções químicas que provocam a vasoconstricção periférica.). pois este perderia sua ação. retenção urinária. Nos pacientes são que apresentam fluxo para salivar pacientes intenso pode-se de administrar estas drogas trinta minutos antes do atendimento. . A retração gengival adequada que pode ser conseguida com a utilização destes fios. dilatação e dificuldade de acomodação da pupila. por aumentar a pressão intra-ocular. o comprimento do fio deve ser pouco maior que o diâmetro do dente e a colocação deve ser feita com uma espátula sem a extremidade cortante. além de ajudar a previnir danos no tecido gengival durante a confecção dos preparos cavitários. A colocação do fio deve ser feita com a gengiva previamente desidratada. Estes fios retratores controlam a saída de fluídos sulculares e/ou hemorragias. na maioria das vezes a epinefrina. diminuição da secreção sudorípara e aumento da pressão intra-ocular. diminuindo o fluxo salivar. Em hipótese alguma a saliva pode contatar com o fio. inibição da secreção gástrica. podem também ser utilizados quando da exigência de afastar o tecido gengival para a confecção de restaurações. facilita o acesso e a visibilidade de todos os tecidos em que se está operando. (Ex. mais comumente utilizados para moldagens. Atroveran. Dramamine.

Por outro lado. a literatura relata a possibilidade de a epinefrina provocar efeitos de retração gengival. pode haver a necessidade de colocação de dois fios retratores para se conseguir uma melhor reprodução margem gengival e também porque a gengiva interdental é difícil de retrair. Com relação às substâncias químicas utilizadas com o fio. indo estes distúrbios de moderada sudorese até intensa taquicardia. o fio deve ser inserido antes do preparo cavitário. deve-se seguir a orientação do fabricante. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .No caso de lesões cervicais. segundo Bartled. e no caso de lesões proximais antes da remoção do tecido infectado. existem relatos de pacientes que se sentiram desconfortados com o uso da epinefrina. Com qualquer tipo de substância. Quando o tratamento envolver a região proximal. mas em média o tempo é de 10 minutos no máximo. o tempo de afastamento é importante.

Isolamento do campo operatório. In: CONCEIÇÃO. A.G. et al.BUSATO. Dentística: saúde e estética.N.S. Dentística: Restaurações em dentes posteriores. São Paulo.83-94. CONCEIÇÃO.6. Editora Artes Médicas. C. E. Editorial Premier. et al.L.N. São Paulo. MONDELLI. 1996. 258p. J. Cap. p. 1998. Porto Alegre: Artmed. E. .. et al. 2000. 301p. SOARES. Procedimento pré-clínicos.