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Apostila_Máquinas eletricas

Apostila_Máquinas eletricas

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  • 1. TRANSFORMADORES
  • 1.2. OBJETIVO
  • 1.3. PRINCÍPIO DE CONSTRUÇÃO DE UM TRANSFORMADOR 1Ø
  • 1.4. TIPOS DE TRANSFORMADORES
  • 1.5. SÍMBOLOS DOS TRANSFORMADORES
  • 1.6. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO
  • 1.7. PERDAS NO TRANSFORMADOR
  • 1.7.1. PERDAS NO MATERIAL DOS ENROLAMENTOS
  • 1.7.2. PERDAS NO FERRO DO NÚCLEO MAGNÉTICO
  • 1.8. TIPOS DE LIGAÇÃO DOS ENROLAMENTOS TRIFÁSICOS
  • 1.8.1 LIGAÇÃO TRIÂNGULO OU DELTA (Δ)
  • 1.8.2 LIGAÇÃO ESTRELA (Y)
  • 1.9. TRANSFORMADORES COM DERIVAÇÕES NO SECUNDÁRIO
  • 1.10. POTÊNCIA NOS TRANSFORMADORES
  • 1.11. CONDIÇÕES ESPECIAIS DE UM TRANSFORMADOR
  • 1.12. PARTES QUE COMPÕEM UM TRANSFORMADOR
  • 1.12.2. BOBINAS
  • 1.12.3. COMUTADOR
  • 1.12.4. ÓLEO ISOLANTE
  • 1.12.5. SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO
  • 1.12.6. JUNTAS DE VEDAÇÃO
  • 1.12.7. BUCHAS
  • 1.12.8. TANQUES
  • 1.12.9. PINTURA
  • 1.12.10. PLACA DE IDENTIFICAÇÃO
  • 1.12.11. ACESSÓRIOS
  • 1.13. CIRCUITOS EQUIVALENTES
  • 1.13.1. TRANSFORMADOR MONOFÁSICO IDEAL
  • 1.13.2. TRANSFORMADOR MONOFÁSICO REAL
  • 1.13.3. CIRCUITO REFERIDO AO PRIMÁRIO
  • 1.13.4. CIRCUITO REFERIDO AO SECUNDÁRIO
  • 1.14. TESTES EM TRANSFORMADORES
  • 1.14.1. TESTES DE CIRCUITO ABERTO
  • 1.14.2. TESTES EM CURTO-CIRCUITO
  • 2. MÁQUINAS ELÉTRICAS
  • 2.3. CONCEITOS BÁSICOS
  • 2.3.2. GRAU ELÉTRICO E RADIANO ELÉTRICO
  • 2.3.4. ESPIRA
  • 2.3.5. BOBINA
  • 2.3.6. PASSO DA BOBINA
  • 2.3.7. MONTAGEM DAS BOBINAS
  • 3. MÁQUINAS DE CORRENTE CONTÍNUA
  • 3.2. DESCRIÇÃO FÍSICA E CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS
  • 3.2.1. ESTATOR
  • 3.2.2. ROTOR (INDUZIDO)
  • 3.2.3. ENROLAMENTO DA ARMADURA DA MÁQUINA CC
  • 3.3. TORQUE (OU CONJUGADO) DESENVOLVIDO NA ARMADURA
  • 3.4.1. MOTOR
  • 3.4.2. GERADOR
  • 3.5. TIPOS DE CONECÇÕES DAS MÁQUINAS CC
  • 3.5.1. EXCITAÇÃO INDEPENDENTE
  • 3.5.2. EXCITAÇÃO PARALELA (SHUNT)
  • 3.5.4. EXCITAÇÃO COMPOSTA
  • 3.7. PERDAS NAS MÁQUINAS CC
  • 3.8. CONTROLE DE VELOCIDADE DO MOTOR CC
  • 3.9. EFICIÊNCIA DAS MÁQUINAS ELÉTRICAS CC (RENDIMENTO)
  • 3.9. TABELA PARA ELIMINAÇÃO DE DEFEITOS – MÁQUINAS CC

 

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA UNIDADE DE ENSINO DESCENTRALIZADA DE LAGARTO

Apostila de Máquinas Elétricas: Transformadores e Máquinas de Corrente Contínua

Prof. Buzinaro

   

ii 

LISTA DE FIGURAS

Fig. 1. 1 ‐ Transmissão de energia elétrica, desde a geração até o consumidor final. ............................................ 2  Fig. 1. 2 ‐ Transformador monofásico. .................................................................................................................... 3  Fig. 1. 3 ‐ Efeito da indução mútua. ......................................................................................................................... 8  Fig. 1. 4 ‐ Curva de M vs. H de um material ferromagnético. ................................................................................ 11  Fig. 1. 5 ‐ Banco de transformadores monofásicos. .............................................................................................. 13  Fig. 1. 6 ‐ Ligação triângulo (Δ). ............................................................................................................................. 15  Fig. 1. 7 ‐ Ligação em estrela (Y). ........................................................................................................................... 16  Fig. 1. 8 ‐ Triângulo das potências. ........................................................................................................................ 18  Fig. 1. 9 ‐ Chapas de aço‐silício. ............................................................................................................................. 21  Fig. 1. 10 ‐ Transformador de núcleo aberto. ........................................................................................................ 22  Fig. 1. 11 ‐ Transformador de núcleo envolvido. ................................................................................................... 22  Fig. 1. 12 ‐ Transformador de núcleo envolvente.  ................................................................................................ 23  . Fig. 1. 13 ‐ Enrolamentos concêntricos. ................................................................................................................ 24  Fig. 1. 14 ‐ Enrolamentos com bobinas alternadas ou de discos.  ......................................................................... 25  . Fig. 1. 15 ‐ Comutador do tipo painel de posições. ............................................................................................... 26  Fig. 1. 16 ‐ Óleo isolante. ....................................................................................................................................... 27  Fig. 1. 17 ‐ Dobras nas paredes de um tanque. ..................................................................................................... 29  Fig. 1. 18 ‐ Resfriamento natural. .......................................................................................................................... 29  Fig. 1. 19 ‐ Sistema de refrigeração forçada. ......................................................................................................... 30  Fig. 1. 20 ‐ Transformador de distribuição. ........................................................................................................... 31  Fig. 1. 21 ‐ Placa de identificação. ......................................................................................................................... 34  Fig. 1. 22 ‐ Partes de um transformador de distribuição. ...................................................................................... 37  Fig. 1. 23 ‐ Circuito equivalente de um transformador ideal. ................................................................................ 38  Fig. 1. 24 ‐ Circuito equivalente de um transformador real. ................................................................................. 40  Fig. 1. 25 ‐ Circuito equivalente de um transformador real referido ao primário. ................................................ 41  Fig. 1. 26 ‐ Circuito equivalente de um transformador real referido ao secundário. ............................................ 42  Fig. 1. 27 ‐ Circuito equivalente de um transformador para teste a vazio. ........................................................... 44  Fig. 1. 28 ‐ Circuito equivalente reduzido de um transformador para teste a vazio. ............................................ 44  Fig. 1. 29 ‐ Circuito equivalente de um transformador para teste em curto‐circuito. .......................................... 46  Fig. 1. 30 ‐ Circuito equivalente reduzido de um transformador para teste em curto‐circuito. ........................... 47 

Fig. 2. 1 – Classificação das máquinas elétricas. .................................................................................................... 49  Fig. 2. 2 – Representação dos pólos magnéticos. .................................................................................................. 49  Fig. 2. 3 – Representação de graus elétricos. ........................................................................................................ 50  Fig. 2. 4 – Detalhes de uma bobina. ...................................................................................................................... 51 

  Prof. Buzinaro     

iii 

Fig. 3. 1 – Estator da máquina de corrente contínua. ........................................................................................... 53  Fig. 3. 2 – Enrolamento de campo. ........................................................................................................................ 54  Fig. 3. 3 – Corte transversal do comutador. .......................................................................................................... 56  Fig. 3. 4 – Enrolamento imbricado. ....................................................................................................................... 57  Fig. 3. 5 – Enrolamento imbricado com pólos e escovas. ...................................................................................... 58  Fig. 3. 6 – Detalhes da bobina. .............................................................................................................................. 58  Fig. 3. 7 – Esquema simplificado do enrolamento.  ............................................................................................... 59  . Fig. 3. 8 – Enrolamento ondulado com pólos e escovas.  ...................................................................................... 61  . Fig. 3. 9 – Esquema simplificado do enrolamento.  ............................................................................................... 61  . Fig. 3. 10 – Enrolamento imbricado equalizado. ................................................................................................... 63  Fig. 3. 11 – Bobinas múltiplas. ............................................................................................................................... 64  Fig. 3. 12 – Bobinas múltiplas conectadas do comutador. .................................................................................... 64  Fig. 3. 13 – Representação da indução magnética e força magnética. ................................................................. 65  Fig. 3. 14 – Esquema de ligação de um motor elétrico de CC. .............................................................................. 67  Fig. 3. 15 – Esquema de ligação de um gerador elétrico de CC. ............................................................................ 69  Fig. 3. 16 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação independente. ........................................... 70  Fig. 3. 17 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação paralela. ..................................................... 70  Fig. 3. 18 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação série. .......................................................... 71  Fig. 3. 19 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação composta (paralelo longo) [long shunt]. ... 71  Fig. 3. 20 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação composta (paralelo curto) [short shunt]. .. 72  Fig. 3. 21 – Máquina CC com Pólos e Interpólos. .................................................................................................. 72 

  Prof. Buzinaro     

iv 

LISTA DE TABELAS

Tabela 1. 1 ‐ Tabela das potências nos sistemas monofásicos e trifásicos.  .......................................................... 19  .

Tabela 3. 1 ‐ Tabela de verificação de defeitos em máquinas CC.......................................................................... 75 

  Prof. Buzinaro     

....................... 4  1...... 10  1................................................... Tanques .............................................................................................................3............................................................................... Buchas ............................................................................3.............................................................7....................... 13  1.................................................................7......................... Buzinaro      ....12.........12................. 35  1..............12......5........................................... Sistema de refrigeração  . Potência nos Transformadores ........................... 1  1.............................................2........... 20  1............................................................................................... Tipos de Ligação dos Enrolamentos Trifásicos ........ Acessórios ................. Bobinas ....................................................................................................2...........11.. 21  1............................................. 1.............................................................................8..8..................... 16  ................................... 38  1......................1........7.................................. TRANSFORMADORES ........................................................ 17  1..........................................................................1.........................1.........................8......... 10  .....v  SUMÁRIO  1.............................................2 Ligação estrela (Y)  ....................................................4...2.................... 28  .....................................................1........................................12.............................. 26  1........ Placa de identificação ................................................................................................................6........................................... Objetivo ...................12.9........... 30  1...................................................................................... Condições Especiais de um Transformador .. 21  1......................................... 14  1..13...... 38  1........... 41    Prof................... Transformador monofásico ideal ......................................................................... 17  1........................7..........................................................4.........................................................................................12............................................................ Símbolos dos Transformadores ........5............. 23  1................................................................. Introdução  ................... Óleo isolante .................... Pintura . Juntas de vedação . 39  1..........3................................................................................................................. 30  1.................12................... Transformador monofásico real ............................................12......13................................................ 7  1....13....................................................6.................................................... 33  1....... 31  1...... 3  1............................... Comutador . 1  .................................... Tipos de Transformadores ............... 6  1..... Perdas no ferro do núcleo magnético .................................. Princípio de Funcionamento .... 3  1.........10..................... Perdas no Transformador  ................................... Circuitos Equivalentes ...............11.13............12...............................9. Circuito referido ao primário ............. 1..................................... 11  1............ Perdas no material dos enrolamentos ..................12.......................................................................................................... 1.....................................................................8......................................12.... Transformadores com Derivações no Secundário ..................... 1...................................... 32  1.............................................10....... 26  1..................................2..................................1 Ligação triângulo ou delta (Δ) .................................... Partes que Compõem um Transformador ..................................................... Núcleo ....12... Princípio de Construção de um Transformador 1Ø .......................................

.....4........................................... 42  1.................1........... Excitação composta ...... 52  3........................... 49  2............. Gerador ....... 48  2...............9.......................................... Grau elétrico e radiano elétrico ........ 51  3..............................4.....................................................................................................................5.....................14.............1.................1...... 52  3............. Eficiência das Máquinas Elétricas CC (Rendimento)...... 43  1..3...2............ 66  3........ 3.................................................... Espira ...........5...........................................................................7............................................................................................................... 65  3..............................................................................................2..............................................6..................................................3. Motor ............. Bobina .....................................................................................2...............2.............................. 2.................................... 51  2....... MÁQUINAS DE CORRENTE CONTÍNUA .............................................................................................. Rotor (induzido) ...................3.....2........................ Estator ............................. 69  3... 1....2......................... 3...... 49  ...... Excitação paralela (shunt)  ...................... Introdução  .........9....... 48  ................... Excitação independente .. Torque (ou Conjugado) Desenvolvido na Armadura .....................................................3............ 66  3................................ Controle de Velocidade do Motor CC......... Enrolamento da armadura da máquina CC ......................... 52  ... 71  3.................... Testes em Transformadores .................5...........................................8................. 69  3.................................2. Testes em curto-circuito................................vi  1..............................................................7..... Pólos magnéticos ................................... 74  3.......................................................................................................4.....3..............................................................................................14.....1.................................................................................................................................3....................... 55  3......... 50  2.................... Testes de circuito aberto  ....................................................... Descrição Física e Características Construtivas.... Buzinaro      ............................................. 50  2..............3.... Excitação série .....4............................... 72  3........ 73  ..................................................................................................................... 68  3.......5...................3......................................................................... ........... Montagem das bobinas ........... 45  2...... Classificação das Máquinas Elétricas ................. 50  2.. 52  3.......................... 3......................................................................................3.. 43  ...............5........ ......................................1..........................2............. .......................3..  ................................................... Reação da Armadura.. .........13....... 56  3............3.... Relação entre grau elétrico e grau mecânico .......................... Conceitos Básicos  .......................... Circuito referido ao secundário .............................................. 48  2...1...........4........................14............................................................................ Princípio de Operação ..................3..................................................... 2......................6..................................... Introdução  ...................4............................................................... 71  3.1............................ 74  3. MÁQUINAS ELÉTRICAS ... Perdas nas Máquinas CC............................................................................................................................................................................................................ Tipos de Conecções das Máquinas CC............................................................................ 51  2......................5.... 75    Prof............... 70  .............................................................................................. Passo da bobina ...........................................................................................2.................................. Tabela para Eliminação de Defeitos – Máquinas CC .......................................................2.

000 volts. eleva-se a tensão a um valor oportuno com um transformador elevador. Para efetuar o transporte desta energia. INTRODUÇÃO As exigências técnicas e econômicas impõem à construção de grandes usinas elétricas. em geral situadas muito longe de centros de aproveitamento. Surge assim a necessidade de transporte da energia elétrica por meio de linhas de comprimento notável. Por motivos econômicos e de construção.1  Capítulo 1 . que é o transformador. as seções dos condutores destas linhas devem ser mantidas dentro de determinados limites. com plena liberdade. Assim sendo. outro transformador executa a função inversa. isto é. pois devem utilizar a energia hidráulica dos lagos e rios das montanhas. de geração. reduz a tensão ao valor necessário para a utilização. de construção simples e rendimento elevado.Transformadores 1. de transporte e de distribuição. o que torna necessária a limitação da intensidade das correntes nas mesmas. Estas realizações são possíveis em virtude de a corrente alternada poder ser transformada facilmente de baixa para alta tensão e vice-versa. Os geradores instalados nas usinas geram a energia elétrica com a tensão aproximada de 6. Buzinaro  .1. dando-se a cada uma o valor que se apresenta mais conveniente. isto é. por meio de uma máquina estática. que em certos casos atinge a centenas de milhares de volts. as linhas deverão ser construídas para funcionar com uma tensão elevada. TRANSFORMADORES 1. sem partes móveis.   Prof. Podem então ser escolhidas as três tensões. Na chegada da linha.

Transformadores Naturalmente. Fig. nestas transformações o valor da intensidade de corrente sofrerá a transformação inversa à da tensão. Buzinaro  . deve ficar inalterada. 1. potência elétrica. desde a geração até o consumidor final. pois o produto das mesmas.Transmissão de energia elétrica.2  Capítulo 1 .   Prof. 1 . isto é.

Por motivos de construção este núcleo possui a forma indicada na fig.Transformador monofásico. 1. Este núcleo deverá ter elevada permeabilidade (é o grau de magnetização de um material em resposta a um campo magnético) e por isso seus entreferros devem ser muito reduzidos.Transformadores 1. OBJETIVO Um transformador tem funcionamento “dinâmico”. 1.2. tendo como função principal transformar níveis de tensão ou corrente para níveis desejados. 2 . funcionando apenas quando a corrente elétrica que percorre seu enrolamento primário sofre alterações em função do tempo.3. em outras palavras. PRINCÍPIO DE CONSTRUÇÃO DE UM TRANSFORMADOR 1Ø O funcionamento do transformador baseia-se nos fenômenos de Indução Mútua entre dois circuitos eletricamente isolados. não funcionará com corrente contínua e constante. Buzinaro  . Fig. mas magneticamente ligados.   Prof. logo deve ser construído por um pacote de lâminas de aço-silício oportunamente isolados.3  Capítulo 1 . é necessário que estes estejam enrolados sobre um núcleo magnético de pequena relutância (pode ser imaginada como um análogo em circuitos magnéticos à resistência de circuitos elétricos).2. Para que a ligação magnética entre os dois circuitos mencionados seja a mais perfeita possível. 1. como é destinado a canalizar um fluxo alternado.

Analogamente as tensões V1 e V2 são denominadas comumente de tensão primária e secundária. Como se sabe.) o que tem maior número de espiras e enrolamento de baixa tensão (B. 1.Transformadores Aplicando nos extremos de qualquer destes enrolamentos a tensão alternada que se quer transformar V1. gera-se nos extremos do outro a tensão transformada V2. . A relação entre estas duas tensões chama-se relação de transformação do transformador.T. O enrolamento alimentado pela tensão V1 que se quer transformar chama-se enrolamento primário e o outro que fornece a tensão transformada V2. Buzinaro  Monofásicos – Primário alimentado com uma fase e neutro. e pelo contrário como abaixador ou redutor de tensão quando se alimenta o enrolamento A. bastando alimentar um ou outro.4  Capítulo 1 .4.T. o enrolamento com menor número de espiras. pois os dois enrolamentos podem funcionar indiferentemente como primário ou secundário. Trifásicos – Primário alimentado com três fases e neutro ou três fases. TIPOS DE TRANSFORMADORES a) Quanto ao número de fases • • •   Prof. O transformador funcionará como elevador de tensão quando se alimenta como primário o enrolamento de B. Bifásicos – Primário alimentado com duas fases e neutro ou fase e fase.) o que tem menor número de espiras. Os transformadores são máquinas de grande eficiência. Construtivamente os enrolamentos são denominados: enrolamento de alta tensão (A. chama-se enrolamento secundário. os fenômenos de mútua indução são reversíveis. ou seja. portanto nenhuma distinção pode ser feita entre o circuito primário e secundário. As correntes I1 e I2 que atravessarão os dois enrolamentos constituem respectivamente a corrente primária e secundária do transformador.T.T. e os de grandes potências apresentam comumente 95 a 99% de rendimento.

que tem baixas perdas. Podem ser mono ou trifásicos.8 kV ou maior. e pode ser monofásico ou trifásico (três pares de enrolamentos).Transformadores b) Quanto a Relação entre as Tensões do Primário com Secundário • • • Transformador Elevador – VP < VS / NP < NS / IP > IS Transformador Abaixador – VP > VS / NP > NS / IP < IS Transformador de Isolação (*) – VP = VS / NP = NS / IP = IS * . é muito eficiente. por isto. em baixas frequências. Seu núcleo também é com chapas de aço-silício. É especificado pela relação de transformação de corrente do primário. 45. é muito eficiente. tem a função de elevar o nível de energia para a transmissão. 75 e 112. com a do medidor sendo esta padronizada em 5A.   Prof. • Transformadores de Potencial (TP): Encontra-se nas cabines de entrada de energia. A corrente é medida por um amperímetro ligado ao secundário do TC. A tensão do primário é alta. que tem baixas perdas. Seu núcleo é feito com chapas de aço-silício. • Transformador de Corrente (TC): Usado na medição de corrente em cabines de entrada de energia e painéis de controle de máquinas. em geral. motores e outros. Podendo ser de 15. para alimentar os dispositivos de controle da cabine . iluminação e medição. por isto.5  Capítulo 1 . com a função de abaixar o nível de energia para a distribuição. 13.5 kVA. Seu núcleo é feito com chapas de açosilício. variando apenas a escala de leitura do amperímetro e o número de espiras do TC.Sua função é isolar eletricamente o operador do sistema elétrico. em baixas frequências. • Transformador de Distribuição: Encontrado nos postes e entradas de força em alta tensão (industriais).relés de mínima e máxima tensão (que desarmam o disjuntor fora destes limites). fornecendo a tensão secundária de 220V. c) Quanto ao Uso Específico • Transformador Elevador: É usado nas subestações elevadoras de energia (subestação de geração). O núcleo é de chapas de aço-silício. • Transformador Abaixador: É usado nas subestações abaixadoras e de distribuição de energia. 30. Buzinaro  .

Transformadores • Autotransformador: Possui estrutura magnética semelhante aos transformadores normais. e os enrolamentos têm poucas espiras.c. Costumam ter blindagem de alumínio.m.000 Hz. no acoplamento entre etapas dos circuitos de rádio e TV. É reversível. diferenciando-se apenas na parte elétrica. 1. Sua resposta de frequência dentro da faixa de áudio. não é perfeitamente plana. este se caracteriza por ter alta permeabilidade. SÍMBOLOS DOS TRANSFORMADORES • Transformador Monofásico: ou   Prof. o que limita seu uso. 20 a 20. será desenvolvida uma alta tensão no secundário e não haverá f. Cuidado: O Transformador de Corrente nunca deverá permanecer com o seu secundário em aberto enquanto o seu primário estiver energizado. inclusive de outras partes do circuito. acima de 30 kHz). que se mantém em altas frequências (o que não acontece com chapas de aço-silício).5. • Transformador de Áudio: Usado em aparelhos de som à válvula e certas configurações a transistor. Sua potência em geral é baixa. no entanto haverá um aumento de fluxo causando uma perda excessiva no núcleo.. • Transformador de RF: Empregam-se em circuitos de rádio-frequência (RF. por aquecimento. para eliminar interferências.e. O núcleo é de ferrite. mesmo usando materiais de alta qualidade no núcleo. A relação entre a tensão superior e inferior não deve ser superior a 3. pode ser abaixador ou elevador. no acoplamento ente etapas amplificadoras e saídas ao alto-falante.6  Capítulo 1 . A elevada tensão no secundário e o fluxo magnético poderá danificar totalmente o TC e colocará em risco a vida dos operadores. Buzinaro  . pois desta forma.

7  Capítulo 1 .onde temos um núcleo constituído de lâminas de aço prensadas e dois enrolamentos.   Prof.6.Transformadores • Transformador Trifásico: ou • Autotransformador: ou • Transformador de Corrente: ou 1. – fig. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO O fenômeno da transformação é baseado no efeito da indução mútua. 1.3 . Buzinaro  .

Portanto se aplicarmos uma tensão V1 alternada ao primário circulará por esse enrolamento uma corrente I1 alternada que por sua vez dará condições ao surgimento de um fluxo magnético também alternado. A maior parte desse fluxo ficará confinado no núcleo.m.e.Efeito da indução mútua. E1 = tensão induzida no primário. I1 = corrente no primário.Transformadores Fig. que é de fundamental importância para o perfeito entendimento dos fenômenos eletromagnéticos.m. Esse fluxo originará uma força eletro-motriz (f. N1 = número de espiras do primário. 3 . Enunciaremos agora a lei de Lenz. Onde: V1 = tensão aplicada nos terminais da entrada (primária). 1.8  Capítulo 1 . Buzinaro  .e. V2 = tensão nos terminais de saída (secundário).) induzida fará com que a corrente circule em um circuito fechado. E2 = tensão induzida no secundário. N2 = numero de espiras do secundário. A lei de Lenz diz o seguinte: Em todos os casos de indução eletromagnética uma força eletro-motriz (f. num sentido tal que seu efeito magnético se oponha à variação que a produziu. I2 = corrente no secundário. uma vez que é este o caminho de menor relutância.)   Prof.

m. Exemplo 1: Se a tensão de entrada for 115 VRMS. no outro. As tensões terminal de entrada e saída (V1 e V2) diferem muito pouco das f. Quando a tensão do primário V1 é superior a do secundário V2 temos um transformador abaixador. a corrente de saída de 1.e.Transformadores E1 no primário e E2 no secundário proporcional ao número de espiras dos respectivos enrolamentos. este também será alternado. Cabe ainda fazer nota que sendo o fluxo magnético proveniente de corrente alternada.m. induzidas (E1 e E2) e para fins práticos podemos considerar: V1 N1 = = a V2 N2 Podemos também provar que as correntes obedecem a seguinte relação: N1 I = 2 = a N2 I1 Onde: I1 = corrente no primário. I2 = corrente no secundário. Qual a tensão no secundário em valores de pico a pico? E a corrente elétrica no primário? Solução: V1 N1 115 9 = → = → V2 = 12.9  Capítulo 1 .e. qualquer dos enrolamentos poderá ser primário ou secundário. podemos aplicar uma tensão em qualquer dos enrolamentos que teremos a f. tornando um fenômeno reversível. ou seja.5 ARMS e a relação de espiras 9:1. segundo a relação E1 N1 = = a E2 N2 onde a é a razão de transformação ou relação entre espiras. Chama-se de primário o enrolamento que recebe energia e secundário o enrolamento que alimenta a carga.8 VRMS V2 N2 V2 1   Prof. Buzinaro  . Caso contrário terá um transformador elevador de tensão. Baseando-se neste princípio.

167 ARMS 1 N2 I1 I1 Obs. b) Perdas parasitas no condutor dos enrolamentos São perdas produzidas pelas correntes parasitas induzidas.1.8 x 2 → VP = 18 V VPP = 2 x VP → VPP = 36 V N1 I 9 1. Buzinaro  .5 = 19. 5 = 2 → = → I1 = 0.7.: A potência elétrica de entrada e de saída num transformador ideal monofásico é igual. podendo ser calculada como descrita abaixo: PP = PS → VP x I P = VS x I S → 115 x 0.10  Capítulo 1 . 2 W 1. pelo fluxo de dispersão.8 x 1. nos condutores das bobinas.7.167 = 12.   Prof. são perdas que dependem da corrente (carga). do carregamento elétrico e da geometria dos condutores das bobinas.Transformadores VP = 12. estas perdas são representadas pela expressão R I 2 e dependem da carga aplicada ao transformador. PERDAS NO TRANSFORMADOR 1. PERDAS NO MATERIAL DOS ENROLAMENTOS a) Perdas no cobre São perdas que surgem pela passagem de uma corrente (I) por um condutor de determinada resistência (R).

4. Fig. Em outras palavras. Se gasta energia para alinhar os domínios magnéticos e inverter o alinhamento.Bm e deste novamente para + Bm.Curva de M vs.7. Esta perda foi interpretada como sendo necessária para vencer os atritos entre os magnetos elementares de que o núcleo se compõe. Alguns transformadores que   Prof. PERDAS NO FERRO DO NÚCLEO MAGNÉTICO Estas perdas são as perdas calculadas com o transformado a vazio. o alinhamento magnético do núcleo também é invertido.Transformadores 1. 1. a) Perdas por histerese Qualquer núcleo magnético sujeito a magnetizar-se percorre um ciclo de histerese todas as vezes que o campo magnetizante varia de + Bm a . sendo a potência perdida proporcional à área do ciclo. Buzinaro  .11  Capítulo 1 . e foi chamada de perda por histerese magnética. podemos dizer que: quando o sentido da corrente é invertido. mas há um retardo por parte dos domínios magnéticos. H de um material ferromagnético. 1. corresponde às perdas por histerese. não disponível no secundário.2. como mostrado na fig. Essa energia. 4 .

produzida em cada lâmina é pequeno e atua sobre um circuito elétrico de pequena seção. estas são proporcionais ao quadrado da indução. f . Β2 . o valor da f. f 2 . As perdas dependem do quadrado da espessura da chapa. π2 . μ . expressa em ciclos por segundos.e. não permitindo usar valores elevados. A perda de potência produzida pelas correntes parasitas é expressa em watts pela seguinte equação WP = 10−12 .Transformadores funcionam em altas frequências (telecomunicações) geralmente utilizam núcleo de ferro pulverizado (ferrite) para reduzir essas perdas. V onde: μ é o coeficiente que depende da natureza do material. A potência em watts perdida por efeito da histerese pode ser calculada pela fórmula 1. São diretamente proporcionais ao quadrado da indução e da frequência. Buzinaro  . Com esta construção. o fluxo indutor variável induz no ferro forças eletromotrizes que por sua vez farão circular correntes parasitas em circuitos elétricos fechados. V é o volume do material expresso em centímetros cúbicos. por cuja razão estas perdas fixam valores limites para a indução magnética. Bm .12  Capítulo 1 . Bm valor máximo da indução à qual o núcleo é solicitado. b) Perdas por correntes parasitas ou de foucault Perdas por correntes parasitas vêm a ser o consumo de energia pela corrente que é induzida no ferro do transformador pelo alternamento do fluxo que o atravessa. S μ 8ρ   Prof. Assim como no caso das perdas parasitas no material condutor dos enrolamentos. motivo este que exige que esta seja a menor possível.6 Wh = 10−7 . l .m. f é a frequência de variação do fluxo. δ 2 . o que reduz consideravelmente o valor das correntes parasitas e a correspondente perda de potência. A fim de se reduzir esta perda de potência é necessária construir-se o núcleo com lâminas de ferro.

S) é o volume em cm3 das lâminas. como indicado na fig. dizemos que o núcleo está saturado. 1. esta perda não costuma ser evitada.Transformadores onde: ρ é a resistividade do material das lâminas em micro-ohms-centímetro. aumenta o fluxo no núcleo. mas sim minimizada. é atingido um limite. c) Perdas por saturação À medida que aumenta a corrente no primário. e para aumentar o fluxo seria necessário um aumento do núcleo. e qualquer corrente adicional não aumenta o fluxo. Finalmente. Buzinaro  . 1.Banco de transformadores monofásicos.13  Capítulo 1 . mesma relação de transformação e tensões defasadas de 120°). TIPOS DE LIGAÇÃO DOS ENROLAMENTOS TRIFÁSICOS Para transformar a tensão de uma fonte trifásica. um núcleo maior. Quando isto acontece. pode ser utilizada uma bancada de transformadores monofásicos (de mesma potência em KVA. δ é a espessura em mm das lâminas. (l.8. Na maioria das vezes este aumento do núcleo não é realizado devido a questões construtivas. 5 .5. sendo assim. f é a frequência da variação do fluxo. 1. ou seja. Fig.   Prof. BM é o valor máximo da indução nas lâminas.

pois a presença do condutor “neutro”. pois. . 1. B e C. deixando apenas um em cada ponto de ligação.14  Capítulo 1 . o mais comum nos sistemas de distribuição. 1.6. como indicado na fig. Em módulo: IL =   Prof. Temos assim um sistema triângulo (Δ). If = 1.6 e 1. ou corrente de linha é a soma das correntes das duas fases ligadas a este fio. A corrente em qualquer um dos fios chama-se corrente de linha (IL). A tensão de qualquer destes três fios chama-se tensão de linha (VL = VAB = VBC = VCA). Buzinaro  3 .1 LIGAÇÃO TRIÂNGULO OU DELTA (Δ) Se ligarmos os três sistemas monofásicos entre si.8. ou seja. como veremos nas figs. é o transformador com o primário ligado em triângulo e o secundário ligado em estrela. é preferível usar-se o sistema agrupado. Os transformadores trifásicos podem ser encontrados com dois tipos de ligação: estrela (Y) e/ou triângulo (Δ) com as diversas combinações no primário e no secundário. já com o sistema agrupado será necessário 3 ou 4 condutores. indicados por Vf e If. No entanto. • A corrente em cada fio de linha. Em primeiro lugar devemos observar que o aproveitamento com as fases separadas requer 6 condutores. usado na prática.6. lembrado que esta soma deverá ser fasorialmente. e o sistema trifásico ficará reduzido a três fios A. também chamado de tensão nominal.Transformadores Chamamos “tensões e correntes de fase” as tensões e correntes de cada um dos três sistemas monofásicos considerados. Tal sistema de aproveitamento não é. 1. vê-se que: • A tensão de linha VL é a própria tensão do sistema monofásico. If . entretanto. permite a utilização de dois níveis de tensões para atender o consumidor. Examinando o esquema da fig.7. VL = Vf. que é a tensão nominal do sistema trifásico. 1. podemos eliminar três fios. 732 .

qual a tensão e a corrente ligada em cada uma das cargas? Temos: V f = VL = 220 V → Entre duas fases quaisquer I L = 1.577 x 10 = 5. Ligando a este sistema uma carga trifásica composta de três cargas iguais ligadas em triângulo. 732 x I f I f = 0. 6 .577 x I L = 0. 1. Onde: IL = IA = IB = IC VL = Vf = VAB = VBC = VCA Exemplo: Em um sistema trifásico equilibrado em Δ de tensão nominal 220 V. a corrente de linha medida é de 10 A.Ligação triângulo (∆).15  Capítulo 1 .Transformadores Fig. Buzinaro  . 77   Prof.

 Buzinaro  .Transformadores 1. 1. Fig. como indicado na figura 1. A tensão entre dois fios quaisquer do sistema trifásico é a soma fasorial das tensões de duas fases às quais estão ligados os fios. Vf . ou corrente da linha é: IL = If.2 LIGAÇÃO ESTRELA (Y) Ligando um dos fios de cada sistema monofásico a um ponto comum aos três restantes.7. 1.Ligação em estrela (Y). absorvendo 5. sendo elas feita para ser ligada a uma tensão de Vf = 220V. Exemplo: Três cargas iguais.8.16  Capítulo 1 .7. Em módulo: VL = 3 . forma-se um sistema trifásico em estrela. Examinando o esquema da fig. 7 . Vf = 1.77A. e o ponto comum forma o neutro. observa-se que: A corrente em cada fio da linha. O quarto fio é ligado ao ponto comum às três fases. A tensão de linha é a tensão nominal do sistema trifásico.77A) e qual a corrente de linha?   Prof. 732 . e a corrente de linha é a corrente em qualquer um dos fios. Qual a tensão nominal do sistema trifásico que alimenta esta carga em suas condições normais (220V e 5.

1.17  Capítulo 1 .   Prof. como indicado na fig. o chamado triângulo das potências. Algumas vezes usa-se um ponto ou marca semelhante para indicar os terminais de mesma fase. Buzinaro  . temos três tipos de potência: potência aparente.8. TRANSFORMADORES COM DERIVAÇÕES NO SECUNDÁRIO Parece evidente que um transformador pode ter mais de um enrolamento secundário. Quando os enrolamentos ligados em série se opõem. Em certas ocasiões é desejável a ligação em série dos enrolamentos secundários. ativa e reativa. a tensão é a soma das tensões nos enrolamentos. 1. Quando os enrolamentos ligados em série se ajudam mutuamente. POTÊNCIA NOS TRANSFORMADORES Em um sistema elétrico. para que a tensão seja aumentada ou diminuída.10.9. 77 A 1.Transformadores Temos: V f = 220 V → em cada uma das cargas VL = 1. a tensão é a diferença entre as tensões dos mesmos. Estas potências estão intimamente ligadas de tal forma que constituem um triângulo. 732 x 220 = 380 V I L = I f = 5.

000 W.).000 = = 2. 8 .000 VA de potência aparente.Aparelho 2 P = 1. Ø = ângulo que determina o fator de potência (f.92. expressa em VA (volt-ampére). expressa em W (watt).   Prof.Triângulo das potências.5 P 1.5. . como mostrado no exemplo abaixo. que define o dimensionamento dos condutores.000 = = 1.087 VA S 0.000 W. Q = Potência reativa. 1. Onde: S = Potência aparente. Aparelho 1 Aparelho 2 Conclusão: cos φ = cos φ = P 1.92 Verificamos que o equipamento 2. Potência Aparente é a soma vetorial da potência ativa e a reativa. Um transformador é dimensionado pela potência aparente (S). e por aí nota-se a importância da manutenção em um fator de potência elevado em uma instalação elétrica. P = 1.Aparelho 1 . Exemplo: Cálculo da potência aparente requerida por dois equipamentos com fator de potência.087 VA.p. requer apenas 1. transformadores. que possui o maior fator de potência. cos Ф = 0. equipamentos de proteção e de manobra. Buzinaro  .Transformadores Ø Fig. cos Ф = 0. expressa em Var (volt ampére reativo).18  Capítulo 1 . P = Potência ativa. enquanto que o equipamento 1 requer 2.000 VA S 0.

I L φ = arctg (Q P ) f . dizemos que o transformador está trabalhando a vazio. VF .19  Capítulo 1 . s e n(φ ) S = P2 + Q2 Q = 3 . VL . = cos(φ ) = P S φ = arctg (Q P ) f . anteriormente citadas para um transformador real. p. I L . cos(φ ) Q = V . Considerando-se as perdas. VL . I .Transformadores As potências de um transformador monofásico e de um trifásico esta mostrado na tabela 1. = cos(φ ) = P S Tabela 1. Transformador Monofásico Potência Ativa (W) Transformador Trifásico P = V . portanto a relação: Potência Primária = Potência Secundária. VF . p. s e n(φ ) P = 3 . I F = 3 . teremos: PP = PS + PPERDAS (determinada com o transformador a vazio). I . valendo. I F .   Prof. Por serem máquinas estáticas os transformadores apresentam ótimos rendimentos (95% a 99%). Buzinaro  . cos(φ ) 3 .1. VL . Já os de maior potência são determinados em Volt-Ampères (VA) ou Kilovolt-Ampères (kVA). Quando o transformador está fornecendo sua potência máxima dizemos que ele está à plena carga.I Fator de Potência S = 3 . sen(φ ) Q = Potência Aparente (VA) S = P2 + Q2 S = V . quando não há carga no secundário e o primário está alimentado. I F . motivo pelo qual são estudados como máquinas ideais. I L . No entanto. cos(φ ) P = Potência Reativa (Var) 3 . VF .Tabela das potências nos sistemas monofásicos e trifásicos. 1 . Nos pequenos transformadores a potência é expressa em Watts (W).

l) Dificuldade de manutenção. c) Exposição à sujeira ou pós prejudiciais. transporte e instalação. f) Sujeição a condições precárias de transporte e instalação. ou com forma de onda distorcida. m) Funcionamento em condições não usuais. ar excessivamente salino. k) Necessidade de proteção especial de pessoas contra contatos acidentais com partes vivas do transformador. i) Exigência de redução dos níveis de ruído e/ou de rádio-ruído.20  Capítulo 1 . as que podem exigir construção especial. e) Sujeição a vibrações anormais. instalação ou operação do transformador. CONDIÇÕES ESPECIAIS DE UM TRANSFORMADOR São consideradas condições especiais de serviço. tais como. ou com tensões desequilibradas. gases ou fumaças prejudiciais. ou cuidados especiais de transporte. d) Exposição a materiais explosivos na forma de gases ou pós. em regime ou frequência não usuais. ou revisão de alguns valores nominais. são condições especiais as seguintes: a) Instalações em altitudes superiores a 1. Buzinaro  . b) Exposição à umidade excessiva.Transformadores 1. e que devem ser levadas ao conhecimento do fabricante. vapores. Dentre outras. h) Possibilidade de submersão em água. j) Exigências especiais de isolamento.   Prof.11.000 m. g) Limitação de espaço na sua instalação.

este material é condutor e estando sob a ação de um fluxo magnético alternado. Para minimizar este problema. como indicado na fig. No Brasil a fábrica mais importante de chapas para núcleos de transformadores é a Cia. 9 . o núcleo. Buzinaro  .9. é construído pelo empilhamento de chapas finas.12.Chapas de aço-silício.21  Capítulo 1 .ACESITA. que lhe proporciona características excelentes de magnetização. é constituído por um material ferromagnético. dá condições de surgimento de correntes parasitas. Aços Especiais Itabira . O núcleo pode ser:   Prof. é um material com grande permeabilidade magnética e baixa Fig.12. ou seja. o silício. Porém. NÚCLEO O núcleo é a parte do transformador por onde vai fechar-se o circuito magnético. Sendo o material do núcleo de grande permeabilidade magnética consequentemente as perdas do núcleo serão pequenas.1. 1. PARTES QUE COMPÕEM UM TRANSFORMADOR 1.Transformadores 1. ao invés de ser uma estrutura maciça. 1. que contém em sua composição relutância.

1. melhora a eficiência do transformador por oferecer mais ferro e menos ar ao campo magnético. 1.22  Capítulo 1 .11.Transformador de núcleo envolvido. como mostrado na fig. Fig. 1. 11 . portanto ineficiente e nunca é usado para transmissão de energia. Fig. 1. aumentando assim o acoplamento magnético.Transformadores a) Aberto Este tipo de núcleo é o mais barato. O transformador com núcleo aberto é. o acoplamento magnético é diminuído. 10 .Transformador de núcleo aberto. pois o primário e o secundário são enrolados sobre um núcleo cilíndrico. Como o ar se opõe ao campo magnético. Buzinaro  . ver fig. e outra parte pelo ar.10. b) Envolvido O núcleo envolvido. Parte do circuito magnético é constituída pelo núcleo.   Prof.

T. sobre outra.23  Capítulo 1 . porém.T. BOBINAS Qualquer que seja o tipo de construção do transformador.Transformadores c) Envolvente O núcleo envolvente aumenta ainda mais o acoplamento magnético. Nos transformadores industriais há várias maneiras de se disporem as bobinas a fim de se diminuir a dispersão magnética.T.) da mesma fase são em geral colocados sobre a mesma coluna. 1.T. não é aplicado pelo fato de dar origem a dispersões magnéticas notáveis. 1.   Prof.) e baixa tensão (B. e. o máximo acoplamento entre o primário e o secundário.2. T.12. portanto a eficiência do transformador. 1. permitindo assim. Este critério. 12 . ver fig. Buzinaro  . Conforme a posição relativa em que são dispostas as bobinas A. Fig. os dois enrolamentos de alta tensão (A.12. pois uma grande parte do fluxo gerado pelo enrolamento primário se fecha no ar sem chegar a concatenar-se com o secundário. e B. sobre uma coluna e enrolamento B.Transformador de núcleo envolvente.. pois proporciona dois caminhos magnéticos paralelos. é possível dispor o enrolamento de A.T. obtem-se os tipos de enrolamentos que são: bobinas concêntricas ou tubulares e de bobinas alternadas ou de discos. Nos transformadores monofásicos de colunas.

T. perto da coluna coloca-se sempre o enrolamento de B.b. enquanto o enrolamento de B. Os enrolamentos adquirem a forma indicada na fig. Buzinaro  . 1.T.T. são divididos em várias bobinas sobrepostas e devidamente distanciadas. Esta disposição diminui consideravelmente a dispersão. concêntricos.a.Enrolamentos concêntricos. 13 .T. com várias bobinas de comprimento axial pequeno (discos) e sobrepondo-se as bobinas de A.T. Fig.13. e B. 1. como indicado na figura   Prof. Às vezes. dispondo-se um deste próximo da coluna e o outro externamente ao enrolamento de A.24  Capítulo 1 . porém. Para maior segurança. é geralmente constituído em forma de um solenóide contínuo. b) Enrolamentos com bobinas alternadas ou de discos Esta construção é realizada executando-se ambos os enrolamentos de A.T. separados entre si por meio de material isolante. e B.. alternadamente. é subdividido em dois solenóides concêntricos. na qual os enrolamentos de A. 1. como indicado na fig.Transformadores a) Enrolamentos concêntricos ou tubulares Esta construção realiza-se dispondo sobre cada coluna os dois enrolamentos de A. separado da mesma por meio de um tubo de material isolante.T.13.T. o enrolamento B.T.. e B.T.T.

. O enrolamento A.T.T. as bobinas são divididas de maneira que as extremas pertençam ao enrolamento de B. surgem dificuldades de execução.14. e B. o problema fundamental é o do isolamento.T. Buzinaro  . Para condutores em barra usa-se algodão em duas ou três camadas.25  Capítulo 1 . enquanto o enrolamento B. Estes condutores devem possuir isolamento próprio.. tem poucas espiras com grande seção. tem em geral elevado número de espiras com seção relativamente pequena. proporcional à tensão induzida em cada espira. Para seções de até 10mm2 empregam-se fios redondos. papel ou cadarço de algodão. 14 .T. pelo contrário.T. 1. Fig. interpondo-se entre as espiras contíguas diafragmas de papel. enquanto no B.T. Para tornar mais fácil o isolamento contra a cabeça do núcleo. Para diminuir a dispersão.. No A. Para fios redondos usa-se em geral um isolamento de esmalte ou algodão em duas camadas.T. para seções maiores empregam-se condutores com seção retangular. requerem uma técnica de construção diferente.Transformadores 1.. O isolamento entre as bobinas sobrepostas é obtido com a interposição de coroas isolantes. quando é necessário empregar condutores com seção muito grande.   Prof. Os condutores de seção muito grande são enrolados geralmente nus.Enrolamentos com bobinas alternadas ou de discos. Os enrolamentos de A. estas duas bobinas devem possuir metade da espessura das bobinas B.T.

16. o enrolamento primário é dotado de derivações (taps). Fig.15.4. instalados junto à parte ativa.12. que podem ser escolhidos mediante a utilização de um painel de ligações ou comutador.Comutador do tipo painel de posições. na maioria dos transformadores de baixa potência. conforme mostrado na fig. O óleo tem como objetivo atender duas finalidades: garantir um   Prof. ÓLEO ISOLANTE a) Objetivos Todos os transformadores de potência acima de 20 kVA e tensão acima de 6 kV são construídos de maneira a trabalhar imerso em óleos isolantes.26  Capítulo 1 . 1. deve ser manobrado com o transformador desconectado da rede de alimentação. dentro do tanque. COMUTADOR Para adequar a tensão primária do transformador à tensão de alimentação e fornecimento.12. Este aparato. 15 . Buzinaro  . 1. 1.Transformadores 1. como indicado na fig.3. conforme projeto e tipo construtivo. 1.

que são obtidos da refinação do petróleo.Transformadores perfeito isolamento entre os componentes do transformador. 1. Para que o óleo possa cumprir satisfatoriamente as duas condições acima.27  Capítulo 1 . Esses óleos podem ser conseguidos com uma grande gama de variação em suas propriedades físicas. ele deve ser testado e apresentar boas condições de trabalho. oxidação. • Ponto de inflamação e ponto de combustão: Aquecendo-se o óleo até uma determinada temperatura. Se a temperatura for elevada até outro valor determinado. e dissipar para o exterior o calor proveniente do efeito Joule nos enrolamentos. tais como. b) Generalidades Os óleos usados em transformadores correspondem aos minerais. assim como do núcleo.   Prof. Fig. Buzinaro  . o óleo se inflamará espontaneamente em contato com o ar. Justifica-se esse ensaio pelo fato de o comportamento químico do óleo ser alterado por condições externas.Óleo isolante. este é o ponto de inflamação. etc. 16 . este é o ponto de combustão. O óleo deve ser testado quanto aos seguintes aspectos: • Comportamento químico: O óleo deve ser testado em condições as mais parecidas possíveis com as de trabalho. envelhecimento. aquecimento. ele se inflama em presença de uma chama.

12. Para aumentar a superfície de contato com o ar.. A superfície exterior do núcleo e enrolamentos aumenta menos ainda. devido a seu aquecimento. etc.28  Capítulo 1 . Vale dizer que. sendo que o faz em menor escala. formam-se produtos lamacentos escuros. que em lugar de ter forma cilíndrica ou prismática   Prof. Analisador de rigidez dielétrica é o nome do aparelho utilizado para medir a rigidez dielétrica do óleo isolante. mas facilmente pode-se notar que a importância e a necessidade do teste de rigidez dielétrica são bem grandes. Geralmente. em transformadores submersos em óleo. como indicado na fig. costuma-se dobrar as paredes do tanque. que alteram as propriedades do óleo. O volume do transformador não aumenta linearmente com a potência.Transformadores • Viscosidade: É um teste importante. o óleo vai perdendo suas qualidades isolantes. por razões geométricas. 1. • Rigidez dielétrica: Todos os ensaios anteriores devem ser feitos periodicamente nos transformadores em uso. conhecidos por lama. para seu resfriamento.17. sob o efeito de oxidação. retenção de umidade.5. SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO As perdas que se produzem no ferro e no cobre de um transformador geram calorias que provocam a elevação de temperatura das partes ativas do aparelho. pois da viscosidade depende a capacidade de circulação do óleo. porque a natural é insuficiente. Os transformadores de grande potência requerem geralmente refrigeração adicional. 1. A quantidade perdida deve ser nula ou a menor possível. elevadas temperaturas. dentro do transformador. • Perdas por evaporação: Visa determinar o quanto de óleo escapa do transformador em forma de gás. Buzinaro  .

1. Consegue-se desta maneira aumentar muito a superfície de contato com o ar exterior.   Prof.29  Capítulo 1 .18. 1. com o que se melhora a transmissão por convecção e por radiação. Refrigeração em óleo com serpentina de água interna . Buzinaro  . Abaixo citamos os tipos de resfriamento de um transformador: • • • • • • Resfriamento Natural – SN – figs. 1. 17 .LCF – ACF.17e 1.Transformadores regular. Fig. Resfriamento com ventilação forçada – SVF. 1.Resfriamento natural.19.LN –ACF.17 e 1. Fig. Resfriamento por circulação natural do líquido isolante – LN – figs.LN – VF – fig.18. adquirem assim um aspecto aleteado. Resfriamento por circulação natural do líquido isolante e ventilação forçada sobre o tanque e radiadores . 18 . Refrigeração em óleo com serpentina de água externa . 1.Dobras nas paredes de um tanque.

da tensão entre bornes. 19 .. neves. 1. BUCHAS As buchas aos que se sujeitam os terminais de conexão estão sobre a tampa do transformador e em sua lateral (nos transformadores de distribuição). O tipo de bucha difere muito em transformadores para uso em interior de locais e para intempéries. JUNTAS DE VEDAÇÃO Devem ser feitas de elastômero resistente à do óleo aquecido à temperatura de 105 °C.Transformadores Fig. 1. à ação da umidade e dos raios solares. Seu tamanho e tipo dependem da tensão de trabalho do enrolamento.12. Nestes casos se especifica a tensão que deve suportar o isolador em função da tensão de serviço em V (volts).6.   Prof. etc. 1.12.7. 1. Buzinaro  . ou mais corretamente.20.30  Capítulo 1 . como indicado na fig. No caso de transformadores para intempéries devemos considerar os efeitos das chuvas.Sistema de refrigeração forçada.

laminadas a quente. a oval e retangular para os transformadores de médias e grandes potências. TANQUES O tanque do transformador. isoladores. A NBR rege que: • •   Prof. os transformadores têm o tanque liso. O formato do tanque varia de redondo para os transformadores de distribuição de baixa potência.20. e óleo. nervurado ou equipado com radiadores.Transformador de distribuição. além de ser o recipiente que contém as partes ativas. 20 .12. o calor produzido pelas perdas. Buzinaro  O tanque e a respectiva tampa devem ser de chapas de aço. .8. 1. é o elemento que transmite para o ar. De acordo com a quantidade de calor que deve ser liberada. como indicado na figura 1. Os radiadores podem ser tubulares ou em forma de câmara plana.Transformadores Fig. 1.31  Capítulo 1 . O tanque não deve apresentar impurezas superficiais.

álcalis e solventes. deve-se ter em mente: • A agressividade do meio ambiente em que está o transformador. PINTURA O serviço de pintura de transformadores é uma especialidade que exige bons conhecimentos sobre: preparo da superfície a ser pintada.   Prof. e conter substâncias abrasivas que são lançadas sobre o transformador pelos ventos. • A tinta de fundo deve preencher as seguintes condições: Ter boa adesão à superfície metálica. Ser compatível com a tinta de acabamento. Ao selecionar as tintas. Resistência à poluição marítima. Resistência a ácidos.Transformadores • As superfícies internas do tanque devem receber um tratamento que lhes confira uma proteção eficiente contra a corrosão e o material utilizado não afetar nem ser afetado pelo óleo. agressividade do meio em que se encontra o transformador. o • A tinta de acabamento deve ter as seguintes qualidades: Resistência a água. tipos de tinta de fundo e acabamento adequados para cada situação. Ter resistência química adequada. Resistência ao óleo isolante. de natureza ácida ou alcalina. e condições econômicas. métodos e mão-de-obra de aplicação. 1. A escolha de tintas para pintar transformadores não é tarefa das mais fáceis. Ter boa dureza.32  Capítulo 1 .9.12. Resistir a uma temperatura de 90 C. Buzinaro  . Resistir a óleo isolante. O meio ambiente pode ser úmido.

Tipo (segundo a classificação do fabricante). e essas temperaturas são variáveis. Número de série de fabricação. como indicado na fig. Designação e data da norma brasileira (especificação).33  Capítulo 1 .10. Tensões nominais do primário e secundário. 1.Transformadores Resistência a temperatura de 90 C. Correntes nominais do primário e secundário. Muito boa aderência e dureza. pois a parte inferior do transformador em operação tem uma temperatura mais baixa que sua parte superior. A placa de identificação deve conter. Frequência nominal.21. etc. Designação do método de resfriamento. PLACA DE IDENTIFICAÇÃO O transformador deve ser provido de uma placa de identificação metálica. Número de fases. Retenção de brilho e cor. o 1. à prova de tempo. em posição visível. Mês e ano de fabricação. sempre que possível do lado de baixa tensão. no mínimo. as seguintes informações: • • • • • • • • • • • • •   Prof. Tanto a tinta de fundo como a de acabamento devem resistir às variações de temperatura. . Nome do fabricante e local de fabricação.12. Diagrama de ligações dos enrolamentos do primário e secundário com identificação das derivações. Potência ou potências nominais em kVA. Buzinaro  A palavra "Transformador" ou "Autotransformador" ou "Transformador de reforço" ou "Transformador regulador".

Massa total aproximada.Transformadores • • • • Polaridade ou diagrama fasorial. Fig.Placa de identificação. em percentagem. Impedância de curto-circuito.   Prof. em quilogramas. 1. Volume total do liquido isolante em litros ou peso em kilogramas.34  Capítulo 1 . Buzinaro  . 21 .

localizado na parte superior da parede do tanque ou na tampa. para transformadores imersos em óleo. •   Prof. Todas as válvulas de drenagem do óleo devem ser providas de bujão. mudanças de derivações e inspeção.12. ganchos.35  Capítulo 1 . • Meios de ligação para filtro: Deve ser feita por meio de um tubo. máximo e a 25°C.) para seu levantamento completamente montado. Buzinaro  Apoios para macacos: . olhais. uma ou mais tampas auxiliares na tampa principal. sempre que possível perto do fundo. • Meios de aterramento do tanque: Devem ter na parte exterior do tanque. • Dispositivo para a retirada de amostra do óleo: Deve ser colocado na parte inferior do tanque. quando necessário. para permitir o desligamento dos terminais internos para as buchas. etc. ACESSÓRIOS • Indicador externo de nível do óleo: Deve ser colocado em local visível no transformador.Transformadores 1. provido de bujão.11. um dispositivo de material não ferroso ou inoxidável que permita fácil ligação a terra. inclusive com óleo. • Válvula de drenagem do óleo: Deve ser colocada na parte inferior da parede do tanque. • Abertura para inspeção: Os transformadores devem ter. Deve ter referência para os níveis de óleo mínimo. • Meios para suspensão da parte ativa: Os transformadores devem dispor de meios (alças.

• Secador de ar de Sílica Gel: O secador de ar de sílica gel é usado nos transformadores providos de conservador de óleo.19): Alguns transformadores são constituídos de radiadores mais um conjunto de ventiladores. Buzinaro  . como base própria para arrastamento ou rodas orientáveis. • Meios de locomoção: Os transformadores devem dispor de meios de locomoção. Esses ventiladores podem ser acionados manualmente ou automaticamente por um sistema digital. 1. E o manovacuômetro. devendo ser adequados tanto para a colocação como para o acionamento de macacos. • Provisão para a instalação de termômetro para óleo: Consiste de um alojamento estanque.   Prof. funcionando como um desumidificador de ar do transformador. para a instalação de um termômetro e colocado em posição que forneça a temperatura mais elevada do óleo. • Dispositivo para alívio de pressão: Deve operar de maneira que o valor de sobrepressão não ultrapasse o valor máximo admissível. Em transformadores pequenos (menor que 5 MVA) pode ser usado o termômetro de óleo. • Manômetro e Manovacuômetro: O manômetro é um instrumento utilizado para medir a pressão interna do tanque de óleo.Transformadores Podem ser feitos sob a forma de ressaltos ou de alojamentos. • Sistema de Ventilação Forçada (fig. mede pressão e vácuo.36  Capítulo 1 .

  Prof.Partes de um transformador de distribuição.37  Capítulo 1 .Transformadores Fig. 1. 22 . Buzinaro  .

TRANSFORMADOR MONOFÁSICO IDEAL Hipóteses: • • • Não há perdas ôhmicas – a resistência dos enrolamentos é nula.38  Capítulo 1 . Um circuito equivalente de um transformador monofásico ideal é mostrado na fig.23. CIRCUITOS EQUIVALENTES 1.13. .13. Fig. V 2 .Circuito equivalente de um transformador ideal.Transformadores 1. Não há perdas no núcleo – não há histerese nem correntes parasitas. Não há dispersão de fluxo magnético – todo o fluxo Ø esta confinado no núcleo e é concatenado com ambas as bobinas. • • • • Onde: a   Prof. 1. I 1 .1. 1. Buzinaro  relação de espiras. Tensões e correntes são senoidais Relações: V1 N1 I = = 2 = a V2 N2 I1 V 1 . 23 . I 2 são fasores.

1.   Prof. O fluxo disperso do primário. 1. 1. A resistência interna do enrolamento primário e secundário é representada por R1 e R2. de núcleo de ferro.39  Capítulo 1 .24. uma pequena porção de fluxo disperso é produzida nos enrolamentos primário e secundário φ1 e φ2.13. que têm certa resistência.2. Embora hermeticamente acoplado pelo núcleo de ferro. respectivamente. o enrolamento primário e secundário são constituídos de condutores de cobre. Perdas no núcleo (histerese e correntes parasitas). φM. φ2. TRANSFORMADOR MONOFÁSICO REAL Um transformador real.24. φ1. além do fluxo mútuo. XL2. Um circuito equivalente de um transformador monofásico real é mostrado na fig. Além disto. Dispersão de fluxo. produz uma reatância indutiva primária XL1. O fluxo disperso do secundário. Corrente de magnetização. Buzinaro  . I1 = V2 .Transformadores Potências: S1 = S2 = V1 . é representado na fig. produz uma reatância indutiva secundária. respectivamente. Portanto são consideradas: • • • • Perdas ôhmicas nos enrolamentos. I 2 Pois não há perdas (potência de entrada é igual à potência de saída).

secundário. Corrente no primário. respectivamente. Resistência para levar em conta as perdas no núcleo.Circuito equivalente de um transformador real.Transformadores Fig. As correntes de Foucalt e de histerese são provocados no núcleo e A reatância esta no modelo devido à corrente magnetizante Iμ.40  Capítulo 1 . Tensão terminal no secundário. Buzinaro  Razão de espiras. a V1 V2 E1 E2 I1 I2 R1 R2 X1 X2 R0 X0   Prof. respectivamente. Onde: R1 e R2 X1 e X2 R0 X0 Resistências que representam as perdas ôhmicas nos Reatâncias que representam à dispersão de fluxo no primário e enrolamento (perdas no cobre) primário e secundário. ramo que contem esta bobina é percorrido por esta corrente que será necessária para criação do fluxo e em nada conta para a alimentação da carga. Corrente no secundário. Reatância de dispersão do secundário. Resistência do enrolamento do primário. 1. Tensão induzida no primário. Tensão induzida no secundário. Resistência do enrolamento do secundário. O por isso são representadas por R0. . Reatância de dispersão do primário. Reatância de magnetização. Tensão terminal no primário. 24 .

25 . vem: • l • V2 * •l Z2 = I2 • l • N2 2 2 • • l • l • ⎛ N1 ⎞ N1 N2 → Z2 = Z2 * 2 → Z2 = Z2 * ⎜ ⎟ N1 N1 ⎝ N2 ⎠ * N2 Z 2 = Z 2 * a2   Prof.Transformadores 1.Circuito equivalente de um transformador real referido ao primário.3. Buzinaro  .13. CIRCUITO REFERIDO AO PRIMÁRIO Fig. Como: Z2 = • • V2 •            (1) I2 e •l • V2 • = N1 N2 = I2 •l           (2) V2 I2 Logo: V2 = V2 * e • •l N2   N1         (3) I2 = I2 * • •l N1   N2         (4) Levando (3) e (4) em (1).41  Capítulo 1 . 1.

Neste caso: •l • Z1 •l Z1 = 2 a • V1 e V1 = a I1 = I1 * a •l •   Prof.4. 26 . Buzinaro  .13. 1. CIRCUITO REFERIDO AO SECUNDÁRIO Fig.42  Capítulo 1 . de (2) vem: V2 = V2 * •l • • l • • l • N1 → V2 = a * V2  N2 •   e  I2 = I2 •l N I2 * 2 → I2 = N1 a 1.Circuito equivalente de um transformador real referido ao secundário.Transformadores Para a tensão e corrente referenciada ao primário.

A alimentação é feita com tensão e frequência nominal. 1.43  Capítulo 1 . Buzinaro  .1. Para tensão e frequência nominal são levantados: tensão (V0). corrente (I0) e potência (P0) no lado em que foi aplicada a tensão. ou pelos dados de teste. utilizar o circuito referido ao primário. O ensaio é feito da seguinte maneira: • • • Um lado do transformador é alimentado e outro fica em aberto.14. • Supondo a alimentação pelo primário. Corrente a vazio (Io).   Prof. TESTES DE CIRCUITO ABERTO O ensaio a vazio de transformadores tem como finalidade a determinação de: • • • • Perdas no núcleo (PH + PF). Impedância do ramo magnetizante (ZM).Transformadores 1. como mostrado na fig. A tensão no outro lado deve ser medida também e com esta determinamos a relação de espiras.27. Os dois testes mais comuns são os seguintes: 1.14. TESTES EM TRANSFORMADORES Os parâmetros do circuito equivalente são determinados. ou pelos dados do projeto. Relação de transformação (a).

27 . A impedância equivalente no ramo paralelo (RC e XM) é muito maior que a impedância equivalente em série (R1 e X1) parâmetros série.44  Capítulo 1 .Transformadores Fig. Não há queda de tensão em R2 e X2.28: Fig. 1. 1. 1. Em vazio: • • • I2 = 0 I2’ = 0. O circuito equivalente para o transformador em vazio fica como mostrado pode-se desprezar os na fig. Buzinaro  .Circuito equivalente de um transformador para teste a vazio.Circuito equivalente reduzido de um transformador para teste a vazio. 28 .   Prof.

Transformadores Com as medidas de I0. podemos determinar: cos ϕ = P0 P = S V0 . Assim. etc. A perda de potência a vazio é igual à leitura no Wattímetro neste teste. Impedância.   Prof. tanto para segurança do pessoal que executa o teste. sen ϕ a = V0 V2 Obs. V0 e P0.: Usualmente. terra.14. a perda do núcleo é obtida subtraindo-se desta leitura as perdas ôhmicas no primário. isto significa que a tensão de circuito aberto do segundo enrolamento será maior do que a tensão aplicada. Queda de tensão interna. Buzinaro  . resistência e reatância percentuais. Cuidados então devem ser tomados para isolar os terminais deste enrolamento. a qual é usualmente pequena e pode ser desprezada em muitos casos. I0 e V0 são: a potência.45  Capítulo 1 . então a perda no núcleo será dada por: PC = P0 − I 02 . R1 1. quanto para prevenir que estes terminais não se fechem por meio de outros circuitos elétricos. I 0 RC = XM = V0 IC V0 IM 2 P0 = RC . TESTES EM CURTO-CIRCUITO O ensaio em curto-circuito permite a determinação de: • • • Perdas no cobre. cos ϕ I M = I 0 . algumas vezes até muito elevada. I C I C = I 0 . Nos transformadores elevadores de tensão. é interessante aplicar a tensão de teste ao enrolamento que tiver uma tensão nominal igual àquela da fonte de potência disponível. a corrente e a tensão de entrada. de P0. instrumentos.2.

Fig. utilizar o circuito referido ao primário.Transformadores O ensaio é feito da seguinte maneira: • • Um lado do transformador é alimentado e outro fica em curto-circuito. logo pode-se desprezar os parâmetros referentes ao núcleo. e X2). 1. R2. Buzinaro  . sendo esta tensão aplicada um valor baixo).   Prof. como mostrado na fig.Circuito equivalente de um transformador para teste em curto-circuito. corrente (Icc) e potência (Pcc) no lado em que foi aplicada a tensão. • O circuito equivalente para o transformador em CC fica como mostrado na figura 1. pois a corrente cresce rapidamente.29. 1.30.46  Capítulo 1 . Em Curto-Circuito: • • A tensão terminal secundária (V2 = 0). A alimentação é feita com a tensão partindo do zero até atingir a corrente nominal (este aumento de tensão aplicada deve ser vagarosamente. Supondo a alimentação pelo primário. • • Quando atinge a corrente nominal são levantados: tensão (Vcc). 29 . A corrente que circula pelas impedâncias (RC e XM) é muito menor que a corrente que circula pelas impedâncias em série (R1. logo V2' = 0 . X1.

Circuito equivalente reduzido de um transformador para teste em curto-circuito. Com as medidas de ICC.   Prof. Seja o secundário curto-circuitado e a tensão reduzida aplicada no primário. OBS. VCC e PCC. pode ser calculado R2. usando as formulas anteriores. X 2 = 1 X CC 2 Mais uma vez. 1. 30 . A tensão medida pelo voltímetro (Vcc) corresponde aproximadamente à queda de tensão interna. porque isto indicará o enrolamento de referência para se expressar as componentes de impedância obtidas por este teste. isto é: X1 = a2 . Normalmente é admitido que a reatância de dispersão é dividida igualmente entre o primário e o secundário. a escolha do enrolamento a ser curto-circuitado é normalmente determinado pelos equipamentos de medição disponíveis para uso no teste.47  Capítulo 1 . Buzinaro  . Entretanto. cuidados devem ser tomados registrando-se qual enrolamento está curto-circuitado.: A potência medida pelo wattímetro (Pcc) corresponde aproximadamente à potência dissipada nos enrolamentos. R2 = X CC = X 1 + a 2 . X 2 = Dado R1 e a (relação de espiras).Transformadores Fig. podemos determinar: Z CC = VCC I CC PCC 2 I CC 2 2 Z CC − RCC RCC = R1 + a 2 .

dos condicionadores de ar e da maioria das máquinas encontradas na indústria. Os motores são responsáveis pelo funcionamento das máquinas de lavar. A energia mecânica é fornecida por uma quedad´água. Buzinaro  . vapor.48  Capítulo 2 – Máquinas elétricas 2.2. MÁQUINAS ELÉTRICAS 2. INTRODUÇÃO Máquina elétrica é qualquer dispositivo que realiza a conversão eletromecânica de energia. Se a máquina converte energia elétrica em energia mecânica ela é chamada de motor elétrico. vento. Toda máquina elétrica é reversível. CLASSIFICAÇÃO DAS MÁQUINAS ELÉTRICAS A seguir é a apresentada a classificação das maquinas elétricas:   Prof.1. 2. Se a máquina converte energia mecânica em energia elétrica ela é chamada de gerador elétrico. gasolina ou óleo diesel ou por um motor elétrico. dos ventiladores. isto é. ela pode operar como motor e gerador.

Chamar de “pólo sul do estator” a região do entreferro na qual o fluxo magnético vai do rotor para o estator.49  Capítulo 2 – Máquinas elétricas Fig. PÓLOS MAGNÉTICOS É uma região do entreferro na qual o fluxo magnético tem dado sentido. CONCEITOS BÁSICOS 2. Fig. 2.1. Convencionou –se: Chamar de “pólo norte do estator” a região do entreferro na qual o fluxo magnético vai do estator para o rotor. 2.3. Buzinaro  . 2 – Representação dos pólos magnéticos.   Prof. 1 – Classificação das máquinas elétricas.3. 2.

Isto é feito assim porque o que ocorre sob um par de pólos da máquina repete-se sob os pares de pólos seguintes. 2.4. 2.50  Capítulo 2 – Máquinas elétricas 2. 3 – Representação de graus elétricos. Como cada pólo corresponde a 180º elétricos. Buzinaro  .3. GRAU ELÉTRICO E RADIANO ELÉTRICO Definição: A um par de pólos magnéticos associamos 360 graus elétricos ou 2π radianos elétricos. numa máquina de P pólos teremos: 360o mec = P . Fig.3.   Prof.3.3. RELAÇÃO ENTRE GRAU ELÉTRICO E GRAU MECÂNICO Qualquer que seja o número de pólos da máquina ela tem 360º mecânicos. ESPIRA É uma volta completa de um fio ou de uma barra condutora. 180o eletr o mec = P 2 o eletr 2.2.

51  Capítulo 2 – Máquinas elétricas 2.7. c) Terminais (M e N). Buzinaro  . 2. São os dois lados úteis da bobina que ficam imersos no material ferromagnético. 2. fora do circuito magnético. Se um lado de uma bobina ocupa o fundo de uma ranhura. b) Testas das bobinas. 4 – Detalhes de uma bobina. formando um enrolamento de dupla camada.3. servem apenas como ligações elétricas entre os lados úteis da bobina. o outro lado dessa bobina deve ficar no topo da outra ranhura.3. grau elétrico e. principalmente em nº de ranhuras. São as partes da bobina que ficam no ar. Fig. MONTAGEM DAS BOBINAS Normalmente montamos dois lados de bobina em cada ranhura.3. todas as bobinas resultam de mesmo tamanho e o enrolamento resulta magneticamente equilibrado.5. 2.6. PASSO DA BOBINA É a distância entre os lados úteis da bobina.   Prof. BOBINA Conjunto de espiras superpostas. Com isso. A bobina tem as seguintes partes: a) Lados úteis da bobina. Pode ser expresso em centímetro.

as máquinas DC são usadas frequentemente em aplicações que necessitam de uma gama razoável de velocidades de rotações ou controle preciso do desempenho.2. através das possibilidades de ligações do enrolamento de excitação (enrolamento de campo). DESCRIÇÃO FÍSICA E CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS A máquina de corrente contínua é constituída por duas partes fundamentais: Estator: parte fixa destinada a criar o fluxo indutor. Rotor: parte móvel onde se processa a conversão de energia. A seguir é apresentada a descrição física das máquinas CC bem como o princípio de funcionamento e os tipos de configurações possíveis. Buzinaro  . MÁQUINAS DE CORRENTE CONTÍNUA 3. Devido à simplicidade com que podem ser controladas. Podem ser projetadas para desempenhar uma grande variedade de características volt-ampère ou velocidade-binário em regime dinâmico ou permanente. ESTATOR O estator é constituído por:   Prof. 3. INTRODUÇÃO As máquinas DC são caracterizadas pela sua versatilidade.1.1.52  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua 3.2. 3.

bem como suportar toda a massa da máquina.53  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua • • • • • Carcaça. conforme mostrado na fig. Buzinaro  . Também deve possuir uma resistência mecânica elevada de modo a suportar a máquina sem deformações nem vibrações sensíveis. Os pólos físicos tem o núcleo e a sapata polar. 1 – Estator da máquina de corrente contínua. a) CARCAÇA A carcaça tem a forma de uma coroa cilíndrica e tem a função de criar e conduzir um campo magnético elevado.1. 3. ocorrendo saturação com elevados valores de campo. Fig.   Prof. pois nela. Interpólos Enrolamentos e Escovas. O circuito magnético do estator é formado pela carcaça e pelos pólos físicos. Pólos físicos. Outra característica que deve possuir é a permeabilidade magnética elevada. 3. o fluxo magnético é constante (em regime permanente o campo magnético é invariante no tempo) não ocorrendo às perdas de Histerese e Foucault. A carcaça é confeccionada em ferro fundido.

c) ENROLAMENTO DE CAMPO (INDUTOR) O enrolamento de campo da máquina. Para máquinas de pequeno porte (até 50 kW) o núcleo e a sapata polar são feitos juntos pela superposição de laminas de aço silício. 3. São colocadas de modo a obter alternadamente um pólo norte e um pólo sul.54  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua b) PÓLOS FÍSICOS OU PÓLOS INDUTORES Os pólos físicos são compostos pelo núcleo e pela sapata polar. F1. Estas bobinas são constituídas por espiras de fio de cobre isolado. Normalmente. Estes têm por funções criar um elevado campo magnético e suportar as bobinas do enrolamento indutor. Cada bobina possui um elevado número de espiras (milhares). F2   Prof. Este enrolamento é formado por bobinas em torno do núcleo dos pólos físicos. Para máquinas de maior porte o núcleo dos pólos é maciço de ferro fundido (fofo) e a sapata polar é feita com laminas de aço silício. também chamado de “excitação da máquina” e tem a finalidade única de magnetizar o circuito magnético da máquina e permitir a conversão elétrica mecânica de energia no rotor. Fig. Devem apresentar reduzidas perdas magnéticas. 2 – Enrolamento de campo. . todas as bobinas são ligadas em série e percorridas pela mesma corrente de forma a produzir fluxo de sentidos opostos nos pólos adjacentes. operando com pequena corrente (menor ou igual a 5% da corrente de armadura). e elevada permeabilidade magnética para atingir a saturação com elevados valores de campo. percorridas por corrente contínua destinada a criar um campo magnético elevado. Buzinaro  Terminais do enrolamento de campo (Fields).

  Prof. Enrolamentos.2. e suportar mecanicamente o enrolamento deste. Os porta-escovas são isolados do estator. servindo de ligação elétrica entre os terminais do enrolamento do rotor – que são soldados nas torres dos segmentos do comutador – e circuito externo do rotor. 3. Deve também apresentar pequenas perdas magnéticas. Buzinaro  . As escovas estão em contato com as pistas do comutador.2. se apóiam na pista do comutador. Deverá permitir obter um fluxo intenso através do induzido. Em cada portas-escovas há um a mola que pressiona a escova contra o comutador (200 g/cm2). devendo ser macias para permitir um desgaste mínimo. Nas máquinas de pequeno porte a coroa cilíndrica de aço-silício é pressa diretamente no eixo por atrito ou por uma chaveta. Comutador ou coletor. Em máquinas de grande porte existe uma treliça de aço (chamada de aranha) entre o eixo e a coroa cilíndrica de aço-silício. Assim as escovas são fixas e sob elas o comutador gira solidamente ao rotor. ROTOR (INDUZIDO) O rotor é constituído de: • • • Núcleo. É através das escovas que a corrente do enrolamento induzido circula para o circuito exterior. possuindo para tal permeabilidade magnética elevada. em cuja periferia são abertas cavas no sentido longitudinal onde é montado o enrolamento do induzido.55  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua d) ESCOVAS As escovas são montadas em portas escovas. Os portas-escovas são fixados no estator. Geralmente são constituídas por um aglomerado que incluí grafite e carvão. a) NÚCLEO DO INDUZIDO É construído em material ferromagnético.

isolados. 3. denominado perna de rã (Frag Leg). meio imbricado. Eletricamente. meio ondulado. Buzinaro  . Cada segmento possui uma torre na qual são soldados os dois terminais da bobina do enrolamento do rotor. colocados nas cavas do núcleo e ligados às lâminas do comutador (coletor).2.   Prof. Existe também um tipo de enrolamento. Ondulado. É montado no eixo da máquina. c) COMUTADOR OU COLETOR O comutador tem o formato de uma coroa cilíndrica. eles são completamente diferentes. é formado por um grande número de segmentos (peças cônicas de cobre) sendo que cada um dos segmentos é isolado dos segmentos adjacentes e do eixo.56  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua b) ENROLAMENTOS DO INDUZIDO É constituído por condutores de cobre. Construtivamente a única diferença entre um enrolamento imbricado e um enrolamento ondulado esta na maneira com que os terminais de cada bobina são soldados no comutador. ENROLAMENTO DA ARMADURA DA MÁQUINA CC Há dois tipos básicos de enrolamentos para a armadura da máquina CC: Imbricado.3. Fig. 3. 3 – Corte transversal do comutador.

os pólos e as escovas. Fig. Pbob = 180° elétricos. Vamos desenhar. Pbob. Buzinaro  . 3. os terminais da bobina número 1 são soldados nos segmento de número 1 e 2 do comutador. 4 – Enrolamento imbricado. 24 ranhuras Pbob → 4 pólos → → 4 x 180° elétricos 180° elétricos Pbob = Logo: 180 x 24 = 6 ranhuras 180 x 4 Pbob = 6 ranhuras   Prof.5. pois a bobina deve ter passo polar. 3. esquematicamente um enrolamento imbricado para a armadura de uma máquina de corrente contínua de 4 pólos. O enrolamento resulta fechado sobre si mesmo. como mostrado na fig. Assim. Os terminais da bobina número 2 são soldados nos segmentos de número 2 e 3 do comutador e assim segue. ou “reentrante”. Os terminais da bobina N (última) são soldados nos segmento número N (última) e 1 do comutador.57  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua a) ENROLAMENTO IMBRICADO SIMPLES (LAP SIMPLEX) Neste tipo de enrolamento os dois terminais de uma bobina são soldados em segmentos adjacentes do comutador. Vamos desenhar também.4. Cálculo do passo da bobina. 3. As bobinas devem ter passo polar. contendo 24 ranhuras e 24 segmentos no comutador. conforme mostrado na fig.

Nessa posição não há fluxo magnético (numa máquina ideal). 5 – Enrolamento imbricado com pólos e escovas.   Prof. Fig.0 vezes a largura de cada segmento do comutador.Linha neutra geométrica é a posição de separação de 2 pólos distintos . A largura das escovas varia desde 1. Buzinaro  . As escovas devem ser colocadas exatamente no centro dos pólos. 6 – Detalhes da bobina.5 até 3. LNG . 3.58  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Fig. 3.

A partir deste esquema concluímos que: a) As escovas colocam as bobinas momentaneamente em curto-circuito (a.59  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Fig. m. onde “Ia” é a corrente total de armadura e “a” é o número de caminhos paralelos da armadura. b) Para a máquina de 4 pólos. d) Todas as bobinas de cada caminho paralelas têm os seus lados úteis localizados sob um mesmo par de pólos. Foi observada a existência de um limite prático para o valor da corrente em cada escova da máquina (da ordem de 250 A). quanto maior a for à potência da máquina maior deve ser o número de pólos. g. s estão curto-circuitadas) Porém essa bobina tem os seus lados úteis nas linhas neutras (onde B=0). c) Todos os caminhos paralelos têm o mesmo número de bobinas em série e essas bobinas estão simetricamente colocadas em relação aos pólos da máquina. 3. Corrente por escova acima desse valor causa sérios problemas na comutação. Buzinaro  .   Prof. Assim se a máquina estiver magneticamente equilibrada (todos os pólos produzindo fluxos magnéticos iguais) teremos tensões induzidas iguais em todos os caminhos paralelos. nesse instante. formam-se 4 caminhos paralelos na armadura. Cada escova opera com corrente 2 Ia a . Por essa razão. Cada bobina recebe a corrente i = Ia a . 7 – Esquema simplificado do enrolamento. tal que esse limite de corrente seja observado.

Então se um terminal de uma bobina for soldado no segmento número 1 do comutador. e isso provocará a circulação de correntes elétricas intensas na armadura e escovas – (Sem que essas correntes passem ao circuito externo da armadura da máquina. Por exemplo. uma limitação séria ao uso do enrolamento imbricado. outro terminal dessa bobina deverá ser soldado no segmento número 12 (1 + 11) do comutador. E ela está ligada ao fato de se ter todas as bobinas de cada caminho paralelo da armadura sob um mesmo par de pólos. Os terminais de cada bobina do enrolamento devem ser soldadas em segmentos do comutador distantes Y = C −1 segmentos. Vamos desenhar um enrolamento ondulado simples com P = 4. assim. Onde “C” é o número P/2 total de segmentos do comutador e “P” é o numero de pólos. C= 23 segmentos. Buzinaro  → 4 pólos ← 1 pólo . Assim. Se por alguma razão (curto-circuito parcial entre espiras dos enrolamentos de campo. se ocorrer uma assimetria magnética na máquina todos os circuitos paralelos da armadura serão igualmente afetados. O passo do comutador "Y" deve ser um número inteiro. provocando o aquecimento da armadura e afetando. o que não ocorre no imbricado. mas isso não é problema. Provoca também desgastes prematuros no comutador e nas escovas). desgaste dos mancais) ocorrer um desequilíbrio magnético aos diversos caminhos paralelos da armadura será diferentemente afetados. N = 23 ranhuras. se C = 23 e P = 4 resulta Y = 11. no entanto. a eficiência da máquina e a sua vida útil. Para esse tipo de enrolamento é impossível se ter bobina de passo polar. b) ENROLAMENTO ONDULADO SIMPLES A idéia básica para a construção desse enrolamento é fazer com que as bobinas de todos os seus caminhos paralelos resultem distribuídas sob todos os pólos da máquina.60  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Existe. O passo do comutador será Y = 11 segmentos. O passo das bobinas será: 23 ranhuras Pbob   Prof.

  Prof. teremos: 23 4 ranhuras 5 ranhuras → 180° elétricos → Passo Passo = 5 x 180 20 = x 180 = 156. Buzinaro  . 8 – Enrolamento ondulado com pólos e escovas. 3.52° elétricos 23 4 3 Fig. 9 – Esquema simplificado do enrolamento. Fig.61  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Pbob = 23 20 + 3 3 ranhuras = = 5 + 4 4 4 Adotamos o passo das bobinas igual a 5 ranhuras (é necessário que seja um número inteiro) em graus elétricos. 3.

s (10 bobinas) estão distribuídas sob os 4 pólos da máquina. r. dupla camada. Assim este tipo de enrolamento tem o seu uso limitado às máquinas de até 250A (o que atende a grande maioria das máquinas de corrente contínua produzidas). g) tem os seus o lados úteis exatamente na LGN ou em ranhuras adjacentes à LGN. v. m. passo polar e vamos equalizá-lo. d. Vamos desenhar um enrolamento imbricado de 16 ranhuras. nas máquinas com o enrolamento ondulado na armadura. k. h. Para máquinas de corrente superior a 250 A emprega se o enrolamento imbricado equalizado. montadas fora do circuito magnético da máquina (nas testas das bobinas) que interligam pontos que. x. i. n. Atualmente. j. Observe que as bobinas que formam os 2 caminhos paralelos (considerando que as escovas com linhas tracejadas foram retiradas): 1 ⇒ b. Observe que um dos caminhos paralelos tem uma bobina a mais que o outro. g. Se for completa todas as bobinas são equalizadas. Observe no esquema simplificado que o enrolamento não se altera se retirarmos as escovas desenhadas com linhas pontilhadas. u.   Prof.62  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Observe no diagrama planificado que as bobinas curto circuitadas pelas escovas (a. A limitação ao uso do enrolamento ondulado está no fato de não se ter boa comutação quando a corrente ultrapassa o limite prático de 250A por escova. b. t. o. c) CONEXÕES EMBRICADOS) EQUALIZADORAS (PARA ENROLAMENTOS As conexões equalizadoras são ligações elétricas de baixa resistência. Isto ocorrerá sempre independente do numero de pólos. tem o mesmo potencial. e. c. p. A equalização pode ser completa (100%) ou parcial. s. 4 pólos. mas isso não chega a ser um problema porque essa bobina a mais tem os seus lados em ranhuras onde o fluxo magnético é nulo (linha neutra magnética). Observe que existem apenas dois caminhos paralelos na armadura. idealmente. empregam se apenas duas escovas. f (9 bobinas) 2 ⇒ l. Buzinaro  .

  Prof.63  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Fig. mas não no comutador e nas escovas. aparecerá ddp entre os pontos que deveriam ter o mesmo potencial. as tensões induzidas nos diversos caminhos paralelos da armadura imbricada não serão iguais. Buzinaro  . O inconveniente nas conecções equalizadoras é o alto custo e aumento no peso da armadura. isto é. Essas correntes reforçam o fluxo magnético nos pólos onde o fluxo é menor e enfraquecem o fluxo nos pólos onde o fluxo é maior. Essa ddp fará circular corrente através das bobinas e conecções equalizadas. 10 – Enrolamento imbricado equalizado. 3. Se ocorrer desequilíbrio magnético na máquina. reequilibrando assim a maquina magneticamente falando.

Ocorre. Fig. Se ocorrer de um projeto de um enrolamento. usam-se bobinas múltiplas. 12 – Bobinas múltiplas conectadas do comutador. O comutador deverá ter 2N (ou 3N) (ou 4N) segmentos. Resultam então. Fig. simultaneamente. respectivamente. para cada bobina múltipla 4 terminais (bobina dupla) ou 6 terminais (bobina tripla) ou 8 terminais (bobina quádrupla). 3 ou 4 condutores. 11 – Bobinas múltiplas. obtidas enrolando-se. 3. que é igual ao número de ranhuras. resultar uma ddp maior que 15 volts entre os segmentos adjacentes do comutador.   Prof. 3. Buzinaro  .64  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua d) ENROLAMENTOS COM BOBINAS MÚLTIPLAS Até agora consideremos que o número de bobinas no enrolamento da armadura igual ao número de segmentos do comutador. 2. porém que existe um limite prático (da ordem de 15 volts) para a ddp entre os segmentos adjacentes do comutador. Assim ao invés de 1 bobina com N espiras teremos 2 (ou 3) (ou 4) bobinas com N/2 (N/3) (N/4) espiras cada uma. para bobinas duplas (triplas) (quádruplas) onde N é o número de bobinas.

Bm . “a” caminhos em paralelo. i . l . O conjugado dessa força vale: c ≅ f m . r . Em cada condutor da armadura atua a força média: f m = Bm . r Ou C ≅ Z . r = Bm . 3 ou 4 vezes menor que aquela que se teria com bobinas simples. 13 – Representação da indução magnética e força magnética. i . Em cada condutor a corrente será “i=Ia/a”. 3. Bm . teremos o conjugado resultante: C = Z . c ≅ Z .   Prof. r Como são “Z” condutores. 3. Seja “r” o raio do rotor e “l” o comprimento útil dos condutores (comprimento axial do rotor). TORQUE (OU CONJUGADO) DESENVOLVIDO NA ARMADURA Consideremos uma armadura com “z” condutores ativos.3. i ( Bm ⊥ l ) Fig.65  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Empregando bobinas múltiplas a ddp entre os segmentos adjacentes do comutador resulta 2. Buzinaro  Ia a . l . l . l . com corrente elétrica contínua “Ia”. Seja “Bm” o valor médio da indução magnética no entreferro da máquina (esse campo magnético é produzido pela corrente de campo que passa nas bobinas do estator).

66  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua

Mas:
Bm ≅ P .φ 2.π .r .l

C ≅ Z.
C ≅

I P .φ .l .r . a 2.π .r .l a

P .Z . φ . Ia 2.π .a

Introduzindo um fator de correção “fc” vem:
C = fc . fc . P .Z . φ . Ia 2.π .a

P .Z = K 2.π .a

Logo:
C = K . φ . Ia

Como se vê, o conjugado na máquina CC depende diretamente de três fatores: (1) Do fluxo por pólo, “Ø”; (Logo depende diretamente da corrente de excitação, “If”); (2) Da corrente de armadura, “Ia”; (3) Da constante dependendo da construção da máquina, “K”.

3.4. PRINCÍPIO DE OPERAÇÃO

3.4.1. MOTOR

A máquina elétrica esta mecanicamente acoplada a uma carga mecânica (bomba, ventilador, triturador, etc). Eventualmente poderá não ter nenhuma carga mecânica acoplada ao motor.

  Prof. Buzinaro 

67  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua

Uma fonte de corrente contínua alimentará a armadura da máquina elétrica e uma fonte de corrente contínua alimentará o enrolamento de campo da máquina. A mesma fonte CC que alimenta a armadura pode alimentar o campo. A corrente de campo magnetiza o circuito magnético da máquina produzindo um fluxo Ø por pólo. Quando circula corrente na armadura aparece o torque eletromagnético C = K . Ø . Ia. Se esse torque for maior que o torque resistente (da carga acoplada e as perdas por atrito e ventilação) o motor acelera de acordo com a equação:
Telet − Tresist = J dω dt

Onde J é o momento de inércia total da massa girante (rotor do motor e rotor da carga mecânica acoplada) e ω é a velocidade em rad mec/s. À medida que o motor ganha velocidade cresce a voltagem induzida na armadura. Ea = K . Ø . ω. O crescimento de Ea provoca um decrescimento na corrente de armadura Ia , pois:
Ia = Vt − Ea Ra

A fig. 3.14 mostra o esquema de ligação de um motor elétrico de corrente contínua alimentado por fontes CC.

Fig. 3. 14 – Esquema de ligação de um motor elétrico de CC.

O decrescimento da corrente Ia provoca um decrescimento no conjugado eletromagnético:
Telet = C . K . I a
  Prof. Buzinaro 

68  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua

Quando esse conjugado decrescente se igualar ao conjugado resistente resulta:
dω = 0 dt

Isto é, ω = cte. Estabiliza-se a velocidade do motor, assim como a tensão induzida na armadura e a corrente de armadura. Termina o processo transitório de partida e o motor passa operar em regime. A tensão induzida na armadura do motor é contrária à tensão da fonte de alimentação. Ea é a força contra-eletromotriz. O torque eletromagnético que aparece no rotor do motor tem sentido oposto ao do torque resistente e impõe o sentido da rotação. Este também é chamado de torque motriz.

3.4.2. GERADOR

A máquina elétrica estará mecanicamente acoplada a uma máquina motriz (turbina hidráulica, turbina a vapor, motor de explosão, motor elétrico, etc.). A máquina motriz é responsável pelo movimento do rotor do gerador. O enrolamento de campo do gerador deverá ser alimentado com corrente contínua por uma fonte. Os terminais da armadura deverão estar em aberto. A corrente de campo magnetiza o circuito magnético da máquina criando um fluxo Ø por pólo. Na armadura do gerador é induzida uma voltagem Ea = K . Ø . ω. Com os terminais da armadura em aberto temos a chamada condição de “gerador em vazio”, na qual: Ia = 0 e Vt = Ea. Observe que nesta condição de gerador em vazio o único torque resistente é o torque de perdas, pois o torque eletromagnético Telet = C = K . Ø . Ia , é nulo. Assim, deve-se ter um torque motriz igual ao torque de perdas apenas, senão a máquina dispara em velocidade.

  Prof. Buzinaro 

69  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua

Fig. 3. 15 – Esquema de ligação de um gerador elétrico de CC.

Quando se coloca carga na máquina (fechando a chave S), circula corrente na armadura no mesmo sentido de Ea. Ai aparece o torque eletromagnético resistente Telet = C = K . Ø . Ia. É preciso aumentar o torque motriz (aumentando a vazão na turbina, por exemplo) para manter a armadura com velocidade constante ω. Com o gerador em regime (corrente de carga constante Ia e velocidade constante ω) tem-se:
Tmotriz = Telet ( c arg a ) + Tperdas Vt = Ea - Ra . I a

No gerador a tensão induzida na armadura é a força eletromotriz. É ela quem impõe o sentido da corrente. No gerador o conjugado eletromagnético desenvolvido na armadura é resistente, contrário ao movimento.

3.5. TIPOS DE CONECÇÕES DAS MÁQUINAS CC.

3.5.1. EXCITAÇÃO INDEPENDENTE
O enrolamento de campo é ligado a uma fonte de alimentação independente da armadura.
  Prof. Buzinaro 

 Buzinaro  . Fig. 3.70  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua A vantagem deste tipo de ligação é que o controle da corrente de campo é totalmente independente do que acontece na armadura. 16 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação independente. Fig. b) O controle da corrente de campo deve necessariamente ser realizada através se um reostato de campo (Rf) e nele há perdas. 17 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação paralela. As desvantagens deste tipo de conecção são: a) A corrente de campo não é independente da armadura sendo afetada tanto pela velocidade ω da armadura quanto pela tensão terminal Vt. 3. 3.5. A desvantagem esta na necessidade (custo) de se ter esta fonte de alimentação.   Prof.2. EXCITAÇÃO PARALELA (SHUNT) A vantagem deste tipo de conecção é que não se precisa dispor de uma fonte de alimentação exclusiva para o enrolamento de campo (menos custo).

4.3. EXCITAÇÃO COMPOSTA Devemos ter obrigatoriamente Øf e Øs de mesmo sentido (aditivos). 19 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação composta (paralelo longo) [long shunt].71  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua 3.5. 3. Buzinaro  . 18 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação série. O enrolamento de campo série deve ser dimensionado para conduzir a própria corrente da armadura (no enrolamento shunt ou independente a corrente é menor ou igual a 5% da corrente da armadura).   Prof. 3. Fig.5. 3. EXCITAÇÃO SÉRIE O enrolamento de campo série não é o mesmo empregado nas conecções independente e shunt. Raramente emprega-se a máquina série operando como gerador. Fig.

3. 3.   Prof.72  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Fig. 20 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação composta (paralelo curto) [short shunt]. REAÇÃO DA ARMADURA. A corrente no enrolamento da armadura gera um campo magnético perpendicular ao dos pólos do campo do gerador.6. Fig. 21 – Máquina CC com Pólos e Interpólos. Buzinaro  . 3. O campo total resultante desloca o plano neutro.

conduzem a corrente da armadura. Nas máquinas CC temos as seguintes perdas: a) Perdas ôhmicas nas resistências da armadura e dos enrolamentos de campo conhecido como perdas no cobre. Buzinaro  . porém obediente a Lei Joule (RI2). que ocasiona a presença de centelhas nas escovas que poderão danificar as mesmas e a armadura.7.73  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Para corrigir o deslocamento do plano neutro. como mostrado na figura 3.21. Esta perda não é.   Prof. As perdas por atrito nos mancais e por ventilação são também chamadas de “perdas mecânicas”. Na máquina CC existe ainda uma perda de potência (dissipação de energia) no contato das escovas com o comutador. Para a maioria das máquinas essa perda vale aproximadamente 2 x Ia . c) Interpólos pequenos pólos são adicionados entre os pólos principais para produzir um campo oposto ao campo da armadura. adicionados na superfície dos pólos. mas com polaridade oposta ao campo 3. onde Ia é a corrente da armadura. c) Perdas mecânicas devido ao atrito nos mancais e ao atrito nas partes girantes da máquina como o ar. Esta última parcela é conhecida como “perdas por ventilação” e o seu valor é proporcional ao cubo da velocidade (Pvent α 103). PERDAS NAS MÁQUINAS CC. b) Enrolamentos Compensadores da mesma. b) Perdas no ferro devido a Histerese e as correntes induzidas na massa de ferro. As perdas no ferro ocorrem nos pontos onde existe fluxo magnético variável. pode-se utilizar três formas: a) Deslocamento dos porta-escovas para o novo plano neutro. Esta última conhecida como perdas Foucalt.

74  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua 3. CONTROLE DE VELOCIDADE DO MOTOR CC. com uma resistência em série com o campo ‘shunt’. neste geralmente torna-se inviável o controle de velocidade. diz-se que o motor apresenta uma boa regulação de velocidade. Ou. um aumento no fluxo do campo provoca uma diminuição na velocidade do motor. Aumentando-se a resistência do circuito do campo ‘shunt’ aumentase a velocidade. isto é.” Pelo fato de a velocidade do motor variar com a excitação do campo. Se um motor puder manter uma velocidade praticamente constante para diferentes cargas. ao contrário. “A velocidade é dada pelo número de rotações do eixo com relação ao tempo e é expressa em unidades de rotações por minuto (rpm). 3. costuma-se empregar uma forma conveniente de se controlar a velocidade variando o fluxo do campo através do ajuste da resistência no circuito do campo. Buzinaro  Potência elétrica de saída do gerador Potência mecânica de entrada do gerador Pelet (saída) Pmec (entrada) ( x 100 % ) .8. o rendimento do motor é calculado através da expressão: η = Potência mecânica no eixo do motor Potência elétrica de entrada do motor η = Pmec (saída) Pelet (entrada) ( x 100 % ) GERADOR: Da mesma forma temos: η = η =   Prof. MOTOR: O rendimento (η) na conversão de energia elétrica em energia mecânica. Uma redução no fluxo do campo do motor provoca um acréscimo na sua velocidade.9. Isto pode ser feito manualmente ou automaticamente. Devido à grande influência da carga na velocidade dos motores de CC série. EFICIÊNCIA DAS MÁQUINAS ELÉTRICAS CC (RENDIMENTO).

  Prof. O motor não dá partida. 2. Escovas e comutador desalinhados ou gastos (escovas e comutador quentes). a) Corrente de campo elevada (baixa). b) Acionamento muito rápido (lento). c) Grande sobrecarga elétrica. 3.Tabela de verificação de defeitos em máquinas CC. comutador com superfície irregular. a) Corrente de campo baia (alta). Mancais quentes. c) Posição incorreta das escovas ou enrolamentos de comutação com defeito. d) Enrolamento da armadura aberto ou em curto. folga. b) Contato entre armadura e as peças polares. Superaquecimento das partes 2. TABELA PARA ELIMINAÇÃO DE DEFEITOS – MÁQUINAS CC Sintomas Causas Prováveis a) Velocidade muito baixa ou sentido invertido. 8. a) Sobrecarga. d) Saída em curto. Centelhamento no comutador. 3. c) Regulador defeituoso. vibração excessiva. O motor gira muito rápido (ou muito lento). O gerador não desenvolve a tensão b) Circuito de campo aberto. 1. 5. a) Sem energia (circuito aberto). 4.9. b) Ligações incorretas. Sobrecarga (todas as partes quentes). 1 . de saída. Buzinaro  elétricas. d) Eixo empenado ou não balanceado. 4. d) Controlador defeituoso. 7. c) Mau alinhamento ou mancais muito justos. b) Mancais defeituosos. Tensão do gerador muito alta (ou baixa). e) Carga imprópria – muito pequena (ou excessiva). Tabela 3. b) Campo aberto (curto parcial). d) Enrolamento da armadura em curto.75  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua 3. a) Mancais em mau estado. c) Armadura não balanceada. Ruído. e) Corrente de excitação inadequada. mancais e comutador. b) Mau contato das escovas. . c) Ligações incorretas. Corrente de excitação muito intensa (campo quente). 1. Enrolamento da armadura em curto (armadura quente). 6. a) Falta de lubrificação ou mancais sujos. c) Magnetismo residual insuficiente.

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