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Doenças do Pimentão

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Foto: Francisco Marto Pinto Viana

ISSN 1679-6535 Dezembro, 2007 Fortaleza, CE

Controle das Principais Doenças do Pimentão Cultivado nas Regiões Serranas do Estado do Ceará

Francisco Marto Pinto Viana1 Francisco das Chagas Oliveira Freire1 Giovannia Barros Parente2

O pimentão (Capsicum annuum L.) é uma das dez hortaliças de maior importância no Brasil. No Ceará, especificamente, seu valor se deve não somente em razão da forte participação na culinária doméstica e empresarial, como também devido ao aspecto social que assume, principalmente na Serra da Ibiapaba, maior região produtora da hortaliça no Estado, oriunda, principalmente, de cultivos efetuados por pequenos produtores em campo aberto. Em outras regiões elevadas do Estado, como Maranguape e Guaramiranga, existem pequenas áreas de produção, cuja comercialização é apenas local. Segundo dados da Ceasa, CE (CEARÁ, 2007), o Estado do Ceará elevou sua produção de pimentão em mais de 12% nos últimos três anos, tendo, comercializado mais de 4,2 toneladas da hortaliça em 2006, nessa Central de Abastecimento. Apesar de existir uma grande variedade de pimentões, cerca de 60 tipos, entre híbridos e cultivares, o consumidor cearense tem a sua preferência centrada nos pimentões verdes e, tradicionalmente, nos de formato cônico, embora o pimentão verde quadrado tenha boa aceitabilidade, como pode ser observado pela grande oferta nos supermercados de Fortaleza. Fundamentando-se em consultas realizadas na Clínica Fitopatológica, bem como em visitas realizadas às regiões produtoras do Ceará, a equipe de Fitopatologia
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da Embrapa Agroindústria Tropical, constatou que as doenças mais comumente ocorrentes no pimentão, no Estado do Ceará, são antracnose, murcha-de-fitóftora e mancha-bacteriana. Essas duas últimas refletindo as condições de elevada umidade na região produtora. Seguem-se breves descrições dessas doenças, com as respectivas recomendações de controle apropriadas para cada caso.

ANTRACNOSE – Colletotrichum spp.
A maioria dos relatos de antracnose em pimentões no Brasil aponta o fungo Colletotrichum gloeosporioide como o responsável pela doença, embora outras espécies do mesmo gênero possam, também, causar a doença, tais como, C. acutatum, C. coccodes, C. capsici e C. dematium. Os danos causados por Colletotrichum em pimentões, em geral, resultam na redução direta na qualidade e quantidade da produção.

Condições predisponentes
A antracnose é uma das mais importantes doenças dessa hortaliça em regiões de temperaturas entre 20 e 25 oC, e umidade relativa do ar elevada, como nas Serras cearenses. O fungo é disseminado pela água de chuva e vento, e pode ser transmitido por sementes, sobrevivendo ainda em restos de cultura.

Engenheiro agrônomo, Ph. D. em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, Rua Dra. Sara Mesquita 2270, Pici, tel. (85)3299-1800, Caixa Postal 3761, CEP 60511-510, Fortaleza,CE. E-mail: fmpviana@cnpat.embrapa.br 2 Engenheira agrônoma, mestranda do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal do Ceará (UFC).

2003. Foto: Francisco Marto Pinto Viana MURCHA-DE-FITÓFTORA – Phytophthora spp. essas são deprimidas. capsici. realizar a rotação. P. As hastes afetadas têm lesões escuras em forma de estrias. preventivamente. ou produzir manchas encharcadas nas folhas. logo após as chuvas finas e intermitentes. d) Planejar a irrigação. mas seus frutos poderão murchar. Em um ataque severo. mudas e solo contaminado aderidos aos implementos agrícolas. jamais por aspersão convencional. como o jiló. o tomate e a berinjela. A doença tende a ser mais severa sob condições de elevada umidade relativa do ar. pois infecta o pimentão na Serra da Ibiapaba. comumente. em torno de 25 ºC. porém. Em sementeiras infectadas. com um dos fungicidas registrados no MAPA para a cultura. nos quais observam-se frutificações do pató-geno (Fig. ficando imprestáveis à comercialização. Medidas de Controle O manejo integrado pode reduzir sensivelmente os danos da doença. que resulta a murcha e. O fungo pode ser transmitido por sementes. quando há inóculo do patógeno na área de cultivo. dependendo do estádio de desenvolvimento. onde as lesões são mais típicas. f) Inspecionar sistematicamente a horta. a planta infectada tem a possibilidade de não secar. nas famílias solanácea e cucurbitácea. sob condições de amena a quente (26 a 29 ºC). Nessas lesões. Sintomas O patógeno pode afetar a planta em todos os estádios de desenvolvimento. nicotianae e P. g) Empregar fungicidas. ter-se-á condições favoráveis à ocorrência da doença. até 100% dos frutos podem ser afetados. tais como. Condições predisponentes Phytophthora capsici tem uma numerosa gama de hospedeiros. O patógeno é disseminado através do escoamento de água no solo. essa última a mais comumente encontrada. A doença ocasiona. secas. o patógeno produz frutificações na forma de acérvulos escuros com massas de conídios de coloração rósea. mesmo que a temperatura não seja elevada. a seca e morte das plantas. Fortaleza. principalmente nas horas mais quentes do dia. como estômatos e hidatódios. e sobrevive em restos culturais e em outras hospedeiras da família. pode suscitar condições adequadas à doença. Contudo. o oxicloreto de cobre. irregulares e de coloração parda. principalmente quando as condições são favoráveis ao patógeno. Em tais condições. de preferência a localizada. o clorotalonil ou a azoxistrobina. sua ação mais importante se dá nos frutos. é necessário adotarem-se práticas como: a) Utilizar sementes sadias. em geral. e as folhas manchas necróticas. pode causar o tombamento das mudas.2 Controle das Principais Doenças do Pimentão Cultivado nas Regiões Serranas do Estado do Ceará Sintomas O patógeno pode afetar toda a parte aérea da planta. 2-A). circulares. O fungo penetra nas plantas pelas aberturas naturais. 1. Nos frutos. em doses e vazão em conformidade com recomendações de um agrônomo ou técnico agrícola. as plantas devem ser pulverizadas. Em caso extremo. Porém. infestans. o sintoma mais imediato do ataque do patógeno é o aparecimento de plantas murchas. ocorre sob as formas de clamidósporos e de oósporos. de bordos elevados e de diferentes tamanhos. 2-C). salmão ou alaranjada. sob condições de elevada umidade. Pimentão com diversas lesões típicas de antracnose. Pode ser causada por três espécies de pseudofungos do gênero Phytophthora que. Isso ocorre em virtude do ataque do patógeno à base da planta (Fig. 2-B). principalmente. removendo os frutos afetados. Fig. apenas o adensamento das plantas associado a um regime hídrico pesado. uma podridão úmida no colo e raízes. ramos e frutos. No período de chuvas. 1). são agressivos e de difícil controle: P. c) Empregar um espaçamento que permita maior arejamento entre as plantas. o fungo pode desenvolver em abundância micélio de coloração branca sobre ramos e frutos (Fig. as quais se destacam no verde dos frutos (Fig. se e o solo for mal drenado. ocasionando perda total para o produtor. e) Efetuar a eliminação dos restos culturais quando o potencial do inóculo do patógeno estiver elevado na área. Sua sobrevivência no solo e nos restos de cultura. Frutos e ramos apodrecidos de plantas afetadas por . Essa é uma importante doença do pimentão. posteriormente. Portanto. principalmente em regiões muito úmidas. No campo. b) Realizar a adubação com base em análise de solo e recomendação técnica. ou por meio de ferimentos. Quando a umidade é muito elevada. além da cenoura e mandioca.

e. . mancha-bacteriana é a mais importante em regiões úmidas. ou contaminadas. pois são condições propícias ao desenvolvimento do patógeno. registrado no MAPA (Ministério da Agricultura. regiões serranas. c) Manejar adequadamente a irrigação. 2.. os sintomas iniciais nas folhas são pequeser disseminado por sementes. vesicatoria é considerada a espécie mais comum em pimentão. alguns isolados infectam somente o pimenpodem se recuperar no campo se as condições de umitão. B. tem acentuada variabilidade. Plantas C. somente então. podendo atingir até 1 cm (Fig. ou em um depósito qualquer para retirá-las da área de cultivo e. Lavoura de pimentão atacada por Phytophthora sp. deve-se realizar a pulverização Condições predisponentes com o fungicida à base de clorotalonil. existindo três em qualquer estádio de desenvolvimento. como os híbridos ‘Criollo de Morellos ‘ e ‘Athenas’. com aspecto sensivelmente a produção pela depreciação que ocaencharcado que. a qual. quando as temperaturas forem superiores a 26 ºC. repetindo a aplicação duas vezes a cada cinco dias. contudo. porém. A. mais comum de introdução da doença em áreas não Dentre as bacterioses do pimentão. b) Empregar material resistente à doença. agente causal A bactéria pode atacar qualquer órgão aéreo da planta. Ibiapaba. é mais severa em sementeiras e viveiros. o que apenas ocorre com plantas atacadas por bactérias. local. depois necrosam. d) Pulverizar a base da planta com um fungicida. como horário mais quente do dia. no período de três anos. B C Foto: Francisco Marto Pinto Viana esse fungo. thomonas axonopodis pv. gardneri. partículas de solo carregadas pelos ventos. se tornam pardas e siona ao fruto. X. vesicatoria e X.Fruto com lesão mole recoberta com frutificações do patógeno. A faixa de temperatura ideal para a ocorrência e) Em áreas infestadas. Evitar o plantio em solos de difícil drenagem. o que atrasa nopodis pv. o propinebe.Frutos recobertos com o micélio branco do fungo. outros infectam pimentão e tomate. CE. milho). infectadas devem ser removidas do 2002. com base em informações apropriadas para a cultura. ou com períodos de umidade e temperatura Sintomas elevadas. ou que encharquem com facilidade. 3-A). a espécies associadas a essa doença: Xanthomonas axodoença provoca a queda de folhas novas. Xandade não forem elevadas. PÚSTULA BACTERIANA – A utilização de mudas infectadas tem sido a forma Xanthomonas sp.Controle das Principais Doenças do Pimentão Cultivado nas Regiões Serranas do Estado do Ceará 3 A Medidas de Controle a) Evitar plantios em épocas chuvosas. principais responsáveis pela disseminação da doença em uma lavoura de pimentão são a água de chuva ou irrigação. Os míneas (p. e produzir mudas em substrato esterilizado. a pústula. Pecuária e Fig. em razão de sua boa adequação ao cultivo orgânico. vesicatoria. em mais favoráveis à ocorrência da doença. rotacionar a cultura com grada doença sob umidade elevada varia de 25 a 28 oC. da doença. A calda borTemperatura e umidade elevadas são as condições daleza pode ser empregada de forma preventiva. ao crescerem. não exalam odor fétido.Plantas murchas no Abastecimento) para a cultura. essas plantas Enquanto. postas em um carro-de-mão. e é capaz de reduzir nas manchas. No canteiro. de 2 a 4 mm de diâmetro. A bactéria Xanthomonas sp. a cada sete dias. o desenvolvimento da planta. e evapotranspiração da região. O patógeno pode No campo. inviabilizando a sua comercialização. tais como o seu coeficiente de cultivo (Kc).

o patógeno pode alcançar o interior e infectar as sementes. C.. As lesões podem ocorrer em grande número e. nesse caso. H. pimentão e pimenta). da UFC./mar. 2007.. 132 Ministério da Agricultura. Nos frutos. pelo menos nos últimos quatro anos. jiló. G. Fortaleza: Ed. pulverizar sistematicamente. Pici. nos frutos. A. o oxicloreto de cobre. C. Doenças das solanáceas (berinjela. 3. e) Empregar genótipos (híbridos ou cultivares). KUROZAWA. bem como a manutenção da qualidade comercial dos frutos. A. M. (Embrapa Hortaliças. B. R.. LOPES. BERGAMIN FILHO. A.42. 2006.. f) Em áreas com histórico da doença. b) Realizar uma análise do solo da área de plantio. PAVAN. Secretaria de Desenvolvimento Agrário. 2003. até o limite da carência. Clínica de doenças de plantas. CAMARGO. S. P. Doenças bacterianas das hortaliças. p. 4p. C. As recomendações de controle acima descritas. tolerantes ou resistentes. CARVALHO. 2005.Acesso em: 17 out. In: KIMATI. de modo a garantir a exclusão do patógeno na área indene. 2007. Comunicado Técnico. KRAUSE-SAKATE. QUEZADO-SOARES. constituem-se em medidas preventivas. S. 2004. J.com. São Paulo: Agronômica Ceres. L. A. com um bactericida preconizado para a cultura. ÁVILA. 70 p. a) Escollher a área de plantio na qual não tenha sido cultivada qualquer solanácea. Disponível em: <http://www. DF: Embrapa Hortaliças. P. a área de plantio deve estar o mais distante possível de cultivos tradicionais de solanáceas. CEP 60511-110 Fortaleza. A. José Jaime Vasconcelos Cavalcanti. R. Como cultivar pimentão: alta produtividade. DF: Embrapa Hortaliças. n. CEARÁ. A. A. 1997.. de elevada importância porque objetivam a minimização dos custos com o combate das referidas doenças. C. 4.. G. Supervisor editorial: Marco Aurélio da Rocha Melo Revisão de texto: Ana Fátima Costa Pinto Editoração eletrônica: Arilo Nobre de Oliveira Normalização bibliográfica: Ana Fátima Costa Pinto. REIS. A área selecionada deve ter boa ventilação. Também. A. J. de. idôneos. L. (Ed. Revista Cultivar Hortaliças e Frutas. BANCI. M.CE. C. LOPES.br 1 edição on line: dezembro de 2007 a Comitê de Publicações Presidente: Francisco Marto Pinto Viana Secretário-Executivo: Marco Aurélio da Rocha Melo Membros: Janice Ribeiro Lima. Andréia Hansen Oster. a oxitetraciclina e a estreptomicina. exige diversas medidas preventivas que devem ser adotadas de modo integrado: Fig.br>. Fortaleza. Expediente Foto: Francisco Marto Pinto Viana . A. Informações estatísticas dos principais produtos comercializados no entreposto de Maracanaú. também. as folhas caem com facilidade. Manual de fitopatologia: doenças das plantas cultivadas... d) Planejar a irrigação para um fornecimento adequado de água que não produza um microclima úmido favorável à bactéria. da. REZENDE. C. c) Utilizar sementes ou mudas de empresas ou produtores especializados. C. 872 p.embrapa. 96 p. Sara Mesquita 2270. como o hidróxido de cobre. J. Recomendações de manejo da antracnose do pimentão e das pimentas. e solos bem drenados. ed. a cada sete dias. Comunicado Técnico. 1996. A. irregulares e circundadas por um halo castanho escuro (Fig.). CAFÉ FILHO. Ebenézer de Oliveira Silva. Afrânio Arley Teles Montenegro. Antonio Teixeira Cavalcanti Júnior. de. PONTE. e adubar conforme as recomendações da análise.. E. 2007. esbranquiçadas. ceasa-ce. Brasília. P.Folha de pimentão com pústulas na face abaxial. as lesões podem ocorrer em grande número e. Exemplares desta edição podem ser adquiridos na: Embrapa Agroindústria Tropical Endereço: Rua Dra. DF: Embrapa Hortaliças. fev. A..frutos com cancros pronunciados causados por Xanthomonas. 35). embora não causem sua queda. da. ou no início de uma ocorrência. Brasília. 3-B). em sua maior parte. conforme recomendação da pesquisa. HENZ. M . AMORIM.4 Controle das Principais Doenças do Pimentão Cultivado nas Regiões Serranas do Estado do Ceará Circundando algumas manchas pode aparecer um halo clorótico. as lesões são deprimidas.. A B Medidas de Controle O controle dessa doença em cultivos de campo não é fácil. A. Brasília. C. CE Fone: (0xx85) 3299-1800 Fax: (0xx85) 3299-1803 / 3299-1833 E-mail: negocios@cnpat. COSTA. 589-596. Pecuária e Abastecimento Literatura Recomendada AZEVEDO. HENZ. Doenças do pimentão: diagnose e controle. Ibiapaba.

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