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O.Corpo.Consente

O.Corpo.Consente

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QUANDO O CORPO CONSENTE
Marie Bertherat Thérese Bertherat e Paule Brung

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Tradução ESTELA DO SANTOS ABHEU

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o o gin t ente e cês co o titulo , po Édiliol1s du uil. is, /996 Co iglit © Édiliol1s du euil. e o /996 Co ght © i tins ontes Edito .. uto, 1997. para li prcscn«: l di Slill l' edição gosto de 1997 Tradução DO

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Sumário

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Consultoria técnica DI . Edson J. io - ncu oci gi e o ge! - especi li e e úbli b ll - ginecolog e obstet Revisão gráfica Cecíl d s Prorl ução gráfica Ge o es Paginação/Fotolitos tudio 3 Dese ol ento Edito i l Capa II l Laub

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIr) (Câmara Brasileira do Livro, SI', Brasil) Bertherat. Marie Quando o corpo consente I Marie Berthcrar. Thérêse Bcrthcrat c Paulc Brung : tradução Esteja dos Santos Abreu. - São Paulo: Martins Fontes, 1997.
Tüulo original: A

Primeiro mês 13 Segundo mês 15 Terceiro mês 27 Quarto mês 41 Quinto mês 49 Sexto mês 57 Sétimo mês 95 Oitavo mês 107 ano mês 117 Trê s m s depois ... Movimentos 135
Referências bibliog

131

corps consenrant.

Bibliografia.

ISBN 85-336-0652-4
I. Bebês - Desenvolvimento 2. Cuidados pré-narais 3. Gravidez 4. Miie e bebê I. Bcnhcrat. Thércsc. 11. Brung. Paule. 111.Título.

161

97-2601

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Índices para cal:íloJ.!() :-;i",tcllllilicn: I. Cuidados ri é-natni-, : Obstctrícin I>18,24 2. Grnvidc/ : Pl'cpmnÇno 1111\'11 nascimento : (I Oh,tCll'fcin () 18,24 3, Pr pnruçüo (l puno: OlhlclI íclll (,18,2-1

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Introdução

Este é o diário de minha filha Marie. Com palavras simples, cheias de bom-senso e sinceridade, ela conta o que experimentou em seu corpo e percebeu na própria carne. Durante nove meses. Para lhe transmitir isso, ela prosseguiu sua pesquisa com inteligência e rigor. Sempre de forma generosa e com a doçura obstinada que é o seu jeito de ser. Mas, que não haja equívoco. Esses nove meses de in-' certeza, de alegria, de ansiedade, de triunfo que a tornaram mãe não devem ser vistos como convite à caminhada fácil; nem estímulo para o comportamento condescendente e a atitude submissa. Com a força de sua experiência e de sua busca, Marie lhe diz:" ão se deixe tapear." Dar à luz é uma aventura pessoal. Diante das normas consensuais da medicina, não renuncie à sua autonomia; se sua gravid z não apre enta sinai de patologia, não se deixe irnpr ssionar .orn o aparato do "progresso", sem I r pronto a int .rf rir ..Telas de ultra-sonografia, uniforrn 'S bran 'OS, luvas de látex, perfusões, seringas ... E I ;ISSiSI i :1 :t1gll ns I artos. Difícil de esquec r. A erno<::10, ;1 illlvl1Sitl;1 I· 10 mom nto. O suor, o sangue. Além til' umn ('(li,,,; I .1 111;lis. Na sala toda branca, sob a luz fos1()lI'SI'I'IIII', () 'nrrl' algo que vem da noite dos tempos. P()I ('11111' I), npurclhos niquelados, laqueados, cremad()'" 11.1 11111.1 t'SIK' .ic de magia. E isso costuma aconte7

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QUANDO O COlU'O CONSENTE

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INTRODUÇÃO

cer sempr no mesmo momento: no momento em que as contrações ão mais fortes, um pouco antes de aparecer a cabeça da criança e seu rosto coberto de secreções, como o de uma minúscula estátua velada. É aí que surge a magia. Chamo isso de magia, por não achar outra palavra melhor. Uma energia que não tem forma nem cor perpassa a sala. Vinda de onde? De dentro da mulher que lá está dando à luz? Energia que, por um breve instante, é palpável. Um instante muito rápido. Algo de selvagem, grandioso, violento como a vida e a morte. Mesmo quem tem o couro duro não fica insensível. a opinião das parteiras mais calejadas que conheço, a rotina não consegue apagar de todo essa impressão de estranheza. Não é surpreendente que se procure amordaçar e cercear essa força que brota de um corpo de mulher; tal força é quase intolerável para quem não estiver ali intimamente envolvido. Subjugar uma mulher grávida não é difícil. im, eis o paradoxo. Nesses momentos, ao lado de tanta força virtual, há muitos temores secretos. Muitas dCIViIas perguntas que ficaram sem respo ta. As mudanças [u 'S P r b m no corpo e as outras, mais profundas, que o Ih não ê. O embrião, oculto ao olhar, está tão pres .nt i quã ausente. O hábito de confiar em nossos olhos, e ap 'na n I s, nos deixa desconcertadas, preocupadas om aqui! qu é chamado o Mistério da Vida e que se passa dentro, na escuridão de nosso orpo. Torna-se então muito fácil sujeitar-s ,entregar-se às autoridades. É muito fácil confiar tod s os poder s a quem supostamente abe, mai do qu nós, o qu stá acontecendo conos o. Um médi o, um spccialista, um aparelho de ultra-sonografia, um exame de sangu , um exam ' de urina, qualqu r oisa nos inspira mais confiança 10 que nós m esmas. Enquanto isso, d ixamos scapar o essencial... Não r len 10 nos fiar em nossos sentidos, privadas de nos8

sos s entidos, passivas e submissas, optamos por deitar, desistir, d ixar-nos adormecer e ane tesiar. E, no ntanto, a natureza fez tanta coisa para transmitir a vida! Não m de esforços para produzir milhões de esperrnatozóid s cheios de audácia para se propulsarem e uma incansável seqüência de óvulos. Com prodigiosa força de atração, ela lança machos e fêmeas uns ao encontro dos outros. Prepara o corpo da mulher do modo mais engenhoso, a fim de facilitar o contato. Sua solicitude chega até a mergulhar o embrião num líquido salgado, muito parecido com as águas do oceano primitivo. Como para propiciar a vida, cujo despontar se deu nesse elemento. Depois dis o e de tantas outras façanhas destinadas a preservar nossa reprodução, como imaginar que, na última etapa, ela vá sabotar todo esse seu projeto? Como imaginar que o corpo dos mamíferos humanos não seja capaz de dar passagem ao fruto admiravelmente cultivado durante meses? Como imaginar que a natureza tenha justamente esquecido de prever a saída? "Todos nós somos belos e bem feitos" é o que reitero em meus livros. E o corpo da mulher é adequado para dar passagem ao feto que ele formou e carregou. Paule, uma parteira muito entendida no assunto, com quar nta anos de ofício, explicou a Marie como é feito o seu corpo e como preparar-s . Como deixar a criança passar pela via estreita. Facilitar a passagem, dar à luz com um corpo que consente, eis o segredo de Paule. Também a você, ela vai contar seu segredo. Escute essa mulher muito especial, profissional até a ponta dos longos dedos, que nem por isso deixa de ser calorosa e que fala com a ousadia de tantos anos de sucesso. Se acaso você estiver preocupada e sentir necessidade - posso imaginar - de uma palavra encorajadora, de uma explicação prática, deixe-se levar por Marie e Paule. Ela sabem do que estão falan 10. Vão ajudá-Ia a desco9

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isto é. eu as ajudara a dar à luz eI modo natural. Desejado. sem jamais ter pensado em prepará-Ias para o parto. Como ignorar o interior qu se impõe a cada momento? É impossível adiar para outro momento.QUAl DO O COlU'O CONSENTE INTRODUÇÃO brir as potencialidade que há em você. que muitas vezes se contradizem. "Foi minha boca que me ajudou de fato a ter um parto feliz. o bem-nascido. Também eu vou lhe falar do trabalho que você pode efetuar em seu corpo e seus sentidos. "Ser é nunca parar de nascer". dos quais sab m muito pouco. e a organização dos músculos. O momento é já. Meu trabalho era de fato uma prepara ão para o nascimento. Permitir o nascimento é o oposto da submissão cega. amado. A musculatura do corpo é feita de duas partes conflitantes. Para tornar-se disponível à viela desse outro ente pequenino. Para a mulher grávida." O menino que acabava de nascer quando ouvi essas palavras pela primeira vez deve ter hoj vinte e cinco anos. Para coabitar com outro ser num mesmo corpo. Durante nove meses. O milagre é que as mulheres são capazes de reunir corpo e espírito. Para muita gente. você precisa estar disponível a suas próprias ensações. é êse tbe 11 . mas ainda não compreendia. dois hemisférios. a compreender como facilitar o parto. estranho. Quando engravida. sonhado mas. ouvi essas palavras várias vezes. qu você m havia ensinado. Sua mãe. Ajudá-Ia a ser você mesma. E todas as jovens mulheres que haviam sido minhas alunas acabaram me ensinando por que. a visão. a natureza lhes oferece este presente: apagar a dualidade de seu ser e tomar consciência de sua unidade. a força e a fraqueza. é preciso tomar consciência da profundidade que existe atrás da fachada. o físico e o psíquico. A cabeça ignora o corpo. a fachada. Não é indispensável estar grávida para ter a sensação de conter em si dois estranhos. E também todo o trabalho com o corpo. Para sentir mais estabilida10 de e ficar menos vulnerável. Ela pressente que precisa se concentrar para. depois. que bloqueia a passagem de todos os outros. Não é fácil sentir no próprio corpo a presença de um corpo estranho. um pouco surpresa. e a cabeça contém dois cérebros. Os próprios sentidos estão subjugados por um deles. moldada d eI ntro. e1isse-m certa vez uma delas. Por trás da fachada. muda e se transforma. existem as sensações e emo õ s enterradas dentro do corpo. uma linda jovem de peI muito clara. Desde então. do qual as pessoas nada sab m. fez questão ele dar-lhe o nome de "Eugênio". mas não apenas para aqueI em questão. Fiquei emocionada. é preciso que você concentre todo o seu ser. a mulher tem mais do que nunca o sexto sentido que lhe dá acesso ao próprio corpo. Essas mulheres nasceram para si mesmas na hora em que lhes nascia o filho. se separar. apesar de tudo. ser é apenas uma fachaela.

Mas. olhos abertos. Penso na audácia deste bebê. segundo o dicionário Petit Rob rt. Frase banal. Só quero continuar deitada com esta revelação no meu ventre e saborear sua presença. Fran- • No original.PRIMEIRO MES "'- • I~ de novembro Esta manhã o céu está todo azul. muito luminoso. traço leves círculos em torno do umbigo enquanto olho o teto. estou eufórica. não consigo pensar. da T) . é "re imo": "o que delimita um espaço.nunciado ou escrito "estou grávida". não sei. Olho o sol que faz desenhos no teto. G mais do que em "estado de gravidez". (N. de bruços. Seja como for. Pés encostados na parede. há um jogo de palavras com o vocábulo enceinte. cujo primeiro sentido. Além disso. Estou grávida. e impede o acesso a e e espaço". Eu já conhecia 'você está grávida'. Estendida na cama. 'ela está grávida'. anta) i sein (seio). como se fosse uma cerca. Olhos fechados. pouso as mãos em minha barriga. quase ofuscante. Investida. Então. um azul de inverno. ocê est g . Nunca eu havia pro. A palavra "mãe" soa para mim estranhamente abstrata. na incrível temeridade dos bebês que decidem crescer num ventre de mulher. De costas. como se houvesse recebido uma missão. mas de tanto impacto que torno a me levantar para conferir a fita do teste de gravidez. "Filha" me é bem mais próxima. a cabeça mais baixa. Leio a bula de novo: ece u lin no q da t s nte. investida do quê. estou grávida. por homofonia. a autora faz aproximações com inte (. Nem consigo imaginar. sinto-me em estado de secreta defesa".

Hoje readquiri confiança. calcular sua altura e seu peso. Ela a hora marcada para a ) imagens "reais". "Doutora M:' indica a placa no alto da porta. SEGUNDO MÊS () () • 27 de novembro Quanto mais os dias passam. sua realidade ainda me escapa. Que determinação! Ao mesmo tempo. a forma. mas particularmente agora.. Esse bebê não passa de uma euforizante obsessão. A ansiedade me aperta o coração. "Senhora Bertherat!" A voz é imenso.J ) é neutra. De minha capacidade de ser mãe. E me vira o estômago . Disse a mim mesma que. sento-me em . A ansiedade continua presente. cinzenta como 14 15 ) . mas eu a mantenho à distância enquanto olho as nuvens que correm pelo céu. náusea de mãe ansiosa. mas de mim.() () () j) ( ( QUAl'<DO o CORPO CO SENTE çoise Dolto dizia que os bebês escolhem seus pais. No entanto. Levo alguns segundos para perceber uma pequena senhora. Nem o nenê bochechudo que ele ainda não é. se ele está aqui na minha barriga. atocaiada num canto. conhecer-lhe com vontade. Tenho a impressão de que o pequeno ser que habita em mim tem uma vontade de ferro. ) uma das salas de espera. Não a respeito dele. Entro.. mesmo assim para uma por- não sei de onde ela vem. Esta manhã acabou-se O consultório de minha obsessão: tenho primeira ultra-sonografia. Gosto de ser a mãe escolhida por meu bebê. profissional. Dirijo-me ) ta entreaberta. mais sinto meu bebê decidido . mas. () • 28 de novembro Esta presença invisível me inebria. Fecho os olhos e não veJo nada. de onde parece vir o som. é porque acha que eu sou capaz. Um grande aparelho munido de tela oferece um halo luminoso. Eu poderia consultar um manual. não em geral. A sala está às escuras. e isso me dá coragem. Há horas em que me digo que não vou conseguir nunca. O pequeno ser que ocupa meu corpo e minha mente nem chega a constituir uma imagem. que ainda não estou preparada. Fico pensando no dia de sua concepção. Náusea de mulher grávida. mas não estou J ) ) • I~ de dezembro A medicina moderna prefere oferecer-Ihes imaterialidade não gosta do imaginário das mães. apesar de minhas tentativas. nem o preocupante embrião que deve ser. na incrível batalha que um espermatozóide e um óvulo travaram para se implantar no meu útero. não consigo deixar de ter dúvidas. a mulher eleita..

" No relatório da ultra-sonografia.QUANDO O CORJ)O CO SENTI'. se há coração. Arrisco 30 de setembro. Está absort na sua papelada. _ Bebê.diz a ratinha. "H um! . Um o quê? Um machucado? Será que eu esbarrei nele sem querer? Que mãe desastrada. bam. (. por causa do focinho pontudo. Está muito pequeno. É só esper I~" Mas esperar o quê? Minha língua está tão céu da boca.meu embrião não é normal. corrige ela secamente e. Não sou dada a me lembrar desse tipo de data.em pé. mas esse coração deve ter um corpo. "Tire as meias e deite-se aí!" diz ela mostrando-me com um gesto do queixo a mesa de exames. ao encontrar um obstáculo. "Esses batimentos. ou melhor. Com um rápido movimento circular. "Não se pode fazer nada. meu bebê tem coração. Foi em I I de outubro! Tenho certeza. luminosos. a Ora. A Ora." Ufa! a ratinha falou. tenho quase certeza do dia em que fizemos esse bebê. Não me enganei de porta. A ultra-sonografía obstétrica utiliza o mesmo princípio. mas não diz nada. ela liga o som: bam. é uma coisa que me tranqüiliza. esses sons não são percebidos pelo ouvido humano. sinalizando assim aos golfinhos a presença de um banco de peixes ou d um rochedo. "Pode se vestir:" A ratinha volta a sentar-se à sua mesa e me pergunta a data de minha última menstruação. ao mesmo tempo. Logo. Muito agudos. nele e refletem e retomam. Seu silêncio é uma tortura. u in cujo nece l ento nõo ui o de oito di de à doto su- o que é a ultra-sonografía? A ultra-sonografia é um exame baseado no princípio dos ultra-sons. há vida. Estes usam os ultra-sons para se situar dentro da água. sentada à mesa. É absolutamente que lembra depressões anticiclônicas: por mais que eu arregale os olhos. levanta-se .tenho. Eu já gosto tanto deste meu embrião.Aliviada. registra: id in Meu bebê. A cavalgada desenfreada ressoa por toda a sala. chamado sonda. gosto muito deles. "O que devo fazer?". .. mostre-me o bebê na tela. Passa-se sobre a barriga da mãe um emissor-receptor de ultra-sons. pergunto como uma tola: "Tão pequeno e já tem coração?" A ratinha não se digna a responder: O coração deve ser o que aparece em primeiro lugar: Sem coração não há vida. embrião". A ratinha observa a tela. não vejo nada que se pareça com um bebê ou com um pedaço de bebê. desse modo. porque . Pai"que não está crescendo direito? O que eu fiz de errado? A ratinha não tem piedade. Compreendo que ela não quer me tranqüilizar: Só me resta voltar para casa e disfarçar os olhos cheios de lágrimas. A tela defronte fica cheia de pontos impossível decodificar a imagem. bam. pergunto procurando controlar o tremor de minha voz. não. é bom sinal. o que se passa no útero. não é? "Por favor.Isso não combina com o tamanho do embrião. Esta envia ultra-sons em dir ção ao útero e dele receb um eco. me comunica que há "descolamento das membranas com hematoma no pólo inferior do ovo". parece mesmo um ratinho. M. os morcegos ou o golfinhos.. mas por certos animais como os cães. M. Por que ela não fala? O que há de errado? Para completar o suspense. pega uma espécie de caneta de ponta achatada e passa-a pela minha pele. é o coração dele. SEGUNDO MÊS um ratinho. Em compensação. Bem. ela besunta minha barriga com um creme frio. Emitem vibrações sonoras que. Em geral.1 que grudou no 17 16 . Os ultra-sons recebidos são imediatamente traduzidos em imagens na tela e mostram.

desfazer os monstros. eu conseguia.) ) ) TI-TÉRESE QUANDO O COlU'O CONSENTE SEGUNDO MÊS j ) ) I I I I \) I I~ I I I Ela me dizia "sopra". O teu bebê acaba de viver umas semanas agitadas.tO fundos.. como qualquer mancha roxa. só faz um gesto com a cabeça. junto com sua placenta gêmea. fica bom sozinho. batalhando. mas que não perde a noção do mundo exterior. Mas não é isso.justamente porqu . Perceber diretamente as informações da musculatura confere à pessoa uma confiança em si tão profunda que nada mais poderá usurpá-Ia. há tantos anos. . sãc os seus .não há nada de mais onfiávcl do qu a rapid 'Z a pr cisão d bilhões de 'lulas para garantir sua segurança bem-estar. a sabedoria. tantas mulheres desesperadas. coração sereno. Entretanto. respiração fluida.1.Mas o exame. Tratei tanta gente. grudado no aparelho. 19 . mas o queixo começa a tremer. Iunca com as técnicas do meu ofício. levando-as a tocar a realidade mais tranqüilizadora: a do próprio corpo. pelos olhos. s us n rvo são mensageiros através do labirint I corpo. lábios. ou excluí-los. Resolvo trabalhar os músculos dos maxilares. a boca que mais parece um'] 'slr 'il:\ linh:1 :11'1'0xeada.consiste apenas em ajudar as pessoas a desfazerem seus monstros. Os ovos humanos são irrequietos. Eles batem e apanham. a nuca tensa como e estivesse lutando para manter a cabeça fora da água. ti s .111 i:1 do ela se machucava. para alimentar-se.um universo fechado em i mesmo. deita-se de costas. se forem grandes ou pequenos demais. quando ela tinha um pesadelo.\ mente. Eu gostaria de soprar minha t irnura. um profissional. flexíveis e muito resistentes. na realidade causa pânico. e vejo seu queixo espetado para o alto. sob um aspecto tão banal que ninguém desconfia da carga de angústia que eles podem provocar. Pela pele. Um exame. ão é de admirar que fiquem machucados. Em nenhum outro momento é tão necessário habitá-I o com conforto: maxilares relaxados." Ela aperta os lábios. Quando se diz 'um ovo'. Antigamente. quer sorrir. Go taria de soprar esse conhecimento vindo do corpo. '01110:ll1ti. Nunca tratei minha filha. na realidade calma de seu quarto e de nossas vozes na penumbra. Vejo seus olhos que de r pente S' tomaram (. os monstros são muito mais terríveis. "Vamos tentar 'trabalhar'?" Ela não responde. um aparelho. músculos flexíveis da cabeça até a ponta dos pés. 18 nao tem ouvidos para escutar e só pensa numa coisa: faz 'r a triagem dos embriões. orno 'li gO. meu ofício . Gerar uma criança torna o corpo muito alerta .gurança. em meio a restos de células e de serosidades sanguinolentas. você está em contato permanente m o interior e o exterior.11 de poder soprar e aconchegá-Ia no 010. a humildade e a paciên ia d tantas gerações de mulheres ant s d Ia ant s d mim. ouvidos e olfato. o técnico. do meu para o orpo I 'Ia. que supostamente deve dar segurança. em desacordo com a norma. considerá-los dentro das cat gorias estatísticas. só deixa entrever sinais cabalísticos. pensa-se em algo inerte dentro de uma casca que quebra. o aparelho.. do coração. "Os primeiros tempos do embrião de bebê não são nada fáceis. e u sopra :1 \11. feito para mostrar. Agora. tem uma tela no lugar dos olhos. cujas mucosas e tão todas congestionadas. gostaria d soprar e transmitir. Um hematoma é coisa corriqueira.acabo de compreender agora . para agarrar-se no interior de t u útero.

e ece s lguns segundos. é ele que contrai o útero. d lt p u n boc . nem 1. Só líng ic sec . e o e cheg l bios. Refaz o ento ou d s s. g . o teu coração está batendo. Formular palavras em pensamento é possível. não encontramos as palavras. mãos úmidas. bater no próximo não se faz. chamada sistema neurovegetativo. não consegue fazê-Ia porque não sabe o que aconteceu com o corpo. os músculos se contraem e. os punhos se apertam. Neste exato momento. Depois. O corpo está a toda.spiração. e não precisas querer. Nem uma palavra. nosso corpo freiou com todos os músculos. Não deixar nada passar para fora. Desse modo. que el ocupe todo o ço e e e . De língu l g -se. Mas. nem mesmo ter conhecimento disso. 21 / 20 . Por fim. trabalho este que nosso cérebro consciente tem muita dificuldade de analisar e compreender. O homem também. os pulmões respiram. Dependem de uma r de de nervos paral Ia. atropelam-se umas às outras. boc . as palavras gaguejadas não são per. -os is ol co molar. dizer palavras com a boca também . Os·animais se fing m de mortos quando acuados. ficase horas e horas ruminando tudo o que se queria ter dito. o sangue circula. o l o e o e o o supe . e c língu be g . O embrião do teu bebê aninhou-se em teu ventre graças a ele. agitação não dependem dele.propor perguntas. É o responsáv 1pelo teu bebê. na hora do nas imento. dosa-os e os distribui. é to. Todos os outros movimentos propost S stão reunidos no fim do livro. o oração dispara no peito. tinentes. Ele fica atento dia e noite para pres rvar em nó a vida. que representa sua obra pr ciosa. Coração disparado. podes no ch que é lh . pedir contas. Ou estacar. sent . tent ndo sol es pel s in g . para poder relaxar-se. Emitir palavras é o nosso modo de defesa como animal humano. Nosso corpo. Nosso cérebro. ou pé. Obse co o t pi se n c ep nd Por que a boca? Por causa de todas a palavras que ficaram presas em tua língua. para que tudo aconteça perfeitamente dentro de teu corpo. porém. Sair correndo não se faz. Atacar se forem fortes. Detido em seu movimento. fugir se forem fracos sempre foi a forma de reagir dos seres vivos. p t nto do eito do esque en no de e c po uns segundos. nunca esquece nada. toldar o olhar. a garganta apertada. e que e edeç . e e os os. . lima r . Ele dispõe os hormônios n cessários. Não no momento exato. j que os il os. Frear é tudo o que ele pode fazer.QUANDO O CORPO CONSENTE SEGUNDO MÊS Mouimento' Este i sico sol os los dos l fazê-tos te eocue ou pouco . que deveria dar essa ordem. Mais tarde. como fazer isso? Muitas vezes. nada que seja vivo. o ritmo e a duração das contrações. Os olhos ficam marejados. bloquear a respiração. expressar dor e cólera. entre os dentes. nem um olhar. se ecis en-se. determina amam nto. é c sudos l . E mais nada. N m um rito. acaba-se esquecendo. cerrar os dentes. ficam à espera de uma ordem que não chega.

A tomada de consciência de uma cavidade desperta a consciência de outra cavidade. emoções demais e. suga. sensual. ão é surpreendente. não deve ser deixado ozinho. muito sensível. come. uma sensação num orifício da cabeça provoca sensações no orifício genital.um peso de quatro toneladas no espaço de vinte e quatro horas'. e. Cada vez que engolimos saliva. O corpo é um todo. os ela língua 'os los ma ilar 'S.. Antes de poder expressar a própria dor. Tudo se completa. O conhecimento da boca solicita o conhecimento da vagina. 2. l.1 ser '111 r 'pl'lith . a sua liberdade. Aprender a soltá-Ios. Para que I' se acalme. E.li '"cios. Embora. Dr. E em suas fibras eles guardam.11 ' :1 st ess. Quando contraídos. S mpre à frente desde o primeiro instante de nossa vinda ao . tanto a visão como a audição também melhoram. Ela detém a chave do equilíbrio neuromuscular do corpo todo.laxar-sc. pr ruo para o exagero. os maxilares se fecham com uma pressão de oitenta quilos. a primeira. a musculatura também não relaxa. Os músculos dos maxilares são. Fronteira entre o ext: rior e o interior. 44. obs rvo que quem teme e tipo de acidente costuma t r os maxilares atarraxa tos por tensões. É uma porta.gu '11'1 r . os I robkmns elo. fala . sorris. os mais fortes do corpo. beija. inúmeras tensões qu nem chegas a perceber. e. e os músculos de tua boca fazem uma porção de movimentos dos quais não tens consciência. literalmente. a parte superior com a inferior. bem apertadas. 111'1 ilar 's I . costuma ocorrer que um fluxo de palavras se liber . muito exatos ' I . X r uns c outros s para lament .i bio . Reage com d rnasiada força. como uma abertura não se mexe sem a outra. uma vasta rede nervosa. com isso.e em todo o nosso corpo . Soly Bensabat. Como? Apr ndendo a conhecer os músculos que. porque os maxilares e os ouvidos têm nervos em comum. aliás.saparc . E violenta. total Iluid '7.' aprender a situá-los e a senti-los. Começa. profere palavras. ela prende. contrações exageradas dos músculos. das costas ou das pernas será vítima dessas contrações e terá grande dificuldade para soltar-se. Devolver à musculatura da boca a amplidão fi iológica de seus movimentos.) QUANDO O COJU'O CONSENTE SEGUNDO MÊs ) ) . p.ulos. Um oríficio lembra o outro. . se contraem. Sal 'r lislinguir Cl1t r ' os 111l1SCIII()s lu. temos de harmonizar nosso cérebro consciente com o sistema nervoso involuntário. por exemplo.J ) . exagere um pouco. Não precisas fazer um curso de anatomia. em proporção a seu tamanho. Le o fundo. por ons 'guintc. a interior com a exterior. A boca é forte. Se os maxilares se trancarem. Após tais movimentos. Não estou sugerindo que a pessoa desloque os maxilares. é preciso conseguir soltar os dentes. nossa boca é também fronteira entr o con ciente e o inconsciente. In pulsos demais. comes. A boca pode condenar todas as portas de teu corpo. é muito suave. sensorial. c'est Ia Paris: Fixot. '111. beijas. sem teu conhecimento. 1989. com sua .nundo. eles exercem nos dentes um peso médio de dois quilos. 'IS vczes. as articulaçõ s fora (I' prumo. e o ato ele apertar os maxilares enfraquec nossa capacidade de escuta: nada consegue air e nada consegue entrar.como deglutimos com freqüência mesmo durante o sono. a musculatura do pescoço. não te dás conta do que fazes com os lábios. musculosa. conseguindo III '. Sugiro movim 'nlos minus . Se a boca não relaxar. antes de encontrar as palavras adequadas. a que está mais no alto. pela boca. eles exercem nos dentes . é tudo ao mesmo tempo. ou escancará-las a seu bel-prazer. língua e maxilares.J ) J Ele faz um trabalho vital e magnífico. nssim que os mús ulos cons . e o da vagina solicita o do útero.

e aceito sua ajuda como terapeuta. e agora só restaria ruptura. 24 Uma bioquímica extraordinária se estabelece em torno do embrião de teu bebê.QUANDO O COHPO CO SENTE SEGUNDO MÊS boca oferecida. Conta-s' qu na (I '(':\ 1. invencíveis. A língua tão musculosa . talvez penses que teu corpo te traiu. A das mulheres.. Histeria. Afinal. elas abortavam. seu amor materno já não basta para me consolar. com ou sem descolamento. mas por mais que se e tudassem os trajetos nervosos. Os lábios da boca lembram os lábios do sexo. como também a do pessoal médico.. pp. porém. com ou sem hematoma. Desde qu foi descoberto. Talvez eu tenha me enganado na data . Hoje. rt'.I~.onunua a I ( I ) .\() IlIO ()C]IIt'xc-ntimcntos ambíguos? Mesmo ('ltlIIIIIII. Porque paira uma dúvida sobre o fato de teu bebê estar de acordo com as normas estatísticas.com suas perturbadoras contrações e retrações pode con eguir.ou quase tudo . O ventre da mulher tornou-s transparente. provocaria um desastre. O útero é inquietante. Na hora certa. 11111. liberar a respiração. Teu corpo inteiro está voltado para a vida.\(1. o mistério das crises permanecia inexplicável. crises. TI-IÉRESE Ele vai conseguir. para aumentar o ICSl'lIlpl'ltllll de suas atletas. os músculos da nuca e os das costas. Depois. foi preciso chegar a minha vez de preparar-me a ser mãe para que eu pedisse à minha mãe algo mais que seus braços aconchegantes e carinhosos.10 l\li TOl11ilil11 a o que cresce dentro dele. É de útero. através de movimentos precisos. até há pouco. e feminino. o útero está sob controle. 2 e 3. que se usou o termo no século passado. sabe-se "tri <111\'11. mentiu ou errou.IIlC'lcla I. wllllI'it':I.. Há dias em que eu acredito nisso. essa boca se abrirá para deixar passar com naturalidade a cabeça do bebê. continua 1 re ente. estavam presentes as forças de vida pujantes. Os conhecimentos em neurologia já estavam bem adiantados..i. convulsões. Por mais que se perscrute com precí. (1(. meu bebê vai conseguir se agarrar.o que se refere à gravidez pode ser traduzi 10 m números estatísticos.11'111). Então.1dI' KO os treinadores soviéticos. s -ja irrc jui to. mude d volume e de forma. incapacidade e incoerência? Durante séculos. Hoje.1 irn:. a concepção evocou os ritos mágicos e o temor daquilo que é incontrolável. A ansiedade.II.'() II. sob controle óptico. Volto a confiar no meu bebê corajoso. Depois de ter lutado tanto para existir. :1rc-clon 1 'Z 'a suavi lad xterna. vasos e nervos. a que ela oferece há muitos anos a seus pacientes. enios • 6 de dezembro boc n 1. Os h 'I ês S:IO r('sisl '11 tes e as mã s têm n"SS'1 OC:ISitlCl 'IV:1. Como querer (pie' I'. Mas isso não impede que ele continue sus1 ito.mxi '(\:1<1' .<lI .(".. Agora. 139 143. . :1 . caso chegasse à cabeça. nove me. força. omo a água dos céus o fogo dos vulcões.contém nada menos que dezessete músculos . Pelo menos.IIVl'1:IIT.1. Fiquei tão desorientada com a ultra-sonografia feita sem delicadeza! Movimentar meus maxilares ajudou-me a pôr para fora minha raiva: consigo respirar melhor.'. em grego. ele tomará conta do bebê com todas as fibras de seus músculos. em outros não. tudo . de energia incalculáveis. pediam que elas ngravi lasscm: <11110111 te um tempo desenvolviam-se nelas os horrnónios V:-'pl' cíficos da gravidez que aumentavam sua força muscular. causa preocupação: houve quem pensasse que ele viajava pelo corpo da mulher e. o coração já não bate disparado. se intumesça de vida .

perguntoume o que eu esperava da mater-nidade R. tudo entrou nos eixos. ou não quis." O fato de descartar o sentido do tato e da audição. olho fixo na televisão ao alto da parede. Já havia seis pessoas na sala de espera quando cheguei! Uma hora de espera com a bexiga prestes a estourar. nem seus suspiros nem seus sorrisos são para nós. A bexiga cheia achata as circunvoluções do intestino e ajuda a destacar o útero na ultra-sonografia. Preenchidas as formalidades administrativas. • 1 O de dezembro desco os sculos lo - ) ) Segunda ultra-sonografia. Elas não estão conectadas a esses aparelhos. Somos treze: seis casais e uma mulher sozinha. 1995. Seu conhecimento é infinitamente mais rico e mais profundo. mas valeu a pena. o descolamento tornou-se um "minidescolamento" e o hematoma um "rnini-hematorna". escolher melhor suas palavras ao interpretar a primeira ultra-sonografia? Fiz minha inscrição no serviço de pré-natal Já não havia vaga no hospital V. Exceto para as mulheres.Assistimos a um filme sobre o parto numa sala da maternidade R. de confinar a visão ao contorno de uma tela. Ou seja. cuja fama atrai todas as gestantes do bairro. alé m disso. prejudica decerto a confiança em si.. Cheguei com a bexiga cheia . Ver não as tranqüiliza. a necessidade de compensação. Três mulheres inacessíveis. eu nunca pensara nisso. M. Wilhelm Reich. Sua pergunta me pegou desprevenida. não soube.Você não é obrigada a vir. de nariz espetado.m fazê-Ia parecer. cria. O veredito dos ultra-sons foi muito apaziguador: o desenvolvimento do bebê é perfeito. uma após a outra. a que está sozinha senta-se bem er-eta."Na tela.. mas o filme é tão bonito . pp. não sei o que se pode esper-ar de uma maternidade."É facultativo. Respondi que desejava que meu parto fosse feliz. Uma semana inteira de aflição à toa. três mulheres dão à luz.ClSJ?/O. sentados num tapete no chão.que a Dra. encaminharam-me para uma saleta onde uma moça de uniforme branco me explicou o funcionamento da casa. porque não é pelo olhar que elas estão ligadas ao filho. O que estarão pensando? Sentindo? Jamais sabere27 I 26 .. 143 e 144. Não tão racional quanto qu 'f . • 17 de dezembro -t 3. Em certo momento.) ) QUANDO O COIU'O CONSENTE ) ) ) . dissera-me a secretária quando telefonei para marcar hora.. As mulheres estão grávidas e seguram a mão do marido. minha resposta não satisfez.Pelo jeito.J ser ansiedade. mas encontra uma compensação nas pró teses mágicas da aparelhagem tecnológíca. Po. mas eu não sabia o que acrescentar."tome um litro de água antes de vir". Nunca tive um bebê. Afuuçáo rio O!'/!. São Paulo: Brasiliense. explicou a senhora das fichas. "Qualquer perturbação da capa idade de sentir plenamente o próprio corpo preju lica a onfiança em si e a unidade do sentimento corporal. as consultas médi as obrigatórias e os exames a fazer. Dirigime à maternidade R. TERCEIRO MÊS • 15 de dezembro ) ento n9 4 es.que é conhecida pelo atendimento caloroso e atento.

Mas a mulher não onscgue s 'r -spc ta lora quando espera um filho.rg nas raízes da humanidade. Mas deve submeter-se às leis da imagem. Deixam que lhes sondem a barriga. Não sei como vou conseguir viajar de pé até Valence. Em tempos comun . algo não se afina com o espetáculo. As mulheres não criam problema. Mas a comunicação entre nós não é direta. o alimento que como é que lhe permite desenvolver-se. sexo. os futuros pais ficam com lágrimas nos olhos: pela grande sinceridade e pela intensidade do mistério. Quem precisa ser convencido da autenticidade de nosso bebê? O rapaz sorridente ou nós. filmado. 29 . A realidade se passa fora do campo visual. Ele tem de caber numa rubrica esporte. enquadrado. em tempos comuns. a estação de Lyon está cheia de gente e o trem. explica ele a um rapaz sorridente. tudo isso não pode ser percebido pelo olhar. O que leva ao estereótipo. É como se recebessem mizalhas resI:> sequidas. n '111 10 das outras mulheres. O ar puro do campo deixou definitivamente meus pulmões. seguidos de aneste ias pelas quais tudo lhe parece uma mistura uniforme. O espectador recebe choques visuais. fotografado. Então. é verdade que o corpo é mostrado. as imagens conseguem atravessar a tela e tocar-lhes o coração. arte. Para prender o olhar do espectador. recortado. que nos deixa perplexas. Por causa da intrusão em sua intimidade e. Ocorre algo pr fun 10 que te irn . ou por que ficaste apenas olhando? Desejar um filho.. E classificado de acordo com certas categorias. que sem perder o sorriso cede-me o lugar Diante de tanta boa-vontade. que filmem o nascimento. antes ou depois do parto. também. Ele será forçosamente achatado. Ninguém vai se dar ao trabalho de olhar para um corpo em si. Nenhuma fala. colaboram. Elas acabam de viver algo que não podemos compreender. fazê-lo na cer. mas o oxigênio parisiense que estou respirando é o mesmo que circula em seu corpo e lhe irriga os órgãos. Do mesmo modo. concordam. Será o que me espera? Talvez. O quê? Não sei.' pele. Filme mudo. as imagens precisam ser cada vez mais espetacular s. A leitura dos manuais para gestantes me revelou a presença de um espantoso intermediário entre meu bebê e mim: a placenta. agora as incomoda.. serei de fato uma gestante? E terei de revelar um segredo tão íntimo a um desconhecido? Desejo que minha barriga comece a crescer e fique logo evidente! • 3 de janeiro As férias já vão longe. e há mulheres que concordam em ver o filme. l 'lIS 'r28 • 24 de dezembro É noite de Natal.QUANDO O CORPO CONSENTE TERCEIRO MÊS mos. Martin não hesita. pela necessidade de unidade de seu corpo. O que. repleto. Usurpação de título: minha barriga não aparece. é isso. moda. acolhê-lo dentro de si. gãos. Mas. dentro delas. que o visor da câmera fique entre suas pernas. que supervisiona e organiza todos os nossos contatos. Dás à luz orn lll. elas aceitam sem problema. "Minha mulher está grávida". THÉRESE Por que as mulheres na tela não falavam. o pai revelado faz questão de explicar que não "está blefando". em zonas do ser inacessíveis ao olhar. Sem jeito e com vontade de rir. os pais? Fico vermelha e sem graça até a partida do trem. Os do bebê ainda não funcionam. Nem do pré prio parto. barriga e costas. exibido. Quando assistem a um filme sobre o parto.

Eis o que ocorre: o organismo da mãe identifica a presença do corpo estranho e desencadeia o conhecido processo de autodefesa. quer dizer bolo. J . produz células assassinas e anticorpos. Ora. o vocábulo placenta. A placenta é um excelente antídoto para o clichê que designa o bebê como "carne de minha carne. fabrica uns vime hormônios indispensáveis ao feto. a um punhado de árvores frondosas cujos troncos se dividem em inúmeros galhos. É a placenta que permite ao ovo .bonlco. Mas estes ficam completamente ineficazes. nossos dois organismos nem se tolerariam. ocorre um aborto chamado "de origem imunológica".. Aliás. no seu primeiro ano de vida. 1( vagina __ -\-_ 30 31 .corpo estranho . deixando judiciosamente passar seus anticorpos. sangue de meu sangue".) ) QUANDO O CORPO CO SE TE TERCEIRO MÊS --------- - ) Qual -. As vilosidades estão ~mersas em pequenos lagos cheios de sangue materno.J ) J ) .incrustar-se na mucosa uterina. Em geral. ) ---. não foi meu organismo que fabricou essa placenta. O rebento não é rejeitado. graças aos quais o bebê fica imunizado contra doenças. portanto. o qual e renovado uunterruptamente E assim que o bebê se abastece: cada vilosidade contém uma artél!a para transportar o sangue r~ovo e uma v~la par~ livrar o bebe do sangue carregado de resíduos e de gas ca1'. A I lac . a placenta não desempenhar seu papel de defensora do ovo. m contato du-eto com o da mãe: a troca anguínea se dá s mpr através das pare les das vilosidades. o bebê não pode viver. Por quê? Porque a placenta identifica os assassinos e faz com que trabalhem para ela. metade da mãe . diferente de mim. hastes. e as copas cheias de vilosidades voltarn-s para a parede do útero. ela atinge vinte cenSem ela. Isto é. depoi. As raízes dessas árvores estão situadas do lado do cordão umbilical. O mais espantoso é que. provêm do ovo.ncarr 'ga de todos os vaivéns entre o feto e a mãe. A placenta também é produtora. cálcio para os ossos . .J .J ) .scnvolv 'r se no ull' ro da mãe. mas é um ser em si. A placenta assemelha-se a uma árvore cheia de sangue ou. uma espécie de excrescência ventral. suas células. o bebê não poderia d . O sangue do bebê nunca está.J ) fundo uterino ---- cordão umbilical placenta uma veia duas artérias ---- - . o fim da gravidez. por determinado motivo. e protetora: serve de filtro para a maioria das bactérias presentes no sangue materno. É a prova de que meu bebê não é um pedaço de mim. Se. metade do pai. da placenta? tímetros de diâmetro e dois ou três centímetros de espessura. isto é. a fun 'ao Sem a placenta. sem placenta. O conhecimento desse fabuloso mecanismo e da função da placenta me traz uma incrível serenidade. me1110r.. É o intermediário indisp nsáv 'I qu 'se . em latim.nta recolhe no sangue materno as moléculas nutri rucs (glicose para a energia. ela o purifica do gás carbônico dos resíduos. feITOpara os glóbulo verm lhos. líquido arnniótico colo cio útero -----4--4 . como aliás as do cordão umbilical. vergônteas e milhares de raminhos chamados vilosidades. a placenta é comparada a um grande bolo.) e o oxigênio de que o bebê n ces ita.

os dois sentidos. Desse modo. atravessa com facil~dade a ?lacer:ta.foi constatado que. mas com a ama. Essa substância. "Antigamente. 1994.-----:T'-:?"'-- artérias . de filho para filho. ~omo é. Dessa forma. Madeleine Chapsal.também somos animais . Paris: Fayard.~-- / t Superfície fetal da placenta. deixa passar a adrenalina. 247.os pr cluz. que não deixa passar as bactérias. c ntudo. sua ação oculta é conhecida há relativamente pouco tempo p Ia pesqui1. . que está empoleirado por cima dele. já preferias o salgado ~ adoravas viajar. e um bezerro for levado a mamar numa vaca que acabou de parir uma novilha .mpr n mesmo lugar . toda mulher -produz um leit que não lhe pertence e que.a mãe. d .QUANDO O COIU'O CONSENTE TERCEIRO MÊS membrana ---. ess bezerro macho nunca será um bom reprodutor. influenciar de dentro os zostos e comportamentos maternos durante a gestação. Antes de nascer. Aliás. E com a raça humana? Seria interessante saber. a criação de animais . qu o f to t . disse-me certa vez uma encantadora e inconsciente senhora. Sabe-se também que os horrnónios maternos são produzidos sob o controle do cérebro. o cérebro moderno. bem antes de nascer.rn uma grande autonomia em rela ão à mãe: lc mesmo regula a produ. p. feito para o filho que ela carregou no ventre e dado a outra criança para a qual não era destinado. as crianças ficavam parecidas com sua ama-de-leite. eles mesmos preparam o leite da mãe. pass 'i a gostar. ra engraçado. ora. o f to ou a placenta . Ce que /se Doi/o. como o leite de uma ama. Não se pareciam com a empregada. . Não de nosso cérebro consciente. O que ele faz escapa quase totalmente ao controle do córtex. ainda se conh ce muito pouco a respeito do saber do poder dos bebês. por exemplo. voltei a meus gostos pessoais: fi ar sonhando s . mas do mais arcaico e mais animal. o bebe e a mae estao continuamente imersos no mesmo sumo emocional. ão dos hormônios vitais a s u desenvolvimento. pode influir nesta criança. Qual dos dois começou? Nada prova que o fet~ nã? seja capaz de comunicar ele mesmo suas emo~oe~ a mãe e indicar-lhe quais são seus desejos e preferenClas. THERESE A placenta." I ão ' fácil explicar como se dá a passagem dos hormônio . Sab s . o de coisas com sal e a querer viajar. porque não se sab ao certo qual do três habitant s . 33 . e uma novilha mamando o leite destinado a um jovem touro nunca será uma boa vaca leiteira. que se chama hipotálamo.oAssim. tem uma composição diferente'. a partir da placenta.pois <lu ' nasc ste. que eu sei? Durante a gravid z. em certos casos pela vida afora. aI orear doce o fundo. que se espalha no sangue sob o golpe da emoção boa ou má.

sujeita à for-ça hormo- nal De novo. qual teia de aranha que impede as mães de se agitar-em. isto é. Contanto que não o adormeçam artificialmente. Quando trabalhas a boca. T '!TI às suas ore dens dois sistemas que dispõem d a õcs diferente complexas. O hipotálamo. O que é chamado de "simpático" stimuIa nas situações de estresse. Às vezes. podes enviar através da musculatura rnensag ns para serenar os gânglios simpáticos. a pele. 35 ) . Aos treze anos. um pouco assustada. Como? O hipotálamo está em ligação constante com a boca. ão percas tempo buscando sua localização exata. as narinas. só tenho vontade de uma coisa: deitar de novo. teu sistema nervoso torn. procura acalmar e refazer nos a energia ameaçada. sensível ao mínimo eflúvio. É também o S nhor por excelência do na cirn "'n10. Os meus dias de mulher grávida têm a mesma indolência. que sabe tanta coisa. Já vou explicar como trabalhar os olhos. Há mulheres que contam mais com o an stesista. Li que é um dos efeitos da progesterona. um se antecipa ao outro.) ) ) QUANDO O COlU'O CONSENTE TERCElRO MÊS ) ) ) ) ) ) j ) ) ~ ) ) J ) J . mas nunca tanto quanto os neurônios funcionando num corpo saudável. exceto dormir e continuar a dormir. a barriga cresce. que palha a adrenalina no sangue. encontram-se as conexões da rede de células nervosas. O hipotálamo é o granel' manda huva da vida. os ouvidos. as conexões neurais. Por meio de leves pressões. mas palpita sem parar. com pequenas bolas de cortiça que costumo usar. Mouimentos n":' 5 e 6 espi cost . • 12 de janeiro Cansaço e moleza. Sentia-me uma estranha. todo os receptores dos sentidos que ficam na fronteira do interior com o exterior de teu corpo. Assim que me deito. Para o bem-estar teu e do bebê. T CI ois ele 1 'r atraído irresistivelmente dois ser" ele 1'r fundido :1 ('('lula !TIélS ulina com a feminina. Adolescente ou mãe em botão. Ao longo da coluna vertebral. le l r amadurrci 10 () fruto não tem cabi- mento pensar que ele cai no sono na hora da vinda ao mundo. de dia. Estas conexõ s ão qual bebê que preci a ele carinho para acalmar o choro: têm necessidade de contato. Agora começa tudo de novo. Podes ajudá-los a se porem de acordo. horrnônio produzido em grande quantidade durante a gravidez. 145 147. E sabe mesmo. Não é como o esgotamento do atleta depois da prova: mais parece o torpor intermitente da adolescência. o "parassimpático". fecho os olhos e durmo. Ao me levantar. a prova a enfr-entar- ) ) é do mesmo calibre: sair de um estado para tornar-se outrem. Ontem. o corpo foge ao meu controle e faz o que bem entende. e nosso organismo se desregula.a-se mais estável e confiante. o outro. Digamos que um empurra e o outro freia. Torno a sentir-me uma estranha. é ele que acelera as contrações do coração e do vasos. Um está de plantão de preferência à noite. que comanda a vida. Aqueles dias glaucos em que tudo parecia inútil. é indispensável o bom entendimento desses dois sistemas. E também do bem-estar. os quadris se alargarem e o nariz indeciso se achatar no meu rosto. sa científica. Podes contar com a competência de teu sistema nervoso. do prazer. o sono parecendo a grande escapatória. Aqui estou eu. da sede e do s xo. vi meus seios crescerem. ' ele que comanda os movimentos do útero. pois as mensagens circulam com facilidad ao longo das costas. O outro. os olhos. pp. como na adolescência. é o senhor da fome. à força de anestésico . já o nar-iz fica no mesmo lugar. O sono. Meus seios aumentam.

ou então não deixa que as duas células reunidas consigam se implantar. Já não gosto muito da análise culpabilizante segundo a qual só as mulheres que rejeitam a gravidez sentem mal-estar.são muito fortes. a futura mãe se pergunte se estava certa ao lançar-se em tal aventura? THÉREsE Teu bebê não esperou que lhe desses o consentimento de tua razão. Além disso. É desse modo que nos habituamos a recalcar nas profundezas do corpo todas as emoções. Pulsar e respirar é típico da vida. os livros não explicam direito as causas fisiológicas de minhas alterações internas. o ritmo do bebê é o mesmo que o teu. As pessoas fazem de tudo para barrar a intrusão d 'L as s nsacões "vegetativas" isto é " " que pertencem ao sist . em teu corpo. Mas nem todas as mulheres são assim! Esperar um filho. ele não deixa os espermatozóides amadurecerem e os óvulos se formarem.. aspirar os líquidos do corpo e expulsá-los. o que de certa maneira tranqüiliza. caso a situação seja de estresse. Assim. não. Dentro em breve.ma n urov getativo. e que são mais importantes para ambos que os movimentos da respiração ou da circulação cio sangu . pode haver reviravolta maior? Será então de estranhar que. distinto do teu. no seu quarto mês de embrião. ao animar ada um de nossos órgãos .e aconteceu. é formar barreiras. vertigem. uma espécie de amora microscópica. a 'mórula'. Gosto mesmo é da explicação popular: o que a mulher prenhe vomita é a sua ansiedade. O teu sistema nervoso poderia ter impedido o encontro. O que é ótimo. é o fator de nossa unidade e circula em nosso corpo dcsd o instante da concepção até o da morte. 37 . Juntas. é deixar a liberdade de adolescente pela responsabilidade materna. Acho que tudo vai acabar bem.também eles em movimento -. A mulher grávida.e também os . Há também quem diga que os distúrbios aparecem apenas em mulheres divididas. hoje. no teu caso. Por nquanto. para não sentir as descargas vegetativas que-as acompanham. em dado momento. o fato de bloquear as manifestações corporais significa bloqu ar o corpo todo. Nosso organismo nunca esquece seus primórdios. A energia. salivação e outras mazelas de mãe .isto é. porque estão na base da própria vida. ela é o próprio corpo. em total verdade . as células dos músculos as do órgãos fazem um ince sante movimento vibratório e rítmico. a boca eca ou repleta de saliva. Hoje. No mais tardar. Mas. O ritmo de tuas células é que dá energia a teu corpo. a vida está a caminho. Seu sistema nervoso se expressa. em total inconsciência . ma . quando as moções . em julho . teu orpo e o do bebê vibram m movimentos ínfimos e fortes que não percebes. Seria bom que não houvesse conflito..estão devidamente consignados nos manuais de gravidez. vômitos. os distúrbios da gestante náusea. imaginar sua criação. já que ele existe. Lá estavas.QUANDO O CORl'O CO SENTE TERCEIRO MÊS era deixar a infância pela incerteza da adolescência. Transição por águas turvas. respirar é inchar-se e contrair-se. as que oscilam entre o desejo e a rejeição da gravidez. carregá-Io dentro de si. Ninguém gosta de sentir náusea. Infelizmente. feita de células muito parecidas que já pulsavam e respiravam. Ela está no seu corpo. A linguagem do corpo é isso também. quando era uma bolinha minúscula.onflitos .fabricá-I o. há centenas de bilhões de células que estão pulsando e respirando com ritmo. ele vai escolher um ritmo próprio. é verdade. Reprimir as manifestações do corpo é enrij c r os músculos. O teu sistema nervoso tateia. foi ele quem decidiu. e ela não consegue reprimir essas manifestações. Procura ajustar-s e adaptar-se da melhor maneira. Para a célula. Às vezes. Como o ritmo das ondas faz a força do oceano.

quase mpr ' 1. 39 . a cul t nada mais é que o indício externo do bloqueio dos músculos ias coxas. todos os animais. A mulher grávida não pode desp rdiçar com bloqueios nem uma migalha de sua energia.los ) . No lado d cI . Os mús ulos post 'rim 'S elo rpo têm um. "Não há contato". os é)rg. não há literalmente contato dentro de nós mesmos. Em vez de fazermos os músculos funcionarem para nosso bem-estar. N5 . ao longo de dias e anos o organismo vai armazenando cansaço no músculos. invertemos suas potencialidades e os destinamos à impotência. Mas. todos os seres vivos têm uma vibração universal que os une. sereno e muito alerta .ioria los à man 'ira '01110 CSL:l S' formando o eml rião d t u b bê. na cozinha. em todos os músculos.. e nossos braços.J ) . o nosso caso.. Nossa cabeça está em desacordo com nosso corpo. muitas vezes senti ao toque dos d dos essas zonas. Todos os seres humanos. entre duas pessoas. À mesa. a energia. com o ritmo interrompido. meu girassol. uma for a in rível. o púbis contraído. Falam de Irigid . vamos voltar ao único assunto que te interessa. que chamo de zonas mortas. todas as plantas. porém.e homens também . o út rc. o ovário. tão congestionados. Durante meu trabalho. Um organismo sadio deveria conseguir aproximar sem dificuldade os dois pólos originais: a boca e o sexo. costas. da pélvis e da parte inferior Ia ostas. e todo o nosso corpo está em desacordo com o mundo que o cerca. Aliás. depois (\ . No instante em que ocorre um golpe físico ou psíquico. e as mulheres.nita is estã sofridos. em qualquer lugar da casa. que era fluida.us tormento superficiais. É claro que ninguém tem consciência ele estar fazendo força. porém. A pele. costuma-se dizer. pois pessoas. os órgãos das zonas correspond nt e.rnr s . prende-se às camadas musculares subjacentes.) . Com a região lombar arqueada. E sempre em determinados lugares do corpo. na hora de um conflito. minha filha? Já me conheces e sabes como antigam nte meu trabalho era minha preocu pação constante. forrnidáv I pod r de contração. nossos músculos se contraem. Costumamos empregar a força de nossas costas contra nós mesmos. na profundeza da bacia. sentimo-nos esgotados. I 'I ilitl:ldv. r pre enta ao mesmo tempo nossa força e nossa fraqueza. da nuca ao calcanhar s. Aparecem edemas e celulit . T~'l11. Às vezes.11l1\)VII1 1":11. porque e tão r 'Ia . e coisas nos parecem hostis e em interesse . mais spessa. Gerar e dar à luz ão atos intensos. Há uma perda considerável de energia quando se mantêm os músculos contraídos. dos quais pretendo logo I ' Ialar.) ) ) QUANDO O CORPO CO SENTE TERCEmo MÊS J ) .J ) ) ) . eu continuava falando daquilo que era a minha paixão . ':llv dl' v. não entendem e qua e sempre projetam o umbigo. iH Pensas que estou fugindo do assunto. As fibras musculares imobilizadas estão rígidas e contraídas. certas mulheres . Vou explicar omo a potência de nossos mús ulo posterior s. aliás. Invertemos em sentido próprio. Se não encontra m um jeito de se relaxar.1111 (I()s iorm mtos profundos.ntro. E eu não te deixava em paz. Essa força não se traduz pela nece sidade de agitação: ficamos de acordo com todo o nosso ser.. ror motivos anatômi 'os -Tisiolàgicos bem precisos. se cristaliza. Não há reme emagrece dor que dê jeito. Acentuam ainda mais o arqueamento da região lombar e comprimem o sexo entre as pernas.quando peço que projetem o púbis. onuru . Dessa forma. pernas estão em desacordo entre si.. em atitude de recusa. quase sempre. como solidificada.J ) I I I I I) I A pulsação de todas as nossas élulas harmonizadas produz em nós uma incrível força en rgélica. estás certa. Mas a pessoa se sente esgotada. nem fora. Concretamente é possível ver e tocar nos lugares em que a energia se acumula.

o umbigo . "Ah! Esse tal de creme! Não consigo enxergar o outro. que se libera em grande quantidade pelo sistema nervoso. 1989. pp. B. ao veredicto do médico. B.provavelmente o inofensivo hidratante que eu tive a infeliz idéia de pasi os nõo isso! sar. uma aluna disse-me ter tido na hora do nascimento de seu primeiro filho uma sensação de gozo parecida com a do orgasmo. e é por ele que pode ser dissolvida. informou-me o médico do pré-natal Qual mãe teria a co- is do ragem de evitá-Ia? Isso nem me passou pela cabeça. O Dr. arrastada pelo fluxo de uma pulsação serena. No terceiro mês.gigantescas . QUARTO MÊS • 19 de janeiro A vida de grávida tem códigos e itens considerados rios.. nõo .Tudo parece normal. E no parto? Onde está inscrita a memória do medo? o corpo todo. mede tudo o que vê: os ossos. Segundo Reich-. há ainda uma ultra-sonografia: obrigató- "É a i po que e ntu is . As pulsações do orgasmo vaginal prenunciam as pulsações . Durante o orgasmo e durante o parto. de ventre e coração atados. . e os ombros sobem de novo até perto das orelhas. a boca e o ânus". pelo aparecimento do esquerdo. o diâmetro do crânio. a inferior escancarando-se como uma "cornucópia". "É mesmo??? ento de nQ 7. afinal. "Veja o pé direito!" Espero. bem antes da hora de dar à luz. .. o corpo aproxima dois órgãos particularmente importantes do ponto de vista embriológico. a ocitocina . Por que falar aqui de orgasmo? Porque o orgasmo e o parto são parentes próximos e inquietantes. a respiração involuntariamente bloqueada em meus pulmões. reclama do meu creme "antiestrias'' . "O bacinete direito é duas vezes maior que o esquerdo. de tudo. o corpo é invadido pela mesma substância hormonal . A cnrálisc do () . No orgasmo. 148 e 149. o prazer ocorre por uma excitação das faces laterais do hipotálamo. O sermão fica registrado. diria Françoise Dolto. mas em falta: o Dr. Meus ombros começam a desprender-se das minhas orelhas. Há alguns anos. 2. Wilhelm R i h.QUA DO O COlUJO CO SENTE A mulher que dá à luz sem se violentar aproxima essas duas aberturas.Aí está ele!" Solto. impaciente. 41 . ão Paulo: Martins Fontes. O esquecimento de meus preciosos óculos deixa-me entregue. Dócil." A chamada à ordem é como um soco no meu estômago. "durante o orgasmo.do útero na hora do parto.

"Há um excesso de líquido amniótico.1THÉRESE rada dos utros SCI11i(I(). cabeça bem r donda. nada mais é para ele do que um momento de potencial má-formação. Odeio essas frases curtas. po que é u l c o ssô ic co g d ence licos. um jogo só deles e do qual as mulh res . lágrimas caindo. Sim. que passam pelas lágrimas. Nada de corpo. eu ginecologis disse. solta ele enquanto redige o relatório.pode voltar ao normal sozinho". isto é. Para alguns técnicos. diz em tom de censura.I.'. • os olhos só te serviram para -honu .que não conhecem as regras e não estão a fim de jogar . '1'11:1 VLo. É melhor não dar importância. "Ah! É? Então deve ser o metabolismo do açúcar. Articulo um "até a próxima. que veio comigo. Os olhos das jovens mães.. pelas noites em claro e pela angústia. que nenhum de seus colegas encontrou ainda. que faz um esforço para parecer forte. ol u i '. Narizinho arrebitado. é sempre sim.O que é o bacinete? . o sexo. Chegando em casa. doutor" só para dizer alguma coisa e saio depressa. uma abstração de bebê. Esmera-se para colocar direitinho uma cruz nos quadrados previstos. Que sorte: assim não preciso ver meu rosto no espelho: nariz vermelho. seu coração e seu cérebro são na certa superdotados. B. bi o esul dos t teiperfeitamente oi detect que est ultra-sonografia E 10 de l ei o. "Menina. . .estão excluídas.· Então o consolo de teus olhos é um pedaço de papel. uma meninona".'V ('(lI11'1111(lill.1111VÍl.:IO..um pé. . Uma aluna escreve-me da Itália: cujo lltu nuc espess de e did dos fêrnures e inferior à no . A organogenesia. O elevador está com defeito. Conseguem dar corpo a traçados. :11('1'1:1. Tenho a impressão de ser uma mãe horrível. não tem jeito. meu consolo é olhar o retrato colorido de nossa filhona. um rim . lugar-comum da ultra-sonografia do terceiro mês: "A senhora quer saber o sexo da criança?" Troco um olhar com o pai. E no entanto não gosto de açúcar. mas. resmunga o Dr.lill \1111' 43 ." Decididamente. capazes de destrambelhar o corpo e a mente. minha qu rida.. Ele desencarna os corpos. É uma graça.1(1:1 a ficar sozinha e a tomar a di.. o período de formação do embrião.não é capaz de estabelecer uma ligação entre essas representações de pedaços de feto em preto-e-branco vagando por uma tela e o teu bebê bem vivo.I. sinais.) ) ) ) ) ) I QUANDO O CORJ'O CONSENTE QUAKfOMÊS . como no jogo. não têm conseqüências.Hum .É grave? . essas palavras que não dizem nada ou dizem demais. eu cut u esent Como amor'... A ultra-sonografia não foi inventada para dar tranqüilidade à futura mãe. Ainda tenho direito a uma última proposta.11 tlL'. um b bê irreconhecível . números.É o rim. irresponsável. A senhora deve estar comendo muito açúcar". rll) 1('111. o jogo de busca é uma espécie de ideog e.. Enterro tudo isso no ombro do futuro pai. Exceto para as mulheres. '1'11:1 L"I. uma "pra valer". O seu negócio é a máformação: vive em busca de uma.É grave?? . O trabalho do técnico é o inverso. e o di nóstico é de tiuo C o! e dos c sos. e imagino como fica cheio de si quando descobre na tela uma inédita.e te t l ente éss o ognóstico. Eu gosto muito de você. Os enganos? ão são raros e às vezes podem chegar a enormidades. boca retorcida. Cinco di depois. sCI . .

o centro da linguagem encontrase nos dois hemisférios'. o hipotálamo . nosso cérebro especificamente humano . 16 de fevereiro de 1995.J '. Saibam que podem sentir.isava que o deixassem desenvolver-s . e o outro. não há consciência do corpo e são poucas as percepções corporais. Nature. pode alguém ser especialista em números. Eu conseg os . pode ser. Passa por seu corpo e coração. porque seus dois hemisférios cerebrais estão em ligação direta com o corpo.1 p. converte a realidade em abstração. as que pensam que não sabem nada. na mulher. é porque vem de outro lugar. a imaginação.1. é -sonog nesse ô do t se ne l de esp arnnios tipo de o - e que milagre? acrescenta ela. segmenta.mbotudo. levar a termo corajosamente a gravidez? Porque têm uma vantagem imensa: a cabeça no lugar. as emoções. alheio ao sofrimento de seu gêmeo. em transposições. 16 de ço.utir \. lcfinha. d sd o ini io Já estava ele com todas as suas possibilida I.situado na cabeça acima do arcaico. De tal modo que domina com facilidade.'1 . corre uma deformação bem conh 'i 1. vou te contar o que talv z ainda não saibas e que recentemente agitou uma part da munidade científica: as mulheres têm a particularida I de falar tanto com o cérebro direito quanto com o squerdo. mais sensível. não cons gue ajudá-lo a descarregar em palavras coerentes o excesso de dor..10. Ou e do p elh Porque está cheia de ternura e não pode admitir um dano causado por pessoas. minha cara. Agora. Como é que as mulheres conseguem. Por muito tempo pensou-se que o cérebro esquerdo tinha a exclusividade da palavra e que o direito era silencioso. . Aliás.ola primária: a hi- pertrofia do cérebro numerador e classificador em detrimento do outro. Domina e nos retira metade do nosso ser. privado de alimento. em códigos. o direito e o esquerdo. quem presta atenção percebe: essa palavra é mais concreta.que comporta dois hemisférios. . O contato com o corpo e a consciência desse contato lhes dão 1. A visão global dos seres e das situações. mesmo incompetentes. É preciso que as mulheres saibam disso. mas I r' .um sofr . Além disso. O centro da linguagem encontra-se no cérebro esquerdo. Apenas o hemisfério esquerdo se desenvolveu. Agora. indício de l ô . a mú ica. o intuitivo e sensível. com a barriga cheia de medo. . É. É verdade. Que diferença faz? O cérebro direito está em contato com o corpo. que não entendem de nada. 45 . o cérebro direito fí a . Se a palavra da mulher é diferente. sabe-se que na mulher ele fala. aquele que analisa com frieza. mas só com meio cérebro. T c 1. sobretudo as submissas. v. eu e no o tudo . de fonte oficial. sem ele. pensar e falar com toda a cabeça. é claro. o hemi fé ri dir it . e dois de indesc el. ("li rim: I ).1(. Refiro-me ao córtex. 373. Este existe em todo ser humano. o calor humano competem ao outro. Talvez seja esse o motivo por que a maioria das pessoas atingidas por violenta emoção não encontra palavras: não ocorre a ligação entre os dois hemisférios . o cérebro numerador também é falante.QUANDO O COIU)O CONSENTE QUARTO MÊS do íntese ne se ç síntese e espe e defazer e dois e . um "crânio". ei .

chorei. 11. depois.11.. como se eu tiv s comido demais. De perfil. Até hoje.tI 1'11 Ile . Elas se atropelam.11IIII'IIICl'. outras nebulosas. e ele foi "produzido" num 15 de outubro. Por que não consigo me livrar desta ansiedade desde o dia em que apareceu a linha azul no quadradinho do teste? Por que não sou como a gorduchona Mathilde. pp. O que m é imp ssível fazer por ti. que espera-o terceiro filho com os 9utros dois agarrados à barra da saia.1 II 'l'llhl~ESF N:le) dvr de quem . já que não consigo descobrir outro responsável. tenho a impressão de que a gravidez é uma tempestade que faz subir à tona pedaços de vida. ou vou continuar assim. As lágrimas brotam e não consigo segurar. será uma cura.) Todos nós temos nossos fantasma .Iv 1I1. concentrada. vais fazê-lo sozinha. v 1. '. e você é . Quando estou só. por mais forte que ele seja.Idll" ) P cllI 1. . elas já têm d nascen a. O dia em que perdi meu pai. senti i s inúmeras v 'Z . dos olhos ri? realismo e amor . )11.ip. Afinal.( I (1)1 igd iIH'viLIV<'111)('111I' 01 voll. para lá. 15 de outubro é um domingo em que eu tinha quatro anos. pela vida.u". ses. 11'11'. acho que não foi acaso. E ag ira lu vai' cons . Muitas e muitas vezes. não chorei. Mas a angústia da morte não se apaga com um ímpeto de vida. mas não deixa de ser cansativo! A palavra que passa pelo corpo e pelo coração é a porta aberta a todas as perguntas sem resposta. quando cheguei à idade das expressões burocráticas. Hoje.io por v I i1l1j()'.. Mai que uma proteção. pronuncio "papai" baixinho.1 11I'.. para me acalmar. algumas explícitas. Quem é essa mulher? Serei eu? Mais do que eu? Eu que não me conhecia? Liberada do jugo do mundo. Dar ri viela . me diz Martin carinhoso.rr () xohin: '1110 cio (IIIV 11. 149 e 150.11) pc ado. ri... Por dentro. Na hora. porque também me fez falta poder dizer essa palavra.. "no exercício de suas funções".u . 1)11~1. O dia que a ultra-sonografia assinalou como presumível data da concepção do bebê.lIe)f ~()IIIII\('l1le) c: it. outra.1I . Mas. Há horas em que me pergunto se isso é normal. diferente? Mes mo quando o bebê tiver nascido . (' 1111111C1 I1 1111111".111 1.lIt'l lleJo. Morto com uma bala no coração. A minha talvez esteja ligada a esse sofrimento da infância. Ou será menos que eu? Uma mulher girassol. Sei lá. centrada. Ameaçadores icebergs flutuando para cá.) I 8.1 Im1 <.('11'"MIIIII)'. Meu inconsciente.11. Às vezes. espero meu primeiro filho.guir. que tem pesadelos toda noite. decidiu fazer brotar a vida no lugar da morte. Para mim. como ouvi mais tarde.IClIid I ('ltlC)(IOI1.1'. mas sem perder o ânimo? E verdade que também existe a Antoinette. são dois corações que batem m I voroço. só se vê uma barriguinha.qu gu rda. A inquietação persiste. Nem nos dias seguintes. grávida de seis meses. 1I I "p.. grávida de três meos sõo elos. E que othilde contou tud ..) ) ) ) J QUANDO O CORPO CO SENTE QUARTO MÊS ) I abedoria..' ama. Um desses icebergs parece uma coincidência: será de fato coincidência? É a data de 15 de outubro.A metamorfose apenas com çou. ) • 25 de janeiro Falar com o cérebro direito é formidável.111. Também não foi premeditação: meu filho pertence à categoria dos bebês desejados mas inesperados.I'.s.1() po Ir 46 47 . estabilidade e resistência. cujo sol é o ventre ocupado por outro ser? Mulher em trânsito. I' m0111.111111.11111111111'11 1)(. toda corada e feliz? Ou como Clara.

Foi o ar gelado da rua que me recompôs as idéi s. mas o padre era belga. Não sei como cheguei ao altar Nem como voltei p Ia nave no fim da cerimônia. Tínhamos escolhido uma igrejinha oriental com cheiro de incenso. minhas pernas se puseram a tremer e meus olhos ficaram embaçados. mas confuso. uma tarefa e tanto me aguardava:responder aos apertos de mão. Posso imaginar como ela correu de um lado para outro até encontrar um agasalhoque servisse. Nada a ver com o que se imagina numa redação do tipo "Conte o dia de seu casamento". Foi mesmo um casam nto muito ngl acadoí 49 .Aliás. eu estava com um bolero branco de pele sintética. foi mesmo um casamento atabalhoado! Comovente. casamento de ventura. segurando com uma mão o véu meio frouxo e com a outra o buquê de noiva. nós nos casamos.Casamento com chuva. Pensando bem. Ao entrar na igreja. • 28 de fevereiro Pois é.QUINTO MÊS • 27 de fevereiro Casamento. bci jar muita gente e segurar o meu coque.O coro era levantino: enormes tenores barbudos que cantavam em árabe e em latim.tio de Martin. Chegou a nevar! Para não sentir frio na igreja. que ia perel nelo o grarnpos um a um. comprado na véspera por minha mãe naTati.

teu bebê THERESE tem rosto de gente. não o fazem crescer. mas só está em mim. • I? de março Ele se mexeu. e nenhum outro homem interferiu na minha educação. o casamento era o único meio de apropriar-se de nosso bebê. e por todas as suas formas. Seria a mão. Com uns arremedos de membros. meio criatura sem alma.) ) ) QUANDO O CORVO CONSENTE QUINTO MÊS ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) .era tido como um ser híbrido. Pela primeira vez. Não lamento o casamento às pressas. Ele é homem. Isso quer dizer que. De fato. meio animal. Para mim. com uma espécie de pelúcia recobrindo todo o corpo. coloquei minhas mãos sobre esse corpinho encafuado na minha carne. há uma peça mestra de sua estrutura que 51 -.de partilhar a responsabilidade por esse bebê? Levei tempo para dizer sim. quase imp IC ptív I. seu "pedido" de casamento me perturbou. a lanugem . Não naquele momento. Ni10 foi um gorgulho de _. O que ficou de melhor recordação foi quando. Minha mãe criou sozinha meu irmão e eu desde a morte de meu pai. próprias para berçários? Porque. Somos dois. sozinhos e rindo. Martin me disse "Vamos nos casar". foi "ele". ao completar quatro s manas d vida.) ) . As duas primeiras células do ser humano trazem em si a memória de inúmeros antepas ados de a pecto cambiant . ficou semelhante às criaturas semi-aquáticas e serniterrestres provenientes do oceano primitivo. Eu estava negando sua participação no caso. houve hesitação em se reconhecer o feto como membro da família humana . antes. sem gritar não por dentro. Embora seja de ambos. Mas era ele. o joelho. quieta. Seu primeiro sinal.. pelo menos até o bebê nascer Como é então que vão assumir o papel de pai? Aos próprios olhos e aos olhos dos outros? Quando se tratava apenas de amar a dois. Mas Martin entendia com clareza. dei um grito. neste momento é mamífero. Há um mês. disso estou certa. não fazem muita coisa. Tanta certeza como se ele tivesse me cochichado ao ouvido. casacas cinzentas e vestido branco feito para barriga meio volumosa. bebês e filhos eram negócio de mulher. Em nov meses. Para ele. Como um sinal de reconhecimento. 'i0 . v ntre da rnulh r ' um plan ta qu o mundo m seu secr to r constrói ind finidarncnt mini-oceano. Achei que ele passava da conta: não tinha o direito de me propor casamento a pretexto de eu estar grávida. Eu estava sentada. Agora. Sei que é o início de um maravilhoso diálogo. Ele e não eu. Ao completar dezoito semanas. ele passou por todas as figuras dos antepassados de nossa humanidade.. há um mês. Fugidio. Talvez seja por causa dessas metamorfoses inquietantes que. tenho certeza. a natur za r faz I modo compa to SU'l obra d quinh nt milhõ s dano d transformação. a cabeça dele? Não sei.. Feições pálidas. O prédio todo deve ter ouvido. em todas as formas cambiantes desses corpos desde a noite dos tempos. Até eu me ouvia e tinha a impressão de estar louca. embora as estatísticas digam que os franceses se casam cada vez menos? Eu não queria me casar. T u lindo b bê tornou-se peixe. e os homens não carregam o bebê na barriga.. quando de repente eu o senti. Por que estou te contando uma coisa que diverge das historinhas infantis. parecia um jovem alevino. durante séculos. com o aco vitelinico nutriz sobre a barriga. fizemos tilintar nossas alianças. barriga vazia. Compreendo o desassossego de Martin. à noite. ele não tinha rosto de gente? Antes. uma contra a outra . bastava que nos disséssemos nosso amor e estávamos em condições de igualdade amorosa. Por que iria eu achar legítima a pretensão de um homem embora amado e pai de meu filho . Quando. Não entendia porque o fato de esperar uma criança tinha de levar ao casamento. Por que fiquei tão furiosa diante de um projeto afinal muito gentil e quase banal. o bebê existe. as mãos e os pés estão perfeitos .

mais antigo que os membros. como já pude constatar muitas vezes com meus dedos durante o trabalho corporal. Determina também o ix ânt r -posterior. e como consegues trazer em ti um bebê. e incitou as outras células a se "diferenciarem".QUANDO O CORPO CO SENTE QUI TO MÊS permaneceu praticamente intacta. O primeiro a se formar em nossa história de vertebrados. o da futura coluna vertebral. estás lembrada. desde nossa origem como embrião e por toda a vida. fibrosos. Tens de contar com esse par para deixar nascer teu bebê: é um par mais antigo que o cérebro. e essas metades. Insisto nessa particularidade da formação de teu bebê porque ela ajuda a compreender tua própria organização muscular: como és constituída e como te mexes. Somo' né qu permitimos isso. fazê-Ia nascer. estamos sob o comando de músculos específicos que. nenhum vertebrado. nenhum mamífero. Todos nós. a temos. numerosos. O que é o resto? Nossa parte anterior. A córdula é um minúsculo cordão de células que se diferenciaram das outras. Ele estava com três semanas. não dava para perceber quais se transformariam em cabeça. A ór lula. em pequenos blocos simétricos. A parte anterior tem músculos diferentes. menos numerosos que os primitivos de que já falei. força sobre-humana. por assim dizer. A coluna e seus músculos foram delineados prioritariamente no corpo do embrião de teu bebê. Nas costas. Pergunta a qualquer pessoa que sente dor nas costas o motivo dessa dor. organizados num só bloco de uma até a outra ponta do corpo. com naturalidade. Algumas se alinharam ao longo do eixo na forma de um minúsculo tubo: era o esboço do sistema nervoso. a face anterior das pernas. feixes de músculos bem apertados pr nd . a barriga. temos uma herança. o bem-estar. a dianteira do corpo. não o largam nunca. uma força bruta. isto é. e que mudou tudo. os de aparência frágil têm de fato uma resistência surpreendente. d 'l rm inam a forma d nosso corpo. era uma bolinha de células iguaizinhas. Ela lhe forneceu um eixo. por que dói? Justamente porque é forte demais. da nuca aos calcanhares. A natureza é muito coerente. no ntanto. basta relacionar entre si as informações que ela nos oferece. os m(15 . acostumados ao pod r. Parecem desconhecer que temos p ma' continuam num bloco único de uma extremida I 'à utra. Os primitivos. o peito. Forte demais em relação ao resto da musculatura. e o primeiro de nossa história individual. lutam abertamente. instala uma linha divisória ntr as part s diant ira e traseira do corpo. Dominam constant m nt . mais antigo que o sexo. 53 . Dessa maneira. porque não sabemos o que temos nas costas. de cada lado do eixo vertebral: eram as futuras vértebras e seus futuros músculos. por se desconhecerem. a coluna vertebral e seus músculos." Ninguém tem costas fracas. e ela responde: "Por que tenho as costas fracas. Somos feitos de dua metades.mda cabeça à cauda. da abeça aos pés. a que expomos à nossa frente desde que ela deixou de estar protegida entre as quatro patas quando nos erguemos nos dois pés: a garganta. e a córdula se formou. mais mole e vulnerável. Esses rnús 'uIas primeiros. mesmo humano. sem exceção. Então. apertados. mas isso não quer diz r na h. a qualidade e a força de no sos movim int s. det rmina o ixo do mbrião da cabeça à cauda. o equilíbrio. vinda dos primeiros vertebrados. Pode-se dizer que a córdula tomou o poder e modificou profundamente toda a organização do pequeno corpo. Outras células se alinharam. nossa metade mais recente. primitiva. É verdade que p rd rn s nossa auda de embrião. pele ou órgãos. como se fôssemos peixes ou répt i . a maioria das pessoas nem sabe situar. De cada lado d nossa coluna.u] s pa sam pelas per'i2 nas e continuam seu percurso por todo o corpo.

E assim. Eles contra !TI até o can aço. agitadas. Tud Ih s s rvc d ' I ret xto para a contração. afastadas.ou na nu 'ti.. Começa com o lado direito do corpo. podes alongar a região lombar. As leis da fisiologia proíbem qualquer ação a um músculo enquanto eu "antagonista" estiver contraído. A região lombar é cava.onvcncê los . :1 inl(·ligt'I\(·iíl. destinados a amaciar o corpo.t(· rior 5' alongu '111? I )csll'rtan 10 111. só vêm a barriga e a frente das pernas. desse modo. que lhes parecem moles . Os antagoni tas dos abdominais são os músculos lombar s. É um jogo sutil de todos os músculos do corpo que ob decem à intemporais I i fisiológi as da nat 1Ir za. a mínima emoção de nossa parte. sem transpíração. podes tonificar os músculos da barriga.1 I larua <. Se eles se alongarem.J ) . perna.105pós. Se eles se alongarem.. está certo? Ficam inibidos. para com a inteligência do corpo! Só uma coisa deve ser feita: permitir que os músculos dominantes se alonguem.' e a barriga.'I:1 trabalhar um 1(111) prc -iso pílra que os outros 1'(. É preciso reconciliar ão.J ) ) j ) . braços estendido para o tI r. desenho).J ) ) ) ) ) ) ) ) estão sempre se contraindo.' . não é nada complicado. é preciso o acordo das duas partes. E não às futili Ia I. Assim. to 10. a posterior e a anterior. Pode oferecer um contato firme e tranqüilizador a teus músculos com uma dessas bolinhas qu costumo utilizar no meu trabalho. I or exempl . Que falta de respeito para com a própria estrutura muscular.. ou 'lI" 11. para carregá-Ia no ventre. e. videz torna a musculatura mais flexível e as idéias menos rígidas. também ama iam o spírito. orno p rrnitir qu ' os músculos Ia regiílo lombar. para que ela trabalhe para ti e não contra ti. inclinada. Fico desolada guan 10 v 'jo o qu certas mulheres grávidas fazem p n an 10 lU lh '5 faz bem: respiração. pela face posterior das pernas. os músculos da barriga não pod m trabalhar enquanto os lombares estiverem contraídos. se abaixam o nariz.':I() soli 1:11iox. seus antagonistas se contraem.que comanda o lado direito . Se os músculos lombares estiverem inibidos. No mesmo instante. joelhos dobrado.I. sem embrutecimento. até o esgotamento. comprimem as vértebras e deformam o corpo. podes alongar os músculos da nuca.I<ll'in P(). Podes . entre os ombros. na parte inferior das costas. iodos os lominanu-x 1:1 ('. na frente. Se a barriga é mole.I S' alongar '111 (111"15 das coxas.. boceja (cf.. Não estarás fazendo trabalhar apenas os músculos da barriga. teu cérebro esquerdo .. Ainda não entendeste? Se a região lombar estiver contraída. Ia mo Ia Iuga». Ia nuca.. dos ml ros.lj:lI\1. se os músculos lombares se contraem. I pé. O trabalho é bem mais amplo: leva à união de todas as fibras de tua musculatura. o mínimo rnovim ruo. sem esfalfamento. é porque do outro lado a região lombar é dura. E. a barriga nada pode fazer. A graa força e a fraqueza. Por isso concluem que todos os músculos do corpo são moles. as leis da fisiologia estarão a teu favor. porque 55 ) . As pes oa imaginam que os rnú eulos das costas são fracos: se pudes em ver os nós que têm na nuca. posíruo til' c xoras. Entendes o equívoco? Patético.) ) QUANDO O CORPO CONSE TE QUINTO MÊS J ) -. a intensidade das contraturasl . infor- mações circulam bem d pr ssa . suas fibras se encurtam.se acostuma também a perceber as sensações de teu corpo. Para pôr uma criança no mundo. Mas ver é justamente o que não podem fazer: os olhos estão voltados para a frente.. não podem mais se contrair. Os horm ~ni p cíficos. h. Liberas a respiração. (:()II\() de uma a outra ' t r 'midílcl . os músculos da barriga podem trabalhar. a arcaica e a moderna.p los músculo dos pés.

QUANDO

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010'0 CONSENTE

o diafragma está intimamente ligado aos rnús .ulo: c.la costas. Logo adiante vou explicar isso. Ch ga à gra a natural de todos os teus gestos, à forma perfeita de teu corpo. ento nQ 9, pp. 150 e 151.

SEXTO MÊS

• 2S de março
Hoje é o dia de meu aniv-rsário, faço trinta anos. Mas podia estar fazendo cinco ou seis, ou menos ainda. Minha percepção das coisas voltou à infância, ao tempo em que eu era bebê. Quando um cheiro agradável e calmante, como o odor de minha mãe, me dilatava as narinas de prazer. Quando o calor me fazia engasgar. quando um golpe de ar deixava meu corpo gelado e o barulho me fazia estremecer. Meus sentidos de bebê, tenros, tinham uma acuidade que perdi bem depressa. Conforme fui crescendo, eles ficaram embotados, contidos, educados. O convívio social me ensinou que pegar com a mão era sujo, que fungar era falta de educação. Coisa primitiva. Aprendi a olhar. A visão, sentido racional, tornou-se meu sentido predominante. Mas, agora, meu estado de mulher grávida apaga trinta anos de aprendizagem do uso correto dos sentidos. Eu me flagro aspirando, farejando. Numa mistura de prazer-desprazer. alguns cheiros me extasiam, outros me enjoam. O olfato passou a ser meu guia: é ele, em vez da visão, que me informa, me consola ou desorienta. Quando olho, não chego a ver; aliás, a vista fraqueja, como se os olhos não quisessem ir além da minha barriga. Meus ouvidos tornaram-se exigentes. Já não agüentam os sons muito fortes. Será que é porque sei que não estou sozinha nessa escuta? Meu bebê já tem o ouvido aguçado, reage aos sons violentos dando uns bons pinotes. Meu paladar também ficou estranhamente seletivo. Adoro certos alimentos, sobretudo frutas; outros me dão ânsias. Quando como, lembro-me de meu hóspede. O

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sabor de minha comida passa para o líquido amniótico que cl suga, engole e inspira. O paladar dele está se formando, aprcnd a conhecer e a gostar do que eu gosto.

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THÉRESE

É costume dizer que a mulh r grávida regríde, nada mau se, para Ia, r gredir sig-

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nifica voltar no tempo e reencontrar a vivacidade de seus sentidos. O nascimento da criança é um novo nascimento para a mãe, um co-nascimento". Já se registraram casos de mães deprimidas, doentes, que, de olhar fixo nos olhos de seu recém-nascido, voltaram a viver. De fato, todo recém-nascido é capaz de despertar na mãe reziões até então adormecidas, às quais ela nunca I::> tivera acesso. Reencontrar sentidos mais despertos e aguçados é, para a mulher, uma preparação ao nascimento que vem de dentro, ensinada pelo próprio corpo, ditada por seu sistema nervoso. De todas, é a preparação mais natural, mas tão discreta que, às vezes, nem dá para perceber seus sinais miúdos e frágeis. ão vem descrita em nenhum manual de obstetrícia. Quando os percebem, certas mulheres ficam atrapalhadas e consideram um contra-senso as mensagens exatas de seus sentidos. A natureza que faz tanta coisa para dar a vida, que orzaniza tão bem a fusão das duas primeiras células mao cho e fêmea, a secr ção d todas as sub tâncias vitais para o embrião, uas tran: f rrnações, sua maturidade, e tudo isso com grand m >ti ulo: idade, quer fazer ainda mais. Coloca no corpo Ia mulher uma segurança suplementar , uma prot cão. Mo lifica-lb ' ;1Spercepções sen, soriais e emocionais, I ara IlI':1 Ti;II1<;;I projeto amaem
• No original, cos nce, qut' mófono

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dur ça com serenidade. Decerto isso deve vir de muito longe, dos primórdios da humanidade. Era preciso defender-se, ter o instinto de sobrevivência, todos os sentidos a postos. O ruído de folhas pisadas podia ser indício de um predador, era preciso ter o ouvido alerta; e o nariz também, para ninguém se envenenar com uma planta da floresta e, assim, aniquilar toda a futura descendência; o tato das patas rugosas precisava ser mais delicado, para abraçar o filhote quando ele viesse se aninhar. Se tua visão ficou mais fraca, deve ser uma proteção arcaica que te obriga a limitar os passos. Já não precisas percorrer a floresta em busca de caça e de alimento e, por isso, não precisas limitar o olhar para liminuir as andanças. As representantes d zên r humano já não precisam parir no fun I l urna 'IV rna, l' S 'lIS recém-nascidos não orr 111 risco lc ser '111 o dt'vm:)(los IICl por animais carnív ros, () ;11111l'l1t q 1Il' vl;ls ('()Ill [11.1111 i () supermercado " 111I rinrr] io, 11:lolnxi('(): 1),1.(;1(Pll' leiam as etiquetas 'I miem disj xusnr () ()ILII(), 1':I1IIl'LlllI0, fi a-nos no fun I ) do corpo l'.">S 'impulso los S -ntidos, mais ág is à me li Ia qu ' diminui no ssa mobilidade. Arcaísmo qu na Ia tem d Iam ntável. Se a visão é menos penetrante, o olhar torna-se mais carinhoso. Menos totalitária, a visão cede sua esmagadora preponderância (oitenta por cento de nossas percepções sensoriais são habitualmente percepções visuais) aos outros sentidos. À audição, por exemplo. Mais aguçado, o ouvido torna a voz mais calorosa. As vibrações das vozes, da música, chegam a ti na íntegra, e não amputadas de algumas de suas modulações, como acontece com a maioria das pessoas. Essas vibrações estimulam teu sistema nervoso, fornecem-te energia. As modulações que teu ouvido percebe podem ser reproduzidas com facilidade por tua voz. A voz muda nesse período, e teu bebê, através do líquido amniótico, pode ouvi-Ia calorosa e sere59

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SEXTO MÊS

na, ela o acalenta e lhe faz bem. Quase s rn] r a mulher grávida fica com voz mais potente, e certa cantoras atingem, na gestação, desempenhos mai esplendorosas do que nunca. É uma questão de ouvido mais atilado e de porte de cabeça mais elegante. O sentido do tato está em todo o nosso corpo, e não apenas na ponta dos dedos, como se imagina. O órgão do tato nos envolve completamente, em todas as partes em que nossa pele vive e respira. A gestante tem, em geral, a pele brilhante, sinal externo da saúde de eu sentido do tato. Teu invólucro de pele torna-se sedoso para acalmar as saudades do recém-nascido, arrancado à tepidez de seu universo líquido. Ela se torna mais receptiva às vibrações sonoras que te cercam. Tua pele escuta e ouve. Nossa voz não é apenas a emissão das cordas vocais, mas é a emissão de todo o nosso corpo. Costumam dizer que os olhos são o espelho da alma. assa voz nos traduz e nos trai, corpo e alma. Ela deixa ouvir nossos estados de alma - não apenas as emoções momentâneas, mas as profundas, que formam nosso caráter - e o estado de nosso corpo. Se certas zonas do corpo estiverem rígidas e bloqueadas, não conseguem vibrar ao som de nossa voz. Certas pessoas só conseguem falar entredentes, e outras só falam com a garganta; o som de suas vozes pára aí, nenhuma outra parte do corpo lhe faz eco. Mas, se os rnú culos de tuas costas - os dominantes - estão flexív i , tua voz vibra ao longo da coluna vertebral e faz cantar orpo inteiro. Costas, barriga, pescoço, diafragma, r SlO, ra ão, sexo: cada uma das partes de nosso corpo pode .antar como cantam juntos todos os instrum nt si' um" or [u stra. Por que a voz da mulher grávida fi "I (lirt rCI1Il'?Porque a posição de sua coluna vertebral se modilk». Os mÚ5 ulos posteriores do corpo são olidários, l'Slns kll1hra Ia. Da nuca aos
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calcanhares, eles reagem como um único e grand músculo. Quando ficas grávida, a região lombar se arqueia, e a barriga se projeta irresistivelmente. Os músculos de tuas costas e da região lombar são praticamente o únicos a promover o beb ~; om ou m gravidez, faz parte da natureza deles s mpre qu r r int rf rir em todos os nossos movimentos. D· s m do, les s contraem mais ainda na região lombar. Tal contração na bas das costas t m a vantag 111 de Iib rar a nuca el suas costumeiras c ntraç Õ '5. S a nu a não tiver contraída, pode rt para a tua voz! A alongar-s . E, d '5S • modo, que laringe, qu cJ ixa d s r mpurrada para a frent ,p I achegar-se à coluna cervical, o som das cordas vo ais faz vibrar tuas vértebras e todo o teu corpo, até nde a flexibilidade elos músculos o permitir. Com toda a sua pele e seus ouvidos, o bebê está à escuta das vibrações benfazejas de tua voz; ela nutre seu sistema nervoso, seu cérebro, seus sentidos e sua memória tanto quanto as substâncias da placenta. ento i 10, e

pp. 151

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• 2 de abril

É domingo. Sentada à sombra de uma cerejeira, ergo a cabeça, o céu está azul, o vento balança devagar os galhos da árvore. Faz um pouco de frio. Minha barriga dura e redonda empina a minha camiseta. De uns dias para cá, tudo mudou. Eu vivia com os olhos e o nariz colados na vigia do meu ventre, o olhar sempre esbarrando neste meu recinto fechado, minha fortificação materna. Agora, estou largando as amarras. Sinto-me como passagem, trilha cheia de vegetação, riacho piscoso, oceano amniótico. Ele vai sair; isso é uma certeza prazerosa. Levanto-me, e minha cabeça roça nos galhos mais baixos. É uma expedição incrível. 61

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) • 4 de abril .J

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Parto. Em sentido figurado, o dicionário Petit Robert o define como "elaboração árdua, difícil".Em sentido próprio, o que é? Leio as páginas sobre "preparação para o parto" dos manuais de gravidez. Meus olhos pulam de um para outro método: sofrologia, ioga, haptonomia, piscina, canto, parto sem dor: Há para todos os gostos. Cabe perguntar se é um método ou uma mulher que dá à luzi Talvez valha a pena ir além dessas linhas lidas sem muita convicção? Inscrevi-me no curso de preparação para o parto, organizado pelo pré-natal. Hoje é a primeira aula.Tento os exercícios de "relaxamento"; aperte-soltei aperte-soltei O cheiro de suor e de mofo que os tapetes do chão exalam me lembra as aulas de ginástica no colégio. Depois temos uma aula teórica sobre o parto. É uma médica que dá a aula. Sentamo-nos em cadeiras dispostas em círculo. Faço força para prestar atenção, mas não consigo. Será o bebê-manequim desmontável, que a médica empurra numa velha bacia, a causa da minha fraca compreensão? Ou serão as outras mulheres? Algumas já estão com um barrigão enorme, dá para perceber que elas têm muita dificuldade em ficar sentadas naquelas cadeiras escolares. Não param quietas um instante. Algumas levantam o dedo para fazer perguntas. "Como se pode de que o o O que se se o bolso o solo de Fico aliviada ao perceber que não sou a única em dúvida. Quando a aula termina, bem que eu gostaria de prosear com minhas "colegas", mas todo mundo vai embora depressa. É pena.

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É uma mulher ou é um método que dá à Tr-rÉR.ESE luz? Uma mulher, é claro, mulher que neste momento está v tida de vermelho. Mulher suave e flamejante, de p rt . ob rb . Mulher com perguntas e dúvidas, mai autê nti 'as e er nas do que um otimismo 62

artificial que traria, subjacente, a angústia silenciosa e cada vez mais profunda . Algo muda em ti, em mim, entre nós. Lembro-me do dia em que, pela primeira vez, bem equilibrada nas tuas perninhas de bebê, largaste minha mão. ão sei ao certo se estavas com um ano ou um ano e três meses, mas me lembro bem de teus gritos de triunfo, C de meu espanto. Tenho a impressão de que uma força irresistível leva a ti e à criança. Largas minha mão, algo acontece conosco, continuamos próximas, mas o que eu podia te dar, já tens contigo agora e para sempre. Tua unidade está se constituindo e, junto com ela, tua autonomia. E a autonomia nã onsistírá ai nas m int ra r O pr' pri r? Harrn nizar I assa I), <lu' n , I LlX8 I ara Ir;Ís, COI11 pr nt, <1 fim til' ('OIlS 'gllir ri ';\1' ri 1'111, I, pv. l ln rmu nizar as luas 111 lati 'S (i;} I J'(l!l'i:1 1I11f.'(·III.IIIIf'.I' ,I ,1I<.t1 ca, qu fi 'a 'ITI nossas 'OSI:I,', c: ;1 <!tIlI.I, <lI\(' li<,\ 11,1 11<'11 te, qu não I arccc ('.'01;11 IVllllil1.1 1.1. 111.1.0., <l'I(' < ,III<',~,I nos a pr iosas ,ilX'rlllr:ls Jl.\I,1 () 1I111tHI!) (>, ()IIHl, , " boca, as narinas, que sao ';IP,I/.('S dl' 1()11I;11' '(.!tIl', Ic emitir reccl r, c os ouvi 10.'0, <lu ' 'li cnas r' .eb m, mas que são capazes I' se r .har, lc não mais querer ouvir. E se a autonomia .onsisuss também m poder emitir e receper sem ter me 10 do que se carrega dentro de si, e sem ter medo de ferir-se? Dar à luz é também emitir, pôr no mundo um ser vivo, tirá-Ia do fundo do próprio corpo. ão se dá à luz apenas com o útero e o sexo; dá-se à luz com os olhos. As pulsações de nossa energia provêm do alto do corpo. Os olhos, ouvidos, nariz, boca, pescoço, diafragma, barriga, pélvis são outros tantos níveis pelos quais a energia consegue passar; e essas pulsações suaves e contínuas imprimem a teu corpo o ritmo natural da contração e descontração. Mas, por vezes, os níveis são ciladas para a energia que aí se esgota; a primeira armadilha está nos olhos. Os

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Há pessoas que têm. endurecido. Ver! Um terço de nossas vias nervosas são mesmo de. É uma velha história que começa quase sempr no momento de nossa chegada a este mundo. na hora do parto. os olhos ':. talvez por sua e~~rema sensibilidade. como foram olhadas e amamentadas. Movimentar os olhos pode mexer com todos os upos de sofrimento da primeira infância. ou melhor.bert. atrapalhado. () trabalho c m os olhos e tao lmpc:rtante quanto os movim '1'1105 Ia bacia. A n rgia s b subitamente para o alto do corpo que. Em sentido inverso.. estou vendo". Nem é preciso ter consciência disso: nossO sistema nervoSO está atento e manda que os mantenhamos fixos para evitar o sofrimento. Ficamos meio cegos. O que chega primeiro é nossa cabeça. surdos e mesmo assim conseguimos. é o mundo que nos cai na cara. mas não cegos. não podem fazer mal a ninguém. quem fica deprimido tem o contorno dos olhos e das temporas congestionado. ssa rigidez nos impede de fazer os ~rimeir s movim . Há anos. o recém-~ascido as fecha com força para proteger-se. após nove meses de imersão num claro-escuro tranqüilo. como se estiv~ssem sempre do outro lado. "Estou vendo. dizemos a toda hora e a respeito de tudo. já que a superfície da cabeça fica dolori~a. A i ento dos olhos nQ 11) pp. à espera durante toda a vida de que algo lhes aconteça. agora. e continuam a sentir medo de todas as passagens. Seus olhos estão pregados num passado que poderia machucar se fosse feito algum movimento. eles ficam ofuscados pelas luzes das salas de parto. teus olhos estarão bem abertos' teu corpo será como um arco cuja corda corresponde ao olhar estendido de teus olhos à pélvis. de todos os encontros. 153 e 154. Mas ao m S111 t mpo.s~inadas aos olhos. Há pessoas que parecem nunca se acostumar. eles estão quase sempre sem mobilidade. Durante rnuito tempo acreditou-se que os bebês nasciam cegos. Na hora do parto. devem ser lágrimas antigas. os nervos. E melhor deixá-Ias cair e. escoar serenamente o fluxo de energia que carrega a rigidez e a dor que temos atravessadas no corpo. mas nao veem. a part SLI pcrior com iça a sofrer. ' Um feto com vinte e oito semanas já pode abnr as pálpebras.QUANDO O COJU'O CONSE TE SEXTO MÊS músculos. O relaxamento arti~i~ial bru o ela p quena bacia altera o equilíbrio energeuco.upo na borda das pálpebras. o tecido dos olho stão rígi I " incapazes de aceitar as vibrações de n sa própria nergia. 65 .do or] o perder brus~amente ua n rgia. das têmporas. já não consegue superar a desordem. Os movimentos que proponho são muito simples. mas. A depressão que atinge o psiquismo atinge o corpo. se a part inf ri r . Que sofrimento? Não apenas o do ofuscamento dos olhos do primeiro instante. paradas há muito te. mas também o modo como elas foram recebidas. Se os olhos nao (li! se movimentam com liberdade.?s para o mundo. Se sentimos os olh?s úridos. um amigo psiquiatra orn ntava qu o nas estado de depres ão pé s-parto ra mai fr qüent mulheres que haviam r it a p ridural. das pálpebras indica uma inibição dos músculo~ e um sofrimento tão secreto que nunca chegou ao nível da consciência. de que alguém as liberte.nt s qu poderiam nos ~ev_ar~ cura. mas o rejeitam. e bem concretamente. por meio delas. obsoletas e sem motivo. elas olham. Apenas uma imperceptível rigidez da testa. mais tarde. os níveis abaixo lei '5 fi~am privados de energia: a barriga e a pé Ivi L m os movimentos presos. Para a g stantc.

COIllCC 'i a P . na casa dos sessenta. O relacionamento mãe e filha me toca muitíssimo. Até conhecer Paule Brung. 'ra I rinr-ipnlnu-nt ' i. l:tI '0f)10 Thérese nos ensinara. Tudo depen. uma respeita a outra. viva e simpática. o co~eç?. 67 . tive contato com algumas que nunca se referiram à sua função e. Ficamos com vontade de conhecer Thérêse. da língua.. Os partos tornaram-se deveras fáceis e muito bonitos .IO do medo: facilitar parto. mas I go n v 1 a íd Ia de 111tegrar alguns de seus conhc irn nios nos ur o d~ preparação para o parto as irn 01110 na hora I nas irnen- to.ab '. que já não me agradavam tanto. no istrcit aminho que o traz ao mundo. para o que podia ser o movimento da bacia. . o que me entusiasmou e incentivou. Conheci Thérese no início da década de 80. Começamos a refazer juntas o que Thérese nos ensinara. I kp()is. como o percebíamos. MEU ENCONTRO PAULE COM A ANTIGINÁSTICA ) ) Eu não sabia que Thérese tinha uma filha.'. Meu ofício é sempre uma história de mãe e filha. mas também muito pudicas. S nti que as mull vrt's n '.~ra P~ra nosso bem-estar pes oal.. Marie e Therese sao muito chegadas. até o dia em que.llll bem mais à vontad . Quando conheci Marie.QUANDO O CORPO CONSENTE SEXTO MÊS • 5 de abril As ri1ulheres que acabam de dar à luz sempre falam de seu médico obstetra.nsar no trajctc do bebê que e tã para nas 'r. fiquei espantada COl-r: ~ sem~lhança. percebi qu a antiginásti 'a I () li:1 ir nkn: d. Na 61 () '(I. 18 . Dar a vida a uma criança é tornar-se mãe. comecei a fazer um trabalho paralelo e deixei de lado alguns cursos tradicionais de preparação para o parto.1 supr 'SS. menos tortuoso. Do entusiasmo à iniciativa.acompanhava até o parto. Por vezes. Examinei as mulheres e constatei que os bebês estavam bem imersos na bacia. Esta mulher. Todas as mulheres dão à luz pensando na própria mãe. Ambas têm o mesmo olhar. Uma parteira da maternidade onde eu trabalhava havia descoberto O t su o seu primeiro livro. foi então que compreendi que aquele tipo de trabalho podia ajudar muito as mulheres que eu preparava e . a maternidade. Ela chamava a atenção para a bacia. abandonando todos os exercícios clássicos. onseguimos encontráia e participamos de seus grupos. A seguir. e compreendi que havia um jeito de favorecer o bebê com um trajeto mai direto..d: do :elaC1~namento entre a mãe e a filha. Do nosso gru pinho de parteiras. por vezes. um entrave. d qu iix . talvez eu fosse a mais reticente. durante uma sessão. é uma força. deitadas no chão. e quase nunca da parteira. Thérese nos pediu que. mas que ela nunca os havia observado junto nem havia percebido como interag m uns com os outros. () o que eu buscava: r .laxar suprimir () nu-do. ~ssa parteira fez com que toda a nossa equipe lesse o livro. mas a realidade atual parece bem diferente. encostássemos bem a coluna. "parteira" era para mim apenas uma palavra. Logo os partos ficaram mais rápidos. Compr endi qu a obstetrícia tradicional havia descrito minu io arncnt t dos os aspectos do percurso.t. e é também voltar a ser a filha de sua mãe. hoje de manhã. de falar com ela..IV. trabalhei a respiração. da nuca até o cóccix . vértebra por vértebra. Durante os cursos de preparação para o parto. Comecei a dar indicações nesse sentido a minhas pacientes. 0111 i a trabalhar o r laxarn -nto dos olhos. A tradição popular as considera muito ligadas ao parto. os obstáculo mus ular s ósseos a transpor. logo me cativou. o mesmo jeito amavel e decidido. Foi o que fiz à luz do ensino de Thé r' se. Eu estava na pista certa. por isso.

as mães se levantavam no oitavo dia e. Paule era também encarregada da higiene dos bebês e das mamadas. afirmou: "Você tem mãos de parteira"? Paule tinha então cinco anos! Isso foi há mais de meio século. era um fato revolucionário. o Dr. deixavam o hospital. nenhuma complicação que sirva de treino para a gente! Havia quem dissesse: "Paule é uma artista!" Dava para perceber uma ponta de admiração. Lamaze. explica Paule: pessoal da puericultura. ensinou o método do parto psicoprofilático. Para a época.. é a palavra adequada: esse método. Paule verificava o ritmo cardíaco do bebê pelo estetoscópio . Queria refletir bem. Aliás. as crianças ainda eram trazidas pela cegonha. Dizia-se que as "beatas" que pariam aos gritos deviam ser descartadas. mas acima de tudo muita incompreensão. As episiotomias ficaram rara . E foi então que Paule se decidiu: ia s r parteira Aos dezenove anos. em contar às mulheres o que ocorria durante a gravidez e o parto. chegava até a servir as refeições às parturientes. sua mãe adiou a explicação para depois: "Quando você crescer. vai ficar sabendo .não existia aparelho de monitorização . a dilatação. renegava todo o passado. Na União Soviética. era-Ihes explicado o apagamento do colo. Tom i-rn a part ira d s partos sem complicação. O Dr. Ao terminar os estudos. atraída pela medicina. As mulheres tinham o direito ao aborto e o dever de dar à luz sem gritar. os o util co o o oci os e os l o nós as e as os de e Em alguns hospitais.e controlava com a mão e o relógio a intensidade e a duração das conlongos. entrou na escola de parteiras d Bord aux. as maternidades melhoraram. o encaixe do bebê. logo rebatizado de "parto sem dor". As dores do parto eram uma invenção ancestral para manter a mulher sob opressão. dois ou trações. começava uma nova vida muito promissora.. e saía murmurando: "É formidável!" Aos poucos. foi trabalhar num hospital parti ular m Paris. Naquela época as parteiras faziam todos os pc11 to . Era um bom recurso para diminuir o medo que elas 69 . Os po tos contou-me Paule. E um dia. fora à União Soviética onde havia assistido ao parto silencioso de mulheres soviéticas. e era a primeira vez que isso era feito. intrigado com a calma reinante na sala. os fórce~s viraram exceção. como aquele onde Paule trabalhava. Nessa época. atendentes e enfermeiras vieram juntar-se às parteiras. O m dico só era chamado em ca()H so de cirurgia. que não gritavam e aparentemente não sentiam dor. nenhum fórceps para puxar. quem passava pelo corredor dava uma olhadela pela porta. Aos dezoito anos. Em 1952. antes de escolher um ramo da medicina ou da paramedicina. as parteiras tinham de fazer tudo: os partos e os cuidados pós-parto. ão ocorria mais cesariana por anomalia de encaixe ou de dilatação. De vez em quando. de acordo com as proporções do atendimento. Não dá para aprender nada. segurando-lhe as mãos. Quando Paule perguntou o que era uma parteira. Consistia antes de tudo. fez um estágio num pequeno hospital de província. inspirado na teoria do reflexo condicionado descrita por Ivan Pavlov. • 6 de abril Por que Paule escolheu ser parteira? Seria por causa de sua velha vizinha e amiga que. no fim da década de 50. Lamaze ficou fascinado: de retorno a Paris. No decurso do trabalho. falaram do método psicoprofilático. os estudantes de medicina já sabiam pelos colegas: os plantões com Paule não têm graça.QUANDO O CORPO CO SE TE SEXTO MÊS o chefe da seção intere sou-se.!" A pergunta sem resposta a intrigou por muito tempo. diretor da maternidade da Casa de Saúde dos Metalúrgicos onde Paule trabalhava. Foi lá que Paule assistiu ao primeiro parto. nenhuma episiotomia a costurar. Não havia sala reservada para isso nem parteira: o médico interno dava plantão em todas as seções e fazia os partos sozinho. no décimo. Pouco a pouco.

IHlI 11111. escrevia Leboycr: luz forte demais nas salas de parto. "você passa por isso e depois esquece". agitação. barulho dos instrumentos d s vozes. Ao mesmo bom.\ cio pequena cabeça qu d p0l11. Como relaxar meus músculos para o consendeixar aberta a porta de minha bacia.ll li 10 pdl 10: ('li tinha a impressão d Lir OLIVill 10 um I om.(ltVt'11 .u« t' pCJli.. como eram constituídos seus órgãos genltals . explicou-m p.1t' ( ((lI!.\" PI1l111'11. PauI 111 f. É mesmo sistemático.lI eI(' '. em 1973. dtl 'qlldcld'. Pôr uma criança no mundo voltou a ser o ato simples e natural para o qual o corpo da mulher foi naturalmente feito.J ) ) .) QUANDO O COlU'O CONSENTE SEXTO MÊS ) . quando a mulher recebe a peridural Contudo. oCltocma sinteuca. tudo ruiu.ll/oIllt!O. um belo dia.\ ções. de dominação da mulher. Aprendiam a respirar de determinada forma. "O seu tir. Enfim. Mas ela pressentia que podia avançar ainda mais no trabalho sobre a dor. feito para dar à luz.. com p. cheio de pcrit (iels.lltl c!(". Em certas clínicas. feito "cachorrinho". ul . Depois. Falou-se de amestramento. io uma pressão t explica . cordão umbilical cortado muito depr ssa O livro do Dr. '')('1 '11. Paule falou-me de meu corpo.Paule.tlJ. o qual provoca as contrações. isso aliviava muito as parturientes. Houve mulheres que ousaram dizer que não tinham gostado daquele parto chamado "sem dor". Pode ocorrer que." 'I1Il' Vt'111I '. o fato é que. o bebê s com ilidode.Também Ihes era . a fim de reforçar as contrações.Também ele sofre a violência do nascimento. foram atribuídas notas: ótimo. Familiarizouse com a acupuntura e a utilizou durante os partos. Segundo ela. pense. mo( (lde po~isiense do rua dos esses onde (((//)(/111<'1 (/ p(// Iir c/c 1972.o que Irritou murtos ginecologistas. ) ) ) A ocitocina é um hormônio secretado pela hipófise. certos médicos C?nSlderam que a contração reforçada artificialmente atraves da ocitocina intética pode ser prejudicial ao bebê. Também aprendeu a massagear os pés.lIdVI 01'. Seja como for. pala vras que desatam os medos estabelecem a confiança. Frédéric Leboyer publicou seu livro Po~r ) une noissonce sons iolence. sua função. mais direto. e ó hospitois o mesmo. a Farturiente receba sob a forma de perfusão. como o muro de Berlim. ( ) que Paule me contou. ) • 9 de abril Para que serve a ocitocina? Paule voltou a minha casa hoje cedo e conversamos durante horas. disse. eram receitados rernécíos po o . Meus lábios formul vam por quês e comos s m I rar r li queria saber e enL nd I~Desta v 7.-me ela. Deixou-se um pouco de lado a mae ) J J e passou-se a olhar para o nascituro. dos ont e do ocitocino.1'Jd cl o tumadas às pergun as d 5COll 'XII Ias rnulh t s gr ávidas. ui i otenç o às condições de ecepç o do bebê.\'. Dar a vida a um ser tornou-se um magnífico percurso iniciático. E o i notu /. s 70 71 . Ela me explicou como acompanhar meu bebê na hora do nascimento. graças ao parto sem dor. Chegou-se ate a alguns exageros. Se suo i . As mulheres deviam preparar-se bem: "O parto s~m dor tem de 'ser merecido!" era o que se ouvia. o d s IlV IV1l1H'111ll II. até o dia em que encontrou minha mãe." Paule também estudou muito a questão da dor. era o inverso do que havia Sido proclamado. . Mostrou como movimentar-me para lhe tornar o caminho mais fácil.. ) ) J Mas. sem saber como.li'.IIIl() t'. Eu havia lido e ouvido: "provação a ultrapassar".i. ((lIlll. regular. Leboyer teve grande impacto. mUItos tabus foram derrubados.J sentiam. eram s s os . é de fato bem diferente do que pud ouvir ou ler sobre o nascimento.mostrado. rápida e superficial.

O útero se contrai pela ação de duas substâncias hormonais: a ocitocina. Um dia. Para não haver engano. I ri ra r 'aparecer no dia guinte. a nossa vida. No decur Ia gr'lvi I . a fim de viver um momento único que prepara para a vida. A musculatura lisa não recebe ordens. é simples: a contração endurece toda a barriga. as emoções violentas podem desencadear as contrações. no qual se encontra o bebê. as ontraçõ s podem durar hora e repetirse nos dias seguint 5. Durante a gravidez. A alternância não é comandada pela vontade da mãe: mesmo que ela quisesse. No fim da gravidez.1I11 o colo do útero para o nascimento. Esse músculo cavo.. ao passo que um alto do bebê é muito mais localizado. como os músculos abdominais ou os do períneo. E se pensarmos que talvez seja o feto quem detona o sinal e ordena o nascimento! O ritmo do parto é dado por um músculo: o útero. ao contrário da estriada. A flecha do alto mostra a contração em seu ponto máximo. É adaptar o corpo ao ritmo do nascimento. retada no fim da gravidez pela a prostaglandina produzihipófise da mã do f to. a qual assim permanece por alguns segundos. 73 .m .. não o conseguiria. As flechas externas indicam a tração do colo em direção ao fundo uterino para seu apagamento e dilatação. se contrai e descontrai. O cansaço. ] OGO DE MÚSCULOS PAUL E Dar à luz é apenas acompanhar o nascimento de seu bebê.:i:l-fd---l- útero promontório bexiga reto ---\-~'\-tcóccix ânus vulva períneo orifício vaginal púbis meato urinário barriga de repente endurece e depois volta ao seu jeito macio. da pelo próprio út ro. a alternância contração-descontração é anárquica e apar ce em ritmo espaçado. E sas contraçõ s pr 'IXlr. dand s rnpr a irnpr 'SS2 I qu o parto é irnin nt . que não costumam ser dolorosas.~. o automóvel. talvez .oruração-descontração: a 72 A contração uterina se dirige do fundo uterino para o colo (flechas internas). ( Llt 1"0 se preparou cuidadosamente para ssc j )go I' .A. elas d sparc . placenta ---f--l. D poi .QUANDO O COlU'O CO SENTE SEXTO MÊS líquido amniótico ~~ ••• . Pode ocorrer que a mamãe confunda uma contração com um movimento do bebê.

períneo e vulva. :1 (·. diz-s qu 1 s apaga. Sob o feito dessas contrações.·. I 75 I ) .1 I cl.tI \' '. que tem de três a quatro centímetros de comprimento nas mulheres que estão no primeiro parto. Impressionada.ls ('()t1II':I~·()l'. Empurra 1.J 3em A entrada na dança ocorre com maior ou menor rapidez de acordo com a mulher e com o tipo de útero. mais ou menos longas. Vão abrir progressivamente o colo que fecha o útero e empurrar o bebê para o túnel formado pela bacia. o fundo do útero é empurrado para baixo. situado no fundo da vagina. o útero se recolhe. J 1 em r---l ) . telefona para a maternidade e diz: estou sangrando! A parteira vai explicar que talvez seja a perda do tampão mucoso e pedirá que você vá fazer um exame. vai portanto se encurtar lentamente até d saparecer. ' puxado para cima. ao passo que o colo. Descida do bebê pelo canal pélvieo. às vezes indolor s. fi 'anel mais LI menos fechado ao orif il interno.1 do bebê vai ap lar-se IlO col() . t'1111:11' \'111 \'UIII.t1llCl j)<1rIO.IIII ('11111 ) ~ ) 4 em 5 em 6em inicio da dilatação 7 em ) 8em 9 em J Progressão 10 em da dilatação do '01 til' lura: 1(' () 11. mais ou menos espaçadas e de intensidade variável. O pré-trabalho caracterizase por contrações irregulares. Esse colo.) SEXTO MÊS ) ) QUANDO O CORPO CO SENTE ) ) perceba que está perdendo uns líquido viscosos e sanguinolentos.t11. A perda desse tampão mucoso que obstrui o colo é o primeiro indício do processo de parto. Mas tem mais. Há duas fases: o trabalho preparatório chamado "pré-trabalho" e o verdadeiro trabalho. As contrações começam e não param mais.

tem de terminar a o que é o períneo? o períneo é um músculo importante. A cabeça do bebe substitui então a bolsa I' água. mais s guidas. o espaço fica maior. o bebê 1 r ci a sair. Essa bolsa funciona como dilatador. Quando o colo está completamente dilatado.\ . d:t vulva. Somente quando o colo está completamente apagado e a cabeça do bebê afunda. é que começa o verdadeiro trabalho. processo que redunda num nascimento mais rápido. É por isso que é tão importante aprender a relaxá10: quando flexível. vai air. que o quer expulsar. trinta. O avanço é lento: a bacia é forrada de rnú culos muito fechados: os músculos do períneo. O verdadeiro trabalho é uma fase muito int nsa. embora ainda possa voltar atrás. mais fort s. sua pressão ajuda o colo a se abrir. a criança prossegue seu caminho. o colo se abre. o caminho rá longo. 'k I 'v' transpor os museulos do períneo. Serve também para proteger o bebê contra as infecções microbiana. pronta para o encaixe. depois de percorrer esse túnel. É com I lU bebê se defrontará quando for empurrado pejo útero. Tas mulheres que já tiveram um parto. Se estes estiverem contraídos. A cada contração. m rgulha na bacia e se encaixa para parti ipar 1<1 dilatacã completa do colo. até amam nto m qu Ia fica parada. I ara tal. A cada contração. depende de cada mulher. As contrações tornam-se regulares. três e. O intervalo entre duas contrações vai portanto diminuindo. As contrações tornam-se também cada vez mais prolongadas . A dilatação se processa de um a dez centímetros. El começa virando 7() a abeça para a direita ou para a esquerda e a inclina para baixo. Apresenta.ua assim que passa a contração. a dilatação do colo. Para isso. isto é. Por que faz tanta coisa? Porque é mais fácil! A bacia é feita de tal jeito que é mais fácil transpor sua entrada numa linha oblíqua. D pai de entrar na bacia da mãe. vagina e ânus.t -xpulsão. ele participa de modo positivo da passagem do bebê.--orifício vaginal ~~~~7.QUANDO O COUPO CONSENTE SEXTO MÊS a bacia.-c1itóris meato urinário . ua ruptura provoca um aumento d~ contrações. ~ . Se as membranas que cercam e protegem o bebê ainda não s romperam. sua abertura tem dez centímetros. O períneo é formado por um conjunto de músculos que constituem o assoalho da bacia e estende-se do ânus às partes genitais. Sofre fortes pressões no momento do nascimento por causa da passagem da cabeça do bebê.e chegam a sessenta e a oitenta segundos no fim do trabalho. portanto. quarenta segundos . que procura descer e sair das vias genitais. três orifícios: uretra. enc~ixado na bacia. As contrações uterinas também provocam o aumento da pressão do líquido amniótico no qual o bebê ainda está imerso. depois dez. O parto chega à ter ira Ias ':. às vezes ainda espaçadas.vinte. por fim. forma-se-um pequeno balão que se insinua no colo: é a bolsa de água.{- ânus 77 . r' . da v'lgin. E. O bebê. cinco. o colo quase sempre desaparece ao mesmo tempo em que se abre. a cab a avança. às vezes muito próximas. Em geral. aparecem a cada minuto. as contrações começam com intervalos de quinze minutos.

molhado~ la o a~aricia..1111('.. que vem naturalmente e desliza devagar para fora. uma pequena bo~a de cabelos. em cima da mesa da sala. ~ . ele está na altura cI ) I" uhigo. muito simples. com ternura.!'. Tudo a alma..( 111.uiv 1I.lll ) s.1'. Os obstáculos são inúmeros . Às vezes. A mã pele junto à pel .btllh. tência rotação da cabeça. O rn 'dicll ou a parteira podem tirá-Ia..'.) QUANDO O COlU'O CONSENTE SEXTO MÊs de seu coração. depois o o~tro. A mãe pode estender as mãos para pegar o bebe. A parteira ajuda-o um pouco. lI.111 rllll·I.] l11d('. Mas o trabalho que fiz com Thérêse e tantos ano de prática e observação me levaram a "ver" muitas outras coisas no desenrolar dos acontecimentos. Aparece o rosto.. Mas a principal dificuldade é evidente.!1 Ijlll' I1 111. escuta o batim nto tão -onh 'Ciclo 'tranqüilizador (V 'ldll~rI It ) ) . EI ' scgu ra ~I ma peja Cintura..ti li.1 :1'1. cheguei a fazer um levantam nto.111 ( 1.. Ele a havia inclinado para transpo. por exemplo I Quando percebi essa evidência. Para sair do útero. Um ombro se liberta.1111 11. articulando a nuca com o púbis. Chega a hora do delivramento. trazê-Ia para fora da VUIV. E comovente e 10 "I b bê sobre a barriga.a entrada da bacia. 111. tira-o todo do corpo da mãe.lO ptl I'tI . a placenta s descola mais dl'1 >11 .J ) • 10 de abril Ou 1"01 il o] i' (tI'.. De~a-se que ela sala suavemente.Ich" pC! Cjll<' O'. todas as outras dificuldades tornaram-se menores e superáveis. Como o út ro l' r _ trai após a saída do bebê.!'.: '. Se o bebê suga.! " '.1I1t111 11111111 J I 111 111111.ti li. o bebê deve transpor a bacia materna.irn 'nLO.11 l "U . I 111r!111'. É incrível.. o occipício na frente.. A principal dificuldade para o bebê a caminho cio mundo externo é fato de o PAUl E lJM U\MINII() I (li!" li )~() '1'0(\ () mun ti () c: 1I11<l n i111 ) 7H 79 ) ) .! r/ll!' ri 11.1. a e com muito rneno risco d hemorragia.I.J ) ) = ) ' ares pei t desse roteiro tradicional do nas .ll '1'111111'. agora ele a ergue para transpor a salda do estreito inferior.1 11111 111111 \'111 ) ) ) ) p.!o I 11 . a cabeça um pouco virada. Começa então a surgir a cabeça.u. com uma mão apoiada no fundo do útero a outra S(Wlrando o cordão. EJ está m '1<:1 10. IH'11I LI'! I" 11111111:'. olha para ele I h ' Iala. .r 11111111111 I I r. ele esboça uns movim 1111)S de reptação e há bebês que procuram o seio. mas infelizmente as evidências nem sempre são vistas! É como quando se quer ocultar um tesouro: o melhor esconderijo é sempre o lugar mais à vista. p ga-o por baixo braços.111.

ter dificuldade ba ia. costas cavadas. e as mulheres grávidas mais ainda.IIIII do il1sl. o encaixe da cabeça. se aproxima do osso do púbis.() I' sta um lugar: a saída.l. Essa lordose obriga o bebê a seguir um caminho muito tortuoso: ele não está no eixo da descida. aumenta a entrada do canal p 'Ivic(). Por con111"1111 LI. A imagem tradicional da mulher que sente dor: punhos cerrados. Por quê? Porque ele segue o arqueamento lombar da mãe.. promontório e.também é uma forma conhecida de reação à dor.II \. ao se aproximar do 1II11higl). O resultado é imediato: a entrada do canal pélvico diminui. o peso do corpo dividido entre as nádegas e os ombros.I I I.\. assim.lnl 111 qu a bacia vem para I I" 1111 .Il(' o promontório se aproxima do púbis e diminui a entrada do canal pélvico. A cabeça do bebê pode ~~------------------.1 I' 11)1 ':1< líI :1 (ornar-s acolhedora e ir ao encon1111 c1111H'IH' () I'Sp:1 '() :I\) lominal no qual se situa o úte1II c1I1I1IIIIII. I 01" 111. () p:ll'a . I' . C()l1slal( i. . O que acontece? O "promontório". 1\1 roxirnando-se o púbi do umbigo. I P. Esse arqueamento materno é um nó. Na hora das contrações. O pior de tudo é que a passagem não é apenas angulosa. Qual é a causa? Muitas mulheres (e homens também) têm a parte inferior das costas arqueada. O trabalho torna-se longo e doloro. O fato de se arquear .H 1.'1 linha r ta p rmitir que o bebê mergulhe c111<\1() Il:II:1 :1 S.11. mas torna-se mais estreita. que basta suprimir o arqueamento \1. porque o peso do bebê empurra a barriga para a frente. I I I li I 11 'I I II '111 q li • 111 rg III ha r. o púbis.111 I>l'!l(' . olhos fechados. afasta o promontório e fa ilit. por isso. que é a parte da coluna vertebral situada na junção do sacro com as últimas vértebras lombares.QUANDO O CORPO CONSENTE SEXTO MÊS trajeto não ser retilíneo. vi mães que se arqueavam ainda mais. -sharrar ncs na k: -ntrar 80 HI ---I .1 ('\H' ':11' . como fazem os cavalos . O bebê deve d cer e depoi ubir.ou empinar.1 1115 'para o bebê.

lÍ que 'OIl1l''ou sua xis: ~'ncia. ão basta sentar a pessoa ou pô-la em posição semideitada. a expiração seguinte fica sempre incompleta e o pulmões cheios de ar. em casa. É exatamente o que impede a saída natural do recém-nascido. como sabes. A a H2 respiração é uma função natural como a circulação do sangue ou o crescimento dos cabelos.lIlll'll te para tornar a r spira 'ao muls livn-.1 inllu '\lci:1 da nuca porqu foi . à coluna vertebral. não é um ato voluntário. o diafragma torna vassalo I I s. () . misturando suas fibras às dos músculos traseiros da coluna v rtebral.l'1' tIS P . é por meio dos músculos das costa . só depois é que ele migra para baixo. quando peço à mulher que movimente a bacia para diminuir o arqueamento. como o ato de afivelar o cinto de segurança no carro! THÉlU~sE ) Tu dás à luz com a pele.IIIV til' .\O 1<. não escapa a sua autoridade. o que não é de admirar. "UIll I seus parceiros.'a irn] r SS. o 'tu 111111 Ii/. o hospital.: que vi . o esboço do diafragma s ncontra no pescoço. para que estejam preparadas no dia do parto. quero.u uo. Às vezes. fazem o parto em posição semi-sentada. da décima segunda à terceira vértebra dorsal. O parto. 'I' ~st:í sol C()I1SI:tlllvill fluência. e muitas vezes à quarta vértebra lombar. da cintura ao fundo das costa . 1)11\:1 jl. Que se torne um reflexo. depende estreitamente dos vizinhos. Por isso. Isto é. Quando o diafragma se bloqu ia. Felizm nt . Sem o acorelo dos músculos dominantes. i. entre outros. c alguns de seus n rvos nasc '111 ntr as vértebra c rvicais. "Não sei' respirar". Também el I! in I' (!. AI"Ill clisxo. é claro. É aí que. O diafragma. tema involuntári . I fato. Não' a I qu I 'vemos nos diril'ir diWl. que libera a abertura da 83 ) . mas o útero. falar de três parceiros que têm um papel determinante nesse momento. o trabalho dos maxilares. façam o exercício de mexer com a bacia. tem plenos pod r S c. s u consentimento não é difícil de ser obtido. É muito importante que esse movimento se torne fácil e natural. dos maxilares e da nuca que ela pode ser restabelecida. Por isso é preciso combinar o trabalho da região lombar. separando e unindo a parte superior e a inferior. que alonga os músculos e libera os movimentos do diafragma. levando consigo seus nervos e vasos. Sua posição central ngana: t m. com toelos os órgãos e músculos. ao passo que as costas arqueadas impedem qualquer movimento do diafragma.1ncr ()S() ximp.r conheço que ela costuma se bloquear por vários motivos de ord rn íntima -. O liafragma prende-se transversalmente ao corpo."'t·ll~. Tud o qu eles querem é ser reconhecidos como mestres ab lutos I todos os nossos movimentos. porque a grande preocupação é com as contrações do útero. Esses vizinhos estão mancomunados com a musculatura posterior do corpo. Ele se prende.) ) ) QUANDO O CORl)O CONSENTE SEXTO MÊS ) ) ) ) ) J ) Mas não é nada fácil desfazer uma lordose. no momento 111 qu nos f rmamos como embrião.I musculatura po terior. vital na h ra 10 pa no. Se a respiração se bloqueia .ssoas. já que esta prevalece e impõe sua marca em todas as circunstâncias. l'lv l'SI:1sol) . com. no entanto. ela levanta as nádegas. não está isolado no meio do corpo. nada pode ser feito com facilidad . nervos vem de nosso SiSIl'I1l. é sempre na inspiração. se elas continuam arqueadas? Peço às mulheres que. Mas de que adianta. inguém dá atenção a eles. esse longo e forte movimento de toelo o corpo. alguns médicos acham que basta pôr a mulher sentada ou de cócoras para que a lordose desapareça. É desagradável em qualquer momento da vida e insuportável para quem está dando à luz.

isto é. cercando o sexo. quanto mais as coxas estão afastadas.QUANDO O CORPO CO SE TE SEXTO MÊS vagina. as pernas em X. nos ossos do fêmur. Outrora. porque sentem na região lombar dores mais fortes do que em qualquer outro ponto do corpo. Aliás.ros não afa tam as patas para parir. os músculos lombares se contraem. um irrnãozinho. uma junto à outra. Se a parte inferior das costas se arqueia. Fiquei meio espantada. em direção à saída. 154 156 úsculos Há mulheres que chegam a falar de parto "pelos rins". la d para no fim om um obstáculo imprevisto. A mobilidade da musculatura das costas permite a mobilidade do diafragma.•. Logo. "É 85 .. o diafragma r m um homé I g no orpo. depois de ter preparado tudo.1 <lI!\' Il()S :ljU(\. Ü I r '('i. de estirar-se docilmente para deixar o útero agir. que é grosso como um polegar.1 rtTi:!o 84 lombar tornar flexíveis os músculos da face interna das coxa . É claro que. t) . O promontório . é pr isc "Ir fi luz ('()Ill (). O nervo ciático. São chamados de "adutores". com a int 'li!'('IH'1.. eles são espessos. como dar à luz sem afastar as coxas? Poderia ocorrer a idéia de que nesse ponto a natur za é mal feita e que.\ a observar e compreend r. Uma sociedade com leis e costumes firmados desde a noite dos tempos. Naturalmente. mais a região lombar fica comprimida. porque fibras que vêm da nuca e que vêm das costas aí se cruzam. na qual não se entra ilegalmente.. Presos aos ossos do púbis.a borda superior do sacro . eram chamados músculos da virgindade.•atril L11)s lc nossa espécie. • II de abril "Respire com a vulva". A região lombar é o território dos músculos dominantes: é o lugar onde eles são mais potentes. Se afastas as coxas. ensinar-lhes a serenidade. Têm tanta força que querem mandar no parto. Fazer o quê? Antes do parto. A posição sentada no chão como Buda. e e long os ento n 12p lo pp. o alongamento. Os problemas de "ciática" estão ligados à posição das coxas afastadas. Não sabia que se pode respirar por esse lugar. e a pele é bem fina entre as coxas. porque têm a função de cerrar as coxas para dentro. se recobrem e se reforçam.. Sua linguagem é mais sutil. Tomam conta de movimentos do corpo com os quais não têm nada a ver. Se eles se alongam. Talv z eja um r squício lc nossa animalidade que não teve tempo I' s' :1jllsl:lr :1 11()V:I con li . prepará-Ios para ficarem quietos..é o obstáculo a ser vitado pelo bebê. Um não se mexe sem o outro. também transversal ao . mas é qual mão de ferro em luva de veludo. encontra-se comprimido pela pressão dos músculos contraídos da região lombar.. o "promontório" se projeta. A face interna das coxas com seus músculos fortes é um outro parceiro. se enrolam em volta das coxas e acabam se prendendo atrás.. que navega com a cabeça à frente. disse-me Paule hoje cedo. Mas isso não significa forçar o afastamento das coxa .1I . formam um time com a musculatura posterior. não tem nenhuma da virtudes que lhe são atribuídas.tI()Ili'. Músculos fortes num lugar que dá a impressão de fraqueza. A mobilidad do diafragma permite a mobilidade do períneo. os músculos do interior das coxas se alongam. Mas. mas a parte inferior das costas se arqueia. Sua função deveria ser a de alongar-se. fibrosos. Os urros mamíf . no intuito de alongar os músculos adutores. Eles são revestidos de tecidos delicados. nada disso . Mas.à d bípede.orpo+é perineo.

No início da contração. tal como Thérese indicou. apenas um fio de ar. Ela não s distraiu um só it sl.uucntr-. A nuca deve ficar bem alongada. sempre confiaram em mim: é uma coisa que precisa ser sentida! Fique em pé ou deite-se com a cabeça e os ombros recostados em travesseiros. Peço às gestantes que respirem com a vulval A expressão já provocou riso em mais de um médico. tenha medo e reaja contraindo-se. Não é preciso pressa para retomar a respiração Só inspire de novo quando o corpo reclamar. sobe pelas pernas e pela coluna vertebral. Muitas vezes fiz minhas pacientes tentarem essa experiência quando vinham à consulta.0: durante uma pequena c ntra 'ao.(llIns I'()!' ças contraditória: d-' um Ia 1o. que nem se sabe bem onde ficam. mas correspondc uma sensação real:' De fato. J . porém. Em geral. houve até quem pensasse que eu estava zombando deles! Minhas pacientes. explicou Paule rindo. () ur 'ro que: se -ontrai '010. e a coluna também. duraru uma contração mais fort . Costumo p nsar n s . não adianta soprar com força. os médicos se habituaram a me mandar as pacientes que eles não conseguiam examinar. Na expiração. aliá . o púbi avança naturalmente para o umbigo. Ao inspirar. Distender os músculos do períneo.J . Não é o que pretendo. No momento em que você mexe a bacia.0 c intrário. É normal. pode sentir uma ligeira contração dos abdominais: não é mau sinal. Se você estiver semi-sentada. isso não aju Ia na Ia. é um recurso fantástico para r laxar os músculos da bacia. quando as contrações tornam-se fortes. de acordo com as explicações de Thérese. É exaustivo e doloroso. não é brincadeira. r . e o trabalho dura horas porque o útero deve redobrar o esforço. ão encha as bochechas como Louis Amstrong! 1\. No fim do parto. Para que a contração tenha eficácia. ) . conserve a coluna bem apoiada na cama. Observei também que uma respiração apropriada ajuda muito a relaxar. Ao inverso. qu r i h '111 r:í. Eu as ensinava a respirar com a vulva ou a alargar a língua na boca. respire com mais força. Consegui ótimos resultados por meio do trabalho com a língua e os maxilares. são cinco respirações para uma contração de sessenta segundos. No momento em que o ar sai. protund. relaxe a nuca e solte o ar pela vulva.splr . imagine que o ar entra pelos seus pés. para descer ele precisa encontrar descontraídos os músculos da bacia pela qual tem de passar. pois isso reforça a eficácia das contrações.II1IC I' seu proce so d parto. os músculos feito um doid para abrir da bacia que se r tra m om a d r. As contrações não serviram para nada. r 'spil(' <Iv I{' v. a fim de que elas conseguissem relaxar a vulva e o períneo. o colo precisa estar relaxado. ão se deve ter pressa quando se examina uma mulher. 10 outro. A respiração pela vulva não tem nada a ver com a de tipo "cachorrinho". ido. mas sem fazer força.) ) QUANDO O COlU'O CONSE TE SEXTO MÊS J ) ) uma comparação.J ) PAUlE o RELAXAME TO DA BACIA J ) J ) ) ) ) ) ) ) Mesmo que o bebê esteja com o caminho livre. Há quem não suporte os exames vaginais e os espéculos. 1\ r .uliad : cmpat '. Todas as mulheres a quem ensinei a respirar com a vulva obtiveram esse precioso relaxamento. cujo objetivo era desviar a atenção das mulheres. r spire com a boca aberta e os maxilar s r 'I<lx" los. r pir com suavidade. acho que a mulher precisa estar muito concentrada no qu faz no mom nto lo parto. 'I ês cnlal:tc!os -ntrc. mas isso depende da capacidade respiratória de cada mulher. para não s ansar. 87 ).spiração deve ser uma resposta à int 'nsi(I:ldc c!n -ontra 8. como se a vulva olhasse para o teto. R . L mbro-m I urna pa i ente que era trapezista. No hospital.

• 12 de abril Odile tem duas meninas. en i .l C!(' di88 89 . cesso Eu i um o. A mãe terá assim um estímulo para se concentrar na contração. As contrações sã mais 'fie. Nenhum nascimento é igual a outro. Constatei com surpresa que. Paule costuma pedir que o pai fique por trás da cabeça da mãe e coloque as mãos de leve sobre os ombro dela. Ela pediu a Odile que escrevesse umas notas sobre o nascimento das filhas.I/. Odile conta o nascimento das filhas: que me à ç qu penso no de hilde. ao invés das doze horas habituais nas primíparas. e b longo.. i s Eu ntin guAs Durante o parto. às vezes três ou quatro. embora os dOISpartos tenham sido rápidos e sem complicações. Como os músculos estão relaxados. Prefiro pedir-Ih s qu r spírern com a vulva.QUANDO O COHPO CONSENTE SEXTO MÊS o que pode fazer o pai durante o parto? Houve uma época em que os pais eram proibidos de entrar na sala de parto... não gostam de ser tacadas nesse momento. Deixa de haver força contrária para se opor ao trabalho do útero.. junto com elas consegui fazer com que o parto fosse normal! Enquanto era preparada a sala . latação do colo. te te po . não é o mesmo bebê. Há quem diga às parturientes em processo de parto: leia um livro. que faz o púl is se aproximar d vagar da barriga.('1('111 . e é isto que conta. dê uma v Ita. sua presença pode ser positiva e estimulante. o pai. porém. talvez estejam sendo obrigados a assistir a um acontecimento no qual não passam de espectador forçado. Ent o to b .dl. não avançava . que isso. elas relaxavam e dava~ à luz ~almamente. Todas as que eu atendi por anomalia de dilatação ou de encaixe evitaram a cesariana. Paule cstev I rc sente. com uma pressão das mãos no momento em que ela solta o ar. o que as leva a embalar b h ~ P r m io do movimento da bacia.'>11\)111 'tidas a uma cesariana porqu o Irílh:t1llo. il s . mas em cada parto ela pode estar com uma disposição diferente e sobretudo .. con nci de que o início de um longo. 'S '. ento que se ent e . Não acho que seja uma boa idéia... Já tive casos de mulh r s rI' ll1(ílS p:1101 . hoje. do 23 me o ogo penho . Cada vez que ela retoma a respiração antes de uma contração. pode ajudá-Ia a entrar de novo no ritmo do parto. o t b lho de to i e l de ule e do que eu lido. Esses nascrnentos estão entre as mais belas lembranças de Paule. Ensinava-as a respirar com a vulva. A mãe pode ser a mesma. Odile conta duas histórias muito diferentes.e. A maioria ficava contentíss~ma de ter uma última chance de escapar à cirurgia. ei coi sei eu do de que l endo. espécie de sei que.. tome um banho. que podí ir dei e que no seguinte gente .além disso. O pai eleve estar atento a isso e afastar-se discretamente . IlClI I. é um excelente modo de ir habituando ílS c-ont ra 'Õ s finais que são bem mais fort s doloridas. Nos dois partos. eu ia perguntar-lhes se desejavam evitar a cesariana. l ei de ç o. em compensação. todas as mulheres a quem pedi que respirassem com a vulva e alargassem a língua chegaram à dilatação completa do colo em menos de seis horas.de operação. l u nh . Algumas mulheres. se isso não lhes causar angústia. cada contração tem efeito. mesmo que seja com amor. Mesmo assim.

Eu estava com medo de que le sse embora ch ndo que o po i p o di seguinte. era ciso que eu nel que eu o domasse do sp ç o po isso. ou três vezes. me mentar no i ora. Eu estou me nascer o O de horas e vinte tos. de todo o meu o de conheci Durante t inutos.tornava di cil o té do o b ci do do como eu durante "os eu n o consegui b ios .devese ch de do o é o te que me ocorre à . com lo tarde do sob os eo . A es de le me uito. bou. inh() cl l1hccic o! As pessoas em t de mim me encorajavam. E stiu d nte todo o i to. senti dores p os com os que se te em caso de di sentado ou de cócoras . Para . A único cois em que eu n o dei de penem sar era no ç . ~(' lcl c/ corrente do oto de o bebê uito g Ito prsoc]o ou c/ ( os pés em do Ou i l nte lC lie os con(l(/ nte o po to. eu ido esol eu avisar . um gulho em mesmo.. (/ c IIc1/ te.. pelo n eu sentira contrações. mesmo se no ho eu ti dito . Embora esse o termo que me vem n gosto dele estou dos sem de do do indo à que do exterior à mãe e 00 bebê. O int era de cinco minutos. E aí. O de ou má. eu n tinh o idéio de como i essa sensação. ou e do . ss . elo p ion com o mão to o meu osso pu o. com todo o no sofá. Eu senti ço s p ecndcn( . o posi centrado no i ento de ul do b i . Eu que que elo l eu engordara uito.seguido c/ c/Ol 1(/11 1/1(1/]((' 1/0 1'/(' o. no do pul . que elo inho . E . eu estava sentindo um ço.Vamos espe ! Às seis horas. os eu ti CJ /ll1/l/ /O c/( qll(1 (/quilo n o ia nunc e que eu n o i consegu/I "h'l/(o /)(/1(/ c 01/(1/1(1(1/ CI r pi undo. de ente. Eu tinh vontade de p e. os sugestões e os no solo de po to me eci distração i nte. estava que o l ate seguinte. qu l trulO nu co// /C I/CI. ções eram di entes dos que senti O nascimento de ise um ento .) ) ) j QUANDO O CORPO CONSENTE SEXTO MÊS ) . esse arranco . uns nutos. dos c o encostavam-se o no assento do sofá. De vez . se eu sentindo o se rnovdo. o c podi "descer" bem i mesmo tão ido que ise qu n no ed a solo de t lho e o 91 ) 90 ) . .. tudo i COITH'Ç c 1/. i o do Uns cinco e no . ient de ce to o o ento de scul do bacia e li ndo o ar que me restava nos pulmões. eu quis de maca nem de el que só de olh me i o pé até o ndo . Qu l desses ele entos o deton O é que cont gurante ob igou. o caso de u go. que veio logo e me e inou. c I I 1II'}'ClII (I Para ise. di i Icí ((I Ull1vendo o beça. eu coc . No o ento do cont is intenso e 00 n do e . bem intenso. Às 7h20 eu estava no solo de às 7h40 ilde t n scido. pelos seis do tarde. A ponto de um certo com os que me cer. Elo disse u coisa muito do vamos ch o bulón n o dá t o.J J ) ) ) ) como me ensi e o nos semanas.eu e ito conss hora. E i que e o fora. eu un nte e sol o ar de que. mos eu n q ser ecipit . A contração. o que me dei sossegado. bebi um copo de uo e saímos.me lí io. se trator de pn o po to. eu um pouco de o que me ocou v6mito. hilde de ter mãe à de que n inho e pouco disposto o com elo. eu solt os va o b . o . mos isso sem nem e. dus c so dessa ço Inc l que C/c cio no meu n p causo des o que ist em . e io me depois do almoço.e o deit . No hospi l. Os s de minutos do noscmento. Concentrado nesse nto. Às cinco do como o intensidade e o i dos con ções e acordei e juntos cronometramos o l so de o entre os contrações e o d de d . no sentido euo do l fora do que me era o . C/uc ctc/clc/(' V('I/(O o de seda. có nos pe e epios.. em que e(l SO(l/J(IS~(.

Não ia ficar bem. oi. 92 93 . É o to i l e raro e Eu n tinh o ínimo desejo de consi . Quando lhe perguntei se tudo tinha corrido bem respondeu com voz fraquinha: "Ótimo!" Depois disse que foi preciso usar fórceps. Mesmo que Maud não tenha sentido nada. mas evasivas. Tanto melhor. que u o d i descoque o e é l. E a amnésia pós-parto. /)(i . (' Inr: judou l i n i do sci ento e conscrwn (I ((/11110.. não consigo entender como os fórceps ou a episiotomia podem ser vividos de coração alegre. A jovem mãe esquece tudo. de l . A carga do não-dito pesa muito no coração e no corpo das mães. De to. de u i. esse étodo de concent c/c (/(()/11f>CI/1/1CI/1H'I1/0 do c n em seu pe do co/po c/I( (//111/1'( ('I. el p iênci de inh . in is n épo em que isso é qu e u op o. l me nos Eis . ela não ousa expressar sentimentos negativos.. cho que esco é ntes de tudo só co um o no undo. Aliás. o segundo contou com .. ule se i o ui v / S o processo que cul i co e. Mas são sentimentos que uma jovem mãe não se permite. É duro viver com uma dor que nem se ousa enunciar. de corpo alegre. Elo COIl/ClVO o exl iênci que is h i codo su i como p / !i. junto equipe. Como se o encadeamento fosse tão banal que não houvesse motivo para queixas ou para reclamações. Já que o bebê está são e salvo. Entretanto. Isso me que o em Se o e . I. do to é ou l p i l pode..o u mero dico. Eu me pergunto que palavra Maud teria empregado para descrever seu parto se não tivesse sido necessário o uso de fórceps . do corpo cuja integridade foi espezinhada. em geral ela já nem sabe bem o que aconteceu com ela."Super-ótimo?" Não é a primeira vez que ouço mães que passaram pelo trio peridural-episiotornia-fórceps empregarem palavras no superlatrvo. nto. deu à luz ontem. E nu em que os elo à lu em que. Mas logo acrescentou que não sentira nada porque lhe deram a peridural e haviam feito uma episiotomia. é pena que todo mundo se contente com disfarçar ou adormecer a dor aparente e deixe de lado a outra. aquela que eu encontrava na escada subindo com dificuldade seu barrigão até o quinto andar. que ti de que eu começo desses com hoje como • 13 de abril Maud.b l. t nto. cabelhe o direito de estar aborrecida ou triste. ou tanto pior? Em todo caso. t e t li nte que l vra de ulhe .nQ ho do p to. um msdois dois tos em i e um curto. gu ei i el de que se ho à dente e que nestesi pe idu l em espec do i ci cunst6nci s u que com que me se do de i t i nos dois obstetras inteligentes e de ser que. minha vizinha ruiva. É que que só conheço um todo de que esse com conlho nh escol no de Use. de e lico e epet co o ento de eu bebé. o é um to nódino. seria chocante. nem ao menos para lamentar. perdoa tudo quando tem seu bebê nos braç~s. com se enid que u i SS('S 1l1()1I1('/l/()~. o curto que o ego p ieu de l nõo sido p l. mais profunda e difícil de levar em conta: a dor da alma magoada.QUANDO O CORPO CON ENTE SEXTO MÊS me gesto erguio bebê que de . o e de l de Use. independente do do édico. Dunte noss s sessões de t lho.IH'I de .

III" !10111\('1 .IIHc!('p..laxar a bacia 'o h -bê desce. Orl'l (Ido pelo prr grama do PI(' 11011.10' o 1)('ll(': falt.11.11111'.1111111111 l"II.lIr1('mpUr rat c!11I11I1I 11 11II1 I . I 111 I 1II'" 1 '.11 I I I .uicam nte chamados para os partos 'ujo heh~' l'sli t""SV vm posição sentada. 1IIII'(I.1 I" 1111 I 11.I CoIh('ld cio b bê ardl('(II'1I 111111111 I1111 111111111111111 c1(I/I'.\11 I 11<'(1".. S iu I '1 ê.1 :. I 1<'I I'.l'. quas • IlUIlC. quando ão usados fór ' 'I s e porque os músculos da bacia estão tão ontraídos que o bebê não consegue virar a cabeça para transpor () -su 'ilO inf 'rior da bacia e sair. ficou em posição s sntada cn: r ' '1 'til ima consulta e o parto.(' dt' cll'i :1-10 sair .1(1(li in- 94 .IIIIIIIIII.I ( I. como se a cabeça do bebê arar' .11111111)111'. Iljlllll 1111I111( 111/11111 (JlI<' .l .(1'1(' (H. Corte seguindo o pontilh.111>11 11()V.1 I1WI .I IltI.LO NIIIII 11"\1111'1<' l'IIIjIIIIlI'1I1 1'(1111'11 11. mas a mãe d iu a luz SVIlI dilkllld..1 11'1111 h 11111111.11/\"~:( '. Quando a jovem mã ' ch 'gou . Acho qu .ldv. 11/111/1/1 til I 11u'dl( (I (1I1 doi I" o 11/11/111 pélll('II.I. ajudei uma moça romena a clar à luz.1'.1/1 I 11 II ti 1.111.11' 1!l11:. rn . J I{I lOUCO I '11110.'.111.111<1 1':llllll.( ( ()Il'.1 () I)t'\)(' " !1. O estojo dos íórc .(111.\. O que vejo: uma barriga que está fOI ..11111 IIIIIH. não.1VI(J.111111111111111'111/1('IIIIl/II/IIIIII/II( 1I('«'~)(III()!"rstcí aílll. ) ) ) usar fórceps.I<1()(OIPO..\.'"t1H'I.IO 11111111 1111. egura-se ntão com duas '0111 'r s a cabeça cio bebê para faz r 0111 que '1~1 fique no 'i 'o da saída. I 1'. ..rni 1.1 111..l ('()III 11 111111.11i\.1 ti V('I Meu umbigo está saltado. \1.\VI I 1111 P 1111'(I 1111111" 11 . Em geral.() sanitário para me enxergar inteira no esp Ih 'lu' Ilr.bê sai naturalmente.III1V. da bacia.I' '.IIIII11()(IIIl'111. ) l1lúli '() dt> plantão e o anest si ta já estavam 1<'1.11(l1:1 ('()1I10 IIIll 1)1 '011.1.' 'isei ÉTKMO MÊS ) ) ) ) ) ) ) .Ir 11111111 IIIIIIIVIIIU 1111I 11111l1lll.ra o primeiro filho.11111(11/(' ('1(.l (xplll"dl "In IlI/('. Alii<>.11 1'111(".11\1 11. Continuo a obSCI'VélÇ3 l' c 1I'.de. se for iLO um trabalho 01'1" lO a tempo.I(I N 11 I 11'111111 c1111.pois eram sisl -m.Id(. I'lcllll/I/I. Ela mantinha UII1 \)0111 ritmo de respiração e os rnovirncnt .1)('11' no 011. sem necessidade d ir bus . o colo já estava com s t ccruím -tros I' libt.Ir'l)cixv () 1111'111 1.. Garbosa e inexorável.o'.\IHI 111111111111.11 () 1H'lit'.li.1111. braços e coxas se arredondaram por amli'rlcll' . ponto de junção de 111 111101 tical escura recérn-surgida.I.11. (I\' (' i':IZ 'I'.1I111 11 11111li 1111111111"' 111111111111.ps. I nho que' '.lprov'il.rdo.1'.j <111111r1: (' I II 111< 11.l d . pode-se ajudar a mulh 'r a r .1t1. t • 15 de abril Não tenho espelho grande em Cc Sc1. -ss ' pl im 'it()! r > • I 7 dr ahr I )11'. II.Ie 1111. depois retiram-se as colh r s 'o h . mOIIlI1.llll() S.( I( 111 1111I 111(I'. acho I 11l1J.11I11.10 e '1 bolsa de água bem distendida.1 1111 .I( I corte.().á-lo. As cont ra1 <:(H".1 do 111lI I .11111 111"1.'.I banheira.I.I 11111111.) ) ) ) ) PAULE QU/\NDO o CORPO CONSENTE É POSSÍV1:L EV1TAR OS FÓRCEPS Com o meu m 'todo. 1/1/1'////1" I 1III001ItlII I 1111/''. ab 'rl().111111111111.I LI( I.( 111 () (11 li 1(' todo o meu corpo é solidário com essa nova b 1II'ig. PAIII I PU!. nru bros. /\1 (' meus quadris se inibiram para deixá-Ia espalhar-s .tI( .111 ce. v:-. \.11.1I'.1111(".1111111 111111'11. eu estava brincando! Humor negro de mulh: 'I ~'.smo que 'I' s ja grande ou esteja em posição senta Ia.I.I:IV:1 pnlll to para ser usado.1.11/1/1/11/ 11//11I I 1/11/11.1. c\('ll()..1 I(I() do 1('('111 ~ nas: 1(11.I (11111.'.11)(.1 rI.IIII'I!C 'IJIII 111\1 11111'011'lllll1llldl Jldl.1 I/..i\I<I.111111<.1I" 1'1.1() rll! ( deld urna IJIII'I 1'111111111. .

é tudo ser rápido. 96 97 . 40% dos casos. pode responder a essa necessidade. contraem o períneo. sempre com a vulva. o que aumenta o risco da necessidade de fórceps. Como esse costume 11 ' isso que parece.Iolomlas aumentou de mais de um terço. Mas POIIlll'. Então. se o parto transcorre normalmente. chegam a 85%. é costum colocarem a mão sobre a cabeça do bebê para evitar que ele saia depressa demais e haja rompimento do períneo. como durante o trabalho.\ do bebê? Qual a necessidade. Paris: Enfanrs magazine. Eis o que você pode fazer na hora da expulsão. -m outros. Em ambos os casos. I li -m mais precioso que a integridade do corpo da mulher. querer apressar tanto a . Não tenho a 1I11111ma vontade de deixar que me cortem a vagina para eu fazer I''/1 I da estatística de uma maternidade. que o empurrar pode provocar o rompimento do períneo. Aliás. A regra.QUANDO O oro-o CONSENTE SÉTIMO MÊS desejável! Costumam diz r às parturientes que empurrem como "se fossem evacuar". 1994-1995. que a escolha da episiotoI' 11.uunções ocorrem mais rompimentos do que nas outras . quando dizem à mãe para empurrar. Ademais. no espaço de dez anos. de fato. acho uma maternidade onde o índice é de IO'Yo. mas com mais força. Ao empurrar. Se você sentir vontade de empurrar. omo se explica tal variação? A episiotomia deve ser uma C 11I. . <sou-me.15 maternidades quase não a praticam? E nem por isso nessas ur. a expulsão será feita com serenidade. Será a verdadeira razão? Por que então algu111. Já que sua freqüência varia não em função rk s casos mas em função das maternidades e dos hospitais! Não I" -t ndo entregar meu sexo a essa arbitrariedade. nos granI Ii"..lId. Que estranha associação de idéias! Empurrar por imposição também pode ser traurnatizante. A criança escorregará progressivamente para fora de você.' g stação. Cuide des te és. comparadas. o número total de epi'.. hospitais modernos. são sistemáticas para os primeiros partos. O tempo é precioso. mas não empurrando e sim respirando.. Se for possível encontrar gente compreensiva. Encontro índices assustadores de episiotornias: em certos estabelecimentos. não é surpreendente que as parturientes contraiam os músI I dos. procure empurrar erguendo a vulva para o alto. Compro um (' folheio. continuan10 . • 22 de abril acaba de sair: "154 maternidades VISitadas. ou não tem vontade de empurrar. sem violência. Constatei que as crianças que nascem desse jeito. deve-se com antecedência procurar um entendimento às claras. Se não sentir vontade de empurrar. pode ser aceito de modo tão passivo pelas lill ilhcrcs? Sei que Ihes é dito ser indispensável para evitar o rorn1)1111 nto do períneo. após nove meses de pacienI. En1. comentadas". lamentando visivelmente. 60% das p.. algumas mulheres se entem culpadas porque não conseguem fazer isso. Há duas situações quando a cabeça do bebê esbarra no períneo: ou você sente uma vontade irrefreável de empurrar o bebê. são calmas e muito espertas. ora. declara o Guio dos IIlolcrnidades e. anuncia a capa.1era uma questão de cronograma hospitalar.10. que não atormente a parturiente. com uma tal espada de Dâmocles sobre o sexo! dos maternidades' 1)( o Guio I. ao empurrar. de precipitar o curso natural dos acontecimentos? Certa parteira de uma grande maternidade parisiense conI. observei que há mulheres que. Puxa! Mas. 65%. Hoje. Foi constatado.u tunentes na França fazem episiotomia. esse músculo precisa estar absolutamente flexível para deixar sair o bebê. É 1110 também que a episiotomia apressa a saída do bebê.\ folhear o guia.llica bem arbitrária. a xpulsão torna-se mais longa. respire também com a vulva no momento em que a contração aparece. se não houver jeito de escapar às injunções do médico ou da parteira.

porque a sucção dos mamilos ativa a expulsão. levar até meses. Tornou-se uma prática rotineira.II. . impedir o rebaixamento do assoalho pélvico. • 23 de abril "Somos as guardiãs pequena maternidade. quando a pressão da cabeça da criança provoca uma espécie de aneste ia fisiológica. ) . Senão. É muitíssimo melhor. só há quatro indicações reais para a episiotomia: quando é preciso diminuir o sofrimento do feto. há a cicatrização que pode ser dolorosa e demorada.1. Quando se efetua antes da fase de expulsão. porque são bem raros os rompimentos completos.(' nem pr '('iso I ()I' :1 111:11) sol lI' .dH' 1'I)i~IIIIIIlIII.nta.. disse-me a parteira de uma O tempo das mães.II. aliás.d)() in: rl':lIiz:IIHlo l)(llIIIIIIS. Cheguei a encontrar mulheres que sofreram a vida toda por causa de uma episiotomia mal costurada.('. 111.I '. Corta-se ao mesmo tempo a parede vaginal e o músculo.1I1l10 l' qu. Até o precioso Jeanne.I 1). Se a mãe gosta de legumes. um pouco de tempo . É efetuada pelo médico ou pela parteira. leva o períneo a se descontrair: o vaivé m da cabeça do beb ma sageía e se músculo. o que torna a intervenção quase indolor. sobretudo se a incisão for grande.I ('.1 I II. uma bela mulher de trinta e oito risco do tempo escamoteado. que vão nascer. até para mulheres cujos músculos estão bem relaxados.: C. A epi iotomia é costurada após o delivramento (a expulsão da placenta). não quis correr o do tempo".1.I~" . essa humilhante brutalidade que consiste em apertar a barriga da mulher para retirar-lhe a placenta. A costura é feita em três planos separados: vaginal. gur<: () seu lx-l x-!" 1':1. . A incisão pode ser mediana. é preciso que lhe dê em uma chance. o qu o faz p 'reler a clasti . pode ser dada a anestesia local.'-.) ) ) ) J QUANDO O COIU'O CO ENTE SÉTIMO MÊS o que é a episiotomia? É uma incisão feita na parte inferior da vulva para aumentar-lhe o diâmetro e deixar passar a cabeça da criança no momento da expulsão.II\( li) -nios.. muscular e cutâneo.1 mcnt S' poc a sugar () s . tanto para o bebê quanto para a mãe. Mas. quase sempre com a ajuda de uma tesoura.(lI li!' .'. A episiotomia é realizada no momen~ to de uma investida.I. aliás.1111:1~. 98 ) PA LE COMO EV1TAR A EPISIOTOMIA? riga. I)i. r' "111 nascid() 1'l'SI ii.1111.11 Para prevenir os rompimentos durante a expulsão. A P '10 r~ll() (1(' sug 'rir :IS I anuri '1111'S<1111'I '.vitar rom] . É pena. é de todo inútil. Tempo tempo do nascimento. a incontinência urinária ou o rompimento do esfíncter ana1. Primeiro.1<" qu.in . ljllllll . muitos médicos praticam a episiotomia. entre a vulva e o ânus ou médio-lateral em direção à nádega.'() . () I 1'.io. Evitam-se assim a manobras de pressão.1111 t' 1'()IIlI . ainda pr '50 a plac .I (1. uma incisão na vulva que alarga o orifício vaginal.J ) J Todo o trabalho de parto. Esta. Constatei também que a alimentação vegetariana em fim de gravidez ajuda a tornar eis tecidos ma is fl xíveis. para isso. se cI scola com mais facilidade. Preferiu ao 99 I ) .is ' im« li. O tempo dos bebês em geral tão maltratado.ida I'. Tanto mais que o períneo é feito para deixar passar o bebê e que a vulva tem perfeita elasticidaele. anos. E ninguém costuma falar das dificuldades sexuais provocada pelo perineo seccionado e costurado. por qu não tentar? A episiotornia não é um ato s m conseqüências. De fato.'I)ill'lll 1'(1111 a vulva.I P.

Depois. o bolso de uo se romuç sse o peu. . Sou uma ficha que 101 . A o centí e A po que eu me b nquinho e me deA dil ntou. Estou lug elo te p pelos ceps e me ido u p ocesso de po to o longo. nne • 25 de abril No pré-natal. aliás. u c ento As cont ções co eç ito bonito. posso di em e sossego. gente p so viver o g i todos os de é com o o e o . decid os i p no noite do o e ni . nunconsegui cont ol i . Com del . bem devagar. soube depois que ele pequeneo e. do eu sol o p onunci o l "be/J{\" é 11m ento do logi 100 de que e de que eu A o o . Eu vel de . . que ele o A e em pé. de com seu . O pedi só veio no seguinte po o in com idode. E é p eciso que o e me l. ti uitos poso do .. é te o onde o gente se sinto bem e encon 00 que se desejo. mas nenhum me conhece nem conheço nenhum. se n o tiro cochilo nos o entos em que elo i no sono. Elo p opôs que coso. e continuei o o n nhe de quente. dei que nós três os inhos um tempo. s d nte o d tem t lid que. Eu tin escolhido bem pequeno po que b que ni op os n iço . Será a sua profissão de arqueóloga que lhe incutiu esse respeito pelo passar do tempo? Sua filhinha Luna nasceu.. p oc ou o seio e c eçou o sug . Os entos idos com h me e i o episioto i e po sibilit ido ecu dos sculos do pe eo. o à ni o t lho tinh . lhe de o .QUANDO O couro CO SE TE SÉTIMO MÊS hospital universitário onde seu pai é um grande professor uma pequena maternidade do interior. o que me p l. un sibilid des nestes i os meses de isos esc n os e chi eio como do todo di com o. no .o o ço.. enho h 00 do bolso de e me dei inte à noite. un n ceu no seu it 23 de ço. te o que estou lhe escrever. Depois. sinto que todo o ho de ntigin que du o me udo o à o I em suo pe l i como no odo de to e de . de suspen 00 pescoço de e: de lodo. Eu i nte. o E ndo. A po te o desse bl ie ido. u no 25 de às 4-h32. As co pensei que pudesse ter tont. chegou o cho . em out o todo o do. Jeanne me escreveu uma bela carta de mãe. do e como u njo. Elo de que.no io i l to o lho do A po tei disse que eu colo com dil de qu cen os. depois oluiu 6 do h .E o você dent o em Um beijo. lá ela sabia que lhe dariam o tempo de que ela e o bebê necessitavam. E conhece o t e o que t lho. o te de conhece e ecebe com o nosso i que elo icou sob i bo go. eu n güento! i inei que u pudesse i tontos po tos em i e me t nto e doç . De noite. os médicos se revezam e se parecem. o. de que. A judo do po ei com que eu i e o pe idu l. O que s me i o to de sol o o cont o e de e o l in io como é ese me ensin os eu n o líng con o e uito o tes. n . elo io-noite. como que do su eso. Viver d cont u o necesside n o beM ojuclou() sup t tudo..

"Vou medir de novo. começo a ter minhas dúvidas.1 VoIlll." Não consigo pensar onde ele poderia estar a não ser no lugar onde está. a monitorização não deixa. Não me mexo. é uma moça baixa. Percebeu que o seu tensiómetro não estava funcionando: todas as gestantes que passaram depois de mim pela consulta estavam com 15 de pressão . Antes de voltar para casa.J vcrifirar os IJ:1I i1111 '11 11. com medo de tirar do lugar os receptores colocados à altura do ombro do bebê. vai fazer subir a pressão.on para () 1 'he'. Estendo o braço direito para ela medir a pressão. Perguntei o que queria dizer. Responderam que se tratava do meu IVG. Ela me responde que já sabia. Chegando em casa. Se não tiveram a idéia de verificar a pressão num outro lugar." Lá estou eu sozinha.Isso mostra que ele não está muito bem no lugar onde está. foi uma parteira que me atendeu e amarrou na minha barriga um cinto equipado com receptores que iriam "escutar" os batimentos do coração do bebê. ao . () LISO tio t'slt'los('(lpio tI(' Ilil1. Considerada como a panacéia do controle. de ter inconvenientes. ) transita de mão em mão e que leio de cabeça para baixo. porém. Faz o exame ginecológico e me anuncia que o colo está perfeito.1<l 1. Essa trapalhada me deixou preocupada: haveria algum outro erro na minha ficha? Na consulta do sétimo mês. Desta vez.1 r. de olhos elaros e voz suave.Por quê? .1I'<1 causa d sconforio . não choro. prendo a respiração. menos pesadas e menos coercitivas. --------O que é a monitorização? l I O rnonitor é um aparelho que capta os batimentos do coração do feto e os retransmite. às vezes 140 pulsações por minuto. "Pronto. telefono para a médica e lhe comunico a boa notícia.1 I1l<1l' 'I '111 . A senhora está com 15 de pressão. A bem da verdade.lgl'lll til' 1l. as letras foram riscadas. a médica quis mantê-Ias.A pressão voltou ao normal.IMI d. vi um sinal parecido com IVG +.st lOSC(l! io 1 . Em certas clínicas. 103 . Volto daqui a dez minutos. nem na rua. Por prudência.1 1IICIIIil()lil'.1() l'll uhra.1 .J ..) QUANDO O CORPO CONSENTE SÉTIMO MÊS ) . O aparelho pode ser mais uma fonte de estresse para a mãe. O bam-bam do coraçãozinho ressoa na sala. Os dez minutos me parecem muito longos. Sento-me na saleta reservada da farmácia para colocar o aparelho: 13-8.11 .la 1'1 ostar o ouvid . 102 tos ardíacos do r '[o. nem ao sair do consultório. Desta vez. Um coração de bebê bate muito depressa: 120. por exemplo. é isso mesmo. vou sair um pouco. () <llll' (' () (. impede-a d concentrar-se.Coitadas. quando ela está pousada na mesa do médico. passo pela farmacêutica que conheço há muito tempo e peço-lhe que verifique a minha pressão. Qual IVG???Ah! Então a senhora nunca teve? Sem a mínima hesitação. é utilizado de modo quase si temático durante os partos. que me atende. O bam-bam fica mais acelerado. ele a obriga a ficar amarrada na cama.. O estetoscópio de Pinard. Ba:. Sinto o sangue bater nas veias. A voz suave me pede que volte no dia seguinte para uma sessão de monitorização. Parece espantada. barulh nto e perturI ador. O que. ele retoma o ritmo de costume. Espero. Pouco confortáv I. É muito. Um dia.lI) • 26 de abril O controle feito na Iarmá ia nao me dispensou das sessões de monitorização. Nem na frente da médica. ' um pequeno aparelho de alumínio que a ! arteira ou o médico 010 a obre a barriga da mil '. a pressão está muito alta.É perigoso? ) . a esta hora devem estar se amofinando.. Outras técnicas. podem ajudar a detectar o estado do feto.Não é bom para o bebê. O nosso palpita de 60 a 75. . Entorto o pescoço e a cabeça para seguir pelo gráfico os movimentos oscilatórios dos batimentos. com certeza.É. O aparelho me aperta o bíceps. I30. A médica torce a boca.

de noite. Para ele. Sua teoria ficou confirmada. principalmente. ela vai me sair com um rol enorme de argumentos peremptórios. sobretudo à pobre mãe inexperiente. [. salto duplo . em conseqüência. Sua percepção dos lugares foi-se aguçando aos poucos. Tal utilização pode levar a um diagnóstico inoportuno e. De fato. com as duas. ! I I 'I 2.. Compreendeu que existia algo do lado externo. Volte daqui a três dias para outra sessão. um longo bocejo de leãozinho. 1992. Mas. Minha barriga tornou-se uma zona de risco. O número de exames praticados durante a gravidez e cada dia maior. região de alta segurança. caso deseje ficar quieto. oles de sages-fenuues. Ao tocar nas paredes do seu antro ovóide. O que será que ele vai achar. com respeito. Paris: Stock- 105 .. Na hora em que estou deitada e que Martin e eu podemos observá-Io e acariciá-Io à vontade. o estresse nunca foi o melhor método de prevenção. a um tratamento . o bebê era tão pequeno que devia custar muito a percorrer todo o seu espaço. Uma coisa é certa. cl~nte de seu diagnóstico e que não precisaria recorrer tanto as rnaqur- nas para compensar suas lacunas. acompanho com os olhos e com as mãos o acrobata pela superfície da minha barriga: pequena saliência à esquerda. minha barriga é seu campo de esportes.\ir'I~ t la iss uce. equilíbrio com duas mãos e.Tanto mais agora. chego a ver um tatu cavando. os passos da parteira no corredor. Depois.." .mas não desconhecido de todo. Mas. Sei que a parteira só está cumprindo ordens. Fico contente de vê-Ia de volta. Vai chegar o dia em que ele vai ter vontade de explorar esse mundo ainda invisível. No começo. Em meus pesadelos. !. Cada exame exige outro.. Seu oceano amniótico devia parecer-lhe infinito. sinto-me espionada e torturada. com uma só mão. com um sorriso.. queda em parafuso.para a frente.. Ela dá uma olhada rápida no gráfico. Fascinada. todo nascimento e patológico ou comporta um risco patológico. Mergulho para trás. as pequenas instiluições já são raras e vão tornar-se cada dia mais raras. Não me sinto protegida.. essa tecnologia seja usada.\. em quase todos ~s casos. repete-se o exame. grande saliência à direita . sem insistir." Acho que é a gota d'água que faz o vaso transbordar. Segundo essa maneira de ver. embora a ciência médica demonstre que nem todos eles são de necessidade absoluta. entrei num círculo vicioso. veio o dia em que ele sentiu o afago de minha mão. Infelizmente.QUANDO O CORl'O CONSENTE SÉTIMO MÊS Escuto. mesmo que a parturiente nao tenha necessidade de tanto. Ouviu vozes ou música. Que solução adotar? Abster-se de todo controle seria pueril e provavelmente perigoso. deve ter percebido que o mundo tinha um limite e era fechado. para concluir a sessão. na qual fosse atendida sempre pela mesma pessoa. Mesmo quando tudo está normal. de preferência POI" uma parteira experlen:e. que não se entrega a qualquer um. talvez até tenha percebido a luz. enfim. • 2 de maio Mas quem é este bichinho que cresce na minha barriga? Dá pulos de gafanhoto ou de carpa. principalmente para a gestante. Mesmo assim.Tem preferência por certas horas. afinal. "Está tudo bem. Sou o exemplo perfeito do que descreve Marsden Wagner. cavando . responsável pelo setor de saúde mãe/filho na Organização Mundial de Saúde: "Internar as gestantes em hospitais hiperequipados de material tecnológico acarreta o risco de que. Laurence Pernoud. que ele tem menos lugar para se esconder.] O risco é a pressão exercida para assustar as mulheres e os responsáveis po!íticos ~a saúde. .inade~ quado. d().. Talvez eu devesse ter escolhido uma pequena maternidade. calome mais uma vez. fora de seu mundo. Se eu lhe perguntar o motivo de um novo exame. ou então a barriga do pai que me enlaçava. meu útero parece ter encolhido nestes últimos tempos. Querem me mostrar que gerar um filho é assunto sério.

J ) ) J ) ) ) J ) 106 \ ) ) . o rosto de um ch de . costuma o explicou-me ela com um sorriso cansado. Para não desmentir a mãe.J J ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) . Muito séria. Maud me predisse marcas indelévocê dentro e isso veis: "O bebê toma conto de você.) ) ) ) • 3 de maio Convidei para vir aqui em casa Maud. minha ditosa hereditariedade ainda me poupa das marcas brancas das estrias. Meu bebê estava impossível. ela tem muito orgulho de seus estigmas. de mãozinhas cerradas em torno de seus sonhos. . Olhe a h continuou acaba do de ela levantando o pulôver. Seus movimentos chegavam a mexercom meu vestido. cheio de rugas e escarificações!" Por enquanto. dava pulos para todos os lados. QUANDO O COlU'O CONSENTE . a minha vizinha cheia de olheiras por causa de seu recém-nascido. ficou quietinho no cesto. Maud me lastima.

1' .111111/( lI. d.111 /111 I I (ljlOI? Ullld sessão de superali1 m 111..1 I 11 11 I .'/ C//ll/lltlllI/f1 '/r I..1.írio? 1)('1. 11111111'11 111111I'III'(OllllnU." 'C/ ()/ N I VClÇÕO '.1 p.1110ulllc1-sonograflasaindanão cheio daqui bast.1 li' 1111. sert o a " 'li r " /lI I' 111di 1111111.1/ c/I) I/()'.!'.111/1):1/111\ :011.111'.l tivo.1""1111 /1.! tl5i1(c!c.. 1. clínica na qual para <lI< I I 111/1111I 11 I' 111.1'.lIblinhddo). . S u objeme 11.111111.! "!>'.." I c/III I '.11111.11/1'.li flllll '11'I.' oit IVO III 'S.! dlclIlO particular a mesc/v (lld.í 11('( 'S .!Cl ti "1(1. I 11"1 .1 1./.I. /o /'" /111 c/'/lI'I/ .\11111 rlll '.I •.( 'I • . \ /1'11/ /1/11/ 11'f 111/ IIIIIII/C// / 11/11 1'1 I11 (.ld.1/111''1111' () I) 1 bô não iel(·I.i 107 .pilrll 1111 '1'/1/11 111 1"1.1101 11111. '1I1V1H .I'pouco '.1.'//1 11111 I/ I 1".111/111' I).11.1'1110111 I. 11 VI 111 I 1. 11111111 1 111.!III>~.l() 111 "I 11111111'I I 11111'11.1 111'01.i/clllnpt' 111.dllllllh"c/cl ou nervosa.1 111111111111111111 11.11 minha angústia e minha gUl-III raiv."11 I' 11111 I ..! 111111111/1\111111/1111111 1/1 1111.\d1'II'. /I" I) I'" .unr l a [1(".11 1111'01' .'. ma/UIH bem silênCl(l •. icul /íqUIr/o pouc () V()III/ 11/111 .IIII( 1/ f I1 . 'II/r 11 .d.I "VII 1///1/."!lI/II!.111 dCl I)(·!>(\ '1111' 11 dI0l1:1111'.1 I . Mesmo e assim. Ninrig. I 11 I I 1i li' linha oul: .! jld I 11 111111 VoIO c/ I'.!I.11. I 111 c/11 li 11 I'..MÊ • 17 de lU •• o 11..1 ( I 1111( 11If) I . /111111.Og anota em dasIH·I.1/111 I I1111I111.: (' IIr I' r'll ".1'.1 .Ilu v.1.IIJ/ll'.1111I 1"lIh· .'1.11.i/pdçiio Paule da dissemelll'/I"I de barriga mude 111011'.()II()i~1 dnd 10 111/ . c/o hospital l. Meu barcontinua deserto. 11 I .dlllllll.\d"II"I/lIIII'II" I l(ll".I '.l um estão de- 1111 1111 111 I 1/11I I li 01I' 111 11111 I.

II'"ia peridural. 1 cei. Em Paris. 1111 ri tli/lculdade para consegui-Ia.I "lli". Agnés casou-se com um car1l11)11'111) e mora há dois anos num vilarejo perdido na montanha. Eram chamadas de molengas I "111. do parto sem dor. 1. decidido. oito entre dez mulheres são subrneI I I. "É o típico abuso gerado pela tecnologia médica: o aparelho inventado pai-a responder <Inecessidades reais (o diagnóstico precoce de certas más-formações) é empregado para outros fins. 1. 1993. o pai-to sob anestesia peridural é novidade do kit-gravidez. Conta que ouviu falar muito dessa ""I". a vinte e cinco quilômetros da casa dd. Paris: Robert Laffont." Agora a voz está fora de si.IIIÚ. até para confirmar o diagnóstico de gravidez.\1 a agüentar o sofrimento. será que a quinta ultra-sonografia é mesmo necessária? Como o senhor escreveu que o líquido é 'abundante sem exagero' .11111 rl anestesia peridural. não usaríamos o procedimento. É preciso matar a revolta no ovo. Compararam dois grupos de recém-nascidos: no primeiro. por favor. A ultra-sonografia deveria detectar anomalias.415 mães tinham feito uma série de cinco exames completos com ultra-sons (imagem por ultra-sonografia e fluxornetria Doppler). As mulheres apresentadas ' (11111(1 ""'mplo nos jornais costumam usar esta expressão entu. É incrível como a moda é ins" 1111111101 I I " .QUANDO O CORPO CONSENTE OITAVO MÊs • 18 de maio Noite agitada mas boa conselheira. na 18~ semana de gravidez.1'. segundo as palavras da mãe. não é a senhora que decide!" Eu seguro um "e por que não?" e refiro-me ao desconforto e estresse causados ao bebê. revistas e médicos a propõem I' r I'1. para os médicos.. doutor. ao inverso de toda expectativa. IOH 109 /" .419 mães só tinham feito um.01 [can-Pierre Relier".1I uwcrso. se possível em silêncio.(Iri gente pode ."ll1pre como uma panacéia. destinado a determinar o termo da gravidez. 1. e nt qu 'il n isse.. "Alô. às vezes para suprir a incompetência clínica de seus utilizadores".1c1'.I :'1 li)'. 1<1'> I Ir111'r. "Que idéia! Se houvesse algum inconveniente. profes'. Alguns gramas a menos que. "cí em di l ..11 Lamento de medicina neonatal do hospital Port -Royal. " '11 1'11'1'" L IlL'licr. no segundo.II'fol" e que lamenta não "ter direito" a ela: "É injusto que .\:IICS me telefonou para avisar que está grávida. Parece comprovado que esta "escotilha" mágica tenha seus limites e que o seguro total contenha efeitos perversos.1'..1'I IOt ri: nõo se sente I I'TH li'. Os ginecologistas a utilizam cada vez mais. 'I. o grupo dos "muito acompanhados" tinha em média um peso inferior de vinte e cinco gramas em relação ao outro grupo de recém-nascidos. pesaram muito' . Sei muito bem que não me levariam a sério. atrás. I'cor :IIIII(~i ~ onde ela vai dar à luz. Artigo publicado na revista cicnulicn The ela se generalizou de tal modo que se tornou a resposta para todas as perguntas. ao pincel dos ultra-sons que o amolava". • 22 de maio !\. que mostrava o traseiro em todas as ultra-sonografias "dando as costas. a o 11111" I' 1<.1 11I. ~. Mas disso ninguém fala. O avental branco se refaz e decide dar uma grande estocada. A hipótese inicial dos obstetras era que o controle intensivo devia ser benéfico. afirma o diretor do de11. Ficaram muito surpresos ao constatar que. É verdade que há muita coisa escri1." Silêncio estupefato ao telefone. I \1 I cscentou que está preocupada porque não vai receber .111'lnidadeda região. 9 de outubro de 1993.'-'. "Minha senhora. as gestantes que pediam essa anestesia ainda 1I1 I. Espera o 111 1111 '11'0filho para daqui a um mês. Obstetras australianos resolveram avaliar os efeitos de ultra-sonografias sistemáticas e freqüentes durante a gravidez.1(> que o e. respondeu que irá para a peque11. Desligo e desisto de falar do bebê de Maud. 1Ili ".

teve o parto sob anestesia. d~ sua ao sei hosprtalíz do. falou-me de sua frustração: teve a impressão de haver sido completamente alijada do nascimeno . que "tiveram direito" à peridural. refazer a vida. A revista mensal ion indica em seu l10 número de abril de 1994 o uso de pressões especialmente convln centes para levar a parturiente a aceitar o pai-to sob peridu3 ral . Os moti ~os expllclt~s sa~ os mesmos: segurança. Aliás. sem palavras. agitação: o corpo não sofre. O consenso a respeito da última técnica em destaque era geral. porém ' "ue na~. n. 111 . Então.\ ("Id. Brigitte faz parte dessas mulheres. Os sobreviventes do mor~o: os parentes e amigos também devem atingir a mesma amnesra. Por C]lI l II.QUAl'\jDO o COlU'O CO SENTE OITAVO MÊS tidas a essa anestesia. sem lágrimas. gritos.io ( e da dor. ~reocupa. higiene. "É que tudo se nos acrescentou ela. Como a morte.lncnv:lmente parecidos: muito medicalizados. Lembro-me ainda de suas palavras desiludidas: "Paro o segundo o. a mãe ntrcga sua identidade como o agonizante ab~lca. Depois. Com o é o coiso. é? D hi ulico.em comum o silêncio e o não-dito que o: cercam. tentam a arma fatal: a culpabilização . E tudo Surpresa. De fato. fui visitá-Ia na maternidade e perguntei o que havia sentido durante o nascimento. bem depressa. Infelizmente a engrenagem médica não perde tempo com conversa inútil. lhe. como para muitas outras. Os moi ivos omi dos tambem sao os mesmos: cn obrir a desordem 1. ela nunca faz nada que não esteja programado. Nascer. mas percebeu que não tinha escolha. Brigitte é documentalista. dar ou perder a Vida. eu se sob o e no deles. I que momento ou para scrnpi 1). Os rituais modernos do início e do término da Vida sao. o silêncio perdura. aliás. hurn".1 moc. Mas será essa a verdadeira expectativa da mulher? Para Brigitte. A vida é dada do mesmo modo como se morre: se~ ousa~ sentir nada. . no no do bebê.ml du cuo . leu inúmeros artigos sobre essa anestesia e conversou com o ginecologista. Primeiro. meio em dúvida. Ia nouvclle donne. Mudar logo de casa. porém. propiciar o nascimento. e.. Pouco importa quem são ou fOIam. A força emocional. a moça que ela era. estou certa de que o resultado não satisfaz. so por motivos organizacionais que q -" . Esquecer. dizem à parturiente: e preciso o Acho . nasornento e a morte têm. .10sao mais nada? Ao dar entrada na maternidade.é feito o impossível para trazê-Ias de volta ao bom caminho. Seja para sair de férias ou para dar à luz. a fusão da dor com a alegria o mrsténo mexem com nossos parâmetros. voltar ao trabalho. é ito s você qu sent dor ou q a nesrindo: tesio idu l Brigitte fez "hum. Fico surpresa com o pouco que tem a contar sobre o fato as mães que deram à luz sob aneste- O I I I' 3. O to do filho. cada dia mais numerosas. As parturientes que a desdenham complicam a rotina hospitalar. A Jovem mae deve esquecer a provação do nascimento. Ele lhe deu esta curiosa resposta: você um corro -quil e todo o co . apagar tudo. esse tipo de parto disciplinado é muito tranqüilizador: Não há irritação. ' 'cJ . e sua ~ro~na mOI L . Um nascimento desconcerta.Ambo IC'1nck 'c' tllllq:rll ('Irl '>Ij{'!leio pOI um ao ntual técnico. ela fez a mesma pergunta à parteira da maternidade que respondeu. so Interessa a parur de então o ato para o qual se preparam. as maternidades Incitam a anestesia. Brigitte. a percentagem é bem menor por falta de equipamento ou de pessoal competente. o que acelera de I-e~ pente as contrações e as dores. ou morrer ~eve ser um mero parêntese na "verdadeira" vida. air-bag e eios A5S. Quando seu filho nasceu. "É como se eu eo nte o onestésico e o os contrações."Se for 00 pelo Quando a mulher resiste aumentam a dos: de ocitocina na perfusão. voltar a ser depressa.Talvez também seja o caso de Agnes que lamenta. Antes do parto. Artigo de Philippc Thomine: Péridu- rale. que mora em Paris.A maioria das grandes maternidades já está preparada para fazer partos sob anestesia peridural. Afinal' a mãe e d espos III " CIo ptll 10 (O!l10 o !l1OI tlHlllclo (1 ed . Nas outras regiões. ~ Na mae. desde já o fato de não "poder recebê-Ia". de abril de 1994. Prcfession sage-femme.

no coraçao. talvez seja isso: uma energia violenta que atravessa o corpo de alto a baixo. Só quonem com o que em o . O mistério do nascimento. enfraquece. o medo de ser responsável por um outro ser Sel-á que a anestesia consegue aliviar esses medos? Não há muito tempo. Segundo ela. O teste da verdade é fulmídosr» A dor desenfreada galopa através dos músculos e os nervos. Não tem nada a ver com a dor do corpo machucado ou ferido. Calar essa dor parece-Ihes vital. porque ISS?ajuda a mae a se conhecer melhor. intuitivamente.Estou. que vai ter a minha dor. ejo os lh ~tondo consigo . O que o co lo é o s ento "\ do p óp o . perguntou-me.ela que só costumava escrever uma vez por ano! O fato de estarmos na mesma situação nos aproxima. o inicio do lho de . é uma maldição herdada de mãe para filha. acho que está muito certo. "E você não está com medo de sentir dor?. sim. e sem nunca se manifestar • 23 de maio Agnes me telefonou ontem à noite . sobe o fund. Tr'[ÉRESE 112 113 . o é o contração que dói. Nascer outra vez ao dar a vida. Entretanto. para sair do corpo e da alma enquanto o recém-nascido avança irresistivelmente ' d Os tremores.in. Esta. inclusive a conhecer seu propno nascimento. nos órgãos. Esta merece ser anestesiada. Ouvi muitas mulheres falarem das dores do parto como de um sofrimento imposto.mtc 11'1 IlC)ra Id. ela será minha. por enquanto toda misteriosa.iada no corpo. Para elas. Elos se debote com o . Não a do nascimento.o parto .mãe. Entendo sobretudo porque elas estão se preparando para dar à luz em lugares frios e impessoais. ano após ano. quano os músculos repletos de emoções acabam cedendo ~ quando a memória.QUANDO O CORPO ONSE TE OJTAVOMÊS sia. 01 . nos quais todo mundo só fala de dor a suportar ou de anestésicos milagrosos que podem dar alívio. uma parteira formidável me contou o que sua experiência lhe ensinou a respeito da dor do parto. Para fugir? Com certeza para fugir. Não é para bancar a corajosa que digo não sentir medo de algo que está em mim. Mas não será um engodo? Por trás da fala anti-dor das mulheres não haverá outra coisa? O medo do desconhecido. Encafuada em algum lugar da memória do corpo. que ele es em nós tudo lto os ode Deixara própri~ dor manifestar-se pode ser indispensável. nos braços. . oculto. ' Sacudido por uma tempestade inédita. o corpo se revela em sua nudez integral. Seja qual for a forma. cntr as p 'mas p~r to~o o corpo que está moldado p Ia nossa história' a sorvId~ gota a gota. destrói. re?r~sada por muito tempo. É o do que mos dent o de nós. o susto do corpo todo são muito parecidos com? que observo às vezes no meu trabalho. Só se ~ue o sO de nós.consegue en SI e que elos se en g e o di . ' . A dor do parto não será uma dOI-imposta. houve com certeza emoção. não estou com medo. Nunca ouvi nada parecido. Não quero. A_dor ntran 1 . e já é minha. claro! E você?" Não. lan . nas pernas. na pe e. o medo da emoção. mas. uma passagem compulsória e inaceitável na era em que a farmacopéia permite sua isenção. avilta. Eu as entendo. o medo de sei. dia após dia. Como tu I~ se selar ! Ü a dor qu trazmos m nos que surg .o ~o corpo. a sensação dolorosa das contrações é intolerável. uma parte do nusterío.Você está? .

4. a confiança que ela tem.J ) . O trabalho caminhava rapidamente. mesmo em casos de cesariana usa-se a periclural. os olhos. I. D.) QUANDO O CORPO CONSENTE OITAVO MÊS ) o que é a anestesia peridural? ) . Como enfrentar as contrações. em si mesma. As contrações não 115 114 I k . por meio de uma agulha de ponta côncava. na parteira e no médico influem muito no modo como ela vai sentir dor. os lábios. Por diversas razões fisiológicas e psicológicas. Ao dar à luz. os maxilares.. A Sra. a bacia. O ambiente. Quando chegou à maternidade. que verifico a cada nascimento. Era a única frase que não poderia ter sido dita. ) A ) ) RESPEITO DA DOR ) . as contrações serão mais fortes. Se nasccu com a ajuda de fórceps. Cai-se num círculo vicioso. como torná-las suportáveis e como dominar a dor? Como conservar a calma e viver intensamente. outras não sentem nada ou quase nada.I chegada ao mundo. I': 11111:1('(] \ ria antiga. e o bebê será naturalmente levado pela contração uterina em direção ao canal que ele deve transpor para nascer. principalmente na região lombar e na bacia. mais longas e mais dolorosas. Ela deseja ou tem.1 dOI. que já não é quase utilizada. o organismo materno secreta um horrnônio chamado endorfina."(. ficou subjugada pela dor e tivemos muita dificuldade para fazê-Ia retomar o trabalho correto. c: <j1l.ISl' M'Il1 pre o medo e a angústia que provocam . op. cito A esse propósito. O bebê se encaixa mal. mas sem experimentar as sensações tão fortes e poderosas da vinda ao mundo? Todo o trabalho de antiginástica com a língua.I. Thérese já explicou a ligação entr essas partes do corpo e os músculos da bacia.J ) PAOLE As mulheres não reagem da mesma maneira à dor do parto. É um analgésico semelhante à morfina. os tornozelos. os pés e os dedos dos pés podem ajudar. Um estudo feito na Inglaterra oles de s gese citado por jeannette Bessonard em femmes' mostra que. Algumas se contorcem de dor. ou não. estava sorridente e tranqüila. I I I. disse que iam para a "sala de torturas". va: ter medo cios r{lrccj)s. No momento do nascimento. lembro-me da Sra. deixou de controlar as contrações. A endorfina adormece a dor e proporciona bem-estar.J . Sv 11. Não fica totalmente desacordada. Orn . ao contrário da anestesia geral. A parturiente deixa de sentir a barriga. o meio no qual a mulher dá à luz. você estará relaxando esses músculos-chave. A mulher COI1l medo tem contrações exageradas elos músculos.l' \ I por cesariana. Nosso corpo não está inerte diante da dor. a secreção de endorfina aumenta. receio de soltar o filho. ela controlava muito bem as contrações até que a enfermeira. Ao respirar com a vulva durante as contrações. Se o relacionamento do pessoal da maternidade com a mãe for calmo e apaziguador. A dor também não é estranha à história emocional da mulher. ele tem suas defesas próprias. a mãe revive o trauma de SU. o número de anestesias durante o trabalho de parto diminui ao mesmo tempo em que cresce a proporção de partos normais e naturais. D. um produto que insensibiliza os nervos da cintura para baixo e alivia assim a dor física. terá medo de cesariana. o útero precisa redobrar esforços para superar o obstáculo muscular. ao levá-Ia para a sala de parto e achando que fazia uma piada. mas continua consciente . oles de sages-fentmcs. quando as mulheres conhecem a parteira que as assiste. de pô-Ia no mundo? Tem medo da separação? Todo parto remete ao próprio nascimento.J A anestesia peridural consiste em injetar. o sexo e as pernas. inserida entre duas vértebras.

de não ser escutadas nem respeitadas. Mulheres reclamam. da vida. Incapaz de partIClP:-r. é provável que nem venha a precisar dela. oi cinco nos. Dez por cento dessas mulheres têm de ir para o hospital durante o trabalho de parto. g d cli de edo e soli o. Dizem que estão fartas de ser levadas de qualquer jeito. famr1iae amigos fizeram de tudo para que ela desistisse da idéia. de cont como de Ul sse. Dizem que a hipermcdicalização é a era glacial. porque o bebe sairá logo. Não a era da maternidade. pois sabia que a tachariam de doida.~ral as releza a um papel técnico. Que . o que está acontecendo. e sobretudo de sentir. quanto ao bebe. nasceu na maternidade. nos t tos uto. já que as patunentes / r:ao dão trabalho. porque_ a função delas fica mais fácil. po é . Não sentirá vontade nem necessidade de ser anestesiada. impotente e submissa. uma menina.que praticamente deixam de existir. Outras. O hospit l era . ( . É seu segundo filho: a primeira.Aliás. de ser cortadas. O este me t ! tes. porém. e e i do em que a de o chegou a 120 i oi 117 I i U/ sse n u! i e. Na Holanda. e n~o o médico ou a parteira! A anestesia cria uma separaçao entre a mulher e seu corpo no momento em que ela mais tem necessidade de saber. à interve~ção médica efet~ada na parte inferior. Francine acaba de ter um menino. tem de enfre?tar sozinho as contrações. p to nto de l e. Vai viver o parto em toda a sua plenitude. A mãe fica imobilizada. mas 37% conseguem ter o filho em casa. qu li po que decidi o bebê em ou cont o n sci ento de oé ie. on ento .t l nun me ulos. ela nem chegou a contar aos pais. quase 50% das mulheres escolhem dar à luz em casa. A parte superior do corpo assiste. isso Vivi p e ho l ente se qu lque t nqüil . a mulher !Ica ~onde nada a suportar. pregada numa cama durante todo o trabalho. Preocupados. amarradas. Acaba-se esquecendo que quem dá à luz é a mãe. ancstesiadas. Os c sos do p é. não seguem juntos o mesmo percurso. As parteiras costumam dizer e a ~n~stesia peridt. Nasceu em casa. QUANDO O CORPO CO SENTE duram para sempre porque todas elas são efi~az~s: A dor existe mas dá para suportar. gostam da anestesIa. sem a possibilidade de fiar-se em suas sensações . quem decio de tudo. Se você ainda não optou pela anestesia peridural e a deixou de lado como um coringa a ser usado caso a dor se torne insuportável. Sinal de alarme. Eu n que ia o eu p to podi quel tei . Querem mudar.-'. E o médico . A mãe é forçada a abandona-Io em plena tormenta. NONO MÊS • 21 de junho A história de Francine é um sinal. Isso revela um novo estado de esptrl~o. Ela só obedece à ordens do médico e sujeita-se a suas intervenções.

eu me e In l o moruEm de me concen nos cont iquei ndo o en est no inh lho junto com todo undo.. que o n l que po tos no ndo intei .. Eu me un o que oconrec n e o beb~ ch ntes do oo . Eu com e. t do glnec~logi co p em to o dele.. todo o l p que inh g e e o to se p be .!)OI 110 ut l (/ po t 110' co endou pou que eu !)OIlCO so. Eu Is que n qu e ei n o oe p o beb~ me i ess quel incisão' elo jeito. e eu.e o . E s de 1 es 00 o p 00. U noite. t o que sentindo o eu ondo. no começo. o gente ti Se do es. ei ç pens que. Encontrei o ginecologis is qu pos. . era I ci v /. era que os coide tudo que ~ ones. bei tendo no ginecologist Ele nunca se deu conta do eu des lento.. en118 n iam vai ter sei foi que o de o em De fato.CIr IlI () !)/() 1I/ I cJ I Eu i O gosto pelo gl(I / c u ( t icu/d( el c/ ( I cJI I/ o ( ( II l. . est ine . . espons bili . odos os c ic que lê que elos h i enco o. lei e e consegUi lOU I Qu ndo o bebê iu. puse -lhe uns tubos no n . eu era contra. . c cei tudo do s jeito. .) ) ) QUAl'lOO o CORPO CONSE TE NONO MÊS ) ) ) ) ) . lo prim 1m . Qu ndo cheguei l . Eu sentir mim. Fiquei contente ter esc do o eplsloto ~ . nos gestos que te de os n o o sco que be à e. . verificação do t dos ndentes. Ind uei cho que pode do 119 ) ) ) . c ecei o ten nos ntes do te cont ções. o i/ COll n l u uic Con. e dep es l no e .J ) ) . s iquei g do segundo. . ieti ito nisso c o(ho que u. . sto o po to. coloc -no. )(/! . Fiquei se no e I l solio eu cont com o bebe. Elo disse que se e suge que eu to sse um . unc de c o espost te l elho. li un l 110 nlllh() ongustlos. ei ndo à lu .J solo. ei o. A elo co todo o sco p o ion l.. que era Igu l inho 00 . depois. el em que o nunc é desque é o elho p e enç o pos l. . guntei se eu podi co el disse eu como quisesse. Qu dor ne do. e ~co que ele su e. elos ito os.. bé n o consegui co l ê n acredite.. El me IIol1qOlildoc/c nun usou de te ll o .J ) ) ) ) ) ) ) ) . o edo e escUl Gostei. iquei todos u a do o obso um de l se no dos po te . em Cl de l/~n. ou Eu tin coragem de nd ne mim . diriam os cheguei à à disseram-me que era tarde o i O colo ito Insistido comigo p eu n vir cedo .. est hospit supe equip . osso el ion ento o tinh n do o com o c/i istenc do e d e. eu de ito le t . I todos ocu dlssl Ui bld pe o e me mostrou o coso. s el e fui me inscrever em outro p é.. Elo oi uito b sei é i el. foi t o ples qu eu pen . Às sete do nhõ.. . H seis . nos os tinh solu . nõo . olh ndo. os no tel . gué cortou o co o e dei o bebê no solo 00 lodo. Elo nun me espondeu I 50 o licou o que ço isto . e b ocontin me de u pe que e sem espost era ele comigo d nte o noite. t -se os du se o t ês. os os un espondidos pelos po com si plici . Meio jeito. eu nõo te te A te chegou. que era lug e. de que esse tipo de ui a . uei . prei istos./( (/o. os eCi ~ue era só po que todo undo diz que e po o bebe em ~ do e . O acontecimento o senti . c o p te . Eu consegui desc n vivia de o com o do hospi l. untei se eu podi um pouco com o bebe. O co to entre nós e ito o.. que à em o endereço de em . Eu com qu COI. Io úituno II/ .. os n b po me t ê-to. licou "O em lto do pescoço n é bl .

. os com Elo me disse que ti me escutou i . o p c tou o c o.. Estou descalça. Experimento. con nho. Nem uma linha sobre a perfeição dos recém-nascidos. Tudo está apertado. a amiga de sempre. A pl iu logo em seguido. Elo n o se eteu. Elo disse que não. oi o qu to del . Ia esquecendo. Consigo enfiá-Ia como um tomara-que-caia. casam-se hoje . que . o com o cheio de Depois elo chegou to o bebê. i muito sse c eçou o su . é i ilho se elo i po o o coso do ipe guntei o n i inho.sou-lhe g esse gesto. num cinema. O de igênio. Eu só penme i O bebê . eitei o co o com l pode io senA po tei u . viro de frente para trás. e Etienne. Mas estes chinelos são pretos. o sangue i i l etc. Depois. ponho uma echarpe verde-escura. A po tei me ou. espicho para baixo. curto demais. o resultado é sempre o mesmo: não há sapato raso nem sandália que caiba nos meus pés inchados. nisso. sem e . E liquei eu g e i que tudo jó po que o seu susto tenho sido um ito do em que nõo. E o b dos hi s. os juntos. Acabo achando um vestido tubinho de malha preta .. ele i no A ltou no seguinte e só elo os e lou do bebê. eijo do ncine • 22 de junho Garance. o todo nós. o lust oso que o e ch ie. o de que pude os i ele se no te . ie olhou o bebê. combinam muito bem! o Todo mundo vive preocupado com as másformações no embrião do tamanho de uma semente. não adianta. ne nos tou l que s em to no de um ecé -n ido. eu me eu ciso o bebê .QUANDO O COlU'O CONSENTE NONO MÊS só I I I' . sei q te po i os . Existem páginas e páginas nos manuais sobre as anomalias do feto. Com ou sem meias. ou os têm o do c de no . um pouco de batom. que o de l sob e o e de um do Eu o cae que.1 r· Elo o que é que . A p tei n o disse . vasculho meu armário à procura de uma roupa que me sirva. nos e um pouco o mó so. seres 121 TI-IÉRESE . Cinderela de pés inchados. os bebês cobertos de Isso os muito. Visto um camisão de seda de flores rubras e verdes. a natureza repete seu prodígio milhões e milhões de vezes. o eleito de seu coração. A cerimônia começa daqui a meia hora. cou-se de que ele e nos o sós.. Há dois dias. É eio d o de co mos consegui s. eu senti dor. desejo de todo o co que o de seu bebê de e . que ocê i à em coso. Os ombros arredondados de mulher grávida são bonitos. o de no i los o n o nos l . in be de todos os lodos. eu tin como o do bebê o . Entretanto. com a mesma segurança com que o Sol desponta no planeta. A do disse é um . São chinelos. com A me o bebê e deu um posso .. dois fanáticos pela 7~Arte. que se u120 de do Elo disse sob e o ho um que dei o ento . O que ainda me serve são os sapatos de pano chineses.

impondo-lhe um limite arbitrário evitamos ver a expressão torturada de sua forma autêntica. soltar teu diafragma. De fato. de _dar-lhe um beijo. virar para a direita. Uma semana é um tempo Infinito para a criança. . ento dos pés nQ 73. ao longo da musculatura.J j cujo corpo é organizado de acordo com um planc: I 'rfeito vêm ao mundo. Dormir de preferência para o lado esquerdo. é um exemplo característico do bloqueio do diafragma. Ele está aqui e não está. comprimem e deformam as articulações. não há nada a fazer. Sonhei com um relógio perdido. • 7 de julho A expressão "vou ter um filho" assume sua dimensão total. escondê-los. mais estreitos no calcanhar que nos dedos. A noite foi longa. um dia deve parecer uma eternidade para o feto. Meus gestos sao cada vez mais lentos. A forma que tem na hora do nascimento. Sei que não estão. eles suportam todas as tensões e dores de nosso corpo. Q 74. Vindas de cima. então. a vida difícil. no seu sorriso imerso no líquido amniótico. com arcadas. Virar para a esquerda. 157 • 29 de junho J ) I. quando começam a inchar : já não entram no lugar onde. os partos difíceis. A meia-volta há meses não é praticada. Penso no rosto do bebê." Sei. pp. por xcrnplo. Será que isso nã vai na Ia? ao vale a pena ser compreendido? Será cabível imaginar um bebê. a musculatura fica fi xível rnaleável. Durante a gravidez. os movimentos como que parcelados. não consigo respirar. . Mas. do pescoço. Os 123 . isto é. apenas deve surgir a arcada. O tempo me parece suspenso. pilares e s~us vinte e seis ossinhos interdependentes. dizem. quando chegam ao fim da cadeia muscular. abóbada. a ansiedade.do pe hurr:ano. soltar os ombros. O hallux valgus. podes muito bem. Eu me adapto a seu ritmo. elas erguem os dedos. vou te lembrar que a arquitetura de nossos pés é um milag~"ede perfeição. Tenho vontade de pegar nos braços meu filho. das pernas. algo que não seja enfiar os pes nos sapatos e tentar esquecê-Ios. J 56 e 757. e suas bordas retilíneas.) ) ) ) QUANDO O CORPO CONSENTE NONO MÊS ) ) ) ) . existem estes horrívei pilões cuja forma nem de longe lembra os pés que há algumas d' cadas nasceram perfeitos? "É a vida. A forma de nossos pés não consegue mentir. quando se começa a ensaiar os primeiros passos. da barriga. não estou dizendo que teus pes estão deformados. de bruços. nunca deveriam mudar. Com dois travesseiros. confessa tudo sobre nossas mazelas ocultas: a respiração bloqueada. talvez seja para tentar abafar o que os pes tem a dizer. mas só os músculos dão f~rma a_nosso corpo. Como esquecê-Ias. se ar:lnhavam tão bem? Não. 122 Se aforma dos calçados femininos não se parece com a . Virar só para a esquerda e pronto. as tensões pros eguem muito devagar durante meses e anos. traz estabilidade e bemestar. Um trabalho sobre os pés ajuda a circulação sanguínea e linfática. que fica do outro lado. as dores do ciático. a fim de não comprimir com o peso do bebê a vela cava. é a vida. om pés pontudos. as cicatrizes de intervenções cirúrgicas no abdome. no seu corpo. ou joanete. há poucas semanas. E. como neste momento precisas ficar bem firme no chão. O corpo não é feito só de músculos. pela base. como tudo se articula no corpo. dedinhos entortados e hcios le calos? Por que. as repressões e compressões de todo tlP?· Mas é possível fazer algo. aos pés. aliás. ento dos to no elos 11. e assim permanece alguns meses após o parto.

Sonia chegou à matcrnid d . Cf oles de - es. h I pe eltamente normal e com bebês se estudo mostram que a~ ~en _ uma anomalia. ucos osprtais teriam crever. co ocar as pala. Antes das férias e feriados. maior uso dne auçaol. mas o O . é preciso verificar se não houve engano na previsão). o mistério permanece. e e ilho i nõo têm est s ciente alcançar o de Aliás. O rim do feto secretaria uma substância que intervém na produção das prostaglandinas. Uma e ui . mais recente. Talvez haja acordo tácito entre mãe e filho? Após nove meses de uma ligação fusional. marcaram o parto para o dia I~. consigo +'01 . Mais uma vez. . e é melhor assim.Isso me um blot . ac. dois seres Uma parteira me explicou que isso significa se que nõo t o te po que tin p juntos . mais orte que a quí' e exceção. sofre. mas não estacorpo não Ele fioI' . considera a responsabilidade do bebê. h r. é por pura conveniência que se induzem os partos. Na realidade. ela ainda constatou que. fi uçao. Alguns pesquisadores acham que tudo se passa no âmbito da placenta. Conhecem a substância hormonal que provoca o trabalho de parto. d N .. a prostaglandina. e p s ceu o 1. " ona re onda para" I vras . O processo de indução fracassa. Entretanto. . resolveu espera h d d evra haver alguma co. o escon ecido. no dia em que já não tolera em seu organismo a presença do feto. Às vezes. se for pela necessidade de tirar o feto de uma situação desfavorável: o bebê não consegue avançar.. an o que . Ira e atacha. " eu nõo. O útero quase não reagiu. Uma terceira tese.. ainda assim. O ln o ige e esqueci tudo o que m~ conteceu no in nci Del . Natacha resolveu esar. mas não têm certeza quanto aos mecanismos que induzem sua síntese. explicou-me ela . os conn em coso. mlca. No dia I? de abril o 'b beA devdlada! a luzia pelo dia 23 de ' e e am a nao se t h 'fi O termo estava atrasado de m a rnaru estado. procedido assim. ho depois d I o Id . O bebê não av ncou I il Iarn nova perfusão. na maioria das vezes. rn o u ilh 'Ç. otei no pel o . . De comum acordo. que Ia fazer o parto a dom' rt: . Na noite de 10 d '. ICIIIO. fizeram-lhe uma perfusão de ocitócitos para provocar s contrações. Segunes o que o bebê onto do ela. Isa nesse atraso Po . a decisão de separar-se só pode ser tomada quando ambos se sentirem maduros para enfrentá-Ia. e abril. cabeça tinha resolvido. uma cesariana . caso de Sonia não duzentas e quare~t:~~~hPartelras belgas fez um estudo I sobre eres cura graVidez foi rfi . op. eu 11 o nto Qu entend p que eu nõo o. cont to com esse bu n de inh I o slgnlll queio tot l. o ritmo natural do nascimento é desprezado. ós s seis ho en~ o caneta. quando esse prazo não é respeitado. 9 horas. Sonia devia dar à luz no dia 10 de abril. mas o médico saía de férias no dia 5. Há q março.. Espera- ramoAs contrações continuaram muito fi . As conclusões do mais longo.A gem de dizer. para garantir que o médico escolhido vai estar presente. cit. u us este me' p Duas folhas com uma letr d 10 ora me co c . o parto pré-programado é cada vez mais freqüente.artifiCial acarreta um trabalho . isso traz conseqüências: isic ente.QUANDO O COlU'O CONSENTE NONO MÊS cientistas procuram saber o que desencadeia o nascimento. E. na geslcos maior p cesarianas e um Apgar dos' '. Mas. por exemplo. ou já expirou o termo previsto (e.. Boa providência. o corpo das mães resiste à intrusão do ritmo médico. e me dele edo d d h nõo sei do o espeito de h .Sonia não teve a cora racas: FOI preCiso fazer va de acordo com a ind . ercentagem de também o caso de Natacha re~em-nasCldo~ men~s favorável. outros pensam que é a mãe que toma a iniciativa. 125 . edo edo d deI sair.. uma semana A parte . É uma "vantagem" que várias maternidades oferecem agora à clientela apressada. a mãe se mostra quase sempre hiperpossessiva depois do parto.

.J ) ) "Dá para andar? A I . h .' b adaptada chega a um Apgar tos cardíacos. Cada movimento. 'esplraçao a co ma .. . a dor diminui aos poucos. t s depois a am u anCl . . conclui a parteira. . As minhas não são. ar~m~çou o baile. subir ate a_ .-' o e dez rrunu os d O minuto. as contrações que Indicam ~ lo valer: Soam onze horas no re ogd a cidade deve estar cheia . Vinte rnmu o . maca. Mas não por muito tempo: uma nova contração me apanha. ) ) . nidade. c . para não afundar na dor. Acho ótimo. Procuro me concentrar. que achava que as primeiras contrações deveriam ser calmas. Vou me levantar. I' Nunca eu havia 'd mortecer os saco eJos.Inu . Deitada na . mas a equipe I r . Meu útero descansa. Apóio bem as costas na cama e mexo a bacia seguindo o ritmo da contração. Pelas buzina as qu . como eu nunca fizera na vida. " L' ~ ra Paris está em festa. sobe quase até a nuca. para diminuir o arqueamento da coluna vertebral. Está na hora. Pega-me a barriga e o peito. Entramos dão da ruela que escapa a balbu. . ao longo das pernas. cada respiração me aproxima do objetivo. Fico de olhos abertos. Sou uma atleta em plena competição. "Não dá tempo de tomar banho". Já chegaram música. Esse . Com a impressão de estar sendo levada por uma torrente. te muito tempo para atrade engarrafamentos. Foguetes. O que estou sentindo não se compara com nada imaginável. Tudo novo. bate à porta uma ter que chamar a ambulância. ção o tônus e os batírnen. A rebentação por fim se acalma. Martin me encoraja com o olhar e a voz. concentrada nos movimentos b I' 'a pára na frente da rnater. Mesmo com Começa a anortecei . tória da ambulância clareia a escuriDá. Sigo na maca e de elevador até as salas de parto. Tudo recomeça com mais força Durante três horas. .varnos e vessar o Sena. faço de novo os movimentos. quarenta anos um . A grande banheira decorada com mosaicos é o orgulho das parteiras: foi uma delas que desenhou os motivos coloridos. uz g~ra irdia do 14 de julho. nem com nada que eu possa ter imaginado. Algo pal"ecido Com um animal de patas musculosas está agarrado à minha barriga É o útero que se contrai. T~lve~a~i~~=1g~~egar à maternidade . d e se ouvem a rua. . Quer tomar um banho para relaxar?" A maternidade acaba de reformar as salas de parto. nós os pais. equipe" . cinc itéri S q' te recebem notas e ta cinco CriellO. Os movimentos ensaiados em casa são como balizas na tempestade. . Que força é esta que toma conta de minha barriga? Eu inspiro. a 2: o grito. Os intervalos de minhas contrações ficam mais curtos. Mas a trégua é curta. tapo' s o nascimento. até o peito. percebido tanto os para e epipe _ . Uma cnança em de entre 9 e 10 pontos . e chegaram para da igreja vizinha. ele desce pela coluna vertebral e sai pela vagina. em ouço nada: estou t d engarrafamento nao vejo n gente can an o. todos na carruone e. o vaivém das contrações toma conta de meu corpo. a I '. Estou centrada e concentra127 ) ) • 13 de julho ) . "O colo está com dilatação de dois centímetros. o animal de patas musculosas está domado.J . a Virzinia Apgar validou há A anestesista norte-amencadn " scDorede Apgar" a fim de teste chama o e . ouvimos ~. obriga-me a uma concentração e a um esforço enormes. A parteira de plantão que eu nunca tinha visto me recebe distraída e me deita na mesa estreita de exames.J 126 ) ) . . não sinto falta de mergulhos. de seis profissionais vestidos de azul-marin o. -ne manda ficar quieta.J ) ) ) . O relógio do corredor indica meia-noite. tres. ergo as na egas pa~a Ia dos das ruas de Paris. Logo eu. 1 . t· os seis da equipe e .) '" ) ) ) ) ) QUANDO O CORPO CONSENTE NONO MÊS o que é o escore de Apgar? ) ) J J . . a o 'b Ih abafado dos fogos e a as janelas fechadas. o ar vai subindo pelos pés. .do recem-nasClC10 a' vida extra-uterma um c medir a adaptação . Na minha b~rnga tam oarto iminente. M' tos depois. E mais uma vez as coisas se acalmam. incontroláveis de minha barriga. solto o ar. teste leva em COI1 _ . mas devagar.

avo. passa a confiar em mim. Aguardo a contração e solto o ar com força. as pernas e os pés. minha Sou a mulher arcaica. Suas rápidas visitas servem sobretudo para que ela examine o colo e me informe a progressão: quatro centímetros de dilatação. Transmiti a vida. u er orte. Acho que ela tem coisa melhor a fazer na sala de plantão. icas.-'. que Jamais vivi. O último gesto de um longo corpo a corpo. "Estou vendo a cabeça". A • - . "A cabeça. Sou a m lhas fimulheres forjadas pela vida. I . Agora faz três horas que ele avança. Bom-dia. VIO encia sao as mais em 0Olho .nha mãe. Sinto sede. O trabalho caminha. o tronco. Julie! Ela está em cima de minha barriga. O corpo viscoso do bebê escorrega de meu sexo. é evidente. nua e suada' sou . Eu sinto a cabeça. Dá uma olhada rápida e faz uma volta estratégica para junto do rosto concentrado da mãe.Essas horas de caos e . como se deve. bastante força. . oonantes. para mim." Eu já contava com a ordem. diz a parteira. essa resistência. A última simbiose. De onde vêm essa força. exclama a parteira. disseram-me. . QUANDO O CORPO CONSENTE ONOMÊS da em mim mesma. Nem me reconheço. O colo está perfeitamente aberto. "É agora. '!. Martin pulveriza umas gotas de água em minha língua. O bebê prossegue seu caminho. ela precisou de nove meses para tornar-se este pequeno ser independente. é ela mesmo. as nádegas. Dilatação de seis: a parteira segura o altímetro. Nossa filha. Dilatação de oito. encostada em meu coração." O senhor pai mal tem coragem de ver.Tudo vai bem. Nove meses. caso seja necessário receber anestesia. aqui está a cabeça". E de algumas horas para sair de 128 dentro de rni1m. E a estou sentindo para valer. os punhos fechados. Dilatação de dez. empurrado por meu útero batalhador. Não se deve beber durante o parto. Imagino que está festejando com os 'colegas. Dá certo. Agora não dá para explicar que. Minha filha. a queda da Bastilha. Sou todas es~ a mae. minha bisavó. "É uma menina!". Solto o ar mais uma vez. Olho mas não acredito. empurre. É uma medida preventiva. por sugestão de Paule. Um deslizar progressivo para o mundo. "O senhor venha ver. Esta cabecinha. essa convicção? A parteira não fica presente o tempo todo. as mais fantást' . Vão saindo os ombros. não vou empurrar. diz a parteira que. os olhos inchados.

Ela estava certa. na hora do nascimento de minha filha. Seu nascimento me fez nascer. Agora uma mulher dá a vida. expressava-se a história de outra menina. Menina que um dia perde o pai para sempre. que aconteceu durante aquelas horas uma coisa muito perturbadora e decerto vital. Além do caráter petulante de minha filha. se tivesse revelado. acho que é parecida com ele. porque incapaz de se comunicar. Havia uma menina ferida. Já contei como foi a dor das contrações fulgurantes. como vivem? Penso muitas vezes nesse parto. Ela é literalmente borbulhante. passados três meses. violento.) • Três meses depois. fosse prova de amor maior que o fato de carregá-Ia em mim durante nove meses. forte. Será que as crianças nascem como são. Foi essa dor que senti de novo. Falei no meu diário daquela parteira que explicava que a dor sentida durante o parto é a dor que trazemos dentro de nós. Julie está com três meses. Sua dor é brutal e muda. Sei agora. arraigada nas profundezas do meu ser. impronunciáveis. Aumentou muito minha autoconfiança. Quando me lembro de seu nascimento. na intensa felicidade de ter acompanhado meu bebê em direção à vida.. na força vital de nós duas. vinte e seis anos depois. É como se uma reserva de força. de separar-me dela para lhe dar a vida. Como se o ato de deixar que minha filha siga em fi-ente. Entendo essa selvagem chegada ao mundo.. Aquelas horas de violento corpo a corpo nos aproximaram mais do que os nove meses de íntima coabitação. Não poderia ser de outro jeito. A emo131 f Ilr . inimagináveis. rápido. E a confiança em minha filha.

Cada vez mais. Este livro também pode ajudar você. nora à p. pensando que é o melhor"alhures" possível. Que pena perder uma terapia tão formidável como a do parto! . nenhumrecurso tecnológico me foi imposto. Penso muito nas mulheres que a química consegue calar. que a técnica amordaça. Outras procuram pequenas maternidades onde existe calor humano. você vai adquirir confiança em si. em todo caso.Talvez melhor do que qualquer tratamento psicanalítico. Confiança em si. É um nascimento a dois. Algumas preferem ter o filho em casa.. ela quase não me falou. nem nesse hospital nem em outras maternidades parisienses. sei que não é o costume. O que esperamos. Seria por causa dos festejos do 14 de julho? Seria o meu jeito confiante e decidido? Seria porque tudo se passou bem e depressa? Ninguém. Gostei muito disso. A parteira era totalmente "discreta". precisa ser descoberto pela própria interessada. ção do nascimento arrancou a tampa cuidadosamente apertada sobre a minha dor infantil. Paule. como eu mesma consegui durante nove meses. no bebê. Nenhum anestésico. (N. Reviver a emoção da morte na hora de dar a vida torna a dor bem mais suportável. mas com confiança. no meio que a cerca. Faça isso por você e seu bebê. a própria história.a de seu corpo -. fugir. mulheres que foram sobretudo feridas ou frustradas pelos partos sem respeito começam a procurar outra coisa. das quais ela apaga a memória.. da T. É preciso ir atrás delas. • Cf. Ao descobrir a mais segura realidade . minha mãe e eu. Vai descobrir que seu corpo foi feito para dar a vida. e não me propôs. nem impôs. eu a vi pouco. de redirnir-sel Mas é uma via que não está traçada de antemão. Mas todas sabem que esse caminho para um nascimento mais livre. Porque meu corpo não podia tapear. Ele tinha de participar para pôr meu bebê no mundo. um co-nascimento*: seu relacionamento futuro será melhor e mais confiante. defender-se. Não com um machado.. É o que espero. Decerto percebeu que eu preferia assim.) 132 133 . parteiras atentas desejam ouvi-Ias e ajudá-Ias.QUANDO O COJU'O CONSE TE TRÊS MESES DEPOIS . Discretamente. E ninguém veio dar uma olhadela . nenhum gesto médico.na sala. mais 'responsável.. O parto estimulou zonas de minha memória até então inacessíveis.que eu teria achado indiscreta . 58. nada. O saber e a experiência dessas profissionais são insubstituíveis. Que pena não aproveitar essa fantástica oportunidade de renascer. Acho que não teria sido a mesma mãe para minha filha se eu não tivesse refeito esse percurso e tratado minha dor. interferiu nessa hora de chegada ao mundo.

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sentir como tudo está ligado dentro de seu corpo: a parte de baixo está sob a dependência da de cima. . que você pode fazer com o pai de seu filho. ninguém imagina que também o olho direito fique mais aberto e a face direita mais relaxada. Quantas vezes por dia ou por semana é para fazer? Só o seu corpo pode saber. se depois de trabalhar o pé direito ou a perna. Mais do que "exercícios". são qual água benfazeja que. Surpreendentes porqu . mexer os olhos. sati feito.Eis a descrição dos catorze movimentos já anunciados e mais outros dois. não sinta mais necessidac1. até o momento em que o corpo. Entretanto. São rápidos e não exigem grande preparação. à revelia de todo mundo. Se sentir necessidade. uma cavidade reage à outra. Com um pouco de concentração. por exemplo. a cada dia. a da frente responde à de atrás. é isso que você vai constatar e assim. por assim dizer. Só você pode perceber como esses movimentos vão modificando aos poucos o seu modo de relaxar os maxilares. faça diariamente os que mais lhe agradam. e peta-se que eles se tornem mais flexíveis e alongados. São "movimentos imóveis". você consegue fazer alguns deles numa sala de espera. 137 . é absorvida em pequenas porções por suas células. ão se trata c1. respirar e despertar a inteligência profunda de seu corpo. Seu ponto alto é a extrema precisão e os surpreendentes resultados obtidos. fisicamente. um "programa" que é preciso cumprir e vencer a todo ust . no ônibus.

en o tando=s . os movimentos de todo o seu corpo prestes a se abrir para o nascimento.qu 'nos "sim" om a cab 'a. 2. Se lhe vierem à cabeça. somente vinte e seis bebês conseguiram. mas ti 'i c os lábios fc . logie. Sabemos muito pouco a respeito dos movimentos ínfimos. oitenta e um se viraram espontaneamente após as mães serem submetidas a sessões de hipnose destinadas ao relaxamento. os do útero. e sua vontade de dar à luz será poderosa. Com a ponta da língua. Pas i a língua. Solte os maxilar '5.laxa 10. pelo lado de dentro. os músculos flexíveis e dóceis. No grupo-controle. assim como para reconhecer e aceitar sem medo. E preciso que a cadeira tenha a altura ad quada às suas p rnas. d preferência descalça e com os pés bem apoiados no hã .hados. D scubra as comissura à dír ita . siga d . costumam perguntar minhas alunas. t ntando descobrir com a ponta da língua a forma qu tem sua boca de lábios f chados.licadarn nte. o ntorno d )$ lábios 'n 'o 'lados. p . 1. inguém vai pensar em soletrar letra por letra as palavras' de uma arrebatada declaração de amor na hora em que está sendo feita. são como elementos de um alfabeto indispensável para discernir os movimentos. "Os movimentos devem ser feitos na hora do parto?". à boca. T nte um Jev 'sorri e descubra. são parentes próximos do útero e do sexo. virar de cabeça para baixo". sempre com suavidad .. Seus olhos. d I V" 0111os rnús ulos r . arnudos macios. desse modo. boca e respectivos movimentos representam um papel muito importante: embora por sua situação fiquem longe. 2. a percepções do corpo. A Para mim. aos olhos ou aos dedos do pé. ( n (jAMA).':>. citado em ho- Este movimento ajuda a distinguir os músculos da boca que têm o costume de fazer juntos uma porção de 139 138 . O medo e o estresse podem contrair as pupilas de seus olhos tanto quanto contraem os músculos de seu útero. por exemplo. I> um Ia 10 para o outro. contínuos e profundos dos nossos órgãos dos sentidos. o sistema neurovegetativo. Mas sua língua e respiração vão tornar. isto é.QUANDO O CORPO CO SENTE MOVIMEN'roS Você pode até melhorar a velocidad a precisão das ordens nervosas entre seu cér bro mC1 ulos.e suaves. elas descontraíram a parte inferior do útero. de dentro e de fora.squ rda. Estão fortemente ligados ao seu sistema nervoso involuntário'. jou o edi abril de 1995. Esses movimentos não dependem da vontade.) . cujas mães não fizeram hipnose. po do céu bo os l os Este movimento da boca pode ser feito com você sentada numa cadeira. o ç língu 1. mas decorrem estreitamente das emoções. pod '111 les . qual a forma de s u s rriso. quando chegar a hora. de cem parturientes cujos bebês estavam em posição sentada. As mãos b m soltas de palma para cima. Pode aguçar as percepções dos mú culos que não são comandados voluntariamente como. m contudo se separarem um do outro. Um recente estudo norte-americano mostrou que. Com ce faz n I. Percepções preciosas para que você permaneça em contato e harmonia com seu beb durante toda a gravidez. sozinhos. que estava impedindo a criança de encaixarse normalmente. sempre de dentro. sim.ansar s )hr'" as r rnas.magin I que seus lábios se alargam.

com a ponta da língua. Na primeira vez. Ao terminar os movimentos rt"ito~ dl'HI. Relaxe na hora da inspiração. Só se atenha ao maxilar 141 140 . pernas flexionadas. esse é um movimento da boca. no assoalho da boca. rígida. tateie a palma da mão.' <lt"v:lgrlr . Relaxe agora a face interna das coxas. Que será ainda mais eficaz. Sempre com a nuca bem alongada. Vá com calma.sempre na hora de soltar o ar . o quanto possível. deix a l o 'a Ie . quando sente qu vai soltar o ar. pode ficar sentada. sobre a gengiva dos molares superiores e volte lentamente para o meio. encoste bem uma coxa na outra. sem pro urar alt rá-lo. O u go do céu 110 :-. as do corpo todo. Relaxe a pressão ao inspirar. leve a língua para a direita. saber difer nciá-los e comandá-I os pode ajudar a relaxar as fortíssimas tensões musculares da boca e.' 11. Entreabra os maxilar s e. Não contraia os lábios nem feche os maxilares após cada pressão. para o lado. os músculos do maxilar. Faça isso por um minuto. VIII' '. embora o conhecimento tátil e sensorial da própria boca pos a ajudar você a ocupar seu espaço interior. em forma de cone. devagar. mas não c rra los. com calma.I Como é o interior de sua boca? Quase ninguém sabe. Distinguir os movimentos que vêm dos maxilares. Passiva. Percorra em todos os sentidos a parte rígida da abóbada palatina. os que vêm da língua e os que vêm dos lábios. no momento de soltar o ar. Deixe a língua voltar ao seu lugar na boca e recomece. Agora. sozinha.se. Procure não contrair nem afundar a nuca. como já foi explicado no movimento nº 2." cos. pousada dentro da boca.1 Coloque com suavidade a palma de sua mão direita sobre a boca. não deixe um milímetro sem ser examinado. encostada no chão. é melhor fazer este movimento estando deitada no chão'. 'I' int ' contrair a língua dentro da boca. Agora. os maxilares encostados. Depois. em conseqüência. Deite-se de costas. encoste-a no céu da boca. .hada.. Agora. pés encostados e pousados no chão. Observe como você respira e.111 111111\1. Os músculos dos lábios também devem ficar passivos.111. o ritmo de sua respiração. sem tapar as narinas.1<1 possui só I ara 'Ia dezess te músculos.1 "II\'\('I ~. Faça isso duas ou três vezes. Faça isso durante um ou dois minutos. Bem forte. A região lombar. As coxas e tão juntas. Contrair esses músculos conscientemente é a melhor maneira de conseguir que eles se alonguem e relaxem.11 de sentar-se. procure apoiar a ponta da língua na palma da mão. Observe.QUANDO O CORPO CONSENTE MOVIMENTOS movimentos automáticos. 3. quando estiver habituada. antes de começar. A língua deve estar pontuda. Com a ponta da língua bem à vontade.11. tem força para afastar a palma de sua mão. 2. Ap6i '-IiC no ('otOVl't<l 1>. Pois é. Faça com que este trabalho seja um puro movimento da língua. Enrijeça a língua e procure empurrar a palma da mão . sem fazer nenhum movimento hru:ic<l ("<lII 1 . Abra e feche a boca como um peixinho de aquário. tentando deixar a língua muito grande. Tente perceber como ela.\'1111)1(' e ainda deitada. você já tiver alongado os músculos da face interna das coxas.cada vez com mais força. I ou IU»). Sente-se ou deite-se de costas no chão. executado de modo preciso na hora da expulsão do ar. ó estã trabalhando os masseteres.I 11'/:1. para a gengiva dos incisivos centrais. a livrarse das tensõe nos maxilares e a facilitar o vaivém do ar aos pulmões.

lentamente. você stá 1 rnbra ta. Apóie nele a língua no momento em que você solta o ar. Na época em que o tamanho do útero dificultar esse movimento. parando um instante sobre a raiz de cada dente. até o véu. você precisa de uma bola bem mole. Encoste a polpa digital do polegar direito no lado direito do céu da boca. Retire o polegar. aos maxilares. se você se s ntir à vontade nesse movimento. O sacro. ornpare suas sensações quanto ao s i s n. mesmo que esse dente já tenha sido extraído ou nunca tenha apontado.ls. leve a ponta da língua para cima. Faça pressão. Em .1 '('01) v xa do lado Ias . Preste atenção na respiração e. Pare nesse miniumbígo. coloque a palma da mão esquerda sobre a mão direita. Os pés devem ficar um junto ao outro e bem encostados no chão.nada. Siga delicadamente essa crista que separa seus dois palatos. sobre o púbis e o sexo. Faça o mesmo percurso para o lado esquerdo. você vai encontrar como que uma linha divisória.1/):llIl.v.1rri '. pressione o céu da boca com o polegar. ) ) QUANDO O COlU>O CONSE 'TE MOVIMENTOS ) ) ) ) ) ) . Agora. um dir ito e um esquerdo. Faça esse percurso interno vária vezes.ula-sc '0111 os ossos Ia h:lci:1 ' orn '1 úluma vórt hra lombar. Coloque a ponta da língua sobre a gengiva dos incisivos centrais.ltl.ix. Percorra essa região em todos os sentidos. situado nessa crista. Cuidado para não contrair o ombro ou o braço . os dois dentes da frente. do tamanho de um pequeno melão. quando sentir vontade de soltar o ar. Como um berço Para este movimento.rior arti 1. pernas flexionadas. As "cristas ilíacas" . que separa dois céus da boca. o sacr a n i . a se alongarem. Vá apalpando o contorno dos ossos da bacia.1 h. 4. em dir ção à gengiva do dente do siso superior direito. ir além dos molares. Relaxe a pressão quando você inspira. quase no alto da arcada. Deite-se no chão de costas. como dizem os livros de anatomia.. quando vo ê 'SlÚ I . forma lima 'SI "'i' I berço onde ficam aninhado o útero c a barriga. durante umas dez respirações serenas.1forma .J ) ) i) superior. Tente. desse modo. firme mas sem violência.ostas ' 'ônc. depois. Volte para a parte rígida e para a gengiva.ima.om (.l V. Ele está situado bem mais abaixo do que se costuma imaginar.IIa-s' . pelo meio. Com os dedos.1is. 'óc~ . Depois. Não precisa apertar. VacA vai encontrar com a língua uma espécie de pequeno "umbigo".1. Sempre com a maior precisão e leveza da mão. É claro que suas unha d vem estar curtas. tente seguir-lh o contorno. umas dez vezes.I 10 lado 1. o movimento pode ser feito com os braços estendidos ao longo do 143 . Compare o lado direito com o esquerdo. Pressione. D scans '. Por isso.pulmões. os ossos dos "quadris" como se diz usualmente. E suba lentamente a arcada do céu da boca. mas elas precisam mesmo estar ~paradas I ara a chegada do bebê.rdo. Tente sentir com a ponta da língua a diferença de relevo. não insista. procure o cóccix bem no fim da coluna . para o véu palatino. ornpare o espaço interno do céu da boca direito om o squ . SlI. Ou mais ainda. Ajuda os músculos lombares a se descontraírem. e o polegar esquerdo à esquerda do céu da boca. no rego das nádegas.. a parte flexível do céu da boca. aos 1!j2 brônquios e aos . Ao toque da língua. Afaste ligeiramente as pernas e coloque a palma da mão direita entre as pernas. a ponta inf . encoste de novo o polegar direito à direita do céu da boca. é um o so de forma triangular no fim da aluna. a diferença de temperatura dentro de sua boca. Vá apalpando eu sacro.

ix) c já não nc sta no chão. Preste atenção à respiração. ficam prontas para receber sua barriga. Obs rve Olll rr isão o lugar on Ic I começa a erguers (em lir '. ser de até. Tente perceber sua forma seu entorno a partir do contato com o chão. vai sentir também suas reações no exato momento em que você conseguir alongar as costas. pés encostados um no outro. seus líquidos. por um jogo de compensações. se afundam como um berço. como se os músculos concordassem de um lado para recusar do outro.. Para ste movim. Descanse de leve as mãos na barriga e saboreie o conforto e a segurança do sacro encostado no chão. à altura do sacro e da cintura. Todas as partes ósseas. três centímetros se você suportar b m. Deixe a região lombar apoiar-se no chão com suavidade. Desde que você perceba os movimentos do bebê. sacro. e quando sentir vontade de soltar o ar. e os ombros bem encostados no chão.. e tente relaxar os músculos "adutores" do interior das coxas. Tire a bola. Conserve encostadas as pernas e também os pés. 5. É provável que ele se ponha aos pinotes. Depois. Os pontos correspondcm aos lugares onde devem ser colocadas as bolinhas. feliz por ficar à vontade nesse espaço que você lhe oferece. Pod m 144 145 . Procure observar contra suas mãos a força dos músculos (os adutores) que ficam na face interna das coxas. do c s e . ão 'I ponta inferior perto 10 Ó' . seu útero. é pr iso qu . mas sem forçar. ossos da bacia .v ~ t nha duas ou três bolinhas de dois c ntímetros de liâm tro. p rnas flexionadas. Deite-se de costas. no máximo. Depoi . aperte uma coxa contra a outra. Tente manter a nuca calma e alongada.ento. Costumo usar bolinhas de cortiça porque é um material suave e agradável ao tato. talvez você sinta a nuca se arquear e encurtar. À medida que a parte inferior das costas se alonga. Repita isso durante umas trê ou quatro respirações tranqüilas.coluna vertebral. e contraia o interior das coxas. descanse as mãos ao longo do corpo.QUANDO O COlU'O CONSENTE MOVIMENTOS corpo. não faça nada: isso é o mais difícil. Con entre a at nção no sacro. sua placenta e seu querido bebê. Repouse os braços ao longo do corpo. densas fort s da face posterior do corpo .se encostam no chão. e coloque a bola sob o sacro e o cóccix. como no movimento nº 4.

encoste a cintura no chão. Tente soltar a. isto é. como se os pulmões se alongassem até a cintura. dos ombros.1 . não erga as costas para fazer isso. 7. na mesma altura.. simetricamente. Assim que o lado direito entende esse contato com um corpo estranho. ou para baixo. é preciso mudar a bola d lugar. de cada lado do sacro. deixe os pés encostados um no outro e bem apoiados no chão. Fique atenta ao ritmo da respiração. os calcanhares na mesma linha cios joelhos para 147 j ) ) . quanto mais dói. tensões da região lombar. Encher. Depois. preste atenção na respiração.[ dir 'ita do sacro. Co o pequeno pul o ent e seus ou idos . Abra a boca e deixe a língua alargar-se lá dentro. Faça como se. Mesmo que o contato seja leve.J ) j ) . procure fazer uma leve pressão com o corpo sobre as bolinhas. você tivesse dois minúsculos pulmões anexos que também quis s m respirar. e apr ci a'hrgu ':t. fique descansando um pouco. imetricamente. melhor. sem fazer nenhuma contorção. Não no osso do acro. coxas juntas. mas dos lados você não sente nenhum osso nesse espaço. as costas. dentro de um ritmo r no. bem à direita para qu o contato fique mais perceptível e sem doer. Quando se sentir à vontade. Em seguida. da nuca. Deite-se de costas. com as pernas ainda flexionadas. Assim. faça também uma leve pressão sobre as bolas. ficam as duas bolas de cada lado do sacro. e como você percebe sua re piração. Ao retirar as bolinhas. Quando sentir vontade de soltar o ar. mas p . os ombros. não faça nada. ma que não S eja mu ito dolorido. sem erguê-los nem mexer com as costas. do tamanho de um melãozinho .. Ao fim de um minuto . Quando você tiver dominado bem esses movimentos. Tente descobrir na linha da cintura o espaço entre o osso da bacia (crista ilíaca) e as costelas. depois estique as p ma I V'lg~1r. Não acredite que. você se sentir bem -.IJ os a ou tra.. Com calma. Encost 0111 I elica I za as mãos na barriga. desde os ombros até o sacro. você sente o contato. fazendo uma ligeira massagem no útero quando o ar pa sar. Deite-se de costas. Cuidado.ou mais. Se for. D 's ans ' o ( 'I11j)O qu ' pu ler. mais para a direita. É claro que o corpo ainda deve ficar em contato com ela. Depois.. bem para o lado de fora.J . tire as bolinhas c m um g .a ele suas . Deixe os pés caír m à vontade e saboreie o apoio confortável da barriga das pernas. as eventuais reações de suas costas.. coloque a outra bolinha à esquerda. quando sentir vontade de inspirar. O movimento é interno e muito leve. perto do cóccix. poderá num outro dia passar para o seguinte. UI1l:1 . ficam as vértebras lombares. relaxe as costas. . coloque a bolinha à direita da cintura. Abra a boca. no lugar onde você sente que ele com :a as' ara tar do chão. Respire com calma em direção às bolinhas. coloque outra bolinha à esquerda.J ) ) ) ) Pegue uma das bolinhas de cortiça loqu '-. isto é. Pegue a bola macia. das coxas encostadas no chão. S u orpo fica pousado na bola.J . cl i- xando escorregar os calcanhares no chão.) ) ) ) QUANDO O COlU)O CO SENTE MOVIMENTOS ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) . esvaziar. 6. da barriga. co t espi de . Observe esse contato.rto d ' sua I orda. encoste a cintura no chão. isto é.sto simples.ostas. os pés encostados e bem apoiados no chão. Atrás. j onha-a mais afastada do sacro.. já está bem. e observe com cuidado como se encostam no chão a cintura.

a nuca e o pescoço se habituem e consigam largar seu peso em cima da bola.ntos dos olhos mais livr '5.. de faz r a rigi lei': "IS iniI i . Concentre a atenção na nuca e nos ombros. ão precipite o ritmo da respiração.QUANDO O COIU'O CONSENTE MOVIMENTOS que a cintura encoste bem no chão. Repita umas dez vezes. Se con eguir. Tente não erguer a cintura nem mexer com a nuca. Várias vezes. Agora. tente voltar o olhar para a bolinha à esquerda. a uma distância que corresponda ao comprimento de s us braços. deixe a língua bem alargada. Talvez você sinta uma grande diferença de movimentos entre um lado e o outro. tente fazer uma leve pressão na bola. Bata os cílios umas dez vezes. Descanse os braços ao longo do corpo.10. Os maxilares continuam soltos. querer também ir para a direita. Deixe a língua alargar-se na boca entreaberta. procure desfazer a crispação. e o pescoço. Refaça o movimento várias vezes. E olha um ponto do teto. Abra a boca. na 1 ral ele cansam o peito e a barriga. atravé s <. Procure localizar com cuidado onde a sua cabeça e apóia no chão. Agora. Nas prirn iras 2 s. Relaxe a pressão quando inspirar. sem mexer a cabeça.. Estique devagar as pernas.xo qu ' S' nchc 'se svazia levemente ao ritm de SU. à altura dos olho bem abertos. Deitada. Não é ele que deve se esforçar para ver o teto.I r('sl ira '. Cuidado.1 st trabalho. Procure fazer pequenos "sim" com a cabeça. e volte para o centro. nem barulho com a garganta. pr gada no hão. descansado. Procure alongar a nuca. tente não tirar os olhos do ponto de referência no teto. coxas juntas. entre as orelhas. dirija o olhar para a bolinha qu está à sua dir ita. mas só com a parte diant ira 10]1 scoço quando você aperta a bola com a cab ça. S'I TO a' ostas são como uma base firme. A cabeça continua bem encostada na bola. Abra a boca e relaxe a língua. N(lO é pre iso faI H zcr barulho com a boca. procure de novo o seu ponto de referência no teto. tornar O' movim . no momento em que solta o ar. com os pé s encostados um no ou tro e bem apoiados no chão. o rosto se afa ta u se aproxima ligeiramente dele. mas abra bem os olhos. quando você sentir vontade de soltar o ar. sem fechar a boca. não embaixo da nuca. De acordo com a respiração. 8. como uma folha de nenúfar. Sinta como a cabeça e os ombros se apóiam no chão. d cada lado do seu rosto. Agora. ou a Iíngua.mbai o Ia cab ça é uma espécie de pulmão an .. Apenas com os olhos. não empurre a cabeça para trás. por dua ou três vezes. como se fosse um travesseiro. a língua bem larga e à vonA 149 . relaxe ssa pressão na hora de inspirar. encoste a cabeça no chão. Espere que a cabeça. deixando os calcanhares escorregarem um depois cio outro. É possível. Para isso. A bola g~~111(1' . Coloqu as mãos entre as pernas e aperte uma coxa na outra. os olhos i . faça est movimento leitada no chão. Tente fazer pequenos "não" com a cabeça. faça os olhos irem de uma bolinha para a outra. Coloque a bola grande e ma ia sob a cabeça. Descanse as pernas ainda flexíonadas.~e' que vo nem perc Dia c qu fazem part da sua hi tória quase desde o seu prim iro clia ele vicia. Agora. Se a nuca quiser se contrair. Procure acalmá-lo e mexa só os olhos. são os olhos. Depois. sem parar m nenhum dos lados nem no meio. que se oferece à pas agem do ar. sem erguê-Ia do chão. Talvez você sinta o maxilar. mas para o alto da cabeça. Retire a bola. Descanse os braços ao longo do corpo. Abra bem o olho e olhe para o teto na direção de seu rosto. Coloque as duas bolinha no chão. Respire devagar. apenas aberta e relaxada.

deixando os calcanhares escorregar m no chão. esse movimento não deve ser rápido. o l c beç c u ecé ido . Continue assim durante dois ou três minutos. eles procuram com o nariz. as mãos soltas e estendidas com as palmas para cima. Descanse as pernas flexionadas e. um pouco afastados e bem apoiados no chão. perceba as sensações de s u rosto. Depois. Role a cab ça para a direita e para a esquerda. a respiração livr . Se. apertados. estenda as pernas. com os maxilares relaxados a máximo. que sentir vontad de soltar o ar. mais alerta e mais flexível. descanse os braços ao longo do corpo. Sente. Virar a cabeça para um lado e para o outro é um dos primeiros movimentos dos recém-nascidos.I ) ) QUANDO O COIU)O CONSE TE MOVIMENTOS tade. provisoriamente. o col ue teb l . agora. c m toda a pele.sem erguê-Ia . toque com os dedos a orelha direita. livre e cheia de harmonia. flexione le novo as pernas e repita tudo com o lado esquerdo. As coxas ligeiramente afastadas e bem na direção dos quadris. pernas flexionadas. A voz materna. que estão s mpre se contraindo.. à altura dos olhos. É uma ligeira depressão no alto da caixa craniana. Aqui. bem como a respiração. Deite-se de costas. Preste atençã no ritm da re piração. role-a para a direita . Esse movimento arcaico. o lóbulo da orelha. se puder. A perna direita talvez esteja agora mais comprida que a outra. nos dias seguintes. em precipitar a respiração. e propagam até a bacia. no momento em l'iO 10. que seja por menos tempo. as pernas. São encurtados por natureza e p Ia acontecimentos da vida. continue o movimento durante dois ou três minutos. você fizer este movimento sentada. as costas.antar " desse modo. no lugar onde os ossos se juntam. é claro) e aperte de leve. e sobretudo não vir a cabeça para eles. fibrosos. estenda lentamente as pernas. Depois. volte ao centro. s vibrações c!' suas cordas vocais podem faz r a coluna vert bral . Escolha pontos de referência de cada lado do rosto. devagar.. na qual. pés e pernas encostados. que também você já fez se lhe deram tempo para tanto. eu o recomendo agora para melhorar a flexibilidade de sua nuca. Sente-se numa cadeira na qual os pés toquem bem o chão. bata os cílios bem depressa. lcsd o s xto mês. procurando manter a cabeça no centro. pelo olfato. 9. a nuca se retrai e se esconde entre os ombros.como para pousar a orelha no chão.. À mínima emoção. É uma lembrança de seu nascimento: se você nasceu naturalmente. procure rolar a cabeça para a dir ira p usar a orelha. Alongar a nuca não é nada fácil. o bebê escuta com os ouvidos e. o enche de bem-estar. paralelos e ligeiramente afastados.. tudo orncça na nu a. do lado direito. Volt para o centro na hora de in pirar. porque ela é revestida de músculos curtos. foi a fontanela que viu a luz em primeiro 151 . Se não for desagradável. Faça com a cabeça alguns "sim" tentando olhar para o peito e para a barriga.. entre os dedos. tente sentir qual dos dois lados parece mais leve. do lado esquerdo. Agora. Toque com o dedo sua fontanela posterior. Apenas os olhos. os pés paralelos. volte o rosto para a frente e recomece. siga delicadamente o contorno do pavilhão auditivo (antes você deve ter tirado os brincos. Depois. provavelmente bem antes.e num banquinho. o seio nu triz da mãe.. Depois. Com vagar.

Sempre de olhos fechados. Os braco estendidos ao longo do corpo. Que seja apenas uma vibração interna. aperte uma coxa na outra com os músculo "adutores". Procure encost. Depois. mudando às vezes de tom. unca faça o movimento seguinte sem antes retirar a bola. que fica em cima da cabeça. s '111 a p . Com a mão direita. feche os olhos e. Em seguida. comece a olhar no teto um ponto real ou inventado. sempre em busca do mesmo ponto. em erguer a cabeça. com a mão desc ndo.. d prefcrê nia om a palmas voltadas para o alto. sob as pálpebras abaixadas. acompanhe seu arredondado com a palma da mão. deix os I raços s [tos ao longo 10 orpo e pro . tente manter a fontanela para cima e avance um pouco os lábios como e fosse dar um beijo. Deixe a boca entreaberta.' a costas resistirem. que ficam na face interna das coxas. Depois. mmma.QUANDO O COlU'O CONSENTE MOVIMENTOS I: lugar.. na nuca. Depois. no peito. Depois. Não confunda com a fontan Ia ant rior. concentre a atenção na fontanela posterior. Com a mão esquerda. erga os olhos para o teto. deixe as pernas ap nas juntas. Fixe-o durante alguns segundos. se não lhe custar esforço. imagine que ela tem um olho. Continue assim por um ou dois minutos. Procure fazer com que a boca continue passiva e a respiração livre. Agora. não insi ta. nos lábios. com os olhos bem abertos. deixe passar um som por entre os lábios estendidos: "Mmma. estenda sobre as pernas suas mãos soltas. Tente abaixar só a nuca. íntima. l11lTIJua Procure perceber a ressonân. tentando perceber as vibrações de sua voz cada . basta fazer isso quatro ou cinco vezes. Se o tamanho da barriga lificultar ssa 010 ação da mão entre as pernas. dos lábios ao períneo. traga bruscamente o olhar para a barriga.ar b m no chão. Depois. i to -. De pe to e de longe ou qu os olhos j de n . e olhe d novo para o umbigo. respirando naturalmente. sobre o púbis e o sexo. incline um pouco a cabeça para que ela possa "ver" o que se pas a diante de você. Erga a cabeça e repita várias vezes. Afaste um pouco as coxas e coloque a mão direita entre as pernas. retome o movim nto n? 4. acaricie o ombro direito.. Continue esse vaivém várias vezes.. devagar. é melhor. movimente os olhos rapidamente em todos os A 152 153 . o Deite-se de costas." cia desse som no seu corpo. Várias vezes. Acaricie a nuca de leve. mas com um som sempre sutil. Depois. retire a bola e deixe as co ta bem pousadas no chão. coloque a mão esquerda obre a direita. feche os olhos. Se sentir que dá para continuar. pernas flexionadas. descans um momento deitada de costas.1xando a pr ssão quand vo inspira. pés encostados e bem apoiados no chão.ur 'lJ errar as coxas lima na outra. " /1.rtar. Sem roupa para atrapalhar. repita o movimento por dois ou três minutos. com a palmas voltadas para cima. Depois. sem bloquear o ar. acaricie o ombro esquerdo. no qual e coloca uma bola mole sob o sacro durante alguns minutos. vez mais para baixo. Abra a boca. r '1. a língua bem alargada dentro da boca e os lábios sem se mexer. não as costas.. a parte carnuda e a suavidade le seus lábios. Em seguida. Procure ntil' o volume. no nariz. cada vez que soltar o ar. da cabeça para os ombro .

Ao tentar aproximar os tornozelos sem erguer os joelhos. Várias vezes. Preste at nção em sua 110 a.) ) ) ) ) QUANDO O COHPO CONSENTE MOVIMENTOS sentidos. As fibras contraídas não têm mais capacidade para desempenhar sua função natural. ri . o que pode lhe parecer quase impossível. perna f1exionadas. l'ilÍ procure olhar o peito e a barriga. mas eles estão tão acostumados a permanec r contraídos que se tornam impotentes.. a fim de alongar os músculos adutores.J . I . h '111 curto. depois st nda o braço ao longo do corpo. e a respiração mais s rena. é claro. estique as pernas com cuidado. t nte p rceber se os maxilares estão mais soltos. como já vi 155 . Sem forçar a abertura. você vai precisar da absoluta flexibilidade desses músculos. Depois desse movimento q I ' (. você está pedindo a eus músculos "adutor s" qu façam aquilo para que foram feitos: aproximar as coxas. Continue a in pirar pelo nariz. mas solte o ar devagar pela boca. homens e mulheres.rnas l'st{'nditl:ls.xione as pernas.. entre as coxas. Mantenha assim o maxilar aberto. pois. afastar as coxas à força. !TI in S rrados. por razões anatômicas e fisiológicas específicas. [) 'ite-se de novo de costas. Sentar-se em posição de Buda. sem dobrar a nuca para trás. ão é tão fácil as im . . Depois. Enfie os dedos indicador e médio da mão direita na boca e pressione a base do maxilar inferior. p gue a bola grande e macia. coloque os dedos no osso da mandíbula. escorregue os calcanhares para não abaular as costas. que seus músculos "adutores". para ex cutar bem ess movimento.. Em seguida.. Fique com as pernas estendidas e faça alguns "sim" com a cabeça. Faça isso com delicadeza. sem contrair o ombro nem o braço.1 vez. tentando olhar para o peito e a barriga.. Durante um minuto. Ouando aface interna das coxa . estão contraídos na maioria das pessoas. perto do s xo. coloque-a sob o sacro. ) ) 12. talvez você esteja sentindo que precisa fazer muita força entre as coxas. estenda devagar a p mas ' cI 's ans . todos os músculos posteriores do corpo precisariam estar flexíveis e soltos. retire a bola e descanse . se você não conseguir encostar de todo os tornozelos as bordas internas dos pés. Por enquanto. e não em cima dos dentes. procur p rceb r a t mperatura de seu sopro que pas a sobre a língua a ada r spiração. na hora do nascimento elo b bê. Alargue a língua. Out 1'. sem torcer os pés. não desanime. depois. não se preocupe. concentre sua atenção nas pernas que estão estendidas. Se mesmo assim as costas se arquearem. sem erguer a cabeça. vire-se d lad para (I 'SCIIlS. O pouco que você fizer já ajuda a alongar a musculatura. mas não se trata disso: são os músculos das pernas que estão encurtados e repuxam as articulações dos joelhos.J ) ) Deite-se de costas. sem erguê-Ias do chão.. Talvez você tenha a impressão de que os joelhos são "muito grandes". que não devem erguer-se. como no movimento nº 4. e bem devagar tente aproximar os tornoz los. Convém logo esclar er qu . na altura da raiz dos dentes. Entretanto. Saiba. De modo algum lhe parece que você esteja alongando algo em sua musculatura. como você faz quando está dorrnin 10 'sonha. as costas e a nuca se acalmem e fiquem bem encostadas no chão. Espere que a região lombar. sem deixá-los "envesgar" para dentro.lr um I oucx . Depois. bem como por razões ligadas à história pessoal. pés bem apoiados. se possível. ligeiramente puxado para o pescoço. sem erguer as costas nem compensar de qualquer outra maneira.J ) . da nuca aos calcanhares. Por isso. Continue assim por um ou dois minutos.

descansá-los e alongar a musculatura. Depois. depois de bem deitada no chão. necessita da força dos músculos ant riorcs da coxa. nspir. tente abaixar o 157 . Depois. É normal: quando um grupo de músculos se alonga.. vo ê já conhece esse movimento. no meio. os "quadríceps". relaxe a pressão ao inspirar. com as palmas viradas para cima.. Abra a I () '. o que é excelente para desenvolver percepções outras que a visão. procure afastar o dedinho mínimo para fora. procure empurrar o calcanhar para longe de você. procure sentir em qual dos pés você se sente mais segura. Tente aproximar d vagar s tornozelos.. com par os apoios do pé direito com os do esquerdo.io diferente do olhar. pode ser difícil.vc o P " na bolinha no. mas deixe a perna bem pousada e no eixo. aponte de novo os dedos do pé para o teto e. ndo pl nt dos pés espi . Porque. para que o pé esquerdo encoste no chão. as ostas e os jo 'lhos. Evite retorcer os dedos do pé. Você se surpreenderá com a rapidez e a qualidade dos resultados obtidos. Não apert s maxilares. Repita várias vezes..oloquc Lima ela. imagine que você respira pela planta elo pé tanto quanto pelos pulmões . En ost ao máximo no chão a nu a. Prepare as bolinhas de cortiça. feche os olho. apoiando bem todo o dedos no chão. Fa a isso uu mx (Io/. e forçar os músculos só pode provocar um reflexo inconsciente que leva a contrair a região lombar.mu-r (l. os antagonistas se contra m. Ademais. • p ma estendidas. o que não é desejado. no lugar on I ' fi '~Iritl'l . de boca aberta e língua alargada . a cintura ou a nuca. QUANDO O COlU'O CONSENTE MOVIMENTOS fazerem com gestantes. momento m qu ' vo('~' v:li soltar o ar. Agora. esforço esse que deve ser feito no momento de soltar o ar. tente percebê-lo por um rn . mant n 10 o I ' no seu eixo • isto é • sem desviar para o lado.. Esse pequeno movimento. flcxione a I erna esquerda.I 'n p(.'.intura. do com bastante calma. O melhor modo de alongar a face interna das coxas e a parte inferior das costas é tentar aproximar seus tornozelos com suavidade e firmeza durante alguns segundos. se a face posterior da coxa está se alongando. Deixe as mãos pousadas nas coxas. Refaça esse movimento diariamente por alguns s gundos. Dos pés à se on beç ou qu ndo s cost pelos t n los .. que vem do tornozelo e repuxa a face posterior da perna e da coxa. você não consegue ver seu pé se mexendo.. As leis da fisiologia muscular não aceitam isso. alongue a nuca e leve bem ao alto sua fontanela posterior. é um logro e pod r p rigoso para a região lombar. concentre toda a atenção na perna direita que continua estendida..' 'stvl1di los mas sem contraí-los. . Erga o pé direito para que todos os dedos do pé olhem para o teto. Sente-se e faça a mesma coisa com o pé esquerdo .v 'Zl'S. Concentre a atenção no pé direito. s o pé tivesse cintura.m Dite-se de costa. como está explicado nos movimentos anteriores. você sente a contração na face anterior da coxa. sente-se numa cadeira. b m ao lado do joelho direito. sem erguer o joelho.. procure deixá-los alongados. 13.i ' d ' I . bolinhas sob o pé.. para isso. Este movimento é um entre muitos que você pode fazer para aliviar os pés. fique de pé. 14. sem erguer o joelho nem torcer a perna. porque eles fraquejarn.' <!('<!o.urc m. ão precisa olhar para ele. pés descalços um pouco afastados e bem paralelos. Pro . Você precisa mesmo é alongar a face posterior da coxa e.

É um movimento de contato dos corpos reunidos. Observ o ritmo da respiração. da fontanela posterior aos calcanhares.ntrc . sofreu por não poder abrir livremente os olhos. com todo o corpo.. Deixe os tornozelos juntos. Faça várias tentativas diferentes. você prefere soltar o ar ou inspirar. os quadris. O pai também pode.. que funde suas sensibilidades. imagine qu vo ~ vai pousar o dedão em primeiro lugar. suba o pé em ângulo reto. Empurre os calcanhares para longe de você.1'l mus ulatura.ma continu nessa direção. Ele aproxima as costas das suas e. e sempre mantendo os tornozelos encostados. ambos começam a perceber que as costas se entendem e se ajudam. forças e calor. pés apoiados no chão. Agora. dê alguns pa sos pela sala e perceba como se apóiam seus pés. curiosamente.. Para que a respiração do pai se torne mais viva e mais solta. Recomece lentamente esses dois movimentos: uma vez empurre os calcanhares. não se pode n . também ele pode fazer os movimentos com a boca e com os olhos. com os joelhos flexionados.. Depois . Para sentar-se.. de costas para você.ostar os dedos no chão se as pernas ficam estendida . porque a perna direita aumentou e os tornozelos não se encontram . Pode sentir esse movim nto na parte I ost . Deixem que o contato seja com159 . Cost de ulhe cont cost de h e udo con . a três: você. se preferirem. para escutar. Tente descobrir se.. e recomece. nem os ombros. Abra a boca e tente dar a esses movimentos um ritmo que se harmonize bem com sua respiração. Repita isso umas dez vezes. com ternura e respeito por você mesma. bem devagar..IS 0111°1 lal. explicados anteriormente. Depois descanse. os pontos de apoio do corpo no hão. a boca e os ouvidos para o seu ambiente.. a perna esquerda vai logo imitar a direita. com os dedos alongados o máximo possível.J ) ) ) pé direito para o chão.sempre com os tornozelos juntos . Imagine que você vai esticar os músculos da cabeça aos calcanhares. com os dedos apontados para o teto.abaixe lentamente os dois pés. e erga os dois pés encostados. mantenha as pernas estendidas.QUANDO O COlU'O CONSENTE MOVIMENTOS () . as costas e a nuca se colocam e se movimentam ao andar. Depois. o bebê e o pai do bebê. tente enco tar os tornozelos. O menino que ele foi. ou o mais próximo possível um do outro. Momento precioso quando. viver a seu modo a gestação do bebê. tentando deixar estendidos todos os dedos do pé. Em seguida. as coxas um pouco afastadas e os pés bem pousados no solo. Um momento delicado em que. não se esqueça de virar b m d vagar para o lado. vai se encostando. Este movimento se faz a dois: seu companheiro e você. Para conceber. afinal.. I "i H Continue durante um ou dois minutos se pud r.ls? . Sente-se no chão.. depois deixe cair os pés à vontad e descanse. como a menina que você foi. Não se preocupe.rior dos j elhos? das coxas? da cintura? . outra vez estenda os dedos. invadir seu território. um pode achar que o outro vai pesar nele. tente perceber a continuida I' I S1. Juntos. sempre sem erguer os joelhos. tocar . e como as coxas. vocês podem preparar-se para ver com mais liberdade. O máximo possível. Não se espante se houver uma liferença entre os tornozelos. Seu companheiro também se senta com os joelhos flexionados. nem a cintura. do corpo que se mexem e Tente perceber as regíõe se alongam de acordo com o m virnento dos tornozelos. ao empurrar os calcanhares. estenda devagar a perna esquerda e compare . Ou. com as duas pernas estendidas. nem a nuca.

Wilhelm. Também é maravilhoso para que entre vocês três circule o calor. 1995. Ce 1995. Seu companheiro estende os braços e também coloca as mãos sobre as suas. como para segurar o bebê. Françoise-Edmonde. Paris: Seuil. Coloque de leve as mãos embaixo da barriga. entrar no máximo contato possível com o peito e a barriga dele. Israel. ) Seu companheiro senta-se com joelhos flexionados e afastados. Sem forçar. com as costas perto do peito dele. se possível. região lombar. procurem com calma acertar o ritmo de suas respirações. Depois. a ternura e o sopro da vida. ligeiríssimo balanço. Esse movimento é benéfico porque ajuda você a alongar os músculos das costas. Você pode oscilar ligeiramente da frente para trás. Bem de leve. Alfred. oit. Reich. Dolto. Ce que Paris: Fayard. Chapsal. sem fazer peso com as mãos. perto do púbis. Abram a boca. com as costas. Co de peito de co . Françoise. 1989. Um ligeiro.QUANDO O CORPO CONSENTE pleto: cintura. Paris: Ergo Press. Vocês constatarão que suas costas respiram e se transmitem mutuamente uma rara sensação de segurança calorosa. 1994. c est Paris: Fixot. e de vida. Paris: Gallimard./ ) I ) 160 161 ( J ) 'í . procure diminuir o arqueamento da cintura para que sua região lombar fique bem em contato com a barriga dele. Soly. ____ o lise do c do t São Paulo: Martins . oles de sages-femmes. a cabeça. uche. Lucien. Fiquem atentos ao ritmo da própria respiração e ao ritmo da respiração do outro. costas contra o peito. én t le. Seu companheiro também coloca a palma das mãos embaixo da barriga dele. ( -' . uie sr) ( 1995. os ombros e o sacro. is çoise Dolto. os ombros. 1989. Histo es de Tomatis. Coletivo. 1992. como se fosse segurar o bebê nas mãos. coloque as palmas das mãos embaixo da barriga. Quase imperceptível. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Bensabat. u est l g ge. Paris: Stock-Laurence Pernoud. São Paulo: Brasiliense. e st .. Procure. es dossie s de s nce. Abram ambos a boca e. Madeleine. Sente-se nesse espaço. Fontes. Paris: Plon. o sacro. etit nuel de gué l ge desfemmes enceintes. entre os ombros e. ois dis. Ce Morin.. 1989. . 1985.

Andréa Cardoso Rua Laerte Assunção. 467 Jardim Paulistano 01444-040 São Paulo SP Tel. 303-406 22410-001 Rio de Janeiro RJ Tel. .Réjane Benaduce Rua Visconde de Pirajá.: (011) 985-5425 853-2340 .: (021) 247-6728 de antiginástica for- ) ) ) ) J .Endereços no Brasil das terapeutas madas por Thérese Bertherat.

te si se ue ~tissiio e c~nti4-n 4- e COIúe t. -s 4-05 ês encont 4-lú. esc Í.4-05 ~tenci4.o e lúut4e s tilú 4. nn.4. - ( ( ( Copo Projeto gráfico Foto "UiIiOO 10:1') I:iidll I ~105. oU 4.ê.e eci4-t 4- u iincl4- .se u e -t é tt t~i I/{) 1 ut4-.iio c4-. 74é e..e e.seu l .-se.to - 0 eé4.e t. 444..1 tic4-1úCOIúOé túto o seu 1 COIúO e 4 4. t e 4-1ú Ulú c40 td -. e UIú4- ocê esti eu Áe UIú4-t4e t. COIUO ~ci l Iú4.. 4. os ~estos e 4-05 4-t4 1 -s s.sce seu tit4~ tt ente. isso. 1 . 4-uto 4 e t. Ikgl!fIIlfJ j ) .seios4- . eolúo p4-ute ~..1 c4. .4es stes« en« ocê. 4. iene en« { es -íses. nicn« ue I) c ue c~nsente.

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