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Conhecimento científico e conhecimento popular

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Published by: Lidia Ferreira on Dec 24, 2011
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Conhecimento científico e conhecimento popular

Quando tratam dos diferentes tipos de conhecimento, os manuais de metodologia, ciência ou filosofia geralmente opõem o conhecimento científico às formas de conhecimento popular, numa dicotomia aparentemente insuperável. Há justificáveis razões para isso, afinal o conhecimento científico ésistemático, factual e aproximadamente exato, enquanto o saber popular é qualificado como subjetivo, assistemático, valorativo e inexato. A ruptura entre conhecimento popular e científico (ou erudito e popular) em nossa cultura é uma herança da revolução científica no Ocidente, desde Copérnico, passando pelo pensamento inaugurador da modernidade, o Iluminismo. Mesmo na pós-modernidade, quando se relativizam as certezas e a própria noção de verdade, a ciência não perde seu papel central na cultura, atestando o saber que pode ser reconhecido como válido ou legítimo. No entanto, embora possamos apontar diferenças entre as duas formas de saber, é preciso reconhecer que o primado do científico em detrimento do popular é produto de um autocentrismo cultural, que invalida todo saber produzido fora dos ambientes legítimos. Dois exemplos, em dois ambientes diferentes: a sala de aula e o consultório médico. No consultório, frequentemente se percebe o embate entre os saberes populares (trazidos pelo paciente, sobretudo de camadas menos abastadas da sociedade, com suas etiologias e receitas próprias para cura) e científico (materializado pelo médico, detentor de um conhecimento legítimo que o autoriza a diagnosticar e tratar). Na sala de aula, o professor também é detentor de um conhecimento legítimo (domina um código particular, a linguagem escrita, e também formas de saber-fazer) que se confronta com o saber do aluno, oriundo de sua própria experiência, visão de mundo e cultura. Felizmente, hoje, as diversas áreas "canônicas" de saber (como educação e saúde) têm procurado reintegrar os saberes populares, vendo-os como diferentes, mas não necessariamente opostos. A área farmacêutica tem aprendido muito, para dar um exemplo, com os conhecimentos tradicionais dos povos ameríndios. Da mesma forma, a educação tem ampliado seu olhar para incorporar o diferente e perceber que não há uma só "metodologia" possível.

CONHECIMENTO POPULAR O conhecimento popular, também denominado de vulgar, empírico ou senso comum, resultado modo espontâneo e corrente de conhecer. É o conhecimento que deu embasamento a todos os outros. Surgiu no início da caminhada empreendida pelo ser humano através de sua relação com o mundo na expectativa de sobrevivência e seguirá enquanto o ser humano existir. Para Ander-Egg(1978), as características do conhecimento popular são: "superficial, sensitivo, subjetivo,assistemático e acrítico".É superficial porque não se aprofunda nas observações, acredita no que viu e na maneira como foi contado o fato. É sensitivo porque se contenta com as aparências e emoções do cotidiano.É subjetivo porque é o próprio sujeito que organiza o saber e as experiências, tanto aqueles que asobtêm por vivência, quanto os que as aprenderam por "ouvir dizer". É assistemático porque não sistematiza as experiências e as idéias, nem tampouco a forma como as adquiriu e nem as tentativas de validá-Ias. Esta característica fundamenta-se na "organização" particular dasexperiências próprias do sujeito cognoscente, e não em uma sistematização das idéias, na procura de uma formulação geral que explique os fenômenos observados, aspecto que dificulta a transmissão de pessoa a pessoa, desse modo de conhecer. Finalmente, é acrítico porque sendo verdadeiro ou não, sempre recebe críticas.O conhecimento empírico não explica o "porquê" da ocorrência dos fatos ou fenômenos. Ele se basta por si só, porque se refere à sobrevivência do homem e é passado de geração a geração.O conhecimento popular, academicamente é tido ainda como, valorativo, por excelência,pois se fundamenta em uma seleção operada com base em estados de ânimo e emoções; é também verificável,

Exemplos sao os cha de laranjeira para dormir melhor. Finalmente é falível e inexato. Vejamos as classificações: a)Superficial . expressando-se por frases como "por que o vi". a pretensão de que esses conhecimentos o sejam não semanifesta sempre de forma crítica. tantoos que adquirem por vivências próprias quanto os "por ouvi dizer". . Apenas usam as terminologias. Conhecimento popular eh o dito senso comum. classificam de conhecimento sensível o senso comum e relacionam com características as mesmas já indicadas. entre outros tantos. ou seja. ou seja aquilo que varias pessoas sabem. destituído de método. não permite a formulação de hipóteses sobre a existência de fenômenos situados além das percepções objetivas. e)Acrítico . eh passado por diferentes geracoes e nao tem fundamentacao cientifica. muitas vezes sao crencas. por ser um conhecimento passado de pai para filho... nem na forma de adquiri-las nem na tentativa de validá-las. pois se conforma com a aparência e com o que se ouviu dizer a respeito do objeto. c)Subjetivo . "porque o senti".Barros e Lehfeld (1986). Em outras palavras. b)Sensitivo . com aquilo que se pode comprovar simplesmente estando junto das coisas. isto é. conforma-se com a aparência. "por que todo mundo o diz". pois esta "organização" das experiências não visa à sistematização das idéias. "por que o disseram". referente às vivências. pois. manga com leite faz mal. pois é o próprio sujeito que organiza suas experiências e conhecimentos. e sim cultural. d)Assistemático . mas se perpetuam ao longo dos anos. verdadeiros ou não. Nem sempre o conhecimento popular eh correto. aos estados de ânimo e às emoções da vida diária.para assistemático e impregnado de projeções psicológicas para acrítico.visto que está limitado ao âmbito da vida diária e diz respeito àquilo que se pode perceber no dia-a-dia.

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