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A Influência da Família na Aprendizagem Escolar

A Influência da Família na Aprendizagem Escolar

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Como a aprendizagem é influenciada pela família.
Como a aprendizagem é influenciada pela família.

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INTRODUÇÃO

A participação dos pais na vida escolar dos filhos representa um papel muito importante em relação ao seu bom desempenho em sala de aula. Também o diálogo entre a família e a escola favorece sobremaneira para a construção do conhecimento por parte do aluno, o que denota que a criança e seus genitores mantêm entre si e com a aprendizagem uma ligação muito íntima e profícua. Não é possível deixar de lado o fato de que os professores são extrema importância no processo ensino aprendizagem e, portanto, das ações escolares, incluindo aquelas relativas ao relacionamento escola família. Numa visão construtivista, o aluno tem a sua relação com o objeto mediada pelo professor e com ele mantém vínculos positivos, que impulsionam a aprendizagem, ou negativos, que proporcionam um afastamento das situações de aprendizagem. Envolver a família na educação escolar dos filhos pode significar, para os educadores, que eles tenham que conhecer melhor os pais dos alunos e realizar um trabalho conjunto com eles para criar, entre outros fatores, uma atmosfera que fortaleça o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. Quando escola e família têm uma linguagem comum e posicionamentos adotados colaborativamente no trato de aspectos da educação das crianças e da sua escolarização, é possível que os educandos consigam ter uma aprendizagem mais significativa, um percurso acadêmico mais tranqüilo e um desenvolvimento intelectual e emocional mais harmonioso, o que não pode ser desprezado. Assim, percebe-se que a influência da família precisa ser bem recebida pela escola, sem preconceitos, orientando suas falhas e aplaudindo seus acertos. Assim sendo, consciente dessas verdades e crendo que a família exerce uma relevante influência na vida escolar dos seus filhos, propus-me a elaborar a presente monografia, tendo por base experiências e práticas realizadas em escolas desta cidade. E, para a realização do meu trabalho, pude contar tanto com a colaboração de colegas educadores como de alunos e comunidade em geral, os quais não se eximiram em prestar a sua parcela de colaboração no

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desenvolvimento das pesquisas, estudos bibliográficos e demais metodologias que permitiram que a presente monografia se concretizasse. Assim, além de consultas bibliográficas a teóricos e demais leituras sobre o assunto em questão, entrevistei cinco professores e cinco alunos distribuídos entre as escolas nas quais realizei as minhas práticas. A partir das respostas coletadas pude compreender melhor a realidade desses espaços de ensino e, em extensão, da própria realidade da educação brasileira no que tange a influência da família no processo de construção do saber por parte dos alunos. Após a análise dos dados coletados e demais estudos realizados, sintetizei o conhecimento colhido e o expus nesta monografia, a qual se apresenta dividida em três capítulos principais: no primeiro trato da influência da família e da escola no processo ensino-aprendizagem, tecendo comentários sobre a responsabilidade de cada qual no referido processo, bem como a respectiva importância de cada parte envolvida. Por sua vez, no segundo capítulo, falo da necessidade da família e da escola unirem forças, aproximarem-se através do diálogo e de outras ações em favor da construção do conhecimento por parte dos educandos, num efetivo estabelecimento de parcerias. Por fim, no terceiro e último capítulo, abordo o papel da família, da escola e dos alunos quanto à aprendizagem destes últimos, procurando criar a conscientização sobre a necessidade de se instaurar um clima de afetividade, transparência e cristalinidade em sala de aula envolvendo todos estes elementos. Na expectativa de prestar a minha parcela de contribuição quanto ao assunto tratado neste trabalho, procuro compartilhar o resultado de minhas pesquisas e estudos com colegas, alunos e seus familiares, deixando a sua disposição à monografia que ora tem início.

1 - O PAPEL DA FAMÍLIA E DA ESCOLA NA APRENDIZAGEM ESCOLAR

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1.1 Afinal, educar é responsabilidade de quem? Entendo que os conceitos e visões acerca das categorias escola, família, aluno e aprendizagem consistem numa tentativa de compreensão e interpretação do quanto à falta de participação dos pais no processo educacional constitui um fenômeno abrangente e complexo. A análise destes elementos tem a proposição de apreender e codificar o fenômeno da falta de participação da família na vida escolar dos seus filhos, bem como conhecer as influências deste fenômeno no referido processo. Aliás, a aprendizagem não se resume necessariamente ao processo de ensino, como tantos imaginam. Não existe um processo único de “ensino aprendizagem” como muitas vezes se diz, mas dois processos distintos: o de aprendizagem, que é o desenvolvimento do aluno, e o de ensino, protagonizado pelo professor. São dois momentos que se comunicam, mas que não se confundem: o sujeito do processo de ensino é o professor, enquanto do processo de aprendizagem é o aluno. Todavia, fica claro que o processo de ensino deve dialogar com o processo de aprendizagem. Através de minhas práticas pude perceber que um complementa o outro, e que ambos não podem se desenvolver isoladamente. O que se observa cada vez mais, nos dias de hoje e em diferentes contextos, é que a freqüência das crianças com pouca idade em ambientes socializadores, como creches e escolas de Educação Infantil não é incomum, o que acarreta sua permanência por mais tempo fora de casa do que convivendo com os membros de sua família. Com isso o papel socializador da família passa a ser mais difuso e a responsabilidade da educação dos filhos mais dividida, principalmente com a escola e com parentes como avós, tios e irmãos. Essas modificações na estrutura e forma de educar os filhos vai se refletir na conduta dos alunos dentro da escola assim como nas relações mantidas entre família e espaço de ensino, influenciando tanto os processos de ensino quanto os de aprendizagem. Entendo que, para oferecer um leque diversificado de saberes, o currículo escolar necessita ser organizado com a participação dos estudantes, dos pais e

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da comunidade. Sendo o plano mestre adotado por uma escola, não é válido que este currículo seja um elenco de disciplinas e conteúdos linearmente organizados, mas que seja aberto, com grandes temas, possibilitando sempre a inclusão de novos eixos e conteúdos significativos. Em torno desses temas, eixos e conteúdos é que se articularão os saberes oriundos dos diferentes enfoques da prática docente. Dessa forma, poderá ser possível às crianças “aprender a aprender” por toda a vida, porque aprenderam a buscar diferentes saberes, os quais se complementam graças às práticas e experiências do professor. Entendo que o professor tem uma grande responsabilidade, mas o seu papel não é instruir, mas orientar: é possível influir o aluno de tal modo que este não se deixe influir, não cabe ao educador tirar dúvidas e sim trazer. Enfim, trata se de um amor exigente: ao mesmo tempo em que cabe apoiar o educando do modo mais envolvente possível, deve exigir dele o melhor desempenho viável. Desta forma, os professores devem estar cientes de que a função da escola e da verdadeira responsabilidade profissional é o de conseguir que os alunos atinjam o maior grau de competência possível em todas as suas capacidades. Para tanto, mostra-se válido envidar esforços objetivando que estes superem suas deficiências, as quais muitas vezes carregam por motivos sociais, culturais e pessoais. Segundo a fala de uma aluna: A Não me importo que a professora exija. Eu só não gosto quando tenho que estudar à-toa. “Com isto pode-se perceber que as crianças não temem serem desafiadas a estudar, contanto que elas consigam perceber uma finalidade neste estudo”. Acredito que conseguir um clima de respeito mútuo, de colaboração, de compromisso com um objetivo comum é condição indispensável para que a atuação docente seja eficaz na construção da cidadania de seus alunos. E a observação da atuação dos educandos em situações o menos artificiais possíveis, em um clima de cooperação e cumplicidade, é a melhor maneira de se realizar uma avaliação formativa. Devido a formas de pensar semelhantes a estas, pode se perceber que a transição da escola de hoje para a escola do amanhã não se dará sem traumas e conflitos: a cada dia que passa torna se mais e mais evidente que a construção da nova escola que tanto queremos exige de nós renúncias e transformações. E, para a escola que está sendo construída ser de fato nova,

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precisamos nos renovar também, abandonando antigas e ultrapassadas formas de pensar e de agir. Como lembra Sacristán (2005 p. 192): “Para que a situação do aluno mude, nós temos que mudar antes”. A cada dia que passa, percebo com mais clareza que, para que essa metamorfose ocorra a contento, é necessário que todos nós, educadores, nos dispusemos a abrir nossas mentes a diferentes idéias e teorias, por vezes estranhas e incomuns, mas que nos ajudam a ver com outros olhos o mundo que nos cerca. Ainda em função das minhas práticas pedagógicas, percebi que um dos maiores desafios que a escola de hoje enfrenta é realizar um trabalho que tenha um significado relevante tanto para o professor quanto para os alunos. Neste ponto cabe aos docentes repensarem suas propostas, reverem as rotinas, romperem com o formalismo dos conteúdos preestabelecidos, esquecerem a escola tradicional e tecnicista para construírem a nova escola. De certa forma, a reflexão sobre sua proposta de trabalho envolve uma série de outras questões muito importantes para a construção da identidade profissional: visão de mundo, opção por um quadro de valores, posicionamento frente à realidade social conflitiva, etc, mas com a vantagem de se dar a partir do contexto bem definido de sua atuação como professor, tornando se, conseqüentemente, muito mais pertinente e realmente formativa, ciente de sua função perante o aluno. Além da escola é a família que tem um papel preponderante na educação de seus filhos cabendo a ela dar continuidade ao processo educacional iniciado no ambiente familiar. Assim, o processo educacional que aí se dá necessita ser compreendido como complementar ao que cada um traz de história individual e coletiva. A educação não começa na escola, mas nasce antes, no seio familiar. Quanto a este aspecto os professores que colaboraram na entrevista reconhecem que os pais são os principais responsáveis pela educação de seus filhos, porém há aqueles que deixam esta etapa apenas para a escola, sem comprometer-se de modo efetivo. E, quando questionados sobre o grau de participação dos pais dos alunos nas atividades escolares, os professores entrevistados, em sua grande maioria, informaram que é média a participação da família, podendo esta se dar de um modo bem mais amplo e sensível.

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Porém, quando ocorre uma presença e participação maior dos pais na escola, este fato não pode significar uma desresponsabilização dos professores para com a aprendizagem dos alunos e do governo no que se refere à educação como um todo. Assim, entendo que os pais são capazes de envolver se com o processo escolar de seus filhos e exigir que a escola cumpra o papel que lhe cabe na educação, mas sem descaracterizar a especificidade dos papéis que cada instância deve exercer. 1.2 A importância dos pais na educação das crianças Durante as entrevistas que realizei, ao serem indagados sobre facilitadores e obstaculizadores que os pais dos alunos podem representar para o processo ensino-aprendizagem dos educandos, os professores citaram fatores tais como incentivo acompanhamento e orientação em se tratando dos primeiros, e falta de diálogo e afetividade, ausência paterna ou materna e pouca participação nas atividades escolares em se tratando dos empecilhos. Assim, percebo que os pais têm um importante papel em fortalecer a auto-estima da criança, dando estímulos positivos, estabelecendo relações saudáveis, prazerosas e produtivas para que essa sensação se transforme em retorno somador para o desenvolvimento pessoal: para que a criança vá bem, ela precisa de um ambiente afetivamente equilibrado, onde receba amor autêntico capaz de satisfazer suas necessidades emocionais. Pais que, ao contrário, não dispensam às crianças o valor que lhes é peculiar, tratando as com desprezo, julgando as preguiçosas, ruins, subestimando suas capacidades, projetam em suas atitudes uma imagem negativa. Quando à criança falta auto-estima ela vive com medo de fracassar, cria um pensamento negativo e de menos valia, ansiedade, angústia, inferioridade e retraimento. Ela se sente inibida, desanimada, insegura, desinteressada. Isso acarreta problemas no seu desenvolvimento normal e, conseqüentemente, em sua aprendizagem. E ainda conflitos oriundos da instabilidade familiar e a falta de formas eficazes para suprir as carências dos relacionamentos são fatores que influenciam nas dificuldades de aprendizagem na escola. Como me disse certa vez uma aluna: “Não consigo me concentrar, minha cabeça tá longe”.

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Desta forma, entendo que a maneira como as crianças demonstram suas atitudes e reações sofrem influências e revelam situações emocionais entre pais e filhos. Por exemplo, quando na família há relacionamento de mando por parte do pai e obediência por parte da mãe e do filho, não havendo diálogo, está se trazendo padrões culturais de uma sociedade tradicional rígida, caracterizada pela importância da autoridade masculina, onde o pai é o chefe da família, a quem as demais pessoas devem obedecer, caso contrário são severamente punidas. A criança traz para a escola estas situações, não aceita gestos de afago, carinho e age agressivamente com os colegas. Não estando bem estruturada emocionalmente, rejeita a presença do diálogo e do amor não só na família, mas também na sala de aula, como não raro tive a oportunidade de presenciar em minhas práticas. Acredito que, em termos educativos, não há nada pior do que o nítido descompasso entre o casal na direção e resolução dos problemas dos filhos. É possível que os pais não concordem entre si em algumas situações, mas isso nunca pode transparecer para a criança ou o adolescente. Os familiares podem discutir novamente a questão, argumentar sobre a decisão e até rever sua postura quando estiverem a sós, mas, na hora do “sim” ou “não”, a resposta deve ser assumida por ambos. Isso dá segurança ao jovem por não permitir que ele crie mecanismos para manipular os pais e evita que aconteça um jogo de empurra-empurra desnecessário e perigoso em seu processo evolutivo. Ainda quanto ao fato da família ter por função socializar a criança e adaptá-la à convivência na sociedade, este fato se dá oferecendo e ensinando os modelos de comportamento adotados em sua cultura, tais como valores, atitudes, formação do caráter e características pessoais. Assim, os pais se revelam como exemplo, oferecendo disposições emocionais de como reagir diante de certas situações. Os familiares, a partir dessa convivência, mostram para a criança a maneira como o mundo é visto por eles. A própria auto-estima que a criança vai fazendo de si é diretamente dependente da maneira como os pais a vêem. Quanto a este aspecto, extensivo aos espaços educacionais a totalidade dos alunos entrevistados disse acreditar que seus pais influenciam na sua aprendizagem escolar, e uma das formas de haver uma colaboração ainda maior, segundo estes educandos, é que haja uma participação mais assídua de seus familiares nas reuniões e outras atividades desenvolvidas nos

E é de fato assim. A base de praticamente toda a aprendizagem escolar encontra se na família. E é justamente neste ponto que reside à importância das escolas estabelecerem um trabalho sintonizado com os pais de seus alunos, compartilhando dúvidas, anseios e também buscando soluções conjuntas para os problemas que se apresentarem. Além disso, esta parceria entre escola e família é extremamente benéfica para as crianças, que passam a desenvolver sentimentos positivos, sentindo se seguras e amparadas durante todo o desenrolar de seu ensino. Entendo que é importante que os educadores percebam que cada criança traz de casa para a escola uma bagagem cultural muito grande, repleta de referências afetivas, às quais refletem diretamente no seu desempenho em sala de aula. Desta maneira, a escola somente vem a reforçar e a sedimentar o que a criança carrega em seu bojo, sendo uma continuadora das primeiras lições aprendidas em casa. E são essas mesmas lições as grandes responsáveis pela capacidade das crianças conviverem harmoniosamente com seus colegas na escola, compreendendo as regras comuns a todos e reconhecendo direitos e deveres. Também a construção do conhecimento se dá de acordo com o que já se sabe, uma vez que todo novo conhecimento precisa associar se a outro já aprendido para, a partir de então modificá-lo e a aumentá-lo. Segundo Negrine: O ambiente familiar parece ser o primeiro e mais significativo local para a internalização de valores, criação Família na Aprendizagem Escolar 2.2 A Influência da de hábitos e de aprendizagem variadas. Quanto mais estimulador for este ambiente, mais ele influi na transformação dos processos elementares éem superiores; em contrapartida, quanto mais Assim, conveniente que os professores sejam disponibilizados todos os conflitivo, mais dados que permitem conhecer cada passo seguido pelo aluno em seu processo carente de afetividade, maiores problemas trará a criança em formação. De qualquer forma asvisando determinar suas necessidades e, a partir daí, propor de aprendizagem, influências do ambiente familiar adicionais àquelas extraídas do medidas educativas. A permitem que ela vá construindo de tudo o que novas contexto sócio cultural equipe docente precisa ficar a par todo um saberse refere a cada aluno em particular, obtendo dados sobre o processo seguido, e se constituem nos alicerces das primeiras aprendizagens (1994, p. 28). resultados obtidos, medidas específicas utilizadas e qualquer incidente Inclusive, percebo que quanto mais se valorizar o saberpoderá garantir a continuidade e significativo que ocorrer. Desta forma, a escola do aluno, mais relações podem ser estabelecidas entredo aluno. Segundo Bozzetto (2005a, p. 42): a coerência no percurso os conteúdos que serão aprendidos e os conhecimentos já Os registros de acompanhamento dos alunos necessitam ser construídos existentes, e também mais possibilidades terá a criança de responder a situaçõesdo processo de ensino e Desta forma, o simples a avaliação é ao longo ou problemas complexos. de aprendizagem, pois fato do estudointegrante situações próximas ao elaboração requer,ambiente um processo partir de dos mesmos. A sua aluno já cria um portanto, favorável para contínuo e constante. É durante educando. Segundo Bozzetto a aprendizagem e motivação do o processo que o/a professor/a registrará as (2005, p. 26): “Os/As estudantes já vêm para que fez para auxiliá-lo a superá-las. necessidades de cada aluno e o a escola educados, tanto pela força da mídia, da televisão permeada pela violência, pela cultura de lazer e de consumo quanto pela influência de princípios religiosos, políticos, familiares e pelas normas que permeiam a sociedade”. E, de acordo com Chechia e Andrade (2003, p. 02), a influência da
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perspectivas diferentes. A primeira enfatiza a classe social dos pais e o desempenho escolar dos filhos, indicando que o analfabetismo ou o pouco conhecimento dos familiares dificulta a ajuda nas tarefas de casa. A segunda
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análise aborda os diferentes graus de interesse da família em relação à escola Além disso, para que se instaure um clima de diálogo na escola e para de seus filhos. bem realizar o seu participação dos do na escola, indicando O terceiro ponto se refere àtrabalho ao longopais ano, é válido que o professor sugira leituras específicas e adequadas, promova reuniões fator que a presença de familiares na vida escolar de seus filhos constitui um de estudo, organize momentos em desempenho escolar. de idéias e experiências indispensável para o seu bom que haja efetiva troca A quarta ótica revela que com colegas e com o grupo em geral, estimulando atividades escolares dos é a mãe que, com maior freqüência, acompanha as e oportunizando o crescimento de todos, visando última análise enfatiza a importância da pais filhos. E a quinta emanter a hegemonia de pensamentos e açõesdos comunidade escolar. especificamente em Ele precisa também se manter permanentemente filhos, relação ao sucesso ou insucesso escolar dos atualizado, realizando leituras da área educacional, bem como assuntos da contemporaneidade, uma mostrando que se fossem mais bem orientados sobre as atividades e vez que suas ações e orientações avanços por parte destes. obrigações escolares dos alunos, haveria maiores não podem incorrer no campo do “achismo” e de meias as famílias podem e dialogando bem em relação à Assim sendo, certezas. Desta forma,devem colaborar em seu próprio meio, a escola terá maiores condições as dificuldades êxito com seus pais. aprendizagem de seus filhos. Inclusive,de dialogar com no aprender, que levam Infelizmente, causas e conseqüências falta uma proximidade real entre a um retardo escolar, podem ter o que percebi é que ainda múltiplas, o que família e escola. cada caso para então vá além do as de deixar exige uma análise detalhada de Uma aproximação quese buscaremato devidas a criança ficar soluções. na porta do estabelecimento ou este encontrar os familiares do aluno somente em dias de festividade ou entrega de resultados. decisivamente Na maioria das vezes, os familiares podem contribuir Urge instaurar uma relação que garanta verdadeiramente a que sejam devidamente orientados para a superação desses entraves, desde criança e ao jovem estudante a certeza de que sua família e a escola que os estudam comungam dos mesmos valores, apesar de, para isso. Desta forma, não bastaem que professores apenas comuniquem aos pais que uma em certos momentos, usarem meios que não demonstra muita criança não consegue aprender ou diferentes para atingir a mesma finalidade: a construção do conhecimento por parte do deve dialogar com vontade em envolver se nas atividades propostas, mas educando. Lembro os Freire (1997) dizia que ninguém educa ninguém, assim como esses pais e mães, orientandoque e estabelecendo uma parceria com eles. ninguém educa sozinho: alguém traz apoio às crianças, além Esse entrosamento entre família e escola só aprende se existir uma pessoa que lhe deseje ensinar. Da mesma forma, alguém só ensinará útil na de estímulo e sensação de bem estar, o que se revela extremamentese houver um indivíduo superação daspredisposto a de aprendizagem eventualmente surgidas. Além medida em que dificuldades aprender, e o aprender se tornará prazeroso na for significativo. disso, os pais, uma vez incluídos no processo de ensino, abandonam a Assim, no mundo complexo em que vivemos, a busca de posição de simples espectadores e passam a ser protagonistas em nossa missão é realmente soluções. desafiadora, pois temos o compromisso de introduzir, de lançar nosso educando em um espaço público, psicopedagógica das dificuldades de Mas, somente uma avaliação em um universo de muitas incertezas, onde, muitas vezes, criança pode o que está parcela o responsabilidade aprendizagem de uma nem sabemosdizer qual é acerto ou deque está errado. Pensando desta forma, ou da escola. Porém, em se amplia e que cada aula dela, da sua família vemos que o conhecimento muitos casos realmente a dada por nós é uma grande família, em especial quando é um como responsabilidade cabe à oportunidade de crescimento, tanto nossotanto o de nossos desorganizada,alunos. infligindo à criança excesso de atividades além das escolares Mas, esportes, ou ainda contento, necessário diálogo: o professor como balé, informática e para que isso ocorra a permitindo élhe uma rotina constrói a sua história se comunicando, e é imprescindível que relaxada, com muito tempo disponível para o lazer em detrimento aos estudos. tenhamos essa Porcapacidade de os pais do aluno podem conflitá-lo introduzindo de expressão. outras vezes representar o mundo através de várias linguagens métodos e exercícios alternativos de estudo, que se chocam com os empregados pela escola, além de poderem ser excessivamente ansiosos, depositando expectativas exageradas nos ombros dos filhos. Contudo, em

nenhum desses casos à escola deve criticar esses familiares e sim pacientemente orientá-los, levando os a proceder de forma mais apropriada. Convém lembrar que, na maioria das vezes, trata se de pessoas leigas no que se refere à educação escolar e, por isso mesmo, suscetível a erros. Percebo que éTrata se de uma caminhada árdua e cheia que obstáculos, mas ser educador é esta suprema realidade das escolas em de realizei minhas práticas, onde os pais, em sua maioria de origem humilde, precisam enfrentar se abate diante isso mesmo: aquele que assume a força de suas idéias e não muitos obstáculos para convenientemente poderem orientar seus filhos. métodos para vencer das barreiras surgidas, aprimorando, constantemente, Além de tudo isso também se mostra necessário que com a família destes. Como me estes desafios, dialogando com seus alunos e se crie vínculos entre educação e humanização.certa ocasião: “Profe, euvalor os familiares disse uma aluna, Considero de grande gosto quando a senhora conversa posicionarem-se aoaalcance Estaseus filhos, revelando com sinceridade que com gente”. de simples frase me fez ganhar o dia. também tiveram dificuldades no aprendizado de certas matérias, e que dúvidas e inseguranças2.2.1 comuns naentre de qualquer estudante. Pondo se em um são Reuniões vida pais e professores mesmo patamar, os genitores estarão mais aptos a incentivarem seus filhos a vencer suas adversidades, e as minhas práticas pedagógicas propus uma série de atividades, Durante estes estarão mais predispostos a acolherem dicas, sugestões e conselhos, pois quem outras, reuniões entre paiseles e não as quais envolviam, entre lhes fala é um ser igual a e professores e encontros um intelectual com alunos detentor das 5ª a 9ª série. Todos esses em que onisciente, da 1ª e da notas máximas no colégio momentos foram muito estudou. proveitosos, revelando se experiências enriquecedoras e gratificantes, que Assim,alargaramque a família revela se fator indispensável para a boa percebo sobremaneira os meus horizontes profissionais. formação destes. É ela que propicia o suporte afetivo necessário e, quando em mas todas têm Percebi que cada turma possui características próprias, sintonia com a escola, favorece o e também a ensinar. Percebei, também, que a grande muito que aprender desenrolar de uma aprendizagem mais significativa, um percurso acadêmico participativa e dedicada, mas, por vezes, nota se uma maioria das famílias é mais tranqüilo e um desenvolvimento intelectual e emocional mais harmonioso paraalguns pais meninas. dificuldade maior por parte de meninos e em expressarem os seus sentimentos, o que os leva a não se envolver ativamente das atividades propostas. 1.2.1 A liberdade dos filhos e a responsabilidade dos pais à aproximação desses familiares, Desta forma, procurando ajudar quanto entendo que se mostra válido o educador acompanhar de perto o A criança vai elaborando seus códigos de comportamento conforme realizadas na desenvolvimento de todas as atividades educativas e reuniões experimenta a escola. Longe de esta atitudenecessidades em contato com o satisfação ou não de suas ter caráter de vigilância ou controle, ela evidencia mundo externo e as pessoas. envolvimento com cotidianas eeducacional no sentido de simbólicas preocupações e As experiências o espaço representam referencial para uma maior aproximação das famílias,meninos e contribuir para a formação da personalidade de apresentando novas idéias meninas, que projetam no mundo e nospráticas, orientando, propondo atividades diferenciadas, capazes de enriquecer indivíduos suas sensações, fantasias e desejos, recebendo de fora pressões e satisfações que serão absorvidas e sugerindo e organizando encontros. interpretadas segundo seus meios. Desta forma, a formação de elos que serão sedimentados Este compartilhar propicia o comportamento da criança resulta desse projetar se no mundo e devorá-lo concomitantemente. Isto quais a possibilidade em sólidas bases de confiança mútua e respeito, sem os quer dizer que ela estáêxito fica extremamente elaborando a sua sensibilidade Cury (2003, p. 55): de sentindo a realidade e comprometida. De acordo com ao mesmo tempo. “Educar é ser um artesão da personalidade, um poeta da inteligência, um Quando nasce, ade idéias”. encontra as coisas feitas: a linguagem, os semeador criança já objetos, os costumes, as leis, os dogmasProjeto Político Pedagógico e que regime escolar Neste sentido, o da cultura. Essa é a realidade o enfrenta como geralmenteenigma: a família (ou a falta dela), a situação que os pais têm de o primeiro dão grande ênfase à responsabilidade social, o meio onde mora, a alimentação, os contatos afetivos, os outros etc. A criança se torna o depósito dos conceitos, desejos, neuroses e até frustrações dos pais. Nas famílias em que há a frustração de expectativas, o simples fato de a
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problemas. Percebo que geralmente a criança é tomada como objeto dos pais e, não raro, como bibelô da família. Muitas vezes o meio familiar é mais hostil à
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criança do que a própria sociedade. De todo modo, é na família que se dá o acompanhar o desenvolvimento de seus filhos e, por isso, abrem espaço para pontapé inicial para a formação da criança (ou sua deformação). A criança, de que os familiares visitem freqüentemente a escola, conversem com os toda maneira, tem que se desdobrar para virar adulto, adaptando se aos professores e participem das reuniões e eventos em geral. Este elo de trancos e barrancos. Tive a oportunidade de conviver com alunos que penam proximidade entre família e escola contribui para que a educação familiar e a em se amadurecer em ambientes nada propícios a crianças. Como disse certo educação escolar se complementem, que estejam abertas ao diálogo e ao aluno meu, de dez anos: “Não sei se é pior ficar na estrada ou lá em casa”. entendimento visando trabalhar juntas para superar dificuldades encontradas. É sábio que os pais servem de “espelho” para os filhos. Se a criança Esses encontros entre pais, professores e alunos mostram se valiosos e for excessivamente criticada, pode formar uma imagem ruim de si mesma, ou produtivos. Por exemplo, ao serem questionados se ficam felizes quando os então, se for freqüentemente elogiada, pode carecer de limites. Nenhum dos seus pais participam das atividades desenvolvidas na escola, a unanimidade dos extremos é saudável. E não é preciso falar tudo à criança, ela está atenta ao alunos entrevistados disse sentirem-se satisfeitos com esta participação, o que modo como os pais se relacionam com ela, entre si e com as outras pessoas. demonstra o interesse dos familiares quanto ao seu futuro. E realmente estas Todas essas funções exercidas pela família são importantes, e não é possível oportunidades podem levar ao envolvimento e ao comprometimento de todos. abster se desse primeiro convívio tão necessário à constituição do eu de Além disso, é muito gratificante perceber que as famílias envolvidas nas meninos e meninas. práticas propostas começam a acreditar nas suas capacidades e em seu poder De acordo com Mendoça, apud, Domingos (2004, p. 1): “Apesar de ser de tornar a vida uma experiência maravilhosa, cheia de realizações. Essas um fato que a influência das famílias é fator determinante no aprendizado das pessoas passam a gostar mais de si mesmas, sentindo se úteis e valorizadas, crianças, é também uma necessidade da escola reconhecer que um grande contribuindo, servindo e cooperando e, também, estando felizes por participarem número de famílias não tem condição objetiva de acompanhamento das de uma sociedade disposta a mudar e a evoluir. crianças escolarizadas”. É com satisfação que percebi que, quanto a este aspecto, os educadores Portanto, o ambiente familiar em seus aspectos afetivos interfere na entrevistados estão em sintonia com esta forma de pensar, sugerindo algumas aprendizagem, dependendo das vivências que gerara. Se a família criar laços maneiras para as famílias participarem ainda mais ativamente das atividades e fortes, de afeto mútuo, isso dá à criança base favorável e melhores condições decisões da escola de seus filhos, tais como freqüentar ativamente das reuniões de aprender, pensar e conviver em companhia de outras pessoas. Caso escolares, buscar informações sobre seus filhos e visitar regularmente a escola, contrário, poderá gerar situações de agressividade e do respeito. demonstrando interesse quanto ao futuro de suas crianças. E algo bastante comum em nossas escolas se refere à indisciplina Desta forma, percebo que os espaços educacionais devem, mais do que apresentada por alguns alunos, quando, não raro, a própria autoridade do nunca, abordar temáticas que despertem nos pais inquietações e, ao mesmo professor é atacada. Diz Sacristán (2005, p. 209 210): “O adulto tem saudade tempo, dêem a eles respaldo para orientar os filhos para o mundo e a de um poder que lhe dava segurança em sua capacidade de influência, que transformação dele, além de propor a convivência sadia nas relações agora já não sente ter”. Sem dúvida trata se de um quadro difícil, mas, afinal, o interpessoais e a aceitação das diferenças e da pluralidade cultural existente em que os professores devem fazer ao serem desrespeitados? nosso país. Embrutecer, gritar, vingar se da turma toda por meio de provas E tudo isso deve ser feito com o objetivo de formar cidadãos cada vez massacrantes ou simplesmente expulsar da sala de aula quem ousar mais engajados nos projetos sociais, mais atentos à mudança acelerada que questionar a autoridade de um educador? Segundo Cury (2003, p. 90): “Deve acontece diariamente, com clareza e discernimento suficientes para a tomada de haver autoridade na relação pai filho e professor aluno, mas a verdadeira autoridade é conquistada com inteligência e amor”. Portanto, entendo que não é gritando que se consegue algo de produtivo: durante minhas práticas pude perceber, com absoluta certeza, que a verdadeira relação entre aluno e professor só se dará por meio da afetividade.

Sendo assim, nenhuma das alternativas anteriormente relacionadas mostra se válida: violência só faz nascer ainda mais violência. Sacristán (2005, p. 210 211) diz que “(...) a escola na medida' do aluno se apóia na busca da
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cumplicidade, no pacto, e não na imposição”. Por isso, urge que os decisões e, sobretudo, para seus as pessoas mais vez de educadores percebam que os alunos não sãotornar inimigos, e que, em aptas a enfrentarem o mundo. afastá-los, piorando ainda mais uma situação de conflito, é seu dever esmerar Assim sendo, quando as escolas chamam os pais para o seu interior, se em trazer o educando para seu lado. assumem uma postura Através do na medida em que vão E como se consegue isso?democrática toque e demais formas deutilizar a reunião afetividade, dopara discutir, analisar ou comunicar algo que é de importância para a família. E, interesse sincero e, fundamentalmente, através do diálogo. por parte dos Cury (2003, é que reflitam sobre o que é Como apropriadamente lembrapais, o ideal p. 46): “A verdadeira autoridade se deve levar de contribuição ou dúvida do diálogo”, e é de fato assim: já o sólido respeito que nasce através sobre os filhos para estas ocasiões. que Assim, é pessoas, dialogar com para a pode avaliar a envolve emocionalmente duas de extrema importância alguém famíliafazer com vida escolar dos que se quebre filhos sistematicamente, informando se sobre seu desempenho, seus a mais sólida das resistências. Nós não nos tornamos amigos procedimentos, suas ações em ela? para que, quando impede de uma pessoa conversando, dialogando com geral Pois então, o que convocadas pela escola para um momento de alunos, fazendo elementos amigos? que os professores dialoguem com seusencontro, tenha destes seus para conversar com os professores e orientadores. E ainda mais: entendo que possuir Devemos nos lembrar sempre que entre amigos não é necessário proclamar todos os dados qualquer tipo sobre a vida escolarrespeito flui naturalmente, sem importante para a reunião, de autoridade, o das crianças não será somente qualquer mas também muito mais prazeroso e produtivo educar desse imposição. Com certeza, é para conhecer melhor os próprios filhos. Da mesma maneira, a família não deve ficar numa posição passiva, à jeito. espera de a a chamem para verifica nas Ao detectar é E, não raro,queindisciplina que seuma reunião. salas de aulaqualquer problema originária dos escolar com seus filhos, necessitam imediatamente se comunicar com a escola lares dessas crianças. Também neste ponto cabe aos a fim de buscar esclarecimentos, vez, ajudarem seus filhos: na professores ajudarem pais e mães a, por sua lembrando sempre que cada caso é único. De igual forma, é agressivo usem este meninas grande parte das vezes, o comportamentoválido que de meninos e tempo para a troca de informações sobre educação, o carinho e sobre as dos pais” “(...) são clamores que imploram a presença,temas atuais a atençãocrianças e adolescentes e, principalmente, sobre a proposta pedagógica da escola, muitas vezes não (CURY, 2003, p. 44). explicitada à com muito deve destreza, os educadores serão Dessa forma, família, quetato e conhecer quais conteúdospodem trabalhados com esmerar se emos filhos, com qual metodologia serão tratados eque percebam aproximar os sujeitos envolvidos, fazendo com quais serão seus significados para que são uma famíliaaevida. precisam se amar. Rir e chorar junto, estabelecer e que a e irmãos pelo processo de manter relações de Em suma, entendo que a com os é paisresponsável só afeto, carinho e empatia escola escolarização formal dos positivamente quais vida escolar. contribuirá para o bem do aluno, refletindoalunos e sabe em suaobjetivos precisa atingir. Sabe também que os profissionais envolvidos precisam dar conta desse processo, mas necessitam contar com o apoio integral da família, pois o tempo de convivência dos alunos com os pais e irmãos é muito maior do que com professores e colegas de classe. Assim, a interferência da família é importante na hora e medida certas e nesse ponto um bom diálogo com professores e orientadores, durante as reuniões de pais, poderá ser muito útil e esclarecedor.

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2.2.2 O estabelecimento de parcerias entre família e escola por um objetivo comum: a aprendizagem escolar Os professores são sujeitos fundamentais no processo ensino

aprendizagem e, portanto, das ações escolares que incluem aquelas relativas ao relacionamento escola família. Numa visão construtivista, o aluno tem a sua relação com o objeto mediada pelo professor e com ele mantém vínculos positivos, que impulsionam a aprendizagem, ou negativos, que proporcionam um afastamento da situação de aprendizagem. Envolver a família na educação escolar dos filhos pode significar, para os educadores, que eles tenham que conhecer melhor os pais dos alunos e realizar um trabalho conjunto com eles 2 para criar, entre outros fatores, uma atmosfera que fortaleça o desenvolvimento ESCOLA a E FAMÍLIA: das crianças. e aprendizagem UMA APROXIMAÇÃO EM PROL DA

CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO POR PARTE DO ALUNO Porém, mesmo garantindo se a especificidade dos papéis da escola e do governo na educação das crianças e o respeito ao conhecimento especializado 2.1 A importância do diálogo entre pais, para desenvolverem o seu trabalho, o estreitamento que detêm os professores alunos e professores das relações entre escola e família pode ajudar os professores a exercerem a Estousua profissãoconvencidacompetência. plenamente com mais de que a participação dos pais na vida escolar dos filhos representa um papel muito importante empassar a ter maiores informações Com essa aproximação os educadores podem relação ao seu bom desempenho em salade quem De modo paralelo, também o diálogo entrecultura, sua vida a respeito de aula. são os seus alunos, suas famílias, sua a família e a escola favorece sobremaneira instância, favorece a organização do trabalho a ser cotidiana, o que, em última à construção do conhecimento por parte do aluno,desenvolvido em benefício dosseus genitores mantêm entre si e o que denota que a criança e alunos e da comunidade. com a aprendizagem uma ligação muito íntima e profícua. estreitas com a escola podem ajudáE, por parte dos pais, relações mais Mas as relações entre seres humanos nem sempre são fáceis. E, para envolverem, na los a compreender melhor o trabalho por ela realizado e a se inibir casos emmedida de suas possibilidades, no processo educacional dosde que situações desgastantes ocorram, devemos nos acercar filhos, trabalhando duas poderosas armas: o diálogo ecom as necessidades educativas da vida e da participação de forma consoante o respeito. Tanto alunos, os pais destes, professores e no mundo atual. trabalham diariamente conosco são seres funcionários que humanos, e sabemos perfeitamente que os dias para as pessoas não são Inclusive, quando inquiridos se procuram estabelecer relações de parceria todos iguais: existemas famílias de seus alunos, quase que totalidadedá com aqueles em que parece que nada do a fazemos dos professores certo, que ninguém nos entende, que ninguém nos ama, e dos familiares todo seus alunos na entrevistados disse buscar a participação que o mundo de conspira contra nós a através nos derrubar. Assim, é normal que e conversas escola fim de de reuniões, confraternizações homens, mulheres e crianças tenham dias visitar os educandos na casaadestes. irritabilidade procurando também considerados ruins, onde informais,

impera, sendo que esses momentos precisam ser respeitados. não se esmerar na realização de Outros educadores, entretanto, disseram Desta forma, para que atividades, o se torne um campo de batalha, de motivação e nenhuma dessas a escola não que leva a questionar a falta devemos nos conscientizar da importância de duas atitudes: conhecermos a fundo nossas emoções, controlando as sempre que for necessário, e entendermos os momentos de fragilidade de quem convive conosco,

diz Cury (2003, p. 76): “Nos primeiros trinta segundos que estamos tensos, cometemos os piores erros, nossas piores atrocidades. No calor da tensão, seja amigo do silêncio, respire fundo”.
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Além disso, nós educadores, precisamos parar momentaneamente interesse desses profissionais o que, a meu ver, se deve ao fato de alguns nossas atividades e refletir sobre as práticas que mantemos, pois a construção educadores sentirem a presença da família como uma “ameaça” a sua do conhecimento se dá pela reflexão. A escola não pode ser um lugar onde o profissionalidade, sentindo-se destituídos de sua competência e de seu papel de erro não seja permitido e onde só é valorizado o aluno que consegue tirar boas ensinar. notas. Sabemos que se trata de um processo delicado e que exige muitos Ainda quanto a este sentido, crianças que colaboraram com a entrevista cuidados, mas precisamos rever o que aprendemos em nossa formação, pois alegaram perceber um bom nível de amizade envolvendo alunos e professores, o mundo mudou e ainda vai continuar mudando. sendo que algumas atividades sugeridas para aumentar ainda mais este Portanto, também precisamos mudar, nos contextualizando com entrelaçamento vem a ser a realização de festinhas, jogos, gincanas, reuniões e essas transformações diárias. O professor deve estar em um constante fazer e outros encontros semelhantes. Este ponto de vista confirma outra posição refazer, propondo, questionando, avaliando, inovando... Porém, sua ação não defendida por 100% dos alunos questionados: todos eles disseram preferir a pode dar se a esmo, necessita ser planejada e refletida com esmero. Segundo escola como uma entidade aberta, permitindo a presença de pais e outros Cury (2003, p. 17): “Um excelente educador não é um ser humano perfeito, elementos da sociedade em seu meio. mas alguém que tem serenidade para se esvaziar e sensibilidade de E, de fato, quando escola e família têm uma linguagem comum e aprender”. posicionamentos adotados colaborativamente no trato de aspectos da educação Já o aluno necessita de incentivos e estímulos. É necessário que das crianças e da sua escolarização, é possível que os educandos consigam ter conheça sua situação em relação a si mesmo e em relação aos seus colegas e uma aprendizagem mais significativa, um percurso acadêmico mais tranqüilo e professores. Por sua vez, as informações que os familiares do educando um desenvolvimento intelectual e emocional mais harmonioso, o que não pode devem receber deverá ter um caráter educativo: a partir desses dados os pais ser desprezado. Assim, percebi que a influência da família deve ser bem poderão estimular ainda mais seus filhos em seu dia a dia escolar. recebida pela escola, sem preconceitos, orientando suas falhas e aplaudindo A referência básica necessita ser o processo pessoal do educando, a seus acertos. fim de que se perceba claramente o que se poderá fazer para ajudá-lo, Além disso, é recomendável que a família que possui condições sociais e instaurando-se um diálogo capaz de envolver família e escola. Tive um aluno econômicas deve procurar conhecer da melhor forma possível a escola que vai que, de um momento para outro, passou a ter maiores dificuldades de escolher para os seus filhos, procurando uma coerência entre suas expectativas aprendizagem. e o que o espaço educacional realmente tem a oferecer. Quanto a este ponto, Questionei-lhe sobre o que estava acontecendo e ele me disse que o segundo Winnicott (1982, p. 217), é importante que os pais reflitam sobre certos pai estava exigindo que lhe ajudasse no cultivo da soja. Procurei, então, os aspectos que podem vir a favorecer a aprendizagem escolar de suas crianças: familiares deste aluno e expus-lhes o problema. Eles prontamente entenderam a) Mostra se recomendável inteirar se previamente das metodologias a situação e mudaram sua forma de proceder, o que veio refletir benéfica aplicadas pela nova escola. Se estas exigirem a intensiva participação dos pais mente na aprendizagem do educando. em atividades tais como trabalhos de casa, pesquisas, reuniões, festinhas no E em se tratando da administração do estabelecimento de ensino, colégio, etc, e os familiares não puderem cumprir com essas solicitações por deve ser disponibilizada qualquer informação que solicitar, mas estas trabalharem fora ou outro motivo qualquer, a criança poderá não compreender a informações deverão ser o mais complexas possíveis, ricas em detalhes e situação devidamente e sentir se desprezada. Por meio de minhas práticas dados. Seria extremamente incoerente se uma escola adotasse um ensino constatei que as crianças cobravam dos pais esta participação, e sentem-se voltado à diversidade, globalização, transversalidade, etc, e ainda resumisse infelizes quando não são atendidas em seus interesses; todas as informações acerca um aluno em uma simples nota. Outro fato relevante com referência às informações sobre os alunos é a sua privacidade. Estas informações necessitam ser usadas unicamente para contribuir para o progresso tanto do estudante como do professor: aos

professores para que possam adaptar o ensino às necessidades do aluno e para que valorizem seu esforço, e ao aluno para que se conscientize de sua situação e analise seus progressos, retrocessos e envolvimento pessoal.
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Assim, não é justo e nem útil que esse conhecimento se proclame b) quatro ventos, o que, recomendável levaria a o indiscriminadamente aos Também se mostra com certeza, nãoconsiderar um tamanho e a organização da escola em relação à personalidade do estudante. Há crianças diálogo construtivo. que se intimidam em escolas muito grandes, com turmas imensas e salas de Por exemplo, é costume sacramentado as informações sobre a aprendizagem aula alunos serem as mesmas tanto para eles, melhorpara escolas pequenas, dos superlotadas. Estes alunos vão sentir se como em os mais acolhedoras e, portanto, geralmente vindas em forma de professores, pais e administração da escola, menos ameaçadoras. Por outro lado, há aqueles que gostam de grandes grupos, atenção à diversidade e que boletins de notas. Porém, uma escola que prestamuito espaço e de atividades diversificadas, neste caso cabendo melhor os colégios de maior diferentes de busca a formação integral da pessoa precisa propor formas porte. Vejo a importância de que os pais tenham consciência informação, cada qual destinado a um segmento envolvido no processode seu papel na formação de entre pais, mestres educativo, onde o diálogo seus filhos e clareza ena maneira devidamente os mesmos. É alunos é de conduzir fundamental que a relação pais e filhos seja baseada no carinho, no diálogo e no valorizado. amor, pois o relacionamento familiar implicará diretamente em sua vida futura, principalmente nos espaços educacionais. Sabe se que a escola vai melhor quando a família está presente: se os familiares se interessam por ela, a criança se comprometerá mais com os estudos. Desta forma pais, educadores e toda sociedade precisam estar conscientes sobre a importância da união entre a família e a escola na formação das crianças. Ambas têm função de auxiliar o sujeito a ser autônomo, criativo, capaz de relacionar se bem com o outro e interagir significativamente na sociedade. Desta forma, para que se efetive na prática o processo ensinoaprendizagem, é necessário partilhar responsabilidades com a presença ativa de todos os envolvidos, organizando e definindo objetivos e estratégias, bem como sanar conflitos e situações indesejáveis que não foram previstos no planejamento. Tecer essa dimensão significa transformar, revolucionar. Por isso, é fundamental que as relações entre as pessoas sejam horizontais, contribuindo, dessa forma, no processo de intercâmbio de vivências, experiências e interações entre os sujeitos. Sabe-se que a escola não tem somente o papel de transmitir conhecimentos, mas, muito mais, o de repensar a sociedade na qual vivemos e que desejamos reconstruir. Contudo, para que isso aconteça, o comprometimento de todos é indispensável: quando dizemos que a escola é um lugar onde os alunos possam descobrir e desenvolver seus talentos, estamos colocando à prova o nosso trabalho, visto ser nossa a tarefa de proporcionar espaços e possibilidades para o seu fecundo desenvolvimento.

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3 - ESCOLA, PAIS E ALUNOS: SEU PAPEL NO PROCESSO ENSINOAPRENDIZAGEM Compreendo que os espaços de ensino podem ser vistos como os responsáveis pela educação escolar: locais destinados ao trabalho pedagógico formal, ao entendimento de regras, à formação de valores, ao exercício da cidadania, à experimentação de sentimentos, etc. Por sua vez, vejo a família como a base da formação do indivíduo, o ambiente em que ocorrem os primeiros contatos e relacionamentos da criança, modelo, referencial e (não menos importante) responsável pela formação de valores, entre outros elementos. Mas estes conceitos podem ser sobremodo ampliados. É também na escola que a criança começa a tomar um contato mais amplo com a coletividade, passa a enriquecer seu repertório de experiências e relacionamentos, assim como é preparada para a vida social. Desta forma, a educação da escola é aquela em que o aprendizado é sistematizado e formalizado, onde se busca uma transmissão ordenada e serial de informações e conhecimentos para que estes sejam reconstruídos pelo aluno. A escola tanto pode reproduzir os padrões vigentes como também criar espaços para novas alternativas, favorecendo uma revisão da sociedade e do mundo. Percebo isso a partir da realidade que me cerca, onde temos a chance de criar uma nova sociedade, mais justa e digna, ou simplesmente dar prosseguimento à na qual vivemos.

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Sendo assim, a escola se caracterizaria como um importante espaço educativo e socializador, complementando o trabalho desenvolvido pelas famílias. Da mesma forma, mais recentemente, tem se procurado atribuir às famílias a responsabilidade por igualmente complementar o trabalho realizado pela escola, o que inclui efetivo comprometimento com a aprendizagem. Daí resulta que família e escola passam a ser vistas como espaços a fins e não como mundos diferentes, pois, apesar de distintas, buscam atingir objetivos complementares. Enquanto a escola se dedica em ensinar bem os conteúdos de áreas de saber considerados como fundamentais para a instrução das novas gerações, às famílias cabe dar acolhimento a seus filhos num ambiente estável, provedor e amoroso, influenciando lhes beneficamente na elaboração de seu conhecimento. Porém, para que a escola possa contribuir em prol de uma formação abrangente da pessoa humana, que não privilegie somente habilidades lingüísticas, lógico matemáticas e tecnológicas, necessita colocar lado a lado, com a mesma ênfase, oportunidades de vivenciar valores da sensibilidade e da estética, bem como da ética, da compreensão e da espiritualidade, pois a pessoa humana ultrapassa seu enraizamento terreno e é capaz de criar um projeto utópico para a vida no planeta a partir de seus sonhos, desejos, fantasias e imaginações. De acordo com Demo (2004, p. 31): “Menos que dominar conteúdos, que envelhecem e desaparecem rapidamente, é importante que o professor consiga que o aluno saiba pensar, porque esta habilidade representa a aprendizagem que se confunde com a vida”. Através desta reflexão é possível compreender que o conhecimento é provisório e torna se rapidamente obsoleto. Por isso, a escola e os professores estão desafiados a repensar seu currículo e sua prática pedagógica de forma mais heterogênea e fragmentada, capaz de colocar em evidência os problemas de respeito à diversidade cultural e tolerância às diferenças religiosas, políticas e ideológicas, entre outras, presentes na sociedade. Além disso, incentivar práticas curriculares inovadoras que diferem das tradicionais ou tecnicistas possibilita desencadear um processo de formação continuada durante o qual o professor vivencia um novo jeito de ensinar e

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aprender, revendo sua maneira de ser e fazer, uma vez que a inovação incide diretamente em sua pessoa e em sua atividade profissional. Nesse processo o educador assume naturalmente a formação continuada, movido por uma necessidade interna, aprendendo a aprender e a transformar se. Aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser pilar do conhecimento que não pode ser considerado estanque e isolado um do outro, pois possuem pontos de interação e complementaridade, os que se expressam em elos entre os saberes da experiência, pedagógicos, específicos e também os da luta cotidiana em sala de aula. Acredito que com esta mentalidade o professorado é capaz de efetivamente colaborar no surgimento de uma escola verdadeiramente comprometida com a formação de seus alunos. E, quanto à família, esta vem a ser o lugar indispensável para a garantia da sobrevivência e da proteção integral dos filhos e demais membros. É a família que propicia o suporte afetivo e material necessários ao desenvolvimento e bem estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação formal e informal, é em seu espaço que são absorvidos os valores éticos e humanitários, e onde se aprofundam os laços de solidariedade. É também em seu interior que se constroem as marcas entre as gerações e são observados valores culturais. Por exemplo, por ocasião da entrevista realizada com os professores, pude constatar que os mesmos reconhecem da forma clara que a família possui uma importância fundamental para o crescimento e a formação do caráter do ser humano, sendo os filhos reflexos de suas respectivas famílias. E ainda mais: quanto à família de nossos alunos, é fácil perceber que ela já não é a mesma de tempos atrás. Neste início de milênio a sociedade brasileira passa por muitas e drásticas transformações, sendo que devido a elas o conceito de família não pode mais ser percebido como uniforme e estático. Pude perceber isso em minhas práticas, onde convivi com crianças cujas famílias diferem em muito do modelo tradicional. Inclusive, em nosso país, por exemplo, além de passar a ser menos numerosa, a família nuclear, constituída de pai, mãe e filhos com uma base biológica comum, deixou de ser o modelo socialmente aceito como padrão, convivendo ao lado de configurações

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familiares cuja base é estritamente social ou econômica, em especial nas camadas mais desfavorecidas da população. Entre os fatores que alteraram o cotidiano das famílias e influenciaram na sua organização e, conseqüentemente a visão que se tem dela, estão a presença da televisão, o acesso à escolaridade (especialmente no caso da mulher), o surgimento dos movimentos feministas, a mudança dos papéis sexuais, a modernização do discurso da Igreja Católica, a super valorização do consumo, a psicologização das relações familiares e, devido ao ingresso da mulher na força de trabalho e como provedora do lar, a substituição dos cuidados maternos com os filhos por instituições como creches e escolinhas, o que afeta diretamente a sua aprendizagem. Porém, mesmo com todas estas significativas mudanças e mesmo reconhecendo que a família de hoje está mais desestruturada que a do passado, mostrando-se sob diferentes formas, os professores que prestaram os seus depoimentos continuam a crer que esta nova família pode ser tão acolhedora quanto à tradicional. Desta forma, entendo que tanto a escola quanto a família passam por profundas transformações, onde nada mais é como era antes. Mas, ao contrário dessas mudanças distanciarem esses dois elementos, aproximam-nos ainda mais, fazendo com que de fato tornem-se mundos afins. 3.1 As diferentes visões entre pais e professores Através das pesquisas bibliográficas realizadas pude perceber que a escola tem tido como função responsabilizar se pelo percurso escolar dos indivíduos, favorecendo a aprendizagem de conhecimentos sistematizados construídos pela humanidade e valorizados em um dado período histórico. A aprendizagem dos conteúdos escolares de diferentes naturezas deveria se concretizar durante a permanência dos alunos na escola, independente do contexto social e familiar ao qual pertençam. Porém, radicalizando este aspecto, há famílias que exigem da escola a educação integral de seus filhos, omitindo se do processo ensino aprendizagem. Ao não realizarem as funções paternas e maternas que são de sua responsabilidade, esses pais favorecem o surgimento de muitos problemas

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psicológicos nas crianças, dentre os quais pode se citar casos agudos de introversão ou extroversão, agressividade, falta de preparo emocional, carência de atenção e de afeto, etc. Assim, entendo que há uma cobrança natural pela ajuda de seus pais em sua aprendizagem. Mais do que aceitar a influência paterna e materna, meninos e meninas reivindicam na. A partir desta constatação considero que o fenômeno que se tem observado atualmente é, no mínimo, curioso. Por um lado à escola reclama da ausência da família no acompanhamento do desenvolvimento escolar da criança, da falta de pulso dos pais para dar limites aos filhos, da dificuldade que muitos deles encontram em transmitir valores éticos e morais importantíssimos para a convivência em sociedade. E, por outro lado, a família reclama da excessiva cobrança da escola para que os pais se responsabilizem mais pela aprendizagem da criança, da ausência de um currículo mais voltado para a transmissão de valores e da preparação do aluno para os desafios nãoacadêmicos da sociedade e do mundo de trabalho. Confusão de papéis? Falta de objetivos claros de ambas as partes? A definição da raiz do problema não é tão simples assim, e o fenômeno parece mais complexo do que se pode imaginar à primeira vista. O que percebo, porém, são as conseqüências dele. Nos conflitos de quem é responsável pelo que, notase crianças e adolescentes cada vez mais soltos, muitas vezes desmotivados com a escola, distantes de suas famílias e de seus professores, necessitando de uma atenção maior em relação aos seus conflitos e a sua formação como pessoas. Um exemplo disso é o problema de disciplina. A escola reclama que os pais não conseguem dar uma educação que ensine às crianças e aos adolescentes o respeito pelas pessoas e pelas instituições. Já os pais alegam que é a escola que não é capaz de estabelecer os limites adequados para a convivência social. No meio desse jogo de empurra-empurra estão o aluno, personagem de importância indiscutível tanto para a família quanto para a escola, mas cujas necessidades continuam à espera de um olhar mais apurado tanto da parte de seus pais quanto das instituições de ensino.

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CONCLUSÃO A família é indispensável para a garantia da sobrevivência e da proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do seu arranjo ou da forma como vêm se estruturando. É ela que propicia o suporte afetivo e sobretudo materiais necessários ao desenvolvimento e bem estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação formal e informal, é em seu espaço que são absorvidos os valores éticos e humanitários, e onde se aprofundam os laços de solidariedade. É também em seu interior que se constroem as marcas entre as gerações e são observados valores culturais. Desta forma, a família não é somente o berço da cultura e a base da sociedade, mas é também o centro da vida social. A educação bem sucedida da criança na família é que vai servir de apoio à sua criatividade e ao seu comportamento produtivo quando for adulto. A família tem sido, é e será sempre a influência mais poderosa na aprendizagem das crianças e, conseqüentemente, no desenvolvimento da sua personalidade e caráter. Assim, a base de toda a aprendizagem escolar encontra-se na família. E é justamente neste ponto que reside à importância das escolas estabelecerem um trabalho sintonizado com os pais de seus alunos, compartilhando dúvidas, anseios e também buscando soluções conjuntas para os problemas que se apresentarem. Além disso, esta parceria entre escola e família é extremamente benéfica para as crianças, que passam a desenvolver sentimentos positivos, sentindo-se seguras e amparadas durante todo o desenrolar de sua aprendizagem. Entendo que é no vínculo afetivo entre professores, pais e alunos, no seu interagir, que ocorrerão as situações de aprendizagem, pois assim é formado um

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conjunto harmonioso capaz de proporcionar o desenvolvimento físico, afetivo, social e intelectual que se enraízam e se completam, tendo em vista que o aprendizado não pode ocorrer de forma isolada dos sentimentos. Para aprender, é necessário antes de tudo estar disposto a desenvolver-se integralmente. E ainda, é importante que os educadores percebam que cada criança traz de casa para a escola uma bagagem cultural muito grande, repleta de referências afetivas, as quais refletem diretamente no seu desempenho em sala de aula. Desta maneira, a escola somente vem a reforçar e a sedimentar o que a criança carrega em seu bojo, sendo uma continuadora das primeiras lições aprendidas em casa. E são essas mesmas lições as grandes responsáveis pela capacidade das crianças conviverem harmoniosamente com seus colegas na escola, compreendendo as regras comuns a todos e reconhecendo direitos e deveres. Também a construção do conhecimento se dá de acordo com o que já se sabe, uma vez que todo novo conhecimento precisa associar-se a outro já aprendido para a partir de então modificá-lo e a aumentá-lo. As famílias também podem colaborar em relação às dificuldades de aprendizagem apresentadas por seus filhos. Essas dificuldades no aprender, que levam a um retardo escolar, podem ter causas e conseqüências múltiplas, o que exige uma análise detalhada de cada caso para então se buscarem as devidas soluções. Na maioria das vezes, os familiares podem contribuir decisivamente para a superação desses entraves, desde que sejam devidamente orientados para isso. Desta forma, não basta que os professores apenas comuniquem aos pais que uma criança não consegue aprender ou que não demonstra muita vontade em envolver-se nas atividades propostas, mas deve dialogar com esses familiares, orientando-os e estabelecendo uma parceria com eles. Esse entrosamento entre família e escola traz apoio às crianças, além de estímulo e sensação de bem-estar, o que se revela extremamente útil na superação dos problemas de aprendizagem eventualmente surgidos. Além disso, os pais, uma vez incluídos no processo ensino-aprendizagem, abandonam a posição de simples espectadores e passam a ser protagonistas em busca de soluções. Da mesma forma, percebo que é necessário que se crie vínculos entre educação e humanização. Os pais precisam posicionar-se ao alcance de seus

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filhos, revelando com sinceridade que também tiveram dificuldades no aprendizado de certas matérias, e que dúvidas e inseguranças são comuns na vida de qualquer estudante. Pondo-se em um mesmo patamar, os genitores estarão mais aptos a incentivarem seus filhos a vencer suas adversidades, e estes estarão mais predispostos a acolherem dicas, sugestões e conselhos, pois quem lhes fala é um ser igual a eles e não um intelectual onisciente, detentor das notas máximas no colégio em que estudou. E, para que se efetive na prática esse processo de participação e aprendizado, é necessário partilhar responsabilidades nas fases de elaboração, execução e avaliação, com a presença ativa de todos os envolvidos, organizando e definindo objetivos e estratégias, bem como sanar os conflitos e situações indesejáveis que não foram previstos no planejamento. Tecer essa dimensão significa transformar, revolucionar. Por isso, é fundamental que as relações entre as pessoas sejam horizontais, contribuindo, dessa forma, no processo de intercâmbio de vivências, experiências e interações entre os sujeitos. Sabemos que a escola não tem somente o papel de transmitir conhecimentos, mas, muito mais, o de repensar a sociedade na qual vivemos e que desejamos reconstruir. Contudo, para que isso aconteça, o comprometimento de todos é indispensável: quando dizemos que a escola é um lugar onde os alunos possam descobrir e desenvolver seus talentos, estamos colocando à prova o nosso trabalho, visto ser nossa a tarefa de proporcionar espaços e possibilidades para o seu fecundo desenvolvimento. Entendo que nós, educadores, precisamos parar momentaneamente nossas atividades e refletir sobre as nossas práticas, pois a construção do conhecimento se dá pela reflexão. A escola não pode ser um lugar onde o erro não seja permitido e onde só é valorizado o aluno que consegue tirar boas notas. Sabemos que se trata de um processo delicado e que exige muitos cuidados, mas precisamos rever o que aprendemos em nossa formação, pois o mundo mudou e ainda vai continuar mudando. Portanto, também precisamos mudar, nos contextualizando com essas transformações diárias. Tanto o professor como o supervisor e o orientador devem estar em um constante fazer e refazer, propondo, questionando, avaliando, inovando... Porém, sua ação não pode dar-se a esmo, necessita ser planejada e refletida com esmero.

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Assim, também é imperioso o educador buscar sua própria formação continuada, esforçando-se em ser um exemplo a ser seguido, demonstrando que numa escola de gestão democrática não há espaço para imposições descabidas e cobranças de atitudes unilaterais. Dentro de um ambiente de trabalho proposto desta forma, todos, qualquer que seja o cargo ou posição dentro da instituição, caminham juntos, buscando o aprimoramento e a melhoria da instituição escolar em nosso País. Não há como fugir da realidade que nos cerca: vive-se num mundo com tantos desafios e desmandos, desigualdades, crises e injustiças que muitas vezes nos sentimos inseguros e impotentes. São em momentos assim que se percebe que o conhecimento adquirido já não supre as necessidades do nosso dia-a-dia. Isso é algo ao mesmo tempo assustador e fabuloso: ensinamos a nossos alunos e também precisamos aprender como alunos, conscientizandonos de que somos eternos aprendizes. Assim, o educador tem o compromisso de ampliar o seu olhar, pois será ele o elemento que, ao lado de alunos e pais, poderá dar um novo rosto para a educação e, conseqüentemente, para a sociedade em que vivemos.

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