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SICA_2010 - PERFIL SOCIOECONÔMICO DOS PESCADORES ARTESANAIS FILIADOS À COLÔNIA DE PESCADORES Z – 12, VITÓRIA DO XINGU-PA

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PERFIL SOCIOECONÔMICO DOS PESCADORES ARTESANAIS FILIADOS À COLÔNIA DE PESCADORES Z – 12, VITÓRIA DO XINGU-PA

Andréia de Menezes Portugal1, Ana Ruth Santos Chaves1, Edna Santos de Souza1, Miquéias de Freitas Calvi2.
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Discentes do Curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal do Pará, Campus de Altamira. Rua Cel. José Porfírio, 2515, São Sebastião, 68.371-030, déia.portugal@hotmail.com; 2 Docente pesquisador da Universidade Federal do Pará, Campus de Altamira, Faculdade de Eng. Florestal, mcalvi@ufpa.br.

RESUMO A pesca artesanal consiste em uma das atividades econômicas mais tradicionais no Brasil. Este trabalho propõe elaborar o perfil socioeconômico dos pescadores artesanais filiados à Colônia de Pescadores Z-12, município de Vitória do Xingu-PA, buscando melhor compreender o setor da pesca artesanal, caracterizada como importante base econômica para este município. Utilizou-se questionário semi-estruturado para aquisição das informações sócio-econômicas dessa categoria social, aplicando-os a 38 pescadores. A manutenção da maioria das famílias dos entrevistados, não provém apenas do trabalho do homem pescador. Um rol de atividades, exercidas, sobretudo pelas mulheres e filhos, garantem a aquisição de bens de consumo, contribuindo com a renda familiar. Destaca-se o trabalho da mulher enquanto pescadora artesanal profissional. PALAVRAS-CHAVE: Pesca artesanal, Socioeconomia, Bacia do Xingu. ABSTRACT Artisanal fishing is one of the most traditional economical activities in Brazil. This work is supposed to prepare the socioeconomically setting of artisanal fishermen branched to Colonia de Pescadores Z – 12, in Vitoria do Xingu - PA’s municipality, looking for understand better the artisanal fishing section, characterized as a important economical to this municipality’s base. It was used a semi – structured form for socioeconomical information keeping of this social class, applied for 38 fishermen. Keeping of the great part of the interviewed families, does not come just of the fisherman’s work. An activity list, done, mainly by the women and children, get the goods for use, helping with the familiar order payment. It’s emphasized the women’s work as professional artisan fisherwoman. KEY WORDS: Artisanal fishing, Socioeconomy, Xingu’s bay. INTRODUÇÃO

A pesca artesanal consiste em uma das atividades econômicas mais tradicionais no Brasil. Sua importância decorre tanto da geração de trabalho e renda, como do fornecimento de proteína de qualidade e da manutenção de um patrimônio cultural inestimável. A atividade,
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em muitos locais, é considerada um tamponador social, diminuindo a situação de exclusão social onde há corpos d’água adequados para seu exercício (IBAMA, 2007), contribuindo sobretudo, na Amazônia e no Pantanal, para a alimentação de quase a totalidade da população regional (DIEGUES, 1998). Altmayer (1999 apud SOUZA, 2007) considera a pesca artesanal como: a pesca realizada através de embarcações de pequeno porte (botes, caícos ou canoas), sem cabine, com propulsão à vela, remo ou motor baixa potência (< de 24 hp), sem emprego de equipamentos sofisticados, constituindo-se na principal atividade do pescador, embora este possa desenvolver outras atividades complementares. Tal atividade visa a produção de excedente, cuja venda possibilita não só a aquisição dos meios para subsistência, como também a compra de instrumentos que garantam a continuidade da produção. Geralmente, há emprego de mão-de-obra, já que a produção tende a sair do âmbito familiar, sendo a força de trabalho empregada remunerada, quase sempre, pelo sistema de partes sobre o valor da captura, não ocorrendo remuneração em dinheiro via assalariamento. Em que pese o esforço de instituições no sentido de promover estudos e pesquisas sobre esse relevante setor produtivo, há ainda uma grande carência de informações atualizadas, sobretudo informações estatísticas, que propiciem uma caracterização geral da atividade, enfocando em particular a realidade do trabalho dos pescadores artesanais, principalmente na bacia do Rio Xingu. Nesse contexto, este trabalho se propõe elaborar o perfil socioeconômico dos pescadores artesanais do município de Vitória do Xingu-PA, buscando melhor compreender o setor da pesca artesanal na região.

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado em abril de 2010, na Colônia de Pescadores Z-12, localizada no município de Vitoria do Xingu, região Oeste do Pará. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas voltadas à aquisição das informações sócio-econômicas dessa categoria utilizando questionário específico para 38 pescadores. A pesquisa foi elaborada com base na abordagem qualitativa de Minayo (1994), analisando as ações e relações na atividade pesqueira e a importância desta na reprodução das famílias, incluindo o simbolismo existente na relação homem/natureza, os objetivos da associação, informações sobre a arte e apetrechos da pesca e interpretação dos depoimentos dos entrevistados sobre a experiência de participar da associação.

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RESULTADOS E DISCUSSÕES

Foram entrevistados 38 pescadores filiados à Colônia de Pescadores Z-12, sendo 24 homens e 14 mulheres, com idade variando entre 19 a 61 anos. A maior parcela destes (97%) nasceu no Estado do Pará - sendo 62% destes naturais do município de Vitória do Xingu - e apenas 3% vieram de outro Estado (Maranhão); são descendentes de famílias de pescadores, sendo essa uma herança familiar. A maior proporção reside na mesma comunidade há mais de 20 anos, evidenciando uma baixa mobilidade no tempo e espaço, que pode ser atribuída às poucas oportunidades de trabalho na região que, de modo geral, se restringem à agricultura familiar e à própria pesca artesanal. Quanto à escolaridade, 81,6% dos pescadores têm ensino fundamental incompleto, 10,5% possuem o fundamental completo, 2,6% possuem o ensino médio completo e outros 5,3% são analfabetos, situação justificada pela incompatibilidade entre o horário de trabalho e estudo dificultando o acesso e permanência nas escolas regulares nas fases de infância e adolescência da maioria dos entrevistados. Os resultados mostram que 76,3% dos pescadores empregam canoas a remo ou a motor para suas pescarias e 23,7% utilizam barcos. Em muitas situações ocorre o endividamento dos pescadores em relação aos atravessadores, pois ao anteciparem o pagamento do produto para que realizem suas viagens no período da pesca, criam uma relação de dependência. O armazenamento do produto é executado pelo próprio pescador que, de modo geral, acondiciona o pescado em recipientes de isopor com gelo para posterior consumo e/ou comercialização. Quanto ao tempo médio de duração do esforço de pesca, observou-se que as pescarias de curta duração (até 24 horas) representam 76% do total. Nessa categoria estão incluídas as pequenas embarcações que apresentam limitações de deslocamento em grandes distâncias e englobam as pescarias com anzol e tarrafas. Os esforços de pesca com duração incluída nas categorias de dois a sete dias representam 24% do total e envolvem barcos de maior porte e capacidade. A comercialização envolve uma complexa rede de agentes e relações econômicas. Para 66% dos entrevistados a entrega do produto ocorre logo após a chegada dos pescadores no ancoradouro natural, logo surgindo a figura dos agentes intermediários. Segundo Santos (2006), em que pesem às críticas sobre a estrutura de remuneração impostas pelos agentes intermediários aos pescadores artesanais, esses assumem um papel importante, na medida em que agregam as pequenas quantidades individuais produzidas pelo pescador artesanal e estabelecem o elo entre a produção e o consumo.
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As principais espécies capturadas pelos pescadores da Colônia Z-12 são a Pescada (Cyomoscion spp.), o Pacu (Myleus spp.), o Piau (Leporinus spp.), o Tucunaré (Cichla spp.) e o Mapará (Hypophthalmus spp.). Na pesca artesanal os custos variam de acordo com o ambiente, tipo de embarcações, sazonalidade das espécies exploradas entre outros fatores. Os preços recebidos apresentam grande variabilidade. No caso das espécies citadas, o preço médio recebido oscila entre R$ 2,00 e R$ 3,00/kg, variando conforme a disponibilidade do produto e a demanda de mercado. Em média, 65% dos entrevistados pescam 270 kg/mês, gerando uma renda bruta média de R$ 675,00. Essa variação na quantidade do pescado está relacionada com o tipo de embarcação, a composição da família e idade. Para 100% dos pescadores entrevistados, a quantidade do pescado na área de atuação da Colônia Z-12 tem diminuído consideravelmente devido ao aumento do número de pescadores e da falta de fiscalização dos órgãos competentes, resultando, segundo estes, pesca predatória por parte de alguns pescadores e da modernização dos apetrechos de pesca, quando comparado com anos anteriores. Em 63,1% dos casos a pesca é realizada por membros da família o que evidencia a importância dos laços sociais na composição das unidades de trabalho e na identificação com a atividade e 36,8% pescam sozinhos. Constatou-se que 65,8% deixariam a profissão de pescador apenas se a outra atividade fosse mais rentável economicamente e 34,2% não abandonariam a profissão de pescador para exercer outra. Com relação ao desenvolvimento de atividades paralelas à pesca, constatou-se que apenas 55,2% dos entrevistados complementam suas rendas desenvolvendo outras atividades durante o período do defeso, com destaque para aqueles que trabalham como diaristas que são responsáveis por 47,6% desse total. Os demais 44,8%, não possuem nenhum outro tipo de renda. Como a pesca artesanal é uma das bases econômicas do município, na maioria dos casos há mais de um membro da família associado à Colônia de Pescadores, porém 50% se associaram a menos de três anos e muitos ainda não recebem o seguro desemprego. Para 65% dos associados que recebem o benefício este é suficiente para o sustento da família no período. Além do seguro desemprego no valor de um salário mínimo, os outros benefícios que os filiados têm acesso são o auxílio doença, quando estes se encontram impossibilitados de exercerem a atividade pesqueira por motivo de saúde, aposentadoria por idade ou por invalidez, e no caso das mulheres pescadoras, o auxílio maternidade. Segundo os pescadores a Colônia possui importância representativa para a comunidade na qual está inserida, porém se apresenta desestruturada, pois não há gestão compartilhada que estabeleça estruturas e
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mecanismos que possibilitem à interação entre diretoria e sócios, referentes ao fluxo de informações e ao poder decisório, de modo a estimular maior participação dos pescadores nas atividades desenvolvidas pela Colônia. Faz-se necessário um diálogo horizontal entre os atores envolvidos no processo da pesca artesanal em Vitória do Xingu, possibilitando o cumprimento das prerrogativas e deveres dessa associação enquanto representante da categoria dos pescadores artesanais.

CONCLUSÕES

A atividade pesqueira artesanal é uma das bases econômicas do município de Vitória do Xingu. A manutenção da maioria das famílias dos entrevistados não provém apenas do trabalho do homem pescador, mas também de atividades exercidas, sobretudo, pelas mulheres e filhos, fundamentais para aquisição de bens de consumo, contribuindo com a renda familiar. Destaca-se o trabalho da mulher enquanto pescadora artesanal profissional.

LITERATURA CITADA INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS - IBAMA. COORDENAÇÃO GERAL DE PETRÓLEO E GÁS – CGPEG. A Interferência das Atividades Marítimas de Exploração de Petróleo e Gás na Pesca Artesanal: Exigências do Licenciamento Ambiental. 2007. Disponível em: <http://www.anp.gov.br. Acesso em: 06 jul 2010. DIEGUES, A. C. S. Os pescadores artesanais no Brasil: uma atividade profissional e um modo de vida. In: Seminário sobre pesca artesanal - Salvador, BA. Súmula... Salvador: UFBA, 1998. MINAYO, M. C. S. Ciência, Técnica e Arte: o desafio da pesquisa social: In: MINAYO et al. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. SANTOS, M. A. S. A Cadeia Produtiva da Pesca Artesanal no Estado do Pará: Estudo de Caso no Nordeste Paraense. 2006. Disponível em: <http://www.ceap.br/ arquivos/Texto%20Pesca%20Artesanal.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2010. SOUZA, M. A. A. Análise institucional da atividade pesqueira artesanal do Rio Grande do Sul. 2007. Disponível em: <http://www.sober.org.br/palestra/6/592.pdf>. Acesso em: 06 jul. 2010.

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