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SHANTALA

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Leboyer, Frederick arte Shantala massagem para bebês tradicional / Frederick Leboyer ; tradução de Luiz Roberto Benati e Maria Silvia Cintra Martins. — b. ed. -- Sao Paulo : Ground, 1995 ISBN 85-7187-029-2 1. Bebes 2. Fisioterapia 3. Massagem 4. Massagem para crianças I. Titulo.

93-1292

CDD-615.82 NLM-WB 400

Índices para catálogo sistemático:
1. Fisioterapia em pediatria 615.02

massagem para bebês: uma arte tradicional Tradução de Luiz Roberto Benati e Maria Silvia Cintra Martins .

A Shantala. de quem tanto aprendi.Dedico este livro à minha mãe. A todas as mães. à Índia. minha segunda mãe. E. por seu intermédio. .

a criança já não está viva? Ela não se mexe? Sem dúvida. saber o que é ela? Perguntas bastantes pretensiosas. sobre a vida? Quem não procurou. bem antes de "vir à luz". Ce rteza? A vida começa com o nascimento. o que é que começa quando a criança vem ao mundo? O que é isso senão a vida? . E que. Todavia. então.. ela espreita o mundo. alguma vez. Mas. achar que a vida começa com o nascimento é um grande erro. do seu cantinho escuro. a criança percebe a cla ri dade. No ventre de sua mãe... Sabemos também que ela passa da vigília ao sono. E até mesmo que sonha! Por isso. E escuta. E toda inquietação desaparece.. simples e evidente: "A vida começa com o nascimento". E mesmo? No ven tre. segundo algumas pessoas. ali só existe atividade reflexa.Quem não se interrogou. ela se mexe. para quem mais modestamente pergunta: "Onde começa a vida? E quando?" há uma resposta imediata. No entanto. um dia. Atividade reflexa! Não! Hoje nós sabemos que.

E nunca se deixarão. discreto como a sombra e. companheiro secreto. obstinado. com fi delidade. a não ser no túmulo. . O medo.O que começa é o medo. para onde. fi el. O medo e a criança nascem juntos. nos conduzirá. como ela. O medo que não nos abandonará.

E tentei mostrar como. A criança vai encontrar novos monstros. sensações do mundo exterior. E o nascimento do medo. SP. O que lhe ocorreu nos primeiros dias. atacado. por mil monstros. Editora Brasiliense. mas com a surpresa e o terror. . "E depois?". atordoado. Mostrei o jovem cavaleiro andante. Para bem compreender do que se trata. uma vez mais. *Nascer sorrindo. não pelo sofrimento. 1979.Já contei a epopéia do nascimento*. a partir do momento em que se arrisca a sair do refúgio. poderíamos mudar muita coisa. Elas o esperam e o assustam com seu extraordinário rumor. Nosso Argonauta terá de travar diferentes combates. perguntaram-me. Mostrei o jovem herói quase a sucumbir. com um pouco de inteligência e tato. nas primeiras semanas? E verdade: as provações não terminaram. voltemos. para trás.

ou melhor dizendo.No ventre da mãe. Se a mãe se erguer e andar. numa dessas caminhas que são como gaiolas de recém-nascidos. pegar um livro e sentar-se. eis a criança sozinha no berço. Depois. E se a mãe for descansar. quantas ondas. quantas sensações para a criança. . Sem falar nos sons e nos ruídos. a vida era uma riqueza in fi nita. Nada mais se mexe! Dese rt o. se ela se virar ou inclinar-se ou erguer-se na ponta dos pés. passada a tempestade do nascimento. se ela debulhar legumes ou usar a vassoura. para a criança todas as coisas estavam em constante movimento. sua respiração será sempre a mesma e o marulho calmo a ressaca continua a embalar o bebê. ou se deitar e adormecer.

Sim. coagulou-se. o mundo ao redor congelou-se. "Eu o escuto! Eu o percebo! Mamãe! Mamãe!" Um animal? Na escuridão? Prestes a saltar sobre a criaça para devorá-la? ... Repentinamente.E o silêncio. numa imobilidade completa e terrível .. um tigre. "Mamãe! Mamãe!" Ah. sim. E. no escuro há um animal. um leão.. enquanto la lora laz-se completo vazio. eis que aqui dentro alguma porção no ventre agarra torce morde. que pavor! No ventre? Não ali na escuridão! Sim.

Não é verdade? Porque. E se chama fome. uma agradável satisfação. de fato. Para nós. a vemos repetir-se várias vezes por dia. com muita satisfação. A fome é um monstro? A fome é sensação agradável. Porque nós sabemos muito bem que iremos comer. talvez? Um lobo transformado em avó e que espreita Chapeuzinho Vermelho preparando-se para devorá-lo? Um lobo? Onde? Na cama? Embaixo da cama? Atrás do biombo? Não! Está bem ali no ventre.Um lobo. .

a fome. não acontece nada! E preciso esperar. E se inquietar. Nasceu o espaço. Ele berra para mostrar que lá dentro. o leite. E. E sofrer. dentro. Fora.... finalmente.. Até que. do deserto exterior em que o mundo se fez vem alguma coisa que por fim aquieta o monstro desperto lá dentro. pode ele gritar: "Garçom! Garçom!"? Ele não se cansa de chamar. Eis o mundo dividido em dois. . com o desassossego.:. realmente. Dentro. com toda a força.. E. Fora..E para a criança? O pobre bebê pode movimentar-se? Deslocar-se até a despensa? Como se estivesse no restaurante.

E. E que se chama tempo. que se fundem sem contornos precisos e sem possibilidades de medição". a espera. (*) No original. segundo o nosso Aurélio. o leite. a fome fora. do T. entre os dois.) .Dentro. nasceram o espaço e a existência*. lê-se la durée. sofrimento indizível. a ausência. conceito difundido por Henri Bergson c que. E é assim que. (N. aplica-se à "sucessão das mudanças qualitativas dos nossos estados de consciência. tão-somente do apetite.

justamente porque o mundo exterior esta mono. Eles são aterrorizados pela novidade da sensação. de segurança. E. do trabalho. semana após semana. nesse oceano de novidades. Só elas nesse momento podem oferecer-lhe um sentimento de paz. A pele e as costas não esqueceram.Se os bebês berram sempre que acordam não é porque a fome os atormente. o esmagava e. por isso. Não mais que a fatalidade do pa rt o. a esperar por essa força que dele se apoderava. é preciso devolver-lhe as sensações do passado. Seria grave erro imaginar que o nascimento é necessariamente doloroso para o bebê. Já contei como as primeiras contrações no ventre materno aterrorizaram a criança. mais poderoso. Sem dúvida alguma. o deixava assombrado e saciado. com a qual nada se pode comparar. finalmente. . Já disse como. o abraço ficava mais apaixonado. Alimentar a sua pele tanto quanto o ventre. o pequeno ser começou a amar. culminar no delírio. a embriaguez do parto. É preciso alimentar os bebês. Eles não morrem de inanição. além disso. passada a surpresa. Assim como dar à luz pode ser para a mulher liberada do medo uma expe ri ência inebriante. A fatalidade da dor não existe. E como. Por essa "coisa qualquer interior" que assume imensas proporções. Para. de desconhecido.

Parece à criança. a poderosa sensação. massageá-la.para o bebê. então. dessa maneira. era preciso segurar a criança. Seu grito é um protesto apaixonado por aquilo que um prazer tão intenso vem interromper de modo brusco. Eu disse como. no nascimento. quando ela estiver bem assentada nessa liberdade nova e embriagante. a mais intensa das aventuras. que a contração a acompanha até à margem para abandoná-la uma única vez. . ritmada. evitamos a ruptura brutal. causa de sofrimento e abstinência. lenta. o nascimento pode ser a mais extraordinária. Ao prolongar. a mais forte. ao fazê-la alimentar-se de modo pausado.

Mas muito mais de ser amados e receber carinho. do estômago. visto que. o bebê espanta-se com o fato de reencontrar o mundo do avesso: as sensações fortes "dentro" do ventre. por muito tempo. E alimentar o "de fora" com o mesmo cuidado que o "de dentro".O que fizemos no nascimento temos de repetir todos os dias. é preciso falar com suas costas. coisa alguma! E necessário restabelecer o equilíbrio. e "fora". é preciso falar com sua pele que têm tanta sede e fome quanto o seu ventre. a fim de que eles não sintam mais a angústia de estar isolados. sempre que acorda. perdidos. durante semanas e meses. . Para ajudar os bebês a atravessar o deserto dos primeiros meses de vida. Sim! Os bebês têm necessidade de leite.

Com amor. Mal-amadas***. sentir é perceber o mundo mais adiante do que a mão pode alcançar. Ah. Como ela se inflama com facilidade em todas as criancinhas! Erupções. muito comovido ** por sua atenção. Seu mundo." Nos bebês. Mal-acabadas. estou comovido. tornando mais vasto. Ouvir é explorar mais longe ainda.... Mal-apanhadas.. eritemas. Cada sentido afasta um pouco mais além as fronteiras. é por aí que tudo. Micróbios? Infecção? Não.Sentir. pústulas. É ela que sabe. * De fato.. começou. de modo muito simples. . Apalpar.. Mas não com cremes. nutri-la. Não. a pele transcende a tudo. Para o nariz. sim. amigo. porém.. Mal cuidadas. E a harmonia se faz.. é preciso dar atenção a esta pele. É ela o primeiro sentido. ah! ver. E ver.. A língua. lembra-se disso: "E comovente. mais variado e mais rico o universo. é acariciar com os olhos o universo milhares de quilômetros ao redor. Cada sentido fala o mundo para nós. que sabe tantas coisas.. Mal conduzidas.

[N./ Mal aimés. embalados. do que vitaminas.] (***) Difícil reproduzir o jogo verbal do texto francês: Mal touchés.] . mesmo cheia de leite. pegos. acariciados. senão mais. do T.. a criança vai-se deixar morrer de fome. do calor e da voz que ela conhece bem./ Mal menés.. (*)/(**) Entenda-se: ". Mal portants. sais minerais e proteínas. tocante./Mal portés . massageados constitui para os bebês. alimentos tão indispensáveis.".. Se for privada disso tudo e do cheiro.Ser levados. ]N.. do T. "tocado".

TÉCNICA .

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ela está ali o tempo todo. Que é preciso aprender e dominar.A massagem dos bebês é uma a rt e tão antiga quanto profunda. . justamente. Difícil por ser simples. Mas no momento deixemos de nos preocupar. De fato. A arte só aparecerá depois. mas difícil. Em toda arte há uma técnica. Simples. Visto que. ela está além da existência. E vamos à técnica. Como tudo o que é profundo. Que é de grande precisão.

o impo rt ante é que a massagem seja feita em local aquecido. Quer isto dizer que a massagem não será feita depois da mamada no peito ou na mamadeira. É preciso rejeitar qualquer tipo de óleo mineral e usar tão-somente óleos naturais. O bebê não deverá jamais sentir frio. Faz-se a massagem com óleo previamente aquecido.Estando a criança inteiramente despida. óleo de cocó. as mulheres usam óleo de mostarda e. do E. A criança deve estar em jejum. no verão.) . (*) No Brasil podemos usar óleo de amêndoas ou de camomila. Na Índia. (N. Depois. a massagem será feita de preferência ao ar livre. No verão. no inverno. a criança ficará despida ao sol.

Ela poderá ser repetida à tarde. ombros relaxados. estando a mulher de pé ou sentada numa cadeira.A massagem será seguida pelo banho. antes do sono. Sentada no chão. Pernas esticadas. costas eretas. A mulher deve estar sentada no chão. . Que completará a sensação de profundo relaxamento. é falsear o significado profundo. Esta questão é fundamental. mas não em contato direto com o solo. E pôr de lado a afeição. E livrará a pele do excesso de gordura não absorvida. Massagear a criança numa mesa. A massagem será feita de manhã.

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Morno. Não somente com palavras. E. Sobre suas pernas.— Você está sentada no chão. de fato. Só pense naquilo que você está fazendo. mas não em contato direto com o solo. . com as mãos. o óleo num pequeno recipiente. ele esvazie a bexiga! Vocês se olham. Bem próximo. Com o seu ser. não se esqueça. Durante a massagem é preciso conversar com a criança. O relaxamento profundo proporcionado pela massagem e o bem-estar que o bebê vai sentir farão com que. O silêncio ajuda a concentração. você estendeu uma toalha. É preferível permanecer em silêncio. Esteja "ali!" Fale com o bebê com os olhos. muitas vezes. você vai aprender a se comunicar de outro modo. Seja atenciosa. Embaixo dela é prudente pôr um impermeável. E esse contato dos olhos é de grande i mportância.

E. .Se for verão. não ponha nada entre a criança e você. mais livre estará seu corpo e melhor ele irá trabalhar. fique à vontade. Quanto menos roupas você vestir. fizer calor ou se você estiver em sua casa sentindo-se muito bem. agora. Coloque o pequeno corpo sobre as suas pernas.

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Você banhou as mãos em óleo. com um livro aberto à sua frente. voltam para os lados. a partir do centro. Retornam ao ponto de partida e. você tivesse de deixar as páginas bem achatadas. Ao colocar as mãos no peito da criança. mas ladeando as costas. mas em direções opostas. você as separou. . Cada uma delas de um lado. Suas mãos trabalham simultaneamente. Isto tudo corno se.

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Em assim fazendo. a sua mão esquerda faz o mesmo na direção do ombro esquerdo do bebê (que está à sua direita). Então. e as suas mãos continuam a trabalhar desse modo. sua mão direita vai até o ombro oposto.Agora. urna depois da outra. ela percorre o pequeno peito para terminar no ombro direito da criança. as suas mãos vão trabalhar uma por vez. . A partir do flanco esquerdo do bebê (que está à sua direita). como se fossem ondas.

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. o lado que se prolonga no minguinho. perfeitamente uniforme. desliza pelo pescoço da criança. mas conservar o mesmo ritmo. não intencional. isto é. bem de leve. Isto será feito de modo natural. do começo ao fim da massagem).Você começou de modo lento. Preste atenção também no fim do movimento: o lado externo da mão. mantendo essa lentidão. a pressão das mãos acentua-se. Mantendo o ritmo lento (você não deve jamais acelerar.

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E as mãos se revezam ao elevar-se do ombro para a extremidade do bracinho. . Isto quer dizer que indicador e polegar (os outros dedos continuam como estão) vão formar uni pequeno bracelete que. aos poucos. por sua vez. a sua mão direita encontra-se com a esquerda (que segurava a mão da criança). A mão direita sustenta o punho do bebê. você vai fazer com que enlace todo o braço da criança. a esquerda está livre.Os braços O lado direito. Com a mão esquerda você segura delicadamente a mão da criança para esticar o bracinho. Com a mão direita você empalma o ombro do bebê. fechar com um círculo o ombro: os dedos formam um bracelete que pega todo o braço da criança. Ao chegar ao final do trajeto. Ela abandona a mãozinha e vai. por exemplo.

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mas em sentido inverso. . outra vez. Colocando urna ao lado da outra.As duas mãos trabalhavam uma depois da outra. pequenos braceletes. E você fará com que os dois pequenos braceletes se desloquem do ombro para a mão do bebê. Agora. elas vão trabalhar simultaneamente. elas circundam o ombro para formar.

as suas mãos voltam ao ombro e recomeçam.Em assim fazendo. Ao chegar ao punhozinho. . as suas mãos executam um movimento de rosca ao redor do bracinho. Movimento de rosca que as duas mãos executam em sentido inverso. Como se você torcesse o bracinho.

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O importante é demorar-se, persistir ao nível do punho.

A mão

Agora, você vai massagear a mão. Primeiro, com os seus polegares, os quais massageiam a palma indo da mão para os dedos. Depois, prenda os dedos e faça-os simplesmente dobrar-se. Como se você quisesse fazer com que o sangue fluísse da palma para as extremidades.

O outro braço
É claro que, a seguir, você vai fazer o mesmo com o outro braço, depois de ter virado a criança para o outro lado.

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aqui as mãos trabalham em toda a sua largura. de volta para você. Perpendiculares ao corpo do bebê. Uma vez mais elas se sucedem em ondas parecendo esvaziar a barriga do bebê. Partindo da base do peito. .A barriga Aqui as suas mãos trabalham uma depois da outra. onde se iniciam as costelas. você traz as suas mãos. uma após outra. Em suma. as mãos descem até à parte de baixo da barriga.

continua a massagear a barriga. . de volta para você. E é o seu antebraço que. ao prosseguir no mesmo vaivém.Agora. isto é. a sua mão esquerda segura os pés do bebê mantendo as pernas verticalmente esticadas. sempre de alto a baixo.

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Isto quer dizer que as suas mãos. elevam-se pela perna até o pé do bebê. de modo mais exato. empalmam a coxa e.As pernas Ou. ao formar pequenos braceletes. uma após outra. . os membros inferiores. Você vai proceder exatamente como fez com os braços.

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Depois. as mãos vão elevar-se da raiz até o pé ao executar o movimento de rosca ou torção. sempre circundando a perna da criança. ao trabalharem sentido inverso. .

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Não se esqueça de que o calcanhar é região fundamental. persiste no nível do tornozelo..Você se demora.. .

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Enfim. quando tiver terminado uma das pernas. com os polegares.. com a palma toda da mão. passará para a outra. você vai massagear a planta do pé. Primeiro. evidentemente. Depois. E.. .

Até então. um momento especial. Como você vai ver. . será. E este. Altere a posição dela em relação a você. ela estava em paralela com as suas pernas. Aí você vai-se demorar também. No momento. você a colocou na transversal. Pegue a criança para virá-la.Agora. você vai massagear as costas da criança. se não for "o" momento. Esta massagem das costas se faz em três tempos. no entanto. Coloque-a de bruços. A cabeça do bebê acha-se à sua esquerda.

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As costas .

sucessivamente. E as suas mãos vão em frente uma depois da outra. . E uma após a outra. Para frente e depois para trás. Mas elas trabalham principalmente quando se movem para frente. Como se ao fazê-lo com igual força. Mas simplesmente não há rolo. assim vão as mãos. você massageou. Suas mãos trabalham em toda a largura. de um lado ao outro Simplesmente você coloca as mãos nas costas da criança. sobretudo com a palma. E pouco a pouco. aos poucos elas se deslocam transversalmente. os rins e as nádegas. as suas mãos se deslocaram para a direita. Você começou na altura dos ombros do bebê. a parte inferior das costas. enquanto executam esse movimento de vaivém. na altura dos ombros. à sua esquerda. isto é. De modo que. você preparasse uma massa com um rolo de macarrão.Primeiro tempo: as costas. tendo começado na região das omoplatas. E.

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simplesmente. Abandonando então o corpo da criança para elevar-se até o ponto de partida — o alto das costas. Como a onda. . percorrer as costas do bebê descendo da nuca até às nádegas. a mão esquerda vai. apenas a sua mão esquerda vai trabalhar. Agora. ainda que uma após a outra. E descer de novo.Segundo tempo: ao longo das costas Suas mãos trabalharam simultaneamente. Bem espalmada. E elevar-se uma vez mais.

Nesta mão há uma grande força. Uma grande força. E é nisso. a sua habilidade. Não se engane com isso. E você a vê.Isto não é carícia. que se mede a sua compreensão. sente-a na mão Abençoada. E uma lentidão extrema. . nessa lentidão. Quanto mais lento e contínuo for o seu movimento tanto mais misteriosamente profundo será o efeito.

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Quanto à sua mão direita. A mão direita e a mão esquerda trabaunia relham em perfeita harmonia presentando o caráter estático da energia e a outra o caráter dinâmico. com firmeza ela empalma as nádegas do bebê e se opõe à pressão da mão esquerda. .

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descendo até os calcanhares.. continua seu movimento. Daí.. . as pernas.Terceiro tempo: ao longo das costas e até os pés Este tempo é muito parecido com o anterior. eleva-se e desce de novo e torna a elevar-se . mas em vez de parar na altura das nádegas. A mão esquerda continua a percorrer as costas do bebê de alto a baixo. percorre as coxas.

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Quanto à sua mão direita. com delicadeza. ela sustenta os pés da criança e mantém as pernas esticadas. . agora. a qual imobilizava as nádegas do bebê.

Agora. numa paralela em relação ao seu eixo. Coloque de novo a criança de costas.. terminou. . Aproximamo-nos do fim. pode massagear .A massagem das costas. momento fundamental..

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. seus dedos afastamse um pouco mais. Quer isto dizer que chegam às têmporas. a ponta dos seus dedos desloca-se para os lados contornando as sobrancelhas e. retorna para o meio para recomeçar de novo. A cada viagem. A partir do meio da testa do bebê.O rosto Comece por massagear a fronte. a seguir. de onde descem. contornando o olho ao longo das bochechas.

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muito leve. depois de cima para baixo. para a base do nariz da criança. Isto significa que os seus dedos sobem de novo para a testa da criança. E sobem mais uma vez . sobem de novo. pouco extenso. bem de leve. cujo momento mais íntimo é o de baixo para cima. E um movimento de vaivém de baixo para cima. os seus polegares..A base do nariz Agora. E tornam a descer. .. de um lado e outro.

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na raiz .. Você vai finalizar com três "exercícios" que estão muito próximos do hatha-yoga. agora. os seus polegares deverão fechá-los com delicadeza. E se detêm embaixo das bochechas. os seus polegares descem. É claro que a pressão deve ser muito leve. . A massagem do rosto terminou. dirigindo-se para as comissuras da boca. Desse ponto. se os olhos do bebê estiverem abertos. E. Estamos na fonte.As comissuras do nariz Aplique. os polegares nos olhos fechados da criança.. Seguem as linhas externas do nariz.

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. tome a abri-los para voltá-los à posição inicial.Os dois braços Segue as mãos da criança e faça com que os dois braços se c ru zem sobre o peito.. Depois. Volte a cruzá-los. Tome a abri-los..

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.. reconduza as pernas à primeira posição (abrindo). enquanto a mão irá tocar a nádega do lado oposto. Isto quer dizer que o pé do bebê tocará o ombro oposto. de modo que braço e perna se cruzem. uma perna Segure um dos pés do bebê e a mão do lado oposto.Um braço. Torne a abrir. Depois. Em seguida. . recomece (fechando).

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Segure os dois pés do bebê cruzando as perninhas de modo a trazê-las para a barriga. Depois. torne a fechar.. . Abra mais unia vez. Os três exercícios encerram a sessão. ao contrário. o lótus. fazendo. Depois. Sensibilidade. Reunir delicadeza e vigor. "abra". com que as pernas se cruzem.Padmasana Agora. de novo. ao estender e separar as pernas para trazê-las de volta à posição inicial. É preciso ter muito tato.. E ciência.

particularmente de suas junções com o sacro e a base da coluna vertebral. você faz com que a coluna vertebral se sujeite a urna inclinação e torção sobre o seu eixo. . opor um ombro e o outro quadril.E compreender bem a intenção. Ao cruzar as pernas sob re a barriga. você provoca a abertura e o relaxamentodas articulações da bacia. desse modo. você libera no bebê toda a tensão que pode ria se manter nas costas. no Padmasana. Ao cruzar os braços sobre o peito. E. Ao cruzar um braço com uma perna. liberar a caixa torácica e a respiração pulmonar. o sentido. liberando simultaneamente a coluna de qualquer tensão.

pois que.Aos poucos. Agem de modo mais profundo. Eles acentuam as distensões musculares. eles vão mais longe. os Asana. a massagem fez com que toda a tensão muscular que poderia se manter no corpo da criança desaparecesse. atingimos a natureza última do Hatha-yoga. Os três exercícios completarão o trabalho. De fato. estes exercícios confundem-se com as posturas. . Por isso. neste ponto. Significam uma ginástica passiva das articulações. Atuam sobre os ligamentos.

O BANHO .

uma vez mais. acredite. E tais tensões podem ainda estar escondidas ao longo da pequena coluna vertebral. E. com a condição de não a segurar. A água vai completar o trabalho. na nuca ou em alguma parte do sacro. nas costas. mas simplesmente deixá-la flutuar. Ou melhor.Terminada a massagem. Por mais aplicada que tenha sido a massagem. ao redor do pescoço. Isto é. Mas. com a condição de saber como dar banho. Não. É só deixá-la trabalhar. . Não que você precise lavar o bebê ou tirar o excesso de gordura: a pele absorveu tudo. De modo que. certas tensões ou hesitações podem ter-se manifestado no corpo da criança. Não se trata de asseio. De completa liberação. Desde que você a deixe trabalhar. nada possa interpor-se entre a água e o bebê. de si. com a mesma facilidade com que o sol derrete a neve. ela é bem mais capaz que você. Como segurar a criança. eis o momento ideal para o banho. Aceite não ser mais que um observador. A magia da água fará com que desapareçam num piscar de olhos. de bem-estar.

o recipiente. à sua esquerda. na transversal. tendo-a mergulhado. segure-a pelas axilas. encontrase diante de você. O dedo médio desliza na axila do bebê.Para fazer a criança entrar na água. Esse modo de sustentar o bebê é fundamental. E isto basta para impedir que o corpo da criança escorregue. pois que o seu corpo flutua de modo espontâneo. na água. E. completamente distendida. para ser mais exato. A banheirinha. a nuca do bebê repousa na concha do seu punho esquerdo. tãosomente sustentá-lo. . deixe-a flutuar. Não é necessário segurar o bebê. E a cabeça do bebê. E a água que conduz e faz o trabalho. A mão esquerda deve estar totalmente aberta. O pescoço (não a cabeça) ou.

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no rosto e. o outro. Ao sair do banho. Ele devolve a você a sua imagem. .. sob a parte que denominamos de região lombar. Não se esqueça: o bebê é um espelho. Isto só será possível se a sua respiração. E. Só assim as suas mãos irão trabalhar em harmonia. um pouco de água fria: com sua mão. Para libertar o outro é necessário ser livre você mesma. Isto só será possível se os seus ombros estiverem livres de qualquer tensão. Que outro? Naturalmente a água do banho está quente: na temperatura do corpo ou um pouco mais. E com a criança. por fim. Entre si.. simplesmente. A imagem da sua liberdade. Urna última palavra: é essencial que as duas mãos estejam relaxadas. Ao abraçar o corpo do bebê. isto é.Todavia. Ou de suas tensões. de resto. para ter mais confiança (enquanto você não se sente suficientemente preparada).. nas nádegas do bebê. você mesma. no alto da cabeça.. sua mão direita virá em seu auxílio. ela se coloca sob o osso sacro.

PARTICULARIDADES .

cirurgiões-parteiros. simplesmente. Touching. da Harper and Row de Nova York. . tão rico e profundo é ele. enfermeiras. Gostaria de citar todo o livro. pediatras. parteiras ou.(*) Gostaria que todos aqueles que se interessam por estes problemas médicos. mulheres e mães —lessem o livro de Ashley Montagu.

descobrimos que todos os mamíferos (e os humanos fazem pa rte dessa grande família) lambem com vigor os filhotes desde o nascimento. é preciso. propriamente falando. com freqüência. como sempre. não irá tocar a barriga enquanto a criança não tiver um mês. pouco a pouco. . no começo. em Kerala. pouco a pouco a massagem tomará forma. os filhotes morrem. do mesmo modo. sabemos hoje da grande importância dos íntimos contatos corporais —prolongados e imediatos — entre a mãe e o seu bebê*. E. deixe passar a força. É o que se diz no Sul da Índia. Você se aproximará daquilo que o livro lhe mostra. onde esta massagem foi primeiro ensinada. Na falta dessa massagem. Com o decorrer dos dias. E. no começo. Do mesmo modo. devemos tocar o bebê mais do que. por outro lado. Digamos que. Que suas mãos. deixando-se guiar pelas reações da criança. sejam leves. Basta que as mãos se movimentem e percorram o seu corpo. Naturalmente. Mas. encontrar a justa medida.Quando você vai começar? Nada de massagem propriamente dita antes que o bebê tenha um mês. você esperará passar um mês para tocar o rosto. De modo que. Que ele se sinta "em contato". entre ambos. massageá-lo. Ainda que não sejam carícias.

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De algum modo. Observe como as mãos de Shantala são livres . de violência. você é um instrumento. E ela não é sua. A doçura. . E a energia fica mais livre de aspereza. A energia passa por você. Mais uma vez não se trata nem de carícia.Isto não quer dizer "imprimir for„ ça". nem de surra. de agressividade. a calma não significam descuido ou apatia.. E essa força se comunicará melhor quanto mais distensa você estiver.. E ela que a guia. Com a condição de você estar aberta e ser atenciosa.

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veja.Por conseguinte. inteligência e cuidado há nestas mãos. sinta quanta força. .

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Quem não pensaria tratar-se de uma luta? Quem não imaginaria que Shantala. A medida que se dá.. uma batalha. Onde se ganha certa plenitude.. num acesso de raiva. em quem a dá.. . Aqui o que há é uma luta. não esteja para bater ou matar o bebê! Do amor ao ódio não há senão um passo. Do mesmo modo que só há um passo desta massagem para .. a velha surra! É a mesma coisa? Claro que não! A surra porporciona grande bemestar . Enquanto que aqui .. Onde a fúria e a ternura são uma única coisa.. Mas trata-se de uma batalha de amor. de loucura.

De resto, que contraste entre o poder do movimento de Shantala, o poder de sua mão e o abandono, a distensão do corpo da criança!

Quanto tempo a massagem deve durar por dia? Quanto "tempo"? Eis aí nosso velho comp an heiro. Quando o bebê só tem alguns dias, não se trata bem de "massagem", mas simplesmente de carícias, de roçar a pele. E a sessão dura apenas alguns minutos. Ela vai aumentar à proporção que o bebê... cresça e entre na vida. Dia a dia, as coisas se definem, ganham maior importância. E tempo. Como se você se familiari zasse e fosse fi cando mais hábil. Sem dúvida você gostaria de exatidão. E que lhe dissessem como se se tratasse de mamadeiras: "Tantos minutos no primeiro dia. Depois você aumenta t an tos minutos por dia. De sorte que, ao fim de uma semana, tantos minutos..." Isto seria muito "científico". Conseqüentemente, estaria perfeitamente bem na moda. Mas a vida não tem nada a ver com "esse tempo"! Mesmo que você queira conhecer o "tempo exato", será preciso esquecer por completo o relógio. Pois, pouco a pouco, o tempo consagrado à massagem vai aumentar e, quando a criança aproximar-se do p ri meiro mês, a sessão vai durar de 20 a 30 minutos.

mais uma vez. você poderá parar.. distender bastante as costas e a coluna.Vejo-a sobressaltada: "Trinta minutos!" "Mas eu nunca vou ter esse tempo!" O tempo. de que a massagem deve ser feita com muita lentidão. é preciso massagear a criança enquanto ela não consegue se mudar de lugar. No dia em que já puder se virar. você deverá se transformar num entendido. não se preocupe com isso. no entanto. E para se chegar a esse ponto. ficar de costas e. para fazer a sessão durar tanto. De fato.. Lembre-se. E com essa lentidão que se medirão a sua habilidade e a sua compreensão. desse modo. Até que idade? Pelo menos nos quatro primeiros meses. Ele virá. .

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nada impede de ir muito mais longe. . para a felicidade tanto de um quanto do outro.De fato.

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COMO SE FOSSE UMA DESPEDIDA .

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Mas que para você. Sem tensão. no entanto. é preciso que você mesma esteja livre. fluir. minhas costas! Ai. Manter-se nesta difícil posição para você. do mesmo modo. Não podemos dar o que não temos. como você teria ocupado esse tempo de outro modo? E. . A ficar aí muito tempo. esticadas. meus rins!" Pois foi preciso ensiná-la de novo a sentar-se no chão. E que se torna cada vez mais forte. para libertar. florescer. Conservando as costas retas sem tensão.. Essa força pronta a despertar. de fato. Em equilíbrio . Com graça. naturalmente livres(!) E as pernas. Que se chama vida. mais rica em você à medida que você a doa.. E. Libertar o que? Essa força que dorme ainda no corpo do bebê. Veja que. De resto. sem dobrar os joelhos! Coisas tão simples para a criança de um ano. não foi a "você" que essa massagem transformou primeiro? Quem protestou: "Ai. os ombros livres. a quem você o dedicou? À criança? Desde o início.É preciso tempo para criar uma criança.

E também as costas. o peito. vamos até o punho. se ligaram." Foi assim que.. E também. Em suas costas.. . Entre os momentos. Não foram apenas elas que tiveram que reaprender.. Ah. encontraram. reencontraram o caminho.. E a sua cabeça também! Um verdadeiro conhecimento está ali. começando do ombrinho. primeiro. sim. os momentos. Foi assim que os seus olhos erraram por aí. Mas que está ali. Tudo se pôs a fluir.Não foram somente as suas costas que protestaram. agora o braço. Primeiro. O peito. um elo. um dia. Evidente.. com esforço. Necessário.. Em tudo.. "Vejamos.. Estas mãos que. caminho esse que vem de bem mais longe que você. Ah. as suas mãos. vejamos o livro. das mãos para a cabeça!. você foi do livro à criança. O ventre e também as pernas. E também o seu espírito. da criança ao livro. agora seguem o caminho sozinhas. O livro foi esquecido. por si mesmos. O braço... naturalmente. Em suas mãos. Mesmo sem ter notado. portadoras de uma força estranha. da cabeça para as mãos. Até que.. Que não é um inútil amontoado de conhecimentos acumulados em seu cérebro..

hábeis. A massagem fez-se dança. Delicadas e sensíveis. inteligentes. .Transformadas estão as mãos. Animadas por um ritmo tão prudente quanto inevitável.

portanto. aqui no Ocidente. E esta arte é assim. esta massagem é uma arte. você precisará de um mestre. E. E dessas coisas que não se aprendem num livro. longe de ser simplesmente um dos cuidados que dedicamos ao bebê. onde o acaso pôs Shantala em meu caminho. onde esta massagem é completamente desconhecida? Você pode ir a Calcutá. .Sim. Em que lugar encontrar um mestre. Mas será uma longa viagem.

E as epidemias.. você terá de encarar de frente um clima difícil. Pois que são coisas que não se ensinam num dia. Com uma única condição: você ser modesta. E então? Felizmente. Além disso. Esse mestre. o mestre está aí. bastante aberta para segui-lo. Tudo sempre está "aí".. mais uma vez. instruí-la. Se você puder duvidar compare apenas a docilidade dele com a sua! Compare as costas dele com as suas. E ficar. deixe-se guiar por ele! . Bem à mão.Talvez você não venha a ter a minha sorte. Como sempre. Se soubermos olhar. Sim. Talvez você não a encontre. é o bebê. E bastante simples. E ele quem vai ensiná-la.

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. porém. Adormecida. Que sempre esteve ali. de modo natural. Como os passos de uma dança. cada "tempo". finalmente. emanará da fonte. simples e necessário. onde estará você? Quem massageará? Quem será massageado? Quem guiará? Você? O bebê? Quem conduzirá o balé? Qualquer coisa. Virá um dia em que. parecerá nascer do tempo precedente. Qualquer coisa que está ali e que sabe. no interior. atingida tal perfeição. . Então. Que está ali.. virá um dia em que a sua massagem.De resto.

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– Então. Mas não é consistente. E malfeita! Não se deve ir nem rápido. Se trabalhar rápido. Quando eu faao uma roda demoradamente. Ele diz: "Um dia o duque de Huan estava para começar a ler num dos aposentos superiores do palácio. respondeu o duque. Senão. enquanto que. – Veja. eu ordeno que te expliques. respondeu o duque. o carpinteiro que cuidava das charretes. serás levado à morte como preço a pagar por tua falta de respeito. Eles ainda estão vivos? – Não. E não é um carpinteiro que vai me dar conselho! Na minha grande bondade. . Pien. – Santos.. trabalhava numa roda. E que corresponde ao coração. nem devagar! É necessário. embaixo. Tudo o que o senhor puder encontrar nos livros não passará de lixo dos Anciãos. Que convém à mão. ao contrário. São as palavras de Chuang-Tsé. o que o ofício ensinou ao seu servo.Estamos na Índia. de fato. no entanto. Eles estão mortos. que retornam ao meu espírito. disse o carpinteiro. replicou o duque. Tanto é verdade que a sabedoria não conhece fronteiras. o senhor perde tempo. o trabalho me parece agradável.. o carpinteiro subiu e veio dizer ao duque: O que é que o senhor vai ler? – As palavras dos santos. encontrar o ritmo adequado. Pondo de lado o martelo. a tarefa será cansativa. disse o carpinteiro. – Eu leio.

E que ele. não conseguiu aprender. E nos livros você só encontrará lixo". apesar dos setenta anos.Há nisso qualquer coisa que as palavras não saberiam expressar. De so rte que. O que os Anciãos não puderam transmitir está completamente morto. continuo ainda fazendo minhas rodas. . infelizmente. Que eu não soube lazer meu filho compreender.

E QUEM É SHANTALA? .

Foi em Calcutá que encontrei Shantala. Certamente, a boa estrela havia guiado os meus passos. Calcutá... O nome faz estremecer. A mais abandonada de todas as cidades desta Índia que é considerada tão miserável. Calcutá, lugar de miséria, para não dizer de horror, onde se amontoa, sem ordem, desmedida população, perseguida pela guerra, atraída pelo brilho ilusório da "cidade" ou fugida das mil e uma calamidades que, nesse país, mais que em outra parte, faz a árdua trama dos dias.

Calcutá, no passado a gloriosa capital de Bengala, cidade resplandescente e invejada, agora desfigurada, odiosa, arruinada por uma dessas reviravoltas do destino que, com tanta freqüência, vemos nos acontecimentos deste mundo. Em Calcutá, sim, ou, com mais exatidão, em Pilkhana, uma dessas favelas sórdidas que nos últimos anos se multiplicaram com o afluxo de refugiados. A Seva Sangha Samiti, associação de caridade parecida com a Frères des Hommes, abriu nesse lugar um escritório que testemunhava como a paciência e o amor podem triunfar no coração da mais absoluta privação. Shantala fora recolhida com os dois filhos. E ela ajudava, na medida de suas possibilidades (há alguns anos ficara completamente paralítica). Foi lá que, numa bela manhã (como era bela!), ensolarada, resplandescente, encontrei Shantala sentada no chão a massagear o bebê. Glória da luz e milagres do amor, quem diria! E assim, de repente, em plena sordidez, foi-me dado contemplar um espetáculo da mais pura beleza!

Parecia um ritual. De repente. Parecia um balé. "E quem é você para pedir-me explicações?" E as palavras que toda a Índia conhece puseram-se a cantar: "E no lodo que o Vitus finca raízes. compreendi Jó e sua paciência e como ele pudera permanecer silencioso em meio ao estrume. irresistivelmente atraído por essa luz que ele desconhece. numa explosão. havia sumido por completo Eu estava cego de tanta beleza e amor. em silêncio. possuía seu tanto de abandono e ternura. como o amor. confuso. O horror das ruas sórdidas que percorrera.Fiquei mudo. embora de extrema lentidão. devido a tanta harmonia e ritmo exato. o que presenciava. dos pardieiros avistados. Fiquei deslumbrado. E. fizera voar tudo em esplendor e iluminava a alegria por toda pa rt e. tão grave e investido de extraordinária dignidade era o ato. o sol. Na verdade. pútridas que ele medra. Sorvia. é nas águas turvas. mas que pressente .

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ofusca a todos com seu indizível esplendor''. Agora. cego. ele encontra quando. glorioso. ao chegar à superfície.e que o estica e que o atrai e que o levanta e o obriga a elevar-se e que. supera. ele se abre desabrocha-se e. de repente. .

Verdadeiro. deter. E no outro dia. constrangido por ter surpreendido essa troca. . depois que terminou e se deu conta de que eu estava ali. E em outros dias mais. Quando. o que se move. capturar o inapreensível. o fugidio segredo da beleza. Sim. De tanto que havia para ver e aprender. para ela. não passava de simples tarefa diária. Tão verdadeiro. fiquei mudo pela maravilha. Na realidade. Shantala sorriu para mim. Assustada de me ver perder tempo com o que. certo dia fiz as fotografias.lição. Voltei. Ela me agradeceu surpresa. Como um pintor que tentasse captar no ar. pedi-lhe. então. de certo modo. E confuso pela profundidade da E. a verdade é inesgotável. Com simplicidade e amizade (eu tivera a oportunidade de ajudá-la alguns anos antes). quase timidamente. Embora parecesse tão simples. no dia seguinte. Finalmente. surpreender. Tão justo. permissão para vir fotográ-la. ela aceitou.

E este segredo estava bem ali. de silêncio e gravidade. Feito. . simplesmente. de amor e luz.

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Ajuda e. como ela vivendo para os pobres. de quem eles continuam a cuidar. ainda mais. Que eles sejam profundamente recompensados por isso. animam agora a Seva Sangha Samiti. aquela amizade sem a qual a vida não seria possível. Estes dois seres extraordinários (que a sua modéstia me perdoe). Léo e Françoise (acompanhados dos dois filhos) instalam e incentivam lares onde os mais abandonados de Calcutá recebem ajuda sem distinção de classe. É através deles que poderiam entrar em contato com Shantala os que quisessem conhecê-la: Léo e Françoise Jalais Seva Sangha Samiti 5 BI Roy Road Pilkhana Howrah West Bengal Índia . com os pobres e com eles partilhando a pobreza. instituição de caridade bastante parecida mas devotada em particular à Índia. casta e religião. É a eles que eu devo a ocasião de ter encontrado Shantala. depois de se dedicarem vários anos aos Frères des Hommes. Muito próximos de Madre Teresa.Agradecimentos Esta história não poderia terminar sem que os nomes de Léo e Françoise Jalais fossem mencionados.

a enregelada solidão do berço. simples e muito an tiga que ajuda a criança a aceitar o mundo e a sorrir p ar a a vida. Dese rt o povoado de monstros: as novas sensações que. a fome. as mulheres ainda se recordam disso tudo. Como acalmar essa angústia? Nutrir a criança? Sim. É preciso acariciá-la. A seguir. ameaçam o corpo da criança. E massageá-la. aparece uma fera. Nos países que prese rv aram o profundo sentido das coisas.L. depois do terrível estrangulamento do nascimento. O que enlouquece a pobre criança não é a crueldade da ferida. Depois do calor no seio materno. F. como sua bar ri ga. Mas não só com o leite. É preciso pegá-la no colo. Aprenderam com suas mães e ensinarão às filhas essa arte profunda. . falar com suas costas que têm sede e fome. que morde o be bê nas en tran has. brotadas do inte ri or. É essa novidade: a mo rt e do mundo que a rodeia e que empresta ao monstro exageradas proporções. É necessário conversar com a sua pele.As p ri meiras semanas que se seguem ao nascimento são como a travessia de um deserto. embalá-la.