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Ética de Kant apresentação

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Curso de Educação e Comunicação Multimédia Ética e Deontologia da Comunicação

2ºano - 3º Semestre 2011/2012

Ética de Kant

Immanuel Kant (1724-1804)

´Não existe bondade natural. Por natureza, somos egoístas, ambiciosos, destrutivos, agressivos, cruéis, ávidos de prazeres que nunca nos saciam e pelos quais matamos, mentimos, roubamos. É justamente por isso que precisamos do dever para nos tornarmos seres moraisµ.
Immanuel Kant

Biografia
‡ Immanuel Kant 1724 ² 1804; Nasceu, viveu e morreu na cidade de Konigsberg, antigo império da Prússia Oriental (Alemanha); Considerado um dos mais influentes filósofos da modernidade; Frequentou a Universidade a partir de 1740, como estudante de filosofia e matemática; Dedicou-se ao ensino, vindo a desempenhar as funções de professor adjunto (1755-1770) e depois de professor ordinário (1770-1796) na Universidade de Konigsberg. A sua filosofia moral é : ´A base para toda a razão moral é a capacidade do homem agir racionalmente.µ Este filósofo viveu defendendo e acreditando sempre no poder da razão, no respeito pelas leis justas, na autonomia da escolha moral e no papel civilizacional da Educação. ‡

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A obra de Kant pode ser dividida em dois períodos fundamentais

PRÉ-CRÍTICO

CRÍTICO 

Até 1770 corresponde à filosofia dogmática, onde é notória a influência de Leibniz e Wolf;  Realiza importantes estudos na área das 

Corresponde ao despertar do "sono dogmático" provocado pelo impacto que nele teve a filosofia de Hume;  Afirmou que todo o conhecimento começa com a experiência, mas não deriva todo da experiência;

ciências naturais e em particular da física de Newton; 

Mostra-se partidário da existência de vida em outros planetas;  Procura mostrar que Deus existe partindo da ordem e da beleza do universo.  A realidade em si é incognoscível, tal como Deus. Esta teoria irá permitir a Kant fundamentar o dualismo "coisa em si" e o "fenómeno" (o que nos é dado conhecer).

A exposição kantiana parte de duas distinções:

1. A distinção entre razão pura teórica ou especulativa e razão pura prática; 2. A distinção entre acção por causalidade ou necessidade e acção por finalidade ou liberdade.

Teoria Kantiana
A teoria ética de Kant dá-nos um princípio da moral que pode ser aplicado a todas as questões morais. Kant enuncia-o de várias maneiras com o objectivo de esclarecer as suas implicações.

Lei Moral Dever Moralidade Boa Vontade Imperativo Categórico Liberdade

Acções

Razão

O princípio da Lei Moral
´1. Age como se a máxima de tua acção devesse ser erigida por tua vontade em lei universal da Natureza;

2. Age de tal maneira que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca como um meio; 3. Age como se a máxima de tua acção devesse servir de lei universal para todos os seres racionais.µ(Kant)

A primeira máxima afirma a universalidade da conduta ética, isto é, aquilo que todo e qualquer ser humano racional deve fazer como se fosse uma lei inquestionável, válida para todos em todo tempo e lugar. A acção por dever é uma lei moral para o agente. A segunda máxima afirma a dignidade dos seres humanos como pessoas e, portanto, a exigência de que sejam tratados como fim da acção e jamais como meio ou como instrumento para nossos interesses. A terceira máxima afirma que a vontade que age por dever institui um reino humano seres morais porque racionais e, portanto, dotados de uma vontade legisladora livre ou autónoma. A terceira máxima exprime a diferença ou separação entre o reino natural das causas e o reino humano dos fins.

O princípio do desinteresse
´Age desinteressadamenteµ

A teoria de Kant não impede que a pessoa satisfaça os seus interesses. O acto deve ser desinteressado mas se, para além disso, satisfizer interesses, tanto melhor para o agente; se contrariar interesses, paciência. Para este filósofo a dificuldade de praticar o bem é a verdadeira marca da virtude. Tendo em conta isto, o mesmo autor defende que o nosso carácter só mostra ter valor quando alguém pratica o bem, não por inclinação, mas por dever.

Imperativo Categórico e Imperativo Hipotético

É

desvinculada

de

qualquer

São sempre subordinados a uma condição, ou seja, enunciam um mandamento subordinado a determinadas condições que deve ser seguido para obter um resultado, como exemplo, ´Se querer sarar, toma remédioµ.

condições e que foi colocado por Kant como ´ Age de tal maneira que o motivo que te levou a agir possa se convertido em lei universalµ, isto é, propõe uma acção como boa e necessária em si mesma.

O princípio da Imparcialidade
´Decide com Imparcialidadeµ
´«imparcialidade é um valor absoluto, por cima de todos, mesmo que gere infelicidade.µ(Kant) Para Kant significa decidir independentemente de quaisquer interesses. De facto, Kant pensava, em parte de acordo com o senso comum, que o progresso moral também ajuda à felicidade e aos interesses mais dignos das pessoas. Mas ele sabe que a harmonia entre a moral e a felicidade não é certa e que se a acção moral gerar felicidade será por acréscimo ou efeito secundário.

O princípio do Dever
"Age apenas por dever e não segundo quaisquer interesses, motivos ou fins" (Kant).

Para Kant, o dever é uma necessidade interna de realizar uma dada acção apenas por respeito à lei moral (lei prática). O dever liberta o homem das determinações a que está submetido, substitui a necessidade natural. O dever impõe ao homem a limitação dos seus desejos e obriga-o a respeitar as leis morais da razão.

Os Deveres Morais e as Convenções Sociais
´O dever é uma regra estipulada por uma razão desinteressada, imparcialµ (Kant). Kant pensa que, como agentes morais, temos que respeitar certos deveres. E pensa, além disso, que tais deveres não resultam dos nossos desejos, pois são-nos impostos incondicionalmente pela razão. Mas por que julga Kant que os nossos deveres morais resultam da razão? A ideia de Kant é que toda a moral se baseia num princípio racional fundamental: racional porque todos o reconhecemos como verdadeiro usando a razão; fundamental porque é dele que derivam todos os nossos deveres morais específicos, como o de não quebrar promessas ou de ajudar os outros.

O princípio da Universalidade
´Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.µ(Kant)

Kant conclui que, poder querer que uma máxima da nossa acção se transforme em lei universal: é esta a regra pelo qual a julgamos moralmente em geral. Algumas acções são de tal ordem que a sua máxima nem sequer se pode pensar sem contradição como lei universal da natureza, muito menos ainda se pode querer que deva ser tal. Em outras não se encontra, na verdade, essa impossibilidade interna, mas é contudo impossível querer que a sua máxima se erga à universalidade de uma lei da natureza, pois uma tal vontade se contradiria a si mesma.

O princípio da Autonomia
"Age como se a máxima da tua acção se devesse tornar, pela tua vontade, em lei universal da natureza" e "Age« de tal maneira que a vontade pela sua máxima se possa considerar a si mesma ao mesmo tempo como legisladora universal´(Kant)

Para Kant, a autonomia acontece quando uma pessoa ao estabelecer as leis de acção moral para si e, ao segui-las, nada mais faz do que, determinar uma vontade de acordo com uma lei própria norteada pela razão independentemente de motivações empíricas.

O princípio do Respeito pela Pessoa
"Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre e simultaneamente como fim e nunca apenas como meio.´(Kant)

Para Kant, uma pessoa ao cumprir um dever, respeita todos os seres racionais, incluindo ela própria como pessoa do seu outro. O mesmo quererá dizer que essa pessoa respeita-se e respeita todos os seres racionais, tornando-os como fins da sua acção.

A ética deontológica de Kant apesar de profundamente inovadora, não deixa de reflectir algumas ideias da sua época - o século das Luzes (Iluminismo), das quais destacamos as seguintes:

RAZÃO 
O século XVIII divinizou a racionalidade, isto é, a possibilidade da razão guiar a Humanidade e descobrir todos os segredos do Universo. 

A ciência devia ocupar o lugar que até aí fora da religião. 

Kant colocou a razão no centro da sua reflexão filosófica.

LIBERDADE 

As ideias de "autonomia" e "emancipação", omnipresentes no discurso político do século XVIII, significavam o fim de todas as formas de superstição e da opressão política e religiosa dos os Homens. 

O reconhecimento que todos os homens, independentemente da sua condição social, tinham capacidades inatas para serem juízes das suas próprias acções.

BONDADE HUMANA 
Kant afirma que a capacidade de distinguir o que é certo do que é errado é tão inata quanto as outras propriedades da razão. Não se trata portanto de ensinar nada, mas de libertar a razão. 

Esta ideia torna-se fundamental para a fundamentação de muitas teorias políticas e éticas, assentes numa visão optimista do ser humano.

UNIVERSALIDADE 

Kant coloca-se sempre numa perspectiva universal, nomeadamente na sua reflexão ética. Afirma, por exemplo, que um princípio prático (moral) para que tenha validade como lei, tem que ter validade universal (tem que valer para toda a vontade ou para a vontade em geral). É nesse sentido que sustenta uma moral formal.

O que torna normalmente uma acção boa?
Cumprir o dever pelo dever, sem esperar nada em troca.

BOA VONTADE

Tem de ser: determinada apenas pela Razão desinteressada imparcial incondicionada conforme ao dever.

Age segundo uma máxima tal que possas queres ao mesmo tempo que se torne uma lei universal (Lei Moral).

DEVER

Tem que: respeitar a Lei Moral. Ordem: mandamento

A norma de acção tem que ser universalizável. O Ser Humano tem que ser assumido como um fim em si mesmo.

racional que nos

IMPERATIVO CATEGÓRICO

apresenta uma acção como objectivamente necessária por si mesma. Implica que se cumpra um dever tendo em conta apenas o dever.

Legalidade e Moralidade
Kant começa por fazer uma clara distinção entre

ACÇÃO BOA

ACÇÃO NORMALMENTE BOA

Corresponde ao que fazemos em respeito às leis e normas morais de uma dada sociedade. Trata-se de uma acção conforme o dever.

Resulta

de

uma

decisão se

nossa, impõe à

livre

e

incondicionada,

que

nossa

consciência como obrigatória, independente das leis ou normas morais vigentes. Trata-se de uma acção assumida como um dever e realizada por dever. 

Em termos formais (Kantianos) esta obrigatoriedade decorre da liberdade e da autonomia da vontade.  A obediência é apenas para com as decisões universalizadas, isto é, decisões imparciais, de utilidade geral.  O dever surge como um imperativo categórico - tu deves - o que se impõe a uma consciência moral inteiramente livre.

Conclusão
A ética de Kant é, ao contrário do que se diz, uma ética consequencialista: ela visa não apenas o método da acção mas a consequência desta, que é irradiar um conteúdo, indeterminado a priori, sobre toda a humanidade. Trata-se de um consequencialismo formal - «ou comem todos ou não há moralidade» em linguagem popular que, em cada caso individual, se transforma em consequencialismo material ou substancial. É, de facto, um pouco obtusa supor que Kant não visava finalidades, consequências, nas máximas (princípios subjectivos de cada indivíduo) elevadas a lei moral.

Bibliografia 
Kant, Immanuel; Fundamentação da Metafísica dos Costumes ² introdução de V. Soromenho-Marques; tradução de Paulo Quintela ² Porto Editora  Kant, Immanuel; Critica da Razão Pratica ² Tradução e Prefácio Afonso Bertagnoli Versão para eBook ² eBooksBrasil.com ² Edições e Publicações Brasil Editora, SA

Sites consultados 
http://pt.shvoong.com/law-and-politics/law/1834438-princ%C3%ADpios-daautonomia-heteronomia-em/  http://pt.wikipedia.org/wiki/Immanuel_Kant  http://www.antroposmoderno.com/biografias/Kant.html

Diogo Moita Nº 100236011 Susana Prazeres Nº 100236001

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