P. 1
Responsabilidade Civil Do Estado

Responsabilidade Civil Do Estado

|Views: 104|Likes:
Publicado porAntonildo Oliveira
Uploaded from Google Docs
Uploaded from Google Docs

More info:

Published by: Antonildo Oliveira on Jan 05, 2012
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

01/05/2012

pdf

text

original

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

FUNDAMENTO: Art. 37 parágrafo 6º da CF. A RESPONSABILIDADE É EXTRACONTRATUAL. Se existe contrato a fundamentação da indenização é pelo contrato e não pela CF. Essa indenização não pode ser confundida com sacrifício de direito (ex. desapropriação). Não decorre do Art. 37, parágrafo 6º da CF. Na desapropriação a indenização é conferida pela retirada do direito. No Brasil e no mundo o ESTADO É SUJEITO RESPONSÁVEL. A responsabilidade civil do Estado é AINDA MAIS EXIGENTE QUE A PRIVADA. Por força da OBRIGAÇÃO (imperativo) da atuação estatal é preciso que exista um rigor maior, uma responsabilidade maior do Estado, concedendo mais PROTEÇÃO À VÍTIMA. A RESPONSABILIDADE do Estado tem PRINCÍPIOS PRÓPRIOS, mais rigor para o Estado e proteção para vítima. O princípio que fundamenta a responsabilidade do Estado é o da legalidade. Já que o administrador deveria cumprir a LEI. A justificativa para responsabilidade do Estado por conduta ilícita tem como fundamento o princípio da legalidade. RESPONSABILIDADE PELA CONDUTA LÍCITA tem o fundamento no princípio da isonomia. Então o particular terá direito a ser indenizado. (Construção de viaduto, cemitério etc.)

PARTE HISTÓRICA
Em primeiro momento existia a teoria da irresponsabilidade do Estado. Nesse momento o monarca dizia a verdade, logo não admitia o erro, ditava apenas as regras. O Estado passa a ser em segundo momento RESPONSÁVEL pelos seus atos, acontecendo essa mudança gradativamente.

No Brasil, o código civil de 1916 reconhecia a RESPONSABILIDADE através da TEORIA DA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. Ex. da teoria subjetiva: Se uma vítima é atropelada por um carro do Estado a vítima deveria demonstrar os seguintes elementos: 1. 2. 3. 4. Conduta = Ação do Estado Dano Prejuízo Nexo Causal entre conduta e dano Elemento Subjetivo = CULPA OU DOLO

A vítima do processo precisava, portanto, demonstrar a culpa ou o dolo do agente. Com a evolução do Estado existe uma preocupação em proteger a vítima e, por conseguinte, a culpa deixa de ser do agente, para ser TEORIA SUBJETIVA NA CULPA DO SERVIÇO. Ou RESPONSABILIDADE SUBJETIVA NA CULPA ANÔNIMA. (Teoria criada na França) A vítima do processo só precisava demonstrar a culpa no serviço. Ex.: Serviço não foi prestado ou foi prestado de forma ineficiente. A vítima aqui não precisa de quem agiu com culpa ou dolo, precisava apenas demonstrar o defeito no serviço.

Essa RESPONSABILIDADE SUBJETIVA somente era aplicada para CONDUTAS ILÍCITAS. Se faltar qualquer dos elementos (conduta, dano, nexo e culpa ou dolo) a responsabilidade civil do estado é excluída.

Com a responsabilidade e sua evolução a partir da CF de 1946 o Estado passa a adotar a TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO. Com a teoria objetiva basta existir três elementos para que exista responsabilidade: CONDUTA, DANO E NEXO CAUSAL. Aqui não a reconhecimento de elemento subjetivo, culpa ou dolo.

A RESPONSABILIDADE civil do Estado pode ser aplicável na conduta LÍCITA E ILÍCITA. No caso da construção do viaduto, cemitério o objetivo não é retirar direitos (como na desapropriação), e sim conseqüência secundária. Para que seja afastada a responsabilidade do Estado basta que ausente algum dos elementos (Conduta, dano e nexo). Falta algum desses exclui-se a responsabilidade do Estado.

TEORIAS
DO RISCO INTEGRAL – O Estado responde independentemente de qualquer caso. Ocorre para danos decorrentes de material bélico, quando a hipótese for de substancia nuclear ou dano ambiental. Assumiu o risco vai ter que ser responsabilizado. DO RISCO ADMINITRATIVO – É a que admite que faltando algum dos elementos (conduta, dano e nexo) há excludente da responsabilidade. (Caso fortuito, culpa exclusiva da vítima e força maior). Regra no Brasil

Pode existir também a CULPA CONCORRENTE. Ex. Vítima que se suicida jogando-se em frente do carro do Estado que vem em alta velocidade. (Nesse caso pode existir uma redução da indenização, já que teve a responsabilidade do Estado e do Particular.) Hodiernamente no Brasil a questão ainda não está totalmente resolvida. A responsabilidade é OBJETIVA na AÇÃO OU OMISSÃO, segundo maioria dos julgados depois de 2009, porém a divergência.

ELEMENTOS CAPITAIS DA RESPONSABILIDADE Quem pode ser responsável pelo ART. 37, parag. 6.

1) SUJEITO
A) PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO (Administração direta e indireta) B) PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO DESDE QUE PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO (CONCESSIONÁRIAS, PERMISSIONÁRIAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS, ETC.).

Se a PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO atropelar alguém ou ferir o usuário do serviço vai seguir a teoria DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA (Art. 37, parágrafo 6º CF).

2) CONDUTA Na CONDUTA COMISSIVA a responsabilidade É OBJETIVA. A responsabilidade pode ser decorrente inclusive de conduta lícita com fundamento no princípio da isonomia. Na CONDUTA OMISSIVA a responsabilidade É OBJETIVA, após julgados de 2009, antes a predominância era da teoria subjetiva.
Obs.: O dano precisa ser evitável dentro da prestação normal do serviço. O Estado não pode estar em todo lugar. Se o dano puder ser evitado dentro das condições normais de prestação de serviço o Estado será responsabilizado. Ex. Policial na esquina assistindo o assalto (PODERIA TER EVITADO = CABE RESPONSABILIDADE) O PADRÃO NORMAL DO SERVIÇO PÚBLICO segue o PRINCÍPIO DA RESERVA DO POSSÍVEL. O PRINCÍPIO DA RESERVA DO POSSÍVEL precisa observar o mínimo existencial (garantido constitucionalmente)

Nas situações que o Estado cria o risco (Defeito no semáforo) ele RESPONDE pela TEORIA OBJETIVA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA por armazenamento de MATERIAL BÉLICO OU NUCLEAR.

3) DANO
Para falar em RESPONSABILIDADE DO ESTADO é preciso verificar o DANO. PRECISASSE HAVER LESÃO A DIREITO. A) DANO JURÍDICO. Sem dano jurídico o ESTADO NÃO RESPONDE B) DANO DETERMINÁVEL OU DETERMINADO. O dano precisa ser certo, calculado, precisa-se saber quanto foi o dano. C) SE A CONDUTA FOR LÍCITA, o DANO PRECISA SER ANORMAL e ESPECIAL. Ex. Perda de reunião por causa do trânsito é normal. DANO PRECISA SER ESPECIAL por ser particularizado. Tem que atingir a vítima de forma clara.

A AÇÃO DE INDENIZAÇÃO por responsabilidade civil deve ser interposta contra PESSOA JURÍDICA DO ESTADO. O STJ entende que é possível ajuizar ação em FACE DO AGENTE, e o STF diz que somente poderá ser interposta contra o PESSOA JURÍDICA DO ESTADO. O Estado poderá entrar com AÇÃO DE REGRESSO se o dano decorreu de culpa ou dano do agente público. (Em face do agente a TEORIA aplicada é SUBJETIVA)
Para a doutrina não é possível a denunciação da lide em caso de regresso, por atrasar o feito. Já que vai atrapalhar a vida da vítima já que precisa ampliar o conjunto probatório para que prove culpa ou dolo do agente.

Para a JURISPRUDÊNCIA (especialmente o STJ) a DENUNCIAÇÃO DA LIDE no caso supra É POSSÍVEL e TAMBÉM ACONSELHÁVEL. A falta de denunciação da lide não vai comprometer o direito de regresso por ação autônoma em face do agente que agiu por culpa ou dolo.

PRESCRIÇÃO
Prevalecia no Brasil que prazo prescricional para reparação de danos é qüinqüenal (5 anos). (Decreto 20.910/32)

No novo código civil a reparação civil o prazo de prescrição é de 3 anos. Muitos autores defendem que prevalece o prazo de cinco anos. Porém o STJ decidiu que o decreto lei 20.910 apesar de estabelecer cinco anos para prescrição para ação de responsabilidade, no seu art. 10 diz que o prazo será de 5 anos, salvo se não existir outro prazo mais benéfico para o Estado. HOJE A AÇÃO DEVE SER AJUIZADA COM PRESCRIÇÃO DE TRÊS ANOS. SEGUNDO STJ. A ação do ESTADO em face do agente que agiu por dolo ou culpa é IMPRESCRITÍVEL. Art. 37, parágrafo 5º, diz que a reparação é imprescritível.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->