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Código de Obras: essencial para o bem estar da coletividade

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Artigo abordando a importância do Código de Obras e Edificações (COE) e discutindo tópicos que devem estar contidos dentro de uma legislação urbana.
Artigo abordando a importância do Código de Obras e Edificações (COE) e discutindo tópicos que devem estar contidos dentro de uma legislação urbana.

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Published by: Diego de Toledo Lima da Silva on Jan 05, 2012
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Associação para o Desenvolvimento Social de Joanópolis – Pró-Joá Programa “Bacia do Rio Jacareí”

CÓDIGO DE OBRAS: ESSENCIAL PARA O BEM-ESTAR DA COLETIVIDADE
Por: Diego de Toledo Lima da Silva (Técnico Ambiental da ONG Pró-Joá) E-mail: diegoaikidojoa@hotmail.com O Código de Obras disciplina procedimentos administrativos e executivos e as regras gerais e específicas que dizem respeito a obras, edificações e equipamentos, inclusive os destinados ao funcionamento de órgãos ou serviços públicos, no âmbito da competência do município. Trata-se de uma lei complementar que tem como objetivos orientar os projetos e as execuções das obras e edificações do município, e assegurar a observância e promover a melhoria dos padrões mínimos de segurança, higiene, salubridade e conforto das edificações de interesse para a comunidade (ORTH et al., 2002). No âmbito municipal, o Código de Obras e Edificações (COE) tem como objetivo garantir índices mínimos aceitáveis de habitabilidade, especialmente no que se refere à segurança e salubridade, através da regulamentação das atividades de elaboração e aprovação de projetos, licenciamento para construir, execução de obras, utilização e manutenção das obras e edificações públicas e privadas. A clareza e a simplificação são itens que devem compor a Legislação, fazendo com que a Gestão Urbana não tenha divergentes interpretações e uma administração incoerente. A participação popular coloca o anseio do coletivo sobre o individual, tornando a população um integrante do processo de mudança e assim responsável pelo meio em que vive (ORTH et al., 2002). Os códigos ou posturas municipais devem garantir a segurança e o bem-estar comum (FERNANDES, 2009). Para Freire (1918) apud Fernandes (2009), os códigos sanitários e municipais têm dois objetivos principais: primeiro, proporcionar um ambiente sadio e decente, com condições de dignidade para parte da população que anseia por um espaço de qualidade; segundo, impedir que a outra parte da população, que não se importa com os aspectos da coletividade, venha a constituir-se como uma ameaça aos direitos da comunidade.
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Segundo Fernandes (2009), os Códigos de Obras também são instrumentos de educação e capacitação dos projetistas e construtores, pois são usado como fontes de parâmetros dos índices aceitáveis, tanto por profissionais, como arquitetos e engenheiros, quanto para os auto-construtores, que não possuem formação técnica. Buson (1998) apud Fernandes (2009) ressalta que as leis e normas influenciam não só a vida das pessoas como a própria forma urbana. É um mecanismo usado para garantir a segurança e bem-estar dos habitantes, para facilitar ou inibir certas atividades e usos, para rejeitar ou acolher determinado tipo de pessoa, como para assegurar alguma posição de autoridade e de dominação do poder público. A própria interação do espaço construído com o ambiente natural pode ser definida pelas normas e legislações. A quantidade de espaços verdes, a permeabilidade do solo e a rugosidade das edificações determinam a qualidade, o conforto térmico e o bem-estar emocional do usuário. A luz, os ventos, a radiação e a umidade serão afetados pelas determinações da configuração do espaço urbano (FERNANDES, 2009). Ainda segundo Fernandes (2009), o objetivo maior das legislações urbanas é garantir a qualidade dos espaços construídos, dentro de parâmetros mínimos aceitáveis de higiene, salubridade e conforto, além de serem ordenadores da coletividade. Analisando a bibliografia existente, Fernandes (2009) percebeu que é um tema pouco abordado e ainda carente de respaldo científico. Segundo a autora, as melhores iniciativas foram do trabalho conjunto entre o poder público (prefeitura e secretarias municipais) e pesquisadores das universidades, como no caso de Salvador e Mogi das Cruzes. É importante a integração dos agentes para que haja um trabalho colaborativo na produção de um código realmente aplicável, com a participação das entidades de profissionais, empreendedores, construtoras e usuários. Patrimônio Histórico, Cultural e Preservação Ambiental Os Códigos de Obras e Edificações também são instrumentos de preservação do patrimônio histórico (casarões, construções antigas, prédios históricos, etc.), cultural e de

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ambiental de um município, pois devem conter limitações nos aspectos construtivos de influência no âmbito dos itens citados acima. Um exemplo é a manutenção da permeabilidade do solo (jardins, hortas, áreas arborizadas, calçadas verdes, estacionamentos com pisos permeáveis, etc.) dentro do lote, impedindo que todo o terreno seja impermeabilizado. Geralmente é estipulada uma porcentagem do lote que deve ser mantido com condições naturais de permeabilidade, garantindo a infiltração de água no solo nos dias de chuva e amenizando o escoamento superficial, e, consequentemente, os efeitos das enchentes e inundações das partes baixas das cidades e o esgotamento do sistema de drenagem de águas pluviais. Além de amenizar o efeito das cheias urbanas, a manutenção de áreas com condições naturais do solo mantém um micro-clima adequado e um conforto térmico na área, diminuindo os efeitos das ilhas de calor urbano criadas pelo crescimento das cidades e pela excessiva impermeabilização do solo. Outro controle ambiental importante exercido pelo Código de Obras é sobre as movimentações de terra (terraplanagens), que quando mal executadas ou sem controle, geram um aporte de sedimentos (terra, areia, material sólido, etc.) para as redes de drenagem e cursos d’água (rios e córregos), ocasionando o assoreamento destes recursos. Outro problema é a geração de material particulado para a vizinhança, fonte de vários incômodos ambientais. No caso do patrimônio histórico e cultural (tombado ou não pelo poder público), o Código de Obras pode (e deve) impor limitações às alterações destes locais, inclusive resgatando a característica das construções e do espaço urbano anterior. No caso de construções históricas e culturais deterioradas, deve ser executado o restauro ou restauração, que consiste na recuperação de edificação tombada pelo patrimônio histórico ou não, de modo a restituir-lhe as características originais. Áreas de risco e a importância de um Código de Obras bem elaborado A ausência de uma legislação municipal que discipline as construções e a ocupação do solo é um dos vetores de criação dos aglomerados urbanos de risco, ocupando margens de rios e córregos, encostas e áreas de relativa fragilidade geológica. Além da ausência de uma
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disciplina municipal para as obras e edificações, a fiscalização municipal fica limitada pela ausência de instrumentos que regulamentem as autuações, advertências, multas e embargos, entre outras atividades do poder de polícia municipal. A construção de uma cidade mais segura, sem áreas de risco e com desastres naturais de impactos minimizados, depende fundamentalmente da existência de instrumentos na legislação que coíbam a prática de edificação em áreas de risco, além de disciplinar a ocupação do território. A lei é o instrumento; que combinado com uma efetiva fiscalização, que tenha assegurada instrumentos de lei para punição dos que descumpram as normas; vão fazer valer os valores da coletividade, de segurança, bem-estar, gestão urbana ordenada e qualidade ambiental. Pelos motivos abordados no artigo, convocamos a população joanopolense a reclamar a urgente finalização da elaboração e aprovação do Código de Obras Municipal, que trará uma infinidade de benefícios à comunidade, fazendo valer os valores da coletividade frente aos individuais. Cobrem da Prefeitura Municipal, do secretariado e do Prefeito, cobrem dos vereadores e das pessoas envolvidas neste processo. Participe e levante esta bandeira junto conosco: “Queremos um Código de Obras para Joanópolis!”. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ORTH, D. M.; MATTOS, K. G. S.; PETINE, J.; DUTRA, R. B. Legislação urbana no Brasil. In: 5º Congresso Brasileiro de Cadastro Técnico Multifinalitário, 2002. Florianópolis. Anais do 5º COBRAC. Florianópolis: Grupo de Trabalho em Cadastro, 2002. FERNANDES, J. T. Código de Obras e Edificações do DF: inserção de conceitos bioclimáticos, conforto térmico e eficiência energética. Brasília: Universidade de Brasília, 2009. 249p. (Tese de Mestrado)

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