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Trabalho de ética - elaboraçao

Trabalho de ética - elaboraçao

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Escola Superior de Educação de Santarém Licenciatura em Animação Cultural e Educação Comunitária Unidade Curricular de Ética e Deontologia da Animação Sociocultural

Docente: Ramiro Marques

Ética de Karl Marx

2011/2012

Discentes: Ana Margarida Corrêa Sousa - 100231014 Vanessa Isabel Bento Ferreira - 100231009

Índice
Introdução .................................................................................................................... 3 Biografia de Karl Marx .................................................................................................. 4 Conceito de Marxismo .................................................................................................. 6 Conceitos justificativos da Ética de Karl Marx ............................................................... 7 Materialismo Dialéctico ............................................................................................. 7 Luta de classes ......................................................................................................... 9 Sociedade Comunista ............................................................................................. 12 Ética Burguesa como oposição à Moral Proletária ...................................................... 14 Valores éticos e morais, privilegiados por Karl Marx ................................................... 17 Conclusão .................................................................................................................. 18 Bibliografia.................................................................................................................. 19 Fontes da Internet ................................................................................................... 19

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Introdução
No âmbito da Unidade Curricular de Ética e Deontologia da Animação Sociocultural, do 3º Semestre da Licenciatura em Animação Cultural e Educação Comunitária, lecionada pelo docente Ramiro Marques, foi-nos solicitada a realização de um trabalho, relacionado com a temática da unidade curricular. Assim, e depois de um breve estudo, na lista disponibilizada pelo docente no seu site, sobre vários temas possíveis de ser explorados, optámos por trabalhar a Ética de Karl Marx. Para tal, começámos por explorar os textos da autoria do docente, que se encontram também nesse site, bem como numa outra página sua, na internet. . De seguida, iniciámos uma pesquisa sobre a vida e obra de Karl Marx. Partimos para execução de um plano de trabalho, que nos orientasse na exploração de conceitos, relacionados com esta ética. Por conseguinte, começámos a definir os conceitos justificativos à Ética de Karl Marx: materialismo dialéctico; luta de classes; e sociedade comunista. Respeitando a ordem do nosso plano de trabalho, procedemos à elaboração de um texto sobre a ética burguesa, em oposição à moral burguesa. Por fim, identificámos os valores éticos e morais, defendidos por Marx, em oposição aos valores de uma sociedade capitalista.

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Biografia de Karl Marx

Foto1: Karl Marx/ Citação

Filósofo e economista, historiador e sociólogo, alemão, Karl Heinrich Marx, nasceu em Trier, mais especificamente no sul da Alemanha, a 5 de Maio de 1818. Ambos os pais, descendiam de judeus, mas teriam no entanto, se convertido mais tarde ao protestantismo. Karl Marx obteve uma educação burguesa, tendo estudado na sua terra natal, em Bona e em Berlim, de 1836 a 1841, sendo neste momento que entra em contacto com a filosofia hegeliana, filosofia esta que viria a marcar o resto da sua vida, a nível da sua formação intelectual. Devido às opiniões políticas, por Marx manifestadas, este viu-se obrigado a abandonar os estudos de Direito que tinha já iniciado, e assim se dedicou à escrita de artigos jornalísticos, para a revista Rheinish Zeitung, da qual se assumiu como Diretor, em 1842. Um ano depois, esta publicação é proibida, e Marx abandona a Alemanha, para se instalar na Cidade de Paris. É neste momento que Marx conhece Friedrich Engels1, com quem estabelece uma colaboração, que se manterá ao longo da vida de ambos. Em 1843 Marx, casa-se com a namorada de infância, Jenny Von Westphalen.

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Friedrich Engels, nascido em Barmen, em 1820, foi um teórico revolucionário alemão, que junto com

Karl Marx, fundou o chamado socialismo científico ou marxismo. Ele foi coautor de diversas obras com Marx, sendo que a mais conhecida é o Manifesto Comunista. Também ajudou a publicar, após a morte de Marx, os dois últimos volumes de O Capital, principal obra de seu amigo e colaborador.

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Em 1845 é expulso de França, e muda-se para a Cidade de Bruxelas, de onde também é mais tarde expulso, mudando-se posteriormente para Londres, em 1847,momento que marca a sua ligação à Liga dos Comunistas. É neste momento que juntamente com Engels, Marx escreve o ³Manifesto Comunista´, publicado em 1848, obra esta que se converteria no manual do socialismo revolucionário. Com o rebentar da revolução, neste mesmo ano, Marx parte para a Alemanha, de onde é expulso no ano seguinte, e volta assim para Londres. De regresso a Londres, Marx é testemunha da impiedosa exploração das classes trabalhadoras, durante o começo da industrialização. Em 1950, Marx encontra-se no mais alto nível de pobreza, passando à dependência absoluta, da ajuda económica, que Engels, lhe prestava. Neste ponto, é preciso salientar que Marx viveu toda a sua vida a estudar, a escrever e a organizar movimentos operários europeus, sem nunca desenvolver qualquer atividade profissional renumerada, valendo-lhe este apoio financeiro, de Engels. Inclusive, três dos seus filhos morreram muito novos, por faltas de cuidados médicos e a sua família viveu sempre rodeada de grandes dificuldades económicas. Em 1864, o isolamento político de Marx termina, com a Fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores, que o adotou como líder intelectual, após a derrota do anarquista Mickhail Bakunin. Relativamente aos seus estudos na área da economia, estes foram compilados em três volumes, cujo título ³ O CAPITAL´. É preciso salientar, que o primeiro dos volumes, fora publicado no ano de 1867, e os dois restantes, só viriam a ser publicados mais tarde, após a sua morte, pelo seu amigo, e grande filósofo, Engels. Muitos consideram esta obra como o marco, do pensamento socialista marxista. Para além, de se destacar em ³O CAPITAL´, Marx deixou-nos ainda um grandioso número de ensaios e tratados, na área da História, da Política, e da Sociologia: Os Manuscritos Económico ± Filosóficos; Manifesto do Partido Comunista; Contributo para a Crítica da Economia Política; Miséria da Filosofia; A Ideologia Alemã; Crítica da Filosofia do Direito de Hegel; A Guerra Civil em França e Crítica do Programa de Gotha.

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Foto2: Volume 1, da obra - O Capital

Na última década da sua vida, a sua militância tornou-se um pouco mais crítica e indireta. Em 1883, viria a falecer, na cidade de Londres, após longos meses de doença grave, que seria agravada pela morte de sua mulher, bem como da sua filha mais velha.

Conceito de Marxismo
Marxismo diz respeito ao Conjunto de teorias socioeconómicas, derivadas do pensamento de Karl Marx, e que a intelectualidade socialista do primeiro quartel do século XVIII, elevou à categoria de doutrina política.

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Conceitos justificativos da Ética de Karl Marx

Materialismo Dialéctico
Karl Marx iniciou as suas noções com base nas escritas de um filósofo, G. W. F. Hegel, o qual desenvolveu o conceito da dialéctica (dia - ideia + léctica - ciclos), visto que Hegel estuda a ³ideia´, com a estrutura de um ciclo. Marx, porém, não se limita ao estudo das "ideias", mas da história materialista. Discordando da forma como Hegel propôs a sua dialética, mas concordando em parte com a mesma, Marx inverteu o sentido do conceito definido por Hegel, visto que este pretende aplicá-lo na sociedade. ³Hegel entende que a história é a evolução da ideia e na evolução histórica o papel fundamental cabe à antítese.´ Só a luta, a oposição, ou mesmo a guerra, é criadora, pois só do confronto surge a síntese, e só esta comporta a novidade e mudança e só esta faz ouvir a história.´ A alteração feita por Marx deu origem á ideia de que a ³História é entendida como um produto da Luta de classes e a luta de classes é vista como o motor da História.´ Posto isto, chegamos á conclusão de que Hegel utilizava um ciclo descrito por tese, síntese e antítese, o qual Marx utilizou para aplicar na sociedade, mas alterando a ordem, primeiro, tal como Hegel tem a tese, depois alterou para antítese e síntese. Marx afirma que as origens das mudanças sociais são todas materialistas. Para a sociedade de hoje, esta forma visionária das mudanças sociais, significa que pertencem às dimensões culturais da tecnologia e da economia. Durante o desenvolvimento da tecnologia os povos passaram de caçadores ± recolectores, à prática da agricultura, depois sucedeu-se a Revolução Industrial, as alterações na tecnologia conduziram a mudanças na organização social, nas crenças e nos valores. O povo de caçadores- recolectores segundo Karl Marx, praticava uma forma de ³Comunismo Primitivo´. Neste tipo de sociedades agrárias, que o filósofo considerou como feudais, o principal conflito acontecia entre os proprietários das terras (latifundiários ou aristocratas) e os que trabalhavam as terras (servos). O principal conflito na era industrial ocorria entre:  Os operários, a quem Marx chamou de proletariado (a partir do Latim), que sobreviviam da venda do seu trabalho.

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Os Industriais, a quem Marx chamou de burguesia (das palavras de origem latina Burgo e Burguês), estes precisavam do trabalho alheio, para fazer lucro.

A classe explorada (proletariado) era favorável e beneficiária da mudança no sentido de uma maior igualdade, enquanto a classe exploradora (burguesia) resistia a esta mudança. A sociedade possui a capacidade para a sua própria destruição, o comunismo foi substituído pelo feudalismo devido á sua queda, depois caiu o feudalismo, que foi mais tarde substituído pelo capitalismo, aquando a queda deste. Karl Marx, desejava que o capitalismo caísse, devido à dinâmica de tensão entre trabalhadores e proprietários e a consequente revolução, resultaria no comunismo, no qual o estado se afastaria e a economia seria baseada na máxima: ³De cada segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades´.

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Luta de classes
Luta de classes, diz respeito à designação dada pelo ideólogo comunista Karl Marx, em conjunto com Friedrich Engels, para classificar o que tomavam como confronto, entre o que consideravam os opressores - classe burguesa, e os oprimidos, o proletariado - consideradas pelos mesmos como classes antagónicas, e absolutamente caracterizadoras do regime de produção capitalista. Esta luta de classes é visível sobre vários domínios (nomeadamente económico, ideológico e político. Na base do pensamento, de Karl Marx está a ideia de que tudo está em constante processo de mudança. Os conflitos que resultam das contradições de uma mesma realidade, são exatamente os responsáveis por essa mesma mudança. Assim, para Marx, o conflito que explica a história é a luta de classes. Segundo Marx, as sociedades assumem determinada estrutura, de modo a prever, somente os interesses da classe, que domina. No capitalismo, a classe dominante é a Burguesia, e aquela que vende a sua força de trabalho e recebe apenas parte do valor daquilo que produziu, denomina-se de proletariado. A história evolui à medida que a luta de classes também vai evoluindo. A partir do momento em que tivermos uma sociedade sem classes, assistimos ao fim da história. Sendo que para Marx, o Comunismo representa exatamente esse fim da história. Marx explica-nos a evolução histórica da seguinte forma:  Numa primeira fase, haveria uma sociedade sem classes, que tanto Karl Marx, bem como Engels, determinaram como comunismo primitivo, no sentido da partilha integral de bens por todos;  Numa fase posterior, aparece-nos a propriedade privada, no que diz respeito aos meios de produção (antítese). É então a partir deste momento, que começa a luta de classes. É preciso compreender que a antítese engloba uma evolução das relações de produção (que passou do regime esclavagista, para o feudal, e por consequência para o capitalista). O regime defendido por Marx, regime socialista, corresponde então à síntese.

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Neste domínio, há que diferenciar que Marx e Engels, apresentam-nos uma ética diferente. Enquanto para Marx, alvo do nosso estudo, são as forças materiais, que determinam, a evolução da história, para Engels são as ideias que nos conduzem à história. Há neste sentido, uma clara alteração radical, do idealismo para o materialismo. Centrando-me no ponto importante, Karl Marx, defende que as ideias dominantes em certa época ou em certo país, não são ideias puras, não descendem de Deus ou da Razão, nem são estas que determinam a vida ou a evolução da história. Estas não passam de um espelhar das relações materiais (económicas e/ou sociais), entre fortes e fracos, ricos e pobres, dominadores e dominados. Partindo deste princípio, Marx, diz-nos que quem domina a história não é deus, nem as ideias, nem os homens (nem aqueles considerados como homens grandiosamente cultos), mas sim as forças materiais, as forças económicas e produtivas. Deste modo, parece-nos percetível, que numa religião onde não existem classes, a religião não assume qualquer lugar, uma vez que segundo Marx, esta só é precisa para manter e justificar as desigualdades a nível social e a alienação. No entanto é preciso compreender, que a moral, que está ao dispor da classe dominante, não será posta de lado, com o Comunismo (sendo que esta varia de acordo com o tipo de sociedade em que se aplica, bem como com o regime económico instaurado). Como exemplo, no regime esclavagista, existia uma moral claramente esclavagista, assim como no regime feudal, havia um moral feudal, e assim consequentemente, sendo percetível que num regime determinantemente socialista reinará uma moral socialista. Perguntamo-nos então nesta medida, qual a função que a moral exerce. A moral diz respeito à proteção do modo de produção, e das estruturas de classe em cada tipo de sociedade: cada modo de produção gera determinadas ideias e sentimentos sobre o bem e o mal, determinantes para manter esse modo de produção. Assim tudo o que trate de manter este modo de produção é tido como bom, e o que o possa colocar em causa, como moralmente mau. É neste sentido, que Marx, levando a sua tese, até às últimas consequências defende a emergência de um homem novo, com uma nova moral, mostrando-nos que ambas as coisas só são possíveis a partir do momento que se abolirem as classes sociais. Antevê assim a criação de uma sociedade de igualdade, onde a partilha entre 10

todos é a base, e o egoísmo desaparece. A partir deste momento deixaria de existir um Estado, bem como exércitos, polícias, igrejas e até mesmo a família. É claro que isto tudo pode ser contestável, até porque no século XX, foram enumeras as tentativas de implementar esta teoria de um ³Homem novo´, bem como de uma ³nova moral´, e todas essas experiencias fracassaram, deixando para trás um elevado número de pobreza, de assassínios, e consequente um atraso tecnológico e sinais claros de destruição e selvageria. O marxismo prevê assim, que o proletariado se libertará dos vínculos que mantém com as forças opressoras, dando origem a uma nova sociedade.

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Sociedade Comunista
O comunismo é promover o
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uma ideologia de

política e

socioeconómica,

que sem

pretende classes

estabelecimento

uma sociedade igualitária,

sociais e apátrida , baseada na propriedade comum e no controlo dos meios de produção e da propriedade em geral. Karl Marx referiu que o comunismo seria a fase final na sociedade humana, o que seria alcançado através de uma revolução proletária. O "comunismo puro", no sentido marxista refere-se a uma sociedade sem classes, sem Estado e livre de opressão, onde as decisões sobre o que produzir e quais as políticas a implementar, são tomadas democraticamente, permitindo que cada membro da sociedade possa participar no processo decisório, tanto na esfera política, como económica, da vida da sociedade. Como uma ideologia política, o comunismo é geralmente considerado como a etapa final do socialismo, um grupo amplo de filosofias económicas e políticas que recorrem a vários movimentos políticos e intelectuais, com origens nos trabalhos de teóricos da Revolução é o Industrial e da Revolução Francesa. Pode-se uma dizer o comunismo contrário do capitalismo, oferecendo alternativa para

os problemas da economia de mercado capitalista e do legado do imperialismo e do nacionalismo. Marx afirma que a única maneira de resolver esses problemas seria pela classe trabalhadora (proletariado), que, segundo Marx, são os principais produtores de riqueza na sociedade e são explorados pelos capitalistas de classe (burguesia), substituindo a burguesia, por um povo igualitário - proletariado, a fim de estabelecer uma sociedade livre, sem classes ou divisões raciais. As formas dominantes de comunismo, como Leninismo, Maoísmo são baseadas no Marxismo, embora cada uma dessas formas tenha modificado as ideias originais, com versões não-marxistas do comunismo (como o Comunismo Cristão e o Anarco-Comunismo) também existem. Karl Marx, nunca forneceu uma descrição detalhada de como o comunismo poderia funcionar como um sistema económico (tal foi feito por Lenine), mas subentende-se que uma economia comunista, consistiria na propriedade comum dos meios de produção, culminando com a negação do conceito de propriedade privada do capital, que se refere aos meios de produção, na terminologia marxista. No uso moderno, o comunismo é muitas vezes usado para se referir ao Bolchevismo, na

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Apátrida, trata-se de um individuo que não possui uma pátria, não assume uma identidade verdadeira.

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Rússia, ou o Marxismo-Leninismo, designação mais empregue, noutros países. Como um movimento político, o sistema comunista teve governos, que apresentavam como regra, uma preocupação de fundo para com o bem-estar do proletariado, segundo o princípio "a cada um segundo as suas necessidades, de cada um segundo as suas capacidades´.

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Ética Burguesa como oposição à Moral Proletária
A teoria marxista, procura explicar a evolução das relações económicas nas sociedades humanas, ao longo do processo histórico. Segundo a conceção marxista, é notável uma permanente dialética das forças entre poderosos e fracos, opressores e oprimidos, sendo deste modo a História da Humanidade, constituída por uma permanente luta de classes. Isto é visível, na primeira fase do primeiro capítulo do Manifesto Comunista, escrito por Marx, intitulado de Burgueses e Proletários.

|A HISTÓRIA DE TODA A SOCIEDADE ATÉ AQUI, É A HISTÓRIA DE LUTAS DE CLASSES.}

Foto3: Capa d`O Manifesto Comunista 1

Foto4: Primeira Frase, do 1 capítulo 1

A história passada de toda a sociedade, é a história da luta de classes. Para Engels, estas classes são ³o produto das relações económicas da sua época´. Apesar das diversidades notáveis, a escravidão, a servidão e o capitalismo, seriam as etapas sucessivas, de um processo exclusivo. Na base de toda a sociedade, encontra-se a produção económica. Perante esta base económica, encontramos uma superestrutura, um estado e as ideias que se estabelecem sobre o mesmo (económicas, sociais, políticas, morais, filosóficas e mesmo artísticas). Marx pretende a inversão da pirâmide social, melhor dizendo, quer meter no poder, a maioria, ou seja os proletários, sendo do seu ponto de vista, a única força capaz de destruir a sociedade capitalista e construir uma nova sociedade, sociedade esta de carácter socialista, cuja Marx defende.

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Deste modo, para Marx, os trabalhadores estariam assim dominados por uma ideologia da classe dominante. As crises económicas atingiriam o capitalismo, tendo este se tornado o impedimento, para o desenvolvimento, das forças produtivas. É aqui que Marx enquadra os valores do socialismo, uma vez que para ele, a ideia de que uma humanidade inteira se dedica a trabalhar e a produzir, subordinada a um lote de grandes empresários, é impensável. A economia do futuro, que associaria todos os homens e povos do planeta, do ponto de vista de Marx, só poderia então ser uma produção controlada por estes homens. Para Marx, é claramente visível que quanto mais o homem se unifica, no domínio económico, mais ela necessita então de socialismo. Para que haja uma revolução, não basta existir uma crise económica, as ações que as classes sociais tomam, é que são o ponto decisivo para esta revolução. Do ponto de vista de Marx, bem como de Engels, em toda e qualquer sociedade, em que a propriedade é privada, existem lutas de classes (senhores - escravos; nobres feudais - servos; burgueses - proletários). A luta que o proletariado exerce, não deveria reger-se segundo Marx, apenas pela luta que os sindicados exercem, na procura de melhores renumerações e condições de vida, esta luta deveria assumir-se como uma luta ideológica, onde o socialismo fosse dado a conhecer aos trabalhadores, para que os mesmos o pudessem assumir, como luta politica, na tomada de poder. Marx, defende que neste campo, o proletariado deveria tomar como arma fundamental ± o poder político ± sendo este de caracter revolucionário, com uma estrutura democrática, capaz de educar os trabalhadores, no sentido de os levar a organizar-se para tomar o poder, através de uma revolução, de carácter socialista. Para justificar, esta sua posição, Karl Marx, demonstra-nos como no Capitalismo, haverá sempre algum tipo de injustiça, a nível social (sendo que a única forma de se ficar rico, seria a exploração dos trabalhadores ± classe proletária). O Capitalismo, é então nos demonstrado por Marx, como algo selvagem, no sentido em que é o operário produz mais para o seu patrão, do que o seu próprio custo para a sociedade. O capitalismo apresenta-se deste modo como um regime económico, que é necessariamente de exploração. É neste sentido, que Marx expõe a lei fundamental do sistema, designada por ³mais-valia´. O conceito da mais-valia, justifica então a obtenção de lucros, no regime capitalista. Partindo do princípio, de Marx, o trabalho gera a riqueza, portanto, a mais-valia 15

trata-se do valor extra da mercadoria, ou seja a diferença entre o que o empregado produz e o que ele recebe. Exemplo: Os operários em determinada produção produzem bens (Ex: 100 carros num mês), se dividirmos o valor dos carros pelo trabalho realizado dos operários, chegamos ao valor do trabalho de cada operário. Entretanto, estes carros são vendidos por um preço maior, e esta diferença traduz-se no lucro do proprietário da fábrica, a esta diferença Marx denomina então de valor excedente ou mais-valia. Como sabemos, na sociedade burguesa, há luta de classes, havendo claramente uma moralidade de classe, assumindo-se, conservadora ou revolucionária. Encontramos portanto no domínio do relativismo da moral, uma vez que a moralidade burguesa assume-se de determinada forma, e a moralidade proletária de outra, sendo que para esta tudo o que conduza à derrota da burguesia e à vitória do proletariado é justo (mesmo que para isso sejam precisas cometer atitudes que a moral burguesa condena). Assim, para Marx, a moral não existe fora da sociedade, e não existem nem leis morais, nem leis naturais, eternas. A moral depende das condições económicas, e apresenta-se sempre ao dispor da classe que domina. Serve como exemplo, uma sociedade que é dominada pela ditadura do proletariado, apresenta uma moral, que está claramente ao serviço da luta de classes e do partido dirigente.

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Valores éticos e morais, privilegiados por Karl Marx
Em primeiro lugar, o Marxismo é uma crítica permanente ao Capitalismo - ao criticar as consequências do mesmo na sociedade. Ao falarmos destas consequências é percetível que tenha de se falar de certos valores, que contrapõem os valores que o capitalismo limita, ou mesmo nega. Em segundo lugar, e sendo o Marxismo uma utopia de emancipação social, humana, ou de nova sociedade, como alternativa social, na qual desaparecem os males sociais criticados, este projeto Socialista - Comunista, privilegia os valores de igualdade, justiça, liberdade e dignidade humana. Para que estes valores dominem as condições de existência, Marx considera três conceitos determinantes para que isto se concretize:  Desejável: Pela superioridade dos valores defendidos, sobre aqueles que regem o capitalismo, e por responder ao interesse, bem como necessidades de toda a sociedade;  Possível: Se existirem as condições históricas e sociais para a sua realização;  Realizável: Se dadas essas condições, os homens tomarem

consciência da necessidade e possibilidade de uma nova sociedade, organizando-se e atuando, no sentido de a instaurar. A crítica de Marx ao capitalismo justifica-se então pela profunda desigualdade n o acesso à riqueza social, bem como às injustiças que dela derivam; pela negação ou limitação das liberdades individuais e coletivas, ou minimização das mesmas; pelo modo como os homens são tratados (nomeadamente a nível da produção e do consumo), sendo estes interpretados como simples meios ou instrumentos. Deste modo percebe-se que tudo isto limite os valores defendidos por Marx, os quais já referimos a cima.

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Conclusão
Depois de todo o trabalho por nós desenvolvido, chegámos à conclusão de que Marx, era possuía um apurado senso analítico e um caracter bastante impetuoso, que utilizava para se impor, até na relação com a família e com os amigos. A sua análise da história e da sociedade capitalista baseia-se num conceito materialista (por oposição ao conceito idealista de Hegel), segundo o qual o desenvolvimento da sociedade é determinado, pelas formas de produção (economia). Na sua análise do capitalismo, Marx afirmava que as classes trabalhadoras assumiriam o poder através da revolução, e estabeleceriam uma ditadura do proletariado, que evoluiria para a criação de uma sociedade sem classes, ou seja socialista. Enquanto doutrina política, o marxismo exerceu uma influência, sem paralelo, sobre o pensamento social e a política internacional. A evolução política da última metade deste século, que cristalizou nos acontecimentos mais recentes no centro e leste da Europa, com a falência das sociedades teoricamente baseadas no marxismo, veio provar, no entanto, que as teorias e o pensamento de Karl Marx, estavam longe de constituírem uma ³ciência da história´, na realidade pouco sobreviverem à sua época.

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Bibliografia 
SOARES, Maria Fernanda Martins Soares; MAFRA Isabel; COSTA Emília Celestino; CARDOSO Artur Lopes; PINHEIRO Jorge; LOURENÇO João; ³Nova Enciclopédia Portuguesa´; volume 8, Editora Clube Internacional do Livro. Alves Fátima; ARÊDES José; CARVALHO José; ³Pensar Azul´ ± Filosofia 10ºano; Texto Editores; 

Fontes da Internet
http://www.eses.pt/usr/ramiro/docs/etica_pedagogia/A%20%C3%89TIC A%20DE%20KARLMARX[1].pdf y y y y http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/karl-marx http://pt.wikipedia.org/wiki/Materialismo_dial%C3%A9tico http://prof-hugofonseca.blogspot.com/2010/06/karl-marx-aula-ii.html http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/campus/marxispt/cap. 12.doc

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